A ORGANIZAÇÃOSOCIAL NO MEIO URBANO

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A ORGANIZAÇÃO SOCIAL NO MEIO URBANO *
PAUL-HENRY CHOMBART DE LAUWE Tradução de MOACIR PALMEIRA

mações, que antes podiam ser acompanhadas durante um período de cinqüenta anos, manifestam-se aos nossos olhos em alguns anos, quiçá em alguns meses. Para melhor observá-Ias, procuraremos fazer um apanhado rápido do estudo das estruturas e das instituições, dos comportamentos dos grupos, das relações voluntárias e da planificação. I. AS ESTRUTURASE AS INSTITUIÇÕES

Em uma pesquisa sobre a evolução da sociedade urbana é necessário distinguir, por um lado, as estruturas sociais que nascem progressivamente em um contexto cultural dado, que se desagregam e se reformam, e, por outro lado, as instituições que respondem a necessidades determinadas. Tais necessidades podem ser estudadas pela observação dos comportamentos e de suas motivações." * * Responder a essas necessidades significa criar instituições e organizações adaptadas a uma população estudada sob uma perspectiva de evolução. Os grandes estudos de Sociologia Urbana do século XIX e do início do século XX ressaltam certos aspectos permanentes da evolução no quadro das sociedades industriais, 2, 3 Quer se trate das observações de Spencer ou de Durkheim sobre a importância do aumento de volume, densidade e heterogeneidade, retomada por certos autores como Louis Wirth, • ou dos trabalhos de Weber sobre a formação de um novo tipo de homem 5 e sobre' a independência mais e mais acentuada com respeito às condições geográficas, ou ainda dos estudos de Sombart 6 sobre a evolução das cidades na Idade Média, constatamos progressivamente certa convergência de concepções. Quando se trata do estudo de países em vias de industrialização, os fenômenos evoluem com tal rapidez que novos métodos de observação devem ser empregados. As transíor.•. "L'Organisation Sociale en Milieu Urbain", Manuel de Sociologie Urbaine, UNESCO. •• As chamadas remetem à bibliografia no fim do capítulo, pp.

Essas transformações sociais que se operam nos diferentes países atingem o conjunto dos grupos sociais e das principais instituições que existem no meio urbano. Mas o seu inventário torna-se cada dia mais difícil de efetuar porque os grupos mudam muito rapidamente de volume e de natureza e vemos aparecer, nos meios urbanos do século XX, conjuntos de homens, menos bem caracterizados que os grupos antigos, ocupando uma faixa cada vez mais larga; dernos-lhes o nome de "meios sociais". 7, B A aglomeração industrial representa, ela mesma, cada vez menos, uma estrutura social de conjunto bem definida. A evolução dos grupos sociais

Uma pesquisa aprofundada, alcançando todos os grupos sociais de uma grande aglomeração, ou mesmo de uma pequena cidade, seria praticamente impossível no atual estado de coisas. Seu número e sua variedade são por demais grandes, seu entrecruzamento por demais complexo, para que uma análise exaustiva cientificamente válida possa ser feita. O essencial para o pesquisador é dar ênfase a certos grupos que têm uma importância particular no conjunto das estruturas sociais, assim como a família, a empresa, certos grupos locais e certas associações, ' O estudo da família nos meios urbanos foi empreendido por numerosos ,autor~s. Trata-se de monografias antigas, como aquelas de Le Play sobre os operários europeus, 9 ou de estudos recentes, como os dos Lynd sobre Middletown, o de West sobre Plainville '0, alou, mais proximamente ainda, os de Y oung e Willmott sobre o leste de Londres, 12 o fato é que a família e o parentesco têm sido um lugar importante nas preocupações dos sociólogos. Por um lado, o pequeno grupo conjugal distingue-se cada vez mais nitidamente dos grupos' com que estava mesclado antigamente e assume uma posição cada vez mais importante na vida quotidiana dos indivíduos. (Tem-se dito, às

128 e seguintes.

