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BIOMECÂNICA DO TECIDO ÓSSEO

INTRODUÇÃO

Os ossos quando analisados sob o aspecto anatômico, parece tecido que pode ser submetido a indiscriminados esforços mas ao mesmo tempo nos apresenta uma face frágil, de um material homogêneo, quebradiço. HALL (1991) nos coloca que o osso, traz à mente uma imagem de tecido morto, um pedaço de mineral seco e frágil. Porém uma das propriedades importantes do osso é a sua força e sua dureza, mas o tecido ósseo, é também elástico, isto é, quando, submetidos à ação de uma força, sofrem uma deformação mas, cessando a força voltam ao seu estado inicial, contrário os corpos plásticos que são aqueles que, submetidos à ação de uma força se deformam, e, cessada a força não voltam mais ao seu estado inicial. Por sua propriedade elástica, lhe permite suportar, até certo ponto, forças de compressão e de tração sem sofrer fratura. Quando um corpo elástico é submetido a uma força de tração, ele sofre um certo alongamento. Se a força de tração for maior, o alongamento sofrido também será maior, ou seja, o alongamento sofrido pelo corpo é proporcional a intensidade da força aplicada. Portanto, para os corpos elásticos, existe proporcionalidade entre as forças aplicadas e as deformações produzidas. Este é o enunciado da lei de Hooke e se as forças forem aumentadas, o corpo sofre rotura: este é denominado ponto de rotura, mesmo podendo o sistema ósseo suportar sobrecargas muito altas, como aquelas que ocorrem na prática esportiva. Para isso provoca elevação na densidade óssea em relação aos indivíduos não atletas (NILSSON e WESLIN, 1971), necessitando de uma organização desde o nível microscópico até o macroscópico que consiga dissipar o máximo esta força que em muitos casos chega a ser destrutiva, a exemplo dos saltos, como estudado por HASAN e RANU (1994) que verificaram através de modelos matemáticos, que seis saltos seriam o suficiente para causar fratura óssea, orientando assim que se invistam estudos sobre os calçados e outros suportes que possam reduzir as fraturas. Outro tipo que envolve uma sobrecarga que atinge níveis muito altos para o sistema ósseo, é o salto triplo, que no segundo salto, a reação do solo sobre o centro de gravidade do atleta chega a onze vezes o peso corporal (AMADIO, 1989), prova disto foi o caso do triplista americano, Stark, que ao realizar um de seus saltos, próximo as Olimpíadas de 92 em Barcelona, produziu uma fratura exposta da tíbia, um osso considerado de alta resistência por sua constituição e forma. Estes exemplos nos apresentam um osso, cujo material não responde em forma de ruptura por ter sido aplicado uma força de alta magnitude, mas por ter sofrido um número de repetições suficientemente grande que o levou ao limite e finalmente a ruptura. Neste sentido o osso se organiza internamente desde o seu desenvolvimento no mesênquima, em células e um material intercelular calcificado, que é a matriz óssea. A MATRIZ 50% de seu peso é de parte inorgânica. Os íons mais encontrados são o fosfato e o cálcio. Há também o bicarbonato, magnésio, potássio, sódio e citrato em pequenas quantidades. O cálcio e o fósforo formam os cristais de hidroxiapatita. Esses cristais arranjam-se ao longo das fibrilas colágenas e são envolvidos por substância fundamental amorfa. A parte orgânica da matriz é formada por fibras colágenas (95%) e por pequena quantidade de substância fundamental amorfa que contém glicoproteínas ácidas e neutras, formadas por mucopolissacarídeos associados a proteínas. Como componentes das glicoproteínas ácidas do tecido ósseo, encontramos a condroitina-4-sulfato e o queratossulfato. As células que eram indiferenciadas passam a se diferenciar em osteoblastos cuja função é sintetizar a parte orgânica (colágeno e glicoproteínas) da matriz óssea. Os osteoblastos dispõem-se sempre na superfície óssea. Estas células possuem prolongamentos citoplasmáticos que se prendem aos dos osteoblastos vizinhos. Quando os osteoblastos são envolvidos pela matriz estes prolongamentos passam a formar os canalículos que se irradiam das lacunas que são os locais onde os osteoblastos foram envolvidos. Os canalículos na matriz são responsáveis pela difusão

