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O cativeiro babilônico por Jonathas P.

Vieira Introdução Será abordado nesse trabalho o contexto histórico relacionado às quatro deportações que reduziram o reino do sul ao cativeiro de exílio na Babilônia, mostrando os reis do Império babilônico, períodos de seus respectivos governos até a queda da Babilônia; os personagens proeminentes no período de retorno a Jerusalém para a reconstrução do templo, para a instituição do culto, para a reconstrução da cidade e dos muros e o reassentamento da população judaica. Com relação ao cativeiro babilônico destacaremos quais foram os efeitos que ele engendrou na mentalidade dos israelitas. O Exílio de Judá O falecimento do piedoso monarca de Judá, Josias, em 609 a.C. colocou termos derradeiros à reforma religiosa e, durante o reinado de seus filhos Salum e Jeoaquim, as práticas pagãs retornaram e novamente infiltraram-se no reino do sul. Em 605 a.C., Nabucodonosor derrotou o exército egípcio em Carquemis, junto ao Rio Eufrates (próximo à atual fronteira entre a Turquia e a Síria). Marchando para o sul, Nabucodonosor invadiu Judá e sitiou Jerusalém no terceiro ano do reinado de Jeoaquim (Eliaquim) (Dn 1:1), ocasião na qual chegou aos seus ouvidos a notícia de que seu pai havia morrido, então este resolve retornar à Babilônia, levando consigo os tesouros do Templo do Senhor e os tesouros da casa do rei e vários jovens da família real e da nobreza de Judá. Quatro destes jovens se mostraram valiosos conselheiros para o novo rei babilônico: Daniel (Beltessazar), Hananias (Sadraque), Misael (Mesaque) e Azarias (Abede-nego) (Dn 1). Essa foi a primeira e menor das quatro deportações efetuadas pela Babilônia em Judá. Em 604 a.C. Jeoaquim se tornou vassalo de Nabucodonosor Rei da Babilônia (um ano depois da vitória em Carquemis), mas, motivado pelo governo egípcio, o rei de Judá se revoltou contra o domínio babilônico por volta de 601 a.C. Então em c. 598 a.C. Nabucodonosor executou medidas com relação à rebelião, ordenando que o rei Jeoaquim fosse preso em cadeia de bronze e levado à Babilônia. Jeoaquim, portanto, foi sucedido por seu filho Jeconias de dezoito anos de idade, que

C. 582 a. todos os príncipes. ele os levou cativos de Jerusalém à Babilônia (2Rs 24:10-17). constituindo-se assim como a quarta deportação. nada obstante a advertência profética de Jeremias para que permanecessem em Judá. Nebuzaradã. deixando apenas os mais miseráveis da terra para cuidarem das vinhas e campos.). todos os homens valentes. teve os seus olhos vazados. Nebuzaradã levou para o exílio o povo da cidade.C. este governante foi morto por Ismael. entretanto pouco tempo depois de sua nomeação. Nabucodonosor colocou a Matanias. que foi ajuramentado a prestar-lhe lealdade. porque em 597 a. no sétimo dia do quinto mês (14 de agosto de 586 a.C. No entanto. Portanto em c. senão o povo pobre da terra. Zedequias foi levado à Ribla. transferiu também a Jeconias para a Babilônia. A Babilônia então reagiu violentamente. Um mês depois que os babiblônios invadiram Jerusalém. um outro grupo de judeus foi deportado para a Babilônia. O inimigo penetrou o muro da cidade e Zedequias e seu exército fugiram durante a noite. Nabucodonosor e seu exército cercou Jerusalém e no nono dia do quarto mês (18 de julho de 586 a. tal que o povo não tinha mais o que comer. ninguém ficou. ficando a terra assolada e sem habitantes (Jr 52:30). fugiram para o Egito. Nabucodonosor cercou Jerusalém e Jeconias se rendeu. prendeu seu rei e tomou para si vários despojos da cidade. Com a deportação deste rei para a Babilônia. tio de