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Método dos Resíduos Ponderados e Galerkin

CASCAVEL
2013
Discentes: Priscila Pigatto Gasparin
Viviane Cavaler Micuanski
Prof: Ricardo Lessa Azevedo
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ
Pós – Graduação em Energia na Agricultura
1 Método dos Resíduos Ponderados
1.1 Histórico
Para a representação de fenômenos físicos, os engenheiros e físicos
geralmente estabelecem um sistema de equações diferenciais válidas em certa
região (domínio) e impõem nesse sistema condições de contorno e condições
iniciais. Até esse estágio, o modelo matemático está completo e, para
aplicações práticas, necessita-se “somente” a solução para um conjunto
particular de dados numéricos. Aqui surge a maior dificuldade, pois apenas
formas muito simples de equações, dentro de contornos triviais, são possíveis
de serem resolvidas exatamente através de métodos matemáticos. Equações
diferenciais ordinárias, com coeficientes constantes são alguns exemplos para
os quais soluções analíticas são possíveis.
De uma forma geral o Método dos Elementos Finitos foi criado com o
objetivo de se resolver os problemas de mecânica que não admitem soluções
fechadas (de forma analítica). Ele é baseado em aproximações do tipo
polinomial nodal em subdomínios, o que implica em processos de discretização
dos domínios, que podem ter geometrias irregulares arbitrárias. Na Figura 1
pode ser visto de forma esquemática alguns elementos básicos de um modelo
de elementos finitos, e sua nomenclatura.
Figura 1: Esquema de um modelo genérico de Elementos Finitos
Para solucionar tais dificuldades, há a necessidade da utilização de
métodos numéricos, obtendo-se assim soluções aproximadas da equação
diferencial que se deseja resolver, sujeita a certas condições de contorno e
condições iniciais. A ideia básica dos métodos numéricos para solucionar tal
classe de problemas é “discretizar” o problema contínuo. Ou seja, o conjunto
infinito de números que representam a função ou funções desconhecidas é
substituído por um conjunto finito de parâmetros desconhecidos, sendo que
esse processo requer alguma forma de aproximação. Os parâmetros
desconhecidos são encontrados através de solução algébrica, ou seja, obtém-
se um sistema algébrico de equações do tipo
[A]{x} = {b} (1.1.1)
onde [A] é uma matriz quadrada e não-singular, {b} é o vetor independente e
{x} é o vetor que contém os parâmetros desconhecidos da solução aproximada,
ou seja, é o vetor solução. Por vezes a matriz [A] pode depender do vetor {x},
caracterizando um problema não-linear. Ou ainda [A], {x} e {b} podem ser todos
dependentes do tempo, desejando-se a solução não somente para um instante,
mas para um determinado intervalo de tempo, necessitando solucionar a
equação (1) várias, ou inúmeras vezes.
Dentre os métodos numéricos mais conhecidos e utilizados pode-se
destacar o Método das Diferenças Finitas, o Método dos Volumes Finitos, o
Método dos Elementos Finitos e o Método dos Elementos de Contorno. Os três
primeiros métodos são métodos de domínio, isto é, a discretização é ao longo
de toda a região. Já o Método dos Elementos de Contorno, como o próprio
nome diz, é um método de contorno, necessitando apenas fazer a
discretização ao longo do contorno da região de estudo.
O Método dos Elementos Finitos (MEF) começou a ser desenvolvido em
1909 por Walter Ritz (1878-1909) para determinar a solução aproximada de
problemas de mecânica dos sólidos deformáveis. Em 1943, Richars Courant
(1888-1972) aumentou consideravelmente as possibilidades do método de Ritz
introduzindo funções lineares especiais definidas sobre regiões triangulares e
aplicou o método para a solução de problemas de torção.
Coube e Clough (1960) introduziram, pela primeira vez, o termo
elemento finito. Seu desenvolvimento inicial foi em aplicações de análise
estrutural em aeronaves, utilizando o princípio de equilíbrio de forças e análise
matricial. Posteriormente foi aplicado a outros fenômenos, sendo atualmente
utilizado na solução de muitos problemas, dentre os quais podemos citar:
análise de tensões, vibrações, acústica, escoamento de fluidos, distribuição de
temperatura, campo eletromagnético, injeção de plástico, etc., tanto para
modelar fenômenos lineares como não-lineares.
O método de elementos finitos possibilitou a obtenção de forma rápida
de tensões em componentes de geometria complexa. Hoje, existem diversos
softwares no mercado que possibilitam a utilização do MEF em modelos
tridimensionais e que ajudam na elaboração de projetos, deve-se ter atenção
às condições de contorno impostas e aos parâmetros de malha, pois falhas
nestas variáveis podem levar a valores errôneos de tensão e gerar erros
graves de projeto.
Crandall em 1956 unificou sobre o nome de Método de Resíduos
Ponderados (MRP), também chamado de princípio da distribuição de erro por
Ames e Collatz, todos os métodos que utilizam soluções aproximadas de
equações diferencias (FINLAYSON e SCRIVEN, 1966).
O MRP vem sendo constantemente utilizado por inúmeras áreas das
ciências para resolução numéricas de sistemas de EDPs (Equações
Diferenciais Parciais) e EDOVC (Equações diferenciais ordinárias com valores
no contorno).
Dentre todos os métodos pertencentes à classe do MRP encontram-se
como os mais amplamente utilizados o método de Galerkin, o método dos
momentos, o método dos mínimos quadrados e o método da colocação
ortogonal.
A aplicação do MRP consiste basicamente em aproximar a variável
dependente do problema por expansões em séries de funções conhecidas,
com coeficientes a determinar, chamadas de funções tentativas. A substituição
da aproximação proposta na equação diferencial dá origem ao resíduo da
aproximação. Anulando a média ponderada deste resíduo no domínio do
problema pode-se então determinar os coeficientes das funções tentativas
propostas.
Todos os métodos pertencentes à classe dos Métodos dos Resíduos
Ponderados fazem uso desta metodologia. A distinção entre os diferentes
métodos que compõem o MRP é dada pela escolha da ponderação a ser
utilizada no computo da média ponderada do resíduo.
Embora o procedimento de geração das aproximações numéricas
utilizadas pelo MRP sejam mais complexos e trabalhosos que para as demais
metodologias, o esforço computacional utilizado na resolução do sistema
resultante é consideravelmente menor, possibilitando que com um número
inferior de pontos de discretização sejam alcançados resultados igualmente
precisos a técnicas que utilizam um número relativamente elevado de pontos.
1.2 Definição
O Método dos Resíduos Ponderados é um método que surgiu a partir do
Método Variacional, mas como uma proposta de se libertar da condição de
extremização de um funcional. Tem apenas como condição a equação
diferencial que pode ou não ser proveniente de uma condição variacional de
um funcional. O método dos resíduos ponderados, nada mais é do que
métodos de aproximação utilizados para resolver equações diferenciais.
O MRP estabelece uma condição natural para a obtenção de
soluções aproximadas de vários problemas de engenharia. A sua
aplicação, no início, manteve-se restrita a problemas relativamente
simples em virtude da dificuldade de se obter funções aproximadas
em todo o domínio, principalmente nos casos de estruturas que
apresentam sistemas de equações com um número apreciável de
incógnitas. No entanto, essa dificuldade passou a ser superada com
técnicas de geração da aproximação mediante divisão do domínio de
integração.
Para se aplicar o Método dos Resíduos Ponderados necessita-se
primeiramente saber a equação diferencial que rege o problema físico em
questão.
Seja a equação diferencial, que governa um determinado problema
físico, com condições especificadas no contorno (problema de valor no
contorno).
Du − f · 0 no domínio Ω
Bu − g · 0 no contorno Γ (condições de contorno) (1.2.1)
onde:
u = variável dependente. Por exemplo: deslocamentos em um ponto,
temperatura em um ponto, potencial elétrico;
x = variável independente. Por exemplo, coordenadas de um ponto;
f, g = funções de x, constantes ou zero, dependendo do problema;
D, B = operadores diferenciais.
Se o operador diferencial D é de ordem 2m, define-se dois tipos de
condições de contorno, de acordo com a ordem do operador diferencial B. Esta
classificação é importante no estudo de soluções de equações diferenciais,
pois cada tipo de condição de contorno é abordada de uma forma.
a) Condições de contorno essenciais (ou condições de contorno de
Dirichlet) : condições de contorno que envolvem derivadas de ordem 0 a
m-1. Em análise estrutural as condições de contorno essenciais também
são conhecidas como condições de contorno geométricas ou
cinemáticas.
b) Condições de contorno naturais ou não essenciais (ou condições de
contorno de Neumann) : condições de contorno que envolvem derivadas
de ordem m a 2m-1.
Uma equação que combine uma condição de contorno essencial e uma
natural é chamada de condição de contorno mista.
Para um mesmo ponto, apenas um tipo de condição de contorno pode
ser especificada, isto é, se é especificada uma condição de contorno essencial,
a natural, nesse mesmo ponto, ou região, não pode ser especificada, pois
depende da condição de contorno já fornecida, e vice-versa ao se especificar
uma condição de contorno natural. O que é possível é ter-se uma condição de
contorno mista, isto é, para um mesmo ponto ou região, uma equação que
envolve os dois tipos de condições de contorno.
Por exemplo, para uma equação diferencial de segunda ordem,
condições de contorno essenciais são as derivadas de ordem zero, ou seja, a
própria função, e condições de contorno naturais são as derivadas primeira da
função.
O processo básico do Método dos Resíduos Ponderados é
desenvolvido a partir de um problema padrão PP1:
¹
'
¹
·
·
C
D
em ) , , ( )) , , ( ((
em ) , , ( )) , , ( (
1
2
z y x g z y x u B
z y x f z y x u L
PP
i i
m
onde
) (
2
u L
m
e
) (u B
i
são operadores conhecidos,
) , , ( z y x f
,
) , , ( z y x g
i
, D e C são dados do problema e
) , , ( z y x u
é a função a ser
determinada.
Inicialmente deve-se escolher uma sequência de funções
admissíveis para PP1, denotada:
) , , ( ),..., , , ( ),..., , , ( ), , , ( {
1
z y x z y x z y x z y x
n j o
ϕ ϕ ϕ ϕ
sujeito as seguintes restrições:
a)
n) 0; (j com ) , , ( · z y x
j
ϕ
devem ser contínuas e diferenciáveis
até ordem 2m. As derivadas de ordem 2m devem ser
contínuas por partes no mínimo.
b)
) , , ( z y x
j
ϕ
deve satisfazer todas as condições e contorno
em m 1,2,...; i ; g ) (
i
C · ·
o i
B ϕ
.
c)
) , , ( z y x
j
ϕ
satisfazer todas as condições de contorno
homogêneas associadas
n 1,2,..., j e m 1,2,...; i com 0 )) , , ( ( · · · z y x B
o i
ϕ
Por construção uma função admissível ϕ (x; y; z) pode ser
expressa por:
(1.2.2)
que no caso de operadores Bi( ) lineares é uma função admissível,
pois resulta de uma combinação linear de funções admissíveis.
A função resíduo pode ser montada substituindo a função
admissível (1.2.2) na equação diferencial de PP1, obtendo-se:
isto é,
onde para o caso de operadores lineares pode ser escrito da
seguinte forma:
Substituindo a função admissível nas equações impostas no
contorno obtém-se a função resíduo no contorno C.
isto é,
Como geralmente o operador do contorno é linear, então:
o que conduz à:
(1.2.3)
As igualdades acima são verdadeiras pois ϕ0(x; y; z) satisfaz as
condições de contorno e ϕj(x; y; z) satisfaz as condições de contorno
homogêneas associadas, como foi definido.
Determina-se um conjunto de funções ponderadoras LI,
(1.2.4)
onde Wi(x; y; z) deve ser quadraticamente integrável em D.
Pode-se então, para cada função Ponderadora montar-se uma
equação integral para o Resíduo Ponderado no domínio e no
contorno:
e
para o caso onde o resíduo Rc não é nulo.
No caso do problema PP1 tem-se:
que pode ser escrito como:
o que corresponde a escrever o seguinte sistema de equações:
(1.2.5)
resolvendo o sistema (1.2.5) obtemos os valores de αi, e por
conseguinte uma solução aproximada para o problema PP1 do tipo:
sendo que a função resíduo R(x; y; z) e sua norma ║R║, fornecem
indicadores
da precisão da solução aproximada obtida.
Para o caso de operadores lineares, tem-se:
isto é,

