Titulo do original inglês

THAT THEY MAY HAVE LIFE

Traduzido e publicado pela União Cristã de Estudantes do Brasil, Caixa Postal 416 - S. Paulo - com a devida autorização de The Student Volunteer Movement for Christien Missions e Harper & Brothers - Publishers - New York - U.S.A~

Os trechos bíblicos citados obedecem à tradução do Novo Testamento de João Ferreira de Almeida na Revisão publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro, 1951. (N.T.) Distribuidores no Brasil:

2

Sumário
PREFACIO ................................................................... 4 INTRODUÇÃO .............................................................. 6 I- O EVANGELHO .......................................................... 9 1. Jesus Cristo é Senhor ................................................. 9 2. Esta é a Vitória ...................................................... 17 II- O MUNDO ............................................................. 26 1. Se Tu és o Filho ..................................................... 26 2. Para Que Tenham Vida .............................................. 34 A integridade do método: ............................................. 37 III- O EVANGELISTA ..................................................... 45 1. Separados para o Evangelho ...................................... 45 2. Queremos Ver o Jesus .............................................. 51 A fronteira Cristã ....................................................... 53 A Comunidade Cristã ................................................... 55 O Individuo Cristão ..................................................... 57 IV- A IGREJA ............................................................. 61 1. A Promessa Da Nossa Herança .................................... 61 O Chamado de Deus .................................................... 62 Os Processos Restauradores de Cristo ............................... 64 Habitação do Espírito Santo .......................................... 65 2. Escolheu Doze Deles ............................................... 67 A Igreja é Una ........................................................... 69 A Igreja é Santa ......................................................... 71 A Igreja É Católica ...................................................... 73 A Igreja É Apostólica ................................................... 75 V- A TAREFA ............................................................. 78 1. Escravo de Todos ................................................... 78 Proclamação ............................................................. 80 Identificação ............................................................ 82 Demonstração ........................................................... 83 Interpretação ............................................................ 84 Transformação .......................................................... 85 2. A Estrela da Manhã ................................................. 86 VI- O NÃO-CRISTÃO .................................................... 93 1. Mas Nunca Se Sabe .................................................. 93 A verdade do Budismo ................................................. 94 As asseverações de Cristo ............................................. 96 A Natureza da Verdade ................................................ 99 Em busca do sentido .................................................. 103 2. Fogo Sobe a Terra ................................................. 105 EPÍLOGO ................................................................ 113 GLOSSÁRIO ............................................................. 119
3

PREFACIO
Há algum tempo que a Igreja necessitava de uma nova exposição dos motivos missionários. Essa necessidade tomou expressão em um movimento de re-exame dos valores essenciais do Evangelho e da natureza da Igreja em seus termos bíblicos. Como parte dessa pesquisa, o Movimento Voluntário Estudantil fez de seu 16.0 Congresso Quadrienal a ocasião para publicar um livro expondo as bases existentes na fé crista para o imperativo missionário. “Para que tenham Vida e o resultado, e é o primeiro de dois livros que estão sendo preparados para o Congresso. As comissões quadrienais do Movimento Voluntário Estudantil foram unânimes em que a pessoa mais indicada para escrever este livro era o Rev. Daniel Thambyrajah Niles. A comunidade crista de todo o mundo tem sentido a influência da liderança dinâmica desse cristão ceilonense. O Rev. Niles está intimamente relacionado com o trabalho da A. C. M. mundial e com o crescimento do Conselho Mundial de Igrejas, junto ao qual presta seus serviços como presidente do Departamento da Mocidade. Criado numa comunidade plantada em solo asiático por Missionários Metodistas, tomou parte saliente no Congresso do Conselho Internacional de Missões em 1938, realizado em Madrasta. Além de trabalhar como Diretor de Educação Religiosa da Igreja Metodista no distrito norte de Ceilão, o Rev. Niles faz parte da Diretoria do Movimento Estudantil Cristão. Foi delegado ao Congresso da Mocidade Crista de Amsterdã em 1 939, e conferencista notável no II Congresso Mundial da Mocidade Crista em Oslo, em 1 947. Seus estudos de teologia e da Bíblia foram realizados na Faculdade Unida de Teologia do Sul da índia, em Bangalore.
4

No momento, o Rev. Niles é diretor do Instituto de Estudos Bíblicos de Colombo, no Ceilão. Mais significativas do que estas e outras qualidades, contudo, são a rara habilidade em exprimir-se numa língua que não lhe é materna e, acima de tudo, a visão e convicção profundas que só podem nascer de uma vida inteiramente fiel e dedicada a Cristo Jesus. “Para que tenham vida” não espera que todos estejam de acordo com suas conclusões, mas propõe-se a levar o leitor a re-examinar a sua fé individual. Exigindo ser lido mais que uma vez, é um livro que requer pensamento, que provoca lutas interiores, que pede meditação. O Movimento Voluntário Estudantil, embora reconheça que nenhum indivíduo pode falar pelo movimento todo, acha que o Rev. Niles alcançou de maneira admirável o padrão que a si mesmo propôs ao dizer: “Um livro sobre evangelização deve ser, ele próprio, para evangelização”. Este livro põe defronte do leitor um novo sentido da obrigação de cada cristão, de evangelizar, se ele deseja ter perfeito conhecimento daquele que é o coração do Evangelho, e ser-lhe fiel. E. Fay Campbell, presidente Movimento Voluntário Estudantil de Missões Cristãs

5

INTRODUÇÃO
Evangelizar é a ordem do dia, como o foi sempre que Jesus foi tomado a sério. Algumas vezes esta ordem soa na voz de acontecimentos mundiais impressionantes, outras vezes vem por intermédio de alguma pessoa que está em comunhão com seu Deus. Mas sempre que essa ordem, nos chega, é um desafio e uma compulsão. Este livro foi escrito a pedido do Movimento Voluntário Estudantil Americano para Missões Cristas, para lançar em pequena escala a discussão do imperativo da tarefa evangelizadora da Igreja. Missões estrangeiras são apenas parte dessa tarefa. Como se afirmou frequentemente na reunião, em Tambaram, do Conselho Missionário Internacional, “os recursos da Igreja inteira são para o mundo inteiro”. Enquanto a distinção administrativa entre missões nacionais e estrangeiras, ainda perdura, teologicamente não existe tal distinção. Há uma só Igreja e essa Igreja cumpre sua missão mundial segundo uma estratégia global. E’ o Movimento Ecumênico que, embora filho da obra missionária, lhe determina a perspectiva. Este movimento chama a contas tanto a orientação “colonial”, onde ainda exista, no que diz respeito as normas de ação (modus operandi) das sociedades missionárias, quanto os motivos que levam as igrejas missionárias à expansão denominacional. E’ por demais evidente que, enquanto as igrejas que enviam missionários facilmente ultrapassam limites de nacionalidade no seu modo de pensar acerca da Igreja, os membros das igrejas mais jovens consideram mais fácil ultrapassar as barreiras denominacionais. Um dos fatos mais encorajadores é que o “modus operandi” das missões no mundo inteiro está
6

Quando o Filho do Homem vier na sua glória. a chamada que determina o âmbito e a natureza de nosso trabalho missionário. Porém. A realidade primaria acerca do mundo e da vida humana é que ambos são o campo de ação de Deus. para compartilhar nessa obra. Seguir a Jesus é mais do que executar suas ordens: é fazer-lhe companhia. Nossa parte no evangelizar é corretamente compreendida. a ação é dirigida de modo a silenciar o Cristo. ou 7 . e nossa tarefa como evangelistas é servi-lo ali. “Segueme” . onde grandes planos são feitos e onde. será revelado como aquele que deveríamos ter seguido e servido quando era estrangeiro dentro de nossos muros. temos de obedecer ao seu projeto para a construção. Existem. Procura ele. que não percebesse ser impossível segui-lo a não ser que esteja disposto a segui-lo tanto nos lugares grandes como nos pequenos. Ele amava o mundo e veio redimi-lo. E se às vezes nos é dada a tarefa de assentar os tijolos. cortes e conselhos. Mas este não é um livro acerca do “modus operandi” das missões nem das questões práticas relacionadas com o trabalho de evangelização. antes.se adaptando à realidade do Movimento Ecumênico e à existência do Concílio Mundial de Igrejas. frequentemente. e eles o seguiram por onde quer que andasse e em tudo que fizesse.esta é a chamada para evangelizar. da teologia missionária. porque Deus trabalha neles e por eles. Seu objetivo é traçar a ligação entre a obra de Deus na criação e na redenção e o chamado de Deus a todos os homens. disse Jesus a seus discípulos. portanto. nem mesmo por pouco tempo. não menos importante é a disposição de segui-lo em seu interesse pelo sofrimento obscuro do menor de seus irmãos. Ele é o Mestre de Obras. somente quando é reconhecida como nada mais nada menos que o fruto de nossa obediência ao chamado para seguir o Mestre. Ninguém jamais seguiu a Jesus. embora imperfeita. e os que o seguirem devem estar dispostos a bater-se por ele diante de reis e governadores. “Segue-me”. nós ajuntamos os tijolos e misturamos o cimento. fazer uma exposição. através da Igreja. Nosso lugar como evangelistas é onde ele já está trabalhando.

porque não se apercebem da gravidade da situação do homem. os homens tendem a ser tão alheios quanto o sonâmbulo ao abismo que julga atravessar. Diz ele: “Um sonâmbulo pode atravessar são e salvo um abismo sobre a mais estreita tábua oscilante. até que em Sua luz eles se apercebam do seu estado. A. Mas quando Cristo consegue revelar a qualquer homem o julgamento de Deus sobre o pecado. O evangelista descobre que sua primeira tarefa junto deles é apontar-lhes a luz que há em Cristo. “Meu Pai trabalha ainda. O Dr. . ambos pertencem ao discípulo de Cristo. ele próprio. Mas acordai-o e ele cairá. Ele estará por demais absorto em seu sonho para se aperceber da grande ameaça do abismo. em questões da alma e da consciência. Ora. Liberação do sono e do pecado. Serviço heróico e bondade humilde. . da injustiça e da paz enganosa . e esta é entre as pessoas de outras crenças.pedinte à nossa porta. nesse mesmo ato Ele não pode deixar de tornar-se. Cristo é o único caminho para Deus que pode ser permanentemente uma rua de grande e fácil trânsito”. então por nenhuma outra ponte a não ser a Sua Cruz podem eles recuperar a alegria e a paz em crer”. 17: 18). do sofrimento e da solidão. para aquele homem. Aqui ele se encontra face a face com homens que julgam Cristo desnecessário. em baixo. Onde Cristo ainda não foi espiritualmente apreendido pode haver outros caminhos além dele para uma certa confiança em Deus que possibilita ao nosso Pai Celestial conceder ao homem uma parcela de comunhão consigo. G.1 8 . Como me enviaste a mim ao mundo. Hogg descreveu o problema do evangelista frente ao não-cristão em uma notável parábola. Há também outra esfera na qual o evangelista tem de seguir a Jesus. o único caminho. Mas uma vez que Cristo os tenha despertado para a compreensão clara dos precipícios aterradores que separam a consciência culpada da confiança na liberdade de Deus e Sua presteza em perdoar. e eu trabalho. assim também eu os enviei ao mundo” (João 5:17.esta é a tarefa em que Cristo está empenhado e na qual o cristão tem de segui-lo.

de assuntos cuja realidade última é de âmbito divino. . .I O EVANGELHO Evangelizar é seguir a Cristo. e recebereis o dom do Espírito Santo. no terreno humano. só aqueles que sentiram o impacto de Cristo podem compreender o que evangelizar requer do indivíduo. Deus o fez Senhor e Cristo. Pois. Portanto. de tal modo que em mais uma vida o propósito de Deus para todos sela realizado. . 1. “Esteja absolutamente certa. ou de comunidade. Arrependei-vos. 9 . e em mais uma vida a vontade de Deus na terra sela feita. pois. mas uma tremenda purificação de espírito e mudança de direção da alma. estamos falando. . e só eles podem conhecer o grande alcance da revolução que inevitavelmente se efetua nos que são evangelizados. ser evangelizado não significa uma simples troca de rótulo. Jesus Cristo é Senhor Quão evidente se torna então que ao falarmos de evangelizar e da nossa parte como obreiros e testemunhas. e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados. é minha esperança e minha oração. não na rua ou no púlpito mas no íntimo de cada alma! Que este livro seja um auxílio não só nesta luta interior como também no trabalho público. toda a casa de Israel de que a este Jesus que vós crucificastes. Pois para vós é a promessa. para quantos o Senhor Deus chamar” (Atos 2:36-39). e quão importante se torna que tais assuntos devem ser encarados.

Ele é Senhor. não é um valor. “atrairei todos a mim” (João 12:32).O arauto proclama as noticias. tão comuns ainda em terras do Oriente. e. Cenas como esta. É independente da escolha e opinião humanas. Ele faz rufar o tambor ao longo das ruas e o povo acorre para perguntar-lhe qual é a notícia. “Deus o fez Senhor e Cristo”. . Seu valor depende de mim. não é uma explicação da vida e seus problemas. . Mas Jesus não é uma preferência. Discutiam sobre liberdade. Todos podem satisfazer suas preferências individuais.”. novas que dizem respeito a todos e cada um. Não é uma afirmação de ideais que os homens devam experimentar e praticar. disse Jesus. eu os forçarei a decidirem. Ela é que decide por nós. notícias essenciais para todos. de maneira vital. outros chá e outros gostam de chocolate. quer os homens gostem ou não. mas a verdade é inalterável. sobre a qual os homens possam discutir e com a qual possam de algum modo concordar. Ele convida os homens a reconhecerem-no como tal. Há algo de final nesta proclamação. para outros não tem valor algum. Chamaram à sua pregação “Kerygma” — a mensagem do arauto: novas que todos os cidadãos precisam de saber. Ele é a Verdade. sendo Senhor. ele os defrontou com a declaração: “Se. novas sobre as quais todos os cidadãos precisam deliberar. quando for levantado. Não é possível compreender-se a evangelização crista sem levar-se em conta esta característica da mensagem crista. Esta compulsão da verdade que Jesus exercia está amplamente ilustrada por incidentes do seu próprio ministério. dão a idéia exata do que era a pregação dos primeiros cristãos. A verdade acerca de Jesus é independente das preferências humanas. pois dizem respeito a todos. “E eu. quer os homens O aceitem ou não. Uns preferem tomar café. Os valores estão sujeitos às decisões humanas. é antes a proclamação de um acontecimento que os homens são forçados a admitir. Tenho um retrato de meu pai que é de grande valor para mim. 10 . Eu os impelirei. Não existe uma verdade que decida o que devem beber.

e concitar cada homem a agir. Ao arauto cristão é confiada a proclamação desse fato. “Que faremos?”. agir. “Eu e o Pai somos um. isto é. Discutiram a respeito de Deus e sua natureza. a discussão torna-se desnecessária. mas antes o fato de que Ele é Senhor. Não é o caso dos homens o fazerem Senhor. Sentimo-nos compelidos a ouvir e obedecer. cabe-lhe apelar a cada homem para que veja que Deus o amou dê tal maneira que agiu. ou acreditamos em Jesus ou não. “Senhor. Ou então recusamo-nos a ouvir e rejeitarmos. amou a mim. A evangelização ao deriva de um ato de Deus que mudou Inteiramente o sentido da vida humana. A primeira fala acerca de Deus. Pedro respondeu “Arrependei11 . não há mais lugar para discussão. verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). dando uma resposta adequada. A pergunta. . a segunda um fato. Senhor dó povo britânico e do chinês. Jesus os defrontou com a santidade da sua perdoa. a segunda fala acerca de Deus e de mim. também. Pecado é a recusa do homem de encontrar-se com Deus no lugar onde Deus veio para encontrar-se com o homem. Deus assim amou. 14:9).é uma declaração profundamente verdadeira. Discutiam sobre o pecado e responsabilidade do homem. pois forçanos a confessar.esta é uma verdade que exige decisão. Jesus defrontou-os com a declaração: “As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (João 6:63). “Deus assim amou” . Jesus os defrontou com a declaração. Quem me vê a mim. quer o reconheçamos como Senhor ou não —Senhor do Presidente dos Estados Unidos da América assim como do Primeiro Ministro da índia. retira-te de mim. em resposta a esse ato. vê o Pai” (João 10:30. o Filho vos libertar. “Deus é amor” . também. porque sou pecador” (Lutas 5:8). “Jesus é Senhor”. nesta altura cessam as disputas e a decisão impõe-se: ou aceitamos a liberdade das mãos do Filho ou a recusamos. Algo aconteceu a própria estrutura da história. A primeira é uma idéia. Era o fim da discussão. Discutiram sobre o sentido da vida. Ele agiu.pois. e agora cabe a mim. .

O homem forte. e agora o seu príncipe será expulso” (Marcos 3:27. é o duro realismo dos fatos. 2:6 como “os 12 .” A fonte de sua vida foi destruída. Qual a verdadeira extensão do fato de ser Jesus o Senhor. O príncipe deste mundo foi expulso. Os que vieram a Jesus nos dias de seu ministério terreno experimentaram esse fato. João 12:31). foi convidado pelo príncipe deste mundo para entrar em acordo com ele (Mateus 4:8. cortada pelas raízes. Ele viera para lutar. se bem que ainda operante. O mal já foi contestado e derrotado. mas cuja cauda se bate no espaço em agonia e desespero de morte. Pouco antes de Jesus iniciar seu ministério público. Esta linguagem não é mera fantasia.vos. Esta soberania já foi exercida no plano da História humana. James Moffatt traduz 1 Cor. e de Deus tê-lo feito Senhor e Cristo? Jesus mesmo dá a resposta numa parábola. Mas Jesus não buscava autoridade para si mesmo. o valente. 9). foi dominado e sua casa saqueada. não para entrar em acordo. 13:3>. São Paulo diz dos “poderosos desta época que se reduzem a nada”.. e recebereis o dom do Espírito Santo”. O Dr. e só então lhe saqueará a casa. Deveis entrar no território da vida em que Seu domínio é reconhecido. Estava “golpeado de morte” (Apoc. O Reino de Deus é a soberania de Deus em conflito aberto com o mal. Deveis transferir a vossa fidelidade e tornarvos fiéis ao vosso legitimo Senhor. Eles descobriram que Jesus lhes revelou um setor da vida no qual o mal fora vencido e onde. ele viera para exercer autoridade em benefício dos que os poderosos mantinham na servidão. Assim recebereis vossos direitos de cidadania no seu Reino e vos será perdoada a vida que vivestes como estrangeiros. São como o dragão cuja cabeça recebeu ferimento mortal. “Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens. . estava controlado e delimitado em seu poder de ação. e cada um de vós seja batizado em nome dê Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados. sem primeiro amarrá-lo. Chegou o momento de ser julgado este mundo. “que se tornaram estéreis. ou mais literalmente.

O primeiro grande disfarce do mal é fazer crer aos homens que ele não existe. A força do mal está no seu caráter incógnito. Num tal conflito o mal não pode ser extirpado em suas raízes. Ele havia também atacado o culto. Jesus rompeu com a tradição dos anciãos e apontou aos homens um Deus 13 . Além disso. Jesus Cristo é Senhor. mas. Eram os guardiões do governo local assim como os responsáveis pelo culto no Templo. mas nunca foi decisivo. O conflito entre o bem e o mal é velho como os séculos. no brilho de sua glória. Jesus poderia trazer a ira de Roma sobre eles. Mas é isto verdade? O único meio de responder a essa pergunta é observar a experiência do cristão em seu conflito com o mal.poderes destronados que governam este mundo”. por ser o bem perfeito. Mas trazei o mal para a luz e ele fenecerá. Ele manteve-se em seu próprio terreno forçando o mal a vir ao seu encontro. mas que devemos compartilhar da vitória de Deus sobre o mal até que o mal seja inteiramente desmascarado. Os Saduceus e a casa do Sumo Sacerdote representavam a cultura da época. O Evangelho é a convocação para a batalha cuja vitória final está ganha. Estão destronados e contudo governam. havendo sido destronados. e o mal esteve sempre misturado a uma parcela de bem. Os Escribas estavam edificando um corpo de ensinamentos que facilitassem ao povo o cumprimento da Lei. o mal ficou inteiramente exposto. até que. pois o bem esteve sempre misturado a uma parcela de mal. forçou o mal a vir à luz. O que foi que crucificou a Jesus? O poder de Roma estava preocupado com a manutenção da paz e da ordem e Jesus era um perturbador da paz. A mensagem do que evangeliza não é tanto que os homens devem participar da batalha contra o mal até destruí-lo. Jesus. São capazes também de ver o próprio conflito por um novo prisma. não só é a sua destruição final certa como também seu poder atual é limitado. e os que entram em relação vital com ele experimentam liberdade e vitória no seu conflito com o mal.

cuja bandeira de fé era o Sábado. sua face desmascarada. andando na luz. dissemos. escolhendo como nosso campo de batalha a luz da vida de Cristo. se necessário. Os Herodianos eram os expoentes da política do “la issez faire”. não tropeçaremos. seu poder aniquilado. O drama da cruz revelou a natureza do mal e mostrou como ele opera. triunfando deles na cruz” (Co. E assim Jesus foi crucificado por um conjunto de todas as modalidades do bem humano dominadas pelo mal. e. Há uma necessidade muito grave de que essa experiência cristã da vitória sobre o pecado seja entendida corretamen14 . publicamente os expôs ao desprezo. Jesus fez deles um espetáculo público. pela força. a fim de não serem argüidas as suas obras” (João1:4. O julgamento é este: Que a luz veio ao mundo. O mal contra que vamos combater já foi liquidado. é a convocação para uma batalha cuja vitória final está ganha. o ardor pela ortodoxia na religião e pelo nacionalismo na política. Tornou-se possível a nós lutar contra o pecado onde este pode levar a pior. o entusiasmo pêlo culto e pela cultura. . Isto era perigoso para a vida eticamente regulamentada. Porquanto todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz. seu caráter incógnito destruído. Sua força foi destruída.que está vivo e ativo em relação aos fatos. “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. a paixão pela libertação do jugo estrangeiro . enquanto que os Zelotes aspiravam derrubar o poderio de Roma. Jesus rasgou essa bandeira. 2:15). Os Fariseus eram nacionalistas religiosos. A preocupação da paz e da ordem.todos esses sentimentos acharam Jesus perigoso. porque as suas obras eram más. o desejo pela conduta liberal na vida. . e os homens amaram mais as trevas do que a luz. diz São Paulo: “despojando os principados e as potestades. Na cruz o mal ficou exposto. 3:19. 20). Agora podemos andar na luz que dele se projeta. O Evangelho. O dinamismo do mal está na sua habilidade em usar o bem e disfarçar-se no bem. Os Herodianos acharam Jesus extremista e os Zelotes acharam-no por demais confuso.

resulta numa pureza crescente de vida que é a marca dos filhos de Deus. Será possível falar de tal pessoa como alguém que peca. faz a vontade de Deus (1 João 2:17) No conflito real com o pecado essa relação vitoriosa significa que. . portanto. Ela é alguém que. Podemos reconhecer o mal pelo que ele é. Persuadi-los de que 15 . Os pecados que porventura essa pessoa possa cometer não serão mais a expressão do que essa pessoa é. Sabemos que. e em seguida. a nós mesmos nos enganamos. E todo o que nele tem esta esperança a si mesmo se purifica. do perdão contínuo que recebemos e pelo qual somos limpos dos nossos pecados”.” (1 João 3 :9). se ele se manifestar.3).9). mas será impossível falar dela como alguém que vive em pecado. ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:8. agora somos filhos de Deus. A promessa da vida cristã não é de quê não pecaremos mas de que nossa relação com o pecado será de vitória. qualquer que seja o golpe infligido pelo pecado.te. pelo qual somos “libertados dos nossos pecados”. Isto quer dizer que a semente do pecado que consiste numa vontade desobediente está eliminada. É uma relação vitoriosa porque a vitória já está ganha. é visto à luz da cruz e. . a ele se opõe sempre uma vontade sinceramente arrependida. porque havemos de vê-lo como ele é. e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Esta dupla experiência. o pecado é reconhecido como tal. seremos semelhantes a ele. O pecado não é mais a sua motivação para a vida. e a verdade não está em nós. pois o que permanece nele é a divina semente. primeiro do nascimento do alto. A tarefa missionária do cristão é levar os homens e mulheres na sua luta contra o pecado a essa experiência de vitória que lhes está reservada em Cristo Jesus. “Se dissermos que não temos pecado nenhum. “Amados. Se confessarmos os nossos pecados. pelo contrário. assim como ele é puro” (1 João 3:2. “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado.

A distinção sugerida é o que tanto temos tentado realçar: que a mensagem crista é a proclamação de um acontecimento. porém. Ele oferece “salvação” . é a confiança nas obras. segurança no amor vitorioso de Deus que está em Cristo Jesus. tais pessoas precisam ser levadas a ver que aqui está a experiência interior que sustenta a luta externa..essa experiência de vitória real não será fácil. clamor de uma vitória que será manifesta. Significa que 16 . nem autoridades. de uma realização de Deus. “Em todas essas coisas. clamor de uma segurança que é real hoje. nem do porvir. nem altura. Porque estou bem certo que nem a morte. por meio d’Aquele que nos amou. somos mais que vencedores. Clamor de um conflito que nunca cessa. Fé é a resposta do homem às obras de Deus. Confiar nas obras é insistir em que precisamos ganhar nossa própria vitória em vez de compartilhar da vitória de Deus. não temos conseguido fazê-los ver que o que o Evangelho oferece é incomensuravelmente diferente e superior. Frequentemente desviamos pessoas ao sugerir que o Evangelho cristão é cumprido na expansão da força moral do que o aceita. que trouxe como conseqüência o apelo a todos os homens para que aceitem essa realização feita em seu favor. no Novo Testamento. que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rom. nem coisas do presente. Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus me livrou da lei do pecado e da morte” (Rom. “Desventurado homem que sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. o clamor do coração cristão é triplo. nem profundidade. E no entanto. nem poderes. Como São Paulo tão maravilhosamente o expressa.8:2). 7:24. pois é alcançada em meio de um conflito que não tem tréguas. nem a vida.segurança para a alma em conflito. nosso Senhor. nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus. Fé consiste em aceitar o que Deus oferece e viver de acordo com esse oferecimento.. 8:37-39) A palavra crista para a resposta que tal proclamação exige é a Fé. O oposto à Fé. nem anjos.

um encontro com o Cristo ressurreto. “Pois assim dá Ele aos seus amados suas dádivas enquanto dormem”. Só a fé pode ensinar o cristão a não subestimar o adversário. Pois assim dá Ele aos seus amados suas dádivas enquanto dormem. “A vitória está sendo preparada”. Moffatt) Nos mais negros dias da ocupação inimiga da Noruega um bispo prisioneiro disse. Se o Senhor não guardar a cidade. E estava. e esta vida está no seu Filho. aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 João 5:4. 17 . Esta é a Vitória “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo. e é também convidar para um encontro . Evangelizar é proclamar um fato. 2. Quem o que vence o mundo senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?. a nossa fé. Significa que devemos trabalhar por nossa própria segurança em vez de aceitar Sua salvação. (Salmo 127:1-2. comer o pão de dores. O Evangelho acaba com esta espécie de religião — a confiança nas obras. Era necessário ter fé para estender as mãos aos amigos com os quais estava a vitória. Há uma palavra do Salmista que é um comentário penetrante da atitude religiosa —: Se o Senhor não edificar a casa. Deus nos deu a vida eterna. Mas era necessário ter fé para ver além da situação presente.5 e 11. só a fé pode ensinar o cristão a não subestimar a vitória. Aquele que tem o Filho tem a vida.temos de expiar nossos próprios pecados em vez de viver no Seu perdão. em vão vigiam as sentinelas. em vão trabalham os que a edificam. Deus veio aos homens. Inútil vos será levantar de madrugada. e esta é a vitória que venceu o mundo.12). . Jesus Cristo é Senhor. . repousar tarde.