Jeconias. Nabucodonosor transportou a toda Jerusalém. O profeta Jeremias amaldiçoara a Jeconias declarando que seus descendentes não se assentariam no trono de Davi. Muitos dos judeus restantes. Nessa terceira deportação a maior parte dos habitantes de Judá foi levada para a Babilônia. para ocupar o trono de Judá e mudou seu nome para Zedequias. onde depois de testemunhar a morte de seus filhos. a fome em Judá se tornou incomensurável.).. seus oficiais e os homens principais da terra. foi então deportado para a Babilônia preso em cadeias de bronze. ao todo dez mil.C. anos mais tarde Matanias se rebelou contra o domínio babilônico. a mãe do rei. incluindo Jeremias.governou por apenas três meses. as mulheres deste. e dentre os deportados estava um jovem aprendiz de sacerdote chamado Ezequiel. que foi a segunda deportação. no entanto foram capturados. comandante da guarda imperial. Nesta. no palácio real e em todas as casas de Jerusalém e derribou seus muros. Gedalias foi constituído pelo domínio babilônico como governante da terra de Judá. ateou fogo no Templo do Senhor. Tendo Nabucodonosor sitiado a cidade e a tomado. . todos os artífices e ferreiros. na Síria.

nós nos assentávamos e chorávamos. pois julgara que os muros inexpugnáveis da cidade .C. Este reinou por apenas nove meses e foi assassinado por Nabonido que com isso passou a ser o rei da Babilônia (556 – 539 a. seu filho passou a reinar sobre o império Babilônico.C.). no final do verão de 539 a. todavia nada pode impedir a vitória desta nova potência e. Em 547 a. Nabonido provavelmente se casou com uma filha de Nabucodonosor. foi ele quem libertou o rei Jeconias (Joaquim) da prisão e o permitiu comer à mesa do rei para o resto da vida. e AmelMarduque (Evil-Merodaque). Nos salgueiros que lá havia. pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções.C. a saber.C. Reconhecendo a forte ameaça medo-persa. Como. Laborisoarcode (Labashi-Marduque) em 556 a.). pendurávamos as nossas harpas. Neriglissar morreu e subiu ao trono seu filho.C. que vinham avançando para o norte acometendo o império babilônico. que fossemos alegres. Bel-shar-usur (Belsazar) regente de Babilônia e partiu para Tema. e os nossos opressores.C. foi assasssinado por seu antigo general e cunhado Neriglissar que dominou de 560 a 556 a. Enquanto Nabonido estava na Arábia (Tema). Jr 29:5). Capturou Tema. 8:17.C. uma nova e grande potência mundial começou a se levantar. porém. Ele nomeou seu filho. exterminou grande parte dos habitantes e estabeleceu sua autoridade nesse local onde permaneceu dez anos. lembrando-nos de Sião. mas o trauma do exílio é expressado claramente pelo salmista: “ às margens dos rios da Babilônia. Sipar foi capturada sem reagir e Nabonido fugiu. os medos e persas. os persas atacaram. Evil-Merodaque dominou tão somente por dois anos (562 – 560 a.O Cativeiro: Os judeus na Babilônia Os judeus que sobreviveram à longa jornada para a Babilônia certamente foram colocados em assentamentos separados dos babilônios e receberam permissão de se dedicar à agricultura e trabalhar para sobreviver (Ez 3:15. Nabonido retornou para a Babilônia. Ciro derrotou Creso de Lídia e tomou sua capital. e Belsazar era rei (príncipe regente) em Babilônia. haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?(Sl 137:1-4)”. Nabucodonosor faleceu em 562 a. dizendo: entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Após este reinado de quatro anos. Ciro derrotou os exércitos da Babilônia em Opis. Na Babilônia. Belsazar não se sentiu ameaçado. Sardes. sob o comando do imponente Ciro II.C. Ed 2:59. de 553 a 543 a. No 14º dia de Tisri (10 de Outubro).

