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Estudo prospectivo setorial ― construção civil

Ideário
Circulação restrita aos funcionários do CGEE e aos consultores desse estudo.

Hotel Unique ― São Paulo (SP) 2 de abril de 2008 180 participantes

Edição, redação, diagramação e fotos: Nathália Kneipp (MTb 2287)

Soutenabilité

Sustentabilidade

Sustainability

ικανότητα υποστήριξης

CENÁRIOS

Neste ideário:
Anfitriões Marcelo Chama Antônio Barbosa Peter Barrett Wim Bakens Christian Kornevall Niclas Svenningsen Frits Scheublin Sivaraj Sunder Kyriakos Papaioannou Lone Sorensen Yoshiro Yashiro Rodney Milford Matti Kokkala Glossário Instituições 2 3 3 4 7 8 10 11 14 16 18 19 22 24 26 28

O tema de destaque da Conferência Internacional CIB* sobre macrotendências na construção civil foi a questão da sustentabilidade. Participantes dos Estados Unidos, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Japão, Grécia, África do Sul, Suécia, Suíça e Brasil foram unânimes ao indicar essa questão como fator decisivo para que os empreendimentos da construção civil sejam bem-sucedidos nos próximos anos. A sustentabilidade abrange vários níveis de organização, desde a vizinhança local até o planeta inteiro. Para um empreendimento humano ser sustentável, há quatro requisitos básicos, ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. Referências sobre conceitos e temas relacionados à Clube de Roma (1972) palavra Relatório de Brundtland (1987) “sustentabilidade”
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (1992) Agenda 21 (1992) Convenção sobre Diversidade Biológica (1992) Protocolo de Kyoto (1997) Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS ― IBGE) Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS)

*Conselho Internacional da Construção ― CIB (International Council for Research and Innovation in Building and Construction)

Sobre a Conferência ― a palavra dos anfitriões
“A Construção Civil no Brasil passa por um momento de grande expansão, tanto no mercado de obras privadas como no de obras públicas. Os efeitos desse crescimento já são evidentes: aumento da preocupação com os impactos ambientais e sociais da construção; abertura de capital de empresas construtoras; internacionalização da indústria de materiais de construção e até de atividades de projeto e certificação; novas demandas de consumidores e investidores; crescente complexidade dos sistemas prediais; crescimento do mercado de retrofit (ver glossário); mudanças no perfil dos investidores e nas formas de financiamento que alteram, simultaneamente, o cronograma das obras e o perfil do consumidor. Essas transformações vão exigir mudanças profundas no setor como um todo, na organização de cada empresa, nos modelos de negócio e também nas tecnologias de produção e gestão. Que implicações essas tendências trazem? Que alterações institucionais são desejáveis? Qual o papel que o conhecimento e a inovação em tecnologias e modelos de negócio terão nesse cenário? Como atender as novas demandas de consumidores, permitir ganhos de escala e aumentar a produtividade? Como serão afetadas as relações entre as empresas do setor e a sociedade em geral? Para as empresas e profissionais que se adequarem rapidamente à nova realidade, as transformações serão oportunidade de crescimento. As empresas e os profissionais que não se adequarem a essas mudanças perderão sua competitividade e serão impiedosamente alijadas do mercado. Esse fenômeno, marcante no Brasil, também está ocorrendo em outros países emergentes ou desenvolvidos. O CIB International Conference on MEGATRENDS IN BUILDING AND CONSTRUCTION 2008 – A Global View – é uma oportunidade de aprendizagem e reflexão em relação às experiências estrangeiras.” Coordenação Técnica Vahan Agopyan Vanderley M. John Maria Angélica Covelo Silva

Foto de São Paulo, apresentada durante a conferência por Frits Scheublin, ao dizer que a Holanda não se parece em nada com essa cidade.

Valor anual de US$ 100 a US$150 bilhões • Só as construtoras, em 2007, movimentaram US$ 50 bilhões

CONSTRUBUSINESS NO BRASIL — Cadeia produtiva da construção

Fonte: Apresentação de Luciano Coutinho no VI Construbusiness - Avanços na agenda de política para a cadeia produtiva da construção civil. Realizado em 3 de outubro de 2005.

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Patrocinadores demonstram apoio à sustentabilidade na construção civil
“Vivemos um momento excepcional”, observou Marcelo Chama, diretor comercial da Votorantim Cimentos, ao assegurar à liderança da construção civil que a Votorantim, Engemix e Votoraço estão preparadas para suprir as demandas crescentes pelos materiais que produzem. “Não ha- Marcelo Chama, diretor comercial verá desabastecimento”, da Votorantim Cimentos. garantiu. Para Chama, a preocupa“A Votorantim Cimentos ção ambiental relaciona-se é a maior empresa bra- à própria missão da emsileira do setor de mate- presa ― saber planejar a riais de construção, está construção de um futuro há 70 anos nesse negó- que esteja em sintonia com cio e quer se perpetuar”, as aspirações da sociedaafirmou. de.

Antônio Barbosa, diretor de crédito imobiliário do Banco Real.

“As pessoas podem se perguntar o que um banco está fazendo em um evento como este”. Ao supor tal indagação, o diretor de crédito imobiliário do Banco Real, Antônio Barbosa apresentou a resposta à questão ao descrever as iniciativas do Real em relação à sustentabilidade, trabalhos que já somam dez anos de desafios e conquistas.

“Não é só uma bandeira, mas uma crença”, diz Barbosa. Em agosto de 2007, o Real lançou o Programa de Sustentabilidade na Construção Civil, a fim de ajudar a reduzir os impactos causados pela construção no meio ambiente. O diretor do Real descreveu que o programa tem três pilares: o Programa Real Obra Sustentável, Construção Sustentável Pessoa Física e Engajamento do Setor. “O primeiro já está em curso. O banco paga a um consultor para fazer a análise da obra sob a ótica da sustentabilidade de uma construção. A cada seis meses, o consultor volta à obra para analisar se os critérios valorizados são seguidos durante todo o processo de execução da mesma”, explicou. Das 16 obras que tiveram esse tipo de consultoria, até então, apenas três obtiveram uma placa de
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reconhecimento pelas boas práticas do projeto de construção. Ressaltou que a intenção do Banco Real não é a de estabelecer um programa ou tornar-se uma instituição que atribui certificações. “O nosso objetivo é o de compartilhar os critérios de sustentabilidade com as incorporadoras para, assim gerar o engajamento dos executores da obra a fim de reduzir os impactos ambientais do projeto”.

Conteúdos do “Guia de Boas Práticas na Construção Civil”
PLANEJAMENTO
CONCEPÇÃO

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eficiência energética; conforto ambiental do edifício; conservação da água; seleção de materiais; saúde e conforto do usuário;

A Agência Granja Viana, em Cotia (SP), é a primeira, no Brasil, a adotar os preceitos da construção sustentável. Inaugurado no início de 2007, o prédio tornou-se pioneiro na obtenção do certificado de construção sustentável do Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) na América do Sul.

CONSTRUÇÃO

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recomendações quanto à demolição; logística e segurança nos canteiros de obras; gestão de resíduos sólidos e efluentes; comunicação com a comunidade do entorno do empreendimento; relacionamento com funcionários; relacionamento com fornecedores e parceiros.

A economia global do conhecimento e a rede internacional da construção civil ― temas para pesquisa e inovação
senta 20% do PIB, aproximadamente €$230 bilhões, em 2004. “São os produtos do ambiente construído que oferecem a infra-estrutura na qual o restante da economia opera. Influenciam todos os aspectos relacionados à qualidade de vida, permitin- Peter Barrett, pró-reitor de pesquisa da Unido que a economia e a socieda- versidade de Salford (Reino Unido) e preside funcionem”, disse o professor dente do CIB. de Salford. Interfaces entre o meio natural e o humano Barrett integra um grupo de pesquisa na Inglaterra que estuda temas relacionados ao meio ambiente, tecnologia da informação e gestão de processos de construção. Tem interesse especial nas relações existentes entre os sentidos, o cérebro e os espaços.
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“As construções que nos rodeiam têm uma história a ser contada e, muitas vezes, são motivo de orgulho”, disse o presidente do CIB, Peter Barrett, ao analisar as tendências dos ambientes natural, humano e o construído (built environment) em sua apresentação . A este último, Barrett associa a saúde econômica e social de uma nação. No Reino Unido, em particular, ao se considerar propriedades, construções e gestão de edificações, a indústria do meio ambiente construído repre-

Mostrou, em sua apresentação, toda uma variedade de ambientes que requerem intervenção humana a fim de se tornarem seguros e habitáveis. Por outro lado, essas mesmas intervenções humanas também se mostram nocivas ao meio e a seus habitantes em muitas situações. Ao lado, encontra-se o gráfico que demonstra a tendência de crescimento ou redução populacional de alguns países, o que afetará significativamente o planejamento para atender as características de mercado e dos perfis dos consumidores dessas regiões. Espaço e felicidade “Como criar espaços em que as pessoas se sintam felizes, produtivas e confortáveis no trabalho?”, questionou. Cor, iluminação, qualidade do ar, experiência tátil, sons e vários elementos favorecem ou prejudicam a vivência dos indivíduos nos diversos ambientes que freqüentam no dia-a-dia. Barrett cita uma pesquisa feita nos Estados Unidos, que explicitou uma relação positiva entre a iluminação natural da sala de aula e o rendimento escolar dos alunos de turmas de matemática e inglês.

