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Erik Kurkowski Weber Fabio Cunha P. Coelho Henry Alfred Bugalho Rafael T. Okada Wilson Gorj

Tamanho não é .DoC Erik Kurkowski Weber Fabio Cunha P. Coelho Henry Alfred Bugalho Rafael T.

ficina

Capa:

Erik Kurkowski Weber

Organização e diagramação:

Henry Alfred Bugalho

Esta obra está protegida pela Licença Creative Commons de Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Deriva- das 2.5. Para ver uma cópia desta licença, visite:

http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/

2009

Oficina Editora

SUMÁRIO

Apresentação

7

Erik Kurkowski Weber

9

Fabio Cunha P. Coelho

17

Henry Alfred Bugalho

21

Rafael T. Okada

37

Wilson Gorj

45

Apresentação

Twitter s.m. 1 serviço gratuito de rede social e microblogging que permite o envio de mensagens, limitadas a 140 caracteres, para outros usuários.

Microconto s.m. 1 narrativa literária breve, com estrutura semelhante à do do conto, mas de menor extensão, geral- mente, inferior a mil palavras.

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Os microcontos que compõem esta obra foram redigidos e postados no Twitter (www.twitter.com) durante os meses de maio e junho de 2009.

que compõem esta obra foram redigidos e postados no Twitter (www.twitter.com) durante os meses de maio

Erik Kurkowski

WEBER

Formado em Design Gráfico, mas busca agora seu lugar à sombra no funcionalismo públi- co; nas horas vagas é mais um gênio da humanidade.

Nunca se sabe o futuro; mas se sabe menos ainda o pretérito perfeito do subjuntivo.

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Era um grande homem; daí o dividiram pela metade.

Gripe Suína não apenas emagreceu 10 quilos como é a convidada desta semana no Programa do Jô.

WEBER

Erik Kurkowski

A Suiça é um belo país; o único problema é que fica, praticamente, na China; o problema da China é o mesmo.

Não sabia o que querer da vida, dessa vida imunda e dolorida; até assistir ao desenho animado Bambi.

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Disse o Pai: Carlinhos, que vc quer ser quando crescer? E Carlinhos disse, Anão!

Amazônia ganha novo radar para monitorar região; com este, já são 3 radares de carro no Estado.

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Menina de 7 anos acha preservativo em lanche; e mesmo assim ela engravi- dou.

Homenagem póstuma; Clodovil, o único ele, vós, ela - da política brasileira.

WEBER

Erik Kurkowski

Na embalagem do BigMac estavam cinco pênis humanos, ainda quentes; ninguém conseguiu explicar o ocorrido.

Ela disse que o queria como amigo; ele, de raiva, mudou a ideia, e a enterrou ainda viva e chorando.

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Contava animais para dormir; noite passada, antes de cair no sono, contou 204 Presidentes Lula.

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Só de alma ela pesava 120 quilos.

Knock Knock na madeira; quem é, pergunta. Tarde demais; era a gripe suína.

Abraçou o Pai, a Mãe, e disse:

Consegui, Consegui, o papel de mictório na próxima novela das 9 é meu!

WEBER

Erik Kurkowski

Gripe Suína anuncia turnê pela europa; ingressos vendidos apenas no México.

Mais vale um pássaro na mão que uma mãe-da-água.

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Jogador Adriano troca mulher moranguinho por Gripe Suína; digo, mulher caviar.

Fabio Cunha P.

COELHO

23 anos, formando em comunicação social na UFF, con- trolador de tráfego aéreo e autor do blog http://cunhandocoelhos. blogspot.com

O príncipe regente vestiu-se para

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a missa. Discordou da opinião do

espelho

no verso de um vintém.

penteou o cabelo olhando-se

Finalmente pegou o diamante. Mas de que valia tanto brilho, se, na outra mão, havia tanto sangue?

A professora de estudos sociais viu de

novo aquele monte de rabiscos, e deu a ele outro zero. Na solução da Conjectura de Poincaré.

COELHO

Fábio Cunha P.

O homem bateu na porta e ela abriu.

Eram vários senhores e senhoras, pulando de um pé só e pondo a mão no chão.

Viu a moça outra vez. Criou coragem e a abordou, contrariando o que estava escrito. Pior para o universo: Operação ilegal e foi terminado.

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O sudanês ouviu no rádio: O mundo

comovido com as 228 pessoas no avião desaparecido. 228 pessoas por minuto era o rendimento de sua AK-47.

Henry Alfred

BUGALHO

Formado em Filosofia pela UFPR, com ênfase em Estética. Especialista em Literatura e História. Autor de quatro romances e de duas coletâne- as de contos. Editor da Revista SAMIZDAT e um dos fundadores da Oficina Editora. Autor do livro best-selling "Guia Nova York para Mãos-de-Vaca". Mora, atualmente, em Nova York, com sua esposa Denise e Bia, sua cachorrinha.

Desculpa esfarrapada

Ele pra ela:

— Não é nada disto que você está

pensando, querida, o Marcão só estava me mostrando a cueca nova dele.

