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CURSO SUPERIOR
CURSO SUPERIOR

Profa. Silvânia Mendonça Almeida Margarida Belo Horizonte–MG

2005

elaborado por silvania mendonça almeida margarida

SUMÁRIO

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elaborado por silvania mendonça almeida margarida SUMÁRIO 2 CURSO SUPERIOR.........................................................................................................................................1 BELO HORIZONTE–MG.................................................................................................................................1 SUMÁRIO...........................................................................................................................................................2 PLANO DA DISCIPLINA...............................................................................................................................3

CURSO SUPERIOR.........................................................................................................................................1

BELO HORIZONTE–MG.................................................................................................................................1

SUMÁRIO...........................................................................................................................................................2

PLANO DA DISCIPLINA...............................................................................................................................3

PROFESSORA: SILVANIA MENDONÇA ALMEIDA MARGARIDA.....................................................3

FICHA 1...........................................................................................................................................................5 NOÇÕES METODOLOGICAS DE LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO.....................................5 FICHA 2- LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO..............................................................................................8 FICHA 3- ESQUEMA PARA DISCUSSÃO SOBRE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO.......................10

1.LEITURA: ....................................................................................................................................................10

COMUNICAÇÃO............................................................................................................................................10

TEXTO 5 -SKETCHS......................................................................................................................................14

TEXTO 6........................................................................................................................................................14 FICHA 4.........................................................................................................................................................15 LINGUAGEM : CONCEITOS......................................................................................................................15 FICHA 5 - O SIGNO LINGÜÍSTICO...........................................................................................................17

FICHA 6- FALA E ESCRITA: MODALIDADES DA LÍNGUA.................................................................18 FICHA 7.........................................................................................................................................................24 ROTEIRO PARA A DISCUSSÃO SOBRE AS MODALIDADES DE USO DA LÍNGUA: A FALA E A

ESCRITA........................................................................................................................................................24

FALA: CARACTERÍSTICAS......................................................................................................................24 ESCRITA: CARACTERÍSTICAS................................................................................................................25

FICHA 8.........................................................................................................................................................26 ANÁLISE DE TEXTOS: TRABALHANDO A RELAÇÃO FALA-ESCRITA...........................................................26 FICHA 9.........................................................................................................................................................28 EXERCÍCIOS (RELAÇÃO FALA-ESCRITA).....................................................................................................28 TEXTO 1.....................................................................................................................................................28

TEXTO 2-

TRADIÇÃO....................................................................................................................28

TEXTO 3:

ZILZINHO.......................................................................................................................29

FICHA 10.......................................................................................................................................................30 ANÁLISE DA CONVERSAÇÃO.................................................................................................................30 FICHA 11 - TEXTO E CONTEXT0..............................................................................................................31 FICHA 12 - O TEXTO E SUAS MODALIDADES......................................................................................32 FICHA 13.......................................................................................................................................................33 TIPOLOGIA TEXTUAL: DESCRIÇÃO, NARRAÇÃO E DISSERTAÇÃO..............................................33 FICHA 14 - RECEITA PARA UM TEXTO DISSERTATIVO/ARGUMENTATIVO................................35 FICHA 15 - TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ESCRITA: ORGANIZANDO AS IDÉIAS.....................36 FICHA 16- REDAÇÃO TÉCNICA: O RELATÓRIO: INTRODUÇÃO...........................................................38 FICHA 17 - ROTEIRO SOBRE TIPOLOGIA TEXTUAL:..........................................................................40 TEXTO LITERÁRIO & TEXTO NÃO-LITERÁRIO.................................................................................................40

NOTÍCIA DE JORNAL...................................................................................................................................42

TRAGÉDIA BRASILEIRA...........................................................................................................................42

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FICHA 18 - O TEXTO PUBLICITÁRIO NA ÁREA DE TURISMO.........................................................43 FICHA 19 - COMO REDIGIR TEXTOS DE PROPAGANDA?..................................................................44 A IMPORTÂNCIA DA PUBLICIDADE NA ÁREA DO TURISMO..........................................................44 FICHA 20 - CONSTRUÇÃO DE TEXTOS ATRATIVOS NA ÁREA DE TURISMO:.............................46 LINGUAGEM E PERSUASÃO....................................................................................................................46 FICHA 21 -CRIANDO TEXTOS PUBLICITÁRIOS NA ÁREA DE TURISMO.......................................48 FICHA 22 - FUNÇÕES DA LINGUAGEM..................................................................................................50

EXERCÍCIO........................................................................................................................................52

FICHA 23 - ROTEIRO DE LEITURA- CAP.1 E CAP.2 DO LIVRO..........................................................53 "FUNÇÕES DA LINGUAGEM" DE SAMIRA CHALHUB........................................................................53

CAP. 2- FUNÇÃO REFERENCIAL...........................................................................................................54

FICHA 24 - ROTEIRO DE LEITURA DO LIVRO “AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM”- SAMIRA CHALHUB (CAP. 3 E CAP.4)......................................................................................................................54 FICHA 25 - FUNÇÃO FÁTICA DA LINGUAGEM....................................................................................56 FICHA 26 - EXERCÍCIO DE REVISÃO......................................................................................................56

FICHA 27 - QUADRO DE RESUMO DAS FUNÇÕES DA LINGUAGEM...............................................57

PLANO DA DISCIPLINA

CURSO:

DISCIPLINA: Comunicação e Expressão 1 CARGA HORÁRIA: 72 h PROFESSORA: SILVANIA MENDONÇA ALMEIDA MARGARIDA

Objetivo: Desenvolver uma competência comunicativa no aluno, considerando as várias estratégias de comunicação e articulando a expressão escrita à oralidade.

Ementário:

Linguagem e comunicação. Elementos do esquema de comunicação: emissor, mensagem, receptor, canal, código, contexto. Funções da linguagem e sua aplicabilidade em textos da área de Turismo e no Direito. O texto publicitário: a importância da função apelativa na propaganda turística. A comunicação oral: articulando o verbal e o não-verbal. A expressão escrita: características dos diversos tipos de textos. O texto dissertativo:

argumentação e contra-argumentação.

Programa (Plano de ensino):

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  • 1. Linguagem e comunicação : o processo de comunicação. Elementos do esquema de comunicação : emissor, receptor, canal, código, contexto, mensagem. Funções da linguagem (emotiva, conativa, referencial, metalingüística, poética, fática). Análise de textos que exploram diferentes funções da linguagem. O texto publicitário e sua importância para o Turismo: enfatizando a função apelativa da linguagem. A função referencial em textos jornalísticos.

  • 2. Comunicação oral e escrita : fala e escrita: características e usos das diferentes modalidades da língua. A importância dos marcadores de fala na organização do texto oral. Adequação da linguagem à situação comunicativa. Níveis de linguagem: coloquial-popular, formal-culto, técnico-profissional, artístico. A comunicação escrita: planejamento de idéias. Tipologia textual: narração, descrição, dissertação. O texto dissertativo: argumentação e contra-argumentação Produção e compreensão de textos diversos.

  • 3. Comunicação verbal e não-verbal: leitura e produção de textos que exploram o código verbal e o não –verbal, a coerência entre a palavra e a imagem, a importância da linguagem icônica na era das novas tecnologias, tipos de signos : ícone, índice, símbolo.

REFERÊNCIAS

Básica:

BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de comunicação escrita. São Paulo : Ática, 1999.

BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz?. São Paulo : Loyola,

2000.

BOAVENTURA, Edivaldo. Como ordenar as idéias. São Paulo : Ática, 1990. CHALHUB, Samira. Funções da linguagem : Ática, 1995. VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. São Paulo : Martins Fontes, 1991.

Complementar:

MARTINS, Jorge S. Redação publicitária: teoria a prática. São Paulo : Atlas, 1997. MEDEIROS, João B. Comunicação escrita: a moderna prática da redação. São Paulo :

Atlas, 1992. PLATÃO & FIORIN. Para entender o texto. São Paulo : Ática, 1990. VALENTE, André. A linguagem nossa de cada dia. Petropólis : Vozes, 1997. TERRA, Ernani. Linguagem, língua e fala. São Paulo : Scipione, 1997.

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FICHA 1

NOÇÕES METODOLOGICAS DE LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

1. O ATO DE LER

A leitura não pode ser encarada como simples decodificação de signos, atividade mecânica que determina uma postura passiva diante do texto. Paulo Freire (1985: 11) diz:

"A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto".

A leitura é uma atividade necessária no mundo de hoje e não deve restringir-se às finalidades de estudo. É preciso ler para se informar, para participar, para ampliar conhecimentos e alcançar uma compreensão melhor da realidade atual.

A leitura é um processo de reconstrução textual, segundo Tzevtan Todorov.

2- ESTRATÉGIAS DE LEITURA: A TÉCNICA DE SUBLINHAR

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Sublinhar é uma técnica empregada com diversos objetivos: assimilar melhor o texto, memorizar, preparar uma revisão rápida do assunto, aplicar em citações e, principalmente, resumir, esquematizar.

Para sublinhar é indispensável, antes de tudo, a compreensão do texto, pois este é o único processo que permite a seleção do que importante e do que é secundário.

A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos:

leitura integral do texto, para tomada de contato;

esclarecimentos de dúvidas de vocabulário, termos técnicos e outros;

releitura do texto , a fim de identificar as idéias principais;

sublinhar , em cada parágrafo, as palavras que contêm a idéia-núcleo e os detalhes

importantes; assinalar, à margem do texto, com um ponto de interrogação, os casos de discordâncias,

as passagens obscuras, os argumentos discutíveis. ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido;

reconstruir o texto , tomando as palavras sublinhadas como base.

EXEMPLOS: Captando as idéias centrais do texto:

"Quatro funções básicas têm sido convencionalmente atribuídas aos meios de comunicação de massa: informar, divertir, persuadir e ensinar. A primeira diz respeito à difusão de notícias, relatos, comentários etc. sobre a realidade, acompanhada, ou não de interpretações ou explicações. A segunda função atende à procura da distração, da evasão, de divertimento, por parte do público. Uma terceira função é persuadir o indivíduo- convencê-lo a adquirir certo produto, a votar certo candidato, a se comportar de acordo com os desejos do anunciante. A quarta função - ensinar - é realizada de modo direto ou indireto, intencional ou não, por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos, planos, destrezas, etc." (Samuel Pfromm Neto)

ESQUEMA

Meios de comunicação de massa.

Funções básicas: 1. Informar: difusão de notícias

  • 2. Divertir: distração

  • 3. Persuadir: convencer

  • 4. Ensinar: ampliar conhecimentos/ formação do indivíduo.

3. COMO REDIGIR RESUMOS

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As opiniões e os pontos de vista do autor devem ser respeitados, sem acréscimo de qualquer comentário ou julgamento pessoal de quem elabora o resumo. Exige-se fidelidade ao texto , mas para mantê-la não é necessário transcrever frases ou trechos do original; ao contrário, deve-se empregar frases com palavras o vocabulário que se costuma usar. • Um resumo bem elaborado deve obedecer aos seguintes passos:

  • 1. apresentar, de maneira sucinta , o assunto da obra/texto;

  • 2. não apresentar juízos críticos ou comentários pessoais;

  • 3. respeitar a ordem das idéias e fatos apresentados;

  • 4. empregar linguagem clara e objetiva;

  • 5. evitar transcrição de frases do original;

  • 6. apontar as conclusões do autor;

ADAPTAÇÃO BASEADA NO LIVRO LÍNGUA PORTUGUESA: NOÇÕES BÁSICAS PARA CURSOS SUPERIORES

DE ANDRADE & HENRIQUES, 1996. ATLAS. S.P.

ESQUEMA/RESUMO

EXERCÍCIO: Elaborar um esquema e um resumo do texto abaixo:

"As reuniões periódicas de avaliação do progresso são instrumento fundamental de planejamento e controle da equipe. Como o próprio nome sugere, o objetivo é avaliar o andamento de uma atividade ou projeto, ou mesmo o estado geral das tarefas de uma equipe, sob o ponto de vista técnico e administrativo, e tomar as decisões necessárias a seu controle. Uma reunião destas também serve para reavaliar em que pé estão as decisões tomadas na reunião anterior, e pode começar com uma apresentação feita pelo líder, sobre a situação geral das coisas. Em seguida, cada um dos membros pode fazer um relato das atividades sob sua responsabilidade. Depois disso, repete-se o processo para o período que vai até a reunião seguinte, especificando-se então quais são os planos e medidas corretivas colocados em prática nesse período. Dada essa sua característica de estar orientada para uma finalidade muito particular, uma reunião desse tipo tende a ser, quando bem administrada, extremamente objetiva e de curta duração". (Maximiano, 1986: 60).

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FICHA 2- LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO

I- LINGUAGEM, LÍNGUA E FALA: DEFINIÇÕES

Inúmeras vezes você já deve ter ouvido alguém falar sobre a importância da comunicação. Mas o que significa exatamente comunicar? A própria palavra parece nos dar a resposta, uma vez que sua raiz é a palavra comum, portanto, comunicar é o ato de tornar uma mensagem comum ou conhecida ao seu interlocutor. Vários tipos de linguagem podem ser utilizados para exercermos atos de comunicação: a linguagem dos surdos-mudos, as placas de sinais de trânsito, as bandeiras mostradas nas corridas de automóveis, desenhos, filmes, etc .. A linguagem pode ser definida como um processo de comunicação de uma mensagem entre dois sujeitos falantes, pelo menos, sendo um o destinador ou emissor, e o outro, o destinatário ou receptor. Em resumo, a linguagem é todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar atos de comunicação. De acordo com o sistema de sinais que utiliza, a linguagem pode ser:

1. Verbal: aquela cujos sinais são as palavras. A língua que você usa para atos de comunicação é a linguagem verbal. A palavra verbal provém do latim verbalis, que, por sua vez, vem de verbum, que significa palavra. 2. Não-verbal: aquele que utiliza outros sinais com exceção das palavras. Os sinais empregados pelos surdos-mudos para efeito de comunicação constituem, portanto, um tipo de linguagem não-verbal, muito propriamente denominado linguagem dos surdos- mudos. Do mesmo modo, o conjunto de sinais de trânsito utilizados para orientar os motoristas e as bandeiras que orientam os pilotos em corridas de automóveis constituem um tipo de linguagem não-verbal. Além da dança, pintura, escultura e outros tipos de manifestações artísticas que se utilizam de outros signos, com exceção da palavra, para comunicar e, portanto, podem ser classificadas como linguagem não-verbal.

