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SÍNTESE NOVA FASE V. 21 N.

64 (1994):85-92

CORRUPÇÃO: UMA DEFINIÇÃO FUNCIONAL
Maurício Silva FMU— SP

Resumo: Corrupção: uma definição fumioml. Atualmente, nota-se que as ciências políticas e econômicas ainda carecem de uma definição mais precisa e funcional de corrupção, evidenciando a existência de uma lacuna conceituai no âmbito das pesquisas científicas. O presente ensaio pretende contribuir com uma nova proposta de definição da corrupção, baseada principalmente na dicolomia entre os poderes público e privado. Palavras-diai^e:: Corrupção, Poder Público, Vida Privada, Cidadania.
SiifUMifin/:

Corruptiott: A functiomi dcfiuítiou. T h i s paper focuses on lhe definition of corruption, an unsolved problem of economy and politics. It analyses several definition tendencies and proposes a particular functional one, especially based on the dichotomy between public and private powers. Key-uvrds: Corruption, Public Power, Private Life, Citizenship.

Introdução
mbora a corrupção seja uma prática tão antiga quanto as primitivas sociedades organizadas, pode-se dizer que apenas recentemente ela tem sido objeto sistemático de estudos por parte de sociólogos e economistas, como nos prova a relativa abundância de teorias a respeito, surgidas principalmente a partir da década de cinqüenta. N o Brasil em especial, apesar do surgimento de estudos mais ou menos esparsos sobre o assunto em épocas consideravelmente remotas, é sobretudo a

Síntese Nova Fase, Belo Horizonte,

v. 21, n. 64, 1994

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Tais atitudes teriam como característica principal o já aludido ocultamento ou sub-repção. de sub-repção. 1994 . em primeiro iugar. 64. Assim. n. Há. tal dificuldade não deve ser encarada como u m empecilho ao julgamento de atos caracterizados como corruptos. para definir objetivamente uma prática cuja principal característica talvez seja a própria dissimulação. podemos 86 Síntese Nova Fase. Belo Horizonte. sobretudo se considerarmos o largo período de exceção que vivemos (1964-1984). sobretudo se as considerarmos como processos de favorecimento pessoal ou grupai. é verdade. v. 21. embora estejamos assistindo a uma verdadeira popularização das discussões em torno do assunto. muito menos ser tomada como justificativa para uma possível omissão diante de u m trabalho tão complexo quanto o de tentar uma definição para o termo em causa — antes. Partindo do geral para o particular. poder-se-ia fazer — a título de explanação introdutória — algumas considerações a respeito de uma eventual definição comum da corrupção. sobretudo aqueles ligados aos governos dos últimos anos.partir da década de oitenta que começa a surgir uma preocupação teórica contínua com a corrupção. urge aceitá-la como u m autêntico estímulo àquela que deseja ser. C o n t u d o . Definição comum e tendências Neste sentido. entre os teóricos. Contudo. cumpre-nos. encontra-se a noção precisa de ocultamento e. nossa principal tarefa: de forjar uma definição funcional de corrupção. subjacente a qualquer definição que se possa dar à corrupção. grande dificuldade. realidade facilmente compreendida. Com o surgimento na imprensa dos chamados casos de corrupção. inseri-la n u m conjunto amplo de atitudes diversas que permeiam as relações sociais de determinada comunidade. pode-se constatar uma espécie de lapso conceituai no âmbito dos estudos relahvos à corrupção enquanto prática colusiva generalizada: carecemos ainda de uma definição funcional de corrupção. atingindo camadas sociais que tradicionalmente são mantidas ou se mantêm alheias ás discussões de caráter político e / o u econômico. mais manipulável do que as diversas noções que u m termo tão polissêmico como este pode sugerir. já que. aqui. n u m sentido mais judicatório. o interesse pelo tema parece ter se expandido consideravelmente.

