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SEMENTES: FUNDAMENTOS CIENTÍFICOS E TECNOLÓGICOS

1a Edição 2003

SEMENTES: FUNDAMENTOS CIENTÍFICOS E TECNOLÓGICOS

EDITORES

Prof. Dr. Silmar Teichert Peske Engª Agrª Drª Mariane D´Avila Rosenthal Engª Agrª Drª Gladis Rosane Medeiros Rota

Endereço Pelotas - RS - BRASIL

2003

Direitos adquiridos por EDITORA Rua Pelotas - RS - BRASIL

Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária CRB 10/213

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ÍNDICE

CAPÍTULO 1 - PRODUÇÃO DE SEMENTES ..................................... 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................... 2. ELEMENTOS DE UM PROGRAMA DE SEMENTES ........................ 2.1. Pesquisa .......................................................................................... 2.2. Produção de sementes genética e básica ......................................... 2.3. Produção de sementes comerciais ................................................... 2.4. Controle de qualidade ..................................................................... 2.5. Comercialização ............................................................................. 2.6. Consumidor .................................................................................... 3. RELAÇÕES ENTRE ELEMENTOS DO PROGRAMA DE SEMENTES 3.1. Setor público ................................................................................... 3.2. Coordenação de atividades ............................................................. 3.3. Legislação ....................................................................................... 3.4. Certificação de sementes ................................................................ 4. PROTEÇÃO DE CULTIVARES ............................................................ 4.1. Alguns conceitos relacionados incluídos no convênio da UPOV ... 4.2. O melhoramento vegetal tradicional ............................................... 4.3. Os efeitos negativos de uma isenção completa ............................... 4.4. Variedade essencialmente derivada ................................................ 5. ATRIBUTOS DE QUALIDADE DE SEMENTES ................................ 5.1. Genéticos ........................................................................................ 5.2. Físicos ............................................................................................. 5.3. Fisiológicos ..................................................................................... 5.4. Sanitários ........................................................................................ 6. NORMAS DE PRODUÇÃO DE SEMENTES ....................................... 6.1. Origem da semente e cultivar ......................................................... 6.2. Escolha do campo ........................................................................... 6.3. Semeadura ...................................................................................... 6.4. Adubação ........................................................................................ 6.5. Manutenção de variedade ............................................................... 6.6. Irrigação .......................................................................................... 6.7. Isolamento ...................................................................................... 6.8. Descontaminação (depuração) ........................................................ 7. FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES ................ 7.1. Fecundação .....................................................................................

Página 12 13 14 15 16 17 20 21 22 22 22 22 23 23 26 27 27 28 29 30 30 31 33 34 34 35 36 39 40 41 43 44 47 49 49

7.2. Maturidade ...................................................................................... 8. PRODUÇÃO DE SEMENTES DE SOJA .............................................. 8.1. Deterioração no campo ................................................................... 8.2. Momento de colheita ...................................................................... 8.3. Seleção de regiões e épocas mais propícias para produção de sementes .. 8.4. Aplicação de fungicidas foliares ..................................................... 8.5. Estresse ocasionado por seca e alta temperatura durante o enchimento de grãos . 8.6. Danos causados por insetos ............................................................ 9. PRODUÇÃO DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO ......................... 10. DEMANDA DE SEMENTE ................................................................. 10.1. Distribuição do risco ..................................................................... 10.2. Produção fora de época ................................................................ 10.3. Controle de qualidade ................................................................... 10.4. Comentário final ........................................................................... 11. COLHEITA ........................................................................................... 11.1. Colheitadeira ................................................................................. 11.2. Perdas na colheita – quantidade .................................................... 11.3. Danificações mecânicas ................................................................ 11.4. Misturas varietais .......................................................................... 11.5. Comentário final ........................................................................... 12. RESUMO DAS PRÁTICAS CULTURAIS .......................................... 13. INSPEÇÃO DE CAMPOS PARA PRODUÇÃO DE SEMENTES ...... 13.1. Período de inspeção ...................................................................... 13.2. Tipos de contaminantes ................................................................ 13.3. Como efetuar a inspeção ............................................................... 13.4. Caminhamento em um campo para sementes ............................... 13.5. Como efetuar as contagens de plantas no campo .......................... 13.6. Comentário sobre inspeção ........................................................... 14. BIBLIOGRAFIA ................................................................................... CAPÍTULO 2 – FUNDAMENTOS DA QUALIDADE DE SEMENTES .....

51 55 55 56 56 57 57 58 58 61 61 62 62 63 63 65 69 72 77 79 79 81 81 83 86 88 89 91 91 94

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................... 95 2. CICLO DE VIDA DE UMA ANGIOSPERMA ...................................... 95 2.1. Macrosporogênese .......................................................................... 95 2.2. Microsporogênese ........................................................................... 97 2.3. Polinização ..................................................................................... 97 2.4. Embriogênese ................................................................................. 98 3. ESTRUTURA DA SEMENTE ............................................................... 99 4. TRANSPORTE DE RESERVAS PARA SEMENTE ............................. 100 5. PRINCIPAIS CONSTITUINTES DA SEMENTE ................................. 102

6. AMIDO ................................................................................................... 6.1. Síntese de amido ............................................................................. 6.2. Enzimas ramificadoras ................................................................... 7. PROTEÍNAS DE RESERVA ................................................................ 7.1. Fatores fisiológicos que influenciam o conteúdo de N na semente .......... 8. LIPÍDEOS .............................................................................................. 8.1. Síntese de lipídeos ......................................................................... 9. EFEITOS DE FATORES AMBIENTAIS SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA SEMENTE ............................................................................................. 9.1. Efeitos das condições ambientais sobre a qualidade da semente ... 10. MATURAÇÃO FISIOLÓGICA .......................................................... 11. A REGULAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA SEMENTE ......... 11.1. Tolerância à dessecação ............................................................. 11.2. Dormência ................................................................................. 11.3. Germinação ............................................................................... 12. PRÉ-CONDICIONAMENTO DE SEMENTES .................................. 12.1. Vantagens do pré-condicionamento ........................................... 12.2. Como o pré-condicionamento atua na semente .......................... 12.3. Tipos de pré-condicionamento ................................................... 12.4. Pré-condicionamento e longevidade da semente ........................ 13. DETERIORAÇÃO DA SEMENTE ..................................................... 13.1. Redução das reservas essenciais da semente .............................. 13.2. Danos a macromoléculas ........................................................... 13.3. Acumulação de substâncias tóxicas .......................................... 14. BIBLIOGRAFIA ..................................................................................

103 103 104 105 109 110 112 113 115 117 118 120 121 122 130 130 130 131 132 133 134 134 135 136

CAPÍTULO 3 – ANÁLISE DE SEMENTES .......................................... 138 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................... 2. AMOSTRAGEM .................................................................................... 2.1. Objetivo e importância ................................................................... 2.2. Definições ....................................................................................... 2.3. Homogeneidade do lote de sementes .............................................. 2.4. Peso máximo dos lotes .................................................................... 2.5. Obtenção de amostras representativas ............................................ 2.6. Tipos de amostradores e métodos para amostragem dos lotes ........ 2.7. Intensidade da amostragem ............................................................. 2.8. Pesos mínimos das amostras médias ............................................... 2.9. Embalagem, identificação, selagem e remessa da amostra ............. 2.10. Obtenção das amostras de trabalho ............................................... 2.11. Armazenamento das amostras ....................................................... 139 140 140 140 141 142 142 143 144 145 145 146 148

3. ANÁLISE DE PUREZA ......................................................................... 3.1. Objetivo .......................................................................................... 3.2. Definições ....................................................................................... 3.3. Equipamentos e materiais ............................................................... 3.4. Procedimento .................................................................................. 4. DETERMINAÇÃO DO NÚMERO DE OUTRAS SEMENTES ........... 4.1. Objetivo .......................................................................................... 4.2. Definições ....................................................................................... 4.3. Tipos de testes ................................................................................ 4.4. Procedimento .................................................................................. 4.5. Exame de sementes nocivas ............................................................ 4.6. Informação dos resultados .............................................................. 5. TESTE DE GERMINAÇÃO ................................................................... 5.1. Objetivo .......................................................................................... 5.2. Definição ........................................................................................ 5.3. Condições para a germinação ......................................................... 5.4. Materiais e equipamentos ............................................................... 5.5. Condições sanitárias ....................................................................... 5.6. Metodologia .................................................................................... 6. TESTES RÁPIDOS PARA DETERMINAR A VIABILIDADE DAS SEMENTES .......................................................................................... 6.1. Teste de tetrazólio ........................................................................... 6.2. Teste de embriões expostos ............................................................ 6.3. Teste de raio X ............................................................................... 7. VERIFICAÇÃO DE ESPÉCIES E CULTIVARES ................................ 7.1. Objetivo .......................................................................................... 7.2. Princípios gerais ............................................................................. 7.3. Exame das sementes ....................................................................... 7.4. Exame em plântulas ........................................................................ 7.5. Exame das plantas em casa de vegetação ou câmara de crescimento ........ 7.6. Exame das plantas em parcelas de campo ...................................... 7.7. Informação dos resultados .............................................................. 8. DETERMINAÇÃO DO GRAU DE UMIDADE .................................... 8.1. Objetivo e importância ................................................................... 8.2. Formas de água na semente ............................................................ 8.3. Métodos para a determinação do grau de umidade ......................... 9. DETERMINAÇÃO DO PESO DE SEMENTES .................................... 9.1. Objetivo .......................................................................................... 9.2. Metodologia .................................................................................... 9.3. Informação dos resultados ..............................................................

149 149 149 150 151 155 155 155 155 156 156 156 157 157 157 157 160 164 165 175 175 183 184 185 185 185 186 189 189 190 190 190 190 191 191 197 197 197 198

10. DETERMINAÇÃO DO PESO VOLUMÉTRICO ................................ 10.1. Definição ...................................................................................... 10.2. Procedimento ................................................................................ 10.3. Cálculo e informação dos resultados ............................................ 11. TESTE DE SEMENTES REVESTIDAS .............................................. 11.1. Objetivo ........................................................................................ 11.2. Definições ..................................................................................... 11.3. Avaliações .................................................................................... 12. TESTE DE SEMENTES POR REPETIÇÕES PESADAS ................... 12.1. Objetivo ........................................................................................ 12.2. Metodologia .................................................................................. 12.3. Informação dos resultados ............................................................ 13. TOLERÂNCIAS ................................................................................... 14. VIGOR .................................................................................................. 14.1. Definições ..................................................................................... 14.2. Testes de vigor .............................................................................. 15. ANÁLISES E CERTIFICADOS PARA O COMÉRCIO INTERNACIONAL ............................................................................... 15.1. Certificado Internacional de Análise de Sementes ........................ 15.2. Informação de resultados .............................................................. 15.3. Validade do certificado ................................................................. 16. LABORATÓRIO DE ANÁLISE DE SEMENTES: PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO .............................................. 16.1. Área física ..................................................................................... 16.2. Instalações e equipamentos ........................................................... 16.3. Pessoal .......................................................................................... 17. BIBLIOGRAFIA ...................................................................................

199 199 199 200 201 201 201 202 202 202 203 203 203 204 204 205 213 213 214 214 215 218 219 220 222

CAPÍTULO 4 - PATOLOGIA DE SEMENTES .................................... 224 1. IMPORTÂNCIA DA PATOLOGIA NA PRODUÇÃO DE SEMENTES DE ALTA QUALIDADE ................................................ 1.1. Introdução ....................................................................................... 1.2. Transmissão de patógenos associados às sementes ......................... 1.3. Perdas provocadas por patógenos em nível de campo .................... 1.4. Efeito de patógenos sobre a qualidade das sementes ...................... 2. PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DO TESTE DE SANIDADE DE SEMENTES 2.1. Objetivos ........................................................................................ 2.2. Princípios ........................................................................................ 3. MÉTODOS USADOS PARA A DETECÇÃO DE MICRORGANISMOS EM SEMENTES ...................................................................................

225 225 225 229 235 238 238 238 240

.................................... Análise através de bioensaios ou procedimentos bioquímicos ...... 240 243 252 259 259 260 260 260 261 262 262 263 265 266 267 268 268 269 270 270 271 279 CAPÍTULO 5 ................... Luz ........... 2.............................................................................2..................................................... 6................ 4.................................................................................................1............................... Variações devido à amostragem ...................... 3........1............... 2.................... 5....................................................................................7..................... Fatores bióticos ...................................... Período de incubação ............. 4..................... Temperatura de secagem ....2...................................... Interação entre luz e temperatura ............ Natural ................................2........................ 4........................12........... Reações dos patógenos às condições do teste .... 5...........................................................................4..................................... 8........................... CAUSAS DE VARIAÇÕES DOS TESTES DE INCUBAÇÃO ..................................................... 4....... 4.. BIBLIOGRAFIA ...........................................2.....................10....................................................... 6.. 5............... SECA-AERAÇÃO ...................... AERAÇÃO .............13...................6.................1. 4....................................... 8............. 4....... 5.......................... 2.................... Umidade ... Danos mecânicos ....... 4.......... 8............................. 4..... 4...............................................................................11..... 7... Recipiente a ser usado para os testes .......... PRINCÍPIOS DE SECAGEM ........................... 4............4..................1............3....... Capacidade de secagem ................................. INTRODUÇÃO ........................... 4......................... FLUXO DAS SEMENTES NO SISTEMA DE SECAGEM ..............SECAGEM DE SEMENTES ......................... 4.................................................... Artificial ....3................................................................................................................................ 3.....9.......... Tipos de tratamento de sementes ........ Demora na secagem ... Potencial de inóculo .... 4. TRATAMENTO DE SEMENTES .........1....... MÉTODOS DE SECAGEM ..................... UMIDADE DA SEMENTE ..... Exame da semente não-incubada . Identificação e registro dos patógenos ...... Propriedades físicas do ar ............................. 282 282 282 284 290 291 291 293 312 314 315 315 315 316 316 316 ................. CONSIDERAÇÕES GERAIS ................... 4............................................................ Equilíbrio higroscópico ......3..................................................14............................ 8...... 281 1......... Condições do pré-tratamento .........5... Fatores de variações na incubação .................. 3.................................... Condições de armazenamento das amostras ....1. Fatores relacionados com a qualidade das sementes ..................................................... 4.................................8............... 4............ 8.................................. 4....................2.....................3..................................... Exame da semente incubada .2........ Introdução ...............................................

Transportador de parafuso (rosca sem-fim......................................................................................................................................... 7..............2....................................................8..... Uniformização ou homogeneização da umidade ......6.............................. BIBLIOGRAFIA .....................3.......................3.................... 8.5.... 7. Forma ...............4..........................6................ 4.... PLANEJAMENTO DE UBS .........BENEFICIAMENTO DE SEMENTES ...... 8.................... 3................................................. 7.. 8. 8..................... 4...... 8................2...................1.......................... 7...... RECEPÇÃO E AMOSTRAGEM .. 4............................................................................4......... 8...................... Introdução ................................................ Supersecagem ............................................. Operações especiais ...................... Densidade ................................... Empilhadeira ......... Separação pela cor ...10.............. 4..............................................5....................................... 2.................... CLASSIFICAÇÃO ....... 9.................................... Fluxo de ar ..................................8........................... Pré-limpeza ...........................................................................................................6............ 4........................... 7........................... PRÉ-LIMPEZA E OPERAÇÕES ESPECIAIS ............................ Velocidade de secagem ... 7....1...................7............................. 7. 8.........1...............2........................................................ Textura superficial ............................. 5........................................................1.......... 3... 4. TRANSPORTADORES DE SEMENTES ...................................5........................................... 317 317 317 318 318 318 319 CAPÍTULO 6 .......... Transportador por corrente ......................................... 4............................................ 6............ Transportador pneumático .................... Elevador de caçambas ...................7.............. Largura.............................................................8...................................... 2............. 4................. INTRODUÇÃO .............. TRATAMENTO DE SEMENTES ................... 322 322 322 324 324 324 325 328 329 340 344 346 348 349 350 350 350 355 355 355 357 357 359 359 359 359 360 360 360 361 361 ........... 3............... caracol) .................. Desconto da umidade ........................... LIMPEZA DE SEMENTES ................................................................................ 6......................................... 8...........2........................... Comprimento .................... espessura e peso ......... Transportador vibratório .......................................................................................................... Afinidade por líquidos .................................................... Equipamentos ..9..................7........ 2............................................ 7.......................................... 4............................ 6................................... 321 1..2...........................2...............................1....................................................... Danos térmicos ............................................................................................. Correia transportadora ................ Fluxograma na UBS . Recepção ........................ Condutibilidade elétrica ......1............... Seleção do equipamento .......... Amostragem .

........................ 5..........3........................................................................3..................... Teorias da deterioração de sementes ............................ Roedores e pássaros ........................... 8......... 6............................. FATORES QUE AFETAM A CONSERVAÇÃO DAS SEMENTES ............ 8....... 3....................................................... 4...................................2........... 8.................. 2.................... 4...................................... 6................... 5......3.... 2... Teor de umidade da semente .................. PRAGAS DAS SEMENTES ARMAZENADAS E SEU CONTROLE ............ 4..... Danos causados às sementes depois da colheita ............ Tipos de UBS .............. 3.................. Insetos e ácaros ............................... BIBLIOGRAFIA .......................... 4................................. 6....................... Sementes ortodoxas e recalcitrantes ..1........ Fatores genéticos . BIBLIOGRAFIA ............................................. Armazenamento sob condições de ambiente controlado ............................................................... 4........ Definição ................................................ 4........5.........1................ Fatores de pré e pós-colheita ......................................5................. Armazenamento em sacos ..... Armazenamento a granel .6......................4......................... Aspectos importantes a considerar no planejamento de uma UBS ..3........ 2................................................ 5......... Estrutura da semente . 362 363 363 364 CAPÍTULO 7 ...................................................... 366 1............................... Fungos ....................... TIPOS DE ARMAZENAMENTO DE SEMENTES .3......... 4.2................................. LONGEVIDADE E POTENCIAL DE ARMAZENAMENTO DAS SEMENTES ..........................1...................8..........7..................................................................................2....... Umidade e temperatura ambiente ..... 367 368 368 371 372 372 374 376 378 378 380 381 382 386 389 390 391 391 395 400 403 403 409 410 413 414 ................................................................. 9........................................... 3..... DETERIORAÇÃO DE SEMENTES ....4............ 4..... Idade fisiológica das sementes .............................................. 7.. Sementes de vida longa e vida curta ...........................2....... 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................... Regulagem de fluxo de sementes .................. 5................................................... Causas da deterioração ..........1.... INTRODUÇAO ..................ARMAZENAMENTO DE SEMENTES ..................................2................................................... 6....1.......................................

Dr.CAPÍTULO 1 Produção de Sementes Prof. Silmar Teichert Peske Prof. Dr. Antonio Carlos Souza Albuquerque Barros .

que se utiliza para alimentação. requer a multiplicação e disseminação rápida e eficaz das cultivares melhoradas. pequenas quantidades de sementes são multiplicadas até que sejam alcançados volumes em escala comercial. fatalmente. utilizadas com práticas culturais inadequadas. A minimização dessas perdas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1. mas também como um mecanismo para rápida reabilitação da agricultura. não terão condições de corresponder ao esperado e. e a semente utilizada para multiplicação. Novas cultivares melhoradas só se tornam insumos agrícolas quando suas sementes de alta qualidade estão disponíveis aos agricultores e são por eles semeadas. Em seu caminho. etc. c) reposição periódica mais rápida e eficiente das cultivares por outras de qualidade superior. Na agricultura tradicional. A agricultura moderna. e b) sementes da maioria das grandes culturas são insumos reproduzíveis e multiplicáveis. onde facilmente pode-se estabelecer uma indústria de sementes. devido a maior uniformidade de emergência e vigor das plântulas. Convém lembrar que sementes de alta qualidade. d) menores problemas com plantas daninhas. após calamidades públicas. secas. com a produção de quantidades adequadas. a extensão do comportamento varietal superior demonstrado por uma cultivar em ensaios regionais. levarão ao insucesso. 13 . Outros aspectos a serem considerados são: a) um eficiente programa de sementes serve. tão logo sejam criadas. como inundações. doenças e pragas do solo. ainda é comum o agricultor separar parte de sua produção para utilizar na safra seguinte como semente. do melhorista à utilização pelo agricultor. porém. é o objetivo principal de um programa de sementes. pouca distinção é feita entre o grão. Os benefícios de um programa de sementes que produz e distribui sementes de alta qualidade de cultivares melhoradas incluem: a) aumento de produção e produtividade. Além dessa prática. INTRODUÇÃO A semente é o veículo que leva ao agricultor todo o potencial genético de uma cultivar com características superiores. no decorrer do qual a qualidade dessas sementes está sujeita a uma série de fatores capazes de causarem perda de todo potencial genético. não só para o desenvolvimento agrícola. A justificativa de um programa de sementes é. portanto. irrigação e pesticidas. b) utilização mais eficiente de fertilizantes.

com grandes benefícios para todos. se um deles não funcionar. o programa se tornará ineficiente. Os componentes de um programa de sementes são vários.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2. 1). precocidade.) estejam à disposição dos agricultores num menor espaço de tempo e em quantidades adequadas (Fig. Taxa utilização de semente % a c/Programa de sementes s/Programa de sementes a. 2). Progresso devido Programa de sementes Anos após liberação Figura 1 – Estádios de adocação de uma cultivar. com problemas de fluxo e qualidade de sementes (Fig. Figura 2 – Componentes de um programa de sementes 14 . interligando-se de tal forma que. ELEMENTOS DE UM PROGRAMA DE SEMENTES Um programa de sementes devidamente organizado proporcionará que as sementes das cultivares melhoradas (com maior rendimento. etc. resistência.

Para um produtor de sementes multiplicar as sementes de uma cultivar protegida necessita ter a permissão do obtentor da cultivar.1. A proteção confere ao obtentor um retorno de seu capital investido na criação da nova cultivar. 2. b) resistência a doenças e insetos. será utilizado indistintamente os termos cultivar e variedade. d) qualidade de seus produtos. 15 . é necessário que a mesma seja registrada em órgão competente do governo com base em resultados obtidos de diferentes locais. c) resistência a fatores ambientais adversos. Delas se abastecem. Para a liberação de uma cultivar1 com características superiores. todos os produtores de sementes individuais ou organizados em forma de empresas ou associações. como se fosse matériaprima. No processo de registro. Atualmente as cultivares. onde se considere a participação dos setores público e privado. são provenientes de entidades governamentais como de privadas. 1 Para efeitos práticos. significando que um novo material não necessita necessariamente ter um maior potencial de produtividade em relação a uma cultivar testemunha. em nível estadual e nacional. Para efeitos práticos. No Brasil o órgão que aufere registro e proteção de cultivares é o Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A integração harmoniosa entre os diversos componentes do programa de sementes requer principalmente que: a) ocorra um esforço comum. sendo as mais importantes as seguintes: a) potencial de rendimento. e) resposta a insumos e f) precocidade. b) haja efetiva coordenação. Uma cultivar também pode ser protegida por lei e para isso necessita ser estável. o obtentor deverá informar o valor de cultivo e uso (VCU) da cultivar. homogêna e diferente. anos e tipos de ensaios realizados. Pesquisa O valor agronômico de uma cultivar é constituído de várias características. não haverá uma indústria forte de sementes sem melhoramento vegetal. colaboração e confiança entre os participantes e c) o Estado desenvolva uma ação de continuidade. mas sim ter atributos agrônomicos ou industriais que assim justifiquem seu registro para cultivo.

fora do setor de melhoramento. Como a quantidade de semente necessária para os agricultores é grande. com supervisão do melhorista. Dessa maneira. A semente genética é a primeira geração obtida através de seleção de plantas. por convênio ou outro mecanismo.5ha para produção de semente básica (Tabela 1). em um cultivo de 500. dentro da estação experimental. Somente iniciando com sementes de alta qualidade é que haverá chance de também obter sementes comerciais de alta qualidade. designa-se certificada. obtida em unidades especiais.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2. em geral. e em geral. 16 . proporcionariam a obtenção de semente certificada para atender a demanda. com um trabalho criterioso de produção. básica. Dessa maneira. 60% dos agricultores comprarão sementes para instalarem seus campos de produção de grãos.6 = 300. pode autorizar outros a produzirem sementes básicas. será apresentado o cálculo da quantidade de sementes de soja requerida em cada classe de sementes. Para isso utiliza-se um sistema com controle de gerações com quatro classes de sementes genética. Assim. com pouca supervisão do melhorista. ou seja. Isso colocaria no programa sementes de alta qualidade que. pode-se obter facilmente semente básica com pureza varietal. se conduzidas com práticas culturais adequadas. ter-se-á 500.25t de semente genética. Com uma produção anual de 2. Considerando uma densidade de semeadura de 60kg/ha e uma produção média de 1. a semente básica é multiplicada por mais duas gerações.000 x 0.2t/ha de sementes (semente seca. limpa e aprovada ) tem-se a necessidade de 37.2. Como exemplo. obtém-se a quantidade necessária para suprir toda a demanda de sementes. Produção de sementes genética e básica O custo e o tempo requerido para criação e liberação de uma nova cultivar são grandes.000ha e uma taxa de utilizaçao de sementes comerciais de 60%. enquanto a semente obtida da classe registrada. A produção de sementes genéticas e básicas está sob a responsabilidade da empresa ou instituição que criou a cultivar e essa. alguns mecanismos devem ser utilizados para manter essa cultivar pura e multiplicá-la em quantidade suficiente para colocá-la à disposição dos agricultores. pois a área necessária para produção é pequena (menos de 40ha). enquanto a semente básica é a segunda geração obtida da multiplicação da semente genética. registrada e certificada. O produto da primeira geração da básica designa-se semente registrada.000ha semeados com sementes certificadas.

empresas produtoras. 17 . Produção de sementes comerciais A produção de sementes comerciais é um dos componentes mais importantes do programa de sementes. Atua como pessoa física com poder de decisão sobre suas sementes. constituindo seu elo central.33 3 t/ha 2. máquinas e equipamentos agrícolas e pouca capacidade de beneficiamento de suas sementes.000ha. exigindo do produtor a escolha de terras adequadas.1 Produtor individual Caracteriza-se este tipo de produtor por possuir infra-estrutura mínima.49 56. Existem vários tipos de produtores de sementes.3.3. produtor individual e cooperante. 2. não estando.500 0. sendo alguns altamente tecnificados e organizados.375 22. Área Densidade semeadura/ Quantidade Classe (ha) Produção (t) Certificada 67. condições ecológicas favoráveis e o compromisso de seguir normas rigorosas de produção. em geral. A produção de sementes envolve grandes investimentos e a aplicação de elevados recursos financeiros a cada ano. 2.500 3 t/ha Básica 169 1. diferenciadas da tecnologia utilizada na produção agrícola de grãos.15 t/ha 450. em geral constituída de terras próprias. Os produtores de sementes podem ser classificados em.125 3 t/ha Genética 8.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 1 – Quantidade de sementes e área necessária para suprir a demanda de arroz para 450. O produtor desenvolve uma atividade econômica e socialmente muito relevante.82 O mesmo exemplo pode ser utilizado para outras culturas no processo de manutenção de pureza varietal e produção de sementes livres de plantas daninhas. Produz sob contrato ou através de um acerto informal com o comprador de sua produção. submetido a estruturas complexas de organização.000 3 t/ha Registrada 3.

em relação ao preço do grão. assembléia ou outros tipos de estrutura. 2. tamanho. operação de compra e venda. Segundo a forma de sua constituição. a sistemática de decisão é mais direta (uma só pessoa) ou depende de um grupo de pessoas. apesar de não estar vinculado à estrutura de produção. sem no entanto possuir trabalho próprio de melhoramento. o produtor individual. O cooperante vem se tornando cada vez mais importante na produção de sementes melhoradas. mais comum. no caso. quanto ao sistema de produção. diretoria. Quanto à razão social. não havendo. recebendo do produtor contratante. Apresenta vantagens para todos. é um produtor registrado e. companhias ou firmas produtoras de sementes são organizações especializadas e classificadas como pessoas jurídicas. amparado pela legislação. com a finalidade específica de semeadura. Em geral. as sementes a serem multiplicadas. Empresas produtoras Empresas. face à atuação de ambos no processo. o cooperante utiliza sua própria terra para a produção de sementes.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Confunde-se o produtor individual com a figura do cooperante na produção de sementes. Quanto à atividade de pesquisa.3. As cooperativas podem ser enquadradas.2. objetivando a criação de cultivares. como empresas produtoras. expandir sua produção. pois permite às empresas de sementes. 2. exige do produtor uma maior capacidade de controle. Crê-se que mais de 80% da produção de sementes melhoradas no mundo sejam produzidas através do sistema de cooperantes. Em geral. assistida por responsável técnico. entretanto.3. Cooperante É toda pessoa que multiplica sementes para um produtor devidamente registrado sob um contrato específico. que normalmente não dispõem de terras próprias em quantidade. Entretanto. geralmente. caracterizada juridicamente como produtora de sementes. considerada como prestação de serviço. comercializando as sementes de suas próprias cultivares. o cooperante recebe uma bonificação de 15-20% a mais. orientado por responsável técnico. enquanto o cooperante não necessita estar registrado. e outra.3. não só sob o aspecto técnico.. etc. há dois tipos de empresas produtoras de sementes: uma que executa a pesquisa. Essas empresas utilizam os resultados de pesquisa desenvolvidos por outros. como também sob o ponto de vista comercial. 18 . como tal. tais entidades apresentam variação entre sociedade anônima e de responsabilidade limitada.

é o sistema verticalizado exclusivo. Nesta modalidade de relacionamento pode ocorrer a co-titularidade pelo uso de cultivar protegida como progenitor recorrente em caso de cultivar essencialmente derivada. Neste caso a empresa produtora se responsabiliza por todas as etapas da produção de determinada cultivar. poderá ocorrer o modelo da produção terceirizada por parte das empresas produtoras de sementes. A soja é o produto que mais rapidamente se desenvolveu tendo já registrados mais de 300 cultivares junto ao Cadastro Nacional de Cultivares Protegidas. Tudo vai depender do grau de contribuição que cada parceiro oferece e do acordo previamente firmado entre os dois. o que caracteriza uma prestação de serviços especializada. d) Co-titularidade Esta é uma nova relação que existe entre obtentores ou entre um obtentor e algum colaborador mais estrito nas etapas de desenvolvimento de uma nova cultivar. o que está perfeitamente de acordo com a lei. b) Verticalização Outro sistema de comercialização que antes não era adotado para plantas autógamas. Neste caso a relação ocorre diretamente com o agricultor que adquire as sementes ou com canais de comercialização a exemplo do que já vem ocorrendo há muito tempo com os híbridos. em muitas situações esse valer é ao redor de 5% do valor de venda da semente. 19 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos As relações de produtores de sementes com obtentores vegetais pode ser dada das seguintes formas: a) Licenciamento Com a Lei de Proteção de Cultivares (LPC). c) Produção terceirizada Nas situações em que a empresa obtentora opta por não licenciar a produção e o comércio de suas cultivares protegidas. deve pagar um royalty para o obtentor. no qual o obtentor exerce o pleno direito de explorar sua criação diretamente no mercado. porém a semente leva a marca do obtentor e será comercializada por ele. Esse processo de licenciamento consiste basicamente em que o produtor de sementes para ter a permissão de multiplicar e conercializar as sementes de uma cultivar protegida. não concedendo licenciamento a terceiros. O licenciamento de cultivares passou a ser uma das formas mais adotadas para a comercialização com o reconhecimento dos direitos de proteção intelectual do desenvolvimento de novas cultivares. iniciou-se um novo estilo de relacionamento entre as empresas.

4. uma vez que auxilia o pesquisador.1. seleção da terra. Controle de qualidade O agricultor deve ter a segurança de que a semente adquirida é de qualidade adequada e de uma específica cultivar devidamente identificada para seu fácil reconhecimento. pois estão se conscientizando que o custo adicional é baixo em relação ao retorno propiciado. bem como tendo assistência técnica de pessoal qualificado para solução de seus problemas. pode concentrar-se em seu objetivo principal de fitomelhorador. proporcionando-lhe os meios de desenvolver um sistema para levar cultivares recém desenvolvidas dos campos de experimentação até os agricultores. é executado pelo governo. Assim.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2. germinação. mantendo-se informado sobre os novos avanços em melhoramento e tecnologia de sementes.4. o produtor de sementes é assistido. bem como para obter sementes de alta qualidade com um mínimo de perdas e custos. Os produtores de sementes obtem vantagens do CEQ por contarem com um terceiro membro para garantir que não se cometam erros na produção de sementes. descontaminação da lavoura. O CIQ envolve escolha da semente. testes rápidos de viabilidade. Controle interno de qualidade (CIQ) Esse controle basicamente consiste nos registros e parâmetros que o produtor de sementes utiliza com o objetivo de conhecer a "história" de cada lote de sementes. O fitomelhorista se beneficia do CEQ. O CEQ é um dos elementos essenciais de um programa de sementes. em geral. Através do CEQ. sem desgastar-se com os aspectos de multiplicação das sementes. determinação de umidade. desenvolveram-se programas de controle de qualidade com o objetivo de supervisionar todo processo de produção e tecnologia de sementes. 2. vigor.4. Controle externo de qualidade (CEQ) Esse controle é feito por uma entidade fora do poder de influência do produtor ou comerciante de sementes e. 2. 20 . o produtor de sementes e o agricultor. Para proporcionar essa garantia.2. os produtores de sementes estão cada vez mais utilizando o CIQ. Há dois tipos de controle de qualidade de sementes: o interno e o externo. Apesar de não ser requerido por lei. eficiência e eficácia do equipamento e registros diversos para conhecimento da história da semente.

comunicação. c) comunicação e informação para e de agricultores sobre sementes e serviços e d) distribuição da semente ao agricultor. em geral. Os produtores. pois esta última requer pessoal especialmente treinado. O CEQ. sempre atenta ao abastecimento pleno no local e momento certo. se dá de duas formas: a) Sistema de certificação de sementes: Este sistema de produção é caracterizado principalmente por ter um controle de geração de semente produzida e acompanhar todo o processo tecnológico envolvido na obtenção de cada lote de sementes produzido. b) acúmulo de sementes e serviços para satisfazer essas necessidades. administração e gerenciamento. empresas. uma equipe especial distinta da que atua na produção de sementes.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O agricultor é beneficiado com o CEQ pela disponibilidade de sementes que asseguram um mínimo de qualidade física e fisiológica de uma cultivar apropriadamente identificada. as técnicas de comercialização são direcionadas ao usuário (agricultor) em vez do produto (semente). revendedores e agentes compõem a grande rede de distribuição de sementes. Atua. o tipo de semente. os serviços complementares e as alternativas disponíveis para obter a semente. Assim.5. sua localização em relação ao mercado. 21 . técnicas de comercialização. 2. comparando-se os requerimentos técnicos para criação de cultivares. o que não é normalmente encontrado nos outros componentes do programa de sementes. com os requerimentos para comercialização. Esse pessoal necessita conhecimentos de relações humanas. produção e regulamentação. A comercialização envolve: a) uma determinação sistemática e contínua das necessidades do agricultor. A decisão do agricultor em comprar a semente envolve o preço. na fiscalização. a sua avaliação da qualidade de semente. Há grandes diferenças. comerciantes. Comercialização Sementes de alta qualidade das cultivares melhoradas devem ser utilizadas por milhares de agricultores para haver um efetivo aumento da produção agrícola. b) Fiscalização do comércio de sementes: Este CEQ é feito na semente colocada à venda. Essa equipe verifica a documentação e qualidade de semente.

Se o consumidor não compra não adianta produzir.6. Setor público As ações governamentais. Assím. O melhor exemplo que se possui é em relação aos produtos transgênicos que determinados consumidores se negam a consumir. o Ministério da Agricultura (MA) é o de maior relevância para o setor sementeiro. crédito. 3. O PNS tem os objetivos de: a) definir instrumentos de integração com os diferentes componentes do programa de sementes. O setor público também atua internamente nos registros e proteção de cultivares.2. 3. Coordenação de atividades O programa de sementes somente alcançará seus objetivos quando todos seus componentes estiverem funcionando adequadamente. uma cultivar deve ser denvolvida para atender determinado mercado. pode-se dividir os produtos em convencionais. b) sugerir prioridades para projetos de sementes e c) formular a política nacional de sementes. estabelecendo critérios para sua aplicação.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2. Entre os órgãos públicos. Atualmente. a sociedade tornou-se mais exigente em relação aos produtos que deseja consumir. na pesquisa. para contribuírem com um programa de sementes. geneticamente modificados e orgânicos. Assim uma cultivar deve ser desenvolvida com o objetivo de atender determinada parcela de consumidores. arroz aromático entre outros. incentivos e investimentos. Há nichos de mercado para vários produtos como soja para consumo in natura. RELAÇÕES ENTRE ELEMENTOS DO PROGRAMA DE SEMENTES 3. envolvem política. com a criação de novas cultivares e treinamento de pessoal.1. legislação. Assim. Consumidor Com a globalização e a rapidez do fluxo de conhecimento. possui-se o programa nacional de semenenes (PNS). para acompanhar e avaliar o programa a nível nacional. 22 .

Legislação A legislação é. a lei protege o agricultor para a fraude. constituídas de representantes de todos os componentes do programa de sementes. 23 . antes de tudo. uma expressão da política governamental. Também dá uma certa proteção ao vendedor para competidores pouco escrupulosos. está exposto a perder não só a semente como também todo o valor previsto para a cultura e até. composta por objetivos econômicos e aspirações sociais. Assim. Em geral.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Com o objetivo de possibilitar maior flexibilidade à execução da política nacional de sementes e estar mais próximo aos problemas de cada programa. através do qual se garante que a semente foi produzida de forma que se possa conhecer com certeza sua origem genética e que cumpre com condições fisiológicas. isenções e estabelecimento de penalidades sobre contravenções. 3. É difícil de assegurar que a qualidade da semente dentro da embalagem seja aquela que o agricultor deseja. e o equilíbrio entre ambos se reflete nas leis de sementes. Além disso. em alguns casos. Por sua composição.4. c) conceituações específicas às sementes. as CESMs são o foro ideal de discussão para qualquer assunto que se relacione com a área de sementes.3. b) a criação da obrigatoriedade do registro para os produtores e comerciantes de sementes. pois as sementes de plantas daninhas podem não estar visíveis e o poder germinativo não se determina simplesmente olhando as sementes. 3. caso o agricultor utilize semente de baixa qualidade. os meios de vida para o ano. e) identificação de sementes e f) definições de proibições. incluindo os setores público e privado. Certificação de sementes A certificação de sementes é o processo controlado por um órgão competente em geral público. a negligência e o acidente. uma lei de sementes contempla: a) a inspeção obrigatória e a fiscalização do comércio de semente (CEQ). d) procedimentos relativos à análise de sementes. sanitárias e físicas pre-estabelecidas. foram criadas as Comissões Estaduais de Sementes e Mudas (CESM). as quais têm o objetivo de fomentar a produção e proteger o agricultor do risco de utilizar sementes de baixa qualidade. bem como o credenciamento de laboratórios de sementes.

mantenham sua pureza genética e todas as características qualitativas que. por serem de interesse do agricultor. A semente certificada deve cumprir com requisitos de qualidade física e fisiológica. Esse fato depende da habilidade de cada país para criar um mercado e fornecer sementes de alta qualidade das cultivares melhoradas em quantidades suficientes e que cheguem aos agricultores o mais rapidamente possível. de sementes danificadas ou deterioradas e. fornecendo-lhes a confiança de que o insumo adquirido realmente possui as características declaradas pelo produtor de sementes na etiqueta da embalagem.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A certificação de sementes é um sistema criado internacionalmente para certificar a autenticidade da semente que é vendida aos agricultores. já que deve certificar a ausência de sementes de outras espécies. A certificação é um componente importante da indústria de sementes. permite que as sementes das cultivares superiores lançadas oficialmente pela pesquisa. Cada país organiza o sistema de certificação que lhe convém. os quais em conjunto. dentro dos requerimentos reais da indústria sementeira. É necessário que as cultivares criadas e/ou melhoradas pelos pesquisadores sejam utilizadas pelos agricultores nas suas lavouras. o que se traduz em bem-estar da comunidade. bem como os comerciantes contra competidores inescrupulosos. Tem por objetivo verificar os campos de produção e as instalações onde a semente será produzida. expressando uma política governamental. germinação e sanidade. a aumentar a distribuição de sementes das cultivares superiores. O sistema de certificação de sementes participa dentro do programa de sementes. participando da produção. Os países com programas de sementes estabelecidos. prestando serviços aos agricultores. sem dúvidas. beneficiamento. A certificação tem contribuído. já que atua em todos seus elementos. comercialização e. porém. fazem com que este as adquira e as semeie. ainda. É o único método que permite manter a identidade varietal da semente em um mercado aberto. desde 1977 existe em 24 . O êxito de um sistema de certificação de sementes está limitado à demanda de sementes certificadas por parte dos agricultores. através do melhoramento de plantas. que as sementes possuem um alto poder germinativo. com base em padrões mínimos que incluem pureza varietal e física. como apoio no cumprimento da lei. fomenta a produção e protege os agricultores contra riscos de utilizar sementes de baixa qualidade. em todos os países em que se aplica. se implementado por uma agência. compõem a qualidade de um lote de sementes. com todas as características que lhe outorgam a condição de produzir grãos de excelente qualidade e com altos rendimentos. a estabelecer padrões mínimos de qualidade e a mostrar aos agricultores a importância do consumo e do valor das sementes melhoradas. ainda. Pelo controle de gerações. de sementes de invasoras ou plantas daninhas proibidas. possuem uma legislação (Lei de Sementes) que.

A abertura dos mercados internacionais para a exportação de sementes e o "sistema OECD" de certificação tem contribuído significativamente para o aumento da produção de sementes certificadas em nível mundial. oferecendo aos produtores. em geral. comerciantes e sementeiros.1 Componentes de um sistema de certificação a) Serviço Oficial: É a autoridade designada pelo governo para implementar leis. permitindo que os sistemas de certificação. b) Cultivares Melhoradas: São as selecionadas para o sistema. África do Sul. Os requerimentos de certificação para sementes importadas a cargo dos ministérios de agricultura dos países em desenvolvimento. serviços de campo. devendo seguir seus regulamentos ao se comprometerem com o sistema. participem também no controle e avaliação dessa qualidade. d) Controle de Gerações: Tem como base as classes ou etapas da certificação. Canadá e Austrália. O futuro da certificação de sementes deve solidificar-se com base na qualidade de sementes. Em países da Comunidade Econômica Européia. exigem sólidos sistemas de certificação dos países que queiram entrar e competir no mercado internacional de sementes. regulamentos. a certificação é pré-requisito para a importação de sementes e sua comercialização dentro do país. que são: 25 . beneficiadores. permitindo que todos os países membros das Nações Unidas utilizem os modelos de certificação de sementes propostos por esse órgão. Esses países possuem registros de variedades restritos e essas variedades têm que ser testadas num mínimo de três anos e aprovadas por uma agência oficial de certificação. 3. se forem de comprovado valor agronômico. Isso marcou o inicio de um intercâmbio entre países e tem permitido ajustar o mercado intercontinental de importação e exportação de sementes. c) Material Básico: A entidade criadora da cultivar original deve mantê-la e fornecer os estoques de semente genética para multiplicação da semente básica. de beneficiamento em UBSs e de laboratório (testes de vigor e de sanidade) que garantam todos os benefícios que a utilização de sementes de alta qualidade trazem aos agricultores.4.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos nível internacional o "sistema OECD" (Organização Econômica para a Cooperação com o Desenvolvimento). através da inspeção nas diversas etapas do sistema e da verificação posterior por meio de testes prescritos. além de verificar e assegurar a identidade genética da cultivar através da pureza varietal.

Os materiais vegetais frequentemente reproduzem a si próprios após a liberação para o mercado privando o seu criador de uma oportunidade adequada de recuperar o seu investimento em pesquisa e/ou manter um fundo para futuras pesquisas. ou seja se o agricultor quiser usar a sua própria semente. A convenção de 1978 contempla a proteção da cultivar até a semente certificada ou comercial. Neste sentido. com validades até aos dias de hoje. e) Normas de Certificação: Normas gerais e específicas que definem os requisitos agronômicos que devem ser seguidos na produção de sementes. são a de 1978 e a de 1991. PROTEÇÃO DE CULTIVARES O desenvolvimento de novas cultivares de plantas é demorado e caro. Em caso positivo. Salienta-se que alguns países. tem havido interesse em mecanismos para proteger a posição do obtentor provendo-o com um alto grau de exclusividade em relação à produção e venda de sua inovação (uma nova cultivar). mesmo estando filiados à ATA da UPOV de 1978. 3) Semente Certificada: proveniente da semente registrada e colocada à venda para o agricultor. 4. g) Proteção de cultivares – Uma cultivar pode o não ser protegida. foi criada a UPOV (Organização Internacional para Proteção de Cultivares). entretanto o royalty do melhorista deve ser pago. contempla que a proteção vai até o produto comercial. As mais importantes. contemplam em lei uma área máxima em que o agricultor pode usar sua própria sem pagar royaties. que possui convenções de 1961. não há problemas. foi 26 . porém fora do sistema de certificação. 1978 e 1991. entre outros aspectos. enquanto a de 1991. 2) Semente Registrada: material que serve de base para a semente certificada. 4) Semente Fiscalizada: semente declarada como varietalmente pura pelo produtor. Procurando manter a capacidade do sistema de proteção das obtenções vegetais e de promover as atividades de melhoramento das plantas. f) Registro de cultivares – Uma cultivar para entrar no sistema de produção tem que ser registrada na agência de certificação de sementes.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1) Semente básica: material proveniente da genética. Por essa razão entre os interessados em encorajar a inovação nas plantas. que serve de base para semente registrada. a proteção é feita também na agência de certificação de sementes.

quando comparada com o desenvolvimento de uma cultivar completa. não são de importância. e já na Ata de 1961 foi estabelecida a chamada “Isenção do Obtentor”. como pode ser a resistência a uma determinada raça de um fungo. que algumas vezes apresentam importância para o cultivo. muitas vezes. o conceito de “variedade essencialmente derivada”. pela Ata de 1991.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos introduzido no Convênio da UPOV. homogêneo e estável. que estabelece que uma cultivar protegida pode ser livremente utilizada para criar novas cultivares. O melhoramento vegetal tradicional Existem.2. Alguns conceitos relacionados incluídos nos convênios da UPOV Para fins de proteção. ou regular a presença de um determinado tipo de óleo. pois.1. considera-se. que implicaria. caracteres que são regulados por apenas um ou por um número reduzido de genes. o emprego das cultivares dos competidores. por outro lado. b) contar com relações eqüitativas entre obtentores. Para que a atividade de fitomelhoramento possa desenvolver-se plenamente. de forma muito simplificada. como por exemplo a cor das flores nas plantas de soja ou a presença de antocianinas nos estigmas do milho. para chegar-se a concluir que existe distinção entre elas. restringir. 4. 4. Modificar a expressão desses caracteres qualitativos pode ser uma tarefa relativamente simples. Considera-se que a distinção entre cultivares é estabelecida sobre a base de caracteres que possuem ou não uma relação com o valor agronômico ou tecnológico da variedade. que tem como objetivos: a) salvar uma brecha do sistema de proteção baseado na Ata de 1978 do Convênio. em absoluto. a fim de obter delas caracteres desejáveis. que não se deve. além disso. é condição indispensável a livre disponibilidade de todas as cultivares como fonte de variabilidade para o posterior melhoramento. São caracteres do tipo qualitativo. c) criar relações eqüitativas entre titulares de direitos de obtentor e titulares de patentes. 27 . Os Convênios da UPOV deixaram isso bem claro desde o início. que uma cultivar é um conjunto vegetal distinto. bastando uma diferença com relação a um caracter. Porém. Assim. na obtenção de estrutura genética que assegure uma boa adaptabilidade e um bom rendimento. é uma prática adequada entre os fitomelhoristas. ou mesmo um interesse econômico.

3) Esta segunda pessoa aporta uma contribuição técnica e econômica que pode ser: a) nula (por exemplo mudar a cor da flor da planta de soja). A noção de variedade essencialmente derivada faz com que se analise o grau de semelhança entre a variedade parental (a “variedade inicial”) e a variedade derivada. Pode-se resumir o panorama da seguinte forma: 1) O obtentor de uma variedade. de retrocruzamentos. denominada inicial. Os efeitos negativos de uma isenção completa Até a Convenção da UPOV. que será considerada como variedade derivada. em particular aqueles que representam o interesse comercial da variedade inicial. era prevista uma completa isenção do obtentor. muitas vezes depois de uma pequena mudança. 2) Um segundo obtentor poderá produzir. Desta nova variedade essencialmente derivada podemos considerar que: a) possui quase todos os caracteres da variedade inicial. por exemplo. trabalhando com os genes que regulam a expressão de caracteres qualitativos de uma variedade. usufruindo do trabalho do criador da primeira variedade. e esta situação levou a um desestímulo à atividade de fitomelhoramento. b) importante (é o caso de uma mutação induzida em cravo que faz 28 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Desta forma. terá efetuado um cruzamento seguido de seleção durante vários anos. Para que exista a derivação essencial. e por meio. que na verdade realizou o trabalho mais árduo. decidiu realizar uma mudança importante para criar esta variedade. uma nova variedade. do mesmo modo terá realizado testes para determinar o valor comercial da variedade e definir as condições de cultivo. porém conservando inalterada a porção do genótipo que dá verdadeiro valor à cultivar que foi modificada. e não se deve deixar de mencionar que selecionar as plantas adequadas é uma tarefa que requer grande experiência. de acordo com a Ata de 1991. tendo-se em conta. Um fitomelhorista que fizesse isso poderia chegar a proteger sua “nova” variedade. este grau deve ser superlativo.3. da variedade inicial. 4. e b) difere. unicamente por um caracter ou por um número muito limitado de caracteres. o desenvolvimento de uma variedade leva cerca de dez anos. é possível modificar uma boa variedade em um caracter sem importância agronômica. por exemplo. Em geral. que empregando-se técnicas tradicionais. obtendo uma variedade que seja diferente.

c) a variedade essencialmente derivada deve responder às condições: . entra em concorrência direta com ele. pois: 1.4. b) a variedade inicial não deve ser uma variedade essencialmente derivada (esta deve ser resultado de um verdadeiro trabalho de criação de variedade). que se pode qualificar de “inovadoras”. o direito de obtentor relativo à variedade inicial “estende-se” às variedades essencialmente derivadas e estas são “dependentes” da variedade inicial. Criar uma base jurídica para acertar acordos equilibrados entre: a) obtentores de variedades resultantes de seleção “inovadora” e obtentores de variedades resultantes de seleção “melhoradora”. Cabe destacar aqui que os resultados das atividades de adaptação de variedades estrangeiras protegidas. O espírito da solução é.ser quase semelhante à variedade inicial. Por outro lado. além disso. como no passado. Nesta.ser suficientemente distinta para ser uma variedade. Promover a continuação das modificações no melhoramento das plantas “clássicas” (os cruzamentos seguidos de seleção. do Convênio da UPOV. Variedade essencialmente derivada A Ata de 1991. 4) Em qualquer um dos casos. 3. com ou sem métodos modernos). 2.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos aparecer um talo com flores brancas em uma planta de flores vermelhas). sempre e quando não se limitem a 29 . As condições desta dependência são as seguintes: a) a variedade inicial deve ser protegida. Em outras palavras. . mostra um aperfeiçoamento com relação ao que acontecia anteriormente. Desalentar as atividades desleais ou parasitárias sem desestimular as atividades de seleção “melhoradora”. .ser essencialmente derivada da variedade inicial. qualquer que seja sua modificação e qualquer que seja sua própria contribuição técnica e econômica. para criar novas variedades. e. 4. a exploração de uma variedade essencialmente derivada pode ser submetida a uma autorização do obtentor da variedade inicial. esta segunda pessoa explora integralmente as modificações do obtentor da variedade inicial. a “isenção do obtentor” foi mantida em sua integridade: toda variedade protegida pode ser livremente utilizada. incluídas as variedades essencialmente derivadas.

Os atributos de qualidade podem ser divididos em genéticos. ter-se-á no campo plantas que irão reproduzir fielmente as características selecionadas pelo melhorista e originar um produto em quantidade e com as qualidades esperadas pelo agricultor e consumidor. 30 . mantê-la e determiná-la. para evitar contaminações genéticas ou varietais e. b) obtentores de variedades resultantes da seleção “inovadora”. principalmente. ATRIBUTOS DE QUALIDADE DE SEMENTES A preocupação de uma empresa produtora com a qualidade de sua semente deve ser constante no sentido de alcançá-la. enquanto por contaminação varietal. entende-se a que acontece quando sementes de diferentes variedades se misturam. Genéticos A qualidade genética envolve a pureza varietal. entre outros. entende-se a resultante da troca de grãos de pólen entre diferentes cultivares. influenciadas pelo meio ambiente e melhor identificadas examinando-se o desenvolvimento das plantas em nível de campo. em maior ou menor grau. assim. Essas características são. 5. resistência a pragas e moléstias. colocar à disposição do agricultor sementes com características desejadas. já que a adaptação de uma variedade às condições locais requer um verdadeiro programa de melhoramento vegetal. incluída a adaptação de variedades. 5. protegidas por direitos de obtentor e criadores de procedimentos ou de produtos protegidos por patentes. O espírito do convênio é promover o melhoramento vegetal.1. físicos. Com a certeza da pureza genética da cultivar. caíram fora do conceito de variedade essencialmente derivada. fisiológicos e sanitários. não restringi-lo. potencial de produtividade. qualidade do grão e resistência a condições adversas de solo e clima. Há necessidade de uma série de medidas a serem tomadas. A primeira. ocorre na fase de produção e a segunda. Por contaminação genética. precocidade. no qual estarão implicados cruzamentos com variedades locais que possibilitem introduzir caracteres que permitam obter um rendimento ótimo da variedade. na etapa de pós-colheita. sempre e quando se salvaguardam os direitos dos obtentores de proteger-se da mera “cópia”.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos uma mera atividade “cosmética” da variedade protegida.

o conhecimento desse atributo físico permite a escolha do procedimento mais adequado para colheita. também. Físicos Vários são os atributos de qualidade física da semente: a) Pureza física . A umidade exerce grande influência sobre o desempenho da semente em várias situações. tem-se dado bastante ênfase em características genéticas das sementes que possibilitem um maior desempenho para o seu estabelecimento no campo. Através desse atributo. Um lote de sementes com alta pureza física é um indicativo que o campo de produção foi bem conduzido e que a colheita e o beneficiamento foram eficientes. na grande maioria das vezes. Há. tem-se a informação do grau de contaminação do lote com sementes de plantas daninhas. 5. expressa em porcentagem. armazenamento e preservação da qualidade física. acondicionamento. c) Danificações mecânicas . Há uma faixa de umidade em que a semente sofre menos danos mecânicos e debulha com facilidade.é uma característica que reflete a composição física ou mecânica de um lote de sementes. considera-se como 13% o padrão de umidade para comercialização. Entretanto.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Nos últimos anos. Portanto. exigências quanto a umidade para a comercialização. de outras variedades e material inerte. isso não é prático nem econômico. Outra influência do grau de umidade é na atividade metabólica da semente. fisiológica e sanitária da semente. pois este está associado ao peso do material adquirido. podem danificar severamente as sementes durante a operação 31 .2.toda vez que a semente é manuseada. secagem. mesmo quando perfeitamente reguladas. Dessa maneira. O ideal seria colhê-la e beneficiá-la manualmente. b) Umidade . b) capacidade de germinar em condições de baixa disponibilidade de água c) capacidade de germinar a maiores profundidades do solo.o grau de umidade é a quantidade de água contida na semente. Algumas dessas características já foram ou estão sendo incorporadas em cultivares de algumas espécies como: a) resistência à deterioração de campo através da incorporação do caracter de dureza da semente. está sujeita a danificações mecânicas. o ponto de colheita de grande número de espécies é determinado em função do grau de umidade da semente. em função de seu peso úmido. As colheitadeiras. como nos processos de germinação e deterioração. Na maioria dos países.

Em relação à umidade. sabendo o peso de 1000 sementes e. bem granadas. quanto menor for a semente maior será seu peso volumétrico. materiais inertes e com sementes mal formadas e opacas. Nem todos os danos mecânicos são visíveis. formato. Esse processo causa danos às sementes. que causam lesões no tegumento. Danificações também podem ocorrer na UBS (Unidade de Beneficiamento de Sementes). densidade e grau de umidade das sementes. O peso volumétrico é influenciado pelo tamanho. onde 1m3 de arroz com 13% de umidade pesa ao redor de 560kg e. d) Peso de 1000 sementes . a mesma varia conforme o tipo de semente. também afetam sua qualidade fisiológica. por exemplo. faz com que a semente fique mais exposta às condições adversas do meio ambiente para entrada de microorganismos e trocas gasosas. Como a semeadura é realizada ajustando-se a máquina para colocar um determinado número de sementes por metro. principalmente quando as sementes passam por elevadores. O tegumento da semente possui a função de protegê-la fisicamente e. enquanto para sementes de arroz ocorre o inverso. pesa mais de 600kg. não possuem o reconhecimento do agricultor. apresenta um peso volumétrico maior do que outro lote com a presença de sementes imaturas.é o peso de um determinado volume de sementes. Com a adoção da classificação de sementes de soja pelos produtores de sementes. com ervas daninhas.é uma característica utilizada para informar o tamanho e peso da semente. é fácil de determinar o peso de sementes a ser utilizado por área.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos de debulha. esse atributo físico torna-se muito importante. principalmente se forem colhidas muito úmidas ou secas. toda vez que for rompido. Recebe o nome de peso hectolítrico se for o peso de 100 litros. os danos não visíveis podem estar em maior proporção e causar desagradáveis surpresas. por conseguinte. quanto maior o teor de umidade. 32 .a aparência do lote de sementes atua como um forte elemento de comercialização. É uma característica que fornece o grau de desenvolvimento da semente. f) Aparência . o número de sementes por kg. A semente deve ser boa e parecer boa. Um lote formado por sementes maduras. menor será o peso volumétrico. Sementes de soja são altamente danificáveis As danificações mecânicas. g) Peso volumétrico . inclusive em caso de sementes com um pouco mais de umidade. Lotes de sementes. milho e soja. Mantendo outras características iguais. através de quedas. as quais podem manifestar imediatamente ou após alguns meses de armazenamento. além de propiciarem uma má aparência do lote de sementes. com 17%. Algumas sementes são mais suscetíveis a danos mecânicos que outras. o chamado efeito latente. impactos e abrasões. em trigo.

Fisiológicos Considera-se como atributo fisiológico aquele que envolve o metabolismo da semente para expressar seu potencial. A germinação é expressa em porcentagem e sua determinação padronizada no mundo inteiro.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos malformadas e chochas. 5. temperatura. A informação do peso volumétrico. entretanto considera-se os anteriormente mencionados como os mais importantes.). Por exemplo.3.em tecnologia de sementes. No caso das sementes de plantas daninhas. também é essencial para cálculo de capacidade de silos e depósitos em geral. além de ser útil na avaliação da qualidade da semente. em sementes de forrageiras e de plantas daninhas. sob condições ambientais favoráveis.é o estádio em que uma semente viva se encontra quando se fornecem todas as condições adequadas para germinação e a mesma não germina. a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião. pois dificulta o seu 33 . O percentual de germinação é atributo obrigatório no comércio de sementes. O resultado do teste de germinação também é utilizado para comparar a qualidade fisiológica dos lotes de sementes. Entretanto. a) Germinação . em nível internacional. salienta-se que o teste de germinação é realizado em condições ambientais ótimas e pode apresentar um resultado bem diferente se essas condições não forem encontradas no solo. Há outros atributos físicos de qualidade de sementes. Essa característica pode ser encarada como benéfica ou não. o percentual pode alcançar mais de 50% das sementes do lote. Os requerimentos para o teste de germinação estão contidos num manual denominado "Regras para Análise de Sementes" que. b) Dormência . ela é considerada ruim para o agricultor. Em função do percentual de germinação e das sementes puras. etc. manifestando sua capacidade para dar origem a uma plântula normal. sendo (em geral) 80% o valor mínimo requerido nas transações. é publicado pela ISTA (International Seed Testing Association). A dormência também é expressa em porcentagem e é mais acentuada em algumas espécies do que em outras. segundo cada espécie. A dormência é uma proteção natural da planta para que a espécie não se extermine em situações adversas (umidade. o agricultor pode determinar a densidade de sua semeadura.

Existem vários testes de vigor. Em forrageiras. favoráveis e desfavoráveis. sendo os fungos os mais freqüentes. onde algumas sementes podem ficar dormentes por vários anos no solo. NORMAS DE PRODUÇÃO DE SEMENTES Entre os componentes de um programa de sementes. Sementes infectadas por doenças podem não apresentar viabilidade ou serem de baixo vigor. às vezes. além de ser de alta qualidade e de 34 . Esse é um atributo muito utilizado pelas empresas de sementes em seus programas de controle interno de qualidade. os demais também indispensáveis. A semente é um veículo para distribuição e disseminação de patógenos. etc. pois pequenas quantidades de inóculo na semente podem ter uma grande significância epidemiológica. para maior obtenção de alimento para a humanidade. os mesmos ainda não foram padronizados. o de produção é o mais importante. obviamente. o estádio de dormência é benéfico pois possibilita a ressemeadura natural. pode-se afirmar que este é o resultado da conjugação de todos aqueles atributos da semente que permitem a obtenção de um adequado estande sob condições de campo. 6. Os patógenos transmitidos pela semente incluem bactérias. Apesar dos testes de vigor possuírem muita utilidade. 5. nematóides e vírus. c) Vigor . que não suportam seca. fungos. entretanto. Dessa maneira. Outro exemplo benéfico da dormência é o caso de sementes duras de soja que podem ficar no campo aguardando a colheita com um mínimo de deterioração. é necessário que.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos controle. desenvolveu-se o conceito de testes de vigor.os resultados do teste de germinação freqüentemente não se reproduzem em nível de campo. sendo.4. cada um mais adequado a um tipo de semente e condição. que germinam mal no frio. Esses testes determinam lotes com baixo potencial de armazenamento. causar surtos de doenças nas plantas. os quais podem. Existem vários conceitos de vigor. Sanitários As sementes utilizadas para propagação devem ser sadias e livres de patógenos. pois no solo as condições raramente são ótimas para a germinação das sementes. Para que a semente realmente tenha impacto na agricultura.

A seguir será discutido as técnicas e cuidados para a produção de sementes as quais não se diferenciam muito daquelas utilizadas para produção de grãos. além do aspecto de produção da cultura. essa recomendação será válida para esses.1. somente através de uma cultivar superior. para possibilitar os melhores resultados de rendimento e qualidade. Alertados. como hoje se diz. de elite. a seleção deve recair para aquelas cujo cultivo seja familiar ao produtor. Também em nível de UBS. leva em conta a facilidade de comercialização do produto. em função das exigências do mercado consumidor. não se dispuseram a ingressar no melhoramento genético. alguns produtores estão deixando ou irão deixar a atividade. é que um produtor de sementes se mantém competitivo. a semente a utilizar deverá ser: a) de origem e classe conhecida. de sementes de outras espécies e de material inerte e d) com alta geminação e vigor. é recomendável que trabalhe com poucas. de insetos. No desenvolvimento deste assunto. 6. pois não conscientizaram-se de que a cultivar é a chave do sistema. Em relação à cultivar. b) de alta pureza genética (caso a semente adquirida esteja geneticamente contaminada. Ainda com relação à cultivar e à LPC. para que misturas genéticas e/ou de cultivares sejam evitadas. O produtor de sementes poderá trabalhar com mais de uma cultivar de uma determinada espécie. algumas necessitam de cuidados especiais. também seja utilizada em larga escala pelo agricultor. Dessa maneira. por uma empresa de sementes. de sementes de plantas daninhas. em quantidade adequada. A procura por parte do agricultor de uma determinada cultivar. aceitável para a reprodução da espécie. devem ser tomadas as devidas precauções. Entretanto. destaca-se que a genética vem em primeiro lugar e que a qualidade intrínseca da semente valorizada de forma especial é fundamental para a agricultura. Nem se articularam com obtentores vegetais privados e vão apostar nas 35 . não será possível produzir sementes geneticamente puras). em algumas espécies.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos uma variedade melhorada. considerou-se como meta a produção de sementes de alta qualidade. Se trabalhar com vários cooperantes. Ainda sobre a cultivar. c) livre de doenças. Origem da semente e cultivar A seleção da semente pura da espécie é o primeiro passo na direção da obtenção da semente de alta qualidade. Outro aspecto que deve ser considerado é a preferência em termos de cultivares por parte do consumidor (agricultor). Entretanto.

física. a cultivar é a chave dos sistemas de produção de sementes e dará sustentabilidade às pesquisas para outras tecnologias. concorrendo em licitações com outros colegas. exceção feita às empresas públicas. varietal. faturar mais e aumentar seu conceito ante o cenário do agronegócio e fora dele. o passo seguinte é o da escolha do campo onde será instalada a cultura. se for o caso. plantas daninhas existentes. A tendência é a diminuição do número de produtores de sementes daquelas espécies protegidas. O produtor necessita conhecer o histórico do campo e da região em que irá trabalhar. articulados e formando parcerias fortes. problemas locais com pragas. A busca de maior fatia de mercado através de estratégias de marketing. será uma constante. Esse cuidado ou exigência deve-se ao fato de que as sementes caídas ao solo sobrevivem de um ano para outro ou. condições de fertilidade. estão ligados a mais de um obtentor de cultivares. Em função da LPC. como: patogênica.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos cultivares de instituições públicas. genética. conforme a cultivar escolhida. com maior profundidade. pois a área onde se desenvolverá a produção pode estar sujeita a vários tipos de contaminações. principalmente se essas apresentarem dormência. vários produtores estão reunindo-se em fundações ou implementando empresas de melhoramento genético. Agora. Essa escolha é um outro problema a ser solucionado. o que irá aumentar a concorrência. Eficiência e prestígio estarão em jogo. problemas de erosão. Dependendo da espécie. Alguns desses fatores serão apresentados. etc. por acreditarem que sem a fonte da cultivar vão deixar de existir como sementeiros. não deve ter sido cultivada nem com espécies afins. na proporção em que as cultivares não protegidas saírem de recomendação. a seguir.. Produtores de sementes e obtentores vegetais deverão estar cada vez mais associados. Escolha do campo Considerando que a região seja promissora para a produção de sementes. a) Cultura anterior O campo não deve ter sido cultivado com a mesma espécie no ano anterior ou nos anos anteriores. espécies ou cultivares produzidos anteriormente. doenças e nematóides. Portanto. etc. Esse histórico envolve regime de chuvas. por mais de um ano. 6. as empresas de melhoramento genético vão partir para aumentar sua participação no mercado. às vezes.2. em produção e comercialização de sementes a palavra-chave é e continuará sendo: cultivar. Alguns produtores. bastante comum em leguminosas. Afinal. no entanto. de plantas daninhas. essencialmente nas espécies 36 . que irão prejudicar ou inviabilizar o material obtido como semente.

seja para controle das mesmas. sendo preferível que tenha sido ocupado com gramíneas. b) Espécies silvestres O conhecimento das plantas daninhas predominantes no campo é de primordial importância pois. ocorreram as consideradas proibidas para a região. de insetos. causada pela bactéria Pseudomonas solanacearum. que irão trazer problemas para a cultura posterior. se entre as nocivas. seja para as inspeções. desde a fase de escolha e instalação do campo para produção de sementes. ter-se-ão menores transtornos. as plantas voluntárias surgidas podem ser as plantas hospedeiras de microrganismos patogênicos e. Dependendo dos problemas ocorridos na cultura anterior. principalmente as consideradas nocivas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos forrageiras. dentre os quais podem existir os vetores de doenças. principalmente. que pode ficar no solo por vários anos. evitar problemas fitossanitários. onde culturas sucessivas ocasionam o comprometimento total do campo. pois aquelas podem constituir-se através de seus restos de culturas em fontes de inóculo ou de hospedeiro. Essas sementes. polinizadoras ou ocasionadoras de contaminações varietais. houver condições de se desprezar aquelas áreas mais problemáticas com ervas daninhas. O negativo. o que o torna não indicado para instalação de um campo para produção de sementes de arroz. colheita e posterior beneficiamento. há o fato de que elas podem se enquadrar dentro daquelas consideradas silvestres nocivas (Tabela 2). uma vez germinando e desenvolvendo-se em plantas adultas. Outro exemplo é o caso da murcha em batata. Outros problemas relacionados com a cultura anterior são os de doenças e pragas. Um exemplo típico desse caso é o da cultura do amendoim. não semeadas pelo homem). No caso do feijoeiro. há o comprometimento da pureza varietal e genética da semente. Se. o próprio solo pode tornar-se o veículo ou a fonte de inóculo das doenças. Por outro lado. Esses cuidados visam. c) Insetos A presença de insetos necessita ser encarada sob dois aspectos: o positivo e o negativo. Para um melhor exame da ocorrência de plantas daninhas e situação do cultivo anterior. o terreno não deve ter sido cultivado com a espécie ou com outras leguminosas em geral. caso se cultive em tal área. além de ser mais fácil produzir em áreas livres da concorrência dessas. por problema de doenças. também. tornar-se-ão plantas voluntárias (isto é. Um exemplo bem típico é o caso da presença de arroz vermelho e/ou preto em um campo. Por qualquer um dos processos. recomenda-se que o campo seja inspecionado antes que seja lavrado. com os efeitos comumente abordados e conhecidos para as 37 . E. principalmente por causa da murcha de Sclerotium. o problema será maior para se garantir o sucesso do campo.

) Pers. a cenoura e as brássicas. Nome comum Nome científico Alho silvestre Allium vineale Angiquinho Aeschynomene rudis Benth Arroz vermelho Oryza sativa L. o girassol. as flores são acessíveis também a outros insetos. enquanto que. onde o desenvolvimento da semente torna-se praticamente impossível sem a intervenção de uma espécie particular de inseto. Arroz preto Oryza sativa L. a alface. mosquitos.Espécies consideradas plantas nocivas na maioria das regiões de cultivo. porém. em outras famílias. Polígono Poligonum spp Rumex Rumex spp Sida Sida spp Sorgo de alepo Sorghum halepense (L. Tabela 2 . por abelhas. Lepidoptera (borboletas e mariposas).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos culturas normais. Tiririca Cyperus rotundus L. A ordem Thisanoptera (trips) apresenta várias formas que visitam as flores. como por exemplo o algodoeiro. principalmente. etc. distribuídas em 26 famílias. As ordens de insetos polinizadores que merecem destaque são: Coleoptera (besouros). O aspecto positivo. menos considerado.) e Hymenoptera (vespas. Capim anoni Eragrostis plana Ness Canevão Echynochloa spp Cuscuta Cuscuta spp Feijão miúdo Vigna unguiculata (L. a cebola. envolve a relação planta-inseto no tocante à polinização. A família da leguminosas é a que apresenta espécies mais adaptadas para polinização por insetos. que 38 . Em algumas espécies existe uma alta especialização na relação envolvendo a planta e o inseto. portanto. a estrutura da flor é que garante essa especialidade. Diptera (moscas. A quantidade de espécies de insetos que habitualmente visitam as flores atinge a centenas de milhares e alguns milhares desses beneficiam as espécies produtoras de sementes. locais favoráveis à presença de insetos necessitam ser evitados.) Walp Ipomoea Ipomoea spp Nabo Raphanus raphanistrum L. abelhas e outros). Nessas espécies. Bohart & Koerber (1972) relacionaram 116 espécies de plantas cultivadas nos Estados Unidos. a contribuição desses minúsculos insetos é pequena.

O uso. potencialmente. ainda mais quando forem de novas variedades. cada semente originará 20 sementes viáveis para serem semeadas na próxima safra. levando em consideração o custo/benefício da qualidade. às vezes indiscriminado. Em suma. locais preservados como habitat natural destes insetos. com reduzida qualidade fisiológica. Um exemplo típico é o de Bomus sp. resultando em sério problema na produção de sementes. porém a sua presença tem se tornado restrita. Com baixos estandes de campo há. tem diminuído esses insetos úteis em suas formas selvagens. uma baixa densidade de semeadura proporcionará uma maior taxa de multiplicação semente-semente. de inseticidas.Para produção de sementes certificadas. de forma que esta não coincida com períodos de alta temperatura. Conhecida a particularidade da cultura. sementes de alta qualidade. Enfatiza-se que.Há regiões onde o período das chuvas é bem definido. muitas vezes. Nessas condições. é necessário que na escolha do campo seja levado em conta a presença de tais insetos. Eliminando-se o principal fator de deterioração de campo. Outro aspecto da época de semeadura está relacionado à fase reprodutiva. o melhor período para produção de sementes de alta qualidade não coincide com o melhor período para alta produção de grãos. que é a incidência de chuvas após a maturidade das sementes. Semeadura a) Época de semeadura . b) Densidade de semeadura . consideradas como de maior qualidade genética. propiciando que cada planta resultante produza mais sementes. que propiciarão o desenvolvimento de sementes mal formadas. É aconselhável que essas sementes tenham uma alta taxa de multiplicação. a época de semeadura é uma opção gerencial. utilizam-se sementes da classe registrada ou básica. nas regiões agrícolas. uma compensação onde as plantas se desenvolvem mais ou emitem mais perfilhos. Dessa maneira. recomenda-se que se utilizem baixas densidades de semeadura. em termos de polinização por insetos. 6.3. 39 . Em soja a taxa normal de multiplicação semente-semente é de 1:20. podendo planejar-se para que a semeadura seja realizada de forma que a colheita seja realizada em período de seca. além do fato de serem cada vez menos comuns. ou seja. (mamangava) que se caracteriza por ser excelente polinizador de Crotalaria. para que realmente sejam utilizadas pelos agricultores em larga escala. obtém-se assim. que varia entre as distintas espécies de sementes. dentro de certos limites.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos necessitam ou são beneficiadas com a polinização de insetos.

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Exemplo de cálculo de semeadura Considerando uma população de 300. o que é bastante importante no caso de soja.5m = 200 linhas c) Em 1. a fim de haver sincronismo na emergência e posterior floração. bem como sementes de maior qualidade. neste sentido. a densidade será: 15/0. Essa densidade de semeadura seria para um lote de sementes com 100% de germinação.0ha teremos 200 linhas de 100m de comprimento d) As sementes vão ser distribuídas em 200 linhas x 100m = 20. o cálculo de quantas sementes devem ser distribuídas por metro linear. Adubação Os solos férteis devem ser preferidos para multiplicação de sementes. dificultam as inspeções de controle de qualidade e não são um bom cartão de visitas da empresa de sementes.5m.000m e) Dessa maneira.8 = 19 sementes/m linear. tem-se: 100m/0. o número de sementes por metro linear será: 300. em sua qualidade fisiológica e física. demonstra-se. assim como na sua composição química e.000 plantas de soja/ha. considerando o espaço entre as linhas de 0. são necessários para formação e desenvolvimento de novos órgãos e de materiais de reserva a serem acumulados. Entretanto. a disponibilidade de nutrientes influi na boa formação do embrião. além dos problemas de produção. Entretanto.000m2 ou um quadrado de 100m x 100m b) Assim. 6. Fósforo e Potássio). do órgão de reserva e do tecido protetor. NPK (Nitrogênio. Várias foram as pesquisas realizadas relacionando adubação com qualidade fisiológica e física de sementes. em um lote de sementes com 80% de germinação. a seguir. conseqüentemente. o solo deve ser bem preparado para que as sementes tenham a mesma profundidade de semeadura e mesmo contato solo-semente. a) 1. Dessa maneira. em 100m.4. onde é necessário também que haja uniformidade no estande e.0ha = 10. Os nutrientes.000 plantas/20. Identifica-se uma estreita relação entre a quantidade de nutrientes aplicados à planta-mãe e sua posterior determinação na semente. essa mesma tendência muitas vezes não é constatada em 40 . pois neles se obtém não só as maiores produções.000 = 15 sementes/m. é mais importante para produção de sementes. Campos desuniformes de produção de sementes. Entretanto. c) Preparo do solo – Uma boa emergência é essencial tanto para produção de grãos como para produção de sementes.

A pureza varietal também pode ser mantida semeando-se pequenas parcelas todos os anos e retirando-se as plantas atípicas. 6. em média.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos relação à qualidade das sementes pelos testes rotineiros de avaliação. 120 sementes/ planta. Manutenção da variedade A manutenção das características próprias de uma variedade é conseguida através da produção de sementes genéticas. que apresentará um bom desempenho mesmo sob condições adversas. em termos quantitativos. As sementes. é o microelemento boro que auxilia na retenção das flores em uma planta de soja. Um dos efeitos da produção de sementes em solos pouco férteis é a produção de sementes de menor tamanho. A pesquisa já demonstrou que sementes de soja com mais conteúdo de fósforo irão originar plantas que produzirão mais. Salienta-se que solos ricos em cálcio propiciam a formação de um melhor tegumento em sementes de soja. O procedimento consiste na seleção de algumas centenas de plantas (conforme a necessidade) e semeadura de cada unidade em uma linha. Mesmo assim. a "purificação da variedade" é obtida normalmente pelo sistema de produção planta por linha. não quer dizer menor qualidade. as sementes de cada planta são semeadas isoladamente em linha. cujo acréscimo pode alcançar 10% Outro elemente importante na produção de sementes.5. espiga-panícula por linha e planta ou espiga-panícula por cova. 41 . é possível que a porcentagem de plantas fora de tipo dentro da variedade. já se determinou efeitos positivos de fósforo para sementes de soja. totalizando 200 linhas. o que. Através desse procedimento. aumente. c) na época apropriada de semeadura. a porcentagem de misturas de variedade decrescerá ano a ano. as quais tornam-se mais resistentes aos danos mecânicos. Entretanto. Em sementes de cereais e leguminosas. Entretanto. então. em situações em que uma linha apresente variações e as mesmas não sejam detectadas. Caso esse procedimento seja adotado. inclusive. Apenas as linhas que estejam de acordo com as características da variedade são colhidas. necessariamente. A produção de sementes genéticas de soja pode ser ilustrada da seguinte forma: a) são colhidas 200 plantas de uma determinada cultivar. são juntadas para início do programa de multiplicação de sementes puras. sabe-se que uma planta bem nutrida produzirá uma semente normal. é essencial que centenas de linhas sejam produzidas. b) cada planta é trilhada isoladamente fornecendo.

das 120 sementes colocadas em linha no solo.400 plantas.728.000 sementes pesarão 216.0 MF 1. Desta maneira o custo da semente será aproximadamente US$10. as 1.00.000 gramas ou 216kg. originem 90 plantas/linha. em que colhiamse plantas com um mesmo estadio de maturação e plantava-se para analisar a população resultante.000 sementes genéticas e h) considerando que 8 sementes pesam 1. tratos culturais. manejo.maturação (%) – (F1) semeado Adiantada Campo Fisiológica Verde MC 2. as 160 linhas x 90 plantas/linha totalizarão 14.Comportamento da maturação de plantas de soja provenientes de sementes colhidas de dois estádios de maturação. f) dessa forma.400 plantas. as amareladas. 216kg de semente genética. g) considerando 120 sementes/plantas x 14. Em todos os anos do estudo era possível colher em uma mesma época quatro tipos de plantas. Tabela 3 . potencialmente.0 MA = Maturação Adiantada. ter-se-á 1. Enfatiza-se que o custo de produção desses 216kg de semente genética situase ao redor US$ 2. MC = Maturação de Campo: MF = Maturação Fisiológica. assim a semente genética é multiplicada mais três vezes para diminuir o seu custo. e) considerando que. etc. apresentam as sua caraterísticas. Apesar de barata o valor absoluto da semente genética é alto.00/kg (2.728. esse valor foi estimado como mínimo. Dessa forma. colhem-se mais ou menos plantas para a produção das mesmas.216). as maduras e as plantas já quase secas (Tabela 3).5 53. Material Material colhido .0 grama. Outro aspecto da necessidade do processo de manutenção de cultivares é que em geral as cultivares. a colheita de 200 plantas de uma determinada cultivar de soja produzirá.200.00 40. e quando esse ambiente muda alguns gens que estavam sem se manisfestar.5 54.5 3. quando são lançadas apresentam uniformidade para umdeterminado ambiente. 42 . pessoal de campo. Conforme a necessidade. MV = Maturação Verde.5 5. isso considerando o envolvimento do fitomelhorista para coleta e analise das plantas. Normalmente a semente certificada é vendida ao agricultor por menos de um dolar por kg.200. Neste sentido levou-se a cabo um estudo de três anos em uma região tropical.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos d) considerando um descarte de 40 linhas devido a plantas e/ou linhas atípicas. as verdes. serão colhidas 160 linhas.0 40.

maior proporção de sementes menores. considerando o nível tecnológico do produtor. entretanto por segurança. b) fase de florescimento . para as de sementes expostas. mais sujeito a problemas fitossanitários e de altas precipitações na fase de colheita. o efeito maior é por ocasião da emergência do estilo-estigma.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Colhendo só as plantas maduras e plantando novamente (MF) observa-se que a tendência era que na época de colheita havia mais plantas maduras. resultando em menor produção. a eliminação de plantas fora de tipo irá trazer benefícios para a pureza varietal e.água em abundância. a irrigação torna-se. Outro fato que vem enfatizar a importância da irrigação para a produção de sementes é a necessidade de clima compatível com a qualidade das sementes. tem mostrado excelentes resultados na produção para o consumo em geral e é de se esperar que. Como a produção é feita na estação seca do ano. entretanto sempre havia uma proporção de plantas em outro estádio de maturação (Tabela 3). Situação semelhante ocorre com o feijoeiro. empregada dentro das técnicas modernas. Tais condições são fundamentais na produção de hortaliças. Irrigação A irrigação. Em milho. o momento em que o mesmo ocorre. para aquelas espécies de frutos secos e. bem como a sua intensidade. baixa precipitação pluvial e um período bem definido na fase de maturidade e colheita das sementes. É evidente que há outros farores não genéticos que podem causar desuniformidade na maturação. ou dos períodos críticos de déficit de água. Com relação ao estresse hídrico.água limitada. variarem de acordo com as culturas. isto é. c) fase de desenvolvimento da semente . com menor velocidade de germinação. a planta não pode sofrer nenhum processo de estresse.6. os retornos sejam maiores. em se tratando de produção de sementes. O aconselhável é ter baixa umidade relativa do ar. 6. como alface e cenoura. com isso. nesse caso. d) final de maturidade da semente . vigor. potencializar odesempenho de uma cultivar. imprescindível. o suprimento ou as necessidades da maioria das espécies para a produção de sementes podem ser assim especificados em função dos estádios de desenvolvimento da planta: a) fase de estabelecimento da cultura e de crescimento vegetativo até o início de florescimento . apresenta-se com melhores condições que o das águas. 43 . isso para assegurar o desenvolvimento do maior número possível de sementes. pois o cultivado no período da seca ou inverno. sob irrigação. Desta maeira é fácil de entender a razão de se rejeitar ao redor de 20% de plantas fora de tipo. Apesar das necessidades máximas.sem água. pode afetar a produção de sementes e a sua qualidade.água em abundância. nesse estádio. mais especificamente.

e combinação com outros métodos de isolamento. O primeiro aspecto que necessita ser considerado para o isolamento de uma espécie é a sua taxa de polinização cruzada. distância que o grão de pólen pode alcançar. número de grãos de pólen produzido por unidade floral da variedade. a chance de pólen estranho vir a realizar a fecundação é pequena. 6. Nesse sentido. até que a partir de uma certa distância existe somente uma pequena vantagem nessa separação (Fig. às vezes. Nessa situação. O fornecimento da água pode ser feito por vários processos. necessariamente.7. Isolamento Os campos para produção de sementes de cada variedade ou híbrido devem estar isolados ou separados. apesar de ser empregado na maioria das condições. para não interferir no trabalho polinizador das abelhas e não trazer distúrbios ou diminuir os seus efeitos na germinação do grão de pólen e no crescimento do tubo polínico. recomenda-se que a irrigação por aspersão seja feita no período noturno. Na prática. os mais comuns para a maioria das culturas são os de sulcos de infiltração e os de aspersão. A melhor proteção contra a fertilização por pólen estranho é a de um suprimento abundante de pólen da própria variedade na ocasião em que o estigma encontra-se receptivo. a distância entre as culturas a serem isoladas é função de: período de viabilidade do grão de pólen. Na Tabela 4 é apresentada uma lista de plantas autógamas e alógamas. que os melhores níveis de umidade no solo para produção de sementes em termos de rendimentos não são. face ao microclima criado. em campos para produção de sementes alógamas (polinização cruzada). O sistema de aspersão. insetos). apresenta o inconveniente de afetar a polinização e favorecer o surgimento de doenças foliares. Deve-se considerar que muitas das espécies enquadradas como autógamas podem apresentar uma taxa elevada de cruzamento. isso necessita ser complementado pelo isolamento. de início. modo pelo qual o grão de pólen é transportado (vento. 3). É o caso do algodão e sorgo. até 50%.é o procedimento mais comumente empregado e o mais efetivamente controlado pelo produtor de sementes. 44 . Além desse aspecto.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos É interessante considerar. todavia. um decréscimo rápido da porcentagem de contaminação. os mesmos indicados como melhores para produção de sementes de qualidade. pois controla a distância do campo à fonte de contaminação de pólen. seguindo de forma mais gradual. Dentre esses. entretanto. O isolamento dos campos de produção de sementes pode ser realizado através de: a) Espaço . a fim de evitar contaminação genética através da polinização cruzada e contaminação mecânica durante a colheita. classe de semente a ser produzida. Sabe-se que com o aumento da distância ocorre. que podem atingir taxas acima de 10% e.

Em função desses aspectos é que são definidas as distâncias mínimas de isolamento (Tabela 5).Tipo de polinização de algumas espécies. 800m para a registrada e 400m para a certificada. como exemplo. Capitata Repolho Trifolium repens Trevo branco *Freqüentemente. Assim. Autógamas Nome científico Lactuca sativa Alface Hirsutum officinallis Algodão* Arachis hypogaea Amendoim Oryza sativa Arroz Avena sativa Aveia Hordeum vulgare Cevada Crotalaria juncea Crotalaria Pisum sativum Ervilha Phaseolus vulgaris Feijão Linum usitatissimum Linho Glycine max Soja Sorghum bicolor Sorgo Lycopersicom lycopersicum Tomate Triticum aestivum Trigo Alógamas Nome científico Medicago sativa Alfafa Lolium multiflorum Azevém Beta vulgaris Beterraba Allium cepa Cebola Secale cereale Centeio Lotus corniculatus Cornichão Helianthus annus Girassol Citrullus vulgaris Melancia Zea mays Milho Brassica oleracea var. para a cebola (alógama). recomenda-se distância mínima de 1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 4 . mais de 10% de polinização cruzada. maior será o rigor em termos de isolamento. sendo que.600m para a classe de semente básica. 45 . quanto mais alta a classe da semente.

BRASIL. de acordo com as normas de produção de sementes do Estado do RS .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos % contaminação na semente 30 20 10 0 100 Distância da fonte ( m ) 200 Figura 3 – Diminuição da contaminação de azevém em função da distância do contaminante. Espécie Algodão Arroz Cevada Colza Feijão Forrageiras alógamas Forrageiras autógamas Linho Soja Sorgo Trigo Milho 46 Distância (m) 100 3 3 400 20 500 10 3 3 200 3 200 .Isolamento mínimo para campos de produção de sementes. Tabela 5 .

se forem feitas semeaduras de bordaduras. que irão se constituir em barreiras vegetais. Para o caso do milho. no mínimo. essa deverá ser plantada com o milho ou outra cultura que tenha. 6. É um procedimento utilizado quando existem no campo de sementes plantas polinizadoras indesejáveis e/ou plantas de ervas daninhas. matos. b) espécies indesejáveis que produzam sementes em profusão e causem contaminação mecânica na colheita. podem complementar o isolamento. de 200 e 100 m. 47 . bem como a atividade dos insetos. pimentão) e malváceas (quiabo). uma diferença de 25 dias é o suficiente. bosques.a distância mínima de isolamento pode ser reduzida. a direção e o sentido dos ventos predominantes no local. necessitam um isolamento semelhante ao das alógamas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos b) Época de semeadura . como solanáceas (berinjela. ainda. desde que as emergências ocorram de forma uniforme e não haja diferença de ciclo entre as cultivares consideradas. Descontaminação (depuração) A descontaminação é a limpeza total e sistemática com a remoção de plantas indesejáveis de um campo para produção de sementes. evitando perda de sementes por problemas de qualidade. como elevações do terreno. a distância mínima de isolamento recomendada para produção de semente básica e certificada de algodão é. sendo que o número mínimo de fileiras é definido em função do tamanho da área cultivada. respectivamente. chegando a até 1500 m. Como cuidados complementares. Se isso for feito. um terço de altura a mais que o algodoeiro e toda a barreira deve ser da mesma espécie. pois espécies autógamas com alguma polinização de insetos.esse tipo de isolamento pode ser utilizado de maneira que o florescimento de cada variedade (ou entre o campo e a cultura comercial da espécie) ocorra em épocas diferentes. deve-se levar em consideração. Dessa forma. respectivamente. c) Barreiras .8. a distância passa a ser 50 e 25 m. para as sementes básicas e certificadas. O número é inversamente proporcional ao tamanho da área e à distância entre o campo de produção e a lavoura mais próxima da espécie. A descontaminação permite retirar: a) plantas de espécies indesejáveis que possam polinizar a espécie cultivada. Se for interposta uma cortina vegetal entre os campos. Podem ser linhas de bordadura com a variedade ou com o híbrido polinizador. assim como barreiras formadas por plantas cultivadas. Barreiras naturais.

a obrigatoriedade do produtor de sementes realizar a descontaminação está exatamente aí. ficando uma delas na supervisão. Para a descontaminação. Caso esta planta não seja eliminada. garantindo uma semente de alta qualidade para o agricultor. ou três metros. chamado rogue. Uma nova variedade lançada para uso pelo produtor. Equipes pequenas são ideais. Na soja. pois o trabalho requer muita atenção e quanto maior a equipe de trabalho. O recomendado são equipes de seis pessoas. Objetivamente. Os operários podem levar sacos para colocar o material erradicado. remanescentes no solo. O trabalho começa em determinada parte da lavoura e a equipe deve chegar até o final das linhas. uniformidade. identificar diferenças entre características agronômicas e morfológicas. mais difícil será realizá-lo. na manutenção da pureza genética.consegue-se. a pragas. caminhando. em pouco tempo perderá sua integridade. a descontaminação precisa ser realizada antes que seja comprometida a qualidade da semente. o que resultará da "nova variedade"? Pense em 120 sementes x 50 plantas na geração seguinte e assim por diante. Imagine. será mais visível a identificação de plântulas voluntárias provenientes de cultivos anteriores. resultado de uma única planta não erradicada. Os períodos de realização da descontaminação mais importantes são: a) Pós-emergência – assim que puderem ser identificadas as plântulas (coloração do hipocótilo em soja). produzindo 120 sementes que se multiplicarão na geração seguinte. hábito de crescimento e plântulas fora das linhas. caso não existam cuidados na manutenção de suas características genéticas. Entretanto. precocidade e produtividade. em linha oblíqua.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos c) plantas daninhas que são difíceis de controlar pelas práticas culturais ou herbicidas e que produzam sementes de difícil separação no beneficiamento e d) plantas doentes que possam ser fonte de contaminação para as culturas ou áreas de produção de sementes. esta última. a cor da flor. Outro aspecto que também pode ser observado é o tamanho. características essas trabalhadas por um longo período pelo melhorista que ali introduziu resistência a doenças. Cada operário fica responsável por seis linhas. geralmente nessa etapa. Logo. jogando-os fora da lavoura. a permanência de uma planta atípica nessa lavoura. então. entre outras características. deve-se selecionar e treinar pessoas para que estas tenham a capacidade de distinguir plantas diferentes da cultivar que está sendo produzida ou plantas indesejáveis (nocivas proibidas ou toleradas). b) Floração . 48 . e levá-lo até o final das linhas de caminhamento.

7.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos ciclo da planta. é importante comentar sobre a flor e seus componentes (Fig. em dias. em função de uma cultivar ser de maturidade precoce ou tardia. 49 . de senescência das plantas. onde características de semente e fruto podem ser observadas e comparadas. para a maioria dos espécies. começando o processo lento. FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES Uma vez completada a fase vegetativa de uma planta. pois vários tipos de plantas indesejáveis e misturas varietais podem ser identificadas facilmente. A semente já está sendo formada. auxiliando no controle de qualidade. 4). presença de pubescência. esta é irreversível e determina a perpetuação da espécie. 7. mas irreversível.nesse período. cuja duração é praticamente constante.a semente está formada e atingiu a maturidade fisiológica. inicia-se a fase reprodutiva. cujo período. Esse é o período mais importante para a descontaminação.1. Essa é a razão de se ter épocas recomendadas de semeadura. o conhecimento. d) Pós-floração . e) Pré-colheita . forma de folíolo. as folhas começam a cair e secar. o estigma não é mais receptivo e a liberação de pólen cessou. Fecundação Antes de caracterizar a fecundação. coloração das folhas. Quando iniciada a fase reprodutiva da planta. pois entre os fatores que determinam a qualidade das sementes estão as condições de ambiente predominantes na fase de florescimento/frutificação e a colheita na época adequada. principalmente no que se refere ao planejamento e a definição da época ideal de colheita. de como se processa a maturação das sementes e dos principais fatores envolvidos. pode variar bastante dentro de uma mesma cultivar. é de fundamental importância para a orientação dos produtores de sementes. O desenvolvimento e a maturação das sementes são aspectos importantes a serem considerados na tecnologia de produção de sementes. Portanto.

funde-se com o núcleo diplóide do saco embrionário (núcleos polares) e.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos As flores completas. com seus óvulos. liberando os grãos de pólen em direção ao estigma. a partir do qual surge o embrião da semente. 50 . com seus grãos de pólen. 4). Polinização Estigma Grão de Pólen Antera Tubo Polínico Antera Filamento Estgma Estilete Ovário Estame Filamento Pistilo Ovário Ovário Integumentos Núcleos Polares Oosféra Finículo Receptáculo Pedúnculo Pétula Micrópila Figura 4 – Diagrama de uma flor completa. até ao óvulo (Fig. as duas células espermáticas do grão de pólen. dando lugar ao zigoto. onde germinam. ou hermafroditas. Uma delas funde-se com o núcleo da oosfera (gameta feminino). passam ao interior do óvulo. Primeiramente. possuem órgãos masculinos. Através do tubo polínico. dessa união. as anteras rompem-se ao alcançarem a maturidade. e o feminino. pela micrópila. que são os estames. finalmente. a outra célula espermática do gameta masculino. que é o pistilo. emitindo o tubo polínico que atravessa o canal do estilete e chega. A formação da semente começa com o processo de fecundação pela união dos gametas.

tais como peso (matéria seca). como o aparecimento de inibidores no momento da MF. No período de polinização os estames estão elevados em uma posição tal que as anteras formam um anel ao redor do estigma (no caso de soja). atinge o seu maior tamanho e maior peso seco. somente depois de 32 horas (no caso de soja). provindo o tegumento de uma semente inteiramente da planta-mãe. Outro importante resultado da investigacção e do conhecimento é que somente entre 50 ou 55 dias depois da floração é que a semente chega à maturidade. O cruzamento natural varia de 0. ocorre a primeira divisão celular.5% até 1%. Esse processo denomina-se de dupla fecundação. tanto em suas funções e forma como em sua fisiologia. O pólen é liberado na direção do estigma. em geral. tamanho. resultando assim em uma alta percentagem de fertilização. ou dupla fertilização. Nesse ponto de máximas as sementes atingem máxima germinação e vigor (Fig. A polinização. no caso das sementes de soja. além de mecanismos de autoproteção. 51 . são fatos marcantes da formação completa da semente. A soma de todos os atributos. A origem de cada parte da semente vem da flor que. sendo típico das angiospermas. enquanto o endosperma é triplóide. Seguindo a dupla fertilização. em seu estádio final de desenvolvimento. germinação.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos desenvolve-se o endosperma (no caso de soja o endosperma é absorvido durante a fase de enchimento da sementes). originando a semente que. o óvulo sofre uma série de modificações.2. vigor e mais as variações ocorridas em termos de proteína. pode ser ilustrada pelas seguintes partes: Flor Oosfera Núcleos polares Micrófila Funículo Integumentos Semente Embrião (2n) Endosperma (3n) Micrópila Hilo Tegumento Como pode ser observado. 5). O tempo necessário para polinização até a fertilização varia de 8 a 10 horas. Maturidade Após a fecundação. lipídios e carboidratos. Este conhecimento é utilizado em programas de melhoramento. o embrião é diplóide. ocorre antes da total abertura da flor. 7.

l l F l i l s l i l ------------------------------------------------------o l Germinação l l ó l g l i l c l Vigor a l l 0 Dias após a antese l Ml a l t l u l r l i l d l a l d l e l l C l a l ml p l l % 50 40 30 20 10 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 Figura 5 – Tendência geral da maturação de sementes de soja. Logo após a fertilização.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Maturação de sementes de soja 100 90 80 70 60 l Ma l t l Umidade . são encaminhados para a semente em formação. tem-se que após a fertilização. pela fotossíntese. tecidos e como futuro material de reserva. onde são transformados e aproveitados para a formação de novas células. Em resumo. lipídios e outras substâncias que são acumuladas nas sementes durante o seu desenvolvimento. atingindo o máximo em curto período de tempo em relação à duração total do período de maturação. os produtos formados nas folhas. o acúmulo de 52 . Após atingir o máximo. açúcares. o tamanho da semente aumenta rapidamente. o tamanho vai diminuindo devido à perda de água pelas sementes. o que denominamos “matéria seca” da semente são as proteínas. Este rápido crescimento é devido à multiplicação e ao desenvolvimento das células do embrião e do tecido de reserva. Paralelamente. Na realidade.

