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2.1.

Adolf Mayer (1843-1942), pesquisador alemão, 1883 - Mayer estudava uma doença conhecida como mosaico-dotabaco, em que as folhas de fumo (Nicotiana tabaco) desenvolvem manchas irregulares sem pigmentos. O pesquisador descobriu que podia haver transmissão por pulverização de macerado de folhas de plantas doentes. Por não ter identificado algum agente através do microscópio, Mayer, supôs que o agente infeccioso era extremamente pequeno. 2.2. Dimitri Ivanovski (1864-1920) Biólogo russo, 1892 - Realizou uma experiência em que o macerado de folhas seria passado por filtros de porcelana antes de ser pulverizado sobre plantas sadias. A experiência levou a Ivanovski a pensar que a doença era causada por toxina de microrganismo, sem necessitar da presença direta. 2.3. Martinus Beijerink (1851-1931), Botânico holandês, 1897 - Demonstrou que o agente infeccioso contido nos filtrados era capaz de se multiplicar, sendo transmitido de planta para planta indefinidamente, mesmo depois de o extrato ter sido muito diluído. ________________________________________________ Toda história tem um começo: era uma vez... No caso da descoberta dos vírus, tudo começou em 1883,quando o cientista alemão Adolf Mayer estava preocupado com a doença chamada de mosaico do tabaco ,em que as folhas da planta do fumo ficavam salpicadas de manchas amareladas. Esse pesquisador descobriu que poderia passar a doença de uma planta para outra ao pulverizar seiva extraidas de plantas doentes em plantas sãs. Como ele não dispunha de técnicas avançadas para descobrir o agente causador, elaborou a hipótese de que a doença seria provocada por uma bactéria minúscula, não visível com microscópios comuns. Uma década depois essa hipótese foi testada pelo russo Dmitri Ivanovsky, que fez passar a seiva obtida de plantas doentes por filtros capazes de reter bactérias. Ocorreu que, mesmo após a filtração ,o líquido obtido ainda era infectante. Imaginou então, que ou a bactéria causadora era muito pequena e assim atravessava o filtro ou, nova hipótese, que uma toxina filtrável fosse a causa da doença. Essa hipótese foi contestada 1897 pelo botânico holandês Martinus Beijerinck, que provou que o agente filtrado era capaz de se reproduzir após sucessivas pulverizações da seiva obtida de plantas doentes, fato que não ocorreria com uma toxina. O cientista percebeu, também, que não era possível cultivar o organismo em meios artificiais de cultura, pois ele se reproduzia apenas quando no interior do ser afetado. Beijerinck sugeriu, então, que o agente causador da doença pudesse ser uma partícula reprodutora menor e mais simples que uma bactéria. Essa suspeita foi, afinal, confirmada em 1935 pelo cientista norte-americano Wendell Stanley ,que conseguiu cristalizar a partícula infecciosa ,hoje conhecida como vírus do mosaico do tabaco (TMV em inglês) ,que, como a maioria dos vírus hoje conhecidos ,só pôde ser visualizado com o microscópio eletrônico.

saltando sobre os macacos que são derrubados e espancando-os até a morte. Universidade do Alabama em Birmingham. embora baseado em dados limitados". No entanto." Especialistas que não estão vinculados ao estudo dizem que ele é plausível. compilarem as "árvores genealógicas" para verificar quais deles tinham parentesco mais próximo. mas aparentados: o mangabey de topete vermelho e o guenon de bigode. o vírus simiano sofreu uma mutação. Os machos caçadores despedaçam as suas presas membro a membro e as comem no local da caçada. diz um pesquisador. na França. alguns perseguem os macacos por entre as copas das árvores enquanto outros aguardam nas árvores próximas para derrubar com um golpe as suas presas dos ramos. O estudo foi realizado em conjunto por pesquisadores da Universidade de Nottingham. professor de genética da Escola de Medicina da Universidade Harvard. A seguir. Ele diz que o novo estudo é "razoavelmente plausível. "porque demonstra que os chimpanzés adquiriram o vírus exatamente da mesma forma que os humanos . argumentou no seu livro de 1999. um chimpanzé caçador contraiu o vírus ao se ferir enquanto esquartejava uma carcaça de macaco. "muita gente não acredita nisso e diz que a origem do vírus está na vacina contra a poliomielite. em agulhas sujas.quando macacos foram devorados por chimpanzés. Ronald Desrosiers. Tropas de machos freqüentemente trabalham em conjunto. "Isso revela falhas de argumentação. "The River" ("O Rio"). de 1957 a 1960. a seguir. Ao contrário dos outros grandes macacos. Universidade Duke. Eles acreditam que o precursor simiano do vírus da Aids tenha sido criado em chimpanzés que comeram a carne de duas espécies de macacos infectados por vírus diferentes. na maioria dos casos por meio de relações sexuais. em tatuagens ou em práticas tribais malucas". no solo. Os pesquisadores chegaram a essa dedução ao seqüenciarem os genes dos vírus simianos da imunodeficiência em chimpanzés e em 30 espécies de macacos e. afirma Beatrice Hahn. derivado de "feridas abertas ou da mastigação de ossos". Outro grupo. Nem os chimpanzés nem os macacos adoecem devido ao vírus. Universidade Tulane e Universidade de Montpellier. A teoria mais aceita sobre a origem do HIV é que em algum lugar na África Central. afirma Hahn. "Não . de forma que é fácil visualizar o contato com o sangue.Origem da Aids Quatro anos após terem argumentado que os seres humanos provavelmente adquiriram o vírus da Aids ao comerem carne de chimpanzés. dividindo as carcaças ou trocando-as por relações sexuais com as fêmeas. que um vírus de chimpanzé foi transmitido aos seres humanos quando uma vacina oral experimental contra a poliomielite foi cultivada em um meio contendo células de chimpanzé e utilizada em regiões do antigo Congo Belga. segue a movimentação. Outro especialista. A conclusão é importante. os mesmos pesquisadores dizem agora que rastrearam a origem do organismo até uma etapa ainda anterior . Edward Hooper.ao devorarem animais que caçaram". provavelmente entre 1910 e 1950. transformando-se no HIV e espalhando-se entre os humanos. os chimpanzés são caçadores formidáveis. diz que "parece que a teoria faz sentido" e demonstra como é fácil a transferência de doenças entre espécies. virologista da Universidade do Alabama em Birmingham e uma das autoras do estudo.

