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SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO SERVIÇO SOCIAL INDIRA BRITO MATOS

CRIANÇAS ABANDONADAS NO BRASIL: UM PROBLEMA SOCIAL OU POLÍTICO?

Vitória da Conquista-BA 2012

Vitória da Conquista-Ba 2012 . Sergio de Goes Barboza. Adarly Rosana. Márcia Bastos.2 INDIRA BRITO MATOS CRIANÇAS ABANDONADAS NO BRASIL: UM PROBLEMA SOCIAL OU POLÍTICO? Trabalho de produção textual interdisiplinar individual graduação orientação em dos Serviço do curso de Social da Universidade Norte do Paraná EAD sob professores Lisnéia Rampazzo.

...............................................................3 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...............8 ...................................... 4 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................................................7 4 REFERÊNCIAS.................................4 2 DESENVOLVIMENTO..................................................

e assim teorias fundamentadas começaram a dominar as práticas de assistencialismo e serviços sociais. O presente trabalho irá abordar a questão social ou política que envolve o fato das crianças brasileiras se encontrarem em situação de total abandono. 2. a criança foi ganhando lugar de importância nas preocupações da sociedade e o ‘fenômeno do abandono’ deixou de ser aceito e tolerado.4 1. pois liberdade também é um direito do ser humano. marcando concepções de infância diferenciadas e conferindo-lhes um tratamento específico.INTRODUÇÃO É válido dizer que o abandono de crianças é algo histórico. Desse modo. nada pode substituir essas necessidades que todo ser humano necessita e tem direito. a miséria. Seu estatuto de sujeito aparece e desaparece em momentos da história. lixos e maternidades.DESENVOLVIMENTO Dentro da pobreza do país que pode ser encontrada a maioria dos casos de abandono das crianças. Dessa forma. as taxas de mortalidade se tornavam cada vez maiores. É comum o abandono tanto pela negligência. moradia e saúde são direitos insupríveis ao ser humano. ou seja. assim como também todo ser humano possui o direito de liberdade e não pode ser obrigado a ações que não queira realizar ou participar e não pode também obrigar outra pessoa a fazer. Crianças e adolescentes nem sempre foram vistos como sujeitos de ação. quanto o abandono nas ruas. Todo ser humano ao nascer deve estar assegurado as principais e mínimas condições para fazer parte da sociedade como cidadãos que são: os direitos à alimentação. de tal forma que os expostos passaram a ser vistos como cidadãos úteis que a sociedade não poderia excluir. educação. Diante disso. tornando mais frequente ao longo dos tempos. A maioria dos . pode-se dizer que há uma forte relação com a proibição legal do aborto. pouco a pouco. a falta de esclarecimento à população e a falta de amparo familiar.

gravidez não planejada (muitas vezes. Assim. entre eles: a rejeição do parceiro (pai da criança).permite respeitar o desejo dos pais de não processo). existem diversos níveis de abandono nesta relação. com mais de 20 anos.17). fruto de um relacionamento eventual). mas como um ato – e pode-se pensar. Atualmente tem-se conhecimento que o abandono é um problema que atinge tragicamente as sociedades e é de extrema importância que seja conceituado e compreendido. p. a entrega de um filho para adoção não pode ser vista necessariamente como “abandono”. em certo sentido.5 abandonos se dá por mães jovens solteiras. “Entregar” e “abandonar” possuem conotações e interpretações diferentes. ao mesmo que são vitais para o seu tempo. A definição mais elaborada para a expressão “abandono legal” se dá pelo consentimento necessário que os genitores ou representantes legais do adotando precisam dar para que ocorra a adoção. muitas vezes. embora possamos verificar no cotidiano que ambas as práticas coexistem. Em muitos casos. Diante disso. Entretanto. visando a encontrar novas formas de ação para prevenção e solução do problema. possibilidade à criança de ter a segunda melhor chance de desenvolvimento”. os motivos que levam uma mãe a abandonar o próprio filho são vários. se interligam e se misturam à pobreza material. falta de condições psico-afetivas (categoria abrangente que inclui a rejeição à criança) e de suporte familiar. e ausência de uma rede social de apoio. em dimensões diversas. com dificuldades financeiras. oferecendo. de educação primária incompleta. sem fontes maiores de sustento familiar e que engravida de uma relação eventual sem compromisso estável. no entanto. pais que não estão disponíveis para assumir sua responsabilidade. com trabalho incerto. Segundo Vargas: O “abandono legal” ”não está definido claramente no assumir o filho (agilizando o construir relações estáveis Estatuto da Criança e do Adolescente . O perfil predominante da mãe que abandona no Brasil é de uma mulher solteira. (1998A. “Abandonar” traz um grave aspecto de risco . são relevantes as considerações de Vargas no tocante à relação entre adoção e abandono. sem apoio do parceiro e da família.