Desse modo. cessando a conexão plantasemente. iniciando o processo de secagem no campo. conseqüentemente. 53 . de modo a evitar a sua germinação ainda no fruto. pode-se afirmar que. a semente permanece ligada à planta apenas fisicamente. Em seguida. É importante observar que durante esta fase de intenso acúmulo de matéria seca. está ocorrendo um aumento expressivo no número de células. Portanto. É nesta fase que plantas de soja começam a amarelecer. Assim.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos matéria seca se processa de maneira lenta. a sua qualidade. Esta secagem natural é uma estratégia importante para a sobrevivência. durante esta fase é primordial que haja adequada disponibilidade de água e de nutrientes no solo para que o “enchimento” das sementes seja satisfatório. Semente Umidade (%) Soja 50 Milho 35 Arroz 32 Azevém 35 Sorgo 30 Trigo 30 Feijão 45 Algodão 50 Para minimizar este problema. A partir daí. É preciso ressaltar os cuidados com a semente neste ponto. já que à medida em que perde água. a planta aciona mecanismos para promover rápida redução no teor de água das sementes. a preservar as reservas acumuladas e. em geral. a maturidade fisiológica fica caracterizada como aquele ponto após o qual a semente não recebe mais nutrientes da planta mãe. pois as divisões celulares predominam. até atingir o máximo. Muitos estudos feitos com maturação de sementes de diversas espécies apontam o ponto de máximo conteúdo de matéria seca como o melhor e mais seguro indicativo de que as sementes atingiram a maturidade fisiológica. visto ser a água o veículo responsável pela translocação do material fotossintetizado da planta para a semente. o teor de água da semente permanece alto. Tabela 6 – Grau de umidade de algumas sementes no ponto de maturidade fisiológica. a semente deve atingir a sua máxima qualidade fisiológica quando o conteúdo de matéria seca for máximo. visto que o conteúdo de reservas é máximo e o grau de umidade ainda é muito alto (Tabela 6). as reações metabólicas da semente vão diminuindo. verifica-se um aumento contínuo e rápido na matéria seca acompanhado por um aumento na germinação e no vigor. ou seja.

No entanto. Em soja. a evolução de cada uma destas características não é fácil de ser monitorada e a fixação de uma data ou época para a ocorrência da maturidade fisiológica em função de eventos como semeadura. já ela que fica exposta às intempéries. O reconhecimento prático da maturidade fisiológica tem grande importância. No caso de sementes de milho em espiga. conclui-se então que o ponto de maturidade fisiológica seria. dos frutos e/ou sementes. terão seu teor de água reduzido para 15-18% em duas semanas. a colheita das sementes nesta fase se torna difícil. Portanto. a partir da maturidade fisiológica. estado nutricional das plantas. que pode comprometer a qualidade da semente. que apresentam 50-55% de umidade na maturidade fisiológica. o alto teor de água ocasionaria danos mecânicos e haveria ainda a necessidade de utilização de um método rápido e eficiente de secagem.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Assim. pois representa o momento em que a qualidade da semente é máxima. que na prática nem sempre é possível. No caso de sementes de milho. torna-se interessante conhecer outros parâmetros que permitam detectar a maturidade fisiológica. correlacionando-a com características morfológicas da planta. Sementes de soja. Inicia-se então um período de armazenamento no campo. o mais indicado para a colheita. comprometendo a qualidade das sementes. teoricamente. o teor de água decresce rapidamente até um ponto em que começa a oscilar de acordo com a umidade relativa do ar. passando a sofrer influência do ambiente. é importante que as condições de ambiente permitam esta rápida desidratação das sementes. aparece a ponta negra. Evidentemente. em condições de campo. a maturidade fisiológica pode ser caracterizada por: início da redução do tamanho das sementes. o que se torna especialmente grave em regiões onde o final da maturação coincide com períodos chuvosos. A ocorrência de chuvas prolongadas e alta umidade relativa do ar nesta ocasião retardarão o processo de secagem natural. o que dificultaria a colheita mecânica. uma vez que a planta ainda apresenta grande quantidade de ramos e folhas verdes. Pelo exposto. o tempo para reduzir a umidade de 35 (MF) para 13-18% é entre 30 a 45 dias. pois caracteriza o momento em que a semente deixa de receber nutrientes da planta. em condições ambientais favoráveis. que estarão sujeitas à deterioração no campo. ausência de sementes verde-amareladas e hilo não apresentando mais a mesma coloração do tegumento. florescimento e frutificação pode apresentar diferenças para uma mesma espécie e cultivar em função das condições de clima. 54 . Além disso. É importante ressaltar que. o que indica que a partir daí a planta mãe não exerce mais influência sobre a umidade das sementes. dentre outros fatores.

também conhecida como deterioração por umidade. flutuações da umidade ambiental. Existe um ditado popular de amplo conhecimento nos meios sementeiros.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Após todas essas considerações.1. é a fase do processo de deterioração que ocorre depois do ponto de maturação fisiológica. que deve ser recordado porque sempre terá validade: “a semente é feita no campo”. Tais fatores abarcam extremos de temperatura durante a maturação. e antes que as sementes sejam colhidas. Isto significa que a qualidade das sementes é estabelecida durante a etapa de produção no campo. É um dos fatores que mais afeta a qualidade das sementes de soja. além de adoção de técnicas inadequadas de colheita. que normalmente é de duas semanas. normalmente. O intervalo entre a maturação fisiológica e a colheita. sendo que as demais etapas. que poderão prejudicar seriamente a qualidade. presença de insetos. fica claro que conhecer e entender o processo de desenvolvimento/maturação das sementes bem como as principais mudanças que ocorrem desde a sua formação até a maturidade fisiológica se constitui em importante suporte para que os problemas típicos desta fase da vida da semente possam ser contornados e as sementes colhidas apresentem elevado padrão de qualidade. incluindo secas. as condições climáticas no campo são 55 . poderão somente manter a qualidade. como por exemplo a secagem. A seguir. São alguns dos patógenos mais freqüentemente associados com as sementes de soja. deficiências na nutrição das plantas. Phomopsis sp. Colletotrichum truncatum. PRODUÇÃO DE SEMENTES DE SOJA No campo. serão abordados os principais fatores que podem afetar a qualidade das sementes de soja no campo e as possíveis alternativas que podem ser adotadas para superar tais limitações. causador da mancha púrpura e Fusarium spp. raramente. causador de antracnose. As sementes de soja. 8. 8. o processamento e o armazenamento. Diversos patógenos de campo podem também afetar a qualidade das sementes de soja. têm no ponto de maturação fisiológica a mais alta viabilidade e o máximo vigor. Cercospora kikuchii. principalmente nas regiões tropicais e subtropicais. as sementes estão sujeitas a diversos fatores. é caracterizado como um período de armazenamento e. Deterioração no campo A deterioração no campo.

durante o processo natural de secagem no campo. na região oposta ao hilo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos favoráveis para a conservação da qualidade das sementes. especialmente em regiões tropicais. ou com o ajuste da época de semeadura para a produção de sementes. sem que ocorra redução na germinação e vigor. comuns em regiões tropicais. Esta será todavia mais intensa se tais condições estiverem associadas com temperaturas elevadas.2. Diversas práticas podem ser utilizadas para minimizar as conseqüências da deterioração da semente no campo. em média. podem reduzir o vigor e a germinação. A presença de rugas nos cotilédones.3. para que o grau de umidade das sementes seja reduzido a níveis adequados. o grau de umidade se encontra abaixo de 18%. ao infectar as sementes. deverá estar disponível uma estrutura adequada de secadores. já que as sementes deterioradas são extremamente vulneráveis aos impactos mecânicos. Tais condições não são facilmente encontradas em regiões tropicais. A produção de sementes de alta qualidade requer que as fases de maturação e de colheita ocorram em condições climáticas secas. é um sintoma típico da deterioração por umidade. especialmente em regiões tropicaies. A exposição de sementes de soja a ciclos alternados de alta e baixa umidade antes da colheita. As sementes são normalmente colhidas quando. a deterioração por umidade pode resultar em um índice maior de danos mecânicos na colheita. A deterioração a campo pode ser intensificada pela interação com alguns fungos. associadas com temperaturas amenas. pela primeira vez. Para cada 160 m de elevação em altitude. e Colletotrichum truncatum. 8. ou às flutuações diárias de umidade relativa do ar. Momento de colheita As sementes devem ser colhidas no momento adequado. que. Além das conseqüências diretas na qualidade das sementes. resultam na deterioração por umidade. como Phomopsis spp. uma redução de 1°C 56 . ocorre. evitando-se qualquer atraso na colheita. Seleção de regiões e épocas mais propícias para produção de sementes A seleção de áreas mais apropiadas para a produção de sementes de soja de alta qualidade requer estudos de investigação apropriados. as quais serão abordadas a seguir: 8. evitando a produção de elevados índices de danos mecânicos. Além disso. porém podem encontrar-se em regiões com altitude superior a 700 m. devido à ocorrência de chuvas freqüentes. Esta operação requer que o produtor de sementes tenha amplos conhecimentos de regulagem do sistema de trilha.

Para a produção de grãos. Muitas vezes. através da comparação do ciclo das cultivares de soja utilizadas. Se pode selecionar a época de semeadura que propicie menores índices de deterioração por umidade nas sementes. Entretanto. Além de permitir o control de tais enfermidades. Estresse ocasionado por seca e alta temperatura durante o enchimento de grãos A ocorrência de altas temperaturas associadas com baixa disponibilidade hídrica durante a fase de enchimento de grãos pode resultar em reduções na produtividade como também na germinação e no vigor das sementes. conforme é recomendado. Como regra geral. A época de semeadura deve ser ajustada para que a maturação das sementes ocorra em condições de temperaturas amenas associadas com menores índices de precipitação. propiciando uma menor poluição ambiental e economia aos produtores de soja. a maturação e a colheita da semente de soja devem ocorrer mais ou menos a 22°C de temperatura. A intensidade de tais sintomas é dependente do nível de ocorrência dessas 57 . causado por Microsphaera diffusa.4. 8. imaturas ou verdes. altas produtividades são sacrificadas em favor da obtenção de sementes de melhor qualidade. As sementes de soja submetidas a estresse de alta temperatura e seca podem ser pequenas e menos densas. a época de semeadura deve ser ajustada de modo que possa obter-se produtividades máximas. Em regiões tropicais e subtropicais. 8. a utilização de fungicidas foliares. observando-se específicamente a época de ocorrência da maturação e colheita com os padrões de chuvas de uma determinada região.5. pode propiciar melhores rendimentos e alta qualidade de sementes.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos na temperatura. Aplicação de fungicidas foliares No Brasil. enrugadas ou deformadas. A criação e utilização de cultivares resistentes às principais enfermidades resultará em uma menor necessidade de aplicação de fungicidas foliares. o fator qualidade tem prioridade sobre o fator produtividade. para a produção de sementes. a aplicação de fungicidas foliares é recomendada para o controle de algumas enfermidades que aparecem ao final do ciclo (mancha parda. existem diferentes épocas de semeadura para a produção de grãos e para a produção de sementes. causada por Septoria glycines) e para o controle de oídio. Entretanto. se deve mencionar que um dos melhores métodos para o controle de patógenos transmitidos por sementes é o uso de cultivares resistentes.

enquanto o duplo é o resultado do cruzamento de dois híbridos duplos. triplos e duplos. poderá ocorrer interrupção do desenvolvimento das sementes. as sementes produzidas serão menores e a redução da germinação nem sempre será constatada. Lotes com elevadas percentagens de sementes enrugadas não devem ser utilizados para a semeadura. Em termos de produção de sementes de cada um dos híbridos.5%. há algumas peculiaridades que merecem ser destacadas. podendo ser deformadas e enrugadas. No caso de um curto período de seca. É normal nos campos de produção de sementes. 8.6.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos condições. que se faça mais de uma aplicação de inseticida para controle de inseto. A colonização dos tecidos das sementes por essa levadura causa sérias necroses. Nos campos de produção de sementes. enquanto 58 . pois sua qualidade já estará comprometida. Os híbridos simples são o resultado do cruzamento de duas linhas puras. como também da cultivar que está sendo utilizada. que ocorra durante a fase do enchimento de grãos. porém. caso a incidência seja superior a 0.2 t/ha) a produção de milho híbrido simples é mais difícil. O controle dos insetos nos campos de produção de sementes deve ser realizado com muita atenção. As sementes picadas podem apresentar manchas típicas. a redução no vigor será evidente. o que resultará na produção de sementes mais leves e enrugadas. é recomendável fazer o controle. Danos causados por insetos Outro tipo de dano que vem causando sérios prejuízos à indústria de sementes é o que resulta da incidência de insetos. Um estresse severo de altas temperaturas (> 30oC) associado com déficits hídrico coincidindo com a fase de enchimento dos grãos. A presença desse inseto deve ser constantemente monitorada. As espécies mais freqüentemente encontradas no campo são Nezara viridula. PRODUÇÃO DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO Pode-se dividir os híbridos de milho em simples. Quando os insetos se alimentam das sementes de soja. resultando em perdas de germinação e de vigor. Os danos causados por tais insetos às sementes de soja são irreversíveis. Piezodorus guildini y Euschistus heros. associado com alta temperatura. 9. Como a linha pura produz pouca semente (± 1. eles inoculam a levadura Nematospora coryli. em regiões tropicais. os híbridos triplos resultam do cruzamento de um híbrido simples e uma linha pura.

pois as sementes de milho 59 . Mesmo com todas precauções. Sementes de milho híbrido simples custam mais. O despendoamento é uma tarefa difícil que consiste em retirar o pendão antes que esteja liberando pólen sem danificar muito planta (quanto mais folhas saem junto com o pendão menos é a produção de sementes). neste caso. . tem-se 48 horas para removê-lo.Colheita Começa-se pelas linhas do macho para minimizar os problemas de mistura. Estima-se o tempo necessário em função dos graus dias necessários para florescer. Estima-se que sejam necessárias 90 horas de trabalhos para despendoar um ha. O despendoamento é crítico e muitas vezes coincide com períodos chuvosos. A outra é devido a qualidade fisiológica. Ainda sobre semeadura. é aconselhável realizar a seleção das espigas no momento da colheita. pois na sua formação envolve híbrido simples os que potencialmente possuem as maiores produtividades. deve-se marcar as linhas do macho com algum mecanismo (colocar junto semente de uma outra cultura) para que no momento do despendoamento saber em que linhas atuar. requerendo do pessoal de campo muito boa vontade para trabalhar sob a chuva. Em geral. para cada 4 pessoas que despendoam. . Uma das razões para a colheita das sementes em espiga é a possibilidade de realizar-se a seleção das mesmas. entretanto. Campos para produção de sementes que apresentarem mais de um por cento de seus pendões liberando pólen devem ser rejeitados. ter uma para supervisionar. Algumas empresas cortam as linhas do macho assim que o período de polinização passou. Costuma-se.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos a obtenção de híbridos duplos é a mais fácil. Isto significa. em geral. Uma vez o pendão apontando entre as folhas.Despendoamento Atualmente utiliza-se despendoar (retirar o pendão) a fêmea para possibilitar a polinização cruzada e assim colher essas linhas para semente que serão F1. É essencial que haja sincronismo na maturação da flor feminina (boneca) com do macho (pendão) e para isso muitas vezes é necessário que um dos pais seja semeado mais tarde. Como a emissão do pendão distribui-se no tempo é comum entrar-se na lavoura 3 a 4 vezes para o despendoamento. que 25% da área não será utilizada para semente (referente a proporção do macho). principalmente por duas razões: primeiro por produzirem mais grãos em condições de alta tecnologia e a segunda por se obter menos sementes por área.Semeadura A razão de semeadura para produção de sementes vai depender da capacidade de polinização do macho. semeiam-se seis linhas da fêmea e duas do macho. há diferenças morfológicas entre as espigas do macho e da fêmea. .

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos alcançam o ponto de maturidade fisiológica com 35% de umidade.2/ha da L. VARIÁVEL Material progenitor Quantidade de sementes a ser produzida Área necessária na proporção de 3:1 (considerando produção de 5/ha) Material para semeadura (considerando 20kg/ha) Área necessária (considerando produção de 1.0kg/ha) Número de plantas necessárias (considerando 50g/planta) HÍBRIDO TRIPLO Híbrido Simples + Linha Pura 1000t 200ha do híbrido simples 67ha da linha pura 4.34t de sementes da linha pura que servirá como macho. a necessidade de produção de 1000t de um determinado híbrido triplo.0t do híbrido 1.P. percentual esse que praticamente impossibilita o degrane das sementes.P.P.07ha multiplicaçao (L.P.P.) 20kg (L.) 440 masculina (L.11ha da linha do macho 1.) 1340 feminina (L.P) 67kg feminina (L.P) Semente necessária (considerando 2. Para produzir essas sementes há necessidade de cultivar 3.P.) 22kg masculina (L. A origem das sementes Será utilizado como exemplo.33ha da linha pura fêmea e 1.33ha da linha fêmea 1.34t linha pura 3.) 400 multiplicação (L.) 60 . Para isso há necessidade de ter-se para multiplicação 4t de sementes do híbrido simples e 1.07ha para multiplicação da linha pura que servirá como macho na formação do híbrido triplo (Tabela 7).11ha da linha pura macho para formação do híbrido simples e 1. Tabela 7 – Necessidade de sementes e área em diferentes estádios de um programa de produção de sementes de milho híbrido simples.

em muitas ocasiões. o produtor de sementes o faz. em que a quantidade de sementes é bem estimada. distribuindo seu cultivo no tempo. assim. Resulta comum que chova em uma propriedade e em outra que está relativamente perto não. Há materiais que resistem mais que outros às condições adversas. em algumas ocasiões. por razões de logística. deve obter sementes de alta qualidade. elevando os custos de produção. Nestes casos. ou seja. quando é possível. A produção de sementes envolve a utilização de alta tecnologia e grandes inversões. devido ao tamanho de sua propriedade. entretanto. que neste caso é bem especial. É bom enfatizar que. E dentro de cada ciclo. utiliza.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 10. enfermidades e pragas. Contar com a quantidade precisa de sementes para atender o mercado é a chave do negócio. Por outro lado. pois consegue utilizar cooperantes bem distribuídos em uma ou mais regiões. um incremento extra da produção de 10% significa uma redução de lucros. Entretanto. por isso minimizar os riscos é essencial. para atender a clientela. pois a semente é um organismo vivo. qualquer anomalia no tempo não afetará a todos da mesma forma. e muitas vezes fazer as multiplicações fora da época de semeadura. o agricultor utiliza o procedimento de seleção de híbridos e/ou variedades. As empresas necessitam atender ao cliente. Além de trabalhar sob diferentes condições climáticas. devem ser secadas o mais cedo possível.1. a mesma não afete a todos com a mesma intensidade. guardá-la de um ciclo para outro requer condições especiais de armazenamento. pode ser que não seja com as variedades que o agricultor está requerendo. A separação em alguns quilômetros entre as propriedades dos agricultores cooperantes propiciará que no caso de alguma adversidade. excesso e a falta de semente. variedades ou híbridos de ciclo precoce. com sua sabedoria. DEMANDA DE SEMENTE Em uma empresa de sementes como em qualquer outra empresa agrícola.Distribuição do risco O agricultor. se apresentará. A distância do agricultor cooperante também influi facilitando os trabalhos de inspeção tanto 61 . O agricultor quase não realiza a distribuição no espaço. pelo que. a produção de grandes volumes resulta difícil. simultaneamente. Devido ao fato de que as margens de lucro em sementes são pequenas. médio ou tardio. minimiza parte de seus riscos. 10. pois um cliente mal atendido resulta difícil sua recuperação. não é aconselhável que o agricultor cooperante do produtor de sementes não esteja muito distante da sede da empresa. As sementes quando são colhidas úmidas. tem que produzir um produto.

o que evidencia que o risco deve ser controlado. apesar de minimizar-se a possibilidade de colocar um produto de baixa qualidade no mercado. o pessoal de produção e o da área comercial. tendo logísticas em fins e tempos muito distintas. porém o problema vem quando o risco não é considerado ou não se tem idéia de que imprevistos podem se apresentar. Em uma empresa de sementes extistem. Desta maneira. devido a que a produção é planificada com dois ou três anos de anticipação. Produção fora de época Ter um mercado e não poder atendê-lo implica em risco ou até no perigo de perdê-lo. Para evitar isso. Com o avanço da tecnologia. No processo de produção. É comum que o pessoal da área comercial solicite certa quantidade de toneladas de uma variedade e o pessoal de produção não disponha dela. Quando algo anormal sucede.2. assim como pela falta de multiplicadores de sementes com a sensibilidade de produzir algo especial. Neste caso. envolvendo a produção de sementes básicas e/ou linhas puras e outros materiais progenitores. esse processo somente agrega valor de custo à semente. entre outros. pois o agricultor não irá esmorecer sem semear suas terras. As empresas que não utilizam agricultores cooperantes sabem que concentrando a produção em um só local correm maior risco de perder parte da produção. o produtor de sementes necessita contar com um programa de controle de qualidade. pela dificuldade operacional. porém se perde um pouco o controle da produção. se minimizam os riscos das condições climáticas. buscará materiais de qualidade. os protocolos de avaliação são cada vez mais precisos e rigorosos. pois consideram que perdem no controle de qualidade. 10. ainda que. Entretanto. os efeitos são sentidos não somente no ano de sua produção. há empresas que por princípio não utilizam agricultores cooperantes para produzir semente. a capacidade de produção de sementes fora de época adquire relevância. contando por sua vez com leis que protegem seus direitos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos dos campos de produção como no momento da colheita. onde várias toneladas de sementes se produzem. Controle de qualidade Como o consumidor atual é cada vez mais exigente e está bem informado. pois o agricultor não percebe as bondades. 10. é praticamente impossível obter que todos os lotes de sementes estejam dentro dos 62 . as empresas acostumam produzir suas sementes fora de época ou da localidade tradicional de produção. que afete a produção.3.

É importante assinalar a relevante função que desempenha o produtor de semente na cadeia de agronegócios e no caso de que o sistema não esteja organizado e protegido por leis. através de um ventilador e peneiras. para o qual programas de qualidade são adotados. contrata pessoal qualificado. A escolha do método para cada situação vai depender da espécie.debulha das sementes. devem ser adotados. 10. 11. Além disso. consta basicamente de quatro operações: a) Corte da planta com suas sementes. Os produtores de semente que estão adotando o padrão de qualidade ISO 9000. separadamente ou de forma mista. pois sempre é possível oferecer um produto mais barato. b) Trilha . sendo essencial que cada lote do produto seja rastreado e.4. para isso. o comércio está trabalhando com três tipos de produtos: convencional. para a maioria das espécies cultivadas. da 63 . dos que comercializam a semente pirata. todos sofrerão as conseqüências. para conhecer os antecedentes de cada lote produzido. O assunto é assegurar-se que os lotes com problemas não cheguem ao mercado. utiliza alta tecnologia. o produtor de sementes faz inversões. Atualmente. corte manual e trilha mecanizada e vice-versa.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos padrões de qualidade estabelecidos. em especial o produtor de sementes. O uso de sementes de alta qualidade é uma inversão e deve ser analisada como tal. praticamente não recebem reclamações de sua semente. como uma mistura varietal ou contaminação. Esse procedimento assegura a qualidade de semente colocada no mercado. Essas operações podem ser realizadas de forma manual ou mecanizada. c) Separação das sementes da palha da planta através do batedor e saca-palhas. pela quantidade de riscos que têm que correr. baixando sua qualidade. geneticamente modificado e orgânico. e em caso de que ocorra alguma emergência. o produtor de sementes saberá a razão. ou seja.remoção grosseira de material bem mais leve e maior que a semente. d) Limpeza . agregando assim custos a sua semente. COLHEITA A colheita. há ocasiões em que se apresenta a competição desleal. Comentário final Para minimizar os riscos comerciais e de produção. os programas de qualidade. formais ou não.

composto de partículas de solo. ou ser beneficiado. a simples secagem é suficiente para que se processe naturalmente a trilha ou extração da semente. para ocorrer a "cura" ou "esquentamento" e. para 3 a 5 dias após. etc. mesmo para essas culturas citadas. em diversas ocasiões durante o ciclo reprodutivo. glumas vazias. b) o do corte dos colmos. Essas máquinas são empregadas na colheita de culturas de cereais (arroz. mostarda. restos de plantas. etc. cenoura. couve-flor. rabanete. O processo de colher ou recolher as sementes do solo pode ser manual ou mecanizado. repolho. de leguminosas (soja. ou parte dele. em forrageiras (leguminosas e algumas gramíneas). sementes puras. e remoção das plantas. pode ser manual. milho.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos área. o corte ou arrancamento das plantas (inflorescência ou fruto) é processado. ervilha). 64 . cebola. todo o processo. tal como ocorre para o eucalipto e o pinus. Nesse caso. no terreiro ou na UBS). denominado varredura. das condições locais. realiza-se o corte.). A colheita de sementes de forrageiras utiliza. Para determinadas espécies. por haver a deiscência do fruto e/ou degrane da semente. sorgo. da tecnologia existente. como: a) o da catação manual das vagens ou capulhos maduros. seguindo-se de formação de montes (horizontal ou vertical) cobertos com as próprias folhas. ervilha. rente ao solo. Em outras. em função da área de cultivo. o feijoeiro. feijão-vagem. A seguir. também outros. No processo de colheita mecanizada são empregadas máquinas. Esse procedimento é o usado para culturas como o amendoim. girassol) e de forrageiras. manual ou mecanicamente. beterraba. para se processar a trilha quando for atingido o grau adequado de umidade das sementes para tal operação. as sementes do solo. além dos métodos empregados normalmente para as demais culturas. ou recolher. a exemplo do que tem sido feito no Brasil com capim jaraguá (Hyparrhenia rufa) e capim gordura (Melinis minutiflora). trigo. necessitando-se a seguir de um período de secagem (no campo. Todavia.. processar-se a batedura (trilha) e c) o processo de colher. das máquinas e da economicidade do processo. salsa). afim de se ter o máximo rendimento da máquina e mínimas perdas quantitativas e qualitativas das sementes. por ocasião da queda total das sementes. No manual. é ensacado. ou inflorescências. de forma manual ou mecanizada. Em algumas espécies. como tem sido feito para Brachiaria decumbens. todo o processo pode ser realizado de forma contínua. podendo ser utilizado ou comercializado tal como está. oleaginosas (linho. há necessidade de se determinar para cada espécie o momento adequado. em hortaliças (alface. a superfície do solo é varrida e o material acumulado. logo após a MF. com o emprego das colheitadeiras combinadas que realizam as quatro operações.

impurezas. alia-se o fato de os lotes poderem apresentar alta contaminação por sementes de plantas daninhas e de outras espécies ou cultivares. o caracol possui uma série de dedos retráteis os quais ficam totalmente expostos na parte da frente do caracol. que contribuiu para a manutenção de quase todas as suas características de origem nas colhedoras atuais (Fig. 6). É constituída de navalhas. recolhimento e alimentação.tem a função de tombar sobre a plataforma as plantas cortadas pela barra de corte.é um cilindro ôco situado na plataforma logo após a barra de corte. travessões e pentes recolhedores e necessita de velocidade e posicionamento adequados. que une a plataforma de corte ao sistema de trilha.é um mecanismo constituído de duas transmissões por correntes paralelas. dedos duplos. 65 . lâminas helicoidais que trazem para o centro da plataforma todo o material cortado pela barra de corte e que cai sobre a plataforma. se esses provierem de áreas que não receberam os cuidados específicos para a produção de sementes. eixo central. Na parte central. 2) trilha. 11. e 4) limpeza. 6): 1) corte. Uma colheitadeira automotriz convencional é constituída basicamente dos seguintes sistemas (Fig. por essas estarem ou terem completado sua maturidade antes de caírem ao solo. contra-navalhas. molinete . que pode dificultar o beneficiamento ou até mesmo inviabilizá-lo. régua e placas de desgaste.tem a função de realizar o corte das hastes das plantas. etc.) da superfície do solo. transferindo o material amontoado pelos helicóides para a esteira alimentadora. É constituído de suportes laterais. As sementes colhidas por esses processos apresentam-se com baixa pureza física.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos como succionadores pneumáticos tracionados por trator. unidas por travessas que preenchem totalmente o espaço. para aspirar todo material (sementes. 3) separação. A baixa pureza física. O sistema de corte. A colheitadeira A primeira colheitadeira combinada foi construída em 1834 e o desempenho do modelo utilizado representou tal avanço em eficiência de colheita. também conhecido por garganta. tendo na sua superfície e a partir das extremidades. caracol . esteira alimentadora . apesar de alta produtividade e obtenção de sementes com alto potencial de geminação.1. recolhimento e alimentação possui os seguintes componentes e respectivas funções: barra de corte .

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos elevaçãode grãos trilhados 6 elevação de retrilha 7 e descarga armazenagem 5 separação 3 2 trilha corte e recolhimento 1 4 limpeza Diagrama combinada automotriz caracol esteira alimentadora 4 3 2 molinete 1 barra de corte Figura 6 – Diagrama de uma combinada colheitadeira automotriz. 66 .

3 2a elevador de retrilha 2b elevador de grãos bandejão 1 peneira superior 3 ventilador 2 1a 4 peneira inferior sem fim da trilha 1b sem fim da retrilha Figura 4.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos batedor cilindro de trilha 4 1 5 3 do côncavo extensão regulável cortinas retardadoras 6 sacapalhas 2 côncavo Figura 4. 67 .4 Figura 6A – Diagrama de uma combinada colheitadeira automotriz.

por esfregamento. O material não filtrado através do côncavo é dirigido ao sistema de separação.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O sistema de trilha é constituído dos seguintes componentes: cilindro de trilha . O sistema de limpeza possui os seguintes componentes: bandejão . O sistema de separação é composto de: extensão regulável do côncavo suspende o fluxo de palha e sementess. realizando ainda uma batedura final da palha graúda para a liberação de sementes eventualmente não separadas. as vagens inteiras e 68 . peneira superior .geralmente feitas de material flexível (lona ou borracha).é uma peneira de abertura ajustável e que possui também um movimento de vai-e-vem. As partículas mais pesadas. compressão e atrito. o palhiço. em cima.tem a função de reduzir a velocidade da palha eliminada pela abertura de saída do sistema de trilha e direcioná-la para a parte frontal do sacapalhas. cortinas retardadoras . vagens e fragmentos de vagens e de hastes. Tem a função de exercer ações mecânicas de impacto. com grelhas no seu interior para a recuperação e escoamento das sementes e com as bordas em forma de cristas voltadas para a parte traseira para eliminar a palha graúda. Sem a extensão do côncavo.têm a função de eliminar a palha graúda e recuperar as sementes misturadas à mesma. espera-se que apenas os grãos soltos caiam sobre o bandejão: batedor . causando a trilha. aproveitando assim. no caso as sementes. de forma que o batedor direcione o mesmo sobre o extremo dianteiro do sacapalhas. Recebe o material vindo do bandejão e tem a função de filtrar os grãos. estão situadas sobre o sacapalhas e têm a função de retardar a velocidade de eliminação da palha. para garantir a filtragem das sementes misturadas à mesma. a maior parte do material trilhado cairia sobre o bandejão. ficam embaixo. É composto geralmente de 4 a 6 calhas perfuradas. côncavo . e as partículas mais leves. indo posteriormente sobrecarregar as peneiras.é uma superfície em forma de crista (alternando partes inclinadas e verticais) voltada para a parte posterior da colhedora. auxiliado pela corrente de ar do ventilador. sacapalhas . um pente de arame facilita a separação dos grãos e da palha. quando as camadas estratificadas são atiradas sobre as peneiras. Pelo movimento de vai-e-vem as vagens inteiras devem ser transportadas até a parte posterior da peneira onde passarão à extensão da peneira superior. Com a extensão do côncavo. Nesta extensão.tem a forma aparente de uma calha tendendo a envolver o cilindro de trilha. É composto de barras estriadas unidas por estrutura metálica que toma forma de uma grelha que permite a filtração das sementes. Na parte final do bandejão. que possui abertura um pouco maior do que a peneira inferior. sobre o material que está sendo introduzido entre ele e o côncavo.composto de barras estriadas dispostas sobre uma estrutura metálica em forma de cilindro. situada abaixo do côncavo e que possui um movimento retilíneo de vai-e-vem. toda a área de separação.

a) Onde ocorrem as perdas Cerca de 80% das perdas ocorrem pela ação dos mecanismos da plataforma de corte. Dessa forma.tem a função de gerar uma corrente de ar ascendente que age por baixo das peneiras eliminando todas as partículas mais leves que as sementes. mas geralmente subestimam as perdas. Porém. Dos componentes da plataforma de corte. recolhimento e alimentação. principalmente quando a lavoura apresenta boa produtividade. tem facilitado os ajustes necessários e aumentado a eficiência dos mesmos. permitindo a expectativa de perdas mínimas. Neste caso a perda é reduzida apenas em termos percentuais. As perdas causadas pela ação dos mecanismos internos (trilha. situado na estrutura da colhedora em posição transversal e abaixo das peneiras. e as perdas na colheita permanecem como um dos problemas mais graves na produção apenas de uma forte redução nos últimos devido principalmente à capacitação de pessoal. desprezando-se a debulha natural. conclui-se que somente a barra de corte é responsável por cerca de 64% das perdas totais da colheita (caso da soja). peneira inferior . ventilador . a barra de corte é responsável por cerca de 80% das perdas. O sistema de elevação de retrilha é basicamente composto dos seguintes componentes: sem fim da retrilha .2.é uma peneira similar à superior. todo agricultor perde na hora de colher os frutos do trabalho de uma safra inteira. inerente às características da cultura. continuando alta em quantidade de grãos perdidos por unidade de área. Perdas na colheita . separação e limpeza) geralmente correspondem de 15 a 20% das perdas totais. Dessa forma. elevador de retrilha . serão filtrados e dirigidos novamente ao mecanismo de trilha. poderá ocasionar perdas elevadas e possivelmente maiores do que as perdas causadas pela barra de corte. As demais decorrem da ação dos mecanismos internos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos pedaços de vagens ainda contendo sementes. caso o molinete funcione desajustado em relação à sua velocidade ou posição. Entretanto.é um eixo helicoidal.quantidade Grande número de agricultores ainda considera a perda durante a colheita como um fator natural. 11.situado geralmente na lateral direita da colhedora. Outros preocupamse com os grãos deixados sobre o solo. o avanço tecnológico na melhoria dos componentes destes mecanismos. tem a função de transportar para o mecanismo de trilha as vagens inteiras e pedaços de vagens contendo sementes que foram filtrados pelo côncavo mas não pelas peneiras. 69 . Tem a função de conduzir o material não trilhado para o elevador de retrilha. devendo ter sua abertura ajustada para permitir somente a passagem de sementes. quando devidamente ajustados.

facilitando o degrane ou deiscência desses ao simples contato da máquina com as plantas. são primordiais para se detectar o momento exato da colheita. 70 . o que dificulta ou impede a trilha. pouco após terem atingido a MF. as sementes apresentam alto teor de umidade. na maioria das espécies cultivadas. A colheita ótima é aquela na qual se tem o número máximo das sementes morfologicamente maduras. de forma esquemática. acamamento das plantas. podem ser devidas: a) à altura de inserção da vagem na planta estar muito baixa. dificultando a separação completa dessas. como uma forma de disseminar suas sementes. em soja. em especial e c) por partes da combinada automotriz. As causas de perda. colheita ótima e colheita tardia. pode ser dividida em: colheita prematura. Nessa fase. algumas forrageiras e. sistema de trilha e sistema de limpeza. em alguns casos. debulhando com relativa facilidade para facilitar a trilha. 7 são apresentadas as contribuições. baixo grau de umidade das sementes. como pode ocorrer em feijão. das diferentes perdas. conseqüentemente. barra de corte. a presença de grande massa verde da planta dificulta ou impede o funcionamento dos mecanismos de trilha e separação havendo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos b) Por que ocorrem as perdas A perda ou queda natural das sementes por degrane ou deiscência dos frutos ocorre. b) ao degrane natural. com a presença de muita massa vegetal da planta que é colhida junto com as sementes. O conhecimento das características da cultivar com respeito a sua maior facilidade ou dificuldade de perda natural da semente e o acompanhamento freqüente do campo de produção na fase de maturidade das sementes. grande quantidade de plantas daninhas (massa verde). normalmente. baixa altura de inserção dos frutos. facilitando a trilha e separação (limpeza). porém não debulhando com facilidade. Tal cuidado precisa ser maior se as condições da região nessa fase da cultura são predominantemente de clima seco e quente. Na Fig. em função do momento de colheita. Em resumo. perda de sementes. A colheita tardia ocorre quando a umidade da semente está baixa. A colheita prematura é aquela feita quando a semente estiver madura. c) Momento da colheita O momento adequado para a colheita. como ocorre em arroz e em algumas sementes de leguminosas forrageiras. momento de colheita inadequado. durante a colheita. É algo inerente às espécies. topografia inadequada ao funcionamento das colhedoras. como pelo molinete. entretanto podendo ocorrer perdas como deiscência e degrane. são várias e podem estar relacionadas com a implantação da lavoura de forma não recomendada. as perdas de sementes. tendo-se índice pequeno de deiscência ou degrane.

71 . da tecnologia e do pessoal disponível. no caso de soja. a perda será de 100 kg/ha. repetindo-se a contagem algumas vezes. etc. aceita-se como razoável uma perda de 2 a 3% da produção. em função da espécie. Dessa maneira. ter-se-á 800. a perda representará 5%.000kg/ha. para que a operação possa ser feita de forma mais rápida e com máximo rendimento. secagem. d) Quantificação da perda Com a tecnologia de colheita no momento disponível. Considerando-se 8 sementes por grama. é necessário que a medida correta seja tomada.000). das condições do meio. encontrando-se 80 sementes/m2. mas que isso não seja causa de novos problemas (danificações mecânicas. Em uma produção de 2.) para a qualidade da semente.000 sementes em um hectare (80 x 10. Portanto. colheita próxima à MF ou não. Um método bom para determinar a porcentagem de perda de sementes durante a colheita é realizar a contagem das mesmas em um m2 de solo (em toda extensão da barra de corte).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Figura 7 – Perda de sementes em função do momento da colheita. da área de cultivo.

localização do eixo embrionário. presença de casca. O local do impacto. Os danos mecânicos são considerados como um dos mais sérios problemas para a produção de sementes. apesar de ser algo incontrolável. dadas as dimensões da área ou da quantidade a ser colhida. Acontecem em conseqüência do emprego de máquinas nas atividades agrícolas. Ambos são fatores que podem ser controlados até certo limite. desde a colheita até a semeadura. espessura do tegumento da semente). apresenta efeito diferenciado em função da característica da semente. A intensidade do dano mecânico depende de uma série de fatores. sendo. maior a intensidade do dano.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos É importante ressaltar que a combinada automotriz tem como função principal coletar e trilhar a semente e. 11. essencialmente. Danificações mecânicas As sementes estão sujeitas à ação de agentes mecânicos durante todo o seu manejo. e sim na UBS. cortes ou pressões. local do impacto e características da semente (tamanho. Quanto maior a grandeza do impacto e o número desses. grau de umidade da semente. o dano será maior que em outra parte. ao lado das misturas varietais. 72 . tipo de tecido de reserva. portanto. deverá realizar ajustes tais que. em conseqüência dos impactos recebidos do cilindro debulhador e no momento que passa pelo côncavo (Fig. se o impacto for na região onde se localiza o eixo embrionário. que resultam em danos às sementes. Nas colheitadeiras. um problema bastante importante para a colheita dos campos de produção de sementes quando o uso das colheitadeiras ou trilhadeiras faz-se necessário. a danificação ocorre. Dessa forma. apêndice e expansões da casca. com máquinas especiais. o dano mecânico ocorre no momento em que se dá a trilha. às vezes visíveis. quando recém colhidas. número de impactos. Esses causam impactos. forma. também descarte na lavoura algumas sementes boas. outras vezes não. Em se tratando de colheitadeira combinada (ceifa e trilha). de forma rudimentar. Dessa maneira. em segundo plano. recomenda-se que a limpeza das sementes não seja feita na lavoura. ou seja. por ocasião da separação das sementes da vagem. além das impurezas. abrasões. para que suas perdas sejam utilizadas como subprodutos comerciais. Caso o produtor de sementes queira colher suas sementes mais limpas. é normal as sementes apresentarem um relativo alto percentual de impurezas. quais sejam: intensidade do impacto. limpar a mesma.3. Assim. 6). havendo ainda um efeito cumulativo do número desses.

amassamento. ao passo que se a umidade for baixa. através da perda do poder germinativo. quebra das sementes. o momento da colheita fica.Qualidade e perda de sementes de soja afetadas pela rotação do cilindro e umidade das sementes. Esses efeitos podem ser apresentados de diversas formas. Os danos mecânicos podem se manifestar através de efeitos imediatos. quando as sementes são imediatamente afetadas em sua qualidade. como rachaduras no tegumento. Tal situação pode ser observada na Tabela 8. vigor. Assim. pode-se considerar que o trincamento começa a aumentar de intensidade à medida que a umidade reduz-se de 13% e o dano por amassamento aumenta a partir de 18% de umidade. Parâmetro Rotação do Umidade das sementes cilindro 11 13 15 17 19 21 90 89 86 450 90 90 89 84 500 89 90 90 88 86 80 Germinação 600 88 90 90 86 78 74 700 87 90 90 86 73 65 800 03 05 06 10 12 450 05 09 11 22 29 500 Danos 03 11 14 16 28 44 600 mecânicos 04 12 18 19 35 700 05 14 21 24 41 800 04 03 09 450 04 04 03 09 Perdas de 500 32 04 03 03 03 08 sementes 600 23 03 02 03 02 07 700 16 03 02 02 02 07 800 Como foi salientado no item anterior.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O grau de umidade da semente por ocasião do impacto é o fator que desempenha o papel mais importante na gravidade do dano mecânico sofrido pelas sementes. lesões no eixo embrionário. pois em função desse pode-se ter maiores ou menores danos mecânicos. Tabela 8 . Apesar das características da semente terem efeito no dano mecânico. 73 . cortes nas sementes. ter-se-á o trincamento. com a utilização das máquinas colheitadora combinadas ou somente trilhadeiras. etc. se a umidade da semente for elevado. tem-se um tipo de dano. etc. na dependência da umidade da semente. Os danos internos. então. o amassamento.

duas regulagens na colheitadeira. uma pela manhã e outra à tarde. Na Tabela 9. Face a isso. verifica-se a variação no grau de umidade. como tegumento rompido por impacto. Uma semente com qualquer tipo de dano. pois poderão causar problemas mais tarde. pelo menos. vindo esses a acelerarem o processo de deterioração. seja por trincamento. sendo que no decorrer do dia poderá haver diminuição ou aumento dessa umidade em até 5%. Dia Umidade da semente (%) Germinação Vigor Manhã Tarde (%) (%) 80 95 26 32 1 80 95 25 30 2 78 93 20 26 4 80 93 18 23 5 78 92 17 21 7 78 94 15 20 8 74 90 13 18 10 70 90 15 17 11 62 85 14 18 13 51 82 15 18 14 As recomendações para o momento de colheita ou trilha mecanizada (função da umidade da semente) devem coincidir com aquela faixa em que as sementes ficam menos sujeitas às danificações. devido ao mesmo servir de centro irradiador de deterioração de maior área em relação ao de trincamento. devem também ser levados em consideração na colheita. constitui-se em uma porta de entrada para microrganismos.Flutuação de umidade da semente e sua qualidade após atingir a maturação fisiológica.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos cujos efeitos somente são detectados por testes de viabilidade (às vezes. só posteriormente). devido à alteração no sistema protetor da semente. está mais sujeita à deterioração durante o armazenamento. Os efeitos latentes são usualmente observados após as sementes danificadas terem permanecido armazenadas no período entre a colheita e a semeadura. em função do período do dia. seja por 74 . há necessidade da realização de. quando é do tipo amassamento. Tabela 9 . Além dessa danificação facilitar a deterioração. o orvalho ou chuva ocasiona um aumento no grau de umidade da semente. Há referências de que o efeito latente é mais grave. o que torna maior a possibilidade de conseqüências mais sérias. Deve-se considerar que o grau de umidade varia com o estádio de desenvolvimento e também com a hora do dia. Quando a soja atinge a maturidade para colheita.

Como já foi mencionado anteriormente. em muitas regiões com problemas de umidade e temperatura. ela passa. após a semente ter atingido a MF. apesar de algumas pesquisas indicarem maior capacidade de colheita e redução dos danos mecânicos com o sistema de trilha axial. A trilha envolve ações simultâneas de impacto. 75 . por representar perdas de rendimento. Dessa maneira. concepção mecânica alternativa que envolve as mesmas ações de impacto. a preocupação maior recai sobre a qualidade. com 18-19% de umidade. A maior parte das perdas por danificação das sementes ocorre no sistema de trilha. parece lógico se admitir que a lavoura colhida. pois se houver perda desse tipo por ocasião da colheita. diretamente ou auxiliados pelas condições climáticas. recomenda-se realizar a colheita da soja assim que as sementes começarem a debulhar com certa facilidade. chuvas. compressão e atrito à velocidades das barras do cilindro de aproximadamente 50km/h. obtém-se sementes de baixa qualidade fisiológica. Como conseqüência. tudo isso. patenteado há mais de 200 anos. os quais. O sistema de trilha axial. fisiológicos e sanitários resultando. a estar armazenada no próprio campo. Devido à agressividade dessa operação. praticamente. embora tenha sido patenteado na Alemanha há mais de um século. tanto este sistema como o de alimentação tangencial arriscam níveis elevados de danos mecânicos às sementes. temperaturas extremas. Entretanto. Um dos exemplos mais claros da perda de qualidade devido à demora de colheita é com sementes de soja. foi introduzido recentemente no Brasil. sob condições adversas. apesar da importância da perda quantitativa. pois apenas alguns dias com umidade entre 15-20% no campo já são suficientes para que suas sementes deteriorem. para a produção das sementes. as sementes poderão não alcançar os padrões necessários e serem recusadas para fins de semeadura. e levada a passar entre esses dois componentes. poderá ser danificada.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos amassamento. Na soja. pragas e microrganismos. ou seja. Tal situação representaria perda de todo o esforço despendido. b) Perdas em qualidade Em um campo de produção de sementes. através de alguns modelos de colheitadeiras. em uma aceleração do processo irreversível da deterioração. causam às sementes danos físicos. Essas adversidades são representadas pelas condições climáticas. até então. Uma das principais causas da perda de qualidade nessa fase é o atraso da colheita em relação ao tempo adequado. e há cerca de 25 anos nos Estados Unidos. essa faixa se situa entre 15-18% de umidade. geralmente. cuja maioria dos agricultores usam o sistema de cilindro e côncavo por alimentação tangencial. sujeita a todas condições do meio e. compressão e atrito.

30 3.87 6 12 11.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Para ilustrar a importância de colher-se no momento certo passamos a relatar um estudo recente realizado em condições tropicais.0 13.3 12.6 .89 4 7 13.80 8 16 9.10 2.40 4.72. Por outro lado.Distribuição do grau de umidade em uma planta de soja.2 58.67.50 0. em que mais de 10% de sementes apresentavam mais de 50% de umidade (Tabela 10).21. com 27 pontos percentuais de diferença entre as duas sementes mais secas e as duas sementes mais úmidas oriundas de uma mesma planta (Tabela 10). A desuniformidade na maturação em um campo de sementes de soja não se deve unicamente a variabilidade na população.20 1.17.5 53.90 A sexta colheita. a partir da quarta colheita. realizada onze dias após a primeira apresentou uma amplitude de umidade entre as sementes de apenas 5.6 25.37.15.51 5 10 13.81 3 4 23. observando os dados constata-se pelo desvio padrão que 95% das sementes estavam entre 50 e 67% de umidade. percentual esse não seguro para armazenamento 76 . apesar de apresentar uma umidade média das sementes inferior a 12%.4 44.80 7 14 10. todas as sementes já tinham alcançado o ponto de maturidade fisiológica.2 .60 0. Nessa colheita. Colheita Dias Intervalo de confiança Média Desvio Padrão 1 0 45. Até a terceira colheita. Tabela 10 .2 .0 .15.5 .0 11. Por outro lado.2 pontos percentuais.5 15.25 2 2 36. mas também ao fato de que há alta dispersão da umidade das sementes dentro de uma mesma planta de soja.3 .8 .58. sete dias após a primeira.80 0. Analisando a umidade das sementes de soja no processo de maturação observou-se que em uma colheita realiazada quando umas poucas folhas estavam amarelando na planta as sementes apresentaram um grau médio de umidade 58.4%. ou seja. a última colheita realizada dezesseis dias após a primeira.20 3. ainda apresentava um pequeno percentual de sementes com umidade superior a 14%.8 . praticamente toda a população de sementes estava acima do ponto de maturidade fisiológica. entretanto. com quatro dias após a primeira havia ainda um alto percentual de sementes imaturas.

A potencialização da danificação por umidade ocorre porque há um longo período da exposição das sementes no campo devido a grande desuniformidade na maturação dentro da população de plantas e na mesma planta.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Salienta-se que mesmo quando o percentual médio das sementes de soja estava superior a 20% e portanto não recomendável para a colheita mecânica. dependendo da contaminação. enquanto não é colhida. o lote poderá não atingir os padrões mínimos exigidos para sementes quanto a essas características e ser. Praticamente qualquer combinação de tempo. pois num período de duas semanas as sementes passaram de um estádio de pré-maturação fisiológica até um estádio em que a umidade média do lote de sementes era inferior a 12%. ela não terá condições de ser eliminada nas operações de pós-colheita. 11. Assim. constitui-se em um grave problema. muitas das sementes já estarão deterioradas pelo processo de ganho e perda de umidade no campo. Misturas varietais A mistura de sementes. poderão facilmente ser removidas pelo processo de pré-limpeza. Também evidencia-se que um percentual de sementes com umidade superior a 20% tornam-se muito suscetíveis ao dano mecânico. Enfatiza-se que o estudo foi realizado em uma região tropical. posteriormente. caso se colha as sementes com uma umidade média de 12%. haviam sementes que estavam com 13% de umidade aguardando a colheita. recusado pois. temperatura e conteúdo de água levam a perda de viabilidade de sementes e causam alguns danos genéticos. que se traduz em uma contaminação do lote com sementes de outras cultivares e/ou espécies. Esse percentual de sementes aumenta acentuadamente conforme a colheita é retardada. Dependendo da gravidade.4. entretanto como são bem maiores que as outras sementes da população. que para não perder sementes por deterioração. com alta temperatura e umidade relativa. É evidente. o que leva a duas conseqüencias na produção de sementes: sementes oriundas de plantas com maturação mais precoce ficam submetidas a condições desfavoráveis no campo aguardando a maturação daquelas oriundas de plantas menos precoces e sementes verdes deformadas se encontram misturadas ao lote de sementes. Os produtores de sementes que não efetuarem a colheita com umidade superior a 15%. Enfatiza-se que o ganho e perda de umidade durante um dia alcança a cinco pontos percentuais fazendo com que a semente acelere o processo de deterioração. deve-se proceder a secagem das sementes para um armazenamento seguro. 77 . conforme a Tabela 10. pelo fato de prejudicar a pureza varietal. requrendo que o processo de colheita seja realizado na época oportuna. correrão riscos para obter lotes com alta qualidade fisiológica.

Dependendo da complexidade dessas máquinas. pois a contaminação com algumas sementes tem o efeito multiplicador no decorrer de gerações. Uma outra precaução necessária. para que não ocorram problemas de mistura das sementes das duas linhas. dada a proximidade dos campos de produção. ultrapasse os limites da área de produção e colha algumas plantas do campo vizinho. no caso de sacarias. é um isolamento adequado entre os campos (mesmo para aquelas espécies autógamas). tendo-se aí uma mistura varietal do lote. depuração. apesar da limpeza feita na máquina. Um sistema de compressor de ar irá facilitar a limpeza. ocasionando perda de pureza. ao iniciar a colheita de uma outra cultivar. etc. Em se tratando de colheita manual. A seguir. são empregadas para colheita de diferentes espécies e cultivares. correspondentes às linhas masculinas. as embalagens. que deve ser tomada na implantação do campo de produção de sementes. todos os materiais empregados nessa operação devem ser muito bem limpos.). entretanto. de preferência. 78 . ela seja acionada vazia. recomenda-se que. mesmo aquelas partes mais difíceis. precedidos pela boa condição do campo (isolamento. containers ou sacarias. é obrigatório serem colhidas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Durante a colheita. Para tanto. as linhas autopolinizadas. como o milho e o sorgo. existe a necessidade do operador abrir a máquina e limpá-la internamente. empregadas para receber as sementes colhidas devem ser bem limpas e. a limpeza de todos os mecanismos internos demanda uma atenção especial. ou seja. para evitar que se colham plantas de outra variedade. que sofreram despendoamento ou que apresentam macho-esterilidade. até que não saia mais nenhuma semente. A ocorrência da mistura de sementes na colheita mecanizada surge em função da limpeza mal feita nas colheitadeiras que. Todos esses cuidados na colheita. Na colheita manual também existe a possibilidade dessa mistura. Posteriormente. fazer-se o descarte das primeiras sacas ou sementes. em primeiro lugar. é na colheita mecanizada que o problema é mais grave. são colhidas as linhas fêmeas. ao realizar uma manobra. Na colheita dos campos de sementes para a produção de híbridos. misturas de cultivares e/ou outras espécies. pois esse poderá ser o ponto de contaminação com outras sementes. é muito grande o risco de ocorrer a contaminação do lote de sementes. De forma semelhante. novas. muitas vezes. O cuidado seguinte é o de. visam dar condições para a manutenção da pureza varietal do lote. pois essas podem estar contaminadas. Pode ocorrer que a colheitadeira. e nas operações que a sucedem. no final da operação.

há anos em que se perde muita semente por não colhê-la no ponto de maturidade de campo. fica evidente que a colheita realizada por ocasião da MF seria a ideal. b) Colher as sementes assim que começarem a debulhar com certa facilidade. da área cultivada e da tecnologia disponível para a colheita. como é o caso de soja. bem como a indicação de quando e como colher. assim sendo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 11. Mesmo nas melhores regiões para produção de sementes. A sua viabilidade vai depender da resolução de cada um dos problemas apontados. portanto. ressaltam-se as seguintes recomendações: a) Colher tão próximo quanto possível do ponto da MF. mas existem uma série de problemas a serem contornados.5 Comentário final A colheita é um processo bastante especializado e é preciso muito cuidado nessa fase final de produção das sementes. em algumas regiões tropicais. Esse procedimento é de alto risco e. Pelas considerações feitas até aqui. espera-se para colher com 12-13% de umidade para que não seja necessário secar as sementes. inviabiliza-se a colheita para a maioria das espécies na MF. com o mínimo de possibilidade de danos mecânicos e perda de sementes. Nesse sentido. as sementes devem ser imediatamente secas assim que colhidas. no caso de soja. é o grau de umidade das sementes. RESUMO DAS PRÁTICAS CULTURAIS Consideramos que a apresentação de um resumo das práticas culturais para produção de sementes. em campos de produção de sementes. o momento da colheita ou a maturidade de campo (MC) para a colheita (considerando-se que a fisiológica tenha sido atingida bem antes). deve-se pensar em um esquema de secagem dessas sementes. Dessa forma. com áreas extensas. significa ter sementes de baixa qualidade. com seus problemas e possíveis soluções. Quando colher? Essa pergunta resume toda ansiedade de um produtor de sementes. entre outras espécies. será de grande utilidade. Um dos fatores que governa. 12. com possibilidade de ainda surgirem outros. Vai depender também da espécie. 79 . só é viável a colheita mecanizada e. deve-se compatibilizar o grau de umidade da semente com o máximo de rendimento da colheitadora. Como esse grau normalmente é alto (considerando-se a umidade ideal para armazenamento). Com esses graus de umidade. com 18%. E é essa a razão que. Em se tratando de colheita mecanizada.

começar cedo Utilizar variedades resistentes. utiliza-se cilindro de dentes para facilitar a debulha. escolher locais de baixa incidência. bom estande. Para arroz. caso a população seja alta. c) para sementes de soja.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Operação Época de semeadura Manejo da água Controle de invasoras Problema Maturidade em período chuvoso acarreta baixa qualidade de semente Seca durante o desenvolvimento da semente reduz sua qualidade Plantas daninhas dificultam a colheita e afetam a qualidade da semente Controle de As picadas de insetos afetam a Insetos qualidade de semente (soja) Controle de Algumas doenças reduzem a doenças germinação e são transmitidas pela semente Colheita Trilha Atraso da colheita afeta a qualidade Danos mecânicos e perda de sementes Possível solução Programar semeadura para maturidade em período seco Manejar época de semeadura. na maturidade fisiológica a semente atinge o máximo de qualidade que. maior poderá ser a velocidade do cilindro da trilhadeira. irrigar se possível Depuração. pois as sementes encontram-se com alto grau de umidade e não debulham. tratamento Iniciar colheita assim que as sementes debulharem (± 20%) Ajustar o equipamento para minimizar o dano e as perdas Mencionou-se várias vezes maturidade fisiológica e maturidade de campo. na maioria das vezes. pois essas sementes são pouco danificáveis. ressaltam-se as seguintes recomendações: a) que a velocidade do cilindro da máquina seja de 400-700rpm b) quanto mais alto o grau de umidade das sementes. não coincide com o ponto de maturidade de campo. depuração. devido aos danos serem pequenos e serem diminuídas as perdas de colheita. A diferença entre as mesmas está em que. utilizar trilhadeira possuindo cilindro de barras para para minimizar os danos mecânicos. aumentar população de plantas Pulverizar com inseticida. 80 . Como colher? Considerando apenas o processo de trilha.

observar todos os fatores que poderão afetar a qualidade da semente. o que significa serem. em apenas uma inspeção de campo. INSPEÇÃO DE CAMPOS PARA PRODUÇÃO DE SEMENTES A inspeção de campos para produção de sementes tem por finalidade controlar e comparar a qualidade das sementes que estão sendo produzidas. a pureza varietal. o processo de cerificação de sementes é adotado e. identidade genética. são geralmente linhagens puras. onde a produtividade é fundamental. sendo relativamente fácil a manutenção de tais linhagens. polinização e frutificação. registrada e certificada). Através de um sistema padronizado de inspeção de lavoura. Cultivares das espécies autógamas como soja. observando-se o desenvolvimento. culturas que se propagam vegetativamente. dentro de cada cultivar. geneticamente semelhantes na sua maioria. Isso justifica plenamente o trabalho de inspeção de lavouras. pois é no campo que se pode fazer o controle rigoroso da qualidade genética das plantas. etc. a pureza varietal e a identidade genética são preservadas. Para fins de inspeção. poderá ser eliminada. 81 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 13. é bastante difícil.1. dentro das quatro classes de sementes (genética. pois a mistura varietal é quase sempre identificável em condições de campo e. garante-se a identidade da semente. comportam-se de forma semelhante. básica. através da depuração.. as fases das culturas de propagação sexuada são as seguintes (Tabela 11). de forma a atingirem o padrão exigido pelas Normas de Produção de Sementes ou pela empresa produtora. Dentro do programa de produção de sementes há necessidade de posicionar-se a Inspeção de Lavouras como parte do sistema. 13. considerando-se que nem todos os fatores apresentam-se em um mesmo tempo. pois na agricultura moderna. obtendo-se lotes com alta pureza física. florescimento. alta viabilidade e vigor das sementes são os alicerces do produto final. Com um bom trabalho de inspeção pode-se dizer que uma boa semente reproduzirá uma nova planta adulta. Em diversos países. Período de inspeção Muitas vezes. com todas as características genéticas idênticas à variedade que foi lançada pelo melhorista. Cada cultura tem exigências diferentes quanto à fiscalização dos campos para a produção de sementes. Da mesma forma.

Período de floração Esse período é caracterizado pela fase em que as flores estão abertas.1.Número mínimo de inspeções de campos para produção de sementes para algumas espécies e fases de sua execução.2.1. Fases de execução Espécie No de inspeções Algodão 1 Pós-floração Amendoim 1 Pós-floração Arroz 1 Floração Pré-colheita Aveia 1 Pré-colheita Batata* 2 Pré-floração Floração Cevada 1 Floração Pré-colheita Feijão 2 Floração Feijão miúdo 2 Floração Pré-colheita Forrageiras 2 Pré-colheita Floração Milho (cultivar) 1 Pré-colheita Milho híbrido 3 Pré-floração Floração-Início floração Colheita Quiabo 2 Floração Pré-colheita Soja 2 Floração Pré-colheita Sorgo (cultivar) 1 Pré-colheita Sorgo híbrido 2 Floração-Início floração Colheita Trigo 2 Pós-floração Pré-colheita 13. abrange desde a emergência das plântulas até o início do desabrochar das inflorescências.1. 13. Período de pré-floração Compreende todo o período de desenvolvimento vegetativo que precede ao florescimento das plantas. Para efeito de inspeção de campo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 11 . o 82 .

Período de pós-floração Nesse período.1. a receptividade do estigma e a liberação do grão de pólen das anteras terão cessado. quando pressionada. O órgão responsável pelo sistema de produção de sementes deverá ter inspetores em número suficiente. a semente passa pelo "estado leitoso" e. 83 .5. Tipos de contaminantes Numa inspeção de campo. apresentada como sugestão na Tabela 12 e Figura 8. forma. Então. 13.1. o campo pode ser considerado como em período de floração. Os inspetores de campo devem ser treinados e ter bom conhecimento das fases de desenvolvimento da cultura.3. Período de colheita Nessa fase. pendão polinizador. cor. quando 5% ou mais das plantas já estão florescidas. 13. Está completamente formada. 13. permitindo uma colheita fácil e segura. atinge a "fase pastosa". Período de pré-colheita É o período em que a semente se torna mais dura e alcança ou se aproxima da MF. em cada campo de produção de sementes.2. 13.1. busca-se identificar os contaminantes como plantas atípicas. plantas doentes. pintas. tornando-se elástica. podendo no entanto ser colhida e secada artificialmente. permitindo uma colheita fácil e segura. mas ainda com alto teor de umidade. 13. Para fins de inspeção. mas que diferem quanto ao porte. invasoras. entre outras características. a semente está fisiologicamente madura e suficientemente seca. Nessa fase.2. entre outros. o óvulo já deverá estar fertilizado e desenvolvendo-se em sementes. para o armazenamento. Plantas atípicas São plantas da mesma espécie da cultura. para poder assegurar a cada produtor e a cada campo de produção de sementes uma inspeção apropriada. gradativamente vai perdendo água. ou então fisiologicamente madura e úmida. posteriormente. Os produtores de sementes estão sujeitos a essas inspeções.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos estigma receptivo e a antera liberando o pólen.4. tamanho. forma do fruto e da semente.1. pilosidade nas hastes. A ferramenta para essa identificação é a descrição varietal.

Cor da folha . Sementes inseparáveis São consideradas sementes inseparáveis aquelas que são de tal forma semelhantes às da cultivar considerada que se torna difícil separá-las por meios mecânicos.Relação comprimento-largura Produtividade média .Alguns descritores utilizados para identificação de cultivares de arroz e feijão. largura e espessura .Ferrugem Característica das espiguetas . pois por ocasião da colheita a mistura mecânica.Peso de 1.Porte .Mosaico .Cor do hipocótilo .2.Tipo de folha bandeira Característica da semente Características das panículas .000 sementes 13.Brilho da semente Características das sementes (casca) . lígula e aurícula Características da flor e fruto .Colocação do colar. nesse caso.Comprimento.Altura da planta .Cor do hilo .Presença de arista .2.Peso médio de 100 sementes .Cor .Cor Reação às doenças . deve ser observado se as recomendações feitas anteriormente foram executadas pelo produtor.Tipo de panícula . de modo a não possibilitar uma maturidade coincidente.Bacteriose . por certo. Quando essas plantas são localizadas no campo no momento da inspeção. 84 .Ciclo .Apículo .Hábito de crescimento Características da folha . Nas inspeções subseqüentes. elas não devem ser contadas e. Esse aspecto é muito importante.Comprimento médio da panícula .Floração . só serão contadas se seu ciclo for tal que possibilite uma coincidência de maturidade com a cultura inspecionada. o produtor deverá ser notificado para posterior eliminação das mesmas. ocorrerá. Caso o estádio de desenvolvimento dessas plantas seja diferente da cultura principal.Ciclo (dias) .Antracnose .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 12 . As plantas que produzem tais sementes são chamadas contaminantes.Cor da semente . Arroz Feijão Características da planta Características da planta .Altura .

Primária Folha Bandeira Base da Panícula Internódio Superior Bainha Foliar Lâmina Foliar Lígula Aurícula Colar Baínha Foliar Prófilo Internódio Bainha Foliar Polvino da Bainha Septo Nadal Internódio Perfilho Internódio Raízes Adventícias Figura 8 – Partes de uma planta de arroz.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Pedicelo Espigueta Rarn. Secundária Eixo da panícula Ram. 85 .

quando há plantas cujas sementes possam conter tais agentes patogênicos. Como efetuar a inspeção O exame de uma lavoura para produção de sementes não é realizado em planta por planta. completamente ao acaso. Plantas silvestres indesejáveis São plantas de espécies silvestres. . Através de um croqui do campo. dependendo da incidência da contaminação. além de dificultar as inspeções e outras práticas agronômicas. efetuando-se contagem nesses pontos. o campo deve ser eliminado. Dessa forma. 13. os seguintes aspectos na inspeção: . Deve ser possível uma avaliação bastante precisa da presença de plantas atípicas. podem acompanhar as sementes. .3. tanto interna como externamente. tornam-se difíceis para a execução da depuração.isolamento do campo e tamanho das bordaduras. que determinarão a qualidade do campo. entre outros. . podem ser hospedeiras para pragas e doenças. essas devem ser eliminadas e.cultivo de acordo com todos os requisitos do sistema de produção para a cultura. são determinados locais de avaliação de subamostras.presença de plantas atípicas ou de outras espécies silvestres ou cultivadas. Resume-se na tomada de subamostras em toda a área de produção de sementes. A amostragem de um campo compreende áreas predeterminadas. devendo ser representativas de todo o campo e permitirem uma visão geral da uniformidade do mesmo. As áreas de subamostras são de acordo com o limite de tolerância de cada cultura para os determinados contaminantes.3. . Estas competem com a cultura durante o desenvolvimento.2.4. . fazendo-se a contagem e anotações de todos os contaminantes encontrados durante o percurso de inspeção (Fig. 86 . que são difíceis de separar por meios mecânicos.origem da semente utilizada.área de produção. 9).sanidade da cultura. Deverão ser observados.limpeza de maquinaria na semeadura e na colheita e .2.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 13. 13. Doenças É de conhecimento geral que muitos agentes patogênicos causadores de doenças em plantas.

O número mínimo de inspeções deverá ser executado na época apropriada de desenvolvimento da cultura. não sendo aconselhável que um mesmo campo seja inspecionado duas vezes em um mesmo dia. Se um terço ou mais de uma cultura autógama estiver acamada. a não ser que se note possibilidades de recuperação desse campo antes da maturidade. A inspeção pode ser realizada a qualquer hora do dia e em qualquer estádio de desenvolvimento da cultura.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 300m 200m Figura 9 – Caminhamento em um campo de produção de sementes. o 87 100m 100m 100m 100m 180m 100m Entrada 50m Saida 400m .

deve procurar ser o mais objetivo possível. uma reamostragem poderá ser feita. Caso haja mais de uma inspeção em um mesmo campo. plantas silvestres. essas devem começar sempre em pontos diferentes. às técnicas a empregar para que possam ser removidas as plantas atípicas. de maneira casual. sem considerar sua forma ou tamanho. c) Se o número de campos a ser inspecionado for elevado e o tempo para realizar as inspeções for escasso. Portanto. lados e centro. Caminhamento em um campo para sementes O inspetor de campos para produção de sementes tem como dever fazer as inspeções prescritas de acordo com cada cultura. 13. fazendo suas inspeções de tal forma que propicie a máxima cobertura. mas o que deve prevalecer em uma inspeção seriam os seguintes pontos: a) O modelo de percurso deverá permitir ao inspetor observar todas as partes do campo. antes da inspeção seguinte. Durante a inspeção. Existem diversos modelos de inspeção de campo que podem ser utilizados. dentro de uma determinada época. de certa forma. 88 . sabendo-se da idoneidade e cuidados que esse tem com seus campos de produção. deve-se obter a assinatura da pessoa que acompanhou o inspetor em todas as cópias do relatório de campo. b) Deverá permitir que sejam tomadas subamostras em todas as partes do mesmo. ou se o produtor a solicitar. o restante da inspeção poderá.4. ser abreviada. ou se existe dúvida quanto à sua qualidade em relação aos padrões. a critério do inspetor. É importante também salientar que a rejeição de um campo de sementes pode ser parcial. contudo. respeitados os limites de área mínima de inspeção.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos mesmo deve ser eliminado para produção de sementes. Após cada inspeção. d) Se a contagem das subamostras iniciais dos lados e centros indicarem que o campo é de qualidade aceitável e o histórico do produtor for favorável. é necessário que o inspetor oriente o produtor quanto à realização da depuração. plantas inseparáveis de outras culturas e plantas doentes. o modelo de percurso pode ser modificado para que a caminhada se torne menor. por distância percorrida (Fig. 9). deverá ser feito de modo a proporcionar boas inspeções e uniformidade de qualidade para todos os campos. Se as contagens nas subamostras mostrarem que o campo está próximo aos padrões preestabelecidos para qualquer fator. Isso.

para avaliar a população de plantas e determinar o tamanho e o número de subamostras. Dessa maneira. As normas gerais a serem seguidas são as seguintes: . 13. a amostra deve ser de tal maneira representativa que apresente a ocorrência de contaminantes proporcionalmente ao tamanho do campo. Portanto. em relação apenas ao tamanho e forma do campo.000 plantas. 13. de forma que possa refletir com exatidão a condição do todo e não apenas de uma área.Se o campo é de produção de híbridos. Tomemos como exemplo o seguinte caso: se a tolerância permitida para plantas de outras variedades é 1:10. etc. uma amostra de 500 plantas não será a correta e necessária para a avaliação do campo na tolerância desejada. assim como das plantas de bordadura.000 plantas.1.000. 30.Nas áreas de subamostra. por toda sua extensão e em todos seus setores. . cada subamostra inclui 1/6 da área ou da população de plantas da amostra total. em nosso exemplo. Para possibilitar isso.Contagens em áreas testes.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 13. então. cada planta deve ser examinada para cada fator considerado na inspeção de campo. Essas subamostras devem. . ser localizadas por todo o campo. Número e tamanho de subamostras Ressalta-se uma vez mais que a amostra deve incluir áreas localizadas em toda a extensão do campo. Como efetuar as contagens de plantas no campo A amostra de inspeção é derivada de subamostras localizadas em diversas partes do campo. deveríamos analisar. para permitir a verificação de ocorrência de fatores de contaminação. Dessa forma.4.. onde se efetuam contagens diversas. a amostra de campo será composta de 6 subamostras. 89 . As subamostras devem ser distribuídas ao acaso.5. bordas. Tamanho da amostra de inspeção A qualidade das subamostras é que determina a qualidade de um campo de sementes. 6 subamostras de 5. ou melhor. o tamanho ideal é aquele suficiente para incluir três plantas atípicas ou contaminantes e ainda encontrar-se dentro do nível de tolerância permitido pelos padrões de produção de sementes. centros.5.1. em diferentes áreas. as subamostras deverão ser tomadas para cada linhagem progenitora masculina e feminina.

e o número de plantas por subamostra.30% Planta Mistura varietal Ocorrencia Mínima Planta Outras plantas cultivadas Ocorrencia Mínima Planta Plantas silvestres e nocivas toleradas Zero Planta Plantas nocivas proibidas A determinação do tamanho das subamostras é como segue: a) Mistura varietal Proceda à determinação do número médio de plantas por metro quadrado. considerando: a) estande – determinar o número médio de plantas/m2. esse será aprovado. na qual se permita a presença de três plantas atípicas. em 3. Se mais de três plantas atípicas forem encontradas na amostragem (somatório das 6 subamostras).000 e 0. O trabalho de contagem é iniciado. o campo será rejeitado ou será depurado. supondo que o campo esteja semeado no espaçamento de 0. para aprovação de um campo de produção de sementes de soja. Toma-se a Tabela 13 e. Tabela 13 . alguns aspectos são aqui detalhados. de acordo com a tolerância máxima de plantas de 0.000 plantas que será dividida em 6 subamostras de 500 plantas. como necessitamos amostrar para potencialmente encontrar 3 plantas. deve-se inspecionar uma área que envolva 3. determina-se o número de subamostras. b) tolerância do contaminante – ver Tabela 13. Determinação da população de plantas por hectare A determinação da população de plantas por hectare pode ser feita de várias maneiras mas. 90 . para facilidade dos inspetores.3% são três plantas em 3. Inicialmente.30%. são: Fatores Unidade Tolerância 0.Os padrões de lavoura. o tamanho das subamostras dependerá dos limites de tolerância permitidos para a ocorrência de plantas atípicas ou contaminantes. que normalmente é 6.000. assim.2.0m2. são selecionadas várias áreas. Assim. o tamanho da amostra e das subamostras também deverá ser modificado para possibilitar uma inspeção atenta da área ou da população de plantas. Se três ou menos forem encontradas.1% é uma planta em 1.50m e tenha 20 plantas por metro linear de fileira.5. Dessa maneira. considerando que 1% é uma planta em 100. 13.. como temos 40 plantas/m2. o número de plantas por m2 será de 40. Caso o limite de tolerância seja alterado.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O tamanho da amostra total e.000 plantas vamos ter 75. 0. Assim.

deve-se lembrar que o aparecimento. III. Brasília 186pp. COSTA.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos b) Outras plantas cultivadas Observe que em campos de produção de sementes pode ainda ser tolerável o aparecimento de outras plantas cultivadas. R. 498p. Barcelona: Ediciones Omega. T. Princípios de la mejora genética de las plantas.W. 1-53.W. MONTOYA. Vol. O problema esta sendo sério. levando a necessidade de desenvolver-se protocolos para determinar-pse quantitativamente a mistura. T. 2002 ALLARD.I. 8p. 1967. Insects and seed production.E. A verificação se o material é transgênico é feita qualitativamente sem determinar-se o quanto. Seed biology. 2000. J. G. KOERBER. fazendo com que muitas sementes e grão estejam sendo considerados como transgênicos sem na realidade serem.A. Cultura da soja. em qualquer ponto do campo de sementes.). New York . Anuário da Abrasem 2002. Revista SEED News. p.6 Comentário sobre inspeção Com o surgimento de cultivares modificadas genéticamente constatou-se que o problema de misturas varietais não estava recebendo a devida atenção. leva à rejeição do mesmo. 14. 1972. 91 . BOHART. c) Plantas nocivas proibidas Quando o padrão é zero. de uma espécie nociva proibida. 233p. ano IV no 3. apenas apresentando uma contaminção.. Variedade essencialmente derivada. 1996.London: Academic Press. BLANCO. G.T. Porto Alegre: Ivo Manica e José Antônio Costa (eds. J. 13. In: KOZLOWSKI. pois o surgimento de sementes adventícias (misturas) no meio de materiais convencionais esta bastante alto. BIBLIOGRAFIA ABRASEM . Trad.

Seed production and technology for the tropics. PESKE. Working Doc. J. J...P. VI No 6 2002. v. Roguing. Programas de semillas: guia de planeación y manejo.B. VECHI. DOUGLAS. Rev. FAO. 66-70.. Revista Brasileira de Sementes. 1..E. FEISTRITZER. 1978. W. HAMER. A produção de sementes de soja. J.A. MESQUITA. A. GARAY. DELOUCHE. F..Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos COSTA. ROSALES. FAO-ROMA. Tecnologia de la producción de semillas. KRYZANOWSKY.. successful approach in a developing country. KELLY. 1983. E. Certificación de semillas . J. 260p. Cali. Germinación. n. COLOMBIA..B. 3.P. Setting a seed industry in motion: A non conventional. PATTIE. 14pp FRANÇA NETO. 16-20pp. II –Qualidade fisiológica. Ministério da Agricultura. COLOMBIA. CIAT. FEISTRITZER.. FRANÇA NETO. Revista SEED New. 1997. W. Londrina. 19. p. HENNING. F.C.CIAT. deterioro y vigor de semilla. GREGG. 92 . S. 88 p. ano IV no 2.F. 1999.. 2000. 20-22.. 1974..A. Brasília.. p.P. 1. 280 p. J. 1989. A. FAO-ROMA. 260p. B. J. CIAT. C. C. DOUGLAS. F. P. Mejoramiento de la producción de semillas. sinônimo de pureza. LANDIVAR. 1979. 1979. 1994. COLOMBIA. AGIPLAN. p. Avaliação das perdas e qualidade de semente na colheita mecânica de soja. C. HENNING.P. PR. N.. Colheita de sementes de soja com alto grau de umidade. 59-70. n. In: Tropical Soybean. A. 57. POPINIGIS.E.. CAMARGO.T. Revista SEED News. Sem.C. 1992. Bras. 32 p. J.M. Recomendações técnicas para a colheita de soja. Brasília. A. KRZYZANOWSKI. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. v.

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Jorge Luiz Nedel .CAPÍTULO 2 Fundamentos da Qualidade de Sementes Prof.

E a maioria das grandes e pequenas culturas utilizam a semente como principal forma de multiplicação. o que permite a recombinação genética e uma evolução mais rápida. O saco embrionário é o gametófito feminino e fica localizado no interior do óvulo. Cada carpelo consiste de estigma. no interior do ovário. e inicia quando células especializadas das estruturas femininas e masculinas da flor sofrem meiose e produzem esporos haplóides. estigma e ovário. É objetivo deste módulo discutir os principais aspectos relecionados com a formação. O ciclo de vida de um organismo inclui a diferenciação destas estruturas reprodutivas e o desenvolvimento das que se originam destas. germinação e deterioração das sementes. a qual está conectada com a flor por uma haste delgada chamada filamento. A fase gametofítica ocorre somente dentro da flor. O conjunto das estruturas reprodutivas masculinas de uma flor é chamado de estames. 2. Este tem inicio com o surgimento de uma massa indiferenciada de células com o formato de cúpula. 95 . INTRODUÇÃO Todos os organismos que sobreviveram ao tempo de evolução. são partes da fase ou geração esporofítica. desenvolve-se o óvulo.1. Contudo a maioria dos organismos eucariotes evoluiram para um sistema de reprodução sexuada. estilete e ovário. Tanto a semente como a planta desenvolvida da semente. pela embriogênese e com algum tecido materno aderido. forma a semente. A fase esporofítica inicia com a fertilização. Macrosporogênese Enquanto o carpelo se desenvolve e diferenciando-se em estilete. desenvolvimento. 2. desenvolveram um eficaz sistema para reproduzirem-se. Este.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1. CICLO DE VIDA DE UMA ANGIOSPERMA O ciclo de vida de uma angiospesma é composto de uma fase (geração) esporofítica e outra gametofítica. a qual resulta na formação do zigoto. A reprodução sexual é levada a efeito por estruturas especializadas nas quais os gametas são produzidos bem como as estruturas e mecanismos para garantir a fusão destes gametas. Cada estame consiste de uma antera. As estruturas reprodutivas femininas de uma flor são chamadas de carpelos. O grão de pólen é o gametófito masculino e se localiza no interior da antera.

os quais darão origem ao tegumento da semente. um se tornará a célula ovo e os outros. Um núcleo de cada grupo migra para o centro e passam a ser chamados de núcleos polares. diferencia-se dando origem a célula mãe do megasporo. Este grupo de células diferencia-se no nucelo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos sobre a placenta da flor. as duas sinérgides. Ao final de 3ª divisão os 8 núcleos são arranjados em dois grupos de 4. originando 8 núcleos. e Germinação Esporófito maduro Inflorescência com anteras Esporôfito em Desenvolvimento sementes Inflorescência Megesporo célula mãe Micróspora célula mãe Embrião Fecundação Micróspora Grão de pólen Tubo Poínico Microgametófitos Núcleo Espermático Núcleo do ovo Melose 2n Megásporos Óvulos Ovo Megagametófito maduro Megásporos Degenerando Megagametófito Figura 1 . uma das células nucelares. chalaza. porém sem citocinese. Os núcleos da região da chalaza formaram as três 96 .Quadro representando a embriogênese. surgem das bordas do nucelo e crescem de forma ascendente. Os integumentos. O núcleo desta célula mãe do megasporo sofre meiose e produz 4 megasporos haplóides. Dos três núcleos remanescentes na região da micrópila. Os três megasporos mais próximos da micrópola desintegram-se e o megasporo remanescente sofre 3 sucessivas divisões mitóticas. Contudo. um grupo na região da micrópola e um grupo na região oposta. envolvendo o nucelo deixando apenas na parte inferior uma abertura chamada de micrópila. No óvulo jovem todas as células que compõem o nucelo são idênticas. usualmente logo abaixo da epiderme próximo ao topo. Desenvolvimento de Sementes. Geneticamente este é um tecido 2n (diplóide). o desenvolvimento e a germinação de uma semente. Embriogênese.

De uma forma ainda não conhecida. em outros casos mais específicos é carregado por animais polinizadores. carregando os núcleos espermáticos. À medida que a antera vai se desenvolvendo. o estilete e o saco embrionário através de uma sinérgide. A polinização de uma flor inicia quando um grão de pólen maduro é depositado em um estigma compatível. Estas células iniciam a se dividir e para a região interior produzirão um tecido esporaginoso e para o exterior o tapete e o endotécio.3 glucana). incluindo entre eles. Após a diferenciação. Uma divisão nuclear originará uma estrutura binucleada a qual passa a ser chamada de grão de pólen (gameta masculino). o saco embrionário consiste sete células e oito núcleos. formando o zigoto ou a primeira célula do embrião.2. pássaros e insetos.3. 97 . será rompida. penetra o estigma. Microsporogênese A medida que o estame se desenvolve vão se diferenciando o filete e a antera. chega a triplicar de tamanho causando a ruptura de sua membrana celular. 2. Os dois núcleos polares constituirão a célula central.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos células conhecidas por antípodas. O outro núcleo espermático. a antera consiste de uma massa uniforme de células. Portanto. No caso mais simples o pólen é transportado pelo vento. Essa parede. penetra a célula ovo. O tubo polínico. desenvolve-se uma parede de carboidrato (basicamente de calose. envolve a formação de um tubo polínico. Um dos núcleos é chamado de núcleo generativo e o outro. tomam uma cor mais avermelhada e com características distintas das dos tecidos parenquimatosos ao redor das mesmas. O grão de pólen absorve água e nutrientes da superfície do estigma e inicia a germinação. As células do tecido esporaginoso formaram as células mães das micrósporas. fica completada a dupla fecundação. 2. Polinização Uma série de mecanismos evoluiram com a finalidade de aumentar a probabilidade do pólen ser tranferido para o estigma. migra e se funde com dois núcleos polares dando inicio a formação do endosperma (3n). na qual expele os núcleos espermáticos. cada célula mãe das micrósporas sofre meiose dando origem ao que é conhecido como tétrade de micróspora. Eventualmente quatro grupos de células se diferenciam. Esta. núcleo do tubo polínico. Ao redor de cada uma das micrósporas. Essa sinérgide. em um determinado momento após a meiose. Dessa forma. β 1. um deles.

por exemplo. a divisão celular verifica-se até 10 dias após a antese. Em trigo. Em soja. por exemplo. O zigoto vai se dividindo e posteriormente diferencia-se nas diferentes estruturas do embrião. Paredes celulares começam a ser formadas. Embora muito permaneça para ser estudado sobre como todo esse processo é regulado. apenas resquícios do endosperma são vistos. ocorre uma intensa divisão celular seguido de uma redução gradativa até um número máximo de células do embrião ser atingido. No arroz. As células do endosperma do trigo continuam a se dividir. nas primeiras duas semanas após a floração. aproximadamente 5 a 6 h após a fusão dos núcleos polares e com núcleo espermático. verificou-se que durante o desenvolvimento de sua semente a quantidade de diferentes mRNA (RNA mensageiro) presente no estágio III (estágio no qual o embrião tem o formato de torpedo. De uma maneira geral. Em soja. tem sido identificados gens cuja expressão durante a embriogênese determinam a identidade do tecido e/ou órgão. chegando a 20 dias se a temperatura for de 20oC.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2. ocorrerá o desenvolvimento e formação do embrião (embriogênese) e das outras estruturas de semente. Durante seu desenvolvimento. na qual ocorre um desenvolvimento inicial do endosperma. Em trigo. até aproximadamente 16 ou 20 dias após a antese. Em outras palavras. aumentando de tamanho até aproximadamente 35 dias após a antese. 25 dias após a antese. a quantidade de gens expressos durante as duas fases era 98 .4. aproximadamente 3 dias após a fertilização. das células do endosperma mais próximo. como o parênquima nucelar . 36 a 52 dias após a fertilização) era muito semelhante (entre 14 a 18 mil mRNAs). o desenvolvimento deste é iniciado antes do que o do embrião. tegumento e endosperma (as vezes ausentes como no caso da soja. aproximadamente. No caso da soja como de vários outros legumes. ao redor dos núcleos no endosperma. a semente consiste apenas de um grande embrião. o embrião atinge seu comprimento final. a uma temperatura de 30oC. Em torno de 20 dias após a fertilização. os cotilédones desenvolvem-se rapidamente e acumulam reservas oriundas do endosperma). podese dizer que as sementes das angiospermas são basicamente formadas de embrião (cotiledones + eixo embrionário). assim como . Quando ocorre a primeira divisão do zigoto (12 ou 24 h após a fertilização) já se observam de 16 a 32 núcleos no endosperma. Embriogênese Após a fertilização. ocorre a primeira divisão desses núcleos. o embrião consome os nutrientes dos tecidos que o circundam. porém depois. 18 a 36 dias após a fertilização) e no estágio IV (estágio intermediário de maturação. Nas plantas que possuem o endosperma como o tecido de reserva.

A grande maioria dos gens expressos durante a embriogênese também são expressos na semente durante a germinação. externamente é marcado por um hilo que varia de oval a linear e no final do hilo (parte superior) observa-se a micrópila e do outro lado a rafe. Esses últimos eram transcrição de gens que codificam as proteínas de reserva. da embriogênese. A camada protetora é a própria testa. ESTRUTURA DA SEMENTE Após estudar como se formam as estruturas da semente. No estágio IV. outro grupo apenas durante o estágio intermediário e outro no estágio mais avançado ou final. os intermediários na síntese de proteínas. 2 . originada do integumento externo. Existe um grupo de gens que são expressos somente muito cedo. na embriogênese.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos semelhante. Não se verifica um contato simplástico entre a planta mãe e a semente. Na semente de soja não está presente o pericarpo. cada um presente 1000 vezes por célula. 2). Apenas um número muito restrito de gens são expressos unicamente durante a embriogênese. O tegumento da soja é.hipoderme e 3 . além desse grupo. 3. abundância de alguns destes mRNAs eram diferentes nos dois estágios. havia um grupo de aproximadamente 180 mRNAs. Por exemplo no estágio III. ver-se-á como elas se dispõe em uma semente madura. 99 . basicamente.camada interna de parênquima. no grão de trigo. Assume-se que os assimilados se movem simplasticamente do floema até a cavidade do endosperma (Fig. ocorria um outro com seis ou sete mRNAs presentes 100. endosperma e cobertura protetora (testa e pericarpo). A cariopse de trigo é basicamente constituída de embrião. formado por 3 camadas: 1 epiderme. O tegumento. observa-se a região do embrião no lado oposto ao dos pêlos e na parte inferior o sulco. A soja será utilizada como modelo das dicotiledôneas e o trigo como das monocotiledôneas. Na região do sulco é que está localizado o sistema vascular (xilema e floema). O hilo apresenta diferentes colorações e é utilizado em laboratório para auxiliar na caracterização de cultivares. Contudo. ou em uma folha madura. Externamente. Os últimos incluem gens envolvidos na dessecação da semente.000 vezes por célula.

lipídeo ou proteína? Este processo pode ser resumido da seguinte forma: o carbono é fixado e carboidratos são sintetizados no interior do cloroplasto. do citoplasma. quando a sacarose chega à semente através do floema. externos as células) da célula. TRANSPORTE DE RESERVAS PARA A SEMENTE Os carboidratos que são formados nos cloroplastos das folhas.Estrutura interna do pericarpo. são liberados para dentro do citoplasma como dehidroxi acetona fosfato (DIAF). Como o carbono assimilado na folha pelo processo da fotossíntese chega à semente e é armazenado nesta na forma de amido. através das plasmodesmatas (canais de conexão entre células).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos epiderme mesocarpo pericarpo células em cruz células tubulares testa aleurona endosperma Figura 2 . 3). o C passa pela membrana do cloroplasto como dehidroxi acetona fosfato a qual é convertida em sacarose no citoplasma das células do mesófilo foliar. 4. Trigo No caso de gramíneas como o trigo. 100 . de onde é ativamente absorvida pelos vasos do floema e tranportada até a semente. os assimilados movem-se do floema para a região de projeção nucelar através do simplasto. isto é. o qual está localizado ao longo do sulco do grão (Fig. a sacarose é tranportada ativamente para regiões do apoplasto (espaços intercelulares.

ocorra a transferência da sacarose para o apoplasto na região da cavidade do endosperma (tem origem na morte prematura das células desta região. k e bv k pn ce co pe i pi Figura 3 . t-testa. durante o desenvolvimento da semente). ce-cavidade do endosperma. Da cavidade do endosperma a sacarose passa por difusão para células mais externas da camada de grãos de aleurona. provavelmente. bvbandas vasculares. às células do endosperma onde ocorrerá a síntese do amido. que são células modificadas para células de transferências e dali. simplasticamente. pe-pericarpo externo. Em resumo temos: 101 . portanto. pi-pericarpo interno.Corte transversal de uma semente de trigo. em um determinado momento após sair do floema.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Na projeção nucelar. ca-camada de aleurona. O tecido compreendido entre o floema e a cavidade do endosperma é de origem materna. conexão simplástica entre a planta mãe e o grão de trigo. cairá no apoplasto. Como existe uma desconexão entre as duas gerações. s-sulco. e-endosperma. fc-funículo. pn-projeção nucelar. não havendo.

Posteriormente. além dos constituintes químicos encontrados em outros tecidos da planta. uma quantidade extra de substâncias.Corte longitudinal de uma vagem de soja. A semente de soja está presa ao funículo através do hilo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Soja No caso de leguminosas como a soja. grande parte dos fotoassimilados são direcionados para a vagem. Durante o desenvolvimento inicial da vagem e da semente. Este se ramifica em cada uma das sementes em desenvolvimento. a maior parte dos fotoassimilados são direcionados diretamente para a semente em desenvolvimento. que serão utilizadas para 102 . e. Figura 4 . a sacarose chega até a semente através do sistema vascular ventral localizado ao longo de toda parte superior da vagem da soja. Mais tarde. no desenvolvimento. Não existe contato simplástico entre as duas porções (tegumento e cotilédones) da semente de soja. o sistema vascular penetra a semente em uma região bem delimitada ao redor do hilo e a partir daí. parte dos fotoassimilados contidos nas paredes do legume são remobilizados para a semente. entre o tegumento os cotilédones e o embrião (Fig. PRINCIPAIS CONSTITUINTES DA SEMENTE A semente apresenta. As paredes da vagem apresentam um sistema vascular bem desenvolvido. nas gramíneas (projeção nucelar no trigo e pedicelo no milho) entre a região de descarga e os cotilédones. vai formando uma rede vascular ao redor de todo o tegumento da semente. Ocorre também uma banda dorsal a qual ocupa toda a vagem no lado dorsal. através do funículo. 4). 5. E tãopouco existe uma região com tecido parenquimatoso rico em plasmodesmatas como na região de descarga. Os carboidratos são descarregados do sistema vascular do tegumento diretamente para uma região apoplástica.

fenóis. A primeira é um polímero não ramificado. adubação nitrogenada e sulfídrica.0 37.0 Milho 18.2 74.0 Cevada 43.0 Trigo 6. Condições ambientais prevalentes durante a formação da semente.4. citocininas. Tabela 1 .0 12.0 13.0 Arroz 8.9 26.9 85.0 66.2 75.4 19. e varia entre as diferentes espécies e entre cultivares de uma mesma espécie.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos dar suporte ao crescimento inicial da plântula. os carboidratos. tem entre 50 a 75% de amilopectina e 20 a 25% de amilose.0 76.2 23.9 8.6 76.7 12.0 Soja 1. ligadas por ligações α 1. aproximadamente. épocas de semeadura) podem provocar modificações na composição química das sementes.0 Ervilha 3. formado por.9 13. A amilopectina é bem maior e formada por várias amiloses unidas por ligações α 1. bem como práticas culturais (ex. Outras substâncias. são encontradas nas sementes e estão envolvidas no crescimento e controle do metabolismo (fitina.0 Centeio 3.1. taninos).6. Nesta síntese estão envolvidas duas enzimas: 103 . embora sem a mesma importância na função de reservas. 300 a 400 unidades de glicose. A maioria dos cereais. lipídeos e proteínas. AMIDO O amido é armazenado nas sementes em duas formas: amilose e amilopectina.6 20. Em arroz. esta é tranportada para o interior dos amiloplastos onde se verifica a síntese do amido.4 52.0 Aveia 1.8 7. A composição química das sementes é determinada fundamentalmente por fatores genéticos. Essas substâncias são principalmente. a proporção é inversa. 6. Síntese de amido Após a sacarose chegar as células do endosperma. giberelinas.Composição química média da semente de algumas espécies. inibidores. alcalóides. Espécie Carboidratos Proteína Lipídeos (%) (%) (%) 1. vitaminas.0 Colza 1.

e assim por diante. 104 . Não apenas na semente.ADPG-Amido síntase (Adenina Difosfato Glicose Amido Síntase) 1ºPasso na síntese A ADPG-pirofosforilase é a primeira enzima requerida e sua função esta envolvida na produção do substrato para a ADPG-Amido síntase. Esta pode ser uma das razões porque um organismo sintetiza a maior parte do amido na forma ramificado (amilopectina). Em uma molécula com apenas uma ramificação teremos dois terminais. simplesmente toma o substrato produzido anteriormente (ADPGlicose) e adiciona uma outra glicose ao terminal não reduzido.6. ADFGlicose + (Primer)n (Primer)n+1+ ADP Estas duas enzimas são consideradas atualmente como o principal mecanismo pelo qual o amido é sintetizado.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1. Glicose 1 fosfato (GF1) + ATP ADFGlicose + FiFi 2ºPasso na síntese A enzima ADPG Amido Síntase.ADPG-Pirofosforilase (Adenina Difosfato Glicose Pirofosforilase) 2. Na amilose temos apenas um terminal não reduzível. Portanto com a ramificação ganha-se duas vezes mais primers e portanto mais lugar para a enzima atuar. mas também nas folhas. 6. A amido síntase vai adicionando unidades de glicose ao terminal não reduzível (carbono 4). Através das ramificações é aumentada a quantidade de ramificações não reduzíveis.4 em α 1. enquanto as enzimas ramificadoras adicionam ramificações. A ação destas enzimas ocorre concomitantemente com a produção da amilose.2. Enzimas ramificadoras São enzimas que convertem uma ligação α 1.

o grupo carboxílico de um amino ácido se liga ao grupo amina do outro. H H3N C R1 C O O- H H3N C C R2 O O- H O H O O+H O 2 H3N C C N C C R1 H R2 Figura 6 . 105 . PROTEÍNAS DE RESERVA As plantas fornecem aproximadamente 70% das proteínas da dieta humana. As proteínas são polímeros de amino ácidos unidos por ligações peptídicas. com a perda de uma molécula de água (Fig. 6 ). isto é.Reação entre dois aminoácidos. é constituída de proteínas de reserva de cereais e leguminosas. com a saída de uma molécula de água. A maioria destas. 7.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos TESTA SACO EMBRIONÁRIO COTILEDONE Figura 5 .Transporte de sacarose até o endosperma.

quando. para que o nitrogênio absorvido pela planta em suas raízes possa ser incorporado às proteínas ele precisa primeiro. nas raízes ou nas folhas. observou-se que de 20 a 55% do N pode ser incorporado em amino ácidos nas raízes. Em cevada. a nitrato redutase utiliza como fonte destes o NADH ou 106 .citosina) é lida por enzimas e é produzido um mRNA (ácido ribonuclêico mensageiro). Como visto acima. O grau de incorporação do N em amino ácidos. porém em algumas espécies. através de ligações peptídicas. na maioria das condições de solo. Este mRNA é tranportado do interior do núcleo para o citoplasma da célula onde se localizam os ribossomos. ser incorporado em amino ácidos. na sequência exata determinada pelo mRNA. Na primeira redução. Portanto. vai depender de fatores como: espécie. por exemplo. que não é incorporado em amino ácidos nas raízes ou nas folhas pode se acumular como nitrogênio inorgânico no interior dos vacúolos das células. ocorre a utilização de elétrons na mesma.uracilo. Nesta redução duas enzimas estão envolvidas: a nitrato redutase. um gen é ativado. Para este N ser incorprado em amino ácidos o nitrato precisa primeiro ser reduzido a amônio (NH+4). A principal fonte de nitrogênio para as plantas. localizada no interior dos plastídeos (cloroplastos na folha e proplastídeos nas raízes).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos As proteínas são um produto direto do gen. estádio de desenvolvimento da planta. guanina . são especificamente determinados. Os ribossomos traduzirão a sequência de bases do mRNA (adenina . Isto é. os aminoácidos são as unidades das proteínas e são eles os compostos que contém o nitrogênio em sua molécula. O nitrogênio. localizada no citoplasma e a nitrito redutase. no interior do núcleo de uma célula. que em uma proteína tanto a seqüência como o número de amino ácidos. guanina . Vê-se.citosina) e unirão os amino ácidos . ela pode ocorrer também na raíz. disponibilidade de nitrato (NO-3) para a planta (baixa disponibilidade a incorporação da-se primeiramente nas raízes). a sua sequência de bases (adenina timina. 2 elétrons 6 elétrons NO3 NADH ou NADPH NO2 Ferrodoxina NH4 Como a reação é de redução. é o nitrato. A incorporação do N em amino ácidos ocorre principalmente nas folhas. portanto.