Mas justamente nesse ponto eles fracassaram. Caifaz! não acabou. Que a sua alma continuasse a viver em qualquer outro lugar. “e o Nazareno não incomodará mais”. morto e sepultado. contanto que ele mesmo não vivesse na terra. Não vamos ao seu encontro como ao de uma figura do passado. não carregamos relíquias dele para nos despertar a memória ou estimular a devoção. significaria o transtorno de seus planos.33). Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. “permanece entre nós até hoje” (Atos 2:29). significa que Jesus está vivo aqui.. à parte das demais. o túmulo é selado e os soldados montam guarda. Ele precisava de ser eliminado. “Acabou-se”. A ressurreição de Jesus não significa simplesmente que Jesus está vivo. Os fariseus que mataram a Jesus sabiam que ele continuaria a viver. em vez disso procuramo-lo . Mas o túmulo de Cristo está vazio. num comício enorme 18 . e em todos eles havia abundante graça” (Atos 4:32. Três dias depois da morte do Mahatma Gandhi. “Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Sem ela os ensinos e a vida de Cristo teriam permanecido parte da história do Judaísmo. e o Cristo ainda caminha por sobre a terra. o túmulo está vazio. na terra. o desafio à sua autoridade.a Ele. Caifaz e os restantes voltam para casa pois sua tarefa está terminada. dizem eles. Duas coisas dependiam da ressurreição: a verdade da proclamação de que Jesus é Senhor.Jesus é crucificado. em Jerusalém. a ruína de suas ambições. o próprio Cristo vivo . porque Jesus ressuscitou. Sua preocupação única era livrarem-se dele aqui na terra. Foi a ressurreição que tornou o Cristianismo uma religião diferente. de volta entre os homens. . Jesus vivo.hoje. São Pedro em sua mensagem no dia de Pentecostes declara peremptoriamente: O túmulo de Davi. Não. Só por meio de tal encontro a soberania de Cristo teria sentido salvador para alguém. Os judeus acreditavam na vida depois da morte. e a possibilidade de conhecê-lo como Senhor através de um encontro pessoal. A pedra foi afastada. diz ele.

quanto seus próprios contemporâneos o acharam quando o encontraram nas praias da Galiléia ou nos átrios do templo de Jerusalém. foram prova de que Jesus viera da parte do demônio. não princípios. o grito da amizade: é pela presença que ansiamos. passaram-se três dias desde que morreste.000 anos de preparação não pareceram ter tido utilidade alguma. preparado pela profecia e pela visão. tão fácil de ser aceito e tão difícil.na Índia. mas. Vivemos com Ele como contemporâneos. realmente chegou.000 anos de história havia sido educado para discernir a mão de Deus nos feitos humanos —quando Jesus. há mais de 19 séculos. mas também no sentido em que Ele está aqui. enviado a um povo que durante 3. Volta. Quando Jesus chegou à Palestina. achou poucos que n’Ele cressem. para os outros fariseus. acharam no Velho Testamento argumentos concludentes de que Jesus não era o Cristo. porque é o convite para nos encontrarmos com Ele um convite à nossa fé? Porque quando o encontrarmos o acharemos tão conhecido e tão desconhecido. Ele revelou-se apenas aos que tinham fé! 19 . E’ um convite para um encontro em que a fé pode encontrar o Cristo ressurreto. Estevão achou no Velho Testamento argumentos concludentes de que Jesus era o Cristo. mas muitos outros rabinos. antes da sua visão na estrada de Damasco. Srimathi Sarojini Naidu começou seu discurso com estas palavras: “Mestre. para o judeu religioso Jesus era escândalo e os 3. por um Mestre. Para o Grego racionalista Jesus era loucura. não apenas ensinamentos. o Messias esperado. anunciado por profetas e videntes. Viver num mundo do em que Cristo vive ressurreto é viver num mundo em que Cristo é nosso contemporâneo: contemporâneo não só no sentido em que Cristo é sempre atual. Mas. e mesmo São Paulo. A mensagem do evangelista cristão é a proclamação desta Presença. Os milagres de Jesus e a autoridade do seu ensino foram para Nicodemos prova de que Jesus vinha da parte de Deus. volta!” Esse é o grito angustiado da alma humana.

assim é agora. não acharemos tais provas suficientes até nos encontrarmos com o Cristo ressurreto. o que significa ser contemporâneo de Cristo. quanto às provas. Significa que hoje nos encontramos face a 20 . sem o qual a afirmação dos discípulos de que Cristo ressuscitara teria sido destruída num momento. que antes se haviam trancado em suas casas. fundamentalmente. elas contrariam a própria finalidade da fé. ainda que em esboço. A alegria e coragem recobradas pelos discípulos. mais que suficientes. Portanto ficaríamos contentes Com uma simples probabilidade. e no entanto. A mortalha de linho. O túmulo vazio. pois Cristo revela-se apenas aos que têm fé. O testemunho concorde dos cristãos através dos séculos respeito de sua comunhão com o Senhor ressurreto. Aí temos as provas. A história da Igreja e o testemunho da mesma história quanto à qualidade da vida da Igreja. Como foi então.Mas quando os homens o aceitavam descobriam um passado de radioso sentido. Mas a probabilidade deve existir Certa. É isso. A coerência de caráter entre o Cristo ressurreto e o Jesus da Galiléia no que respeita ao Seu trato com os homens. As evidências corroborativas dos escritores do Novo Testamento. O bastante apenas para que possamos Nela prender a nossa fé (1) Quais pois são as provas do Cristo ressurreto? São elas suficientes para nelas prendermos a nossa fé? Sim. proclamando que aquele lugar não fora violado por mão humana. e os que permitiam que Ele lhes interpretasse Q passado descobriam que o passado apontava para Jesus.

que sugere doze legi5es de anjos contidos em sua força. e se isso é verdade devemos buscar nEle todas as coisas. tempo e talento. Na verdade. Mas têm os homens que seguir a Jesus? E se recusarem fazê-lo? Eles terão de segui-lo não apenas porque Ele seja seu contemporâneo. Ele veio como um desconhecido exigindo fé. Mas uma vez que afrontamos o risco e fazemos o juramento de entrega. não de argumentos. então evidência e provas começam a inundar a alma. Naquela época. fatos têm de ser reconhecidos. Chegam-nos enquanto andamos com ele. os homens discutem o sentido da vida. não argumentados. quer por argumentação irrespondível quer por espantosos milagres. Não podemos esperar outra coisa de Jesus. de um modo que só a fé possa discernir e entender. O que Ele pede é fé: essa entrega completa do ser. cessam de discutir e começam a 21 . Argumentar que não gostamos da idéia não altera a situação. mas porque Ele é de extrema relevância. chegam-nos quando nos aproximamos do fim da jornada: até que finalmente a fé se transforma em visão e nos maravilhamos de que algum dia tenhamos sequer duvidado d’Ele. e portanto. e que necessitamos de tanta fé para confiarmos nele agora e hipotecar-lhe a nossa fidelidade. Conhecer a preparação que antecedeu a Jesus não é o bastante. a atmosfera de qualquer encontro com Jesus está toda ela impregnada. “Tudo me foi entregue por meu Pai”. e as provas nunca chegam a ser inteiramente decisivas. como necessitaram os primeiros discípulos quando o encontraram nas praias do mar. corpo e alma. a Ele. Longe de Jesus. Viver num mundo em que Cristo vive ressurreto é viver num mundo em que Cristo é Senhor. dois mil anos de história não tornaram essa atitude de fé nem mais fácil nem mais difícil. em Sua presença.face com Ele. Não há qualquer tentativa de coagir os homens à aceitação. diz Jesus (Mat. Ele tem necessàriamente de aproximar-se de nós. Há sempre um senso de reserva e de comedimento. 11:27). enquanto O seguimos. mas da necessidade de decisão.

seguir. e finalmente o Domingo de Páscoa. Estamos preocupados com planos de reformas úteis que transformem o nosso mundo presente em um mundo melhor para se viver. e homem algum jamais concebeu ideal maior ou mais grandioso do que o Seu: o Reino de Deus aqui na terra. Tem Ele um método. uma técnica? Tem. pois Ele é a vida. Primeiro. Parece isso uma evasiva? Contudo. o único método que até o momento conseguiu alguma coisa de valor permanente. Mas Jesus é relevante não só pela verdade mas também pela vida. E para nós. mas também com a vida abundante aqui. e a sua resposta. e então recebereis ordens. Mas é Ele o Caminho? Tem ele a visão desse mundo melhor? Tem. Encontrar-se com Jesus é conhecer a verdade. acerca dos detalhes árduos dessa campanha para fazer-se um mundo melhor? A resposta de Cristo para isso é simplesmente -”alistai-vos primeiro”. Por causa mesmo da própria vida não nos ousamos recusar ao encontro com Ele. Cristo Mestre! Como posso eu saber que o Teu caminho leva a um mundo melhor? Sabeis. Ele é o Senhor da vida. Alistai-vos primeiro. porque é o Meu caminho. Primeiro segui-me e então aprendereis meus planos. Mas. Pára mim esta resposta é suficiente. e a impaciência por 22 . os homens discutem sobre a responsabilidade do homem em face do pecado. e acerca de planos reais para nós. Para muitos a declaração de Cristo de que Ele é o Caminho. Mas Jesus é mais ainda que isso: Ele é o Caminho. Viver com Ele é viver poderosamente. a verdade que liberta os homens. viver abundantemente. e então conhecereis meu propósito. depois o Gethsemane e o Calvário. E ainda que as dúvidas muitas vezes me dificultem segui-lo. depois Jerusalém. eles se prostram em terra e pedem perda~o. Mas. um método desprovido de compulsão ou casuística. Todas as indagações da vida acham nEle sua solução. tomai-vos meus amigos. é a mais decisiva de todas. em Sua presença. esse mais é significativo porque estamos preocupados não apenas com a vida abundante no Além. Longe de Jesus. Tem Ele um plano? Tem: primeiro a Galiléia.

Isso já tentamos antes. se o desejarmos. tem estado aqui. Pensemos primeiro em Nicodemos. uma vez Jesus ressurreto. um dos principais dos judeus. Estamos na mesma posição do poema de Francis Thompson (The Hound of Heaven) -”O Perseguidor Celeste”. ainda que nós não queiramos ou não estejamos preparados para tanto? Que devemos esperar do Cristo ressurreto? A verdade é que não é certamente uma questão de expectativa más de dar uma resposta a Cristo que já se defronta conosco. Precisamos encontrar a Jesus porque ele é a verdade. E. mas não podemos livrar-nos dEle. no entanto. Aceito. pensemos no que disse a Jesus. escondi-me d’EIe. não se pode dar o caso de. inexorável. contudo isto. Mas em lenta perseguição. contento-me em prender-me a EIe e ser por Ele preso. sob o riso fácil. Viver num mundo em que Cristo vive ressurreto é viver num mundo em que é impossível escapar-lhe. a decisão de encontrá-lo não dependa absolutamente de nós? Não pode ser por exemplo que Ele decida a questão por nós e se nos defronte. a vida. Fugi-lhe pelos tortuosos caminhos Da mente. 23 .1 que foi ter com Jesus à noite. e a incapacidade de perceber a importância do fim último das tarefas diárias que Ele me propõe torne a vida algumas vezes sem sentido. Fugi-lhe atravessando as noites e os dias. Ouço-lhe os passos e a voz Mais insistente ainda que os passos -” tudo trai aos que lhe traem”. diz ele. Num ritmo intehciona1. no que ele aceitou. estará aqui até lhe respondermos com a nossa vida. no que ele admitiu. Podemos retardar a nossa resposta. E entre lágrimas. Ele está aqui. E cadência imperturbável. insistente. o caminho.resultados imediatos torne tentadores outros programas. Fugi-lhe atravessando os marcos do tempo.

diz ela. Aceito que sejas maior Mestre que eu. e o que tinha de reconhecer. Devemos adorar em Jerusalém ou é suficiente adorar no Monte Gerizim? Jesus fita-a e diz. Isso era o que Nicodemos não esperava. “Vai. dá aos pobres. o que não queria aceitar. . mas começar tudo de novo era precisamente o que não queria fazer (João 3:3>. aceito até mesmo isso. Ou pensemos então no jovem rico que foi a Jesus. Ou pensemos na mulher junto ao poço. o que não aceitaria. e segue-me” (Mateus 19:21). Aceito-o como profeta. e se em chamálo bom existe a insinuação de que o chamei de Deus. Depois vem. cada 24 . propensos a esquecer como somos. Eu o aceito como mestre. Aceito-o. Ele havia esperado uma transição natural da sua posição à de Jesus. tens de nascer de novo”. de que o bater continua enquanto uma porta sequer permaneça fechada. Isso era precisamente o que ele não esperava. A porta de entrada está aberta. e Jesus também não está batendo ali. Jesus não está batendo ali. Aceito que és de Deus e que Deus está contigo. Jesus olha para ele e exclama. Todos conhecemos o quadro do Cristo ressurreto batendo à porta fechada da alma. chama teu marido”. . E’ isso o que significa defrontar-se com Jesus. mas não nos esqueçamos.que sejas Mestre. Isso era o que não esperava ela. Significa que Ele estende sua mão sobre as áreas da nossa vida que ainda não estão sob seu controle. “Nicodemos. Ou será talvez a porta do escritório. Na vida da maioria de nós o portão do jardim está aberto. portanto. como Mestre. Aceito que possas dar o pronunciamento final nessa tão discutida questão entre Judeus e Samaritanos acerca do lugar de adoração. Aceito-o como um bom mestre. porta onde acalentamos nossas ambições e planejamos nosso futuro. Sabemos. e que nelas procura dominar. E’ talvez a porta do quarto que está fechada e é ali que Jesus está batendo. Que devo fazer para herdar a vida eterna? Jesus lhe respondeu. “Vende os teus bens. a mulher de Samaria.

Mas lembremo-nos de que. batendo. se por algum tempo podemos recusar-nos a dar atenção a esse bater. ilustra Sua entrada em nossas vidas. subjuga o dono e toma posse. Aquela Sua parábola em que a Si mesmo se representa como o ladrão que entra na casa. Há tarefas a realizar. até que todas as portas se abrem e todas as áreas da vida são entregues ao seu domínio. Uma coisa mais deve ser dita em relação a essa experiência. ele finalmente começa a tomar conta dos nossos nervos. porque então Ele força a entrada. e possamos rejeitar suas afirmações. Na luz de Cristo tal coisa é exigida pela própria urgência da situação mundial. talvez esperasse em vão pois poderíamos fechá-la de novo. E’ terrível cair-se nas mãos do Deus vivo. até que. se bem que possamos nos recusar a abrir. 25 . é empurrar a porta para traz uma vez aberta a fechadura. entrar e assumir a direção inteira da casa. exatamente onde o Mestre está batendo. mas é terrível somente até cairmos. Viver num mundo em que Jesus vive ressurreto é viver num mundo em que Jesus está em atividade. que embora Jesus bata e bata pacientemente. O que ele faz na abundância de Sua graça.um para si mesmo. O que eu quero dizer é que. Pode ele tê-la? Será que lhe permitiremos isso? Temos de fazê-lo. O fato permanece: é impossível escapar-se a Cristo. ações a praticar. Se Jesus esperasse até que escancarássemos a porta. pela nossa própria situação e pelas tarefas mesmas que nos aguardam. e sabemos também exatamente porque ainda não lhe abrimos a porta. batendo. damos volta à chave. Ele mantém o cerco de nossa alma. há injustiças a eliminar e almas a salvar. Cristo quer homens. em completo desespero e incapazes de resistir por mais tempo. uma coisa não podemos fazer: escapar-lhe. batendo. Que terrível experiência! Sim. Ele apenas espera até que a chave dê volta na fechadura. persistente e pacientemente batendo. Jesus pede a posse integral.

. . Voltemo-nos agora para a consideração do mundo ao qual vem o Evangelho. . A teologia da evangelização precisa necessariamente levar em conta a natureza intrínseca da vida humana. e só a Ele darás culto” (Mat. . 1. respondeu: . aproximando-se. Não tentarás o Senhor teu Deus. 26 . Se Tu és o Filho “E depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites. Não é necessário ressaltar que só pode tornar-se evangelista aquele em cuja vida tal fato e tal encontro já se tornaram realidades determinantes de sua própria experiência cristã. porém. a situação ã qual se dirige o Evangelho. Então perseguiremos com um estudo do modo como Jesus encarou a tarefa do seu próprio ministério. . pois aí podemos encontrar a legítima avaliação da natureza das necessidades humanas. Então o tentador. teve fome. . Então Jesus lhe ordenou: Ao Senhor teu Deus adorarás. Evangelizar não é ter um programa. Jesus. e lhe disse. . me adorares. é ser cristão. prostrado.II O MUNDO Evangelizar é proclamar um fato e convidar para um encontro. se. 4:2-10). Para tanto tomaremos as tentações de Jesus por material do nosso estudo básico. Levou-o ainda o diabo. . lhe disse -Se és Filho de Deus. “Aquele que tem o Filho tem a vida”. Esta foi nossa definição e nesses termos procuramos entender tanto a importância do fato quanto a natureza do encontro.

em todos esses casos. Agora. Ele próprio era a mensagem: sua incumbência era ser o Filho. Faminto ou farto. Mas no caso de Jesus. Quarenta dias antes havia sido declarado. disse o demônio. nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Luc. líderes haviam sido levantados por Deus e a eles fora confiada a realização de um trabalho e. E o momento oportuno veio quando Jesus estava dependurado no madeiro: “Se és Filho de Deus”. rejeitado ou aceito. O fato primordial da existência humana ao qual o Evangelho se dirige é a falta de fé do homem na sua própria dignida27 . 23:46). Ele é chamado a concretizar um fato. a pergunta é feita. “Se és Filho. A resposta de Jesus foi: Não. Profetas haviam sido chamados por Deus e a eles tinha sido confiada a proclamação de uma mensagem. ele mostrou ser Q Filho de Deus. “Tu és o meu Filho amado”. prová-la. O demônio “apartou-se dele até momento oportuno” diz o Evangelho (Lucas 4:13). Este mundo não é o Meu lar. Assim viveu Jesus. Deus havia falado e isso era suficiente. e é neste terreno do pensamento do homem sobre si mesmo que o pecado construiu sua cidadela. entre o aplauso da multidão ou sozinho.. “Então Jesus clamou em alta voz: Pai. Basta que um homem se conheça a si mesmo como realmente é e a cidadela está capturada. forçar Deus a agir em seu favor. implicitamente. Sua era a tarefa de ser o Filho.. a luta com o pecado dai em diante é apenas nas fronteiras da alma.estas palavras constituem a missão de Jesus (Marcos 1:11). se alguém já está seguro. pão não é a Minha comida. o homem vive pela palavra de Deus.” (Mat. .“Tu és o meu Filho Amado” . não apenas a realizar um trabalho.” Não é necessário certificar-se alguém da sua própria filiação pondo-a à prova e descobrindo sua realidade? Ou. qual é a vantagem dessa filiação se não se pode valer dela quando tem fome? Usá-la. 27:40>. Elemento básico de todo o problema humano é a natureza do próprio homem. sua mensagem e seu trabalho eram maiores do que eles. quarenta dias mais tarde. “desce. .

3~ . No Evangelho ambas andam juntas. Que grande verdade! Que grande verdade acerca de Deus e nós. “Chamei-te pelo nome”. simples peça de uma máquina. Lúcia. “tu és meu” (Is. Certo ministro visitava um membro de sua igreja. disse Jesus. Não sois vós de muito mais valor que muitos pardais? (Mat. onde foi considerado de per si. . lá foi dito. A mãe replicou indignada: “Eles têm nomes.de essencial. Tantas pessoas se converteram ao Cristianismo. simples unidade de uma grande massa. Havia muitas crianças na casa. O Evangelho é sua segurança contra uma existência anônima. Para aqueles que tomaram posse dessa filiação pelo Evangelho. sua resposta ao tentador nas horas tristes da monotonia e da rotina. Luc. sua única esperança quando a hora da exaltação espiritual passou e as necessidades elementares da vida se fazem sentir. 10:29. O que ouviu e respondeu ao Evangelho passou pela experiência de ficar à parte dos seus semelhantes e a sós com Deus. Este mundo não é dos homens.não há “se” nós somos. O ministro perguntou à mãe: “Quantos filhos a senhora tem?” A mãe começou a contar pelos dedos: “João. diz Ele. “Se és Filho de Deus. mas para os homens. ~ . até mesmo esse pardal que não tem valor algum para o vendedor não cai sem o conhecimento de vosso Pai. pela proclamação de Gênesis 1:1 como pela proclamação de João 3:16: pela proclamação de Deus como Criador como pela proclamação de Deus como Redentor. quando o deserto se torna opressivo. 43:1) Não são dois pardais vendidos por um asse? Mas se gastardes dois asses não recebereis quatro pardais e um extra? Na verdade. donde se conclui que a necessidade primordial do 28 . sua tendência em ser e sua satisfação em fazer parte da multidão. 12:6>. esse mesmo Evangelho se torna daí em diante a Palavra pela qual vivem. Maria -” O ministro interrompeua: “Não quero saber os seus nomes. pois o Evangelho é a palavra de Deus ao homem declarando-o criatura sua e reclamando-o como filho seu. onde Deus o chamou pelo nome e o reclamou como Seu filho. não números”. só o total”.

que dele te lembres? ou o filho do homem. . .homem é que ele próprio seja salvo e revestido de sua verdadeira dignidade. 25:6. Jesus. e era tentação não porque o pão não fosse importante à vida.essa era a tentação para Jesus. e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mat. “Que aproveita a um homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8:36). porém..7 . . “Agora. coroado de glória e de honra por causa do sofrimento da morte . Porque convinha que ele . Vemos. se tornarem os fatores determinantes na vida humana. O banquete messiânico . de glória e de honra o coroaste. “Quem é o homem. . por um pouco. . e nesta montanha rasgará a mortalha da dor de toda a humanidade” (Is. conduzindo muitos filhos à glória. então o alimento deixará de ser motivo de 29 . que o visites? Fizeste-o. . 6:33). . A outra maiúscula é a Vida. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés”. O homem tem de viver. menor que os anjos. Não podemos viver sem pão. Mas o Homem é apenas uma letra maiúscula na situação a que se dirige o Evangelho. Jesus é o Filho e não se envergonha de chamar-nos irmãos. todavia. (Neste monte de Sião para todas as nações o Senhor dos exércitos dará um banquete de ricos manjares. aperfeiçoasse por meio de sofrimentos o Autor da salvação deles” (Hebreus 2:5-10). .. e o que é direito fazer sob esse governo. ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas. “Buscai em primeiro lugar o Seu reino e a Sua justiça. Se o governo de Deus. O profeta Isaias compreendeu tão bem a dolorosa aflição da luta do homem pelo pão que descreveu o dia do Senhor em termos de um grande banquete. . e o resultado é que chegamos a pensar que viver de pão é a própria Vida. O Evangelho coloca a luta pelo pão numa perspectiva nova e desse modo determina a forma dessa luta. mas porque o era.Moffatt). .

“Minha comida”. “consiste em fazer a vontade daquele que me enviou” (João 4:34). disse Jesus. jamais terá sede” (João 6:35). morte mais terrível do que a morte de fato no deserto. E. A vida no Egito não seria vida. a suposição inconsciente do homem de 30 . ainda quando os homens estão sendo concitados a aceitar as obrigações do Reino. o pão da Vida. Quando Israel padeceu fome no deserto o povo desejou voltar para o Egito. e o que crê em Mim. Mas Deus proibiu-os de voltar. O Pão da vida já está oferecido. 8:3>. diz o Evangelho. . porém. se é adotado qualquer plano de ação que milite contra a aceitação da justiça do Reino por parte dos homens. “O que vem a Mim jamais terá fome.luta. Dá importância à luta do homem. e o pão não deve ser um simples meio de conservar a vida mas um sacramento de Vida. O Evangelho. Ele será acrescentado. e depois acrescenta-lhe um ponto de interrogação. “E te humilhou. precisamos ter Vida. para te dar a entender que o homem não viverá só de pão. Portanto. ao mesmo tempo que a torna secundária. e todo o pão deve ser olhado como maná. e te deixou ter fome. e te sustentou com o maná. Pois no deserto o homem pelo menos estava a caminho da terra prometida. era a morte. se fazem necessários planos de ação que dêem resultados imediatos. No Egito havia comida. Para responder ao tentador Jesus remontou-se ao tempo em que Israel padecia fome no deserto e Deus lhes deu maná. Viver não é suficiente. mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem” (Deut. Isso é o que realmente sustenta. dirigido ao homem que está em luta com os problemas da existência. O Maná é pão verdadeiro. Até então. pode ser obtido agora. . é de graça. é preciso vê-los como sinais (João 6:26) apontando para o pão que verdadeiramente sustenta. então o alimento terá sido providenciado à custa da própria Vida O Evangelho sublinha a necessidade de pão. “Nem só de pão vi verá Q homem”. vem a ele falando-lhe de Vida. contudo. para enfrentar o problema de alimentar os famintos. ainda que não houvesse liberdade. Não é bastante comer os pães.

libertando-o da trágica escravidão dos resultados. Pedro adorou Jesus e O seguiu. Pedro e Judas foram ambos discípulos de Jesus. então talvez aconteça que tenhamos êxito fora dos caminhos 31 . O tentador disse a Jesus: Todos os remos do mundo e a sua glória são meus. Se decidimos ter êxito. esquecendo que não vale a pena conseguir o que.que a Vida é importante por si mesma está desmentida. O Evangelho enfrenta essa situação humana a respeito da atitude do homem para com as suas necessidades. Pedro seguiu a Jesus a despeito de seu desapontamento. No encerramento da Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas em Amsterdã em 1948. pois a verdadeira religião realmente adormece a ânsia de vingança. E’ fato que a religião é o ópio das massas. não possa ser oferecido a Deus em adoração. Outra realidade básica na situação humana e à qual o Evangelho se dirige é a atitude do homem quanto ao seu próprio esforço. O Evangelho enfrenta esta situação humana a respeito da atitude do homem para consigo mesmo. sacrificando tudo para atingi-los. firmando-o em sua fé como filho de Deus. uma vez conseguido. o pão tem sentido como servo do verdadeiro propósito da vida. adora-me e tudo isso será teu! Jesus respondeu: Só Deus é o valor último. o Secretário Geral da Assembléia fez a seguinte declaração: “Precisamos certificar-nos de que não decidimos ter êxito. O Evangelho enfrenta a situação humana a respeito da atitude do homem para com os seus próprios esforços. de libertação para Israel. trazendo-lhe uma profunda satisfação interior que condiciona todas as suas lutas. Judas seguiu-o porque adorava o ideal do Reino de Deus. a ele adorarás e só a Ele servirás. um Reino. E’ uma tentação muito séria esta de tratar os fins a que aspiramos como valores últimos. e a luta pelo pão é despojada de sua capacidade de provocar amargura. mas Judas traiu-o. no seu entender.

