A I R R

laboratório urbano:
O Laboratório Urbano é um Grupo de Pesquisa cadas-
trado no CNPq desde 2002, que inscreve-se na linha
de pesquisa “Processos Urbanos Contemporâneos” do
Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanis-
mo da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal
da Bahia [PPG-AU/FAUFBA], e mantém interlocução e
parcerias com outros grupos nacionais e internacionais
em torno do seu principal foco de pesquisa e estudos: a
CIDADE e o URBANISMO CONTEMPORÂNEOS. O Laboratório
Urbano investiga a complexidade da cidade contemporânea
a partir de três linhas de pesquisa articuladas entre si:
8l8l0fl0¶f8ß8 0 F0ß88M0ßl0 0f08ßl8ll00
0edìcada à pesquìsa hìstorìográñca, busca mapear
as redes complexas que construíram e ainda constro-
em o pensamento urbanístico. Exercita-se uma teoria
da história que, apesar de construir uma cronologia,
suspeita da visão linear, contínua, evolucionista e
fechada. A pesquisa coletiva (CNPq) Cronologia do
Pensamento Urbanístico busca ser uma
construção crítica e complexa, evitando-se um discurso
pacìñcador dos processos hìstórìcos. µuestìona-se a
pertinência e/ou adequação do uso de noções como
transferêncìa, mode|o e/ou ìnßuêncìa e busca-se também cartografar as
resistências ao pensamento urbanístico hegemônico. Seu objetivo geral é
contribuir para uma melhor compreensão da circulação das ideias
urbanísticas.
ߢf00ß880 0flll08 08 0l0800 00ßl0M¢0f8ß08
Reúne estudos críticos à espetacularização urbana contemporânea
que desviam pelas micro-resistências urbanas e outros modos de
apropriação do espaço urbano. Busca-se uma abertura do campo
disciplinar do urbanismo através de outras possibilidades de
compreensão e de ação urbana como: o jogo, o profano, o
opaco, o ordinário, o cotidiano, o resto, o infame, o processual, o
movimento, o errante etc. A pesquisa coletiva (PRONEM – FAPESB/CNPq)
Experiências metodológicas para compreensão da complexidade
da cidade contemporânea propõe investigar metodologias de
apreensão da complexidade das cidades no atual contexto de espetacu-
larização urbana. Seu objetivo geral é buscar outras formas de apreensão
crítica e compreensão analítica dos espaços urbanos contemporâneos.
l8l0ll08, 00f¢0 0 0l0800
Dirigida ao estudo das coimplicações entre corpo, cidade e estética.
Pretende-se discutir a dimensão estética como forma de apreender
e pensar a cidade. Estuda-se também as ações e experiências
corporais e cotidianas no espaço público, em particular na rua,
entendida como território instável. Os trabalhos artísticos são
pensados como uma outra possibilidade de compreensão crítica
dos conßìtos e dìssensos urbanos tendo por foco prìorìtárìo a esca|a
do corpo em sua singularidade. Uma análise das práticas e ações
cotidianas tenta relacionar a construção de territórios urbanos e a
produção de subjetividades. A plataforma CORPOCIDADE realiza uma
série de eventos e publicações. Seu objetivo geral é de, através das
questões estéticas e/ou do corpo, problematizar as questões urbanas.
¢08@0l8800f08 M0M0f08.
¢f0l0880f08.
Fabiana Dultra Britto (PPG Dança/UFBA)
Fernando Gigante Ferraz (PPG-AU - IHAC/UFBA)
Francisco de Assis Costa (PPG-AU/FAUFBA)
Paola Berenstein Jacques (PPG-AU/FAUFBA) – coordenação geral
Pasqualino Romano Magnavita (PPG-AU/FAUFBA)
Margareth da Silva Pereira (PROURB/UFRJ)
Thais de Bhanthumchinda Portela (PPG-AU/FAUFBA) - vice-coordenação
Washington Luis Lima Drummond (PPG-AU/FAUFBA – História/UNEB)
¶f8008ß008 I00l8l8l88 00 l0l.
Igor µueìroz (IAUIßA, bo|sa IAPL5ß)
Isabela Maranhão (FAUFBA, bolsa CNPq)
Lucas Vicente (FAUFBA, bolsa UFBA)
Mariane Reis (FAUFBA, bolsa UFBA)
M08lf8ß008.
Amine Portugal Barbuda (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CAPES)
Cinira Arruda D’Alva (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CAPES)
Felipe Caldas Batista (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CNPq)
Gustavo Chaves de França (PPG-AU/FAUFBA)
Janaína Chaves Silva (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CNPq)
João Soares Pena (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CAPES)
Jurema Moreira Cavalcanti (PPG-AU/FAUFBA, bolsa IPEA/ANPUR)
Laio Sampaio Bispo (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CAPES)
Luís Guilherme Albuquerque de Andrade (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CAPES)
Osnildo Adão Wan-Dall Junior (PPG-AU/FAUFBA - bolsa CAPES)
Marina Carmello Cunha (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CAPES)
Priscila Erthal Risi (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CNPq)
Renato Wokaman – (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CAPES)
000l0f8ß008.
Breno Luiz Tadeu da Silva (PPG-AU/FAUFBA, bolsa FAPESB)
Clara Bonna Pignaton (PPG-AU/FAUFBA, bolsa CNPq, CAPES PDSE)
Lutero Proscholdt Almeida (PPG-AU/FAUFBA, bolsa FAPESB)
Maria Isabel Menezes da Rocha (PPG-AU/FAUFBA, bolsa FAPESB, CAPES PDSE)
Milene Migliano Gonzaga (PPG-AU/FAUFBA, bolsa FAPESB)
¢08@0l8800f 88800l800
Luis Antonio de Souza (Urbanismo/UNEB, doutorando PPG-AU/FAUFBA)
¢08@0l8800f08 00l800f800f08
Alessia de Biase (LAA/LAVUE/CNRS – ENSAPLV, França)
Cibele Saliba Rizek (IAU/USP-SC)
Francesco Careri (LAC, Università degli studi Roma Tre, Itália)
Frederico Guilherme Bandeira de Araujo (IPPUR-UFRJ)
Lilian Fessler Vaz (PROURB-UFRJ)
Rachel Thomas (CRESSON/CNRS – ENSAG, França)
Atlas histórico de cidades brasileiras
PPG-AU/UFBA
CRESSON - Centre de recherche sur l’espace sonore et l’environnement urbain
CNRS - ENSA de Grenoble
Cultura, história e urbanismo
PROURB/FAU/UFRJ
LAA - Laboratoire Architecture Anthropologie
CNRS – ENSA de Paris La Villette
LABZAT - Laboratório co-adaptativo
PPGDança - UFBA
LAC - Laboratorio Arti Civiche
Facoltà di Architettura – Univ. Roma Tre
LASTRO - Laboratório da Conjuntura Social: Tecnologia e Território
IPPUR-UFRJ
LEU Laboratório de Estudos Urbanos
PROURB-UFRJ
Modernidade e Cultura
IPPUR/UFRJ
f0008 lßl0fß80l0ß8l8
AMBIANCES - réseau international ambiances/international ambiances network
Rede internacional (coord. ENSA de Grenoble/CNRS)
LIEU Logiques, Identités, Espaces, Urbanités
Rede internacional (coord. ENSA de Paris La Villette/CNRS)
¶f0¢08 ¢8f00lf08.
Em 2009 e 2010 realizamos em Salvador seminários
internos – que denominamos seminários de articulação –
para discussão das pesquisas individuais dos mem-
bros do grupo, com a participação de pesquisadores de
grupos parceiros convidados a tecer conexões entre os
variados temas enfocados individualmente e as abordagens
teóricas e metodológicas desenvolvidas no Laboratório
Urbano. A partir de 2011 passamos a denominar
seminários de articulação os encontros que realizamos,
em 2012 em Salvador e 2013 em Paris, com outros grupos
de pesquisa nacionais e internacionais, para discussão e
troca de metodologias de pesquisa e de apreensão urbana.
Agora, retomamos nosso seminário interno como um
momento de reßexão e ìnter|ocução dentro do próprìo Labo-
ratórìo Urbano, para ìdentìñcarmos nossas reconñgurações
como grupo, a partir das apresentações do estágio de anda-
mento das pesquisas dos mestrandos e doutorandos mem-
bros do grupo. Por entendermos nossas linhas de pesquisa
de forma articulada, os trabalhos serão apresentados sem
a tradìcìona| dìvìsão por |ìnhas, mas por añnìdades e|etìvas.
80Mlß8fl0 lßl0fß0 Z01J.
¢f0¶f8M8ç80.
0l8 11l09
l008l. $8l8 00 f00ßl008 08 00߶f0¶f8ç80 fß0f8ß
I088lß08l
N8ß08 - 9 88 1Z0.
000f00ß800f08. F80l8 8. l80@008 0 f80l8ß8 8flll0.
÷ 0008l000f08 00ß9l08008
90· Cinira de Arruda D’Alva: Urbanismo sem bordas: a prática urbanística como
prática da diferença.
9.J00· Amine Portugal Barbuda: Cidade em processo: análise de
metodologias de apreensão urbana no centro de Salvador.