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos NADPH no citoplasma das células das folhas e, provavelmente, Ferrodoxina no citoplasma das células das raízes. Na segunda reação, agora no interior do cloroplasto, a nitrito redutase utiliza tanto na folha como na raiz a Ferodoxina como doador de elétrons. A amônia normalmente não se acumula nas células das plantas, porém é incorporada em amino ácidos. Esta incorporação ocorre através da reação com o glutamato produzindo a amida glutamina, catalizada pela enzima glutamina sintetase.

A glutamina pode então ser convertida a glutamato reagindo com αceto glutarato em reação catalizada pela enzima glutamato síntase (GOGAT).

Portanto, com estas duas reações formam-se duas moléculas de glutamato. 107

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Uma vez incorporado no glutamato, o N pode ser incorporado a outros amino ácidos através de enzimas conhecidas como tranzaminases (trasferem o grupo amino de um a outro esqueleto carbônico).

Como o transporte de nitrogênio no interior da planta é um processo que envolve gasto de energia, aparentemente, seria interessante que circulasse no seu interior compostos com uma alta relação Nitrogênio/Carbono. A glutamina e a aspargina que são as formas que apresentam a maior concentração no xilema e no floema, tanto de leguminosas como de gramíneas, apresentam, por exemplo, uma relação de 2N/5C e 2N/4C, respectivamente. De uma forma geral as proteínas são classificadas em: albuminas, globulinas, prolaminas e gluteninas. As primeiras são solúveis em água, as segundas, em solução salina, as terceiras em solução alcoólica em as quartas em solução ácida. No grupo das albuminas, inclui-se praticamente todas as enzimas. E, as proteínas de reserva são as prolaminas e gluteninas em cereais e práticamente todas as globulinas em leguminosas (algumas globulinas podem ser enzimas). As proteínas, na semente, tem fundamentalmente uma função: prover o N para o embrião durante a germinação e para a plântula, em seu estágio inicial de desenvolvimento. As proteínas de reserva apresentam algumas caracteristicas particulares: 1-São abundantes (correspondem a aproximadamente 80% do total de proteínas da semente) 2-tem uma composição de amino acidos não comum as outras proteínas (são ricas em amidas: glutamina e aspargina);3estão localizadas em corpos protêicos no interior das sementes; 4-a síntese destas proteínas é regulada pelo desenvolvimento e apresentam especificidade de tecido (elas somente são sintetizadas nos tecidos da semente; em nenhum outro tecido da planta são encontradas proteínas de reserva, a exceção é a licitina (globulina) que pode ser encontrada na ponta de crescimento de raizes). 108

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Na Tabela 2 encontram-se relatadas as principais proteínas das sementes de algumas espécies. Tabela 2 - Proteínas constituintes dos principais cereais. Espécie Albumina Globulina Prolamina Trigo 05 10 50 Milho 01 05 54 Aveia traços 80 15 Arroz 05 10 10

Glutamina 35 40 05 75

As prolaminas tem um conteúdo alto dos amino ácidos glutamina e prolina e pouca ou nenhuma lisina e triptofano. Portanto, a composição dos amino ácidos dos cereais tem um valor nutricional inferior para os humanos. Arroz e aveia são exceções. Apresentam uma proporção relativamente baixa de prolaminas e alta de glutaminas, no arroz e globulinas na aveia (Tabela 2). 7.1. Fatores fisiológicos que influenciam o conteúdo de N na semente O nitrogênio, é dos elementos minerais, o que apresenta o efeito maior sobre o desempenho das sementes no estabelecimento rápido e uniforme de um estande a campo. Entre os fatores que determinam uma quantidade maior de proteína na semente, podemos citar: 7.1.1. Absorção e disponibilidade de nitrogênio O nitrogênio é absorvido pelas raízes da planta de forma ativa, isto é, energia é dispendida. A presença do nitrato (NO-3) no solo estimula nas raízes a síntese da "maquinaria" necessária para a absorção do mesmo. Existe variabilidade genética entre espécies e dentro de uma mesma espécie (entre variedades) na capacidade de absorver nitrogênio. Esta maior habilidade de algumas espécies ou variedades pode estar relacionada a uma maior afinidade entre a "maquinaria" de absorção e o nitrato e/ou, a um sistema radicular mais desenvolvido. O conteúdo de N na semente começa a aumentar, em conseqüência de doses maiores de adubação nitrogenada, somente depois que o máximo rendimento de sementes é atingido. E, o aumento no conteúdo desse nitrogênio pode ser maior ou menor, dependendo do período que o mesmo é fornecido para a planta. Nos cereais, por exemplo, se não ocorrem problemas de deficiência de água, absorvem o N sempre que estiver disponível. Se o aplicarmos após a antese (floração), o mesmo poderá ser canalizado diretamente para a semente. Se o 109

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos aplicarmos antes, o mesmo contribuirá mais para a formação de tecido estrutural da planta, do que para aumento da proteína na semente. 7.1.2. Mobilização da proteína vegetativa Grande parte do nitrogênio que estará na semente por ocasião da maturação, já está na planta, na antese. Na Tabela 3 estão indicados resultados de experimenos com seis variedades de trigo. Verifica-se que aproximadamente 86 % do N da semente estava na planta por ocasião da antese, isto é, apenas foi remobilizado das folhas e do colmo para a semente. A grande maioria desse N, nas folhas e no colmo, está na forma de proteínas, principalmente as envolvidas na fotossíntese. Essas proteínas sofrem hidrólise pela ação de enzimas proteolíticas, reduzindo as proteínas em amino ácidos, os quais são, como tais transportados, então, para a semente. Há indicações de que, diferenças no conteúdo de proteínas nas sementes, entre variedades de trigo, por exemplo, poderiam estar relacionadas a uma diferença na atividade das enzimas proteolíticas, sobre as proteínas vegetativas nas folhas. Tabela 3 - Quantidade de nitrogênio de seis cultivares de trigo em diferentes tecidos da planta. Órgão N na antese N na maturação ---------------------------- kg/ha ---------------------------29,1 86,2 Folhas 31,4 58,2 Colmos 107,5 Sementes Total 144,4 168,0 7.1.3. Síntese de proteína na semente Há indicações de que cultivares de arroz e trigo, com alta concentração de proteína na semente, apresentem também uma maior capacidade de síntese de proteínas.

8. LIPÍDEOS Lipídeos são substâncias de origem vegetal ou animal que são insolúveis em água, porém solúveis em éter, clorofórmio, benzeno e outros solventes orgânicos. Do ponto de vista de reservas para a semente os lipídeos mais importantes são os trialcilgliceróis (anteriormente conhecidos como triglicerídeos), os quais são líquidos a temperaturas superiores a 20oC. Recebem 110

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos a terminação de triacilgliceróis porque cada molécula de glicerol está combinada com três moléculas de ácidos graxos

O O
2

CH2-- O -- C -- R1 O

R -- C -- O -- CH

CH2-- O -- C -- R3
Glicerol

Na maioria dos triacilgliceróis os ácidos graxos são monocarboxílicos (possuem apenas um grupo COOH). O número de carbono desses ácidos graxos variam de 12 a 20, sendo que os mais comuns, em sementes, contém de 16 a 18 (Tabela 4). Tabela 4 - Ácidos graxos mais comumente encontrados nas sementes. Nome No de Estrutura carbonos CH3(CH2)14 COOH 16 Palmítico CH3(CH2)16 COOH 18 Esteárico CH3(CH2)7CH=CH(CH2)7 COOH 18 Olêico CH3(CH2)4CH=CHCH2CH=CH(CH2)7COOH 18 Linolêico CH3CH2CH=CHCH2CH=CHCH2CH=CH(CH2)7 COOH 18 Linolênico CH3(CH2)7CH=CH(CH2)11 COOH 22 Erúcico São encontrados nas sementes, também os fosfolipídeos (principalmente ligado as membranas), glicolipídeos e esteróis. A composição de ácidos graxos de algumas espécies são apresentadas na (Tabela 5).

111

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 5 - Conteúdo de ácidos graxos (%) nas sementes de algumas espécies. Espécie Palmítico Esteárico Olêico Linolêico Linolênico 0 45,0 31,6 0 23,4 Algodão 0 26,0 51,6 6,0 8,5 Amendoim 12,0 25,0 55,0 2,0 5,0 Colza 0 48,0 44,0 2,0 6,0 Milho 3,0 64,0 20,0 2,0 11,0 Soja O que se observa durante o desenvolvimento da semente, é um aumento na polimerização dos lipídeos. Em trigo, por exemplo, os lipídeos nas sementes jovens encontram-se principalmente na forma de ácidos graxos livres. Porém a medida que a semente avança no desenvolvimento aumenta significativamente a proporção de lipídeos nas formas mais complexas (Tabela 6 ). Tabela 6 - Composição de lipídeos (%) durante o desenvolvimento da semente de trigo. Pêso da semente (mg) Ácidos graxos livres Triacilgliceróis 12 68 10 19 49 25 33 4 71 8.1. Síntese de lipídeos Como nos carboidratos, a principal forma que o carbono chega a semente para a produção de lipídeos, é na de sacarose. Esta é hidrolizada, produzindo glicose e frutose, as quais são convertidas em exoses fosfato e trioses fosfato, pelas reações da glicólise. Estes compostos são translocados para o interior dos plastídeos da semente, onde ocorre a síntese dos ácidos graxos. Na síntese de um ácido graxo de 16 ou 18 carbonos a partir do acetil-CoA, ocorrem em torno de 30 reações enzimáticas. De forma ampla pode-se considerar ou dividir a síntese de um triacilglicerol em três partes: 1-a produção do glicerol; 2-formação dos ácidos graxos (no interior dos plastídeos) e 3-esterificação do glicerol com os ácidos graxos (no interior do retículo endoplasmático) dando origem ao triacilglicerol. Os triacilgliceróis são depositados nas células de reserva da semente na forma de corpos oleosos. Após sua síntese, os ácidos graxos são transportados para fora do plastídeo e os triacilglicerídeos são sintetizados no interior do retículo endoplasmático onde se acumulam entre as duas membranas deste. Ali vão se acumulando até formar uma vesícula a qual vai aumentado de tamanho até desprender-se, formando os corpos oleosos. 112

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 9. EFEITOS DE FATORES AMBIENTAIS SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA SEMENTE Fatores ambientais podem afetar a constituição da semente. Entre estes, destacam-se temperatura, umidade e nutrientes no solo. Altas temperaturas durante o enchimento da semente de cereais limitam o rendimento de sementes pela redução do peso de mil sementes. O aumento da temperatura estimula o desenvolvimento da semente, porém a taxa de enchimento da mesma não aumenta o suficiente para compensar a redução do período de enchimento da semente. Outro aspecto que tem sido observado é que, a conversão da sacarose à amido no interior das células do endosperma em desenvolvimento é reduzida com o aumento da temperatura (acima de 30oC). As enzimas amido síntase (envolvidas na síntese do amido) comprovadamente mostraram redução de atividade no endosperma de trigo em resposta a altas temperaturas, gerando uma redução de síntese de amido. Possivelmente também outras enzimas reguladoras da síntese de amido apresentam igualmente redução de atividade, sob altas temperaturas. Há indicações de que, o estresse de água, durante a fase de enchimento de grão, reduz a atividade da enzima ADPG Pirofosforilase (veja função em síntese de amido), afetando, dessa forma, também a deposição de amido nas células do endosperma. Freqüentemente o estresse de água está associado ao de temperatura, ficando inclusive difícil de separá-los. O efeito de ambos os estresses é, significativamente, maior sobre a deposição de amido do que sobre a de proteína (em torno de 85% do N já se encontra na planta quando da antese). Por essa razão, ambos os estresses, quando ocorrem, isoladamente ou em conjunto, promovem um aumento na porcentagem de proteína da semente. A porcentagem de proteína na semente de cereais, por exemplo, é basicamente uma relação entre a quantidade de proteína e amido. Diminuindo-se a quantidade de amido e mantendo-se o nitrogênio praticamente constante, aumenta a relação proteína/amido. Vê-se que numa situação de estresse de água ou temperatura, aumenta a concentração de proteína na semente, porém não significa que se está produzindo mais proteína por área. Em conseqüência do estresse, as células produzidas nos primeiros vinte dias após a antese não foram inteiramente preenchidas, o que resulta numa redução do peso da semente e uma conseqüente redução no rendimento e no vigor da mesma. Deficiência de água, durante a fase de enchimento da semente de soja, tem resultado em redução no conteúdo de cálcio da mesma (1648 e 1305µg/g de tecido na não estressada e na estressada, respectivamente). O conteúdo de cálcio também estava positivamente associado a germinação. O cálcio é um elemento 113

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos muito importante na manutenção da integridade das membranas celulares e esta aparentemente tem muito a haver com a qualidade fisiológica da semente. Tem sido observado que o tipo de lipídeo presente na sementes de oleaginosas é afetado pela temperatura. Os lipídeos de sementes produzidas em temperaturas mais amenas, tendem a ser menos saturados (menos ligações duplas) do que os encontrados em sementes produzidas em condições mais quentes. As enzimas desnaturase são inibidas por altas temperaturas durante o desenvolvimento da semente, o que contribui para a redução na proporção dos lipídeos não saturados. Em soja, por exemplo, com o aumento da temperatura durante o desenvolvimento da semente, observou-se que aumentava o conteúdo do ácido graxo esteárico e diminuia o linolêico e linolênico. Não é em todas as espécies oleaginosas que se verifica o efeito da temperatura sobre o tipo de lipídeo. O nível de nutrientes que é colocado a disposição da planta tem significativa influência sobre a concentração dos mesmos na semente (Tabela 7). Por exemplo, aumentando-se a disponibilidade de nitrogênio aumentar-se-á o nível de proteína na semente. Deficiência no nível de enxofre reduz a quantidade de proteína na semente, porque o mesmo faz parte da estrutura dos amino-ácidos metionina e cistina. Se estes aminoácidos não são sintetizados, as proteínas que contém os mesmos também não serão sintetizadas. Redução na disponibilidade dos outros nutrientes também resultará na redução dos mesmos na semente. Tabela 7 - Porcentagem de minerais presentes na semente de cevada, em função da adubação Elemento Minerais aplicado N P K Ca Mg Na Nenhum 1,54 0,29 0,51 0,065 0,10 0,39 P 1,44 0,36 0,45 0,055 0,10 0,27 K, Na, Mg 1,44 0,36 0,52 0,050 0,12 0,18 P,K, Na, Mg 1,40 0,36 0,54 0,050 0,11 0,16 N 1,90 0,28 0,45 0,055 0.11 0.47 N,P 1,65 0,34 0,42 0,055 0,10 0,47 N,K,Na,Mg 1,62 0,30 0,46 0,045 0,11 0,20 N,P,K,Na,Mg 1,35 0,32 0,53 0,050 0,10 0,23 Os trabalhos tem indicado que, de uma maneira geral, dos elementos nutritivos, o nitrogênio (sua concentração na semente) é o que tem maior influência sobre o vigor da mesma. 114

isto é. Efeitos das condições ambientais sobre a qualidade da semente A qualidade da semente pode ser influenciada pelas condições ambientais que se verificam antes ou após a maturação fisiológica (quando a semente tem o máximo de peso seco. em relação as que se desenvolvem em uma temperatura baixa (27/22oC). Altas temperaturas do ar durante a fase de enchimento da semente podem reduzir o vigor. também tem se revelado como mais severo.1.1 Em milho. limitações no peso (matéria seca). provavelmente se verificarão. enquanto que a irrigação nas fases mais avançadas do enchimento da semente tendem a prejudicar sensivelmente sua "qualidade visual". há indicações de que altas temperaturas durante o dia tem pouco efeito sobre a qualidade da semente. Se estresses ocorrerem por ocasião do enchimento da semente.8 Estresse no florescimento completo 94. dia/noite) durante a fase de enchimento da sementes reduziu a germinação destas em 28%. a irrigação durante a formação da vagem (ainda não está ocorrendo o enchimento da semente) melhora o aspecto ("qualidade visual") da semente. Em soja.0 58. devido as altas temperaturas. temperaturas noturnas elevadas afetam significativamente.Resposta da qualidade de sementes de soja ao estresse de deficiência de água Tratamento Germinação Peso seco de (%) plântula (mg) Sem estresse 95.4 60. Em condições de deficiência de água em soja. é maior se vem associado a problemas de seca. a forma da semente. por promover a incidência de doenças.0 Estresse no máximo volume da semente 91. germinação e vigor).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 9. Tabela 8 . No geral. por exemplo.4 58.6 61. se imposto durante a fase de enchimento da semente. 115 . O efeito de estresse de seca. viabilidade e vigor.3 Estresse no início do enchimento da semente 85. o dano causado a semente. a exposição da planta a alta temperatura (32/28oC. sobre a qualidade da semente de soja.8 Estresse na formação da vagen 92. a germinação e a qualidade visual. a matéria seca em 24 mg/planta (vigor) e em 26% o nº de sementes descoloridas (qualidade visual). de forma negativa. possivelmente. Contudo.4 61. antes da mesma atingir a maturação fisiológica.

dependendo se ocorrerem chuvas após a maturação fisiológica.o umedecimento e secamento alternado. se ocorrerem temperaturas acima de 25oC durante o estágio de massa mole (± 27 dias após a floração). são bem conhecidas essas diferenças). intensidade do estresse. por exemplo. cevada. os danos causados às sementes em conseqüência de altas temperaturas e deficiência de água. a semente não apresentará dormência. 2.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A temperatura durante esta fase também tem profunda influência sobre a dormência da semente.1. época de ocorrência do mesmo durante o enchimento da semente e variabilidade genética entre as cultivares. o que reduzirá em muito a qualidade fisiológica dessa semente.altas temperaturas acompanhadas de alta umidade relativa. poderá ou não ter influência significativa sobre a qualidade da semente. Alguns fatores contribuem para esta redução da qualidade da semente: 1. Assim. Um grande número de espécies como. b) infecção por doenças) 3variabilidade genética entre cultivaras de uma mesma espécie para uma tolerância maior ou menor ao estresse durante esta fase (em soja. no campo. por exemplo. deve-se ter presente. aveia. em uma situação como essa. que podem prolongar o período de perda de água da semente (pelo menos duas causas podem contribuir para a perda de vigor da semente nesta situação: a) a respiração da semente é mantida em um processo no qual não ocorre mais síntese. caruru. se ocorrer chuva por ocasião da colheita. Porque influências tais como. tanto o vigor como a germinação vão gradativamente sendo diminuídos. podem determinar uma resposta diferenciada. triticale. Efeito de condições ambientais após a maturação fisiológica da semente sobre a qualidade da mesma Após a maturação fisiológica. trigo. beterraba entre outras. triticale. 9. claramente. podem reduzir sensivelmente sua qualidade. de que nem sempre se verificará a mesma resposta a um determinado estresse. Contudo. provoca uma redução na qualidade devido a rápida e diferenciada absorção de água pelos diferentes tecidos e a subsequente deterioração diferenciada destes. Esta. festuca. a maturação fisiológica já foi atingida e. trigo. (especialmente para leguminosas). a semente poderá iniciar o processo de germinação ainda na espiga. 116 .1. Portanto. tem a dormência das sementes tremendamente reduzida (não desenvolvem dormência) se durante o desenvolvimento das mesmas ocorrerem altas temperaturas. Em trigo.

Variação da composição de algumas substâncias presentes na semente a medida que ela se desenvolve. ocorre um gradual declínio na quantidade de aminoácidos e de açucares solúveis.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 10.2 AÇUCAR Grão inteiro Endosperma Embrião 15 30 45 M 0. e no “y” temos a quantidade em miligramas em cada parte da semente. observa-se o que acontece com alguns constituintes da semente de milho a medida que a mesma vai desenvolvendo. 117 . MATURAÇÃO FISIOLÓGICA Considera-se que a maturação fisiológica é aquele estádio de desenvolvimento da semente no qual é atingido o peso máximo de matéria seca. Observa-se que a medida que a semente se aproxima da maturidade. Na Fig. No eixo dos “x” temos dias após polinização até maturação (M).8 0.4 0 0 AMINO ÁCIDOS Grão inteiro Endosperma Embrião 15 30 45 M Figura 7 . Resultados de pesquisa estão a indicar que para algumas espécies. 30 20 10 0 0 PROTEÍNA Grão inteiro 12 LIPÍDEOS 8 Embrião Endosperma Embrião 4 Endosperma 0 M 0 15 30 45 M Grão inteiro 15 30 45 10 8 6 4 2 0 0 1. a semente possui o máximo vigor e germinação . Quando a semente atinge a maturidade a maioria dos compostos nitrogenados estão na forma de proteína e os açucares na de amido. 7. o máximo de vigor e germinação da semente não coincide com o máximo peso seco da mesma.

respectivamente. Já os outros cereais não a apresentam. há uma mudança para as enzimas envolvidas em processos catabólicos. em sementes de milho. geralmente é acionada em um tempo preciso. se a umidade no interior da semente e do fruto está muito acima daquela exigida para que a germinação ocorra? O metabolismo durante o desenvolvimento da semente é principalmente anabólico. O surgimento dessa camada é variável e dependendo da cultivar e/ou híbrido. extraídos de sementes que foram retiradas do fruto aos 16 dias após a fecundação. A própria semente de tomate. Em soja e em trigo ela ocorre com aproximadamente 45 e 35% de umidade. Essa "troca". Sementes de sorgo também apresentam esta camada preta. alguns formam a camada com 35% de umidade. retirada do fruto aos 25 dias após a fecundação. 2-expansão das células e deposição das reservas. Já durante a germinação. com o meristema apical das raízes de um lado e o meristema apical das folhas do outro. tem capacidade para germinar no oitavo dia após a fecundação. A REGULAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA SEMENTE Pode-se resumir os eventos que ocorrem durante o desenvolvimento da semente da seguinte forma: 1-diferenciação de tecidos. outros com 20%. Embriões de trigo. se colocado em meio de cultura. São. particularmente nos tecidos de reserva. isto é. isto é. de síntese de substância. tem condições de germinar poucos dias após a fecundação. e posta na água por 7 dias. portanto. pode apresentar cerca de 50% de germinação. com um padrão básico de tecido entre ambos). os dois implicam no envolvimento de uma “troca”. dois processos metabólicos distintos e. a qual afeta a transição do "programa" de desenvolvimento da semente para o "programa" de germinação da mesma. Embriões de tomate. o embrião dessas sementes. tem condições de germinar. o completo desenvolvimento dos eventos necessários e importantes para que a 118 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Um marcador da maturação fisiológica muito conhecido é o da camada preta. 3-preparação do embrião para dormência pela redução do processo metabólico e redução do conteúdo de água. A semente atinge a maturação fisiológica em um estágio anterior ao da maturação para colheita (13% de umidade). uma única célula sofre divisão mitótica e as células resultantes se diferenciam para formar o modelo morfológico do embrião (estabelece-se o eixo embrionário da planta. Contudo. por exemplo. Porque o embrião do trigo germina quando retirado da semente? Porque a semente de tomate germina quando retirado do fruto e não no interior do mesmo. para permitir. 11. se retirados da semente e colocado em meio apropriado.

germina precocemente. tem um importante papel na inibição da germinação durante o desenvolvimento da semente. é evidente que o desenvolvimento de embriões ocorre sobre a influencia do tecido materno. logo após serem retiradas da planta. normal mutante 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 10 14 18 Dias após polinização 22 Figura 8 . 119 Germinação . de mutantes em relação ao ABA. que visam identificar mecanismos que mantém o embrião no "programa" de desenvolvimento até o mesmo estar completamente desenvolvido. embrião e tecidos ao redor do mesmo. Por exemplo. a germinação precoce também pode ser evitada pela restrição a absorção de água e. O ácido abscísico. Pelos exemplos mencionados acima (trigo e tomate). Estudos. tem abrangido dois fatores: o ácido abscísico (ABA) e restrição a absorção de água. ou do ambiente originado do tecido materno.Germinação de Arabidopsis thalian normal e no mutante. 8 que as sementes de uma planta de Arabidopsis thalian normal. sementes de um mutante desta espécie que. não germinam em água . determinando o curso da embriogênese. tem sido demonstrada através da utilização. Durante o desenvolvimento da semente ocorre um aumento no conteúdo de ABA em ambos. devido a mutação que ocorreu. ao redor do mesmo. tem geralmente um potencial osmótico negativo (-15 bars em alfafa. Dessa forma. Esta importância. é conhecido que o endosperma. bem como o desenvolvimento da plântula.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos germinação seja obtida com sucesso. não sintetiza ABA. nos estudos. o embrião pode completar seu desenvolvimento. No caso da restrição a absorção de água pelo embrião como mantenedor da semente no "programa" de desenvolvimento. Contudo. no qual o embrião se desenvolve. observa-se na Fig. ainda na fase líquida. -16 bars em trigo). Interações ocorrem entre ambos.

A tolerância a dessecação é maior nos estádios mais avançados. Porque razão as sementes nos estágios iniciais de desenvolvimento são mais sensíveis ou bem menos tolerantes a dessecação? 120 . 100 90 80 70 Germinação % 60 50 40 30 20 10 0 20 25 30 35 40 45 50 55 60 Dias Após Florescimento Figura 9 . Sementes colhidas e dessecadas aos 20 DAF não germinaram e não sobreviveram.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 11. Tolerância à dessecação Qualquer tecido da planta. 13% de lipídeos e 3% de fitina do que é observado na semente madura (Fig. o início da tolerância a dessecação foi adquirida quando a semente apresentava apenas 20% do total de matéria seca. outro que o da semente ortodoxa.Germinação de sementes de mamona após o florescimento. As sementes que não adquiriram tolerância a dessecação e são submetidas a tal. por exemplo. perdem viabilidade e não germinam quando hidratadas. morre. não germinam se removidas e secadas até 22 dias após a floração (DAF). as sementes não toleram a dessecação em todos os estágios de seu desenvolvimento. Contudo. Sementes de feijão. Situação semelhante ocorre com Mamona Ricimus sp. Aparentemente a tolerância a dessecação foi adquirida em 5 dias (dos 20 aos 25 DAF). 9). 17% do total de proteínas de reserva.1. se exposto a dessecação até uma umidade de 13%. Nesta espécie.

seca. é neste período que a semente inicia a adquirir tolerância a dessecação. resultado da mudança de um metabolismo voltado para a formação de novos tecidos e novas membranas e organelas para um tecido anabólico voltado para acumulação de reservas na semente.2. muitas mudanças de ordem bioquímica ocorrem nos últimos estágios de desenvolvimento. Juntamente com as alterações estruturais. a mesma deve possuir um alto grau de resistência a condições de altas e baixas temperaturas. Dormência Diz-se que uma semente é dormente. Muitos gens são desativados enquanto outros são ativados. A deposição dessas reservas nos citoplasmas e a conseqüente redução do volume vacuolar das células pode contribuir para diminuição do estresse mecânico imposto pela dessecação. Entre elas. Apresenta dormência primária. Nesse estágio inicia o processo de deposição de reservas e os vacúolos começam também a ser preenchidos com proteínas de reservas. Considerando que. Apresenta dormência secundária 121 . um grupo de proteínas denominadas de LEAs. durante esse estágio. e as organelas como mitocondrias e cloroplastos já possuem membranas internas bem diferenciadas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Durante a diferenciação dos tecidos. de danos devido a dessecação. quando. Após este estágio de diferenciação. ocorre uma intensa divisão celular. os tecidos do embrião são metabolicamente muito ativos. Quando a tolerância a dessecação é adquirida em sementes ortodoxas. entre outros desafios ambientais que a semente deve enfrentar. A semente pode apresentar dormência primária ou secundária. neste caso. ao cair da planta. sementes de todos os tipos são altamente sensíveis a dessecação. E. O desenvolvimento da dormência na semente. Portanto. 11. a semente já se encontra em estado de dormência. E. O aumento relativo que se observa no nível de tolerância a dessecação pode estar relacionado a mudanças na anatomia celular. o nível respiratório é muito alto. a semente deve servir ao propósito de propagação da planta. quando esta não germina. apesar de lhe ser dada todas as condições para que esse processo ocorra. uma série de substâncias são depositadas. vai progressivamente reduzindo os processos metabólicos no interior de suas células. O desencadeamento da dormência em sementes faz parte de um processo normal de desenvolvimento. como mencionado anteriormente. a dormência. Essas proteínas agiriam como protetoras. Portanto a preparação da condição de dormência na semente é um processo ativo. teve seu inicio no decorrer do desenvolvimento da semente. tem um período de expansão celular pelo aumento da vacuolização dos tecidos do embrião.

Durante o processo de desenvolvimento do embrião em plântula uma série de reações de degradação e síntese. 122 . são observados. pode-se classificar a dormência. coincidindo com o crescimento do embrião (Fig. aveia. Já foi mencionado acima que. A dormência endógena é o resultado da ação de fatores: a. c-inibidores químicos nas estruturas em volta da semente (Ex. a síntese de proteína é reiniciada e a taxa de respiração e o metabolismo intermediário aumenta drasticamente. Algumas cultivares apresentam inibidores nas glumas). No desenvolvimento da dormência. temperatura inadequada. após sua maturação e sem apresentar dormência. quando pouca água é absorvida. De uma forma geral. As metodologias para a superação da dormência de sementes são abordadas no Módulo 04. A dormência exógena é a expressão da ação de fatores como: a-permeabilidade do tegumento (gases e principalmente água. A embebição da semente pela água. reduzirão sensivelmente o nível de dormência da mesma. é realizada através de processos físicos e ocorre basicamente em três fases: a primeira caracterizada por uma rápida absorção. A transcrição de gens é reassumida.) e b. Fraxinus sp. além dos fatores genéticos. sementes de leguminosas). Em outras palavras.3. Ex. Xantium sp. os ambientais são muito importantes.fisiológicos (Ex. Ex. em trigo. isto é. Ex. A dormência secundária ocorre muito com sementes de plantas daninhas. 10). temperaturas acima de 25oC durante o estágio de massa mole da semente.). O mecanismo que induz a dormência secundária é desconhecido. Germinação A germinação da semente envolve a superação da dormência e a retomada do crescimento do embrião. A água é o agente ativador de todo esse processo. 11. é induzida a um estado de dormência por alguma condição desfavorável para germinação como. germinação é a transformação do embrião em uma plântula.morfológicos (embriões imaturos. a segunda. permanecendo praticamente constante a concentração da mesma na semente e a terceira onde um segundo período de rápida absorção é verificado. o processo que conduz para a dormência é revertido.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos quando. a semente. falta de O2 ou luz. assim como desenvolvimento e diferenciação de tecidos. trigo). Trigo. b-restrições mecânicas (o embrião não tem condições de romper o tegumento durante a germinação. considerando os fatores que a determinam em: 1-exógena e 2-endógena.

viva ou morta (o potencial mátrico origina-se de macromoléculas como proteínas. Ocorre um aumento no consumo de O2. O potencial de água da semente nesta fase é. o balanceamento do potencial osmótico e do potencial de pressão (ψágua=ψmátrico+ψosmótico+ψpressão). o potencial mátrico não tem mais importância. aumenta linearmente com o grau de hidratação do tecido. atribuído. Está fase também é caracterizada pela estabilização na absorção de O2. está em equilíbrio com o meio externo. Fase 1: a embebição é largamente em função do alto potencial mátrico da semente. basicamente. bem como as enzimas pré-existentes (enzimas que permaneceram no embrião desde seu desenvolvimento) estão ativadas. Fase 2: essa fase é conhecida como "fase do descanso" e.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Absorção de Água (aumento de peso fresco) Tempo Figura 10 . O novo pique que se verifica na absorção de água e também de O2 nessa fase está relacionada com a elongação da radícula e a formação de novos tecidos. A respiração. durante essa fase. etc. 123 . Fase 3: apenas sementes vivas e não dormentes entram nessa fase. e a absorção de água ocorre independentemente da semente ser dormente ou não. as quais prendem a água em sua superfície). a semente. ácidos nucléicos. em parte a hidratação de enzimas mitocôndriais (organelas onde ocorre a respiração) envolvidas no ciclo de Krebs e na cadeia de transporte de elétrons. A hidratação de todas as partes da semente está completada.Fases da absorção de água pela semente.

Exigências para que ocorra a germinação 1. b. Como a composição da semente influencia a embebição da mesma? A embebição da semente depende largamente de seu potencial mátrico. O conteúdo de proteína. Disponibilidade de água Refere-se à água que chega ao embrião.que a semente seja viável. por sua vez. hemicelulose. Percebe-se. Fatores como: a. já no interior da semente. mucilagens (se formam ao redor da semente quando em embebição. 2-disponibilidade de água. O item 1 (viabilidade de semente) será discutido dentro do item deterioração de sementes. influenciam a entrada de água na semente e portanto. Horas Alface Trigo Girassol Milho -------------------------. que é altamente higroscópica. 3presença de gases (mais freqüentemente O2.permeabilidade do tegumento e ctemperatura. Algumas substâncias tem um poder maior de atrair água do que outras. entre essas inclui-se: proteínas. 5-luz (para algumas espécies) e 6-que a semente não esteja dormente.2.3. isto é. sementes de alface apresentam alta quantidade de mucilagem.% do peso inicial ---------------------------116 137 120 185 2 124 153 133 201 6 154 140 213 10 137 151 237 24 124 . respectivamente.Efeito do tempo de exposição à umidade.1. ex. substâncias pécticas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 11. Tabela 9 . tem um conteúdo de proteína de aproximadamente 22 e 25%. ácidos nucléicos. Esse por sua vez.composição da semente. no conteúdo de água das sementes de algumas espécies cultivadas. é de aproximadamente 12% em trigo e 9% em milho. seu acesso ao embrião. 4temperatura adequada. As sementes de alface e girassol. 11. portanto que a composição da semente tem grande importância na embebição da mesma. em semente de alface). à temperatura de 28oC. está relacionado com a composição da semente. portanto. esteja viva. porém nem sempre) c.3. Observe-se na Tabela 9 que as semente de trigo e de milho não aumentaram tão rapidamente seu conteúdo de água como as de alface e girassol. Além disso.

125 . fumo. 26. A baixa emergência de sementes de lotes de soja que apresentam problemas de tegumento rompido.3. pode resultar em danos às células da superfície dos cotilédones. Por exemplo. é promovida com concentrações mais altas de CO2. O efeito da permeabilidade do tegumento na embebição é claro e evidente. arroz. triticale. concentrações de CO2 maiores do que as registradas normalmente na atmosfera (300mg/l). Isso não significa que o embrião e/ou eixo embrionário dessas espécies necessitam um conteúdo diferente de água para elongarem a radícula. Para a maioria das espécies. se associado a baixa temperatura. Presença de gases Água em excesso pode restringir a disponibilidade de O2 e. sementes de arroz e trigo. arroz. O conteúdo de umidade do solo. 46 e 50%.8 a -2. Já sementes das espécies grama bermuda. afetam negativamente a germinação de suas sementes. 11. pepino. Heleochloa alopecuróides. aveia. necessário para as sementes germinarem também pode ser diferente entre as espécies. especialmente em soja. Por exemplo. por exemplo poderá apresentar esse conteúdo maior de água no momento da germinação por que ela. A velocidade de embebição pode ter efeito sobre o estabelecimento da cultura. ou que os mesmos tenham um conteúdo diferente de água no momento da elongação. porque se trata de um processo biológico e sim físico. rabanete. a rápida absorção de água pelas sementes de ervilha. e de algumas variedades de alface. este dano é ainda mais acentuado. cevada. amarantus. respectivamente. tem sido demonstrado que. reduzir ou atrasar a germinação. trigo. em função do alto nível de proteína. sorgo germinam muito bem com concentrações de O2 que vão de 9 a 21% (concentração do ar atmosférico: 21%). para germinarem. trigo. Russian thistle. Portanto a semente de arroz requer mais umidade no solo para germinar do que o trigo. Já a germinação das sementes de algumas espécies como Atriplex halimus. e soja emitam a radícula gira em torno de 30. o que poderá resultar em baixa emergência. A semente de soja. Sementes de espécies como girassol. conseqüentemente.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O conteúdo mínimo de água para que sementes de milho. Nas culturas de verão. que com freqüência se verifica em semeaduras realizadas no cedo. já o efeito da temperatura sobre a embebição é muito pequeno. feijão e milho.3. absorve água mais rapidamente. germinam melhor com concentrações baixas de oxigênio. não germinam a 2% de O2. Sementes de espécies como milho.0 bares respectivamente. porém a 21%. por isso a temperatura tem pouca influência. pode estar relacionado com os danos devido a rápida penetração da água através dessas regiões danificadas. necessitam que o solo tenha uma tensão de água de pelo menos 0.

oC ------------------------------------34 28 3 6 Aveia 36 22 4 5 Cevada 32 25 4 3 Trigo 39 34 15 17 Algodão 41 32 11 21 Arroz 42 33 9 10-13 Milho 41 30 9 10-13 Soja 40 33 9 21 Sorgo Sementes de alta qualidade terão uma maior amplitude de temperatura para germinar do que sementes de baixa qualidade.5. temperatura na qual algumas proteínas. tem uma temperatura mínima. Essa forma de fitocromo. absorve a parte do espectro da luz branca com comprimento de onda de 660 namômetros (nm) que é a luz vermelha. Na Tabela 10 são apresentadas as temperaturas para algumas espécies. Uma dessas formas está presente nas sementes que não foram expostas a luz branca e. O mecanismo desse fotocontrole está associado a determinados comprimentos de onda de luz com um pigmento chamado fitocromo. porém se o mesmo é ativado com a luz de 660 nm. considerando-se que as mesmas são influenciadas por alguns fatores como qualidade da semente. estão dormentes.3.3. O fitocromo é uma proteína que pode existir em duas formas. 11.4. Tabela 10 . 126 . ele é modificado para a forma ativa Fvl (Fitocromo vermelho longo). Temperatura adequada As sementes de cada espécie e. provavelmente de cada cultivar dentro de uma mesma espécie. Contudo. se hidratadas. A temperatura mínima para algumas espécies podem estar próximas ao ponto de congelamento e as máximas próximas dos 50oC. são desnaturadas. designada de Fv.Temperatura mínima do solo e temperaturas cardinais para que ocorra a germinação da semente de algumas espécies cultivadas. cultivar e pela própria umidade da semente. portanto. Temperaturas cardinais Cultura Temperatura mínima no solo Mínima Ótima Máxima -----------------------------------. Luz A germinação das sementes de algumas espécies pode ser promovida pela luz branca.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 11. uma máxima e um ótima para germinar. O fitocromo Fv obviamente não pode superar a dormência (senão a semente não estaria dormente). essas temperaturas devem ser vistas com algum cuidado.

3 Chenopodium alba L. a relação Fvl/Ftotal deve ser de 0. no caso de se expor a semente à luz branca fluorescente. Espécie Fv1/Ftotal 0. já a luz branca incandescente. portanto.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos que é a forma que supera a dormência em sementes. para que a superação da dormência ocorra. nas sementes expostas a mesma. O fitocromo se localiza no embrião. a semente contém uma certa proporção das duas formas. O mesmo raciocínio é válido para as sementes sensíveis à luz que ficam abaixo das folhas. (alface) 0. à luz branca incandescente de 0. Na Tabela 11 é apresentada qual a proporção entre Fvl/Fitocromo total que é necessário ter na semente para que ocorra a germinação. foram baseados.6. à luz branca fluorescente de 0. 65% do fitocromo estará na forma ativa (Fvl).02. O tratamento com luz para a superação da dormência. é esta proporção que determina a superação ou não da dormência. Tabela 11 . Contudo. em semente de cevada. a luz branca fluorescente seria eficiente como tratamento.05 Cucumis sativus L. 127 . podem ser extrapolados para semente de trigo. E. No caso da semente de alface.65. esta forma (Fvl) absorve radiação com comprimento de onda de 730 nm e. Como a luz solar tem ambos os comprimentos de onda. Sementes sensíveis à luz e que se encontram a uma profundidade superior a 5 ou 7 mm terão a maior parte de seu fitocromo na forma Fv (inativa).55. principalmente. Em outras palavras. deve ser realizado com a semente embebida. (pepino) 0. para a sobrevivência das espécies cujas sementes são sensíveis à luz é evidente. se isso acontecer.45. Os estudos que deram origem ao conhecimento atual sobre como ocorrem os processos envolvidos na germinação. Porém.001 Amaranthus retroflexus L. não. ele é revertido para a forma inativa Fv. O benefícios ecológicos da sensibilidade à luz.02 Amaranthus caudatus L.6 Lactuca sativa L.75. à radiação vermelho longo (730 nm) de 0. à radiação vermelha (660 nm) de 0. (rabo de raposa) 0.Necessidade de fitocromo na forma ativa (Fvl) em relação ao total (Ftotal) para que ocorra a germinação da semente de algumas espécies sensíveis a luz. (erva de bicho) 0. porque a medida que a luz passa pelo solo vai aumentando a relação vermelho longo (730nm)/vermelho (660nm). uma relação Fvl/Ftotal de 0. (caruru) A luz solar origina.

11 ). onde. Destas enzimas sabe-se. Nesta. fundamentalmente. Será abordado de uma maneira bastante suscinta os principais processos envolvidos na germinação de sementes. basicamente. e tranportadas para este. Estes. estará dando suporte ao processo de germinação.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Existem ainda muitos aspectos relativos a esses processos que precisam ser esclarecidos. o embrião possui toda a "maquinaria" necessária para promover a extrusão da radícula e do coleoptilo. sendo que estas são de diferentes categorias: metabólicas. Portanto. principalmente. Estudos tem evidenciado que após a embebição. 3ativação de enzimas pré-existentes. juntamente com as outras enzimas que são reativadas e/ou sintetizadas de novo. sendo que as substâncias de reserva (principalmente carboidratos e proteínas) contribuirão. o ataque das outras aos carboidratos.hidratação de enzimas pré-existentes ou formadas durante o desenvolvimento da semente. respiratórias e sintetizadoras de RNA e proteínas.a síntese de enzimas hidrolíticas e proteolíticas envolvidas na degradação dos carboidratos e proteínas. durante o processo de germinação. Desse grupo de enzimas a α-amilase foi uma das mais estudadas. irão degradar os carboidratos (Fig. 128 . 4. α glicosidase ou maltase e fosforilase. Este último evento. localizadas entre o endosperma e o escutelo.formação de polissomos a partir de mRNA pré-existente.dextrina). que a α-amilase (as isoenzimas com ponto isoelétrico maior). o AG estimula a síntese de hidrolases. com certeza. α-amilase que são secretadas para o endosperma. Algumas destas hidrolases estão envolvidas na degradação das paredes celulares. desramificadoras (α e ß lemit. que por sua vez é transportada para a plântula em desenvolvimento. O seguinte grupo de enzimas está envolvido na hidrólise dos carboidratos: αamilase.síntese de novos mRNAs e proteínas e bem mais tarde 5. os primeiros eventos do processo de germinação são: 1. a glicosidase ou maltase são sintetizadas de novo. ß-amilase. onde ocorre a síntese da sacarose. O embrião produz um hormônio chamado ácido giberélico (AG) que é transportado até a camada de aleurona. são reduzidos a glicose. que é absorvida pelas células transportadoras do epitélio. 2. possibilitando assim. para seu crescimento.

Simultaneamente ocorre a degradação de proteínas. C Enzimas hidrolíticas são sintetizadas e liberadas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos coleoptilo escutelo E A A AG3 B C enzimas hidrolíticas F D solutos raiz Figura 11 . tanto nas células vivas da camada de aleurona como nas células mortas do endosperma.AG3 produzido no escutelo. A . Antes que a primeira folha se torne fotossintéticamente ativa. Nesta estrutura do embrião os peptideos são novamente clivados e transportados como aminoácidos ao embrião em desenvolvimento.Diagrama da relação entre AG3 e α -amilase em sementes de cevada. Esta proteólise é. sementes maiores e com uma concentração maior de nitrogênio originam plântulas mais vigorosas. B . D . É também através do epitélio que os pequenos peptídeos e/ou aminoácidos resultantes da proteólise no interior do endosperma chegam ao escutelo. F Solutos destinados à nutrição do embrião. inclusive. de uma maneira geral. 129 .Hidrólise das reservas no endosperma. a fonte de aminoácidos para a síntese das hidrolases na camada de aleurona.AG3 migra para a camada de aleurona. E -Solutos podem inibir a síntese de novas enzimas hidrolíticas. a plântula depende da energia e nutrientes providos pelas reservas da semente. Estudos tem demonstrado que em uma mesma cultivar.

o controle podeser feito em época adequada para a cultura e em período no qual o herbicida é mais eficiente.1. busca-se uma rápida. é nesta fase da embebição que o précondicionamento provoca as alterações que resultam em uma emergência mais rápida. a germinação pode ser mais ou menos variável. A rápida emergência pode permitir que a plântula emerja do solo antes que se forme uma crosta sobre o mesmo. Estabelecimento das plântulas Rápida e uniforme germinação e estabelecimento.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 12. 12). 12. necessariamente. tanto a campo como em casa de vegetação. é um período crítico considerando-se que a semente pode estar exposta a uma gama de fatores adversos que podem influir em seu estabelecimento. 130 . PRÉ-CONDICIONAMENTO DE SEMENTES O período da semeadura até o estabelecimento da plântula a campo. uniforme e completa germinação das sementes. E. 12. Manejo A rápida emergência representa menor competição com as plantas daninhas e. Nos sistemas atuais de cultivo. as quais preparam o embrião para a germinação. Dependendo da espécie. Vantagens do pré-condicionamento 12. e isso.2. pode afetar a uniformidade de maturação. sem que haja protusão da radícula.2. 12. se o manejo bem como todas as outras práticas culturais não forem adequados. aumento de rendimento ou um produto de melhor qualidade.1. É durante a fase II que ocorrem as maiores mudanças metabólicas.1. reduz o tempo de exposição da semente a doenças no solo. Um método utilizado para uniformizar a performance da semente na germinação.1. altamente mecanizados. permitindo manejo mais adequado e maturação uniforme. O pré-condicionamento não significa. considerando-se por exemplo olerícolas. o qual consiste na hidratação controlada da semente a um nível tal que permita que ocorra alguns eventos metabólicos anteriores a germinação. tem sido a utilização do pré-condicionamento. Como o pré-condicionamento atua na semente A embebição da semente ocorre em três fases bem distintas (veja Fig.

Em sementes que estão sendo submetidas ao pré-condicionamento........Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Embora o padrão da curva de absorção seja semelhante para sementes de diferentes espécies .....5 MPa.......... 12..3.5 MPa -1........ 13)... através do controle da disponibilidade de água (Fig..0 MPa III ... já com -1...0 e -1.... dependendo da espécie...5 MPa levaram 7 dias para germinar...... -1....... Tipos de pré-condicionamento São três os tipos ou formas que se utiliza para pré-condicionar a semente: 131 .....0 MPa levaram 14 dias.. reparação de danos nas membranas celulares da sementes... é essencial para o sucesso do pré-condicionamento...... durante a Fase II podem ocorrer. sementes de cebola e cenoura postas em uma solução osmótica com -0..... síntese de DNA e RNA. divisão celular no embrião (cenoura e aipo). -0............ Conteudo de Água 0 MPa Fase I | II | | | -0. portanto prolongando a fase II.. Este.... A manipulação da disponibilidade de água..5..-1................. germinaram apenas 5% das sementes...Conteúdo de água na semente durante a embebição a potenciais de 0..5 MPa Tempo de Embebição Figura 12 .. consiste em impedir a entrada da semente na fase III.. porém nessa.... Por exemplo. principalmente da disponibilidade de água. a duração de cada fase depende da espécie e..

Sementes de tomate parecem manter os benefícios do pré-condicionamento se armazenadas abaixo de 10oC.3.4.3. pimentão. Pré-condicionamento e longevidade da semente Do ponto de vista comercial seria muito vantajoso se.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 12. Em conseqüência disso. para a maioria das espécies. como. não tem sido dos melhores. aumenta a longevidade durante o armazenamento de sementes como cebola. este método funciona muito bem. a semente que houvesse passado pelo pré-condicionamento pudesse ser seca e. e além disso efeitos tóxicos foram observados. para controlar o potencial osmótico da solução. porém ambos são absorvidos pela semente resultando na alteração do potencial osmótico no interior da semente. contudo reduz a longevidade de sementes de alho porró. cenoura e alface. porém os resultados. O efeito do pré-condicionamento sobre a longevidade aparentemente varia de espécie para espécie. O pré-condicionamento.1. Os resultados na literatura indicam que as coisas não acontecem bem dessa maneira. Via pré-condicionamento. Condicionadores mátricos Utilizam substâncias como silicatos (silicato de cálcio sintético) como Microcel E e Zonolite (vermiculita). passou-se a utilizar polietileno glicol de alto peso molecular (PEG 6000-8000).3. 12. posteriormente. substâncias como hormônios ou fungicidas. podem ser incorporados as sementes. Umidificação da semente Consiste basicamente em umedecer com água a semente até um conteúdo aproximado de 40%.3. Sais e manitol tem sido muito usado até pouco tempo como osmóticos. Já em sementes de arroz irrigado. contudo a alta porosidade e capacidade de reter água reflete-se em um potencial mátrico considerável . por exemplo. 12. É mais rápido. procedendo-se depois a semeadura úmida ou secando-a para semear depois. tivesse condições de apresentar uma longevidade maior e com alto vigor. 132 .2. o Polietileno Glicol (PEG 6000 ou PEG 8000). Estes materiais não geram potencial osmótico. aparentemente. 12. posteriormente. Osmocondicionamento Utiliza substâncias que reduzem o potencial osmótico da solução.

representa a soma de todos processos deteriorativos que conduzem o mesmo a morte. DETERIORAÇÃO DA SEMENTE A deterioração. considera-se que uma semente está morta. alteração de cor. mantida em um alto grau por um tempo relativamente longo. presença de fungos. Porque a semente perde a viabilidade? Em outras palavras. Antes de se discutir as principais causas da deteriorção é importante que se mantenha presente que os eventos envolvidos na mesma. quando esta deixa de germinar em condições nas quais normalmente seriam favoráveis para a emissão da radícula (evidentemente que na ausência de dormência). Por exemplo. Bem antes da perda da viabilidade a semente apresenta estes sinais ou sintomas de deterioração. as evidências indicam que a deterioração das sementes ocorre anteriormente a redução na porcentagem de germinação. aumento de ácidos graxos livres (o escurecimento da semente provavelmente seja devido a oxidação de fenóis ou compostos semelhantes no interior do tegumento da semente. o envelhecimento da semente deve ser visto como um sistema integrado de eventos deteriorativos. não ocorrem de forma isolada. A manifestação mais evidente é a redução na taxa de crescimento das plântulas que se observa na primeira contagem de um teste de germinação. para a maioria das espécies cultivadas. quando as sementes são armazenadas sob condições adequadas. Portanto. Outros sintomas são o aumento no número de plântulas anormais. portanto uma redução no vigor. em qualquer organismo. a produção de ácidos graxos livres. Portanto. Do ponto de vista prático. aumento da condutividade dos lixiviados das semente mais deterioradas (o que pode ser uma indicação da redução da capacidade da semente de reorganizar suas membranas durante a embebição). Embora a viabilidade de uma população de sementes seja geralmente.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 13. acoplados a capacidade da semente de se autoreparar (reenvigorar) Tem sido proposta uma classificação relativamente ampla dos mecanismos envolvidos na deterioração das sementes: 133 . sinais de deterioração aparecem a medida que avança o período de armazenamento. no geral é o resultado da ação de lipases). Contudo uma série de pesquisas tem sido conduzidas e indicam algumas causas como fortes candidatas a promotoras da deterioração. os danos às membranas do sistema reticulo endoplasmático-aparelho de golgi podem afetar drasticamente a capacidade da célula sintetizar e processar proteínas. quais os mecanismos que levam a deterioração da semente? As causas exatas da deterioração da semente ainda não são bem conhecidas.

é maior do que em uma não deteriorada. Em outras palavras. Em outras palavras. Danos no metabolismo do ADN podem ser cruciais no sentido de impedir ou reduzir a possibilidade da semente se recobrar ou reverter danos ou lesões ocorridas durante o armazenamento da mesma. porém hoje não é mais aceita como importante. 134 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 13. esta redução na capacidade de síntese. descarboxilases era reduzida com a deterioração. Redução das reservas essenciais da semente Essa teoria tinha como argumento central a hipótese de que a semente perderia sua viabilidade em consequência de redução de suas reservas essencias. ocorre um aumento nos lixiviados. A utilização de técnicas mais sensíveis tem permitido verificar a ocorrência de danos no ácido desoxiribonuclêico (ADN) ribossômico bem antes de qualquer redução no vigor da semente. 13. superóxido dismutase). catalase. a primeira causa da deterioração das sementes. podendo afetar a morfologia ou funções originando plântulas anormais. a quantidade de solutos lixiviados de uma semente deteriorada. que sementes envelhecidas apresentam a tendência de aumentar a quantidade de mutações. Em sementes deterioradas. onde pequenas mudanças não são letais e são transmitidas à um suficiente número de células filhas. Teve repercussão na década de 60. como sendo. alterações nos cofatores ou inibidores de síntese. pode estar relacionada a danos na "maquinaria" responsável para síntese de proteína e/ou enzimas.1. embebida em água. Tem sido verificado que a atividade de enzimas como fosfatase ácidas. as sementes perderiam a habilidade de produzir enzimas essenciais ao reparamento e talvez a destoxificação (ex.2. Pequenos danos podem resultar na acumulação de mutações de ponto. desidrogenases. provavelmente. c) Danos as membranas Com o envelhecimento da semente. realmente. peroxidase. Tem sido observado. b) Alterações nos ácidos nucléicos Danos ao genoma tem sido reportado com frequência. Danos a macromoléculas a) Alterações em enzimas e proteínas Alterações na capacidade de síntese de enzimas e proteínas durante a deterioração da semente tem sido uma área muito pesquisada. Uma outra possivel causa seria.

Além de iniciar reações em cadeia no interior da membrana. especialmente com ácidos graxos insaturados. são produtos da própria peroxidação dos ácidos graxos reportados acima. Os fosfolipídeos são constituinte importante das membranas. Tem sido observado que a perda de fosfolipídeos é também um evento que se verifica muito cedo no processo de deterioração. sobre a importância desses processos como causa primeira da perda de vigor e germinação da semente. A comparação da estrutura da membrana de uma semente deteriorada com uma não deteriorada tem revelado evidência de dano das membranas. alterações na membrana são eventos cruciais na deterioração da semente. 135 . conhece-se muito sobre os processos que podem ocorrer em situações bem específicas e individuais durante a deterioração da semente. e constituintes do citoplasma podem ser vistos como vazados da membrana. pode-se dizer que. isto é. Se presentes na célula estes radicais podem iniciar reações oxidativas em cadeia. Os radicais livres que são potencialmente mais capazes de produzir danos as moléculas são: O-2 e . eles podem remover ou doar elétrons de/ou para outras substâncias. Algumas destas substâncias como aldeídos e compostos fenólicos. que tenham um ou mais elétrons sem par. Acumulação de substâncias tóxicas A acumulação de substâncias tóxicas na semente. conhece-se muito pouco. OH. isoladamente. provavelmente. O que causaria. como causador da deterioração das sementes. Radicais livres podem ser definidos como átomos ou grupos de átomos. tem sido reportado algumas vezes na literatura. atualmente. uma forte indicação de que o dano as membranas é um evento que ocorre logo no início do processo de deterioração. ou desencadearia os danos as membranas? Os fatores que estão. 13. atualmente. Os radicais livres podem ser produzidos em altos e/ou baixos conteúdos de umidade da semente. Em resumo. os radicais livres podem causar danos graves ao DNA e outras biomoléculas. São tênues as indicações de que esta é a causa principal da deterioração das sementes. sendo considerados como os principais causadores dos danos as membranas são os radicais livres.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Há evidências de que o aumento dos lixiviados da semente ocorre antes da morte de células. a plasmalema mostra-se separada das paredes celulares. leva a crer que nenhum fator do metabolismo da semente. Essas evidências são. O conhecimento que se tem atualmente sobre o assunto. portanto.3. Porém. poderia ser indicado. Percebe-se que. como o responsável pela deterioração da semente. de uma maneira geral. Nas deterioradas.

. IRVING. Academic Press. 136 . 97.. San Diego. M. TAYLOR.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 14. New York: Plenum. P. p. Influence of water deficit on maize endosperm development. J. p. SHAPIRO. p.M. F. C. SAKRI. BIBLIOGRAFIA BRAU. SHANNON. 6.. C. T. F. The role of sugar.S.L. LEOPOLD. vitriphication and membrane phase transition in seed desication tolerance. FOSKET. 580 p. 431-439. MATTHEWS. N. p.C. p.. 1989. Brasília: Ministério da Agricultura. Plant growth and development a molecular approach. Revista SEEDNews.. M.E. 287.C.. E. J. CALEG.F. v.Q. 445 p. v. D. J. Plant Physiology.C. 89-94.B Physiological basis of crop growth and development. 1985. S. Effects of elevated temperature and reduced water uptake on enzimes of starch synthesis in developing wheat grains. 621-628. Ano 5. POPINIGIS. THOMPSOM. Outlook of Agriculture. 1977. BLACK. 1994.. Annual of Botany. B. Biochemical changes during osmopriming of leek seeds. DAVISON.A. W.M. p.. 1991. p. A. 17. CA. OBER.K. Fisiologia da semente. MADISON.D. v.T.F.S. BEWLEY. 1975. JEFFCOAT. 881-889. 154-164.R.. Maturação de sementes. 1994. 1988..A. C. DIAS. 341 p. 90. DUFFUS. TESAR.C. Movement of 14C labelled sugars into kernels of wheat (Triticum aestivun L. 1990. 14. 2001. . v. Australian Journal of plant Physiology. R.). Plant Physiology. ASHORAF. I. n. J.M.. 55.. Physiologia Plantarum. P. 63.. 1994. SUN. p. Seeds: physiology of development and germination. AGIPLAN. D. v. 22-24. Physiology of seed ageing. American Society of Agronomy. 185-193. SETTER. v..

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CAPÍTULO 3 Análise de Sementes Profa Drª Maria Ângela André Tillmann Profa DrªVera Delfina Colvara de Mello Profa Gládis Rosane Medeiros Rota .

precisos e uniformes. instruções para o teste de pureza. bem como os tamanhos máximos para os lotes de sementes e o peso mínimo das amostras médias e das amostras de trabalho para a análise de pureza e para a determinação do número de outras sementes. PRODUÇÃO ARMAZENAMENTO COLHEITA LABORATÓRIO DE SEMENTES TRATAMENTO BENEFICIAMENTO SECAGEM COMÉRCIO FISCALIZAÇÃO DO COMÉRCIO Figura 1 . beneficiamento. produção ou.Laboratório de Análise de Sementes como centro de controle de qualidade. umidade. As Regras para Análise de Sementes (RAS) especificam os diferentes métodos de análises empregados. INTRODUÇÃO A qualidade da semente é avaliada por um somatório junto de índices determinados pela análise de uma amostra representativa de um lote de sementes. tratamento e armazenamento. é importante que todos os laboratórios utilizem métodos padrões que possam fornecer os mesmos resultados dentro de determinados limites de tolerância. germinação. O Laboratório de Análise de Sementes (LAS) é o centro de controle dessa qualidade (Fig. ainda. por ocasião da colheita. 139 . Como a semente atravessa fronteiras internacionais e pode ser analisada em laboratórios de diferentes países. tetrazólio e outras determinações. secagem. Apresenta. Essas informações são de grande valia na aferição da tecnologia empregada e/ou identificação de problemas e suas possíveis causas. Os processos para análise de sementes foram estabelecidos tendo em vista metodologias que fornecessem resultados seguros. 1) onde.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1. pode-se obter informações sobre a mesma para as diferentes culturas quando em multiplicação. ainda. através dos diferentes testes realizados.

de diferentes locais do lote. Os índices de qualidade das amostras corresponderão aos dos lotes de sementes de onde elas foram obtidas. Lote É uma quantidade definida. A aplicação da Lei de Sementes seria inoperante sem a existência de laboratórios. haverá com certeza informações incorretas e comprometedoras.É cada pequena porção de sementes retirada por meio de amostrador. é essencial que a sua coleta se proceda segundo métodos preestabelecidos e rigorosamente seguidos. Amostras a) Amostra simples . ou com a mão. Essa amostra é usualmente bem maior que a necessária para os vários testes. 2. também.1. Definições 2. Nos Boletins de Análise de Sementes fornecidos pelos LAS. 2. AMOSTRAGEM 2. apresentadas metodologias de uso rotineiro no Brasil que não são utilizadas internacionalmente.2.2.1. 2.2. b) Amostra composta . Se o lote não for homogêneo ou se houver erro na amostragem. na mesma relação em que essas amostras representarem os respectivos lotes.2. que poderão beneficiar ou prejudicar os interessados. os resultados refletem as características da amostra que foi testada. necessitando ser reduzida antes de ser enviada ao 140 . para verificação da correta identificação da semente colocada à venda.É formada pela combinação e mistura de todas as amostras simples retiradas do lote. obedecendo a intensidade de amostragem. Como a amostra obtida é muito pequena em relação ao tamanho do lote.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Este módulo está fundamentado nas Regras Internacionais para Análise de Sementes da Associação Internacional de Análise de Sementes (ISTA) sendo. Objetivo e importância O objetivo da amostragem de um lote de sementes é obter uma amostra de tamanho adequado que permita a realização dos diferentes testes e que tenha na mesma proporção os componentes do lote. identificada e homogênea de sementes com atributos físicos e fisiológicos semelhantes.

Ou.000 80 8 80 Avena sativa 25. poderá haver grande desuniformidade no mesmo. c) Amostra média . nunca inferior ao estabelecido nas RAS (Tabela 1). Mesmo que todas as sementes de um lote provenham de uma única lavoura. e) Subamostra . o peso especificado nas RAS para a espécie em questão (Tabela 1).000 Sorghum bicolor 10. Pesos máximos dos lotes. pesos mínimos das amostras médias.000 1.000 700 1. Peso Amostra de Amostra de trabalho Espécie máximo do Amostra trabalho para para determinação do lote média análise de pureza no de outras sementes (kg) (g) (g) (g) Allium cepa 10. variações nas quantidades de sementes de invasoras nocivas e de outras espécies cultivadas. ainda.É a amostra obtida no LAS. pois nos campos de produção existem variações no estande da cultura e.Pequeno exemplo extraído da tabela das RAS. d) Amostra de trabalho .000 100 10 100 Daucus carota 10. usando um dos métodos especificados nas RAS. Homogeneidade do lote de sementes Um lote de sementes nunca é perfeitamente homogêneo.000 1000 120 1000 Brachiaria decumbens 10. É. no mínimo. das amostras de trabalho para análise de pureza e determinação do número de outras sementes (Exame de Sementes Nocivas).000 900 90 900 Zea mays 40.000 80 8 80 Andropogon gayanus 10.000 60 6 60 Medicago sativa 10. podendo ser a própria quando o seu peso estiver de acordo com o exigido. geralmente.É a porção de uma amostra obtida pela redução da amostra de trabalho.É a amostra recebida pelo LAS para ser submetida à análise e deve ter. por homogeneização e redução da amostra média. a colheita pode 141 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos laboratório. conseqüentemente. até o peso mínimo requerido. resultante da homogeneização e redução da amostra composta.000 30 3 30 Glycine max 25.3.000 500 1000 Lolium multiflorum 10.000 1.000 1.000 900 1000 2.000 50 5 50 Phaseolus vulgaris 25. Tabela 1 .

vegetais e sementes agrícolas forem pequenos. As regras limitam o tamanho dos lotes de acordo com a espécie e tamanho das sementes. sendo lacradas e assinaladas 142 . classificação e secagem. Se for evidente que o lote não é homogêneo. O amostrador deve possuir um certificado de proficiência na amostragem. o rebeneficiamento e a redução do tamanho do lote são medidas empregadas para melhorar a homogeneidade do lote. O limite de peso é estabelecido para tentarmos obter lotes mais homogêneos. na fertilidade do solo e na topografia do terreno podem. o proprietário do lote de sementes deve fornecer todos os dados para complementar a identificação do mesmo e dispô-lo de tal modo que cada recipiente ou local do lote possa ser amostrado. 2. 2. amostras médias menores são permitidas.4. árvores e arbustos. o que pode determinar modificações nas características da semente.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos ser intercalada com períodos chuvosos. sujeitas a uma tolerância de 5%. a amostra média obtida de acordo com as RAS não será representativa e a amostragem desse lote deve ser recusada. também. as mesmas serão retiradas por ocasião da amostragem oficial. Lotes com quantidades maiores do que as indicadas devem ser subdivididos e receber outra identificação antes de serem amostrados. propiciar variações no desenvolvimento das sementes nas diferentes partes do campo. principalmente. Consideram-se lotes pequenos os iguais ou menores do que 1% do peso máximo estabelecido para o lote. pelos cuidados com que os produtores separam as sementes com características diferentes e na forma com que é manejado o equipamento de limpeza. Obtenção de amostras representativas A amostragem para um certificado internacional deve ser executada por pessoas treinadas. a amostragem não deve ser efetuada. A transilagem. reconhecido pelo chefe do laboratório. Peso máximo dos lotes O peso máximo de um lote de sementes não deve exceder ao indicado nas RAS (Tabela 1). A homogeneidade de um lote de sementes é determinada. para as espécies especificadas. Se um lote é excessivamente heterogêneo e as diferenças entre as amostras de diversos sacos são visíveis ao amostrador. Durante a amostragem. No caso do proprietário solicitar amostras extras para guardar. reconhecidas individualmente pelo LAS.5. Quando os lotes de sementes de cultivares especiais. híbridos de flores. Variações no grau de umidade.

isto é. 2. Em sementes armazenadas a granel. providos de aberturas ou janelas iguais que podem ser justapostas.6.6. os seguintes tamanhos de amostradores são apropriados: para trevo e outras sementes pequenas que deslizam facilmente. Amostrador do tipo simples . de 1. um número suficiente de recipientes deve ser aberto e amostrado e novamente fechado. que são os instrumentos apropriados. polietileno. com uma extremidade sólida e afilada.6. é preferível que a amostragem seja realizada antes da embalagem das sementes. 76. deve ser girado algumas vezes até que fique completamente cheio de sementes. Quando o lote está em recipientes (incluindo sacos) esses. as amostras simples devem ser retiradas de diferentes pontos do lote e em profundidades diferentes.2. latas).Amostrador Nobbe Este tipo de amostrador serve para coletar amostras de sementes acondicionadas em sacos e pode ser construído em diferentes dimensões. Em lotes de sementes a serem embalados em recipientes pequenos (sacos de papel. mas não necessariamente de mais de uma posição do mesmo recipiente.0m de comprimento. mediana e inferior dos recipientes.4cm e seis aberturas. com as aberturas dos cilindros desencontradas e. Para sementes já acondicionadas.2cm de comprimento. Tipos de amostradores e métodos para amostragem dos lotes 2. num ângulo de 30 graus na posição fechada. devem ser selecionados ao acaso e amostras simples devem ser retiradas da parte superior.2cm de comprimento com diâmetro externo de 25. 2. Ao amostrar sementes em sacos. O amostrador deve ser inserido diagonalmente na massa de sementes. Amostrador do tipo duplo Consiste em dois cilindros ocos de metal que se ajustam perfeitamente um dentro do outro.8cm de diâmetro e com 6 a 9 aberturas. 76. Quando a amostragem for realizada em sementes que deslizem com dificuldades nos amostradores. deve ser fechado e retirado do saco.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos com a palavra Duplicata. despejando-se as sementes em recipiente apropriado. Em seguida.5m a 2. para cereais. como acontece com algumas gramíneas e com sementes com muita quantidade de impurezas. uma vez aberto.1. As amostras simples devem ser retiradas do lote por meio de amostradores. com diâmetro externo de 1. com 3. ao serem amostrados. a amostra poderá ser extraída com a mão. por meio da rotação do cilindro interno.27cm e nove aberturas. de 143 . Amostradores para sementes a granel são mais longos.

0cm e. amendoim com casca. devem ser amostradas manualmente. utilizando-se recipientes que podem ser movimentados manual ou mecanicamente através do fluxo de sementes. porém não menos de 5 amostras. 2.000 quilos de sementes: uma amostra simples de cada 300 quilos. como as gramíneas palhentas. deve-se ter o cuidado de introduzi-lo diagonalmente no saco. lomentos de Stylozanthes e algumas sementes de espécies arbóreas.000 quilos de sementes: uma amostra simples de cada 500 quilos. Não é permitido o uso desse tipo de amostrador quando seu comprimento total não ultrapassa 25cm. 1. para os cereais. suficientemente longo para alcançar o centro da embalagem. . .7. por onde as sementes são descarregadas. em geral.1. ficando livre cerca de 34cm do cilindro.6.5cm.001 quilos de sementes: uma amostra simples para cada 700kg. As amostras devem ser coletadas em intervalos regulares durante todo o processo.lotes de até 500 quilos de sementes: pelo menos 5 amostras simples. Para os trevos e sementes semelhantes. algodão com linter. A granel ou no fluxo São exigências mínimas as seguintes intensidades de amostragem: . 144 .lotes de 3001 a 20. o diâmetro interno do cilindro deverá ter 1. Amostragem manual As espécies de sementes que não deslizam com facilidade.lotes acima de 20. Ao se utilizar esse tipo de amostrador. mas não menos do que 40 amostras.lotes de 501 a 3.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos acordo com as espécies de sementes. O comprimento total do amostrador deve ter 50cm.3. com uma abertura oval próxima à extremidade afilada e com um cabo perfurado. incluindo o cabo de 10cm e a ponta de cerca de 6cm. Intensidade da amostragem 2. com a abertura voltada para baixo. porém não menos de 10 amostras.4. Recipiente para amostragem durante o beneficiamento A amostragem também pode ser realizada durante o processo de beneficiamento de um lote. sendo o mesmo denominado de ladrão ou furador 2. o que é suficiente para alcançar a parte central do saco. Consiste em um cilindro afilado.6. . pois suas características não preenchem as exigências da amostragem.7. 2.

um de cada 5 recipientes. A amostragem realizada nas unidades básicas deve ser feita tomando-se recipientes inteiros e fechados. identificação.lotes de 6 a 30 recipientes: amostre 5 recipientes ou. as seguintes intensidades de amostragem: .2. 2. cuja análise pode ser completada tanto quanto possível e a seguinte declaração inserida no certificado: “A amostra média pesou apenas .8. Em pequenos recipientes Recomenda-se que o peso máximo de 100 quilos seja tomado como unidade básica e os recipientes pequenos sejam combinados de maneira a formar essas unidades de amostragem da seguinte forma: . . tambores ou outros recipientes São exigidas como mínimas.lotes de até 5 recipientes: amostre cada recipiente e retire sempre 5 amostras pelo menos. para que não se rompa durante o transporte e deve proteger as sementes contra o calor. aquele número que for maior. Embalagem. .100 recipientes de 1 quilo. . . umidade ou contaminação por doenças e 145 . Quando não for fornecido o peso na tabela e a determinação do número de outras espécies for requisitada.9..7.. 2. Pesos mínimos das amostras médias Os pesos mínimos das amostras médias a serem enviadas ao LAS acham-se especificados nas RAS (Tabela 1).lotes de 401 ou mais recipientes: amostre 80 recipientes ou.3. um de cada 7 recipientes. um de cada 3 recipientes. Em sacos. Exceção para o caso de semente muito cara.. as amostras médias devem conter um mínimo de 25.000 sementes. selagem e remessa da amostra O tipo de embalagem para a remessa das amostras médias ao LAS deve ser de material resistente. pelo menos. pelo menos. o amostrador deve ser notificado e a análise suspensa até que semente suficiente seja recebida em uma nova amostra média..20 recipientes de 5 quilos. . gramas e não está de acordo com as RAS”. 2.lotes de 31 a 400 recipientes: amostre 10 recipientes ou. aquele número que for maior. pelo menos. No caso da amostra ser menor do que a prescrita.33 recipientes de 3 quilos.7. aquele número que for maior.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2.

146 . ao chegar ao LAS. deve ser protocolada e homogeneizada. 2. algodão. No caso de ser solicitada a determinação do grau de umidade. em cada vez. junto com a amostra. as amostras devem ser remetidas separadamente. O papel Kraft multifoliado.10. No caso de amostras cujos resultados serão relatados em Boletim. essa deve ser retirada independentemente. Cada amostra deve ser identificada de maneira que se possa estabelecer sua conexão com o respectivo lote. mas nunca inferior ao exigido para a espécie. que é realizada por meio de repetidas passagens das sementes pelo divisor removendose. O uso de divisores mecânicos elimina o efeito da ação do analista no resultado da homogeneização e redução. isto é. O processo de divisões sucessivas é repetido até que se obtenha a amostra de trabalho de peso aproximado. A amostra média deverá ser passada no mínimo duas vezes pelo divisor para ser homogeneizada e recomposta antes da divisão propriamente dita. de peso igual ou ligeiramente maior que os estipulados nas RAS. Quando for requerida uma duplicata da amostra. depois de retiradas as amostras de trabalho. 2. o cuidado com sua limpeza interna é de fundamental importância antes de cada operação. Obtenção das amostras de trabalho A amostra média. O órgão responsável pela coleta das amostras deve enviá-las sem demora ao LAS e.10. no caso de amostras oficiais. em embalagens impermeáveis e hermeticamente fechadas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos pragas. pois durante o transporte poderá sofrer uma estratificação. Independente do aparelho utilizado.1. a embalagem deverá ser selada. Amostras destinadas ao teste de germinação devem estar acondicionadas em embalagens permeáveis. essas não devem ser deixadas aos cuidados de pessoa não autorizada. papelão. ingrediente ativo e dosagem utilizada. Método mecânico Adequado para todas as sementes que deslizam com facilidade. Se as sementes forem tratadas quimicamente (fungicidas ou inseticidas). à prova de umidade e calor. As sementes restantes da amostra média constituirão a amostra de arquivo e devem ser armazenadas prontamente em locais apropriados. Deve ser reduzida a uma ou mais amostras de trabalho (de acordo com os testes a serem realizados). o nome do produto. metade da porção. devem ser fornecidos. são utilizados métodos mecânicos e manuais. Na redução da amostra média. são alguns tipos que podem ser utilizados.

o qual. b) Divisor centrífugo (Gamet) . e conduzidas para duas bicas opostas situadas na base do aparelho. usando-se um dos recipientes de comprimento igual ao da mesma para que as sementes. alternadamente. respeitando o princípio das divisões sucessivas em que são baseados os divisores. dividido em um número par de compartimentos quadrados e iguais. a amostra média é uniformemente esparramada 147 . joga as sementes para um compartimento cilíndrico fechado. A amostra é dividida em duas porções aproximadamente iguais. a redução da amostra média deve ser feita manualmente. após. Ao abrir a válvula. As sementes caem da moega para um receptáculo de borracha em forma de taça. A amostra inteira é colocada no alimentador e.Não é aconselhável para certas gramíneas forrageiras palhentas e outras espécies em que são requeridas amostras de trabalho de peso muito pequeno.10. sendo as sementes conduzidas por gravidade. Consiste de uma moega cônica ou alimentador. caiam simultaneamente por todos os canais. sendo distribuídas para os canais. através de um motor elétrico. um maior para sementes iguais ou maiores que as de trigo e um menor para sementes menores. girando a uma determinada velocidade. Método manual Na impossibilidade do uso de métodos mecânicos. Pode causar danos mecânicos para algumas espécies de sementes e apresenta dificuldades para sua limpeza. Uma metade conduz as sementes a uma bica e a outra metade para outra bica. de um cone invertido e de uma série de lâminas separadoras que formam canais iguais na largura e no comprimento. c) Divisor de solo . As sementes devem ser uniformemente despejadas por toda a extensão da moega. Utiliza a força centrífuga. que são. um suporte para a moega e três ou cinco recipientes iguais que servem para a coleta e retorno das sementes ao divisor. É de fácil limpeza e apresenta grande facilidade no transporte. com canais alternados dispostos em direções contrárias.2.Confeccionado em dois tamanhos. 2. providos de fundo. Esse compartimento é fixo e dividido em duas partes iguais. Consiste de uma moega. a) Método modificado da separação ao meio . sendo essa facilitada pelo uso do ar comprimido. Uma válvula na base da moega retém as sementes. por gravidade.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos a) Divisor cônico (Boerner) .Confeccionado em dois tamanhos. O divisor pode dar resultados variáveis. as sementes caem por gravidade sobre o cone. as quais devem ser despejadas no centro da moega. se não estiver corretamente nivelado por meio dos pés reguláveis. Esse divisor é adequado para espécies de sementes palhentas. Depois de manualmente homogeneizada.Consiste em um tabuleiro quadrado ou retangular. o aparelho é acionado. alternadamente.

sendo as demais removidas.É restrito às sementes palhentas. As amostras devem ser armazenadas em locais arejados.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos sobre o tabuleiro e esse. nunca menor do que o tamanho requerido. o qual é dividido ao meio. resultando quatro porções. ao ser levantado. essa é colocada sobre uma mesa limpa. deixando a outra metade sobre a mesa. é necessário reduzir ao mínimo o tempo transcorrido entre a amostragem e a análise. devem ter suas amostras de arquivo correspondentes e serem guardadas por um ano da data da emissão do Boletim. 148 . que são combinadas alternadamente. sendo também importante iniciar a análise no dia da chegada da amostra no LAS. b) Método da colher . necessárias para os testes. de modo que não ocorram alterações na qualidade das sementes. Arrhenatherum. Armazenamento das amostras Antes e após a análise. esse deve ser feito em local adequado. ser responsabilizado pelo declínio da porcentagem de germinação durante o armazenamento das amostras de arquivo. Conservam-se na mesa 2 porções de cada fileira. remova pequenas porções de sementes de. com ganchos. Após a homogeneização da amostra média. Sobras da análise de pureza ou de qualquer outro teste devem ser eliminadas. Se houver necessidade de armazenamento da amostra antes da análise. todo o esforço deve ser feito para que a amostra recebida seja conservada de modo a se manter inalterada. as sementes remanescentes da amostra média irão constituir a amostra de arquivo. Oryza. Desse modo. dormência e germinação.) e para alguns gêneros de árvores e arbustos. Se isso não for possível. especialmente as destinadas à análise oficial. formando um amontoado. O LAS não pode. As amostras analisadas. Com o auxílio de uma colher (com uma beirada reta) e de uma espátula.11. 2. c) Método manual da separação ao meio . Após a retirada das amostras de trabalho. espinhos ou alas (exemplos: Andropogon. cinco lugares da bandeja até obter o peso aproximado da amostra de trabalho. a amostra é repetidamente dividida até a obtenção do peso desejado. As sementes são colocadas em uma bandeja e misturadas. etc. as quais são novamente divididas e separadas em duas fileiras de quatro. Cada metade é novamente dividida. pelo menos. entretanto. Esse procedimento é repetido tantas vezes quantas forem necessárias. não podendo fazer parte da amostra de arquivo. Brachiaria.Utilizado somente para sementes pequenas. retém aproximadamente metade da amostra. Astrebla. como no grau de umidade. preferencialmente com controle de temperatura e umidade relativa.

aquênios. indicada pelo remetente ou identificada como predominante na amostra. . trincadas.a composição da amostra em exame e. núculas e sâmaras. As especificações para as diferentes famílias e gêneros estão descritas em detalhes nas RAS. esquizocarpos. carpídios. cremocarpos. Unidades de dispersão são as estruturas tais como sementes. conseqüentemente. ANÁLISE DE PUREZA 3. mericarpos. espiguetas. quebradas. em início de germinação. outras sementes e material inerte e a porcentagem de cada componente é determinada pelo peso. Definições 3. 3. maduras e não danificadas das espécies e cultivares em exame. com as estruturas que envolvem as sementes e os frutos e que servem para disseminar e propagar as espécies. porém maiores do que a metade do seu tamanho original.fragmentos de sementes e/ou unidades de dispersão. enrugadas. consideram-se três componentes: semente pura. Sementes puras São consideradas sementes puras todas as sementes e/ou unidades de dispersão pertencentes à espécie em exame. chochas. . antécios férteis. imaturas.sementes levemente atacadas por moléstias. devem ser incluídas como puras as sementes que se encontrem nas seguintes condições: . Todas as espécies de sementes e cada tipo de material inerte presente devem ser identificados tanto quanto possível.a identidade das diferentes espécies e a natureza do material inerte que compõem a amostra.2.sementes inteiras de tamanho inferior ao normal.1.2. . drupas. Objetivo Entre os mais significativos testes para avaliar a qualidade física da semente estão a pureza física e a ocorrência de outras espécies cultivadas ou silvestres.1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 3. Além das sementes inteiras. Na análise de pureza. 149 . desde que possam ser identificadas como sendo da espécie em exame. desde que seja possível identificá-las com precisão como pertencentes à espécie em exame. devendo ainda ser incluídas todas as variedades botânicas e cultivares daquela espécie. O objetivo da análise de pureza é determinar: . a do lote de sementes.

elétricas. . pedras. 3. .pinças (de ponta reta ou curva.2. de preferência. analíticas.microscópio estereoscópico com diversos aumentos e. sendo que existem diferentes tipos de sopradores. além de bulbilhos ou tubérculos de plantas reconhecidas como ervas daninhas ou invasoras e que não sejam as da espécie em exame. fina ou grossa). Outras sementes Todas as outras sementes e/ou unidades de dispersão de qualquer espécie cultivada ou silvestre. . podem ser citados: . das sementes mais pesadas. coletores de amostras. Material inerte O material inerte compreende as sementes e unidades de dispersão de espécies cultivadas e silvestres que não apresentem as características já citadas e outros materiais que não sejam sementes. .divisores mecânicos do tipo Boerner. com objetiva rotativa. 150 . estiletes. palhas e antécios vazios de sementes e pseudo-sementes de gramíneas.lupas de mesa com diferentes aumentos. além de compartimentos para reter todas as partículas separadas. um soprador de sementes deve proporcionar uma corrente de ar uniforme e meios para sua calibração. palhas.diafanoscópio usado para algumas espécies de gramíneas. pedaços de plantas ou de qualquer outro material que não seja semente. . construídos em formatos e tamanhos diferentes. .2.sopradores destinados a separar materiais leves. pedaços de tegumento ou pericarpo. . tais como: partículas de solo e areia.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 3. placas de Petri ou outros recipientes que facilitem a separação.fichas de análise e outros materiais para registro e cálculo de resultados. . pincéis. 3. lemas e páleas) se encontra ou não o endosperma em qualquer estádio de desenvolvimento e isso pode ser conseguido fazendo-se passar a luz através da lema e pálea e outras estruturas. mecânicas ou digitais de diferentes capacidades e sensibilidades. permitindo verificar se na semente (cariopse protegida pelas glumas. Gamet e divisor de solos (obtenção da amostra). espátulas.2. quando presentes. Equipamentos e materiais Entre os equipamentos e materiais necessários à análise de pureza.3.3.peneiras: um ou mais conjuntos com diferentes malhas.balanças de torsão.

para verificar se não houve excessivo ganho ou perda de peso durante o manuseio. outras sementes e material inerte. Se uma correção maior do que 0.Terminada a identificação. nova análise de pureza deve ser realizada.Pesar os três componentes separadamente: semente pura. ou somente esse último. em gêneros e espécies.A soma do peso total dos componentes (peso final) deve ser comparada com o peso inicial da amostra. com o nome comum seguido do científico. 151 . Nessa identificação. que devem ser considerados como traço. As porcentagens devem ser baseadas na soma dos pesos dos componentes e não no peso original da amostra de trabalho. Se o ganho ou a perda for maior do que 5%. se isso não for possível. A porcentagem em peso de cada componente deve ser informada com uma casa decimal. antécios vazios de sementes e pseudo-sementes de gramíneas. com a ajuda de espátula ou pinça. É necessário também bibliografia especializada. Esse procedimento facilitará uma das mais importantes fases da análise de pureza.9 ou 100.1 do maior valor (normalmente da fração semente pura).1. Quando se notar a presença de substâncias inertes (palhas. dentro dessas.1). pó. Registros na ficha de análise .4. com chaves dicotômicas e fotografias ou outras ilustrações que permitam uma correta identificação das sementes. então adicione ou subtraia 0.as outras frações devem somar 100%.1% for necessária. pode-se usar peneiras de diversas malhas ou soprador para uma separação preliminar. inicia-se o exame criterioso e a separação em grupos distintos dos três componentes: sementes puras. são excluídos do cálculo .Os laboratórios devem possuir mostruários de sementes com amostras devidamente catalogadas em famílias e. Essa diferença não deve exceder a 5% do peso inicial.). se possível. deve ser observado se houve erro de cálculo.05%.A mesa de trabalho deverá estar completamente limpa e nela a amostra deve ser conferida quanto à autenticidade dos dados do remetente com relação à espécie. Identificação .4. de acordo com as espécies em exame. que é a identificação das sementes encontradas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 3. Pesagem . as outras sementes encontradas são contadas e anotadas na ficha de análise. Procedimento para uma amostra de trabalho inteira Separação dos componentes . Procedimento 3. Cálculo . Depois. Componentes com menos de 0. pelo menos o gênero ou a família. Se a soma não igualar 100% (99. sementes imaturas etc. outras sementes e material inerte. por ordem alfabética. deverá ser indicada a espécie.

4 g __________ 100% 0.A análise pode ser realizada em duas subamostras de trabalho.2.4 6.8% .5 119.8% 3. ou somente esse último.8 100% .0.8 (+ 0.0 120. . Cálculo da porcentagem de outras sementes 120. Terminada a identificação.4.4 g __________ 100% 119.1) 0. Cálculo da porcentagem de material inerte 120.0 % /////// 98. Cálculo da porcentagem de pureza 120. .1 < 6. se possível. não houve uma perda excessiva de peso durante a análise de pureza.120. com pelo menos metade do peso utilizado na amostra de trabalho inteira.5% do peso inicial é 6. com o nome comum seguido do científico. .a diferença entre o peso inicial e o peso final é: 120. um novo teste deve ser realizado e o seu resultado informado.Separar a amostra nos três componentes: semente pura. Procedimento para duas subamostras de trabalho Obtenção das duas subamostras de trabalho .4 g __________ 100% 1.portanto.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Exemplo: Trigo Peso Inicial Semente Pura Outras Sementes Material Inerte Peso Final 5% g 120. Comparação entre o peso inicial e o peso final da amostra .3% . as outras sementes encontradas são contadas e anotadas na ficha de análise.4 g __________ x x = 0. outras sementes e material inerte.5 .0 0. Obs. 152 .0.Identificar as outras sementes e o material inerte.3 0. sendo cada subamostra retirada independentemente. Identificação .4 1.: Se houver uma discrepância maior do que 5% do peso inicial.4 = 0.0 g __________ x x = 0. Separação dos componentes .0 g __________ x x = 98.

025 5% do Peso Inicial 0.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Pesagem .65 3.151 . Calcule a porcentagem média por peso de cada componente (as porcentagens podem ser arredondadas a um mínimo de duas casas decimais. Cálculo da porcentagem de pureza 1a subamostra 3.Anote o peso de cada fração (semente pura.19% 153 .151 .900 96.045 1. porém não corrija para 100%).080 2. independentemente para cada metade da amostra de trabalho. então.018 2.150 2a Subamostra g % 3.025 __________ 100% 2. Utilize a Tabela de Tolerância adequada.900 __________ x x = 96.090 2. A soma do peso total dos componentes de cada subamostra (peso final) deve ser comparada com o peso inicial de cada metade da amostra de trabalho.16 0.018 < 0.025 = e o peso final é 3. outras sementes e material inerte).54% 2a subamostra 3. 1a Subamostra g % Peso Inicial 3.035 1. O resultado do novo teste é.015 = 0.003 < 0.150 5% do peso inicial é 0. para verificar se não houve excessivo ganho ou perda de peso durante a análise.49 Material Inerte 0.Calcule a porcentagem em peso de cada componente.015 0. Comparação entre o peso inicial e o peso final de cada subamostra 1a subamostra 2a subamostra 5% do peso inicial é 0.018 .150 0. Cálculo .98 Peso Final 3.3.3. Exemplo: Brachiária (semente palhenta). para cada metade da amostra de trabalho.007 Semente Pura 2.015 __________ 100% 2.007 . A porcentagem em peso de cada componente deve ser baseada na soma do peso dos componentes de cada metade da amostra de trabalho (peso final). uma nova análise nas duas metades da amostra de trabalho deve ser realizada.19 0.151 a diferença entre o peso inicial a diferença entre o peso inicial e o peso final é 3. declarado.890 95. com pelo menos duas casas decimais. Se existir uma diferença maior do que 5% do peso inicial.54 Outras Sementes 0.890 __________ x x = 95.

deve ser indicado como “0.Somar os pesos dos componentes das duas subamostras de trabalho. De acordo com o exemplo.78 0.33 2.16% . devem ser informados. 154 .170 2.080 __________ x x = 2.4. Cálculo da porcentagem de outras sementes 1a subamostra 2a subamostra 3.3 Material Inerte 0. que se encontra no Capítulo 15 das RAS.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos .025 __________ 100% 3.19 1.65% .090 __________ x x = 2.790 95.025 __________ 100% 3. Informação dos resultados As porcentagens de semente pura.49% 0. outras sementes e material inerte devem ser informadas com uma casa decimal e a porcentagem de todos os componentes deve totalizar 100.12 1. Cálculo da porcentagem de material inerte 2a subamostra 1a subamostra 3.49 Material Inerte 2. se o resultado de algum componente for zero.0 3.33 A Tabela de Tolerância consultada é a 3.035 __________ x x = 1.015 __________ 100% 0.87 1.65 Média Tolerâncias Diferenças 95.3.54 Outras Sementes 1. deve ser anotado como “Traço”.16 2.05%. Uso da Tabela de Tolerância 1a Subamostra Semente Pura 95.045 __________ x x = 1. O nome científico da espécie em exame e das outras sementes encontradas.1.080 1.65 0. Cálculo Final .33 0.82 2. os componentes semente pura.98 2a Subamostra 96. bem como o tipo de material. outras sementes e o material inerte encontram-se dentro da tolerância. e. g % Semente Pura 5.9 Outras Sementes 0.26 1.015 __________ 100% 0. Quando a porcentagem for menor do que 0.98% 0.8 Peso Final 6.040 100.0”.

1. . 4.2.2.1. Exemplo: tiririca. No comércio nacional e internacional essa determinação é utilizada. arroz preto.3. Teste limitado É aquele no qual o exame é restrito para as espécies solicitadas e executado na totalidade da amostra de trabalho. etc. principalmente. 4.3.2. 4.2. para determinar o número de sementes de espécies nocivas. Tipos de testes A determinação do número de outras sementes pode ser realizada através de: 4.1. 155 . Nocivas toleradas São aquelas cuja presença na amostra é permitida dentro de limites máximos específicos e globais estabelecidos por lei.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4. Definições São duas as categorias de sementes nocivas: 4.estimar o número de todas as outras espécies solicitadas pelo remetente que estejam presentes na amostra.3. A presença de uma dessas sementes na amostra é suficiente para a recusa do lote. .2. Objetivo O objetivo dessa análise pode atender diferentes solicitações: . 4.: Agropyron repens).estimar o número de sementes que sejam consideradas nocivas. cuscuta. Teste completo É aquele no qual a amostra de trabalho inteira é examinada para detectar a presença de outras espécies. DETERMINAÇÃO DO NÚMERO DE OUTRAS SEMENTES 4. Nocivas proibidas São aquelas cuja presença não é permitida nos lotes de sementes.estimar o número de sementes de uma espécie determinada (ex.

No teste reduzido. essa é examinada separando-se apenas as sementes nocivas. ou seja. facilitam o trabalho do analista. 4.3.4. o tamanho da amostra de trabalho deve ter um peso que contenha. um mínimo de 1/5 do peso da amostra de trabalho prescrita deve ser examinado para aquela espécie em particular. Após a obtenção da amostra.5.3. à medida que as sementes são identificadas. Pode ainda ser expresso em número de sementes/unidade de peso (por quilograma). deve-se utilizar um peso menor do que o prescrito para a amostra de trabalho. Teste reduzido É aquele no qual somente parte da amostra de trabalho é examinada (quando a espécie solicitada pelo remetente for difícil de identificar). constando no Boletim de Análise a razão. 25. Teste reduzido limitado É aquele no qual um peso menor do que o prescrito para a amostra de trabalho é examinado e somente para aquelas espécies determinadas. o exame é interrompido. pelo menos. sopradores de sementes e/ou descascadores (arroz vermelho). Para esse tipo de exame. Exame de sementes nocivas O teste limitado é o indicado para realização do exame de sementes nocivas. 4. 4. como peneiras. 156 . Se aparecerem sementes nocivas proibidas ou toleradas acima dos limites estabelecidos por lei. Para o teste reduzido limitado.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4. Procedimento Para realizar um teste completo ou um teste limitado.3.6. o emprego de equipamentos. número de sementes/peso da amostra analisada. Informação dos resultados O resultado deste exame é expresso em número de sementes de cada espécie encontrada pela quantidade examinada (peso da amostra de trabalho).4. 4.000 sementes ou não menos do que o peso prescrito nas RAS na Tabela 2A (amostra de trabalho para determinações do número de outras sementes).

