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UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social

ULYSSES DO NASCIMENTO VARELA

As tecnologias e as pesquisas em comunicação no Brasil dos dias atuais

Dr. Ministrada pelo Prof.São Bernardo do Campo. 2013 UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social ULYSSES DO NASCIMENTO VARELA As tecnologias e as pesquisas em comunicação no Brasil dos dias atuais Paper apresentado como trabalho final da disciplina Tecnologias Digitais da Comunicação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. 2 . curso de Doutorado da Universidade Metodista de São Paulo. Sebastião Squirra.

Palavras-chave: Comunicação. Visa conhecer. principalmente na área da comunicação e os esforços entre os comunicólogos em estudar as tendências.” Michael L. Ulysses2 “Nós cometemos um grande erro há 300 anos atrás. levando a compreensão do grau de envolvimento dos pesquisadores desta área e da importância dos estudos em comunicação desenvolvidos nas mais diversas instituições de pós graduação do País. Pesquisas. Trabalho apresentado como resultado final da disciplina Tecnologia Digitais da Comunicação na UMESP em Junho de 2013 sob a orientação do Professor Dr. Autor de vários livros e falecido em 2001. Dertouzos3 Resumo O presente texto aborda a relação entre a rápida evolução tecnológica. principally on the communication field and the efforts between communicologist in studying the tendencies. It aims to know throw the National Association of pos graduation program in communication published works. Cibercomunicação. o perfil das pesquisas desenvolvidas nos últimos dez anos. the line of research developed on the past 10 years bringing to a understanding a level of involvement of the researchers of this filed and the importance of the communication’s studies developed on the most diversified post grads institutions in the country. Tecnologias. quando separamos tecnologia e humanismo. Technology. Sebastião Squirra. 3 Chefe do Laboratório de Ciência da Computação do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Abstract The present article addresses the relationship between the rapid technology evolution. os efeitos dessa relação e a compreensão do cenário dedicado às pesquisas envolvendo tecnologia e comunicação no Brasil. 2 Ulysses do Nascimento Varela . É hora de colocá-los juntos novamente. Aponta para a diversidade de temas e abordagens observando o quanto os pesquisadores tem destinado esforços no sentidos de preencher a lacuna existente em temas de pesquisas voltados para o campo da cibercomunicação. Keywords: Communication.São Bernardo do Campo. cibercomunication. Research.Aluno do curso de Doutorado em Comunicação da UMESP. the effects of this relationship and the understanding of the research scene involving technology and communications in Brazil. 1 3 . por meio de trabalhos publicados pela Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – Compós. It directs to the diversity and ways to approach the subjects and observes researcher’s efforts to fill in the existing lacunas on topics related to the cibercomunication field. 2013 As tecnologias e as pesquisas em comunicação no Brasil dos dias atuais1 VARELA.

Apesar de pertencerem a áreas distintas. mais recentemente. Visto sobre este enfoque os esforços destinados as pesquisas envolvendo áreas distintas começam a aparecer no Brasil uma vez que grupos de pesquisa e organizações reúnem-se para incentivar a produção científica na área e assim ________________ 4 Termo discutido por Squirra in A Sociedade do Conhecimento. algo já incorporado ao cotidiano da sociedade da informação4 a qual de acordo com Squirra (2005) “é fortemente sedimentada na tecnologia. ao efetuar uma transação bancária num caixa eletrônico ou ainda chegar a um destino com a ajuda de um sistema de posicionamento global (Global Positioning System – GPS). no modelo do “tempo real””. ambas se relacionam quando se discute o desenvolvimento de pesquisas voltadas para as tecnologias da comunicação. a tecnologia no formato digital. INTRODUÇÃO É inegável a importância e a dimensão que as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) passaram a ter na vida dos indivíduos nos últimos anos. na verdade. pois além de facilitar a vida transformam e criam novos hábitos modificando o modo como os indivíduos vivem. S. 4 . em entrevista concedida a Revista FAPESP da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. representando as ciências sociais aplicadas e a tecnologia. in Direitos à Comunicação na Sociedade da Informação. Como todas as ciências aplicadas. E. Estas tecnologias vem modificando o modo de vida da sociedade. ela incorpora contribuições que vêm das demais ciências. seja por meio de um simples ato de conversar com alguém a distância. todos os dias. se comportam e se relacionam. fato evidenciado por Melo (2012) quando afirma que a “comunicação. a comunicação. sobretudo a da comunicação. Editora da Universidade Metodista de São Paulo. Bernardo do Campo. via celular.1. não é uma área autônoma de pesquisa. voltada a área de exatas. direta ou indiretamente elas são responsáveis por tudo o que está ao nosso redor ou que cotidianamente executamos. das exatas e das humanas”. Tantas transformações não podem e não devem passar despercebidas aos olhos dos cientistas da comunicação que nos últimos anos têm se debruçado em pesquisas para tentar desvendar esta nova realidade que se modifica em alta velocidade.