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Sinal dos tempos

A polícia invadiu o barraco e o pegou molestando a enteada de nove anos:

— Sabe como é, seu polícia, estas

22 meninas de hoje são todas safadas!

Estrela de cinema

Queria ser estrela de cinema, mas só conseguiu ser bilheteira.

BUGALHO

Henry Alfred

As Facilidades da Vida Moderna

O leão viu a gazela correndo e pensou:

“que preguiça”. Mais tarde, foi ao supermercado e comprou tudo congelado.

Mulher-barbada

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Ela só interrompeu o tratamento hormonal quando passaram a chamá-la de Moisés.

Você é insubstituível

Você é insubstituível

Até

encontrarmos um substituto.

Popularidade

Tinha tantos amigos que, quando ficava doente, a fila para visitá-lo dava duas voltas no quarteirão e tinha até distribuição de senha.

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Atraiçoado

Era do tipo que confiava em todo mundo. Um dia, decepcionado, apunhalou a si

mesmo pelas costas.

Um Sonho de Liberdade

Sonhou que podia voar. De manhã, ao acordar, subiu no parapeito e bateu asas. O papagaio finalmente fugia.

BUGALHO

Henry Alfred

Sobre a Felicidade

“Felicidade é uma mentira que inventamos para nos ajudar a vender eletrodomésticos”, confidenciou-me um publicitário.

O que os olhos não vêem

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“Depois que descobri como se faz, nunca mais comi salada”, disse a salsicha.

Poder de síntese

Antes, escrevia 200 páginas sem pestanejar; hoje, se chega a 200 caracteres já começa a ter dores-de- cabeça.

A verdade sobre Sherazade

Assim que descobriu que Sherazade era manca, desdentada e frígida, o sultão mandou decapitá-la antes mesmo da primeira noite.

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O Mistério da Vida

O sábio da montanha descruzou os braços e disse: o grande mistério da vida é desco-

26 brir de quem devemos puxar o saco.

Às vezes, é tarde demais

A ironia do suicídio é mudar de ideia em plena queda livre.

BUGALHO

Similitudes

Henry Alfred

Ele comia feito um porco, roncava feito um porco, fedia como um porco, mas cagava como um elefante.

O emprego perfeito

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Um dia, encontrou o emprego perfeito: test-drive de colchões.

É muito engraçado

Ele explodiu de tanto rir. Tiveram de recolher seus pedaços num raio de cinco quilômetros.

Adolescente do futuro

Os dois braços biônicos entraram em pane. Punheta agora só depois da assistência técnica.

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Hora do almoço

No canavial, ele era conhecido como “o magnata”, porque trazia lagosta e caviar na marmita.

O Duelo

No momento em que o adversário sacou a katana, o samurai compreendeu o sentido da existência. Então sua cabeça rolou pela grama molhada.

BUGALHO

O trapezista

Henry Alfred

Andava sempre na corda bamba, isto até constatar que ela não era bamba, aliás, que nem a corda de fato existia.

Colecionador

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Colecionava de tudo. Apenas sua coleção de pentelhos encontrados em banheiros públicos pesava mais de 20 quilos.

Fim da História

O escritor teve uma epifania: o ponto nem sempre significava o fim, mas podia também ser o começo duma nova frase.

Atropelamento

O lagarto hesitou no meio da estrada. O asfalto ardia sob o sol incadescente. Sem dar-se conta do caminhão em alta velocidade.

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Dia das Mães

Ela almoçava sozinha numa mesa de botequim: a filha se prostituía em São Paulo, o filho morto pela polícia na noite

passada.

Bode expiatório

O coroinha voltou com o cu arrombado. Logo botaram a culpa no padre. Em casa, o pai ria sozinho: havia escapado desta por pouco.

BUGALHO

Ausência

Henry Alfred

O silêncio estava em cada canto, nos armários vazios, no quarto quase sem móveis, no berço vazio. Ela acarinhava no colo o bebê inexistente.

Falta de talento

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Tocava violão até os dedos sangrarem, mas mal conseguia tirar uma única canção. Numa realidade paralela, era o melhor trompetista do mundo.

O Intelectual

Exausto de tanto receber perguntas estúpidas, ele passou a dar apenas respostas imbecis.

Estética da fome

Seis meses num campo de concentração era bem mais do que Sarah esperava para perder aqueles quilinhos a mais.

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Distraído

“Hã?”: eis suas últimas palavras antes de ser atingido pelo trem.

Catoteiro

Dedo no nariz, pinçava de tudo - lápis, parafusos, bolinhas de gude, ervilhas, moedas - menos meleca.

BUGALHO

Henry Alfred

Viver é arriscado

Sempre lhe diziam: “mergulhe de cara na vida”. Foi o que ele fez. Acertou o fundo e quebrou uma vértebra da coluna. Hoje, é paralítico.

Que gracinha!

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O poodlezinho fofinho só gostava mesmo de carne humana.

