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Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União
Brasília, junho de 2012 Elaboração: - Diretoria de Estudos Técnicos do Sindireceita - Consultoria especializada

CNPJ: 37.116.985/0001-25 Registro no MT: 46000.002356/2004-11 Endereço: SHCGN 702/703, Bloco E, Loja 37, Asa Norte, Brasília/DF Tel: (61) 3963-0088 Website: www.sindireceita.org.br
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.......... 13 4...... 15 5................................. 20 ............................................ ...................... A evolução da Despesa com Pessoal nos Governos FHC e Lula..................................................... ... 4 3...Índice 1.. Introdução........................... O Governo Dilma Rousseff..... Aspectos Relevantes da Despesa com Pessoal da União........... Conclusões........ 4 2......................

e festejando o início de um período de “austeridade” com a posse da Presidenta Dilma Rousseff. sobretudo com enfoque na contenção ou redução da despesa com pessoal e encargos na Administração Pública. Tal abordagem. apontando o que seria um descontrole de gastos com pessoal no período. com vistas a identificar os elementos característicos de cada período. ignora os efeitos destrutivos das políticas de contenção adotadas em tempos passados. é necessária uma abordagem das medidas adotadas no período 1995-2010. porém. e das medidas adotadas nos primeiros anos do Governo Dilma Rousseff. costumam ser festejados e aplaudidos.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União 1 | Introdução Análises recorrentes de alguns economistas e analistas políticos têm explorado aspectos da política de reajustes das remunerações dos servidores públicos federais nos últimos anos. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil |4| . 2 | A evolução da Despesa com Pessoal nos Governos FHC e Lula Para melhor entendimento das políticas adotadas a partir de 1995. e dos seus impactos fiscais efetivos. ano de início do Governo FHC. e da real situação da evolução dos gastos com pessoal da União. O presente estudo objetiva promover uma análise equilibrada sobre as políticas adotadas pelos Governos FHC e Lula em relação ao aumento da despesa com pessoal e encargos. notadamente com os servidores civis. Essa abordagem não chega a constituir novidade: governantes que erguem a bandeira da “austeridade”. vis a vis indicadores como a Receita Corrente Líquida e o Produto Interno Bruto. e suas consequências para os governos subsequentes. seus efeitos sobre o desenvolvimento do País e as perspectivas para o atual Governo.

com o correspondente aumento das terceirizações. houve revisão geral no quadro remuneratório dos servidores civis e militares apenas em 1995 e em 2002. 169 da Constituição. ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão nº 2.061. porém. a revisão se deu por força de determinação Supremo Tribunal Federal. se essas medidas não forem suficientes. exoneração dos servidores não estáveis e. houve uma contenção expressiva do provimento de cargos públicos vagos em decorrência de aposentadorias. sucessivamente. e leis diversas foram aprovadas – entre elas a Lei de Responsabilidade Fiscal – para impor limites cada vez mais rígidos aos gastos com pessoal. que passou a prever que os entes federativos que não cumprissem os limites de gastos com pessoal e encargos fixados em lei complementar deverão adotar. lembrar. Cabe. Como resultado desse processo. ou impedir o seu crescimento.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União Ao longo dos seus oito anos. que a primeira revisão foi concedida apenas porque já se havia materializado direito adquirido. falecimentos e vacâncias. em percentual exíguo de apenas 3. providências para redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e funções de confiança. a demissão de servidor estável. em 2002. Durante os dois mandatos de FHC. o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso adotou sucessivas medidas para reduzir a despesa com pessoal e encargos. desde que ato normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade funcional. permanecendo-se até 2002 sem o cumprimento da data-base anual – e. mas. Nesse período. inseriu-se na Constituição a permissão para a demissão de servidores estáveis por “excesso de despesas”.5%. ainda assim. mediante alteração ao art. finalmente. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil |5| . o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal.