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O nome científico deve ser informado e. o resultado de germinação. 157 . é permitido anotar somente o gênero. regular e completa dentro do menor período de tempo para a maioria das amostras de sementes de uma determinada espécie. 5. é a emergência e o desenvolvimento da plântula a um estádio onde o aspecto de suas estruturas essenciais indica se a mesma é ou não capaz de se desenvolver posteriormente em uma planta normal. Definição 5. também. Condições para a germinação Para que uma semente germine. onde condições controladas de alguns ou de todos os fatores externos permitem a obtenção de uma germinação mais rápida. consideradas ótimas. Objetivo O objetivo do teste de germinação é determinar o potencial máximo de germinação de um lote de sementes. temperatura e luz. para estimar o valor da semente para a semeadura. permitem também a obtenção. principalmente de umidade. reprodução e comparação dos resultados nos diferentes laboratórios. TESTE DE GERMINAÇÃO 5. A metodologia empregada pelos laboratórios é padronizada. sob condições favoráveis de campo. corresponde à porcentagem de sementes que produziram plântulas normais.2. ser usado para comparar a qualidade de diferentes lotes e.2. quando as sementes encontradas não forem identificadas em nível de espécie.1. Assim. 5. o resultado a ser relatado deve ser o número total de sementes encontradas no peso total examinado.1. 5. relatado no Boletim de Análise. então.3. em teste de laboratório. Germinação Germinação. Se um segundo ou mais testes são executados na mesma amostra. aeração. são necessárias condições adequadas. A utilização dessas condições padronizadas. o qual pode.

Resultados de pesquisa mostram que. a umidade relativa ao redor das amostras (dentro do germinador) deve ser de 90 a 95% utilizando-se. Já a perda de umidade nos testes com solo ou areia pode ser evitada utilizando-se caixas de germinação (gerbox) com tampa ou. temperatura. uma cobertura com plástico ou papel toalha umedecido. forças intermoleculares. para isso. devem ser umedecidos a 60% de sua capacidade de retenção. composição química e condição fisiológica da semente. Cuidados quanto à circulação de ar podem ainda ser necessários sempre que o germinador estiver sobrecarregado com espécies de germinação rápida e muito 158 . portanto estar suficientemente úmido durante todo o período do teste. Já os substratos de solo ou areia. Para o cálculo da quantidade de água a ser adicionada ao substrato de papel. restringindo a sua aeração. visto que aumenta a variabilidade entre repetições e entre testes. quando usados para sementes maiores (leguminosas e milho). mas não deve ser tão molhado a ponto de formar uma película de água em torno da semente. A fim de evitar a perda de água por evaporação e manter o substrato úmido durante todo o período do teste. depois de peneirados. umidificadores automáticos ou quantidade suficiente de água na cuba do germinador. pressão hidrostática. Umidade e aeração O fornecimento de água é condição fundamental para que a semente inicie e desenvolva normalmente o processo de germinação. depende do grau de hidratação de seus tecidos. O substrato utilizado para a germinação deve.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 5. para a maioria das sementes de gramíneas. Para a maioria das sementes de leguminosas.0. por exemplo. por exemplo. área de contato semente/água. disponibilidade de água. essa relação é de 2. Há um teor de água que a semente deve atingir.53. o qual varia com a espécie. O aumento das atividades respiratórias da semente. ainda. em nível capaz de sustentar o crescimento do embrião. A quantidade de água a ser adicionada no substrato no início do teste depende da natureza desse.1. A adição subseqüente de água deve ser evitada tanto quanto possível. A quantidade ótima deve ser determinada por experimentação.3. a fim de proporcionar às sementes quantidade necessária de água para a sua germinação. permeabilidade do tegumento. com o fornecimento suficiente de energia e de substâncias orgânicas. da sua dimensão e da espécie de semente. até 50% de sua capacidade de retenção. enquanto que para as sementes de cereais menores. deve ser adicionado um volume de água em quantidade equivalente a 2-2.5 vezes o peso do substrato. pode ser utilizada a relação volume de água (ml) por peso de substrato (g).

a variação devida ao termostato não deve ser maior do que ± 1°C. elas devem permanecer tão uniformes quanto possível no interior do germinador. ainda. em geral. a temperatura considerada ótima para cada espécie está situada sempre mais próxima da temperatura máxima. As temperaturas especificadas nas RAS para o teste de germinação foram estabelecidas através de pesquisas.2. que não exista um valor específico. Para as alternadas.é aquela acima da qual não ocorre a germinação e . constantes ou alternadas. no máximo de 1 hora. as quais são afetadas individualmente pela temperatura mas. recomenda-se a troca diária das amostras entre dois germinadores previamente regulados nas temperaturas desejadas. uma mudança gradual de até 3 horas é considerada satisfatória. 5. determinadas de acordo com a espécie. ou quando houver excessiva condensação de umidade sobre as plântulas. essa mudança deverá ser rápida. Em geral. as sementes devem 159 . Quando a alternância de temperatura for indicada para uma determinada espécie e não for automaticamente controlada num mesmo germinador. por exemplo. A maioria das sementes de espécies cultivadas germina sob limites relativamente amplos de temperatura.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos vigorosa. pode germinar de ± 8°C a ± 40°C. .3. Observa-se que a maioria das sementes germinam bem em temperatura constante de 20°C ou em temperaturas alternadas de 20-30°C. a temperatura mais baixa deve ser mantida durante 16 horas (período noturno) e a mais alta por 8 horas (período diurno). Geralmente. Temperatura A germinação da semente compreende diversas fases.é aquela na qual ocorre o número máximo de germinação dentro do menor período de tempo. Se o tipo e/ou qualidade do termostato não permitir essa mudança rápida de temperatura.Temperatura ótima . em cada período de 24 horas. Condições de pouca aeração podem dificultar a germinação ou ocasionar a deterioração das plântulas. No caso de temperatura constante.Temperatura máxima . enquanto que outras apresentam exigências mais restritas. três pontos críticos podem ser identificados: . Já para as sementes que apresentam dormência.é aquela abaixo da qual não há germinação visível em período de tempo razoável. o que se observa é o efeito global da mesma no desenvolvimento e crescimento da plântula. Quando a temperatura alternada é a indicada para uma espécie de semente não dormente. A soja.Temperatura mínima . mas sua temperatura ótima está situada entre os 25 e 30°C. Em ambos os casos. O uso da temperatura adequada é um dos fatores mais importantes para que ocorra a germinação de uma semente e.

3. a iluminação durante o teste. a fim de favorecer o desenvolvimento das estruturas essenciais das plântulas. Mesmo quando não indicada nas RAS. sua exigência quanto à umidade. Podem ser utilizadas tanto a luz natural como a artificial. há também algumas poucas espécies. próxima ao infravermelho. a qual é inibidora da germinação. Luz A maioria das espécies de sementes germinam tanto em presença de luz como no escuro. papel mata-borrão e papel filtro).4. areia e solo.1. é geralmente recomendada.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos permanecer na mais baixa durante os fins-de-semana e nos feriados. sua sensibilidade ou não à luz e facilidade para o desenvolvimento das plântulas até o estádio para a avaliação correta do teste. 5. bem como detectar certos defeitos como a deficiência de clorofila. sendo necessária para a germinação das sementes de muitas espécies de gramíneas forrageiras e hortaliças. desde que não provoquem alteração da temperatura dentro do germinador ou uma secagem excessiva do substrato. facilitando sua avaliação. 160 . principalmente quando recémcolhidas. como por exemplo Phacelia tanacetifolia. A luz. satisfaz as exigências de todas as sementes sensíveis à luz.4. deve ser bem distribuída por toda a superfície do substrato e empregada durante 8 horas a cada ciclo de 24 horas e. Para as não-sensíveis. pode-se ainda evitar o aparecimento de plântulas estioladas e hialinas mais sensíveis ao ataque de microrganismos. A intensidade da luz de 750 a 1250 lux. Com o uso da luz. 5. independente de se apresentarem dormentes ou não. deve ser proporcionada conjuntamente com a temperatura mais alta. que podem apresentar inibição da germinação quando em presença da luz. quando prescrita para a germinação. Entretanto.3. a intensidade da luz pode ser de 250 lux. Os tipos de substrato mais comumente usados são: papel (papel toalha. Materiais e equipamentos 5. Substrato Estes são escolhidos considerando-se o tamanho das sementes. quando fornecida sob o regime de temperaturas alternadas. A luz fluorescente fria e branca (com alta emissão de radiação vermelha) promove a germinação mais efetivamente do que a luz solar ou proveniente de filamentos incandescentes (lâmpada comum) que contém radiação vermelho extrema. ainda que o uso da luz seja necessário para a germinação de muitas espécies de sementes. seja de fonte natural ou artificial. aproximadamente.

principalmente quanto à toxidez (reanálise). ocupa grande espaço no interior do germinador e apresenta problemas de manutenção da limpeza do laboratório. observando-se o desenvolvimento do sistema radicular das plântulas durante a primeira contagem. A areia pode ser utilizada diversas vezes mas.0 a 7. quando os efeitos são mais visíveis. que as raízes se desenvolvam sobre e não através de sua superfície. com a nova partida.8mm de diâmetro e ficar retida em outra de 0. Papel mata-borrão . Agrostis gigantea. Papel filtro . emprega-se para sementes de forrageiras.empregado em forma de rolo (EP . como as de forrageiras e olerícolas. podendo ser usadas para a avaliação da qualidade do mesmo.é o menos utilizado nos testes comuns de germinação e. Sua estrutura deve ser tal. É. por exemplo. se as malhas do tecido não forem suficientemente fechadas. entretanto. Outro inconveniente é a necessidade de sua lavagem. ser lavada e esterilizada antes de sua utilização.5. apresentar poder de absorção e retenção de água adequados e índice de pH de 6. A designação de SP (sobre papel) e EP indicada pelas RAS está diretamente relacionada às espécies mais ou menos sensíveis à luz. O importante nesses tipos de substratos é que devem ser isentos de substâncias tóxicas solúveis em água.Nas regras internacionais este substrato não é indicado. de qualidade conhecida e aceitável. milho. esterilizada e peneirada (passar por peneira com orifício de 0. algodão e café. entretanto.deve ser isenta de substâncias tóxicas e de microrganismos. A avaliação da qualidade desse tipo de substrato é feita comparando-se sempre um estoque antigo. quando isso acontece.0 a 7. apresentar dificuldades na avaliação do teste pois. Espécies como Phleum pratense. de fungos e bactérias que possam interferir na germinação. Eragrostis curvula. antes de ser reutilizada. são conhecidas como sensíveis ao papel tóxico. variando seu tamanho de acordo com o tamanho das sementes. Apesar de indicada para algumas espécies. olerícolas e algumas florestais e/ou ornamentais pequenas. não é utilizada rotineiramente devido a maiores dificuldades para instalação do teste. embora no Brasil seja recomendado para espécies de sementes de tamanho grande como amendoim. feijão. Areia .05mm). Pano .utilizado para espécies de sementes de tamanhos menores. esterilização e secagem para que possa ser reutilizado. recomendada a sua utilização quando houver dúvidas em algum teste. Esse substrato pode.5. Deve ainda apresentar pH 6.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Papel toalha . previamente lavada.entre papel). serão atravessadas tanto pelas raízes como pela parte aérea das plântulas. arroz e aveia. 161 . respectivamente. é o mais indicado para espécies de sementes como soja.

50 ou 100 orifícios.composto de uma câmara de paredes adequadamente isoladas para diminuir as variações bruscas da temperatura interna e um conjunto de bandejas. cujo diâmetro deve estar em correspondência com o tamanho da semente e do vácuo aplicado. 50 ou 25 orifícios de tamanho e forma semelhante à espécie de semente a ser analisada. umidade relativa do ar interna e outros detalhes. 5. apenas comprimidas contra o substrato. Deve também apresentar um pH 6.3.utilizado para espécies cujas sementes possuem forma regular e são relativamente lisas. fungos.4.utilizado para sementes maiores. 5. as sementes não devem ser cobertas. luz. livre de partículas grandes.2. Solo . Contador a vácuo . Contadores de sementes Normalmente dois tipos de contadores são encontrados nos laboratórios: tabuleiro contador (placas perfuradas) e contador a vácuo. As placas desse tipo de contador contém. Germinadores Embora bastante variáveis quanto ao tamanho. etc. Pode ser utilizada água destilada ou deionizada. Seu tamanho aproxima-se do tamanho do substrato a ser usado e pode conter 100. soja.5 e não deve ser reutilizado. como as de cereais e espécies de Brassicas e Trifolium. ser utilizado em casos de dúvidas nos testes normais. outras sementes.4. seca e reesterilizada. uma maior aeração das sementes é necessária devido à deficiência de oxigênio da mesma. OBS.4. dispositivos adotados para controle de temperaturas.pode substituir a areia.0 a 7. milho. crescimento e avaliação das plântulas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos ela deve ser lavada. Água A água utilizada nos testes deve ser livre de impurezas orgânicas e inorgânicas e apresentar pH 6. Quando for utilizada a água destilada. bactérias.4. sistema empregado para acomodação das amostras. como feijão.: Nos testes com areia ou solo. Deve ser de boa qualidade. 5. os germinadores mais usados na grande maioria dos laboratórios são: Germinador de câmara .5. sendo dificilmente empregado pelos analistas. Esse tipo de substrato apresenta dificuldade de padronização.0 a 7. isto é. Seu fundo serve como depósito para água destilada que deve ser mantida em nível adequado e a qual proporciona a 162 . geralmente. Tabuleiro contador . substâncias tóxicas e nematóides que possam interferir na germinação.

No seu interior. geralmente entre 15-20°C. então. o método da temperatura alternada pode ser empregado pela simples troca das amostras entre dois germinadores individuais. Devido a seus sistemas de iluminação. são colocados os germinadores tipo câmara (modelo simples). As amostras são colocadas em prateleiras laterais ao longo de uma passagem central e. é equipado com um sistema de ventilação e de umidificadores proporcionando. regulados a diferentes temperaturas desejadas. de um modo geral. Germinador de câmara x sala . previamente regulados às temperaturas desejadas. podem permanecer no ambiente do laboratório e proporcionar uma maior diversificação de testes. os testes podem ser colocados em carrinhos com rodas.seu princípio de construção e funcionamento pode ser semelhante aos do tipo câmara. Alternativamente.5. Campânula vítrea ou aparelho de Jacobsen (tanque de Copenhague) este aparelho consiste de um prato de germinação sob o qual os substratos de papel de filtro com sementes são colocados. de grande capacidade e preço mais acessível. Possuem um sistema de iluminação e um mecanismo para controle automático de alternância da temperatura. além da temperatura constante. controle de temperatura e circulação de água.4. Germinador de sala . Destilador de água Além do umedecimento do substrato e preparo de soluções (na ausência de 163 . Os modelos mais simples possuem apenas um sistema de aquecimento constituído de uma resistência elétrica ligada a um termostato. 5. uniformização da temperatura e umidade relativa interna elevada. podendo permitir. A sala é construída com isolamento térmico e o ambiente é mantido por meio de ar condicionado e/ou compressores a uma temperatura constante correspondente a mais baixa normalmente usada nos testes de germinação. a entrada de pessoas. os quais são. dotadas de sistema de aquecimento. diferindo apenas na sua dimensão.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos umidade relativa interna de 90-95%. empurrados para dentro do germinador para o período de teste. comparado aos germinadores automáticos. assim. Nesse sistema. O substrato é mantido continuamente úmido através de um pavio. Os mais modernos consistem de uma ou duas câmaras com autonomia de isolamento. inclusive. o qual permite o controle de temperatura interna. além do sistema de controle de temperatura e luz. por exemplo: 2030°C. refrigeração e circulação de água e/ou ar no seu interior.é a combinação dos dois tipos citados anteriormente e. o qual se estende para baixo através de aberturas ou orifícios no prato de germinação até um recipiente de água.

placas de Petri.5. devem ser com ponta mediana para não romperem o substrato. Além desses citados. nitrato de potássio (KNO3).sortimento variado de copos de Becker. com água e sabão. etileno.5%. cadeiras com assento e encosto ajustável devem ser usadas. destinados a tratamentos para superação de dormência são recomendados.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos água potável de boa qualidade). Autoclave .para esterilização de substratos. Um estoque de produtos químicos como ácido giberélico (AG3). após limpezas periódicas (15 em 15 dias). pias devem ser instaladas próximas à mesa de semeadura e mesas individuais com fórmica ou aço inoxidável. Pinças . Outros materiais e equipamentos Caixas plásticas .para controle das temperaturas nos germinadores. vidros de relógio. etc. frascos de Erlenmeyer. atilhos de borracha. Preferencialmente. Os germinadores merecem especial atenção. devendo ser feita uma desinfecção onde poderá ser utilizado o formol a 0. lápis. a água destilada deve ser usada nos germinadores (umidade relativa interna) para manter o bom funcionamento dos mesmos.. ou sempre que necessário.de diferentes tamanhos: maiores para testes com areia e/ou solo e menores (gerbox) para papel mata-borrão ou de filtro.necessárias para remoção das plântulas e sementes durante as contagens.6. provetas e buretas graduadas. Os substratos devem ser guardados em lugar seco. Câmaras de refrigeração . 5.para auxílio na interpretação dos testes. depósito para água destilada. Termômetros de máxima e mínima .para o tratamento de outras espécies que apresentam dormência. 164 . vidros para soluções químicas. entre outros. são também indispensáveis. lysoform. Mesinhas de rodas para transporte das amostras. baldes plásticos. arejado e protegidos de pó. Utensílios como caixas plásticas. placas de Petri e recipientes usados para testes de solo e areia devem ser cuidadosamente lavados com água e sabão. 5. fichas de análise.4. Vidraria . Condições sanitárias Os substratos e todos os utensílios usados no teste de germinação devem ser conservados rigorosamente limpos e preservados de contaminação. ácido sulfúrico concentrado (H2SO4). álcool. Lupas manuais e microscópio estereoscópio .

alternada. a seguinte metodologia nas RAS: Substrato: EP. O analista deve examinar cuidadosamente as instruções encontradas nas RAS (Tabela 2) para a espécie de semente a ser analisada e adotar aquelas mais condizentes com as condições do seu laboratório. 8 de 50 ou 16 de 25. 5. O número de repetições depende da espécie em exame e/ou do tamanho das sementes x tamanho do substrato. a água dos germinadores deve ser trocada.6. tomadas ao acaso. para o teste de germinação. Quando a técnica adotada apresentar falhas. da porção semente pura. Metodologia 5. Semeadura As RAS especificam o procedimento mais adequado para a condução dos testes de germinação. Serão utilizadas para a semeadura 4 folhas de papel substrato (3 de base e 1 de cobertura). o teste deverá ser repetido. o desenvolvimento das plântulas ocorra normalmente até um estádio que possibilite sua correta interpretação. Cuidados pessoais devem ser tomados devido à toxidez de alguns dos produtos mencionados. primeiramente com a espécie soja.2. Citando exemplos práticos.1. temos. previamente umedecidas e de tamanho adequado (observando-se a 165 . após a germinação inicial das sementes.6. da análise de pureza. entre outros. Amostra de trabalho São utilizadas 400 sementes. semeadas em 4 repetições de 100. 25 Contagens: 5-8 dias Em teste normal: Em caso de dormência: Isso. Após a limpeza. por até 8 dias.6. 5. As sementes multigérmicas como glomérulos de beterraba e espinafre da Nova Zelândia não são separadas para o teste de germinação. usando-se outro dos métodos alternativos propostos. na prática. porém são testadas como se fossem sementes individuais. procurando estabelecer condições extremamente favoráveis à espécie testada. Cada um desses produtos deverá ser usado na concentração indicada na embalagem. formaldeido.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos germitil. Essas condições permitem que. EA Temperatura: 20-30. quer dizer: 8 repetições de 50 sementes deverão ser semeadas aleatoriamente e em substrato de papel em forma de rolo (EP) e colocadas a germinar a uma temperatura de 20-30°C.

15 06 12 Pré-esfriamento Andropogon gayanus SP 20-35 07 14 Luz. temperaturas.15-25.25. pré-esfriamento Brachiaria humidicola SP 20-35 07 21 KNO3 Daucus carota SP. sementes mortas ou apodrecidas que estiverem proliferando fungos. de tamanho semelhante.EA 20-30. C . apenas as plântulas consideradas como normais serão retiradas do teste e anotadas na ficha de análise. dias de contagem e tratamentos especiais para superação de dormência para algumas espécies de sementes (RAS.Tipos de substrato. 1996). As contagens ou avaliação da amostra serão realizadas no quinto e oitavo dia. Quatro repetições de 100 sementes são semeadas com o contador a vácuo. Deverão ser retiradas. Tabela 2 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos relação tamanho de substrato x tabuleiro contador x espaçamento).20 07 14 Glycine max EP.EA 20. No quinto dia.EA 20-30.EP. e H e agrupadas formando uma amostra que. sorgo entre outras. onde serão contadas as plântulas normais. anormais. As repetições (em forma de rolos) serão identificadas. individualmente e respectivamente. em substrato de papel (EP) de um tamanho que corresponda à metade do tamanho do substrato 166 . será colocada em posição vertical no germinador. será então realizada a avaliação final da amostra. também nesse dia. °C 1a Final p/superação da dormência Allium cepa SP.EA 20-30. B.20 09 Sorghum bicolor SP. após a identificação correspondente ao seu número de registro.EP.EA 20 05 10 Pré-aquecimento (3035oC).25. Espécie Substrato Temperatura Contagens Instruções adicionais (Dias) incluindo recom. KNO3 Medicago sativa SP.20 04 07 Para espécies de sementes como trigo.EA 20-30.25 05 14 Pré-aquecimento (50oC) Phaseolus vulgaris EP. o procedimento para a montagem do teste é parecido.25 04 10 Pré-esfriamento Zea mays EP. arroz. sementes duras (se houver) e sementes mortas. KNO3 (embeba extremidade basal) Avena sativa EP.20 05 14 Pré-esfriamento. com as letras A.EP 20-30.EP 20 04 10 Pré-esfriamento Oryza sativa SP. previamente regulado na temperatura desejada.EP 20-30.25 05 08 Lolium multiflorum SP 20-30. No oitavo dia..

Dactylis spp.. embora possa germinar mais de uma plântula para cada unidade. 5. Por outro lado. se uma temperatura mais baixa é escolhida. Para testes em areia. Na condução desses testes. por exemplo. Os tempos indicados referem-se às temperaturas mais altas. 167 . Quando sensíveis à luz.6. e para sementes múltiplas. nesse caso. o seu conjunto é considerado como uma semente simples. As plântulas com pouco desenvolvimento. Contagens intermediárias podem ser necessárias quando. as plântulas apresentam contaminação excessiva. dias de contagem e outras possíveis exigências da espécie. de cada semente apenas uma plântula normal é considerada. Geralmente. aveia perene. a primeira contagem pode ser omitida. mais as sementes não-germinadas ou apenas com o início de germinação. Na primeira contagem. devem ser observados ainda o umedecimento adequado dos substratos e as recomendações quanto à temperatura. Pensacola. serão avaliadas e computadas adequadamente. entre outras. sem cobertura (SP). Na Tabela 2 estão listadas algumas espécies constantes da Tabela 5A das RAS. ou seja. corresponde ao número de dias estabelecidos para a contagem final. para evitar contaminação. que permita uma avaliação precisa. A utilização do papel mata-borrão exige cuidado por parte do analista para verificar a necessidade do reumedecimento durante a condução do teste. mas deve ser suficiente para permitir que as plântulas atinjam o estádio de desenvolvimento.3. são semeadas da mesma forma. para cada espécie. O tempo para a primeira contagem é aproximado. cujas unidades são constituídas por duas ou mais sementes verdadeiras. capim-de-Rhodes. o período para a germinação é relativamente longo. as espécies de sementes pequenas que exigem ambiente úmido e não são sensíveis à luz são colocadas para germinar entre duas ou mais camadas de papel mata-borrão (EP). e as sementes podres e/ou as plântulas infectadas. Ex.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos utilizado para a soja. como os glomérulos de beterraba e acelga. Contagens periódicas. são removidas do substrato apenas as plântulas normais bem desenvolvidas. devem permanecer no substrato até o dia da contagem final onde. só que sobre uma ou mais camadas de papel. Para o último caso. duas contagens são efetuadas: a primeira contagem e a contagem final.: Paspalum notatum var. para evitar o risco de entrelaçamento de raízes. a primeira contagem pode ser adiada. Duração do teste e contagens A duração do teste. com duração não superior a 7-10 dias. em placas de Petri ou caixas plásticas incolores e transparentes (gerbox). as consideradas como anormais. então. principalmente aquelas espécies que requerem altas temperaturas e muitos dias para a completa germinação das sementes.

Se.4.são também consideradas como normais. Plântulas com infecção secundária . 168 . ausência de um cotilédone. mas com raízes secundárias ou adventícias vigorosas e em número suficiente para as leguminosas.plântulas atacadas por fungos ou bactérias. desde que o mesmo se apresente intacto para as gramíneas. sementes duras. com exceção para certas espécies florestais. Plântulas com pequenos defeitos . a germinação máxima da amostra tenha sido obtida antes do final do período do teste. se for evidente que a própria semente não é a causa da infecção (infecção secundária) e as mesmas apresentem todas as estruturas essenciais presentes e normais.são aquelas que apresentam todas as suas estruturas essenciais bem desenvolvidas. como: ausência de raiz primária. sementes dormentes e sementes mortas. Em caso de desenvolvimento desigual. ou até a metade do período indicado para testes mais longos. lesão superficial (não atingindo os vasos condutores) no hipocólito.Plântulas normais (Fig. plântulas anormais (incapazes de gerar plantas normais no campo). presença de um ou dois cotilédones quando se tratar de mono ou dicotiledôneas. mesmo que seriamente infeccionadas. é recomendado que o período do teste possa ser estendido por 7 dias. As contagens intermediárias devem ser mantidas a um mínimo. o analista deve examinar as plântulas com maior cuidado. as plântulas que apresentam algumas deficiências. respectivamente. . completas. por outro lado. Devem apresentar um crescimento proporcional entre a parte aérea e o sistema radicular. Apresentam sistema radicular bem formado. 2) Plântulas intactas . plúmula com comprimento maior do que a metade do coleóptilo. cujas raízes são muito longas. proporcionais e sadias. para reduzir o risco de danificar quaisquer plântulas que não tenham se desenvolvido suficientemente. 5. esse pode ser encerrado. epicólito ou cotilédones. desde que o restante esteja sadio e haja uma gema normal. hipocótilo desenvolvido e intacto e/ou epicótilo não lesionado. inserida nesse.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos permitem manter a identificação das várias plântulas provenientes de uma mesma semente. Quando algumas sementes tenham iniciado a germinação. Interpretação do teste A interpretação do teste de germinação consiste em fazer a separação do mesmo em plântulas normais (capazes de produzir plantas normais em condições favoráveis).6. malváceas e cucurbitáceas.

. Curitiba. 1976. 169 . ou sem raiz primária e com as secundárias ou adventícias muito fracas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos TRIGO Folha primária SOJA Gema apical Folha primordial Epicótilo Coleóptilo Cotilédones Hipocótilo Raiz primária Raiz secundária Raizes Seminais Figura 2 . PR. lesões profundas afetando os tecidos condutores. ausência de raiz primária (quando esta estrutura é essencial).Plântulas anormais (Fig.Plântulas normais de monocotiledôneas (trigo) e de dicotiledôneas (soja). 3 e 4) Plântulas danificadas devem ser assim consideradas aquelas que apresentarem danificações como: ausência de cotilédones.

Anormalidades em plântulas de soja.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Figura 3 . 1976. PR. Curitiba. 170 .

PR.Anormalidades em plântulas de trigo. Curitiba. 1976.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Figura 4 . 171 .

ataque de microrganismos ou de insetos. Muitas são as causas desse fenômeno e as mais comuns são: . danos por geadas. por causas internas (infecção primária). Quando solicitado pelo interessado. obviamente. esse pode ser aplicado antes do início do teste de germinação ou nas sementes duras que permanecerem após o período do teste. a ocorrência de anormalidades em plântulas pode ser causada por danos mecânicos. escarificação com ácido sulfúrico concentrado (H2SO4) ou embebição direta em água por um período de 24 a 48 horas.Sementes não germinadas Sementes duras são as que permanecem sem absorver água até o final do período do teste. . Apenas absorvem água. hipocótilos torcidos em espiral ou atrofiados. as sementes duras são contadas e relatadas como tal no Boletim de Análise. plúmulas fendidas ou pouco desenvolvidas (menos da metade do tamanho do coleóptilo). De um modo geral. não germinam quando submetidas a condições consideradas ótimas para sua germinação. tais como: escarificação mecânica. alguns cereais e crucíferas e muitas espécies florestais e frutíferas. principalmente nas famílias Leguminosae e Malvaceae. Plântulas deterioradas com uma ou todas as estruturas essenciais infeccionadas ou apodrecidas. isto é.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Plântulas deformadas em conseqüência do desenvolvimento geral fraco e desequilibrado das estruturas essenciais. Quando uma maior informação é requerida e algum tratamento especial é essencial. Ao final do teste de germinação. o laboratório poderá usar um dos tratamentos específicos para superar a dureza das sementes. embora vivas. Sementes dormentes . sendo considerado como um tipo especial de dormência que ocorre em determinadas espécies. contaminação do equipamento (uso de bandejas de cobre soldadas com ácido durante os testes) e outras deficiências próprias das sementes. vitalidade em declínio (deterioração). hipocólito e/ou coleóptilos curto e engrossado.Sementes múltiplas são unidades de sementes capazes de produzir mais de uma plântula. danos por produtos químicos.envoltórios do embrião ou da semente (pericarpo) impermeáveis ao gás carbônico ou ao oxigênio (arroz). coleóptilo vazio. . Esse fenômeno é motivado pela impermeabilidade do tegumento das sementes à água. tais como plúmulas. Apresentam-se intactas.envoltórios demasiado duros que impedem a expansão do embrião e 172 . intumescem e apresentam um aspecto sadio. plântulas hialinas ou vítreas. . toxidez de substrato.as sementes de muitas gramíneas forrageiras. não-intumescidas. entretanto não apodrecem.

Sementes mortas .embriões fisiologicamente imaturos (gramíneas forrageiras e alguns cereais). Sempre que aparecerem no teste de germinação sementes dormentes. . pré-aquecimento.5. nitrato de potássio (KNO3). usando métodos para superar a dormência. Já no caso de sementes de essências florestais. Número de plântulas normais determinados após a contagem final é: Repetições A B C D Plântulas normais 85 79 87 83 173 . 5.em algumas circunstâncias.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos emergência da radícula (florestais e frutíferas). é necessário fazer um reteste. Quando for utilizado algum desses métodos. luz. no Boletim de Análise. moles e/ou apodrecidas. devese verificar se essas sementes possuem o potencial de produzirem plântulas normais.presença de substâncias inibidoras nos frutos (acelga e beterraba). às vezes contaminadas por microrganismos. Os mais empregados são armazenagem a seco. isso pode ser feito através do teste de tetrazólio. sem embrião ou danificadas por insetos. Exemplo . Cálculos O cálculo do teste de germinação é feito obtendo-se a média das quatro repetições de 100 sementes utilizadas. observando-se o limite máximo de variação permitido entre as mesmas em tabelas de tolerância contidas nas RAS. Se for observado que uma semente produziu qualquer parte de uma plântula. .6. Se existir qualquer dúvida se a semente é dormente ou morta. ele deve ser mencionado no Boletim de Análise. São vários os métodos que podem ser utilizados para a superação da dormência das sementes favorecendo a germinação durante o teste. sementes vazias e nãogerminadas podem ser classificadas e relatadas em “Outras Determinações”. todas as sementes nãogerminadas devem ser cortadas e verificado o número de sementes vazias. ácido giberélico (AG3) e envelopes de polietileno lacrados. préesfriamento. retirada do embrião ou raio X. Outras categorias .Quando forem utilizadas 4 subamostras de 100 sementes. essa é considerada como plântula anormal.são as sementes que ao final do teste se apresentam intumescidas mas não germinadas. . Se forem encontradas sementes dormentes a uma taxa de 5% ou mais. então deve ser classificada como morta.

ele deve ser anotado com “-0. Exemplo: 84. quando for menor do que 0. fazendo-se a aproximação para o número mais alto se a fração for 0.quando existe a evidência de erro nas condições do teste.5 ou maior e. 5. plântulas anormais. esse não deverá ser relatado no Boletim e um segundo teste deverá ser realizado utilizando o mesmo método ou outro método alternativo. quando a média de germinação é 84%.5% de probabilidade. ao redor de 2. avaliação ou contagem das plântulas.50 4 X = 84% . nas seguintes situações: .25 ⇒ 84% Se algum desses valores for igual a zero. Cálculo da porcentagem de germinação: X= (85 + 79 + 87 + 83) = 83. . .6. Uso da tabela de tolerância: a variação máxima permitida entre as 4 repetições. logo.quando existe dificuldade em decidir sobre a avaliação correta do número de plântulas. é de 14.quando a amplitude das repetições de 100 sementes exceder a tolerância máxima permitida.quando da suspeita de dormência (sementes dormentes não-germinadas). os resultados são considerados válidos. devido à fitotoxicidade ou disseminação de fungos ou bactérias.0-”. . .5. sendo informado os 84% de germinação no Boletim de Análise.6. A soma das porcentagens de plântulas normais e anormais e de sementes nãogerminadas deve ser de 100. 174 . para o número imediatamente inferior. Quando o resultado de um teste é considerado insatisfatório.50 ⇒ 85% 84. como a variação entre a repetição de maior valor e a de menor valor no teste é de 8.quando o resultado não é confiável.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos . Informação de resultados no Boletim de Análise As porcentagens de plântulas normais. sementes duras (em separado). sementes dormentes e mortas são relatadas em números inteiros.

mascarados pela presença de fungos como Phomopsis para soja e feijão. o desenvolvimento de métodos seguros e rápidos para determinar o percentual de germinação de um lote de sementes em um período de tempo relativamente curto. além do julgamento individual da 175 . TESTES RÁPIDOS PARA DETERMINAR A VIABILIDADE DAS SEMENTES Apesar do teste de germinação ser rotineiramente utilizado para determinar a qualidade fisiológica das sementes. . se o período de germinação for estendido além do indicado. apresenta limitações. Com base nesse princípio. dependendo da espécie. de embriões expostos e a técnica do raio X. danos mecânicos e danos por insetos de um lote de sementes.a porcentagem de germinação obtida dentro do tempo prescrito.qualquer tratamento especial ou método utilizado para promover germinação.1. o que não reflete muitas vezes seu desempenho a campo. como o teste de tetrazólio. . para fins de identificação e comercialização de lotes. . 6. devido a sua rapidez e eficiência para determinar a viabilidade. muitas vezes. Considerando que a tomada de decisões durante o manejo e comercialização das sementes deve ser baseada em diagnóstico de qualidade o mais completo possível e que as informações referentes sobre sua real viabilidade são indispensáveis.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos As seguintes informações podem também ser relatadas: .o segundo resultado obtido quando testes em duplicatas são indicados. tais como: requer períodos de tempo relativamente longos. armazenamento e comercialização. 6. assume grande importância nos programas de produção de sementes. umidade e substrato) apresentando como resultado a capacidade máxima de germinação de um lote de sementes. vigor. apresentando seus resultados. e Fusarium. uma maior eficiência nas operações de colheita. Teste de tetrazólio Apresenta potencial promissor. processamento.temperatura e substratos usados. foram desenvolvidas metodologias para esse fim. para sua realização impedindo. não permite de forma precisa a identificação de fatores que possam vir a afetar a qualidade das sementes. assim. ser conduzido sob condições controladas (temperatura. deterioração por umidade.

frasco de vidros de cor 176 . tem seu emprego ainda bastante limitado para a grande maioria das mesmas.a vácuo e no escuro a reação é mais rápida. Para soja.a reação é favorecida entre os 30-40°C. .5.pré-condicionamento da semente .vidrarias tais como placas de Petri.o reagente sal de tetrazólio .deve estar entre 6. das enzimas desidrogenases envolvidas no processo normal de respiração das sementes que catalizam a reação de redução do sal de tetrazólio nas células vivas. incolor e inodora. Quando a semente é imersa na solução de tetrazólio. no caso.para o preparo das sementes. conhecido como formazan. Soluções ácidas retardam a reação. cuidados especiais devem ser tomados quanto aos fatores que podem afetar a velocidade da reação.1.3. Material e equipamentos Para a realização do teste.temperatura do teste . feijão e milho. as quais podem ser encontradas nas RAS. . . a qual é difusível. ocorrendo nas células vivas a reação de redução que resulta na formação de um composto vermelho. entretanto.o mais empregado é o 2. 6.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos semente em casos de ocorrência de dormência durante o teste de germinação. específicos para essas espécies. .5 a 7. Esses. tais como: . do tecido morto que não respira e que mantém sua cor natural. É um teste bioquímico. tais como cortes para expor o embrião.pH da solução . Essa alteração de coloração reflete a atividade de sistemas enzimáticos. não difusível. essa se difunde através dos tecidos. não devendo ultrapassar os 40°C para que não ocorra a degradação das proteínas. são necessários: . que estima a viabilidade das sementes com base na alteração de coloração dos tecidos vivos do embrião pela redução de um indicador no interior dos mesmos. É um teste rápido e.1.5 Trifenil Cloreto de Tetrazólio (TZ). ocorre uma nítida separação entre o tecido vivo caracterizado pela presença de processo respiratório. como tal. copos de Becker.pressão atmosférica e luz . são realizados rápido e facilmente em sementes previamente embebidas. SOLUÇÃO DE TETRAZOLIO + H+ DESIDROGENASES> FORMAZAN (incolor difusível) (vermelho não difusível) Como essa reação se processa no interior das células e é onde o pigmento se fixa. devido a um intenso trabalho de treinamento e à publicação de manuais de avaliação dos testes. Conhecido desde a década de 40 e já com padronização de sua metodologia para muitas espécies de sementes. sua aplicação tem sido mais ampla.

075 para sementes de soja e feijão-vagem. através do umedecimento lento ou da embebição direta em água. As sementes podem ser pré-acondicionadas.2.lâminas ou bisturi para cortes e/ou estiletes para perfurar as sementes expondo o embrião à ação do TZ.refrigerador para armazenar as sementes após a coloração e antes da avaliação. 177 .lupas ou binoculares com aumento de 5 a 10 vezes e com iluminação fluorescente. . de 16 horas. . também. As sementes são colocadas entre duas folhas de papel substrato previamente umedecido e mantidas num germinador a 20oC por um período.estufas ou germinador com controle de temperatura entre 30-40°C para o desenvolvimento mais rápido da coloração.As sementes provenientes da porção de sementes puras (4 x 100) são pré-acondicionadas. partes da mesma podem ser diluídas pela aplicação de água em quantidade suficiente para atender as concentrações desejadas. 6. embora para a maioria das espécies as RAS da ISTA indicam a concentração de 1%. Metodologia a) Preparo da solução Pode ser preparada diretamente na concentração desejada ou pode ser feita uma solução estoque a 1% de concentração. A técnica do umedecimento lento deve ser utilizada para aquelas espécies que são mais propensas a sofrer danos se submersas diretamente na água. sugere-se o uso de concentrações de 0. Essa solução estoque deve ser rigorosamente mantida em frasco de vidro de cor ambar e em local fresco e escuro para evitar a auto-oxidação.1. Algumas sementes. durante a noite. como as de essências florestais. O pré-umedecimento é necessário preliminarmente à coloração de algumas espécies e altamente recomendado para outras. principalmente em se tratando de sementes pequenas.5%. o amolecimento das sementes. geralmente. Esse procedimento provoca a ativação do sistema enzimático. misturando-se 10 g de sal de tetrazólio em 1000 ml de água destilada. . . beneficiar-se desse tipo de umedecimento. Quando necessário. ornamentais e frutíferas requerem concentrações de 0. . Com base em experiência e devido ao alto custo do sal de tetrazólio. Sementes velhas e secas de diversas espécies podem.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos ambar para armazenar a solução.substrato de papel para o pré-acondicionamento das sementes. b) Amostragem e preparo das sementes Pré-umedecimento das sementes . facilitando seu preparo (cortes) e o desenvolvimento de uma coloração mais nítida e uniforme. ou seja.

geralmente empregado em sementes de gramíneas muito pequenas. Essa quantidade maior de solução dentro das sementes somada a um processo de respiração mais intenso (tecidos em início de deterioração) ocasiona uma redução da solução em proporção bem maior no interior das células. é utilizado o método da coloração direta. pois há a possibilidade dos tecidos mais fracos assumirem coloração mais escura. ervilha e feijão. para semente de algumas espécies de leguminosas (amendoim) e sementes das famílias das compostas e cucurbitáceas e d) excisão do embrião . dificultando a avaliação. O tempo requerido para a coloração varia com a espécie. colorem-se mais rápida e profundamente. no escuro. O embrião é retirado (com o escutelo). nesse método. Esse fato é considerado inclusive como um 178 . Preparo das sementes .: No Brasil.O método de preparo das sementes vai depender das características da espécie em exame.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Na embebição direta em água.pode ser usada para Hordeum. pois as membranas celulares nesse estádio se tornam mais impermeáveis. A cada 10°C de aumento na temperatura. o contato das sementes com a solução não deve ser excessivo. para sementes de soja. Se o período de embebição for maior do que 24 horas. b) perfuração . são colocadas diretamente na solução. Obs. as sementes devem ser completamente imersas e deixadas até a sua embebição completa. permitindo a entrada de uma quantidade maior da solução de TZ. Esse comportamento observa-se também em sementes com início de deterioração ou mais deterioradas. c) Coloração O processo de coloração ocorre pela imersão das sementes na solução de tetrazólio a uma temperatura de 30°C. a água deve ser substituída. e mesmo entre sementes de uma mesma amostra. originando uma coloração mais intensa comparada àquela observada nos tecidos sadios. sem nenhum preparo adicional. após o pré-condicionamento inicial. A coloração é mais rápida em soluções de TZ com concentrações mais fortes. dobra-se a velocidade da reação. se solta do endosperma e é transferido para uma solução de tetrazólio. corte transversal ou incisão transversal das sementes para expor o embrião diretamente à ação do tetrazólio ou facilitar a penetração do mesmo através do endosperma até o embrião sendo que esse procedimento é comum para sementes de gramíneas e coníferas e a posição do corte vai depender do tamanho da semente e da facilidade de sua execução e posterior interpretação do teste. as sementes. Observa-se que as sementes que apresentam os tegumentos danificados. Secale e Triticum. onde a tentativa de um corte pode ocasionar o esmagamento do embrião. sendo que os mais utilizados são: a) corte longitudinal. temperaturas mais altas e no escuro.efetuada após o pré-condicionamento de forma manual ou com auxílio de pinças. portanto. c) remoção dos tegumentos .

um precipitado vermelho no fundo do recipiente. a solução é drenada e as sementes são lavadas com água. as quais são as responsáveis pelo desenvolvimento de uma plântula normal. 5 e 6. Quanto aos tecidos descoloridos. As estruturas da semente e da plântula de feijão e de milho são mostradas nas Fig. 179 . A distribuição entre tecidos vivos deteriorados e mortos nessas áreas é a base para a avaliação do teste sendo. pois a não coloração interna deve-se a uma maior impermeabilidade das membranas celulares à passagem da solução. eixo embrionário. Essa condição indica a morte do mesmo. Os tecidos vivos e sadios apresentam uma coloração vermelha ou rosa brilhante. ainda. O rosa leitoso indica um processo avançado de deterioração. evidências de um período excessivo de contato entre as sementes e a solução de tetrazólio. Durante o processo de coloração. próxima à morte do tecido. a coloração um dos fatores que deve ser cuidadosamente observado. as sementes assim submersas em água podem permanecer no refrigerador por um período de tempo de até 24 horas. o segundo. dependendo do grau de deterioração dos mesmos. Se a avaliação não ocorrer de imediato.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos parâmetro para medir o vigor dos diferentes lotes de sementes. pode ocorrer a formação de uma espuma rósea na superfície da solução ou. O analista deve estar atento para relacioná-la (vermelho ou rosa) à concentração da solução utilizada. b) tecido descolorido (branco) flácido ou hialino que se desestrutura se pressionado. lesões ou necroses localizadas em regiões vitais das sementes. Ela deve permitir uma diferenciação precisa entre os diferentes padrões de coloração em que se encontram os tecidos e identificar a possível natureza das injúrias. Alcançada a coloração ideal. perfeitamente colorida externamente. Isso indica semente viável e de alto vigor. Além da intensidade da coloração e da textura ou turgência dos tecidos. dois casos podem ocorrer: a) permanência da cor natural associada a um tecido turgido . bem como a extensão das mesmas. O primeiro caso indica uma reação do sal com o exsudato das sementes ou com os microrganismos e. portanto. tempo de exposição das sementes à ação do tetrazólio e turgência dos tecidos. Os tecidos deteriorados podem apresentar colorações que variam do vermelho grená a um rosa leitoso. d) Interpretação A interpretação do teste exige do analista um conhecimento das estruturas essenciais das sementes. limpa e uniformemente distribuída. o analista deve estar atento à presença ou não de fraturas. sendo mantidas submersas até o momento da avaliação.ocorre freqüentemente na parte interna dos cotilédones de uma semente de soja vigorosa. O primeiro caso indica um início de deterioração dos mesmos.

2 .hipocótilo. 180 . III . 3 . um cotilédone removido. 4 .Vista interna.plúmula.radícula. 5 .Plântula: 1 .epicótilo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 5 6 3 2 2 4 7 1 1 I II 2 III I . Brasília.cotilédone. II . tegumento removido.folha primária. DF.Estruturas da semente e da plântula nas dicotiledôneas (feijão). 6 – meristema apical. 1996.Vista externa. Figura 5 . 7 .

plúmula. 181 .embrião.Estruturas da semente e da plântula nas gramíneas (milho). 9 .endosperma. 2 . II .pericarpo. 8 . 6 . 5 coleóptilo.escutelo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1 3 5 6 7 1 2 I 4 8 II 9 8 5 6 7 III I . DF.coleorriza.Vista seccionada da cariopse.raiz seminal. 7 .radícula. Brasília. 1996. III . 4 .Plântula: 1 . 3 . Figura 6 .Vista externa da cariopse.

os quais podem interferir no desenvolvimento de uma plântula normal. que no caso da sementes de soja caracteriza-se por estrias vermelho grená ou esbranquiçadas localizadas nas costas ou na superfície dos cotilédones oposta ao eixo embrionário. como a picada de percevejo. tais como: danos mecânicos causados por impactos e abrasões originando traincamentos de localização e profundidade variável as quais são facilmente observadas (Fig.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Além da determinação da viabilidade e vigor esse teste permite. e esse resultado é expresso em 182 . através de uma observação cuidadosa. mostrando danos no eixo embrionário. observado em sementes de milho e causados pela exposição das sementes à baixas temperaturas quando ela apresenta ainda um alto teor de água durante a maturidade. Figura 7 . danos por resfriamento.Corte longitudinal de duas sementes de feijão-vagem. o qual se caracteriza por apresentar a região das folhas primárias esbranquiçadas. ou nesse mesmo eixo. O aparecimento dessas estrias deve-se ao enrugamento dos tegumentos que pressionam os cotilédones devido as sucessivas hidratações e desidratações da semente durante sua permanência no campo. MG. Viçosa. 7). 1996. diagnosticar alguns problemas que a semente pode apresentar. danos por umidade. hialinas e com os tecidos flácidos sendo que a maior parte do embrião apresenta uma cor róseo opaca. e) Informação dos resultados Após computado o número de sementes viáveis em cada uma das repetições do teste é calculada a média em percentagem. danos por insetos.

avaliações diárias devem ser feitas. b) embriões com um ou mais cotilédones apresentando crescimento ou uma coloração esverdeada. Não é válido para sementes germinadas e não deve ser aplicado em amostras que contenham sementes germinadas já secas. Os considerados como não viáveis se 183 . os embriões são colocados sobre papel filtro previamente umedecido e aí mantidos a uma temperatura de 20 a 25oC. para retardar o crescimento de fungos ou bactérias e a acumulação de exsudato da semente. um maior número de horas de trabalho humano quando comparado ao teste de germinação. Teste de embriões expostos O objetivo é determinar. em casos de dormência. treinamento. rapidamente. de acordo com a espécie. Após a embebição das sementes. sendo recomendado uma solução aquosa com 70% de etanol. As variações máximas permitidas entre as repetições é observada pela mesma tabela de tolerância empregada no teste de germinação. O resultado é relatado no Boletim de Análise de Sementes em “Outras Determinações” da seguinte forma: Teste de tetrazólio . Empregado para aquelas espécies que germinam lentamente.2. ligeiramente aumentados. como essências florestais. 6. Serão utilizadas quatrocentas sementes (4 x 100 ou 8 x 50) oriundas da porção semente pura são embebidas por 1 a 4 dias. para esterilizar os instrumentos e a mesa de trabalho. Após sua extração (não devem ser danificados pelo processo e tocados o mínimo possível). ornamentais e frutíferas ou. os embriões são extraídos e mantidos sob condições prescritas apropriadas para a germinação de cada espécie. Durante esse período. a viabilidade de sementes. brancos ou amarelos. diariamente. c) embriões firmes. além de exigir conhecimentos técnicos (estruturas das sementes). os embriões são extraídos com bisturi ou lâmina. ainda. por um determinado período de tempo suficientemente longo para que os sinais de nãoviabilidade se desenvolvam. O processo de embebição deve ser feito em água morna que não exceda 25oC e a água deve ser trocada 2 vezes por dia.. considerando-se como viáveis os embriões que apresentarem as seguintes características: a) embriões germinando. Nesse teste. porcentagem de sementes viáveis. até seu completo entumecimento. por um período de até 14 dias. f) Limitações do teste Consideram-se como limitações o fato do teste não permitir que seja diagnosticado a presença ou não de sementes dormentes e danos causados por produtos químicos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos números inteiros.. em condições o mais assépticas possíveis. com um mínimo de 8 horas de luz.

com forte coloração marrom. a viabilidade de um lote de sementes pode ser determinada. Comparada ao teste de germinação. A vantagem do uso dessa técnica. Os agentes de contraste mais empregados são o cloreto de bário e o iodeto de sódio. sendo determinada pela fórmula: %G= número de embriões viáveis X 100 número de sementes testadas 6. são também computadas as sementes vazias (sem embriões). seguidas de uma fotografia.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos apresentam: a) deteriorados ou envolvidos por fungos.3. resultando sua imagem mais densa na radiografia e. de aparência cinza ou branco hialina. vazias. Os mortos absorvem-nos em maior quantidade devido a uma maior permeabilidade das membranas. O uso dos agentes de contraste auxiliam na interpretação das imagens pois os tecidos vivos e mortos apresentam diferentes capacidades de absorção dos mesmos. danificadas por insetos e danificadas fisicamente através das características morfológicas evidenciadas na radiografia. como: danos mecânicos e por insetos. por conseqüência. podendo a mesma. O resultado é expresso em porcentagem de sementes viáveis em números inteiros. Sementes viáveis são separadas das não-viáveis após um período de embebição em agentes de contraste. dependendo do agente de contraste empregado. vazias. é que não danifica as sementes. ser utilizada em um teste 184 . depois de avaliada. como soluções de sais de metais pesados e outros agentes inorgânicos. além de permitir a identificação de alguns fatores que possam comprometer a qualidade de um lote. entre outros. Nessa classe. em poucas horas e vem sendo bastante empregada para sementes de essências florestais cuja germinação é bastante lenta. trincas ou fissuras. b) deformados ou degenerados. A porcentagem de germinação é baseada no número total de frutos ou sementes testadas e não no número de embriões extraídos. Teste de raio X Os objetivos da radiografia são: a) prover um método rápido e não-destrutivo de diferenciação entre sementes cheias. por essa técnica. b) criar um arquivo fotográfico permanente das proporções de sementes cheias. uma nítida área de contraste comparada aos dos tecidos vivos. É relativamente simples e mostra bons resultados quanto à determinação do potencial de germinação das sementes. onde são utilizados filmes radiográficos e câmeras apropriadas. preta. ausência ou desenvolvimento incompleto do embrião. danificadas por insetos e danificadas fisicamente em uma amostra.

já que seu emprego tem sido na maior parte em essências florestais e arbustos ornamentais. Em observações feitas com sementes inteiras de girassol. Os caracteres a serem comparados podem ser morfológicos. plântulas ou plantas cultivadas no laboratório. % vazias . plântulas ou plantas não-autênticas. observou-se que as diferenças de resultados entre os dois testes não ultrapassava os 5%. efetua-se uma contagem das sementes. 7. depois de radiografadas. câmaras de crescimento ou a campo.2.... VERIFICAÇÃO DE ESPÉCIES E CULTIVARES 7. % cheias . da seguinte forma: “Resultados do raio-X” .. eram levadas a germinar. Para o caso de espécies e cultivares que sejam uniformes em um dos vários caracteres de identificação (espécies autógamas). 7. danificadas fisicamente ou por insetos e informados no Boletim em “Outras Determinações”.. Pesquisas dessa técnica. são necessárias. Os pesos mínimos das amostras médias para os testes de laboratório e de campo são os seguintes: 185 . bem como se o laboratório dispõe de uma amostra padrão autêntica para efetuar a comparação. Princípios gerais A determinação pode ser realizada sobre as sementes. % danificadas por insetos.. Os resultados são expressos em porcentagem de sementes cheias. vazias.% danificadas fisicamente .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos normal de germinação para efeito de comparação. citológicos ou químicos e se usam outros métodos não permitidos na análise de pureza. onde as mesmas. casa de vegetação... Objetivo O objetivo é determinar a extensão pela qual a amostra média de sementes está de acordo com a espécie ou com a cultivar indicada. Essa determinação é valida somente se o remetente da mesma identifica a espécie e o cultivar.1. em sementes de grandes culturas. Para espécies alógamas. fisiológicos. realiza-se uma contagem de todos os indivíduos claramente atípicos e se emite um resultado sobre a autenticidade da amostra em exame. Essa análise deverá ser realizada sempre que os padrões de qualidade da espécie incluírem tolerâncias máximas de outras espécies e outras cultivares. uma variação perfeitamente aceitável quando se trabalha com material biológico.

A coloração das sementes é observada após 4 a 24 horas de tratamento. A intensidade da oxidação é uma característica da cultivar e.000 500 250 100 Campo e laboratório (g) 2. Em aveia e cevada. cevada e algumas forrageiras. Hordeum. as sementes são embebidas em água e. Nesse teste. a seguir. A reação do fenol é muito importante para separar cultivares de trigo. Para a observação das características químicas. por exemplo. aveia. cor. por isso. a luz do dia ou a luz de um espectro limitado como. A coloração se processa devido a algumas enzimas presentes na superfície externa da semente causarem uma oxidação do fenol que mostra uma coloração escura. base da lema.000 1. de acordo com as RAS. e a reação de cada semente anotada.as cultivares se diferenciam à medida em que suas sementes se colorem ao serem tratadas com uma solução de Fenol a 1%.000 500 250 . Teste do Fenol . quando observadas com a luz ultravioleta. Triticum e outras de tamanho semelhante Beta e outras de tamanho semelhante Outros gêneros 7. a cor das sementes. Phaseolus. enquanto que outras não. transferidas para um papel secante onde permanecem de 40 a 60 minutos. 400 sementes (4 x 100) tomadas ao acaso de uma amostra média. pregas da lema e da pálea (cereais). a intensidade da coloração varia de uma cultivar para outra. a luz ultravioleta. Secale. são necessários aparelhos adequados (lupas). Para cevada. A temperatura de 20-30°C é adequada para o trigo. no mínimo. por exemplo. é necessário temperatura mais alta.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Gênero Glycine. Para observar-se os caracteres morfológicos como tamanho e cor das sementes e do hilo (soja) e forma da semente. as sementes 186 Laboratório (g) 1. Lupinus. a amostra de trabalho deverá ser de. as sementes poderão ser tratadas com um reagente apropriado. centeio. Pisum. Antes da avaliação. são colocadas sobre papel filtro umedecido com 5 ml de uma solução de ácido fênico a 1% para trigo e 2% para cevada. Vicia. é em geral útil para a sua identificação. Após. Exame das sementes Para determinar a porcentagem de sementes que está de acordo com a espécie e cultivar indicadas.3. Algumas espécies colorem rapidamente. Zea e outros de tamanho semelhante Avena. para cada um dos casos.

A seguir. até uma baixa atividade (negativa) para outras. e seu regime de separação. a eletroforese tem demonstrado ser de grande aplicação prática e excepcional versatilidade. A peroxidase é uma enzima que está presente no tegumento das sementes de soja e pode apresentar desde uma alta atividade (positiva). as sementes são embebidas em água por 24 horas. Após 1 minuto. A reação será considerada positiva (+) se uma coloração pardo-escura for formada e negativa (-) se não ocorrer nenhuma alteração de cor. Em cada um dos tubos de ensaio que contenham os tegumentos. O interesse nos métodos eletroforéticos para identificação de espécies e cultivares tem aumentado muito durante os últimos anos pois. 1 gota de uma solução de peróxido de hidrogênio (H2O2) de 40 volumes. hábeis de se deslocar quando colocadas em um campo elétrico. Teste de peroxidase . Teste de Lugol . portanto. em laboratório. Esse método está baseado no fato de que moléculas como as de DNA. É importante salientar que nenhum pedaço do embrião ou dos cotilédones deve permanecer aderido aos tegumentos. colocam-se 10 gotas de uma solução de guaiacol a 0.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos necessitam ser lavadas e secas. indica a presença do alcalóide. as quais tinham anteriormente que ser levadas a testes de campo por não ser possível sua identificação apenas através da própria semente. realiza-se a avaliação. Eletroforese . através desse método. A grande maioria dos estudos sobre moléculas de interesse bioquímico e biológico. os tegumentos das sementes de cada cultivar em estudo e esses são colocados em tubos de ensaios separados. Separam-se. lâminas delgadas dos cotilédones são retiradas e colocadas sobre uma superfície branca e. é muito difícil quando se trabalha apenas com os aspectos morfológicos da semente. além da rapidez de resultados. A identificação das diferentes cultivares de soja.Dentro das técnicas de laboratório para identificação da pureza varietal. RNA e proteínas são eletricamente carregadas e. sobre elas. adiciona-se 1 ou 2 gotas da solução de lugol. nessas lâminas. em algumas cultivares.Este teste é bastante utilizado no Brasil. Diferentes cargas elétricas têm sido usadas 187 .utilizado para o gênero Lupinus . envolve pelo menos uma das várias formas de eletroforese. em seguida. O procedimento para esse teste é simples.sementes de algumas cultivares desse gênero possuem um alcalóide e sua presença constitui um elemento de identificação de cultivares quando as sementes são tratadas com lugol.5% por 10 minutos e. A presença de uma coloração marrom avermelhado. inicialmente. tem sido possível identificar as diferentes cultivares ou grupos de cultivares em laboratórios. O método é simples: primeiramente.

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos para separar essas substâncias individuais. Os procedimentos de coloração são acessíveis a um grande número de enzimas promovendo. como um todo. para cada cultivar. por exemplo. É realizada em um equipamento onde o processo eletroforético das diferentes cultivares ocorre em tubos de ensaios individualizados. o gel por inteiro pode ser plastificado e. é necessário que a amostra representativa da cultivar seja colocada em um meio estável que não reaja com a mesma. pode ser armazenado por mais de um ano. pois o processo. Após a leitura ou observação das bandas. O princípio básico é o mesmo para ambos os processos. foi descoberto por Raymond em 1959. componentes estruturais e de materiais de reserva. três métodos para avaliação das bandas de eletroforese: análise espectofotométrica. o qual irá moldar os tubos no gel onde ocorrerá o processo eletroforético. o composto usado para a formação do gel de acrilamida é polimerizado entre duas placas de vidro de formato retangular. ou fotografado e/ou escaneado. Para o sucesso do método de eletroforese. gel de poliacrilamida. os quais devem ser observados por coloração ou espectofotometria. assim. cada cultivar possui um único padrão eletroforético das proteínas ou enzimas. Nesse processo. Essa caracterização ocorre pela formação de bandas que são estáveis e específicas em sua distribuição e intensidade para cada cultivar. a técnica é mais trabalhosa. Requer mais tempo e é mais onerosa. A vantagem dessa técnica é que várias amostras de diferentes cultivares podem sofrer o processo de eletroforese ao mesmo tempo. ou retarde os movimentos das moléculas de proteínas ou enzimas para a formação das bandas. deixando os tubos perfeitamente modulados na acrilamida. Já para o de forma de disco. Os processos eletroforéticos mais empregados pelos diferentes pesquisadores são os de "forma de placas" (horizontal ou vertical) ou de "forma de disco". 188 . esse pente é removido. Após a polimerização. mudando apenas a técnica de preparo do teste. guardado por um determinado período de tempo. sem qualquer alteração dentro do próprio tubo de ensaio. assim. possibilitando refazer apenas uma das amostras em caso de dúvidas (não sendo necessário utilizar muito gel) e de conservação. Geralmente. uma visível observação das bandas ou zimogramas que caracterizam as diferentes cultivares. A vantagem desse método é permitir uma melhor análise das bandas. Há. quimicamente inerte. pelo menos. Esse meio. determinação do valor de Rf e zimogramas. em uma única placa de acrilamida e dentro de um único processo eletroforético. Antes da polimerização. das proteínas que são polímeros de aminoácidos sintetizados biologicamente nas células e que funcionam como enzimas. um perfurador em forma de pente é colocado sobre uma das extremidades da placa inferior. possibilitando a caracterização.

a observação da cor pode ser realizada. As sementes serão colocadas a germinar em 4 repetições de 100. serão examinadas em parte ou em sua totalidade. Na maioria das cultivares de Lolium multiflorum.4. Quando as plantas atingirem um estádio de desenvolvimento adequado. dependendo da quantidade de antocianina presente. pelo menos. os traços de raízes da maioria das plântulas mostra fluorescência sob a luz ultravioleta. 7. Quando as plântulas alcançarem um estádio de desenvolvimento adequado. A coloração pode ser intensificada pelo umedecimento do substrato com uma solução de HCl ou NaCl 1%. as características específicas deverão ser observadas em cada planta e anotadas. Entre os cereais. azevém e milho. nesse caso. Essa característica é mais comum em trigo. Algumas cultivares de beterraba podem ser classificados pela cor da plântula. ou iluminando-se as plântulas com luz ultravioleta por 1 a 2 horas. são transferidos os cotilédones para placas de Petri contendo álcool a 8596% e colocados sobre uma superfície branca. enquanto que para as cultivares de Lolium perene isso não ocorre. Exame das plantas em casa de vegetação ou câmara de crescimento A amostra de trabalho é constituída de um número suficiente de sementes para produzir. (nabo e nabo forrageiro). no mínimo.5. antes de efetuar-se a observação. Plântulas de soja. já consta através da eletroforese o método padrão de referência para a identificação de variedades de trigo. conforme a cultivar. 400 sementes obtidas de forma idêntica que para o exame em sementes. alguns deles podem ser classificados quanto à cor de seus coleóptilos que podem variar da cor verde à violeta. Exame em plântulas A amostra de trabalho para este exame deverá ser também de. com ou sem tratamento adicional. pode-se distinguir as cultivares de polpa branca das de polpa amarela pela cor dos cotilédones. também. apresentam diferenças de cor no hipocólito. são colocadas a germinar no escuro a 20-30°C/5 dias. 100 plantas. A seguir. 7. Para as Brassicas spp. Quatro horas depois.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Nas RAS. ervilha. cevada. As sementes devem ser semeadas em recipientes apropriados e mantidos sob condições necessárias para o desenvolvimento dos caracteres de diagnóstico. porém variações genéticas podem também ocorrer no centeio. 189 . As sementes.

Se. mas a distância entre linhas e entre plantas deverá ser observada para permitir o completo desenvolvimento das características que deverão ser observadas. cultivar ou aberrante encontrado. DETERMINAÇÃO DO GRAU DE UMIDADE 8. Informação dos resultados No Boletim de Análise os resultados devem ser informados sob “Outras Determinações”. deve ser realizada uma contagem das plantas que se reconhece como pertencentes à outra cultivar.7. a informação deve adicionar que “a amostra consiste de uma mistura de diferentes cultivares”. excepcionalmente. Objetivo e importância O objetivo dessa análise é o de determinar o teor de água das sementes por métodos adequados para o uso em análise de rotina. 7. As repetições deverão situar-se em campos diferentes ou em diferentes pontos do mesmo. deve ser informado como porcentagem de cada outra espécie. presentes em uma amostra. O resultado do exame de sementes e/ou plântulas deve ser informado como porcentagem de sementes ou de plântulas estranhas. exceder 15%. Se a proporção de plantas de outras cultivares. 190 . a amostra média deve ser semeada (ao todo ou em parte) com pelo menos 2 repetições junto às parcelas utilizadas como referência. Entretanto. uma amostra de controle de autenticidade não foi testada para comparação. casa de vegetação ou câmara de crescimento o número de sementes. Para laboratório. outra espécie ou aquelas que apareçam como aberrantes. também deve ser declarado. O resultado do exame da parcela de campo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 7. As observações dos caracteres das plantas deverão ser realizadas durante todo o período de desenvolvimento das mesmas.1. é no período que se segue ao espigamento (cereais) ou ao começo da floração (outras espécies) que se manifestam mais claramente as diferenças entre as plantas que pertencem a cultivares diferentes. As parcelas poderão ser de qualquer tamanho. 8. Exame das plantas em parcelas de campo No campo. quando possível. plântulas ou plantas examinadas deve ser declarado. Nessa ocasião.6.

deve ser enviada em recipientes à prova de vapor d'água. os danos que freqüentemente ocorrem nas sementes. A água nas sementes pode se apresentar sob diferentes formas. Portanto. a água é retida na semente com variado grau de força.3. indiretos ou expeditos. conseqüentemente. entre os quais o teor de água ocupa um lugar de indiscutível destaque. O grau de umidade influencia no comportamento da semente quando ela é submetida às mais diferentes situações que acompanham todas as etapas de produção. determinações freqüentes do grau de umidade são necessárias para estabelecer e adotar procedimentos adequados para evitar. desde a água livre até a quimicamente presa. existem vários métodos classificados em básicos. enquanto a água adsorvida é tão fortemente retida que somente é removida com altas temperaturas. A amostra média. tais como: a) água absorvida ou água livre: encontra-se aderida ao sistema coloidal das sementes por meio de forças capilares. é retida por adesão de suas moléculas ao material sólido e c) água de constituição e/ou de composição: faz parte da estrutura molecular. a propriedade de perder ou absorver água. É indesejável remover a água de constituição. dando um valor irreal na determinação do grau de umidade.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A viabilidade das sementes e. ou pelo menos minimizar. para a determinação do grau de umidade. que podem causar a volatilização e decomposição de outras substâncias integrantes da semente. ocupando os espaços intercelulares e poros do material. Formas de água na semente A semente é higroscópica tendo. portanto. de modo a evitar trocas do conteúdo de umidade das sementes com a do ar externo. b) água adsorvida: presa ao sistema pela ação molecular.2. 191 . a água livre é removida rapidamente e facilmente pelo calor. dependendo da umidade do meio em que se encontra. 8. pois envolve quebra de estrutura química. sua maior ou menor longevidade dependem da interação de vários fatores. diretos ou de precisão e rápidos. encontrando-se quimicamente presa aos componentes das sementes e fazendo parte integrante das moléculas que constituem as substâncias de reserva. 8. Métodos para a determinação do grau de umidade Para a determinação do grau de umidade da semente. da colheita à comercialização. Durante a secagem. hermeticamente fechados e completamente cheios. Portanto.

103oC/17 ± 1 hora Brown Duvel e Pipoqueiro Destilação Tolueno Karl Fischer Químicos Pentóxido de fósforo . Os métodos de estufa à baixa e alta temperatura são adotados pelas Regras Internacionais da ISTA. oferecem resultados mais precisos. sendo que a variação máxima permitida entre elas é de 0. Caso a variação ultrapasse esse valor. a umidade é retirada da semente por aquecimento e medida pela perda de peso ou por processos químicos. sendo indicado para todas as espécies de sementes 192 . arroz. A moagem é indicada para sementes grandes. A pré-secagem é obrigatória nos testes com moagem em sementes com grau de umidade acima de 17% (ou 10% no caso da soja e 13% para arroz). entretanto é o mais utilizado no Brasil. através da perda de peso da amostra.3. diretos ou de precisão São usados principalmente em laboratórios de análise de controle de qualidade. etc. O objetivo da pré-secagem é reduzir o teor de água das sementes para facilitar a moagem. sorgo.2%.1. Métodos Estufa Estufa a 105oC/24 horas Estufa à alta temperatura . porém de processamento mais demorado. Nesses métodos. São também utilizados para calibrar e aferir determinadores que operam por métodos indiretos. algodão.130oC/1 a 4 horas Estufa à baixa temperatura . feijão. Duas repetições por amostra deverão ser analisadas. O método da estufa a 105oC não consta nas RAS internacionais. trigo. Métodos básicos. ervilha.Métodos de estufa Os métodos de estufa baseiam-se na secagem de uma amostra de sementes de peso conhecido e no cálculo da quantidade de água. a menos que seu alto conteúdo de óleo torne difícil essa operação. para as quais a moagem é obrigatória: soja. Esses métodos são indicados com moagem obrigatória para algumas espécies relacionadas nas RAS e a passagem por peneiras de diferentes crivos. Exemplos de algumas espécies. girassol. milho.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 8. duas novas repetições devem ser avaliadas.

M1).089 4.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos utilizando sementes inteiras e a diferença entre as duas repetições não deve exceder a 0. Quando for realizada a pré-secagem.666 27.697 x 100 = 15. o peso requerido para as repetições depende do diâmetro do recipiente: diâmetro menor que 8 cm deve ser utilizado de 4 a 5 g de sementes.834 31. S2 é a % de umidade perdida no segundo estágio.2%.622 x 100 = 15. O cálculo da porcentagem de umidade deve ser realizado utilizando a seguinte fórmula: U = (M2 .307 Umidade (%) 15.089 31.18 % de umidade (A) = (31.577 % de umidade (B) = (31. 193 . onde: M1 é o peso em gramas da cápsula. Exemplo: Identificação da repetição A B No da cápsula 61 62 Peso da Peso da cápsula + cápsula semente úmida 27. diâmetro de 8 cm ou maior 10g.22 31. M2 é o peso em gramas da cápsula mais a semente úmida. O S1 e o S2 são calculados de forma semelhante à determinação de umidade na primeira fórmula.2%.31.666 .666 .22 . pela fórmula: U = S1 + S2 .15.27.929 . onde: 100 S1 é a % de umidade perdida no primeiro estágio.18 = 0.30.307) X 100 31. portanto o resultado a ser informado é de 15.5%. Para os métodos de estufa.095 15. o teor de água é calculado usando-se os resultados obtidos no primeiro (pré-secagem) e segundo estágios do procedimento.834 = 0.M3) x 100/(M2 .S1 x S2.929 Peso da cápsula + semente seca 30.04 a diferença entre as repetições não excedeu a 0.27.929 .22 15.969) X 100 = 0.969 31. M3 é o peso da cápsula mais a semente seca.18 4.

juntamente com determinada quantidade de óleo vegetal comestível (preferencialmente de soja). Esses determinadores apresentam como vantagens a rapidez. em cerca de 15 a 20 minutos. sorgo Amendoim com casca. no entanto. colocando-se essa porção de sementes no frasco de vidro (Erlenmeyer). controle durante a secagem. levam em conta a temperatura das sementes no momento da determinação. Quando a temperatura do óleo alcançar a temperatura indicada para a espécie. girassol. A água volatizada é condensada e recolhida numa proveta graduada. sob a qual acende-se uma fonte de calor. Métodos práticos.Método de destilação Este método é recomendado para espécies que contêm substâncias extremamente voláteis. Todos os métodos. Dole 400. Como desvantagens. café em coco Temperatura de desligamento 175oC 180oC 185oC 190oC 195oC 200oC 8. soja Cacau Centeio Café beneficiado. pois esse valor influi tanto na condutividade como nas propriedades dielétricas. milho. etc.: Universal. mas utilizados rotineiramente quando há urgência para obtenção dos resultados. apresentam resultados menos precisos que os obtidos com os métodos básicos e necessitam de constante aferição com um método básico para que os resultados sejam confiáveis e alto preço do equipamento.3. Steinlite. não são precisos. armazenamento. Ex. 8). isto é. trigo Arroz sem casca. etc. desliga-se a fonte de aquecimento (Fig. são baseados em propriedades das sementes relacionadas ao seu conteúdo de água como. 194 . cevada. utilizam-se 100 g de sementes inteiras. amendoim descascado. Geralmente. Cereal Feijão. facilidade de operação e permitem leitura direta. em quantidade suficiente que cubra as sementes. Burrows. a condutividade elétrica e as propriedades dielétricas. a leitura direta do volume condensado fornece o grau de umidade das sementes. a correção pode ser feita automaticamente pelo próprio aparelho ou com a utilização de tabelas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos .2. aveia. por exemplo. determinação do ponto de colheita. arroz em casca. indiretos ou expeditos Os métodos práticos não avaliam diretamente o teor de água. A operação é simples. Colocando-se 100 g de sementes.

Os aparelhos baseados na condutividade elétrica mostram resultados satisfatórios quando as sementes apresentam de 7 a 23% de umidade. 3 .Termômetro (200oC). Figura 8 . 9 . Em níveis 195 . 11 . 2 .Rolha de borracha.Câmara de condensação (30 cm x 13 cm). 8 .Fonte de calor. 4 .Determinador de umidade por destilação.Proveta graduada.Tubo de conecção. 10 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4 3 5 6 7 8 2 9 1 11 10 1 . 6 . 5 .Suporte para câmara de condensação. 7 .Tubo curvo.Frasco Erlenmeyer (500 ml).Tubo de condensação.Suporte para a fonte de calor.

se a umidade for determinada com as sementes ainda quentes. .1 Desvio máximo 0. Estão menos sujeitos aos erros resultantes da má distribuição do teor de água nas sementes e podem testar com maior precisão as que possuem muito alta ou muito baixa umidade. dentro dos limites observados. durante o manejo das sementes (7 a 25%). essas apresentam-se com a superfície seca e úmidas internamente e o determinador de umidade registra então um baixo teor de água. visto que o aparelho mede a resistência elétrica das superfícies mais secas da semente.4 196 . Durante o processo de secagem.1 0.4 0. Exemplo Aferição do determinador de umidade infravermelho METTLER LP 15 comparativamente ao método da estufa a 105oC/24 horas.1 0.uniformização da umidade. determinando erros. Umidade obtida Escala do aparelho infravermelho 12 (160oC) na estufa (%) Desvio de umidade (%) Diferença repetições (%) 8. acima de 23%. Os aparelhos baseados nas propriedades dielétricas apresentam algumas vantagens sobre aqueles baseados na resistência elétrica.2 22.4 . dentro da seguinte sistemática: . O determinador de umidade Universal é baseado na condutividade elétrica e somente haverá uma indicação satisfatória da umidade quando essa estiver bem distribuída.3 0.3 16.2 10. para sementes de arroz.3.2 .realizar determinações de umidade simultâneas no equipamento a ser aferido e na estufa. . a água é fortemente retida pelos colóides e.1 18. Aferição de determinadores de umidade A aferição dos determinadores de umidade deve ser realizada em nível de cada laboratório e para cada espécie.utilizar amostras com teores de água diferentes. embalagem hermética .1 0.6 + 0.3 13.0 + 0. 8.48-72 horas.2 + 0. Os fatores limitantes para o seu uso estão relacionados com o alto custo e a dificuldade na regulagem e alinhamento entre os diversos tipos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos inferiores a 7%.2 0.0. a condutividade cresce consideravelmente.3. Esse erro será evitado se as sementes forem mantidas em repouso por algum tempo.9 + 0.0.os teores de água podem ser obtidos através de secagem ou umedecimento. .

com contadores mecânicos. O peso médio de 1000 sementes.1. exceder aos limites mencionados. como segue: Variância (V) = n (∑ x2) . Pesa-se diretamente toda a porção semente pura da análise de pureza e conta-se a seguir o número de sementes existentes nessa porção com o auxílio de uma máquina contadora. 9. o desvio padrão e o coeficiente de variação dos valores obtidos nas pesagens. ao contrário. Contam-se ao acaso. 8 repetições de 100 sementes provenientes da porção semente pura. a seguir. Dá uma idéia também do estado de maturidade e sanidade das sementes. nesse caso.)= x = peso de cada repetição n = número de repetições Σ = somatório variancia S _ x100. Metodologia Esta determinação pode ser realizada de duas maneiras: 1.1) Desvio padrão (S) = Coeficiente de variação (C. o resultado dessa determinação será obtido multiplicando-se o peso médio das 100 sementes por 10.2.V. pesam-se mais 8 repetições e calculam-se 197 . onde: X X = peso médio de 100 sementes Se o C. essas repetições em separado e calcula-se a variância. não exceder de 6% para sementes consideradas como palhentas ou 4% para as não-palhentas. é então obtido através da fórmula: Peso de 1000 sementes = Peso da amostra x 1000 No total de sementes 2.V.(∑ x)2 n (n . Objetivo A determinação do peso de 1000 sementes determina o peso médio de 1000 sementes que é geralmente utilizado para o cálculo da densidade de semeadura e a determinação do peso da amostra de trabalho para análise de pureza de espécies novas que não constam ainda nas RAS. Pesam-se. DETERMINAÇÃO DO PESO DE SEMENTES 9. Se.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 9.

24 x6 24.994.1) Cálculo do desvio padrão: S = √ 0.17 x4 25.47 = 24. o resultado é expresso em gramas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos novamente a variância e o desvio padrão.23 x2 25. o peso de 1000 sementes será: X x 10 = 24.83 Cálculo do peso médio de 100 sementes: X = 197.8 g.40 = 0. Exemplo: Feijão Repetições x1 Peso (g) 25.635 Cálculo do coeficiente de variação: C. com o número de casas decimais usado na determinação e os resultados informados no Boletim de Análise sob “Outras Determinações”.V.635 x 100 = 2.68 x 10 = 246. 9.68 (que é o limite do coeficiente de variação para sementes não palhentas) Portanto. = 0.3. 198 .00 x5 24.35 x8 23.403 8 (8 .92 x7 24.12) . desprezam-se todas as repetições cujos pesos divergiram da média (A) mais do que o dobro do desvio padrão obtido. Feito isso calcula-se a nova média das repetições restantes e multiplica-se a mesma por 10.71 x3 24.38. agora sobre 16 repetições.57% < 4% 24. Informação dos resultados Para ambos os casos.403 = 0.68 g 8 Cálculo da variância V = 8 (4877. Após o cálculo da variância e do desvio padrão. Não é necessário calcular novamente o coeficiente de variação.

A determinação do peso hectolítrico é realizada com o auxílio da balança hectolítrica. DETERMINAÇÃO DO PESO VOLUMÉTRICO 10. São usadas para essa análise 2 repetições. 199 . cuja capacidade pode ser de ¼ de litro (Fig. principalmente para trigo. arroz etc. É realizada em laboratório. Se esse volume for um hectolitro e o peso for expresso em quilograma. Procedimento Como o peso hectolítrico de uma amostra varia de acordo com o seu grau de umidade. já no segundo a leitura é direta.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 10. centeio. Para o primeiro caso. cevada. essa determinação é denominada de peso hectolítrico. utilizam-se tabelas de conversão. 10). deve-se realizar essas determinações simultaneamente. retiradas da amostra média e enviadas ao laboratório em recipiente hermético. Definição Corresponde ao peso de um determinado volume de sementes.1. triticale.2. 9) ou de 1 litro de sementes (Fig. 10. Figura 9 .Balança hectolítrica de ¼ de litro.

devido ao alto custo do equipamento. Cálculo e informação dos resultados Após a pesagem. 200 .5 kg/hl. ainda. são bastante utilizadas.5 kg/hl. Repetir a determinação se a diferença entre as repetições exceder 0. entretanto. 10.Balança hectolítrica de 1 litro. com uma casa decimal. Já existem disponíveis no mercado “balanças eletrônicas digitais” para medição do peso hectolítrico. o resultado será a média das pesagens e expresso no Boletim de Análise em kg/hl. se a diferença entre as duas repetições não exceder 0.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Figura 10 .3. as balanças manuais.

11.8 kg/hl. Repetição A B Diferença entre 77. Média das pesagens = 76.40 = 0. Peso (kg/hl) 77.40 Diferença entre 73. Repetição A B Peso (g) 185. Resultado a ser informado = 73. No entanto.5 Peso (kg/hl) 73.5 kg/hl. .8 Resultado a ser informado = 76.0 76. as sementes tratadas com pesticidas não são revestidas e devem ser testadas de acordo com os métodos constantes em outros capítulos. individualmente. de modo a tornar impraticável a distinção entre sementes individuais e material inerte.1. As sementes podem ser revestidas através de uma ampla variedade de materiais. Média das pesagens = 73.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Exemplo: Amostra média de trigo. Definições Sementes pelotizadas . Objetivo O objetivo é adquirir informações que possam ser reproduzíveis sobre o valor agrícola de sementes revestidas. TESTE DE SEMENTES REVESTIDAS 11.2. em unidades distintas como nas pelotas ou espaçadas em tiras ou lâminas.5 kg/hl.5 kg/hl.Balança de 1 litro (obtemos resultados mais precisos e reproduzíveis).Balança de ¼ de litro.5 11. normalmente contendo uma única 201 . .5 = 0.0 e 76.25 kg/hl.0 184.65 73. sem destruir as estruturas apresentadas para análise.unidades aproximadamente esféricas desenvolvidas para semeadura de precisão ou uniforme.65 e 73.

utiliza-se o peso do material contendo aproximadamente 400 sementes. pode conter pesticidas. não resultando em uma mudança significativa de tamanho. TESTE DE SEMENTES POR REPETIÇÕES PESADAS 12. O teste com repetições pesadas é restrito a espécies arbóreas com sementes extremamente pequenas (Betula e Eucalyptus). corantes e outros aditivos. Avaliações As avaliações. determinação do número de outras sementes.sementes nas quais somente pesticidas. além do material granulante.1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos semente cujo tamanho e formato original nem sempre ficam evidentes. 11. O grânulo.unidades de aproximadamente o mesmo formato da semente com o tamanho e o peso alterados em maior ou menor grau. pode conter pesticidas. para sementes revestidas. fungicidas. 12. além do material aglomerante.fitas estreitas de material como papel ou outro material degradável. são: análise de pureza. O material utilizado para incrustação pode conter pesticidas. Sementes em fitas . com sementes espaçadas aleatoriamente.unidades mais ou menos cilíndricas. teste de germinação. corantes ou outros aditivos. determinação do peso e classificação do tamanho das sementes pelotizadas. 202 . em grupos ou em uma única linha. corantes ou outros aditivos foram aplicados. Objetivo O objetivo do teste é determinar o potencial máximo de germinação de um lote de sementes. incluindo tipos com mais de uma semente juntamente envolvidas. Sementes em lâminas . com sementes dispostas em linhas. Sementes incrustadas . corantes ou outros aditivos. formato ou peso da semente original e que podem ser testadas de acordo com os métodos prescritos em outros capítulos. para tanto.largas lâminas de material como papel e outros materiais degradáveis. Sementes tratadas . Sementes em grânulos . A pelota.3. grupos ou aleatoriamente na lâmina.

2. comparação com padrões estabelecidos e ainda com a finalidade de uma maior homogeneidade nas avaliações. qualquer outra semente presente no lote. acima do qual. deve ser relatado. juntamente com o peso examinado. Entretanto. onde são realizadas análises em amostras representativas de lotes de sementes. identificando e removendo. As repetições são semeadas sobre o substrato e germinadas sob as condições indicadas nas RAS. Tolerância é. quando essa diferença entre resultados estiver acima dos limites de variação estabelecidos para as condições em que foram executados os testes. ela será considerada como real e significativa. Deve-se determinar se as sementes pertencem à espécie declarada pelo remetente. 203 . As Regras para Análise de Sementes (RAS) apresentam inúmeras tabelas para os mais diferentes casos de comparação de resultados recomendando. Quatro repetições do peso indicado para espécie são obtidas da amostra de trabalho. por um mesmo analista ou não. tanto quanto possível. 12. pois. O nome e o número dessas outras sementes encontradas. para os procedimentos de rotina. Informação dos resultados O resultado é relatado como o número de plântulas normais em relação ao peso total de sementes examinadas. toda amostra de trabalho deve ser examinada por completo.3. o limite máximo de variação permitido entre duas determinações realizadas em circunstâncias específicas e. obtidos com sementes oriundas de uma mesma amostra média ou de diferentes amostras médias de um mesmo lote.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 12. independentemente se os testes são realizados dentro de um mesmo laboratório. uma variação entre seus resultados é esperada e até admitida quando se comparam os mesmos. através de um dos métodos de amostragem apropriado. TOLERÂNCIAS Nos procedimentos de rotina de laboratório. 13. a diferença é considerada significativa. Metodologia Em razão das dificuldades da realização da análise de pureza.

O progresso de deterioração pode ocorrer antes que sejam detectadas mudanças na germinação do lote e a maior limitação do teste de germinação é a sua inabilidade para detectar essas mudanças. tem sido fundamentalmente baseada no teste de germinação. Sua metodologia é padronizada e seus resultados reproduzidos dentro e entre laboratórios. Diante disso. o qual é de grande utilidade prática para esse fim. Aspectos do desempenho do lote de sementes associado com o vigor da semente incluem: .taxa e uniformidade da germinação da semente e crescimento da plântula. foram desenvolvidos testes que retratam o comportamento das sementes sob uma ampla faixa de condições ambientais. denominados testes de vigor. . para fins de semeadura e comercialização de lotes. .1. taxa e uniformidade da emergência das plântulas. por ser realizado em condições ideais e controladas raramente encontradas no campo. A queda do poder germinativo é a conseqüência prática final da deterioração. não é muito sensível para detectar diferenças de qualidade entre lotes de sementes com alta germinação. Lote de semente com “alta germinação” é aquele que não apresenta dormência e tem o resultado do teste de germinação aceito para comercialização (ex. particularmente a manutenção da capacidade de germinação. No entanto. 14. Lote de semente de “alto vigor” é aquele que é potencialmente capaz de um bom desempenho. assim. indicando com maior segurança o potencial fisiológico dos lotes. Definições Vigor de sementes é um indicativo da magnitude da deterioração fisiológica e/ou da integridade de um lote de sementes de alta germinação e que prevê a sua habilidade de se estabelecer em uma ampla faixa de condições ambientais. houve a necessidade de uma estimativa mais segura do potencial fisiológico das sementes. VIGOR A avaliação da qualidade fisiológica das sementes. Como conseqüência das limitações do teste de germinação. mesmo em condições sub ou supra-ótimas para a espécie.desempenho após armazenamento. 204 .: >90% de plântulas normais para milho).desempenho no campo incluindo. Lote de semente de “baixo vigor” é aquele que somente apresenta um bom desempenho em condições próximas à ótima para a espécie.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 14. os resultados desse teste são freqüentemente inferiores aos obtidos no campo e/ou desempenho no armazenamento.

condutividade elétrica. Testes de vigor O objetivo do teste de vigor em sementes é fornecer uma informação sobre o potencial de campo e/ou desempenho no armazenamento de lotes de sementes com alta germinação.tetrazólio da camada de aleurona.teste de frio.teste de deterioração controlada. e outros apresentam poucas condições de virem a ser usados. .2. .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 14. Indicam uma separação consistente de lotes de sementes com alta germinação referente ao seu potencial de desempenho. como os mais convenientes no momento: ISTA: . . a ISTA (Perry. bioquímicas e de resistência). . Embora um grande número de testes tenham sido desenvolvidos e propostos para avaliar o vigor das sementes. alguns apresentam maior possibilidade de uso. Testes de vigor são usados.classificação do vigor de plântulas. AOSA: .classificação do vigor de plântulas. uma diferenciação que nem sempre pode ser identificada pelo teste de germinação. 1981) e a Associação Oficial de Analistas de Sementes (AOSA. maior ou menor. Baseados nessas possibilidades de uso. 205 . inclusive com maior perspectiva de padronização. .taxa de crescimento de plântulas. . .teste de frio. . 1983) destacam os seguintes testes de vigor.taxa de crescimento de plântulas.teste de tijolo moído ou de Hiltner & Ihssen. .envelhecimento acelerado.tetrazólio.germinação à temperatura subótima.condutividade elétrica. visto que esses avaliam características diferenciadas das sementes (físicas. . pelo menos dentro de uma mesma espécie. . .envelhecimento acelerado.tetrazólio. . para fornecer um índice mais sensível da qualidade da semente que o teste de germinação. A utilização de mais de um teste é necessária para informar sobre a qualidade das sementes. fisiológicas. . principalmente.

Entretanto.seleção de cultivares com qualidade fisiológica elevada.avaliação do potencial de armazenamento. Uma das razões para avaliar o vigor é determinar o valor real do lote de sementes. Existem grandes evidências de que dentro de um mesmo laboratório o envelhecimento acelerado. não basta aos testes de vigor apresentarem possibilidade de padronização de metodologia e dos resultados.avaliação do potencial de emergência das plântulas no campo. Embora nenhum dos métodos existentes atualmente atenda todas essas características. interpretação e correlação com a emergência sob certas condições. . . objetividade. Se as condições de campo são próximas do ótimo. durante programas de melhoramento genético.controle de qualidade pós-maturidade. fornecendo maior precisão e reprodutibilidade dos resultados. . alguns testes têm se mostrado úteis em vários aspectos: . O resultado do teste de frio de 85% não quer dizer que 85% das plântulas irão sobreviver no campo. bem como na interpretação dos resultados obtidos. simplicidade e viabilidade econômica. como rotina para a indústria sementeira tem evoluído à medida que os testes disponíveis vêm sendo aperfeiçoados. pelo teste de frio. embora muitos deles se correlacionem bem com a emergência a campo. o que é de extrema importância na tomada de decisões pelo sistema de produção e comercialização. . .avaliação do grau de deterioração. Esses testes apresentam grandes perspectivas de uso no controle da qualidade. . é mais provável de apresentar uma boa emergência no campo sob condições de estresse que um lote de sementes com a germinação após o teste de frio de 70%. Entretanto. Vários autores são unânimes em afirmar que os testes devem apresentar características tais como: reprodutibilidade dos resultados. rapidez. o comportamento dos lotes provavelmente serão comparáveis. 206 . a condutividade elétrica e o teste de frio mostram alto grau de padronização e reprodutibilidade em relação às metodologias. tendo em vista se seus resultados forem usados em decisões internas da empresa produtora de sementes. Esses testes não são utilizados para predizer o exato número de plântulas que irão emergir e sobreviver no campo. Não se pode deixar de reconhecer que a avaliação do vigor de semente. informa que o lote de sementes com 85% de germinação. Os testes de vigor têm apresentado uma grande contribuição ao sistema de produção de sementes. tendo em vista evitar o manuseio e comercialização de sementes de qualidade inadequada.detectar diferenças de qualidade fisiológica de lotes com germinação semelhante.seleção de lotes para semeadura.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Testes de vigor obviamente são usados para muitos propósitos.

onde deverão ser realizadas as anotações referentes às condições do teste e informação dos resultados.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos . que influenciam na quantidade de eletrólitos liberados pela semente. 207 . Ainda durante esse processo. estão o desenvolvimento. menor será a quantidade de eletrólitos liberados. verifica-se a habilidade de reorganização e reparação de danos das membranas celulares. cuja intensidade depende do estado de desorganização das membranas. mais rapidamente essas irão reparar danos. Quanto maior o vigor das sementes. entre os seus objetivos principais. Quanto maior a capacidade de restabelecimento da integridade da membrana celular. a liberação de eletrólitos de sementes de alto vigor será menor do que as sementes de baixo vigor. Variabilidade nos resultados do lote de sementes testemunha fornece um indicativo de pequenas flutuações nas condições do teste (ex. Ambos os comitês estão preocupados com a uniformização dos procedimentos dos testes e vão adotar medidas para que as duas organizações atuem harmoniosamente.marketing e promoção de vendas.2.2. Princípios gerais Na condução dos testes de vigor. Os testes de vigor requerem uma verificação mais rígida das condições do teste que o de germinação e necessita ser incluído um lote de sementes testemunha. .identificação ou diagnóstico de problemas. há liberação de solutos citoplasmáticos. Assim. Também.1. inclusive de grande extensão. Os comitês da ISTA e da AOSA concordam que. através de treinamento adequado para assegurar a uniformidade nos procedimentos.: temperatura. é necessário o treinamento do pessoal visando a uniformidade dos procedimentos. É aconselhável que os laboratórios possuam um Manual de Qualidade dos procedimentos. 14. Durante o processo de embebição. avaliação e interpretação. 14. umidade da semente) que podem afetar significativamente a segurança dos resultados. refinamento e padronização dos métodos para os testes de vigor e a elaboração de material educacional pertinente para vigor de sementes. ao contrário das de baixo vigor. educando analistas. utilizam-se sementes da porção semente pura da análise de pureza.2. Teste de condutividade elétrica O teste está baseado na relação existente entre o vigor de sementes e a integridade do sistema de membranas celulares. para proporcionar um controle de qualidade interno da uniformidade do teste de vigor. para condução dos testes de vigor.

. . Nesses equipamentos.O aparelho deve ser calibrado com uma solução de cloreto de potássio (KCl). é feita a leitura. antes de colocar as sementes. Nesta solução. . O teste pode ser realizado de duas formas: através do sistema de condutividade de massa (bulk) ou do emprego de células individuais. de cada lote.01g). Remoção gradual dos recipientes (10-12) que permita a leitura da condutividade. . .273µs/cm ou µmhos/cm a 20oC.Verificar a limpeza do equipamento. lotes de sementes com umidade inferior a 10% ou superior a 14% devem ter sua umidade ajustada. a medida da condutividade é expressa em µamps. num período máximo de 15 minutos. agitar cuidadosamente os frascos. o aparelho deve marcar 1. com a diferença de que. antes de serem colocadas nos recipientes com água. Após o período de embebição (24h/25oC). nesse caso.Exatamente 250ml de água deionizada ou destilada deve ser colocada em recipientes de 500ml. Na análise de semente individual. Todos os frascos devem ser tampados com folhas de alumínio ou filme plástico. o procedimento é o mesmo utilizado para o sistema de massa.A umidade do lote de sementes deve ser determinada antes do teste e estar entre 10-14%. se exceder a esses valores. as sementes são colocadas numa bandeja com 100 células individuais. A condutividade da água deionizada ou destilada deve ser medida e não pode exceder a 2µs/cm a 20oC para água deionizada e a 5µs/cm a 20oC para água destilada. para prevenir contaminações. para garantir a imersão de todas as sementes. usando-se um analisador automático-eletrônico (ASA-610 e ASAC-1000). não pode ser utilizada.Quatro repetições de 50 sementes devem ser retiradas da porção semente pura. e pesadas com precisão de duas casas decimais (0. às quais adicionam-se de 2 a 3ml de água deionizada. . ao final das 24 horas de imersão. para monitorar a qualidade da água.O condutivímetro deve ser ligado pelo menos 15 minutos antes do início 208 . Metodologia para o teste de condutividade de massa para sementes de ervilha . sem a necessidade de equipamentos complexos ou treinamento especial de pessoal.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O teste de condutividade proporciona uma rápida e objetiva medida do vigor da semente e pode ser facilmente conduzido para a maioria das espécies rotineiramente analisadas nos laboratórios.A condutividade do lote de sementes controle deve estar entre 25-29 µs/cm/g. . a temperatura da água deve ser mantida a 20oC (por aproximadamente 24 horas).Todos os recipientes devem ser novamente recobertos por folhas de alumínio ou filme plástico e mantidos à temperatura de 20oC ± 1oC por 24 horas. Dois recipientes contendo somente água deionizada ou destilada devem ser incluídos.

