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CULTURA
E BARBÁRIE
EUROPEIAS
INSTITUTO
PIAGET
Título original: Culture et barbarie européennes
Autor: Edgor Morin
© Bayard. 2005
Colecção: Epistemologia e Sociedade. sob a direcção de António Oliveira Cruz
Tradução: /na Paula de Viveiros
Capa: Dorindo Caroalho
Direitos reservados para a língua portuguesa, excepto [rasil:
INSTITUTO PlAGET-Av. João Paulo li, lote 544. 2.•- !900-726 LISBOA
Tel. 2 I 831 65 00
E-mail: info@ipiagetedilora.com
Paginação: Instituto Piaget
Montagem, impressão c acabamento: CoslàCosta
ISBN: 978-972-771-883-2
Depósito legal: 257125 /2007
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CAPITULO !
L/IL¹I!L !L^/l/
LL/IL¹I!LLLIC¡L!/
Gostaria de começar esboçando uma antropologia
da barbárie humanal. Ao longo dos meus trabalhos,
tentei demonstrar que as ideias de ¬.¬.·._|--·. ¬.¬.
faber e ¬.¬.-..-.¬|.··eram insuficientes: O ;.¬.·.
,--·,com espírito racionat pode ser ao mesmo tempo
¡L.¬..-¬--¸Cépaz de delírio, de demência. O ¬.¬.
faber, que sabe fabricar e usar utensílios, também é
capaz, desde os primórdios da humanidade, de pro­
duzir inumeráveis mitos. O ¬.¬.-..-.¬|..·, que se
determina em função do seu próprio interesse, é tam­
bém o ¬.¬. .·.--· que Huizinga tratou há algumas
dezenas de anos, ou seja, o homem do jogo, da des­
pesa, do desperdício. Énecessário integrar e li
g
ar estes
traços contraditórios. Nas origens do que vamos consi-
1 Este texto constitui a transcrição corrigida de três conferências pro­
feridas na Biblioteca Nacional François Mitterrand, nos dias 17, 18
e 19 de Maio de 2005. Agradeço a Jean Tellez por, de uma forma
indispensável, ter colaborado nas corrccçõcs c na finalização do
texto. Agradeço igualmente a Jean-Louis Pouytes, cuja leitura das
provas me foi bastante útil.
9
derar como a barbárie humana, encontra-se evidente­
mente este lado «demens», produtor de delírio, de ódio,
de desprezo e daquilo a que os Gregos chamavam a
Hybris, a desmedida.
Podemos pensar que o antídoto para «demens» se
encontra em «sapiens>> , na razão, mas a racionalidade
não pode definir-se de forma unívoca. Muitas vezes
acreditamos estar dentro da racionalidade quando
estamos na racionalização, na realidade um sistema
lógico, mas com falta de fundamento empírico que per­
mita justificá-lo. Sabemos que a racionalização pode ser­
vir a paixão, chegar até ao delírio. Existe um delírio g
racionalidade fechada.
..

ª o
h
omem fabrica dor, também cria
mitos delirantes. Dá vida a deuses ferozes e cruéis que
cometem actos bárbaros. De Teilhard de Chardin, reto­
mei o termo «noosfera» que, na minha concepção, de­
signa o mundo das ideias, dos espíritos, dos deuses
produzidos pelos humanos no seio da sua cultura. Se
bem que produzidos pelo espírito humano, os deuses
adquirem uma vida própria e o poder de dominar os
espíritos. Assim, a barbárie humana gera deuses cruéis
que, por sua vez, incitam os humanos à barbárie. Talha­
mos deuses que nos talham. Mas não podemos reduzir
esta possessão pelas ideias religiosas só ao aspecto bár­
baro. Os deuses que subjugam os crentes obtêm deles
não só os actos mais horríveis mas também os mais subli­
mes.
Como as ideias, as técnicas nascidas do ser humano
voltam-se contra ele. Os tempos contemporâneos mos­
tram-nos uma técnica que se desenvolve escapando à
humanidade que a produziu. Comportamo-nos como
aprendizes de feiticeiro. Além do mais, a própria téc-
10
nica traz a sua barbárie, uma barbárie do cálculo puro,
fria, gelada, que ignora as realidades afectivas próprias
dos
humanos.
Quanto aolomo /udcn� podemos verificar que tem
jogos cruéis, como os jogos de circo ou a tauromaquia,
embora inumeráveis jogos não tenham características
bárbaras. Por fim, o Hmo ¬o»_oque põe o ite­
resse econômico d frente de tudo, tende a adoptar con­
dutas egocêntricas que ignoram o outro e que, por isso
mesmo, desenvolvem a sua própria barbárie. Assim,
vemos as potencialidades, as virtualidades de barbárie
surgirem em todos os traços característicos da nossa
espécie humana.
Dito isto, estas virtualidades de barbárie não são as
mesmas nas sociedades arcaicas e nas sociedades his­
tóricas. As�dart ¸�pandiram-se por todo
o planeta há muitas dezenas de milhares de anos, pro­
duziram uma extraordinária diversidade de línguas,
culturas, músicas, ritos, deuses. Todas têm uma carac­
terística comum: são pequenas sociedades com algu­
mas centenas de indivíduos que se dedicam d caça e d
recolecção. São praticamente auto-suficientes e não têm
necessidade de conquistar o território de outra socie­
dade. Certamente conhecem guerras locais e talvez tam­
bém assassínios2.
Estas sociedades nada têm em comum com �
���
��),i
stórical saídas desta formidável metamorfose
que e operar-se talvez há oito mil anos no
Médio Oriente, na bacia do Indo, na China, depois no
México, nos Andes. Esta metamorfose produziu as gran­
des civilizações das sociedades que contam milhares,
2 Detectámos comportamentos assassinos nos chimpanzés.
11
ou mesmo milhões, de membros que praticam a agri­
cultura, constroem cidades, criam Estados, grandes
religiões, inventam exércitos, desenvolvem considera­
velmente as técnicas. Mesmo que os traços de barbárie
pudessem caracterizar as sociedades arcaicas, _na�,
8OCCCaOes DstÔrícgC¹

nos÷
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arCCCrCs ta Os de
umabarbáríe qa

• Ö erEstado e aoexcessQ
�e¬e»caïà j:. Foram empreendidas conquistas
para assegurar as matérias-primas ou as reservas de
subsistência para os períodos de seca ou de excesso
de chuva. Mas, sobretudo, produz-se um verdadeiro
desencadear de conquistas que vai para além da única
necessidade vital e que se manifesta por massacres,
destruições sistemáticas, pilhagens, violações, escrava­
tura.' ]xiste:eaí¬e~UarOátIC qUC toma ¡:±ae
¿uCseform�iza lÎ
.
Além disto, estas grandes socie
d
ades caracterizam-se
por um sem precedente, for­
mam Babilónias, onde se reúnem populações diferen­
tes, classes diversas fundamentadas na dominação dos
senhores e na servidão generalizada. Nas camadas bai­
xas, desenvolve-se a criminalidade, a delinquência. Nas
sociedades arcaicas, demograficamente restritas, a maior
parte dos indivíduos integrava-se na colectividade, a
marginalidade deveria ser uma excepção. Reinava aí
uma espécie da supremacia da colectividade, muito
mais importante porque estas sociedades eram regidas
pelo mito de um antepassado comum que encorajava a
fraternidade entre todos os seus membros.
Nos grandes impérios, nas cidades-Estado, desen­
volveram-se fermentos de delinquência e de crimina­
lidade. Vemos surgir deuses ferozes e guerreiros, deuses
que pedem o extermínio do inimigo. Aliás, a barbárie da
!:
guerra é inseparável dos tempos históricos. . 1¡5!Ótia(
Óð5 _tðDOC5 5OcÎCOðOe5 é ð Î5!tÎ�����
�!CFtupta$, como demonstrou Gaston Bouthoul, funda-
1
dor da polemologia. fodavia, ao DC5DO tempo QUC ð
']ðFDátÎC, C5!ð5 5OC:COðOC5 QïOOD2CD < e×Qðn5ão Uas9
artesC da cultura, OOC5CDVOÌVÎD\CD!OOOCODDCcIDCD!O,·
¤QðPCCIIDCD!O OC UDð CDtCcuItI . q DðtDðIÎC é ]Ot~!
!ðD!O DD ÎD_tCOÎCD\C dus grðDdC5 cIvu:zuções.(·ono
Walter Benjamin evidenciou, não existe um sinal ou
um acto de civilização que não seja ao mesmo tempo
um acto de barbárie. ¶OÎOCð¬� 1Çö_@C�Q¸QC [OUC-
mos COCVCDOStC5)S!Itàrria
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ção.!conquista romana, por exemplo, foi uma das mais
bárbaras de toda a Antiguidade: o saque de Corinto na
Grécia, o cerco de Numância em Espanha, a destruição
de Cartago, etc. No entanto, a cultura grega infiltrou-se
no interior do mundo romano tornado império. Daí a
famosa frase do poeta latino: «A Grécia vencida venceu
o seu cruel vencedor. » A barbárie produziu, assim, civi­
lização.
A conquista bárbara dos Romanos deu origem a
uma grande civilização. Em ¯1¯, o édito de Caracala
concede a cidadania romana a todos os oriundos deste
vasto império que cobre a
Á
frica do Norte, uma grande
parte da Europa de Leste e a Inglaterra.
Se me permitem um parêntesis - porque aqui não
me restrinjo a um discurso linear, mas convido à refle­
xão sobre momentos históricos -, gostaria de lembrar
13
que Simone Weil, num artigo dos Nouveaux Cahiers,
publicado na véspera da Segunda Guerra Mundial, disse
que aconteceria o mesmo no Império europeu após a
conquista nazi. Previa uma vitória da Alemanha e,
dentro de dois séculos, uma expansão das civilizações,
no modelo daquela que Roma produziu. Isto não a
impediu de se empenhar com convicção na Resistência,
como bem o sabeis. Não há dúvida que esta ideia ins­
pirou socialistas e pacifistas, que se tornaram colabora­
dores logo no início da guerra, num momento em que
ainda não era mundial, mas em que se pensava que a
Alemanha nazi dominaria duradouramente a Europa.
Tragicamente, muitos pensavam que, colaborando com
a Alemanha hitleriana, colaboravam de facto para uma
Europa socialista.
Aludo a este artigo, porque também me influen­
ciou, não no que diz respeito à Alemanha, mas à União
Soviética. Em 1942, com vinte e um anos, eu já tinha
tido conhecimento dos piores aspectos da URSS, não
tinha esquecido os processos de Moscovo, tinha lido
Trotsky e Souvarine. A minha ideia era que a vitória da
União Soviética permitiria aos germes incluídos na
ideologia socialista, ideologia comunitária, igualitária,
libertária, expandirem-se numa maravilhosa era de
harmonia social. Comecei a ficar desencantado com a
guerra fria e o retorno da glaciação estalinista. Hoje, não
posso afastar a ideia de que talvez a União Soviética
tivesse podido expandir, com o tempo, os ideais e os fer­
mentos de civilização que a sua barbárie inicialmente
asfixiou. As conquistas bárbaras podem levar à expansão
de uma civilização, no entanto sem que estas barbáries
originárias tenham de ser retrospectivamente justifica­
das, nem cobertas pelo esquecimento, evidentemente.
14
Existe igualmente uma barbárie religiosa de que é
preciso falar agora. Na Antiguidade, os povos do Médio
Oriente tinham, cada um, o seu deus da guerra, impie­
doso para com os inimigos. No entanto, quer na Grécia
quer na Roma antiga, o politeísmo permitiu a coexistên­
cia entre diferentes deuses. O politeísmo grego acolheu
um deus aparentemente bárbaro, violento, um deus da
bebedeira, da Hybris: Dioniso. A extraordinária peça de
Eurípides, As Bacantes, mostra a chegada destruidora,
louca, deste deus. Dioniso não deixou de integrar a so­
ciedade dos deuses gregos. No século xrx, quando
Nietzsche questiona a origem da tragédia, dá relevo ao
duplo aspecto que caracterizava a mitologia grega. De
um lado Apolo, símbolo da moderação, do outro Dio­
niso, símbolo do excesso. � ðIÍ e conpIe-·
I! �I�ilustra a]:O]O5ð��
�ÎJð!: o QDC concorda e o que discordá>?
O Império romano, antes do cristianismo, caracte­
rizava-se pela tolerância religiosa. Os mais diversos
cultos, incluindo os dos deuses da salvação, tal como
o culto de Osíris e o culto de Mitra, o orfismo, eram per­
feitamente aceites. gu�|udeu, de
[
oIs cris,
�16DO o se¤miversaIsno¹
i

��:utei-ranc|a,çuOÎIÎð ð\C uma
#
ðSSCntCFODCDOQÓDO Uðverdade.
���Efectivamente, o judaísmo apenas podia
conceber como ídolos sacrílegos os deuses romanos.
O cristianismo, através do seu proselitismo de vontade
universat apenas podia acentuar esta tendência. En­
quanto o judaísmo tina a possibilidade de perma­
necer no seu próprio interior, na aliança privilegiada
que acreditava ter com Deus, o cristianismo procurou,
por fim, destruir os outros deuses e as outras religiões.
15
Aliás, a partir do momento em que foi reconhecido
como a única religião de Estado, provocou o encerra­
mento da escola de Atenas e pôs assim fim a qualquer
filosofia autónoma.
UnaUð5ÐrnðSdabarbariocristã tCía �
Satanás¾ 'Sób.está Hgura, énecessário
I �

d
O rCOeÌUC,.o nC_ðOor, o inimIgo mortaIde}

se �
pmanos1 Aquele que não está de acordo e não quer
renunciar à sua diferença está forçosamente possuído
por Satanás. Foi com esta delirante máquina argumen­
tativa, entre outras, que o cristianismo exerceu a sua
barbárie. É óbvio que este não teve a exclusividade
da arma satânica. Constatamos, kO utas�
'Satanás volta mais do quenunca ao vuuIento<iscu¡
'isIanita:
Por fim, o cristianismo triunfante suscitou no seu
seio diversas correntes de pensamento, variadas inter­
pretações da sua mensagem de origem. Em vez de as
tolerar, reagiu pela elaboração de uma ortodoxia im­
piedosa, denunciando os desvios como heresias, perse­
guindo-os e destruindo-os com ódio, mesmo em nome
da religião do amor.
Estas notas demonstram que ;e aÏurOQae�
tonopólio Uð blrDárIe, nðDHCStOu tCOðS ftias �
ç

rbáI:e p�epias UaS 8OCICOðOt8 � de que
acabo de
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falar. Além dis�o, � í��
»eInaisnasSîVaC, ���
8J1d •��D���
¡uro¡eiasnodernaqA Espanha, a França, Portugal, a
Inglaterra. As nações são profundamente diferentes
dos impérios e das cidades-Estado. Primeiro, juntam
mais populações diferentes do que as cidades-Estado­
uma nação como a França, por exemplo, integra uma
1o
notável diversidade de etnias. A verdadeira diferença
relativamente ao império tem a ver com a actividade
integradora do Estado-nação, que unifica numa identi­
dade nacional comum os seus elementos diferentes.
Um caso exemplar é o da Espanha!onde existia, na
zona islâmica, o Al Andaluz, uma tolerância para com
cristãos e judeus e, na zona cristã, uma tolerância para
com os muçulmanos e os judeus até i÷V2. O que se
passa nesse inaudito ano de 1÷V2` Não só a descoberta
da América e o início da conquista do Novo Mundo.
É também o ano da tomada de Granada, o último bas­
tião muçulmano em Espanha, e, logo depois, o ano do
decreto impondo aos judeus e muçulmanos a escolha
entre a conversão e a expulsão. 18!aìnvenção CDrOQeK,
µ nação, C portanto, QtÎDCÎïO, construída 5ODtC a bas�
·UC uma QDIÎ!ÎCaçãO Ie!igÎOsa. f
Esta purificação vai adquirir, progressivamente, um
carácter étnico. Ainda em Espanha, no início do século
XVII, dois séculos após o decreto que constrangia os ju­
deus e muçulmanos a escolherem entre conversão ou
expulsão, encontrávamos, sobretudo na Andaluzia, uma
forte população mourisca. Tratava-se de Mouros ofi­
cialmente convertidos ao catolicismo, mas que, em pri­
vado, continuavam a manifestar as suas crenças no
interior das grandes propriedades privadas. Os latifun­
diários, os senhores proprietários, toleravam-no ou fe­
chavam os olhos. Em qualquer barraca sumariamente
transformada em mesquita, podia efectuar-se um resto
de culto muçulmano. Para a Inquisição, isto não foi
tolerável. Aliás, realcemos que ela própria não profes­
sou o princípio de uma purificação étnica. Perseguia os
judeus converti(os que «judaizavam» secretamente ou,
da mesma maneira, os muçulmanos convertidos que
17
«islamizavam». Mas, quando podia estabelecer a sin­
ceridade da sua fé cristã, reconhecia-lhes todos os di­
reitos dos cristãos. Sob o efeito de uma nova pressão
de intolerância, chegou-se à expulsão-dos mouriscos.
Separavam-se as mulheres dos seus maridos que eram
expulsos e embarcados com destino à África do Norte.
Passou-se da purificação religiosa à purificação etna­
-religiosa. Numa parte da aristocracia e da burguesia
espanhola, desenvolveu-se a tendência para querer im­
por a limpieza dei sangre, a pureza do sangue, o que era
já uma noção racial, racista. Os monarcas espanhóis
não a seguiram e a pureza de sangue nunca se tornou
oficial. Chamo a atenção que a Inquisição não era ver­
dadeiramente portadora desta ideia. Apenas, e só, pro­
curava a pureza religiosa, mas esta pureza começou a
associar-se a uma outra, uma intolerância começou a des­
pontar sob uma outra.
Voltarei ao assunto para falar sobre uma consequên­
cia desta tentativa de purificação religiosa em Espanha,
consequência subterrânea mas muito profunda, carac­
terizada pelo fenómeno dos conversos, pejorativamente
chamados marranos, os cristãos-novos.
Para acabar este ponto, assinalemos que a intolerân­
cia religiosa espanhola se desencadeou nas conquistas
da América, levando à destruição de todas as religiões
pré-colombianas.
Na verdade, podemos considerar que o princípio de
purificação religiosa já estava em germinação com o
triunfo do cristianismo no Império romano. Mas acon­
tece que este princípio vai encontrar um considerável
reforço com a emergência do Estado-nação. A tal ponto
que as guerras de Religião que vão desencadear-se
no século XVI, na sequência da reforma de Lutero e Cal-
18
vino, vão ser guerras civis antes de se tornarem também
guerras entre nações. Concluíram-se com os tratados
de Yestefália, que acentuarão a tendência dominante
de cada nação para a purificação religiosa. Estes trata­
dos instauravam a religião do príncipe como a religião
de Estado, princípio importante para a Alemanha que
estava dividida em principados. Na Inglaterra, o angli­
canismo constituir-se-á sobre a expulsão do catolicismo
e muitos católicos tiveram de emigrar para Livorno ou
França no século XVI. Houve, no entanto, uma excepção
francesa, provisória: o édito de Nantes assinado em
I595 por Henrique IV. Provisória porque, no reinado
de Luís XIV, foi severamente enfraquecido pelas drago­
nadas e pelas restrições dos direitos dos protestantes.
Como sabem, seria abolido em I635e esta abolição seria
seguida de numerosas consequência trágicas.
Nas cidades dos Países Baixos que não estavam orga­
nizadas de acordo com o princípio da nação, a tolerân­
cia religiosa persistiu, sobretudo em Amesterdão, onde
era até possível não pratcar religião alguma. Calvinistas,
luteranos, católicos, judeus coexistiam aí. Espinosa,
uma vez excomungado da Sinagoga, não se ligou a
mais nenhuma religião e pôde continuar a viver com
toda a independência. Consequentemente, é em Ames­
terdão que são impressos muitos livros que a censura
interditava em França até final do século XVIII.
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ieomo·

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antídoto para C$!CVCDCDO!Inspirada pelas Luzes, uma
nova concepção de Nação surge a partir da Revolução
Francesa. A I4de Julho de 1¯¬Ù
·
um ano após a tomada
da Bastilha, estiveram na grande ����
' -�, ' ' '
19
delegados de todas as províncias de França, demons­
trando assim a sua intenção comum de fazerem parte
da grande nação: uma nação como a França é conce­
bida como o produto de uma vontade comum. A ideia
de um espírito comum e de uma vontade comum desen­
volve-se, sublinhada no século xrx por pensadores como
Renan, para quem «a existência de uma nação é um
plebiscito de todos os dias». Esta ideia afirma-se por
oposição às teorias dos filósofos alemães como Herder
e Fichte, que insistem antes no solo, na língua e na cul­
tura para definir uma nação. Iremos reencontrar esta
oposição com o diferenco franco-alemão sobre a Alsá­
cia-Lorena. Para os Franceses, a Alsácia e os Alsacianos
eram franceses por vontade, pelo espírito francês de
que eram portadores, os Alemães defendiam que eles
eram de etnia e cultura alemãs, portanto Alemães.
Em todo o caso, fortemente inspirada pela concepção
revolucionária, uma certa �d

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greciso ODO esquecê-lo, pcl».�� As guerras inte­
gram no ódio pelo inimigo as mais diversas etnias no
seio de uma comunidade patriótica. Consideremos os
Bretões: a consciência de um Bigouden definia-se, e de
certo modo ainda se define, por referência aos Ca­
pistas, isto é, por referência ao povo vizinho. Uma vez
no exército, chamam-lhe «o Bretão». Uma identidade
que lhe era longínqua e abstracta torna-se concreta e,
sobretudo, descobre uma parte desta complexidade
que o constitui: é bretão e francês. As guerras contribuí­
ram, assim, para a integração.
Bem entendido, a Europa não se desembaraçou com
muita facilidade das suas questões etna-religiosas e das
:U
suas ligações com uma certa concepção de nação. O pro­
blema da Irlanda do Norte, a ponto de se resolver, de­
monstra-o suficientemente. Hoje, igualmente, colocam-se
os problemas do País Basco e da Córsega que, sem dú­
vida, são periféricos e secundários.
>CcDÌo `7perm:Uu.nos nedIraDarlárìe prodJ
� zida¡elaideiadenaçñoquandoassenfenunavontaqe
· de µuii|,ä¯cu.:H Bem entendido, não se pode
reduzir a nação aos seus efeitos bárbaros, dado que ela
também opera a integração entre etnias. Dito isto, o
?éculo x inventou a nonsuosidade da naçño nono�
)lnica;No seio dos Impérios que no início do século xx
reinaram na Europa central e na Europa de Leste (aus­
tro-húngaro, otomano, czarista), estavam em marcha
forças de integração e de entendimento entre os povos.
No império Otomano, por exemplo, exercia-se uma
tolerância religiosa e não uma encarniçada vontade de
converter. O modo de governo, que fazia com que os
impostos fossem cobrados pela autoridade religiosa,
permitia aos judeus e aos católicos coexistirem na mes­
ma cidade. Sarajevo é o extraordinário exemplo da
reunião de católicos croatas, ortodoxos, sérvios, judeus
sefarditas e eslavos convertidos ao Islão. Esta caracte­
rística pluriétnica, esta mistura de culturas, que surge
como um traço positivo do Império otomano, revelou-se
desastrosa após o seu desmantelamento. Quanto ao im­
pério Austro-húngaro, pouco antes do primeiro conflito
mundial encaminhava-se, apesar epor causa de todas
as dissenções e descontentamentos dos seus numerosos
povos, para o reconhecimento de uma certa autonomia
e coexistência pacífica das nacionalidades: Húngara,
Checa, Croata. Infelizmente, em IV|H, a vontade dos ven­
cedores, sobretudo da França, provocou a deslocação
21
destes equilíbrios. Clemenceau estava convencido que
o conjunto austro-húngaro era \ bastião do catolicismo.
Os vencedores impuseram a constituição de nações que,
devido à cisão e às partilhas arbitrárias, bruscamente
se viram mergulhadas na lógica pluriétnica das nações
modernas (a Sérvia e a Grécia, no que a si se refere, já se
tinham emancipado no século xix). Ora cada uma delas,
contendo minorias étnicas e religiosas consideráveis,
quis conceber-se sob uma forma monoétnica.
O historiador Toynbee, que esteve na guerra greco­
-turca de 1921, qualificava de desastrosa a importação
para estas regiões da ideia ocidental de nação. Então
produziu-se uma dupla purificação étnica turca e grega.
Os Turcos expulsaram as consideráveis populações gre­
gas da Ásia Menor, que aí se encontravam desde a An­
tiguidade, para a Macedónia. Quanto às populações
turcas da Macedónia, foram deportadas para a Tur­
qma.
Em 1990, a nação jugoslava estava indubitavelmente
inacabada no seu processo de integração dos povos que
a constituíam, mas o processo estava em marcha. É ver­
dade que tinha suportado uma ditadura que podia ser
considerada como imposta pelo totalitarismo, toda­
via um totalitarismo temperado após a ruptura com a
URSS. Esta nação inacabada desmembrou-se em três
nações num desencadear de barbárie guerreira e de
crueldade. O objectivo da purificação étnica foi tanto
dos Sérvios como dos Croatas, que expulsaram consi­
deráveis populações sérvias. Em Sarajevo, mantinha-se
um certo plurietnismo, Sérvios que ainda desempe­
nhavam um papel importante no poder, na imprensa,
etc. Este mal da purificação encontra-se na realidade,
de forma pacífica desta vez, através da separação entre
os Checos e os Eslovacos.
22
Aqui, não falo expressamente da purificação nazi,
objecto do meu terceiro capítulo, que pode ser consi­
derada como o apogeu da obsessão purificadora de
uma nação e que, infelizmente, tem as suas raízes na
história europeia. Contudo, saliento que, após a vitória
dos Aliados em I945, observamos fenómenos de puri­
ficação das populações alemãs, deportadas da Silésia
que se tornou polaca, deportadas dos montes Sudetas
que voltaram a ser Checas. Os próprios Polacos foram
deportados das zonas ucranianas anexadas pelos So­
viéticos. Ainda existem, nas nossas nações ocidentais,
minorias convencidas de que a presença estrangeira de
emigrados naturalizados mancha a identidade nacio­
nal. Apesar da integração europeia, a xenofobia, o anti­
judaísmo persistem. Os nacionalismos chauvinistas,
fundamentados na ideia de pureza, não estão mortos.
O movimento de Haider na Áustria, os movimentos
neonazis na Alemanha, na Holanda, em França, pare­
cem marginais, minoritários, mas podem adquirir
importância em caso de crise. Fpreciso pensar que no
decurso da grande crise de I929,de tal forma brutal em
l93lna Alemanha, um pequeno partido, o partido nazi,
que em tempos normais jamais poderia aspirar a ultra­
passar l5ou l5ºdos votos, conseguiu chegar aos 35º.
��������� ���q
c"tv'lizadotàs.1al como no seio dos impérios, onde rei­
nava a barbárie da conquista guerreira, formas refina­
das de civilização viram a luz do dia, também no seio
das nações que se avizinavam nas suas tendências
purificadoras observamos o desabrochar das artes, da
cultura, do conhecimento. Assim, a Espanha purificada
do Século de Ouro produziu Lope da Vega, Calderon,
23
Gôngora e uma plêiade de grandes artistas, tal como
a França «purificada» após o Édito de Nantes é, sem
dúvida, o país dos grandes autores clássicos. De facto,
nunca esqueço este duplo aspecto, ou seja,;cpmplexi
l
\;��e��a'·iwação
1

Passo ao que acabo de chamar «a barbárie de con­
quista guerreira». É milenar, mas encontrou as suas
formas modernas nas colonizações. Para simplificar,
podemos considerar que começa com as conquistas de
Alexandre. Contudo, estas não foram, propriamente
dito, bárbaras. Alexandre respeitava os deuses das dife­
rentes civilizações que tinha conquistado. Em cada ci­
dade, casava centenas dos seus soldados com jovens
raparigas do país, preparando assim uma civilização
mestiça. Mas, efectivamente, o caso de Alexandre con­
tinua excepcional. Os outros grandes conquistadores
são horrorosos. Gengiscão, esse conquistador mongol
do século ¹!! e do início do século ¹!!!, semeou a morte
e a destruição quer a Leste, na China, como a Oeste,
criando um império desmedido. Mas estes impérios
exagerados não podem durar. Precisamente porque, por
serem desmedidos, não têm factor de integração. O de
Gengiscão durou apenas um século. Tamerlão ,!336-
-!405),um século mais tarde, construiu um império for­
midável que partiou imediatamente com os seus quatro
descendentes.
O trabalho de conquista empreendido pelas nações
europeias foi de outro tipo e, sobretudo, foi duradouro.
Foi favorecido pela superioridade militar que as armas
de fogo permitiam. Assim, no Peru, um pequeno número
de cavaleiros e de homens armados levou ao desmo­
ronamento de um gigantesco império que se estendia
do norte do Equador até ao sul do Chile. A conquista
:+
do México foi a mais confusa. Cortez auxiliou-se, de
certa forma, da estratégia da mestiçagem. Aliou-se a
nações subjugadas pelos Astecas, descontentes por
terem de prestar tributo a estes últimos e, sobretudo,
por terem de entregar os seus adolescentes para os sa­
crifícios. Podemos até dizer que o México foi conquis­
tado pelos Mexicanos. O pequeno grupo de Cortez, que
estava unido a uma mulher índia, Malinche, pôde bene­
ficiar, após diversos episódios, da ajuda destas popula­
ções. Não há dúvida de que esta conquista foi animada
por uma cupidez e por um fanatismo ímpar.
Esta cupidez alimentava-se no mito do Eldorado.
Encontrando partículas de ouro nas paredes dos tem­
plos de Cuzco, no Peru, esperou-se descobrir fontes fa­
bulosas, tal como testemunha, por exemplo, o belo filme
de Herzog, Aguirra, ou a cólera de Deus. O fanatismo
religioso não era menor: os ídolos incas foram abati­
dos, destruídos. Por outro lado, a conquista provocou,
para além dos massacres que não faltaram, uma mor­
talidade catastrófica, quer no México quer no Peru. Foi
devida à importação de doenças europeias, como a
tuberculose, contra as quais as populações locais não
estavam imunizadas. Em vez de trocas culturais, ti­
vemos trocas de micróbios e vírus. Por troca com a
tuberculose, a sífilis ganhou o Ocidente e, pela rota das
caravanas, acabou por chegar à China. O álcool tam­
bém provocou estragos. Desde há seis ou oito mil anos,
a selecção natural tiha eliminado, no velho continente,
os organismos que não resistiam ao álcool. É evidente
que não foi este o caso das infelizes populações da Amé­
rica do Norte. Uma outra causa da mortalidade mas­
siva é, claro está, a escravatura. As populações indígenas
foram sobreexploradas para extrair a prata das minas
25
do Potosi e fazer chegar a Espanha os galeões carrega­
dos de ouro e prata.
Perante semelhante baixa demográfica, os conquis­
tadores recorrem ao tráfico massivo dos Negros. A escra­
vatura dos Negros aconteceu em quase todo o continente
americano. Como sabeis, a persistência da escravatura
nos Estados do sul dos Estados Unidos foi uma das
causas da guerra da Secessão. Em França, a escrava­
tura nas colónias só será abolida em 1 848, graças a
Victor Schoelcher. No entanto, ela continuará de forma
residual. Quanto à colonização, só desaparecerá no
século ??. Entretanto, os colonialismos ingleses e fran­
ceses, mas também os alemães e portugueses, desenca­
dearam-se particularmente em África. André Gide, na
sua viagem ao Congo, relatou a forma atroz como eram
quase escravizados os Negros que trabalhavam no cami­
nho-de-ferro Congo-oceano. Esta barbárie colonialista,
de uma excessiva brutalidade, continuará a manifes­
tar-se em França em pleno século ??, como é testemu­
nha o massacre de Sétif, cometido no próprio dia do
fim da Segunda Guerra, a 8 de Maio de 1945, e as inú­
meras exacções durante a guerra da Argélia.
No fim de contas, observamos um desencadear de
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correr desta mundialização da barbárie europeia, houve
mestiçagens de culturas, trocas, contactos criadores.
Polemiza-se, hoje em dia, sobre uma directiva que visa
indicar, nos manuais de história, as características posi­
tivas da colonização francesa na Argélia e em outras
antigas colónias de África. A questão está em saber se
26
estas características positivas estão no primeiro plano
ou são apenas fenómenos secundários. Tal questão
deveria ser recolocada num quadro geral. Seria neces­
sário sublinhar a ambivalência, a complexidade do que
é a barbárie, do que é civilização, com certeza não para
justificar, deste modo, os actos de barbárie, mas para com­
preendê-los melhor e assim evitar que nos possuam ce­
gamente.
Queria ternünar, focando uma outra forma de bar­
bárie que ainda hoje perdura. As sociedades históricas,
de que falei, constituíram-se eliminando progressiva­
mente as pequenas sociedades arcaicas
3�
e as tinham
precedido. Mas ��ì+ >f
.c ¡ vilizaçãà ocIdental. �� ����������• •
1dária daaa
Na Tasmânia, a população indígena foi aniquilada. Na
Austrália, actualmente, é residual. Na América do Sul,
no sul do Chile, os Alacalufes, o povo dos nómadas do
mar que acolheram os navegadores quando, nos séculos
xvrr e xvm, por lá passaram, foram aniquilados. Na Amé­
rica do Norte, as populações índias, depois de ultraja­
das- os tratados que estabeleceram com a autoridade
política não foram respeitados-estão hoje confinadas,
guetizadas em reservas. A associação Survival Interna­
tional defende os seus direitos, aliás muito afincada e
justamente. Na Ásia, os montanheses da península indo­
chinesa já foram rechaçados pelos povos dominantes.
Na África negra, a população dos Bantus exerce uma
pressão quase exterminadora sobre os Bochimanes, e
grandes zonas da floresta virgem amazónica estão em
vias de destruição, condenando os últimos povos inde­
pendentes a exilarem-se nos miseráveis arrabaldes das
metrópoles ou a desaparecerem. A barbárie continua,
27
mas é necessário sublinhar a resistência a esta barbárie,
como é o caso do Brasil, onde foram criadas associações
de luta para a salvaguarda das populações e dos seus
direitos.
A barbárie europeia de conquista não acaba, repito-o,
com o fim da Segunda Guerra Mundial. Para a França,
acaba apenas com a guerra da Argélia, termina mais
tarde em Portugal com Angola e Moçambique. As na­
ções da Europa deixaram de ser nações coloniais. O mes­
mo acontece no que se refere à barbárie purificadora,
as nações europeias renunciam, pouco a pouco, graças
à constituição de um espaço europeu, ao nacionalismo
baseado na pureza étnica. Portanto, �stamos 1ur a
A
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•cOSðtíOObsCuÌUra¡s europeus,que OCsCm¿emata�
papeI nsta regressão, �eriam definir a Europ9.
:o