os outros grupos bem caracterizados nos meios urbanos tradicionais. não têm mais existência tão ostensiva nas sociedades urbanas. organizada por Warner. Do mesmo modo. dos inquilinos ou outras categorias de pessoas. que tiveram nas sociedades não-maquinistas o papel que se conhece pelo trabalho de numerosos antropólogos. Voltaremos a este ponto. Esse pequeno bairro. ligadas a toda uma série de condições demográficas. Trata-se. Ela é interessante não somente da perspectiva do estudo do trabalho. por conjuntos de homens. outras menos evidentes devem ser pesquisadas. é definido por suas instalações comerciais. Entretanto. Numerosos estudos de Sociologia do Trabalho permitem que se tenha uma idéia disso. operários manuais e empregados. no conjunto da cidade. não somos os únicos a constatar que o pequeno bairro da grande cidade tende a manter uma vida própria e que os habitantes do meio popular. mas é. cada vez mais numerosas. necessidades té~nicas e econômicas. de grande dimensão. bem situadas nesse quadro geral. de associações familiares ou de grupos políticos. A evolução dos grupos locais sublinha a necessidade de encontrar novas realizações correspondentes às necessidades que se transformam constantemente. a A criação de novas empresas de caráter industrial nos países em transformação econômica implica mudanças radicais no modo de vida e nas relações sociais.) Por outro lado. particularmente. permitirão que se faça uma idéia ainda mais nítida das necessidades que se exprimem através dos fins que elas declaram e dos estatutos que se atribuem. foram substituídos. O número e a natureza das associações já esclarecem. os grupos extensos de parentesco . vemos nascer e desenvolver-se associações de tipos diversos. A empresa é um campo de observação que permite precisar como se estabelecem as relações sociais entre os dirigentes e os executantes. aí permanecem muito ligados. não parece ter correspondente nos meios urbanos. por exemplo. No seio de tais grupos locais. mas também para se comprender a sociedade urbana em si. Mas as relações entre gerações. Sua influência não é menos primordial sobre toda a vida social das grandes cidades.000 a 3. uma instituição. que pode ter de 2. H A empresa forma. Nos países em desenvolvimento. os laços de parentesco que se reconstituem ou se mantêm no meio urbano têm uma importância tanto maior quanto eles liguem os indivíduos a seu meio tradicional e quanto lhes dêem na vida um meio de resistir ao esmagamento de um novo quadro de existência que Ihes é estranho. nas investigações a serem empreendidas. uma classe favorecida e classes pobres.000 ou 4. sua composição profissional e alguns outros critérios que podem ser facilmente definidos em uma cultura ou em outra. de uma maneira interessante.trabalhos recentes provam-no . Os grupos de idade. ao lado dessas funções claramente definidas. antigas classes e corpo rações.social. ao mesmo tempo. Mas tais grupos de parentesco têm graves inconvenientes. mostram que existem categorias de idade e de sexo cuja importância para a compreensão das relações sociais não pode ser ne- . cujos limites e estruturas são mal determinados. Em algumas grandes aglomerações. tais como a comuna ou o pequeno bairro urbano. A pequena aldeia. de um dos objetos de estudo dos mais urgentes. A forma que assume está ligada simultaneamente às. de sindicatos.116 H o FENÔMENO URBANé A ORGANIZAÇÃO SOCIAL NO MEIO URBANO 117 vezes.o que só em parte é verdadeiro. que as famílias fechadas nas sociedades abertas das grandes cidades substituíram a família aberta das comunidades fechadas dos povoados .não perderam tão completamente seu papel como o quiseram certos autores. as "classes de idade". na medida em que impedem os indivíduos de se libertarem de certas pressões antigas e impõem-Ihes a carga de parentes menos favorecidos. mas. um verdadeiro ~upo . um dos volumes da série Yankee City. os grupos locais. num certo momento.000 habitantes. correspondem a realidades sociais que dificilmente se adaptam às novas condições criadas pelas transformações técnicas. 18 Novos meios sociais. 17. tendo por fim a defesa dos interesses dos trabalhadores. trate-se de associações esportivas ou culturais. tal como a família. vemos comunas ultrapassarem um milhão de habitantes ou. sobre a forma das relações sociais num meio urbano. muitas vezes. serem fracionadas em circunscrições administrativas sem uma verdadeira personalidade so- cial. para a compreensão dos problemas que se colocam para a planificação em países recentemente atingidos pela civilização industrial. sem dúvida. grupos étnicos e dinâmica urbana As. Algumas monografias de associações. classes sociais. de tamanha importância como unidade de base na vida rural (em cujo interior se estabelecem relações características de uma cultura). como na aglomeração parisiense. que devem sustentar e ajudar. às regras jurídicas própnas de uma sociedade e aos traços culturais que são característicos de uma cultura. 16 se bem que os trabalhos sobre os países em vias de transformação econômica sejam ainda insuficientes. como o mostra.