A língua é a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, que, por si só, não pode nem criá-la, nem modificá-la. Ela não existe senão em virtude duma espécie de contrato estabelecido entre os membros da comunidade. Trata-se de um sistema de natureza gramatical, pertencente a um grupo de indivíduos, formado por um conjunto de sinais (as palavras) e por uma gama de regras para sua combinação. É, portanto, uma instituição social de caráter abstrato que somente se concretiza através da fala. Entende-se a fala como ato individual que varia de indivíduo a indivíduo de acordo com a personalidade de cada um, além de determinados fatores de ordem social, ideológica, cultural etc .. Enquanto a fala é revelada como um ato individual, a língua possui um caráter social esta é patrimônio de toda uma coletividade, ao passo que aquela é resultado das realizações individuais de cada indivíduo. Por exemplo, a língua portuguesa é patrimônio de toda a comunidade de falantes da língua portuguesa e só a comunidade pode agir sobre ela. Entretanto, cada membro da comunidade pode usar a língua de forma particular, criando, assim, a fala. A fala é a maneira individual de cada pessoa se expressar. Apesar de os falantes estarem usando uma mesma língua, como no caso do Brasil, utiliza-se a língua portuguesa,

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as falas dos indivíduos revelam-se completamente diferentes, já que cada um tem expectativas diferentes, culturas diversas, visões de mundo e ideologias totalmente diferentes. Os falantes, utilizam, assim, a língua, mas desenvolvem uma maneira peculiar, bem própria para expressar mensagens através de suas falas. Os usos variados da língua dependem de uma série de fatores, tais como:

1- Fatores regionais: você já deve ter percebido que o português falado no Sul do país difere do português falado no Norte. Mesmo dentro de uma mesma região, encontram-se variações no uso da língua. No estado de São Paulo, por exemplo, há diferenças entre a língua utilizada por um cidadão que vive na capital e aquela utilizada pelo habitante da zona rural. 2- Fatores culturais: o grau de escolarização e a formação cultural do indivíduo são também fatores que determinam usos diferentes da língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de maneira diversa da pessoa que não teve acesso à escolarização formal 3- Fatores contextuais: um mesmo falante altera o registro de sua fala de acordo com a situação em que se encontra. Numa roda de amigos em que se discute futebol, o falante utiliza a língua de maneira diversa daquela que utilizaria ao solicitar emprego numa empresa. A modalidade oral da língua geralmente se caracteriza por uma maior espontaneidade do que a forma escrita. 4- Fatores naturais: o uso da língua pelo falante sofre influência de fatores naturais, tais como sua idade e sexo. Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que um adulto, daí falar-se em linguagem infantil e linguagem adulta.

II - NÍVEIS DE LINGUAGEM

Em decorrência do caráter individual da fala, vários estudiosos distinguem diferentes níveis de linguagem, ou níveis de fala. A classificação a seguir é apenas uma das mais abrangentes, já que une a fala coloquial e a popular num primeiro nível, diferenciando-se esse registro do formal e do culto. Vejamos, pois, alguns níveis de linguagem:

  • a) Nível coloquial-popular: é a fala que a maioria das pessoas utiliza no seu dia-a-dia, sobretudo nas situações mais informais. Caracteriza-se pela espontaneidade, ou seja, quando empregamos o nível coloquial-popular, não estamos muito preocupados em saber se aquilo que falamos está de acordo ou não com as normas estabelecidas pelas convenções que sustentam o uso formal. Ex: conversas familiares, conversas com uso de gírias, bate-papos informais, recados, bilhetes, cartas informais, etc ..

  • b) Nível formal-culto: é o nível normalmente utilizado pelas pessoas em situações formais, bem como pela maioria dos órgãos de imprensa. Caracteriza-se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obediência às regras que estabelecem o uso padrão.

É claro que existem outros níveis de linguagem, além do coloquial-popular e do formal-culto. A fala que alguns profissionais, como advogados, economistas etc., utilizam no exercício de suas atividades corresponde a um nível chamado profissional ou técnico. A utilização da língua com finalidade expressiva pelos artistas da palavra (poetas e romancistas, por exemplo ) corresponde a um nível chamado artístico ou literário

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FICHA 3- ESQUEMA PARA DISCUSSÃO SOBRE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO

1.

Leitura:

COMUNICAÇÃO

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você

quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um “Posso ajudá-lo, cavalheiro?” “Pode. Eu quero um daqueles, daqueles ” .... “Pois não?”

...

um

...

como é mesmo o nome?

“Um

....

como é mesmo o nome?”

“Sim?”

“Pomba! Um

Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É

... uma coisa simples, conhecidíssima”. “Sim, senhor.” “O senhor vai dar risada quando souber.” “Sim, senhor”. “Olha, é pontuda, certo?” “O quê, cavalheiro?” “Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz

...

um

uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na

ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um

...

Uma espécie de, como é

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que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?” “Infelizmente, cavalheiro ” ... “Ora, você sabe do que eu estou falando”. “Estou me esforçando, mas ” ... “Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?” “Se o senhor diz, cavalheiro”. “Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero”. “Sim, senhor. Pontudo numa ponta”. “Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?” “Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?” “Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho”. “Sinto muito”. “Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta . Lido com números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental, como você está pensando”. “Eu não estou pensando nada, cavalheiro”. “Chame o gerente”. “Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feita do quê?” “É de, sei lá. De metal”. “Muito bem. De metal. Ela se move?”

“Bem ...

É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim,

dobra aqui e encaixa na ponta, assim”. “Tem mais de uma peça? Já vem montado?” “É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço”. “Francamente ” ... “Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa”. “Ah, tem clique. É elétrico”. “Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar”. “Já sei!”. “Ótimo!” “O senhor quer uma antena externa de televisão”. “Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo ” ... “Tentemos por outro lado. Para o que serve?” “Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa”. “Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança e ” ... “Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!”.

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“Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!”

É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um

...

um

....

Como é mesmo o nome?”.

Debate sobre o tema:

VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comunicação. In: Amor brasileiro. Rio de Janeiro, José Olympio, 1977. p143

  • 1. O que é comunicar? A importância de tornar uma mensagem comum ao receptor.

Processo de comunicação

EMISSOR MENSAGEM RECEPTOR tornar comum
EMISSOR
MENSAGEM
RECEPTOR
tornar comum
  • 2. Fatores que contribuem para o processo de comunicação:

    • 2.1- Intencionalidade: o emissor demonstra a intenção de comunicar algo;

      • 2.2- Natureza da mensagem veiculada: objetividade, clareza, coerência, precisão na informatividade do texto etc ..

        • 2.3- Conhecimento prévio do receptor: importância do conhecimento partilhado emissor-receptor;

          • 2.4- O receptor deve reconhecer o código utilizado na comunicação: fala, escrita, verbal, não-verbal, linguagem pictórica, etc ..

            • 2.5- Situcionalidade: contexto (social, cultural, geográfico etc dialógica entre texto-contexto.

..

).

A

relação

  • 3. Linguagem: processo de comunicação de uma mensagem entre emissor e receptor. Identificamos a linguagem quando há realização de atos comunicativos.

  • 4. Tipos de linguagem: verbal & não-verbal.

  • 5. Língua: sistema de natureza gramatical formado por um conjunto de regras. A língua possui um caráter abstrato e social.

  • 6. Fala: ato individual variável de pessoa a pessoa, de acordo com fatores de ordem social, cultural, ideológica, etc ..

  • 7. Abordagem de Saussurre:

Língua (Langue)- social patrimônio de uma coletividade

Fala (Parole)- individual resultado das realizações lingüísticas individuais.

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8. Tipos ou níveis de linguagem

Nível coloquial-popular: conversas familiares, bate-papos informais, recados, bilhetes, cartas informais, etc .. • Nível formal-culto: artigos científicos, comunicações em congressos, discursos políticos, conferências, cartas comerciais, monografias, dissertações, teses, artigos de jornais, editoriais etc .. Nível técnico-profissional: linguagem dos médicos, advogados, cientistas, políticos, etc .. • Nível artístico: romances, contos, crônicas literárias, poemas, pinturas, esculturas, etc ..

  • 9. Conexões finais:

• Comunicação enquanto processo altamente dependente do contexto, do código escolhido para veicular a mensagem, do nível de linguagem empregado, do conhecimento partilhado entre o emissor e o receptor, etc.

• Língua, linguagem, fala: conceitos distintos apesar de inter-relacionados.

EXERCÍCIOS – Níveis de linguagem

Identifique o nível de linguagem predominante em cada texto abaixo:

TEXTO 1

"Meus camaradinhas:

Não entendi bulufas dessa jogada de fazerem o papai aqui apresentar o seu Antenor Nascentes, um cara tão crânio, cheio de mumunhas, que é manjado até na Europa. Estou meio cabrero até achando que foi crocodilagem do diretor do curso, o professor Odorico Mendes, para eu entrar pelo cano. O seu Antenor Nascentes é um chapa legal, é bárbaro e, em Filologia, bota banca. Escreveu um dicionário etimológico que é uma lenha. Dois volumes que vou te contar. Um deles é o Pelé da Gramática, está mais por dentro que bicho de goiaba. Manda brasa, professor Nascentes!". (Correio do Povo, 20/04/96)

TEXTO 2

"O governo quer selecionar os integrantes do segundo escalão por meio de concurso público. Depois de passarem pela prova, os pretendentes aos cargos de secretário executivo de ministérios e diretor de empresas públicas farão um curso que será ministrado por órgãos da administração federal". (Folha de S. Paulo, 23 ago.1995.).

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"A formatação de baixo nível, utilizando o Dedug do Dos, deve ser executada da seguinte forma:

Faça uma cópia de segurança (backup) dos arquivos do seu disco rígido". (Folha de S. Paulo, 23 ago. 1995).

TEXTO 4

AS COVAS (Mário Quintana)

O bicho, quando quer fugir dos outros, faz um buraco na terra. O homem para fugir de si, fez um buraco no céu.

TEXTO 5 -Sketchs

Dois homens tramando um assalto.

  • - Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rende o caixa bonitinho. Engressou, enche o cara de chumbo. Pra areja.

    • - Podes crê. Servicinho manero. É só entra e pega.

    • - Ta com o berro aí?

    • - Tá na mão. Aparece um guarda.

    • - Ih, sujou. Disfarça , disfarça ....

O guarda passa por eles.

  • - Discordo terminantemente. O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela fenomenologia de Feurbach.

  • - Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com algumas silabas a mais. Ou que os iluministas do século 18 ... O guarda se afasta.

  • - O berro, ta recheado?

  • - Ta.

  • - Então vamlá!.

Luís Fernando Veríssimo. O estado de São Paulo, 08/03/98.

TEXTO 6

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  • - E aí brô! Como é que tu vai?

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  • - Legal. Cara, ontem eu arrepiei na água. Altas ondas ...

  • - Eu não. A praia tava crowd, só tinha esponjinha.

  • - Acho que tu ta pagando um sapo. Eu sempre disse que tu é o maior prego!.

  • - Também, com aquela marola tava difícil pegar onda. Tinha rabeador pra caramba atrapalhando as manobras ...

  • - Comigo era um pessoal casca-grossa. Mas eu prefiro sair contigo para azarar. Surfe, você ainda precisa aprender.

Veja Kid +, ano 1, no 3 (novembro/98).

Arrepiar: surfar bem/ azarar: paquerar/ brô: brother, amigo/ casca-grossa: radical/ crowd:

cheio de gente/ esponjinha: turma que pratica bodyboarding/ marola: mar com ondas pequenas/ pegar sapo: mentir / prego: que não surfa legal/ rabeador: cara que entra na onda dos outros.

FICHA 4

LINGUAGEM : CONCEITOS

  • 1. Linguagem: conceitos

    • 1.1- Linguagem: uma das formas de apreensão do real;

      • 1.2- Linguagem: sistema de comunicação que utiliza signos organizados de modo particular;

        • 1.3- Linguagem: fenômeno dialógico, conforme Bakhtin, já que reflete o contexto histórico-social dos indivíduos.

  • 2. O conceito de linguagem envolve outros conceitos:

    • 2.1- Sistema: conjunto organizado.

      • 2.2- Comunicação: troca de mensagens. Tornar comum a outrem uma certa mensagem;

        • 2.3- Signo: relação entre significante (forma) e significado (conteúdo, idéia).

Segundo Peirce, o signo é “qualquer elemento que, sob certos aspectos

representa outro”.

  • 3. Tipos de signos:

    • 3.1- Ícone : os ícones são artificiais. Apresentam uma relação direta com o que

representam. Ex: uma fotografia, uma estátua, caricaturas, a linguagem icônica

dos computadores, etc.

  • 3.2- Índice: os índices são signos naturais. Não há a intervenção do homem. São

signos indiciais: a fumaça (“onde há fumaça, há fogo”), nuvens pretas (índice de

chuva), árvore florida (índice de primavera).

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3.3- Símbolo: apresenta uma relação convencional entre significante e significado. Ex: “cruz” (símbolo do cristianismo), “bandeira branca” (símbolo da paz).

  • 4. Fatores da comunicação e funções da linguagem (aprofundaremos posteriormente);

EMISSOR

intenção comunicativa

↓ progressão semântica semântica

MENSAGEM (o que está sendo comunicado)

RECEPTOR

compreensão

condensação

↓ desenvolve o texto, visando tornar a mensagem comum ao leitor

↓ capta a idéia central da mensagem

CÓDIGO (oral, escrito, verbal, não-verbal, etc ) ..

CANAL (contato- qual o veículo

de

comunicação utilizado? Televisão, telefone, jornais,

etc ?) ..

CONTEXTO (circunstâncias políticas, históricas, sociais que influenciam a comunicação. O contexto pode determinar o tipo de linguagem a ser uitilizado (formal, informal, semi-formal, etc ) ..

  • 5. Conceitos de língua:

    • 5.1- A língua é um sistema de signos, ou seja, um conjunto organizado de

elementos representativos. Envolve dimensões fônicas, morfológicas, sintáticas e semânticas:

Dimensões

1. Fônicas (sons) ______________________

  • 2. Morfológicas (palavras) _______________

  • 3. Sintáticas (relações entre palavras, ______ frases, orações, períodos)

  • 4. Semânticas (sentido, significado global) ____

elaborado por silvania mendonça almeida margarida 16 3.3- Símbolo : apresenta uma relação convencional entre significante

elaborado por silvania mendonça almeida margarida

17

5.1-

“A

língua,

além

de

ser

um

conjunto

simultaneamente, uma instituição social”;

organizado de valores, é,

  • 5.2- Língua: sistema de signos que permite configurar e traduzir a multiplicidade de vivências caracterizadores do ser humano num certo contexto histórico-social;

    • 5.3- Enquanto criação social, a língua vive em permanente mutação, acompanha

as mudanças da sociedade que a elege como instrumento primeiro de comunicação”.

6. “Se a língua envolve uma dimensão social e se caracteriza por ser sistemática, a utilização individual que dela fazemos, ou seja, a fala ou discurso, é um conglomerado de fatos assistemáticos” Cada falante se apodera da língua de forma diferente, cada um tem sua maneira própria de expressão (fala). Langue (Língua) = social Parole (Fala) = individual.

FICHA 5 - O SIGNO LINGÜÍSTICO

  • 1.1- Chama-se signo a combinação entre o conceito e a palavra, ou seja, o signo

lingüístico une um elemento concreto, material - um som ou letras impressas - a

um conceito ou uma imagem mental.

  • 1.2- SIGNIFICANTE: parte material do signo, som ou as letras em que a palavra está expressa.

    • 1.3- SIGNIFICADO: conceito ou idéia, é a imagem mental criada pelo significante.

Signo = significante = significado

som ou letras conceito, idéia

=

material, concreto imagem mental

LEITURA

ANEDOTA EXEMPLAR

Um garoto recém-alfabetizado costumava passar, em companhia da irmã, já

ginasiana, em frente a um edifício onde se lia. “Escola de Arte”. Intrigado, perguntou à

irmã: “Escola de arte

“Puxa! ....

que é isso?” E a irmã: “Escola de arte

.... Deve ser uma bagunça!”.

...

onde se ensina arte”. E ele:

(PIGNATARI, Décio. Informação. Linguagem. Comunicação. São Paulo, Perspectiva, 1973).

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18

DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO Na linguagem humana, uma mesma palavra pode ter vários significados, dependendo do uso que os falantes ou os escritores fazem das palavras em diferentes contextos. Ex. 1- Ele está com a cara manchada. 2- Eu sou um cara fraco.

No primeiro exemplo, a palavra cara significa rosto, a parte anterior da cabeça, conforme consta nos dicionários. Já no segundo exemplo, a mesma palavra cara tem outro significado, como “sujeito”, pessoa”, “indivíduo”. Nesse segundo exemplo a palavra cara não está mais no sentido que lemos nos dicionários, mas sim no sentido que usamos em nosso cotidiano, como uma gíria.

Observemos outro exemplo: João quebrou a cara.

Em

um

sentido

literal,

seguindo

o

sentido

da

palavra

cara no dicionário,

entendemos que João, por um acidente qualquer, fraturou o rosto. Porém, podemos entender a mesma frase num sentido figurado, como “João se saiu mal”, isto é, tentou realizar alguma coisa e não conseguiu.

1- DENOTAÇÃO: sentido que encontramos no dicionário, sentido original da palavra. Ex: Ele está com a cara manchada. (cara = rosto) Juliana estava com a cara cheia de espinhas.

2- CONOTAÇÃO: no sentido conotativo a palavra ganha outros significados diferentes daqueles que encontramos nos dicionários. As diferentes interpretações para o sentido

conotativo das palavras dependem do contexto em que as palavras estão sendo utilizadas. Ex: Eu sou um cara fraco.

Ei, cara, tudo bem?

(cara= sujeito = rapaz)

FICHA 6- FALA E ESCRITA: MODALIDADES DA LÍNGUA

1- AS MODALIDADES DA LÍNGUA: FALA E ESCRITA

Várias são as formas pelas quais podemos nos comunicar em diferentes situações. No processo comunicativo, devemos conhecer as possibilidades que o código da língua nos oferece, seja esse código oral ou escrito. Vamos agora discutir um pouco as características dessas duas modalidades da língua, percebendo que a fala e a escrita se encontram não em pólos opostos, mas sim numa

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19

relação de confluências, ou melhor, num contínuo tipológico que depende do contexto no qual os falantes/escritores se expressam. A intencionalidade do emissor do discurso, bem como a aceitabilidade do receptor são fatores importantes nesse processo comunicativo que depende de outro fator chamado de situcionalidade, ou seja, as circunstâncias condições de produção e de recepção que determinam o momento de interação comunicativa, tanto oral, quanto escrita.

1.1- A FALA: CARACTERÍSTICAS E USOS

A

fala,

ou

a

língua

falada

como

alguns

estudiosos

costumam usar, possui

característica bem peculiares entre as quais podemos citar:

Espontaneidade: numa conversa telefônica, num bate-papo informal, em conversas familiares, enfim, em situações informais de fala, usamos nosso discurso de forma bem espontânea, sem uma preocupação maior com a complexidade vocabular, ou com o uso de construções sintáticas muito difíceis. Nesses contextos de fala, nossa intenção é manter um processo comunicativo com o receptor, estabelecendo um grau de intimidade e descontração. Contudo, em outras situações de fala como por exemplo, conferências, discursos políticos, sermões, etc. as características da fala já mudam, pois esses contextos são mais formais e exigem uma elaboração maior na oralidade. Nesse caso, as fronteiras entre fala- escrita mostram-se mais tênues, mantendo uma relação contínua, uma vez que algumas características da fala aproximam-se de certas peculiaridades da escrita. Em geral, nesse contexto formal, o emissor prepara um resumo do que irá apresentar oralmente e depois segue esse roteiro escrito para orientar sua fala. Esse recurso aproxima a fala da escrita, tornando a oralidade, nesse contexto formal, um pouco mais complexa do que as situações anteriormente comentadas.

Tempo muito curto entre o planejamento textual e a produção lingüística: durante a fala, não temos um tempo suficientemente longo para planejarmos nossa linguagem, pois enquanto falamos algo, já estamos planejando qual será a próxima frase a ser pronunciada e assim por diante. Logo, o planejamento textual é realizado quase que simultaneamente ao processo de construção do texto falado. Esse tempo curto para organizarmos e planejarmos nossas idéias, durante a fala, permite-nos, muitas vezes, cometer certos “deslizes” com relação à gramática culta, padrão. Esses deslizes ocorrem pela própria velocidade com que o discurso falado vai se desenvolvendo. Quantas vezes, conversando com amigos, em contextos informais de fala, presenciamos situações do tipo:

  • - Quando é que tu vai pra casa de

Ana?”

  • - Amanhã mermo eu vou. Oxe, se tu visse como Ana tava bonita na festa. Acho que ela de namorado novo, ? Sei lá.”

Como notamos no diálogo acima, o uso de expressões como pra, tu vai, mermo, tava, tá, oxe etc. ocorre com bastante freqüência no nosso dia-a-dia, quando informalmente

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20

estamos conversando com nossos amigos ou familiares. A fala permite essa liberdade maior de expressão em relação à norma padrão. Você pode cometer certos deslizes de concordância, de regência e muitas vezes nem percebe que cometeu esses “erros”. Na fala, você tem uma liberdade maior, nessas situações informais, para cometer certas infrações gramaticais. O que percebemos é uma organização gramatical própria da fala que em alguns momentos difere da gramática de um texto escrito. Isso ocorre porque as duas modalidades

da língua (fala e escrita) não marcam, do mesmo modo, certos traços gramaticais. A gramática do português falado apresenta características específicas identificáveis através de estudos estatísticos. Com efeito, o exame de gravações de língua oral permite constatar que a freqüência do emprego de certas formas ou construções gramaticais é bem maior na língua falada do que na escrita. Por exemplo:

  • 1. a língua falada recorre mais às onomatopéias, às exclamações;

  • 2. na língua falada é abundante a repetição de palavras;

  • 3. na língua falada é grande a ocorrência de anacolutos ou rupturas de construção: a frase

desvia-se de sua trajetória, o complemento esperado não aparece, a frase parte em outra

direção;

  • 4. na língua falada são muitas as frases inacabadas;

  • 5. a língua falada emprega formas contraídas ou omite termos no interior das frases;

  • 6. a fala suprime certas construções (relativas com cujo, por exemplo)

Presença de recursos expressivos que auxiliam a construção textual:

hesitações, anacolutos, marcadores, correções, repetições, pausas, entonação, reformulações, gestos etc..

Muitas vezes, quando estamos falando, hesitamos em busca da palavra certa ou da

frase que melhor se encaixa naquele contexto etc

A hesitação é um fenômeno muito

.. recorrente em situações de fala informais, quando estamos planejando nossa produção lingüística. As hesitações podem ocorrer através de pausas silenciosas ou de certas repetições de expressões, ou ainda a partir do alongamento de vogais . A linguagem não-verbal, ou melhor, a expressividade gestual também é um recurso muito usado na construção do texto falado. Não podemos isolar nossa produção lingüística

de nossa expressão facial, de nossa gesticulação com as mãos, braços, os olhares, nossos

tique-nervosos, etc

...

A entonação de voz também tem uma significação muito importante.

Quando queremos impor nosso discurso, persuadindo o ouvinte, falamos num tom mais alto, por outro lado, quando estamos tristes, geralmente falamos num tom mais baixo e assim por diante.

O uso de marcadores como né, não é, tá, certo, viu etc

também exerce um papel

.. relevante na construção do texto oral, na medida em que o emissor mantém o canal de

comunicação a partir dessas expressões de caráter fático.

1.2 - CARACTERÍSTICAS E USOS DA ESCRITA

O

uso

do vocabulário na fala

e

na

escrita:

diferenças

na escola lexical

e

a

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importância do contexto.

21

A escola lexical ou a seleção vocabular é um elemento que se apresenta diferente na fala e na escrita. No decorrer de uma comunicação oral, os interlocutores estão em presença, num lugar e num tempo conhecidos por eles (considera-se aqui o caso mais comum da conversação e deixa-se à parte por ora o caso da comunicação oral à distância e indireta); trocam observações a respeito de um determinado assunto. Essa situação reflete- se na forma e no conteúdo da mensagem; à medida que os elementos constitutivos da situação (identidade dos personagens, lugar, data, hora, assunto) são conhecidos, o vocabulário empregado refere-se a eles apenas por alusões (você designa o receptor; eu, o emissor; aqui, o lugar; agora, o tempo; isto, o assunto da comunicação). A comunicação escrita é menos econômica e força o emissor a fazer referências mais precisas sobre a situação. Por exemplo, num romance o leitor está fora da situação e o autor se vê forçado a dar-lhe com precisão seus elementos (lugar, nome das personagens,

datas, etc

..

);

trata-se, então apenas da situação das personagens e raramente se fará alusão à

situação do romancista no ato de escrever, ou do leitor no ato de ler, uma vez que estas duas

operações estão distanciadas no tempo e no espaço. A língua escrita é, então, geralmente mais precisa, menos alusiva, que a língua falada.

Complexidade/menor espontaneidade

No texto escrito, mesmo nas situações de escrita informal (bilhetes, recados, cartas

aos familiares, avisos, etc

),

o emissor deve ficar atento às regras gramaticais, à utilização

Em resumo, o

.. de certas expressões, como gírias, por exemplo, à pontuação correta etc

.. texto escrito está preso às convenções da gramática padrão e deve sofrer um processo maior de elaboração já que o tempo de planejamento do texto escrito é maior. Quando estamos escrevendo um bilhete ou uma carta, temos tempo suficiente para escolher as palavras corretas, tirar dúvidas nos dicionários sobre a ortografia correta, pesquisar em gramáticas o uso correto da língua. Esse processo de elaboração confere uma complexidade maior ao texto escrito e, em conseqüência, uma menor espontaneidade, pois o emissor deve pautar-se na norma padrão para escrever de forma clara e correta e comunicar da melhor forma possível sua mensagem para o receptor.

Ausência de hesitações, repetições, correções e reformulações.

No texto escrito, as marcas de hesitação que o emissor sofre no processo de produção textual são apagadas, já que o tempo de planejamento é maior e o escritor tem tempo suficiente para corrigir seu texto, para apresentá-lo “limpo” ao leitor, sem as marcas hesitativas. Contudo, se o texto escrito for organizado com a intenção de representar a oralidade, as marcas hesitativas podem surgir. Neste caso, observaremos traços da fala na escrita, pois a intenção comunicativa do emissor é construir o falado no escrito. As repetições e as reformulações também são menos freqüentes no texto escrito. Num texto de caráter dissertativo, por exemplo, quanto menos o emissor usar palavras ou expressões repetidas, estilisticamente, sua mensagem ficará mais rica e mais atraente ao

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22

leitor. As repetições na escrita só devem ocorrer quando se pretende enfatizar ou ressaltar determinada idéia. Nesse sentido, torna-se um bom recurso estilístico na construção de argumentos, a fim de convencer o receptor.

(Adaptação do texto Usos da linguagem de Francis Vanoye, ed. Martins Fontes).

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EXERCÍCIOS

23

1- O texto abaixo é um fragmento de uma aula sobre História. Quais são as marcas que podemos detectar nesse texto, no sentido de classificá-lo como um texto oral, uma transcrição de fala?

[

...

]

então nos vamos começar pela Pré-História

...

hoje exatamente

pelo período

do paleolítico

...

....

arte

...

... paleolítico é o período

a

da pedra lascada

no período paleolítico

...

... como vocês todos sabem

o

...

não e?

e tem uma duração de aproximadamente de seiscentos mil

pegando

a

fase de

evolução

do homem

... passou a usar

que já deixou de ser macaco

e:::

... como a gente vê e um

... seria exatamente

anos quando o homem sapiens

...

...

a inteligência ...

... a conseguir fazer coisas

a

o

que

a

gente

e MUIto tempo

... conhece da história humana ... as:: manifestações artísticas

período eNORme seiscentos mil

... começaram a aparecer no paleolítico superior ” ...

anos

2- Modifique a linguagem da transcrição de fala abaixo, passando da modalidade oral para a escrita. Preste atenção nas repetições e certas expressões bem próprias da fala. Quando você for construir seu texto escrito, mantenha o assunto, mas apague as repetições, hesitações e os marcadores; coloque a pontuação adequada que o texto escrito exige. Faça as transformações necessárias para mudar o registro oral para o escrito.

HISTÓRIA DE UM ACIDENTE DE CARRO

É nos távamo voltando né

...

eu e meu pai

...

távamo

voltando dum teste de

teatro que eu fui fazê

daí de repente

...

não

daí tava o carro do meu pai e um carro na frente e

...

o fusquinha

...

ele virô

... sei que deu na loca do coiso lá

assim

...

sem

dá seta nem nada e nem era lugar de virá e o meu pai tava logo

atrás dele, tava indo ultrapassá

ultrapassá o fusquinha tentou desviá assim

é

tava

indo ultr/

meu pai

tava

indo

... ele

ele

... daí o coitado virô

...

daí o meu pai

... e fez um barulhinho esquisito: aiiirrrchrrri

...

...

...

... tentou desviá assim e daí ele foi desviá mais o cara do fusca em veiz de

...

brecá

...

ele continuô

...

daí bateu na traseira do meu pai

...

eu não era muito

alto assim

...

então olhei pro céu e vi tudo rodando assim

....

rodando

...

foi

...

acho que o meu

o que tá

... eu falei: vixê maria

...

pai deu três volta assim

acontecendo

e daí até eu não tava com tanto medo né

daì num tava com tanto medo

foi uma legal vê

ele

e

... as coisinha rodando

... daí meu pai

,. mudou de marcha e Brrrrruuummm

..

daí eu

...

ai meu deus

..