que pode ser escrito como sendo:
que em forma matricial é dado por:
onde,
se o operador é não-linear, normalmente o sistema de equações
algébricas resultante é também não-linear,
O procedimento padrão para o método dos resíduos ponderados
é definido pelo critério de escolha das funções de ponderação.
Considerem-se os resíduos, R(x; y; z) e Rc(x; y; z) definidos em
(1.2.3) e (1.2.4).
Se R = 0 e Rc ≠ 0 em pontos de C tem-se os chamados métodos
de contorno tais como: Elementos de Contorno, Integrais de
Contorno, Método das Singularidades, Métodos dos Painéis, e
Métodos de Resíduos Ponderados.
Se por outro lado, R ≠ 0 em pontos de D e Rc = 0 tem-se os
métodos interiores, tais como: Método dos Elementos Finitos, Método
de Diferenças Finitas, e Métodos de Resíduos Ponderados.
Finalmente existem também os métodos mistos onde, R ≠ 0 e
Rc ≠ 0 dos
quais pode-se citar: Elementos Finitos, Métodos de Resíduos
Ponderados e
Método de Diferenças Finitas.
Diversos Métodos de Resíduos Ponderados são gerados a partir
de escolha adotada para as funções de ponderação Wi. Dentre outros
pode-se citar os métodos de colocação, método de Galerkin, método
de mínimos quadrados, etc.
1.3 Metodologia referente à aplicação do Método de Resíduos Ponderados
A metodologia básica de aplicação do MRP consiste na proposição de
uma aproximação para variável dependente do problema que é substituída no
sistema original de equações dando origem à expressão do resíduo da
aproximação.
Para determinação dos coeficientes da aproximação, os resíduos
médios ponderados são anulados ao longo do domínio do problema. Onde a
função utilizada para tal ponderação caracteriza o tipo MRP aplicado.
O procedimento básico de aplicação do MRP pode ser ilustrado na
resolução da EDOVC abaixo:

1 0
0 ) (
) (
2
2
> >
· −
x
x y
dx
x y d

(1.3.1)
Sujeito às condições de contorno:

2 1
1 0
) ( : 2
) ( : 1
C x Y CC
C x Y CC
x
x
·
·
·
·

(1.3.2)
O procedimentos de aplicação do MRP ao problema inicia-se com a
proposição da função tentativa a ser utilizada como aproximação para variável
) (x y
:


+
·
+
· ≈
1
0
) 1 (
. ) ( ) (
npc
j
j
j
n
x a x y x y

(1.3.3)
Onde npc representa o número de pontos colocação adotados.
Um requisito fundamental para a obtenção da aproximação ) (
) 1 (
x y
n+
é
que esta obrigatoriamente satisfaça à condição de contorno associada ao
problema definida pela equação (1.3.2).
A substituição da aproximação pela equação (1.3.3) na EDOVC definido
pela equação (1.3.1) dá origem à expressão do resíduo da aproximação
polinomial definido pela equação:
) (
) (
) (
) 1 (
2
) 1 ( 2
x y
dx
x y d
x R ERRO
n
n
+
+
− · ·
(1.3.4)
Fazendo com que as médias ponderadas do resíduo sejam nulas no
domínio do problema, criam-se as condições necessárias para determinação
dos
2 + npc
coeficientes j
a
que compõe a função tentativa adotada.

npc 1,2,..., i Para 0 ) ( · ·

dx x R w
x
i
(1.3.5)
A aplicação desta metodologia resulta em um sistema algébrico
constituído de
2 + npc
equações.
Uma alternativa para aplicação tentativa definida pela equação (1.3.3) foi
proposta por Villadsen e Stewart (1967) e consiste em aproximar a variável
dependente do problema
) (x y
, através da aproximação polinomial de
Lagrange de grau n em x.

+
·
+
· ≈
1
0
) 1 (
). ( ) ( ) (
npc
j
j j
n
y x x y x y l
Onde
: que n tal grau de x em polinômio : ) (x
j
l

x x x x ) (x y y
x
n n j
(n)
j
j i i
1 ... 0
: Kronecker] de [função
j i para 0
j i para 1
) (
1 2 1
,
· < < < < < ·
¹
'
¹

·
· ·
+
δ δ
j
l
(1.3.6)
Uma vez adotada a aproximação de Lagrange o procedimento seguindo
é idêntico ao apresentado anteriormente: a aproximação é substituída no
sistema de equações e o resíduo médio ponderado é anulado no domínio do
problema, resultando também em um sistema algébrico de
2 + npc
equações.
A grande diferença existente entre estes dois procedimentos está na
incógnita do sistema algébrico gerado pela aplicação do procedimento de
discretização. Para o primeiro caso, os coeficientes j
a
da função tentativa. Já
para segundo caso, os valores da variável dependente
) (x y
, nos pontos j
x

adotados como pontos de colocação.
De uma forma geral a aplicação do MRP a EDOVC resulta sempre em
um sistema algébrico linear ou não linear constituídos de (ne*npc) + ncc
equações. Onde ne representa o número de equações que constituem o
sistema, npc o número de pontos de colocação adotados e ncc o número de
condições de contorno associadas ao problema.
Já para sistema de EDPs a aplicação deste procedimento de
discretização resulta, quando aplicado o método das linhas, em um sistema
algébrico diferencial de equações constituídos de (ne*npc) equação diferençais
ordinárias e ncc equações algébricas. Desta forma a utilização da metodologia
básica de aplicação do MRP pode ser dividida em três etapas fundamentais:
1. Escolha da função tentativa.
2. Escolha de um critério de ponderação para o cálculo da média do
resíduo.
3. Obtenção da solução aproximada.
1.3.1Escolha da Função tentativa
A escolha das funções tentativas a serem aplicadas é de grande
importância para o sucesso do MRP, uma vez que tal escolha encontra-se
diretamente relacionada à precisão e à velocidade com que a solução numérica
é obtida. Segundo Finlayson (1972), quando aplicada aproximações de baixas
ordens, tal escolha exerce grande influência sobre a acurácia do resultado. Ao
passo que, para aproximações de ordens elevadas, a influência é pouca,
nestes casos a escolha afeta mais a velocidade de convergência do que o valor
final da solução.
Até os dias de hoje poucos critérios para seleção de tais funções foram
propostos. Na grande maioria dos casos é possível utilizar diferentes conjuntos
de funções, não sendo possível a priori definir qual destas escolhas resultarão
em melhores resultados. Entretanto, o estudo de alguma característica
específica do problema, como simetria e a aplicação das condições de
contorno, pode em muitos casos auxiliar nesta escolha. A seleção das funções
tentativas a serem adotadas fica na grande maioria dos casos dependente da
intuição e da experiência do usuário. Sendo esta, na maioria das vezes
considerada a maior limitação dos MRP (FINLAYSON, 1972).
De acordo com o tipo de abordagem e restrição aplicada para obtenção
da função tentativa, tem-se origem às três classes de métodos de aproximação
que são conhecidos como (VILLADSEN e STEWART, 1967):
• Métodos de colocação interior: a função tentativa é escolhida de forma a
satisfazer as condições de contorno associadas ao problema, sendo
ajustada em n pontos de seu domínio para satisfazer a equação
diferencial.
• Métodos de contorno: ocorre o inverso, a função tentativa é escolhida de
forma a satisfazer a equação diferencial sendo ajustada em n pontos de
seu domínio para satisfazer as condições de contorno.
• Métodos mistos: a função tentativa não satisfaz nem as condições de
contorno nem a equação diferencial.
A utilização de polinômios ortogonais como funções tentativas é bastante
útil e apresenta algumas vantagens computacionais. Os primeiros trabalhos
que se tem conhecimento da aplicação desta metodologia são de Lanczos em
1956 que fez uso das raízes do polinômio de Chebyshev como pontos de
colocação para resolução de problemas em uma dimensão, concluindo que a
seleção de tal polinômio tendia a minimizar a máxima magnitude do resíduo. E
de Falk em 1963 que fez uso das raízes do polinômio de Hermite como pontos
de colocação (VILLADSEN e STEWART, 1967).
Finlayson (1971, 1972) recomenda iniciar com uma aproximação
polinomial de caráter geral e aplicar as condições de contorno e as condições
de simetria de forma que a aproximação proposta satisfaça ambas as
restrições. Considerar soluções para problemas simples, mais correlatos ao
problema de interesse bem como a solução do problema linear correspondente
pode na grande maioria dos casos servir como base para desenvolvimento das
funções tentativas do problema original.
Segundo Snyder et al. (1964), a utilização de funções tentativas que
satisfaçam as condições de contorno e tenham sua própria propriedade de
simetria, proporciona que resultados mais precisos sejam obtidos com a
utilização de poucos termos de expansão.
Cruz et al. (2004) comparam a utilização de diferentes tipos de
aproximações na resolução da equação da difusão homogênea em uma
partícula esférica de catalisador. Utilizando como critério de comparação a
razão entre o maior valor característico e o menor valor característico.
A grande maioria dos trabalhos encontrados na literatura faz uso da
aproximação polinomial de Lagrange, adotando como pontos de colocação as
raízes do polinômio de Jacobi, com os parâmetros α e β da função peso
selecionados de acordo com o tipo de problema. Observa-se, em inúmeros
exemplos encontrados na literatura, que não existe um procedimento
sistemático para seleção destes parâmetros, fazendo com que na maioria das
vezes os valores sejam escolhidos de forma errada, comprometendo a
eficiência do método.
1.4 Os diferentes critérios de ponderação
Os métodos que compõem o MRP diferenciam-se uns dos outros pelo
critério de ponderação utilizado no computo da média ponderada do resíduo.
Podemos citar como exemplo:
• Método de Galerkin;
• Método dos subdomínios;
• Método dos mínimos quadrados;
• Método da colocação;
• Método dos momentos;
• Método da colocação ortogonal;
• Método da colocação em elementos finitos;
• Método da colocação em elementos finitos móveis;
1.5 Exemplo Numérico
Considere-se o problema de difusão e reação química numa pellet de
catalisador, regido pelas equações:
0
2
2
2
· − y
dx
y d
φ
(1.5.1)