mostraram como barreiras sociais. Que lugar ocupam numa sociedade urbana. Considerando escalas de prestígio ligadas ao sistema de valores próprio a esta ou àquela cultura.:n Qual o seu futuro e qual o seu papel no plano profissional e no plano político? Todas essas questões devem ser levantadas para darem uma idéia justa das transformações sociais. mais recentemente. aos quais os sindicatos muitas vezes se vinculam por laços mais' ou menos manifestos.entretanto. candidato às eleições locais ou nacionais. 21 Os grupos étnicos não são menos difíceis de observar e analisar. constituem um dos exemplos mais expressivos. podem ser objeto de oesouisas precisas. nascendo espontaneamente de uma situação. no momento em que ela é estudada? Em que medida estão ligados a movimentos mais profundos.'" De toda maneira. na vida residencial. Os programas que propõem levam as massas a votarem em tal ou tal representante. partindo de dado". Os pequenos grupos espontâneos e os grandes movimentos de juventude podem constituir-se em objeto de estudos reveladores para o sociólogo que quer compreender os mecanismos da evolução de uma sociedade urbana. O estudo do voto serve como uma primeira abordagem à análise do comportamento político. ou os teóricos. a evolução dos grupos religiosos. podem ter um papel importante nas transformações sociais. alcuns autores americanos mostraram como a sociedade encontra-se dividida em "classes sociais" mais ou menos sunernostas umas às outras. os pesquisadores. o cálculo das distâncias sociais Que os separam. Da mesma maneira. a mistura de populações de origens diversas leva. as categorias sociooroiissionais e as faixas do nível dp vida estão à base do aparecimento de "estratos sociais" e de classes sociais.118 o FENÔMENO URBANO A ORGANIZAÇÃO SOCIAL NO MEIO URBANo 119 gada. é um objeto de estudo essencial para os pesquisadores. muitas vezes. à criação de amplos conjuntos humanos vivendo em condições muito difíceis e à aparição de minorias dirigentes . ou nas cidades em evolução. das Igrejas. culturais os grupos que lhes correspondem e religiosos e Progressivamente. das seitas. esses estudos devem ser conduzidos levando-se em consideração as condições particulares da sociedade de que se trata. de repouso de to- . Não são mais grupos de fato. nos países em vias de transformação. Em cada cultura. Do mesmo modo. os partidos políticos. teóricos diferentes. ~'. dos grupos messiânicos. caracteriza as possibilidades de promoção. Os sindicatos. A coexistência desses grupos no esoaco. Mas a análise das atitudes e das representações que estão por trás de tal comportamento é mais difícil e mais interessante para ser efetuada pelo sociólogo. com fins culturais ou de lazer. provocavam divisões bi ou rripartidas que estavam ligadas às condições econômicas e nolíticas próprias a tal ou qual sociedade. mas grupos de expressão. tornam menos rígido o quadro que haviam apresentado origi- nalmente. 22 Ainda mais características das novas sociedades urbanas. de viagens. .27 Uma certa convergência aparece. onondo-se ao trânsito de uma classe a nutra. enquanto fato social. insistem preferencialmente sobre a classe estudada como um zruno social e sobre a noção de consistência de classe. nas grandes aglomerações industriais. políticos. são grupos que se opõem entre si por suas concepções diferentes da orientação a dar à evolução da sociedade. como o "movimento operário" na Europa do século XIX? 3(1. 19 A "juventude". 24 As teorias marxistas mostraram a importância da licacão entre as transformacões econômicas e a anarição da evolucão das classes sociais. No entanto. as tensões Que existem entre os habitantes de origens diferentes são uma das chaves do equilíbrio dinâmico das relacões sociais e da evolução das estruturas do conjunto. no mundo do trabalho e. bem como das oposicões e do fato da dominacão. então. 26. tem um lugar que tem sido mal definido na maior parte das sociedades industriais ou de países em transformação econômica. o próprio termo classe social não é utilizado da mesma maneira pelos sociólogos americanos e euroneusr Na Europa. 25 Mas muitos outros autores. Como evitar nesse países os erros de certas sociedades industriais nas quais as barreiras sociais foram erguidas e assumiram tamanha importância? Os comportamentos sindicais. quando os autores americanos limitam o número das classes sociais a três ou quatro. partindo da base para o vértice. 20 Daí resultam numerosas dificuldades e numerosos erros na planificação social. criados voluntariamente para exprimir aspirações ou reivindicações. vemos novos ajuntamentos substituírem as antigas corporações e outros grupos tradicionais. ou nassazern de uma classe para outra. que aparecem e se modificam mais rapidamente hoje em dia do que nos séculos precedentes. ~3 A maior ou menor mobilidade social. por seu lado. Em alguns países. O lugar concedido às associações esportivas. que têm fatalmente um papel mais ou menos privilegiado. e os pesquisadores europeus. Que desempenham um paoel capital na evolucão das estruturas. Outros grupos.

