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CURSO SUPERIOR Profa.

Silvânia Mendonça Almeida Margarida Belo Horizonte–MG

2005

elaborado por silvania mendonça almeida margarida

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SUMÁRIO
CURSO SUPERIOR.........................................................................................................................................1 BELO HORIZONTE–MG.................................................................................................................................1 SUMÁRIO...........................................................................................................................................................2 PLANO DA DISCIPLINA...............................................................................................................................3 PROFESSORA: SILVANIA MENDONÇA ALMEIDA MARGARIDA.....................................................3 FICHA 1...........................................................................................................................................................5 NOÇÕES METODOLOGICAS DE LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO.....................................5 FICHA 2- LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO..............................................................................................8 FICHA 3- ESQUEMA PARA DISCUSSÃO SOBRE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO.......................10 1.LEITURA: ....................................................................................................................................................10 COMUNICAÇÃO............................................................................................................................................10 TEXTO 5 -SKETCHS......................................................................................................................................14 TEXTO 6........................................................................................................................................................14 FICHA 4.........................................................................................................................................................15 LINGUAGEM : CONCEITOS......................................................................................................................15 FICHA 5 - O SIGNO LINGÜÍSTICO...........................................................................................................17 FICHA 6- FALA E ESCRITA: MODALIDADES DA LÍNGUA.................................................................18 FICHA 7.........................................................................................................................................................24 ROTEIRO PARA A DISCUSSÃO SOBRE AS MODALIDADES DE USO DA LÍNGUA: A FALA E A ESCRITA........................................................................................................................................................24 FALA: CARACTERÍSTICAS......................................................................................................................24 ESCRITA: CARACTERÍSTICAS................................................................................................................25 FICHA 8.........................................................................................................................................................26 ANÁLISE DE TEXTOS: TRABALHANDO A RELAÇÃO FALA-ESCRITA...........................................................26 FICHA 9.........................................................................................................................................................28 EXERCÍCIOS (RELAÇÃO FALA-ESCRITA).....................................................................................................28 TEXTO 1.....................................................................................................................................................28 TEXTO 2TRADIÇÃO....................................................................................................................28 TEXTO 3: ZILZINHO.......................................................................................................................29 FICHA 10.......................................................................................................................................................30 ANÁLISE DA CONVERSAÇÃO.................................................................................................................30 FICHA 11 - TEXTO E CONTEXT0..............................................................................................................31 FICHA 12 - O TEXTO E SUAS MODALIDADES......................................................................................32 FICHA 13.......................................................................................................................................................33 TIPOLOGIA TEXTUAL: DESCRIÇÃO, NARRAÇÃO E DISSERTAÇÃO..............................................33 FICHA 14 - RECEITA PARA UM TEXTO DISSERTATIVO/ARGUMENTATIVO................................35 FICHA 15 - TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ESCRITA: ORGANIZANDO AS IDÉIAS.....................36 FICHA 16- REDAÇÃO TÉCNICA: O RELATÓRIO: INTRODUÇÃO...........................................................38 FICHA 17 - ROTEIRO SOBRE TIPOLOGIA TEXTUAL:..........................................................................40 TEXTO LITERÁRIO & TEXTO NÃO-LITERÁRIO.................................................................................................40 NOTÍCIA DE JORNAL...................................................................................................................................42 TRAGÉDIA BRASILEIRA...........................................................................................................................42

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FICHA 18 - O TEXTO PUBLICITÁRIO NA ÁREA DE TURISMO.........................................................43 FICHA 19 - COMO REDIGIR TEXTOS DE PROPAGANDA?..................................................................44 A IMPORTÂNCIA DA PUBLICIDADE NA ÁREA DO TURISMO..........................................................44 FICHA 20 - CONSTRUÇÃO DE TEXTOS ATRATIVOS NA ÁREA DE TURISMO:.............................46 LINGUAGEM E PERSUASÃO....................................................................................................................46 FICHA 21 -CRIANDO TEXTOS PUBLICITÁRIOS NA ÁREA DE TURISMO.......................................48 FICHA 22 - FUNÇÕES DA LINGUAGEM..................................................................................................50 EXERCÍCIO........................................................................................................................................52 FICHA 23 - ROTEIRO DE LEITURA- CAP.1 E CAP.2 DO LIVRO..........................................................53 "FUNÇÕES DA LINGUAGEM" DE SAMIRA CHALHUB........................................................................53 CAP. 2- FUNÇÃO REFERENCIAL...........................................................................................................54 FICHA 24 - ROTEIRO DE LEITURA DO LIVRO “AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM”- SAMIRA CHALHUB (CAP. 3 E CAP.4)......................................................................................................................54 FICHA 25 - FUNÇÃO FÁTICA DA LINGUAGEM....................................................................................56 FICHA 26 - EXERCÍCIO DE REVISÃO......................................................................................................56 FICHA 27 - QUADRO DE RESUMO DAS FUNÇÕES DA LINGUAGEM...............................................57

PLANO DA DISCIPLINA CURSO: DISCIPLINA: Comunicação e Expressão 1 CARGA HORÁRIA: 72 h PROFESSORA: SILVANIA MENDONÇA ALMEIDA MARGARIDA
Objetivo: Desenvolver uma competência comunicativa no aluno, considerando as várias estratégias de comunicação e articulando a expressão escrita à oralidade.

Ementário: Linguagem e comunicação. Elementos do esquema de comunicação: emissor, mensagem, receptor, canal, código, contexto. Funções da linguagem e sua aplicabilidade em textos da área de Turismo e no Direito. O texto publicitário: a importância da função apelativa na propaganda turística. A comunicação oral: articulando o verbal e o não-verbal. A expressão escrita: características dos diversos tipos de textos. O texto dissertativo: argumentação e contra-argumentação.

Programa (Plano de ensino):

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1. Linguagem e comunicação : o processo de comunicação. Elementos do esquema de comunicação : emissor, receptor, canal, código, contexto, mensagem. Funções da linguagem (emotiva, conativa, referencial, metalingüística, poética, fática). Análise de textos que exploram diferentes funções da linguagem. O texto publicitário e sua importância para o Turismo: enfatizando a função apelativa da linguagem. A função referencial em textos jornalísticos. 2. Comunicação oral e escrita : fala e escrita: características e usos das diferentes modalidades da língua. A importância dos marcadores de fala na organização do texto oral. Adequação da linguagem à situação comunicativa. Níveis de linguagem: coloquial-popular, formal-culto, técnico-profissional, artístico. A comunicação escrita: planejamento de idéias. Tipologia textual: narração, descrição, dissertação. O texto dissertativo: argumentação e contra-argumentação Produção e compreensão de textos diversos. 3. Comunicação verbal e não-verbal: leitura e produção de textos que exploram o código verbal e o não –verbal, a coerência entre a palavra e a imagem, a importância da linguagem icônica na era das novas tecnologias, tipos de signos : ícone, índice, símbolo.

REFERÊNCIAS Básica: BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de comunicação escrita. São Paulo : Ática, 1999. BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz?. São Paulo : Loyola, 2000. BOAVENTURA, Edivaldo. Como ordenar as idéias. São Paulo : Ática, 1990. CHALHUB, Samira. Funções da linguagem : Ática, 1995. VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita . São Paulo : Martins Fontes, 1991. Complementar: MARTINS, Jorge S. Redação publicitária: teoria a prática. São Paulo : Atlas, 1997. MEDEIROS, João B. Comunicação escrita: a moderna prática da redação. São Paulo : Atlas, 1992. PLATÃO & FIORIN. Para entender o texto. São Paulo : Ática, 1990. VALENTE, André. A linguagem nossa de cada dia. Petropólis : Vozes, 1997. TERRA, Ernani. Linguagem, língua e fala. São Paulo : Scipione, 1997.

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FICHA 1 NOÇÕES METODOLOGICAS DE LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

1. O ATO DE LER A leitura não pode ser encarada como simples decodificação de signos, atividade mecânica que determina uma postura passiva diante do texto. Paulo Freire (1985: 11) diz: "A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto". A leitura é uma atividade necessária no mundo de hoje e não deve restringir-se às finalidades de estudo. É preciso ler para se informar, para participar, para ampliar conhecimentos e alcançar uma compreensão melhor da realidade atual. A leitura é um processo de reconstrução textual, segundo Tzevtan Todorov. 2- ESTRATÉGIAS DE LEITURA: A TÉCNICA DE SUBLINHAR

principalmente. da evasão. por parte do público. à margem do texto. destrezas. Informar: difusão de notícias 2. a fim de identificar as idéias principais. esclarecimentos de dúvidas de vocabulário. as palavras que contêm a idéia-núcleo e os detalhes importantes. os argumentos discutíveis. acompanhada. A segunda função atende à procura da distração. a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. assinalar. divertir. termos técnicos e outros. reconstruir o texto . de divertimento. esquematizar. a votar certo candidato. ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido. antes de tudo. relatos. Divertir: distração 3. aplicar em citações e. EXEMPLOS: Captando as idéias centrais do texto: "Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar.é realizada de modo direto ou indireto. sobre a realidade. com um ponto de interrogação. A primeira diz respeito à difusão de notícias. por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. memorizar. etc. preparar uma revisão rápida do assunto. 3. em cada parágrafo. ou não de interpretações ou explicações. Funções básicas: 1. sublinhar ." (Samuel Pfromm Neto) ESQUEMA Meios de comunicação de massa. tomando as palavras sublinhadas como base. A quarta função . planos. Ensinar: ampliar conhecimentos/ formação do indivíduo. pois este é o único processo que permite a seleção do que importante e do que é secundário. a compreensão do texto. as passagens obscuras. resumir. A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos: • • • • • • • leitura integral do texto. os casos de discordâncias. Para sublinhar é indispensável. persuadir e ensinar.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 6 Sublinhar é uma técnica empregada com diversos objetivos: assimilar melhor o texto. Uma terceira função é persuadir o indivíduoconvencê-lo a adquirir certo produto.ensinar . COMO REDIGIR RESUMOS . releitura do texto . para tomada de contato. comentários etc. Persuadir: convencer 4. intencional ou não.

ou mesmo o estado geral das tarefas de uma equipe. respeitar a ordem das idéias e fatos apresentados. mas para mantê-la não é necessário transcrever frases ou trechos do original. . S. sobre a situação geral das coisas. de maneira sucinta . repete-se o processo para o período que vai até a reunião seguinte. uma reunião desse tipo tende a ser. 1996. o objetivo é avaliar o andamento de uma atividade ou projeto. Dada essa sua característica de estar orientada para uma finalidade muito particular. apontar as conclusões do autor. • Um resumo bem elaborado deve obedecer aos seguintes passos: apresentar. o assunto da obra/texto. • ADAPTAÇÃO BASEADA NO LIVRO LÍNGUA PORTUGUESA: NOÇÕES BÁSICAS PARA CURSOS SUPERIORES DE ANDRADE & HENRIQUES. ESQUEMA/RESUMO EXERCÍCIO: Elaborar um esquema e um resumo do texto abaixo: "As reuniões periódicas de avaliação do progresso são instrumento fundamental de planejamento e controle da equipe. evitar transcrição de frases do original. (Maximiano. e pode começar com uma apresentação feita pelo líder. extremamente objetiva e de curta duração". não apresentar juízos críticos ou comentários pessoais. empregar linguagem clara e objetiva. • Exige-se fidelidade ao texto . sem acréscimo de qualquer comentário ou julgamento pessoal de quem elabora o resumo. quando bem administrada. As opiniões e os pontos de vista do autor devem ser respeitados. e tomar as decisões necessárias a seu controle. 6. Em seguida.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 7 1. Como o próprio nome sugere. 2. 5. ATLAS.P. 4. 3. cada um dos membros pode fazer um relato das atividades sob sua responsabilidade. Depois disso. Uma reunião destas também serve para reavaliar em que pé estão as decisões tomadas na reunião anterior. ao contrário. especificando-se então quais são os planos e medidas corretivas colocados em prática nesse período. deve-se empregar frases com palavras o vocabulário que se costuma usar. 1986: 60). sob o ponto de vista técnico e administrativo.

que significa palavra. cultural etc. um tipo de linguagem não-verbal. É. portanto. para comunicar e. vem de verbum. formado por um conjunto de sinais (as palavras) e por uma gama de regras para sua combinação . a língua possui um caráter social  esta é patrimônio de toda uma coletividade. A fala é a maneira individual de cada pessoa se expressar. escultura e outros tipos de manifestações artísticas que se utilizam de outros signos. Enquanto a fala é revelada como um ato individual. nem modificá-la. assim. podem ser classificadas como linguagem não-verbal. como no caso do Brasil. Apesar de os falantes estarem usando uma mesma língua. e o outro.LINGUAGEM. A língua que você usa para atos de comunicação é a linguagem verbal. criando. uma instituição social de caráter abstrato que somente se concretiza através da fala. Entretanto. a linguagem pode ser: 1. A linguagem pode ser definida como um processo de comunicação de uma mensagem entre dois sujeitos falantes. portanto. utiliza-se a língua portuguesa. Os sinais empregados pelos surdos-mudos para efeito de comunicação constituem. o conjunto de sinais de trânsito utilizados para orientar os motoristas e as bandeiras que orientam os pilotos em corridas de automóveis constituem um tipo de linguagem não-verbal. pertencente a um grupo de indivíduos. Verbal: aquela cujos sinais são as palavras. o destinatário ou receptor. sendo um o destinador ou emissor.LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO I. 2. LÍNGUA E FALA: DEFINIÇÕES Inúmeras vezes você já deve ter ouvido alguém falar sobre a importância da comunicação. portanto. não pode nem criá-la. por sua vez. além de determinados fatores de ordem social. ao passo que aquela é resultado das realizações individuais de cada indivíduo. Não-verbal: aquele que utiliza outros sinais com exceção das palavras. as bandeiras mostradas nas corridas de automóveis. ideológica. Mas o que significa exatamente comunicar? A própria palavra parece nos dar a resposta. Ela não existe senão em virtude duma espécie de contrato estabelecido entre os membros da comunidade. Entende-se a fala como ato individual que varia de indivíduo a indivíduo de acordo com a personalidade de cada um. . exterior ao indivíduo. uma vez que sua raiz é a palavra comum. A língua é a parte social da linguagem. pelo menos. Do mesmo modo. a língua portuguesa é patrimônio de toda a comunidade de falantes da língua portuguesa e só a comunidade pode agir sobre ela. muito propriamente denominado linguagem dos surdosmudos. comunicar é o ato de tornar uma mensagem comum ou conhecida ao seu interlocutor.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 8 FICHA 2. etc. por si só. com exceção da palavra.. portanto. De acordo com o sistema de sinais que utiliza. pintura. filmes. desenhos. cada membro da comunidade pode usar a língua de forma particular. Vários tipos de linguagem podem ser utilizados para exercermos atos de comunicação: a linguagem dos surdos-mudos. que. que. Por exemplo.. A palavra verbal provém do latim verbalis. a linguagem é todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar atos de comunicação. a fala. Em resumo. Trata-se de um sistema de natureza gramatical. Além da dança. as placas de sinais de trânsito.

