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LIVRES

PARA PENSAR

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PROF. ADAUTO LOCATELLI TAUFER ENSINO MÉDIO – 1OS ANOS

Mantido pela Sociedade Literária e Caritativa Santo Agostinho - Av.Protásio Alves 2493, Fone: 3331-9111 - CEP. 90410-002-Porto Alegre - RS - csines@santainesrs.com.br

LITERATURA BARROCA
SURGIMENTO O Barroco procura solucionar os dilemas de um homem que perdeu sua confiança ilimitada na razão e na harmonia, através da volta a uma intensa religiosidade medieval e da eliminação dos conceitos renascentistas de vida e arte. Em parte, isso não é atingido e as contradições prosseguiriam. O quadro abaixo pode esclarecer melhor o fenômeno.
Feudalismo Arte Medieval Teocentrismo Valorização da vida espiritual Mercantilismo Renascimento Humanismo Valorização da vida corpórea Crise da sociedade renascentista e Contra-Reforma Barroco Volta à religiosidade Dilaceramentos: alma x corpo vida x morte claro x escuro céu x terra, etc.

Assim: - o Renascimento recusa os valores religiosos e artísticos da Idade Média; - o Barroco tenta inutilmente conciliar a visão medieval da vida e da arte com a visão renascentista. Cumpre ressaltar a diferença entre o Barroco dos países protestantes e o dos países católicos. O Barroco protestante - que não nos interessa aqui - toma uma direção burguesa e secular*. Já o Barroco católico, em sintonia com a Contra-Reforma, adquire uma conotação extremamente religiosa, quando não mística. Como era de praxe na época, os estilos artísticos dominantes nas metrópoles foram copiados nas colônias e assim o Barroco das nações ibéricas irrompe na América Latina como um transplante cultural. A matriz desse movimento radica-se na Espanha, até porque Portugal - entre 1580 a 1640 - está sob o jugo do reino vizinho. As condições históricas espanholas são excepcionais para o desenvolvimento de um estilo artístico marcado pelo dilaceramento e pelo pessimismo. No início do século XVII, o país vive uma crise terrível: guerras perdidas na Europa, a perseguição à burguesia judaica, a ausência de indústrias, a violência da Inquisição e o colapso da agro-pecuária, dada a expulsão dos mouros que trabalhavam de maneira eficiente no campo. Nem o ouro nem a prata, arrancados das colônias americanas, conseguem amenizar o declínio da outrora grandiosa potência. A pobreza se espalha pela nação e uma profunda religiosidade impregna o cotidiano de todas as classes sociais, da nobreza aos excluídos. Ou seja, a mesma situação de desconforto econômico e de mal-estar cultural que viria ocorrer na Bahia de Gregório de Matos Guerra, algumas décadas depois. Neste panorama de decadência e fracasso emergem as obras de Góngora, Quevedo, Gracián e Calderón de la Barca que levarão a literatura barroca espanhola a um extraordinário patamar artístico, influenciando decisivamente poetas e prosadores latino-americanos do século XVII. * Secular: referente ao século, à vida profana. NOME BARROCO O termo parece nascer do vocábulo português barroco, que designava uma pérola irregular. Há quem afirme que a palavra origina-se de baroco, vocábulo utilizado por religiosos medievais para indicar um raciocínio falso e sem sentido. Durante todo o século XVII, barroco aparece com o sentido de extravagante e grotesco. É usado também na acepção de irregularidade e falta de harmonia em trabalhos artísticos. Todavia, podemos afirmar que os criadores do período não sabiam que eram barrocos e tampouco seu público os rotularia assim. Somente no século XIX, o conceito começa a se impor. Primeiro, ele ainda carrega um significado pejorativo de degradação das formas renascentistas. Depois, com o historiador da arte H. Wölfflin, surge a idéia de um estilo barroco, com características próprias e merecedoras de atenção. A partir de 1920, críticos de literatura, arquitetura, artes plásticas e música ampliam e expandem a noção de Barroco, configurando um brilhante período artístico no Ocidente, que se desenvolve desde os fins do século XVI e atinge todo o transcurso do século XVII. Cultismo e Conceptismo Na Espanha do século XVII, dentro do padrão barroco, aparecem essas duas designações literárias que se tornam símbolos do exagero verbal e de certa obscuridade do pensamento. Assim: Cultismo: • Busca da perfeição formal através de um estilo rebuscado.