0 para 0 · · x
dx
dy
(1.5.2)

1 para 1 · · x y
(1.5.3)
Reescrita na seguinte forma compacta:
0 ) (
2
2
2
· −


≡ y
x
y
y L φ
0
1 ) 1 (
) 0 (
) ( ·
1
1
]
1

¸





y
x
y
y M
(1.5.4)
A ideia principal do método de resíduos ponderados é a construção de uma
solução aproximada
y
que satisfaça a equação (1.5.4) segundo um
determinado critério de minimização do erro de aproximação. Porque a solução
y
aproximada, em geral ela não satisfaz a equação diferencial parcial (EDP)
nem as condições de fronteira, isto é,
0 ) ( e 0 ) ( ≠ · ≠ ·
b
R y M R y L (1.5.5)
Nesta equação, R e Rb são os resíduos da aproximação. Se
y
for
construída de forma a que a equação diferencial seja satisfeita exatamente
(isto é, R = 0) então o método chama-se método de fronteira; se
y
for
construída de forma a que as condições fronteira sejam satisfeitas exatamente,
então o método chama-se método interior ; finalmente, se nem a equação
diferencial nem as condições fronteira forem satisfeitas exatamente, o método
diz-se misto.
O método dos resíduos ponderados requer dois tipos de funções: uma é
denominada função de aproximação; a outra é denominada função de
ponderação. A função de aproximação é usada para construir a solução
numérica
y
; a outra função é utilizada como base de critério para minimizar o
resíduo da solução aproximada (um resíduo pequeno implica que a solução
numérica aproxima a solução real com um erro pequeno).
Para minimizar o resíduo, que normalmente é uma função da variável
independente
x
, é necessário converter R num escalar para que se possa
proceder a uma otimização do valor do resíduo. Isto pode ser feito através de
uma forma de ponderação média do resíduo em todo o domínio do problema, o
que no caso presente equivale a um produto interno de funções. Este último
pode ser visto como uma medida de distância média entre duas funções num
determinado domínio da variável independente; no caso do método dos
resíduos ponderados, a distância média medida é calculada entre a função
residual e as funções de ponderação.
Consideremos o método interior. A aproximação numérica da EDP pode
ser escrita como uma expansão polinomial, por exemplo,

·
+ ·
n
i
i i o
x a y y
1
) ( φ
(1.5.6)
Em que
o
y
e as funções de aproximação
) (x
i
φ
têm que ser escolhidas por
forma a satisfazerem as condições fronteira, isto é,
0 ) ( · y M
. Os n
coeficientes
i
a
são desconhecidos e são determinados pelo método dos
resíduos ponderados forçando a solução
) ,..., ; (
1 n
a a x y
a satisfazer o melhor
possível a EDP.
Substituindo
y
na EDP obtém-se a equação residual:
1
]
1

¸

· ·

·
) ( ) ( ) (
1
x a L y L x R
n
i
i i
φ
(1.5.7)
Dado que o resíduo é geralmente uma função de x, é necessário minimizá-lo
em todo o domínio de interesse. No método dos resíduos ponderados utiliza-se
a seguinte integral como medida média do resíduo:

V
k
dx x w x R ) ( ) (
(1.5.8)
Onde V é o domínio de interesse e
) (x w
k
é uma função k-gésima função de
ponderação selecionada de um conjunto
) ,..., 2 , 1 ( n k ·
de funções
independentes, denominadas funções de ponderação. Esta integral denomina-
se produto interno das funções no domínio V e é normalmente escrito na
seguinte forma compacta:
V k
w R ) , (
(1.5.9)
Dado que a solução numérica tem n coeficientes desconhecidos i
a
,
para determinar os seus valores força-se a que o produto do resíduo com as
primeiras n funções de ponderação seja igual a zero. Isto origina n equações
algébricas, normalmente não lineares,
n k w R
V k
,..., 2 , 1 para 0 ) , ( · ·
(1.5.10)
que podem ser resolvidas para obter os valores dos n coeficientes de
i
a
.
Retomemos o exemplo do problema de difusão e reação química. Ë
evidente que é mais fácil escrever uma aproximação que satisfaça as
condições de fronteira do que satisfaça a EDP, em todo o domínio do
problema. Por exemplo, suponha-se que se opta por escrever a função de
aproximação como a soma de n polinômios. Dado que a solução é simétrica,
isto é,
) ( ) ( x y x y · −
, os polinômios selecionados têm que envolver potências
pares de x. Para além disso, a soma dos polinômios tem que ser igual a 1 para
1 · x e a primeira derivada tem que ser nula para 0 · x . Desta forma, é
possível concluir que a função aproximação será:

·
− + ·
n
i
i
x a x y
1
2
) 1 ( 1 ) (
(1.5.11)
Porque
0 e 1 ) 1 (
0
·

,
_

¸
¸
·
· x
dx
y d
y
. O resíduo da aproximação é:
y
dx
y d
2
2
2
) y L( R(x) φ − · ·
(1.5.12)
Conhecendo –se os valores de i
a
pode calcular-se o fator de efici6encia:



,
_

¸
¸
+
− + · ·
·
1
0
1
1 2
1
1 1 ) (
i
a dx x y
n
i
i
η
(1.5.13)
i a
dx
dy
n
i
i
x

· ·
− ·

,
_

¸
¸
·
1
2
1
2
2 1
φ φ
(1.5.14)
Nos exemplos desenvolvidos em seguida serão consideradas aproximações
mais simples, ou seja, a aproximação para n =1.
2
1 1 2
1
2
3
2
1 ) 1 ( 1
φ
η
a a
x a y − · + · − + ·
(1.5.15)
O resíduo para esta aproximação é:
] ) 1 ( 1 [ 2 ) (
2
1
2
1
x a a x R − + − − · φ
(1.5.16)
Para efeitos de cálculo de Thiele vai ser fixado
1 · φ
; o fator de efici6encia
para estas condições é
7616 , 0 1 / ) 1 tanh( ·
.
A escolha do tipo de funções teste origina diferentes variações do método dos
resíduos ponderados, como já foram citados.
1.6 Aplicação
Artigo: Determinação dos deslocamentos em vigas pelo método dos resíduos
ponderados. Publicado no XI Congresso Nacional de Engenharia Mecânica,
Metalúrgica e industrial, 2011. Porto Alegre – RS.
Objetivo do trabalho: Apresentou o emprego de três versões do Método dos
Resíduos Ponderados em um problema de viga, com solução analítica
conhecida permitindo avaliar a precisão de ambos.
Problema: O comportamento das estruturas e suas interações com o meio
externo são formulados com o auxilio de leis da Física, que impõe restrições
sobre o conjunto de variáveis de interesse, expressos em termos matemáticos
mediante equações diferenciais ou integrais.
De forma geral, a modelagem deve partir de uma avaliação conceitual
preliminar, objetivando caracterizar o tipo de abordagem mais representativa
fenômeno em questão, como estática ou dinâmica, linear ou não – linear entre
outras. Segue então a etapa da formulação propriamente dita, consistindo da
representação matemática do problema, onde normalmente são adotados
condicionantes sobre a regularidade das funções que relacionam as variáveis
envolvidas, conduzindo a uma idealização mais ou menos simplificada dos
fenômenos estudados.
Descrever o comportamento de uma estrutura significa determinar em
qualquer um de seus pontos, os campos de deslocamentos, tensões e
deformações para uma dada condição de carregamento externo e de
vinculação de deslocamentos, tensões e deformações. Uma hipótese
fundamental na passagem para o modelo matemático é a continuidade do
meio, permitindo identificar qualquer um de seus pontos materiais mediante um
conjunto de coordenadas e, por outro lado, em regularidade estendida às
ordens superiores de derivação da função solução.
O problema modelo utilizado para se avaliar a precisão dos métodos
numéricos é ilustrado na Figura 1.
Figura 1 Problema modelo
A figura 1 representa o esquema estrutural de uma barra prismática engastada
em uma de suas extremidades e sujeita a uma carregamento senoidal,
expresso por
) (x P
. A variável L representa o comprimento da barra, sendo
1kN/cm o valor da força distribuída situada a 2 / L unidade de comprimento do
engaste. O eixo “x” coincide com o eixo da barra e os eixos “y”e “z”, passando
sobre o centro geométrico da seção transversal. Vale ressaltar que pelas
pequenas medidas nas dimensões da seção quando comparadas com o
comprimento da barra, considera-se a viga como um elemento unidimensional,
modelada por uma equação diferencial ordinária, uma vez que a função
deslocamentos “
) (x V
” é dependente de uma única variável. A Equação 1
juntamente com as condições iniciais
]) 0 ) 0 ( e 0 ) 0 ( ( · · · · x d/dx[v x V
representam o Problema de Valor Inicial (PVI) em questão onde E é o módulo
de elasticidade longitudinal ou módulo de Young e
z
I
é o momento de inércia
de segunda ordem em torno do eixo neutro “z”.
[ ]
            
) (
2 2
2
. ). .( .
. .
) (
X q
z
x
L
sen x L
I E
L
x V
dx
d

,
_

¸
¸

,
_

¸
¸
− ·
π
π
π
(1.6.1)
O módulo de elasticidade longitudinal é uma propriedade intrínseca do
material e o momento de inércia, da geometria da seção transversal da peça.
Da equação (1.6.1) o produto
z
I E.
denota rigidez à flexão da viga.
A equação (1.6.1) é de segunda ordem linear e com coeficientes
constantes. A exigência do operador linear contido na equação diferencial é
que a solução do problema
)) ( ( x V
tenha função derivada segunda contínua
em todo o domínio Ω do corpo
}) 0 / { ( L x R x ≤ ≤ ∈ · Ω
. Desta forma, fica
garantida a existência da solução do problema uma vez que o termo
independente
)" ( " x q
da equação incompleta é uma função pertencente à
classe de diferenciabilidade ) (R C
n
. Como
) (x q
é ainda não identicamente
nulo para todo o domínio da barra, contendo o ponto 0 · x , pelo teorema de
existência e unicidade de solução para uma equação diferencial linear de
segunda ordem (PVI), tem-se garantia
)) ( ( x V
ser solução única.
A solução da equação diferencial do problema modelo é obtida mediante
o emprego de duas integrações sucessivas juntamente com a imposição das
condições iniciais, expressa pela Equação (1.6.2).