culturas diversas. Ex: conversas familiares. ou seja. já que cada um tem expectativas diferentes.. utilizam no exercício de suas atividades corresponde a um nível chamado profissional ou técnico. Mesmo dentro de uma mesma região. ou níveis de fala. já que une a fala coloquial e a popular num primeiro nível. bate-papos informais. pois. No estado de São Paulo. além do coloquial-popular e do formal-culto. 4. vários estudiosos distinguem diferentes níveis de linguagem. economistas etc. Caracteriza-se pela espontaneidade. tais como: 1. não estamos muito preocupados em saber se aquilo que falamos está de acordo ou não com as normas estabelecidas pelas convenções que sustentam o uso formal. assim. Os falantes. por exemplo. a língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de maneira diversa da pessoa que não teve acesso à escolarização formal 3. recados. daí falar-se em linguagem infantil e linguagem adulta. como advogados.NÍVEIS DE LINGUAGEM Em decorrência do caráter individual da fala. o falante utiliza a língua de maneira diversa daquela que utilizaria ao solicitar emprego numa empresa.Fatores naturais: o uso da língua pelo falante sofre influência de fatores naturais. diferenciando-se esse registro do formal e do culto. por exemplo ) corresponde a um nível chamado artístico ou literário . conversas com uso de gírias. Os usos variados da língua dependem de uma série de fatores. cartas informais. É claro que existem outros níveis de linguagem. mas desenvolvem uma maneira peculiar.. bem própria para expressar mensagens através de suas falas. encontram-se variações no uso da língua.Fatores regionais: você já deve ter percebido que o português falado no Sul do país difere do português falado no Norte. Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que um adulto.Fatores culturais: o grau de escolarização e a formação cultural do indivíduo são também fatores que determinam usos diferentes da língua. A utilização da língua com finalidade expressiva pelos artistas da palavra (poetas e romancistas. II . tais como sua idade e sexo. Vejamos. há diferenças entre a língua utilizada por um cidadão que vive na capital e aquela utilizada pelo habitante da zona rural. alguns níveis de linguagem: a) Nível coloquial-popular: é a fala que a maioria das pessoas utiliza no seu dia-a-dia. utilizam. sobretudo nas situações mais informais. A fala que alguns profissionais. A classificação a seguir é apenas uma das mais abrangentes. bem como pela maioria dos órgãos de imprensa. Caracteriza-se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obediência às regras que estabelecem o uso padrão. Numa roda de amigos em que se discute futebol. visões de mundo e ideologias totalmente diferentes.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 9 as falas dos indivíduos revelam-se completamente diferentes. quando empregamos o nível coloquial-popular. etc.Fatores contextuais: um mesmo falante altera o registro de sua fala de acordo com a situação em que se encontra. b) Nível formal-culto: é o nível normalmente utilizado pelas pessoas em situações formais. bilhetes. 2. A modalidade oral da língua geralmente se caracteriza por uma maior espontaneidade do que a forma escrita.

. Uma espécie de. saber comunicar o que você quer..ESQUEMA PARA DISCUSSÃO SOBRE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO 1.. “Olha. conhecidíssima”. senhor”. Que cabeça a minha. aí vem reto de novo...” “Sim. um. entende? Na ponta tem outra volta.. como é . só que esta é mais fechada. “Sim. Leitura: COMUNICAÇÃO É importante saber o nome das coisas. como é mesmo o nome? “Posso ajudá-lo.. e na outra ponta tem uma espécie de encaixe. cavalheiro?” “Isso que eu quero.. A palavra me escapou por completo.. assim. Tem uma ponta assim.. um.. é pontuda.. entende? Depois vem assim. faz uma volta.” “Pois não?” “Um. cavalheiro?” “Pode.” “O senhor vai dar risada quando souber.. daqueles. certo?” “O quê. E tem um. como é mesmo o nome?” “Sim?” “Pomba! Um. Eu quero um daqueles. senhor... pelo menos. Ou. um. Imagine-se entrando numa loja para comprar um. É uma coisa simples..elaborado por silvania mendonça almeida margarida 10 FICHA 3.

cavalheiro”. Vamos tentar de novo. Pontudo numa ponta”. “Não será preciso. certo?” “Se o senhor diz. Mas sei exatamente o que eu quero”. dobra aqui e encaixa na ponta. “Ótimo!” “O senhor quer uma antena externa de televisão”.. é feita do quê?” “É de.” “Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!”. “Francamente. “Como.. Lido com números. “Ah. O desenho não me faz falta . como você está pensando”. É mais ou menos assim. cavalheiro”. Para o que serve?” “Serve assim para prender. “Eu não estou pensando nada. Mas não sou um débil mental. mas. cavalheiro. encaixa”. E hoje. Olha: assim. que eu digo. Um sulco onde encaixa a outra ponta. Quem sabe o senhor desenha para nós?” “Não. Tem?” “Bom. a pontuda. por exemplo. Não sou um débil mental. “Isso. Tenho que fazer um rascunho antes.. Entende? Uma coisa pontuda que prende. “Certo. É assim. Pontudo numa ponta. Eu sei que é pontudo numa ponta. a. “Estou me esforçando. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo.. Presta atenção nas minhas mãos. uma volta aqui.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 11 que se diz? De sulco.” “Ora. estou muito bem de vida. Você enfia a ponta pontuda por aqui. Eu sabia que você compreenderia. Posso não saber o nome da coisa. senhor. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança e. De metal”.. eu preciso saber mais sobre o. o negócio. só isso. .. “Sinto muito”. “Tem mais de uma peça? Já vem montado?” “É inteiriço. a. assim.. Acho que não podia ser mais claro. sei lá. O oito. Uma coisa pontuda que fecha. “Não precisa sentir. você sabe do que eu estou falando”. essa coisa. Essa coisa que o senhor quer. “Já sei!”. Sou técnico em contabilidade. tudo bem. encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa”. “Não! Clique.. outra volta e clique. de sorte que o. Tenho algum problema com os números mais complicados. é o barulho de encaixar”. Mas fora isso. Entende?” “Infelizmente.. entende.. cavalheiro. Ela se move?” “Bem.” “Escuta. “Não! Escuta aqui.” “Mas é simples! Uma coisa simples. se eu digo? Isso já é má vontade. vem vindo. por acaso. isso é um detalhe. tem clique.. Sou uma negação em desenho”.. Tente descrevê-la outra vez. fica fechado. assim.” “Tentemos por outro lado. assim”. vem vindo. “Chame o gerente”. Tenho quase certeza de que é inteiriço”. “Sim. Não sei desenhar. É elétrico”. De metal. me esqueci do nome desse raio. É isso. claro. “Muito bem.

O receptor deve reconhecer o código utilizado na comunicação: fala.). 2. p143 Debate sobre o tema: 1. de acordo com fatores de ordem social. verbal.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 12 “Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme.. 7.Situcionalidade: contexto (social.. 1977. Comunicação. Abordagem de Saussurre: Língua (Langue). In: Amor brasileiro. 6. Identificamos a linguagem quando há realização de atos comunicativos. Luís Fernando. Fala: ato individual variável de pessoa a pessoa. 2. geográfico etc. ideológica. Tipos de linguagem: verbal & não-verbal. linguagem pictórica.Conhecimento prévio do receptor: importância do conhecimento partilhado emissor-receptor.... cavalheiro!” É que eu sou meio expansivo.. Rio de Janeiro.social patrimônio de uma coletividade Fala (Parole). cultural. cultural. A língua possui um caráter abstrato e social. O que é comunicar? A importância de tornar uma mensagem comum ao receptor. Como é mesmo o nome?”. 4.Natureza da mensagem veiculada: objetividade. coerência.5. Fatores que contribuem para o processo de comunicação: 2.2. RECEPTOR . Processo de comunicação EMISSOR MENSAGEM tornar comum 2. etc. etc.. 5. VERÍSSIMO.3. Me vê aí um.1. 2. clareza. precisão na informatividade do texto etc. José Olympio.. escrita. A relação dialógica entre texto-contexto. Língua: sistema de natureza gramatical formado por um conjunto de regras.individual resultado das realizações lingüísticas individuais.4.. Linguagem: processo de comunicação de uma mensagem entre emissor e receptor.Intencionalidade: o emissor demonstra a intenção de comunicar algo. um. não-verbal. 2. 3.

em Filologia. O seu Antenor Nascentes é um chapa legal. é bárbaro e.. cientistas.1995. linguagem. contos. o professor Odorico Mendes. TEXTO 3 . editoriais etc. etc. Dois volumes que vou te contar. 9. está mais por dentro que bicho de goiaba. teses. monografias. para eu entrar pelo cano. do nível de linguagem empregado. comunicações em congressos. advogados. dissertações. os pretendentes aos cargos de secretário executivo de ministérios e diretor de empresas públicas farão um curso que será ministrado por órgãos da administração federal"...). Paulo. poemas. bota banca. Manda brasa. do código escolhido para veicular a mensagem. que é manjado até na Europa. (Correio do Povo. cartas comerciais. esculturas. Nível técnico-profissional: linguagem dos médicos. • Língua. do conhecimento partilhado entre o emissor e o receptor. Estou meio cabrero até achando que foi crocodilagem do diretor do curso. etc. políticos. discursos políticos. bilhetes. Depois de passarem pela prova. crônicas literárias. Conexões finais: • Comunicação enquanto processo altamente dependente do contexto. pinturas. conferências. artigos de jornais. cartas informais. fala: conceitos distintos apesar de inter-relacionados. etc. cheio de mumunhas.. Um deles é o Pelé da Gramática. Tipos ou níveis de linguagem • • • • Nível coloquial-popular: conversas familiares.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 13 8. (Folha de S. 20/04/96) TEXTO 2 "O governo quer selecionar os integrantes do segundo escalão por meio de concurso público. bate-papos informais. EXERCÍCIOS – Níveis de linguagem Identifique o nível de linguagem predominante em cada texto abaixo: TEXTO 1 "Meus camaradinhas: Não entendi bulufas dessa jogada de fazerem o papai aqui apresentar o seu Antenor Nascentes. recados. Nível artístico: romances. Escreveu um dicionário etimológico que é uma lenha. 23 ago. um cara tão crânio. etc. professor Nascentes!". Nível formal-culto: artigos científicos.

O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela fenomenologia de Feurbach. Paulo. Aparece um guarda. sujou. .elaborado por silvania mendonça almeida margarida 14 "A formatação de baixo nível. O guarda se afasta. mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rende o caixa bonitinho. 1995). TEXTO 6 . 23 ago. Ou que os iluministas do século 18. Disfarça . 08/03/98. .Discordo terminantemente. . utilizando o Dedug do Dos. Servicinho manero.. . ta recheado? . É só entra e pega. quando quer fugir dos outros. faz um buraco na terra.Valeu. Luís Fernando Veríssimo. O guarda passa por eles.Ih.. O homem para fugir de si. . (Folha de S.Então vamlá!.Podes crê.Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com algumas silabas a mais.Ta com o berro aí? . enche o cara de chumbo. O estado de São Paulo.Tá na mão. fez um buraco no céu. TEXTO 4 AS COVAS (Mário Quintana) O bicho. Pra areja.Ta. disfarça . .. .O berro. TEXTO 5 -Sketchs Dois homens tramando um assalto.. Engressou. deve ser executada da seguinte forma: Faça uma cópia de segurança (backup) dos arquivos do seu disco rígido".. .

Signo: relação entre significante (forma) e significado (conteúdo. Comigo era um pessoal casca-grossa.2.Comunicação: troca de mensagens. com aquela marola tava difícil pegar onda. uma estátua. sob certos aspectos representa outro”. ano 1. FICHA 4 LINGUAGEM : CONCEITOS 1.. só tinha esponjinha. Tinha rabeador pra caramba atrapalhando as manobras. 1. 2. . a linguagem icônica dos computadores. no 3 (novembro/98).2. Apresentam uma relação direta com o que representam. Cara. já que reflete o contexto histórico-social dos indivíduos. 1. idéia). Altas ondas. nuvens pretas (índice de chuva).1. São signos indiciais: a fumaça (“onde há fumaça.Ícone : os ícones são artificiais. Não há a intervenção do homem. caricaturas.. Surfe. etc. Acho que tu ta pagando um sapo. A praia tava crowd..Linguagem: fenômeno dialógico. você ainda precisa aprender. conforme Bakhtin. Veja Kid +. amigo/ casca-grossa: radical/ crowd: cheio de gente/ esponjinha: turma que pratica bodyboarding/ marola: mar com ondas pequenas/ pegar sapo: mentir / prego: que não surfa legal/ rabeador: cara que entra na onda dos outros. Mas eu prefiro sair contigo para azarar. há fogo”).Índice: os índices são signos naturais. 3.Sistema: conjunto organizado. 2.. ontem eu arrepiei na água. Arrepiar: surfar bem/ azarar: paquerar/ brô: brother. árvore florida (índice de primavera). Também. O conceito de linguagem envolve outros conceitos: 2. Eu não.1.Linguagem: sistema de comunicação que utiliza signos organizados de modo particular. 3. 2.Linguagem: uma das formas de apreensão do real.1. Linguagem: conceitos 1.3. Eu sempre disse que tu é o maior prego!. Segundo Peirce.3. Tipos de signos: 3. o signo é “qualquer elemento que. Ex: uma fotografia. Tornar comum a outrem uma certa mensagem.2.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 15 - E aí brô! Como é que tu vai? Legal.

