Como é formado o Hinduísmo

"Profundo e revelador!" - dizemos. Ao lado voce tem links para textos básicos informativos sobre o Sanatana Dharma ou o hinduísmo, como é mais conhecido no ocidente. Isso é só o começo, traremos mais informações assim que disponíveis.

As marcas do pensamento
Seu rosto é como um disco de vinil. Tudo o que você pensa fica de uma só vez escrito sobre ele. Cada pensamento vicioso serve como um formão ou a agulha para anotar os pensamentos em seu semblante. A cara é um índice da mente. É o molde da mente. Cada pensamento corta um sulco na face. Um pensamento divino ilumina o rosto. Um mau pensamento o escurece. Pensamentos divinos Continuarão a aumentar a aura, ou halo, no rosto. Continuados maus pensamentos aumentam a profundidade das impressões escuras, assim como o continuo bater de um balde contra a borda de um poço quando a água é retirada, faz uma profunda marca no mesmo. Você não pode impedir os seus pensamentos de refletir-se em seu rosto. Você pode erroneamente pensar que você os tem mantido em segredo. Os pensamentos de luxúria, ira, ganância, inveja, vingança e ódio imediatamente produzem suas impressões profundas em seu rosto. Se você possui a capacidade de ler os olhos dos outros, você será capaz de ler também as suas mentes de uma só vez. Você pode ler os pensamentos predominantes de um homem, se você notar cuidadosamente os sinais em seu rosto, sua conversa e seu comportamento. Isso requer um pouco de treinamento. Sábios falam através de seus olhos. Seus olhos sempre brilham de poder espiritual. Eles também transmitem o seu poder espiritual através deles, e por meio de suas palavras de amor e delicadeza.

Swami Sivananda Saraswati

A glória de ser!
4. Glorificação da Auto-Realização
Janaka disse:

4,1 Certamente, quem conhece o Ser, embora jogue o jogo da vida, é muito diferente do mundo das bestas perplexas, sobrecarregadas. 4,2 Verdadeiramente, o yogi não sente exaltação, apesar de permanecer no estado exaltado, ansiado por Indra e todos os deuses descontentes. 4,3 Certamente, quem realizou isto, não é tocado pela virtude ou vício, assim como o espaço não é tocado pela fumaça, mesmo que assim pareça ser. 4,4 Quem pode impedir a grande alma, quem conhece o universo como sendo seu próprio Ser, de viver a vida como ela vem? 4,5 Dos quatro tipos de seres, da Brahma até uma folha de grama, só o sábio pode renunciar à aversão e ao desejo. 4,6 Raro é aquele que conhece a si mesmo como o Uno sem segundo -- o Senhor do Universo. Ele age como ele sabe e nunca está com medo.

Ashtavakra Gita

“O ESSENCIAL DO HINDUÍSMO”

Uma visão compreensiva da mais antiga religião do mundo

Swami Bhaskarananda

I

A HISTÓRIA DO HINDUÍSMO

O hinduísmo é uma das religiões mais importantes do mundo. Existem hoje aproximadamente 720 milhões de hindus. A maioria está na Índia, mas populações significativas também vivem no Nepal, nas Ilhas Maurício, nas Ilhas Fiji, na África do Sul, no Sri Lanka, na Guiana, na Indonésia (Bali), e em alguns outros poucos países. O hinduísmo tem, na maioria das estatísticas, muitos milhares de anos e se distingue como sendo a mais antiga das religiões existentes no mundo. Embora saibamos ser mais antiga que o jainismo, o budismo, o cristianismo e o islam, é difícil determinar sua idade exata. Alguns eruditos acreditam que o zoroastrismo, que também é uma das mais antigas religiões no mundo, teve sua origem baseada nas mesmas escrituras que originaram o hinduísmo.

hinduísmo. a Pérsia. Nós existimos depois da morte? . pronunciavam-na hindu. A fronteira entre a Pérsia e a Índia antiga era o rio Indus. Os arianos também chamavam sua religião de Mānava Dharma. e desconheciam completamente a palavra hinduísmo. como hindus. uma religião exclusiva dos arianos. o que significava não ser essa. significa religião. Se existe um criador. O nome. Assim. Sindhu. Será que existíamos antes de nossos nascimentos? Tais perguntas têm desafiado a mente humana desde o aparecimento da humanidade. A palavra equivalente em português é ariano ou indo-ariano. A palavra dharma. veio bem mais tarde. De onde veio o universo. ou deveres religiosos. nesse contexto. e como? . a religião dos arianos passou a ser conhecida como hinduísmo. O sânscrito que pertence a família de línguas indo-européias. e também se referiam aos arianos que viviam na outra margem do rio. VERDADES SUPRA-SENSORIAIS – A BASE DO HINDUÍSMO . Mesmo aqueles com as mentes mais inteligentes não encontraram respostas definitivas para essas perguntas. elas se baseiam em mera . Um dos países vizinhos. Um outro nome era Sanātana Dharma – a religião eterna. ilustrando a sua crença de que a sua religião se baseava em verdades eternas. como é Ele? Qual o relacionamento entre a criação e o criador? . Os arianos chamavam sua religião de Ārya Dharma – a religião dos arianos. em sânscrito. fazia fronteira com a Índia antiga. aplicável a toda a humanidade. ou a religião do homem. mas sim. que naquela época era conhecida como Āryāvarta – a terra dos arianos. O que nos acontece quando morremos? . Quaisquer que sejam as respostas encontradas. como āryas. era o idioma dos indo-arianos. Os persas não conseguiam pronunciar a palavra sindhu corretamente. em sânscrito.OS ANCESTRAIS DOS HINDUS E SUA RELIGIÃO Os ancestrais dos hindus eram conhecidos.

Não só pode se espalhar em todas as direções. Mas alguns santos espiritualmente iluminados. Gelo. do que está além do mundo do tempo e do espaço. ou seja.não provenientes do homem. os sábios as chamaram de apaurusheya. e se torna uma mente extraordinária. Essas respostas foram eventualmente registradas em livros. podendo chegar até onde nem o gelo. ou verdades metafísicas. Os sábios também realizaram que essas verdades eternas haviam vindo de Deus. O vapor é o mais livre de todos. estão além do alcance de uma mente assim. ou o que aconteceu no passado distante. Tal mente. Ainda assim. ou transformada através de disciplinas espirituais. são muito diferentes em suas propriedades. não importa o quão inteligente. nem a água podem. Não conhece nada além do domínio da percepção sensorial. como as outras importantes religiões do mundo. O FUNDADOR O hinduísmo tem a distinção única de não ter um fundador conhecido. A diferença entre uma mente “impura” e uma mente “pura”. ela pode transcender as barreiras do mundo sensorial e alcançar a fronteira mais longínqua do mundo do tempo e do espaço. e a pessoa pode se perguntar. Uma mente impura. sendo invisível. como pode existir uma religião sem um fundador? As verdades eternas e suprasensoriais. Se torna onisciente e pode saber de todos os eventos do passado. o gelo é o que tem menos liberdade dentre os três. a mesma fonte de onde tudo mais na criação provem. é também o mais sutil dos três. se baseia nessas verdades que foram descobertas por seus sábios de mente pura. água e vapor – essas três coisas são a mesma substância química. pode facilmente fluir e se espalhar. Porque essas verdades vieram de Deus. e adquire capacidades extraordinárias. pode ser explicada através da seguinte analogia. descobertas por sábios da Índia antiga. Assim também é a mente humana. O hinduísmo. de acordo com o hinduísmo. tais como o conhecimento da existência de Deus. Um verdadeiro santo possui uma mente pura assim. Relativamente falando. Não pode saber o que vai acontecer no momento seguinte. conhecidos como escrituras. quando essa mesma mente é purificada. são únicas na sua habilidade de revelar verdades desconhecidas por mentes impuras. Com a ajuda de tal mente. pode então vislumbrar o que está além do domínio dos sentidos. acharam as respostas e as tornaram conhecidas para nós. As escrituras . A água tem mais liberdade. mas além disso. tem muitas limitações. Verdades metafísicas. . mal se move. Mas.especulação. Esses sábios preferiram permanecer anônimos porque perceberam que essas verdades devem ter sempre existido. da criação etc. do presente e do futuro. o santo vem a saber a verdade a respeito de Deus. da alma. Essas verdades são chamadas de verdades supra-sensoriais. assim como a lei da gravidade já existia quando foi descoberta por Newton. com a ajuda de suas mentes purificadas. são a fundação do hinduísmo.

reformaram e revitalizaram a religião. eles também validaram as verdades das escrituras. Da mesma forma. Ao reinterpretar antigos textos das escrituras. Em épocas diferentes. Se fosse uma religião com um fundador específico. e eventualmente se torna inútil. em períodos diferentes. teria sido difícil passar pelo tipo de evolução que tem experienciado durante os muitos milhares de anos passados. Qualquer uma das antigas religiões pode ser comparada a um sótão em uma casa velha. a não ser que seja limpo regularmente. Através de suas próprias experiências espirituais. o hinduísmo tem uma certa vantagem sobre outras religiões. ela perde sua utilidade e seu significado para pessoas diferentes em épocas diferentes. Isso não teria sido possível se o hinduísmo tivesse um fundador. que. enriquecendo o hinduísmo com seus ensinamentos.Por não ter um fundador conhecido. tornando-a relevante àquele momento no tempo. muitos santos e incarnações divinas tem aparecido nesse palco e representado seus papéis individuais. acumula poeira e teias de aranha. eles tornaram a religião relevante para pessoas e épocas diferentes. . se uma religião não for limpa e atualizada de tempo em tempo. Isso não aconteceu com o hinduísmo. muitos santos verdadeiros nasceram na Índia. Limparam. Felizmente.

O hinduísmo acredita na onipresença de Deus e fala da presença da divindade em todos seres humanos. que significa “liberação”.II A REALIZAÇÃO DE DEUS A INEVITÁVEL META O hinduísmo reconhece quatro metas da vida humana: . Artha – aquisição de coisas do mundo e dinheiro . por outro lado. um hindu deve considerar seu dharma. é percebido principalmente nos seres humanos. Kāma e Artha estão enraizadas no egoísmo. Dharma. não é nada mais que treinar-se no sacrifício próprio. Dharma – observância de deveres religiosos . Kāma – satisfação dos desejos por prazeres sensórios . Kāma é considerada a mais inferior. Moksha – liberação atingida através da realização de Deus Entre essas quatro. Moksha. que são ditados pelas escrituras. Portanto. e é considerado superior a Kāma. A terceira meta. Até mesmo para adquirir coisas do mundo ou para satisfazer suas paixões. ou Dharma. não está. que embora igualmente presente em todos. kāma e artha – que são mencionadas como sendo duas metas diferentes de dharma – são incluídas na categoria de dharma por alguns eruditos. Artha. enquanto que Dharma. pode ser alcançada apenas através da realização de Deus. não esta igualmente . porque esse impulso é comum aos homens e aos animais. dharma é superior a kāma e artha. O modo de vida hindu consiste na performance de uma série de deveres religiosos. Por isso.

Algumas almas altamente evoluídas podem conseguir isso nesta vida. esse verdadeiro Ser. Mais cedo ou mais tarde. podem necessitar de muitas outras encarnações. inclusive o seu. ou após suas mortes. A felicidade proveniente do prazer e do dinheiro é finita. recorrentemente. qualquer interação com o mundo é a experiência mais feliz e recompensadora. Neste estado. interação com Deus. As escrituras do hinduísmo. sem exceção irão finalmente atingir moksha.manifestada. e quando essa divindade se torna completamente manifesta. até mesmo seus inimigos. Esse conhecimento o inspira a mudar de direção e buscar. todos seus desejos e vontades desaparecem. onde Deus representa todos os papéis. através de meios externos e finitos. O esforço consciente ou a prática espiritual sincera. a bem-aventurança infinita é um dos principais aspectos da divindade. insistem que os hindus se esforcem para essa meta. inconscientemente. a decadência e a morte. a fonte da bem-aventurança infinita dentro de si. que está sujeito ao nascimento. porque é na verdade. o medo e a tristeza. Ela tem então a experiência de Deus – a divindade que tudo permeia – dentro e fora de si. Até mesmo através de kāma ou artha. Ela já não consegue se identificar com o seu complexo-mente-corpo. proveniente dos sentidos. não tão evoluídos. o homem está tentando. tal pessoa é uma alma que realizou Deus e atingiu moksha. divino espírito – sem nascimento e sem morte. Isto é moksha ou “liberação”. Ela adquire então. ainda que inconscientemente. a convicção inabalável de que é o eterno. Ela se vê como parte de um jogo divino. Todos. Não importa o quanto se consiga prazer ou dinheiro. ou divindade. deve se manifestar. alcançar seu Ser divino – que é essa bem-aventurança infinita. Quando a pessoa chega a essa fonte perene de bemaventurança infinita. A pessoa pode deixar de lado qualquer coisa. pois a satisfação não pode ser encontrada através deles. qualquer outra felicidade. contudo. Outros. mas não aquilo que é o âmago do seu Ser. todos rumam em direção a essa meta. De acordo com o hinduísmo. Não obstante. Moksha é a inevitável meta da vida humana. Ela transcende todo o sofrimento. a mudança. Em comparação a essa intensa experiência de bem-aventurança. O propósito das práticas espirituais é manifestar essa divindade inerente. . Ama a todos. Experiencia Deus enquanto essência de tudo e de todos os seres. Essa divindade é o verdadeiro Ser do indivíduo. e finalmente realiza-se que a busca pela bem-aventurança infinita. podem ajudar no alcance mais rápido da meta. conscientemente. não leva a lugar algum. porque não vê inimigos em ninguém. é sem sabor e insípida. e é o âmago da existência humana. sempre se quer mais.

Celibato não é nada mais que conservação de energia. através da prática do celibato. é alguém que experienciou Deus diretamente. A palavra sânscrita veda. Esses santos. e as ensinaram a estudantes merecedores. Eles as preservaram em suas memórias. sem ler. Seus estudantes. consideravam essas verdades tão sagradas que. em muitas dessas tribos viviam sábios que haviam experienciado verdades supra-sensoriais. memorizavam-nas. eles eram capazes de memorizar as inúmeras verdades védicas. ou um santo. é apreciada no hinduísmo. felizmente. porque eles haviam visto a verdade com suas mentes purificadas. ou sábios eram chamados de Rishis. nesta vida.III OS LIVROS SAGRADOS OS TEXTOS REVELADOS As verdades divinas reveladas se chamam Vedas. e esses sábios da Índia antiga sabiam que uma pessoa que não desperdiça sua energia em buscas sensoriais descontroladas. Uma pessoa que possui virtudes nobres. . a santidade não é reconhecida através da canonização após a morte. adquiriram uma memória fenomenal. que eram também celibatos. Porque aprendiam escutando. No início. ou unificada. significa conhecimento. por muito tempo. Além disso. que literalmente significa escutar. no hinduísmo. os arianos não eram uma nação homogênea. Equipados de tal memória. Os sábios hindus. escutavam essas verdades. pode melhorar muito a sua memória e outras faculdades mentais. Outros benefícios do celibato são: Longevidade e dhāranā shakti – a habilidade de entender os significados mais profundos das escrituras. elas não foram escritas. Esses sábios. Mas não é necessariamente considerada uma pessoa santa. no contexto do hinduísmo. e se engaja em boas ações. através da instrução oral. ou videntes. essas verdades vieram a ser conhecidas como Shruti. e moldavam suas vidas de acordo com elas. particularmente a atividade sexual. Um sábio. Existiam muitas tribos arianas e.

a segunda com duas folhas. A palavra sânscrita. Três dessas quatro. falam sobre a divindade de toda alma e a quarta fala sobre a natureza de Deus: . Seu aniversário se chama Guru Pūrnimā.Com o tempo houve a necessidade de coletar e compilar as verdades védicas. significa professor. * ilustração . Nesse caso em particular. Yajur-Veda e AtharvaVeda.Krishna Dvaipāyana Vyāsa A mensagem mais importante dos Vedas é a de que tudo e todos os seres são divinos. consideremos quatro lâmpadas de 100 watts cada. Sāma-Veda. Ayam ātmā Brahma – Este Ser interior é Brahman . Os hindus se recordam desse antigo sábio com muita gratidão. cada uma produz luz com a mesma intensidade. Em reconhecimento pela sua monumental compilação dos Vedas. mas se cobrirmos a primeira lâmpada com uma folha de papel. foram escritos numa forma arcaica de sânscrito. e o honram celebrando seu nascimento anualmente. Os textos mais antigos dos Vedas. Aham Brahmāsmi – Eu sou Brahman (Deus) . tal como os hinos do Rig-Veda. guru se refere ao grande professor Vyāsa. Krishna Dvaipāyana Vyāsa recebeu o nome de Veda Vyāsa. guru. Sua manifestação não é a mesma em todos os seres e lugares. Os Vedas tinham quatro partes – Rig-Veda. ou “grandes frases”. Para explicar isso. Prajnānam Brahma – O conhecimento supremo é Brahman Embora Deus esteja presente em todos os lugares. Tat tvam asi – Você é Aquilo (Brahman) . Se acessas. chamada de sânscrito védico. Um sábio chamado Krishna Dvaipāyana Vyāsa as coletou de diferentes fontes e as registrou num livro chamado Vedas. ou o dia do guru. a terceira com três folhas. e deixarmos a . Nos Vedas existem quatro afirmações muito importantes que se chamam Mahāvākyas.

A literatura védica afirma a natureza divina inerente ao ser humano. ou a culminação do conhecimento. Portanto. Yajur-Veda e Atharva-Veda. Sāma-Veda.quarta descoberta. no hinduísmo existem muitas outras escrituras. e é menor em objetos inertes. uma pedra. os seguintes são os mais populares: Isha. deve ter sido antes do século 4 a. os textos védicos devem ter pelo menos 4000 anos. Vyāsa. Entre os 108 Upanishads disponíveis hoje. desfrutam de um lugar de honra e são consideradas as mais autênticas. muito provavelmente viveu antes do século 4 a. e a segunda explica esses hinos. instruindo a respeito de quando e como usa-los. Embora haja muita controvérsia a respeito de quando Vyāsa viveu. Cada um desses trabalhos consiste de duas partes: Samhitā e Brāhmana. ainda que não se possa negar a presença da mesma luz em todas as lâmpadas. Pānini. Os Upanishads também se chamam Vedānta – o apogeu. Um famoso gramático hindu. Da mesma forma.C. UPANISHADS Os Vedas também contém alguns textos altamente filosóficos. o autor do Mahābhārata. Kena. Quando ascendermos a luz. Deus está igualmente presente em todos os lugares. como por exemplo. perceberemos que nem todas brilham com a mesma intensidade. e providencia meios e métodos. os Vedas têm quatro partes: Rig-Veda. conhecidos como Upanishads. A primeira contém hinos. menciona o épico Mahābhārata em um de seus trabalhos. SAMHITĀ E BRĀHMANA Como foi mencionado anteriormente. Além dos Vedas.C. Sua manifestação é maior em incarnações divinas e em almas espiritualmente iluminadas.. que provavelmente viveu no século 4 a. De acordo com as estimativas de muitos eruditos. porque suas verdades têm sido repetidamente validadas através das experiências de santos hindus que viveram em épocas diferentes. .C. mas porque os Vedas são escrituras reveladas. A validade dos textos védicos nunca é questionada. para manifestar essa divindade. mas não igualmente manifesto. Katha.

As escrituras védicas são a autoridade final. fundado por Kapila . livro de leis. Baudhāyana. O livro de leis mais recente. pertencem a categoria smriti. Āpastamba. Entre esses antigos livros de leis. manual de códigos de conduta para os hindus. com exceção das Darshanas e Tantras. Shvetāshvatara e SMRITIS Todas as escrituras hindus. e todas as escrituras. ou. A palavra smriti tem também um significado técnico. Raghunandana.Mundaka. Também conhecidos como os Seis Sistemas da Filosofia Indiana. têm somente uma autoridade secundária. Chhāndogya. Yājnavalkya. foram desenvolvidos por sábios hindus em épocas diferentes. exceto os Vedas. Significa. teve como autor. As escrituras pertencentes a categoria smriti. Prashna. Aitareya. Sānkhya. * diagrama – Escrituras do Hinduísmo DARSHANAS ESCOLAS DA FILOSOFIA RELIGIOSA HINDU Seis diferentes sistemas de filosofia. se encaixam em duas categorias: (1) Vedas e (2) Smritis. esses são: . o livro de leis de Manu é o mais conhecido. Taittirīya. Māndūkya. chamados de Darshanas. Vashishtha e Gautama são outros antigos legisladores. Brihadāranyaka. Esses são sistemas filosóficos “religiosos” porque são fundamentados nos Vedas.

fundado por Gotama .). Estão alem da capacidade da maioria das pessoas. fundado por Patanjali . fundado por Jaimini . o Padma Purāna. e entre eles estão o Bhāgavata Purāna. Pūrva Mīmāmsā. em sânscrito.. criaram um tipo especial de literatura religiosa. Todos os autores desses sistemas religio-filosóficos. Nos Purānas . necessitavam de notas exploratórias e comentários. Por isso. O Chandī. para que pudessem apresentar aquelas verdades. Yoga. é na verdade. é também conhecido como Vedānta Darshana ou Brahmasūtra. Os sūtras. escreveram tratados originais. parte do Mārkandeya Purāna. o Mārkandeya Purāna e Agni Purāna. um popular livro do hinduísmo. não deve ser confundido com o outro significado da palavra. Vaisheshika. os Upanishads. Ao todo.C. ou Vedānta. O tratado de Vyāsa. Nyāya. usando aforismos concisos que se chamam. são muito difíceis e de difícil compreensão. fundado por Kanāda O sistema filosófico chamado de Vedānta. por serem breves e tersos. fundado por Vyāsa . ou Devīmāhātmyam. Uttara Mīmāmsā. os ensinamentos são apresentados através de estórias e parábolas. os sábios da Índia. sūtras. de forma interessante e fácil de entender. chamada Purānas. por exemplo: Shankarāchārya (700 – 740 a. o Skanda Purāna. o Vâyu Purāna. Rāmānujāchārya (1017 – 1137) e Madhvāchārya (1199 – 1278). . PURĀNAS As verdades mais profundas das escrituras do hinduísmo. hoje existem dezoito Purānas. que foram escritos mais tarde por outros eruditos. Muitos comentadores escreveram a respeito desse tratado. que forma a base do sistema Uttara Mīmāmsā.

Srī Krishna revela muitos excelentes ensinamentos espirituais. Quando Shiva se torna ativo. que também se chamam Itihāsa. o hinduísmo tem um outro conjunto de disciplinas chamado de Tantras. o Rāmāyana e o Māhabhārata. o Rāmāyana e o Māhabhārata. A profusão de ensinamentos morais e espirituais contidos neles. Nas disciplinas tântricas. O Bhagavad Gitā. para o hindu de mente religiosa. Esses épicos são riquíssimos em seus tesouros literários e em seu conteúdo mitológico. BHAGAVAD GĪTĀ Essa popular escritura hindu é parte do Māhabhārata.OS DOIS ÉPICOS RĀMĀYANA & MAHĀBHĀRATA Os hindus podem se orgulhar de dois grandes épicos. contém muitos ensinamentos das escrituras. que foram compostos por dois sábios. e Shakti. o que o coloca numa posição semelhante àquela dos Upanishads. os elevaram ao nível de escrituras. TANTRAS Paralelo as disciplinas védicas. com estórias de várias dinastias e clãs. O Bhagavad Gītā contém a maioria dos ensinamentos essenciais dos Upanishads. A . Da mesma forma. Deus é visto como um princípio masculino e feminino. Ele se chama Shakti. Ambos. Esses dois épicos. Vālmīki e Vyāsa. lado a lado. e um príncipe ariano chamado Arjuna. talvez a escritura mais popular do hinduísmo. Shiva e Shakti. Quando a energia potencial se torna ativa. ela se chama energia cinética. É Shakti que cria esse mundo. uma encarnação divina. Ao responder as perguntas de seu discípulo Arjuna. Esses ensinamentos são um grande tesouro do hinduísmo. Ela é um dialogo entre Srī Krishna. quando Shakti está inativa. está incluída no Māhabhārata. a energia cinética. Ela se chama Shiva. respectivamente. Shakti é o poder criativo de Shiva. Em termos modernos. Shiva pode ser comparado a energia potencial. respectivamente. trazem muitos personagens que são considerados modelos.

Nos diálogos em que Shiva é aquele que fala. inseparáveis. merecem destaque. SHAIVA ĀGAMAS E PANCHARĀTRA SAMHITĀS Os Shaiva Āgamas estão relacionados aos Tantras.relação entre Shiva e Shakti. . Prescreve disciplinas espirituais adequadas a pessoas de nível cultural mais elevado ao mais inferior. Entre os 64 textos proeminentes. O Tantra é um sistema religioso todo abrangente. e Shiva é quem escuta. Kulasāra. os textos se chamam Nigama. podemos citar. e é capaz de ajudar as pessoas em todos os níveis do crescimento espiritual. Prapanchasāra. apenas 20 estão disponíveis hoje. e um deles é Pārvatī. e Pārvatī é quem escuta os ensinamentos espirituais. Quando Pārvatī faz o papel de instrutora. Dos 28 Shaiva Āgamas originais. Rudra Yāmala. Existem 250 textos pertencentes a esses Samhitās. Vishnu Yāmala. é como a relação entre o fogo e o seu poder de queimar. ou seja. Mahānirvāna. Desses. o Īshvara Samhitā e o Jnānāmritasāra Samhitā. os textos se chamam Āgama. Os Pancharātra Samhitās são as escrituras de algumas seitas Vaishnava do hinduísmo. As escrituras e textos do Tantra. são sempre um. Shakti tem outros nomes. Contudo. A literatura Tantra é vasta. Brahma Yāmala e o Tantrarāja. estão geralmente em forma de diálogo entre Shiva e Pārvatī. o Brihad Brahma. Kulārnava.

tentado descobrir a resposta. muitas teorias têm se desenvolvidas. têm independentemente e em conjunto. Através de suas pesquisas. os rebanhos precisavam ser protegidos dos estragos causados . Por muitas décadas. e ainda não haviam formado uma sociedade urbana. tal como Gafurov. Em geral. os indo-arianos são provenientes da Ásia Central. e durante certas estações do ano. mas haviam migrado de alguma outra região. não foram capazes de chegar a uma conclusão em comum. acreditava que os indo-arianos eram nativos da Índia. Há uma considerável controvérsia entre os eruditos sobre sua origem. Swami Vivekananda.IV OS INDO-ARIANOS & SUA SOCIEDADE A TEORIA A RESPEITO DA ORIGEM DOS INDO-ARIANOS É muito difícil chegar a uma conclusão definitiva no que diz respeito ao lar original dos indo-arianos. vieram do Ártico. historiadores e filologistas. muito provavelmente. e que não teriam vindo de nenhum outro lugar. De acordo com alguns eruditos. Bongard Levin é da opinião de que o lar ancestral dos arianos era a região do sudeste europeu. arqueólogos. os arianos eram um povo nômade.C. eles vieram da região onde os lituânios viveram “por pelo menos cinco mil anos”. Alguns dizem que a migração dos indo-arianos para a Índia. Sua riqueza e sustento dependia principalmente na criação de gado. acredita-se que os ancestrais dos indo-arianos não eram nativos da Índia. mas ainda assim. Eles constantemente levavam seus rebanhos de um pasto para outro. Bender pensava que. OS ARIANOS E SEUS GOTRAS Em tempos antigos. e continuou até 1200 a. provavelmente começou por volta do ano 1700 a. Já Tilak. Contudo. entre as montanhas Dnieper e os montes Urais. diz que os antepassados dos indoarianos.C. um dos maiores expoentes do hinduísmo. antropólogos.

casamentos entre membros do mesmo gotra eram proibidos. e foram apontados como tais. Para evitar casamentos consangüíneos. Esses supervisores eram dotados de grandes virtudes morais e espirituais. hoje chamados de hindus. os rebanhos de diferentes famílias se misturavam e assim surgiam disputas que para serem resolvidas. alguns deles foram reconhecidos como almas espiritualmente iluminadas. atualmente. mantém a mesma tradição e usam o nome do gotrapati para se identificar. ou mestre do gotra. esperasse que todo hindu se recorde do nome de seu gotra ancestral. Kāshyapa e outros que são considerados rishis ou sábios. Os descendentes dos arianos. Bharadvāja. Em sânscrito. Quando um ariano de um certo clã ou família. depois de passados muitos séculos . o abrigo para o gado se chama gotra. Mas. O SISTEMA DE CASTAS . por conta de seus caracteres elevados. Como resultado disso. Por isso durante o inverno ou a estação das chuvas. Portanto. conhecia alguém pertencente a um outro clã ou família ariana. o gado era mantido em abrigos seguros. Eles chamavam-se gotrapatis. estão Shāndilya.pelo clima rigoroso. esse costume já não é seguido tão estritamente. Mais tarde. muitas famílias indo-arianas eram obrigadas a guardar seus rebanhos nos mesmos abrigos. ou gotras. surgiu a necessidade de que supervisores fossem apontados para agir como juízes que dessem veredictos justos. se apresentava usando o nome de seu gotrapati. e entre esses gotrapatis altamente venerados. como por exemplo Shāndilya ou Bharadvāja. que significa senhor. e porque existiam em um numero pequeno.

por razões óbvias.” Os que eram banidos. Por exemplo. Alguém naturalmente dotado de qualidades marciais. De acordo com Manu. “Um homem nascido duas vezes. e os filhos de arianos que haviam violado as leis da sociedade ariana. um porco da aldeia. os banidos passaram a ser tratados como inferiores. ou sannyāsins. que mesmo sabendo. tal pessoa era considerada a pessoa certa para ensinar e dar orientação espiritual. ou kshatriya. durante o período de decadência do sistema de castas. essa divisão baseava-se em uma “carreira em potencial” ou qualidades inerentes aos indivíduos. Originalmente. e apesar de não pertencerem a nenhuma. a não-violência. ou brahmin. * diagrama – O Sistema de Castas Os arianos que eram isentos do sistema de castas e os expulsos de suas castas. e embora não haja evidência de que tenham sido maltratados ou odiados. matrimonio etc.Originalmente o sistema de castas tinha uma base qualitativa e todas as castas eram tratadas com igualdade Os indo-arianos se dividiam em quatro castas. Todos os outros pertenciam a casta shūdra. Eram geralmente banidos de suas castas. conhecidas como o sistema de castas. os monges renunciantes. era adequado para a casta militar. . alho. ou categorias sociais. pertenceria a casta sacerdotal . será expulso de sua casta. cebolas. eles eram respeitados por todos. Reis e administradores. ou vaishya. Os não-arianos. ou intocáveis Nem todos os arianos aderiam ao sistema de castas. Uma pessoa naturalmente dotada de qualidades como a veracidade. muito mais tarde. o legislador mais famoso. geralmente vinham da casta kshatriya. ou alho porro. estavam além das regras das castas. etc. Tinham uma posição inferior na sociedade ariana. um galo da aldeia. pertencia a casta dos mercadores. a compaixão e o não-egoísmo. recebendo o nome de “intocáveis”. no que diz respeito a comida. uma pessoa com agudeza para os negócios. come cogumelos. a serenidade mental. Possuidora de grandes virtudes morais e espirituais. Da mesma forma. não desfrutavam das mesmas posições daqueles pertencentes ao sistema de castas. que incluía os fazendeiros e artesãos.

C. reduzidos a casta inferior e com muitos privilégios negados. os persas. Os kshatriyas. os hunos. com o passar do tempo. foram os que mais sofreram. podiam encontrar satisfação com a riqueza proveniente do comércio. a condição dos intocáveis. ou banidos. Começando em 327 a. que queriam perpetuar os privilégios sociais baseados nas castas. surgiram os direitos adquiridos. embora ocupassem posições de respeito e honra na sociedade. e as castas que eram originalmente determinadas pelas qualidades e aptidões individuais se tornaram hereditárias.O sistema de castas se deteriorou quando se tornou hereditário Originalmente todas as castas recebiam igual importância e cada uma era considerada essencial para a sociedade ariana. desfrutando de riqueza e do poder. mesmo que nunca pudessem se tornar sacerdotes ou oficiais militares. Já os shūdras. incluindo os gregos. os árabes. a Índia foi repetidamente invadida por muitos agressores estrangeiros. inclusive a educação védica e outros tipos de educação elevada. Essa disparidade de privilégios corrompeu o sistema de castas. Mais tarde. os turcos. tornou-se ainda pior. tradicionalmente não eram ricos. os portugueses. Nessas circunstâncias. os mongóis. a sociedade ariana atravessou muitas mudanças. Os vaishyas. ao ódio e ao conflito. o que eventualmente deu origem ao ciúme. os afegãos. que pertenciam a segunda classe mais elevada. por causa do interesse próprio de pessoas em posições de poder e autoridade. Os brahmin que formavam a educada classe sacerdotal. A noção equivocada de castas “superiores” e “inferiores” resultou na degeneração do sistema de castas. Os efeitos das repetidas agressões estrangeiras a Índia hindu e ao sistema de castas Com o passar dos séculos. administradores e guerreiros. eram reis. os .

Mesmo que o caráter original do sistema de castas tenha se tornado irreconhecível. igual acesso a educação elevada e a outras facilidades que são providas pelo governo. o governo da Índia tem dado a todos os seus cidadãos. Através dos anos. o sistema de castas. Os brahmins ingressaram até mesmo no serviço militar. gênero e religião. Durante o domínio britânico. em suas desvantagens econômicas e culturais permaneceram. Passos tomados para curar o degradado sistema de castas Desde que a Índia tornou-se uma nação independente em 1947. até mesmo não o reconhecendo. A Índia se livrou do domínio britânico em 1947. o conhecido libertador e líder político da Índia. Shrī Chaitanya e Shrī Rāmakrishna ensinaram a seus seguidores que amantes de Deus não pertencem a nenhuma casta. até que os britânicos tomaram o poder no final do século 18. os brahmins foram os primeiros a se beneficiar com a educação inglesa. os muitos anos de domínio estrangeiro e a passagem do tempo. Ao deixar suas profissões tradicionais. tornando-se uma nação independente. Do século 13 em diante. Por exemplo. muitos santos hindus têm veementemente desaprovado o decadente sistema de castas. homens de negócio. Os membros das outras castas mais elevadas que tiraram vantagem da educação inglesa. que assim são encorajadas a se educarem. independentemente de casta. baseadas em sua castas. e com ela. . o governo aprovou uma lei banindo a intocabilidade. que mudou. mais ou menos. também usufruíram de oportunidades semelhantes.franceses e os britânicos. os muçulmanos dominaram grande parte da Índia por aproximadamente 600 anos. era muito critico dos males de tal sistema. Muitos reformadores sociais também condenaram esse sistema de castas degenerado. Já os membros da casta mais baixa e os intocáveis. o sentimento de superioridade de uma casta sobre a outra permaneceu em algumas partes da Índia. cor. Em 1949. o sacerdócio e o ensino. Todas essas invasões. deixaram seus impactos na sociedade hindu. engenheiros. Bolsas de estudo e ajudas financeiras são dadas a membros das classes menos privilegiadas. servidores do governo e advogados. na mesma condição. muitos tornaram-se médicos. Mahātma Gāndhī (1869 – 1948).

por interesse próprio. pessoas educadas e relativamente ricas. unanimemente condenam o já severamente enfraquecido.Mahātma Gāndhī * ilustração . parte da população urbana da índia. esperava-se que os hindus. apenas causaria a substituição por um sistema similar. promovendo ódio e conflitos entre as castas. a Europa tem seu “sistema de classes”. esforços deveriam ser feitos para elevar os nível educacional. Swami Vivekananda costumava dizer que qualquer tentativa de remover o sistema de castas pela força. Vānaprasthya – o estágio do afastamento . seus esforços estão fadados a falhar. Alguns políticos e outras pessoas. Todavia. espectro do sistema de castas. passassem por quatro estágios da vida ariana: . então conhecidos como arianos. somadas a uma educação religiosa saudável. Gārhasthya – o estágio do chefe de família . irão finalmente erradicar esse sistema decadente. ainda tentam manter o sistema vivo. mas ainda assim persistente. Sannyāsa – o estágio do monge ou asceta * diagrama – Os quatros estágios da vida Indo-ariana . De acordo com o Swami Vivekananda. A educação das massas e o melhoramento da qualidade de vida. Brahmacharya – o estágio do estudante . OS QUATRO ESTÁGIOS DA VIDA ARIANA Na antigüidade. Como prova disso. porque cada vez mais pessoas estão se educando e já não acreditam nesse sistema. Apenas causaria uma maior degradação da sociedade hindu. para o nível da culturalmente desvantajada classe mais baixa não seria uma solução saudável.Shrī Chaitanya As pessoas inteligentes da Índia de hoje. ultimamente alguns casamentos têm acontecido entre membros de castas diferentes. Enquanto a Índia tem seu sistema de castas. para aquele das assim chamadas castas mais elevadas.* ilustração . Trazer os Brahmins para baixo. cultural e econômico dos hindus da assim chamada casta mais baixa. e os Estados Unidos têm seus próprios níveis sociais baseados na riqueza.

Normalmente a educação se completava num período de doze anos. que significa “aquele que se banha”. Dotado de muitas virtudes nobres. Uma grande ênfase era dada ao desenvolvimento do caráter. Ao completar sua educação. esse mestre não dava apenas educação secular. Somados ao estudo dos vedas. o estudante era conhecido como um snātaka. contém um discurso de despedida proferido por um mestre a seus estudantes que . onde ele permanecia até que sua educação houvesse terminado. os estudantes aprendiam que o objetivo final da educação era a liberação através da visão de Deus. ética. Depois da graduação. estudava-se também gramática. eram supridas por ocasionais presentes do rei. tornar-se um snātaka seria como graduar-se na universidade. mas era também seu guia espiritual. matemática e astronomia. Na maioria das vezes. uma porção dos Vedas. O mestre normalmente possuía suas próprias vacas. tanto quanto a educação formal. vestidos com peles de veado ou casca de árvore processada. Para o estudante. Ainda assim. O mestre era com freqüência um homem de família que vivia uma vida simples. livre de luxos. Aceitar qualquer remuneração por qualquer tipo de ensinamento. O relacionamento entre mestre e estudante não se baseava em dinheiro. poesia. Era costumeiro pedir comida na vizinhança. Durante esse período. todo menino ariano entre sete e onze anos de idade. moral. Na linguagem atual. tinha que ir viver no lar de seu mestre. era contrário a tradição ariana.Brahmacharya – o primeiro estágio da antiga vida ariana Para ser educado. O estudante era chamado de antevāsin e o mestre era chamado de guru ou . e ajudava nas várias tarefas domésticas. o mestre fazia um discurso final aos estudantes. Num encontro de despedida. O mestre via o estudante como se fosse o seu próprio filho. as poucas necessidades que tinha. Os estudantes não eram um fardo financeiro para seu mestre. morais e espirituais. seja secular ou espiritual. Essa palavra implica que o estudante foi banhado com sucesso nas águas do conhecimento. e nenhum pagamento ou salário era aceito. o modelo a ser seguido era o seu mestre. Esse período de estudos era o primeiro estágio da vida ariana.em sânscrito. que proviam uma quantidade suficiente de leite nutritivo. exigia-se a prática do completo celibato e a assimilação de virtudes nobres. e dava-lhe o mesmo tipo de amor e afeto. o estudante presenteava o mestre demonstrando seu respeito e gratidão. āchārya. O Taittirīya Upanishad. cinto de grama e cabelo emaranhado. O estudante também considerava a casa do mestre como sendo a sua própria.

Não rompa o cordão de descendência. que o seu pai seja um deus para você. não afaste-se do caminho do bem.partiam. . também seja um deus para você. Reverencie a grandeza. O que você der aos outros. incluindo estudos e ensinamentos das escrituras. com um coração alegre e uma mente desapegada. na ação e no pensamento. através da abnegação e da prática da austeridade. Sempre demonstre reverência ao que é grandioso. Não negligencie o estudo das escrituras. através do equilíbrio e do autocontrole. através da execução dos deveres diários da vida. Que a sua mãe seja um deus para você. que o seu mestre seja um deus para você. Não desvie-se da verdade. Aja apenas de forma pura. e que o seu convidado. através da veracidade na palavra. Fale a verdade. Esse discurso expressa um pouco dos deveres e ideais dos estudantes do período védico: Deixe que a sua conduta seja marcada pela ação correta. Faça seu dever.

como a pele de veado. esse é o ensinamento. que por sua erudição. Já não pedi-se comida de porta em porta. Atualmente. Na antigüidade. a educação em casa tornou-se o costume para as meninas. se casavam e ingressavam no segundo estágio da vida ariana – o estágio do chefe de família. sempre conduzam a si próprios. Essa é a ordem. cascas de árvore e cintos de grama. humildade e compaixão. dança. Entre as grandes eruditas do período védico estão Gārgī. costura. a filha de Vāchaknu e Pathyasvatī. Não obstante. Presentes devem ser dados em abundância. a execução de instrumentos musicais. com felicidade. Depois dessa graduação. carpintaria. Hoje em dia essa tradição já não é seguida. os estudantes retornavam a seus lares. conforme a sociedade se enrijecia. de bom julgamento. a casca de árvore e os cabelos emaranhados foram banidas. em torno do século 5 a. Vishvavārā. No início do período védico também haviam algumas sábias. Mais tarde. pintura. que passaram então a ser educadas por seus parentes homens. que são sinceras. e os estudantes não vivem e educam-se no lar de seus mestres. recebeu o titulo de Vāch. haviam muitas mestras desfrutando das mesmas posições de honra que os mestres. para elas. Os mestres nas escolas e universidades trabalham . Já não se vestem com peles de veado. meninas também residiam com suas mestras e recebiam educação similar aquela dos meninos. ficou confinado a seus próprios lares. siga a prática das grandes almas. As moças no período védico também aprendiam canto.C. Assim. Ghoshā e Apālā. o sistema educacional da Índia é exatamente como o sistema educacional de qualquer outro país do ocidente. e as vestimentas. confecção de guirlandas e outras belas artes. Se a qualquer momento houver dúvida no que diz respeito a uma conduta correta. por exemplo. poesia. e devotadas a verdade. que significa “a deusa da sabedoria”. O costume de pedir comida.dê com amor e reverência. e esse é o comando das escrituras. ou têm os cabelos emaranhados.

