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Etapa V - Volume 2
527(,52'((678'2
2EMHWLYRV
,QWURGXomRjTXtPLFDDPELHQWDO
$eoasr|áo Franoe||no oa 0ruz
Ao término dos estudos propostos neste roteiro, você deverá ser
capaz de:
diferenciar as camadas da atmosfera;
identifcar as principais substâncias na atmosfera e sua
origem;
entender e avaliar as conseqüências das emissões de gases
poluentes na atmosfera;
discutir sobre as conseqüências da destruição da camada
de ozônio;
conhecer os principais poluentes lançados por seres
humanos na atmosfera;
reconhecer aspectos químicos da interação do ser humano
com a atmosfera;
compreender o efeito estufa e as formas de se evitar o
aquecimento global.
·
·
·
·
·
·
·
O meio ambiente em foco
[...] Ó, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu,
não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar
[...].
(Trem das sete - Raul Seixas)
Achamos oportuno iniciar nosso diálogo com esse trecho de
música que retrata o que muitas cidades do mundo estão vivendo
atualmente: o crescente aumento da poluição. A conseqüência
dessa poluição está retratada nos noticiários de TV, jornais e
é visível nas grandes cidades. Os fenômenos naturais como a
erupção de um vulcão, liberando gases e cinzas, e mudanças
climáticas em decorrência do El Niño resultaram em alterações na
composição da atmosfera. O grande problema são as substâncias
geradas pelas atividades dos seres humanos, que somadas às
atividades naturais, vêm alterando o clima drasticamente.
Para estudarmos este cenário, construímos esse roteiro, no qual
discutiremos com base em aspectos químicos a ação humana
sobre a natureza e as conseqüências dessa ação. Esses
aspectos são discutidos dentro do que os químicos conhecem por
química ambiental. A camada de ozônio e o efeito estufa serão
discutidos dentro dos aspectos químicos. E, por fm, levantaremos
uma discussão sobre o papel do educador em química na
conscientização da sociedade da importância da proteção do meio
ambiente.
Ìnicialmente, vamos entender como é dividida a atmosfera terrestre
e, após tê-la compreendido, partiremos para os pontos principais
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Química
de discussão desse roteiro, que são a camada de ozônio e o
efeito estufa.
A composição da atmosfera
Podemos defnir como atmosfera a camada gasosa que recobre a
Terra. A atmosfera é de suma importância para nosso planeta por
ser um reservatório de gases. Ela regula a temperatura, absorve
energia e a radiação UV prejudicial do Sol, transporta energia e
serve como meio de transporte na movimentação dos vapores de
água no ciclo hidrogeológico. Se considerarmos a Terra como uma
nave espacial, a atmosfera seria o escudo protetor dessa nave.
A atmosfera é dividida de acordo com as propriedades físico-
químicas que ocasionam uma mudança de temperatura de uma
camada para outra. A Figura 1, a seguir, apresenta as camadas
da atmosfera.
De acordo com a Figura 1, temos:
a troposfera:
é a primeira região, a mais próxima da superfície da terra;
essa camada se estende desde a superfície da terra até a
uma altura que pode variar de 10 a 16 quilômetros, e é nessa
parte que se concentra 85 % da massa da atmosfera.
a troposfera contém o ar que respiramos é onde se formam
a chuva e a neve;
a medida que a altitude aumenta, ocorre uma mudança
signifcativa da temperatura;
o fm da troposfera ocorre quando a temperatura começa a
subir.
a estratosfera:
a região superior à troposfera, e vai até a uma altura de
aproximadamente 50 km;
muitas das reações químicas que ocorrem nessa região são
·
·
·
·
·
·
·
Figura 1: Camadas da atmosfera.
Fonte: Própria do autor. Desenho: Rodrigo Melo Rodovalho
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Etapa V - Volume 2
de vital importância para os seres vivos, e é nessa região
que se encontra a camada de ozônio.
a mesosfera e termosfera:
são as regiões superiores à estratosfera;
note que ocorre uma diferença de temperatura signifcativa
entre uma região e outra e essa diferença de temperatura é
que determina o limite entre as regiões.
A Tabela 1, a seguir, traz os principais gases constituintes da
atmosfera não poluída da Terra.