Dois recipientes contendo 400 a 600ml de água deionizada ou destilada devem ser utilizados para enxaguar o eletrodo entre cada leitura. elas devem ser removidas. 30 a 43µs/cm/g . 25 a 29µs/cm/g .lote não é próprio para semeaduras precoces.A condutividade por grama de semente para cada repetição é calculada pela seguinte fórmula: condutividade (µs/cm) para cada recipiente = µs/cm/g peso (g) da amostra de sementes A média das quatro repetições informa o resultado do teste. a condutividade da solução deve ser medida imediatamente. essa repetição poderá ocasionar a saída das faixas de tolerância.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos das leituras. usando água deionizada ou destilada e secá-lo com papel de filtro. secadas e pesadas e o peso subtraído do peso inicial das 50 sementes da repetição. enxaguar o eletrodo duas vezes.lote pode ser semeado precocemente. citados no Seminário de Testes de Vigor realizado em Copenhagen. A condutividade da água de enxague deve ser ≤ 2µs/cm para água deionizada e ≤ 5µs/cm para água destilada.nenhum indicativo de que o lote seja impróprio para semeaduras precoces ou sob condições adversas. As leituras devem ser realizadas a 20oC. O recipiente contendo as sementes deve ser cuidadosamente agitado por 10 a 15 segundos.Após o período de embebição de 24 horas. quando o valor estabilizar. especialmente sob condições adversas. Dinamarca. indicam os seguintes índices para a interpretação dos resultados de lotes de sementes de ervilha: < 25µs/cm/g . a amostra deve ser retestada. . gerando a necessidade de um novo teste. aumentando acentuadamente a condutividade da amostra. Se a condutividade para as 4 repetições diferir mais que 5µs/cm/g (mais baixo ou mais alto). Matthews e Powell (1981). Após a leitura da repetição. . em 1995. antes de avaliar a próxima repetição. O valor obtido com o teste de condutividade de massa de sementes representa a média da condutividade de quatro repetições de 50 sementes. . > 43µs/cm/g . assim. 209 . essa causará uma excessiva liberação de eletrólitos. já anotado para cada recipiente. mas há risco de baixo desempenho sob condições adversas. Se uma única semente apresentar um severo dano.Medir a condutividade da água deionizada ou destilada do recipiente controle a 20o ± 1oC e subtrair esse valor da leitura de condutividade. Se sementes duras forem observadas durante o teste.lote impróprio para semeadura.

por diferentes períodos. as sementes são expostas a condições adversas de alta temperatura (40 a 45oC) e umidade relativa (próxima a 100%). Culturas Peso Temperatura Períodos Umidade das sementes sementes após envelhecimento1 o (g) ( C) (h) (%) Recomendação Soja 42 41 72 27-30 Sugestão Alfafa 3. antes de submetê-la ao teste de germinação (Tabela 3).2. Pesquisas adicionais têm mostrado que esse teste de vigor correlaciona-se. dependendo da espécie.3. com a emergência a campo. com o estabelecimento de estande para um grande número de espécies.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 14.5 41 72 38-41 Feijão mungo 40 45 96 27-32 Cebola 1 41 72 40-45 Pimenta 2 41 72 40-45 Trevo vermelho 1 41 72 39-44 Azevém 1 41 48 36-38 Sorgo 15 43 72 28-30 Girassol 20 45 72 23-27 Festuca 1 41 72 47-53 Fumo 0. também.5 41 72 40-44 Feijão 42 41 72 28-30 Colza 1 41 72 39-44 Milho 40 45 72 26-29 Milho doce 24 41 72 31-35 Alface 0.2 43 72 40-50 Tomate 1 41 72 44-46 Trigo 20 41 72 28-30 1 O teste deve ser repetido quando as umidades das sementes forem superiores ou inferiores a essas. Lotes de sementes com alto vigor irão resistir a essas condições extremas e deteriorar a uma taxa mais lenta (germinação após o envelhecimento acelerado mais alto) do que lotes de sementes de baixo vigor.Variáveis recomendadas e sugeridas para o teste de envelhecimento acelerado (método gerbox) (Tekrony. 210 . Teste de envelhecimento acelerado O teste de envelhecimento acelerado foi inicialmente desenvolvido para estimar a longevidade de sementes em condições de armazenamento. Tabela 3 . No teste de envelhecimento acelerado. 1995).

Um mínimo de 200 sementes. 11). Figura 11 . as sementes a serem envelhecidas não devem ser tratadas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A utilização do “método da câmara” tem causado a obtenção de resultados variados e de difícil padronização.Os gerbox e as telas devem ser lavados numa solução de hipoclorito de sódio a 15% e secos após cada uso.Colocar 40 ml de água deionizada ou destilada em cada gerbox e uma tela onde são distribuídas as sementes. .Utilizam-se caixas plásticas (gerbox) como compartimento individual (minicâmara). . são colocadas na superfície da tela (uma camada). De preferência. para prevenir contaminação por fungos. . . determinadas com base no peso. . 211 .3oC).Caixas plásticas (gerbox) para o teste de envelhecimento acelerado. Por isso. Metodologias para o teste de envelhecimento acelerado (método gerbox) para sementes de soja . o “método de gerbox”. está sendo mais recomendado (Fig. a não ser as sementes comercializadas com tratamento fúngico.Testar a temperatura da câmara (41 ± 0. devido à maior precisão e facilidades para padronização.Determinar a umidade inicial da semente (10-14%). Evitar o contato da água com a tela.

após a remoção das amostras da câmara. retirar uma pequena amostra de aproximadamente 20 sementes do gerbox da amostra controle e pesar imediatamente.4. Aqueles lotes de sementes com porcentagem de envelhecimento maior que 80 serão classificados como de alto vigor. onde são realizadas contagens diárias das plântulas emergidas em cada dia. em porcentagem.A porta da câmara de envelhecimento não deve ser aberta durante o período de exposição. são semeadas quatro repetições de 50 sementes e uma única avaliação das plântulas emergidas é realizada aos 21 ou 28 dias após a semeadura. . Ao final do período de envelhecimento.2. esse será considerado de alto vigor se os resultados do teste de germinação forem similares ao de envelhecimento e de médio para baixo vigor se forem inferiores aos resultados da germinação. citase a obtenção de dados sobre a velocidade de emergência de um lote (Tabela 4).Incluir uma amostra controle de cada lote. espaçamento entre linhas e entre plantas e profundidade de semeadura recomendada para a cultura. 60-80% médio vigor e menor que 60% de baixo vigor. Como exemplo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos . outras estimativas do vigor podem ser obtidas conjuntamente. dividida pelo número de dias decorridos entre a semeadura e a emergência. adequadas à espécie em questão. . O resultado final obtido é a média das repetições expressas em porcentagem.A tampa de cada gerbox é fechada e esses são colocados na câmara de envelhecimento na temperatura de 41oC (± 0.O resultado do teste é expresso pela média das 4 repetições. bem como a capacidade das sementes de produzirem plantas a campo. Em espécies de germinação rápida. A partir da implantação desse teste. Anotar o horário da colocação dos gerbox e removê-los na hora exata especificada. por um período de 72 horas. 14. o resultado pode não ser preciso e o teste deve ser repetido. no que se refere à época de semeadura. . . variando-se apenas o sistema de avaliação.3oC). bem como pode-se obter também informação sobre o peso da matéria verde e da matéria seca do lote e a capacidade de sobrevivência das plântulas emergidas. Teste de emergência a campo Avalia o vigor relativo entre lotes. As condições de realização do teste. usando o método da estufa.Preparar as sementes para o teste de germinação dentro do período máximo de 1 hora. pode-se fazer essa contagem aos 14 dias. permitem uma estimativa da potencialidade dos lotes em estabelecer um estande a campo. para avaliar a umidade. Quando os resultados do teste de envelhecimento são comparados aos de germinação do mesmo lote. Essa última informação é obtida pela permanência das plantas a campo e uma 212 . Se a umidade das sementes for mais baixa ou mais alta do que 27 a 30%. Nesse teste.

15) = 13 13 ÷ 8 = 1.28 8 28 (28 .77 10 45 (45 . Certificado Internacional de Análise de Sementes É um tipo de certificado expedido somente pela ISTA e usado para relatar os resultados dos testes. é necessário o conhecimento dos seguintes requisitos: 15.07 9 35 (35 . bem como uma maior confiança no produto adquirido. ANÁLISES E CERTIFICADOS PARA O COMÉRCIO INTERNACIONAL Para que um lote de sementes possa ser comercializado a nível internacional.00 6 13 (13 . devem obedecer as RAS da ISTA.5) = 8 8 ÷ 6 = 1. Deverá ser multilingüe e apresentará dois modelos: Certificado do Lote de Sementes e Certificado da Amostra de Sementes. Tabela 4 . cuidados quanto ao ataque de lagartas.00 Total 5.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos avaliação feita aos 35 ou 40 dias após a semeadura.13) = 2 2 ÷ 7 = 0. insetos e outros animais devem ser observados. 213 . para que apenas o vigor das sementes seja o responsável pela população emergida ou estabelecida. Dias após a No de plântulas No de plântulas Índice de velocidade semeadura emergidas na linha emergidas no dia de emergência 5 5 5 5 ÷ 5 = 1. A visualização dos estandes de campo permitem ao comprador uma seleção mais adequada dos lotes. bem como o preenchimento e expedição dos certificados de análises. Para tanto. as metodologias para a tomada das amostras e para a realização das análises.35) = 10 10 ÷ 10 = 1.03 7 15 (15 .Teste de velocidade de emergência de plântulas.1.00 11 45 (45 .45) = 0 0 ÷ 11 = 0. 15. Independentemente do resultado que se deseja obter.28) = 7 7 ÷ 9 = 0.15 É interessante salientarmos aqui que o teste de emergência a campo vem sendo utilizado por um número cada vez maior de produtores de sementes quando da comercialização dos lotes.

1. lacre.2. Informação de resultados De cada amostragem. descritos nas RAS da ISTA. 15. 15. análise e expedição do certificado que será de cor laranja. Certificado do Lote de Sementes (laranja ou verde) Usado quando a amostra é retirada oficialmente do lote por uma instituição filiada e autorizada pela ISTA. Quando a amostra é testada no país onde o lote está localizado. Validade do certificado É permitida a emissão de apenas um certificado para qualquer atributo de uma amostra ou um lote em particular. essa Instituição é responsável pela amostragem. pelo menos. lacre. 214 . os resultados desses testes podem ser relatados em um ou mais certificados internacionais de forma separada ou combinada. etiquetagem e remessa da amostra média para outra instituição que irá analisá-la. onde o lote está localizado. uma instituição filiada e credenciada. será responsável pela amostragem. refere-se somente à amostra média recebida para análise. apenas uma amostra pode ser enviada para a realização de teste ou testes. Se a amostra for testada em outro país. etiquetagem. Caso não tenha sido realizada alguma análise. Essa última será. 15.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 15. para os quais é necessário o envio de uma amostra em separado.2. ou seja. Certificado da Amostra de Sementes O formulário do Certificado Internacional de Análise de Sementes é expedido quando a amostragem dos lotes não está sob a responsabilidade de um laboratório membro. Não é permitido que uma instituição aprove outra amostragem ou emita outro certificado antes que se tenha passado. responsável pela análise da amostra e emissão do certificado que será de cor verde.1. Nesse caso. Usado quando a amostragem do lote não está sob a responsabilidade da instituição filiada. O certificado é de cor azul. de acordo com o requerido pelo remetente. o espaço correspondente à mesma deverá ser preenchido com a letra “N”.1. exceção feita apenas para a determinação do grau de umidade e determinação do peso de sementes. então. É importante lembrar que nenhum espaço vazio no impresso do certificado é permitido.3. um mês da primeira amostragem.

isto é. há uma necessidade crescente na estruturação de novos laboratórios para atender a demanda dos programas de controle interno de qualidade de sementes.sua finalidade específica de atuação. analisando as sementes de produção própria e. Funcionam junto a cooperativas. Em alguns países e/ou regiões. bem como o treinamento do qual surgem novos técnicos especializados. A grande maioria dos laboratórios existentes tem como única função a análise de rotina. realizam as análises da certificação e da fiscalização do comércio de sementes e emitem boletins oficiais. os quais são a base determinante para as decisões a serem tomadas nas diferentes fases da produção e uso das sementes. germinação. sem desperdício de tempo e demasiado trânsito dos analistas pelo mesmo. quando possível. bem como o número de pessoal capacitado e os equipamentos necessários para o desenvolvimento de suas atividades estão diretamente relacionados aos itens acima mencionados. umidade.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 16. de outras cooperativas. principalmente. bem como a natureza dessas análises. gerando novas técnicas de controle de qualidade. podem ainda realizar pesquisa. entretanto. A análise de sementes é o trabalho de rotina do laboratório e compreende a determinação dos índices de qualidade das amostras que representam os lotes de sementes. Outros. para o bom desempenho de todas as atividades de um laboratório. É conveniente. Adicionalmente. É bom lembrar que o número de salas não é tão importante quanto à distribuição das áreas de serviço.número de amostras e espécies de sementes a serem recebidas e analisadas por ano. ter-se salas 215 . tais como pureza física. A localização e o tamanho da área física. alguns itens e/ou critérios devem ser observados quando do seu planejamento e organização. a análise de sementes para a identificação de lotes. além da análise de rotina para a identificação de lotes. . Quando essa situação ocorrer. tais como: . entre outros. uma vez que essa é a única maneira de fazer o serviço de forma racional. Ao se construir um laboratório de análise de sementes. em alguns casos. através de cursos ou estágios. é imprescindível que a distribuição dessas áreas siga o mesmo roteiro que seguem as amostras submetidas à análise. LABORATÓRIO DE ANÁLISE DE SEMENTES: PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO Um dos fatores mais importantes a ser considerado num programa de produção de sementes é o controle de sua qualidade e esse é realizado no Laboratório de Análise de Sementes. que atua como o centro de controle onde são efetuados os mais diferentes testes de qualidade.

onde serão confeccionados os boletins de análise. contudo. germinadores e equipamentos para realização de testes de vigor. bem como a localização estratégica do maior número possível de tomadas elétricas e interruptores em todos os setores. adequadas para a realização dos diferentes testes. quando frente à alguma dificuldade de realização ou avaliação dos testes. força e água devem ser. evitando-se assim ambientes cansativos. para o umedecimento dos substratos. inibir um boa iluminação natural do ambiente. lupas estereoscópicas ou lupas manuais com luz. o forro à prova de som e as cores claras e repousantes.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos distintas para a execução dos testes de pureza e germinação daquelas utilizadas para o recebimento. Para a sala destinada à realização da análise de pureza. por exemplo. as quais devem ser baixas e largas. Outros acessórios menores. considerados e a capacidade de suprimento de cada um deles deverá estar diretamente relacionada às necessidades atuais e futuras do laboratório. etc. pesagem e preparo das amostras para os testes. Ambas as salas deverão contar com todas as facilidades possíveis para a execução das diferentes tarefas a que se destinam. ainda. Deve ser dada especial atenção à orientação geográfica do laboratório. onde os testes serão preparados e/ou avaliados. tais como balanças. contadores de sementes. já que pode ocorrer uma grande incidência de poeira quando da divisão das amostras. afim de evitar a incidência direta dos raios solares sobre os locais onde serão realizados os testes sem. peneiras.. A sala da chefia deverá estar localizada próxima ao laboratório para um melhor assessoramento por parte do técnico responsável dos analistas. 216 . espátulas. cadeiras de encosto e assentos ajustáveis (um maior conforto ao analista evitará o cansaço devido à morosidade de alguns testes e proporcionará um maior rendimento de trabalho). O piso do laboratório deverá ser de material facilmente lavável. protocolo. destilador de água. além da luminosidade natural. essa deve dispor do maior número de janelas possíveis. são também necessários. Elementos como energia elétrica. O emprego da luz fluorescente é indicada. mostruário de sementes para identificação dos contaminantes das amostras. sopradores de sementes. O mesmo ocorre para o local onde serão realizados os testes de germinação que. É indispensável. com vistas a prevenir a aquisição de novos equipamentos. Próximo a essa deverá estar localizada a área administrativa. o que irá proporcionar aos analistas o máximo de luz natural. como diferentes tipos de vidraria de laboratório. deverá dispor de mesas com tampo à prova de umidade (fórmica ou azulejo). tais como: mesas individuais ou não. equipamentos adequados. caixas plásticas para germinação. que nessa área existam balcões ou mesas com pias. O mesmo deverá ocorrer com outras áreas destinadas a outros tipos de análises. também. pinças.

como sistema de resfriamento. sem janelas e com porta frigorífica. Assim. da estruturação e instalação de pequenos laboratórios de análise de sementes. para evitar o ruído dos motores no ambiente do laboratório. como finalidade específica. Já para a câmara de germinação. 217 . por parte da iniciativa privada de programas de produção de sementes tem demonstrado uma necessidade. O controle mecânico da umidade e da temperatura pode ser feito através de uma unidade desumidificadora e uma de refrigeração. Possuir espírito de trabalho em equipe é fundamental. Deve estar apto a desempenhar qualquer função dentro do laboratório. para um melhor aproveitamento dos sistemas de refrigeração utilizados. isolamento térmico. são colocados os germinadores a diferentes temperaturas. Reciclagem periódica é recomendada. ele deverá reciclar-se periodicamente. como os analistas. como garantia do resultado fornecido pelo laboratório. para manter-se atualizado nas diferentes metodologias empregadas na análise de sementes. ser paciencioso. bem como sobre alguns sintomas de doenças que podem ocorrer nas plantas. O desenvolvimento progressivo. instaladas fora das câmaras (casa de máquinas). Esses laboratórios têm geralmente. de observação e de honestidade. O tamanho das mesmas irá variar de acordo com as necessidades do laboratório e deverão ser construídas com paredes duplas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Especial atenção deve ser dada à construção das câmaras frias (câmara seca para o armazenamento de amostras e câmara de germinação). É ideal que ambas as câmaras sejam construídas uma ao lado da outra. Em laboratórios pequenos. O analista deve ter conhecimentos básicos da morfologia dos frutos e sementes e sobre fisiologia vegetal. meticuloso e com alto senso de responsabilidade. Os trabalhos de rotina podem ser efetuados por analista com nível de conhecimento de grau médio. cada vez maior. também com especialização na área (engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal). A chefia ou supervisão do laboratório e a pesquisa (quando for o caso) deverão estar a cargo de um técnico de nível superior. a utilização do ar condicionado. Quanto ao pessoal. o atendimento ao controle interno de qualidade de sementes de uma determinada empresa ou cooperativa de produtores. mas que tenham passado por um treinamento especializado. apenas o controle da temperatura (± 15°C) é necessário. Nessa câmara. Na câmara seca é necessário um controle de temperatura e da umidade relativa do ar (15 a 20°C / 50% ou menos). para o armazenamento das amostras durante um certo período de tempo após o teste de germinação. é da mais alta importância a escolha do elemento humano que vai atuar no laboratório. tem sido satisfatória. de acordo com as exigências específicas de cada espécie testada.

Área física Uma área física de.1. condutividade elétrica e/ou tetrazólio). 218 . pureza física. se conveniente. Dentro desses 20m2. são 60 os dias reais de trabalho para a realização dos testes em. Para o planejamento e instalação desse tipo de laboratório. ou seja. do campo à comercialização e. são realizadas. portanto. adequando-se a mesma às condições de orientação geográfica já citadas (luminosidade ambiental). material de expediente. O recebimento das análises de avaliação da qualidade desses lotes é realizado durante todo o processo de produção. 20m2 é satisfatória. visto o funcionamento do mesmo ocorrer durante todo o ano e os períodos de produção de algumas delas serem em épocas distintas. Essa área funcionará como câmara de germinação. essas análises serão mais completas envolvendo. consideram-se (Fig. um total de 150 lotes de sementes de soja (750 t). devido à necessidade de um controle de sua temperatura ambiental (± 20°C). Dentro desse enfoque. os lotes serão avaliados quanto ao seu grau de umidade. pureza física. Não é necessária a separação da mesma em salas. compostos químicos entre outros.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Cita-se aqui. dentro desse período. a qual deve ser isolada do conjunto. o que é considerado perfeitamente possível para um técnico treinado. bem como possibilidades de futuras ampliações da mesma. devendo. No recebimento. principalmente. num período de safra. uma pequena área que poderá funcionar como um almoxarifado. Considerando um pico máximo de atividade de 3 meses (período de safra). pelo menos. teste de germinação e alguns testes de vigor e de danos mecânicos. a determinação do número de outras sementes (exame de sementes nocivas) e algum teste de vigor (envelhecimento acelerado. também. milho. um analista está realizando 20 análises por dia nas amostras de recebimento e 25 por dia em amostras de lotes já beneficiados. pelo menos. além dessas já citadas. como exemplo. 12): 16. sua construção atender ao isolamento térmico. em média. outras como trigo. feijão e algumas forrageiras poderão ser analisadas nesse laboratório. Além dessa espécie. 300 amostras de sementes (150 no recebimento e 150 após o beneficiamento). exceto para o caso da área onde serão colocados os germinadores. onde estarão localizados todo o material de apoio ao laboratório como caixas de papel substrato para o teste de germinação. placas de plástico ou Petri empregadas nesse mesmo teste. as análises de determinação do grau de umidade. pode-se separar. Após o beneficiamento. um laboratório com capacidade de atendimento a um sistema de produção que envolve. germinação e danos mecânicos.

a distribuição das diferentes áreas de atuação do laboratório (recepção e protocolo das amostras. Área de determinação do grau de umidade . Pinças.também sobre um balcão (este com espaço para o analista sentar) estarão localizados todos os equipamentos utilizados para esse tipo de teste.esta área deverá ser composta de um balcão com prateleiras e gavetas. com orifícios de diferentes formas e tamanhos. para pesagem das amostras. espátulas e vidros de relógio são. para uma melhor distribuição dos equipamentos e racionalização dos trabalhos. necessários. e um jogo de contadores de sementes manuais. um jogo de peneiras e uma balança digital de. sendo que o motor do mesmo deve ser instalado do lado de fora do prédio (casa de máquinas). também poderá ser necessário. poderá ser adaptado um sistema de arquivos para a localização das fichas das amostras. como o já descrito anteriormente.esta área poderá ser a mesma empregada para o teste de pureza (mesa e cadeira do analista). teste de pureza. para evitar ruídos dentro do LAS. dos livros de registro etc.esta área compõe-se de uma mesa individual. deverá ser observada. com um soprador de sementes. Área de germinação . Área para a determinação de pureza física . que poderá estar acoplado ao balcão. um divisor de amostras do tipo GAMET e um divisor de solos adaptado para sementes de tamanho médio. Instalações e equipamentos Quanto a este item. protocolo e preparo das amostras . propriamente dito.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 16. Dentro do possível. cadeira de encosto com assento ajustáveis e uma estante ou armário que funciona como mostruário de sementes. recomenda-se a compra de um contador de sementes a vácuo. de germinação e de umidade entre outros). Área de recepcão. Adaptada a essa mesa. o analista deverá contar. Como equipamentos indispensáveis para esse tipo de teste. é recomendável a compra de um microscópio binocular com zoom e uma amplitude de magnificação de até 25X. Um destilador de água e um refrigerador doméstico (empregado para superação de dormência e 219 . também. onde sobre o qual estarão localizados os seguintes equipamentos: uma balança automática com capacidade de até 5Kg. entretanto. uma lupa de mesa com lâmpada é necessária para facilitar a identificação dos contaminantes da amostra. ainda. No balcão. no mínimo. Recomenda-se que o laboratório disponha de uma estufa. determinadores de umidade expeditos que se correlacionem com os métodos da estufa e um pipoqueiro. dispor de um balcão com duas pias e tampo de inox para o umedecimento dos substratos e preparo das amostras.2. Como equipamentos. três casas decimais. É necessário. uma balança automática digital.

o emprego de um ou dois condicionadores de ar são suficientes para a manutenção da temperatura ambiental em torno de 20°C. quando não for possível a avaliação do mesmo no dia em que foi preparado). para germinação. Um conjunto de pequenos balcões. é suficiente a contratação de apenas um analista (bem treinado). um sistema de iluminação dos germinadores deverá ser observado (caso o laboratório realize análise em alguma espécie de forrageira que requeira luz para germinar). com capacidade para 40 amostras completas de soja cada um.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos para o teste de tetrazólio. convém salientar que o laboratório deverá dispor de um número mínimo de caixas plásticas. Nessa sala. Ainda. 16. Pessoal Para esse tipo de laboratório. de acordo com o número de amostras de sementes forrageiras que poderá receber por ano e um carrinho com rodas para facilitar o transporte das amostras. também poderà ser colocado para sustentar algum tipo de balança de maior precisão. Esses dois últimos aparelhos são empregados em teste de vigor. também são necessários. que irá trabalhar sob supervisão de um técnico de nível superior (RT). encarregado também do sistema de produção.esta deverá ser construída como já citado. dentro dessa sala. para análise de pureza. em tempo integral. Caso necessário.3. Além do já descrito. poderá ocorrer a contratação eventual de 1 auxiliar de laboratório. Sala de germinação . Um sistema de estrados poderá sustentar dois germinadores. 220 . uma câmara para o teste de envelhecimento acelerado e um condutivímetro.

Escala 1:25. um esquema gráfico do laboratório em questão (Fig. 12): Determinadores de Água Entrada Recepção Amostra Contador a Vácuo Lavatório Mesa Balança 3.50m Figura 12 .0 0m Divisor Divisor de Solos Destilador de Água Geladeira Coleção de sementes Arquivo Prateleiras Sala de Germinação 20o C Germinador Balança de Precisão Armazenamento 2. tentamos de forma bastante simples apresentar.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Dentro do planejamento aqui apresentado.Planta baixa de um LAS. a seguir. Precoce 2.0 0m Germinador Câmara Env. 221 .50m 1.

1999.F. Brasília. do Abastecimento e da Reforma Agrária.C. ISTA. Revista SEED News.F. In: Seed Vigour Testing Seminar. Avaliação da viabilidade e do vigor das sementes de feijão-vagem (Phaseolus vulgaris. 2001. Trad.. BRASIL. J. Secretaria Nacional de Defesa Agropecuária.C. 5.S. Copenhagen. 2002 DELOUCHE. 1976. PENA. 27 p. D. L. Londrina. p.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 17. J. 174p. Ministério da Agricultura.M. 85 p. O que é qualidade de sementes. D. ALVARENGA. Vigour Test Committee. 1995. n. J. Handbook of vigour test methods. Condutividade elétrica. BIBLIOGRAFIA ASSOCIATION OF OFFICIAL SEED ANALISTS. J. ISTA. In: Informativo ABRATES. HAMPTON.C. BULOW. I.C. AGIPLAN. M. 1996. Regras para Análise de Sementes. MARCOS FILHO.F. 26-36. Testes de vigor baseados na permeabilidade das membranas celulares. 117 p..S. Conductivity test. 365 p. F. Contribution no 32 to the handbook on seed testing. 1992.C...B. 5(5): 22-26. 1983. Deterioração de sementes. Londrina. GRABE. 6(4) 42-43. abril/1995. 1995. Vigor de sementes: conceitos e testes. BHÉRINE. 2002 DIAS. DIAS. R.G. SILVA. AOSA. Revista SEED News.D. Brasília. p.. Seed vigour testing handbook.) pelo teste de tetrazólio. M.G.A Garantia de qualidade no comércio de sementes. Revista SEED News 6(6) 24-31. DF. 222 . VIEIRA. INTERNATIONAL SEED TESTING ASSOCIATION.. 10-28. 3. E. Viçosa. KRZYZANOWSKI. 1. Zurich. D. 88 p. ed. AOSA. Denmark.. R. J. v. Manual do teste de tetrazólio em sementes. PR. FRANÇA NETO. de Flávio Rocha.F. HAMPTON.F.

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CAPÍTULO 4 Patologia de Sementes Prof. Orlando Antonio Lucca Filho . Dr.

a qual é estudada em entomologia. pelo ambiente no qual as sementes se formam e pelo manuseio das mesmas durante as fases de colheita. 1. Esses fatores podem ser agrupados em quatro classes distintas: fatores genéticos. Esses aspectos devem ser observados com muita atenção. IMPORTÂNCIA DA PATOLOGIA NA PRODUÇÃO DE SEMENTES DE ALTA QUALIDADE 1. fatores físicos e fatores sanitários. como também com as vantagens auferidas pela heterose (vigor híbrido). causando os mais variados tipos de danos. Os microrganismos. por se tratar de uma área distinta. como também podem se constituir em fator limitante da produção. Os fatores genéticos capazes de afetar a qualidade das sementes estão relacionados com as diferenças de vigor e de longevidade observadas dentro de uma mesma espécie. Transmissão de patógenos associados às sementes A maioria dos patógenos que ocorrem nos campos de produção de sementes. aderido à superfície ou localizado no interior da semente) e com o 225 . como danificações do embrião e do tecido de reserva necessário para sua alimentação. à medida que se busca o estabelecimento de padrões de sementes para os principais microrganismos patogênicos ocorrentes nas diversas culturas de importância econômica. Os mecanismos (ciclos) utilizados pelos patógenos para sua transmissão são variados e podem ser classificados de acordo com sua localização na semente (misturado. Os fatores sanitários se caracterizam pelo efeito deletérico provocado pela ocorrência de microrganismos e insetos associados às sementes. Introdução Existe um grande número de fatores que afetam a qualidade das sementes. de beneficiamento e de armazenamento. viroses e doenças fúngicas existentes em várias regiões agriculturáveis. por sua vez. como é o caso de bacterioses.2. danos pela ovoposição. Os insetos podem causar danos generalizados. Os fatores fisiológicos têm sua ação determinada.1. a fim de que as sementes distribuídas aos agricultores constituam-se em um ponto de alta qualidade e de desempenho satisfatório nos campos de produção. constituem-se em outro fator importante em termos de qualidade das sementes. Neste trabalho não serão discutidos temas relativos a insetos. principalmente. desde o campo de produção até o armazenamento. podem ser transmitidos pelas sementes. fatores fisiológicos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1. da umidade e da produção de dióxido de carbono. pelo aumento da temperatura.

havendo a formação de uma massa de coloração preta. Após a semeadura e início da germinação. Figura 1 226 . Uma vez localizado no primórdio floral da espiga sadia. transmitindo-se para a planta de forma sistêmica. surgindo no lugar dessas a massa de teleosporos (1). é o do carvão do trigo. O termo infestação é utilizado para caracterizar a presença do patógeno misturado (escleródio. Certos patógenos localizados no interior das sementes podem produzir infeções sistêmicas na planta. Quando uma semente infestada germina e produz uma nova planta. fazendo com que as novas sementes não se formem. embrião. composta por milhares de teleosporos (esporos de fungo). ilustrado na Fig.). o micélio do fungo também inicia seu desenvolvimento. O mesmo acontece com os patógenos que infestam as sementes. Já o termo infecção indica que o patógeno está localizado no interior da semente (cotilédones. enquanto outros podem produzir infeções localizadas em folhas. essa poderá apresentar uma infecção sistêmica ou uma infecção local. onde várias sementes são destruídas pelo fungo (1). vagens. etc. muito empregadas em patologia de sementes. o teleosporo inicia sua germinação penetrando na semente (3) e fixando-se no embrião da mesma. têm seu significado próprio. onde permanecerá na forma de micélio dormente (4) até o início da germinação dessa semente. As expressões infestação e infecção. na fase inicial de formação (2). Esses ciclos são muito bem descritos e exemplificados por Neergaard (1979). O fungo se localizará na nova espiga (5). sem causar qualquer tipo de sintoma. etc. acompanhando sistematicamente todo o ciclo vegetativo da planta.) ou aderido à superfície das sementes. 1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos desenvolvimento do patógeno durante o crescimento da planta. os quais são disseminados para as plantas e espigas sadias. etc. Parte-se de uma espiga infectada. os quais irão infectar novas espigas sadias. hastes. pecíolos. galhas. Um exemplo clássico de transmissão de fungo localizado no embrião da semente.

etc. . . uma vez que os danos causados são variáveis. . Inóculo presente no solo pode ser disseminado. . SOLO . teremos reduções da porcentagem de germinação e do vigor. Assim. restringindo seus efeitos à redução de rendimento. da chuva. a disseminação de viroses é extremamente dependente da ação de vetores. de uma planta para outra. Outros patógenos se caracterizam por. A ação da chuva e do vento tem grande importância na disseminação de bactérias. implementos agrícolas. 2 encontram-se esquematizadas as principais fontes de inóculo.. Como conseqüência direta. a importância desses agentes de disseminação é diferenciada. especialmente. Figura 2 . 227 . Na Fig. VENTO CHUVA VETORES OUTRAS PLANTAS SEMENTE . além de provocar reduções de rendimento. Alguns patógenos provocam perdas em nível de campo.Principais fontes de inóculo. patogênicos ou não. Para fungos. Para cada grupo de microrganismos. sem no entanto afetar a viabilidade das sementes. diminuindo a disponibilidade desse insumo para a semeadura seguinte. com reflexos altamente negativos sobre a classificação de lotes de sementes. vetores. Os microrganismos. Microrganismos patogênicos podem ser levados. no solo e nas sementes. pela ação da água.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A transmissão de patógenos através das sementes deve ser avaliada sob dois aspectos gerais. . a disseminação entre plantas também é grandemente dependente da ação dos ventos e da chuva. concentrar seus efeitos danosos sobre a semente. através do vento. podem ser encontrados nas diferentes plantas hospedeiras. sejam elas cultivadas ou não.

mas nenhum desses será tão eficiente quanto as sementes. os implementos agrícolas e o próprio homem constituem-se em veículos de disseminação de doenças. à semelhança da análise de pureza e do teste de germinação. através da portaria 071. o Ministério da Agricultura e do Abastecimento. A implantação da obrigatoriedade do teste sanitário para a comercialização de sementes. pelo fato dessas permitirem uma transmissibilidade prolongada. a indução de doenças por dois ou mais patógenos e pela introdução dos mesmos em áreas novas. uma vez que não existem barreiras geográficas capazes de impedir sua disseminação. Em função da necessidade de um efetivo controle da qualidade sanitária das sementes produzidas em nosso país. tendo-se raras exceções quanto ao estado sanitário. Se pensarmos em termos de comércio interno. em nível nacional. especialmente quanto ao estado sanitário do material comercializado. Especialmente através da ação do Comitê de Patologia de Sementes (COPASEM) da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (ABRATES). uma disseminação de patógenos a grandes distâncias. causador da mancha púrpura em sementes de soja e de Colletotrichum lindemuthianum. sendo registrados inúmeros casos de importação de lotes de sementes contaminados com microrganismos patogênicos vindos de outros continentes. Vários estudos estão sendo realizados. além da definição dos padrões a serem observados para os diferentes microrganismos em cada uma das espécies vegetais. causador da antracnose do feijoeiro. como é o caso de Cercospora kikuchii.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos De acordo com o exposto. uma máxima infecção. visando a definição dos níveis máximos tolerados para os principais patógenos. No comércio internacional existe a ação do Serviço Quarentenário que se preocupa em impedir a entrada de sementes contaminadas com microrganismos indesejáveis. O comércio internacional de sementes serve como exemplo desse fato. de 22/02/1999. uma vez que a comercialização é bem mais livre. Devemos sempre lembrar que a semente constitui-se no meio mais eficiente de transmissão de patógenos. a água da chuva. o aumento do potencial de transmissão. instituiu. enquanto no comércio interno apenas a germinação e a pureza física do lote são considerados como parâmetros para caracterização da qualidade das sementes. veremos que o problema é mais grave. a criação de focos de infecção casualizados nas lavouras. em especial para as espécies de maior importância econômica do país. alguns avanços significativos foram obtidos. é inevitável. no que diz respeito ao estabelecimento de padrões fitossanitários. os animais. bastando para tal existirem laboratórios em número suficiente e com pessoal técnico devidamente qualificado. o Programa de Sanidade de Pragas não Quarentenárias 228 . a perpetuação do patógeno. vemos que os insetos.

sobre o sistema de produção agrícola. nas mais variadas espécies cultivadas. 229 . mas sim o desproporcional crescimento populacional que vem ocorrendo. etc. Os danos causados por microrganismos transmitidos por sementes são bastante variáveis. uma vez que existem vários fatores agindo simultaneamente sobre a planta. emprego de práticas culturais adequadas ao sistema de cultivo. a porcentagem de plântulas e/ou plantas mortas. aumento do uso e aplicação correta de fertilizantes. das condições climáticas vigentes no decorrer do desenvolvimento da cultura. Nessa portaria. A avaliação dos danos causados por microrganismos nos campos de produção de sementes é uma tarefa árdua e de difícil execução. Em âmbito mundial. comprometendo a reprodutibilidade de resultados. visando diminuir seus efeitos negativos. são encontrados relatos de famosas epidemias. É de conhecimento generalizado que o número de subnutridos vêm aumentando nas últimas décadas. 1. o qual tem como objetivo o controle da qualidade em nível de campo de produção e de laboratório. estando na dependência do patógeno envolvido e do inóculo inicial do mesmo. especialmente nos países industrializados. tais como a porcentagem de área foliar destruída pelo patógeno. estão relacionadas as principais pragas não-quarentenárias (exceto insetos). a porcentagem de sementes infectadas e avaliação dos efeitos do patógeno sobre outros componentes da produção. uso de variedades resistentes e mais produtivas. para as principais espécies cultivadas propagadas por sementes. da espécie cultivada. Entretanto. além de outras formas de proteção vegetal. encontram-se relacionadas as culturas e as respectivas pragas não-quarentenárias.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Regulamentáveis. Perdas provocadas por patógenos em nível de campo No âmbito mundial é encontrado um grande número de relatos que citam perdas provocadas por doenças. as porcentagens de perdas podem ser relacionadas com outras. acarretando significativas reduções de rendimento e frustrações de safras. é encontrado um grande número de relatos que citam severas perdas provocadas por doenças. fazendo com que os resultados obtidos tenham baixa exatidão. sendo que algumas dessas epidemias causaram a morte de milhares de pessoas por inanição. Na Tabela 1.3. com reflexos significativos na qualidade de vida do ser humano. motivo de controle. as quais deverão ser controladas. Ao longo da história da humanidade. fazendo com que seja premente o aumento da produção de alimentos. nas mais variadas espécies cultivadas. A principal causa não é a diminuição da produção de alimentos. Essa meta pode ser atingida através do aumento da área cultivada. diretos e indiretos.

sp. vírus e nematóides considerados pragas não quarentenárias regulamentáveis pela Portaria 071. sp.A. Culturas Pragas não quarentenárias regulamentáveis (exceto insetos) Algodão Colletotrichum gossypii var. ungulosa Girassol Alternaria helianthi Alternaria zinniae Sclerotinia sclerotiorum Cenoura Alternaria dauci Alternaria radicina Ervilha Ascochyta pisi Sclerotinia sclerotiorum Cebola Colletotrichum circinans Ditylenchus dipsaci Tomate Clavibacter michiganensis sub. michiganensis Xanthomonas campestris pv. por Phytophthora infestans. de 22/02/1999. bactérias. Tabela 1 . sp. vasinfectum Arroz Drechslera oryzae Pyricularia oryzae Feijão Colletotrichum lindemuthianum Fusarium oxysporum f.Fungos. phaseoli Sclerotinia sclerotiorum Xanthomonas campestris pv.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Destacaremos as causadas por Claviceps purpurea. vesicatoria Alface Vírus do Mosaico Comum 230 . do M. por Helminthosporium oryzae e Helminthosporium maydis. cephalosporioides Fusarium oxysporum f. sp.A. phaseoli Fusarium solani f. phaseoli Milho Diplodia maydis Sorgo Colletotrichum graminicola Claviceps africana Trigo Bipolaris sorokiniana Drechslera tritici-repentis Pyricularia grisea Stagonospora nodorum Tiletia caries Tiletia foetida Xanthomonas campestris pv.

faziam-se pães. Menos de um mês depois. causada por Phytophthora infestans). Não demorou muito para chegar à França. Como as condições ambientais eram favoráveis ao patógeno e devido ao fato de o mesmo se estabelecer mais cedo nos campos de produção. podendo causar. o Papa Urbano II. algumas morreram e várias enlouqueceram. anormalidades em fetos e gangrena. sendo empregados como indutores de parto ou como controladores de sangramento pós-parto. purpurea eram freqüentes. Os alcalóides são termoestáveis e. Ao atacar a espiga. a batata se constituía no principal ingrediente da dieta alimentar dos irlandeses. Morreram mais de 2 milhões de pessoas e mais de 1 milhão migraram para outros países. As conseqüências desse ataque foram extremamente severas. delegou a dolorosa missão de cuidar dos enfermos acometidos de ergotismo à Ordem de Santo Antônio. causavam os mais variados tipos de sintomas. obtendo daí a quantidade necessária de vitaminas. Essa doença também era conhecida pelo nome de Fogo Sagrado. na qual são encontrados vários alcalóides. Devido aos surtos freqüentes verificados em Viena. quando cerca de 50 a 90% do arroz cultivado em Bengala foi destruído por esse 231 . forma-se no lugar destinado à semente uma estrutura chamada de escleródio. síndrome distérmica com lesões cerebrais irreversíveis. aborto e infertilidade. em 857. entre outros distúrbios. milhares de pessoas morreram. as epidemias causadas por C. Alguns desses alcalóides têm uso medicinal. Desde então. o fungo atacou precocemente as plantações de batata. esgosterol e LSD. Logo em seguida. em 1095. as perdas chegaram próximo a 80%. em 994 e 1089.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Claviceps purpurea é um fungo ascomiceto. Dessa farinha. entre elas. Na Idade Média. No vale do Reno. a doença já havia chegado à Irlanda. os mesmos sintomas foram observados em plantas na Holanda. o centeio. principalmente no Extremo Sul do continente asiático. registrou-se na Bélgica a ocorrência de uma severa doença atacando as plantações de batata (hoje conhecida por requeima da batata. O mesmo ocorreu na França. entre eles a ergotamina. Outros alcalóides são extremamente nocivos à saúde humana e animal. oryzae ocorreu na Índia (1942-1943). quando ingeridos com o pão contaminado. Os escleródios do fungo eram colhidos e moídos junto aos grãos de centeio. O fungo Drechslera oryzae. foi a vez da Inglaterra e. causador da mancha parda. tem causado grandes prejuízos em países produtores de arroz. O último surto verificado na França ocorreu em 1951. Até o início do século XIX. proteínas e carboidratos. mais precisamente nas regiões de clima tropical. a doença também passou a ser conhecida como Fogo de Santo Antônio. em 1946. O caso mais notório de danos causados por D. que ataca órgãos reprodutivos de muitas gramíneas. onde mais de 300 pessoas adoeceram. ergotimina. Em junho de 1845. No ano seguinte. em setembro do mesmo ano. os quais consumiam mais de 4 quilos de batata fresca por dia.

trigo. no entanto. Ainda persistem danos significativos causados por esse fungo. trigo. causando perdas variáveis entre 10 e 20% no rendimento. Em dois meses. As informações referentes a perdas causadas por microrganismos transmitidos por sementes. A disseminação do fungo para os estados ao norte da Florida foi surpreendente. surgiu no Estado da Florida uma nova raça de Helminthosporium maydis.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos fungo. fato esse que contribuiu para que 2 milhões de pessoas morressem de fome naquela região. 232 . 15% da produção americana de milho. permitindo um controle rigoroso dos cruzamentos. está baseada. A produção de milho híbrido. enquanto que em países com pobres condições de cultivo. A produção de pólen estéril é uma característica citoplasmaticamente herdável. soja e feijão. Informações mais atuais referentes às grandes culturas. na utilização de linhagens fêmeas com pólen estéril. até então resistentes ao fungo. com 40% de perdas) e da Índia (Tamil Nadu. indicam que a intensidade dos danos é variável. onde em certas lavouras a morte de plantas variou entre 30-70%. causadas por fungos como Fusarium. arroz. A Drechslera sorokiniana pode ocorrer em alta porcentagem de infecção em lotes de sementes e as perdas oriundas da podridão radicular provocada por esse patógeno chegam a atingir 10% do rendimento. com registros de perdas de até 40% da produção total da região). capaz de atacar os híbridos portadores de citoplasma macho-estéril. arroz. os dois estados americanos maiores produtores de milho e. estando na dependência de um conjunto de fatores. a perda média provocada por D. além de evitar o alto custo do despendoamento manual. como milho. soja e feijão indicam quedas significativas em termos de rendimento. Quando a incidência desse patógeno ocorre associada com Fusarium. o patógeno já havia atingido Illinois e Iowa. as perdas podem ser ainda maiores. as mais importantes são Fusarium graminearum e Fusarium nivale. nos Estados Unidos. como observado em muitas regiões da África (Nigéria. Nos Estados Unidos.5%. esses índices assumem valores bem mais elevados. Entre as diferentes espécies de Fusarium que ocorrem em trigo. já havia sido detectado nos estados mais ao norte. desde a década de 50. provocando uma redução média de rendimento da ordem de 13%. aproximadamente 20 milhões de toneladas. em função da rapidez e da destruição causada. Drechslera e Septoria em trigo. as quais causam morte de plântulas em pré e pós-emergência. sendo. verificadas em grandes culturas como milho. oryzae é de 0. quinze dias depois. como aconteceu no Canadá durante os anos de 1939-1942. foi destruída. bastante variáveis. podridões radiculares e infecção na parte aérea. os quais envolvem especialmente o clima e o grau tecnológico do produtor. Em 1970. Como resultado desse ataque.

tais ataques intensos raramente são generalizados. O fungo O. enquanto que. devido às condições climáticas não serem muito favoráveis ao patógeno D. os prejuízos provocados por Septoria nodorum chegam a atingir níveis de até 65% de redução de rendimento. oryzae causaram redução de 70-80% na produção em algumas lavouras ou regiões. Geralmente. atingindo todas as regiões do Estado do Rio Grande do Sul. oryzae. 233 . momentos antes do espigamento. os principais patógenos são Pyricularia oryzae e Drechslera oryzae. Todos os anos ocorrem ataques endêmicos generalizados. poucas informações são disponíveis quanto às implicações decorrentes da semeadura de um lote altamente infectado por esse fungo. semitectum. as doenças fúngicas são as mais importantes devido aos prejuízos causados no rendimento. oryzae. causa manchas nas panículas e esterilidade de flores. como também na qualidade das sementes. surtos oriundos do ataque de P. Devido terem sido observadas baixas porcentagens de incidência em lotes de sementes de soja. freqüentemente aniquila plântulas e plantas. atingindo níveis de total perda de lavouras. No Estado do Rio Grande do Sul. as perdas são pequenas. causando redução da parte aérea das plantas. As maiores perdas em lavouras de arroz devido a fungos são provocadas especialmente por P. sendo esses ataques responsáveis por reduções de 1 a 2% no rendimento total. Quanto à espécie de Fusarium presentes em sementes de soja. Contudo. causando anormalidades em plântulas e deterioração dos cotilédones. Para a cultura do arroz. sob condições ideais de infecção. embora outros patógenos também sejam importantes. Dentre essas. oryzae. oryzae.. oryzae e D. devido à incidência de P. O fungo Colletotrichum truncatum pode causar morte de plântulas e infecção sistêmica de plantas adultas. os quais têm aumentado sua incidência nas lavouras do RS.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Ensaios experimentais têm demonstrado que. são encontrados trabalhos indicando perdas significativas. a produção pode ser reduzida em até 50%. o patógeno ocorre em plantas adultas. a mais comum é o F. como pode também destruir as panículas. A soja é atacada por um grande número de doenças. estando os danos médios entre 5 a 10% da área total semeada no Estado. como é o caso de Rhynchosporium oryzae e Phoma sp. onde causa mancha nas folhas e. Em nível mundial. nos últimos anos. No Rio Grande do Sul. com menor freqüência. sendo a maioria delas provocadas por patógenos associados às sementes. sob condições favoráveis em nível de campo.

Alagoas e Goiás. À semelhança do que ocorre em soja. A podridão acinzentada do caule. Rio Grande do Sul. Pernambuco. principalmente devido ao modo de transmissão do mesmo via sementes. o qual se constitui em problema para as regiões produtoras do Centro-Oeste. a podridão negra das raízes. uma vez que o rendimento (o atual é de 400kg/ha) vem sofrendo declínio marcante. Outras doenças. constituindo-se em problemas de grande importância econômica para algumas regiões produtoras. é uma doença bastante comum. São Paulo. enquanto que em outras os mesmos patógenos possuem relevância secundária. menores investimentos em insumos básicos (como semente de qualidade garantida) e a não-adoção de tecnologia adequada para a cultura. causada por Macrophomina phaseolina é considerada de grande importância para região Nordeste. fazendo com que essa região freqüentemente importe sementes dos estados mais ao sul do Brasil.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Causada pelo fungo Macrophomina phaseolina. como o Sul. estabilidade essa devido ao aumento da área cultivada. na forma de micélio dormente. como antracnoses e bacterioses. Sudeste e Centro-Oeste. Outro fungo importante é a Sclerotinia sclerotiorum. estão amplamente disseminadas no Brasil. os quais detêm aproximadamente 80% da produção nacional. Bahia. ou localizar-se no interior das mesmas. No norte do Brasil. sendo esse problema agravado com o mau preparo do solo. não chega a causar problemas econômicos. sendo que nos outros estados a ocorrência é esporádica. para a qual são destinadas áreas menos produtivas. 234 . Isso é devido ao fato do feijão ter sido relegado à condição de cultura suplementar. muitas das doenças verificadas nos campos de produção de feijão são transmitidas por sementes. A produção brasileira de feijão estabilizou-se em torno de 2 milhões de toneladas. Devido à diversificação das cultivares e pelo fato do feijoeiro ser cultivado em todo o território nacional. Ceará. agente causal da podridão branca das hastes. a incidência de determinados patógenos assume importância econômica significativa em certas regiões. existem outros como Isariopsis griseola. Além desses patógenos. Embora ocorra em quase todas as regiões. sob as mais variadas condições de solo e clima. o fungo Rhizoctonia (causador da mela) é um fator limitante à produção de feijão. Os principais estados brasileiros produtores de feijão são Paraná. onde as plantas originam um sistema radicular mais superficial. causador da mancha angular. Santa Catarina. Minas Gerais. principalmente em regiões de clima seco. O patógeno pode estar misturado com as sementes na forma de escleródio.

c) Podridão de sementes: muitos fungos associados às sementes causam apodrecimento quando as mesmas ainda se encontram sobre a planta. fungos causadores de míldio em cereais e outros. 1. os mesmos podem também causar redução da qualidade das sementes para fins de comercialização e semeadura. como as produzidas por Xanthomonas e Pseudomonas em sementes de feijão. Exemplos característicos deste tipo de dano são os provocados pelo fungo Claviceps em muitas espécies de cereais e capins.). Colletotrichum truncatum. d) Esclerotização: a transformação do órgão floral ou da semente em esclerócio é uma importante doença em certas categorias de fungos e hospedeiros. são exemplos típicos de fungos causadores da morte e apodrecimento de sementes. ou mesmo durante a germinação em laboratório ou no campo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1. Além da morte de sementes e plântulas. Problemas provocados por bactérias O principal efeito de bactérias sobre as sementes é o completo apodrecimento das mesmas por ocasião da germinação e a morte da plântula nos primeiros estágios de desenvolvimento.2. 235 . a qual terá influência negativa no valor comercial. b) Redução do tamanho da semente: existem vários exemplos deste tipo de dano. As fusarioses de cereais. causam os mesmos efeitos. Efeito de patógenos sobre a qualidade das sementes Da mesma forma que são observados problemas de redução de rendimento em nível de campo. causando redução tanto quantitativa como qualitativa do rendimento.4. Nematospora coryli e Phomopsis sp. Outros fungos como Drechslera sorokiniana e algumas espécies de Fusarium. Podem-se destacar os danos causados por Alternaria brassicicola e Phoma lingam em crucíferas. muitas espécies de Drechslera. podem causar descoloração do tegumento.4.4. também em cereais. Os danos comumente provocados por fungos em sementes são: a) Aborto de sementes: exemplo típico deste dano são os causados por carvões de cereais (Ustilago spp. Problemas causados por fungos de campo Muitos fungos são sérios parasitas de primórdios florais e de sementes. Outros fungos. também em cereais. como os saprófitas e parasitas fracos. Stagonospora nodorum em trigo. em soja. as bactérias podem também produzir descoloração do tegumento.1. devido à incidência de patógenos. 1. Drechslera teres em cevada.

o fungo Colletotrichum lindemuthianum. este tipo de anormalidade caracteriza. 236 . produzindo lesões necróticas em sementes de feijão. especialmente em arroz e outros cereais. b) Descoloração das sementes. especialmente em sementes de gramíneas. originando perdas significativas quanto ao valor cultural e nutricional do produto armazenado. Existe um número muito grande de fungos causadores de descoloração de sementes em diferentes culturas. Drechslera oryzae e em feijão. os fungos Colletotrichum spp. todos os fungos que provocam necroses ou podridões profundas nas sementes irão reduzir a viabilidade. longevidade e a emergência das mesmas em nível de campo. até mesmo saprófitas. geralmente. Em leguminosas.3. enquanto outros se limitam a hospedar o tegumento ou pericarpo. a presença de parasitas. causando problemas de redução da viabilidade. sendo a taxa de ácidos graxos livres um indicativo da deterioração das sementes. soja. Outros gêneros de fungos como Fusarium. Phoma. c) Aumento da taxa de ácidos graxos. do valor nutricional e do valor comercial do produto. podem produzir descoloração do tegumento em muitas espécies de sementes. como Alternaria tenuis.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos e) Necroses em sementes: muitos fungos causadores de podridões de sementes produzem necroses nas mesmas.4. 1. Entretanto. Cercospora kikuchii. certas infecções que não causam podridões ou necroses são responsáveis pela redução da viabilidade das sementes. nos produtos destinados ao consumo. g) Redução de viabilidade e perda de germinação: obviamente. Os danos causados às sementes são bastante variados. causando rancificação do óleo. f) Descoloração das sementes: a descoloração das sementes é um fator de depreciação muito grande. e Ascochyta spp. geralmente é indicativo de uma baixa qualidade. em arroz. No material destinado à semeadura. os quais produzem lesões características no tegumento das sementes. geralmente penetram nos cotilédones. Cladosporium cladosporiodes e Curvularia spp. Problemas causados por fungos de armazenamento Os principais fungos envolvidos na perda de produtos armazenados pertencem a várias espécies de Aspergillus e algumas espécies de Penicillium. Exemplos clássicos: em soja. tritice em cevada e em trigo. Cephalosporium e. os quais têm sua atividade regulada pelas condições ambientais vigentes durante o período de armazenamento e pelas condições do lote de sementes. entre outras. Os principais efeitos sobre as sementes são: a) Perda da germinação devido à invasão do embrião. como é o caso de Ustilago nuda e U. ervilha. teor de umidade e inóculo inicial. especialmente de seu estado físico.

manchadas. De um modo geral. ter-se-á uma lavoura de melhor qualidade sanitária e mais produtiva. com utilização de máquinas adequadas e perfeitamente ajustadas. redução do crescimento radicular. sendo o grão da espiga substituído por 4 a 5 galhas. etc. enrugadas.) podem ser removidos do lote de sementes. Essas atividades estão relacionadas com a ação enzimática na degradação da parede celular do tecido vegetal. As galhas são produzidas principalmente a partir de botões florais não diferenciados. forma e coloração das sementes. causadas tanto por Aspergillus como por Penicillium. Como conseqüência imediata. não apenas em termos de rendimento ou de qualidade final do produto. A maioria dos danos provocados por microrganismos às sementes trazem como conseqüências variações significativas quanto ao peso. fazendo com que grandes investimentos sejam necessários para evitar frustrações de safras. reduzindo o valor qualitativo dessas. com anormalidade do hospedeiro decorrente da produção de hormônios de crescimento e com a produção de toxinas. As conseqüências oriundas de um mau controle fitossanitário são bastante comprometedoras. é indispensável se considerar antecipadamente a adoção de medidas preventivas e/ou curativas. muitos desses fatores indesejáveis (sementes pequenas. Os vírus podem também provocar alterações morfológicas e descoloração das sementes. as quais podem atuar isoladamente ou em conjunto no processo de desenvolvimento de uma doença. aumento da taxa respiratória e interferência no metabolismo normal de aminoácidos. a adoção de métodos apropriados de beneficiamento de sementes. as quais podem ser letais ao homem e aos animais. 237 . chochas. Levando-se em consideração essas variações.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos d) Aquecimento da massa de sementes.4.4. com conseqüente aumento da taxa respiratória. Quando se planeja produzir sementes de alta qualidade. como fator decorrente. 1. cevada e outras gramíneas. podem provocar redução da viabilidade. as quais irão causar decomposição dos tecidos vivos. visando minimizar as perdas decorrentes da incidência de microrganismos. quando transmitidos pelo embrião. Algumas espécies do nematóide Anguina produzem galhas nas espigas de trigo. teremos uma melhoria significativa da qualidade dos lotes das sementes e. Danos causados às sementes por vírus e nematóides Os vírus geralmente causam o aborto de sementes mas. podendo levar as sementes a uma rápida deterioração. especialmente em leguminosas. a ação bioquímica de microrganismos sobre o hospedeiro baseia-se em três atividades distintas. mas também por permitir que o problema persista gerações após gerações. malformadas. e) Produção de toxinas.

bem como os materiais e equipamentos. Essas medidas visam a evitar a entrada de microrganismos indesejáveis (quarentenários) não existentes no país importador ou. isso é necessário tanto para o remetente da amostra como para o próprio laboratório. se existentes. todo o material vegetal propagativo deve ser avaliado no intercâmbio internacional. isso é conseguido quando se tem uma metodologia muito bem definida e avaliada. d) o tempo e o trabalho dispensados na execução e avaliação dos testes de sanidade. Serviço quarentenário Com a finalidade de verificar a observância dos padrões fitossanitários estabelecidos pelo país importador. fazendo com que o teste seja facilmente aplicável e interpretado.1. devem manter-se dentro de limites economicamente aceitáveis. deve atender a cinco objetivos fundamentais: a) os resultados obtidos no teste de sanidade devem ser precisos.2.1. para ser utilizado de forma rotineira pelos laboratórios de análise sanitária de sementes. PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DOS TESTES DE SANIDADE DE SEMENTES 2. Para a detecção 238 . da finalidade de sua aplicação e dos objetivos a serem alcançados. mantidos sob condições de extremo controle. Objetivos Podemos dizer que os testes de sanidade têm aplicação prática em todas as fases do programa de produção de sementes. 2. A escolha de uma ou outra metodologia para a avaliação da qualidade sanitária das sementes está na dependência. estando diretamente relacionada com a política que normatiza o desenvolvimento e execução do programa de sementes.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2. aos padrões estabelecidos no programa de produção de sementes. oferecendo resultados compatíveis com os observados a campo. especialmente. b) os resultados obtidos no teste de sanidade devem ser facilmente reproduzíveis. e) os resultados alcançados em testes de sanidade que necessitem incubação das sementes devem ser obtidos no mais curto período de tempo possível. Princípios Um teste.2. sendo importantes para: 2. c) o teste de sanidade deve ser suficientemente sensível a ponto de permitir a detecção de baixas porcentagens de infecção atendendo. em especial.

as condições de incubação são favoráveis para o desenvolvimento do patógeno e também para a germinação das sementes. Em alguns testes.2. tem-se buscado a utilização. de técnicas bastante sensíveis. Isso é devido ao fato da ocorrência de uma série de fatores adversos não controláveis do ambiente. em vários cultivos.4. Entretanto. as análises realizadas envolvem testes como em papel filtro e até técnicas mais demoradas. 2.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos de fungos. como o teste em papel de filtro. Determinação da eficiência do tratamento de sementes Testes como o de papel de filtro e os com meios seletivos permitem 239 . como o método de sintomas em plantas em crescimento. sintomas em plântulas e em plantas em crescimento. Testes com inoculação. Testes como o de papel de filtro. 2.2. mas também determinar a influência dos mesmos sobre a germinação e o desenvolvimento das plântulas.2. 2. como métodos sorológicos (ELISA.5.2. permitindo a detecção do maior número possível de patógenos. o teste de sanidade assume o mesmo objetivo do teste de germinação. o teste em meio seletivo ou o método de sintomas em plântulas oferecem três alternativas quanto à possibilidade de uso das sementes: semeá-las sem tratamento. altas correlações entre os dados de laboratório com os de campo nem sempre são obtidas. semeá-las depois de tratadas ou não semeá-las. Serviço de certificação de sementes A adoção de padrões fitossanitários é uma medida que ajuda o serviço de certificação a obter lotes livres de patógenos. O teste de sanidade a ser utilizado para atender a esse objetivo deve não apenas determinar a presença ou a ausência de patógenos.2. Para o serviço de certificação. tendo obviamente a sensibilidade necessária para atender os padrões existentes. Para a detecção e identificação de viroses e bacterioses. com reflexos significativos na redução do potencial de inóculo de determinados patógenos.3. PCR). Recomendação do tratamento de sementes Os resultados de testes de amplo espectro. exame em placas de Agar e teste em papel filtro podem ser utilizados. destinando-as para outro fim. quando possível. como o de papel de filtro. meios de cultura e crescimento de plântulas podem ser utilizados. Determinação do valor para a semeadura Quando se busca avaliar o valor das sementes para a semeadura. os testes a serem utilizados devem possuir um amplo espectro. 2.

e Penicillium spp. Determinação da qualidade das sementes armazenadas e do valor nutritivo dos grãos Métodos que permitam a detecção de patógenos produtores de toxinas. as quais exercem efeito negativo sobre a saúde humana e animal. especialmente de Aspergillus spp.7. A inoculação de plântulas com isolados de microrganismos patogênicos permite a distinção de cultivares resistentes de cultivares suscetíveis.2.6. 3. Método da semente seca Este método pode ser realizado juntamente com a análise de pureza. Exame da semente não-incubada 3. Esses testes variam quanto à sensibilidade e objetivo. MÉTODOS USADOS PARA A DETECÇÃO DE MICRORGANISMOS EM SEMENTES Existem vários testes que podem ser aplicados para a detecção de microrganismos associados às sementes. 3. As sementes classificadas como puras devem ser examinadas. o grau de umidade também deve ser monitorado.2. outras sementes e material inerte.1. Teste em meio de cultivo. com a adição de 18% de cloreto de sódio. 240 . enquanto que outros permitem a identificação do patógeno através de descolorações e anormalidades do tegumento das mesmas.1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos determinar com segurança se o tratamento de sementes foi eficiente ou não na erradicação dos patógenos. devem ser utilizados na avaliação da qualidade do material armazenado. Na análise de pureza a amostra é examinada cuidadosamente. o que poderá contribuir para a determinação de mistura varietal. sem prévia incubação.1. Determinação da mistura varietal Testes de sanidade também podem ser utilizados como técnica auxiliar para a determinação da pureza genética de um lote de sementes. como o Batata-Dextrose-Agar (BDA). é muito eficiente para a detecção de fungos de armazenamento. 2. 2. Alem da determinação da presença desses microrganismos. classificando o material encontrado em três classes distintas: sementes puras. Não se deve esquecer de que esses testes não podem ser aplicados para patógenos parasitas obrigatórios. sendo que alguns métodos exigem incubação das sementes.

produzindo manchas de coloração púrpura. são agrupados os restos de plantas. Esse método pode ser aplicado para um grande número de patógenos e espécies de sementes. com poder de ampliação de até 60X. após satisfeitas as exigências da análise da pureza. devido a necroses ou descolorações produzidas por microrganismos. Peronospora manshurica. o qual provoca descoloração do tegumento. pedaços de hastes e vagem. O teste de fluorescência deve ser conduzido como um teste complementar. é o responsável pelo dano conhecido por ponta-preta em sementes de trigo. Na fração material inerte. descolorações azul-esverdeadas do escutelo são produzidas por fungos de armazenamento. etc. Sementes secas podem mostrar sintomas de diferentes intensidades. galhas. A presença do vírus causador da mancha café também é detectada por esse método. Em milho. Septoria nodorum produz fluorescência esverdeada em trigo. produz uma crosta branca. sendo útil para uma rápida estimativa do nível de infecção dos patógenos. Um complexo de fungos. uma vez que certos patógenos produzem fluorescência amareloazulada em trigo e de cor creme em feijão. massa de esporos ou células bacterianas aderidas à superfície das sementes. em feijão. Entre os fungos envolvidos. deve ser incubado para complementar as informações obtidas a partir do exame das sementes secas.). Sementes de soja são freqüentemente atacadas pelo fungo Cercospora kikuchii. a amostra de trabalho deve ser examinada com o auxílio de um microscópio estereoscópio. ervilha e em outras leguminosas. Estrias esbranquiçadas no endosperma de sementes de milho são um indicativo da presença de Fusarium moniliforme. Outro fungo encontrado no tegumento das sementes de soja. destacam-se Curvularia lunata. 241 . Certos microrganismos têm sua identificação facilitada. manchas marrons geralmente são indicativos da presença de fungos. como o caso de Colletotrichum lindemuthianum. composta por oósporos do referido patógeno. como também podem ser detectados corpos frutíferos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos visando-se encontrar sinais ou sintomas indicativos da presença de microrganismos. entre eles patógenos e saprófitas. Alternaria alternata e Bipolaris sorokiniana. em sementes de ervilha. embebendo-se as sementes em água ou lactofenol (Septoria sp. Para facilitar a condução do teste e interpretação dos sintomas detectados nas sementes. desde que o patógeno envolvido produza sobre a semente algum indicativo característico de sua presença. Ascochyta pisi e Mycosphaerella pinodes. escleródios. e Gloeotinia sp. Esse material. geralmente do gênero Aspergillus. O exame de sementes secas pode ser favorecido pela utilização de luz ultravioleta. Em sementes de feijão.

Fatores limitantes à aplicação desse procedimento estão relacionados com a não-detecção dos microrganismos localizados no interior das sementes. Essa água será centrifugada por 15 minutos a 2500RPM. Stemphyllium. complementando as informações obtidas a partir dos testes com incubação das sementes. adicionam-se 10ml de água. Além disso. Retira-se a água da lavagem. 242 . não requerendo muitos equipamentos. as quais são colocadas em um Erlenmeyer de 100ml. hordei só produzirão infecção no campo se existirem esporos localizados entre as glumas e as cariópses. O método da lavagem das sementes é adequado para contaminações que estão presentes exclusivamente na superfície das sementes. a quantidade desses esporos não é uma verdadeira expressão do potencial de inóculo. quando essas são embebidas em água. Pyricularia e outros. A essas sementes. Foi demonstrado que os fungos Ustilago avenae e U. enquanto que os esporos aderidos à superfície das sementes não produzirão infecção. Método da lavagem da semente Este método baseia-se na imersão. em água destilada. a fim de remover os esporos e outras estruturas aderidas à superfície das mesmas. sendo necessária a condução de outro método para obtenção desses dados. além de poder ser conduzido juntamente com a análise de pureza. agitando-se por 10 minutos. Entretanto. como também na identificação de outros fungos aderidos à superfície das sementes. a exemplo de Alternaria. Fusarium.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Os nematóides Aphelenchoides besseyi e Ditylenchus angustus são facilmente identificados em sementes. O mesmo é verdadeiro para fungos que apresentem esporos aderidos à superfície e micélio dormente no interior das sementes. É um teste indispensável para a detecção de escleródios de fungos e galhas de nematóides.2.1. Como conseqüência. a menos que produzam sintomas típicos no tegumento. sem muito trabalho adicional. O resultado do teste é expresso em número de esporos por grama de sementes. visando a contagem do número de esporos encontrados na suspensão. 3. somente os patógenos causadores de sintomas facilmente visíveis externamente são detectados através desse método. Drechslera. O método de semente seca permite obter uma rápida informação sobre o estado sanitário das sementes. Esse método é grandemente utilizado para a detecção quantitativa de esporos de cáries em cereais. elimina-se o sobrenadante e o restante será examinado em microscópio binocular. de 100g de sementes (duas repetições de 50g de sementes). com o auxílio de um hemacitômetro. Terminada a centrifugação. não se tem informação sobre a viabilidade do patógeno. colocando-a em tubos de centrífuga.

os embriões são transferidos para um Becker de 100ml. Será considerado infectado o embrião que apresentar em seu interior micélio do fungo. quando se usam caixas gerbox. pode-se incubar maior número de sementes por recipiente. com 0. a uma temperatura de 22oC. os embriões são separados dos endospermas e coletados em uma peneira. as quais são distribuídas em repetições.2g de trypan blue.1. fornecendo resultados altamente correlacionados com a infecção no campo. os embriões são examinados individualmente com o auxílio de um microscópio estereoscópio. Para tal. Após. de número variável. em função do tamanho dos recipientes e das sementes. as quais são maceradas a 22oC em solução de 10% de NaOH. permitindo a identificação mais rápida e segura do patógeno envolvido. Esse método é grandemente utilizado para detecção de carvão em cevada e trigo. por litro de solução. Exame da semente incubada A metodologia dos testes descritos a seguir incluem a incubação das sementes sob condições controladas. no mínimo. Após clarificados. o qual é facilmente distinguível pelo fato de permanecer com a coloração azul adquirida do corante.3. esporulação e indução de sintomas. ou anilina azul. através de um funil dotado de cano de borracha e presilha.2. Usando-se sementes de soja em placas de Petri com 9cm de diâmetro. 2.000 sementes. utiliza-se uma amostra de. Desse modo. 3. dentro das quais os mesmos serão espalhados. também chamado de Blotter Test. as quais são deixadas imersas nessa solução durante o período de uma noite.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 3. No dia seguinte. Método do papel filtro Neste teste. aos quais é adicionado lactofenol para a clarificação dos mesmos. as sementes são colocadas em um recipiente apropriado (Funil de Fenwick) onde. Uma vez adequadamente clarificados. a avaliação do teste e identificação dos embriões infectados são facilitadas. 400 sementes. faz-se a remoção do restante de endosperma que ainda permanece junto aos embriões. os embriões devem ser distribuídos em uma placa de Petri contendo uma sobreplaca com ranhuras (fendas). são avaliadas.2. como as de trigo. com o auxílio de água morna corrente (50 a 70oC). de modo a facilitar o crescimento.1. Para sementes menores. A quantidade deve ser suficiente para cobrir todas as sementes. Método da contagem de embriões Neste método. não incubar mais de dez sementes por placa. Essa clarificação é realizada colocando-se a suspensão em banhomaria por 10 a 20 minutos. tendo o cuidado de observar certa distância entre as 243 . 3. no mínimo. não colocar mais de 20 sementes por caixa.

uma vez que o micélio é septado em ângulo reto (90°). produz micélio com características peculiares às que permitem identificá-lo em sua fase vegetativa. A luz deve ter um comprimento de onda entre 320 e 400mm. As condições de incubação devem ser rigorosamente seguidas. ramificados ou não. Caso não seja possível a identificação do patógeno através desse equipamento. 244 . combinando as vantagens da investigação in vitro com as observações in vivo. Esse comprimento de onda é obtido usando-se luz fluorescente fria ou luz negra (NUV). O teste em papel de filtro pode ser descrito com um híbrido entre a câmara úmida. O substrato a ser utilizado pode ser papel de filtro ou mata-borrão. as sementes são distribuídas sobre o substrato e incubadas a uma temperatura de 20 ± 2oC. Logo após. sob regime luminoso de 12h de luz e 12h de escuro. havendo a presença de septos antes e depois da ramificação. por um período de 7 a 8 dias. bem como o arranjo dos mesmos sobre os conidióforos. também deve ser observada (Fig. por inferência. encontrarmos valores superiores a 100%. Através desse método. estimar a viabilidade das sementes e. deve-se montar lâminas com material do fungo desejado e examiná-lo em microscópio composto. colocando-se duas a três folhas de papel em cada recipiente (observar a capacidade que o papel possui em absorver e reter a água). desse modo. e o teste de germinação. bem como uma constrição na base da hifa ramificada (Fig. A identificação dos mesmos é feita levandose em consideração as características de suas estruturas reprodutivas. contaminação de uma semente para outra. acérvulos. O fungo Rhizoctonia spp. o efeito dos fungos sobre a germinação das mesmas. O resultado final do teste é expresso através da porcentagem média de cada uma das espécies fúngicas encontradas na amostra. Se. 10).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos mesmas evitando-se. refletindo a baixa qualidade sanitária da amostra. O papel substrato deve ser previamente umedecido em água destilada e esterilizada. forma e tamanho dos conídios. Esse método pode ser utilizado para todos os tipos de sementes. examinando-se individualmente todas as sementes com auxílio de microscópio estereoscópio com aumento de 50 a 60X. ao somarmos as porcentagens de cada fungo. de modo a promover a esporulação dos fungos. picnídios e do próprio micélio. A avaliação é realizada após o período de incubação. tendo a vantagem de detectar um grande número de fungos associados às mesmas. é possível avaliar a viabilidade do inóculo presente nas sementes. a fim de permitir a esporulação dos fungos. muito utilizada em patologia vegetal. observando detalhes dos conídios. A presença ou ausência de septos e pigmentação. conidióforos. 3 a 9). isso indica que sobre uma mesma semente foram encontrados dois ou mais fungos.

CONÍDIO CONÍDIO FIÁLIDE CONIDIÓFORO CONIDIÓFORO Figura 5 .Conidióforo e conídios de. Figura 4 .Conidióforo e conídios de Penicillium. fiálides e conídios de Fusarium.Conidióforo. 245 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos CONÍDIOS CONÍDIO CONIDIÓFORO CONÍDIO CONIDIÓFOROS FIÁLIDE Figura 3 .Conidióforo e conídios de Pyricularia. Figura 6 . Aspergillus.

o HIFA CONÍDIOS CONIDIÓFORO Figura 9 . Figura 8 .Micélio de Rhizoctonia. Figura 10 .Conidióforo e conídios de Bipolaris.Picnídios e conídios de Phomopsis.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos CONÍDIOS CONÍDIO PICNÍDIO CONIDIÓFORO Figura 7 .Conidióforo e conídios de Alternaria. 246 .

visando evitar a germinação das sementes. nesse caso. sendo necessário.2%. A porcentagem de infecção obtida com essa técnica é bastante próxima a observada em meio de cultura. Durante esse período de incubação. Septoria. Essa técnica é bastante útil. as sementes. 247 . os quais romperão a estrutura celular.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Apesar de sua grande aplicação. Realizado o congelamento. em razão das condições de incubação não serem favoráveis ao surgimento da forma imperfeita sobre as sementes. após terem sido semeadas sobre o substrato previamente umedecido com água destilada e esterilizada. as sementes permanecerão com suas posições inalteradas sobre o substrato. Isso pode provocar contaminações secundárias e dificultar a interpretação do teste. matando a semente. originando. haverá a um aumento de volume e a formação de cristais de gelo. Quando se deseja utilizar a técnica do congelamento. as sementes são transferidas para um freezer. as sementes irão absorver umidade suficiente para a retomada dos processos metabólicos e início da germinação. esse método apresenta certas limitações. e por permitir o rápido crescimento de fungos contaminantes (Rhizopus e outros). em solução com a água empregada para o umedecimento do substrato. Outra técnica que pode ser utilizada para manter as sementes em suas posições originais é a utilização de herbicida (2. a realização do pré-tratamento das sementes em hipoclorito de sódio. inclusive. as sementes retornam à câmara de incubação. além de facilitar a avaliação do teste. onde permanecerão por mais 24 h. Após. como a utilização do congelamento rápido e de herbicida. uma superestimativa do potencial de infecção da amostra. o fato de fungos de crescimento vegetativo muito lento poderem ser rapidamente encobertos por outros mais vigorosos. especialmente devido à falta de resistência do hospedeiro. Inibindo a germinação. são incubadas por um dia sob condições normais ao do teste em papel filtro. com temperatura de -20oC. Phoma e outros). As condições de incubação são idênticas às descritas para o método do papel de filtro. como a dificuldade para identificação de bactérias patogênicas. Fusarium. A germinação das sementes faz com que elas se movam sobre o substrato. Devido ao rápido congelamento. facilitando a avaliação do teste. O referido método apresenta algumas variantes. quando então serão examinadas. favorece o surgimento de certos fungos (Drechslera. onde permanecerão por um período de sete dias. especialmente para sementes de cereais pois. permitindo que haja o contato entre as mesmas. não detectar fungos causadores de míldio. A concentração da solução de herbicida é de 0. 4-D).

Sob condições controladas de temperatura e umidade. porém mais trabalhoso.3. dextrose e Agar (BDA). As sementes. Este teste. as sementes devem ser prétratadas com hipoclorito de sódio a 1% por 10 minutos. O meio de cultura mais utilizado é composto por batata. o uso desse teste permite obter informações pertinentes ao desempenho do lote de sementes no campo. levando-se em consideração as características das mesmas (forma. Para a detecção de fungos de armazenamento. de modo a evitar o surgimento de fungos saprófitas. 3. 248 .2. fungos de rápido crescimento impedem a identificação de fungos de crescimento mais lento.2. podem surgir mais de uma colônia a partir da mesma semente. por um período de 5 a 7 dias. areia ou material similar. é aconselhável a adição de 18% de NaCl ao meio de cultura.2. Além disso. Método do sintoma em plântulas O substrato utilizado nos testes de papel e em meio de cultura é completamente artificial. em relação a doenças transmitidas por sementes. coloração). Quando o teste é empregado ocasionalmente. previamente autoclavado. tamanho. o que torna difícil a identificação dos fungos. Recomenda-se a incubação do material inerte em separado. perdendo muito tempo no exame das colônias e na montagem de lâminas para exame em microscópio composto. Um caminho para o estabelecimento de condições naturais é obtido pela semeadura das sementes em solo. é mais rápido. Método em placa de Agar As sementes são colocadas em placas de Petri contendo quantidade suficiente de Agar. em temperatura constante de 20oC. O princípio de avaliação desse método é o exame macroscópico das colônias formadas pelos fungos. Antes de semeadas sobre o meio de cultura. esporulação e indução de sintomas nas sementes ou plântulas ou quando se deseja detectar patógenos que produzem colônias características em meio de cultura. sementes e plântulas podem desenvolver sintomas comparáveis com aqueles encontrados sob condições de campo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 3. o analista hesitará na identificação do patógeno. Geralmente. observando-se as duas faces da placa de Petri. distanciadas umas das outras de acordo com o tamanho das sementes. pois envolve o preparo e esterilização do meio de cultura. se comparado com o teste em papel de filtro. Para alguns patógenos. serão então semeadas sobre o meio de cultura e incubadas sob regime luminoso de 12 h de luz e 12 h de escuro. Esse método é geralmente empregado quando o teste em papel de filtro não oferece condições adequadas para o crescimento vegetativo. após pré-tratadas. pois uma pode mascarar e até mesmo inibir o crescimento da outra.

a qual deve ser de granulometria fina. Neste método.2. o substrato utilizado é tijolo moído. adicionam-se 0. A camada necessária para cobrir as sementes após a semeadura terá uma espessura variável. aveia.3. ao invés de utilizar-se tijolo moído. por um período de três semanas. observando-se os sinais de doenças nas plântulas inteiras. A avaliação é feita retirando-se do substrato as plântulas e sementes não-germinadas. Método da areia . 3.3. anotando-se também o número daquelas que não conseguiram emergir. adiciona-se 1 parte de areia. Método do solo padronizado . Esse método pode ser utilizado para um grande número de espécies. Fusarium e Septoria. 3. Quatro repetições de 100 sementes de cereais (trigo. Para detecção de Fusarium. variando apenas o substrato.6 partes de água. composto de 6 partes de turfa. e Colletotrichum gossypii. A seguir. 249 .3. em cereais. sob condições de temperatura ambiente e na ausência de luz. O substrato pode ser reutilizado.Neste teste. uniformemente distribuídas. olerícolas e florestais. em temperatura de 20 a 10oC. 4 partes de argila e fertilizante completo.3. as sementes são cobertas por uma camada de mais ou menos 3cm e incubadas por duas semanas. Esse material é empregado devido a sua capilaridade e capacidade de retenção de umidade. incluindo sementes de cereais. cevada. Para cada 3 partes desse composto. criando um microclima altamente favorável ao desenvolvimento do patógeno. serão abordadas três técnicas mais utilizadas.A metodologia é a mesma que a do teste anterior.2. A incubação tem um período variável entre duas a quatro semanas. entre outros) são convenientemente distribuídas em um recipiente contendo uma camada de mais ou menos 8cm de substrato previamente umedecido. Após perfeitamente homogeneizado. recomenda-se incubação em temperaturas mais baixas (10-12oC). respectivamente. em função do tamanho da semente a ser testada. usa-se areia. sendo útil na detecção de Drechslera.2.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Existem várias metodologias utilizadas para detecção de patógenos baseadas nos sintomas em plântulas. Método do tijolo moído (Hiltner´s Method) . É aconselhável envolver os potes em sacos plásticos para evitar a evaporação da umidade.2. leguminosas. semeando-se 3 a 5 sementes por pote.O substrato a ser utilizado envolve um solo previamente preparado. tendo suas partículas um tamanho máximo de 3 a 4mm de diâmetro. Após semeadas. em algodão. O substrato é colocado em potes plásticos.1. desde que autoclavado à temperatura não inferior a 95oC por 20 minutos. 3.

a avaliação do teste deve ser realizada quando a planta se encontrar em uma fase adiantada de desenvolvimento. Nesse método. colocadas em recipientes plásticos (vasos ou bandejas) e incubadas sob condições de temperatura controlada. malvacearum e X. para avaliação de lotes de sementes importadas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Esse método é usado para a detecção de Fusarium. campestris pv. pode também ser empregado para míldios e ferrugens. 3.O método da inspeção do campo de produção de sementes é. exigir uma câmara específica ou casa de vegetação para incubação do material.4. o meio 250 . Xanthomonas campestris pv. visando a detecção de bactérias. como fusarioses em olerícolas. Algumas metodologias deste teste já foram padronizadas. as sementes são semeadas em solo padronizado.4.4.Certos patógenos associados às sementes. havendo a necessidade do efetivo controle da temperatura. Método da inspeção do campo de produção de sementes . para que possam ser detectados.1. visando facilitar a detecção do Lettuce Mosaic Virus. campestris pv. X. com a necessidade de uma ampla sala de incubação e com o fato de não detectarem patógenos que ocorrem no fim do ciclo da cultura. As limitações desses métodos de sintomas em plântulas estão relacionadas com o período prolongado de incubação. especialmente bactérias e vírus. Após pré-tratadas. tais como Pseudomonas syringae pv. com a dificuldade do manuseio do substrato.2. glycinea.As sementes são semeadas em solo previamente autoclavado. syringae pv.2. P. Esse método é de grande valia para postos de serviços quaternários. 3. pisi. adequadamente umedecido e incubadas a uma temperatura de 25oC na ausência de luz. para muitas doenças. 3. vesicatoria. Apesar de sua utilidade. Além de ser útil para detecção de bacteriose e viroses. Inspeção da planta após o estágio de plântula . Barley Stripe Mosaic Virus e outras doenças sistêmicas. o referido método não é empregado em análise de rotina pelo fato de ocupar muito espaço.2. necessitam de um período de incubação maior do que o usualmente fornecido pelos métodos de sintomas em plântulas. Para esses patógenos. são testadas 200 sementes previamente tratadas com hipoclorito de sódio a 2% durante 10 minutos. Método do sintoma em plantas em crescimento . A primeira avaliação dos sintomas é realizada no estágio de três folhas e a avaliação final 10 dias após a primeira.2. campestris. Septoria e Drechslera em sementes de cereais. umidade e luminosidade e pelo fato de ser um teste muito demorado.

Sem a inclusão desses níveis de infecção nos padrões de campo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos mais efetivo de controle. é imprescindível a adoção de uma amostragem representativa da área. A dificuldade para caracterização de um microrganismo responsável por determinada doença é outro fator que se reveste de importância negativa. Entretanto. Os investimentos necessários para a condução do método citado são relativamente elevados. há o efeito do meio ambiente sobre o estabelecimento do patógeno e desenvolvimento da doença. A primeira é geralmente efetuado quando a planta se encontra em pleno crescimento e. ou após. é possível sanar esses inconvenientes. tal método é inviável. o milho. através da combinação das inspeções sanitárias com inspeções de outros propósitos (mistura varietal. tolerância zero. Nesse caso. por ocasião da maturidade. a segunda. invasoras) comumente realizadas nos campos de produção. como é impossível avaliar todas as plantas individualmente. métodos laboratoriais devem ser realizados visando a complementação das informações obtidas do campo de produção inspecionado. faz-se necessário o prévio estabelecimento dos padrões de campo para determinadas doenças. uma vez que dois ou mais patógenos podem provocar sintomas similares. ou agirem simultaneamente sobre a planta. o algodão e o feijão. para que esse método possa ser aplicado. com o passar do tempo. Em qualquer esquema de certificação ou fiscalização de sementes. o trigo. técnica que contribuiu para o aumento da produção agrícola. especialmente. definido o nível máximo de infecção que uma lavoura pode conter para ser utilizada como semente. ou seja. Além disso. Um fato negativo desse método é a possibilidade de não detecção de determinado patógeno. por ocasião da floração. Nessas situações. permitindo a rejeição de lotes antes mesmo de serem colhidos. Uma vez estabelecidos e observados os padrões de infecção. o arroz. tornando variável o grau de incidência e a importância econômica dos 251 . como a soja. Entretanto. no mínimo duas inspeções do campo de produção devem ser realizadas. Para cada cultura existe um determinado número de patógenos economicamente importantes e que são transmitidos por sementes. dificultando a identificação do agente causal. Todo o esquema de certificação ou fiscalização de sementes está primariamente baseado na inspeção dos campos de produção. esse método é de importância incalculável. Entretanto. esses níveis poderão ser reduzidos a valores ideais. para as culturas de maior importância econômica. Detalhes quanto às técnicas de avaliação de infecções nos campos de produção dependem da espécie cultivada e do patógeno envolvido. Esse procedimento deve ser aplicado. especialmente no que diz respeito a trabalho e transporte. através do exame de um número suficiente de plantas e de vários pontos de amostragem.

as sementes são rigorosamente esmagadas. Análise através de bioensaios ou procedimentos bioquímicos 3. inoculando-se duas plantas por repetição. quinoa. essas usadas como plantas indicadoras. A metodologia preconizada para a detecção do vírus do mosaico da alface. fuscans em plantas indicadoras é um método bastante sensível e eficiente para a detecção desses microrganismos. Pisum sativum e Vigna unguiculata.1. através de leves ferimentos produzidos pela raspagem de carborundum sobre as mesmas. infiltração a vácuo. sob 252 . N. Injeção hipodérmica. Após dois a quatro minutos. com uma rápida borrifada de água.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos mesmos. Cada repetição é colocada em uma placa de Petri. Phaseolus mungo. Adiciona-se uma pitada de carvão ativado em cada placa de Petri e mistura-se bem. Método de inoculação em plantas indicadoras O inóculo em sementes infestadas ou infectadas pode ser usado em várias formas para produzir sintomas em plântulas ou plantas sadias. lava-se o excesso do material depositado sobre as folhas inoculadas. Glycine max.3. pressionando-se a colher contra as sementes. O inóculo é aplicado através de cotonetes sobre a superfície de três folhas por planta. P. A amostra prétratada com hipoclorito de sódio é incubada por 18 a 24h em 1.200ml realizada sob condições ambientais. phaseoli var. As folhas das plantas indicadoras (Chenopodium quinoa) são preparadas para receber o inóculo.6% por 15 minutos. Existe um grande número de plântulas indicadoras com eficiência comprovada para a detecção de viroses transmitidas por sementes. Nicotiana glutinosa. seguidas de necroses sistêmicas. C. à qual adicionou-se 1ml de buffer. entre anos de cultivo e entre regiões geográficas. vulgaris (algumas variedades específicas). Usando-se as mãos devidamente limpas. C. fazendo-se a inoculação do líquido remanescente através de injeções no nó das primeiras folhas das plântulas de feijão (10 dias. 3. A incubação das plantas inoculadas é realizada a 25oC. Entre as espécies mais usadas. aproximadamente).3. Uma amostra de 500g de sementes não tratadas de cada lote de feijão são desinfectadas com solução de hipoclorito de sódio a 2. A reação positiva é observada através de grandes lesões. Cucumis sativus. sendo em seguida lavadas com água esterilizada. através do método de inoculação em planta indicadora. atomização de material oriundo das sementes infectadas com Xanthomonas phaseoli ou X. tabacum. amaranticolor. com o auxílio de uma colher de plástico. destacam-se Chenopodium album. prevê a análise de 400 sementes por amostra. a qual é dividida em quatro repetições de 100 sementes.

Esse teste vem sendo freqüentemente utilizado por pesquisadores. entre eles Barley Stripe Mosaic Virus. à necessidade de uma casa de vegetação para crescimento das plantas indicadoras e. Cada partícula de fago forma uma zona característica (placa) e essas são contadas. por um período de dez a doze dias. Para outras viroses. A presença de bactérias homólogas é indicada pelo aumento significativo do número de placas no segundo isolamento. A seguir. embora possuindo metodologia padronizada para a detecção de viroses. Esse teste.2. 3. em um liqüidificador. e após 6 a 12h. 1972). substancialmente contaminadas com bactérias saprófitas. 1970) em sementes de feijão e. espalhadas em placas previamente inoculadas com bactéria indicadora.1ml dessa mistura são imediatamente. não tem sido empregado em análise de rotina. Segundo Neerrgaard (1979). Essa pasta é incubada em 24h. envolvendo as mesmas em sacos plásticos no primeiro dia de incubação. à dificuldade de obtenção e manutenção das plantas indicadoras. em sementes de ervilha (Taylor. Uma amostra de 250g de sementes é superficialmente esterilizada em solução de hipoclorito de sódio a 2% durante 10 minutos.000 partículas de fago. visando a multiplicação da bactéria. posteriormente para P. são maceradas em um litro de calda nutritiva (NB). seguindo a mesma metodologia descrita anteriormente. por um período mais longo que o normal. tendo sido inicialmente estabelecido para a detecção de Xanthomonas campestris pv. situação essa freqüentemente detectada quando as condições climáticas forem adversas por ocasião da maturidade ou quando as vagens permanecerem em contato com o solo úmido. A sensibilidade do teste pode decrescer em sementes de feijão. pode-se inocular o extrato extraído de folhas com sintomas da doença. principalmente. Porções de 10ml são removidas assepticamente para frascos esterilizados e adiciona-se uma suspensão contendo 4. o método de inoculação em plantas indicadoras pode ser usado para a detecção de vários virus. Apesar de sua grande sensibilidade e eficiência. 253 . pisi.3.000 e 5. Método da placa de fago Este método é utilizado para a detecção de bactérias patogênicas. é pouco usado em análises de rotina devido ao tempo exigido para a condução do teste.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos regime luminoso de 16h de luz e 8h de escuro. phaseolicola (Taylor. Amostras de 0. Aconselha-se o uso de testemunhas. Bean Common Mosaic Virus e Cowpea Mosaic Virus. Phaseoli e Pseudomonas syringae pv. usando-se duas plantas não inoculadas e outras duas inoculadas apenas com buffer + carvão ativado + carborundum.

3. . invertidas.3. Depois de obtida a cultura pura. 254 . .identificar as placas e incubá-las.retirar.com um bastão de vidro. por um período de 48h ou mais. enquanto os semi-seletivos devem permitir a identificação. A utilização de meios seletivos e semi-seletivos prevê o uso de agentes inibidores do crescimento de saprófitas (bactérias e fungos). . Não envolve a utilização de equipamentos sofisticados e onerosos. desde que se disponha de bacteriófagos ativos e específicos para as bactérias que necessitam ser detectadas.4. sendo a suspensão plaqueada em meio de cultura B de King. por três vezes. pelo menos. .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Esse método é perfeitamente aplicável em análise de rotina. especialmente quando grande número de amostras necessitam ser testadas. para tubos de ensaio. ao acaso. de forma presuntiva. adicionando-se 0. as quais são colocadas em placas de Petri esterilizadas. previamente solidificado em placas de Petri esterilizadas. sob temperatura de 25-27°C. As colônias obtidas serão então testadas quanto à identidade e patogenicidade por outros métodos aqui citados. por 10 minutos. de vários patovares de Pseudomonas syringae e Xanthomonas campestris (Schaad e Foster). em temperatura de 25-27°C. Outra técnica passível de ser utilizada para o isolamento de bactérias é a seguinte: . transferir uma gota da suspensão bacteriana que se formou. repicar aquelas bem isoladas das demais.após o crescimento das colônias. 3. espalhando-as sobre meio de cultura apropriado. Meios seletivos A utilização de meios seletivos permite a identificação. bem como o atendimento das necessidades nutricionais do organismo testado. com água esterilizada. durante 30 minutos. visando a extração das bactérias. em nível de gênero. as bactérias são extraídas das sementes por meio de moagem e adição de água destilada esterilizada. 100 sementes da amostra de trabalho. Lavar as sementes. colocando-as em um recipiente com etanol a 96%. Transferir as sementes para outro recipiente contendo hipoclorito de sódio a 2%. além de ser facilmente avaliado.75ml de solução salina. pode-se aplicar os testes necessários para a identificação das mesmas. . 3.incubar por 24-48h.dividir as 100 sementes em quatro repetições de 25.3. Os meios seletivos diferenciam os patógenos a nível de espécie. Isolamento direto Nesta técnica. nutriente Agar ou outros.

campestris pv. campestris (Schaad e Kendrick). Entretanto. introduz-se inicialmente o anti-soro. O sangue do animal inoculado com o antígeno contém anticorpos na globulina do soro e esse soro. campestris pv. os testes mais utilizados para a identificação de vírus transmitidos por sementes são os testes sorológicos. Agora. c) SX Agar para Xanthomonas campestris pv. al. d) NSCA para X. Métodos sorológicos Nas últimas décadas houve um grande progresso no desenvolvimento de métodos precisos e rápidos para a detecção de bacterioses e de viroses transmitidas por sementes. syringae pv. Inicialmente. é chamado de anti-soro. de instalações. sucintamente. preenchendo 255 . sendo esse material testado com o anti-soro específico para o vírus ou bactéria responsável pela doença.3mm de diâmetro e 10cm de comprimento. de equipamentos e custos. 3. contendo anticorpos. Os testes sorológicos estão baseados na reação in vivo entre o antígeno e o anticorpo. phaseoli (Claflin et. tendo sido posteriormente adotados para um considerável número de vírus e bactérias fitopatogênicas. b) MSP para P. as provas de hibridação do ácido nucléico e a reação em cadeia da polimerase (PCR). da germinação das sementes (testes em plantas em crescimento) para a observação de sintomas nas plântulas ou para a obtenção do inóculo. destacam-se as provas sorológicas. As substâncias que induzem a formação de anticorpos são chamados de antígenos. A descrição dos principais testes sorológicos encontram-se no Plant´s Pathologist´s Pocketbook do Commonwealth Mycological Institute.3. Obtém-se o extrato das sementes ou das folhas. campestris (Schaad e White).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A seguir são indicados alguns meios para a detecção de bactérias em sementes: a) KBC para Pseudomonas syringae pv. podem-se testar tanto sementes como plântulas originárias de sementes infectadas. Essas reações podem ocorrer na forma de aglutinação ou precipitação. Em tubo capilar de 1. dependia-se.). apenas os principais métodos. phaseolicola (Mohan e Schaad). em muitos casos. provocando a formação de anticorpos no sangue. os quais eram inicialmente apenas utilizados em patologia animal e humana. devido às facilidades de execução. Entre os testes sorológicos existentes. o qual seria posteriormente inoculado em plantas. serão abordados.5. O princípio do teste baseia-se na introdução de um organismo (vírus) em um animal. Para o método de Microprecipitação. syringae (Mohan e Schaad). e) MXP para X. entre os testes modernos para a identificação desses microrganismos.

sendo o restante com o material supostamente infectado (antígeno). A reação positiva é caracterizada pela formação de uma zona de precipitação entre o orifício do antisoro e do antígeno. Realizada a distribuição do material. com três diluições. Em cada repetição são adicionados 2ml de buffer.: isotiocianato de fluorescência) e. o material é esmagado. a imunofluorescência é considerada a de maior sensibilidade e utilidade. Entre as técnicas sorológicas. A observação é feita com o auxílio de um microscópio estereoscópio. 200 sementes são incubadas por uma semana em placas de Petri (25 sementes por placa) com papel de filtro previamente umedecido em água destilada e esterilizada. Através de movimentos oscilatórios.85% de cloreto de sódio e 0. mistura-se o antígeno com o anti-soro. Essa técnica pode ser realizada em tubos capilares. circundando um orifício central. são realizados seis orifícios no substrato. alternadamente. Com o auxílio de uma colher plástica. Para esse método. Os orifícios podem ser preenchidos com tubos capilares.02% de azoto de sódio). também podem ser testadas sementes ou folhas de plântulas. em fundo escuro e com a luz refletida.5cm de tubo. o extrato do material infectado. A formação de microprecipitações (coagulações) pode ser observada quando ocorrer reação entre o antígeno e o anti-soro. é incubada durante 1 hora à temperatura de 20oC em câmara úmida para evitar a evaporação. formando-se quatro repetições de 50 sementes. Essa técnica tem sido usada para a detecção do vírus do mosaico da soja. para a qual se utiliza plúmulas e cotilédones de plântulas. uma vez que a visualização é facilitada pelas reações de aglutinação. método do látex.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos aproximadamente 1. pressionando-se a 256 . quando combinado com a bactéria. as plúmulas e os cotilédones do restante das plântulas. minúsculas esferas de látex são sensibilizadas com frações de globulina do anti-soro. a placa é tampada e incubada à temperatura ambiente por um ou dois dias.85% de NaCl em água destilada). e o material sadio. No orifício do centro é colocado o anti-soro e nos circundantes são colocados. em uma placa de Petri contendo água de Agar previamente solidificada (1% Agar. Esse material é separado do restante da plântula e macerado em 5ml de solução salina normal (0. Com uma tesoura. Para tal. indicando que o patógeno responsável pela doença é o correspondente ao anti-soro empregado. visando facilitar a visualização do precipitado (floculado) originário da reação entre o antígeno e o anti-soro. 0. devido à formação de um halo fluorescente envolvendo a célula bacteriana. Os anticorpos são marcados com substância fluorescente (ex. Uma gota do material oriundo dessa maceração é misturado com 0. assumindo a forma de um arco de coloração branco-opaco. Em outro método sorológico. No método da Difusão Dupla (Ouchterlony Test).025ml da suspensão de látex. em outras placas. torna fácil a visualização dessa em microscópio com iluminação ultravioleta. separam-se.