. 6:10-13). grandes e boas cidades que tu não edificaste.. então estaremos preparados para receber de Suas mãos o êxito. mas Ele levantará Salomão” (II Sam. que tu não plantaste. 9:6). O que adora os remos deste mundo acha mais fácil. O demônio apelou para as palavras da profecia que falavam do estabelecimento do Reino de Davi quando viesse o Messias (Is. . . não se trata do que conseguimos ou realizamos. e casas cheias de todo o bem. e que te não esqueças do Senhor. transformálo em propriedade sua mas. Jesus respondeu colocando essa profecia no contexto da verdadeira relação do homem para com Deus. te daria. Há quatro tendências no mundo de hoje. e depois? Precisamos nos recordar de que. O existencialismo é apenas a mais conhecida dessas tentativas. Trazem-nos a advertência contra o perigo de transformar o “êxito” no critério dos caminhos a seguir e dos métodos a empregar. O Senhor teu Deus temerás. . lsaac e Jacó. durante algum tempo.de Deus. . Abraão. essas palavras da Escritura a que Jesus se refere são de valor especial. mas a Quem adoramos. “Havendo-te pois o Senhor teu Deus introduzido na terra que jurou a teus pais. ao chegarmos à terra dos nossos sonhos. e se Ele não o desejar. Mas se vamos dia a dia buscando fazer a Sua vontade. Há as tentativas de dar sentido à vida independentemente de Deus. se for da Sua vontade.” (Deut. Há as tentativas de orientar a luta do homem pelo 32 . e a ele serviras. estaremos preparados para dizer humildemente -E’ da vontade de Deus que Davi não construa o templo. e comeres e te fartares. Numa época como a nossa quando tanto esforço humano é canalizado para a criação do Parlamento do homem. guarda-te. Em última análise. nossa herança será o que Deus mesmo tem realizado. O Evangelho responde que o verdadeiro sentido da vida reside no fato de sermos filhos de Deus. 7) A obediência cabe a nós prestar. o êxito cabe a Ele ordenar.

No âmago de semelhante movimento há a tentação de usar Deus para objetivos humanos. A palavra da religião deve ser dirigida à Fé. Eles esperam que o Filho do Homem venha com as nuvens do céu (Dan. de modo que a humanidade fique a salvo. quando o tentaste . Não lhe pode servir de base nenhum argumento esmagador.pão. Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito para guardar-te e em suas mãos eles te susterão. 33 . Dizes que vives pela palavra de Deus. Não dirás como disseste em Massah. Toma as necessidades humanas e sobre elas derrama a luz do propósito divino. Jesus respondeu: Também está escrito. Deus não é uma utilidade à nossa disposição. “Religionismo”. O Evangelho defronta o Internacionalismo com sua crítica final. Qual é o fim do homem? E. poderíamos chamar a este fenômeno. diz o tentador. e os homens te seguirão para o teu Reino. pois a Vida é viver com Deus. então. não tentarás ao Senhor teu Deus. que equilibre o interesse próprio com o interesse coletivo. Toma o esforço humano e liberta-o da tirania dos resultados. O Evangelho responde 0que viver não é a Vida. Estas tentativas juntas compõem o “Internacionalismo” em todas as suas formas. Atira-te daqui abaixo. Toma a fé humana e a liga a Deus. 7:13). Evangelizar é trabalhar para essa finalidade. O comunismo é a mais conhecida dessas tentativas. à parte da fome que o homem tem de Deus. finalmente há as tentativas de salvar do naufrágio a paz mundial por meio de um reaviva mento religioso. ela se transforma em traição a Deus. não pode ser realizado nenhum milagre estarrecedor que provoque a aceitação de Deus pelos homens. aqui está ela. O Evangelho toma a vida humana e a reveste de dignidade divina. Onde a religião é usada diretamente para atingir qualquer outro fim que não seja o de despertar a obediência pela fé. Utiliza-te dessa promessa de Deus. Há as tentativas para erigir uma sociedade humana que não cometa o suicídio coletivo.Está ou não o Senhor em nosso meio? (Deut 6:16).

2. Para Que Tenham Vida
“Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e achará pastagem. O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir: eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas. . . Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco: a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz” (João 10:9-I6). A vida é um todo e como tal deve ser considerada. Toda a tentativa de dividi-ia em compartimentos termina necessàriamente em desastre, pois a própria vida destruirá tal tentativa. Na verdade, isso sempre tem acontecido e estamos hoje vivendo no meio das ruínas que conquistamos entronizando diferentes deuses para os vários setores da vida. Um bem para o empregado e outro para o empregador, um direito para os grandes poderes e outro para os pequenos poderes, um padrão de vida para a raça branca e outro para as demais, um código para o domingo e outro para os dias da semana, uma lógica para os outros e outra para si mesmo... Tudo isso desmoronou. O de que o mundo necessita é de um Deus que considere a vida como um todo, trate-a como um todo e assim a dirija; um Deus que esteja igualmente interessado no bem de todos os homens e nações e povos: um Deus para cuja economia tudo que faz parte da vida é importante e para cuja orientação nenhum problema é trivial. Tem de ser um Deus visceralmente interessado no homem como homem. Mas isso ainda não basta. Ele precisa também de ser um Deus do outro lado. Nenhum deus feito pelo próprio homem pode servir para o homem. Pois é a pequenez do homem e seu egoísmo e pecado que produziram e acentuaram os males do mundo, e não pode vir solução de um Deus que participe, ele próprio, da estatura do homem, como será o caso se foi o homem que o criou. Deus, para ser Deus de verdade para os homens deve ter o poder e o propósito de refazer os homens - corpo, mente e espírito.
34

Que queremos dizer por deuses feitos por mão de homem? Queremos, tão somente, dizer que os deuses que agem nas vidas de muitas pessoas são deuses que elas próprias criaram. O deus de um homem é a pessoa ou coisa que o controla. Ela o controla por ser a autoridade final para seu pensamento, o padrão que regula sua conduta, o fundamento sobre o qual se baseia sua vida e o valor que determina a direção de sua vida. A pratica de referir-se aos homens e mulheres de acordo com a religião que professam, que é quase sempre uma das religiões reconhecidas universalmente, é frequentemente enganosa. O verdadeiro nome do deus de uma pessoa é o da pessoa ou coisa que o possue. No caso de alguns, seu deus é uma pessoa ou coisa. Assim, alguns homens deixam-se dominar pelo desejo das riquezas. Se qualquer ação lhes traz mais dinheiro, essa ação é justificada. E’ para as riquezas que vivem, por elas trabalham penosamente. São o seu deus. Mas nem todos estão tão unificados a ponto de serem suas vidas dedicadas a um só e único deus. Pois a unificação é custosa, e nem todos se dispõem a pagar o preço. A maioria vive em compartimentos, sendo os interesses dos diversos setores da vida controlados por deuses diferentes. E os deuses desse setores estão mais ou menos relacionados uns com os outros num sistema ideológico, sendo a relação estabelecida por uma idéia dominante. Assim, há muitos cujo plano fundamental de vida pode ser justamente descrito como: “Negócios são negócios, religião é religião, sexo é sexo, e o que realmente tem importância é o êxito”. Num tal sistema, os diversos deuses não serão consistentes uns com os outros, pois podem ser e são derivados de quase toda a parte. E no entanto, precisamente por causa dessa possibilidade de inconsistência, tal sistema serve como um deus ideal, pois não exige o preço da integração completa; enquanto que ao mesmo tempo oferece a experiência da integração parcial ou falsa. Em outras palavras, é precisamente o tipo de deus que os homens podem adorar e satisfazer, e ao mesmo tempo fazer o que lhes aprouver.
35

Mas nem todos vivem assim tão divididos em compartimentos. Há muitos cujas vidas são dedicadas a um único e simples ideal. Seu deus é um deus totalitário. E no entanto, também aqui aparece frequentemente uma grande dificuldade, pois a menos que esse deus que tudo controla seja suficientemente grande, não pode oferecer orientação aos homens em todos os seus interesses; o resultado é que, ou as vidas desses homens se atrofiam até o tamanho do seu deus ou outros deuses se apoderam dos setores que lhe escapam. Ainda quando o deus é suficientemente grande permanece um últim9 problema: se esse deus é ou não verdadeiro. Pois, “se a luz que há em vós são trevas, quão grandes são essas trevas!” (Mat. 6:23). É nessa situação de deuses a competir uns com os outros, de homens em busca de Deus, de deuses destronados e de homens fugindo de Deus, de vidas fragmentárias e de homens em busca da integração total, que o Evangelho de Deus em Cristo tem de ser proclamado. Um fato solene nessa situação é também a má vontade da parte de muitos para entregar suas vidas a Deus, a par de uma grande tendência para dedicar suas vidas a causas que, se bem que boas em si mesmas, fazem exigências últimas ao homem, exigências que só cabe a Deus fazê-lo. Parece ser verdade hoje, num sentido mais trágico ainda talvez do que no passado, que os homens não só se afastam do lar paterno, mas até esquecem sua localização. Alguns parecem mesmo ter esquecido que têm Pai. Cristo veio para anunciar a realidade do Pai, para revelar o amor do Pai e para ser a graça redentora do Pai junto aos homens. Ele veio a nós no país longínquo. Pagou o preço de ter-nos ido buscar tão longe. Ele nos achou e nos constrangeu ao arrependimento. Ele nos garantiu do amor do Pai e de suas boas vindas. Ele nos levou de volta para casa. Aos que como nós passaram por esta experiência pertence o privilégio e a responsabilidade de anunciar a realidade e a realização de Deus em Cristo. É nossa tarefa divulgar o oferecimento do Pai, orientar os viajantes à presença do Pai, guiar mostrando o caminho que leva à casa do Pai.
36

Esse é o paradoxo da busca religiosa. mas. clamar por Deus é clamar pelo desconhecido: e no entanto. e que é por seu intermédio que podem participar da plenitude da vida? Como ajudá-los a descobrir o Cristo-Deus? Eles não podem começar por Deus pois. Deus é a base da existência de tal modo que não faz sentido falar-se em provar a existência de Deus. modo como reagiu às tentações mostra como Ele se recusou a adotar em seu trabalho qualquer método que significasse 37 . quando o encontram. para eles. pois. e é quando Jesus concretiza esse paradoxo que os homens reconhecem que ele é Deus. Quais são.Como nos poderemos desincumbir de semelhante tarefa? Como ajudar os homens a reconhecer que Jesus é o verdadeiro Pastor de suas vidas. O que é possível e necessário é vir e descansar conscientemente nele. Jesus encara a vida como um todo e a trata como tal. o reconhecem. eles começam por Deus. A “ansiedade” que persegue o espírito humano é sua melhor segurança contra a possibilidade de vir a descansar em qualquer outro lugar a não ser em Deus. Os homens não conhecem a quem buscam. Não é possível sair-se de Deus de tal modo a torná-lo o objeto de alguma prova. a pergunta a respeito do modo como Ele encara a vida: há integridade em seu método? Em segundo lugar a pergunta sobre a natureza de suas relações com os homens: Ele se encontra com eles como Senhor ou Líder? A integridade do método: 1. “Nossas almas permanecem sem repouso enquanto não descansarem nEle”. as perguntas que devemos fazer ao procurarmos assinalar a importância de Jesus? Em primeiro lugar. O. pois essa busca de Deus é o grito da alma por um lar. e esse grito é o ponto de partida para o homem.

pondo à margem a diferença política (Luc. o Zelo te. Ele se recusou a apelar para a satisfação das necessidades físicas. 19:9-10). como seu discípulo. O conceito de Jesus sobre o Reino era todo-inclusivo. ignorando diferenças nacionais (Mat. 6:15). Jesus está igualmente preocupado com todos. 7:39). O método de Jesus para com os indivíduos produzia neles as mesmas qualidades que Jesus esperava tivessem como cidadãos do Reino (Mat. era também o princípio regulador nas relações dos indivíduos uns para com os outros. e a única exigência para entrada no Reino era a obediência à vontade do Rei. Atendeu ao apelo da mulher Siro-Fenícia. O Reino era para todos. jantou com Zaqueu. 19:5). Permitiu à mulher pecadora que o tocasse. não dando importância a distinções econômicas <Marc.ganhar apenas a submissão parcial do indivíduo. não fazendo caso de discriminações vulgarizadas (Mat. Ele alistou Simão. pondo à margem a diferença dos sexos (João 4:27). Elogiou a pobre viúva que deu duas moedinhas. 12:43). e a tivessem integralmente. Essa obediência. plenamente (Luc. 11:19). entre interesse e interesse. pondo de lado a distinção social ou de classe (Luc. 2. 4:3-12). Verdadeiramente disse Jesus que veio para que tivessem vida e a tivessem em abundância. que era o princípio de integração para o indivíduo. Admoestou seus discípulos por sua intolerância para com o seguidor 38 . Vemos como ele derrubou uma a uma todas as barreiras que existiam no seu tempo entre homem e homem. pondo de lado a distinção entre servo e mestre (João 13:14). Ele quis usar tão somente o método que haveria de ganhar para Deus a submissão integral do homem todo (Luc. 8:10). pondo à margem a distinção de raça (Marc. 7:26). como se recusou a aceitar um acordo ou a atingir seu alvo forçando os homens à submissão pelo assalto às suas emoções. Foi amigo de pecadores. Conversou com a mulher de Samaria. Elogiou a fé do Centurião. 12:50). pondo à margem a diferença de reputação (Luc. Lavou os pés dos discípulos. 7:21. e com o bem de todos.

e temos pouco que fazer. A Simão. 3. Ao escriba. o homem precisa de mudar a direção da sua alma: indo como vai. poderoso socialmente. Tens de nascer de novo (João 3:3). A Nicodemos. 39 . 9:39). por mais importante que fosse a pessoa em questão ou por mais que a adesão de tais pessoas pudesse aumentar o prestígio de sua causa. 6:22-24). ele segue em direção errada (Marcos 1:15). Mas formamos um grupo para estudar a Bíblia. poderoso politicamente. ele disse: Amas pouco. Assim como ele é. Como ele é. poderoso economicamente. se quiseres. ele é uma personalidade dividida (Mat. Jesus trata o homem pelo que ele é. O seu amor desconhecia barreiras. pondo de lado a distinção de idades (Marc. Ele se interessava pelos outros. E’ o único livro que não mente a respeito do homem”. dá o que tens aos pobres (Luc. Seu amor era sem dissimulação. o homem necessita de integração. ele disse: Tuas riquezas são a tua dificuldade. O interesse pelo bem de todos verifica-se também no fato de não haver jamais baixado seus padrões em qualquer caso. De acordo com Jesus. um estudante belga que fazia parte de um grupo de Estudo Bíblico escreveu a um amigo: “A maior parte do tempo padecemos fome. condenando a distinção denominacional (Marc. o fariseu. Durante a última guerra. ele disse: Segue-me.18:8. 7:47). 1 8:22). Tinha prazer na companhia das crianças. não por si mesmo. pois buscaste o perdão sem muito esforço e apenas nessa proporção o recebeste (Luc. as variadas facetas de seu caráter obedecem a seus próprios impulsos (Mat. Ao homem rico.9) De acordo com Jesus. ele disse: Tens de começar tudo de uma vez. 21:15). o homem necessita da disciplina de um desejo dominante. 8:20). mas não terás onde deitar a cabeça (Mat.que não era do grupo dos doze. poderoso eclesiàsticamente. De acordo com Jesus.

ele é mero resultado das circunstâncias (Marc. está doente (Marc. não admite ser o guardador de seu irmão (Mat. o homem necessita de uma revelação de Deus vinda do próprio Deus. não conhece nem pode conhecer o Pai (Mat. Vejamos o Sermão do Monte e o que ele nos diz (Mat. Como é. Como é. De acordo com Jesus o homem necessita de ser libertado.Senhor ou Líder? E’ precisamente aqui que surge a questão acerca da natureza da relação entre Jesus e os homens. Seu amor era o poder de Deus para a salvação. O problema normalmente vem à luz numa discussão do Sermão da Montanha. o homem necessita de renovação de toda a sua personalidade. o homem necessita de saúde. o homem necessita de estabilidade. a questão não é tanto o que Cristo afirmou ser. mas de qual era o seu método com os homens. 4:15-19) De acordo com Jesus. sua vida é parcial e defeituosa (João 3:3-6). ensinando aos homens a maneira de viver. 11:27). Jesus: Bem-aventurados os pobres de espírito pois deles. mas quem me transformará? 40 . Eu: Mas e eu? Quero ser pobre de espírito também. ou afirmou ele ser Senhor da vida dos homens? Na realidade. esta o coração da religião cristã. Como ele é. “Aqui”. Afirmou ele ser líder. 2:17). Como ele é. está perdido (Luc.De acordo com Jesus. Aqui estão os ensinos que os homens têm de seguir se desejam ser cristãos”. Como ele é. dizem. 5-7). Jesus . De acordo com Jesus. De acordo com Jesus o homem necessita do princípio de relações harmoniosas com os outros homens. ele é escravo (João 8:34-36). Todas essas necessidades Jesus afirmou que ele próprio supriria. 19:10). o homem necessita de se encontrar. 5:43 e seguintes). De acordo com Jesus. Como é. De acordo com Jesus. Assim como é.

Mas eu os cumprirei por ti e em ti. O Sermão do Monte é mais uma declaração do que acontece ao homem quando ele consente que Jesus se apodere dele do que a declaração do que o homem precisa fazer para seguir a Jesus. 41 . Eu: Mas como poderei tornar-me manso? Jesus: Bem-aventurados os puros de coração. Mas. Tendes de decidir se desejais ou não ser transformados”. Pede e te será dado. . tira primeiro a viga do teu olho. além desses dois grupos havia também naquela multidão de homens e de mulheres que desejavam ser assim. perseguidos? A voltar outra face. Eu: Mas eu preciso ser iluminado. Jesus: Hipócrita. Quero ser salgado.Jesus: Bem-aventurados os mansos. a andar a segunda milha? Pois é isto que vos obrigarei a fazer se me seguirdes. Quero que alguém tire dos meus olhos a viga. Dizem até que ele não é judeu ortodoxo. Sozinho não pode pôr em prática esses ensinamentos. pacientes. Transformar-vos-ei. . mas que por vezes não se sentiam dispostos a deixar Jesus transformá-los. Jesus: Sim. Eu: E quem me purificará? Jesus: Sois o sal da terra. E.. Confiai em mim”. “Ele é apenas o filho de um carpinteiro. Jesus: Sois a luz do mundo. Ele era um novo Mestre e seria emocionante segui-lo. desejaram de todo o coração ser assim. . Eu vos farei assim. E a estes ele diz: “Estais dispostos a ser mansos. Naquela multidão diante da qual Jesus falava. havia muitos que desejavam ser seus discípulos. ao ouvir suas palavras descrevendo o novo homem. Procura e acharás. Eu: Já perdi o meu sabor. Estou cego. além do mais. Havia outros naquela multidão que. Eu: Mas não vejo. e a estes ele diz: “Podeis tornar-vos assim. realmente.. Bate e abrir-se-te-á.

42 . Jesus: A quem te bater na face direita. . um caminho espiritual de vida segura. Eu: Isso o fará desistir? Jesus: Não necessàriamente. Eu: Isso quer dizer que Deus me ajudará a recuperar o que é meu? Jesus: Não. Jesus: Ama os teus inimigos e faze o bem aos que te odeiam. porque afinal. A questão pode ser posta nos seguintes termos: Jesus: A menos que a vossa justiça exceda a dos escribas e fariseus. de resultados certos. pois tua própria pergunta revela farisaísmo. ele quererá mudar-nos completamente. Jesus: Empresta sem esperar devolução. que é o problema dos resultados práticos. Eu: Qual é então a razão de ser de tudo isso? Pensei que ensinavas um caminho mais seguro e melhor.se nos entregamos a ele. segui-lo é o que importa.” Será mesmo? E somos nós capazes de segui-lo confiados apenas em nós mesmos? O Sermão do Monte levanta outro problema de extrema importância para este nosso estudo. Talvez nunca o recuperes. . quando somente parte do seu ideal é que aceitamos. segui-lo-emos. Mas tua preocupação não deve ser tanto a de fazê-lo desistir mas a de não te ofenderes. deverás continuar a amar. posso estar seguro do meu lugar no Reino? Jesus: Não. mas ao nosso modo. De qualquer modo. Eu: Isso os transformará? Jesus: Ainda que isso não aconteça. Eu: Mas se excede. de modo algum entrareis no Reino dos Céus. oferece-lhe também a esquerda.

Jesus: Não. Não me preocupo com o que chamas “resultados”. Nem tu deves preocupar-te com eles. Busca o Reino de Deus, não o teu lugar no Reino; busca a Sua justiça e Todas estas coisas te serão acrescentadas. O Sermão do Monte não é uma nova técnica para alcançar resultados, um novo método para “chegar-se lá”. Justamente porque tem sido adotado e interpretado desse modo por Gandhiji, como o ensino de uma nova técnica e de um novo método, que a aceitação de Jesus como Senhor ainda constitui problema na índia. “Não liguemos a planos e programas”, Jesus parece dizer, “relacionemo-nos um com o outro primeiro. E’ contigo que me preocupo. Quero ligar-te a mim numa nova relação a relação do homem que constrói sua vida em mim. Não garanto resultados. Na verdade, não escaparás às tempestades e enchentes da vida. Mas uma coisa te digo tua casa não cairá. Tua relação comigo não será destruída. Nada nos separara. Que dizer então das tempestades e enchentes, e de um mundo onde elas não existam? Nunca se verá livre o mundo de seus males? Sim e não. Pois, enquanto cada pessoa que se alista nas fileiras de Cristo como seu discípulo é mais um a combater as enchentes, o mundo nunca será, nem poderá ser inofensivo aos que teimam em construir suas casas sobre a areia. Assim o Sermão do Monte é olhado não como um co-digo de conduta para os homens, mas como uma declaração de fatos que recebem validez, sentido e importância na medida em que são reconhecidos como fatos destacados por Cristo. Parece que a Igreja primitiva nunca pregou o Sermão do Monte aos não-cristãos. Não se prega o Sermão do Monte nos Atos dos Apóstolos, por exemplo, nem no Evangelho de São Marcos, que destaca a pregação de São Pedro. O Ser-mão do Monte era pregado somente depois que a pessoa aceitava Jesus como Senhor. Na realidade, é mais provável que o Sermão do Monte seja ele próprio uma seleção de dizeres de Jesus, preparado pela Igreja de Jerusalém para instruir na
43

carreira cristã àqueles que haviam sido batizados. Primeiro a proclamação (Kerygma), depois a instrução (Didache). O paradoxo da busca religiosa - este era o ponto de partida desta investigação do método de Jesus. Como é que Ele encara a vida? Que exige Ele dos homens? Mas depois destas perguntas respondidas ainda há uma indagação final: Mostra-nos o Pai, e isso nos basta; a qual Ele responde: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheceis? Que pensais do Cristo? Quem dizeis vós que Eu sou? (João 14:8,9; Mat. 22:42; 16:15). A descoberta de Deus pelo homem depende de sua descoberta de Jesus, e em sua resposta à pergunta que Jesus faz está implícita a solução de suas próprias indagações a respeito de Deus. Jesus é tanto a pergunta como a resposta de Deus aos homens.

44

III O EVANGELISTA
Evangelizar é relacionar o Evangelho com os tormentos do mundo. Mas ao fazer isso, nenhum evangelista pode aspirar a ser maior que seu Senhor. “E’ bastante para o servo ser como o seu senhor”. Os métodos que Jesus rejeitou como incompatíveis com a sua missão, o evangelista deve rejeitar também; a questão do discipulado pessoal em que Jesus insistiu no seu desafio, deve também ser enfatizado pelo evangelista. Se o Evangelho fosse apenas uma verdade, poder-se-ia falar para convencer; mas, um a vez que é a oferta de vida, temos que procurar persuadir. Temos de levar as pessoas à vontade de receber. Elas têm de ser levadas a perceber a sua verdadeira necessidade. Como é isso possível? A possibilidade esta’ com Deus, mas nenhum cristão pode secundar essa possibilidade se não for ele próprio um cativo do poder do Evangelho. Só uma nuvem espessa pode ser mediadora do raio. Só uma pessoa com um sentimento interior de persuasão pode ter poder persuasório. Qual a natureza da persuasão cristã?