Qualquer mudança que tenha ocorrido no antigo sistema educacional. a educação dos filhos. ou homem santo que viola essa regra. Hoje. ainda é honrada na Índia. com a permissão de seu mestre. quando o fogo é usado como um símbolo de Deus.” Além do mais. as moças estudam humanidades. “Onde o relacionamento com o feminino é um de tristeza. toda a família perece. seguindo os preceitos das escrituras. e agradá-las com bons presentes por ocasião dos feriados e festivais. Depois do casamento. casa-se com uma moça de sua casta. deve muito aos quase duzentos anos de domínio britânico na índia. Gārhasthya – o segundo estágio da antiga vida ariana Esse estágio de vida iniciou-se com o casamento. . moças hindus freqüentam escolas e universidades de estilo ocidental. ele vive a vida de um chefe de família. O regular estudo dos vedas.por um salário como fazem os seus pares nos países ocidentais. a tradição de não aceitar dinheiro por educação espiritual. engenharia. Nas palavras do próprio Manu. o famoso legislador da Índia antiga. mas ainda assim. Assim como os rapazes. Contudo. Uma grande importância era dada a uma educação nobre para as crianças. apenas traz desgraça para essa honrada tradição hindu. Dão educação secular a seus estudantes. mas a família que é feliz sempre prospera.” Esperava-se que marido e mulher fossem fiéis. ele deve executar a adoração ritual diária. os hindus continuam indo aos templos e observando os rituais de suas religiões durante os muitos festivais religiosos que são celebrados todos os anos. e que acabou em 1947. Entre outras coisas. chamada de agnihotra . Manu disse: “Naquela família onde o marido está feliz com a esposa e a esposa está feliz com marido. ser caridoso para com os pobres. Raramente. é dever do chefe de família. medicina e artesanatos. mas não da mesma grota. tal família proporcionava um ambiente ideal para as crianças. a prática da hospitalidade. O estudante. Essa tradição perdeu importância. ao retornar a sua casa. e algumas delas mistas. De acordo com a sábio Manu. meninos ou meninas estudam os Vedas. ciências. honrar os mais idosos e cuidar dos pais e parentes próximos. com certeza a felicidade será duradoura. honrar e respeitar as mulheres. pois criar em casa uma atmosfera de felicidade era um dever. a sociedade já não se opõe ao recebimento de salário. um sustento honesto. e qualquer mestre espiritual.

e executava vários rituais de adoração. exceto nos níveis cultural e econômico mais baixos do país. Um número muito pequeno desses casos também têm acontecido nas grandes cidades. que significa “a parceira na vida espiritual”. regularmente estudava os Vedas. quando um chefe de família “notava sua pele enrugada. Īshvar Chandra Vidyāsāgar (1820 . Ele tinha uma longa barba. . Um membro da sociedade ariana. e tais reformas ainda não foram totalmente aprovadas ou aceitas pela vasta maioria dos hindus. Ele então se retirava para a floresta. Ele vivia em uma simples cabana. vivia uma vida de grande simplicidade e austeridade religiosa para assim alcançar a meta espiritual de sua vida. ou asceta. o estágio de um monge. durante o domínio britânico. Apesar de todas essas leis beneficiando a mulher hindu. vestia-se com cascas de árvores. independentemente de seu estágio de vida. no entanto. “deixando sua esposa aos cuidados de seus filhos. Aos homens foi permitida a prática da poligamia. muito poucos divórcios ou casamentos de viúvas acontecem na Índia. peles de animais ou farrapos. através dos esforços do grande reformista e erudito hindu do século 19. e esse padrão duplo . recordavase sempre de que o objetivo último da vida humana é a realização de Deus. o casamento era considerado um sacramento e tinha a intenção de durar por toda a vida dos parceiros. Em outras palavras. frutos e raízes cozidas ou cruas. Hoje no hinduísmo. havia chegado o momento de ingressar no terceiro estágio da vida. ou acompanhado por ela”.A esposa era conhecida como ardhānginī ( lit. uma lei que permite que viúvas casem-se novamente. Um viúvo podia casar-se novamente. Apesar da legalização do divórcio e do casamento de viúvas. Vânaprasthya – o terceiro estágio da antiga vida ariana De acordo com o legislador Manu. Esperava-se que marido e mulher ajudassem um ao outro em seu crescimento espiritual. Esse estágio da vida era obviamente uma preparação para o quarto estágio da vida ariana. flores. não cortava os cabelos ou as unhas. algum estigma associado a eles ainda persiste. e seus cabelos brancos”. tendo meio corpo) no sentido de que ela e seu marido eram duas metades que constituíam o corpo do casamento ideal. Sua comida era principalmente vegetais. a população muçulmana é isenta do seu cumprimento. o divórcio é permitido por uma lei aprovada em 1955. mas são uma exceção a regra. O governo da Índia aprovou também uma lei que bane a poligamia.1891). Ela também era chamada de sahadharminī. Também foi aprovada.existia porque a sociedade ariana era dominada por homens. mas uma viúva deveria praticar o celibato e viver como uma monja. O divórcio não era permitido.

Contudo. ou monge. como Vārānasī. preces e adoração. ou monasticismo. Um asceta. não roubar. muitos homens e mulheres se mudam para locais santos de peregrinação. quase todo hindu começa a recordar-se das maneiras de seus ancestrais. ou para que consigam “liberação espiritual”. os hindus já não seguem essa antiga tradição. Dormia debaixo de uma árvore. Também não permanecia em um lugar por mais de alguns poucos dias. todos os dias pedindo comida de no máximo sete casas. Mas ainda assim. com a aproximação da velhice. tornam-se pensativos e começam a mostrar sinais genuínos de interesse espiritual. regularmente raspava sua cabeça. Contudo. carregando um bastão. em um templo ou casa abandonada. também estaria apta a renunciar o mundo e tornar-se um monge.Com o passar do tempo. De acordo com Baudhāyana. Consequentemente. e não um corpo. exigidos dos arianos pertencentes a outros estágios da vida. um pote de esmolas e uma vasilha para a água. e vivem uma vida de reclusão. ele rompeu todos os laços com sua família e tomou votos de nãoviolência. cujos filhos já estão estabelecidos na vida. qualquer um dos seguintes qualificava-se para ingressar nesse estágio da vida: (1) um estudante que acaba de completar o seu período de estudante e sente um impulso interior para renunciar o mundo. Os monges hindus de hoje. um monge pertence ao mundo inteiro. (3) um viúvo. . Qualquer pessoa com 70 anos de idade. Deveria pensar em si mesmo como sendo a esplendida alma. um legislador da antiga Índia. Sannyāsa – o quarto estágio da antiga vida ariana Esse estágio da vida ariana era uma transição natural da vida afastada para a vida de um asceta. mais ou menos seguem aquele mesmo antigo ideal de sannyāsa. (2) um chefe de família sem filhos. De acordo com o ideal monástico. Com esse propósito. Mesmo que não vivam na floresta. e seguindo regras de limpeza e pureza no que diz respeito a comida. veracidade. não mais vestindo as roupas brancas de um chefe de família. Sua meta era tornar-se uma alma auto-realizada ao realizar sua identidade com Brahman (Deus). (4) um andarilho e (5) um eremita. ou ātman. e estava exempto da performance do agnihotra e outros rituais obrigatórios. e mais tarde foi adotado pelo hinduísmo. o monasticismo organizado foi introduzido ao mundo por Gautama Buddha a aproximadamente 2500 anos atrás. seja para que deixem este mundo de forma digna. Constantemente vagava de um lugar a outro. ou monge. cortava as unhas e sustentava seu corpo. Ele obedece seu mestre espiritual abstendo-se da raiva. ele regularmente deveria estudar os Vedas. abstinência e tolerância. evitando imprudência em pensamento e ação.

fundou uma ordem monástica conhecida como ordem Dashnāmī. A Missão Rāmakrishna é hoje a maior e mais bem organizada ordem monástica hindu na Índia. lado a lado com estudos das escrituras e práticas espirituais. Essa ordem não é tão bem organizada e regimental como a ordem monástica budista. O seu ideal é servir ao homem como Deus e também se esforçar pela própria iluminação espiritual. como em qualquer outra antiga religião. apesar de ser uma organização independente. Seguindo a antiga e ortodoxa tradição hindu. No hinduísmo atual. uma bem conhecida ordem monástica. existem muitas denominações e seitas. fundada numa linha moderna por Swāmi Vivekānānda na virada do século 20. acompanhado de estudos e ensinamentos das escrituras. Muitas dessas seitas têm os seus próprios tipos de monasticismo baseados no antigo ideal védico de ascetismo. A Missão Rāmakrishna. Essa ordem monástica. e seus monges pertencem por tradição ao ramo Purī da ordem Dashnāmī. ela enfatiza principalmente o crescimento espiritual individual. encoraja seus membros a engajar-se em várias atividades filantrópicas e humanitárias. deve sua linhagem a Shankara. embora através dos séculos tenha exercido um papel muito importante no hinduísmo. o grande santo hindu e filósofo da Índia do século 8.Shankara. V HINDUÍSMO – UM MODO DE VIDA .

Para todos esses eventos. Existem muito poucas famílias nucleares na sociedade hindu. (5) dar nome ao bebê. assim preservando o seu nível moral e cultural. Manter a boa imagem da família é um dos principais deveres de seus membros. Fora os acima mencionados. que dizem respeito ao (1) casamento. quando se casam. Hoje. (2) honras pós funerárias para os que partiram (a cerimônia da Shrāddha). e (10) o retorno do estudante para casa ao completar seus estudos no lar do mestre. vão viver com a família do marido. (6) dar ao bebê o seu primeiro alimento sólido. (3) as preces para o bem estar de uma mulher grávida. e esperasse que todos os membros de uma família sustentem ou elevem a boa imagem da família.Muitos eruditos têm corretamente descrito o hinduísmo como um modo de vida. . em sânscrito chama-se samskāra. um ritual de adoração específico tem de ser executado. existem rituais religiosos prescritos para (1) o funeral dos que partiram. cerimônia do cordão sagrado. (8) a introdução da criança a seus estudos. (5) iniciação espiritual. se tais circunstancias não forem favoráveis a tais observâncias. e (6) a chegada das meninas à puberdade. Existem dez desses samskāras. A respeitabilidade de uma família hindu é determinada pelas virtudes morais e pelo nível cultural de seus membros. O tamanho normal de uma típica família hindu é geralmente muito maior do que uma família no ocidente. não necessariamente por sua riqueza. As meninas. e também com os avós. irmãs solteiras. com a passagem do tempo e por causa dos diferentes estilos de vida dos hindus. e em circunstancias especiais tais lapsos são até mesmo perdoados pelo hinduísmo. Todos os importantes eventos da vida hindu tem de ser santificados através da observância religiosa. Os filhos casados vivem com seus pais. nem todos os samskāras mencionados acima são seguidos com tanto rigor. (3) a construção de uma nova casa. (4) o nascimento de uma criança. irmãos. (2) a consumação do casamento. Por exemplo. (9) a Upanayana ou. CASAMENTOS HINDUS – ANTIGOS & MODERNOS A sociedade hindu é muito mais orientada para a família do que as sociedades no ocidente. as escrituras dizem que um hindu não precisa ser estrito na observância das injunções e proibições das escrituras quando em um terra estrangeira. (4) entrar numa casa nova. Esse ritual de santificação ou sacramento. (7) o primeiro corte de cabelo do bebê.

. o pai da noiva era presenteado pelo noivo com uma vaca leiteira e um touro reprodutor. o pai da noiva entregava sua filha ao noivo com a bênção tradicional: “Que ambos cumpram seus deveres juntos”. e na presença de membros da família. não só a respeito do futuro genro ou da futura nora. As vezes diz-se. No casamento Daiva. o que acontece no ocidente. Ninguém deveria entrar em um relacionamento matrimonial que vá de alguma forma depreciar a imagem da família. mas também a respeito das famílias envolvidas. como por exemplo o casamento de um membro da família. era entregue a um sacerdote em sinal de gratidão. O noivo também era honrado com o oferecimento da tradicional bebida a base de mel. então o casamento é arranjado pelos pais ou tutores. . era uma prova de respeito . Tal casamento. eram permitidos pelos sagrados livros de leis. . o pai ou tutor da noiva entregava sua filha “enfeitada com roupas e jóias caras” a um noivo cuidadosamente escolhido. bem versado nos Vedas e dotado de qualidades nobres. Em geral. Durante as negociações. O pai da noiva também honrava o noivo ao oferecer-lhe uma tradicional bebida feita com mel. No casamento Prājāpatya. isso pode causar muita dor e tristeza para ambas as famílias envolvidas. Os pais. Esses presentes. O casamento hindu não é simplesmente um relacionamento entre marido e mulher. contudo. para a performance de algum importante ritual de adoração. aconteciam oito tipos de casamentos na sociedade ariana: .Um evento importante. geralmente são capazes de selecionar um bom parceiro ou parceira para o casamento de seu filho ou de sua filha. Eles fazem uma detalhada investigação.não um dote. ele também inclui um relacionamento próximo e duradouro entre os membros de ambas as famílias. está fadado a ter um impacto em toda a família. O namoro antes do casamento e o livre misturar-se entre meninos e meninas. são muitas vezes mais harmoniosos e estáveis do que os casamentos onde os parceiros se escolhem. De acordo com as estatísticas disponíveis. por terem mais experiência. No casamento Ārsha. e não tão incorretamente. deve-se obter a aprovação dos pais ou tutores. . Caso contrário. era raro. não é permitido na sociedade hindu. o rapaz e a moça têm permissão de ver um ao outro apenas uma ou duas vezes. e nos raros casos em que os jovens escolhem seus pares. Se eles se gostam e dão seu consentimento. casamentos hindus são arranjados pelos pais ou tutores dos jovens. esses casamentos arranjados. “devidamente ornamentada”. Na antigüidade. que um casamento hindu é mais entre duas famílias do que entre duas pessoas. No casamento Brāhma. a filha.

as escrituras Nārada Purāna. preservar as leis que governavam a sociedade. hoje. Para capturar uma moça.. mais do que os outros. e sábios como Sanatkumāra. o noivo e a noiva se casavam em segredo. Hoje em dia. tanta riqueza o quanto lhe fosse possível. . O legislador Manu proibiu os casamentos Āsura e Paishācha. o noivo voluntariamente dava à noiva e à seus parentes. Apenas os kshatriyas tinham permissão para tais casamentos. e Manu obviamente escolheu o caminho de menos resistência. . Por exemplo. Ainda assim. condenam veementemente o sistema de dotes. em certas partes da Índia. Dar e receber um dote pelo casamento é fortemente condenado por vários sábios e escrituras do hinduísmo. Entre todos esses casamentos. os kshatriyas eram reis e guerreiros. Se outros esforços falharem. o casamento Brāhma era considerado superior aos outros. a menina era forçosamente levada de sua família e convencida a se casar. os pais da noiva são pressionados pela família do noivo a pagar um dote pelo casamento de sua filha. e os casamentos Gāndharva e Rākshasa eram também considerados inferiores porque eram motivados por impulsos de luxúria. os kshatriyas tinham que lutar com os parentes dela e arriscar suas vidas para casar-se com a moça que haviam escolhido. devem se adiantar e começar um movimento para erradicar esse mal. . idealistas e jovens homens e mulheres hindus. No casamento Gāndharva. que viola o que é ditado pelos santos e pelas escrituras. e sem o conhecimento de seus pais ou tutores. Vāgdāna – o contrato verbal entre os pais ou tutores. . antigos livros de leis tais como o Āpastamba Smriti e Manu Smriti. No casamento Paishācha. O casamento hindu consiste de cinco importantes cerimônias: . era o dever dos reis. uma pessoa se casava com uma moça que foi seduzida enquanto dormia. pois durante o tempo de Manu. tinham casamentos Gāndharva. Kanyā Sampradāna – o pai ou tutor da noiva a entrega ao noivo. enquanto estava intoxicada ou insana. No casamento Āsura. . Ele então recebia a noiva como esposa. Parece que os kshatriyas. No casamento Rākshasa. Tal prática. Por outro lado. . pois não queria ir contra os reis que eram kshatriyas. a respeito do casamento do rapaz e da moça. os hindus praticam o casamento Brāhma. e consideravam o casamento Rākshasa como sendo um ato de bravura. se tornou um mal social. Varana – a recepção do noivo e da noiva.

casavam-se antes de atingir a puberdade. Atualmente. casa-se provavelmente entre as idades de 25 e 30. Não existe lua de mel num casamento hindu. generosamente presenteada pelos convidados e pelos parentes. e algumas festividades. O casamento geralmente acontece na casa da noiva. Nas áreas rurais. Todo o procedimento do casamento é um elaborado ritual religioso que consiste em jejum. Contudo. cultural e educacional similares aos dele. Tais variações dependem dos costumes de diferentes locais e das tradições familiares. e esperasse que case-se com uma moça da sua própria casta. Embora os principais rituais do casamento hindu sejam geralmente seguidos em toda parte. Ela muito provavelmente será mais jovem do que ele. Tais casamentos infantis eram mais tarde consumados através de uma cerimônia religiosa quando os meninos e meninas tornavam-se adultos. Diferentes prescrições foram dadas pelas escrituras e pelos livros de leis no que diz respeito a idade apropriada para o casamento. filhos de fazendeiros e proprietários de terras casam-se relativamente jovens. Durante essas cerimônias. . a noiva vai para a casa dos pais do noivo. esses casamentos infantis já foram legalmente banidos na Índia há muitos anos. A troca de anéis e guirlandas é também parte do ritual do casamento hindu. A noiva é geralmente. Depois do casamento. De acordo com uma delas. . preces. onde outros rituais religiosos conectados com o casamento acontecem. Os hindus de certas seitas menores e aqueles pertencentes a uma faixa cultural e econômica inferior na sociedade. Há três ou quatro gerações. o noivo deveria ter vinte e cinco anos e a noiva dezesseis anos. essas antigas regras não são seguidas estritamente pelos hindus. O ritual do casamento começa com a cerimônia do Vāgdāna e termina com a cerimônia do Saptapadī. um típico rapaz hindu que vive numa cidade. de preferência de nível financeiro. mas não necessariamente da mesma gotra. Pānigrahana – o dar as mãos ritualístico entre noivo e noiva. rituais secundários conectados com o casamento podem diferir de um lugar para outro. muitos meninos e meninas nas aldeias. Hoje. o noivo deveria ter duas vezes a idade da noiva. Saptapadī – o ritual de andar sete passos pelo noivo e pela noiva. e de acordo com outra. muitos amigos e parentes são convidados e a eles são oferecidos abundantes banquetes em ambos os lares. adoração. seguem versões relativamente simplificadas do casamento hindu. O casamento de um rapaz abaixo de vinte e um anos não era recomendado pelas escrituras. Talvez não pense em casamento até que tenha uma renda confortável. entretanto..

Durante o período védico. embora aconteçam muito poucos divórcios na sociedade hindu. que foi aprovada pelo parlamento indiano. ele acende a pira funerária. Mesmo assim. e ela de forma alguma sente-se desamparada ou abandonada por seus parentes. ela é a incarnação da castidade e da pureza. Pasta de sândalo é aplicada no corpo que é então enfeitado com flores e guirlandas. e mesmo é verdade para os hindus que vivem no ocidente. o divórcio foi legalizado através da lei do casamento hindu de 1955. a fidelidade e a confiança mutua entre marido e mulher. O corpo do falecido ganha um banho e é vestido com roupas novas. e como todos os rios eventualmente desembocam no mar. geralmente o filho mais velho. com a cabeça para o norte ou para o sul. o mar é considerado muito sagrado. Indulgir em divórcio está fadado a manchar a imagem de qualquer respeitável família hindu. Um parente próximo. Entretanto. viúvas com filhos raramente se casam novamente. Os casamentos oficiados por sacerdotes são considerados sacramentos. Sua fundação é a castidade. Após alguns cantos de purificação e rituais de adoração. acende uma tocha e caminha ao redor da pira enquanto recita uma prece pelo bem estar da alma que partiu. ou casamentos que não seriam facilmente aprovados pela sociedade hindu. a família de seu marido ou a sua própria família se dispõe a cuidar dela e de seus filhos. Em algumas grandes cidades indianas. Esses casamentos são geralmente entre membros de castas diferentes. As lendas e a história hindu estão cheias de estórias sobre ideais mulheres hindus que envenenavam-se ou pulavam no fogo para que não perdessem sua pureza e castidade corporal. Um pouco de pó de ouro é também espalhado em diferentes partes do rosto e do corpo. o corpo é colocado na pira funerária. Quando uma mulher fica viúva. Mesmo que permitido por lei. depois de tocar o corpo com a tocha. e a lei hindu não exige que sejam registrados.Os sacerdotes são geralmente indicados para conduzir casamentos hindus tradicionais. O casamento hindu é um compromisso para toda a vida – um sacramento que jamais deve ser quebrado pela separação. ultimamente um pequeno número de casamentos registrados têm acontecido. . Para eles. mas não existia provisão para casos de divórcio. As cinzas são mais tarde colocadas num rio sagrado ou no mar. existia provisão para que viúvas virgens pudessem se casar novamente. A vasta maioria dos hindus ainda não aprovou tal reforma completamente. e casar-se novamente seria um terrível choque. OS FUNERAIS HINDUS Os hindus geralmente cremam seus mortos. Uma mãe hindu é altamente adorada e amada por seus filhos. conduzidos por juízes. em algumas cidades. os corpos são cremados em crematórios modernos.

Normalmente. . sobrinhas. mais benéfico é para a alma que partiu. quanto antes for o funeral. A alma provavelmente está apegada ao corpo que ficou para traz. primos. Hoje. com algumas exceções. irmãos e irmãs solteiras é ainda seguido pelos hindus. por razoes econômicas e populacionais. sobrinhos. a maioria dos hindus vivia em grandes famílias estendidas. mais livre está a alma de tal apego. Os filhos casados viviam com seus pais. Depois do estágio de estudante. As pessoas da Índia rural dependem principalmente da agricultura para o seu sustento. irmãos. um hindu começa o estágio de um chefe de família e nele permanece até a morte. tias. VI A SOCIEDADE HINDU HOJE EM DIA A ESTRUTURA FAMILIAR A sociedade hindu atual é muito diferente da sociedade hindu do período védico. o corpo de um santo hindu não é cremado. Quanto antes a cremação. tios. e avós. A produção da fazenda geralmente alimentava famílias grandes assim. Ele já não passa pelos estágios de afastamento e ascetismo. esse sistema de grandes famílias vem se transformando e dando espaço para famílias menores – embora a tradição de que filhos casados vivam com seus pais. Até mesmo a duas gerações passadas. Ao invés é enterrado ou imerso na água. algumas das antigas tradições continuam sendo parcialmente seguidas ou de forma modificada. irmãs solteiras. Aproximadamente noventa porcento das pessoas na Índia vivem em aldeias. e tal apego pode temporariamente prender essa alma à terra. Os hindus „já não passam pelos quatro estágios de vida como os seus ancestrais faziam. Quando imerso na água. No hinduísmo. Contudo. o corpo é firmemente amarrado à uma pedra longa e plana e imerso na parte mais profunda de um rio sagrado enquanto as escrituras estão sendo recitadas em voz alta.

a irmã mais velha se torna uma espécie de mãe para os irmãos e irmãs mais jovens. Todos os membros da sociedade hindu são treinados para sustentar uma imagem positiva da família dele ou dela. o relacionamento entre irmãos e irmãs é muito próximo. Por exemplo. O que gera respeitabilidade são as qualidades nobres e o nível cultural e educacional de uma pessoa. e não existe namoro na sociedade hindu. sempre que necessário. Se a mãe morre. e os filhos têm grande respeito por ele. é considerado pela sociedade. não devemos supor que não exista egoísmo na sociedade hindu. O TRATAMENTO DAS CRIANÇAS NA SOCIEDADE HINDU . Nessa sociedade. o irmão mais velho se torna uma espécie de pai para os irmãos e irmãs mais jovens. Entretanto. que por ocasião da morte prematura de seus pais. algumas famílias menores têm migrado para as cidades. Existem muitos casos de irmãos mais velhos. O livre misturar-se entre meninos e meninas não é permitido. o dinheiro. de quem quer que seja. pois ele é o disciplinador da família. fazem grandes sacrifícios um pelo o outro. O pai. que geralmente sustenta a família. O resultado tem sido a gradativa formação de núcleos familiares básicos nas sociedades urbanas. não necessariamente traz respeitabilidade. apesar do número ainda ser pequeno. um filho com uma renda confortável que não cuida das pessoas mais velhas da família ou de seus pais que não têm uma condição financeira tão boa. irmãos e irmãs. Homens assim são altamente adorados pela sociedade hindu. Ambos. passaram a cuidar de toda a família por muitos anos. as fazendas já não são capazes de sustentar o sempre crescente número de famílias. ou qualquer insulto a seu pai. O filho jamais tolerará qualquer indignidade. equivalente a um animal. Uma observação superficial pode dar a impressão de que a família hindu é dominada pelo homem. a posição da mãe é a mais elevada e ela é o próprio emblema da pureza. Meninos e meninas hindus aprendem a manter a pureza de seus corpos até que se casem. Na sociedade hindu. bondade e sutis persuasões.Como na maioria dos casos. O egoísmo é universal e existe também na sociedade hindu. gastando todas as suas rendas com eles sem pensar no próprio interesse ou conforto. e se o pai morre. Ainda assim. Embora o sistema de valores hindu o condene veementemente. Para o filho hindu. é a mãe que realmente conduz a família através de seu amor. para com a sua mãe. parece ser uma figura mais autoritária.

Nachiketā. Essas crianças têm a sorte de não estar a mercê de babás questionáveis que trabalham por um pagamento. tudo que ela quer é o bem estar do bebê e não espera nada em retorno.As crianças que crescem numa típica família hindu. de ética e espiritualidade – tais como Rāma. com seus avós. No hinduísmo. aprende a compartilhar e sacrificar-se pelos outros. Finalmente. mas também quando ela cresce. Através das lendas e épicos religiosos do hinduísmo. “Enquanto o pai é superior a dez sacerdotes brahmins conhecedores dos vedas. não só em sua infância. mas nunca abusadas. Prahlāda. Além disso. Esse treinamento ajuda a criança imensamente. onde os pai e mãe têm que trabalhar devido a razões econômicas. Em uma família grande. Eles nunca estão necessitados de amor genuíno e atenção. esperar que crianças cresçam para ser membros bons e nobres de qualquer sociedade é um sonho fútil. Tais crianças desenvolvem mentes mais saudáveis como resultado de ter crescido em um ambiente de amor e afeição. a pressão social exercida nos indivíduos para que mantenham um alto padrão de moralidade e ética. A não ser que os pais sejam bons e nobres. As crianças são punidas se não se comportam. pais e mães. Sītā. superiores até ao paraíso. devemos notar que porque as crianças estão sempre cercadas por um grande número de parentes amorosos. Além do mais. Sāvitrī. o abuso de crianças não acontece facilmente. Responder aos pais e pessoas mais velhas desrespeitosamente é considerado um comportamento não civilizado e tal comportamento traz desgraça para toda a família. A sociedade hindu respeita os seus membros mais velhos. tios e tias. Considera-se o amor materno. uma mãe é superior a dez desses pais. as crianças familiarizam-se com modelos de moralidade. têm uma vantagem especial. Em alguns núcleos familiares básicos da Índia urbana. Deus é visto também como a Mãe Divina. pois quando uma mãe cuida do bebê. Dhruva e muitos outros. ou ao mundo inteiro”. A CONDICÃO DAS MULHERES NA ATUAL SOCIEDADE HINDU A maternidade é considerada a maior gloria das mulheres hindus. e as bênçãos de ambos. A tradição hindu reconhece a mãe e a terra mãe. elas aprendem muitas tradições valiosas de seus avós. Isso torna o seu amor superior às outras formas de amor no . As crianças hindus aprendem a obedecer e respeitar os mais velhos. o amor mais não egoísta. O Taittirīya Upanishad. a criança aprende a ajustar-se aos outros membros. são queridas pelos filhos para que esses sucedam na vida. O épico Mahābhārata diz. “Mātridevo bhava” – “ Que a sua mãe seja um deus para você ”. as crianças são privadas de tais vantagens. leva os pais hindus a se comportarem de uma forma que inspire seus filhos.

alguns poucos movimentos reformistas foram iniciados na tentativa de remediar alguns males da sociedade hindu. A sociedade hindu jamais tolerará que uma mãe ou irmã sejam insultadas. Indirā Gāndhī. que iniciou muitas escolas para mulheres na Índia. De acordo com Swāmī Vivekānanda. Por exemplo. ela é a própria encarnação da castidade. também acreditava na educação para as mulheres.Rājā Rāmmoham Roy Os movimentos reformistas e a liberdade política que a Índia conseguiu no ano de 1947. acreditava entre outras coisas. da pureza e do amor não egoísta. advogadas. durante o domínio britânico. juízas. Na Índia antiga. o fundador da Missão Rāmakrishna. têm ajudado imensamente no melhoramento da condição da mulher hindu. Durante tais agressões. engenheiras. políticas. Ao invés disso. voar com apenas uma asa”. em dar uma educação mais elevada e mais liberdade social para as mulheres. filósofas. pela punição daquele que forçosamente tenha violado a castidade de uma mulher ou moça hindu. mas ataques estrangeiros repetidos através dos séculos. fundador do Ārya Samāj. Para seus filhos. e outras . Como resultado disso. e já não podiam educar-se longe de seus lares. e uma revolta pode começar na Índia. as mulheres hindus começaram a cobrir seus rostos com véus. mudou essa situação. atrizes. musicistas e dançarinas. A Missão Rāmakrishna administra muitas instituições educacionais modelo para homens e mulheres na Índia. e também enquanto a Índia estava sob ocupação estrangeira. as mesmas oportunidades das quais os homens desfrutam. Hoje na Índia existem muitas mulheres que são médicas. Para entender a posição da mulher na sociedade hindu. No final do século 19. Ele fundou uma organização religiosa chamada Brāhmo Samāj. uma mulher hindu. é importante reconhecer esses sentimentos hindus. Um grande reformista. Rājā Rāmmoham Roy ( 1772 – 1833 ). “Não existe chance para o bem estar do mundo a não ser que a condição das mulheres melhore. e para proteger-se. Atualmente a mulher hindu desfruta de uma considerável liberdade na sociedade. assistentes sociais. a honra e a castidade das mulheres com freqüência eram as vítimas. O Swāmī Dayānanda Sarasvatī ( 1824 – 1883 ). Sua participação em eventos sociais ficou muito restrita. ficavam em casa. professoras universitárias. a sociedade hindu tornou-se mais e mais protetora de suas mulheres. e adquiriam a educação que estava disponível ali. cientistas. às vezes nenhuma. Houveram muitos casos de mulheres hindus que se mataram para não render-se a tais indignidades cometidas por seus agressores. administradoras. Essas são as razoes pelas quais uma mãe hindu é altamente adorada por seus filhos. foi Primeira Ministra da Índia. * ilustração . É impossível para um pássaro. enfermeiras. A liberdade das mulheres foi reduzida. e para prevenir a conversão de hindus a outras religioes. Elas têm na educação e em outras áreas.mundo. artistas. as mulheres hindus não cobriam seus rostos e desfrutavam de uma considerável liberdade na sociedade.

Existem grupos de montanhismo formado apenas por mulheres. ser uma fonte de conforto para seus pais idosos. quase todas as mulheres hindus dependiam financeiramente de seus maridos. e as mulheres hindus não ficam para trás em suas buscas por aventuras. A Índia ainda não tem planos de previdência social ou pensões do governo para aqueles que aposentaramse ou estão idosos. Em muitas famílias sem filhos homens e onde os pais são idosos e instáveis financeiramente. Duas mulheres já escalaram com sucesso o Monte Evereste. o que explica porque os pais idosos dependem financeiramente de seus filhos crescidos. Um bom casamento oferece oportunidades de preenchimento e serviço que talvez não sejam encontradas em nenhum outro lugar. não uma tutela perpétua. uma tutela que começou sob o seu pai.mulheres hindus também ocupam posições elevadas na polícia e nas forças de defesa do governo da Índia. breve reconheceremos que uma filha solteira e educada pode ser um bem e não uma obrigação para a família. A pessoa deve entender que a falta de afeto não é a causa dessa atitude. como tem sido dito com freqüência. e uma delas. ambos marido e mulher ganham dinheiro. De fato. filhas solteiras trabalhadoras sustentam seus pais. a Sra. que ainda acontecem na Índia de hoje. * ilustração – Swāmī Dayānanda Sarasvatī O crescimento do número de tais mulheres tem sido rápido e constante. mas sim sendo uma . a Sra. uma mulher indiana comum.” Em relação aos casamentos arranjados. e as mulheres hindus com freqüência participam de competições nacionais e internacionais de atletismo e outros esportes. que continua sob o seu marido e vai terminar sob o seu filho. A mídia ocidental com freqüência reprova a relutância de pais indianos em terem filhas. Majundar escreve: “Para os tolos e ignorantes. uma mulher assim tem com freqüência provado. em muitas famílias mais avançadas. o casamento é de fato uma negação da expressão própria. mas sim a preocupação com o futuro dela. que isso faz uma menina não ser bem vinda por seus próprios pais. aceita o casamento como sendo o seu destino natural. Em relação a isso. o problema de prover os gastos do casamento é tão grave. Tanto em famílias urbanas como em famílias do campo. A duas gerações passadas. Mais uma vez. Uma mulher hindu já atravessou o canal inglês a nado. por duas vezes. por necessidade. Até hoje. Līlā Majundar escreveu a quarenta anos atrás: “Geralmente supõe-se que nas famílias indianas de classe média. mas hoje isso já não acontece. ele é a mais nobre carreira que o mundo pode oferecer. mas para os sábios e educados. com a crescente popularidade da educação.

Uma olhada nas páginas de anúncios de qualquer popular revista ocidental. Isso impõe disciplina sobre as suas emoções e desejos. um pai inválido ou os pedidos de um irmão arruinado. tentam disfarçar uma menina simples. De fato. Somente o auto sacrifício de seus membros. Não obstante. Para o julgamento ocidental. mas também os seus pais. a idéia ocidental da vida em família. nem satisfação própria. tão rigorosa quanto em qualquer escola. isso demonstra uma mentalidade escrava. irmãos. buscam a perfeição. irmãs e até mesmo sobrinhos e sobrinhas. para garantir um marido a qualquer custo. que exclui e ressente uma mãe viúva.” As palavras da Professora Majundar expressam com eloquência o ideal hindu da condição da mulher. não só para o seu marido e filhos. Todos os males de uma sociedade são causados pelo egoísmo de um ou mais de seus membros. mas sim uma provedora do seu bem estar. e identifica a sua própria felicidade com o bem estar de todos eles. embora a sua visão da mulher e da vida em família no ocidente estejam abertas a controvérsias. Nenhuma cultura ou sociedade do mundo pode proclamar perfeição. até mesmo hoje. Ela cozinha. mas sim auto dedicação. Em seus olhos. pois a perfeição à nível social jamais poderá ser atingida. sem disputar com o seu marido a respeito de direitos pessoais. o casamento não é nem frustração. Ela está comprometida por laços de dever. mas também para os parentes que precisam de seus serviços. mais digna e simples. embora as mulheres hindus vejam de forma contrária. não é uma escrava para a sua família. mas a realização da sua condição de mulher. pelo bem estar da família e da nação. Isso não é frustração. VII O PAPEL DA COMIDA .parceira adequada. cuida e ensina. químicos e fabricantes de cosméticos. A mulher indiana não se casa apenas com o seu marido. tendo o matrimonio como objetivo final. pode melhorar uma sociedade A sociedade hindu tem tentado alcançar isso através do antigo ideal do sacrifício próprio e do serviço. reforça a idéia de que todos os estilistas. com amor e por vontade própria. haveria de existir tal competição febril entre quase todas as adultas. Para uma menina hindu. A mulher indiana moderna. e até mesmo mulheres adolescentes. costura. e a imperfeição nas sociedades é medida pelo seus males. A atitude indiana parece de todas as formas. não só para com o seu marido. todas as sociedades em desenvolvimento. é uma anomalia que em continentes onde as mulheres lutaram através de gerações por sua liberdade e por seus direitos. mas com toda a família dele. parecem ruins e egoístas ao extremo. comprometida a servir com ele. ser mais natural. de tal forma que ela atraia a atenção de um homem.

A VACA É SAGRADA ? . mas a abstenção traz grandes recompensas. os hindus sempre tentam evitar a matança de fêmeas de qualquer espécie animal. e existem razões válidas para acreditar que os arianos védicos comiam carne vermelha sim. Alguns eruditos pensam que a influência do jainismo pode ter algo a ver com isso. tanto o quanto for possível. Apenas touros. Uma vaca leiteira era chamada de aghnyā.” Toda comida. deveria primeiramente ser oferecida a Deus. O antigo legislador Manu. Manu diz: “Não existe pecado em comer carne. Além disso.. o que quer dizer.Desde o início do período védico. uma grande importância tem sido dada à que tipo de alimento pode ser comido sem riscos pelos indo-arianos. As crianças crescem bebendo do seu leite e tratam-nas da mesma maneira que cães de estimação são tratados nos países ocidentais. onde a maioria das pessoas vive na Índia. inclusive carne. nas áreas rurais. Uma pergunta feita com freqüência é a se os ancestrais védicos dos hindus comiam carne vermelha. As vacas indianas são muito gentis por natureza e são como membros da família. descreveu detalhadamente que alimentos são proibidos e quais são permitidos. Manu recomendava o vegetarianismo baseado na não-violência.. SERÁ QUE OS ANCESTRAIS VÉDICOS DOS HINDUS COMIAM CARNE ? Os ancestrais védicos dos hindus comiam. entre outras coisas. “o que não deve ser morto”. Não só pelo tabu religioso. essa é uma outra razão pela qual um hindu jamais poderia pensar em matar uma vaca e comer sua carne. embora vacas leiteiras nunca fossem mortas. quase todo lar hindu possui pelo menos uma vaca leiteira. Apesar do consumo de carne ser permitido. Além disso. bezerros e vacas estéreis eram mortos por sua carne. certos tipos de carne permitidos pelo seu livro de leis (Smriti). PORQUE OS HINDUS ATUAIS NÃO COMEM CARNE VERMELHA A tradição de não comer carne vermelha chegou ao hinduísmo muito mais tarde. no que diz respeito a comer carne vermelha. Nem todos os tipos de comidas são consideradas boas para o bem estar físico e espiritual das pessoas.

a bem conhecida escritura hindu. pois o seu leite nutria os arianos. as vacas tinham um papel muito útil. e nada além disso. a religião foi . ensina que apenas comidas suculentas. como as outras religiões teístas do mundo. Ela está igualmente presente em todos os seres e em todos os lugares. A pessoa deve também evitar comidas passadas. muito quentes. acredita que Deus está presente em todos os lugares. é muito menos pronunciada do que em seres humanos. Assim. Aos que pertencem a seita shākta. mas não igualmente manifestado. OS TIPOS CORRETOS DE ALIMENTOS PRESCRITOS PELAS ESCRITURAS O Bhagavad Gītā. caso contrário. como nas pedras. Na antiga e nômade cultura indo-ariana. um hindu jamais consideraria uma vaca como sendo superior a um ser humano. Em países ocidentais. O hinduísmo. partindo provavelmente de um ponto de vista utilitário. Deus está mais manifestado em uma incarnação divina ou em um santo. peixe e até mesmo tomem vinho consagrado. podres e impuras. os arianos desenvolveram um sentimento especial de predileção em relação as vacas.No ocidente existe a idéia de que os hindus não comem carne vermelha porque consideram a vaca um animal sagrado. os antigos indo-arianos devem ter tido um sentimento de admiração pelas vacas. isso contradiria a idéia de Sua onipresença. A manteiga clarificada. tais sentimentos ganham voz em afirmações tal qual: “O cavalo é um animal nobre”. Os sapatos e outros bens essenciais eram feitos com o couro da vaca. a principal fonte de óleo comestível para os arianos. O Swāmī Vivekānanda lamentou: “Na Índia. O resultado é que alguns hindus carregam consigo sentimentos negativos e até mesmo de ódio em relação a hindus de outras seitas. Essa noção não é correta. pois a manifestação de Deus em um vaca. integrais e agradáveis devem ser ingeridas para o bem estar físico e espiritual da pessoa. que comem outros tipos de comida. Assim como um purosangue é admirado como sendo um ótimo e extremamente valioso animal. As escrituras das seitas vaishnava e shaiva. e porque não uma vaca? Mesmo assim. e o esterco seco era usado como combustível. calmantes. picantes. Mas tal afirmação não deve ser interpretada literalmente. num animal. azedas. e ainda menos manifestado nos animais. Deus deve também estar presente na vaca. Comidas excessivamente amargas. o que quer que tenha a Sua presença tem de ser sagrado. sem sabor. secas e ardidas devem ser evitadas. Portanto. era também usada nas lâmpadas à óleo. os santos nunca apoiaram tais sentimentos negativos. suas escrituras permitem que comam carne. Contudo. da mesma forma. muito salgadas. do que nos seres humanos normais. nas plantas e em outras formas inferiores de vida. Sendo Ele o que há de mais sagrado. prescrevem o alimento vegetariano a seus seguidores.