Prepara-se um tubo capilar com buffer e látex para servir como testemunha. Para cada repetição deve haver um tubo capilar. Esse substrato será hidrolizado pela enzima. Adiciona-se o extrato retirado da semente (por meio de moagem. Dependendo da intensidade de floculação. Após 15 minutos de homogeneização (movimentos oscilatórios). adiciona-se o substrato enzimático misturado com buffer. A placa é novamente lavada. os tubos capilares são examinados em microscópio estereoscópio. as placas são levemente agitadas. Em cada alvéolo é colocado inicialmente uma porção de anticorpo específico sendo.000 sementes sadias. com posterior lavagem do alvéolo. a qual visa propiciar a coloração da suspensão. Em um tubo capilar perfeitamente limpo. ou manualmente. A placa é novamente incubada a uma temperatura de 37oC por 6h. uma vez que o anticorpo terá sua reação com o antígeno favorecido pela hidrólise enzimática. utiliza-se uma placa especial composta por pequenos alvéolos justapostos. O método da Elisa (Enzime Linked Immunsorbent Assay) apresenta grande sensibilidade para a identificação de vírus. a placa é novamente lavada e as partículas do vírus retidas às do anti-soro fixado nas paredes do alvéolo. produzindo uma coloração amarelada indicadora da reação positiva entre o antígeno e o anti-soro. A fase seguinte consta na adição de anticorpos conjugados à enzima. Após esse período. Nesse método. uma semente infectada pode ser detectada entre 1. com a placa de Petri fechada. em seguida. introduz-se 1cm da suspensão de látex sensibilizado com vírus e 2cm de seiva oriunda do material macerado. a mesma pode ser visualizada a olho nu. 257 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos colher contra o mesmo. buffer e produto surfactante) e incuba-se novamente a 37oC/4h. incubada a 37oC por 4h. fixandose os tubos capilares em lâmina de vidro por meio de fitas adesivas. Por meio desse método. A seiva oriunda desse macerado é deixada em repouso por 2h. A seguir. A homogeneização do antígeno com o anti-soro é realizada através de um homogeneizador automático. Após a incubação. ficando as partículas do extrato anteriormente aderido. totalizando cinco tubos por amostra (1 testemunha + 4 repetições).

Representação esquemática do teste DAS-ELISA e PAS-ELISA. b) Descascar manualmente 5 repetições de 100 sementes colocando-as em pequena quantidade de água em um vidro de relógio e incubá-las por 24 h a 24 ± 3oC. esquematicamente. os quais ficam retidos na última peneira. peneirando-se o material moído.045mm. 3.3. Transferir esse material para o 258 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Existem diferentes metodologias do método Elisa. Na Fig. do exame de 20ml da suspensão retida na peneira 0. DAS . Logo após.037mm. A identificação dos nematóides é feita através do auxílio de lâminas e microscópio. duas repetições de 100 sementes.ELISA PAS .6. para permitir a coleta dos nematóides.ELISA 1) ANTICORPO 1) PROTEÍNA A 2) AMOSTRA 2) ANTICORPO 3) AMOSTRA 4) ANTICORPO 3) CONJUGADO 5) CONJUGADO 4) SUBSTRATO 6) SUBSTRATO Figura 11 . são trituradas em liqüidificador por 1 a 2 minutos. retiradas ao acaso da amostra. Nesse método. Método para a detecção de nematóides Existem várias técnicas descritas para a detecção de nematóides transmitidos por sementes.037mm. Lavar o material em peneira 0. 11 estão representados. são imersas separadamente em água por um período de duas horas. pedaços de casca e de cariópses.149 e 0. os passos das metodologias do Teste DASElisa (Doble Antibody Sandwich) e PAS-Elisa (Protein Antibody Sandwich). As peneiras devem possuir malhas de 0. O material resultante sobre a peneira terá nematóides. Neste capítulo serão apresentadas as três técnicas mais usadas: a) Um método a ser utilizado para a detecção de nematóides consiste na moagem e peneiramento do material moído.

deixando em repouso por uma noite. os mesmos exercem um grande efeito sobre o desenvolvimento normal. por sua vez. c) Colocar 500 sementes em uma pequena peneira dentro de uma placa de Petri. Esses. CAUSAS DE VARIAÇÕES DOS TESTES DE INCUBAÇÃO Existe um número significativo de fatores que afetam. Lavar bem a placa de Petri. contando o número de nematóides encontrados. Embora os fatores a seguir discutidos tenham influência em todos os testes que envolvam incubação das sementes. especialmente se essas sementes 259 . Remover as sementes retirando a peneira e transferir a água para um Becker. especialmente de fungos. Colete os nematóides e observe o filtrado com o auxílio de um microscópio estereoscópio. Esse exame deve ser realizado sob microscópio estereoscópio com luz diascópica.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos funil de Baermann.1. Deixar a água em repouso por uma hora. coletando a água da lavagem no mesmo Becker. a qual tem estreita relação com a idade da semente. com danos mecânicos ou fisiológicos. quantidade e vigor do inóculo durante o período de crescimento vegetativo e período reprodutivo do microrganismo. interferindo diretamente sobre o tipo. 4. Deixar em repouso por 72h. causando a obtenção de resultados não representativos do verdadeiro potencial de infecção do lote. A longevidade do patógeno é outro fator a ser considerado. deixando no Becker apenas 15-20ml. entretanto. Transferir aos poucos essa água para outra placa a fim de determinar a presença de nematóides. a primeira metodologia é mais indicada para a extração de nematóides sedentários. enquanto que as outras possibilitam boa extração de nematóides com maior mobilidade. podem facilitar a penetração ou o desenvolvimento de microrganismos saprófitas.. Essas três metodologias podem ser empregadas para detecção de Aphelenchoides besseyi. o que permitirá a decantação dos nematóides. Fatores relacionados com a qualidade das sementes Sementes imaturas ou com maturidade desenforme. Retirar com cuidado o excesso de água com o auxílio de uma pipeta. o resultado final de um teste de sanidade com incubação das sementes. competirão substancialmente com os patógenos. Adicionar água até cobrir totalmente as sementes. 4. Vários trabalhos de pesquisa já demonstraram que sementes de soja recém colhidas podem apresentar alta porcentagem do fungo Phomopsis sp. de um modo ou de outro.

A microflora da semente pode influenciar de modo marcante no desenvolvimento de patógenos. 4. caso se deseje obter uma amostra própria para essa avaliação. bem como a localização do patógeno na semente. principalmente se houver a presença de antagônicos. Potencial de inóculo A quantidade e vigor do inóculo.2. Em sementes onde ocorre grande quantidade de contaminantes ou saprófitas. No entanto. 260 . a obtenção de uma amostra representativa é extremamente importante para obtenção de resultados compatíveis com o verdadeiro estado sanitário do lote. podendo chegar a zero após 8 meses de armazenamento. 4. pode provocar variações quanto ao diâmetro de colônias de uma semente para outra.3.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos permaneceram no campo sob um período prolongado de alta umidade após a maturidade fisiológica. Desse modo. após o período de armazenamento. retira-se daquela amostra média uma amostra de trabalho com número de sementes suficiente para atender a metodologia preconizada para o teste em questão. Em caso contrário. As regras de amostragem para obtenção de amostra média para análise de rotina (pureza e germinação) são as mesmas a serem seguidas para obtenção de amostra destinada à análise sanitária. as condições de incubação em laboratório devem ser similares àquelas que o patógeno encontraria no campo. esporulação e produção de sintomas em plântulas. o pré-tratamento se faz necessário visando a erradicação dos mesmos. dificultando o crescimento e mesmo a identificação dos organismos patogênicos. a porcentagem de sementes atacadas pelo fungo é bastante baixa. 4. Variações devido à amostragem A quantidade de sementes testadas em uma análise sanitária é muito pequena se comparada com o número total de sementes do lote. uma vez que esses possuam crescimento rápido e vigoroso. Reações dos patógenos às condições do teste O resultado do teste sanitário está na dependência da reação do patógeno em relação às condições de incubação. Como regra geral. visando a indução do crescimento micelial.4.

quando analisadas por dois laboratórios distintos. encontram-se relacionados alguns fungos e a longevidade dos mesmos. outros sobrevivem nas sementes. Inclusive os resultados de uma mesma amostra. Segundo recomendações da ISTA. Alguns microrganismos transmitidos por sementes morrem em poucos meses de armazenamento morrem.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4. Condições de armazenamento das amostras A longevidade de alguns patógenos e saprófitas transmitidos por sementes é mais curta que a do hospedeiro.5. Pode-se observar que existem grandes diferenças na longevidade dos fungos. vários anos. nas condições de armazenamento laboratoriais. Fungos que se multiplicam através de estruturas de resistência. as amostras devem ser armazenadas a temperaturas não superiores a 10oC e acondicionadas em sacos plásticos para evitar uma possível dessecação. Fungos transmitidos na forma de micélio localizado no interior das sementes normalmente apresentam uma longevidade maior do que aqueles transmitidos na forma de esporos aderidos à superfície das mesmas. como escleródios. também apresentam grande longevidade. Fungo Cercospora kikuchii Fusarium graminearum Fusarium moniliforme Pyricularia oryzae (esporo) Pyricularia oryzae (micélio) Drechslera sorokiniana Alternaria brassicicola Tilletia caries Ustilago nuda Sclerotinia sclerotiorum (escleródio) Longevidade (Anos) 2 2 2 2 4 10 7 18 11 7 261 . As condições de armazenamento das amostras têm grande influência no resultado final do teste. principalmente. Na Tabela 2.Longevidade máxima de alguns fungos fitopatogênicos transmitidos por sementes. Isso se deve especialmente às características da composição dos esporos e à forma de transmissão. no entanto. Condições impróprias durante o transporte e também enquanto permanecem no laboratório podem levar a resultados que não condizem com as condições do lote no silo ou depósito. podem diferir devido à variabilidade. Tabela 2 .

4.1. 4. Porém. como Rhizopus spp. também apresentam hábito de crescimento muito rápido. sem interferir no desenvolvimento dos patógenos sob teste. por exemplo. apresentam uma velocidade de crescimento maior que outros patógenos podendo. de preparo recente. os quais variam em composição e formato. como Rhizoctonia solani. Distância O espaçamento entre as sementes depende do tamanho das mesmas e da taxa de crescimento das colônias de microrganismos. podendo encobrir todas as outras sementes. Para cereais submetidos ao Agar test. o tipo de material com que o recipiente é construído pode interferir na transmissão de luz às sementes. Certos fungos fitopatogênicos. Isso dificulta a identificação dos fungos ou promove uma superestimativa do potencial de infecção do lote. Condições do pré-tratamento A finalidade do pré-tratamento é eliminar a contaminação de muitos organismos saprófitos competitivos que possam comprometer a detecção de microrganismos patogênicos. com aproximadamente 1% de ingrediente ativo. Fungos contaminantes. o formato recipiente não apresenta influência nos resultados. Phoma lingam e Botrytis cinerea. aconselha-se o uso de recipientes plásticos transparentes ou de vidros Pirex. encobrir muitos daqueles. Segundo os testes comparativos de patologia de sementes. Conforme recomendações baseadas em resultados de pesquisas. Sclerotinia sclerotiorum.6.6. Recipiente a ser usado para os testes Há uma imensa variabilidade de recipientes usados em Blotter Test.7. na verdade. Por esse motivo. devido a uma maior transmissão da radiação (não agem como filtro) emitida pelas lâmpadas. 262 . a descontaminação deve ser leve. normalmente é usada uma solução de hipoclorito de sódio.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4. na qual as sementes permanecem imersas durante 10 minutos. pelo fato de incorrer no erro de registrar como naturalmente contaminadas aquelas sementes que. foram infectadas pelo alastramento do micélio da semente vizinha. inviabilizando a avaliação do teste. organizados pela ISTA. em relação à duração do período de incubação.. inclusive. causando infecções secundárias nas sementes e plântulas vizinhas.

por fornecer algumas facilidades na identificação de Fusarium spp.8.8. etc. curvas mais ou menos coincidentes. Dextrose e Agar) ou MEA (Extrato de Malte e Agar). todos os fatores que interferem no crescimento. destacam-se: substrato. de modo significativo. podem atuar como antagonistas ou sinergistas. e particularmente solo. A curva de resposta às temperaturas. na preparação do meio de cultura deve-se usar água destilada. Como as características da água são variáveis de lugar para lugar. em algumas ocasiões. a reprodução e outras atividades desses.1. desde que seja dotado de um poder de absorção de água capaz de fornecer alta umidade durante o período de incubação e não portar substâncias tóxicas que possam prejudicar o desenvolvimento dos patógenos. assim como a quantidade de meio de cultura por placa. como meio para o teste de sintomas em plântulas e teste de crescimento de planta. Temperatura Todos os organismos vivos têm intervalos de variação de temperatura distintos para o seu perfeito desenvolvimento. os mais comumente utilizados são BDA (Batata. constituem-se em dificuldades para a padronização do método. Areia. Entre os principais fatores. na microflora das sementes. sendo esse um dos fatores que mais afetam. luz. principalmente em termos internacionais. Qualquer tipo satisfaz. Substrato Nos testes de Patologia de Sementes em que se empregam meios de culturas. 263 . Também devem ser considerados os fatores bióticos que.8. o papel exerce importância secundária. mínimas. No teste em papel filtro. BDA tem sido utilizado para várias espécies de sementes.2. na frutificação do fungo e no desenvolvimento de sintomas devem ser considerados. a germinação. também devem ser padronizadas. umidade. em testes comparativos. inclusive cereais. temperatura. 4. o crescimento. influenciando marcadamente a detecção dos patógenos. devendo estar rigorosamente em concordância com as normas preestabelecidas. Qualquer alteração no pH pode ocasionar modificações no desenvolvimento e nas características dos fungos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4. 4. estando as mesmas na dependência da microflora a ser detectada. Fatores de variações na incubação Visando à padronização das condições de incubação. embora haja. período de incubação. todas as condições. ótimas e máximas (temperaturas cardinais) é diferente para cada fase de desenvolvimento dos organismos.

Tabela 3 . Os dados contidos na Tabela 3 indicam que alguns fungos. tem seu desenvolvimento reduzido quando existe Alternaria tenuis e Epicoccum porpurascens associados à mesma semente. Na Tabela 3.Temperatura ótima para o crescimento micelial de alguns fungos. uma vez que seus picos de crescimento estão compreendidos nesse intervalo de temperatura. a temperatura de incubação eleita deve ser aquela que possibilite a detecção do maior número possível de patógenos. emprega-se temperatura de 20 ± 2oC. porque esses fungos passam a dominar o crescimento micelial. coincidente ou não com a faixa ótima para a germinação da semente e desenvolvimento das plântulas. maydis. maydis e H. sendo facilmente identificados sobre o substrato. soja e milho. com a temperatura de incubação de 19 a 22oC. Cultura Fungo Temperatura ótima (oC) Feijão Colletotrichum lindemuthianum 20 Sclerotinia sclerotiorum 24 Soja Fusarium moniliforme 27 – 30 Cercospora kikuchii 17 – 18 24 – 27 Milho Fusarium graminearum 28 – 30 Diplodia maydis 30 Helminthosporium maydis 264 . como D. em meio de cultura BDA. Em testes de sanidade. O primeiro passo é estabelecer uma temperatura ótima necessária para uma segura detecção dos patógenos. transmitidos por sementes de feijão. esses fungos crescem normalmente. Por exemplo. para sementes incubadas em papel filtro e em meio de cultura. possuem crescimento ótimo em temperatura mais elevadas do que as indicadas para os testes de incubação. para o patologista de sementes. No entanto. Drechslera oryzae. Para algumas sementes de clima tropical pode ser necessária uma temperatura um pouco mais elevada (25oC). milho. mesmo quando em temperaturas mais baixas (20-22°C).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos É importante. Também é oportuno salientar que a temperatura ótima de desenvolvimento de um patógeno depende bastante do resto da microflora associada na mesma semente. soja. pois essas características são fundamentais para a detecção e identificação de fungos. Na prática. encontram-se listadas algumas temperaturas ótimas para o crescimento micelial (vegetativo) de alguns fungos transmitidos por sementes de feijão. o conhecimento da temperatura ótima que favoreça a esporulação e o crescimento.

não podemos esquecer que o principal problema não é a quantidade de água e sim a capacidade do papel em manter o ambiente do interior da placa adequadamente úmido durante todo o período de incubação. se comparada a outros fatores relacionados à incubação. evitando-se o reumedecimento do substrato. não 265 . Na Tabela 4. Tabela 4 . Portanto. observa-se pela Tabela 3 que o volume de água recomendado varia de 15 a 25ml. em nível de rotina. levando a um decréscimo substancial de certos fungos pela formação de uma película de água ao redor de toda a superfície da semente. os quais compararam diferentes quantidades de água no papel filtro (baseado no peso 400g/m2) colocado em placas de Petri. porém em escala bem menor. Patógeno Hospedeiro Volume ótimo de água/placa Fusarium avenaceum Cevada 25 ml Fusarium nivale Centeio 20 ml Drechslera avenae Centeio 20 ml Drechslera sorokiniana Cevada 25 ml Drechslera graminea Cevada 15 ml Drechslera teres Cevada 25 ml Septoria nodorum Trigo 25 ml Embora exista diferença entre a quantidade ótima de água para os diferentes fungos. salvo quando há excesso de água no papel filtro.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4. em função do tipo de papel e do número de folhas empregadas.9. Na prática. 4cm de profundidade com tampa). devemos repetir o teste. Umidade A umidade tem sido assunto de investigações sistemáticas. No entanto.Efeito de diferentes níveis de umidade do substrato. com o teste em papel filtro. aumentando-se o número de folhas de papel filtro por placa e. Pouca discussão foi realizada visando padronizá-la. no caso de sementes grandes. na incidência de fungos. citados por Neergaard (1979). encontra-se o resultado de um trabalho realizado por Kolk e Karlberg. O substrato pode secar. tem se utilizado aproximadamente 20ml de água por placa de 9cm de diâmetro. diminuir seu número por placa. Discrepâncias nos resultados encontrados por participantes de testes internacionais comparativos. esse volume de 20ml de água poderá ser variável. variando a quantidade de água de 15 a 35ml por placa (17cm de diâmetro. Caso o substrato seque durante o período de incubação. resultando no chamado Wet blotter effect. não foram ainda registradas devido a diferenças de umidade durante a incubação.

a maioria mostra-se melhor ao regime diário alternado luz e escuridão. Usando radiações monocromáticas. duração e luz com comprimento de ondas corretos. morfologia da colônia. mas também por evaporação. aumentavam a esporulação quando submetidos a uma radiação com comprimento de ondas compreendido entre o ultravioleta e o azul. Tanto a qualidade da luz como ciclos luz/escuridão influenciam marcadamente a esporulação de muitos fungos. têm sido adotadas na maioria das estações filiadas à ISTA. porém. três grandes categorias de fungos no que diz respeito à resposta à luz. Leach demonstrou que muitos saprófitas. Entre os esporuladores diurnos.10. inclusive letal em doses altas. a luz ultravioleta é inibitória.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos apenas pela absorção de água pelas sementes. que emite alguma luz NUV. cor. bem como patógenos. compreendendo todos os fungos transmitidos por sementes: a) Fungos com esporulação estimulada pela luz . Desde 1962. Enquanto alguns fungos sensíveis esporulam relativamente bem quando expostos à luz contínua. sem influenciar na precisão dos testes. Por outro lado. embora seja possível reduzir para apenas 1 tubo de NUV suspenso a 20cm de distância das sementes. Luz negra fluorescente. distanciados 40cm das sementes. constatou que a região de espectro entre 320-400nm Luz NUV (near-ultraviolet) é muito eficiente na indução da esporulação. luz ultravioleta e luz azul podem influenciar o ritmo de crescimento. a qual pode ser reduzida colocando-se as placas em sacos plásticos ou vedando-as com filme plástico. aparentemente. tamanho e morfologia dos esporos. quando acompanhada de luz com comprimento de onda 266 . Embora haja necessidade de mais pesquisas.Muitos fungos patogênicos e saprófitas têm sua esporulação estimulada pela luz. Segundo suas normas. que emite radiações de aproximadamente 365 mm de comprimento. visto que poucos fungos foram estudados com respeito a luz. são recomendados 2 tubos de NUV 40 W suspensos. existindo duas fases distintas na esporulação: a fase indutiva onde há formação dos condióforos e a fase terminal ou fase conidial onde ocorre a formação dos conídios. os resultados obtidos indicam que entre os fungos sensíveis a UV (ultravioleta). Há. a radiação NUV (Near Ultraviolet Light com 360 nm) estimula a formação dos conidióforos. e luz fluorescente fria. o comprimento de onda mais efetivo na esporulação dos fungos é menor que 340 nm. Particularmente. 4. quando submetidos à dosagem. esporulação. Luz A presença ou ausência de certos comprimentos de radiações luminosas pode influenciar marcadamente muitos fungos transmitidos por sementes.

tipicamente de esporuladores diurnos. Há alguns fungos que esporulam bem na escuridão. especialmente por excesso de dosagem de UV ou luz azul (como mencionado para aqueles de esporulação diurna). c) Fungos insensíveis à luz . Outros fungos. usualmente aumenta a produção de conidióforos e conídios.Certos fungos. Nesse grupo.: Penicillium. enquanto que a formação de conídios é inibida pela luz NUV. que esporulam somente na superfície de um meio e que não possuem mecanismos de escape. cujos efeitos sobre a indução da esporulação podem ser influenciados pela luz (Neergaard. podem ser inibidos. Embora esses fungos esporulem bem em completa escuridão. independentemente da presença ou ausência de luz. esporulam de forma abundante. 1979). obrigatoriamente devemos selecionar uma temperatura adequada a tais patógenos. variando de 300-380 nm. Usualmente. Ex. Nem todos os 267 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos equivalente à luz azul. à medida que aumenta a dosagem de NUV. Somente após um período mínimo de escuridão é que se desenvolverão os conídios nos conidióforos. Interação entre luz e temperatura Todos os fungos possuem uma temperatura ótima distinta. Quando a dosagem de luz NUV for baixa nos fungos com picnídios. 4-8 horas de escuridão são suficientes.11. As outras formas de inibição da esporulação. dependendo da temperatura. a produção de conidióforos é estimulada pela UV. os picnídios tornam-se cada vez mais submersos até que a esporulação seja inibida.Quando usada incorretamente. principalmente saprófitas. há inibição do desenvolvimento dos conídios. inclusive com quantidade significativa de luz azul (> 380 nm). que possuem estádio conidial inibido pela luz azul NUV. sem esporos. A ocorrência de dosagens elevadas dificilmente passa despercebida. A luz NUV "Luz Negra" recomendada para testes sanitários de sementes emite alguma luz com comprimento de onda maior que UV. Quando se pretende detectar um número variável de patógenos. Um período definido de escuridão é necessário para a formação do esporo. b) Inibição de esporulação pela luz . As colônias de fungos que esporulam diurnamente quando expostos à luz contínua (alta dosagem de NUV) tornam-se tipicamente cobertas por conidióforos. esses formam-se superficialmente no meio da cultura e. como exemplo algumas raças de Alternaria tenius. é freqüentemente causada pela luz azul através da near ultraviolet light que também pode estar envolvida. a luz pode inibir a esporulação de fungos em testes de sanidade. 4. o regime alternado de 12 horas escuro e 12 horas com luz. Cladosporium e outros.

A incorporação de algum bactericida no substrato pode reduzir esse efeito.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos fungos sensíveis à luz esporulam bem à temperatura constante. mudar a tecnologia existente em patologia de sementes e. Porém. 4. há muito ainda para se aprender com respeito à interação da microflora da semente com a do solo. enquanto que a formação de conídios ocorre melhor na escuridão a temperaturas mais baixas. bactérias e fungos secretam substâncias que podem estimular ou inibir outros organismos. na maioria dos testes de rotina. O desenvolvimento de fungos. ainda é questionável se algum acréscimo na exatidão justificaria esse investimento. nas quais são programados os ciclos de luz e de temperatura. testados sob temperatura de 20oC. além de serem muito caros. comparados às incubadoras à temperatura constante. salvo algumas exceções. é observado o efeito de alguma ação inibitória entre algumas bactérias saprófitas e fungos fitopatogênicos. além disso. 4. esforços são feitos para obter resultados máximos e facilmente legíveis. Porém. foi praticamente o mesmo quando submetidos à NUV e Luz Fluorescente. sem dúvida.12. Fatores bióticos Os fatores físicos. elas não são bem entendidas. com exceção de T. Drechslera oryzae. aumentando a exatidão de alguns testes. 268 . há muitas interações similares entre a microflora da semente. têm sido padronizados. O ideal seria conduzir os testes sanitários de culturas de clima temperado em incubadoras.13. porém. Em Stemphyllium botryosum a formação de conidióforo é mais efetivamente induzida pela NUV à temperatura relativamente alta. pouca atenção tem sido dispensada aos fatores bióticos que podem igualmente influenciar os testes. fornecer subsídios para promover novas medidas de controle de patógenos transmitidos por sementes. uma vez que. o qual teve melhor desenvolvimento quando testado a 28oC com NUV. Um melhor entendimento dessa microflora pode. Indubitavelmente. Pyricularia oryzae e Trichoconiella padwickii. Sementes. Freqüentemente. Porém. Período de incubação A duração do período de incubação para qualquer organismo sob teste é determinada pelo ritmo de crescimento do organismo. Sabe-se que incorporando carvão vegetal ativado no meio de cultura elimina-se o efeito inibitório de substâncias secretadas pelo microrganismo. padwickii. em testes sanitários. plântulas.

cor. na prática. septação. formação de cadeias. pelo menos 400 sementes devem ser examinadas nos testes padrões. o período de incubação varia de 7-14 dias. treinamento e experiência prática devem ser suportados por pesquisas quanto às características para diagnose e suas variações. pode identificar e anotar as colônias a olho nu. tamanho dos conídios. 269 . os quais podem inibir outros. porém. tanto em meio de cultura como em teste de papel filtro. Um analista experiente. cor. pode mascarar a presença dos patógenos e influenciar a duração do período de incubação. ou mascarar os resultados obtidos. conforme o método empregado e as condições laboratoriais. surgem problemas nesse teste. principalmente aqueles fungos de crescimento rápido. aparece somente 15 dias após a incubação. etc. Porém. o teste em papel filtro evidenciou um acréscimo na porcentagem de Tricochoniella padwickii e Alternaria longissima quando as sementes foram incubadas por 13 dias à temperatura de 20oC e 10 dias a 28oC. em sementes de milho e arroz. é difícil. às vezes. em blotter test. Em arroz. Na maioria dos testes comuns. O princípio da interpretação do teste em meio de cultura é o exame macroscópico das colônias dos patógenos. também aparece tardiamente no teste em papel filtro a 20oC. tais como: forma. Fusarium moniliforme. aparência da massa de esporos. etc.. familiarizado com as características do fungo presente em certa espécie de semente. Para um satisfatório desempenho. densidade. sendo os resultados obtidos aplicados em trabalhos de rotina. examinando os dois lados das placas (inferior e superior). Para alcançar essa qualidade. Pestalotia guepini.14. porque as colônias emergem de sementes que usualmente possuem um complexo de fungos. é necessário o conhecimento dos relevantes caracteres diferenciais entre esses organismos. um ótimo período de incubação seria aquele que possibilitasse uma estimativa exata de um determinado patógeno. Patógenos e alguns saprófitas de cada semente devem ser identificados e registrados dentro de um espaço de tempo razoavelmente curto. 4. arranjo dos conídios no conidióforo. comprimento.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A microflora saprófita da semente. Teoricamente. características do micélio. A base dos registros do teste em papel filtro é a identificação rápida das características de cada espécie. Identificação e registro dos patógenos De acordo com as regras da ISTA.

ramos. No entanto. observam-se os conidióforos bastante ramificados.1. Introdução O tratamento de sementes provavelmente seja a medida mais antiga. 5. Similarmente. arquitetura do tronco. moniliforme há abundante micélio esbranquiçado com cadeias de micronídios. solani. controle de invasores. eretas sobre um único esterígma. como isolamento. o teste de crescimento de plântula (seedling-symptom test) é conduzido sem a preocupação de identificar as espécies de patógenos e sim: a) prever o efeito total dos patógenos na emergência e desenvolvimento de doenças de plântulas quando semeadas em campo e b) determinar se é recomendável o tratamento de sementes. contendo nas extremidades os macronídios. Por outro lado. Esse critério tem suas limitações de uso pois os sintomas nem sempre são bem característicos. em F. em alguns laboratórios de pesquisa e prestação de serviços. mas também pela estrutura da copa.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos As espécies do gênero Fusarium oferecem um pouco mais de dificuldade na sua identificação. de coloração alaranjada. o crescimento do micélio. densidade. Independentemente do método. ou como se fosse uma massa de esporo congelada fora da casca da semente. o analista deve reconhecer os fungos olhando através do microscópio. Em outras espécies ocorre. mas sim fazer parte de um conjunto de medidas que incluam práticas culturais para o controle de patógenos. textura e cor da folhagem. No caso de F. ramificações. não deve ser empregado como medida de controle isolada. Assim. uso de variedades resistentes. F. A presença de sintomas é um critério a ser utilizado para a identificação dos patógenos. em F. há abundante crescimento de micélio e a presença de inúmeras massas de esporos. como por exemplo os suecos. especialmente as fúngicas. forma e tipo de produto utilizado no tratamento de sementes. já em F. TRATAMENTO DE SEMENTES 5. poae há a formação de micélio branco frouxo com pequenas massas de micronídios arranjados como pequenos pontos ao longo das hifas. etc. estrutura da casca. equiseti se parece com uma rocha cristalina. rotação de cultura. os floricultores e horticultores conhecem espécies de árvores inclusive à distância. semitectum. As árvores são distinguidas não meramente pelas características das flores. essa prática deve ter como objetivos: 270 . semelhante a gotículas de orvalho. barata e a mais segura no controle de doenças transmitidas por sementes. principalmente.

c) Reduzir a fonte de inóculo. Entre eles destacam-se o dano mecânico. ser de baixo custo e fácil aquisição. b) Impedir a transmissão do patógeno da semente para a plântula. o surgimento de epidemias no campo. conferindo a essa certa proteção nos estágios iniciais de seu desenvolvimento. não ser corrosivo. deve-se selecionar um produto capaz de erradicar os patógenos presentes nas sementes.2. compreendendo a aplicação de fungicida. também de fungos do solo. selecionar aquelas que melhor desempenho tiveram nas análises laboratoriais. inseticida. danos por insetos e também por microrganismos. impedindo. desse modo. apresentar alta estabilidade. condições inadequadas durante o armazenamento.1. 5. antibiótico e nematicida às sementes.2. Existe uma série de fatores que podem causar a redução da qualidade das sementes. Tipos de tratamento de sementes A eficiência do tratamento de sementes está diretamente relacionada com a erradicação do patógeno causador do dano. tendo-se como primícia para a produção de sementes de qualidade garantida o manuseio adequado dos campos de produção. fungos de armazenamento e outras. o tratamento de sementes deve ser considerado como última alternativa para se obter sementes sadias e de alta qualidade. não ser tóxico às plantas. d) Minimizar os custos com defensivos da parte aérea das plantas. protegendo tanto essas como as plântulas. Por ocasião da aquisição de lotes de sementes para a semeadura. Para que essa eficiência seja alcançada é necessário a utilização adequada do produto (princípio ativo e dosagem) bem como adotar uma técnica (tipo de tratamento) que seja compatível com a infra-estrutura disponível. a utilização de máquinas e equipamentos adequados durante os processos de colheita. Tratamento químico Este tipo de tratamento de sementes é o mais difundido. estejam eles localizados externamente ou no interior das sementes. Dentro desse preceito. 271 . secagem e beneficiamento. ao homem e ao ambiente. 5. condições adversas de clima. armazenamento em locais onde a temperatura e a umidade relativa do ar sejam adequadas para minimizar a atividade de microrganismos e insetos. Para que o tratamento químico seja eficiente. aderência e cobertura. além de ser compatível com outros produtos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos a) Erradicar os microrganismos patogênicos associados às sementes.

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Existe um grande número de produtos no mercado. heterocíclicos. Essa técnica não deve ser utilizada para sementes de leguminosas.Nesta forma de tratamento de sementes. Embora seja uma forma bastante simples de aplicação. havendo grande retenção de maneira irregular.2. pois causa severos danos à qualidade das sementes. Exemplo: 272 . por meio de jato de ar.). tiofonato metílico. podendo causar problemas de fitotoxidade. conferindo certa proteção a essa nos estágios iniciais de desenvolvimento (benomyl. Para outras espécies de sementes. pó solúvel). sem no entanto penetrar nos tecidos embrionários. antibióticos. aptos a serem usados no tratamento de sementes.1.Produtos formulados como pó seco são misturados com as sementes. caso as sementes não sejam semeadas logo após o tratamento. e outros) enquanto que os específicos são capazes de controlar um ou poucos patógenos (Carboxin.). desde que com rígida avaliação prévia dos possíveis danos causados às sementes. uma secagem prévia ao armazenamento será necessária. os produtos podem ter espectro de ação diferente. como exemplo clássico desse grupo de fungicidas. Via úmida . restringindo sua ação sobre os patógenos localizados no tegumento ou logo abaixo desse. solução. como exemplo. os quais podem ser aplicados como: a) Imersão: nesta forma de tratamento de sementes. por um determinado período de tempo. Os produtos chamados protetores são aqueles que agem superficialmente. facilmente inalada pelo operador. até que estas estejam uniformemente revestidas pelo produto. etc. tem-se a formação de poeira. apresenta algumas desvantagens. Os produtos sistêmicos são aqueles que são absorvidos pela semente junto com a água de embebição e translocados para a plântula. promovendo a separação do tegumento e cotilédones. Independentemente do grupo químico a que fazem parte (ditiocarbamatos. pó molhável. a perda de eficiência por ocasião da utilização de semeaduras a lanço.1. etc. tendo pouca capacidade de penetrar na semente. Iprodione. Benomyl. ou sementes pilosas. pois não haverá aderência adequada do produto. Formas de tratamento químico de sementes: 5.2. o Thiram e o Captam.1.2. São chamados de amplo espectro aqueles produtos eficazes no controle de um grande número de patógenos (Thiram. Tem-se. aromáticos. e outros). triazóis. uma vez que as mesmas serão imersas em uma solução com concentração definida. não ser recomendada para sementes lisas. apresentando características diferentes. quando comparada com outros métodos de aplicação do produto. essa técnica pode ser utilizada. Via seca . 5. são utilizados produtos formulados de distintas maneiras (concentração emulsionável.

/100kg de semente). A fumigação é realizada em locais completamente vedados. morte de plântulas em pré e pós-emergência. não se pode esquecer que as sementes.. quando realizada para o tratamento de sementes. uma vez tratadas e não aproveitadas pela semeadura. Várias pesquisas já foram realizadas no sentido de comprovar a eficiência do tratamento de sementes antes do armazenamento. não exigindo secagem após o tratamento (5-40ml/kg semente). havendo um umedecimento superficial da semente.). onde se aplica produtos altamente voláteis. prevê a utilização de um produto adesivo (goma arábica ou acetato de celulose). essa prática não deverá ser empregada para sementes mucilaginosas ou leguminosas que têm o tegumento danificado com a absorção de água. por último. Entre os fungicidas mais utilizados para o tratamento de sementes de soja estão: Captam (150g i.a. como a peletização e a fumigação. Fungicidas de ação sistêmica. é recomendado variar o princípio ativo do produto entre as distintas safras. do fungicida e. causando perdas significativas pela podridão e morte de sementes. Embora esse seja benéfico quanto à manutenção da qualidade das sementes. aumenta-se a eficiência do tratamento de sementes. calcário. c) Outras formas: existem outras formas de tratamento de sementes. problemas similares também podem ser causados por fungos que já se encontram presentes no solo. etc.a. b) Slurry: é uma técnica que permite a aplicação de produto à semente na forma de pasta. do material inerte (talco./100kg de semente). A peletização. não poderão ser destinadas ao consumo humano ou animal. deve-se buscar sempre um revestimento completo e uniforme das sementes. doenças nas hastes. Embora a semente seja a principal responsável pela introdução de fungos nas áreas de cultivo da soja. pela inibição da atividade de fungos de armazenamento e insetos. facilmente evaporado.5% de i. Desse modo. folhas. 273 . eficiente para controle de fungos como Phomopsis sp. Com o tratamento de sementes. Thiabendazol (20g i. vagens e nas sementes recém formadas. Para evitar esse problema. Independentemente da forma de método de aplicação do produto.a. Essa prática é a mais usada no controle de nematóides. No entanto.5 a 30 minutos em solução com 0. esses problemas podem ser minimizados. As vantagens da utilização do tratamento via úmida estão relacionadas com a boa aderência do produto e a não formação de poeira por ocasião do tratamento.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos imersão de curta duração . que possuem espectro de ação específico. podem mais facilmente originar o surgimento de linhagens de patógenos resistentes ou insensíveis aos fungicidas. Cercospora sojina e Colletotrichum truncatum.

como Cercospora kikuchii e Septoria glycines. pois a semeadura dificilmente é realizada quando o solo apresenta níveis adequados de umidade e de temperatura para a rápida germinação e emergência. além de erradicar os fungos presentes nas sementes. apresenta uma vantagem adicional: controlar fungos de solo. de Sclerotinia sclerotiorum (podridão branca da haste). Quando se utilizam micronutrientes (molibdênio e cobalto) e fungicidas. deve-se pré-umedecer uniformemente as sementes com 250 a 300ml de água ou solução açucarada/50kg de sementes e então adicionar o fungicida e o micronutriente. por meio de tambor giratório (betoneira) ou máquinas apropriadas. pois representa aproximadamente 0. semear na época correta. regular adequadamente a semeadeira. já que as sementes são tratadas com fungicidas em formulações líquidas. de Cercospora sojina (mancha olho de rã) e de fungos causadores de manchas foliares. a fim de assegurar o controle dos fungos. O tratamento de sementes com fungicidas. Existem no mercado máquinas próprias para o tratamento de sementes. já que as máquinas são dotadas de engate para tomada de força do trator. girando-se o tambor para que os mesmos tenham 274 . É fundamental que o fungicida fique em contato direto com o tegumento da semente. Isso evidencia o fato de que não basta fazer um bom preparo do solo. como Diaporthe sp..Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A utilização do tratamento de sementes não acarreta grande aumento do custo de produção. se a semente utilizada for de baixa qualidade./Phomopsis sp. O tratamento com tambor giratório de eixo excêntrico ou betoneira pode ser utilizado para aplicação em formulações líquidas (via úmida) ou em pó (via seca). ficando a semente exposta por mais tempo ao ataque desses fungos. Essa proteção é necessária.5% do custo de instalação da lavoura. de micronutrientes e de inoculante e que podem ser utilizadas tanto na unidade de beneficiamento como na própria lavoura. como Rhizoctonia solani. Também é importante que as sementes fiquem completamente revestidas pelo produto e que o mesmo tenha uma boa aderência.. Quando o tratamento via seca é utilizado. melhor distribuição dos produtos e melhor cobertura das sementes. e Fusarium spp. fazer a aplicação de herbicidas. (cancro da haste). as quais permitem a aplicação de fungicidas. os mesmos devem ser aplicados antes da inoculação com Bradyrhizobium. Assim sendo. Aspergillus spp. podemos afirmar que o tratamento de sementes é indispensável para assegurar uma boa emergência de plântulas na lavoura e evitar a disseminação e introdução de patógenos. etc. bom rendimento (60 a 70 sacos/hora) e por poder realizar essa operação no campo. de Colletotrichum truncatum (antracnose). As vantagens da utilização de máquinas específicas para tratar sementes estão relacionadas com o menor risco de intoxicação do operador. O tratamento de sementes deve ser realizado antes da semeadura. Pythium spp.

carbendazin e thiabendazole). para o controle de Bipolaris sorokiniana e Fusarium spp. Devido à eficiência limitada de cada grupo de fungicidas. Sementes de trigo são freqüentemente tratadas com Thiram. 275 . Os fungicidas sistêmicos são eficientes no controle de Cercospora kikuchii. seja de contato ou de ação específica. e Fusarium semitectum. Rhizoctonia. Penicillium. sementes de baixo vigor podem ter sua germinação diminuída. S. b) Fitotoxicidade: o fungicida não deve ser fitotóxico nas dosagens recomendadas para a cultura pelo fabricante. Trichoderma e Phoma.1. O tratamento de sementes de milho deve objetivar a proteção contra microrganismos de solo. pois isso pode fazer com que o tegumento se solte. O fungicida mais utilizado para o tratamento de sementes de milho é o Captam. os mais utilizados são Carbofuram e Thiodicarb.. como Pythium. não sendo eficientes no controle de Phomopsis spp. será possível eleger o fungicida mais adequado para o controle dos patógenos. Os fungicidas de contato agem mais sobre fungos que estão na superfície das sementes. As seguintes características são importantes nos fungicidas para tratamento de sementes: a) Fungitoxicidade: o fungicida.2. Existem vários produtos que são recomendados para o tratamento de sementes. deve-se dar preferência à mistura de um sistêmico com um de contato.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos uma boa distribuição. somente devendo ser indicado após o conhecimento do resultado da análise sanitária. De posse dessas informações. Diplodia. deve eliminar os patógenos das sementes e protegê-las dos patógenos do solo. Fusarium.3. entre eles. Se o fungicida e micronutrientes forem líquidos. fungicidas de ação de contato (captan. B. thiram e tolyfluanid) e os sistêmicos (benomyl./100kg de sementes). Cercospora sojina. 5. enquanto que para o controle de Ustilago tritici e Septoria nodorum pode ser utilizado carboxin. quando se ficará sabendo quais os patógenos que estão associados ao lote e em que porcentagem. Existem no mercado marcas de produtos com essa mistura já pronta. Após. graminearum podem ser controlados com a mistura de Iprodione + Thiram (50 + 150g i. causadores de podridão de sementes. especialmente em condições de baixa temperatura.a. Características dos fungicidas para o tratamento de sementes O tratamento de um lote de sementes não pode ser recomendado indiscriminadamente. Fusarium semitectum e Phomopsis spp. no entanto. ter o cuidado para que os mesmos não ultrapassem o volume de 300ml/50kg de sementes. então. especialmente quando as mesmas se encontram com altas infecções. sorokiniana. nodorum e F. causando prejuízos à germinação das sementes. é feita a aplicação do inoculante. Quanto aos inseticidas para tratamento de sementes de milho.

2. Termoterapia A termoterapia é um tratamento físico onde o calor é o principal agente de erradicação dos patógenos. uma vez que sua eficiência está diretamente relacionada com a capacidade que a semente apresenta em suportar altas temperaturas por um determinado período de tempo. 276 . sem danos mecânicos. não se decompondo pela ação da temperatura e umidade. 5. essas características devem ser consideradas visando à obtenção da máxima eficiência e menos danos ao ecossistema. de modo a permitir a inativação do patógeno sem que haja redução da qualidade da mesma.É uma técnica que causa poucos danos às sementes. h) Economia: o produto deve ser utilizado visando ao aspecto econômico. g) Compatibilidade: o fungicida deve apresentar compatibilidade não apenas com outros fungicidas. Os efeitos negativos do calor sobre as sementes podem ser reduzidos por meio de uma imersão prévia das mesmas em uma solução de polietilenoglicol a 30%. e) Aderência: o fungicida deve ficar bem aderido à superfície da semente. Outro fator está relacionado à qualidade das sementes: sementes novas. mas também com outros produtos. Um dos principais fatores a ser observado é o teor de umidade das sementes. pois à medida que esse aumenta maior é a sensibilidade da semente ao calor.2. a fim de se obter o máximo controle dos patógenos sem haver redução da germinação e vigor das sementes. resistem melhor a altas temperaturas. à semelhança do que ocorre com sementes dormentes. f) Toxidez do homem e fauna silvestre: deve ser pouco tóxico ao homem e não agredir a fauna. Existem diferentes maneiras de se realizar a termoterapia. sejam nematicidas bactericidas e inseticidas.2.1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos c) Distribuição e cobertura: o sucesso do tratamento depende em grande parte da uniformidade de distribuição e da completa cobertura das sementes com o produto. embora eficiente e promissor no controle de determinados microrganismos. d) Estabilidade: o produto deve ser estável quanto às condições ambientais. Faz-se necessário destacar alguns parâmetros que devem ser observados na termoterapia. pois a dificuldade de se encontrar um fungicida eficiente e barato é muito grande.2. decorrentes de uma embebição rápida de água pela semente. sendo as mais difundidos: 5. Calor seco . no entanto. é merecedor de maiores estudos. Esse método. pois não há extravasamento de substâncias das sementes para o ambiente e nem danos ao tegumento e membranas. nem mesmo quando sob ação da água da chuva. não se soltando facilmente. de alto vigor.

A referida técnica é mais simples e mais eficiente do que o tratamento em água quente.0 179. 75 a 95oC. 18.5 46. 1. um rápido resfriamento. Deve-se ter o cuidado para que a massa de sementes atinja a temperatura de controle dos microrganismos desejados.0 18.5 4.2.5 5.0 1. 1.5 0. após submetidas ao tratamento com calor seco a 75oC durante 6 dias. para o tratamento de sementes de algodoeiro. em seguida. apresentaram alta porcentagem de sementes sadias.2. Vários trabalhos foram realizados utilizando-se calor seco para o tratamento de sementes.0 23. recomenda-se a utilização de 52oC por 10 277 .0 Botrytis sp.Incidência total de fungos em sementes de cebola.Nesta forma de tratamento.5 6. submetidas a tratamento químico e térmico. sendo esse resultado superior ao observado sem sementes tratadas com iprodione (500g/100 kg de sementes . a) Vapor quente: esta técnica prevê uma pré-hidratação das sementes com posterior exposição das mesmas à ação do calor e. Calor úmido .5 11. Para beterraba açucareira.5 Aspergillus sp.5 Stemphillium sp. de modo a minimizar o efeito da temperatura sobre a qualidade fisiológica das sementes.5 TOTAL 146. Sementes de cebola.0 1.5 14.0 22.0 0. as sementes são expostas à ação de vapor de água ou diretamente imersas em água quente. controlando satisfatoriamente os fungos Phoma lingam e Alternaria brassicae. as sementes são colocadas em estufas ou secadores e aquecidas a altas temperaturas. com posterior exposição à temperatura de 56oC por 30 minutos.5 Fusarium sp.0 2. 68.4oC.5 6. desde que haja um controle rigoroso da temperatura e do tempo de exposição das sementes à ação do vapor.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Nessa técnica. por um período de 5 a 8 dias.2. Algumas pesquisas indicam a utilização de temperatura de 95-100oC durante 12h.5 87.0 0. observando que a diferença de temperatura entre o vapor de entrada e o de saída não seja superior a 1.Tabela 5). Grandes sucessos foram obtidos para sementes de repolho previamente hidratadas durante 3 dias. por um determinado período de tempo. Recomenda-se uma secagem prévia das sementes a uma temperatura de 65oC por 24h. com o objetivo de controlar o fungo Colletotrichum gossypii (realizar secagem rápida).5 0.0 0.5 Alternaria tenuis 23. Tabela 5 .0 0.5 0. Fungos (%) Testemunha Tratamento Total Químico Térmico Alternaria porri 33.

sendo que a água deve estar sempre em movimento para propiciar um contato máximo com as sementes. desse modo. Tratamento biológico Neste método. Através dessa técnica. especialmente de olerícolas e ornamentais. 5. Imediatamente após. Logo após. 5. 5. as sementes são imersas em água a 21oC durante 4h.5. b) Água quente: as sementes são pré-aquecidas através da imersão por 10 minutos em água com 5°C abaixo da temperatura de tratamento. Nesse método.2. a água é drenada colocando-se as sementes em tonéis bem vedados.. Streptomyces spp. A termoterapia é uma técnica promissora para o tratamento de sementes. agente causal do cancro do tomateiro. constantemente contribui-se para um controle mais dinâmico. Tratamento bioquímico Fermentações anaeróbias formam substâncias químicas capazes de inativar certos patógenos. por um período predeterminado (50oC/20min. Trichoderma spp. antagonismo ou hiperparasitismo.. A aplicação dos agentes de controle biológico pode ser realizada através de imersão das sementes em suspensão de propágulos (10 células/ml) durante 10 minutos. são transferidas para a temperatura de tratamento. Pseudomonas spp. reduzirão ou impedirão o desenvolvimento de patógenos. Outras formas de tratamento físico A energia solar é técnica muito empregada em locais onde a temperatura 278 . onde o volume de sementes a ser tratado não é muito grande. sem causar danos à natureza e ao homem.. já determinando-se alguns promissores agentes de controle biológico: Chaetomium spp..). agindo por meio de competição. controla-se a Clavibacter michiganense. Gliocladium spp.2. microondas e ultra-sons são outros exemplos de processos físicos promissores no tratamento de sementes. Vários avanços foram feitos nessa área.2.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos minutos visando ao controle de Botrytis cinerea. visando ao controle de carvão. são incorporados às sementes determinados agentes biológicos. onde as sementes são fermentadas junto com a polpa durante 96h a 21oC.3. e outros. Esse é o princípio do tratamento bioquímico. à semelhança do que ocorre no processo de obtenção de sementes de tomateiro. com posterior secagem. o que facilita a aplicação de forma automatizada.4. Essa técnica também tem sido aplicada com sucesso para sementes de trigo e cevada. as sementes devem ser resfriadas em água e secadas a 32oC sob ventilação forçada. permanecendo por 70 h a 21oC ou ainda por 30 h a 23oC. os quais. A energia solar. Logo após o tratamento. Faz-se necessário observar a relação entre água e sementes (5:1).

M. New York. fornecendo condições adequadas para o tratamento de sementes de cevada e trigo. 4ed. St. As vantagens do tratamento de sementes podem ser observadas especialmente nas primeiras fases do desenvolvimento da cultura em nível de campo. consequentemente. o tratamento físico não tem sido muito difundido. Commonwealth Mycological Institute. ELLIS. APS Press. Commonwealth ELLIS. Hyphomycetes.W. 3ed. 1971. as sementes são distribuídas sobre uma superfície plana. M. A. Commonwealth Mycological Institute. Inúmeros trabalhos de pesquisa têm indicado que sementes tratadas apresentam uma melhor germinação e emergência.. Kew. 1971. Considerando que o custo do tratamento de sementes corresponde a 0.. 279 . Dematiaceous Mycological Institute. 77: 730-4. Surrey. CLAFLIN. H. 508p. Kew. C.J. Kew. Minnesota.L. L. Surrey. B. More Dematiaceous Hyphomycetes. BIBLIOGRAFIA ALEXOPOULOS. BOOTH. Pelo fato de ser considerada uma técnica de alto risco. decorrente da alta intensidade solar. Introductory Mycology.. C.5% do custo total da produção. HUNTER. também. 1979. ao meio-dia. formando uma camada fina sob ação da luz solar. não ter valor de venda comercial como os produtos químicos e. permanecendo sob essas condições por mais 4h. maior número de sementes por planta e maior número de sementes sadias.H. MXP. MIMS.E.B. pouco utilizado. será que não é interessante a adoção dessa prática? 6. pelo fato de não conferir às sementes proteção contra fungos de solo.. 632p. 1987.B. sendo. 1971.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos ambiente é elevada. BARNETT. Surrey. melhor desenvolvimento inicial. As sementes são imersas em água à temperatura ambiente durante 4h. 240p.K. 1998. atingindo temperaturas entre 48 a 54oC. C. The genus Fusarium. SASSER. Illustrated genera of imperfect fungi. visando ao controle do carvão voador. Ed. plantas sadias e vigorosas. VIDAVER. Phaseoli. 507p. a semi-seletive medium for Xanthomonas campestris pv. M. 237p. Phytopathology. John Wiley & Sons. Paul.

Detecção e Identificação de Fitobactérias em Sementes.A. 1989. MOHAN. A.J. Phaseolicola in contaminated bean seed. WARHAM.. 1187p. Metodologia dos testes de sanidade de sementes.M. Vol.M..A. M.V. 1991. 1991.F.. Minnesota. Minnesota. 1979. Paul. Campinas.E.. N. p.2001 MENTEN. México.F. In: SOAVE. O. 1986. P. NETO. Controle biológico no tratamento de sementes. 280 . London. SCHAAD. APS Press. 126p. In: Anais 3o Simpósio Brasileiro de Patologia de Sementes. 252p. 101-5. E. CHAMURIS. CIMMYT. N. L. 1988.W.S. A literature guide for the identification of plant pathogenic fungi. The American Phytopathological Society. L. 1989. 71: 336-9. SCHAAD. O. D.J. ed.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos HOMECHIN.. FARR. Revista SEED News 5(3) 10-11. Paul. J. G. 1252p. 85p. Fungi on plants and plant products in the United States. Piracicaba. Y. 276-98. ROTH. G. APS Press. A. Paul. s.M. Campinas.. BUTLER.D. da S.... pv. Minnesota. danos e controle químico.O.K.II. Fundação Cargill.W. In: Simpósio Brasileiro de Patologia de Sementes. Fundação Cargill. LUCCA FILHO.D..A Os riscos do tráfico de sementes. e WETZEL. An improved agar planting assay for detecting Pseudomonas syringae pv.d.P. ESALQ/FEALQ. SAETLER. In: WETZEL. A. D. PALM. Phytopathology.W. Patógenos em Sementes: detecção. ROSSMAN. M. The Mac Millan Press Ltd. Seed Pathology.. Importância do Tratamento de Sementes. St. Seringae and P. I . SUTTON.. A.Y. Ensayos para la semillas de maíz y trigo..O. 1987. 1994. Fundação Cargill. B. P. St.Y. SPIELMAN. J. LUCCA FILHO. Patologia de Sementes. Brasil. . M. St. NEERGAARD. BILLS. ROSSMAN. S. Anais. Detection of bacteria on seed and other planting material.C. Manual de laboratorio. J. APS Press.

Dr. Dr. Silmar Teichert Peske Prof. Francisco Amaral Villela .CAPÍTULO 5 Secagem de Sementes Prof.

pode ser altamente prejudicial. pode ser armazenada por um período de 8 meses. Por ocasião da colheita. b) possibilidade de colher mais horas por dia e mais dias por safra. 2. sem grandes prejuízos à sua qualidade fisiológica. de modo que a danificação mecânica ocasionada pela colheita e transporte se torne comprometedora. para muitas espécies recalcitrantes. ganha ou perde água num processo 282 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1. Algumas vantagens de se colher as sementes com umidade alta e se proceder a secagem são: a) possibilidade de planejar a colheita. muitas vezes. em geral. ficando inutilizada para fins de semeadura. dependendo do período de tempo. teor de água inadequado para um armazenamento seguro. que permita a colheita mecânica com danos mecânicos restringidos ao mínimo. no período compreendido entre a colheita e a secagem. a semente poderá hidratar-se novamente devido à chuva. as sementes não podem ser secadas a baixos teores de água. sendo necessário uma espera para a colheita. e. Enfatiza-se que. Por outro lado. ou seja. ao orvalho e às flutuações de UR. variável de espécie para espécie e entre cultivares da mesma espécie. o que. sujeita a condições potencialmente adversas de temperatura. quando atingir de 11 a 13% de umidade. de 11 a 12%. atingir teores de água muito baixos (8-10%). a semente está sendo armazenada no campo. níveis bastante elevados. Para as espécies ortodoxas. insetos e microrganismos que podem provocar perdas qualitativas e quantitativas que alcançam. c) menor perda de sementes por deiscência/degrane natural. para o grupo das amiláceas. O elevado teor de água das sementes. UMIDADE DA SEMENTE 2. para as oleaginosas. a semente com teor de água de 13%. INTRODUÇÃO As sementes provenientes do campo apresentam. a semente deve apresentar teor de água compatível. ocorre o consumo de substâncias de reserva e a liberação de energia e água. se a temperatura da semente for inferior a 25oC. Equilíbrio higroscópico A semente é higroscópica. favorecendo o desenvolvimento de microrganismos e insetos. Assim.1. umidade e ataque de passáros. contribui para acelerar o processo deteriorativo em razão da elevada atividade metabólica. Além disso. a semente pode estar em avançado estado de deterioração. também. Desde o momento em que atinge a maturidade fisiológica (máximo de qualidade). A semente pode.

6 9. Assim.6 13.3% F 30 C .60% 9.2 19. 283 .0 6.0 Soja 4.0 23.5 7. Fig.5 13.0 11.4 14.0 Arroz 5.60% 9.5 9.40% 7.3 9.2 Sorgo 6. apresentando-se como uma curva sigmóide.0 13.3% A 25 C .3% 13.60% 25 C .5 20.3 18.2 18.Migração de umidade em relação à umidade da semente influenciada pela temperatura e UR.2 13. a relação entre UR e umidade das sementes não é linear.2 Milho 6. a semente terá um teor de água (Tabela 1. Tabela 1 . Umidade da Semente Propriedade do Ar Temperatura e UR 9.75% B 9.0 Amendoim 2.0 13.8 12.8 19.0 10.4 15.0 7.8 13.2 13. para cada UR e a uma determinada temperatura. 1) denominado de equilíbrio higroscópico (EH).0 Trigo 6.4 20.4 16.8 12.1 25. Essa relação é denominada curva de equilíbrio higroscópico das sementes. em função da umidade relativa do ar (UR).5 9.1% A 25 C .1 10.5 15.3 11.6 4.1% D 25 C .2 8.0 24.Teor de água de equilíbrio das sementes em diferentes URs a 25oC.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos dinâmico. a uma dada temperatura.0 12.5 14.75% 13.6 12. Entretanto.0 6. sendo os aumentos mais acentuados na umidade de equilíbrio em baixas e em altas UR’s e moderados na faixa de 25 a 70%.0 8.40% Figura 1 .2 9.8 13.5 Diversas fontes.8 13.2 5.2 8.3% G 30 C .1 9.0 9.3% E 25 C .0 12.1 15. Sementes Umidade Relativa (%) 15 30 40 60 65 70 75 80 90 100 Algodão 3.6 7.

Vide Tabela 1. b) Temperatura do Bulbo Úmido (TBU) . a 65 % de UR. as sementes no processo de sorção (ganho) de água. ou seja. visto que as sementes danificadas atingem teores de água de equilíbrio mais elevados do que sementes íntegras. 3) O efeito da histerese. a qual. c) Ponto de Orvalho (PO) . será considerada apenas a determinação gráfica. as sementes amiláceas apresentam teor de água de 9 a 10% e as oleaginosas.1).2. se estivesse com 11. Entretanto. 2) A temperatura ambiental afeta o equilíbrio higroscópico de forma que. As propriedades físicas do ar mais utilizadas são: a) Temperatura do Bulbo Seco (TBS) . além da UR. entram em EH a teores de água mais baixos do que se estivessem no processo de dessorção (perda) de água. 2). por ser mais simples e relativamente precisa. 4) A integridade física da semente também afeta o equilíbrio higroscópico.É a temperatura do ar quando a UR é 100%. principalmente nitrogênio. que influem no equilíbrio higroscópico das sementes. 2.É a temperatura obtida por um termômetro normal. Para a UR de 45%. entrará em equilíbrio a 13%. a essa mesma UR. 4). entretanto. A TBU é determinada pelas linhas mais oblíquas e sua leitura é no lado externo da curva da bota (Fig. se considerarmos que a carta psicrométrica é uma “bota”. Propriedades físicas do ar O ar é constituído de vários gases. 3. de 5 a 6%. 3.2. uma vez que os carboidratos têm maior afinidade higroscópica do que os lípideos. mais ou menos. dependendo de sua intensidade. em contato com uma corrente de ar. são: 1) Os constituintes químicos.2). o equilíbrio dar-se-ia com menos de 13%. a uma mesma condição climática. onde as sementes amiláceas apresentam maior teor de água de equilíbrio do que sementes oleaginosas. representada por linhas perpendiculares à base da figura ou. onde uma semente de arroz com 15% de umidade. gráficos ou tabulares. proporcionará a vaporização da água que. quanto mais alta a temperatura.É a temperatura indicada por um termômetro normal expressa em ºC. sendo que esse último possui acentuado efeito no processo de secagem. com o bulbo revestido com uma gaze úmida (Fig. sendo representado por linhas horizontais e sua leitura é feita no lado externo da 284 . utilizando-se a carta psicrométrica (Fig. a temperatura. mais baixa será a umidade das sementes a uma determinada UR. As propriedades físicas do ar podem ser determinadas através de métodos analíticos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Os principais fatores. oxigênio e de vapor d’água. tomando como exemplo uma das espécies. a TBS será determinada na parte de baixo da bota (Fig. baixará.

3. 285 .2) e. f) Volume Específico (VE) . 5). sendo expressa em m3 de ar seco/kg ar seco. 3. conhecendo duas propriedades físicas do ar interdependentes. O referido psicrômetro consta de dois termômetros. o bulbo do TBS deve ser fixado acima do TBU em ± 3cm (Fig. quando em uso. Considerando a importância de se conhecer as propriedades físicas do ar para o processo de secagem. com TBS de 26oC e TBU de 18oC. 5.É uma função termodinâmica que expressa a energia total associada à umidade de massa de ar seco.). com a TBS de 26oC e TBU de 18oC. e) Razão de Mistura (RM) . Assim. caracterizando um estado do ar úmido. sendo expressa em gramas de água/kg de ar seco (Fig.3). com água à temperatura ambiente. no mínimo. o orvalho se formará a 14. a qual pode ter uma manivela para girar os termômetros. a uma determinada temperatura.4). a uma mesma temperatura. para diminuir as possíveis interferências. 4).5oC (Fig 5. O VE é representado por linhas oblíquas cuja leitura é feita na parte mais externa da base da bota. ponto de orvalho e razão de mistura. durante ± 2 minutos. Se o ar possui 18g e pode conter 30g de água/kg de ar seco. A RM é representada por linhas horizontais e a leitura é realizada na parte de trás da bota.É expressa a quantidade de água existente no ar em relação à quantidade máxima que esse ar poderia conter. 3. gaze) e. pode-se determinar as outras (Fig.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos curva da bota (Fig. por exemplo. deve estar sempre úmido. 3. Entretanto. o ar contém 11 gramas de água/kg de ar seco. a UR é de 50% (Fig. de tal forma que uma corrente de ar passe pelos mesmos. não é possível estabelecer apenas um estado para o ar úmido.Expressa o volume ocupado pelo ar seco em relação à umidade de massa de ar seco.2). fixos à uma base. d) Umidade Relativa (UR) . g) Entalpia (E) . Outras características do psicrômetro são: o bulbo do TBU deve estar coberto por um material higroscópico que permita a passagem do ar (ex. o de bulbo úmido e o de bulbo seco. a UR é de 60% (Fig. É determinada no prolongamento das linhas mais oblíquas e sua leitura é feita no lado externo mais distante da parte curva da bota (Fig. Esse giro do psicrômetro é muito importante para dissipar a umidade evaporada do TBU. o qual deve ser. com TBS de 26oC e UR de 50%. de uma volta por segundo.1. será descrito a seguir um psicrômetro de bulbo úmido e bulbo seco que permite a determinação de outras propriedades físicas do ar.5). Conhecendo duas propriedades físicas do ar independentes.Expressa a massa de água do ar em relação à umidade da massa de ar seco.

90 Volume específico m³/kg ar seco 65 0.85 35 40 Temperatura bulbo seco °C 45 50 55 60 0.80 15 20 25 30 0. 2 Carta Psicrométrica .75 -5 0 5 10 0.g água /kg ar seco 24 21 18 15 12 100 286 35 37 39 33 30 27 Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Fig.d e ar se co °C -K j/ K g bu lb o u mi do ra t ur a En tal pia Te mp e 9 6 3 0 -10 0.95 70 Razão de mistura .

287 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Figura 3 .Propriedades físicas do ar.

288 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Mecanismo para Girar os Termômetros Termômetros Bulbo Seco Bulbo Úmido Figura 4 .Psicrômetro de bulbo úmido e seco.

conseqüentemente. pode ser representado pela Fig. diminuindo a UR (5) e aumentando a Entalpia (6) (Estado B). cedendo calor e absorvendo água. mantendo a razão de mistura constante e. sob condições externas constantes. O processo de secagem. Conhecendo-se duas. ocasionando uma diminuição na temperatura do ar e elevação da UR. o ar. 6 da seguinte maneira: A temperatura ambiental.Propriedades físicas do ar. TBS (1). graficamente representado pela TBU (7) e UR (8) (Estado 289 . a Entalpia (2) e a UR (3) são a condição inicial de secagem (Estado A). A seguir. o ar é aquecido por uma fonte de calor elevando a TBS (4).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Figura 5 . insuflado ou succionado por um ventilador. passa pela massa de sementes. mantendo a Entalpia constante. pode-se determinar uma terceira.

denominada pressão parcial de vapor d’água na superfície da semente. b) movimento de água do interior para a superfície da semente. A diferença (y) representa a quantidade de calor por kg de ar seco necessário para aquecer o ar de (1) para (4). compreende. 3.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos C) na carta psicrométrica. maior é a eficiência de secagem. dois processos simultâneos: a) transferência (evaporação) da água superficial da semente para o ar circundante. inclusive na interface entre a semente e o ar. essencialmente. Quanto maior essa diferença. Figura 6 . que ocorre motivado pelo gradiente de pressão parcial de vapor entre a superfície da semente e o ar de secagem. uma pressão parcial. 290 . A diferença (x) é a quantidade de água por kg de ar seco que foi retirada da massa de sementes. designada pressão parcial de vapor d’água no ar.Processo isentálpico de secagem das sementes. O processo de secagem envolve a retirada parcial de água da semente através da transferência simultânea de calor do ar para a semente e de água. da semente para o ar. também. em virtude de gradiente hídrico e térmico entre essas duas regiões. por meio de fluxo de vapor. gerando pressões em todas as direções. mediante fornecimento forçado de ar aquecido. A secagem de sementes. a água presente no ar sob a forma de vapor exerce. Por sua vez. PRINCÍPIOS DE SECAGEM O vapor d’água presente na semente tende a ocupar todos os espaços intercelulares disponíveis.

e o encobrimento das sementes no período noturno. sob determinada condição atmosférica. possibilitar a passagem do ar por um maior número de sementes. sejam expostas ao ar. tabuleiros (telados) ou encerados (lonas).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Uma teoria bastante aceita para explicar o transporte de água do interior para a superfície da semente durante a secagem. à medida que se aumenta a temperatura do ar. a umidade relativa tem sido utilizada como referência para inferir se a semente irá perder (secagem). É um método de secagem utilizado para pequenas quantidades de sementes. Verifica-se que. bem como suas faces. algumas sementes de hortaliças e por pequenos produtores. cuidados devem ser 291 . Na eira. dessa forma. é recomendável o emprego de camadas não muito delgadas. para que todas as sementes. MÉTODOS DE SECAGEM A secagem pode ser natural ou artificial. 4. ou empregando recursos complementares.1. No caso de utilização de lonas plásticas. 1978). adquire maior capacidade de retirada de água. Cuidados especiais devem ser tomados para que a semente não sofra aquecimento excessivo e a secagem seja a mais uniforme possível. caso contrário. essa movimentação é essencial. diminuindo. 4. poderá haver um gradiente muito grande de umidade na semente que pode ocasionar rupturas internas. a qual é posteriormente ondulada para aumentar a superfície de secagem (Fig. é um derramamento hidrodinâmico sob a ação da pressão total interna e/ou um processso de difusão resultante de gradientes internos de temperatura e teor de água (Lasseran. em conseqüência. onde as sementes são esparramadas. Natural A secagem natural utiliza as energias solar e eólica para remover a umidade da semente. elevando a sua capacidade de retenção de água. ganhar (umedecimento) ou manter sua umidade (equilíbrio higroscópico). a sua umidade relativa diminui. como é o caso de programas de melhoramento. É realizada na própria planta. assim. Para tanto. 7a) e. A forma mais utilizada para aumentar o diferencial entre as pressões de vapor da superfície da semente e do ar de secagem é o aquecimento desse último. como terreiros (eiras). Em termos práticos. a sua umidade relativa que. no período compreendido entre a maturidade fisiológica e a colheita. as sementes são distribuídas formando uma camada de ± 10cm. o revolvimento freqüente. No caso de sementes que são lavadas (ex: tomate).

apesar de não estar sujeita a riscos de danificação mecânica e temperaturas excessivamente altas. freqüentemente. muitas vezes. formando-se uma peneira (Fig. a UR. demorada. As sementes são esparramadas em forma ondulada sobre a peneira. inclusive o seu ensaque. possibilitando que o ar passe por cima e por baixo das sementes. 7b). e uma maneira de acelerar o processo é através do uso de telas de plástico ou arame entrelaçado. Em dias chuvosos e à noite. apesar de constituir-se em meio bastante prático para a movimentação da semente. A secagem natural. não são adequadas para a secagem das sementes. abreviando consideravelmente o tempo de secagem. 292 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos tomados com a umidade proveniente do solo. Um exemplo típico é o caso de épocas ou locais com alta UR (90-100%).0m do solo.Secagem natural em eira e bandeja com fundo falso de tela. A secagem natural é.5 a 1. Figura 7 . está alta. é dependente das condições psicrométricas do ar ambiente que. a qual é posteriormente erguida a uma altura de 0. em geral.

em muitas regiões. 4. o ar deve possuir um fluxo mínimo que desempenhe adequadamente seu papel de transportar calor e água. quando incrementada a quantidade de sementes. em estacionário e de fluxo contínuo (contínuo e intermitente). conforme o fluxo da semente no secador.O ar possui duas funções no processo de secagem: uma é criar condições para que ocorra retirada de água da semente por evaporação.2. das quais vêm. num secador. podem ser divididos. é pouco utilizada. nas regiões ou épocas onde a UR reinante no período da colheita é baixa e a possibilidade de ocorrência de chuvas bastante reduzida. Assim.2. fluxo de ar superior a 20 m3/min. Não é aconselhável utilizar-se de fluxos de ar inferiores a 4 m3/min. permitindo que continue a evaporação da umidade que migrou do interior para a superfície da semente. Por outro lado.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Devido aos riscos provenientes da demora de secagem motivada por altas URs. pois se forem. A quantidade de sementes a secar torna-se limitada. colocando no mesmo secador 10 toneladas de sementes. 4. e necessitarem de 50 m3/min de ar. 5 toneladas de sementes de arroz para secar. a seguir. por outro lado.1. a secagem natural é largamente utilizada. Artificial Os métodos de secagem obtidos pela exposição da semente. a outra. já que o processo de secagem será lento. Na secagem em secador estacionário. Secagem estacionária O método estacionário de secagem consiste basicamente em se forçar o ar através de uma massa de sementes que permanece sem se movimentar. Entretanto. a um fluxo de ar aquecido ou não. aumenta também a pressão estática. geralmente através de transporte de calor desde a fonte até o local de secagem das sementes ou câmara de secagem. é de transportar a umidade retirada da semente para fora do sistema de secagem. o ar deve ter um fluxo de 4 a 20 m3/min/t de semente./t. a secagem natural. A secagem estacionária requer precauções especiais para o seu adequado desempenho. as mais importantes: a) Fluxo de ar . para determinar o fluxo de ar que está 293 . Os fabricantes fornecem as curvas de desempenho dos ventiladores a diferentes pressões estáticas. onerando de maneira considerável o processo. podendo comprometer a qualidade das sementes./t exigirá elevada potência do ventilador. por exemplo. Assim. o fluxo será de 10 m3/min/t. o fluxo de ar será de 5 m3/min/t e. pois assim a massa de sementes oferece uma maior resistência à passagem do ar.

é aquela que está mais distante. Pode-se calcular a pressão estática utilizando-se o gráfico de Shedd. tornando-se muito suscetível aos danos mecânicos e 2) a camada de sementes mais distante da entrada de ar deverá secar tão rapidamente quanto possível. até o momento em que entra em equilíbrio com a UR do ar de secagem. numa profundidade igual à espessura da chapa do duto. a semente. as sementes secam por camadas. Com a devida aproximação. Mas. consultar a curva de desempenho do ventilador. a UR decresce de 4. como todo material higroscópico. também chamado equilíbrio higroscópico. Introduzindo-se o tubo no duto de saída de ar do ventilador.2).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos passando por uma determinada massa de sementes. onde o tubo plástico contendo água tenha de 0. Dois cuidados especiais devem. No caso de silos de distribuição axial. a temperatura 294 . Essa pressão pode ser verificada com um manômetro de tubo em U. ser tomados: 1) para que não ocorra uma secagem excessiva nas camadas mais próximas à entrada de ar.5 %. posteriormente. que para cada acréscimo de 1oC na temperatura. para que não ocorra deterioração da semente por retardamento de secagem.3 a 0. por isso. pois as sementes tendem. uma vez que se conheçam duas propriedade físicas do ar. b) Umidade relativa do ar (UR) – Como já comentado anteriormente.Em razão das sementes permanecerem em contato. A carta psicrométrica (Fig. Existem também higrômetros simples e baratos que informam diretamente a UR do ar c) Temperatura do ar de secagem . 9). com o ar aquecido por longo período de tempo. sendo a UR superior a 40%. É interessante frisar que a primeira camada não pára de secar. a UR do ar de secagem não deve ser inferior a 40%. permite determinar a UR. observar-se-á uma diferença no nível de água dentro do tubo plástico. após algum tempo. onde a primeira camada a secar é aquela que fica mais perto da entrada do ar e. a frente de secagem pode ser de baixo para cima como de cima para baixo. pode-se considerar. o qual é fixado num papel milimetrado ou ao lado de uma régua (Fig. é possível saber o quanto se deve aumentar a temperatura do ar para baixar a UR até o nível desejado. perde ou ganha umidade em função da UR. a uma determinada temperatura. que expressa a pressão estática desenvolvida pelo ventilador. a semente atinge um teor de água em equilíbrio. pois em níveis inferiores a semente entrará em equilíbrio higroscópico a teores de água muito baixos. enquanto nos de insuflação radial ocorre do centro para a periferia do secador. que pode ser consultada. para vencer as perdas de carga do sistema. como foi discutido anteriormente. a atingirem a mesma temperatura do ar de secagem. Para cada UR. a última. muitas vezes. Assim. para URs superiores a 80%. Nesse método de secagem. devemos medir a pressão estática desenvolvida com o ventilador em operação e.6 cm de diâmetro. formando-se uma frente de secagem. deve-se tomar precauções quanto à temperatura do ar.

o que ocorreria acima de 43oC. entretanto. o silo pode ser utilizado como silo armazenador. Existem vários tipos de secadores que utilizam o método estacionário. d) Danificação mecânica . umidade da semente. não necessitando de aquecimento suplementar.As sementes são lançadas de alturas muitas vezes superiores a 6 m para dentro do silo secador. é sugerido que na operação de carga do silo seja colocado dentro desse uma escada amortecedora de fluxo e/ou um amortecedor de impactos localizados no tubo de ligação do elevador com o silo secador.Nesse tipo de secador. onde a camada de semente pode ser então aumentada. é ligar o ventilador no momento de carga do secador formando.6 m3/min/t.O método estacionário possui baixa capacidade de secagem (geralmente mais de 12 horas por carga). sendo construídos. e) Capacidade de secagem . fluxo de ar. nesse método de secagem. 295 . Ao final da colheita. o ar é insuflado para dentro do secador. assim. Os secadores de fundo falso perfurado são projetados para operar ao ar livre. de menor efeito. Caracteriza-se por: 1) a eficiência técnica ser alta e 2) o ar que sai do secador (com baixa temperatura e alta umidade) tem reduzida capacidade para secar. razão por que se utiliza um conjunto desses secadores. Na utilização de ar ambiente não aquecido é de fundamental importância o conhecimento do máximo tempo permissível para finalizar a secagem sem que ocorram problemas de deterioração das sementes. Outra alternativa. já que. um colchão de ar para amortecer as sementes. assim. alguns dos secadores vão sendo cheios de sementes e funcionando apenas como armazenadores. no fim da safra. bem como o aumento excessivo da pressão estática. recomenda-se que a altura da camada de sementes não seja superior a 1. Há que se considerar que o ventilador tenha pressão estática suficiente. Em muitas regiões ou épocas do ano. No início da colheita todos os secadores estão à disposição para a secagem. apenas um ou dois estarão funcionando como secadores propriamente ditos. Para se evitar esse problema. motivados pelos processos metabólicos da mesma e pelo desenvolvimento de microrganismos. espécie e tamanho da semente e impurezas que acompanham o lote.1 a 0. o que pode causar-lhes sérios danos mecânicos. de chapas metálicas ou alvenaria. conforme as sementes vão sendo colhidas. são necessários fluxos de ar de 0. geralmente pela parte inferior da camada de sementes distribuição axial de ar (Fig. em geral. A resistência que as sementes oferecem à passagem do ar varia com a altura da camada de sementes. Para se evitar a super secagem das camadas próximas à entrada de ar.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos não necessita ser aumentada até níveis que prejudiquem a qualidade fisiológica da semente. como: a) Fundo falso perfurado . 8). para a aeração.5m para as sementes de tamanho grande (soja). o ar ambiental está com UR entre 40 e 70%.

como as de trevo. desde a base até o topo. a resistência que essas sementes oferecem à passagem do ar sofrem grandes variações. de acordo com a altura desejada. como as de soja e milho.Nesse tipo de secador. por meio de um tubo vertical perfurado. Os tipos de sementes a serem secadas são os mais variados. b) Tubo central perfurado . para que isso seja possível.10). pois o que determina essa resistência é a camada de sementes que vai do tubo central à parede do secador. Assim. A câmara de secagem compreende o volume contido entre o tubo central e a parede do secador (Fig. a quantidade de sementes dentro do secador deve ser diferente e. o ar é forçado a passar pelas sementes transversalmente (distribuição radial). até as grandes. Portanto. A resistência que as sementes oferecem à passagem do ar dá-se de forma diferente da que ocorre com o modelo de fundo falso perfurado. situado na posição central do secador.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos JANELA DE INSPEÇÃO FUNDO FALSO VENTILADOR DETALHE Figura 8 .Secador estacionário de fundo falso perfurado. desde as pequenas. desde que o ventilador não seja substituído. dentro do tubo central existe um mecanismo (válvula) que veda a passagem do ar. alfafa e cornichão. para se ter um mesmo fluxo de ar para todos os tipos. 296 MANOMETRO .

.. ... ..Construção de um manômetro em "U". 297 . Figura 9 . . . Orifício .Secador estacionário com distribuição radial de ar. 1m Ponta fechada e ponteaguda .. . .. . .3 m Tubo metálico .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tubo plástico 0..... Figura 10 . .. .. . . .

podendose apontar três causas: 1) maior fluxo de ar na parte inferior do secador.Sistema utilizado em programas de melhoramento de sementes onde a quantidade é pequena e o número de cultivares ou linhagens é grande. dessa forma. c) Secador de sacos . e um ventilador (Fig. fazendo com que as sementes na periferia não recebam um fluxo de ar suficiente para secar. pois é difícil a colocação da escada amortecedora nesse tipo de secador. Esse secador consiste basicamente em um assoalho de madeira (sistema de distribuição do ar). Figura 11 . Os secadores de tubo central perfurado são projetados para operarem dentro das unidades de beneficiamento de sementes (UBS). 2) posicionamento inadequado da válvula situada dentro do tubo central. 3) nivelamento da camada de sementes na parte superior do secador. sendo construídos de madeira ou chapa metálica e podem também ser utilizados como silos armazenadores. Outro problema é a danificação mecânica das sementes na ocasião de carregamento. reduzir sua umidade relativa e favorecer o processo de secagem. em vista da ocorrência de regiões de menor pressão estática.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Esse secador apresenta problemas quanto à uniformidade da umidade das sementes. capaz de aumentar a temperatura do ar de 5 a 8oC e. com aberturas individuais para cada saco.Secador estacionário para sacos. 11). que pode ou não ter um sistema para aquecimento suplementar. Uma limitação importante dos secadores de distribuição radial de ar é não permitir alterações na espessura da camada de sementes. acarretando uma maior velocidade de secagem das sementes. 298 .

fechado numa extremidade (Fig. caso contrário. Deve-se ter o cuidado de evitar o escape de ar entre os sacos. a fim de acelerar a secagem. necessitando-se basicamente de um ventilador. 299 . É um sistema barato. Utiliza-se esse sistema quando a necessidade de secagem é bem maior que a disponibilidade de secadores.Secador de sacos em pilha. poderá haver problemas de desuniformidade de secagem.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A altura do assoalho deve ser ao redor de 40cm para insuflação do ar e a abertura. os sacos devem ser virados. onde o saco a secar é colocado. 1. Após algumas horas de funcionamento do secador.7m Corte AA 2m Corte BB Figura 12 . Outro tipo de secador em sacos é aquele formando-se uma pilha com um túnel no centro.2m 2m 2m B 2m A B A 0. pois alguns sacos recebem mais ar do que outros. O principal problema desse tipo de secador é a desuniformidade de secagem que ocorre. deve ser 60% da área do saco. 12). ou quando a quantidade de sementes é pequena e não se dispõe de um secador convencional. por meio da colocação de “enchimentos” (estopa) entre os mesmos. em razão da dificuldade de obtenção de uma distribuição espacial simétrica dos mesmos.

dificilmente.0m. O secador consiste em uma caixa metálica de. porém.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos d) Estufa . passa através das sementes. para a redução da umidade em até 5 a 8%.0 x 1. 13). aproximadamente. Figura 13 .5 x 3. a não ser nos locais da bandeja com pouca quantidade de sementes. para que todas sejam expostas ao ar aquecido.Secador estacionário com bandejas teladas. onde várias bandejas com fundo de tela são colocadas (Fig. é importante que as sementes sejam revolvidas dentro de cada bandeja. visando ao armazenamento em embalagens impermeáveis. Portanto.Sistema largamente utilizado pelos produtores de sementes de hortaliças. 300 . Em cada bandeja é colocada uma camada de sementes com cerca de 1cm. 3. sendo que o ar passa por cima e por baixo dessa camada.

Recomenda-se temperatura máxima do ar de secagem de 40oC. 14). não haverá problemas de supersecagem. aumentando a resistência à passagem do ar. após uma seleção manual. na fase inicial. Isso é possível porque a espiga oferece pouca resistência à passagem do ar. os quais irão preencher os espaços vazios entre as espigas. utilizar o ar a 30-35oC e. entretanto. aumentando a pressão estática. tornando-se necessária a secagem artificial. 1 Saída de ar Compartimentos 4 Entrada de Ar SE ME N Ventilador TE Figura 14 – Secador de alvenaria para milho em espiga. devendo-se. procedimento que também é importante para a homogeneização da umidade na semente e entre sementes. dependendo da necessidade de secagem. a altura da camada de sementes pode atingir 4 m. Normalmente. Utilizam-se secadores especiais. No carregamento dos compartimentos do secador. deve-se ter o cuidado de não se debulhar muito as sementes nem permitir muitas impurezas. o mesmo é colhido com alta umidade (entre 25 e 35%). as sementes devem ser esfriadas. Os compartimentos variam em tamanho. e) Secadores de milho em espiga .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Como a camada de sementes é delgada.Para evitar o armazenamento do milho no campo. desde que se acompanhe e controle a redução da umidade das mesmas. em sementes de cebola. onde as espigas de milho. que possuem um fundo falso perfurado. para baixar a umidade de 10 para 6%. no período necessário para a secagem. despende-se ao redor de 14 horas. ou seja. reduzindo gradativamente a temperatura do ar de secagem. são colocadas (Fig. 40oC. com vários compartimentos. geralmente de alvenaria. 301 . como palha e ponta de sabugo. Na fase final.

Para isso. Qualquer mecanismo que aumente a temperatura da semente põe em risco a sua qualidade. principalmente quando a velocidade do elevador for alta ou o número de passagens for elevado. umidade da semente e impurezas misturadas às sementes. As modificações sugeridas seriam as seguintes: a) Passagem das sementes mais de uma vez pela câmara de secagem. Método contínuo A secagem contínua é realizada. b) Aumento da velocidade do fluxo da massa de sementes através da câmara de secagem. 48 a 72h para que seja completada a secagem. Isso porque.2. em geral. fazendo com que as sementes permaneçam menos tempo sob a ação do ar aquecido. fundamentalmente. um no duto de entrada do ar aquecido e outro na zona neutra da câmara de secagem. formando um sistema cíclico. Esse método. uma de secagem e outra de resfriamento. o tamanho elevado para as instalações necessárias e o longo tempo de secagem. De uma maneira geral. 4. o que pode acarretar danificações mecânicas às sementes. Porém. É importante que se coloque dois termômetros. permitindo as sucessivas passagens da semente pelo secador. considerando-se os inconvenientes apresentados. de tal forma que entrem úmidas no topo e saiam secas na base do secador. dependendo do híbrido e da umidade inicial da semente. cuja temperatura poderá ser mais alta. existem outros fatores que também influem na temperatura atingida pela massa de sementes. Com o aumento da temperatura ou do tempo de exposição das sementes ao ar aquecido. necessitando. O método contínuo consiste em fazer passar as sementes uma só vez pela câmara de secagem. por duas câmaras. são empregadas temperaturas do ar de secagem de 40oC.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Esse sistema apresenta determinados inconvenientes. 302 . pode-se acoplar na descarga do elevador um mecanismo que desvie o fluxo de sementes novamente para o secador. Para que as sementes sequem em uma só passagem pelo secador. apesar de a temperatura do ar de secagem estar associada à temperatura da semente. a fim de que permaneçam o tempo suficiente para perderem o excesso de água. é possível secar as sementes sem correr o risco de prejudicar a sua qualidade fisiológica. como umidade relativa do ar de secagem. as sucessivas passagens das sementes pelo secador implicam a repetição de transporte pelo elevador. tais como o consumo adicional de energia para a secagem do sabugo.2. é necessário que se eleve muito a temperatura do ar de secagem ou se retarde o fluxo das sementes dentro da câmara de secagem. nos secadores contínuos que são formados. corre-se o risco de causar danos térmicos às sementes. tem que ser modificado. Com essas modificações.

Esse termógrafo é importante também para o operador pois. porque o limite máximo da velocidade de secagem. Quando não são utilizadas temperaturas altas do ar de secagem. podendo secar. 4. é possível determinar se foi devido à elevada temperatura de secagem. Quando as sementes apresentam algum problema de qualidade. não podendo esse permanecer durante todo o tempo de secagem junto ao secador. intercalados por períodos sem aquecimento.Esse método foi adaptado dos secadores tipo contínuo. 8 toneladas de sementes. é que seja colocado um termógrafo para cada secador. tornando-se necessária a adaptação do método contínuo.2. principalmente se a fonte de calor for lenha. a semente é submetida à ação do ar aquecido na câmara de secagem a intervalos de tempo permitindo. existem dois métodos: a) Método intermitente lento . A utilização de uma série de curtos períodos sob a ação de ar aquecido. bem como o tempo em que elas permaneceram no secador. as sementes não chegam a secar em uma só passagem pelo secador. pois assim. seria registrado pelo instrumento. a fim de passarem mais vezes pela câmara de secagem (Fig. de 18 para 13% num período de 4 a 6 horas. A intermitência permite que ocorra o transporte de água do interior para a superfície da semente durante o período de equalização. diminuindo o gradiente de sua concentração dentro da semente. Conforme o tempo necessário para as sementes passarem pela câmara de secagem. após a remoção da água da camada superficial da semente. 303 . qual foi a temperatura máxima e a mínima de secagem. fazendo com que elas retornem para o corpo do secador. é a velocidade de transporte de água do interior para a superfície. a homogeneização da umidade e resfriamento quando as mesmas estão passando pelas partes do sistema onde não recebam ar aquecido (elevador de caçambas e câmara de equalização ou resfriamento). 15). aumenta a quantidade de água removida por unidade de tempo em relação à secagem contínua. a capacidade de secagem desse método é bastante alta. com precisão. Método intermitente No secador intermitente. assim. que é válida também para todos os métodos de secagem.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Uma sugestão. durante o processo de secagem de um lote de semente.3. Com a movimentação das sementes e a utilização do ar com UR baixa (510%). dependendo do modelo do secador. se saberá. qualquer aumento ou diminuição da temperatura.

É importante salientar que. utilizando esse secador intermitente lento com a temperatura do ar de secagem a 75ºC. Para esse tipo de secador. na temperatura de 75oC. Miranda (1978). verificou que. utilizando a temperatura do ar de 45. porque poderá afetar as proteínas das sementes. com a temperatura de 60ºC.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos CÂMARA DE SECAGEM TERMÔMETRO CÁMARA DE REPOUSO AR QUENTE VENTILADOR DETALHE: SAÍDA E ENTRADA DE AR NOS DUTOS. 304 . a temperatura da massa de sementes atingiu de 33 a 34ºC. as sementes começaram a apresentar os efeitos da temperatura porém. enquanto que. O cuidado a se observar nesse método é no sentido de que as sementes não dêem muitas voltas pelo sistema de secagem pois. entretanto deu de 7 a 8 voltas pelo secador. deve-se utilizar a temperatura do ar "alta".7ºC. 60 e 75oC para secar sementes de soja. a temperatura da massa de sementes de soja atingiu até 36.5ºC. sendo realizadas de 5 a 6 voltas pelo secador. a massa de sementes atingiu somente 25. estas podem sofrer sérios danos mecânicos. S E S E E E S E S E S E S E S E S E Figura 15 . a 60oC.Secador intermitente lento. não houve alteração da qualidade fisiológica das sementes. com temperatura do ar de secagem de 45ºC. porém não em demasia. como é utilizado o elevador de caçambas para elevar as sementes da base até o topo.

assim. de 21 a 12%. passarão de 20 a 10min. As temperaturas do ar de secagem utilizadas podem ser mais altas. sem receber a ação do ar aquecido. acarretando assim maior danificação mecânica e. não pode ser baixa. expostas ao ar aquecido. b) Método intermitente rápido . Em sementes de arroz. Para soja. afetará a qualidade das sementes pelo aquecimento demasiado. retirando ao redor de 1. 15). com relações do tipo 1:6. a semente dá mais passagens pelo secador. Também verificou que a temperatura de 70ºC não afeta a qualidade fisiológica das sementes de arroz. como soja e feijão. é de 1:1 a 1:3 (dependendo do modelo). verificou que a velocidade de secagem das sementes. com temperatura de 40ºC. num período aproximado de 4-5 horas. é possível secar em média 15t de sementes de 18 para 13% de umidade. Existem modelos onde as sementes permanecem em contato com o ar aquecido por 2 a 3min. No secador intermitente lento. 305 . relação de intermitência. apesar da porcentagem de sementes com fissuras aumentar quando a umidade das sementes é reduzida de 16-15 para 12%. e 18 a 27min. secando com temperatura do ar a 70ºC. dão em torno de 25 voltas. pois as sementes terão que dar muitas voltas pelo sistema antes de completar a secagem. podendo causar sérios problemas. ou seja. para darem uma volta pelo secador.8% de umidade por hora de secagem. com temperatura do ar de 75ºC. Luz (1986). a temperaturas inferiores. pois quando as sementes passam pela câmara de secagem provenientes da câmara de equalização já houve transferencia de umidade do interior para a periferia da semente. a temperaturas superiores a 70ºC. dependendo do modelo do secador. é praticamente constante. 1:9 e 1:15. Existem disponíveis no mercado secadores especialmente desenvolvidos para realizar a secagem intermitente (Fig. Na secagem intermitente rápida de sementes de arroz. sobretudo em sementes mais suscetíveis à danificação mecânica. segundo Cavariani (1983). essas passam aproximadamente 11 vezes pelo sistema e. em cada passagem pelo sistema secador-elevador. a relação entre o tempo que as sementes são expostas ao ar aquecido e o período de equalização. a temperatura recomendada do ar de secagem é de 70ºC e salienta que. causando aumento na danificação mecânica.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Por outro lado. considerando que as sementes levem 40min.Assim denominado porque as sementes passam através do ar aquecido a intervalos regulares e mais freqüentes do que no intermitente lento. A relação entre o tempo de exposição das sementes ao ar aquecido e o tempo de equalização varia conforme o modelo de secador. Este método exige um número elevado de passagens das sementes pelo sistema elevador-secador.

para que sejam evitadas aglomerações e. refere-se à possibilidade de ocorrência de misturas mecânicas.Trabalha a pressões baixas e médias (até 150mm coluna de água). é aconselhável que as sementes palhentas passem por um bom processo de prélimpeza e. se possível. Um aspecto que merece maiores estudos. recomenda-se a utilização do ar forçado sem aquecimento para homogeneização da umidade das sementes. é o que propicia a maior capacidade de secagem.4. . já que.Faz muito barulho. porém.Menor custo de todos. 306 .2. Nos secadores contínuos e intermitentes.3m). . Também. . a) Ventilador axial . 4.O motor está dentro da armação do ventilador.Não suporta sobrecarga. após passar pelas sementes. Nos secadores que utilizam ar aquecido forçado. permitindo um manuseio suave de sementes mais facilmente danificáveis. esse inconveniente pode ser desprezado em explorações agrícolas de grande porte. 16).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Dos métodos que utilizam ar aquecido forçado. e não pela força centrífuga. no fim da secagem. . Seleção de ventilador O ventilador é um dos elementos mais importantes de um secador. ainda tem capacidade de reter umidade. entupimentos. centrífugo com as pás para trás e centrífugo com as pás para frente (Fig. mas necessita maiores pesquisas. para evitar choques térmicos que podem causar trincamentos. como as de soja e feijão. se for relacionado com a alta capacidade de secagem. é recomendável que se utilizem temperaturas crescentes no início e decrescentes no término da secagem. A eficiência do ar de secagem é baixa. descarga interna etc). Sugere-se a utilização de elevadores caçambas de descarga pela gravidade (caçambas contínuas. que o sistema de secagem não seja interrompido enquanto as sementes não estiverem secas. de ocorrência freqüente em sementes de arroz e mílho. consequentemente. para minimizar problemas de danos mecânicos nos elevadores de caçambas usados para movimentar as sementes no sistema. como envolvem transporte da semente e passagem das mesmas através de estreitos canais (± 0. em vista da dificuldade de limpeza dos secadores contínuos e intermitentes. existindo essencialmente três tipos: axial.

b) Ventilador centrífugo com as pás para trás . 307 .Secador intermitente rápido. .Trabalha a pressões altas (até 300mm).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos ELEVADOR CÂMARA DE REPOUSO CÂMARA DE SECAGEM VENTILADOR AR QUENTE CÂMARA DE SECAGEM DETALHES Figura 16 .Mais caro de todos. .Suporta sobrecarga. .Não faz muito barulho. .De construção robusta.

desde que se considere o seu desempenho a diferentes pressões estáticas.17t/m2.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos c) Ventilador centrífugo com as pás para frente . qual será o ventilador mais indicado? a) Determinar a pressão estática. b) Calcular o fluxo de ar necessário: c) Selecionar o ventilador na Tabela 2. mova para baixo até encontrar o eixo horizontal e leia a queda de pressão do ar por metro de altura da camada de sementes .0m de diâmetro para a secagem de sementes de trigo com camada de espessura 1.5 = 100.7 x 1.Não faz muito barulho./t = 8.Não suporta sobrecarga.De construção frágil. 308 . Considerando um silo (Fig. . utilizar um fator de correção de 1.6mm de água./m2. .19m3/min. 3) Desse ponto.0m3/min.78t/m3 = 1.67 mm coluna água. os secadores estacionários são projetados de tal forma que se pode utilizar qualquer tipo de ventilador. utilizar o gráfico de Shedd (Fig. umidade. 5) Para a pressão. 8) de 7.17/m2 x 7m3/min. ./m2 no eixo vertical do gráfico.Determinar o fluxo de ar insuflado por m2 de assoalho.25 (impureza.Com esse dado.5 x 1. perda de pressão no duto de ar): 100.25 = 125. assim.78t.5m x 0. considerando que: 1m3 de trigo = 0. como o responsável pela UBS praticamente não tem influência na seleção de ventilador para secador contínuo ou intermitente. 4) Multiplique o valor encontrado em 3 pela altura da camada de sementes: 6. a) Pressão estática . 1. . será apresentado um exemplo de seleção de ventilador para secador estacionário. Os secadores contínuos e intermitentes são projetados para operação com ventilador centrífugo. entretanto. 17): 1) Ache 8. Peso/m2 x fluxo de ar. 1.Determinar o peso de sementes acima de cada m2 de assoalho do silo. 2) Mova horizontalmente até encontrar a curva para trigo.5mm água./t.Trabalha a pressões estáticas moderadas. . Dessa maneira.5m e com um fluxo de ar de 7.19m3/min.

