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GEONOMOS 8 (1): 47-54

DEPÓSITOS DE ALEXANDRITA DE MALACACHETA, MINAS GERAIS*

Márcio Silva Basílio1,2, Antônio Carlos Pedrosa-Soares3; Hanna Jordt-Evangelista1
ABSTRACT
Since 1975, alexandrite [Be(Al2-xCrx)2O4], the chromium-bearing crysoberyl variety, has been exploited from alluvial and paleo-alluvial deposits in the Malacacheta region. The alluvial deposits consist of resedimented gravel along the present drainage streams. The paleo-alluvial deposits are richer in alexandrite, and show well-developed soil horizons covering the alexandrite-bearing gravel layer. Alexandrite grains show angular shapes with very sharp edges, suggesting transport for short distances. The country rocks are quartz-mica schist and peraluminous mica schist (Salinas Formation), covered by alternating mica schist and quartzite layers (Capelinha Formation). Both formations are of Neoproterozoic age. They host tectonic slabs of metaultramafic rocks, and are cut by intrusive granites of Cambrian age. No alexandrite-bearing rock has been found in the area, probably due to the intense tropical weathering. However, some of the mapped rocks are sources for Be (granites), Cr (metaultramafics) and Al (peraluminous schists), the essential elements for alexandrite crystallization. We suggest a metasomatic system of Cambrian age for alexandrite genesis in the area, involving the interaction of granite-related Be-rich fluids with metaultramafic rocks and peraluminous schists.

INTRODUÇÃO Alexandrita, uma das mais raras e valiosas gemas do mundo, é a variedade cromífera do crisoberilo (BeAl2O4). O efeito alexandrita se manifesta pela mudança de cor, em função do tipo de iluminação, que passa de verde intenso, sob luz do sol, para violeta ou vermelho framboesa, sob luz incandescente(White et al. 1967). A substituição de parte do Al+3 por Cr +3 , representada na fórmula [Be(Al2-xCrx)2O4], é a causa do efeito alexandrita. O conteúdo de cromo substituindo o alumínio pode variar dentro de limites relativamente amplos (0,03% a 1,5%), sendo a presença do cromo o fator determinante da cor e da mudança de cor na alexandrita (Schmetzer et al. 1980, Gübelin e Schmetzer 1982, Pinheiro et al. 2000). No Brasil, a alexandrita é explorada principalmente em Minas Gerais, nas regiões de Itabira-Nova Era e Malacacheta-Setubinha, sendo também encontrada em pequenas ocorrências no Espírito Santo e Bahia (Cassedanne e Baptista 1984, Pinto e Pedrosa-Soares 2001). A descoberta de alexandrita em Malacacheta ocorreu em 1975, após a identificação de pequenas pedras verdes contidas no barro trazido do Córrego do Fogo (Fig. 1). Logo que estas gemas foram classificadas como alexandrita de alta qualidade, teve início um grande fluxo de garimpeiros que chegaram a totalizar 5000 homens acampados às margens do Córrego do Fogo e ribeirões Soturno e Setubinha. A atividade garimpeira na região teve seu pico entre os anos de 1975 e 1987. Durante aqueles 12 anos foram produzidos cerca de 2 kg de alexandrita de muito boa
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qualidade (Proctor 1988). Em 1985 foi descoberto um cristal pesando 14,6 g no Ribeirão Soturno que, depois de lapidado, gerou um cabochão de 18,5 ct, considerado uma das mais raras e finas alexandritas olho-de-gato do mundo. A partir de 1987, a produção declinou muito. Em 1998, cerca de 100 garimpeiros ainda trabalhavam nos aluviões, mas a produção era muito pequena, não superando poucos quilates de gema de boa qualidade por ano. ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO O Distrito Gemológico de Malacacheta localiza-se à cerca de 30 km ao norte da cidade homônima. O intenso intemperismo tropical transformou as rochas da área em extensos e profundos solos lateríticos com exposições periódicas de saprólito. Quando ocorrem, as exposições de rochas frescas situam-se ao longo de drenagens, cortes de estrada e escarpas íngremes. O Distrito Gemológico de Malacacheta situa-se em terreno metamórfico de fácies anfibolito, intrudido por granitos, do domínio tectônico interno da Faixa Araçuaí (Pedrosa-Soares e Wiedemann-Leonardos 2000). As unidades estratigráficas da área estudada estão representadas na Figura 1. O embasamento, de idade arqueana a paleoproterozóica, retrabalhado no Ciclo Brasiliano, é constituído predominantemente por biotita gnaisse bandado do Complexo Guanhães (Pedrosa-Soares et al. 1994). Sobre ele repousam as unidades que ocupam a maior parte da área, denominadas formações Salinas e Capelinha (Pedrosa-Soares 1995, Guimarães e GrossiSad 1997, Voll e Pimenta 1997).

