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ESTRATÉGIAS PARA A PRODUÇÃO DE MATERIAL DE PROGAGAÇÃO VEGETAL LIVRE DE PATÓGENOS
ERLEI MELO REIS1 RICARDO TREZZI CASA2 MARIVANE SEGALIN1 ELAINE DEUNER1 MARCELO CARMONA3

Introdução Produzir sementes, partes e órgãos de propagação vegetal livres de patógenos é uma tarefa difícil, desafiadora e, por isso, pouco atrativa para o pesquisador e produtor de sementes e de mudas. Também tem sido apoiada timidamente por agências financiadoras de projetos de pesquisa, porém, pela importância, deveria receber mais incentivos. Neste texto, material de propagação vegetal refere-se a bulbos, estacas, gemas, manivas, mudas, toletes, sementes botânicas, rizomas e tubérculos. A realidade da atenção dada ao tema mostra que no momento a semente botânica, aparentemente é a mais importante à fitopatologia, pois existem cursos sobre Patologia de Sementes, porém, a patologia relativa a outros órgãos de propagação vegetal tem recebido menor atenção. Pela importância deveria se dar o mesmo tratamento e terem-se igualmente cursos e treinamento sobre Patologia de Mudas, de Bulbos, de Manivas, de Toletes, etc. Principalmente os produtores destes materiais deveriam receber treinamentos para que entendam a sua importância. Diversas perguntas pertinentes a este tema em fitopatologia devem ser feitas. Por que aonde se cultiva uma espécie vegetal sempre estão presentes as doenças daquela espécie? Como os patógenos encontram a planta hospedeira? Está disponível aos produtores material de propagação vegetal livre de fitopatógenos? Para que produzir esse material livre de patógenos? Qual a necessidade? Qual a conseqüência? Tem alguém interessado? Esta necessidade é reconhecida por produtores, técnicos e pesquisadores? Sabem-se as conseqüências práticas desse material indene
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de fitoparasitas? Se o vento transporta o inóculo de parasitas necrotróficos de um local para outro, se o ar está repleto de inóculo em todos os locais, em todo o tempo, a proposta aqui apresentada não tem sentido. Todos os agentes fitopatogênicos podem infectar partes ou órgãos de propagação vegetal tais como fungos, estramenópilas, bactérias, vírus, protozoários (Plasmodiophora) e nematóides. Neste artigo dá-se ênfase aos fungos, bactérias e vírus. Devem-se envidar todos os esforços para erradicar os fitopatógenos em suas fontes de inóculo primário Todos os órgãos da planta podem ser atacados pelos fitopatógenos (McNew, 1960) estando aqui incluídos os de propagação vegetal. Com estes os parasitas são transportados desde o local de produção do material, até os locais do cultivo comercial. Os parasitas infectantes de material de propagação vegetal retornarão aos órgãos aéreos de onde eles vieram. No caso de mudas de plantas perenes com folhas perenes como café e citros, por exemplo, esse processo não é necessário, pois nunca ocorre a separação do parasita da planta hospedeira. Na produção de material vegetal indene de patógenos é indispensável o uso rotineiro de métodos sensíveis ou meios semi-seletivos à detecção do patógeno alvo da eliminação. Citam-se como exemplos para sementes o meio semi-seletivo para Bipolaris sorokiniana (Reis, 1983) que pode ser usado na detecção de outros gêneros de fungos como Alternaria, Drechslera, Exerohilum e Stemphylium, para Fusarium o meio de Nash & Snyder (1960), etc. Para a detecção de bactérias em sementes sugere-se consultar Van Vuurde, et al. (1983), Bashan & Assouline (1983),
Professor Mestre Facultad de Agronomia, Universidad de Buenos Aires - Argentina
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Professor Dr. Universidade de Passo Fundo, erleireis@tpo.com.br Professor Dr.Universidade do Estado de Santa Catarina ­CAV, Lages.

Informativo ABRATES

vol.19, nº.3, 2009

portanto. É denominado. 1997). 1983). pode sobreviver associado ou ser transportado veiculados ao material de propagação vegetal e a restos culturais ou na forma de estruturas de dormência livres no solo (Federation. Os biotróficos sobrevivem principalmente em plantas voluntárias ou como estrutura de repouso associada a sementes e mudas como os oósporos de estramenópila. (2001). Lembra-se que associados às sementes botânicas encontram-se dormentes. apenas o haustório é emitido para o interior do citoplasma que exerce a ação parasitária. mudas toletes. ocorrendo apenas à continuidade do parasitismo. as estruturas de repouso. Parasita biotrófico: Aquele que apresenta em seu ciclo de vida apenas a fase parasitária. Os vírus podem aqui também ser incluído. 1993). parasita obrigatório. estolões. mudas. cancro.3. mas principalmente com a disseminação de fitopatógenos. Para detalhes do tema sobrevivência. e tubérculos. pode ser cultivado em meios de cultura artificiais. deveria ser continuamente produzido. Todo o material de propagação vegetal está diretamente envolvido com a sobrevivência. A presente abordagem tem como objetivos contribuir para a produção de material de propagação vegetal livre de fitoparasitas reduzindo a ocorrência e a intensidade das doenças em órgãos aéreos na área de cultivo comercial. McNew. sendo dificilmente cultivado em meio de cultura. III e IV. como oósporos de estramenópilas encontram-se associadas às sementes como no caso do míldio da soja. chama-se a atenção para o fato de que em fitopatologia não se tem dado ênfase à patologia de bulbos. são os fungos e bactérias do Grupo Va (McNew. Incluem-se aqui. Na fase parasitária. manivas. A adversidade principal é inanição nutricional devido à exaustão do substrato e a competição microbiana quando se encontra no resto de culturas. causado por Peronospora destructor (Nunes & Kimati. No caso de viroses. porém. 1997). antracnose e podridões. mantido e comercializado acompanhado de certificado sanitário que comprove essa condição Conceitos básicos Para melhor entendimento das bases científicas desta proposta apresentam-se os conceitos básicos dos termos utilizados no texto. É também denominado parasita facultativo e. Assim é garantida a presença constante dos patógenos com os seus hospedeiros aonde eles são cultivados comercialmente.. geralmente. pois nem sempre o inóculo está dormente com quando associado às sementes. Por exemplo. o teste imuno-enzimático (ELISA) e o ISEM são suficientemente sensíveis para a detecção desses agentes causais de doenças no material de propagação vegetal (Lange et al. toletes. 1997) e da cebola. Podem também causar podridões radiculares e do colo e murchas vasculares (Grupos II. o parasitismo apenas em células vivas. Material vegetal portador de patógenos sempre produzirá plântulas/plantas e lavouras/hortas/pomares com as doenças cujos parasitas são por ele transportado e/ou transmitido Ciclo das relações patógeno-hospedeiro O conhecimento detalhado do ciclo das relações patógeno-hospedeiro permite o entendimento dos princípios científicos que regem a fitopatologia e traz resposta às perguntas: Como os patógenos infectam o material de Informativo ABRATES vol. Não esta envolvida aqui a sobrevivência verdadeira. Sobrevivência: Significa o fitopatógeno manter a viabilidade em condições adversas. do girassol. Este grupo interessa especialmente à Patologia de Sementes. Todo e qualquer material de propagação vegetal livre de patógenos. Em geral.20 Maringoni & Kurosawa (1994) e Schad et al. é possível cultivar a planta livre do parasita pelo resto de sua vida (Agrios. 1960). Em geral. Em geral. 1973). causa pouca injúria nas células e nos tecidos do hospedeiro sem determinar-lhe a morte. nº. Às vezes.19. de geração a geração do hospedeiro levem consigo os parasitas. Exerce. 1960). não necessitam sobreviver. determina a morte de células e tecidos pelo uso de enzimas e toxinas. sintomas do tipo mancha. Quando o patógeno é excluído do material de propagação do hospedeiro. Parasita necrotrófico: Aquele que apresenta em seu ciclo de vida tanto a fase parasitária como a saprofítica. O micélio desenvolve-se entre as células. portanto. fungos e bactérias. 1997). causando. consultar Reis e Casa (2004). O míldio da videira pode formar oósporos e/ou micélio dormente em brotos de videira e ser. 2009 . tubérculos e rizomas. causado por Peronospora manshurica (Sinclair & Backman. 1973). mas sim ativo garantindo a continuidade do ciclo de vida da planta fazendo com que os órgãos de propagação vegetal. causado por Plasmopara halstedii (Leite. sobrevive pelo parasitismo de plantas voluntárias ou por meio de estruturas de repouso (Federation. também. disseminado com as mudas (Agrios. manivas. Quando infectam bulbos. Na propagação vegetal o processo consiste em o patógeno não se separar do hospedeiro. estacas.

