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Pêndulo de Torção

Fernanda Gonçalves, Rafaela Vaz, Ravenna Lessa, Verônica Pereira FIS122 – Departamento de Física Geral Universidade Federal da Bahia e-mail: rafarvps@yahoo.com.br

Resumo. Os experimentos realizados tratam do estudo do comportamento dos pêndulos de torção frente às diversas situações. Mais especificamente observou-se o período de oscilação do pêndulo quanto este sofria alterações, como variação no comprimento do fio, variação no comprimento e massa do corpo suspenso e, variações o momento de inércia do corpo. A partir dos dados coletados e da construção de gráficos pôde-se obter o valor módulo de torção para o fio metálico utilizado, as relações entre o período e o comprimento do corpo, entre o período e o comprimento do fio e entre o período e a distância onde é posto a massa M. Palavras chave: pêndulo de torção, período, oscilação.

Introdução
O pêndulo de torção é um sistema físico no qual um corpo com uma distribuição qualquer de massa é suspenso por um fio, de modo que uma leve torção neste fio desloca o corpo de sua posição de equilíbrio, o qual inicia oscilações harmônicas em torno dessa posição inicial. Isso ocorre porque o fio passa a exercer um torque restaurador τ, que é proporcional ao ângulo de torção α e ao módulo de torção k, que depende das características do fio, na tentativa de retornar ao equilíbrio. Quando comparamos esse sistema com o pêndulo simples, as diferenças são as seguintes: no pêndulo de torção, o fio pode ter uma maior densidade linear, a distribuição de massa do corpo pode ser arbitrária e a força restauradora não é devida à gravidade, e sim da tentativa do sistema de eliminar as deformações sofridas. Os seguintes procedimentos experimentais tratam da análise dos fatores que influenciam na freqüência de oscilações do corpo, quando retirado de sua posição de equilíbrio. O momento de inércia I do corpo em torno de um eixo situado no prolongamento do fio é um desses fatores. Além disso, características do fio, como o material de que é constituído, diâmetro e comprimento, são também determinantes. No caso de barras delgadas uniformes de massa m e comprimento L, temos que: I = mL2 (a) 12 Já para uma régua de massa m e comprimento L, sustentando dois corpos de metal de massa M a uma distância d, do centro da régua, temos I= mL2 + 2Md2 (b) 12

As expressões (a) e (b) referem-se ao momento de inércia para corpos diferentes. O momento de inércia corresponde à resistência que o corpo apresenta em iniciar uma rotação a partir do repouso, ou à dificuldade de modificar um movimento de rotação já existente. Conhecendo as equações (a) e (b), e também a freqüência angular ω que é dada por: ω = (k/I)1/2 = (2π/T) (c) podemos encontrar o período T de oscilação para as barras delgadas e para a régua, respectivamente: T2 = mL2 (d) 4π2 12k T2 = mL2 4π2 12k + 2M d2 k (e)

Como a freqüência é, por definição, o inverso de período, é possível encontrar essa grandeza utilizando as equações acima.

Procedimento Experimental
Para realização do experimento foi montado um pêndulo de torção utilizando-se uma base, duas hastes e duas garras. Inicialmente o experimento consistiu em pendurar uma barra cilíndrica através de um furo central, com o uso de um fio de metal de comprimento C fixo e, a partir de leve torção no fio, mediu-se o período de oscilação do pêndulo. Esse procedimento foi realizado com 6 barras cilíndricas de comprimentos e massas variadas, os quais foram medidos previamente. A segunda parte experimental foi feita com o auxílio de uma barra retangular (régua) com furos de