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O comércio e a expansão do império ultramarino levaram Portugal a conhecer uma grandeza aparente. notadamente nos anos que se seguem ao domínio espanhol. dois anos depois. entre a lascívia dos novos tempos e a tradição medieval. por vezes incompreensível e de mau gosto. / é ferida que dói e não se sente. Traduz também o gosto pela agudeza do pensamento. Os principais representantes dessas duas tendências foram respectivamente Góngora e Quevedo. com as transformações ocorridas no Nordeste em conseqüência das invasões holandesas e. Sebastião originam em Portugal o mito do Sebastianismo (crença segundo a qual D. Conceptismo: • Tentativa de dizer o máximo com o mínimo de palavras. Galileu. a forma conflituosa e exagerada dos barrocos traduz um estado de malestar causada pela oposição entre os princípios renascentistas e a ética cristã. hipérboles. Na execução poética. De outro. Metáforas arrojadas e hipérbatos (inversões sintáticas) freqüentes. (Góngora) • Paradoxo: Amor é fogo que arde sem se ver. pode ser considerado o período áureo de Portugal. • Requinte expressivo e sutileza das idéias. a agricultura lusa era abandonada. marcada pela Inquisição (na verdade uma espécie de censura) e pelo teocentrismo medieval. Paralelamente. que aproveitou a crença surgida nas "trovas" de um sapateiro chamado Gonçalo Anes Bandarra. Estilo Complicado e Ornamental: se a harmonia formal dos clássicos correspondia ao equilíbrio interior e à sensação de segurança histórico-social. O quadro brasileiro se completa.• • Utilização contínua de neologismos. As colônias. principalmente o Brasil. Filipe II da Espanha consolida a unificação da Península Ibérica – tal situação permaneceria até 1640. (Gregório de Matos) 2 . / não se diga que é parte sendo todo. a Península Ibérica era um reduto da cultura medieval. / é dor que desatina sem doer. finalmente. A perda da autonomia e o desaparecimento de D. paradoxos e alegorias. É nesse clima que se desenvolve a estética barroca. CARACTERÍSTICAS 1. / a parte sem o todo não é parte. Kepler e Newton. com o apogeu e a decadência da cana-de-açúcar. notadamente seus primeiros 25 anos. Com o Concílio de Trento (1545-1563). Sebastião voltaria e transformaria Portugal no Quinto Império). duplos sentidos. Sebastião desaparece em Alcácer-Quibir. A unificação da Península veio favorecer a luta conduzida pela Companhia de Jesus em nome da Contra-Reforma: o ensino passa a ser quase um monopólio dos jesuítas e a censura eclesiástica torna-se um obstáculo a qualquer avanço no campo científico-cultural. tanto Cultismo quanto Conceptismo apresentam mais pontos de convergência do que de repulsão. por vezes brilhante. não deram a Portugal riquezas imediatas. A audácia verbal não tem limites: comparações inesperadas. contraditório. • Emprego de elipses.possibilitam alguns momentos criativos que se situam entre os mais altos da lírica ocidental. estabelecendo um estilo retorcido. MOMENTO HISTÓRICO Se o início do século XVI. D. o racionalismo clássico. levando adiante o sonho megalomaníaco de transformar Portugal novamente num grande império. palavras raras. Portugal vive uma crise dinástica: em 1578. na África. (Camões) • Jogo verbal: O todo sem a parte não é todo. no século XVII. a liberdade de expressão e pensamento. / é um contentamento descontente. com as pesquisas e descobertas de Francis Bacon. pela