RESENHA: IMAGENS DA ORGANIZAÇÃO, GARETH MORGAN

Disciplina: Teoria Geral da Administração I Alunos: Breno Cunha Oscar Dias Pedro Gusmão

Gareth Morgan nasceu no País de Gales, 22 de Dezembro de 1943. É um Teórico Organizacional britânico, Consultor de Administração e professor Emérito da Universidade de York em Toronto, conhecido como criador do conceito da "Metáfora Organizacional" e autor do best-seller Imagens da Organização. O livro “Imagens da Organização”, de Gareth Morgan, fala sobre diferentes abordagens a respeito da organização e como ela pode ser comparadas a outros tipos de visão a respeito dela própria. É dividido em Introdução e capítulos que vão de dois a onze, onde metáforas são aplicadas para descrever e fazer o leitor compreender melhor a organização, já que, segundo o autor, é uma tangência geral acreditar que as organizações são, geralmente, complexas, ambíguas e paradoxais. O autor interpreta as organizações a partir de metáforas, comparando-as a imagens que permitem vê-las enquanto máquinas, organismos vivos, cérebros, culturas, sistemas políticos, prisões psíquicas, fluxos e transformações e, finalmente, enquanto instrumentos de dominação. A abordagem apresentada neste livro deixa claro que as organizações são geralmente complexas, ambíguas e repletas de paradoxos. Como propõe o autor, o verdadeiro desafio é aprender a lidar com esta complexidade. No capítulo 2, “A mecanização assume o comando: As organizações vistas como máquinas”, Morgan compara as organizações com máquinas e explica como esse modelo de pensamento está ligado à burocratização. Para dar início ao capítulo, é apresentado um dialogo entre um sábio chinês e um senhor trabalhador do campo que discorrem sobre os efeitos causados a partir do uso das máquinas, no coração do homem. Com esse diálogo dar- se início a pensamentos que geram debates com relação aos diferentes pensamentos, sob os ganhos, sendo o principal deles “A transformação da humanidade em senhores virtuais dela” (MORGAN, 1996). E as lesões causadas na sociedade, como por exemplo, “Transição de uma produção artesanal para outra industrial, êxodo da comunidade rural para os centros urbanos, a degradação geral do ambiente e a agressão da racionalidade sobre o espírito humanístico” (Morgan, 1996). Para e evidenciar as mudanças causadas na organização moderna o autor apontar a rotina diária dos trabalhadores exigidos pela precisão do

regras detalhadas. a regularidade. pois são rotineiras. a rapidez. de descanso e ate o desempenho das atividades são influenciados pelas horas. especialização do trabalho e supervisão hierárquica. Mais adiante o sociólogo Max Weber concluiu que a definição de burocracia caracteriza-se como uma forma de organização que enfatiza a precisão. Sendo que em muitas empresas um turno substitui outro para que não haja interrupção na linha de produção. confiáveis e previsíveis. a clareza.relógio. Máquinas. “Várias tentativas foram feitas para codificar e promover as idéias que poderiam levar a organização a uma gestão eficiente do trabalho” (MORGAN. Na primeira seção. uma vez que quando se fala em organização a imagem que vem em mente é de uma estrutura de coordenação por meio de relações que tem se tornado mecânicas. fazendo com que as organizações se adaptassem as exigências dos maquinários. proveniente do controle exercido pelos supervisores decorrentes dos novos equipamentos. Weber também concluiu que o crescimento da burocracia traria sérios problemas sociais. de modo a aumentar à eficiência e consequentemente a redução do poder de liberdade de ação do indivíduo. Pensamentos Mecânicos e Surgimento da Organização Burocrática. Alem de Max e de Smith outro grupo de teóricos estabeleceram as bases para a divisão da . A principal transformação surgiu com a invenção da máquina durante a Revolução Industrial na Europa e América do Norte. Tornando assim o trabalho realizado cada vez mais maquinal. Para melhor compreensão das organizações é necessário primeiro que se entendam as origens e os motivos que levaram a uma mudança no comportamento da estrutura organizacional. Morgan faz uma prévia dos assuntos que serão discutidos posteriormente. 1996). Com essas mudanças o economista Adam Smith após muitas observações propôs que houvesse uma divisão nas tarefas. por meio da divisão de tarefas fixas. Enfatizando que “As organizações que operam como se fossem máquinas são comumente chamadas de burocracias” e que esse termo burocracia surgiu devido a maneira mecanicista do pensamento. regulamentos e uma supervisão hierárquica. eficientes. Onde é determinado o horário de entrada e saída. a confiabilidade e a eficiência.