” Meerā Bāi. Porque os eunucos não o vêem? Sem o amor de Deus. comer o tipo correto de comida.” Srī Rāmakrishna costumava dizer: “Se uma pessoa que come carne de porco pode pensar em Deus incessantemente. Portanto. apesar de benéfico para a vida espiritual.Meerā Bāi VIII DEUS INTRODUÇÃO . Porque os peixes não o conhecem? Se comer vegetais e folhas possibilitasse encontrar a Deus. diz Meerā. ela é muito superior a uma pessoa que come comida vegetariana e ainda assim pensa nos objetos dos sentidos durante todo o tempo. * ilustração . Tal amor torna possível a visão de Deus. Porque os cervos e os bodes não o encontram? Se renunciar as suas esposas possibilitasse a visão de Deus.parar na panela. Ninguém jamais terá a visão de Deus. uma conhecida santa indiana. de acordo com as santos hindus. Porque os morcegos e os macacos não o vêem? Se banhar-se em águas sagradas possibilitasse o conhecimento de Deus. tem importância secundária em relação ao desenvolvimento do genuíno amor de Deus. costumava dizer: Se comer frutos e raízes possibilitasse a visão de Deus.

ou Prajāpati (o Senhor das criaturas). Tal princípio já existia antes mesmo que os deuses. a partir do qual o mundo inteiro evoluiu. além da multiplicidade. a água. e o eterno Brahman (o grandioso). mais sutil que o mais sutil. e o criador deste universo. os textos védicos repetidamente ecoaram a verdade a respeito da unidade de Brahman. e os sábios chamam-No por vários nomes”. designado como AQUILO. ou o “hino da criação”. Ele também criou o tempo e o espaço.Desde o início. o céu. mas também cria uma firme fundação para a universalidade e a tolerância no hinduísmo. o sol. Indra (o Glorioso). NIRGUNA BRAHMAN Se perguntarmos. A idéia de harmonia entre as religiões é um ingrediente fundamental do hinduísmo. o vento. Alguns chamam-No Agni (o Fogo). Está além do mundo do espaço e do tempo. os homens. a resposta lógica será “apenas o criador existia.“Apenas Um existe. henoteístas. O genialidade indo-ariano finalmente chegou Àquele que é a única causa de tudo. Acreditasse que num estágio inicial. do Rig-Veda. e é a partir desse princípio único que o mundo dos Muitos evoluiu. as pessoas dirigiam-se e referiamse a cada um desses deuses como sendo o Deus Supremo. Portanto. Esse princípio é a pura consciência. As afirmações védicas como: “Ekam sad viprā bahudhā vadanti”. Pranā (a Fonte da vida). os ancestrais dos hindus tenham sido politeístas. os ancestrais dos hindus não eram politeístas. a palavra “transcendental” significa que a existência de Deus estava além do nosso tempo. o amanhecer. então a resposta do hinduísmo será que Deus. . o Único Deus. espaço e causalidade. pois esses pertencem exclusivamente a este mundo. ou puro espírito. que em sânscrito védico chama-se Brahman. estava em seu estado de existência transcendental. mas sim. O grande sábio Manu declarou: “A pessoa deve conhecer o Espírito Supremo que tudo governa. insondável e impossível de ser conhecido por mentes humanas comuns. “Quem existia antes da criação?”. Aqui. de gloria resplandecente. o fogo. O hino Nāsadīya. a existência pré-criação deve estar além do tempo e do espaço. o hinduísmo vem evoluindo. não só enfatiza a unidade de Deus. Após essa realização divina. nos conta numa linda e poética linguagem a respeito de um único e primordial princípio. a noite e a tempestade eram todos deificados e adorados como deuses. o Senhor de todos os deuses. ou qualquer outra coisa na criação existisse. O hinduísmo sustenta que quando Deus criou o mundo. Mas se perguntarmos. outros chamam-No Manu (o Pensador). A terra. antes da criação. “Como era Deus antes da criação?”. Gradualmente. extremamente abstrato. Mas enquanto eram glorificados pelos hinos védicos. ou Deus”. a mente indo-ariana descobriu um denominador comum por detrás dessa multiplicidade de deuses. De acordo com Max Müller. capaz de ser realizado pela meditação daqueles de mente pura.

porque então. ambos criados por sua própria mente quando ela criou o seu mundo dos sonhos.são apenas dicas a respeito da natureza de Nirguna Brahman. Em seu mundo dos sonhos. nunca uma descrição Daquilo. Shankarāchārya. e isso destingue o fogo da água. Consideremos uma pessoa que dormiu e está sonhando. não acomoda qualquer tipo de separação em Si próprio. diz que afirmações védicas tais como Sat-Chid-Ānandam–“Brahman é a Existência Eterna. infinito e imutável. ou livre de todas as qualidades. os pronomes “Ele” ou “Ela” não podem ser usados para denotar Nirguna Brahman. Atributos ou qualidades. Deus não pertence ao tempo e ao espaço deste mundo. Nirguna Brahman jamais pode ser descrito adequadamente através de palavras e expressões finitas. indicando que Nirguna Brahman não é nem masculino. Não aceite imitações. Por exemplo. Assim. Mas independente dos termos usados. Nirguna Brahman é imutável. que em português eqüivale ao pronome demonstrativo “Aquilo”. A existência de Deus nesse estado pode ser chamada de “a verdadeira existência de Deus”. Deus. que não tem tal qualidade. No hinduísmo. Nesse estado Deus está além de todas as limitações que são impostas pelo tempo. Ao transcender o espaço. ou o Espírito Supremo. o Brahman Supremo. a pessoa existe no espaco-sonho e no tempo-sonho. pelo espaço e pela causalidade. Ao transcender o tempo. Nirguna Brahman deve ser sem atributos. o Deus impessoal e sem atributos. o poder de queimar é uma qualidade do fogo. Livre das constantes mudanças geradas pela causalidade. Nirguna Brahman está também além de gêneros. Da mesma forma. Em seu estado de sonho ela transcendeu o tempo e o espaço de seu estado desperto. Nirguna Brahman é Infinito.Usemos a ajuda de uma analogia para esclarecer essa idéia. Os Vedas usam o pronome neutro do sânscrito “Tat”. pertencentes ao nosso mundo de limitações. Porque Nirguna Brahman é Um. O hinduísmo também usa expressões como “Verdade Absoluta”. nem feminino. Deus nesse estado transcendental é eterno. O grande santo e filósofo hindu. Não tendo uma personalidade. a existência de Deus antes da criação deve ser uma existência transcendental. Indivisível e Infinito. pois a personalidade é uma limitação. o Conhecimento Absoluto e a Bem-aventurança Infinita”. Nirguna Brahman é indescritível. Nirguna Brahman é Eterno. em seu estado transcendental de existência chama-se Nirguna Brahman. A pessoa já não pertence ao tempo e ao espaço de seu estado desperto. . “Consciência” e “Bem-aventurança Infinita” para designar Nirguna Brahman. são fatores de separação. Nirguna Brahman não pode Ter uma personalidade. Portanto.

Do ponto de vista de Nirguna Brahman. tenta pensar no infinito Brahman. o céu parece avermelhado. Através da Sua māyā. um Deus pessoal e um Deus impessoal. as mentes finitas das pessoas. pois a mente humana só pode pensar em termos humanos. Ele se manifesta como esse universo multifacetado. ou Īshvara. O céu não muda de cor. Na realidade. que não é afetada pelo veneno em sua boca. Ele assume várias formas. embora na realidade não mude absolutamente. . o Deus pessoal não é outro que não o Deus impessoal. do espaço e da causalidade. Na realidade. Não obstante. não são essencialmente diferentes um do outro. projetam suas limitações em Nirguna Brahman. Nirguna Brahman impessoal parece tornar-se o Brahman pessoal. Resultando disso. o céu parece cor de rosa.ĪSHVARA Quando uma pessoa. só que experienciado através do véu do tempo. e o Deus pessoal não é diferente do Deus impessoal . um vermelho. e sem saber projeta caraterísticas. Esse é. o céu parece esverdeado. Ele criou o mundo com o bem e com o mal. O imutável e infinito Nirguna Brahman parece adquirir as limitações de uma personalidade. O seu veneno afeta apenas os outros. de acordo com o hinduísmo. não importa o quão glorificada. Īshvara. quando ele usa os óculos verdes. assim também. espaço e causalidade. projeta as limitações de sua mente finita em Nirguna Brahman. e quando ele olha através dos óculos cor de rosa. sem saber. Da mesma maneira que o céu avermelhado e o céu esverdeado são na verdade o mesmo céu. Nirguna Brahman permanece imutável. relativamente falando. ou qualidades. Ele é onipotente. Māyā. ou Saguna Brahman é o criador deste mundo. que assim adquire uma personalidade que lembra muito uma personalidade humana. Portanto. através de Seu mágico poder divino. Embora sem forma. um verde e um cor de rosa. como os óculos coloridos. um conceito inferior de Deus. e apesar do mundo estar Nele. Para o homem que está no mundo do tempo. com a sua mente finita. onisciente e onipresente. Quando ele usa os óculos vermelhos. a idéia de um Deus pessoal não é a verdade última. Similarmente. Através da Sua mera vontade. Nirguna Brahman não sofre qualquer mudança ou modificação. Ele é como uma cobra venenosa. ou Deus pessoal. * ilustração – Brahmā – O Criador O Deus pessoal no hinduísmo chama-se Saguna Brahman. Nirguna Brahman parece tornar-se finito para ela. É o mesmo que uma pessoa olhando para o céu azul através de três pares de óculos. São essencialmente uma e mesma coisa. em Nirguna Brahman. ou Nirguna Brahman. Ele está além do bem e do mal do mundo. essas cores são projetadas no céu pelos óculos coloridos daquele que olha.

portanto. (2) o aspecto preservador.Īshvara é não somente o criador. Quando Īshvara cria. Eles podem vê-Lo como um amigo. tais atitudes para com Deus podem gerar sentimentos de grande intimidade entre Deus e o devoto. . Tais relacionamentos eram puramente mentais e completamente livres de qualquer associação com o corpo físico. Por exemplo. a deidade Lakshmī personifica Īshvara como sendo o doador da riqueza e da prosperidade. embora os hindus vejam-No como pai e mãe. viam Deus como sendo a Mãe Divina. Ele chama-se Vishnu. como uma criança. tem esses três aspectos básicos. Rāmprasād. e quando Ele destrói. e assim apressar a realização de Deus. Esses aspectos básicos de Īshvara chamam-se Brahmā. Um ou mais desses aspectos estão personificados nas deidades do hinduísmo. e viam-No como sendo o seu Marido Divino. quando um hindu pensa em Īshvara como o doador do conhecimento e da sabedoria. * ilustração – Vishnu – O Preservador De acordo com Srī Rāmakrishna. Ele chama-se Shiva. Essa ordem moral. que chamam-se Rita em sânscrito. Algumas santas viam Deus como sendo uma Criança Divina. pois tais relacionamentos não são nada além de projeções mentais em Īshvara. A criação. Muitos santos do hinduísmo. tal aspecto é personificado na deidade Sarasvatī. e até mesmo como um marido. Vishnu e Shiva. inclusive das estrelas e os planetas. Īshvara é também o originador e sustentador da eterna ordem moral neste mundo. Muitas das grandes santas do hinduísmo consideravamse casadas espiritualmente com Deus. * ilustração – Shiva – O Destruidor AS DEIDADES NO HINDUÍSMO Ao lado dos três aspectos básicos. ou leis básicas. Īshvara. mas também o preservador e o destruidor. Īshvara tem vários poderes e aspectos. (3) o aspecto destruidor. a preservação e a destruição andam de mãos dadas neste mundo. respectivamente. e de acordo com a atitude mental do devoto. enquanto Ele preserva. Ele chama-se Brahmā. mantém a regularidade e a ordem de tudo neste universo. que são: (1) o aspecto criador. este pode também estabelecer outros tipos de relacionamento com Īshvara. Īshvara não é masculino ou feminino. Srī Rāmakrishna e outros. como Kamalākānta. Da mesma maneira. um famoso santo da Índia do século 19.

esses seres não são almas iluminadas ou liberadas. Hiranyagarbha tem poderes.Deveríamos entender claramente que as deidades não são muitos diferentes deuses. pois Hiranyagarbha é infinito e contém o mundo inteiro. é como adorar o próprio Hiranyagarbha. o deva que controla a totalidade dos corpos materiais neste universo é Virāt. Esses seres exaltados adquirem corpos brilhantes que emanam luz. e que . Hiranyagarbha considera o total de todas as mentes como sendo a sua própria mente. Mesmo sendo uma criatura. OS DEVAS E DEVĪS SOBERANOS O hinduísmo fala a respeito de devas e devīs que presidem – em sânscrito. e assim. Exceto Hiranyagarbha. quando então chama-se Brahma. Ele foi o primeiro ser criado por Deus (Īshvara). em outras palavras. a exercer posições exaltadas. Ele é a inteligência cósmica. Adorar qualquer um deles. Todos os outros devas e devīs existem em Hiranyagarbha. Similarmente. Em sânscrito. que considera todo o universo material como sendo o seu próprio corpo. Hiranyagarbha criou este mundo e é a primeira manifestação de Deus (Īshvara). o Criador. são promovidas após suas mortes. Em alguns momentos. Eles adquirem posições exaltadas através de seus méritos na terra. ou que controlam os vários domínios animados e inanimados deste universo. ou muito pequenos. e através da vontade de Īshvara. Quando o efeito dessas ações meritórias se cumpre. ou muito grandes. Tais domínios podem ser sutis ou grosseiros. merecendo assim a adoração de todos. eles tem de nascer novamente como seres humanos. Para uma melhor explicação. consideremos o corpo humano como sendo um universo limitado pela pele. mas sim personificações de vários aspectos do mesmo e único Īshvara. Por exemplo: Indra é o deva que controla os braços e mãos de todas as pessoas. esses seres são chamados de devas (masculino) e devīs (feminino). O maior dos devas é Hiranyagarbha. da mesma forma. os Purānas deificam Hiranyagarbha ao nível de Īshvara. que possui infinitos poderes. Hiranyagarbha é o deva que controla o total de todas as mentes individuais deste universo. Adhishthātri Deva e Adhishtātrī Devī. DEVAS E DEVĪS SERES COM CORPOS BRILHANTES Certas criaturas que acumularam muitos méritos enquanto na terra. quase como os poderes de Deus. a palavra div significa “brilhar”.

E para explicar isso. e existe um ser que acha que esse universo é o seu próprio corpo. O paralelo entre as incarnações divinas. não sendo prudente dispensar tal idéia como ridícula. A pessoa pode se perguntar a respeito do porque de Deus ter encarnado em outras formas que não a humana. o hinduísmo traz a nossa atenção para o fato de que todas as criaturas foram criadas pelo mesmo e único Deus compassivo. Primeiro. Então Ele encarnou como uma combinação de animal e humano. você vive num universo limitado pela pele. e fará o mesmo no futuro. é de fato muito marcante. Se fosse possível que alguém conversasse com um leucócito e dissesse: “Veja. glóbulos sangüíneos brancos. Então vieram os anfíbios. AS ENCARNACÕES DIVINAS De acordo com o hinduísmo. tais como as tartarugas. quando os primeiros ancestrais dos homens apareceram. Todas as Suas encarnações subsequentes foram em formas humanas. quando alguns germes entram no corpo. Caso contrário. Depois disso. Nas primeiras poucas vezes. . Se formos imparciais. como um peixe. encarna na terra para revitalizar a religião. Deus encarnou como seres subumanos.” O leucócito muito provavelmente diria: “Você esta brincando?” Nós somos muitos parecidos com esse leucócito. A infinita compaixão de Deus. ou em sânscrito. Ele então é conhecido como uma encarnação divina. mas sim uma combinação de animal e humano. quando a religião declina e a irreligião prevalece. Deus encarnou várias vezes desde o início da criação. depois como uma tartaruga. Também sabemos que no corpo humano existem os leucócitos. Nossos condicionamentos mentais dificultam a aceitação da idéia de um deva ou devī soberanos. Deus torna-se algo parcial. os leucócitos os atacam. e o hinduísmo afirma que tais seres existem. uma idéia inaceitável. que causa a Sua decida à terra como uma encarnação divina. A ciência nos diz que as primeiras formas de vida na terra eram animais aquáticos e peixes. Avatāra.comporta todas as minúsculas formas de vida existentes ali. teremos de admitir que a existência de tais seres não é impossível. que parecem ter um inteligente senso de dever para proteger o corpo de intrusos prejudiciais. e o surgimento e evolução das formas de vida na terra. Ele é o deva soberano do seu universo. sempre que tal necessidade surja. deve ser a mesma para seres humanos e seres subumanos. e mais tarde como um javali. seguidos de animais terrestres como os javalis. eles não eram completamente humanos. Deus em Sua compaixão. assim sendo.

Um dos Purānas, o Shrīmad Bhāgavata, menciona a possibilidade de inumeráveis encarnações divinas. Algumas das outras escrituras mencionam apenas dez.

Entretanto, os vedas não falam a respeito de encarnações divinas, mas falam a respeito de Rishis , ou sábios, embora nem todos os sábios fossem do mesmo calibre espiritual. Alguns poucos ofuscaram os outros em seus sucessos espirituais. Mais tarde, quando as diferentes escolas de filosofia hindu desenvolveram-se, esses sábios exaltados vieram a ser conhecidos como Adhikārī Purushas – pessoas dotadas de poder e autoridade super humanas. Os Adhikārī Purushas, por serem extraordinários, embora humanos, não eram colocados na mesma categoria dos outros seres humanos. A Sānkhya, a mais antiga escola de filosofia religiosa hindu, chamaria um Adhikārī Purusha de Īshvarakoti ou Kalpaniyāmaka Īshvara.

* ilustração – Shrī Krishna

O fenômeno da encarnação divina tem estado presente, mas não foi interpretado corretamente durante o período védico, ou quando a Sānkhya e outras escolas de filosofia desenvolveram-se na Índia. Somente bem mais tarde, durante o período dos Purānas, tal fenômeno foi interpretado corretamente. O Adhikārī Purusha, o Īshvarakoti ou o Kalpaniyāmaka Īshvara do período pós-védico não são diferentes da encarnação divina do período dos Purānas. Essa é a visão de alguns eruditos hindus.

Deus encarna na terra para cumprir dois propósitos: (1) para inspirar e (2) para liberar. Ele inspira a humanidade através de exemplos, e pela Sua própria vontade toma sobre Si as limitações humanas, superando-as através de intensas práticas espirituais e assim manifestando a Sua perfeição espiritual. Deve ficar entendido que, por ser perfeito desde o Seu nascimento, uma encarnação divina realmente não precisa de nenhuma prática espiritual para atingir a perfeição. Não obstante, para inspirar as pessoas, Ele passa por várias disciplinas espirituais, assim atingindo a Sua perfeição e deixando um exemplo para a humanidade. Da mesma forma que uma galinha, mesmo sem fome, cisca e enche o papo para que os mais novos aprendam a comer, assim também, uma encarnação divina passa por várias austeridades espirituais pela humanidade, para ensina-los a atingir a perfeição através de práticas espirituais.

A encarnação divina livra dos pecados todos aqueles que se rendem completamente a Ele, ajudando-os a atingir a perfeição. Shrī Krishna, uma encarnação divina, diz no Bhagavad Gītā, “Abandonando todos os rituais e deveres, refugie-se em Mim somente. Não lamente, pois Eu te libertarei de todos os pecados.”

IX

A DOUTRINA DO KARMA

INTRODUÇÃO

O hinduísmo acredita na doutrina da causa e efeito, que em sânscrito chama-se Karmavāda – a teoria ou doutrina do karma. A palavra karma significa ação, e às vezes é usada para determinar o efeito de uma ação. De acordo com essa doutrina, boas ações produzem bons efeitos, e más ações, efeitos ruins. Geralmente, os efeitos ou frutos da ação chamam-se, em sânscrito, Karmaphala. Os frutos das boas ações trazem prazer e desfrute àquele que as praticou, enquanto que os frutos das más ações causam-no sofrimento e dor.

A física conta-nos a respeito da conservação da energia, e de acordo com tal teoria, energia nunca é destruída, ao invés disso, um certo tipo de energia se transforma num outro tipo de energia. Usando essa idéia como uma analogia, podemos dizer que a energia despendida através de qualquer ação, apenas muda de forma e torna-se força karmica, ou Karmaphala. Essa força, como um bumerangue, inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, retorna à quem praticou a ação. Ao retornar ao agente, a forca karmica começa a agir em sua mente e corpo, causando prazer ou dor. Nenhum agente pode escapar de tal força karmica, que se exaure depois de trabalhar na mente e no corpo daquele que praticou a ação. Depois disso, essa energia torna-se parte do vasto reservatório de energia cósmica.

De acordo com tal doutrina, Deus não é responsável pelo prazer e dor de Suas criaturas. São as criaturas que são responsáveis pelo próprio desfrute e sofrimento, e sofrem ou desfrutam graças às conseqüências dos seus próprios atos ruins ou bons. De acordo com o hinduísmo, Deus é Karmaphaladātā – o doador dos frutos das ações. Ele é o derradeiro distribuidor da justiça, e garante que todos recebam os seus próprios Karmaphalas, e não uma outra pessoa.

Durante um período médio de vida, o agente pratica inumeráveis ações, e igualmente incontáveis são os efeitos. Nem todos os efeitos das ações retornam imediatamente ao agente, embora alguns o façam. Por exemplo, se uma pessoa planta

uma macieira em seu jardim, em alguns anos ela poderá colher os frutos, mas se essa pessoa coloca a mão no fogo, isso terá um efeito imediato, sua mão estará queimada.

SANCHITA KARMA E PRĀRABDHA KARMA

Algumas ações, devido a sua natureza inerente, tem os seus efeitos mais tarde. Algumas delas são como títulos de longo prazo, que dão retorno somente em alguns anos. Similarmente, os resultados de algumas ações podem não vir durante a vida daquele que as praticou. Tais frutos de ações, ou karmaphala, permanecerão guardados até o momento apropriado, e talvez apresentem seus efeitos numa das vidas futuras daquele que praticou tais ações. Assim, no hinduísmo, a doutrina do karma está ligada à doutrina da reencarnacão.

As força kármicas guardadas são os efeitos das ações praticadas em vidas passadas. Essas forças chamam-se sanchita karma, ou força kármica acumulada. Permanecem em estado potencial, como títulos de longo prazo que tem diferentes datas vencimento. Quando o momento apropriado chega, tal força se torna cinética e começa a agir na mente e no corpo daquele que praticou as ações. Quando a força kármica torna-se cinética, ela é chamada de prārabdha karma – a força kármica que começou a surtir efeito. De acordo com o hinduísmo, é o prārabdha karma que causa o nascimento de uma pessoa e determina por quanto tempo ela vai viver. Também é a causa do prazer e da dor na vida dela, e quando a forca do prārabdha karma se exauri, o corpo morre. É como se o corpo fosse um relógio que, programado pelo prārabdha karma, funciona por um determinado número de anos e pára de funcionar quando a energia se esgota.

KRIYAMĀNA ( ĀGĀMĪ ) KARMA

Qualquer ação feita nesta vida, ou o seu efeito, chamam-se em sânscrito kriyamāna karma ou āgāmī karma. As escrituras hindus nos dizem que tipo de kriyamāna karma, ou ação executada nesta vida, irá surtir efeito imediato. Uma pessoa que cometeu algum crime horrendo, como matar uma pessoa santa ou uma mulher, sofrerá os efeitos ruins de tal ação nesta vida mesmo. Outras ações, boas ou ruins, que são relativamente triviais, talvez não tenham efeitos imediatos. Tais ações vão sendo acumuladas durante

O hinduísmo também não acredita que uma criança que morre logo após o seu nascimento. e continua perseguindo-o até mesmo no outro mundo. o hinduísmo não considera que um recém nascido seja necessariamente uma alma “pura” ou “inocente”. e aqueles que morrem na infância não tem tal oportunidade. o hinduísmo condena veementemente o suicídio. não deveria sofrer como as outras pessoas. comete suicídio e prematuramente faz o seu “corpo relógio” parar. previne-a de fazer qualquer progresso espiritual. e agora está lidando com os efeitos de tais ações. vá para o paraíso ou torne-se liberada. passando por muito s sofrimentos físicos e mentais. ela está cometendo um grande erro. kriyamāna karma. O SUICÍDIO NA VISÃO DO HINDUÍSMO Se uma pessoa. “Um santo tem um passado. a noção errônea de que um verdadeiro santo não sofre nenhuma doença física ou dor mental. O santo pode ter cometido más ações em uma ou mais de suas vidas passadas. iluminado espiritualmente. Essa noção baseia-se na suposição de que um santo. Passando pelo doloroso processo de repetidos nascimentos e mortes sem fruição. sendo perfeito. Todo nascimento é uma oportunidade para que um indivíduo cresça espiritualmente através das experiências amargas e doces da vida. a força kármica o inflige com um sofrimento e uma dor muitas vezes maior do que o sofrimento caso a pessoa estivesse viva. A curta duração da sua vida na terra. e causada por si próprio. ele deve lidar com o seu prārabdha karma até que a força de tal karma seja exaurida. O ditado. A INTERPRETAÇÃO DA MORTE INFANTIL NO HINDUÍSMO À luz da reencarnacão. Por tal morte nada natural. um futuro”. finalmente formando o vasto reservatório de sanchita karma. Mesmo agora. Portanto. PODE UM SANTO TER DOENÇA FÍSICA OU SOFRIMENTO MENTAL? Existe na mente de algumas pessoas.a vida de uma pessoa. A sua força kármica não pára com tal morte. Uma pessoa com muitos karmas ruins a serem resolvidos. pode nascer repetidamente apenas para morrer em sua infância. Muitos santos genuínos foram vistos em suas vidas. pode explicar o porque de um santo sofrer nesta vida. na forma de sofrimento físico e mental. e um pecador. ou karma acumulado. .

Um caçador tem uma aljava cheia de flechas. quando uma pessoa torna-se santa ao ter a experiência espiritual última. O SOFRIMENTO DE NASCENÇA VISTO À LUZ DO KARMA E DA REENCARNAÇÃO O fato de uma criança nascer cega. não pode ser explicado apenas dizendo-se que isso acontece de acordo com a vontade de Deus. é eliminado. Ele absorve os seus pecados e karmas ruins em Seu corpo terreno. ou māyā. A flecha viaja pelo ar e cai ao solo quando a sua energia foi completamente exaurida. numa forma humana. Para que Deus possa encarnar na terra. Uma encarnação divina nunca é controlada pelas força do karma e seu corpo não é causado por prārabdha karma. O hinduísmo explica essa disparidade através das doutrinas da reencarnacão e do karma. todo o seu sanchita karma. Nem mesmo os santos estão isentos desse processo. Uma vez que a flecha é atirada com o arco. Ele passa a impressão de que nasceu de pais humanos. Mas não pode livrar-se de seu prārabdha karma até a sua morte. O karmaphala armazenado em nascimentos passados surtiu efeito neste nascimento como cegueira. uma exceção à regra. ou karma acumulado. Uma encarnação divina também não gera qualquer karmaphala por qualquer coisa que faça em sua existência terrena. assim sofrendo por eles. Ele cria para Si um corpo terreno através de Seu inescrutável poder mágico. . concedendo alívio e salvação. Essas flechas são o seu sanchita karma. Uma criança nasce cega como resultado de ações ruins cometidas durante encarnações prévias. Por compaixão às criaturas que refugiam-se Nele. A flecha atirada por ele é o seu prārabdha karma. e é esse prārabdha karma que cria o corpo humano e traz prazer e dor até que a sua força kármica tenha sido exaurida. entretanto. Ele saca uma flecha de sua aljava.De acordo com a doutrina do karma. UMA ENCARNAÇÃO DIVINA ESTÁ ALÉM DAS FORÇAS KÁRMICAS Existe. quando então o corpo morre. sobre a qual o caçador já não tem nenhum controle. O hinduísmo usa uma bela analogia para explicar isso. Ele lida com o prārabdha karma deles. Através de māyā. Nesse caso. O prārabdha karma é como a flecha. e uma outra nascer com um corpo perfeito. Deus seria parcial e caprichoso. ou karma “acumulado”. o caçador já não tem nenhum controle sobre ela. coloca-a no arco e atira.

Então. O banco não pode entregar nenhum dinheiro ao depositante. o seu papel não é diferente do de um banco. ele deve lidar com o seu prārabdha karma. A força kármica é apenas uma das muitas forças que controlam a sua vida. seja na forma de prazer ou dor.AS FORÇAS KÁRMICAS NÃO GOVERNAM AS VIDAS HUMANAS COMPLETAMENTE Deveria ficar claramente entendido que o hinduísmo nunca diz que tudo o que acontece na vida de uma pessoa é resultado de suas ações em nascimentos prévios. ao invés. As escrituras do hinduísmo. As pessoas boas usam a graça de Deus para o bem. e qualquer dádiva condicional não pode ser chamada de graça de Deus. Srī Sāradā Devī (1853-1920). e atinge a liberação do ciclo de repetidos nascimentos e mortes. se ela praticar ações sem esperar pelos frutos de tais ações.” A GRAÇA DE DEUS NO HINDUÍSMO À luz da doutrina do karma. Deus banha a todos com a Sua graça imparcial. Entretanto. o hinduísmo diz que a graça de Deus não pode ser condicional. ele ganharia uma alfinetada. Da mesma forma que o sol brilha nos bons e nos maus. Assim. mas para o prazer de Deus. e as ruins usam-na para o mal. . ele estivesse destinado a ferir-se com uma espada. onde então há escopo para a graça de Deus no hinduísmo? Em resposta. Mesmo assim. a intensidade da sua força pode ser reduzida de forma considerável se a pessoa se rende a Deus completamente. a pessoa livra-se de todo o seu sanchita karma. O trabalho feito com essa atitude. em particular o Bhagavad Gītā. Mesmo com essas forças trabalhando. ajuda a pessoa a livrar-se dos efeitos restantes das ações cometidas nesta mesma vida (kriyamāna karma). devendo exercitar essa liberdade de uma maneira que vá livra-la de sofrimento e dor no futuro. exceto o prārabdha karma. e ajuda-la a alcançar a liberação através da realização de Deus. apoia essa visão. se de acordo com as suas forças kármicas. nos dizem que a pessoa pode livrar-se de todas as forças kármicas. além de purificar a mente. Porque Deus é apenas o doador do karmaphala do homem. o que habilita a pessoa ater a visão de Deus. Depois da visão de Deus. que não seja o capital de investimento e o seu rendimento. alguns dizem que embora não seja possível escapar completamente do prārabdha karma. a graça de Deus deve ser incondicional e imparcial. Um devoto de Deus deveria desenvolver a atitude de que suas ações não são para si mesmo. cujas garras nenhum mortal pode escapar completamente. Por exemplo. “Rendendo-se a Deus. uma das maiores santas da Índia. ou karma acumulado. Ela diz. um devoto pode reduzir o seu prārabdha karma. a pessoa tem bastante liberdade de ação. talvez o homem pareça ser responsável por tudo que acontece à ele nesta vida.

Nessa analogia. As duas pessoas estão usando a graça de Deus com propósitos totalmente diferentes – um bom. Os indivíduos não tem qualquer controle sobre os eventos. De acordo com Srī Rāmakrishna.Srī Rāmakrishna nos explica isso com uma bela analogia. a brisa da graça de Deus está sempre soprando. Mas assim que as velas estiverem desfraldadas. X A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO De acordo com a doutrina da predestinação. enquanto uma outra pessoa no mesmo quarto está falsificando dólares. O hinduísmo. Uma vela está acesa num pequeno quarto. todo evento na vida de um indivíduo já foi determinado por Deus – tudo acontece de acordo com a vontade de Deus. a doutrina do karma é válida para uma pessoa que pensa ser aquele que pratica as ações. Nessa analogia. é para o seu bem espiritual último. energia e sentidos. o aspirante espiritual perde completamente o senso de que é ele que age. Mas através de intensas práticas espirituais. enquanto o outro vai acabar na prisão. Em tal alto nível de . e todos neste mundo são como donos de barcos à vela. Talvez um deles eventualmente torne-se um santo. Ele adquire a firme convicção de que não é quem age em nenhuma de suas ações. enquanto as velas não estiverem desfraldadas. a luz da vela representa a graça de Deus. o ato de desfraldar as velas não é outro que não o de esforçar-se. À luz da doutrina da predestinação. e o que quer que Deus tenha feito com ele. A graça é imparcial e brilha igualmente em ambos. e convence-se de que é Deus que tem agido através do seu corpo. aceita ambas essas doutrinas como válidas. e vice versa. entretanto. a doutrina do karma não pode ser aceita como uma doutrina válida. a mente do aspirante espiritual pode adquirir graus de pureza mais e mais elevados. Num certo nível elevado de pureza mental. Tal pessoa considera-se responsável por suas ações. Ele sente ser apenas um instrumento nas mãos de Deus. a brisa da graça divina começará a mover o barco. mente. alguém está lendo um livro santo. a pessoa não pode aproveitar a brisa – a pessoa não pode beneficiar-se da graça de Deus. De acordo com o hinduísmo. e à luz de vela. e o outro mal. a pessoa não será capaz de beneficiar-se da graça de Deus. Sem o esforço próprio. sejam elas boas ou ruins.

Num nível intermediário do crescimento espiritual. “Arjuna. a doutrina da predestinação é a única doutrina válida para ele. a idéia de reencarnacão é tão antiga quanto o próprio hinduísmo. A literatura religiosa hindu está cheia de numerosas referências à reencarnacão. uma encarnação divina diz para Arjuna. XI A DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO INTRODUÇÃO No hinduísmo. Você não se lembra desses nascimentos.espiritualidade. mas Eu me lembro de todos. Eu e você já nascemos muitas vezes no passado. Para os estudantes de religião. Srī Krishna pode ser . essas duas doutrinas são válidas para pessoas em diferentes estágios de crescimento espiritual. No Bhagavad Gītā. Srī Krishna.” Nesse contexto em particular. a reencarnacão é uma doutrina teológica. mesmo que aparentemente contraditórias. enquanto que a maioria dos hindus considera-a um fato. e a doutrina do karma deixa de ser uma doutrina válida. Portanto. A evidência que sustenta a reencarnacão vem de duas fontes: (1) Jātismaras – pessoas que se recordam de seus nascimentos prévios e (2) o testemunho dos santos e das escrituras. o aspirante espiritual pode interpretar alguns eventos de sua vida de acordo com a doutrina da predestinação e outros eventos de acordo com a doutrina do karma.

os ouvidos. que trouxe consigo tal talento para esta encarnação. o homem tem dois corpos. da audição. “Porque uma pessoa reencarna?” O hinduísmo diz que os desejos não satisfeitos das pessoas que partem. da energia vital. A MORTE E OS LOKAS OS DIFERENTES PLANOS DE EXISTENCIA Quando uma pessoa morre. O corpo denso é o corpo físico. do intelecto. um denso e um sutil. dos órgãos . Esse é um numero muito pequeno. Os olhos físicos. a validade de muitos desses casos tem sido provada através de investigações imparciais na Índia. tem demonstrado a rara habilidade de se lembrar de suas vidas passadas. Os verdadeiros órgãos dos sentidos são extremamente sutis. do intelecto. o nariz. Em resposta à pergunta. a genialidade de uma criança prodigiosa como Mozart não pode ser explicada apenas pela hereditariedade e pelos genes. uma pessoa que recorda-se de seus nascimentos prévios. do paladar e do tato. Através dos anos. pois tal prodígio deve ter sido um músico brilhante em sua vida anterior. Por exemplo.chamado de jātismara. Apenas a doutrina da reencarnacão pode explicar tal fenômeno satisfatoriamente. dos órgãos dos sentidos. para estabelecer contato com o mundo externo. O hinduísmo acredita que não apenas encarnações divinas como Srī Krishna. o seu denso corpo físico é deixado para trás. OS CORPOS DENSOS E SUTIS DO HOMEM De acordo com o hinduísmo. e o corpo sutil consiste da mente. do olfato. com o corpo sutil consistindo da mente. Não obstante. mas não Arjuna. através das eras. a pessoa deve conhecer o ponto de vista do hinduísmo em relação à morte e ao que está além. são os principais responsáveis por seus renascimentos. podem recordar-se de suas encarnações passadas. e a alma. A doutrina da reencarnacão explica muitas coisas que caso contrário não podem ser explicadas. mas também santos de mente pura se assim quiserem. dos órgãos motores e da energia vital. mas sim instrumentos usados pelos sentidos da visão. pessoas que não são encarnações divinas ou santos. e para entender essa posição. a língua e a pele não são considerados como verdadeiros órgãos dos sentidos.

Esses são mundos de diferentes tipos de vibração. vai para um diferente plano de existência. O DESEJO INSATISFEITO CAUSA REENCARNAÇÃO Quando uma pessoa morre com um forte desejo insatisfeito que só pode ser satisfeito na terra. Similarmente. Esse desejo insatisfeito finalmente a traz de volta para a terra. tendo assim. A alma desencarnada permanece em um desses lokas por um determinado período de tempo. uma alma desencarnada que anseia por satisfazer algum desejo insatisfeito. é trazida de volta até que o desejo seja satisfeito. a mesma existência espacial. sofrendo ou desfrutando. Todas essas felicidades e sofrimentos são experiênciadas através da mente. Não é possível produzir uma exaustiva lista dos lokas. Além do plano terreno. que chama-se Bhūrloka. assim causando o seu renascimento. existem inumeráveis outros planos. Tal plano de existência. Mahātalaloka e Pātālaloka. Suponhamos que uma pessoa goste muito de um certo prato exótico que é servido por um restaurante exclusivo na cidade onde ela vive. e é o grau de pureza de tal mente que determina para onde a alma e o corpo sutil vão. em sânscrito. porque esses são inumeráveis. enquanto que os sete restantes são considerados lokas inferiores. A alma vai para um loka mais elevado. Janaloka. Entre esses lokas. considera-se os seis primeiros os mais elevados. pela alma que partiu. um grande anseio surge por tal prato. Svarloka. Talātalaloka. Mas o restaurante fica à dez quilômetros de sua casa. Atalaloka. Um dia. em ordem ascendente. Os lokas são: Satyaloka. Bhūrloka. em ordem descendente. chama-se loka. Rasātalaloka. Bhuvarloka. o que é determinado pelo karma passado. Nos lokas superiores. Sutalaloka. neste contexto são usados de acordo com as condições encontradas em Bhūrloka. o hinduísmo fala a respeito de quatorze lokas. Os adjetivos. existe mais e mais desfrute e bem-aventurança espiritual quando comparados ao que normalmente é encontrado neste plano terreno. de acordo com a sua pureza mental. REENCARNAÇÃO UMA OPORTUNIDADE PARA PROGREDIR ESPIRITUALMENTE . e esse grande desejo leva-a a entrar em seu carro e dirigir por dez quilômetros até aquele restaurante. que embora ocupem o mesmo espaço. Uma analogia pode explicar mais claramente. Mesmo assim. ou relativamente inferior.motores e dos sentidos. a sua mente – enquanto a pessoa está no outro plano – anseia intensamente pela realização de tal desejo. Tapoloka. Vitalaloka. não estão nem acima e nem abaixo em relação a este plano terreno. nos outros lokas. superiores. Dessa mesma maneira. ou reencarnacão. superior e inferior. existe mais e mais sofrimento. Maharloka. incluindo este plano terreno (Bhūrloka).

Quando esse karma ruim é resolvido. O hinduísmo também afirma que a divindade está presente em toda alma. estão nascendo como seres humanos.A reencarnacão também proporciona uma oportunidade para que a pessoa gradualmente evolua espiritualmente. Tal pessoa é chamada de uma alma liberada. A TRANSMIGRAÇÃO DAS ALMAS A idéia da transmigração das almas está também presente no hinduísmo. Consequentemente o numero de seres humanos está crescendo. Mas o hinduísmo refuta tal objeção ao afirmar que muitos seres subumanos. Finalmente ela atinge o objetivo de seu progresso espiritual através da realização de Deus. para assim resolver karma ruim. a alma humana evolui de encarnação em encarnação. ela vai além de todos os desejos porque agora nada lhe falta. Podem existir casos raros em que a alma humana nasce por uma ou duas vezes numa forma subumana. Caso contrário isso contradiria a onipresença de Deus. Depois de realizar Deus. às vezes argumentam que o número total de seres humanos deveria ter diminuído porque tantos seres humanos foram liberados da morte e do renascimento desde o início da criação. De forma geral. fala a respeito da transformação de uma espécie em outra. através das várias valorosas experiências que ela adquire nas diversas encarnações. e é normal que uma alma humana nasça repetidamente apenas em corpos humanos até que atinja a liberação. através do curso evolutivo. De acordo com Patanjali. seja num corpo humano ou subumano. . Em sânscrito chama-se jātyantara-parināma. a alma novamente encarna em um corpo humano e passa pelo processo de gradual evolução espiritual. A REENCARNAÇÃO E A IDÉIA DE EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES Aqueles que não aceitam a idéia da reencarnacão. Patanjali. Transcendendo a corrente de repetidos nascimentos e mortes. uma espécie tem a habilidade potencial de evoluir e tornar-se uma outra espécie quando as mudanças de circunstâncias criam um ambiente favorável para tal evolução. o autor do sistema filosófico religioso da yoga.

