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TERÇA-FEIRA, 6 DE AGOSTO DE 2013

O ESTADO DE S. PAULO

Política
Tânia Monteiro Rafael Moraes Moura Eduardo Bresciani / BRASÍLIA

NO PORTAL
TV Estadão. ‘Se Serra quiser, PSDB deve discutir candidatura presidencial’, diz secretário José Aníbal tv.estadao.com.br

Novo jeito de ser. Presidente convoca reunião com aliados no Congresso para melhorar diálogo e evitar derrota em votações; antes, ao sancionar o Estatuto da Juventude, petista se emociona, relembra luta contra a ditadura e prega combate ‘sistemático’ à corrupção

Dilma acerta trégua com líderes da base e pede que adiem Orçamento impositivo
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

● ‘Conectada’

às ruas

Com a popularidade desgastada e sob ameaças de insubordinação de partidos da base, a presidente Dilma Rousseff negociou ontem com 10 líderes de partidos de sua coalizão uma “trégua” com o Congresso para tentar congelar a agenda de confrontos entre o Planalto e o Legislativo. A presidente quer que seja retirado da pauta de votação da Câmara, amanhã, o projeto do Orçamento impositivo, que obriga o Planalto a pagar automaticamenteas emendasparlamentares. O presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), confirmouqueoprojetoserácolocado em votação. Nasemanapassada,Dilmadecidiu liberar R$ 6 bilhões em emendas até o fim do ano, em uma outra iniciativa para acalmar a base aliada. Os parlamentares ficaram bemimpressionadoscoma reuniãoontem.Acreditamqueoesforço da presidente para a retomada do diálogo contribui para melhorar o clima político. Dilma se comprometeu a discutir comabasetemas polêmicos antes do envio das propostas ao Congresso e abriu espaço para que reuniões frequentes. Na mesma linha, Dilma receberá hoje líderes do Senado. Um dos principais críticos da articulaçãopolítica do governo, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), saiu da reunião otimista. “Sinaliza a inauguração de uma nova metodologia.” O líder do PSB, Beto Albu● Passe livre vetado

“Todas as estruturas do governo estão capacitadas para coibir desvios de recursos públicos” “O Brasil precisa que nós olhemos o trabalho cotidiano como um trabalho que tem de ser feito, tanto assegurando as melhores práticas de gerência, mas também com o combate sistemático aos malfeitos e à corrupção”
Dilma Rousseff
PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Memória. ‘Também já estive nas ruas lutando por mais democracia e mais direito’, lembrou Dilma ontem, durante a sanção do Estatuto da Juventude querque (RS), acredita em um convívio “menos tenso” nos próximos dias. “Faz tempo que reclamávamos do diálogo e acho que o governo finalmente dá um sinal concreto que topou dialogarenosdeixacomboaimpressão. Estávamos numa luta do cabo de guerra, com o governo pra lá e o Congresso pra cá. Issoagoravai distensionaresignifica que não precisaremos mais ficar colocando o governo contra a parede e nem eles nos atropelar”, resumiu. Albuquerque ressaltou que o PSBmantém oprojetode candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência, mas ressaltou que o partido está disposto a “ajudar o governo nas coisas boas”. Segundo o relato de parlamentares, a presidente se mostrou disposta a discutir temas complexos, como o financiamento da saúde, a destinação dos royalties do petróleo e a transferência de licenças de táxi por herança. “Engatamos uma primeira marcha hoje e a partir daí, engataremos todas as marchas necessárias para o trem adquirir alta velocidade no aperfeiçoamento do governo com o Congresso”, declarou o líder do PT, José Guimarães (CE). Antesdesereunircomos aliados, Dilma minimizou os problemas. “Comigo a base não é brava”, afirmou, ao ser questionada pelo Estado sobre os problemas de convivência. Questionada sobre as ameaças de derrubada de vetos presidenciais, ponderou: “Isso é democrático. Vamos ser democráticos. A diferença de opiniões é possível e acredito que nós vamosconstruirumcaminhomuito seguro para o Brasil”.
Corrupção. Em outra frente

Dilma vetou no Estatuto da Juventude a concessão de 50% de desconto nas viagens interestaduais para estudantes de 15 a 29 anos. Haverá só 4 vagas por veículo para jovens de baixa renda.

de ação destinada a estancar a perda de popularidade, Dilma sancionou o Estatuto de Juventude e assegurou que vai ficar “cada vez mais conectada não só com a voz das ruas” e das redessociais. Dissequeseu governo é capaz de coibir malversação de recursos públicos e que o combate à corrupção deve ser sistemático. Em discurso emocionado, lembrou sua luta contra a ditadura: “Também estive nasruaslutandopormaisdemocracia e mais direito. Naquela época, você ia uma vez ou duas ou três vezes para a rua, mas depois você acabava na cadeia”.