*Suporte financeiro de FAPEMIG, CNPq e CAPES Universidade Federal de Ouro Preto, Dep. de Geologia, Morro do Cruzeiro, Ouro Preto, MG. marcio.basilio@uol.com.br 2 Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Dep. de Química, Av. Amazonas 5253, Belo Horizonte, MG 3 Universidade Federal de Minas Gerais, IGC-CPMTC, Campus Pampulha, 31270-901 Belo Horizonte, MG

O micaxisto é rico em moscovita. a duas micas. grafita xisto e protoquartzito. vila rno otu S . Malacacheta Gemologic District (after Voll & Pimenta. Parte destes veios parece ter origem anatética e parte parece estar relacionada às intrusões graníticas. Espessos veios de diopsídio e quartzo. denominado Corpo Catulé (Fig. de granulação grossa. d R 0 2 4 6 8 10 17 º 50 ' km Localização da área 48 º W 42 º W Granito C órrego do Fogo (S uíte Man gabeiras) Formação Capelinha: micaxisto e quartzito 16 º S Corpo Catulé: rochas metaultram áficas 20 º S Formação Salinas: quartzo-m ica xisto e xisto peraluminoso C om plexo G uanhães: gnaisse Figura 1: Mapa geológico simplificado da área garimpeira do Córrego do Fogo-Setubinha. Um granito intrusivo ocupa a porção central da área (Fig. A Formação Capelinha consiste em uma sucessão basal de camadas alternadas de micaxisto. é constituído de tremolita-talco xisto com remanescentes de peridotito mostrando foliação milonítica. granada e sillimanita fibrosa. Os xistos são mais ricos em biotita que moscovita. Trata-se de granito homogêneo. coberta por espesso pacote de ortoquartzito. no Distrito Gemológico de Malacacheta (adaptado de Voll & Pimenta. MINAS GERAIS A Formação Salinas é composta predominantemente por quartzo-mica xisto granatífero e xisto peraluminoso rico em almandina e sillimanita fibrosa. Corpos de rochas metaultramáficas ocorrem tectonicamente alojados nestas formações. Figure 1: Simplified geologic map of the Córrego do Fogo-Setubinha area. O protoquartzito contém moscovita e/ou feldspato e/ou sillimanita. ocorrem associados a este corpo e foram garimpados para explotação dos belos cristais euédricos de diopsídio. 42 º 10 ' 41 º 50 ` 17 º 35 ' R io S etúbal Garim po de alexandrita Drenagem R Contato litológico ib . Veios quartzofeldspáticos com textura pegmatítica são comuns nas camadas ricas em moscovita. com intercalações de rochas cálcio-silicáticas. O maior deles. 1). Seixos e matacões de formações ferríferas bandadas (tipos óxido e silicato) e de ortoanfibolitos são frequentes nos terrenos desta formação. 1997). 1). . S o t u rn o Falh a de em purrão Cid ade. 1997). ib o Fogo C o r. na área estudada.48 DEPÓSITOS DE ALEXANDRITA DE MALACACHETA.