Em 538 a. Daniel. que suba. As orações de Daniel foram respondidas prontamente. e não demorou muito que eles mostrassem aos seus opressores que pertenciam a uma raça elevada e professavam uma religião superior. foi constituído rei.19). bem como por suas profundas convicções. na verdade engendrou um despertar antagônico com relação a isso. me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém. quem entre vós é de todo o seu povo. Com o transcorrer dos dias no exílio. Ciro fez uma grande proclamação. rei da Pérsia: o Senhor. desse modo. que está em Judá. PERES: dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas” (Dn 5:26 -28) – predição que se cumpriu de forma imediata. É provável que em certos lugares os judeus formaram pequenas comunidades.18b. uma inscrição misteriosa apareceu na parede do palácio real: “MENE.podiam resistir a vários anos de cerco. ele procurou tratar com respeito todos os seus súditos leais. nascidas da . Daniel pediu a Deus para intervir (Dn 9:2. Belsazar foi morto. TEQUEL: pesado foste na balança e achado em falta. pondo fim ao período do Império Babilônico. TEQUEL E PARSIM”. Comunidades judaicas no Cativeiro Os judeus na Babilônia desde o princípio se constituíram num povo à parte. e o senhor. MENE. por suas associações de caráter nacional (Sl 137). tratou bem os babilônios. tendo os seus anciãos e o seu governo próprio. registrada no final de 2 Crônicas: “Assim diz Ciro. E a interpretação de Daniel foi “MENE: contou deus o teu reino e deu cabo dele. a idolatria que tenazmente assediava os judeus não mais tinha atração alguma para eles. Num gesto desafiador. Deus dos céus. como aquela perto do rio Quebar nos dias de Ezequiel. o ungido do Senhor (Is 44:28). inclusive os judeus. seja com ele. Ciente da profecia de Jeremias. aposentado de suas funções na corte. Ciro.” (2Cr 36:23. o medo.C. o grande dominador do novel império Medo-persa. a predição feita pelo profeta Isaías a aproximadamente 160 anos antes acerca de Ciro. foi chamado para interpretar a mensagem. e Dario. Ed 1:2-3a). Belsazar pediu que lhe trouxessem as taças de ouro e prata do templo do Senhor em Jerusalém e. pouco depois. Naquela mesma noite. seu Deus.. na verdade. com cerca de oitenta anos de idade. segundo a qual a desolação de Jerusalém duraria setenta anos. Cumpriu-se.

nem desordenado o seu sistema doutrinário e possuíam uma austera crença monoteísta e um credo religioso distinto. ou falando mais propriamente. podemos atribuir ao povo judeu a preparação do caminho para a vinda do Cristianismo. Por conseguinte. Outra questão digna de destaque é que embora os judeus fossem uma nação pequena. chegou o dia da restauração. e exerceram sobre aqueles com os quais mais conviviam uma forte influência moral. de Konigsberg: “uma das maiores ironias do destino que a história universal conhece. eles ocupavam a Palestina. quando enfim. ao alicerçar-se num sólido monoteísmo espiritual burilado no cativeiro babilônico.grandeza e Divindade de sua antiga religião. portanto. Certamente o tempo do exílio foi um período de grande atividade literária entre os judeus no sentido de coligir. ajudou a espalhar suas ideias religiosas por todo o mundo mediterrâneo. Os ditames de Deus para eles . Depois da sua volta deste cativeiro. uma vez que forneceu por meio desta preservação literária à jovem igreja sua mensagem. Podemos observar isso nas palavras do professor Cornill. o Antigo Testamento. um pedaço de terra que ligava Ásia. não podendo efetuar domínio na sua alma as fascinações da idolatria. uma das mais admiráveis provas dos caminhos maravilhosos que a Divina Providência toma para a consecução dos seus mais importantes desígnios. Desta forma os judeus se transformaram em testemunhas do poder e amor do Deus YHWH perante os babilônios. altar e dos sacrifícios gerou neles uma retomada aos princípios fundamentais da fé judaica. Por este motivo foram formadas no exílio escolas de teologia judaica (precursoras das sinagogas) e. O judaísmo contrastava flagrantemente com a maioria das religiões pagãs. Sua posição central e o fato de ter sido conquistada e levada em cativeiro. que não podia se comparar com a dos babilônios. eles amavam intensamente o seu culto. preservar e editar antigas narrações. África e Europa. os judeus nunca mais caíram em idolatria. somente foi possível sob a proteção e com o auxílio de um governo idólatra”. sendo mais forte do que até aí tinha sido a crença de que YHWH era o Senhor de toda a terra. O próprio fato de terem sido destituídos do Templo. não eram fracas as suas convicções. é esta: a completa realização e permanente consolidação do judaísmo puro que afastou inteiramente qualquer corrente contrária as idéias e costumes israelitas e rejeitou todo paganismo. No cativeiro os seus princípios e crenças se consolidaram.

