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INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS 

  1 – Introdução.    2 – Quase realismo jurídico;    3 – Parte Geral (questões que chegaram ao Judiciário), para “construir regras”    4 – Parte Especial        ADI 395, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 17‐5‐07.  ‐ A retenção da mercadoria até a prova da posse legítima não é sanção política (EMENTA). [era  uma previsão da CE de SP de que a apreensão de  mercadoria desacompanhada de NF idônea não  representa limitação ao tráfego] O voto cita julgamento do STJ, da lavra do Min. Fux, no sentido de  que só configura sanção política a apreensão que visa o pagamento coercitivo de tributos, e não  aquele que se insere no poder de polícia      Corte, Julgado  Questão  Regra  STJ, REsp 1105931  STJ, REsp 1141785    É legal exigir garantia para  liberar mercadoria durante  procedimento de verificação de  possível fraude punível com  perdimento (art. 68, MP 2158),  inclusive no caso de não  comprovação de o importador  ser o real adquirente (art. 7, IN  SRF 228)..  É legal a penalidade de  inaptidão do CNP, prevista no  art. 29, IN SRF 200, com base  no art. 81, da Lei 9430/1996.     CONTRA: TRF4, AC  2006.72.05.006036‐0, no qual  se decidiu que, nos termos do  art. 33, da Lei 11488/2007, a  interposição fraudulenta não  implica inaptidão, mas apenas  multa.  Exige‐se uma tipicidade  explícita para a pena de  perdimento, que, no caso da  interposição fraudulenta, só  surgiu com o alargamento da   aplicação desta pena com a 

STJ, REsp 1077178 

A empresa intermediária, que  se apresentou como verdadeira  adquirente, sem ter condições  financeiras, questionou a  aplicação das penas de  perdimento e de inaptidão do  seu CNPJ 

STJ, REsp 1019136 

O preenchimento da DI com  dados incorretos (uso de  terceira pessoa ‐  empresa  intermediária, que não tinha  capacidade financeira para a  operação) configura, por si só,  1

 cedendo seu nome.  abona o entendimento de que  não houve a revogação da pena  de perdimento para a hipótese  retratada nos autos.08.005166‐ A superveniência da Lei 11488.  com a redação dada pela Lei nº  10. quando da edição da  Lei 10. sujeito oculto da  operação de importação.  6/SC   prevendo pena de 10 % para o  sujeito oculto da operação.  permanecem incólumes. Essa  complementação legal.637/2002. o real adquirente da  mercadoria.002353‐ É possível devolver a  2 . AMS 2005. do Decreto‐lei Lei nº   1.  constante do parágrafo único. da pena pecuniária.  81 da Lei nº 9. faz a  importação. Isso porque.  “O artigo 33 da Lei nº 11.  expressamente. estatui que "à hipótese  prevista no caput  deste artigo  não se aplica o disposto no art.  de 15 de junho de 2007. não  tem o condão de afastar a pena  de perdimento. porquanto exclui. prevista no referido  dispositivo legal. a  pena de perdimento atinge. em nome próprio. apenas a  possibilidade da aplicação da  sanção de inaptidão do CNPJ.637/2002. AMS 2005.00.  Quanto às demais penas. revela‐se  como pena pessoal da empresa  que.430. por sua  vez.488. Julgado  Questão  falsidade ideologica passível de  perdimento ou só é ilícito  aduaneiro se houver a previsão  específica da conduta de  interposição fraudulenta ?  Regra  inclusão do inciso V.  para terceiros.70. porquanto não  implicou em revogação do  artigo 23 do DL nº 1.455/76. no artigo  23.Corte. A  pena de multa de 10% sobre a  operação.  havendo a previsão. Antes o  confirma.72.  teria revogado a pena de  perdimento ?  TRF4. em  verdade. agora  também. O parágrafo  único do aludido artigo.  nos termos do caput do aludido  preceptivo legal.455/76. de 27 de  dezembro de 1996".”  Para evitar a ineficácia da pena  TRF4.