Pás para frente Ventilador Centrífugo . 3. b) Fluxo de ar .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Ventilador Axial Ventilador Centrífugo .14 x 3.5m2 x 1.78t/m3 = 45t. .7m3.7m3 x 0. .Pás para trás - Figura 17 .Determinar o peso de sementes no silo: 57. multiplicar o fluxo de ar desejado pelo número de toneladas: 7m3/min./t x 45t = 315m3/min.Para o fluxo total de ar necessário.Tipos de ventiladores.Determinar o volume de sementes no silo: π x r2 x altura. 309 .5m = 57.

disponibilidade. ou 1. .normalmente 0.5m3/s. de 15 HP.2.. Específicodo ar 310 .25ºC → 70ºC = 45ºC. sendo o ventilador centrífugo modelo C.) 100 69 35 174 160 64 257 240 203 160 297 283 247 205 342 328 300 265 234 63 303 317 440 277 286 411 250 257 385 210 229 357 175 329 200 297 225 245 c) Seleção do ventilador . o indicado. = Vol . tornando-se caro. térm.5 10 15 25 148 214 305 340 377 351 368 494 38 139 202 288 324 368 50 129 191 274 311 357 328 343 471 Pressão estática (mm) 75 100 125 150 Fluxo de ar (m3/min. Modelo HP Axiais A B C D E Centrífugos A B C 1. necessita de um aparato especial para poder gerar calor. . Há ocasiões em que o material é barato. A escolha dependerá de seu preço.Fluxo de ar ao redor de 90m3/min. x 960 Vol . Há vários materiais que podem ser utilizados como fonte de energia (Tabela 3). Consumo de energia Na secagem artificial de sementes. pois nessas condições o seu desempenho será um pouco superior ao necessário (385m3/min. em alguns casos. 4. e considerando que: Pot. facilidade de uso e. necessita-se saber: 1) O fluxo de ar utilizado. Para determinação do consumo de energia de um determinado secador.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 2 – Desempenho de ventiladores centrífugos e axiais de diversas pressões estáticas. consulta-se a Tabela 2. entretanto. com isso. da permissão do uso. 2) O aumento de temperatura do ar e 3) O volume específico do ar. Exemplificando com secador intermitente rápido em sementes de arroz. Temp.5.5 3 5 7.5 10 7.Acréscimo de temperatura .85m3/kg.Com a pressão estática de 125mm e um fluxo de ar de 315m3/min.Volume específico do ar . normalmente é necessário aquecer o ar para diminuir a UR e. ar x Acrésc. cujo sistema apresenta as seguintes condições: .). possibilitar e/ou aumentar a velocidade de secagem.

tem-se: P = 76233. No caso de uso de lenha como fonte de calor (Tabela 3).620Kcal ÷ 5t = 87.8 cargas de sementes por m3 de madeira (1.620Kcal/m3). Tabela 3 – Valores energéticos de vários produtos que podem ser utilizados como fonte de calor no processo de secagem. o consumo total de energia será: 108. será: 435.6 = 108.905 Kcal / h 0.5m 3 / s x 45 o C x 960 ( Kcal / h ) 0. Origem Lenha Casca de arroz Serragem Carvão betuminoso Óleo diesel Gás metano (natural) Gás butano Eletricidade (resistência) Motor elétrico (3-20 HP) Kcal 1220000 3390 670000 8073 9350 12317 10247 960 760 Unidade m3 kg m3 kg l kg kg Kwh Hph 311 . como a capacidade é de 5 toneladas (varia com o modelo).70 Considerando uma eficiência em torno de 70% (madeira).220.: 5t) em torno de 4h.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O consumo de energia será: P= P= 1.127Kcal/t.6 Kcal / h Considerando que o secador intermitente seca uma carga de sementes (ex.905kcal/h x 4h = 435.620kcal ou.000Kcal/m3 ÷ 435. será possível secar 2.85m 3 / kg 76233.

Figura 18 – Resistência das sementes à passagem do ar.2 . 2) Manter a massa de sementes a uma temperatura suficientemente baixa.8 1 2 3 4 6 8 10 20 Tr ev o So rg o 13 30 40 60 80 100 Al se fa m fa en te 7% s pe qu en as 200 300 400 600 3 Perda de pressão por altura de camada de semente Adaptada de: Shedd. são utilizados fluxos de ar entre 0. C. A aeração tem por objetivo principal o resfriamento da massa de sementes. 4) Evitar a transilagem. outros objetivos podem ser citados: 1) Evitar a migração de umidade e uniformizar a temperatura na massa de sementes. esse assunto será apresentado neste capítulo.4% 4.4 ilho 12 ém a do e m rec a sc d h a l a c lho bu pi g mi de em Es u o de il h im M o a d ig 8% % en sp 0% 13 o E 1 m h A % z ja el 12 Arro So rm % a ad 11 % Ve v o 11 vo Ce ig Tr ca Tre tu s Fe % 16% u u da lhi co % 20 .1 .5 .3 .4 .9 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 50 40 Fluxo de ar em m³/ min/ m² de assoalho 30 20 2 . 34. september 1953. pois consiste em utilizar-se baixíssimo fluxo de ar para manter a qualidade das sementes.7 .6 . Porém. AERAÇÃO A aeração está estreitamente relacionada com armazenamento. 312 e se ca s 10 9 8 7 6 5 4 % . 5.3 .2m3/min/t. Para a aeração. o que é baixo em relação ao fluxo de ar utilizado para secagem estacionária (4 a 20m3/min/t).6 . Entretanto. Resistance of grains air flow Agricultural Engineering.8 . K. devido à similaridade entre os equipamentos utilizados em secagem estacionária e aeração. Vol. principalmente durante o armazenamento regulador de fluxo.05 a 0.4 . 3) Aplicar fumigantes.

No caso de ocorrerem altas temperaturas externas e necessidade de aeração. principalmente. o ar aquecido sobe próximo às paredes do silo. Em circunstâncias normais. mesmo que o ar esteja úmido. especialmente os metálicos. Em silos. em exposição a temperaturas externas. é aconselhável sua realização à noite. a aeração deve ser realizada com UR abaixo de 80% sempre que a diferença de temperatura entre a massa de sementes e o meio ambiente for de 5-7oC. A deterioração de sementes armazenadas em silos pode ocorrer. Entretanto. Por outro lado. por elevado teor de água e alta temperatura da semente. quando a temperatura externa é mais alta. migração de umidade. desenvolvimento de microrganismos e infestação de insetos. ao encontrar uma massa de sementes mais fria na parte de baixo do silo. acarretando sérios problemas às sementes (Fig. o qual.Silo metálico com sementes. 313 . ocasião em que a temperatura está mais baixa. pode condensar a umidade. Ar frio Condensação Altura da camada de sementes Ar quente Ar frio Movimento do ar Figura 19 . quando houver diferença de 3oC entre pontos dentro da massa de sementes. a aeração deverá ser realizada sob qualquer condição atmosférica. 19). ao encontrar a camada de sementes frias no topo do silo. a exposição a uma baixa temperatura externa propicia que o ar frio desça próximo da parede do silo e o aquecido suba pelo centro. condensa a umidade.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 5) Realizar secagem lenta. enquanto o ar frio desce pelo centro e.

menor danificação mecânica que o intermitente e maior uniformidade de secagem em relação ao estacionário. conforme verificado por Zimmer (1989) que. No Brasil. A energia interna da semente é elevada e favorece o transporte de água para a superfície. demorando bastante tempo para reduzir a umidade das sementes a nível adequado para armazenamento seguro. O sistema por seca-aeração permite aumentar a capacidade do sistema de secagem em até 30%. em secadores convencionais até ao redor de 15-16% (dependendo da região) e. Na saída do secador convencional. recomenda-se.. as sementes saem aquecidas e apresentando as camadas superficiais secas. utilizando um fluxo de ar de 0. É importante enfatizar que a fase de aeração é realizada em silos armazenadores.t. empregando na fase de aeração fluxos do ar de 0. é utilizado um baixo fluxo de ar. no inverno. devido estar a água mais atraída pelos componentes celulares e ter que migrar do centro para a periferia. completar a secagem com a aeração. as sementes com 15% de umidade podem levar até 30 dias para atingirem 13%. SECA-AERAÇÃO Sistema de secagem desenvolvido inicialmente para sementes de milho.3 a 1m3/min. seca-se até 16-18% e. Por outro lado.6 e 0. Na fase de aeração. em regiões onde a temperatura durante o dia não passa de 25oC. é possível a redução do consumo de energia na ordem de 20% e a obtenção de sementes de maior integridade física em relação aos sistemas convencionais de secagem. complementar a secagem até 13%. obtendo uma porcentagem de grãos inteiros superior à alcançada na secagem convencional. Consiste em secar-se as sementes. transferir para um silo apenas com a aeração. completamente cheios de sementes. a temperatura média é inferior a 10oC. que é removida pela ventilação forçada com ar ambiente. o que é obtido na fase de aeração no silo. vale lembrar que o sistema de secagem por secaaeração apresenta menor choque térmico do que o método contínuo. Nos Estados mais frios dos EUA.. então. empregando o sistema de seca-aeração.9m3/min. a seguir. Entretanto. conseguiu completar a secagem em 33 e 20 dias. inicialmente. sem prejuízos à qualidade fisiológica das sementes de arroz. Além disso. depois.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 6. completa-se a secagem somente com a aeração. pois. cuja camada pode atingir até 6 m de altura. 314 . t. pois as sementes com altos teores de umidade perdem-na mais facilmente do que com teores de umidade mais baixos. devido a altas temperaturas em certas regiões. secar até 15-16% e.

Demora na secagem As sementes devem permanecer úmidas o menor tempo possível. onde. Na conservação temporária de sementes com elevado teor de água. já que a alta umidade é o fator que mais influencia a qualidade fisiológica da semente no 315 . Isso é importante considerando-se que.6m3 min. o fluxo de ar deve ser de 0. para que as sementes e o ar entrem em equilíbrio térmico e hídrico. para entrarem no secador. segundo a prática. devido à passagem pelo ar e remoção de materiais mais úmidos. as sementes são colocadas num depósito chamado de “caixa do úmido” ou “pulmão”. realizando uma operação de qualidade inferior. precisa-se de 3-4 horas. despende-se. Apesar desse dano ser mais influenciado por gradiente de umidade. O tempo que as sementes permanecem nesse depósito é. é aconselhável que sejam colocadas em um depósito.1. em silo pulmão. onde permanecem aguardando o momento de serem enviadas ao secador.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 7. bem menores e bem mais leves presentes no lote de sementes. fluxo de sementes dentro do secador e redução da umidade de 1 a 2%. FLUXO DAS SEMENTES NO SISTEMA DE SECAGEM As sementes. A caixa do úmido é importante porque. Depois de passarem pela pré-limpeza. 30 a 40min. principalmente nos métodos intermitentes lento e rápido. há necessidade de máquinas de pré-limpeza com maior capacidade. devem ser ressaltados os seguintes aspectos: 8. 8.3 a 0. Após a passagem das sementes pelo secador e uma vez secas. na maioria das vezes. para carregar um secador. tempo mínimo para a secagem de um lote de sementes nesses secadores. sem a caixa do úmido. a diferença de temperatura também contribui para sua ocorrência. denominado caixa de seco. o outro está passando pelo processo de pré-limpeza e sendo armazenado nessa caixa. Portanto. CONSIDERAÇÕES GERAIS Dos tópicos apresentados e discutidos. passam por um processo de pré-limpeza. para a homogeneização da umidade das sementes e para que o calor adquirido pela semente no processo de secagem dissipe-se lentamente afim de evitar fissuras na semente. Para realizar esse processo. em média.t. enquanto um lote de sementes está sendo secado. facilitando com isso o processo de secagem no sentido de rapidez. de no mínimo 2 horas. são retirados os materiais bem maiores.

4. no mínimo. assim como manter ligado o ventilador na operação de carregamento do silo. pode tornar-se imprópria para a semeadura. devendo o secador operar todos os dias durante as 24 horas. II . cevada e soja. podem ser afetadas na passagem pelos diversos elevadores. salvo quando armazenadas em silos com sistema de aeração adequado. no máximo uma carga por dia. Recomenda-se: I .Secador intermitente rápido para trigo: 80oC. Recomenda-se o uso de elevadores de caçambas de descarga pela gravidade e de amortecedores de fluxo. milho e outras. V . deverá ser realizada a colheita e. 40-50%. Para a secagem estacionária.Secador estacionário: UR 40-70% (40oC). imediatamente após.2.Secador intermitente lento para arroz e milho: 70oC. Sugere-se. proceder-se-á a secagem. mas se sugere uma capacidade de. Capacidade de secagem A Comissão Estadual de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (CESM/RS) requer um mínimo de 30% de capacidade de secagem para sementes de trigo. feijão. No caso do arroz. Danos mecânicos Sementes mais suscetíveis a danos mecânicos. A temperatura máxima do ar de secagem (determinada no duto de entrada do ar aquecido) varia com o tipo de secador.3. Assim que a umidade da semente permitir. Temperatura de secagem Cuidados especiais devem ser tomados com a temperatura do ar de secagem. considerar três a quatro cargas do secador por dia. por sua vez. o teor de água da semente e a espécie. 8. Sementes com 20% de umidade não devem permanecer mais de 24-48 h aguardando a secagem.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos armazenamento. 8. 316 . para o cálculo da capacidade de secagem nos métodos intermitentes lento e rápido. tais como escadas com anteparos de borracha ou espirais nos interiores dos silos secadores.Secador intermitente lento para soja e feijão: 60oC . 8. IV .Secador intermitente rápido para arroz e milho: 70oC. como é o caso de sementes de soja. III . a capacidade de secagem deverá ser de 100%. devido ao alto degrane natural e o sorgo devido à morfologia da panícula. pois esta irá influir decisivamente sobre a temperatura da semente que.

Sob iguais condições de secagem. Fluxo de ar Nos secadores estacionários. 8. principalmente em sementes de arroz e milho. A elevação excessiva da taxa de retirada de água e/ou da temperatura da semente pode determinar o aumento da permeabilidade de membranas celulares. velocidade e temperatura de secagem. reduções no vigor que se manifestam no potencial de armazenamento ou na emergência em campo. fluxo da semente no secador. inclusive. Danos térmicos Os danos térmicos em sementes estão relacionados à espécie e cultivar. porém. 4m3 /min/t de semente.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 8. temperatura e fluxo de ar de secagem. A velocidade de secagem é influenciada pela umidade inicial da semente. Velocidade de secagem A utilização de temperaturas muito altas permitem uma secagem mais rápida. cultivar e histórico do lote. método de secagem. a secagem muito lenta pode causar prejuízos às sementes. 8. muitas vezes.6. no mínimo. O emprego alternado de fluxos de ar quente e frio causa aumento na ocorrência de danos térmicos. 317 . para o das sementes pequenas (similares aos trevos).60m. a morte das sementes.7. a ocorrência de plântulas anormais e. espécie. recomenda-se que a altura da camada para o grupo de sementes grandes (soja e milho) não seja superior a 1. poderá provocar uma diferença de umidade muito grande entre a periferia e o centro da semente. teor de água da semente. gerando um gradiente de tensão que causa o trincamento. as sementes de arroz e trigo apresentam menor dificuldade em perder água do que sementes de feijão e soja. tempo de exposição do ar aquecido. a redução da velocidade e porcentagem de germinação. a formação de fissuras internas ou superficiais. principalmente em espécies mais sensíveis.5m e. Elevadas temperaturas de secagem podem não causar diminuição imediata na germinação. como arroz e milho. mas determinam. Recomenda-se um fluxo de ar de.5. Como é difícil medir o fluxo do ar. não mais de 0.

8. Para que a umidade se distribua uniformemente. Super-secagem No secador estacionário. Determinar a quantidade de água a ser descontada. Para ilustração.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 8.620. para armazenar a semente por um período curto de tempo (duas horas). há 20. O ar.3kg de água a ser descontado. enquanto se processa a secagem nas camadas mais distantes. como soja. deve-se descontar o excesso de água.8.7 kg 87 Portanto.000 x (100 . é preciso contar com depósito. existe uma diferença de umidade dentro da semente. 318 . ou mesmo o transporte das sementes. de preferência.000-18.379. A supersecagem é problema principalmente para as sementes facilmente danificáveis.9. utilizando a seguinte igualdade: Peso Inicial x (100 . a camada de sementes mais próxima ao local de entrada do ar aquecido pode sofrer uma “super-secagem”. com sistema de aeração.000 x 81 = 18.Umidade Final) Tem-se que: 20. bem como a UR do ar de. Uniformização ou homogeneização da umidade Quando a semente é retirada do secador.620.19) = Peso Final x (100 .000 x 81 = Peso Final x 87 Peso Final = 20.Umidade Inicial) = Peso Final x (100 . feijão e outras. que conte. no mínimo. elimina o problema de aquecimento da massa pela movimentação da umidade dentro da semente. A umidade de 13% é a oficial para a comercialização de sementes. será utilizado o seguinte exemplo: Um produtor entrega 20. Recomenda-se a secagem em camadas pouco espessas.7=1.000kg de sementes de soja com 19% de umidade. 40% (essa umidade do ar pode ser mantida na maioria das regiões com temperatura do ar de 35 a 40oC). entre o centro e a periferia. Desconto da umidade É comum o cooperante entregar sementes com alto teor de água e.13) 20. 8.10. para efeito de pagamento.

22-27. 125p. março/abril. 1978.W. 1986. L. Secagem de sementes de arroz em secador intermitente lento. 1977. (Dissertação de Mestrado). & BASS. K.M. E. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas. 15.) sobre sua qualidade fisiológica. L. Viçosa. 17-45. 289p. Proceedings. Efeitos do retardamento de secagem de sementes de arroz bluebelle (Oryza sativa L. 1977. O. 6 (2). Comparação de métodos de secagem para sementes de azevém anual (Lolium multiflorum Lam). p. A & CAVARIANE. 1972. Washington 506. Westport: Avi Publishing Company INC. JUSTICE. 1978. Mississipi State University. 109p. 56p. v. VILLELA.A. Principles and practices of seed storage. Revista SEED News. 23-27. 1972. Efeitos de um sistema de elevador de caçambas acoplado a secador. (Dissertação de Mestrado). K.S.F. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas.C. Revista SEED News.B. C. BENECH. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas. GONZALES DEL VALLE. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas. Revista Brasileira de Armazenamento. Apr.N.C. Mississipi State. C. C. Agriculture Handbook. 3.L. 382p. & RUSHING. 1980.) em silo secador com distribuição radial de ar. CORRÊA. Princípios de secagem. 103p. (Dissertação de Mestrado). Seed drying and conditioning In: Short Course of Seedsmen. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas. Secagem de sementes de arroz (Oryza sativa L. Secagem de grãos. BIBLIOGRAFIA BAUDET. Princípios gerais de secagem. 3. sobre a qualidade da semente de soja (Glycine max (L) Merril). LASSERAN. GROFF.W. n. Drying and storage of agricultural crops.L. 1978. 1986. edição 10. R. 20-27. v. C. J. LUZ. 2002. F. 1999.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 9. MATTHES. 319 . (Dissertação de Mestrado). 85p. J. HALL. BAUDET. L M L . p. (Dissertação de Mestrado).

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Francisco Amaral Villela . Dr.CAPÍTULO 6 Beneficiamento de Sementes Prof. Silmar Teichert Peske e Prof. Dr.

a semente. é necessário que se mantenham os lotes individualizados e devidamente caracterizados quanto aos seguintes itens. Será considerada também a disposição dos equipamentos visando um fluxo contínuo e uniforme de sementes. Conceitua-se um lote como "uma quantidade limitada de sementes com atributos físicos e fisiológicos similares dentro de certos limites toleráveis".Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1. além dos incentivos fiscais dos quais a semente usufrui. A máxima qualidade de um lote de sementes é função direta das condições de produção no campo. depois de colhida. bem como meios de transporte que minimizem a danificação mecânica e não causem misturas varietais. Recepção É o processo de caracterização e identificação dos lotes de sementes que são recebidos na UBS. será abordada também a caracterização e identificação de lotes de sementes. Entretanto. RECEPÇÃO E AMOSTRAGEM 2. misturas varietais. semente se obtém no campo. condições climáticas e manuseio. INTRODUÇÃO O beneficiamento é um dos passos a serem seguidos para obtenção de sementes de alta qualidade numa empresa de sementes. contém materiais indesejáveis que devem ser removidos a fim de facilitar a semeadura. As fases de secagem e armazenamento são apresentadas em outro capítulo. Diversos mecanismos e equipamentos serão apresentados para uma adequada separação dos materiais indesejáveis.1. demora de colheita. Procedência 322 . 2. além de evitar que sejam levadas sementes de plantas daninhas para outras áreas. entre outros: 1. desde a sua recepção na unidade de beneficiamento de sementes (UBS) até a embalagem e distribuição. Nome do produtor ou da gleba 2. Assim. a secagem e o armazenamento. ou seja. sistema de colheita. contaminação com sementes de plantas daninhas. O beneficiamento consiste em todas as operações a que a semente é submetida. Vem daí a importância do beneficiamento para a obtenção de sementes de alta qualidade. Considerando que cada lote de sementes possui a sua "história". Cada lote de sementes possui a sua "história" devido ao sistema de cultivo.

e quanto à demora da secagem. nos últimos anos. b) a procedência irá informar em que condições edafoclimáticas a semente foi produzida. d) o registro da quantidade de semente lembra que a balança é o "caixa" da UBS. na liquidação. o "batismo" da semente na UBS. e) a data de recepção poderá informar quanto à ocorrência de chuva após as sementes terem atingido a maturação. como tetrazólio. sabe-se que a conduta do indivíduo interfere na avaliação da responsabilidade. como é o caso de arroz preto e vermelho no arroz comercial. g) o registro do teor de umidade informa sobre a necessidade de secagem. sendo igualmente importante perante o ICM. na realidade. Para as grandes culturas. 98% é o mínimo de pureza aceito para comercialização. a suscetibilidade à danificação mecânica e sobre o desconto. portanto todos os mecanismos devem ser utilizados para evitar que lotes de sementes de baixa qualidade sejam recebidos na UBS. i) a semente. o desconto do percentual de água em excesso. outros testes têm sido desenvolvidos para determinação rápida da viabilidade. Umidade 8. necessita estar viável. os quais. h) a pureza física do lote informará quanto à perda no beneficiamento. Viabilidade A importância desses dados decorre das seguintes razões: a) quanto ao registro do produtor. pois sobre a semente não incide imposto. idoneidade e tino comercial. Número ou letra do lote 4. condutibilidade e pH do exsudato. polígono e nabo no trigo. num período de horas ou minutos. O teste de germinação é o mais utilizado para verificação da viabilidade da semente. 323 . todo lote de sementes recebido com mais de 13% de umidade sofre. entre outros fatores. rumex e cuscuta em forrageiras leguminosas. entretanto. o potencial de armazenamento. Espécie e cultivar 7. Pureza 9. Quantidade 5.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 3. capricho. c) o número do lote é. Como se sabe. determinam a viabilidade das sementes. para desempenhar sua função na agricultura. às máquinas necessárias para a limpeza e quanto à contaminação por sementes de plantas daninhas nocivas ou de difícil separação. f) a indicação da espécie e cultivar contribui no sentido de evitar ou minimizar misturas varietais durante o manuseio das sementes na UBS. feijão miúdo na soja. Data 6.

amostram-se todos. as 400 sementes utilizadas no teste irão representar os 400 milhões de sementes no lote. A pureza. sementes mal formadas e sementes fora de padrão. Considerando que um lote de sementes. para utilização prática. É necessário que essa relação de grandeza esteja presente no espírito do indivíduo que faz a amostragem.1. a qual será encaminhada ao laboratório de sementes para as análises. sementes de outras espécies.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2. Nas regras brasileiras de análise de sementes. existe uma tabela indicando o número de sacos que devem ser amostrados em função do tamanho do lote. 324 . Assim. as quais irão constituir as amostras simples. pois poderá haver gradiente de umidade dentro do lote não detectados por uma amostra média. A reunião das amostras simples irá constituir a amostra composta e essa. sementes de plantas daninhas. tiram-se pequenas amostras de um determinado número de sacos. PRÉ-LIMPEZA E OPERAÇÕES ESPECIAIS 3. entretanto. ocorrendo sérios riscos de deterioração durante o armazenamento. Pré-limpeza Logo após colhidas. 1kg 40. Há ocasiões em que a contaminação com os materiais indesejáveis é alta. 3. considera-se que. sementes de outras cultivares. mas o grau de umidade para fins de verificação da necessidade de secagem é importante que seja obtido de diversas amostras simples. se um lote tiver até 5 sacos. sendo necessário um processo de pré-limpeza. como material inerte. amostram-se 5 + 10% do número de sacos no lote. pureza e viabilidade. considere-se que 1 grama contém 40 sementes. ultrapassa 10t ou 200 sacos. muitas vezes. determinação da umidade. Para ilustrar a importância da amostragem. Amostragem É o processo pelo qual obtém-se uma pequena fração de sementes que irá representar o lote nos testes para avaliação da qualidade. quando chegam na UBS. porém não mais do que 30 amostras. 1t 40 milhões e 10t 400 milhões. homogeneizada e dividida. umidade e viabilidade do lote obtém-se através da análise da amostra média. a amostragem deve obedecer a certos critérios. se tiver além desse número.2.000. as sementes podem vir misturadas com vários materiais indesejáveis. Assim. tomando como exemplo sementes de arroz. será a amostra média. para a germinação.

O emprego de combinadas automotrizes com altas capacidades de colheita resulta em que muitos lotes de sementes das grandes culturas atinjam menos de 95% de pureza e. menos de 50%. possuem maior umidade. 3.Os elevadores são os meios de transporte mais comuns em uma UBS. o transporte pelas caçambas será dificultado e as possibilidades de entupimento serão grandes. c) Facilidade de transporte por elevadores . como hastes. bem menor e bem mais leve do lote de semente.Na secagem artificial das sementes a remoção de sementes de plantas daninhas e de restos de culturas. em forrageiras. sendo os mais importantes apresentados a seguir. considerando-se a necessidade de passar na pré-limpeza toda a semente recebida no dia. folhas e vagens que. como é o caso das sementes palhentas e aristadas. Assim. Para realizar essas operações. Se a alimentação for com materiais de pouca mobilidade ou de diversos tamanhos. milho em espiga. bem menor e bem mais leve do meio do lote de sementes tornará mais eficaz o trabalho das peneiras e do ar. As principais vantagens da pré-limpeza são: a) Facilidade de secagem . pois nessa etapa do beneficiamento é mais importante o rendimento do que a qualidade. utiliza-se máquina de ar e peneiras com alta produção.A remoção prévia do material bem maior. algodão. irá acelerar a secagem e auxiliará no fluxo das sementes através do secador. amendoim e de sementes duras e múltiplas. b) Redução de volume a armazenar . acarretando uma maior deterioração. a simples remoção dos materiais mais grosseiros propiciará redução de área para o armazenamento das sementes antes do beneficiamento.Sementes partidas e danificadas e restos de cultura fazem com que os processos metabólicos das sementes sejam acelerados.2. Daí a importância da remoção desses materiais na pré-limpeza. Operações especiais Algumas sementes necessitam de operações especiais para que possam ser beneficiadas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A pré-limpeza consiste basicamente na remoção do material bem maior. e) Melhores condições no armazenamento de fluxo . d) Facilidade de operação das máquinas subseqüentes . pois possibilitará o uso de peneiras com perfurações de dimensões mais próximas às da semente e a regulagem do ar com mais precisão. necessita-se de equipamentos especiais. Para essa operação. no caso de arroz. 325 .

ou outras protuberâncias. 3. A B Figura 1 . 1). Para evitar danos à semente. Consiste basicamente de um eixo com garfos que gira dentro de um cilindro com garfos fixos (Fig. Desaristador Utilizado para sementes palhentas e aristadas com o objetivo de melhorar o fluxo das mesmas nas máquinas de limpeza.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 3. cevada e algumas forrageiras.2. são exemplos de espécies cujas sementes necessitam passar por essa máquina. se realizar a debulha.1.Desaristador de sementes com detalhe dos garfos.2. é aconselhável revestir os garfos com um material similar à borracha e movimentar as sementes "rapidamente" através da máquina. entretanto. é aconselhável que se colha o milho em espiga (25-30% de umidade) e este seja secado a 14-15% para.2. 326 . Debulhadora de milho A debulha das sementes de milho pode ser realizada por uma combinada durante a colheita. então. As sementes ao passarem pelos garfos perdem as aristas. melhorando seu fluxo e peso volumétrico. para minimizar a danificação mecânica. Aveia.

As operações de descascar e escarificar podem ser realizadas em separado ou combinadas.escarificadora Há ocasiões em que é necessário remover a casca da semente para facilitar ou propiciar a semeadura. ENTRADA DE ESPIGA VENTILADOR PENEIRA Figura 2 . há necessidade de arranhar esta casca para possibilitar que as sementes. em alguns modelos. 327 . com auxílio do ventilador integrado ao sistema (Fig. É aconselhável que a rotação do debulhador seja ao redor de 400rpm. faz com que a semente de milho se solte por ação da fricção. às vezes. 2).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A operação de desgrane consiste em passar a espiga do milho por um molinete cilíndrico. entretanto é mais comum a realização das duas juntas. enquanto.3. uma vez semeadas. outras vezes. cheio de "dentes" que. A semente e o sabugo são posteriormente separados com uso de peneiras e. Descascadora .Debulhadora de milho. 3. utilizando-se para tal rolos e superfícies ásperas (Fig. solicitar ao fabricante uma debulhadora especial para sementes. para evitar danos mecânicos à semente. 3). possam embeber água e desencadear o processo de germinação.2. ao aprisionar a espiga junto à carcaça do debulhador. sendo necessário.

3. LIMPEZA DAS SEMENTES A remoção dos materiais indesejáveis do meio do lote de sementes só é possível se houver diferença física entre os componentes. condutibilidade elétrica e afinidade por líquidos.escarificadora.Deslintador mecânico e químico para algodão. 4.Polidor de feijão.2. peso específico. ESCARIFICAÇÃO SEMENTE Figura 3 – Descascadora . Outras operações especiais Devido a serem máquinas bastante especiais.Descascador de amendoim. Alguns exemplos da necessidade de descascar as sementes são capim bermuda e capim bahia. . 328 . As propriedades físicas. espessura.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos ENTRADA DE SEMENTE DEC. tem-se sementes de alfafa e de trevos. cor. peso forma. . comprimento. enquanto da necessidade de escarificação. para a separação são largura. ora em uso.4. textura superficial. serão apenas apresentadas como seguem: .

variando de 0. na outra direção. São peneiras de pouco uso e sua perfuração é expressa em função do diâmetro do círculo circunscrito ao triângulo ou pelo lado do triângulo. a peneiração das sementes. espessura e peso Para separação por largura. 60/64.4mm (uma polegada) 8 furos quadrados e. utilizam-se ventiladores que forçam o ar através das sementes. Largura. como 4 x 10. peneiras acima de 2. 12. São de furos quadrados ou retangulares e expressos em número de aberturas por polegada bidirecional.. enquanto peneiras com menos de 2. sendo o último o mais comum.5/64. 4). 1/2 e 3/4. Além do número de aberturas. a largura obedece à mesma denominação dos furos redondos e o comprimento é expresso em fração de polegada.1. também 8. a nomenclatura norte-americana é diferente... enquanto a nomenclatura norte-americana tende a cair em desuso.1. por suas ondulações naturais. havendo também peneiras de arame trançado (Fig.. envolvendo a polegada. usam-se furos oblongos (Fig. Além das peneiras de furos redondos e oblongos. Assim. As peneiras de furos oblongos são caracterizadas pela largura e comprimento da perfuração em milímetros. utilizam-se peneiras de furos redondos e. 1/30. 4). isto é. A largura possui a mesma variação das peneiras de furos redondos. oblongos e triangulares são de chapa metálica. isto é.0mm são caracterizadas em 64 avos de polegada. enquanto na peneira de furos retangulares. a espessura do fio de arame também contribui na área de separação.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4. enquanto o comprimento pode ser de 7. uma peneira de furos retangulares como 8 x 8 terá numa direção na distância de 25. Na nomenclatura norte-americana.1.4mm) e 10 aberturas no outro.0mm de diâmetro da perfuração são caracterizadas em fração de polegada. As peneiras de furos redondos. Entretanto. 1/12. usa-se o sistema decimal. isto é.. Quanto à separação por peso. para separação por espessura.. Peneiras As peneiras de furos redondos são caracterizadas pelo diâmetro do furo em milímetros. 1/13. 1/4.0mm. 5. existem também as de furos triangulares. removendo os materiais leves. 4. terá 4 aberturas num sentido (numa distância de 25. 80/64.. isto é.0mm ou 20mm. Essas peneiras têm as vantagens de possuírem cerca do dobro da área aberta e facilitarem..6 a 31mm. 329 . No Brasil.

Entretanto. será tomada como exemplo a peneira 8 x 8 com fio de arame 24 (0.6mm de espessura) Assim. tem-se 20.6) 20. Para ilustrar a efetiva capacidade de separação de uma peneira de arame.575mm de comprimento de cada lado do quadrado. portanto. enquanto no beneficiamento em indústria do fumo o uso de peneira de arame é generalizado. numa polegada tem-se 8 fios de arame com 0.6mm de espessura.6mm.6 ÷ 8 = 2. a área aberta será 25.Dimensão das sementes e tipos de peneiras. O uso das peneiras de arame está se difundindo cada vez mais entre os produtores de sementes. Considerando os 8 quadrados.4 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Largura Comprimento Espessura Figura 4 . o que irá determinar a passagem do material pelo quadrado 330 .(8 x 0.

o mesmo deve possuir.64mm. pois todos os lotes passam por essa máquina e muitas vezes é suficiente para remover todos os materiais indesejáveis do lote. Numa MAP de quatro peneiras. 7). As separações pelo ar são realizadas quando a semente entra na MAP e quando sai.2. 5 e 6). As MAP mais comuns são de quatro. 2a peneira superior e 2a peneira inferior. todo material que tiver largura menor que 3. quais sejam: a) semente (parte desejável). separam os materiais baseados em sua espessura. de cima para baixo e 2 . b) material grande.5752 + 2. a a 2 é a 1a peneira inferior. porém. Para credenciamento de um produtor de sementes. obtêm-se cinco materiais. pois irá separar pela primeira vez os materiais menores. Considera-se a máquina básica da UBS. O material bem grande é searado por cima da 1a peneira. 2a. nessa última vez para retirar algum material leve que escapou na entrada (Fig. 4. geralmente. A MAP pode ter de uma a oito peneiras planas e/ou até duas peneiras cilíndricas e de um a três ventiladores. c) material pequeno. 5 e 6). são três peneiras e duas separações pelo ar.5752 = 13. d) material bem grande e e) material bem pequeno.26 = 3. uma MAP com um determinado número de peneiras e separação pelo ar que.1a peneira superior. Máquina de ar e peneiras (MAP) É o equipamento que utiliza peneiras e ventiladores para separar os materiais indesejáveis do meio do lote de sementes (Fig. a largura do material também terá influência. Assim. o material bem pequeno sai através da 2a peneira (Fig. pois irá separar pela segunda vez os materiais maiores que a semente e a 4a peneira é a 2a peneira inferior. Com menos peneiras e com uma só separação pelo ar. quando o numero de aberturas é no mínimo de 5. entre outros equipamentos. cinco e seis peneiras. desconsiderando as separações pelo ar. a 3a é a 2a peneira superior. 331 . o grande por cima da 3a peneira. Relacionando as duas convenções. Existem duas convenções de identificação das peneiras na máquina: 1 . é considerada máquina de pré-limpeza.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos será a diagonal. As aberturas retangulares. que é a hipotenusa de um triângulo retângulo. no caso do Estado do Rio Grande do Sul.6mm pode passar pela abertura. 3a e 4a.1. tem-se que a 1a é a 1a peneira superior. 1a peneira inferior.1a. o pequeno através da 4a peneira e a semente sai por cima da 4a peneira. O funcionamento da máquina será explicado em função de uma MAP com quatro peneiras: duas para separação de materiais maiores que a semente e duas para materiais menores que a semente. sendo a dimensão da hipotenusa 2. dependendo do fabricante e do modelo.26 e √13.

em sementes de soja.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos alimentação A ar + pó material bem grande 1 B material bem pequeno 2 3 4 material grande sementes material pequeno Figura 5 . utilizam-se primeiro as manuais. A dimensão da perfuração e a disposição das peneiras na MAP são essenciais para uma separação adequada dos materiais indesejáveis. muitos produtores de sementes utilizam na 4a posição a peneira 4.5 x 20 durante todo o beneficiamento. 332 . só nessa peneira. Algumas sementes desejáveis saem com os materiais indesejáveis. principalmente. deve ser o mínimo possível.Fluxograma de uma máquina de ar e peneiras com 4 peneiras. para depois fazer o teste com a máquina operando normalmente. Para se ter uma idéia. o que ocasiona para muitas cultivares uma perda de semente superior a 10%. de 20 x 20cm. O tamanho médio das sementes varia de lote para lote e. entretanto. havendo ocasiões em que outras peneiras serão as adequadas. Assim. de ano para ano. Na Tabela 1 são apresentadas as peneiras para diversas culturas. Para escolha das peneiras. onde se analisa o grau de separação e a perda de sementes para a efetiva separação. as peneiras apresentadas na Tabela 1 são as que devem ser testadas primeiro.

Fluxograma de uma MAP de 4 peneiras. 333 Leve Semente Limpa .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Entrada de Semente Bem Menor Bem Maior Leve Grande Pó Figura 6 .

Dimensão da perfuração e disposição das peneiras numa MAP de 4 peneiras para diversas culturas.0 2.6 x 20 4.6 x 20 1.0 3.8 x 20 1.5 x 20 Feijão 10 3.5 x 20 7.5 Alfafa 1.8 x 12.5 Cevada 4.8 x 20 Soja 9.5 x 20 8.4 x 20 1.5 3.7 x 20 2.7 x 12.0 x 20 Cebola 3.Fluxograma da semente sobre e através das peneiras.8 1.7 x 20 Sorgo 5.7 x 12.6 x 20 2.7 x 20 8.5 3.5 x 20 9.1 x 20 Milho 1.0 2. Culturas Peneiras (mm) 1a 2a 3a 4a Arroz (longo) 5.6 3.9 Algodão 8.9 x 20 Aveia 7.5 1.5 Ervilha 9.5 x 12 1.7 x 12.7 0.3 x 12 0.8 0.0 x 20 4.5 1.0 4.0 x 20 *Essas dimensões são aproximadas.6 x 12 1.0 1.4 x 20 1.8 0.5 1.0 1.8 0.25 1.8 x 12.5 1.7 x 12 Cornichão 1.0 1.0 4.0 x 20 8.7 x 20 Azevém 1. Material Grande Materal pequeno Semente FIGURA 7 .0 x 20 Trigo 5.5 1.2 x 12 0.5 4.7 Linho 1.6 x 12.0 1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 1 .5 11 5.9 0.0 3.9 0.2 4. variam entre cultivares e entre lotes de sementes. 334 .5 Trevo branco 1.

0mm de largura. Para pequenas quantidades de sementes. Nesse caso. Para isso. enquanto a 3a peneira terá suas perfurações apenas um pouco maiores que a semente. destinada a remover os materiais bem grandes. enquanto o arroz do grupo Patna possui sempre a largura menor que 3. quando existe contaminação com arroz vermelho. separando o material pequeno. A 2a peneira.Técnicas especiais utilizadas nas peneiras. em 99% das ocasiões. 8).4cm Figura 8 . 7).Visando a uma melhor separação e rendimento. mais de 3. uma MAP com apenas 2 peneiras é suficiente. pois o arroz vermelho possui. utiliza-se em cima da MAP uma tulha (depósito) com capacidade para a máquina 335 . a qual possui as perfurações um pouco menores que as sementes.0mm (Fig. A máquina deve estar devidamente ajustada em relação aos seguintes elementos: a) Alimentação . Quando se usa a peneira corrugada. serve para remover os materiais bem pequenos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos No beneficiamento de sementes de arroz do grupo Patna. A 1a peneira é a maior de todas. as sementes devem entrar na máquina num fluxo contínuo e uniforme. a menor de todas. facilitando o trabalho da 4a peneira. É importante ressaltar que se utilizam MAPs com mais de 2 peneiras para aumentar o rendimento.6cm 5. o rendimento da MAP é reduzido em ± 40%. para separar o material grande.0mm. utiliza-se na 3a posição a peneira corrugada de 3. a 1a peneira é utilizada para separar materiais maiores que a semente e a 2a peneira para separar materiais menores (Fig. 2.

f) Limpeza das peneiras . 2) Martelo que bate em uma das peneiras. que consiste num rolo estriado ou com garfos. 9). Para evitar que os furos da peneira fiquem obstruídos. 336 . Assim.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos operar 1 hora.Vários tipos de sementes são beneficiados na MAP. Nem todas as MAPs possuem esse mecanismo. Assim. é importante que cada lote seja submetido a uma adequada corrente de ar.Na separação é importante que a semente seja exposta várias vezes a perfurações da peneira durante seu percurso na MAP. que as sementes não fluem. é recomendável uma vibração menor do que para arroz. é importante uma inclinação maior do que para soja.Existem mais de 200 tipos de peneiras à disposição do operador e sua troca na MAP deve ser a mais fácil possível. Esse ajuste é o de menor importância. d) Inclinação das peneiras . para soja. mesmo assim. A separação pelo ar não é precisa. pois as perdas serão altas e. Para separação por densidade. Para sementes de arroz. principalmente com sementes palhentas ou nos lotes com alta porcentagem de materiais indesejáveis. o qual é normalmente utilizado em conjunto com as escovas e 3) Bolas de borracha colocadas em compartimentos especiais embaixo das peneiras (Fig. Ocorre que esse movimento não pode ser muito alto. A seleção de peneiras é o ajuste mais importante.Normalmente. para que as sementes tenham mais tempo para passarem pelos furos. sendo necessário o auxílio do alimentador. algum material leve passará junto com as sementes. a 1a peneira possui uma inclinação menor do que a 2a. A velocidade do ar de entrada das sementes na máquina deve ser menor do que na saída e um bom ajuste é aquele em que algumas sementes desejáveis saem junto com os materiais leves. b) Velocidade do ar . existe a mesa de gravidade. Ocorre em muitas ocasiões. As máquinas mais simples não possuem esse ajuste. utiliza-se um ou mais dos seguintes mecanismos: 1) Escovas de fibra sintética que se movem por baixo das peneiras. mas operam com uma vibração constante de 400rpm. c) Vibração das peneiras . a MAP está com uma alimentação adequada quando a 2a peneira está coberta com ± 2cm de semente.A eficiência das peneiras também é função do número de furos que permanecem desobstruídos durante o trabalho. pois fará com que as sementes passem muito rápido pelas peneiras. recomenda-se por isso que não se force muito. A regulagem da alimentação é feita através da abertura de uma comporta mediante contrapesos ou manivela. e) Seleção de peneiras . Como regra prática. utilizando-se para isso a vibração das peneiras. que irão pressionar a massa de semente.

A seguir. dessa maneira. 3) Colocar as peneiras em ordem. de acordo com o modelo da MAP. sugerem-se procedimentos de operação para a MAP: 1) Limpar cuidadosamente a máquina antes de iniciar qualquer trabalho. serão reduzidas ao mínimo as chances de ocorrerem misturas varietais. 337 . 2) Selecionar as peneiras para o lote de sementes.Sistemas utilizados para evitar o entupimento das peneiras.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos las Bo de a ch rra bo Escova Martelo Figura 9 .

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4) Ajustar as escovas (quando for o caso); 5) Fechar a comporta de alimentação e dos ventiladores; 6) Ligar a máquina; 7) Abrir devagar a alimentação; 8) Abrir a comporta do ar superior até que os materiais leves sejam levantados; 9) Abrir a comporta do ar inferior até que os materiais leves e algumas sementes "boas" sejam levantados; 10) Reajustar os passos necessários para obter um máximo de capacidade com máximo de eficiência. 4.1.3. Técnicas especiais na MAP Para um melhor desempenho da MAP, algumas técnicas especiais são utilizadas, como: a) Cobertura de peneira - Consiste em uma lona plástica ou de tecido pressionando levemente a peneira (normalmente, a 3ª) (Fig. 8). Dessa maneira, as sementes serão forçadas a passarem pelos furos; caso contrário poderiam, mesmo sendo menores que a perfuração, passar por cima da peneira. Recomenda-se para sementes de soja. b) Chapa sem perfuração - Destina-se a fechar os furos da segunda metade da 1a peneira. Pode consistir em chapa sem furos, ou lona ou uma peneira com perfurações bem pequenas. Com esse propósito, muitas MAPs possuem a 1a e 2a peneiras com a metade do comprimento da 3a e 4a peneiras. Utiliza-se essa técnica para sementes de trigo e arroz para evitar que as hastes, sendo muito mais compridas que as sementes, tenham oportunidade de ficar de "pé" e passar pelas perfurações. c) Peneira corrugada - Há ocasiões em que é pequena a diferença entre o material indesejável e a semente. A peneira escolhida terá o tamanho da perfuração bem próximo ao da semente. Se a diferença for por espessura, utilizam-se peneiras oblongas e a separação ainda é fácil; entretanto, quando for por largura, como é o caso do arroz do grupo Patna e arroz vermelho, a separação com peneira plana é difícil, reduzindo-se o rendimento da MAP a 10%. A semente de arroz, cujo comprimento é mais do que o dobro da largura, tem dificuldade em ficar de pé para passar pelas perfurações; assim, utilizam-se corrugações (ondulações) na peneira, para forçar as sementes a ficarem de pé. 4.1.4. Ventilação Apesar de a MAP fazer a separação dos materiais também através do peso, existe uma máquina especial que separa as sementes leves e pesadas, chamada de 338

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos ventilão. Essa máquina é colocada geralmente após a MAP e pode ser utilizada para qualquer tipo de semente (Fig. 10).

ar +...

ar +...

Material leve

Entrada Semente

Semente pesada

ar

Figura 10 - Ventilão. O ventilão consiste basicamente em um ventilador que cria uma pressão maior que a atmosférica, forçando o ar a passar através das sementes, que são alimentadas por uma bica, a uma coluna vertical de ar. Os materiais mais leves são levantados e ascendem através da coluna em direção ao seu topo, onde são desviados para uma bica de descarga. Os materiais mais pesados caem através da coluna de ar até alcançarem uma peneira inclinada que a atravessa e os desvia para uma bica de descarga. 339

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O principal ajuste é na velocidade do ar: reduzindo-se a entrada desse, ter-seá um menor volume passando através das sementes. Como o ventilão está logo após a MAP, a alimentação dificilmente é ajustada pois, para tal, deveria ter uma tulha com saída de sementes controladas. Além do peso dos materiais, muitos fatores influem na separação como formato, peso específico, textura superficial, quantidade de superfície exposta, área frontal e dimensões gerais. Assim, a separação não é muito precisa nessa máquina. Existem outros tipos de ventilão, mas não de fabricação nacional. 4.2. Densidade Um lote apresenta suas sementes com densidades variáveis, devido a ataque de insetos, doenças, maturação e chuva próxima à colheita. Sementes de baixa densidade não são viáveis ou possuem baixo vigor, sendo necessária a sua remoção do meio do lote. Pedras, palhas, sementes partidas e descascadas e sementes de plantas daninhas também são muitas vezes exemplos da necessidade de separação por densidade. A separação mais precisa por densidade é através de meios líquidos; porém, como não existe ainda uma tecnologia desenvolvida para tal fim, utiliza-se uma máquina que também faz um bom trabalho, chamada mesa de gravidade, que é bem melhor que o ventilão. A mesa de gravidade é uma máquina de acabamento colocada geralmente logo após a MAP, sendo recomendada para todos os tipos de sementes, principalmente para as gramíneas. É composta da mesa propriamente dita e de ventiladores dispostos embaixo da mesa e dentro da armação (Fig. 11). A mesa pode ser trocada, podendo ser de pano para sementes leves ou de arame trançado para sementes mais pesadas, como trigo, arroz e soja. O formato da mesa, dependendo do modelo, pode ser retangular ou triangular. Recomenda-se a triangular quando existe muito material leve junto com o pesado, como é o caso das gramíneas forrageiras. A separação pela densidade dá-se em duas etapas: a primeira consiste na estratificação da massa de sementes, onde as leves ficam em cima e as pesadas embaixo, em contato com a mesa; a segunda etapa consiste na separação propriamente dita, onde as pesadas movem-se para a parte terminal mais alta da mesa e as leves para a parte baixa. Essa separação é possível, pois as leves, não estando em contato com a mesa, não sofrem o efeito da vibração dessa, movendo-se pela gravidade e descarregando na parte mais baixa, enquanto as pesadas, que estão em contato com a mesa, sofrem o efeito da vibração lateral e 340

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos descarregam na parte mais alta. Há sempre uma fração intermediária entre a pesada e a leve, que é repassada na máquina.
alimentação

divisores

1m

semente pesada 70 cm

semente intermediária 24 cm

semente leve 6 cm

Figura 11 – Mesa de gravidade. A mesa de gravidade, para seu adequado funcionamento, necessita estar devidamente ajustada quanto aos seguintes elementos: a) Velocidade do ar - A estratificação das sementes em leves, intermediárias e pesadas é realizada pelo ar, onde as pesadas permanecem em contato com a mesa e as leves flutuam. Ar em excesso fará com que até as pesadas flutuem, não sofrendo assim a ação da vibração da mesa. O sinal de ar em excesso é a formação de bolhas e o aparecimento de uma área sem sementes na parte terminal mais alta da mesa (Fig. 12). No caso de pouco ar, não haverá estratificação, mesmo as leves podem ficar em contato com a mesa sofrendo a ação da vibração. O sinal de pouco ar é o aparecimento de uma área sem semente na parte terminal mais baixa da mesa (Fig. 12). Para possibilitar que sementes leves também possam ser beneficiadas na mesa de gravidade utilizam-se mesas com cobertura de pano para diminuir a velocidade do ar. b) Vibração da mesa - As sementes, após estratificadas, necessitam ser separadas. A vibração no sentido transversal ao fluxo das sementes faz com que 341

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos as pesadas sejam conduzidas para a parte terminal alta da mesa. Essa vibração não pode ser muito alta pois poderá fazer com que todas as sementes sejam conduzidas para a parte alta; nem muito baixa, pois todas as sementes podem descarregar na parte mais baixa da mesa (Fig. 12). c) Inclinação lateral - Juntamente com a vibração, a inclinação lateral possibilita a separação das sementes. A inclinação lateral deve ser tal que dificulte um pouco a subida das sementes, caso contrário, devido à vibração, todas as sementes tenderão a descarregar na parte mais alta da mesa. Inclinação muito alta faz com que, até as pesadas, sejam descarregadas na parte mais baixa da mesa (Fig. 12). d) Alimentação - Deve ser tal que uma camada de 2 a 4cm esteja uniformemente distribuída sobre a mesa. e) Inclinação longitudinal - É um ajuste muito pouco utilizado; serve apenas para aumentar ou diminuir o fluxo das sementes na mesa. É aconselhável que se realize apenas um ajuste de cada vez, esperando-se ao redor de 5 min. entre um e outro.

Funcionamento normal

Pesado intermediário leve

A

B

Figura 12 - Ajustes nas separações feitas pela mesa de gravidade. 342

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A grande influência da densidade das sementes em sua qualidade fisiológica faz com que a mesa de gravidade consiga muitas vezes melhorar acentuadamente esse atributo, principalmente em sementes de gramíneas e, em menor escala, de leguminosas. Isso, devido ao enchimento das sementes, em que, no caso das gramíneas, pode haver formação de espaços vazios, diminuindo assim a densidade. Sementes de cebola também são exemplo. Quando lotes de sementes, após passarem pela mesa de gravidade, ainda possuírem materiais pesados como pedra e areia, é aconselhável utilizar um separador especial que também separa baseado na diferença de peso específico, denominado de separador de pedras. As partes e funcionamento são similares à mesa de gravidade, com a diferença que separa em apenas duas frações o lote de sementes em leves e pesados, um em cada extremo da máquina (Fig. 13). As sementes são alimentadas no centro da plataforma, a qual oscila para frente e para trás, fazendo com que os materiais pesados, que não foram levantados pelo ar, sejam transportados para a parte de cima da plataforma, enquanto os materiais leves, que foram levantados pelo ar e, portanto, não estando em contato com a plataforma, são descarregados na extremidade inferior.
Alimentação Pó

Pesado

Leve

Figura 13 - Separador de pedras. 343

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4.3. Comprimento No beneficiamento de sementes de trigo e arroz, principalmente, é comum encontrar-se materiais indesejáveis que diferem da semente quanto ao comprimento. Em trigo, encontram-se sementes partidas ao meio, aveia e nabo, entre outras de menor freqüência, enquanto em arroz tem-se sementes partidas ao meio e descascadas, sementes de angiquinho (Aschynomene rudis Bench) e sementes de arroz vermelho. A máquina que separa por comprimento chama-se cilindro separador ou trieur. Consta basicamente de três partes: 1) a base; 2) o cilindro propriamente dito, também chamado de camisa e 3) a calha (Fig. 14). A base da máquina serve como suporte do cilindro e, em muitas UBS, é constituída de rodas, de modo a possibilitar o deslocamento fácil da máquina. Essa mobilidade é importante pois, como é uma máquina de acabamento, colocada após a MAP, haverá ocasiões em que seu uso será desnecessário e sua retirada de um local congestionado facilitará a inspeção e operação das outras máquinas. Para limpeza da UBS, também, é importante a mobilidade das máquinas.

D ES.

UR LO

L VA I

calha separadora curtos compridos

curtos x compridos

redondos x compridos

Figura 14 - Cilindro (Trieur) separador, com detalhes de separação. 344

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O cilindro é constituído de milhares de alvéolos em sua parte interna, todos do mesmo tamanho, onde os materiais a serem separados irão alojar-se. Todos os materiais entram nos alvéolos, inclusive os de maior comprimento; entretanto, apenas os de menor comprimento permanecem dentro dos alvéolos, possibilitando que o cilindro, ao girar, os erga a uma altura maior, separando-os, assim, dos compridos. Considera-se, para que um material possa ser erguido pelos alvéolos a uma altura possível de separação, que mais de 5/8 de seu comprimento esteja dentro do alvéolo. A calha situa-se dentro do cilindro e serve para recolher os materiais curtos que caem pela gravidade, após serem erguidos pelos alvéolos do cilindro. Apesar de o cilindro não fazer uma separação tão precisa como as peneiras, é possível obter-se um bom desempenho se a máquina operar devidamente ajustada através de: a) Inclinação da calha - Em muitos tipos de cilindros separadores, a inclinação da calha pode ser regulada de 30 a 60o. Essa regulagem é visual, dependendo do material que está sendo levantado. Se for a semente, a inclinação deve ser baixa. Outro fator que influi na inclinação é o grau de mistura do material indesejável que pode ser tanto o curto como o comprido. b) Alimentação - O material, para entrar no alvéolo, tem uma posição adequada; assim, é importante que seja exposto várias vezes à entrada e, quanto menor a quantidade de material dentro do cilindro, maiores serão as chances para entrar no alvéolo. Capacidade de 1,2t/hora num cilindro pode ser considerada alta; para dar um fluxo uniforme na linha de beneficiamento, recomendam-se dois cilindros para cada linha. c) Rotação do cilindro - Quanto maior a rotação, mais alto o material curto será erguido. Esse é um ajuste que é feito em combinação com a inclinação da calha e apenas alguns tipos de cilindro o possuem. Pode variar de 30 a 50rpm. d) Inclinação do cilindro - Utiliza-se esse ajuste para controlar a velocidade das sementes dentro do cilindro. Com pouco material indesejável, é recomendável um maior fluxo. Poucos tipos de cilindro possuem esse ajuste. e) Tamanho do alvéolo - É caracterizado pelo diâmetro do alvéolo em mm ou, no sistema americano, em 64 avos de polegada. Assim, como o que interessa é a profundidade para o material alojar-se, um alvéolo de 10mm terá, se for semiesférico, 5mm de profundidade e erguerá com facilidade e a uma altura razoável o material que tiver até 8mm. Na agricultura, tem-se vários tipos de sementes e, mesmo dentro de uma mesma espécie, tem-se várias cultivares que podem diferir quanto ao comprimento, como é o caso de arroz curto, médio, longo e extralongo. Para cada um, deve-se utilizar o tamanho certo de alvéolo do cilindro. 345

sendo lançados para fora e recolhidos pela espiral externa.U.. Utiliza-se o equipamento chamado espiral para efetuar essa separação. pois as sementes são colocadas em sua parte superior e começam a rolar e deslizar. Além do cilindro separador. no beneficiamento de sementes de trigo. Existem vários tipos de espirais.A. No beneficiamento de sementes de cornichão. defeituosas e atacadas por insetos. O separador de espiral consiste em um tubo central ao qual estão presos dois tipos de espiral: interna e externa (Fig. possuindo cada uma capacidade de ± 100kg/ hora. existe uma outra máquina que separa os materiais baseados no comprimento. também. que determinará o número de curvas (voltas). b) passo. Para maior rendimento. é também utilizada para separação de Ipomea turbinata de sementes de soja. c) baixa rotação do cilindro. 4. utilizando-se o cilindro com alvéolo 4 mm. d) alta inclinação do cilindro e e) alvéolos do cilindro pequenos. pois essa máquina também separa as sementes partidas ao meio. pode-se usar o cilindro separador para remover as sementes de Plantago spp. d) baixa inclinação do cilindro e e) alvéolos grandes. pois é relativamente fácil construí-las. pergunta-se quais poderiam ser as causas. no beneficiamento de sementes de arroz. Nos E. diferindo entre si quanto a: a) altura da espiral. Forma A diferença de forma é principalmente utilizada no beneficiamento de sementes de soja para separação de sementes partidas. O cilindro separador. está sendo substituído pela mesa de gravidade. Requerem-se de 16 a 20 espirais por linha de beneficiamento.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Para ilustração dos ajustes. chamado disco separador. utilizam-se 4 ou 5 espirais internas. b) alta inclinação da calha. 15).. A espiral interna é a que faz a separação. E. da permanência de sementes quebradas (curtas) no meio de sementes inteiras (compridas)? Resposta: Poderiam ser: a) alimentação muito alta. que é a distância entre cada volta. quando não tem mistura de nabo e aveia. 346 . c) alta rotação do cilindro.4. quais as causas da permanência de sementes de aveia (comprida) no meio de sementes de trigo (curta)? Resposta: a) alimentação alta. b) baixa inclinação da calha. Os materiais que atingem maior velocidade não conseguem acompanhar as curvas da espiral. c) largura da espiral e d) existência da espiral externa. para sementes de trigo.

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos

Figura 15 - Separador de espiral. Utiliza-se o equipamento com espirais de maior largura (20cm) quando existe a possibilidade da existência de mistura das sementes de soja com as de feijão miúdo (Vigna unguiculata Walp) devido à pouca diferença de forma entre os materiais. Essa característica faz com que as cultivares de soja com sementes ovais ou pequenas apresentem um alto percentual de quebra, chegando a atingir 30 a 40%. Para evitar esse prejuízo, utilizam-se espirais internas de menor largura (12-15cm). 347

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A espiral foi desenvolvida para separar Vicia spp. de sementes de trigo; entretanto, hoje não se utiliza mais para tal propósito. Está-se recomendando o uso de espiral para separação e Plantago spp. e Rumex spp. de sementes de cornichão. Para isso, a espiral interna deve ter apenas 6,5cm de largura e 14cm de passo. O uso da espiral, além de melhorar a qualidade física, pode também melhorar a qualidade fisiológica dos lotes de sementes de soja através da separação das sementes defeituosas, atacadas por insetos e danificadas mecanicamente. A espiral, como é constituída de chapa galvanizada, causa muito barulho quando está operando. Para evitar esse inconveniente, alguns fabricantes estão retirando a espiral externa e colocando todas as espirais dentro de um recipiente de "madeira", diminuindo acentuadamente o barulho dentro da UBS. Além da espiral que separa pela forma, tem-se o separador de fricção para sementes de feijão. Esse separador consiste basicamente em uma esteira revestida com carpete, onde as sementes são alimentadas. Em cima da esteira estão dois anteparos, um com base de metal e outro com base de borracha. As sementes de feijão mais pedra e sementes partidas são alimentadas em cima da esteira e forçam a passagem através do anteparo com suporte de borracha, onde a pedra e a grande maioria das sementes partidas passam por baixo, sendo separadas pelo suporte com base de metal, enquanto a semente de feijão fica retida pelo suporte de borracha. Existe também o separador vibratório e a correia inclinada, que separam pela forma; entretanto, estão ainda em fase de pesquisa, não sendo discutidas neste trabalho. 4.5. Textura superficial Em sementes de leguminosas forrageiras, é comum encontrar-se materiais indesejáveis que se diferenciam das sementes pela textura superficial, como é o caso de sementes de Rumex spp., cuscuta, pedras e torrões. O equipamento que possibilita essa separação chama-se rolo separador, que consiste basicamente em dois rolos revestidos com flanela girando em sentido oposto. As sementes entram na canaleta formada pelos dois rolos, onde as de textura rugosa ou áspera aderem à flanela e são lançadas para fora lateralmente, enquanto as lisas, entrando, não sendo levantadas pelos rolos, são conduzidas pela gravidade até a parte terminal dos mesmos, separando-se das sementes rugosas (Fig. 16).

348

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos

te Semen

eras s ásp

Rolos

Sementes lisa

4

Figura 16 - Rolo separador com detalhes de separação. O rendimento de cada unidade de separação (2 rolos) é baixo; assim, para aumentar, usam-se de 6 a 10 unidades, funcionando cada uma independente da outra. 4.6. Condutibilidade elétrica Alguns materiais indesejáveis possuem carga elétrica diferente da semente em intensidade ou forma, sendo possível a separação. 349

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Há alguns anos vem-se pesquisando essa propriedade física, pois acreditavase que uma semente deteriorada possuísse uma carga elétrica bem diferente de uma semente não deteriorada. Ainda não se obteve sucesso na separação física das sementes deterioradas com base em suas propriedades elétricas. O equipamento que possibilita a separação chama-se separador eletrostático e está ainda em fase de pesquisa, sem uma produção comercial. 4.7. Afinidade por líquidos Sementes de leguminosas forrageiras com tegumento rachado possuem problema de viabilidade, sendo importante sua remoção do meio do lote de sementes. Assim, umedecem-se as sementes com uma borrifada de água, a qual irá acumular se nas partes com rachadura. Após o umedecimento, adiciona-se limalha de ferro, que irá depositar-se nas rachaduras, possibilitando, através de magnetismo, separar as sementes danificadas. Outra aplicação é com sementes de P1antago spp. que, em contato com água, cria uma camada gelatinosa ao redor da semente, onde a serragem adere com facilidade, aumentando o tamanho da semente e possibilitando sua separação através das peneiras. 4.8. Separação pela cor Utilizada para separação de sementes de feijão e na indústria de arroz para consumo, essa técnica é possível através de uma célula fotossensível, que emite uma determinada corrente, conforme a cor. A máquina é programada para remoção do material com uma determinada cor. Os materiais são expostos individualmente à célula e, toda vez que o material programado é "visto", um jato de ar comprimido é acionado e o material é lançado para fora do fluxo normal das sementes. Essa máquina, chamada seletron, é de baixo rendimento: cada célula seleciona ± 25kg/hora. 5. CLASSIFICAÇÃO Há ocasiões em que as sementes, após terem passado pelo processo de limpeza para remoção dos materiais indesejáveis, são separadas em classes, de acordo com a propriedade física que mais se pronuncia. A cultura que rotineiramente se classifica é o milho, de acordo com a largura, espessura e, às vezes, 350

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos também o comprimento. Alguns produtores estão começando a classificar sementes de soja de acordo com a espessura. Para classificação de acordo com a largura e espessura é recomendável o uso de peneiras cilíndricas em vez das planas, pois aquelas possibilitam uma melhor separação, forçando as sementes a passarem pelas perfurações (Fig. 17). A quantidade de sementes pequenas, que deveriam passar pelos furos e não o fazem, é bem menor nas peneiras cilíndricas do que nas planas. Para minimizar esse problema, a alimentação para as peneiras planas deve ser baixa.
Alimentação

Grande

Pequeno

Figura 17 - Separador de precisão. Peneira cilíndrica. Na classificação de milho, obtém-se vários tamanhos de sementes e, normalmente, para cada tamanho ou para um determinado grupo de tamanhos, utiliza-se um prato na semeadura. Assim, sabendo-se o tamanho da semente, fica fácil escolher o prato para a semeadura. A seguir, será ilustrada uma técnica de classificar as sementes de milho, ressaltando-se que as peneiras utilizadas seguem a denominação norte-americana. 1a etapa: separam-se as sementes redondas das chatas, utilizando-se a peneira oblonga 14/64 x 3/4 (5,5 x 20); 2a etapa: classificam-se de acordo com a largura, utilizando-se 3 peneiras de furos redondos a 24 (9,4mm), 22 (8,75mm) e 20 (8,0mm), respectivamente; 3a etapa: cada classe de largura (chato) e espessura (redondo) é passada no cilindro 351

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos separador, obtendo-se uma classe curta e outra comprida. Com essa classificação, obtém-se 12 classes de tamanho, pois a semente que não passa pela perfuração da peneira 24 não é normalmente utilizada. Um tamanho de sementes 22 rc significa que as sementes passaram através da peneira 22, sendo redondas e curtas, enquanto um tamanho 22 cl significa que passaram através da peneira 22, sendo chatas e longas. Existem outras denominações, onde o tamanho das sementes é especificado em função da maior peneira, na qual as sementes não passam pelas perfurações. Classificação de sementes de soja Num lote de sementes de soja, as sementes de diferentes tamanhos distribuem-se segundo uma curva normal, independentemente das dimensões características das sementes de cada cultivar, local e ano de produção. Estudos mostraram que sementes incluídas na faixa de tamanho médio no lote apresentam similaridade quanto à qualidade fisiológica e qualidade superior ou semelhante às sementes pertencentes às demais classes de tamanho. Freqüentemente, sementes de maior tamanho originam plântulas mais vigorosas que, em condições de campo, podem resultar em populações diferentes em favor das maiores, ocorrência atribuída à maior quantidade do tecido de reserva. Todavia, em certas circunstâncias, as sementes de maior tamanho podem apresentar desempenho inferior em razão das condições ambientais de produção não terem sido favoráveis ou pela superioridade no grau de dano mecânico. Por outro lado, vale enfatizar a resistência dos agricultores em utilizar as sementes de menor tamanho, por julgarem que essas apresentam menor desempenho no campo, e, em conseqüência, menor produtividade. Todavia, os resultados de pesquisa, até o momento, não são consistentes e, em muitos casos, até conflitantes. A utilização de sementes classificados por tamanho facilita a operação das semeadoras e a distribuição das sementes, possibilitando a obtenção de populações adequadas no campo. Além disso, a classificação confere melhor aspecto ao lote de sementes. A classificação das sementes de soja, nos últimos anos, tornou-se uma necessidade comercial na produção de sementes de alta qualidade. Inicialmente, a padronização restringiu-se a sementes grandes e pequenas e, em alguns casos, também a sementes médias, empregando as mais diversas denominações. A classificação de sementes vem sendo feita em separadores por largura, empregando peneiras de perfurações redondas. O classificador de sementes de soja é constituído basicamente de uma (carga simples) ou duas (carga dupla) caixas vibratórias, cada uma com 3 a 4 peneiras 352

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos planas sobrepostas, o que permite a obtenção de 4 a 5 tamanhos. A máquina tem capacidade nominal de 4 e 8t/h, com carga simples ou dupla, respectivamente, sendo aceitável uma capacidade operacional de 400 a 500kg/h por m2 de peneira (Figura 12). A inexistência de uniformidade de nomenclatura trouxe inconvenientes, pois sementes grandes de uma variedade poderiam apresentar tamanho similar ao das sementes pequenas de outra variedade. Por outro lado, uma mesma denominação poderia significar sementes pequenas para um produtor de sementes e grandes para outro. Além disso, a classificação das sementes poderia ser feita por largura ou espessura, pela utilização de peneiras de perfurações redondas ou oblongas, respectivamente.

Figura 12 – Classificador de sementes de soja. 1 – Estrutura; 2 – Caixa de alimentação; 3 – Entrada do cereal; 4 – Peneiras; 5 – Caixas das peneiras; 6 – Bicas de descarga; 7 - Base 353

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Uma alternativa para a uniformização do sistema de classificação de sementes de soja consiste, basicamente, na numeração das peneiras de 50 a 75, significando a classificação das sementes em peneiras de perfuração redonda, com diâmetro variando de 5,0 a 7,5mm, em intervalos regulares de 0,5mm. Deve-se ressaltar que a denominação da semente classificada por peneira refere-se às sementes retidas na peneira indicada e que tenham, obrigatoriamente, passado pela perfuração imediatamente superior. Por exemplo, semente peneira 60 indica aquela que passa por uma peneira perfurada 6,5mm e fica retida em uma de perfuração 6,0mm. Assim sendo, é possível a obtenção de seis classes de tamanho de sementes (Tabela 2), embora a amplitude do tamanho da semente em cada lote permita obter geralmente três a quatro classes. Dessa forma, uma variedade de sementes grandes poderá apresentar, por exemplo, sementes peneiras 60, 65, 70 e 75, enquanto uma variedade de sementes pequenas poderá ter sementes peneiras 50, 55, 60 e 65. Tabela 2 – Nomenclatura das peneiras e tamanho das sementes de soja classificadas por largura. Peso de 1.000 g Nomenclatura Tamanho (m) 50 5,0 a 5,5 92 ± 4 55 5,5 a 6,0 115 ± 5 60 6,0 a 6,5 148 ±6 65 6,5 a 7,0 182 ± 6 70 7,0 a 7,5 216 ± 6 75 7,5 a 8,0 244 ± 6 A eficiência do processo de classificação de um lote de sementes pode ser avaliada em laboratório pelo teste de uniformidade (classificação por peneira). Duas amostras de 100 g de sementes são beneficiadas em peneiras manuais, agitadas por um minuto. As sementes retidas pela peneira indicada e que passaram pela perfuração da peneira imediatamente superior são pesadas e calculado seu percentual. A legislação estabelece, na maioria dos casos, a tolerância de até 3%, indicando que é permitida a presença de 3% (em peso) de sementes menores junto com a semente da peneira indicada. O conhecimento do peso de 1000 sementes é importante para o estabelecimento da quantidade adequada para semeadura. Dessa forma, semente de soja peneira 50 apresenta peso de 1000 sementes de 92 ± 4 gramas, ou seja, cerca de 11 sementes/grama, enquanto na peneira 75 tem peso de 1000 sementes de 244 ± 6 gramas, com praticamente 4 sementes/grama. Assim sendo, em sacos de 40 kg, 354

geralmente logo antes do ensaque das sementes. Como o tratamento fúngico. tais como tipo de produto químico a ser utilizado. modo de sobrevivência do patógeno na semente. tipo de patógeno. respectivamente. Introdução Após a remoção dos materiais indesejáveis do lote de sementes. 6. Entretanto. entretanto. 6. condições de campo em que a semente tratada será semeada.000 e 160. considerando que semente tratada.1. potencial de inóculo sobre a semente ou no seu interior. não traz benefícios às sementes durante o armazenamento. enquanto as manuais adaptadas de túneis são geralmente 355 . Equipamentos As tratadoras mais comuns de sementes são para produtos líquidos.2. que necessitam de proteção contra o ataque de insetos. obrigando o produtor a tratar as sementes para a venda. Existe uma série de requisitos básicos para que o tratamento seja eficaz. também existem alguns modelos de tratadoras para produtos em pó. As tratadoras mecânicas são colocadas numa UBS. TRATAMENTO DE SEMENTES 6. no Brasil. Alguns produtores tratam apenas uma pequena parte de suas sementes.000 sementes. para evitar prejuízos no caso de não conseguir vender toda sua semente. dose do produto químico. Essa alternativa justifica-se. também não pode ser vendida como grão. Outros exemplos são sementes de trigo e feijão. mesmo assim as empresas de produção de sementes de milho hídrico costumam tratar as sementes com inseticida e fungicida. o tratamento de sementes não é obrigatório. os quais não oferecem tanto problema para a saúde dos operadores. se não for vendida para fins de semeadura. permitindo ao produtor a escolha da peneira que for mais conveniente. Há países que possuem normas para comercialização. essa operação é realizada momentos antes da semeadura. Neste módulo serão considerados apenas os dois últimos requisitos. há situações em que é aconselhável protegê-las contra o ataque de insetos e microorganismos. variabilidade do patógeno e inseto quanto à sensibilidade ao tratamento químico. métodos e equipamentos empregados. principalmente para soja. das peneiras 50 e 75. O tratamento também é realizado para ajudar as sementes em condições adversas de umidade e temperatura do solo na época da semeadura.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos haverá 440.

há duas alternativas de ajuste: 1 . A aplicação correta da dose do produto é essencial para sua eficácia. Alimentação Contra-Peso ajustável a bandejas duplas para a pesagem das sementes Válvula do controle do produto Dosificador com colheres Disco pulverizador cone de dispersão das sementes semente tratada Figura 18 . sabendo-se o peso das sementes. As tratadoras mecânicas. possuem um pequeno depósito para semente. 356 . Na tratadora manual (túnel giratório). um compartimento para misturar as sementes com o líquido (Fig.Tratadora de sementes. de uma maneira geral. pois a mistura do produto químico às sementes.A quantidade de sementes no depósito da tratadora é regulável através de um contrapeso na parte externa. 2 . de forma uniforme.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos levadas para a lavoura com a finalidade de tratar as sementes momentos antes da semeadura. assim. um outro depósito para o produto químico. as quais podem ser trocadas por tamanhos diferentes. 18) e um tanque grande com bomba e agitador para o produto químico em forma de líquido.Dentro do pequeno depósito do produto líquido há duas colheres que lançam o produto nas sementes. prepara-se a dose do produto em separado e mistura-se as sementes. é essencial para a eficácia do tratamento. dessa maneira pode ser ajustado para "descarregar" as sementes do depósito sempre que alcançar uma determinada quantidade (1 a 8 kg). para as tratadoras mecânicas. fazendo em seguida a homogeneização.

. caracol). um só transportador não pode cobrir exitosamente todas as operações. A danificação mecânica é um dos principais inconvenientes. . em alguns modelos. . O elevador de descarga interna é considerado como ideal na elevação de semente. Os elevadores de descarga centrífuga operam a altas velocidades. que podem ser de três tipos: a) de descarga centrífuga. A carga e descarga são feitas pelo interior da linha de caçambas contínuas. com mais de uma linha de canecas. 7. Aconselhável para manuseio de sementes frágeis. b) minimizar os danos mecânicos. existindo disponíveis no mercado diversos tipos de transportadores: . pelo cano de descarga.Transportadores vibratórios (calha vibratória). de um ponto a outro. visando: a) evitar mistura varietal.Transportador de corrente. . As suas desvantagens são o espaço que ocupa na UBS e o custo inicial do equipamento. . permitindo. suavemente.Empilhadeiras.1. Seu funcionamento consiste em derramar as sementes nas costas da caneca da frente e.Transportadores de parafuso (rosca sem-fim. manusear vários materiais ao mesmo tempo com o mínimo de dano mecânico e mínima probabilidade de mistura varietal. portanto. b) de descarga pela gravidade e c) de descarga interna (Fig. TRANSPORTADORES DE SEMENTE Os lotes de sementes são manuseados muitas vezes durante as diferentes etapas do beneficiamento. sendo necessário. Recomendam-se para sementes médias e pequenas e de fácil fluxo. após. considerar que os transportadores deverão enfrentar todas as necessidades de transporte de um modo eficiente e contínuo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 7.Transportador pneumático. c) reduzir os custos de operação e d) manter a eficiência da seqüência do beneficiamento.Elevadores de caçamba. horizontal ou vertical. lançando as sementes pela força centrífuga. 19). O transporte de sementes consiste na movimentação de material. Os elevadores de descarga por gravidade operaram a velocidades mais baixas que o centrífugo. num plano inclinado ou pela gravidade. Assim. . Elevadores de caçamba Um dos meios de transporte mais comumente usados na UBS são os elevadores. 357 .Correias transportadoras.

.... .. . .. . .. .. . mesmo que esta utilize mais sementes do que deveria... . .. .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos . .... num dado momento.... . ..... . . .. .. . .. ... . a base do alimentador deve começar na linha que passa pelo centro da polia inferior. . . . . Quando se tratar de sementes facilmente danificáveis. .. .. . . . . .. . .....5 m. . ... . .. . ... b) os elevadores devem ser colocados o mais perto possível da máquina.. .. Se for na ascendente. . .. . .... ........ observando-se: a) a capacidade de cada elevador deve ser um pouco maior do que a máquina por ele alimentada. ... ... . ..... .. . .. . .. para inspeção das canecas. d) no pé do elevador deve haver uma abertura para limpeza e inspeção.... . .. . . . . .. . . ....... .. . . para que as canecas do elevador fiquem devidamente cheias e as sementes sofram menos os danos mecânicos causados pelas canecas.. . .. c) a entrada de sementes para o elevador pode ser efetuada na perna ascendente ou na descendente. . . .. ... ..Elevadores de caçamba. . . .. . . .. . .. .... .. Elevador de descarga centrífuga Os elevadores merecem atenção especial. . . ... .. . ... . devido ao menor índice de danificação mecânica.. . .. . .. .. bem como outra na altura de 1... e) a entrada de sementes para o elevador poderá ser acima do assoalho ou abaixo deste (poço).. . .. .. .. .... .. .. ... ... . ... .. na perna ascendente. . . .. . . . ... Elevador de descarga pela gravidade Elevador de descarga interna Figura 19 ... .. .... ... . .... ... . .. ... 358 .... . ... . ... ... . .. . ... .... Essa capacidade extra servirá para manter o fluxo contínuo da semente através da máquina... ... .. .. . .. . . . .. .. .. . será interessante alimentá-las pela perna descendente. ...... .. . .. ...... . ...

tiver que ser removido. a velocidade deve ser a mais baixa possível. 7. Para sementes facilmente danificáveis.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Quando for o caso de poço. deve-se ter alguns cuidados. tais como: a) é facilmente adaptável em locais congestionados. com facilidade. 7. b) é compacto. No caso de instalação de elevador acima do assoalho. Transportador vibratório Transportador muito útil para pequenas distâncias e que geralmente soluciona os problemas nos locais congestionados. Outra desvantagem é que descarrega as sementes. pois é mais fácil de ser limpo e inspecionado e. 7. Por outro lado. f) a velocidade do elevador não deve ser excessiva. Seu uso deveria ser mais difundido. Mesmo assim.5. 359 . somente pelas extremidades. autolimpável e prático no transporte de sementes desde vários depósitos para um só ponto de descarga. tantos cuidados não são requeridos. esse tipo de transportador é usado internamente. Transportador de parafuso (rosca sem-fim. através de um sistema fechado de tubulações. causará muito menos transtornos do que o anterior. por uma corrente de ar de alta velocidade. se porventura. Transportador pneumático Esse tipo de transportador movimenta produtos secos e granulados. como é o caso da semente de soja. esse tipo é indicado quando as sementes são manuseadas em saco ou vêm diretamente de um caminhão. É de grande flexibilidade. 7. Normalmente.3. c) pode ser montado em posições horizontais e inclinadas e d) pode ser protegido contra poeira e umidade.4. A danificação mecânica é o principal inconveniente. o inconveniente é que causa mais danos às sementes do que os outros transportadores. como: espaço suficiente para uma pessoa entrar e fazer a limpeza e inspeção e um mecanismo adequado para eliminar a água que pode facilmente surgir no fundo do poço. caracol) Desse tipo de transportador é interessante conhecer algumas vantagens.2. devido às dificuldades em protegê-lo contra as intempéries. Correia transportadora Indicada por transportar grandes quantidades de sementes por distâncias relativamente longas e por ser autolimpável.

Também deve ser lembrado que. 8. 7. para a maioria dos lotes de sementes.7. os meios utilizados para limpeza e classificação são praticamente os mesmos mas. deve ser planejada de modo a funcionar com eficiência em termos de capacidade.6. A instalação de uma UBS requer um alto investimento e. para sementes de trigo e arroz. O técnico encarregado de planejar uma UBS deve ter conhecimento suficiente para poder fazer a devida escolha. A diferença do preço. um técnico envolvido no planejamento de uma UBS deverá ser capaz de selecionar as máquinas a serem utilizadas para uma determinada espécie e arranjá-las de maneira que se tenha um fluxo contínuo de operação numa seqüência eficiente para determinado volume de sementes. para que se tenha um adequado retorno de capital. 360 . os meios provavelmente sejam outros. Transportador por corrente São unidades metálicas fechadas com correntes conduzidas entre rodas dentadas. sendo muito útil na UBS. para soja. São de lenta movimentação e empregados no transporte horizontal. milho e sementes de forrageiras. Portanto.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 7. Sabe-se que. de facilidade de limpeza e que a semente beneficiada venha a ter a qualidade desejada. pois a disponibilidade financeira deve estar assegurada antes do início da instalação da UBS. não é fator fundamental a ser considerado. bem como os princípios mecânicos utilizados para tal fim. montadas geralmente com palhetas. Empilhadeira Serve para manusear as sementes já embaladas no sentido inclinado. PLANEJAMENTO DE UBS No beneficiamento de sementes são levadas em consideração as características físicas diferenciais pelas quais as sementes podem ser separadas de outros componentes indesejáveis presentes no lote. é necessário usar-se mais de um tipo de máquina para que se possa obter sementes de qualidade adequada à comercialização e semeadura. a não ser que seja demasiadamente grande.

porventura desnecessário.Fluxograma das etapas do beneficiamento de sementes. muitos fatores devem ser considerados para que se venha a obter pleno êxito. Também é indispensável que seja planejado um sistema para eliminação do pó e dos materiais indesejáveis retirados nas diversas operações utilizadas na limpeza e classificação das sementes. Os equipamentos de transporte. armazenada e distribuída (Fig.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 8. 8. tratada. Recepção Acondicionamento Pré-Limpeza Secagem Limpeza Classificação Armazenamento Regulador de Fluxo Tratamento Ensaque Armazenamento Distribuição Figura 20 . Esse arranjo dos equipamentos deve ser suficientemente flexível para que as sementes possam desviar-se de qualquer equipamento da UBS. Seleção do equipamento É indispensável que o planejador se familiarize com o equipamento a selecionar. seca. 20) com o mínimo de: a) possibilidades de ocorrerem misturas varietais. o que pode ser feito através das descrições das máquinas em oferta 361 . Uma UBS deve ser planejada de tal forma que a semente possa ser recebida. embalada. limpa e classificada. secagem. limpeza e classificação devem ser distribuídos de modo que a semente venha a ter fluxo contínuo desde a recepção até o local de embarque para distribuição. pré-limpa. b) tempo e c) pessoal. Fluxograma na UBS No planejamento de uma UBS.2. sem afetar o fluxo e a qualidade das mesmas.1.

o cilindro separador e o tratador. a altura da queda da semente aumentará em muito. Tipos de UBS Existem vários tipos de UBS. mas as mais comuns são aquelas em que todas as máquinas utilizadas para limpeza e classificação das sementes estão num mesmo plano. dever-se-á considerar a instalação de duas dessas máquinas. Se uma determinada máquina tiver menor rendimento do que outra. rotação do cilindro. sem problemas maiores de locomoção. se o uso de alguma máquina não for exigido. por exemplo. Exige menor número de elevadores.3. 362 . consumo de energia. c) máquinas montadas em bases móveis. Outro tipo de UBS é aquele que utiliza máquinas em vários níveis. Esse tipo de arranjo exige. Muitos aspectos devem ser considerados antes da aquisição. tamanho da máquina. peneira. controle de umidade e outros. 8. Outro inconveniente é que será difícil para uma só pessoa supervisionar todo o trabalho da UBS. mas todas no mesmo pavimento. um elevador para transportar a semente beneficiada para outro local do fluxograma de operação. Outro tipo de UBS é aquele em que as máquinas são montadas em diversos pavimentos. vibração das peneiras. b) uma máquina pode deixar de ser usada e a distância em que a semente deverá ser transportada para outra máquina não aumentará muito. É um tipo de UBS muito pouco flexível e. danificação mecânica. robustez.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos no mercado e visitas às UBS que as estejam utilizando. É interessante ressaltar nesse tipo de UBS que as plataformas ao redor de cada máquina devem ter espaço suficiente para que as pessoas possam trabalhar com facilidade. Outras vantagens desse tipo de UBS são: a) uma só pessoa poderá supervisionar toda a UBS. poderão ser utilizadas. Um elevador com a possibilidade de descarga para dois ou mais locais permitirá maior flexibilidade no fluxo das sementes. como. tais como controle da alimentação da máquina. d) as bases para a fixação das diferentes máquinas podem ser menos reforçadas. Outro importante aspecto na seleção do equipamento é a capacidade das diversas máquinas. controle de temperatura. tipo e tamanho do alvéolo do cilindro. que deve ser mais ou menos equivalente para assegurar o fluxo contínuo das operações. como é o caso de dois cilindros para cada MAP com quatro peneiras. corrente de ar. para cada máquina. limpeza. mas os necessários deverão ter maior altura. observando atentamente o desempenho das mesmas.

Portanto.Localização da saída da semente das máquinas e da altura do piso. . .060 t para serem beneficiadas mais tarde. . Para ilustração. considere-se uma UBS em que os meios utilizados para limpeza e classificação têm capacidade de 3 t/hora e a quantidade total esperada de sementes para serem beneficiadas é de 2. uma inclinação de 45o.Poço do elevador suficientemente grande para que uma pessoa possa realizar a limpeza. 363 . ainda 1. após passarem por elas. . permanecendo.Espaço suficiente em frente à maquina de ar e peneiras e do cilindro separador para efetuar a troca de peneiras e de cilindros.5. . . .440). .Tipo certo de tulha para cada máquina. . pois deve-se considerar a limpeza. manutenção e outros fatores que concorrem para a sua paralisação. em termos de t/hora.440 t (3 x 12 x 40 = 1.500 t. ou seja. . a qual dará entrada na UBS num intervalo de 40 dias. Aspectos importantes a considerar no planejamento de uma UBS .Altura do elevador suficiente para que o tubo que conecta a cabeça do elevador e a tulha da máquina tenha.Lado de entrada das sementes no elevador. em dois turnos de 8 horas de trabalho.Espaço no local da mesa de gravidade para conectar o cano que trará o ar limpo do exterior. no mínimo.Altura suficiente para a descarga por gravidade de um transportador horizontal para outro transportador do mesmo tipo.Informação precisa sobre o volume da semente a ser armazenada e o tempo em que a mesma permanecerá na UBS. no mínimo. Considerando que as máquinas operam 12 h/dia.Localização e altura da entrada da semente nas máquinas. respectivamente.Montagem das máquinas em altura suficiente a fim de que as sementes. . ao redor de cada máquina.5 t/dia. possam ser encaminhadas para outra máquina ou transportador. as mesmas conseguirão beneficiar apenas 1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 8.5 m. durante os 40 dias.Colocação do elevador que irá alimentar a máquina de ar e peneira no lado oposto da saída da semente.Espaço de 1. . 8.4. a recepção das sementes. deverá ser previsto local apropriado para o armazenamento das sementes enquanto aguardam o seu beneficiamento. Regulagem de fluxo das sementes Na grande maioria das UBS. portanto. é muito maior do que a capacidade dos meios utilizados para realização da limpeza e classificação das sementes. numa recepção média de 62. para efetuar-se a devida inspeção e limpeza.

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Normalmente, nesse tipo de armazenamento, as sementes são manuseadas a granel pois, mesmo que tenham sido recebidas ensacadas, são submetidas à prélimpeza e, não raras vezes, dependendo da umidade, à operação de secagem (Fig. 20). Enquanto aguardam o momento da limpeza e classificação, o bom senso indica que permaneçam a granel. Por outro lado, deve-se também prever um espaço na UBS para as semente que são recebidas ensacadas, já secas e pré-limpas.

9. BIBLIOGRAFIA AMARAL, A.S.; BICCA, L.H.F. Separação de sementes de plantago (Plantago lanceolata L.) de lotes de sementes de cornichão (Lotus corniculatus L.). Semente, v. 2, 1976. p. 74-83. AMARAL, A.S.; PESKE, S.T. Separação de arroz vermelho. Lavoura Arrozeira, Porto Alegre, v. 30, n. 299, 1977. p. 16-8. BRAGANTINI, C. Effects of screen adjustments on the removal of undersize materials from a soybean seed lot. Mississippi: Mississippi State University, 1976. 41 p. (Thesis M.Sc.). ESPINOSA NIN, F.A. Utilização do cilindro separador no beneficiamento de sementes de arroz (Oryza sativa L.). Pelotas: UFPel, 1984. 72 p. (Dissertação de Mestrado). GREGG, B.R. & FAGUNDES, S.R.F. Manual de operação da mesa de gravidade. Brasília: AGIPLAN, 1975. HARMOND, J.E.; BRANDENBURG; KLEIN, L.M. Mechanical seed cleaning and handling. Agric. Handbook, n. 354, USDA, 1968. HESSE, S.R. & PESKE, S.T. Separador de espiral na remoção de sementes de feijão miúdo em sementes de soja. Tecnologia de Sementes, UFPel, v. 4, n. 1 e 2, 1981. p. 1-18. PERES, W.B. Mesa de gravidade. Revista SEED News, 7 (2), 8-11. 2003. PESKE, S.T. & BOYD, A.H. Beneficiamento de sementes de capim pensacola. Revista Brasileira de Sementes, ABRATES, Brasília, v. 2, 1980. p. 39-56. 364

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos PESKE, S.T. Planejamento de unidades de beneficiamento de sementes. Tecnologia de Sementes, UFPeI, v. 4, n. 1 e 2, 1981. p. 28-37. PESKE, S.T. Classificação de sementes. Revista SEED News. 6 (3), 20-21. 2002. POTTS, H.C. Consideration in cleaning and processing seed. Proc. Short Course for Seedsmen, v. 16, 1973. p. 53-58. ROBAINA, A.D. Separação de arroz vermelho de sementes de arroz cultivar Bluebelle em máquina de ar e peneira. Pelotas: UFPel, 1983. 63 p. (Dissertação de Mestrado). SCHINZEL, R.L. Qualidade física e fisiológica de sementes de trigo (Triticum aestivum L.), beneficiadas na máquina de ar e peneiras e na mesa de gravidade. Pelotas: UFPel, 1983. 145 p. (Dissertação de Mestrado). VAUGHAN, C.E.; GREGG, B.R.; DELOUCHE, J.C. Beneficiamento e manuseio de sementes. Trad. C.W. Lingerfelt e F.F. Toledo. Brasília: AGIPLAN, 1976. WELCH, G.B. Beneficiamento de sementes no Brasil. Brasília: AGIPLAN, 1974.