?) CONTEXTO (circunstâncias políticas. ______ frases.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 16 3... EMISSOR ↓ intenção comunicativa ↓ progressão semântica semântica ↓ desenvolve o texto. um conjunto organizado de elementos representativos. etc. telefone. visando tornar a mensagem comum ao leitor MENSAGEM (o que está sendo comunicado) RECEPTOR ↓ compreensão ↓ condensação ↓ capta a idéia central da mensagem CÓDIGO (oral. sociais que influenciam a comunicação.3. Fônicas (sons) ______________________ 2. Fatores da comunicação e funções da linguagem (aprofundaremos posteriormente).) 5. Sintáticas (relações entre palavras. jornais. orações.qual o veículo de comunicação utilizado? Televisão. etc. Morfológicas (palavras)_______________ 3. informal. Conceitos de língua: 5.. 4. Ex: “cruz” (símbolo do cristianismo). Envolve dimensões fônicas. O contexto pode determinar o tipo de linguagem a ser uitilizado (formal. “bandeira branca” (símbolo da paz). verbal.A língua é um sistema de signos. semi-formal. ou seja. morfológicas. não-verbal.Símbolo: apresenta uma relação convencional entre significante e significado. etc. significado global)____ . escrito. Semânticas (sentido. sintáticas e semânticas: Dimensões 1.) CANAL (contato. períodos) 4.1. históricas.

é. Langue (Língua) = social Parole (Fala) = individual. simultaneamente. em companhia da irmã. “Se a língua envolve uma dimensão social e se caracteriza por ser sistemática. cada um tem sua maneira própria de expressão (fala).. 5. . Décio. uma instituição social”. FICHA 5 . material . já ginasiana.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 17 5. Perspectiva.O SIGNO LINGÜÍSTICO 1. Deve ser uma bagunça!”. perguntou à irmã: “Escola de arte.2..Língua: sistema de signos que permite configurar e traduzir a multiplicidade de vivências caracterizadores do ser humano num certo contexto histórico-social.. onde se ensina arte”. Intrigado. Linguagem.3. Informação. a utilização individual que dela fazemos. em frente a um edifício onde se lia. Signo = significante = som ou letras = significado conceito. som ou as letras em que a palavra está expressa. que é isso?” E a irmã: “Escola de arte.Chama-se signo a combinação entre o conceito e a palavra. E ele: “Puxa!.Enquanto criação social.1. idéia material. 6.2. concreto imagem mental LEITURA ANEDOTA EXEMPLAR Um garoto recém-alfabetizado costumava passar.a um conceito ou uma imagem mental.. 1.“A língua.SIGNIFICANTE: parte material do signo. é um conglomerado de fatos assistemáticos” Cada falante se apodera da língua de forma diferente.. é a imagem mental criada pelo significante. a fala ou discurso. 1. 5. o signo lingüístico une um elemento concreto.3... “Escola de Arte”.um som ou letras impressas . acompanha as mudanças da sociedade que a elege como instrumento primeiro de comunicação”. São Paulo.1. (PIGNATARI. 1973). a língua vive em permanente mutação.. ou seja.SIGNIFICADO: conceito ou idéia. ou seja. além de ser um conjunto organizado de valores. Comunicação.

elaborado por silvania mendonça almeida margarida 18 DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO Na linguagem humana. dependendo do uso que os falantes ou os escritores fazem das palavras em diferentes contextos. pessoa”. seguindo o sentido da palavra cara no dicionário. percebendo que a fala e a escrita se encontram não em pólos opostos. conforme consta nos dicionários.AS MODALIDADES DA LÍNGUA: FALA E ESCRITA Várias são as formas pelas quais podemos nos comunicar em diferentes situações. mas sim numa . por um acidente qualquer. Em um sentido literal. No primeiro exemplo. como uma gíria. entendemos que João.CONOTAÇÃO: no sentido conotativo a palavra ganha outros significados diferentes daqueles que encontramos nos dicionários. cara. tentou realizar alguma coisa e não conseguiu. Ex. sentido original da palavra. (cara = rosto) Juliana estava com a cara cheia de espinhas. mas sim no sentido que usamos em nosso cotidiano. “indivíduo”. 1. 2. 1. 2. Vamos agora discutir um pouco as características dessas duas modalidades da língua.DENOTAÇÃO: sentido que encontramos no dicionário. Porém. devemos conhecer as possibilidades que o código da língua nos oferece.FALA E ESCRITA: MODALIDADES DA LÍNGUA 1. Ei. Observemos outro exemplo: João quebrou a cara. como “sujeito”. fraturou o rosto. a mesma palavra cara tem outro significado. a parte anterior da cabeça. No processo comunicativo.Eu sou um cara fraco.Ele está com a cara manchada. Nesse segundo exemplo a palavra cara não está mais no sentido que lemos nos dicionários. a palavra cara significa rosto. Ex: Ele está com a cara manchada. Já no segundo exemplo. uma mesma palavra pode ter vários significados. tudo bem? (cara= sujeito = rapaz) FICHA 6. seja esse código oral ou escrito. como “João se saiu mal”. As diferentes interpretações para o sentido conotativo das palavras dependem do contexto em que as palavras estão sendo utilizadas. Ex: Eu sou um cara fraco. isto é. podemos entender a mesma frase num sentido figurado.

 Oxe. durante a fala. oxe etc. Quantas vezes. Esses deslizes ocorrem pela própria velocidade com que o discurso falado vai se desenvolvendo. sem uma preocupação maior com a complexidade vocabular. em situações informais de fala. já estamos planejando qual será a próxima frase a ser pronunciada e assim por diante.1. Acho que ela tá de namorado novo. conferências.” Como notamos no diálogo acima. A intencionalidade do emissor do discurso.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 19 relação de confluências. se tu visse como Ana tava bonita na festa. Logo. usamos nosso discurso de forma bem espontânea. ou melhor. tu vai. em conversas familiares. muitas vezes. quando informalmente . bem como a aceitabilidade do receptor são fatores importantes nesse processo comunicativo que depende de outro fator chamado de situcionalidade. conversando com amigos. enfim. estabelecendo um grau de intimidade e descontração. sermões. Esse recurso aproxima a fala da escrita. quanto escrita. as fronteiras entre falaescrita mostram-se mais tênues. Contudo. cometer certos “deslizes” com relação à gramática culta. né?  Sei lá. num bate-papo informal. em contextos informais de fala. padrão. tanto oral. 1. tava. nesse contexto formal. o emissor prepara um resumo do que irá apresentar oralmente e depois segue esse roteiro escrito para orientar sua fala. as circunstâncias  condições de produção e de recepção  que determinam o momento de interação comunicativa. ou a língua falada como alguns estudiosos costumam usar. Nesse caso. nesse contexto formal. mantendo uma relação contínua.A FALA: CARACTERÍSTICAS E USOS A fala. ou seja. Nesses contextos de fala. • Tempo muito curto entre o planejamento textual e a produção lingüística: durante a fala. ou com o uso de construções sintáticas muito difíceis. uma vez que algumas características da fala aproximam-se de certas peculiaridades da escrita. um pouco mais complexa do que as situações anteriormente comentadas. tornando a oralidade. presenciamos situações do tipo: “  Quando é que tu vai pra casa de Ana?” Amanhã mermo eu vou. ocorre com bastante freqüência no nosso dia-a-dia. nossa intenção é manter um processo comunicativo com o receptor. mermo. Em geral. permite-nos. o uso de expressões como pra. discursos políticos. as características da fala já mudam. tá. em outras situações de fala como por exemplo. o planejamento textual é realizado quase que simultaneamente ao processo de construção do texto falado. pois esses contextos são mais formais e exigem uma elaboração maior na oralidade. pois enquanto falamos algo. num contínuo tipológico que depende do contexto no qual os falantes/escritores se expressam. etc. Esse tempo curto para organizarmos e planejarmos nossas idéias. não temos um tempo suficientemente longo para planejarmos nossa linguagem. possui característica bem peculiares entre as quais podemos citar: • Espontaneidade: numa conversa telefônica.

de nossa gesticulação com as mãos. Não podemos isolar nossa produção lingüística de nossa expressão facial. também exerce um papel relevante na construção do texto oral. repetições. Por exemplo: 1. de regência e muitas vezes nem percebe que cometeu esses “erros”. por outro lado. correções. persuadindo o ouvinte. quando estamos planejando nossa produção lingüística. a língua falada emprega formas contraídas ou omite termos no interior das frases. etc. tá. Isso ocorre porque as duas modalidades da língua (fala e escrita) não marcam. Muitas vezes. gestos etc. a frase parte em outra direção. na língua falada são muitas as frases inacabadas. na língua falada é abundante a repetição de palavras. quando estamos tristes.. marcadores. Você pode cometer certos deslizes de concordância. geralmente falamos num tom mais baixo e assim por diante. ou melhor. viu etc. A entonação de voz também tem uma significação muito importante. o exame de gravações de língua oral permite constatar que a freqüência do emprego de certas formas ou construções gramaticais é bem maior na língua falada do que na escrita. 2. Quando queremos impor nosso discurso. do mesmo modo. entonação. 3. Com efeito. 6. As hesitações podem ocorrer através de pausas silenciosas ou de certas repetições de expressões.. hesitamos em busca da palavra certa ou da frase que melhor se encaixa naquele contexto etc. certos traços gramaticais. o complemento esperado não aparece.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 20 estamos conversando com nossos amigos ou familiares. A gramática do português falado apresenta características específicas identificáveis através de estudos estatísticos. reformulações. 5. A linguagem não-verbal.CARACTERÍSTICAS E USOS DA ESCRITA • O uso do vocabulário na fala e na escrita: diferenças na escola lexical e a .. os olhares. 4. na medida em que o emissor mantém o canal de comunicação a partir dessas expressões de caráter fático. O uso de marcadores como né. A fala permite essa liberdade maior de expressão em relação à norma padrão. O que percebemos é uma organização gramatical própria da fala que em alguns momentos difere da gramática de um texto escrito. você tem uma liberdade maior. ou ainda a partir do alongamento de vogais ... na língua falada é grande a ocorrência de anacolutos ou rupturas de construção: a frase desvia-se de sua trajetória. pausas. às exclamações. 1. nossos tique-nervosos. nessas situações informais. certo. braços. falamos num tom mais alto.2 . por exemplo) • Presença de recursos expressivos que auxiliam a construção textual: hesitações. quando estamos falando. Na fala. A hesitação é um fenômeno muito recorrente em situações de fala informais. para cometer certas infrações gramaticais. a expressividade gestual também é um recurso muito usado na construção do texto falado. a língua falada recorre mais às onomatopéias. não é. a fala suprime certas construções (relativas com cujo. anacolutos.

o lugar. à utilização de certas expressões. uma menor espontaneidade. por exemplo.). então apenas da situação das personagens e raramente se fará alusão à situação do romancista no ato de escrever. Contudo. lugar. à medida que os elementos constitutivos da situação (identidade dos personagens. etc. mesmo nas situações de escrita informal (bilhetes. pesquisar em gramáticas o uso correto da língua. sem as marcas hesitativas. pois a intenção comunicativa do emissor é construir o falado no escrito. etc. geralmente mais precisa. sua mensagem ficará mais rica e mais atraente ao .. as marcas hesitativas podem surgir. estilisticamente. Por exemplo. o assunto da comunicação). já que o tempo de planejamento é maior e o escritor tem tempo suficiente para corrigir seu texto. Essa situação refletese na forma e no conteúdo da mensagem. As repetições e as reformulações também são menos freqüentes no texto escrito. recados. Quando estamos escrevendo um bilhete ou uma carta. Em resumo. No decorrer de uma comunicação oral.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 21 importância do contexto. o tempo. • Ausência de hesitações. A escola lexical ou a seleção vocabular é um elemento que se apresenta diferente na fala e na escrita. avisos. temos tempo suficiente para escolher as palavras corretas. por exemplo. Esse processo de elaboração confere uma complexidade maior ao texto escrito e. tirar dúvidas nos dicionários sobre a ortografia correta. que a língua falada.). como gírias. para apresentá-lo “limpo” ao leitor. o vocabulário empregado refere-se a eles apenas por alusões (você designa o receptor. pois o emissor deve pautar-se na norma padrão para escrever de forma clara e correta e comunicar da melhor forma possível sua mensagem para o receptor. num romance o leitor está fora da situação e o autor se vê forçado a dar-lhe com precisão seus elementos (lugar. • Complexidade/menor espontaneidade No texto escrito. à pontuação correta etc. cartas aos familiares. Neste caso. ou do leitor no ato de ler. A comunicação escrita é menos econômica e força o emissor a fazer referências mais precisas sobre a situação.. as marcas de hesitação que o emissor sofre no processo de produção textual são apagadas. trata-se. o emissor. uma vez que estas duas operações estão distanciadas no tempo e no espaço. repetições. observaremos traços da fala na escrita. aqui. em conseqüência. agora. quanto menos o emissor usar palavras ou expressões repetidas. o texto escrito está preso às convenções da gramática padrão e deve sofrer um processo maior de elaboração já que o tempo de planejamento do texto escrito é maior. hora. os interlocutores estão em presença. No texto escrito. num lugar e num tempo conhecidos por eles (considera-se aqui o caso mais comum da conversação e deixa-se à parte por ora o caso da comunicação oral à distância e indireta). o emissor deve ficar atento às regras gramaticais. nome das personagens. se o texto escrito for organizado com a intenção de representar a oralidade. eu. A língua escrita é.. então. trocam observações a respeito de um determinado assunto. menos alusiva. isto. Num texto de caráter dissertativo. correções e reformulações. datas. assunto) são conhecidos. data.