não na subespécie que vive mais a oeste. Um estudo assemelhado sobre o vírus em chimpanzés selvagens. estava infectado.tenho problemas com relação à idéia de que os chimpanzés contraíram o vírus ao comerem macacos". que chegam a quase dois metros de altura. já que o vírus dos guenons (Cercopithecus nictitans) era o mais assemelhado na parte do genoma que contém o código para o envelope protéico do microorganismo. uma prática que em alguns raros casos resultou na transmissão do vírus entre os humanos. Os cientistas acreditam que dois vírus de macaco estão envolvidos no processo. e que deve ser publicado no periódico "Journal of Virology" no mês que vem. que habita uma região ao sul do Rio Congo. O vírus do chimpanzé foi encontrado em duas subespécies que habitam a África Central. "Pode ter sido há séculos ou há dezenas de milhares de anos". Nenhum dos chimpanzés estudados no Parque Nacional Kibale. muitas vezes distribuindo mordidas. McNeil Jr. dizem os pesquisadores. revela que a sua ocorrência é bem menos comum nesses animais do que nos macacos e que a taxa de infecção varia de região para região e de bando para bando. já que possuem vários parceiros sexuais e brigam com freqüência. Donald G. já que os chimpanzés são incapazes de atravessar barreiras aquáticas. serem capazes de matar facilmente os seres humanos. de forma que os pesquisadores observam os animais de uma distância suficientemente próxima para que possam examinar amostras de fezes e urina. explica Hahn. entre 50% e 90% da população está infectada com a sua versão do vírus. Sharp. na Tanzânia. o verus. afirma. enquanto que o vírus do mangabey (Cercocebus torquatus) apresentou maior similaridade em um segmento diferente. professor de genética da Universidade de Nottingham. e tampouco em uma espécie próxima. até o momento. diz Paul M. em Uganda. conhecidas como troglodytes e schweinfurthii. mas. tenham o vírus. Devido ao fato de os chimpanzés selvagens. As subespécies estão separadas há períodos enormes por grandes rios como o Congo e o Ubangi. o banobo peludo ou chimpanzé pigmeu. a obtenção de amostras sangüíneas é tarefa perigosa. Ainda não se sabe exatamente como os chimpanzés infectam uns aos outros e por que a doença não está mais disseminada entre eles. . realizado por vários dos mesmos autores. Estima-se que cerca de 13% dos chimpanzés do Parque Nacional Gombe. Não há meios de se saber quando os dois vírus se fundiram no organismo de um chimpanzé. O fato de o vírus não ter conseguido se disseminar entre todos os chimpanzés antes de estes terem se diversificado em subespécies sugere que o microorganismo é relativamente novo. Já entre os macacos adultos.

Um exemplo são os vírus presentes no intestino. inclusive. que não causam doenças. A hemofilia é um bom exemplo. ou seja. Essa doença ocorre porque o gene fundamental para o processo de coagulação do sangue é deficiente. que podem se transformar em algo mais sério". as células desse órgão são infectadas pelo vetor e passam a produzir o fator de coagulação que faltava". os médicos modificam o vírus em laboratório fazendo com que ele deixe de ser maligno. diz o virologista Arnaldo Ventura. . ou seja.Existe algum vírus benigno? Não necessariamente benigno. transformando o vírus em um vetor do bem. não funciona. Depois. inserem nele o gene de que o sangue do paciente precisa. mas existem muitos vírus que não são patogênicos. "Quando ele é injetado no fígado do paciente. Na chamada terapia gênica. da USP. são um dos elementos responsáveis pelo equilíbrio biológico gástrico. Com os avanços da medicina. afirma Arnaldo. que alguns deles ainda estão para ser identificados pela ciência. "Assim. Como eles infectam as bactérias que também vivem nessa região do corpo. A falta deles pode provocar desequilíbrio devido à grande proliferação de bactérias. é possível transformar esses vírus neutros .e até mesmo aqueles que são patogênicos . a pessoa acaba sofrendo de diarréia ou gastroenterite (inflamação simultânea do estômago e dos intestinos).em ferramentas de tratamento médico. Acredita-se. por onde o sangue passa. Outro fato curioso é que a ausência de determinados vírus pode trazer problemas.