obediência. A hierarquia é em forma de pirâmides. 1996). Entretanto foi orientado que o ser humano se adequasse as organizações mecanicistas. as ordens são passadas do topo para a base. sendo assim as tarefas são planejadas nos mínimos detalhes. 1996). sendo este um dos motivos que geraram critica ao sistema. isso devido aos princípios básicos que ele defendia. Com esse pensamento foram definidas técnicas. organização. Incluindo ainda o grau de especialização do trabalho. atualmente também representado como organograma empresarial. Por ultimo. defendendo a separação entre mãos e cérebro”(MORGAN. direção e coordenação. enquanto que as tarefas pesadas ficavam por conta dos trabalhadores. que antes de falecer ganhou a reputação de “o maior inimigo do trabalhador”(MORGAN. Com isso ocorreu à padronização das atividades de trabalho. A segunda seção. A Teoria Clássica da Administração: Planejamento das Organizações Burocráticas apresenta a idéia de que a administração é um processo de planejamento. A disciplina. a unidade de comando. Em contra partida os teóricos clássicos reconheceram a importância do equilíbrio e harmonia entre os aspectos humanos e técnicos. O surgimento da administração científica foi gerado por Frederick Taylor. ou seja.administração em: “Teoria da administração clássica. Dentre os princípios básicos da administração clássica destacam-se. comportamento e atitudes de respeitos devem ser adaptados aos regulamentos e hábitos das organizações.” que focalizam sua atenção no planejamento da organização total e a “Administração científica” que visa o planejamento e a administração de cargos individuais. A seleção e o treinamento do trabalhador também fazem parte dos princípios básicos da administração científica. a fim de que não haja perca de tempo nem de movimentos. Estudar o trabalho de modo que se encontrem os meios mais eficientes para que ele seja realizado. a qual apenas um empregado recebe ordens de um supervisor. que são: A transferência das responsabilidade da organização a cargo dos gerentes. empenho. controle. como o sistema de planejamento e programação de orçamentos. separando dessa forma o planejamento e a organização da execução. Taylor “divide o trabalhador. ou seja. .

o trabalho havia se tornado monótono ou alienante. a relação direta da organização mecanicista com o funcionamento de uma máquina. influenciadas por meio da administração científica de Frederick Taylor. 1996). ocorre porque ela preenche todas as condições. Com esses conjuntos de alterações nas organizações o objetivo de Frederick era fazer com que os trabalhadores fossem baratos. da submissão e comportamento planejados dos trabalhadores e da existência de um ambiente estável para assegurar que os produtos sejam apropriados. de treinar e de substituir. “As forças e limitações da máquina. 1996). na prática” (MORGAN. um instrumento para assegurar o controle geral sobre a situação de trabalho como um meio de chegar á geração do lucro” (MORGAN. Para isso ele defendeu a tendência da mecanização. para assegurar que este venha sendo realizador de forma correta a fim de atingir os resultados adequados. “enquanto acelera a substituição de habilidades especializadas por trabalhadores não qualificados” (MORGAN.Taylor defende que haja uma fiscalização eficiente quanto ao desempenho do trabalhador. sobretudo. Com isso pode –se notar que as organizações que utilizam o modelo mecanicista e obtêm total sucesso. da precisão como meta. Caracterizando assim. Dessa forma as forças da organização mecanicista dependem do fluxo de tarefas continuas a serem realizadas. proveniente da falta de oportunidade para a exposição de idéias. foi o aumento da produtividade. Em contra partida para os trabalhadores. Uma das conseqüências positivas para as organizações. as organizações mecanicistas também apresentam suas limitações: A criação de formas organizadas com dificuldade de adaptação a circunstancias de mudanças. fáceis de supervisionar. da produção de um produto único. enquanto uma metáfora da organização é refletida nas forças e limitações da organização mecanicista. especialização e burocratização. e com curto espaço de tempo entre uma e outra. pois com todas as mudanças as tarefas tornaram repetitivas. uma vez que somente os “gerentes” pensavam e os . Sendo assim “o taylorismo é. Alem das forças. mais uma vez. vistas antes como uma força social por Weber. 1996).