artificialidade da linguagem e pelo desejo de causar assombro no leitor. quando ocorre a Restauração (Portugal recupera sua autonomia). não é menos verdade que os 25 últimos anos desse mesmo século podem ser considerados o período mais negro de sua história. com a presença cada vez mais forte dos comerciantes. De um lado os estados protestantes (seguidores de Lutero – introdutor da Reforma) que propagavam o "espírito científico". antíteses. inversões nas frases. paradoxos. Frise-se também que os referidos estilos . O mais ilustre sebastianista foi sem dúvida o Pe. Vejamos alguns exemplos: • Metáfora: Purpúreas rosas sobre Galatea / A aurora entre lírios cândidos desfolha. contudo. Antônio Vieira. os redutos católicos (a Contra-Reforma) que seguiam uma mentalidade mais estreita. já que a Espanha é o principal foco irradiador do novo estilo. Enquanto a Europa conhecia um período de efervescência no campo científico. / mas se a parte o faz todo. Ao mesmo tempo que Lisboa era considerada a capital mundial da pimenta. (Góngora) (A luz rosada do amanhecer banha o corpo branco da jovem Galatea) • Antítese: A aurora ontem me deu berço. a noite ataúde me deu. o Cristianismo se divide.apresentados como formalismo desmedido e jogo de idéias labirínticas . com a decadência do comércio das especiarias orientais observa-se o declínio da economia portuguesa. sendo parte.

como nosso primeiro escritor. De fato. Nesse século. o clima aterrorizante de repressão . de Bento Manuel Teixeira. Mesmo assim. da ausência de livre debate e livre trânsito de idéias. assinale-se o gosto dos poetas barrocos pelo soneto. Góngora e Quevedo. 2.Por fim. da falta de democratização cultural. alegorias. XVII. BARROCO NO BRASIL: A literatura transplantada Ainda que alguns críticos e historiadores encontrem lampejos de genialidade e nacionalismo nas manifestações literárias dos séc. viver é ir morrendo aos poucos. • os cuidados com a alma visando à graça divina e à salvação para a vida eterna. a primeira obra de tendência barroca na literatura colonial. a instrução é privilégio de minorias. relativamente comum em nossa história cultural. distante da realidade. nossos letrados irão buscar no transplante estético e ideológico os fundamentos de seus objetos artísticos. SURGIMENTO NO BRASIL Alguns historiadores consideram Prosopopéia (1601). amedronta e tende a ser condenado. já se vislumbra na literatura de um Gregório de Matos. A partir de então o pensamento cristaliza. Poucos autores (Gregório de Matos e Antônio Vieira) resistem a uma leitura crítica. A Inquisição triunfante liquida os inimigos e tudo aquilo que tiver a imagem do novo inquieta. do qual é uma versão mais do que anêmica.montado pelas autoridades lusas . tela de Frans Post. paradoxos. Este orgulhoso império afundara ainda no século XVI. a vida é sonho. entendida como jogo verbal. ausência de clareza: é um estilo complicado que traduz os conflitos interiores do homem barroco. combatem os protestantes e espalham pelo mundo católico a sua implacável ideologia teocêntrica. só poderemos falar em elementos barrocos na segunda metade do século XVII. o poema celebra os feitos do capitão e governador da Capitania de Pernambuco. AUTORES BARROCOS GREGÓRIO DE MATOS GUERRA (1636(1636-1695) – B O C A D O I N F E R N O 3 . com as presenças de Gregório de Matos e Antônio Vieira. no mais das vezes. Compreende-se o fato: o sistema educacional . ensina-se