You are on page 1of 36

VICE-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO E CORPO DISCENTE

COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

SEMÂNTICA E ESTILÍSTICA

Conteudista Antônio Carlos Siqueira de Andrade

Rio de Janeiro / 2008 TODOS

OS DIREITOS RESERVADOS À

UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO

UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO Todos os direitos reservados à Universidade Castelo Branco - UCB Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, armazenada ou transmitida de qualquer forma ou por quaisquer meios - eletrônico, mecânico, fotocópia ou gravação, sem autorização da Universidade Castelo Branco - UCB.

Un3s Universidade Castelo Branco Semântica e Estilística / Universidade Castelo Branco. – Rio de Janeiro: UCB, 2008. - 36 p.: il. ISBN 978-85-7880-024-6 1. Ensino a Distância. 2. Título. CDD – 371.39

Universidade Castelo Branco - UCB Avenida Santa Cruz, 1.631 Rio de Janeiro - RJ 21710-250 Tel. (21) 3216-7700 Fax (21) 2401-9696 www.castelobranco.br

Apresentação

Prezado(a) Aluno(a): É com grande satisfação que o(a) recebemos como integrante do corpo discente de nossos cursos de graduação, na certeza de estarmos contribuindo para sua formação acadêmica e, consequentemente, propiciando oportunidade para melhoria de seu desempenho profissional. Nossos funcionários e nosso corpo docente esperam retribuir a sua escolha, reafirmando o compromisso desta Instituição com a qualidade, por meio de uma estrutura aberta e criativa, centrada nos princípios de melhoria contínua. Esperamos que este instrucional seja-lhe de grande ajuda e contribua para ampliar o horizonte do seu conhecimento teórico e para o aperfeiçoamento da sua prática pedagógica. Seja bem-vindo(a)! Paulo Alcantara Gomes Reitor

Orientações para o Autoestudo O presente instrucional está dividido em duas unidades programáticas. equivale a 60 horas-aula. esta obrigatoriamente será composta por todo o conteúdo de todas as Unidades Programáticas. A carga horária do material instrucional para o autoestudo que você está recebendo agora. A Unidade 1 corresponde aos conteúdos que serão avaliados em A1. respeitando-se. Havendo a necessidade de uma avaliação extra (A3 ou A4). Os conteúdos programáticos das unidades são apresentados sob a forma de leituras. juntamente com os horários destinados aos encontros com o Professor Orientador da disciplina. tarefas e atividades complementares. as datas dos encontros presenciais programados pelo Professor Orientador e as datas das avaliações do seu curso. naturalmente. que você administrará de acordo com a sua disponibilidade. Na A2 poderão ser objeto de avaliação os conteúdos das duas unidades. cada uma com objetivos definidos e conteúdos selecionados criteriosamente pelos Professores Conteudistas para que os referidos objetivos sejam atingidos com êxito. Bons Estudos! .

6 .Não hesite em começar de novo.Organize seu ambiente de estudo.Você terá total autonomia para escolher a melhor hora para estudar. Anote-as e entre em contato com seu monitor.Não deixe para estudar na última hora. 2 . 5 .Não pule etapas.Não falte aos encontros presenciais. 8 . Evite interrupções. 9 . 4 .Não relegue a um segundo plano as atividades complementares e a autoavaliação. Reserve todo o material necessário. Porém. . Eles são importantes para o melhor aproveitamento da disciplina. seja disciplinado. 3 . Procure reservar sempre os mesmos horários para o estudo. 7 .Faça todas as tarefas propostas.Dicas para o Autoestudo 1 .Não acumule dúvidas.

.

......................... 29 Gabarito................. 33 ........Transferência de sentido ......................................2 ........................................4 ............................................................. UNIDADE I SEMÂNTICA 1.....................Análise estilística ...................... 30 Referências bibliográficas ........................................................................................................................................................................................................... 1.........................................................................................................................................................................................2 ................................1 ..................... 1......................................................................................................1 .............................................. UNIDADE II ESTILÍSTICA 2...........................Conceituação de Estilística ........................................... 1.................................................. Contextualização da disciplina ......................................................................3 ..............Tipologia das relações de sentido ................................. 13 14 15 16 20 22 Glossário ...............................SUMÁRIO 09 11 Quadro-síntese do conteúdo programático ..................................................................Criação semântica ..................................................................................................................................................................... 2....................................Definição de Semântica ....

.

.Quadro-síntese do conteúdo programático UNIDADES DO PROGRAMA I. • Introduzir técnicas de apreciação.Tipologia das relações de sentido OBJETIVOS 9 • Delimitar o seu campo de atuação.2 – Análise estilística • Fixar o propósito dos estudos estilísticos.3 . através de recursos fonéticos. sintáticos e semânticos.Transferência de sentido 1.2 . ESTILÍSTICA 2. sintáticas e lexicais.1 .4 .1 – Conceituação de Estilística 2. • Abordar as possibilidades fonéticas. • Examinar os processos de criação lexical. SEMÂNTICA 1.Definição de Semântica 1.Criação semântica 1. II. morfológicos. • Apresentar as possibilidades de relações semânticas que as palavras exprimem.

.

É também um passaporte para chegar aos textos que extrapolam o formal. sensível à importância do assunto. porque alcançam uma grandeza maior: retratam a condição humana no seu cotidiano. pode se esconder o desejo de subjugar pessoas através da manipulação da realidade. 11 Estilística A Estilística é a chave para penetrar no mundo da arte literária. Além do mais. Junto com toda essa disponibilidade. que se sobrepõe a qualquer nível gramatical. Ele segue a grade curricular do Curso de Letras que. Não se trata de um jogo (banal) de palavras. na sua dramaticidade e na sua sublimidade. fruir os aspectos estéticos que o autor imprime em sua obra.Contextualização da Disciplina Semântica A vida só tem sentido se o sentido da vida for compreendido. É nessa encruzilhada que o conhecimento sobre as possibilidades de sentido das palavras encontra sua motivação maior. o literário. a forma mais completa de veicular significados. Não é por acaso que o estudo do significado das palavras tenha ficado para o último dos instrucionais de Língua Portuguesa. Ao profissional de Letras são importantes os conceitos postulados pela Estilística como ferramental didático em suas atividades. mas também é fundamental usar esses conceitos para a fruição pessoal – por que não vivenciar a viagem intratexto que o autor oferece? . na sua imprevisibilidade. Afinal a língua é. o coloca no final como que para ressaltar o valor semântico das palavras. antes de tudo. vivemos numa época em que o contato entre a humanidade rompeu com todas as barreiras – tecnicamente é possível se comunicar com cada habitante do planeta com as tecnologias de informação que possuímos.

.