... foi atras do coitadinho do fusca

...

...

... meu zóio ficô desse tamanho

... deu aquela dorzinha

na barriga

pai ...

eu/ ai meu Deus quê que meu pai vai fazê

...

dexe

....

não pai

dexa

... não corre atras dele não pai

... ele e meio ceguinho mermo. E

...

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24

daí

..

sorte que o paralama do fusca caiu e tava ralando na roda

...

ele teve

que inconstá

...

daí

o

meu

pai incontô

...

junto dele

..

eu iche

...

o

problema né

...

e se o cara tivé alguma coisa né

...

um pedaço de pau

....

um

revólver

falô

fiquei quietinho no meu canto né

...

e você vai tê que pagá

... não tudo bem

daí

o meu pai chegô lá

...

não sei o que lá

..

tal e tal daí no

...

... brigô com ele

não sei

... daí falô o carinha

... não tá bom

... o erro foi meu

... daí no dia seguinte nos voltamo com o carro todo amassado assim

...

..

..

.. dia seguinte meu pai foi no trabalho do cara e o cara deu o dinheiro e pagô o conserto do carro ...

FICHA 7

ROTEIRO PARA A DISCUSSÃO SOBRE AS MODALIDADES DE USO DA LÍNGUA: A FALA E A ESCRITA

  • 1. A relação fala-escrita deve ser entendida sob uma ótica de contínuos tipológicos. Não devemos estudar essas duas modalidades da língua sob um prisma dicotômico.

  • 2. Há textos falados que se aproximam, na sua organização da modalidade escrita. Ex: Conferências políticas, apresentações orais em congressos. Nesses exemplos, o grau de elaboração do discurso é acentuado, já que os falantes, muitas vezes, se comunicam oralmente com base num rascunho escrito.

  • 3. Há textos escritos que se revelam como representações do discurso oral. Ex: Certos textos literários (contos, poemas, romances etc etc ..

..

),

situações de entrevista, depoimentos

FALA: CARACTERÍSTICAS

maior espontaneidade as características formais do texto falado ou do texto escrito estão relacionadas com a questão do planejamento: o texto fala, em geral, é criado no próprio momento da conversação, isto é, não possui rascunho, ao contrário do texto escrito que pode ser planejado, revisto, rascunhado. o texto conversacional se apresenta pouco elaborado face à elaboração do texto escrito. Quando falamos, vamos construindo nosso texto. De acordo com a reação do nosso interlocutor, repetimos a informação, mudamos o tom, reformulamos nossa explicação. o texto falado depende muito da situação comunicativa e da interação verbal entre falante-ouvinte. • recursos expressivos são muito importantes na conversação: hesitações, anacolutos, marcadores, conversacionais, pausas, entonação, reformulações. • importância do contexto conversacional: situação “face to face”, situação formal, informal, diálogo, entrevista, conversa telefônica, aula, conferência, seminário, fofoca, etc ..

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25

menor tempo para o planejamento textual;

processo quase simultâneo entre planejamento e produção lingüística

o papel da hesitação no planejamento textual;

relação afetiva entre falante-ouvinte: determinante para o grau de formalidade ou de

informalidade do texto; recorrência muito forte de repetições de palavras;

frases inacabadas (anacolutos);

maior número de frases coordenadas;

justaposição de frases;

• em termos sintáticos, o texto conversacional é bastante fragmentado: as frases são cortadas, percebendo-se a ruptura da construção à medida que a frase se desvia de sua trajetória, tomando outra direção sintática;

• dependência extrema do contexto espaço-temporal.

ESCRITA: CARACTERÍSTICAS

é menos econômica que a fala, geralmente apresenta um caráter mais preciso e menos alusivo que a fala; menor espontaneidade, dependendo do tipo de texto escrito. Observamos uma menor

espontaneidade em textos formais (dissertações, monografias, teses, relatórios etc

...

);

o texto escrito está mais preso às convenções e normas gramaticais, já que o tempo de planejamento na escrita é maior que na fala. Isso permite que o produtor do texto escrito pesquise em dicionários, ou em gramáticas, a grafia correta das palavras ou quaisquer dúvidas em relação à gramática.

ausência de repetições. No texto escrito, devemos evitar expressões repetitivas ou palavras idênticas, porque a redundância empobrece estilisticamente o texto escrito. É aconselhável utilizar sinônimos para as palavras que se repetem, no sentido de não tornar o texto enfadonho para o leitor. a interação entre escritor-leitor não se estabelece, em geral, no mesmo contexto espaço- temporal. Isso determina o grau de informatividade e precisão do texto escrito que por si só deve comunicar ao leitor, na medida em que a mensagem ganha autonomia. Ao lermos um romance escrito por um autor, por exemplo, não é necessário realizarmos uma entrevista com o escritor para que tenhamos uma idéia daquilo que se pretendeu comunicar. O texto é autônomo e cabe ao leitor interpretá-lo, de acordo com o conhecimento partilhado, as experiências de leitura e o conhecimento de mundo que possui; a escrita geralmente apresenta um grau de maior complexidade, já que o produtor do texto escrito possui um tempo maior de elaboração e pode reorganizar suas idéias, tentando buscar a forma mais adequada de comunicar sua mensagem.

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FICHA 8

26

ANÁLISE DE TEXTOS: trabalhando a relação fala-escrita

1. A função dos marcadores conversacionais:

Na produção do texto oral, os falantes utilizam diversas estratégias para manter o ato comunicativo e a interação com os ouvintes (interlocutores). Dentre os recursos mais recorrentes na fala, podemos citar: os processos de reformulações, repetições, hesitações, paráfrases, uso de marcadores conversacionais, como né? tá? sabe?, entre outros. Trataremos agora desse último recurso (marcadores conersacionais) muito utilizado na fala, em contextos comunicativos diversos e com papéis diferentes. Os marcadores conversacionais são elementos que, mesmo não pertencendo ao conteúdo cognitivo do texto, “ajudam a construir e dar coesão e coerência ao texto falado, funcionam como articuladores não só das unidades cognitivo-informacionais do texto como também dos seus interlocutores, revelando e marcando, de uma forma ou de outra, as condições de produção do texto, naquilo que ela, a produção, representa de interacional e pragmático. Em outras palavras, são elementos que amarram o texto não só enquanto estrutura verbal cognitiva, mas também enquanto estrutura de interação interpessoal” (Urbano, 1993). Por não se enquadrarem nos critérios de classificação das dez classes de palavras descritas na NGB, alguns desses elementos receberam a classificação de “palavras denotativas”, partículas de realce”. Por exemplo, o filólogo Said Ali, em 1930, designava- as por “expressões de situação”, revelando intuições que só mais recentemente foram formalizadas por estudiosos da lingüística textual. Afirmava Said Ali:

são

palavras,

expressões

ou

frases,

típicas

do

texto

oral,

em

particular

da

conversação espontânea; parecem descartáveis, mas não o são, do ponto de vista discursivo;

 

independem do conteúdo ou tópico da interação;

funcionam como expressão das intenções conversacionais do falante;

são determinadas pela situação face a face dos interlocutores.

2. Conhecendo melhor as marcas de transcrição:

  • a) ...

/ as reticências indicam pausas silenciosas em transcrições de fala. No texto

escrito, as pausas são representadas pela pontuação.

  • b) Ah, eh, ahn, alongamento de vogais [a:::, e:::] : marcadores hesitativos que indicam o planejamento textual. Para encontrar uma melhor maneira de expressar suas idéias, o falante hesita com o objetivo de articular melhor frases, palavras etc ..

  • c) sabe? né? certo? entende? sacou? tá certo? / marcadores de teste de participação ou busca de apoio: o falante busca manter o canal de comunicação com o ouvinte, pedindo apoio na compreensão do texto conversacional.

  • d) eu acho que, tenho impressão que, sei lá, não sei, assim: marcadores de modalização (atenuação da atitude do falante).

  • e) quer dizer, isto é, ou seja: marcadores de retificação, indicam reformulação no processamento textual.

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27

  • f) ahn ahn, uhn uhn, sei , certo, lógico, ah sim: marcadores de apoio/monitoramento do ouvinte.

  • g) aí, e, alongamento de vogais, certas entonações: marcadores que interferem na coesão do texto falado.

3. ANÁLISE DE TEXTOS ORAIS: o desenvolvimento do texto conversacional.

TEXTO 1- trecho de conversa informal (entrevista)

“sim

...

mas é

....

mas é (

) criou mas então criou o problema do tabu

...

o sexo

...

o sexo na

discute-se em casa

Suécia todo mundo fala normalmente

das filhas

....

da atividade sexual

...

não tem problema

... de meninas de doze

das ...

problema

mas falou

eu tenho um amigo meu francês que foi

e ele queria comprar

[Corpus do Projeto

uma garrafa de vinho pra levar pra uma

... NURC/RJ - UFRJ - Homem, 44 anos - Tema: Dinheiro, banco, finaças].

...

um

TEXTO 2 - trecho de conversa informal (entrevista)

“ pois é

eh

...

esse apartamento é um problema todo de

...

de

...

de compra de apartamento

que é um firmas que estão

...

um

...

uma novela mas novela triste

...

uma novela trágica e considero que as

não são firmas

...

... que vendem apartamento na planta são arapucas

...

...

eh::

....

podem ser idôneas entre aspas mas deixam muito a desejar porque a gente vai

...

dizem oh

...

se o senhor vai pagar isso

...

isso aqui é a entrada

...

tanto ...

acontece

...

que nisso tudo

...

está bom

a ...

a

...

as

parcelas e tudo

...

..

então o que

...

depois cada prestação é

depois de um prazo o senhor paga tanto e pra entrar vai dar mais tanto

pronto eu tive que pagar vinte três mil parcelas e tudo

no momento que ficou

no momento que ficou pronto eu

tive que pagar vinte e três mil cruzeiros

...

condomínio

..

no fim somou mais um percentual de taxa de

...

mais não sei quê do mobiliário da entrada

...

...

...

mais não sei quê do gramado

mais não sei quê da iluminação do gramado

mais não sei quê do mobiliário da entrada

mais não sei quê da iluminação

e

no

fim eu

paguei mesmo

pra conseguir

entrar no

[ Corpus do Projeto NURC/RJ- UFRJ - Homem,

apartamento quase cem mil cruzeiros

TEXTO 3- Trecho de entrevista semi-formal.

Entrevistador - “Se você fosse patrão, de que forma pagaria seus funcionários? Se você fosse funcionário, como gostaria de receber?”

Entrevistado - Bom, se eu fosse patr/

...

bom,

eu como

...

eu sou patroa apenas de

empregadas domésticas e eu emprego da seguinte forma

somos aumentados

... acredito que de modo geral

acho que

...

na realidade

...

cada vez que meu marido ou eu

eu

eu

.... eu acredito que se os

... as empregadas automaticamente têm um aumento também

...

vamos passar isso assim para um terreno de empresa

...

... as coisas estão muito mal divididas

patrões um pouco menos e os empregados tivessem um pouco mais

justiça

...

haveria muito mais tranqüilidade

...

haveria mais assim

...

haveria muito mais

... talvez até da parte do

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28

empregador mesmo uma

mais talvez um repouso da sua própria consciência

acho que

... na realidade é chocante vermos assim que um sujeito

...

... um único sujeito pode ter dois

iates

cinco automóveis ...

e aquele empregado de salário mínimo não tem dinheiro nem

eu acho isso muito chocante

...

eu sou professora

eu acho que se eu

.. eu ganho/ eu acho que

... eu acho que isso seria um

... sequer talvez para alimentar seus filhos

fosse funcionário

... o que realmente eu sou

... cada um deve ganhar de acordo com aquilo que ele produz

critério justo

...

eu por exemplo

...

... não aceitaria ser paga aquém daquilo que eu acho que

valho quando eu dou aulas

...

nesse último colégio que eu dou aulas eu já entrei pra

categoria A ...

eu acho que fiz muito bem em pleitear a categoria A

...

..

porque eu acredito que

...

se eu faltasse muito

..

eu acho que isso vai também esteja muito desse aulas pouco

muito de acordo com aquilo que nós damos

ligado à consciência pessoal

preparadas ...

por exemplo ...

... realmente não desse a mínima atenção

... eu não teria coragem de pleitear coisa

alguma

acho que isso é uma questão muito de foro íntimo”. [ Projeto NURC/RJ- UFRJ -

... Mulher entre 25 e 35 anos - tema: dinheiro, banco, finanças]

FICHA 9

EXERCÍCIOS (Relação fala-escrita)

Identificar nos textos abaixo marcas características da linguagem oral, observando os níveis de linguagem (formal-culto ou coloquial-popular) empregados na representação escrita.

TEXTO 1

“Aí, eu aprendi. Eu sei fazer igual onça. Poder de onça é que não tem pressa: aquilo deita no chão, aproveita o fundo bom de qualquer buraco, aproveita o capim, percura o escondido de detrás de toda árvore, escorrega no chão, mundéu, mundéu, vai entrando e saindo, maciinho, pô-pu, pô-pu, até pertinho da caça que quer pegar. Chega, olha, olha, não

tem licença de cansar de olhar, éh, tá medindo o pulo. Hã, hã

... Se errar, passa fome, o pior é que ela quase morre de vergonha

Dá um bote, as vez dá dois.

...

Aí, vai pular: olha demais

de forte, olha pra fazer medo, tem pena de ninguém as pernas, toma o açoite, e pula pulão! - é bonito

...

Estremece de diante pra trás, arruma (ROSA, Guimarães. Meu tio o Iauaretê.

... In: Estas estórias. Rio de Janeiro, José Olympio, 1969, p.133.)

TEXTO 2-

TRADIÇÃO

Terraço da casa-grande de manhãzinha, fartura espetaculosa dos coronéis:

elaborado por silvania mendonça almeida margarida

  • - Ó Zé-estribeiro! Zé-estribeiro!

  • - Inhôôr!

  • - Quantos litros de leite deu a vaca Cumbuca?

  • - 25, seu Curuné!

  • - E a vaca malhada?

  • - 27, Seu Curuné!

  • - E a vaca pedrês?

  • - 35, seu Curuné!

29

  • - Sóo? Diabo! Os menino hoje não têm o qui mamar!

FERREIRA, Ascenso. Poemas de Ascenso Ferreira. Recife : Nordestal, 1995.