Tabela 1: porcentagem em volume dos principais gases da atmosfera
Gás Porcentagem volume
Nitrogênio 78,08
Oxigênio 21
Vapor de água 0 a 4
Argônio 0,93
Dióxido de carbono 0,3
Neônio 0,002
Metano 0,0002
Hélio 0,0005
Ozônio 0,000007
Como podemos notar, o nitrogênio e o oxigênio representam
mais de 99% dos gases que compõem a atmosfera. Porém, a
importância de um gás na atmosfera não está relacionada à sua
abundância, como iremos discutir mais adiante.
·
·
A camada de ozônio
Muito se tem falado nas últimas décadas sobre a destruição e a
importância da camada de ozônio. O entendimento dos processos
de formação e destruição da camada de ozônio são de grande
importância para o educador em química, para que ele possa se
tornar um multiplicador da consciência ambiental através dos seus
alunos. A camada de ozônio se encontra na estratosfera a uma
altura aproximada de 40 km. O ozônio é de extrema importância
para a manutenção da vida na Terra por fltrar a radiação maléfca
provinda do sol. Antes de entendermos como isso ocorre, vamos
relembrar alguns conceitos importantes para nosso estudo.
As reações químicas que ocorrem na atmosfera são controladas
pela radiação provinda do sol em diversos comprimentos de onda.
Diferentes moléculas absorvem luz em diversos comprimentos.
Por exemplo, uma camisa de cor preta absorve luz no visível
Por exemµ|o, o vaµor o´agua, o|ox|oo oe oaroono, o ozón|o e
os aerosso|s ooorrem em µequenas oonoenrraçóes, mas sáo
|mµorranres µara os lenómenos mereoro|og|oos ou µara a
v|oa.
34
Química
em todos os comprimentos de onda. Para entendermos melhor,
vejamos a Figura 2, a seguir ,que representa o espectro de
absorção.
Figura 2: Espectro eletromagnético com faixas de maior interesse.
Fonte: Própria do autor.
O ultravioleta vai de 200 nm até 400 nm e é subdivido em
UVC ( 200 até 280 nm), UVB (280 até 320 nm) e UVA (320
até 400 nm).
O espectro da luz visível compreende, na luz, ao comprimento
de onda que vai de 400 nm (luz violeta) até cerca de 750 nm
(luz vermelha).
O infravermelho vai de 4000 nm (4µm) até 100 000 nm
(100 µm). A região do infravermelho será importante para o
estudo do efeito estufa, enquanto que o ultravioleta é a base
para o entendimento da formação e destruição da camada
de ozônio.
D
D
D
Das equações anteriores temos que h é a constante de Planck (
6,626218 x 10
-34
J s) e c é a velocidade da luz (2,997925 x 10
8
m
s
-1
).
A luz pode ser considerada como um fenômeno ondulatório, e
também com propriedades de partículas. A luz é constituída de
pacotes fnitos, chamados de fótons. Esses fótons possuem uma
energia que está relacionada com o comprimento (λ) de onda e a
freqüência (ν) da luz.
Para o cálculo da energia, temos:
Sabemos que λν = c, logo:
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Etapa V - Volume 2
Dua|s as oono|usóes que µooemos r|rar oa equaçáo em re|açáo
a energ|a e o oomµr|menro oe onoa?
Veja bem, se substituírmos os valores na equação e trabalharmos
na base molar, temos que:
E = hc/λ = 6,626218 x 10
-34
J s x 2,997925 x 108 m s
-1

E = 1,98604319 x 10
-25
Jm/λ
Sabemos que 1 m = 1 x 10
9
nm:
E = 1,98604319 x 10
-16
Jnm/λ
Essa energia está relacionada a um fóton e considerando-se um
mol (6,0221415 × 10
23
) de fótons, temos que:
E = 119 629 266,4 J mol nm/λ
ou
E = 119 629 kJ mol
-1
nm/λ
A entalpia de uma reação química tem energias equivalentes às
provenientes da radiação, do comprimento de onda no ultravioleta
e no visível. Por exemplo, para dissociarmos uma molécula de
oxigênio em sua forma monoatômica, necessitamos de uma
energia de 395 kJmol
-1
. (Baird, 2002)
Baird (2002), ressalta que o valor de entalpia refere-se à
mudança de entalpia determinada sob condições-padrão. O autor
considera uma boa aproximação para a reação nas condições de
temperatura e pressão estratosféricas.