O periósteo cobre todo o osso exceto as superfícies articulares. o periósteo e o endósteo. ocupando lacunas das quais partem canalículos. como os contidos nas caixas craniana e torácica e no canal raquidiano aloja e protege a medula óssea. nervos e tecido conjuntivo frouxo. que podem ficar paralelas umas às outras. A associação de hidroxiapatita com fibras colágenas é responsável pela dureza e resistência caracterísiticas do tecido ósseo. Ao longo dos ossos. pois áreas de reabsorção óssea aparecem nos locais que perderam o revestimento conjuntivo ou a camada de osteoblastos. com as superfícies externas e internas do osso e com os canais vasculares da matriz. Estes canais comunicam-se entre si através de canais transversais ou oblíquos. portanto são capazes de concentrar cálcio no seu citoplasma. Proporciona apoio aos músculos esqueléticos e constitui um sistema de alavancas que amplia as forças geradas na contração muscular. Os osteócitos são as células existentes no interior da matriz óssea. Após o envolvimento pela matriz. O PERIÓSTEO é formado por tecido conjuntivo denso. O tecido ósseo é um dos mais resistentes e rígidos do corpo humano. osteogênica contém células ósseas (osteoblastos) responsáveis por gerarem um novo osso durante o crescimento e reparação. existe um canal que é o canal de Havers. deixando as partes terminais dos canalículos ocupadas por substância fundamental amorfa. que aparecem nas superfícies ósseas quando ocorre reabsorção do tecido relacionadas com a reabsorção do tecido ósseo e que participam dos processos de remodelação dos ossos. muito fibroso em sua parte externa e mais celular e vascular na porção interna junto ao tecido ósseo. Gradualmente estes osteócitos retraem os prolongamentos. ou se dispõem em camadas concêntricas em torno de canais com vasos. Os osteócitos e os osteoblastos contém fosfato de cálcio unido a proteína ou glicoproteína. . As fibras colágenas organizam-se em lamelas de 3 a 7m de espessura. as quais são cobertas com cartilagem articular.da nutrição pelo tecido permitindo assim uma comunicação dos osteócitos com seus vizinhos. o endósteo reveste a cavidade central (medular) a qual está preenchida com medula gordurosa amarela. Esta camada externa é permeada por vasos sanguíneos e fibras nervosas que passam pelo córtex via canais de Volkmann. com forma de amêmdoa e prolongamento citoplasmáticos. o osteoblasto passa a ser chamado de osteócito. Todos os ossos são revestidos em suas superfícies externas e internas por membranas conjuntivas. contendo de 6 a 50 núcleos ou mais. que constituem vasos. Este porém pode suportar maior deformação antes de fraturar. Os osteócitos são essenciais para a manutenção da matriz mineralizada do osso e sua morte é seguida por reabsorção da matriz. Segundo NORDIN (1989) todos os ossos estão circundados por uma densa membrana fibrosa denominada periósteo. São células achatadas. formadora de células do sangue. os canais de Volkmann. uma membrana mais delgada. móveis. O osso cortical por seu grande conteúdo mineral é mais rígido suportando mais estresse porém menos alongamento ou deformação que o osso esponjoso. gigantes. As células do periósteo que morfologicamente são fibroblastos. Osteoclastos são células globosas. Cada sistema de Havers é constituído por um cilindro longo no qual no centro. que conectam-se com os canais harvesianos e estendem-se ao osso esponjoso. que ao menos nos ossos recém formados ocupam toda a extensão dos canalículos. transformam-se muito facilmente em osteoblastos e têm importante papel no crescimento dos ossos e na reparação das fraturas. O revestimento das superfícies ósseas é essencial para a manutenção do tecido. formando os sistemas de Havers. Uma camada interna. respectivamente. serve para suporte das partes moles e protege órgãos vitais.

particularmente o de compressão. O material orgânico é representado principalmente por sais de cálcio (fosfato e carbonato de cálcio) que lhes dão dureza. a construção de ligação é fundamental para suas funções: os componentes inorgânicos conferem dureza e resistência a compressões e o colágeno confere ao osso elasticidade e resistência a forças de tração. estabelece-se uma construção de ligação. a osseína. fundamenta-se no efeito denominado piezoelétrico. Esse material faz parte de uma proteína. ESTRUTURA FUNCIONAL DO TECIDO ÓSSEO Segundo ASCENSI em CAPOZZO. elemento vital a função de todas as células. capacidade para suportar forças de tração. No caso do tecido ósseo. b) apud PAWELS (1980) em sua teoria de adaptação. Segundo SKERRY. Também FICK (1857) apud PAWELS (1980) refere que só se observa a formação óssea em locais onde as células são protegidas por uma rígida estrutura contra todos os stresses mecânicos. O material de que é feito o osso deve pois ser suficientemente duro para resistir a forças de compressão e elástico para suportar as forças de tração. O tecido ósseo tem que ser construído de modo a atender aos vários tipos de forças a que está sujeito. como é o fato que durante a formação da membrana óssea. O material orgânico confere ao osso a elasticidade e assim. A parte inorgânica do tecido ósseo (os sais de cálcio) lhe confere a dureza e consequentemente. Com esta constituição o esqueleto atua como um armazém de cálcio. A respeito disso tem sido feitas algumas explanações no sentido de que essa teoria seja vista com mais cautela. embora ainda não está muito claro. que corresponde a um potencial elétrico negativo desenvolvido no local da compressão e um potencial positivo nos outros pontos do osso. como é o fato das células ósseas serem delicadas e de simplesmente ser a compressão um fator de depósito de matéria óssea. e a cisalha. causam atividade osteoblástica na . Quando. a genética e o stress mecânico e para que os ossos possam desempenhar suas funções mecânicas devem ter um tipo de construção muito especial. Pequenas quantidades de corrente fluindo no osso. combinação de compressão com tensão. O colágeno compõe aproximadamente 95% da matriz extracelular e calcula-se 25% a 30% do peso seco do osso. a estrutura é feita de fibrilas colágenas as quais resistem a tensão e deste modo protegem estas células as quais estão ao redor. a tensão. Dois tipos de materiais unem-se para dar ao osso estas características: um material inorgânico e um orgânico. MARCHETTI & TOSI (1992) dois fatores diferentes determinam a morfologia do osso. CHAYEN e LANYON (1969) apud GRABINER (1993) referem que os osteócitos alteram sua atividade metabólica em resposta a estímulos físicos. São portanto dois materiais de características diferentes que se unem no tecido ósseo.Todos os canais vasculares existentes no tecido ósseo aparecem quando a matriz óssea se forma ao redor dos vasos preexistentes. a resistência às forças de compressão. Para ROUX (1895 a. do tipo colágeno que lhe dá elasticidade. se utiliza materiais de características diferentes conjugados. BITENSKY. As fibras colágenas são envolvidas por uma substância gelatinosa constituida principalmente de proteínas polissacarídeos ou glicosaminoglicanas principalmente na forma de complexos macromoleculares chamados proteoglicanas. refere que os estímulos mecânicos formam três tipos de tecidos de suporte: a compressão. A deposição de osso e o stress. na técnica.