no plano morfológico: lenhador. Decorre daí a preocupação em observar se o ato de nomear as coisas era natural ou convencional. Como observa Marques (1976: 16): O vocábulo Semântica foi utilizado pela primeira vez. Originariamente. a Semântica surgiu no século XIX. em sentido lato.1 . Mussalin & Bentes (2006: 19) apresentam três abordagens para Semântica: 1. Para Marques (1976: 25). a união forma/conceito estabelece-se no intercâmbio social. e as questões ligadas ao significado tinham importância capital. distinguindo a palavra daquilo que ela nomeia. A premissa menor (João é mortal) está contida na premissa maior (Todo homem é mortal) ou. no plano semântico – braço (de rio) – transferência de sentido estabelecida pela semelhança entre braço (do corpo). a escolha de novas expressões. por isso varia de língua para língua e na mesma língua varia no decorrer do tempo. Em sentido estrito. 2. com M. Aristóteles definiu a palavra como a menor unidade significativa da fala. a homonímia e sentidos figurados. as relações entre as palavras. mostrou que existem relações de significado que não dependem das expressões. ao lado da Fonética e da Morfologia. Essa visão remonta a Aristóteles que. João é mortal. 13 A Semântica tradicional é de base lexicológica porque toma a palavra como unidade fundamental composta de significante e significado. Semântica. que defendia a sua unificação com a Etimologia – o estudo do modo como se fixam os significados e as alterações de sentido. Bréal. a palavra foi utilizada pelos lógicos e pelos psicólogos. a sua função etc. por Michel Bréal. Problema linguístico – cada sistema de signos tem suas regras específicas referentes à sua natureza e à sua função. porque era através da língua que se analisava essa realidade. o que resulta em fenômenos como a sinonímia. existe uma motivação no plano fonológico: chiar. que se estende para a terra numa das margens da corrente principal. em 1883. sibilar. Os gregos viam a língua como reflexo da realidade. a polissemia. Exemplo: Todo homem é mortal. Preocupa-se. o referente. que se origina de SÊMA (sinal) e é. principalmente. estudaria as mudanças de sentido. Logo. o conjunto dos homens está contido no conjunto dos mortais. preocupa-se com qualquer sinal: brasões. Mais tarde. em sua origem. analisando o raciocínio dedutivo. gritos ou outro sinal utilizado para transmitir mensagens e. Semântica Formal – A Semântica Formal descreve o significado a partir do postulado de que as sentenças ou frases se estruturam logicamente. o nascimento e a morte das locuções. que se estende lateralmente e de rio. A par dessa convencionalidade. Problema lógico – quais as relações do signo com a realidade? Em que condições ela se aplica a um objeto ou a uma situação que ele tem a função de significar? 3. designava um ramo de estudo da linguagem. decorrente de sua aceitação. o que resulta em três questões: 1. Semântica estuda as palavras no seio da língua: o que é uma palavra. tudo que se refere às palavras.UNIDADE I SEMÂNTICA 1. Problema psicológico – por que e como nos comunicamos? O que é um signo e o que se passa em nosso espírito e no de nosso interlocutor quando nos comunicamos? Qual o substrato e o mecanismo fisiológico e psíquico desta operação? Como ciência. Guiraud (1980: 07) define Semântica como estudo do sentido das palavras. isto é. portanto.Definição de Semântica A palavra SEMÂNTICA deriva de SEMAINÔ (significar). o adjetivo correspondente a sentido. construtor. quais as relações entre forma e sentido. para designar uma nova ciência que. gestos. bandeiras. João é homem. preocupadas com a análise do corpo e da forma das palavras. com o signo verbal. .

E quem ultrapassar os limites de velocidade. possui diversos tipos e pode ser reconhecida através de uma imagem sonora ou visual ou tátil. O neologismo surge... a linguagem é uma dialogia. verdade criada pelas e nas nossas interlocuções. a referência é uma ilusão criada pela linguagem. 1. é um jogo de argumentação enredado em si mesmo. falamos para construir um mundo e a partir dele tentar convencer nosso interlocutor da nossa verdade. Hoje nós temos bilhetagem também eletrônica. afirma Ducrot. estará sujeito a multagem eletrônica. o conceito de verdade é externo à linguagem ou a linguagem é um meio para se alcançar a verdade.ele emerge de dentro para fora. Uma palavra como árvore tem um lado que é comum a todos: é uma planta. Semântica da Enunciação – Na Semântica Formal. traduzir uma idéia. ou distante para aquele que vive numa grande cidade. O significado é mais uma questão cognitiva do que um fenômeno estritamente linguístico. Já a experiência que cada indivíduo tem em relação ao significado varia – árvore para um ecologista tem um significado diferente do de um desmatador. Semântica Cognitiva – Na Semântica Cognitiva. Alterando-se as expressões e mantendo as relações.que não seja dada independentemente da linguagem e da história.” (Ibidem: 27). passa a ter mais um sentido. cria-se uma palavra nova. A verdade deixa. . Hoje temos rodovias pedagiadas. não falamos para trocar informações sobre o mundo. mas para convencer o outro a entrar no nosso jogo discursivo. A linguagem articulada é apenas uma das manifestações superficiais da nossa estruturação cognitiva. O significado. A significação linguística emerge de nossas significações corpóreas. isto – nos dá a (falsa) sensação de estarmos fora da língua. o significado é central na investigação sobre a linguagem. Assim. ou melhor. Tão importante é produzir ou inventar uma nova palavra quanto aceitá-la e passar a utilizá-la. se a Semântica se ocupa ou se preocupa com os aspectos objetivos do significado.Criação Semântica O processo básico de criação semântica é a nominação. e por isso ele é motivado. pois as representações individuais variam de indivíduo para indivíduo (Ibidem: 20).2 . Assim. o raciocínio será sempre válido. por isso não é possível sair fora dela. Gottlib Frege afirma que o estudo científico do significado deve considerar apenas os aspectos objetivos. para convencê-lo de nossa verdade. 3.. ou utiliza-se uma palavra já existente que. Postula uma ordem no mundo que dá conteúdo à linguagem.não tem nada a ver com a relação de pareamento entre linguagem e mundo. A Semântica da Enunciação acredita que a linguagem constitui o mundo. Antes as estradas não tinham pedágio. onde a existência de árvores é escassa. O uso dos dêiticos – eu. não do desejo de inovar. A criação é coletiva. Os ônibus e trens exigiam fichas e bilhetes. pois. independente do significado de homem e de mortal. você.. Entretanto. um conceito. baseada nos recursos lexicológicos (morfologia e semântica) – é o neologismo.. nesse caso. para aquele que vive numa floresta.. dos movimentos de nossos corpos em interação com o meio que nos circunda (Ibidem: 34). não falamos sobre o mundo. que vende a madeira ou derruba as árvores para cultivar uma lavoura. Isso é sentido. ou não há uma ordem no mundo “. Um exemplo é a criação e a modernização dos meios de transporte. Sempre que se deseja nomear ou dar nome a alguma coisa. E na página seguinte: A linguagem.. A linguagem constitui o mundo. 2. é a Psicologia que vai se ocupar da experiência subjetiva desse mesmo significado. mas de designar algo porque não existe um termo ou o termo antigo se encontra desgastado.. Pode representar algo próximo. Isso é referência.14 Esse raciocínio se fixa através das relações contraídas. uma ‘argumentalogia’. que lhe antecede e dá consistência. pois sempre estamos inseridos nela. de ser um atributo do mundo e passa a ser relativa à comunidade que se forma na argumentação.

ou ludâmbulo para turista ? 15 1. A relação é a de sentido através de características. pois estuda as relações de significado que uma palavra conserva com outra palavra mais antiga e da qual se origina. a língua fornece recursos imitativos de determinados sons que nem sempre utilizamos de forma consciente: quem diria que o verbo chiar é uma criação onomatopaica? Já em miar parece que a associação ao ruído emitido por gatos está mais aparente. galicismos (provenientes da língua francesa). em vez de carnê (do francês carnet ). E que tal.O processo de nominação atende a designações objetivas.. As sinestesias fazem parte desse recurso: voz quente. como é o caso do vocabulário técnico ou científico – teleprocessamento. cores berrantes. a transmutação de sentido é decorrência de traços de semelhança que mentalmente se podem estabelecer entre o sentido próprio e o sentido novo. A palavra metáfora (grego metáphora) forma-se a partir de meta = trans + phorein + levar e significa transferência. nanotecnologia. italianismos. No caso das onomatopeias. usar choribel . 1977).3 . Muito se critica a utilização de estrangeirismos. cultural e social. por exemplo. embora a onomatopeia e os estrangeirismos sejam também muito frequentes. Igualmente.a linguagem dos selvagens modernos com frequência é descrita como metafórica e rica em expressões figuradas” (Ibidem: 36). .. Ullman (1997: 440) observa que a metáfora tem grande importância na força criadora da língua. ou melhor. Em termos sincrônicos. O exemplo mais conhecido é o da palavra futebol . de outro. temos a invasão ou abuso na utilização de termos de outra língua. De um lado. baseada no conhecimento das formas primitivas e das leis que proporcionaram a sua evolução ou transformação. O homem primitivo utilizava-se de palavras e expressões de maneira figurada: exprimia seus pensamentos na linguagem da poesia. Para Renan (apud TODOROV. cheiro doce. a derivação e a composição estão na base de muitos casos. a ponto de ter denominações próprias: anglicismos (provenientes da língua inglesa).” Etimologia A Etimologia tem um papel fundamental para a Semântica. Muitos autores acreditam que a linguagem antiga tem uma natureza metafórica. Essa importância se comprova na grande quantidade de metáforas que refletem o habitat em que vivemos. cachorro. aportuguesada a partir do inglês football . ou se vale da subjetividade para conotar um sentido: Ela é muita gata. Alguns puristas propuseram ludopédio ou pedíbolo . Os estrangeirismos também são frequentes. Exemplos: “Me traz uma Skol. A etimologia definida no primeiro parágrafo é também chamada etimologia erudita. a metáfora foi o grande procedimento da formação da linguagem.Transferência de Sentido A transferência de sentido se dá por metáfora ou metonímia. as metáforas antropomórficas: Pé do morro Coração da floresta Pulmões da cidade E as metáforas animais – transferência de características dos animais para os humanos: burro. o que deve ser evitado. Metonímia A transferência do nome de um objeto ou ação a outro objeto se dá a partir de relações objetivas de causa/efeito ou continente/conteúdo. vaca etc. estuda a formação de palavras a partir de um étimo ou termo base (radical). porco. “. a necessidade de designar algo quando a nossa língua não oferece um termo que se adapte tão bem ao objeto ou conceito designado. Há. germanismos entre outros e se devem a contatos de natureza econômica. De todos os processos. termômetro. A metáfora é uma comparação condensada que afirma uma identidade intuitiva e concreta.