Vejamos qual o comprimento de onda que a radiação deve estar
para que a energia seja sufciente para que a reação ocorra.
E = 119 629 kJ mol-1 nm/Ȝ
495 Kjmol-1 = 119 629 kJ mol-1 nm/Ȝ
Ȝ = 241,7 nm
D que s|gn|loa esse va|or?
Signifca que as moléculas de oxigênio que absorverem uma
radiação com comprimento de onda menor que 241 nm,
aproximadamente, sofrerão uma quebra nas suas ligações,
formando, assim, oxigênio monoatômico.
O2 + fóton UV (Ȝ < 241 nm) 2 0
36
Química
A radiação com comprimento de onda superior a esse valor possui
energia insufciente para promover essa quebra.
0onluso?
Os elétrons, nesse caso, serão excitados a um nível de maior
energia (moléculas excitadas são representados com um
asterisco). Os elétrons permanecem nesse estado de maior energia
por uma fração de segundo e retornam ao estado fundamental,
emitindo a energia que foi absorvida na forma de luz ou calor.
D
2
÷ loron uv { { > 241 nmj D
2
* D
2
÷ oa|or
Pooemos oono|u|r que, quanro ma|or lor o oomµr|menro
oe onoa, menor sera a energ|a re|ao|onaoa ao lorons e
o |nverso ramoem µrooeoe, ou se¡a, quanro menor o
oomµr|menro oe onoa ma|or a energ|a.
Por exemplo, vimos no espectro eletromagnético que a radiação
infravermelho possui um comprimento de onda alto e, portanto,
uma baixa energia, não sendo, assim, prejudicial aos seres
humanos. A radiação ultravioleta, por sua vez, é subdividida em
UVC, UVB e UVA. A radiação UVC tem o menor comprimento
de onda, portando uma maior energia altamente prejudicial aos
seres vivos. A radiação UVA possui um maior comprimento de
onda e, conseqüentemente, uma menor energia, sendo menos
danosa aos seres vivos.
Qual o papel das moléculas na proteção da terra contra a
radiação?
As moléculas diferem uma das outras no que se refere à absorção
de energia eletromagnética devido às diferenças nos níveis de
energia de seus elétrons. Portanto, o oxigênio, o ozônio e outras
moléculas possuem um papel importante no processo de fltragem
da radiação solar.
Os gases, como oxigênio e nitrogênio, presentes acima da
estratosfera fltram a radiação com comprimento de onda menor
do que 120 nm. O oxigênio acima da estratosfera fltra uma boa
parte da radiação ultravioleta com comprimento de onda entre
120 e 220 nm e o restante é fltrado pelo oxigênio que fca abaixo
dessa camada. Nesse processo, a radiação de alta energia com
comprimento de onda menor que 220 nm não consegue atingir a
Terra, protegendo, dessa forma, os seres vivos.
Qual o papel do ozônio nesse processo?
O ozônio fltra a radiação com comprimento de onda que vai de
220 nm até 320 nm, ou seja, parte do UVC e UVB. Porém, de
acordo com Baird (2002), o ozônio não é muito efetivo para fltrar a
luz que vai de 290 a 320 nm e cerca de 20 a 30 % dessa radiação
chegam até a Terra. Nenhum componente da atmosfera consegue
absorver a radiação UVA que atinge a Terra e corresponde a 95
% da radiação UV que consegue ultrapassar o escudo protetor.
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Etapa V - Volume 2
Você sabia?
Essa rao|açáo e resµonsave| µe|o loroenve|neo|menro e o
oronzeamenro. D oanoer oe µe|e e ooas|onaoo µr|no|µa|menre
µe|a rao|açáo uv3, que e aosorv|oa µe|as mo|eou|as oe
0h/.
Portanto, uma diminuição da camada de ozônio irá aumentar a
quantidade de radiação UVB que chega até a Terra, podendo
intensifcar os casos de câncer de pele dentre outras conseqüências
graves.
Como ocorre a formação do ozônio?
Como vimos anteriormente, o ozônio concentra-se praticamente na
estratosfera a uma altura média de 40 km da superfície da Terra.
O ozônio protege a Terra contra a radiação UVB, e as reações
químicas ocorridas nesse processo aquece a estratosfera.
