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Discussões atuais sobre a Imunidade Parlamentar Pouco se discute além das fronteiras da doutrina ou nos centros acadêmicos acerca

da Imunidade Parlamentar que venha construir algo novo, ou alguma proposta de sua alteração de forma mais consistente Entretanto, pode ser constatado que este instituto necessita de uma revisão profunda, tendo em vista as retaliações que o instituto sofreu ao longo dos tempos, por meio de seu uso para a promoção da corrupção e impunidade, gerando indignação na população. No entanto, o instituto da Imunidade Parlamentar, narrado pelo art. 53, caput, da Lei Magna, sofreu sua alteração mais profunda em 21 de dezembro de 2001, por meio da Emenda Constitucional n.º 35. A Emenda n.º 35 foi criada com o intuito de aprimorar a proteção dos parlamentares, garantindo a possibilidade de exercitarem com liberdade suas atividades e diminuindo a intenção de fazer uso da imunidade parlamentar como uma prerrogativa individual ou mero privilégio. Neste sentido, a emenda reduziu o alcance das imunidades parlamentares, mantendo a imunidade material e restringindo a imunidade formal. A redação original assim afirmava:
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos. § 1º - Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem processados criminalmente, sem prévia licença de sua Casa. § 2º - O indeferimento do pedido de licença ou a ausência de deliberação suspende a prescrição enquanto durar o mandato. § 3º - No caso de flagrante de crime inafiançável, os autos serão remetidos, dentro de vinte e quatro horas, à Casa respectiva, para que, pelo voto secreto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão e autorize, ou não, a formação de culpa. § 4º - Os Deputados e Senadores serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. § 5º - Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações. § 6º - A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares e ainda que em tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva.

por quaisquer de suas opiniões. § 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio. Mudança significativa também. embora militares e ainda que em tempo de guerra.§ 7º . os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva. eliminou a necessidade de prévia licença da Casa para efeito de processar o Parlamentar acusado de ilícito: o Poder Judiciário brasileiro recebe . Após a Emenda. para que. até a decisão final. § 5º A sustação do processo suspende a prescrição. 53. sustar o andamento da ação. civil e penalmente. resolva sobre a prisão. dependerá de prévia licença da Casa respectiva. Nesse caso. § 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado. § 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato. palavras e votos. os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos. 53. nos casos de atos. § 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores. exponencial ganho democrático. § 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora. pelo voto da maioria de seus membros. poderá. desde a expedição do diploma.As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio. a atual redação do art. serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. Houve com relação à prisão. 53. enquanto durar o mandato. Os Deputados e Senadores são invioláveis. salvo em flagrante de crime inafiançável. com a exclusão do requisito de ser a deliberação da Casa por voto secreto que constava do antigo § 3º. do art. no mesmo § 3º. nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional. só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva. só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva. por crime ocorrido após a diplomação. nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações. o dispositivo passou a ter seguinte oração: Art. por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros. § 2º Desde a expedição do diploma. após a entrada em vigor da Emenda. da Constituição Federal. que sejam incompatíveis com a execução da medida. que. que sejam incompatíveis com a execução da medida. praticados fora do recinto do Congresso. § 1º Os Deputados e Senadores. o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva.

Também tem sido favorável à tese da prisão de Parlamentar em virtude de sentença judicial transitada em julgado. tendo em vista a possibilidade de os processos criminais contra parlamentares serem suspensos pela Casa respectiva do parlamentar. 53. o Supremo Tribunal Federal teve que aplicar novo texto constitucional aos processos em que a licença havia sido negada. Dessa forma. Com a Emenda. os processos que estavam com a tramitação suspensa por causa do indeferimento de licença pela Casa respectiva do parlamentar ou pela ausência de deliberação tiveram seu curso retomado. enquanto durar o mandato. segundo o § 5º do mencionado dispositivo legal. por ampliar os parâmetros do artigo. Havendo a sustação do processo. que passou a fluir desde a sua publicação. tornando-se um desgaste político muito grande para o partido tomar a iniciativa de instaurar o procedimento de sustação do andamento do processo criminal no STF. sendo assim. sustar o andamento da ação. do art. poderá. ainda é necessária uma reforma mais complexa. materializando o nexo de causalidade entre a imunidade e o desempenho da função. Importante observar que o Supremo Tribunal Federal tem inclinada opinião no sentido de que a inviolabilidade discutida restringe-se apenas às opiniões. Mesmo com essas mudanças. haverá a consequente suspensão do lapso prescricional. Ainda sob tímida doutrinação. ficou bastante limitada a imunidade formal do parlamentar. levando a opinião pública a pesar nas decisões do partido político e do parlamentar processado. o efeito da limitação temporal suscita louvor. considerando que a imunidade relativa não abarca a proibição de execução de pena privativa de liberdade após o devido processo legal. palavras e votos proferidos no exercício do mandato ou em razão dele. pelo voto da maioria de seus membros. certa forma. bem como o prazo prescricional. No § 4º. contrapondo-se ao disposto no § 3º. há previsão do prazo de quarenta e cinco dias improrrogáveis. para análise do pedido de licença a partir de seu recebimento pela Mesa Diretora correspondente. . mesmo que fora da Casa Legislativa. por iniciativa de partido político nela representado.a denúncia por crime ocorrido após a diplomação e dá ciência à respectiva Casa que. até a decisão final.

assim como a prisão dos parlamentares por crime inafiançável também poder ser revista pela Casa. .

