Temporada 04 Capítulo 53

Encontro Marcado
By We Love True Blood

Love is passion, obsession, someone you can't live without.

“É fora de cogitação. Não podemos morar juntos, só tem uma cama.”, Sookita disse começando a perder o controle que tinha. “Isso é um convite?” “Claro que não...”, ela respondeu com firmeza, pelo menos achou que sim. “Já dividimos essa cama uma vez. Acredito que possamos nos controlar muito bem.”, ele deu um sorriso de canto enquanto chutava alguns cacos de vidro da televisão no chão. “O chão é um ótimo lugar para você dormir, é um vampiro, não precisa de conforto.” “Encontrar você morando aqui não era esperado e supostamente nova dona da minha casa, que acredito ser alguma pegadinha de Pam.” “Pam não faria isso, é minha amiga... e...” “Agora são amigas? O que mais falta eu descobrir? Que você teve um filho e não sabe se é meu ou de Bill?”, ele riu da própria piada. “Meu Deus!”, ela disse exasperada. “Acho melhor você conversar com Pam e Bill, não quero me envolver.” “Ah, mas vai se envolver. Quando decidiu se instalar em minha casa, já se envolveu.”, a expressão dele voltou a ficar séria. “Eric, eu não sei por que Bill fez isso. Se foi pra te atingir ou a mim. Só sei que eu e você dividirmos essa casa, seria o pior nessa história toda.” Ela ficou em pé, começou a suar frio novamente, não tinha curado da bebedeira. Só não iria dar o vexame em desmaiar na frente dele pela segunda vez na mesma noite.

“Não quero saber. Reze para resolvermos essa situação rapidamente, você sempre foi boa em rezas.” “Vou ajoelhada até a Igreja da Virgem de Guadalupe.”, ela juntou as mãos como se rezasse. “Ainda tem tanto medo de mim?” “Claro, posso acabar grávida, não?” Ela tinha vontade de socá-lo novamente Só perto de Eric, os instintos violentos dela vinham à tona. Uma vez até tentou matá-lo numa alucinação que tiveram, não deve ter sido sem querer. “Estou sempre pronto a tentar.”, ele olhou para ela e em seguida para a cama. “Mas não hoje... temos uma visita a fazer.” “Não vou ver Bill agora.”, ela balançou a cabeça vigorosamente. “Vamos a minha boate.” “Não quer dizer... boate sua e de Pam?” “Virou advogada de defesa dela também? Já chega Bastian...”, ele virou de costas e desceu a escada. “Você desaparece por um ano e espera encontrar tudo igual?”, ela gritou do mezanino se aproximando da grade. “Eu tive meus motivos.”, ele parou no meio da sala e a encarou. “Só não esperava voltar num Universo Alternativo.” “Pelo jeito você não lida bem com mudanças.” “Somente com as que me agradam.”, ele disse mexendo nos cabelos, estava impaciente. “Não fique enrolando, vamos de uma vez.” “Eu não vou limpar essa bagunça que você fez.”, ela disse cruzando os braços. “Esse é o menor dos problemas.” Ele caminhou em passos largos para fora. Sookita respirou fundo, por sorte não sujou o vestido preto que usava quando vomitou. Não tinha pique para arrumar-se nesse momento. Olhou os cacos no chão, não iria limpar, estava decidida. Pegou a bolsa que deixava na cabeceira da cama e desceu a escada. Ainda ficava chocada em como ele perdia o controle facilmente, destruir a televisão foi mais uma das ações impulsivas dele. Pelo menos a televisão já veio com a casa, ele estragou o próprio patrimônio. Ela torcia para a sala e a cozinha não estarem tão bagunçadas por conta da festa e se surpreendeu por

encontrar tudo intacto, tirando alguns copos e garrafas espalhadas, ela e Tara não sofreriam tanto para limpar. A chegada de Eric acabou estragando a festa, e muito menos ele sabia que foi o aniversário dela. E como saberia? Eles nunca conversaram trivialidades, ele mal sabia da vida dela e o pouco que ela sabia da dele era contada por outras pessoas. Não admirava terem uma relação tão difícil. E pelo jeito seriam forçados a conviverem juntos. Sem dúvida era uma tremenda brincadeira cruel do destino. Assim que trancou a porta, encontrou Eric encostado no carro dela de maneira displicente, com uma expressão de tédio. Ela esqueceu que agora o carro de rapper pertencia a Bastian, mas Eric tomaria de volta na primeira oportunidade. Abriu a bolsa para guardar a chave da casa dele ou dela, ou dos dois, ainda estava tudo estranho. Pegou a chave do carro e foi na direção do motorista. “Achei que já tinha ido voando.” “Não é confortável para duas pessoas.” “Ah... não é como nos filmes.” Ela disse abrindo a porta do carro e sentando em frente ao volante. Horas atrás jamais imaginaria que estaria ao lado dele, e justo quando passou a acreditar que ele não voltaria. No final tudo daria certo, ele ainda a odiava pelo que aconteceu na Autoridade e ela havia decidido que o esqueceria. Sim, era o melhor pensamento que teve desde que ele voltou. Eric entrou no carro em questão de segundos usando a velocidade vampírica. Sookita jamais se acostumaria com isso, o movimento era tão rápido que ela só vislumbrava um borrão. Ela ajeitou o cinto de segurança, arrumou o retrovisor, ajeitou o banco como boa motorista que era. Sentia o olhar dele em cada movimento que fazia, e isso a deixava mais nervosa ainda. Parecia que faria novamente o exame para motorista. Assim que saiu, teve que frear, pois quase bateu num carro que passava na rua. Ela praguejou baixinho, isso nunca aconteceu antes, a rua onde ficava a casa era extremamente tranquila, ainda mais a noite. “Ainda está bêbada.”, ele disse olhando de lado. “Eu jamais estaria dirigindo... estou muito bem.” Ela falou rapidamente e ligou o som, aumentou o volume para que não precisassem conversar. “Parou com as músicas religiosas?” “Sim e com outras coisas também.”