e em caso de divergência. percebe-se uma clara tentativa de homicídio (crianças encontradas no lixo. As vivências traumáticas do abandono e da exposição são registradas e podem deixar marcas profundas na vida do abandonado. tem uma série de direitos próprios. qualquer um deles poderá recorrer à autoridade judiciária competente para sua solução. A doutrina que inspira a criação do ECA é a "Doutrina de Proteção Integral". cabendo a este. 23.). além de todos os direitos dos adultos.6 para a criança. no meio de descampados. por outro há uma divulgação de um conceito universal de infância a todos os setores da sociedade. Desde 1990. a cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais. em sacos plásticos. como largar a criança em via pública. Obriga ainda os pais. podem levar a criança à morte. 22. entre outros. no ponto de ônibus. Os deveres dos pais são: sustento. com a promulgação desta lei. Com a "prioridade absoluta" e o ECA. Sem falar nas consequências psicológicas danosas para a criança e para a mãe. Muitas vezes. que gera conflitos evidentes entre as práticas já instituídas. enquanto. guarda e educação dos filhos menores. que tem como princípio que as crianças. ao estado e à sociedade a obrigação da garantia destes direitos. na porta da casa de alguém. etc. decisões anteriormente tomadas pelo Juizado de Menores. por estarem em desenvolvimento físico e mental. ele é exercido em igualdade de condições pelo pai e pela mãe. enterradas. A não vivência do luto do bebê entregue ou abandonado pela mãe pode estar por trás de uma atitude descuidada frente a um novo relacionamento amoroso. no interesse dos filhos. há uma grande mudança na forma como diversos setores da sociedade civil vão lidar com a infância e a adolescência e juntos. No ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). “entregar” pode em muitos casos proteger a criança contra várias formas de violação de direitos. O Ministério Público vai ganhar um papel de destaque na defesa da criança e do adolescente. 24 e os procedimentos para sua perda nos artigos 155 a 163. Cabe a família. Se por um lado os novos sujeitos se apresentam como portadores de direitos. resultando em nova gravidez em busca do “bebê perdido”. . novos conflitos e paradoxos se instauram. na fossa. Consequências graves. o pátrio poder está disposto nos artigos 21.

sendo supridas de toda rejeição. . Por outro lado. a voz do pai. atenção. Em longo prazo. na sua maioria vão crescer como pessoas que não tem calor no contato com os semelhantes.CONSIDERAÇÕES FINAIS Para os bebês. O desconforto. dignidade e valorização como seres humanos em especial nos seus primeiros dias de vida. mas principalmente. espancamentos. o nascimento representa um corte radical em relação a tudo o que eles conhecem: a voz da mãe. e tentar minimizar os efeitos negativos da falta de uma figura materna. Isso nos leva a questionar: Há saída para essas crianças abandonas? Não é uma saída. Para os bebês abandonados. o ambiente familiar. os ruídos de seu corpo. a burocracia impede uma facilidade maior no processo de adoção. devido relações superficiais.7 3. A adoção. elas. da ausência do calor materno. atrasa sua adaptação ao meio. para proteger o desenvolvimento do bebê. Devem ser feitos esforços para a manutenção da maternidade. bem como ajudar ao próximo como a si mesmo. pois o que lhes falta vai muito além da questão de cuidados e recursos materiais. a mudança de quem recebe cuidados afeta muito o seu desenvolvimento emocional. Como os abrigos que cuidam dessas crianças são poucas e com deficiências. acolhidas. torturas e até mesmo morte de crianças pelos próprios pais adotivos. e falta de amor. tudo aquilo que permite a um recémnascido se situar nos primeiros momentos de sua vida desaparece. fica quase impossível serem supridas emocional e fisicamente. a realidade dessas crianças chega a doer muito. e sim uma forma de entender e compreender a do que leva uma mãe a abandonar o próprio filho. pois isso atrapalharia seu desenvolvimento e de sua saúde mental. que deveria ser um processo sadio e uma saída para crianças abandonadas a se sentirem amadas. o sofrimento. infelizmente a cada dia descobre-se notícias e escândalos com abusos sexuais. Os bebês e crianças abandonados ou entregues para os cuidados institucionais contam apenas com o suporte social. enfim.

São Paulo: Cortez. Estatuto da criança e do adolescente. Psicologia Social. Metodológicos do . BRASIL.org/scielo. Adarly.8 4.php? script=sci_arttext&pid=S010201881999000100003>.REFERÊNCIAS BARBOSA. Sociologia.scielo.scielo.br/scielo. ROSANA.php? pid=S141342008000200014&script=sci_arttext> <http://www. 1990 RAMPAZZO. Teóricos e Serviço Social II Sites Utilizados: <http://pepsic.br/scielo.bvsalud. Lisnéia.php? script=sci_arttext&pid=S0104026X2007000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=pt> <http://www. Fundamentos Históricos. Sergio de Goes.