caso não se queira a doença. protozoários e nematóides infectantes de raízes de mudas. quando uma planta anual não esta sendo cultivada ou uma perene de folhas caducas esta em repouso e sem folhas. sementes. O parasita retorna aos órgãos aéreos de onde veio o que constitui um ciclo vicioso que deve ser rompido por táticas racionais de manejo de doenças. É esse material que transporta e introduz o inóculo na área cultivada pela primeira vez. O inóculo primário: É o ponto de partida para o ciclo primário que por sua vez origina a(s) primeira(s) lesão(ões) no hospedeiro. Por isso. mudas. da semente para a plúmula via coleóptilo. A fase de disseminação termina com a deposição do inóculo nos tecidos suscetíveis do hospedeiro. onde está o inóculo? Em plantas perenes com folhas perenes (café e citros) não há a separação mas sim a continuação da cadeia de infecção através dos ciclos secundários. fungos e bactérias. Quando o transporte é feito junto com órgãos do hospedeiro é chamado de disseminação passiva direta não havendo a separação (remoção) do hospedeiro. Como regra. Para dar início ao processo doença o patógeno necessita encontrar o tecido suscetível do hospedeiro. Na natureza os patógenos procuram não se separar dos hospedeiros Para que uma doença. se deslocam pelo crescimento micelial de uma parte para outra da planta. estramenópilas. Transmissão: É o processo. lavoura. ao acaso em todas as direções. ou é a estrutura do patógeno capaz de causar infecção. Por outro lado. essa fonte de inóculo inicial ou primária deveria ser eliminada! Disseminação ou dispersão: É o transporte. Nesse sentido pergunta-se de onde vem o inóculo? Por exemplo. o inóculo deve atingir os tecidos suscetíveis do hospedeiro. requer o processo de disseminação a curta distância envolvendo a remoção. 1962). de onde vem? Aonde esta? As respostas para estas perguntas constituem o tema fonte de inóculo. toletes e tubérculos a disseminação é considerada a mais eficiente. todos os parasitas. a disseminação é chamada de passiva indireta sendo o transporte feito por agentes externos. Nos casos de áreas aonde se cultiva o hospedeiro pela primeira vez é a fonte de inóculo mais importante. estacas. por exemplo.19. O transporte pelo vento ocorre a distâncias maiores do que pela água (Maude. As principais estruturas (tipos de inóculo) infectivas dos fungos e estramenópilas são os esporos. os parasitas por elas transportados mudam de órgão. estufa. quando o inóculo se separa do hospedeiro. Mais tarde. Passaram por uma fase de repouso ou dormência juntamente com a semente. Ocorre dentro da própria planta. ou para as raízes. 1960). Os parasitas biotróficos. Todo o material de propagação de plantas atua como fonte de inóculo As sementes (no armazém) e mudas (em viveiros) e os restos culturais (sobre o solo) são as principais fontes de inóculo de parasitas necrotróficos (Grupo Va. ou para as suas vizinhas dentro da área de cultivo. No presente caso interessa a associação patógeno-material de propagação vegetal. os esporos secos são removidos e transportados pelo vento e os molhados (incluindo células bacterianas) pela água da chuva ou da irrigação. andam ou se deslocam juntos. Inóculo: É qualquer estrutura potencialmente infectiva. os ciclos secundários dentro da própria planta recém-estabelecida. No caso de parasitas de órgãos aéreos. McNew. nos vírus as partículas infectivas e em nematóides as larvas e os adultos. o transporte e a deposição do inóculo nos sítios de infecção. Os fungos. como vento e água. 2009 . no caso de bulbos. Na transmissão deve-se considerar: No caso de sementes.3. Desse fato se pode inferir que na natureza os fitopatógenos procuram não se separar do hospedeiro do qual dependem nutricionalmente. de passagem do parasita das sementes para os órgãos aéreos e/ou radiculares. No caso das bactérias são as células ou talos bacterianos. Há casos. Portanto. ou deslocamento do inóculo desde a fonte. do grupo acima citado encontram-se associados à propagação vegetal. porém. pomar. manivas. também não requerem a remoção da fonte de inóculo é uma simples continuidade da atividade parasitária. agentes causais de doenças como oídio e ferrugem não se encontram associados á sementes. O material de propagação vegetal é a principal fonte de inóculo primário. horta. gemas. Por área entenda-se: canteiro. O mesmo fato ocorre com nematóides em bulbos de alho (Lear & Johnson. rizomas. principalmente. ou o parasitismo tenha início. por exemplo. conidióforos tem o potencial infectivo. nº.21 propagação vegetal? Como voltam aos órgãos aéreos os hospedeiros? Fonte de inóculo: É o local onde o inóculo é produzido. Portanto. porém qualquer estrutura como micélio. 1966). em que o parasita não muda de órgãos há apenas a continuidade do parasitismo como ocorre com raízes de mudas infectadas por podridões radiculares e Informativo ABRATES vol.