0706 .5. 22. Isso ocorreu devido ao erro na obtenção da inclinação da função T 2 x mL2. portanto. fixamos uma posição para as massas na barra retangular. 0. Em seguida. Pendurou-se esta através de seu furo central com o fio metálico que possuía um comprimento C. já que não foi utilizado outro fio. Resultados e Discussão De acordo com os dados obtidos na primeira parte do experimento (Anexo II). foi traçado o gráfico de T 2 em função de d2.0007 Após obter os valores de a e b.0021 .3266086 = 462.0. De acordo com os dados obtidos na segunda parte do experimento.5 . o que é compreensível.m2.0.0.6. do seguinte modo: T2 = π2 . 0. variamos 5 vezes o comprimento do fio metálico. podemos escrever a equação da reta: T = a.0021 b’ = (∑xy)( ∑x) (∑x2)( ∑y) (∑x)2 n (∑x2) b’ = 6. já que há sempre um erro entre a hora que termina a oscilação e o a hora em que o operador consegue parar o cronômetro.0021 .1561 = 2437. que deveria passar pela origem.72 (0.20 (0.04947)2 . os períodos obtidos devem ter sidos maiores do que os esperados. 0. mL2 . 2) e feito um ajuste da reta que melhor descreve o comportamento da função. Como o valor de b é maior que 0.0876 e. Repetiu-se o procedimento mais 4 vezes com o fio no mesmo comprimento.1047 .0 4947)2 .1476 .0.0706)2 .1476 = . foi traçado o gráfico de T 2 em função de mL2 (Fig.0706)2 . A equação encontrada experimentalmente possui um valor de b. b T2= 462.1561 . de modo a facilitar sua comparação com a equação encontrada experimentalmente. mL2 3k Comparando as equações temos que π2/3k= 462. como mostrado a seguir: T2 (s2 ) 12 10 8 6 4 2 0 0 0.0706 .0.1420. onde d é distância do furo central ao furo onde é posto a massa M.02 0. (Fig.04 0.02 0. a’ = (∑ x)( ∑ y) n(∑xy) (∑ x)2 n(∑x2) a’ = 0.5 .04947 .0007 b = (∑xy)( ∑x) (∑x2)( ∑y) (∑x)2 n (∑x2) b = 0.m2 ) Fig.03 mL2 (kg.5.0. Como o valor do módulo de torção k depende das características do fio.09.5. k = 7.1196. 253.0495 . 22.0007 .10-3 (kg. enquanto a teórica não possui coeficiente linear. Mediu-se então o período de oscilação quando o fio sofreu uma leve torção.0.L2. porém alterando a posição das massas ao longo da barra. a = (∑ x)( ∑ y) n(∑xy) (∑ x)2 n(∑x2) a = 0.253.5 . 2: gráfico de T2 versus d2. utilizando o método dos mínimos quadrados.09 ( 0. isso demonstra que.06 d2 (m2 ) Fig. e medimos o período de oscilação para cada situação. Colocaram-se duas massas M em furos localizados simetricamente em relação ao furo central da barra. como mostrado a seguir: T2 (s2 ) 140 120 100 80 60 40 20 0 0 0.massa m e comprimento L.1420 (0. utilizando o método dos mínimos quadrados.3266 . 1) e feito um ajuste da reta que melhor descreve o comportamento da função. Como a expressão para o período de oscilação de uma barra cilíndrica é dada por: 2 2 T2 = mL2 4π2 12k podemos reescrevê-la.1047 = 16.01 0. 1: gráfico de T2 versus m. 0. mL +b. substituindo os valores de a. este valor é o mesmo para todas as três etapas da experiência. em média.s-2).