. Diversívoca – há oposição conceitual: antonímia. pretensamente. Ex. A vantagem da polissemia é que uma mesma palavra nomeia coisas diferentes. Multívocas – os conteúdos são coincidentes: sinonímia – belo/bonito. • Homonímia – situação em que palavras que possuem significados diferentes são pronunciadas e/ou grafadas da mesma maneira. Há descontinuidade de sentido.Esta sala está cheia de fumaça. por exemplo. cloreto de sódio = sal. é caminho estreito e mesmo errôneo. Ex. Cohen (in: TODOROV et al. As estruturas sintáticas se equivalem. pinto (filhote da galinha) e pinto (verbo pintar). uma construção ou uma palavra apresenta duplicidade de sentido.Tipologia das Relações de Sentido Os estudos gramaticais na Antiguidade.” As relações de afinidades devem ser consideradas assim: A etimologia popular aproxima pela forma ou pelo sentido palavras que. isto é. almoço (substantivo) e almoço (verbo almoçar).16 Paralelamente. existe um processo denominado etimologia popular ou falsa etimologia em que uma palavra é formada a partir de semelhanças formais. são sentidas como aparentadas. Nesse caso. Ambiguidade É a situação em que um segmento sonoro. por outro lado. Pode ser: Fonética: Ela ficou como herdeira da família. pode causar ambiguidade. 1. Este livro é difícil de encontrar. Outros só aceitam a sinonímia perfeita na linguagem científica – H2O = água. Sinonímia Sinônimos são palavras que guardam entre si um significado e/ou uso comum. ácido ascórbico = vitamina C. evitando a sobrecarga..: banco (de jardim) e banco (casa de crédito). chuva de granito.. 1977: 23) endossa esse processo. A homonímia também pode causar ambiguidade: Ele comprou uma lima (fruta ou ferramenta?). Tais relações podem ser: Unívocas – o significante e o significado traduzem exatamente o que se quer dizer. funcionalmente. mas que não tem relação genética com a palavra de que. e 4. mas também a tipologia das relações: a sinonímia. Em que a equivalência ocorre por causa do emprego de palavras sinônimas. Ponha dois dedos de café para mim.: Parece que esse acordo teve o dedo do Ministro da Fazenda. belo e bonito são sinônimos. E cada sentido é percebido como extensão de um sentido básico. ao afirmar que “. Vou dar uma olhadinha no jogo. Abra a janela.. É o caso de sombrancelha. do ponto de vista da etimologia erudita não têm nada em comum. Geraldi e Ilari (1995: 42) exemplificam a sinonímia através de paráfrases: 1. Político reclama que mídia quer destruir sua imagem. Camelô vende pirata no centro (a elipse de produto favorece a ambiguidade). Lexical – pode se dar através da: • Polissemia: uma mesma palavra nomeia coisas diferentes. Equívocas – os conteúdos são distintos: homonímia – canto (ângulo: canto da sala) e canto (verbo cantar). Em 5. 2. Muitos autores acham que não há sinonímia perfeita. se origina. Gramatical: Eu vi o acidente do carro. Em 3. a busca histórica entre as palavras. Pegue o pano e enxugue a louça. Pegue o pano e seque a louça. Aquela é a Miss Java.4 . a antonímia. a homonímia. não só reconheciam as categorias lógicas.. mas que. e 6. É difícil encontrar esse livro. a memorização de uma palavra para nomear cada coisa diferente.

– verbos: dar versus receber. como: • Loja. Para Ilari (2003: 25): Os antônimos formam pares que se referem a realidades “opostas”: Ações: perdi o lápis. É o seu contrário. (casa) • Arrume seu quarto. Ou o processo contrário – a personalização: A cidade recebe sorridente os visitantes. embora essa oposição não seja definitiva ou fechada. sinônima de “literalmente”. (personalização positiva) Expressões Idiomáticas Quando se estuda uma língua estrangeira. ou seja. – preposições: sobre versus sob. Essa atividade pertence à nossa gramática internalizada e para nós é imperceptível quase sempre. defendem mudanças como risco de morte. a gaiola do canário estava sobre a mesa. seja na escrita. Há recursos expressivos que consistem em tornar coisa o que é humano – a reificação: Os passageiros viajavam empilhados no ônibus das seis. Existem palavras que trazem uma carga positiva ou negativa. (personalização negativa) • Como ela consegue sair com aquilo? (reificação negativa) • A cidade chorou a morte do poeta. mas não são ações contrárias. tendinha • Separar-se de alguém ou largar (de) alguém • Escrever ou rabiscar • Magra ou seca • Colar ou grudar Existem também palavras que intensificam uma realidade: • A sala está suja (ou imunda). Ou como eles (os tais gramáticos) resolveriam a expressão “ao pé da letra”. Encontramos antônimos entre: – substantivos: bondade versus maldade. mas o café estava frio. mas em compensação achei uma nota de 10 reais. traduzem a mesma intenção de quem as profere. há todo um cuidado em memorizar as expressões idiomáticas. – adjetivos: duro versus mole. e só nos damos conta disso quando queremos nos lembrar de uma palavra que naquele momento não está disponível em nossa memória. • O moleque limpou o focinho na cortina. que devem ser aceitas como construções acabadas ou bloqueadas e por isso jamais devem ser traduzidas ou interpretadas literalmente. em vez de risco de vida. A reificação e a personalização podem ser positiva ou negativa: • Esse rio já matou muitos banhistas. A transposição para o plano animal ou das coisas é outra forma de intensificar uma realidade positiva ou negativamente: • O casal apaixonado voltou feliz para seu ninho. Antonímia É a situação em que uma palavra carrega um sentido que se opõe a outro. mas dois momentos extremos do mesmo processo de viver (Ibidem: 54). Qualidades: a sopa estava quente. Ele está um ninho! • Tire as patas da minha bicicleta. • Ele amava a mulher (ou adorava). correr atrás do lucro. – início e fim de um mesmo processo: florescer e murchar. palavra localizada dois parágrafos acima? 17 Recursos Lexicais A seleção vocabular está presente em quase todas as nossas atividades expressivas. (personalização positiva) • Nosso país sempre recebe os turistas de braços abertos. A “oposição” existente entre dois antônimos pode ter fundamentos diferentes: – diferentes posições numa mesma escala. em vez de correr atrás do prejuízo revelam um total desconhecimento do que significa uma expressão idiomática. – advérbios: lá versus cá. . Por exemplo. Imagine substituir “Estou morto de fome” por “Estou falecido de fome”. É como se elas só existissem na língua dos outros. nascer opõe-se a morrer. que conservam um ranço autoritário em relação à língua e sobre quem deve “legislar” sobre ela. Relações: o gato estava embaixo da mesa. um pedido para abrir a janela porque o ambiente está irrespirável.Embora diferentes. negócio ou birosca. seja na fala. – diferentes papéis numa mesma ação: bater e apanhar. Ex: quente e frio representam duas posições na escala da temperatura. Alguns gramáticos.

