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Tempo de pega O fenômeno da pega do cimento compreende a evolução das propriedades mecânicas da pasta no início do processo de endurecimento, propriedades

essencialmente físicas, conseqüente, entretanto, a um processo químico de hidratação. É um fenômeno artificialmente definido como o momento em que a pasta adquire certa consistência que a torna imprópria a um trabalho. Tal conceituação se estende, evidentemente, tanto à argamassa quanto aos concretos nos quais a pasta de cimento está presente e com missão aglutinadora dos agregados. No processo de hidratação, os grãos de cimento que inicialmente se encontram em suspensão vão-se aglutinando paulatinamente uns aos outros, por efeito de floculação, conduzindo à construção de um esqueleto sólido, finalmente responsável pela estabilidade da estrutura geral. O prosseguimento da hidratação em subseqüentes idades conduz ao endurecimento responsável pela aquisição permanente de qualidades mecânicas, características do produto acabado. A pega e o endurecimento são dois aspectos do mesmo processo de hidratação do cimento, vistos em períodos diferentes – a pega na primeira fase do processo e o endurecimento na segunda e última fase do mesmo. A partir de um certo tempo após a mistura, quando o processo de pega alcança determinado estágio, a pasta não é mais trabalhável, não admite operação de remistura. Tal período de tempo constitui o prazo disponível para as operações de manuseio das argamassas e concretos, após o qual esses materiais devem permanecer em repouso, em sua posição definitiva, para permitir o desenvolvimento do endurecimento. A caracterização da pega dos cimentos é feita pela determinação de dois tempos distintos – o tempo de início e o tempo de fim de pega. Os ensaios são feitos com pasta de consistência normal, noção detalhada mais adiante, e, geralmente, com o aparelho de Vicat. Nesse aparelho mede-se, em última análise, a resistência à penetração de uma agulha na pasta de cimento. Têm sido tentados outros procedimentos para a medida de outras características físicas da mistura que conduzissem a uma melhor caracterização de fenômenos da pega. A medida da evolução do valor do atrito interno da pasta de cimento mostra claramente pontos de estreita correlação com os ensaios de penetração de agulha, confirmando, pelo crescimento rápido desse valor no intervalo entre o tempo de início e o fim de pega, a ocorrência de uma aglomeração de marcantes características mecânicas no interior da massa durante essa fase do processo de hidratação. Medições feitas sobre os valores de velocidade de propagação do som durante o início de hidratação das pastas têm mostrado pontos característicos coincidentes com os tempos de

no processo de manufatura.5 está representado o aparelho de Vicat. lançamento e adensamento. a celulose e outros produtos orgânicos. Tais aditivos serão tratados mais adiante. como. metálico. Não há dúvida de que. nas operações de injeção de pastas e argamassas e nos lançamentos de concretos sob água. Essa consistência normal é verificada no mesmo aparelho de Vicat. ocorrendo em período mais curto e não correspondendo. Trata-se de uma anomalia. nas obturações de vazamentos. Nas aplicações em que se deseja uma pega rápida. por ensaio do aparelho de Vicat. utilizando-se a chamada sonda de Tetmajer. no momento. . A sonda é posta a penetrar verticalmente em pasta fresca por ação de um peso total (incluindo a sonda) de 300g. e que pode ser corrigida por destruição do incipiente esqueleto sólido e formação mediante ação enérgica de mistura ou remistura. Nesse prazo são desenvolvidas as operações de manuseio do material. um corpo cilíndrico. Pasta de cimento A ocorrência da pega do cimento deve ser regulada tendo-se em vista os tipos de aplicação do material. Na Fig. cabendo. por exemplo. quando então se empregam aditivos denominados retardadores. entretanto. onde as curvas também mostram pontos característicos coincidentes com os tempos de início e fim de pega. entretanto. liso de 10mm de diâmetro e terminado em seção reta.início e fim de pega definidos por penetração da agulha. como. A pasta é misturada em proporção que conduz a uma consistência denominada normal. ele corresponde a uma realidade física caracterizada por pontos importantes no desenvolvimento do processo de endurecimento de aglomerante nos seus primeiros tempos de vida. ressalta-se a conveniência de um tempo de pega mais longo. devendo-se processar ordinariamente em períodos superiores a uma hora após o inicio da mistura. mistura. Alguns cimentos oferecem raramente o fenômeno da falsa pega. geralmente atribuída ao comportamento do gesso adicionado ao cimento. Contrariamente. transporte. 3. Há casos. que tem as características da pega ordinária. embora artificialmente definido o fenômeno. por exemplo. em que o tempo de pega deve ser diminuído ou aumentado. a citação de dois exemplos de aceleradores. conhecidos com o nome de aceleradores de pega. citam-se os açucares ordinários. Entre estes. o cloreto de cálcio e o silicato de sódio. O mesmo ocorre no exame dos valores de resistência elétrica a correntes de alta freqüência. à evolução já descrita para o fenômeno. em outros processos tecnológicos. como já foi dito. são empregados aditivos ao cimento. O tempo de pega do cimento é determinado.

a sonda penetra e estaciona a uma certa distancia do fundo do aparelho. Essa distancia. Essa amostra de consistência normal é ensaiada nesse mesmo aparelho à penetração de uma agulha corpo cilíndrico circular. A amostra é ensaiada periodicamente à penetração pela agulha de Vicat. ou melhor. deve ter uma consistência normal de 6mm. é denominada índice de consistência. que consiste na moldagem de uma série de pequenas bolas com pastas de consistência semelhante à normal de laboratório. Submetendo-as a posteriores esmagamentos com os dedos. isto é. quando o esmagamento deixa de ser plástico. a sonda de Tetmajer deve estacionar à distância de 6mm do fundo da amostra. No ensaio de consistência da pasta. para eliminar a suspensão de um cimento geralmente em processo muito lento de pega – a um ensaio grosseiro. por exemplo. tem-se o fim da pega. A pasta. quando a agulha não penetra nada mais na amostra. Na obra procede-se – quando necessário. medida em milímetros. com 1mm2 de área de seção e terminando em seção reta. determinando-se o tempo de início da pega quando esta deixa de penetrar até o fundo da pasta. quando as bolas se esfarinham por ação de esforço muito maior.5 Esquema do aparelho de Vicat. 3. grosseiramente. . tem-se. preparada para ensaios de tempo de pega.Fig. deixando apenas uma imperceptível marca superficial. o início da pega. Os ensaios são prosseguidos até a determinação do tempo de fim de pega. ao ficar distanciada do fundo 4mm.

(respeitando os espaçamentos citados) e após o fim do início da pega. Depois. d) Tempo de Início de Pega a. Molde tronco cônico e placa de vidro. Até a Constatação do início de pega fazer a leitura a cada 15 min. para isso utilize a espátula. Aparelho de Vicat.1. c. de modo que a agulha fique livremente encostada na placa de vidro. Misturador mecânico. cujo acessório anular facilita a observação exata de penetrações pequenas. Espátula. c) Ajustar o indicador do aparelho no zero.. c) Efetuar a leitura no indicador. . soltar rapidamente a Agulha de Vicat (haste) sobre o molde tronco-cônico.4 CIMENTO PORTLAND . observando o instante em que se deu o contato do cimento com a água (anote o horário). Caso não seja constatado o início de pega. 500  0. O início da pega é constatado no momento em que a agulha estacionar a (4 ± 1)mm da placa de vidro (anote o horário). e) Tempo de Fim de Pega a. b) Fazer descer suavemente a agulha até que haja contato com a pasta. limpe-a e volte a desce-la até a superfície da pasta de modo que a nova tentativa não se de a menos de 10mm da borda do molde e entre as tentativas anteriores.1g de cimento. Copo de Becker. a) Colocar a forma tronco-cônica sobre a base do aparelho de Vicat. b) Deixar a haste solta e em repouso.01g. Substituir a Agulha de Vicat para a determinação do tempo de início de pega pela Agulha de Vicat para a determinação do tempo de fim da pega.. após 30 segundos fixe-a através do parafuso. EXECUÇÃO: 01) Zerar o aparelho a) Descer a agulha até a placa de vidro. 02) Preparar pasta padrão. Relógio / cronômetro.DETERMINAÇÃO DO TEMPO DE PEGA NORMA: NBR NM 65:2003 MATERIAIS/EQUIPAMENTOS: Balança com precisão de 0. d) Subir a haste e fixa-la através do parafuso específico. Fixe-a então com o parafuso. continuar a fazer as leituras em intervalos de 30 min. b. 03) Encher e rasar o topo da fora tronco-cônica (que se apóia na placa de vidro) com a pasta padrão. levante a haste com a agulha.

Inverter o molde cheio. RESULTADO: O resultado do tempo de início de pega é expresso em horas e minutos.. f) É proibido o uso da mesma pasta que já foi utilizada para determinar a água de consistência normal.5mm na pasta. de forma que os ensaios sejam feitos na face oposta (que estava em contato com a base).b. c.. e efetuar as medidas conforme anteriormente. sendo seu valor obtido em uma única determinação. (anote o horário). O tempo de fim de pega é o intervalo decorrido entre o instante e que se deu o contato do cimento com a água e o instante e que se constatou o fim da pega. Dados obtidos : Conforme água da pasta de consistência normal calculada: M água = M cimento = a/c = água/cimento = Massa de água / Massa de cimento =  HORA INICIAL (instante de lançamento da água à pasta) =  TEMPO DE INÍCIO DE PEGA =___________ horas Hora 1 = Consistência 1 = Hora 2 = Consistência 2 = Hora 3 = Consistência 3 = Hora 4 = Consistência 4 = Hora 5 = Consistência 5 = Hora 6 = Consistência 6 = Hora 7 = Consistência 7 = Hora 8 = Consistência 8 = Hora 9 = Consistência 9 = Hora 10 = Consistência 10 = Hora 11 = Consistência 11 = Hora 12 = Consistência 12 = Hora 13 = Consistência 13 = Hora 14 = Consistência 14 = Hora 15 = Consistência 15 = . com aproximação de 5min. O mesmo se aplica ao resultado do tempo de fim de pega. O tempo de início de pega é o intervalo decorrido entre o instante em que se deu o contato do cimento com a água e o instante em que se constatou o início da pega. O fim de pega é constatado quando a agulha penetrar pela primeira vez 0.

CIMENTO Tempo em Horas INÍCIO DE PEGA FIM DE PEGA 10 10 10 12 12 10 CP I 1 CP I – S 1 CP I I – Z. F. E 1 CP I I I 1 CP I V 1 CP V – ARI 1 . TEMPO DE FIM DE PEGA = Consistência 1 = Consistência 2 = Consistência 3 = Consistência 4 = Consistência 5 = Consistência 6 = Consistência 7 = Consistência 8 = Consistência 9= Consistência 10 = Consistência 11 = Consistência 12 = Consistência 13 = Consistência 14 = Consistência 15 = Hora 1 = Hora 2 = Hora 3 = Hora 4 = Hora 5 = Hora 6 = Hora 7 = Hora 8 = Hora 9 = Hora 10 = Hora 11 = Hora 12 = Hora 13 = Hora 14 = Hora 15 = *A tabela abaixo ilustra as especificações mínimas quanto aos tempos de inicio e fim de pega.