1. Separados para o Evangelho
“Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apostolo, separado para o Evangelho de Deus, O qual foi por Deus outrora prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras, Com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi e foi poderosamente demonstrado Filho de Deus, segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso
45

o setor da luz. que São Paulo usa. De cujo número sois também vós. 1:1-7) Entramos numa nova era em que Jesus. entre todos os gentios. A obrigação sob a qual estamos de amar os nossos semelhantes não é a que nos dá o imperativo de evangelizar. Essa carta é de São Paulo Judeu e Fariseu endereçada aos que estão em Roma . 4:1). na índia. nas primeiras palavras de sua carta aos Romanos. 9:16). o qual as trevas não podem vencer e no qual somos convidados a entrar. E’ importante dar ênfase a este ponto. Houve em encontro decisivo entre o príncipe deste século e o Príncipe do século que há de vir. chamados para serdes de Jesus Cristo A todos os que estais em Roma. Um novo setor da vida nos foi revelado. Nós somos apenas despenseiros dos mistérios de Deus (1 Cor. O evangelista dirige-se aos que o ouvem como aqueles a quem Deus ama. São Paulo. amados de Deus. Deve causar uma revolução nas vidas dos que são alcançados por este Evangelho. e fala-nos do amor de Deus por todos e para cada um individualmente. Mas se tudo isso é verdade deve provocar uma perturbação profunda no teor da vida humana. Por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome.é Rei. significa “chamar pelo nome”. faz parte do batismo de cada convertido colocar sua mão sobre a própria cabeça e dizer solenemente: “Ai de mim se não pregar o Evangelho” (1 Cor.Gentios na sua maior parte. Por que lhes escreveria São Paulo? Porque são amados de Deus.Senhor. Na diocese de Dornakal. chamados para serem homens e mulheres de Cristo. A palavra “chamar”. para a obediência por fé. O Evangelho é evangelho porque se destina a toda a humanidade. chamados para serdes santos: Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo (Rom. descreve essa revolução. e a não ser que eu participe do seu alcance não estarei 46 . Ele esclarece perfeitamente qual é a situação do cristão. Operou-se radical mudança dentro da própria estrutura da história. O Evangelho lhes pertence por direito.

se transforma.não podia haver melhor símbolo da extrema debilidade humana: mas porque era cristã ela per47 . que eles haviam capturado num ataque. Toda a humanidade está. E’ o amor de Deus pelos homens que nos constrange a pregar o evangelho. Evangelizar não é alguma coisa que nós fazemos. O Evangelho o separa e imprime à sua vida suas características distintivas. O Evangelho é sempre presente na sua conjugação. os convertera. Que mensagem traz ele? A mensagem de que Deus agiu. foi enviar sacerdotes à tribo dos Godos na costa norte do Mar Negro. no chamado para o apostolado. O chefe da tribo enviára-lhe uma delegação explicando que uma adolescente escrava cristã. ele é antes o meio (o instrumento) através do qual o Evangelho se torna dinâmico.de modo algum participando dele. e age em favor do homem. a busca do homem terminou. e iniciou outra jornada. transformando cada cristão num evangelista. por assim di7er caminhando para Deus. Assim é que o chamado de Deus a uma pessoa. E ao responder ao chamado de Deus. São Paulo sentiu-se envolver por um chamado maior de Deus a todos os homens. Um apóstolo é um emissário pessoal de Deus. Ele é o “Shaliach” de Deus. Ele vem de Deus para os homens. um apóstolo é o que. Deus que chamou as nações também chamou São Paulo. quando atendido. pois Deus veio ao seu encontro. E’ a iniciativa do amor de Deus. Uma adolescente escrava . E o evangelista não é apenas o que proclama. Quando ele age Deus é que está agindo. O cristão é constrangido porque ele próprio sentiu esse amor. mas que Deus realiza. buscando a Deus. Um dos primeiros atos de Constantino depois que se tornou Imperador. Assim é que São Paulo fala em ser “separado para o Evangelho”: ter as fronteiras de sua vida eliminadas por esse ato de Deus. que é a expressão do amor de Deus por ela. mudou de rumo. tendo se convertido. O próprio evangelista é a promessa desse encontro. Que Deus o achou e o enviou é em si mesmo declaração do amor de Deus por aqueles a quem o evangelista é enviado. Ele traz a mensagem do amor de Deus para os homens.

De tal modo que o primeiro requisito do evangelista é estar ele próprio envolvido nessa ação de Deus. Estar separado para o Evangelho é ter a atividade de sua vida determinada pela operação do Evangelho. aonde e como quer que Ele esteja agindo. Elas. mas escravos. E’ sempre uma realização de Deus. e sua terceira palavra de ênfase: chamado apóstolo escravo. Mas que dizer de Constantino e da proteção estatal que ofereceu à Igreja? Ou. Mas como explicar que a população toda de um vilarejo. Nossa vida não é nossa.tencia àquele setor da vida cujos limites são marcados apenas pela ação do Evangelho. 48 . Evangelizar não é serviço optativo para o cristão. Se Deus se utilizou do Império Britânico. que dizer da ligação entre o Império Britânico e as missões estrangeiras? Temos de confessar um certo desapontamento ao ver a rapidez com que alguns se dispõem a admitir erros e a pedir desculpas ao mundo pela maneira como Deus se tem utilizado da história humana. como sinal de sua decisão coletiva de aceitar a Jesus como Senhor? Não há triunfo de Cristo em qualquer lugar que não traga consigo a marca autêntica do poder da ressurreição agindo. Nela o mesmo poder que levantou Jesus dos mortos estava agindo. por que seria isso de certo modo infamante para Deus? A tarefa de evangelizar exige que marchemos com Deus. em sua grande maioria analfabeta. se quisermos um exemplo em nos505 próprios dias. como o fizeram os historiadores do Velho Testamento? Se Deus se utilizou de Constantino isso não é justificação para Constantino. e portanto mais apegada ao passado. Pertencemos à economia divina. Por que não podemos nós ver o poder de Deus manipulando os acontecimentos do mundo. Não somos servos. e por seu testemunho esse poder surgiu em dinâmica atividade. Duvidamos das conversões em massa. que é ao mesmo tempo Senhor da história e Senhor da Sua Igreja. pensamos. pela ação de Deus. Voltamos assim ao tema de São Paulo. tenha se resolvido a arrancar de seu nicho a imagem de deus da aldeia e jogá-la no rio. não fornecem exemplos da ação do poder de Deus.

Sei que sou culpado de sua morte. Essa experiência de São Paulo não é comum. Compreende o reconhecimento de que Jesus morreu por mim e que meus pecados causaram Sua morte. Que toda a humanidade comigo possa provar Do Teu soberano e sempiterno amor. Estava lá em Herodes. “Estavas lá quando crucificaram meu Senhor?” (1) Eu estava lá. e essas palavras eram verdadeiras. Estava lá entre a multidão vacilante. minha vida é espalhar por toda a parte essa mensagem do seu amor. que teve medo. Estava lá em Caifaz. Que todas as almas decaídas Possam provar da graça que me achou. cumpriram o seu dever. indiferente. Estava lá em Judas. mas a carga dessa experiência é a de toda a experiência de decisão por Cristo. dizendo: “Saulo. Eu sou Jesus a quem tu persegues” (Atos 9:4. Ó deixa que teu amor meu coração constranja Teu amor gratuito por todo o pecador. .5). que amava mas não estava preparado. Ele me amou e recusou-se a abandonar-me ainda quando eu O assassinei. simplesmente. Agora. por que me persegues?. (Quer Jesus que morra o pecador?. de Carlos Wesley) 49 .Como chegar a essa experiência de escravização? São Paulo alcançou-a na estrada de Damasco quando Jesus lhe apareceu e lhe falou. . que não quis arriscar sua posição no Sinédrio por causa de Jesus. Fui um daqueles soldados que. Estava lá em Nicodemos. O chamado de Deus que me atingiu veio dos lábios d’Aquele que eu persegui e neguei. “Este Jesus a Quem vós crucificastes” . E foi só quando as reconheci como verdadeiras a meu respeito que percebi o sentido do amor de Jesus. que preferiu salvar a nação deixando Cristo perecer. que seguiu a Jesus mas procurou dobrá-lo aos seus próprios interesses. Posso ver-me em cada personagem daquele drama. Estava lá em Pila tos.(Atos 2:36) estas foram as palavras com que São Pedro enfrentou seu auditório no primeiro dia em que a Igreja proclamava o Evangelho. Estava lá em Pedro. Saulo.

desesperaríamos de conseguir alguma coisa. Chegou.De semelhante modo constitui-se o evangelista através de uma experiência semelhante chega ele à compreensão de que e um escravo de Cristo. O missionário não tem mérito próprio. Rom. evidenciar a alegria que advém do viver dentro da servidão deste Evangelho. Nossa tarefa como evangelistas é sermos mediadores do amor de Deus. Não é um criado negociando por ordenado os seus serviços. Ninguém o aceitava. ensinar-lhes a conduta cristã. o fez pela bondade de Seu coração. são estas: que Jesus é o Filho de Deus. E’ aprender a depender da fidelidade de Deus. então. Mas a história não o produziu. da capacidade de Deus. por exemplo. E~ por esta razão que São Paulo associa graça e apostolado. Ele pode desempenhar sua tarefa como apostolo e testemunha da graça de Deus. desempregado. Ele estivera à margem da estrada. A fé é a resposta do homem ao amor de Deus. a fé produz a obediência. Ele foi estrangeiro aqui. (O pecado paga salário. “Se alguém me ama. As boas novas. foi o amor de Deus que o achou: ele pode assim recomendar aos outros esse amor. De outro modo. pois vive dela. Não é nossa tarefa. A graça o empregou e essa mesma graça é que o sustenta enquanto ele trabalha. Humanamente falando Ele teve ascendência histórica. convidar os homens a obedecer. que o encontrou ~ que o pôs a trabalhar na sua vinha. Pois. E porque o amor despertou a fé. Pois o apostolado é impossível quando não apoiado pela graça. e que no 50 . considerai a tarefa à nossa frente -a tarefa de chamar homens de Todas as nações à obediência que emana da fé. A obediência é gratidão pela graça. Ele tem apenas um encargo recomendar a liberdade de sua escravidão aos que não a conhecem. 6:23). é um escravo vivendo da generosidade de seu senhor e servindo à economia do seu mestre. de modo a despertar a fé. A vida cristã é a que vivemos por nos havermos tornado cristãos. ampliar a zona de influência do seu Senhor. O Senhor. a graça nos mantém nesse apostolado. aquele cuja vinda a profecia havia descrito. Deus concede dores. A graça nos fez apóstolos. guardará a minha palavra” (João 14:23).

para que ninguém pereça e se torne inútil. caindo na terra. Estas parábolas dão a descrição clássica do que é evangelizar. O Evangelho tem de 51 . atrairei todos a mim mesmo” (João 12:20-32). e eu. mas para que tudo e todos possam encontrar sua verdadeira utilidade dentro dos propósitos de Deus (João 3:16). . o cristão é alcançado e preso pelo chamado da graça. . . Pois Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho. Certa mulher tinha um colar de dez moedas. produz muito fruto .esse é o propósito da evangelização. “Este recebe pecadores e come com eles” murmuravam os fariseus e os escribas. pelo que Jesus lhes propôs três parábolas (Luc. . . . Chegou o momento de ser julgado este mundo. não morrer. . Um homem tinha um rebanho de 100 ovelhas das quais uma se perdeu. A reaquisição da integridade . A moeda perdida deve ser achada e restituída ao colar. 15:2). onde se encontram a vida e a morte. Respondeu-lhes Jesus. Seu chamado nos traz a esta fronteira. e lhe rogaram: Senhor. e aqui o cristão encontra o poder operante que é o do século que há de vir. Ambos os filhos deviam ser ganhos e restituídos ao lar. E André e Filipe a comunicaram a Jesus. queremos ver a Jesus. Aqui. Aqui é exercida a autoridade que Jesus concedeu quando se manifestou como Filho de Deus. se for levantado da terra. 2. e agora o seu príncipe será expulso. . fica ele só. e onde a vida triunfa. Essa ressurreição agora marca a fronteira do cristão. trazer de volta o que se havia perdido e reconduzi-lo ao seu verdadeiro lugar na economia de Deus.fim se diferenciou pelo fato de haver ressuscitado dos mortos. . Um homem tinha dois filhos. A ovelha perdida tem de ser encontrada e restituída ao rebanho. se dirigiram a Filipe. Se o grão de trigo. das quais uma se perdeu. mas se morrer. e aqui sua paz monta guarda. . sua graça nos mantém aqui. Queremos Ver o Jesus Alguns Gregos. mas seu lar estava desfeito.

e eu trabalho também” (João 5:17). e por meio deles também Ele leva a cabo acontecimentos que executam Sua sentença contra o pecado (Luc. 1:23).daquele Sábado quando o trabalho da criação estará completado e a harmonia integral da criação terá sido conseguida (Heb. o hospital. é antes uma antecipação da esperança do descanso de Deus . O Sábado não é em memória de ter Deus descansado. o trabalho da criação não estava terminado: “Meu Pai trabalha até agora. A escola. 1:1. Não menos significativos são os meios que ele adota através daqueles a quem concedeu poder. Apoc. E’ a mensagem de Deus à criação como um todo. Faz parte da ação de Deus. Esta obra de Deus é o tema da Bíblia e é apresentado sob três aspectos. no fim. No princípio. É uma verdade que temos a tendência a esquecer que o Deus de que fala a Bíblia é um Deus que está agindo no mundo de hoje. pois. “Deus fez o mundo em seis dias e descansou no Sábado. o centro rural. é a Sua maneira de trazer harmonia à criação (Marcos 6:1 5. e no fim Ele fará surgir um novo céu e uma nova terra (Gên. Há o aspecto de toda a criação considerada como um todo.19:41-44>. portanto. que concorra para realizar esta harmonia está dentro do significado da palavra “evangelizar”. o laboratório: esses todos são meios através dos quais Deus está procurando trazer integridade à vida. Deus chamou Abraão para que nele fossem abençoados todos os povos da terra. No principio fez Deus o céu e a terra. pois é isso o que é o Evangelho. da comunidade. deves descansar no Sábado”. Por meio deles é que Ele consegue governos tais que forneçam as condições necessárias à propagação do Evangelho (1 Tim 2:1-4). Toda a atividade. a glória e a honra dos povos será trazida a São (Gên.ser pregado a toda a criação. 21:1). Col. 21:26). Mas para Jesus. 4:9). 12:3. 52 . Apoc. Jesus descansará também. também tu. os fariseus disseram a Jesus. Há o aspecto da vida dos povos. Quando Deus descansar.

ou político. é Q movimento da evangelização. nossa tarefa particular tem de ser compreendida em termos do todo. No principio. de médico. É a Igreja. evangelizar cristãmente compreende levar a efeito aquela aproximação entre Deus e o homem. no fim. Este movimento total que Deus inicia e ao qual empresta o Seu poder. etc. de político. Deus estará no meio de seus filhos. mas a proceder como cristão em sua profissão de homem de negócios. evangelizar cristãmente compreende tornar visível no mundo. Consideremos isso mais pormenorizadamente. 21:3). quando 50mos separados para o Evangelho. como anfitrião dos redimidos (Gên. então o Evangelho cristão tem importância não só em relação à vida interior do cristão. Qual é essa parte ou essa tarefa? A resposta pode ser resumida mais uma vez em termos dos três aspectos já citados. de advogado. ali é a fronteira onde o Evangelho se defronta com o mundo.E por fim. A fé Cristã 53 . Deus andou com Adão no jardim. há o aspecto da vida individual. No aspecto da criação como um todo. Apoc. mas também em relação ao seu trabalho exterior. ou médico. E é desse movimento que somos convidados a participar. e tornar operante. aquela comunidade que rompe Todas as barreiras e na qual a integridade do futuro já está em parte realizada. No aspecto da comunidade. Nossa parte individual tem seu lugar dentro do drama total. A Fronteira Cristã Se a vida no seu todo pertence a Deus. ou homem de negócios. No aspecto do individuo. evangelizar cristãmente inclui toda a atividade exercida por cristãos. o movimento da atividade redentora de Deus no mundo. Onde o cristão se encontra em seu trabalho normal diário. O cristão é chamado não só a ser um cristão que é advogado. que o porá em contacto com a atividade redentora de Deus. 3:8.

Quando os leigos cristãos são capazes de transformar o seu trabalho diário em trabalho cristão. o problema é inverso. normalmente. Nos países de igrejas há muito estabelecidas. periodicamente. onde a cultura geral mergulha suas raízes na tradição Cristã. É essa também. O Instituto Ecumênico do Conselho Mundial de Igrejas.tem de se introduzir no mundo e suas atividades. centros rurais. com sede em Genebra. e é onde o leigo cristão estiver que isso se deve realizar. a tarefa da Igreja. Ele reúne. só a Igreja é capaz de dirigir as institui54 . homens e mulheres da mesma profissão para que possam buscar juntos um entendimento comum da importância da fé Cristã para o seu trabalho. A evangelização espera hoje o cumprimento em muito maior escala das funções do cristão leigo. . hospitais. A Igreja é um corpo sacerdotal ela é o instrumento que traz o poder e a presença de Deus ao mundo. . e assim por diante.pois a Igreja nunca deve consentir no monopólio estatal nesse campo. O fermento tem de estar escondido dentro do pão para que toda a massa seja levedada (Luc. mas não todas . Não são elas apenas instrumentos de serviço. nem apenas meios de estabelecer contacto evangelizador entre a Igreja e a comunidade em geral. a importância evangelizadora de instituições da comunidade Cristã tais como escolas. Aqui. 13:4). Nos países de igrejas jovens. tarefa essa em que cada um de seus membros tem sua parte. é a de manter e fortalecer essa ligação de tal modo que o próprio estado possa dirigir a maioria das instituições necessárias à comunidade: a maioria. foi fundado para dar ênfase a este aspecto da tarefa evangelizadora e para ajudar em sua realização. especificamente. contudo. Em que é importante no trabalho do advogado cristão o conceito cristão da Justiça? ou a concepção Cristã de personalidade para o médico cristão? ou a concepção Cristã da História para o trabalho do político cristão? ou a concepção Cristã de comunidade para o trabalho do negociante cristão?. elas são essencialmente parcela resultante do contacto do Evangelho com o mundo. então acontecerá a maior revolução de todos os tempos.

no entanto. mas antes dar ênfase à razão por que uma instituição da comunidade cristã é uma agência evangelizadora. e verificamos que precisamos educá-la para a vida como um todo. e esse aspecto a Igreja precisa trazer para o domínio e obediência a Cristo <II Cor. não é lidar com as relações entre a Igreja e o Estado. com o tempo. ‘“Saise à caça do marfim”. A finalidade desta discussão. E’ esse exatamente o problema da fronteira Cristã. Uma escola Cristã. Uma escola é um aspecto da vida do mundo. é mais do que um estabelecimento de educação. Essa é a função da escola Cristã. E’ agência evangelizadora em seu próprio direito. 10:5). Começamos por educar pessoas na fé Cristã. E’ o problema de lidar-se com o elefante no processo de conseguir-se o marfim. São Paulo.ções da comunidade que representam forçosamente o resultado do contacto do Evangelho com o mundo. E’ mais do que o instrumento para prover a educação de crianças cristãs. “e percebe-se que há sempre um elefante atrás do dente”. por exemplo. disse ele. descrevendo o ato central da vida 55 . a cultura de um país não cristão também poderá ser penetrada pelo ponto de vista cristão. A Bíblia fala da Igreja como instrumento do Reino e também como sua amostra. porque é a Igreja no mundo. como algo que a Igreja tem de fazer. de tal modo que a Igreja possa concentrar parte de suas energias em prover pessoal cristão para trabalhar em instituições do estado. E’ mais do que o meio de entrar em contacto com o povo ao qual queremos apresentar Cristo. A Comunidade Cristã A vida da comunidade Cristã como tal. Diz-se que um chefe africano definiu o problema da educação cristã como sendo semelhante à caça do marfim. é e deveria ser um fato evangelizador. Naturalmente. Deveria ser simultaneamente uma demonstração ao mundo do que o Evangelho realiza e um instrumento para a propagação do próprio Evangelho.

condensa três verdades numa só frase: “Pois ao comerdes deste pão e beberdes deste cálice. e na minha carne completo o que resta das aflições de Cristo em favor do seu corpo. O ato sacramental dessa participação é um testemunho ao mundo da morte de Cristo.a última ceia no cenáculo. a Igreja” (Col. agora. isto é. Há necessidade de tornar explícito ao mundo esta comunidade. 150 anos depois. 19:9). Tem sido conseqüência necessária que cada vez que esse vinho é posto em odres velhos eles se arrebentam. e o ato pelo qual vive. A comunidade Cristã alicerça a história humana nesses dois acontecimentos. Participação da vida de Cristo não parece ter resultado em testemunho da morte de Cristo em favor dos homens. O ato central da Igreja é orientado em direção a um acontecimento passado . Essa ligação entre vida. adoração e testemunho da Igreja é essencial. que. para a Sua nova vinda. Outro aspecto do valor evangelizador da comunidade cristã é que sua vida deve ser o novo vinho do reino de Deus em expansão. Há 1 50 anos atrás as missões começavam a entrar na Ásia em grande número. Também o testemunho da morte de Cristo. e testemunha a certeza de um acontecimento futuro no qual e através do qual a história culminará. testemunha um acontecimento passado como o centro da história. parece muitas vezes despido daquela alegria da esperança de Sua nova vinda. 11:26). é orientado também em direção a um acontecimento futuro . e o alicerce é a maior necessidade do mundo atual. os velhos odres da Ásia arrebentam e a Ásia está na iminência de criar novas 56 . A Igreja vive da participação da vida de Cristo. pela natureza de sua própria existência. anunciais a morte do Senhor até que ele venha!” (1 Cor. O cristão parece pouco desejoso ou mesmo incapaz de dizer: “Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vossa causa.1:24). Esse testemunho aponta para além da Sua morte.o banquete de núpcias do Cordeiro (Apoc. e uma das razões da fraqueza da evangelização da Igreja é que essa ligação não é evidente para o mundo. quando apresentado.da Igreja.

Apenas ora para que sua mãe e eu possamos ensiná-los acerca de Jesus e guiá-los em suas relações com ele. especialmente à proporção que a Igreja cristã de um determinado lugar envelhece. do Filho e do Espírito Santo”. Hoje as missões cristãs estão entrando em grande número na África. Mas sei que algum dia eles terão de dar sua resposta pessoal a Jesus. e incorporado a Cristo e ao seu corpo. Nele o indivíduo cristão vem ao seu Senhor. A comunidade Cristã representa.“o Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo que foi quebrado por vós”. para que quando Jesus vier’ a eles com Sua 57 . Confio em que estão crescendo num lar cristão. Como virá o dia do encontro. são batizadas. O novo vinho romperá com os odres velhos. aos que lhe são vizinhos. amanhã as algemas que ainda tolhem a África se romperão. Assim será. dando ênfase ao fato de que a comunidade Cristã deve viver inconformada com este mundo. 9:17). mas como membro da família. chamado pelo nome. E’ sempre uma paróquia. Aqui o indivíduo está só. O sacramento do Santo Batismo. a soberania de outro Rei. cf. disse São Paulo. crescem nos ensinamentos do Senhor. “Somos colônia do céu”. a vida de sua pátria (Filip. é sempre singular . 12:2). A importância do singular. Rom. cujo único e dominante propósito é aumentar a zona de influência do seu Rei. porque não pode deixar de ser (Apoc. . tende a ser esquecida na prática. um grupo dos que são “paroikoi” -estrangeiros (1 Pedro 2:11). mas! Tenho dois filhos. As crianças nascem em lares cristãos. O sacramento da Santa Comunhão que é sempre celebrado no plural . Mat.“Eu te batizo em nome do Pai. no entanto. e recomendando pela sua vida. 11:1-18. Até ai tudo bem. 3:20. O Individuo Cristão No âmago da vida da Igreja há os dois sacramentos de nosso Senhor. onde quer que esteja no mundo. não sozinho.formas para a sua vida. não sei. contudo.

Querem integrar-se na consciência da presença divina. mas tão somente interna.pretensão de discipulado consciente. Ele é Quem converte. tanto mais difícil lhes será ter a consciência do pecado. e então trabalhar pela nossa salvação” com temor e tremor. E há também os que preferem mergulhar em atividades. 2:12. O Sadhu Sundar Singh. tanto para o querer como o trabalhar ao seu prazer (Filip. disse São Paulo. quando estava na Inglaterra escreveu aos seus amigos na índia dizendo: “Orai por mim. e que são humildes porque na sua vida interior já foram quebrantados diante de Deus.13). pode até mesmo não ser um acontecimento isolado. O ideal cristão é de “filiação”. c’e que falamos. semelhante ideal é anticristão. reconhecê-lo e dizer alegremente: “Sim”. pois me sinto desesperada-mente tentado. Bàsicamente. mas Jesus é Quem resolve isso. Preferiria passar todo o tempo em oração do que sair para cumprir meus compromissos”. Há os que concebem a vida Cristã como o afastamento gradual do mundo. a sua qualidade interior perante Jesus é a mesma-é a experiência de estar só. “Misticismo” é sua palavra chave. pois Deus opera em nós. de ser abalado por Sua presença e ressegurado pelo seu perdão de amor. dirigindo programas e planos para um mundo melhor. cada um. Pedro não sabia á que dizia quando sugeriu a Jesus: “façamos aqui três tabernáculos” (Luc. Aqui não há obra externa. mas o amadurecimento de uma convivência de anos e anos: mas qualquer que seja sua forma. E’ a experiência do Eu diante do Tu. A nossa época necessita desesperadamente daqueles que são fortes porque são humildes. Quanto mais morais os meus filhos forem. é isso que é evangelizar E’ receber a salvação nesse encontro com Jesus. Esse encontro pode realizar-se com ou sem grande perturbação emocional. O que o 58 . 9:33>. “Porfia pela vossa própria salvação”. Evangelizar é a manifestação exterior de um processo interior. de fazer a vontade do Pai. despido de qualquer disfarce. eles possam.

a nova de que Cristo morreu por todos os homens”. visitando uma aldeia no condado de Lincolnshire hospedou-se na casa de dois humildes metodistas. como a resposta às necessidades do mundo dada por aqueles que se tenham encontrado com Jesus. disse o relatório da Conferência Missionária Mundial de Jerusalém”. Esta é a notícia que tem de ser compartilhada por todos os homens. Recomendar a Jesus. “Senhor. devido à forte chuva da véspera.Também estamos impressionados com o horror dos homens viverem sem Ele”. em última análise. Que diria ele àquela gente em tais condições? Parecia ironia falar-lhes de um Deus cheio de cuidados. só há uma novidade. Diz-se de Lord Tennyson que. Estamos realmente? Um pastor do sul da índia visitava alguns cristãos pobres da sua paróquia. a maioria das cabanas estava em ruínas e o próximo lugarejo era todo um lamaçal. Então 59 . Realmente ele pede coisa bem mais simples. mas nenhuma atividade pode tomar o lugar do próprio Cristo. Chegou.mundo enfrenta são as conseqüências de uma liderança que é cruel porque não é forte. Um filósofo pagão mo demo disse que necessitamos hoje de reaver o sentido da religiosidade cósmica. perguntam-nos. “Nossos pais ficaram impressionados”. esta é novidade antiga. senhor. e nova recente também”. O mundo precisa de todas as formas da atividade cristã. e ao cumprimentar sua anfitriã perguntou: “Então. Ele viu que. quais as novidades?” Ao que ela retrucou: “Que eu saiba. A Igreja precisa produzir homens e mulheres que tenham estado na presença de Deus. levantá-lo para que os homens sejam a Ele atraídos -esse é o centro da tarefa evangelizadora. e boa nova. precisamos de responder. queremos ver a Jesus”. com o horror de morrerem homens sem conhecerem a Cristo. Começamos esta discussão com a definição de evangelização como a participação da atividade de Deus e chegamos ao final de nosso estudo com a definição de evangelização. O poeta respondeu: “Sim. O de que necessitamos hoje é de um senso de humildade espiritual. e é a essa pergunta que. como os Gregos a Filipe.