insensível.pilantra.4. enterro.1.6.casório. Sujeitinho 2. Quando um rico morre. 3. “pessoa grosseira”.bandido. furtou. exceto um garoto que continuou utilizando a mesma pergunta inadequada. crenças. namoradeira. Ações dos animais – O bandido arrastou-se pelo chão.3. Jogão 1. nervoso. marginal. Bobão 2) Aponte se os sufixos das palavras abaixo indicam dimensão ou afetividade (sentimento positivo ou negativo): 2. atenciosa. . .funeral. focalizar. E se ele for muito rico e importante. Gatinha (garota) 2. Roupinha (básica) 3) Ilari (2003: 154) narra um episódio ocorrido em uma escola rural. Roupinha (de neném) 2. cerimônia. ensinar. . Mulherzinha 2. fez mau uso. 3. “Jogar luz em” é o mesmo que focar.2. pedindo para “fazer xixi”.2. no interior de São Paulo. 3. enlace matrimonial. os convidados vão assistir às suas_________. Há por trás dessa atitude uma questão de valores. Quando um pobre morre. todos vão ao seu__________. Mulherão 1. 3. Designações do corpo humano – Levante o rabo dessa cadeira! Coletivos – Eu não gosto daquela cambada. Tente completar as sequências abaixo. utilizando a palavra mais adequada a cada situação: 3. . . A mestra chamou o pai do garoto que. Atividades 1) Ilari (2003: 151) afirma que a polissemia afeta a maioria das construções gramaticais. Gatinha (animal) 2. A professora ensinou à turma que era inadequado pedir para “mijar”. Carrão 1.1.6. os parentes e conhecidos vão ao seu__________. dando como exemplo o aumentativo – Paulão – que pode ser interpretado como “pessoa grande” “pessoa alta”. esclarecer. O prefeito____________(d) as verbas públicas. E todos seguiram a orientação da professora.3. agressivo. homem mija. Linguagem animal – Deu uma topada na pedra e saiu ganindo de dor. Minhocão (viaduto) 1.4. para ele. .roubou. além de uma dose de subjetividade. O pai de uma menina volúvel acha a filha__________.18 Essa aproximação entre o ser humano e animais pode se dar por: Semelhança física – Aquela mulher tem pescoço de girafa. 3. contrariado.4. Para a mãe de um sujeito violento. Num convite formal de casamento. união. quem faz xixi é mulher. exéquias.3. é mais apropriado usar_____________________.5.2. “desajeitada” ou até mesmo “uma pessoa com quem todos se sentem à vontade”. porque. ameaçou tirar o filho da escola.5.1. dando as possíveis ou possível interpretação para os aumentativos abaixo: 1. Teste essa afirmativa.5. seu filho é ____________. que se manifestam na seleção vocabular.

8.7.__________ 5. pois muitas vezes há uma relação de sentido com a palavra tomada como ponto de partida para a sua criação.4) Dê exemplo de: 4. leão – 6.2. lesma – 6. ao lado de cada animal. A mulher pôs em dúvida as explicações do marido. baleia – 6.8. procedimento bancário – 4. porco – 6.14.4.3.__________ 5.16. Figo – 7.13.____________ 5.11. a qualidade ou defeito que ele representa: 6. raposa – 6.12.1.4. Tente achar os verbos específicos para aqueles destacados a seguir.Vide-verso – 7.__________ 5. O juiz teve um gesto de surpresa. O ministro pôs as finanças em ordem. boi – 6. Pernambular – 7. Essa alternância evita repetições desnecessárias.4. lebre – 6.8.5.12.2.18.3. Coloque ao lado das palavras que se seguem as formas corretas e. Despencadeiro – 7.6.10.1.1.9.10. os animais são usados para traduzir características do comportamento humano. rato – 19 7) Muitos estudiosos consideram a analogia ou etimologia popular um processo tão legítimo quanto a etimologia erudita no que toca à formação de palavras. formiga – 6.5. abelha – 6. Bom governo é aquele que põe a educação em primeiro lugar.17. O detido não tinha documentos.7. operação financeira – 4. cavalo – 6.11.6. 5. Eletricocardiograma – 7. sempre que possível. burro – 6.__________ 5.15.__________ 6) Muitas vezes. cordeiro – 6. cobra – 6.1. pavão – 6. embora possuam outros mais específicos.3. Paratrapo – 7. Vasculhante – 7.6. Principício – 7.3. touro – 6.__________ 5.7. procedimento médico – 4.9. Cabeçário – . Cerular – 7.2.__________ 5. O jornal deu a notícia do sequestro. A atriz deu uma festa em sua casa. explique a associação entre elas: 7. camaleão – 6. O escritor fez uma crônica em pouco tempo. Serve-serve – 7. Choque-terra – 7. Coloque.2.5. tartaruga – 6.4. operação policial – 5) Existem verbos que se empregam genericamente.

fixa uma outra concepção de estilo com a sua célebre definição: “O estilo é o homem. Em Contribuição à Estilística Portuguesa (1978: 13). Leo Spitzer procura estabelecer uma correlação entre as propriedades estilísticas de um texto e a psiquê do autor. ao invés de se ocupar com os autores ou a Literatura. Na definição constante do Dicionário de Linguística (DUBOIS: 1978: 237). Ele parte da ideia de que a língua exprime o pensamento e os sentimentos e que a expressão desses sentimentos é o objeto da Estilística. E a seguir A Estilística. No século XVIII. sua personalidade e a sua maneira de compreender e sentir a vida. ramo da Linguística. a Estilística é a herdeira mais direta da Retórica e constituiu-se a partir do século XIX. isto é. a Estilística deve ser descritiva e não normativa e. Para ele.. Buffon. Mattoso caracteriza estilo como definição de uma personalidade em termos linguísticos. Também faz parte da estilística o estudo das figuras de linguagem. Entretanto. • Isolar os traços do sistema linguístico. estabelece: • Caracterizar. uma personalidade.. consiste. o autor imprime na sua obra a própria marca individual. c) Construções sintáticas. que é um “emprego voluntário e consciente destes valores”.1 . procurando depreender a linguagem pessoal ou estilo do autor. . a Estilística estuda esses processos na linguagem literária. isolados ou agrupados em frases. quanto aos sentimentos. suscetíveis de causar emoção ou sugestionar. Mais adiante. isto é. deve se ocupar com a língua. mas individuais.) em seu sentido estrito de EXPRESSIVIDADE da linguagem. expressão dos fatos da sensibilidade pela linguagem e ação dos fatos de linguagem sobre a sensibilidade. 16). e não no estudo do estilo de tal autor. desse modo. portanto.. já havia obras contendo sugestões de como escrever bem. a sua capacidade de emocionar e sugestionar (v. a metáfora existe porque podemos tornar o espírito “vítima” da associação de duas representações. b) Estilística semântica – estuda a conotação referente ao valor afetivo ou socialmente convencional que adere à significação das palavras. de maneira ampla. Charles Bally apresenta uma outra concepção. a noção de Estilo é bem anterior. Pelo que foi dito. estilo representa um desvio do padrão. independentemente da circunstância de ser um predicado do indivíduo” (p. b) Associações significativas. num inventário das potencialidades estilísticas da língua (“efeitos do estilo”) no sentido saussureano. mas não a tal ponto de inviabilizar a expressão linguística. partindo da linguagem. Assim temos: a) Estilística fônica – ressalta a expressividade do material fônico dos vocábulos. Mattoso Câmara (1973: 166) define Estilística como “Disciplina linguística que estuda a expressão (v.O sentimento é uma deformação cuja natureza é causada pelo nosso eu. No que diz respeito às tarefas da Estilística. Bally definiu a Estilística como Estudo dos fatos de expressão da linguagem organizada do ponto de vista de seu conteúdo afetivo. c) Estilística sintática – trata das variantes de colocação. O fator estilístico pode referir-se tanto ao pensamento. afetividade).20 UNIDADE II ESTILÍSTICA 2.”. E confirma: “O estilo é o homem”. Assim. que não são propriamente coletivos. O enfoque é na enunciação e não no enunciado. em obras clássicas. completa: “O estilo caracteriza-se como um conjunto de ‘expressões’. de onde extraíam os exemplos..” Emoção e sugestão podem ser transmitidas por: a) Processos fônicos. Descreve unicamente o sistema de procedimentos presentes. apoiadas. na maioria das vezes.Conceituação de Estilística De acordo com Todorov & Ducrot (1977: 83). por outro lado. ou seja.