“Não usa mais as calcinhas da avó...” “Como sabe?”, ela gritou no carro, sem querer aumentou a velocidade na avenida, era bem capaz de bater se continuassem conversando. “Vi numa das gavetas. Seu namorado deve agradecer a mudança.”, ele segurava o riso. “Já fuçou nas minhas coisas? Falei que isso não vai dar certo.” “Apenas dei uma olhada no que é meu, não se esqueça disso.” “Você já disse tanto hoje. Sei que é tudo seu, não se preocupe.”, ela freou com força parando em cima da faixa de pedestre, quase passou no sinal vermelho. “Melhor eu dirigir.” Eric fez um movimento para o lado e apoiou as mãos em cima da dela no volante. Ela retirou instintivamente as mãos e se encolheu perto da porta. Não queria ter nenhum contato com ele, bastou sentir a pele gelada e uma eletricidade correu por seu corpo. Ele notou o movimento repentino dela e voltou a posição inicial. Ficaram quietos por longos minutos, apenas a música tocando na rádio e o carro parado no meio da rua. Ela não sabia o que dizer e muito menos vontade de ir até a boate. Eric continuava calado, estranhamente calado para o desespero crescente dela. Esperava algum comentário cruel ou exigindo que continuassem no caminho. O instrumental da música não terminava, o silêncio dos dois não seria quebrado tão cedo. Ninguém passava pela rua, o mundo parecia ter parado e só havia eles e a música delicada no carro. Não tinha nada de romântico, mas ela sentia algo intenso, como se a qualquer momento alguém fizesse um movimento e tudo estaria perdido mais uma vez. Tentava controlar o sobe e desce do peito, evitando demonstrar o quanto estava incomodada com aquela situação. A música entrava no momento final, aquele momento que o som vai abaixando aos poucos, e o mundo voltando a ordem natural, a magia acabando junto da última nota. “Feliz aniversário.” Ela voltou-se surpresa na direção dele, ouvir um cumprimento nesta noite era a última coisa que esperava, Eric raramente agia com gentileza e quando fazia sempre tinha um motivo. “Obrigada.”

Eric fez um gesto com a cabeça e olhou pela janela do motorista, ele exibia novamente o olhar estranho no dia que a salvou na explosão da boate. Ela teve mais uma vez o vislumbre rápido que viu quando se encontraram pela última vez no cemitério, imagens que ela mal se lembrava, que deixou guardadas no fundo do cérebro, pegando poeira. Ela o viu morrer e não era algo prazeroso de se lembrar. Era apavorante, pois ela não sabia o que significava. Seria mais uma alucinação que lembrou tardiamente? Mas ele provavelmente não estaria vivo para confirmar. “Eric... eu não queria que fosse dessa maneira...”, ela disse num fio de voz. “Do que está falando?”, ele respondeu sem olhar para ela, ainda observava a rua lá fora, perdido em pensamentos. “Sua volta repentina... eu morando em sua casa... que agora parece ser minha. As coisas sempre são complicada para nós.” Sookita respirou fundo, não poderia continuar fugindo dele, não saberia quando teria uma nova oportunidade de conversarem sozinhos, sem um mundo de confusões no meio. “Nada mudou entre nós, Sookita. Eu não esqueci o que aconteceu, e sei que também não esqueceu. Sua reação apavorado deixa bem claro.”, ele também falava baixo, sem o tom ferino que a machucava tanto. “Você espera pedidos de desculpas eternos da minha parte? É isso?”, ela apertou o volante até sentir os dedos ficarem brancos. “Pare de agir como superior... eu errei, mas você também errou. Não esqueci que foi me salvar do senador por causa de Jason.” “Se tivesse me perdoado, como boa cristã que diz ser, não teria duvidado quando pedi que confiasse.” “Confiar em você? Eu tentei, como tentei... mas é muita coisa, uma atrás da outra. Jason, Bill, Lorena... eu não te conheço, você não me conhece. Nunca tivemos uma conversa normal...”, ela o encarou e desejava que ele a encarasse de volta. “Qual seu filme favorito?”, ele perguntou olhando de lado. “Não falei que deveríamos fazer isso agora...”, ela quase riu diante da situação insólita. “Tem momento certo?” “Sim... não no meio de uma conversa séria.” “Depois não reclame que somos desconhecidos.”