iniciando geralmente nas folhas inferiores e depois terminando por atingir novamente os órgãos reprodutivos. No caso de mudas. ocorre apenas à continuidade do parasitismo através de ciclos secundários no novo local de cultivo. Desse fato decorre a necessidade de controle ou da erradicação em sementes. Somente se altera o estádio fenológico da planta. Ciclo secundário: Nessa situação a planta doente produz inóculo para a segunda e demais gerações do ciclo de vida do fitopatógeno. Nesse caso os parasitas estão sempre ativos não havendo fase de dormência repouso ou separação do hospedeiro. não há reinício. ao emergirem as plântulas. O clima x infecção Infecção de sementes Para os fungos patogênicos do Grupo Va de McNew (1960). cultivos conduzidos em locais de clima seco. nº. o processo infeccioso é altamente condicionado pelo clima. Em relação à mudas. nesse caso. na lavoura. Percebe-se então que o ciclo de vida do patógeno apenas continua. Algo deve ser feito para separar. Sem molhamento não ocorre doença em órgãos aéreos causadas por fungos. girassol. sem molhamento foliar.19. Em gramíneas distingue-se: (a) o micélio cresce do interior para o exterior da semente sobre o coleóptilo até atingir a superfície do solo aonde esporula. Nos tecidos lesionados o inóculo se multiplica. nos dois casos. Já no caso da disseminação passiva indireta. hortas. Em dicolitedôneas epígeas (soja. 2009 . Fato semelhante ocorre com as bacterioses em órgãos aéreos de seus hospedeiros. Por isso. os patógenos do material de propagação vegetal. o processo de transmissão ocorre diferentemente em gramíneas e em folhas largas. na cultura e o patógeno já se encontram estabelecido na área de cultivo. Uma vez os esporos estando depositados nos sítios de infecção. etc. pomares e estufas. Ciclo primário da doença: No caso da disseminação passiva direta não é claro o conceito de fonte de inóculo primário. A essa interação requerida para a infecção Zadoks & Schein (1969) denominaram de período crítico. evidenciam lesões cotiledonares e ou nas primeiras folhas (algodão). a extremidade apical o coleóptilo evidenciará sintomas/ sinais da presença do parasita. estramenópilas e bactérias. ocorre a introdução dos fitoparasitas em lavouras. bulbos. feijão. agora determinam o crescimento da intensidade da doença. exceto oídios. O maior desafio do fitopatologista é desenvolver estratégias para romper a associação planta-patógeno No caso de sementes botânicas.22 nematoses e por parasitas de órgãos aéreos (mudas de plantas perenes com folhas perenes). Nesse caso. algodão. houve apenas a disseminação passiva indireta e em conseqüência a continuidade da associação planta-patógeno. para o ciclo primário. irrigadas por gotejamento ou micro-aspersão. (b) ao micélio crescer sobre o coleóptilo perfura-o atingindo a plúmula em seu interior. Portanto. pois aqui as partes da planta levando consigo o inóculo é a fonte primária havendo a continuidade da ligação planta-patógeno. 1983). O inóculo vem de outras fontes ou locais que não seja o próprio hospedeiro. a fonte de inóculo não é a planta doente. sem período crítico não ocorrem doenças em órgãos aéreos e conseqüentemente a contaminação do material de propagação vegetal. sob condições climáticas favoráveis.. células ou talos bacterianos comportam-se como estruturas molhadas requerendo água para a remoção e transporte. Os propágulos das bactérias. caso em que não é requerida a remoção da fonte de inóculo primário (separação do patógeno do hospedeiro). Posteriormente. Como conseqüência. 1960) nos órgãos aéreos e conseqüentemente na semente colhida e mudas produzidas. Os fitopatógenos encontram-se dormentes dentro dos cotilédones. de adulta que era agora é jovem e recomeça o ciclo do hospedeiro. se a planta mãe ou matriz estava infectada não ocorre transmissão mas sim a continuidade do ciclo de vida tanto do hospedeiro como do patógeno via muda nova.3. Este princípio tem sido explorado na produção de sementes de feijão vagem nos Estados Unidos como relatado por (Webster et al. Semelhantemente ao que ocorre com sementes também se processa com tubérculos. manivas e estacas. e fica a mercê dos agentes de disseminação passiva indireta. Por outro lado. não ocorrem doenças (Grupo Va de McNew. pode ser considerada altamente eficiente. esse processo é altamente dependente da duração do molhamento foliar contínuo e da temperatura média nesse período. Infecção de mudas No caso da disseminação passiva direta e doenças do Informativo ABRATES vol. Nesse caso o mecanismo de transmissão é denunciado pela presença de lesões no limbo da plúmula. Estes ciclos. menos ervilha) durante a formação e maturação da semente os cotilédones foram colonizados dentro dos legumes.