739.11% 5.10 1.16% Fonte: SIAFI/PRODASEN/STN SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil |6| .491.886.70 97.449.10 89. Do ponto de vista da participação da despesa com pessoal e encargos no Produto Interno Bruto – PIB. de 100.86% 5. promover a recuperação das perdas acumuladas.7%.240.736.895.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União Finalmente. as revisões específicas nos quadros remuneratórios de cargos e carreiras promovidas nesse período se deram por meio da implementação ou elevação de gratificações de desempenho. a esmagadora maioria dos servidores federais civis tinha remunerações defasadas frente à inflação oficial.40 145.57% Receita Corrente Líquida (RCL) 67.198.71% 40.02% 37.00 Produto Interno Bruto (PIB) 646.60 % do PIB 5.60 51.70 47.29% 5.00 58. verifica-se a seguinte série histórica.00 65.60 167.187.255. medida pelo IPCA. Embora alguns setores tenham conseguido.846.90 973.90 44.976.00 201.529.346.Despesa com Pessoal e Encargos da União x PIB e RCL Período 1995-2002 Em milhões de Reais Ano 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Despesa com Pessoal da União 37.30 % DA RCL 56.91% 39.77% 45.110.30% 5.743.00 914.40 75.46% 5.RCL.101. ao final do período 1995-2002.191.70 870.25% 5.50 778.00 1.900. ou estendidas em valores reduzidos.89% 45.60 104.040.31% 45.027.571.00 1.25% 5. em muitos casos não estendidas aos inativos. demonstrando os impactos dessa política: Tabela 1 .13% 39.352.298.40 129.927.029.00 40. acumulada ao longo de oito anos.854. e na Receita Corrente Líquida .

2 Lei nº 10. mas encerrando em 2002 ainda em patamar inferior a 1995. No entanto. Em 2003. abril de 2002. A carga tributária durante o primeiro mandato de FHC atingiu 28.1995-2002. assim. teve início o Governo Lula.38% em 2002.698.87 para todos os servidores. Na época. por conceder uma vantagem pecuniária individual3 no valor de R$ 59.75% do PIB e. optando. ainda. BNDES. quanto à recuperação das perdas salariais acumuladas no período presidencial anterior. de 2 de julho de 2003.31% em 1995 para 37. uma contínua redução no percentual de comprometimento da RCL. reduzindo a renda dos servidores. iniciou-se um importante ciclo de reestruturações de cargos e carreiras da Administração Pública Federal. Do déficit de metas às metas de déficit: a política fiscal do governo Fernando Henrique Cardoso. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil |7| .Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União Ocorreu. que partiu de 56.8% do PIB. elevou-se para 32. de 2 de julho de 2003. a eleição de um autêntico representante da classe trabalhadora gerava forte expectativa. embora ainda insuficientes. segundo dados da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda1. porém. Tais medidas foram aprovadas pelo Congresso.Texto para Discussão nº 93. tendo sofrido redução menos visível. Dessa forma. A participação dessas despesas no PIB. nesse primeiro ano o Presidente enviou ao Congresso proposições destinadas a conceder a revisão geral constitucionalmente prevista no percentual de apenas 1%2. Fábio. 3 Lei nº 10. visando atingir as metas de superavit primário e cumprir compromissos com o sistema financeiro. BNDES: Rio de Janeiro. entre os servidores públicos.697. não teve modificação tão expressiva. Em 2004. tendo sido concedidos reajustes remuneratórios que. frustrando tal expectativa. além da contenção do gasto com pessoal e encargos. no segundo mandato. com ligeiro crescimento a partir de 2001. trouxeram avanços significativos para as categorias 1 In GIAMBIAGI. houve um acréscimo de tributos à sociedade como um todo.

no período.quanto para valorizar e ampliar os quadros de setores vinculados a atividades estratégicas e serviços essenciais ao cidadão nas áreas de saúde. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil |8| . Planejamento. o Governo envidou grandes esforços tanto para recuperar a capacidade de atração e retenção do serviço público federal. em relação a diversas carreiras consideradas típicas de Estado. benefícios para a economia e para a população. muitas delas resultantes de negociações com a participação das entidades representativas dos servidores públicos. Orçamento e Gestão. composta pelos cargos de Analista-Tributário e Auditor-Fiscal. Tais reestruturações se fizeram notar em inúmeras leis aprovadas pelo Congresso Nacional. valorizadas e fortalecidas que foram. Finanças e Controle. da retomada da realização dos processos de provimento de cargos efetivos. Esse ciclo de reestruturações se encerrou em 2008. e as carreiras específicas da Polícia Federal. especialmente. devendose reconhecer que.conceito que inclui a carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil. além da criação de cargos efetivos a serem providos por concurso. entre outras . gerando. que passou a dispor de um serviço público de melhor qualidade. mas também para a prestação de serviços públicos e para o Estado brasileiro. notadamente nas chamadas “atividades exclusivas de Estado” . Advocacia Pública. novas gratificações e adicionais e. a regulação de serviços prestados pelo setor privado e a investigação policial em âmbito federal puderam ser intensificadas e aperfeiçoadas. previdência e pesquisa científica. e. assim. Banco Central e Inteligência. Atividades como a fiscalização agropecuária e trabalhista. com substituições de modelos de remuneração variável pelo subsídio (valor único e fixo). educação. com a fixação de novas tabelas de vencimentos. O conjunto de medidas adotadas pelo Governo Lula de 2004 a 2008 deixou um saldo bastante positivo não só para as categorias atingidas.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União atingidas.