oceano.• Concatenar e interpretar os dados expressivos determinados (exteriorização psíquica e apelo) que se integram nos traços da língua. o que não impede que as outras funções sejam utilizadas com intenções expressivas. Lembremos algumas classificações de funções da linguagem. No exemplo a seguir. • Uma frase ou enunciado. tamanho era o amor: “Eu estou apaixonada pelo teu eu.” Ou: “Eu sou tua e tu és meu. Então nós é. fusão em uma só pessoa. farinha (MONTEIRO. de acordo com a norma culta. parte ou parágrafo. é o contexto que vai determinar o grau de expressividade de uma palavra. Escritores com as mesmas tendências estéticas apresentam traços em comum. • Um escritor. no caso. Numa frase como “Nós é São Paulo. Conativa e Emotiva. Importante para demarcar o campo de atuação da Estilística é considerar a Conotação. Guimarães Rosa explora com maestria. . Karl Bulher estabelece três funções: • Representativa • Apelativa • Exteriorização psíquica 21 Muito do estilo se deve à natureza da obra e o mesmo escritor pode variar de uma para outra obra. • Interpessoal – linguagem como instrumento de relação social. • Uma obra específica. a função metalinguística. no conto Famigerado. Metalinguística. a saber: Referencial. só interessa à Estilística os desvios que contêm efeitos expressivos. Dell Hymes acrescenta a função contextual – descrição do ambiente físico que cerca emissor e receptor – às seis funções propostas por Jakobson. Fática. Clarice Lispector se desvia da norma para criar um efeito expressivo. como as funções poética e emotiva (de acordo com a terminologia proposta por Roman Jakobson). • Uma época.1991:17). • Uma escola ou movimento literário. quer enfatizar a idéia de união. – caderno. Assim como a gramática se preocupa com a norma gramatical.1991:106) ajuda a entender a noção de estilo: Níveis: Estilo de uma família linguística. construções ou usos da maioria da população. a Estilística vai se preocupar com os desvios – alterações ou variações que podem ocorrer por desconhecimento da norma ou por intuito expressivo. Algumas das funções da linguagem estão diretamente relacionadas à Estilística. saudade – que parecem mais expressivas ou poéticas – que outras Ogden e Richards estabelecem cinco funções: • Simbolização da referência • Expressão de atitude para com o ouvinte • Expressão de atitude para com o referente • Promoção dos efeitos pretendidos • Apoio de referência Halliday propõe: • Ideacional – a linguagem manifesta conteúdos relacionados à experiência que o falante tem do mundo real ou do seu universo interior.” Há palavras – estrela. e nós é um. Demais níveis: • Uma língua particular.”. Poética. • Um gênero literário. há um erro claro de concordância. Essa segunda ocorrência entende norma como os hábitos. No entanto. esta menos sujeita às interferências subjetivas e mais ligada ao aspecto conceitual da linguagem. portadora dos componentes afetivos da linguagem em oposição à Denotação. pires. • Um capítulo. Da mesma forma. A hierarquização proposta por Paul Imbs (apud MONTEIRO. • Textual – a linguagem estabelece vínculos com a situação em que é usada. • Uma fase da vida do escritor. o que pode resultar numa escola literária ou num estilo de época.

“O encanto ótico Tornou o pranto ex-ótico.Análise Estilística A análise estilística não deve se limitar à identificação de recursos. O desvio sintático requer plena consciência das possibilidades de expressão que o código oferece. oxímoro. silepses e inversões requerem esforço intelectual para a sua depreensão. educativismo. extraídas. Traduzindo: idéia de fração de minuto. Rosa) por noturna. na maioria dos casos.” (G. Rosa). Editora Ática. A poesia lírica. antítese. Metaplasmos – são alterações ou desvios nas formas e na constituição sonora das palavras (nível morfofonológico). Anacolutos. Apócope – supressão no fim da palavra: abreviã (abreviada). A escolha estilística se apoia na seleção e na combinação.” (Cassiano Ricardo) O hífen transforma exótico em vocábulo bissêmico: estranho: fora do olho ou da visão. mas o efeito estilístico. supro (supremo) – G. Aférese – esmoralizado (queda do fonema inicial /d/): burro esmoralizado (G. – Mito. Paragoge – acréscimo final: noturnazã (G. Associações com esmo.” F. eufemismo. reticências. Rosa). Podem deixar as palavras soltas ou desordenadas e sem pontuação. Valor superlativo ou intensificador. finalmência. é mais acentuado. adjetivo reforça a noção de rapidez ou instantaneidade. Polissíndetos.” (Drummond). Consequências: – Mito. Rosa). frases truncadas. paradoxo – que rompem com os aspectos lógicos do discurso. Prótese – acréscimo inicial: “Deus nos sacuda. Lemos Monteiro. ironia. Diminutivos – sua função é mais emotiva que dimensiva. por outro lado. A figura que importa como desvio estilístico é aquela que corresponde a uma alteração de sentido. repetições têm efeito basicamente sensorial. privo (privada). anáforas. compreendendo os traços evocatórios e avaliando o desvio como instaurador da função poética. interpretando aspectos estilísticos. . Neologismo – é o recurso morfológico mais freqüente entre todos os metaplasmos. • Metassememas – Os metassememas são figuras que substituem um semema por outro. Metágrafos (infrações ortográficas) – Dôra. 1991. Utiliza predominantemente a sufixação como recurso: parentagem. liiiindo. Deve também procurar o potencial estilístico. 1991) propõe o seguinte esquema de análise: Expressão • metaplasmos (nível morfológico) • metataxes (nível da sintaxe) Conteúdo • metassememas – nível semântico • metalogismos – nível lógico As figuras abaixo. Síncope – mito (queda de fonema medial): “No zuo de um minuto mito. Dubois (apud MONTEIRO. elipses. • Metalogismos – São as figuras de pensamento – hipérbole.22 2. seguem como exemplificação. “Ai que lindo. imprestável). É o caso da metáfora. • Metataxes – desvios que alteram a estrutura sintática. Pessoa em autógrafo de foto em que bebia. Epêntese – acréscimo medial: “Em flagrante delitro.” (G. Rosa. pois o fluxo de sentimento nem sempre pode ser controlado e o sentimento é sugerido através das interjeições. de J. J. figuras e outros artifícios utilizados intencionalmente pelo autor. A formação de um trocadilho enfatiza a ideia de ser a ajuda divina também para despertar e dar vitalidade e não somente para socorrer. esmola (desnorteado. agindo sobre a memória auditiva e são importantes para a intensificação dos conteúdos e estruturação do ritmo. enriquecendo o texto com novas significações e que tenha por finalidade a presentificação (apreensão de uma realidade particular das coisas). Doralina (romance de Raquel de Queirós). principalmente. metonímia. é mais apropriada para metataxes. do livro Estilística. Geralmente tem efeito intensivo. O acento mantém o o fechado para que se associe com dor. repetições e inversões. associa-se ao vocábulo homônimo (algo inacreditável).2 . – Mito. sua redução intensifica a motivação sonora que indica a idéia de brevidade. vingancista (José Cândido de Carvalho).

