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Resumo: Capitalismo e cidadania nas atuais propostas curriculares de História

BITTENCOURT, Circe. Capitalismo e cidadania nas atuais propostas curriculares de História. In: BITTENCOURT, Circe (org). O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1997.

A primeira parte - Propostas Curriculares - é formada por quatro artigos que se deterão sobre temáticas como currículos, cidadania, políticas públicas, formação de professores e cotidiano da sala de aula. Temáticas fundamentais para compreender as reformas curriculares desenvolvidas pelo governo federal, de Estados e municípios nas últimas duas décadas no Brasil. O primeiro artigo Capitalismo e cidadania nas atuais propostas curriculares de História, de autoria de Circe Bittencourt, com base na análise de diferentes propostas curriculares elaboradas no país entre 1990 e 1995, tem a finalidade de perceber o alcance das mudanças e continuidade do saber histórico escolar contido nesta documentação oficial (currículo ideal) oriunda do poder educacional e nas possíveis articulações com o chamado currículo real, vivenciado por professores e alunos na sala de aula. Para nortear seu texto, a autora destaca dois conceitos fundamentais para entender os currículos elaborados neste período: capitalismo e cidadania. Na primeira parte, a autora traz um breve histórico e caracterização das propostas curriculares analisados, articulado com as transformações políticas, sociais e culturais vividas pela sociedade brasileira neste momento. Para Bittencourt, as propostas“ caracterizam-se como um conjunto bastante heterogêneo de textos, com acentuadas diversidades na forma como as propostas foram elaboradas e apresentadas aos leitores, no elenco dos conteúdos selecionados e nos métodos de ensino sugeridos” (p. 15). Na diversidade das propostas analisadas, dois aspectos se destacaram ao olhar da autora: os objetivos são semelhantes e, igualmente, possuem críticas comuns quanto ao que denominam de ensino tradicional de História, notadamente quanto às noções de tempo histórico baseadas em referenciais considerados oriundos do positivismo. No que concerne aos objetivos do ensino de história nas propostas curriculares, Bittencourt percebe, na segunda parte do artigo, uma mudança nos paradigmas que pensam a idéia de identidade nacional e cidadania no Brasil. Aliás, conceitos como identidade e diferença parecem ocupar maior destaque no corpo dos referidos textos, principalmente numa era de cultura globalizada e modificações no estatuto político, econômico, social e cultural que edificavam o Estado-nação. Ao propor a formação do“ A primeira parte - Propostas Curriculares - é formada por quatro artigos que se deterão sobre temáticas como currículos, cidadania, políticas públicas, formação de professores e cotidiano da sala de aula. Temáticas fundamentais para compreender as

no caso do Brasil. na segunda parte do artigo. conceitos como identidade e diferença parecem ocupar maior destaque no corpo dos referidos textos. a autora traz um breve histórico e caracterização das propostas curriculares analisados. Bittencourt nota que a explicitação do conceito de cidadão que aparece nos conteúdos é limitada à cidadania política. possuem críticas comuns quanto ao que denominam de ensino tradicional de História. Na primeira parte. 15). Na diversidade das propostas analisadas. igualmente. A inovação. uma mudança nos paradigmas que pensam a idéia de identidade nacional e cidadania no Brasil. notadamente quanto às noções de tempo histórico baseadas em referenciais considerados oriundos do positivismo. de autoria de Circe Bittencourt. de Estados e municípios nas últimas duas décadas no Brasil. Ao propor a formação do cidadão crítico” como principal meta do ensino de História as propostas retomam presente nos currículos escolares desde 1950. sociais e culturais vividas pela sociedade brasileira neste momento. a autora destaca dois conceitos fundamentais para entender os currículos elaborados neste período: capitalismo e cidadania. no elenco dos conteúdos selecionados e nos métodos de ensino sugeridos” (p. Devemos ter em mente que a preocupação com a formação deste novo conceito de sujeito histórico. No que concerne aos objetivos do ensino de história nas propostas curriculares. no período pós-guerra. segundo a autora. Bittencourt percebe. dois aspectos se destacaram ao olhar da autora: os objetivos são semelhantes e. à formação do eleitor dentro das concepções democráticas do modelo liberal ” . ou seja. O primeiro artigo Capitalismo e cidadania nas atuais propostas curriculares de História” . as propostas caracterizam-se como um conjunto bastante heterogêneo de textos. com acentuadas diversidades na forma como as propostas foram elaboradas e apresentadas aos leitores. vivenciado por professores e alunos na sala de aula.reformas curriculares desenvolvidas pelo governo federal. principalmente numa era de cultura globalizada e modificações no estatuto político. abordagens e temáticas. com base na análise de diferentes propostas curriculares elaboradas no país entre 1990 e 1995. está muito influenciado pelas experiências desagradáveis vividas durante os anos de exceção (1964 e 1984) e também pelas inovações historiográficas lançadas pela historiografia francesa e britânica com novos problemas. Para Bittencourt. tem a finalidade de perceber o alcance das mudanças e continuidade do saber histórico escolar contido nesta documentação oficial (currículo ideal) oriunda do poder educacional e nas possíveis articulações com o chamado currículo real. Embora abra espaço para a defesa da cidadania como meta dos objetivos da disciplina. Aliás. econômico. nas propostas dos anos 1990 está na ênfase atual ao papel da História ensinada para a compreensão do sentir-se sujeito histórico” e em sua contribuição para formação de um cidadão crítico. Para nortear seu texto. social e cultural que edificavam o Estado-nação. articulado com as transformações políticas.

A cidadania social. a autora identifica que as propostas trazem. de diferenças. 21-2). a verificação de como o capitalismo tem se transformado em objeto de estudo no ensino de História. Bittencourt alerta para a necessidade de articulação problematizadora entre o tempo vivido por alunos e professores e tempo histórico. Contudo. Neste sentido. E. 26). E. Amparada nesta leitura atenta das propostas curriculares. Ao apresentar o tempo capitalismo como referencial para o estudo da história. que abarca conceitos de igualdades.(p. nessa perspectiva. determinadas pelo eurocentrismo e sua lógica de periodização fundada no sujeito histórico Estado-nação. a questão que decorre desta constatação é. propõem-se a trabalhar com as diferentes temporalidades e diferentes sujeitos. Talvez seja esta a razão do demorar-se sobre o comentário deste artigo[iv]. Dessa maneira. a cultura capitalista vivenciada por alunos e professores torna-se necessariamente o referencial constante para se estabelecer a relação presente-passado-presente. Na última parte do artigo. de compromissos e de rupturas tem sido pouco explorada e explicitada pela maioria das propostas analisadas. Ao considerar como pressuposto a afirmação de que toda história é história contemporânea. mesmo as que propõem uma história com eixos-temáticos. esta relação só se estabelece por intermédio da compreensão do conceito de duração em seus variados ritmos” (p. . a análise desse processo de produção do conhecimento histórico escolar é significativo para revelar as clivagens entre os objetivos e a seleção de conteúdos propostos” (p. então. de justiça. uma periodização alicerçada e organizada pelo capitalismo. Ora. de lutas e conquistas. há em muitas delas. a autora sugere que se enfatize e amplie o conceito de cidadania no interior das propostas curriculares de História. em sua maioria. 23). Bittencourt lança uma série de apontamentos que poderemos encontrar ecos na própria estrutura e seleção temática dos PCNs de História. uma crítica de noções homogêneas do tempo histórico.