Podemos nós fazer alguma coisa para atender a essa necessidade urgente? 60 . murmura em anelante aspiração.isto de falarmos de Cristo como a necessidade do mundo. Ao que ela respondeu: “Sim. nem o mundo rouba. e por Ele o mundo espera: “Yesu Swamy”. Só a Ele as circunstâncias não alteram. E’ uma realidade desesperadora.lhe apareceu à porta de uma das cabanas uma velha. Não é mera hipócrita ladainha . Ayya! E não fora por Yesu Swamy (o Senhor Jesus) não seríamos capazes de suportá-la”. e ele a saudou dizendo: “Amma! Vocês parecem estar em grande aflição aqui”.

de acordo com a abundância de sua graça . o perdão de nossos pecados. o evangelho da vossa salvação. . fostes selados com a promessa do Espírito Santo” (Ef. A Promessa Da Nossa Herança “Louvado seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Tentamos também entender a significação da sua tarefa considerando como um todo o movimento a que a sua tarefa pertence. . A evangelização resulta do contacto do Evangelho com o mundo. Mas onde encontrar a Jesus? Ele é encontrado onde está trabalhando.IV A IGREJA A Evangelização é a atividade salvadora de Deus. Eis uma definição em termos do âmbito de atividade. . Este é o ponto central. . mas é parte do próprio Evangelho. 1:3-13). Eis uma definição total. 61 . Nele temos nossa redenção pelo seu sangue. e Ele está trabalhando de modo evidente na Igreja. e cuja natureza o fez evangelista. 1. . A Igreja não é apenas instrumento do Evangelho. Evangelizar é ir de encontro à necessidade que o mundo tem de Jesus. Tentamos entender a compulsão exercida sobre o evangelista ao considerarmos a natureza do chamado que o constituiu como tal. . e nele tendes crido. antes da fundação do mundo . A Igreja é o seu corpo. Devemos agora procurar ir mais longe e penetrar na realidade da vida e função da Igreja da qual o evangelista é membro. que nos abençoou em Cristo. Nele vós também que tendes ouvido a palavra da verdade.

Reiterá-lo. A Igreja não é uma associação dos que são chamados. 3:9). A Igreja é a sociedade onde os processos restauradores de Cristo estão operando. A Igreja não é formada pelos que ouvem o chamado e se juntam para formá-la. o próprio chamado reúne os que a ele respondem. E’ o lamento de Deus diante do pecado do homem. A Igreja é o resultado do chamado de Deus. ó Ephraim? Como te entregaria. A Igreja é a habitação do Espírito Santo. 1:3). antes. Está mudado em mim o meu coração. E basta proclamá-lo para que ressoe nas almas dos 62 . pois a própria associação é motivada pelo chamado. onde estás?” (Gên. Todos os meus pesares juntamente estão acesos”. E’ mais do que uma pergunta. “Ó Jerusalém. O Chamado de Deus A Igreja surge em qualquer lugar pela simples razão de que a Igreja já estava ali no chamado de Deus. São Paulo nos dá uma definição da Igreja que relaciona a sua natureza com a atividade do Deus Triuno. mas Israel não tem conhecimento. A tarefa do cristão é tornar real esse chamado de Deus. “Como te deixaria. o agente do poder de Deus no mundo. Há nessa frase um soluço. e o jumento a manjedoura do seu dono. o meu povo não entende” (Is. e não o quisestes” (Lucas 13:34). ó Israel?. Na história do Éden. Oséias 11:8. Jerusalém’ Quantas vezes quis reunir teus filhos como a galinha recolhe os pintinhos sob as asas. Lamento esse que frequentemente ressoa na Bíblia: “O boi conhece seu possuidor. as primeiras palavras que Deus dirige ao homem pecador são: “Adão.Com estas palavras.

oh! Senhor. No pulsar do coração do universo Pulsa o coração do profeta. no coração de Deus. mas seu coração se compunge. considerando que para os que são chamados. A pregação tem poder salvador desde que resulte da qualidade dinâmica do próprio chamado. num distante sopro Lhe chega a divina palavra. ansiosa. para lhes fazer entender seu significado e urgência. perguntou: “E vocês. uma cruz. não muito distante. Ele responde. tinham se convertido ao cristianismo como resultado de intensa campanha evangelizadora. sua alma. Deus não o chama. meu Deus! Envia-me a mim!” Algumas famílias entre os ourives de uma aldeia no Sul da índia. Mas como poderão os homens 63 . Certo missionário. A dor daquele lamento o fere Como aguda espada. 6). A cruz de Deus é o chamado do profeta. Em harmonia com Deus. E respondemos também: “Eis-me aqui. Então fica de atalaia orando por eles e persuadindo-os até que respondam ao chamado com a obediência da fé. por que não se tornaram cristãos?” Ao que o ourives replicou: “Ninguém nos pediu”. 1:21-24). aguarda. em outra aldeia. “Todo o que invoca o nome do Senhor será salvo. Ele simplesmente ouve o lamento de Deus que procura mensageiros que façam a Sua obra (Is. “A quem enviarei? Quem irá por Mim?” E a angústia do triste monólogo Penetra fundo o coração do profeta. Aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. E eis que. A necessidade do mundo.que o ouvem O cristão apenas ajuda a tornar os homens conscientes do chamado de Deus. Cristo é o poder de Deus (1 Cor. Na história de Isaias não há um chamado especifica-mente feito ao profeta. indagando de um ourives do lugar o que fazia a sua gente na outra aldeia.

E’ achar-se numa relação com Cristo. Os Processos Restauradores de Cristo Cristo é a cabeça da Igreja. ao recebê-lo. E’ seu Salvador pois Cristo amou a Igreja e deu-se a si mesmo por ela para consagrá-la a fim de que “pudesse se apresentar diante dele Igreja gloriosa. é o que é por causa do trabalho de Cristo. E’ parte do que Deus realizou pelo homem. A Igreja surge pelo chamado de Deus. Cristo amando a Igreja e a Igreja correspondendo a esse amor. a Igreja é o primeiro tem do Evangelho que essa gente pobre e 64 . De fato. que é Seu corpo.invocar Aquele em quem não crêem? E como poderão crer n’Aquele de quem nunca ouviram falar? E como ouvirão sem que haja um pregador? E como poderão os homens pregar se não forem enviados?” E como poderão ser enviados se primeiro não os acharem? (Rom. sem mácula ou ruga” (Ef. Na verdade é precisamente porque o perdão não é uma simples troca entre Deus e o indivíduo. estar ligado a Ele. 5:21-27). indestrutível porque Ele jamais o destruirá. por sua vez. portanto. mas parte integrante desse mesmo Evangelho. mas uma qualidade da vida de união entre a Igreja e Seu Senhor. Assim é a vida de união entre Cristo e Sua Igreja. Cristo dando-se a Si mesmo pela Igreja e a Igreja dando-se. a despeito dos próprios pecados. que Cristo ensinou a seus discípulos tão insistentemente que. como o marido é a cabeça da esposa. em muitas das aldeias da Índia. Ser membro da Igreja. Estão unidos numa vida. Cristo e sua Igreja são um corpo. como um homem e sua esposa são uma só carne.10:13-15>. pelo indestrutível laço do matrimônio. Aqui sentimos a realidade da afirmação de que a Igreja não é mero instrumento para evangelizar. tão real que chama ao arrependimento e liberta do poder do pecado. que é redentora. Seu perdão é a realidade determinante dessa vida de união. o que não perdoa não pode participar do perdão. é participar desse processo de vida. pura e santificada.

E’ mais fácil. Se foram os benefícios desse amor que atraíram os homens ao Evangelho. e a Jesus Cristo a quem enviaste” (João 17:3). onde exista possibilidade. A habitação do Espírito Santo neste mundo esteve 65 . disse: “Graças a Deus que seus motivos são múltiplos. que conheçam a ti. que dizer dos motivos múltiplos dos que aceitaram a Igreja primeiro? Não seriam eles levados pela esperança dos vários benefícios sociais e econômicos que lhes advém do fato de pertencerem à comunidade cristã? Só podemos responder com as palavras daquele pastor do Sul da Índia que. surge uma nova criação. E’ o encontro redentor do Espírito Santo com o mundo. único Deus verdadeiro. “Conhecer e entrar numa união matrimonial. Uma vez dentro da Igreja. Há o desejo da paz espiritual”. Mas. mas cabe à Igreja apresentar Jesus como Aquele de quem os pães são apenas em sinal (João 6:26). E’ uma antecipação da vida de glória. Pode ser que busquem a Jesus por causa dos pa-es. Não nos deveria surpreender que seu único motivo fosse o ganho material. a velha vida de solteiro termina. por que dizer-lhes: Não? E’ um dos sinais da nossa falta de compreensão do Evangelho e do lugar da Igreja nele que tão depressa nos propomos como juizes dos motivos dos homens que procuram a Igreja. Mas tal não acontece. A vida da Igreja advém da união com Cristo. vão discernindo gradualmente quais as verdadeiras fontes da Igreja. Habitação do Espírito Santo Esta unidade de vida entre Cristo e sua Igreja é o meio pelo qual o mundo será redimido. A vida da Igreja é um todo orgânico. Participam da adoração coletiva e por meio desse culto são levados a entender e aceitar a soberania de Cristo.simples aceita. Eles encontram na vida da Igreja uma válvula de escape para a opressão de séculos. e os homens dela participam ao se aprofundarem na aceitação pessoal de Deus e de Jesus. ao defender as conversões em massa na Índia. “E a vida eterna é esta. Inclui o amor dos irmãos. apresentar os ditames de Cristo através do culto de adoração que da argumentação.

O Espírito Santo existe na Igreja quando esta é realmente a Igreja. A existência do Espírito Santo na Igreja não é uma existência estática. porque eu vou para meu Pai” (João 14:12). Onde está hoje esse poder? Onde está a prova da promessa de Jesus . aquela que é o resultado da união entre o Cristo ressurreto e sua Igreja. Os cristãos primitivos pregavam com poder. convencendo o mundo do pecado. O chamado de Deus é para todas as nações. limita esse chamado pela obediên66 . e essa nova criação torna-se a habitação do Espírito Santo. “poder” é a palavra maior da Igreja. ao contrário. No Novo Testamento. Deus estará presente com Seu povo. Desafiavam com poder. Ali não haverá pecado nem morte. então veio o Espírito residir na Igreja (Atos 2:33).longo tempo em preparação. como garantia e sinal da nossa herança. Quando Jesus ressuscitou. mas. porém.“O que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas. quando esta enfrenta o mundo no poder do Espírito Santo. quando a Igreja se contenta em limitar o âmbito de seu testemunho. num determinado lugar. na verdade. quando o foi. inerte: pois basta um mínimo de poder. Surgiu a nova criação. Na vida da cidade eterna. O próprio Jesus havia pedido a seus discípulos que esperassem em Jerusalém pela vinda do Espírito (Atos 1:8). O poder é apenas para o testemunho. e a experiência presente da vida porvir tornou-se possibilidade permanente. existência que possa ser considerada imutável. O poder está ainda aqui. hoje mesmo podemos ter um antegozo dessa vida. se consumando apenas com a ressurreição de Jesus. Se a Igreja. a morte transformou-se em parede fendida. expulsando os espíritos malignos. 21:1-4). Mas. nem tristeza nem separação (Apoc. Anunciavam com poder quebrando os grilhões da doença. em primeira porção. Pois o Espírito não foi enviado senão quando Jesus foi glorificado (João 6:39>. O Espírito Santo dá poder. é uma existência dinâmica. Experimentamo-la na Igreja.

a experiência do Espírito Santo é parcial também. . Consideraram a bênção como um privilégio e recusaram-se a reconhecer sua missão. 12:2. o poder de Deus na sua amplitude total fazse desnecessário à sua vida. Mas os descendentes de Abraão não souberam interpretar seu chamado. e toda a noite ficou em oração a Deus. ela sufoca o poder de Deus em sua própria vida. Nesses dias retirou-se para os montes para orar. até a consumação dos séculos” (Mat. para estarem com ele e para serem enviados a pregar e para ter autoridade de expulsar demônios” (Luc. 2. . e serás um bênção. estavam cheios de fúria e discutiam. A experiência do Espírito Santo advém do encontro da Igreja com o mundo. Quando amanheceu chamou os discípulos e escolheu deles doze. Somente quando obedecemos ao mandamento de Jesus de sermos testemunhas Suas. num determinado lugar. . for relapsa em estender e mediar essa influência restauradora. .3). é que aprendemos o significado de sua promessa: “E eis que estarei convosco sempre. Deus repetidas vezes os chamou à sua responsabilidade especifica como povo Seu. “Por que usa Deus uma nação mais ímpia que a nossa para nos punir?” perguntaram. mas não o quiseram ouvir: até que afinal a desgraça os alcançou e eles se viram exilados em terra estranha. Se a Igreja. através dos quais o perdão divino resulta em saúde e integridade. . Os processos restauradores de Cristo. entre eles que fariam a Jesus. são para os homens em todos os aspectos de sua vida. Escolheu Doze Deles “Os escribas e os fariseus. Marcos 3:14> A Igreja existe com determinada missão. . 6:11-13). 28:20). em ti todas as famílias da terra serão benditas” (Gên. . . Onde esse encontro é parcial. quando Deus disse a Abraão: “Eu te abençoarei. Está presa à Palavra de Deus que a criou. extensa ou intensivamente.cia imperfeita. enquanto que os que em Israel tinham perma67 .

. se a lâmpada não aceitar o velador. doze homens. e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is.essa é a tremenda verdade acerca da natureza da Igreja. Se um homem não é tão tolo. dos seus discípulos. o castigo que nos traz a paz estava sobre ele. e alumia a todos que se encontram na casa (Mat. nos versículos do Evangelho de São Lucas com que este capítulo começa. O livro de Jonas. 5:14. Ali estavam os patriarcas do novo povo de Deus. Então. Neles se desenvolveu a promessa e a ordem dada a Abraão. 2:5) . e as nossas dores levou sobre si. 53:4. ali estava o núcleo da Sua nova “ecclesia”. então não só é o velador retirado como. 68 . . Quando Israel voltou do exílio o velho câncer ainda mostrava sinais de vida. a lâmpada e apagada. vemos Israel na encruzilhada de dois caminhos opostos.1 5). Ele os chamou apóstolos (Luc. Ninguém poderia ter ignorado a significação do ato de Jesus ao escolher. Santa. Deus não é menos sábio. Mas não seria assim. formulado em 325 A. disse ele. D. Eram homens presos a uma missão. mas no velador. os enviados.atributos esses que nascem da universalidade inerente à natureza da Igreja. caso não te arrependas” (Apoc:.5). “o dia virá em que as nações dirão -verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades. pelo Concílio de Nicéia. Um dos grandes credos históricos da Igreja. consigna quatro atributos à Igreja: Una. “moverei do seu lugar o teu candeeiro.necido fiéis a Deus perguntavam: “Por que temos nós também de sofrer com o resto do povo que foi infiel?” A ambas as perguntas o profeta do exílio deu a mesma resposta: “Aceitai vosso sofrimento como manifestação da vossa vocação”. Nenhum homem acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire. Apostólica . . Muito menos ele acenderá uma candeia para colocála sob o alqueire. 6:13). Cat6lica. Contudo. escrito em protesto contra essa tendência é o último livro do Velho Testamento que chama Israel à sua verdadeira missão. Os lideres de Israel haviam rejeitado a Jesus e procuravam eliminá-lo: Jesus respondeu rejeitando a Israel. . também.

Precisa afirmar que pertence à Igreja Universal e. Desejou antes guardar suas posses e crucificar o herdeiro (João 1:11). de restaurar na plenitude sua circulação a vida sacramental da Igreja em todas as suas partes. Os que buscam a unificação da Igreja em termos práticos freqüentemente se esquecem de que a unificação da Igreja não pode jamais ser obra humana. Dissemos que o objetivo dos movimentos em prol da Unificação da Igreja é mais do que atingir a união administrativa.A Igreja é Una Isto porque o Senhor é um só. trata-se. E’ preciso frisar também. E’ tarefa da Igreja levar todos os filhos de Deus a esta unidade de vida. nem mesmo os que trabalham pela unificação da Igreja com base na verdade teológica. Precisam lembrar-se de que a tarefa é tornar visível a unidade que já exista de fato e não criar uma unidade que não exista. Pertence àquele povo assim como faz parte da Igreja Una de Cristo. outrossim. Não se trata da unificação da Igreja por causa da maior eficiência de administração ou de programa. A missão da Igreja nasce dessa união. Como diz o Plano apresentado para unificação da Igreja em Ceilão: “Um plano regional para a unificação da Igreja deve preservar nessa região o principio da unidade do 69 . mas seu objetivo . a menos que estejam dominados de zelo missionário pela Igreja. Israel rejeitou a Cristo porque não queria expor as riquezas de sua herança à luta árdua do esforço missionário. “Está Cristo dividido?” pergunta São Paulo aos cristãos de Corinto que se compraziam na abundância de seitas (1 Cor. A Igreja no seio de determinado povo é a Igreja para aquele povo. ao mesmo tempo. expressar sua participação na vocação do país para o qual é a Igreja.já está quebrada. Mas (e esta é a razão porque o movimento no sentido da unificação da Igreja está tão ligado ao movimento missionário) essa unidade de vida que é não só a base do trabalho missionário. chegarão a qualquer resultado. que essa unificação difere da unificação mundial geográfica. 1:13). e a vida da Igreja é a vida de união com o seu Senhor. A unificação da Igreja dá lugar às diferenciações regionais. Mas.

estavam no auge da rivalidade. De fato. Aqui o argumento para insistir em que falece às Sociedades Missionárias idoneidade para a orientação da Obra Missionária a menos que procurem entender a vida e os destinos dos povos entre os quais trabalham. 70 . Também a liberdade de uma Igreja regional tem tornado possível.Corpo de Cristo. e pensar no seu trabalho em termos de enviar dinheiro e revezar os missionários. que haja um grande movimento missionário na África. no mesmo momento histórico em que a África se torna ponto estratégico nas relações internacionais . e quando a cultura da Grécia proporcionava o veículo da língua comum. o que nos ensina que Deus está operando. assim como na Igreja. Há urgente necessidade de maior compreensão da hora que determinado povo atravessa em relação à ação de Deus. vemos repetidamente a sincronização dos acontecimentos. e pode em qualquer lugar tornar possível. e governo bem dirigido. Aqui está a base teológica dos problemas de adaptação que o missionário tem de enfrentar. Há entre as agências missionárias a tendência de se preocuparem exclusivamente com a Igreja na terra missionária e não com a própria terra. para ali serem coroadas com Sua aceitação e recriadas pelo Seu Espírito”. seus vizinhos de ambos os lados. Que a unificação da Igreja no Sul da índia se realizasse no mesmo ano em que a índia atingia sua independência política.tais fatos não são menos significativos do que a sincronização que vemos ao considerarmos que Israel estava pronto para ser julgado ao mesmo tempo que Babilônia e Egito. antes que a Igreja entre esse povo possa ter alguma relevância diante dessa hora. A atividade de Deus processa-se sempre na história como um todo. a expressão adequada do gênio religioso das grandes nações através da adoração e do trabalho da Igreja. e assim as riquezas das nações são levadas para a Cidade de Deus. navios. ou que o Evangelho de Jesus foi lançado no mundo quando a paz de Roma lhe fornecia estradas.

e morra. a relação entre a Igreja e o mundo. Essa função de controlar ou influenciar a justa distribuição das bênçãos de Deus é exercida em larga escala fora dos concílios da Igreja propriamente dita. separada para seu uso. foi negar a necessidade da cruz (Mat. Também os escolheu “para que os pudesse enviar” . Qual é. porque deixa de exercer a função para a qual foi destinada. permanece sozinho. se morrer. então. Uma coisa era considerada santa quando era consagrada a Deus. A auto preservação é o tema de uma crise que freqüentemente assola a vida da Igreja. Uma Igreja missionária e constantemente renovada em sua vida. A Igreja é a despenseira das bênçãos de Deus para com o homem e faz parte de sua função providenciar para que tais bênçãos sejam bem distribuídas. foi dita logo em seguida a Sua palavra a respeito dos fundamentos da Igreja.A Igreja é Santa Jesus escolheu seus discípulos “para que pudessem estar com Ele” essa é a base da unidade da Igreja.essa é a base da santidade da Igreja. 16:18-23). produz muito fruto” (João 12:24>. A santidade espiritual surge como resultado da fidelidade da Igreja à sua função primordial. uma relação de mordomia. Ele a separa do mundo para que a possa enviar ao mundo. sem contudo perder os meios de influenciar uma distribuição justa. “A menos que o grão de trigo caia na terra. E’ mais do que simbólico que a primeira profecia de Cristo sobre a Sua paixão. Em outros a comunidade cristã é minoria. a relação para a qual a Igreja está separada. e na manutenção da qual a Igreja é renovada? E’ uma relação tríplice. de intercessão e de mediação. especificamente Sua. e também que a primeira tentação de Pedro imediatamente após. nas câmaras legislativas das 71 . Em alguns países a própria comunidade cristã tem poder para controlar essa distribuição. A Igreja é Santa porque é o instrumento da missão de Deus para o mundo. Deixe uma Igreja de ser missionária e deixará de ser santa. porque Deus está operando nela e através dela. mas.

5:16). Os que ministram em nome de Cristo precisam manter esta distinção em seus corações. o ato de receber o doador juntamente com a dádiva. pessoas que. ao receberem a sua parte das bênçãos abundantes de Deus. Jesus curou dez leprosos mas ficou satisfeito com o trabalho realizado. E’ seu dever orar constantemente não só para que maior justiça prevaleça nas relações humanas. Por último. Quando o Estado provê tratamento médico gratuito. influenciarão elas próprias uma distribuição mais eqüitativa das boas dádivas de Deus a seus filhos. também na vida da comunidade pessoas influenciadas pelas idéias e ideais cristãos. e Deus jamais dá alguma coisa que não se dê também a Si mesmo com ela. levados a Deus. que é a 72 . é manifestação desse serviço da Igreja. assim como orar para que os homens aceitem as dádivas de Deus e sejam gratos ao seu Bemfeitor (Mat. por exemplo. mas para que os homens aprendam. Devem servir onde o serviço é necessário. E’ imprescindível que a Igreja sustente seu programa de serviço com a oração sincera. que é de Deus que o recebem. por isso. mas julgar seu êxito não pelo muito serviço prestado mas por quantos foram. E’ tarefa da Igreja orar para que as bênçãos de Deus desçam sobre os esforços para promover o bem estar do homem como homem. para que os que o recebem sejam levados a Cristo.nações. 17:17. está procurando fazer justiça a todos os cidadãos: mas quando um homem recebe a saúde ele está recebendo uma dádiva da graça de Deus. e na administração do Estado. Ele distribui as bênçãos de Deus sob a forma de conhecimento. mas é também o Deus redentor que providenciou na Igreja uma antecipação da vida eterna. A relação entre a Igreja e o mundo é também de intercessão. sô’ mente no caso do único homem que voltou para dar graças a Deus (Luc. Isto é Gratidão. na vida pública. Deus não é apenas o Deus criador que proveu o Seu mundo de suficiente munificência para o bem estar do homem. a relação da Igreja para com o mundo é também de Mediação. Um colégio cristão. ele introduz. Ainda mais. mas assim mesmo é função da Igreja.18).

A Igreja exerce sua obrigação de mordomia nos hospitais mas também é da vontade de Deus que Suas dádivas sejam meios pelos quais seus filhos estabeleçam relações legítimas com Ele. Mas. A Igreja é enviada ao mundo como ato redentor de Deus para a recuperação dessa integridade (Ef.integridade do homem to do. 35:1. Ele é restituído à sua integridade. “Há alguém dentre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja. e se houver cometido pecados.aparecendo a função de mediação como específica da Igreja . e a oração da fé salvará o doente e o Senhor o levantará. não apenas curado. (Rom. Este mundo destina-se a ser um lar para o homem~e o profeta procede corretamente quando faz o deserto florescer como uma rosa (Is. 11:6.2) e os animais da floresta deitarem-se em paz (Is. e a tarefa da Igreja é trabalhar para que isso se cumpra. A Igreja É Católica A criação perdeu a sua integridade. ser-lheão perdoados” (Tiago 5:14. Um exemplo esclarece-dor de como as três funções da Igreja se entrelaçam . corpo. A vontade de Deus deve prevalecer em toda a Sua criação. além disso.15). mente e espírito.vida do século que há de vir. como na história do 73 . Aqui está a carta regia que autoriza a Igreja a preocuparse com a totalidade do mundo de Deus. Deus providenciou para que na vida da Igreja haja os meios de atingir “integridade” . A correlação da vida da natureza com a atividade redentora de Deus é amplamente manifestada na história da libertação de Israel do Egito. e orem sobre ele ungindo-o com azeite em nome do Senhor.7). como parte do quadro do mundo quando o homem atingir a sua libertação. 8:22). Que o Evangelho seja pregado a toda a criatura (Marcos 16:15). O doente é salvo. o Doador. A Igreja exerce sua obrigação de intercessão para esse fim estabelecendo capelanias em hospitais.é o seguinte: a cura medicinal é uma provisão de caráter geral providenciada por Deus na criação. 1:10). Ela geme e se angustia esperando sua redenção.

quando alguém fica doente numa das aldeias distantes é carregado para o hospital pelos seus parentes. Que aconteceu? Em primeiro lugar.ministério de Jesus aqui na terra. Todos voltam à sua aldeia. Para dar dois exemplos: não é mera coincidência que haja reaviva mento do ministério curativo da Igreja ao mesmo tempo que se avulta o movimento ecumênico. quando sofre um segundo ataque da doença. os que vieram trazer o doente ficam morando em cabanas por ali perto. obra. O doente fica bom em alguns dias. Isso significa que houve menos dez mãos na lavoura durante esses dias. Por sua própria natureza requer-se que se atualize na integridade de sua vida. como resultado. Pode levar de quatro a cinco dias para chegar ao hospital. Exemplo do que isso implica pode ser oferecido pela citação das palavras com que um médico africano descreveu um hospital cristão na África. e os que se ausentaram perderam a comida de quase um mês. Portanto. A conseqüência de uma Igreja dividida tem sido sua deficiência. os lares africanos perto do hospital estão sempre cheios de visitantes e sua vida de família está completamente desorganizada. julga que o demônio que ele enga74 . nem que a evangelização resulte da renovação da congregação através da maior integridade no adorar e no testemunhar. numa das sessões da Assembléia de Amsterdã do Conselho Mundial de Igrejas. Pelo menos oito homens são necessários para carregar o doente. A Igreja precisa recobrar sua integridade também na sua obra. etapas e missão. Ser católica é ser íntegra. e algumas mulheres os acompanham para cozinhar durante a caminhada. mais ou menos dez pessoas se ausentaram de sua aldeia durante cerca de quinze dias. Quando chegam ao hospital. A Igreja precisa de recobrar a integridade de sua vida. Em terceiro lugar o homem doente. Foi isto em resumo o que ele disse: Não existe outro hospital num raio de cerca de 100 milhas. Em segundo lugar. A Evangelização não é programa de atividades é a superabundância da vida da Igreja. Mas a Igreja não pode ser instrumento promotor de integridade se ela mesma não for íntegra.

nou da última vez indo ao hospital dos brancos. outras apenas violeta.a Igreja é católica. todas são Igrejas. nem nacionalidade podem ser fatores qualificativos para a Igreja. A Igreja é como um raio de luz. laranja ou vermelho. num sentido teológico e de acordo com á história teológica. As partes têm de concordar com o todo (Kata Holos — Catholica). em que consiste. 75 . nem mesmo para uma igreja. A integridade da Igreja depende também de estar ou não apresentando todas as características da Igreja. A Igreja não é um mensageiro vicário agindo em lugar de Deus. A Igreja de um determinado local é um corte transversal desse raio de luz. outras apenas roxas. a palavra protestante tem sidó usada como oposto de católica. anil ou azul. mas não são íntegras. foram escolhidos para a pregação do Evangelho a todo o mundo . Infelizmente. todos os homens. “Um hospital cristão não o é pelo simples fato de ser um hospital”. a Igreja é católica só quando for para todos. e como se transmite: mas não há controvérsia em relação ao fato de que a Igreja é apostólica: mensageira pessoal de Deus ao mundo. Algumas Igrejas são amarelas. E por último. nem classe. Há diferenças de opinião a respeito de como deve ser mantida essa autoridade. A Igreja É Apostólica Os discípulos foram escolhidos para estarem com Ele . e Cristão apenas quando faz parte de uma atitude global em face dos problemas da vida africana”.a Igreja é una. disse esse médico africano. precisa de ser aplacado agora. Esse corte transversal precisa de todas as cores do espectro. Mas o verdadeiro oposto de Católica é Sectária. foram escolhidos como o Novo Israel -a Igreja é santa. Mas todas são cortes transversais.a Igreja é apostólica. O movimento pela unificação da Igreja é uma tentativa para recuperar essa integridade. Nem raça. também foram escolhidos para transmitirem autoridade . nem cor.