encontramos elementos plurissignificativos.3. A parataxe “é um processo sintático que consiste na justaposição das frases sem explicitar. Na parataxe. 2) Lapa (1959) ilustra três situações a respeito do uso de preposições (p. O livro está sobre a mesa.8. Na Literatura Infantil.5.3. 2. 1.V.. do encantamento. apropriada para a transmissão de estados emocionais.” São exemplos tirados de (ou a ) Eça de Queirós que. Revma. está gripado? 1. o que o autor conseguiu com esse deslocamento. a linguagem é predominantemente afetiva. ela.1. é ainda mauzinho.6..” “Com infinita caridade e doçura o abraçou.1.7. pois não é o mundo racional que importa. o lirismo e as imagens. tremiam-lhe as pernas e sufocava-o a tosse. Comente a expressividade de tal colocação.2. 1. 1. Os brasileiros somos alegres.. A janela deitava sobre o jardim. 2. A sua linguagem busca a expressão. – um grande riso de alegria nas feições amorenadas. Na poesia. na combinação. As relações (lógicas) expressam causalidade. 1. fim. a linguagem traduz rigidez de raciocínio lógico. predomina a parataxe.211/12): 2. pertencentes ao eixo sintagmático.2. Sobre ser parvo. 1.” “Entre duas pedras acendeu uma fogueira. A hipotaxe “é o processo sintático que consiste em explicitar por uma conjunção subordinativa ou coordenativa a relação de dependência que pode existir entre duas frases que se seguem num enunciado longo. “Parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos?” (Brás Cubas – M. “E o desgraçado. A organização frasal se faz através dos processos de hipotaxe e parataxe . a relação de dependência que existe entre elas.. Nem sempre a preposição liga dois elementos do discurso. pertencentes ao eixo paradigmático. a exemplo de outros autores realistas. adequada para a transmissão de conteúdos informativos ou intelectivos. 1. isto é. a denotação. 23 Atividades 1) Identifique as figuras de sintaxe: 1. mas o mundo dos sentimentos. A prosa tem como característica predominante a objetividade. de ônibus. O enunciado é dependente de outro. de Assis). numa argumentação etc.3.veio um lento gemido. 2. condição. Os povos destas ilhas é de cor baça e cabelo escorregadio. A maioria dos amigos disseram que viriam. Qual seria a preposição mais adequada a tal contexto? Como foi possível a omissão? 2.” (A. num discurso ou numa argumentação” (Ibidem: 426). por exemplo. tem tendência para autonomizar o morfema. já que pode ser colocada à frente: “Do fundo da choça rude.1.3. temos as operações de substituição e escolha. Garret).3. o autor afirma que a preposição nem sempre é um elo indispensável para a clareza da frase: “Ali se quedava a olhar o Tomé que o chamava.Na seleção. Mais adiante. Fiz o trabalho todo.” (Latino Coelho). da simplicidade. A preposição não desempenha somente funções lógicas: 2. seja por uma partícula de subordinação. segundo o autor. num enunciado. Na hipotaxe.2. temos as operações de arranjo. Que valores semânticos você vê no uso da preposição nos exemplos acima? . seja por uma partícula de coordenação.4. Fui de carro.3.” (DUBOIS. 1978: 325).

o alazão era para paz. Assim. curto pesadamente. Desfranziu-se. Com um pingo no i.3. exato. Sua voz se espaçava. pouco de se achar.24 3) Identifique as figuras de pensamento: 3. de banda. não adiantava. grossudo. Um grupo de cavaleiros. desceu do cavalo. mentalmente. (=muito feia). tanto que ele se persistia de braço direito pendido. Morri de rir com aquela piada. Via-se que passara a descansar na sela — decerto relaxava o corpo para dar-se mais à ingente tarefa de pensar. pelo menos de tão boa feitura. O medo me miava. por esperteza? Reteve no pulso a ponta do cabresto. Tivesse aceitado de entrar e um café. Durante o Reinado de Momo." Carregara a celha. Mais os ínvios olhos. da linha da rua. Seria de ver-se: estava em armas — e de armas alimpadas. nem vindo à receita ou consulta. equiparado.” (Drummond). Famigerado (Guimarães Rosa) Foi de incerta feita — o evento. Aquele propunha sangue. formava-se ali um encantoável. sem a-graças de hóspede nem surdez de paredes. E ele era para muito. sem medida e sem certeza. Senti que não me ficava útil dar cara amena. porém. comecei a me organizar. no cinturão. Valendo-se do que. podendo desfechar com algo. E concebi grande dúvida. perverso brusco. O medo O. tomando ganho da topografia. a fala de gente de mais longe. não dispunham de rápida mobilidade. sopitados. ele me dissolvia. Isso por isso.5. querendo-se calma. porém. Guimarães Rosa constrói sua narrativa em torno do significado de uma palavra – famigerado – valorizando e explorando a função metalinguística. a entrar. Semelhavam a gente receosa. os cavalos se apertando. metros. embolados. maneiro. Daí. tropa desbaratada. o homem obrigara os outros ao ponto donde seriam menos vistos. só podia ser um brabo sertanejo. desprezivo. Isto é. vendo melhor: um cavaleiro rente. intimara-os de pegarem o lugar onde agora se encostavam. de repente. constrangidos coagidos. em suas tenções.2. jagunço até na escuma do bofe. Muito de macio. O chapéu sempre na cabeça. Sei o que é influência de fisionomia. Dado que a frente da minha casa reentrava. tinha para um se inquietar. Os três seriam seus prisioneiros. tristes três. para morrer em guerra. O conto a seguir desfaz a ideia de que somente as funções poética e emotiva são exclusivas da arte literária. a catadura de canibal. Convidei-o a desmontar. Até que ela é bonitinha. que o cavaleiro solerte tinha o ar de regê-los: a meio-gesto. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa. aquele homem. talvez são-franciscano. Mas avessado. Ele falou: — "Eu vim preguntar a vosmecê uma opinião sua explicada. Dava para se sentir o peso da de fogo. Seu cavalo era alto. não seus sequazes. sem contar que. três homens a cavalo. que usado baixo. Entregou a alma a Deus.. Tudo. um alazão. Tudo de gente brava. unidos assim. banda de fora. Causava outra inquietude. Se por se cumprir do maior valor de melhores modos. Sua máxima violência podia ser para cada momento. ademão. suado. “Eu preparo uma canção que faça acordar os homens. sem farroma. Tomei-me nos nervos. Aquele homem. Os outros. Tivesse. enquanto barrava-lhes qualquer fuga. calmava-me. e. conquanto os costumes. Perguntei: respondeu-me que não estava doente. Eu não tinha arma ao alcance. Saudou-me seco. 3. 3. Nenhum se apeava. O cavaleiro esse — o oh-homem-oh — com cara de nenhum amigo. também. Conservava-se de chapéu. a cidade é só samba. mal me haviam olhado. Parou-me à porta o tropel. por um és-não-és. Tudo enxergara. para ela estar-se já ao nível justo. . num relance. ferrado. e adormecer as crianças. quase que sorriu. pronto meneável. todo em tronco de árvore. nem olhassem para nada. Sendo a sela. estranhão.4. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo.1. 3. Pequeno. imprevisto. o arraial sendo de todo tranquilo. Um alarve. Sei desse tipo de valentão que nada alardeia. uma jereba papuda urucuiana. de notar-se. insolitíssimo. Saíra e viera. Cheguei à janela. sua farrusca.. na região. mostras de temeroso. sim. mas duro. bem arreado. espécie de resguardo. para proceder da forma. e dos dois lados avançava a cerca. 3. Disse de não. frente à minha porta.