Através dela os judeus e também muitos gentios se familiarizaram com uma forma superior de viver. O apego à Lei que foi adquirido neste período produziu um forte conceito messiânico na mentalidade israelita. na qual a Salvação vinha do Deus YHWH somente e não seria encontrada em sistemas racionalistas. Sesbazar e Zorobabel. 3:2). Zc 4:10). O modelo imperial ao qual os judeus ficaram submetidos no cativeiro provocou no povo uma mudança estrutural nas áreas política. mas Zorobabel foi o superintendente da obra (Ed 3:2. E esse sublime monoteísmo foi espalhado por numerosas sinagogas (O conceito de sinagoga nasceu no cativeiro babilônico e se consolidou no período dos impérios subsequentes) localizadas em volta da área mediterrânea durante os três últimos séculos anteriores à vinda de Cristo. fé. Se nas sinagogas identifica-se um novo modelo de promulgação da religião. Entretanto . Sesbazar e Zorobabel Na descrição do retorno do cativeiro e da edificação do Templo em Jerusalém.através das Escrituras Sagradas eram de total fidelidade ao único Deus verdadeiro de toda a terra.8. Sesbazar lançou os alicerces do Templo (Ed 5:16). onde Sesbazar seria um nome babilônico de Zorobabel. científicos ou politeístas de ética ou nas subjetivas superstições. O elevado padrão proposto nos dez mandamentos contrastava acentuadamente com os sistemas éticos predominantes nos Impérios. administrativa e econômica. e educação. Na parte moral e ética da Lei judaica. o judaísmo também ofereceu ao mundo o mais puro sistema ético existente. que ajudou de forma proeminente para a formação do cenário no qual nasceria Jesus Cristo. Sesbazar guiou os judeus para Jerusalém (Ed 1:11). não estando mais limitados à agricultura e a pecuária. com isso a sinagoga se tornou parte integrante da vida judaica. Ag 1:12-14. e essa perspectiva moral e espiritual favoreceu a doutrina de pecado e redenção. aparecem dois proeminentes nomes. os quais têm sido muitas vezes identificados como uma só pessoa. mas Zorobabel também os conduziu (Ed 2:2. na área econômica vê-se que o povo tornou-se mais voltado aos meios mercantis de negócio. Os judeus formaram uma instituição de ensino teológico chamada de Sinagoga que nasceu da necessidade decorrente da ausência do Templo de Jerusalém durante o cativeiro babilônico.