CAPITULOZ
C5/l1IOC1C5
CLL1LI/!5LLIC¡LL5
Talvez vos pareça que dou à minha exposição uma
forma de fresco histórico extremamente rápido. Mas o
fio histórico que sigo não é para mim um meio de expo­
sição cronológica do fenómeno da barbárie, mas um
meio para a sua compreensão.
NoJéculo x,opera-se uma metamorfose da Europa
do Oeste. Assistimos simultaneamente a um impulso
económico, um impulso das cidades, mas igualmente à
formação de nações modernas. O Renascimento volta
a dar vida às heranças latinas e gregas, principalmente à
herança grega, que continua fechada no interior do dis­
curso teológico. Dito de outra forma, este retorno da
Grécia faz rebentar a grilheta teológica e produz uma
autonomização do pensamento. Este vai permitir o
impulso da filosofia e da ciência modernas. É verdade
que existia um pensamento racional no seio da teolo­
gia, sobretudo no tomismo, que no entanto continuava
sob o controlo religioso. A ciência vai desenvolver-se
caminhando com quatro pernas: o empirismo, a racio­
nalidade teórica, a verificação e a imaginação. O Renas-
29
cimento é também a época do desenvolvimento das
humanidades, de uma cultura que se fundamenta na
integração da cultura grega e da cultura latina. Nessa
época, muitos pensadores caracterizavam-se por um
espírito enciclopédico, conheciam o árabe, o hebraico,
o grego, o latim.
gdar,te·Renascim�ntoque.srge"a•ge$çãq;d
Ç
íDUdD1SDOeuropeuí Ao mterrogarmo-nos sobre o que
é a essência do humanismo, podemos salientar dois
tipos de resposta absolutamente divergentes. A pri­
meira resposta é, por exemplo, a do filósofo polaco
Leszek Kolakowski, para quem o humanismo europeu
tem a sua fonte no judeo-cristianismo: na Bíblia, Deus
faz o homem à sua imagem e, no Evangelho, Deus en­
carna num ser humano. O filósofo checo Jan Patocka
objecta dizendo que a fonte do humanismo europeu é
grega, porque é no pensamento grego que o espírito
humano e a sua racionalidade afirmam a sua autono­
mia. Na cidade democrática de Atenas, a deusa Atena
+ ' •
não governa, protege.\A Ct• l


Þ
1

Podemos, de facto, considerar que as duas fontes
não são exclusivas e que se uniram para criar o huma­
nismo europeu. Na verdade, se a primeira fonte, onde
o homem é à imagem de Deus e onde Deus se torna
humano, leva ao respeito pela vida humana, esta con­
duzirá também a um antropocentrismo ingénuo e será
fonte de megalomania. Desembaraçado de Deus, o ho­
mem vai ocupar o lugar de sujeito e centro do universo.
Mas ao irrigar o humanismo europeu, é necessário
salientar a própria mensagem de Jesus, o que nenum
destes dois filósofos faz. Esta mensagem fala de com­
paixão e de perdão. Éo espírito de fraternidade que vai
30
separar-se desta palavra e juntar-se d racionalidade
grega. Qualquer coisa de afectivo vai ligar-se ao carácter
frio da racionalidade para formar o humanismo europeu.
Este !acequma dominadora
e outra fraternal, o que provocará uma enorme confu­
são acerca do termo, nomeadamente no século x.¡¿p-|
nC:Ið fqce do humanismo, a que se revela ilusória, para
não dizer delirante,pcoloca oIonen:olugar deDets,
de facto o único sujeito do universo, e dá-lhe por mis­
são conquistar o mundo. Fa missão que Descartes con­
fere d ciência: fazer do homem o senhor e possuidor da
natureza. . mensagem cartesiana será retomada por
Buffon, depois por Karl Marx e, por fim, só a partir de
I97O, portanto recentemente, é que esta mensagem do
todo-poderoso prometeico se desfaz em migalas. .par-�
tir daí, damo-nos conta de que o controlo da natureza,
que na realidade é incontrolada, conduz d degradação
da biosfera e, por repercussão, d degradação da vida e
da sociedade humana: este tipo de domínio tem carac­
terísticas suicidárias.
Por outro lado, tomamos doravante conhecimento e
consciência da pequenez do planeta Terra no sistema
solar, da pequenez do sistema solar na Via Láctea, da
pequenez da nossa galáxia no universo. Sendo assim,
devemos voltar-nos para �açgudæface do huma­
nismo, a que estabelece o _OI lOOO5 os ses
humanost independentemente do seu sexo, raça, cul­
tura, nação.
De facto, se em princípio este humanismo é válido
para todos os homens, o Ocidente europeu restringiu-o
aos seus residentes, considerando que os outros povos
eram subdesenvolvidos, arcaicos, primitivos. Lucien
31
Lévy-Bruhl, por exemplo, considerava os primitivos
como seres infatis e místicos, enclausurados no pensa­
mento mágico. Esquecia a existência de uma racionali­
dade em qualquer forma de civilização, mesmo que seja
no fabrico de utenílios, na utilização das armas, na prá­
tica da caça. Em qualquer sociedade existe, simultanea­
mente, u pensamento racional, técnico e prático e um
pensamento mágico, mtico e sibólico. O mesmo acon­
tece na nossa. Parece-me de extrema importância referi-lo.
�a-segunda face, o humanismo ligou-se ao desen-.
vC!ínCO!O da racionalidade crític<� mesmo autocrítica.,
Vemo-lo, por exemplo, no Llo_io d0 Loucur0, de Erasmo,
expresso, evidentemente, sob formas prudentes. No
resto da sua obra, embora sendo um espírito bastante
tolerante, Erasmo mostrava-se muito reservado quer
no que respeita à autoridade católica quer à do lutera­
ntsmo.
Na emergência da racionalidade autocrítica, o que
merece ser evidenciado é a importância desconhecida
do marranismo. Os cristãos-novos eram principal­
mente de origem judaica, dado que muitos muçulma­
nos voltaram ao Magrebe após a conquista de Granada.
Entre os judeus convertidos, alguns ficaram em Espa­
nha, outros instalaram-se nos Países Baixos. Existem
dois tipos de cristãos-novos. Os primeiros esqueceram
a sua ascendência e tornaram-se cristãos. Os segundos
guardaram secretamente a fé e a identidade judaicas.
Foi o caso do médico Ferando Cardoso. Homem do sé­
culo `VH¸ poeta da corte, amigo de grandes dramatur­
gos, autor de poemas, nomeadamente sobre a erupção
do Vesúvio, parecia perfeitamente integrado. Faz, então,
uma viagem a Veneza, visita as autoridades do gueto e
oz
pede-lhes para ser reconhecido como judeu. As autori­
dades concordam na condição de que se torne médico
dos pobres, o que ele aceita. Em Veneza, escreve um
livro que será impresso na Holanda, Da excelência dos
Judeus, para demonstrar que a lei de Moisés é superior
à de Cristo.
Mas existe igualmente uma terceira face do marra­
nismo, nascida a partir de uma dupla identidade, do
sentimento de pertença a dois modos de existência
diferentes, a duas comunidades antagónicas. O choque
de duas religiões contrárias é como o encontro de duas
partículas que se entrechocam, destruindo-se uma à
outra para formar um novo conjunto. Estes casos são
raros mas notáveis. Bartolomeu de las Casas, por exem­
plo, que tem ascendência de converso, fez aceitar a ideia,
junto da hierarquia católica, de que os
Í
ndios da Amé­
rica eram seres h

manos como os outros e possuíam uma
alma. A Igreja recusava admiti-lo: poder-se-ia aceitá-los
como homens, uma vez que Jesus nunca se deslocara
até à América do Sul! As perseguições que Bartolomeu
de las Casas testemunhou inspiraram-lhe compaixão e
fizeram-no voltar à fonte paulista: «Não existem homens
e mulheres, nem Judeus nem Gregos, nem homens livres
nem escravos, sois todos um em Jesus Cristo». (Epístola
aos Gálatas). Infelizmente, por razões de oportuni­
dade, Bartolomeu de las Casas colocou entre parênte­
sis a sorte dos Africanos vítimas de tráfico. De facto, o
tráfico de Negros começou em iOU2 na ilha de Hispa­
niola.
Outro caso que convém citar é o de Montaigne. Fica­
remos e�pantados ao ouvir classificá-lo de cristão-novo,
dado todo o mundo o conhecer como
g
ascão. Mas um
não impede o outro. Sabe-se de fonte segura que a sua
33
família materna, os Loupe, descende dos Lopez, dos
quais se encontraram vestígios em Espanha. Parece
estranho que esta união, numa época em que os casa­
mentos eram arranjados, não seja feita entre dois des­
cendentes de cristãos-novos, ainda que nada se saiba
da família patern�. É interessante verificar que, nos
Ensaios, as suas principais referências são gregas e lati­
nas, excluindo quase as referências aos Evangelhos e,
aliás, a todos os textos religiosos. Uma carta escrita a
seu pai para narrar a morte do seu amigo La Boétie,
celebrada no quadro da liturgia católica, é muito estra­
nha. No fim, La Boétie diz com voz forte: «Morro nesta
fé que Moisés plantou no Egipto, que daí transportou
para a Judeia e que os nossos pais trouxeram até nós».
Perguntei aos especialistas de La Boétie o que isto podia
significar, mas eles não foram capazes de me responder.
O que importa é que este cristão-novo que é Mon­
taigne seja um verdadeiro aerólito numa época de guer­
ras de religiões. É-o pelo seu cepticismo e pela recusa
em considerar os Amerídios como seres inferiores. «Aque­
les a que chamamos bárbaros, escreve, são seres de uma
outra civilização diferente da nossa» e acrescenta, «Acho
[# Þ . ]que nada existe de bárbaro nem de selvagem nesta
nação . . . a não ser que cada um chame barbárie ao que
não é seu uso». Um dos aspectos da barbárie europeia
foi o de tratar de bárbaro o outro, o diferente, em vez
de celebrar esta diferença e de nela ver a oportunidade
de enriquecimento do conhecimento e da relação entre
os humanos. Montaigne representa este pensamento,
de uma liberdade inaudita, que soube emancipar-se
dos preconceitos bárbaros do seu tempo. Penso que a
fonte da sua liberdade está nesta liberdade interior de
um espírito que se move para além do judaísmo e do
34
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SdODDIIOS OS CdSOS. ÏO¡C×CD[ÌO, O Dom Quixote OC LC¡-
VdDICS CSIð Dd¡CdOO _O¡ DDd OD[Ìd ¡¡ODId. ð C¡ÍIICd OO
35
imaginário pela realidade, encarnada pelo olho crítico
que Sancho Pança deita a L. Quixote, mas também a
crítica da realidade prosaica pelo imaginário, fonte de
poesia, crítica esta encarnada pelo cavaleiro errante.
Dom Quixote anuncia assim o desencadear do mundo
moderno, descrito por Max Weber dois séculos mais
tarde. Se bem que Í. Quixote e Sancho Pança sejam in­
separáveis, não existe reconciliação possível entre os
dois universos. É por esta razão que a obra continua a
ser fascinante e que surgiu também como um aerólito
no universo da literatura e do romanesco.
Por conseguinte, o humanismo desenvolve-se na con­
fluência da mensagem grega revitalizada na Itália da
Renascença e que se desenvolveu noutros países oci­
dentais, com excepção da Espanha. Mas, mesmo nesta
Espanha onde a mensagem foi obstruída, o humanismo
surgiu subterraneamente a partir daqueles a quem po­
demos chamar os pós-marranos, que alimentaram e
afirmaram um humanismo assente num espírito de !ai­
cidade e de universalidade.
Seria também interessante evocar aqui um fenó­
meno que surgiu no Império Otomano e que resulta do
pós-marranismo: o movimento messiânico de Sabbata1
Tsevi. Após ter-se apresentado como um novo Messias,
Sabbata1 Tsevi acaba por se converter ao islamismo. Os
seus discípulos, tornando-se ao mesmo tempo oficial­
mente muçulmanos, mantiveram secretamente o culto
a este Messias judeu. A estes apóstatas deu-se o nome
de donme («os que se voltaram»). Eram bastante in­
fluentes em Istambul e, no século ¹!¹, criaram escolas
laicas. Nestas escolas, formaram-se os jovens oficiais
turcos e Mustapha Kemal, que viria a instituir a laici­
dade nos anos !920.Este episódio demonstra que as vol-
oo
tas que a história dá são de facto curiosas, mas coloca
sobretudo em evidência a virtude emancipadora do
espírito marrano. Os Sabbataístas, ao desviarem-se da
lei judaica e ao adaptarem um islamismo de superfície,
l i bertaram-se em simultâneo de um e de outro. Por esta
razão, podemos inscrevê-los no movimento do huma­
nismo europeu.
Esta tradição do humanismo europeu, a sua parte
de autocrítica, está muito bem expressa nas Cartas
Pers as de Montesquieu e irá perpetuar-se até Claude
Lévi-Strauss. Montesquieu imagina Persas que, chega­
dos ao Ocidente, consideram os Franceses seres exóticos,
esta é uma atitude típica da racionalidade autocrítica:
considerar-se a si mesmo objecto de curiosidade e de
crítica. Voltaire dá outro exemplo no Discurso aos Welches.
Infelizmente, a racionalidade autocrítica é um aspecto
que continua a ter pouca importância na tradição oci­
dental. No século XVIll, a época das Luzes, a racionali­
dade é sobretudo crítica e assenta principalmente nas
religiões consideradas como tecidos de fábulas e su­
perstições. Esta crítica é redutora. Não enxerga o que
Marx irá valorizar mais tarde, que a religião é como o
suspiro da criatura infeliz, a maneira através da qual as
aspirações humanas mais profundas se exprimem.
O espírito humanista das Luzes encontrará a sua
formulação na Decl aração dos Direitos do Homem e do Cida­
dão, sendo esta mensagem muito mais suportada pela
aristocracia iluminada do que pela burguesia, como
demonstrou François Furet. Durante a noite do ÷ de
Agosto, os aristocratas, por sua iniciativa, abandonaram
os seus privilégios.
No entanto, a razão, durante esta época que marca
o seu triunfo, arvora diferentes faces. A razão científica
37
constrói teorias. Mas estas teorias, aparentemente fun­
damentadas em dados coerentes, podem ser mancha­
das pela «racionalização», por uma visão demasiado
lógica que apenas retém o que a confirma. Laplace, por
exemplo, injecta a racionalização no centro da ciência.
Propõe uma visão do universo completamente deter­
minista e com certeza totalmente laicizada: supõe que
um demónio dotado de poderes superiores seria capaz
não só de conecer todos os acontecimentos passados,
mas também de predizer todos os acontecimentos
futuros. Quando Napoleão lhe pergunta: «E Deus, que
fazeis com Ele?», Laplace responde: «Não necessito
dessa hipótese». A concepção de Laplace era uma racio­
nalização extrema da racionalidade newtoniana. Hoje,
damo-nos conta de que no Universo não se pode redu­
zir tudo ao determinismo. Assim, existe uma racionali­
dade crítica que evita as ciladas da racionalização, uma
racionalidade autocrítica que associa razão, conheci­
mento e exame de si
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--Por exemplo, a instrumentalização da razão posta
ao seriço de fins completamente irracionais e bárbaros,
como a guerra, provém de um outro tipo de racionali­
zação. Na realidade, o que é necessário ver por detrás
de todas as racionalizações é, para além da ausência
de pensamento crítico e autocrítico, o esquecimento da­
quilo a que Rousseau chama o esquecimento da nossa
própria natureza. Presente em Rousseau, a natureza foi,
apesar de tudo, ignorada pelas Luzes. Tudo isto vai
mudar com o romantismo.
O �-�"�T�· ' é uma repoetização do uni­
verso. Responde a uma nostalgia da comunidade, a
38
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OO[dSSdOO, dÌ_DDSdDOSDdIS IdIOC, VdIIIdDS!OIDdI·SC
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IIIO IODðDIÍCO COD O CS[ÍIIIO OdS !D7CS. !dDdIIIDC !OI
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Od ÍDIO[d, [ICÌÚOIO OOS LSIdOOS \DIOOS OO ÌDDOO.
ÍSId C[OCd VOÌId d OdIVIOd dOSOIICIIOS OODODCD, dOS
OIICIIOS OOS [OVOS, OIICIIOS Od DDDdDIOdOC, SODICI1OO
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`OSCCDÌOXIX, O[CId-SC DDd CS[CCIC OC !CIDCDIdÇdO
COD !ODIICI, !CIOD×, ÏIODODOD, OS ]OVCDS DC_CÌIdDOS,
cIIIDCI, O ICOII7dOOIOd dDdIQDId,C [OI!ID ÌdI×. ÌdI×
CÌdDOIOD DDd DOIdVCÌ SÍDICSC !IÌOSÓ!ICd C IDICÌCCIDdÌ dO
SCIVIÇO OO OCSCDVOÌVIDCDIO DDDdDO QDC IId7 CD SI O
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39
Chegamos assim a duas ideias complexas. Em pri­
meiro lugar, a Europa ocidental, centro da maior domi­
nação que alguma vez existiu no mundo, é também o
único centro das ideias emancipadoras que vão minar
esta dominação. Estas ideias emancipadoras são su­
portadas por aqueles que se inspiram no humanismo
europeu moderno: intelectuais, militantes e, em maio­
ria, homens e mulheres de boa vontade saídos das dife­
rentes classes da sociedade. A iniciativa é tomada pelos
espíritos marcados pelas ideias da Revolução, como
Victor Schoelcher que, recordemos, decreta em !848 a
abolição da escravatura nas colónias francesas. Estas
ideias não vão ser só difundidas nas colónias pelo en­
sino da cultura francesa, mas vão ser aproveitadas pelos
porta-vozes dos países colonizados, que remeterão o
Ocidente para os seus próprios princípios: liberdade,
direito dos povos, etc. Estas ideias foram o fermento
da descolonização. É portanto na Europa, centro de do­
minação e conquista, que se formaram os antídotos
que são as ideias emancipadoras.
A segunda ideia-chave diz respeito ao processo a
que chamo a ��"". p1ánetária.>. Com a conquista das
Américas, as circum-navegações portuguesas e espa­
nholas à volta do globo, o planeta entra num sistema
de intercomunicação que vai desenvolver-se sem parar.
Se este processo é inseparável da servidão e da escra­
vatura, os germes da descolonização e da anti-servidão
estão presentes desde o início. Ao lado da mundializa­
ção do comércio de traficantes e mercadores, desenvol­
veu-se uma mundialização das ideias de emancipação
que culmina na abolição da escravatura. Na realidade,
foi bem mais tardia do que a primeira e fez-se dificil­
mente. Nos Estados Unidos, por exemplo, as ideias de
emancipação suscitaram também a guerra da Secessão.
+U
De igual modo, o movimento mundial de emancipação
acabou por suscitar, depois da Segunda Guerra Mun­
dial, um movimento mundial de libertação das coló­
nias. Por vezes, a partida dos colonizadores fez-se de
forma pacífica, como na Turquia ou em Marrocos, ou­
tras vezes de maneira mais trágica, como na Argélia.
Este processo culmina com o acesso ao poder de Man­
dela, herdeiro do pensamento marxista. Quis terminar
com a separação de Negros e Brancos, quis construir
uma só nação para todos. Assim, seguiu uma lógica
bem diferente daquela que encarnavam as arremetidas
nacionalistas, na Europa oriental, despidas de qualquer
humanismo, que culminaram com a guerra na Jugos­
lávia e com a destruição do que estava uni do.
Muitas vezes, podemos observar um processo de
descolonização em duas etapas. Existe uma primeira
descolonização que não é obra dos colonizados, mas
de colonos implantados nestes países, das elites de ori­
gem europeia, que levam estes países a aceder à inde­
pendência, como na Argentina ou no Brasil. O Brasil,
apesar do acesso à independência, ainda conheceu a
escravatura até ao final do século xrx. Assinalemos que
na América latina desenvolve-se uma concepção de
nação que é mais lata do que a das grandes nações
europeias e que se alimenta da mestiçagem. No Brasil,
no Equador, no México e na Colômbia, as mestiçagens
são múltiplas. É verdade que são menores nos países
andinos, onde as castas de origem branca mantêm à
margem das zonas de poder uma grande maioria da po­
pulação indígena - o que aliás coloca um problema cada
vez mais agudo.
Assim, para compreender a mundialização é muito
importante ver o processo dialéctico que a produziu.
41
Uma primeira mundialização desenvolve-se sob a he­
gemonia de uma superpotência, a Espanha do Século
de Ouro, os Estados Unidos de hoje. Ela produz uma
segunda mundialização que pode parecer estar em
segundo plano, ser menos poderosa do que a primeira,
mas que transporta as esperanças de emancipação e de
humanidade.
Na realidade, o que se passa depois de 1989? A mun­
dialização do mercado gerou o derrube do sistema so­
viético, da sua economia burocratizada, tal como o
abandono deste tipo de economia pela China, pel o
Vietname, por todos os países comunistas, mesmo
quando a ditadura do partido comunista se manteve.
O descrédito das ideias do socialismo real e das virtu­
des da economia socialista tira proveito durante alguns
anos daquilo a que se chamou o neoliberalismo. A ideia
triunfa quando as auto-regulações económicas, espon­
tâneas, são suficientes para resolver todos os proble­
mas, incluindo os educativos - enquanto o liberalismo
clássico ficava no quadro das regulações pelo Estado.
Ainda estamos neste período, marcado pela ausência
de qualquer verdadeira regulação a nível planetário.
No entanto, esta mudialização do mercado suscita uma
mundialização paralela permitida pelo extraordinário
progresso das técnicas de comunicação. Encontramo­
-nos doravante natda ubiquidadé graças ao fax, ao
correio electrónico, ao telemóvel. Estas novas condi­
ções técnicas e económicas abrem uma nova época,
uma época em que as ideias podem circular à veloci­
dade da luz. Já a queda da União Soviética permitiu a
propagação das ideias democráticas não só nos países
avassalados pela União Soviética, as ex-democracias
populares, mas igualmente na América latina e na África.
42
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43
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�dialização humahist
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sem no
entanto, evidentemente, se confundir com ela.
Esta dialéctica, própria da mundialização, encontra
uma formulação quase conceptual no @lt