se fazer compreender por eles.120 o FEN6MENO URBANO A ORGANIZAÇÃO SOCIAL NO MEIO URBANo 121 do tipo. assinalados nas grandes aglomerações. Os grupos com objetivos filosóficos ou de pesquisas ideológicas sem uma aplicação política imediata.'" O papel da educação nesse domínio não é menos importante que o da organização da vida material. indicações úteis. a comunicação com os outros homens assume uma forma particular. que deverão ser completadas por estudos mais g~rais sobre amostras de grandes dimensões. co~preen-' der os outros profundamente e. São. como em outros campos. provocam dificuldades ainda maiores de expressão e de compreensão. . Um equilíbrio se estabelece entre a escolha das relações no bairro. muitas vezes. 3.l 1 A vida social deveria. na família. estar na origem de perturbações mentais mais ou menos graves. 43. Ela se desenvolve de uma maneira ou de outra. a escolha dos parentes e a escolha das amizades. que são menos ostensivos. muitas vezes. meio cultural. observado através do estudo de casos cuidadosamente escolhidos em meios sociais diferentes. mas não menos importantes. Trata-se "sempre de poder controlar o novo quadro de existência para permitir tirar o melhor partido dos novos meios técnicos. um ou outro tipo. tanto mais urgentes as análises. Esse isolamento social pode. cada vez mais livres. está ligado à necessidade para os citadinos de saírem da cidade e de encontrarem fora condições passageiras de vida inteiramente diferentes daquelas que suportam habitualmente. embora ainda muito pouco numerosos. segundo a possibilidade que se tem de encontrar relações por um desses canais. Aqui. 4" Como as relações sociais no conjunto tão complexo dos entrecruzam na vida urbana? homens pode ser facilitada ou nalidade se desenvolver? se estabelecem quotidianamente múltiplos grupos sociais que se Como a comunicação entre os impedida? Como pode a perso- As relações sociais Diversos tipos de relações sociais podem ser estudados no trabalho e no lazer. 38 39 40 41 Mas também não é preciso e~agerar sua importância. ao contrário. ou de um meio tradicional para um meio em plena evolução industrial e social. nos grupos de amigos. elas podem ser muito numerosas e. tais como certas ligas. O desenvolvimento da personalidade. 11. canais de comunicação aparecem. AS RELAÇÕES SOCIAIS. muitas vezes. sem poderem.luta pela vida. se restringem. a liberdade e a educação A socialização do indivíduo nos novos meios se opera. as mudanças bruscas de. A COMUNICAÇÃO. se alargam ou. no parentesco. :lü A personalidade. Segundo a importância que se atribua a . O estudo dos sistemas de relações de uma família ou de uma pessoa. nos diversos setores em que evoluem. pois. Os homens se encontram então "isolados na multidão". sob certos pontos de vista. A comunicação. A PERSONALIDADE Contrariamente ao que se pôde pensar em certos momentos. ou. com maior dificuldade do que nos meios tradicionais fechados. 3" sa 3·1 o. pode fornecer. as imagens-guias a que estão ligados os indivíduos. cuja ecolog~a e gênese deram lugar a estudos importantes. na vizinhança. ser organizada de tal maneira que as comunicações se tornassem cada vez mais fáceis. sem sofrer as pressões da . cujos inconvenientes foram. 