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CAPÍTULO 7 Armazenamento de Sementes
Prof. Dr. Leopoldo Mario Baudet Labbé

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1. INTRODUÇÃO As sementes devem ser armazenadas desde sua colheita até a época de semeadura na temporada seguinte. Considerando que, ao serem colhidas, as sementes são desligadas da planta mãe, que até esse momento era seu ambiente natural, passa a ser responsabilidade do homem a conservação das mesmas nas melhores condições durante todo esse período. Contudo, o armazenamento das sementes inicia-se na verdade algum tempo antes de que seja realizada a operação de colheita, ou seja, quando as sementes alcançam o ponto de maturação fisiológica (PMF). Esse ponto ocorre dentro de um período de tempo após a antese ou fertilização do óvulo, que varia de 30 a 50 dias, segundo a espécie. Porém, no PMF, o teor de água das sementes é muito alto para que se possa realizar a colheita e debulha, principalmente se esta for mecanizada, a qual só poderá ocorrer quando as sementes possuírem a umidade adequada (em geral, de 16 a 22%). As sementes têm que ficar então praticamente "armazenadas no campo" até que as condições, intrínsecas da semente e do ambiente, permitam a colheita. Obviamente, as condições nesse período não são as mais favoráveis para o armazenamento, devendo as sementes serem retiradas do campo tão logo quanto possível. Outro aspecto fundamental que deve ser considerado é que todo o esforço humano e material gasto durante a produção da semente podem ser perdidos se as condições de armazenamento fornecidas às sementes, após serem embaladas, ou até na preparação da semeadura, forem inadequadas. Ainda que quantificar as perdas devidas ao armazenamento inadequado de sementes em diversos países seja difícil, sabe-se que nas regiões tropicais e subtropicais as perdas são bem maiores devido às condições climáticas. Mas os produtores de sementes sabem muito bem o que as perdas significam, inclusive quando têm que competir com seu produto no mercado sob normas e padrões de comercialização e qualidade exigentes. O maior desafio, porém, está relacionado com o fato de que as sementes, organismos vivos e frágeis, deverão apresentar uma porcentagem de germinação razoável (mínimo 80%) após terem sido mecanicamente colhidas, beneficiadas, manuseadas e armazenadas de uma temporada de produção à outra. Assim sendo, o objetivo principal do armazenamento das sementes é manter sua qualidade desde que atingem o PMF até quando serão semeadas, considerando que, em todo esse período, esta qualidade não poderá ser melhorada, nem mesmo sob condições ideais. 367

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2. LONGEVIDADE E POTENCIAL DE ARMAZENAMENTO DAS SEMENTES A longevidade das sementes pode ser definida como o período de tempo em que as mesmas permanecem viáveis. Se as sementes não forem conservadas em condições favoráveis, perdem sua viabilidade em poucos anos. A longevidade é uma característica geneticamente determinada, variando entre espécies e entre variedades de uma mesma espécie. 2.1. Sementes de vida longa e vida curta Em geral, as sementes pertencem a espécies que são geneticamente de vida longa, porém algumas são de vida curta. Obviamente, é difícil estabelecer um limite entre ambas classes. Sementes de cebola, soja e amendoim, por exemplo, perdem mais rapidamente sua viabilidade no armazenamento do que sementes de trigo e milho. Estudos têm demonstrado que sementes de centeio deterioram-se a uma taxa duas vezes mais rápida do que sementes de aveia. Em um contexto histórico, já foram encontradas sementes de Nelumbium nucifera, na Manchúria, que, estando viáveis, teriam entre 120 e 400 anos de idade. Em Santa Rosa de Tastil, Argentina, foram encontradas sementes de Cana compacta ainda viáveis que, através de C14 radioativo, comprovou-se que teriam ao redor de 620 anos. Também no México e na Escandinávia foram encontradas sementes viáveis com idades de 200 até 1700 anos. Indiscutivelmente, o exemplo mais impressionante são as sementes encontradas no Canadá, congeladas e ainda viáveis, com idade de 10.000 anos. A maioria das espécies consideradas de vida longa pertencem à família das leguminosas, que se caracterizam por apresentar tegumento duro e impermeável (sementes duras). Cereais como cevada e aveia são também considerados de vida longa, enquanto que o centeio é de vida curta e milho e trigo são intermediários. Outras classificações colocam a cevada e o trigo num mesmo nível e a aveia como tendo o pior potencial de armazenamento. O potencial de armazenamento das sementes varia consideravelmente entre espécies em condições favoráveis idênticas de armazenamento. Esse potencial está determinado pelo período de tempo em que uma certa proporção de sementes morrem ou, inversamente, permanecem vivas. Em um lote de sementes, nem todas morrem ao mesmo tempo, já que, por ser uma característica individual, o potencial de armazenamento afeta a porcentagem de viabilidade do lote de sementes. Assim sendo, em um mesmo grupo genético, nem todas as espécies, variedades ou sementes individuais, sobrevivem ao 368

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos mesmo período de tempo, sob ampla faixa de condições de armazenamento. Para efeitos práticos, no armazenamento comercial de sementes, é suficiente conhecer o potencial de armazenamento da espécie em questão - vida longa, intermediária ou curta. Por isso, é de grande utilidade qualquer classificação disponível de espécies quanto à sua longevidade (Tabelas 1 e 2). Tabela 1 - Algumas espécies de sementes de vida curta. Espécies Nome LongeviAmbiente Comum dade (anos) 3 anos máx. 2oC, úmido e ventilado Quercus (± 300 spp.) Ulmus americana Olmo 16 meses 5oC, 6,5% CA1 umidade ambiente Cinnamomum zeylenicum Nees Canela 1 mês máx. Ambiente Persea americana Mill. Amendoim 15 meses 5oC, 90% UR2 Citrus aurantifolia Swingle Lima 6 meses 2oC, 88% UR, c/fungicida Citrus limon Burm. f. Limão 8 meses 2oC, 88% UR, c/fungicida Hevea brasiliensis Muell. Seringueira 3 meses 5-10oC, em água, seladas Mangifera indica L. Manga 80 dias máx. Temp. ambiente (3oC é letal), 50% UR Theobroma cacao L. Cacau 4 meses 25-30oC, 31-33% CA (10oC ou 24% CH é letal), 50% UR Coffea spp. Café 22 meses 25oC, 52% CA máx. 1 CA = Conteúdo de água da semente, em base úmida. 2 UR = Umidade relativa do ar. Fonte: adaptado de Harrington (1972). A composição química da semente também está intimamente relacionada com seu potencial de armazenamento. Sementes oleaginosas deterioram-se mais rapidamente do que as amiláceas; porém, algumas sementes com alto conteúdo de óleo (Rícinus communis e Lycopersicum esculetum) possuem boas características de armazenamento. Não há evidências de que sementes com alta concentração de proteínas armazenem melhor, porém há uma tendência de sementes com alto conteúdo de lipídeos serem de vida curta. Também o baixo conteúdo de açúcar tem sido relacionado a sementes de vida curta. 369

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Sementes de alface e cebola são consideradas de vida curta. As Tabelas 1 e 2 apresentam uma série de espécies com sementes de vida curta e de vida longa, respectivamente. Essas tabelas, publicadas por J. Harrington, consideram as condições em que as sementes foram armazenadas para determinar sua longevidade. Tabela 2 - Algumas espécies de sementes de vida longa, com mais de 10 anos. Espécies Nome Longevidade Ambiente Comum (anos) Andropogon spp. No campo ± 112 Avena sativa L. Aveia 32 Armazém, seco Hordeum vulgare L. Cevada 32 Armazém, seco Lolium multiflorum Lam. Azevém 12 Câmara seca Oryza sativa L. Arroz 10 Lab. selado Sorghum vulgare Pers. Sorgo 17 Lab., 11% CA1 Triticum aestivum L. Trigo 32 Armazém, seco Triticum durum Desf. Trigo duro 31 Armazém, seco Zea mays L. Milho 37 Armazém, seco Allium cepa L. Cebola 22 Câmara seca Beta vulgaris L. Beterraba 30 Lab. seco Brassica napus L. Nabo 10 Lab. seco Brassica oleracea L. Repolho 19 Lab. seco Cicer erietinum L. Grão de bico 17 Lab. seco Glycine max (L.) Merr. Soja 13 Armazém seco Lotus corniculatus L. Cornichão 18 Lab. seco Medicago sativa L. Alfafa 78 Lab. seco Phaseolus vulgaris L. Feijão 22 Lab. seco Pisum sativum L. Ervilha 31 Câmara seca Trifolium repens L. Trevo branco 26 Lab. seco Gossypium hirsutum L. Algodão 25 Lab. seco Daucus carota L. Cenoura 31 Lab. seco Lycopersicum esculentum L. Tomate 33 Lab. seco Nicotiana tabacum L. Fumo 20 Lab., selado Solanum tuberosum L. Batata 20 Lab. seco Cucumis sativus L. Pepino 30 Lab. seco Citrullus vulgaris Schrad. Melancia 30 Lab. seco Cucurbita pepo L. Abóbora 10 Lab., selado Lactuca sativa L. Alface 20 -4oC, 85% CA1 1 Conteúdo de água da semente, em base úmida. Fonte: adaptado de Harrington (1972). 370

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 2.2. Sementes ortodoxas e recalcitrantes Sementes ortodoxas são aquelas que alcançaram sua maturidade na plantamãe com conteúdos de água relativamente baixos; podem ser secadas artificialmente até baixos teores de água, sem sofrer dano. Podem ser, portanto, armazenadas por períodos longos, especialmente quando a temperatura é baixa. Condições de armazenamento com baixo teor de água e temperatura de -l8oC podem manter viáveis sementes por períodos de até um século ou mais. Quando secas, essas sementes podem resistir às adversidades do ambiente e, embora dormentes, quando fornecidas as condições para a germinação, reassumirão sua atividade metabólica total e seu crescimento e desenvolvimento. As sementes ortodoxas incluem a maioria das espécies agronomicamente importantes em zonas temperadas. Essas sementes não requerem condições especiais de armazenamento em climas temperados e frios mas, em regiões de clima quente e úmido, o controle das condições de armazenamento (baixa temperatura e desumidificação) se faz necessário. Sementes recalcitrantes são aquelas que perdem rapidamente sua viabilidade se são secadas abaixo de um teor de água relativamente alto. Essas sementes não podem ser secadas por métodos tradicionais e não são bem armazenadas em condições normais de armazenamento. Entre as espécies recalcitrantes, encontram-se as de certas espécies tropicais de importância comercial, como café, cacau e seringueira. As sementes recalcitrantes são um problema no armazenamento, sendo esse fenômeno pouco entendido. Várias listas de espécies recalcitrantes têm sido publicadas, porém ainda há algumas dúvidas quanto a algumas espécies, como cítricos (limão), palmito (Elacis quineensis) e mandioca (Manihot esculenta). No caso de sementes de limão, quando é retirado o que as envolve, estas perdem sua característica de recalcitrantes e o dano produzido pela excessiva secagem é evitado. Há também fortes evidências mostrando que sementes de laranja são mais ortodoxas do que recalcitrantes, já que é possível armazená-las por períodos consideráveis à temperatura de -20oC e 5% de água. Embriões extirpados de sementes de palmito também apresentam características de ortodoxos, já que não sofrem dano ao serem secados até 10,4% de água e armazenados a temperaturas abaixo de 1oC. O problema é que, com temperaturas muito abaixo de zero (-18oC), pode haver dano por congelamento, apesar do baixo teor de água da semente. Sementes de mandioca, devido a suas características especiais de dormência, foram consideradas como recalcitrantes, porém tem-se demonstrado que são tipicamente ortodoxas. 371

variando de poucas semanas a poucos meses.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Esses tipos podem ser considerados como sendo intermediários entre espécies ortodoxas e recalcitrantes. 3. eventualmente. seu período de viabilidade permanece curto. (1986). 372 . 1). Até agora não se conhece nenhum método exitoso para o armazenamento a longo prazo de sementes recalcitrantes. Avicennia marina As espécies recalcitrantes são colhidas com altos teores de água e são altamente suscetíveis a danos pela secagem e pelo resfriamento a temperaturas muito baixas. Algumas características das espécies que representam tipos recalcitrantes são apresentadas na Tabela 3. como é o caso das ortodoxas. Quando armazenadas em temperatura ambiente e em estágio de completa embebição. Definição A deterioração de sementes é definida como uma série de processos que envolvem transformações degenerativas que.Variação dos tipos de sementes.1. sofrem contaminação microbiana. Pouco recalcitrantes Moderamente recalcitrantes Tolerantes a perdas Tolerantes a perdas maiores de água moderadas de água Germinam lentamente ao Moderada taxa de germinação ao não adicionar água não adicionar água Tolerantes a baixas Sensíveis a baixas temperaturas temperaturas Distribuídas em climas Distribuídas em clima temperados a subtropicais tropical Theobroma cacao Quercus spp. Tabela 3 . Hevea brasiliensis Araucaria husteinil Podoccarpus henkelii Fonte: adaptada de Farrant et al. Tendem a ter uma distribuição de clima tropical e subtropical e. causam a morte da semente (Fig. quando é feito o tratamento da semente. DETERIORAÇÃO DE SEMENTES 3. segundo a espécie. Altamente recalcitrantes Tolerantes a pequenas perdas de água Rápida germinação ao não adicionar água Muito sensíveis a baixas temperaturas Bosques tropicais não habitados e terras úmidas Syzyquim spp. Outros exemplos são as sementes de araucária (Araucária columnaris) e café (Coffea arabica). provavelmente. não secam totalmente na planta-mãe. Contudo.

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos As transformações durante a deterioração são progressivas e estão determinadas por fatores genéticos. MENOR UNIFORMIDADE NO CRESC. São muitas as alterações em nível celular que ocorrem durante a deterioração. contudo ainda é difícil determinar quais são as mais importantes e quais são as causas e os efeitos da deterioração. já que seu mecanismo permanece desconhecido até hoje. irreversível. fatores ambientais (clima. E DESENVOLV.Provável seqüência das alterações ocorridas em sementes durante a deterioração. variedades e sementes individuais dentro de um mesmo lote. A deterioração de sementes é inevitável. DEGRADAÇÃO DAS ENERGIAS DANIFICAÇÃO DOS MECANISMOS DE ENERGIA E SÍNTESE REDUÇÃO DA ATIVIDADE RESPIRATÓRIA E BIOSÍNTESIS REDUÇÃO DA VELOCIDADE DE GERMINAÇÃO REDUÇÃO DO POTENCIAL DE ARMAZENAMENTO REDUÇÃO DE VELOCIDADE DE CRESC. E DESENVOLV. procedimentos de colheita. MENOR RESISTÊNCIA REDUÇÃO NO RENDIMENTO REDUÇÃO DA ENERGIA A CAMPO AUMENTO DA PLÂNTULAS ANORMAIS PERDA DA CAPACIDADE DE GERMINAR Figura 1 . DAS PL. manuseio e armazenamento das sementes. muito agressiva e varia entre espécies. 373 . beneficiamento. secagem. DAS PL. nutrição. insetos).

A peroxidação dos lipídios e a produção de radicais livres têm sido relacionados com a deterioração. a perioxidação dos lipídios em 374 .) que hidrolizam essas macromoléculas para produzir as formas transportáveis e. acredita-se que o problema poderia estar relacionado com a mobilização dessas reservas. As moléculas são transferidas desde. ou até. são alguns exemplos das mudanças na composição química das sementes durante a deterioração. 3.1. cotilédones) em forma de sacarose. A invertase é a enzima que atua na conversão da sacarose em sucrose. Teorias da deterioração de sementes As principais teorias da deterioração das sementes são as seguintes: a) Esgotamento das reservas alimentícias. d) Alteração genética e de nucleotídeos. 3.2. como os tocoferóis. os órgãos armazenadores da semente (endosperma. a redução da solubilidade. triglicerídios em glicerol e ácidos graxos. proteinases. que serão transferidas aos pontos de crescimento durante a germinação das sementes (amido em glicose. etc.2.2. Embora os radicais livres sejam produzidos nas sementes (OH ou O2). c) Alterações das membranas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 3. aqueles prejudiciais seriam evitados por mecanismos próprios das sementes como a enzima SOD (Super óxido dismutase) ou autooxidantes. e polipeptídios em peptídios menores ou diretamente em aminoácidos). os substratos para os processos metabólicos que precisam de energia e esqueletos de carbono. Alteração da composição química A oxidação dos lipídios.2. na semente em desenvolvimento. Por outro lado. Esgotamento das reservas alimentícias Por terem sido encontradas sementes deterioradas ainda com reservas suficientes. lipases. Baixos níveis de tocoferóis têm sido encontrados em sementes deterioradas durante o armazenamento. para que seja transportada desde o sistema vascular da planta-mãe para os órgãos de armazenamento das reservas. é também catalizada por muitas enzimas (amilases. digestibilidade e quebra parcial de proteínas. com aumento dos ácidos graxos. b) Alteração da composição química. conseqüentemente. A conversão das macromoléculas ou reservas para formas metabolizáveis. toda essa mobilização de reservas na semente poderia ser alterada em conseqüência das mudanças que poderão ocorrer na ação enzimática. se essa última fosse uma explicação para os mecanismos da deterioração de sementes. Assim.

atuem na mobilização das reservas armazenadas aos locais de utilização pelo metabolismo. a qual é mais intensa em sementes deterioradas. mudando sua configuração para a típica forma bipolar que ocorre em tecidos hidratados. as enzimas atuam na acumulação de reservas para serem armazenadas.2. Em sementes deterioradas. também tem sido baixa. 375 . As enzimas são proteínas e estão envolvidas em todos os processos bioquímicos de síntese e degradação de moléculas. esse mecanismo de reparação das membranas é lento ou não funciona. em uma semente seca e quando hidratada. Durante a germinação. durante a germinação da semente no solo.2. e a formação de um microambiente ao redor da semente. favorável ao ataque dos microorganismos do solo. através dos quais os solutos podem fluir para fora da membrana celular. especialmente após a protusão da radícula durante o estádio heterotrófico da plântula. 3. as conseqüências disso. ocorre lixiviação de solutos (principalmente açúcares e aminoácidos). o "aumento da permeabilidade" e a "desorganização das membranas" são termos comumente utilizados para explicar a perda de viabilidade das sementes ou a deterioração. são a perda de substratos que seriam aproveitados nos processo metabólicos envolvidos no crescimento e desenvolvimento da semente. Durante o desenvolvimento e a maturação de sementes.4. Durante a embebição.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos sementes armazenadas em condições de 94% de umidade relativa e 30oC de temperatura de armazenamento. em nível celular. Alteração enzimática A viabilidade das sementes pode ser determinada em função da sua atividade enzimática. perdendo-se solutos para o meio através da lixiviação. Alteração nas membranas celulares A "perda da integridade". no início da germinação da semente. 3. Em sementes secas. desde a camada de aleurona e do escutelo. No começo da embebição. causando a desorganização das membranas em nível celular. A lixiviação está relacionada com a configuração das membranas. embora níveis mais altos de peroxidação fossem encontrados em sementes armazenadas com teor de umidade de 20%. devem ser re-sintetizadas e/ou ativadas para que. a qual diminui durante a deterioração. uma configuração hexagonal forma poros. Na prática.3. Esses resultados contraditórios indicam a necessidade de maior investigação desse mecanismo por parte dos fisiologistas. sendo a redução da síntese de proteínas um mecanismo envolvido na deterioração de sementes. mecanismos de reparação das membranas as reorganizam.

Como conseqüência da deterioração. na fase de campo. biossíntese de polissacarídeos. logo. mais lenta é a taxa de aumento nos processos de biossíntese. Essas alterações fisiológicas estão relacionadas à perda da integridade do Ácido Desoxirribonucleico (ADN) e também à síntese de Ácido Ribonucleico (ARN). A taxa de mutações aumenta também com a idade das sementes. de grande participação quando as sementes embebem água para iniciar a germinação. que ocorrem no período que vai desde a maturação fisiológica até a colheita. Esses últimos fornecem energia nos processos metabólicos. Esse dano aos cromossomos é mais intenso em sementes armazenadas sob condições desfavoráveis. Há indicativos de que quanto mais deteriorada a semente. UTP). 376 . os nucleotídeos desempenham um importante papel nos seguintes processos: biossíntese de ácidos nucleicos (primeiro ARN e. síntese de proteínas e reparo das membranas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Um exemplo são as enzimas desidrogenases que atuam na respiração (fosforilação oxidativa na mitocôndria). aspectos que ainda estão em estudo. Outras anormalidades relacionadas com a alteração genética são o aborto do pólen e o aparecimento de fenótipo de clorofila mutante.3. Tecidos mortos. 3. especialmente ATP. A determinação da viabilidade da semente pelo teste de Tetrazólio baseia-se na capacidade da enzima de precipitar o sal de Tetrazólio (Tri-fenil-cloreto de Tetrazólio) em Formazan. Alteração genética e de nucleotídeos Mutações causadas por aberrações cromossômicas têm sido encontradas em sementes envelhecidas ou armazenadas durante períodos muito longos. 3. causam um aumento da velocidade de deterioração da semente de soja. as condições climáticas adversas. Tais mutações podem provocar deficiências funcionais no metabolismo das sementes. Causas da deterioração A seguir será apresentado. de coloração vermelha. onde não há atividade da enzima permanecem incolores. enquanto os tecidos viáveis apresentam diversas tonalidades de coloração vermelha mostrando diferentes níveis de deterioração. espera-se a redução da síntese de nucleotídeos. à codificação e síntese de proteínas nos ribossomas e à síntese de nucleotídeos (ATP.5. Durante a germinação. ADN).2. Inicialmente. alta umidade e alternância dessas condições. As causas desta deterioração são altas temperaturas. como exemplo do que ocorre na prática. o processo da deterioração de sementes de soja.

etc.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Flutuações de umidade (chuva. inativação e degradação de enzimas. inibir a clorofila. As causas da deterioração das sementes se confundem com seus efeitos. ainda há pouca clareza a respeito. redução da qualidade das mesmas. das quais têm surgido recomendações que permitiram reduzir o número de teorias de mais de 15 para não mais de 5 e dedicar portanto maiores recursos ao estudo mais aprofundado daquelas. Atualmente. acumulação de compostos tóxicos. auto-oxidação dos lipídeos. a região enrugada no extremo oposto do hilo se apresenta não colorida de vermelho. são ressaltadas as seguintes: degradação de estruturas funcionais. alta umidade relativa. provocam enrugamento do tegumento da semente. danos mecânicos) e armazenamento (alta umidade e microorganismos). etc. indicando a presença de tecidos mortos ou em avançado estado de deterioração. Os microorganismos atacam a semente de soja interagindo nos processos metabólicos acelerando portanto a deterioração. beneficiamento e transporte (umidade da semente. mudanças na sua composição química. degradação genética. esgotamento de reservas alimentares. alteração genética ou de nucleótidos e alteração enzimática. Todavia. quando as sementes estão ainda no campo depois de terem alcançado a maturação fisiológica (retardamento da colheita). condições adversas de temperatura e umidade. Dos muitos mecanismos que têm sido estudados. Os fungos produzem toxinas (aflatoxinas) que podem danificar membranas. Duas reuniões internacionais já foram realizadas exclusivamente para discutir a deterioração de sementes (1981 e 1984). como as membranas celulares. Como possíveis causas. alguns foram definitivamente abandonados e outros continuam sendo analisados. conseqüentemente. Também depois de colhida. os cientistas estão dedicando maiores esforços à análise de três teorias principais: alteração das membranas celulares. cabe a 377 . Chegou-se à conclusão de que a alteração enzimática seria uma teoria importante para definir o mecanismo da deterioração de sementes. aumentar a lixiviação de solutos. já que por ser seu verdadeiro mecanismo desconhecido. durante a secagem (alta temperatura). inibir a germinação das sementes. são fatores que afetam a deterioração. orvalho). Porém. depois da semeadura da soja. A época em que é realizada a colheita e os danos mecânicos que podem ocorrer nas sementes causam aumento da deterioração da semente de soja. profundidade de semeadura e ataque de microorganismos. tipo de solo. Ataques de insetos na fase de campo produzem deformação das sementes. Submetendo essas sementes ao teste de Tetrazólio. pode ocorrer um aumento da velocidade de deterioração das sementes.

FATORES QUE AFETAM A CONSERVAÇÃO DAS SEMENTES O principal objetivo do armazenamento é a manutenção da qualidade das sementes. já ensacadas. havendo diversas classificações de acordo com o período em que foram encontradas viáveis e as condições do ambiente sob o qual as sementes mantiveram sua viabilidade. do ambiente durante seu desenvolvimento e de sua composição bioquímica. Essa diferença é ainda maior quando as condições de armazenamento são desfavoráveis. a longevidade ou potencial de armazenamento das sementes varia entre espécies.1. a não ser no controle sanitário. há uma série de fatores que influenciam no potencial de armazenamento das sementes. Fatores genéticos Como já foi discutido anteriormente. até as sementes. sementes de arroz têm um alto potencial de armazenamento quando comparadas a sementes de soja. e termina depois que essas estão prontas para serem semeadas. A longevidade é um fator intrínseco da própria espécie. as sementes de arroz armazenam bem. 378 . de clima subtropical. 4. entrarem no armazém. Esses fatores são especialmente importantes nos períodos de pré é pós-colheita. O armazenamento se inicia quando as sementes alcançam a maturação fisiológica. só existe a certeza de que a deterioração é uma conseqüência da constituição genética da semente. Estudos a nível de tecidos e células continuam sendo realizados para achar a verdadeira explicação do fenômeno da deterioração das sementes e assim poder chegar a soluções que permitam seu retardamento em benefício do aumento da qualidade. Por exemplo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos pergunta se é esse mecanismo que causaria a morte da semente ou haveria algum outro mecanismo que de fato causaria a perda da capacidade enzimática da semente provocando sua morte? Hoje em dia. a influência do sementeiro ou encarregado do armazém torna-se limitada. Esse período determina o nível de qualidade inicial com que as sementes estão iniciando o armazenamento. Na região do litoral sul do estado do Rio Grande do Sul. Sementes de alta qualidade são melhor armazenadas do que sementes de baixa qualidade e o controle ou minimização dos fatores que adversamente afetam a germinação e o vigor das sementes contribui para a manutenção da qualidade das mesmas. 4. pouco antes da colheita. reduzindo ao mínimo a deterioração. Durante todo esse período. Quando as sementes já estão armazenadas.

da região onde pretende armazenar as sementes e do tipo de armazenamento a ser empregado. Alguns trabalhos mostraram que variedades de milho duro e dentado permanecem viáveis por mais tempo do que variedades de milho brando e doce. tomar decisões em relação às variedades a produzir. o conhecimento de que espécies e variedades são de vida longa ou de vida curta permite aos produtores de sementes. as diferenças entre esse tipos são menos evidentes. que perdem sua viabilidade rapidamente. Alguns exemplos serão dados para sementes de milho e soja. não se recomenda seu armazenamento. que não têm meios de controlar o fator genético. inclusive. com umidade constante. embora. em função do seu potencial de armazenamento. Esse fato está relacionado com a consistência estrutural das sementes. já em 1942. derivado do tecido materno. as plantas-mães exerceram uma considerável influência na longevidade das sementes. quando armazenadas em condições ambientais. A característica genética da longevidade também varia entre variedades ou cultivares de uma mesma espécie. Na prática. comprovou-se que o caráter longevidade não é simples. Quando essas sementes são armazenadas em condições controladas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos porém as condições são limitadas para o armazenamento de sementes de soja. Em sementes de soja. indicando que as variedades de milho brando estão expostas a flutuações maiores de umidade devido a sua consistência. 379 . Cruzamentos recíprocos entre linhagens (linhas puras) de vida curta e de vida longa indicaram que o caráter vida longa seria dominante. Uma explicação para esse fato é a de que haveria alguma influência do tegumento das sementes. Certas evidências em milho também têm demonstrado que o caráter longevidade pode ser melhorado por meio de procedimentos adequados de seleção. devendo ser transportadas a outra região para esse fim. Contudo. fosse sugerida a introdução de genes para longevidade em linhas puras de milho por retrocruzamento. Também em soja. sugerido que uma seleção pelo vigor em sementes de soja poderia melhorar seu potencial de armazenamento. usando genótipos selecionados pelas suas características de armazenamento. Resultados similares foram encontrados quando analisados os híbridos simples. estudos recentes demonstraram que. a menos que sejam secadas até 6% de umidade e armazenadas em latas herméticas. perdendo mais rapidamente a viabilidade. A mesma região do litoral sul produz sementes de cebola. sendo. as quais perdem rapidamente sua viabilidade. Embora nessa região se produzam sementes de soja. o fator genético sobre o potencial de armazenamento foi correlacionado com seu vigor para algumas variedades. por meio de cruzamentos recíprocos. O genótipo mostrou um efeito altamente significativo sobre o potencial de armazenamento da semente.

2. protegido somente pelo fino tegumento. alfafa. em função de flutuações de umidade (estiramento e contração do tegumento). facilitando o crescimento dos fungos e reduzindo a viabilidade da semente. o eixo radícula-hipocótilo do embrião está em uma posição saliente. amendoim. considerando todas como sendo do mesmo tamanho. Em geral. ficando claramente exposto a impactos que causarão dano mecânico à semente. rachaduras do tegumento são comuns. seja pela deterioração sofrida no campo. Sementes de baixo peso específico. A operação de retirada das glumas pode provocar dano mecânico. Estrutura da semente Em sementes de gramíneas. como soja e feijão. girassol e em várias leguminosas forrageiras. Estudos realizados em sementes de ervilha mostraram que as grandes e de maior densidade deterioraram-se mais lentamente do que as menores e mais leves. A forma. Embora 380 . O efeito inverso tem sido observado em sementes de soja. o tamanho e a localização das estruturas essenciais dentro da semente estão relacionadas com a suscetibilidade aos danos mecânicos. ervilha. foi encontrada em sementes de aveia e centeio. perdem sua viabilidade mais rapidamente durante o armazenamento. Em algumas leguminosas. sementes esféricas estariam mais protegidas do que as de forma irregular. sendo essa observação extensiva a sementes de feijão. A explicação disso seria que as glumas teriam um efeito inibidor sobre o crescimento de fungos. aquelas com glumas (lema e pálea) se comportam melhor durante o armazenamento do que aquelas sem glumas. Com relação ao tamanho. feijão. Algumas leguminosas (soja. Esse fato poderia estar relacionado à maior suscetibilidade ao dano mecânico das sementes maiores de soja. especificamente algumas cultivares de cevada e trigo Red Winter. há uma tendência de sementes menores perderem viabilidade mais rapidamente durante o armazenamento do que sementes de maior tamanho. fato observado em sementes de trigo de inverno.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 4. cevada. Outro aspecto estrutural refere-se à espessura e flexibilidade do tegumento ou casca da semente. consideradas individualmente dentro de um lote de sementes parcialmente deterioradas. A mesma tendência. o que facilita a penetração de microorganismos e trocas de umidade durante o armazenamento. onde sementes pequenas armazenadas sob condições do trópico úmido armazenaram melhor do que sementes de maior tamanho. entre outras) apresentam uma característica de dureza do tegumento (sementes duras). No caso das sementes de soja. porém em menor grau. ou o próprio dano mecânico quando as sementes estão secas. altas temperaturas de secagem. trevo.

podendo a semente permanecer neste estado por vários anos. sementes imaturas. Alguns desses fatores são: condições ambientais no campo. As sementes duras armazenam melhor do que as de tegumento brando ou normais. secagem.3.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos seja uma característica indesejável para fins de semeadura. Em muitas espécies. é uma característica interessante para o armazenamento. Sementes imaturas em geral perdem sua viabilidade mais rapidamente durante o armazenamento do que as maduras. Dependendo desse histórico. Fatores de pré e pós-colheita Esses fatores determinam o nível de qualidade inicial da semente ou sua condição antes de ser ensacada para entrar no armazenamento definitivo. Essa operação causa algum dano mecânico às sementes. as sementes resistirão melhor ou pior às condições desfavoráveis durante o armazenamento. manuseio. durante e após a colheita afetam o potencial de armazenamento das sementes. que coincide com a máxima acumulação de peso seco e máxima germinação e vigor. etc. Essa condição é também conhecida como o histórico da semente. porém não houve comprovação posterior desse resultado. 4. o período de maturação é 381 . A maturidade das sementes é outro importante fator. alface e pimentão mostraram que a deficiência externa de potássio ou cálcio na planta-mãe afetariam o potencial de armazenamento da semente. doenças da planta produzidas por microorganismos e danos causados por ataque de insetos. Todos os estresses aos quais as sementes são submetidas antes. A firmeza do tegumento está relacionada com a impermeabilidade do mesmo. temperatura ambiente. beneficiamento. O máximo potencial de armazenamento das sementes ocorre quando alcançam a maturação fisiológica. e que também afetam seu potencial de armazenamento. danos mecânicos durante a colheita. podendo portanto afetar seu potencial de armazenamento. Estudos realizados em sementes de cenoura. Outras condições que têm sido indicadas como afetando o desenvolvimento da semente. Um meio de superar a característica de tegumento duro é a escarificação. Esse é o caso de interrupção do processo de maturação devido à antecipação da colheita em função de condições climáticas desfavoráveis. alta salinidade do solo. Ainda assim é necessária por ocasião da semeadura da semente para que a mesma possa iniciar o processo germinativo. estágio nutricional da planta-mãe. procedimento comumente utilizado em sementes de leguminosas forrageiras. são: disponibilidade de água. A deficiência de nitrogênio pode afetar o teor de proteína das sementes. reduzindo sua longevidade.

as sementes secas absorverão umidade do ar e. Assim se tem que. para uma umidade relativa (UR) de 100%. o ar contém uma determinada quantidade de água em forma de vapor de umidade. quando ocorre a maturação fisiológica. Em um ambiente úmido.4. as sementes apresentam diferentes níveis de maturação. Alto teor de água (acima de 13%) não é desejável para armazenar sementes em geral. 2). Por outro lado. sementes úmidas em um ambiente seco perderão umidade para o ar. condições adversas tais como temperaturas extremas. têm a capacidade de trocar umidade com o ambiente que as rodeia. o ar está saturado de umidade. Nesse período. A UR do ar é então a proporção entre a quantidade de umidade num determinado momento e a quantidade de umidade que é capaz de conter nesse momento. alta umidade provocada por chuvas. gramíneas e leguminosas forrageiras) e indeterminado. Depois de colhidas. o teor de água das sementes é muito alto para efetuar a colheita mecânica (entre 35 e 50% para a maioria das espécies). não tendo capacidade para conter mais.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos muito amplo (cenoura. inversamente. as sementes devem ficar armazenadas no campo até que seu teor de água diminua a níveis adequados para a colheita (20 a 25% para arroz e 15 a 16% para trigo e soja). Teor de água da semente O fator mais importante que afeta a conservação das sementes é seu teor de água. 4. há também um ponto de equilíbrio onde igualam-se as pressões de vapor de umidade tanto da semente como do ar. mostrando também diferente potencial de armazenamento. Existindo uma relação de absorção e perda de umidade entre as sementes e o ambiente que as rodeia. o teor de umidade da semente aumentará ou diminuirá até alcançar o equilíbrio com a UR do ar. diminuem o potencial de armazenamento das sementes. Essa relação ocorre então em função da umidade relativa do ar (capacidade de retenção de umidade do ar). Esse ponto é chamado de ponto de equilíbrio higroscópico (PEH) das sementes e se define como o teor de umidade alcançado pela semente depois de certo período de tempo submetido a condições de umidade relativa do ar e temperaturas constantes (Fig. umidade relativa alta ou pelo próprio orvalho e danos por ataque de insetos e microorganismos. Em todas as condições de armazenamento. As sementes são higroscópicas. portanto. 382 . A qualquer temperatura. ou seja. sempre que seja proporcionado um espaço de tempo.

o PEH das sementes de oleaginosas é mais baixo do que o das amiláceas ou as de alto conteúdo protéico. Nesse caso.Ponto de equilíbrio higroscópico (PEH). por outro lado. (a) absorção e (b) perda de umidade da semente de milho. O método estático utiliza soluções de ácidos fortes (sulfúrico. Em geral. milho e soja alcançam o equilíbrio em ambiente com 75% de umidade relativa do ar. deve-se considerar que a proteína é altamente higroscópica. a um teor de umidade de 13 a 15%.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Teor de Água da semente Umidade Relativa do Ar PEH Milho 12.8% 14. o dinâmico. nítrico) ou soluções 383 . Existem dois métodos para determinar o equilíbrio higroscópico das sementes. em função da umidade relativa do ar (adaptado de Delouche.8% perde b) 45% UR tem po 10. O PEH varia de acordo com a espécie. ao contrário dos lipídeos. 1973). que são hidrófobos. sob as mesmas condições de umidade relativa e temperatura. clorídrico. o outro. linho e amendoim alcançam o PEH com teores de umidade de 9 a 11% para a mesma umidade relativa. sementes de algodão. Sementes de arroz. Um é o método estático e.9% ve absor a) 75% UR temp o 14.5% Figura 2 .

sendo o incremento mais agudo com umidade do ar igual ou acima de 80%. À temperatura constante. O método dinâmico é mais caro devido à necessidade de equipamentos mais sofisticados. Também pode ser medida a pressão de vapor de umidade. porém é mais rápido e preciso.PEH (adaptado de Justice e Bass. diminuindo-se os erros experimentais que ocorrem especialmente quando a umidade relativa do ar é maior que 87% (já que pode haver desenvolvimento de fungos antes que a semente atinja o equilíbrio). Um higrômetro elétrico mede a umidade relativa do ar no recipiente. As sementes são colocadas dentro de um recipiente hermeticamente fechado. 25 Teor de Água da Semente (%) 20 15 10 5 0 20 40 60 80 100 Umidade Relativa do Ar (%) Figura 3 . 1978). enquanto são feitas determinações de umidade da semente. O ar ao redor das sementes pode ser movimentado (método de dessorção). Com a medição do PEH das sementes. obtém-se uma curva sigmoideal a qual é apresentada na Fig. mas é menos preciso. sulfato de cálcio entre outros. o teor de umidade da semente aumenta junto com a umidade relativa do ar. mantendo-o circulando.Relação entre a umidade relativa do ar e o teor de água da semente ou ponto de equilíbrio higroscópico . passando através de colunas de absorção que contêm sais de umidade conhecida. 384 . 3. contendo os produtos químicos. Esse método tem uma duração de poucos dias até 2 meses. cloreto de cálcio. todas soluções de umidade relativa conhecida.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos saturadas de sais tais como cloreto de bário. permanecendo até que o teor de umidade da semente fique constante.

8 15.2 10.7 5.8 18.5 8.6 pontos percentuais.7 - 100 23.0 14.4 10.0 11.6 9.0 16. 385 . Cevada Hordeum vulgare Centeio Secale cereale L.0 10.1 14.8 5.8 15.3 11. o teor de umidade da semente atinge.7 9.6 8.1 16.0 8.0 11.4 8.6 - Dados recompilados de diferentes fontes pelo Laboratório de Tecnologia de Sementes.4 8.6 10.6 14.0 8.0 10.1 Umidade Relativa do Ar (%) 60 65 75 80 85 9.9 26.2 11.0 10.4 14.8 8.0 - 90 18.0 11.4 7. 4. 4. o teor de umidade em equilíbrio da semente não é sempre o mesmo.0 9.8 Ocra Hibiscus esculentus 7.4 11.0 15.5 20.0 7.8 26.0 Melancia Citrullus vulgaris Schrad.5 7.6 24.3 12. Trigo Triticum aestivum L.2 13.0 13.5 6.1 20 Alfafa Medicago sativa Algodão Gossypium hirsutum 4.9 13. Feijão Phaseolus vulgaris L.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O PEH de várias espécies. A uma determinada umidade relativa do ar.2 Cebola Allium cepa 6. porém acima de 75% aumenta bruscamente.6 6.4 10.9 14.8 1 45 7.0 15.2 13.Teor de água em equilíbrio de várias sementes a 25oC e diferentes umidades relativas do ar.0 12. Tabela 4 .5 Arroz Oryza sativa L Aveia Avena sativa L.2 21. níveis altamente prejudiciais a sua conservação.5 10.8 Pepino Cucumis sativus L.3 6. incrementos de 15% nessa umidade resultam em incrementos de 2% no teor de umidade da semente.1 13. é maior quando as sementes perdem umidade para o ambiente (dessorção) do que quando absorvem umidade do ambiente (absorção).6 8. é apresentado na Tabela 4.2 12.5 19.1 12.0 13. De fato.3 25.0 8. Existe ainda o efeito histerese.8 19. Essa diferença é.4 6.8 9.0 19.4 16.0 13.6 8.5 10. como recomendações práticas em termos de umidade para o armazenamento de sementes.1 15. ao redor de 1.6 12.4 12.8 Tomate Lycopersicon esculentum 5.6 8. Observa-se que até 75% de umidade relativa do ar.0 12.2 12. Universidade Estadual de Mississippi. Espécie Nome Científico 30 6.7 24.1 10.9 10.0 7. Girassol Helianthus annus Milho Zea mays Soja Glycine max Sorgo Sorghum vulgare Trigo branco Triticum aestivum L.7 19.0 14.0 18.0 9.3 9.5 9.1 26.0 18. 4. Isso explica o fato de que em regiões de alta umidade relativa do ar.8 12. Os valores de equilíbrio higroscópico podem ser usados com bastante segurança. após um certo período de tempo.8 9.8 13.09 11.6 15.0 6.1 18. a uma temperatura constante de 25oC. em média.8 8.0 9.5 18.5 10.5 11.1 8.

determinada pela constituição do endosperma e do embrião. 1983). Sementes de arroz. Umidade e temperatura ambiente Entre os fatores mais importantes que afetam a qualidade da semente durante o armazenamento estão a umidade e a temperatura do ar. Por exemplo. que são armazenadas com baixos teores de água para sua conservação. Ainda com relação à temperatura. alguns anos atrás. Uma ampla diferença (gradiente) de pressões de vapor de umidade também aumenta as taxas de absorção e movimento de umidade nas sementes. a 30oC é atingido duas vezes mais rápido do que a 10oC. Em sementes de milho e trigo. Isso depende. absorvem umidade mais rapidamente do que sementes de alfafa. A temperatura também afeta o tempo que as sementes demoram em atingir o PEH. a umidade relativa média do ar foi de 80%. de 20 a 80%. sendo que a umidade do ar afeta diretamente o teor de água da semente. As sementes ortodoxas. Em condições de umidade relativa do ar. nas condições de Pelotas. 4. Nesse período.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O tempo que as sementes demoram para alcançar o equilíbrio higroscópico varia com as espécies. Sementes de linho absorvem umidade mais rapidamente do que sementes de trigo que. fazendo com que as sementes absorvam umidade suficiente para favorecer o processo de deterioração e. Da mesma forma. consequentemente. que determina o tempo que a umidade demora para penetrá-lo e da transferência de umidade dentro da semente. Isso permite prever se o armazenamento será seguro em função do tempo. perderão umidade mais rapidamente quando submetidas a 20% de umidade relativa do ar do que a 50%. é importante destacar que somente grandes mudanças de temperatura provocam uma mudança importante no PEH à mesma umidade relativa do ar. por sua vez. das características de permeabilidade do tegumento das sementes. Rio Grande do Sul. principalmente. seguem certas regras práticas enunciadas por Harrington (1972). a redução da qualidade fisiológica (germinação e vigor) da semente (Amaral e Baudet. sementes de soja com 10% de água aumentam esse teor para 13% após três meses e para quase 15% após cinco meses de armazenamento. sementes de soja e trigo alcançam o equilíbrio aos 15 dias a 20oC e aos 70 dias a 1oC de temperatura. colocadas em ambiente com umidade relativa de 95%. O PEH das sementes ajuda a determinar se as mesmas vão ganhar ou perder umidade sob determinadas condições de umidade relativa e temperatura do ar. com 13% de água. que são as seguintes: 386 .5. aumentam mais rapidamente seu teor de umidade do que quando colocadas a 70%. e confirmadas posteriormente.

não se formarão cristais de gelo se as sementes estiverem com umidade abaixo de 14%. duplica-se o potencial de armazenamento (válida para o intervalo de 5 a 14%). deve-se. a umidade relativa do ar determina o teor de umidade das sementes quando são armazenadas sob condições ambientais em embalagens porosas ou em silos a granel. Com relação à temperatura. porém há estudos que mostram o desenvolvimento desses gêneros de fungos a umidades tão baixas como 65%. em graus Farenheit. o armazenamento em condições frias (0o e o 5 C) considera-se ideal para sementes.O somatório aritmético da temperatura de armazenamento. Alguns autores reconhecem que o armazenamento de sementes secas em temperatura abaixo de 0oC deverá melhorar sua longevidade. duplica-se o potencial de armazenamento da semente (válida de 0 a 40oC). em segundo plano. A respiração de uma massa de sementes é outro fator muito importante a ser considerado com relação à umidade de temperatura. Os efeitos desses patógenos são significativos em ambientes de alta umidade. a umidade relativa do ar pode ser considerada uma medida do teor de água das sementes. Nesse caso. é preferível armazenar as sementes em embalagens à prova de umidade. . e a umidade relativa do ar não devem ser maior do que 100.Para cada 5. as sementes começam a sofrer o ataque de fungos e ácaros (Tabela 5). Estudos realizados em sementes de soja e cevada mostraram que a viabilidade e o vigor das sementes foram reduzidos antes que houvesse uma invasão substancial dos fungos do armazenamento nos ambientes úmidos. Não é recomendável então armazenar sementes com teores de água em equilíbrio com umidades relativas do ar acima de 75%. sendo a contribuição da temperatura não mais do que a metade da soma. a mudanças fisiológicas na semente e.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos . . a umidade relativa do ar torna-se perigosamente alta e as sementes poderão absorver umidade. principalmente. tanto em condições aeróbicas (presença de oxigênio) como anaeróbicas (ausência de oxigênio). O processo respiratório que ocorre em nível celular. Em função do equilíbrio higroscópico. a não ser que a temperatura seja inferior a 10oC. Ainda 387 . Assim tudo. à atividade dos fungos. podendo formar cristais de gelo após um certo período de tempo. A umidade relativa do ar influencia a atividade dos fungos do armazenamento (Aspergillus e Pennicillium). Porém. libera energia em forma de calor. causando morte de células e perda de viabilidade na semente. a perda da viabilidade das sementes em climas muito úmidos (tropical e subtropical) durante o armazenamento.5oC de diminuição na temperatura. Acima desses valores de umidade e temperatura.Para cada 1% de diminuição do grau de umidade da semente. Apesar da baixa temperatura. nessas condições. Assim sendo.

9% respiram 0. O efeito da temperatura depende da umidade do ar e da semente e da presença de microorganismos e insetos. a temperatura. a taxa respiratória é suficientemente baixa. Até 13% de umidade.084 e com 22. 1976).Intensidade da respiração de sementes de arroz armazenadas com temperatura de 37. Isso é verdade também para a umidade do ar nos espaços entre as sementes. Porém. presença de oxigênio e os microorganismos. no entanto.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos em condições aeróbicas há liberação de gás carbônico (CO2) e água (H2O).6 mg CO2/100 g peso seco/dia a 25oC e 154.. a taxa respiratória aumenta exponencialmente com o aumento do teor de umidade da semente acima de 13% (Fig. A temperatura também provoca uma aumento da taxa respiratória.276 ml CO2/g peso seco/dia.5% de água respiram 33. O alto teor de água das sementes causa um aumento significativo da taxa respiratória. 20 INT EN SI DA DE DA RE SPI RA ÇÃ O 10 ARROZ 5 4 3 2 1 0.7 mg CO2/100 g peso seco/dia a 40oC. 388 . que deverá ser inferior a 75%. Podese deduzir que o processo respiratório de sementes é acelerado pelos subprodutos da respiração (água e calor) que aumentarão sua taxa. Os fatores que mais aceleram o processo respiratório são a umidade.0014 mlCO2/g peso seco/dia. um aumento de 10% no teor de água da semente duplica ou triplica a taxa respiratória. produzindo mais calor e umidade. que pode provocar a morte da semente.8oC . não causando problemas. Sementes de soja com 18.Curva de Bailey (adaptado de Araullo et al.5 11 13 15 TEOR DE ÁGUA DA SEMENTE (%) Figura 4 . com 17. Sementes de milho com 12. 4). Acima de 40oC.1% de água respiram 0.8% de água respiram 0. a taxa respiratória diminui devido ao efeito da alta temperatura nos processos metabólicos da semente. Entre 0 e 30oC.

rachaduras do tegumento. com a conseqüente perda de peso e vigor das sementes. junto com as condições climáticas adversas antes da colheita e o alto teor de água das sementes depois de colhidas. essas armazenam bem a temperaturas de até 25oC. agravando-se quando é considerada ainda a respiração dos microorganismos e dos insetos que podem vir junto com as sementes. as sementes mecanicamente danificadas não mantêm sua viabilidade e vigor devido às fraturas que sofreram (quebras. dano ao embrião) e que interferem na taxa de respiração dos microorganismos. desencadeia também outros processos. 4. máquinas de beneficiamento ou na própria semeadeira. como conseqüência do aumento de umidade. O dano pode ser imediato (as sementes perdem a viabilidade imediatamente) ou latente (manifesta-se após um período de armazenamento da semente). Porém. transportadores. Danos causados às sementes depois da colheita Os danos causados por meios mecânicos que as sementes sofrem são considerados. como o aumento da atividade enzimática (enzimas hidrolíticas) e dos ácidos graxos livres. 389 . No dano latente. O resultado disso é um rápido declínio da germinação e do vigor das sementes. Também a temperatura aumenta a taxa das reações enzimáticas e metabólicas. não suportam condições adversas no campo. sementes com alto teor de umidade não suportam temperaturas maiores que 10oC. O aumento da respiração. Esses fatos mostram que o controle do teor de água da semente e/ou da umidade relativa do ar são mais eficientes para assegurar um bom armazenamento do que o controle da temperatura. O dano pode ser provocado por choques ou impactos e/ou por abrasões das sementes contra superfícies duras ou contra outras sementes.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos As conseqüências diretas do processo respiratório numa massa de sementes são o umedecimento e a elevação da temperatura. o vigor e o potencial de armazenamento das sementes são afetados. causando a aceleração da velocidade de deterioração das sementes. As sementes mecanicamente danificadas deterioram-se mais rapidamente durante o armazenamento e. quando semeadas. Danos físicos são todos os tipos de danos causados às sementes por processos mecânicos de manuseio em equipamentos de colheita.6. Altas temperaturas exercem um pequeno efeito deteriorativo em sementes com baixo teor de umidade. como um dos fatores que mais contribuem para reduzir a qualidade das sementes. amassaduras. O aumento do processo respiratório das sementes implica também no aumento do consumo de reservas. No armazenamento.

Para isso. As sementes alcançam o máximo potencial de armazenamento no ponto de maturidade fisiológica (PMF). produz-se um envelhecimento natural que provoca também uma deterioração da semente. embora as curvas de viabilidade e vigor sejam muito similares.l m/s na UBS. germinação e vigor. a redução do vigor dependerá do espaço de tempo que as sementes ficarão armazenadas.7. lotes de sementes que estão sofrendo uma rápida deterioração apresentam perdas de viabilidade e de vigor que são difíceis de diferenciar em um processo normal de armazenamento. as recomendações técnicas específicas para sementes. 4. Inclusive. Pode-se verificar que. devem ser seguidas. do tipo de semente e das condições de armazenamento. Existe uma faixa entre 14 e 18% de água em que as sementes são mais resistentes aos danos físicos. a perda do vigor precede à da germinação. Em qualquer equipamento. devem operar a velocidades nunca maiores do que 1. Uma regulagem adequada da velocidade do cilindro e da abertura do côncavo são fundamentais para reduzir o dano. uma correia ou fita transportadora pode transformar-se em altamente danificadora se operada à alta velocidade. a qual continua até que as mesmas deixam de ser viáveis. é a velocidade de operação que determina a força do impacto ou choque. com relação ao dano físico. o dano pode não provocar uma fratura visível. 5. Na colheitadeira. Se as condições de armazenamento não são adequadas. Idade fisiológica das sementes Durante o armazenamento. do fabricante e da pesquisa. esse pode ser impactado e o dano manifestar-se somente depois que a semente é colocada a germinar. As curvas de viabilidade e de vigor são apresentadas na Fig. o principal inimigo das sementes. porém devido à posição saliente do embrião. provocando uma descarga muito intensa. 390 .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Em sementes de soja e feijão. originando uma plântula anormal. Todo equipamento mecânico é considerado uma fonte de dano à semente. Depois disso. com o aumento da idade das sementes. Convém então que o manuseio das sementes seja feito na medida do possível dentro dessa faixa para minimizar os danos. onde apresentam o máximo de peso seco. Os transportadores de sementes. o mecanismo de trilha é a principal fonte de todo o manuseio de pós-colheita da semente. especialmente os elevadores de caçambas que descarregam as sementes pela força centrífuga.

para a maioria das espécies. Esses testes devem ser utilizados em qualquer programa de controle de qualidade para determinar o potencial de armazenamento das sementes. sob condições controladas de temperatura e/ou umidade relativa. 5. TIPOS DE ARMAZENAMENTO DE SEMENTES As sementes são armazenadas. 1978). já que. o 391 . Também em função da necessidade de secagem. 5. em sacos sob condições ambientais e em sacos.1. Os testes de vigor.1. de três maneiras: a granel. porém seu vigor pode ter sido afetado de tal maneira que.Redução da germinação e do vigor de um lote de sementes em função do tempo (adaptado de Justice e Bass.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 100 Percentagem Germinação Vigor 0 Tempo Figura 5 . ao ser colocado em condições de campo desfavoráveis.1. em um determinado momento. Armazenamento a granel 5. principalmente em áreas grandes. com combinada automotriz. Características O armazenamento a granel. tais como o de envelhecimento acelerado e emergência a campo. feito este último sob condições favoráveis. durante as diferentes etapas do beneficiamento. um lote de sementes pode apresentar em média uma alta porcentagem de germinação. ou regulador de fluxo. são indicadores mais práticos de qualidade para o armazenamento do que o teste de germinação. vem sendo utilizado cada vez mais pelos produtores de sementes em função da própria colheita ser feita a granel. mostra um baixo desempenho.

produz calor. Isso significa que. a sua atividade metabólica e. Essas unidades armazenadoras a granel devem possuir ventiladores para resfriar a massa de sementes em caso de aumentos significativos de temperatura. Se as sementes são armazenadas a granel com elevado teor de água (maior que 13%). No armazenamento de sementes a granel. a dos microorganismos associados. É um tipo de armazenamento temporário que se pode estender de poucos dias até vários meses. acelerando a atividade biológica e produzindo mais calor. por conseqüência. e) poucas perdas devido a roedores. Assim sendo.2. Isso poderia ser evitado se esse armazenamento fosse feito em silos secadores. f) custos operacionais baixos. a secagem de sementes de soja com 15% de água. 5. c) pequeno desperdício de sementes. Silos metálicos ou de madeira para essa capacidade de carga são facilmente encontrados no comércio.8 m3 de ar por minuto por tonelada de semente e com não mais do que 4. se o produtor de sementes tiver que armazenar a granel um total de 392 . Outras características do armazenamento de sementes a granel são: a) o local de armazenamento é fixo e pode ser em silos metálicos e depósitos de madeira ou cimento (tulhas). o qual aumenta a temperatura da massa perigosamente. e em tulhas ou caixas de cimento ou madeira. é condição prévia que as sementes estejam limpas (pré-limpeza) e secas. d) alto custo inicial. devendo-se tomar cuidado com os danos mecânicos às sementes e à mistura varietal.5 m de altura da camada de sementes dentro do silo (UR de 60% e 19oC de temperatura). tipo Kongskilde. com a finalidade de fazer secagem através da aeração constante do silo e. o volume máximo de carga não deveria exceder 200 a 400 toneladas por unidade. enquanto as sementes aguardam para serem beneficiadas UBS.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos armazenamento a granel facilita bastante o manejo das sementes. Estruturas de armazenagem O armazenamento de sementes a granel é feito em silos cilíndricos metálicos ou de madeira. já que atua como regulador de fluxo antes e depois da secagem. consequentemente. podendo chegar a matar as sementes. em silo secador.1. sempre que o fluxo de ar secante seja de pelo menos 0. pode levar até 30 dias sem afetar a qualidade das sementes. com aeração constante. b) sistema de transporte para encher e esvaziar os silos é completamente mecanizado e rápido. o que implica misturar não mais do que 5-10 lotes de 20 a 40 toneladas cada. Paula (1992) concluiu que. de preferência todos dotados com sistemas de aeração (ventiladores). da massa de sementes.

ainda. como condição prévia. inclusive durante o dia. 5. Aeração de sementes A aeração consiste na movimentação forçada do ar ambiente através da massa de sementes.1. quando em contato com as superfícies internas frias (o ar está mais pesado). para baixo.4. deve-se frisar que no armazenamento a granel as sementes devem estar secas. embora o número de unidades seja maior. num período relativamente curto. criando zonas de alta umidade. sendo seu objetivo principal o resfriamento e a manutenção das sementes a uma temperatura suficientemente baixa para assegurar uma boa conservação. encontra o teto do silo com paredes frias. o efeito inicial.500 toneladas de sementes (30. ou seja. O controle das condições de armazenamento fica mais preciso e operacional. Mais uma vez. já que o seu objetivo principal é resfriar a massa de sementes e não secar ou retirar umidade da mesma.1 m3 de ar/min/ton de semente para resfriar a massa. estimular o ataque de insetos.1. 6). 5. o ventilador de um silo armazenador deve fornecer 0. pelo centro (o ar está mais leve). e para cima. Deve-se salientar que os ventiladores para aeração são de baixa potência. é de equilíbrio da temperatura da semente com a do ar ambiente. no inverno. é mais recomendável fazê-lo em 10 silos de 150 toneladas. as paredes do silo. movimentandose o ar nos espaços entre as sementes. esfriam ou aquecem em função da variação da temperatura ambiente. ao chegar no topo da massa de sementes. Os silos armazenadores (metálicos ou de madeira) possuem ventiladores para fazer aeração da massa de sementes. com 13% de umidade no máximo. Migração de umidade Um dos fenômenos que ocorre em uma massa de sementes armazenada a granel é o de migração de umidade (Fig. A diferença de temperatura entre a massa de sementes e o meio ambiente externo produz correntes convectivas dentro da massa. onde a massa de sementes está mais quente. criar condições favoráveis para o rápido desenvolvimento dos fungos do armazenamento. Esse ar. temos que se o ventilador de um silo secador deve fornecer 10 m3 de ar/min/ ton de semente para secar. podendo ainda “chover” dentro do silo. pré-germinar a mesma. que são atraídos pelo odor e calor despendido pela acelerada respiração aeróbica da semente e. Como comparação. onde há variações bruscas de temperatura. Isso poderá aglutinar a semente. deve-se proceder à aeração periódica da massa de sementes mediante o uso dos ventiladores do silo. logo 393 . como por exemplo Pennicillium e Aspergillus.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos 1.000 sacos).3. Em regiões de clima subtropical. sendo condensado o vapor. Ao se fazer aeração. Para evitar esse fenômeno da migração de umidade.

com ou sem chuva. após um longo período de aeração. o ventilador deve ser ligado dia e noite. a aeração teria de ser feita durante a noite. Ferreira e Muir (1981) apresentaram resultados indicando que milho com 13% de umidade pode ser armazenado nas regiões sul e sudeste do Brasil por período superior a um ano. a aeração deve ser aplicada quando a diferença de temperatura da massa de sementes e a temperatura do ar ambiente for em torno de 5oC.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos após. seria desaconselhável. Isso é devido a que a aeração no silo se dá na forma de uma frente de aeração que avança de baixo para cima. aguardando pela secagem. empregando-se aeração por insuflação. e tendo por objetivo resfriar a massa de semente.Migração de umidade em um silo de armazenamento. 1981). até que a massa seja resfriada. Ar Frio Condensação Ar Quente Ar Frio Ventilador Altura Camada Sementes Movimento do Ar Figura 6 . em regiões semelhantes a Belém. homogeneizando sua temperatura. tendoa resfriado totalmente. devendo o ventilador permanecer ligado até que essa frente atinja o topo da massa de sementes. Ocorrendo essa diferença. Como regra geral. pode-se reduzir a temperatura com o conseqüente resfriamento da massa e. Quando as sementes vêm diretamente da colheita e são armazenadas a granel em silo-pulmão ou tulha de produto úmido. com temperaturas mais baixas. tipicamente tropicais. não devem ficar por um período superior a 48 horas (a semente está com 394 . a aeração de milho com ar natural do norte. poderá haver um efeito secante (Lasseran. Porém. Nesse caso.

no caso de sementes de espécies olerícolas. 2) a mais importante. as sementes tendem ao PEH. o maior prédio da UBS é o armazém. O meio mais fácil de inspecionar as sementes no silo é retirando amostras em vários pontos e registrar a temperatura e teor de umidade das sementes.2. roedores e danos mecânicos no manuseio. Esses registros devem ser feitos pelo menos duas vezes por dia. 1) As embalagens permeáveis constituem-se em saco de tecido (algodão. esperando pela sua distribuição. Periodicamente. Características A comercialização de sementes é feita em sacos e. a embalagem de sementes atende a duas finalidades básicas: 1) quanto ao aspecto comercial.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos aproximadamente 18% de água) e a aeração deve ser contínua para conservação provisória das sementes até a secagem ser realizada. em climas secos. São empregadas para períodos curtos de armazenamento e. transporte e manuseio da semente. facilidade de empilhamento e manuseio e boa apresentação (facilidade de impressão). de preferência. Esses tipos permitem trocas de umidade entre a semente e o ar ambiente do armazém. deve-se avaliar também a qualidade da semente dentro do silo através de sua germinação e vigor (teste de envelhecimento acelerado). Suas principais vantagens são a resistência à ruptura e ao choque. Tipos de embalagens Há três tipos de embalagens quanto à permeabilidade: 1) embalagens porosas ou permeáveis. proteção das sementes contra umidade. Em uma UBS.1. portanto. de manhã e de tarde.2. Após o beneficiamento. 2) embalagens resistente à penetração do vapor de água ou semipermeáveis e 3) embalagens impermeáveis ou à prova de umidade. ou juta). o maior volume de armazenamento é em sacos. para manter o controle da massa de sementes e detectar. Segundo Poppinigis (1976). A estrutura de armazenamento é um armazém do tipo convencional em vez de um silo. possíveis problemas. 5. em tempo. em latas ou pacotes.2.2. Armazenamento em sacos 5. logo. de amplo uso pelo seu baixo custo. as sementes devem ser embaladas para logo serem armazenadas. Semente armazenada a granel em silos deve ser vistoriada regularmente. insetos. de papel multifoliado e de plástico ou polipropileno trançado. 5. As principais desvantagens são: os custos comparativos mais elevados e as flutuações de umidade dentro da embalagem devido às sementes 395 . ou completamente vedadas. aniagem.

para as oleaginosas. mas. para condições de clima tropical. o teor de umidade das sementes armazenadas em embalagens impermeáveis deve ser de 8 a 9%. Têm maior resistência à umidade do que as embalagens porosas. para amiláceas. sendo um dado de grande importância também para pequenos produtores que podem achar meios alternativos para guardar suas sementes hermeticamente com umidade de 12.125 mm de espessura. 1986). esse último deve ser mais baixo do que para as sementes nos outros tipos de embalagens. são mais recomendáveis os sacos de polietileno de mais de 0. A umidade do interior da embalagem é determinada pelo teor de água das sementes. nem flutuações de umidade dentro da embalagem. e de 4 a 7%. já que sob essas condições é prejudicial que ocorra alguma penetração de umidade na embalagem (Wanham. de 0. produzido da polpa de pinho.15 mm de espessura e bombonas plásticas para 20 kg de sementes.125 mm de espessura selados ao calor. podendo ser utilizadas em regiões de umidade relativa do ar mais altas. logo.075 a 0. 3) As embalagens impermeáveis oferecem completa resistência às trocas de umidade com o ambiente. porém ainda por período limitado de tempo de armazenamento. quando bem vedados. Estudos recentes efetuados por Aguirre e Peske (1988) e Scherer e Baudet (1990) têm mostrado que. normalmente possuem quatro dobras de papel Kraft. Esse período de até 8 meses. em condições de ambiente de armazém convencional.075 mm no interior das dobras. com forro de polietileno de 0. çompreende desde a colheita até nova semeadura na temporada. É importante salientar que a impermeabilidade da embalagem depende da vedação da mesma. Esses resultados foram confirmados por Cappellaro e Baudet (1992).Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos alcançarem o PEH. 2) As embalagens semipermeáveis oferecem uma certa resistência à penetração de umidade. 396 . que armazenaram sementes de feijão em sacos plásticos de 0.2%. as sementes podem ser embaladas com até 11. Essas embalagens não permitem o equilíbrio do teor de umidade da semente com o ar exterior.5% de umidade sem afetar sua qualidade fisiológica e emergência a campo. Exemplos dessas embalagens são sacos plásticos finos ou de polietileno. para armazenar sementes de feijão por curto prazo (24 a 32 semanas). Segundo Harrington (1973). Esses últimos. com mais de 0. O maior inconveniente é que nesse tipo de embalagem as sementes devem estar com teor de água mais baixo do que o permitido naquelas acondicionadas em embalagens totalmente porosas.125 mm de espessura. e sacos de papel multifoliado laminados com polietileno. pacotes de alumínio e latas de alumínio. em embalagens herméticas. essas embalagens são adequadas. São as de plástico. Para condições de clima temperado. facilidade de imprimir marcas e boa apresentação.

Para períodos curtos de armazenamento. comprometendo a viabilidade da semente armazenada. com 13-14% de umidade. Com teor de água de 6-8%. pode haver desenvolvimento de fungos e de produtos da atividade de insetos ou larvas que possam estar nessas sementes. Se essas sementes forem armazenadas. ou seja. vapor de água e calor. para facilitar a reflexão do calor. etc. já que não há flutuações nem troca com o ambiente exterior. quando são armazenadas em sacos permeáveis ou completamente porosos. como. isopor (50 mm). são de ferro galvanizado ou de zinco. dentro dessas embalagens. chegando as taxas respiratórias a ficar altas o suficiente para liberar CO2. deve ser diminuído para níveis inferiores a 10%.2. sua germinação diminuiria a níveis abaixo dos aceitáveis em 4 meses. As sementes em sacos são armazenadas por lotes em pilhas montadas dentro 397 . o teor de umidade. equilibra-se com umidade relativa ao redor de 65-70%. A diminuição do teor de umidade nas embalagens herméticas é justificada no seguinte exemplo: Sementes de milho híbrido são normalmente secadas até 13-14% de umidade. Isso se deve a que. O armazém deve ser pintado com cores mais claras possíveis (branca. porém devese evitar janelas ou aberturas muito grandes que permitam a penetração de raios solares por muitas horas atingindo as pilhas. metálica). polipropileno trançado. 5. Se as paredes não são de tijolo. Milho. O armazém deve ser bem arejado. Para facilitar a ventilação.000 BTUs) podem ser suficientes para manter uma temperatura amena (15oC) no interior de armazéns fechados e de pequeno a médio porte. papel multifoliado.3. seja em condições abertas ou de impermeabilidade. como a aniagem. que também deverá ser usado no teto. suficientemente baixa para que não ocorra nenhuma alteração prejudicial à semente. deveriam possuir algum tipo de isolamento térmico. a umidade relativa do ar no microambiente dentro da embalagem permanecerá ao redor de 20-30%. O ideal é que possua uma só porta. conhecido como armazém (do tipo convencional). por exemplo. Nessa umidade. deve preencher certos requisitos. Empilhamento O prédio no qual as sementes permanecerão ensacadas durante seu armazenamento em pilhas. equipamentos de ar condicionado de uso doméstico (18. a umidade relativa do ar ambiente entra em equilíbrio de acordo com o teor de água da semente e permanece nesse nível. podem ser instalados exaustores que podem ser ligados quando o ar ambiente externo está mais frio e seco que o interior do armazém. em sacos plásticos herméticos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Para conservar as sementes por períodos superiores a oito meses. com esses mesmos teores de água. pedra ou cimento.

Após projetado o volume de sacos de sementes ou quantidade de lotes que serão armazenados. que facilita o empilhamento de vários sacos em uma mesma operação. a área do armazém deve ser demarcada. Porém. Distâncias mínimas recomendadas são de 0. evitando materiais muito lisos que provoquem o fácil deslizamento e. consequentemente. Outro meio que vem sendo muito usado é o forklift ou mula mecânica. devem ser de material que facilite o empilhamento. para evitar danos mecânicos às sementes. para evitar transmissão ou condensação de umidade do solo. 7).00 m de largura para os corredores principais (Fig. facilitar a amostragem e facilitar o expurgo ou aplicação de produtos químicos no caso de ataque de 398 . 0. as quadras. e os lastros e pilhas.60 m entre pilhas. O corredor. No projeto do armazém convencional. As pilhas são montadas com a ajuda de uma correia transportadora inclinada ou empilhadeira mecânica. que são as divisões das coxias projetadas com base na distribuição dos lastros e das ruas e travessas (espaços livres entre as quadras que permitem o manuseio dos sacos. arejamento das pilhas etc.80 m entre as pilhas e a parede. ruas e travessas com as distâncias necessárias.50 m entre as pilhas e o teto e 3. Se esses lastros são construídos de 8 a 10 cm de altura. no caso de queda da pilha. As embalagens utilizadas para as sementes. é facilitado o manuseio das pilhas com a mula mecânica e possibilitada ainda uma razoável ventilação na base da pilha. devido ao peso. devendo a marcação ficar definitiva. A madeira atua como isolante térmico. que são as áreas internas do armazém e que correspondem à projeção dos planos do telhado ou águas sobre o piso. o que estragará os sacos de sementes em contato com o chão. que permite o acesso a todas as quadras e travessas do armazém. 1. em cima do piso. deve permitir e facilitar a movimentação de veículos no interior do armazém. A altura das pilhas não afeta as sementes nos sacos de baixo. inspeções. quadras. recomenda-se que a altura máxima seja de 5 m. ou rua principal do centro do armazém. localizando as coxias. trânsito de pessoal e veículos. se as sementes estiverem armazenadas com teor de umidade abaixo de 14%.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos do armazém. as coxias.). além de conservá-las adequadamente. Os sacos de sementes devem ser empilhados sobre lastros ou estrados de madeira (pallet) e nunca diretamente contra o chão de cimento. queda da pilha. que seria todo o espaço aproveitável para acomodação dos lotes de sementes ensacadas. devem ser considerados os seguintes componentes com relação ao empilhamento: uma área útil. a rua principal. O lastro é constituído pelo número de sacos que servem de base para a formação e sustentação da pilha.

Lotes de mais de 100 sacos. Na produção de sementes fiscalizadas ou certificadas.50 08 08 BR . são amostrados 30 sacos. a inspeção no armazém deve ser rigorosa quanto ao cumprimento das normas.IRGA 410 lote 23/96 280 sacos inicial 120 sacos saldo Figura 7 . pronta para ser comercializada. Lotes de até 5 sacos. são amostrados todos os sacos. que varia de 300 a 400 sacos por lote. é recomendável que a distância entre pilhas seja. pelo menos. a amostragem dos lotes é feita pela fiscalização direta nas pilhas. 399 . para facilitar o expurgo. Ainda. 1991). Quando a semente está armazenada. até o máximo. Todo esse trabalho de amostragem deve então ser facilitado com um adequado empilhamento. são amostrados 20% dos sacos. de 2 m.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos insetos. 1. e lotes de até 100 sacos. distribuição e identificação dos lotes a serem comercializados.Armazém do tipo convencional para sementes ensacadas (adaptado de Aguirre e Peske.

f) verificação constante do alinhamento da pilha enquanto a mesma está sendo feita. dificultam a inspeção para controle interno e externo de qualidade. e) colocação primeiro de todos os sacos que irão formar o lastro sobre os estrados. d) padronização dos lotes. Outro aspecto a ser considerado no armazém é que. o que provocaria um aumento do seu teor de água a limites que afetariam sua qualidade. g) utilização de sacaria nova. tanto em peso como na sacaria. Armazenamento sob condições de ambiente controlado O armazenamento de sementes em condições de ambiente controlado (temperatura e/ou umidade relativa do ar) permite conservá-las por longos períodos de tempo. as condições ambientais podem ser modificadas permitindo a conservação das sementes a baixas temperaturas e/ou baixa umidade relativa do ar. podendo provocar desabamento da pilha quando esta atingir maior tamanho.3. b) uso de apenas dois estrados ou pallets necessários. para se manter esticadas. alimentos em pó (rações). deixando sempre a boca do saco costurada para o lado de dentro da pilha. herbicidas e outros pesticidas. já que esse materiais podem facilitar a introdução de pragas ou podem causar umidade ou gases tóxicos que podem afetar a qualidade das sementes. deve-se fazer a fiada superior em sentido contrário ao da primeira. Para evitar que absorvam umidade do ar. podem ser pendurados do teto cordas com um peso na ponta. Para isso. terminado o lastro. fertilizantes.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos As sementes nunca devem ser armazenadas perto de outros materiais. utiliza-se a refrigeração e/ou a desumidificação. Além disso. as sementes nas suas respectivas embalagens nunca devem ser armazenadas em locais que não sejam próprios para esse fim. segundo normatização vigente na maioria dos Estados (CESM). para evitar que uma saco fique inteiramente sobre o outro. as sementes são higroscópicas. Outros cuidados que devem ser tomados para o empilhamento são: a) limpeza e demarcação da área onde será feito o empilhamento. facilitando as operações no interior do armazém. das mesmas dimensões. o que evita desabamento e permite um melhor aproveitamento do espaço. como adubos. Para isso. Como foi visto anteriormente. etc. grãos. as quais indicarão com precisão os bordos da pilha em altura. c) projetar o tipo de lastro certo. 5. 400 ..

São o sistema Frioequável e o sistema Granifrigor. para armazenar sementes por períodos médios. Em regiões tropicais. o que não seria necessário em regiões mais temperadas. Nesses sistemas. produzido durante a reativação do material dessecante. ou para sementes de alto valor (germoplasma). que absorve a umidade. recomenda-se que a semente esteja armazenada com teores de água de. no máximo. No Brasil. para resfriar o ar em ambientes quentes ou com temperaturas acima de 20oC. Em volta da serpentina. pelo que seu uso se restringiria somente a regiões de alta umidade. possibilita-se a conservação a temperaturas ao redor de 15o. gerado durante a absorção da umidade.000 BTUs). Periodicamente. aluminia ativada ou solução saturada de um sal dessecante. aquecendo-o à alta temperatura. podem ser utilizados em câmaras de conservação (100 m3) ou armazéns fechados. 401 . onde os aparelhos seriam desligados até que a temperatura e umidade voltassem a subir. Em regiões de temperaturas inferiores a 20oC. nas quais os sistemas são utilizados. utilizados em regiões tropicais úmidas. 12%. com capacidade suficiente de resfriamento (18. há pelo menos dois sistemas utilizados para a conservação de sementes por resfriamento. Mato Grosso e Amazônia. a desumidificação por refrigeração torna-se antieconômica. os aparelhos devem trabalhar continuamente. A desumidificação é um processo caro. é ligado periodicamente um elemento aquecedor para derreter o gelo. Aparelhos de ar condicionado comuns. onde é condensada a umidade. Esses equipamentos fornecem ar frio e seco para o interior do armazém. O único problema na utilização de dessecantes sólidos é o aumento da temperatura pela ação do calor latente. Essa umidade pode ser também mantida com aparelhos desumidificadores domésticos. o dessecante deve ser recarregado. onde são requeridas condições de temperatura ao redor de 18oC e umidades relativas de 55 a 65%.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos A refrigeração pode ser utilizada em armazéns de sementes estocadas em sacos. O ar exterior é dirigido através do dessecante. e o calor sensível. sendo a água drenada para fora do armazém. Ainda assim. A desumidificação pode ser feita mediante a utilização de dessecantes inertes sólidos. formando-se gelo. como por exemplo Mato Grosso do Sul. como a sílica gel. ou ainda para períodos de armazenamento de mais de um ano. seja em sementes armazenadas em sacos (Frigoequável) ou em silos a granel (Granifrigor). o ar passa por serpentinas de refrigeração. A sílica gel pode absorver umidade em até 40% de seu peso. Nas regiões quentes. no caso de sementes de soja.

precisando-se de uma única fumigação. .25 mm do que de 0... germoplasmas).Armazém (4. . como lâminas plásticas ou de isopor.18 mm. . utilizam-se materiais isolantes.1 C x 3. . . . tintas impermeáveis. sem controle de temperatura (adaptado de Stephensen. há uma diferença entre um material à prova de umidade e outro à prova de água. .0 A metros) com barreiras para vapor e portas vedadas no interior. . . cimento isolante.. . com desumidificador e umidostato para manter a UR interior em 55%.. 8). Muitos materiais à prova d'água (evitam a penetração de água líquida) não são à prova de vapor de umidade (água no estado gasoso). . Os principais materiais à prova de umidade são: polietileno (0. é mais seguro utilizar de 0. .Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Em armazéns ou câmaras de conservação (Fig. no mínimo). A resistência à passagem do vapor de água depende da espessura do material e também da qualidade.. . . completamente hermética. Figura 8 . para sementes de mais de um ano (carry over de milho híbrido. . Isso se consegue pelo isolamento tanto térmico como higroscópico das paredes. . . sementes de hortaliças. . do chão e das portas da câmara ou armazém. o objetivo principal é o de evitar a migração da umidade exterior (ambiente de alta pressão) para o ambiente interior (baixa pressão) do armazém. Esse tipo de armazém foi utilizado em climas tropicais. etc. asfalto. Desumidificador Construção hermética e a prova de umidade . 402 . A construção do armazém deve ser. . . .. . no mínimo) e folhas de alumínio.5 L x 6. para conservar sementes de milho. . sem redução de qualidade na semente. Com relação às características de umidade dos materiais. asfalto (1. .. Para isso.40 mm.. . 1978). No caso do polietileno. Ainda não houve problemas com insetos. fibra de vidro. . arroz e feijão por até 36 meses. do teto. . .18 mm de espessura. . portanto. como por exemplo o concreto ou a pedra.

os fungos e os ácaros são os principais agentes fitopatogênicos que atacam as sementes armazenadas. Cuidados devem ser tomados para que as sementes sejam semeadas o quanto antes. perdem sua característica de resistência com o tempo. podem ser usados psicrômetros. da 403 . a umidade condensa na superfície da semente. Os insetos. para minimizar o ataque das pragas que buscam alimento e cobertura. No interior. As áreas interna e externa do armazém devem ser mantidas limpas. Esses medidores devem ser instalados nas paredes internas da câmara e. 6. tão logo é removida da câmara fria. Tribolium castaneum (besouro da farinha). a semente deixa de germinar. a taxa respiratória aumenta rapidamente. PRAGAS DAS SEMENTES ARMAZENADAS E SEU CONTROLE A deterioração de sementes implica em perda progressiva de qualidade devido a processos fisiológicos e/ou agentes patogênicos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Também existem tintas à prova de umidade que podem ser aplicadas no concreto. influindo decisivamente a localização do mesmo. para comparação da temperatura e umidade interna e externa. em poucos dias. logo após serem retiradas do armazém refrigerado. As pragas começam a ser controladas e eliminadas do armazém já quando o prédio é planejado previamente. Insetos e ácaros Os principais insetos que atacam as sementes armazenadas são da ordem Coleóptera: Sitophilus oryzae (gorgulho do arroz). também. no exterior da câmara. os fungos tornam-se ativos e. Também. como a câmara fria. que registram num gráfico a temperatura e umidade relativa do ar. já que. 6. À medida que a semente aquece. por cinco a sete dias. Grandes perdas podem ser causadas ainda por ratos ou pássaros. elevando seu teor de água. Oryzaephilus surinamensis (besouro roedor de grãos). porém. secas. devem ser colocados termômetros para controle da temperatura dentro da câmara. são os mais recomendáveis. A câmara de conservação à prova de umidade não deve ter janelas ou aberturas e deve possuir uma antecâmara entre duas portas de entrada. antes de serem colocadas em condições externas normais.1. Termohigrógrafos. A retirada de sementes do armazenamento refrigerado é complicada. Recomenda-se que as sementes guardadas em locais refrigerados. resina epoxi e silicones. deveriam ser mantidas em uma sala desumidificada e mais quente. à base de borracha. livres de ervas daninhas e detritos. A porta interna não abre senão quando a porta externa está fechada.

de Pyralis farinalis Farinhas cereais. desenvolvem-se e alimentam-se dentro da própria semente. A própria ação dos insetos. A grande diferença entre o ataque de insetos e fungos é que os primeiros se desenvolvem em sementes com baixo teor de água e os adultos movimentam-se facilmente. Plodia interpunctella (traça da farinha). 1993). biscoitos e tapetes Alguns insetos. reduzindo a germinação da semente. enquanto que outras espécies alimentam-se principalmente do embrião. Praga Produtos preferidos Outros produtos Sitophilus zeamais Sitophilus oryzae Rhizopertha dominica Farinhas. massas. Oryzaephilus surinamensis Cereais em geral frutas secas. biscoitos Acanthocelides obtectus Zabrotis subfasciatus Feijões Araecerus fasciculatus Café Tribolium confusum Grãos danificados Cereais Tribolium castaneum Laemophloeus ferrugineus Anagasta kuheniella Detritos de moagem. Assim. todo o dano provocado pelos insetos pode ser detido pela fumigação. facilita também a penetração de fungos na mesma. ao alimentarem-se da semente.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos ordem Lepidóptera: Sitotroga cerealella (traça dos cereais). como S. Ainda de importância. como é caso de alguns coleópteros em sementes com baixo teor de água. farinhas. O uso regular de inseticidas e fumigantes deve ser uma prática de rotina no 404 . Tabela 5 . consumindo-a por completo. e o Acanthoscelides absoletus (caruncho do feijão) (Tabela 5). oryzae (gorgulho do arroz). farinhas. biscoitos. farelos e fubás Ephestia elutella Cacau Frutas secas e chocolate Cadra cautella Amendoim Palmáceas e cereais Gnorimoschena Batatinha operculella Lasioderma serricorne Fumo Gomas secas.Principais pragas dos produtos armazenados (Löeck. aparecem o Sitophilus granarius (o gorgulho do trigo). carne seca Sitotroga cerealilla Plodia interpunctella Corcyra cephalonica Amendoim Cereais. o que não se consegue com os fungos.

As medidas de sanidade ou profilaxia consistem na eliminação ou redução da multiplicação dos insetos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos armazém. em ambientes herméticos. como o Fosfeto de alumínio (Fosfina) e o Brometo de metila. manuseio e embalagens desinfestadas. para o qual se precisa de um efetivo controle pelos encarregados do armazém e em nível governamental. após o expurgo. beneficiamento. A quarentena consiste na proibição do transporte de sementes infestadas. d) não misturar colheitas de safras diferentes e e) tratamento com inseticidas de contato nos locais de armazenamento. ou nas pilhas com a semente ensacada. Há faixas de umidade e temperatura ótimas para o desenvolvimento dos insetos. O expurgo é feito com pastilhas ou tabletes que emanam gases tóxicos para os insetos. para proteger o lote e evitar contaminação dos outros lotes. Sementes com 12 a 15% de água apresentam um ambiente ótimo para o desenvolvimento dos insetos. Pode ser feita com produtos químicos. b) uso de equipamentos de colheita. sendo que menos de 10% de água é desfavorável.). sejam graneleiros ou armazéns de sementes ensacadas (varredura de todo o armazém. ainda. tomando cuidados tais como: a) uso de veículos desinfestados para o transporte. Pode ser aplicada na correia transportadora quando as sementes estão sendo levadas de um ponto a outro. Os principais métodos de controle de insetos envolvem: a) quarentena. A pulverização consiste na aplicação de inseticidas dissolvidos em diluentes. Cuidados devem ser tomados com a aplicação em relação aos equipamentos e à toxicidade e efeito residual do produtos (Tabela 6). Pulverizações de manutenção devem ser feitas 60 dias após o tratamento principal. para minimizar infestações de insetos. etc. 405 . tais como Malation. O controle químico compreende a aplicação de produtos químicos (inseticidas) através de pulverização. à medida em que os lastros vão sendo montados ou. c) limpeza cuidadosa dos depósitos. fumigação ou expurgo e nebulização. etc. c) condições de temperatura e umidade e d) controle químico. pintar as paredes com cal. sendo que abaixo de 20oC ou acima de 35oC são desfavoráveis ou até letais para os insetos. Qualquer lote de sementes deve ser fumigado (expurgo) logo que é recebido no armazém. b) sanidade e profilaxia. sendo a água o mais comum. queima total do lixo. Piretróides e Piretrinas. As temperaturas ótimas vão de 23 a 25oC.

Carência (Dias) Ingrediente Ativo Nome Comercial Registro (No) Primifós metílico Actellic 500 CE 01238489 30 Permetrina Pounce 384 CE 02968388 60 Diclorvos DDVP 500 CE DDVP 60 005287 Malation Shellgran 60 006488 Dhematol 250 CE 60 01618590 Cythion 1000 60 01986789 Cythion UBV 60 00418789 Malatol 1000 CE 60 01578789 Malatol 40 P 3 horas1 01958389 Swingtox Malatol 600 Fenitrotion Sumigran 20 021187 14 1 Somente nebulização de depósitos.Ingredientes ativos para o controle de insetos de arroz armazenado (Löeck. 1993). 406 . Dosagem Área a Peso de Inseticidas Aplicação em cobrir grãos Inseticida Água 20 m2 1l 10 ml Pirmifós grãos ensacados 1l 10 ml Metílico mistura direta com grãos 1t 4l 50 ml 500 CE1 paredes de alvenaria 50 m2 4l 50 ml paredes de tábuas 25 m2 Malation grãos ensacados 60 ml 1l 20 m2 1000 CE1 mistura direta com grãos 20 ml 1l 1t paredes de alvenaria 160 ml 4l 50 m2 paredes de tábuas 160 ml 4l 25 m2 200 m2 1 kg grãos ensacados 1 kg mistura direta com grãos Malation 1t 1 kg paredes de alvenaria 4% pó 200 m2 1 kg paredes de tábuas 200 m2 Diclorvos mistura direta com grãos 30 ml 1l 1t 500 CE1 paredes de alvenaria 20 ml 1l 100 m2 Diclorvos mistura direta com grãos 1000 CE1 9 ml 1l 1t Fenitrotion mistura direta com grãos 2% pó 0. de acordo com o equipamento.3 kg 1t Permetrina mistura direta com grãos 10.5 ml 1l 1t 1 Pulverização. podendo ser reduzido em 50% o volume de água.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 6 .

4 14 dias Pirimiphós 6. 3 Recomenda-se a mistura de um inseticida fosforado (fenitrotion. não devendo as sementes ficarem expostas ao fumigante mais do que 24 horas. evitar que as pontas dos estrados ou pallets fiquem salientes para não rasgar o lençol e consertar as fendas que possam haver no piso. Para colocar a lona ou lençol plástico. e traças: Deltametrina 0. utiliza-se uma lona ou lençol plástico de PVC que cubra totalmente a pilha a ser expurgada. No caso do expurgo ser feito com Fosfina. deve-se constituir uma câmara ou compartimento hermético aonde os sacos estão empilhados. 2 Dose baseada na formulação 100 CE. Para isso. deve-se levar o mesmo para a frente da pilha e usar uma corda para auxiliar na cobertura. se a umidade e temperatura forem altas e se o período de exposição for longo. malation ou pirimiphós-metil) sempre que houver infestação simultânea de R.35 14 1 30 dias Fenitrotion 7. dominica e Sitophilus sp. 1993). Após feita a cobertura. o lençol não deve estar furado. Para isso. as pastilhas (tabletes ou comprimidos) são colocadas em caixinhas.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 7 . ao redor da pilha. A temperatura de fumigação não deve exceder 29oC.35 14 1 30 dias Sitophilus sp. por dentro do lençol plástico. Obviamente. Os fumigantes podem afetar a viabilidade das sementes se a dosagem for excessiva.Inseticidas recomendados para o controle de trigo durante o período de armazenamento (Löeck. Para efetuar o expurgo. para uma efetiva proteção da massa de grãos. verificando-se após colocadas se a vedação permaneceu 407 . veda-se a junção com o piso utilizando cobras de areia (tubo de lona cheio de areia de 10 cm de diâmetro por 2 m de comprimento) em torno da pilha e sobre as pontas do lençol.50 15 0.00 12 10 30 dias 1 Dose recomendada para um período de proteção de um ano. deve-se varrer ao redor da pilha para retirar toda a sujeira. Antes de colocar o lençol plástico. Praga/Inseticida Dose1 ppm ml/t Tolerância (ppm) Intervalo de segurança Rhyzopertha dominica: Deltametrina3 0. estão armazenadas em sacos porosos para facilitar o arejamento. recomenda-se a fumigação quando as sementes têm no máximo 10% de água.

retira-se o envoltório e deixase ventilar por mais 24 horas. O produto é colocado em vários pontos da pilha. devendo-se usar sempre as dosagens recomendadas pelos fabricantes (em geral. distribuídos por toda a pilha. pode-se seguir o mesmo procedimento das pilhas. especificando claramente que o produto a ser tratado é semente. e que as superfícies mais porosas exigem maior volume de água. abre-se uma parte e deixa-se ventilar por 24 horas. distribuindo-o em quantidades iguais para cada lado. Considerando que a aplicação do produto é em calda.6 g por m3 (1m3 = 10 sacos). O expurgo com Brometo de metila não é recomendado para sementes por problemas de fitotoxicidade. O produto é aplicado logo após retirado o lençol. considerando os insetos adultos bem como as formas jovens (ovo. em toda a superfície da pilha por igual. o expurgo deve ser repetido pelo menos a cada 3 meses. empregam-se sondas metálicas perfuradas para permitir a penetração do fumigante dentro da massa de sementes. Posteriormente. A dosagem é de um tablete de 3 g ou 5 comprimidos de 0. devem utilizar-se 60 tabletes ou 300 comprimidos no total. para uma pilha de 3 m de largura. O volume de água a utilizar na pulverização varia de acordo com o tipo de superfície na qual será aplicado. 408 . No caso de sementes armazenadas a granel em silos. Se o silo for pequeno e as paredes apresentarem furos. o que significam 60 m3 ou 600 sacos. O tempo de exposição é de 72 horas. 0. Visto que é difícil obter 100% de mortalidade. é recomendável fazer a proteção através da pulverização. 5m de comprimento e 4 m de altura. larva e pupa). ao teor de água das sementes (acima de 13%) e à dosagem do produto à temperatura. Por exemplo.5 a 1 ml de produto comercial por m2). esse último deve ser ajustado. que são transformados em uma neblina densa e penetrante por meio de equipamentos chamados de termo-nebulizadores. o mais profundo possível. Após o expurgo. tijolo. cobrindo totalmente o silo com a lona plástica e utilizando as cobras de areia e fita adesiva para vedação. A nebulização consiste na dissolução dos inseticidas em óleo leve. Após decorrido o tempo de exposição. dirigindo o jato do pulverizador de forma inclinada e com o vento às costas do operador. madeira até um saco de sementes. passando por concreto. como por exemplo óleo Diesel. principalmente quanto ao tempo de exposição. a pulverização pode ser feita com Malathion (10 g de princípio ativo por tonelada de sementes) ou com Pirimifós metílico. após esse tempo.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos perfeita. aumentando desde superfícies de metal. vedando as extremidades com fita adesiva. Para a proteção das pilhas após o expurgo. cobre-se a massa de sementes com lençol plástico ou lona impermeável.

A colonização ocorre inicialmente na região do embrião. antes da maturação. ajudam a criar ambiente para o desenvolvimento de outros fungos. que vêm do campo ou estão presentes no armazém. Exemplo são os fungos dos gêneros Fusarium. porém normalmente o fazem após a mesma ou após a colheita. O principal efeito dos fungos do armazenamento e de alguns do campo é a redução da viabilidade da semente. Esses teores de umidade equilibram-se com umidade relativa do ar de 70%. oferecem boa proteção contra insetos e ainda evitam flutuações de umidade das sementes dentro da embalagem. Fungos Os fungos mais importantes durante o armazenamento de sementes podem ser divididos em dois grupos. Helminthosporium. 6. Os fungos do campo geralmente invadem as sementes no campo antes da colheita e. ainda. de espessura acima de 0. Os teores de umidade mínimos para seu crescimento são de 14% para milho. através dos produtos liberados no metabolismo. Por isso. Diplodia. Esses fungos podem locomover-se indiretamente via insetos ou ácaros. podendo degradar toda a semente. sobrevivem e crescem muito bem em sementes armazenadas e. Os fungos do armazenamento são os principais agentes patogênicos da deterioração de sementes. 11% para cereais. carregando os esporos ou micélios na superfície das sementes. Os principais efeitos são a redução da qualidade da semente e o desenvolvimento de odores indesejáveis na massa de sementes. As infestações de ácaros podem ser controladas mantendo as sementes secas (8% para colza. 409 . Os gêneros mais comuns são o Aspergillus e o Penicillium. no máximo).2. Esses fungos praticamente não crescem ou morrem em sementes armazenadas com baixo teor de umidade.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Embalagens herméticas em sacos plásticos. de acordo com exigências de umidade para seu crescimento: fungos do campo e fungos do armazenamento. Requerem teores de umidade mínima de 20% (sementes amiláceas) para germinar e colonizar as sementes. 12% para soja e 8% para sementes de linho. Phomopsis.20 mm. As sementes já no início do armazenamento podem vir contaminadas por algumas espécies de ácaros. Coletotrichum. etc. o que eqüivale a um equilíbrio com umidade relativa do ar de 90%. pela aeração ou transilagem e pela fumigação. em muitos casos. ou através da movimentação da semente. que têm exigências de umidade relativa do ar e temperatura específicas para sua germinação e desenvolvimento e colonizam sementes com teores de umidade mais baixos do que os fungos do campo. Alternaria. Podem invadir as sementes antes da maturação.

410 . os fungos podem causar descoloração de parte ou de toda a semente. O armazém deve estar totalmente rodeado por fora com uma calçada ou piso de cimento de 1 a 2 m de largura e de preferência a uma certa altura. transformações bioquímicas e ainda celulares ao nível do embrião e produção de toxinas (o fungo Aspergilius flauvus produz a toxina denominada Aflatoxina em grãos armazenados. facilitam o controle dos fungos.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos O Penicillium pode desenvolver-se com temperatura ótima de 20-25oC. fornecer às sementes condições de umidade e temperatura hostis ao desenvolvimento de fungos. principalmente dos fungos de armazenamento. Assim sendo. aquecimento da massa de sementes. Ainda. principalmente os de armazenamento. diminuirá a incidência de fungos durante o armazenamento. O controle dessas pragas deve ser prevenido logo quando o prédio é projetado. O ataque de roedores e pássaros pode ser reduzido mediante a utilização de iscas ou água envenenada. porém o controle tem que ser periódico. são identificados. a aplicação adequada de todas as medidas. reconhecido por seu potencial cancerígeno para o ser humano). como roedores. sendo que para o Aspergillus a temperatura ótima é de 30-35oC. contabilizadas as sementes que os possuem e registradas em dados percentuais 6. Para isso. Roedores e pássaros Armazéns abertos devem possuir ventilação adequada e proteção (tela de arame) contra roedores e pássaros. Além do decréscimo na germinação da semente. as medidas de controle relatadas para insetos e o controle de outras pragas. com armadilhas e fumigação. utiliza-se o teste do papel secante ou blotter test em laboratório. avaliações periódicas das sementes armazenadas devem ser feitas para detectar a presença de fungos. será o melhor meio de controle dos mesmos. que servem para assegurar um bom armazenamento de sementes desde a lavoura. Quanto ao controle dos fungos. posteriormente. já que novos ratos sempre retornam (Tabela 7). onde as sementes são colocadas sob condições que permitam o desenvolvimento dos fungos que. O uso de anticoagulantes tem se mostrado muito seguro e eficaz na eliminação de ratos no armazém. Assim.3. A colocação de iscas de comida não envenenada faz com que a isca envenenada fique mais aceitável pelos ratos.

5 Sulfato de tálio Sulfato de tálio 411 .026 Racumin Coumatetralil 0. a) Anticoagulantes 0.2 Composto 1080 Fluoracetato de sódio 3. Nome Técnico Nome Comercial 5 i.0 Arsênico branco Arsênico branco 0.005 Klerate Brodifacoum b) Neurotóxicos 1.Principais raticidas utilizados no controle da praga (Löeck.030 Tamorin Coumacloro 0.a.005 Ratak Difanacoum 0.0 Fosfato de zinco Fosfato de zinco 1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Tabela 8 .5 Antu Alfa-naftil-tio-uréia 0.6 Estricnina Estricnina 2. 1993).025 Fumarin Coumafuril 0.025 Ri-do-Rato Varfarin 0.

0 kg 12.0 kg 175.5 kg 1.0 kg 0.0 g 200.5 kg 200.5 kg 5.5 kg 1.5 kg 1.0 g 100.0 g 1 parte 3 partes Obs: em ambos os casos.0 colher de sopa 25. adicionar raspa de queijo ou peixe ou algumas gotas de anis.0 kg 0.0 g 2.0 g 30.5 kg 12.0 g Carne picada 100. f) Urginea marítima (cila vermelha) Pó de cila 100.0 g 1.0 kg 5.5 kg 1.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos PREPARO DE ISCAS ENVENENADAS PARA RATOS a) Migalhas de pão ralado Toucinho moido Adicionar um raticida b) Migalhas de pão ralado Carne fresca recentemente picada Glicerina Adicionar um raticida c) Cevada descascada Bicarbonato de sódio Goma de amido Sacarina Estricnina em pó Glicerina d) Farinha de trigo ou de mandioca Fubá de milho Milho pilado (usar 7 kg da mistura para:) Carne fresca Arsênico ou Peixe fresco Arsênico e) Gesso em pó Bórax Farinha de trigo ou Gesso calcinado em pó Farinha de trigo 4.3 kg 16.0 kg 30.0 g ou Extrato fluído de cila 1 parte Leite 1 parte Fatias de pão até embeber 412 .

I. da temperatura. CONSIDERAÇÕES FINAIS Delouche (1968) enunciou dez preceitos básicos do armazenamento de sementes que devem ser considerados cada vez que se desejar planejar. Recomendamos que esses dez preceitos sejam seguidos. duplica-se o potencial de armazenamento da semente. A cada 1% de diminuição no teor de umidade.5oC de diminuição na temperatura. imaturas e deterioradas não se armazenam tão bem como aqueles contendo sementes maduras. paredes de alvenaria. III. Condições frias e secas são as melhores para o armazenamento de sementes. não danificadas e vigorosas. O teor de umidade da semente é função da umidade relativa do ar e. evitar que todo o esforço dispendido na produção das sementes tenha sido em vão. IX. A cada 5. IV. O teor de umidade da semente e a temperatura são os fatores mais importantes que afetam o potencial de armazenamento das sementes. A longevidade da semente é uma característica das espécies. VI. armazenar sementes. II. Lotes contendo sementes danificadas. 7. A qualidade da semente não é melhorada pelo armazenamento. assim. as medidas de sanidade profilaxia dentro e fora do armazém são os melhores meios de proteção contra essas pragas. em menor grau. para assegurar a manutenção da qualidade das sementes durante seu armazenamento e. organizar ou. A umidade é mais importante que a temperatura. Contudo. simplesmente. chapas metálicas nas portas e vigas e cobertura das aberturas e entradas com chapas metálicas ou tela de arame. VIII. bem como as outras medidas desenvolvidas neste módulo. VII. duplica-se o potencial de armazenamento da semente. V.Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos Algumas medidas de exclusão de ratos incluem o uso de piso de concreto. O armazenamento de sementes em condições herméticas requer que o teor de umidade esteja dois a três pontos percentuais mais baixo do que para armazenamento aberto. 413 . X.

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