You are on page 1of 4

CONSUMIDOR

CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR


DEFEITO DO SERVIÇO
AGRESSÃO DE SEGURANÇA DE SUPERMERCADO CONTRA
MARIDO DA CLIENTE
LEGITIMIDADE DA ESPOSA PARA PLEITEAR
INDENIZAÇÃO
– Responde o supermercado, na forma do artigo 14, da Lei 8.078/90,
por defeito do serviço ao se confirmar que o segurança do pátio do
estacionamento agride, de forma violenta, marido da cliente que saía
do local com as compras, sem que a ação iure proprio, ajuizada pela
vítima das lesões corporais, interfira no direito de a esposa pleitear
danos morais pelos efeitos nocivos da cena violenta que presencia,
equiparável aos efeitos de uma injúria real – artigo 140, § 2º, do CP –
Hipótese de legitimidade por danos indiretos. (TJ-SP – Ap. Cív.
549.415.4/2 – Rel. Des. Ênio Santarelli Zuliani – Julg. em 16-4-2009)

INTERNET
PROVEDOR DE HOSPEDAGEM
ELIMINAÇÃO DE IMAGENS DE MENOR NUA
RESPONSABILIDADE
– Provedor de hospedagem deve ser exigido para controlar o
conteúdo das mensagens lançadas na rede pelos seus clientes,
cuidando para eliminar as imagens de menor impúbere nua que
foram criminosamente espalhadas, apa-gando os comentários
maldosos e ofensivos que foram inseridos como comentários sobre as
imagens. Tutela mantida, com pena diária para sancionar a falha
desse quesito de segurança que se insere no dever de preservar
direitos
de personalidade de terceiros atingidos pelos serviços, sob pena de
responsabilidade – artigo 14, da Lei 8.078/90. (TJ-SP – Ap. Cív.
544.170-4/7 – Rel. Des. Ênio Santarelli Zuliani – Julg. em 16-4-2009)

PROCESSO PENAL

COMPETÊNCIA
LESÕES CORPORAIS DECORRENTES DE ACIDENTE DO
TRABALHO
INEXISTÊNCIA DE CRIME CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO
TRABALHO
– A questão de direito tratada nestes autos diz respeito à alegada
violação do artigo 109, IV e VI, da Constituição Federal. Cuida-se de
possível malferimento da regra constitucional referente à
competência da Justiça Federal. Da leitura da peça acusatória,
verifica-se que não há interesse direto e específico da União capaz de
atrair a competência do julgamento da ação penal para a Justiça
Federal. O fato, por si só, da lesão corporal descrita na denúncia ser
decorrente de acidente de trabalho não é suficiente para transferir
para a Justiça Federal o processamento e julgamento da ação penal.
Não se pode considerar o delito descrito na denúncia como sendo
crime contra a organização do trabalho, visto que esta espécie
delitiva somente se configura quando há ofensa ao sistema de órgãos
e instituições destinados a preservar coletivamente o trabalho. (STF –
RE 588.332-9-SP – Relª Minª Ellen Gracie – Publ. em 24-4-2009)

CRIME CONTRA A ORDEM


TRIBUTÁRIA
PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
– O pagamento integral dos débitos tributários, ainda que posterior ao
recebimento da denúncia ou da sentença condenatória não transitada
em julgado, extingue a punibilidade dos crimes tipificados nos artigos
1º e 2º, da Lei nº 8.137/90, por força do artigo 9º, § 2º, da Lei nº
10.684/2003, de eficácia retroativa por força do artigo 5º, inciso XL,
da Constituição Federal. Ordem concedida. denegação da ordem.
Ordem denegada. (STJ – HC 103.257-SP – Rel. Min. Napoleão Nunes
Maia Filho – Publ. em 11-5-2009)

HABEAS CORPUS
ORDEM DE PRISÃO PROVENIENTE DE JUÍZO CÍVEL
DESOBEDIÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL
ILEGALIDADE
– É entendimento assente no Superior Tribunal de Justiça que decreto
de prisão decorrente de decisão de magistrado no exercício da
jurisdição cível, quando Não se tratar das hipóteses de devedor de
alimentos, é ilegal. Habeas Corpus concedido. (STJ – HC 125.042-RS –
Rel. Min. João Otávio de Noronha – Publ. em 23-3-2009)