está prevista a possibilidade de justiças especiais. com sede constitucional. Na história da legislação brasileira. cujas competências prevalecem sobre a competência geral da justiça comum. em que. conforme o art. o seu art. a federal. As justiças especiais seriam as justiças especializadas. Em 1946 a Constituição preceituava da mesma forma. XVII. 113. Vai além. como o próprio nome indica. na conformidade das Leis. ainda que um político ou um proeminente não fosse julgado como um cidadão comum. com preceito parecido e em 1934. a proibição de foro e tribunais de exceção. no art. por meio de seu artigo 5º. e a COMPETÊNCIA RATIONE PERSONAE. Mesmo na Constituição da ditadura militar. de acordo com o caso. submetem-se ao foro comum. nem commissões especiaes nas causas cíveis. o foro privilegiado sempre encontrou barreiras em se estabelecer. não haverá Foro privilegiado. consagrado na mesma Constituição. é tratado em diversas oportunidades como uma clara exceção ao princípio da igualdade. a Constituição. Tal dispositivo. por sua vez. 179. a matéria é o dado determinante da competência (como a militar. Assim foi também com o advento da República. eleitoral e do trabalho. agregou cláusula proibitiva. vedando tribunais de exceção: "Não haverá foro privilegiado nem tribunaes de excepção”. em que a função a que está vinculada a pessoa confere-lhe um foro especial. cuja definição se dá a partir de um atributo ou uma característica pessoal do litigante. constitui o foro privilegiado.O Foro Privilegiado Na Carta Magna. ou crimes". bastante polêmico. Apenas os crimes de responsabilidade e os comuns de natureza penal são submetidos a essa regra. como a militar. que por sua natureza pertencem a Juízos particulares. § 15. 153. Os demais ilícitos. entre os quais está o de improbidade administrativa. nº 25. em 1891. a Constituição de 1824 já dispunha de pontos fomentadores da igualdade de todas as pessoas perante a lei: "À excepção das Causas. juízes de Direito e Juízes federais. Mesmo durante a colônia portuguesa. a eleitoral). prevendo duas espécies de foro especial: a competência ratione materiae. contudo a Constituição. trouxe os seguintes . Essa competência especial.

ao mesmo tempo em que em seu art. em uma garantia assegurada à independência e à imparcialidade da justiça. Não haverá fôro privilegiado nem tribunais de exceção". Assim. mas em razão de cargos ou funções que esses exercem. analisando a evolução histórica do instituto. não se previu expressamente a vedação de foro privilegiado. No entanto. portanto. Ademais. nascida da experimentação traumática do período da ditadura militar. Pelo contrário. destinada a proteger o interesse geral. resulta o caráter de excepcionalidade da competência ratione personae no ordenamento jurídico . da relação com o Princípio da Isonomia. Para diversos juristas. o Supremo Tribunal Federal contribuiu explicitamente para a ampliação para ex-políticos do foro privilegiado no Direito brasileiro.termos: "A lei assegurará aos acusados ampla defesa. 5º. em suas origens pode-se confirmar a concepção de privilégio intrínseca ao foro especial em razão da pessoa. estabelece quem terá direito ao foro. aquela considerada a mais democrática das constituições brasileiras. brasileiro. Por outro lado. com os recursos a ela inerentes. a competência ratione personae estaria distante da noção de privilégio. ora o indivíduo investido de um cargo. Muito pelo contrário. na Constituição de 1988. Esta proteção do interesse público. recentemente. muito pouco tem sido feito para a revisão ou mesmo extinção do foro privilegiado. justifica-se em dar segurança aos agentes políticos com o fato de que serão julgados por um órgão colegiado de magistrados mais experientes e coaduna-se com o princípio da razoabilidade do nosso regime democrático e não estaria violando o princípio da igualdade. sendo decorrência disso a inequívoca desigualdade em relação aos demais cidadãos brasileiros. implicando. tem-se que a competência especial ratione personae configura-se em verdade como foro privilegiado. trazendo o instituto da ambiguidade à Carta e permitindo brechas para políticos e outros privilegiados cometerem ilícitos impunemente. por conta de não se estabelece em favor dos indivíduos. A discussão se avoluma quando se focaliza. XXXVII. ora a investidura de sua função. no sentido literal da garantido pela Constituição Federal. Às expensas da igualdade e da ética. dispõe que "não haverá juízo ou tribunal de exceção".

2007. Curso de direito constitucional. Instituições de direito constitucional. São Paulo: Saraiva. e sim às coisas que estão relacionadas com tais pessoas. Forense: Rio de Janeiro. e os privilégios reais. é imprescindível a análise do conceito de interesse público. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACCIOLI. embora redundem também em proveito delas. ARAÚJO. 10. São Paulo: Saraiva. Vidal Serrano. Assim. ed. Juristas classificam os privilégios em pessoais e reais.br/site/index. e os últimos. condiciona-se a sua admissibilidade à existência inequívoca de interesse público. http://www. 2. bem como à não-ocorrência de abuso. de se qualificar o foro privilegiado como uma concessão feita pelo ordenamento jurídico em face do princípio constitucional da igualdade. Wilson. portanto. Para tanto. NUNES JÚNIOR.expressão. sendo os primeiros concedidos à pessoa em razão de si mesma. ed. não às pessoas. em cujo significado parece-nos estar inserida a limitação do foro privilegiado. Fernando e tal. Luiz Alberto David. Em virtude. há que se atentar à necessidade de se estabelecer limites para a aplicação do instituto. 1981.com. 4. ed. n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10135 php? . os privilégios pessoais são efetivamente merecedores de reprimendas. CAPEZ.ambito-juridico. 2006. Curso de Direito Constitucional.