Celso Barroso (org. a ruptura de um conjunto de leis positivas instituídas o u . 1981. chieO. que. dizer que a corrupção faz parte de u m universo extenso de atos colusivos. Michcl. Encyclopedia of llie S(Kial Science Vol. nas tendências acima aludidas. agrupando-se. N . In: LEITF . Rrt'iít' / míifíiisí de SiKiologie.. antes de tudo. defendendo a idéia de que a corrupção é. persistiu no tempo: com efeito. pp. n. ela própria. em maior ou menor grau. como já ressaltou mais de u m estudioso do assunto^. em primeiro lugar. a definição se particulariza. insatisfeitos com uma definição meramente etimológica do termo — que. Cf. C f AikiN. 1978. 278-279. The Macmill . pp. Edwin R. RIOS. Brasitiensc. F G V . BARBOSA. MATT>. teríamos u m quadro complexo de definições. mas também carece de uma fundamentação científica mais precisa. 5. Alvjn (etl iissoc. 3: 958-973. Dicionário de Ciência-^ S(Viíiis. Sáo P. três tendências básicas de definição do conceito: as correntes moralista. E partindo deste pressuposto que a corrente legalista da corrupção procura contrapor-se frontalmente à moralista. VoI XVI. marcado pela convivência — aliás. 1983. Z a har. Sigio Veintiuno. 4. o sentido de "rompimento" (do latim. não obstante as vicissitudes sofridas pela história ocidental. em outras palavras. A . A Arte de ser iiiai-i Igual que cn Outros. não acompanha as transformações políticas. 3. nem sempre pacífica — de diversos conceitos do ato corrupto. n. México. Josoph J. "Corrup<. 1986. ao lado de outras modalidades de igual natureza. 64. podemos distinguir. "Corruplion. 83-123. a corrupção se liga principalmente a uma questão de natureza ética: ela seria. Para os moralistas.iuIo. além de manter. (cd. Four. 438-440.VA .. pohtic. São Paulo. Rio de Janeiro. pp. O Jeilinho Bra>iU'iro. DoBFL. uma definição que parta puramente de categorias morais e éticas possui seus méritos. 1987. V. teóricos de diverso matiz buscaram formular uma definição u m pouco mais precisa do mesmo.. particularmente no Brasil. 21. cum-rumpo/corruptio) parece prevalecer sobre todas as demais nuances semânticas do termo. 448-4326. o qual. 1992. e PADKJIEAÜ . ainda hoje. C Diccionano de política. sociais e econômicas pelas quais sempre passou a humanidade —. v. fundamentalmente. 2. sendo. Benedic(o (cord. " C o m j p c i ó n " l n : BOBBIO. n. de uma racionalização do processo analítico. 1975. na verdade.ll". contudo. . SFNTtniA. Jean G . J O H N S O N . Vol. New York. Gianfranco. I n : S €tiGMA\. uma íntima relação com a idéia de fragmentação do tecido social. Campus. pp.1o". Patrick " T h e Corruption of a SUitc". De fato. In: SII.) Sociohf. 1: 33-58. "IX* Ia Corruption das les Ohgarchies Pluralistes". uma subtração de padrões éticos estabelecidos por determinada comunidade sociaP: Neste contexto.1. podendo levar inclusive a resultados falaciosos.LXI . PASOUINO. ). Belo Horizonte. Síntese Nova Fase. " A Fraude ScKial da Corrupçío". neste sentido.). 1994 87 .ia da Corrupção. IX8RL'\. 7. dos "padrões normativos do sitema"'.in Inc. comumente relacionada às mais diversas análises da corrupção^ Diante destas observações preliminares e a partir das noções primevas que a corrupção carrega consigo. deixando revelar a noção primeira que o próprio vocábulo carrega. José Arlhur. Assim. uma tnodalidade de conluio. legalista e revisionista. Charles. A Conci/wfiii) i' Outra^i i-itral('jjia:i. é na intenção moral que informa o ato colusivo que residiria a essência da corrupção\ Evidentemente. Rio d c Janeiro. PASQUINO . Lívia. 72. podem ser exemplificadas com a "conciliação"' e o "jeitinho"^ Etimologicamente.). -In. The American PoUlical Science Reviav. 1985.