um saber abstrato. Encontramo-nos perante textos que portam. Imitaremos os europeus: Camões. o homem barroco oscila entre: • a celebração do corpo. Jorge de Albuquerque Coelho. a não ser de uma tendência de literatura de bajulação.base de toda a atividade letrada . por exemplo. centrado muito mais no brilho da oratória que no estudo dos problemas do país. do gozo mundano e do pecado. Temática do desengano (o desconcerto do mundo): a vida é breve. predomina o pastiche*. Acrescente-se ao teor abstrato e ao elitismo de ensino. Como todo o pensamento capaz de questionar a realidade brasileira é considerado subversivo e demoníaco. a marca da submissão frente aos poderosos do tempo e do servilismo aos padrões estéticos portugueses. Apenas os filhos de senhores-deengenho freqüentam as instituições jesuíticas. com a destruição da harmonia social aristocrático-burguesa através das guerras religiosas. a ponto de certos estudiosos reivindicá-lo. perseguindo e expulsando sua burguesia empreendedora (quase toda judaica) e tornando-se um país parasitário. cheia de antíteses.reproduz as idéias mais conservadoras vindas de Portugal. seguindo a tradição renascentista. Os jesuítas. *Pastiche: imitação artística de baixo nível. Calcado em Os Lusíadas. complexa. 3. não podemos deixar de considerar a mediocridade quase que geral deste vasto período de cem anos. O texto insípido e de louvação à autoridade não tem sinais barrocos visíveis.e se terá um quadro aproximado da pobreza da vida intelectual. Custa a crer que se possa considerá-lo marca de qualquer coisa. apesar da cópia contínua. inversões. se no reacionarismo. 4. que surgem neste período. alguns traços de diferenciação da literatura européia. dando-lhe uma feição também colonizada. hoje. metáforas. Conflito entre corpo e alma: dividido entre os prazeres renascentistas e o fervor religioso.O Engenho. Arte da Contra-Reforma: expressando a crise do Renascimento. Além disto. É como se o estatuto colonial se infiltrasse na literatura. Elementos particulares da realidade colonial passam a percorrer seus poemas. Impedidos pela ordenação intelectual de atingirem uma verdadeira identidade. da vida terrena. 5. Aguda consciência da efemeridade da existência e da passagem do tempo. Linguagem ornamental. Em tais condições se torna impossível o nascimento de uma literatura singular que nos expressasse e documentasse.

índios. No ano seguinte. a 7 de abril de 1633. mulatos.Que fere o pudor. oportunismo. por seus poemas ferinos que atingiam a tudo e a todos (chamava os habitantes da Bahia de "canalha infernal"). sofrendo alterações impossíveis de serem identificadas com precisão até hoje.Diz-se de quem profere ou escreve obscenidades. Nesse mesmo ano . O prestígio de sua família impediu-o de ser condenado. Em 1640. sob o título de Obras. negociata. prega o seu audacioso sermão Contra as armas de Holanda. pobres livres. desonra. impuro.VIDA: Gregório de Matos Guerra nasceu em Salvador (Bahia). Ainda na década de 80. volta para Lisboa. Logo foi denunciado ao tribunal da Inquisição por comportamento escandaloso e por causa das sátiras.] Adjetivo. casou-se outra vez. Embora apoiado por D. Gregório de Matos deixou uma obra poética vasta. executou várias funções políticas e diplomáticas. implorando perdão para os pecados cometidos. a totalidade de sua obra se manteve inédita até os nossos dias. ingressou na Universidade de Coimbra. muitas