Vejamos por que o ozônio se forma praticamente na
estratosfera
Acima da estratosfera, a quantidade de moléculas de oxigênio é
tão pequena e a radiação UVC é tão intensa, que, praticamente,
quase todo o oxigênio está na forma monoatômica. Dessa
forma, a probabilidade de um oxigênio encontrar uma molécula
de oxigênio para colidir para formar um molécula de ozônio é
muito baixa, sendo mais provável a colisão entre dois oxigênios
monoatômicos.
D ÷ D D
2
Como grande parte da radiação UVC foi fltrada, essa radiação
chega em pequena quantidade na estratosfera e, por conseqüência,
a quantidade de moléculas de oxigênio dissociadas nessa região
Figura 3: Formação do ozônio.
Fonte: Própria do autor. Desenho: Rodrigo Melo Rodovalho.
38
Química
é baixa. Portanto, a probabilidade de um oxigênio monoatômico
se chocar com uma molécula de oxigênio é bem maior do que na
região acima da estratosfera.
D ÷ D
2
D
J
÷ oa|or
Dx|gen|o aróm|oo ox|gen|o mo|eou|ar
Pequena quanr|oaoe granoe quanr|oaoe
Já, na troposfera, não há radiação UVC sufciente para que ocorra
a dissociação das moléculas de oxigênio em oxigênio monoatômico
e, dessa forma, o ozônio não se forma.
Na estratosfera, o ozônio está freqüentemente sendo formado
e destruído em um processo natural. As moléculas de oxigênio
absorvem radiação com comprimento de onda menor que 241 nm
para formar o oxigênio radicalar, que, por sua vez, choca-se com
uma molécula de oxigênio na presença de uma terceira molécula
M (O
2
ou N
2
) para formar o ozônio. Essa terceira molécula serve
para dissipar a energia acumulada pelas moléculas de ozônio.
D
2
÷ n D ÷ D
D ÷ D
2
÷ V D
J
÷ V*
O ozônio, por sua vez, absorve radiação com comprimento de
onda menor que 320 nm para forma, oxigênio molecular e oxigênio
monoatômico.
D
J
÷ n D ÷ D
2
O oxigênio monoatômico formado no início pode atacar uma
molécula de ozônio para formar duas outras moléculas de
oxigênio.
D
J
÷ D D
2
÷ D
2
A formação e a destruição não-catalítica, ou seja, sem a presença
de catalisador, pode ser representada na fgura 4, conhecida por
ciclo de Chapman.
Figura 4: Ciclo de Chapman.
Fonte: Própria do autor.
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Etapa V - Volume 2
Destruição catalítica da camada de ozônio
Até 1964, o mecanismo de Chapman era a principal explicação da
formação e destruição de ozônio da estratosfera. A partir dessa
data, os cientistas notaram que a velocidade de destruição do
ozônio era bem maior do que o proposto pelo mecanismo. Com
base nessas informações, foram realizados vários estudos, e
descobriram que existem certas moléculas, designadas aqui por
X, que atuam como catalisadores nas reações de destruição do
ozônio, acelerando, assim, o processo.
X ÷ D
J
XD ÷ D
2
XD ÷ D X ÷ D
2
Como podemos notar, ao fnal, as moléculas do composto X
são recuperadas no processo, e, dessa forma, agem como
catalisadores, sendo utilizadas novamente para reagirem com
outras moléculas em um processo incessante.
X ÷ D
J
XD ÷ D
2
XD ÷ D X ÷ D
2
D
J
÷ D D
2
÷ D
2
em que X pode ser H, OH, NO, Cl ou Br.
O primeiro ciclo catalítico é o que envolve o Hidrogênio contendo
radicais: H, OH e HO
2
, denotados por HOx. Vejamos as equações,
a seguir:
l ÷ D
J
Dl ÷ D
2
Dl ÷ D l ÷ D
2
D
J
÷ D D
2
÷ D
2
Dl ÷ D
J
lD
2
÷ D
2
lD
2
÷ D Dl ÷ D
2
D
J
÷ D D
2
÷ D
2
Dl ÷ D l ÷ D
2
l ÷ D
2
÷ V lD
2
÷ V
lD
2
÷ D Dl ÷ D
2
D ÷ D ÷ V D
2
÷ V
Dl ÷ D
J
lD
2
÷ D
2
lD
2
÷ D
J
Dl ÷ D
2
÷ D
2
D
J
÷ D
J
D
2
÷ D
2
÷ D
2
Devemos ressaltar que a fonte atmosférica de OH não é o vapor
de água.
