O expediente mais comum utilizado para criticar ações israelenses contra seus inimigos, notadamente os grupos terroristas palestinos

, é efetuar comparações entre judeus e nazistas de todas as maneiras possíveis: quando alguma ação militar é executada contra o Hamas, centenas de vozes se erguem para denunciar o “Holocausto palestino” perpetuado pelo “Estado sionista” (ou sionazista, em alguns casos), acusam o Estado de Israel de limpeza étnica, de supremacismo judaico, de apartheid, dentre outras coisas. Os tradicionais meios de comunicação de massa – canais televisivos, jornais de grande circulação – e os não tão tradicionais – como os blogueiros estatólatras de plantão – utilizam ad nauseam esse expediente, seja de modo explícito ou sub-reptício. Abundam cenas e relatos de destruição, dor, sofrimento e tristeza na Faixa de Gaza como se se tratasse, de fato, de uma limpeza étnica, enquanto se ignora solenissimamente os milhares foguetes palestinos que chovem sobre as cidades israelenses – provocando destruição, dor, sofrimento, tristeza e, acima de tudo, terror. Vladimir Ilitch Ulianov, mais conhecido como Lênin, possuía uma máxima interessante: “acuse o seu inimigo daquilo que você é”. Os grupos terroristas palestinos – que dominam tanto a propaganda quanto as modernas técnicas terroristas – seguem esse conselho há décadas, e não é à toa: as origens da “resistência” palestina à “ocupação” judaica no Oriente Médio é algo que tem origem em uma convenientemente ignorada aliança entre o Nacional-Socialismo e a causa palestina. A raiz dos grupos terroristas palestinos – OLP, FPLP, Fatah, Hamas – e de sua ideologia pode ser atribuída a um homem: Hajj Amin al-Husseini. O pai de Hajj, Muhammad Tahir al-Husseini, foi Qadi (chefe do Supremo Conselho Islâmico) em Jerusalém e primeiro Grão Mufti da cidade. Nomeado ao posto pelas autoridades otomanas na década de 1860, Tahir al-Husseini incitou a perseguição contra imigrantes judeus, chegando a conseguir a aprovação de uma lei que proibia a aquisição de terras por parte de judeus em Jerusalém e áreas circunvizinhas. Em 1908, quando Muhammad Tahir al-Husseini morreu, o posto de Grão Mufti de Jerusalém foi ocupado por seu filho mais velho, Kamil al-Husseini. A postura de Kamil foi bastante diferente daquela adotada por seu pai: buscou uma política mais apaziguadora do que Muhammad Tahir com relação aos judeus e, quando o Império Otomano ingressou na Primeira Guerra, demonstrou simpatia e abertura aos britânicos. Com a derrota dos turcos, em 1918, diversos territórios do Império Otomano foram divididos entre França, Inglaterra e Rússia, estabelecendo-se o Mandato Britânico da Palestina por volta de 1920. Nessa mesma época, Hajj al-Husseini organizou um levante armado contra os judeus que já habitavam a região da Palestina, o que levou a muitas mortes e à destruição de diversas propriedades de imigrantes judeus. O pretexto para esse levante foi o apoio dado pelas autoridades britânicas à Declaração de Balfour (1917), que pedia a criação de um Estado judeu na região da Palestina. No ano de 1921, com a morte de Kamil, Hajj assumiu o posto de Grão Mufti de Jerusalém e de líder do Supremo Conselho Islâmico. Adotando uma postura