3 Fonte: Boletim Estatistico de Pessoal nº 189/2012 – Min.286.8 10.2 75.1 2.8 89.454.8 4.011.971.547.9 18.961.8 2.6 5.286.8 7.3 7.7 930.4 12.942. de fato.1 19.0 24.573.545.446.486.507.3 34.3 3.588.082.2 484.798.460.344.286.5 100.7 8.650.9 523.482.9 3.0 447.5 22.650.4 112.964.0 110.1 381.1 103.834.645.1 11.779.352.6 7.4 790.1 13.173.375.0 68.0 107.313.880.808.030.6 5.3 36.2 994.0 22.1 2009 67.1 1.081.704.1 548.513.7 21.8 10.432.321.7 167.483.8 369.0 127.9 15.2 37.5 18.605.4 24.974.6 7.0 363.4 1.632.9 39.4 9. como demonstra a tabela a seguir.637.9 2.431.7 5.2 25.4 1.161. do Distrito Federal Repasses Previdenciários * Total 2002 2003 2004 2005 2006 2007 50.950.4 427.3 14.467.103.464.252.7 10.257.647.9 21.308.083.409.974.140.959.3 7.0 321.841.282.743.819.960.2 1.1 10.536.606.8 12.1 3.931.2 86.542.090.9 17.958.6 74.9 126.3 96.237.227.7 255.1 78.688.885.7 31.7 68.1 45.4 26.398.224.4 6.3 32.123.6 29.950.5 40.281.5 2.923.1 2010 140.948.635.909.042.497.6 3.977.266.107.1 6.227.029.0 329.460.6 8.264.400.491.040.9 36.2 544.4 438.4 8.280.9 9.9 107.8 955.3 20.385.4 1.4 716.256.462.1 25.7 4.5 59.4 64.104.3 636.9 1.878.9 76.2 4.9 21.278.690.8 72.3 1.394.4 2.047.619.8 2.1 3.560.9 7.4 35.629.8 2.073. Distrito Federal Demais Estados Fundo Constituc.2 1.9 6.2 6.7 61.9 258.234.6 54. vis a vis os valores contabilizados no ano de 2002.4 3.225.960.2 1.0 80.1 9.095.251.645.034.3 364.9 2.9 183.7 4.0 78.293.523.1 15. houve.3 71.7 9.278.328. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil |9| .6 813.214.700.468.482.6 10.5 38.8 13.464.3 12.8 5.3 14.7 2.7 7.7 983.8 923.777.7 5.7 11. um acréscimo significativo na despesa com pessoal e encargos.2 532.043.023.1 16.551.4 6.101.621.889.727.3 9.3 40.9 19.066. Tabela 2 .2 7.767.4 27.838.898.4 144.015.454.Despesa com Pessoal e Encargos da União Período 2002-2010 Em R$ milhões correntes 2002 EXECUTIVO (CIVIS E MILITARES) Ativos Aposentados Instituidor de pensão CIVIS Ativos Aposentados Instituidor de pensão MILITARES Ativos Aposentados Instituidor de pensão MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO Ativos Aposentados Instituidor de pensão LEGISLATIVO Ativos Aposentados Instituidor de Pensão JUDICIÁRIO Ativos Aposentados Instituidor de Pensão Transferências Intergover.903.8 201.031.1 44.5 190.1 1.9 462.0 59.5 52.741.8 1.662.878.6 17.8 23.5 261.3 14.022.053.8 24.2 22.0 5.068.7 26.9 93.844.8 2.6 1.096.025.522.216.2 6.248.941.4 2.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União Ao longo dos oito anos da “era Lula”.2 15.149.724.0 32.9 87.6 7.417.7 223.6 17.844.5 22.657.986.5 18.7 235.613.7 26.649.8 484.7 6.487.854.7 733.821.2 27.1 30.3 3.6 2.768.1 13.9 1.457.0 28.6 1.090.6 8.2 287.036.5 7.5 905.3 5.7 11.6 1.2 11.3 20.6 9.699.981.123.2 2.110.3 8.6 115.5 13.9 76.8 16.4 2.2 48.345.078.374.9 369.420.2 10.1 18.4 5.5 11.281.3 269.590.343.3 1.228.9 6.897.3 54.353.005.256.6 330.1 3.393.8 4.803.515.7 1.1 9.307.4 2008 58.8 1.0 23.701.218.0 2. do Planejamento.805.1 30.3 46.1 5.

do progressivo envelhecimento da força de trabalho da União. mas. Entre 2003 e 2010. tiveram expressiva elevação.090). no período anterior.318 97.500). Alguns elementos do gasto. como resultado do reconhecimento de direitos que.6%.900).643 49.6%. como as despesas com pensionistas e inativos.195). Polícia Federal (5. que acarretou expressivo número de aposentadorias no período.780) e entidades como INSS (8.100) e Polícia Rodoviária Federal (3.9%. assim distribuídos: Tabela 3 – Cargos Criados no Poder Executivo Federal Período 2003-2010 Nível do Cargo Auxiliar Intermediário Superior TOTAL Cargos criados 2.685 Fonte: Ministério do Planejamento Parcela expressiva desses cargos (77.000) foram destinados às Instituições Federais de Ensino. foram criados 149. INCRA (4. Funai (3. para uma inflação total acumulada de 56.5%.685 cargos efetivos no Poder Executivo. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 10 | .Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União Nota-se que.724 149. também. além das milhares de vagas destinadas às Agências Reguladoras Federais (9.000). o aumento da despesa com pessoal e encargos do Poder Executivo foi da ordem de 135. haviam sido negados. A despesa do Poder Executivo com os servidores civis do Executivo aumentou em 160. ao passo que o gasto com os militares aumentou em 85. parcialmente compensada pela criação de novos cargos efetivos e pelo ingresso de novos servidores. Ministério da Saúde (3.

136 402.537 405.Evolução do Quadro de Pessoal da União Período 2002-2010 Class. por outro lado. do Planejamento.992.850 529. considerados os três Poderes.111.867 415.174 1. com uma elevação de mais de 200.192 538.922.855.765 1. Ativos Aposentados Inst.230 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Variação 199.134 2.199 545.630 cargos ocupados.185 889 205.000 servidores ativos no período: Tabela 4 .647 537. enquanto o total de aposentados e pensionistas manteve-se praticamente estável ao longo do período.722 406.195 1.067.515 987.842 1. como evidencia a tabela a seguir.237 2003 961. e mais de 11% de acréscimo no número total de servidores.284 2.633 537.014.048 442.367 433. os acréscimos foram ligeiramente maiores.Pensão Total 2002 912.007. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 11 | . sofreu acréscimo de 160.287 543.005.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União O total de servidores efetivos civis ativos do Poder Executivo.376 530.966 1.632 1.333 532.980.974 2.740 1. é fato que não houve elevação nos percentuais de comprometimento da RCL com pessoal e encargos e de participação dessa despesa no PIB. Já no total de servidores federais civis e militares.481 Fonte: Boletim Estatístico de Pessoal nº 189/2012 – Min. vide tabela a seguir. os indicadores de 2010 são ainda mais favoráveis do que aqueles verificados ao final de 2002. Mesmo com um crescimento de quase 22% no número de servidores ativos.126 1.061.563 448. Na verdade.699 2004 990.577 545.403 1.031.959.861 1.969.360 1.695 452.014.624 434.441 5.

483.77%.481.00 2.00 4.239. portanto.60 94.80 144.731.80 344. Não houve.00 3. sendo obrigatória a constatação de que o acréscimo se SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 12 | .90 126. Não é correto. 20 desse diploma legal.964.706.99% 4. o percentual de comprometimento da RCL foi de 36.16% 4.70 89.877.763.30 183.941.21% 36.70 167. com pico de 38.278.65% 31.203.11% 33.798.81% 33. Já em relação ao PIB.00 1.71% 38. crescimento expressivo. número inferior ao percentual registrado em 2002 e bem inferior ao patamar fixado na Lei de Responsabilidade Fiscal para as despesas da União (50%).77% Receita Corrente Líquida (RCL) 224.032. em 2010.000.974. a média do percentual de comprometimento da RCL. enquanto 2005 também foi o de menor resultado. apontar descontrole de gastos no período. foi de 34. encerrando-se o período com uma participação dos gastos com pessoal no PIB de 4.015.022.8% à participação registrada em 2002.920.011.00 558.61% 4.65% 4.484.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União Tabela 5 .50 Produto Interno Bruto (PIB) 1.77% 4.563.40 386.431.00 303.199.30 437.498.00 3.36% 32.00 % do PIB 4.066. todavia.Despesa com Pessoal e Encargos da União x PIB e RCL Período 2003-2011 Em milhões de Reais Ano 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Despesa com Pessoal da União 78.03% 33.20 197.40 % DA RCL 35. Verificase também que.344.40 499.648.20 265.00 428.76% 5.67% 35.35% Fonte: SIAFI/PRODASEN/STN Como demonstra a tabela.674. 2009 foi também o ano de mais alto resultado.00 2.21% em 2009.38% 4.20 115.404.143.00 3.43%. inferior em 0.67%.699. no período. nos termos do art. e o valor mais baixo registrado em 2005.867.00 2.147.239.661.85% 4.369. ano em que se completaram os efeitos financeiros das últimas reestruturações e reajustes.

O estudo registra ainda que. medicina e outras onde o mercado é altamente competitivo4. a quantidade e o custo dos funcionários públicos no Brasil (em todos os níveis de governo) têm se mantido relativamente estável ao longo dos anos. embora ainda haja situações críticas em cargos nas áreas de engenharia. não se pode falar em distorções remuneratórias no serviço público frente ao setor privado: estudo realizado pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico sobre a gestão de recursos humanos no Governo Federal do Brasil em 2009 afirmava que a questão da atratividade do serviço público frente ao setor privado não é diferente da enfrentada nos países desenvolvidos. o governo federal foi um fator de estabilidade do total do emprego público (em todos os níveis de governo)”. e até recentemente.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União deu. Uma grande parte do aumento do número de funcionários teve lugar na educação. OECD: Paris. 2010. em consequência da necessidade não somente de promover a recuperação da capacidade administrativa. “globalmente. saúde. segurança e infraestrutura e pode ser perfeitamente legítimo considerando um melhor aces4 OECD Reviews of Human Resource Management in Government: Brazil. como resgatar o poder aquisitivo e a capacidade de atração e retenção do serviço público federal. e que apenas recentemente as carreiras “de elite” passaram a ter remunerações competitivas. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 13 | . A OCDE reconhece que “isso não quer dizer que os aumentos de custos no governo federal não têm sido legítimos. efetivamente. 3 | Aspectos Relevantes da Despesa com Pessoal da União Apesar dos reajustes concedidos na última década.

“controlar” e restringir o aumento da despesa com pessoal e encargos.” A necessidade de promover a substituição de terceirizados contratados irregularmente para exercer funções privativas de servidores efetivos e de superar déficits ainda existentes em carreiras estratégicas como as da Administração Tributária. como é o caso do Projeto de Lei Complementar nº 01. do Poder Executivo. educação e outras. Daí a impossibilidade de que se possa considerar adequada à realidade do país a lógica da contenção. por dez anos. implica em sério desafio à gestão fiscal e de recursos humanos para os próximos dez anos.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União so e possíveis melhorias no fornecimento de serviços. dado que os funcionários públicos costumavam ser mal pagos. engessando a gestão pública a níveis nunca vistos. saúde. de 2007. por outro lado não se pode considerar honesta a abordagem contida em proposições que visam. quando o Governo terá que assegurar e ampliar a sua capacidade de resposta às demandas da sociedade. que visava limitar o crescimento da despesa com pessoal. em que a regularização de um grande número de funcionários se deu por meio de procedimentos não competitivos (após a instituição do regime único para os funcionários públicos em 1987 e posterior revisão em 1990). Os relatos apontam que os aumentos salariais também foram necessários. Embora o Projeto tenha SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 14 | . nem todos com as qualificações necessárias. sobretudo. Policia Federal. onde o número atual de servidores não atende adequadamente às necessidades dos respectivos setores. e de sucessivas políticas de demissões e congelamentos de contratações. pura e simples. da despesa com pessoal. Esse aumento sucedeu décadas de poucos investimentos.5%. Se é fato que essa despesa pode e deve ser mais eficiente. à correção inflacionária mais 1.

e ignorando fato de que. ampliando o limite de aumento acima da inflação para 2. Já no início de seu mandato. que difere da proposição antes referida apenas por ser mais “generoso”.5%. Ao proceder à análise da conjuntura vigente nesse período.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União tido sua tramitação paralisada desde então. de 2009. iniciativa semelhante foi aprovada pelo Senado Federal em 2009 e remetida à Câmara dos Deputados na forma do Projeto de Lei Complementar nº 549. maior é a tentação para que os gestores públicos recorram a mecanismos de burla. conter pressões por novos reajustes e controlar o crescimento da despesa. de autoria do Senador Romero Jucá. à revelia das reais necessidades da sociedade. bem como o adiamento da convocação de servidores já aprovados e que aguardavam nomeação. 4 | O Governo Dilma Rousseff Uma das principais marcas do primeiro ano do Governo Dilma Rousseff foi o desmedido empenho dos seus principais condutores. constata-se que quatro fatos foram determinantes para a configuração desse quadro de exiguidade. Organizações Não-governamentais. razoavelmente. Ambas as proposições. consultorias irregulares e outras formas de contratação que pecam não apenas pela falta de transparência e arrepio ao sistema do mérito. mas são fontes rotineiras de corrupção. notadamente através da contratação de prestadores de serviços. como parte do corte de gastos da ordem de R$ 50 bilhões anunciado no início de fevereiro de 2011. clientelismo e nepotismo. e da sua base de apoio no Congresso Nacional. fundações de apoio. em evitar qualquer elevação na despesa com pessoal. a Presidenta determinou a suspensão da autorização de novos concursos públicos. E adotou postura igualmente restritiva quanto à concessão de novos reajustes. a cada vez que se instituem normas dessa espécie. partem da premissa de que a fixação de limites por lei seria capaz de. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 15 | . porém.