TEXTO 3:

ZILZINHO

Lia Zatz

Zero a zero que zebra o time já não tem gás o tempo é fugaz o juiz vai finalizar que azar Zinho não desistiu faz o sinal da cruz buscando luz e zarpa com rapidez bola no pé e que clareza desliza esvazia a defesa e que beleza um chute cruzado mas sem diretriz que infeliz por um triz é sem juízo esse Zinho só tem verniz vai passar pó-de-arroz vai ser atriz a galera tá que tá zangada exaltada enfezada e com razão quer dar vazão arma o banzé exige desempenho e desempate um golzinho só unzinho faz a fineza seu juiz de desonrar sua origem inglesa atrase o relógio mostre grandeza e lá vai o Zinho de novo sozinho solta essa bola rapaz não seja voraz mas que esperteza que braveza é esse rapaz é um faz-tudo em zigue-zague

s

a

t

i

d

e

n

a

d

o deixa a zaga zonza pra trás tá na cozinha e zás-trás gol BRAZIL ZIL ZIL ZINHO!!!!!

elaborado por silvania mendonça almeida margarida

FICHA 10

30

ANÁLISE DA CONVERSAÇÃO

  • 1. A conversação é a primeira das formas de linguagem a que estamos expostos;

  • 2. Conversação: gênero básico da interação humana;

  • 3. A linguagem é de natureza dialógica: processo interacional.

    • 3.1- Dois níveis de diálogo, segundo o enfoque de Bakhtin:

a) diálogo = interação entre os usuários da língua;

b) diálogo = relação da linguagem que usamos com o contexto histórico-social.

  • 4. Turno de fala: seqüência da produção lingüística de cada participante da comunicação.

  • 5. Características básicas da conversação:

    • a) interação entre pelo menos dois falantes;

    • b) ocorrência de pelo menos uma troca de falantes;

    • c) presença de uma seqüência de ações coordenadas;

    • d) execução numa identidade temporal;

    • e) envolvimento numa “interação centrada”.

  • 6. Definição da conversação: “A conversação é um evento de fala especial: corresponde a uma interação verbal centrada que se desenvolve durante o tempo em que dois ou mais interlocutores voltam sua atenção para uma tarefa comum, que é a de trocar idéias sobre determinado assunto. Na situação de diálogo, os interlocutores alternam seus papéis de falante e ouvinte, e dessa atividade a quatro mãos resulta o texto conversacional, elaborado em uma determinada situação de comunicação. Todo evento de fala acontece, portanto, em um contexto situacional específico, aqui entendido como ambiente extralingüístico: a situação imediata, o momento e as circunstâncias em que tal evento acontece, envolvendo, inclusive, os próprios participantes com suas características individuais e possíveis laços que os unam”. (Rodrigues, 1993, p.18).

  • 7. A conversação depende basicamente de:

  • a) Situação comunicativa: o contexto de produção (formal, informal etc

    ..

    ) interfere

    diretamente no tipo de conversação desenvolvida; b) Conhecimento partilhado entre os interlocutores: dados culturais, sociais, históricos, entre outros, quando partilhados pelos participantes da conversação, facilitam o desenvolvimento do texto conversacional.

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    31

    turnos de fala. Ex: Entrevistas, inquéritos, interação em sala de aula, etc ..

    • 9. Diálogos simétricos: todos os interlocutores participam da conversação com o mesmo direito de organizar seus turnos de fala de forma equilibrada. Ex: conversações diárias (diálogos informais com amigos, conversas entre familiares, etc ) ..

    FICHA 11 - TEXTO E CONTEXT0

    • 1. Dependência do texto (enunciado) à situação comunicativa (enunciação):

    • 2. Situação comunicativa: condições para que o texto preencha plenamente suas funções.

    • 3. Relação dialógica entre texto contexto:

    TEXTO ← CONTEXTO →
    TEXTO
    CONTEXTO

    Obs: A partir do texto, podemos conhecer as condições de produção (situação comunicativa) que deram origem à produção textual. Podemos, assim, partir do texto em direção à compreensão do contexto, ou vice-versa, partir do contexto no sentido de compreender melhor o texto. Essa relação é dinâmica e dialógica, nos termos de Bakhtin.

    • 4. Referentes textuais (contexto lingüístico/co-texto): aqueles que remetem à própria organização interna do texto.

    • 5. Referentes situacionais (contexto situacional): dados extralingüísticos ligados à natureza da situação comunicativa. Nesse caso, elementos de ordem ideológica, cultural, política, etc ..

    interferem na organização do texto. Por meio de elementos discursivos,

    sociológicos, culturais, entre outros, o texto chega a ser possivelmente definido como recriação verbal de dados situacionais, bem como de pressupostos que condicionam sua significação.

    • 6. Não se pode considerar isoladamente traços lingüísticos, mas é preciso que se perceba o caráter polissêmico das palavras quando inseridas numa dada situação comunicativa.

    • 7. As relações contextuais firmam-se como de suma importância na constituição do texto. Expressões desvinculadas do contexto lingüístico ou do contexto situacional, tornam-se vagas ou imprecisas.

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    32

    O EVENTO

    Millôr Fernandes

    “O pai lia o jornal notícias do mundo. O telefone tocou tirrim-tirrim. A mocinha, filha

    dele, dezoito, vinte, vinte e dois anos, sei lá, veio lá de dentro, atendeu: “Alô. Dois quatro sete um dois cinco quatro. Mauro!!! Puxa, onde é que você andou? Há quanto tempo! Que coisa! Pensei que tinha morrido! Sumiu! Diz! Não!?! É mesmo? Que maravilha! Meus

    parabéns!!! Homem ou mulher? Ah! Que bom!

    Vem logo. Não vou sair não’. Desligou o

    .. telefone. O pai perguntou: ‘Mauro teve um filho?’ A mocinha respondeu: ‘Não. Casou’ ”.

    MORAL: JÁ NÃO SE ENTENDEM OS DIÁLOGOS COMO ANTIGAMENTE.

    FICHA 12 - O TEXTO E SUAS MODALIDADES

    1. Definição de texto:

    Tradicionalmente, entende-se por texto um conjunto de enunciados inter- relacionados formando um todo significativo adequado às circunstâncias e condições de uso da língua, isto é, à situação comunicativa. No entanto, o conceito de texto não está atrelado à proporção do enunciado. Uma frase, um fragmento de um diálogo e até mesmo uma palavra-frase (frase de situação), como a que se apresenta em expressões como “Fogo!”, “Socorro!”, podem ser interpretados como textos, quando inseridos em contextos específicos. O conceito de texto, sob o ponto de vista das modernas teorias lingüísticas, pode ser entendido de maneira mais abrangente. Ao ampliar esta noção, duas esferas devem ser consideradas: a primeira mantém-se numa perspectiva ainda estritamente lingüística; a segunda se estende para outras linguagens além da verbal. Perspectiva lingüística (definição mais restrita): texto é toda mensagem elaborada por um emissor a um receptor num determinado contexto. Essa mensagem é construída a partir do código oral ou do escrito selecionado pelo emissor. Nesse sentido, o texto é verbalmente organizado. Perspectiva semiótica (definição mais ampla): texto é toda mensagem comunicada ao

    receptor a partir de quaisquer códigos (oral, escrito, pictórico, cinematográfico etc ..

    ).

    Nesse sentido, podemos ler um quadro, um filme, uma escultura etc

    ..

    Essa definição

    engloba tanto os textos verbais, quanto os não-verbais.

    Tipologia do texto: essa tipologia pode estar fundamentada na matriz geral de três gêneros: descrição, narração e dissertação.

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    33

    Não há textos puros, o que se observa é a predominância de um desses gêneros quando da análise de um certo texto. “Embora haja sempre uma estrutura dominante, ou seja, aquela que representa o esquema fundamental do texto, este não se caracterizará necessariamente como um único tipo ou forma. Uma parte ou outra será caracterizável como descritiva, seguida de outra argumentativa e de outra ainda narrativa, por exemplo”. (Guimarães, 1990, p.16).

    Emissor do texto: desenvolve o tema de forma progressiva: estratégia de expansão semântica;

    Receptor:

    reduz

    as

    informações

    que

    lhe

    são

    transmitidas,

    limitando-se

    ao

    fundamental,

    até

    chegar

    ao

    “núcleo

    informativo”:

    estratégia

    de

    condensação

    semântica.

    As tipologias sobre os textos são várias. Dependem dos critérios de classificação.

     

    Texto ficcional/ textos não-ficcionais

    textos objetivos/textos subjetivos

    verbais/ textos não-verbais

    textos literários/ textos não-literários, etc ...

    textos

    FICHA 13 TIPOLOGIA TEXTUAL: DESCRIÇÃO, NARRAÇÃO E DISSERTAÇÃO

    1. DESCRIÇÃO: procura apresentar, com palavras, a imagem de seres animados ou inanimados captados através dos cinco sentidos. A descrição é o tipo de texto em que são expostas características de uma pessoa, de um objeto ou de uma situação qualquer, inscritos num certo momento estático do texto. Exige uma relação de simultaneidade.

    "Eis São Paulo às sete da noite. O trânsito caminha lento e nervoso. Nas ruas, pedestres apressados se atropelam. Nos bares, bocas cansadas conversam, mastigam e bebem em volta das mesas. Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios."

    2. NARRAÇÃO:

    constitui

    uma

    seqüência

    temporal

    de

    ações

    desencadeadas por

    personagens envoltas numa trama que culmina num clímax e se esclarece no desfecho. Os fatos narrados não são simultâneos como na descrição, há mudança de um estado para outro, e, por isso, entre os enunciados existe uma relação de anterioridade e posterioridade.

    "Eram sete horas da noite em São Paulo e a cidade toda se agitava naquele clima de quase tumulto típico dessa hora. De repente, uma escuridão total caiu sobre todos como uma espessa lona opaca de um grande circo. Alguns veículos acenderam os faróis altos e um rapaz

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    34

    começou a buzinar para os carros que ainda estavam apagados."

    3.

    DISSERTAÇÃO: consiste na exposição lógica de idéias discutidas de forma crítica a partir de argumentos bem fundamentados.

     
     

    "As condições de bem-estar e de comodidade nos grandes centros urbanos como São Paulo são reconhecidamente precárias por causa, sobretudo, da densa concentração de habitantes num espaço que não foi planejado para alojá-los. Com isso, praticamente todos os pólos da estrutura urbana ficam afetados: o trânsito é lento; os transportes coletivos insuficientes; os estabelecimentos de prestação de serviço, ineficazes".

    RESUMO:

     

    NARRAÇÃO

     

    DESCRIÇÃO

     

    DISSERTAÇÃO

     

    relato

    de

    um

    fato,

    retrato

    verbal

    de pessoas,

    envolve

    a

    defesa de uma

    acontecimento

     

    objetos, cenas ou ambientes.

    idéia, de um ponto de vista

    ação

    permite visualização do que

    ênfase na construção

    de

    personagens

    está sendo descrito

    argumentos,

    a

    fim

    de

    narrador (função de relatar os

    dificilmente

    encontramos

    reforçar ou justificar

    as

    fatos)

    textos

    exclusivamente

    idéias do emissor

    tempo-espaço

    descritivos

     

    estrutura da dissertação:

    enredo

    (conjunto

    de

    ações

    a descrição pode vir inserida

    introdução,

    que ocorrem)

    em

    textos

    narrativos ou

    desenvolvimento ou

    dinamismo- sucessão cronológica de fatos

    dissertativos

     

    argumentação e conclusão.

    exemplos

    de

    textos

    exemplos

    de

    textos

    exemplos

    de

    textos

     

    narrativos: contos, romances,

    descritivos:

    fragmentos

    dissertativos:

    textos

    de

    crônicas literárias, novelas

    inseridos na narração ou na

    jornais

    (editoriais,

    etc ..

    dissertação,

    envolvendo

    opiniões, etc

    ),

    artigos de

     

    imagens verbais

    revistas, relatórios, teses, artigos científicos, teses

     

    etc ..

    ANÁLISE DE TEXTOS: Identificar as modalidades de composição usadas nos textos abaixo:

     

    1.

    "Era loura; tinha os olhos azuis, como os de Cecília, extáticos, uns olhos que buscavam o céu ou pareciam viver dele. Os cabelos, desleixadamente penteados, faziam-lhe em volta da cabeça, um como resplendor de santa, santa somente, não mártir, porque o sorriso que lhe desabrochava os lábios era um sorriso de bem-aventurança, como raras vezes há de ter tido a terra".

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    35

    preventivos, básicos e corretos, contra os complacentes . Aqueles exaltam o valor do relacionamento sexual responsável, o combate efetivo à toxicomania e a adequada seleção de doadores de sangue. Os outros preconizam coisas mais agradáveis, como por exemplo o emprego desbragado e a doação gratuita de camisinhas, a distribuição de seringas com agulhas a drogados e a perigosa, além de problemática, lavagem delas com água sanitária."

    3. "Ele chegou ao bar, pálido e trêmulo. Sentou-se.

     

    Por enquanto, nada

    desculpou-se ao garçom.

    Estou esperando uma amiga.

    Dali a dois minutos, estava morto. Quanto ao garçom que o atendeu, esse adorava repetir a história, mas sempre acrescentava ingenuamente:

    E , até hoje, a "grande amiga" não chegou!.

    EXERCÍCIO: Construa pequenos textos (narrativos, descritivos e dissertativos) explorando um único tema. Faça seus textos voltados, de preferência, para a área do Turismo. Você pode, por exemplo, escolher um determinado Estado ou uma Região para construir uma narração, descrição e dissertação, reconhecendo as distinções que existem entre esses três tipos de composição.

    FICHA 14 - RECEITA PARA UM TEXTO DISSERTATIVO/ARGUMENTATIVO

    Como começar?

    Após depreender o tema, transforme-o numa interrogação. A resposta a essa pergunta desencadeará as idéias. Reflita sobre o enfoque a ser dado: pense na possibilidade de concordar com o tema (total ou parcialmente). Depois dessa reflexão, rascunhe livremente seu texto ou planeje o conteúdo (seqüência de

    idéias).

    Como elaborar?

    Para construir o parágrafo introdutório, considere as abordagens mais coerentes com o seu conhecimento sobre o tema - uma citação, uma definição, uma interrogação, uma enumeração, uma oposição etc., podendo combiná-los ou não.

    Escolha do tópico frasal.

    Como discutir?

    Qualquer que seja o enfoque, selecione os argumentos (para endossar, refutar ou fazer oposições). Anote evidências do cotidiano, fatos históricos, relacione causa e conseqüência, pense, enfim, nos exemplos que melhor fundamentam sua

    discussão.

    Como argumentar?

    Observe se cada parágrafo argumentativo desenvolve

    adequadamente uma idéia-núcleo (através de evidências,

    exemplos, relações de causa e conseqüência etc

    ..

    Como concluir?

    Para concluir, proceda de forma coerente com a discussão:

    sintetize o assunto, retome o ponto de vista do início ou lance

    uma perspectiva sobre o problema.

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    36

    FICHA 15 - TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO ESCRITA: ORGANIZANDO AS IDÉIAS

     

    PLANO DE EXPOSIÇÃO DE IDÉIAS:

    PLANEJANDO O TEXTO ESCRITO

    1.