Deus está sempre agindo. A planta é a cristandade. mas há muitas cristandades. especialmente em terra estrangeira. “Pois não pregamos a nós mesmos. E’ inevitável que o missionário traga uma planta num vaso. até onde estiver nele. Não deveria ser possível a um missionário falar com demasiada facilidade em deixar um país por outro qualquer. produz a planta. nem o conteúdo do testemunho apostólico. Precisa de acautelar-se para não confundir a cultura cristã do seu país com o Evangelho. pedra de tropeço. em relação ao chamado do missionário não seja demais aqui. Traz as marcas tanto da semente como do solo. mas a Jesus Cristo. 1:23). particularmente para o evangelista. e a Igreja encarna esta ação de Deus de modo especial. expurgando-o do que possa ser pedra de tropeço.E’ antes um mensageiro por encarnação. E’ este elemento da apostolocidade que constitui também a investidura da Igreja e lhe confere tanto a sua liberdade. A tarefa do evangelista.mas São Paulo estava decidido a proclamá-lo sem modificaç5es (1 Cor. mas é essencial que ele permita que o vaso de sua planta seja quebrado e esta seja replantada no solo do país para o qual foi levada. de modo a torná-lo mais aceitável ou mais razoável. Os judeus consideraram o Evangelho inaceitável. Talvez outra palavra. e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus” (II Cor. muitas formas culturais através das quais o homem expressa sua fé crista. Este é o ideal missionário. Há apenas um Evangelho. Mas é preciso resistir a essa tentação. a cristandade de sua própria cultura. A Igreja não tem a liberdade de alterar o conteúdo do Evangelho. O Evangelho é semente que plantada no solo da vida de um país. é muito forte a tentação de mudar o Evangelho. Muitas vezes. como a sua servidão. é apenas tornar o Evangelho inteligível. uma palavra apenas para realçar a vantagem de se olhar o chamado missionário como um chamado de serviço ao povo e não um chamado para um determinado trabalho. Mas um missionário. precisa também de considerar a liberdade da Igreja. 4:5). 76 . loucura . como Senhor. os Gregos o acharam desarrazoado.

Em todas essas coisas a apostolicidade da Igreja é o cânone do evangelista. e a própria Igreja é manifestada como Seu corpo “a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef. é dado testemunho dos crescentes propósitos de Deus. 1:23). pela vida e expansão da Igreja. 77 . Assim. Começamos este capitulo com as seguintes palavras: A Igreja existe para uma missão. vimos agora quão determinantes da função missionária da Igreja são seus atributos essenciais.

e neles eu sou glorificado”. Mas a santificação é para que o mundo creia. “por aqueles que me deste. em honra a Deus. E’ uma atitude de santificação. A glória de Deus é o fim último da evangelização. é em nosso beneficio. tenho galardão. O tempo aspira por esse fim e dele deriva sentido. 9:16-27).V A TAREFA A evangelização é uma forma da vida da Igreja. é então a responsabilidade de despenseiro que me está confiada. mas. Tudo faço por causa do evangelho. de modo a descrever essa atitude evangelística.. pois são Teus. Fiz-me tudo para com todos.. 1. todas as minhas coisas são tuas. Escravo de Todos “Ai de mim se não anunciar o evangelho! Se o faço de livre vontade. com o fim de. Ao entendermos isso vemos a urgência da tarefa evangelizadora e percebemos suas verdadeiras dimensões. Fiz-me escravo de todos. é em benefício de terceiros. “Rogo”. a fim de ganhar o maior número possível. 78 . A obra evangelística é o modo de viver do evangelista. ora. salvar alguns. disse Jesus. e as tuas coisas são minhas. com o fim de me tornar cooperador com ele”. se constrangido. (1 Cor. fim que será atingido quando essa glória for revelada em sua plenitude com a vida de Cristo.. por todos os modos. Nosso próximo passo será examinar criticamente muitas das coisas já anteriormente discutidas e formulá-las em relação umas às outras.. A sua crença fará manifesta a glória de Deus.

“Mas certamente poderemos chegar ao céu sem nos unirmos à Igreja”. então não será lícita a exigência de que sejamos obedientes. a justiça é que é desejável”. Tanto no Novo como no Velho Testamento. O pecador é o 79 . e um empresta sentido ao outro. É inútil e falso isolar esses três estágios da alma um do outro ou tratá-los em oposição uns aos outros. a conversão às idéias e ideais cristãoscristianização. “A pessoa é crista desde que seja boa em sua vida. qualquer que seja sua teologia a respeito de Jesus”. Assim na índia. a retidão. a ordem é em geral diferente. de que Deus é um Deus que opera e que Jesus é a suprema obra de Deus. Mas implícita nessa conversão está também a conversão à comunidade crista e a conversão às idéias e ideais cristãos. mais tarde. e não apenas bons? A bondade pode ser inútil. ainda que a ordem não seja a mesma. E em seguida a esta e por sua causa. cada um deles possibilita a existência do outro. onde os movimentos em massa são freqüentes. “e se e um mundo no qual Deus opera. depois a evangelização e.proselitismo. a primeira conversão é geralmente à comunidade crista .e a discussão desce com estrépito ao nível do que nós próprios pensamos que deva ser. “Que espécie de mundo é este?” pergunta. No caso dos que são movidos pela fome espiritual ou pelo desespero devido à sua consciência do pecado. Temo-nos afastado do mundo do pensamento bíblico e começamos a falar o que nós chamamos palavras de bom senso. Eles estão unidos. assevera outro . diz alguém ou. Primeiro. o proselitismo.a conquista para o discipulado a Cristo. Assim voltamos ao mundo bíblico procurando alcançar a verdade básica da Bíblia.O objetivo da evangelização é a conversão. Todas essas três conversões devem efetuar-se. o primeiro efeito do Evangelho é a evangelização . e então segue-se o proselitismo e a cristianização. Nos colégios cristãos. conversão a Cristo e entrega pessoal a Ele como seu discípulo.evangelização. o pecado é descrito de modo especificamente religioso. Mas a Bíblia insiste em seu desafio. Depois efetua-se a conversão ao discipulado . processa-se a cristianização.

e. O argumento faz da atividade de Deus o seu ponto de partida. pois a base fundamental da evangelização é a atividade de Deus que tem de ser divulgada. e perdemos de vista o verdadeiro sentido do horror bíblico ao pecado. e em cujo discipulado andarão em obediência diante de Deus.que está em desacordo com Deus. Jesus não pode ser objeto da opção do homem.Sim. porque é ato de Deus.Sim. tendo comunhão com Ele e participando do trabalho que Ele está realizando .é o que domina o processo de evangelização.como lugar e pessoa em que Deus optou por encontrar-se com o homem. portanto . Que tens feito em relação ao que Deus fez? E’ uma pergunta que todos os homens têm de responder. Podemos agora procurar resumir as qualidades que devem caracterizar tal processo. a mesma mensagem. torna-se urgente a pergunta . na pessoa de Jesus Cristo e. Mas frequentemente usamos a palavra “pecado” puramente no sentido moral. Deus veio para encontrar-se com o homem. Proclamação Esta é naturalmente a primeira característica. porque Deus fez isso. Ele está no lugar errado. A necessidade de trazer os homens a Jesus Cristo.“Que temos nós feito em relação ao que Deus fez?” Repetidas vezes na índia e no Ceilão os que fazem trabalho evangelístico enfrentam a pergunta: Você também teria um evangelho para Mahatma Gandhi? Não é ele moralmente superior a você? . E ainda teria uma mensagem para ele? . E’ um ato de ingratidão. e diante dessa pergunta. a excelência moral e a visão espiritual não são verdadeiramente importantes. para definir apenas defeitos de caráter. de desobediência e de rebeldia. Não foi sua visão espiritual mais profunda que a sua? Sim. Pecar é recusar-se alguém a encontrar-se com Deus no lugar onde Deus veio para encontrarnos. 80 .

É proclamada porque é um ato de Deus. quanto da própria natureza do Evangelho. Jesus morreu. na verdade. mas sou um Hindu. encerrado nos meus ossos” (Jer. diz São Paulo. por quem Jesus morreu. mas quando provoca confissão. “Adoro somente a Jesus. Tenho pertencido a Ele desde o início. diz Gerencias. Freqüentemente ao falarmos em evangelizar falamos a respeito de compartilhar com os outros o que nós achamos em Jesus. A iniciativa é dele. “Disse eu: Na-o falarei mais no seu nome”. 20:9>. mas isso foi no meu coração como fogo ardente. Na-o teremos compreendido o que é o Evangelho. mas apenas parcial. o Deus de minha escolha”. e meu semelhante é meu irmão. mas um Pedro que confessa.“Jesus. Quando Paulo diz: “Ai de mim se não pregar o Evangelho”. “Adoro a Jesus”. Cada vez que olho para o Evangelho. Há alguma coisa mais ao falarmos da proclamação do evangelho. A necessidade da proclamação deriva também da mordomia. E’ que o Evangelho é Evangelho. disse ele. Sou Hindu porque reconheço o direito de cada homem de adorar o Deus de sua escolha”. Onde o evangelho é acreditado e con81 . sei que ele pertence aos meus semelhantes e que devo passá-lo adiante. A fé crista. Há uma legitimidade parcial nessa posição. ele quer dizer antes que: “Se não pregar o Evangelho. “Jesus meu lshta Devada” . eu mesmo perecerei sem experimentar o poder do Evangelho agora. por outro lado. não se baseia na minha escolha de Jesus. Destacado Samajista Brahmane na índia certa vez pronunciou um discurso sobre o assunto. Para ser experimentado. o Evangelho precisa ser transmitido. “Uma dispensarão me é confiada”. se não sentimos a compulsa-o de serviço em relação a ele. mas fundamenta-se na minha atitude diante da escolha que Jesus fez de mim. e Ele me chama com o direito daquele que me fez. A rocha na qual a Igreja está construída não é a confissão de Pedro. ele na-o quer dizer: “Se não pregar o evangelho dia virá em que serei castigado por Deus”. A compulsa-o do evangelista deriva na-o tanto da sua experiência do Evangelho. Isso é o verdadeiro Hinduismo. tão parcial que quase a invalida. não quando merece crédito.

Não nos surpreende saber que Jesus foi tentado em todas as coisas como nós o somos? (Heb. Eu prego o Evangelho a um homem”. 82 . Não há outro caminho a seguir. dinâmico. Se ouvirmos os Hindus até que o Hinduismo se torne uma tentação para nós. Sentou-se onde nós nos sentamos (Ez. 4:15). Não podemos recomendar o Evangelho aos nossos contemporâneos a menos que possamos participar de sua frustração e de suas esperanças. Ele participou da nossa situação. Hocking perguntou a C. Trancai-o e cessará de ser Evangelho. Ele não encontrou outro meio de levar a cabo sua tarefa. Andrews: “Como é que o Sr. Ele identificou-se conosco de tal maneira que sentiu a força de nossas tentações. existe a Igreja. se ouvirmos os comunistas até que comecemos a sentir a atração do comunismo. que está fazendo algo. é errado chamarse a isso de método de evangelizar. 3:15). W. Temos que nos identificar de tal maneira com o Hindú que o Hinduismo passe a ser parte de nós mesmos. Se alguém jamais exemplificou esse método de pregar o Evangelho. E’ isto que significa identificar-se. se ouvirmos os muçulmanos até que o Islamismo comece a empolgar-nos. Identificação Esta característica é necessária ao trabalho de evangelização. F. Só então estamos preparados para pregar o Evangelho ao homem. endereçar o Evangelho a nós mesmos em idêntica situação. F. O evangelho é algo operante. E. “Tornei-me tudo para todos”. prega o Evangelho a um Hindu?” Ao que Andrews respondeu: “Não o faço.fessado. uma vez que corporifica a lógica da encarnação. foi C. Diz-se que certa vez o prof. e não ao Hindú que há nele. de cumprir o seu ministério. e então. boas novas. Na verdade. diz São Paulo. então sim. Andrews mesmo. estaremos em posição de transmitir a eles o Evangelho. tão intrínseco é esse fato à evangelização.

e particularmente as missionárias. para usar as palavras de São Paulo. pois as mulheres dão mostras de mais conservadoras culturalmente falando e de achar a adaptação a outra cultura mais difícil. contudo. Mas enquanto isso continuar sendo uma experiência do passado e o trabalho cristão um trato impessoal com as massas. não é alcançada facilmente. em sua palestra. e encher o meu tempo com pregações de plataforma e de púlpito que o dia em que sentara lado a lado com alguém. torna-se uma experiência do passado. o Bispo Stephen Neil olhando para o enorme auditório perguntou: “Quando tentastes pela última vez levar alguém a Jesus?” Em meu coração essa pergunta gerou o temor. Qualquer outra forma de demonstração deve ser precedida por essa forma elementar onde o encontro é pessoal. e é a vida do próprio evangelista. a menos que inclua a identificação tão completa quanto possível com as manifestações culturais daqueles que procuramos atingir ao apresentar o Evangelho. Havia sido tão fácil deixar-me levar para posições de responsabilidade administrativa. e nesse encontro o Evangelho surge como o poder de Deus para a salvação. Demonstração Esta característica da evangelização implícito o evangelho. Há outro fator marcante incluso nessa palavra “demonstração”. mas o testemunho da fragrância da sua vida. Um dos momentos inesquecíveis para mim na Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas em Amsterdã foi quando. nem frequentemente. participar de sua demonstração. E’ possível forçar um certo procedimento com os outros. O que tem valor não é realmente o testemunho do que se faz ou recusa-se a fazer.Esta identificação. Demonstrar o Evangelho é. lutam o com ele e por ele para que pudesse encontrar a Jesus. E’ isto algo de que o missionário estrangeiro precisa lembrar-se. mas a fragrância 83 . o Evangelho não poderá ser conhecido na sua realidade operante. com trabalhos em Comissões e em Conselhos.

O que seria “Senhor de todos ou de ninguém tornou impossível aos homens receber apenas parte de Sua personalidade. para não suceder que vejam com os olhos. Nele nós temos: A realeza oculta num estábulo. “Nós cristãos exalamos a fragrância inconfundível de Cristo. ainda que um mistério revelado. ouçam com os ouvidos. nas palavras de Isaias: “Ouvireis com os ouvidos.2:15). tem o perfume da própria vida” (II Cor. A ressurreição oculta por sua transcendência sobre a experiência humana. autoridade estupenda e feitos maravilhosos. Interpretação Isso é importante porque a evangelização é inútil onde o Evangelho não se faça compreensível e claro. 13:14). A verdadeira humanidade escondida numa vida de milagres . que está verdadeiramente presente com relação a isso. Alguém já disse: “Houve tempo em que uma Igreja rebelde podia recomendar o Evangelho. Esse tempo passou”. como há a fragrância da vida individual.de pureza imaculada. 84 . A universalidade oculta numa raça exclusiva. A verdadeira divindade oculta num homem que experimentou todas as necessidades e tentações humanas. Assim também. Para os outros. Mas. O Evangelho é um mistério. por quê? Porque ocultar? Cristo mesmo dá a resposta quando diz. vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis” (Mat. A verdade oculta em parábolas. Entrega voluntária oculta num assassinato. é impossível dissimular. também há a fragrância da vida da Igreja. Eterna contemporaneidade oculta numa vida limitada pelo tempo. Para estes. nossa fragrância assemelha-se ao próprio cheiro da condenação.da vida. e de nenhum modo entendereis. discernível tanto pelos que estão sendo salvos como pelos que estão caminhando para a morte.

O lar de onde venho também é pagão. Nunca fui a uma igreja. enquanto continuava a dizer: “Não compreendo. a experiência de conversão que procura realizar. a não ser que o 85 . . E’ tarefa do evangelista. A apresentação do Evangelho tem de ser transformadora em seus resultados. Transformação Este é o objetivo da evangelização. Quando alguns anos atrás estive nos Estados Unidos convidaram-me para falar aos estudantes de uma Faculdade de Teologia. “Não entendo o que os senhores estão falando. mas durante quinze minutos aqueles estudantes pregaramme o Evangelho. que chegou a entender o Evangelho.” Não é necessário descrever aqui toda a reunião. Tenho educação rudimentar. Em lugar de fazer-lhes uma palestra. se convertam e sejam por mim curados”. transformadora em relação ao ouvinte e ao pregador. Eles terminaram por dizer: “Tais pagãos não existem”. Sou trabalhador da estrada”. Quero que o pregueis a mim. interpretar esse Evangelho aos outros. Nunca li a Bíblia. Quanto ao ouvinte. Pensai em mim como se fora um americano pagão. . Ao que retruquei. porque veio a Ele com discernimento da fé.“O senhor é pecador”. Por favor usem palavras que eu conheça”. ele não poderá ser transformado. propus-lhes: “Estais aprendendo a pregar o Evangelho. A primeira coisa que aqueles jovens estudantes disseram foi: . Mas existem. Não nos podemos jamais esquecer de que o chamado para o apostolado está ligado ao chamado à santidade: e que só nos tornaremos santos através da disciplina implícita no processo de sermos verdadeiros apóstolos. Mas a interpretação depende também do uso da linguagem compreensível. Nunca ouvi essa palavra pecador antes.entendam com o coração. e a menos que aprendamos a usar linguagem que nossos ouvintes entendam e palavras que para eles tenham o justo colorido emocional seremos maus intérpretes.

enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas.primeiro. A transformação depende de se estabelecerem as conexões necessárias. Jesus.“Quem se julgará adequado para desempenhar tamanha responsabilidade?” Só o homem. Há sempre enorme multidão e entre ela mascates que vendem doces. 2:17) (1) “Eis que vos envio”. Resultado:. como ministro escolhido de Cristo” (II Cor. notava-se um dos vendedores. chamado Perahera. Eu sou a raiz e a geração de Davi. a brilhante estréia da manhã. O Espírito e a noiva dizem: Vem. Certo homem saiu para a rua dizendo a quantos encontrava: “O mundo é redondo como uma laranja”. A Estrela da Manhã ‘Eu. A graxa era tão mas não interessava na ocasião. diz Jesus. insistir em que a apresentação do evangelho seja tornada relevante ao ouvinte. Numa dessas festas de Perahera. e em segundo lugar prevenir que simplesmente dizer a verdade do Evangelho pode não constituir proclamação significativa. no mês de Agosto. “Graxa para sapatos Flor de Cereja. frutas e bebidas. mas sua proclamação não fazia sentido algum. e essa verdade tinha importância. Já falamos a esse respeito. mas permitam-nos acrescentar duas palavras: . diz São Paulo. 10:~6). é realizado em Ceilão um festival Budista. Proclamação. no qual a relíquia do dente de Budha é levada em procissão. Ele continuou anunciando o fato até que a polícia o levou para um hospital de alienados. e 86 .Evangelho faça conexão entre sua mente e sua alma. transformação . Mas ele é o Pastor não só dos cordeiro3 como também dos lobos. “como cordeiros no meio de lobos” (Mat. Ele dizia a verdade. 2. Todo o ano. sob os olhos de Deus. demonstração.Ninguém a comprou. que anunciava. “que se recusa a pertencer à grande falange dos traficantes da palavra de Deus . interpretação.o homem que fala em nome de Deus. venha. Aquele que tem sede. Aquele que ouve diga: Vem. identificação.

O que fazemos é nossa resposta a essa vontade: e pela nossa resposta define-se o nosso destino. agora que Jesus já veio. Vem. Antes de Jesus vir. Este fato e esta esperança lançam a perspectiva para nosso trabalho e para nosso pensamento.quem quiser receber de graça a água da vida. O tempo pertence a Deus e cada um de seus momentos traz consigo Sua vontade para nós. está afirmando alguma coisa a respeito de Jesus Cristo. . dias se passaram desde que Jesus Cristo nasceu. e deste para o Seu ato de consumação. 5:1 5. Em todo o mundo. pois o tempo cessará quando ele voltar em glória. . A Estrela da Manhã aparece e breve virá a madrugada.16 . O tempo não é um vazio. e é preenchido pela atividade de Deus. mês ou ano. O tempo pertence a Deus. Ele é também o fim do tempo. . Aquele que dá testemunho dessas coisas diz: “Certamente venho sem demora. Qual a importância disso para nós ao tentarmos compreender a natureza da tarefa cristã? Em primeiro lugar. o tempo chega a nós carregado de direção. e o tempo flui de Seu ato de criação para o Seu ato de encarnação. aproveita ao máximo o teu tempo. por assim dizer. Tentar outra coisa é simplesmente remar contra a corrente. esse tempo vem a nós carregado de destino. O tempo tem a duração que Deus decide. com o que quer que desejemos fazer. O tempo estará então cumprido. . Jesus é o centro do tempo. que possamos preencher como queiramos. Senhor Jesus!” (Apoc. “Sê pois extremamente cuidadoso com a vida que levas.na tradução de Moffatt) Em segundo lugar. compreende qual a vontade do Senhor” (Ef. De tal maneira que ao lidarmos com o tempo estamos. era o período de preparação para sua vinda. ao determinar a natureza do próprio tempo. forçados a lidar com ele na direção por ele mesmo determinada. . cada vez que alguém anota o dia. Deus está trabalhando. Amem. é o período da espera até sua próxima vinda. 22:16-20). meses. . Está afirmando que tantos anos. Jesus disse: 87 .

Nós pensamos estabelecer nossos próprios desígnios. não endureçais os vossos corações” (Heb. O plano do “aiônios” se 88 . contudo. Tem uma referência vertical. Dizer que Deus é o Rei. mas Deus manipula os acontecimentos humanos para a realização de sua vontade. espalha” (Luc. O tempo está sempre no indicativo presente na companhia de Deus. 6:2). Aqui os acontecimentos se realizam como resultado da atividade humana ou dos fenômenos naturais. o plano da eterna vontade de Deus. causas humanas são estabelecidas ou derrotadas. De tal modo que cada acontecimento. é contra mim. embora aconteça no plano da vontade livre do homem. mas que esse reinado é mantido. povos aparecem e desaparecem. Mas toda a história da vida humana está sob a vontade eterna de Deus. como acontecimento ocorrido num mundo que pertence a Deus e onde Deus é Rei. Os Impérios surgem e caem. é dizer não só que o reinado a Ele pertence. 11:23). Os escritores bíblicos eram de tal modo dominados pelo reconhecimento dessa qualidade do tempo que o relato histórico que nos dão é determinado por essa atitude. também acontece sob os olhos de Deus. em terceiro lugar. Ele determina os fins a que se destinam nossas ações. Todo o acontecimento é colocado primeiro no seu lugar cronológico e explicado no plano da liberdade de vontade do homem. e quem comigo não ajunta. agora é o dia da salvação” (II Cor. 3:15).“Quem não é por mim. batalhas são perdidas e ganhas. E. A função do profeta era ligar essa referência vertical a cada acontecimento e pronunciar julgamento sobre ele. é o tempo aceitável. o tempo nos chega com uma decisão desafiadora. Deus se preocupa com o mundo que criou. indivíduos vivem e morrem. Este é o plano do chronos. Esta é a base da urgência que caracteriza a vida cristã. Esse plano de referência é o plano do “ai6nios”. Sua soberania sobre o mundo é real. se ouvirdes a Sua voz. do tempo como seqüência. “Agora. “Hoje.

tempo decisivamente cumprido. simplesmente porque ali a começamos. querendo fazer tudo. estava condicionado ao julgamento de Deus sobre o pecado do povo judaico. Estava também no plano definido e no prévio conhecimento de Deus. onde é possível introduzir uma ponta de lança. Como o Dr. que há forte tentação de dissipar esforços. Para dar dois exemplos: O exílio judaico na Babilônia foi um acontecimento no “chronos”. O mundo está cheio de desesperadoras necessidades. E’ essencial discernir a questão estratégica. é esquecer a guerra em que estamos em89 . John R. na história da ação redentora de Deus. Aqui estava a referência vertical desse acontecimento com o “aiônios” o plano da eterna vontade de Deus.desenrola no plano do “chronos” até que se cumpra o tempo. Mas. Cada acontecimento é tempo cumprido . Tal acontecimento marcou o fim de um período e o início de outro. Deveu-se à grandeza do império babilônico e as rivalidades estavam assim despertadas. esta concepção bíblica do tempo é importante porque a estratégia da evangelização tem de basear-se em última análise no entendimento individual do “kairos”. A crucifixão de Jesus resultou do jogo de muitos interesses humanos. a necessidade é que a Igreja tenha uma estratégia móvel. Num estudo da teologia da evangelização. para esclarecer os problemas que encerram a promessa do futuro. Malbaratar nossos recursos mantendo a luta num setor. Mott tantas vezes tem posto em destaque.kairos” .levando a decisão de Deus e contendo em si mesmo a promessa do futuro. Era “kairos”. “um acontecimento que teve sua origem em “aiônios”. A Igreja precisa de lançar as suas forças aonde o inimigo está mais fraco. Ocorreu quando se cumpriu o tempo e a hora da chegada -quando era “kairos”. e nossa época está tão cheia de insistentes perguntas. como também onde o inimigo está mais forte e onde forte deve ser a defesa. Foi um acontecimento no “chronos”.