swad (“Mão Negra”). em 1933. Com a fundação do . O clima anti-judaico alimentado diuturnamente por Hajj al-Husseini era um fator de grande instabilidade na região. com diversas declarações conclamando pela perseguição aos judeus e o boicote a suas empresas em todo o mundo. onde 67 judeus foram assassinados e centenas ficaram feridos – muitos deles mutilados. mas era a perseguição aos judeus que garantisse ou sua expulsão. a perseguição promovida pelo Grão Mufti de Jerusalém contra os habitantes judeus da região da Palestina alçou um nível internacional jamais visto até então. 133 judeus) e aproximadamente 600 feridos. Seu objetivo não era garantir que houvesse Palestina para os palestinos. Ao longo da década de 1930. O congresso foi uma grande demonstração anti-judaica. Após as preces na mesquita. durante o sermão na Mesquita de Al-Aqsa. o Al-Kaff Al. O Grão Mufti se tornou voluntariamente uma espécie de garoto-propaganda do regime nazista no Oriente Médio. que não foram pegos de surpresa. judeus em sua maioria. inclusive na Europa. dois outros atos bárbaros contra os judeus na Palestina tiveram lugar na região: o primeiro foi em 24 de agosto na cidade de Hebron. Em 31 de março de 1933. o segundo foi em Safed. que hoje governa o Egito. A partir desse ano. o Grão Mufti apoiou entusiasticamente o primeiro grupo terrorista palestino.completamente diferente da do irmão. que reuniu 130 delegados de 22 países. Hajj al-Husseini promoveu em Jerusalém o Congresso Islâmico Mundial. sobretudo junto às autoridades e grupos islâmicos da região – em especial a Irmandade Muçulmana. Esses pogroms foram convocados pelo próprio Grão Mufti de Jerusalém. uma sexta-feira. as relações entre a autoridade islâmica de Jerusalém e o governo nazista só foram aumentado e se fortalecendo. que vinha sustentando que os sionistas estavam tentando tomar de assalto a Mesquita de Al-Aqsa. Um ano depois. o Grão Mufti conclamou todos os fiéis islâmicos a atacar os judeus de Mea Shearim. atraiu a mais ampla e sincera simpatia do Grão Mufti de Jerusalém: o recém-eleito chanceler alemão Adolf Hitler. uma grande multidão afluiu para o bairro judeu e atacou seus habitantes. Hajj al-Husseini não apenas ressuscitou a agressiva política anti-semita de seu pai. em Jerusalém. fundado pelo clérigo sírio Izz ad-Din al-Qassam – que dá nome às Brigadas al-Qassam. onde 18 judeus foram mortos e 80 ficaram feridos. Zeloso por difundir e amplificar cada vez mais seu espírito anti-judaico. Também por essa época. Hajj alHusseini mantinha contato com diversos governos. Em 23 de agosto de 1928. Entre os dias 7 e 17 de dezembro de 1931. O saldo foi de 249 mortos (116 árabes. ou seu extermínio. três árabes foram mortos no bairro judeu de Mea Shearim. Hajj al-Husseini enviou um telegrama oficial ao gabinete de Hitler informando que os muçulmanos na Palestina e ao redor do mundo viam com entusiasmo sua ascensão à chancelaria alemã. Não havia qualquer complô do tipo. o que provocava confrontos diários entre judeus e árabes palestinos. E foi um governante em particular que. como foi além e recrudesceu-a: viajou por todos os países árabes da região com vistas a formar uma grande liga anti-judaica. o braço militar do Hamas. Muhammad Tahir.

No dia 19 de abril de 1936. sobretudo dos Bálcãs. Iugoslávia. obtendo recrutas em países como Albânia. os Aliados ocuparam a Pérsia. mas Hajj al-Husseini conseguiu escapar mais uma vez. as relações entre autoridades islâmicas ao redor do mundo e o Terceiro Reich estreitaram-se sobremaneira. A autoridade britânica na região se viu forçada a agir. Dezenas de milhares de colonos judeus tiveram suas propriedades destruídas. . mais de três mil judeus foram assassinados. para a Itália. de lá.Comitê Pan-Árabe de Bagdá. Hajj al-Husseini tornou-se um grande propagandista de Hitler em meio às comunidades muçulmanas do leste europeu. al-Husseini foi para Berlim. como também abasteceram os grupos de al-Husseini com armamentos que entravam pela Jordânia e a Arábia Saudita. de Hitler. Grupos armados de extermínio foram formados e. quando fugiu para Teerã. onde passou a trabalhar em estreita cooperação com as autoridades islâmicas do Oriente Médio. em 1934. Em 27 de outubro. como o tradicional fez turco. onde obteve também do governo nazista a aprovação da declaração – aprovação que obteve diretamente de Adolf Hitler em 26 de novembro de 1941. o que fez com que Hajj al-Husseini fugisse em 1937 para o Líbano. Hajj al-Husseini buscou apoio formal dos governos do Eixo contra os judeus na Palestina e a favor do movimento pan-árabe. Ele foi um dos grandes mentores das divisões islâmicas da Waffen-SS. o agora ex-Grão Mufti de Jerusalém foi para a Turquia e. Os governos de Hitler e Mussolini não apenas forneceram grandes somas de dinheiro para a revolta. que declarou seu apoio à causa palestina. Bósnia. chegando a Roma em 10 de outubro de 1941. Em 8 de outubro daquele ano. Em outubro de 1939. Após esse encontro. Hajj al-Husseini convocou um levante geral de árabes contra os judeus na Palestina. mudou-se para Bagdá até a queda do ditador iraquiano Rashid Ali al-Gaylani. o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. e muitos se viram forçados a fugir da região. e do Cáucaso. Croácia e Azerbaijão. durante 177 dias. A partir desse momento. montou um escritório oficial na Palestina. Uma declaração formal foi rascunhada por al-Husseini e aprovada por Mussolini. Elementos culturais tipicamente islâmicos chegaram a ser incluídos nas insígnias e nos uniformes das divisões islâmicas da SS. Graças a uma ação da Inteligência Militar Italiana. encontrou-se pessoalmente com Benito Mussolini. em maio de 1941.

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