100· Marina Carmello Cunha: Restos – Costurando cidades, roupas e corpos.
10.J00· Clara Bonna Pignaton: O pensamento urbano entre as ordens
dominantes e as práticas contingentes. [Alemanha-via skype]
110· 0008l0
18f00 - 14 88 180.
000f00ß800f08 . 108l8 F0fl0l8 0 N880l߶l0ß 0f0MM0ß0
÷0008l000f08 00ß9l08008
140· João Soares Pena: Espaços de excitação: cines pornôs no centro de
Salvador.
14.J00· Luis Guilherme Albuquerque de Andrade: Praìas urbanas: reßexões
sobre práticas cotidianas em espaços da orla de Salvador.
1â0· Jurema Moreira Cavalcanti: Lugar do entre: articulações dos beradeiros
com Rio e Caatinga, nas cidades reconstruídas.
1â.J00· Priscila Erthal Risi: Onde o sertão reside: o sertão entre utopia e
fronteira da cidade.
1ë0· Breno Luiz Thadeu da Silva: Espacialidades da experiência: micropo-
lítica e alteridades urbanas.
1ë.J00· lßl0f98l0
1¡0· 0008l0
0l8 1Zl09
l008l. $8l8 00 f00ßl008 08 00߶f0¶f8ç80 fß0f8ß
I088lß08l
N8ß08 - 9 88 1Z0.
000f00ß800f08.f0fß8ß00 f0ff8I 0 kl00 008l8
÷ 0008l000f08 00ß9l08008
90· Felipe Caldas Batista: EPUCS: Urbanismo e Biopolítica na Bahia dos anos
40
9.J00· Gustavo Chaves de França: Da cidade do governo dos homens:
imunidade radical e biopolítica na cidade contempoânea
100· Penato Wokaman Nerì dos 5antos: Lspaços de conñnamento: fronteìras
e permeabilidades.
10.J00· Maria Isabel Costa Menezes da Rocha: A pacìñcação dos espaços
públicos urbanos contemporâneos: uma questão sensível.[França- via skype]
110· 0008l0
18f00 - 14 88 180.
000f00ß800f08 . F88@08llß0 N8¶ß89ll8 0 F80l8 80f0ß8l0lß l80@008
÷0008l000f08 00ß9l08008
140· Laio Sampaio Bispo: As manifestações estéticas da multidão em tem-
pos de Biopolítica – o cartaz como potencia política na cidade contemporânea.
14.J00· Milene Migliano Gonzaga: A cidade e o comum: a dimensão política nas
narrativas tecidas nos/entre os espaços urbanos e a internet em Belo Horizonte.
1â0· Osnildo Adão Wan-Dall Junior: Das narrativas literárias de cidades:
devires experiência urbana através do guia de ruas e mistérios da Bahia de
Todos os Santos
1â.J00· Janaina Chavier Silva: Dos espaços culturais outros – encontros entre
cidade e cultura.
1ë0· Lutero Pröscholdt Almeida: Espaços de partilha: das múltiplas partes
à partilha
1ë.J00· lßl0f98l0
1¡0· 0008l0
0008l000f08 00ß9l08008.
l008f00 80008 llM8
I0¶f0880 000l0f800 FF6ß0l0f8ßl
Nlll0ß l0ll0 00 08f98l00 fll00
Il8ß0l0f8ßl
$ll98ß8 0ll9l0fl
I0¶f0888 M08lf800FF6ß0l0f8ßl
8¢f080ßl8ç008.
I0M 0f00M 8ll800ll08l
ßMlß0 F0fl0¶8l 88f0008.
0l0800 0M ¢f000880. 8ß8ll80 00 M0l000l0¶l88
00 8¢f00ß880 0f08ß8 ß0 00ßlf0 00 $8l9800f.
or i ent ador ( es) : Paol a Ber enstei n Jacques
ano de i ngr esso: 2013
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : mest r ado- CAPES
Esta presente proposta de mestrado dá continuidade a um processo de
análise e produção de arquitetura e urbanismo que não considere apenas
a avaliação de agentes hegemônicos e a sua atuação no espaço urbano,
bem como forças que se impõem dessa maneira enquanto produtoras de ci-
dade. A hipótese que orienta essa discussão aponta para a possibilidade de
construção de metodologias de apreensão da cidade que considerem o es-
paço urbano como um espaço de jogo, onde é possível observar várias for-
ças atuantes e que estas partam do argumento que a prática cotidiana
e a ação do homem comum, os usos da cidade, ou seja, “como acontece
a apropriação do espaço pelos gestos, pelos sujeitos, pelos atores sociais”
(RIBEIRO, 2011), o estudo de um “espaço socialmente apropriado” (RIBEIRO,
2011) são os principais indicativos urbanos a serem analisados na cidade.
O estudo proposto vai se concentrar numa análise de metodologias de apreen-
são da cidade contemporânea geralmente multidisciplinares. O pressuposto
para a escolha das metodologias é que estas promovam uma percepção
(apropriação e criação) da cidade que nos atente para a vida urbana que
escapa à forma hegemônica, utilitária e racionalizada das relações sociais e
dos espaços urbanos. Devido ao caráter multidisciplinar dessas metodologias,
é esperado que estas tragam outros tipos de investigação ao urbanismo (e por
ìsso, abandonar deñnìtìvamente a ìdeìa de dìagnóstìco da condìção urbana)
subsidiando um campo de pesquisa metodológica que vem sido desenvolvi-
do pela urgência de se entender outros indicadores da cidade. É intendido
estudar as diversas ferramentas utilizadas para a apreensão da cidade
contemporânea que registrem outros modos de produção de cidade, como
cartograñas dos pratìcantes ordìnárìos urbanos e a narratìva de experìêncìas
urbanas. Os conceitos que permeiam os diferentes aspectos para a formulação
dessas metodologias e também seus objetivos são outros pontos abordados no
estudo, além das problemáticas extraídas a partir da realização das mesmas.
Para realizar os objetivos propostos para o projeto de mestrado, foram
escolhidas a priori metodologias de apreensão urbana cujos crité-
rìos [á esc|arecìdos geraram uma c|assìñcação das metodo|ogìas em:
1.metodologias existentes e já realizadas;
2.metodologias em formulação;
3.metodologias realizadas e/ou com participação da proponente.
0 ob[etìvo a partìr dessa c|assìñcação é abarcar dìferentes tempora|ìdades
de metodologias de apreensão urbana, além de analisar aspectos supracita-
dos é entender o processo de elaboração das metodologias, nas existentes e
ñna|ìzadas, em dìferentes posìcìonamentos, [á que numa metodo|ogìa de
apreensão urbana já realizada é possível analisar as suas conclusões de
processo e, naquelas em formulação e em processo, analisar os aspectos
relevantes adotados em processo como fundamentais para contribuir para
alternativas metodológicas para apreender uma cidade não hegemônica.
A escolha do centro tradicional de Salvador, a Avenida Sete de Setembro,
como laboratório para o projeto tem também como fundamento o fato de que
a maìorìa das metodo|ogìas a serem ana|ìsadas, as em andamento, as ñna-
lizadas e as metodologias que ainda realizarão etapas de seus processos de
construção em campo analisam e centram seus estudos nos centros urbanos,
quando não na própria Avenida Sete de Setembro, além de que a escolha des-
sas metodologias também foi pautada por as mesmas se basearem no fato
de que, apesar do campo ser:
"perpassado pe|a teorìa não sìgnìñca dìzer que e|e está submetìdo a e|a.
Por deñnìção, a rea|ìdade superará sempre a teorìa. Lm outras pa|avras,
o campo irá sempre surpreender o pesquisador.” (URIARTE, 2012)
8f0ß0 l0lI 108000 08 $ll98.
Desdobrando o conceito de experiência em Georges Bataille, investiga-
mos quais são as espacialidades dessa noção de experiência tematizando
como elas podem se atualizar na cidade e como elas podem contribuir para
traçarmos um entendimento teórico e crítico sobre a produção do espaço
urbano. A partir de Bataille podemos ler a experiência no sentido de lançar
o sujeito “fora de si”, fora de sua perspectiva dominante, e lançado num
espaço arriscado se encontrando aberto aos outros e às diferenças expres-
sas. Entendemos essas espacialidades como conjunções espaços-temporais
numa dada duração que provocam e recebem alterações tanto em seu ac-
ontecimento constituinte quanto em quem as experimenta. Supomos que
nos termos espaço-temporais elas se aproximam da noção de informe em
ßataì||e, como espacìa|ìdades em a|teração, que não se deñnem a prìorì e
adquirem suas formas-moventes singularmente considerando as temporali-
dades no devir provocado pela experiência. A alteração é aqui o movimen-
to da alteridade. Sob essa assertiva, lançamos uma tematização sobre as
possíveis dimensões micropolíticas enfatizando processos de subjeti-
vações coletivas que ocorrem nas espacialidades. E abrimos para as possi-
l8¢80l8ll08008 08 0K¢0fl0ß0l8. Ml0f0¢0llll088
0 8ll0fl08008 0f08ß88
or i ent ador ( es) : Pasqual i no Romano Magnavi t a
ano de i ngr esso: 2013
t i po de t r abal ho: doutor ado
bol sa( s) : FAPESB
bilidades de conexões entre experimentadores enfatizando as diferenças
expressas. Deste modo, as espacialidades fomentam outras experiências e,
consequentemente, sua dinâmica informe. No que tange as contribuições
do estudo das espacialidades da experiência para o campo urbanístico,
nos referimos à sua condição informe desviando duma perspectiva de
entendimento da produção do espaço urbano na binaridade entre público e
privado. Esse desvio acontece tanto no sentido desse par não servir para o
entendimento das espacialidades quanto de supormos nelas uma potência
reativa sobre a axiomática do espaço capitalista centrada na propriedade pri-
vada. Nesse sentido, a dimensão micropolítica se dobra sobre a macro-política
como possibilidades de modos críticos de produção do espaço nas cidades.