“Eu não reclamei, foi apenas uma constatação.”, ela balançou a cabeça. “Eu... quis que você morresse quando assumiu que matou Jason, me senti traída... depois de tudo que fizemos.” “Eu dei o que você e todos queriam. Não deveria ter me salvado.”, ele voltou a olhar pela janela. “Preferia morrer? Mesmo sendo inocente?” “Meu criador fez por mim, nada mais justo ter o mesmo final.” “Não sabia... que tinha desejo de morrer.” As mãos dela tremeram ligeiramente, o rumo da conversa mudou radicalmente. Nunca imaginou que Eric desejaria morrer, e a visão que ela teve se tornava mais ainda assustadora. “Não tenho mais esse desejo.” “Por causa... de Nora?”, ela perguntou focando a visão na rua. “Sim.”, ele respondeu. Sookita ligou o carro, o assunto estava mais do que encerrado. Desejava chegar na boate e descobrir que tudo não passou de uma grande confusão. E não queria dividir a mesma casa com Eric e ter que aturá-lo junto de Nora. ---------------------------Jessica preparava para sair e encontrar Francisco mais tarde, não iriam fazer sexo, ela jamais faria com um crápula como ele. E estranhamente não sentia vontade, o sangue era o suficiente para aplacar qualquer vontade. Só de sentir de vez em quando o corpo quente, até parecia um milagre. O maior desejo que tinha era descobrir quem eram os donos desse sangue milagroso. Seriam deuses? Ela até cogitava segui-los, fundar uma Igreja e idolatrá-los. O idiota do Alcide tomava banho, ela aproveitou e procurou por algum carta de Bill nas coisas do lobo. E não negava que dava uma olhada no que ele poderia esconder dela. Apesar que ele não deveria fazer nada demais, era mesmo um idiota. Encontrou no meio da gaveta de cuecas, vários papéis com dizeres de Procura-se e o nome de Maya estava estampado em letras garrafais. Como ele tinha conseguido isso? Por que não disse nada? Ela caminhou até o banheiro que ficava perto da cama no quarto onde dividiam. Os trapos dele no chão estavam arrumados para ele dormir, ela não dormiria na mesma cama que ele, nem se dependesse disso. Não queria pegar pulga, ela até sentiu um calafrio com esse pensamento. Agradeceu o sangue por proporcionar isso, essa sensação deliciosa.

Escancarou a porta, ele se enxugava com a toalha e levou um susto quando ela entrou. Jessica desviou o olhar do corpo definido dele, não tinha como evitar em admitir que Alcide era mesmo bonito, bem dotado e deixaria qualquer mulher louca, só não tinha personalidade. E por causa disso, Jessica preferia um vibrador em vez do lobo. “Por que não me disse que Maya está desaparecida?”, ela estendeu o papel na cara dele. “Você a conhece?” “Só pode estar zoando com a minha cara, cachorro.”, ela deu uma risada. “Você ficou louco por ela enquanto esteve aqui ano passado.” “Eu não lembro.”, ele franziu o cenho. “É mesmo um idiota, mas sei que não a esqueceria tão facilmente.” “Eu vi os papéis no bar onde Dona Sookita trabalha. Achei justo distribuir aqui na cidade.”, ele enrolou a toalha na cintura. “Encontrou Sookita... por acaso anda comendo ela? Afinal, nunca tentou nada comigo.” “Levei um presente para ela de seu pai, nada mais.”, ele respondeu rapidamente. “Que presente? Meu pai é tão imbecil, ainda fica atrás daquela vaca.”, Jessica amassou o papel sobre Maya. “Não sei, era uma carta.” “Ah, devem ser os papéis do divórcio. Só pode, seria mesmo um grande presente pra ela.”, ela disse abrindo um sorriso. “De qualquer maneira, não explica você esquecer sobre Maya. E ela continuar desaparecida.” “Onde ela foi vista a última vez?” “Com você, seu idiota. Você a levou para o meu pai.”, ela arregalou os olhos. “Só se você a estuprou e matou... e agora está fingindo que não se lembra dela.” “Você só fala besteira.” Ele a empurrou mais forte do que gostaria e saiu do banheiro. Jessica o seguiu bufando de raiva, quem ele pensava que era para fazer isso? “Meu pai não faria nada contra ela. Você sim, era todo apaixonadinho.”