Temos recursos. 32) Evidenciando esta tendência. A seguir. a partir de suporte bibliográfico vamos apresentar algumas estatísticas e a abordagem que vem sendo feita neste campo. Nossa presença nos congressos internacionais é marcante. a partir da iniciativa de alguns pesquisadores e representantes dos cursos de Pós-Graduação: PUC-SP. UFBA.Compós. Inseguros. filosófica. 25 mil professores e muitos doutores.). UNICAMP. p. Melo (2012) enfatiza que as pesquisas em comunicação fazem parte de um campo que cresceu muito nos 50 anos e lembra que o Brasil já aponta como o segundo país em número de pesquisas. p. À nossa frente só estão os Estados Unidos. política. Um fato que aponta para uma nova realidade no campo da pesquisa envolvendo as TIC. fundada em 1991. UnB. imaginária. (SQUIRRA.Comunicação e Cibercultura. 1999. p.255-266. UMESP. que trata da tecnologia e da comunicação no GT . não aceitam mostrar seus achados e muito menos dialogar sobre suas áreas de concentração. O que nos faz refletir sobre a constatação de Squirra (1999) quando afirma que: Em muitas cabeças com forte influência no meio acadêmico encontra-se profundamente arraigado certo tipo de crença de que a tecnologia é para aqueles seres “menos sensíveis e mais frios”. estética. a International Association for Media and Communication ResearchIAMCR. Alguns professam abertamente (outros nem tanto) que “tecnologia é coisa para engenheiro. temos 250 mil estudantes.2005. 2012. somos o segundo no ranking de papers selecionados para o principal evento internacional de nossa área. Resta questionar: quem sai perdendo?. que só sabe construir pontes e fazer cálculos” e defendem seus nichos de saber com muitas travas.120) 5 . justamente os profissionais que estes acreditam ser “desprovidos de preocupação filosófico-humanista-poética” ao encarar os dilemas do conhecimento. que têm uma tradição de 100 anos. tendo como base a bibliografia adensada pela Compós nos últimos dez anos. etc. entre estes grupos que se dedicam a pesquisas voltadas a comunicação e tecnologias está Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação . o qual busca entender o papel das TIC em interface com os problemas da comunicação sob diversas perspectivas (histórica. (MELO. UFRJ. material. sociológica.