Soturno e Setubinha.. 1).C. para vermelho framboesa ou violeta sob luz incandescente. Cristais de rubelita ocorrem nos aluviões e provavelmente são oriundos dos pegmatitos. o Granito Córrego do Fogo pertence à Suíte G4. Inclusões de talco.BASÍLIO. e cor amarelo claro a escuro. Roof-pendants e xenólitos de rochas encaixantes são frequentes nos maciços graníticos. foram identificadas em grãos de alexandrita do Córrego do Fogo (Henn. Estes cursos escavaram seus canais na primeira superfície e. A família de zircões euédricos. A superfície erosiva mais recente é resultado do rebaixamento do nível de base local. enquanto berilo e schorlita podem ocorrer como acessórios. Há pegmatitos que são claramente derivados do Granito do Córrego do Fogo. A. As chapadas são suportadas por quartzito da Formação Capelinha ou xisto da Formação Salinas. Faces cristalinas preservadas praticamente inexistem. 1). forneceu a idade de 2585 ± 19 Ma. na forma de um mineral fibroso (actinolita?) e um mineral placóide hexagonal (biotita?). Os pegmatitos encontrados na área estudada são veios relativamente pequenos. Quartzo. O Ribeirão Setubinha recebe as águas do Córrego do Fogo (Fig. 2000). . DESCRIÇÃO DOS DEPÓSITOS Desde 1975 a alexandrita tem sido extraída apenas de depósitos aluvionares no Distrito de Malacacheta. em perfeita concordância com sua assinatura pós-colisional (Basílio 1999).2% (Basílio. verde intenso e verde amarelado.. a saber: depósitos em paleoalúvios. Zircões desta intrusão foram separados para datação pelo método Pb/Pb (evaporação) e agruparam-se em duas famílias. uma das suítes graníticas originadas durante o estágio de colapso orogênico póscolisional da Faixa Araçuaí (Pedrosa-Soares e Wiedemann-Leonardos. A presença do cromo. A família de zircões arredondados e corroídos. variando entre azul.. 1987). adquiriram meandros que foram realçados durante o segundo ciclo. Três superfícies erosivas foram identificadas na região de Malacacheta por Guimarães e Grossi-Sad (1997). Pinheiro et al. produzem água-marinha. sendo mais desenvolvidos nas cabeceiras do Córrego do Fogo e ao longo de todo o percurso dos ribeirões Santana e Soturno. forneceu a idade de 537 ± 8 Ma. Os depósitos paleoaluvionares estão presentes em grande parte da calha do Ribeirão Setubinha. mas raramente atinge alguns centímetros. Os atributos mineralógicos e geoquímicos evidenciam que o Granito Córrego do Fogo é do tipo S. PEDROSA-SOARES. em substituição a parte do alumínio. nos trechos onde este corre mais encaixado.3% a 1. Esta idade indica que fonte arqueana forneceu zircões para os metassedimentos que sofreram fusão parcial para gerar o granito. Nestes compartimentos do relevo foram identificados três tipos de depósitos secundários de alexandrita. persistindo em sua ação erosiva. está intimamente relacionada à característica mudança de cor. Regionalmente. feldspato potássico macropertítico e moscovita são seus minerais essenciais. H. assim como há veios que são anatéticos. depósitos em alúvios recentes e depósitos em tálus. 1999. 2000). Estas características evidenciam transporte por distâncias curtas. A ALEXANDRITA A alexandrita de Malacacheta apresenta-se como grãos milimétricos. de prisma longo. mas pode ocorrer nítido tricroísmo. Os grãos são angulosos e de arestas agudas. A segunda superfície tem altitudes em torno de 900 m e suas drenagens mostram vales estreitos e de margens abruptas. límpidos. M. O único depósito de tálus observado encontra-se próximo à margem esquerda do Córrego do Fogo. identificado por microssonda eletrônica. 49 no qual a biotita predomina sobre a moscovita e a granada ocorre como acessório frequente. As cores da alexandrita de Malacacheta variam do verde ao azul (conhecida comercialmente como “azul pavão”). minerais comuns na rochas ultramáficas da área. 1999). eventualmente. JORDT-EVANGELISTA. A orientação por fluxo ígneo verificada nas bordas do corpo desaparece no seu interior. cerca de 4 km a montante de sua foz. Este e outros cursos que se estabeleceram no segundo ciclo erosivo parecem ter sido herdados do primeiro ciclo. Em qualquer dos casos. como ocorre com o Ribeirão Setubinha. É ainda desconhecida a rocha na qual os cristais de alexandrita se cristalizaram (Basílio. Nos ribeirões Santana e Setubinha existem aluviões relativamente pobres em alexandrita. Os teores de cromo podem variar desde 0. Como evidência da erosão provocada por este rebaixamento observa-se a presença de paleoalúvios em cotas imediatamente superiores aos cursos d’água atuais e a reincisão dos aluviões atuais por estes mesmos cursos. desde a foz do Córrego do Fogo até cerca de 5 km antes da cidade de Setubinha (Fig. antofilita e actinolita-tremolita. peraluminoso. Os depósitos aluvionares recentes situam-se no Córrego do Fogo e ribeirões Santana. representada por chapadas. que se dá de verde ou azul em luz natural. Basílio (1999) também verificou a presença de inclusões cristalinas. são pegmatitos pobres em gemas que. devido ao intenso fraturamento.S. Esta é a idade de cristalização do Granito Córrego do Fogo. alcalino-potássico e pós-colisional (Basílio. cuja espessura máxima está em torno de 3 m. Os depósitos mais ricos encontram-se ao longo de apenas dois cursos d’água: o Córrego do Fogo e o Ribeirão Soturno. A superfície mais antiga. Não se tem notícia de alexandrita que tenha sido extraída dos pegmatitos da área. 1999). possui altitudes em torno de 1200 m.

