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Reflexões: Quem odeia a teoria agora? Aula:26 Na palestra de numero 26, Quem odeia Teoria agora?

, Paul Fry abordada a questão de como a teoria pode ser utilizada como base para se suspeitar do processo de comunicação. Para tanto ele lança mão de uma serie de conceitos trabalhados anteriormente em outras palestras.

1-Linguística Poética de Roman Jakobson Para Jakobson a linguagem deve ser estudada em toda variedade de suas funções. Mas, antes de discutir a função poética, deve definir as outras funções postuladas por Jakobson. Deste modo, o lingüístico teve uma grande influência do semiólogo Charles Sanders Pierce que defende a ideia de que “não é a presença ou ausência absolutas de similitude ou de contigüidade entre o significante e o significado [...] que constituem o fundamento da divisão do conjunto de signos em ícones, índices e símbolos, mas somente a predominância de um desses fatores sobre os outros” (Costa, 2008, p. 104). Ou seja, tanto para Pierce quanto para Jakobson as funções da linguagem não existem de forma pura; elas se mesclam o tempo todo. Embora elas conviverem juntas e obtendo combinações, sempre haverá uma função predominante. Ou seja, “a diversidade reside não no monopólio de alguma dessas diversas funções, mas numa diferente ordem hierárquica de funções”. (JAKOBSON, 1970, p.123)

2- Poliglossia Bakhtiniana A poliglossia a partir de Bakhtin seria a multiplicidade de línguas nacionais ou étnicas presentes numa obra, no caso, o romance. 3- O inconsciente Lacaniano O psicanalista francês Jacques-Marie Émile Lacan afirma que existe a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da psicanálise. Esse registro é o do Simbólico, é o campo da linguagem, do significante. Lévi-Strauss afirmava que "os

Estes se alinham um após outro na cadeia da fala. existe uma intencionalidade do falante ao produzir qualquer discurso e não seria sequer racional negar essa realidade. Para Saussure é um “ato individual de vontade e inteligência” (SAUSSURE. Backtin e o inconsciente segundo o teórico francês Jacques Lacan. em virtude de seu encadeamento. posições que muitas vezes se chocam com as reais intenções do produtor. relações baseadas no caráter linear da língua. 1995. chistes e de relatos de sonhos. A Fala é a parte individual da Linguagem que é formada por um ato individual de caráter infinito. onde o inconsciente se manifesta. A isto se refere o aforismo lacaniano "o inconsciente é estruturado como uma linguagem". discurso e intenção. Este é o Grande Outro que antecede o sujeito. no que é seguido por Lacan. fazer pressão sobre o texto a ser interpretado. de modo sobre a fazer com que emirja no texto “uma fala da fala”. o professor Paul Fry. Segundo o professor. discursos escondidos. "o desejo é o desejo do Outro". segundo Fry. que exclui a possibilidade de pronunciar dois elementos ao mesmo tempo.” (SAUSSURE. 1995). p. É preciso. esquecimentos. Tais combinações. 4.símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam. O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala. a questão da interpretação está localizada além da mera identificação das intenções do produtor do discurso.22). 1995. que se apóiam na extensão. podem ser chamadas de sintagmas. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica. naqueles fenômenos que Lacan nomeia como "formações do inconsciente".142) Após retomar os conceitos expostos acima. começa a explicitar as relações entre língua. o significante precede e determina o significado”. p.Língua na tradição de Saussure “A língua é um sistema cujas partes podem e devem ser consideradas em sua solidariedade sincrônica” (Saussure."o inconsciente é o discurso do Outro". Esse posicionamento de Fry retoma os conceitos de dialogismo construído por Mickail . “No discurso. Sobre a questão da intencionalidade e do sentido de uma obra Jonhattan Culler ressalta que. que só se constitui através deste . linguagem. através de atos falhos. os termos estabelecem entre si. enfim. Contudo.

1999. poderia ser visto também como alegoria para a relação entre a linguagem e a fala. o escritor seria então sujeito que deseja a todo o custo dominar a linguagem. pois a fala (discurso) sempre mente. Ao finalizar a palestra Paul Fry explicita quais são aquelas que ele define como as três teses da língua. 1. A língua por si mesma não diz nada sobre a realidade justamente por ser arbitraria. A língua nunca faz sentido.63) A partir desses argumentos.A grande questão é que. a própria linguagem). mostrando-nos como pensar algo que nossa língua não havia previsto anteriormente. 2. para Fry. a maneira como vemos o mundo se relaciona diretamente com a língua que falamos (a divisão langue/parole saussuriana é muito importante para o todo do argumento). (CULLER. sendo a língua não uma maneira de nomear as categorias do mundo. 3. As obras de literatura exploram as configurações ou categorias dos modos habituais de pensar e frequentemente tentam dobrá-las e reconfigurá-las. O caminho para a realidade é criado pelas intenções do falante. mas a entidade que estabelece essas categorias. p. ou da ineficácia do processo comunicativo: “por mais que eu diga você não ouve. Mas. Seguindo essa pressuposição. o professor introduz o conceito de que a língua é o epitáfio da fala. O sentido é sempre formado pelo falante ao lutar com a língua para molda-la a seus propósitos comunicativos. por mais que explique você não entende o que quero dizer”. esbarram na questão da intenção do falante: alguém poderia dizer que o epitáfio mostra o estado decadente do homem. o epitáfio. é formada por signos arbitrários que não são naturais. que todos. a linguagem é que é origem da língua (posicionamento que guarda semelhanças com o estruturalismo de Noam Chomsky: a língua é o desempenho de uma competência anterior. outra pessoa poderia argumentar que ele é uma lamentação do próprio morto ao verificar a indiferença das pessoas ante a sua doença. Usando como exemplo o epitáfio “eu disse que estava doente” Paul Fry descreve as várias maneiras de se interpretar esse enunciado destacando. invariavelmente. e que é a linguagem que por meio de suas normas internas e universais que domina da língua. nos forçando a atentar para categorias através das quais vemos o mundo irrefletidamente. contudo. A grande questão é que não é possível dizer exatamente o que se quer dizer. .

tanto pelas propriedades constitutivas do texto. p.69). Encontrar o sentido de um texto é um ato que nunca pode ser dado por encerrado. e essa é a importância da teoria. . e como demonstrado por Fry em todas as suas aulas. diferentes abordagens teóricas podem resultar na localização de diferentes sentidos de um mesmo texto. ela funciona como um norte o processo de interpretação.O que Paul Fry deixa claro ao final de sua palestra é que todo o processo de significação é na verdade fruto de construção. (CULLER. 1999. quanto pela subjetividade do leitor. o sentido de uma obra se dá sempre em uma via de mão dupla.

In: MARTELOTTA. Manual de Lingüística. Linguística.A. São Paulo: Contexto.BIBLIOAGRAFIA COSTA. . SAUSSURE. Roman. 1998. (1953). São Paulo. In:______ Escritos. M. 1999. perspectiva 1970.) et al. M. 2008. São Paulo. CULLER. Teoria da literatura: uma introdução. J. São Paulo: Cultrix. Estruturalismo. JAKOBSON. Jonathan. 1995. José Paulo Paes e Izidoro Blikstein.Poética. F. Beca produções Ltda. (Org. “Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise”. LACAN. Cinema. Curso de Lingüística Geral.E. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.