il Dcvelopment: a Ct>st-lx'nefit Arwlysis". beneficiados com a mesma**. 4 1 7 427. ora por demasiada restrição. as definições acima apresentadas parecem-nos algo imprecisas. "Corruplionand Poljlic. uma possibilidade de benefício.Sem entrar na disputa travada entre as questões moral e legal. desde o início. Vol. Idem. se por u m lado tais indagações colocam as definições acima sob suspeição. cumpre-nos apenas esclarecer que. ibidem. I%7. caracterizadas como espaço público e espaço privado não é nova: com [88 Síntese Nova Fase. aqui. no rigor da expressão. se impõe a todas as variantes nocionais do termo aqui estudado: a prevalência. 10. não nos podemos omitir diante de questões tão importantes. Além disso. em que tipo de padrão ético apoiar-se-iam os moralistas para basear suas afirmações? Ou que espécie de corpus legal estariam tomando os legalistas como paradigma de suas considerações teóricas? E. como u m autêntico fator de desenvolvimento'". 64. os revisionistas vêem nesta uma espécie de benefício limitado à sociedade ou. Não cabe. v. u m elemento comum que. como dissemos antes. 1994 . para esta corrente teórica. É a partir desta realidade que tentaremos forjar uma definição mais precisa — o u . íator de de^^nwlfiiiwuto? S l o Taulo. mas antes expô-las como subsídio ã nossa própria tentativa de definição. em que sentido preciso a corrupção seria benéfica no entender dos revisionistas? Ora estas são as questões reconhecidamente polêmicas. é possível encontrar. Neste sentido. p. N v E . Mas. optar por uma ou outra das definições apresentadas. parece haver uma concordância entre grande parte dos teóricos — revisionistas ou não — em considerar a corrupção benéfica principalmente num contexto administrativo altamente burocralizado**. dariam margem a uma discussão de grandes dimensões. J S . Corrui\iÍo. Definição funcional e categorias A polarização entre duas esferas distintas de poder. Entretanto. sem entrar no mérito da disputa. da complexa e fecunda dicotomia entre as esferas pública e privada. loiras êc UMras 1 9 9 1 . mais funcional — de corrupção. pecando ora por excessiva flexibilidade. 21. finalmente. ao lado do seu já aludido sentido etimológico. por si só. por apresentarem uma visão parcial do processo de corrupção: cabe perguntar. Por isso. «. BATISTA . por outro. que. já que a corrupção pode emergir. 9. The American Política! Science Rcuww. sobretudo. LXl ( 0 2 ) . Também a consideração do grau de desenvolvimento de u m país é relevante no eventual benefício da corrupção: países subdesenvolvidos seriam. 4 3 9 . relacionadas à corrupção. em casos específicos. Belo Horizonte. assim. subjacente a todas elas. Antenor. n. u m verdadeiro elo de ligação.

v. a corrupção pode ser definida como uma espécie de desvio de um padrão de conduta institucionalizado que se caracteriza principalmente pela utilização do público pelo privado com um manifesto propósito de favorecimento Síntese Nova Fase. conforme vínhamos prometendo desde o início do ensaio. mas também — como se verá adiante — várias categorias analíticas sobre as quais a corrupção pode incidir. Neste sentido. Diante da idéia primeira que tínhamos da corrupção (colusão de natureza abrangente e marcada pela noção de "rompimento"). Lsííi- Riodej-inciro i». 21. para os moralistas.iz e lerr. pelo menos para os revisionistas. Assim. Ligada primeiramente à noção de utilidade {singulorum utilitas/ utiUtas comunione). sustentada pelas três correntes teóricas citadas. grosso modo. Para os legalistas.i. uma intervenção do público no que.:rc"v. isto nos leva diretamente à possibilidade de uma definição mais funcional de corrupção. finalmente. para os revisionistas a corrupção revelar-se-ia benéfica sobretudo na medida em que fosse utilizada como instrumento destinado a romper determinados entraves políticos e administrativos que têm origem na intervenção estatal na economia. a violação legal se daria. de determinado bem público. ou seja. como a utilização do público em benefício privado. a subtração de padrões éticos se daria principalmente na medida em que u m conjunto de valores morais seriam menosprezados para que determinado grupo ou indivíduo desfrutasse. semelhante distinção. qualquer que seja a definição que se faça da corrupção. senão nova. privativamente. poder-se-ia dizer que. Desta feita. podemos concluir que. Belo Horizonte. pelo menos inegavelmente singular: aliada às noções de colusão e ruptura. a que emerge agora parece adquirir uma feição. no sentido de que o usufruto de componentes ligados exclusivamente à esfera púbica para benefício p r i vado poderia ser considerado uma flagrante afronta à legalidade institucional. NortxTio. que tem sua raiz na diferenciação entre o que pertence a determinado g r u p o " . n. efeito. a dicotomia público/privado encontra-se subjacente « '"^as as tendências de definição acima apontadas. via de regra. E. desde a chamada antigüidade clássica já se procurou fazer. Ora. emergindo como uma eventual combinação espúria entre as duas esferas — isto é. deveria ser estritamente de responsabilidade da esfera privada. igualmente. temos a prevalência de uma idéia ligada à dicotomia público/privado.2: 11 BoBBro. ela logrou expandir-se o suficiente para abarcar não apenas facções diversas de definição. persiste invariavelmente u m elemento nuclear e comum: a relação espúria entre o público e privado. 1994 89 .l'. 64. Ao mesmo tempo em que nossa definição se particularizou.

"g<iliva?".5. Nye. embora acreditamos que a mesma tenha o mérito de ser u m pouco mais manipulável do que as definições generalizantes e demasiadamente flexíveis que grassam por estudos teóricos de toda espécie. v. 90 Síntese Nova Fase. entre outras coisas. Cuiltermü. vci. Belo Horizonte. para quem "corrupção é u m comportamento que se desvia das obrigações formais de uma função pública em função de interesses pecuniários privados ou de vantagens de status"'^ Embora muito próxima de ambas as definições. ou o o já citado J. C a r l s |. não acreditamos que a corrupção possa ser considerada u m "padrão de comportamenÍo"{pattern of hchaviour) pelo simples fato de que não consideramos possível se depreender u m modelo comportamental de u m processo tão complexo quanto o da corrupção — o que eqüivale a dizer que a forma em que elemento corrupto se manifesta depende. do nepotismo à malversação do dinheiro público.. The l'olilical Quarlcrli/. 21.. esta não busca ser uma definição conclusiva e indiscutivelmente precisa da corrupção. . J . 37. a do ganho privado à custa do público"'^.. tendo a possibilidade de ser i n - 12.) É u m comportamento deformado. preferimos manter a posição de que o desvio se dá estritamente em relação a uma norma institucionalizada.419. pela fragilidade das instituições democráticas. J. a 1: 70-8. da concussão ao tráfico de influências. com todas as variantes situacionais contribuindo para o emprego de determinado comportamento colusivo. como C. vale dizer. como já se procurou demonstrar. 0 'DoNNEL. S. além disso. do contexto em que ele está inserido. em situações crônicas de desvio. antes de mais nada.74. já que que a norma efetivamente predominante {norm actually prevalent) pode ser muito diferente da institucionalizada. associado a uma motivação particular. 64. S . É preciso ressaltar também que ela se aproxima bastante de definições anteriormente propostas por alguns teóricos. Friedrich. a própria corrupção pode acabar se institucionalizando no lugar destas. 1994 . Evidentemente. 14. causadas. "IX-mocracia IX'l(. principalmente aqueles que vêem nalgum tipo de desvio a própria essência da corrupção. vemos com reservas a afirmação de que a corrupção se manifesta enquanto desvio de uma "norma efetivamente predominante ou que se acredita predominar": no rigor do termo. at. N E Y . p. 1991. o que aguçaria ainda mais a crise social em determinada sociedade'-.pessoal ou grupai Do suborno ao peculato. Além disso. nossa proposta apresenta pequenas variações que consideramos imprencindíveis para uma utilização ao mesmo tempo mais precisa e mais ampla do termo. p. l -RiFi>KKM. para quem "corrupção é u m padrão de comportamento que se desvia da norma efetivamente predominante ou que se acredita predominar em determinado contexto (. Diferentemente da primeira. 13. 31: 2.5-40. n. 1966. "1'olilicfll 1'alholügy". Noiws Estudos Cebrap. n. o p . todas as atitudes tidas tradicionalmente como corruptas encontrariam u m espaço devidamente reservado na definição aqui proposta.

Sus.RMAN. quando. Parece desnecessário ressaltar mais uma vez que na base de todas estas categorias de corrupção encontram-se necessariamente os pressupostos fundamentais que definem determinada atitude como sendo de natureza corrupta.clusive. Corruption. A corrupção social estaria representada. uma vez que considera a corrupção como u m desvio das "obrigações formais de uma função pública" {formal duties of a public role). por exemplo. a corrupção — tal e qual a definimos aqui — pode incidir sobre várias categorias analíticas. Academic Press. teríamos.in. 15. A corrupção política estaria representada por atitudes classicamente definidas como corruptas e que teriam como conseqüência direta benefícios estritamente de natureza política: nepotismo. não é porque esta seja a única possível. tráfico de influência. a partir da utilização do público pelo privado. n. acreditamo-la demasiado restritiva. financiamento ilegal de campanhas eleitorais e outras'*^. K(>sf-AcKF . Limitada. 1978. três categorias fundamentais de análise ou. seria no mínimo insensato querer definir a corrupção como desvio de uma norma caracterizada por u m comportamento já colusivo. em alguns casos crônicos. ao contrário. apenas lembraríamos o recurso aqui empregado para chegar a uma definição funcional de corrupção: partindo do geral para o particular. mas porque ela é indubitavelmente a mais importante. diferenciando-se de modalidades universalizantes de conluio. porque. estando pelo menos u m dos elementos da relação ligado diretamente ou indiretamente ao poder público: polícia e traficantes. N o que diz respeito à segunda definição acima transcrita. Síntese Nova Fase. Belo Horizonte. a corrupção econômica estaria representada por toda atitude que. em princípio. ressaltando sobretudo a relação conspiratória que mescla o público e o privado. suborno. Como aludimos acima. A •itudy in polilical Econom}/. 21. Assim. três espécies básicas de ações venais ligadas à corrupção. v. procuramos estabelecer uma definição ao mesmo tempo limitada e ampla do termo. resulte em benefícios pecuniários imediatos: peculato. Finalmente. Conclusão Como conclusão. consideramos esta espécie de desvio apenas uma entre tantas outras modalidades de corrupção — se a nossa definição limita-se a citar a relação espúria entre as esferas pública e privada. militares e grupos de extermínio. 64. procura se restringir ao essencial. etc. concussão e. pelas relações conspiratórias travadas entre grupos de coerção que compõem determinada sociedade. a própria corrupção — neste sentido. 1994 . N e w York. em outros termos. principalmente.

725/801-B 0 \ S 4 V O a A — S ã o PauVo — S P [1 Síntese Nova Fase. R. 1994 . v. 64. representado sobretudo pelo usufruto do público em benefício privado. chegamos a u m termo sensivelmente mais manipulável e satisfatório: a corrupção como desvio de condutas institucionalizadas. Disso tudo resulta.o d o autor. Assim. além das três tendências básicas de definição. da corrupção como colusão genérica e como ruptura. n. a sua própria funcionalidade. Heitor Peixoto. principalmente. B\"vdero<. Belo Horizonte.ampla porque consegue abarcar. contribuir para u m maior aprofundamento da reflexão acerca desta tão polêmica questão. diversas categorias de venalidade. em última instância. 21. com o que acreditamos ser possível desfazer inúmeros equívocos presentes nas análises de comportamentos corruptos na nossa sociedade e. com o intuito de autofavorecimento.