. Nesse sentido. a fim de convencer o receptor. ed.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 22 leitor. Martins Fontes). torna-se um bom recurso estilístico na construção de argumentos. As repetições na escrita só devem ocorrer quando se pretende enfatizar ou ressaltar determinada idéia. (Adaptação do texto Usos da linguagem de Francis Vanoye.

eu/ ai meu Deus quê que meu pai vai fazê.... a arte..... ele tentou desviá assim e daí ele foi desviá mais o cara do fusca em veiz de brecá.... ele e meio ceguinho mermo.... coloque a pontuação adequada que o texto escrito exige........ as:: manifestações artísticas começaram a aparecer no paleolítico superior.. é.. eu e meu pai. passando da modalidade oral para a escrita.... não corre atras dele não pai. ele tentou desviá assim. foi.. que já deixou de ser macaco.... E .... ele continuô. então olhei pro céu e vi tudo rodando assim. Quais são as marcas que podemos detectar nesse texto. eu falei: vixê maria....] então nos vamos começar pela Pré-História.tava indo ultr/.. foi uma legal vê as coisinha rodando... a conseguir fazer coisas.. Quando você for construir seu texto escrito. daí meu pai. não e?.. pegando a fase de evolução do homem. foi atras do coitadinho do fusca. daí o coitado virô......sem dá seta nem nada e nem era lugar de virá e o meu pai tava logo atrás dele. daí tava o carro do meu pai e um carro na frente e daí de repente... né. uma transcrição de fala? “ [....... o que tá acontecendo..... mantenha o assunto..... HISTÓRIA DE UM ACIDENTE DE CARRO É nos távamo voltando né. como vocês todos sabem. Preste atenção nas repetições e certas expressões bem próprias da fala. e daí eu....... o fusquinha. no sentido de classificá-lo como um texto oral......... ai meu deus. dexe..........elaborado por silvania mendonça almeida margarida 23 EXERCÍCIOS 1..... tava indo ultrapassá.” 2.. quando o homem sapiens. ele virô assim. daì num tava com tanto medo.Modifique a linguagem da transcrição de fala abaixo. meu pai tava indo ultrapassá o fusquinha.. e tem uma duração de aproximadamente de seiscentos mil anos. no período paleolítico.. não pai.não sei que deu na loca do coiso lá. daí bateu na traseira do meu pai... e daí até eu não tava com tanto medo né.... dexa pai. seria exatamente... eu não era muito alto assim. Faça as transformações necessárias para mudar o registro oral para o escrito......távamo voltando dum teste de teatro que eu fui fazê.. e::: como a gente vê e um período eNORme a o que a gente conhece da história humana.... deu aquela dorzinha na barriga. daí o meu pai.O texto abaixo é um fragmento de uma aula sobre História.. mas apague as repetições. da pedra lascada.. e fez um barulhinho esquisito: aiiirrrchrrri... ele mudou de marcha e Brrrrruuummm. meu zóio ficô desse tamanho..... acho que o meu pai deu três volta assim.... rodando. o paleolítico é o período. hesitações e os marcadores.... hoje exatamente pelo período. passou a usar a inteligência. do paleolítico..... seiscentos mil anos e MUIto tempo.

. Há textos falados que se aproximam. não tá bom. rascunhado. situação formal.. apresentações orais em congressos. situações de entrevista. daí o meu pai incontô lá. daí no dia seguinte meu pai foi no trabalho do cara e o cara deu o dinheiro e pagô o conserto do carro.. informal. eu iche.... depoimentos etc. mudamos o tom. o grau de elaboração do discurso é acentuado. se comunicam oralmente com base num rascunho escrito..... reformulamos nossa explicação. seminário. repetimos a informação.... falô. romances etc.. reformulações.. conferência. 2. 3.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 24 daí. na sua organização da modalidade escrita. pausas.. aí o problema né. não tudo bem.. Há textos escritos que se revelam como representações do discurso oral. Ex: Conferências políticas. não sei o que lá.. já que os falantes. junto dele. o erro foi meu. e se o cara tivé alguma coisa né. Ex: Certos textos literários (contos.. poemas. FALA: CARACTERÍSTICAS • • maior espontaneidade as características formais do texto falado ou do texto escrito estão relacionadas com a questão do planejamento: o texto fala.. importância do contexto conversacional: situação “face to face”..... um pedaço de pau... ao contrário do texto escrito que pode ser planejado. daí falô o carinha. isto é. Quando falamos. entrevista... o texto conversacional se apresenta pouco elaborado face à elaboração do texto escrito.... Nesses exemplos. não sei.. FICHA 7 ROTEIRO PARA A DISCUSSÃO SOBRE AS MODALIDADES DE USO DA LÍNGUA: A FALA E A ESCRITA 1. daí o meu pai chegô lá. diálogo. sorte que o paralama do fusca caiu e tava ralando na roda. daí no dia seguinte nos voltamo com o carro todo amassado assim. não possui rascunho. ele teve que inconstá. entonação. conversacionais.. fofoca.. o texto falado depende muito da situação comunicativa e da interação verbal entre falante-ouvinte.. De acordo com a reação do nosso interlocutor. etc..... brigô com ele. e você vai tê que pagá. vamos construindo nosso texto. fiquei quietinho no meu canto né. um revólver. muitas vezes. A relação fala-escrita deve ser entendida sob uma ótica de contínuos tipológicos.. conversa telefônica. recursos expressivos são muito importantes na conversação: hesitações. • • • • .. tal e tal... Não devemos estudar essas duas modalidades da língua sob um prisma dicotômico.. anacolutos. revisto. aula. marcadores. é criado no próprio momento da conversação.).. em geral..

o texto conversacional é bastante fragmentado: as frases são cortadas. de acordo com o conhecimento partilhado. maior número de frases coordenadas.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 25 • • • • • • • • • • menor tempo para o planejamento textual. a grafia correta das palavras ou quaisquer dúvidas em relação à gramática. Isso permite que o produtor do texto escrito pesquise em dicionários.). já que o produtor do texto escrito possui um tempo maior de elaboração e pode reorganizar suas idéias. ou em gramáticas. É aconselhável utilizar sinônimos para as palavras que se repetem. relação afetiva entre falante-ouvinte: determinante para o grau de formalidade ou de informalidade do texto. no mesmo contexto espaçotemporal. no sentido de não tornar o texto enfadonho para o leitor. Ao lermos um romance escrito por um autor. por exemplo. menor espontaneidade. teses. processo quase simultâneo entre planejamento e produção lingüística o papel da hesitação no planejamento textual. geralmente apresenta um caráter mais preciso e menos alusivo que a fala.    . já que o tempo de planejamento na escrita é maior que na fala.. O texto é autônomo e cabe ao leitor interpretá-lo.. ESCRITA: CARACTERÍSTICAS    é menos econômica que a fala. porque a redundância empobrece estilisticamente o texto escrito. Observamos uma menor espontaneidade em textos formais (dissertações. não é necessário realizarmos uma entrevista com o escritor para que tenhamos uma idéia daquilo que se pretendeu comunicar. na medida em que a mensagem ganha autonomia. recorrência muito forte de repetições de palavras. relatórios etc. em geral. a interação entre escritor-leitor não se estabelece. percebendo-se a ruptura da construção à medida que a frase se desvia de sua trajetória. frases inacabadas (anacolutos). No texto escrito. as experiências de leitura e o conhecimento de mundo que possui. justaposição de frases. dependência extrema do contexto espaço-temporal. tomando outra direção sintática. em termos sintáticos. dependendo do tipo de texto escrito. Isso determina o grau de informatividade e precisão do texto escrito que por si só deve comunicar ao leitor. o texto escrito está mais preso às convenções e normas gramaticais. devemos evitar expressões repetitivas ou palavras idênticas. a escrita geralmente apresenta um grau de maior complexidade. tentando buscar a forma mais adequada de comunicar sua mensagem. ausência de repetições. monografias.

A função dos marcadores conversacionais: Na produção do texto oral. não sei.. alguns desses elementos receberam a classificação de “palavras denotativas”. podemos citar: os processos de reformulações. tenho impressão que. mas não o são. ou seja: marcadores de retificação. Por exemplo. paráfrases. designavaas por “expressões de situação”. representa de interacional e pragmático. e:::] : marcadores hesitativos que indicam o planejamento textual. a produção. revelando intuições que só mais recentemente foram formalizadas por estudiosos da lingüística textual. Os marcadores conversacionais são elementos que. partículas de realce”. No texto escrito. sei lá. como né? tá? sabe?. as condições de produção do texto.. Trataremos agora desse último recurso (marcadores conersacionais) muito utilizado na fala.  independem do conteúdo ou tópico da interação. alongamento de vogais [a:::.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 26 FICHA 8 ANÁLISE DE TEXTOS: trabalhando a relação fala-escrita 1. típicas do texto oral. pedindo apoio na compreensão do texto conversacional. mas também enquanto estrutura de interação interpessoal” (Urbano. “ajudam a construir e dar coesão e coerência ao texto falado. funcionam como articuladores não só das unidades cognitivo-informacionais do texto como também dos seus interlocutores. em particular da conversação espontânea. 2.. indicam reformulação no processamento textual. ahn. 1993). em 1930. isto é. as pausas são representadas pela pontuação. são elementos que amarram o texto não só enquanto estrutura verbal cognitiva. Dentre os recursos mais recorrentes na fala. / as reticências indicam pausas silenciosas em transcrições de fala.  são determinadas pela situação face a face dos interlocutores. do ponto de vista discursivo. Em outras palavras. d) eu acho que. . o falante hesita com o objetivo de articular melhor frases. Por não se enquadrarem nos critérios de classificação das dez classes de palavras descritas na NGB.  parecem descartáveis. e) quer dizer. repetições. mesmo não pertencendo ao conteúdo cognitivo do texto. os falantes utilizam diversas estratégias para manter o ato comunicativo e a interação com os ouvintes (interlocutores). uso de marcadores conversacionais. c) sabe? né? certo? entende? sacou? tá certo? / marcadores de teste de participação ou busca de apoio: o falante busca manter o canal de comunicação com o ouvinte. expressões ou frases. assim : marcadores de modalização (atenuação da atitude do falante). Afirmava Said Ali:  são palavras. palavras etc. entre outros. o filólogo Said Ali. hesitações. em contextos comunicativos diversos e com papéis diferentes. Conhecendo melhor as marcas de transcrição: a) . naquilo que ela. eh.  funcionam como expressão das intenções conversacionais do falante. revelando e marcando. b) Ah. de uma forma ou de outra. Para encontrar uma melhor maneira de expressar suas idéias.

.. de que forma pagaria seus funcionários? Se você fosse funcionário.. esse apartamento é um problema todo de... das ... uma novela mas novela triste......UFRJ ......as parcelas e tudo. das filhas.... haveria muito mais tranqüilidade.. não tem problema. [ Corpus do Projeto NURC/RJ.... no fim somou mais um percentual de taxa de condomínio.. podem ser idôneas entre aspas mas deixam muito a desejar porque a gente vai. ah sim: marcadores de apoio/monitoramento do ouvinte. certas entonações: marcadores que interferem na coesão do texto falado. certo....a .. Entrevistador . e. ANÁLISE DE TEXTOS ORAIS: o desenvolvimento do texto conversacional. mais não sei quê da iluminação do gramado. eu acho que.... haveria mais assim... então o que acontece.. uhn uhn... de compra de apartamento que é um. banco.trecho de conversa informal (entrevista) “sim. discute-se em casa . de. TEXTO 2 .. 3... sei ...... o sexo. depois cada prestação é tanto. eu sou patroa apenas de empregadas domésticas e eu emprego da seguinte forma... eu acredito que se os patrões um pouco menos e os empregados tivessem um pouco mais.... um jantar que ia::... cada vez que meu marido ou eu somos aumentados.... eh.. mas falou ..... eu acredito que de modo geral. banco..... se o senhor vai pagar isso..... as coisas estão muito mal divididas.Tema: Dinheiro..... financas]. lógico.. como gostaria de receber?” Entrevistado . um. mais não sei quê do mobiliário da entrada.. não são firmas. eu como..... finaças].elaborado por silvania mendonça almeida margarida 27 f) ahn ahn..“Se você fosse patrão.. mais não sei quê do mobiliário da entrada. talvez até da parte do . se eu fosse patr/.. isso aqui é a entrada.... TEXTO 1.. que vendem apartamento na planta são arapucas... o sexo na Suécia todo mundo fala normalmente . dizem oh.. eu tenho um amigo meu francês que foi .Tema: Dinheiro..... de meninas de doze .. uma novela trágica e considero que as firmas que estão. TEXTO 3. um..... vamos passar isso assim para um terreno de empresa.. mas é.. g) aí. mais não sei quê da iluminação e no fim eu paguei mesmo pra conseguir entrar no apartamento quase cem mil cruzeiros . está bom a . quinze anos não tem problema ....Trecho de entrevista semi-formal. 44 anos . né..trecho de conversa informal (entrevista) “ pois é ....” [Corpus do Projeto NURC/RJ ...... que nisso tudo..... as empregadas automaticamente têm um aumento também... coisa e tal . haveria muito mais justiça...Homem... alongamento de vogais...... da atividade sexual.UFRJ .. mas é ( ) criou mas então criou o problema do tabu. e ele queria comprar uma garrafa de vinho pra levar pra uma.. bom.. no momento que ficou pronto eu tive que pagar vinte três mil parcelas e tudo. na realidade.. no momento que ficou pronto eu tive que pagar vinte e três mil cruzeiros.Homem. depois de um prazo o senhor paga tanto e pra entrar vai dar mais tanto... eh::. 44 anos .Bom.... mais não sei quê do gramado.

aproveita o fundo bom de qualquer buraco. Meu tio o Iauaretê. eu acho que isso seria um critério justo. percura o escondido de detrás de toda árvore. Hã... Estremece de diante pra trás... e pula pulão! .... José Olympio.... eu sou professora. e aquele empregado de salário mínimo não tem dinheiro nem sequer talvez para alimentar seus filhos... eu acho que fiz muito bem em pleitear a categoria A . maciinho. tem pena de ninguém. até pertinho da caça que quer pegar. Guimarães. não aceitaria ser paga aquém daquilo que eu acho que valho quando eu dou aulas.. também esteja muito ligado à consciência pessoal.. Aí. aproveita o capim.. Se errar.. mundéu.. toma o açoite. acho que na realidade é chocante vermos assim que um sujeito. observando os níveis de linguagem (formal-culto ou coloquial-popular) empregados na representação escrita... desse aulas pouco preparadas... olha pra fazer medo. acho que isso é uma questão muito de foro íntimo”.é bonito. eu aprendi. um único sujeito pode ter dois iates... o pior é que ela quase morre de vergonha. olha.... fartura espetaculosa dos coronéis: ..... eu acho isso muito chocante. passa fome. eu não teria coragem de pleitear coisa alguma. nesse último colégio que eu dou aulas eu já entrei pra categoria A.. p. eu por exemplo. cinco automóveis. In: Estas estórias.....) TEXTO 2- TRADIÇÃO Terraço da casa-grande de manhãzinha.. porque eu acredito que. vai entrando e saindo. Poder de onça é que não tem pressa: aquilo deita no chão. (ROSA. [ Projeto NURC/RJ. banco. escorrega no chão.. mais talvez um repouso da sua própria consciência. mundéu...elaborado por silvania mendonça almeida margarida 28 empregador mesmo uma. 1969. pô-pu.. eu ganho/ eu acho que cada um deve ganhar de acordo com aquilo que ele produz..133.. Dá um bote. eu acho que isso vai muito de acordo com aquilo que nós damos.UFRJ Mulher entre 25 e 35 anos .tema: dinheiro. tá medindo o pulo.. TEXTO 1 “Aí.. vai pular: olha demais de forte.. se eu faltasse muito... finanças] FICHA 9 EXERCÍCIOS (Relação fala-escrita) Identificar nos textos abaixo marcas características da linguagem oral. por exemplo. arruma as pernas. não tem licença de cansar de olhar. hã. olha... Eu sei fazer igual onça.. éh. pô-pu. Chega. as vez dá dois.. eu acho que se eu fosse funcionário. realmente não desse a mínima atenção. o que realmente eu sou... Rio de Janeiro.