Propõe uma reavaliação dos procedimentos relacionados à construção. “Vislumbrar como a indústria poderia funcionar mehttp://www.rgc.salford.ac.uk/peterbarrett/ lhor”. Ao analisar, por exemplo, o valor de mercado em relação ao capital social, vários países europeus chegaram à conclusão que muita competição pode ser um fator extremamente destrutivo. “Visar o menor preço sempre, cria uma série de comportamentos indesejáveis”, comentou. Confiabilidade Já houve um estudo sobre quanto se gasta a mais em função da falta de confiança entre parceiros envolvidos em um mesmo projeto de construção. Uma relação de confiança é recompensada com uma economia de 8% a 20% por parte das construtoras, pois as

Melhorar o ambiente escolar, fazer do espaço um colaborador na aprendizagem dos alunos, construir escolas para o futuro, são temas presentes nas pesquisas de Peter Barrett. 5

exime de uma série de cláusulas contratuais que buscam responsabilizar o parceiro pelo que vier a dar errado. “Na Europa, existe um movimento a favor das parcerias público-privadas, da construção de uma rede de relacionamentos em que haja uma relação de confiança entre os integrantes”, informou. Fluxos de informação Outro fator que é um conhecido dreno de recursos diz respeito ao fluxo inadequado de informações para a tomada de decisão. “Começa com o design e vai até o uso da edificação”, apontou. Barrett citou um estudo americano que quantificou em US$16 bilhões/ ano o valor gasto com esse tipo de lacuna entre parceiros de empre-

endimentos, devido à ausência de uma consciência comum, construída com informações acuradas, no momento em que estas se tornam imprescindíveis. “Há que se buscar incessantemente as mesmas informações, perdidas durante o processo, refazer ou tentar entender o que já havia sido feito anteriormente”, descreveu. “Dois terços dessas perdas são sentidas pelos usuários e ocupantes dos prédios e somente um décimo é atribuído aos designers”. Sugere que haja uma modelagem apropriada para que o fluxo de informação se dê de forma mais eficaz, “mas isso também requer que os clientes se tornem mais exigentes”, argumentou. Essa observação do pesquisador inglês tem plena ressonância no

testemunho de um blogueiro, na Internet, sobre a história de aquisição de sua residência. Beck Novaes, designer de interfaces e programador front-end, viu-se atraído para a compra de seu apartamento em função de um folder publicitário. Do recebimento desse pedaço de papel até o desfrutar dos atributos sonhados para sua casa, concluiu que a construção civil tem características análogas ao processo de desenvolvimento de um software. Beck escolheu a figura, disposta a seguir, para sintetizar suas conclusões sobre as idas e vindas no fluxo de comunicação, o que apresenta algumas interseções com a narrativa anterior de Peter Barrett.

http://www.becklog.org/2007/10/19/construcao-civil-e-desenvolvimento-de-software/

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CIB defende a construção de edificações cujo desempenho atenda às necessidades dos usuários
Para Wim Bakens, secretário-geral do CIB, os brasileiros têm muito a lucrar ao buscarem a parceria do Conselho a fim de encontrarem respostas às muitas questões que envolvem a consecução de um projeto de construção. Acredita que “90% da tecnologia de que o país necessita estejam disponíveis fora do Brasil e apenas 10% encontram-se em desenvolvimento internamente”. Bakens descreveu como se deu a formação do CIB, uma instituição criada com o apoio das Nações Unidas para reconstruir a Europa destruída do pós-guerra. Exibiu um vídeo institucional que narra em detalhe a missão do Conselho e mostra a expressiva rede de profissionais afiliados que fazem com que a instituição já esteja presente em mais de 60 países. Em parceria com o quinto Programa Quadro da União Européia, o Conselho se dedicou entre 2001 e 2006 à rede temática PeBBu (performance based buildings), que prevê edificações construídas mediante quesitos de desempenho e funcionalidade. Para explicar esse conceito, Bakens resumiu que seriam aquelas construções cuja primeira pergunta a responder seria: "o que o prédio pode fazer pelo usuário?", em vez de ter como prioridade a pergunta sobre "qual seria a melhor tecnologia a ser empregada nesse prédio?". Isso predispõe a pessoa a fazer questões mais próximas da funcionalidade e praticidade da obra e das escolhas a serem feitas. A esse programa a Comissão Européia destinou €$2,5 milhões. A gestão ficou sob a responsabilidade do Secretariado Geral da organização, incluindo 50 instituições7

membro de toda a Europa. No site do PeBBu (www.pebbu.nl) encontra-se o relatório final do Programa da União Européia e outras publicações sobre temas correlatos.
ATIVIDADES
DO CIB

Wim Bakens, secretário-geral do CIB •

50 grupos e comissões de trabalho, em que especialistas se encontram para trocar informações e cooperar em projetos de pesquisa que envolvam a construção civil; definição de temas prioritários para programas de cooperação que se relacionem a tecnologias de construção e de edificações; design e todo o processo de construção;

grupos dedicados a interesses específicos, como fóruns internacionais, com a participação de clientes estrangeiros, reitores de universidades e gerentes seniores de pesquisa; 20 grupos de estudantes.

TEMAS

P R I O R I T Á R I OS

Construção e edificações sustentáveis; clientes e usuários [tema que substituiu o anterior "edifícios cujo desempenho atenda às necessidades do usuário" (performance based buildings)]; reavaliar o processo de construção; soluções integradas de design.

WBCS quer edifícios com consumo nulo de energia
A visão de um futuro desejado, apresentada por Christian Kornevall, diretor do projeto de eficiência energética em edifícios (EEE) do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCS), é a da propagação de edifícios com um “consumo zero” de energia. Para que isso se torne realidade, "é preciso mudar tudo", afirmou. Entre as cinco megatendências que influenciam diretamente os níveis de consumo de energia no planeta [produção de energia, indústria de combustão direta, mobilidade (transporte), escolhas dos consumidores e edifícios] é a demanda dos edifícios que corresponde a, aproximadamente, 37% do consumo de energia mundial, consome 40% dos recursos do planeta e é responsável pela produção de 40% do que é descartado. "A vontade de mudança, muitas vezes, requer uma crise". Kornevall relembrou o dia 2 de janeiro de 2005, ocasião Christian Kornevall, diretor do projeto de eficiem que houve uma interrupção ência energética em edifícios do Conselho Emno abastecimento de gás na presarial Mundial para o Desenvolvimento SusEuropa. "É nessas ocasiões que tentável (WBCS) as pessoas se detêm para analisar o que está contribuindo para que uma crise ocorra e existe uma predisposição para se cogitar alternativas", ponderou. É preciso "não só mudar tudo, mas agir o quanto antes", pois "nosso modo de vida não está direcionado para poupar energia". Nesse sentido, o curso de ação proposto é o de se trabalhar com cenários para a China, India, Brasil, União Européia, Estados Unidos e Japão; criar um modelo de simulação; coletar dados sobre os diversos países e, finalmente, testar pacotes de políticas públicas em que haja: recomendações de porte e com poder de persuasão, respostas às questões críticas do setor e entrega de rotas (multistakeholder roadmaps) que contemplem os diversos atores desse setor.

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CADEIA DE VALOR COMPLEXA

http://www.wbcsd.org/web/eeb/EEBSummary-portuguese.pdf

Para enfrentar a complexidade da cadeia, Kornevall explicitou a estratégia de buscar dividi-la em submercados e analisar suas respectivas demandas. Assim, os setores de alimentação, saúde, moradia, educação, entre outros, são analisados separadamente. Na figura 1, na pág. 8, Kornevall exibe o que seria a demanda por energia nesses países para um cenário favorável (aquele com níveis de consumo energético similares aos do Japão) e para um desfavorável (consumo análogo ao dos americanos) em 2050. "Se todos os países se predispuserem a consumir como os Estados Unidos, é preciso crer em um cenário de ficção científica para que essa demanda seja atendida", ironizou. Ao mencionar os excessos, em termos de consumo de cimento, "a China constrói um Japão a cada dois anos e uma Europa em dez anos". "O setor da construção civil não tem campeõeslíderes e poucas pessoas sabem que o custo de edifícios “verdes” (green buildings) é de apenas 5% a mais nos países desenvolvidos". Kornevall citou a pesquisa que foi realizada sobre o conhecimento das pessoas sobre esse assunto. A única exceção foi a Alemanha, onde 67% dos respondentes dis-

seram ter consciência a respeito da construção sustentável e 45% afirmaram estar envolvidos em iniciativas dessa natureza. O Japão é também renomado por saber poupar energia e os valores baixos expressos nos resultados da pesquisa se deveram, possivelmente, a barreiras linguísticas. A grande virada para uma sociedade que consiga reavaliar e reduzir seus gastos energéticos depende, segundo Kornevall, de um comprometimento individual com

esse ideário. “Uma mudança de atitude e compromisso que só podem vir da educação e do saber como melhor proceder". Por isso destacou o tripé da mudança como algo que envolve o aspecto financeiro, comportamental e uma abordagem holística. Ao menos, a iniciativa já consegue agregar parceiros importantes, todos com uma visão de que o gasto nulo de energia nos edifícios é uma oportunidade de negócio, um novo mercado a ser devidamente conquistado.

“Qual o seu nível de consciência no que diz respeito à construção sustentável?”

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Mudanças do clima são desafios globais e oportunidades locais
Para Niclas Svenningsen, as conclusões apresentadas por Christian Kornevall coincidem com as do Programa Ambiental das Nações Unidas (Pnuma), o que é um indicador de que o setor privado e o público estão em sintonia no encaminhamento dessas questões. Para o representante do Pnuma, as previsões que são feitas para o futuro da humanidade não são ficção científica. Acredita que o setor da construção civil não é receptivo nem sabe reagir em relação às mudanças do clima, o que se traduz na necessidade de persuadi-lo a interagir e analisar as questões pertinentes ao desenvolvimento sustentável. "É desejável que haja um sistema de benchmarking mundial, ou seja, definir uma linguagem comum, saber dizer o que é um edifício sustentável", avaliou. Com esse progresso semântico, supõe que as seguradoras, entre outros stakeholders, teriam maior facilidade para lidar com esse tema. A Iniciativa para a Promoção da Sustentabilidade na Construção Civil (Sustainable Building and Construction Initiative ― SBCI) tem um foco específico em mudanças do clima. Considera que atualmente o Protocolo de Kyoto não tem qualquer impacto no setor da construção e trabalham para que isso mude. Abordou a questão do aquecimento global como algo que deve ser con- Niclas Svenningsen, representante do Prosiderado prioritário para a humani- grama Ambiental das Nações Unidas dade. "Desde 1970, houve um au- (Pnuma) mento de 70% nas emissões de gases do efeito estufa (GEE)". A ques- tais como regulamentações, patão que importa é "em que medida drões, certificações, contratos em as mudanças do clima irão afetar as que o desempenho é o ponto crupopulações". Questionou quanto cus- cial, instrumentos ficais, campataria para minimizar os efeitos dos nhas de conscientização, treinaGEEs e divulgou as estimativas de mento, cursos etc. As três questões que 1% do PIB global seria suficien- que eles fizeram nessa pesquisa te. “Por outro lado, não fazer coisa de 2008 foram: alguma resultaria em um custo 20 1. Qual foi a eficácia dessas fervezes superior”. ramentas para se atingir uma efiOs edifícios são renomadamente ciência na redução das emissões? responsáveis por desperdícios, geração de resíduos e consumo de re- 2. Quanto custou? cursos naturais. "Em média, consomem 40% dos materiais usados, 3. Quais são as condições para 30% do descarte de sólidos e 20% se alcançar sucesso? do uso da água". A forma como se oferece aquecimento, ventila- O que descobriram é que as ferção, refrigeração e iluminação ramentas regulatórias são mais representa uma fonte de preo- eficazes que as econômicas. E ucupação em termos de eficiên- ma combinação de ambas, acomcia energética. "Muitas tecno- panhada de campanhas educatilogias estão disponíveis para vas para a sociedade, é melhor. reduzir o consumo de energia, Descreveu que os edifícios consmas o setor da construção não truídos de acordo com as práticas está utilizando essas tecnologi- de sustentabilidade já estão disas", observou o engenheiro poníveis, mas ainda restritos a espaços de exibição (showcases), sueco. sem se replicarem em escala no Svenningsen relata que fize- mercado. Vê uma excelente oporram uma pesquisa sobre quais tunidade ao se associar a bandeiforam as experiências das in- ra da redução de emissão de gatervenções feitas, via políticas ses de efeito estufa à necessidapúblicas, até então. “Houve 22 de de se passar a construir edifíferramentas que foram utiliza- cios sustentáveis, em que se considas para tentar reduzir a e- dere o ciclo de vida dessas edifimissão dos GEEs em edifícios”, cações como um todo.
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Perspectivas para a construção civil na Holanda
Na Europa Ocidental, o diretor de engenharia e professor da Universidade de Eindhoven, Frits Scheublin, observa que há um movimento em direção a contratos negociados entre as construtoras e suas respectivas clientelas. Porém, a União Européia não encoraja esse tipo de flexibilidade contratual, preferindo manter os pacotes fechados. Em sua apresentação, Scheublin mostrou todo um conjunto de alternativas que surgem em um país que tem 1/3 do seu território sob o nível do mar. Apontou que a distribuição das terras na Holanda se dá conforme descrito na tabela a seguir:
Hectares Tráfego Edifícios Recreação Agricultura Natureza Ãgua Total 115.000 370.000 93.700 2.300.000 484.000 777.000 4.152.618 % 3 9 2 55 12 19 100 % 4 11 3 68 14 X 100

BIM (building information modelling)

Frits Scheublin, diretor de engenharia da empresa BAM Consult & Engineering. Facilidade de se prever, com a modelagem em 3D, em que locais se deve instalar andaimes e estruturas de sustentação para os mesmos. • • • • •

Modelagem em 3D Planejamento em 4D GPS RFID Internet móvel

2. Indisponibilidade de terras viver alto, no ar ou viver sobre a água
O mercado para prédios altos atingiu o seu ápice em 2004 e, a partir de então, começou a declinar.

Fonte: BAM Consultoria e Engenharia

A partir do ano 2000, houve uma crescente ascendência no setor de construção civil na Holanda.

Scheublin apontou cinco megatendências para o setor em seu país: 1. Tecnologias de informação e comunicação (TICs)
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Outra possibilidade para se morar sobre a água

3. Envelhecimento da população Essa tendência é sinônimo de uma “redução na procura por casas e crescimento na demanda por apartamentos” e áreas que agrupem serviços, lazer, privacidade e segurança, são os condomínios fechados em que uma certa comunidade está reunida em um projeto imobiliário que oferece um pacote de serviços e vantagens, o que Scheublin denomina gated communities, como essa que aparece na foto abaixo. Scheublin indagou se seria esse o futuro das moradias na Holanda, pois os empreendimentos que têm essas características estão se multiplicando e as unidades são vendidas com facilidade.

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4. A responsabilidade civil das corporações terá uma relação direta com a emissão de gases de efeito estufa (carbon footprint), gerenciamento do descarte de resíduos, saúde e segurança para o trabalhador, relações de boa vizinhança.

5. Industrialização Estabelecer parcerias, confiança entre os parceiros (stakeholders); considerar valor em vez de preço baixo; industrialização no local (on-site industrialization) e pré-fabricar e... transportar.

Scheublin disse que esse prédio foi construído em um navio. Os valores da empreitada nunca foram revelados. Jamais a proeza foi repetida. A imagem serviu como marketing para a empresa de transporte.

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Megatendências na construção civil americana
Por ser um pesquisador da ciência da medição, Sivaraj Sunder apresentou um universo parecido com o que se vê nos filmes de ficção científica. Imagens de equipamentos sofisticados que servem para medir desde a vida útil dos materiais até a maneira como as estruturas se comportarão em casos de peso excessivo, terremotos, incêndios, entre muitas simulações. Sunder iniciou sua apresentação com um slide que demonstra que para se desenvolver padrões, tecnologias, conhecer a realidade e planejar o futuro, saber quantificar é essencial.