soja. a temperatura letal ao parasita. acelga.23 Grupo Va (McNew. por exemplo: cultivo sujeito a molhamentos freqüentes por chuvas tem maior intensidade da doença (ciclos secundários) e maior incidência no material de propagação vegetal produzido. tomate. A termoterapia pode ser feita pela imersão do material em água quente. couve flor. nesses casos a termoterapia é a única medida efetiva de controle. O crescimento da doença possibilita que o inóculo atinja novamente os órgãos de onde saiu. idade e vigor das sementes. cebola. todo e qualquer material de propagação vegetal. couve rábano. o clima adverso (sem molhamento) não permite o desenvolvimento da doença e conseqüentemente o material de propagação vegetal produzidos será livre de patógenos. melão. girassol. 2009 . lentilha. Primeiro passo-Limpeza da semente-fundação (Genética) Talvez se possa generalizar que a semente deveria vir direto dos centros de melhoramento para os centros de limpeza. Uma grande variedade de partes vegetais pode ser tratada pela termoterapia: mudas em vasos. Produzir material vegetal em ambiente seco. pimentão. isto é. por isso. o primeiro passo é iniciar um processo de “limpeza” de uma pequena quantidade de material chamada de “fundação”. sem a ocorrência de chuvas é a tática mais eficaz para evitar a complementação do ciclo primário e conseqüentemente de ciclos secundários e do crescimento futuro da doença em órgãos aéreos. alfafa. Na situação atual a maioria dos órgãos e partes de propagação vegetal está infectada por fitopatógenos. beterraba. O crescimento da doença leva os patógenos às inflorescências/infrutescências.3. Lembra-se que sem molhamento não há infecção. bulbos. por exemplo. Essas condições também ocorrem em ambiente semiprotegido (estufas plásticas) sem irrigação por aspersão.19. canola. A termoterapia representa um método de controle simples. Este raciocínio é diferente para o caso dos vírus que necessitam na disseminação-inoculação de um agente vetor. jiló. no tratamento de sementes. feijão vagem. ervilha. O problema é identificar a temperatura e o tempo de exposição para as várias espécies vegetais e suas partes ou órgãos e que atinja os objetivos propostos (Baker. enquanto que a termoterapia é eficiente em erradicar. estacas. plântulas. Por outro lado. toletes. nº. Dentre os princípios pelos quais a termoterapia inativa 4. Na técnica é explorada a diferença de sensibilidade térmica dos parasitas e do hospedeiro de modo a eliminar os agentes causais de doenças e levemente injuriar a planta ou seus órgãos ou partes. exceto mudas. condições das camadas externas estão envolvidos no processo. sementes. A associação da termoterapia com a cultura de tecidos constitui a principal estratégia para produzir explantes livre de vírus a partir da planta mãe infectada. naboforrageiro. feijão. Estratégias para a produção de material vegetal livre de fitoparasitas dos órgãos aéreos. trevos. cevada. A termoterapia baseia-se no fato de que os microrganismos parasitas (fungos e bactérias) são mortos. triticale e etc. linho. berinjela. Em geral foram selecionadas sob alta pressão de doenças e em condições de campo sob chuva natural. alface. tubérculos. de fácil uso. submetido ao ar aquecido e ao vapor. tubérculos obtidos por cultura de tecidos. ou os vírus e viróides inativados em regimes de temperatura e de tempo e que cause pouca injuria ao hospedeiro. quiabo. nabo. dormência do material. 1962). centeio. e barata. aveia. O importante é o ponto de inativação térmica. Sabe-se desde há muito tempo que quanto menor for o conteúdo de água da semente. 2004). enxertos. repolho. rabanete. brotos meristemáticos.1 Sementes A maioria das espécies vegetais cultivadas é multiplicada por sementes: abóbora. pepino. com alta incidência em sementes dos fitoparasitas necrotróficos Informativo ABRATES vol. milho. 1960) o clima não esta relacionado com a transmissão. A termoterapia tem sido praticamente o único procedimento para limpar sementes de bactérias. 1917). gemas. o tratamento químico falha ou fracassa no controle de uma doença. couve brócoli. cenoura. maior é a resistência do hospedeiro a alta temperatura (Waggoner. por exemplo. salsa. Esse princípio será aqui explorado na produção de sementes e mudas indenes de patógenos. melancia. isto é. As revisões de Baker (1962) e de Grondeau e Sanson (1994) apresentam os princípios que norteiam o uso da termoterapia no controle de doenças de plantas. trigo. fava. ervilhaca. arroz. Termoterapia Princípio e potencial de controle Muitas vezes. Por isso. Fatores como conteúdo de água do material vegetal. manivas. mas sim com o número resultante de ciclos secundários no ciclo da cultura recém estabelecida (Reis.

mas sim apenas pelo efeito da temperatura. (1992) Mendes et al. liberação de lipídios. A imersão em líquidos não aquosos (óleo vegetal e propilenoglicol (Pyngji.24 fitopatógenos citam-se a desnaturação de proteínas. curcubitae Glomerella gossypii Bipolaris oryzae Bipolaris sorokiniana Fusarium spp. Cultura Abóbora Algodão Arroz Banana Batata Patógeno (Fungos) Fusarium solani f.) Colletotrichum musae Monilochaetes infuscans Água quente Begonia Pythium sp.4 a 51. A termoterapia pode ser feita pela imersão do material em água quente. sp. patógeno controlado. tempo de exposição e referência. das sementes em suspensão aquosa ou não de fungicidas. exposição ao ar seco à quente. asfixia dos tecidos. 1962). 1982). nº. Um aprimoramento deste método é a imersão. Óleo vegetal ou polietilenoglicol podem também ser utilizados (Zinnem & Sinclair. Na Tabela 1.19. Relação de espécies vegetais. 2009 . a radiação ultravioleta ou microondas (Baker.1/45 min apud Grondeau & Samson (1994) 56/20 min Machado (1988) Bertus (1967) apud Baker 56/30 min (1969) Miller & McWhorter 57.1/ 30 min apud Grondeau & Samson (1994) Raabe & Baker (1971) 46. Informativo ABRATES vol. da temperatura e do tempo de exposição para erradicar fitopatógenos pela termoterapia. (2004) Kushman & Hildebrand (1968) Raabe & Baker (1971) 44. resume-se a lista da espécie vegetal. (1992) Mendes et al. Gerlachia oryzae Poma (Sacc. do tipo de tratamento. (1992) Mendes et al. TABELA 1.3/2 h Fonte Machado (1988) Botrytis allii Machado (1988) Mendes et al.. 1962). destruição de hormônios. (1992) Mendes et al..3. (1992) Sponholz et al. depleção de reservas nutricionais (Baker. temperatura. ao vapor d’ água. por exemplo.2/20 min (1948) 52/10 min Machado (1988) Miller & McWhorter 52/10 min (1948) Miller & McWhorter 54/20 min (1948) Miller & McWhorter 57/15 min (1948) Miller & McWhorter 54/15 min (1948) D’yachenko (1981) apud 45/12 h Grondeau & Samson (1994) D’yachenko (1981) apud 45/12 h Grondeau & Samson (1994) continua.9/10 min ou 43. et al. A mistura de fungicida na água quente aumenta muito a eficiência do tratamento. 1987)) tem a vantagem de não afetar a germinação pela hidratação. Ar quente Vapor arejado Phoma betae Água quente Vapor quente Botrytis cinerea Beterraba Vapor arejado Água quente Fusarium oxysporum Sclerotinia sclerotiorum Sclerotinia minor Botrytis allii Cebola Água quente Água quente Água quente Tratamento Água quente Ar seco Fluxo de ar contínuo Fluxo de ar contínuo Fluxo de ar contínuo Fluxo de ar contínuo Fluxo de ar contínuo Água quente Temperatura (ºC)/Tempo 55/15 min 95-100/12 hs 70/15 dias 70/15 dias 70/8 dias 70/15 dias 70/15 dias 53/20 min 48.