Não me fazes falta

Enfim ela descobriu o que era aquele fedor que há meses vinha da garagem:

o marido havia morrido, entalado, consertando o motor do carro.

Moça recatada

Apregoava que sexo só depois do casamento, mas era tão feia que, aos 80 anos, morria ainda virgem.

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Corrida bélica

“O teste nuclear foi um sucesso, general, todos nós morreremos em até 48 horas!”

Que menino lerdo!

A mãe o considerava retardado, mas, em seu silêncio introspectivo, ele estava quase descobrindo a irrefutável e definitiva prova matemática da existência de Deus.

BUGALHO

Henry Alfred

Busca da iluminação

Saíra pra comprar cigarro e nunca mais voltara. “Por causa da amante”, ela pensou, mas o real destino dele era um monastério no Tibet.

Difícil decisão

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“A cabeça de cima ou de baixo?”, o jagunço balançava o facão. Aterrorizado, o polícia refletiu por uns segundos: “Não pode ser um braço? Assim todos ficam felizes”.

Rafael T.

OKADA

Vinte e cinco anos, estudan- te de engenharia mecânica da Universidade Estadual Paulista (UNESP), mora atualmente na República Vamointão com doze outros estudandes. E não ve a hora de formar-se. Sempre gos- tou de ler, porém nunca escre- veu nada com mais de cento e quarenta caracteres.

Orkut, facebook, msn, twitter, icq, e então percebeu que só tinha amigos imaginários.

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No começo do mundo, deus teve seis dias de caganeira. De segunda à sábado.

A mãe se desculpava com o filho pois não tinha perdido o relógio dele, tinha guardado bem.

OKADA

Rafael T.

O sábio sonhou que era uma borboleta que sonhava que era George W. Bush. Ao acordar não sabia se era filho da mãe ou filho da puta.

Na dúvida o professor preferiu ser mendigo, pelo menos não teria de pagar impostos.

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Hoje foi um dia ambíguo, pensou o senhor. Pois não tinha câncer de próstata.

Neste momento o adolecente não sabia se sentia medo, orgulho ou tesão. Mas a dúvida durou pouco: três minutos.

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Era a terceira vez na semana mas ainda não compreendia aquele desafio. Aos cinco anos, o menino ainda fazia xixi na cama.

Depois de tantos anos, enfim, o planeta decidira comprar um veneno contra pulgas.

OKADA

Rafael T.

“Maria, o que você espera na vida?”, perguntaram-lhe. Respondeu sem demora: “que a fila ande.”

Decidiu trabalhar para ter dinheiro para deitar na rede e beber água-de- coco. Outro decidiu deitar numa rede e beber água-de-coco.

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Eras e mais eras de avanço tecnológicos para chegarmos no fim do universo e não acharmos nada. enfim sós.

Neste país, após roubarem até

a constituição, decidiram trocar

a bandeira. Agora seria bandeira de pirata!

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O despertador tocou, acordou mas estava escuro. Tateando, foi ao interrupitor. Ligou a luz, mas desde aquele dia não encherga.

Esse ano pediu ao papai noel uma bola de futebol, uma bicicleta e uma cadeira de rodas nova.

OKADA

Rafael T.

Suicidou-se. E flagrou deus nas fontes termais dos quintos dos infernos.

Sentiu-se valorizado após ter injetados todos os seus bens e de seus pais na veia.

Quando o capitalista descobriu que é melhor ser feliz, não havia mais tempo. Estava tendo um ataque fulminate.

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Esforçava-se muito, corria muito e até barulho, fazia muito. Seu objetivo era claro. E quando conseguiu, a roda o atropelou, o cachorro.

Wilson

GORJ

Autor do livro Sem Contos Longos. Tem contos, minicon- tos e poesias publicados em antologias e premiados em alguns concursos. Mantém o blog O Muro & Outras Páginas (omuroeoutraspgs.blogspot.com), onde expõe seus textos e outras novidades vinculadas ao mundo da micronarrativa.

I

Aquela dor no peito, quem dera

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fosse poesia

Mas era crônica.

II

Era um prefeito muito religioso. A cada obra, pegava um terço.

III

Levava uma vida muito corrida. Tudo nela era abreviado: rs, bjs, abs

GORJ

IV

Wilson

Um marido exemplar: meigo, atencio- so, bonito. Só tinha um probleminha. Era gay.

V

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À entrada da Ilha da Fantasia, barraram-no. Seu traje de náufra- go era muito manjado.

VI

A família dele era corintiana; a dela, palmeirense. Ainda bem que ambos eram são- paulinos!

VII

À beira-mar, enamorou-se de uma sereia. Sua paixão morreu a seco. Não sabia nadar.

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VIII

Violento, o meu pai? Ele nunca pôs a mão em mim. Nunca! Suas surras eram sempre a pauladas.

IX

Chorava torrecialmente. Em seus olhos, duas cataratas.

X

Toda vez que ligava o potente som do seu carro os ouvidos da vizinhança imediatamente se convertiam em penico.