). Mas reconhecendo a impureza do sistema religioso dos samaritanos.Esdras 5:14 nos possibilita a conclusão de que Sesbazar tenha morrido pouco tempo depois do regresso. No segundo mês do segundo ano. que orientara a reforma feita pelo rei Josias. os samaritanos. Foi o . 5:13-17). Esdras Esdras era sacerdote e um dos cativos da Babilônia. os israelitas levantaram um altar e observaram a Festa das Cabanas. E guiados por Zorobabel (Ed 1:8). ou que ele. No sétimo mês do seu regresso. Sesbazar. mas também que financiasse toda a reconstrução e serviços religiosos associados ao templo. Ciro nomeou a Sesbazar governador de Judá (Ed 5:14).897 judeus regressaram a Jerusalém. fosse um representante judeu na corte do império ao qual foi conferida a responsabilidade de organizar o regresso e reconstrução do Templo (Ed 1:8. Entretanto. Enviou uma carta ao imperador Dario I questionando a construção do templo. Assim desprezados. onde provavelmente nasceu. Após o decreto. Tatenai. C. o qual em quatro anos foi concluído. À medida que progrediam as obras do templo. praticou e ensinou a Lei do Senhor como um escriba preparado. e ele estabelecera a Zorobabel como governador para guiar os judeus no retorno à Jerusalém e na construção (Ed 2:2). ficou convencido da legítima causa dos judeus e emitiu um parecer em seu favor: ordenou que Tatenai não apenas cessasse qualquer tipo de interdição. 49. Incentivados por Ageu e Zacarias. tendo ouvido o apelo dos samaritanos foi investigar a situação e desafiar a autoridade dos judeus. uma hostilidade que continuou por dezesseis anos (536-520 a. período após o qual Dario I subiu ao poder. sátrapa de toda região oeste do Eufrates. Visto que os judeus apelavam para o decreto de Ciro. os samaritanos quiseram unir-se imediatamente a eles. foram lançados os alicerces do templo. e assim Zorobabel passou a ser seu sucessor natural. tentaram impedir a obra do templo. Estudou. os líderes judeus declinaram da proposta. o povo. ou talvez motivados por senso de exclusividade. Era filho de Seraías e bisneto do sacerdote Hilquias. reiniciou a obra do templo. investigou a existência do documento.

Ambos eram levitas. o legislador. Após quatro meses de viagem. Segundo a tradição judaica. elaborou um decreto que constituía Esdras como chefe de Jerusalém.. Também era um homem de profunda humildade. os levitas e os líderes tinham feito casamentos mistos em grande número com seus vizinhos idólatras. Moisés escreveu os primeiros cinco livros. que começou a escrever o Antigo Testamento. com a sua tríplice divisão em Lei. A determinação do cânon das Escrituras. 8:21-23). todos os homens da nação estavam reunidos em Jerusalém e lá receberam instruções para que dissolvessem aquelas uniões ilegais. . Profetas e Hagiógrafos. Artaxerxes I. e empregando todos os esforços para trazer os desviados ao caminho do arrependimento (Ed 9:3. cinco grandes obras são atribuídas a Esdras: 1. a fim de que pudesse ser restaurado um povo puramente judaico. Ao assumir o poder. A importância de Esdras como professor da Lei é com frequência comparada com a de Moisés. pela integridade moral e por repulsa ao pecado. marcado por uma forte confiança no Senhor. O povo se arrependeu e os sacerdotes e demais líderes reafirmaram seu compromisso para com a aliança do Sinai (Ed 10:1-8). Sem dúvida Esdras se utilizou desse material para escrever os capítulos de 1 ao 6 de Esdras. De acordo com 2 Macabeus 2:13-15. ele teve acesso à biblioteca de documentos escritos reunida por Neemias. 10: 6. Encontrou uma situação que lhe entristeceu o coração: O povo. Com isso. Esdras viajou da Babilônia para Jerusalém em 457 a. chegou a Jerusalém e ofereceu holocaustos ao Senhor. A fundação da “Grande Sinagoga”. C. os sacerdotes. para embelezar o templo e para restaurar o culto no templo (Ed 7:7). Diante disso Esdras e o povo fizeram um pacto em que todas as mulheres e os filhos estrangeiros seriam despedidos. afligindo-se muito com os pecados do povo. Esdras escreveu ou compilou os quatro últimos. Seu movimento reformador conquistou para ele o título de “segundo formador da nação judaica”. levando consigo um grupo de levitas.mais provável autor dos livros de 1 e 2 Crônicas. e fez uso do diário pessoal de Neemias. assim como fez com Crônicas. cheio de ardente zelo pela religião (Ed 7:10. Esdras e Neemias. Foi um homem piedoso. 10). a fim de ensinar a Judá a Lei de Deus. Três dias depois. 2.