“Eu não faço ideia do que está falando.”, ele disse exasperado. “Eu também não machucaria uma menina.” “Como sabe? De repente, você se obrigou a esquecer.” “De todas as maldades que já me disse, essa foi a pior.” “Então, o que aconteceu com ela?” “Se soubesse eu diria, não teria motivo para esconder. Posso perguntar para o senhor Bill.” Ela se aproximou dele, segurou a cabeça dele e olhou fundos nos olhos. “Quero que me diga o que fez com Maya.”, ela disse lentamente, observando cada nuance da cor escura dos olhos de Alcide. “Eu... eu tenho um segredo para contar.” “Diga... você a matou?” Ela aumentou o aperto das mãos na cabeça dele, estava pronta para machucálo, mesmo que a machucasse também. “Não posso ser hipnotizado.” “O que?”, ela deu um grito. “Seu pai... me ensinou.” “Quer dizer... aquela vez na sua casa... você sabia de tudo? Eu não te hipnotizei merda nenhuma?” “Se eu falasse alguma coisa, você me mataria.” “Adoraria te matar agora e não posso. Como odeio os seus avós.”, ela praguejou levantando as mãos. “Eu não posso ser hipnotizado, e não me lembro de Maya, sendo que você diz que conhecemos ela e me acusa em ter matado a pobre menina.”, ele sentou na ponta da cama, ajeitava a toalha para não cair. “Caia na real, palhaço. Meu pai não te ensinou nada, ele te hipnotizou para não ser hipnotizado, compreendeu? Só ele pode tirar isso de você, deve ter usado alguma palavra pra te fazer voltar ao normal.” “O senhor Bill me fez esquecer Maya?” “Não diga isso.”, Jessica o agarrou pelo pescoço, exibia as presas curtas que assim que crescessem, seriam arrancadas. “Meu pai não fez nada contra ela.”

“Eu sei disso, o senhor Bill é muito bom.”, ele disse sem pestanejar. “Tem algo de podre nessa história. Maya é cria de Bastian que é cria de Santiago e esse velho maldito odeia o meu pai.”, ela se afastou de Alcide, começou a caminhar pelo quarto. “O que devo fazer?” “Nada, queime esses papéis. Vou ter que agir mais cedo do que imaginei.”, ela disse pensativa. “Não adianta fugir, Jessica. A punição é a morte. É a nossa lei.” “Já sei, já sei dessas leis imbecis. Esqueça essa história de Maya... se abrir a boca por aí, irá se ver comigo.” Ele engoliu em seco, levantou da cama e foi mexer nas gavetas do armário. Jessica o observava, pelo menos podia confiar nele, afinal, ele morria de medo dela e idolatrava Bill. Em seguida, saiu rapidamente do quarto e em segundos estava do lado de fora da casa. Precisava encontrar Francisco e dizer que estava pronta, o dia havia chegado para agirem. -----------------------------A boate ainda estava cheia quando Sookita chegou com Eric. Ela andava com dificuldade ao lado dele, era difícil acompanhar as longas passadas dele. Nem teve tempo de olhá-lo como fazia antes, até isso machucava. E ele também não a olhava como antes, estavam se evitando, como se fossem revelar mais do que gostariam. Como sempre ele atraiu olhares curiosos conforme passava entre os clientes, algumas moças lançaram olhares cobiçosos para ele e invejosos para Sookita. Pam não deve ter ficado feliz com a festa de aniversário, muitos funcionários participaram e não iriam voltar para lá, mesmo a festa tendo acabado mais cedo por causa da chegada inesperada de Eric. Ele parou perto do bar, olhava ao redor procurando algo, franziu o cenho quando encarou o lugar onde ficava o antigo escritório. “Que merda Pam fez aqui.”, ele disse irritado. “Onde fica o escritório?”, perguntou para Sookita. “Ela mudou de lugar, o outro ficava muito exposto.”, ela respondeu rapidamente. “Fica ali.” Sookita apontou para uma porta dupla ao lado do palco. Eric caminhou pisando forte para lá, e não foi impedido de continuar, alguns funcionários antigos que não estavam no momento da explosão o reconheceram. Ela ainda ficou parada perto do bar, e só o seguiu quando ele parou antes de abrir a porta e virou a

cabeça para procurá-la. Caminhou até lá sem vontade, como se fosse para a forca. Chegaram no corredor e encontraram a porta do escritório aberta. Eric invadiu como se não tivesse ficado fora por tanto tempo. Pam estava sentada atrás da mesa com um Bastian choroso sentado do outro lado. “Já veio chorar com a mamãe?” Eric perguntando encarando Bastian e depois Pam. O novo escritório era bem maior do que o antigo, e decorado com móveis modernos, com um toque feminino. Não lembrava em nada o escritório de Eric, antiquado e com móveis pesados. “Precisava machucar o menino? Esse tonto faz tudo por você.”, Pam ficou em pé apontando para Bastian. “Não é bem assim...”, o rapaz começou a falar. “Nem pense em se justificar.”, Pam gesticulou irritada. “O que faz aqui? A que devemos a honra?”, ela voltou a atenção para Eric. “Precisamos conversar.”, ele disse dando um passo para frente. “Oh, vejo que trouxe Sookita. Gostou da surpresa?” Sookita engoliu em seco, Bastian virou para encará-la, exibia alguns roxos no olho e perto da boca, estava em processo de recuperação. Ela sentiu vontade de abraça-lo e cantarem juntos uma música como fizeram na semana passada. “Já teve a sua vingança. Agora diga para ela que Bill não comprou a minha casa.”, Eric cruzou os braços e abriu um sorriso cínico. “Vingança? É assim que você me toma?”, ela soltou uma risada amarga. “Espero que não tenha esquecido o que me disse naquela noite.” “Acho que não lembro bem, por favor, me dê uma luz.” “Você disse que estava indo embora e eu podia fazer o que bem entendesse com as coisas que deixou para trás.”, ela deu de ombros. “Eu fiz... vendi sua bela casa, sua parte na boate já era. Apenas atendi ao seu pedido.” “E levou a sério o que eu disse? Está de brincadeira. Eu estava irritado, pedi para ir junto e não você quis.”, ele corria as mãos pelos cabelos. “Eu não a tirei da minha vida, você quem me tirou na primeira oportunidade.” Sookita e Bastian se encaravam incomodadas na sala, a conversa tomava um rumo que não era para presenciarem. Ela evitava em respirar para não ser