A investigação das espacialidades da experiência também elenca as
questões sobre os modos de sua transmissão. Remetendo à Bataille, a
experiência enquanto tal é comunicada em sua duração e, por conseguinte,
traz consigo uma “exigência comunitária”. Exigência que lemos como
possibilidades de conexões entre experimentadores enfatizando as diferen-
ças expressas em formações movediças. Mas ainda seria preciso pensar as
formas de narração dessas espacialidades para testar sua validade como
produção de conhecimento. Assim, serão elencadas algumas imagens e
narrativas de espacialidades da experiência como forma de, seguindo uma
noção bataì||ìana, produzìr "documentos", ìsto, é, "ñguras de conhecìmento"
que co-relacionam conceitos e exemplos empíricos e que no limite podem
ser entendidas como uma escrita experimental. Tomadas como narrativas
as espacialidades contribuem como campo teórico e um contra-repertório
para outros entendimentos da produção do espaço urbano. Como o tra-
balho se encontra numa fase incipiente pretendemos apresentar alguns
“documentos” de campo, resultantes dos trabalhos de ocupações urba-
nas experimentais que realizamos em algumas capitais brasileiras entre
fevereiro e junho de 2013. (www.ativador.org) Compartilhando essas experimen-
tações podemos abrir uma conversa, testar e alterar o alcance de produção de
conhecimento do que temos suposto quanto às espacialidades da experiência.
0lßlf8 ßff008 0`ßl98.
or i ent ador ( es) : Washi ngton Dr ummond
ano de i ngr esso: 2012
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CAPES
Fartindo do entendimento de que a cidade é um campo onde diferenças
se re|acìonam ìncessantemente sob a ìnßuêncìa de forças assu[eìtadoras,
pretende-se investigar um método operativo criado no campo da dança
contemporânea que problematiza as ferramentas de que dispomos para
conviver em um plano dissensual. O Modo Operativo AND - Antropologia e
dança (desenvolvido pelo coreógrafo João Fiadeiro e a antropóloga Fernanda
Eugênio) parte do pressuposto de que o aparato de que dispomos para viver jun-
tos foi articulado em torno da obsessão pelo separado, pelo controle e pelo saber;
assim, o modo que estamos habituados a operar é um que determina de
antemão as regras para que asseguremos o controle de nossas ações e resulta-
dos. O método é, portanto, a proposição de um jogo cujas regras possam emer-
gir do próprio jogar, retirando-nos de um lugar de saber a priori e colocando-nos
em uma postura de abertura ao inesperado que surge no encontro com o outro.
Acredita-se que esta investigação possa trazer pistas para a problematização
da abordagem do arquìteto-urbanìsta sobre a cìdade. µue su[eìto é esse?
µue forma de re|ação estabe|ece com a a|terìdade? 0e que forma admìnìs-
tra sua posìção, dìstancìada por natureza do |ugar do vìvìdo? µue tensìona-
0f08ßl8M0 80M 00f088. ß ¢f8ll08 0f08ßl8ll08
00M0 ¢f8ll08 08 0ll0f0ßç8.
mentos étìcos e po|ítìcos é capaz de gerar no atua| mode|o de vìda urbana?
A forma hegemônica de proposição na cidade somada ao esgotamento
contemporâneo da noção de participação nos leva a apostar que uma
abertura crítica do campo do urbanismo depende do diálogo com campos que
problematizem o ato de se colocar em relação com o outro. A análise de obras
e procedimentos de arquitetos-urbanistas que se coloquem em posição com
a alteridade e as diferenças, servirá de paralelo à investigação do método
em questão.tra sua posìção, dìstancìada por natureza do |ugar do vìvìdo? µue
tensìonamentos étìcos e po|ítìcos é capaz de gerar no atua| mode|o de vìda urbana?
0l8f8 80ßß8 Fl¶ß8l0ß.
or i ent ador ( es) : Paol a Ber enstei n Jacques
ano de i ngr esso: 2012
t i po de t r abal ho: doutor ado
bol sa( s) : CNPq
O projeto de tese aqui proposto teve como ponto de saída uma investi-
gação sobre as questões da memória e da cultura operadas pelas políticas
urbanas no Centro Histórico de Salvador. Os trabalhos de Foucault e Walter
Benjamin sobre a genealogia e o saber histórico serviram como base teórica da
ìnvestìgação e são agora o ño condutor do que se pretende desenvo|ver na
tese. A partir do deslocamento do lugar do urbanismo enquanto objeto cientí-
ñco neutro e meramente forma|, busca-se construìr uma hìstorìograña de
ìntervenções urbanas que co|ocam em conßìto a unìdade dìscursìva coesa da
modernidade, isto é, as práticas contingentes que fazem do espaço urbano um
produto socìa|. Uma hìstorìograña cu[a matérìa está nos restos da hìstórìa. Para
tal, a tese deve se colocar no plano intermediário entre as investidas da teoria
cìentíñca e o espaço socìa| enquanto |ugar dos códìgos cu|turaìs sedìmen-
tados para então responder algumas perguntas que a conduzem: como o
pensamento urbano, para a|ém do urbanìsmo e|evado à prátìca cìentìñca e
técnìca, propós e ìnterferìu nas formas de vìda? Uomo se pensou o vìver-[unto no pro-
cesso de modernìzação das cìdades? Não apenas referencìados pe|as questões
formais como um dado, quais forças compõe o espaço e a experiência social da
0 ¢0ß88M0ßl0 0f08ß0 0ßlf0 88 0f00ß8 00Mlß8ßl08 0
88 ¢f8ll088 00ßll߶0ßl08.
modernìdade? 0 que foì ìncorporado pe|a racìona|ìdade e tota|ìdade da vìsão
domìnante e o que foì descartado para endossar o ca|do da contìngêncìa? 0 que
sobrevìve em nossa época? Através dos modos hìstorìográñcos se propõe um
trânsito pela modernidade e a modernização, seus signos e seus despojos, para
compor através de montagens outras correspondências e aproximações que
co|ocaquem em conßìto uma dìscurso hegemónìco sobre a prátìca do urbanìsmo.
f0ll¢0 08l088 88ll8l8.
or i ent ador ( es) : Washi ngton Dr ummond
ano de i ngr esso: 2012
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CNPq
O objetivo dessa pesquisa é analisar os relatórios do EPUCS (grosso modo,
e|aborados entre 1943 a 1946), especìñcamente a pesquìsa socìa| ìntìtu|a-
da “Habitação, condições de saúde e socioeconômicas das populações” e a
“Tese da Habitação Proletária”, no que remete à política de saneamento da
população de Salvador contida no plano, à luz do conceito de biopolítica em
Michel Foucault. Partiremos da leitura do higienismo brasileiro das primeiras
décadas do século XX que apresentaremos como “pano de fundo” para a
análise do conteúdo dos documentos do EPUCS que se fará, portanto, dentro
do contexto nacional de saneamento urbano e rural. Após apresentar o concei-
to de biopolítica em Michel Foucault, desenvolveremos, a partir de Foucault,
o conceìto de sa|ubrìdade e hìgìene añm de ìntroduzìr a dìscussão brasì|eìra
sobre saneamento de populações rurais e urbanas do início do século XX. A
terceira parte da pesquisa é reservada ao estudo do EPUCS onde, primeira-
mente, apresentaremos informações gerais (organização, componentes...)
e o processo de fundação do EPUCS entre 1941-42 através das cartas e
telegramas trocados entre os agentes. A partir dessas informações gerais, e
dentro do discurso geral de saneamento do EPUCS, nos debruçaremos sobre
lF00$. 0f08ßl8M0 0 8l0¢0llll08 ß8 880l8 008 8ß08 40.
a pesquisa médico-social e o planejamento de espaços dela decorrente no
sentido de forjar o “proletariado moderno” a partir de “bairros provisórios”,
“ilhas” preparadas a partir de condicionamentos geomorfológicos e urbanísticos
com o objetivo de formar pequenas nucleações em várias partes da cidade de
Salvador onde seriam reunidos provisoriamente os “pobres remediáveis”
tratados pela assistência social promovida pelo Estado e demais instituições
ñ|antrópìcas. 0 5aneamento dos va|es, a rede de ìnfraestrutura, o esquadrìnha-
mento médico-sanitário da população, as clínicas especializadas, os “bairros pro-
letários” e o sistema de parques formam o quadro discursivo/propositivo do EPUCS
que situaremos dentro de uma quadratura maior de política saneadora do país.