4:) Se a noção mesma de liberdade é difícil de ser precisada e arrisca sustar discussões entre ideologias diferentes. levadas em consideração na planificação urbana. parece existir uma aspiração geral a uma liberação cada vez maior das pressões materiais e morais que se exercem sobre os indivíduos. muito superficiais. notadamente a passagem da vida rural para a vida urbana. pode permitir a compreensão de come> os traços culturais novos. Nos países em vias de transformação. na verdade. o isolamento Pouco a pouco. Trata-se de ver como eles se desenvolvem. desempenham também papéis. Essa evolução dos canais de comunicação e da maior ou menor possibilidade de intercâmbio com os outros homens por este ou aquele meio deve ocupar um lugar cada vez mais importante nas pesquisas. _o desenvolvimento dos meios de comunicação e a aproxi~açao dos ho~ens no espaço urbano nem sempre suprimiram o Isolamento social. atuam sobre sua própria transformação e sobre o grau de liberdade de que podem dispor. O número e a facilidade das trocas não devem ser confundidos com sua qualidade. sobretudo. então. As necessidades mais ou menos manifestas de relações sociais de todo tipo raramente foram assim observadas. ao mesmo tempo. desenvolveram-no. a cidade oferece possibilidades excepcionais. sobretudo. para se ter uma idéia clara das intervenções a sugerir. mas.

de outras e detuições que têm por fim representar grupos particulares que d.. das novas imagens. praticamente. Trate-se do inventário das necessidades ou do estudo sua evolução. o fim essencial das pesquisas que são propostas. tal com? foi . As formas a serem dadas às instituições locais dependem de concepções políticas. Para que se tenha uma idéia. das relações sociais e das necessidades das populações. É preCISO dIStl~gUlr.. ]UdICUmo. por fazer.1 deve ser observada tendo-se em conta a mfluencla d~s co~dições de vida e a influência dos nov. os novos centros sociais podem reagrupar os serviços para torná-los mais eficazes. Tal é. numa Cidade o lugar que ocupam as. os hospitais etc.fal~r não nos deve fazer perder de vista o interesse . das associações de todos os tipos. A manutenção das creches e dos jardins de infância. ~ aparição de necessidades novas ocupa ll:~ lugar cada vez_ mais 1I~= portante nas preocupações dos plamfl~~d~res. O que é preciso é explicar como. Instituições tais como as bolsas de trabalho ou as' câmaras de comércio têm ocupado uma larga faixa nos países industrializados. executivo. \ . os trabalhos de Sociologia Urbana ~evem permitir precisar-se como as instituições po~em ser cnadas ou m~. por exemplo. por conseguinte. Os mecanismos de troca. o Governo e os poderes o estudo das instituições que respondem às necessidades de direção e de organização da exist~n~ia o:.122 IH. devem ocupar um lugar da ma~or im~ortância nas análises dos sociólogos. A noçao de senvolvimento da produção pela aqu~siçao de bens. <ti 47 <s :l6 Quer se trate de instituições políticas ou jurídicas. das relações so~i~is. os centros culturais. 45 ou em m~est~gaço.: de r~gul~mentação pode visar as prefeituras. Em escala local. Os intermediários entre o poder e o público o estudo das formas de poder de que acabamos de . na escala da cidade ou do bairro. a animação das atividades dos adolescentes levantam uma série de problemas. reg~onals e t~das as formas de poderes locais.. A ORGANIZAÇÃO RESPOSTA VOLUNTÁRIA o ÀS NECESSIDADES EM FENÔMENO URBANO A ORGANIZAÇÃO SOCIAL NO MEIO URBANO 123 E A PLANIFICA~ÃO EVOLUÇAO COMO Trate-se da educação. as admlms. filosóficas. ? sejam manifestar mais explicitamente suas necessidades e defender seus direitos. o papel dos sociólogos parece imenso quando consideramos a amplitude das dificuldades na orientação das novas reformas. que modihcam as aspiraçoes da populaçao. É preciso também saber como eles fazem