vezes. mas não conseguiu recolher uma série deles. No ano de 1663. pela Academia Brasileira de Letras. e uma dimensão obscena*. Voltando ao Brasil. mas em 1694.Poesia religiosa: Apresenta uma imagem quase que exclusiva: o homem ajoelhado diante de Deus.alcunha pela qual era conhecido . dos versos atribuídos ao poeta baiano certamente foram escritos por autores anônimos. portanto. quando Afrânio Peixoto a reuniu em 6 volumes publicados no Rio de Janeiro.veio a morrer de uma malária contraída na África. já reconhecido. onde brotaria sua vocação sacerdotal. onde viria a se formar em Direito. tornando-se o grande pregador da Corte. desigual e.Poesia satírica: Ironia corrosiva e caricatural contra todos os setores da vida colonial baiana: senhores de engenho. Em seguida. Estudou no colégio dos jesuítas. para ele é vingança contra o mundo.perderam-se para sempre. entre 1923 e 1933. onde a explosão dos sentidos (em versos crus e repletos de palavrões) representa um protesto contra os valores morais da época. foi desterrado para Angola. mamelucos. Filho de família abastada e poderosa. Com seu olhar ressentido de senhor decadente. como eram chamados) para que injetassem capitais na economia portuguesa. tornou-se juiz em Lisboa. Vieira passou a defender abertamente o retorno dos judeus ("gentes de nação". assim como um sem número de textos criados pelo "Boca do Inferno" . Retornaria ao Brasil já com quarenta e seis anos. fidalgos. Filho de português e baiana. Exclusivamente poeta. Fez seus primeiros estudos no Colégio Jesuítico da Bahia. freqüentou o Colégio da Companhia de Jesus. Sentindo-se fortalecido. Muitos Paisagem brasileira. A poesia satírica. Seus poemas ficaram dispersos e continuaram circulando em folhas soltas e na tradição oral. completa inversão de valores.1695 . numa espécie de exílio involuntário. Assim a revolução capitalista que ele propunha para o seu país também naufragou. militares. com sessenta e um anos. de duvidosa autoria. muitas vezes associada à noção de brevidade da existência. . sendo nomeado para um lugarejo do interior português. obscenu. Gregório de Matos apenas teria publicado em vida um que outro poema. clero. tornou-se juiz. Com dezesseis anos. podemos apontar três matizes básicas em sua produção: . ordenando-se aos 26 anos. encontrava-se o jovem rei D. alto funcionário da Coroa. juízes. Dois anos depois foi destituído da condição clerical por levar uma "vida sem modo de cristão". ANTONIO VIEIRA (1608(1608-1697) Vida: Nasceu em Lisboa e veio menino (seis anos) para a Bahia com seu pai. Com os poemas disponíveis. desonesto. Entre os seus aficionados. A pedido dele. casando-se com a filha de um importante magistrado e da qual enviuvou em 1678. Gregório de Matos vê na realidade apenas corrupção. De lá pode retornar. *obsceno [Do lat. João IV. dispersos em bibliotecas ou conservados pela tradição popular. com a condição de morar no Recife e não mais na cidade da Bahia. Afrânio Peixoto fez uma edição crítica de seus poemas.Poesia amorosa: Tem uma dimensão elevada. mentira. 4 . foi duramente combatido pela Inquisição que terminou por indispô-lo com a autoridade real. em 1652. com Maria de Póvoas. 1. tela de Franz Post. João IV e tendo a confiança dos cristãos-novos. recebendo a tonsura (ordens eclesiásticas menores) e assim virando padre. no ano seguinte. Por isso. de fortes raízes em Portugal. etc. 2. . imoralidade. advogados. escravos.