“A metáfora da máquina tem especial apelo para indivíduos e grupos que desejam exercer controle cerrado sobre as pessoas e suas atividades. bem como inovações. com a invenção da máquina fez-se necessário transformar artesãos em operários e isso exigiu mudanças em vários aspectos: comportamento.” (MORGAN. que os trabalhadores são capazes de propor. 1996) dessa organização. onde a ênfase estava na produção e o ser humano era apenas parte do processo. tornando a organização mecanicista ineficaz.trabalhadores apenas utilizavam a força como trabalho e principalmente devido à estrutura que é planejada para atingir objetivos predeterminados. a degradação geral do ambiente e principalmente. divisão de tarefas. e as organizações perdem as contribuições inteligentes. Com isso os problemas são ignorados ou mal resolvidos acarretando problemas de imobilismo e falta de cooperação. não permitindo a flexibilidade e capacidade de ação criativa bem como a inovação. Em ultima análise Morgan finaliza mostrando que tanto os empregados como as organizações perdem. a partir da introdução de organizações baseada no sistema mecânico. Sendo a ultima limitação geralmente ocasionados em trabalhadores que se encontram na base do organograma No momento histórico do início da Revolução Industrial. Os empregados perdem oportunidade de crescimento pessoal. é importante perceber que Max Weber não estava interessado em analisar as organizações formais enquanto . pois passam muitas horas em trabalho que não lhes valorizam. por exemplo. Na analise de seu trabalho. O surgimento de um tipo de burocracia sem significado ou indesejável e a produção do efeito desumanizaste sobre os empregados ainda fazem parte das limitações empresarial. treinamento de como operar as máquinas. A burocratização e a mecanização das organizações trouxeram consigo algumas consequências como. a agressão da racionalidade sobre o espírito humanístico. O autor cita Max Weber que discute as dicotomias entre mecanização e organização.

de impérios. Ao contrário. O autor cita no livro nomes de muitos teóricos. Discute as organizações e como os seus membros são vistos como tendo diferentes tipos de “necessidades” e examinando como essas organizações podem desenvolver diferentes padrões de relacionamento que às permitam a adaptar ao seu ambiente.fins em si proprias. O uso da metáfora orgânica especifica as organizações como as unidades chaves para a análise. Igrejas e armadas. usa mais uma metáfora para ilustrar as organizações como organismos vivos e procura ver e entender as necessidades biológicas de cada uma delas e sua relação com o ambiente. . Toda crença. Gareth. Morgan explicíta que a origem da organização mecanicista nos remota aos tempos das construções das pirâmides do Egíto. processos estes que assume diferentes formas em diferentes épocas e em diferentes contextos. em termos de responsabilidades nos cargos e o direito de ordenar e exigir obediência. Assim. como Elton Mayo (experiência de Hawthorne) que fundamentou a Teoria das Relações Humanas. As mudanças na estrutura organizacional visaram à operação tão precisa quanto possível dentro dos limites de autoridade. da teoria da clássica da administração e a sua aplicação moderna é de sugerir que as organizações podem e devem ser sistemas racionais que operem de maneira tão eficiente quanto for possível. como por exemplo. Dentre os nomes que mais se destacaram estão Maslow e Herzberg. enfatizando a importância das relações dos meios para com os fins. no capítulo 3 “A natureza entra em cena: As organizações vistas como organismos”. Os princípios da Administração Científica que foram estabelecidos por Taylor. a forma burocrática de organização era vista pela sociedade em sua totalidade. Desse estudo foram desenvolvidos muitos outros relacionados à motivação do ser humano no trabalho. de acordo com o autor. surge como um homem sustentado pela determinação de implantar sua visão a qualquer preço. estava preocupado em compreender os processos de organização. fazendo parte de um contexto social amplo. porém com o avanço da tecnologia a burocratização tornou os processos em rotinas exatamente como as máquinas torna rotineira a produção. Taylor defendeu o uso de experiencias de tempos e movimentos para analisar e padronizar as rotinas de trabalho.

social e psicológico. Desde o século XIX é possível saber que trabalhadores motivados são aqueles que estão satisfazendo suas necessidades pessoais. Existe um conceito de que diferentes espécies de organização são necessárias para atender as exigências de diferentes ambientes. Eles tratavam a organização como um sistema mecânico fechado e se preocupavam apenas com os princípios de planejamento interno mas. órgãos do governo e etc. De acordo com teóricos esta perspectiva possibilita identificar e estudar diferentes tipos de necessidades organizacionais. A idéia de integrar as necessidades dos indivíduos e das organizações tornou-se uma força poderosa pois criam trabalhadores mais motivados além de encorajar as pessoas a exercer suas capacidades de auto controle e criatividade. ao passar do tempo percebe-se que para se organizar tem de focalizar o ambiente devido a várias interações diretas das organizações com clientes. Para as organizações acompanharem essas mudanças é importante a visão em diferentes perspectivas. sendo que cada organização tem características distintas e desenvolvem processos e estruturas apropriadas para lidar com os desafios e se adaptar ao ambiente.O mercado está em constante mudança. as organizações fazem o mesmo em busca da sobrevivência. Dentro de cada espécie a organização eficaz depende do desenvolvimento de um conjunto de relações coesas tanto no seu ambiente interno quanto no externo. Ao entendermos que indivíduos e organizações têm necessidades que precisam ser atendidas percebemos que as organizações dependem de um ambiente amplo para vários tipos de sustentação. Segundo a teoria da perspectiva populacional as organizações estão sofrendo freqüentes modificações visando a sua sobrevivência no mercado que busca . Ao observar as organizações identificou-se que os empregados possuem necessidades complexas e que precisam ser satisfeitas para que tenham um bom desempenho e mantenham sua eficiência. Analisando a empresa como um organismo que procura se adaptar em um ambiente de mudanças. Os teóricos da administração clássica devotaram relativamente pouca atenção ao ambiente. sindicatos. concorrentes. fornecedores. Hoje os estudos mostram que as pessoas são motivadas por uma hierarquia de necessidades que passam pelo fisiológico.