8). lamentou e esteve jejuando e orando perante Deus. Sua missão estava terminada. Neemias descobriu que a situação era pior do que imaginava. Foi sepultado em Jerusalém. pois nunca estivera triste diante do rei. a fim de reedificar a cidade (Ne 1). soube que Judá se encontrava em grande miséria e desprezo. Os motivos que determinaram a ida de Neemias à Jerusalém são um testemunho claro e evidente que Esdras enfrentava. levaram prisioneiros os . Percebendo isso. Depois disso. Esdras faleceu pouco depois da celebração da Festa dos Tabernáculos. Em 445 a. Nada mais está registrado acerca de Esdras e seu ministério depois de seu primeiro ano em Judá até que Neemias chegou. treze anos depois. e patrocínio do governo persa para a reconstrução (Ne 2:7.. C. Neemias. A compilação dos livros de Crônicas e provavelmente de Ester. e assim. 4. através de seu irmão Hanani e seus companheiros de viagem. além do acréscimo da história de Neemias à sua. com grande magnificência. com respeito à administração interna e a incessante oposição dos samaritanos e outros povos. C. 5.3. As muralhas e outras estruturas estavam tombadas em ruínas e não havia males que os povos vizinhos não lhes causassem. pois devastaram os campos. pedindo que lhe desse graça perante o rei para que este o dispensasse para viajar a Jerusalém. Ocupava um cargo de confiança do rei Artaxerxes. A substituição dos caracteres quadrados caldaicos pelos antigos hebraicos e samaritanos. O estabelecimento das sinagogas. Artaxerxes se inteirou de todos os fatos que atribulavam o espírito de Neemias. demonstrou tristeza de coração. em 445 a. chorou. irmão de Hanani. autorizou sua partida para a cidade de Jerusalém e lhe deu cartas reais que garantiam acesso seguro por todas as províncias além do Eufrates.. Ao ouvir essas palavras entristeceu-se profundamente. Chegando a Jerusalém. Neemias Neemias era filho de Hacalias. estando Neemias exercendo seu ofício real. e tudo que Neemias lá encontrou apenas os confirma. Não resta dúvida de que esses anos foram bastante difíceis para Esdras. servindo como copeiro.

Hanani. o processo de construção não sofreu nenhuma interrupção (Ne 3:6). na reestruturação da moral do povo. e entre eles estavam Sambalate. ataques contra os que trabalhavam na reedificação da cidade. Outro passo administrativo e político tomado por Neemias foi a melhor redistribuição dos judeus na terra. além de estabelecer seu irmão. a boa ordem e restaurando a adoração. Certamente. os amonitas e os asdoditas. continuamente. mas os oficiais e administradores de outros distritos foram radicalmente contrários à reconstrução da cidade. como prefeito da cidade. desde o raiar do sol até o meio-dia. a fim de que o . Em seguida. o novo cerco em Jerusalém durante as semanas de construção provocou instabilidade no povo. Esses povos conspiraram. Logo de início. Neemias ordenou que essa prática perniciosa cessasse. Não somente isso. Neemias deu início a mais importante de todas as tarefas.habitantes da cidade e encontravam-se cadáveres pelas estradas. acima de tudo. Vale à pena ressaltar que apesar de todas as controvérsias. com o objetivo de se defenderem contra esses opositores (Ne 4:1623). e todas as propriedades confiscadas fossem devolvidas à seus legítimos donos (Ne 5). Com a reconstrução dos muros outras famílias tentariam se restabelecer na capital. mas contribuiu também. mas os judeus ricos! Furioso. os quais se uniram contra Jerusalém a