    INTRODUÇÃO

    o anúncio do tema.

    fornecer a idéia geral do assunto.

    situar na história, na teoria, no espaço e no tempo.

    motivar para prender a atenção

    fornecer as idéias diretrizes

    anunciar o plano.

    2.

    CORPO DA EXPOSIÇÃO - o desenvolvimento por partes

    dividir por partes: duas ou três (adaptar a divisão ao tipo de texto).

    subdividir de maneira progressiva.

    titular partes e subdivisões

    desenvolver por oposição ou progressão

    evitar repetição de idéias

    desenvolver vantagens/desvantagens, comparações, causas/conseqüências, teses

    opostas etc

    sobre o tema

    .. estabelecer ligação entre as idéias desenvolvidas

    investir na construção de argumentos convincentes.

    3.

    CONCLUSÃO- o resumo marcante

    resumir os argumentos maciços

    alargar o tema geral

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    37

    TEMA: O CRESCIMENTO DOS NÍVEIS DE VIOLÊNCIA NO BRASIL

    1. INTRODUÇÃO a violência e o contexto de crise social

    o problema no mundo e no Brasil: paralelos (situando o problema no espaço);

    contextualizar, por exemplo, o problema das guerras que ainda ocorrem no

    2- DESENVOLVIMENTO- CORPO DA EXPOSIÇÃO

    mundo. diálogo presente-passado: o crescimento dos índices de violência no atual

    contexto brasileiro (situando o problema no tempo)

    I)

    Causas do problema:

    crescimento do desemprego no país

    desigualdades sociais- má distribuição de renda

    impunidade- as injustiças sociais no país

    ausência de uma política voltada para alertar a população sobre a violência o poder da mídia - os veículos de comunicação de massa como propagadores da violência

    carência de uma política educacional no combate à violência

    tipos de violência: policial, contra a mulher, contra os menores, contra os idosos, etc .. carência de investimentos na educação- o desenvolvimento da noção de cidadania

    II)

    Conseqüências do problema:

    desenvolvimento da marginalização- aumento no número de assaltos, mortes, crimes etc.

    jovens

    e

    crianças

    cada

    vez

    mais

    vítimas

    do

    sistema

    social

    brasileiro.

    Marginalizados, iniciam a prática da violência mais cedo clima de pânico entre a população. Transformação de residências em "prisões" para afastar os ladrões, por exemplo.

    a população arma-se para combater a violência. Na verdade, com essa atitude, só aumentam os índices de violência

    3- CONCLUSÃO a violência e o futuro do país. Possíveis soluções? Análise crítica da violência como uma forma bárbara e primitiva de definir questões sociais. Construção do conceito de cidadania e desenvolvimento de uma melhor organização social- equilíbrio social.

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    38

    FICHA 16- REDAÇÃO TÉCNICA: O RELATÓRIO: introdução

    Relatório, como o próprio nome indica, é um relato de uma atividade, que pode ser experiência científica, estágio, visita, apreciação sobre determinado fato ou assunto, etc. Assim sendo, vários são os tipos de relatórios: técnico, científico, administrativo, de estágio, de visita, de cursos realizados, de apreciação sobre um tema. O relatório, muito freqüentemente usado nas diversas áreas da vida profissional, deve levar em conta a sua finalidade (relatar o quê?, para quem, por quê), isto é, deve ser adequado às circunstâncias e às finalidades.

    PARTES DO RELATÓRIO

    De maneira geral, a elaboração do relatório compreende as seguintes partes:

    folha de rosto ou página de informações especiais título do Relatório, nome da entidade ou firma, data, nome do autor, nome do destinatário; sumário para indicar as principais subdivisões e a paginação. Pode ser dispensado, no caso de relatórios mais breves; introdução objeto do Relatório, suas circunstâncias, sua idéia central; desenvolvimento consta de três partes: primeira, a descrição do contexto, do desenrolar dos fatos ou das experiências; segunda, análise crítica, baseada em argumentos precisos, objetivos; terceira, apresentação dos resultados, apresentação de propostas etc ... conclusão apresenta um resultado de conjunto. Na conclusão não se devem introduzir elementos novos, apenas retomar o que já foi explicitado na introdução e no desenvolvimento, acrescentado-se, é claro, as conclusões logicamente decorrentes dos fatos observados; bibliografia além da bibliografia consultada, que deve ser apresentada no final e de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas), é indispensável a citação das fontes, no caso de informações indiretas ou transcrições de textos. Essas informações podem ser feitas em notas de rodapé ou no final do trabalho.

    REDAÇÃO

    Um relatório deve ser redigido em linguagem simples, objetiva e correta, não se admitindo construções rebuscadas, torneios de linguagem. O indispensável é organizar o pensamento, torná-lo claro e expressá-lo, de preferência, em linguagem denotativa.

    Esse tipo de texto tem o objetivo de exprimir a opinião do autor sobre determinado assunto; portanto, pode ser redigido na primeira pessoa, preferencialmente usando-se o

    plural de modéstia. (Ex: Acreditamos que

    /Ressaltamos

    )

    Alguns autores, contudo,

    ..... indicam o emprego da terceira pessoa o "se" impessoal (fez-se, acrescentou-se, chegou-

    .....

    que

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    39

    se à conclusão etc.), como mais adequado, principalmente nos relatórios de pesquisa científica. A expressão coloquial "a gente" deve ser evitada, pois faz parte da linguagem informal ou familiar, imprópria para um trabalho desta natureza. A argumentação, baseada em fatos, deve ser lógica, coerente, levar em conta a escolha e classificação dos argumentos apresentados, valorizar opiniões emitidas. Finalmente, observa-se que, mesmo empregando-se o pronome impessoal (se), é imperioso que a personalidade e as opiniões do autor fiquem evidentes, sob a aparente neutralidade do texto.

    Do

    livro

    LÍNGUA

    PORTUGUESA:

    NOÇÕES BÁSICAS PARA CURSOS SUPERIORES. Autores:

    Maria Margarida de Andrade e Antônio Henriques.

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    40

    FICHA 17 - ROTEIRO SOBRE TIPOLOGIA TEXTUAL:

    texto literário & texto não-literário

    TEXTO LITERÁRIO

     

    TEXTO NÃO-LITERÁRIO

     

    predomínio da conotação

     

    predomínio da denotação

     

    ambigüidade acentuada

     

    maior objetividade e clareza

     

    intencionalidade estética: texto literário

    intencionalidade comunicativa: centrada

    interpretado

    primeiramente

    pelo

    seu

    na informação veiculada no texto

    valor artístico-estético

     

    ênfase maior no significante em sua relação dialógica com o significado. A comunicação centra-se na interação significante-significado

    ênfase maior no significado, no conteúdo transmitido ao leitor, preocupação maior com a informatividade

    variabilidade:

    as

    leituras

    do texto

    em

    geral,

    permite

    uma

    leitura

    mais

    literário variam conforme o contexto histórico-social, o tipo de leitor, o conhecimento partilhado autor-leitor, etc ..

    linear, pouco variável de leitor a leitor, já que a objetividade e clareza na informação são predominantes

    polissemia, multissignificação

     

    monossignificação

     
    elaborado por silvania mendonça almeida margarida 40 FICHA 17 - ROTEIRO SOBRE TIPOLOGIA TEXTUAL: texto literário
    textos publicitários, artigos científicos, cartas comerciais, textos jornalísticos, relatórios, teses, monografias, etc ..
    textos publicitários, artigos
    científicos, cartas comerciais,
    textos jornalísticos, relatórios,
    teses, monografias, etc ..
    romances, contos, fábulas, poemas crônicas literárias, textos dramáticos (comédias, tragédias,etc .. ), novelas, etc ...
    romances, contos, fábulas, poemas
    crônicas literárias, textos
    dramáticos (comédias,
    tragédias,etc
    ..
    ),
    novelas, etc
    ...

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    Análise de textos

    Texto 1

    41

    Bandeirante cai no México e mata os 20 ocupantes

    Dois aviões comerciais mexicanos caíram causando a morte de 21 pessoas, anunciaram ontem funcionários do governo do México. O acidente mais grave aconteceu com um Bandeirantes de fabricação brasileira. O aparelho caiu no oeste do país, matando todos os 20 ocupantes. Segundo os funcionários, o avião provavelmente se chocou com uma montanha devido ao mau tempo e explodiu. O outro acidente aconteceu no leste do país. A fuselagem do avião se rompeu quando ele tentava decolar. Um passageiro morreu. Ambos os desastres aconteceram anteontem, o que eleva para cinco o número de acidentes aéreos, causando um total de 49 mortes- na última quarta-feira. O Bandeirante 110 da empresa aérea estatal mexicana, Transporte Aéreo Federal (TAF), decolou do aeroporto doe Uruapán (224 km a oeste da Cidade do México) às 9h45 com destino a Lázaro Cárdenas, na costa do oceano Pacífico, ambas no Estado de Michoacán. O aparelho perdeu contato com a torre de controle de Urupán às 10h30. Nove horas depois, os restos do aparelho foram encontrados perto do povoado de Artega, 60 Km ao norte de Lázaro Cárdenas.

    Texto 2

    (Folha de S. Paulo, 2 set. 1988, p.A-11)

    O grande desastre aéreo de ontem

    Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista, em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. Vejo sangue no ar, vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. Vejo a nadadora belíssima, no seu último salto de banhista, mais rápida porque vem sem vida. Vejo três meninas caindo rápidas, enfunadas, como se dançassem ainda. E vejo a louca abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o pára-quedas, e a prima-dona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. E o sino que ia para uma capela do oeste, vir dobrando finados pelos pobres mortos. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo, tão tranqüila e cega! Ó amigos, o paralítico vem com extrema rapidez, vem como uma estrela cadente, vem com as pernas do vento. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol.

    Jorge de Lima

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    42

    POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL

    Manuel Bandeira

    João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

    NOTÍCIA DE JORNAL

    Tentou contra a existência

    num humilde barracão Joana de Tal por causa de um tal de João. Depois de medicada, retirou-se pro seu lar; e aí a notícia carece de exatidão. o lar não mais existe, ninguém volta ao que acabou. Joana é mais uma mulata triste que errou

    • - errou na dose, errou no amor Joana errou de João.

    Ninguém notou, ninguém morou

    Na dor que era o seu mal:

    • - A dor da gente não sai no jornal.

    Luís Reis e Haroldo Barbosa

    TRAGÉDIA BRASILEIRA

    Manuel Bandeira

    Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.

    Conheceu Maria Elvira na Lapa - prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria. Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou

    médico, dentista, manicura

    Dava tudo quanto ela queria.

    ..... Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa. Viveram três anos assim.

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    Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moravam no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os santos, Catumbi, Livradio, Boca do mato, Inválidos .... Por fim, na Rua da Constituição, onde Misael privado dos sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

    FICHA 18 - O TEXTO PUBLICITÁRIO NA ÁREA DE TURISMO

    Na época em que vivemos, a publicidade assume um papel de importância incontestável. Para vender é preciso anunciar. Mas não basta anunciar, é preciso anunciar bem: escolher o veículo adequado ao produto, a linguagem e o tom apropriados, levando em conta características do público consumidor em potencial, e criar textos convincentes que primem pela veracidade, originalidade e bom gosto. Nem sempre o melhor produto é aquele que vende mais. Mas certamente venderá mais o produto que for mais bem anunciado. A publicidade é usada também para fixar junto ao público consumidor uma nova marca. Ela adquirirá confiabilidade se for bem anunciada, independentemente da qualidade do produto. Há também as campanhas publicitárias que se referem a marcas muito conhecidas e conceituadas no mercado. Neste caso, a publicidade é feita apenas para reforçar a imagem do produto. O texto publicitário pretende atingir o público consumidor, logo a função apelativa ou conativa da linguagem é muito explorada, ou seja, a mensagem dirige-se ao receptor em primeiro plano. Objetiva-se, com a publicidade, persuadir, convencer o público, mostrando as vantagens do produto a ser vendido. É muito recorrente nesse tido de texto a utilização de expressões imperativas que instigam o receptor a entrar no jogo do consumismo.

    EXERCÍCIO: Construa um texto publicitário voltado para a área do Turismo. Você pode escolher uma das situações abaixo:

    1. Seu texto deve promover o turismo externo, ressaltando o processo de imigração e o intercâmbio entre culturas e línguas diferentes. Você pode até enfatizar a importância do turismo externo na época da globalização, na medida em que as fronteiras entre países diversos tornam-se tênues. O público que você deverá atingir é um grupo de nordestinos que pretende viajar para algum país da Europa, com o objetivo de conhecer a riqueza cultural do velho mundo. Explore as características culturais da região que você escolher e demonstre ao leitor do seu texto que você domina um certo conhecimento sobre o local em foco.

    2. Seu texto deve promover o turismo interno, com ênfase nos processos migratórios que

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    ocorrem no próprio Brasil. Você pode optar por duas situações: um grupo de nordestinos querendo conhecer alguma cidade do Sul ou Sudeste ou um caso inverso (um grupo de Sulistas querendo conhecer o Nordeste). Explore as belezas naturais da região-alvo, como também as riquezas culturais.

    FICHA 19 - COMO REDIGIR TEXTOS DE PROPAGANDA? A IMPORTÂNCIA DA PUBLICIDADE NA ÁREA DO TURISMO

    A propaganda é uma comunicação que visa levar alguém a fazer alguma coisa. Procura estabelecer uma ponte entre o cliente potencial e o produto. Não basta, porém, anunciar um produto para que haja vendas. Há outros fatores que devem ser igualmente analisados:

    • 1- O produto é de boa qualidade?

      • 2- A empresa dispõe de uma equipe de vendas?

        • 3- O preço do produto é compatível com os concorrentes?

          • 4- Existe mercado?

            • 5- A distribuição é ampla?

    Eloy Simões e Roberto Simões (1985) afirmam que à propaganda "compete abrir claros no campo do mercado, deslocar os concorrentes, atrair para si olhares do público consumidor e dar um passe limpo, de bola redonda, para que os artilheiros de venda marquem os gols". Deixando de lado outros fatores que também influenciam na venda de um produto, como deve ser a linguagem da propaganda para que alcance resultados positivos? Deverá ser inteligente, criativa, explorar o lado emocional das pessoas, compreensível, acreditável, persuasiva. O texto publicitário deve ser uma conversa agradável entre anunciante e consumidor. Por isso, exige-se que seja escrito na linguagem do receptor, sem vocábulos difíceis nem construções obscuras ou muito literárias. Não é demais afirmar que a linguagem publicitária deve ser persuasiva se quiser obter determinado comportamento do cliente potencial. Para ser persuasiva:

    • 1. A mensagem deve despertar e manter a atenção do receptor;

    • 2. O receptor deve compreender a mensagem;

    • 3. O receptor deve acreditar no anúncio;

    • 4. Deve haver relação entre a mensagem e as necessidades do receptor;

    • 5. A mensagem deve estar ajustada aos valores do consumidor.