Recife : Nordestal. Ascenso.35.Sóo? Diabo! Os menino hoje não têm o qui mamar! FERREIRA. TEXTO 3: ZILZINHO Lia Zatz Zero a zero que zebra o time já não tem gás o tempo é fugaz o juiz vai finalizar que azar Zinho não desistiu faz o sinal da cruz buscando luz e zarpa com rapidez bola no pé e que clareza desliza esvazia a defesa e que beleza um chute cruzado mas sem diretriz que infeliz por um triz é sem juízo esse Zinho só tem verniz vai passar pó-de-arroz vai ser atriz a galera tá que tá zangada exaltada enfezada e com razão quer dar vazão arma o banzé exige desempenho e desempate um golzinho só unzinho faz a fineza seu juiz de desonrar sua origem inglesa atrase o relógio mostre grandeza e lá vai o Zinho de novo sozinho solta essa bola rapaz não seja voraz mas que esperteza que braveza é esse rapaz é um faz-tudo em zigue-zague d e s a t i n a d o deixa a zaga zonza pra trás tá na cozinha e zás-trás gol BRAZIL ZIL ZIL ZINHO!!!!! . seu Curuné! .27.Inhôôr! . Seu Curuné! .Ó Zé-estribeiro! Zé-estribeiro! . seu Curuné! .elaborado por silvania mendonça almeida margarida 29 .Quantos litros de leite deu a vaca Cumbuca? .E a vaca pedrês? . 1995.E a vaca malhada? . Poemas de Ascenso Ferreira.25.

os próprios participantes com suas características individuais e possíveis laços que os unam”. 3. que é a de trocar idéias sobre determinado assunto. 5. 6. inclusive. d) execução numa identidade temporal. A conversação depende basicamente de: a) Situação comunicativa: o contexto de produção (formal. 2. 8. em um contexto situacional específico. segundo o enfoque de Bakhtin: a) diálogo = interação entre os usuários da língua. (Rodrigues.18). Turno de fala: seqüência da produção lingüística de cada participante da comunicação.1Dois níveis de diálogo. Diálogos assimétricos: um dos participantes da conversação detém um número maior de . A conversação é a primeira das formas de linguagem a que estamos expostos. e) envolvimento numa “interação centrada”. os interlocutores alternam seus papéis de falante e ouvinte. 3. quando partilhados pelos participantes da conversação. Características básicas da conversação: a) interação entre pelo menos dois falantes. Na situação de diálogo. informal etc. 7. facilitam o desenvolvimento do texto conversacional. sociais. b) ocorrência de pelo menos uma troca de falantes. Definição da conversação: “A conversação é um evento de fala especial: corresponde a uma interação verbal centrada que se desenvolve durante o tempo em que dois ou mais interlocutores voltam sua atenção para uma tarefa comum. b) Conhecimento partilhado entre os interlocutores: dados culturais. portanto. aqui entendido como ambiente extralingüístico: a situação imediata. Conversação: gênero básico da interação humana. e dessa atividade a quatro mãos resulta o texto conversacional. 4. envolvendo. elaborado em uma determinada situação de comunicação. p. históricos. A linguagem é de natureza dialógica: processo interacional.) interfere diretamente no tipo de conversação desenvolvida. Todo evento de fala acontece.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 30 FICHA 10 ANÁLISE DA CONVERSAÇÃO 1.. b) diálogo = relação da linguagem que usamos com o contexto histórico-social. 1993. c) presença de uma seqüência de ações coordenadas. o momento e as circunstâncias em que tal evento acontece. entre outros.

entre outros. tornam-se vagas ou imprecisas. bem como de pressupostos que condicionam sua significação. 4. Não se pode considerar isoladamente traços lingüísticos. Dependência do texto (enunciado) à situação comunicativa (enunciação): 2.. Referentes textuais (contexto lingüístico/co-texto): aqueles que remetem à própria organização interna do texto. . inquéritos. 6. Ex: Entrevistas. 9. Podemos. mas é preciso que se perceba o caráter polissêmico das palavras quando inseridas numa dada situação comunicativa. partir do contexto no sentido de compreender melhor o texto. 7. Diálogos simétricos: todos os interlocutores participam da conversação com o mesmo direito de organizar seus turnos de fala de forma equilibrada. conversas entre familiares. nos termos de Bakhtin. Referentes situacionais (contexto situacional): dados extralingüísticos ligados à natureza da situação comunicativa. 3.. Relação dialógica entre texto contexto: TEXTO ← → CONTEXTO Obs: A partir do texto.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 31 turnos de fala. Por meio de elementos discursivos. Nesse caso. elementos de ordem ideológica. cultural. Expressões desvinculadas do contexto lingüístico ou do contexto situacional. etc. interferem na organização do texto.. sociológicos. culturais. política.) FICHA 11 . etc. ou vice-versa. interação em sala de aula. Ex: conversações diárias (diálogos informais com amigos. assim. o texto chega a ser possivelmente definido como recriação verbal de dados situacionais. partir do texto em direção à compreensão do contexto.TEXTO E CONTEXT0 1. Situação comunicativa: condições para que o texto preencha plenamente suas funções. podemos conhecer as condições de produção (situação comunicativa) que deram origem à produção textual. As relações contextuais firmam-se como de suma importância na constituição do texto. Essa relação é dinâmica e dialógica. etc. 5.

filha dele. Vem logo. “Socorro!”. Essa definição engloba tanto os textos verbais. uma escultura etc. onde é que você andou? Há quanto tempo! Que coisa! Pensei que tinha morrido! Sumiu! Diz! Não!?! É mesmo? Que maravilha! Meus parabéns!!! Homem ou mulher? Ah! Que bom!. duas esferas devem ser consideradas: a primeira mantém-se numa perspectiva ainda estritamente lingüística. O telefone tocou tirrim-tirrim. sob o ponto de vista das modernas teorias lingüísticas. Ao ampliar esta noção.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 32 O EVENTO Millôr Fernandes “O pai lia o jornal  notícias do mundo.  . veio lá de dentro. como a que se apresenta em expressões como “Fogo!”. narração e dissertação.. entende-se por texto um conjunto de enunciados interrelacionados formando um todo significativo adequado às circunstâncias e condições de uso da língua. Essa mensagem é construída a partir do código oral ou do escrito selecionado pelo emissor. quanto os não-verbais. isto é. um filme. A mocinha. escrito. Não vou sair não’. No entanto. vinte. Uma frase. Mauro!!! Puxa.  Perspectiva semiótica (definição mais ampla): texto é toda mensagem comunicada ao receptor a partir de quaisquer códigos (oral.. podemos ler um quadro. pictórico. FICHA 12 . cinematográfico etc. Nesse sentido. Definição de texto: Tradicionalmente. Nesse sentido. Tipologia do texto: essa tipologia pode estar fundamentada na matriz geral de três gêneros: descrição.. Casou’ ”. O pai perguntou: ‘Mauro teve um filho?’ A mocinha respondeu: ‘Não. O conceito de texto. sei lá. a segunda se estende para outras linguagens além da verbal. podem ser interpretados como textos.). quando inseridos em contextos específicos. MORAL: JÁ NÃO SE ENTENDEM OS DIÁLOGOS COMO ANTIGAMENTE. o conceito de texto não está atrelado à proporção do enunciado. pode ser entendido de maneira mais abrangente. Desligou o telefone.O TEXTO E SUAS MODALIDADES 1. o texto é verbalmente organizado. vinte e dois anos. dezoito. Dois quatro sete um dois cinco quatro. um fragmento de um diálogo e até mesmo uma palavra-frase (frase de situação).  Perspectiva lingüística (definição mais restrita ): texto é toda mensagem elaborada por um emissor a um receptor num determinado contexto. atendeu: “Alô. à situação comunicativa.

a imagem de seres animados ou inanimados captados através dos cinco sentidos. De repente. • • Emissor do texto: desenvolve o tema de forma progressiva: estratégia de expansão semântica. até chegar ao “núcleo informativo”: estratégia de condensação semântica. de um objeto ou de uma situação qualquer. por exemplo”. entre os enunciados existe uma relação de anterioridade e posterioridade. 1990. Nas ruas. aquela que representa o esquema fundamental do texto. p. bocas cansadas conversam. As tipologias sobre os textos são várias. uma escuridão total caiu sobre todos como uma espessa lona opaca de um grande circo. NARRAÇÃO: constitui uma seqüência temporal de ações desencadeadas por personagens envoltas numa trama que culmina num clímax e se esclarece no desfecho. Dependem dos critérios de classificação. seguida de outra argumentativa e de outra ainda narrativa. Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios. pedestres apressados se atropelam. o que se observa é a predominância de um desses gêneros quando da análise de um certo texto.. • FICHA 13 TIPOLOGIA TEXTUAL: DESCRIÇÃO. A descrição é o tipo de texto em que são expostas características de uma pessoa. com palavras. por isso. e. Texto ficcional/ textos não-ficcionais  textos objetivos/textos subjetivos  textos verbais/ textos não-verbais  textos literários/ textos não-literários. Nos bares. Exige uma relação de simultaneidade. Os fatos narrados não são simultâneos como na descrição. (Guimarães. ou seja. mastigam e bebem em volta das mesas.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 33  Não há textos puros. Alguns veículos acenderam os faróis altos e um rapaz . DESCRIÇÃO: procura apresentar. Receptor: reduz as informações que lhe são transmitidas. O trânsito caminha lento e nervoso. "Eram sete horas da noite em São Paulo e a cidade toda se agitava naquele clima de quase tumulto típico dessa hora. “Embora haja sempre uma estrutura dominante. etc. inscritos num certo momento estático do texto.. este não se caracterizará necessariamente como um único tipo ou forma. há mudança de um estado para outro. Uma parte ou outra será caracterizável como descritiva. "Eis São Paulo às sete da noite. NARRAÇÃO E DISSERTAÇÃO 1." 2.16). limitando-se ao fundamental.

. "Era loura. acontecimento • ação • personagens • narrador (função de relatar os fatos) • tempo-espaço • enredo (conjunto de ações que ocorrem) • dinamismo• sucessão cronológica de fatos • exemplos de textos narrativos: contos. de um ponto de vista • permite visualização do que • ênfase na construção de está sendo descrito argumentos. • envolve a defesa de uma objetos. novelas etc. os transportes coletivos insuficientes. sobretudo.. como raras vezes há de ter tido a terra". artigos científicos. porque o sorriso que lhe desabrochava os lábios era um sorriso de bem-aventurança. etc. que exigem respeito aos princípios . como os de Cecília.. "Na luta contra a Aids defrontam-se os rigorosos. DESCRIÇÃO DISSERTAÇÃO • retrato verbal de pessoas. ineficazes". os estabelecimentos de prestação de serviço.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 34 começou a buzinar para os carros que ainda estavam apagados. "As condições de bem-estar e de comodidade nos grandes centros urbanos como São Paulo são reconhecidamente precárias por causa. DISSERTAÇÃO: consiste na exposição lógica de idéias discutidas de forma crítica a partir de argumentos bem fundamentados. um como resplendor de santa. crônicas literárias. • a descrição pode vir inserida desenvolvimento ou em textos narrativos ou argumentação e conclusão.). Com isso. da densa concentração de habitantes num espaço que não foi planejado para alojá-los. uns olhos que buscavam o céu ou pareciam viver dele. teses. não mártir. dissertativos • exemplos de textos • exemplos de textos descritivos: fragmentos dissertativos: textos de inseridos na narração ou na jornais (editoriais. romances. 2. ANÁLISE DE TEXTOS: Identificar as modalidades de composição usadas nos textos abaixo: 1. RESUMO: NARRAÇÃO • relato de um fato. artigos de imagens verbais revistas. tinha os olhos azuis. dissertação. Os cabelos. relatórios. a fim de reforçar ou justificar as • dificilmente encontramos idéias do emissor textos exclusivamente • estrutura da dissertação: descritivos introdução. idéia. envolvendo opiniões. praticamente todos os pólos da estrutura urbana ficam afetados: o trânsito é lento." 3. santa somente. desleixadamente penteados. faziam-lhe em volta da cabeça. teses etc. extáticos. cenas ou ambientes.

RECEITA PARA UM TEXTO DISSERTATIVO/ARGUMENTATIVO Como começar? Após depreender o tema." 3. uma oposição etc. Qualquer que seja o enfoque.). lavagem delas com água sanitária. uma definição. Para construir o parágrafo introdutório. relações de causa e conseqüência etc. pálido e trêmulo. Escolha do tópico frasal. relacione causa e conseqüência. Os outros preconizam coisas mais agradáveis. exemplos. podendo combiná-los ou não. uma enumeração. contra os complacentes . rascunhe livremente seu texto ou planeje o conteúdo (seqüência de idéias). além de problemática. refutar ou fazer oposições).uma citação. nada  desculpou-se ao garçom. A resposta a essa pergunta desencadeará as idéias. Quanto ao garçom que o atendeu. a distribuição de seringas com agulhas a drogados e a perigosa. descritivos e dissertativos) explorando um único tema.  Estou esperando uma amiga. Reflita sobre o enfoque a ser dado: pense na possibilidade de concordar com o tema (total ou parcialmente). Sentou-se. selecione os argumentos (para endossar.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 35 preventivos. Faça seus textos voltados. básicos e corretos. o combate efetivo à toxicomania e a adequada seleção de doadores de sangue. esse adorava repetir a história. estava morto. a "grande amiga" não chegou!. até hoje. retome o ponto de vista do início ou lance uma perspectiva sobre o problema. escolher um determinado Estado ou uma Região para construir uma narração. pense. nos exemplos que melhor fundamentam sua discussão. Depois dessa reflexão. EXERCÍCIO: Construa pequenos textos (narrativos. "Ele chegou ao bar. de preferência. enfim. descrição e dissertação.. considere as abordagens mais coerentes com o seu conhecimento sobre o tema . mas sempre acrescentava ingenuamente:  E . por exemplo. transforme-o numa interrogação. FICHA 14 . Dali a dois minutos. proceda de forma coerente com a discussão: sintetize o assunto. Como elaborar? Como discutir? Como argumentar? Como concluir? . Para concluir. Aqueles exaltam o valor do relacionamento sexual responsável.  Por enquanto. Você pode. para a área do Turismo. reconhecendo as distinções que existem entre esses três tipos de composição.. como por exemplo o emprego desbragado e a doação gratuita de camisinhas. Observe se cada parágrafo argumentativo desenvolve adequadamente uma idéia-núcleo (através de evidências. fatos históricos. uma interrogação. Anote evidências do cotidiano.