10-3| A partir do cálculo do desvio relativo. principalmente. dos erros obtidos na medição do período de oscilação da régua. 0.1133 .20. A partir dos dados obtidos na terceira parte do experimento.03.5.099 = 9.2198 .4 %. C1.5.1 C (m) Fig. (-3.5682) = 1.m2. mas precisamente em 16.logy) (∑ logx)2 . π2 I= 2.5682 . 0.n (∑logx2) b’’= -1. 2.03 Considerando o valor de a’’ aproximadamente igual a 1.92.022 4 .C1.101.9605 log T2 = log Ca’’ + log10b’’ I(4 π 2) T2 = log Ca’’.03. 3) e feito um ajuste da reta que melhor descreve o comportamento da função.20 .3 π 2.21 2 k (4 π ) De acordo com a equação acima encontrada observamos que a C e k são grandezas inversamente proporcionais. como mostrado a seguir: log T2 = Ca’’.10b’’ (eq.9605 b’’ = (∑logxlogy)( ∑logx) . fazendo com que elas perdessem .10b’’ . Considerando o erro existente na medição dessa massa.03. o desvio é considerado satisfatório.21.1133 = 1. C1. b’ = π2mL2 = > mL2 = 3b’k 3k π2 Substituindo em (b) e fazendo d = 0.8185)2 .8185) .2198 kg.π2 + 2Md2 T2 /I(4π2 ) 10 1 0.1). temos que: T2 = m π2L2 + 8M π2d2 3k k Comparando as duas últimas equações temos: a’ = 8Mπ 2 => M = a’k = 2437. dada na introdução. o que fez com que este valor se afastasse ainda mais do esperado. d2 + 16. a’’ = (∑log x)( ∑log y) . como I = k /ω2 I(4 π 2) T2 = ω2 . 2.1196. o erro acumulado do uso da massa M encontrada no item anterior.164 = 16% | 3.Com os valores de a’ e b’ podemos escrever a equação que relaciona de T2 e d2 da seguinte maneira: T2= 2437.9% do medido na balança. De acordo com a equação (e). Ca’’.72 .10-3+ 2 .558.10-3 k 8π 2 8π 2 M= 0.10-3 kg.8185 .5. O momento de inércia I para este d de 0. utilizando o método dos mínimos quadrados.03 (-3.21 (-3.10-3 kg. 7. temos que: T2 = 4.10-3 e substituindo o valor de π. 2.2. 2.1196. na medição dos comprimentos solicitados e.9% | 0.10-3 – 2.02 m é de 3.(-1. foi traçado o gráfico de T 2/I(4 π 2) em função de C em escala log-log (Fig.(mL2 + 6Md2) T2 = 480.8185)2 . Cálculo do erro relativo: ΔM= | 0.10b’’ I(4 π 2) 1 I= 16. como pode ser observado na Tabela 2 no Anexo II. ω2 . Substituindo a equação (b) na (eq. podemos perceber que o valor encontrado para a massa M se diferencia em apenas 9.1196.2198| = 0.n(∑logx.02m obtemos: I = 3 b’k 12.10-3|= 0.101.5.1) obtemos a expressão para o período de oscilação em função de C e d: T2 = C1.2 – 0.5. Fazendo k = 7.(mL2 + 6Md2) As três etapas do experimento formam prejudicadas pela falta de uniformidade no movimento oscilatório tanto das barras cilíndricas quanto da régua.9605 .2 | ΔI = | 3. 3: gráfico de T2/I(4 π2) versus C. Já para o cálculo do momento de inércia experimental houve além de todos esses possíveis erros.72 .92.2. 7.m2. encontramos que T2 e C são grandezas diretamente proporcionais.(∑logx2)( ∑logy) (∑logx)2 . substituindo a’’ e b’’ 2 k (4 π ) T2 = ω2 .n(∑logx2) a’’= -3.

71-79. Conclusão A partir dos experimentos realizados com o pêndulo de torção. a análise dos dados obtidos confirma todo o entendimento teórico a respeito dos pêndulos de torção. Referências [1] Halliday. R. pp. bem como as equações que expressam a dependência do período de oscilação com a massa do corpo suspenso. Outros fatores que prejudicaram a exatidão dos dados foram: a resistência do ar. erro na cronometragem. erro de pesagem. Apesar dos erros experimentais.J. erro na medição da distância entre os furos. para o módulo de torção. que engloba tanto o desvio padrão da régua. além do desvio padrão do cronômetro. com o comprimento do fio e do corpo. que depende das características do fio metálico utilizado nas experiências. Walker. com a distância entre o ponto por onde é preso o corpo e o ponto onde se adiciona uma massa. vol 2” . 2002. que fez com que o tempo medido (que depois foi dividido pelo n número de oscilações para a obtenção do período) fosse maior do que o ideal. erro na medição do tamanho do fio. D. “Fundamentos de Física. entre outros.. quanto o erro de leitura e a impossibilidade de sobrepor exatamente a régua ao fio.uma quantidade significativa de energia realizando além do movimento oscilatório previsto também um movimento oscilatório na componente vertical. tornou-se possível obter o valor . Resnick. LTC editora.. com o momento de inércia.