Sivaraj Shiam Sunder é diretor do Laboratório de Pesquisa sobre Incêndios e Construções do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

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Eis o tamanho e o valor da indústria da construção civil nos Estados Unidos. Traduzida em cifras, oferece uma fotografia de sua abrangência e poder. “Movimentou US$1,3 trilhão em 2006, empregou 7,7 milhões de pessoas e representa, aproximadamente, 4,9% do PIB americano”, informou Sunder. A surpresa ficou por conta do declínio da produtividade do setor e fragmentação da indústria, dois elementos apresentados como barreiras para que haja mudanças na forma como a construção civil se desenvolve nesse país. O que está influenciando o setor para que haja uma reestruturação no seu modo de funcionar é a execução de projetos em outros países (offshoring), devido à globalização; a demanda por construções que sejam mais baratas, feitas com maior rapidez e melhor qualidade; mudança do clima, que envolve quesistos de sustentabilidade, eficiência energética e segurança para o meio ambiente; renovação da envelhecida rede de infra-estrutura física dos EUA; redução das perdas ocasionadas por desastres naturais e vigilância quanto à segurança nacional.
Interesses dos parceiros (stakeholders) Fabricantes de Motivação para produtos e mateinovar riais Proprietários e Produtividade operadores (custos e ciclo de vida útil) Empreiteiras e Produtividade construtoras (custos e ciclo de vida útil) e segurança Inspetores dos Risco pessoal e códigos, regras e público, responsapadrões bilidade civil Corporações de Gerenciamento prevenção de do risco de incênincêndio dio, segurança dos bombeiros Seguradoras de Gerenciamento propriedades do risco financeiro

Esses são, usando o jargão dos americanos, os seus key drivers for change. A isso somam-se os diferentes interesses existentes na cadeia de valor (tabela na parte inferior esquerda da pág.) Após o 11 de setembro, o NIST ganhou o que no Brasil assemelha-se ao "poder de polícia", a prerrogativa e obrigação de investigar em detalhe as causas de acidentes em edificações, podendo para tanto, intimar pessoas a depor, tomar e registrar esses depoimentos, colher e analisar provas e evidências. Esse papel híbrido de pesquisador, no sentido científico, e investigador, no sentido policial, já conta com uma extensa lista de casos investigados ― quadro ao lado. Os resultados esperados são: a determinação da causa técnica do ocorrido; as lições aprendidas (sucessos e fracassos); melhoria de padrões, regulamentações, tecnologias e práticas e o estabelecimento de temas de pesquisa prioritários. Ao falar sobre a necessidade de se preparar para esses desastres que são vivenciados de tempos em tempos em várias partes do planeta, Sunder diz que o que se busca é adquirir resiliência nas comunidades, a capacidade de reagir e superar, o mais rápido possível, as situações de adversidade. Aproveitou o uso desse termo, de sentido repleto de nuanças, para dizer que resiliência e sustentabilidade estão longe de serem compreendidas pela dificuldade em mensurá-las. Defendeu a idéia de que a sustentabilidade é uma ques15

tão que tem terreno fértil no campo da pesquisa. Acredita que devam ser buscados indicadores que permitam determinar se uma obra é sustentável ou não. Discorda dos demais palestrantes ao dizer que a tecnologia para esse universo de consumo nulo de energia ainda não existe. "Como medir a performance dos prédios? É preciso mais ciência da medição para quantificar esses temas", concluiu.

O setor da construção civil na Grécia
O professor Kyriakos Papaioannou proporcionou aos participantes uma viagem às principais megaconstruções que foram feitas na Grécia, e àquelas que estão em construção, com ênfase em projetos de edificações. Papaioannou narrou como se deu a prosperidade do período áureo da construção civil, durante os anos de 1997 a 2003, que fez com que o montante movimentado pelo setor chegasse a €$13,6 bilhões, o equivalente a 9% do PIB da Grécia. Todos esses recursos vieram de financiamentos da União Européia e das construções feitas para que o país sediasse os Jogos Olímpicos. Entre 2004 e 2005 a situação mudou radicalmente, houve uma retração no mercado de aproximadamente 22%, o equivalente a €$3 bilhões, uma redução de 50% no lucro líquido das principais construtoras. O período de recessão coincidiu com a transição do governo em 2004. Para o período de 2006 a 2009, estima-se que haja uma taxa de crescimento anual de 4% a 5%, o que deve resultar em um aumento de 15% a 20% no lucro líquido do setor. Estão previstos muitos trabalhos de infra-estrutura, financiados pelo governo grego e pela União Européia. A seguir, alguns exemplos e seus respectivos custos, apresentados por Papaioannou.

Kyriakos Papaioannou, consultor de engenharia e professor da Universidade de Aristóteles, em Thessaloniki, Grécia.

Rodovia que liga o aeroporto internacional de Atenas ao centro da cidade. Extensão: 65,3km Orçamento: €$1,4 milhão

Metrô em Thesaloniki, com um custo de €$1,1 bilhão e outros €$2,2 bilhões direcionados ao sistema ferroviário dessa cidade.

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Acima, o megaprojeto de se construir a Cidade Azul em Omã, país da Arábia. A empresa turca Enka Insaat ve Sanayi AS (Enka) e a maior construtora grega Aktor Ate (Aktor) foram as escolhidas para construir a fase 1 do projeto, cujo custo estima-se em US$15 bilhões. Essa ponte liga o oeste da Grécia com o Peloponeso e reduziu o tempo de travessia de 45 para 5 minutos. Custo: €$830 milhões.
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Uma nova abordagem para o setor da construção civil europeu a fim de melhorar a sua competitividade e atender as necessidades da sociedade
O intrincado processo de elaboração de uma plataforma tecnológica para o setor da construção civil europeu (ECTP European Construction Technology Platform) foi o tema do relato feito pela dinamarquesa Lone Sorensen. O que mais surpreende nessa iniciativa é o fato de ter sido capaz de mobilizar mil pessoas de 525 organizações, sob liderança da França, traçando, no final dos trabalhos, um roadmap (rota) estratégico para os próximos seis anos e um plano para a implementação das ações. Esse trabalho encerra similaridades em relação ao que está sendo feito pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) no conjunto dos Planos Estratégicos Setoriais (PES), entre os quais começou, recentemente, o estudo prospectivo sobre a construção civil. O roadmap estratégico da ECTP define, para a implementação do plano de ações, as seguintes prioridades: Os trabalhos foram divididos em sete áreas focais:
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Lone Moller Sorensen, diretora executiva do Instituto Dinamarquês de Pesquisa de Edificações, Universidade de Aalborg, Dinamarca.

tecnologias para ambientes internos (indoor environments) saudáveis, seguros, acessíveis e estimulantes para todos; uso inovador de espaços subterrâneos; novas tecnologias, conceitos e materiais “high-tech” para prédios limpos e eficientes; redução do impacto ambiental causado pela ação do homem no meio construído e nas cidades; gerenciamento sustentável dos transportes e rede de serviços públicos; reavivar a herança cultural ímpar da Europa para torná-la ainda mais atrativa; melhorar a segurança no setor da construção civil; processos novos e integrados para o setor da construção; materiais de alto valor agregado para a construção.
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Cada país desenvolveu a sua plataforma tecnológica nacional (NTP). Portugal é considerado uma lacuna, por ainda não ter concluído a sua, mas deve fazê-lo em breve. Os atores envolvidos são: indústrias, pesquisadores, universidades, clientes e usuários e autoridades públicas. Visão construída para 2030

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setor orientado pela demanda e conhecimento; satisfação das necessidades dos clientes e da sociedade; oferecer ótima qualidade de vida; responsabilidade de longo prazo com o meio ambiente da humanidade; boa reputação enquanto um setor atrativo; alto envolvimento com pesquisa e desenvolvimento; companhias conhecidas por sua competitividade local, regional e mundial.

cidades e prédios; construções subterrâneas; redes; patrimônio cultural; materiais; qualidade de vida; processos e TICs.

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Terremotos, preocupação socioambiental e produtividade norteiam o desenvolvimento tecnológico para a construção civil no Japão
Uma companhia interessada na construção de estruturas de prédios de alto desempenho e valores partilhados por todos os seus parceiros a fim de se alcançar uma sociedade sustentável. Essa é a visão da quinta maior construtora japonesa, no dizer de seu diretor, Yoshiro Yashiro. reas cultiváveis que somam pouco mais do que o Estado da Paraíba, há que se lutar contra terremotos e erupções vulcânicas.

Esses adversários inserem na agenda da construção civil japonesa todo um arsenal de instrumentos que favorecem a Yoshiro Yashiro, diretor da divisão de prevenção desses fenômenos estratégia tecnológica do Instituto de Para esse conjunto de 3 mil ou minoram seus efeitos. Tecnologia da Shimizu. ilhas, com 200 vulcões e áReerguer-se após a adversidade é um dos grandes méritos do Japão. O conjunto de novos prédios e edificações exibidos por Yashiro contrastam com as cenas de um passado repleto de destruições.

Terremoto em Kobe, 1995

Bashô

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“Inovar o processo de construção para aumentar os lucros e saber atender à diversidade das demandas do cliente”, complementa Yashiro ao descrever os principais temas da construção em seu país. O grupo Shimizu está entre aqueles que sabem lucrar, conforme demonstra o gráfico abaixo:

Recursos e organização da pesquisa e desenvolvimento nas cinco principais empreiteiras japonesas

Nos últimos três anos, a Shimizu teve um lucro líquido de US$15 bilhões. Ao detalhar o que está por trás desse sucesso, Yashiro apresentou um gráfico que compara as cinco maiores construtoras japonesas, em termos de orçamento destinado à P&D, número de engenheiros por instituto, infra-estrutura física da instituição, principais temas de pesquisa, número de patentes e diferenciais competitivos dessas estabelecido em relação às emisempresas. sões de 1990. Ecologicamente corretos Cinco iniciativas relacionam-se a • A missão ecológica da Shimizu essa missão: é a de seguir o Protocolo de Prédios capazes de econoKyoto e reduzir as emissões de • mizar energia e recursos, • CO2 em 6% até 2010, valor com tecnologia de ponta
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que permite a redução de gastos com iluminação, aquecimento e refrigeração do ambiente; construção limpa ― a Shimizu usa materiais de maior durabilidade e procura gerenciar o descarte dos resíduos sólidos; desenvolveu um sistema de rede

de distribuição de energia para as áreas rurais (micro grid ), que é uma rede de geração de energia de pequena escala que consiste de cargas, geradores, capacidade de armazenamento de energia e um sistema de controle que permite, no caso de operação dentro dos padrões de normalidade, a redução de emissões de CO2 e economia de energia. Para casos de emergência (blackout) é um trunfo de segurança por permitir que a operação seja isolada. faz o retrofit de prédios antigos, tornando-os eficientes em termos de economia de energia; usa fontes de energia “limpa”, como vento, sol e biomassa; monitora as emissões de CO2 internacionalmente.

SHIMIZU “ECO-MICRO-GRID”

TICs Da mesma forma que o professor Scheublin apresentou o uso crescente das tecnologias de informação e comunicação como tendência para o setor, Yashiro trouxe um modelo de inovação em que propõe um sistema de construção com base na informação para a

tomada de decisão (esquematizado abaixo). A isso somam-se novas tecnologias para residências em áreas urbanas. Desenvolvem estruturas elásticas, resistentes à intensidade sísmica “7”, com o uso de aço de alto desempenho. No futuro, as cidades japonesas serão multifuncionais e extremamente high-tech.

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África do Sul procura retomar o caminho do crescimento sustentável no ambiente da construção civil
Um cenário contrastante em relação aos países desenvolvidos faz com que a África do Sul conviva com as mazelas do passado e tente tornar sustentável a retomada das atividades da construção civil no país, sob a liderança do governo, conforme narrou Rodney Milford, gerente do Programa de Desempenho na Construção do Conselho de Desenvolvimento da Indústria da Construção Civil (CIDB). e “esse transcorrer de tempo fez com que o país perdesse a oportunidade para reparar problemas, especialmente os de infraestrutura”. “A retomada das atividades só veio em 2005, havendo eleições no país em 1994”, lembrou. Rodney Milford, gerente do Programa de Escassez de profissionais
Desempenho na Construção do Conselho de Desenvolvimento da Indústria da Construção neces- Civil (CIDB)

Além de prejudicar as obras sárias ao desenvolvimento do páis, formação de recursos humanos qualiessa década perdida prejudicou a ficados, envolvendo toda a cadeia, e, especialmente, de engenheiO CIDB foi criado pelo Parlaros, escassez que se constata mento em 2000 para: mundialmente, com raras exceções. • promover o crescimento Milford citou o economista Chrissustentável do setor; to Luüs, ao dizer que “todos os • estabelecer e promover as períodos de crescimento econômelhores práticas e incentimico na África do Sul, desde var o desempenho; 1945, foram interrompidos por • garantir a aplicação das três fatores: dificuldades para políticas e regras na conssaldar as dívidas, inflação e estrução, incorporação e gescassez de mão-de-obra qualifitão de qualidade na entrecada”. ga dos produtos; • monitorar e regular o desempenho da indústria e de seus atores, incluindo o registro de projetos e empreendimentos. Conforme se vê no gráfico abaixo, Milford narrou que a partir dos anos 80, houve uma queda drástica nas atividades do setor,
INVESTIMENTOS DO SETOR PÚBLICO

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Incentivos Com o intuito de colaborar para a revitalização da cadeia de valor da construção civil, o governo criou o Programa Nacional de Desenvolvimento das Construtoras (NCDP). O NCDP tem o seu alicerce nas compras governamentais (procurement) e visa fortalecer 10 mil prestadoras de serviço até o ano 2010. Que elas consigam desenvolver suas capacidades, oferecer serviços de qualidade, fazer com que a população negra também seja bemsucedida entre os empreendedores, donos de negócios, e otimizar o desempenho dessas empresas, é o que se quer alcançar. Para tanto, desenvolveram um sistema de categorização dessas firmas que vai de dois a nove. Nas duas primeiras categorias, encontram-se os que oferecem serviços de reforma de imóveis, tais como pintura, conserto de

cercas, pequenos reparos em estradas e construções de dois a seis cômodos. São geralmente negócios gerencia d o s por famílias com um alcance local. As categorias quatro e cinco incluem as empresas privadas, têm uma abrangência regional, constroem clínicas, sedes administrativas, escolas e fazem também trabalhos de reformas e restaurações. Seis e sete são categorias de firmas mais robustas regionalmente, são públicas ou privadas. Na categoria oito há somente empresas públicas de alcance regional e nacional. Na categoria nove ingressam as companhias públicas multinacionais, com atuação na Áfica do Sul e em outros países. Padrões de qualidade

INVESTIMENTO DO SETOR PRIVADO INVESTIMENTOS DO SETOR PRIVADO

Entre as muitas barreiras que prejuEnquanto dicam o os investisetor da mentos do construção setor púna África blico são destinados à construção do Sul encontra-se a constatação de dos estádios, para a Copa do que há dificuldade em se enunciar Mundo de 2010, ampliação da normas e padrões de qualidade e rede de transporte e de energia, fazer com que sejam seguidos. casas populares, etc., os investimentos do setor privado são dire- Tal constatação é válida nas seguincionados à construção de prédios tes situações: comerciais e shopping centers.
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projetos de construção de prédios que são feitos sem especificações técnicas; os operários e contramestres não têm qualquer forma de serem acreditados, especialmente em termos de capacidade e desempenho para se executar a obra de acordo com os padrões em vigor; muitas das especificações existentes são percebidas como barreiras para que os empreiteiros de firmas menores não possam concorrer em igualdade de condições em mercados que já estão tomados por certos grupos; ausência de habilidade entre os inspetores de obras para avaliar se a obra segue os requisitos pré-estabelecidos.

Em conseqüência, Milford credita a possibilidade de sucesso no futuro do setor da construção civil, na África do Sul, a uma complexa rede de valores, práticas e interesses. De um lado um portfólio robusto de políticas públicas e apoio governamental e, por outro lado, a necessidade de um ambiente de confiança para o investidor, com a busca de valores que satisfaçam a todos os stakeholders.

Finlândia mantém prosperidade no setor da construção, apesar da escassez de mão-de-obra qualificada
O melhor dos mundos. Essa é a imagem que o vice-presidente do VTT e professor de prevenção de incêncios e engenharia estrutural, Matti Kokkala, deixou aos participantes sobre o seu país. últimos anos. A Finlândia tornou-se o gigante das tecnologias de informação e comunicação. Com uma população de 5 milhões de habitantes, possui 6,5 milhões de contratos de telefonia móvel. “Até as crianças no primário já têm o seu celular”, brincou. Esse sucesso é atribuído ao capital i n te l e ctu al do país. A formação de recursos humanos foi muito direcionada a esse boom Uma das vencedoras do processo das telecomunicações. da globalização, a Finlândia não Cluster tem um setor habitacional destinado aos pobres e tampouco aquele Kokkala descreveu que em seu padestinado aos ricos. “Somos todos ís o setor está organizado em um classe média”, afirmou Kokkala. A única queixa em relação às atividades da construção na Finlândia se deveu à escassez de mão-de-obra qualificada, em relação a todos os ofícios, desde operários, contramestres e, especialmente, os engenheiros civis. Telecomunicações Os finlandeses tinham a sua economia, até os anos 90, dependente dos produtos florestais e esse cenário mudou radicalmente nos cluster. Em relação ao PIB, os montantes do setor podem variar de 7% a 22%, dependendo daquilo que seja incluído nessa contagem. Em 2007, o setor movimentou 16% do
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Matti Kokkala é vice-presidente do Centro Finlandês de Pesquisa Técnica (VTT)

PIB, ou seja, €$26,8 bilhões. Para o cluster da construção, nesta década, os resultados têm sido positivos: • o retorno de investimento em propriedades tem permanecido na cifra de 7%; • as construtoras de casas tiveram também os seu lucros majorados entre 4% e 7%; • Os produtos relacionados à construção civil geraram lucros de aproximadamente 10% nos últimos dois anos; • As exportações correspondem a duas vezes o valor das importações. Os principais países participantes nesse comércio são os nórdicos (Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia) , Alemanha, Reino Unido, Rússia e os Estados Bálticos (Lituânia, Estônia e Letônia). O ambiente construído responde por 2/3 da riqueza do país.

Pesquisa e desenvolvimento O VTT é uma organização sem fins lucrativos e trabalha tanto para o setor público quanto para o setor privado. São 2.800 profissionais em todas as áreas tecnológicas. Movimenta, anualmente, aproximadamente, €$30 milhões. A indústria é sua principal patrocinadora. É esse Centro que responde por 30% de toda a P&D do setor da construção imobiliária e 10% da P&D do setor, em geral. Kokkala descreveu que o objetivo do cluster é o de obter um investimento anual de €$30 a €$50 milhões para o “Shok”, acrônimo finlandês que faz referência aos centros estratégicos para ciência, tecnologia e inovação, dedicados ao setor da construção civil.

redução de 20% nas emissões de CO2 • 20% de melhoria na eficiência energética; • 20% de utilização de energias renováveis (na Finlândia, está próximo a 40%); será responsável pela maior mudança tecnológica de todos os tempos. A Finlândia quer ser líder e tem a ambição de superar todas as metas estabelecidas. Para tanto, concebe uma política nacional que tem no tráfego (transporte) e no ambiente construído o seu foco.

construção não-residencial está crescendo. Grandes varejistas investem na Finlândia, por exemplo, a Ikea, Bauhaus, Lidl, Byggmax. A demanda por escritórios e lojas de alta qualidade não cessa de crescer. Há projetos de infra-estrutura, como o porto de Vuosaari, em Helsinque. TICs Toda a vocação e know-how dos finlandeses em relação às tecnologias de informação e comunicação já começou a migrar para o setor da construção civil no início da década. A ênfase na P&D em tecnologia da informação foi direcionada nesse sentido. Apenas 2% dos designers fazem seus projetos manualmente; 62% usam CAD (computer-aided design); 13% usam BIM, e um crescente número de construtoras está exigindo que o building information modeling seja usado em todos os seus projetos. Kokkala disse que para as próximas décadas, caso não ocorram imprevistos, a prosperidade para a Finlândia está assegurada, especialmente pelas demandas dos países vizinhos. Em 2001, a nação planejava um futuro desejável e o país tem demonstrado saber trabalhar para concretizálo.

Fatores decisivos Entre os aspectos que fazem com que a construção imobiliária permaneça estável, Kokkala destacou: • as taxas de juros que permanecem baixas; • empréstimos de longo termo; • migração interna; • confiança dos consumidores; • boas perspectivas no mercado de trabalho; • mercado crescente para a renovação dos imóveis; • Os preços das moradias ainda sobem e constatam a necessidade de se construir 30 mil novas habitações por ano. Apontou o alto endividamento, em relação à renda das famílias, como um fator preocupante, assim como um aumento no número de casas que não são vendidas.

“Political hype” Esse é o termo usado por Kokkala para descrever o grau de aceitação das propostas de consumo “zero” de energia ou energia positiva (zero energy, positive energy) na Finlândia, em relação à crescente ambição dos programas e políticas públicas, gerados pela plataforma tecnológica para o setor da construção civil europeu (ECTP).

Considera que essa bandeira da “Europa 2030”, que prevê: O setor de

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GLOSSÁRIO
Termos usados no contexto da construção civil sustentável Fonte: Guia de Boas Práticas na Construção Civil URL: http://portal3.aceiteabn.com.br/sustentabilidade/pdf/ “Água cinza: águas provenientes de lavatórios, chuveiros e tanques de lavar. Tais águas podem ser utilizadas para a irrigação, após processo simples de filtragem. A água proveniente de pias de cozinha e de máquinas de lavar louça nem sempre pode ser considerada água cinza. Água negra: águas provenientes do vaso sanitário. Possui níveis de nitrogênio e coliformes fecais bem mais altos do que a água cinza. Algumas jurisdições nos Estados Unidos incluem a água da pia de cozinha e da máquina de lavar louça como água negra devido a sua dificuldade de reuso após filtração simples. Área de Proteção Ambiental (APA): unidade de conservação de uso sustentável, estabelecida pela Lei Federal nº 6902/81, que outorga ao Poder Executivo, nos casos de relevante interesse público, o direito de declarar determinadas áreas do território nacional como de interesse ambiental. Áreas permeáveis: áreas que possibilitam a absorção da água, em especial da água da chuva. O alto índice de impermeabilização do solo nas grandes concentrações urbanas é responsável por enchentes e riscos relacionados à saúde pública. Dessa forma, reduz os riscos de enchentes e melhora a qualidade da água que infiltrará novamente nas bacias. Arejador: componente instalado na extremidade de bicas de torneiras com a função de regular o fluxo de saída de água através de peças perfuradas ou de telas finas. Arquitetura solar passiva: arquitetura que se apropria das condições climáticas (incidência solar) e melhora o desempenho ambiental do edifício (iluminação e conforto térmico), sem a necessidade de equipamentos mecânicos. As-builts: são partes, detalhes, ou até mesmo pranchas inteiras que ilustram as modificações feitas nos projetos originais durante sua construção (é o desenho “como construído”). Quando estes não são fornecidos, o empreendimento é entregue com os projetos originais que não conferem com o real. Durante o uso do imóvel, pode haver problemas, como perfurações de tubulações de água ou gás, demolição de elementos estruturais importantes, dificuldades na realização da manutenção de sistemas prediais, retrabalhos, demolições parciais desnecessárias. ASHRAE: American Society of Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers, o equivalente dos Estados Unidos à ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) do Brasil. Aspectos ambientais: elementos de atividades, produtos ou serviços que interagem com o meio ambiente. Atenuação sonora através do envelope: referente a padrões normativos, deve-se levar em conta os valores recomendados para propiciar conforto acústico aos usuários, considerando-se o uso e a atividade que serão realizados no ambiente, além das condições a que esse ambiente será exposto. O uso e a atividade determinam a tolerância ao ruído no ambiente interno. Os componentes construtivos propiciam atenuações sonoras determinadas por um indicador de desempenho. Avaliação de Impacto Ambiental (RAP, EIA/RIMA, EAS, EIV): envolve um conjunto de métodos e técnicas de gestão ambiental reconhecidos, com a finalidade de identificar, predizer e interpretar os efeitos e impactos sobre o meio ambiente decorrentes de ações propostas, tais como: legislação de solo, políticas, planos, programas, projetos, atividades, entre outras. Biodiversidade: termo que se refere à variedade de genótipos, 26

espécies, populações, comunidades, ecossistemas e processos ecológicos existentes em uma determinada região. Pode ser medida em diferentes níveis: genes, espécies, níveis taxonômicos mais altos, comunidades e processos biológicos, ecossistemas, biomas, e em diferentes escalas temporais e espaciais. Boiler: reservatório térmico de água. Caixa de descarga com sistema Dual: permite descarga completa ou meia descarga, sendo agora instalado na caixa acoplada. Apresenta os volumes de descarga de 3 litros ou 6,8 litros (volume nominal de 6 litros). Captação das águas de chuva para fins não potáveis: captação e reuso de água de chuva da água pluvial para irrigação de plantas, descarga de vasos sanitários, mictórios, lavagem de automóveis, pisos, etc. CETESB: Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Agência ambiental do Estado de São Paulo. Chuva ácida: termo genérico que se refere à mistura de deposições secas e molhadas da atmosfera contendo quantidades maiores que o normal de ácidos nítrico e sulfúrico. Resulta tanto de fontes naturais, como vulcões ou vegetação em decomposição, quanto de fontes criadas pelo homem, principalmente das emissões de SO2 (dióxido sulfúrico) e NOX (óxidos de nitrogênio), resultantes da combustão de combustíveis fósseis. Ciclo de vida do empreendimento: compreende todas as fases do desenvolvimento e operação do empreendimento, desde sua concepção até o final de sua vida útil. Ciclo de vida dos materiais construtivos: todos os estágios desde a extração da matéria-prima, manufatura, transporte, construção, utilização, reuso, reciclagem, destinação final. Componente Ambiental: uma das partes que constituem o meio ambiente ou um ecossistema. Componente orgânico volátil (COV): elementos químicos baseados em estruturas de carbono e hidrogênio que são vaporizados à temperatura ambiente. COVs são um tipo de contaminante do ar interno, encontrado em materiais de construção. Exemplos de materiais construtivos que contenham COVs incluem: solventes, tintas, adesivos. Composto orgânico: matéria resultante da decomposição da mistura de substâncias orgânicas, tais como folhas secas, capim, esterco, entre outros detritos. Depois de processada pelo tempo, pode ser usada como adubo. Condições bioclimáticas: condições naturais de disponibilidade de radiação solar, umidade, regime de ventos, morfologia do terreno, vegetação, edifícios construídos no entorno, obstruções solares, entre outras. Condições de ocupação: condições tais como as atividades e empreendimentos que se assentam ou se implantam sobre um determinado território, estabelecendo interferências e intervenções sobre os elementos físicos e bióticos, definindo formas de manejo adequadas ou inadequadas à conservação dos recursos naturais. Conforto luminoso: o uso inadequado da iluminação pode reduzir e dificultar o desenvolvimento das atividades humanas, assim como provocar perturbações, fadiga visual, ofuscamento, dores de cabeça, complicações no sistema nervoso e efeitos na produtividade. Seus efeitos nocivos não se relacionam apenas com aspectos quantitativos (nível mínimo de LUX por atividade), mas também com aspectos qualitativos. Para se obter o conforto luminoso, a iluminação geral do projeto deverá atender aos valores estabelecidos na NBR 5413. Conforto térmico: estudo realizado a partir das variáveis climáticas ou da atividade desenvolvida pelo usuário para de-