rmundiíi
¡lismo, çue na realidade é a emergência de uma mun­
dialização não centrada nos valores mercantis e não o
«antimundialismo» do qual, durante muito tempo, os
media falaram. Desde Seattle, em !999,vimos José Bové
expressar a ideia de uma outra mundialização. Com a
fórmula: «Ü mundo não é uma mercadoria», procurava­
-se antes fazer emergir um outro mundo e não apenas
salvaguardar as especificidades dos diferentes países.
Mesmo se o altermundialismo ainda procura a sua ver­
dadeira identidade, não chegando a formular a sua
própria visão, e Ç por vezes dilacerado por lutas de fac­
ções, está bem vivo. Uma cidadania do mundo nasceu
por ocasião da guerra do Biafra, essa província da Ni­
géria que se batia pela independência. Uma associação
foi criada: Médicos Sem Fronteiras, cuja missão era tra­
tar os humanos independentemente da sua raça ou
religião. Este foi um passo capital. Depois, outras orga­
nizações humanitárias como esta multiplicaram-se,
testemunhando uma nova consciência planetária, no
preciso momento do declínio do espírito internaciona­
lista, o da Internacional Comunista e da Internacional
Social-Democrata.
Estes internacionalismos deixaram-se devorar pelas
nações. Em França, a ÍÌ Internacional, tão poderosa em
!9!4, com um partido socialista dirigido por Jaures,
queria a paz, da mesma forma que o partido alemão.
Mas, desde o início das hostilidades, a maioria dos socia­
listas franceses ligou-se à sagrada União contra a Ale­
manha e a maioria dos socialistas alemães ligou-se à
++
sagrada União contra a França. Apenas alguns espíri­
tos raros, como Romain Rolland e alguns sindicalistas,
conseguiram escapar a esta hipnose nacionalista.
Portanto, a II Internacional foi devorada pela guerra
de iVi+. Quanto à terceira, a Internacional Comunista,
colocou-se ao serviço do Estado soviético, o qual se
encontrava cada vez mais ao serviço da sua própria
força. Os ideais do socialismo internacional são des­
viados em proveito de um patriotismo que, de resto,
foi vital para a salvaguarda da União Soviética. Esta­
line chamou à Segunda Guerra Mundial «a grande
guerra patriótica». A III Internacional foi absorvida pelo
nacionalismo do Império Soviético. De alguma forma,
todas estas Internacionais tinham negligenciado a rea­
lidade das pátrias e das nações. Acreditaram que as
nações eram apenas ilusões ideológicas e que o Estado
nacional não era mais do que um instrumento da classe
dominante. Subestimaram a profundidade da nação.
Contudo, desde o século XIX, Otto Bauer tenta construir
uma teoria da nação, fundamentada na ideia de comu­
nidade de destino e o próprio Estaline, na sua juven­
tude, havia sido encarregue, por Lenine, de escrever
um livro sobre o marxismo e a questão nacional onde
procurava dar algum fundamento à nação.
Mas o marxismo foi cego e os próprios revol ucio­
nários, que acreditavam ter varrido tudo da União So­
viética, prepararam, sem o saber, o retorno em força do
nacionalismo, não só russo, mas também arménio,
usbeque, lituano. Acreditaram ter erradicado a religião
e ela regressou com uma força renovada. Acreditaram
ter acabado com o capitalismo para sempre, liquidando
a burguesia, e um capitalismo pior do que o da época
czarista regressou. Isto ilustra aquilo a que chamei
45
«a ecologia da acção». As acções podem, sobretudo em
política, ir em sentido contrário ao das intenções e então
gerar efeitos que as destruem. Ninguém ignora que a
ecologia da acção está condenada a enganar-se perene­
mente. Ninguém ignora que a ecologia da acção está
condenada a enganar-se duravelmente.
As Internacionais nunca conseguiram transformar-se
em consciência planetária, testemunhando a fraqueza
de espírito da cidadania mundial.
Propus a ideia de «JeIr0-páÎ1ÎÜ>, sabendo que a pa­
lavra «pátria» cobre uma mitologia muito rica, simul­
taneamente maternal e paternal, mesmo nas suas
conotações. A noção de pátria diz-nos que é necessário
amar esta terra maternal de onde saímos e a autori­
dade paternal do Estado, se for j usta. Esta ideia ainda
não adquiriu a dimensão planetária. A globalização
tecno-económica criou, ao longo do último milénio,
meios que poderiam permitir a emergência desta cons­
ciência planetária, ao mesmo tempo afectiva e refexiva.
Produziu as infra-estruturas de uma eventual socie­
dade-mundo. Para que haja uma sociedade é necessário,
de facto, que haja um território e meios de comunicação.
F necessário que exista uma economia. Ora existe um
território mundial dispondo de inúmeros meios de
comunicação e de uma economia própria.� i1
q¡�I¡zaçãoda CCCDOnÎðque se deve �
ÇODÎYB1!OO J0CÎOde CSÎ0 não serregulacâ 1t
1CDÎCgAssim, é necessária uma
�CgítÎÏ0 de 0ÌCdDCC planetário. tSabeis, infelizmente,
como vão as Nações Unidas e o direito internacional . . .
Por outro lado, Ç processo ÎC JCqueCtÎðás
infra-estruturas de unðSOCJCOðOC~D\HOOi:¡éde·esta f
spciedade oeemergir CODO gI. Desenvolve-se assim a
46
@1ðIÔ_:Cd CDIIC d DDDOIdÎI7dÇdO CCODÓDICd C d )DD·¿
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DId C [IOVCIIO, C CSICS DOIOICS DdO SdO CODIIOÌdOOS.
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QDC d CICDCId C Dð, [CÌO CODIIðIIO OI_O QDC CÌd OCSCD-
VOÌVCD[OOCICSOC OCSIIDIÇdO IDdDOIIOS C IDCODIIOÎðVCIS.
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OC_IdOdÇdO Od DIOS!CId, d QDdÌ _CId d OC_IdOdÇdO Od
CIVIÌI7dÇdO DDDdDd. !IIO OC ODIId DdDCIId, CSId DdVC
CS[dCIdÌ VdI OC[dIdI-SC COD CdIðSIIO!CS SCD QDC DdOd
[OSSd CODIIOÌð·Ìd.
JDOOISIO DOSIId dSdDDIVdÎCDCIdS C dSCOD[ÌC×IOd-
OCS OCSId OD[Ìd [ÌdDCIdII7dÇdO. . LDIO[d DdO [OOCIId
[IOOUZII DOVOS dDIÍOOIOS ICSU!ldDICS Od SUd cUÌturd,
47
a partir de uma política de diálogo e de simbiose, de
uma política de civilização que faria a promoção das
qualidades da vida e não apenas do quantitativo, que
travaria a corrida à hegemonia? Não poderia ela beber
na fonte do humanismo planetário que forjou no pas­
sado? Não poderá ela reinventar o humanismo?
+o
CAPITULO `
¡Ll5/I/L/IL¹I!L
IC5LCI!C``
Os primeiros ������ fazem o seu apa­
recimento, vimo-lo, há seis mil anos no seio dos gran-
des impérios do Médio Oriente. Perpetuam-se até hoje
e produziram as diversas formas da barbárie de con­
quista e de colonização como as de Tamerlão ou de
Gengiscão. Mas estas conquistas não formam ���
1
������o enquanto as d�
.
���o��


·
Oeste terão c


sequenCias a longo prazo: a#��iq��apenas termma
depois da Segunda Guerra Mundial, nos anos iVOU, e
mais tarde ainda no caso de Portugal.
partirUO !1Duo����ri
gadað ideia UC naç& A nação moderna, de facto, fez
nascer, pela sua obsessão de purificação, de pureza reli­
giosa e depois étnica, uma forma particular de barbárie
que não existia no Império romano ou nos antigos im­
périos do Médio ou Extremo Oriente. Sem dúvida, o
monoteísmo, e sobretudo o católico, pode em parte ex­
plicar este delírio de purificação, especialmente por
causa do seu carácter exclusivo, da rejeição das outras
religiões. Con�tatamos que a Segunda Guerra
Mundial
·1•
levará ao auge estas duas formas de barbárie.
49
Ao longo do segundo capítulo, pretendi evidenciar
um fenómeno aparentemente paradoxal: �

a
H0V¯P ���)· �
!Cí:galmL1tL·¹ CCDI)DÇ�6
��
��ªº�
•os · O:ÏeitosÖO honemL ÓCcidadani�, a�� U�$C
Q

�voIvinento do humanismo. As ideias emancipadoras
foram retomadas pelos representantes dos povos colo­
nizados e subj ugados. Foi a partir dos direitos dos po­
vos, direitos do homem e direitos das nações que os
processos de emancipação puderam ter lugar. Para aca­
bar, sublinhei que a mundialização, fenómeno cuja data
simbólica de �aSCÎDeDtC C 149,, se manifestou prin­
cipal mente com o tráfico de Negros e de numerosas
outras submissões. Mas acrescentaria que, quase em
simultâneo, uma segunda mundialização está em mar­
cha: a dos direitos da humanidade, do direito das na­
ções, da democracia. Numa palavra, �
�Ca DSnumélm1dialização C os
• • `