. sua voz fora de foco. no me iludir. expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta. calou-se. e por estes meios de caminho. A bem.. Assim no fechar-se com o jogo. pensava. Só se o padre. Damázio. interpelador.. Agora. rosto a rosto. mumumudos... faz-megerado. enfim nos vermelhões da raiva.. vezes.. pois.? Disse... Bem que eu me carecia noutro ínterim.— "Vosmecê é que não me conhece. sonso. da Serra.. dos Siqueiras. no aperfeiçoado: o que é que é. de outros usos. só se fito à meia esguelha. Como por socorro. a vexatória satisfação? — "Saiba vosmecê que saí ind'hoje da Serra.. intugidos até então. E já me olhava. — Famigerado? Habitei preâmbulos. seguir seus propósitos e silêncios.. falmisgeraldo... no São Ão. Mas. Esses trizes: — Famigerado? — "Sim senhor. Detinha minha resposta. de sua presença dilatada. — Famigerado é inóxio. do São Ão. Estou vindo da Serra. em tais tréguas de pantera? Ali. — "Lá. se era. Latejava-lhe um orgulho indeciso. O que frouxo falava: de outras. pá: — "Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado. não estou em saúde nem idade. pelo claro. nem têm o legítimo — o livro que aprende as palavras. familhas-gerado. não me encarava. de evidente. O rapaz. Estes aí são de nada não. sem parar. tem nenhum ninguém ciente. Fie-se. São expressões neutras. por o ultimamente. Como arrependido de ter começado assim. de mim a palmo! Continuava: — "Saiba vosmecê que. é "célebre".. quem. nenhum doesto. Cá eu não quero questão com o Governo.. o termo. Constando também. Levantou as feições. Cabismeditado. 25 . o gesto.. como dificultação. diversas pessoas e coisas.. muitos acham que ele é de seu tanto esmiolado.. rapaz meio estrondoso. mas com padres não me dou: eles logo engambelam.. alto. no pau da peroba. quem dele não ouvira? O feroz de estórias de léguas. Só vieram comigo. se resolveu. que se seguiu. ele enigmava: E. travados assuntos. A conversa era para teias de aranha. capaz. Redigiu seu monologar. que muito. Saiba que estou com ele à revelia. se me faz mercê." Só tinha de desentalar-me. Do que. com dezenas de carregadas mortes. Eu tinha de entender-lhe as mínimas entonações. Damázio. por se fingirem de menos ignorâncias. homem perigosíssimo.. intimativo — apertava-me. o fatal. insequentes. de golpe. pra testemunho... Encarar. em seus cavalos. essas seis léguas.. que de para uns anos ele se serenara — evitava o de evitar. São da Serra.. "notável". Transfoi-se-me. E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém podia ter feito intriga.. trazia entre dentes aquela frase. em indúcias. pensava. se compareceu um moço do Governo.. Soara com riso seco. "notório".. Se digo." Se sério. invencionice de atribuirme a palavra de ofensa àquele homem.. É gente pra informação torta." Sobressalto. repetiu." — e. Contra que aí estava com o fígado em más margens. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes. que vim. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?" — Vilta nenhuma. Mas. Tinha eu que descobrir a cara... — "Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender.. espiei os três outros." Com arranco.. porém. se verdade. não queria que eu a desse de imediato. na Serra. o que já lhe perguntei?" Se simples. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio. imperavase de toda a rudez primitiva. Transiu-se-me. que aqui ele se famanasse. Damázio: — "Vosmecê declare... vindo para exigir-me.. antenasal. vosmecê me fale.

Outra vez." — e eles prestes se partiram. 6. esmiolado – 9º parágrafo. Disse: — "Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!" Seja que de novo.6." Agradeceu. me vê. sei não. 4... “O livro que aprende as palavras.1..” – 11º parágrafo. pra a paz das mães. por um mero. outro. não pensava no que o trouxera...26 — "Pois. se torvava? Disse: — "Sei lá. Do que o diabo. — "Ah. pois..2. “Com um pingo no i. enigmava – 11º parágrafo. quis me apertar a mão.3. respeito. dessas desconfianças. Sorriu-se.2." Mas mais sorriu. pestanas Encantoável: um canto.. e o que é que é. exultante. bem!. Subiu em si. mão na Escritura?" Se certo! Era para se empenhar a barba. verivérbio – 21º parágrafo. hum. impraticáveis Solerte: sagaz. selvagem Alazão: cavalo castanho-avermelhado Celha: cílios.1. por um és-não-és – 4º parágrafo. linguagem de em dia-de-semana?" — Famigerado? Bem... . Disse: — "A gente tem cada cisma de dúvida boba. pra mor de – 14º parágrafo. aceitaria de entrar em minha casa.” – 3º parágrafo. “Redigiu seu monologar. em fala de pobre.” – 19º parágrafo. Satisfez aqueles três: — "Vocês podem ir.5. ele me dissolvia. que merece louvor. então eu sincero disse: — Olhe: eu. Oh. Esporou. Vocabulário Alarve: grosseiro.4..incerta feita – 1º parágrafo. foi-se.2. Vocês escutaram bem a boa descrição. “O medo me miava. compadres. esperto Sopitado: sonolento. “Habitei preâmbulos. apagara-selhe a inquietação.3. o alazão.5.. 6) Dê uma possível interpretação para as frases que se seguem: 6. o que eu queria uma hora destas era ser famigerado — bem famigerado. o famoso assunto.. e mais. 6.4. 4. tese para alto rir. 6. às vezes o melhor mesmo.” – idem. com vantagens. era ir-se embora. 4.” – 10º parágrafo. adormecido 4) Tente decifrar os neologismos abaixo: 4. aceitava um copo d'água. beirando-me a janela. — "Vosmecê agarante. Só aí se chegou.. Só pra azedar a mandioca. como o sr. num desafogaréu.6..” – 16º parágrafo. 6. Saltando na sela. 5) Explique as expressões a seguir: 5. “A conversa era para teias de aranha.. pra esse moço do Governo. cabismeditado – 10º parágrafo. 5. 6. antenasal – 8º parágrafo. o mais que pudesse!. 4..1. É: "importante"." — soltou. mumumudos – 19º parágrafo.3. ele se levantou de molas. desagravava-se. 4. 5. um recuo Ínvios: intransitáveis.

” – 4º parágrafo. nem olhassem para nada. 7. 7.” – 3º parágrafo.7) Explique o sentido das construções sintáticas que se seguem: 7.1. “Saíra e viera.3.2. para morrer em guerra. aquele homem.” – 2º parágrafo. mal me haviam olhado. “Os outros. 27 . “Disse que não. tristes três. conquanto os costumes.

realizou as atividades previstas. você está preparado para as avaliações. Então.28 Se você: 1) 2) 3) 4) concluiu o estudo deste guia. Parabéns! . participou dos encontros. fez contato com seu tutor.

fazer conhecer um pensamento do falante. Diz-se dos signos que se criam através de um impulso. que está no lugar de algo. aquela que objetiva a informação. um conceito. esse. Dêitico: elemento linguístico que faz referência à situação em que o enunciado é produzido. como a semelhança fonética. no sentido de que todos os falantes o aceitam como portador de um dado sentido. Convencionalidade: refere-se à possibilidade de um signo ser convencial ou arbitrário. Motivação: opõe-se a convencionalidade. como este. 29 . Exemplos: os pronomes eu e tu. aquele. ao momento e ao falante. Signo: aquilo que representa algo. Pode ser verbal ou não-verbal. O signo verbal representa uma ideia. os demonstrativos. uma ação.Glossário Cognitiva: referente à função de comunicação e se concretiza através da frase assertiva. o tempo verbal presente do indicativo etc. como é o caso das onomatopeias.