608l890 008908 00 ff8ßç8.
or i ent ador ( es) : Fer nando Gi gante Fer r az
ano de i ngr esso: 2012
t i po de t r abal ho: mest r ado
No presente trabalho pretendemos compreender a lógica política na qual
os condomínios fechados se tornam possíveis na cidade contemporânea.
Para isso buscaremos, a partir de Foucault, pensar de que modo um poder
sobre a vida – uma biopolítica – está na base da modernidade e da sua
“economia política”, que de alguma forma está ligada à transição do “poder
soberano” ao “biopoder”, ou seja, práticas políticas que têm a vida no seu
centro. Com Hannah Arendt é possível notar uma crescente histórica desse poder
sobre a vida que, por sua vez, está vinculada à “destruição de esfera públi-
ca” e“advento do social” – ou seja, quando a política compreendida como
ação se torna uma “gestão de comportamentos” – no que a autora de uma
maneira surpreendentemente próxima à Foucault notará uma tomada da vida
pela política. Eis que zòe e bios, público e privado passam a se confundir.
Agamben, seguindo a leitura dos autores mencionados, buscará nessa fratura
lógica que associa oikonomia e política, a chave para compreender as
relações de poder na modernidade, para isso recorrerá ao léxico cristão medi-
eval e a sua articulação aporética entre ser e agir, reino e governo, soberania e
oikonomia, ou seja, biopolítica. Num segundo momento notamos a presença
0ß 0l0ß0l 00 60¥l880 00$ 80Nl8$. lM0ßl0800 f80l08l
0 0l0¢0llll08 ß8 0l0800 00ßl0M¢0f8ß08
constante do conceito de “comunidade” presente nos diversos discursos e
práticas na cidade. Seja nos locais carentes, seja nos condomínios fechados,
percebemos que a noção de comunidade está em jogo. A partir de Roberto
Esposito, tentaremos pensar a comunidade como falta, o que o autor en-
contrará na romana idéia de comunnitas que tem em sua raiz o munnus
originário, ou seja, o encargo o dever com o outro. Essa concepção de comu-
nidade desativa qualquer tentativa de pensar o comum a partir da oposição
público/privado, que na modernidade nada mais conseguiu do que pensar
o comum a partir da linguagem do próprio. O oposto de comunidade, sua
negação é a imunidade, immunitas, por sua vez o desencargo com o outro, a
isenção do risco da alteridade. Pensando a partir dessas noções de comuni-
dade e ìmunìdade, ñca c|aro que a bìopo|ítìca moderna põe em evìdêncìa o
imune, é uma política radicalmente imunitária, da negação do outro. Desse
modo, seja o urbanismo oitocentista - oikonomico que está diretamente
comprometido com as práticas de poder sobre a vida, o governo dos ho-
mens – seja as práticas contemporâneas de fechamento da cidade com os
condomínios residenciais fechados, estão na mesma linha política que, ainda
com diversas heterogeneidades, possui a imunidade como paradigma de ação.
As noção de imunidade e o que denominamos “espaços imunitários” desarticu-
lam a possível idéia de que um urbanismo/planejamento nos moldes modernos
e seus espaços abertos estaria em oposição à cidade dos condomínios fechados.
l8ß8lß8 0089l0f $ll98.
or i ent ador ( es) : Fer nando Gi gante Fer r az
ano de i ngr esso: 2012
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CNPq
Que ou quais espaços ocupam a cultura, nesse acúmulo de
camadas, dìscursos e prátìcas que conñguram as cìdades contemporâneas?
A cidade implica em um complexo debate sobre as novas formas de
constituição do território. Esse território múltiplo que se apresenta é
consequência dos processos culturais, sociais e econômicos aos quais está
submetido, e acabam por tencionar sobre as cidades formas e funções
extremamente complexas que escapam a uma análise funcional e disciplinar
das clássicas ferramentas de análises das dinâmicas urbanas, capazes de cri-
ar categorìas para decodìñcar, normatìzar e ìntervìr na vìda urbana, no espaço
apropriado.
Uma multiplicidade de acordos e combinações entre cultura e cidade
efetiva-se a todo instante, esses dois agenciamentos, assumem formas
e discursos diversos, tais como, espetaculares, cotidianos, opacos, lumi-
nosos, coexìstìndo e sendo operados por ßuxos capìta|ístìcos, po|ítìcos,
funcionalistas, desejantes que atendem a instâncias diversas, da macroes-
ca|a po|ítìca das ìnstìtuìções ñnanceìras e do Lstado, passando, segundo
008 08¢8ç08 00ll0f8l8 00lf08. lß00ßlf08 0ßlf0
0l0800 0 00ll0f8.
Guatari e Rolnik, por uma produção de subjetividade seriada e normatizada,
concomitante às práticas de apropriação do espaço vivido, as quais supomos
serem um desvio ao princípio uniformizador ao sistema capitalístico vigente.
Propomos para essa pesquisa investigar as relações estabelecidas
entre cidade e cultura, tendo como ponto de tensão alguns trabalhos de
arte contemporânea que discutem de forma crítica o encontro entre esses
dois agenciamentos. Buscaremos os “espaços culturais outros”, os espaços
vividos, que segundo Lefèbvre (2000) é também o lugar da experiência, das
ambiguidades das relações sociais, onde pequenos mundos se articulam
com o saber, os sonhos, as ñcções e as |embranças. 5erìam esses "espaços
culturais outros” alternativas ou desvios possíveis ao espetáculo urbano
que se sustenta através de processos homogenizadores, que tentam a todo
custo co|ocar as cìdades em sìtuações de consenso, prevìsìbì|ìdade e ordem?
Com o intuito de responder a essa e outras perguntas propomos um
estudo de caso, um mapa des|oca|ìzado, uma cartograña ìnventada, que
tenta juntar Ipatinga (MG) e Salvador (BA). A princípio, cidades distantes e
muito diferentes entre si, mas, ao mesmo tempo, vizinhas de alguma maneira,
devidos algumas práticas espaciais culturais que acontecem em seus territórios.
l080 $08f08 F0ß8.
or i ent ador ( es) : Washi ngton Dr ummond;
Paol a Ber enstei n Jacques
ano de i ngr esso: 2011
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CAPES
Esta pesquisa tem como objetivo analisar dois cines pornôs no Centro de
Salvador que funcionam como espaços de prática sexual – espaços de
excitação – e sua relação com seu entorno e a própria cidade. Nesse
sentido, investigamos a trajetória do cinema em Salvador desde sua chega-
da, em 1897, abrigado pelos teatros, sendo logo necessária a construção de
espaços destinados à exibição da sétima arte na cidade. Surgem, então, além dos
cine-teatros, os cinemas de rua com a inauguração do cinema Bahia em 1909,
que passam a ter grande importância na dinâmica da cidade. A maior parte desses
cinemas de rua funcionavam no Centro, embora houvesse também em diversos
outros bairros. Eles eram muito importantes não só na determinação de
ßuxos, mas também no cotìdìano das pessoas. Uom a expansão urbana e
mudanças ocorridas na segunda metade do século passado em conjunto
com outros fatores, os cinemas de rua sofrem uma retração e fecham pou-
co a pouco, sobretudo entre os anos 1970 e 1980, restando apenas aqueles
que a partir dos anos 1970 tornaram-se cines pornôs. Em seguida, aborda-
mos o gênero cìnematográñco pornográñco, o pornó, sua tra[etórìa e suas
característìcas básìcas, a produção do pornó no ßrasì| e a chegada dos ñ|mes
l8¢8ç08 00 0K0ll8ç80. 0lß08 ¢0fß08 ß0 00ßlf0
00 $8l9800f.
estrangeìros nos cìnes soteropo|ìtanos. Inìcìa|mente os ñ|mes pornós foram
exibidos nas principais salas de cinema de Salvador. Apenas algum tempo
depoìs é que a|guns cìnes se especìa|ìzaram na exìbìção desses ñ|mes:
Jandaia, Pax, Liceu, Tupy e Astor. Esses cines, que podemos chamar de espaços de
excitação, tornaram-se por volta dos anos 1980 não apenas locais de exibição de
ñ|mes pornós, mas, sobretudo, espaços onde os frequentadores podìam
realizar práticas sexuais. Apenas dois deles continuam funcionando
atualmente: Cine Tupy, localizado na Avenida J.J. Seabra, e Cine Astor, situado
na Rua da Ajuda. Nesses locais é possível encontrar parceiros para práticas
sexuais, sejam outros frequentadores, sem a necessidade de pagamento, ou
os proñssìonaìs do sexo que traba|ham nos cìnes durante seu funcìonamento.