~ -

yroyressosfantásticos Cð UUDOÎð!DðÇðD tCCDO-CCCDÔ
mÎCð SUSCítaD, mas tanCCn asfixiam, uma u
¹2ðãOCIUuUðC DnðD1S!�
+'.
Agora volto à questão da enevgênc¡a UCS totaIita
·rismos,\outro fenómeno europeu moderno. Por vezes,
critica-se o uso que se faz desta mesma palavra «totali­
tarismó» para qualificar sistemas diferentes, como o
estalinista e o hitleriano. Creio ser necessário adoptar
um ponto de vista complexo que tanto sublinha as
diferenças e oposições, como as semelhanças e analo­
gias. Do mesmo modo, não é necessário apressarmo­
-nos a justificar um totalitarismo vermelho para melhor
condenar um totalitarismo castanho. O modo de refle­
xão que me guia impede-me de ter um pensamento
unilateral e maniqueísta, e recusei-me a idealizar e a
50
OIdDOÌI7dI d LDIO[d, CODCCDCDOO SIDDÌIdDCdDCDIC QDC
CSId [IOOD7ID O DCÌDOI C O [IOI. ÏCÌd DCSDd OIOCD
OC IOCIdS, ICCDSO·DC d OISIID_DII DDd ×DOd~ CICDCId OC
DDd ×Dð~ CICDCId, CIC. ÅdÌ CODO [IOCDICI OCDODSIIdI,
IdDDCD DdO dCICOIIO Dd C×ISICDCId OC DDd ~DOd~ C OC
DDd ×Dð·· DDDOIdÌI7dÇdO.
ÏIIDCIIO, OCVOOI7CIQDCDdODODVC DD[CDSdDCDIO
OOIOIdÌIIdIISDO, CODOC×ISIID DD [CDSdDCDIO OOCd[I-
IdÌISDO (ÌdI×), DD [CDSdDCDIO Od OCDOCIdCId (ÌOD-
ICSQDICD, ÅOCQDCVIÌÌC), DD [CDSdDCDIO Od OIIdODId.
�!otaIitarIsnoonergiu!OId ÇJ�� ÉO
!IDIO OC DD [IOCCSSO DISIÓIICO SdIOO OO OCSdSIIC QDC
!OI d 1IIDCIId LDCIId ÌDDOIdÌ. LSId _DCIId !OI DD OC-
SCDCdOCdI OCDdIDðIICdSSdSSIDd C dODCSDOICD[ODD
dCIO SDICIOðIIO [dId d ÍDIO[d.
LODCCCDOS[CÌOCdSOOOCODDDISDOSOVICIICO, CdOI-
DDOOO IOIdÌIIdIISDOCSIdÌIDISId.\ DdI×ISDO,DdOII_CD,
C DD [CDSdDCDIO DDIIO IICO C QDC CODIIDDd dCIDdÌ, CD
[dIIICDÌdI DO QDC ICS[CIId dOS [IODÌCDdS OC DDDOIdÌI-
7dÇdO. ÌdS d SDd !IdQDt7d CSIð CDDdO dDOIOdI VCIOd-
OCIIdDCDIC d QDCSIdO[OÌÍIICd. ÌdI× d[CDdS CODCCDC O
LSIdOOCODO DD IDSIIDDCDIO Od CÌdSSC OODIDdDIC, ISIO
C, CODO DDd CSIIDIDId Dd ÌÓ_ICd Od _DCIId C OdS ICÌd-
ÇÕCS OCCÌdSSCS. LSIDOd d !DDOOOSCOD!ÌIIOS SOCIdIS, DdS
DdOSC IDICICSSd [CÌO QDC C [OÌIIICO, [IO[IIdDCDIC OIIO.
\ [CDSdDCDIO DdI×ISId _CIOD OOIS IdDOS, OOS
QDdIS DD SC IOIDOD Id[IOdDCDIC d SOCIdÌ·OCDOCIdCId
dÌCDd,d [dIIIIOd !OIDdÇdOOO[dIIIOOSOCIdÌ·OCDOCIdId
QDC OdId OC LD_CÌS. ÍSIC [IIDCIIO IdDO OCSCDVOÌVCD·SC
[OI O[OSIÇdO d ICSC OC DDd ICVOÌDÇdOVIOÌCDId C DIDIdÌ,
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CdQÍ!dlÍ5UO. ÍIC!CICUDd CSIIdIC_IdIC!OIDISId, _IdODd·
51
lista, ilustrada por Bernstein. No início do século ``¸
opera-se uma cisão no partido social-democrata russo
entre uma tendência maioritariamente «bolchevique» e
uma tendência minoritária «menchevique». O partido
bolchevique constrói-se pouco a pouco, no seio da Rús­
sia czarista, em condições de clandestinidade e de re­
pressão policial. É uma organização centralizada,
quase militar, que visa controlar cuidadosamente os
seus membros, com o fim de evitar os agentes infiltra­
dos da polícia czarista, a Okhrana. As particularidades
do bolchevismo têm a ver com o facto de que aparece
na Rússia czarista. Em !9!4, continua a ser um peque­
níssimo partido cuj os dirigentes, na sua maioria, estão
exilados. Aliás, nesta época, o marxismo tinha perdido
muito da sua atracção no mundo intelectual russo por
causa do seu carácter tacanho ou sectário. No interior
da intelligentsia russa, muito sensível às complexidades
humanas, a mensagem de Tolstoi, que exaltava um
amplo fraternalismo, tina uma maior influência.
O objectivo dos bolcheviques é a revolução burguesa.
Na realidade, estão convencidos, com Lenine à cabeça,
que a revolução burguesa é anterior à revolução socia­
lista. É necessário que o capitalismo, a burguesia e o
proletariado se desenvolvam para que este último,
reforçado em número e em força, possa derrubar a
sociedade burguesa. Durante a guerra, as nun1erosas
derrotas russas provocam uma revolução democrática,
geram o derrube do czarismo e a subida ao poder do
social-democrata Kerenski. Kerenski revela-se tão inca­
paz de fazer a guerra como de negociar a paz. O seu
insucesso acentua a desmoralização das tropas e pro­
voca uma manifestação operária em Petrogrado - antiga
Sampetersburgo e futura Leninegrado. Os bolchevi-
oz
ques seguem o movimento e impõem muito habilmente
esta dupla palavra de ordem: «a terra aos camponeses»,
o que evidentemente incendeia os mujiques mobili­
zados, e «todo o poder aos sovietes», isto é, aos conse­
lhos operários que se haviam formado nas fábricas de
Petrogrado.
Surge então um acontecimento de extrema impor­
tância: as teses de Abril de Lenine, onde afirma que
finalmente é necessário evitar a revolução burguesa na
Rússia. Sendo a Rússia o elo mais fraco do mundo
imperialista e capitalista, uma revolução neste país
desencadearia a revolução social nos grandes países
industriais como a Inglaterra, a Alemanha e a França.
Lenine tem muita dificuldade em convencer os seus
amigos bolchevi ques da legitimidade desta tese, porém
acaba por conseguir. Então prepara o golpe de Estado
de Outubro. Em Petrogrado, os sovietes, ajudados pe­
los soldados amotinados, tomam de assalto os palácios
e os edifícios do poder. Esta revolução é levada a cabo
não só por bolcheviques, mas também por anarquistas
e socialistas revolucionários que partilham da sua visão.
São convocadas eleições para eleger uma assembleia
constituinte, a primeira assembleia democrática na Rús­
sia. Tendo os bolcheviques ficado em minoria, Lenine
dissolve logo esta assembleia.
A guerra civil desencadeia-se e as tropas brancas
tentam retomar Petrogrado. A intervenção estrangeira
surgirá a partir do fim da Primeira Guerra Mundial.
Nestas condições, um processo de extrema radicaliza­
ção inicia-se muito cedo. Os anarquistas são varridos,
acontecendo o mesmo aos socialistas revolucionários;
o partido bolchevique transformar-se-á num partido
único que dirige a Rússia transformada em União Sovié-
53
tica. Mas a situação económica é catastrófica, a fome
ameaça por todo o lado. Lenine decide então instaurar
a NEP, nova política económica. Trata-se de deixar um
certo lugar à economia de mercado, de dar um pouco
de liberdade aos pequenos camponeses, empresários e
comerciantes. Isto favorece um início de reconstrução
económica. Mas· a NEP será suprimida por Estaline em
1930.
No decurso dos anos entre 1920 e 1924, depois da
vitória sobre o exército branco e o abandono da inter­
venção estrangeira, não se criou na União Soviética um
novo tipo de sociedade, uma sociedade fundamentada
em relações fraternais. A constituição de um verdadeiro
poder do proletariado não existiu mas, muito rapida­
mente, é o partido que não só controla como reprime a
classe operária. Sob a capa de uma ditadura do prole­
tariado, foi uma ditadura sobre o proletariado. Em
1921, os marinheiros da cidadela de Kronstadt revol­
tam-se, pedem a aplicação de um programa verdadei­
ramente popular, socialista e democrático. Trotsky, chefe
do exército vermelho, manda massacrá-los impiedosa­
mente.

�� �º²��
>

a
����

e
porq� Oã e×isIo cuIturasoca. Também
não há revolução mundial. Esta ausência permitiu o
sucesso do estalinismo, que abandona totalmente a
perspectiva revolucionária mundial e só ¡en
>
a naedi­
ficação do socialismo num só país, por intermédio do
desenvolvimento industrial. Este fracasso da ideia
socialista, fraternal e humanista é mais ou menos aná­
logo ao fracasso espiritual do cristianismo que, ao ins­
tituir-se, desfigurou a mensagem original de Cristo. Jesus
havia dito aos discípulos que voltaria às suas vidas.
54
!DIdDIC QDdSC DD SCCDÌO, OS OISCÍ[DÌOS C SCDS OCSCCD-
OCDICS VIVCIdD [CISDdOIOOS OC QDC O !ID OOS ICD[OS
CSIdVd [IÓXIDO, QDC d SDd _IdDOC DOIIC CSIdVd [IÓ-
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_CDICS OCVCD SdDCI IDOO, OIS[OI OC DD CODDCCIDCDIO
VCIOdOCIIO C ÌÚCIOO. cODIC CSIC SdDCI QDC SC d!IIDd
55
como absolutamente verdadeiro, elabora-se um poder
absoluto.
É importante referir que aqui não existe determi­
nismo histórico. A revolução de Outubro não devia
produzir necessariamente o totalitarismo estalinista,
tal como nenhuma «lógica» do próprio marxismo, ou
do leninismo, devia obrigatoriamente conduzir à bar­
bárie totalitária. O totalitarismo não era previsível, não
foi sequer pretendido consciente e intencionalmente,
como acreditam os que reduzem sempre a história a
uma série de conspirações. Alguns elementos do mar­
xismo permitiam o desvio totalitário, enquanto outros
conduziam a outras vias. Aliás, este desvio nem sequer
foi teorizado por Lenine. Pelo contrário, em C Estado e
a Revolução, anuncia que as consequências da revolu­
ção serão o enfraquecimento e a supressão do Estado.
Na realidade, o sistema soviético instala-se na sequên­
cia de uma série de perturbações históricas. Em parte,
manter-se-á devido ao atraso mental da burocracia
czarista da qual é herdeiro e pelo cerco capitalista que
vai reforçar as suas tendências obsidiantes .
. 'Mussolini primeiro foi socialista. Em I9I9,funda os
«Fachos de combate». Ainda não era um partido mas,
em condições extremamente tormentosas, a reunião
em ligas de antigos combatentes e sindicalistas. O ele­
mento nacionalista é virulento, exacerbado pelas de­
cepções provocadas pelo tratamento tido como injusto
da Itália da pós-guerra. O tratamento tinha o efeito de
verdadeira humilhação, uma vez que a Itália estava
nas fileiras dos vencedores. Mussolini ascende ao po­
der em ! 922. Na sequência da marcha sobre Roma,
o rei Victor Emmanuel ÍÍÍ é obrigado a confiar-le o
poder. O parlamentarismo é mantido até I925,porém,
oo
após o assassm10 de Matteotti pelos fascistas, as leis
«fascistissimes>> organizam a ditadura com base num
partido único. No entanto, este totalitarismo continua
inacabado, ainda subsiste um pequeno sector abri­
gando a realeza, u compromisso com a Igreja e a econo­
ma capitalista continua a funcionar. Mas o que aqui
convém realçar é a componente nacionalista. ÍC15DO
italiano é um nacional-fascismo C, como o nazismo, um'
;<
cual-socialismo.; Na realidade, nasce a partir de
condições econômicas desastrosas do pós-guerra, mas
também, e sobretudo, de sentimentos nacionalistas desi­
ludidos e exacerbados.
Hitler, austríaco, alistou-se no exército bávaro durante
a Primeira Guerra Mundial. Juntou-se a um pequeno par­
tido em iV2¬, o Deutsche Nationalsozialistische Arbeiter
Fartei (DNSAP) , o partido nacional-socialista alemão
dos trabalhadores. Encontramos aí ainda a ideologia
socialista e a ideologia nacional fortemente ligadas. Em
iV2÷, depois de um putsch falhado em Munique, Hitler
elabora na prisão a sua doutrina no Mein Kampf Este
texto contém efectivamente aspectos fundamentalmente
racistas, anti-semitas, e igualmente a ideia de que a
Alemanha deve conquistar o seu «Lebensraum», o seu
espaço vital. Insurge-se contra o facto de a Alemanha
ter sido privada das suas colônias em
Á
frica ou alhures.
Portanto, o espaço vital da Alemanha será a Europa de
Leste. Uma vez que a teoria racista afirma a superio­
ridade dos arianos alemães e a inferioridade dos Es­
lavos, é de algum modo a Ucrânia que se deve oferecer
à colonização alemã. O DNSAP continuará a ter pouca
importância até às eleições de iVoU,após as quais cento
e trinta deputados nazis são eleitos para o Parlamento.
Como podemos explicá-lo?
57
A grande crise económica mundial, nascida em 1 929
em Wall Street nos Estados Unidos, rebentou na Ale­
manha de forma espantosa. A Alemanha era na altura
o país mais industrializado da Europa e esta crise, atin­
gindo todos os sectores da sociedade, colocou no de­
semprego uma grande parte da classe operária. A estas
condições de desemprego, de crise económica, acres­
centa-se a humilhação nacional . O tratado de Versalhes
privou a Alemanha de territórios germanófonos, em
particular uma boa parte da Prússia Oriental que foi
entregue à Polónia, criando assim o corredor de Dantzig.
Mas, sobretudo, surge o enfraquecimento da democra­
cia de Weimar. A desunião dos democratas permitiu a
Hitler não a aquisição de uma maioria absoluta no
Parlamento, algo que nunca obteve, mas o aumento
das suas forças e representatividade. Quando se candi­
data à presidência da República perde. F Hindenburg
que é eleito.
Hitler negaceia então com os partidos de direita
para obter uma maioria. O estratagema funciona e é
chamado para o lugar de chanceler pelo presidente da
República. Tudo isto se passa no seio de uma desunião
catastrófica. O partido comunista da época tem como
inimigo principal a social-democracia. Os comunistas
acreditam que se Hitler chegar ao poder, a sua incapa­
cidade para resolver os problemas sociais e económi­
cos permitir-lhes-á a ascensão a esse poder. F nestas
circunstâncias, e num quadro legal, que Hitler é nomeado
chanceler do Reich pelo marechal Hindenburg em òU de
Janeiro de 1933.
Rapidamente decreta a dissolução dos partidos co­
munista e socialista, e a partir de 1 933 é criada a Ges­
tapo. Fdecidida a instalação de campos de concentração
58
[dId OS O[OSIIOICS C CD|DDDO OC J933,[OIIdDIO DDIIO
[ODCO ICD[O d[ÓS d SDd dSCCDSdO dO [OOCI, [IOCÌdDd
O [dIIIOODd2I CODO [dIIIOO ÚDICO. .S cc C dS c., _ID-
[OS DIÌIIdII2dOOS, dSSC_DIdD·ÌDC ]d DDd IDODDIIdVCÌ
!OIçd. JDOO ISIO [CIDIIC·ÌDC DdO SÓ O[CIdI DDd VIO-
ÌCDId OC[DIdÇdO CDIIC OS SCDS O[OSIIOICS [OÌÍIICOS, DdS
IdDDCD [IODDÌ_dI dS [IIDCIIdS DCOIOdS dDII] DOdICdS
C C×CICCI dS [IÍDCIIdS [CISC_DIçÕCS \D CCIIO DÚDCIO
OC ] DOCDS OCI×d d .ÌCDdDDd. `CSId dÌIDId, ÏIIÌCI DdO
[IOCDId dIDOd COIIdI·ÌDCS d !D_d,DdS ISOÌd-ÌOS C DdI_I-
DdÌI2d·ÌOS
. O[OSÍÇdO d ÏIIÌCI C DDIIO !OIIC QDdDOO dSCCDOC
dO [OOCI DCSId .ÌCDdDDd OCDOCIdIICd OC YCIDdI,
DdS, CODIIdIIdDCDIC àS [ICVISÕCS OOS [OÌIIICOS, O SD-
CCSSO CCODÓDICO OdI·ÌDC-d DDd CDOIDC [O[DÌdIIOdOC.
ÌCSDO dDICS OO |ccm Od IDOÚSIIId OO dIDdDCDIO, O
!I. cCDdCDI, DIDISIIO Od ÍCODODId OC ÏIIÌCICDIIC J934
C J937, CODSC_DC COD ICCCIIdS CCODÓDICdS DdO OIIOOO-
×dSVOÌIdId [ÔI CD DOVIDCDIO d DdQDIDd IDODSIIIdÌ C
CÌIDIDdI O OCSCD[IC_O. !ICQDCDICDCDIC CSQUCCCDOS
CSIC !dCIOI OO SDCCSSO CCODÓDICO QDC CODSIIIDID DD
CDOIDC IIDD!O [dId O DIIÌCIISDO. \ !dCIO OC d CCODO-
DId dÌCDd ICI [OOJOO !DDCIODdI dIC dO !ID, IDCÌDIDOO
DOS DODCDIOS OOS [IOICS ICVCSCS DIÌIIdICS C d[CSdI
OOS dSSODDIOSOS DODDdIOCdDCDIOS OOS dÌIdOOS, OC-
DODSIId DCD dIC QDC [ODIO O !dCIOI IDODSIIIdÌ C CCODÓ-
DICO !OI ID[OIIdDIC. ÌdS O Dd2ISDO !OI IdDDCD SDS-
ICDIdOO [OI DDd SCIIC OC SDCCSSOS DO CdD[O [OÌIIICO.
.ICDIÌIIdI!2dçdOOO ÏDDI !OI DDd CId[dOCICIDIDdDIC.
\S !IdDCCSCS DdO ICd_CD QDdDOO O C×CICIIO dÌCDdO
VOÌId d OCD[dI CSIC ICIIIIÓIIO. \DIIO C×CD[ÌO C d dDC-
×dçdO Od
_
DSIIId, O .DSCDÌDSS. _DdDIO d dDC×dçdO OOS
cDOCIdS, CSSCS DdCIçOS DODIdDDOSOS QDC CODSIIIDIdD
59
os bastiões da Checoslováquia e maioritariamente po­
voados por Alemães, foi um grande golpe de audácia e
de cinismo por parte de Hitler. Pelos acordos de Mu­
nique, que violavam abertamente os compromissos da
França e da Inglaterra perante a Checoslováquia, Hitler
consegue obter dos Ingleses e dos Franceses a união
dos Sudetas à Alemanha. De imediato, a Wehrmacht
invade a Checoslováquia, anexando 30000km2 do seu
território.
Num país como a França, com uma forte tradição
pacífica de esquerda e marcado pela experiência da
Primeira Guerra Mundial, o elemento mais determi­
nante é a vontade pacifista. Mas face a estas conquistas
hitlerianas, o campo da paz está extremamente divi­
dido: para uns, Hitler realiza o direito dos povos a dis­
por de si mesmos, para outros esta militarização e este
apetite de anexação são, ao mais alto ponto, inquietantes.
¡rodu!oCð!ð5!PCCOo)rbarig
�uropeia e tem a sua fonte na nação mais CuHUa &­
rop\\5grandes poétas como Goethe, os grandes ny-
lsicos CCDO Beethoven, as tradições democráticas gQ
�xistiam muito antes da Primeira Guerra MundiaInã9
foram suficientes para conter a barbáriê. Este facto im­
pressionou muitas vezes os espíritos, mas não convém
dar-lhe muita atenção. Não ao ponto de esquecermos,
em todo o caso, que çSta!iniSnC, taSC1SOo e nazismq,
�e de facto nascem da civilízação, incIuindo das sua�
l!aiores produções, apenas emergem de situações hf­
tóricas determinad�s. S&o essencialmente consequêq­
cias da Primeira Guerra Mundial. Noutras condiçõ�s,
talvez também com alguns acasos felizes, os resmqs
fermentos de civilização teriam podido evitar o totali;
tarism