onde os sistemas devem ter a capacidade de sentir. “Aprendizagem e auto-organização: As organizações vistas como cérebros”. Considera que a empresa que consegue concentrar a atenção em novos clientes é capaz de se adaptar a nichos de recursos não existentes. o emprego dessa metáfora na teoria organizacional encontra-se em um estágio de desenvolvimento relativamente fraco. Consta-se criticas particulares sobre a teoria como a que acredita que uma empresa sucedida que esta á se adaptar no nicho de mercado esta suscetivel ao fracasso apenas pelos aspectos ambientais. A metáfora do cérebro auxilia na compreensão de uma organização que pode ser vista como um sistema cognitivo. algumas conseguem segurar nichos de recursos a curto prazo. O cérebro tem sido colocado como um complexo sistema de informações e as organizações também levando a uma moderna maneira de planejar as organizações do futuro de acordo com esse princípio. Morgan aborda duas imagens ou metáforas que representam suas ideias para compreender as organizações através de imagens do funcionamento do cérebro: (1) o cérebro como um sistema de processamento de informações capazes de aprender a aprender. Ao comparar com a complexidade e o mistério de pesquisas a respeito do cérebro. monitorar e explorar aspectos significantes do seu ambiente.organizações inovadoras e compactas. a ideia de utilizar o cérebro como uma metáfora para a organização cria novas e excitantes possibilidades. corporificando uma estrutura de pensamento. onde as capacidades requeridas no todo estão embutidas nas partes. Embora os administradores tenham reconhecido a importância de desenvolverem melhores sistemas de comunicação para a transmissão de informações importantes para onde isto se faz necessário. mas que a longo prazo acabam sendo extintas. e (2) o cérebro como um sistema holográfico. e um padrão de ações. enquanto que em algumas teorias tradicionais de organização a atenção tem voltado ao modo pelo qual os elos de comunicação são estabelecidos entre os diferentes componentes organizacionais. No mundo coorporativo a união entre organizações são essenciais para a sobrevivência proporciona formações de quartéis formais e informações ajudam a conter a concorrência. A ele (o cérebro) fica incubido o processamento da informação e suas reações a fim de atender . No capítulo 4.

Por exemplo. . De acordo com essa teoria as organizações são instituições que fragmentam. Herbert Simon e colegas. Isto porque esses limites são institucionalizados na estrutura e nos modelos de funcionamento delas. em princípio. participação em um jogo. na melhor das hipóteses. Essas organizações têm nos seus membros uma limitada habilidade de processos de informação e.todas necessidades detectadas. A interpretação da metáfora da cultura adotada nesse capítulo possui um caráter bastante abrangente. Para agir assim as organizações devem melhorar a capacidade de inteligência organizacional. às organizações cabe se modernizar em deversos conceitos e buscar as ferramentas corretas. Gareth fala de pontos fortes e fracos nesse modelo e nos convida a reflexão. Conseguindo que o todo e suas partes agissem como pequenos comandos ligados a um comando central. rotinizam e tolhem os vários processos de tomada de decisão em lugar de estimulá-los. Nenhum sistema feito pelo homem. As ideias discutidas formam um conjunto de descobertas que. como só o cérebro é capaz. até hoje. drama. com objetivos equivalentes. A estratégia. a estrutura e a natureza de liderança adotada influenciam diretamente na cultura organizacional no ambiente de trabalho. explorando paralelos entre a tomada de decisão do homem e a tomada de decisão da organização. valorizando o seu capital humano permitindo e substanciando-o de ferramentas para tal discernimento e ação. está próximo de atingir essa sofisticação. que iniciaram nos anos 40 e 50 o enfoque a compreensão organizacional. Este novo modelo “pensante” será um grande avanço onde o processo de racionalidade instrumental daria lugar a um sistema de ação inteligente. ou até mesmo um texto. Finalizando. “A criação da realidade social: As organizações vistas como culturas”. podem chegar somente a formas de racionalidade pouco formalizadas. em vários pontos de discussão são feitas referências à ideia de que a atividade organizacional é compreendida como linguagem. teatro. poderiam ter sido desenvolvidas em si próprias. O autor cita do ganhador do prêmio Nobel. No capítulo 5. conhecido como “enfoque da tomada de decisão”. o autor deixa transparecer que considerar as organizações como culturas ajudar a educar o comportamento organizacional de vários estilos de pessoas à filosofia da organização.