fim de os desviarem o seu intento. aumentando a miséria para muitos. ele designou que houvesse porteiros. Ele precisava agora reorganizar toda a vida e administração pública e. introduzindo a Lei. os árabes. pois o alimento estava em falta e os que o possuíam vendiam-no a preço exorbitante. durante sete dias. cantores e outros que serviam no santuário. Então passou a tratar os problemas econômicos da província. Esdras e os instrutores levitas abriram o livro da Lei e o interpretaram e explicaram. Depois de assegurar que a cidade estava bem protegida. Neemias fez um levantamento genealógico das famílias. sendo finalizado em 52 dias (Ne 6:15). O mais vergonhoso era que os que lucravam com a situação não eram os pagãos. Tobias. efetuar uma sólida e profunda reforma espiritual. Seus feitos não ficaram restritos apenas às reconstruções civis. ao ponto de Neemias instruir ao povo que trabalhassem armados e prontos para peleja. pois a maioria dos que retornaram se estabeleceram em lugares onde a destruição havia sido mínima e Jerusalém estava abandonada (Ne 7:4). permitindo que voltassem para a cidade apenas as que habitassem lá anteriormente.

que provocou a devastação de toda a terra de Judá.povo entendesse o que estava sendo lido. C.. Charles C Mundo Cristão e Sociedade Bíblica do Brasil: São Paulo. um grande reavivamento e uma aliança solene de observarem a Lei (Ne 8-9). 2007. a destruição da Arca da Aliança. Essa leitura e exposição pública do livro de Deus ocasionaram uma grande onda de arrependimento entre o povo. 2003. doutrina e interpretação da Bíblia. restabelecendo as contribuições. que tinham cessado e estabelecendo tesoureiros para administrar essa causa (Ne 13:6-30). História. dando cabo dos casamentos ilícitos com muita violência. Bíblia anotada: Edição Expandida/RYRIE. . fazendo com que o povo. para os levitas. Bibliografia ANGUS. Joseph. Após doze anos de trabalho em Jerusalém. Sociedade Bíblica do Brasil e Atos: São Paulo e Minas Gerais. longe de sua pátria e realocado num país idólatra. o incêndio do Templo do Senhor e a assolação de Sião. estivesse sob o poder de inimigos bárbaros. Editora Hagnos: São Paulo. Seu retorno a Jerusalém foi assinado por novas reformas. Bíblia de Estudo das profecias. mas que por meio disso o Deus YHWH consolidou o conceito monoteísta na mentalidade judaica e preparou a nação que seria o principal cenário da vida de Jesus Cristo e surgimento do Cristianismo. cerca de 434 a. permanecendo ali por algum tempo (Ne 13:6). 2001. Neemias retorna a corte de Artaxerxes. tal como nunca antes. Conclusão Entende-se que o cativeiro na verdade foi uma notável dispensação da Providência.

LAWRENCE. História de Israel no Antigo Testamento. Casa Publicadora das Assembléias de Deus: Rio de Janeiro. 2001. História dos Hebreus. Editora Vida: São Paulo. Editora Vida: São Paulo. Eugene. MERRILL. HALLEY. O Cristianismo Através dos Séculos: uma história da Igreja Cristã. 2008. 2001. Edições Vida Nova: São Paulo. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. O Novo Comentário da Bíblia. Sociedade Bíblica do Brasil: São Paulo. Manual Bíblico de Halley. Conheça melhor o Antigo Testamento. 2004. JOSEFO. Atlas Histórico e Geográfico da Bíblia. ELLISEN. Flávio.CHAMPLIN. Paul. 1987. Casa Publicadora das Assembléias de Deus: Rio de Janeiro. 2007. 2008. Earle E. F. R. CARINS. DAVIDSON. Stanley. Editora Hagnos: São Paulo. Henry Hampton. N. Ed.Vida Nova: São Paulo. 2008. .