Seja no hábito de falar ao telefone. no campo da comunicação. apesar de cada vez mais um maior número de pesquisas estarem sendo desenvolvidas e de haver uma certa interdisciplinaridade entre as áreas de comunicação e tecnologia. se transformam e se renovam ao mesmo tempo que sem perceber causam grandes transformações na sociedade. principalmente com o surgimento a todo momento de tecnologias digitais que de tempos em tempos mudam o cenário comunicacional com a introdução de novos conceitos. não é uma tarefa fácil acompanhar tantas mudanças. Assim como em diversas áreas a comunicação humana evolui e necessita de estudos que desvendem o que foi. Para comprovar tudo isso nada melhor que conhecer melhor o escopo das investigações com foco nas tecnologias.O fato é que. óculos que promete permitir no ao usuário uma interface direta entre o mundo real e virtual 24 horas por dia. De fato. lamentada por Dertuozo na citação no início deste trabalho. outros autores vislumbram um cenário promissor neste campo de pesquisa. Squirra (2008) destaca que a “produção bibliográfica brasileira contribui muito com os pesquisadores no entendimento das abrangências da cibercomunicação”. 6 . sobretudo as contemporâneas. ou na conectividade digital full time como prevê os novos produtos como o Google Glass. cada vez com mais recursos e funcionalidades. pesquisadores do mundo todo tentam contribuir para o tema. na transposição do uso dos PCs descktops estáticos para os tablets. desenvolvidas no Brasil dos dias atuais para mostrar que aos poucos. e aponta que este cenário vem se modificando ao longo dos anos. móveis e conectados. como está e como será o futuro. tenta-se corrigir o erro de não separar tecnologia e humanismo. e faz referência sobre a importância da contribuição da Compós na Pesquisa sobre Comunicação e Cibercultura que acena para esta nova realidade. A velocidade das tecnologias da informação e da comunicação No atual mundo em que vivemos é impressionante a velocidade com que as tecnologias evoluem. teorias e práticas. com arquivos e dados em nuvens. Nesse aspecto. A forte presença das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) na vida da sociedade é a prova de que a evolução do conhecimento humano e das ciências é atualmente uma preocupação dos estudiosos em todas as áreas do conhecimento. mesmo ainda em construção. de certa forma carente de pesquisas se comparado a outros campos do conhecimento humano. 2.

Os indivíduos se veem cada vez mais envolvidos com a tecnologia. Quando falamos sobre novas tecnologias em comunicação logo vem à mente a disponibilidade de conteúdos por meio da internet e os dados acessados pelo celular com facilidade o que. por isso. da receptividade. se modificam e evoluem a cada instante com a intenção de identificar e entender o alcance destas mudanças na sociedade.mas a própria realidade do avanço tecnológico obriga o homem a isso. formado pela aplicação do radical grego -filo (=amizade. p. Burch (2005) deixa claro que estamos vivendo em uma época de mudanças e que. É aquele consumidor que está engajado com o significado da marca e se envolve na concepção de novas ideias) 6 Neologismo. proximidade) à palavra tecnologia. O uso das TIC para se comunicar é uma experiência que já faz parte da vida de muitas pessoas. Vivemos numa época em que novos termos como “Aldeia global”. para acessar a diversos conteúdos. 2005. linguagens e até na forma de se comunicar e se relacionar dos seres humanos. às inovações tecnológicas. “era – ou sociedade – da informação” e “sociedade do conhecimento” surgem. geralmente acrítica. de certa forma. “sociedade pós-industrial”. “era tecnotrônica”. e designa um comportamento de adesão. na interação social ou na rapidez com que os novos produtos são substituídos no mercado. 7 . (BURCH. faz-se necessário caracterizar as profundas transformações que acompanham a acelerada introdução na sociedade da “inteligência artificial” e as novas Tecnologias da Informação e da Comunicação – TIC. podem ser publicados por qualquer pessoa com acesso à tecnologia e as redes dominadas por prosumers5. Seja no campo da ética. que desde cedo aprendem a manusear equipamentos móveis. disponíveis para acesso a qualquer momento e em qualquer por estes dispositivos quando conectados. não se dando conta de que fazem parte de um processo que evolui com __________________ 5 Conceito criado na década de 80 para explicar o consumidor que também atua como co-produtor. verdadeiros tecnófilos6. vídeos ou recortes da programação de canais abertos das emissoras de televisão. como o celular. fazendo com que a comunicação disponível nos dias de hoje vá aos poucos sendo compreendida à medida que evolui. comportamentos.1) Tantas transformações nos aparatos tecnológicas também promovem mudanças em hábitos.

”. monocromáticos. (Furtado. 267) Contini (2004) também já aponta essa a nova realidade quando discute a necessidade de se investir em ciência e tecnologia e quando utiliza o termo Economia do conhecimento como a mobilização das competências empresarias. cidades da mobilidade onde as tecnologias móveis passam a fazer parte de suas paisagens e do dia a dia dos seus habitantes. Tudo isso leva a crer que as cidades contemporâneas tornam-se. antes de apresentar o panorama das pesquisas sobre Comunicação e Cibercultura. Neste sentido. Basta parar e refletir sobre tudo o que aconteceu nos últimos 15 anos quando o telefone celular se popularizou no Brasil saindo de modelos grandes pesados. 2002. chamadas com vídeo e interatividade com as redes sociais entre centenas de outras funções acessadas por aplicativos. 2011. conectividade permanente com os telefones celulares. e as novas formas de conexão sem fio. Lemos cita como exemplo o “acesso nômade à internet.uma velocidade absurda. equipamentos com bluetooth que criam redes caseiras. as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) transformam relações culturais. 2000) apud Lemos (2004) afirmam que as tecnologias digitais. o grau de desenvolvimento de um país. acadêmicas e tecnológicas com o objetivo de melhorar o nível de vida das populações o que por sua vez acaba definindo. vivenciamos um novo modelo econômico. etiquetas de rádio frequência (RFID) que permitem o tracking de objetos. relativizando fronteiras de espaço. tecnologia e comunicação no GT - 8 . caracterizada pela criação de riqueza e geração de empregos. cada vez mais. Puglisi. tempo e de acesso às mídias digitais. utilizados exclusivamente para conversas a distância para os atuais e práticos smartphones com acesso integral ao conteúdo da internet.1): economia da informação audiovisual. p. objetos sencientes que passam informações aos diversos dispositivos. denominado Iconomia por Schwartz (2008. modelos sociais e econômicos. Esse comportamento faz surgir novas formas de inserção na sociedade como aponta Squirra: Além do processo comunicacional. (Fedoce e Squirra. criam usos flexíveis do espaço urbano. para alguns autores. etc. A seguir abordamos alguns conceitos ligados ao tema deste artigo. Horan. cada vez mais presentes nas sociedades contemporâneas. p. 1999. renda e investimentos baseados em suportes digitais audiovisuais.

que pode ser definido. mas é um espaço desterritorializante. Sobre a complexidade do tema Monteiro defende que: “não podemos. sequer. A partir daí. 2001). mas que existe de outra forma. tampouco nas redes. Nesse sentido. ) palpável. (GIBSON 2003. p. onde fica o ciberespaço? Para onde vai todo esse “mundo” quando desligamos os nossos computadores? É esse caráter fluido do ciberespaço que o torna virtual. 9 . por crianças aprendendo altos conceitos matemáticos.” (Monteiro. Uma complexidade impensável. O ciberespaço existe em um local indefinido. Uma representação gráfica de dados abstraídos dos bancos de dados de todos os computadores do sistema humano. O primeiro é ciberespaço. o ciberespaço é: Uma alucinação consensual vivida diariamente por bilhões de operadores autorizados. afirmar que o ciberespaço está presente nos computadores. conforme Monteiro (2007). entre estes conceitos estão: Cibercultura. desconhecido. Ciberespaço e Cibercomunicação o que para autores como Squirra necessitam de uma nova discussão e por que não uma revisão semântica para melhor compreensão destes conceitos na sociedade contemporânea. Linhas de luz abrangendo o não-espaço da mente. Um mundo não possibilidades”. Ciberespaço. nebulosas e constelações infindáveis de dados. A partir da definição de Gibson fica clara o quão abrangente e complexo é o tema empregado em várias formas. Para Gibson. Cibercultura e Cibercomunicação Para seguirmos adiante vemos a necessidade de apresentar e discutir alguns conceitos relacionados ao tema abordado. o prefixo “ciber” passou a referenciar diversos termos relacionados ao domínio da computação e das “máquinas inteligentes” (Cascais. afinal. O prefixo “cyber” vem do grego e significa “controle”. o físico Norbert Wiener cunhou. p. 2007. 67). em todas as nações. o termo cibernética com o significado de ciência do controle e da comunicação entre os seres vivos e as máquinas. Como marés de luzes da cidade.3. como “um mundo virtual porque está presente. outra realidade. nos anos 40. cheio de devires e Segundo Kellner (2001).

universais e transparentes. colagens e recortes de informação a partir das tecnologias digitais entendidos como uma “re-mixagem” onde as novas tecnologias de informação e comunicação alteram os processos de comunicação. de criação e até de circulação de bens e serviços. devido também à integração. “Um mundo programado para difundir informações que contribuem para a manutenção de um comportamento irreflexivo e nos manter presos a um mundo programado para nos instigar ao consumo e para nos fazer consumir notícias parciais e programadas para manter a evidência daqueles que estão no topo do poder econômico”. na qual ela emerge e se transforma. o ciberespaço e que é possível existir cibercultura. Mais prático Martins (2008) trabalha algumas temáticas como: imaginário. ao qual todos nós estamos expostos. segundo o próprio autor. emergentes a partir da convergência informatização/telecomunicação na década de 1970. De modo bastante contundente. individualidade. à interconexão. rege a cibercultura.Lemos (2002) define o termo cibercultura como “a relação entre as tecnologias de comunicação. Este conceito deriva do que é definido por Castells (1999) quando afirma que “a era da informação é caracterizada pela convergência tecnológica e pela informatização total das sociedades contemporâneas”. consciência. Abrangendo uma nova relação entre as tecnologias e a sociabilidade. um conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações. Outro autor que aborda o termo é Lévy (1999). de produção. Lévy defende que precisamos identificar o meio da sua criação. ou seja. que segundo Squirra (2008) refere-se a junção dos termos ciberespaço e comunicação nos remete “a abordagens e estudos 10 . Que as TIC fazem parte de nossas vidas de forma cada vez mais intensa já não é novidade. configurando a cultura contemporânea”. Tal afirmação leva a reflexão sobre o quanto de fato estamos expostos a estes conceitos e o quanto somos evolvidos por eles. neste contexto a cibercomunicação. Para definir cibercultura. porque denota-se um desenvolvimento do sistema digital universal como também. o autor relaciona o termo cibercultura a realidade do mundo cibernético. liberdade e comunicação ao falar de cibercultura. da progressão de todos os elementos do ciberespaço. informação e a cultura. ao estabelecimento de sistemas cada vez mais interdependentes. a universalidade e a totalização”. quando defende que “a cibercultura emana do ciberespaço e surge a partir da desconexão de operadores sociais (máquinas abstractas). Esta definição está interligada ao princípio que.

9 Termo proposto por Squirra para dar vazão à infinidade de dados e informações gerados nesse campo”. na obra Cibercoms. (SQUIRRA.br/12102006/p_0712102006. Amaral. As distintas concretizações que os avanços tecnológicos trouxeram constituem-se como multifacetados processos comunicacionais. constatase que a atualidade científica pode ficar descompassada rapidamente no turbilhão comunicacional que se presencia”. Fernandez (2006) 7 “define cibercomunicação como o estudo das transformações que a comunicação sofre e infringe a mensagem por causa da tecnologia” dessa forma a professora defende que é praticamente impossível.com. Porto Alegre: Editora Buqui 2012. entretenimento. comprar ou se comunicar a distância com as pessoas. já que qualquer pessoa pode produzir e veicular conteúdo. a explosão do esquema produtor/receptor. na medida em que esta é produzida pelo utilizador comum que. de alguma forma. que materializam os sempre sonhados projetos de colocar à disposição do ser humano volume expressivo de possibilidades de conexão para seu bem estar. também em 3D). ou seja. cultura e evolução. Tecnologias ubíquas. comunicação. se tornando primordial sobretudo uma investida na bibliografia existente para o acesso e a assimilação do conhecimento produzido na área”. possibilitados por tecnologias altamente complexas (mas que são “amigáveis” na presença do consumidor). 2012. sem que isso seja feito por meio da tecnologia. Com tudo isso percebemos que a cibercomunicação. e como afirma Squirra (2012) “com a velocidade das mudanças provocadas pelas mídias digitais online.htm> 8 Espaços de informação não profissionalizada. espaços virtuais e aparatos tecnológicos) Squirra aponta a “chegada da Ciberlogia9” como uma alternativa mais adequada para o termo Ciberespaço. em alta definição e em tempo real (e agora. trabalhar. não cumpre requisitos profissionais. cuja procedência e autenticidade devem passar por crivo consistente de quem as acessa. nos dias de hoje. necessitado de atenção especial por parte dos pesquisadores da área. Neste sentido a cibercomunicação refere-se as mais diversas formas de comunicação na atualidade que ocorrem no ciberespaço de maneira intensa. mídias persuasivas. também resulta num excesso de informações. 272) Compactuando com as ideias de Squirra sobre o termo. que por um lado possibilitou o self media8.uol. Por estarem relacionados e tratarem do mesmo objeto (tecnologias digitais. 11 .ampliados. ____________ 7 Amyris Fernandez é Doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista e apresenta a definição em entrevista publicada no site Universo On Line <http://pagina20. p. (2009). os prosumers. mesmo que seja especializado.