Os compostos contendo nitrogênio convertem oxigênios ímpares
em oxigênios pares.
hD ÷ D
J
hD
2
÷ D
2
hD
2
÷ D hD ÷ D
2
D
J
÷ D D
2
÷ D
2
hD ÷ D
J
hD
2
÷ D
2
hD
2
÷ D
J
hD
J
÷ D
2
hD
J
÷ n hD ÷ D
2
2D
J
JD
2
A fonte natural de NOx na estratosfera é o N
2
O.
40
Química
Esses compostos são fonte de cloro radicalar quando atingem a
estratosfera. A radiação ultravioleta quebra as moléculas desses
compostos formando cloro ou bromo radicalar.
CFCs + UV Cl. + outros produtos
Os átomos de cloro produzidos reagem com o ozônio para formar
um óxido e oxigênio molecular.
C
l.
+ O
3
ClO + O
2
ClO C
l.
+ O
2
Como podemos notar pelas equações, o átomo de cloro é liberado
ao fnal da reação podendo, assim, atacar outra molécula de
ozônio.
Saiba mais...
Os clorofuorcarbonos (CFCs) são uma classe de compostos
halogenados que podem ser obtidos a partir da halogenação do
metano.
Esse compostos são vendidos comercialmente por números
que designam a quantidade de carbonos e dos substituintes da
molécula. Como por exemplo, o CFC11, CFC12, CFC 112, CFC
113, e assim por diante.
A quantidade de átomos da molécula é determinada pela regra
do 90, ou seja, para encontrarmos a quantidade de átomos, basta
somarmos 90 ao número correspondente ao CFC. O número
obtido corresponde sucessivamente à quantidade de carbonos,
hidrogênio e fúor. Sabendo-se que o carbono é tetravalente e
que os CFCs são alcanos-substituídos, o número de cloro é obtido
contando-se as ligações que faltam. Vejamos o exemplo para o
CFC 12.
12 + 90 = 102
Portanto, no composto em questão, temos um átomo de carbono,
nenhum hidrogênio e dois átomos de fúor. Como temos um
carbono ligado a dois átomos de fúor, as duas ligações restantes
são realizadas por átomos de cloro. Portanto, a fórmula molecular
do composto é: CCl
2
F
2
.
Vejamos, agora, um tratado que foi frmado entre vários países
preocupados com a restauração da camada de ozônio.
Você sabia?
Ds µr|no|µa|s v||óes oa oesrru|çáo oara|ir|oa oa oamaoa
oe ozón|o sáo os 0F0s {o|oroluoroaroonosj ur|||zaoos
oomo gas relr|geranre em relr|geraoores e aµare|nos oe ar
oono|o|onaoo, os na|ons usaoos em a|guns exr|nrores oe
|noeno|o e so|venres o|oraoos usaoos em |avagem a seoo.
41
Etapa V - Volume 2
Protocolo de Montreal
/ resrauraçáo oa oamaoa oe ozón|o ooorre narura|menre, µorem
oe lorma |enra, e o r|rmo oa oesrru|çáo arua| náo µerm|re a µ|ena
resrauraçáo. D Prorooo|o oe Vonrrea| lo| lrmaoo µe|a ma|or|a
oos µaises oo munoo oom o oo¡er|vo oe, aos µouoos, exr|ngu|r a
µroouçáo oesras suosrano|as, arraves oa suosr|ru|çáo µor ourras
menos noo|vas.
D Prorooo|o oe Vonrrea| soore suosrano|as que emµooreoem
a oamaoa oe ozón|o e um rraraoo |nrernao|ona| em que os
µaises s|gnarar|os se oomµromerem a suosr|ru|r as suosrano|as
que esravam reag|noo oom o ozón|o {D
J
j na µarre suµer|or oa
esrraroslera. D rraraoo esreve aoerro µara aoesóes a µarr|r oe 16
oe seremoro oe 1987 e enrrou em v|gor em 1 oe ¡ane|ro oe 1989.
Fo| rev|saoo em 1990, 1992, 1995, 1997 e 1999. 0ev|oo a granoe
aoesáo muno|a|, rol /nnan o|sse soore e|e. "Ta|vez se¡a o ma|s
oem suoeo|oo aooroo |nrernao|ona| oe rooos os remµos...´. Em
oomemoraçáo, a Dhu oeo|arou a oara oe 16 oe seremoro oomo o
0|a lnrernao|ona| µara a Preservaçáo oa 0amaoa oe Dzón|o.