TRABALHO

ACORDO JUDICIAL
INDEFERIMENTO DE HOMOLOGAÇÃO
AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE OU ABUSO DE PODER
– Na conformidade dos artigos 652, 764 e § 1º, 846 e 850 da CLT,
indicados pelo recorrente, os processos submetidos à apreciação da
Justiça do Trabalho estão sempre sujeitos à conciliação, sendo lícito às
partes celebrar acordo e ao juiz propor solução conciliatória dos
conflitos. Desses dispositivos não se infere, contudo, a
obrigatoriedade de o juiz homologar acordo celebrado entre as
partes, podendo não fazê-lo, por cautela. É o que se constata do ato
impugnado, em que a autoridade registrou ser necessária prévia
intervenção do Ministério Público na qualidade de custos legis, porque
a matéria versada nos autos refere-se às condições do ambiente de
trabalho. Diante do fundamento da decisão e não consistindo a
homologação de acordo em obrigação do julgador, resta afastado o
alegado direito líquido e certo a ser protegido nesta ação. Nesse
sentido, aliás, é a Súmula nº 418 desta Corte, segundo a qual, “A
concessão de liminar ou a homologação de acordo constituem
faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo tutelável pela via
do mandado de segurança”. (TST – ROAG 700/2008-000-15-40-2 –
Rel. Min. Barros Levenhagen – Publ. em 3-4-2009)

RESCISÃO DO CONTRATO DE
TRABALHO
JUSTA CAUSA
IMPROBIDADE
ADULTERAÇÃO DE DOCUMENTO
– A falta grave que autoriza a rescisão contratual (improbidade) por
justa causa constitui ônus da reclamada, nos termos do artigo 818 da
CLT conjugado com o artigo 333, II do CPC, do qual se desincumbiu
com sucesso. O contrato de locação impugnado pela reclamada, sob a
alegação de adulteração, restou anexado. Observa-se que a
adulteração do documento é visível. A simples impugnação por parte
da reclamante em nada altera o deslinde da questão, pois, como dito
acima, não houve prova sólida que justificasse outro caminho a ser
trilhado. Ademais, o fato ainda restou corroborado pela prova oral.
Mantida a r. sentença. (TRT-9ª R. – RO 15113-2006-004-09-00-0 – Rel.
Des. Sergio Murilo Rodrigues Lemos – Publ. Em 24-4-2009)

PRESCRIÇÃO
CONTRATO DE TRABALHO SUSPENSO
LICENÇA PARA TRATAMENTO DE SAÚDE
INTERRUPÇÃO DO PRAZO INOCORRENTE
–Asuspensão do contrato de trabalho por motivo de licença para
tratamento de saúde não acarreta a suspensão da contagem do prazo
prescricional, por não haver previsão legal nesse sentido. Recurso de
revista conhecido e não provido.
(TST – RR 55/2003-050-15-00-5 – Relª Minª Kátia Magalhães Arruda –
Publ. em 30-4-2009)

CONSUMIDOR E ADMINISTRATIVO

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO


QUEDA DE PEDESTRE EM BURACO
ABERTO EM VIA PÚBLICA
INEXISTÊNCIA DE SINALIZAÇÃO ADEQUADA
DEVER DE INDENIZAR
– Merece ser indenizado o autor que cai em buraco, existente em via
pública, não sinalizado e coberto com madeiramento de pouca
resistência. Deveras caracterizada a falta do serviço, decorrente da
inexistência de sinalização, o Município, o Estado ou a União,
conforme a circunscrição, responde pelos prejuízos sofridos pela
vítima, só se eximindo se configurada a culpa exclusiva do particular.
O Município que, por omissão de cuidado com a manutenção e a
conservação, permite a ocorrência de evento danoso, por deixar
buraco de esgoto aberto sem qualquer sinalização de advertência, no
leito da calçada de passeio sob sua responsabilidade, deve responder
civilmente pelos danos sofridos por pedestre que, desavisado, cai no
bueiro e sofre lesões corporais, especialmente se não comprovada a
culpa da vítima. (TJ-SC – Ap. Cív. 2008.047951-5 – Rel. Des. Vanderlei
Romer – Publ. em 20-4-2009)

TRÂNSITO
RETENÇÃO DO VEÍCULO POR FORÇA DE
MEDIDA ADMINISTRATIVA
EXIGÊNCIA DO PAGAMENTO DA MULTA PARA
RESTITUIÇÃO
– Na aplicação de sanções administrativas o Código de Trânsito
Brasileiro, Lei 9.503/97 tem ensejado controvérsias, merecendo
sistematização a partir da jurisprudência do STJ; a) nos termos da
Súmula 127/STJ, não é lícito condicionar a renovação de licença de
veículo ao pagamento de multa, antes da notificação; b) também não
é lícito a retenção do veículo como forma de coagir o proprietário a
pagar a pena de multa; c) diferente é a hipótese de apreensão do
veículo, como modalidade autônoma de sanção, contemplada no
artigo 262 caput e parágrafos do CTB, em que a retenção do veículo
pode prolongar-se até que sejam quitadas as multas e demais
despesas decorrentes da respectiva
estada no depósito – precedentes de ambas as turmas. Recurso
especial provido. (STJ – REsp. 1.088.532-RS – Relª Minª Eliana Calmon
– Publ. em
16-4-2009)