inferior. ilustrando a distribuição lateral e o empilhamento entre o paleoaluvião com horizonte de cascalho mineralizado em alexandrita. A Figura 2 mostra. o alúvio recente e o xisto da Formação Capelinha. Nele predominam os seixos e matacões. uma superior. em contato abrupto. Trata-se de um nível de cerca de 1 m a 1. Uma linha de seixos centimétricos está presente localmente. esquematicamente. Este nível de cascalho é extremamente mal selecionado. composto essencialmente por seixos e matacões de quartzo de veio. Subjacente ao nível siltoargiloso encontra-se. Estes depósitos são compostos essencialmente por duas sequências.50 DEPÓSITOS DE ALEXANDRITA DE MALACACHETA. Os blocos de quartzo apresentam-se maiores e mais bem arredondados que os fragmentos de quartzito. ocorrem associados a esta fração grossa. Fragmentos de alexandrita. A Figura 3 apresenta a descrição detalhada de um perfil do paleoaluvião mineralizado do Ribeirão Setubinha. grandes fragmentos de pegmatito gráfico. . O nível argiloso varia entre 4 e 8 m de espessura e mostra-se estruturado pedologicamente. esquemáticos. mais raramente portador de pequenos seixos e grânulos intercalados. Sua composição argilosa é homogênea. Sua análise morfológica evidencia um latossolo vermelho-amarelo. medindo poucos milímetros. não obstante a presença localizada de níveis arenosos. as relações entre o paleoalúvio. o leito de cascalho portador de alexandrita. MINAS GERAIS Depósitos Paleoaluvionares A base dos depósitos paleoaluvionares do Ribeirão Setubinha está disposta cerca de 5 a 8 metros acima do nível atual da drenagem. Sem escala Solo orgânico Latossolo verm elho-am arelo com nív eis m icroconglom eráticos intercalados C ascalho m ineralizado Saprólito de xisto E R ib eirão Setubinha W Form ação C ap elinha C ascalho m ineralizado Paleo alúvio A lúvio recente Figura 2: Perfil transversal e seção colunar.5 m de espessura. quartzito de granulação grossa e localmente. que podem medir mais de 1 m em seu maior diâmetro. Figure 2: Schematic transect and section showing the lateral distribution and the stratigraphic relations shown by an alexandrite deposit in the Setubinha creek. o aluvião recente e o Ribeirão Setubinha. de composição argilosa e outra. constituída por blocos e seixos rolados dispostos diretamente sobre saprólito de xisto.