as máquinas não mais devem ser entendidas tão somente como “máquinas”. 2013. a integração e intercâmbio entre os Programas existentes. conforme divulga eu seu site 11.compos. UFBA. em Belo Horizonte. congregando cientistas de várias procedências. com o apoio da Capes e do CNPq.org. _______________ 10 Interação com as máquinas é pura comunicação: Como as invisíveis tecnologias permeiam a existência e a produção (SQUIRRA. a partir da iniciativa de alguns pesquisadores e representantes dos seguintes cursos de Pós-Graduação: PUC-SP. UnB.br 12 .10 A seguir apesentamos o panorama das pesquisas voltadas para cibercomunicação (tecnologias e ciberespaço) apresentadas em Grupo de Trabalho específico discutidas pela Compós. o estímulo à participação da comunidade acadêmica em Comunicação nas políticas do país para a área. A Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – Compós. UNICAMP.Texto apresentado para compor livro organizado por Daniel Galindo (2013) 11 http://www.As evidências que afloram das reflexões sobre os processos subjacentes às interações dos homens com as máquinas sinalizam que sim. bem como o apoio à implantação de novos Programas. p 12) . foi fundada em 16 junho de 1991. A abordagem das TIC pela Compós Exatamente como sugere Squirra. o diálogo com instituições afins nacionais e internacionais. é justo o esforço concentrado na produção científica interpares. congregando como associados os Programas de Pós-Graduação em Comunicação em nível de Mestrado e/ou Doutorado de instituições de ensino superior públicas e privadas no Brasil. UMESP. A Compós tem como objetivos principais o fortalecimento e qualificação crescentes da Pós-Graduação em Comunicação no país. o qual dedica-se ao papel das Tecnologias da Informação e Comunicação em interface com os problemas da comunicação. 4. alargando seus sentidos e suas formas interativas. No território da Ciberlogia. sem fins lucrativos. UFRJ. quando propõe a abordagem do termo Ciberlogia “nos estudos acadêmicos de um território analítico” a partir de agora apresentamos um panorama sobre a abordagem dos trabalhos inseridos no GT Comunicação e Cibercultura da Compós. É uma sociedade civil. pois passaram a constituir-se como extensões dos viventes.

cultural. pirataria. buscadores. estes com quatro ou mais trabalhos apresentados no período e. De forma menos abrangente foram abordados temas como Teoria da mídia (02). disponibilizados no site da Associação (www. O GT.br). Jogos e Games (09). uma vez que no ano de 2004 não constam trabalhos apresentados ao grupo. entender o papel das TIC em interface com os problemas da comunicação sob diversas perspectivas (histórica. os Blogs (05). realidade virtual. quando o assunto é Cibercultura e Comunicação. resumos e palavras chaves os quais resultaram no Quadro 1 e nas observações a seguir. Porém. científico e tecnológico no campo da Comunicação. arte mídia e outros somando oito (08) temas abordados. foram abordados temas como tecnologias móveis. sistemas complexos. e Ator rede (02). representando os temas mais pertinentes e adotados pelos pesquisadores.org. de forma que todos representam resultados de pesquisas da área de Comunicação e Cibercultura de diversas instituições espalhadas pelo Brasil. filosófica. O GT Comunicação e Cibercultura tem por objetivo debater trabalhos na intersecção da comunicação e da cibercultura de modo que por cibercultura compreendem-se as relações emergentes entre as tecnologias de comunicação e informação (TIC) e a cultura contemporânea. assim. estética. das redes (02). assuntos ligados a Ética e legislação (05) Modelos cognitivos (05). Após analisarmos os 90 trabalhos observamos que no período analisado os temas mais discutidos pelos pesquisadores na Compós. Para se chegar a este resultado foram baixados por meio de “download” os artigos para um computador pessoal. foram Redes Sociais (16). com apenas um trabalho apresentado no período analisado. Para a realização deste trabalho a análise levou em consideração aspectos quantitativos e qualitativos. entre outros que totalizam onze (11) temas. política.). De forma menos intensa em relação a abordagem. Em cada ano foram apresentados 10 trabalhos abordando as mais diversas temáticas dentro do Grupo de Trabalho. além de Imaginário tecnológico (04) e Redes Digitais (04). em termos da abordagens dos trabalhos apresentados e discutidos durante os encontros da Compós nos últimos 10 anos de 2004 a 2013. material. etc. logo. Comportamentos ligados a tecnologias (07). imaginária.compos. A partir daí foram realizadas análises dos títulos. 13 .defendendo o aperfeiçoamento profissional e o desenvolvimento teórico. o próprio tema Cibercultura (08). a abordagem se deu a partir de 2005 de forma que no total foram analisados 90 estudos apresentados à Compós. sociológica.

tal como ele se apresenta na cibercultura. Ao todo. 14 Affondances são consideradas o principal conceito da teoria da Percepção Ecológica desenvolvida por Gibson na década de 1960. 16 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho “Comunicação e Cibercultura”. tomada como categoria de época. Salvador. São Paulo. a relação entre arquitetura da rede e as possibilidades da comunicação anônima e resgata o debate entre o liberalismo e o utilitarismo. na Unip –SP. na Universidade Federal da Bahia. 15 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho “Comunicação e Cibercultura” do XVII Encontro da Compós. que trata do anonimato na sociedade do controle. Belo Horizonte. Um destes trabalhos foi o realizado pelas pesquisadoras Raquel Recuero e Gabriela Zago com o título “ Em busca das redes que importam . em junho de 2008. na PUC-MG. 14 . de acordo com a análise realizada.Redes Sociais e Capital Social no Twitter ”12. Problematiza a natureza das tecnologias cibernéticas. YouTube. O terceiro tema mais abordado pela Compós é a própria Cibercultura.Entre os quatro temas mais abordados estão pesquisas sobre as redes sociais que buscam conhecer aspectos ligados ao cotidiano e a participação da sociedade em redes como Orkut. do XVIII Encontro da Compós. em 2009. as discussões da Compós sobre pesquisas em comunicação e cibercultura permeiam 28 temas demonstrando a _____________________ Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho “Comunicação e Cibercultura” do XVIII Encontro da Compós. representando este grupo está o trabalho “Redes cibernéticas e tecnologias do anonimato . em junho de 2009. o qual explora os tipos de capital social apropriados pelos usuários brasileiros no Twitter e sua influência nas redes sociais. O quarto tema mais abordado entre os trabalhos da Compós são os comportamentos da sociedade perante a tecnologia. em junho de 2009. um estudo que segundo a autora busca evocar momentos de intensidade por meio da descrição das affordances14 e sensorialidade observadas no jogo eletrônico "Rise of Nightmares" (2011).Confrontos na sociedade do controle”16 de Sergio Amadeu da Silveira. Representando o segundo tema mais pesquisados (Games) está o trabalho da pesquisadora Alessandra Maia com o título “A materialidade do jogar no kinect: o terror ganha outras proporções”13. Condição atual da repercussão social-histórica do fenômeno glocal na civilização mediática avançada ”15 aborda o fenômeno da visibilidade mediática. que no trabalho apresentado por Eugênio Trivinho em 2008. na PUC-MG. MG. Twitter entre outras. de 04 a 07 de junho de 2013. com o título “ Visibilidade mediática e violência transpolítica na cibercultura. MG. Belo Horizonte. Facebook. 12 13 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Comunicação e Cibercultura do XXII Encontro Anual da Compós.