vista ali. É como se observasse um reality show. E ela não sabia quem ganharia no final. “Quem está de brincadeira é você. Acreditou mesmo que eu seguraria a vela de você e Nora. Só faltava pedir para fazermos um ménage, como já fizemos com outras mulheres.” Bastian arregalou os olhos e fez um movimento com a boca na direção de Sookita. Ela ignorou a reação dele, não queria pensar na vida sexual promíscua que Eric e Pam dividiram. “Como sempre tudo volta para seu ciúmes.”, ele balançava a cabeça. “Eu a procurei no desespero, não sabia que ela voltaria em sua vida e o tomaria....”, ela abaixou a cabeça. Sookita sentiu um aperto no coração, algo na atitude de Pam fez com que notasse que compartilhavam o mesmo sentimento por Eric. Percebeu que Pam não amava Eric como o vampiro que a transformou e sim como amor, paixão de mulher. O homem da vida dela. Como não tinha reparado nisso antes? A natureza fria de Pam afastava qualquer sensação mais profunda, era um mecanismo de defesa muito eficiente, mas que falhou nesse momento. “Pam, eu nunca te deixaria. Tanto que estou aqui.”, ele abriu os braços. “Não venha com essa desculpa esfarrapada. Sei que não voltou por mim.”, lágrimas de sangue escorriam pelo rosto dela. “Voltou porque encontrou Leroy.” “Sim, também por isso.”, ele disse impaciente. “Só não sei de onde tirou a ideia de que parti para não voltar mais.” “Eric, você não me disse quando voltaria... deixou claro que estava indo embora com Nora, não apenas por Leroy.”, ela enxugava as lágrimas com as mãos. “E não fez questão de me procurar para esclarecer esse tempo todo.” “Bastian disse que meu nome foi proibido por aqui. Acreditei que não seria bem recebido.” O rapaz se encolheu na poltrona, tapou o rosto com as mãos, não ousava olhar para Pam. Sookita teve pena dele, acreditava que Bastian não fez por mal, apenas fazia tudo que Eric pedia, cegamente. “E ficou surpreso pela casa vendida... e a boate... francamente.” “Quem é o comprador verdadeiro? Sei que Bill é apenas para me provocar.”, ele se aproximou da mesa. “Não, querido... Bill comprou a casa e a sua parte na boate.”

Bastian ficou em pé e se afastou na direção de Sookita. Ela quase desmaiou mais uma vez pelo susto, a noite estava sendo cheia de emoções perigosas. “Como fez isso pelas minhas costas?”, ele fechou os punhos. “Em todos esses anos como empresário nunca se dignou a entender como funcionava as coisas. Deveria ter fodido menos por aí e estudado mais.” “Pam...”, ele deu um soco na mesa. Sookita segurou na mão de Bastian e deram passos para trás até encostarem na parede. “Eu represento você legalmente quando se ausenta, como sócia e beneficiária de todos os seus bens. Foi a sua vontade quando erguemos a boate.”, ela o encarou friamente, não chorava mais e nem demonstrava a dor de antes. “Não deveria ter voltado, Eric. Estamos bem sem você por aqui. É só olhar a sua volta. Eu construí a boate do zero, aprendi a viver sem você me comandando.” “Dançou com o diabo sob a luz pálida da noite.”, Eric disse pensativo. “Oh, que frase bonita.” “É de um poema antigo.”, ele se afastou da mesa. “Poderia ter vendido para qualquer pessoa, menos para Bill.” “Na verdade, ele foi o único que se interessou. Eu precisava de toda ajuda para reerguer isso aqui.” “Não era a Autoridade que iria pagar tudo?” “O dinheiro não deu nem pra saída. E o prefeito foi de grande ajuda.”, ela dizia com um largo sorriso. “Eu...”, ele disse com dificuldade. “Vou arrumar essa merda toda que fez.” “Talvez consiga convencer Sookita com seu charme a vender, a casa logo será dela oficialmente. Já fez isso tantas vezes.”, ela sentou novamente na cadeira e jogou as pernas em cima da mesa. “Quanto a parte de Bill na boate, duvido que ele venda para você.” “Veremos.” Ele virou de costas para ela, lançou um olhar severo para Sookita e saiu pela porta, batendo em seguida. “Pam, por que fez isso? Eu não queria a casa dele.”

“Foi uma surpresinha de Bill para seu aniversário. Ele quis compensar por ter vendido a casa de boneca cafona de sua avó. Eu te fiz uma favor, Sookita. Ganhou uma linda casa.” “Eric irá atrás de Bill... para se vingar.” “Bem, não quero saber. Se Bill morrer a boate fica só minha, então... saio no lucro.” “Não acredito que... fez tudo isso por odiar Eric.”, Sookita olhava desolada para Pam. “Você é a última pessoa que deveria ter pena dele. Eric te tratou como uma qualquer, nem se despediu quando partiu.” “É injusto... nós fizemos de tudo para salvá-lo. Eu perdi meu casamento, e uma boa parte da minha vida. Você sacrificou a vida ao lado dele quando chamou Nora. E agora o trata dessa maneira?” “Você não entenderia.” A porta foi aberta repentinamente, Bastian deu um pulo de susto, estava absorto acompanhando a conversa. Sookita teve esperança de que fosse Eric, mas era apenas um funcionário pedindo a presença de Pam. “Eu preciso te contar uma coisa sobre Nora...” “Depois, Sookita, depois.”, ela fez um movimento com as mãos. “Todo esse drama mexicano pode me dar uma gastrite.” “Pam... você não pode ter gastrite... é morta... como eu... e...”, Bastian disse franzindo a testa. “Santiago não te ensinou nada mesmo...” Ela deu um tapa na careca dele e indicou a saída para os dois. Sookita nem sabe como fez o caminho de volta, a cabeça estava um turbilhão de pensamentos. Apenas via a boca de Bastian se mexer sem parar, o rapaz falava, falava e ela não ouvia nada. Será que cometeu um erro em se calar naquela noite? Não contar a história de Nora e Eric? Talvez Pam não tivesse ficado com tanta raiva se soubesse o passado trágico dos dois, talvez tivesse relevado muita coisa e até ido embora com ele. E talvez até ficasse amiga de Nora. Eram tantos talvez pipocando na mente dela. Não queria temer por um confronto entre Eric e Bill, mas não tinha como evitar. Se Eric matasse Bill num acesso de fúria, seria preso novamente e dessa vez não teria como escapar. Preferia imaginar que Eric estava morando em alguma

parte do mundo, do que morto. Ela abriu a porta dupla da saída e mais uma vez encarou a noite. Nem viu o tempo passar, mas eram quase quatro horas da manhã. A boate começava a esvaziar, as pessoas saíam calmamente, algumas bêbadas e outras ainda excitadas pela noite que tiveram. “Vou perder meu carro.”, Bastian disse quando pararam em frente ao carro de Sookita. “Não se preocupe, te dou carona quando precisar.” “Desculpe por tudo isso... eu não tive como avisar. Quando vi... Eric estava ligando do aeroporto pedindo para buscá-lo.”, ele apertou o ombro dela com uma mão. “Liguei desesperado para Pam e ela mandou dizer pra Eric se foder.” “Nem sei o que pensar...” “Cara... vocês irão morar juntos?” “Oh... não me lembre disso. As coisas pioram mais ainda.” “Sei lá, puta confusão louca. Grande aniversário o seu...”, ele disse com um largo sorriso. Ela sorriu de volta, mas sentindo a cabeça pesada. Despediu-se de Bastian, entrou no carro, e ficou alguns minutos sentada olhando pela janela. Em questão de horas sua vida voltou a virar de ponta cabeça. Deu partida no carro e dirigiu temendo o que iria encontrar quando voltasse para casa. ----------------------------Eric pousou em frente a mansão de Bill, observava os guardas que tomavam conta do portão. Caminhou sem preocupação até o interfone, apertou o botão e esperou ser atendido do outro lado. Os guardas notaram a sua presença e olharam desconfiados.Eric fez um leve cumprimento com a cabeça e cruzou os braços. “Boa noite, o que deseja?”, uma voz sonolenta perguntou no interfone. “Quero falar com o filho da puta do prefeito.” A pessoa engasgou do outro lado e os guardas apontaram a arma na direção dele. “Eu vim em paz, amigos.”, ele levantou as mãos por cima da cabeça, mas estava pronto para agir se fosse atacado. O portão começou a abrir lentamente, os guardas olharam surpreso para dentro e se afastaram. Eric caminhou pela alameda, não visitava a casa de Bill