terminar as condições de conforto térmico e os graus de desconforto por frio ou calor. Desenvolvimento sustentável: atender às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades. Do “berço ao berço” (cradle to cradle): termo utilizado na análise do ciclo de vida para descrever um material ou produto que é reciclado em outro ao final de sua vida definida. Do “berço ao túmulo”: termo utilizado para descrever o ciclo de vida dos materiais, desde sua geração até o final de sua vida útil (por exemplo, na gestão de resíduos, observar desde sua geração até o tratamento e o destino final). Efeito-chaminé: como o ar quente tende a se acumular nas partes mais elevadas do interior da edificação, a colocação de aberturas no topo (chaminé) cria um fluxo de ar ascendente, com o ar quente saindo pelo topo e o ar mais frio entrando por aberturas baixas situadas na edificação. Eficiência: uma medida da “produtividade” do processo de implementação quanto à realização dos seus objetivos. Energia incorporada: toda a energia gasta para a produção e o transporte de um produto, além da energia inerente específica do material. Entorno: área que circunscreve um território, com a qual este interage. Fontes de energia não-renováveis: são aquelas que se esgotam, pois têm produção limitada. O petróleo e o carvão mineral (de origem fóssil) são fontes não-renováveis, pois levam milhões de anos para se formar. Fontes de energia renováveis: são aquelas que não se esgotam, pois podem ser plantadas ou naturalmente reabastecidas ou recompostas em velocidade superior ao consumo humano daquela fonte, tais como a energia solar, a eólica, o biogás, etc. Dentre essas tecnologias, se destacam o uso de painéis fotovoltaicos, que convertem luz solar em eletricidade corrente direta, e os sistemas de aquecimento de água por energia solar. Esta ultima é atraente economicamente e não possui efeitos poluidores associados. Halon: gás utilizado para o combate a incêndios em ambientes fechados. Seu uso está limitado, por atacar a camada de ozônio da atmosfera, conforme indicado no Protocolo de Kyoto. Iluminação artificial: iluminação produzida, direta (quando o fluxo de luz incide diretamente sobre a superfície a ser iluminada) ou indiretamente (quando o fluxo é direcionado para outra superfície refletora, em geral o teto, ou uma parede, ou uma antepara especial), por fonte de luz artificial. Iluminação natural: iluminação produzida, direta (quando o fluxo de luz incide diretamente sobre a superfície a ser iluminada) ou indiretamente (quando o fluxo é direcionado para outra superfície refletora, em geral o teto, uma parede ou uma antepara especial), pelo sol. Iluminação zenital: elemento construtivo que propicia a captação e passagem da luz natural através de coberturas. LUX: é a iluminação produzida pelo fluxo luminoso de um lúmen (unidade de fluxo luminoso), uniformemente distribuída sobre um metro quadrado de superfície. É a unidade de medida da iluminância (intensidade da luz), no SI (Sistema Internacional de Medidas). Minuterias ou sensores de presença: dispositivos de controle de iluminação, que permitem manter acesas as lâmpadas por um período definido de tempo com o intuito de economizar energia elétrica. O uso de minuterias é indicado principalmente para controle de lâmpadas de ambientes de uso comum como corredores, ante-salas, garagens, etc. Ofuscamento: efeito produzido, dentro do campo de visão de

uma pessoa, pela luminância que seja suficientemente maior que a luminância à qual o olho da pessoa está adaptado naquele momento; pode causar desconforto, irritação ou perda de desempenho visual. Parâmetros: o valor de qualquer das variáveis de um componente ambiental que lhe confira uma situação qualitativa ou quantitativa. Valor ou quantidade que caracteriza ou descreve uma população estatística. Nos sistemas ecológicos, medida ou estimativa quantificável do valor de um atributo de um componente do sistema. Parcelamento do solo: forma de divisão de uma gleba em unidades autônomas, podendo ser classificada em loteamento ou desmembramento, regulamentada por legislação específica. Passivo ambiental: representa os danos causados ao meio ambiente por uma instituição, representando, assim, a obrigação e a responsabilidade social para com os aspectos ambientais. Pegada ecológica: é uma ferramenta de gerenciamento de recursos que mede quanta área de água e terra uma população humana necessita para produzir os recursos que consome e para absorver seus dejetos, com a tecnologia preponderante no local. Plano de gerenciamento de resíduos: tem como objetivo disciplinar geração, triagem, armazenamento, transporte, reaproveitamento, comercialização e disposição final de resíduos. Produção mais limpa: é a aplicação contínua de uma estratégia técnica, econômica e ambiental integrada aos processos, produtos e serviços, a fim de aumentar a eficiência no uso de matériasprimas, água e energia, pela não-geração, minimização ou reciclagem de resíduos e emissões, com benefícios ambientais, econômicos e de saúde. Qualidade ambiental: o termo pode ser conceituado como juízo de valor atribuído ao quadro atual ou às condições do meio ambiente. A qualidade do ambiente refere-se ao resultado dos processos dinâmicos e interativos dos componentes do sistema ambiental e define-se como o estado do meio ambiente numa determinada área ou região, como é percebido objetivamente em função da medição de qualidade de alguns de seus componentes, ou mesmo subjetivamente com relação a determinados atributos, como a beleza da paisagem, o conforto, o bem-estar. Qualidade do ar interno: de acordo com a US-EPA (Environmental Protection Agency), a definição de boa qualidade interna do ar inclui: 1. introdução e distribuição adequada de ar de ventilação; 2. controle de contaminantes aéreos; e 3. manutenção de níveis aceitáveis de temperatura e umidade relativa do ar. De acordo com a norma da ASHRAE 62-1989, a qualidade interna do ar é definida como “ar no qual não existem contaminantes conhecidos em concentrações perigosas de acordo com determinações das autoridades competentes e com o qual uma maioria substancial (80% ou mais) das pessoas expostas não expressa insatisfação”. Reabilitação tecnológica (Retrofit): definição de alterações ou reformas realizadas para aumentar a eficiência dos sistemas ou adaptar um edifício no caso de mudanças de uso. Reciclagem: vem de “re” (repetir) + “ciclar” (o ciclo). A reciclagem é um processo industrial que transforma o resíduo descartado em produto semelhante ao inicial ou de outra categoria. Reciclar é poupar recursos naturais e trazer de volta ao ciclo produtivo o que seria jogado fora. Recursos renováveis: um recurso que é reabastecido em uma velocidade igual ou maior que sua taxa de consumo. Registro regulador de vazão: introduz uma perda de carga localizada ajustável, proporcionando vazão mais adequada à utilização dos equipamentos. Indicado para pontos de utilização com alimentação através de engate flexível (torneira de pia de cozinha de bancada, torneira de lavatório de coluna ou de bancada, bacia sanitária com caixa de descarga acoplada), nos quais a vazão seja superior a 0,10 l/s. 27