é apenas uma idéia. da sua energia vital. Se eu machuco alguém. O ego. que é divino. Durante o diálogo. O ego do homem não é esse Ser. O oceano nunca é diferente de suas ondas. está o Ser. ou a noção do Eu. Ayam ātmā Brahma – “Este Ser é Brahman”. existe apenas quando não estamos cientes dessa unidade. não odeia ninguém. Yājnavalkya diz que. é puramente mental. e o Ser em todos os seres.” A possibilidade de odiar os outros. portanto não devo ferir ninguém. Maitreyī. e é diferente do seu corpo físico. em sânscrito chama-se Ātman. dos sentidos e da mente. DHARMA OU DEVERES RELIGIOSOS . torna-os queridos para nós. Se Brahman fosse comparado a um oceano infinito. então o Ātman seria uma onda no oceano. O Īsha Upanishad diz com grande beleza. na verdade machuco a mim mesmo. estar ciente do Ser em todos. e sendo mental. A meta espiritual do hinduísmo é experienciar esse Ser divino dentro e fora de nós. Ambos são uma mesma coisa. O Brihadāranyaka Upanishad encontra-se um dialogo entre o sábio Yājnavalkya e a sua virtuosa esposa. e as ondas nuca são diferentes do oceano. é o ensinamento fundamental das escrituras hindus. É o Ātman que se torna este universo multifacetado. Por detrás do homem psicofísico. não pode ser o Ser.XII A ÉTICA HINDU INTRODUÇÃO A fundação da ética hindu é o ensinamento védico de que Deus (Brahman) e o Ser interior do homem são um e o mesmo. “Aquele que vê todos os seres no Ser. O Ser forma o âmago do ser do homem. e essa realização é a base da ética hindu. Esse Ser do homem.

“o que quer que sustente é dharma. ou o dharma para com a nação. Na vida mundana existem diferentes tipos de dharma. Hrī – modéstia . ou o dharma para com a família. o significado mais elevado da palavra dharma é o Ser divino no homem. Ahimsā – abstenção da injuria de todas as formas de vida . tais como o vyakti-dharma. A observância dos princípios éticos e morais. Uma das definições de dharma diz “Dhārayati dharma ity āhu” . o Ātman. Tyāga – renúncia do egoísmo . rāshtra-dharma. o pārivārika-dharma. Portanto. Apaishuna – abster-se da difamação e do falar mal . e é isso que nos sustenta. mas também significa deveres morais e éticos. Akrodha – ausência de raiva . Mārdava – gentileza . Satya – verdade em pensamento e em palavras . Aloluptva – não cobiçar . Seguir as regras de saúde e higiene sustentam o seu corpo físico. o samāja-dharma. dharma tem um significado relativamente menor no hinduísmo.” O Ser divino é a própria fundação do nosso ser. Ārjava – ser sempre objetivo . Brahmacharya – controle dos desejos e paixões carnais . ou o dharma para com a sociedade. e o mānavadharma. Tais observâncias à nível individual constituem vyakti-dharma. ou o dharma para com a humanidade. No entanto. Dharma geralmente significa religião. sustentam a mente de um indivíduo. de acordo com tal definição.A Palavra dharma tem um papel muito importante na ética hindu. Dama – controle dos órgãos externos . no que diz respeito a prática diária da moralidade e da ética. Dayā – bondade e compaixão . Existem também outras observâncias que também estão na categoria de vyakti-dharma: . ou o dharma do indivíduo. Aparigraha – não aceitar presentes desnecessários .

Se a humanidade não sobrevive. a sociedade não pode sobreviver. Se as famílias não sobrevivem. devem comportar-se de maneira que conduza ao sustento da humanidade. Isso chama-se rāshtra-dharma. estão incluídas nos códigos do dharma para com a família. Todos esses dharmas são como círculos concêntricos que tem em seu centro o indivíduo. As afirmações nos Upanishads tais como “Trate a sua mãe como uma deusa” e “Trate o seu pai como um Deus”. o controle das paixões inferiores. a veracidade. ou o dharma para com a sociedade. a prática da caridade e da bondade para todos. e é pelo bem estar do indivíduo que a família deve ser sustentada. observa todos esses dharmas. Por isso. e se a sociedade se desintegra. não falar pelas costas. Adroha – estar livre da malícia São os indivíduos que formam uma família. Tal comportamento está incluído na categoria mānava-dharma. A prática da não-violência. Essa é uma tarefa difícil. . Isso é o samāja-dharma. supõe-se. Indivíduos devem de alguma forma se sacrificar pelo seu país.. a prática da hospitalidade etc. previnem a deterioração da família e chamam-se pārivārika-dharma. evitar falar uma verdade que machuque. que está seguindo tais dharmas. Kshamā – perdão . Shaucha – purificação do corpo e da mente . Se a nação se desintegra. As famílias formam a sociedade. constituem o samāja-dharma. e também consiste do auto-sacrifício. Um hindu ideal. O auto-sacrifício é o denominador comum de todos esses dharmas. Os vários tipos de autosacrifício para sustentar a sociedade são a base do dharma para com a sociedade. indivíduos devem observar os códigos de conduta e assim manter a sociedade integrada. portanto. Shānti – paz mental alcançada através do controle da mente . para que a sua existência se sustente. mas é apenas seguindo um ideal elevado que a vida torna-se nobre e significativa. Os códigos de conduta que são seguidos por indivíduos. é impossível para as nações sobreviverem. A base do dharma para com a família é o auto-sacrifício e o respeito. Os indivíduos. os indivíduos não sobrevivem. não roubar. controlar a raiva. as famílias não podem sobreviver.

o homem tem cinco dívidas: (1) deva-rina. e o homem não pode existir sem levar em consideração tais dívidas para com os outros seres humanos e formas de vida na terra. O universo inteiro é controlado pela rita. AS CINCO DÍVIDAS OU PANCHA RINA De acordo com o hinduísmo. e (5) bhūta-rina. ilustração/diagrama – Os níveis de Dharma A sobrevivência do indivíduo não é possível sem o auto-sacrifício. ou débito para com a humanidade. A ética hindu acredita que todas as forma de vida pertencem à um só ecosistema. a eterna ordem moral. (3) pitri-rina. estão incluídas em rita. e um não pode sobreviver sem a sobrevivência dos outros. (2) rishi-rina. ou o débito para com os seus ancestrais. Todas as vidas são interdependentes. seja ela humana ou subumana. ou o débito para com os sábios. XIII O RELACIONAMENTO ENTRE GURU E DISCÍPULO . (4) nri-rina. ou débito para com os seres subumanos. DEUS É O SUSTENTÁCULO DA MORALIDADE Os Vedas também declaram Deus como sendo o criador e o sustentáculo da rita. Uma das escrituras do hinduísmo diz que um indivíduo deve manter um comportamento ético desde o início. no ventre da mãe. e tal autosacrifício é na verdade auto-suficiência e auto-preservação. ou débito para com Deus. não auto-privação. até a morte. Um hindu deve pagar essas cinco dívidas através da prática de certos deveres morais ordenados pelas escrituras. não é permitida pelo hinduísmo. Ninguém neste universo pode escapar dessa lei moral. Portanto. A destruição arbitraria da vida. o hinduísmo considera Deus como sendo a própria fundação da ética e da moralidade. Todas as leis que mantém a ordem deste universo e de outros mundos sutis.

. Ele viveu na floresta por muitos anos tomando conta do gado. Satyakāma foi para o lar de seu mestre para viver e estudar. O mestre espiritual. atinge o conhecimento”. e cumprindo de bom grado tal ordem de seu mestre. Por favor diga-me quem te ensinou. Satyakāma tinha shraddhā e fé implícita em seu guru. e falando como um humano. porque ouvi dizer que apenas os ensinamentos do próprio guru podem levar o estudante ao bem supremo. até que seu número aumentou para mil cabeças. um mestre. O touro do gado se aproximou de Satyakāma. O touro também ensinou Satyakāma a respeito de Brahman. coisas estranhas começaram a acontecer. mas o seu mestre Gautama não deu nenhuma aula. mais ensinamentos a respeito de Brahman. “Aquele que tem shraddhā. O Bhagavad Gītā diz. seja ele de educação espiritual ou secular.” Então Gautama concedeu a Satyakāma os mesmos ensinamentos que o rapaz havia adquirido de fontes não humanas. Então. Finalmente o rapaz chegou ao lar de seu mestre.Na tradição hindu. O Chhāndogya Upanishad conta-nos a estória de Satyakāma para ilustrar isso. mas também gostaria que você me ensinasse. Ele também deveria ter fé implícita nos ensinamentos de seu mestre. Quando menino. significando que um estudante deve ter confiança que enquanto guiado por seu mestre. que deram a Satyakāma ensinamentos similares. que é chamado de guru. insistem na necessidade de shraddhā. a palavra shraddhā tem dois significados: (1) autoconfiança e (2) fé implícita nas palavras do guru. No atual contexto. e depois de um cisne e de um peixe. Vários Upanishads. Durante o seu retorno. disse: “Meu filho. épicos e lendas. Um aspirante espiritual deve ter shraddhā por seu guru. o menino conduziu o gado em direção a floresta. podendo ser usada também para designar um professor de educação secular.” O rapaz respondeu: “Eu fui ensinado por outros seres que não o homem. A palavra “guru” significa “aquele que dissipa a escuridão espiritual”. é merecedor de grande respeito. ele terá sucesso. recebe grande respeito e veneração de um estudante. ele deu para Satyakāma. lembrou-o de levar o gado de volta para o lar de seu mestre. e pediu que tomasse conta delas. e assim que Gautama pôs seus olhos em Satyakāma. Essa estória traz a mensagem de que o conhecimento mais elevado chega ao estudante que tem shraddhā por seu mestre. quatrocentas vacas magras e doentes. Satyakāma recebeu do fogo que acendeu à noite. Ao invés disso. o seu rosto brilha como o de alguém que é um conhecedor de Brahman.

O grande épico Mahābhārata traz uma estória parecida a respeito de um menino nishāda chamado Ekalavya. o objetivo último da vida humana. Ekalavya se tornou tão bom arqueiro que chegou a superar o príncipe Arjuna. é a realização de Deus. . começou a praticar a arte do arco e flecha na frente da estátua e sem a ajuda de ninguém. Não obstante. podem realizar Deus se seguirem sinceramente o seu próprio ideal espiritual. O hinduísmo afirma que ambos. O estudante deve seguir as instruções do mestre e esforçar-se sinceramente para alcançar a mete de sua vida espiritual. Porque era contra os costumes dos arianos. Caso contrário. pela virtude de sua shraddhā. Ele construiu uma estátua de Drona na floresta. que era o melhor aluno de Drona. XIV DOIS DIFERENTES CAMINHOS ESPIRITUAIS INTRODUÇÃO Como foi mencionado externamente. Drona recusou-se a aceitar Ekalavya como seu discípulo. ele não será capaz de ajudar o estudante. um dos maiores mestres arianos de artes marciais na antiga Índia. Ekalavya aceitou Drona mentalmente como seu professor. chefes de família e monges. ensinar os segredos de guerra para os banidos. e com intensa shraddhā por seu guru. Nem todo s podem ser um guru. Um verdadeiro mestre espiritual nunca cobra qualquer dinheiro pela orientação que dá a um estudante. que queria aprender a arte do arco e flecha com Drona. de acordo com o hinduísmo. Muitos dos sábios espiritualmente iluminados da antiga Índia . Apenas uma pessoa com uma vida exemplar e elevados sucessos espirituais pode ser um guru. Um mestre que viola essa sagrada e honrada tradição do hinduísmo apenas traz desgraça para si mesmo e para sua religião. Depois de alguns anos. tais como Ashvapati e o Rei Janaka eram chefes de família.

Ela deve constantemente trabalhar entregando os frutos de suas ações a Deus. Um homem que sucedeu em conseguir o amor de esposa casta. ou demonstrar raiva em relação a ela. Nunca fazendo qualquer coisa que possa feri-la. os seguintes são os deveres para um chefe de família. a pessoa deve se levantar demonstrando respeito e honra. Ele vai para o inferno mais profundo se desejar. e deve sentar-se apenas quando seus pais pedirem para que o faça. ou “o caminho da renuncia dos desejos sensuais”. e os pobres. ou conjunto de deveres – um para os chefes de família e o outro para os monges. Ele nunca deveria repreender ou machucar os sentimentos de sua esposa. mesmo que mentalmente. uma outra mulher. ou “o caminho dos desejos sensuais permitidos”. O caminho para os chefes de família chama-se Pravritti Mārga. sua esposa e filhos. ”Eu fiz isso . Um chefe de família nunca deveria usar linguagem imprópria na presença de mulheres e nunca deveria vangloriar-se por seus sucesso. roupas. Ele deve sempre agradar a sua esposa com dinheiro. porque não deve se esquecer que deve o seu corpo a eles. Na presença de seus pais. e palavras doces.O hinduísmo oferece dois principais caminhos espirituais. A pessoa deve submeter-se a milhares de problemas para servir os seus pais. amor. Incluídos na categoria do Pravritti Mārga. Eu fiz aquilo. lealdade. Se seus pais chegam quando ela está sentada. Ele não deve dizer. ser fútil e demonstrar raiva. um chefe de família não deve fazer piadas.” Não deve falar em público a respeito da própria fama. nem . ganhando honestamente o seu sustento e recordando-se de que a sua vida é para servir a Deus e aos pobres e desamparados. de fato tem as bênçãos de sua religião e adquiriu todas as virtudes. O caminho para os monges é o Nivritti Mārga. O objetivo de um chefe de família é realizar Deus. a pessoa deve cumprir todos os seus deveres de acordo com as escrituras. vendo-os como tangíveis representantes de Deus. Um chefe de família não deve comer sem antes alimentar os seus pais. e para alcançar tal objetivo. PRAVRITTI MĀRGA O CAMINHO DOS DESEJOS SENSUAIS PERMITIDOS De acordo com o Mahānirvāna-Tantra. A pessoa deveria sempre tentar agradar os seus pais. Ele deveria sempre cuidar dela como se ela fosse a sua própria mãe.

roupas ou a sua aparência externa.vangloriar-se de sua riqueza. e antes de cultivar tais amizades. e de seus filhos. Ele não deveria dar excessiva atenção a comida. Quando o seu filho tiver vinte anos de idade. poder ou posição. ele deveria estar empregado e ser ratado por seu pai com igualdade Uma filha também deveria ser tratada e educada da mesma maneira. Estes serão os seus deveres para com os seus filhos: Ele deveria amorosamente criar o sue filho até que tenha quatro anos. e nem concordar com o mal. e racionalizara sua covardia falando a respeito de não resistência e não violência. Ele deveria respeitar todos que são bons e dotados de qualidades nobres. o pai deve presentea-la com jóias e dinheiro. deveria ser apropriadamente educado até que complete dezesseis anos de idade. ele será gentil como um cordeiro. Para com seus amigos e parentes. e na época de seu casamento. lutar para conter os seus inimigos. Ele tem deveres similares para com seus outros parentes. Se um chefe de família for rico e ainda assim não ajudar os seus parentes necessitados e pobres. O filho então. Ele também não deveria falar a respeito de sua pobreza. deveria ser corajoso e deveria como um herói. nem divulgar para os outros. ele deveria julga-los cuidadosamente de acordo com como eles lida com as outras pessoas. Um chefe de família deveria também cuidar de seus irmãos e irmãs. amigos e empregados. Ele deveria cultivar amizade apenas com aqueles que são de confiança. ele é considerado um bruto e não um ser humano. . caso sejam muito pobres. Ele deveria sempre ser entusiástico e ativo. Um chefe de família nunca deve demonstrar respeito ao maldito. Ele não deveria agir como um covarde. Ele deveria manter a limpeza de seu corpo. e seu coração deve ser puro. o que alguém o confidenciou. e também para com as pessoas de seu próprio vilarejo.

e cheio de compaixão para com todos os seres. e assim poder ajudar aqueles que dependem dele. Se ele for preguiçoso e levar uma vida à toa. num templo ou debaixo de uma árvore. viver uma vida de simplicidade e passar a maior parte de seu tempo na contemplação de Deus e estudando as escrituras. de mente serena.Ele deveria esforçar-se sinceramente e honestamente para adquirir um bom nome. celibato. devem vir até ele e serão tratados com a mesma bondade que todos recebem. acusação. Ele não deve Ter lar. Ele deve ter o entusiasmo para ganhar dinheiro. Ele deveria Ter o mesmo bom comportamento com todos. Ele deve ser verdadeiro. e construir estradas e pontes. NIVRITTI MĀRGA O CAMINHO DA RENÚNCIA DOS DESEJOS SENSUAIS O caminho para os monges que renunciaram a tudo. e as suas palavras deveram ser agradáveis e benéficas para os outros. Nivritti Mārga. e se eles quiserem vê-lo. ele deveria manter o seu corpo. Ele nunca deve visitar um rei ou dignitários. A sua única meta na vida deveria ser a realização de Deus. e também não deve causar problemas para os outros. enxergando-as como se fossem a sua própria mãe. Ele deve ser indiferente ao elogio. Um chefe de família que não se esforça para enriquecer por meios honestos está faltando com o seu dever mora. é bastante diferente daquele dos chefes de família. Seguindo a antiga tradição. deveria plantar grandes árvores e sombra para os pedestres na beira da estrada. prazer ou dor. Ele deveria viver numa cabana. pedindo comida dos chefes de famílias. riqueza ou propriedade. construir abrigos para os viajantes. Um monge. XV AS QUATRO YOGAS . Ele deveria falar a verdade. Ele deveria escavar poços e prover água para beber e para irrigação. não violento. bons ou maus. ele deveria ser considerado um imoral. Ele deveria respeitar todas as mulheres. deveria ser física e mentalmente puro. Tais ações não egoístas vão ajudar o chefe de família a alcançar o mesmo objetivo espiritual do maior dos yogues. sejam ricos ou pobres. Um chefe de família deveria se envolver em trabalhos de serviço social para o benefício das pessoas. Ele não deve jogar jogos de azar.

Tulsīdās. significa unir – “união” entre o aspirante espiritual e Deus. Se tal amor egoísta puder ser sublimado e direcionado em direção a Deus. (2) a pessoa racional. quatro são considerados os caminhos principais: (1) Bhakti Yoga – o caminho da devoção. geralmente está presente como “amor egoísta”. que é abundantemente disponível em todos. yoga. Jnāna Yoga para a pessoa racional. torna-se um meio efetivo para a realização de Deus. embora Tulsīdās não a permitisse. . Ele a amava com todo o seu coração e alma. discutidos no capítulo anterior. e nem por um dia conseguia ficar longe dela. a muito tempo não via os seus pais e estava ansiosa para visita-los. prescrita para pessoas naturalmente inclinadas a atividade. era apaixonadamente apegado a sua jovem esposa. um famoso santo hindu. A emoção. (3) Rāja Yoga – o caminho da concentração mental e (4) Karma Yoga – o caminho da ação correta. Sua esposa. Na sua juventude. (3) a pessoa meditativa e (4) a pessoa habitualmente muito ativa. (2) Jnāna Yoga – o caminho do questionamento racional. o hinduísmo fala de muitos caminhos diferentes para alcançar Deus. amor. Rāja Yoga é adequada para a pessoa meditativa e Karma Yoga. A palavra em sânscrito. Bhakti Yoga é adequada para a pessoa emocional. Yoga também significa um método ou técnica para se estabelecer uma união mental com Deus. De acordo com o hinduísmo. O amor nos seres humanos.INTRODUÇÃO Além do Pravritti Mārga e do Nivritti Mārga. todas as pessoas se encaixam em quatro vastas categorias: (1) a pessoa emocional. é habilidosamente usada como um meio para ter-se a visão de Deus. BHAKTI YOGA O CAMINHO DA DEVOÇÃO Este caminho permite que a pessoa emocional tenha uma visão direta do Deus pessoal ou Īshvara. A história Hindu e as lendas contam-nos a respeito de tais acontecimentos. Desses.

uma atitude serena e desapaixonada. Dāsya. Tais atitudes são Shānta. Quando ela é audível e o santo nome é pronunciado corretamente. Essas cinco diferentes atitudes . pode ser sublimado e transformado num meio para atingir a realização de Deus. sem movimento dos lábios. foi até a casa de seus pais numa aldeia vizinha. e imagens e símbolos sagrados são usados. Adorações são de dois tipos: (1) a adoração ritual externa. sem que ninguém mais ouça. A repetição do santo nome de Deus. considera-se a terceira superior a segunda. que por sua vez é considerada superior a primeira. embora seja mais adequada àqueles que já progrediram adequadamente na vida espiritual. a repetição do nome santo de Deus (japa).No entanto. um certo dia quando Tulsīdās deixou sua aldeia para cumprir uma tarefa. a prece (prārthanā). a doce atitude d esposa em relação a seu marido. O terceiro tipo de repetição é feita mentalmente. e disse para ele: “Você deveria ter vergonha! Você não consegue ficar longe de mim nem por um dia! Fosse você apegado a Deus tanto o quanto é apegado a mim. e chama-se mānasa japa. A vida de Tulsīdās é um belo exemplo de como o amor egoísta e apaixonado. chama-se upāmshu japa. Sakhya. que ele imediatamente deixou a sua mulher e jamais voltou para casa. Ela ficou extremamente envergonhada com isso. chama-se Bhakti Yoga. Entre essas três. Quando a repetição é feita apenas com o movimento dos lábios. Qualquer uma dessas atitudes ajuda o aspirante a desenvolver um sentimento de intimidade com Deus. a sua esposa. Ele tornou-se um monge e um apaixonado amante de Deus. e Madhura. Tulsīdās ficou sabendo disso logo que retornou a aldeia e foi então a casa do seu sogro para encontrar-se com a sua esposa. e a adoração a Deus (pūjā ou upāsanā). ou japa. A adoração mental é um tipo de meditação e é considerada superior a adoração ritual. e (2) a adoração mental. a atitude de um amigo. é feita de várias formas. chama-se vāchika japa. Encoraja-se o desenvolvimento de atitudes mentais especiais que criam um sentimento de intimidade com Deus. A adoração ritual é adequada para os iniciantes. Vātsalya. cantar canções devocionais (gīta). a atitude de uma mãe em relação a seu filho. a atitude de um servidor. sem informar ao seu marido. talvez você já O tivesse visto. Com o tempo ele foi abençoado com a visão de Deus e tornou-se um santo. Tal técnica de transformação do amor mundano em amor divino. A Bhakti Yoga consiste em manter a pureza física e mental (shaucha).” Essas palavras machucaram os sentimentos de Tulsīdās tanto.

os cânones da razão vêm primeiro. o devoto ama a Deus. Tal amor gradualmente purifica a mente e o capacita de ter a visão do Deus pessoal ou Īshvara. construtivas e cheias de idéias. quer agrada-LO. ou atitude materna. o devoto ama a Deus com um amor tão intenso quanto o da fiel e amorosa esposa para com o seu marido. ou de sexo. enquanto servidor. mas ainda assim quer conhece-LO através do singular anseio de seu coração. Muitos dos grandes santos de Bengala. Na atitude serena. amadurece muito mais. Para elas. Além dessas atitudes. Com a ajuda dessas atitudes espirituais. a pessoa não está ciente do corpo dele ou dela.espirituais. “as pessoas mais criativas. a intensidade do amor é menos pronunciada. Na atitude madhura.” São especialmente essas pessoas que podem beneficiar-se com a Jnāna Yoga. mantiveram esta atitude e viam Deus como a Mãe Divina. ou dāsya. Esse é um relacionamento inteiramente espiritual. Na atitude sakhya. um teólogo que pertence a igreja episcopal. O devoto não quer nenhum relacionamento pessoal com Deus. o relacionamento entre o devoto e Deus é muito mais íntima. que através de seu amoroso serviço. Além disso. a devota vê Deus como um filho. “Eu não posse aceitar as coisas apenas através da fé. e ao mesmo tempo espera o amor reciproco de Deus. não tem muito envolvimento com igrejas. eu nem tenho certeza de que este mundo existe. Como eu posso ter certeza de que eles não estão iludidos ou enganados? Não posso acreditar em Deus porque ainda não O experienciei ou O conheci. vendo-O como um amigo querido. Kamalākānta. O leitor deveria claramente entender que em tal atitude. Nela. tornando a fé em algo secundário e questionável. e Srī Rāmakrishna. o devoto se comporta como um servidor de Deus. ou atitude de doçura. o devoto também pode ver Deus como sendo seu pai ou mãe. porque esta coisa toda pode ser apenas uma ilusão ou uma projeção mental minha. JNĀNA YOGA O CAMINHO DO QUESTIONAMENTO RACIONAL De acordo com um autor norte americano. o amor do devoto por Deus. Na atitude de serviço. tais como Rāmprasād. e tenho dificuldade em acreditar no que os santos e os profetas dizem. A atitude vātsalya. a pessoa naturalmente mantém alguma distância entre ela e Deus. e como uma mãe. diferem umas das outras de acordo com a intensidade e a qualidade do amor associado a elas. banhando-O com todo o seu amor e afeto.” . não esperando nada de Deus. ou shānta. e seguindo as outras disciplinas da Bhakti Yoga. ou a atitude amistosa. Tal pessoa pode dizer. Entretanto.

A Jnāna Yoga tentará resolver tais dúvidas dizendo, “Você duvida da existência deste mundo, e você também duvida das experiências dos santos e dos profetas. O seu raciocínio pode duvidar de suas existências ou experiências, mas você não pode negar a sua própria existência enquanto aquele que duvida. Assim, enquanto aquele que duvida, você deve existir. Mas quem é você de fato? Será que você é o seu corpo físico, a sua energia vital, os seus sentidos ou sua a mente? Pois você não pode negar estar ciente de que os têm. O „proprietário‟ e a „propriedade‟ não podem ser a mesma coisa, devendo ser diferentes um do outro. Portanto, você não é o seu corpo físico, energia, sentidos ou mente, sendo diferente de todas essas coisas. Tente saber a sua verdadeira identidade, tente saber quem você realmente é.”

A primeira instrução da Jnāna Yoga é “Ātmānam viddhi”, ou “conhece-te a ti mesmo”. Essa instrução baseia-se no fundamental ensinamento dos Vedas, de que tudo neste universo é divino. E a divindade, estando presente em todos os lugares, deve também estar presente em todos os seres humanos. O verdadeiro Ser do homem, ou o seu Espírito interior, é a divindade e o próprio âmago do nosso ser, ou existência. Esse verdadeiro Ser não é o ego. De acordo com o hinduísmo, o ego, ou a noção do “Eu” é puramente mental, é apenas uma idéia. O verdadeiro Ser do homem, ou o Espírito interior é diferente do seu ego. A meta do estudante da Jnāna Yoga é ganhar 100% de convicção de que o seu verdadeiro Ser é divino.

Primeiramente, o estudante deve passar por algumas disciplinas preparatórias, tais como a observância de praticas éticas e morais, para assim fortalecer a vontade, ou os músculos mentais. Então, ele deve purificar a sua mente através do trabalho não egoísta. Uma vez que a mente do estudante tenha sido purificada, o mestre espiritual pede que o estudante medite na divindade do seu verdadeiro Ser interior. Para que possa seguir as instruções do seu mestre, o estudante deve passar por três estágios: (1) Shravana, (2) Manana e (3) Nididhyāsana. Shravana significa “escutar”. O estudante deve escutar a verdade última a respeito do seu Ser, dita por seu próprio mestre. O mestre diz ao estudante, “Tat tvam asi”, que significa, “Você é aquela realidade divina”, ou “Você é Deus.”

O estudante deve ter uma fé implícita (shraddhā ) nas palavras de seu mestre. A pureza mental adquirida pelo estudante através das práticas espirituais preliminares, habilita-o a ter tal fé, e consequentemente ele diz para si mesmo, “O meu mestre disse que eu sou divino, mas a minha experiência é a de que sou um mortal, com poder e conhecimento limitados. Eu não sinto que eu seja eterno, onisciente, onipotente e onipresente. Como posso eu ser divino? Mas as palavras do meu mestre não podem ser falsas. Deve haver algo em mim que é divino. Deixe-me tentar encontrar. Obviamente o meu corpo não é divino, porque é transiente e sujeito a

decadência e a morte. A minha energia vital também não deve ser divina porque é limitada e finita, e pela mesma razão, a minha mente também não pode ser divina.

Através desse processo mental, o estudante tenta negar tudo que não é divino nele mesmo. Tal processo de negação chama-se neti (lit. “isto não”) em sânscrito. Gradualmente a sua contemplação torna-se mais e mais profunda até que finalmente ele chega ao seu Ser divino, que encontra-se no âmago do seu próprio Ser.

Nesse estágio, a pessoa já não está consciente de seu corpo físico ou do mundo exterior. É como se a sua mente e o seu ego derretessem no infinito oceano de divindade em seu interior. Diz-se então que a mente está em Nididhyāsana, ou nirvikalpa samādhi. Através desse samādhi, a pessoa a experiencia a sua identidade com o Deus impessoal, ou Nirguna Brahman. Conhecer a sua identidade divina, ou Ser divino, é a verdade última que o estudante da Jnāna Yoga experimenta através do nirvikalpa samādhi, ou Nididhyāsana, no final da sua busca espiritual.

Existe entretanto, um estado inferior de samādhi, chamado de savikalpa samādhi, onde o ego do meditador permanece muito subtilmente.

RĀJA YOGA O CAMINHO DA CONCENTRAÇÃO MENTAL

Os oito passos da Rāja Yoga

A Rāja Yoga é mais adequada para com uma tendência natural de explorar e conhecer a sua própria mente, para assim ganhar total maestria sobre ela. O fundador dessa yoga é o conhecido sábio Patanjali. A Rāja Yoga é geralmente chamada de yoga, ou Kriyā Yoga. As disciplinas da Rāja Yoga consistem de oito passos: (1) yama, coibição interior, (2) niyama, cultivo de bons hábitos, (3) āsana, postura, (4) prānāyāma, a arte de controlar a respiração, (5) pratyāhāra, retirar-se dos sentidos, (6) dhāranā, fixar a mente num objeto escolhido, (7) dhyāna, meditação e (8) samādhi, intensa concentração mental.

O yama, ou coibição interior, consiste em abster-se da violência, da falsidade, de roubar, de entregar-se as paixões ou desejos carnais, e de aceitar presentes desnecessários de outras pessoas.

O Niyama consiste em cultivar bons hábitos, tais como manter o corpo e a mente limpos, contentamento, austeridade, regularidade no estudo de livros religiosos, e submissão a Deus.

O Āsana significa posturas para sentar-se para a meditação ou contemplação prolongadas. A Rāja Yoga prescreve várias posturas para esse propósito.

O Prānāyāma, ou controle da respiração, é um tipo de respiração rítmica que ajuda a acalmar e concentrar uma mente inquieta. Consiste em inspiração, retenção da respiração e exalação, tudo feito de acordo com as técnicas que só pode ser aprendidas de mestres expertos em Rāja Yoga. Prānāyāma, se não for praticada sob a direção de um mestre capacitado, pode causar irreparáveis danos físicos e mentais àquele que pratica.

O Pratyāhāra é a arte de retirar os sentidos e a mente dos objetos externos.

O Dhāranā é a arte de fixar a mente, por um curto período de tempo, ao objeto de contemplação escolhido.

O Dhyāna, ou meditação, é um estado mais maduro do dhāranā. Quando a mente está concentrada no objeto da contemplação, sem qualquer pausa ou distúrbio, por um longo período de tempo, chama-se dhyāna. Em ambos, dhāranā e dhyāna, a mente do meditador permanece distinta do objeto de meditação. Dhyāna no seu estágio mais elevado de maturidade, chama-se Samādhi.

O Samādhi é o estado de mais intensa concentração mental no objeto de contemplação. O meditador pode ter tipos diferentes de samādhi, um superior ao outro, por causa dos vários níveis de concentração mental.

Um samādhi relativamente inferior chama-se samprajnāta samādhi, e o poder de controlar a natureza vem para a pessoa que atinge tal samādhi. Nesse samādhi, o ego do meditador permanece.

As impressões mentais passadas & como livrar a mente delas A impureza mental é causada principalmente por pensamentos acumulados passados. No inicio. O lago é a mente. Existem inúmeras impressões de pensamentos passados no nível subconsciente de uma mente comum. . A sua água não é clara porque tem muitas impurezas. pode ser comparada a um lago com muitas ondulações. em sânscrito. ou o Ser divino interior da pessoa. Todos os pensamentos eventualmente desce para o nível subconsciente e ali permanece como uma impressão. nem um único pensamento se perde. e a fonte de luz no fundo do lago é a alma.No tipo mais elevado de samādhi. são os pensamentos no nível consciente da mente. atingiu o mais alto nível de santidade. o ego desaparece completamente. chamado de asamprajnāta samādhi. Nessa analogia em particular. Em outras palavras. as ondas são os pensamentos. Quando os pedaços de papel está flutuando. o Ser divino da pessoa se manifesta em toda a sua glória. a luz no fundo vai brilhar. samkāras. Se o lago puder estar livre das ondas. A luz do Ser interior não é visível na superfície por causa da água turva e das numerosas ondas no lago. para então afundar e assentar no fundo do lago. pode ajudar a limpar a mente dessas samkāras (impressões). Essas impressões chamam-se. a mente fica sem pensamentos. tais como a meditação. As técnicas da Rāja Yoga. Uma analogia esclarecerá essa idéia. Já não esta mais ciente de uma existencia independente. o papel flutua por alguns minutos. a mente se perde e desfaz-se no objeto da sua contemplação. De acordo com a Rāja Yoga. a mente impura e descontrolada de uma pessoa. e os pedaços de papel toalha são os pensamentos. camada por camada. Esse samādhi é a meta da Rāja Yoga. Esse estado mental chama-se asamprajnāta samādhi. uma em cima da outra. Qualquer um que tenha sido capaz de atingir esse samādhi. e em tal estado de concentração mental. Suponhamos que uma pessoa esteja parada na beira de um lago com um rolo de papeis toalha. ou dhyāna. no fundo do lago há uma poderosa luz. Um por um. ele começa a colocar os pedaços de papel toalha no lago. quando a sua mente pura e livre de todos os pensamentos. A meta da Rāja Yoga é a de criar tal estado mental. a água turva é a impureza da mente. De acordo com a Rāja Yoga. Em outras palavras. e a sua água livre das impurezas.

O meditador deveria. conforme o estudante adquire um considerável controle sobre a sua mente. (7) vashitva – o poder de trazer tudo sobre o próprio controle. que gradualmente. a habilidade de entrar no corpo de outra pessoa (kāya-siddhi). sobem para nível consciente e tornam-se novamente pensamentos conscientes. (5) mahimā – a habilidade de tornar o corpo extremamente grande. como uma sonda debaixo d‟água. ele também adquire oito poderes extraordinários chamados de ashtasiddhi: (1) animā . penetra através das camadas interiores de sua mente e chega ao fundo. Os velhos pensamentos. Essas impressões são como negativos fotográficos. Outros poderes também podem surgir: a habilidade de voar (khechari-vidyā). uma vez trazidos ao nível consciente. (3) vyāpti – a habilidade de expandir-se. estouram como bolhas de ar e desaparecem. presente e futuro (trikāla-jnāna).Em seu estado submerso. no fundo do lago. ou impressões de pensamentos passados no nível subconsciente da mente. uma pessoa pode purificar a sua mente e gradualmente livrar-se das velhas impressões. as samkāras tem o potencial de novamente tornarem-se pensamentos conscientes se um ambiente mental adequado for criado para elas. (4) prākāmya – a aquisição de uma vontade irresistível. Quando uma pessoa medita. e (8) kāmāvasāyitā – a habilidade de obter o que quer que a pessoa deseje. ele irá criar novas samkāras e a sua mente não ficará limpa. como um raio laser. e o poder de entender a linguagem dos animais (sarvabhūtaruta-jnāna). o seu pensamento concentrado. através da prática da meditação. . conhecimento do passado. É assim que. e tem a habilidade de reproduzir fotografias quando as circunstancias são favoráveis. como um observador desinteressado. começa a perturbar as samkāras acumuladas. ir além da fome e da sede (kshutpipāsā-nivritti). ou samkāras. e não deveria agir de acordo com eles. a conquista da morte (mrityunjayaa-vidyā). A meditação é a contemplação feita com grande concentração mental.a capacidade de tornar-se tão pequeno quanto uma molécula e penetrar objetos sólidos. observar esses pensamentos reanimados. Siddhis ou poderes supernaturais No curso da prática da Rāja Yoga.extrema leveza do corpo e a habilidade de levitar. Da mesma forma. a habilidade de adquirir tesouro escondido (pātāla-siddhi). se o meditador agir de acordo com os pensamentos reanimados. O pensamento concentrado. eles são samkāras. (2) laghimā . No entanto. uma por uma. onde encontram-se as samkāras. (6) īshitva – a aquisição de poderes divinos. o poder de morrer quando quiser (ichchhā-mrittyu). o poder de tornar-se invisível (antardhāna).

formando dois canais verticais. Como uma cobra enrolada num estado de hibernação. normalmente permanece num estado dormente. O poder Kundalinī. Esses poderes são como marcos no caminho do progresso espiritual. a energia flui através do canal idā. Cada uma dessas portas. Quando isso acontece. Existe um terceiro canal dentro da coluna vertebral. ou níveis de experiência espiritual se chama chakra. for mais forte através da narina esquerda. Esse estar enrolada. quando desperto. parece passar através de diferentes portas. trabalha no corpo passando através desses dois canais. até que a meta seja alcançada. ele não poderá atingir a meta. cada uma delas. Normalmente o canal sushumnā permanece fechado e se abre quando o poder Kundalinī é desperto. Se a respiração for mais forte através da narina direita. Kundalinī significa alguma coisa que está enrolada. a sua divindade inerente se manifestará em todo o seu esplendor e ele estará livre de todas as limitações humanas. e quando está descansando. introduzindo o aspirante espiritual a um novo conjunto de experiências espirituais. A energia vital. A Rāja Yoga fala sobre sete níveis como . Uma vez que a meta tenha sido alcançada. ou corrente nervosa da pessoa. essa é uma indicação de que a energia vital está fluindo através do canal idā naquele momento. quando ela expira. lado a lado. conforme começa a elevar-se em direção ao cérebro. localizado entre o idā e o pingalā. o poder espiritual no homem. um em cima do outro. mas podem ser obstáculos para se alcançar a meta espiritual. Ele se tornará um santo. A coluna vertebral é como muitos oitos empilhados. A Rāja Yoga ajuda a pessoa a despertar o poder Kundalinī através da meditação e de outras práticas espirituais. O seu nome é sushumnā. a energia geralmente flui através do canal pingalā. preso pelo encanto de tais poderes. kundala. esse poder geralmente permanece adormecido. próximo a extremidade inferior da coluna vertebral da pessoa. então a energia está fluindo através do canal pingalā. O canal esquerdo chama-se idā e o canal direito pingalā. tal como uma cobra. O poder da kundalini & os seis chakras De acordo com a Rāja Yoga.O estudante é aconselhado a não usar nenhum desses poderes (siddhis). O poder Kundalinī desperto começa a avançar através do canal sushumnā em direção ao cérebro. e começa a ter experiências espirituais genuínas. Quando a pessoa é muito ativa fisicamente. o aspirante espiritual entra em um domínio completamente diferente de experiência. chama-se em sânscrito. Ele deveria ignorá-los e prosseguir firmemente no seu caminho espiritual. Se a respiração de uma pessoa. Se o estudante para em qualquer um desses marcos.

o mais elevado sendo o sahasrāra. Mesmo a tentativa de não trabalhar. e sahasrāra. um santo chegou a uma aldeia. a palavra sânscrita karma significa trabalho ou ação. existem alguns riscos conectados a sua prática. a prática da Rāja Yoga é perigosa . Ele alcança a meta da Yoga – ele alcança asamprajnāta samādhi. ou “espaço mental”. se transforma em trabalho. ājnā. em pensamento. O chakra mais baixo. um mestre da Rāja Yoga. Apesar de Rāja Yoga literalmente significar “Rei de todas as yogas”. podendo levar a insanidade.” Os aspirantes que quiserem praticar essa yoga. chama-se mūlādhāra.” Trabalho. No hinduísmo. as estrelas e os planetas estão chama-se mahākāsha. Um verso do Bhagavad Gītā diz: “Ninguém pode jamais permanecer sem trabalhar. “Deve haver castidade perfeita. que pode ser físico ou mental é inevitável. Todas as verdadeiras experiências espirituais acontecem no chidākāsha. Pensar também pode ser considerado karma. Enquanto vagava pela Índia. são aconselhados a seguir essas palavras de precaução. sem isso. o impacto do trabalho na vida daquele que faz. O nosso mundo de sonhos. mesmo que por um instante. Ele permaneceu ali por alguns dias e impressionou muito os aldeões com um de seus poderes . ou os objetos da nossa imaginação. * ilustração e diagrama – Os chakras KARMA YOGA O CAMINHO DA AÇÃO CORRETA No contexto da Karma Yoga. anāhata. lemos a respeito de três tipos de espaço. os seguintes são manipura. A seguinte estória vai claramente explicar essa idéia. vishuddha. ou “espaço exterior”. O sahasrāra está localizado em algum lugar dentro do cérebro. ou “espaço do conhecimento”. existem no chittākāsha. O espaço no qual nós. Quando o poder Kundalinī atinge o sahasrāra através do canal sushumnā.estes. que está na parte inferior da coluna vertebral. Portanto. palavra e ação. Todas as experiências no chittākāsha não são mais do que imaginação ou alucinação quando comparadas às genuínas experiências espirituais no chidākāsha. o aspirante espiritual tornase espiritualmente iluminado. não pode ser mais enfatizado. Uma pessoa acessa o chidākāsha somente quando o poder Kundalinī despertou e entrou no canal sushumnā. O próximo chakra mais elevado é o svādhishthāna. Nas palavras de Swāmī Vivekānanda.

tem uma desvantagem. Sinto-me extremamente humilhado. Ele correu para o santo e disse. que com grande cuidado está cultivando um tipo muito raro de rosas em seu jardim. Depois de amarrar o gato a um poste. Você nunca deve pensar em um gato preto. disse-lhe o rapaz. ensine-me como dar e tirar a vida como você faz. chamou todos os seus jovens amigos e disse: “Eu tenho o poder de matar e trazer de volta a vida de qualquer ser. os mantras não vão funcionar. borrifando água nele. Qualquer trabalho feito com apego a seu resultado. ou mantras. mas antes de partir.” O santo disse: “Mas isso é o mesmo que pensar em um gato preto. “Senhor. e ao deixar a presença do santo. trabalhar. que é inevitável. cumprindo a sua promessa. ele chamou o rapaz e disse: “Eu vou embora esta tarde. os mantras não funcionaram. Ao tentar não pensar em um gato preto. Aquele santo ensinou-me como fazer isso!” Mas os seus amigos não acreditaram nele. Ao chegar lá. Mas nada aconteceu. você deve ser muito cuidadoso com uma coisa. um jovem rapaz serviu-o cumprindo várias tarefas Resultando disso.” O santo. Quando as rosas . e vou dá-lo a você. antes de repeti-los. mas não sou estúpido. Esse é o presente que quero de você. gera um tipo de escravidão psicológica para aquele que pratica a ação. Durante a estada do santo na aldeia. eu posso ser jovem. ele borrifou água no animal e repetiu os mantras. o santo sentiu muita simpatia pelo rapaz. teve de ensinar os mantras ao rapaz e disse: “Meu filho.” O santo disse: “Sou um homem de muito poucas posses. Ele tinha um gato de estimação. o gato nem ao menos desmaiou – o que dizer de morrer! O rapaz tornou-se motivo de riso em sua vizinhança. dizia a mim mesmo que não deveria pensar em um gato preto. Eu tenho este rosário por muitos anos. Ele exibiu a extraordinária habilidade de matar e reviver qualquer ser. Numa manhã. enquanto repetia palavras místicas.” “Eu nunca farei isso””. eu preferiria ganhar um outro presente. tudo que você fez foi pensar em um! Por isso os mantras não funcionaram. Porque se você o fizer. foi diretamente para a sua vizinhança. eu gostaria de dar-lhe um presente.” Mas o menino disse: “Se o Senhor não se importar. Você pode usa-lo nas suas preces diárias.yógicos. e o rapaz decidiu exibir seus poderes.” O santo perguntou: “Você seguiu meu conselho? Será que você não pensou em um gato preto enquanto repetia os mantras?” O rapaz disse: “Senhor. Enquanto eu repetia aquelas palavras. O que mais eu poderia te dar?” O rapaz disse: Por favor.” De acordo com o hinduísmo. Considere um florista.