    ESQUEMA DO ANÚNCIO

    Um anúncio deve conter:

    • 1. Título: visa atrair a atenção das pessoas para sua leitura

    • 2. Texto : descrição do produto;

    • 3. Ilustração

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    • 5. Assinatura

    • 6. Logotipo

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    Não bastam mandamentos; é necessário criatividade. Pode-se, contudo, estabelecer normas para a consecução de um texto publicitário:

    • 1. Conhecer bem o produto anunciado;

    • 2. Organizar a mensagem do ponto de vista do consumidor;

    • 3. Escolher o público-alvo;

    • 4. Usar palavras conhecidas;

    • 5. Fugir ao que é forçosamente engraçado;

    • 6. Escrever de modo que se inspire confiança;

    • 7. Comprovar os argumentos;

    • 8. Produzir um texto de tamanho suficiente para persuadir o receptor;

    • 9. Criar imagens metafóricas para quebrar a expectativa do leitor.

    O redator de um anúncio tem de usar palavras de boa sonoridade, de fácil pronúncia Na propaganda, você pode explorar a palavra mais no sentido conotativo, a fim de conquistar a atenção do receptor. Deverá examinar a frase depois de escrita, avaliar a sua força, limpá-la do supérfluo. A mensagem apelará sobretudo para o senso de bem-estar, conforto e economia do consumidor.

    2- PUBLICIDADE E TURISMO

    Escrever um texto publicitário na área de TURISMO vem se tornando uma prática bastante comum, já que o setor turístico atualmente cresce vertiginosamente e precisa de estratégias de marketing para acelerar o seu desenvolvimento e afirmar o seu potencial gerador de empregos.

    A propaganda turística pode conter:

    • 1. Imagens: é preciso que o receptor tenha uma idéia do lugar que deseja conhecer. Às vezes a imagem diz mais que as palavras. A escolha da imagem certa pode ser um ponto capital para o sucesso da propaganda;

    • 2. Roteiros: dicas para o turista a respeito da culinária local, bares, restaurantes, hotéis, monumentos etc. Se a propaganda apelar para um texto que aborde monumentos históricos de um determinado local, é preciso que o redator do texto tenha conhecimento sobre dados do passado e estabeleça uma correlação com o presente do receptor, a fim de envolver e atrair o turista.

    • 3. Mapas: como chegar? O texto publicitário pode também priorizar mapas no sentido de orientar o turista a chegar ao local que está sendo divulgado.

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    • 5. Textos curtos e expressivos: apele para a emoção do receptor. O adjetivo pode ter uma importância muito forte na construção da expressividade do texto publicitário, mas não exagere na escolha de certos adjetivos que não correspondem à imagem que você quer "vender".

    • 6. Textos

    adequados

    ao

    tipo

    de

    turismo

    (ecoturismo, turismo de negócios, etc.).

    que se pretende focalizar

    Antes de escrever um texto na área de turismo, é importante observar:

    • 1. Qual o tipo de turismo que se pretende focaliza? Turismo ecológico, de negócios, interno, externo, etc ? ..

    • 2. Qual o público-alvo? Conheça o seu receptor e adapte sua linguagem à dele.

    • 3. Quais os pontos atrativos do local que se pretende vender?

    FICHA 20 - CONSTRUÇÃO DE TEXTOS ATRATIVOS NA ÁREA DE TURISMO:

    LINGUAGEM E PERSUASÃO

    No momento em que pretendemos elaborar um texto que procure convencer alguém a viajar para determinado local do nosso próprio país ou do estrangeiro, estamos

    estimulando o turismo. Existem catálogos, panfletos, cartazes e até mesmo algumas páginas de jornais ou revistas em que encontraremos textos assim: repletos de informações sobre pontos turísticos, belezas naturais, lugares famosos, museus de importância histórica e grandes edificações que podem despertar o interesse das pessoas para conhecerem tantas maravilhas.

    Um texto dessa natureza, obviamente em linguagem formal, deve apresentar grande objetividade na enumeração das características principais do local, assim como

    uma noção precisa do que é ou não prioritário. A noção de prioridade parece-nos de vital importância pela seguinte razão: se o texto fosse escrito por um historiador, ele tenderia a fazer menção a um grande número de museus e outros locais de reconhecida importância histórica, como um mestre em culinária deter-se-ia provavelmente nos famosos restaurantes, e assim por diante. O importante é traçar o perfil da clientela de maneira a supor pelo que o cliente padrão estaria interessado em sua ida a um local predeterminado. Evidentemente sugerimos a menção de aspectos variados, com ênfase no que de melhor o lugar teria a oferecer. Em geral, textos dessa natureza vêm acompanhados de fotos dos pontos mais conhecidos ou bonitos, com informações adicionais do que seria a infra-estrutura do turismo local. Também é bom lembrar que, em alguns casos, o local a ser visitado está associado a uma atividade específica, como alpinismo, caça e pesca, etc. Nesses casos, toda a ênfase

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    deve ser direcionada para a atividade central da região. É interessante ressaltar que o produtor do texto na área de turismo deve ser perspicaz para conseguir selecionar os elementos mais atrativos da região em foco, no sentido de estimular o leitor a querer conhecer tal região. Sem dúvida, uma boa argumentação é fundamental a fim de tornar o texto agradável ao leitor, no sentido de persuadi-lo a ir conferir de perto as informações contidas no texto. A estratégia da persuasão é a habilidade de convencer, atrair o receptor do texto por meio

    da mensagem produzida. É importante não exagerar muito, criando certos atrativos que o local em foco não revela. Ao produzir o texto, o escritor tem que assumir um compromisso com a sinceridade das informações contidas nos folhetos turísticos. No entanto, o profissional de turismo deve ser esperto o bastante, a fim de conseguir persuadir o leitor a visitar determinada região que apesar de ter poucos pontos atrativos com relação às belezas naturais, por exemplo, pode se tornar atraente ao receptor do texto, por outro ângulo de visão. Em resumo, quando se pretende criar um texto voltado para a área de turismo, alguns aspectos devem ser observados, a fim de que a comunicação se realize com sucesso:

    1- Qual o tipo de turismo que se pretende divulgar com o texto? Turismo executivo, ecológico, interno, externo, etc ? .. 2- Qual o público-alvo do texto? A quem se destinará a comunicação escrita? Qual será o tipo de leitor? Jovens? Idosos? Intelectuais? Brasileiros? Estrangeiros? Etc .. 3- O que se pretende informar com o texto? Qual é a intenção comunicativa da mensagem? Propaganda? Roteiro turístico? Artigo de revista ou jornal? 4- Em que contexto o texto estará inserido? Que aspectos sociais, geográficos,

    históricos, culturais, etc

    podem ser explorados para que o texto escrito apresente

    .. uma interação com o contexto situacional?

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    FICHA 21 -CRIANDO TEXTOS PUBLICITÁRIOS NA ÁREA DE TURISMO

    PROPOSTA 1

    ESCREVER UM TEXTO PUBLICITÁRIO PARA UM GRUPO DE TURISTAS DO SUL QUE DESEJA CONHECER O NORDESTE. SEU TEXTO DEVE TENTAR ATINGIR UM GRUPO DE PROFESSORES DE HISTÓRIA QUE ESTÁ PARTICIPANDO DE UM CONGRESSO DE EDUCAÇÃO EM OLINDA.

    PROPOSTA 2

    SEU TEXTO DEVE PROMOVER O TURISMO EXTERNO, RESSALTANDO O PROCESSO DE IMIGRAÇÃO E O INTERCÂMBIO ENTRE CULTURAS E LÍNGUAS DIFERENTES. VOCÊ PODE ATÉ ENFATIZAR A IMPORTÂNCIA DO TURISMO EXTERNO NA ÉPOCA DA GLOBALIZAÇÃO, NA MEDIDA EM QUE AS FRONTEIRAS ENTRE PAÍSES DIVERSOS TORNAM-SE TÊNUES. UM GRUPO DE NORDESTINOS DESEJA CONHECER A RIQUEZA CULTURAL DA EUROPA. TENTE PERSUADIR ESSE PÚBLICO-ALVO E CRIE UM ROTEIRO TURÍSTICO PARA INCENTIVAR O TURISMO EXTERNO.

    PROPOSTA 3

    HAVERÁ UM CONGRESSO DE INFORMÁTICA EM BELO HORIZONTE. SEU TEXTO DEVE INCENTIVAR O TURISMO DE NEGÓCIOS, A FIM DE CONVENCER O PÚBLICO DO CONGRESSO A REALIZAR ROTEIROS TURÍSTICOS EM PERNAMBUCO.

    PROPOSTA 4

    JOVENS AVENTUREIROS DESEJAM CONHECER AS BELEZAS NATURAIS DE FERNANDO DE NORONHA. SEU TEXTO DEVE DESTACAR A IMPORTÂNCIA E O DESENVOLVIMENTO DO TURISMO ECOLÓGICO. ADAPTE SUA LINGUAGEM ÀQUELA USADA PELOS TURISTAS, A FIM DE CONSTRUIR UM TEXTO ATRATIVO PARA ESTE PÚBLICO-ALVO.

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    PROPOSTA 5

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    SEU TEXTO DEVE CONQUISTAR O PÚBLICO DA BOA IDADE. APOSENTADOS EUROPEUS DESEJAM CONHECER AS BELEZAS NATURAIS E HISTÓRICAS DE MINAS GERAIS. VOCÊ DEVE CONQUISTAR ESSE PÚBLICO- ALVO, REVELANDO PONTOS TURÍSTICOS DA REGIÃO QUE SEJAM ATRATIVOS PARA ESSE GRUPO DE TURISTAS.

    PROPOSTA 6

    CRIANÇAS DESEJAM VISITAR UMA COLÔNIA DE FÉRIAS E CONHECER PONTOS TURÍSTICOS ATRATIVOS EM SETE LAGOAS. SEU TEXTO DEVE SER CONSTRUÍDO EM LINGUAGEM ADEQUADA PARA ESSE PÚBLICO INFANTIL, SABENDO, TAMBÉM, QUE OS PAIS DEVEM SENTIR SEGURANÇA PARA MANDAR OS FILHOS PARA ESSA COLÔNIA DE FÉRIAS.

    PROPOSTA 7

    VOCÊ TRABALHA NUMA AGÊNCIA DE PUBLICIDADE E TEM COMO OBJETIVO DESENVOLVER UMA PROPAGANDA NA ÁREA DE TURISMO. SEU TEXTO PUBLICITÁRIO IRÁ SER PUBLICADO NAS REVISTAS DE CIRCULAÇÃO NACIONAL E VOCÊ DEVE INCENTIVAR O TURISMO NA REGIÃO SUDESTE, PRIORIZANDO UM DETERMINADO ESTADO OU VALORIZANDO A REGIÃO NUM SENTIDO GLOBAL.

    PROPOSTA 8

    VOCÊ TRABALHA NUMA AGÊNCIA DE VIAGENS E TEM A RESPONSABILIDADE DE DESENVOLVER UM ROTEIRO TURÍSTICO PARA UM GRUPO DE BRASILEIROS QUE PRETENDE VIAJAR PARA OS EUA, A FIM DE CONHECER OS PONTOS TURÍSTICOS ATRATIVOS DO LOCAL.

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    FICHA 22 - FUNÇÕES DA LINGUAGEM

    A linguagem que usamos no nosso dia-a-dia é muito poderosa, pois é a partir dela que conseguimos expressar nossos pensamentos, sentimentos, nossa posição diante da vida e do mundo. É a partir do poder da linguagem que um advogado consegue condenar ou salvar o seu cliente de uma pena, que um político consegue vencer ou perder as eleições, que o professor consegue transmitir o conhecimento

    para seus alunos etc

    Porém, pelo fato de estarmos usando a linguagem todos os

    .. dias nas mais variadas situações, não nos damos conta, muitas vezes, da importância

    e do poder de nossa fala, ou de nossa produção escrita. Agora, pretendemos discutir quais são as funções da linguagem, ou seja, para que serve a linguagem que usamos em vários contextos.

    1- FUNÇÃO EMOTIVA: é aquela a partir da qual o emissor expressa suas emoções e sentimentos para o receptor. O texto em que a função emotiva predomina é aquele que usa muito a primeira pessoa em seu discurso. Em geral, os poemas exploram mais essa função da linguagem. Entretanto, a função emotiva e as demais funções da linguagem podem se apresentar nos mais diversos tipos de textos. Ex: “Por cima do abismo estende-se minh’alma tensa como um cabo onde me equilibro, malabarista de palavras”. ( Maiakóvski)

    2- FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA: é aquela centrada no receptor da mensagem. Os anúncios de publicidade, na maioria das vezes, empregam uma linguagem em que predomina esse tipo de função. O uso de formas imperativas é muito recorrente em textos que exploram a função conativa. Ex: Você que deseja comprar ou alugar seu imóvel, ligue agora para

    4325444. A PROIMÓVEL cuida de tudo para você. Ligue e confirme!

    3- FUNÇÃO REFERENCIAL: a mais comum das funções, é aquela que se volta para a informação, ou melhor, para o referente (contexto). A intenção é transmitir ao receptor dados da realidade de uma forma direta e objetiva, com palavras empregadas predominantemente no sentido denotativo. Ex: “A nascente classe operária do Brasil esteve, nos primeiros anos deste século, influenciada pelos anarquistas. O número de trabalhadores crescia ao mesmo tempo em que o movimento operário avançava através das inúmeras manifestações que ocorriam”. (Sérgio Costa).

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    51

    4- FUNÇÃO FÁTICA: o emissor preocupa-se em manter o contato com o

    receptor, prolongando a comunicação ou então testando o canal de comunicação

    com frases do tipo “Está me ouvindo?” ou “Compreende?” ou “Hum hum

    ...

    ”. ...

    Ex: “- Olá, tudo bem?

    • - Tudo bem. E você?

    • - vou levando

    Tudo bem

    .....

    .....

    É

    • - levando .....

    • - Falou .....

    • - É isso aí

    ....

    5- FUNÇÃO METALINGÜÍSTICA: é aquela centrada no próprio código

    utilizado, ou seja, o emissor volta-se para o tema da mensagem no sentido de

    explicar a própria linguagem que está sendo usada.

    Ex: “Gosto da palavra fornida. É uma palavra que diz tudo o que quer dizer.

    Se você lê que uma mulher é bem fornida, sabe exatamente como ela é. Não gorda

    mas cheia, roliça, carnuda. E quente. Talvez seja a semelhança com forno. Talvez

    seja apenas o tipo de mente que eu tenho”. (Luís Fernando Veríssimo).

    Ex: fornido. [Part. de fornir] Adj. 1. Abastecido, provido. 2. Robusto,

    carnudo , nutrido, alentado: “ Era uma mulata fornida, de ancas largas, nova e

    sadia”.