embora. conforme será demonstrado a seguir. “fazer. e reafirmada pela Lei nº 10. ultrapassar a inflação do ano em curso. exige considerar qual a data-base para a concessão da revisão geral. 73. não tenha sido observada com a regularidade determinada pelo inciso X do art.504. a opção do Presidente Lula foi eminentemente política. No entanto. é vedado aos agentes públicos – entre os quais se inclui o Presidente da República. contudo. essa data-base. até a data da sua concessão. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 16 | . na circunscrição do pleito. o Presidente Lula optou por não encaminhar propostas de reajuste ao Congresso com vigência para 2011. a partir do início do prazo estabelecido no art.331. legalmente fixada desde 1988 pela Lei nº 7. pois. 37 da Carta Magna. ainda que não dispute a eleição – nos termos do art.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União O primeiro deles é o fato de que. assim. de 30 de setembro de 1997. No caso dos servidores federais. Segundo a Lei nº 9. quer para favorecer seus aliados. e não técnica. em tese. se concedida após a data limite. evitando. desde 2004. revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição. 7º desta lei (180 dias) e até a posse dos eleitos”. o dispositivo não impede a revisão geral no período dos cento e oitenta dias anteriores à eleição. os impedimentos legais em ano de eleições presidenciais não inviabilizavam a concessão de reajustes aos servidores públicos até determinado limite. e nem mesmo após esse prazo. inciso VIII. em 2010. A revisão.706. quer para beneficiar-se eleitoralmente. o que. de 18 de dezembro de 2001. não poderia. Tal dispositivo pretende evitar a excessiva generosidade do dirigente em final de mandato e o uso indevido da política remuneratória. de 21 de dezembro. é o mês de janeiro. impor novos ônus à sua então provável sucessora. Apesar dos argumentos apresentados pelo governo e reproduzidos pela imprensa na época.

à exceção dos anos eleitorais. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 17 | . portanto. estabelece que “é nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento de despesa com pessoal expedido nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20”. o que.768. mas é inquestionável a possibilidade de reposição das perdas inflacionárias previstas para o referido ano por meio de ato expedido até o dia 30 de junho de 2010. no curso do próprio exercício. A reposição anual das perdas inflacionárias tem previsão constitucional e. desde então.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União O art. poderia haver questionamento a qualquer reajuste superior à inflação que viesse a ser concedido aos servidores federais a partir de 6 de abril de 2010. pelas razões já citadas. de 14 de agosto de 2008). de reajustes por meio de leis ou medidas provisórias. de 4 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal). A inovação serviu. vedaria qualquer reajuste a ser concedido por lei ou medida provisória a partir de 1º de julho de 2010. engessando fortemente a adoção de medidas que. para limitar tanto a aprovação quanto o envio ao Congresso de proposições legislativas relativas a aumento de pessoal. exceto se a medida provisória resultasse de projeto de lei já em tramitação na data fixada. evitaria a diminuição do poder de compra das remunerações percebidas pelos servidores públicos. 21 da Lei Complementar nº 101. Cabe também informar que a Lei de Diretrizes Orçamentárias passou a fixar o limite de 31 de agosto do ano anterior para que estejam em tramitação propostas legislativas que intentem implementar reajustes a serem contemplados na Lei Orçamentária do ano seguinte. ocorriam regularmente durante o ano. na verdade. Assim. acabou por vedar a concessão. caso fosse cumprida regularmente pelos governantes. introduzida pela primeira vez na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2009 (Lei nº 11. até 2008. Tal norma.