. o trabalho feito sem apego ao resultado. É como se o seu apego àquelas rosas exóticas o tivesse imposto um tipo de escravidão. Portanto. “Estou indo numa viagem para a Europa por um mês. ele recebe uma ligação de um amigo que diz. Se o trabalho for feito para Deus. Cuidarei de todas as despesas e você não precisa se preocupar com qualquer coisa!” Mas o florista. mesmo que quisesse muito ir em tal viagem. ou a Yoga da ação correta. Entretanto. não pode faze-lo. o desejo de progredir espiritualmente. e conduz a iluminação espiritual. Mas de acordo com a Karma Yoga. desejar progresso espiritual não é considerado egoísmo. doces agravam a acidez. é um antídoto para o egoísmo. podemos argumentar que mesmo quando uma pessoa trabalha para Deus. Karma Yoga ensina o segredo de como manter a liberdade mesmo que se trabalhe o tempo todo. é o envolvimento egoísta e está sempre enraizado em expectativas egoístas. ele instantaneamente estaria livre dessa escravidão e poderia ir para onde quisesse. não é outra coisa es não trabalho não egoísta. Portanto. O santo Srī Rāmakrishna esclarece está idéia com a ajuda de uma analogia. embora egoísta. Apego. acaba por escravizar aquele que a praticou. O segredo está em trabalhar sem nenhum apego aos resultados do trabalho.estão prestes a abrir. e ficaria muito feliz se você viesse comigo. tal trabalho torna-se trabalho não egoísta. por isso um estudante da Karma Yoga é aconselhado a trabalhar pelo prazer de Deus. mas sim um egoísmo “iluminado”. e não para si mesmo. na verdade. A arte e a ciência de executar trabalhos não egoístas é a Karma Yoga. Uma ação praticada com apego ao resultado. Caso pudesse livrar-se de tal apego às rosas. Da mesma forma. e não é prejudicial. tal ação não pode ser verdadeiramente chamada de ação não egoísta. Ele diz que os aldeões analfabetos das áreas rurais de Bengala acreditam que doces são prejudiciais para pessoas sofrendo de acidez estomacal. O mesmo acontece com todas as ações que uma pessoa pratica. Eles acreditam que açúcar cândi – que é um tipo de doce – é um antídoto para acidez. De acordo com eles. Não é fácil trabalhar de forma não egoísta. o desejo do progredir espiritualmente é que motiva a sua ação.

não terá o progresso espiritual desejado. mas que seja doada em caridade para uma igreja. são diametralmente opostas – uma boa e uma má. Cada elo dessa corrente é criado pelo próprio karmaphala da pessoa. o soldado estava descansando na grama. a pessoa dona da conta. o trabalho em si. e não vai nascer novamente. A Karma Yoga também libera a pessoa da corrente de repetidos nascimentos e mortes. ela vai alcançar a liberação. Se uma pessoa aprende a trabalhar de tal maneira que os frutos das suas ações não voltem para ela.O trabalho feito para Deus. capacita uma pessoa a ter a visão de Deus. os frutos jamais viram para ela. Caso contrário. o médico não é considerado um criminoso por que ele teve a atitude de ajuda em relação ao paciente. Ele havia colocado a sua . uma pessoa que trabalha enquanto abre mão dos frutos de suas ações. mas instrui o banco para que a renda do investimento não seja creditada em sua conta. Similarmente. Em outras palavras. A pessoa que executa a ação deve também saber como trabalhar bem. Apenas uma mente assim. Ele deliberadamente quis ferir a sua vítima. Mesmo tendo morrido nas mãos do cirurgião. não quiser os frutos de suas ações. a continuidade de repetidos nascimentos e mortes vai ser quebrada. As conseqüências dessas ações externamente similares. Um soldado tinha um macaco de estimação. Resultando disso. Num outro caso. Manter meramente a atitude correta em relação ao trabalho não é o bastante na Karma Yoga. Nesse caso. não é nem bom nem ruim. e treinou esse macaco para que fizesse muitos truques inteligentes. Um cirurgião executa uma cirurgia num paciente e o paciente morre. à sombra de uma grande árvore. e a pessoa se libertará. Ele queria que o paciente tivesse se curado. novos elos não serão criados. O segredo para ganhar tal liberdade é trabalhar sem apego aos resultados do trabalho. A seguinte estória esclarecerá essa idéia. A atitude mental com a qual o trabalho é feito. um assassino que matou alguém é considerado um criminoso porque teve uma atitude prejudicial. Se a pessoa que executa as ações. determina se o trabalho é bom ou ruim. não está esperando que os frutos de seu investimento – a renda em juros – voltem para ela. Numa quente tarde de verão. transformando-a em uma mente livre da noção de que ela faz. De acordo com o hinduísmo. gradualmente purifica a mente da pessoa. vai quebrar o elo da corrente de repetidos nascimentos e mortes. É como uma pessoa que depositou um milhão de dólares num banco. que é a meta da Karma Yoga.

Por isso que os hindus descartam as imagens depois da adoração. quando notou que uma mosca pousava repetidamente no rosto do soldado. não receberá os completos benefícios da Karma Yoga. e quando através de tal adoração. O macaco estava sentado ao lado do soldado e vigiava atentamente o seu mestre. Da mesma maneira que a fotografia do pai de uma pessoa não é na verdade o pai da pessoa. Mas tal noção é absolutamente incorreta. A imagem. e quando a mosca novamente pousou no rosto do soldado. Através de tais símbolos tangíveis. a pessoa que tem a atitude correta em relação ao trabalho. Mas o seu método estava completamente errado. são as imagens menos caras. age como um elo entre Deus e o Seu adorador. Então já não existe a necessidade das imagens. As imagens feitas de materiais mais caros e duradouros são usadas repetidamente. mas não sabe como trabalhar corretamente. de barro ou madeira. XVI ADORAÇÃO A DEUS A ADORAÇÃO A DEUS ATRAVÉS DAS IMAGENS Na mente de muitas pessoas existe a noção de que os hindus são idólatras porque normalmente eles usam imagens para adorar a Deus. mas apenas um artifício para recordar-se dele.espada na grama. o adorador estabelece uma comunhão mental com Deus. nunca é considerada pelo hindu como sendo o próprio Deus. imergindo-as em lagos ou rios. uma imagem simbolizando algum dos poderes ou glórias de Deus. Apenas o ajuda a recordar-se de Deus. O macaco não gostou. Imagens não são nada além de “símbolos” do poder e da glória de Deus (Īshvara). que são descartadas depois da adoração. tais como barro. . assim também. queria ajudar o seu mestre. A mosca escapou e o soldado morreu! O macaco teve a atitude correta. que é um símbolo. ao seu lado. pedra. a adoração termina. As imagens são feitas de vários materiais. Normalmente. Similarmente. o hindu tenta estabelecer contato com o Īshvara intangível. ele desembainhou a espada do seu mestre e com um rápido e poderoso golpe tentou matar a mosca. assim perturbando o seu descanso. madeira e metal.

Durante o período védico. cada um deles simbolizando um diferente poder de Deus. apesar de que a vasta maioria de adoradores não tenham-na como algo fácil de ser feito. É pela mesma razão que às vezes os hindus colocam mais de uma cabeça nas imagens. para indicar que Deus tem poderes infinitos. frutas e outros alimentos que eles gostavam. mais de uma cabeça e também tem cores diferentes. Depois que a oferenda havia sido consumida pelo fogo. Ainda assim eles eram totalmente cientes de que Deus não precisa de nenhum alimento. cereais. o dissipador da escuridão. é a melhor forma de adoração no hinduísmo. Deus. têm muitos braços. Algumas das imagens usadas pelos hindus na adoração a Deus. aquilo que é mais querido ao amante. gergelim. o símbolo da pureza. outras cores podem simbolizar outros aspectos. ou até mil braços. Mas porque Deus está presente em todos os lugares. É da própria natureza do amor verdadeiro. pensasse que a adoração mental. As escrituras . * ilustração – A Mãe Divina . ou meditação. Alguns hindus ainda seguem a antiga tradição de adorar a Deus usando o fogo como um símbolo. Algumas imagens chegam a ter cem braços. o doador do calor. A cor azul. querer dar ao amado. sendo perfeito. ou meditação. Eles escolheram o fogo.Durgā A ADORAÇÃO RITUAL Como já foi mencionado anteriormente. manteiga clarificada. os indo-arianos usavam o fogo como o símbolo de Deus. eles tinham a satisfacao psicológica de que Deus havia aceito a sua oferenda. Para representar os vários poderes de Deus. onde símbolos externos e imagens não são usados. Entretanto. indica a insondável e infinita natureza de Deus. Durante as adorações. os arianos védicos costumavam oferecer a Deus. não deseja nada. tudo que existe no universo pode ser usado como um símbolo Seu. muitos braços são usados. e similarmente. como o símbolo de Deus. embora várias outras formas de adoração ritual tenham sido introduzidas mais tarde pelos sábios do período pós-védico. Eles também sabiam que não poderiam dar a Deus qualquer coisa que já não pertencesse a Ele. a forma mais elevada de adoração é a adoração mental.

apesar de que jejuar não seja obrigatório. Oferece também a comida e os outros presentes. Então ela purifica cada parte do seu próprio corpo. Por isso alguns adoradores jejuam até que terminem a sua adoração. ou Ārātrika. é capaz de apreciar e adorar a Deus. um leque e um pedaço de pano como símbolos dos cinco elementos que. a pessoa purifica cada item usado na adoração. que a água seja pura e sagrada. porque o que a pessoa pensa. Na adoração ritual exterior. Ao usar esses cinco elemento. água. Palavras sagradas associadas a Deus. o adorador tem a oportunidade de pensar constantemente em pureza e santidade. Todos os itens usados na adoração devem ser purificados em pensamento pelo adorador. De acordo com o hinduísmo. Para manter o corpo e a mente alertas durante a adoração. e através de repetidas adorações rituais. gradualmente santifica-se. As pessoas que não são capazes de jejuar. o adorador usa flores. constituem o universo inteiro. ela finalmente se torna. o adorador é aconselhado a não meditar com o estômago cheio. rezando a Deus que. ou meditação. afirmando que não pode oferecer a Deus qualquer coisa que já não pertença a Ele. a sua divindade inerente se manifeste para que assim ela se torne capaz de adorar a Deus.prescrevem a adoração ritual exterior para esses adoradores. O adorador também reza pelo bem estar de todas as criaturas no mundo. O adorador então oferece flores como um símbolo do seu amor e devoção. A adoração começa com a purificação. Durante a adoração. através da Sua graça. e tal oferenda chama-se Ārati. chamadas de mantras. assim como por sua própria iluminação espiritual. o adorador oferece o universo inteiro a Deus. podem comer algo leve. Depois disso a pessoa deve pensar na divindade presente dentro de si mesma. e por último presenteia a Deus com os símbolos dos cinco elementos. Através da adoração ritual. são repetidas pelo adorador juntamente com pensamentos de purificação tais como “Que as flores sejam puras e sagradas. eles gradualmente progridem espiritualmente e tornam-se prontos parra a adoração mental. O sacrifício animal na adoração ritual . tal como uma pequena quantidade de frutas e leite antes da adoração. luz (fogo).” Dessa maneira. de acordo com o hinduísmo. apenas uma pessoa que foi capaz de manifestar a sua divindade inerente. Diferentes tipos de comida e outros tipos de presentes também são oferecidos a Deus.

não importando o quão infreqüente. seja mentalmente ou ritualisticamente. Não apenas animais. assim purificando o alimento. Deveria ser claramente entendido que mesmo que às vezes aceite o sacrifício animal. algumas restrições foram impostas a matança arbitraria de animais para o consumo humano. é na verdade roubar as abelhas do fruto de seu trabalho. Por exemplo. ou divindade inerente do adorador. ser permitido no hinduísmo. a pessoa pode questionar como pode o sacrifício animal. Qualquer carne de animais que não tivesse sido oferecida a Deus era considerada não comestível. grãos tais como trigo e arroz tem vida neles. animais e vegetais. a Deus primeiro. Até mesmo o consumo do mel de abelha. ou natureza inferior do adorador. Comê-las é o mesmo que destruir a vida e cometer violência. um hindu deveria comer apenas alimentos santificados. uma cabaça ou qualquer outro tipo de fruto. que parece ser algo tão inocente. ou animalidade do adorador. Na antigüidade. esses frutos simbólicos podem ser sacrificados na presença de Deus. Dessa maneira. Até mesmo as escrituras do Tantra permitem outros símbolos. Ao invés de animais. É por essa razão que esperasse dos hindus que ofereçam o que quer que eles comam. Ao invés de matar os animais indiscriminadamente e comer a sua carne. representando a natureza inferior. O hinduísmo considera todas os alimentos impuros porque estão direta ou indiretamente ligadas a violência. é santificado por Deus. . para assim manifestar a natureza mais elevada. “Não cometa violência a ser algum”. De acordo com o hinduísmo. mas todas as formas de vida são sagradas para o hinduísmo. e o mesmo é verdade para outros tipos de comida. o sacrifício animal na presença de Deus era supostamente interpretado como matar a animalidade . o hinduísmo não encoraja-o. tais como uma abóbora. a maioria dos indo-arianos comia carne com certas restrições no que diz respeito a que animais eram mortos e comidos. Tendo em mente a importante instrução das escrituras. Além disso. que não encoraja a violência em relação a coisa alguma.Em algumas forma da adoração ritual hindu. e torna-se livre de todos os defeitos e impurezas. qualquer alimento oferecido a Deus com amor e devoção. considerava-se melhor sacrificar os animais como uma oferenda para Deus e só então comer a carne santificada. o sacrifício animal é às vezes permitido. Para o seu bem estar espiritual físico e espiritual. particularmente aquelas influenciadas pelas disciplinas do Tantra.

o Bahāg Bihu. No leste da Índia. particularmente em Bengala. o Deepāvali. ou Dewālī. o Ratha Yātrā. No Nepal. O pequeno numero de hindus que comem carne. particularmente no estado de Assam. o Durgā Pūjā e o Bhrātri Dvitīyā. XVII OS MANTRAS E OS SÍMBOLOS SAGRADOS .Na Índia de hoje. O Deepāvali. e o Sarasvatī Pūjā são os festivais mais importantes. Na região norte e central da Índia. Esse festival. e nem todos os mesmos festivais religiosos são observados em todas as partes da Índia. é também muito popular em toda a região norte e leste da Índia. A vasta maioria dos hindus são vegetarianos e não querem que animais sejam mortos. Os festivais menores são muito numerosos para serem mencionados. também conhecido como Bhāi Duj. ou Dia do Irmão. o Vaishākhī e os aniversários de vários santos são observados em diferentes partes da Índia. No sul da Índia. e o Mahāshivarātri são os principais festivais que são observados em toda a Índia. O Durgā Pūjā dura quatro dias. O Holi. OS FESTIVAIS RELIGIOSOS HINDUS No hinduísmo existem muitos festivais. O Ganesh Pūjā. seja qual for a razão. o Navarātri é observado como o principal festival. No nordeste da Índia. Além desses festivais. Cada pequeno condado na Índia tem os seus próprios festivais e celebrações menores. compram-na nos açougues como é feito no ocidente. alguns maiores e outros menores. o Kālī Pūjā. como o Deepāvali. O Deepāvali chama-se também “o festival das luzes”. o Chhat Parab. o sacrifício animal é muito raro. O Navarātri dura nove dias. presentes são trocados da mesma forma que se faz durante o Natal nos países ocidentais. Durante alguns dos principais festivais. o Navarātri. ou Dol Pūrnimā é um outro importante festival observado em todo o norte e leste da Índia durante o advento da primavera. ou Ganesh Chaturthī é o principal festival no oeste da Índia. o Rakshā Bandhan. o Janmāshtamī. o Rām Navamī. Navarātri e o Pongal são os festivais importantes. um dos principais festivais hindus é o Bhrātri Dvitīyā. Kāti Bihu e o Māgh Bihu são os principais festivais. o Durgā Pūjā.

torna-a sagrada e espiritualmente benéfica. “Você não acredita no poder das palavras. o santo disse. “O que? Você não acredita no poder dos mantras?” exclamou o santo. Com isso. o tipo de câncer que você tem. um mantra não é como qualquer palavra. Naquele momento.” Como mágica. pode ser completamente curado. o paciente foi visitar o melhor especialista em câncer na cidade. não posso acreditar na eficácia de mantras. O seguinte caso hipotético pode explicar o porque. “Você é maior tolo que já vi em toda a minha vida!” Porque o santo havia chamado-o de tolo na presença de todos ali. dá a má notícia a sua esposa. os aspirantes espirituais querem receber mantras de santos. A sua associação com Deus. e ao retornar para casa.INTRODUÇÃO Durante um discurso religioso. a pessoa pode se tornar espiritualmente iluminada. Ao repetir um mantra com amor e devoção. mas veja o poder da palavra „tolo‟ – e que forte efeito teve em você! E ainda assim você nega o poder dos mantras?” No hinduísmo. Um mantra é apenas uma palavra. Tais mantras são considerados muito mais efetivos do que mantras tirados de um livro. a sua esposa diz a ele. “Você tem sorte de fato. O especialista examinou-o cuidadosamente e disse. a pessoa é salva (do perigo ou da escravidão do mundo). Como pode uma palavra ter o poder de purificar a mente de alguém e dar-lhe a visão de Deus?”. é especial. alguém se levantou e disse. um santo hindu disse às pessoas ali reunidas que uma pessoa que repete um mantra (o nome santo de Deus) regularmente por muitos anos. . Apontando tal reação. desenvolve uma mente pura que a capacita a ver Deus.” Na Índia. Suponhamos que um paciente tenha ido a um médico para um exame e o médico detecta algo maléfico no corpo do paciente. O seu rosto ficou vermelho e ele começou a tremer. “Senhor. É bom que o seu câncer tenha sido detectado tão cedo. o paciente fica muito nervoso e chateado. instantaneamente aliviaram a ansiedade do paciente. O significado da palavra mantra deriva de “algo que quando reflete-se à respeito. Ao vê-lo extremamente chateado. as palavras do especialista. as suas palavras não puderam aliviar a preocupação e a ansiedade de seu marido. o homem sentiu-se extremamente humilhado.” Entretanto. não fique chateado. suprimindo a sua raiva. você será curado. Alguns dias mais tarde. “Querido.

De acordo com ainda outra interpretação. Cada uma das três letras. a palavra monossilábica palavra OM. Tal mantra chama-se siddha mantra. . O SÍMBOLO SAGRADO OM Entre os mantras sagrados. Um mantra escolhido por um estudante em um livro. o especialista e a esposa do paciente disseram que ele seria curado. as três letras formando AUM. o preservador e o destruidor deste universo. Essa sílaba sagrada. tornam as suas palavras mais convincentes e efetivas. tem a experiência de toda uma vida espiritual por trás do mantra. e o “U” e o “M” são produzidos pelos lábios. podendo todas as palavras produzidas pelo órgão vocal humano serem representadas por ele. sendo onipresente. U e M. pode sem dúvida ajudar. AUM é um símbolo de todas as palavras que o órgão vocal pode produzir. ou AUM é um nome adequado para Deus. O seu treinamento médico e anos de experiência no tratamento de câncer. O “A” é produzido pela garganta. que significa Deus. o “A” representa a criação. Assim. De acordo com uma interpretação. e sendo assim. Martya (a terra) e Pātāla (o mundo inferior). tudo que existe neste universo pode ser representado por palavras. ou dissolução. um mantra dado por um mestre espiritualmente iluminada. é a mais antiga e sem dúvida a mais importante. Deus. o AUM simboliza Deus. um mantra que já ajudou alguém a alcançar a realização de Deus. O órgão vocal humano começa na garganta e termina nos lábios. Além do mais. e AUM é considerado um símbolo de Deus. são indicadoras dos três lokas (planos de existencia) deste universo – densos e sutis – Svarga (o paraíso). se dado por um mestre a um estudante. ou palavras sagradas do hinduísmo.Ambos. A. adquire uma grande potência espiritual. tem sido freqüentemente mencionada nos Vedas e em outras escrituras do hinduísmo. Além do mais. A sílaba OM pode também ser soletrada como AUM. o OM. Como Deus no hinduísmo é o criador. e todas as palavras são produzidas pelo órgão vocal. Ela também é chamada de Pranava. todo o universo pode ser representado por AUM. Da mesma forma. permeia todos esses três lokas. mas não será tão eficiente quanto um mantra obtido de um mestre iluminado. é mais efetivo do que os outros. o “U” representa a preservação e o “M” representa a destruição. O AUM é também um símbolo sônico e audível de Deus. Porque o universo inteiro é coberto pela presença de Deus. mas as palavras do especialista são muito mais efetivas quando ditas. tem um significado especial. Um siddha mantra.

podendo assim ser usado por hindus de todos as seitas e denominações. a deidade aceita a oferenda imediatamente. Por isso o seu outro nome. Todos os mantras védicos tem uma métrica. Esse é um dos mais importantes mantras nas escrituras hindus e encontra-se no Rig-Veda. dotada de uma grande potência espiritual. tem dois importantes ingredientes: (1) vīja (semente) e (2) shakti (poder). Podem existir muitos vīja mantras. OS MANTRAS E OS YANTRAS NA DISCIPLINA DO TANTRA Os mantras são muito importantes na disciplina tântrica. adequados a diferentes deidades. Esse mantra é recitado diariamente pelos hindus das três castas superiores. Cada mantra védico é dirigido a uma deidade. . e o plano celestial (Svarloka). e o mantra sāvitrī tem a métrica Gāyatrī. entre outras coisas. a repetição de tal mantra. e é também chamada de vīja mantra. Gāyatrī mantra. Esse mantra tem o formato de prece: “Aum. ou a estrela de Davi no judaísmo. Dessa forma. Que aquele Ser Supremo estimule a nossa inteligência para que possamos realizar a Suprema Verdade”. uma vez que tenham sido investidos com o cordão sagrado (Upavīta). aumenta a possibilidade de se ter a visão de Deus. Acreditasse também que quando uma oferenda é feita a uma deidade. Como a cruz no cristianismo. Todos os mantras da tradição tântrica começam com um vīja mantra. A vīja é uma palavra monossilábica. a imagem pictórica do AUM é usada como um símbolo do hinduísmo. * ilustração – Om ou Aum O MANTRA GĀYATRĪ O mantra Gāyatrī é também conhecida como Sāvitrī mantra.O AUM é um símbolo tanto impessoal quanto sem denominação. pois o sistema tântrico diz que um mantra acompanhado por uma vīja contém uma grande potência espiritual. e também está associado com o nome do sábio a quem o mantra foi primeiramente revelado. o plano etéreo sutil (Bhuvarloka). meditamos na efulgência daquele adorável Ser Divino. enquanto se repete um mantra assim. que é a fonte e o projetor dos três mundos – o plano terreno (Bhūrloka). Qualquer mantra da tradição tântrica.

Os yantras são diagramas místicos e sagrados, associados aos rituais de adoração do Tantra. Alguns yantras são usados como símbolos de Deus na adoração tântrica.

* ilustração – O yantra da Mãe Divina

XVIII

OS TEMPLOS

INTRODUÇÃO

Durante o período védico, os hindus adoravam a Deus usando o fogo como o Seu símbolo. Sob o céu aberto, eles construíam uma plataforma e acendiam o fogo sagrado ali, onde ofereciam as oblações. Eles não precisavam de templos para as suas adorações.

Os eruditos não tem muita certeza de quando os indo-arianos começaram a usar templos, e é muito provável que o primeiro templo tenha sido feto de barro ou madeira. Por razoes óbvias, os templos feitos desses materiais não duravam muito tempo. Mais tarde, materiais mais duráveis, tais como tijolos e pedras foram usados na construção dos templos. Ao estudar os antigos templos, os eruditos concluíram que alguns deles foram construídos provavelmente por volta do século primeiro A.D., se não antes.

A LOCALIZAÇÃO DOS TEMPLOS

Os templos hindus são geralmente construídos em lugares de grande beleza cênica: a margem de rios, nas montanhas, na beira de lagos ou próximos ao mar. Existem também belos templos em cavernas, esculpidos em encostas.

A ARQUITETURA DOS TEMPLOS

A arquitetura dos templos hindus é variada, embora tenham em comum: (1) uma cúpula, ou um campanário, (2) uma câmara interior onde a imagem da deidade é colocada, (3) um salão onde as pessoas podem se sentar, (4) um pórtico e (5) um reservatório de água doce feito pelo homem, na área do templo, caso esse não esteja próximo a uma fonte de água tal como um rio ou lago. A água doce é necessária para manter limpo o chão do templo e também para os rituais. O reservatório também é usado pelos devotos para um banho de purificação antes de entrar no templo.

* ilustração – Templo de Khājurāho

O campanário, ou cúpula, se chama shikhara, ou cume. O shikhara é uma representação da montanha mitológica Meru, tida como a mais alta de todas as montanhas. A câmara interior do templo chama-se garbhagriha, que literalmente significa “câmara uterina”. Essa câmara se parece com uma caverna. O salão para as pessoas chama-se nāta-mandira, que significa, o salão para as danças templárias. No passado, dançarinas chamadas de devadāsīs (as criadas de Deus) costumavam dançar danças rituais para o entretenimento da deidade.

O shikhara, que é o ponto mais alto do templo, simboliza o desejo do adorador de ascender ao mais alto pico da experiência espiritual. A câmara uterina representa a caverna, ou santuário do coração do adorador, onde Deus deve se manifestar através da adoração.

Geralmente, apenas os sacerdotes do templo tem permissão de entrar no garbhagriha, enquanto os devotos sentam-se no salão, lendo as escrituras, repetindo o nome santo de Deus, meditando, ou simplesmente observando os sacerdotes executando as adorações rituais. O garbha-griha normalmente não tem nenhuma janela, ao invés, tem uma larga porta frontal que quando aberta, permite que os devotos sentados no nāta-mandira observem a adoração ritual sendo feita no garbha-griha. No entanto, em alguns templos, o salão para os devotos é uma construção separada do garbhagriha. Tanto o salão quanto o garbha-griha geralmente tem diferentes imagens de deidades nos vãos nas paredes. Alguns templos tem uma passarela contornando as paredes do garbha-griha para a deambulação dos devotos. A deambulação é tradicionalmente feita em torno da deidade no sentido horário, e é uma demonstração de respeito e honra para com a deidade. No pórtico de alguns templos, um grande sino metálico fica pendurado a partir do teto, e os devotos geralmente o fazem soar uma ou duas vezes enquanto entram ou saem do templo.

* ilustração – Templo no estilo Vimāna

Nota-se uma grande variedade na arquitetura dos templos hindus. Alguns templos são retangulares, alguns são octogonais, alguns são semicirculares e outros tem tamanhos e formatos diferentes. O formato das cúpulas também pode variar. No sul da Índia usasse o estilo vimāna para as cúpulas, e no norte da Índia elas tem geralmente o estilo nagara. Nos templos do sul da Índia, as paredes de seus complexos são retangulares ou quadradas, com portais altos e ornamentados, no formato de pagodes. Tais portais são chamados de gopurams.

* ilustração – Templo no estilo Nagara

OS SACERDOTES E OS SEUS DEVERES

Os sacerdotes dos templos hindus são trabalhadores assalariados, contratados pelas autoridades do templo para executar as adorações rituais. Não devemos confundi-los com os swāmīs (sannyāsins que renunciaram a tudo), que não trabalham por dinheiro. Os sacerdotes são homens de família, especialistas em adoração ritual. Tradicionalmente eles vem de famílias brahmins, ou casta sacerdotal, embora recentemente, no sul da Índia, as adorações tenham sido executadas por sacerdotes pertencentes a outras castas que a brâmane.

Alguns dos templos na Índia pertencem a certas famílias, embora o público tenha acesso a eles. Outros templos pertencem a organizações não lucrativas, ou entidades religiosas, como são conhecidas na Índia. São os curadores dessas organizações não lucrativas que administram os templos.

O dever dos sacerdotes é o de executar as adorações rituais em nome dos curadores ou dos donos do templo. As adorações começam ao amanhecer e continuam por todo o dia até nove ou dez horas da noite. Durante a adoração, o sacerdote oferece vários serviços a Deus, da mesma forma que faria a alguém altamente amado ou adorado, e porque a mente humana não consegue pensar em outros termos que não o humano, Deus é então visto como uma pessoa – não importando o quão glorificada – assim oferecendo comida, bebida, flores, perfumes etc. O sacerdote é totalmente consciente de que Deus não precisa de nenhuma dessas coisas, porque Ele não precisa de qualquer coisa. Não obstante, ele as oferece a Deus, demonstrando assim o amor e a adoração de seu patrão. Os devotos, que não

Os hindus geralmente vão aos seus templos durante os festivais religiosos. A comida consagrada. do qual a água é considerada muito sagrada e fica guardada dentro do templo. * ilustração – Um Gopuram ou portal do templo XIX AS TRÊS GUNAS A PRAKRITI OU MÃE NATUREZA É COMPOSTA DAS TRES GUNAS . O PAPEL DOS TEMPLOS NA SOCIEDADE HINDU A visita a templos não é obrigatória para os hindus. diariamente banhar a deidade num banho ritual. charanāmrita. Eles não são centros de atividades sociais. Embora com freqüência organizem kīrtanas (cantorias devocionais) e palestras religiosas para o público. não importando a quão pequeno. Todo lar hindu normalmente tem um templo. e por isso. tendo apenas atividades religiosas. nem donos do templo. é então distribuída pelo sacerdote – dependendo da orientação das autoridades do templo – para os devotos. Nesses casos. e os templos hindus não tem tanto apelo para os hindus como as igrejas cristas e as sinagogas judaicas têm para os seus membros. normalmente conduzidos em igrejas. Alguns templos vendem a comida consagrada para os devotos que não trouxeram nenhuma comida para ser ofertada a deidade. chamada de prasāda. Casamentos e serviços funerários . os sacerdotes recebem as oferendas dos devotos e oferecemnas a Deus em seus nomes. não acontecem em templos hindus.são nem curadores. para a sua purificação mental e física. Ela é bebida em pequenas quantidades pelos devotos. às vezes os devotos vão aos templos especialmente por essa comida. Comer a prasāda é considerado espiritualmente benéfico. É também parte da tradição. monges e monjas errantes. onde preces são diariamente oferecidas. ou em sânscrito. Essa água é chamada de mahāsnāna-jala. também podem trazer oferendas para a deidade. e para os pobres. em um recipiente metálico.

ou no paraíso. então sattva. chama-se purusha na filosofia sānkhya. tornarem-se através do processo evolutivo. Existindo uma harmonia perfeita entre elas. E porque prakriti é formada pelas três gunas. Quando elas começam a se sobrepor e se misturar. Alguns físicos também tem a opinião . Prakriti é composta de três substâncias extremamente sutis e intangíveis chamadas de sattva. rajo-guna e tamo-guna. esse mundo grosseiro e tangível. o domínio espiritual do mundo. essas três substâncias que constituem prakriti são os três cordões que se entrelaçam. “Não existe nenhuma entidade neste mundo. o mundo tem duas partes: espírito e matéria. Se prakriti for comparada a uma corda. o estado de harmonia é perdido e a criação começa. que fluem sem sobrepor-se umas as outras. Um cordão. Por isso. rajas e tamas. O Bhagavad Gītā diz (18/40). sattva. essas três substancias chamam-se sattva-guna. A parte material do mundo tem a sua origem em Prakriti. Alguém pode se perguntar como podem essas três gunas que são extremamente sutis. Guna geralmente significa qualidade. de onde este mundo evoluiu. mas tem um significado ainda mais técnico no contexto da filosofia hindu. onde vivem os devas com corpos brilhantes. AS GUNAS CONSTITUEM O UNIVERSO Antes da criação do mundo. Esse outro significado tem a sua origem na escola filosófica Sānkhya. rajas e tamas permanecem num estado de equilíbrio perfeito. ou um fio. cada uma delas infinita e perfeita. Tal entidade chama-se purusha. em sânscrito chama-se guna. que diz que algo tão sutil quanto energia pode se transformar em matéria sólida. Tudo que existe neste mundo na forma de matéria. que podem estar livres das três gunas nascidas de Prakriti”. rajas e tamas são como três correntes fluindo lado a lado. contém inumeráveis entidades sentientes. Essa possibilidade é apoiada pela física atual. No entanto. De acordo com essa escola. energia ou mente. tudo neste mundo é também formado por elas. e existem tantos purushas quanto existem seres no universo. ou a Mãe Natureza. Seguindo um processo evolutivo. prakriti gradualmente torna-se este universo multifacetado. O que chamamos de “alma”. não é nada mais do que uma forma evoluída de prakriti. Se compararmos o estado da pré-criação de prakriti com um rio.O conceito das gunas tem um papel muito importante no hinduísmo.

o contentamento. como os elétrons e os neutrons são relativamente grosseiros. A EXISTENCIA DAS GUNAS PODE SER CONHECIDA APENAS INDIRETAMENTE Essas intangíveis gunas são tão sutis e refinadas que se comparados a elas. Cada guna tem as suas próprias qualidades distintivas. ou da felicidade. Da mesma forma. até mesmo os photons. são também características da rajo-guna. mas ainda assim sabemos de sua presença ao ver a sua manifestação em materiais elétricos.de que os blocos primários da construção deste universo são muito provavelmente três tipos de quarks extremamente sutis. ou iluminada. e tem a natureza do prazer. A sua existencia não pode ser percebida diretamente por causa de sua extrema sutileza. AS CARACTERÍSTICAS DAS GUNAS A guna sattva é leve e brilhante. a presença das gunas pode ser inferida. a raiva. podemos indiretamente saber da presença das gunas ao ver as suas varias manifestações. Ao ver essas características. a satisfação. devemos saber que isso é devido a presença de sattva. ou de qualquer coisa parecida. É também da natureza da dor e do sofrimento. são todas devido a presença da guna sattva nelas. se vemos a alegria. o egoísmo. Similarmente. movimento ou inquietação. a leveza de uma rolha. pode ser explicada em termos da presença da guna sattva. Neste mundo. A guna rajas causa a atividade. deveríamos saber que é devido a rajo-guna. a vaidade e o desejo de dominar os outros. ou características. a felicidade ou a bem-aventurança numa mente. Da mesma forma que não podemos ver a eletricidade. que se manifestam através dos objetos no mundo. de acordo com a filosofia sānkhya. A avareza. a habilidade da mente e dos sentidos de conhecer as coisas. a transparência do vidro e dos cristais. ou partículas subatômicas. As gunas são mais refinadas e sutis do que qualquer coisa que conhecemos neste mundo. onde quer que vejamos atividade. . A luminosidade da luz. tudo neste mundo é composto por essas três gunas. e ainda assim. é a causa de todos os tipos de experiências dolorosas. o desejo ardente. o poder de refletir do espelho. Tem também a habilidade de revelar e tornar as coisas conhecidas. o movimento e a inquietação. assim também.

a preguiça. A chama de uma vela existe através da cooperação do pavio. a modéstia. da depressão mental e da ignorância. a gentileza. a veracidade. Depois da dissolução do mundo. “Qual a utilidade de manter este homem vivo? Vamos mata-lo. Induz a moleza e ao sono. As gunas tem uma característica em comum: Elas estão em perpétuo conflito entre si. e a chama deixaria de existir sem tal cooperação. “Não faz sentido mata-lo desnecessariamente. através da cooperação das três gunas.As características da tamo-guna são a inércia. vamos amarrar . com nenhuma delas clamando por preponderância. Alguém dotado da predominância da guna sattva adquire uma natureza divina e é abençoado com a visão de Deus. e é direta e objetiva em todos os momentos.” Ao dizer isso. A seguinte parábola de Srī Rāmakrishna expressa essas idéias de uma forma muito bonita. tem uma mente pura. a fortaleza. do hábito do aviltamento. o ladrão estava prestes a matar o homem com a sua espada. ele caiu nas mãos de três ladrões que roubaram todo o seu dinheiro. a passividade. da cera e do fogo. e a guna tamas causa o pensamento confuso e a violência sem sentido. tem um estável conhecimento de sua natureza divina. Um dia. A VISÃO DE DEUS É POSSIVEL COM A AJUDA DE SATTVA-GUNA A preponderância da guna sattva conduz ao crescimento espiritual da pessoa. tem controle sobre os seus órgãos externos. Então um dos ladrões disse. cada uma tentando subjugar a outra e tornar-se predominante. a renuncia dos prazeres sensórios. da malícia e da arrogância são as outras qualidades de uma pessoa dotada da preponderância da guna sattva. o vigor. tem resistência física e mental. a guna rajas causa a escravidão através do apego as ações. Não causar injuria. É da mesma forma que o mundo existe. o perdão. Antes da criação as gunas encontram-se num estado de perfeito equilíbrio. da inquietação. A guna sattva concede a liberação espiritual. o peso e a negatividade. quando um homem rico estava passando através de uma floresta. quando o segundo ladrão disse. uma pessoa assim é destemida. Ao mesmo tempo elas cooperam entre si. De acordo com o Bhagavad Gītā. da cobiça. Ela resiste ao movimento e a atividade. É também a causa da confusão. a ausência da raiva. elas recobram o seu estado original de equilíbrio. gosta de estudar as escrituras. tornando a mente incapaz de conhecer as coisas com clareza ao torna-la preguiçosa. a bondade para com as criaturas. que novamente se perde quando o próximo ciclo de existencia começa.

está além da matéria. Deus. eu vou te soltar. ou das três gunas. Ir até a casa do homem rico é como alcançar a Deus. o terceiro ladrão retornou e disse ao homem. o ladrão disse. É apenas sattva-guna que mostra o caminho para Deus e causa a liberação da escravidão do mundo. o aspirante espiritual tem de transcender as três gunas. AS ALMAS LIBERADAS VÃO ALÉM DAS TRES GUNAS Para alcançar a liberação espiritual.” Assim. “Não é possível para mim ir até lá. Srī Krishna. Enquanto se aproximavam da estrada. A guna tamas cria o pensamento confuso e a violência desnecessária. diz a seu discípulo Arjuna: “Vá além das três gunas. No Bhagavad Gītā. Depois de um tempo.seus pés e mãos e deixa-lo aqui. Isso explica o porque do terceiro ladrão não poder ir até a casa do homem rico. e se eu for até lá a polícia vai me prender.” Em outras palavras. sendo espírito. A sattva-guna pode direcionar a pessoa até Deus. O terceiro ladrão representa a guna sattva. Assim ele não será capaz de chamar a polícia. XX A CRIAÇÃO INTRODUÇÃO . O primeiro ladrão que queria matar o homem rico era o tamo-guna. os ladrões amarraram o homem com uma corda e foram embora deixando-o ali. A rajo-guna faz a pessoa se esquecer de Deus.” O homem rico sentiu-se muito agradecido e convidou o ladrão para acompanha-lo até a sua casa. Há uma delegacia na sua aldeia. uma encarnação divina.” Ele então libertou o homem e o levou para fora da floresta. “Desculpenos por toda essa dificuldade. ela vai leva-lo até a sua aldeia. que prende o homem ao mundo e o envolve em suas inúmeras atividades. “Siga esta estrada. o ladrão foi embora. O ladrão então disse. mas ela mesma não pode ir até lá.” Ao dizer isso. O segundo ladrão é a guna rajas. vá além da matéria e manifeste o seu espírito divino.

o tumor gradualmente encolhe e desaparece completamente. por isso a criação. e o seu desaparecimento. ou o estado não manifesto do mundo. O mundo após a manifestação. simbolicamente representam um kalpa. Vaisheshika. “Eu devo ser muitos. Depois de se recolher. No hinduísmo. O mundo evoluído existe por um determinado período de tempo. Vaisheshika e Vedānta. Que Eu numerosamente manifeste o Meu Ser. ou līlā. e o tumor simboliza o mundo. e como se ecoasse a voz de Deus. Um exame de raio X mostra que um tumor benigno está se formando dentro de seu estômago. Acreditasse que cada kalpa é idêntico aos outros kalpas que o precederam e que o sucederam. e o seu retorno para Deus. As varias escolas da filosofia religiosa hindu. Yoga. ou estado-semente. Nessa analogia em particular. mas se Deus não tem nenhum desejo. Desse ponto de vista. formam um kalpa. Vedānta e outras. até que finalmente retorna para o lugar de onde veio. Todas as ações são motivadas por um sentimento de querer. ou não manifesto. Sānkhya. o tumor aparece dentro do corpo do homem. porque ele cria? Um texto de uma escritura. O seu desejo de criar o mundo não foi gerado por nenhum “real” sentimento de querer. mesmo sendo a única realidade. a sua existência temporária. até que Deus decide trazer de volta o mundo para Si próprio. a criação é apenas um “jogo”. Da mesma forma que depois de projetar-se a partir de Deus. queria “se tornar” este universo multifacetado. têm diferentes teorias a respeito da criação. e esse tumor cresce mais e mais até que se torna tão grande quanto um ovo de galinha. permanece dentro de Deus e passa por um processo de evolução. ou criação. De acordo com o hinduísmo. o homem representa Deus. Nyāya. Uma analogia vai esclarecer esta idéia. . Então. Suponhamos que um homem vá ao seu médico para o seu checkup anual. tais como Sānkhya. e é por isso que entendesse a criação como algo sem fim e sem começo. permanecendo assim por um certo tempo. sem nenhum tratamento. o mundo retorna ao seu estado-semente. começa a evoluir e crescer dentro dele. ou desejo. O mundo se manifesta quando Deus projeta o mundo a partir de si mesmo. A projeção do mundo. ou um ciclo. ou kalpas. o mundo evolui dentro Dele e eventualmente retorna para Ele. nos diz. em outras palavras. algumas questões tem sido levantadas a respeito do motivo de Deus para a criação. porque deveria Ele agir? Ou. o mundo inteiro permanece num estado potencial. nos dá uma resposta um tanto quanto poética para esta pergunta.O hinduísmo apresenta mais de uma teoria a respeito da criação deste mundo. que dura bilhões de anos. ou ciclo. e tem o conceito de uma série infinita de sucessivas criações e dissoluções do mundo. em Deus. consideram a criação algo sem começo e sem fim. Antes da criação. o seu crescimento gradual e continuação. existe uma série infinita de tais ciclos.” Isso significa que Deus. Mīmāmsā. A aparência do tumor. Isso se chama avyakta.