valer os seus direitos e quais são os meios de que dispõem para a ação. da _comunicação ou da expressão das aspirações e das reivindicações.os ~odelos cultur~s. c~= tegorias de poderes: legislahvo. como Halbwachs. tendo-se semp em vista as estruturas nascentes a que se devem adaptar as organizações voluntárias.ligadas a~ diversas. Não se trata de mostrar como funcionam essas instituições. dificadas para responder a essas necessidades. de assistência. O desenvolvimento dos sindicatos. desde o primeiro instante.es ~ecentes 27. de serviço social ou cultural. ~as uerras de libertação ete. quais as necessidades existentes nesses diferentes domínios. Boas monografias sobre essas mudanças estão ainda. Do mesmo modo. em grande parte. A evolução das necessidades. mas outras formas de representação podem existir nos países socialistas. basta lembrar os centros de seguro social. sua transforma~ao so a influência das mudanças de status político. pode ser também objeto de pesquisas por parte dos representantes das Ciências Humanas.traç~es.. a que se vinculam os grupos coexistentes. inst~tui~~~s. corresponde a essas novas formas de expressão e organização intermediárias entre a população e o poder. as pessoas e os grupos interessados podem-se manifestar e organizar internamente. a organização dos jogos. A harmonização dessas diferentes instituições no quadro do conjunto das estruturas sociais em transformação. = As organizações sociais e culturais A resposta às necessidades da vida quotidiana exige a criação de organismos cada vez mais numerosos. a partir da análise dos comportamentos. das revoluções. de discussão.est~dada por diversos autores. ~atenals cada vez mais numerosos é progresslvamente SUbStltUld~ por planificações sociais fundadas sobr. as casas de jovens não podem ser organizados senão estudando.e ~ estudo de uma hierarquia das necessidades a serem satisfeitas. A _histo b ria das instituições em períodos recente~. de elaboração de textos em comum. devem ser estudados em ligação com as posições doutrinais valoradas pelas direções de estudos dos diferentes grupos.

e os pesquisadores têm sempre interesse em retomá-Ias. 52 co~:~zidas paralelamente no mesmo programa da UNESCO. 68 Entre muitos outros. 51 fornece uma idéia dos diferentes ~spect?s ~a vida social em uma cidade da Europa ocidental.124 o FENÔMENO URBANO A ORGANIZAÇÃO SOCIAL NO MEIO UR~ANO 125 Segundo a importância que se au:ibua ~ vida comunitária'·d~~' ao contrário. momento em que se coloca em questão a constituição de equipes de pesquisa mistas. de forma alguma que os consideremos os UlliCOS válidos ou os melhores. a um estudo sociológico. Oeser e S. por exemplo. i IV. B.?clal. das atitudes com respeito ao trabalho. as .e~lstem. a vida cultural etc. Xydias sobre Vienne.. pois. a vida residencial. aqueles que são levados a cabo no Brasil. enha um papel importante nos meios urbanos observa o. A analise d~ lmI?rensa. 67. permitindo aos urbanistas.. 66 Os estudos ainda inéditos de pesquisadores como Robirosa em Rosário. Os estudos de estruturas sociais das grandes aglomerações são pouco numerosos: a escola de Chicago publicou diversos volumes de que o livro de Park e Burgess sobre "a cidade" 3 é um dos primeiros e um dos mai sugestivos.numeros~s exemplos de monografias. Apenas ~odeI?