Essas organizações possuem rotinas e ritos que as identificam como uma vida cultural distinta quando comparada com aquela em sociedades mais tradicionais. e assim por diante. leis e ritos cotidianos. A organização é como um fenômeno cultural que varia de acordo com a sociedade. Trabalhadores do Século XVIII têm culturas e rotinas diferentes dos trabalhadores do Século XIX. Cabe-nos a compreensão de que as organizações sofrem influência das culturas e subculturas que interagem com elas. conflitos e poder. A metáfora política nas organizações . Metaforicamente a palavra cultura vem de cultivo. cultura nos faz ver que diferentes grupos de pessoas têm diferentes estilos de vida. levando em conta o meio onde estas estão inseridas. visto que são formadas pelos seus membros e suas peculiaridades. “Interesses. Morgan cita o cientista político Robert Presthus que fala da “Sociedade Organizacional”. o que torna as culturas organizacionais ímpares. bem como as incontáveis intrigas interpessoais que promovem desvios no fluxo da atividade organizacional. A metáfora política objetiva avaliar os aspectos do funcionamento da organização no sentido de que devem ser encontradas formas de criar ordem e direção entre as pessoas com interesses diversos e conflitantes. A natureza de uma cultura é encontrada nas suas normas e costumes sociais. de forma isolada e em conjunto. Mudam-se os contextos. No capítulo 6. onde as grandes organizações interferem no dia-a-dia das pessoas de forma peculiar e diferenciada. hoje em dia. no entanto refere-se ao padrão de ideologias. conflitos e poder: As organizações vistas como sistemas políticos”. São influenciadas pelos contextos e pelas mudanças que sofrem as populações. de plantio. crenças. fazendo uso de seus raciocínios limitados atentos aquilo que assimilou durante sua vida. por isso Morgan usa esta comparação para ilustrá-la. Percebe-se que cada indivíduo tem suas próprias crenças e valores e isso interage com o meio onde vive.A partir desse período os teóricos e administradores dão maior ênfase a diversos estudos sobre cultura e organizações. mudam-se as culturas. cremos que para entender esse fenômeno chamado Japão. que algumas vezes ocupam o centro das atenções. focalizando as relações entre interesses. a política organizacional é abordada.

Mas é possível a política e a ética co-habitarem. No capítulo 7. deve ser por causa da visão negativa que se têm dos políticos. os interesses giram em torno dele. a política não tem esse caráter tão medonho. no sentido de que são a conjunção de processos . como ideal político. de presidentes a operários. como pregava Aristóteles.pode ser interessante. potencialmente. Tudo depende do caráter de quem faz e do meio em que se faz política. Existe uma tendência a associação de política com algo ruim. são as pessoas que desvirtuam as características para alcançar seus objetivos a qualquer preço. também. há a ideia de que os seres humanos possuem uma inclinação à caírem em armadilhas criadas por eles proprios. das organizações pluralistas: caracterizadas por tipos idealizados de democracias liberais em que. mas possível. difícil. Morgan nos fala. Esta metáfora combina a ideia de que as organizações são fenômenos psíquicos. quando os interesses são direcionados para aspectos do funcionamento organizacional onde os resultados são favoráveis para o coletivo. todos fazem política a fim de sobreviverem e progredirem em suas atividades. Assim. para alcançar os objetivos. A competição acirrada provoca atitudes que muitas vezes está pautada em interesses pessoais. nem sempre tão éticas. beneficiará toda a organização. a negociação é parte importante para criar uma unidade a partir da adversidade. e assim. Pois dos conflitos podemos tirar ensinamentos e das vitórias podemos nos brindar pelos nossos méritos. O Poder na política é quem resolve os conflitos. Ou seja. Os protagonistas usam de suas habilidades políticas. Observa-se que o objetivo ao escrever este capítulo foi o de explorar dois aspectos da prisão psíquica: primeiro associado ao inconsciente e o segundo ligado ao papel ideologico. “Explorando a caverna de Platão: As organizações vistas como prisões psíquicas”. as tendências autoritárias são mantidas sob controle pelo livre jogo de grupos de interesses que têm alguma semelhança com governo político. é salutar que possamos ter uma visão mais ampla do que é política e como poderemos utilizar esse mecanismo a nosso favor. A competição acirrada nos leva a pensar dessa forma porém. mas não é bem assim.

por temer não ser capaz de alcançar o mesmo sucesso. Nas organizações a luta interna e a selvageria da competição existente se transformam em impulsos destrutivos que se desencadeiam a partir do interior e cria uma cultura permeada de sadismo. Os moradores da caverna conseguem enxergar a parede à sua frente onde se projetam sombras. pensamentos e ações que esses processos geram. A metáfora de Platão define a realidade como sendo composta de dois domínios. sendo imprescindível delegar a alguém que domine a língua fazer uma revisão completa da obra para não se incorrer em erros grosseiros depois. se um deles deixasse a caverna veria que as sombras nada mais são do que reflexos escuros. os quais são o domínio das coisas sensíveis e o domínio das ideias. iniciando-se com Platão. Dentro dela encontramse pessoas acorrentadas de tal modo que não podem mover-se. cuja entrada se acha voltada para uma fogueira crepitante. ideias. Essas pessoas conversam entre elas. Os indivíduos criam a sua realidade e frequentemente o fazem de formas confinadoras e alienantes. As ideias expressas neste trabalho caracterizam uma longa história do pensamento social. gramática e etc. porque seus olhos leem o que está no subconsciente e não o que está impresso. O “mito da caverna” fala sobre uma caverna subterrânea. Este processo oculto pode minar a capacidade de desenvolver o espírito cooperativo do grupo. imagens e conceitos com a necessidade de crítica radical desta situação. Os trabalhos de Freud.. mas não percebe os erros de ortografia. Jung e de vários “teóricos críticos” possuem ataques em relação ao problema básico. com a noção de que elas podem tornar-se confinadas ou prisioneiros de imagens.conscientes e inconscientes que as criam e as mantém como tais. Segundo Winnicott criamos . É o mesmo sentimento que um escritor tem de sua obra. Mas. A inveja de seus companheiros pode levar a um bloqueio na aceitação do sucesso deles. segundo Sócrates. ele a escreve. ligando a ideia de que os humanos caem em armadilhas preparadas pelas suas preocupações. Esse sentimento de pensamento de grupo onde todos enxergam da mesma forma e não percebem as nuances dos problemas. cabendo a alguém de fora lhes mostrar o quão equivocados pode estar.

“Revelando a lógica da mudança: As organizações vistas como fluxo e transformação”. Enfatiza que as ordens. realizando assim a lógica do sistema. tanto a explícita quanto a implícita. No capítulo 8. determinadas as ordens explícitas tornam-se prováveis ou possíveis. convida-se a enxergar o universo como um conjunto de relações que se desdobram. um conjunto de potencialidades que se tornam explícitas de maneira probabilística. A análise de Bohn é sugerir que a nossa realidade é moldada por mecanismos geradores que veem do domínio real e que os domínios do atual e . Bohn usa metáforas para expressar seu ponto de vista. Por exemplo. ênfase na criatividade inerente à ordem implícita. Sempre buscamos no passado inspiração para viver o presente. as suas ideias só puderam ser compreendidas e lidas através de fontes secundárias. Sob condições apropriadas. Na verdade. Este capítulo desenvolve uma visão que recebeu pouca atenção na teoria organizacional. Tem partida nas ideias de Heráclito. se encontram em interação e produzem e reproduzem formas através de um ciclo de projeção. em que diferentes notas e instrumentos evoluem dentro de uma relação para criar um som codificado na ordem implícita de pauta musical. fluxo e transformação é uma metáfora que baseia na compreensão lógica da mudança que dá forma à vida social. reproduzindo relações arquetípicas para dar sentido aos dilemas fundamentais da vida.fetiches para nos dar conforto e segurança. embora sejam vistas como dependentes de forças profundas dentro da ordem implícita para que possam existir. ele sugere que o seu reino pode ser o da pura criatividade. As formas percebidas na ordem explícita permite certo grau de autonomia e autorregularem. é importante percepção que este coloca. Ao apreciar a teoria de Bohn. Apesar da importante influência de Heráclito na evolução da ciência e dos pensamentos ocidentais. Conforme Ian Mitroff somos todos primitivos de coração. considerável. Daí porque somos tão resistentes a mudança. Se para os filósofos a liberdade é a visão do conhecimento. para os psicanalistas a liberdade é o conhecimento do inconsciente para criar um mundo melhor e interagir de forma mais completa com o ambiente e transformá-lo em algo mais agradável e seguro aos nossos olhos. injeção e reprojeção. assim como as relações encontradas em uma sinfonia musical.

do empírico são. A metáfora da organização explicita para o centro de nossa atenção o outro lado da vida organizacional. Esta teoria sugere que tenhamos um entendimento mais amplo dos segredos do universo. convida a examinar a extensão na qual representa um aspecto intrínseco do modo pelo qual é decidido se organizar. na verdade. como efeitos colaterais não intencionais. que os interesses das classes dominantes tendem a convergir para uma propriedade e um controle centralizado e que as políticas governamentais freqüentemente atuam no sentido de manter e servir aos interesses dos grupos sociais dominantes. Embora ele possua uma forma relativamente constante. ou seja. a discussão deste capítulo coloca estas questões no ambito principal. Ao considerar a metáfora da dominação como uma estrutura básica para a análise organizacional. As formas percebidas na ordem explícita permitem-se certo grau de autonomia e auto regulamento. no sentido de que devem ser tratadas como dominantes nas colocações sobre a natureza e sucesso das organizações na sociedade moderna. o autor gostaria que todos percebessem que a realidade é construida e não estipulada. serão sempre vistas como dependentes de forças mais profundas dentro da ordem implícita para que possam existir. Temos ênfase que a conspiração ocorre por intenção e não por . como infortúnios. ou ainda como questões ligadas à ética da organização e ao relacionamento entre esta e a sociedade. Morgan usa exemplo bem simples para o entendimento desta teoria. Muitas evidências sugerem que padrões de dominação estão baseados em classes. tendências percebidas que emprestam forma específica a processos dentro do primeiro domínio. elas são vistas. “A face repugnante: As organizações vistas como instrumentos de dominação”. para atingirem seus objetivos. porém. No capítulo 9. De modo prescritivo. Morgan analisa a metáfora da dominação e mostra que organizações exploram os seus colaboradores e o meio em que estão inseridos. ele será a ordem explícita dentro da ordem implícita de acordo com um processo coerente de transformação. Quando estas questões são tratadas na teoria organizacional. Entretanto isto não significa que existe uma idéia de conspiração na maneira pela qual um grupo social ou classe se coloca diante do outro. ele só existe no movimento do rio. o redemoinho.

corremos o risco de não visualizar que existem organizações com formas não dominantes. Uma compreensão mais sistemática ajudaria a criar um sentido mais amplo de responsabilidade coletiva e a descobrir maneiras de reformular o problema de modo a estabelecer novos tipos de ação corretiva. sob a óptica desta metáfora. e assim por diante. No capítulo 10. Esta metáfora deveria criticar os valores que orientam a organização e focalizar mais a distinção entre as formas exploradoras. genericamente. Gareth mostra como as diferentes maneiras de reflexão sobre a organização são usadas de modo prático para efetuar leitura e compreensão de varias situações específicas e para orientar. um meio cultural caracterizado por crença. Os processos de leitura. O livro nos mostra que é possível desenvolver e ampliar a própria habilidade de ler a organização. pois uma sociedade têm raízes em alguma estrutura egoísta de motivação ou numa política consciente de exploração. o planejamento e a administração das organizações. instrumento usado por um grupo de pessoas que exploram ou dominam os outros.acaso. uma arena onde lutas subconscientes e ideológicas possuem lugar. porem possui dificuldades para sobrevier em outros. “O Aprendizado da Arte da Análise Organizacional”. Quando afirmamos uma equivalência entre dominação e organização. O autor parte da premissa de que as organizações podem ser diversas ao mesmo tempo. que sugere uma abordagem. Culpa. um sistema político no qual pessoas colidem para garantir apenas os seus próprios fins. Uma organização do tipo máquina é uma espécie de organismo capaz de sobreviver em alguns determinados ambientes. combinam para criar um único modelo de compreensão. um símbolo ou manifestação de um processo profundo de mudança social. valores e práticas sociais distintas. baseados na leitura-diagnóstico e de avaliação críticas. para pôr em prática tais metáforas. um sistema de processamento de informações que se revela especializado para determinados tipos de aprendizagem. uma empresa de relações públicas fundada por quatro . abrir defesas ou ocultar problemas são conseqüências da dominação vistas como parte de uma conspiração social ou como a responsabilidade de alguns indivíduos. mas não para outros. Morgan utilizou o caso da empresa Multicom. a linha de evolução histórica.