Objeções tem sido levantadas por outras escolas a respeito do conceito da sānkhya de muitos purushas. o nascimento ou a morte de um ser consciente. é a matéria primordial inconsciente. ou sentiência pura. pode aparentar ser uma cobra. é imutável. Purusha é consciência pura. nele a matéria é totalmente ausente. Por exemplo. não importando o quão sutil. a idéia de muitos purushas ocupando o mesmo espaço não pode ser aceita. é aceita lado a lado no hinduísmo com outras escolas de filosofia que acreditam na existência de Deus. se purusha é onipresente. pode ser de interesse para os leitores. Outras escolas dizem que Deus apenas aparenta ter se tornado esta mundo. não tem a sua causa em prakriti. enquanto religião. Deveríamos lembrar aqui que purusha. ou até mesmo mente. na verdade Ele não se tornou este mundo. É o espírito puro. e apesar de não ter causa. e como tal. A psicologia hindu afirma muito claramente que a mente. possui a habilidade única de acomodar idéias teístas e ateístas. a escola sānkhya de filosofia hindu. sendo espírito puro. podem ocupar o mesmo espaço sem nenhum conflito. Não tem causa. devem haver muitos purushas. Existem inúmeros purushas. Prakriti. O hinduísmo. Esse não sendo o caso. Deus realmente se tornou este universo multifacetado da mesma forma que o leite se torna iogurte. algumas escolas de filosofia hindu dizem que sim. não é outra coisa que substância material. seria também a causa do nascimento e da morte de todos os outros seres conscientes.Será que Deus realmente se tornou o mundo? Para responder a esta pergunta. a partir de diferentes velas. embora ateísta. que é ateísta. eterno e onipresente. e é da mesma forma que Deus aparentemente torna-se este mundo. uma corda num lugar escuro. mas na verdade Ele não se transformou no mundo. De acordo com elas. A resposta da sānkhya para tal objeção é a de que os purushas não tem dificuldade em coexistir. Esse sistema reconhece dois tipos de verdades últimas: (1) purusha e (2) prakriti. Para aquele que olha. da mesma forma que as luzes. A escola sānkhya também argumenta a favor da pluralidade de purushas ao apontar que se existisse apenas um purusha. A maneira através da qual o sistema sānkhya explica a ausência de um Deus criador. . seja matéria. energia. o oposto de purusha. é a causa de tudo neste universo. É também inteiramente passivo. A teoria sānkhya da criação O sistema sānkhya é o mais antigo de todas as escolas de filosofia hindu. Existem tantos purushas quanto existem seres conscientes. O sistema sānkhya. pode ajudar as pessoas a alcançarem a liberação espiritual.

assim tornando-se este universo multifacetado. torna-se o mundo através do processo de evolução.De acordo com a escola sānkhya. chamadas de sattva. (4) ap – o elemento água. (2) o ego no qual a substância rajas é predominante e (3) o ego com a preponderância de tamas. A criação de acordo com a escola de filosofia Vedānta A escola não-dualista de filosofia Vedānta. Em outras palavras. ou o intelecto cósmico. Do terceiro surgem as cinco essências físicas sutis. mas não o mágico. Existem três tipos de ego cósmico: (1) o ego no qual a substância sattva é predominante. prakriti é composta por três substâncias extremamente sutis. Ahankāra. este mundo multifacetado. é o segundo produto de prakriti. ou o ego cósmico. embora sustente a visão de que o mundo é apenas uma transformação aparente de Deus. rajas e tamas. porque ele não está sob o efeito do seu próprio . * diagrama – O processo da criação (Escola Sānkhya) O primeiro produto da evolução de prakriti é Mahat. e (5) kshiti ou prithivī – o elemento terra. Toda a platéia verá aquela macieira. A escola de filosofia Vedānta usa uma analogia para explicar de que maneira Deus criou este mundo. O processo da criação começa quando prakriti empresta consciência do purusha e começa a agir como uma entidade consciente. (3) agni – o elemento fogo. ou mahābhūtas: (1) ākāsha – o elemento espaço. Esses elementos se misturam em proporções diferentes. ele cria uma macieira no palco. aceita Deus como sendo o criador deste mundo. Suponhamos que um mágico tenha hipnotizado a platéia. O primeiro sinal de atividade consciente de prakriti é visto na sua tendência de transformar-se. Do primeiro surgem os cinco órgãos dos sentidos. tendo como resultado final. a matéria primordial. ou tanmātras. os cinco órgãos motores e a mente. O segundo – no qual rajas é predominante – provê a energia através da qual o primeiro e o terceiro evoluem. seguindo algumas regras de permutação e combinação. prakriti. os cinco elementos físicos densos. (2) vāyu – o elemento ar. A partir dos tanmātras. Através de sugestão hipnótica.

através do poder do pensamento. Deus (Īshvara). O que existia então? Onde? Aos cuidados de quem? Será que era água? ou um insondável abismo? Ali não existia nem o mortal. . A partir do nosso ponto de vista. Não existia atmosfera. na verdade Ele não criou o mundo. envolto num vácuo. No início. nem o imortal.poder hipnótico. mas não é real para Deus. O hino à criação no Rig-Veda. também parece ser real. embora para nós que estamos sob o efeito da māyā. os sábios descobriram que esse desejo era a ligação. nada mais existia. escondida pela escuridão: Tudo isso era um mar indistinto. não era nem o não-existente. Depois de buscar com sabedoria no coração. somente Aquilo respirava. sobre Aquilo. À parte d‟Aquilo. nem os céus que estão além. O germe de todas as coisas. criou este mundo. A partir do Seu ponto de vista. Este mundo é real para aqueles que estão sob a magia da māyā de Deus. usando o seu poder mágico. Não existia distinção entre a noite e o dia. Similarmente. o primeiro fruto daquele pensamento. apenas Aquilo nasceu. No início era a escuridão. Deus. ou māyā. o mundo parece ser real. nasceu o desejo. Através de um poder inerente. o Criador. entre o existente e o não-existente. belamente expressa essa idéia: Então. nem o existente.

seguindo exatamente a ordem do kalpa anterior. e para algo que não foi realmente criado. o mundo é real. Portanto. através de seu pensamento.Alinha de visão deles estendeu-se diretamente: Aquilo estava abaixo? Aquilo estava acima? Haviam semeadores. se foi feito ou não – Aquele que vê tudo a partir dos céus mais elevados. a questão de conhecer a sua existência não surge. Do ponto de vista deles. o restante do mundo. vontade e ação. Quem então sabe quando isso começou a ser? Este mundo – quando passou a ser. nenhum mundo foi realmente criado. isso não contradiz a onisciência de Īshvara. haviam poderes: Abaixo. talvez isso signifique que a partir de Seu ponto de vista. . Deus criou o primeiro ser. quem sabe? Quem aqui vai declarar quando surgiu este mundo? Os deuses são subsequentes a criação deste mundo. Através da meditação. Ele é onisciente. Afinal. Hiranyagarbha é dotado de quase todos os poderes divinos. o impulso. e deve saber se o mundo foi criado ou não. Ele tem infinitos poderes de conhecimento. Hiranyagarbha sabe de tudo a respeito do kalpa. do ponto de vista dos mortais que estão sob o feitiço de māyā (o poder de Deus de criar ilusão). e cria então. Mesmo que seja uma criação de Deus. Se Ele não souber. a energia potencial. acima. algumas dúvidas são levantadas no que diz respeito a real criação do mundo. e deve ter uma causa e um criador. “Aquele que vê tudo a partir dos céus mais elevados” não é outro que não Īshvara. Hiranyagarbha. ou o Deus Criador. ou ciclo anterior. com certeza sabe – ou talvez nem Ele saiba! Na última estrofe do hino no Rig-Veda. com um mero pensamento. Não obstante.

e o seu corpo denso e todos os objetos densos da natureza surgem da mistura dos cinco elementos densos. Então. e prithivī. o elemento fogo. * diagrama – A evolução dos elementos densos a partir dos elementos sutis (Escola Vedānta) PRALAYA OU A DISSOLUÇÃO DO MUNDO .bhūtas. produzem o elemento água “denso”. O equivalente em sânscrito para as palavras cinco e sutil são respectivamente pancha e sūkshma. . As formulas de tais combinações é apresentada aqui: . em sânscrito. ap. produzem o elemento terra “denso”. Por isso. o elemento água. agni. ou o elemento espaço é criado. O processo de mistura desses cinco elementos sutis. . produzem o elemento ar “denso”. . ½ fogo sutil + 1/8 espaço sutil + 1/8 ar sutil + 1/8 água sutil + 1/8 terra sutil. e esses cinco elementos manifestados chamam-se bhūtas. O corpo sutil do homem é composto dos cinco elementos sutis. ½ terra sutil + 1/8 espaço sutil + 1/8 ar sutil + 1/8 fogo sutil + 1/8 terra sutil. Esses elementos são extremamente sutis. Em sânscrito. o elemento ar. ½ espaço sutil + 1/8 ar sutil + 1/8 fogo sutil + 1/8 água sutil + 1/8 terra sutil. em sucessão são criados vāyu. ākāsha. . chama-se panchīkarana em sânscrito. algo que vem a existir chama-se bhūta. ½ ar sutil + 1/8 espaço sutil + 1/8 fogo sutil + 1/8 água sutil + 1/8 terra sutil. assim formando os cinco elementos densos.Primeiro. Esses cinco elementos chamam-se pancha sthūla. sthūla. produzem o elemento espaço “denso”. produzem o elemento fogo “denso”. o elemento terra. esses cinco elementos sutis chamam-se pancha sūkshma. ½ água sutil + 1/8 espaço sutil + 1/8 ar sutil + 1/8 fogo sutil + 1/8 terra sutil. Esses cinco elementos sutis se combinam de cinco maneiras diferentes. para formar os cinco elementos densos.bhūtas.

o mundo passa pela dissolução final. quando a irrealidade do mundo é estabelecida. alguém pode argumentar que.000 anos humanos. ou ciclo de criação. ele se libera e não nascerá novamente. não sendo definitivamente real. quando então o mahā-kalpa termina. e ele vive por 100 anos de acordo com essa escala temporal. e pela virtude de extraordinários méritos alcançados durante o kalpa anterior.000 anos humanos. um grande santo e filosofo não-dualista da Índia. ele se funde com Deus tornando-se um com Ele. ou apenas uma está certa. diz que este mundo tem uma existência empírica. não importando o quão glorificado ou dotado de poder ele seja. Ainda assim. UMA OBJEÇÃO E UMA REFUTAÇÃO A TEORIA HINDU DA CRIAÇÃO A cosmologia hindu pode parecer incerta em relação a criação deste mundo. chamado de kalpa.640. Um dia de sua vida. Através da vontade de Deus.Por ter sido criado. não importa se existem muitas ou apenas uma teoria a respeito da criação. a criação do mundo começa mais uma vez.000. Em outras palavras. Shankara. tal objeção não oferece qualquer problema para a escola Vedānta de filosofia não-dualista. o mundo é real apenas por enquanto. porque se tivesse certeza. Assim perpetuamente repete-se o processo de criação. Esse processo de criação e dissolução continua até que Hiranyagarbha morre ao final do mahā-kalpa. Portanto. De acordo com uma outra visão. é igual a 4. um kalpa consiste de 8. todas as teorias a respeito da criação provam-se inválidas e sem significado. que chama-se prākrita pralaya. ou liberação de Hiranyagarbha. . Em outras palavras. iniciando o próximo ciclo de criação. Quando Hiranyagarbha morre. O tempo de vida de Hiranyagarbha é chamado de mahā-kalpa. continuação e dissolução do universo.320. ou todas as teorias estão erradas.000. haveria oferecido apenas uma teoria a respeito da criação. Hiranyagarbha tem uma longevidade limitada. mas não uma existência definitiva. Porque apresenta mais de uma teoria. Quando Hiranyagarbha adormece depois de um dia de trabalho. a dissolução cósmica. Em última instância. Quando ele desperta. ou pralaya acontece e chama-se naimittika pralaya. Na morte. um outro exaltado ser mortal surge como Hiranyagarbha.

Assim. se uma pessoa visse um dinossauro aparecer no seu quintal. e a cobra representa o mundo. a assim chamada cobra parecerá ser real. então se torna um esquilo. ou “real” identidade dela. Para uma pessoa que veio a conhecer Nirguna Brahman. No primeiro minuto ela é um cão. permanecer ali por um minuto. é a única realidade que existe. . sendo eterno e imutável. Portanto. ela saberia que o que ela viu não era real. embora seja vista como sendo uma cobra. Shankara usa a analogia de uma corda. Quando a escuridão se vai. o mundo já não é mais real. Ela também vem a saber que o mundo nunca foi criado. não pode ser real. O mundo tem início no tempo. seria então considerado real pela pessoa. Por outro lado. precisa-se estar familiarizado com o significado da palavra “real” na filosofia hindu. parece ser uma cobra. a questão a respeito da origem.Para entender a posição não-dualista de Shankara. De acordo com Shankara. e depois algo diferente. ou o Deus impessoal. e de repente evaporar. o observador não é capaz de determinar a verdadeira natureza daquela criatura. não haveria dificuldade em afirmar a verdadeira. depois um racoon. ou criação de um mundo “não-criado” não pode surgir. Ela seria conhecida por sua “imutabilidade”. a irrealidade do mundo pode também ser determinada pelo seu caráter de constante mudança. portanto. não pode ser eterno. Para explicar o caráter ilusório. Nirguna Brahman. se aquele dinossauro existisse para sempre. Sendo transitório. ou pela sua imaginação fértil. não sabendo assim o que ela “realmente” é. deve ser transitório. o julgamento da realidade do dinossauro estaria baseado em sua perpetuidade. ou irreal do mundo. Nesse caso. Por exemplo. De acordo com a filosofia hindu. algo real deve ser eterno e imutável. a assim chamada cobra desaparece. Se a criatura não apresentasse nenhuma mudança. na verdade ela nunca esteve ali. que quando vista no escuro. A “realidade” é a corda. Enquanto a ilusão durar. a corda representa Nirguna Brahman. Devido a sua natureza de constante mudança. Suponhamos então que um observador está vendo uma criatura que muda de forma a cada minuto. Ela saberia que a sua visão do dinossauro foi causada por uma ilusão de ótica. e o observador realiza que embora a cobra parecesse existir.

ou ser liberado desses repetidos nascimentos e mortes. Moksha pode ser atingida apenas através da realização de Deus. é “as repetidas passagens das almas através de diferentes mundos – densos e sutis”. ou mukti em sânscrito. torna-se apta a liberação. samsāra significa passar por repetidos ciclos de nascimentos e mortes. Os parágrafos seguintes vão introduzir o leitor a esses diferentes conceitos e visões. Em outras palavras. Algumas escolas dizem que moksha pode ser alcançada pelas pessoas apenas após a morte. existem . De acordo com essa escola. o objetivo da vida é estar livre.XXI MOKSHA OU LIBERAÇÃO DA SAMSĀRA INTRODUÇÃO O derivado da palavra em sânscrito. As varias escolas de filosofia hindu (darshana) sustentam diferentes visões a respeito de moksha. De acordo com o hinduísmo. pelo desapego e meditação devocional em um Deus pessoal (Vishnu). pela ação correta. acredita apenas na liberação após a morte. ou Dvaita. seguidas pelo conhecimento correto. Também existem opiniões diferentes a respeito da natureza de moksha. através da amorosa graça de Īshvara. e outras dizem que pode ser ela atingida enquanto se está vivo. Tal liberação chama-se moksha. samsāra. MOKSHA DE ACORDO COM A ESCOLA FILOSÓFICA “DVAITA” A escola de filosofia Vedānta dualista. Uma pessoa que passou através de rigorosas disciplinas éticas e morais. ou moksha.

Consequentemente. na sāyujya-mukti a alma é absorvida na bem-aventurança do Deus pessoal. em sânscrito. ou liberação imediata. que junto com o resto do mundo se tornaram ilusórios e irreais. o seu corpo – como o resto do mundo – parece ilusório. ele já não pensa a respeito de si mesma como sendo um ser corpóreo. o seu corpo desfalece em questão de dias.quatro graus. Dependendo do progresso espiritual da alma pode atingir qualquer um dos quatro tipos de moksha. adoração de um Deus pessoal etc. Tais observâncias gradualmente purificam a mente e preparam-na para intensa meditação na realidade divina impessoal (Nirguna Brahman). Essa liberação. A ātmajnāna elimina a camada de ignorância que cobre o conhecimento de Deus. MOKSHA DE ACORDO COM A ESCOLA FILOSÓFICA “ADVAITA” A escola de filosofia Vedānta não-dualista Advaita. ou níveis de moksha: (1) sālokya. ou sānnidhya. significa sadyomukti. ou “liberação imediata”. o jīvan-mukta atinge a sua liberação fora do corpo. na sāmīpya. causando a sua sadyomukti. um jīvan-mukta pode perder todo o interesse por seu corpo ilusório. do ponto de vista daqueles que atingiram ātmajnāna. e (4) sāyujya. Essa meditação capacita-o de ter ātmajnāna. chamada de videha-mukti. (2) sāmīpya. Depois de alcançar ātmajnāna. Que . mesmo enquanto vive. Para um jīvan-mukta. Ele então torna-se um jīvan-mukta (aquele que atingiu jīvan-mukti). chamase jīvan-mukti. Quando o prārabdha karma se exaure e o corpo ilusório morre. O corpo ilusório do jīvan-mukta continua a existir enquanto o seu prārabdha karma durar. (3) sārūpya. a alma vai para ishta-loka (onde está o Deus pessoal. Na sālokya-mukti. essas almas liberadas não são capazes de se identificar com os seus corpos. De acordo com um ponto de vista. ou o conhecimento do seu divino Ser interior. De acordo com essa escola. imediatamente após atingir jīvan-mukti. Entra as quatro. tal como onde reside Vishnu). a alma desfruta da bem-aventurança da extrema proximidade com o Deus pessoal. um aspirante espiritual tem que primeiro passar por várias práticas éticas e morais. a alma toma a forma do Deus pessoal e desfruta de intensa bem-aventurança. Outros eruditos dizem que o termo jīvan-mukti. ou sānnidhya-mukti. Depois de atingir jīvan-mukti. na sārūpya-mukti. acredita que a pessoa pode estar liberta da samsāra. e ali permanece desfrutando da bem-aventurança de Sua presença. e a liberação chega assim que a ignorância é aniquilada. a primeira é a inferior e a última é a superior.

ele permanece subserviente a Deus. mesmo que inerentemente inconsciente. não aceita a idéia de jīvan-mukti. Ela vive na presença de Deus. sustentar ou dissolver o mundo. chamado de kramamukti. de seus pontos de vista eles já atingiram sadyomukti. vai para Brahma-loka depois da morte. Existe ainda um outro conceito a respeito da liberação. que é onde reside o Deus pessoal. A pessoa pode se liberar da escravidão da samsāra apenas através da graça de Deus. shāndilya-vidyā etc. MOKSHA DE ACORDO COM A ESCOLA FILOSÓFICA “VISHSHTĀDVAITA” A escola de filosofia Vedānta de não-dualismo qualificado. como diz o sistema advaita. embora diferentemente dos deuses. ou algum outro método de meditação. seus corpos não estão realmente ali. Moksha significa viver na bem-aventurança de vaikuntha. prakriti. ou avāntara-mukti (liberação através de estágios). e adquire muitos poderes tais como a onisciência etc. e sendo assim. uma pessoa que tenha intensamente meditado em Saguna Brahman. usando sagrado símbolo sonoro OM. e as práticas da bhakti yoga seriam a única maneira de se obter essa graça divina. Esse tipo de liberação da samsāra se chama krama-mukti. De acordo com essa escola. Purusha é consciência pura. Quando todo o universo se dissolve no final do kalpa. ele não possa criar. MOKSHA DE ACORDO COM A ESCOLA FILOSÓFICA “SĀNKHYA” Nesse sistema. Essa escola também diz que a karma yoga e a jnāna yoga são apenas auxílios para a bhakti yoga. Ainda assim. observadores que vêem essas almas podem chama-los de jīvan-muktas. e o complexo corpo-mente é uma forma evoluída da matéria primordial inconsciente. Ela atinge o conhecimento de Nirguna Brahman sob a orientação de Hiranyagarbha.eles saibam. ou avāntara-mukti. a liberação não pode ser alcançada através do ātmajnāna. Uma pessoa só pode ser liberada após a sua morte. tal como dahara-vidyā. num corpo espiritual. prakriti. a alma. Apesar de seu estado exaltado. A escravidão do purusha é causada . ela se torna uma com Brahman e jamais renasce. Vishshtādvaita. funciona tomando emprestada a consciência do purusha. De acordo com esse conceito. ou espírito é o purusha.

moksha (também chamada de kaivalya) significa a completa cessação de sofrimento e da dor. por ser espírito. O sistema sānkhya. Ela não acredita em jīvanmukti. MOKSHA DE ACORDO COM A ESCOLA FILOSÓFICA “PŪRVA-MĪMĀMSĀ” Essa escola acredita apenas na liberação da alma após a morte.por aviveka. aceita a idéia de jīvanmukti. Essa falsa identificação com o complexo corpomente é causada pela ignorância do purusha. Para se livrar dessa condição. corpo etc. livre da possibilidade de conseqüente dor e sofrimento. e sendo assim. que enquanto escravizado. ele atinge videha-mukti. ou a emancipação da alma enquanto está vivendo num corpo. assim como o sistema advaita. purusha deve adquirir o conhecimento de que. No sistema sānkhya. Esse conhecimento chama-se viveka-jnāna. Quando um jīvanmukti morre. XXII CONCLUSÕES . É viveka-jnāna que causa moksha ao purusha libertando-o de prakriti. e diz que moksha pode ser alcançada através da performance correta dos rituais apresentados nos Vedas. sofre dores mentais e físicas. Mais tarde. O conceito de moksha quando o sistema pūrvamīmāmsā surgiu. era o de que uma alma liberada iria para o céu e lá desfrutaria para sempre da bem-aventurança paradisíaca. ou a falsa identificação do purusha com prakriti e seus fatores evolutivos como mente. não mais falando sobre moksha como sendo um estado de bemaventurança paradisíaca. a escola pūrva-mīmāmsā passou a descrever moksha como sendo um estado livre da possibilidade de renascimento. é completamente diferente e distinto de prakriti e de seus fatores evolutivos – o complexo corpo-mente.

e dizem que o hinduísmo tem uma visão pessimista em relação ao mundo e tende a dar mais ênfase a um outro mundo. O hinduísmo é puramente realístico. nem para o corpo. da dança. certas indulgências mentais e físicas. O hinduísmo pede a seus seguidores que desistam de tais indulgências. enquanto uma arma está apontada para ela. desfrutavam da música. O hinduísmo exorta os seus seguidores a serem realísticos e se agarrarem àquilo que é bom. mas sem dúvida é bom para a saúde da pessoa. Comer um bolo de chocolate pode ser uma experiência agradável. beber pode ser agradável. mas não são boas nem para a mente . O HINDUÍSMO NÃO É FATALISTA . Mas as escrituras mais autênticas do hinduísmo. Vacas leiteiras. Além do mais. Da mesma maneira. e não os encoraja a viver num mundo fantasioso e irreal onde o que é ruim é apresentado como algo bom. podemos saber que os arianos do período védico. podem ser agradáveis. pode se tornar desagradável mais tarde. Muito otimismo com freqüência causa desapontamentos. eram numerosas. “(o homem) deveria desejar viver por cem anos”. da boa comida e do vinho. NEM PESSIMISTA Alguns eruditos são da opinião de que o hinduísmo é uma religião pessimista. Para um alcoólatra. mas uma pessoa forçada a comer oito bolos de chocolate seguidos. aquilo que é agradável agora. mas certamente não é bom para ele. Se exercitar diariamente não é necessariamente agradável. As escrituras hindus falam a respeito de dois objetivos almejados pelo homem: (1) o agradável e (2) o bom. Através delas. enquanto que o pessimismo rouba a iniciativa das pessoas. como o Rig-Veda e o Yajur-Veda. De acordo com o Īsha Upanishad. Os arianos vestiam roupas finas e jóias de ouro. deixando de lado aquilo que apesar de agradável. não é bom. imaginasse ser benéfico apenas porque é agradável. desfrutavam de um padrão muito alto de conforto material. mas praticamente não há menção a respeito do inferno. e encoraja os seus seguidores a reconhecer a verdadeira natureza do mundo e agir de acordo com ela. Existem menções a respeito do paraíso. Um estudo imparcial do hinduísmo revelará que ele não é nem pessimista. Nenhum dos dois é encorajado pelo hinduísmo. nos dão uma visão completamente diferente. sua principal riqueza.O HINDUÍSMO É REALISTICO NÃO É NEM OTIMISTA. não era mal. e para eles este mundo era bom e desfrutável. e o que é bom não é necessariamente agradável. é tortura. e o que é prejudicial. ignorando assim o mundo no qual vivemos. O que é agradável não é necessariamente bom. nem muito otimista.

pode às vezes ser apoiada pelo hinduísmo. não é apoiado pelo hinduísmo. ferido. Para criar um futuro melhor. Sharīramādyam khalu dharmasādhanam – “O corpo é o principal instrumento para a prática da religião. porque a alma. Culpar uma outra pessoa pelo próprio sofrimento. As escrituras hindus também ensinam que o corpo é o templo de Deus. é uma pessoa mentalmente mais forte.diz o hinduísmo. pelo prazer ou pela dor. não é encorajada pela principal corrente do hinduísmo. Portanto. subjugar ou matar o inimigo. embora o hinduísmo claramente proíba os seus seguidores de irem a qualquer extremo.O hinduísmo não acredita em fatalismo. Negligenciar o corpo não é necessariamente uma virtude. A identificação demasiada com o corpo torna a pessoa mentalmente fraca. De acordo com a doutrina do karma. portanto é impossível evitar completamente que cometamos violência. ou o divino Ser interior reside nele. As boas e más ações praticadas no presente. e não de qualquer outra fonte. o hinduísmo não é cego ao fato de que devemos ser violentos de um modo ou de outro para sobreviver. e por seu conseqüente prazer e dor. Se um inimigo ataca um pais. vão causar desfrute ou sofrimento no futuro. a violência que se justifica numa causa nobre. Milhares de formas de vida microscópicas são mortas toda vez que respiramos. A austeridade física é encorajada apenas porque ajuda a fortalecer a mente. assim livrando-se de uma atitude mental violenta. Defender o pais é o dever religioso dos soldados. o futuro de uma pessoa é criação dele ou dela. Não obstante. o corpo deve ser cuidado. os soldados devem repelir. sem defesa ou . cada grão de comida que comemos contém vida. o tanto quanto for prático. É mais provável que ela seja capaz de lidar com os vários problemas da vida sem ser derrotada por eles. Tal justificativa deve vir do que é ditado pelas escrituras. é que estes. a pessoa deve utilizar sabiamente o momento presente através da prática de boas ações. A IDÉIA E A PRÁTICA DA NÃO-VIOLÊNCIA NO HINDUÍSMO Apesar de considerar a não-violência uma virtude. embora matar um inimigo que está fugindo. A pessoa deve tomar total responsabilidade por suas boas e más ações. Uma pessoa que não é facilmente afetada pelo calor ou pelo frio. minimizem conscientemente a violência. A POSIÇÃO DO HINDUÍSMO NO QUE DIZ RESPEITO A MORTIFICAÇÃO DO CORPO A mortificação sem propósito e neurótica do corpo. Tudo que o hinduísmo espera de seus seguidores. ou dharma”.

Tudo que ela experiencia é a manifestação de Deus. não deve ferir ninguém seja fisicamente.” A idéia de que Deus pode ser realizado através de diferentes caminhos espirituais tem sido por eras ensinada por santos e homens de Deus da Índia. e nenhum livro sobre o hinduísmo poderia ser escrito hoje. não pode se responsabilizar pelo que o seu corpo e mente fazem. A total não-violência é possível apenas para uma alma espiritualmente iluminada. não é permitido pelas escrituras. Ele é conhecido como o profeta da harmonia das religiões. não podendo assim odiar ou prejudicar ninguém. pois tal alma perde a sua falsa identificação com o complexo corpo-mente e vem a conhecer a sua verdadeira identidade divina. Ela perde a noção de que é ela que age. na esperança de que possam ajudar. e cujo intelecto não se considera responsável pelas ações do corpo e dos sentidos. e por não poder se identificar com o complexo psico-físico. Os sábios O chamam por nomes diferentes. Apenas uma pessoa assim pode amar aos seus inimigos. sem o reconhecimento de sua contribuição. uma pessoa que é verdadeiramente não violenta. na promoção da paz e do entendimento entre as pessoas religiosas do nosso mundo tão marcado por conflitos. não importando o quão pouco. Alguns de seus relevantes ensinamentos estão registrados aqui.incapacitado. Um soldado que foge do campo de batalha por medo. Srī Rāmakrishna. “Aquele que não tem a noção de que é o fazedor. transcendendo assim a violência. Mas a idéia de que todas as religiões levam ao mesmo Deus é principalmente uma contribuição do santo hindu do século 19. Idealmente falando. * ilustração – Srī Rāmakrishna . porque não vê inimigos em lugar algum. inclusive ela mesma.” A IDÉIA DE HARMONIA DAS RELIGIÕES É INERENTE AO HINDUÍSMO O espírito da tolerância religiosa no hinduísmo está enraizado na afirmação do Rig-Veda. ou o egoísmo. O Bhagavad Gītā (18/17) diz. Ekam sad viprā bahudhā vadanti – “Apenas Um (Deus) existe. e quer justificar a sua covardia na virtude da não-violência. mentalmente ou verbalmente. ele não mata e não é escravizado pelo resultado disso. Ela experiencia Deus como sendo a essência de todas as coisas e de todos os seres. faltou no cumprimento do seu dever e é um hipócrita.

de jeito nenhum. é o melhor. o antigo caminho. Vai ser doce do mesmo jeito. Assim também. que levam a verdade. permita aos outros a mesma liberdade de ter a própria fé e opinião. Foi o próprio Deus que proveu as diferentes formas de adoração. arranjou todas essas diferentes formas. Não dispute. sob nomes e formas diferentes. cada um vai entender os próprios enganos. mas um caminho. Enquanto você permanece firme na sua própria fé e opinião. Um cristão deveria seguir o cristianismo. A Mãe prepara pratos diferentes. o único e mesmo Deus é adorado em diferentes países. . Vários tipos de jóias são feitas de ouro. adequados aos estômagos de seus filhos. Todas as doutrinas são caminhos válidos. e apesar de serem feitas da mesma substância. Seja lá qual for o nome e a forma através da qual você O adora. A pessoa deveria sempre manter uma atitude de respeito em relação a outras religiões. Uma pessoa pode comer um doce com o creme em cima ou do lado. um muçulmano deveria seguir o Islam e assim por diante. que é o Senhor do universo. Quando a graça de Deus descer. Diferentes credos são apenas diferentes caminhos para alcançar o mesmo Deus. Ela prepara cinco pratos diferentes – pilau. Toda pessoa deveria seguir a sua própria religião. peixe frito. você não terá sucesso em convencer o outro dos erros dele. Se há um peixe a ser preparado. a pessoa pode alcançar Deus se seguir qualquer um dos caminhos com devoção total. épocas e países. Através da mera disputa. é através dela que você irá realiza-lO. Ele. Suponhamos que Ela tenha cinco filhos. De fato. é o próprio Deus. Para um hindu. peixe com picles.Muitos são os nomes de Deus e infinitas são as formas através das quais Ele pode ser abordado. em diferentes estágios de conhecimento. Deus criou diferentes religiões que se adequam a diferentes aspirantes. e assim por diante – que se adequam aos diferentes paladares e poder de digestão de seus filhos. adequadas a pessoas diferentes. o caminho dos sábios arianos. elas têm formas diferentes e recebem nomes diferentes. Um verdadeiro homem religioso deveria pensar que as outras religiões são também caminhos válidos.

Aqueles que não sabem. Porque ele era um monge errante. discutem e sofrem desnecessariamente.” Uma outra pessoa também disse que ela era violeta. pela primeira vez em sua vida. Esse homem disse. Um homem foi a uma floresta.Deus não tem forma e ainda assim pode assumir formas. O que vocês todos tem visto é bem verdade. a imagem o obstruiu. Lá. Às vezes Ele tem atributos. CITAÇÕES DE PENSADORES DE TODO O MUNDO A RESPEITO DO HINDUÍSMO E DA CULTURA INDIANA Arthur Schopenhauer (1788-1860). carregava consigo um bastão.. tornando-se água mais uma vez. e outros ainda disseram que era azul. Ele começou a se perguntar se Deus tem forma. A gelada influência da devoção de um aspirante espiritual. ela é amarela. se tornando gelo. “Eu também já vi essa criatura. às vezes não. tão benéfico e elevador quanto os Upanishads. ela é vermelha. os Upanishads: “No mundo inteiro. às vezes. dúvidas surgiram em sua mente. na floresta. “Porque verde? Eu também a vi. ele viu um camaleão numa árvore. O bastão passou através da imagem como se ela não estivesse ali. e também sabe que às vezes ele é absolutamente incolor.. ela é verde. o gelo derrete. e conheço essa criatura muito bem. Deus tem forma. Assim. Mas quando ele tentou move-lo de volta. movendo o bastão do lado esquerdo para o direito através da imagem. e quis então tocar a imagem do Senhor Jagannath com ele. às vezes verde. mas com certeza ela não é vermelha. e ainda assim Ele é sem forma. ou se Ele é sem forma.” Um outro homem então disse. “Irmão. pode tê-las. Eles têm sido o consolo na minha vida. mas ainda assim. Mais tarde ele disse a alguém.” Uma pessoa que contempla Deus o tempo todo – apenas ela sabe como Deus realmente é. Mas quando o sol do verdadeiro conhecimento surge. onde encontraram um homem. preta etc. não existe um estudo . “Eu vivo debaixo desta árvore. do lado direito para o esquerdo. Apenas tal pessoa sabe que Deus se revela de muitas formas diferentes. um filósofo alemão. Apenas aquele que vive debaixo da árvore sabe que o camaleão toma muitas cores. Assim eles começaram a discutir e decidiram ir até a árvore. esticou-o então. e serão o consolo na minha morte. Ele é como um oceano infinito. Enquanto estava dentro do templo. disse a respeito das escrituras do hinduísmo.” . eu vi uma estranha criatura vermelha numa árvore. Um monge foi visitar o templo do Senhor Jagannath na cidade sagrada de Puri.” Então uma outra pessoa disse. pode fazer com que a água congele. ele compreendeu que Deus não tem forma. às vezes amarela e às vezes azul.

mas sim para uma vida transformada e eterna.” O conhecido historiador britânico.Ralph Waldo Emerson (1803-1882). em outras palavras. do mais antigo sistema de filosofia na Índia é Vedanta. e tem também. que foram alimentados apenas com o pensamento grego e romano. mais universal.” OS PRINCIPAIS FESTIVAIS RELIGIOSOS HINDUS . que descreve o mais nobre curso através da mais pura camada – livre de particulares. provido soluções que merecem a admiração até mesmo daqueles que tem estudado Platão e Kant. vadiando através da longínqua camada de um verão celestial. ou tem investigado mais profundamente os maiores problemas da vida. escreveu: “Em todas as nações existem mentes inclinadas a concepção da unidade fundamental. Tal tendência encontra uma expressão mais elevada nos escritos religiosos do oriente e principalmente nas escrituras indianas. mais humana.” Friedrich Max M. o famoso filologista e mitólogo inglês. e o testemunho da harmonia das religiões de Srī Rāmakrishna. nos Vedas. o único caminho para a salvação é o caminho indiano. perdem-se em um único Ser. Arnold Joseph Toynbee (1889-1975) disse: “Neste momento extremamente perigoso da história humana. é a religião mais elevada.) o equilíbrio necessário para aperfeiçoar a nosso vida interior. no Bhagavad Gītā e no Vishnu Purana. de Mahatma Gandhi. Müller (1823-1900)...” “E se alguém me perguntasse que literatura nos daria de volta (aos europeus.. universal. ensaísta e filósofo norteamericano. eu mais uma vez indicaria a Índia. Os arrebatamentos da prece e do êxtase da devoção. não a negação. simples. eu indicaria a Índia. ensaísta e naturalista norte-americano Henry David Thoreau (1817-1862) escreveu: “Tudo que escutei dos Vedas caem sobre mim como a mais elevada e mais pura luz.. Isso surge em mim como uma lua cheia depois do aparecimento das estrelas. nos dão a atitude e o espírito que possibilitam que a raça humana cresça junta e torne-se uma única família. o mais elevado objetivo dos Vedas. mas o cumprimento da religião. e o mais antigo nome. O princípio de não-violência do imperador Ashoka. o fim. conhecido poeta. ou seja. tornando-a mais compreensiva. disse: “Se alguém me perguntasse sob qual céu a mente humana desenvolveu mais completamente as suas preciosas dádivas.” O famoso poeta. pelo menos para alguns. a meta.” Ele também disse: “A filosofia na Índia. é o que a filosofia deve ser. uma vida não apenas para esta vida.

Mahā-Shivarātri: Adoração noturna de Deus com o Senhor Shiva. Comemorado no oeste da Índia. Acontece no leste da Índia. no outono e no inverno. Kāti e Māgh Bihu: Festival das estações. Pongal ou Makar Sankrānti: Adoração a Deus na época do solstício de inverno. Comemorado no sul e no leste da Índia. Acontece na primavera e é comemorado no norte e no leste da Índia. acontece na primavera.Deepāwali ou Dewālī: Festival das luzes em outono. Bahāg Bihu. particularmente nos estados de Orissa e Bengala. particularmente no estado de Bengala. Navarātri: Nove dias de adoração a Mãe Divina. acontece no início do outono. usando o sol como símbolo. Comemorado em toda a Índia. acontece no outono. particularmente no estado de Assam. Comemorado no leste da Índia. Chhat Pūjā: Adoração a Deus durante o inverno. Ganesh Pūja / Ganesh Chaturthī ou Vināyak Chaturthī: Adoração a Deus como o doador do sucesso. acontece respectivamente na primavera. e é comemorado no norte. Comemorado em toda a Índia. Além da adoração a Deus. no centro e no sul da Índia. Comemorado no nordeste da Índia. Holi: Festival celebrando a vida da encarnação divina Sri Krishna. Durgā Pūjā: Quatro dias de adoração a Deus como a Mãe Divina Durgā. principalmente no estado de Maharashtra. Acontece durante outono. . particularmente nos estados de Bihar e Uttar Pradesh. os devotos brincam jogando líquidos e pós coloridos uns nos outros. acontece no verão. Comemorado no leste da Índia. Ratha Yātrā: Festival no qual uma carruagem com uma imagem simbólica de Deus é puxada pelos devotos.

acontece no final do verão. . Comemorado no norte da Índia. Comemorado norte e no leste da Índia e no Nepal. Sarasvatī Pūjā: Adoração de Deus como a Mãe Divina Sarasvatī. acontece três semanas depois do Durgā Pūjā. particularmente no estado de Bengala. Comemorado no leste da Índia. GLOSSÁRIO Āchārya: Um mestre espiritual. na música e em outras artes. Bhrātri Dvitīyā ou Bhāi Duj: Festival conhecido como o dia dos irmãos. Comemorado no norte da Índia. Comemorado no norte e no leste da Índia. quando as irmãs rezam a Deus por vida longa a seus irmãos. Comemorado em toda a Índia. acontece no inverno. acontece no verão. Rām Navamī: Celebração do nascimento da encarnação divina Sri Rāma. Srī Krishna Janmāshtamī: Celebração do nascimento da encarnação divina Sri Krishna. também um professor na educação secular. particularmente no estado de Bengala. Rakshā Bandhan: Durante o festival irmãs colocam coloridas pulseiras de algodão em seus irmãos como uma demonstração de seu amor de irmã.Kālī Pūjā: Adoração noturna a Deus como a Mãe Divina Kālī. a doadora do sucesso na educação. acontece na primavera. Comemorado no leste da Índia. acontece no inverno. Vaishākhī ou Navavarsha: Festival de primavera celebrando o advento do ano novo de acordo com o calendário lunar indiano.

da alma e do universo. ajnāna é responsável pela escravidão e pelo sofrimento do homem neste mundo. Ajnāna: Um termo da filosofia Vedānta que significa ignorância da realidade divina. De acordo com a escola de filosofia Advaita. também chamada de Kriyamāna Karma. Āgama: Um tipo de literatura pertencente a tradição tântrica. Agni: O elemento fogo. Ānanda: Bem-aventurança. Advaita: Uma das escolas de filosofia Vedānta. Agnihotra: Um tipo de adoração ritual onde o fogo é usado como um símbolo de Deus. que serão experienciados no futuro. Alolupta: Não-cobiça. Āgāmī Karma: Os efeitos das ações na vida presente. Ahimsā: Não-violência. . ensina a unidade de Deus. Ākāsha: O elemento espaço.Adroha: Ausência de malícia.