Trigo et al. (1984).2% Ar quente Ar quente Água quente Água quente Temperatura (ºC)/Tempo 50/20 min 70/ 15 dias 70/ 15 dias 50/20 min 50-52/20 min 57/20 seg 70/ 15 dias 56/30 min 56/30 min 56/30 min 30/24h 65/20 min 55/40 min 38/24 ou 48 h 58/ 90 segundos 38/48 h Gladíolo Linho Fusarium oxysporum sp.. sp. (1998) Trigo et al. etc Rosa (Rosa híbrida) Fusarium oxysporum f. nº. canola. Cultura Patógeno (Fungos) Alternaria dauci Cenoura Tratamento Água quente Calor seco Calor seco Água quente Água quente Água quente Calor seco Água quente Água quente Água quente Água quente com tiram 0. 2009 . (1969) Maude (1966) Maude (1966) Phillips & McCain (1973) Phillips & McCain (1973) Grouet (1965) apud Grondeau & Samson (1994) Hsieh (1985) Cruickshank (1954) Machado (1988) Bertus (1967) apud Baker (1969) Machado (1988) Walker (1922). gladioli Sphaerella linorum Alternaria brassicae Água quente Água quente Vapor arejado Água quente Vapor quente Repolho..2% Repolho.2/30 min 52. Fusarium oxysporum Papulospora imersa Rhizopus nigricans Água quente Água quente 56/30 min 30/24h 56/30 min 50/40 segundos Água quente 57. (1998) Bertus (1967) apud Baker (1969) Bertus (1967) apud Baker (1969) Bertus (1967) apud Baker (1969) Maude (1966).3. Maude et al.8/10 min 56/30 min 56/30 min 56/30 min 50/30 min Fonte Cunha et al. (1991) Alternaria radicina Alternaria alternata Phoma lingam Couve-flor Alternaria brassicae Fusarium oxysporum f. (1998) Cunha et al. Informativo ABRATES vol. (1984) Machado (1988) Wells & Merwath (1973) Trigo et al. canola. sp.. Gabrielson & Maguire (1977) Bertus (1967) apud Baker (1969) Jacobsen & Williams (1971) Bertus (1967) apud Baker (1969) Elad & Volpin.19. continuação. mathioli Ervilha Ascochyta pisi Mycosphaerella pinodes Gerânio Puccinia pelargoniizonale Quiabo Água quente 70/30 min Fernandes e Cunha (1990) continua. etc Phoma lingam Água quente Suspensão aquosa de Tiabendazol a 0. mathioli Botrytis cinerea Botrydiplodia theobromae Colletotrichum sp.25 Tabela 1..

. Patógeno (Bactéria) Xanthomonas campestris pv. (1980) Amon (1977a) apud Grondeau & Samson (1994) Amon (1977b) apud Grondeau & Samson (1994) Damann & Benda (1983) Damann & Benda (1983) Algodão Batata (Tubérculos) Brócolis continua. campestris Xanthomonas campestris pv.3. continuação.5/30 min 40 e 35/20 min 52/20 min (1º dia) e 50/ 2 h (2º dia) 50/2 h 50/2 h 58/8 h Fonte Machado (1988) Lopes & Rossetto (2004) Lopes & Rossetto (2004) Muniz (2001) Machado (1988) Lopes & Rossetto (2004) Muniz (2001) Lopes & Rossetto (2004) Muniz (2001) Jensen (1867) apud Silveira (1950) Mendes et al. vasculorum Cana-de-açúcar (Toletes) Xanthomonas albilineans Clavibacter xyli subsp. Cultura Patógeno (Fungos) Colletotrichum gloeosporioides Aspergillus spp Tomate Alternaria alternata Alternaria solani Fusarium spp Cladosporium flavum Tratamento Água quente Calor seco Calor seco Calor seco Água quente Calor seco Calor seco Calor seco Calor seco Trigo Ustilago tritici Bipolaris sorokiniana Zínia Cultura Abóbora Poma sp.19. curcubitae Xanthomonas campestris pv. xyli Água quente Água quente Vapor quente Acidified cupric acetato Água quente Água quente Ar seco Ar seco Água quente Fluxo de ar contínuo Fluxo de ar contínuo Água quente Tratamento Água quente Temperatura (ºC)/Tempo 50/20 min 75/48 hs 75/12-15 dias horas 70/12 dias 50/20 min 75/12-15 dias horas 70/12 dias 75/12-15 dias horas 70/12 dias 52/11 min 70/15 dias 70/15 dias 52/30 min Temperatura (ºC)/Tempo 54/30 min 56/30 min 56/10 min 70/6 dias 65/6 dias 53/0 min 52/30 min 55/5 – 10 min 44.. oryzae Xanthomonas campestris pv.26 Tabela 1. malvacearum Pseudomonas fuscovaginae Pseudomonas glumae Arroz Xanthomonas campestris pv. 2009 . atroseptica e subsp. (1992) Mendes et al. Informativo ABRATES vol. Verma et al.. carotovora Xanthomonas campestris pv.. (1992) Machado (1988) Fonte Moffett & Wood (1979) Singh & Verma (1973) apud Grondeau & Samson (1994). carotovora Erwinia carotovora subsp. nº. (1978) Zeigler & Alvarez (1987) Zeigler & Alvarez (1989) Sinha & Nene (1976) apud Grondeau & Samson (1994) Shekhawat & Srivastava (1971) Mackay & Shipton (1983) Wale & Robinson (1986) apud Grondeau & Samson (1994) Schaad. translucens Erwinia carotovora subsp.

(1989) Rao & Durgapal (1967). sesami Xanthomonas campestris pv. carotae Tratamento Água quente Calor seco Cevada Xanthomonas campestris pv.. vignicola Xanthomonas campestris pv. nº.. Tamitti & Garibaldi (1984) apud Grondeau & Samson (1994) Tamietti (1982). (1982) Keck et al. campestris Pseudomonas syringae pv.19. campestris Erwinia amylovora Água quente Água quente Água quente 60/20 min 60/23 a 32 h 50/30 min 52/10 min 50/25 – 30 min 50/30 min 38/ 5 dias continua. (1982) Shekhawat et al. Tamitti & Garibaldi (1984) apud Grondeau & Samson (1994) Naumann & Karl (1988) apud Grondeau & Samson (1994) Severin (1971) apud Grondeau & Samson (1994) Koleva (1984) apud Grondeau & Samson (1994) Jindal et al. continuação. 2009 . campestris Xanthomonas campestris pv. (1990) Shekhawat et al. pisi Ar seco Ar seco Couve de Bruxelas Couve-flor Ervilha Água quente Água quente Ar seco Embebidas Armazenar Água quente Pseudomonas syringae pv. (1969) Machado (1988) Shekhawat et al. (1989) apud Grondeau & Samson (1994) Fourest et al. Durgapal et al. Cultura Cenoura Patógeno (Fungos) Xanthomonas campestris pv. phaseolicola Feijão Ar seco 50/72 h ou 60/24h Temperatura (ºC)/Tempo 52/20 min 52/10 min 72/4-7 dias 84/ 11 dias 72/4 dias 50/25 min 50/30 min 65/72 h 55/15 min 50/ 3 dias 50/45 a 60 min Fonte Machado (1988) Ark & Gadener (1944) Fourest et al..3. (1982) Grondeau et al (1992) Grondeau et al (1992) Leben & Sleesman (1981) Tamietti (1982). Informativo ABRATES vol. phaseoli Ar seco Feijão miúdo Gergelim Repolho Macieira (Sementes) Xanthomonas campestris pv.. translucens Xanthomonas campestris pv.27 Tabela 1. (1990) apud Grondeau & Samson (1994) Ar quente 70/2 h Água quente Xanthomonas campestris pv. (1990) Sands et al.