os sócios majoritários já não conseguia trabalhar no mesmo ritmo que antes e começaram a sentir o desejo de controlar melhor a empresa. No capítulo 11. porém no terceiro ano os interesses entre os sócios foram tornandose conflitantes. Walsh e Bridges continuaram na nova Multicom. Walsh e Bridges detinham cada um 40% das ações da empresa. não queriam atribuir maior participação do capital da firma aos outros dois sócios. No entanto. enquanto Beaumont e Rossi tinha apenas10% cada um. a tarefa de organizar é realizada conforme o imaginado e é sempre possível imagina-la de varias formas diferentes. Imagens e metáforas não são somente construtores de interpretação ou diversas formas de encarar a realidade: elas fornecem também uma estrutura para determinada ação. Sendo assim. sua originalidade e as suas características foram alteradas. Dois dos sócios. . Os sócios majoritários defendiam “mais sistemas” para reorganizar a firma. A organização é. Imagens e metáforas não são somente construtos interpretativos na tarefa de análise. Ao reconhecer os paralelos estreitos entre pensamento e ação na vida organizacional é. possível reconhecer que o modo pelo qual é feita a “leitura” das organizações influencía como as mesmas são concretizadas. Em lugar de apenas interpretar as organizações são. também. explicita que. o modo de enxergar o fenômeno desconfigura a compreensão da natureza do fenômeno. e os outros dois criaram a Media 2000. determinada por imagens e ideias subjacentes. na maioria dos casos. burocratizar alguns processos. o autor defende a hipotese de que as organizações são diferentes coisas ao mesmo tempo e. A Multicom continuou a produzir bons trabalhos. preservaram as características e os mesmos princípios que levaram a antiga Multicom ao sucesso. Em contrapartida. Beaumont e Rossi adotoram o estilo pioneiro da Multicom na Media 2000. Porém. Já Beaumont e Rossi sentiam-se bem como estado atual da empresa. São fatores intrínsecos ao processo de imaginação através do qual as pessoas podem representar ou “descrever” a natureza da vida organizacional. os sócios separaram-se: os mais velhos. A Multicom teve um início de grande sucesso. a Multicom entrou em um processo de burocratização. mas perdeu a sua essência. o livro mostra que é possível mudá-las. que trabalhavam em outra empresa. “Imaginização: Uma Direção para o Futuro”.pessoas.

No caso da Multicom. Após a leitura. o livro também se preocupa em mostrar como o método geral de análise pode ser usado como um instrumento prático de resolução dos problemas organizacionais. São muitas as características que uma organização pode desenvolver. em geral. bem como devidamente informada. dessa forma. Em uma análise crítica. a forma que Morgan trata suas ideias mostra evidência de como a organização integra todas essas metáforas. a leitura demonstra como criar novas maneiras de pensar sobre a organização. Elas oferecem-nos uma maneira de ver que diz: ‘Esta é a maneira de ver. é possível dizer que o livro se apresenta como um tratado do pensamento metafórico que contribui tanto para a teoria quanto para a prática da análise organizacional. A partir da exemplificação de algumas situações. ’ Consequentemente. Além de mostrar como muitas das ideias comuns sobre organização e administração se formaram a partir de um pequeno número de imagens tidas como certas. uma maneira de ampliar os nossos processos de reflexão. Isso nos mostra que podemos melhorar cada vez mais nossa capacidade de identificar o comportamento organizacional de qualquer ambiente e solucionar problemas. sabemos que “as perspectivas tradicionais da administração.As ideias expressas por Morgan são baseadas em metáforas que nos levam a ver e compreender as diferentes faces das organizações. mostrando. As metáforas discutidas ilustram amplamente as ideias e perspectivas dentro das possibilidades e exploram e desenvolvem a arte de ler e compreender as organizações. frequentemente. Estamos mudando de um mundo dominado pelos princípios burocrático-mecanicistas para um universo eletrônico em que novas lógicas . ficamos presos na metáfora em que se baseiam”. bem como de planejamento e administração das organizações de maneira mais ampla. utilizando sempre uma ligação adequada entre a teoria e a prática. A partir de uma leitura completa e detalhada podemos perceber que não se deve considerar que exista um único padrão organizacional. de tal forma que possibilita ler a mesma situação de múltiplas perspectivas e de maneira crítica. prendem-nos em arcabouços fixos. desde o seu início até a separação dos sócios. elas podem passar por significativas mudanças ao longo de sua vida.

. principalmente.organizacionais são necessárias. a leitura também pode ser voltada para o público de uma forma geral como pessoas que compartilham do senso comum sobre a complexidade de uma empresa. Possui uma linguagem bastante compreensível e os termos técnicos apresentados são explicados posteriormente. atingir gerentes e futuros administradores. pois ele ajuda a esclarecer muitos aspectos referentes ao ambiente organizacional. para que eles tenham uma visão ampla de tudo o que envolve uma organização e como aplicar a organização. portanto. O livro é recomendável para quem se interessa e também quem tenha dúvidas sobre assunto. Mas. é preciso evitar embarcar cegamente no último modismo em matéria de administração. Gareth Morgan abordou um assunto muito interessante e que visa.

A. São Paulo-SP EDITORA ATLAS S. –1996 . Gareth – Imagens da Organização.REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Morgan.

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