Ministério Público da União e Câmara dos Deputados. a aprovação de projetos de lei em tramitação elevando os vencimentos dos servidores e membros do Poder Judiciário. no prazo estabelecido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias. como ocorrera em anos anteriores. não houve modificação da decisão presidencial de não acolher quaisquer aumentos de despesas para os demais Poderes.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União O segundo fato é o empenho da Presidenta Dilma Rousseff em evitar.203. de 2011. Já o terceiro fato se manifesta na decisão da Presidenta de não encaminhar ao Congresso. De fato. a única proposta enviada pela Presidenta ao Congresso. há muito. Não somente o Poder Executivo não incluiu na proposta orçamentária enviada ao Congresso a previsão de aumento de despesa resultante das proposições em tramitação. novas reestruturações e reajustes. destacando-se o fato de que o acatamento da demanda do Poder Judiciário implicaria um acréscimo de cerca de R$ 7. como se empenhou em impedir que fossem promovidos ajustes durante a votação do projeto de lei orçamentária para 2012. de 2012.2 bilhões/ano. projetos de reajustes para beneficiar em 2012 um amplo leque de categorias. com o apoio de sua ampla base de sustentação no Congresso. posteriormente substituído pela Medida Provisória n° 568. sob o argumento de que o excesso de aumento de gastos com pessoal resultante dessas proposições implicaria em cortes de gastos em outras áreas. o Projeto de Lei nº 2. e de servidores do Tribunal de Contas da União. destinou-se a promover ajustes de vantagens para alguns setores do serviço público e correções pontuais em leis já vigentes. sem estabelecer reestruturações amplas e novos patamares de remuneração para carreiras ou grupos de cargos que demandam. Mesmo após o Supremo Tribunal Federal haver reagido contrariamente à não inclusão dos impactos das propostas em tramitação no projeto de lei orçamentária enviado ao Congresso. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 18 | .

teria ocorrido nos últimos anos do Governo Lula. crescendo de forma descontrolada. Portanto. X da Carta Magna. subsídios e remunerações dos servidores. artigos e comentários. dois fatos devem ser considerados: primeiro. embora tenha apoiado. o que foi objeto do Mandado de Injunção SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 19 | . associaram a não concessão de reajustes para 2012 à necessidade do Governo de conter o excessivo aumento nos gastos com pessoal.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União No decorrer do ano de 2011 e no início de 2012. não vem dando cumprimento ao mandamento constitucional contido no art. com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2011. quando houve queda no percentual de participação na RCL. que a participação dos gastos com pessoal na Receita Corrente Líquida não deixou de estar situado em patamar bem abaixo ao fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal para as despesas da União (50%). do vice-Presidente. até aqui. a não concessão de reajustes para 2012 não poderia ser justificada pela necessidade de conter a elevação de despesa que não vinha. No entanto. já indicava para o Governo que a trajetória de crescimento havia se encerrado. que prevê a revisão geral anual dos vencimentos. a Presidenta orientou a sua base de apoio no Congresso no sentido de não aprovar proposições de revisão de subsídios dos magistrados. alguns economistas e analistas políticos. no final de 2010. que a evolução desses gastos entre 2009 e 2010. que reajustou a remuneração da própria Presidenta. conforme disposto na Tabela 5. e nem vem. segundo eles. Igualmente. fato que. Lamenta-se ainda o fato de que a Presidenta. por meio de notas. da mesma forma que seus antecessores. a aprovação de decreto legislativo. e segundo. dos Ministros de Estado e dos membros do Congresso Nacional. equiparando-os à remuneração dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. em que pese o aumento mais acentuado da despesa entre 2008 e 2009. 37.

o seu arquivamento. e seus reflexos sobre as finanças públicas do Governo Federal. contra os Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. em 7 de fevereiro de 2012. a preocupação com os efeitos da crise não deve ser um inibidor para a constante revisão no quadro remuneratório dos servidores públicos.197/2011.490. determinou. Por isso. encaminhado pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal em 31/8/2011. o mundo foi submetido a uma forte crise econômica. Ministro Ricardo Lewandowski. em que se alega a omissão do Congresso Nacional na apreciação do Projeto de Lei nº 2. inexiste evidência de descontrole na despesa com pessoal e encargos da União. Por esse motivo. cabe lembrar que a mais importante medida de efeito anticíclico adotada pelo governo para evitar a contaminação da economia do Brasil pelos efeitos da crise em 2008 e 2009 foi o estímulo ao consumo interno. e seus efeitos ainda se fazem sentir com força em vários países.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União Coletivo nº 4. O quarto fato consiste nos efeitos da crise econômica mundial. é fato que essa crise ainda não foi superada. por entender não estar ainda presente a mora legislativa na apreciação do referido projeto. 5 | Conclusões Como demonstram os dados apresentados neste Estudo. e menos ainda de qualquer excesso que possa ser atribuído à política adotada na última década. muito pelo contrário. em 2008. a elevação da renda da população no período foi essencial para o aumento da demanda interna. Se. o Relator do Processo. Os SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 20 | . Nesse sentido. Por outro lado. ajuizado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil – Ajufe. a falta de investimentos em pessoal nesses primeiros dois anos do Governo Dilma Rousseff não pode ser justificada pela “imperiosa necessidade de conter a elevação do gasto com servidores”. No entanto.

ainda não solucionados a contento. uma forte redução na participação dessa despesa na RCL. são necessários investimentos constantes. Uma política adequada de gestão de recursos humanos deve permitir recrutar regularmente. a adoção de uma política efetiva de gestão de recursos humanos. no Governo Federal. Uma análise acurada sobre as origens de graves crises deflagradas recentemente. como a do sistema aéreo e da segurança pública. aponta não só para a falta de investimentos em recursos materiais. selecionar meritocraticamente. Importante alertar que tais problemas. e que são. que supere os problemas consolidados nas três esferas de Governo. é apenas um SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 21 | . Para isso. em plano superior. houve. entre o ano de 1995 e o ano de 2003. que prevê a revisão geral anual das remunerações e proventos. Os elementos apresentados ao longo desse trabalho evidenciam a importância de se colocar. com influência sobre os demais entes da Federação. mas sobretudo para a insuficiência do quantitativo de servidores e para a má gestão da força de trabalho. O descumprimento da Constituição Federal. sempre situada bem abaixo do limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. de fato. A política de contenção de gastos dessa natureza para fins de alcançar ou elevar metas de superavit primário já deu mostras da sua nocividade para o País.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União números apresentados deixam claro que. remunerar dignamente. contrariando os “alertas” disseminados recentemente de que teria havido um “exagero do governo anterior nas reestruturações concedidas”. ameaçam produzir novas crises no futuro. por ser este o locus primeiro da definição das políticas públicas no país. ainda mais graves. fica claro que tal participação se manteve dentro de uma faixa segura e estável. De 2004 a 2010. gerir a força de trabalho eficientemente e alcançar os resultados esperados pelos cidadãos.

o que acaba por facilitar práticas como o contrabando. produto da insuficiência ou ausência de investimentos em pessoal. tal situação ainda persiste e pode se agravar caso o Governo insista na sua política de contenção demasiada de gastos com pessoal. como o subfaturamento. O País vem pagando caro também pelo precário exercício de vigilância das fronteiras. parcialmente. conforme se divulga reiteradamente. o que. Por meio do livro “Fronteiras Abertas”. Esse lamentável quadro é. sob responsabilidade da Receita Federal do Brasil e exercido pelos integrantes dos cargos de Auditor-Fiscal e Analista-Tributário. A falta de equipamentos e de servidores nesse setor tem gerado morosidade nas operações de exportação e importação. em certos momentos. por sua vez. é fruto dos problemas apontados até aqui. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 22 | . mas que induzem a uma lógica de descompromisso com a institucionalidade que acaba por contaminar o próprio ethos do serviço público. Exemplo disso é o trabalho de fiscalização e controle do comércio exterior. pela política de reajustamentos diferenciados. pertencentes à Carreira de Auditoria da Receita Federal. o Sindireceita vem denunciando a fragilidade do aparato estatal de controle sobre o trânsito de pessoas e mercadorias pelas fronteiras do País. em prejuízo à economia nacional. mas também da prestação deficiente de serviços públicos. no limite. Apesar dos avanços notados na última década. sem dúvida alguma. além de um deficiente trabalho de combate a práticas comerciais fraudulentas. o tráfico de armas e drogas e a pirataria. inibem o crescimento econômico nacional não resultam apenas da falta de investimentos em infraestrutura. o que vem gerando danos à economia e pondo em risco a segurança pública. A sociedade brasileira deve atentar para o fato de que os “gargalos” que.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União exemplo de práticas desorganizadoras que. podem ser compensadas.

sempre foram contrários à construção de um serviço público amplo e de qualidade. será capaz de desvencilhar-se dos preconceitos reiteradamente veiculados e mostrar-se imune ao discurso de que o Presidente Lula deixou-lhe uma “herança maldita” materializada em elevados gastos com pessoal e expectativas infladas por novos e irreais reajustes vis a vis a realidade do país. SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil | 23 | . depõem contra o desenvolvimento econômico do País. na verdade. que regularmente reitera seus compromissos com os valores da eficiência. além do comportamento da economia. de o quanto a Presidenta da República. servindo apenas para alimentar o ideário dos que.Análise sobre Evolução da Despesa com Pessoal e Encargos da União As perspectivas para o Governo Dilma são. adjetivações como “inchaço da máquina pública” e “descontrole de gastos com pessoal” carecem de fundamentos e. e dependerão. assim. Conforme demonstrado ao longo deste Estudo. profissionalismo da gestão. probidade administrativa. desafiadoras. historicamente. busca de resultados e prestação de contas. por interesses escusos.

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