Restritor de vazão: dispositivo que mantém a vazão constante. É indicado para equipamentos hidráulicos sujeitos a pressões superiores a 100 kPa. Pode ser utilizado em chuveiros e torneiras, inclusive externas. Disponível para vazões de 0,13 l/s e 0,23 l/s. Reuso de água residual doméstica: reaproveitamento de água proveniente de lavatórios, chuveiros, cozinhas, lavagem de pavimentos domésticos, tanques e máquinas de lavar. Shafts: mais conhecido como duto vertical, um espaço fechado projetado para acomodar tubulações de água e componentes em geral, construído de tal forma que o acesso ao seu interior possa ser feito por cada andar. Simulação de desempenho energético: programas de simulação computacional que prevêem o desempenho energético e ambiental de edificações nas fases de projeto, comissionamento, operação e gerenciamento e retrofit. Síndrome do Edifício Doente (Sick Building Syndrome): é definida como “as situações nas quais os usuários da edificação passam por efeitos agudos de saúde e/ou desconforto que parecem estar ligados ao tempo em que passam dentro de uma edificação em particular, mas onde nenhuma causa ou doença especifica pode ser identificada. As reclamações podem estar restritas a uma sala ou zona específica, ou podem estar espalhadas através de toda a edificação”. Os usuários sentem alívio dos sintomas pouco após deixarem a edificação. Sistemas de racionalização do uso da água: de acordo com o Manual de Reuso da Água (editado por ANA, SIinduscon, Fierj e Comasp), o reuso, reciclagem, gestão da demanda, redução de perdas e minimização da geração de efluentes se constituem, em associação às práticas conservacionistas, nas palavras-chave mais importantes em termos de gestão de recursos hídricos e de redução da poluição”. Telhados verdes: tecnologia que traz efeitos positivos no desempenho térmico da edificação. Devido a sua massa térmica, esse componente construtivo atenua as altas temperaturas internas no verão e as baixas no inverno. Além de efeitos com relação ao desempenho energético da edificação, permite também o recolhimento da água da chuva previamente filtrada pela camada vegetal e o armazenamento para posterior uso para finalidades não potáveis. Transformam, ainda, superfícies impermeáveis em interativas com o entorno, construindo um microclima mais favorável, pelo efeito de fotossíntese e evapotranspiração, estando na direção das novas diretivas municipais no tocante à retenção das águas pluviais urbanas. Torneira de acesso restrito: permite o escoamento somente com a instalação da parte superior da torneira. Esse componente restringe o uso da água por usuários não-autorizados. Pode ser empregado também em torneiras abastecidas com água pluvial ou de reuso, evitando o uso indevido de água não potável. Ventilação cruzada: estratégia de projeto que promove uma melhor eficiência da ventilação natural. Consiste em alocar aberturas em faces opostas ou adjacentes do edifício, para que o vento possa cruzar os ambientes, permitindo assim a renovação do ar e a retirada de cargas térmicas em climas quentes. Zoneamento: é a destinação factual ou jurídica da terra a diversas modalidades de uso humano. Zoneamento ambiental: trata-se da integração harmônica de um conjunto de zonas ambientais com seu respectivo corpo normativo. Possui objetivos de manejo e normas específicas, com o propósito de proporcionar os meios e as condições para que todos os objetivos da Unidade possam ser alcançados. É instrumento normativo do Plano de Gestão Ambiental, tendo como pressuposto um cenário formulado a partir de peculiaridades ambientais diante dos processos sociais, culturais, econômicos e políticos vigentes e prognosticados.” 28

INSTITUIÇÕES (em construção)
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas: órgão
responsável pela normalização técnica no Brasil. Fornece a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro sobre todos os assuntos relacionados às boas práticas para a construção civil, entre outras áreas. URL: www.abnt.org.br ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, desenvolve o Plano Estratégico Setorial (PES) para o setor da construção civil. URL: www.abdi.com.br Abrafati – Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas. URL: www.abrafati.com Anamaco – Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção: informações sobre materiais usados na construção civil. Portal da Construção Civil com informações gerais sobre o setor. Dicas aos consumidores do cimento. URL: www.anamaco.com.br Antac – Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído. Estudos sobre avaliação pós-ocupação, conforto, energia, durabilidade, resíduos, etc. URL: www.antac.org.br CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção: atualidades, encontros e representações. URL: www.cbic.org.br CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, trabalho de prospecção (estudo de futuro), em parceria com a ABDI, para o setor da construção civil. URL: www.cgee.org.br CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável: informações sobre encontros, seminários, empresas envolvidas com a questão da sustentabilidade e a produção mais limpa no contexto brasileiro. URL: www.cebds.org.br

Centro de Referência e Informação em Habitação:
URL: www.infohab.org.br Cetesb – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental: site do Estado de São Paulo, porém com informações idôneas sobre a questão ambiental como um todo. URL: www.cetesb.sp.gov.br CIB – Conselho Internacional de Pesquisa e Inovação em Edificação e Construção (lnternational Council for Research and Innovation in Building and Construction): parcerias e intercâmbios de pesquisas e inovações na construção. URL: www.cibworld.nl/website Conama – Conselho Nacional de Meio Ambiente: órgão que dita resoluções ambientais com força de lei. Rege a elaboração de leis e normas estaduais e municipais. URL: www.mma.gov.br/conama CBCS – Conselho Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável. Promove o desenvolvimento sustentável por meio da geração e disseminação de conhecimento e da mobilização da cadeia produtiva da construção civil, de seus clientes e consumidores. URL: http://www.cbcs.org.br/ FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – USP. www.usp.br/fau Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp: URL: www.fec.unicamp.br Federação Européia da Indústria da Construção (European

Construction Industry Federation) URL: www.fiec.org FSC Brasil – Conselho Brasileiro de Manejo Florestal: iniciativa para a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável das florestas. O selo FSC atesta que a madeira utilizada num produto é oriunda de uma floresta manejada e de forma ecologicamente adequada. URL: www.fsc.org.br GestCon – Grupo Gestão da Construção da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC): estudos sobre eficiência em gestão de materiais na construção civil. URL: www.ecv.ufsc.br/secdepto/gestcon Habitare – Programa de Tecnologia de Habitação: desenvolvimento de produtos e tecnologias para a construção civil. Projetos sobre segurança do trabalho, comunidade e financiamento. URL: www.habitare.org.br Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis: órgão federal executor da Política Nacional do Meio Ambiente, com atuação em todas as unidades da federação. Atua nas áreas de pesca, fauna e flora, poluição, degradação, unidades de conservação entre outras. URL: www.ibama.gov.br Ibict – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia: base de dados brasileira e principalmente informações sobre ciclo de vida dos produtos e materiais. URL: www.ibict.br Idhea – Instituto para o Desenvolvimento de Habitação Ecológica: informações sobre produtos e materiais de baixo impacto ambiental. URL:www.idhea.com.br IFC – Internacional Finance Corporation: site com links de sites e assuntos específicos sobre sustentabilidade, investimentos e financiamentos, dita padrões internacionalmente utilizados para responsabilidade socioambiental. URL: www.ifc.org Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola. URL: www.imaflora.org Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial Vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, informa sobre os padrões e mecanismos destinados à melhoria daqualidade de produtos e serviços. URL: www.inmetro.gov.br Instituto Akatu: centro de referência sobre consumo consciente. Dicas de boas práticas socioambientais e selos de qualidade de produtos em geral, como FSC, PROCEL, INMETRO e Atuação Responsável. URL:www.akatu.org.br informações sobre práticas de responsabilidade empresarial, resultados e indicadores. Rede de tecnologia social como um conjunto de técnicas de transformação social e de interação com a comunidade. URL: www.ethos.org.br Instituto Socioambiental: associação que dá informações sobre justiça social e direitos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos. URL: www.socioambiental.org.br International Institute for Sustainable Development: inovações, pesquisas e principalmente referências globais sobre práticas de produção mais limpa. URL: www.iisd.org 29

IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas: centro de referência
de pesquisas tecnológicas em geral. Tecnologias em ambiente construído, como conforto, saneamento, instalações prediais e sustentabilidade na construção. URL: www.ipt.br Labaut – Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética. URL: www.usp.br/fau/pesquisa_sn/laboratorios Labeee – Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. URL: www.labeee.ufsc.br MMA – Ministério do Meio Ambiente: órgão da administração federal direta que tem como área de competência a política nacional do meio ambiente e dos recursos hídricos. URL: www.mma.gov.br Ministério das Cidades: site do governo brasileiro com informações sobre licenciamento, saneamento, transporte, financiamento imobiliário e principalmente habitação. URL: www.cidades.gov.br Nutau – Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – USP. www.usp.br/ nutau Pnud – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento: publicação de relatórios sobre temas sociais no contexto mundial. URL: www.undp.org Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: publicação de relatórios sobre temas ambientais no contexto internacional. URL: www.unep.org Poli – Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo: alternativas para redução de desperdício de materiais nos canteiros de obras, Finep, Poli, 1998. URL: www.reciclagem.pcc.usp.br Poli – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – Departamento de Sustentabilidade na Construção Civil: departamento especializado da Poli. URL: www.poli.usp.br Portal da Construção: traz informações integradas sobre o setor. URL: www.portaldaconstrucao.com.br

Programa de Informação para Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação do Instituto Brasileiro de Informação
em Ciência e Tecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia URL: www.prossiga.br

Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social: – MCT: base de dados brasileira em temas socioambientais.

Secovi – Sindicato da Habitação e Incorporação: site do sindicato em São Paulo. URL: www.secovi-sp.com.br Sinaenco – Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva. URL: www.sinaenco.com.br Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo. URL: www.sitivesp.org.br

Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais
de São Paulo.

URL: www.sindusconsp.com.br

SustainAbility Tomorrow´s Value: informações sobre riscos e
oportunidades voltados a responsabilidade empresarial e desenvolvimento sustentável, no contexto mundial. URL: www.sustainability.com WBCSD – Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável: informações sobre encontros, seminários, empresas envolvidas com a questão da sustentabilidade e a produção mais limpa no contextointernacional. URL: www.wbcsd.ch World Watch Institute: publicação de pesquisas e relatórios na temática ambiental e justiça social. URL: www.worldwatch.org

http://www.wbcsd.org/web/eeb/EEBSummary-portuguese.pdf

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