,
_

¸
¸
− + −

,
_

¸
¸
· x L x L x x
L
sen L
I E
L
x V
z
. . . 6 . . . 3 . . . 6 .
. . . 6
) (
2 2 3 3 3
4
π π π
π
π
(1.6.2)
Para verificar a precisão dos métodos numéricos, foram empregados os
seguintes valores para as variáveis do problema:
2
/ 1800 cm kN E · ,
4
18000cm I
z
· e cm L 120 · . A Figura 2 ilustra o comportamento da função
) (x V
expressa em cm.
Da função
) (x V
, o maior valor de deslocamento ocorre na extremidade
livre da viga (balanço), sendo igual a 0,48cm aproximadamente. Percebe-se na
Figura 2 que o deslocamento e a rotação no vínculo são ambos nulos, assim
como requerido pelas condições iniciais impostas.
Figura 2 Gráfico da solução exata
Resíduos Ponderados: Na análise do desempenho mecânico de estruturas as
soluções podem ser alcançadas mediante a resolução direta da equação ou o
conjunto de equações diferenciais que governam os problemas ou de forma
aproximada, através da integração ponderada sobre estas equações. A
primeira estratégia é conhecida como forma diferencial, local ou forte e a
segunda variacional.
Para a resolução do problema matemático representado em forma local
destaca-se o emprego do Método das Diferenças Finitas. A forma variacional,
por outro lado, permite não somente a aplicação do MDF como também o
estabelecimento de diferentes métodos numéricos denominados,
genericamente por Método de Resíduos Ponderados (MRP). Tais métodos
buscam uma solução aproximada num espaço de dimensão finita e diferem
entre si de acordo com o tipo de função de ponderação adotada para a
descrição da forma variacional.
Como estratégia utilizada na apresentação do MRP, a equação 1.6.1 do
problema modelo é reescrita em forma compacta, assim como expressa a
equação 1.6.3, sendo A um operador linear que contabiliza a derivada segunda
sobre a função incógnita u, solução da EDO e q o temo independente.
q u A · ) (
(1.6.3)
Com posse da equação diferencial e das condições de contorno
essenciais do problema o objetivo agora consiste em encontrar soluções
aproximadas (homogêneas nas condições de contorno) para a função
deslocamento. Na equação (1.6.3), qualquer outra função (útil) testada
diferente da solução exata do problema é incapaz de satisfazê-la em todos os
pontos do domínio barra, dando origem a uma função resíduo, definida pela
equação 1.6.4.
q u A u R − · ) ( ) (
(1.6.4)
A ideia fundamental por trás do MRP consiste em multiplicar a função
resíduo ) (u R por uma função w arbitrária (função peso), homogênea nas
condições de contorno, integrando o produto no domínio do problema
) (Ω
e
igualando a zero este resultado, assim como expressa a Equação 1.6.5. NO
MRP, uma forma geral de representar a aproximação para solução é expressa
a equação 1.6.6.
0 ) ( · Ω


wd u R
(1.6.5)

·
∈ + ·
n
i
i i
o N n n c x x u x u
1
) ( / ), ( ) ( ) ( ξ α
(1.6.6)
Na equação 1.6.6 ) (x uo uma função com o mesmo nível de
regularidade exigida para a função solução
)) ( ( x u
e que verifica as condições
de contorno e, as funções
) (x
i
φ
compõem um conjunto linearmente
independente (base), requerendo também regularidade compatível com a
exigida para a função solução (exata) e devendo ser homogênea nas
condições de contorno. Os polinômios se constituem como boa alternativa na
geração de soluções aproximativas visto serem funções facilmente deriváveis e
integráveis, dando destaque à família de polinômios ortogonais, como os de
Legendre, Hermite, Lagrange, Jacobi, Sobolev entre outros.
O Método de Resíduos Ponderados propõem-se então que os
coeficientes
i
α
da função aproximativa ) (x u sejam determinados mediante o
emprego da Equação 1.6.6 na Equação 1.6.5.
A função peso por sua vez pode também ser expressa na forma de uma
combinação linear de funções base, assim como expressa a equação 1.6.7.
Substituindo-se a equação 1.6.7 na equação 1.6.5, resulta na equação 1.6.8
representado por uma somatória de n parcelas com coeficientes j
β
.
N c/n x x w
n
j
j j
∈ ·

); ( . ) ( ψ β
(1.6.7)
,...,n c/ j d u R
j j
1 0 ) ( · · Ω


ψ β
(1.6.8)
Dada a arbitrariedade dos coeficientes, a nulidade indicada fica
garantida se cada integral constante da somatória se anular,
independentemente, ou seja, equação 1.6.9. A forma mais geral deste método
resulta da substituição das equações 1.6.6 na equação 1.6.9 na equação
1.6.10.
,...,n c/ j d u R
j
1 0 ) ( · · Ω