. Sem a Primeira Guerra Mundial, não teria exis-
oU
tido comunismo, fascismo, nazismo. Sem a crise de
iV2V, não teria existido o sucesso político nazi em iVóo.
Foram a guerra e a crise que levaram Hitler ao poder.
O nazismo é um produto retardado da Primeira Guerra
Mundial, tal como o comunismo é dela um produto ime­
diato. Juntos, serão os co-produtores da Segunda Guerra
Mundial.
Vendo que, na realidade, os Ocidentais, em Mu­
nique, capitulavam perante Hitler e receando que final­
mente não se entendessem, deixando as mãos livres
a Hitler, Estaline antecipa e assina o pacto germano­
-soviético por intermédio de Ribbentrop. Este pacto
implica que a Alemanha vá atacar a Polónia, mas con­
tém igualmente um certo número de cláusulas, como a
da ocupação da Polónia pela União Soviética e a do
domínio dos países bálticos, a Lituânia, a Estónia e a
Letónia. Graças a este entendimento, Hitler fica com as
mãos livres a Leste e pode lançar na Polónia a sua
guerra relâmpago. Depois chega a campanha da França
e a desintegração do exército francês. Efectivamente,
foi o pacto entre os dois totalitarismos que desencadeou
a Segunda Guerra Mundial.
Abordemos a famosa questão da avaliação recí­
proca dos totalitarismos hitleriano e estalinista. Desde
logo, podemos observar uma evidente diferença nos
fundamentos ideológicos destes dois sistemas. A ideo­
logia comunista é internacionalista, universalista, igua­
litária; a ideologia nazi é racista. As intenções do
nazismo foram reveladas a partir do Mein Kampf en­
quanto a ideologia fraternal do comunismo, explícita
no evangelho que é o Manifesto do Partido Comunista de
Marx, mascarou durante muito tempo os crimes do
totalitarismo soviético. Milhões de seres humanos esta-
61
vam convencidos de que os Soviéticos eram livres e
felizes. Um outro ponto de comparação reporta ao
nacionalismo e, também aí, muitos serão tentados a
considerar que este ponto demonstra uma diferença na
barbárie, diferença essa menor, ao que parece, no sis­
tema estalinista. Éverdade que o nacionalismo está na
origem do nazismo, enquanto o internacionalismo está
na base da revolução soviética. No nacionalismo nazi,
o antij udaísmo desempenha um papel fundamental.
De algum modo, serviu de cimento para este sentimento
nacional, segundo a lógica do bode expiatório descrita
por René Girard. Contudo o internacionalismo não
estava ausente do nazismo. No fim da guerra, existiu
um europeísmo das SS: alguns são noruegueses, outros
franceses, etc. Partilham o mito de uma Europa nacio­
nalista, mas sempre assente na base de um racismo de
exclusão pelo qual todos os elementos heterogéneos
seriam rejeitados.
O totalitarismo soviético não tina na origem uma
base nacionalista e a parte antijudaica, inicialmente,
era inexistente. No seio do partido bolcheviqte, inclu­
sive, existia um grande número de j udeus, a começar
por Trotsky. Por outro lado, a Libertação, com o horror
causado pela descoberta dos campos de extermínio,
impediu os fenómenos de rejeição que já começavam a
manifestar-se. No entanto, progressivamente, os j udeus
vão ser marginalizados no seio do Komintern (Estaline,
após a pretensa conspiração dos «camisas brancas»,
encarava até a possibilidade da sua deportação para
a Sibéria) e, durante a guerra fria, o antijudaísmo, a de­
núncia do «cosmopolitismo judeu», nunca serão dissi­
mul ados. Vemos assim que, ����a
lbàárie de into!erânciaCOCexc!uão doouuo, os dqs
62
_DOId � IDSQIIdçdO DDIIO OI!CICDIC, dCð-
jdD QOI COD'tI_ÍI. ÌdIS ð !ICDIC !dÌdICI Od DdIDdIIC
C×ICID¡DdOOId DdS, OCSOC] d, QOSSO OI2CI QDC IdDDCD
DCSIC dS[CCIO dS COISdS SdO CODQdIdVCIS.
._OId,C DCCCSSdIIOdDOIOdId QDCSIdOOOIdCISDODd2I
C QIOCDIdI COD[ICCDOC-ÌO. F CVIOCDIC QDC d dSSOCIdçdO
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Dd2I. 1D IOOOS OS DdCIODdÌI�� [Q@IDlCD-
lOS C×ISICD _CIDCS IdCISIdS ÌCSDO Dd ÍSQdDDd Od
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ICDd Od [DIC2d OO SdD_DC. PaS ¿aId QU£ QOSSdDOS
ICdÌDCDIC !dÌdI OC IdCISDO C DCCCSSðI1O QDC SDQd uua
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ÇI£DlÍ!ICd. /CODICCC [OICD QDC d CICDCId dDIIOQOÌÓ_ICd,
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IdçdSCIdD QDdÌIIdIIVdDCDIC OISIIDIdS, d!IIDdDOOd SDQC-
IIOIIOdOCOC dÌ_DDdS. !CDDIO-DC QDC, DOS DdDDdIS OC
_CO_Id!Id Od DIDDdID!ðDCId,d IdçdDIdDCd CId OC!IDIOd
QOIQDdÌIOdOCSCDIDCDICS,CDQDdDIO OS ·lC_IOS·CIdD
dQICSCDIdOOS CODO QIC_DIçOSOS C IDOOÌCDICS, OS ×.Dd-
ICÌOS» CODO DdDCIS C dSIDIOS. O DODCD DIdDCO, CdD-
IdOO QOI tIQÌID_, CVOCd CSIC IdCISDO ÌdICDIC.
\Dd CCIId dDIIO[OÌO_Id, CODO d IÌDSIIdOd QOI
LCOI_CS `dCDCI OC !dQOD_C (I554-I936), OCSCDVOÌVCD
O ICDd Od SDQCIIOIIOdOC Od ×Idçd dIIdDd· OCSOC O
SCCDÌO xrx. 'dDCDOS QDC LODIDCdD IdDDCD SDSICDIOD
CSId SDQCIIOIIOdOC C QDC,[OI IDICIDCOIOOCYd_DCI, ID-
!ÌDCDCIOD ÏIIÌCI. LDdDDCIÌdID, QDC CD !599 CSCICVCD
OS Fundamentos do Século 2Ï2, QICICDOCD !DDOdDCDIdI
CICDII!ICdDCDIC d SD[CIIOIIOdOC IdCIdÌ OOS dIIdDOS.
ÍÌdDOIOD d ICOIId OC DD IdCISDOQDCdIDOdDdOCId SIS·
ICDdIICdDCDIC DICIdIQDICO. ÅOOdVId, C CÌC QDCD IDIIO-
OD2 O CIIICIIOOd[DIC2dOOSdD_DCDdOC!ID!çdOOC ·Idçd
63
ariana», considerando o judeu como um sangue-cru­
zado, portanto biologicamente inferior. As coisas irão
assumir, pouco a pouco, um aspecto muito grave, sur­
gindo o anti-semitismo (racial) na peugada do antiju­
daísmo (religioso). O antijudaísmo pode ser violento e
bárbaro, inspirando ¡c_rcms e execuções na fogueira.
Mas como privilegiava a dimensão religiosa, os judeus
que sinceramente se convertessem eram poupados.
O anti-semitismo é uma atitude de rejeição do judeu en­
quanto racialmente outro (diferente).
O anti-semitismo combate a suposta perversidade
radical e racial dos judeus. Esta raça pervertida seria
portadora de um vírus que se arriscava a desintegrar
as. essências nacionais. Assim, vemos de que modo o
anti-semitismo funcionou como um delirante meio de
salvar as essências nacionais do perigo de d'�solução
e de corrupção. Neste processo, as ÎUCÎðS racistas po