A espessura deste tipo de depósito varia muito em função da sua localização ao longo do rio. entretanto.S. H. atualmente.5 m acima do nível da lâmina d’água.. Depósitos Aluvionares Recentes Os vales da maioria das drenagens da área garimpeira são amplos e parcialmente entulhados por sedimentos aluvionares. principalmente no Ribeirão Setubinha. independentemente . com destaque para a seção colunar detalhada do corte de um garimpo de alexandrita. em média. M. abaixo do nível freático. A camada mineralizada.BASÍLIO. Figure 3: Stratigraphic section for an alexandrite deposit in Setubinha creek. Nos depósitos à montante a cobertura atinge cerca de 10 a 15 m acima do nível atual da drenagem. PEDROSA-SOARES. reescavando este material aluvionar. a cobertura atinge 1. Já nas partes mais baixas. Os rios estão. encontra-se cerca de 3 metros.C. Figura 3: Perfil geral de paleoaluvião do Ribeirão Setubinha. 51 ? P erfil es q u em á ti co sem es cal a.. JORDT-EVANGELISTA. A.

m u ito m icáceo 520 560 565 H o rizo n te a ren o so co m s eix o s d e x is to . q u artzo. silto arg ilo s o.am ar ro n ad o . 0 cm H o rizo n te m ar ro m . m u ito m icáceo 355 370 390 H o rizo n te a m a re lo . silto arg ilo s o. arg ilo -silto so . A Figura 5 ilustra a posição deste perfil. g ran o d ecrescen te d o to p o à b ase 440 H o rizo n te a ren o so . silto arg ilo so . g ran o d ecrescen te d a b ase ao to p o 475 H o rizo n te a m a re lo . a s ub a rr ed o n da d o s. p o u co a ren o so H o rizo n te aren o so . A Figura 4 apresenta a descrição morfológica de um perfil de detalhe realizado no garimpo do “Seu” Alípio. p ou co aren o so . g ra n od ecr escen te d o to po p ara a b ase H o rizo n te a m a re lo . co m frag m e nt o s freq u en tes d e m ic a e q u ar tzo 260 270 285 295 H o rizo n te aren o so . g ran ito e q u artzito . g rão s su b ang u lare s.am ar ro n ad o . v arian d o en tre 1 0 e 6 0 cm d e d iâm etro . c o m frag m en to s d e m ica e feld sp ato H o rizo n te a m a re lo . silto arg ilo s o.am ar ro n ad o . Seção colunar levantada em aluvião recente localizado na nascente do Córrego do Fogo (garimpo do “Seu Alípio”). g rão s su b an g u lares. S ap ró lito e elú v io d e x isto q u ar tzo so d a F o rm ação C ap elin h a Figura 4. localizado na nascente do Córrego do Fogo. m u ito m icáceo H o rizo n te a ren o so co m g rân u lo s e seixo s d e q u artzo e x isto . org ân ico . g rão s su b ang u lare s. Córrego do Fogo area. silto arg ilo s o. p o uco aren o so . m u ito m icáceo H o rizo n te p r et o. co m f rag m e nt os d e m ica 150 H o rizo n te a m a re lo . Figure 4. t ur fa co m r es to s o rg ân ico s 610 H o rizo n te a m a re lo . co m co n creçõ es ferru gi n os as 700 760 D ep ó sito d e alex an d rita: cas cal ho co m s eix o s d e q u artz o e q u ar tzito .am ar ro n ad o . co m frag m en to s d e m ica H o rizo n te m arro m escu ro .am ar ro n ad o . na estruturação atual da drenagem.52 DEPÓSITOS DE ALEXANDRITA DE MALACACHETA. p o u co silto so . Stratigraphic section of the alexandrite deposit in the Alípio mine. . m u ito m icáceo .am ar ro n ad o . MINAS GERAIS da espessura da cobertura sobrejacente. silto arg ilo s o. silto arg ilo s o. m i các eo .