ψ
(1.6.9)
Ω − · Ω
Ω · Ω + Ω
∫ ∫
∫ ∫ ∫
Ω Ω
Ω Ω Ω
d u A q d A
d q d u A d A
j o j i
j j o j i
ψ ψ ξ α
ψ ψ ψ ξ α
)] ( [ ) (
) ( ) (
(1.6.10)
Definindo-se
Ω − · Ω ·
∫ ∫
Ω Ω
d u A f d A K
j o j ij
ψ ψ ξ )) ( ( f : ) (
j
(1.6.11)
Segue a expressão indicial para o sistema que permite determinar os
coeficientes i
α
:
j ij i
F K · α
(1.6.12)
Finalmente, reunindo-se os coeficientes i
α
num vetor
} {α
, os i
f
num outro
vetor coluna
} {F
e os coeficientes ij
k
nas posições de linha i e coluna j de
uma matriz [A], segue a representação matricial do sistema (Equação 1.6.13)
} { } { ] [ F K
T
· α
(1.6.13)
Com relação ao emprego do Método de Resíduos Ponderados na mecânica
dos sólidos, alguns trabalhos de destaque podem ser citados tais como o de
Barsoum (1971), Finalay Son e Scriven (1966), Fletcher (1978), Prathap
(1993), Prathap (1995), Reissner (1950), Zienkiewicz e Nakazawa (1984).
2 Método de Galerkin
2.1 Histórico de Galerkin
Boris Grigorievitch Galerkin nasceu em 20 de fevereiro (04 de Março do
calendário atual) de 1871 em Polotsk (atualmente localizada na Bielo-Rússia),
descendente de uma família pobre, passou por muitas dificuldades durante
seus anos de estudos. Ele fez a escola secundária em Minsk, e em 1893
entrou no Instituto Tecnológico de St. Peterburgo, onde estudou matemática e
engenharia. Durante este período além dos estudos precisou fazer “atividades
extras” para sobreviver: foi professor particular e também trabalhou como
desenhista. Terminou a graduação em 1899, ano em que se tornou membro do
Partido Social Democrático da Rússia.
Em março de 1909, Galerkin começou a ensinar no Instituto Tecnológico
de St. Peterburgo, quando teve sua primeira publicação sobre Curvatura
Longitudinal, foi um trabalho de 130 páginas, todo escrito na prisão. Este artigo
teve grande importância nos seus estudos, e os resultados foram aplicados na
construção de pontes e grandes estruturas.
Durante todo o verão deste período, Boris Grigorievitch visitou a Europa
junto com seus colegas de trabalho, para desenvolver estudos sobre
construção civil. Suas visitas às construções européias, bem como da maioria
dos engenheiros russos daquela época, terminaram por volta de 1914, quando
começou a Primeira Guerra Mundial.
Neste período (1909-1914) ele conheceu Alemanha, Suíça, Áustria,
Bélgica e Suécia. Também nesta época, Galerkin começou a trabalhar em
colaboração com I. G. Bubnov no Departamento de Construção Civil, onde
ambos estudavam questões da Teoria de Elasticidade e da Rigidez de
Construções. Talvez por esta razão o Método de Galerkin, na Rússia, as vezes
é denominado Bubnov-Galerkin. Entretanto, o primeiro trabalho publicado
sobre este assunto saiu em 1915 e foi escrito somente por B. G. Galerkin.
Neste trabalho foi proposto um método de integração aproximada de
Equações Diferenciais Parciais, atualmente conhecido como “Método de
Galerkin”. Sem dúvidas, este artigo foi um de seus melhores trabalhos. O
Método de Galerkin ficou famoso mundialmente, e até hoje ele e suas
generalizações são usados tanto na teoria de Equações Diferenciais, como em
Análise, Mecânica, Termodinâmica, e também no desenvolvimento de métodos
numéricos, tais como o Método de Elementos Finitos e outros.
Em 1920, Galerkin foi promovido a diretor do Instituto Tecnológico
Mecânico Estrutural de St. Peterburgo. Nesta mesma época, ganhou dois
prêmios significativos, um sobre elasticidade no Instituto de Engenharia de
Comunicação, e outro em Mecânica Estrutural na Universidade de St.
Peterburgo. Em 1921, a Sociedade de Matemática de St. Peterburgo foi
reaberta (havia sido fechada em 1917 devido a Revolução Russa) e Galerkin
foi um dos destaques desta Sociedade.
Outro trabalho em que Galerkin ficou conhecido,foi o seu trabalho sobre
Placas Elásticas. Sua tese sobre este assunto foi publicada em 1937. De 1940,
até a sua morte em 12 de Julho de 1945, Galerkin foi o chefe do Instituto de
Mecânica da Academia de Ciências Soviética (REZENDE, 2005).
2.2 Definição
O método de Galerkin (1915) é um dos mais utilizados no contexto de
aproximações de Elementos Finitos. O Método de Galerkin tornou-se o mais
conhecido e o mais potente dos Métodos de Resíduos Ponderados em virtude
do advento e rápido desenvolvimento dos computadores e de sua combinação
com o Método dos Elementos Finitos, que introduziu uma forma engenhosa de
construção de funções de aproximação. Basicamente, o Método de Galerkin
propõe que as funções base da função ponderadora sejam as mesmas da
função aproximativa.
Dado um problema padrão PP1 considera-se a função admissível
) (x ϕ
,
(2.2.1)
e a função resíduo é obtida de
(2.2.2)
Adota-se
) ( ) ( x x W
i i
ϕ ·
isto é as funções ponderadas são as funções
admissíveis, o que implica em especificar o processo do método de Galerkin
como sendo :
>
(2.2.3)
2.3 Exemplo Numérico
1) Resolver usando o Método dos Resíduos Ponderados a seguinte equação
diferencial:
0
2
2
· −u
dx
u d
(2.3.1)
Onde:
1 0
1 0
· ·
· · x x
u u
(2.3.2)
Utilizando o Método de Galerkin, com u e dois parâmetros, temos:
Vamos encontrar uma solução aproximada do tipo:
φ α β . + · u
(2.3.3)
Adotando
i
i
x · φ
tem-se:

·
· · ·
n
i
i i
n i u u
1
,..., 2 , 1 φ α
(2.3.4)
As funções
φ β e
que satisfazem as condições de contorno são:
) 1 ( 0 e
1 0 x
− · ⇒ · · ·
· ·
x x x
x
φ φ φ β
(2.3.5)
No intervalo
Logo se
) 1 ( ) ( − + · x x x x u α
(2.3.6)
O erro Ω
ε
é dada por:
0 0
2
· − − ·

u
dx
u d
ε
(2.3.7)
Onde
)) ( ( 2
2
2
x x x u
dx
u d
− + − · − ·

α α ε
(2.3.8)
Ou
) 2 (
2
− − − − ·

x x x α ε
(2.3.9)
Com só há um parâmetro, a sentença de resíduos ponderados é escrita como:
0
1
0
·


dx wε
(2.3.10)
Para que o erro seja mínimo
Adotando como função de ponderação a própria função
) (x φ
, ou seja,
) 1 ( ) ( ) ( − · · x x x x w φ
(2.3.11)
Portanto, se somente um parâmetro é utilizado para ) (x u , isto é, se
) 1 ( ) ( − + · x x x x u α então para o intervalo 1 0 ≤ ≤ x a sentença de resíduos
ponderados ∫ ∫
Ω Γ
Γ Ω
· Γ + Ω N d w d w
i
,..., 3 , 2 , 1 l ε ε
, para o problema é:
0 ) (
1
0
1
0
· ·
∫ ∫
Ω Ω
dx x dx w ε φ ε
(2.3.12)
Então:
0 )] 2 ( )[ 1 (
1
0
2
· − − + − −

dx x x x x x α
(2.3.13)
ou
dx x x x dx x x x x
∫ ∫
− − · − − −
1
0
1
0
2
) 1 ( ] [ ) 2 )( 1 ( α
(2.3.14)
Logo
dx x x dx x x x x
∫ ∫
− − · − − −
1
0
2 3
1
0
2 3 4
) ( ] [ ) 2 2 ( α
(2.3.15)
Integrando e resolvendo para
α
1
0
3 4
1
0
2 3 4 5
3 4
] [
2
2
3 4
2
5

,
_

¸
¸
− − ·

,
_

¸
¸
− − −
x x x x x x
α α
(2.3.16)
Substituindo os limites de integração temos:

,
_

¸
¸
− − ·
,
_

¸
¸
− − −
3
1
4
1
] [
2
2
3
1
4
2
5
1
α
(2.3.17)
Logo,
22
5
12
1
60
98
· ⇒ − · − α α
Portanto a solução aproximada
) (x u
é:
) 1 (
22
5
) ( − + · x x x x u
2.4 Aplicação
Artigo: Método Galerkin de elementos finitos na determinação do perfil de
temperatura na parede de um contêiner esférico utilizando matlab.
Objetivo do trabalho: validar um algoritmo que utiliza a formulação
Galerkin de elementos finitos e comparar as estimativas numéricas
obtidas pelo método de
Galerkin com a solução analítica do problema.
Problema: Consideremos um contêiner esférico de raio interno
, raio externo e condutividade térmica
preenchido com água fria a 0ºC. O contêiner ganha calor
por convecção do ar ao redor a uma temperatura de , com
coeficiente de transferência de calor ·. Queremos saber
como se comporta o perfil de temperatura da parede deste contêiner
quando está em regime permanente.
Para resolver este problema proposto devemos adotar algumas
hipóteses simplificadoras.
- A condutividade térmica é constante;
- Consideramos que a transferência de calor é estacionária, isto
é, ;
- Assumimos que a temperatura interna do contêiner é 0°C.
2.4.1 Representação esquemática do problema
Segundo (ÇENGEL), aplicando balanços de energia no volume
de controle, Ω, e nas superfícies de controle, Γ
1
e Γ2, chegamos na
formulação diferencial do problema, descrita pela equação (2.4.1).
(2.4.1)
Para aplicar o método de Galerkin precisamos da definição de resíduo
ponderado, para isto, tomamos como exemplo a equação do problema
proposto
, (2.4.2)
com condições de contorno descritas acima. Se substituirmos em T uma
aproximação da solução, esta aproximação vai gerar um erro residual R:
(2.4.3)
A ideia básica do resíduo ponderado é construir uma função de
peso adequada onde a integração, em todo o domínio da solução do
produto entre a função de peso e o erro residual é igual a zero,
(2.4.4)
onde W
i
é a função de peso e Ω é o domínio da solução, descrita pela equação
(2.4.6):
(2.4.5)
onde,
- Ω
i
é o domínio de um elemento finito;
- m é o número de elementos utilizados para discretizar o domínio da solução.
No método de Galerkin procuramos, para a equação (2.4.2), uma
solução numérica do tipo:
(2.4.6)
onde,
- N(r) é uma matriz de ordem 1xn, cujos elementos são funções interpoladoras;
- é uma matriz nx1 e seus elementos são valores da solução nos nodos de ϕ
um elemento finito, que devem ser determinados resolvendo a equação (2.4.4);
- n é o número de nodos de um elemento.
E a função de peso, W
i
, empregada é igual a transposta da matriz N(r)
presente na equação (2.4.6).
Método de Galerkin: Aplicando o método de Galerkin na formulação diferencial
do problema, conseguimos chegar na formulação discreta do problema,
descrita pela equação (2.4.7).
(2.4.7)
onde m é o número de elementos utilizados na discretização espacial.
Objetivando determinar as soluções numéricas da forma da equação
(2.4.6), implementamos computacionalmente no Matlab (MATSUMOTO) a
formulação discreta do problema proposto, considerando a discretização do
domínio ilustrado na figura (2.4.8)
2.4.8 Discretização do domínio em dois elementos unidimensionais lineares e em um
elemento unidimensional quadrático.
Considerando polinômio interpolador de grau 1, obtemos:
(2.4.9)
Para o caso de interpolação quadrática, expressamos a solução
obtida por:
(2.4.10)
O problema descrito pela equação (2.4.1) tem como solução exata a
equação (2.4.11).
(2.4.11)
Geometricamente as soluções aproximadas da equação (2.4.9), (2.4.10)
e a solução exata T, equação (2.4.11), são representadas na figura 2.4.12
abaixo. Como pode-se observar, φ
2
e T coincidem.
2.4.12 Comportamento das soluções numéricas (linear e quadrática) e exata
Na tabela 2.4.13, é apresentado o erro cometido utilizando as
aproximações expressas pelas equações (2.4.10) e (2.4.11) em alguns pontos
selecionados do domínio. Utilizando os polinômios interpoladores lineares, o
desvio percentual máximo foi de 9,88% e ocorreu no ponto r = 2,05m.
Utilizando polinômio interpolador quadrático nesse mesmo ponto, o desvio
percentual diminuiu para 0,30%. O erro máximo cometido utilizando a função
φ
2
foi de 0,93% no ponto r = 2,25m.
r
i
[m] T(r
i
)[°C] φ
1
(r
i
) [°C] φ
2
(r
i
) [°C]
2,05 0,8017 0,7225 0,8041 0,0988 0,0030
2,10 1,5653 1,4450 1,5748 0,0768 0,0061
2,15 2,2933 2,1675 2,3120 0,0549 0,0082
2,20 2,9883 2,7960 3,0159 0,0643 0,0093
2,25 3,6523 3,4244 3, 6863 0,0624 0,0093
2,30 4,2875 4,0528 4,3233 0,0547 0,0084
Tabela 2.4.13 Comparação das soluções numéricas e exata
Neste trabalho utilizou-se a formulação de Galerkin de
elementos finitos para obter estimativas numéricas da distribuição de
temperatura na parede de um contêiner esférico, visando validar
nosso algoritmo e suas futuras aplicações.
Quando comparados com a solução exata os resultados
numéricos obtidos são considerados satisfatórios se utilizarmos
funções interpoladoras de grau 2, pois neste caso o desvio relativo
máximo foi de 0,93%.
3 Considerações finais
Para que diversas análises e estudos sejam conduzidos com custos
inferiores a estudos experimentais realizados em laboratórios, uma das
alternativas é obter um modelo matemático que represente adequadamente o
processo ou o fenômeno a ser estudado. Nesse sentido, torna-se fundamental
a resolução das equações matemáticas que compõem o modelo. Contudo, na
maioria dos problemas típicos de engenharia à obtenção da solução analítica
do problema não é possível. Desta forma, torna-se necessário à utilização de
uma técnica numérica, que seja capaz de solucionar o problema de forma
rápida e precisa.
Existem diversos métodos para solucionar esses problemas, e a grande
maioria deles estão baseados na discretização do domínio do problema
transformando o sistema original de equações diferencias ordinárias ou parciais
em um sistema algébrico ou diferencial ou ainda, algébrico-diferencial,
conforme o método aplicado.
As técnicas de aproximações, dentre elas o Método dos Resíduos
Ponderados, apresenta uma grande vantagem sobre as demais, já que: uma
vez que sistematizado o procedimento de discretização o esforço
computacional utilizado na resolução do sistema resultante é
consideravelmente menor quando comparado a outros métodos. Ou seja, com
um número inferior de pontos de discretização chega-se a resultados
igualmente precisos em períodos de tempo inferiores.
O mais conhecido e também o mais potente dos Métodos de Resíduos
Ponderados, é o Método de Galerkin, que em virtude do advento e rápido
desenvolvimento dos computadores e de sua combinação com o Método dos
Elementos Finitos, introduziu uma forma engenhosa de construção de funções
de aproximação.
Por fim, podemos ressaltar que a partir da utilização desses métodos,
aliados a sistemas computacionais, as soluções dos problemas anteriormente
considerados de difícil solução apresentam soluções práticas e precisas.

4 Referências Bibliográficas
ALVES, L. M. Introdução aos métodos aproximados em engenharia:
Álgebra Linear, Geometria Analítica, Cálculo e Equações Diferenciais.
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