(1978) Machado (1988) Silva ect al. (1973) Shoemaker & Echandi (1976) Marinescu (1975) apud Grondeau & Samson (1994) Devash et al.3. (2000) Kaiser (1980) Duriat (1989) apud Grondeau & Samson (1994) Gama (1988) Água quente Pseudomonas syringae pv. 2009 .19.6% HCl/30 a 45 min + 66/3h 56/ 30 min 53/ 1 h 80/ 1 h 48/60 min Água quente Soja Tabaco Pseudomonas syringae pv..28 Tabela 1.. (2004) Jurchak et al.. lachrymans 53/60 min Pepino Calor seco 85/60 min Ar seco 70/3 dias 52/10 min ou 54/5 min 50/3 dias 50/ 12 min 50/25 min 70/96 horas 56/30 min 54/40 min 0. Cultura Patógeno (Fungos) Tratamento Água quente Temperatura (ºC)/Tempo 50/30 min Fonte Marras na Corda (1974) apud Grondeau & Samson (1994) Tanase (1975) apud Grondeau & Samson (1994) Tanase (1975) apud Grondeau & Samson (1994) Umekawa & Watenabe (1978) apud Grondeau & Samson (1994) Umekawa & Watenabe (1978) apud Grondeau & Samson (1994) Leben & Sleesman (1981) Mc Intyre et al. tomato Videira (Mudas) Cultura Alho (Bulbos) Batata Agrobacterium tumefaciens biovar 3 Patógeno (Vírus) Vírus do alho AMV. (1979) apud Grondeau & Samson (1994) Burr et al. continuação. TBRV PLRV Água quente Água quente Tratamento Calor seco Ar quente Calor seco 50/ 20 min Temperatura (ºC)/Tempo 37/35 dias 37/3 a 6 semanas 36/40 dias Manter plantas 24 a 40 dias por 30 a 37º Batata-doce Viroses da batata-doce Calor seco continua. nº. glycines Erwinia carotovora subsp. (2002) Carmo et al. PLRV. Informativo ABRATES vol. carotovora Xanthomonas campestris pv. vesicatoria Armazenar Água quente Água quente Calor seco Água quente Ar seco Tomate Clavibacter michiganensis subsp. michiganensis Água quente Água quente Ar seco Pseudomonas syringae pv.. (1989) apud Grondeau & Samson (1994) Fonte Torres et al. (1983) Bryan (1930) Thyr et al.

Rotação de culturas é não cultivar a mesma espécie vegetal na mesma área onde estejam presentes seus restos culturais (Reis et al. Esse procedimento deve ser usado permanentemente na produção da semente-fundação. Multiplicação da semente em região com clima desfavorável ao desenvolvimento da doença Sementes portadoras de patógenos sempre produzirão plântulas e lavouras doentes A multiplicação da semente-fundação da primeira fase.3. Nessa condição o solo também deve ser esterilizado.. Para reduzir a probabilidade de riscos de contaminação sempre a produção de sementes de espécies anuais deve ser feita observando-se a rotação de culturas. Deve-se impedir que o material de propagação vegetal contenha inóculo. Em geral. continuação. sem molhamento. Talvez nessa condição climática não seja necessário Informativo ABRATES o uso de fungicidas em órgãos aéreos. se comprovada a sua eficiência. como pivô central. A rotação de culturas contribui. dissemine-se com ele. A presença do resto cultural indica a presença do necrotrófico na área de cultivo. de modo a evitar que vol. Os necrotróficos de órgãos aéreos sobrevivem nas sementes e mudas. de onde saíram. Aplicação de fungicidas nos órgãos aéreos da área produtora de sementes Deve-se controlar a doença em órgãos aéreos (cultivos feitos no campo). Merece ser discutido o caso da produção de sementes de milho híbrido. Essa técnica deveria ser testada e. Cultura Cerejeira Pessegueiro Videira Vírus enrolamento foliar Alfafa Beterraba Bulbilhos de alho Dytilenchus dipsaci Heterodera schachtii Ditylenchus dipsaci Água quente Calor seco Água quente + 0. 2004). (1962). transmitem-se aos órgãos aéreos com alta eficiência. utilizada na limpeza de sementes de outras espécies vegetais. as companhias produtoras de semente híbrida lançam mão de contratos com agricultores que tem irrigação. e com umidade relativa do ar sempre < 80%.5/2 semanas 37..5/3 semanas 35-38/2-3 meses Fonte Nyland & Goheen (1969) Nyland & Goheen (1969) Galzy (1960) apud Dal Conte & Haas (1986) Galzy (1960) apud Dal Conte & Haas (1986) Machado (1988) Machado (1988) Lear & Johnson. com fungicidas. como o vale do rio São Francisco. desenvolvem a doença nos órgãos aéreos e voltam a infectar as sementes e mudas. evitando-se a transmissão.. 1993). não se deve repetir o cultivo da mesma espécie vegetal na mesma área sobre os seus restos culturais. a doença e a infecção de inflorescências. 2009 .29 Tabela 1. infrutescências e sementes (Jarvis. em escala maior. deveria ser feita em região de clima desértico. sementes de qualquer espécie vegetal não deveriam ser produzidas a céu aberto! Através de legislação própria não se deveria permitir a produção de sementes a céu aberto com chuva natural. Jaehn (1995) O tratamento pela imersão de sementes numa solução de tiram a quente é tão eficiente que tem sido utilizado como padrão na Inglaterra para o tratamento de sementes de aipo e de beterraba (Maude. 1970). em casa-de-vegetação. mas principalmente na multiplicação a céu aberto.1% detergente 35-38/2-3 meses 48-49/15 min 65-70/5-10 min Pré-imersão 30 + 50/20 min Patógeno (Fungos) Ringspt virus Ringspot virus Vírus dos entrenós curtos Tratamento Temperatura (ºC)/Tempo 37. por vários anos o que leva a produção em monocultura e plantio direto. Nessa situação é máxima a quantidade de doença nos órgãos aéreos e conseqüentemente na semente colhida. A termoterapia é a medida de controle mais eficiente para erradicar fitopatógenos presentes em sementes Outra possibilidade é cultivar a espécie vegetal para a limpeza da semente-fundação.19. nº. pois sem molhamento dos órgãos aéreos não ocorrem ciclos secundário de parasitas necrotróficos. caso não tenha sido produzida em recipientes com substrato. Por isso. com irrigação por sulco (nunca por aspersão que levaria ao desenvolvimento da doença). Rotação de culturas Mesmo numa casa-de-vegetação. portanto para reduzir a incidência na semente produzida.5% formalina e 0.