A tarefa da Igreja e dos cristãos na África é diferente dos da Grã-Bretanha. tanto pelo momento histórico que esse país atravessa como pelo momento histórico peculiar à própria Igreja. Não é bastante espalhar a manteiga da teologia sobre o pão da política. enfrentamos momentos históricos diferentes 90 .penhados. sejam convidados pela Igreja a tornarem-se eles mesmos primeiro relevantes para Deus. Pedem-nos que mostremos a importância da fé cristã diante dos problemas e necessidades mundiais . significa que estamos detrás das linhas de batalha. Realmente. Histórica. Mas também reconhecemos em Amsterdã que embora a Igreja em cada país esteja enfrentando momentos diferentes. A outra verdade é que não é sempre o mesmo “kairos” em toda a parte. o clima da fé cristã na índia ou na China é diferente daquele do continente europeu. do fato de que em cada país a Igreja está condicionada.importância essa que deve ser explanada em termos diferentes de acordo com cada situação concreta. Reconhecemos em Amsterdã que. de modo relevante. A história determina as fronteiras da tarefa da Igreja. Se nos sentimos oprimidos. política. E’ sempre “kairos” em algum lugar. que hoje pedem à Igreja que lhes prove a importância de Deus. se bem que haja um só mundo. Tornam-se necessário que os homens. ali podemos discernir o significado de mútua relação para a Igreja. há também muitos mundos. mas a Igreja como Igreja também cria uma das fronteiras do mundo. relevante para o prosseguimento do trabalho de Deus e seus propósitos. nem todas as partes do mundo estão na mesma hora. há uma hora que caracteriza a Igreja de um modo geral. Como as igrejas em nossos vários países. Os que participaram da Assembléia de Amsterdã do Conselho Mundial de Igrejas guardam profunda lembrança disso. mas estamos também sob a ordem de Deus para chamar os homens a viver abundantemente. econômica e socialmente. as alternativas que a Igreja e os cristãos da América enfrentam são diferentes dos que estão na Tchecoslováquia. quer dizer que estamos em luta com o inimigo. se nos sentimos confortàvelmente.

Nada pode ser feito pelas nações para impedir que os anjos do Senhor ponham suas foices a trabalhar.remendo novo colocado em roupa velha. o trigo recolhido servirá novamente de semente para novo plantio. sobre o qual vem o Senhor. o vinho novo está sendo colocado nos velhos odres de atitudes raciais entre brancos e negros. Enquanto que na América o quadro que se vê é o do remendo . Quando olhamos para a Europa. e é que o futuro pertence a Ele. “Ele virá”. Mas. 91 . que ameaça perigosamente rasgar-se. O trigo e o joio cresceram juntos. Já se pode ver a cor rosa dos velhos odres de couro. 12:1. Na Ásia oriental. Mas. Os abusos dos vendilhões do mercado do Templo logo serão atacados.2). é a única frase futura no credo da Igreja. e da vida tribal dos próprios povos africanos. Há apenas uma certeza a respeito do futuro. quadros que me parecem definir a natureza do momento que diferentes partes do mundo atravessam. Jesus (Heb.com tarefas diferentes. parece iniciar-se o moment9 da entrada triunfal. ao contrário. Corremos com perseverança a carreira que nos está proposta. Evangelizar é procurar discernir os tempos. A hora de Deus chegou para ajuntar novamente o que resta da Europa. Na África. e preparar lugar para a vinda de Cristo. por outro lado. são o jumentinho. são quadros que sugerem também as tarefas que as igrejas enfrentam. As velhas igrejas do ocidente são o jumento e as jovens igrejas da Ásia. Aqui está uma série de quadros em termos dos quais Amsterdã me fez pensar no mundo e seus problemas. parecenos que ela está no seu tempo de colheita. e por causa dessa definição. como Igreja. quando o trigo for recolhido e o joio queimado. pois a tarefa da Igreja em toda a parte e sempre é simplesmente ser a Igreja. enfrentamos juntos o mesmo momento histórico. seguir por onde Deus está agindo. e não está longe o dia em que arrebentarão. mas agora o tempo da colheita é chegado. olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé. mas após isso virão o Calvário e a Páscoa.

A atmosfera é opressiva. e o teto desta vida será levantado. ele é hoje o símbolo da situação do homem. Então podereis ver o cenário mais belo e grandioso. na realidade. preparado durante esses onze anos por um de nossos pintores noruegueses. e então veremos o que realizou o nosso grande Deus. Gostaria de poder retirar este teto provisório que tem agora onze anos.No final de sua mensagem à Conferência Mundial de Juventude Cristã em Oslo. Dentro de um ano julgamos poder ver o que está por cima. Ele precisou deste teto provisório como chão para seu atelier. 92 . como não nos é dado ver hoje o Cristo como o Senhor absoluto do mundo. o Bispo Berggrav apontou para o teto da Catedral em que nos encontrávamos e disse: “já observastes o teto desta igreja? E’ baixo e pesado. Ele virá. Então tereis o mais convincente sermão que a pintura pode dar de Cristo o Senhor. Por que é assim? Por certo não houve esta intenção ao construí-lo. mas. Mas não o podereis ver hoje. e que o teto baixo de hoje foi o chão do seu atelier”. Mas ele é! Quando o teto baixo da vida temporal for retirado conheceremos que Ele esteve aqui o tempo todo.

mas tomando posição na fronteira do finito com o infinito. O Evangelho cristão é a Palavra que se fez carne. convida outros. Mas Nunca Se Sabe “Em verdade. A procura religiosa do sentido da existência é realçada pela exigência de que não se atinge esse sentido por meio da fuga ao finito e temporal. O cristão não oferece de sua própria riqueza. Na evangelização a relação que se estabelece é a de “estar ao lado” e não “em oposição”. O cristão coloca-se ao lado do nãocristão e aponta para o Evangelho. e o que é nascido do Espírito é espírito. como evangelista. ouves a sua voz. 1. Não é do seu próprio conhecimento que ele reparte. Ato sagrado de Deus. E’ um mendigo dizendo a outro onde encontrar alimento. Isso é bem diferente e mais profundo do que dizer a Palavra que se fêz discurso. assim é todo o que é nascido do Espírito” (João 3:3-8). é carne. Há sempre algo imprevisto no modo como o Evangelho produz efeito quando proclamado. nem para onde vai.VI O NÃO-CRISTÃO Evangelizar é testemunhar.. O que é nascido da carne. em verdade te digo que se alguém não nascer de novo. E’ simplesmente o convidado a’ mesa do seu Mestre que. Ele não a tem. é para o próprio Deus que ele aponta. O vento sopra onde quer.. mas não sabes donde vem. do temporal com o eterno. Na’o te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo. Nota-se isso melhor onde 93 . não pode ver o reino de Deus .

escolheremos o Budismo como a fé não cristã com que lidaremos. naturalmente. mas a resposta tem 94 . esta carta é apenas uma introdução. se bem que as palavras e as imagens lhe sejam familiares. Será inevitável. e para dar maior vida aos argumentos. lembrando-nos. e não são as suas idéias e significado derivados da posição que ocupam nesse todo? A pergunta é legítima. Deve ser seguida de uma declaração positiva da fé crista. Se escrevesse a um budista procurando uma entrada que me possibilitasse a apresentação do Evangelho. o Evangelho precisa necessariamente de se relacionar com aquela fé. Além do mais. contudo. Tentaremos neste capítulo explicar esta relação. procurarei estabelecer certa relação entre o que quero dizer e aquilo em que você já crê. de que nem por isso tornamos o resultado do Evangelho menos imprevisto. Isto significa que é escrita por alguém que aceita a vida e os ensinos de Jesus Cristo como a chave para a mais completa e adequada compreensão da vida e de seu sentido. também. budista. que você as veja num contexto diferente e por vezes contraditório do contexto que seria natural ao Budismo. Para fins de discussão. como é uma carta dirigida a você. por mim. Pois onde há outra fé. Mas.o Evangelho é pregado aos de outra fé religiosa. Pode ficar certo de que ao fazer tal declaração. budista. que diria? Como explicaria a perspectiva crista quando ele vê pelo prisma de outra fé? Eis como o tentaria fazer: Esta carta é escrita a você. cristão. usaremos o artifício da troca de cartas entre cristão e budista. tentarei fazê-lo em palavras e imagens que lhe sejam familiares. Terei eu o direito de usar palavras e idéias que pertencem a uma religiao para expressar as verdades de outra? Não é cada religião um todo. mas apenas ajudamos o evangelista a tornar mais adequada a sua pregação. tanto em julgamento quanto em realização. A verdade do Budismo Talvez esta carta devesse começar por uma pergunta que estou certo você deseja fazer.

positivamente. todos os atavios das práticas pelas quais os homens tentaram e tentam ainda invocar a intervenção do supernatural. como cristão. o Budismo é uma das mais realistas. O resultado dessa atitude é que. está gritantemente ausente. se até certo ponto o estudante pode encarar com neutralidade o estudo de uma religião. liberta-nos de todas as concepções 95 . o Budismo apresenta um diagnóstico do problema da vida que é radical em sua visão. e. achei que isto fertilizou a minha fé e enriqueceu o meu entendimento. sem qualquer tentativa de investi-lo da quase-divindade. pois ela assegura que Deus não se deixou ficar sem testemunhas entre nenhum povo. ao usar palavras e idéias.de ser que. Assim. em linguagem tão expressiva quanto me for possível. Mas posso também fazer outra coisa: compartilhar francamente com você minha própria apreciação do Budismo como estudante cristão. O homem é concebido como homem. não posso formular nenhuma teoria geral quanto á relação entre a fé crista e o Dhamma budista. Assim termos e idéias Budistas têm hoje para mim um significado real no contexto de minha própria fé. não tenho a intenção de imprimir na fé crista elementos da verdade como os vejo no Budismo. elas se encontram nas mentes e nas almas dos homens. não o fará completa nem adequadamente. assim derivadas. Há também uma segunda resposta da qual depende esta primeira. estudei o Budismo. E’ isto que a minha fé também me leva a esperar. negativamente. e o mundo é aceito como é. quer acerca do mundo. tudo que posso fazer é apresentar minha fé. mas apenas tento explicar a fé crista em linguagem que já tem sentido para um Budista. 1:10>. e que é o objetivo de seus desígnios reunir todas as coisas em Cristo na plenitude do tempo (Atos 14:17. Ef. sem qualquer tentativa de racionalizar ou diminuir sua tragédia. Além disso. cristão. de tal modo que. Quando eu. Não padece de nenhum otimismo gratuito. quer acerca dos homens. Entre as grandes religiões do mundo. e deixar assim a questão. como budista. a você. As verdades religiosas não se encontram nas bibliotecas.

tanto acerca do homem como acerca de Deus. a vida julgada apenas pelo lado humano leva o homem ou a sonhar com utopias ou a renunciar às responsabilidades da vida. como o fazemos quando disfarçamos o homem com a capa da divindade ou emaranhamos Deus e sistemas humanos. Assim. e também me impressiona o fato de não encontrar no Budismo todas aquelas presuposições humanas acerca de Deus que. definimos ambos os lados da verdade.pois fundi-los num só. e Deus em conflito com o homem . As asseverações de Cristo Não quero dizer que acredito que você como Budista ache fácil entender ou aceitar a verdade da fé crista.o homem em conflito com Deus. Na verdade. e de Deus como Deus. somente quando os definimos em termos de tensão .de Deus como “deus ex machina”.o ponto de vista humano e o divino. De modo que a verdade inteira se encontra ao ligar ambos os pontos de vista num só. noutras religiões. A verdade inteira é afirmada apenas quando se reconhece que não podemos falar da vida sem falar simultaneamente. e acerca do homem como homem. Você 96 . E’ justo que um deus que os homens podem manipular seja desprezado. O que me impressiona como estudante cristão do Budismo é que encontro no Budismo a descrição da vida e do mundo do ponto de vista humano apenas. A crença peculiar ao Cristianismo é que há dois pontos de vista pelos quais a verdade pode ser atingida . constituem tamanho obstáculo à aproximação dos homens por parte de Deus. a vida julgada só pelo prisma divino leva o homem ou a sonhar com os milênios ou a negar a realidade da vida temporal. enquanto que. Há a verdade que o homem vê de sua situação como homem. e há também a verdade que Deus revela ao homem em termos do propósito de Deus para com o homem e o mundo. é destruí-los. sem qualquer tentativa para camuflar a situação humana.

Não se pode querer provar a existência de Deus. Disse-lhe tudo isso. em vista da natureza do confronto com Deus. porque Deus mesmo lhe dará visão. meu Senhor” (Fil. Tudo o que. quer fossem cristãos ou budistas. Sim.não achará. que é na base dessa crença que a vida adquire maior sentido. ao menos deste outro lado da vida. mas o Budismo. quando você encarar a Deus como Ele é apresentado pela fé crista. deveras considero tudo como perda. não interprete o que eu disse como trazendo implícito o pensamento de que julgo os budistas especialmente cegos. porque é justo que. e você chegará à mesma conclusão a que todos os outros homens chegaram. hindús ou maometanos. Porque o ponto de vista do Budismo é a negação da importância. quando o eu chega ao seu encontro decisivo com Deus os maiores impecílhos para aceitá-lo são as verdades que o eu já conhece e a bondade que ele já possui. De fato. isto considerei como perda por causa de Cristo. não serão capazes de apreciar a verdade na sua totalidade. e que a menos que essa cegueira seja curada. e que há amplo testemunho da verdade de tal crença na experiência da vida de homens e mulheres das mais variadas idades. Deixe-me ajudá-lo a dizer: “Gostaria que fosse verdade”. mas como homem. e então saberei que você verá que isso é verdade. 3:7-8). não fornece base em que sustentar a fé crista. por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus. não o fará como budista. O que 97 . Um estudo do Budismo pode enriquecer o crescimento da compreensão da fé crista em termos budistas. eu assim o previna. Um dos maiores Judeus de seu tempo. chegou a essa conclusão e descreveu sua experiência nestes termos: “Mas o que para mim era lucro. Tentar fazê-lo é o mesmo que tentar provar ao cego a existência da cor. o lado que chamamos divino. Por favor. Não o uso desprezar a contradição que há entre o axioma de Deus e as naturais pressuposições que você possa fazer. como tal. culturas e raças. senão da própria existência. se pode fazer é mostrar que a crença em Deus é razoável.

e tendemos a negar qualquer outra realidade. o budista. e as quais até então ele tendia a negar. (João 1:9). Na presença da luz só as trevas desaparecem. Dai. só que antes sua verdade fora mal definida porque o fora do ângulo humano apenas. até que nos apercebemos da cegueira e pedimos a Deus que nos dê visão.tentei dizer é que vocês são cegos exatamente do mesmo modo em que todos nós somos cegos. sabemos e vemos essa vida material. e só num novo contexto e em relação a outras verdades. pelo menos na prática. E’ quando nos convencemos de nossa incompetência e da ineficácia do mundo que chamamos por auxílio e esperança. Quer nos chamemos budistas ou cristãos. começa a ver que muitas coisas que ele aceitava como verdadeiras o são apenas em parte. é uma afirmativa que Ele mesmo fez. O cristão. e não me surpreenderia se às vezes você pensasse que esta crença numa ordem divina da realidade seja simplesmente um meio de escapar às agruras desta vida. tudo se vê claramente em suas justas proporções e relações. Ele chamou-se “Luz do mundo”. Esta não é uma afirmativa que o cristão faça em benefício de Jesus. e os recebemos. o conceito permanece verdadeiro. surgir a possibilidade de uma declaração das verdades do Budismo dentro do contexto da fé crista. De tal modo que. na presença de Cristo. quando recebe visão. contudo. Ao dizer isso não me esqueço de que para você a maior dificuldade estará em aceitar que haja qualquer outro ângulo da questão que não apenas o humano. Em muitos casos o contexto cristão parece revolucionário diante do conceito budista. e também a de uma declaração da fé crista em termos budistas. 98 . Imagino que você me acha pretensioso ao dizer isto. mas a fé determinante com que o cristão se aproxima de qualquer verdade é a fé de que Jesus Cristo é a plenitude da luz. quando recebe visão. tudo o mais permanece. começa a perceber a verdade de muitas coisas que sua religião lhe vinha há muito ensinando. um modo de conseguir compensação. não é verdade? Talvez seja.

afirmações não comprovadas e incomprováveis de que depende toda a sua perspectiva. se a verdade fosse que havia uma fuga real da tragédia desta vida. pois semelhante demonstração apenas se resumiria no julgamento da natureza de alguma coisa pelos seus efeitos. Você pode objetar dizendo que não devemos aceitar coisa alguma sem comprovação. Deve seguir-se a discussão dos vários dogmas de nossas crenças. também acharam que desse modo eles se comprometiam a viver nos mesmos termos da vida que Jesus viveu: e como você sabe. e difícil usar as palavras “fuga” e “compensação” a respeito da vida de Jesus. A Natureza da Verdade Como disse no início. então concordaria alegremente. apenas não concordaria que isso constituísse prova. por outro lado. Baseados nessa definição de prova não poderíamos crer nem em Deus nem em Nibbana. mas então perguntaria o que você entende por comprovação. Se. você entende que não devemos crer em coisa alguma que não possa ser objeto de uma demonstração experimental nesta vida.Minha única resposta é que os que verdadeiramente acharam e aceitaram a Deus em Cristo. sem lograr conhecer a causa desses efeitos direta ou 99 . contudo. deve ser tratada imediatamente: a que diz respeito à natureza do dogma. uma tentativa para lhe explicar a perspectiva crista de um modo geral. isto é apenas uma introdução. então seria loucura desacreditá-la. então perguntaria em que termos é o nosso conhecimento julgado bastante adequado para fornecer o critério de comprovação. compensação real e não fantasiosa algo que trouxesse a esta vida verdadeiros objetivos e a coragem para atingi-los. e também assegurasse a esperança de uma vida mais abundante depois da morte. Toda a religião tem seus próprios dogmas . Se por comprovação você entende que não devemos crer em coisa alguma cuja existência não possa ser demonstrada em termos de conhecimento que já possuímos. Uma primeira questão. Além do mais.

a relação entre as várias experiências e fatos da vida é apresentada. O pensamento precisa ter como ponto de partida um axioma. E’ nisso que consiste. procura explicar a vida e seu sentido. Se não começamos com Deus não terminaremos com Ele. o Budismo é definido como “a religião que sem começar com Deus leva o homem ao ponto em que a ajuda de Deus se faz desnecessária”. como escolher entre eles? Mas temos de decidir. Dukkha. A existência de Deus significa a existência de uma ordem de vida que é eterna . que há postulada para a alma -Atta uma identidade que é guardada pela soberania de Deus. explicação essa que volta sempre aos dogmas. em última análise. em última análise. e que. pois quando realmente começamos com ele não terminamos com as doutrinas de Anicca. deve conduzir aos seus pressupostos. Isso. Num artigo do Anuário Budista de Ceilão de 1930. como na teimosia de nossas vontades em 100 . O verdadeiro pensamento é sempre circular. Dukkha . especialmente muito do que é importante. além de verdade. pois os dogmas das várias religiões não são mutuamente consistentes.Nicca. Algumas explicações são tão limitadas que deixam muito por esclarecer. e a diferença entre dois círculos de explicação é a diferença de raio. Quando digo “explicar”. A eficácia da verdade de uma religião em contraste com outra é julgada pelo círculo de explicação que inclua o maior número de fatos relevantes. verificamos que se baseia num grupo de dogmas que são indepentes. Anatta. partindo dessa base.consiste não tanto na transitoriedade das coisas. e que a tristeza. e quando olhamos para qualquer religião. Uma coisa está explicada quando sua relação com outra mais diretamente conhecida é demonstrada.integralmente. a “explicação”. a dor. é também inevitável. De tal modo que uma explicação religiosa da vida significa que. Se estamos na contingência de aceitar dogmas em todas as religiões. quero dizer que busca relacionar os fatos da vida com seus dogmas. partindo de certos dogmas.

contudo não se poderá escapar da concepção arbitrária da bondade nem da atitude relativista diante da verdade. e uma idéia contrária apela para o homem de caráter oposto. e não existe padrão absoluto de verdade. Significa no entanto que onde a “verdade esta envolvida (verdade. Você provavelmente notará. da existência de um Deus que é ao mesmo tempo verdade e bondade e padrão para ambos. Assim. Isto não significa que um homem bom acerte em cálculos matemáticos. O pensamento verdadeiro. E não pode ser uma coisa apenas. Pensamos com nosso caráter. e podemos afirmar que o pensamento é verdadeiro. Se.procurar essas coisas em vez das eternas. ou não é verdade que tais julgamentos são puramente relativos e pessoais? Aqui nos defrontamos com outro problema que deve ser esclarecido. pois a bondade é pessoal. a pensar de modo pessoal. Em outras palavras. nesta descrição de cristianismo. começando com Deus. Uma certa idéia impressiona um homem como verdadeira porque ela se “casa” com a espécie de homem que ele é. portanto.a verdade é interpretativa da vida) a bondade é seu critério. em nosso pensamento acerca dessas vastas questões somos levados. quando é o pensamento de um homem bom. O círculo da fé cristã pode assim ser descrito como o que. necessariamente. se pretendemos falar inteligentemente da verdade. depende do caráter verdadeiro. e o pensamento não é neutro. Em que base se pode julgar um fato mais significativo do que outro? ou uma experiência mais relevante do que outra? Haverá base para tais julgamentos. leva o homem a perceber que só Deus possui o fundamento adequado para a melhor e mais significativa explicação dos fatos relevantes da vida. vemos a importância decisiva para o próprio pensamento. 101 . que o uso das palavras “significativa” e “relevante” está indefinido. a resposta de um homem é tão verdadeira quanto a de outro. não pode haver verdade absoluta a menos que haja bondade absoluta. não fatos . Uma vez negada a existência de Deus.

a fim de dar testemunho da verdade”. disse Jesus. pois a verdade e a bondade devem ser coerentes. E’ bem verdade que Jesus precisa conquistar nossa aliança. isto é. fundamentalmente. 102 . Pilatos. “Vim. e o homem alcança o seu verdadeiro destino quando cumpre o propósito de Deus para si. . no entanto. o fato determinante de sua vida era a verdade à qual servia e que lhe exigia o sacrifício supremo. suas necessidades.Este drama entre o relativo e o absoluto representou-se em seus termos finais quando Jesus se apresentou diante do procurador romano. mas o resultado final é que temos de conquistar sua aprovação. padrões. desejos. A verdade não pode reduzir-se a ensinamentos. E’ o homem que se precisa justificar diante de Deus e de seus propósitos e seus padrões. há de ser uma pessoa. Quando se estuda a fé cristã. Ele é o padrão tanto da bondade quanto da verdade. O sentido da vida do homem não está nele. “Que é a verdade?” (João 18:37. problemas. Para Jesus. ou têm negado a importância de Deus e até mesmo a Sua existência. Para Pilatos a verdade não existia. ao que Pilatos retrucou. . cheio de graça e de verdade (João 1:14). os homens tem ou transformado Deus à sua imagem e semelhança. O homem é feito para Deus. Através de longos períodos de tempo a religião continua a ser a tentativa do homem de perscrutar o universo e dele extrai uma resposta quanto ao seu sentido: Deus foi intimado a justificar-se perante o homem. Era uma questão apenas do que servia ou não aos seus propósitos. chegamos à conclusão de que.38) Que é a verdade. no entanto. Nele Deus se defronta com o homem e o desafia. a posição é inversa. de modo a adaptá-lo aos seus preconceitos. Jesus viveu entre os homens. senão Deus? Pensamos de acordo com a verdade quando pensamos os pensamentos de Deus. e eles viram a sua glória. e como resultado. realmente. Jesus é a revelação do propósito de Deus.

ao que me parece. portanto. viu que a vida podia adquirir sentido em Deus. A diferença. Em outras palavras. e se dispôs a chamar os homens a compartilhar desse sentido. e no entanto. são acidentais. Em vez de considerar o sofrimento como um mal a ser justificado. é esta: Budha viu que a vida não tinha sentido em si mesma. mas. a fé cristã é cheia de sentido e de esperança. é esta: viver uma vida apenas vazia de sentido. Jesus. e os que Ele deixou de mencionar. E’ num exemplo como este que se percebe claramente a diferença fundamental entre Cristianismo e Budismo. diferença que procurarei formular agora o mais simplesmente possível. A escolha fundamental. Esta escolha é fatal e inevitável. Um exemplo esclarecerá o significado destas palavras. Deixe-me dar-lhe um exemplo da diferença que fará para você o caminho que escolher. Não há. esse ponto de vista do cristianismo desaponta necessariamente. por exemplo. O motivo determinante é a necessidade do homem de redenção. são fatos relevantes para a vida aqueles sobre os quais Deus falou. Este é 103 . por outro lado. e dispoz-se a salvar o homem dessa falta de sentido. no Cristianismo. qualquer explicação que prove que o sofrimento é ordenado pela justiça (~ o que pretende fazer a teoria de Karmma). por outro lado. seu ou de outrem. trata-o como fato a ser utilizado. A qualquer pessoa interessada no problema do sofrimento como tal. e cada povo luta para viver tão significativa e abundantemente quanto possível. mas Deus que deve decidir quais os fatos relevantes. o cristão tenta revestir a experiência do sofrimento de sentido próprio. e o ato de Deus para redimi-lo.Em busca do sentido Disse que a eficácia da verdade depende de quão amplo é o círculo dos fatos relevantes que ela explica. para a pessoa que realmente se viu a braços com o sofrimento. Pense no Ceilão e no futuro do nosso povo. Devo agora ir mais adiante e dizer que não sou eu nem você. tudo o mais. incluindo o sofrimento. ou vivê-la em seu sentido amplo. A história caminha. é relacionado a esse motivo.

como Budista. e a tenham em abundância” (João 10:10). constituem fatos significativos e estão incluídos em nossa fé. disse ele”. sou forçado a considerar sêriamente a vida do meu país e do meu povo. para o cristão. a doutrina do caminho das oito encruzilhadas oferece apoio para essa atitude positiva. Pois poucos budi6tas vivem na prática buscando apenas libertar-se da falta de sentido da vida. fala em Deus como o Deus da história. que também me determina a perspectiva de acordo com a qual devo pensar e agir. Reconheço que essa diferença entre o Budismo e o cristianismo em termos de sentido. se você acha que o alvo supremo da vida é escapar à sua insensatez? Um cristão. e contudo. Você só pode ser nacionalista como ceilonês. permanece o fato de que Budha se referiu à morte como o adjetivo apropriado para qualificar a vida “Tudo que constitui o ser é transitório. como Aquele cujos desígnios estão sendo executados no plano histórico. Aquele que trouxe Israel do Egito também trouxe de Caphtor os Filisteus e os Sírios de Kir (Amós 9:7) Assim. Raça. como cristão.estão fora do círculo budista de explicação do problema da vida. No entanto. Raça e nação são categorias religiosas para um cristão. ao mesmo tempo que é governado pelos padrões cristãos. “para que tenham vida. pois a maioria de nós leva a sério a nação nos dias que correm. Além disso. ao contrário. nação. porque Budha dedicou a sua vida a salvar os homens do desespero e da desilu104 . porfiai pela vossa salvação em diligência” (Mahaparinibbana Sutta) enquanto que para Jesus.o critério pelo qual se julga o progresso de um povo. no entanto. não é a morte mas vitalidade que caracteriza esta vida. Quero eu então afirmar que a própria vida de Budha foi vivida nessa ausência de sentido? Não. Seu valor aparece nos propósitos de Deus. história . O nacionalismo para mim é um dever cristão. você não pode ser nacionalista. Mas você concorda em que se julgue desse modo? E porque concordar. Você provavelmente é nacionalista também. ao contrário. “Vim”. sou levado a isso pela fé. vivem tão significativamente quanto possível. pode ser negada.