2. comparações. sobre o tema  estabelecer ligação entre as idéias desenvolvidas  investir na construção de argumentos convincentes.  fornecer a idéia geral do assunto. titular partes e subdivisões desenvolver por oposição ou progressão evitar repetição de idéias desenvolver vantagens/desvantagens. na teoria.       CONCLUSÃO.  situar na história. CORPO DA EXPOSIÇÃO . no espaço e no tempo.o resumo marcante  resumir os argumentos maciços  alargar o tema geral 3. subdividir de maneira progressiva. teses opostas etc. .TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ESCRITA: ORGANIZANDO AS IDÉIAS PLANO DE EXPOSIÇÃO DE IDÉIAS: PLANEJANDO O TEXTO ESCRITO 1.  motivar para prender a atenção  fornecer as idéias diretrizes  anunciar o plano. INTRODUÇÃO  o anúncio do tema..o desenvolvimento por partes dividir por partes: duas ou três (adaptar a divisão ao tipo de texto). causas/conseqüências.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 36 FICHA 15 .

. Marginalizados.equilíbrio social.  diálogo presente-passado: o crescimento dos índices de violência no atual contexto brasileiro (situando o problema no tempo) 2. contra os menores. por exemplo.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 37 TEMA: O CRESCIMENTO DOS NÍVEIS DE VIOLÊNCIA NO BRASIL 1.os veículos de comunicação de massa como propagadores da violência carência de uma política educacional no combate à violência tipos de violência: policial. a população arma-se para combater a violência.as injustiças sociais no país ausência de uma política voltada para alertar a população sobre a violência o poder da mídia . INTRODUÇÃO  a violência e o contexto de crise social  o problema no mundo e no Brasil: paralelos (situando o problema no espaço). com essa atitude. crimes etc.o desenvolvimento da noção de cidadania Conseqüências do problema: desenvolvimento da marginalização. Transformação de residências em "prisões" para afastar os ladrões. mortes. por exemplo.CONCLUSÃO  a violência e o futuro do país. contra os idosos. Na verdade. carência de investimentos na educação. só aumentam os índices de violência 3.aumento no número de assaltos.má distribuição de renda impunidade.  contextualizar.DESENVOLVIMENTO. o problema das guerras que ainda ocorrem no mundo. Possíveis soluções?  Análise crítica da violência como uma forma bárbara e primitiva de definir questões sociais. .CORPO DA EXPOSIÇÃO I) Causas do problema:         II)     crescimento do desemprego no país desigualdades sociais. iniciam a prática da violência mais cedo clima de pânico entre a população. jovens e crianças cada vez mais vítimas do sistema social brasileiro. etc. contra a mulher. Construção do conceito de cidadania e desenvolvimento de uma melhor organização social.

Esse tipo de texto tem o objetivo de exprimir a opinião do autor sobre determinado assunto.. apresentação dos resultados. Assim sendo. O relatório. indicam o emprego da terceira pessoa  o "se" impessoal (fez-se. (Ex: Acreditamos que. terceira. de preferência. por quê). científico. de cursos realizados. para quem. contudo. como o próprio nome indica... que deve ser apresentada no final e de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas). objetivos. nome do destinatário. as conclusões logicamente decorrentes dos fatos observados. Essas informações podem ser feitas em notas de rodapé ou no final do trabalho.. administrativo. PARTES DO RELATÓRIO • • • • De maneira geral. acrescentou-se. deve levar em conta a sua finalidade (relatar o quê?. não se admitindo construções rebuscadas. chegou- . introdução  objeto do Relatório. vários são os tipos de relatórios: técnico. é um relato de uma atividade. estágio. sumário  para indicar as principais subdivisões e a paginação. etc. Pode ser dispensado. data.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 38 FICHA 16. apenas retomar o que já foi explicitado na introdução e no desenvolvimento. segunda. no caso de informações indiretas ou transcrições de textos. que pode ser experiência científica. a elaboração do relatório compreende as seguintes partes: folha de rosto ou página de informações especiais  título do Relatório. bibliografia  além da bibliografia consultada. objetiva e correta.. de visita.. deve ser adequado às circunstâncias e às finalidades.) Alguns autores. O indispensável é organizar o pensamento. do desenrolar dos fatos ou das experiências.. em linguagem denotativa. nome da entidade ou firma. torneios de linguagem. torná-lo claro e expressá-lo. nome do autor. conclusão  apresenta um resultado de conjunto. pode ser redigido na primeira pessoa. de apreciação sobre um tema. acrescentado-se. • • REDAÇÃO Um relatório deve ser redigido em linguagem simples. análise crítica. suas circunstâncias. apreciação sobre determinado fato ou assunto.REDAÇÃO TÉCNICA: O RELATÓRIO: introdução Relatório.. Na conclusão não se devem introduzir elementos novos.. apresentação de propostas etc. portanto. é claro. é indispensável a citação das fontes. no caso de relatórios mais breves. de estágio. visita. baseada em argumentos precisos./Ressaltamos que. desenvolvimento  consta de três partes: primeira. a descrição do contexto.. isto é. sua idéia central. muito freqüentemente usado nas diversas áreas da vida profissional. preferencialmente usando-se o plural de modéstia.

pois faz parte da linguagem informal ou familiar.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 39 se à conclusão etc. mesmo empregando-se o pronome impessoal (se). sob a aparente neutralidade do texto. A expressão coloquial "a gente" deve ser evitada. . baseada em fatos. valorizar opiniões emitidas. Autores: Maria Margarida de Andrade e Antônio Henriques. Finalmente. A argumentação. é imperioso que a personalidade e as opiniões do autor fiquem evidentes. coerente. como mais adequado.). deve ser lógica. Do livro LÍNGUA PORTUGUESA: NOÇÕES BÁSICAS PARA CURSOS SUPERIORES. observa-se que. levar em conta a escolha e classificação dos argumentos apresentados. imprópria para um trabalho desta natureza. principalmente nos relatórios de pesquisa científica.

tragédias. novelas..ROTEIRO SOBRE TIPOLOGIA TEXTUAL: texto literário & texto não-literário TEXTO LITERÁRIO • predomínio da conotação • ambigüidade acentuada • intencionalidade estética: texto literário interpretado primeiramente pelo seu valor artístico-estético • ênfase maior no significante em sua relação dialógica com o significado. cartas comerciais. • polissemia. poemas crônicas literárias... contos. textos jornalísticos. multissignificação TEXTO NÃO-LITERÁRIO • predomínio da denotação • maior objetividade e clareza • intencionalidade comunicativa: centrada na informação veiculada no texto • ênfase maior no significado.. monografias. textos dramáticos (comédias. o conhecimento partilhado autor-leitor. no conteúdo transmitido ao leitor. relatórios.. permite uma leitura mais linear.etc. artigos científicos. pouco variável de leitor a leitor. etc. preocupação maior com a informatividade • em geral. teses. A comunicação centra-se na interação significante-significado • variabilidade: as leituras do texto literário variam conforme o contexto histórico-social. etc.).elaborado por silvania mendonça almeida margarida 40 FICHA 17 . fábulas. o tipo de leitor. etc. já que a objetividade e clareza na informação são predominantes • monossignificação romances. . textos publicitários.

O Bandeirante 110 da empresa aérea estatal mexicana. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. Nove horas depois. e a prima-dona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. vem como uma estrela cadente. o que eleva para cinco o número de acidentes aéreos. vir dobrando finados pelos pobres mortos. em que a morte acentuou a palidez. matando todos os 20 ocupantes. E vejo a louca abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o pára-quedas. (Folha de S. ambas no Estado de Michoacán. Vejo a nadadora belíssima. A fuselagem do avião se rompeu quando ele tentava decolar. O acidente mais grave aconteceu com um Bandeirantes de fabricação brasileira. o avião provavelmente se chocou com uma montanha devido ao mau tempo e explodiu. despenhar-se com sua cabeleira negra. p. Jorge de Lima . Paulo.A-11) Texto 2 O grande desastre aéreo de ontem Vejo sangue no ar. vem com as pernas do vento. O aparelho caiu no oeste do país. mais rápida porque vem sem vida. 1988. Vejo três meninas caindo rápidas. na costa do oceano Pacífico. 2 set. Ambos os desastres aconteceram anteontem. tão tranqüila e cega! Ó amigos.na última quarta-feira. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol. 60 Km ao norte de Lázaro Cárdenas. causando um total de 49 mortes. os restos do aparelho foram encontrados perto do povoado de Artega. E o sino que ia para uma capela do oeste.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 41 Análise de textos Texto 1 Bandeirante cai no México e mata os 20 ocupantes Dois aviões comerciais mexicanos caíram causando a morte de 21 pessoas. O aparelho perdeu contato com a torre de controle de Urupán às 10h30. vejo o piloto que levava uma flor para a noiva. Transporte Aéreo Federal (TAF). Chove sangue sobre as nuvens de Deus. Segundo os funcionários. como se dançassem ainda. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo. O outro acidente aconteceu no leste do país. vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. decolou do aeroporto doe Uruapán (224 km a oeste da Cidade do México) às 9h45 com destino a Lázaro Cárdenas. anunciaram ontem funcionários do governo do México. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. enfunadas. o paralítico vem com extrema rapidez. Vejo sangue no ar. no seu último salto de banhista. Um passageiro morreu. abraçado com a hélice. E o violinista.

com 63 anos de idade. manicura. TRAGÉDIA BRASILEIRA Manuel Bandeira Misael. dentista. um tiro.. Podia dar uma surra. errou no amor Joana errou de João. e aí a notícia carece de exatidão. instalou-a num sobrado no Estácio.A dor da gente não sai no jornal. . NOTÍCIA DE JORNAL Luís Reis e Haroldo Barbosa Tentou contra a existência num humilde barracão Joana de Tal por causa de um tal de João. Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita. Não fez nada disso: mudou de casa. Dava tudo quanto ela queria..errou na dose. uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria. Misael tirou Maria Elvira da vida. Viveram três anos assim. funcionário da Fazenda. ninguém morou Na dor que era o seu mal: . dermite nos dedos. uma facada. Misael não queria escândalo. pagou médico. ninguém volta ao que acabou.. o lar não mais existe. retirou-se pro seu lar. Depois de medicada. Joana é mais uma mulata triste que errou .elaborado por silvania mendonça almeida margarida 42 POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL Manuel Bandeira João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.prostituída. com sífilis. Ninguém notou.. Conheceu Maria Elvira na Lapa . arranjou logo um namorado.

com a publicidade. Há também as campanhas publicitárias que se referem a marcas muito conhecidas e conceituadas no mercado.. Mas certamente venderá mais o produto que for mais bem anunciado. Olaria. logo a função apelativa ou conativa da linguagem é muito explorada. matou-a com seis tiros. a linguagem e o tom apropriados. Inválidos .O TEXTO PUBLICITÁRIO NA ÁREA DE TURISMO Na época em que vivemos. convencer o público. Boca do mato. 2. A publicidade é usada também para fixar junto ao público consumidor uma nova marca. na Rua da Constituição. Seu texto deve promover o turismo externo. e criar textos convincentes que primem pela veracidade. Os amantes moravam no Estácio. a publicidade assume um papel de importância incontestável. Explore as características culturais da região que você escolher e demonstre ao leitor do seu texto que você domina um certo conhecimento sobre o local em foco. a publicidade é feita apenas para reforçar a imagem do produto. EXERCÍCIO: Construa um texto publicitário voltado para a área do Turismo. Livradio.. Todos os santos. FICHA 18 . levando em conta características do público consumidor em potencial. ressaltando o processo de imigração e o intercâmbio entre culturas e línguas diferentes. é preciso anunciar bem: escolher o veículo adequado ao produto. Rua General Pedra. Para vender é preciso anunciar. Bonsucesso. Você pode até enfatizar a importância do turismo externo na época da globalização. a mensagem dirige-se ao receptor em primeiro plano. e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal. Nem sempre o melhor produto é aquele que vende mais. Mas não basta anunciar. com ênfase nos processos migratórios que . Rua Clapp. independentemente da qualidade do produto. É muito recorrente nesse tido de texto a utilização de expressões imperativas que instigam o receptor a entrar no jogo do consumismo. Ramos. ou seja.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 43 Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado. Catete. Rua Marquês de Sapucaí. persuadir. Encantado. Neste caso. Niterói. Ela adquirirá confiabilidade se for bem anunciada. Vila Isabel. vestida de organdi azul. onde Misael privado dos sentidos e de inteligência. Por fim. Catumbi. Seu texto deve promover o turismo interno. Misael mudava de casa.. O texto publicitário pretende atingir o público consumidor. originalidade e bom gosto. O público que você deverá atingir é um grupo de nordestinos que pretende viajar para algum país da Europa. mostrando as vantagens do produto a ser vendido. Você pode escolher uma das situações abaixo: 1. Rocha. Objetiva-se. outra vez no Estácio. com o objetivo de conhecer a riqueza cultural do velho mundo. na medida em que as fronteiras entre países diversos tornam-se tênues.

Deve haver relação entre a mensagem e as necessidades do receptor. Há outros fatores que devem ser igualmente analisados: 1O produto é de boa qualidade? 2A empresa dispõe de uma equipe de vendas? 3O preço do produto é compatível com os concorrentes? 4Existe mercado? 5A distribuição é ampla? Eloy Simões e Roberto Simões (1985) afirmam que à propaganda "compete abrir claros no campo do mercado. deslocar os concorrentes.COMO REDIGIR TEXTOS DE PROPAGANDA? A IMPORTÂNCIA DA PUBLICIDADE NA ÁREA DO TURISMO A propaganda é uma comunicação que visa levar alguém a fazer alguma coisa. O receptor deve acreditar no anúncio. como deve ser a linguagem da propaganda para que alcance resultados positivos? Deverá ser inteligente. sem vocábulos difíceis nem construções obscuras ou muito literárias. Explore as belezas naturais da região-alvo. persuasiva. 2. A mensagem deve despertar e manter a atenção do receptor. atrair para si olhares do público consumidor e dar um passe limpo. de bola redonda. 4. O texto publicitário deve ser uma conversa agradável entre anunciante e consumidor. O receptor deve compreender a mensagem. exige-se que seja escrito na linguagem do receptor. Não é demais afirmar que a linguagem publicitária deve ser persuasiva se quiser obter determinado comportamento do cliente potencial. Deixando de lado outros fatores que também influenciam na venda de um produto. Procura estabelecer uma ponte entre o cliente potencial e o produto. Você pode optar por duas situações: um grupo de nordestinos querendo conhecer alguma cidade do Sul ou Sudeste ou um caso inverso (um grupo de Sulistas querendo conhecer o Nordeste). Para ser persuasiva: 1. acreditável. ESQUEMA DO ANÚNCIO 1. A mensagem deve estar ajustada aos valores do consumidor. 2. Um anúncio deve conter: Título: visa atrair a atenção das pessoas para sua leitura Texto : descrição do produto. Por isso. 3. anunciar um produto para que haja vendas. compreensível. Ilustração Slogan . 3. para que os artilheiros de venda marquem os gols". criativa. Não basta. explorar o lado emocional das pessoas. como também as riquezas culturais. 5. 4. FICHA 19 .elaborado por silvania mendonça almeida margarida 44 ocorrem no próprio Brasil. porém.

.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 45 5. 7. Mapas: como chegar? O texto publicitário pode também priorizar mapas no sentido de orientar o turista a chegar ao local que está sendo divulgado.PUBLICIDADE E TURISMO Escrever um texto publicitário na área de TURISMO vem se tornando uma prática bastante comum. O redator de um anúncio tem de usar palavras de boa sonoridade. conforto e economia do consumidor. Produzir um texto de tamanho suficiente para persuadir o receptor. Se a propaganda apelar para um texto que aborde monumentos históricos de um determinado local. já que o setor turístico atualmente cresce vertiginosamente e precisa de estratégias de marketing para acelerar o seu desenvolvimento e afirmar o seu potencial gerador de empregos. Organizar a mensagem do ponto de vista do consumidor. 4. você pode explorar a palavra mais no sentido conotativo. É fundamental que o discurso se dirija ao receptor. monumentos etc. a fim de envolver e atrair o turista. Conhecer bem o produto anunciado. 9. 6. 6. 3. Roteiros: dicas para o turista a respeito da culinária local. 2. Escolher o público-alvo. Às vezes a imagem diz mais que as palavras. Imagens: é preciso que o receptor tenha uma idéia do lugar que deseja conhecer. bares. Escrever de modo que se inspire confiança. A escolha da imagem certa pode ser um ponto capital para o sucesso da propaganda. A propaganda turística pode conter: 1. Assinatura Logotipo Não bastam mandamentos. Usar palavras conhecidas. Comprovar os argumentos. 8. 5. estabelecer normas para a consecução de um texto publicitário: 1. Deverá examinar a frase depois de escrita. 4. Diálogo com o receptor: a linguagem publicitária deve ser persuasiva. restaurantes. a fim de conquistar a atenção do receptor. contudo. 3. hotéis. Pode-se. 2. limpá-la do supérfluo. é preciso que o redator do texto tenha conhecimento sobre dados do passado e estabeleça uma correlação com o presente do receptor. é necessário criatividade. 2. Criar imagens metafóricas para quebrar a expectativa do leitor. de fácil pronúncia Na propaganda. das formas mais criativas possíveis. A mensagem apelará sobretudo para o senso de bem-estar. Fugir ao que é forçosamente engraçado. avaliar a sua força.

Qual o público-alvo? Conheça o seu receptor e adapte sua linguagem à dele. externo. como alpinismo. como um mestre em culinária deter-se-ia provavelmente nos famosos restaurantes. O adjetivo pode ter uma importância muito forte na construção da expressividade do texto publicitário. etc. Textos adequados ao tipo de turismo que se pretende focalizar (ecoturismo. etc. toda a ênfase .. assim como uma noção precisa do que é ou não prioritário . de negócios. belezas naturais. O importante é traçar o perfil da clientela de maneira a supor pelo que o cliente padrão estaria interessado em sua ida a um local predeterminado. o local a ser visitado está associado a uma atividade específica. Um texto dessa natureza. Evidentemente sugerimos a menção de aspectos variados. Textos curtos e expressivos: apele para a emoção do receptor. com informações adicionais do que seria a infra-estrutura do turismo local. cartazes e até mesmo algumas páginas de jornais ou revistas em que encontraremos textos assim: repletos de informações sobre pontos turísticos. 3. Existem catálogos. Em geral. panfletos. obviamente em linguagem formal.). ele tenderia a fazer menção a um grande número de museus e outros locais de reconhecida importância histórica. textos dessa natureza vêm acompanhados de fotos dos pontos mais conhecidos ou bonitos. interno. A noção de prioridade parece-nos de vital importância pela seguinte razão: se o texto fosse escrito por um historiador. caça e pesca. mas não exagere na escolha de certos adjetivos que não correspondem à imagem que você quer "vender". 6.CONSTRUÇÃO DE TEXTOS ATRATIVOS NA ÁREA DE TURISMO: LINGUAGEM E PERSUASÃO No momento em que pretendemos elaborar um texto que procure convencer alguém a viajar para determinado local do nosso próprio país ou do estrangeiro. e assim por diante.? 2. deve apresentar grande objetividade na enumeração das características principais do local. FICHA 20 . lugares famosos. estamos estimulando o turismo. Também é bom lembrar que. Nesses casos. turismo de negócios. Quais os pontos atrativos do local que se pretende vender? 1. com ênfase no que de melhor o lugar teria a oferecer. etc. museus de importância histórica e grandes edificações que podem despertar o interesse das pessoas para conhecerem tantas maravilhas. em alguns casos. Antes de escrever um texto na área de turismo.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 46 5. é importante observar: Qual o tipo de turismo que se pretende focaliza? Turismo ecológico.

por outro ângulo de visão. ecológico.? 2. pode se tornar atraente ao receptor do texto. A estratégia da persuasão é a habilidade de convencer. podem ser explorados para que o texto escrito apresente uma interação com o contexto situacional? . criando certos atrativos que o local em foco não revela.Qual o público-alvo do texto? A quem se destinará a comunicação escrita? Qual será o tipo de leitor? Jovens? Idosos? Intelectuais? Brasileiros? Estrangeiros? Etc. no sentido de estimular o leitor a querer conhecer tal região. No entanto. externo. a fim de que a comunicação se realize com sucesso: 1. interno. culturais. 3. É interessante ressaltar que o produtor do texto na área de turismo deve ser perspicaz para conseguir selecionar os elementos mais atrativos da região em foco.. no sentido de persuadi-lo a ir conferir de perto as informações contidas no texto.. etc.Em que contexto o texto estará inserido? Que aspectos sociais. por exemplo. uma boa argumentação é fundamental a fim de tornar o texto agradável ao leitor. Sem dúvida. o profissional de turismo deve ser esperto o bastante.O que se pretende informar com o texto? Qual é a intenção comunicativa da mensagem? Propaganda? Roteiro turístico? Artigo de revista ou jornal? 4. É importante não exagerar muito. o escritor tem que assumir um compromisso com a sinceridade das informações contidas nos folhetos turísticos. alguns aspectos devem ser observados. etc. Ao produzir o texto. históricos. quando se pretende criar um texto voltado para a área de turismo. a fim de conseguir persuadir o leitor a visitar determinada região que apesar de ter poucos pontos atrativos com relação às belezas naturais. Em resumo..Qual o tipo de turismo que se pretende divulgar com o texto? Turismo executivo. geográficos.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 47 deve ser direcionada para a atividade central da região. atrair o receptor do texto por meio da mensagem produzida.

RESSALTANDO O PROCESSO DE IMIGRAÇÃO E O INTERCÂMBIO ENTRE CULTURAS E LÍNGUAS DIFERENTES. UM GRUPO DE NORDESTINOS DESEJA CONHECER A RIQUEZA CULTURAL DA EUROPA. SEU TEXTO DEVE TENTAR ATINGIR UM GRUPO DE PROFESSORES DE HISTÓRIA QUE ESTÁ PARTICIPANDO DE UM CONGRESSO DE EDUCAÇÃO EM OLINDA.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 48 FICHA 21 -CRIANDO TEXTOS PUBLICITÁRIOS NA ÁREA DE TURISMO PROPOSTA 1 ESCREVER UM TEXTO PUBLICITÁRIO PARA UM GRUPO DE TURISTAS DO SUL QUE DESEJA CONHECER O NORDESTE. PROPOSTA 4 JOVENS AVENTUREIROS DESEJAM CONHECER AS BELEZAS NATURAIS DE FERNANDO DE NORONHA. ADAPTE SUA LINGUAGEM ÀQUELA USADA PELOS TURISTAS. SEU TEXTO DEVE INCENTIVAR O TURISMO DE NEGÓCIOS. NA MEDIDA EM QUE AS FRONTEIRAS ENTRE PAÍSES DIVERSOS TORNAM-SE TÊNUES. PROPOSTA 3 HAVERÁ UM CONGRESSO DE INFORMÁTICA EM BELO HORIZONTE. PROPOSTA 2 SEU TEXTO DEVE PROMOVER O TURISMO EXTERNO. TENTE PERSUADIR ESSE PÚBLICO-ALVO E CRIE UM ROTEIRO TURÍSTICO PARA INCENTIVAR O TURISMO EXTERNO. SEU TEXTO DEVE DESTACAR A IMPORTÂNCIA E O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO ECOLÓGICO. A FIM DE CONSTRUIR UM TEXTO ATRATIVO PARA ESTE PÚBLICO-ALVO. . A FIM DE CONVENCER O PÚBLICO DO CONGRESSO A REALIZAR ROTEIROS TURÍSTICOS EM PERNAMBUCO. VOCÊ PODE ATÉ ENFATIZAR A IMPORTÂNCIA DO TURISMO EXTERNO NA ÉPOCA DA GLOBALIZAÇÃO.

SEU TEXTO DEVE SER CONSTRUÍDO EM LINGUAGEM ADEQUADA PARA ESSE PÚBLICO INFANTIL. APOSENTADOS EUROPEUS DESEJAM CONHECER AS BELEZAS NATURAIS E HISTÓRICAS DE MINAS GERAIS. PRIORIZANDO UM DETERMINADO ESTADO OU VALORIZANDO A REGIÃO NUM SENTIDO GLOBAL. QUE OS PAIS DEVEM SENTIR SEGURANÇA PARA MANDAR OS FILHOS PARA ESSA COLÔNIA DE FÉRIAS. REVELANDO PONTOS TURÍSTICOS DA REGIÃO QUE SEJAM ATRATIVOS PARA ESSE GRUPO DE TURISTAS.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 49 PROPOSTA 5 SEU TEXTO DEVE CONQUISTAR O PÚBLICO DA BOA IDADE. VOCÊ DEVE CONQUISTAR ESSE PÚBLICOALVO. . PROPOSTA 7 VOCÊ TRABALHA NUMA AGÊNCIA DE PUBLICIDADE E TEM COMO OBJETIVO DESENVOLVER UMA PROPAGANDA NA ÁREA DE TURISMO. PROPOSTA 6 CRIANÇAS DESEJAM VISITAR UMA COLÔNIA DE FÉRIAS E CONHECER PONTOS TURÍSTICOS ATRATIVOS EM SETE LAGOAS. SEU TEXTO PUBLICITÁRIO IRÁ SER PUBLICADO NAS REVISTAS DE CIRCULAÇÃO NACIONAL E VOCÊ DEVE INCENTIVAR O TURISMO NA REGIÃO SUDESTE. SABENDO. TAMBÉM. PROPOSTA 8 VOCÊ TRABALHA NUMA AGÊNCIA DE VIAGENS E TEM A RESPONSABILIDADE DE DESENVOLVER UM ROTEIRO TURÍSTICO PARA UM GRUPO DE BRASILEIROS QUE PRETENDE VIAJAR PARA OS EUA. A FIM DE CONHECER OS PONTOS TURÍSTICOS ATRATIVOS DO LOCAL.

que o professor consegue transmitir o conhecimento para seus alunos etc.FUNÇÕES DA LINGUAGEM A linguagem que usamos no nosso dia-a-dia é muito poderosa. Ligue e confirme! 3. ou melhor.FUNÇÃO REFERENCIAL: a mais comum das funções. empregam uma linguagem em que predomina esse tipo de função. . ( Maiakóvski) 2. nos primeiros anos deste século. Ex: “Por cima do abismo estende-se minh’alma tensa como um cabo onde me equilibro. sentimentos. pretendemos discutir quais são as funções da linguagem. Agora.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 50 FICHA 22 . os poemas exploram mais essa função da linguagem. 1.FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA: é aquela centrada no receptor da mensagem. A PROIMÓVEL cuida de tudo para você. nossa posição diante da vida e do mundo. ligue agora para 4325444. Entretanto.. É a partir do poder da linguagem que um advogado consegue condenar ou salvar o seu cliente de uma pena.FUNÇÃO EMOTIVA: é aquela a partir da qual o emissor expressa suas emoções e sentimentos para o receptor. O texto em que a função emotiva predomina é aquele que usa muito a primeira pessoa em seu discurso. ou seja. ou de nossa produção escrita. O uso de formas imperativas é muito recorrente em textos que exploram a função conativa. O número de trabalhadores crescia ao mesmo tempo em que o movimento operário avançava através das inúmeras manifestações que ocorriam”. (Sérgio Costa). muitas vezes. a função emotiva e as demais funções da linguagem podem se apresentar nos mais diversos tipos de textos. influenciada pelos anarquistas. com palavras empregadas predominantemente no sentido denotativo. Em geral. pois é a partir dela que conseguimos expressar nossos pensamentos. Os anúncios de publicidade. não nos damos conta. Porém. para que serve a linguagem que usamos em vários contextos. que um político consegue vencer ou perder as eleições. A intenção é transmitir ao receptor dados da realidade de uma forma direta e objetiva. malabarista de palavras”. para o referente (contexto). da importância e do poder de nossa fala. Ex: “A nascente classe operária do Brasil esteve. é aquela que se volta para a informação. Ex: Você que deseja comprar ou alugar seu imóvel. na maioria das vezes. pelo fato de estarmos usando a linguagem todos os dias nas mais variadas situações.

(Luís Fernando Veríssimo). carnudo . (Novo dicionário da Língua Portuguesa. levando .Falou. ... [Part.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 51 4... alentado: “ Era uma mulata fornida.Olá. valoriza a comunicação pela forma da mensagem.. nutrido. vou levando. ou seja.É isso aí.) 6... Talvez seja a semelhança com forno. Não gorda mas cheia. Essa especial seleção e combinação de palavras resulta num arranjo criativo que busca ressaltar alguns aspectos fundamentais da função poética da linguagem: o ritmo poético (o principal elemento característico da poesia) e a construção de imagens expressivas.... prolongando a comunicação ou então testando o canal de comunicação com frases do tipo “Está me ouvindo?” ou “Compreende?” ou “Hum. provido. Abastecido. de ancas largas. Ex: “. FUNÇÃO POÉTICA: também chamada função estética.. nova e sadia”. 2. Ex: fornido.”. roliça. Talvez seja apenas o tipo de mente que eu tenho”.. EX: DESABAR (Carlos Drummond) Desabava Fugir não adianta por toda parte edf ícios princípios l i e desabava minas torres .FUNÇÃO FÁTICA: o emissor preocupa-se em manter o contato com o receptor.hum. quer na seleção e combinação das palavras. ... Ex: “Gosto da palavra fornida. sabe exatamente como ela é. É uma palavra que diz tudo o que quer dizer. o emissor volta-se para o tema da mensagem no sentido de explicar a própria linguagem que está sendo usada. de fornir] Adj. quer na estrutura da mensagem. tudo bem? .. 1.FUNÇÃO METALINGÜÍSTICA: é aquela centrada no próprio código utilizado. a intenção do emissor está voltada para a própria mensagem...Tudo bem... E quente..É . ....Tudo bem.. Robusto. Se você lê que uma mulher é bem fornida... E você? .” 5. ou seja. Aurélio. Centraliza-se na própria mensagem.. carnuda.

..Tá certo. [Do lat.Quer deixar recado? . 2. Fernado.Oi. Esposa”. [Aum.“.Mulher.“Que é a Poesia? Uma ilha cercada de palavras por todos os lados” (RICARDO. tá? . mulheraça.Tchau. mulherona. Depois eu ligo de novo.) 5. Auério Buarque. f. Cassiano.Sei. Não perca tempo! Você merece passar no vestibular”.]. Pessoa do sexo feminino após a puberdade.Não. até logo.Alô? . Aqui você encontra a melhor equipe de professores e todo o material é fornecido pelo colégio. Muliere] S. 3. 1.: mulherão. Poética. .“Matricule-se já no cursinho XXX. Hum.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 52 s muletas desabando nem gritar dava tempo soterrados novos desabamentos insistiam sobre peitos em pó desabadesabadesabadavam As ruínas formaram outra cidade em ordem definitiva EXERCÍCIO Identifique a função da linguagem que predomina em cada texto abaixo: 1. Novo dicionário da língua portuguesa. preparatório para vestibular.José foi à reunião dos servidores do Estado.“Era já de madrugada E eu acordei sem razão Senti a vida pesada Pesado era o coração” (PESSOA. . FERREIRA. . tudo bem. Hum . 2... por favor. eu queria falar com José. Obra poética.) 4.

fática) CÓDIGO (f.ROTEIRO DE LEITURA. 1. portanto. uma determinada função predominará. da mensagem da propaganda. no seu efeito.A MENSAGEM DAS FUNÇÕES DA LINGUAGEM 1. RECEPTOR (f. emotiva) MENSAGEM (f. seja qual for o veículo que a estruture . pela intenção de seduzir o receptor.modelo triádico da comunicação.mensagens de caráter comunicativo. no ensaio “Lingüística e poética” amplia essas funções para seis: CONTEXTO (f. No entanto. 3. A organização.mensagens de caráter apelativo. entrecruzam-se vários níveis de linguagem. ou seja.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 53 FICHA 23 .televisão.mensagens de caráter expressivo.metalingüística) 3. conativa) . rádio . revista. Bakhtin: linguagem dialógica. poética) CANAL DE COMUNICAÇÃO (f.CAP. 7. 2. Não existe um texto puro. c) Contexto. Karl Bühler. As linguagens estruturam-se em função do fator principal para o qual estão inclinadas. As funções da linguagem também podem ser analisadas em textos não-verbais. Apontou três fatores básicos da comunicação: a) Destinador. várias funções da linguagem podem ocorrer. Num mesmo texto. 5. “Propaganda: marca-se fundamentalmente pela persuasão. A linguagem participa de aspectos mais amplos além do verbal. o seu modo de funcionar”. mostrando na sua marca e traço.1 E CAP. isto é. 6. Nem só de mensagens verbais vive o ser humano. b) Destinatário. “Diferentes mensagens veiculam significações as mais diversificadas. outdoor.2 DO LIVRO "FUNÇÕES DA LINGUAGEM" DE SAMIRA CHALHUB CAP.irá explorar um perfil conativo da linguagem”. Roman Jakobson.diálogo entre funções da linguagem num mesmo texto. com a presença de apenas uma função comunicativa. referencial) EMISSOR (f. 4.

são articuladas entre si. mensagens legíveis”. daquele que fala por alguns advérbios. 2. . pelos adjetivos. Há um mito de senso comum que identifica arte e função emotiva. 3 E CAP. por signos de pontuação  tais como exclamação. A linguagem denotativa referencial reflete o mundo. Distinções entre conotação e denotação. “A linguagem denotativa seria. FICHA 24 . de quem ou do que se fala. produzindo informações definidas. quando conversamos: sem perceber.ROTEIRO DE LEITURA DO LIVRO “AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM”. “Numa dada mensagem.. Editoriais de jornais: apresentam tanto a posição da empresa jornalística diante do fato discutido. comparece também numa fala marcada pela interjeição. 3. então. no modo como fala.4) CAP. sem ruídos de comunicação. como a tentativa de fazer o leitor concordar com o argumento. há o predomínio da denotação. transparentes. cruzando-se o jogo hierárquico dessas funções. 3. Jakobson.a tarefa dominante de numerosas mensagens é organizar os signos em função do referente. Há maior transparência entre o signo e o objeto.FUNÇÃO EMOTIVA 1. claras. A função emotiva tem sua orientação no emissor que deixa transparente as intenções no seu dizer. marcando-se em 1ª pessoa. produz o objeto artístico. 5. elaborada em função de uma certa repetibilidade das normas do código. é impossível observamos funções em estado puro . quando nos referimos a situações que nos rodeiam. O uso da função referencial marca-se lingüisticamente com o traço da 3ª pessoa do verbo. Função referencial e função conativa. 2. Na mensagem referencial. ou seja.sem ambigüidades. 7. 3. reticências. 2.que instrumentamos nosso cotidiano. 6. 4. tomado de inspiração.comunicação direta . “É com a linguagem referencial . construída em bases convencionais. A função emotiva implica sempre uma marca subjetiva de quem fala.SAMIRA CHALHUB (CAP. construímos mensagens de uso automatizado. que.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 54 CAP.FUNÇÃO REFERENCIAL 1. A arte expressaria sentimentos e pensamentos do autor. que apontam o ponto de vista do emissor.

ao fixá-lo. . etc. A função emotiva pode estar presente em qualquer tipo de texto. O artista pode passar por um processo de inspiração. atua como co-produtor do texto. no poema. A fotografia. Leitura enquanto processo de reconstrução textual (T. na pintura.. 5. fixa um objeto.FUNÇÃO CONATIVA 1.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 55 4. provocá-lo . 3. envolve diferentes funções em diálogo. a função conativa carrega traços de argumentação/persuasão que marcam o remetente da mensagem. seja qual for o material de que é feita . 4. há sempre o imperativo do consumo da mercadoria apresentada. por exemplo. no sentido de desenvolver uma atitude no receptor. Para a linguagem da propaganda. A emoção se dá diante das relações novas que se percebem na escultura. por exemplo. A função conativa tem esse papel: persuadir o ouvinte. 4. mas só esse processo não garante a realização da arte. Há outra postura que concebe arte como construção. Arte = produto da inspiração e da transpiração. as mensagens construídas visam essencialmente atingir o receptor. Uma mensagem . Por trás da mensagem publicitária. Todorov no livro “Os gêneros do discurso”). A palavra conatum vem do latim e significa influenciar alguém por meio de um esforço. desde que há tentativa de convencer o receptor de algo. que não intenciona persuadir para fins de consumo. CAP. convencê-lo. Porém. 2. revela movimentos de emissão. Leitura: Estética da Recepção  o leitor é responsável pela atualização do texto. diferentemente da função estética da arte. Freqüentemente.

em tão rápida existência.. 4. tudo se transforma” (Cecília Meireles) b) “Sentia um medo horrível e ao mesmo tempo desejava que um grito me anunciasse qualquer acontecimento extraordinário. 5. palavras. sofre o processo de transcodificação. num de seus momentos. espantavam-me.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 56 FICHA 25 . A mensagem de um romance. desci os degraus e fui espalhar no quintal os fios da gravata.Identifique a função da linguagem predominante em cada texto abaixo e justifique sua resposta: a) “Ai. ia piorar. . "O objetivo desse tipo de mensagem é testar o canal. como está frio hoje. "A arte de vanguarda. é prolongar. não no sentido de. que estranha potência.. a vossa ! Ai. O canal de comunicação influencia a recepção da mensagem. A escolha do canal de comunicação interfere na organização da mensagem veiculada ao receptor. o pensamento embaralhava-se longe daquelas porcarias. 3. no canal de comunicação.." são conectores entre uma expressão e outra e dão a ilusão de que o emissor e o receptor comunicam-se. Certos "tiques" da fala podem caracterizar-se como fáticos: "certo?. Estava doente. O traço característico da faticidade é a tautologia. (Aristóteles).. Função fática.. interromper ou reafirmar a comunicação. 7. dormir. aqueles rumores comuns. Exemplos de mensagens que exploram a função fática: conversas telefônicas.EXERCÍCIO DE REVISÃO 1. dizer que o que é. no suporte físico.” (Graciliano Ramos). sois de vento que não retorna. c) “O discurso comporta duas partes. Seria tudo ilusão?. a segunda.. e em seguida a demonstração. pois necessariamente importa indicar o assunto de que se trata. ergui-me. palavras. etc. Aquele silêncio. e. ai. não é? etc. informar significados". efetivamente. chamando a atenção do leitor a dar estatuto ao canal. palavras. Seria tudo ilusão? Findei a tarefa. não?" 6. palavras. e isto me alegrava. diálogos cotidianos. ai. isto é. 2.. é: "Puxa. (." FICHA 26 .está centrada no contato.) A primeira destas operações é a exposição. que sempre fora tão automatizado. considerou a folha branca como lugarespaço para produzir significação. a prova”. Deitar-me. transformada por exemplo num filme.FUNÇÃO FÁTICA DA LINGUAGEM 1. entende?.

textos persuasivos. no sentido de dominá-lo por meio da técnica.QUADRO DE RESUMO DAS FUNÇÕES DA LINGUAGEM FUNÇÃO REFERENCIAL FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA FUNÇÃO FÁTICA FUNÇÃO METALINGÜÍSTICA FUNÇÃO POÉTICA informação bruta. Manutenção do contato comunicativo textos explicativos . objetiva. né? . Textos centrados no receptor da mensagem textos que instauram ou facilitam a comunicação.Ora. Ênfase no próprio código que está sendo utilizado. Textos centrados no emissor o leitor é levado em consideração.textos críticos.Que troço . enxuta. Ênfase no referente contextual presença do emissor (destinador).Coisa de louco .” f) “Sendo o espaço geográfico a realidade histórica mais imutável. Poetização e dramatização . de seus juízos e sentimentos.definições. textos que valorizam a informação pela forma da mensagem.É. sobre ele o homem vem exercendo contínua atividade. o que você está esperando? Consulte a BBC Turismo e você vera a diferença .É” e) “Você deseja conhecer outros lugares. "impressionistas".”(Virgílio Noya Pinto). sedutores. subjetivos. centrados no canal de comunicação.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 57 d) “ . droga! . sem juízos de valor. o seu objetivo tem sido a eliminação do binômio tempo-espaco. Puxa vida! . FICHA 27 . viajar tranqüilo sem preocupações com passagens e hospedagem ? Então.Bolas! . Desde que o homem iniciou a domesticação de animais e os utilizou para reduzir as distâncias até a mais moderna tecnologia de transmissão por satélites.Que coisa.

Se sua empresa ou a sua cidade precisarem de soluções inteligentes de transporte. nos textos abaixo. o único testemunho de nossa realidade”. (Octávio Paz) D) "Para enfrentar serviços que não escolhem hora nem lugar. Tudo é belo e cantante na coleção de perfumes das avenidas que levam ao amor. Venha e confira! “ c) “A palavra é o homem mesmo. Eletrodomésticos a preços baixíssimos. Anda! Volta lá. volta já". Trata-se de um intermediário para o NC.elaborado por silvania mendonça almeida margarida 58 EXERCÍCIO DE REVISÃO 1. Um autêntico veículo de utilidade pública". É um computador feito para ficar ligado à rede da empresa. tornando sua vida mais prática e rápida com a qualidade de marcas já respeitadas no mercado”. nos espelhos de luz e penumbra onse se projetam os puros jogos de viver. Estamos feitos de palavras. computador que nem sequer tem disco rígido e precisa ficar ligado ao servidor da empresa ou da Internet para funcionar. ao menos. primeiro Net PC produzido no Brasil. Um vazamento de água. a função da linguagem predominante e justifique sua resposta: a) “A Microtec Vision lança nesta semana o Mythus Net. E) TRISTE HORIZONTE Carlos Drummond "Por que não vais a Belo Horizonte? A saudade cicia e continua branda: Volta lá. a solução inteligente é um caminhão com a facilidade de manutenção de um Mercedes-Benz. Identifique. pense no Mercedes-Benz. . “ (Revista Veja) b) “Não perca a liquidação que está ocorrendo na Arapuã. um reparo urgente na via pública são situações que exigem das equipes de manutenção dos serviços públicos um permanente estado de prontidão.  Mãe. Tudo para facilitar o seu dia-a-dia. F) BODAS DE SANGUE Noivo: Mãe:  Que é? Noivo:  Já vou. Elas são a única realidade ou. um poste tombado.

elaborado por silvania mendonça almeida margarida 59 Mãe: Mãe:  À feira. (Garcia Lorca) . (dispõe-se a sair)  Espera.