fungos. Maude. 4. bactérias. serve de exemplo para ser seguido na produção de mudas de toda e qualquer espécie vegetal ( www. principalmente de sementes. Isso.19. A termoterapia. Essa semente pode receber o certificado de “Semente Livre de Fitopatógenos”. emitir um certificado de sanidade. por exemplo vírus. para certificar se a semente produzida esta livre de patógeno. As mudas assim produzidas receberiam um certificado de “Muda Livre de Doenças”. kiwi. como por exemplo estufas com controle da umidade relativa < 80%.com.2 Estacas As principais espécies vegetais multiplicadas por estacas são: couve. Isso. pessegueiro. vírus. Este material deveria ser submetido à termoterapia.. em alguns casos. bactérias e fungos.4 Mudas As espécies vegetais multiplicadas ou propagadas por mudas enxertadas. Porém chama-se a atenção para o fato de que. o enxerto. Há uma grande demanda por pesquisa para todas as espécies vegetais a fim de se selecionar fungicidas. 1983). Análise sanitária da semente A sanidade da semente assim produzida deve ser monitorada.3 Gemas Poucas são as espécies vegetais multiplicadas por gemas. 1969. no entanto é uma tarefa muito difícil. 1988). Tratamento da semente produzida com fungicidas As sementes produzidas pelos métodos acima deveriam ser submetidas a um complemento que é o tratamento com fungicidas e doses eficientes que levasse a erradicação (controle de 100%) dos fitopatógenos a elas associadas. nº. 1994. videira. Com a obtenção da erradicação o impacto desta proposta seriam sentidos nos campos comerciais. por exemplo. para as culturas para as quais esta estratégia esta disponível (Reis e Carmona. Durante o processo de enxertia. técnica que apresenta potencial para erradicar fungos. citros. Uma boa tática consiste em utilizar como critério indicador do momento e do intervalo das aplicações de fungicidas o limiar de dano econômico (LDE). caqui. não se separam do hospedeiro. Serve de exemplo os citros onde técnicas para a produção de gemas livres de fitopatógenos à partir de matrizes livres de vírus estão disponíveis. por isso. Grandeau & Informativo ABRATES vol. A eficiência do controle pode ser melhorada pela imersão das sementes na suspensão fungicida à quente (Maude. não ocorre à transmissão mas sim uma continuidade do processo infeccioso. se caracteriza pela condução em “viveiros” a céu aberto e localizados próximos a pomares comerciais ou de matrizes (fontes de inóculo primário). 1983. de veículos de cobertura e de máquinas de tratamento de sementes que garantam a erradicação. 2001). o material fundação deveria rotineiramente passar por esse processo (Nyland & Goheen. a obtenção da erradicação é um desfio difícil de ser vencido (Reis & Casa. A termoterapia tem sido o método mais eficiente para a erradicação de bactérias em sementes (Grondeau & Sanson. O porta-enxerto. na maioria dos casos. quanto menor a incidência de um fungo fitopatogênico em sementes maior é a eficiência do controle do tratamento com os fungicidas atualmente disponíveis. Fourest et al. em cada geração. ou a gema podem estar infectados. doses. altamente sensível. O processo de produção de mudas cítricas no estado de São Paulo. 1994). tem sido eficiente num grande número de espécies (Tabela 1). são: ameixeira. bactérias e vírus (Tabela 1). se for o caso.br). ou a muda em formação estar sujeita ao inóculo vindo do pomar próximo (matrizes). figueira. Nos casos em que já estão estabelecidos metodologias que permitam a “limpeza” desse material por termoterapia. Todas as fases da produção de mudas. pois os produtores ainda não dispõem de fungicidas suficientemente potentes. 4. nematóides e etc. por método ou meio semiseletivo. deveriam ser conduzidas dentro de um ambiente sem molhamento e na ausência de vetores como em uma casa-de-vegetação telada propiciando um ambiente desfavorável às doenças. marmeleiro. em cereais de inverno. talvez. Emissão do certificado de sementes livres (limpas) No caso da análise sanitária indicar a inexistência de fitopatógenos. Por outro lado. inclusive o cultivo das plantas matrizes. veículos e melhoria dos equipamentos de tratamento para que a erradicação seja garantida. 2009 . e etc. Termoterapia de mudas Como é raro material vegetal sem doenças. A produção de mudas hoje. pereira.3. a limpeza das matrizes também devam ser mediante a termoterapia.30 as doenças do Grupo Va de MacNew (1960) atinjam as infrutescências. Para detalhes de uma casa-de-vegetação própria para esta finalidade sugere-se consultar Roistacher (1998).fundecitrus. e fungicidas e doses eficientes. macieira. 4. videira.