desde a festa de noivado. Rápidas lembranças daquela noite surgiram em sua mente, ele as afastou antes que tomassem conta e deixassem tudo nebuloso. O assistente do prefeito esperava na porta, Eric notou o nervosismo do rapaz, era apenas um humano tolo, viu certa semelhança com Bastian. Ainda teria uma conversa decente com o vampiro, tinham muitas coisas pendentes a resolver. Foi pego de surpreso com essa união inesperada entre Bill e Pam, e em parte era culpa de Bastian que deixou passar algo tão importante. “Por favor, senhor Colunga...”, o rapaz deu passagem para Eric. Eric não ficou surpreso com a decoração suntuosa da mansão, combinava com um vampiro entediante como Bill. Seguia o rapaz, olhando atentamente para cada cômodo que passava até chegar no escritório do prefeito. O assistente abriu a porta e se afastou rapidamente. Bill estava sentado atrás da mesa, tinha uma pilha de papéis espalhados pela mesa, digitava sem parar num notebook, só parou quando ouviu a porta abrir e não ficou surpreso com a chegada de Eric. “Então, voltou.” Eric bateu a porta com força e avançou na direção de Bill. Saltou para cima da mesa e o agarrou pelo pescoço. As pernas de Bill balançavam, estava alguns metros longe do chão. Eric sentia o incomodo do outro, desejava atravessar o peito de Bill e arrancar o coração. Só via sangue diante de seus olhos, queria redecorar o escritório de vermelho. “Estou pensando... vermelho cairia bem nessas paredes.”, ele olhou de um lado para o outro. “Assim que me matar, também será morto Eric. Não se esqueça, eu sou o prefeito dessa cidade.”, Bill disse lentamente, escolhendo as palavras com cuidado. “Sabe que não me importo. Esmagar um verme como você valeria a pena.” Ele apertou o pescoço de Bill, os ossos começaram a partir bem devagar. O prefeito arregalou os olhos, como se não acreditasse que estivesse perto de morrer. Eric torceu o pescoço de Bill, ouviu os estalos e o jogou de encontro a parede. Em seguida, limpou os pés na mesa, espalhou os papéis pelo escritório, desceu e sentou na cadeira. Olhou rapidamente por cima da mesa e Bill continuava jogado no chão com o pescoço pendendo para o lado de maneira estranha. Eric esperava o outro vampiro se regenerar para continuarem a conversa, dessa vez nos termos dele.

Desde o primeiro minuto que voltou, não teve um momento de paz. Aliás, não se lembrava de quando esteve realmente em paz. Só quando estava ao lado de Nora esquecia do mundo atribulado a sua volta. Logo ela se juntaria a ele, e as coisas voltariam ao normal, pelo menos era o que desejava. Assim que partiu de Vale, mais ou menos um ano atrás, Eric e Nora seguiram o rastro de Leroy até a Ásia Central. O assassino tinha uma rota de fuga planejada e minuciosa, raramente deu brecha. Instalou-se nas montanhas do Afeganistão, vivendo entre terroristas em buracos sem sair durante meses. Descobriram o paradeiro através da Inteligência Americana que informou Nora de que havia um vampiro vivendo com os talibãs. Mas assim como os americanos tinham dificuldade em encontrar um grande líder terrorista naquelas montanhas, e com toda a parafernália que dispunham. Eles sendo apenas dois não teriam chances, era como procurar uma agulha no palheiro. Acabaram perdendo o rastro de Leroy e voltaram novamente à estaca zero. Eric dividia a atenção na busca de Leroy e as informações que recebia de Bastian sobre a vida que continuava em Vale. Seu foco era Bill, como sempre foi durante tantos anos. Bastian havia colocado um programa especial no computador de Bill. Eric nunca entendeu como o rapaz conseguiu, tinha a ver com rede e ele só sabia no máximo navegar na internet e ler e-mails, não era fã da tecnologia. Só que não conseguiram nada de relevante, nem uma mensagem decodificada e muito menos qualquer coisa que o ligasse a Leroy. Eric sentia o desespero crescente, tinha que provar a armação de que foi vítima. Não foi sem querer Jason morrer naquela noite, logo após ele ter deixado o rapaz para trás. Nunca foi de cometer deslizes e cair em armadilhas, mas dessa vez caiu como um tolo. O envolvimento com Sookita deixou tudo confuso em sua mente, o desejo e ódio que sentia por ela o consumia aos poucos, fazendo com que perdesse o contato com a realidade. Por isso, acreditava que o desejo era o pior sentimento que podia ter, até maior do que o amor. Sookita foi a melhor arma que Bill arrumou para atingi-lo, e quase teve sucesso. Aprendeu durante séculos, principalmente após a partida de Nora, em não se envolver cegamente. A mente adorava pregar peças e não poderia viver num plano ilusório. E Sookita pertencia a esse ilusão, e Eric não encontrava respostas para o que o atraiu. Acreditou durante um tempo que era apenas um jeito de se vingar de Bill, mas quando se deu conta, não era só vingança. Mas o futuro não era o melhor amigo de um vampiro e uma humana, ele não acreditava que poderia dar certo. E nunca viu dar certo, pelo menos nunca