religiosidade medieval e messianismo*. notável conjunto de obras-primas da oratória ocidental. E julga (de forma messiânica) que este império deveria ser reconstruído no Brasil. com sentimento nativista manifesto. constituem um mundo rico e contraditório. Frei Itaparica e as primeiras academias repetiram motivos e formas do barroquismo ibérico e italiano". Condenado pela Inquisição. o Barroco tem seu marco inicial em 1601 com a publicação do poema épico Prosopopéia. que ressuscitaria para levar Portugal a seu grande destino religioso e político. • Ataca os vícios (corrupção. regressou a território português. Obra principal: Os sermões (1679-1748). os dois principais autores – Pe. Os sermões. Botelho de Oliveira. Mantém-se ambíguo frente aos escravos negros: ora tenta justificar a escravidão. onde despertaria o ódio dos colonos por sua encarniçada defesa dos índios. o padre Antônio Vieira é um caso singular da época barroca com sua curiosa mistura de idéias avançadíssimas. Cardeais e membros da realeza deslumbravamse com os seus sermões. conseguindo absolvição e prestígio. Estende-se por todo o século XVII e início do século XVIII. viajou para Roma. com a fundação da Arcádia Ultramarina e com a publicação do livro Obras. já em pleno governo do Marquês de Pombal. assinalando a decadência dos valores defendidos pelo Barroco e a ascensão do movimento árcade. João IV. para a vida social portuguesa e brasileira de então. Antônio Vieira e Gregório de Matos – tiveram suas vidas divididas entre Portugal e Brasil. etc. mas nos deparamos também com uma atormentada ânsia da eternidade. a Inquisição usaria essas profecias para persegui-lo. como afirma Alfredo Bosi: "No Brasil houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII: Gregório de Matos. os indiferentes à religião e os católicos desleixados em relação à Igreja. João IV. na realidade ainda não se pode isolar a Colônia da Metrópole. Vieira passou vários anos se defendendo de seus inquisidores. Fernando Pessoa o chamaria de "Imperador da Língua Portuguesa". a ser comandado pelo próprio D. a revelar uma inteligência voltada para as coisas sacras e. caridade. Apesar de pertencer à tradição do pensamento português. No Brasil. No entanto. com a fundação da Arcádia Lusitana. e portanto mais próximo da literatura lusa que da brasileira.) • Combate os hereges. Após a morte de D. que introduz definitivamente o modelo da poesia camoniana em nossa literatura. ("O verdadeiro Império de Cristo"). modéstia. daí o nome Escola Espanhola. Neles encontramos uma grande crônica da história imediata. Amargurado. Porém. • Exalta os valores que nortearam a construção do grande império português. Vieira começara a forjar a utopia do Quinto Império. que só a religião parece atender. terminando por ser expulso do Maranhão e recambiado para Lisboa. História do Futuro (1854). de notável elaboração. de Bento Teixeira. etc. aberto aos novos ares da ideologia liberal burguesa iluminista. onde morreria com oitenta e nove anos. ora condena veementemente seus malefícios éticos e sociais.) e defende as virtudes cristãs (religiosidade. Por essas razões. (Vieira jamais se absteve das grandes questões cotidianas e políticas do seu século). O final do Barroco brasileiro só se concretizou em 1768. em 1669. arrogância. Em Portugal. RETOMANDO Mesmo considerando o Barroco o primeiro estilo de época da literatura brasileira e Gregório de Matos o primeiro poeta efetivamente brasileiro. o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades. juntamente com outros missionários. já a partir de 1724. neste capítulo não separaremos as manifestações barrocas de Portugal e do Brasil. ocorrida em 1656. • Defende abertamente os índios. a glória em Roma não lhe bastava. grande riqueza de idéias e imagens espetaculares. Disposto a retomar a luta a favor dos cristãos-novos. que caracterizará a segunda metade do século XVIII. mas sem renunciar à visão messiânica sobre o futuro de Portugal. decidiu voltar em 1681 para o Brasil. o movimento academicista ganhava corpo. o Barroco ou Seiscentismo tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica. Os Sermões • Utilização contínuas de passagens da Bíblia e de todos os recursos da oratória jesuítica para convencer os fiéis de sua mensagem. 5 . estabelecendo residência definitiva na Bahia. mesmo quando trata de temas cotidianos. simultaneamente. • Apresenta uma linguagem de tendência conceptista. de Cláudio Manuel da Costa. Ou. • Propõe o retorno dos cristãos novos (judeus) a territórios lusos como forma de Portugal escapar da decadência onde naufragara desde meados do século XVI. também dado ao Barroco lusitano. violência.fixou-se no Maranhão. O Seiscentismo se estenderá até 1756. Além disso. Mais uma vez fracassaria em seus intentos. Em Lisboa. Por nove anos enfrentou os escravistas. com a fundação da Academia Brasílica dos Esquecidos. Em sua segunda estada no continente europeu (1661-1681).