o tecido ósseo dispõe-se sob a forma de lamelas ósseas concêntricas chamadas osteomas ou sistemas de Havers. 4a-b) e quando está anquilosado (FIG. A maioria dos ossos do corpo humano tem as camadas externas compostas de osso cortical e com tecido esponjoso subjacente a este. NORDIN e FRANKEL (1989) relatam que acima de 85% da água é encontrada na matriz orgânica. 1984). as lamelas sofrem compressão enquanto que as do lado oposto sofrem tração. Este tipo de construção permite ao osso suportar melhor as forças a que está submetido. o que poderia explicar o aumento da deposição óssea nos locais de compressão. sendo esta água presente no tecido ósseo de grande importacia para a sua resistência. O tecido ósseo espojoso aparece nas epífises dos ossos longos. as lamelas entrecruzam-se em diversas direções. HALL (1991) relata que o tecido ósseo é classificado em duas categorias de acordo com a porosidade. como no quadril. o tecido ósseo esponjoso. é denominado como esponjoso.extremidade negativa da corrente. . Outra observação sobre a relação do stress e a osteogênese está nas observação do colo femoral quando o quadril é móvel (fig. provavelmente por estas partes desempenharem funções diferentes. O tecido ósseo apresenta aspectos diferentes nas várias partes do osso. 30% a mais de 90% do volume de osso ocupado por tecido não mineralizado. o tecido é denominado cortical. Prova da continuidade das evidências com respeito a relação osteogênese e os estímulos mecânicos está na citação de GRABINER (1993) de que quando submete-se o tecido ósseo a imobilizações ou vôos espaciais. Nestas lamelas percorrem no seu canal central os vasos e nervos. os sistemas Haversianos. No tecido espojoso. são substituídos por um sistema de lamelas que se dispõe de modo a constituir uma outra variedade de tecido ósseo. Na realidade estas forças tornam-se muito menores pois a construção lamelar permite que as lamelas deslizem umas sobre as outras. como na diáfise. Segundo HALL (1991) o conteúdo de água no osso corresponde a aproximadamente 25% a 30% do peso total do mesmo. especialmente as de flexão. realizando reabsorção nos locais de tensão (GUYTON. pequenas cavidades. 4c-d) mostrando uma similaridade de depósito de matéria óssea tanto no lado submetido a stress compressivo quanto naquele submetido a stress tensil. em alguns planos e nos ossos curtos. 15% estão nos canais e cavidades as quais as células ósseas estão alojadas e conduzem nutrientes ao tecido ósseo. ao redor das fibras colágenas e ao redor dos cristais ósseos. deixando entre si. Ao se aproximar das epífises. O tecido ósseo compacto é encontrado nas diáfises dos ossos longos e no revestimento externo dos ossos planos e curtos. Se a porosidade é baixa (5% a 30%) do volume do osso ocupado por tecido não mineralizado. provoca-se a diminuição da massa óssea e ao submetê-lo a exercícios vigorosos a existência de aumento. O tecido ósseo com porosidade relativamente alta. e o contrário ocorreria pela ação dos osteoclastos.