escutou uma história com final feliz. Não existiam finais felizes, apenas a dura realidade. Foi algo que ele tomou como verdade, só podia se fiar no que tinha a sua volta, no que podia tocar. Sookita desejava um príncipe, e ele era tudo, menos um. Não poderia dar o que ela desejava. Com Nora não tinha esse problema, a imortalidade era o que precisavam, podiam se afastar durante séculos, e depois voltariam a ficar juntos como se o tempo não tivesse passado. Apenas a paixão bastava, amor não fazia parte da equação, amor enfraquecia qualquer relação a longo prazo. Eric balançou a cabeça, perdido em pensamentos, estava se tornando uma rotina irritante. Olhou mais uma vez por cima da mesa e Bill continuava estatelado no chão. Fechou os olhos, lembrava do grande momento que encontraram Leroy. Com o cerco se fechando, por mais que tivesse um plano perfeito, algum momento relaxaria. E foi num desses momentos que acabaram pegando o assassino. Leroy é australiano, haviam deixado um espião de tocaia na cidade natal dele, Brisbane. Vampiros em certos momentos, retornavam para a cidade que pertenceram quando humanos, como se precisassem de um contato com a humanidade perdida. E Leroy não seria diferente, quando surgiu na cidade, foi capturado. “Pagará pelo que fez, Eric.” A voz de Bill o trouxe de volta ao escritório, Eric fez uma careta, a viagem em sua mente estava mais interessante do que encarar a cara macilenta do prefeito. “Faço questão de pagar... quanto quer por minha casa e minha boate?” “Quero que vá embora de Vale, em definitivo.”, Bill disse passando a mão no pescoço dolorido. “Não é mais o gostosão do pedaço. Roubando as minhas coisas para sentir o gosto de como é ser igual a mim.”, ele retrucou. “O mundo não gira ao seu redor, Eric. É uma lição que deveria aprender. Se fosse importante para as pessoas, não teria perdido tudo que tinha.” “Conheço suas artimanhas. Sei que manipulou Pam, se aproveitou de minha ausência.” “Faz tão pouco caso de sua cria. Eu apenas fiz a oferta e ela aceitou prontamente, não teve nada obscuro.”, Bill sentou na cadeira. “Eu quero tudo novamente.”

“Sua volta não traz nada de bom. Não percebeu ainda?”, Bill juntou as mãos em cima da mesa. “Está com medo de alguma coisa, senhor prefeito?”, os olhos de Eric faiscaram. “Só tenho medo que machuque Sookita, destrua a vida dela mais uma vez.” “Claro, esqueci que é um cavalheiro, seus motivos só poderiam ser nobres.” “Não é uma brincadeira, se você encara dessa maneira desrespeitosa. Eu a amo e apenas desejo o bem dela.”, Bill disse emocionado. “Quer que eu encomende uma estátua em sua homenagem?”, Eric meneava a cabeça. “Poderia inventar uma desculpa melhor.” “Você chega em minha casa, me ataca, me ofende e espera que eu devolva o que comprei?” “Exatamente.” “Por que não dá uma chance de Sookita ser feliz? Eu vi o quanto ela gosta de viver naquela casa, ela está mais jovial, finalmente vivendo. E encontrou o amor ao lado de Bastian.” “Bastian?” “Ainda não sabe.”, Bill deu um sorriso de canto e passou a mão no bigode. “Sookita confirmou que está namorado Bastian, que é feliz ao lado dele. Por isso, a sua volta é um perigo, ela pode recair novamente em velhos hábitos.” “Então, eu não posso morar aqui por que a felicidade da pobre Sookita será destruída?”, Eric disse entre dentes. “Depende de você, se algum dia sentiu algo verdadeiro por ela.”, Bill deu de ombros e recostou-se na cadeira. “Não vou cair nesse golpe barato, não sou Sookita e muito menos Pam.”, Eric ficou em pé. “Morarei com Sookita enquanto não devolver o que me é de direito.” “Depois eu estou dando um golpe. Tem coragem de usá-la dessa maneira.” “Ao contrário de você, eu não morro de amores por Sookita. Eu a comi algumas vezes e poderei comer quando quiser. Só estalar os dedos.” Dessa vez, Bill avançou para cima de Eric, os dois caíram no chão. Bill socava a cara de Eric, alternava os golpes, até o sangue começar a jorrar. Eric ria sem parar, mesmo com a dor terrível que sentia, deixava o outro socar a vontade.

“Venda logo de uma vez e acabe com essa tortura.” Bill não ouviu as palavras de Eric, continuava socando, enterrando as mãos no rosto bonito, fazendo bolhas de sangue estourarem através da pele. “Como eu quero te matar.” Bill disse entre dentes. “Oras, só fazer o que quero e depois pode me matar.”, Eric disse gargalhando e cuspindo sangue. “Não, eu quero que nos deixe em paz.”, Bill parou de socar, ficou novamente em pé, o terno estava completamente ensanguentado. “Decida-se, quer que eu morra ou vá embora?”, ele disse se sentando, passou a língua nos dentes e sentiu que alguns quebraram. “Saia da minha casa.” “Esperarei ansioso a sua resposta.” Eric disse cuspindo um punhado de sangue. Ficou em pé e saiu rapidamente da mansão de Bill, não queria ficar mais um minuto naquele lugar. Assim que chegou na entrada, levantou voo, sentia o rosto dolorido, a boca latejando. Continuava demorando para recuperar, não era como antes, quando bastava alguns minutos e ficava novo em folha. Não demoraria para amanhecer quando pousou em frente à casa. Logo mais receberia boas notícias, teria novamente a casa e a boate. E mandaria Sookita embora de uma vez por todas.

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