Dimensão. Incursões. 6. lentidão 6. Dimensão.12.3.2.8. policiamento ostensivo. Cirurgia. 6. 5. falsidade 6.16.30 Gabarito OBS. Unidade I 1. 2. 4.1. 5.1. 3.4. que depende da sua sensibilidade. Em quase todas as atividades aqui apresentadas o aspecto subjetivo é preponderante. 3. Nervoso.6.4. Prioriza. obtusidade 6. Afetividade. Mulher alta. aplicação de medicamentos. cada usuário da língua tem uma leitura. esperteza 6.: Um gabarito sobre interpretação é sempre discutível porque não conta com o apoio da objetividade da língua. 2. O formato (sinuosidade) lembra uma grande minhoca. portadora de medidas generosas.5. Afetividade.2.1.3. 6.4. Um carro bonito. volume 6. força 6. Afetividade. Por isso não estranhe se houver alguma divergência – a língua é flexível em seus aspectos interpretativos e semânticos.18. E nesse caso. curativos etc. Um jogo muito disputado e com excelente qualidade técnica de ambas as equipes. Duvidou. 5. mansidão 6. perambular – as pessoas usam as pernas para perambular (andar).3. 1.8. prisões. paciência 6.5. rapidez 6.2.5. 5. 3.3. lentidão 6. 2. Fez mau uso. 3.1.15. do seu envolvimento com o tema.1.3. Ofereceu.4.2. sujeira 6. ladroagem 6. Saneou. 4.1. 1. Não portava. aplicações. muito bonita.3. 5. 5. Esclarecer.5. 7. 2.6.7. 2. trabalho 6. Uma pessoa muito boba. Namoradeira.5. traição 6. 3. 1. Esboçou. 2.14. 4.1. 7. eletrocardiograma – o aparelho que faz esse registro funciona com eletricidade. moderno. Empréstimos.6. 3. 1. 1. 4. Afetividade. Noticiou.6. pois trata-se da exploração do potencial expressivo da língua. 5. retiradas.9. depósitos. Compôs/escreveu.4.4. 5. 5. Transferências de valores.2. 2. brutalidade 7.10. valentia .2. Enterro – funeral – exéquias. 4.17. 3.2. Enlace matrimonial. desejado.13.7. organização 6.11. vaidade 6.

3.5. Posição superior.3. 2.3.Ironia.6.2. 3. Com a intenção de. Pleonasmo (a eles mesmos).. choque térmico – associação com fio (elétrico) terra. 2. Algo feito com o cuidado que a língua escrita exige.5.2. A ausência do d só reforça a falta/perda de miolo.7. o autor sugere situação imprevista.10. a própria palavra.5. basculante – o segmento vascu(lhante) é mais comum que bascu (. 5. Elipse (eu). 6. 5. 2. 1. 1.3.4. Eplise (eu).3. 7. 4. um animal pequeno e frágil. 1. A antecipação da preposição desloca o foco para o elemento que a procede. o sentido exato.8. 3. juízo. Verbo criado a partir do substantivo enigma.2. celular – o segmento sonoro cel. 2.4. Com. O uso de redigir numa situação de língua falada valoriza o sentido de “construir o próprio discurso”. Expressão comum no interior do país.7.2.1.Perífrase. precipício – o segmento sonoro de princi(pício) é mais comum que preci-. Apesar do esforço. cabeçalho – o sufixo -alho é menos comum que -ário. Silepse de número (concorda com a ideia de pluralidade). 1. Forma reduzida de ”por amor de”. Silepse de gênero.Hipérbole. despenhadeiro – lugar muito alto. Por uma coisa mínima.11. 7.1.4. 6. Anacoluto – desgraçado – no início – apresenta o sujeito sugerindo que vai praticar alguma ação.1. além de não saberem inglês. 4. algo que o valentão faria sem o menor esforço. 6. fígado – associação ao formato ou a cor. elipse (foi).1. 4. 2. 6.não é tão comum quanto cer-. Silepse de número – ressalta-se a imagem coletiva: a população.).4.) no sentido de próprio mais a palavra verbo. 2. 1.8. mas tudo sofre. 31 Unidade II 1. 4. Desejo de recair a ação sobre eles – ênfase nas consequências. Diante do (meu) nariz.1.1. O uso do travessão retoma uma expectativa já iniciada com a descrição de Tomé.3.3. 3. . 4. Equivale a “tiro na cabeça”. destacando-o.6. Na direção de. 7. Tornava-o um gato. nada faz. A repetição da sílaba enfatiza o mutismo e identifica os três acompanhantes.6. Com “incerta”.2. self service – as pessoas se servem de vários tipos de alimentos. 4. esparadrapo – as tiras sugerem trapos de roupa.2. A expressão usual é “certa feita”. 1. a gente.Antítese. 1. 7. de onde alguém pode despencar. 7. vice-versa – são palavras muito parecidas.3. 1.. inesperada.5. 5. 4.Eufemismo.12. 3.3.3. Além de. Formado com very (ing. 7. 2. 3. com o qual se confunde. Cabisbaixo e meditativo. no sentido de palavra.3.2 Desmiolado. 7.9. uma ação.3.1. 5.7. 7. 7. ou seja. Silepse de pessoa (desejo de inclusão).

5. Essa interrupção brusca é própria da língua falada. além de jogar com uma ambiguidade: o livro que aprende (guarda.6.”. 7.como era comum na região. tanto em relação ao que informa as orações anteriores.3. . 7. quanto a oração posterior. contém) com o livro que aprende (“ensina”) as palavras. Dicionário.4. O sujeito inserido no meio das orações indica a determinação contida em sua atitude: ele está mergulhado/decidido a agir. 7. Supressão de alguma expressão equivalente a “como se.2. Fiquei no início.1. queria ganhar tempo. 6. 6. demorado. Papo prolongado. pausas.. O autor sugere o pouco conhecimento do personagem. que não seguem a regularidade e linearidade da língua escrita. que confunde aprender com ensinar.. alterações.. mudanças de rumo e/ou assuntos. 7..”. que tem uma sintaxe característica: cortes.. Supressão/interrupção antes da conclusão: algo do tipo “.32 6. não tinha coragem de prosseguir. aprisiona..

Estudos semânticos. ______. Ozon. C. ULLMAN. Teoria lexical. 1962. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico.. 1957. 2003. São Paulo: Cultrix.. Rio de Janeiro: J.Referências Bibliográficas Unidade I Semântica ALVES. MONTEIRO. DUBOIS. RIBEIRO. Stephen. (orgs. 1978. São Paulo: Difel. MATTOSO CÂMARA JR. M. Introdução ao estudo do léxico. FOLTRAN. Dicionário enciclopédico das ciências da linguagem. 1973. São Paulo: Contexto. São Paulo: Ática. 2004. Lemos. & ILARI. A semântica. M. Dicionário de linguística. GERALDI. Semântica: uma introdução à ciência do significado. Nilce S.. TODOROV. 1987. J. Dicionário de filologia e gramática. O léxico de Guimarães Rosa. J. BASÍLIO. A estilística. LAPA. MARTINS. J. Nova gramática aplicada da língua portuguesa. MARQUES. Primeiras estórias. 2001. 1976. Oswald. NEGRÃO. 1990. 1980. Rodolfo. 1995. A. Manual de estilística.) Semântica formal. São Paulo: Ática. São Paulo: Ática. Introdução à linguística 2: domínios e fronteiras. ______. ILARI. & BENTES. Semântica. GUIRAUD. 2003. ROSA. Margarida. J. Rio de Janeiro: Grifo. MULLER. . Neologismos: criação lexical. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Ana L. Rio de Janeiro: Acadêmica. Maria Ieda. ______. Rodrigues. 1977. J. São Paulo: Contexto. 1991. Tzvetan & DUCROT. Guimarães. E. 1978. Maria Helena D. 1978. 2003. São Paulo: Cultrix. São Paulo: Ática. et al. São Paulo: Perspectiva. M. São Paulo: Contexto. TODOROV. 1977. Porto Alegre: Globo. Rio de Janeiro: José Olympio. São Paulo: Edusp. Rodolfo. Contribuição à estilística portuguesa. MUSSALIN. Pinto. 2007. J. São Paulo: Cortez. Linguagem e motivação: uma perspectiva semiológica. São Paulo: Contexto. F. Introdução à semântica: brincando com as palavras. Rio de Janeiro: Metáfora. et al. Formação e classe de palavras no português do Brasil. Pierre. Tzvetan et al. 1977. 2006. 33 Referências Bibliográficas Unidade II Estilística DUBOIS. W. Dicionário de linguística.