Apesar de sua localização, ambos os cines são pouco conhecidos pelas pessoas e
suas fachadas são discretas, o que, combinado à pouca luminosidade do interior
das salas, pode propiciar certo anonimato a alguém que não deseja exposição.
l0f0M8 N0f0lf8 0898l08ßll.
or i ent ador ( es) : Thai s de Bhant humchi nda Por tel a
ano de i ngr esso: 2011
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : Pr or edes - I PEA/ANPUR ( at é j ul . /2013)
A pesquìsa parte da deñnìção de beradeìro, enquanto ìndìvíduo que habìta
as cidades reconstruídas após a implantação da barragem de Sobradinho –
localizada em meio ao sertão baiano –, cujas apropriações se desenvolvem
nos espaços fronteiriços, no entre-margens, na transição cidades-rio (São
Francisco) e cidades-caatinga. São pessoas que transformam as práticas
cotidianas a partir de suas necessidades, de afeto e sobrevivência, e das políticas
públicas continuamente aplicadas aos seus territórios. Territórios estes, que não
são de|ìmìtados pe|os perímetros urbanos dos munìcípìos, ao contrárìo, ßuem
através dos percursos dos beradeiros, são criados e recriados continuamente.
Entender como se dão estes processos de transformação das práticas
beradeiras nas margens, nos faz chegar à compreensão das relações com
as cidades propriamente ditas (Casa Nova, Remanso, Sento Sé e Pilão
Arcado). Cidades que foram pensadas como propulsoras do “progres-
so” na região, impulsionadas pela produção de energia elétrica, pelo
controle das águas navegáveis e pelo crescimento da agricultura irrigada,
mas que hoje, pouco guardam deste ideal de desenvolvimento. A proposta
passa assim, pelo entendimento de como as políticas públicas interfer-
l0¶8f 00 lßlf0. ßfll00l8ç008 008 00f800lf08 00M 8l0 0
088ll߶8, ß88 0l08008 f000ß8lf0l088.
em na atualização dos movimentos de territorialização (ROLNIK, 2011).
Embora as transformações ocorridas atualmente sejam resultados de
um processo histórico iniciado na década de 1970, a proposta é trabal-
har com as pessoas que vivem hoje nas cidades deslocadas; o tempo é
presente ainda que as falas possam estar impregnadas de histórias passadas.
l8l0 $8M¢8l0 8l8¢0.
or i ent ador ( es) : Fer nando Gi gante Fer r az
ano de i ngr esso: 2013
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CAPES
O trabalho em questão tem por intuito, fundamentalmente, a análise das
relações entre a produção estética multitudinária, seu conteúdo político e
suas implicações na cidade contemporânea. Assim, interessa-nos, sobretudo,
a possibilidade de compreender nas formas estéticas os conteúdos políti-
cos – e, de tal modo, também o seu inverso. Para tanto utilizaremos, como
ob[eto especíñco, o cartaz - entendendo-o, sempre, em sua mu|tìp|ìcìdade de
suportes e conteúdos. Abordaremos, com isso, questões relativas ao uso
do cartaz na cìdade e suas ìmp|ìcações na modìñcação do espaço e, por
consequência, a evidência de seus conteúdos. Essas relações, no entanto,
serão analisadas a partir do contexto que, segundo nos parece, constitui e
determina as formas e os conteúdos que pretendemos analisar. Estamos,
nesse sentido, inserindo a problemática em um contexto biopolítico. Aqui
teremos por intuito, a partir das necessidades que eventualmente ocorram, a
problematização desse conceito e, consequentemente, de seus usos. No
entanto, por entendermos o caráter añrmatìvo da acepção de autores como
Antonio Negri e Michael Hardt, procuraremos desenvolver a ideia de
biopolítica em oposição à de Biopoder. Assim, a perspectiva na qual nos
ß8 M8ßll08l8ç008 08l0ll088 08 M0lll080 0M l0M¢08 00 0l·
0¢0llll08 · 0 08fl8I 00M0 ¢0l0ß0l8 ¢0llll08 ß8 0l0800 00ßl0M·
¢0f8ß08.
inserimos quer mobilizar a força política e estética do cartaz para, com
isso, entendermos a relação do espaço urbano com a subjetividade. O
drama urbanístico com o qual nos confrontamos exige atenção para as
práticas artísticas de intervenção urbana e para os afetos que lhe atraves-
sam - e, sobretudo, para os movìmentos de seus processos de sìgnìñcação e
re-sìgnìñcação da cìdade e das dìversas formas de produção de sub[etìvì-
dade no espaço urbano. Importa, aos estudos que faremos sobre as relações
supracitadas, a questão da inserção do cartaz na produção contemporânea
da cidade. Dessa maneira, entendemos que analisar o problema da cidade
apenas segundo critérios de espacialidade é, claramente, limitado e insu-
ñcìente. A cìdade contemporânea requer outros entendìmentos, [á que é
constituída a partir de diversos discursos, saberes e afetos. Cabe-nos frisar,
ainda, que compreendemos a multidão, segundo a conceituação criada por
Michael Hardt e Antonio Negri, como agente constituinte das intervenções
políticas e estéticas na cidade. A multidão é, também, um corpo político que
age na cidade. Suas singularidades e a multiplicidade de formas e conteúdos
com a qual se manifesta a torna irrepresentável, irredutível à lógica da repre-
sentação e da unidade política. A multidão, em sua ação, coloca em curso uma
estética constituinte para as cidades. Assim, nossa perspectiva entende o ato
multitudinário, na cidade, como ato antropofágico de devoração de alteri-
dades. A máquina antropofágica – híbrida, inconstante, “monstruosa” - habita
a cidade contemporânea. Há, porém, dispositivos de biopoder cuja intenção
concentra-se na captura e, consequente, homogeneização dessas formas e
conteúdos multitudinários e antropofágicos. Nesse sentido, o conceito de
potência em oposição ao de resistência, mediante criação, é o que proporciona
ações efetivas contra a lógica da captura e que, por consequência, caracteriza a
ação antropofágica da multidão. Convém, em última análise, atentarmos para
o fato que a investigação material e imanente, da qual decorre a problemati-
zação do tema proposto, permeia nossa abordagem em todos os seus níveis.
l0l8 60ll00fM0 ßl00@00f@00 00 ßß0f800.
or i ent ador ( es) : Thai s de Bhant humchi nda Por tel a
ano de i ngr esso: 2012
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CAPES
Entendendo a importância das praias urbanas no contexto das grandes
cidades litorâneas, e sendo poucos os trabalhos sobre o tema, buscamos
aquì tratar o caso especíñco de 5a|vador. As reßexões propostas partem
da análise de estudos teóricos sobre espaços públicos e praias urbanas e
sobre a apreensão das práticas cotidianas que aí se desenvolvem. Tais ativi-
dades parecem compor ações transformadoras, capazes de estabelecer
novas re|ações de uso - tencìonando o que muìtas vezes é predeñnìdo
pela prática urbanística. Assim, fazem parte da pesquisa o entendimen-
to das noções de espaço público, a apreensão de alguns processos sociais
característìcos e a ìnvestìgação das conñgurações espacìaìs dos espaços estuda-
dos – através percepção das relações cotidianas dos diferentes grupos sociais.
Sabe-se que até meados do século XVI a praia era um ambiente hostil, pouco
conhecido. Gradativamente, a relação do homem com o mar ganhou novos
valores, novas dimensões. A praia passar a existir como lugar do tratamento
de doenças e do cuidado com a saúde, para posteriormente ser apreciada e
popularizada como opção de lazer. Buscamos uma compreensão de como os
espaços à beira-mar tornaram-se tão atrativos para diferentes grupos sociais
Ff8l88 0f08ß88. f0ß0K008 800f0 ¢f8ll088 00ll0l8ß88 0M
08¢8ç08 08 0fl8 00 $8l9800f.
e de que modo se construiu a relação das praias com o espaço urbano e seu
cotidiano através de uma breve contextualização das transformações no uso
da praia ao longo do tempo e de como ela é incorporada ao espaço urbano.
A praia é muito procurada para o descanso, o ócio, e a diversão,
contudo também são muitos os que a ela se destinam para o
trabalho – pescadores, barraqueiros, ambulantes, etc. Neste sentido, um
melhor entendimento sobre as categorias de trabalho, ócio e lazer mostra-se
relevante para a compreensão das práticas cotidianas dos espaços abordados.
Praias urbanas são locus de importantes práticas socioculturais e para
muìtos conñguram um "|ugar democrátìco" nas cìdades. Um espaço onde é
possível o convívio de diferentes, a imagem do equalizador ideal urbano, uma
democracia social espacializada diante do mar. Esta ideia está presente em
relatos variados, desde opiniões do senso comum até escritos analíticos de
intelectuais. Acreditamos que essas concepções estão por demais vinculadas
ao modelo utópico de espaço público e ignoram uma série de fenômenos ur-
banos atuais.Contrapondo este discurso, em virtude das eminências de novas
formas, comportamentos e sìgnìñcados dos espaços urbanos, traba|hamos
com a ideia de heterotopia, de Michel Foucault, no intuito de enriquecer a com-
preensão da praia no contexto urbano contemporâneo. Buscamos explorar o
que conduz a praia urbana a ser esse ambiente onde as diferenças são nego-
ciadas nas formas de uso do espaço e o que a diferencia de outros espaços
públicos da cidade. A apreensão das práticas cotidianas nos direciona para a
obra de Mìche| de Uerteau, que deñne o espaço como um |ugar pratìcado, que
se transforma, através da ação do ìndìvíduo. 5ão deñnìdas três praìas da or|a
de Salvador como objetos de análise, reconhecidas como espaços de usos
dìversos e sìgnìñcatìvos, aìnda que de ìnìcìo não se tenha uma ìdeìa c|ara da
complexidade desses usos. Estes espaços serão apreendidos pela experiência
de seus territórios, buscando compreender o cotidiano de seus praticantes
ordinários. Neste processo serão feitos registros, por meio de anotações, fo-
tograñas, etc. a|ém da ìnter|ocução com seus frequentadores. Lste será um
trabalho de observação e interação com os usuários envolvidos na trama es-
tudada, a partir dos quais será experimentada uma arqueologia de falas, pos-
turas e comportamentos observados.
l0l0f0 Ff08000l0l ßlM0l08.
or i ent ador ( es) : Pasqual i no Romano Magnavi t a
ano de i ngr esso: 2013
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : FAPESB
A pesquisa pretende articular a construção do conceito de “espaços de
partilha” como um espaço de pluralidade e poderes na cidade moderna e
capitalista. Visto que, a relação da cidade expressada por sua arquitetura
e urbanismo hoje não se constitui em uma relação direta como no começo
da conñguração das cìdades, quando a urbe era construída segundo as
necessidades urgentes do local, em detrimento do abastecimento, do sani-
tarismo, das relações comerciais, das relações de transporte de cargas e
passageìros. Po[e essa re|ação se amp|ìñcou e se utì|ìza de mecanìsmos maìs
complexos em que a arquitetura se torna instrumento para a captação de
recursos globais se transformando em objeto de desejo. Portanto, a arquitetura
se tornou um objeto a ser consumido, uma grife, deixando o contexto do cotidi-
ano da cidade para virar um objeto imagético. O conceito de partilha justamente
vem tencionar esse espaço, que não é mais regrado pelos desejos de um coletivo.
O conceito de partilha surge da compreensão de outro conceito, o conceito
de dobra do ñ|ósofo Uì||es 0e|euze (0LLLU2L, 2011), que é a ìdeìa de par-
tilha como uma divisão de partes constituindo uma multiplicidade; ou uma
partilha do comum tornando algo coletivo e uma partilha do sensível da
l8¢8ç08 00 ¢8flll08. 088 M0lll¢l88 ¢8fl08 8 ¢8flll08.
estética. Ressalta-se que este conceito não possui atribuição direta com o
espaço do sensível do autor Jacques Rancière (RANCIÈRE, 2005), porém são
textos que se complementam. Se Rancière concebe as artes como grandes
instrumentos de partilha, na arquitetura essa recíproca não é igual, pois o
objeto concebido não é um instrumento puramente de partilha do sensível,
porque ele mesmo é um instrumento condicionante de toda a partilha que
ali haverá, ele é um instrumento que se vê e age. O conceito de partilha aqui
criado se trata principalmente do conceito de dobra, que nos poucos discursos
atribuídos remete somente a uma multiplicidade do espaço, porém a dobra
se trata também de uma esfera política, pois, se existe essas dobras é porque
há algo que as dobre. Assim sendo, sempre existirão forças que produzirão
estas dobras, e neste caso, forças políticas. Tal avaliação remete, na visão dos
críticos, a uma cidade que fugiu do controle como se a desordem
imperasse de uma forma natural e autônoma, porém essa desordem não é algo
independente ou pura, pois ela sempre será motivada e forçada por algo ou
alguém, motivos que muitas vezes estão fora do alcance dos habitantes da cidade.
N8fl8 l8800l 008l8 N0ß0I08 08 80008.
or i ent ador ( es) : Paol a Ber enstei n Jacques;
Rachel Thomas
ano de i ngr esso: 2012
t i po de t r abal ho: doutor ado
bol sa( s) : Fapesb e PDSE- CAPES
A questão central da nossa pesquisa é: como a pacificação
dos espaços públicos transformam (ou comprometem) as pos-
sìbì|ìdades de encontro e a cooperação socìa| em meìo urbano?
Inìcìa|mente, trata-se de um traba|ho conceìtua|: o que serìa essa pacìñ-
cação? vìsto que o termo não é empregado no contexto dos espaços urbanos
formaìs, mas apenas para se referìr à pacìñcação das fave|as, no caso brasì|eìro,
buscamos localizá-lo, enquanto processo no contexto do Urbanismo atual,
e entendê-lo a partir da experiência empírica nos espaços públicos Como
podemos añrmar a exìstêncìa de uma pacìñcação dos espaços pub|ìcos urbanos?
Partimos então da base deste Urbanismo atual: os dogmas do
Planejamento Estratégico Urbano, que visa “reformar” a imagem da cidade
de maneira a atrair novos investimentos e habitantes/usuários. Ele atua no
espaço da cidade, de uma maneira geral, com uma clara referência ao plane-
jamento estratégico de empresas, visando atrair capital. Em se tratanto do
espaço público, em particular, percebemos uma forte herança do planejamen-
to estratégico militar, que se encontra nos primórdios dos ordenamenos urba-
nos e se vê ainda hoje nas práticas de restruturação urbana. O espaço é portan-
ß ¢80lß08ç80 008 08¢8ç08 ¢00ll008 0f08ß08
00ßl0M¢0f8ß008. 0M8 @008l80 80ß8l90l.
to restaurado em torno de projetos essencialmente mercantis e securitários.
O apelo à regulação do espaço pelo mercado, juntamente ao apelo de segu-
rança pub|ìca, geram uma fragmentação do espaço urbano que se reßete no
desejo de privatização do meio público. O espaço público urbano, sobretudo no
caso brasileiro, torna-se uma terra disputada pelos diversos tipos de ocupação
e de usuários (que tendem a controlá-la segundo seus interesses), ou torna-se
“terra de ninguém”, limitado à única função de circulação e passagem. Em
ambos os casos, comprometem-se as possibilidades de encontro com o diverso, os
|ugares da vìda comum. L neste contexto que tensìonamos a noção de pacìñcação
enquanto dispositivo complexo que visa regular/controlar a vida em sociedade,
baseado em um processo de subjetivação que induz à crença na sua necessidade.
Uom base no entendìmento da pacìñcação enquanto dìsposìtìvo - do seu
discurso, da sua forma, da sua ação – nos deteremos ao questionamen-
to sobre os seus efeitos no meio sensível. O meio é aqui entendido como
o fora, o que Hannah Arendt chama “mundo comum”, espaço da plurali-
dade humana e da circulação, onde se encontram segregados em ilhas os
territórios privados (comunitários, homogêneos, fechados). A “conquista”
de partes do meio, no sentido da privatização, ou da privação do público,
do dìverso, também serìa a base da atuação do dìsposìtìvo de pacìñcação?
Lste serìa coerente com o dese[o de dìstìnção de uma c|asse sobre outras?
Lm que [ogo de poderes e|e se ìnsere? L aìnda: 0e que formas se observa
a ocupação do espaço (meìo) pub|ìco pe|a pacìñcação (e pe|a prìvatìzação),
mas também como essa ocupação pode se converter em partì|ha do meìo?
Iìna|mente, buscamos enxergar como este dìsposìtìvo de pacìñcação (coerente
com a necessìdade de consenso, contro|e e segurança pub|ìca "artìcìñaìs") pode
ser subvertido por um dispositivo de urbanidade; regulação natural entre os
indivíduos de uma sociedade, baseado na necessidade de partilha do meio sen-
sível, cooperação social, circulação e acessibilidade da/à diversidade humana.
N8flß8 08fM0ll0 00ß08.
or i ent ador ( es) : Thai s de Bhant humchi nda Por tel a;
Paol a Ber enstei n Jaques
ano de i ngr esso: 2012
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CAPES
Este projeto de pesquisa tem como eixo fundamental e disparador de camin-
hos um estado de matéria muito presente na cidade contemporânea: o resto.
Para esta reßexão de|ìmìta-se o ìnteresse de tratar sobre o que resta à beìra da
cidade, porque aqui se acredita que está nos restos uma resistência potente
ao poder hegemónìco. Para fa|ar sobre o resto foram ìdentìñcados e de|ìmìta-
dos dois espaços que refugam
1
à beira de duas cidades, territórios que através
dos – e sendo – restos, resistem e se tornam vivos, potentes e desviantes. Em
Salvador, foi escolhido um trecho de cidade chamado Baixa dos Sapateiros, que
é basicamente formado pela longa Rua J. J. Seabra. E na cidade de São Paulo,
um trecho de um bairro chamado Parque Novo Mundo, que beira a Rodovia
Presidente Dutra e está localizado no distrito de Vila Maria, Zona Norte de São Paulo.
A Baixa do Sapateiros é um centro comercial que já foi muito importante
para a cidade de Salvador e, mesmo com a desvalorização de seu comércio,
ainda hoje abriga diversas lojas de roupas, itens para casa e bolsas, em geral
fabricadas na China. Porém, em um trabalho de campo realizado na área,
1. Na Indústria têxtil “refugo” é o nome dado aos retalhos de tecido que sobram após o corte da
roupa, é uma matéria de descarte.
808l08 - 008l0f8ß00 0l08008, f00¢88 0 00f¢08.
foram ìdentìñcadas três |o[as que vendem roupas usadas. Ao entrar nas |o[as e
observar os fardos nos quais as roupas foram transportadas descobriu-se que
as roupas vendidas ali vinham do Parque Novo Mundo. No Parque Novo Mundo,
em um trecho especíñco do baìrro, as casas e ga|pões que não são ocupadas por
moradores ou empresas de logística servem de espaço de trabalho para algumas
pessoas que sobrevivem fazendo a “triagem” de roupas usadas. Estas roupas
que se empilham em montes de 2 a 3 metros de altura chegam ao bairro às
toneladas, vindas de diversas instituições de caridade que recebem mais doações
do que podem cuidar. Os separadores das roupas as selecionam por tipo e
estado de conservação e as colocam em fardos que serão levados por caminhões
para a distribuição em pequenas lojas de itens usados espalhadas pelo país.
2

É, então, através dos sujeitos encontrados nestes bairros – catadores,
costureiras e trabalhadores em geral - em inúmeras idas a campo que
se desenrola uma das tramas urbanas desta “cidade resto”, na busca de
rastros e vestígìos capazes de ressìgnìñcar a exìstêncìa na cìdade, se
encontra uma possibilidade de construção de um novo sentido de lugar.
Por meio de conceitos como o do Homem em Farrapos, de Flávio de
Carvalho, do trapeiro, de Walter Benjamin, das cinco peles, de
Hundertwasser, da antropofagia, também em Flávio de Carvalho e em out-
ros autores e do paradigma indiciário, de Carlos Ginzburg esta pesquisa se
pretende fazer como uma catação de rastros, sobras, trapos e restos de roupa, de
cidade e de gente na intenção de trazer a tona este alinhavo entre Salvador e São
Paulo que revela uma cidade (quase invisível) que caminha contra a procissão.
3
2. Baseado em conversa com um separador, em uma ida ao Parque Novo Mundo, em 2011.
3. A ideia de “ir contra a procissão” é inspirada na Experiência nº 2 de Flávio de Carvalho, realizada
em 1931. Na ocasião, interessado em provocar a massa para analisar a psicologia das multidões, ele
caminhou no sentido contrário de uma procissão de Corpus Christi pelas ruas de São Paulo, com um desre-
speitoso boné na cabeça, o que deixou os religiosos bastante revoltados com sua atitude violadora da moral
e dos bons costumes (JAUµUL5, 2012).
Nll0ß0 Nl¶ll8ß0 60ßI8¶8.
or i ent ador ( es) : Paol a Ber enstei n Jacques
ano de i ngr esso: 2013
t i po de t r abal ho: doutor ado
bol sa( s) : FAPESB
No mestrado, mapeamos em regìstros fotográñcos os encontros das
práticas de escrita da cidade, em uso tático do centro de Belo
Horizonte, criando situações comunicativas de diálogos públicos.
Encontramos relações de sociabilidade urbana entre os territórios ocupados,
as práticas e as temporalidades sociais, articulando modos de participação
na dinâmica urbana. Com a emergência e popularização das máquinas de
registro digital e do uso da internet, surgem diferentes ocupações urbanas que
reinventam o uso do espaço público, se organizando na apropriação da internet.
Articulados contra o decreto que proibiu eventos de qualquer natureza na
Praça da Estação, trezentas pessoas vestidas como banhistas, ocuparam a
praça e instituíram a Praia da Estação. O blog http://pracalivrebh.wordpress.
com/, tem acesso livre e nele encontramos breve explicações sobre o de-
creto, os processos, reßexões e dìscussões. 0utros descontentamentos em
relação às práticas de cidade do prefeito estimularam a criação do movimento
Iora Lacerda, que se deñne vo|untárìo, suprapartìdárìo e horìzonta|ìzado. Na
página www.foralacerda.com está a trajetória de mobilização urbana,
marcada por re|atos das marchas, regìstros fotográñcos e em vídeo das
ß 0l0800 0 0 00M0M. 8 0lM0ß880 ¢0llll08 ß88 ß8ff8ll988
l00l088 ß08l0ßlf0 08 08¢8ç08 0f08ß08 0 8 lßl0fß0l
0M 80l0 80flI0ßl0.
reuniões e encontros presenciais, chamadas para encontros presenciais, artigos
pessoais e notícias publicadas nos jornais que visibilizam a critica ao prefeito e
o p|ano po|ítìco que representa. Nas re|ações entre os grañteìros que tìvemos
acesso nas entrevìstas da pesquìsa Mapa dos Urafñtìs, também encontramos
articulações e transformações das práticas culturais entre os muros e os posts
na ìnternet. 0 Mapa dos Urafñtìs busca ser uma p|ataforma de compartì|ha-
mento de regìstros fotográñcos, vìdeográñcos e sonoros das experìêncìas urba-
nas relacionadas às práticas de escrita da cidade, www.mapadosgrafütls.org.
Na apropriação dos espaços na luta e ação contra os processos de espetacu-
|arìzação urbana (JAUµUL5: 2004) são ìnventadas narratìvas que vìsìbì|ìzam
outros agenciamentos de enunciação coletiva (DELEUZE; GUATTARI: 2011).
Mas quais as dimensões políticas dessas práticas urbanas em processo
de apropriação de um novo aparato tecnológico, no qual há conquista de
outros circuitos de visibilidade, instituição de outros lugares de encontro,
ìnventando outras cìdades? L possíve| compreender taìs enredamentos como
dìferentes processos de sub[etìvação por meìo de prátìcas mìcropo|ítìcas?
Objetivamos avançar na compreensão das narrativas das experiências das
práticas culturais urbanas enquanto modo de resistência e luta contra a
opressão (RIBEIRO: 2011), em sua dimensão de sociabilidade, comunicativa e
política no espaço urbano compartilhado. Compreendemos que tais narrativas
se conformam em apropriação das cidades, com táticas que reinventam as
estratégias dispostas (CERTEAU: 2004), que também se apropriam desses
usos. Nos processos de leitura e escrita urbana assim imbricados, mapearemos
os lugares de produção de choque (BENJAMIN: 1996) que revelam os tension-
amentos e rupturas produzidos por narrativas diferentes das moduladas pela
socìedade de contro|e. Na ìnvestìgação buscaremos ìdentìñcar se taìs
08ßll00 ß080 N8ß·08ll l0ßl0f .
or i ent ador ( es) : Paol a Ber enstei n Jacques
ano de i ngr esso: 2011
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CAPES
Este trabalho trata das narrativas literárias de cidade enquanto transmis-
são e transformação da experiência urbana, abordando-as como territórios
existenciais e enquanto agenciamento de enunciação. Problematiza-se a
produção subjetiva da cidade de Salvador pela literatura de Jorge Amado
através de “Bahia de Todos-os-Santos: guia de ruas e mistérios de Salvador”,
livro que narra, desde sua primeira publicação, em 1945, determinada e
xperiência urbana da então cidade da Bahia. Entretanto, esta cidade, ainda
colonial, provinciana e pacata passa a ser atualizada na própria narrativa
ao longo dos anos, transformando-se, de maneira difusa, em uma metró-
pole cada vez mais populosa, ruidosa e de onde se elevam “magros e feios
arranha-céus”: até 1986, o Guia sofre importantes alterações de conteúdo,
realizadas pelo próprio autor, em quatro revisões substanciais ao longo
de mais de quarenta edições. De uma maneira ampliada, o livro faz parte
de uma coexistência embaralhada de narrativas urbanas sobre Salvador,
sobretudo daque|as do que ñcou conhecìdo como o grupo baìano modernìsta
(Amado, Caymmi, Verger e Carybé). Apontam-se, no trabalho, dois enunciados
discursivos sobre esta profusão rizomática de narrativas: o primeiro cruza
088 ß8ff8ll988 lll0f8fl88 00 0l08008. 009lf08 0K¢0fl0ß0l8
0f08ß8 8lf8908 00 ¶0l8 00 f088 0 Ml8l0fl08 08 880l8
00 10008 08 $8ßl08
a obra de Jorge Amado com as narrativas hegemônicas do urbanismo em
quatro períodos, contextualizando-as a um panorama urbanístico do que
se pensou para a Cidade e do que efetivamente foi realizado; o segundo
apresenta “Bahia de Todos-os-Santos” como um guia de cidade que, junto a
outros agenciamentos, produz subjetivamente no leitor-turista uma “ideia”
sobre a (cidade da) Bahia ao convidá-lo para uma visita: – Vem, a Bahia te
espera. A cidade de Salvador é, assim, apreendida desde pelo menos as
primeiras grandes reformas urbanas “embelezadoras” da virada do século
XIX, passando pela criação do EPUCS – Escritório do Plano de Urbanismo
da Cidade do Salvador durante o Estado Novo; pelo duradouro governo de
Antônio Carlos Magalhães no Estado da Bahia desde a década de 1970; pelos
planos de “recuperação” e “reabilitação” do Centro Histórico desde a déca-
da de 1980, bem como os processos de espetacu|arìzação e gentrìñcação
urbanas advindas dessas últimas intervenções. Por sua vez, é o Centro da
Uìdade (sobretudo, o Pe|ourìnho) que passa a ñgurar na narratìva como
lugar mesmo das “ruas e dos mistérios” evocados pelo título do Guia, onde
habitam tanto o “povo” quanto a “cultura baiana”. Contudo, ao passo em
que vai se modernizando, a Cidade também vai atravessando consequentes
processos de arruinamento, sendo, justamente por este motivo interes-
sante notar a evolução das temáticas narradas no Guia ao longo dos anos,
sobretudo, ao realizar-se a década de 1970 como o início de um extenso
período de reprodução da obra de Jorge Amado, especialmente através de
ñ|mes e de te|enove|as. Ao ñna| do traba|ho, aponta-se um "estado de ruína"
presente na “atmosfera” da Cidade que, cruzado com as “ruínas” da própria
narrativa, concorre para a legitimação folclorizada do “baiano típico” em
romances cujo enredo se passa em Salvador, como “Suor” (1934), “A morte
e a morte de µuìncas ßerro 0'água" (1961) e "0s pastores da noìte" (1964).
Ffl80ll8 lfl08l 8l8l .
or i ent ador ( es) : Thai s de Bhant humchi nda Por tel a
ano de i ngr esso: 2012
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CNPq
8econhecer o acontecimento do sertão dentro da cidade é o que esta
pesquìsa persegue. A cìdade acaba com o sertão?
1
A pergunta é uma
generalização daquilo que é chamado sertão e do que é chamado ci-
dade. Aqui a dicotomia entre urbano e rural busca ser transbordada,
sugerindo-se que o sertão, ou os sertões, poderiam ser pensados como
uma categorìa de espaço (urbano?). Um |ugar enraìzado no terrìtórìo-ßras-
il como algo que expressa e escapa a essa polaridade, colocando-se em
tensão com o urbano, mas também com o rural – uma territorialidade “outra”.
Esta investigação se inicia principalmente pela aproximação de um saber
sobre o sertão produzido pela narrativa literária de Grande Sertão: veredas
(1956) de Guimarães Rosa e da própria etimologia da palavra sertão. A id-
eia do sertão-rosiano como a narrativa de uma experiência, que imbrica-se
inclusive, com a cidade.
1 Nos meandros da narrativa de Grande Sertão: Veredas a frase A cidade acaba com o sertão.
(p.129) é co|ocada pe|o narrador Pìoba|do, que |ogo depoìs se questìona: Acaba? L |ogo maìs à frente con-
stata: "Agora o mundo quer ñcar sem sertão".
080l 0 $l81ß0 8l$l0l. 0 80fl80 0ßlf0 0l0¢l8 0
lf0ßl0lf8 08 0l0800
Hi stori camente, a concepção da pal avra é marcada pel a
di cotomi a l i toral e i nteri or, sendo assi m resumi da por Wal ni ce
Galvão no livro O Império do Belo Monte: vida e morte de Canudos:
A palavra já era usada na África e até mesmo em Portugal. (...) um lugar que
ñca no centro ou no meìo das terras. Aìnda maìs, na |íngua orìgìna| era sìnónì-
mo de “mato”, sentido corretamente usado na África Portuguesa, só depois
ampliando-se para “mato longe da costa”.(GALVÃO apud BOLLE:2004, p.48)
Lssa prìmeìra sìgnìñcação da pa|avra derìvou-se para "terras
desconhecìdas, ìnexp|oradas" e, ñna|mente, para "terras aìnda não
colonizadas” - tendo representação nos assentamentos indígenas que tocavam o
embrião da urbe portuguesa, mais tarde foram implicados em outros
territórios de exclusão que acabaram se transformando, se
adaptando, tornando-se outra coisa. O sertão se expressa no movimento de
aproximação e afastamento da cidade, e desde as primeiras conquistas
territoriais no período colonial remete a uma zona vista como área de fronteira,
de cruzamentos e separações. É onde uma ou mais culturas se encontram
e se confrontam, onde o princípio da incerteza e da dessemelhança habita.
Na literatura, esse movimento não tem trajetos subordinados,
acontecendo onde se inscrevem as experiências de espaço e na
emergência de uma paisagem-sertão que atinge principalmente um leitor urbano,
enquanto se observa uma profunda transformação geográñca na
materialidade desse espaço. Enquanto conceito extraído de GSV, os sertões são
o resto do que o tempo (progresso) deixou e representam mais “uma forma de
pensamento" (ß0LLL, 2004) do que espaços geográñcos e morfo|ógìcos. Uom
um conceito de sertão construído a partir da narrativa literária, a pesquisa
indaga-se então se o sertão tem um devir-cidade, e a cidade um devir-sertão.
Tomando um recorte histórico mais recente, pode-se considerar que
o século XX imprime um regime de “civilização” desse sertão, num
propósito de transformação do país e uma imposição espacial da
modernidade. A partir de então, a conquista do sertão vira um projeto
político nacional, para uma nação da ciência e da técnica. E a “capital dos
brasileiros” vai ser construída exatamente nesse locus mediterraneus, no
sertão goiano, impondo um modelo de supremacia política, urbana e cultural.
80ß8l0 N0k8M8ß 80fl 008 $8ßl08.
or i ent ador ( es) : Washi ngton Dr ummond
ano de i ngr esso: 2011
t i po de t r abal ho: mest r ado
bol sa( s) : CAPES
A crescente preocupação com a (in)segurança e manutenção da “lei e da
ordem” tem proporcionado acalorados discursos políticos e sociais acerca das
motivações que induzem o indivíduo ao crime, como também, aos meios
necessários a sua redução. Assim, algumas alternativas são pensadas e di-
recìonadas ao reestabe|ecìmento da conñança e atenuação da sensação de
medo na cidade em que o desconhecido deve ser afastado de nossas residên-
cìas agora cercadas e guarnecìdas por gradìs, cercas e|etrìñcadas e sìstemas
de segurança diversos.
Em geral, os indicadores de segurança, aparentemente única medida pensada
por gestores, direcionam a politicas de segurança pública em detrimento de
políticas públicas de segurança, donde se atende apenas ao incremento de
efetivo policial, aquisição de material bélico, mudanças no código
penal, oferta de condomínios fechados e especialmente as
dìrecìonadas a edìñcações penìtencìárìas, quer se[a em sua amp|ìação
ou na construção de novas edìñcações que marcam de modo permanente
o território e seus habitantes, sem, contudo, considerar a existência de
permeabì|ìdades que conduzem aos ßuxos, aproxìmando o dentro e o
l8¢8ç08 00 00ßßß8M0ßl0. lf0ßl0lf88 0 ¢0fM080lll08008.
fora, numa relação que apesar do aparente isolamento mantem uma
contìguìdade nas, e das re|ações entre o ìnterìor e exterìor dessas fortìñcações.
Observe-se que tem-se por propósito o isolamento enquanto
medida cautelar à crescente criminalidade e violência urbana, que
ìncrementa o medo da, e na cìdade e amp|ìñca a conñança nos
espaços de conñnamento forçado- penìtencìárìas - que no ìmagìnárìo é
imprescindível à manutenção da ordem tendo em vista ser ele destina-
do ao acolhimento involuntário daqueles denominados maus elementos.
Assim, tendo como foco espaços distintos, mas semelhantes em sua função,
conñguração espacìa| e ocupação é que se buscou nas re|ações ambìentaìs
ìmpostas a duas |oca|ìdades, Mata Lscura com a edìñcação da Penìtencìarìa
Lemos Brito – PLB nos anos cinquenta do século XX e do Complexo Penitenciário
Lauro de Ireìtas em 2006, atentar para os ßuxos que atravessam os muros e
realçam a sinergia entre os dois lados, o dentro e o fora, numa demonstração
da existência da permeabilidade nessas e dessas fronteiras e que apesar de
pouco percebidas ou sentidas, manifestam-se de diversos modos no território
apreendido, constituindo elemento construtivo de alto impacto socioambien-
tal, e que dada sua complexidade precisa ser abordado por um planejamento
urbano capaz de ìdentìñcar as mu|tìp|as necessìdades e possìbì|ìdades, não
apenas no território cooptado, mas principalmente aos efeitos e consequências
que estes prédios, quando inseridos, impõem ao lugar, comunidade e entorno.
Diante dessas condições é que se busca nesse trabalho, compreender
as alterações socioambientais, infra estruturais e pressões sociais que
espaços de conñnamento - penìtencìárìas - ìmpõem aos terrìtórìos, entorno
e comunidade local, tendo em vistas a permeabilidade de suas fronteiras.
0800fß0 00 8080M08
$0Mlß8fl0 lßl0fß0 Z01J
0f¶8ßlI8ç80.
Paola Berenstein Jacques
008l¶ß 0 00ll0f8ç80.
Amine Portugal Barbuda
f0l0¶f8ß88.
Milene Migliano
$8l9800f, 8¶08l0 00 Z01J
laboratório urbano

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful

Master Your Semester with Scribd & The New York Times

Special offer for students: Only $4.99/month.

Master Your Semester with a Special Offer from Scribd & The New York Times

Cancel anytime.