-0s CItar. ? que é im ssível em espaço tão limitado. dos problemas de adaptação social e de desorganização etc.e sobre . s~gundo a I :Ia ue se tenha da autoridade 'ou do controle s. a empre~a.. sena necessano acompa~ar os pesquisadores na elaboração de seu plano de trabalho e mostrar os diversos aspectos de seus resultados. notadamente os países escandinavos que têm desenvolvido sobretudo pesquisas em torno da habitação. aos planificadores e aos representantes das Ciências Humanas chegarem a uma melhor coordenação. . 65'!.s~luçoes serem adotadas mudam por completo. Hammond sobre Melbourne. Germani em um distrito operário de Buenos Aires tratam. A imprensa tem SI~Oapresentada muitas vezes como o quarto poder. sobre Paris e a aglomeração parisiense é um ensaio cujos primeiros resultados apenas apareceram.:. ~lemen! e N. as dificuldades mais c0:. Trata-se tão-somente de sublinhar diversos aspectos de pesquisas. Citemos quat:0. 50 A investigação de P. <39.do mundo Para expor isso de um modo valido. Os grandes estudos que começam nos países do Leste. O estudo francês. efetuado pelo Grupo de Etnologia Social. . da participação na vida social e nas atividades recreativas.. \ preende também uma dupla abordagem sociológica e psicológica. realizad~ em vIllculaçao com a UNESCO. os trabalhos dos sociólogos e antropólogos sobre as cidades da Oceânia..a I~P ~ntação de grupos étnicos numa cidade mdustrIaI. alguns trabalhos. Em que medida ela de~m. nao escapa. das migrações. na Ásia. 62 63 64 vão permitir comparações sugestivas com outras regiões da Europa. Ginsberg 71 e A. A. mas um imenso campo de pesquisas já está aberto. 17 As ligações estabelecidas a esse propósito entre os serviços de planificação e os estudos sociológicos podem ser discutidas no. 55 56 57 58 59 a Tcheco-Eslováquia 60. H A pesqUIsa de Rut~ Giass sobre os recém-chegados em meios ur?anos. A mvestIgaçao de O. A obra coletiva alemã Daseinsiormen der Grosstadt 54 aborda outros aspectos de pesquisas relacionadas aoS trabalhos dos pioneiros da Sociologia Urbana alemã. S. na França. da organização familiar. I~phca. empreend~das em CIdades de diferentes dimensões.. aquelas que se têm podido exprimir e realizar. Pesquisas como as de Thomas e Znaniecki sobre a transplantação de camponeses poloneses nas cidades industriais da América têm estado na origem de toda uma série de pesquisas sobre a psicossociologia das migrações. a títulrde exemplo. na América do Sul. as classes SOCI~IS. como a Polônia. Wadia 72 sobre as grandes aglomerações e . EXEMPLOS DE PESQUISAS :b difícil descrever em poucas linhas as pesquisas empreendidas' em torno dessas questões n~~ difere~tes parte~ . As recentes investigações dirigidas por G. O conjunto ~os seis volumes que Lloyd Warner publicou sobre Yankee City apresenta. os trabalhos estão em começo. no Chile e em muitos outros países do continente sul-americano vão permitir que se faça rapidamente uma idéia das novas formas de vida social que nascem nas grandes aglomerações dessa parte do mundo. s p'0IS necessano pesquisar. traz mdIc~çoe~ extremamente sugestivas para resolver os problemas de !I1lgra ção e de contato entre culturas diferentes nos novos meIOSsociais das aglomerações. à preservação da vida pnvada.. 61 e a União Soviética. Nos países de industrialização mais antiga ha . buais as suas diversas manifestações? Qual a _sua pen~traçao em escala local e nacional? Todas estas questoes tambem devem ser colocadas. ~st? não. 70 os artigos de N. ~o mesmo tempo. B. Na África. entre as diversas tendências que . ou das publicações dos diversos grupos de express~o. e utiliza dados estatIStl~OSe observaçoes qualitativas de caráter etnográfico. 65.reta~~nte encontradas e as possibilidades de realização que sao dlVlsad~s.