    (Novo dicionário da Língua Portuguesa; Aurélio.)

    6. FUNÇÃO POÉTICA: também chamada função estética, valoriza a comunicação

    pela forma da mensagem. Centraliza-se na própria mensagem, ou seja, a intenção do

    emissor está voltada para a própria mensagem, quer na seleção e combinação das

    palavras, quer na estrutura da mensagem. Essa especial seleção e combinação de

    palavras resulta num arranjo criativo que busca ressaltar alguns aspectos

    fundamentais da função poética da linguagem: o ritmo poético (o principal elemento

    característico da poesia) e a construção de imagens expressivas.

    EX:

    Desabava

    Fugir não adianta

    DESABAR (Carlos Drummond)

    desabava

    por toda parte

    minas

    torres

    edf

    ícios

    princípios

    l

    i

    e

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    s

    muletas

    desabando

    nem gritar

    dava tempo

    soterrados

    novos desabamentos insistiam

    sobre peitos em pó

    desabadesabadesabadavam

    As ruínas formaram

    outra cidade em ordem definitiva

    EXERCÍCIO

    52

    Identifique a função da linguagem que predomina em cada texto abaixo:

    1- “- Alô?

    - Oi, eu queria falar com José, por favor.

    - José foi à reunião dos servidores do Estado.

    - Sei. Hum

    ....

    Hum

    • - Quer deixar recado?

    • - Não, tudo bem. Depois eu ligo de novo, tá?

    • - Tá certo, até logo.

    - Tchau.

    2- Mulher. [Do lat. Muliere] S. f. 1. Pessoa do sexo feminino após a puberdade.

    [Aum.: mulherão, mulheraça, mulherona.]. 2. Esposa”.

    FERREIRA, Auério Buarque. Novo dicionário da língua portuguesa.

    3- “Era já de madrugada

    E eu acordei sem razão

    Senti a vida pesada

    Pesado era o coração”

    (PESSOA, Fernado. Obra poética.)

    4- “Que é a Poesia?

    Uma ilha

    cercada

    de palavras

    por todos

    os lados”

    (RICARDO, Cassiano. Poética.)

    5- “Matricule-se já no cursinho XXX, preparatório para vestibular. Aqui você

    encontra a melhor equipe de professores e todo o material é fornecido pelo colégio.

    Não perca tempo! Você merece passar no vestibular”.

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    FICHA 23 - ROTEIRO DE LEITURA- CAP.1 E CAP.2 DO LIVRO

    "FUNÇÕES DA LINGUAGEM" DE SAMIRA CHALHUB

    CAP. 1- A MENSAGEM DAS FUNÇÕES DA LINGUAGEM

    • 1. “Diferentes mensagens veiculam significações as mais diversificadas, mostrando na sua marca e traço, no seu efeito, o seu modo de funcionar”.

    • 2. Karl Bühler- modelo triádico da comunicação. Apontou três fatores básicos da comunicação:

      • a) Destinador- mensagens de caráter expressivo;

      • b) Destinatário- mensagens de caráter apelativo;

      • c) Contexto- mensagens de caráter comunicativo.

  • 3. Roman Jakobson, no ensaio “Lingüística e poética” amplia essas funções para seis:

  • CONTEXTO (f. referencial) EMISSOR MENSAGEM RECEPTOR (f. emotiva) (f. poética) (f. conativa) CANAL DE COMUNICAÇÃO (f.
    CONTEXTO
    (f. referencial)
    EMISSOR
    MENSAGEM
    RECEPTOR
    (f. emotiva)
    (f. poética)
    (f. conativa)
    CANAL DE COMUNICAÇÃO
    (f. fática)
    CÓDIGO
    (f.metalingüística)
    • 3. Nem só de mensagens verbais vive o ser humano. A linguagem participa de aspectos mais amplos além do verbal. As funções da linguagem também podem ser analisadas em textos não-verbais.

    • 4. As linguagens estruturam-se em função do fator principal para o qual estão inclinadas;

    • 5. “Propaganda: marca-se fundamentalmente pela persuasão, ou seja, pela intenção de seduzir o receptor. A organização, portanto, da mensagem da propaganda, seja qual for o veículo que a estruture - televisão, revista, outdoor, rádio - irá explorar um perfil conativo da linguagem”;

    • 6. Não existe um texto puro, isto é, com a presença de apenas uma função comunicativa. Num mesmo texto, várias funções da linguagem podem ocorrer, entrecruzam-se vários níveis de linguagem. No entanto, uma determinada função predominará.

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    CAP. 2- FUNÇÃO REFERENCIAL

    • 1. Distinções entre conotação e denotação;

    54

    • 2. Na mensagem referencial, há o predomínio da denotação. Há maior transparência entre o signo e o objeto. A linguagem denotativa referencial reflete o mundo.

    • 3. Jakobson- a tarefa dominante de numerosas mensagens é organizar os signos em função do referente. “A linguagem denotativa seria, então, construída em bases convencionais, elaborada em função de uma certa repetibilidade das normas do código, produzindo informações definidas, claras, transparentes,sem ambigüidades.;

    • 4. “É com a linguagem referencial - comunicação direta - que instrumentamos nosso cotidiano, quando nos referimos a situações que nos rodeiam, quando conversamos: sem perceber, construímos mensagens de uso automatizado, sem ruídos de comunicação, mensagens legíveis”;

    • 5. “Numa dada mensagem, é impossível observamos funções em estado puro - são articuladas entre si, cruzando-se o jogo hierárquico dessas funções.

    • 6. O uso da função referencial marca-se lingüisticamente com o traço da 3ª pessoa do verbo, ou seja, de quem ou do que se fala.

    • 7. Editoriais de jornais: apresentam tanto a posição da empresa jornalística diante do fato discutido, como a tentativa de fazer o leitor concordar com o argumento. Função referencial e função conativa.

    FICHA 24 - ROTEIRO DE LEITURA DO LIVRO “AS FUNÇÕES DA

    LINGUAGEM”- SAMIRA CHALHUB (CAP. 3 E CAP.4)

    CAP. 3- FUNÇÃO EMOTIVA

    • 1. A função emotiva tem sua orientação no emissor que deixa transparente as intenções no seu dizer, marcando-se em 1ª pessoa; comparece também numa fala marcada pela interjeição, pelos adjetivos, que apontam o ponto de vista do emissor, daquele que fala por alguns advérbios, por signos de pontuação tais como exclamação, reticências;

    • 2. A função emotiva implica sempre uma marca subjetiva de quem fala, no modo como fala.

    • 3. Há um mito de senso comum que identifica arte e função emotiva. A arte expressaria sentimentos e pensamentos do autor, que, tomado de inspiração, produz o objeto artístico.

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    • 4. Há outra postura que concebe arte como construção. A emoção se dá diante das relações novas que se percebem na escultura, na pintura, no poema, etc

    ..

    O artista pode passar por

    um processo de inspiração, mas só esse processo não garante a realização da arte.

    Arte = produto da inspiração e da transpiração.

    • 5. A função emotiva pode estar presente em qualquer tipo de texto. A fotografia, por exemplo, fixa um objeto. Porém, ao fixá-lo, revela movimentos de emissão.

    CAP. 4- FUNÇÃO CONATIVA

    • 1. A palavra conatum vem do latim e significa influenciar alguém por meio de um esforço. A função conativa tem esse papel: persuadir o ouvinte, provocá-lo , convencê-lo, no sentido de desenvolver uma atitude no receptor.

    • 2. Leitura: Estética da Recepção o leitor é responsável pela atualização do texto, atua como co-produtor do texto. Leitura enquanto processo de reconstrução textual (T. Todorov no livro “Os gêneros do discurso”).

    • 3. Uma mensagem , seja qual for o material de que é feita , envolve diferentes funções em diálogo.

    • 4. Freqüentemente, desde que há tentativa de convencer o receptor de algo, a função conativa carrega traços de argumentação/persuasão que marcam o remetente da mensagem. Para a linguagem da propaganda, por exemplo, as mensagens construídas visam essencialmente atingir o receptor. Por trás da mensagem publicitária, há sempre o imperativo do consumo da mercadoria apresentada, diferentemente da função estética da arte, que não intenciona persuadir para fins de consumo.

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    FICHA 25 - FUNÇÃO FÁTICA DA LINGUAGEM

    • 1. Função fática- está centrada no contato, no suporte físico, no canal de comunicação;

    • 2. "O objetivo desse tipo de mensagem é testar o canal, é prolongar, interromper ou reafirmar a comunicação, não no sentido de, efetivamente, informar significados".

    • 3. Certos "tiques" da fala podem caracterizar-se como fáticos: "certo?, entende?, não é? etc;" são conectores entre uma expressão e outra e dão a ilusão de que o emissor e o receptor comunicam-se.

    • 4. Exemplos de mensagens que exploram a função fática: conversas telefônicas, diálogos cotidianos, etc ..

    • 5. O traço característico da faticidade é a tautologia, isto é, dizer que o que é, é: "Puxa, como está frio hoje, não?"

    • 6. O canal de comunicação influencia a recepção da mensagem. A mensagem de um romance, transformada por exemplo num filme, sofre o processo de transcodificação. A escolha do canal de comunicação interfere na organização da mensagem veiculada ao receptor.

    • 7. "A arte de vanguarda, num de seus momentos, considerou a folha branca como lugar- espaço para produzir significação, chamando a atenção do leitor a dar estatuto ao canal, que sempre fora tão automatizado " ...

    FICHA 26 - EXERCÍCIO DE REVISÃO

    1- Identifique a função da linguagem predominante em cada texto abaixo e justifique sua

    resposta:

    • a) “Ai, palavras, ai, palavras,

    que estranha potência, a vossa !

    Ai, palavras, ai, palavras,

    sois de vento que não retorna,

    e, em tão rápida existência,

    tudo se transforma”

    (Cecília Meireles)

    • b) “Sentia um medo horrível e ao mesmo tempo desejava que um grito me anunciasse qualquer acontecimento extraordinário. Aquele silêncio, aqueles rumores comuns, espantavam-me. Seria tudo ilusão? Findei a tarefa, ergui-me, desci os degraus e fui espalhar no quintal os fios da gravata. Seria tudo ilusão?

    ...

    Estava doente, ia piorar, e isto

    me alegrava. Deitar-me, dormir, o pensamento embaralhava-se longe daquelas

    porcarias.” (Graciliano Ramos).

    • c) “O discurso comporta duas partes, pois necessariamente importa indicar o assunto de que se trata, e em seguida a demonstração. (

    ...

    )

    exposição; a segunda, a prova”. (Aristóteles).

    A primeira destas operações é a

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    57

    d)

    “ - Que coisa, né?

    - É. Puxa vida!

     

    -

    Ora, droga!

    -

    Bolas!

    -

    Que troço

     

    - Coisa de louco

    - É”

    e)

    “Você deseja conhecer outros lugares, viajar tranqüilo sem preocupações com passagens

    e hospedagem ? Então, o que você está esperando? Consulte a BBC Turismo e você vera

     

    a diferença .”

    f)

    “Sendo o espaço geográfico a realidade histórica mais imutável, sobre ele o homem vem

    exercendo contínua atividade, no sentido de dominá-lo por meio da técnica. Desde que o

    homem iniciou a domesticação de animais e os utilizou para reduzir as distâncias até a

    mais moderna tecnologia de transmissão por satélites, o seu objetivo tem sido a

    eliminação do binômio tempo-espaco.”(Virgílio Noya Pinto).

    FICHA 27 - QUADRO DE RESUMO DAS FUNÇÕES DA LINGUAGEM

    FUNÇÃO REFERENCIAL

    informação

    bruta,

    objetiva,

    enxuta,

    sem

    juízos

    de

    valor.

    Ênfase

    no

    referente

    contextual

     

    FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA

    presença do emissor (destinador), de seus

    juízos e sentimentos- textos críticos,

    subjetivos, "impressionistas". Textos

    centrados no emissor

     

    FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA

    o leitor é levado em consideração- textos

    persuasivos, sedutores. Textos centrados no

    receptor da mensagem

     

    FUNÇÃO FÁTICA

    textos

    que

    instauram

    ou

    facilitam

    a

    comunicação,

    centrados

    no

    canal

    de

    comunicação.

    Manutenção

    do

    contato

    comunicativo

     

    FUNÇÃO METALINGÜÍSTICA

    textos explicativos - definições. Ênfase no

    próprio código que está sendo utilizado.

    FUNÇÃO POÉTICA

    textos que valorizam

    a informação

    pela

    forma da mensagem. Poetização

    e

    dramatização

     

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    EXERCÍCIO DE REVISÃO

    58

    1. Identifique, nos textos abaixo, a função da linguagem predominante e justifique sua

    resposta:

    • a) “A Microtec Vision lança nesta semana o Mythus Net, primeiro Net PC produzido no Brasil. É um computador feito para ficar ligado à rede da empresa. Trata-se de um intermediário para o NC, computador que nem sequer tem disco rígido e precisa ficar ligado ao servidor da empresa ou da Internet para funcionar. “ (Revista Veja)

    • b) “Não perca a liquidação que está ocorrendo na Arapuã. Eletrodomésticos a preços baixíssimos. Tudo para facilitar o seu dia-a-dia, tornando sua vida mais prática e rápida com a qualidade de marcas já respeitadas no mercado”. Venha e confira! “

    • c) “A palavra é o homem mesmo. Estamos feitos de palavras. Elas são a única realidade ou,

    ao menos, o único testemunho de nossa realidade”. (Octávio Paz)

    • D) "Para enfrentar serviços que não escolhem hora nem lugar, a solução inteligente é

    um caminhão com a facilidade de manutenção de um Mercedes-Benz. Um vazamento de

    água, um poste tombado, um reparo urgente na via pública são situações que exigem das

    equipes de manutenção dos serviços públicos um permanente estado de prontidão. Se

    sua empresa ou a sua cidade precisarem de soluções inteligentes de transporte, pense no

    Mercedes-Benz. Um autêntico veículo de utilidade pública".

    • E) TRISTE HORIZONTE

    Carlos Drummond

    "Por que não vais a Belo Horizonte? A saudade cicia

    e continua branda: Volta lá.

    Tudo é belo e cantante na coleção de perfumes

    das avenidas que levam ao amor,

    nos espelhos de luz e penumbra onse se projetam

    os puros jogos de viver.

    Anda! Volta lá, volta já".

    • F) BODAS DE SANGUE

    Noivo:

     

    Mãe.

    Mãe:

     

    Que é?

    Noivo:

     

    Já vou.

    elaborado por silvania mendonça almeida margarida

    Mãe:

     

    À feira. (dispõe-se a sair)

    Mãe:

     

    Espera.

    (Garcia Lorca)

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