Artha: Riqueza. . Os símbolos são oferecidos através de gestos na frente das imagens. Ardhānginī: (lit.e amigo e discípulo de Sri Krishna. Ap: O elemento água. Ārjava: Objetividade. fogo. meio corpo) Uma esposa. luz (fogo). Ārya: Indo-ariano. Incenso (e flores). um abano. e um pedaço de pano ou lenço são usados como símbolos para representar os elementos terra. Ārya dharma: A religião dos indo-arianos. filho do rei Pāndu . água. de acordo com o hinduísmo. Apaishuna: Abstenção do aviltamento.Antevāsin: Um estudante. uma das quatro metas da vida humana. compõe este mundo. Arjuna: Um heróico príncipe do Mahābhārata. Aparigraha: Não aceitar presentes desnecessários. São usados símbolos dos cinco elementos que. Ārātrika (Ārati): Adoração ritual a Deus. ar e éter (o céu). água.

iniciada por Swāmī Dayānanda Sarasvatī. uma dos quatro tipos fundamentais de disciplina espiritual. Bhagavad Gītā: Uma conhecida escritura hindu. Avyakta: O estado não manifesto do universo. a alma ou espírito interior. Ver “ajnāna”.Ārya Samāj: Uma organização reformista hindu. Āryāvarta: A terra dos indo-arianos. relativa a Raja Yoga. Āsana: Postura sentada. Avatāra: Encarnação de Deus. Ver “Dayānanda Sarasvatī ”. também conhecida como krama-mukti. Avāntara mukti: Liberação alcançada em estágios. Ātyantika Pralaya: Dissolução total do universo. . parte do épico Mahābhārata. significa ignorância. Ātman: O Ser. Bhakti Yoga: O caminho do amor. Avidyā: Um termo da filosofia Vedānta.

conhecimento. Também significa celibato. . agni. o que veio a ser) Qualquer um dos cinco elementos básicos que constituem o universo. Brahmaloka: O mais elevado plano existencial. ap e kshiti. Buddha: Uma das encarnações de Deus. Brahman: Deus impessoal. a realidade absoluta. o nome do aspecto criador de Deus. o estágio do estudante. Budismo: Uma religião que é uma vertente do hinduísmo. É ateísta e tem como meta da vida espiritual. Brahmacharya: O primeiro estágio da vida hindu. a completa cessação da miséria. Respectivamente.Bhūta: (lit. Chit: Consciência. Chandī: Uma escritura na qual a Mãe Divina é descrita como sendo a realidade última. Brahmin: Pessoa que pertence a casta sacerdotal. ākāsha. Chidākāsha: O espaço do “conhecimento”. Brahmā: Deus como criador. vāyu. fundada por Rājā Rāmmohan Roy. O Chandī é parte do Mārkandeya Purāna. também fundador do budismo. Brāhmo Samāj: Uma organização teísta da Índia.

Deva: (lit. Ver “Shankarāchārya”. Mãe Divina: Deus visto como mãe. aquilo que sustenta a existência de qualquer coisa) Qualidade essencial. Dashnāmī: Uma ordem monástica iniciada pelo grande santo e filosofo hindu Shankarāchārya. Dhāranā: Fixar a mente num único objeto. um deus. Darshana: Uma filosofia hindu. expressando um relacionamento de um servidor para com Deus. código de deveres. Devī: (forma feminina do Deva) Uma deusa. Dāsya: Uma das atitudes de um devoto. Dhyāna: Meditação. Dhruva: Um santo da mitologia hindu. . religião. Dayānanda Sarasvatī: O fundador do Ārya Samāj (1824 – 1883). Dharma: (lit. O estado de ininterrupta concentração mental num único objeto. aquilo que brilha) Um ser com um corpo que emite luz. dever.Dama: O controle dos órgãos externos.

Bobodzhan: Natural do Tajikstan. Durgā: Um nome da Mãe Divina. De acordo com filosofia Sānkhya. Ver Durgā. uma ramificação da escola filosófica Vedānta. Dvaita: Filosofia dualista. ou a Mãe Natureza. Rajas (atividade e inquietação) e Sattva ( Equilíbrio. Gafurov. Foi diretor do Instituto de Estudos Orientais em Moscou. propriedade ou característica. ou asceta). Prakriti consiste de três gunas conhecidos como Tamas (inércia e apatia). . Vānaprasthya (estágio de afastamento). é também conhecido como Sāvitrī Mantra. Sannyāsa (estágio de um monge. harmonia e Serenidade). associado a vida de Sri Krishna. se especializou na história da Ásia central e menor. qualquer uma das três substâncias sutis que constituem Prakriti. Durgā Pūjā: Adoração a Durgā. Gārhasthya: O segundo estágio da vida hindu. Guna: Qualidade. Gārgī: Uma grande erudita do período védico. Quatro estágios da vida ariana: Brahmacharya (estágio de um estudante solteiro).Dol Pūrnimā / Holi: Festival hindu da primavera. uma vez que tenham recebido o cordão sagrado (Upavīta). Gāyatrī Mantra: Um verso sagrado do Rig-Veda que é recitado diariamente pelos membros das três castas superiores. o estágio de um chefe de família. e membro da Academia de Ciências da União Soviética. Gārhasthya (estágio de um chefe de família).

Deus pessoal. também alguém que provê educação secular. Kalki: O nome da última das encarnações divinas mencionadas nos Purānas. Hatha Yoga: Uma das escolas da yoga. um dos quatro tipos fundamentais de disciplina espiritual. a saúde física e o bem estar. através de quem Deus projeta o universo físico. Jātyantara Parināma: A transformação de uma espécie em outra. Japa: Repetição de um nome sagrado. tem como meta principal. uma pessoa que não vive uma vida monástica. O Criador. Também chamado de Brahmā.Guru: Mestre espiritual. Hrī: Modéstia. Jnāna Yoga: O caminho do conhecimento. Chefe de família: Homem ou mulher de família. Īshvara: Deus. Hiranyagarbha: A primeira criatura. Saguna Brahman. . Jīvanmukti: O estado de um jīvanmukta. Jīvanmukta: Uma pessoa liberada durante a vida.

ato. Quando desperto através de praticas espirituais. reside entre a base do órgão sexual e o ânus. e ruma em direção ao cérebro. trabalho. Kshiti: O elemento terra. resultado ou efeito de uma ação. Karmaphala: (lit. Karma: Ação. Karmaphala é de três tipos: Prārabdha. ou reações das ações. Esses chakras . Kryiamāna: (lit. Sanchita e Kriyamāna. Karma Yoga: O caminho da ação correta. Kshatriya: Pessoa que pertence a casta militar. (5) Vishuddha e (6) Ājnā. o que está sendo feito) Os efeitos das ações da vida presente. o fruto de uma ação) Os efeitos. serão experiênciadas no futuro. (4) Anāhata. Krishna: Uma encarnação de Deus. Kundalinī: O poder espiritual dormente no homem. (3) Manipura. que está localizado dentro da coluna cervical. Eles são: (1) Mūlādhāra. Kshamā: Perdão. chamados de Chakras. se eleva através do canal central sushumnā. um dos quatro tipos fundamentais de disciplina espiritual. Kamalākānta: Um santo bengali. (2) Svādhishthāna.Kalpa: Um ciclo periódico de criação e dissolução. que afetam o fazedor na forma de dor ou prazer. Dentro do canal sushumnā existem seis diferentes centros de percepção espiritual.

O chakra manipura. é um lotos de quatro pétalas. situado na base do órgão sexual. . O chakra mūlādhāra. O Sahasrāra é o acento de Deus (Shiva). falam a respeito da divindade do ser humano e da natureza de Deus. próximo a base da garganta. tem dezesseis pétalas. O chakra ājnā. o aspirante espiritual torna-se iluminado. Mānava Dharma: A religião do homem. tem cinco pétalas. onde o Sahasrāra. situado próximo ao ânus. O chakra anāhata está localizado na região do coração e contém doze pétalas. Os Purānas mencionam Lakshmī como sendo a consorte do Senhor Vishnu. o lotos de mil pétalas está localizado. Līlā: Esporte. conhecido líder político da Índia. O chakra svādhishthāna. Mahātmā Gāndhī: Mohandās Karamchānd Gāndhī. O mūlādhāra é onde o poder Kundalinī está adormecido. Madhura: A atitude de um devoto que vê Deus como o seu amado. considerado por muitos indianos como o pai da nação. esse poder passa através dos seis chakras e alcança o cerebrum. Mahāvākya(s): Importantes sentenças dos Vedas. é um lotos de dez pétalas. fundador da escola dualista de filosofia Vedānta (Dvaita Vāda). também deusa da fortuna. Quando o poder desperto da Kundalinī alcança o Sahasrāra. que esta na região do umbigo. Quando desperto. Madhvāchārya: Um famoso santo e filósofo hindu do sul da Índia (1199 – 1278). é um lotos de duas pétalas. um dos muitos nomes da religião dos indo-arianos. O chakra vishuddha. Mahānirvāna Tantra: Uma escritura tântrica clássica. situado entre as duas sobrancelhas. jogo divino. Lakshmī: A deidade doadora da riqueza e da prosperidade.são vistos pelos yogues como sendo flores de lotos. renomado pelo seu movimento político não violento. também conhecido como Ānandatīrtha.

Nāta-mandira: O salão para as pessoas num templo hindu. Mārdava: Gentileza. . Moksha: Liberação de todos os tipos de escravidão. Māyā: O poder de Deus de criar ilusões. Deus sem atributos. Nididhyāsana: Concentração no auto-conhecimento. também um conjunto de palavras sagradas. Nirguna Brahman: Deus impessoal. Mārga: Caminho.Mantra: Uma fórmula sagrada que deve ser dita em conexão com rituais. liberação alcançada através da iluminação espiritual. Naimittika Pralaya: Dissolução cósmica ocasional. Nigama: Um tipo de literatura pertencente a tradição tântrica. Mukti: Ver Moksha. Samādhi. Meerā Bāi: Uma grande santa do norte da Índia (1504 – 1550). durante o sono de Hiranyagarbha.

Patanjali: Fundador do sistema Yoga da filosofia hindu. Pārvatī: Um outro nome para Shakti. Om: A mais sagrada palavra dos Vedas. durante o qual o aspirante realiza a sua absoluta unidade com o espírito universal. Nivritti Mārga: O caminho da renúncia dos desejos sensuais. Pingalā: Um canal nervoso na coluna cervical. . é um símbolo de Deus. Pancha rina: As cinco dívidas. Nrisimha: (lit. ou Nirguna Brahman. Pathyasvatī: Uma grande erudita do período védico. Panchīkarana: (lit. quíntuplo) De acordo com a escola filosófica Vedānta. um processo particular no qual os cinco elementos que constituem o universo se combinam para formar este universo. um dos seis sistemas de filosofia hindu.Nirvikalpa Samādhi: Um estado supra-consciente. Pānini: Um famoso gramático da antiga Índia. Nyāya: Lógica indiana. também escrita Aum. homem-leão) Uma encarnação divina mencionada nos Purānas.

adequado aos chefes de família. Hiranyagarbha. Pralaya: Dissolução cósmica. Pranava: A sílaba sagrada Om do hinduísmo. cria o universo. Pratyāhāra: O processo de retirar a mente dos objetos dos sentidos. . Prithivī: O elemento terra. que associada a Purusha. É um dos conceitos da escola filosófica Sānkhya. Prasāda: Comida ou bebida que foi oferecida a uma deidade. quando ele. Prākrita Pralaya: A dissolucao cósmica ao final da vida de Hiranyagarbha. se libera. também chamado de Kshiti. Prānāyāma: Um tipo de exercício respiratório que ajuda na concentração mental. Prārabdha: A força cósmica que determina a atual vida da pessoa.Prahlāda: Um grande devoto de Vishnu que tem a sua vida mencionada nos Purānas. Pravritti Mārga: O caminho dos desejos sensuais permitidos. Prakriti: A natureza primordial.

Rāma: Uma encarnação divina. existem muitos purushas. Rajas: Uma das três substancias sutis que constituem Prakriti. . Ordem Pūri: Um dos ramos da ordem monástica Dashnāmī fundada por Shankarāchārya. o épico Rāmāyana é a estória de sua vida. o autor chama-se Vālmīki. Rāmānujāchārya: Um famoso santo e filósofo do sul da Índia. também considerado por muitos como uma encarnação divina. um dos quatro tipos fundamentais de disciplina espiritual. um homem) Um termo da filosofia Sānkhya que se refere ao eterno princípio senciente. Rāmprasād: Um conhecido santo bengali.Purāna(s): Mitologia hindu. Rāmakrishna: Um santo hindu do século 19 (1836 – 1886) conhecido como o profeta da harmonia das religiões. Rāmāyana: Um famoso épico hindu. Pūrva Mimāmsā: Um dos seis principais sistemas da filosofia hindu. compositor de muitas canções a respeito da Mãe Divina. de acordo com Sānkhya. Purusha: (lit. fundador da escola filosófica de não dualismo qualificado (Vishishtādvaita Vāda). Rāja Yoga: O caminho da concentração mental. ou a Mãe Natureza.

pertencente ao quarto estágio da vida hindu. Samhitā: Uma das duas porções primárias dos Vedas. um sábio. Saguna Brahman: Brahman com atributos. a religião eterna) Um dos nomes da religião dos indoarianos. Sakhya: A atitude de um devoto que vê Deus como um amigo. onde estão contidos os hinos e as fórmulas sagradas (mantras). Sannyāsin: Um monge que renunciou a tudo. O Criador. Sahadharminī: Uma esposa. Sannyāsa: O quarto estágio da vida hindu. Ver Kundalinī.Rishi: Vidente de Deus. Sanātana Dharma: (lit. Sahasrāra: O lotos de mil pétalas no cerebrum. . o estágio de renuncia completa. Rita: A eterna ordem moral. o Deus impessoal visto através de māyā como um Deus pessoal. Samādhi: Concentração mental por excelência. Preservador e Destruidor do universo.

Srīmad Bhāgavata: Um dos Purānas. Sāvitrī Mantra: Ver Gāyatrī Mantra. ou um membro dessa seita. Shankarāchārya: O grande santo e filósofo vedantista do sul da Índia (c. Shānta: Uma atitude não emocional de um devoto que contempla as infinitas glórias do Deus pessoal. uma expressão metafórica que sugere a indescritível realidade absoluta. Shānti: Paz. Shaiva: Uma seita hindu de adoradores de Deus como Shiva.Satchidānanda: O oceano de Existência. ou Niguna Brahman.700 – 740). Shākta: Uma seita hindu de adoradores de Deus como a Mãe Divina. ou em outras pessoas respeitáveis. Conhecimento e Bem-aventurança. ou que pertence a essa seita. Shaiva Āgama(s): Um tipo de literatura pertencente a seita Shaiva. Shraddhā: Fé implícita no mestre. Shiva: Um dos aspectos da trindade hindu. . representa Deus como o Destruidor. Shaucha: Purificação do corpo e da mente.

Shruti: (lit.. Snātaka: Um estudante que completou a sua educação. artesãos etc. apresenta Deus como Shiva e Shakti. Shūdra: Pessoa que pertence a casta dos fazendeiros. Siddhi(s): Poder(es). Smriti(s): (lit. ou a Mãe Natureza. qualquer coisa que é ouvida) Conhecimento revelado. Sthiti: A existência continua – o estado do universo entre a Criação e a Dissolução. Srishti: Criação. Tantra: Um tipo de escritura que não provem diretamente dos Vedas. Tanmātra(s): Os constituintes elementares do universo. Sūkshma: Sutil. físico. Sthūla: Denso. . qualquer coisa que é lembrada) Qualquer escritura que não seja os Vedas. ao contrário de sutil. fino. Tamas: Uma das três substâncias sutis que constituem Prakriti. especialmente se apresenta leis sociais e domésticas. (sūkshma). os Vedas.

Upanishad(s): Escrituras muito ricas no seu conteúdo filosófico. também um dos seis sistemas da filosofia hindu. Vedānta: (lit. Vaishnava: Uma seita hindu que adora a Deus como Vishnu. reformista e filantropo bengali (1820 . Upāsanā: Adoração a Deus. Vīja Mantra(s): A(s) sílaba(s) sagrada(s). formam parte dos Vedas. o final dos Vedas) Os Upanishads.. Vaishya: Pessoa que pertence a casta dos comerciantes.1891). . Vātsalya: A atitude de um devoto que vê Deus como um filho. significa(m) Deus. o estágio no qual a pessoa se afasta da sociedade. Vānaprasthya: O terceiro estágio da vida ariana. Vidyāsāgar. Īshvar Chandra: Um grande educador. Vārānasī: Uma das mais sagradas cidades da Índia. Vāyu: O elemento ar.

Autor do épico hindu Mahābhārata.. fundador da Ordem Rāmakrishna e da Missão Rāmakrishna.Virāt: A deidade que preside o universo físico.htm . Vivekānanda. Vishistādvaita (Não dualismo qualificado): Fundada por Rāmānuja. de acordo com ela.ebys. é uma ramificação da filosofia Vedānta. união com Deus). Vishnu: O aspecto preservador de Deus. Swāmī: Renomado monge hindu. e a alma individual é parte de Brahman. Yoga: (lit. qualquer tipo de disciplina espiritual que leve a tal união. a alma e a natureza são aspectos de Brahman. Yama: Uma fase preliminar de disciplina moral prescrita na Rāja Yoga.br/hinduismo/o_que_ eh/SWAMI%20BHASKARANANDA%20%20O%20ESSENCIAL%20DO%20HIN DUISMO. primeiro pregador do hinduísmo no ocidente (1863 – 1902). Yogī (Yogue): Pessoa que pratica yoga.com. Arquivos gerais de hinduismo leitura recomendada    Voltar a Hinduísmo Voltar a Emerson Berlanda Yoga system http://www. o grande sábio do período védico e compilador dos Vedas. Vyāsa: Também conhecido como Vādarāyana.

Fonte de pesquisa: El Pensaniento Hindu (Vedanta) – Swami Ritajananda O QUE É E A VEDANTA? O termo Vedanta significa fim ou objetivo dos Vedas. A Vedanta é um conhecimento experimentado espiritualmente e seu objetivo é o . Ele não muda. Na busca pela verdade. Ela ensina que Deus não é uma pessoa. Ela diz: “Ajuda aos demais. é Espírito. nem a um livro sagrado. o Absoluto. um dia será forçado. O objetivo da Vedanta é o de nos auxiliar a alcançar a liberação desta vida. que relaciona a religião. não estando vinculada a nenhuma crença particular. que controla. É uma expressão muito antiga do pensamento hindu. é o objetivo da nossa vida na Terra. o Princípio Supremo. mas sem incluir nenhum dogma. Mesmo o homem materialista e amante dos bens e prazeres. A Vedanta nos ensina que não devemos buscar a Realidade suprema fora de nós e que não a alcançaremos enquanto não nos purificarmos e nos colocarmos completamente a serviço desse objetivo. Devemos purificar nosso espírito humano para compreendermos a Verdade. Esse é nosso dever e ideal. A sua beleza consiste em que nos orienta para a descoberta do “eu sou”. Se O buscarmos por meio do espírito. do “eu” e que nos faz compreender que nossa verdadeira natureza é a consciência pura. É eterno. A Vedanta nos mostra o caminho. a conservação e a destruição. nos ensina a prática espiritual. É uma luz que tudo ilumina. escrituras muito antigas que formam a base do hinduismo. A Vedanta nos diz que não existe contradição entre a filosofia e a ciência. que também é a prática de uma religião ideal. eterna. mas um princípio. Deus é infinito. ao mesmo tempo. a filosofia e a ciência. pela sua própria natureza. de resolver o mistério da existência. perfeita. tratando-se de um pensamento metafísico semelhante à religião. a descobrir as limitações dos prazeres mundanos. conhecemos dois caminhos: o da filosofia e o da ciência. acima de todo o visível. ao nos mostrar a harmonia universal. poderemos alcançar a realização do Absoluto ou Realidade Suprema. porque eles estão em ti”. transcendente. Nos diz como buscar a verdade em todos os sentidos. a criação. a nenhuma personalidade. O pensamento vedântico se refere a um Deus exterior a nós.

se manifestará. págs. cada um numa esfera. toda a humanidade obterá as mesmas capacidades. Essas nações se unem progressivamente e estou seguro de que chegará o dia em que toda esta separação terá desaparecido. até que todas se unem e se produz uma enorme agitação. a harmonia da Unidade. impregnará o mundo inteiro. Então essa Unidade. Uma imensa onda desce para o Oceano e nos arrasta com ela. para a qual todos vamos. com o tempo. . Todos os homens serão Jivan-Mukta. Vi sábios que eram tão hábeis no âmbito espiritual como no âmbito cientifico e tenho a grande esperança que. No final da viagem. e embora flutuemos à deriva como fiapos de palha ou pedaços de papel. Todos nos esforçamos para alcançar esse objetivo único através de nossas invejas e nossos ódios. depois outra e assim sucessivamente. 177-1778.Os sábios faziam essa pergunta: “Qual é a coisa cujo conhecimento basta para conhecer tudo?”. Gnana-Yoga. Agradaria a Deus que cada um de nós fossemos igualmente hábeis nas duas esferas. Cada indivíduo é como uma bolha e muitas bolhas são como uma nação. sabemos que chegaremos ao Oceano da Vida e de Beatitude. Chegará o dia em que cada homem será tão experiente no mundo cientifico como no espiritual. Se observarmos a água que começa a ferver. Essa Unidade. Ambos podem alcançar o bem. veremos primeiro uma bolha que sobe. A resposta está no Taitiriya Upanishad (no qual os Vedas estão inseridos como a escritura mais antiga): “Estes nasceram por Ele e depois voltam e se submergem Nele”. Todos trabalhamos. Palavras de Swami Vivekananda: Há dois tipos de seres humanos: uns buscam a espiritualidade e outros se fixam nos objetos materiais. liberados viventes. tanto quanto através de nosso amor e nossa fraternidade. Esse mundo se parece muito com isso.

Emerson Berlanda http://www.ebys. respectivamente.Neo vedanta Uma nova forma de abordar o hinduísmo Com o advento de Ramakrishna uma nova era começou. Swami Vivekananda. Vivekananda tinha a estrutura em mente. ele lançou as sementes e as idéias que foram colhidas por seu principal discípulo. mas ninguém hoje pode dizer que não pensou ainda que gostaria de mais paz e harmonia no nosso mundo atual. ajudado pela esposa de Ramakrishna.br/hinduismo/neo_vedanta/ . onde a inclusão é a finalidade e não a exclusão e o preconceito. "O Evangelho de Ramakrishna" e "O Grande Mestre”. Vivekananda tinha a compreensão da mensagem de Ramakrishna mas era Sarada que tinha a chave para abrir a porta para sua ação (de Vivekananda-Ramakrishna) e deu seu consentimento. para que haja paz e evolução mais acentuada de toda a humanidade. que as espalhou para o mundo. Sarada devi (a avatarine da nova era).com. A mensagem principal de Ramakrishna de que todas as religiões são verdadeiras deve ser a próxima meta da humanidade. mas quem nos apresentou a Sri Ramakrishna e o novo hinduísmo foram "M" (Mahendranath Gupta) e Swami Saradananda com seus livros. Esta meta parece ainda muito longe de ser alcançada.

A palavra dharma. mas de toda a Humanidade. Contudo. A maioria deles está na Índia. não significando com isso que era uma religião exclusiva dos Arianos. neste contexto. tinha uma fronteira comum com a antiga Índia. chamado em sânscrito como Sindhu. Sri Lanka. que naquela época era conhecida como Aryavarta . Pelos cálculos da maioria dos estudiosos estima-se que o Hinduismo é a religião viva mais antiga do mundo.a terra dos Arianos. Os Persas não conseguiam pronunciar a palavra Sindhu corretamente e a sua pronúncia era Hindu. mas existem hindus também no Nepal. Guiana. a Pérsia. Alguns estudiosos acreditam que Zoroastrismo. África do Sul. que pertence à família das línguas indo-européias. significa religião ou deveres religiosos. Atualmente existem aproximadamente 720 milhões de hindus.) Hinduismo é uma das principais religiões no mundo.a Eterna Religião. ou a Religião do Homem. O sinônimo inglês da palavra sânscrita Aria é ariano. que também é uma das religiões mais antigas do mundo. Os Arianos chamavam também a sua religião de Manava Dharma. O nome Hinduismo veio muito mais tarde. O que demarcava a fronteira comum entre a Pérsia e a antiga Índia era o rio Indus. do que o Cristianismo. que viviam no outro lado do rio . Um dos países vizinhos. Indonésia (Bali) e em alguns outros países. Era também chamada de Sanatana Dharma . Fiji. embora seja conhecido que é mais velha do que o Budismo. era a língua dos Indo-Arianos. tem a origem das suas escrituras na mesma fonte de onde veio o Hinduismo OS ANCESTRAIS DOS HINDUS E SUA RELIGIÃO Os ancestrais dos Hindus eram conhecidos como Arias. Ilhas Maurício. Sânscrito. ou indo-ário. Eles também chamavam os Arianos. e do Islã. significando com isso de que a sua crença estava baseada em algumas verdades eternas. é difícil determinar a sua idade exata.HINDUÍSMO (Ensinamentos extraídos do livro: “Os Fundamentos do Hinduísmo” de autoria do Swami Bhaskarananda. do que o Jainismo.

de Hindus..De onde o universo veio e como? II .Existimos antes do nosso nascimento? Tais questões desafiam a mente humana desde a aurora da civilização. é por não ter nenhum fundador conhecido. Esses sábios preferiram ficar no anonimato. da mesma maneira que as leis da gravitação já existiam quando foram descobertas por Newton. apareceram em cena. Vários santos e Divinas Encarnações. como é possível existir uma religião que não tenha um fundador? As eternas e supra-sensórias verdades descobertas pelos antigos sábios da Índia são os fundamentos do Hinduísmo.Se existe um Criador. da mesma fonte de onde tudo na criação veio. Assim a religião dos Arianos tornou-se conhecida como Hinduismo.Existimos após a morte? V . Os sábios também realizaram que essas Eternas Verdades vieram de Deus. em diferentes tempos. . Até mesmo aqueles que possuem as mentes mais inteligentes não encontraram respostas definitivas para essas questões.Sindhu. Quaisquer respostas que tenham sido encontradas estão baseadas em meras especulações. I . Se tivesse tido um fundador teria sido difícil ao Hinduísmo experimentar o tipo de evolução que experimentou durante os milhares de anos passados. encontraram as respostas e fizeram com que as mesmas se tornassem conhecidas por nós.O que acontece conosco quando morremos? IV . como ele é? Qual é a relação entre o Criador e a criação? III . representaram os seus papéis e enriqueceram o Hinduísmo com seus ensinamentos. Porém alguns santos iluminados espiritualmente. Pode-se perguntar maravilhado. com a ajuda de suas mentes purificadas. porque realizaram que essas Verdades devem ter sempre existido.. FUNDADOR DO HINDUÍSMO O Hinduísmo tem uma única diferença das demais religiões.

O hinduísmo acredita na onipresença de Deus e fala da presença da divindade em todos seres humanos. e quando essa divindade se torna completamente manifesta. Essas verdades foram preservadas na memória desses Sábios. O termo sânscrito Veda significa conhecimento. OS LIVROS SAGRADOS VEDAS .OS TEXTOS REVELADOS As Divinas Verdades são chamadas de Vedas. que as ensinaram a estudantes dignos através da instrução oral. não esta igualmente manifestada. Até mesmo para adquirir coisas do mundo ou para satisfazer suas paixões. que são ditados pelas escrituras. Kāma – satisfação dos desejos por prazeres sensórios . kāma e artha – que são mencionadas como sendo duas metas diferentes de dharma – são incluídas na categoria de dharma por alguns eruditos. Dharma – observância de deveres religiosos . que significa “liberação”. Moksha – liberação atingida através da realização de Deus O modo de vida hindu consiste na performance de uma série de deveres religiosos.A REALIZAÇÃO DE DEUS A INEVITÁVEL META O hinduísmo reconhece quatro metas da vida humana: . O propósito das práticas espirituais é manifestar essa divindade inerente. ou Dharma. Os Sábios Hindus consideravam essas verdades tão sagradas que por um longo tempo não colocaram as mesmas em forma escrita. pode ser alcançada apenas através da realização de Deus. um hindu deve considerar seu dharma. Moksha. que embora igualmente presente em todos. Por isso. tal pessoa é uma alma que realizou Deus e atingiu moksha. Artha – aquisição de coisas do mundo e dinheiro . .

A pessoa que possua nobres virtudes e que esteja engajada em fazer boas ações é apreciada no Hinduísmo. Um sábio chamado Krishna Dvaipayana Vyasa coletou essas verdades de diferentes fontes e registrou as mesmas no livro chamado os Vedas. Esses sábios ou santos eram chamados de Rishis ou Videntes. que também eram celibatários. Os textos mais antigos dos Vedas. Os Vedas tem quatro partes. tais como os hinos do Rig-Veda. Atharva-Veda. que tratam dos seguintes assuntos: Rig-Veda: dos rituais e do louvor às divindades. é aquele que experimentou diretamente Deus durante a sua vida. Celibato não é nada mais do que conservação de energia. Um sábio ou santo. Como eles aprendiam por ouvir e não por ler. as Verdades tornaram-se conhecidas como Shruti. que significa literalmente ouvir. ouviam essas Verdades. das fórmulas mágicas e dos mantras. porque viram essas Verdades com as suas mentes purificadas. mas não é considerada necessariamente uma pessoa santa. Yajur-Veda: das fórmulas sacrificiais. Equipados com tal memória os Sábios eram capazes de memorizar as numerosas Verdades Védicas.Esses Sábios tinham uma memória extraordinária adquirida através da prática do celibato. consegue aumentar muito o poder da sua memória e de outras faculdades mentais. Sama-Veda: dos cânticos usados nos rituais e dos mantras. No princípio os Arianos não eram uma nação unificada ou homogênea. Existiam muitas tribos Arianas. Além disso. estão escritos em uma forma arcaica do sânscrito chamada de sânscrito védico. Os Sábios da antiga Índia já sabiam que se uma pessoa não desperdiça sua energia através da perseguição desenfreada do sexo. a tradição Hindu não reconhece a santidade que é concedida pela canonização após a morte. memorizavam as mesmas e moldavam suas vidas de acordo com elas. Os seus alunos. no contexto do Hinduísmo. Algumas dessas tribos foram afortunadas em ter sábios que experimentaram as Verdades Divinas supersensórias. Com o tempo tornou-se necessário que as Verdades Védicas fossem reunidas e compiladas. Os outros benefícios do celibato são de uma grande longevidade e dharana shakti . particularmente da atividade sexual. .a habilidade de entender o profundo significado das escrituras.

Prajnanam Brahma . 2 . os textos Védicos devem ter pelo menos 4000 anos de idade.Tat tvam asi . Além dos Vedas. Dos 108 Upanishads disponíveis atualmente. os mais populares são: Isha. Kena. Três dessas quatro grandes sentenças falam da divindade de cada alma e a quarta sentença fala da natureza de Deus. Chhanbdogya. realmente. 4 . Sama-Veda. De acordo com a estimativa de muitos estudiosos.Ayam atma Brahma . Existem muitas controvérsias sobre a data em que Vyasa viveu.."Tudo. Aitareya. desfrutam de um lugar de honra muito especial e são consideradas as mais autênticas. Katha. São chamadas Mahavakyas ou Grandes Sentenças. Mandukya. menciona o épico Mahabharata em um dos seus trabalhos. Esse antigo sábio ainda é lembrado com muita gratidão pelos hindus que anualmente o homenageiam nas comemorações do seu aniversário. SAMHITA E BRAHMANA Como mencionado anteriormente. o autor do Mahabharata. os Vedas tem quatro partes: Rig-Veda. conhecidas como os Upanishads. "Sarvam khaly idam Brahma" . Krishna Dvaipayana Vyasa recebeu o nome de Veda Vyasa. é Brahman (Deus). 3 . porém deve ter sido anterior ao 4º Século a. O bem conhecido gramático hindu Panini.Em reconhecimento a esse trabalho monumental para compilar os Vedas. A primeira seção contém hinos e a segunda explica esses hinos e instruções e diz quando devem ser usados.C.a culminação do conhecimento. Mundaka.Este Ser sem morada é Brahman. Cada um desses trabalhos consiste de duas seções: Samhita e Brahmana.Aham Brahmasmi . A validade dos textos Védicos nunca é questionada. exceto os Darshanas e os Tantras. SMRITIS Todas escrituras Hindus. As quatro grandes sentenças são: 1 .Supremo Conhecimento é Brahman. Taittiriya.Os Vedas . provavelmente viveu antes do referido Século. Existem quatro declarações muito importantes nos Vedas.Tu és Aquele (Brahman).C. sendo escrituras reveladas. Mas os Vedas. Viasa.Eu sou Brahman (Deus). podem ser classificadas em duas categorias: 1 . O seu aniversário é chamado de Guru Purnima ou Dia do Guru. Shvetashvatara and Brihadaranyaka. que provavelmente viveu no 4º Século a. Os Upanishads são também chamados de Vedanta . UPANISHADS Os Vedas contém ainda algumas partes altamente filosóficas. o Hinduísmo tem outras escrituras. Prashna. Suas Verdades têm sido validadas repetidamente pelas experiências dos santos Hindus que apareceram em diferentes épocas. Yajur-Veda e Atharva-Veda. A mais importante mensagem dos Vedas é que tudo e todo ser é divino. Portanto.

6 – A escola Vaisheshika fundada por Kanada. São chamados de sistemas filosófico-religiosos porque seus fundamentos estão nos Vedas. exceto os Vedas. Markandeya Purana e Agni Purana merecem menção particular. Todas as escrituras. lado a lado com as histórias de vários clãs e dinastias arianas. sendo muito breves e concisos. Esses dois épicos que também são chamados de Itihasa contêm muitos ensinamentos das escrituras. OS DOIS ÉPICOS – O RAMAYANA E O MAHABHÁRATA Os Hindus orgulham-se de dois grandes épicos. que foram escritos mais tarde por outros estudiosos. que foram escritos respectivamente pelos sábios Valmiki e Vyasa. o Ramayana e o Mahabharata. Vários comentários tem sido escritos neste livro tais como os dos famosos comentaristas Shankaracharya (700-740). talvez a mais popular escritura do Hinduísmo. 3 – A escola Uttara Mimamsa. um livro popular do Hinduísmo. O Bhagavad Gita. De todos os dezoito Puranas disponíveis atualmente. em diferentes épocas. são os seguintes: 1 – A escola Sankhya fundada por Kapila. chamados Darshanas. está incluída no Mahabharata.2 .Os Smritis As escrituras Védicas constituem a autoridade final. 2 – A escola Purva Mimamsa fundada por Jaimini. que é Upanishads. ou Vedanta fundada por Vyasa. seis diferentes sistemas de filosofia. 4 – A escola Yoga fundada por Patanjali. chamada de Puranas. DARSHANAS ESCOLAS DE FILOSOFIA RELIGIOSA HINDU Foram desenvolvidos pelos sábios Hindus. O sistema filosófico chamado Vedanta não deveria ser confundido com o outro significado da palavra vedanta. Nos Puranas os ensinamentos das escrituras são apresentados através de estórias e parábolas. A abundância de ensinamentos morais e espirituais contidos nesses épicos elevou os mesmos ao nível de escrituras sagradas. São extremamente ricos em tesouros literários e conteúdos mitológicos. Ambas as escrituras o Ramayana e o Mahabharata tem muitos exaltados caracteres que são considerados como personagens modelos para mente religiosa Hindu. As escrituras pertencentes à categoria smriti somente têm uma autoridade secundária. entre os quais o Bhagavata Purana. . Estão além do âmbito de entendimento da maioria das pessoas. é conhecido como Vedanta Darshana ou Brahmasutra. com o objetivo de apresentá-las de uma forma interessante e de fácil entendimento. Skanda Purana. é atualmente uma parte do Markandeya Purana. Vayu Purana. Os sutras. Os sábios da Índia criaram um tipo especial de literatura religiosa. Ramanujacharya (1017-1137) e Madhvacharya (1199-1278). PURANAS As mais profundas verdades das escrituras do Hinduismo são muito difíceis e confusas. O tratado de Vyasa. necessitam de notas explicativas ou comentários. O Chandi ou Devimahatmyam. pertencem à categoria smriti. chamados sutras em sânscrito. que forma a base do sistema Uttara Mimamsa. Todos os autores desses sistemas religioso-filosóficos escreveram tratados originais usando aforismos muito concisos. Os também chamados de Seis Sistemas de Filosofia Hindu. 5 – A escola Nyaya fundada por Gotama. Padma Purana.

historiadores e filologistas têm de forma conjunto ou independente tentado descobrir o lar original dos Indo-Arianos. A relação entre Shiva e Shakti é como a relação entre o fogo e o seu poder de queimar. Quando Parvati assume o papel de professora e Shiva de aluno. Contêm um diálogo entre Sri Krishna. chamados de Shiva e Shakti respectivamente. Rudra Yamala. Eles não tinham formado ainda uma sociedade urbana.O BHAGAVAD GITA Esta escritura popular Hindu faz parte do Mahabharata. portanto. Swami Vivekananda acreditava que os Indo-Arianos são nativos da Índia e não vieram de qualquer outro lugar. Shakti. . Shakti é o poder criativo de Shiva. tem muitos outros nomes. Porém. esses textos são chamados de Agama. Kulasara. Deus é visto sendo ao mesmo tempo como um princípio masculino e feminino. antropólogos. os textos são chamados de Nigama. Alguns dizem que vieram da Ásia Central. OS TANTRAS Lado a lado com as disciplinas Védicas. o Hinduismo tem um outro conjunto de disciplinas paralelo chamado de Tantras. Shiva pode ser comparado à energia potencial e Shakti à energia cinética. A literatura do Tantra é muito vasta. Quando a energia potencial torna-se ativa é chamada de energia cinética. Em resposta às questões feita por seu discípulo Arjuna. Nas disciplinas de Tantra. ARIANOS E SEU GOTRA Nos tempos antigos os Arianos eram um povo nômade. Prapanchasara. e um príncipe ariano chamado Arjuna. podemos mencionar: Mahanirvana. Um deles é Parvati. Kularnava. Há muita controvérsia entre os estudiosos sobre de onde eles vieram. O Bhagavad Gita contêm os ensinamentos mais essenciais dos Upanishads. outros dizem que vieram do Ártico e outros ainda afirmam que vieram de muitos outros lugares. De uma forma recíproca quando Shakti é inativa é chamada de Shiva. Entre os 64 textos mais importantes.. Esses ensinamentos constituem um grande tesouro do Hinduismo. dando a esta escritura um status quase igual ao que tem os Upanishads. Visnu Yamala. TEORIAS SOBRE A ORIGEM DOS INDO-ARIOS É muito difícil chegar a uma decisão definitiva sobre a origem dos Indo-Arianos. Em termos científicos modernos. Quando Shiva se torna ativo é chamado de Shakti. uma Encarnação Divina. Eles estão sempre inseparavelmente unidos. Por muitas décadas arqueologistas. Levavam constantemente os seus rebanhos de um pasto para outro. Nos diálogos onde Shiva é quem fala sobre os ensinamentos espirituais e Parvati é quem ouve. Brahma Yamala e Tantraraja.. A sua riqueza e sustento dependiam principalmente do gado. Tantra é um sistema religioso que inclui a todos e é capaz de ajudar o homem em todos os níveis de crescimento espiritual. Tem disciplinas espirituais adequadas para as pessoas do mais elevado ao mais baixo nível cultural. Os textos das escrituras de Tantra são comumente apresentados na forma de diálogos entre Shiva e Parvati. Sri Krishna dá excelentes ensinamentos espirituais.. É a Shakti que criou este mundo.