certo desempenharam o importante papel que acabo _
de assinalar, porém é necessário esquecer o pesq
dos factores históricos, ecofõ
r
os, clima de desast!e
humano da Primeira Guerra Mundia
U
Seria demasiado
= ¯ �
+
fácil se a barbárie pudesse estar só nas ideias.
Sabemos bem que existiu um anti-semitismo fran­
cês que se desencadeou particularmente por ocasião
do caso Dreyfus. O livro de
É
douard Drumont, La France
juive, publicado em !886, apresenta os judeus como
agentes do mal, tendo-se infiltrado em toda a socie­
dade e colocando-a em perigo. Este caso não despertou
apenas estes vestígios de barbárie. Despertou também
uma grande tradição republicana e humanista, cuja luta
encarniçada permitiu provar a inocência de Dreyfus.
Os dreyfusards sobrepuseram-se aos antidreyfusards.
A vigança dos antidreyfusards apenas reaparecerá por
ocasião do governo de Vichy. O anti-semitismo conhece
o+
então na França republicana uma paragem, ou melhor,
uma contenção. Os anti-semitas não se enfurecem
menos. Focalizam-se no judeu emancipado, já reconhe­
cido como cidadão, assimilado pela sociedade. Aos seus
olhos, ele seri a mais perigoso pelo facto de ter ar de ser
como os outros não o sendo. Possui uma «inquietante
estranheza>> . Quanto mais os judeus se assemelham aos
outros, mais se tornam uma ameaça portadora de tudo
o que desintegra uma nação: são judeo-bolcheviques,
judeo-capitalistas, judeo-maçónicos, etc.
Face aos ataques anti-semitas, tentando ignorá-los
ou opor-se-lhes, os judeus desenvolveram pelo menos
três tipos de reacção. O primeiro tipo manifesta-se
naqueles que se sentiam integrados, que se reconhe­
ciam na categoria de cidadão, participando na existên­
cia nacional como os judeus Alsacianos ou do Midi.
Consideram-se franceses, uma vez que a França os re­
conheceu como tal. A França não era apenas a pátria
dos Gobineau, dos Lapouge e dos Drumont, era tam­
bém, e sobretudo, a França da integração que defende
os direitos do homem e do cidadão e que levou de ven­
cida os perseguidores de Dreyfus. Mas, apesar de tudo,
existia neles uma bipolaridade que lhes fazia sentir,
muitas vezes inconscientemente, o carácter demasiado
estreito do quadro nacional. Daí o segundo tipo de
reacção: alguns desenvolveram conscientemente um
metanacionalismo. Sentiram-se motivados por uma
vontade de ultrapassar a nação. Por um lado, porque
estavam convencidos de que, qualquer que fosse o
quadro nacional, existiam sempre tendências antiju­
daicas que os rejeitariam, por outro lado, pela inclina­
ção universal
l
sta. O internacionalismo vai surgir-lhes
como a solução para evitar os perigos do nacionalismo.
65
O socialismo vai alimentar o sonho de uma outra socie­
dade e de um outro mundo. Este sonho era o de D. Qui­
xote, imaginado pelo cristão-novo que era Cervantes.
Por um lado, então, o pólo da integração nacional e, do
outro, o do internacionalismo. Uma terceira reacção
desenvolve-se lentamente à volta do pólo sionista. Em
parte, o sionismo encontra a sua origem no caso Dreyfus.
Um j ovem j ornalista húngaro, Theodor Herzt assiste à
cerimónia de despromoção do capitão Dreyfus. Emo­
cionado e revoltado pelo clima de ódio anti-semita,
chega à conclusão de que os judeus não devem pro­
curar mais a integração mas criar o seu próprio Estado
nacional. Muito rapidamente, os sionistas vão criar
colónias na Palestina. Este movimento vai ampli ar-se,
ultrapassando várias etapas, até à construção do Estado
de Israel.
Entretanto, aconteceram os extermínios da Segunda
Guerra Mundial na Alemanha. O paradoxal é que mui­
tos dos judeus alemães se identificavam grandemente
com a nação alemã. Durante uma visita a Haifa, em
Israel, tive a oportunidade de me encontrar com uma
grande colónia de emigrados judeus alemães. Ao que
parece, muitos teriam chorado com o anúncio da der­
rota alemã de Estalinegrado.
Como explicar agora, ou tentar explicar, o desenca­
deamento último da barbárie, o do extermínio propria­
mente dito? A partir de 1935, ano da promulgação das
primeiras leis anti-semitas, limitam-se a despoj ar os
judeus, a negar-lhes a cidadania, a proibir-lhes os casa­
mentos com os «arianos». Em 1941, a dominação nazi
sobre a Europa é total. Têm lugar uma série de massa­
cres locais, quer perpetrados pelas SS quer pelo exér­
cito. Paralelamente, os nazis criaram guetos, como os
66
OC `dISÓVId OD OC LIdCÓVI d. . VODIdOC Dd7I CId dIDOd
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C×[DÌSdI Od ÍDIO[d IOOOS O5 ] DOCDS. F CDCdIdOd d
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IDÍCIO OC I942 ÍD 'CICDDIO OC I94I, DÌOQDCdOO [OI
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IICIdDIO, ÍSIdÌIDC, ICDOO IIOO CODDCCIDCDIO [CÌO SCD
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[dId QDC CSSC C×ICIDIDIO SC [IOOD7ISSC CD ÍdCIOS C OC
ÍOIDd SISICDdIICJ.
67
Não esqueçamos que o ódio racial e a vontade de
extermínio dos nazis não se concentravam apenas nos
j udeus. Se estes são eliminados sob o pretexto da per­
versidade e da impureza do sangue, os Ciganos e os
Rom sê-lo-ão sob o pretexto de serem «lixo» a eliminar,
por serem os «débeis mentais» indignos de perten­
cerem à raça ariana. Os eslavos, não sendo expressa­
mente condenados ao extermínio, são, em todo o caso,
destinados a ser colonizados e explorados.
Sabemos que esta obra de extermínio dos j udeus, o
destino que lhes foi reservado sobretudo em Auschwitz,
foi ocultada, ou mais ou menos ignorada, em França,
até ao dia seguinte ao do fim da guerra. Para isto
podem existir duas razões: primeiro, em França existi­
ram 86 000 deportados políticos e 75 000 deportados
j udeus. Nos outros países, os j udeus foram deportados
numa percentagem de 60 °a 75 °,o que constitui uma
percentagem nitidamente mais elevada. Na Bulgária,
encontramos mais j udeus no final da guerra do que no
seu início. Por que razão só este país e a França não
foram tão atingidos? Na Bulgária, sob a pressão da in|e/-
ligen|sia parlamentar, o rei recusou dar a Hitler a per­
missão para deportar os judeus do seu país. Em França,
as convicções republicanas e humanitárias conduziram
muitos cidadãos a esconder os judeus e a Resistência for­
neceu-les documentação falsa. A maioria dos judeus
deportados de Fraça nunca regressou. Quando foi criada,
a Federação Nacional dos Deportados Repatriados Pa­
triotas, a FNDIRP reagrupou os deportados, os intera­
dos e os resistentes. Os judeus, considerados «patriotas»,
não foram contabilizados como tal na FNDIRP
Hoj e em dia, o reconhecimento do extermínio dos
judeus europeus desenvolve-se paralelamente J auto-
oo
-afirmação de uma identidade judaica, favorecida pela
existência de Israel. A evocação do mártir j udeu sacri­
ficado em Auschwitz serve, cada vez mais e de certa
forma, para proteger o estado de Israel contra os que o
vêem como opressor dos Palestinianos. Aquando da
comemoração da libertação de Auschwitz, a ¯¯ de
Janeiro de ¯UU¬, assistiu-se a uma espécie de exposição
excessiva do mártir judeu, esquecendo Ciganos, Eslavos
e resistentes. Esta exposição excessiva foi muito bem
sublinhada quer por Annette Wieviorka, quer por
Simone Weil. Annette Wieviorka, no seu livro Auschwitz,
ôU anos depois, recorda a composição do campo: inter­
nados políticos, criminosos, homossexuais, testemunhas
de Jeová, pri sioneiros de guerra soviéticos, judeus.
Evoca também a dificuldade que existe para introduzir
a qualificação «crime contra os Ciganos».
O resul tado desta comemoração, centrada exclu­
sivamente no mártir j udeu, foi a petição, vinda dos
Negros tanto da Martinica como da
Á
frica negra, para
um reconhecimento da barbárie que foi também a
escravatura. No que diz respeito àArgélia, tivemos um
reconhecimento tardio do massacre de Sétif. Durante a
guerra da Argélia, foram perpetrados massacres por
ambas as partes. Mas era a França que mantinha a
Argélia sob a tutela da colonização, daí um pedido de
reconhecimento por parte da Argélia.
Assim, podemos dizer que ���€�
�� �
Uð$ popuações ð!tICðDð5deportadase dadaO[tC85d
COIOD:ð1, o que VCD ð consciência C a barbárie UC uma
LHtOQð OcIUental, que se DaOÌÍC5!OU pela escravidão &
pela servidão dos povos colonizados, sendo o nazisno-
O seu ÚltIDO estádio. Cnazismo combatia as raças que
69
declarava inferiores, corrompidas e impuras: os Esla­
vos eram inferiores, os Ciganos impuros, os Judeus
simultaneamente impuros, inferiores e perversos. Mas
não separemos os mártires judeus · de todos os outros
mártires da barbárie.
Para terminar, queria insistir na ideia de que é
necessário�itâtJecharmo-nos Ï1Ï pensamento bi!­
ríO) isto é, um pensamento obnubilado por um único
pólo de atenção em detrimento de outros. Se insistir­
mos demasiado só em Auschwitz, corremos o risco de
minimizar insidiosamente o goulag e de silenciar outras
barbáries. Se nos limitarmos unicamente ao factor
quantitativo, o número de mortes provocadas pelo sis­
tema concentracionário soviético foi muito maior. O gou­
lag durou muito mais tempo do que o período de
extermínio nazi que começa em 1942 e termina no iní­
cio de 1945. Aliás, este período acabou numa heca­
tombe dos sobreviventes reunidos tragicamente em
poucos dias. O tifo e as longas caminhadas esgotantes,
sob a condução das SS, para fugir ao avanço dos Aliados
foram horrivelmente mortais. Quando os Aliados che­
gam às portas de Dachau, deparam-se com amontoa­
dos de cadáveres. Ficou então a impressão de que o
horror nazi se limitou a este efeito de empilhamento de
corpos. Na realidade, isto tinha a ver com o facto da má­
quina de extermínio e eliminação ter parado. Os fornos
j á não funcionavam, os cadáveres empilhavam-se. Po­
rém, o horror nazi tem menos a ver com o empilhamento
de cadáveres do que com o funcionamento desta má­
quina de morte aperfeiçoada. Não é necessário que uma
imagem, por mais horrível e gritante que seja, nos
esconda a realidade. £um pouco o que se passa. O geno­
cídio j udeu é-nos apresentado como sendo mais horrí-
70
VCÌ OO QDC O C×ICIDÍDIO DdSSIVO QDC !OI O
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oula
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VÍIIDdS: |DOCDS, lC_IOS, \I_dDOS, DODOSSC×DdIS, .I-
DCD:OS, COÌODI7dOOS Od .I_ÓÌId OD OC PdOd_dSCdI. ÍSIC
ICCOD1CCIDCDIO e DCCCSSdIIO SC [ICICDOCIDOS DÌIId-
[dSSdI d DdIDdIIC CDIO[CId.
EnecCSsárIo S(I capaz OCpcnSdra DdIDdIIC CDIO[CÍd
Qdrd DÌ!Id¿dSSð-Ìa, [OIs o QIOI C SCDQtO QOSSIVQ 1O
ðDd_O OO UCSCrtO ðHCdÇdOOï OõDdIDðIIC, OSldDOS,
DOmentO, SOD d rC!atÎVa protecção OC DD OdSIS. PdS
tdHDóD SdD(¡(S
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µe nos CDcOntIamOS em condições
DIS!ÓIJCO·QOÌJIICO-SOCIð1S QuC lOIDdD o QIOI OXOQD1VCÍ,
QdIlICD!dIDCD!C CD QCtÍOOO5jd1OXÍSlICOS!
ÏOI OCIIdS OdS [IÓ[IIdS CSIIdIÓ_IdS QDC OCVCIIdD
CODIIdIIu·Ìd, d DdIDdIIC dDCdçd·DOS. \ DCÌDOI C×CD[ÌO
Ó Hiroxima. . IOCId QDCCODOD2 d CSIdDOVd DdIDdIIC Ó
d d[dICDIC ÌÓ_ICd QDC COÌOCd Dd DdÌdDçd OS OD7CDIOS
71
mil mortos devidos à bomba e os dois milhões, entre os
quais quinhentos mil GI, que teriam sido o preço do
prolongamento da guerra por meios clássicos - se cal­
cularmos os resultados a partir de uma extrapolação
das baixas sofridas só pela tomada de Okinawa. Antes
de mais, é necessário dizer que estes números foram
propositadamente aumentados e, sobretudo, que não é
preciso ter medo de colocar em evidência um factor
decisivo que muito pesou na decisão de recorrer à
bomba atómíca. Na consciência do presidente Truman
e de muitos Americanos, os Japoneses não passavam
de ratos, sub-homens, seres inferiores. Por outro lado,
temos presente um facto de guerra com um ingrediente
de barbárie suplementar: os extraordinários progressos
da ciência colocados ao serviço de um projecto de eli­
minação tecnocientífica de uma parte da humanidade.
Repito-o, o pior é sempre possível.,!
Por conseguinte, no que diz respeito à Europa/de­
vemos evitar a todo o custo a boa consciência, daqo
esta ser sempre uma falsa consciênciq, ' O trabalho de
memória deve deixar refluir para nós a obsessão das
barbáries: servidões, tráfico de Negros, colonizações,
racismos, totalitarismos nazi e soviético. Esta obsessão,
integrando-se na ide ia de Europa, faz com qu� integre­
tos a barbárie na consciência europeial Esta é uma
condição indispensável se queremos superar novos
perigos de barbárie. Mas como a má consciência tam­
bém é uma falsa consciência, o que nos faz falta é uma
µu
j
la consciènciagaconsciência da barbárie deve i
l