A religião adequada mostra-nos o ângulo mais profundo em que podemos responder ao desafio da vida. Por que não harmonizar os ensinos de Jesus com os das outras religiões. divisão . 2. chega inevitavelmente ao brusco despertar sob a pressão do desafio a uma vida de responsabilidades. alguém disse. eu vo-lo afirmo. Sua vida foi um protesto contra o otimismo gratuito gerado pela crença na alma cósmica. . Sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e. e não algo contra que se tenha de viver protestando. em primeiro lugar.56). Mas nenhum protesto. 12:49-51. algo que professar e pelo qual dirigir a vida. Budha teve uma missão no cenário contemporâneo. por mais intenso. pode ser transformado em religião. Podemos desviar-nos desse desafio por algum tempo. “A religião crista e arrogante. daí o atrativo e a força de sua vida. mas ele terá de ser encarado algum dia e de todos os ângulos. da verdadeira base da vida. Apresentava eu as reivindicações de Cristo a um auditório de Hindús numa das cidades da índia quando. contra a liberdade irresponsável procurada através da renúncia ascética. no fim da exposição. . Supondes que vim para dar paz à terra? Não. antes. contra a salvação estéril prometida pelas práticas da religião formalista. porém. É na exposição deste ângulo que jaz a diferença fundamental entre as várias religiões. sem dar ênfase à singularidade da pessoa de Cristo?” 105 . Fogo Sobe a Terra “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder. um batismo com o qual hei de ser batizado. e quanto me angustio até que o mesmo se realize. uma religião exige. não sabeis discernir esta época?” (Luc. e é acerca disso que se formulam diferentes dogmas.são a que o Hinduismo contemporâneo os havia arrastado. Pois quando o ser terminar de protestar. entretanto. Tenho.

Mas não estou em posição de ceder naquilo que não me pertence. E porque é imanente.“Sua pergunta”. “Pecadores? E’ um pecado chamar assim a um homem. Neste capítulo nos restringiremos à consideração desse ponto na forma em que o Hinduísmo o coloca. podemos agora referir-nos ao assunto 106 . Sua imanência é um ato de Sua graça e onde quer que haja tal imanência houve uma “kenosis”. A imanência de Deus é o resultado de Sua atividade na criação ao procurar redimi-la do pecado. uma esvaziar-se por parte de Deus. é um libelo contra a natureza humana”. Esta é a legítima voz do Hinduísmo. O Deus transcendente quer ser imanente. Jesus é Deus que de tal maneira Se esvaziou de Si mesmo que Se tornou homem. uma vez que a concepção panteísta da imanência é fundamental para o pensamento Hindú. A transcendência de Deus é conseqüência dessa imanência. Para o Hindú. o faríamos em termos praticamente opostos. pois é para o Hindú que a igualdade de todas as religiões é dogma. Tal dogma é natural ao Hinduísmo. retruquei”. disse Swami Vivekananda nas sessões do Parlamento das Religiões em Chicago. há uma unidade que permeia toda a existência e toda a experiência. Não estou apresentando reivindicações que deseje ver atribuídas a Cristo. As diferenças não afetam a essência dessa unidade básica. Quem é Jesus? Este é o ponto central em qualquer tentativa para entender a relação entre o Cristianismo e as outras religiões. Deus é por definição tanto transcendente como imanente. que livrou o cristianismo de uma falsa interpretação da imanência de Deus e crença numa essência única. Havendo esclarecido um pouco o assunto com esta discussão preliminar. Ele é sempre diferente e maior que as manifestações em que se faz conhecer e manifestar. Sri Radhakrishnan fala da reivindicação de singularidade na religião como uma obsessão da mente semita. imanente em todas as coisas. Foi a vitalidade da concepção cristã do pecado. é comum na índia. mas apenas expondo as reivindicações que Ele mesmo fez a Seu respeito”. Se tentássemos estabelecer a posição cristã em relação à transcendência e imanência de Deus.

e a nós próprios nos satisfazermos com a idéia de que estamos agindo em nome de Cristo? Não temos.e então? Este é um ponto que não podemos simplesmente desprezar como hipotético. e considerá-las. a resposta de que 107 . Mas que significa “não posso deixar?” Simplesmente que a alegria de nossa descoberta transborda e exige ser compartilhada? Sabemos que queremos dizer mais do que isso.principal deste capítulo: Quem é o Cristo? e por que o devemos proclamar ao Hindú? Uma vez que esta é uma velha pergunta. um modo simples de respondê-la seria recolher as respostas que são normalmente apresentadas. 12:52. de direitos para lançar o pai contra o filho e a mãe contra a filha. teremos nós o direito de conclamar os homens a fazer isso? Não basta dizer que o próprio Cristo predisse que isso aconteceria. o rompimento com o lar que encerra as relações de afeto mais sagradas para qualquer homem. simplesmente porque achamos algo de valor em Cristo e o desejamos compartilhar com nossos irmãos. Mas suponhamos que haja outros meios de encontrar o que achamos . Uma primeira resposta freqüentemente dada pode ser assim formulada: “Achei em Cristo algo de grande valor e não posso deixar de reparti-lo com meu irmão”. e de que precisamos dizer-lhes como é que eles também podem encontrá-lo. mas podemos considerar isso como a nossa declaração. o sacrifício de abdicar daquilo a que se afeiçoou durante anos de convívio. passamos à segunda resposta que é freqüentemente dada ao problema que nos propusemos. de que outros buscam exatamente o que encontramos. Ele realmente disse que por Sua causa o pai se levantaria contra o filho e a mãe contra a filha (Luc. Conhecemos o preço que o convertido tem de pagar. Assim.0 direito de causar todo esse transtorno na vida de homens e mulheres. apenas se for verdade que só Cristo pode dar o que encontramos nele. especialmente quando sabemos tão bem quanto custa a um homem mudar de fé. Teremos esse direito.53). E’ a força compulsória da convicção. Diante destas coisas.

Mas. podemos de fato falar da nossa experiência pessoal nesses termos? Que dizer de Manickavasagar.afirmarão muitos Mas que força tem esta contestação? Muitos Hindús concordam que o Hinduismo. que dizer da tendência moderna de dar ênfase ao serviço e ao sacrifício como a experiência característica de um devoto de Deus.“proclamamos o caminho para Cristo porque só Cristo pode satisfazer os anseios espirituais do coração humano. e fica ao seu lado na labuta e no suor de tua fronte”. ainda. “Muito disso deve-se à própria influência contagiante do cristianismo” . tão semelhante aos de inúmeros cristãos? “Mas você escolheu a dedo os seus exemplos!”. que se encontra nos escritos de Tagore? “Sai das tuas meditações e larga tuas flores e o incenso!” diz ele. O que os preocupa. “Só Cristo pode 108 . mas convém lembrar que eles aí estavam para serem escolhidos. quais são esses anseios espirituais que Cristo nos satisfaz. alguém poderá objetar. a experiência da orientação diária. Mas é verdade que somente nós. e nós também. como se apresenta hoje. poder para servir no momento atual . está profundamente influenciado pelo cristianismo. que em nossos dias testemunhou a experiência da orientação diária? Ou. “Que mal há que tuas roupas se rasguem ou sujem? Vai ao seu encontro. volta-se para Siva que bebeu veneno para que o mundo não fosse destruído? Que dizer do senso de segurança da vida baseado numa experiência de Deus como “tudo em tudo” que ressoa nos cânticos de Tirunavakarasu? E que dizer do próprio Mahatma Gandhi. por exemplo. força para a vitória moral. de modo a proclamarmos que só Ele os pode satisfazer? Perdão dos pecados. Qual é a nossa resposta a esses testemunhos tão parecidos com o nosso. e no seu extremismo. sentimento de segurança na vida. De fato. é o problema da conversão. tão carregado com o senso do pecado que rogou pela graça de poder eliminar o pecado.todos concordarão que esses figuram entre os fatos mais comumente alegados pelos cristãos como resultado do que Cristo fez por eles. que seguimos a Cristo.

Mas não haveria a forte possibilidade de termos interpretado mal o sentido das palavras do Mestre se fomos incapazes de substanciar nosso direito de convidar os homens a segui-lo com reivindicação de Sua singularidade? Quanto a sentirmos um chamado em nossos corações. Sim. a despeito de ardente e incessante busca não puderam encontrar satisfação para seu espírito em outro qualquer lugar senão em Jesus. semelhante chamado não corroborado pela lógica dos fatos seria base perigosa para a construção de uma vida. O fato de que a capacidade espiritual de qualquer homem é adequada para perceber e apropriar-se de Deus em Cristo. Mas Cristo ordenou realmente que seus discípulos Lhe fossem testemunhas “até os confins da terra”. pois não nos disse o próprio Jesus que fizéssemos discípulos de t8das as nações batizando-as Em nome do Pai. dada por um grupo que reconhece as dificuldades das duas respostas anteriores.satisfazer os anseios espirituais do coração humano” é a resposta que estamos considerando. “E’ Cristo único?” E contudo. tal resposta não é suficiente base do movimento de evangelização que pensa em termos do “mundo para Cristo”. o testemunho de tantos que. nós mesmos ouvimos o Seu chamado em nossos corações”. deve pesar como legítimo argumento.a essa proposição? Há uma terceira resposta à pergunta que levantamos. e à luz do que vemos. A despeito de todos os paralelismos na experiência espiritual dos homens de diferentes crenças. E’ que Cristo deve ser exaltado como 109 . e mais ainda quando significasse severas provações para outros homens. não constitui por si só resposta à pergunta. e a mera obediência a essa ordem simples tem encontrado justificativa na história. Qualquer homem pode apropriar-se de Deus em Cristo. mas deve todo o homem fazê-lo? E’ Cristo único? A quarta resposta à nossa pergunta é formulada em termos da unicidade de Cristo. e do Filho e do Espírito Santo? Além disso. podemos dizer . ouvimos e conhecemos. Isto é o que eles dizem: “Não ousamos discutir s8bre o fato.Sim .

Nunca 110 . verificamos que seu método baseava-se num ponto de vista completamente diferente em relação à unicidade de Cristo. Ele o é. e convidando os homens. e uma nota tão estranha a este mundo nas suas vidas. único sem pecado e verdadeiro. suportou-os. e que no entanto transcende toda a religiosidade humana na confiança absoluta em Deus. suas obras foram permeadas completamente de amor intencional. como afirmaremos essa superioridade. acrescentando ao problema do sofrimento do homem o problema mais profundo do sofrimento de Deus. a quem chamou Pai. Eles nunca a discutiram. nos afastamos dessas respostas e olhamos para o modo como os primeiros apóstolos apresentaram a Cristo. pelos padrões do Cita ou do Sankara ou de Budha. mas apenas julgado pelos seus próprios padrões e não julgado. porque de todos os mestres e fundadores de religiões ele é o mais nobre. Não Se Cristo é o maior dos fundadores de religiões unicamente por seus padrões. sua resultante. e manteve para com Ele uma atitude de religiosidade que nos parece humana. Quando. Não asseverou identidade com o ser de todo o ser. Não deu nenhuma solução final para o problema do sofrimento nem ensinou aos homens como fugir-lhe.Senhor. por exemplo. mas a procurar nele a força e a esperança para vencer o sofrimento e utilizá-lo para construir uma vida mais ampla. sem dúvida. quando não existe um padrão absoluto estranho às diversas religiões? Nessa linha de raciocínio jamais provaremos a unicidade de Cristo.serviço desprovido de qualquer interesse. não a fugir de uma vida tão permeada de sofrimentos. Ele não praticou nenhum “nishkamya Karma” . Simplesmente. Havia um tom de urgência no seu evangelizar. maior. viveu reivindicando unidade com Deus. porém. compartilhando do nosso pecado e da nossa dor. uma confiança na sua fé. que testemunharam incondicionalmente de Jesus como Senhor. Viveram e pregaram como homens que nela acreditassem e era a qualidade de sua consagração que convencia os outros.

pela importância contemporânea que desfruta através da Igreja e na Igreja que é Seu corpo. notifica aos homens que todos em toda a parte se arrependam.pela graça e verdade da vida que viveu e da morte que padeceu. não pode ser uma convicção a que os homens sejam levados por qualquer transição natural de pensamento. . Jesus é anunciado como Senhor porque Jesus é um fato. Para falar em termos do Hinduísmo. agora. Nestas palavras de São Paulo vemos como é vencida a dificuldade. Jesus é o realizador e não a realização. . Pois não é uma unicidade que lhe concedamos. Ele realiza oferecendo uma nova base de valores e de soberania.declarada como promessa e julgamento quando afirmou que viria outra vez em glória no fim dos tempos.como sendo fato válido por si mesmo através de sua capacidade de tornar-se Deus para os homens. A unicidade de Cristo é declarada . Mas basta um Hindú ver-se perturbado pelo contacto com Cristo e com a influência cristã. Esta unicidade de Cristo. portanto. .seremos capazes de convencer ninguém daquilo que não levamos a sério.31). que é declarada por Deus à fé. Em Cristo todas as coisas são postas sob um cetro. é uma unicidade com que nos defronta. para que por ele como Senhor sejam julgadas todas as coisas. e então só Cristo pode preencher os anseios de sua alma. E’ antes um fato que desafia os homens e que se firma pela transformação que causa. .pelo poder de sua ressurreição dentre os mortos pela sua presença viva agora. e é precisamente ao levarmos Jesus a sério que tornamos evidente sua unidade. o Evangelho não é nem pode ser a coroa do Hinduísmo. 111 . ressuscitando-o dentre os mortos” (Atos 17:30. por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos. O Hinduísmo não leva a Cristo. porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça. Ele não é o friso de um muro já erguido. porém. “Não levou Deus em conta os tempos da ignorância.

então deverá Cristo ser novamente crucificado. Tal é a fé que sustenta a evangelização e assim é Cristo anunciado. Que Deus nos conceda lutar com esse objetivo. só Ele deve ser o mais profundo anseio do coração. sendo Cristo. mas porque Aquele que assim o ordenou foi confirmado como Cristo. na qual se pode confiar sem equívoco. e será tarefa de uma nova geração a de testemunhar a Sua me vitável Ressurreição. mas porque Ele próprio é objeto da religião. portanto. Palavra de Deus aos homens. sendo usadas as perguntas inerentes à situação de modo a formular a verdadeira pergunta: Que pensais vós do Cristo? As razões para evangelizar podem. Pregamos a Cristo não por Ser Ele o maior de todos os mestres e fundadores de religiões. mas porque Ele é o Cristo que veio fazer por todos os homens tudo o que necessitam.“O contacto que o Evangelho estabelece. é estabelecido pela discussão da situação e não por sua pretensa eliminação. lembrando-nos de que se nós nos recusarmos ou se falharmos. mas porque. 112 . Pregamos a Cristo não porque só Ele possa satisfazer aos anseios espirituais do coração humano. ser resumidas do seguinte modo: Pregamos a Cristo não porque tenhamos alguma coisa a compartilhar daquilo que Ele fez por nós. Pregamos a Cristo não porque Ele nos tenha mandado pregar o Evangelho a todas as nações.

Então Moisés disse a Deus: “Quem sou eu que vá a Faraó?” Ex. dos exércitos que levou à guerra. e eu te enviarei a Faraó. agora. 113 .Seu amor jorrando sem se esgotar . para nós.11. do seu inflamado senso de justiça que havia levantado sua mão contra a autoridade e o havia levado à fuga para o deserto e no entanto.e foi ali que perdemos as ilusões acerca de nós mesmos. mas quem sou eu? Moisés podia se vangloriar de ter sido criado na realeza. de seu conhecimento da antiga cultura egípcia. a confissão de um homem fracassado. Por quê? Ele estava diante da sarça que ardia sem se consumir. percebeu também sua própria ineficácia. para que tires o meu povo. os filhos de Israel. podia vangloriar-se de sua paixão pelo seu povo. a palavra que ele pronuncia é uma palavra de humildade. o lugar é junto à cruz. pois. do Egito”. Foi ali que vimos os inexauríveis recursos de Deus . das batalhas que vencera em nome do rei. ali morremos e ali renascemos. para sua própria surpresa acrescentava-se a isso o ferrão da tarefa para a qual Deus o chamava. e assim como nisso percebeu os recursos inexauríveis de Deus. Ali começamos a vida que vivemos hoje.EPÍLOGO Deus chamou a Moisés e disse: “Vem. chamado esse que lhe revelou abertamente sua natureza e mostrou-lhe suas próprias limitações. Deus me chamou. e ainda é ao voltarmos ali que no~ vemos mais claramente. Nós também precisamos partir do lugar da nossa autorevelação e. 3:10.

Mundo que tentou destruir a Igreja. Sabe que o endureceu deliberadamente. o que é mais. E onde o povo obede114 . Não somos e que temos feito ou conseguido. A própria Palavra de Deus lhe endureceu o coração e os ouvidos. Faraó conhece o povo de Israel. A ele anunciamos o grande pedido de Deus. quando sairdes não saireis vazios” (Ex. . mas sabe que não pode evitar esse endurecimento. Ao pé da cruz todos nós pertencemos a uma só categoria . Faraó conhece seu próprio coração. “Quem sou eu que vá a Faraó?” Sou um pecador por quem Jesus morreu. em nome de Deus a aceitar a Palavra de Deus? é o próprio Deus que se defrontará com Faraó! “Estenderei a minha mão. é realmente a Faraó que Moisés é enviado? Não é antes ao próprio povo. Conhece-o como o povo a quem tentou destruir e a quem agora deu a tarefa de fazer tijolos sem palha.21). Conhece-o como o homem que se criou em seu palácio. e ao qual ele agora deserdou. Mundo que se recusa a ouvir a Palavra de Deus e é ao mesmo tempo incapaz de ouvir e entender. mas é o próprio Deus que têm de lidar e lidará com os demônios de nossa época. Legítimo quadro do mundo! A este mundo somos enviados! Mundo no qual a fé cristã está destituída de seu domínio sobre os costumes dos povos. “O mundo inteiro jaz no maligno” (1 João 5:19). Faraó conhece Moisés. Não somos nem mesmo o que nos tornamos com nossos esforços para sermos bons. nas terras das grandes religiões. . e que agora entrega à Igreja a tarefa de construir a paz sem lhe oferecer os recursos necessários do arrependimento ou da fé. Mas. “Enviar-te-ei a Faraó”.Não somos o que os outros pensam de nós. Faraó não permite que o povo chamado por Deus saia e sacrifique ao Senhor seu Deus.pecadores. 3:20. e ferirei ao Egito com todas as minhas maravilhas que farei no meio dele: depois vos deixara ir. Esta é a situação interior que resulta do chamado de Deus e à qual esse chamado se dirige. E. para persuadi-lo.

observado com desalento sua crucificação e morte. a fonte de nossa angústia. Outras foram provadas pelo fogo. agora. será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (Atos 1:6). será este o tempo?”. Mas Deus agirá? Agirá em nossos dias? Está próxima a queda de Faraó? “Senhor. depois mesmo de haver cessado o troar dos canhões . poder que havia vencido a morte. Viram-no em poder. Temos de voltar outra vez ao lugar do nosso encontro decisivo com Deus.cer e sair sob o comando de Deus. Aqueles. O povo de Deus estará arregimentado noutra frente. Tinham participado da esperança da sua proclamação do Reino. quando tudo parecia perdido. . mas não deixaram de crer. E então. “Senhor. Mas quando? As igrejas padeceram muito durante a guerra. será este o tempo? É esta a hora da consumação?” 115 . mas agora parecia ser chegado o momento da consumação . e fazem hoje a pergunta mais cara aos seus corações: “Senhor. Nosso mundo parecia estar destinado ao progresso contínuo. Outras. A Igreja estava repleta de relatos de triunfos em muitas terras. os exércitos de Faraó não poderão segui-lo. Estamos hoje nessa mesma disposição de espírito. num ato de recordação consciente e renovação de propósitos. Jesus voltara. desafiadas pelas necessidades de suas coirmãs. Hoje. Suas esperanças haviam se insuflado e declinado. mas guardaram a fé. Algumas ficaram perdidas no silêncio durante anos. Temos de nos ver como fracos que vão a Faraó na força da promessa de Deus e de Seu poder. no entanto. Está precisamente aqui.o caos permanece.e ainda não cessou em muitas terras . numa guerra após outra a cristandade se esfacelou e as esperanças se desfizeram. Todas elas testemunharam sua experiência do poder do Cristo ressurreto. e o Mar Vermelho rolará entre eles. Aqueles primeiros discípulos haviam acompanhado Jesus durante três movimentados anos. cujos olhos perscrutam os horizontes longínquos falam do brilho do porvir. E. responderam com presteza. no entanto.

Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo. através de vós. procuremos ansiosamente saber qual o futuro imediato. e conquanto não perguntemos quando se dará a consumação final. “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade. o resto é comigo”. que ousam considerar-se parcela da prova do que Deus tem realizado. 6:11-13). da obra que já iniciei.testemunhas. e para ela reclamam a atenção de seus semelhantes. O futuro é nossa herança. Esta é a vossa tarefa. As paixões que despertareis são as paixões do fogo que Eu mesmo acendi. ou somos chamados a testemunhar até que todos os homens se tenham convertido de seus maus caminhos e desistido da violência. que apontam para a maravilhosa realização de Deus. a . O poder que demonstrareis é o do fermento que já escondi.A resposta de Cristo para nós é a mesma que deu a seus antigos discípulos. Daqui em diante o Filho do Homem senta-se à direita do poder. capazes de discernir os atos de Deus num mundo onde os atos dos homens obstruem os propósitos divinos. e o fim que ireis proclamar é o fim que já está por Mim consumado. Portanto sereis Minhas testemunhas: . “Lembrai-vos.testemunhas. Eu vos mando em Meu Nome. e Deus sé volte novamen116 . Mas ainda assim permanece a angústia da pergunta original. contudo. e virá nas nuvens do céu. 8). e até que apenas permaneça o que será a santa semente? (Is. e permanece especialmente para nós. e ireis na força que emana da continuação de Deus em vós e. a colheita que haveis de ceifar é a da semente que já plantei. como em/li ( toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra (Atos:7. que não é nova a tarefa que vos dou. e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém. A que fim se destina o nosso testemunho? Somos nós chamados a testemunhar até que as cidades estejam desertas e as casas sem habitantes. o amor que haveis de compartilhar é o amor do ato que pratiquei.testemunhas. . os jovens desta geração.

entre os que melhor nos conhecem.te para eles e os perdoe? (Jonas 3:8-10>. fala e serei com tua boca. Mas a resposta de Deus é suficiente. às nações ocidentais. . pois.Aarão que. . Assim somos capazes de ser Suas testemunhas: . Vai. . se eu soubesse que o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal” (Jó 23:3>. nem as nações ou as igrejas podem escapar às conseqüências do pecado. mas é suficiente apenas quando permanece sozinha sustentando a fé e cingindo a obediência. como às orientais.e até os confins da terra. todas elas derivadas da resposta última de que Deus é Deus? Haverá guerra ou paz? E que devem os cristãos fazer a respeito? Muitas respostas são possíveis para esta pergunta.em Samaria. mais tarde. E no entanto basta poder dizer: “Mas ele sabe o meu caminho” (Jó 23:10). entre aqueles cuja fidelidade ao passado dificulta sua obediência no presente. entre os que anos de desconfiança e amargura separam de nós. “Ah. Somos testemunhas junto a brancos e negros. e não há outro”. no escritório ou no lar. E’ natural clamar. a não ser pelo arrependimento e mudança de vida: “Deus é Deus. Somos testemunhas junto aos povos de todas as religiões e aos de ne117 . e onde o testemunho de nossa vida pesa mais. Estamos diante de Jerusalém ou de Nínive? A resposta a estas perguntas é do testemunho que devemos dar e ao mesmo tempo o condiciona. e te ensinarei o que haverás de dizer” Moisés duvidou da suficiência desta resposta para desfazer todas as suas dúvidas e foi a Aarão para que este o ajudasse . mas nenhuma resposta será verdadeira uma vez que se esqueça de que nem o homem. Mas.em Jerusalém.na Judéia. temos nós uma resposta? ou apenas a possibilidade de muitas respostas. ajudaria o povo a adorar o bezerro de ouro. quer na igreja. “Eu sou é o meu nome. Pois o testemunho cristão não conhece barreiras nem admite parcialidades.

testemunhas até os confins da terra. aos refugiados. quando se estabelecerão: “SALVAÇÃO E PODER. O REINO DE NOSSO DEUS E A AUTORIDADE DO SEU CRISTO”.nhuma religião. até as mais remotas regiões da terra e até o fim. Somos testemunhas junto aos parias. . . 118 . Assim provamos a amplitude total de sua promessa. em todo o tempo e em todos os lugares. às pessoas sem pátria. “Eis que estarei convosco sempre até a consumação dos séculos”. .

direito. KAMMA . KARMA . NIBBANA . doutrina.Uma concepção encontrada “a Bhagavad Gita. cadeia de causas e efeitos.Impermanência. ou para com qualquer possível recompensa pelo serviço. estado de completa liberdade.Tristeza.Ato de se esvaziar (Filip.Emancipação. cuidado.Lei. -DIDACHE .A proclamação.Mensageiro.Condição do que não tem alma. DHAMMA . permanente. ATTA .Eterno. KERYGMA . O sentido literal da palavra é “trabalhos sem desejo”. ou para com a pessoa a quem se presta serviço. 2:71. KENOSIS . A idéia é de que o serviço deve ser prestado sem nenhum sentimento de ligação para com o próprio serviço como finalidade máxima da vida. realça a responsabilidade do Individuo de ser O que e. NICCA . a pregação do Evangelho pelos primeiros cristãos aos não cristãos.Teoria filosófica. o eu. DUKKHA .GLOSSARIO ANATTA . 119 .Alma.“o dever pelo dever”. EXISTENCIALISMO .O ensino acerca do Evangelho dado aos novos membros da primitiva Igreja cristã. infinito. transitoriedade. ANICCA .Resultado da ação. NISHKAMYA. SHALIACH . ausência do eu. A concepção ocidental mais semelhante a essa é a de Kant .

Eclesiarte Editora www.ubbi.: (21)2252-2217 .com.eclesiarte.br Tel.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful