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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIAS AMBIENTAIS

FERNANDO JORGE CORRÊA MAGALHÃES FILHO

ASPECTOS HIDRÁULICOS E HIDROLÓGICOS DE UM SISTEMA COMBINADO DE EVAPOTRANSPIRAÇÃO E WETLANDS

CAMPO GRANDE 2013

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIAS AMBIENTAIS

FERNANDO JORGE CORRÊA MAGALHÃES FILHO

ASPECTOS HIDRÁULICOS E HIDROLÓGICOS DE UM SISTEMA COMBINADO DE EVAPOTRANSPIRAÇÃO E WETLANDS
Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre no Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Ambientais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, na área de concentração em Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos.

ORIENTADORA: Profa. Dra. Paula Loureiro Paulo
Aprovada em: Banca Examinadora:

Prof. Dr. Fábio Veríssimo Gonçalves IST/Portugal

Prof. Dr. Jorge Luiz Steffen UFMS

Profa. Dra. Paula Loureiro Paulo Orientadora - UFMS

CAMPO GRANDE 2013

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DEDICATÓRIA

primeiramente à Deus, à minha família, colegas de trabalho, a Larissa, e principalmente à Paula, minha orientadora

compreensão e cumplicidade. Paula Loureiro Paulo. Fernando e Cleide. pelo carinho. À minha orientadora. Ao CNPq pela concessão da bolsa. pela ajuda durante toda a pesquisa. À Larissa. Eliza. Às minhas tias. Ao pessoal do grupo de pesquisa: EcoSan – Saneamento focado em recursos e as pessoas do LabE. Ao meu irmão Gabriel. principalmente pela paciência e amizade. . Neli e Leila.3 AGRADECIMENTOS Aos meus pais. pela fé depositada em mim. o amor e carinho durante todos esses anos. principalmente a Elina. pelo companheirismo e amizade nos momentos mais difíceis. que foram sempre ao longo desses anos como mães para mim.

.. 41 2................................. 41 2........................................ 42 2......................................3.........................................................2...................................................................................................................................................................................2 Testes com traçador ............................................. 59 ........4 SUMÁRIO Capítulo 1 1..................2....................................................................................................................................... 31 Capítulo 2 Aspectos hidráulicos e hidrológicos no desenvolvimento de um sistema combinado por evapotranspiração e wetland construído no tratamento domiciliar de água cinza ............................................................................... 22 1..................... REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................................................................2 Água e Saneamento .................................3 Wetlands construídos no tratamento de esgoto doméstico ........................2 Água cinza: tratamento e reúso ..1 Saneamento focado em recursos .................. 11 1.............3 Sistemas em escala de bancada com a presença de plantas .............................2 Aspectos hidráulicos e hidrológicos de wetlands construídos .................................................................................... 45 3...................... 46 3................................. 57 5.............................................................................................. 13 1.................... 54 4...........1 Sistemas em escala de bancada sem a presença de plantas .....2 Sistema em escala real sem a presença de plantas .........2...... 45 3............................3........................................2........................................................................4 Referências .. 52 3.............................................................2............... 27 1...............................................3............................................... 44 3...................................................................... 40 2......... 37 RESUMO ........................................................... 18 1........................................1 Tipos de configurações de wetlands construídos e fluxos hidráulicos .. CONCLUSÕES .. 25 1................ RESULTADOS E DISCUSSÃO .....................................................................2 Sistema em escala real ............................................ 58 6.................................. 50 3......................................................................................4 Ensaios Hidrodinâmicos ........................................................6 Estimativa da evapotranspiração .......................................... 44 2.............. 47 3...................................1 Sistema em escala de bancada .........................3 Hidrodinâmica e teste com traçadores ................................. 20 1..................... CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................... 38 2........................................................................................................................................................... INTRODUÇÃO ......................3............................3 Alimentação do sistema com água cinza ......... 21 1............................................ 16 1... MATERIAL E MÉTODOS ..................................... INTRODUÇÃO ............................................ 43 2..................................................................... 37 1....................................................................5 Ensaios com o simulador de chuva e condutividade hidráulica ......3 Sistemas baseados na evapotranspiração ...........................................................................................................................1 Características qualitativas da água cinza ................................................4 Avaliação da evapotranspiração ................

......Perfil do sistema EvapAC em escala real..............Curva DTR do sistema EvapAC em escala de bancada.............Separação das diferentes frações do esgoto doméstico e exemplos de possíveis tratamentos para diferentes utilizações na perspectiva do ecosan..... 42 Figura 2........ relacionados com dados de umidade relativa (A..................dia-1)....................... 52 Figura 2...................... teste inicial (A) e final (B)................... ....... 51 Figura 2. .........Wetland construído de fluxo vertical.........5 LISTA DE FIGURAS Figura 1. 41 Figura 2.......Valores da evapotranspiração nos sistemas separados (CEvap e CW-FHS)..Fluxo circular em um sistema EcoSan...2 ..........3 ....................Tanque de Evapotranspiração (TEvap)..Componentes hidráulicos e hidrológicos....Sistema de esgotamento sanitário convencional composto por: água negra (fezes e urina – bacia sanitária)......................................Curva DTR do sistema EvapAC em escala real.. oC) e precipitação (C.........Sistema EvapAC em escala de bancada composto pela CEvap e CW-FHS...................4 ..................................... 28 Figura 2...............6 ......... ..................2 ................................ 21 Figura 1....7 ....3 ...................1 .................................................. ...... 16 Figura 1.................. 56 ....... 22 Figura 1............. 53 Figura 2............ água cinza (água de banho – chuveiro......... ....................... CW-FHS (B) e do EvapAC (C) em escala de bancada.....4 .......1 ......6 ..........................Wetland construído de fluxo horizontal......Curva DTR da CEvap (A)................................. lavagem de roupas – tanque e máquina de lavar........... 23 Figura 1................ .. antes e após 110 dias alimentado por água cinza.... em ambiente aberto... 25 Figura 1...................5 ....... ......... 17 Figura 1.............................. com efeito de chuvas simuladas.................................Efeito de chuvas simuladas na vazão de saída do sistema EvapAC e na CE......................... ..............Curva de distribuição do tempo de residência ou curva DTR.7 . 18 Figura 1... ................. %).. mm.......... 49 Figura 2.......... temperatura (B..5 ............. .. .. pia da cozinha e lavatórios) e esgoto industrial...... .......8 ............................ ..

................................... 47 Tabela 1................Variáveis temporais (em minutos) obtidas nos testes hidrodinâmicos.......................6 LISTA DE TABELAS Tabela 1.Parâmetros utilizados para avaliação hidráulica do sistema em escala real sem a presença de plantas em uma residência..Características físico-químicas da água cinza que alimentava o sistema...... ....... 50 Tabela 1....7 .3 .......... 55 ..............................6 ............Efeito das plantas na condutividade hidráulica (Ks) antes e depois do sistema ser alimentado com água cinza.... ..5 .. ................................... ......1 ........Parâmetros utilizados para avaliação hidráulica do sistema em escala de bancada com a presença de plantas em ambiente aberto........................................................Parâmetros utilizados para avaliação hidráulica dos sistemas em escala de bancada e ambiente fechado para dois padrões de vazão (alto e baixo)..................Valores de kd e ETd (mm.. .........4 ..... 46 Tabela 1.......................... ...........................................2 ................................................. 52 Tabela 1... 54 Tabela 1.dia-1) e ET/Ev em diferentes períodos...............dia-1) para os diferentes sistemas e ET0 (mm....... 45 Tabela 1....... .....................................

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CE CEvap CW-FHS CWs DQO DTR ecosan ET ETd ETo ev Ev EvapAC FH FV ICC IDM In ITMR ITRM k kd Ks LEvap NTU Out P pH SDT SST ST TDH ti tm tp UASB

Condutividade Elétrica Câmara de Evapotranspiração Wetland Construído de Fluxo Horizontal Subsuperficial Wetlands Construídos Demanda Química de Oxigênio Distribuição do Tempo de Residência Ecological Sanitation Evapotranspiração Evapotranspiração total do tanque Evapotranspiração de referência Eficiência volumétrica Evaporação Evapotranspiração de Água Cinza Fluxo Horizontal Fluxo Vertical Índice de curto-circuito Índice de Dispersão de Morril Vazão de entrada Índice de Tempo Modal de Retenção Índice do Tempo de Retenção Médio Porosidade Coeficiente do Tanque Condutividade Hidráulica Evapotranspiração em Linha Unidades Nefelométricas de Turbidez Vazão de saída Precipitação Potencial Hidrogeniônico Sais Dissolvidos Totais Sólidos Suspensos Totais Sólidos Totais Tempo de Detenção Hidráulica Tempo que aparece o traçador Tempo médio de detenção hidráulica tempo de pico do traçador Upflow Anaerobic Sludge Blanket

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LISTA DE SÍMBOLOS

cm g h L mL mm m2 m3 NaCl % o C λ σ2 ∆ µS dS

centímetros grama hora litros mililitros milímetros metros quadrados metros cúbicos cloreto de sódio porcentagem graus Celsius eficiência hidráulica variância intervalo de tempo microsiemens decisiemens

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RESUMO Para garantir a universalidade aos serviços de esgotamento sanitário, considerando o crescimento populacional previsto, os sistemas de tratamento de esgotos domésticos necessitam: ser economicamente viáveis, eficientes, que vão além da alta tecnologia, para prevenir a proliferação de doenças e sustentabilidade para promover o uso racional da água evitando os desperdícios. Os conceitos convencionais de saneamento implicam em altos custos e elevado consumo de água, os quais não são apropriados como solução sustentáveis em países em desenvolvimento. Nesse sentido, a busca por alternativas aos sistemas convencionais torna-se indispensável por razões ecológicas, econômicas e sociais. O objetivo do estudo foi dar suporte, com estudos

hidrodinâmicos, no desenvolvimento de um sistema compacto, denominado câmara de evapotranspiração (CEvap) combinado com um wetland, construído para tratamento domiciliar de água cinza. A CEvap irá reter o material grosseiro e digerir a matéria orgânica, dentro de uma câmara interna de digestão anaeróbia (Cdig), que tem ao seu redor uma camada de meio filtrante, e no topo, uma camada de terra com plantas ornamentais. Para isso, foi avaliado o

comportamento hidráulico e hidrológico do sistema proposto, por meio de ensaios hidrodinâmicos e estimadas as taxas de evapotranspiração, considerando também os efeitos das plantas, biofilme e o lodo na câmara de evapotranspiração no comportamento do sistema. Esse pré-tratamento visa simplificar os tratamentos domiciliares que usam wetlands construídos, evitando assim entupimento, mau odor e manutenção excessiva, além de proporcionar um aspecto paisagístico harmonioso em habitações. O sistema combinado apresenta excelente eficiência hidráulica, com capacidade de redução, por evapotranspiração, de 32% no volume de entrada de água cinza. A CDig melhora a eficiência hidráulica do sistema, mas por outro lado, diminui a eficiência volumétrica. A presença de plantas evita a queda da condutividade hidráulica, auxilia na lixiviação de sais acumulados durante eventos chuvosos, mantêm a eficiência hidráulica, e propicia melhores condições de mistura no reator, diminuindo o curtocircuito.
Palavras-chave: banhados construídos, evapotranspiração, hidráulica, hidrologia, hidrodinâmica, teste com traçadores, ecosan.

to prevent diseases. The combined system provided excellent hydraulic efficiency. hydraulic. The aim of this study was to support the development of a compact system named Evapotranspiration Chamber (CEvap) combined with a constructed wetland for the treatment of household greywater. bad odor and excessive maintenance. to promote sustainable water conservation and to avoid waste. economic and social motives are required. tracer test. which are not appropriate as a sustainable solution for developing countries. but decreased the volumetric efficiency. The CDig improved the hydraulic efficiency.10 ABSTRACT To ensure universal sewage services. hydrology. The main aim of CEvap is to retain coarse material and to digest organic material in an Anaerobic Digestion Chamber (AnC) which is surrounded by a layer of filter medium. For this. The concepts of centralized sanitation imply high costs and elevated water consumption. a layer of soil with ornamentals plants. ecosan. efficient. For these reasons. allowing better mixing conditions in the reactor. with a reduction capacity of 32% of the influent volume by evapotranspiration. wastewater treatment systems need to be economically accessible. This pretreatment aims to simplify household constructed wetland treatments. biofilm and the internal AnC sludge were also considered. considering the predicted population growth. evapotranspiration. thereby preventing clogging. as well as improving the leaching of accumulated salts during rain events. and at the top. The effects of plants. the pursuit for alternatives to centralized sanitation systems ecological. hydrodynamic. The presence of plants prevented the decrease in hydraulic conductivity. maintaining the hydraulic efficiency. Keywords: constructed wetlands. . also estimating evapotranspiration rates. as well as providing a harmonious landscaping aspects. we assessed the hydrologic and hydraulic behavior of the proposed system with hydrodynamic tests. reducing short circuits. besides high tech designs.

consequentemente aumenta a geração de águas residuárias. 1998). que requer economia para ser acessível principalmente aos países em desenvolvimento. no ano de 2000 apenas 52. Assim. Além disso. que não são reutilizadas com os conceitos convencionais de saneamento.2%. sendo que nem todo esgoto coletado é tratado (IBGE. um recurso natural que tem sido amplamente utilizado de forma inadequada e sem ponderação. Segundo Mancuso & Santos (2003). Com o crescimento populacional a demanda de água potável aumenta. eficiência para prevenir a proliferação de doenças e sustentabilidade para promover o uso racional da água evitando os desperdícios. os sistemas de tratamento de esgotos domésticos precisam apresentar uma eficácia que vai além da alta tecnologia. . Considerando o crescimento populacional previsto. Introdução A água é essencial para a sobrevivência dos seres vivos.2% dos domicílios brasileiros possuíam rede coletora de esgoto. como também causa danos à saúde da população. No Brasil. econômicas e sociais. os serviços de coleta e tratamento de esgotos sanitários são deficientes. os quais não são apropriados como solução sustentável em países em desenvolvimento. as buscas por alternativas aos sistemas convencionais tornam-se cada vez mais indispensáveis por razões ecológicas. Precisam garantir a universalidade de acesso aos serviços de esgotamento sanitário. causando o desperdício de nutrientes (Esrey. o reúso depende dos fins a que se destina a água e como ela tenha sido usada anteriormente. esse número subiu em 2008 apenas para 55. 2005). bem como a reciclagem dos nutrientes (Sasse. sendo definido como um processo de aproveitamento de águas para atender demandas de outras atividades ou de seu uso original.11 1 Introdução Geral 1. 2008). Essas novas alternativas devem considerar o reúso da água. Os conceitos convencionais para o abastecimento de água e esgoto implicam em altos custos e elevado consumo de água. a falta de tratamento e destinação adequada dos efluentes contribui para agravar os problemas ambientais relacionados aos recursos hídricos.

(2009). 2000). reúso de água e reaproveitamento de excretas como fonte de nutrientes. Embora existam ainda algumas particularidades que precisam ser discutidas para garantir a segurança e promover o interesse do uso pela sociedade. denominado câmara de evapotranspiração (CEvap) combinado com um wetland construído para tratamento e reúso domiciliar de água cinza. que tem ao seu redor uma camada de meio filtrante. de que a única solução para os problemas locais e ocasionais de escassez de água é aumentar sua oferta. O ecosan é uma alternativa aos sistemas de tratamento de esgoto convencionais. visa a sustentabilidade ambiental. do inglês Ecological Sanitation). uma camada de terra com plantas ornamentais. com o objetivo de otimizar esses sistemas e demonstrar o quanto eles podem ser mais eficientes. Nessa busca pela universalidade do saneamento. tanto no aspecto ambiental como econômico e difundir o seu uso não só em áreas periurbanas mas também em áreas urbanas (Esrey. tanto da sociedade quanto do seu meio técnico é mudar a idéia tradicional historicamente adquirida. um novo conceito. sendo utilizado como fertilizante para o cultivo de plantas (Johansson. 2004). sendo utilizados geralmente tanques sépticos ou tanques de sedimentação que necessitam de manutenção constante e causam odores. denominado saneamento focado em recursos (ecosan. sendo necessário o estudo de métodos cada vez mais eficientes para o tratamento das águas residuárias. sistemas alternativos no âmbito do ecosan necessitam ser desenvolvidos e avaliados. Embora existam muitos projetos pilotos e pesquisas científicas utilizando água cinza para reúso domiciliar com tratamento por wetlands construídos. ainda não existem estudos em utilizar um sistema combinado entre anaeróbio-evapotranspiração com wetlands construídos para tratar água cinza com o intuito de reúso domiciliar. De acordo com Paulo et al. pois considera as excretas humana como um recurso a ser reciclado ao invés de ser desperdiçado nas redes coletoras de esgoto. O presente estudo propõe o desenvolvimento de um sistema compacto.12 Entretanto no Brasil o grande desafio. 1998). visando minimizar seu potencial poluidor. para wetlands construídos é necessário um pré-tratamento. dentro de uma câmara interna de digestão anaeróbia (Cdig). e no topo. tem sido divulgado e muito bem empregado. A CEvap vai reter o material grosseiro e digerir essa matéria orgânica. baseado na segregação dos dejetos. mediante a construção de obras grandiosas para captação da água que escoa pelos rios (Rebouças. Com o intuito do reúso domiciliar do esgoto gerado em residências. Esse pré-tratamento .

evitando assim entupimento. 2005. com instalações higiênicas que na concepção do projeto tem como interesse proteger a água de qualquer contaminação. a situação é semelhante com os dados da média mundial. pois atualmente 92% da população urbana possuem abastecimento de água encanada. lagos e áreas costeiras poluindo esses ambientes (Langergraber & Muellegger. que melhoram o micro clima da região. sem usar de água potável para regar esse ambiente paisagístico. como também no aspecto ambiental. Além da possibilidade de usar esse sistema em forma de linha (LEvap).2 Água e Saneamento Nos anos de 1990 a 2010 mais de 2 bilhões de pessoas tiveram acesso a uma fonte “mais adequada” para o consumo de água. Entretanto. o que representa 15% da população mundial ainda defeca em espaços abertos. ainda não possuem instalações sanitárias “adequadas” e 1. E mais de 90% da população de países em desenvolvimento lançam seus esgotos sanitários em rios. campos. mau odor e manutenção excessiva. pois nas regiões urbanas ainda 74 milhões de pessoas (16%) necessitam de instalações sanitárias mais adequadas (ONU-Habitat. 2012). ou seja. 1. para desenvolvimento de áreas verdes. Sobre a América Latina e o Caribe. florestas e corpos d’água. Pretende-se nesse sentido desenvolver e estudar um pré-tratamento para wetlands construídos mais viável economicamente na sua construção e manutenção. além de proporcionar um aspecto paisagístico harmonioso em habitações. 2012). WHO/UNICEF. mais de 2. Em relação aos serviços de esgotamento sanitário os avanços são mais modestos. Com relação ao esgotamento sanitário. tanto em áreas rurais como urbanas. com 89% da população mundial com acesso a essas instalações de água para consumo humano. como cerca viva. e 98% possuem condições melhores e mais adequadas de fontes de água para consumo. principalmente fecal. ainda hoje.1 bilhões de pessoas. .5 bilhões de pessoas. 2012). pois aproveita a água cinza que percola no sistema como fonte de nutrientes pelas plantas. mais de 780 milhões de pessoas no planeta não tem acesso a uma fonte segura para o consumo de água potável (WHO/UNICEF.13 visa simplificar os tratamentos domiciliares que usam wetlands construídos. uma opção viável para áreas onde não é possível o descarte de efluente final reusando a água no próprio sistema. dentro das Metas de Desenvolvimento do Milênio. Sendo a primeira Meta de Desenvolvimento do Milênio a ser alcançada.

principalmente com a ocupação das áreas de contribuição de reservatórios de abastecimento urbano que. 2005.. 2007. devido a intensa urbanização.8%) (IBGE. diminuir o déficit em coleta de esgoto e aumentar os índices de tratamento (Tucci.3%) e Sudeste (87.5%). o índice de atendimento para o abastecimento de água é de 81. se o esgoto proveniente da bacia sanitária é descarregado em redes de coleta. buscando atingir os níveis de cobertura total de água segura.. 2008)..1%. seria necessário atuar especialmente em aumentar a capacidade do abastecimento de água na área rural e da população de baixa renda.2%. como saneamento e habitação. O que pode levar a uma deterioração da qualidade da água por falta de tratamento dos efluentes (Tucci . com diferenças mais drásticas ainda entre a região Norte (3. O tipo de material em que a água para consumo é armazenada nas residências (preocupação com o amianto. ocasionando limitações no seu uso. 2008).5%. porém quando analisado somente a área urbana esse índice aumenta para 92. Jordão & Pessôa. Esse conjunto . 2010). levam consequentemente à contaminação da água. 2011). Na coleta de esgotos o índice é de 46. sendo considerada como um agente da saúde de seus moradores para garantir condições de vida saudáveis (Cohen et al. podem produzir riscos à saúde da população (von Sperling.8%) e Sudeste (69.9% (SNIS. A habitação constitui um espaço determinante da saúde da família. Entretanto. e também aumenta para 53. eutrofizados. Silva et al. ou de reservatórios sem tampa). mas é baixa a coleta e o tratamento de esgoto.. Pois o lançamento do esgoto sanitário em cor pos d’água. Se tratando de esgotamento sanitário o índice é de 44%. Conhecer as condições do meio. 2007). 2009).14 Já no Brasil. Para Tundisi (2008) a crise atual da água tem muitos componentes. 2004). Analisando por domicílios. O estresse e a escassez de água em muitas regiões do planeta em razão das alterações na disponibilidade e no aumento da demanda com os usos excessivos da água. Para que o país possa atingir as Metas de Desenvolvimento do Milênio. sem o devido tratamento. o que é efetivamente tratado do esgoto coletado é apenas 37. econômica e ambiental. pode alterar as características da qualidade da água. com grandes diferenças entre as regiões Norte (45.5% somente na área urbana. o índice de atendimento para o abastecimento de água é de 78. são alguns expemplos (Azeredo et al. é pertinente à saúde para estabelecer medidas adequadas na promoção da qualidade de vida das famílias e comunidades (Azeredo et al. 2008). os serviços de água e esgoto têm uma alta cobertura de água. por infiltração no solo ou em fossas sépticas.6%. No Brasil. corpos d’água. tanto de origem social.

era baseado inicialmente em conceitos convencionais. códigos de práticas e atribuições institucionais para as diferentes formas de reúso urbano. a Agenda 21 (Unced. integrando proteção da saúde pública com práticas ambientais adequadas. a fase do desenvolvimento sustentável. produção de alimentos. com o intuito de preservação e conservação ambiental e tratamento terciário (Cairncross. a fase higienista. posteriormente em 1970 iniciou a coleta e o transporte. tecnologia e instrumentos de gestão apropriados para encorajar e tornar operacional. que dedica importância ao reúso. mas sem o tratamento. além de estimular o reúso de água pela conscientização dos valores e benefícios da prática. na aqüicultura. há interferências na saúde humana e saúde pública. Heller. no Rio de Janeiro em 1992. incluindo normas. Nesse sentido. sendo direcionado para fossas sépticas ou corpos d’água. sustentabilidade da biodiversidade. pela introdução de linhas de créditos específicos e pelo estabelecimento de critérios para subsidiar projetos de reúso. agrícola. pela criação de programas de pesquisas e desenvolvimento. orientar e promover a prática do reúso de água. como uma ação de saúde pública. o que leva a mudanças globais. eminentemente sanitarista. pela implementação de programas e projetos de demonstração. 1992). em universalizar a prática de reúso no Brasil e. só após 1970 começou a fase corretiva. como na geração de energia. .15 de problemas está relacionado à qualidade e quantidade. padrões de qualidade de água. Tucci. com deterioração da qualidade de vida e do desenvolvimento econômico e social. sistemas de reciclagem e uso de águas residuárias”. o saneamento não tinha enfoque em reúso e reaproveitamento. sem coleta do esgoto doméstico. recomendando a implementação de políticas de gestão dirigidas ao uso e reciclagem de efluentes. Isso leva a um “novo paradigma” no conceito de saneamento. efetivamente. e “tornar disponível informações. No Capítulo 21 estabelece como objetivos básicos: “vitalizar e ampliar os sistemas de reúso e reciclagem de resíduos”. Hespanhol (2008) comenta sobre esse novo conceito. é um dos documentos produzido em função dos desafios ambientais do século XXI. Entretanto. e somente depois 1990. pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. e. no início do século XX. desenvolver um arcabouço legal para regulamentar. 1989. 2008). 1997. com o tratamento do esgoto doméstico e também industrial. em respostas a essas causas. na recarga gerenciada de aqüíferos e na recreação.

não são uma solução ecológica...16 As atuais abordagens convencionais na gestão do saneamento. Nesse conceito os sistemas de coleta de esgoto domésticos foram projetados e construídos utilizando a água potável como transporte das excretas humanas. Figura 1 . 2005). em ambos os casos. pois apenas consideram o esgoto doméstico como resíduo. muito menos econômica. sendo um total desperdício. o sistema tem como concepção a premissa de que as excretas são resíduos e devem ser eliminados. sem qualquer aproveitamento dos nutrientes (Langergraber & Muellegger.1 Saneamento focado em recursos Para evitar as desvantagens dos sistemas convencionais de esgoto. baseados no desperdício de água potável na descarga de vasos sanitários. (1998). Muitos anos de experiência têm demonstrado que mesmo em casos em que os sistemas convencionais conseguiram um bom funcionamento na prestação dos serviços sanitários. 1. tanto a categoria que utiliza o transporte das excretas por veiculação hídrica ou os sistemas secos (sem o uso de água para o transporte das águas residuárias). Esses conceitos convencionais de saneamento (Figura 1). tanto em países industrializados como em desenvolvimento.2. 2009). Fonte:Adaptado de Esrey et al. água cinza (água de banho – chuveiro. pia da cozinha e lavatórios) e esgoto industrial. o paradigma do saneamento focado em recursos se baseia em uma gestão econômica e ambiental adequada da água e do fluxo .Sistema de esgotamento sanitário convencional composto por: água negra (fezes e urina – bacia sanitária). lavagem de roupas – tanque e máquina de lavar. a sua sustentabilidade em longo prazo se tornou questionável (Werner et al.

a desinfecção da urina e as fezes e o aproveitamento do esgoto doméstico para fins agrícolas de forma segura são os princípios do ecosan. Fonte:Adaptado de Langergraber & Muellegger (2005). e que se preocupe com as limitações técnicas locais (Winblad & Simpson-Hébert. Werner et al. respeitando valores sociais e culturais.17 de energia (Otterpohl. onde as excretas humanas (fezes e urina) e o restante das águas residuárias domésticas são reconhecidas como recurso para reúso (Langergraber & Muellegger. evitar a poluição dos recursos hídricos. Levando em consideração alguns critérios para que o sistema de saneamento proposto atenda aos objetivos do ecosan. Caracterizando essa abordagem como “higienizar e reciclar”. Figura 2 . 2004). A prevenção da poluição. retornando esses nutrientes para o solo.Fluxo circular em um sistema EcoSan. que seja acessível para as pessoas que tenham um menor poder aquisitivo. Fechando o ciclo dos nutrientes de uma forma sustentável.. aproveitando na agricultura. levando em consideração os caminhos naturais dos ecossistemas e no ciclo fechado dos nutrientes (Figura 2). 2002. promover a reciclagem de nutrientes. 2003). como: seja capaz de prevenir doenças. 2005). . além da aceitabilidade por parte delas.

contribuindo para o desenvolvimento de tecnologias e ampliando as experiências na área do saneamento ecológico.2. máquinas de lavar.2 Água cinza: tratamento e reúso Toda parte do esgoto doméstico sem a contribuição da bacia sanitária. um número crescente de projetos pilotos têm sido implementados em todo o mundo. A urina é denominada águas amarelas. . lavatórios. chuveiros. águas negras. 1.Separação das diferentes frações do esgoto doméstico e exemplos de possíveis tratamentos para diferentes utilizações na perspectiva do ecosan. (2003). A água cinza representa por volta de 70% do esgoto doméstico. sem as fezes. a urina e até mesmo papel higiênico corresponde à água cinza. com baixa quantidade de poluentes quando comparado ao esgoto misto. 2007). Pois ao longo dos últimos anos. já o termo água cinza é designado para todas as águas servidas nas edificações que não tem contribuição da bacia sanitária (Figura 3). Figura 3 .18 Werner et al. Fonte: Adaptado de Werner et al. sendo assim. A proposta contida no ecosan é a segregação das águas residuárias. ou quando não é separada das fezes. com o objetivo de reutilizar os efluentes do esgoto doméstico. (2009) comentam que a abordagem do ecosan é uma alternativa para alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio e reduzir significativamente o número de pessoas sem acesso às condições adequadas de saneamento. as fezes e a água cinza. como a urina. portanto é todo o efluente proveniente de banheiras. possui um grande potencial de reúso (Hernandez Leal.. ou seja. tanques e pias de cozinha.

. produção de concreto. urina e papel higiênico (Eriksson et al. com possibilidade de reduzir o consumo de água em até 30% (Karpiscak et al. chama a atenção. proteção contra incêndios (Santala et al. banheiras e lavatórios. 2002). Outras alternativas de reúso são: a lavagem de veículos. 2006).. pois em pequenas escalas tende a excluir a água gerada na cozinha. O uso difundido das tecnologias de tratamento e reúso de água cinza também são e devem ser condicionadas à aceitação do público e dos profissionais desde a reúso que tem requisitos específicos e precisam ser compreendidos e aceitos (Bagget et al. restringindo algumas vezes para reúso apenas a água gerada por banhos. pelo aumento do consumo de água potável. Uma das possibilidades de reúso da água cinza tratada é a aplicação na descarga de mictórios e/ou vasos sanitários. escritórios.. 2006). Apresenta de maneira geral menor contaminação em relação à concentração de microrganismos e nutrientes do que as águas residuárias convencionais (Warner. e também às vezes o efluente proveniente da lavagem de roupas. edifícios. Jefferson et al. pois os usuários às vezes não levam em consideração os aspectos técnicos e criam barreiras apenas por questões de percepção pessoal sobre o reúso (Jefferson et al. já que os sistemas de tratamento são dimensionados em função dessas características. nesse sentido. 2004). 2002). proveniente de chuveiros. Essas subdivisões levam em consideração o nível de poluentes. 1990).. 1997). pois reduz o volume de efluente que chegará às estações de tratamento de esgoto. alimentação de caldeiras. é importante se preocupar também com a carga orgânica. é muito delicada.. na ausência de fezes. irrigação de gramados e campos (Okun. Além dos aspectos quantitativos na geração de água cinza. escolas e etc (Eriksson et al.. 2004). principalmente o reúso local. A água cinza. Essas formas de . Com a escassez de água.19 tanto em residências. pois é a parte menos poluída do esgoto doméstico. Embora a questão do reúso seja uma alternativa à escassez de água. para maximizar a economia de água no reúso. (2004) ainda comentam que existem algumas subdivisões. cresce o interesse no reúso das águas residuárias. que representam fortemente a maior carga de poluentes. 1998). Experiências em diversos estudos demonstram que combinar aparelhos hidrossanitários projetados para diminuir o consumo de água em edificações se torna uma excelente ferramenta para promover a conservação de água (Ridderstolpe. tanto em países industrializados como em desenvolvimento. já em maior escala são incluídas todas as fontes geradoras de água cinza.

as fossas sépticas e os tanques Imhoff são as mais comumente utilizadas. 2007.3 Wetlands construídos no tratamento de esgoto doméstico Os sistemas de wetlands construídos são considerados uma alternativa ecológica de tratamento de esgotos sanitários utilizados para água cinza (Paulo et al. (leito de raízes – root zone). Esses sistemas. uso final da água. 2011). O pré-tratamento é extremamente importante em wetlands construídos de fluxo subsuperficial para evitar a colmatação e/ou o entupimento. que seja eficiente na retenção de sólidos grosseiros. O interesse de estudar esses sistemas de pré-tratamento está centrado na capacidade de . onde os sólidos suspensos. são sistemas de baixo custo. Entre as tecnologias de pré-tratamento para wetlands construídas. Pois esses sistemas são considerados tratamentos secundários ou terciários. 2004.. como a escala de operação. 2011. Kadlec & Wallace. ou filtros plantados. combinados com wetlands construídos podem evitar entupimentos. Morel & Diener. A tecnologia mais adequada depende de muitos fatores. possuem capacidade de remoção da matéria orgânica e principalmente no reaproveitamento de nutrientes presentes (Santos. incluindo sistemas de tratamento naturais. partículas grandes como papel higiênico e outros resíduos. 1. Esse sistema. fácil operação e manutenção. processos físico-químicos e biológicos. também conhecido como banhados construídos. fatores socioeconômicos relacionados ao custo da água além de costumes e práticas locais (Jefferson et al. 2009). 2006). também conhecidos como digestores anaeróbios. atrasando a colmatação do meio filtrante.. que é a obstrução do espaço livre do meio filtrante pelo acúmulo de sólidos. principalmente quando elevadas cargas orgânicas são aplicadas. como a matéria orgânica sejam removidos das águas residuárias antes de serem tratados por wetlands construídos (Hoffmann et al. Philippi & Sezerino (2004) abordam que independente do nível de tratamento (secundário ou terciário) que será promovido pelo wetland construído. com o objetivo de evitar que estes sólidos possam comprometer o bom funcionamento do sistema e acelerar o fenômeno de colmatação e/ou entupimento. 2008).. filtração. propicia o tratamento de maneira eficiente. Hoffmann et al. há a necessidade de uma unidade de tratamento preliminar. Para o tratamento da água cinza com a finalidade de reúso uma variedade de tecnologias tem sido utilizada e estão sendo desenvolvidas.20 controle na fonte são as maneiras mais efetivas de evitar problemas no desempenho do tratamento além de reduzir os custos de operação e manutenção (Ridderstolpe. 2004).

com a declividade do leito. Fonte: Adaptado de Knowles et al. 2004. Nesse sistema o esgoto irá passar por regiões anaeróbias. A configuração de fluxo vertical (Figura 5) tem como diferença básica a aplicação intermitente da água residuária a ser tratada. Na configuração de fluxo horizontal (Figura 4) o efluente a ser tratado é disposto na porção inicial do meio filtrante. Figura 4 . Kadlec & Wallace.21 remoção de sólidos suspensos. sendo alternativas de baixo custo. 2004). inundando o sistema e percolando verticalmente ao longo de todo perfil de meio filtrante. (2011).3. 2008).Wetland construído de fluxo horizontal. que promove um grande arraste de oxigênio atmosférico para o substrato (Philippi & Sezerino. 1. com fluxos hidráulicos que podem ser: horizontal. robustas e de longo prazo para o tratamento de águas residuárias (Álvarez et al. que irá percolar através do material filtrante..1 Tipos de configurações de wetlands construídos e fluxos hidráulicos Os wetlands construídos podem ser divididos em dois grandes grupos: sistemas de lâmina livre ou de escoamento superficial e de escoamento sub-superficial. vertical e sistemas híbridos (vertical + horizontal ou horizontal + vertical) (Philippi & Sezerino. . 2005). Vymazal. 2008) . anóxicas e aeróbias na camada mais superficial pela presença de plantas (Kadlec & Knight. além de reduzir a área requerida por wetlands construídos de 30% a 60%. 1996. Philippi & Sezerino. 2004.

nas últimas duas décadas foi dada uma menor atenção com relação às propriedades hidráulicas e hidrológicas em wetlands de fluxo horizontal subsuperficial. Entretanto. (2004). de acordo com García et al. Muitos desses sistemas têm sido construídos sem considerar as propriedades hidrológicas e as características hidráulicas. hidráulicos e hidrológicos (Persson et al.. que envolve processos biológicos. 2004. 1996. (1998) sugerem a eficiência hidráulica e o . Wong et al. Fonte: Adaptado de Knowles et al.Wetland construído de fluxo vertical. 1999). Parte dos estudos realizados existentes na literatura apresenta resultados desses sistemas tratando tanto esgoto doméstico como água de drenagem urbana. 2005) 1. químicos. ocasionando desempenhos insatisfatórios no tratamento (Reed et al. (2011). o que acaba levando a estimar as taxas de cinética biológica. Kadlec & Wallace. ilustradas na Figura 6.3. O interesse é obter uma boa nitrificação nos FV que são mais oxigenados e uma denitrificação nos FH pelas condições anóxicas (Philippi & Sezerino.22 Figura 5 . 2008).2 Aspectos hidráulicos e hidrológicos de wetlands construídos O dimensionamento de wetlands construídos requer conhecimentos multidisciplinares. indicando bons resultados no decaimento de poluentes presentes (Kadlec & Knight. ecológicos. Os wetlands híbridos são configurações na combinação em série de fluxos horizontais (FH) com fluxos verticais (FV) ou FV+FH. sem obter valores satisfatórios na eficiência esperada. 1995).. Vymazal.

2005). 2008) para wetlands construídos de fluxo horizontal subsuperficial. TDH  onde: V k(LWH)  Q Q (1) TDH: tempo de detenção hidráulica. em m. O tempo de detenção hidráulica é calculado de acordo com (Kadlec & Wallace. em m3 . que leva em consideração a porosidade (k) do meio filtrante (Equação 1). em m3. em dias. Enquanto os estudos de cinética do tratamento biológico de esgotos fornecem informações sobre a velocidade das reações bioquímicas. . V: volume do wetland. os estudos hidrodinâmicos indicam as condições de escoamento da fase líquida no interior do reator. em m. Figura 6 . H: altura.Componentes hidráulicos e hidrológicos. Fonte: Adaptado de Kadlec & Wallace (2008). L: comprimento. Q: vazão. A combinação destas informações é essencial para alcançar a otimização dos sistemas de tratamento e também para a concepção de novos sistemas (Domingues & Nour. em m. W: largura.dia-1.23 comportamento hidrológico como componentes principais no design de wetlands construídos para otimizar o processo de tratamento da água.

Glenn et al. curtoscircuitos e outras adversidades no escoamento que reduzem a eficiência do reator (Levenspiel. Para reduzir o acúmulo de sais e matéria orgânica no solo. Borges et al. As variáveis hidráulicas são fundamentais no projeto e na operação de wetlands construídos. 2003. 2009. zonas mortas. devido a perda de água nesses sistemas. podendo reduzir a colmatação e o entupimento (Vassilios & Tsihrintzis. visto que os parâmetros usados no monitoramento da eficiência são em função do tempo médio de residência hidráulica no sistema. 2004). 1999. muitas vezes não são levantados. Pauliukonis & Schneider. Além disso. Metcalf & Eddy. A colmatação envolve processos físicos. A importância de como a evapotranspiração afeta os wetlands construídos durante os períodos quentes tem sido evidenciada (Herbst & Kappen. Chazarenc et al. surfactantes e a presença de restos de alimentos e óleos na água cinza. operando em escoamento subsuperficial. Como os dados sobre o comportamento hidrodinâmico desses sistemas. O tipo de planta e seu crescimento têm um papel importante no coeficiente de rugosidade que altera as condições nos caminhos de fluxo do efluente pelo meio filtrante. 2001). 2006). (2003) observou o efeito da evapotranspiração em diferentes épocas do ano. onde a retenção das partículas orgânicas e inorgânicas proveniente do afluente. AlHamaiedeh & Bino (2010). são feitas estimativas para alguns parâmetros de projeto. químicos e biológicos. (1995) avaliou o efeito da salinidade no crescimento das plantas e observou que quanto mais salino é o efluente presente no sistema. formação de biofilme. 2009). além da deposição e acumulação de precipitados químicos são entre os fatores mais importantes que promovem uma progressiva obstrução do . são componentes que podem causar a redução da condutividade hidráulica no solo dependendo de suas concentrações no efluente (Lado and Ben-Hur.24 A realização do estudo hidrodinâmico do fluxo de sistemas de tratamento biológico possibilita a avaliação de vários fatores como os regimes de fluxo (fluxo pistão. como assumir o modelo ideal de escoamento em pistão (Hodgson et al. e concluiu que uma menor evapotranspiração ocorrerá. para avaliar os efeitos sazonais e observou que nos meses mais quentes o tempo de detenção hidráulico são maiores. recomendam lixiviar o solo com água potável. Wiel-Shafran et al... mistura completa ou ambos) além de detectar caminhos preferenciais. menor é o crescimento da planta. recirculação interna. 2000.. 2001). o desenvolvimento e o decaimento da biomassa.

1999. 2011).. 2005. Knowles et al. 2000). 2003). Com a finalidade de avaliar o comportamento hidráulico de uma unidade já construída realiza-se o teste com um traçador em técnica estímulo-resposta gerando perfis de distribuição do tempo de detenção hidráulica (Lima... a normalização para obter a distribuição do tempo de residência médio (DTR) é realizado seguindo o que foi proposto por Levenspiel (2000). de acordo com as Equações 2 e 3.25 meio filtrante podendo causar adversidade no comportamento hidráulico. 1995). Sendo possível criar a partir desses dados modelos mais complexos para estudar o comportamento hidráulico e hidrológico de wetlands construídos (Somes et al.3. prejudicando a eficiência do tratamento (Rousseau et al. Pelo método de estímulo-resposta com traçador é possível obter a curva (DTR) de distribuição do tempo de residência (Figura 7) (Gourlia. 1. Tm  t i  C i  t i C i  t i (2) Σt  C i  Δt i σ  i ΣC i  Δt i 2 2 Tm 2 . Figura 7 . A análise do tempo médio de residência (Tm). Mansell et al.Curva de distribuição do tempo de residência ou curva DTR. a variância (σ2).. Fonte: Levenspiel (2000).3 Hidrodinâmica e teste com traçadores Alguns métodos podem ser aplicados para caracterizar o escoamento de um sistema.

Outro parâmetro importante que deve ser analisado é a eficiência hidráulica (λ) proposto por Persson et al. ICC: índice de curto-circuito (para sistema com comportamento pistonado ideal.L -1 . o valor da razão maior ou menor que 1 indica que a distribuição não está uniforme. (1999) conforme a Equação 4: . calculado como: Ti/TDH). T10: tempo no qual 10 % do traçador já passaram pela unidade (tempo que representa 10% da área sob a curva de percentuais acumulados). ∆ti: intervalo de tempo entre a coleta i e a coleta i . Ci: concentração de saída do traçador no tempo i. calculado como: T90/T10). ti: tempo decorrido até a coleta da amostra na saída do reator. em mg. Tp: tempo no qual a concentração de pico do traçador é observada. Ti: tempo no qual o traçador começa a aparecer. ITMR: índice de tempo modal de retenção (a relação se aproximará de 1 para comportamento pistonado e de 0 para comportamento de mistura completa. em horas. Metcalf & Eddy (2003) destaca alguns:  TDH: tempo de detenção hidráulico nominal (volume/vazão).1. calculado como: Tp/TDH) . ITRM: índice do tempo de retenção médio (o valor 1 indica que foi feito uso integral do volume do sistema. Tm: tempo médio de residência. A partir da curva de DTR podem ser utilizados variáveis para o cálculo de alguns índices e analisar o desempenho hidráulico. o valor da razão maior ou menor que 1 indica a existência de curtos-circuitos e zonas mortas.  IDM: índice de dispersão de Morril (deve ser 1 para sistema pistonado ideal e por volta de 22 para sistema de mistura completa. em horas. em horas. calculado como: Tm/TDH).26 (3) onde: Tm: tempo médio de residência. T90: tempo no qual 90% do traçador já passaram pela unidade (tempo que representa 90% da área sob a curva de percentuais acumulados). a razão é 1 e aproximadamente 0 para sistema com comportamento de mistura completa. em horas2. σ2: variância dos pontos experimentais.

. Estudo em wetlands construídos. pois internamente existe uma câmara de digestão. onde media indiretamente a condutividade elétrica para encontrar a curva do traçador. em horas. O cloreto de sódio pode representar uma alternativa relativamente barata de traçador. pode facilmente afetar de forma negativa a biota do wetland e consequentemente a eficiência de tratamento do sistema.3. que também apresentam a capacidade de aproveitar os nutrientes presentes no esgoto doméstico.3 Sistemas baseados na evapotranspiração Sistemas baseados na perda de água por evapotranspiração são variações de wetlands construídos. 2013) apresentou detalhes de um TEvap (Figura 8) em escala real. Em uma recente publicação (Paulo et al. 2001). sem a necessidade de um pré-tratamento antes do TEvap. implementado em uma residência para 2 pessoas com 4 m2 de área superficial. Entretanto. e obtiveram 78% da massa recuperada de oito diferentes estudos com este traçador.L-1 de cloreto de sódio como traçador em um wetland construído de fluxo horizontal subsuperficial. tanto de fluxo horizontal como vertical. . em horas. tp TDH (4) TDH: tempo de detenção hidráulico. geralmente são realizados usando sais como traçadores (Kadlec & Wallace. que vai digerir a matéria orgânica anaerobiamente. tp:tempo de pico do traçador. bacteriológicas e parasitológicas para tratamento de águas negras.27  onde: Tm: tempo médio de residência. apresentando resultados focados em análises físico-químicas. Chazarenc et al. em horas. que no seu monitoramento pode ser usado facilmente uma sonda de condutividade elétrica. (2003) usou a concentração de 67 g. porém com descarga zero de efluente (Gregersen & Brix. 1. elevadas concentrações desse traçador. 2008).

. 2001) e modificar o comportamento de fluxo da água no sistema (Grismer et al. (2013). 2001). 2001). 2003). baseado na técnica de reaproveitamento de águas negras. O tanque de evapotranspiração (TEvap) é um exemplo de um sistema.Tanque de Evapotranspiração (TEvap). Altos valores de ET podem alterar o desempenho do tratamento (He & Mankin. não necessitando de pós-tratamento do efluente. 2004).28 Figura 8 .. 1996). A ET segue um . Pois um dos fatores mais limitantes em predizer a eficiência de wetlands construídos é o comportamento hidráulico que sofre alterações pelas condições ambientais (Kadlec.. Wynn & Liehr. onde são plantadas na superfície. com variações na ET entre 0 e 50 mm. que consiste em um tanque impermeabilizado. espécies vegetais que tem a capacidade de se desenvolverem rapidamente demandando de uma grande quantidade de água. pois é dimensionado para absorção total por parte das plantas (Pamplona & Venturi. Fonte: Paulo et al. com diferentes camadas de substratos. Além disso. nas equações de modelagem e no dimensionamento a ET deve ser levada em consideração para o modelo (Chazarenc et al. A evapotranspiração (ET) em wetlands construídos de fluxo horizontal subsuperficial representa um fator importante no aumento do tempo de residência hidráulica durante os meses mais quente em países de clima temperado. 2000.d-1 (Kadlec & Knight.

Por exemplo. wetlands construídos são muitas vezes declarados impróprios para climas áridos. 1998). usando a evapotranspiração para eliminar todo o efluente tem sido uma solução na Dinamarca. As perdas excessivas por ET podem conduzir a um aumento da concentração de sal no efluente (Morari e Giardini. a perda de quantidades significativas de água através de ET pode ser indesejável (Green et al. P: precipitação (mm. onde as taxas de ET são elevadas e o efluente tratado é considerado um recurso valioso para ser reutilizada. Em situações úmidas ou ambientalmente sensíveis. 2012). 2009) e aumentam o risco de a salinização do solo em áreas de irrigação. 2006. sendo sustentável e desejável a transferência de água para a atmosfera. eliminar o efluente pode ser o objetivo principal.. que leva em consideração a vazão de entrada. especialmente sob condições de muito calor e vento. (5) Para o cálculo do coeficiente kd..dia-1). As perdas de água para a atmosfera por meio de evapotranspiração (ET) pode ser elevada (Borin et al. O método utilizado por Headley et al. No entanto. pela razão entre a evapotranspiração estimada (ETd) e a calculada (ET0). onde rigorosos padrões de efluentes de nutrientes podem tornar o tratamento caro (Gregersen & Brix. .dia-1): ET: evapotranspiração. tais como o desenvolvimento da planta e a configuração do sistema (fluxo superficial. é utilizada a Equação 6 (Allen et al. em regiões áridas e escassas de água. (2012). de saída. sistemas de wetlands de descarga zero. 2001). é o balança hídrico do sistema. apesar da escassez de pesquisas publicadas sobre as taxas de ET e de tais sistemas (Headley et al. Masi e Martinuzzi. 2007). a precipitação e por diferença calcula-se a evapotranspiração (Equação 5).dia-1): Out: saída (mm. subsuperficial ou horizontal e vertical). In  P  Out  ET onde: In: entrada (mm. 2011). kd  ETd ETo . Por estas razões..29 ciclo diurno que é afetado por uma série de parâmetros.

d-1.d -1.30 (6) onde: kd = coeficiente do tanque para cada um dos dias de referência. em mm. . ET0 = Evapotranspiração de referência para cada um dos dias de referência. ETd = Evapotranspiração total do tanque em cada um dos dias de referência. em mm.

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efeitos de chuvas simuladas e ensaios de condutividade hidráulica. teste com traçadores. Palavras-chave: sistemas naturais. com o objetivo de eliminar o tanque séptico ou tanque de sedimentação. foram observadas adversidades no comportamento hidrodinâmico. seguido por um wetland construído de fluxo horizontal subsuperficial (CW-FHS). geralmente tanques sépticos ou de sedimentação. que necessitam de um pré-tratamento. lodo na CDig e o acúmulo de sólidos. como zonas mortas. com e sem a presença das plantas. A presença de plantas evitou a queda da condutividade hidráulica. antes e depois da formação de biofilme. adotando como pré-tratamento a combinação do processo anaeróbio (Câmara de Digestão Anaeróbia . entretanto quando analisado individualmente. separação na fonte. melhorando a eficiência hidráulica e auxiliando na lixiviação de sais durante eventos chuvosos simulados. o sistema apresentou uma capacidade de redução de 32% no volume de água cinza que entrou diariamente. além de ter propiciado melhores condições de mistura no reator. estimativas da taxa de evapotranspiração.9 em média).37 2 Aspectos hidráulicos e hidrológicos no desenvolvimento de um sistema combinado por evapotranspiração e wetland construído no tratamento domiciliar de água cinza 1 Resumo: Os wetlands construídos são sistemas alternativos para o tratamento domiciliar de água cinza. O presente estudo propõe o uso de uma nova configuração. 1 Capítulo redigido de acordo com as normas do periódico “Water Science and Technology”.CDig) e a evapotranspiração (CEvap) em uma única unidade. . estudando o comportamento hidrodinâmico do sistema. por meio de testes com traçador. para diminuir processos de colmatação. versão ampliada e em português que será traduzida para publicação. evitando ou diminuindo entupimentos e odores e melhorando a harmonia paisagística dos domicílios. O sistema combinado apresentou excelentes valores de eficiência hidráulica (acima de 0. Foram avaliadas as características hidráulicas e hidrológicas. Por evapotranspiração. curto-circuito e recirculação interna. A combinação CEvap + CW-FHS visa diminuir aspectos de operação e manutenção desses sistemas.

Para isso a segregação do esgoto doméstico na fonte. 2007).. Os tanques sépticos (TS) ou tanques Imhoff (TI). Devido aos inconvenientes que a colmatação pode causar nos CWs há necessidade de estudos que visam avaliar. com flexibilidade ao receberem altas cargas. 2001). compreender e prevenir o desenvolvimento do processo de entupimentos nesses filtros (Tanner et al. Rousseau et al. apresentam desempenhos insatisfatórios na remoção de poluentes. 1997. 2010). torna os CWs. seguido por um tanque de sedimentação) não era suficiente para reter a gordura e o excesso de sólidos provindos da pia da cozinha. Paulo et a. tem recebido uma maior atenção pelos menores níveis de poluentes. O fato de wetlands construídos (CWs) combinarem uma boa capacidade de tratamento. criando fluxos preferenciais. 2009). que representa em torno de 70% da vazão total (Hernandez Leal. O uso de CWs combinado com esses sistemas anaeróbios (TS+CW ou TI+CW) tem sido uma alternativa comum para melhorar o desempenho no tratamento domiciliar. Porém quando retirada essa fração. que muitas vezes. sem grandes necessidades operacionais ou consumo de energia e simplicidade técnica (Platzer.. Knowles et al. Introdução Nos últimos anos. 1998. tratando apenas água cinza clara. 2005. quando utilizadas sem nenhum pós-tratamento.. sem a fração proveniente da bacia sanitária). o reúso de água cinza (esgoto doméstico domiciliar.. 2003. 2008). 2006).38 1. 1997). .l (2013) utilizaram um sistema híbrido de wetlands construídos (fluxo horizontal seguido por fluxo vertical). 2007). além da prevenção na colmatação dos CWs (Álvarez et al. uma alternativa ecológica para o tratamento descentralizado de água cinza (Paulo et al. A colmatação diminui o tempo de vida desses sistemas e pode causar efeitos negativos na eficiência do tratamento (Caselles-Osório et al. para tratar água cinza. vazões baixas e altas inconstantes.. são também tecnologias descentralizadas utilizadas para tratamento de esgoto doméstico. Platzer & Mauch. comum em domicílios.. quando comparado com o esgoto doméstico sem segregação (Li et al. se torna um passo importante para simplificar o tratamento domiciliar (Otterpohl. e observaram que o pré-tratamento adotado (caixa de gordura para fração da pia da cozinha.. curto-circuito e odores (Blazejewski & Murat-Blazejewska. Morel & Diener. implicando em manutenção constante. 2007) pela obstrução do meio filtrante. em função dessas características.

solo) e plantas que consomem água. Metcalf & Eddy. 2003. e permite avaliar a presença de zonas mortas. com no mínimo 2 m3 (Brix & Arias. Langergraber.. com diferentes camadas de substratos (entulho. 2003. existe a Câmara de Digestão Anaeróbia (CDig). 2012) Ainda existe também a necessidade de pesquisas na área de simulação numérica para tornar essa ferramenta confiável em projetos de CWs. sendo necessário apenas o tanque de sedimentação. aborda a tecnologia de descarga zero de efluente doméstico. curtos-circuitos e recirculação interna do fluido (Levenspiel. incluindo o efeito das plantas no sistema.. onde existe um meio anaeróbio. Para evitar esse pré-tratamento. onde uma das recomendações é a necessidade de um pré-tratamento. 2008). é comparável aos sistemas de descarga zero de efluente. tecnologia informalmente utilizada por permacultores e descrita por Paulo et al. Na Dinamarca. O Tanque de Evapotranspiração (TEvap). Os resultados dos testes com traçadores fornecem dados como: a distribuição do tempo de residência real (DTR). por onde entra o efluente domiciliar que permite os sólidos sedimentarem. a Câmara de Evapotranspiração (CEvap. Um método conveniente e amplamente utilizado é o uso de sal como traçador para estudos de hidrodinâmica em CWs (Chazarenc et al. Kadlec & Wallace 2008). Langergraber 2005.39 diminuiu consideravelmente a manutenção do sistema. crescimento do biofilme e a contribuição da vegetação nesse processo (Knowles et al. principalmente em sistemas de escala real e em condições ao ar livre (levando em consideração as características hidrológicas). além de melhorar a ferramenta de simulação com modelos que sejam capazes de descrever processos de colmatação e entupimento do meio filtrante (Langergraber. composto por 2 ou 3 tanques de sedimentação. 2011. Dentro do TEvap. O TEvap consiste em um tanque impermeável. brita. As principais investigações estão no âmbito de detalhes do comportamento hidráulico. (2013). modelar e investigar o efeito da colmatação pelo acúmulo de sólidos. Os testes com traçadores podem ser analisados também com a condutividade hidráulica in loco para mensurar. Tornando esse sistema 2 em 1. . Nivala et al. 2005). um manual para tratamento domiciliar de esgoto doméstico. 2007). e digerir anaerobiamente as águas negras para evitar a colmatação do sistema. Knowles et al. como um filtro anaeróbio onde permite a formação de biofilme para melhorar o tratamento. 2010. que representa o tempo em que fluido atravessa o filtro. 2003. semelhante à um tanque séptico e um meio filtrante. Kadlec & Wallace.. reportados na literatura por Gregersen & Brix (2001). 2000..

pois pretende eliminar o tanque séptico ou tanque de sedimentação. por meio de ensaios hidrodinâmicos e estimar as taxas de evapotranspiração. sendo a Câmara de Evapotranspiração (CEvap). atendeu aos critérios de dimensionamento e construção já estabelecidos por Paulo et al. depois o wetland construído de fluxo horizontal subsuperficial (CW-FHS) e posteriormente o sistema EvapAC. que é a combinação da CEvap + CW-FHS.CDig) com a evapotranspiração combinado com um wetland construído de fluxo horizontal subsuperficial (CEvap+CW-FHS) pode ser uma nova configuração para diminuir aspectos de operação e manutenção desses sistemas. 2. (2009). combinado (CEvap + CW-FHS). levando em conta as condições climatológicas e a presença de plantas. em duas etapas. Na segunda etapa em ambiente aberto. que é o pré-tratamento alternativo para o wetland construído. (2012) na construção do Tanque de Evapotranspiração (TEvap). biofilme e o lodo na câmara de evapotranspiração no comportamento do sistema. considerando também os efeitos das plantas. O objetivo do trabalho foi avaliar o comportamento hidráulico e hidrológico do sistema proposto. efeito significativo da evaporação. evitando ou diminuindo entupimentos e odores. ainda em escala de bancada. para o tratamento de água cinza. Posteriormente foi desenvolvido o sistema EvapAC em escala real em uma residência com 3 pessoas. Material e Métodos O estudo foi desenvolvido inicialmente em escala de bancada. o que pode levar a uma maior aceitação por parte da população dessa tecnologia. não tem como objetivo evapotranspirar toda água cinza que entra no sistema. e tende a melhorar a harmonia paisagística dos domicílios. O wetland construído de fluxo horizontal subsuperficial (CWFHS). O uso do sistema anaeróbio (Câmara de Digestão Anaeróbia . variações de temperaturas e etc. A unidade da CEvap. primeiro em ambiente fechado (sem as adversidades climatológicas. As unidades foram analisadas separadamente na primeira etapa.) e sem a presença de plantas. Na segunda etapa. tanto em escala de bancada como em escala real foi construída a partir de dados e experiências que já foram realizadas por Paulo et al. e o sistema em escala real foi analisado apenas o EvapAC como um todo. .40 variação do TEvap) configuração proposta nesse trabalho para o tratamento combinado com CWs. como chuva.

d60 12 mm. em ambiente aberto.41 2.3 m2 de área superficial. d30 11 mm.1). d60 10 mm.60 m de altura total e 0. com a CDig circular de aproximadamente 16 L. d30 17 mm. Na segunda etapa do experimento. 2.48. Já o CW-FHS tinha um volume de 58 L. as dimensões da CEvap e do CW-FHS eram : 2.1 . foram plantadas 4 mudas de Canna sp em cada sistema. a CEvap e o CW-FHS. O volume da CEvap era de 80 L.00 m de comprimento e 1. . Figura 2.30 m de largura. meio filtrante de Brita no 2 (k=0. altura útil da CEvap de 80 cm. pedrisco como meio filtrante (k=0. altura útil de 40 cm.2). d10 13 mm. com 60 cm de diâmetro a CDig (565 L). altura de 50 cm).1 Sistema em escala de bancada Tanto a CEvap como o CW-FHS em escala de bancada (Figura 2. d10 20 mm. que tinham individualmente 0. Brita no 2 (10 cm) na camada intermediária e solo na camada do topo do sistema (30 cm). tinham as seguintes dimensões: 1. altura útil de 50 cm.Sistema EvapAC em escala de bancada composto pela CEvap e CW-FHS.2 Sistema em escala real Em escala real (Figura 2.46.00 m de largura.00 m de comprimento. altura de 45 cm) e uma camada superficial de solo (10 cm). com Brita no 4 (diâmetro de 32 mm à 150 mm) ao redor e 10 cm acima da CDig. 0.

ST (sólidos totais). limpo. lavatório. CE (condutividade elétrica).Perfil do sistema EvapAC em escala real. assim como as . d30. 2006). A coleta e a preservação das amostras. d60). das diferentes frações de água de banho. d10. NaCl.2 . tanto da Brita no 2 na CEvap. visando a formação de biofilme no leito. Morel & Diener. As amostras da água cinza que alimentava os sistemas foram coletadas de 1 a 2 vezes por semana para análise dos parâmetros físico-químicos: DQO (demanda bioquímica de oxigênio). máquina de lavar roupa e tanque da área de serviço (Ridderstolpe. Figura 2. coletada simulando a rotina em residências. com uma camada única de pedrisco (50 cm). e posteriormente após a aplicação de água cinza por 110 dias (teste final) em fluxo contínuo.3 Alimentação do sistema com água cinza Todos os ensaios hidrodinâmicos em escala de bancada foram realizados na primeira e na segunda etapa com o meio filtrante primeiramente sem ter sido usado. 2004. As características granulométricas (k. O sistemas eram alimentados com aproximadamente 25 L. SDT (sais dissolvidos totais). simulando o funcionamento do sistema em escala real. bem como o acúmulo de lodo na CDig.dia-1 de água cinza.42 O CW-FHS tinha altura útil de 40 cm. sem a aplicação de água cinza (teste inicial). pH. de acordo com os valores de volumes da literatura. turbidez. como o pedrisco do CW-FHS era a mesma da escala de bancada. 2. SST (sólidos suspensos totais).

. tanto teste inicial como final. HI 2300.1 .43 análises. 2003). Portugal). Unidade Padrões de Vazão (L. 2. relacionando condutividade elétrica com a concentração de NaCl. 2000). e eficiência hidráulica (λ) (Persson et al. para o teste final. As vazões de cada ensaio foram de acordo com a Tabela 1.Padrões de vazão para cada teste de acordo com as unidades. Onde na primeira etapa.26 EvapAC (teste final) 0. A concentração da solução do traçador foi de 100 g NaCl.min-1) Vazão alta Vazão baixa (Qalta) (Qbaixa) 1 o etapa CEvap (teste inicial) 1. foi utilizado água potável após a injeção do traçador em pulso.L-1.47 0. foram realizadas conforme técnicas preconizadas pelo Standard methods for the examination of water and wastewater (APHA. utilizando o traçador Cloreto de Sódio (NaCl).14 0.0375 CW-FHS (teste inicial) 1. 1987. com intuito de comparar se a água cinza gerada para alimentar os sistemas representava as características qualitativas de condições reais de acordo com a literatura. 1999). foi analisado o IDM: índice de dispersão de Morril.18/com variações EvapAC (teste final) 0. Metcalf & Eddy.4 Ensaios Hidrodinâmicos O estudo hidrodinâmico foi realizado pela técnica estímulo-resposta.23 CW-FHS (teste final) 1.. 2005). visto a sua facilidade de obtenção e monitoramento com um condutivímetro (Hanna. . vazão alta (Qalta) e vazão baixa (Qbaixa).14/com variações Escala Real EvapAC (teste inicial) 8. Tabela 1. Os ensaios hidrodinâmicos com traçador.0375 o 2 etapa EvapAC (teste inicial) 0. foram realizados testes para dois tipos de padrão de vazão.0375 EvapAC (teste inicial) 1. ICC: índice de curtocircuito. ITRM ou ev: índice do tempo de retenção médio ou eficiência volumétrica (Thackston et al.88 0.5 Por meio dos dados da curva de distribuição do tempo de residência (DTR) de acordo com (Levenspiel.48 CEvap (teste final) 0.

90 mm. O clima da região em estudo segundo Köppen & Geiger (1928) está na faixa entre mesotérmico úmido sem estiagem e temperaturas superiores a 22°C no mês seco e o clima tropical úmido com estação chuvosa no verão e seca no inverno.44 2. com plantas. Brasil) desenvolvido por Alves Sobrinho et al. com plantas. 2008. também foram avaliadas individualmente. sugerido por (Fermor et al.6 Estimativa da evapotranspiração Durante o período experimental (110 dias. 2011) foi analisada em escala de bancada. . as unidades CEvap e CW-FHS. 10 min e 15 min para cada precipitação. controlando a vazão de modo a elevar o nível da água dentro dos sistemas. 14/09/2012 à 01/01/2013) no sistema em escala de bancada em ambiente aberto foi calculado o coeficiente kd do tanque de acordo com Allen et al. para todas as unidades (CEvap. 2. Porém foi analisado também o efeito dessas três diferentes intensidades de chuvas pelo período de 15 min. 60 mm. 1965). A ETo foi calculada pela equação de Penman-Monteith (Monteith. mantendo a altura de 50 cm para a CEvap e 40 cm para o CW-FHS. do meio filtrante limpo e após o uso (teste inicial e final). Além do sistema combinado (EvapAC). além da condutividade elétrica. com temperatura média ente 19°C e 25°C.. Os valores de Ks. (2002) foi utilizado apenas no sistema em escala de bancada... com intervalos de uma em uma hora após a injeção do traçador no sistema. pela razão entre a evapotranspiração estimada do sistema EvapAC (ETd) e a diária calculada (ETo) para os mesmos dias. CW-FHS e EvapAC). (1998).h-1). Nivala et al.h-1. provocando alterações nas vazões ao longo do ensaio hidrodinâmico. para analisar o comportamento hidrodinâmico do sistema simulando diferentes precipitações controladas (45 mm. e em ambiente fechado. em condições de ambiente aberto. Após a estabilização do nível e das vazões afluente e efluente. em ambiente aberto. durante 5 min. observando visualmente a formação ou não de escoamento superficial e avaliando a vazão de saída do sistema. utilizouse o valor de vazão efluente e a equação de Darcy. foram obtidos em operação pelo método direto.h-1. A condutividade hidráulica (Ks) in loco (Brazil & Matos. 2001)..5 Ensaios com o simulador de chuva e condutividade hidráulica O simulador de chuva portátil (InfiAsper2.

3001. Resultados e Discussão 3. Parâmetros (unidade) Entrada ± DPb (na) 626 ± 112(20) CE (µS.L-1) a n: número de amostras. para wetlands construídos de fluxo horizontal subsuperficial em regiões de clima frio.. de saída. (2011).1 ± 0. Dotada de caixas calibradas para quantificar os volumes de entrada e saída do sistema..45 O método foi o balanço hídrico. temperatura e precipitação. bDP: desvio padrão.6 (12) 1. que leva em consideração a vazão de entrada. Segundo Grismer et al. 3.dia-1.. S1220). para levantar as condições hidrológicas in loco. Brasil).675 ± 283 (14) 553 ± 162 (12) Foi aplicado uma taxa de 64 gDQO.cm-1) DQO (mg.1 ± 0. a precipitação e por diferença calcula-se a evapotranspiração. e uma estação metereológica (Squitter. Paulo et al.1 Características qualitativas da água cinza As características físico-químicas da água cinza clara que foi gerada para alimentar os sistemas (Tabela 2) estavam de acordo com os dados qualitativos da literatura (Morel & Diener.L-1) SST (mg. leveloggers (Solinst. 2009). começa influenciar no sistema. 4 vezes maior do que indicado por Hoffman et al. por isso os experimento foram feitos antes e após 110 dias. (2012). 2007. pois foi notada a formação de lodo na CDig e biofilme no substrato. Para verificar a evaporação (Ev) da região e relacionar com a ETo Foi utilizado um Tanque Classe A. Pansonato et al. Tabela 1.5 (20) 395 ± 140 (22) 405 ± 72 (12) 2.L-1) pH Turbidez (NTU) SDT (ppm) NaCl (%) ST (mg. como umidade relativa.m-2. (2001) em torno de 4 meses após o início de operação a colmatação. .Características físico-químicas da água cinza que alimentava o sistema. utilizado por Headley et al. Como também o uso de piezômetros. para os parâmetros analisados. para monitorar o nível d’água dentro do sistema.2 . 2006. devido ao acúmulo de sólidos. com poucas diferenças da água cinza escura (com a fração da pia da cozinha). 771 ± 58 (14) 8.

7 dS.5. b tp: tempo de pico do traçador.3 e os índices calculados na Tabela 1. estava em torno de 405 ppm para SDT.523 9.6 dS. as variáveis temporais na Tabela 1.133 3.196 19.000 2. f t10: tempo que 10% do traçador foi recuperado. 4 e 5).46 De acordo com Ayres & Westcot (1985). Tabela 1. valores abaixo de 0. d tm: tempo médio de residência hidráulico.085 2. Embora os valores estejam próximos do limite para um risco moderado em causar salinização no sistema.4. e da EC 0. consequentemente ocasionando o mesmo no EvapAC. O efeito de cauda foi observado pela curva de distribuição do tempo de residência (DTR) em todas as unidades (Figura 3. com recuperação de 90% da massa de traçador para todos os testes em função do cálculo do Índice de Dispersão de Morril.3.2 Testes com traçador Os resultados dos testes hidrodinâmicos estão presentes na Figura 2. mas principalmente na unidade da CEvap. antes (teste inicial) e depois das unidades serem alimentadas com água cinza (teste final).546 412 7517 92 CW-FHS (teste final Qbaixa) 3.180 2. que é a unidade que antecede o CW-FHS. 2.4.147 3. o que indica . 2.680 7. 3.Variáveis temporais (em minutos) obtidas nos testes hidrodinâmicos.350 2. calculado pelo ensaio com traçador. e t90: tempo em que 90% do traçador foi recuperado.5 e 1. ti a tp b TDH c tm d t90 e t10 f 30 50 54 121 1660 50 CEvap (teste inicial) 50 90 91 225 1560 105 CEvap (usado) 10 20 47 35 50 10 CW-FHS (teste inicial) 5 10 51 31 28 3 CW-FHS (teste final) 65 85 110 163 850 85 EvapAC (teste inicial) 140 190 297 330 750 110 EvapAC (teste final) 1. em escala de bancada e real).6 para as diferentes unidades (separadas ou combinadas. indicam que possivelmente esses sistema não tenha sofrido efeitos de salinização.405 420 EvapAC plantado (teste inicial) 110 370 788 370 5000 200 EvapAC plantado (teste final) EvapAC escala real (teste 112 142 150 363 2002 142 inicial) a ti: tempo que aparece o traçador.3 .cm-1 e 450 ppm não há riscos de salinização para irrigação do solo. Com os valores médios de SDT da água cinza que alimentava o sistema. 1.175 CEvap (teste final Qbaixa) 14 67 1. c TDH: Q/V.330 EvapAC (teste final Qbaixa) 210 300 620 527 1.225 8. com diferentes vazões.cm-1.

43 a b c d λ: tp/TDH.99 2. Cota et al.11 6.93 2. embora o efeito da vazão altere o índice consideravelmente apenas no CW-FHS e no EvapAC. ICC:ti/TDH. no entanto com padrão de vazão baixa e o fato do sistema ter sido alimentado (teste final) a tendência é levar o sistema ao regime de fluxo pistão.24 33.47 14.20 0.77 1.55 CEvap (teste final) 0.50 8.71 0. λa ev b IDM c ICC d Unidades 0. ev: tm/TDH.48 10.82 0. levando o IDM à 81.47 provavelmente o fenômeno de difusão do traçador em zonas mortas e no meio filtrante ao longo do sistema.74 5.64 1. muito superior à 22.96..21 CW-FHS (teste inicial) 0. O fato do sistema ter sido alimentado com água cinza. 2000.2. Com a vazão baixa.01 0. ocorreu uma grande diferença.33 0. sendo o regime de mistura completa.. valores próximos à 22 indicam o regime de mistura completa (Metcalf & Eddy. Tabela 1. No sistema combinado (EvapAC).4 . 2011).98 1.43 0. no teste inicial e final aproximam-se do fluxo pistão. Na CEvap com vazão alta.86 0. 3. IDM: t90/ t10. aproxima ao fluxo pistonado. no teste inicial o sistema apresenta regime de mistura completa.00 0.59 EvapAC (teste inicial) 0. confirmando o fluxo pistão. pois com a vazão menor para o CW-FHS o ICC chega próximo de 0 e do EvapAC 0.47 EvapAC (teste final) 0.27 81.10 CW-FHS (teste final) 0.1 Sistemas em escala de bancada sem a presença de plantas Valores de IDM próximo à 1 indicam fluxo pistão. .63 CEvap (teste final Qbaixa) CW-FHS (teste final Qbaixa) 0.93 1.96 EvapAC (teste final Qbaixa) 0.56 CEvap (teste inicial) 0.00 0. a diminuição da vazão e o ensaio de teste final. com tendência à mistura completa após o sistema ser alimentado com água cinza. esse efeito da menor vazão (Qbaixa) aumentar o IDM foi evidenciado por Cota et al.60 9.Parâmetros utilizados para avaliação hidráulica dos sistemas em escala de bancada e ambiente fechado para dois padrões de vazão (alto e baixo).82 0.20 0. Os valores de IDM para o CW-FHS. 2003). além de curtos circuitos hidráulicos (Levenspiel. não ocasionou mudanças nos valores de ICC.96 3. (2011).04 0.

3). confirmando essa hipótese. o que provoca atraso em sua resposta de saída e gera o fenômeno de cauda longa. (2008) em um reator UASB. se difundido nestas zonas mortas. provocando uma distribuição desuniforme através do meio filtrante. obtiveram valores variando de 0. 1987). e com a diminuição da vazão. o efeito da Qbaixa fez a ev se aproximar de 1.L-1). 2011). sendo liberado aos poucos.47 e 1. .. com atraso na resposta do traçador.55 à 0. aumentou ainda mais a e v. Na CEvap os valores de 2. a ev foi sempre menor que 1. Stevens et al (1986) também notaram que os tempos de detenção hidráulica médios estimados a partir das curvas foram aproximadamente 100% superiores aos tempos teóricos em um reator anaeróbio de leito fluidizado devido à difusão do traçador no biofilme. No teste final. esse índice diminuiu.90.24. A eficiência volumétrica (e v) ou ITRM (índice do tempo de retenção médio) indica se o reator foi totalmente utilizado (valor próximo de 1) ou se somente parte dele (Thackston et al.. Esses resultados indicam a existência de zonas mortas ou adsorção do traçador na biomassa.76 para wetlands construídos de fluxo horizontal subsuperficial. como foi observado nas curvas experimentais (Figura 2. diminuindo o atraso do traçador. após o uso por 110 dias.48 Valores de λ próximos à 1 indicam uma distribuição uniforme do fluxo no sistema e tendência ao fluxo pistonado (Metcalf & Eddy. Cota et al. Para o CW-FHS os testes hidrodinâmicos revelam que a formação de biofilme. com formação de biofilme e lodo na CDig. para teste inicial. respectivamente. 2. também utilizando sal como traçador (67 g. com vazão baixa. alimentado por água cinza e uma taxa de aplicação hidráulica menor diminuem a ev. teste inicial e final os valores de λ são maiores que 0. indicando essa boa distribuição do fluido no sistema. (2003).50 de ev. Para todas as unidades da CEvap. são semelhantes aos resultados obtidos por Carvalho et al. 2003. Chazarenc et al. final e Qbaixa. mas com a vazão baixa a tendência é melhorar. Já no EvapAC a distribuição é relativamente boa no sistema em escala de bancada. Por outro lado. Com relação ao CW-FHS. Embora para o CW-FHS após 110 dias de operação com água cinza.

após os sistemas serem alimentados por 110 dias . entretanto. pois todo o reator é completamente utilizado. CW-FHS (B) e do EvapAC (C) em escala de bancada. valor ideal.3 .49 A B C Figura 2. no teste final.Curva DTR da CEvap (A). a e v foi próxima de 1. Analisando somente o EvapAC.

observou-se que as plantas não causam uma diminuição da eficiência hidráulica (Tabela 2. provocadas por chuvas simuladas. 1997. em ambiente fechado. Tabela 1.00 0. ocorre uma redução de 16%. o sistema EvapAC plantado tende ao regime de mistura completa. em ambiente aberto. (2011).50 com água cinza.. comparando escala de bancada em ambiente fechado e aberto.60 EvapAC plantado (teste inicial) 1. 3. em função do valor de IDM próximo à 22. Isso pode ser um indicador do efeito que as plantas podem evitar a colmatação (Brix. foi que as variações na vazão. A presença de plantas revela que o sistema melhora o valor de ev. Philippi & Sezerino. Um ponto importante notado nas curvas DTR (Figura 2. diminui o efeito de cauda na curva.3 Sistemas em escala de bancada com a presença de plantas Com relação ao sistema plantado.06 25. .Parâmetros utilizados para avaliação hidráulica do sistema em escala de bancada com a presença de plantas em ambiente aberto. com os piores valores de ev.5 . de provocar a lixiviação do solo com água potável para reduzir o acúmulo de sais e matéria orgânica no solo. b ev: tm/TDH.76 para 1. c IDM: t90/ t10. Além disso as plantas tem a capacidade de diminuir o índice de curto-circuito (ICC). com tendências de piorarem.76 3. sugerindo boas condições de mistura no reator. que após 110 dias de aplicação de água cinza. nota-se deficiências nas duas unidades quando analisadas separadamente (CEvap e CW-FHS). diferente do sistema sem plantas. λa ev b IDM c ICC d Unidades 0.35 1. elas mantêm a eficiência hidráulica.00 1. após ser alimentado com água cinza.31 EvapAC plantado (teste final) a λ: tp/TDH. observado também por Cota et al.2. d ICC:ti/TDH.06.00 1.5). Isso confirma a recomendação feita por Al-Hamaiedeh & Bino (2010).4) dos sistemas EvapAC. No teste final. 2004). de 1.

podem ajudar no processo de diminuir a salinização desse sistema. com efeito de chuvas simuladas. evitando a salinização. teste inicial (A) e final (B). .4 . antes e após 110 dias alimentado com água cinza. as precipitações pluviométricas. épocas do ano com muitas chuvas podem ajudar na eliminação de sais ao longo do tempo.Curva DTR do sistema EvapAC em escala de bancada. Partindo desse princípio. em ambiente aberto.51 A B Figura 2. dependendo da região onde esses sistemas forem implantados.

Tabela 1. Isso mostra que quando comparado o sistema com plantas. o que indica o regime de fluxo pistão. O IDM em escala real tende a mistura completa. o efeito da vegetação pode garantir valores próximos de 0 para ICC melhorando essas condições em escala real. Já ev do sistema em escala real não se assemelha ao sistema em escala de bancada.95 (Tabela 6) para λ. foi obtido o valor de 0.3 Efeito das chuvas e condutividade hidráulica Na Figura 2. segundo Persson et al. (1999).70 indicam uma boa eficiência hidráulica.5 . não garante condições de boa mistura do reator. e o tempo necessário para a vazão de início voltar ao normal.52 3.6 pode-se observar o do efeito da chuva na vazão de saída do sistema. para o EvapAC. valores de λ acima de 0. Embora a curva DTR (Figura 2.. e bastante próximo do sistema em escala de bancada. IDM: t90/ t10. 3.42 14.Curva DTR do sistema EvapAC em escala real.6 .75 EvapAC escala real (teste inicial) a b c λ: tp/TDH. .Parâmetros utilizados para avaliação hidráulica do sistema em escala real sem a presença de plantas em uma residência. d ICC:ti/TDH.5) do sistema em escala de bancada quando comparado com escala real seja muito semelhante.2 Sistema em escala real sem a presença de plantas Em escala real. ev: tm/TDH.2. Unidades λ ev IDM ICC 0.10 0. onde o valor do IDM era 10. Figura 2. com o valor de 14. Com um valor de ICC próximo de 1. próximo de 22. e sem plantas em escala de bancada.95 2.

quando então começa a diminuir até o valor do início do teste.Efeito de chuvas simuladas na vazão de saída do sistema EvapAC e na média da CE para as três intensidades de precipitações.h-1 e 60 mm. nem escoamento superficial. provocada pelo acúmulo de sais ao longo do ano. e após 5 minutos aproximadamente. . Na Tabela 7 são apresentados os valores de condutividade hidráulica dos diferentes sistemas. com a precipitação de 90 mm. foi confirmado o efeito da chuva na lixiviação dos sais presentes no sistema. ainda sem ter alimentado o sistema com água cinza. Figura 2. esse efeito pode ser explicado pela capacidade que a chuva tem de lixiviar os sais presentes nos substrato. para as duas etapas. ocorre um decaimento rápido da vazão. ambiente fechado e ambiente aberto. isso não ocorre para intensidade de 90 mm. principalmente no solo da CEvap.6 .h-1. após cessar a chuva de 15 minutos. é visível o retardo na vazão. Enquanto para as intensidades de 45 mm. Ainda no mesmo teste.h-1 pelo tempo de 15 minutos ocorreu escoamento superficial no sistema (CEvap).53 Conforme foi observado visualmente em campo. provavelmente pela condutividade hidráulica da camada superficial de solo ser menor. pelo decaimento da CE no início do teste. o valor da CE começa aumentar. antes de ser alimentado com água cinza (teste inicial) e após ser alimentado por 110 dias (teste final). não provocando alagamento. criando uma lâmina de água apenas na CEvap. até cessar a chuva.h-1. indicando que épocas chuvosas podem auxiliar na diminuição da salinização.

Hoffman et al.3 O efeito das plantas em manter a condutividade hidráulica do sistema. embora tenha sido observado que o crescimento das plantas após 110 dias foi maior do que na CEvap.2 7. temperatura ( oC) e precipitação (mm. respectivamente.0 8. com a CEvap obtendo taxas evapotranspiração mais altas do que o CWFHS. tenha influenciado na evapotranspiração. 2008). diferente do CWFHS (apenas pedrisco).4 Avaliação da evapotranspiração Na Tabela 8 são apresentados os resultados da ET d para o sistema combinado (EvapAC). bem como os valores da ET0 e do coeficiente do tanque kd. se devendo basicamente ao crescimento das plantas no sistema (Brazil & Matos. isso indica que o acúmulo de sólidos é maior na CEvap. já o EvapAC com plantas. na camada superficial).3 7. Na Figura 2.8 9.8 3. O CW-FHS sem plantas e com plantas apresentaram uma perda de K s de7% e 1%. relacionados com a umidade relativa (%). Unidade teste inicial sem plantas CEvap CW-FHS EvapAC com plantas CEvap CW-FHS EvapAC 11. 3.dia-1). que antecede o CW-FHS.dia -1 da evapotranspiração nos sistemas separados (CEvap e CW-FHS). e os sistemas separados. 1997..7 . não sendo tão significativo. pois o sistema EvapAC sem plantas teve uma redução de 63%. 2011) foi observado ao longo do período de estudo. Foi possível observar ao longo do experimento que a capacidade de evapotranspiração foi aumentando ao longo de 80 dias. CEvap e CW-FHS. foi de apenas 4%. são apresentados os valores em mm.0 8.Efeito das plantas na condutividade hidráulica (K s) antes e depois do sistema ser alimentado com água cinza.8 9. .1 9.6 Ks (m.54 Tabela 1.dia-1) teste final 7.7.4 8. isso indica que o substrato da CEvap (solo.1 9. ou até mesmo melhorar (Brix.

plantados com Phragmites australis. além de ser um período mais chuvoso. em escala real. respectivamente.7 5.9 3. diminuindo a capacidade das plantas em absorver água (Glenn et al. Após 80 dias ocorreu uma diminuição drástica da capacidade de evapotranspiração de ambos sistemas. pois por estarem maiores as plantas tinham um maior consumo de água.1 mm.4 20.8 3.4 CEvap CW-FHS EvapAC CEvap CW-FHS EvapAC 3.5 1. onde ocorreu significativamente o crescimento das plantas.dia-1) e ET/Ev em diferentes períodos.dia-1) para os diferentes sistemas e ET0 (mm. nesse período foram registrados os menores valores de umidade relativa. obtendo valores da evapotranspiração (ETd) de 3. embora seja verão (período que abrange os dias 80 a 100). e podem causar riscos de salinização (Ayres & Westcot. elevando a umidade relativa. e consequentemente no sistema como um todo (EvapAC). além do maior número de nuvens e consequentemente menor radiação ao longo do dia (Figura 2. Brazil & Matos (2008) observaram que em períodos de chuvas constantes a capacidade wetlands construídos evapotranspirarem é reduzida. Os valores de CE e SDT das análises de água cinza que alimentam o sistemas estão próximos de 0.6 1.110 a ETo/Ev: relação entre a evapotranspiração calculada (ET o) e a evaporação local (Ev). Períodos (dias) kd ETd ETo ETo/Eva 5. (2012) conduziu estudos em escala real em wetlands construídos de fluxo horizontal subsuperficial.6 3. 1985). com os menores valores de ET d nos meses inicias.1 0 .6 12.80 2.dia-1 à 15.5 9. Headley et al.6 8. Os maiores períodos de perda de água em ambos os sistemas. sendo maior no período de 40 a 80 dias.2 mm.7 6. foi no período de 0 a 40 e 40 a 80 dias. provavelmente pela efeito da salinização do solo.8 80 .1 4.3 5. devido a necessidade da adaptação das plantas ao meio (substrato e o efluente aplicado no sistema).8 3.dia-1. .7 dS. Pois na região de estudo.5 0 . mantendo diariamente o sistema alagado.7 27.110 4.1 10.6 40 . diárias. usando brita como meio suporte.Valores de kd e ETd (mm. o número de chuvas aumenta.8 8. 1995).6 2.55 Tabela 1. Além disso.3 6.2 3. sendo constantes.7).0 3.cm-1 e 450 ppm.8 3.0 18.8 .5 47.2 16. com grandes variações na temperatura da região em estudo.40 7.9 16. por se tratar de uma época seca (poucas chuvas)..4 29.

56 A B C Figura 2. . as plantas já se adaptaram e alcançaram os maiores valores de evapotranspiração e consequentemente o maior valor de kd. relacionados com dados de umidade relativa (A.Valores da evapotranspiração nos sistemas separados (CEvap e CW-FHS). (2009) avaliaram a evapotranspiração da Canna e Heliconia. oC) e precipitação (C. no período de 40 a 80 dias.dia-1). Konnerup et al. mm. valor médio esse do sistema EvapAC durante o período total (0 a 110 dias).dia-1. chegando ao valor de 28 mm. %). pois após 40 dias. onde observou que a Canna tem a capacidade de evapotranspirar mais água que a Heliconia. temperatura (B. Isso foi observado neste estudo.7 .

O CW-FHS apresenta melhores valores de eficiência volumétrica que a CEvap. Sousa et al. com variações de 2. CW-FHS e EvapAC apresentam curtos-circuitos hidráulicos e zonas mortas. Após esse período. indicam uma pobre eficiência hidráulica. Considerações Finais Todos os sistemas. com o valor de kd médio de 4.5 à 7. levando em consideração o volume de água cinza que alimentou o sistema diariamente (25 L. obtendo um valor para o kd de 2. e propuseram uma equação para o dimensionamento. CEvap. onde o clima é geralmente seco e quente. em função das chuvas diárias. Xanthosoma sagittifolium (popularmente conhecida como Taioba) e Canna (popularmente conhecida como Beri). com 4 m2 de área superficial. foi possível calcular uma perda de água no sistema EvapAC de 32% (18% para CEvap e 14% para o CW-FHS). tratando água cinza. onde tem forte incidência solar. que é utilizada em uma configuração combinada com wetland construído. embora os baixos valores de λ. (2012) implantaram um Tanque de Evapotranspiração (TEvap). nota-se os melhores valores de λ. Paulo et al. apenas na CEvap. com deficiências de crescimento das plantas nessa unidade.57 Em função do valor médio de kd na ordem de 8. apenas com a espécie Canna. A CEvap apresenta excelente eficiência hidráulica. os valores de e v maiores que 1. com indícios de formação de algas. com poucas chuvas. . Esse fato pode ter contribuído para queda das taxas de evapotranspiração na CEvap após esse período (80-110). fato que não foi evidenciado no CW-FHS. entretanto pelo atraso na saída do traçador do sistema.8. 4. chegando até 2. com três tipos de plantas: bananeiras (Musa cavendishii). (2004) observaram valores de perdas em torno de 50%. Quando analisado somente o EvapAC. e de ev. (2011) no sul da Itália. o que levou a diminuir a evapotranspiração no CW-FHS também. Comparando esse valor com o valor obtido para a CEvap. tratanto água negra em uma residência. Com esses alagamentos a água cinza escoava superficialmente. indicando ótima eficiência hidráulica e volumétrica do sistema.7. semelhante à reatores UASB. formando caminhos preferências no solo.71. observou-se que a CEvap apresentou uma maior capacidade de evapotranspiração. resultando em perdas semelhantes ao observado por Borin et al. Já no nordeste do Brasil. ficou mais evidente a formação de escoamento superficial e alagamentos.2 para o período total. revelam o efeito da recirculação interna.dia -1).

do que analisado somente o EvapAC. além de melhorar a λ e diminuir o índice de curto-circuito. entretanto diminuiu a ev. porém diminui a eficiência volumétrica. diminuindo o processo de salinização. diminuindo o processo de salinização do sistema. pela diminuição da vazão e formação de lodo na CDig. a presença de plantas também melhorou a λ. chegando a valores de 32% em relação ao volume que entra. com tendências. ao fluxo pistonado.  O CW-FHS no teste inicial apresentou o regime de fluxo pistão. biofilme no substrato e acúmulo de sólidos. além de ter evitado a redução da condutividade hidráulica. apresentam piores valores de λ e ev. auxiliou no processo de lixiviação dos sais pelos eventos chuvosos simulados. indicando que os sistemas devem ser dimensionados separadamente e a busca por soluções para melhorar as condições hidráulicas também. e auxiliam no processo de lixiviação dos sais acumulados pelos eventos chuvosos simulados. caso não seja viável o reuso. biofilme no substrato e acúmulo de sólidos. à mistura completa. com tendências. porém quando analisado individualmente as unidades (CEvap e CW-FHS) observou-se adversidades no comportamento hidrodinâmico do sistema. . e promoveu melhores condições de mistura no reator diminuindo o índice de curtocircuito. que foi observado comparando o teste inicial e o teste final. com o objetivo de descarga zero.58 O efeito da vazão é mais significativo no comportamento hidrodinâmico do sistema do que possíveis efeitos da formação de biofilme. indicando a possibilidade de utilizar esse sistema em linha.  A CDig melhorou a λ. Conclusões  O sistema EvapAC apresentou excelentes valores de eficiência hidráulica (λ). O período de crescimento das plantas aumenta significativamente a perda de água no sistema. pela diminuição da vazão e formação de lodo na CDig. As plantas no sistema evitam significativamente a redução da condutividade hidráulica. Em média a CEvap apresentou uma maior capacidade de evapotranspiração do que o CWFHS. A CDig melhora a eficiência hidráulica do sistema. promovendo melhores condições de mistura no reator. após operação de 110 dias com água cinza.  A CEvap no teste inicial apresentou o regime de mistura completa. após operação de 110 dias com água cinza. lodo na CDig e o acúmulo de sólidos. 5. Quando as unidades são analisadas separadamente (CEvap e CW-FHS).

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