diversidade que é o campo da comunicação no universo tecnológico. Há muitas pesquisas interessantes e relevantes. desenvolvendo estudos de casos no Brasil. Algumas delas são tão revolucionárias que dão origem a uma legião de estudiosos empenhados em compreender as 15 . Alguns pesquisadores trabalham em fronteiras. produzindo e analisando interfaces da comunicação com áreas correlatas.1) Temas Redes Sociais Games Cibercultura Comportamento e tecnologia Blogs Ética e legislação Modelos cognitivos Imaginário tecnológico Redes digitais Teorias de mídia Teoria Ator Rede Mídias e conteúdos Mediação na rede Buscadores Neurociência Transpolítica Arte mídia Narrativas em redes Transmídia Ciberativismo Sistemas complexos Tecnologias móveis Wikpídia Pirataria Identidade TIC Mobilidade Realidade virtual 2005 2 1 1 1 1 1 3 1 1 2006 1 2007 1 1 3 2008 1 3 2 1 1 2 1 1 Anos 2009 3 2010 1 1 1 2 2011 1 2 2 2012 4 1 2013 2 4 1 1 1 Total 16 09 08 07 05 05 05 04 04 02 02 02 02 02 02 02 02 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 1 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Quadro 1 – Temas abordados pela Compós – Análise do autor 5. como em termos de adequação de conceitos e teorias para nossa realidade. p. seja sob uma perspectiva filosófica ou em forma de pesquisas aplicadas no contexto contemporâneo. Considerações finais As inovações tecnológicas. 2006. (CORREA. tanto em termos nacionais. Os resultados aqui expostos fazem jus ao que foi diagnosticado por Correa (2006) quando estudou os conceitos e as tendências da comunicação e da cibercultura no Brasil. Entendemos com isso que há uma tendência por analisar o impacto das tecnologias e as formas emergentes das mesmas. provocam mudanças constantes na sociedade. desenvolvidas de forma ininterrupta pelo homem. ou estudos comparativos em parceria com outros países. ou por que não dizer cibercomunicação.

SOUSA. mas que ainda necessita de maior atenção em face a diversidade e amplitude que o campo abrange. em resposta a indagação apresentada por Squirra16 sobre a necessidade de aprofundamento de pesquisas no campo da Cibercomunicação. os pesquisadores têm investido tempo em estudos apontando na direção da “compreensão das múltiplas tecnologias que o mundo industrial vem produzindo. Por conta disso a Cibercomunicação é hoje um dos temas de maior relevância dentro desse prisma por estudar as transformações que a comunicação sofre e causa pro conta das Tecnologias da Informação e da Comunicação. pois ao mesmo tempo em que as teorias vão sendo discutidas. como as que se vê na atualidade”. surgem novas tecnologias e recursos que interferem na comunicação humana. 6.implicações destas em nossas vidas. Helena (2009). Estes estudos. Esta constatação é a prova de que este é um campo em plena expansão. ampliando cada vez mais o leque possibilidades de novos estudos como a diversidade de temas abordados pela Compós. frutos da dedicação de pesquisadores e estudantes de mestrado e doutorado. existe sim hoje no Brasil uma consciência sobre a necessidade de investigação neste campo e que. Revista Eletrônica 16 . demonstram que. estudadas e analisadas. A era dos Self Media. aqui constatados. Referências Bibliográficas AMARAL. Inês.

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