O que se esconde por trás de gesto tão benevolente...

Nessa semana, durante viagem à Etiópia, a nossa presidenta Dilma, num átimo de generosidade, presenteou 12 países africanos devedores do Brasil concedendo o perdão de suas dívidas no montante de 840 milhões de reais. Boa parcela desse dinheiro foi vergonhosamente desviada e, certamente, incorporada ao patrimônio privado de muitos governantes corruptos. Acostumados a enriquecer-se à custa de suas populações, agora darão prejuízos também a nós, indigno contribuinte brasileiro. Omar Al-Bashir, presidente do Sudão há mais de 24 anos no pode,r tem contra si 2 mandados internacionais de prisão e, em seu favor, 9 bilhões de dólares em paraíso fiscais. Pasmem! Apenas esse acaba de ser agraciado pelo perdão a dívida de 43 milhões de dólares que seu país tem com o Brasil. Tal ato de benevolência, digno de um gesto advindo de Madre Teresa de Calcutá, certamente não foi norteado pelo sentimento de solidariedade ao povo sofrido do Continente Negro. Ao contrário, cuida de cristalino favorecimento a empreiteiras, mineradoras e empresas do setor de produtos agrícolas que, no passado, fizeram expressivas doações eleitorais para a campanha presidencial. A Camargo Corrêa, segunda maior doadora, desembolsou cerca de 7,6 milhões de reais para a campanha eleitoral da então candidata Dilma Rousseff. A questão crucial é que tais empresas querem exercer suas atividades naqueles países com financiamento do BNDES (banco estatal). No entanto, nossa legislação não permite a concessão de financiamento público para empresas atuarem em países com dívidas, em atraso, junto ao Brasil. A empresa Camargo Corrêa foi convidada pela Guiné Equatorial (país com dívida perdoada) para tocar uma gigantesca obra orçada em mais de 2 bilhões de dólares. Com o gesto de “fraternidade cristã” evidenciada pela presidenta Dilma, duas problemáticas são resolvidas numa única tacada genial, digna de um grande jogador de golfe. 1ª) resolve o impedimento quanto ao financiamento com o dinheiro público (nosso “suado” dinheiro) deixando o caminho livre para essas empresas “amigas”; 2º) assegura as doações de cam panha para a próxima eleição presidencial. Quem sabe, a Camargo Corrêa, num ato de nobreza, venha dobrar o valor da doação de campanha em gratidão ao “perdão real” concedido pela nossa presidenta Dilma. Segundo informações de um assessor do planalto que preferiu o anonimato, “o perdão da dívida atendeu a um pedido dos financiadores de campanha”. Fazer caridade com o dinheiro dos outros eis a maior hipocrisia. Fere frontalmente os mais comezinhos princípios norteadores da Administração Pública e a dignidade do povo brasileiro vez que sentem tratados como “palhaços” de uma ópera bufa circense orquestrada por aqueles que detêm o poder político dessa nação. Em tempo: a medida adotada pela presidenta carece de ser aprovada pelo Senado Federal. Você tem alguma dúvida que tal medida será aprovada? Eu, NÃO. Às vezes me sinto um grandessíssimo idiota!