Fonte: Wikipédia (2008).
Efeito estufa
Atualmente, tem se discutido muito nos meios de comunicação
sobre o efeito estufa. Tal discussão tem como objetivo levar ao
conhecimento das pessoas como ele acontece na natureza e
conscientizá-las sobre as conseqüências da exacerbação dos
gases estufa.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o efeito estufa é
um fenômeno atmosférico natural, ou seja, existe na natureza, é
independente da ação do homem e das atividades que o homem
realiza em interação com o meio ambiente.
Você pode estar se perguntando, por que ele acontece?
D ele|ro esrula aoonreoe µorque a|guns gases, oomo o gas
oaroón|oo, luno|onam oomo um v|oro oe uma esrula, que
oe|xa µassar a |uz so|ar µara seu |nrer|or, mas aµr|s|ona o oa|or
geraoo oenrro oa esrula.
O Sol é a principal fonte de energia da Terra, é e essa energia
que mantém a Terra aquecida. Portanto, ocorre uma interação de
trocas de energia entre a superfície da Terra e o Sol e isso explica
muitos fenômenos que afetam a vida no Planeta. Da radiação
que afeta a Terra, cerca de 70% é absorvida; essa fração aquece
nosso planeta e provoca reações químicas e transformações
físicas. Como a atmosfera da Terra é altamente transparente à luz
solar, cerca de 30% da radiação que recebe
42
Química
vai ser refetida de novo para o espaço, fcando os outros 70%
retidos nela. Esse efeito é provocado por gases, como o dióxido
de carbono, metano, óxidos de nitrogênio e ozônio, presentes na
atmosfera que absorvem a radiação com comprimento de onda
no infravermelho.
Lembre-se!
D |nlraverme|no oorresµonoe a rao|açáo oom oomµr|menro oe onoa que va|
oe 750 nm a 4000 nm oo esµeorro e|erromagner|oo. /|gumas mo|eou|as aosorvem
rao|açáo enrre 4000 nm a 100 000 nm, que e a reg|áo oo |nlraverme|no rerm|oo.
Essa e a mesma energ|a |rrao|aoa quanoo um µeoaço oe lerro e aqueo|oo.
Como funciona o efeito estufa?
A radiação que é absorvida pela superfície é emitida novamente
para a atmosfera como energia com comprimento de onda situado
no infravermelho térmico. Algumas moléculas, como as dos
gases dióxido de carbono, metano e água, absorvem parte dessa
radiação de comprimentos de onda específcos, temporariamente.
Essa energia é insufciente para promover quebra das ligações
ou excitar os seus elétrons, ocorrendo somente uma vibração das
mesmas. A energia é, então, arremetida por todas as direções e,
inclusive, de volta para a Terra na forma de calor. Essa energia
então provoca o aquecimento da superfície da Terra. A fgura 5, a
seguir, mostra-nos, esquematicamente, o processo ocorrido.
Figura 5: Processo do efeito estufa.
Fonte: Própria do autor.
O que acontece quando as moléculas absorvem radiação
infravermelho?
A radiação com comprimento de onda infravermelho é insufciente
para quebrar as ligações, ou excitar os elétrons dos átomos. O que
ocorre é o movimento das ligações químicas, ou seja, a vibração
dos átomos constituintes das moléculas. Veja, a seguir, os principais
estiramentos (nomes dados aos movimentos das moléculas)
ocorridos quando as moléculas absorvem infravermelho.
43
Etapa V - Volume 2
As moléculas realizam movimentos que chamamos de vibração
de defumação angular, estiramento simétrico (deformação axial
simétrica) e estiramento assimétrico.
Ìmportante!
$e náo losse o ele|ro esrula, a armoslera rerresrre rer|a
um remµerarura meo|a oe 15 °0 aoa|xo oe zero. Porranro,
o ele|ro esrula e oeneloo ao µ|anera, µo|s e arraves
oe|e que a rerra µossu| oono|çóes µara a ex|sreno|a
oe v|oa. Porem, var|os aurores a|erram µara os r|soos
re|ao|onaoos a sua µossive| |nrens|loaçáo, oausaoa µor
açóes anrroµ|oas. Em oeoorreno|a oa |nrens|loaçáo oo
ele|ro esrula µe|as ar|v|oaoes numanas, ooorre o que
onamamos oe aqueo|menro g|ooa|.