(2003) visando à eliminação de fitopatógenos. Nesse caso a infecção por vírus assume papel determinante da qualidade do material propagativo. 4. Para a limpeza de bulbos de alho da presença de nematóides (Ditylenchus dipsaci) pode ser empregada a termoterapia em solução de formol a 1% (Johnson & Lear.9 Tubérculos Na produção de tubérculos. Embora a termoterapia de mudas refira-se principalmente ao controle de vírus. nº. 2000. Coopersucar.. 2009 . al. aquecida a 38 oC. Termoterapia Um protocolo pode ser seguido para a limpeza dos bulbilhos fundação.6 Bulbos Bulbos são utilizados na propagação vegetativa de alho. Provavelmente essa técnica tenha potencial para limpar o material de fungos e de vírus. Nesse procedimento não se devem utilizar bulbilhos em estado avançado de quebra de dormência. Imergir os bulbilhos previamente por 30 minutos na solução de formalina a 1% + 0.). em água quente a 52oC por 30 minutos. Nesse protocolo a indexação foi feita por ISM (Torres et al. Posteriormente. seguindo-se o tratamento por 20 minutos a 48oC na mesma solução. logicamente que oferece potencial para a eliminação de bactérias e de fungos. de batatinha. 1965). de videira (Baptista et al. 1994). a técnica de cultura de ápice caulinar tem sido empregada na obtenção de plantas de alho livres de vírus (Verbeek et al. O processo consiste em expor a planta em vasos. mudas de morangueiro. cebola. 1995). Uma técnica eficiente na eliminação de vírus de mudas tem sido a termoterapia. A maior eficiência do controle foi obtida pelo tratamento térmico do material. Em geral. Uma vez limpo. agente causal do raquitismo da soqueira da cana-de-açúcar. gladíolos. Serve de exemplo a bactéria Clavibacter xyli subesp. Uma descrição detalhada do processo de produção de batata-semente pré-básica pela cultura de tecidos é apresentada por Fortes et. Deve-se procurar obter. as bacterioses são as doenças de controle mais difícil. Cultura de tecidos Uma das tecnologias mais eficientes na limpeza do material de propagação vegetativa é a cultura de tecidos. 4. com temperatura controlada de 36 – 38 oC durante um período de 60 dias e sob fotoperíodo de 12 – 16 horas. que o material vegetal deveria ser chamado “planta testada para vírus” em vez de “planta livre de vírus”. Por isso. O controle desse fitoparasita é baseado na termoterapia de toletes ou gemas isoladas (Coopersucar. bactérias.31 Sanson.8 Manivas ou toletes Termoterapia As culturas multiplicadas por esse processo são principalmente a cana-de-açúcar e mandioca. Na primeira fase os ápices caulinares do alho são submetidos à termoterapia a 37 oC por 35 dias.7 Rizomas Protocolos apropriados para a produção de rizomas livre de doenças também devem ser desenvolvidas e utilizadas na propagação das espécies vegetais que se multiplicam por esse processo. 1993). Quanto maior for à diferença entre a sensibilidade térmica do hospedeiro de do patógeno. maiores serão as probabilidades de sucesso do tratamento. a partir desse material são obtidas plantas livres de vírus pela cultura de tecidos. Cultura de tecidos À semelhança de outras culturas de propagação vegetativa. deveria ser obtida por esse processo. resultado em reduções no rendimento das culturas. xyli.. 1989). (2000) sugerem. são posteriormente multiplicados por enxertia ou por enraizamento dos ápices caulinares dos brotos emitidos durante o tratamento térmico (Kuniyuki & Betti. Fajardo et al. Serve de exemplos a produção de minitubérculos de batateira.. Essa técnica tem potencial para limpara os bulbilhos de fungos. Informativo ABRATES vol. Toda e qualquer espécie vegetal aonde a técnica de micropropagação fosse possível.3. 1987).1% de detergente. manter e comercializar material de propagação vegetal livre de doenças 4.19. 1985. A termoterapia tem como princípio básico o fato de que o patógeno é eliminado pelo tratamento em determinadas relações tempo-temperatura as quais produzem poucos efeitos deletérios ao material vegetal. Plantar logo a seguir. O material limpo por esse procedimento deve ser multiplicado em casa-de-vegetação telada par evitar a reinfecção pelas viroses via vetores. Serve de exemplo a limpeza de mudas de videira mediante esta técnica. 4. no caso do alho. numa câmara. nematóides além dos vírus citados. por exemplo. A produção de material de propagação vegetativa livre de fitopatógenos é uma tarefa muito difícil.

Este tema deveria receber mais atenção.A. Referências • • AGRIOS. C. K.F. Mesmo assim. mediante as sugestões aqui propostas. O uso de fungicidas em órgãos aéreos deve ser empregado como uma medida complementar e não como a única e final.A. Phytopathology.11. por exemplo. deveria haver uma exigência legal para • • • • • • • • que a produção de qualquer material de propagação vegetal fosse. parece o fitopatologista preocupa-se apenas com as áreas de cultivo comerciais e não com a produção do material de propagação vegetal que as origina. grupando-as por semelhança. al. termoterapia. Obtenção de clones livres de vírus de sete variedades vol.R. A agricultura brasileira seria muito grata com a publicação de um “Manual de limpeza de material de propagação vegetal” para todas as culturas. Carrot bacterial as it affects the roots. Y.19.59-73. P. A proposta tem como alvo o olericultor comercial ou aquele que produz sementes e mudas. BASHAN. 1969. M. crescimento e senescência deveria ser alvo do controle de doenças como aqui proposto. na eliminação do inóculo de sua fonte primária bem discutida no início do capítulo.. 1997. Deve-se ponderar: Quais as leis sobre este tema? O que está normatizado? Quem fiscaliza? O que deveria ser exigido? Ou o mais importante. toda e qualquer semente de grande lavoura ser produzida em local com clima desértico.32 livres de fitopatógenos tem sido utilizada principalmente a cultura de tecidos (Fortes et. 2009 • • • • Informativo ABRATES .3. p. o fruticultor comercial ou o viveirista produtor de mudas. nº. (2003) e multiplicados em casa-de-vegetação.W. Phytopathology. porém poucos têm sido utilizados (Tabela 1).N. Todo o ciclo de vida da planta. Para os patossistemas para os quais ainda não estão disponíveis métodos que levem a erradicação ou limpeza. I. San Diego: Academic Press. Simplificar o serviço quarentenário ao submeter todo e qualquer material importado ao processo de erradicação.416-420. MULLER. acompanhar todas as fases com análise sanitária sensível e o material comercializado acompanhado de um certificado “Semente livre de patógenos”. devem ser acompanhadas de atestado de “Semente livre de patógenos”. ou se possível.52. Hort. estímulo à pesquisa através de maior volume de verbas. Embalagens atrativas de sementes não devem seduzir ao consumidor. BAKER.1244-1255. 1983. G. J. uso correto da irrigação e da cultura de tecidos. Considerações finais • A proposta aqui apresentada enfatiza o manejo integrado de doenças envolvendo as seguintes táticas: legislação fitossanitária.. aplicação de fungicidas em órgãos aéreos. As táticas devem chegar ao produtor independente do tamanho da área cultivada até as grandes empresas. p.F.187-193. v.9. A estratégia apresentada fundamenta-se na redução. Complementary bacterial enrichment technique for detection of Pseudomonas syringae pv.. v. se deveria desenvolvê-los. 635p. tomato and Xanthomonas campestris pv vesicatoria in infested tomato and pepper seeds. v. p. evasão. Res.34. 4a Ed. BETTI. ARK.. Nesse sentido não interessa a espécie vegetal explorada (todas podem ser incluídas) e o tipo de propagação. desde seu estabelecimento. Thermotherapy of planting material. 1944. BAPTISTA. tem sido cumprido? Pelo exposto. v. KUNIYUKI. o produtor de culturas de lavoura e ao produtor de sementes. p. controle ambiental. BAKER. K. Entre os benefícios para os produtores comerciais pode-se destacar menor intensidade de doença nas áreas de cultivo comerciais. Estes princípios são aplicáveis a qualquer atividade agrícola envolvendo o cultivo de plantas não estando limitada ao tamanho da propriedade ou a espécie vegetal. GARDNER. tratamento de sementes com fungicidas.W. G. & ASSOULINE. 1962. se já existe por que não é cumprida? A literatura fornece metodologia desenvolvida e eficiente para erradicar muitos dos patógenos de patossistemas aqui apresentados. Aerated-steam treatment of seed for disease control. treinamentos e difusão. Phytoparasitica. Plant pathology. menos custo de controle tornando sa atividade agrícola mais sustentável.

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