g
rar-se a consciência que a Europa produz, pelo Hum�­
nismo, pelo univesa:t·1
ée
nsão progressivq
qe uma .consciência planetária, os antídotos para a sua
própria barbárie
1
Esta é a outra condição para superar
os riscos, sempre presentes, de novas e piores barbáries.
/:
.U sCODOìçCCs OCDOCrátìCasDU-
¸DaD¡stas OCVCD rC_CDCrar-sC QCrDaDCDtCDCDtC Qa)a
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OC sC rCCrìar CD QCrDaDCDCìa. Ïcn$0r a DarDárìC C �
|rìDuIrQaraa rC_CDCraçãO �� �
tIr-uC.
73
ÍíLICE
C^IÍTlLÒ 1 - lAllÁlllH'MANA l lAllÁllll'lCillA
9
C^IÍTlLÒ2 - CS AN7|DC7CS C'l7Ul¹|S l'/C|l'S . . . . .
29
C^IÍTlLÒ3 - ilNSAlA lAllÁlllDCS|C'|C XX . . . . . . . 49
75
-®-
EPISTEMOLOGIA
E SOCIEDADE
I INEVIÁVEL MORAL
Paul Valndier
2. INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO
COMPLEXO- (4." edição)
Edgar Marin _
3. CONTIUBUlÇOE DE 1OMAS KU
PARA UMA EPISTEMOLOIA
DA MOTRICIDADE HUMANA
Amw Mnri Fát,Ia
4. TOXICODEPENDÊNCIA
E AUTO-ORGANIÇÃO
João Eduardo Marques Tnxl'ira
5. TERRA-PÁ TRA
Edgar Mann I Annc BngJI/t' K!'m
6. NAS RAIZES D UNIVERSO
En�n Lszlo
7. O TERCEIRO JNSTUIO
Midrt'l Sr·m>
S COM RAZÃO OU SEM ELA
Hmri AtU
9. O HOMEM E AS SUAS TRÊS ÉTICAS
Stt'plume Lupasro
1 TUO, NÃO, TALVEZ
Hwr Allim
1 1 A UTOPIA DA COMUNICAÇÃO
P/lilif't Bn·tvn
12 O XIo MANDAMENTO
Andrl• Gluà;mnnn
13 CRíTICA DA COMUNICAÇÃO
Luátn Sf>
14. JEAN PJAGET E O SUJEITO
D CONHECIMENTO
fosi Luís fmndla d Luz
1 5 A INTELIGÊNCIA DA NATUREZA
Mtdwl l.my
1 6 CRITICA DA MODERNIDADE
Aln111 T r.mmi111'
17 OLHARES SOBRE A MA TRIA
Dmwrd d'EsJlilílltll I [/11'11/lC Klr·u,
18 EVOLUÇÃO ,
Erin Llçz/o
!9. A CRIAÇÃO DA VIDA
Mrdlt4 Boumn . .
20 DA EPISTEMOLOIA Á BIOLOIA
Mnri Manul'l Araújv /tlrge
21 INVESTIGAÇÃO
QUALITATIVA -(2 ' ed•çàu)
Mic/u•llt• L'sard-Hébcrl I Gabrid Goyl'tf I
Génld Bmlfm
2. O CONTRA TO NATURAL
Mirhd Sarr:
2 AS TECNOLOIAS
DA INTELIGENCIA
Pinrr Liuy
24. A CONVERSÃO D OLHAR
M1cfrc/ Bart
25 O PODER E A REGRA
Erhard Fried/Jcrg
26. A COMUNICAÇÃO
Lucen Sf'
27. A MÁQUlNA UNIVERS
Pirrre L'
18 O VINCULO E A POSSIBILIDADE
Mnurv (cru//
29. MOmiCIDADE HUMANA
Mnnu!l Shsw
30. PARA U TEORIA
DO CORPO HUMANO
/osf Erlunrdo Alves fnnn
31 . A SOLIDARJEDADE
fcall Du!1tg/Ud
32. A CIÊNCI E O SENTID DA VIDA
facques Arsnc
33 A RODA DAS CIÊNCIAS
Pml G1rv
3 A DANÇA QUE CRIA
Mnuro (tl-uli
35 AS CIÊNCIAS COGNffiV AS
Cr•orges V1gtuwx
3ó O ENIGMA DA EVOLUÇÃO
D HOMEM
/OS( H Rcidllwlf
37 A RAZÃO CONTRADITÓRIA
Jenll·/ncque� W;tnenburgurr
3. ELEMENTOS fUNDAMENTAIS
DAS CIÊNCIAS CINDiNJCAS
Cc'rses- Yt>rs Ktrver
39 O DESPORTO EM PORTUGAL
Alberto Trovão do Rosrw
40. O HOMEM PARANÓIDE
Clnude Ofiromslein
41 . AS TEORJAS DA EXCLUSÃO
Mnr/mc Xibcrms
42. A INVENÇÃO DA COMUNICAÇÃO
Armamf Matlelnrt
43. LÊVINAS- A lffOPIA D HUMANO
Cnflu:tw Clmlicr
4. PRO/ECTO PARA UMA ÉTICA
MUNDIAL
Ham Kii11g
4S. QUESTÕES SOBRE A VIDA
Henri Atlnn I Cllwnne Bcwsquel
4ó A ATRACÇÁO D FUTRO
Pwrrc Faugcyrvlln.�
47. DIÁLOOS COM A ESFINGE
Étiennt Klem
48 SOCIOLOGIA DA EXPERJÊNCIA
Fm11Çots Oulwt
49. DIÁLOO SOBRE A CIÊNCIA,
A CULTURA E O TEMPO
Midu./ Sare.�
50. A SIEDADE PIGMALIÃO
Pierre Tap
51. O !A TO E O ADUlRJD
/1�IJI·Frmçcm Skr.Iczk
52. ELOGIO DA CONSCrENCIA
Paul Vnladia
5. ANTOPOLOIA D PRO/ECTO
jemt-Pierre Bo11finff
5. O DESTINO DS IMIGRADOS
Emmanurl Td
55. PARA ACABAR
COM O DARWINISMO
Ro�ir1e Clumdebis
5. JEA PIAGE- APRENDIZ
E MESTRE
fcnn-Mnrc Bnm:lt'l I Annc-Ndly Pem.f­
-Omtwnt
57 A COMUNICAÇÃO-MUND
Annand Maltelnrt
�. A FORMAÇÃO HUMANA
NO PRO/ECTO DA MODERNIDADE
F l/1/ml Pmto
59 PARA UMA CRiTICA
DA RAZÃO BIOÉTICA
60. A SOIEDADE INTOXICADA
Martinr Xi/l('rs
61 O ESPfRITO DA DÁDIVA
JaCIJUt: T. Codhoul / Alam CaiW
62. AS NOVAS FACES DA LOUCURA
/Mil-fiem O/ti I Chrisftall Spndmw
63 IDEORAFIA DJNÁMICA
Piem• L'vy
ó. QUEM SMO NÓS
Luca t' Fmncesco Gn�!lli SfonJ
65. METOOLOIA DA INVFSTIGAÇÁO
EM CIÊNCIAS HUMANAS
Bnow Deslwws
66. AS CIÊNCIAS HUMANAS
EM MOVIMENTO
Clmrles Mnnw
ó7. A DEMISSÁO D JNTELECTLAIS
Afnm Cnilh;
6H. A INTELIGÊNCIA COLECTY A
Piem· L'�l
6Y. ATLAS
MKhd Sem·:
70. O CtREBRO E A LIBERDADE
Piem· Kr/1
71 . ECOFEMINISMO
Mana Mit's I V11ndant� Sftilm
72. Á IMAGEM D HOMEM
P/ultpp� Brl'lon
73. ABORDAGEM Á MODERNIDADE
ftan·Mnrie Ot�mmach
74. PRINCiPIOS E VALORES
NA EDUCAÇÃO CIENÍFJCA
M rdll d Poole
75 DA CIÊNCIA À ÉTICA
Hans-Pcer Dlirr
?r •. OS CORPOS nANSFIGURA D
Mtchd Tibon-Conri!inl
77 D BIG BANG À PESSOA HUMANA
[Jnnid Duarte rc Om>lw
78. O EUGENISMO
André Picho/
7. A SAÚDE PERFEITA
Lu rim Sjfz
HU. EDAR MORTN
M ynm Kafinnn
81. A DEMANDA DA RAÇA
trvwi Cunti'/Gmtc!W Essner
H2. HUMANISMO E TÉCNICA
Bruno farrosson
83. O SÉCULO DAS IDEOLOIAS
jclllt-Pierre Fnyt•
l. MULTICULTRALISMO
Clwrlt'S Taylor
85. A SIEDADE EM BUSCA
DE VALORES
trfgnr Marin /llyn Prigagillc t vutro5
8 O JUSTO E O VERDADEIRO
Rnymond Boudon
87. COMO GERJR
AS PERSONALIDADES DIFÍCEIS
F r(lçois U:lordI Chmtoph.' 1 ndn�
8�. PARA UMA UTOPIA REALISTA
EM TORNO DE EDAR MORIN
Ü1contros dt Cltiift•mtvnflon
89 A ÁRVORES D CONHECIMENTO
Mid11'1 Authit·r /Pien·( liy
9. DO UNIVERSO AO SER
fn-Maric Pelt
41 O CREPÚSCULO DA CRIAÇÃO
Mnrcus Chown
92. MASCULINO/FEMININO
Fnmçoisc• Héritin
93 A ANARQUIA D VALORE
Pnul Valndier
9 CIÊNCIA CIDADÃ
Alan lrwin
95. UMA INCERTA REALIDADE
Bmmnf r'Espas11111
%IGUAIS E DIFERENTES
Alnin Tmmúnc
97 NATUREZA E TÉCNICA
Dcmlimqul' lourg
98. METOOLOIA DA RECOLHA
DEDAD
/t'lt-Marit• 1ft• Kl'fclr /Xavúr Rtll.'�wr�
9. AS SIEDADES DENTE. � '
D PRORESS
Mnrc Ft'lTO
1UU. D SILÊNCIO
Om•i Lr Brdo11
!OI. D SEXTO SENTID
Dori� C Lfru/mk
102. ÍNTIMAS CONICÇÕES
Hllhat Ret.'l)'S
103. PERDEU-SE METADE
D UNIVERS
}t'an-Piem• Petit
10. NASCIMENTO DAS DIVINDADES.
NASIMENTO DA AGRICULTURA
}IJCf/111'5 ÜJIIPÍII
105 O IMPULSO CRIAOR
Jc�:lH. Ráchhol
106 O CONSTRUTIVISMO- V oi. I
fcnn-Wut� L· Mvtsm·
107 O CONSTRUTIVISMO- V oi. 11
Jcen|·ui:LMotgm•
108 UMA MESMA ÉTICA PARA TOD?
Direç.odt fean-Pierrt Chnngeux
1U O LUGAR D CORPO
Paulo Clmlm e Sil!Jct
1 10 OS GRANDES PENSADRES
CONTEMPORÂNEOS
lurnçois St�r11
! 1 1 O DARWINISMO
OU O FIM DE UM MITO
Rhuy Clunmin
1 1 2. A REDE E O INFINITO
Plúlipt' Forgtl /Cillts Ptl/ycarpe
1 13. O PRAZER E O MAL
Ciulia S1SSl
1 14. A GRANDE IMPLOSÃO
Pu·rrc Tlnulller
1 15. AMOR, POESIA, SABEORIA
Ed,�ar Mcrm
1 16. P!AGET UM REQUESllONAMENTO
Dar•id Cvllt'tl
1 17. A POLITICA DO REBELDE
Michel Onfry
1 1 8. A CIÊNCIA ENQUANTO
PROESSO INTERROGANT
N. Sanitt
I I9. CIÊNCIA DA MOTRICIDADE
HUMANA
Ubirajnra On1
120. UM CORTE EPISTEMOLóICO
Mat1ut'i Ságitl - (2! eJiçao)
121 ANTROPOLOIA ING�NUA
ANTROPOLOIA ERUDITA
Wiktor Stoczkow!ki
122. O J' MlL�N!O
I.·..... l v�.1 .•
123. OCOMPUTAOOR NA CATEDRAL
]miCnillnu,t
I24. O HOMEM ARTIF1CIO
Dmniníque Bour!
125. IMAGINÁRIO TÉCNICO
E �TICA SOIAL
8;•rlmnJHlriard Dubrettil
126. O PRINCIPIO DE NOÊ
Midwl Lacroix
127. JORNALISMO E VERDADE
Damel Comu
I28. VIAGENS NO FUTRO
Nicola� Pront¯I
129. DEUS, A MEDICINA E O EMBRJÁO
Rmt Frdman
130 A SABEDRIA DOS MODERNOS
Aml1·�· Co1111e-Sponvi!le /Luc Ferry
131 A FAMILIA
ft>'lylzt' S11llerot
!32. O SÉNTID E A ACÇÀO
Mil /ri:/ SàgioHrouãr 1fa lo5iírio /
Amu1 MmaFátosu /Im«mucA|·rt.i:tº/
Jorge Vi/da / Viegns Tat'Ort'S
!33. A ORJGEM D HOMEM
Clnudf'-Urtú� Gallil�u
!34. A EFICÁCIA DA METÁFORA
NA PRODUÇÃO DA CIÊNCIA
Pnuln Cvnft•nças
135. GENES, POVOS E LfNGUAS
luiyi Lucn Cat,alli-Sforza
l3f. A LOGICA DS EFEITOS
PERVERSOS
A11dré Cossrli11
I37. A CLONAGEM EM QUESTÃO
Axd Kh11 /Fnbria Papillo11
!38. CIBERCULTURA
ºicrn lr11
139. O SELO ÓA INDIVIDUALIDADE
/t'nll Dausst'f
I�O FOOS. FÃTUOS
E COUMELOS NUCLEARES
Ce·ryr- Chnrpak !Riduf L Garwi11
1-11. A DIVERSIDADE 0 MUNO
Emmanuel Todd
1-12. O LIVRO 0 CONHECIMENTO
Ht•nri Atlan
IH O CUSTO MUNDIAL DA SI DA
Dcrds·Ciair Lstmbat
1-4. A PALAVRA CONFISCADA
Patrtck Clwroudeau /kqolphc Chígbcn:•
1�5. FIGURAS DO PENSAVEL
Comdius CnsftJrindis
H6. AS CIÊNCIAS E NOS
Maria Aanud Arújo jorgt'
W. DECISOES E PROESSOS
DACORO
Pirm: Moessinsrr
l�H. A TERCEIRA MULHER
Cihr·Lipovt•tsky
1�9. O DEMÚNIO DA CLASSIFICAÇÃO
Georges VignIÌux
ISO. AS DERJVAS DA ARGUMENTAÇÃO
CIENTÍFICA
Dominiqrlt' Tcrré
15!. A AVENTURA DA FÍSICA
Etiomt` Kkin /Marc (a:him-kq
152. HOMENS PROVÁ V EIS
jac
q
ues Te:tarl
!53. O MEU CORPO A PRIMEIRA
MARAVILHA DO MUND
Am1ré Giordt11J
154. A IDADE D MDO
PnsCIl Richet
155. O PENSAMENTO PR!GO!NE
Araud Spirr
I 56. HI PERCULTURA
¹l+tt1Ìrr>tº M. rlmn"
157. MODERNIDADE,
CRÍTICA DA MODERNIDADE
E IRONIA EPISTEMOLÓGICA
EM MAX WEBER
Rf'l Gome Filipe
158. TEORIA DO CONHECIMENTO
CIENlÍFICO
Anun�tdo de Cnslro
159. FONTES D PODER
Gnn; Klein
160. SOBREVIVER À CIÊNCIA
]ccn·]ac}u:vSnlvmvn
!61. A SOIEDADE DE COMUNICAÇÃO
Gemrrl Le(/I'Tc
162. O LUGAR D CORPO
NA CULTURA OIDENTAL
Florenc(' Brmmstein /jc·m·lnn,ci:|:·¡m
113. O ADVENTO DA DEMORACIA
Robat ú:gros
164. DROA E TOXICODEPENDÊNCIA
NA IMPRENSA ESCRITA
IunanJcNogueira Dias
l65. 1NTRODUÇÁO ÀS CIÊNCIAS
SOCIAIS
jmr�-Pu·rre Oupuv
166. A PROCURA DE SI
Alain Toummc /IotlaJKhosrnklwvnr
ló7. 1MPRENSA, RADlOE TELEVISÃO
]amesCllrrmJ /jrmz Si·aton
168. O DESAFIO D SÉCULO XXI
EJgarMorin
169. A VIOLÊNCIA TOTALITÁRIA
Michrl Mnfrsol'
170. FILOSFIA WORLD
Pierrt• Lhry
171. SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO
DE CULTURA
E DE CONHECIMENTO
hnwndo Nogueim Dms
172. O ETERNO INSTANTE
Michd Mrif csoli
1 73. A TTENCIONALIDADE
0 CORPO PRÚPRIO
Pmdn Mmmi'l kdvºrcIarinhaNuncDt
174. A TEMPERATURA D CORPO
CouçnltJ Albuqum]U'' Tavares
175. A CHEGADA
D HOMEM-PRESENTE
OU DA NOVA CONDIÇÃO
OOTEMPO
Zaki L1idi
176. A LENDA DA VIDA
1lbert facqunrd
l77. 1NTERNE A NOVA VIA INICIÁTICA
Nicolas Bonnal
178. EMOÇÃO, TEORIA SOIAL
E ESTRUTURA SOlAL
f. M. Barbnlct
179. PADRÕES DE COMUNICAÇÃO
NA FAMÍLIA
D TOXICODEPENDENTE
Femando Nogueira Dias
180. A TECNOLOIA COMO MAGIA
Riclmrd Stivas
18!. FÍSICA E FILOFIA D ESPÍRITO
M1chrl Bitbl
182. A SOCIEDADE PURA
A11tirt Piclwl
I83. A SOCIOLOIA
DA TOXICODEPENDÊNCIA
lernando Nogueim Dins
184. EPISTEMOLOIA E SIOLOIA
D TRABALHO
Frnçcis Vntin
185. AS CHAVES 0 SÉCULO XXI
A 11frJrr� V l rio.
!Ri. MÉTODOS QUANTITATIVOS
PARA AS CIÊNCIAS HUMANAS
Réjenn H w.t
1 87. REFORMAR O PENSAMENTO
Ett'ar Morin
188 A :ELEVISÃO
E A INSTITUIÇÃO ESCOLAR
Manuel João Vaz Freixo
189. INTRODUÇÃO AOS MtrODOS
QUANTITATIVOS EM CIÊNCIAS
HUMANAS E SOIAIS
Claurle Rosc11tnl,
Camille Frémuntier-M11rphy
!YO. CONTRIBUTOS
PARA UMA METODOLOGIA
CIENTÍFICA MAIS CUIDADA
Estela P. R. Lnuns, Llús Mm1 11cl
Tam;o, Mana Clnrn Cl/w.
Tcrt'Stl ((r�doirn
1 91 CI BERESPAÇO E COii UNÁUTICA
Pll•rre-Lt'Óiwl'd Han.•1'!!
192 A PRODUÇÃO .
D CONHECIMENTO
PARA A ACÇÃO
Jean-Piare Darré
1 93. SENTID E SEGREDS
D UNVERO
jean- Picrre Lwnmet
194. TÉCNICA E IDEOLOGIA
Luoen Sjcz
!95. AS ORIGENS ANIMAIS
DA CULTURA
Dominique Lt�stl'l
1 91i. A HERESIA HUMANISTA
José Fernmil Tm•nres
197. A FAMÍLIA
Adelinn Gimnw
1 98. ENSAIO SOBRE
O DEENVOLVIMENTO HUMANO
Luis Marques Barbosa
199 A CIÊNCIA AO SERVIÇO
D NÃO CIENTISTAS
Albert /ncqJwrd
200. PARA UMA NOVA
DIMENSÃO DO DESPORTO
Mnnuel Sà..io
2U1. A VIDA HUMANA
Maria lsnbel dn Costa
2U2. EDUCAÇÃO E PRO)ECTO
DE VIDA
Fer,uufo Noglim Di11�
203. ENTRE O BEM E O MAL
M1chcl M11[{"'o/i
204. A VERDA.DE E O CÉREBRO
}ellll-Piare CJm11geux
2115. O HOMEM PLURAL
lcnwrd Lnl1ire
206. EGO
Jran-Claudr Kaufmm
207. CIBERDEMORACIA
Piem• Ut•y
208. UMA UTOPIA DA RAZÃO
jeon-jacqltt'S Wum·nbltr
g
rr
209. A TRANSFIGURAÇÃO
D POLÍTICO
Michd MnfcSJli
210 A FAMiLIA RECOMPOSTA
Clwntal Van (itlsem
2 1 I . A UNIDADE DAS CIÊNCIAS
fenn-Philipflt' Rnl'oux
21 2 SERÁ A CIÊNCIA INUMANA'
Hem·, A!lnn
21 3 A NOVA FI LOSOFIA DO CORPO
Bt'mard Andricu
21 4 LIÇÕE DE ECOLOIA HUMANA
Afbf'rl fucqunrd
21 5 DS GENEAOGENOMAS
Stwt f. Edelstán
216. ALGUNS OLHARES SBRE
O CORPO
Manud Séw
217. DROA. ADLESENTES
E SOIEDADE
C!nude Olievensteh1, Cnrlo� Pararn
218. O HOMEM A CIÊNCIA
E A SOIEDADE
Boris Cyrulnik
219. A COMPLEXIDADE, VERTIGENS
E PROMESAS
Réda Be1kirane
220. PRÁTICAS COPERA T AS
Conceiçiio S. Couvanciro
221. O FUTURO NÃO ESTÁ ESCRITO
All1ert facquard, Axd Ka/111
222. A RESOLUÇÃO CRIA T A
DO PROBLEMA
David O" De//
23 DILOO SBR A NA T REZA
HUMANA
Boris Cvrul11ik, Erl�ar Morm
224. POLÍTICAS DE IMIGRAÇÃO
Ptllllo Ma11uC'l Costa
225. DA EDUCAÇÃO FÍSICA
À MOTIUCIDADE HUMANA
João Buti�tn Tojnl
26. MASULINO/FEMININO- V oi
Françotsc• Hénticr
27. RELAÇÕES GRUPAIS
E DESENVOLVIMENTO HUMA�
Fernndo Nogucim Oif
228. AS NOVAS DROGAS
DA GERAÇÃO R VE
Alniu Lllemaud, Pierre Sclupt'ns
229. O LIVRO
D CONHECIMENTO - Tomo 11
Ht'nri Atfnn
230. ETN!C/DADE
Sltve Frto11
231 CELEBRAR PORTGAL
jo5é c'árlos Almrirn
232 INVESTICAÇÀO QUALITATIVA
AVANÇADA I'AilA ENFERMACEI
fonnnn l.i/ÍII/Cr
233 A INVENÇÃO DE SI
]1'1111-Clatltfr K111tjinat/TI
234 UM NOVO PARADIGMA
Afmn To11rtw
235. OS DOIS OCIDENTES
Nayln Fnnmk1
236. O FIM DA AUTORIDADE
Almn Renaut
237 PARA ONDE VÃO OS VALORES
Nrâmr Btnrlf
238. TEORIAS E MODELOS
DE COMUNICAÇÃO
Mnmu•l Jc1o Vaz Frcixv
239. UNS COM OS OUTROS
F rnçois de Singly
240. A SOCIOLOGIA
E O CONHECIMENTO DE 51
Mauricc Angrr::
241 . ANTROPOLO:IA
D PARENTESCO E DA FAMfLIA
Armindn do� Smltos
242. O MEDO SOCIAL
Fernando No
g
u!'ira Ow:
243. O ÚTERO ARTIFICIAL
Henri Atlnn
244. CULTURA E BARBÀRIE
EUROPEIAS
Edgnr Morin