Os gases da atmosfera responsáveis pelo efeito estufa têm como
agente principal o vapor de água. A quantidade de vapor de água
na atmosfera varia muito em relação ao tempo e ao local. O gás
carbônico é o segundo em importância para o efeito estufa. Além
desses, existem o metano (CH
4
), ozônio (O
3
) e o óxido nitroso
(N
2
O). Os compostos de clorofuorcarbono ou clorofuorcarbonetos
(CFCs), que são compostos sintéticos, também absorvem radiação
infravermelha. O gás carbônico, apesar de ser o segundo em
quantidade na atmosfera, é o grande vilão da intensifcação do
efeito estufa, porque sua concentração está aumentando a cada
ano.
/ que|ma oe oomousrive|s
losse|s, os oesmaramenros
e as que|maoas sáo
as µr|no|µa|s lonres
resµonsave|s µe|o aumenro
oo gas oaroón|oo
Várias são as conseqüências do aumento da concentração de gás
carbônico na atmosfera. Dentre as conseqüências mais graves,
podemos destacar o aquecimento global e alterações no equilíbrio
ácido-base nos oceanos.
Protocolo de Kyoto
O Protocolo de Kyoto é um acordo assinado sobre as mudanças
climáticas que estabelece um compromisso de redução de
emissões de gases de estufa. Esse acordo foi assinado, em1997,
por 35 países industrializados e a União Européia.
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em 1992 µor 189 oos 192
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O acordo entrou em vigor em 2005, após a assinatura dos
representantes dos países em Kyoto, no Japão, e impõe uma
redução da emissão de seis gases que contribuem largamente
para o aquecimento do planeta: o dióxido de carbono (CO
2
), o
metano (CH
4
), o óxido nitroso (N
2
0), e outros três gases que
contêm cloro e fúor na sua estrutura, tais como: HFC, PFC e
SF
6
.
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Química
Para o período 2008-2012, previsto no Protocolo, estes 35 países,
que representam um terço das emissões de gases de estufa, estão
obrigados a reduzi-las em 5%, tomando, como base os níveis de
1990. Os Estados Unidos, que libertam para a atmosfera cerca
de um terço do restante da poluição, e a Austrália, são os únicos
dois países industrializados que não assinaram o Protocolo de
Kyoto.
Um novo encontro dos países membros ocorreu em dezembro
de 2007, na Ìlha de Bali, na Ìndonésia. A 13ª COP (Conferência
das Partes sobre o Clima) contou com a participação de 190
países. Um documento foi assinado, determinando uma agenda
de negociações e cronogramas que vão defnir, em dois anos,
uma nova série de objetivos e metas de redução de emissões de
carbono, para substituir o acordo do Protocolo de Kyoto.
O entendimento dos acordos sobre o meio ambiente, assim como
as temáticas discutidas nesse roteiro, são fundamentais para sua
formação docente, pois nós, como educadores de química, temos
a responsabilidade de conscientizar nossos alunos para a proteção
do meio ambiente e torná-los multiplicadores do conhecimento
ecológico em suas comunidades.
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/HLWXUDV&RPSOHPHQWDUHV
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ROCHA, Júlio César. Ìntrodução à Química Ambiental. Porto
Alegre: BooKman, 2004.
Este livro foi escrito por professores brasileiros e contribui para
suprir a falta de material didático qualifcado para estudantes
de graduação em Química. O texto aborda de forma didática os
aspectos químicos envolvidos nos fuxos de matéria e energia na
atmosfera, hidrosfera e litosfera.
BAÌRD, Colin. Química Ambiental. 2. ed., Porto Alegre:
Bookman, 2002.
O livro trata de temas atuais, como o efeito estufa, a camada
de ozônio e o uso de pesticidas. O autor ainda traz, ao longo
do texto, entrevistas com cientistas de destaque, para retratar o
enfrentamento das sérias questões ambientais da atualidade.
ATKÌNS, P. e JONES, L. Princípios de química: Questionando a
Vida Moderna e o Meio Ambiente. 1. ed. Porto Alegre: Bookman,
2001.