Não há consenso sobre a origem do crisoberilo. Depósito de Tálus Somente um depósito do tipo tálus foi identificado na área estudada. Neste evento foi depositado o nível de cascalho com matacões dos paleoaluviões mineralizados em alexandrita. mas pegmatitos nem sempre estão presentes ( e. recoberto por uma espessa sequência de material areno-argiloso. 4 Terraço escav ad o L eito at ua l d o C ó rr eg o d o F o go N S uperfície d e erosão (?) N ível m ineralizado (calhaus e m atac ões) 0 2 4 6 8m Figura 5: Representação esquemática.. Além disso. 1996.. Os clastos possuem forma arredondada e seu eixo maior nunca ultrapassa 60 cm. Este depósito.S.BASÍLIO. Este nível de cascalho é composto essencialmente por seixos a matacões de quartzo e quartzito. A base desta sequência é geralmente argilosa e recobre um nível de cascalho portador de alexandrita. granito como fonte de berílio e rocha ultramáfica como fonte de cromo. em perfil. envolvendo fragmentos angulosos de granito.g. Martin-Izard et al. 4) and the alexandritebearing layer in the Córrego do Fogo area. Entretanto. Trata-se de um depósito à meia encosta. O depósito de tálus parece ser contemporâneo ao final do processo erosivo gerador dos paleoalúvios mineralizados. na maioria dos trabalhos sobre depósitos de alexandrita descrevem-se ambientes geológicos similares.g. CONCLUSÃO O controle dos depósitos da alexandrita de Malacacheta decorre de processos eminentemente aluvionares. H. pois a alexandrita é um óxido de alumínio e berílio. Aparentemente.. Sua espessura média é de 1 m.. i. M. A. Ustinov e Chizhik 1994. Franz e Morteani 1984. toda a fonte que forneceu material para este depósito foi erodida ou completamente intemperizada. nos quais se encontram rochas metamórficas de médio a alto grau. Este nível foi. o ambiente deve ser subsaturado em sílica. Estes ambientes contêm as fontes geoquimicamente contrastantes de elementos que precisam interagir para que ocorra a gênese da alexandrita. 53 Estes alúvios são compostos por uma alternância de níveis centimétricos a métricos de areia (variando de grossa a fina) e argila. posteriormente. Metson e Taylor 1977. JORDT-EVANGELISTA. desenvolvidos durante o evento erosivo anterior ao atual. evidenciando estágio em que processos coluvionares e eluvionares predominaram.C. Verten te a tu a l S X isto C ap elin h a d eco m p o sto Terraço S eção d a F ig . pois os autores oscilam entre processos pegmatíticos e metamórficos (e. Munasingue e Dissanayake 1981. próximo à margem esquerda do Córrego do Fogo. cerca de 4 km antes da sua confluência com o Ribeirão Setubinha. Bevan e Downes 1997). 1996). PEDROSA-SOARES. há cerca de 535 Ma. O contato basal deste horizonte é feito diretamente com o xisto quartzoso saprolitizado da Formação Capelinha. profundamente intemperizados. O caráter grosseiro do cascalho com presença de matacões sugere que a sedimentação foi dominada por processos torrenciais. Soman e Nair 1985. localiza-se cerca de 25 a 30 m acima do leito do Córrego do Fogo e é composto essencialmente por material argiloso a arenoso. Franz et al. do posicionamento relativo entre o aluvião recente (seção colunar da Figura 4) e o Córrego do Fogo. quando o Granito Córrego do Fogo intrudiu a pilha de metassedimentos . uma vez que o depósito está muito próximo ao topo atual da elevação e não se observam afloramentos de rocha fresca em sua porção superior. A alexandrita presente nos aluviões atuais é atribuída ao retrabalhamento destes paleoalúvios.e.. No Distrito Gemológico de Malacacheta esta convergência incomum de condições geológicas aconteceu. atualmente um garimpo abandonado. granitos e rochas ultramáficas. Figure 5: Schematic section showing the relations between the recent alluvium (Fig. ou supersaturado em alumina.

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