Análise de Texto: A FAMÍLIA SAUDÁVEL E A PATOLOGIA NORMAL1 No trabalho com famílias, é difícil determinar o que é saudável e o que não

é, assim como, diferenciar uma família que funciona "normal" e outra imersa na "patologia". Isso se deve pela falta de um padrão de comparação plenamente aceito, pois cada família, em cada cultura, em cada segmento dentro dessa cultura, em cada época traz algo qua a particulariza. Mesmo o terapeuta tendo suporte de sua história e treinamento profissional, o referencial aplicado no processo terapêutico reflete suas perspectivas pessoais, preconceitos e distorções, vendo o cliente somente através de sua própria experiência. Essa limitação do terapeuta que também possui sua história o impossibilita de ser totalmente objetivo e por conta de seus conceitos e preconceitos está sujeito, se não cuidar, de se envolver e favorecer uma ou outra opinião, prejudicando o atendimento. A vida familiar - Uma família saudável é dinâmica e não estática, está evoluindo e mudando, num processo sempre em movimento. Numa família existem regras, políticas e padrões. As regras são encobertas, desarticuladas, não conscientes, mas são potentes. Descobrir essas regras e respeitá-las se torna um desafio ao terapeuta, mas é indispensável para a compreensão e sua tarefa de ajudar. Em famílias sadias, as regras são guias a serviço do crescimento. Em famílias patológicas, as regras são usadas para inibir a mudança e manter o status quo. Na estrutura de famílias em bom funcionamento são claras as separações de gerações, e a liberdade para reconhecer e incorporar a unidade familiar trigeracional ou tetrageracional. A família saudável pode viver numa estrutura "como se", e seus membros são livres para trocar de papéis e funções com segurança. Também pode viver com

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As citações em itálico são da resenha do Livro: Dançando com a família de Carl A. Whitaker e William M. Bumberry ed.

Artes Médicas, 1990, pela Psicóloga Solange Maria Rosset no Curso de Formação em Terapia Relacional Sistêmica http://www.srosset.com.br/resenhas/dancando_com_a_familia.html

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triângulos cambiantes e coalizões flutuantes, sem sentirem insegurança e ciúme. O agrupamento é volitivo e escolhido. E escolhem-se bodes expiatórios rotativos. Na família saudável, não há um membro identificado que somente sobre ele recai os problemas e estress da família. Todos são problemáticos e todos são saudáveis, num ciclo continuun de troca de papéis. A família saudável, também tem a capacidade de usar as crises para provocar crescimento e considerar o conflito como fertilizador da vida, além do espaço para o sentimento de amor e para o transtorno do ódio. É um organismo aberto e não fechado. As crises são oportunidades de crescimento e geradoras de soluções ao despertar no grupo a vontade de superação envolvendo a uniãos de todos pelo bem comum e particular. Casamento - Um casamento saudável é a mistura de duas culturas estrangeiras. Um casal novo precisa diferenciar-se de suas famílias de origem, preservando somente os aspectos de cada uma que lhes sejam interessantes. Nos casamentos saudáveis são experienciados vários divórcios emocionais durante o tempo de convivência. A qualidade de um casamento está na questão de saber lidar com as diferenças, principalmente quando são vistas como oportunidades para crescer. Aqueles que imaginam que o casamento é a fusão das naturezas emocionais, culturais, está equivocado. A convivência sadia e harmoniosa está na tolerância e no respeito às diferenças desde que elas não se constituam em uma bandeira individual. A minha liberdade termina onde começa a de meu cônjuge e viceversa. Paternidade - A qualidade da relação marido-mulher é crucial na mudança para se tornar pai e mãe. O laço afetivo dos pais é de primordial importância para a criança. Por exemplo, o sentimento de segurança ou de pânico da criança é reflexo da ligação emocional entre os pais e da relação dessa criança com o relacionamento dos pais. A incapacidade do casal em estabelecer um

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relacionamento antes de tornarem-se pais, propicia a infidelidade emocional e triangulações transgeracionais. É de suma importância a maturidade emocional diante dos filhos, mas não com falsidade e engano, pois a criança sabe perceber se está havendo harmonia ou intriga onde ela sairá prejudicada. A verdade emocional no exercício do perdão, do carinho, do respeito e do humor são fundamentais para a criança se sentir segura e confiante na relação de seus pais como relação que busca o amor e a harmonia.

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