STF abre inquérito para investigar deputado da base
● O Supremo Tribunal Federal

MAIS NA WEB
Basômetro. Acompanhe o comportamento da base estadaodados.com/basometro

abriu inquérito criminal para investigar o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), citado na Operação Porto Seguro – investigação sobre venda de pareceres técnicos de órgãos públicos da União que envolve a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rose Noronha. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, aponta “existência de indícios da prática de corrupção passiva e advocacia administrativa pelo deputado”. Ele destaca que interceptações telefônicas mostram que Paulo Rodrigues Vieira – ex-diretor da Agência Nacional de Águas, apon-

tado como integrante da organização criminosa – “mantinha contato com diversas autoridades detentoras de prerrogativa de foro, incluindo-se o deputado”. Segundo Gurgel, “examinando os diálogos travados entre ambos, extraise que o parlamentar, valendo-se de sua influência política, tanto prestava como solicitava favores a Vieira, além de, em certas ocasiões, haver indícios de patrocínio de interesses privados perante a administração pública”. O procurador assinala que “é preciso investigar como ocorriam as trocas de favores, esclarecendo se eram vinculadas à solicitação ou recebimento de vantagens pelo parlamentar”. Por sua assessoria, Costa Neto disse que “não comenta manifestações do Ministério Público ou procedimentos relacionados ao Judiciário”. / FELIPE RECONDO

Palavra ‘ética’ é retirada de novo código de conduta dos senadores
ANDRE DUSEK/ESTADÃO-14/6/2011

Compromisso seria assumido no ato de juramento da posse, mas foi rejeitado pelo relator Lobão Filho
Andreza Matais / BRASÍLIA

Comhábitosecostumescriticados pelas manifestações populares recentes, o Senado discretamente decidiu retirar da proposta do novo regimento interno da Casa a sugestão para que os senadores sejam obrigados a se comprometer a agir com ética “na atividade política” e como cidadãos. O compromisso seria assumido em juramento no ato da posse, mas foi rejeitada pelo relator das mudanças no regimento, senador Lobão Filho (PMDB-MA). O senador também excluiu do documento a obrigação para que os parlamentares apresentem, quando empossados, declaração de bens de seus parentes até o segundo grau. A medida evitava os chamados “parentes laranjas” de parlamentares quetransferem a nome de familiares parte de seu patrimônio. “Nãohácomoosenadorobrigar seus parentes a revelarem osbensquepossuem,pois ofen-

do então senador José Nery (PSOL-PA) para incluir no textodojuramentodaposseocompromisso dos senadores com a ética. O texto atual diz apenas: “Prometo (...) desempenhar fiel e lealmente o mandato de senador”.NapropostadeJereissati, o juramento incluía o compromisso de desempenhar o mandato de forma “honesta” e “sempre na defesa intransigente da ética na atividade política ecomocidadão”.Otucano,contudo, deixou o Senado sem que o relatório fosse votado. Comonovorelator,LobãoFilho suprimiu a versão que incluía o compromisso com a ética do juramento. No parecer, apresentado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em maio, o senador disse que a sugestão de mudança no juramento merecia ser acatada“parcialmente” para incluir “a expressão honesta”, masnão justificou a razão de rejeitar o trecho.
Decoro. Lobão também não

ENTREVISTA
Edison Lobão Filho (PMDB-MA), senador

‘O que é ética para você pode não ser para mim. A ética é abstrata’
BRASÍLIA

ali. A ética é uma coisa muito subjetiva, muito abstrata.
● Se comprometer a agir com ética poderia gerar problemas?

O senador Lobão Filho (PMDB-MA) disse ao Estado que obrigar os senadores a, no juramento da posse, se comprometerem com a defesa intransigente da ética poderia “dar margem a interpretações perigosas” e “gerar problemas de conflito” no Senado. Sobre ter rejeitado a obrigação de parentes de senadores de apresentarem declaração de bens, o senador disse que a medida é inconstitucional.
● Por que o sr. excluiu o compro-

O que complica eu tentei tirar. Não julgo que esse item seja tão importante ou faça alguma diferença no exercício legítimo da atividade parlamentar.
● Não precisa se comprometer com a ética?

Acho que não.
● Por que não obrigar os parentes de senadores a apresentarem declaração de bens?

misso com a ética no juramento dos senadores?

Texto. Lobão Filho é o relator das mudanças no regimento deriaodireitoàprivacidadedesses”, justificou Lobão Filho. O Regimento Interno do Senado é de 1970, auge da ditadura militar. Desde então, nunca foi reformado. O texto disciplina desde a atuação dos senadores aos pronunciamentos e tramitação de matérias. Em 2009, o então senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) relatou a primeira tentativa de alterarasregrasdaCasa.O relatório do tucano acatou a sugestão

acatou emenda que obrigaria a comunicação à Corregedoria deatosincompatíveiscomodecoro ou com a compostura pessoal praticados fora das dependências da Casa Legislativa. O atual texto do regimento prevê quea denúnciaseja encaminhada quando a quebra de decoro ocorrer dentro do prédio do Senado, o que foi mantido. Entre as emendas acatadas pelo senador, está a que impede opagamento de salárioaos con-

Isso daria margem a interpretações perigosas. O que é ética para você pode não ser para mim. E aí incluir isso iria gerar problema de conflitos gressistasque “não compareceram à sessão em virtude de prisão processual criminal”. Otextoestáprontoparavotação na CCJ. O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PB),édomesmopartidodeLo-

Eu vi isso mais como invasão de privacidade. Você tem um filho de um senador com 30, 40 anos de atividade, ele tem que ser submetido a uma devassa porque o pai, o tio é parlamentar? / A.M. bão Filho – indicado pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), quando líder. Se aprovado na CCJ, o texto segue para uma comissão temporária especial, mas há possibilidade de ir direto para o plenário.

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