  VI. APELREEX  2007.Dec.    [7] TRF4. ela estava  presente.72.7104/RS.AC 0003059‐ 60. DL 37/66). 104.  Exige‐se o dolo ou má‐fé para  configurar a interposição  fraudulenta ?  3 . a má‐fé (presumida)  decorreu da não habilitação  prévia da real importadora e  houve a interposição provada  pela ausência de demonstração  do numerário necessário para o  contrato de câmbio.2010.    [2] A confissão.04. mas o voto deixa  clara a desnecessidade. ainda se  fosse necessário. AC 5000398‐ 65. AC  2007.70. é vedado  reaver a mercadoria ao  exportador ou retomar o  despacho aduaneiro por este.046205‐1.    [5] TRF4.2009.01.004556‐0/SC. do CTN.000804‐6/PR.404. há aparente  necessidade. por conta de  [1] TRF4. em face  do art.70.005106‐5. exigindo‐se provas  inequívocas para elidir a  presunção de boa‐fé [não era  caso de interposição  fraudulenta.71. mas também regular  as relações de comércio  exterior e proteger a indústria  nacional. e não mera suposição.  para vencer a presunção de  boa‐fé do importador. a  pena de perdimento não se  confunde com a relação privada  entre o exportador estrangeiro  e o importador (real ou  fraudulento) brasileiro.03. e. Julgado  0  Questão  mercadoria ao exportador  estrangeiro ?  Regra  de perdimento.00. feita depois de  iniciado o PECA.    [2] TRF4.Corte.    [4] A pena de perdimento não  pode estender‐se à conduta  daqueles que não agem com  malícia. Em. não configura  boa‐fé.    [6] TRF4.404.    [3] Há necessidade de prova  robusta. pois a  sanção busca resguardar não  apenas o interesse financeiro  do Fisco.  [1] Na Ementa. AI  2005.    [4] TRF4. APELREEX  2007.10.7208/SC/    [3] TRF4. mas de desvio no  caminho de veículo (art. AMS  2004. 136.01.027960‐9 .

 23. que a máquina já  estivesse nacionalizada e fosse  apresentada uma nota fiscal  brasileira de terceiros]    OBS: diferença entre a  interposição presumida (art.  mediante fraude ou simulação.Corte. do CTN [mas eram  vário os indícios e o argumento  foi “obiter dicta”]    [7] O que é punido é a fraude  ou artifício malicioso.    [6] o dolo não é exigido para  configurar a tipicidade da pena  de perdimento. [o PROGER  exigia.  4 . aplicando‐se o  art. 136..  23. Consideram‐se dano ao  Erário as infrações relativas às  mercadorias: (. na hipótese de  ocultação do sujeito passivo. V. pois este é  procedimento preparatório do  devido e posterior (se  justificado) procedimento  administrativo de perdimento. comprador ou  de responsável pela operação.  na importação ou na  exportação.. para liberação dos  recursos.)  V ‐ estrangeiras ou nacionais.  parte final) DL 1455:   Art 23. do  real vendedor. Julgado  Questão  Regra  problema nos freios]    [5] A prova da existência de  interposta pessoa em  importação não é  condicionante do próprio ato  cautelar de apreensão de  mercadorias. que não  ocorre no caso de importação  direta inviabilizada por  exigência do agente financiador  (CEF) de nota fiscal em nome  de empresa diversa. §2º) da real (art.

 de 30. AMS 200451010155494  TRF4. do CTN.72.. AMS 200283000190247  ‐ descompasso entre a movimentação financeira  da empresa importadora e o valor das  importações que realiza. de 30.12.  disponibilidade e transferência  dos recursos  empregados.  ‐ Diferença entre o importador identificado nas  etiquetas das mercadorias e o importador que  registrou a DI.  ‐ inexistência de declaração de renda da  empresa e seus sócios nos três anos que  antecedem a importação.637.      Corte. 2004. Julgado  Conjunto de indícios aceito  TRF5.2010.2002)      Conclusão (?):   ‐ a elementar “fraudulenta” induz à necessidade de análise do elemento subjetivo.637. de  30.00. AC 5013884‐62.  136.01. prever a responsabilidade objetiva ?  ‐ seria possível concluir.(Incluído pela Lei  nº 10.Corte.404.72. por indução.7000/PR  .  (Incluído pela Lei nº 10.  TRF4.011820‐2/SC.  ‐baixo consumo de energia elétrica no endereço  em que funciona.(Incluído pela Lei nº  10. sem  5 TRF2.2002)(.005424‐8/SC  TRF4.)  § 1º O dano ao erário  decorrente das infrações  previstas no caput deste artigo  será punido com a pena de  perdimento das mercadorias.  ‐ Triangulação irregular realizada entre 2 (duas)  empresas e um sócio em comum.637. Julgado  Questão  Regra  inclusive a interposição  fraudulenta de  terceiros.  ‐ Conhecimento de transporte em nome de  Empresa desabilitada a importar. AC 2006. apesar do art.12..2002)  § 2º Presume‐se interposição  fraudulenta na operação de  comércio exterior a não‐ comprovação da origem. numa regra de culpa subjetiva com inversão do ônus da prova  ?  ‐ juiz não é paranormal: construção do elemento subjetivo por meio da análise de indícios  objetivos.12.

 IMPORTAÇÃO POR  CONTA E ORDEM DE TERCEIRO COM INDÍCIOS DE INFRAÇÃO PUNÍVEL COM A PENA DE  PERDIMENTO.  ‐ divergência entre as assinaturas do suposto  sócio da empresa importadora no contrato  social e alterações (depois ouvido em juízo disse  que assinou vários papéis – era laranja) +  negativa de entrega do “conhecimento de carga  marítimos” sob suposto sigilo comercial (que  demonstrariam se os produtos vieram do  Panamá ou do Uruguai) + divergência de datas  entre NF.  ‐ as marcas importadas são representadas no  Brasil pela empresa X. AC 2005. passou a  ser direcionada para o canal Cinza e.033972‐8/RS                PROCESSUAL CIVIL.   TRF4. SÚMULA 7/STJ.71. A  Súmula n.71.Corte.03. LEGALIDADE DA IN/SRF Nº 228/02.  sendo que a empresa A passou o faturamento  de 20 milhões para 0 e a B de 0 para 20 milhões. e 37. 5º. Julgado  Conjunto de indícios aceito  comunicação à Fiscalização quando da  habilitação para importação. AI 2004. sendo inviável  o conhecimento do recurso pela suposta ofensa aos artigos.10.004657‐1  ‐ Empresa com mesmo  procurador/representante de outra importadora  que.158/01.01. ‐ Caso de exportação !  ‐ Lucro “negativo” (NF de saída em valor menor  do que o de entrada)  + etiquetas em outro  nome. 7/STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial") impede  que esta Corte revisite o Mandado de Procedimento fiscal a fim de verificar se o mesmo foi ou não  6 . AC 2006. AC 2008. sob suspeita de subfaturamento.  TRF4. inciso II. 68. Conhecimentos de Carga etc.000955‐7  TRF4.01. Refoge ao âmbito do recurso especial a análise de temas de ordem constitucional.  POSSIBILIDADE. TRIBUTÁRIO.  ‐ Empresa B constituída por dois ex‐empregados  de empresa A (fiscalizada pela Receita) que  tinham renda anual aprox. [ a empresa X  emprestou dinheiro à sócia S – 5 % das quotas – .003797‐0/RS  TRF4. 2. na mesma  época. ART. deixou de importar. de seis mil reais.04. EXIGÊNCIA DE GARANTIA PARA A LIBERAÇÃO DA MERCADORIA APREENDIDA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. da CF/88.  1. da  qual S também é sócia ].72. mas os valores eram depositados diretamente  na empresa Y. DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2. que importou a mercadoria.

 assim. afirma que não comprovada a condição de real adquirente  ou vendedor. ao regulamentar a MP 2. 7º da IN/SRF n. dispõe acerca da aplicação da pena de perdimento. STJ ‐ SEGUNDA TURMA. 3. que condiciona a prestação de garantias  à verificação da incompatibilidade do valor das importações com o capital social ou o patrimônio  líquido do importador ou do adquirente. não provido. no caso de ocultação do  sujeito passivo. 7. Não há conflito entre o art. 68 da Medida Provisória n. 23 do Decreto‐Lei n. inciso II. da MP 2.158/01.)  7 . comprador ou de responsável pela operação de importação ou  exportação.º 228/02. 4. inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. com as alterações  da Lei n. até a conclusão do procedimento especial.  que não há qualquer ilegalidade da exigência da prestação de garantia para a liberação das  mercadorias importadas por conta e ordem de terceiro quando há procedimento fiscal de  investigação onde são apontados indícios de infração punível com a pena de perdimento.158/01. 80.º 10. o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação fica condicionado à  prestação de garantia. pois tratam de situações diversas. DJE  DATA:10/02/2011.º 2. O art.º  228/02. 5. O art. na forma a ser disciplinada pela Secretaria da Receita Federal. já que o normativo tem  seu fundamento de validade em outro artigo da mesma medida provisória. do real vendedor.637/2002. 8.º 1.  (RESP 200802582438. MAURO CAMPBELL MARQUES. nessa parte. mediante fraude ou simulação.455/76.excedido por parte da autoridade fiscal. 6. com a liberação mediante a adoção de medidas de cautela  fiscal.  Recurso especial parcialmente conhecido e. 7º  da IN/SRF n. e o art. O  art. Verifica‐se.158/01 prevê que as mercadorias importadas com indícios de  infração punível com a pena de perdimento podem ser retidas pela autoridade alfandegária  durante o procedimento de fiscalização.