o estudo das migrações alternantes em ligação com as condições de vida das diferentes categorias da popul~ção. sia e no Extremo Oriente podem-nos dar uma pnrneira idéia do fenômeno. a evolução das estruturas. Mas.°) Os estudos psicossociolágicos do comportamento poderão ser feitos tanto pela sondagem sobre amostras bastante importantes da população como. Hauser sobre a mecanização da agncuuura. O inventário dos documentos existentes e das fontes de informações deve ser conduzido a par com os primeiros contatos com o campo. sobretudo. dos modelos culturais. 70 77 Na África a obra coletiva sobre os aspectos sociais da ~ndustrialização publicada sob a direção de D. 2. pois cada um deles requer a utilização de metodos e tecnicas particulares: 1. um s~\Ologo: P.ais d~v. não acreditamos que diretrizes muito precisas possam ser dadas. Igualmente. i tc.) N Xydias dos problemas do trabalho. como I?art1cularment~ repre~entativos da sociedade considerada deverao ser conduZIdos como estudos monográficos habituais. a criação de instituições novas. os de A~ W Sonthalt C. Os estudos da dl~t~lbuição das categorias socioprofissionais e das classes S~I~IS. mesmo por uma equipe internacional. . com a ajuda dos pesquisadores que quiser. capazes de anotar as transformações mês a mês. . É conveniente. Querer partir.e ser conduzido sob uma perspectiva de.er dístínguídos. 78 Paul Mercier.. dos símbolos. ele próprio. Forde. Todas as pesquisas sobre a organização social. os es!udos ~a segregação.°) O estudo das representações.. e~ent trata das formas e valores da vida . dos sistemas de valores. nesse caso. Os Inventanos d~ que falamos hão são válidos se não há um mínimo de conhecimento das mudanças que se estão operando. as c G . da sucessão. 83 Não é possível descrever as diversas fases da elaboração de hipóteses e da preparação dos instrumentos de trabalho. ou a transformação de velhas instituições para responder à evolução das necessidades das populações.açã~ devem . particularmente os de G. . das imagens. as relações de vizinhança. . 81.algun~ ~spectos ?O tr~balho sobre os quais é importante refletir no InICIOdas investigações. o de Y. Mas é preciso distinguir uma série de etapas. supõe uma ligação entre as investigações de campo e as pesquisas documentais efetuadas a partir dos métodos de análise de conteúdo. Quatro grandes setores de obser:v. Notemos apenas que a presença de observadores em meios diferentes.. evolução. supõem que possam ser estabelecidas comparações entre países muito diferentes. e insistimos nesse ponto. da invasão e~ díferentes bairros sao elementos básicos que não se pode dispensar. fazer' convergirem progressivamente tais esforços no sentido de comparações cada vez mais precisas.i~siste ~o?:e a análise das variáveis do meio. de modo a estabelecer relações entre variáveis que é possível isolar e reagrupar. 14 contem numerosos es'tudos sociológicos sérios sobre a.0) A Ecologia. por vezes dia a dia. e V. os problemas que se colocam para a observação das mudanças rápidas não podem ser tratados aqui. para definir um plano de pesquisas uniforme em culturas diferentes. através de entrevistas. deve ter a possibilidade de definir. 4. que se passam em torno deles. .126 o FENÔMENO' URBANO' A ORGANIZAÇÃO' SO'CIAL NO' MEIO' URBANO' 127 sobre a família urbana na Ásia do Sul. casamento. eses etc . anotar progressivamente as características da vida quotidiana próprias à cultura estudada. e de observações de' caráter etnográfico.n~.. \ . V. 73 H 75 oferecem muitas sugestoes OsÁvoJapon . A Ecologia Urbana. o~ trabalhos_dos soció' . osta de um etnólogo.0) O estudo das estruturas so~i.s estruturas sociais urbanas. Iogos lumes publicados pela UNESCO sobre a urbanização . pode ser muito útil no l~lCI? dos trabalhos sobre organização social. Estes permitirão. Cada país. dirigidas ou não.. no domínio da organização social e da evolução das estruturas e dos comporta- Limitar-nos-emos aqui a relembrar . O conjunto desses trabalhos supõe que se tenha um plano bastante amplo de pesquisas no ponto de partida e que cada estudo particular ocupe seu lugar nesse quadro de conjunto. . . socla s e c. O'S MÉTO'DOS 3.. Os estud?s de certos gruos escolhidos. id d 79 Pons da estrutura sociodemografJca da CI a e. um psicólogo e. 82. as grandes linhas de um plano de trabalho. como já assinalamos em outra parte. deve ser considerada sempre que possível. o de A. ~ue . por métodos de observação experimental que consistem em escolher amostras restritas observadas sob condições cada vez mais controladas. Mersadier so~re ruveis de VI a.s~cJaI urbana \eaSis~ cialmente o. em sua evolução. B~la~?ler (a guem d~= vemos igualmente a conhecida monografia Bra~za~llles ~~I res"). 80. durante um período suficientemente longo. . O estudo mats aprofund~do des se 'volume f~i empreendido em Stanleyville por u~a equipe c~~. Sofer etc .

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