os ossos ficam sujeitos à ação de forças. Um exemplo é quando o atleta está suspenso numa barra. As forças de tração tem a tendência de separar as partes do osso. Atuam pois em sentido contrário ao das forças de compressão. o mecanismo de falência do tecido ósseo é principalmente uma fenda oblíqua dos osteons. A função de formação de alavancas é a que mais interessa à cinesiologia. mas o osso cortical fratura quando a deformação exceder 2%. Geralmente a tração é feita no longo eixo do osso. as vértebras e os ossos dos membros inferiores. O estresse de compressão ou de deslizamento indicam especificamente a direção do estresse. flexão e torção. que são as solicitações mecânicas. o quadril e a caixa torácica. Segundo HALL (1991) as forças que atuam sobre os ossos são: compressão. Quanto maiores as forças de compressão. O impacto sobre uma superfície está relacionado com a magnitude e a direção do estresse criado por este impacto. Como exemplo. Estas são: sustentação. As forças dos músculos quando atuam. A compressão é um tipo de força que. Um exemplo deste fato está ao analisarmos a vértebra lombar que ao suportar o peso do corpo esperaria que esta suportasse mais peso que as vértebras torácicas. especificamente nos ossos longos. As funções mecânicas dos ossos são aquelas relacionadas com a ação de forças a que os ossos estão sujeitos. formação de cavidades.O osso esponjoso in vitro não fratura até a deformação exceder 75%. tornando-o curvo e provocando um estresse compressivo de um lado e um estresse de tensão do outro. SOLICITAÇÕES MECÂNICAS DOS OSSOS Ao desempenhar suas funções mecânicas. Este tipo de estresse é ocasionado quando uma força excêntrica é aplicada à extremidade do osso. tende a diminuir o seu comprimento e alargar-se. N/m2 ou Pascal (Pa) e MegaNewtons por metro ao quadrado ou megapascais (MN/m2 ou Mpa). tração. porque devem suportar mais peso. Por causa de sua estrutura porosa o osso esponjoso tem uma ampla capacidade em armazenar energia. pois através desta função é que os músculos produzem os movimentos do corpo humano. O estresse pode ser quantificado pela sua força por unidade de área sobre a qual esta força atua. quando uma mesma força é aplicada sobre uma superfície pequena produz mais estresse do que quando aplicada numa superfície maior. os ossos dos membros suspensos estão sujeitos a forças de tração. ao atuar sobre um osso. Entretanto a quantidade de sobrecarga nesta região não é diretamente proporcional ao peso aplicado devido as vértebras lombares serem maiores que as vértebras da coluna torácica. A tração é um tipo de força que. As vértebras são maiores na posição lombar. Pela função de sustentação. Como exemplos dos ossos na sua função de proteção estão o crânio. agem como forças de flexão dos ossos. os ossos devem manter a forma do corpo. . opondo resistência à força da gravidade e outras forças externas que atuam sobre o corpo. afastando-as umas das outras. os ossos dos membros superiores ficam sob a ação de forças de tração. As três unidades mais comumente usadas para medida de stress em amostras padronizadas do osso são: N/cm2. Como apresentado por HALL (1991). Outros tipos de estresses suportados pelo sistema ósseo são as forças de flexão que atuam através de um momento de força que age em um plano contendo o eixo longitudinal do osso. mais tecido deve ter o osso para suportá-las. Ao nível microscópico. Sua principal característica e que lhe permite desempenhar essas funções é a dureza. tende a aumentar o comprimento do osso. Toda vez que se carrega pesos. quando ele é tracionado. servir como alavancas para a ação dos músculos e proteção. os ossos dos membros inferiores são mais desenvolvidos que os dos membros superiores.

Neste caso. Segundo NORDIN e FRANKEL (1989) a estrutura sujeita a cargas de cisalhamento deformam internamente de maneira angular. Em outras palavras. ARQUITETURA FUNCIONAL DO TECIDO ESPONJOSO As trabéculas ósseas do tecido esponjoso distribuem-se de acordo com as forças que o osso suporta.Uma fratura pode ser produzida por três forças (três pontos de flexão) ou quatro forças (quatro pontos de flexão). denotando um mínimo de carga torsional produzida pela desprezível rotação externa e interna da tíbia nos padrões alternantes. as trabéculas ósseas dispõe-se segundo as direções que correspondem as linhas de força que o osso suporta. e analisando a estrutura complexa da formação óssea. Segundo NORDIN e FRANKEL (1989) o padrão de fratura do osso carregado em torsão sugere que o osso se fratura primeiro pela cisalha. Uma segunda fratura usualmente formada ao longo do plano do máximo stress tensil. Um exemplo disto CARTER (1978) apud NORDIN e FRANKEL (1989) demonstram que durante o andar normal os stresses foram compressivos durante o choque do calcâneo e tensil durante a fase de apoio e novamente compressivo durante a impulsão. . mais alto é sua magnitude. estas fraturas são comumente observadas clinicamente particularmente nos ossos longos. nos quais se exige uma posição fixa de uma extremidade óssea e a outra sofre a torção. Quanto mais distante o stress é do eixo neutro. e ocorrem com mais freqüência nos ossos esponjosos como nos côndilos do fêmur e platô tibial. Arremesso de martelo. conclui-se que um osso raramente é sobrecarregado de uma só maneira e sim pela combinação destas e devido a sua estrutura geométrica ser irregular. o momento age em um plano perpendicularmente ao eixo longitudinal do osso. com formação de uma inicial fratura paralela ao eixo neutro do osso. O stress em cisalha foi baixo por todo o passo. Para REILLY & BURSTEIN (1975) apud NORDIN e FRANKEL (1989) ao analisar a figura 14 o osso cortical pode resistir mais ao stress em compressão que em tensão e maior stress na tensão do que na cisalha. Há também o estresse por cisalha ou seja quando as cargas são aplicadas paralelamente. mas de forma transversal à superfície da estrutur e são contrárias entre sí. assim dispostas não ao acaso mas de acordo com a função. fraturas da tíbia em jogos de futebol ou esqui. Após a apresentação dos vários tipos de stresses que o osso suporta. As forças de torção atuam também através de um momento de força. Ex.

. O sistema sacro-cotilóide parte da face do osso do quadril que se articula com o osso sacro (face auricular) e se dirige para a cavidade cotilóide. na posição ereta. O sistema sacro-isquiático transmite as forças que vem da coluna vertebral para a parte inferior do ísquio. na posição sentada. Segundo KAPANDJI (1980) num corte frontal do osso do quadril onde se pode identificar dois sistemas de trabéculas ósseas. feixe cefálico. parte da cortical externa e realiza um disposição simétrica. com dois sistemas que partem das corticais externa e interna e se espalham sob a glena homolateral (fibras de compressão) e sob a glena contralateral (fibras de tração). Observando o sistema sacro-cotilóde.Para Wolff. através da coluna vertebral. um feixe de traves horizontais une os dois condilos. sendo que no fêmur existem linhas de força mecânica partindo da cortical interna e expande-se no côndilo homolateral (fibras de compressão) e no côndilo contra-lateral (fibras de tração). A disposição das trabéculas ósseas no osso do quadril corresponde às funções deste osso na posição em pé. a outra. traves horizontais unem as duas glenas. as trabéculas ósseas da cabeça do fêmur alinham-se nas direções principais do stress gerado durante a aplicação de uma carga e mantendo uma arquitetura que pode ser exposta matematicamente. a) sistema sacro-cotilóide e b) sistema sacro-isquiático. No fêmur. Na extremidade superior da tíbia existe uma estrutura semelhante. na marcha ou na posição sentada ou seja. 6-2) Da mesma maneira é possível observar estes sistemas de traves na articulação do joelho. Uma possibilidade em se estudar este arranjo trabecular está no uso de computadores nos quais através da técnica de elementos finitos pode simular os efeitos do stress sobre a estrutura óssea.6-1) e outro que parte da cortical interna da diáfise e da cortical inferior do colo e dirige-se verticalmente para a parte superior da cortical cefálica. este tem função de transmitir para o membro inferior as forças do peso do corpo. O sistema sacro-isquiático de trabéculas ósseas parte da mesma face do osso do quadril e atinge a tuberosidade isquiática. sua estrutura é uma conseqüência da função. existe um sistema principal cujos feixes de traves originam-se da cortical externa da diáfise e termina na parte inferior da cortical cefálica (feixe arciforme) (fig. (Fig. passando pelo ramo descendente do ísquio. Desta forma HAYES e SNYDER (1981) apud GRABINER (1993) conseguiram relatar a orientação das trabéculas na patela com as direções dos stresses principais estimados durante uma lenta subida de escada.

Por esse motivo. Prova disso. (1979). (1984) que verificaram o aumento do conteúdo mineral em função da corrida de longa distância quando comparado àqueles de curta distância. quanto a inatividade são prejudiciais ao bom desenvolvimento dos ossos. Assim. como ocorre por exemplo. evitar esporte com maior contato físico. passando esta a ser a chamada LEI DE WOLFF. nutrição. por forças mecânicas. há mais calcificação e o osso torna-se mais duro mas menos elásticos rompendo-se mais facilmente principalmente em exercícios em que ficam submetidos a forças de trações e torções. para que favoreçam o trabeculado ósseo. Essas crianças. Entretanto. o fator genético faz com que os ossos tenham formas diversas. Quando mal aplicadas podem causar deformação no esqueleto. Dentro da espécie humana. dentro da normalidade formas diferentes. Os melhores resultados se obtem quando as forças que atuam sobre os ossos agem de modo intercalado com fases de repouso. pais longilíneos.. As solicitações mecânicas. crianças magras e com desenvolvimento muscular pobre. há fatores que também são importantes na determinação da forma dos ossos: Hereditariedade. Com o passar da idade. tem sido encontrado resultados na diminuição da massa óssea. tanto as solicitações exageradas. a parte inorgânica do osso aumenta. segundo RAMBAUT & JOHNSTON. o stress mecânico aplicado a um osso causa mudanças em sua arquitetura. existem as variações anatômicas. terão filhos com esqueletos longilíneos e pais brevilíneos terão filhos com esqueletos brevilíneos. Portanto as solicitações mecânicas devem ser aplicadas moderadamente sobre o esqueleto. Embora o osso inicie seu desenvolvimento por ação de impulsos hereditários. Portanto. sua formação é completada e sua arquitetura e conformação externa são mantidas por fatores mecânicos. A falta de esforço. os exercícios físicos são importantes na boa estruturação do esqueleto. favorece o desenvolvimento ósseo. moléstias e solicitações mecânicas.os elementos ósseos são depostos ou substituidos na direção das forças funcionais e aumenta ou diminui sua massa de acordo com o gradiente destas forças funcionais". FATORES QUE DETERMINAM A FORMA DOS OSSOS A forma dos ossos é determinada fundamentalmente pela função. Isto corrobora ao que JULIUS WOLFF concluiu. segundo EXNER et al (1979) apud NORDIN e FRANKEL (1989) uma correlação positiva existe entre a massa óssea e o peso corporal. . até que atinjam a maturidade. ou seja. Deste modo. tais como aquela experimentada durante as viagens espaciais. Esta foi restabelecida por JENSEN que afirmou " . sendo que num osso curvo. quando não bem orientado a administração de exercícios. o osso adapta-se por deposição de novo osso sobre seu lado côncavo e por reabsorção no seu lado convexo. De modo geral. Do mesmo modo. devem portanto. uma condição prolongada de pouco peso. levam à atrofia dos ossos. estão as crianças obesas quando submetidas a esportes com maior contato físico podem estar sujeitas a lesões epifisárias. Um peso corporal maior tem sido associado a massa óssea mais ampla Contrariamente. quando há intervalos entre as solicitações. em que os ossos têm. na paralisia. quando bem dosadas favorecem o bom desenvolvimento dos ossos. Uma comprovação desta relação do crescimento ósseo e os fatores de sobrecarga são os estudos de WILLIAMS et al. podem ser suscetíveis também a lesões epifisárias. Sendo assim.Descreve-se desta maneira o osso trabecular como um material auto otimizado o qual a orientação foi governada pelas direções do stress principal e cuja densidade está baseada na maximização estrutural com a mínima massa óssea.. GAZENKO et al (1981) apud NORDIN e FRANKEL (1989).

Quanto maior a área. Por serem tubular. Quanto mais longo é o osso. ela tem um momento de inércia polar mais alto. A contração do tríceps sural produz um grande stress compressivo na face posterior neutralizando o grande stress tensil protegendo assim a tíbia de uma fratura em tensão. isto significa que quanto mais distante. embora a secção proximal tenha uma área discretamente menor que a secção distal. A ATIVIDADE DOS MÚSCULOS SOBRE OS OSSOS Os músculos alteram a distribuição do stress no osso. Isto é possível ser analisado quando verificando as secções transversas distal e proximal de uma tíbia sujeita a carga torsional. maior é a força e a dureza. mais forte e mais rígido é o osso. porque muito do tecido ósseo está distribuído a uma distância maior do eixo neutro. Na flexão. fazendo com que todos os tipos de sobrecarga sejam proporcionais a área de secção transversa do osso. ulna e calcâneo) mostraram uma diferença positiva para os corredores de aproximadamente 15% sendo menor que 10% nos locais axiais (vértebra lombar e colo do fêmur). Com isto conclui-se que o exercício induz a uma hipertrofia significante do osso. DALÉN e OLSSON (1974) apud NORDIN e FRANKEL (1989). os ossos distribuem sua massa a uma distância do seu centro. A magnitude do stress em cisalha na secção distal é aproximadamente o dobro que na secção proximal. Sendo assim. sujeitando a tíbia a uma momento flexor. mesmo assim considera que esta técnica não revela as mudanças mais importantes na mecânica óssea que são aquelas ao nível microscópio. usando a técnica de raio x espectrofotométrico para comparar o conteúdo mineral ósseo em sete de quinze corredores de cross-country e 15 controles. Um exemplo desta contribuição da musculatura na proteção de estresses que poderiam ser lesivos ao osso. mostrando que as medidas apendiculares (distal do rádio. Outro exemplo está na articulação do quadril durante a locomoção na qual o . quanto mais amplo é o momento de inércia polar. A área e o comprimento ósseo também afetam na dureza e na força de torção. O alto stress tensil é produzido na face posterior da tíbia e o alto stress compressivo atua na face anterior. Outro fator que influencia a força e dureza do osso é o comprimento do osso.Segundo ASCENSI in CAPPOZZO e BERNE (1990) estudos foram realizados por JONES et al (1977) com raio x comparando o úmero dos lados direito e esquerdo de tenistas profissionais e encontraram que a espessura do córtex foi de 34. A quantidade estimada destes dois fatores na carga torsional é o momento de inércia polar. maior é o momento de inércia.4% maior em mulheres que do outro lado. A secção distal enquanto tem uma área óssea mais ampla. razão pela qual as fraturas torsionais da tíbia comumente ocorrem distalmente. ambas área de secção transversa e a distribuição do tecido ósseo ao redor do eixo neutro afetam o comportamento mecânico do osso. Um fator que influencia na biomecânica do sistema ósseo é sua geometria. está sujeita a um maior stress em cisalha porque muito do tecido ósseo está distribuido próximo ao eixo neutro. diminuindo ou eliminando o stress tensil no osso por produzir stress compressivo que neutralizam-no parcialmente ou totalmente. maior é a magnitude do momento de flexão e maiores os estresses tensil e compressivo. está na fig. 16 que representa uma perna inclinada anteriormente sobre o tornozelo. mais forte e mais rígido é o osso.9% maior no lado em que se mantinha a raquete em homens e 28.

A distribuição quantitativa do stress em curva sobre o comprimento da coluna está representada no diagrama de stress ao lado. DALÉN & ALSSON (1974). Sendo assim. NILSSON & WESTLIN. Como apresenta a fig. 18b apresenta-se na forma de um triângulo assim como na fig. produzindo assim um maior stress nas duas extremidades da coluna e chegando a zero no seu meio onde a linha de ação intersecciona o eixo. HUDDLESTON et al 1980. Na Segunda figura verifica-se que a linha de ação da força forma um ângulo com o eixo da coluna. Como exemplo desta sobrecarga imposta pelo peso corporal com e sem a ação muscular. já na fig. a carga é deslocada para a direita e a linha de ação intersecciona o eixo da coluna no seu meio. O comprimento das linhas horizontais indicam a escala de magnitude do stress em curva para cada nível da coluna. Outro exemplo mais próximo de uma estrutura conhecida está demonstrado na figura 16 que ilustra um fêmur sobre o qual o stress proporcionado pelo peso corporal é aplicado.colo femoral apresenta um stress tensil no córtex superior durante a fase de flexão do quadril no apoio unilateral. aumentando quando a linha de ação do stress em compressão e o eixo se distancia progressivamente. 18c . A direção da curva produzida pela carga está representada por um arco.17 o peso do corpo atua verticalmente para baixo quando em repouso e se aplicado excentricamente a uma mesma distância do eixo da coluna em cada nível a carga atua em cada sessão cruzada desta com o mesmo braço de alavanca. tanto que a curva de stress tem a mesma magnitude. Pawels desenvolve modelos que nos apresentam a magnitude do stress através do comprimento de um modelo ósseo. A terceira figura sendo oblíqua. (1971) apud NORDIN (1989) Segundo Pawels (1980) o stress proporcionado pelo peso corporal sobre o osso é diferente nas diversas posições corporais variando também a ação muscular. Para neutralizar este stress o glúteo médio contrai fazendo com que nem o stress compressivo nem o tensil atua sobre o córtex superior. não existe stress em curva. A hipertrofia de um osso adulto normal pode ocorrer em resposta a exercícios estenuantes como relatado por JONES et al (1977). conclui-se que a distribuição quantitativa do stress em curva sobre o comprimento da coluna depende da posição da linha de ação da carga em relação ao eixo da coluna. A extremidade superior onde a linha de ação da carga intersecciona o eixo da coluna. podendo assim o colo femoral suportar uma maior quantidade de carga. Quando o joelho está estendido (fig. 18a ) a área de superfície dos momentos é retangular.

19a Pawels fixa uma faixa paralelamente ao eixo significando que a força está atuando gualmente em todo o seu comprimento na mesma distância como um músculo biarticular.c. Com isto Pawels destaca a importância do equilíbrio entre estas duas forças. O contrário será verdadeiro se os stresses ocorrerem em diversas regiões no mesmo osso. Após a aplicação da sobrecarga nestes modelos e verificado o comportamento do osso em função da linha de ação desta. (Fig. a banda de tensão é fixada na face posterior da barra exercendo o mesmo efeito como o músculo monoarticular. em função da linha de stress passar próximo as articulações a exigência é diminuída permitindo assim que o depósito de matéria óssea seja menor. Na fig. Com isto demonstra-se que o músculo assim como a aplicação do peso corporal como sobrecarga pode atuar sobre os ossos de maneira completamente diferente. atuando como um músculo monoarticular. dependendo da posição em que esta força é aplicada em relação ao eixo do osso. 20). agora Pawels introduz outro componente importante que são os músculos os quais atuam como bandas de tensão se opondo ao stress em curva imposto pelo peso corporal durante o movimento do membro. o que pode ser observado pelas curvas de stress produzidos pelos músculos na fig.verifica-se que ao flexionar mais o joelho e deslocar a carga anteriormente a linha de ação atua sobre os dois ossos em direções opostas. o peso e a ação muscular com intuito de uma economia de energia e ainda sobre esta questão desenvolve um diagrama que destaca que. Na fig. . sendo que a distância da linha de ação em relação ao eixo do osso aumenta de cima para baixo. assim como se o músculo é biarticular ou monoarticular e se origina na face posterior ou anterior do osso. 19b a banda de tensão está fixada na face anterior da barra. Na fig. 19a . 19 c. exigindo assim uma adaptação com depósito ósseo com intuito de aumentar sua resistência. tornando o osso leve.

21c) ambos lados da secção cruzada deve estar correspondentemente reforçado.Dependendo do tipo de stress que o osso suporta existe uma maior ou menor deposição de material ósseo. sendo que por ser triangular a principal massa de material ósseo fica posteriormente por suportar um maior stress compressivo e a menor massa fica anteriormente por suportar o stress tensil. 23 na secção transversa da tíbia. modificando assim a momento de inércia. onde na tíbia a massa óssea é distribuída em função do tipo de stress. Quando um osso fratura a energia armazenada é liberada. A altas taxas de cargas. As taxas de carga baixa. Se o stress atua alternadamente nas direções opostas (FIG. Outro fator que pode influenciar a capacidade de resistir a sobrecarga no tecido ósseo. a quantidade com que a carga é imposta e a repetitividade com que esta carga é aplicada sobre este tecido.21b). os ossos e os tecidos moles permanecem relativamente intactos e existe pouco ou nenhum deslocamento dos fragmentos ósseos. entretanto. é a velocidade. oque também pode ser justificado pela distância do depósito de material em relação ao centro de gravidade ósseo. a maioria da energia armazenada não pode dissipar rapidamente o bastante através de uma simples fratura e a cominutação do osso e tecidos moles extensas prejudicam o resultado. Com isto o princípio da economia evidencia-se novamente no osso. por todo o seu comprimento e sua área de secção transversa. Prova desta adaptação ao stress é demonstrada na fig. como demonstra a FIG. a energia pode dissipar através da formação de uma única fratura. compressivo ou tensil. A REPETITIVIDADE DA APLICAÇÃO DA CARGA .21a onde o lado que suportou stress em compressão aumentou sua espessura e o lado que suportou o stress em tensão apresenta uma área menor (FIG.

as fraturas por fadiga. aumentando a força e a dureza do osso na flexão e torsão durante o período de cicatrização. ele se auto-remodela. o calo envolvente é progressivamente reabsorvido e o osso retorna próximo ao seu tamanho e forma o mais normal possível. teoricamente o material permanecerá intacto. vasos sanguíneos e tecido conjuntivo do periósteo migram para a região da fratura. Para o osso a curva não é assintótica. ao redor do local da fratura. por isso. a qual estabiliza aquela área. 25). BAIN e RUBIN (1990) apud GRABINER (1993) os estímulos mecânicos de alta freqüência foram mais osteogênicos que os estímulos de baixa freqüência de idêntica amplitude RICO et al. A interrelação da carga e a repetição pode ser observada na curva de fadiga (Fig. demonstrando que para alguns materiais (metais por exemplo) a curva de fadiga é assintótica. GONÇALVES e LEIVAS (1996) quando analisando o efeito do treinamento de natação em ratos com sobrecarga de 5% do peso corporal por 30 dias. Como a fratura cicatriza e o osso gradualmente recupera sua força normal. . ou seja. pode-se dizer que uma fratura pode ocorrer quando aplica-se uma simples carga que excede a força limite do osso ou pelas aplicações repetitivas de uma carga de mais baixa magnitude. instrumentos de fixação mecânica e outros. O calo significativamente aumenta a área e o momento de inércia polar. Este processo de fratura é afetado não só pela quantidade de carga e número de repetições mas também pelo número de aplicações da carga num determinado tempo (freqüência da carga). sendo que o osso fratura-se rapidamente quando submetido a repetidas cargas. observaram que houve um aumento na resistência máxima do tecido ósseo quando submetidos a testes de resistência mecânica. não importanto quantas repetições. Para McLEOD. Segundo GUERINO. ou calo. campos eletromagnéticos. isto é. a carga é tão freqüente que ela impede a necessária remodelação para previnir a falência. daí a necessidade de investigar os processos que levam a esta cicatrização e aos possíveis mecanismos que podem até acelerá-la. 1996).Quanto a repetitividade da aplicação da carga sobre o tecido ósseo. A remodelação óssea constitui um capítulo de grande importância. pois das muitas fraturas existentes. Desde que o osso esteja ativo. uma porcentagem significativa não atinge a sua consolidação. (1994) observaram diferenças de densidade mineral óssea cortical e trabecular em membros dominantes e não dominantes concluindo através de tomografias que a execução mínima ou moderada de exercício pode estimular o aumento do osso cortical no membro dominante. Quando um osso inicia a cicatrização após a fratura. fazendo com que a fratura por fadiga aconteça só quando este processo estiver ausente pelo processo de fadiga. formando uma cobertura de tecido fibroso denso. como a energia elétrica (GUERINO et al. indicando que se a carga é mantida abaixo de um certo nível.

M.. D. 262p. C. A. 1989. ergonomics.1. indicando serem mais quebradiços e uma reduzida capacidade de armazenamento de energia. GUERINO. (1981) apud NORDIN e FRANKEL (1989).D. BAILEY. Interamericana. Para O’SULLIVAN et al. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMADIO. C. Motriz.P. G. 1990. particularmente na flexão e torsão. sports. 1984. Escola de Educação Física e Esporte. Champaign. R. GRABNER. GUYTON..A . Applications in rehabilitation.. (1994) a deambulação contribui na remodelagem óssea em tíbias de cachorros. M. diminuindo assim a força do osso. BERNE. Segundo SIFFERT & LEVY. Bertec Corporation. N. V. A. No caso de uma placa fixada ao osso com parafusos. assim também é reduzido o momento de inércia polar. M. Os espécimes de ossos idosos podem resistir só metade da deformação dos ossos jovens. a placa e o osso dividem a carga em proporções determinadas pela geometria e propriedades materiais de cada estrutura. O fato da placa descarregar a carga sobre o osso. Com isto o osso atrofia em resposta a esta carga diminuida. São Paulo. GONÇALVES. A. Bone tissue and physical activity. como ele reduziu sua área. As trabéculas longitudinais tornam-se mais finas e algumas das trabéculas transversas são reabsorvidas É possível verificar através da fig. 1996. . Biomechanics of human movement. T. 6ed. outro fator que modifica a estrutura óssea e sua resistência é a idade.Um implante que permanece funcionalmente fixado ao osso após uma fratura cicatrizada pode também diminuir a força e a dureza do osso. Human Kinetics Publishers. 1993. (Tese Livre Docência). 119p. descarrega o osso por uma grande extensão. 926p. CAPPOZZO. carregando cargas altas. Uma placa ampla. LEIVAS. Current issues in biomechanics. O stress definitivo foi aproximadamente o mesmo para ossos jovens e idosos. McCULLOCH. Fundamentos da biomecânica do esporte: Considerações sobre a análise cinética e aspectos neuromusculares do movimento. que a diminuição da quantidade de osso reduz a força e dureza óssea. 15(4):229-239.R. Universidade de São Paulo. 26. Ohio. n. Por fim. Efeito do treinamento físico sobre a resistência óssea.2. 1990. uma progressiva diminuição da densidade óssea tem sido observada como parte de um processo de envelhecimento normal.. este é parcialmente reabsorvido e o diâmetro torna-se menor. Tratado de fisiologia médica. Canadian Journal of Sport Sciences. ..

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