Aquele que era dotado de qualidades marciais se ajustava à casta Kshatriya. De acordo com Manu. os que não pertenciam ao sistema de castas. Como esses abrigos eram pequenos em número. não desfrutavam do mesmo status que aqueles que pertenciam ao sistema de castas. Os Indo-Arianos eram divididos em quatro castas ou categorias sociais. Os descendentes desses Arianos. agora chamados Hindus. apresentava-se usando o nome do seu Gotrapati. “Um homem nascido duas vezes que conscientemente come cogumelos. cebola ou alho poro. eram tratados como inferiores e recebiam o nome de “intocáveis”. serenidade de mente. ou casta sacerdotal. que são considerados como Rishis ou Sábios. Tinham um status mais baixo na sociedade Ariana. por razões óbvias. Reis e administradores vinham geralmente da casta Kshatriya. atualmente como muitos séculos já passaram esse costume não é observado tão estritamente. Kashyapa e outros. Quando um ariano de uma clã. Similarmente. não-violência. . Os que não eram Arianos e os descendentes dos Arianos que violavam as leis da sociedade Ariana concernentes à comida. Como resultado. mas não existe evidência que prove de que essas pessoas eram maltratadas ou odiadas naquela época.Durante certas estações do ano os rebanhos necessitavam proteção das devastações provocadas pelas severas situações climáticas. 8. Por exemplo. Alguns deles foram reconhecidos mais tarde como almas espiritualmente iluminadas. Embora não pertencessem a nenhuma das castas eram respeitados por todos. ou casta dos comerciantes. o gado de uma família freqüentemente se misturava com o gado de outras famílias e as surgiam disputas sobre a propriedade de cada família. etc. matrimônio e assim por diante. Arianos que eram dispensados do sistema de castas e os descastados ou intocáveis. Os descastados. torna-se um descastado”. o casamento entre membros do mesmo Gotra é proibido. Possuído de grandes virtudes espirituais e morais. Nem todos os Arianos aderiam ao sistema de castas. compaixão e inegoísmo pertenciam à casta Brahmin. Mas. Assim. artesãos. Durante o inverno rigoroso. Uma pessoa dotada naturalmente com nobres qualidades como: veracidade. O abrigo para o gado é chamado de gotra em Sânscrito. carregam consigo a mesma tradição e usam o nome do seu Gotrapati para identificar-se. ou da estação das chuvas o gado era mantido em abrigos seguros. que significa Senhor ou Mestre do Gotra. qualquer pessoa que tinha o talento natural e perspicácia para os negócios pertencia a casta Vaishya. porco. todos os monges renunciantes ou Sannyasins estavam acima das regras de castas. Bharadvaja. muitas famílias Indo-Arianas eram obrigadas a deixar o seu gado no mesmo abrigo ou gotra. Os outros pertenciam à casta Shudra. frango. Mais tarde. alho. operários. o mais famoso legislador. ou casta militar.9. Originalmente o sistema de castas tinha uma base qualitativa e todas as castas eram tratadas igualmente. Para resolver essas disputas eram indicados supervisores para atuar com juízes e dar veridictos justos. conhecidas como sistema de castas. espera-se de todo Hindu que ele se lembre do nome do seu ancestral Gotra. Essa quarta casta incluía fazendeiros. durante a fase decadente do sistema de castas. tal como Shandilya ou Bharadvaja. Esses supervisores eram dotados de grandes virtudes morais e espirituais. ou família. Para evitar-se procriação consangüínea. eram normalmente considerados descastados. era considerado a pessoa certa para ensinar e guiar outros espiritualmente. Essa divisão estava baseada originalmente nas qualidades inerentes ou “carreira potencial” dos indivíduos. Eram apontados como supervisores por causa do seu exaltado caráter e eram chamados de Gotrapati. ou os descastados. Dentre esses venerados Gotrapatis encontramos Shandilya. O sistema de castas degradou-se quando se tornou hereditário. encontrava alguém que pertencia a uma outra clã ariana.

independente de casta. Existem ainda alguns políticos e outras pessoas que por motivos ulteriores tentam manter o sistema vivo promovendo o ódio e o conflito entre as castas. OS QUATRO ESTÁGIOS DA VIDA ARIANA Na antigüidade. esperava-se que os hindus. Cada casta era considerada essencial para a sociedade Ariana. As castas. Atualmente as pessoas cultas da Índia são unânimes em condenar o continuísmo debilitado e ainda demorado do espectro de sistema de castas. o governo indiano deu a todos os seus cidadãos. os Shudras.Originalmente à cada casta era dada igual importância. ocupavam posições de reis. Os Vaishyas pertenciam à classe seguinte mais baixa. reis ou oficiais militares. Por exemplo. reduzidos à classe mais baixa. ocupavam posições de respeito e honra na sociedade. Os Kshatriyas. a condição dos intocáveis ou dos descastados tornou-se ainda pior. O governo da Índia também promulgou uma lei em 1949 banindo a intocabilidade. cor. o ódio e conflito entre as castas. administradores ou guerreiros e podiam desfrutar da riqueza e do poder. No entanto. Bolsas de estudo e outras providências especiais foram concedidas aos membros de classes desprivilegiadas para encorajá-los a buscar uma educação mais elevada. ambos Sri Chaitanya e Sri Ramakrishna ensinaram aos seus seguidores que os amantes de Deus não tem nenhuma casta. constituía-se na classe mais sofrida. podiam encontrar satisfação enriquecendo-se através do comércio. Sob essas circunstâncias. sexo ou religião. Não obstante. A disparidade nos privilégios corrompeu o sistema de castas e eventualmente criou o ciúme. tornaram-se hereditárias pelas pessoas auto-interessadas nas posições de poder e autoridade. Mahatma Gandhi (1869-1948). Como resultado o sistema de castas degenerou-se. Muitos reformadores sociais também condenaram o degenerado sistema de castas. Mais. Brahmacharya – o estágio do estudante . Sannyāsa – o estágio do monge ou asceta . era um crítico ferrenho dos males desse sistema. Tradicionalmente não eram ricos. Desde que a Índia se tornou uma nação independente em 1947. Vānaprasthya – o estágio do afastamento . que originalmente eram determinadas pelas qualidades e aptidões do indivíduo. então conhecidos como arianos. interesses adquiridos foram introduzidos sorrateiramente. Através dos anos muitos Santos Hindus desaprovaram energicamente o decadente sistema de castas e se recusaram até mesmo a reconhecer esse sistema. Embora nunca pudessem ser sacerdotes. que pertenciam à classe mais alta. incluindo a mais alta educação e a educação Védica. Os Brahmins. Uma prova disso é que nos últimos anos alguns casamentos entre membros de castas diferentes tem sido realizados pela população mais educada e influente da Índia. que pertenciam à segunda classe mais alta. passassem por quatro estágios da vida ariana: . Gārhasthya – o estágio do chefe de família . Mas. com o passar do tempo. eram incluídos na erudita classe sacerdotal. os mesmos direitos de acesso à mais alta educação e outras providências foram tomadas pelo governo nesse sentido. seus esforços estão fadados a falhar. e por lhes serem negados muitos privilégios. Queriam perpetuar os privilégios sociais de suas castas básicas. o bem conhecido líder político da Índia que sempre lutou pela liberdade. Educando as massas e elevando o seu nível de vida junto com a saudável educação religiosa erradicará esse decadente sistema de castas. porque mais e mais pessoas estão se educando e deixando de acreditar nesse sistema. Algumas castas eram consideradas artificialmente como sendo “altas” ou superiores e outras castas como “baixas” ou inferiores.

um ritual de adoração específico tem de ser executado. (5) dar nome ao bebê. (2) honras pós funerárias para os que partiram (a cerimônia da Shrāddha). existem rituais religiosos prescritos para (1) o funeral dos que partiram. Um pouco de pó de ouro é . (9) a Upanayana ou. (7) o primeiro corte de cabelo do bebê. (4) entrar numa casa nova. Manter a boa imagem da família é um dos principais deveres de seus membros. (3) a construção de uma nova casa. as escrituras dizem que um hindu não precisa ser estrito na observância das injunções e proibições das escrituras quando em um terra estrangeira. O corpo do falecido ganha um banho e é vestido com roupas novas. não necessariamente por sua riqueza. (3) as preces para o bem estar de uma mulher grávida. Para todos esses eventos. vão viver com a família do marido. Por exemplo. O tamanho normal de uma típica família hindu é geralmente muito maior do que uma família no ocidente. OS FUNERAIS HINDUS Os hindus geralmente cremam seus mortos. As meninas. (8) a introdução da criança a seus estudos. se tais circunstancias não forem favoráveis a tais observâncias. em sânscrito chama-se samskāra. (2) a consumação do casamento. Pasta de sândalo é aplicada no corpo que é então enfeitado com flores e guirlandas. (5) iniciação espiritual. e também com os avós. A respeitabilidade de uma família hindu é determinada pelas virtudes morais e pelo nível cultural de seus membros. quando se casam. que dizem respeito ao (1) casamento. assim preservando o seu nível moral e cultural. irmãs solteiras. e em circunstancias especiais tais lapsos são até mesmo perdoados pelo hinduísmo. Todos os importantes eventos da vida hindu têm de ser santificados através da observância religiosa. CASAMENTOS HINDUS – ANTIGOS & MODERNOS A sociedade hindu é muito mais orientada para a família do que as sociedades no ocidente. Existem muito poucas famílias nucleares na sociedade hindu. cerimônia do cordão sagrado. e (10) o retorno do estudante para casa ao completar seus estudos no lar do mestre.HINDUÍSMO – UM MODO DE VIDA Muitos eruditos têm corretamente descrito o hinduísmo como um modo de vida. Os filhos casados vivem com seus pais. nem todos os samskāras mencionados acima são seguidos com tanto rigor. irmãos. Existem dez desses samskāras. Esse ritual de santificação ou sacramento. (4) o nascimento de uma criança. (6) dar ao bebê o seu primeiro alimento sólido. e esperasse que todos os membros de uma família sustentem ou elevem a boa imagem da família. com a passagem do tempo e por causa dos diferentes estilos de vida dos hindus. Hoje. e (6) a chegada das meninas à puberdade. Fora os acima mencionados.

como nas pedras. SERÁ QUE OS ANCESTRAIS VÉDICOS DOS HINDUS COMIAM CARNE ? Os ancestrais védicos dos hindus comiam. Apenas touros. O PAPEL DA COMIDA Desde o início do período védico. e mesmo é verdade para os hindus que vivem no ocidente.” Toda comida. Deus está mais manifestado em uma Encarnação Divina ou em um santo. O hinduísmo. bezerros e vacas estéreis eram mortos por sua carne. Deus deve também estar presente na vaca. entre outras coisas. Um parente próximo. O antigo legislador Manu descreveu detalhadamente que alimentos são proibidos e quais são permitidos. nas plantas e em outras formas inferiores de vida. ele acende a pira funerária.. Nem todos os tipos de comidas são considerados bons para o bem estar físico e espiritual das pessoas. caso contrário. Portanto. e existem razões válidas para acreditar que os arianos védicos comiam carne vermelha sim. isso contradiria a idéia de Sua . Após alguns cantos de purificação e rituais de adoração. depois de tocar o corpo com a tocha. Uma pergunta feita com freqüência é a se os ancestrais védicos dos hindus comiam carne vermelha.também espalhado em diferentes partes do rosto e do corpo. como as outras religiões teístas do mundo. geralmente o filho mais velho. e ainda menos manifestado nos animais. mas não igualmente manifestado. do que nos seres humanos normais. e como todos os rios eventualmente desembocam no mar. acende uma tocha e caminha ao redor da pira enquanto recita uma prece pelo bem estar da alma que partiu. embora vacas leiteiras nunca fossem mortas. deveria primeiramente ser oferecida a Deus. com a cabeça para o norte ou para o sul. o mar é considerado muito sagrado. acredita que Deus está presente em todos os lugares. “o que não deve ser morto”. Ela está igualmente presente em todos os seres e em todos os lugares. os corpos são cremados em crematórios modernos. Uma vaca leiteira era chamada de aghnyā. Em algumas grandes cidades indianas. Manu diz: “Não existe pecado em comer carne. certos tipos de carne permitidos pelo seu livro de leis (Smriti). o que quer dizer. uma grande importância tem sido dada à que tipo de alimento pode ser comido sem riscos pelos indo-arianos. mas a abstenção traz grandes recompensas. As cinzas são mais tarde colocadas num rio sagrado ou no mar. Apesar do consumo de carne ser permitido. Manu recomendava o vegetarianismo baseado na não-violência. A VACA É SAGRADA ? No ocidente existe a idéia de que os hindus não comem carne vermelha porque consideram a vaca um animal sagrado.. Essa noção não é correta. o corpo é colocado na pira funerária. inclusive carne.

A idéia de harmonia entre as religiões é um ingrediente fundamental do hinduísmo. a noite e a tempestade eram todos deificados e adorados como deuses. o fogo. O grande sábio Manu declarou: “A pessoa deve conhecer o Espírito Supremo que tudo governa. insondável e impossível de ser conhecido por mentes humanas comuns. Os sapatos e outros bens essenciais eram feitos com o couro da vaca. os homens. Tal princípio já existia antes mesmo que os deuses. a principal fonte de óleo comestível para os arianos. ou o “hino da criação”. mas sim. ou puro espírito. A terra. Na antiga e nômade cultura indo-ariana. é muito menos pronunciada do que em seres humanos. mas também cria uma firme fundação para a universalidade e a tolerância no hinduísmo. e porque não uma vaca? Mesmo assim. ou qualquer outra coisa na criação existisse. Acreditasse que num estágio inicial. Está além do mundo do espaço e do tempo. henoteístas. A manteiga clarificada. designado como AQUILO. do Rig-Veda. num animal. As afirmações védicas como: “Ekam sad viprā bahudhā vadanti”“Apenas Um existe. o sol. os arianos desenvolveram um sentimento especial de predileção em relação as vacas. as vacas tinham um papel muito útil. capaz de ser realizado pela . os ancestrais dos hindus tenham sido politeístas. O hino Nāsadīya. o amanhecer. a água. e o criador deste universo. Esse princípio é a pura consciência. pois o seu leite nutria os arianos. era também usada nas lâmpadas à óleo. a mente indo-ariana descobriu um denominador comum por detrás dessa multiplicidade de deuses. um hindu jamais consideraria uma vaca como sendo superior a um ser humano. não só enfatiza a unidade de Deus. partindo provavelmente de um ponto de vista utilitário. e é a partir desse princípio único que o mundo dos Muitos evoluiu. os ancestrais dos hindus não eram politeístas. Mas enquanto os deuses eram glorificados pelos hinos védicos. o céu. DEUS Desde o início. nos conta numa linda e poética linguagem a respeito de um único e primordial princípio. A genialidade indo-ariano finalmente chegou Àquele que é a única causa de tudo. Assim. Gradualmente. o vento. de gloria resplandecente. Após essa realização divina. a partir do qual o mundo inteiro evoluiu. que em sânscrito védico chama-se Brahman. Sendo Ele o que há de mais sagrado. e os sábios chamam-No por vários nomes”. extremamente abstrato. o que quer que tenha a Sua presença tem de ser sagrado. o hinduísmo vem evoluindo. o Senhor de todos os deuses. mais sutil que o mais sutil. De acordo com Max Müller. e o esterco seco era usado como combustível. os textos védicos repetidamente ecoaram a verdade a respeito da unidade de Brahman. pois a manifestação de Deus em uma vaca. as pessoas dirigiam-se e referiam-se a cada um desses deuses como sendo o Deus Supremo. o Único Deus.onipresença. além da multiplicidade.

Deus. a pessoa existe no espaco-sonho e no tempo-sonho. Deus nesse estado transcendental é eterno. não acomoda qualquer tipo de separação em Si próprio. que em português eqüivale ao pronome demonstrativo “Aquilo”. são fatores de separação. Em seu mundo dos sonhos. antes da criação. Nirguna Brahman é Infinito. Portanto. pois a personalidade é uma limitação. e isso destingue o fogo da água. Ao transcender o espaço. Deus não pertence ao tempo e ao espaço deste mundo. Atributos ou qualidades. Indra (o Glorioso). Pranā (a Fonte da vida). Ele também criou o tempo e o espaço. Nirguna Brahman não pode Ter uma personalidade. Alguns chamam-No Agni (o Fogo). a existência précriação deve estar além do tempo e do espaço. espaço e causalidade. que não tem tal qualidade. o Deus impessoal e sem atributos. . Da mesma forma. O hinduísmo sustenta que quando Deus criou o mundo. Livre das constantes mudanças geradas pela causalidade. NIRGUNA BRAHMAN Se perguntarmos. outros chamam-No Manu (o Pensador).meditação daqueles de mente pura. infinito e imutável. Nirguna Brahman é imutável. No hinduísmo. Aqui. os pronomes “Ele” ou “Ela” não podem ser usados para denotar Nirguna Brahman. então a resposta do hinduísmo será que Deus. Os Vedas usam o pronome neutro do sânscrito “Tat”. Nesse estado Deus está além de todas as limitações que são impostas pelo tempo. a resposta lógica será “apenas o criador existia. ou o Espírito Supremo. Por exemplo. porque então. Não tendo uma personalidade. “Quem existia antes da criação?”. em seu estado transcendental de existência chamase Nirguna Brahman. Ao transcender o tempo. ou livre de todas as qualidades. a palavra “transcendental” significa que a existência de Deus estava além do nosso tempo. Consideremos uma pessoa que dormiu e está sonhando. ou Prajāpati (o Senhor das criaturas). A existência de Deus nesse estado pode ser chama da de “a verdadeira existência de Deus”. nem feminino. Portanto. ambos criados por sua própria mente quando ela criou o seu mundo dos sonhos. ou Deus”. o poder de queimar é uma qualidade do fogo. Mas se perguntarmos. pelo espaço e pela causalidade. o Brahman Supremo. Nirguna Brahman é Eterno. Assim. “Como era Deus antes da criação?”. e o eterno Brahman (o grandioso). a existência de Deus antes da criação deve ser uma existência transcendental. indicando que Nirguna Brahman não é nem masculino. Porque Nirguna Brahman é Um. Nirguna Brahman deve ser sem atributos. estava em seu estado de existência transcendental. pois esses pertencem exclusivamente a este mundo. Não aceite imitações. Nirguna Brahman está também além de gêneros. Indivisível e Infinito. Usemos a ajuda de uma analogia para esclarecer essa idéia. A pessoa já não pertence ao tempo e ao espaço de seu estado desperto. Em seu estado de sonho ela transcendeu o tempo e o espaço de seu estado desperto.

Nirguna Brahman impessoal parece tornar-se o Brahman pessoal. Através da Sua māyā. Nirguna Brahman permanece imutável. de acordo com o hinduísmo.O hinduísmo também usa expressões como “Verdade Absoluta”. Similarmente. Ele se manifesta como esse universo multifacetado. Ele é onipotente. e sem saber projeta caraterísticas. projetam suas limitações em Nirguna Brahman. a idéia de um Deus pessoal não é a verdade última. onisciente e onipresente. Ele criou o mundo com o bem e com o mal. ou Īshvara. Nirguna Brahman jamais pode ser descrito adequadamente através de palavras e expressões finitas. com a sua mente finita. Nirguna Brahman não sofre qualquer mudança ou modificação. Embora sem forma. o céu parece avermelhado. Não obstante. d iz que afirmações védicas tais como Sat-Chid-Ānandam–“Brahman é a Existência Eterna. Através da Sua mera vontade. um vermelho. “Consciência” e “Bem-aventurança Infinita” para designar Nirguna Brahman. O Deus pessoal no hinduísmo chama-se Saguna Brahman. ou qualidades. ou Deus pessoal. em Nirguna Brahman. Ele está além do bem e do mal do mundo. ou Saguna Brahman é o criador deste mundo. Shankarāchārya. embora na realidade não mude absolutamente. . Para o homem que está no mundo do tempo. O seu veneno afeta apenas os outros. o céu parece cor de rosa. Portanto. pertencentes ao nosso mundo de limitações. o Conhecimento Absoluto e a Bem-aventurança Infinita”. assim também. projeta as limitações de sua mente finita em Nirguna Brahman. O imutável e infinito Nirguna Brahman parece adquirir as limitações de uma personalidade. espaço e causalidade. através de Seu mágico poder divino. Da mesma maneira que o céu avermelhado e o céu esverdeado são na verdade o mesmo céu. É o mesmo que uma pessoa olhando para o céu azul através de três pares de óculos. Na realidade. só que experienciado através do véu do tempo. ĪSHVARA Quando uma pessoa. Quando ele usa os óculos vermelhos. um conceito inferior de Deus. São essencialmente uma e mesma coisa. Ele é como uma cobra venenosa. nunca uma descrição Daquilo. o céu parece esverdeado. Do ponto de vista de Nirguna Brahman. que assim adquire uma personalidade que lembra muito uma personalidade humana. o Deus pessoal não é outro que não o Deus impessoal. essas cores são projetadas no céu pelos óculos coloridos daquele que olha. Na realidade. Esse é. um Deus pessoal e um Deus impessoal. Māyā. um verde e um cor de rosa. Mas independente dos termos usados. não importa o quão glorificada. tenta pensar no infinito Brahman. Nirguna Brahman parece tornar-se finito para ela. e quando ele olha através dos óculos cor de rosa. Resultando disso.são apenas dicas a respeito da natureza de Nirguna Brahman. Nirguna Brahman é indescritível. quando ele usa os óculos verdes. não são essencialmente diferentes um do outro. Ele assume várias formas. O céu não muda de cor. O grande santo e filósofo hindu. relativamente falando. que não é afetada pelo veneno em sua boca. as mentes finitas das pessoas. sem saber. Īshvara. e apesar do mundo estar Nele. como os óculos coloridos. ou Nirguna Brahman. e o Deus pessoal não é diferente do Deus impessoal . pois a mente humana só pode pensar em termos humanos. do espaço e da causalidade.

embora os hindus vejam -No como pai e mãe. e viam-No como sendo o seu Marido Divino. Deveríamos entender claramente que as deidades não são muitos diferentes deuses. a exercer posições exaltadas. Īshvara. Muitas das grandes santas do hinduísmo consideravam-se casadas espiritualmente com Deus. inclusive das estrelas e os planetas. Ele chama-se Brahmā. Esses seres exaltados adquirem corpos brilhantes que emanam luz. De acordo com Srī Rāmakrishna. Essa ordem moral. Muitos santos do hinduísmo. que se chamam Rita em sânscrito. pois tais relacionamentos não são nada além de projeções mentais em Īshvara. como Kamalākānta. Esses aspectos básicos de Īshvara chamam-se Brahmā. e quando Ele destrói. Īshvara é também o originador e sustentador da eterna ordem moral neste mundo. a deidade Lakshmī personifica Īshvara como sendo o doador da riqueza e da prosperidade. Tais relacionamentos eram puramente mentais e completamente livres de qualquer associação com o corpo físico. e até mesmo como um marido. a palavra . Srī Rāmakrishna e outros. e assim apressar a realização de Deus. Ele chama-se Shiva. a preservação e a destruição andam de mãos dadas neste mundo. este pode também estabelecer outros tipos de relacionamento com Īshvara. tal aspecto é personificado na deidade Sarasvatī. Īshvara não é masculino ou feminino. Algumas santas viam Deus como sendo uma Criança Divina. mas também o preservador e o destruidor. AS DEIDADES NO HINDUÍSMO Ao lado dos três aspectos básicos. Īshvara tem vários poderes e aspectos. e de acordo com a atitude mental do devoto. mantém a regularidade e a ordem de tudo neste universo.Īshvara é não somente o criador. Ele chama-se Vishnu. tem esses três aspectos básicos. que são: (1) o aspecto criador. (3) o aspecto destruidor. Rāmprasād. quando um hindu pensa em Īshvara como o doa dor do conhecimento e da sabedoria. mas sim personificações de vários aspectos do mesmo e único Īshvara. são promovidas após suas mortes. como uma criança. Eles podem vê -Lo como um amigo. tais atitudes para com Deus podem gerar sentimentos de grande intimidade entre Deus e o devoto. (2) o aspecto preservador. Da mesma maneira. viam Deus como sendo a Mãe Divina. A criação. Um ou mais desses aspectos estão personificados nas deidades do hinduísmo. ou leis básicas. respectivamente. enquanto Ele preserva. DEVAS E DEVĪS SERES COM CORPOS BRILHANTES Certas criaturas que acumularam muitos méritos enquanto na terra. Por exemplo. um famoso santo da Índia do século 19. portanto. Quando Īshvara cria. Em sânscrito. Vishnu e Shiva.

ou muito grandes. teremos de admitir que a existência de tais seres não é impossível. Similarmente. que considera todo o universo material como sendo o seu próprio corpo. quase como os poderes de Deus. os leucócitos os atacam. Ele é a inteligência cósmica. glóbulos sangüíneos brancos. Se fosse possível que alguém conversasse com um leucócito e dissesse: “Veja. quando alguns germes entram no corpo. merecendo assim a adoração de todos. Ele foi o primeiro ser criado por Deus (Īshvara). Adhishthātri Deva e Adhishtātrī Devī. Hiranyagarbha é o deva que controla o total de todas as mentes individuais deste universo.div significa “brilhar”. Nossos condicionamentos mentais dificultam a aceitação da idéia de um deva ou devī soberanos. Também sabemos que no corpo humano existem os leucócitos. e através da vontade de Īshvara. Tais domínios podem ser sutis ou grosseiros. Adorar qualquer um deles. ou muito pequenos. em outras palavras. da mesma forma. Hiranyagarbha criou este mundo e é a primeira manifestação de Deus (Īshvara). Quando o efeito dessas ações meritórias se cumpre. o Criador. e assim. O maior dos devas é Hiranyagarbha. Se formos imparciais. e existe um ser que acha que esse universo é o seu próprio corpo. OS DEVAS E DEVĪS SOBERANOS O hinduísmo fala a respeito de devas e devīs que presidem – em sânscrito. esses seres são chamados de devas (masculino) e devīs (feminino). Por exemplo: Indra é o deva que controla os braços e mãos de todas as pessoas. e o hinduísmo afirma que tais seres existem. Hiranyagarbha tem poderes. que parecem ter um inteligente senso de dever para proteger o corpo de intrusos prejudiciais. . os Purānas deificam Hiranyagarbha ao nível de Īshvara. Para uma melhor explicação. consideremos o corpo humano como sendo um universo limitado pela pele. eles tem de nascer novamente como seres humanos. Exceto Hiranyagarbha.” O leucócito muito provavelmente diria: “Você esta brincando?” Nós somos muitos parecidos com esse leucócito. você vive num universo limitado pela pele. Hiranyagarbha considera o total de todas as mentes como sendo a sua própria mente. o deva que controla a totalidade dos corpos materiais neste universo é Virāt. Mesmo sendo uma criatura. que possui infinitos poderes. Ele é o deva soberano do seu universo. esses seres não são almas iluminadas ou liberadas. pois Hiranyagarbha é infinito e contém o mundo inteiro. Todos os outros devas e devīs existem em Hiranyagarbha. quando então chama -se Brahma. não sendo prudente dispensar tal idéia como ridícula. Eles adquirem posições exaltadas através de seus méritos na terra. ou que controlam os vários domínios animados e inanimados deste universo. e que comporta todas as minúsculas formas de vida existentes ali. Em alguns momentos. assim sendo. é como adorar o próprio Hiranyagarbha.

Deus encarnou várias vezes desde o início da criação. Essa é a visão de alguns eruditos hindus. Deus encarnou como seres subumanos. não eram colocados na mesma categoria dos outros seres humanos. o Shrīmad Bhāgavata. Ele então é conhecido como uma encarnação divina. E para explicar isso. eles não eram completamente humanos. A pessoa pode se perguntar a respeito do porque de Deus ter encarnado em outras formas que não a humana. O Adhikārī Purusha. o Īshvarakoti ou o Kalpaniyāmaka Īshvara do período pós-védico não são diferentes da encarnação divina do período dos Purānas. Mais tarde. deve ser a mesma para seres humanos e seres subumanos. ou quando a Sānkhya e outras escolas de filosofia desenvolveram-se na Índia. a mais antiga escola de filosofia religiosa hindu. mas não foi interpretado corretamente durante o período védico. quando as diferentes escolas de filosofia hindu desenvolveram-se. Os Adhikārī Purushas. e o surgimento e evolução das formas de vida na terra. seguidos de animais terrestres como os javalis. e mais tarde como um javali. depois como uma tartaruga. quando a religião declina e a irreligião prevalece. quando os primeiros ancestrais dos homens apareceram. menciona a possibilidade de inumeráveis encarnações divinas. A ciência nos diz que as primeiras formas de vida na terra eram animais aquáticos e peixes. o hinduísmo traz a nossa atenção para o fato de que todas as criaturas foram criadas pelo mesmo e único Deus compassivo. Alguns poucos ofuscaram os outros em seus sucessos espirituais. Entretanto. ou sábios. como um peixe. Somente bem mais tarde. Primeiro. Caso contrário. sempre que tal necessidade surja. mas falam a respeito de Rishis. uma idéia inaceitável. os vedas não falam a respeito de encarnações divinas. Deus torna-se algo parcial. embora nem todos os sábios fossem do mesmo calibre espiritual. Depois disso. A Sānkhya. Avatāra. tal fenômeno foi interpretado corretamente. Um dos Purānas. que causa a Sua decida à terra como uma encarnação divina. esses sábios exaltados vieram a ser conhecidos como Adhikārī Purushas – pessoas dotadas de poder e autoridade super humanas.AS ENCARNACÕES DIVINAS De acordo com o hinduísmo. A infinita compaixão de Deus. é de fato muito marcante. e fará o mesmo no futuro. mas sim uma combinação de animal e humano. Deus em Sua compaixão. chamaria um Adhikārī Purusha de Īshvarakoti ou Kalpaniyāmaka Īshvara. Todas as Suas encarnações subseqüentes foram como formas humanas. Nas primeiras poucas vezes. . Então vieram os anfíbios. embora humanos. encarna na terra para revitalizar a religião. tais como as tartarugas. O fenômeno da encarnação divina tem estado presente. Então Ele encarnou como uma combinação de animal e humano. O paralelo entre as encarnações divinas. ou em sânscrito. por serem extraordinários. durante o período dos Purānas. Algumas das outras escrituras mencionam apenas dez.

São as criaturas que são responsáveis pelo próprio desfrute e sofrimento. A palavra karma significa ação. ajudando-os a atingir a perfeição.” A DOUTRINA DO KARMA O hinduísmo acredita na doutrina da causa e efeito. energia nunca é destruída. uma encarnação divina passa por várias austeridades espirituais pela humanidade. e pela Sua própria vontade toma sobre Si as limitações humanas. que em sânscrito chama-se Karmavāda – a teoria ou doutrina do karma. essa energia torna-se parte do vasto reservatório de energia cósmica. que se exaure depois de trabalhar na mente e no corpo daquele que praticou a ação.Deus encarna na terra para cumprir dois propósitos: (1) para inspirar e (2) para liberar. De acordo com o hinduísmo. assim atingindo a Sua perfeição e deixando um exemplo para a humanidade. Deus é Karmaphaladātā – o doador dos frutos das ações. os efeitos ou frutos da ação chamam-se. uma encarnação divina. inevitavelmente. Ele é o derradeiro distribuidor da justiça. mais cedo ou mais tarde. uma encarnação divina realmente não precisa de nenhuma prática espiritual para atingir a perfeição. diz no Bhagavad Gītā. Essa força. pois Eu te libertarei de todos os pecados. e às vezes é usada para determinar o efeito de uma ação. Ao retornar ao agente. refugie-se em Mim somente. como um bumerangue. mesmo sem fome. assim também. por ser perfeito desde o Seu nascimento. A encarnação divina livra dos pecados todos aqueles que se rendem completamente a Ele. retorna à quem praticou a ação. Deus não é responsável pelo prazer e dor de Suas criaturas. Depois disso. Nenhum agente pode escapar de tal força karmica. e más ações. Não obstante. um certo tipo de energia se transforma num outro tipo de energia. causando prazer ou dor. e não uma outra pessoa. e sofrem ou desfrutam graças às conseqüências dos seus próprios atos ruins ou bons. . De acordo com tal doutrina. podemos dizer que a energia despendida através de qualquer ação. efeitos ruins. Usando essa idéia como uma analogia. a forca karmica começa a agir em sua mente e corpo. superando-as através de intensas práticas espirituais e assim manifestando a Sua perfeição espiritual. Não lamente. Ele inspira a humanidade através de exemplos. Os frutos das boas ações trazem prazer e desfrute àquele que as praticou. De acordo com essa doutrina. ao invés disso. Da mesma forma que uma galinha. Karmaphala. em sânscrito. apenas muda de forma e torna-se força karmica. cisca e enche o papo para que os mais novos aprendam a comer. Shrī Krishna. para ensiná-los a atingir a perfeição através de práticas espirituais. A física conta-nos a respeito da conservação da energia. boas ações produzem bons efeitos. Ele passa por várias disciplinas espirituais. ou Karmaphala. e de acordo com tal teoria. Deve ficar entendido que. para inspirar as pessoas. e garante que todos recebam os seus próprios Karmaphalas. Geralmente. enquanto que os frutos das más ações causam-no sofrimento e dor. “Abandonando todos os rituais e deveres.

mas não Arjuna. Deus banha a todos com a Sua graça imparcial. Da mesma forma que o sol brilha nos bons e nos maus. através das eras. . enquanto uma outra pessoa no mesmo quarto está falsificando dólares. Não obstante. Você não se lembra desses nascimentos. Eu e você já nascemos muitas vezes no passado. Mas assim que as velas estiverem desfraldadas. enquanto o outro vai acabar na prisão. e o outro mal. e as ruins usam-na para o mal. A graça é imparcial e brilha igualmente em ambos. a validade de muitos desses casos tem sido provada através de investigações imparciais na Índia. a reencarnacão é uma doutrina teológica. a pessoa não pode aproveitar a brisa – a pessoa não pode beneficiar-se da graça de Deus. As pessoas boas usam a graça de Deus para o bem. Nessa analogia. Esse é um numero muito pequeno. Sem o esforço próprio. alguém está lendo um livro santo. a graça de Deus deve ser incondicional e imparcial. enquanto que a maioria dos hindus considera-a um fato. O hinduísmo acredita que não apenas encarnações divinas como Srī Krishna. A literatura religiosa hindu está cheia de numerosas referências à reencarnacão.A GRAÇA DE DEUS NO HINDUÍSMO O hinduísmo diz que a graça de Deus não pode ser condicional. Srī Rāmakrishna nos explica isso com uma bela analogia. e qualquer dádiva condicional não pode ser chamada de graça de Deus. De acordo com Srī Rāmakrishna. Nessa analogia. a idéia de reencarnacão é tão antiga quanto o próprio hinduísmo. Assim. mas Eu me lembro de todos. Talvez um deles eventualmente torne-se um santo. “Arjuna. Uma vela está acesa num pequeno quarto. pessoas que não são Encarnações Divinas ou santos. Através dos anos. e à luz de vela. Srī Krishna pode ser chamado de jātismara. As duas pessoas estão usando a graça de Deus com propósitos totalmente diferentes – um bom. e todos neste mundo são como donos de barcos à vela.” Nesse contexto em particular. uma pessoa que recorda-se de seus nascimentos prévios. o ato de desfraldar as velas não é outro que não o de esforçarse. a brisa da graça divina começará a mover o barco. A DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO No hinduísmo. No Bhagavad Gītā. têm demonstrado a rara habilidade de se lembrar de suas vidas passadas. Para os estudantes de religião. A evidência que sustenta a reencarnacão vem de duas fontes: (1) Jātismaras – pessoas que se recordam de seus nascimentos prévios e (2) o testemunho dos santos e das escrituras. mas também santos de mente pura se assim quiserem. enquanto as velas não estiverem desfraldadas. podem recordar-se de suas encarnações passadas. a luz da vela representa a graça de Deus. a pessoa não será capaz de beneficiar-se da graça de Deus. uma encarnação divina diz para Arjuna. a brisa da graça de Deus está sempre soprando. Srī Krishna.

OS CORPOS DENSOS E SUTIS DO HOMEM De acordo com o hinduísmo. o seu denso corpo físico é deixado para trás. enquanto que os sete restantes são considerados lokas inferiores. Sutalaloka. existem inumeráveis outros planos. existe mais e mais desfrute e bem-aventurança espiritual quando comparados ao que normalmente é encontrado neste plano terreno. um denso e um sutil. Bhūrloka. o homem tem dois corpos. existe mais e mais sofrimento. Talātalaloka. a mesma existência espacial. Vitalaloka. Tal plano de existência. Mesmo assim. do paladar e do tato. do intelecto. nos outros lokas. de acordo com a sua pureza mental. em ordem descendente. em sânscrito. Mahātalaloka e Pātālaloka . para estabelecer contato com o mundo externo. sofrendo ou desfrutando. mas sim instrumentos usados pelos sentidos da visão. não estão nem acima e nem abaixo em relação a este plano terreno. chama-se loka. que embora ocupem o mesmo espaço. A MORTE E OS LOKAS OS DIFERENTES PLANOS DE EXISTÊNCIA Quando uma pessoa morre. superior e inferior. tendo assim. Não é possível produzir uma exaustiva lista dos lokas. a língua e a pele não são considerados como verdadeiros órgãos dos sentidos. os ouvidos. dos órgãos motores e da energia vital. O corpo denso é o corpo físico. com o corpo sutil consistindo da mente. o hinduísmo fala a respeito de quatorze lokas. Rasātalaloka. neste contexto são usados de acordo com as condições encontradas em Bhūrloka. do intelecto. Além do plano terreno. Os adjetivos. considera-se os seis primeiros os mais elevados. Os olhos físicos. Todas essas felicidades e sofrimentos são experiênciadas através da mente. e a alma. Os lokas são: Satyaloka. da audição. ou relativamente inferior. que chama-se Bhūrloka. Atalaloka. A alma vai para um loka mais elevado. em ordem ascendente. do olfato. dos órgãos dos sentidos. e é o grau de pureza de tal mente que determina para onde a alma e o corpo sutil vão. dos órgãos motores e dos sentidos. porque esses são inumeráveis.CAUSA DA REENCARNAÇÃO . e o corpo sutil consiste da mente. Svarloka. Tapoloka. vai para um diferente plano de existência. Entre esses lokas. O DESEJO INSATISFEITO . Bhuvarloka. Os verdadeiros órgãos dos sentidos são extremamente sutis. Maharloka. Similarmente. superiores. incluindo este plano terreno (Bhūrloka). A alma desencarnada permanece em um desses lokas por um determinado período de tempo. o nariz. Nos lokas superiores. o que é determinado pelo karma passado. Esses são mundos de diferentes tipos de vibração. pela alma que partiu. Janaloka. da energia vital.

Tal pessoa é chamada de uma alma liberada. através das várias valorosas experiências que ela adquire nas diversas encarnações. uma alma desencarnada que anseia por satisfazer algum desejo insatisfeito. Podem existir casos raros em que a alma humana nasce por uma ou duas vezes numa forma subumana. A TRANSMIGRAÇÃO DAS ALMAS A idéia da transmigração das almas está também presente no hinduísmo. De forma geral. Finalmente ela atinge o objetivo de seu progresso espiritual através da realização de Deus. a alma novamente encarna em um corpo humano e passa pelo processo de gradual evolução espiritual. O hinduísmo . Quando esse karma ruim é resolvido. às vezes argumentam que o número total de seres humanos deveria ter diminuído porque tantos seres humanos foram liberados da morte e do renascimento desde o início da criação. ela vai além de todos os desejos porque agora nada lhe falta. Dessa mesma maneira. para assim resolver karma ruim. Conseqüentemente o número de seres humanos está crescendo. Transcendendo a corrente de repetidos nascimentos e mortes. a sua mente – enquanto a pessoa está no outro plano – anseia intensamente pela realização de tal desejo. Mas o restaurante fica à dez quilômetros de sua casa.Quando uma pessoa morre com um forte desejo insatisfeito que só pode ser satisfeito na terra. A REENCARNAÇÃO E A IDÉIA DE EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES Aqueles que não aceitam a idéia da reencarnacão. e esse grande desejo leva-a a entrar em seu carro e dirigir por dez quilômetros até aquele restaurante. Mas o hinduísmo refuta tal objeção ao afirmar que muitos seres subumanos. Esse desejo insatisfeito finalmente a traz de volta para a terra. e é normal que uma alma humana nasça repetidamente apenas em corpos humanos até que atinja a liberação. Um dia. através do curso evolutivo. REENCARNAÇÃO UMA OPORTUNIDADE PARA PROGREDIR ESPIRITUALMENTE A reencarnacão também proporciona uma oportunidade para que a pessoa gradualmente evolua espiritualmente. ou reencarnacão. Depois de realizar Deus. um grande anseio surge por tal prato. é trazida de volta até que o desejo seja satisfeito. estão nascendo como seres humanos. assim causando o seu renascimento. Uma analogia pode explicar mais claramente. Suponhamos que uma pessoa goste muito de um certo prato exótico que é servido por um restaurante exclusivo na cidade onde ela vive. a alma humana evolui de encarnação em encarnação.

o autor do sistema filosófico religioso da yoga. A ÉTICA HINDU A fundação da ética hindu é o ensinamento védico de que Deus (Brahman) e o Ser interior do homem são um e o mesmo. Patanjali. e é diferente do seu corpo físico. e as ondas nuca são diferentes do oceano. Se Brahman fosse comparado a um oceano infinito. De acordo com Patanjali. na verdade machuco a mim mesmo. e sendo mental.também afirma que a divindade está presente em toda alma. da sua energia vital. dos sentidos e da mente. não pode ser o Ser. é puramente mental. Uma das definições de dharma diz “Dhārayati dharma ity āhu” . A meta espiritual do hinduísmo é experienciar esse Ser divino dentro e fora de nós. mas também significa deveres morais e éticos. “Aquele que vê todos os seres no Ser. O oceano nunca é diferente de suas ondas. ou a noção do Eu. é apenas uma idéia. e essa realização é a base da ética hindu. é o ensinamento fundamental das escrituras hindus. torna-os queridos para nós. Maitreyī. Se eu machuco alguém. Ayam ātmā Brahma – “Este Ser é Brahman”. uma espécie tem a habilidade potencial de evoluir e tornar-se uma outra espécie quando as mudanças de circunstâncias criam um ambiente favorável para tal evolução. e o Ser em todos os seres. Yājnavalkya diz que. em sânscrito chamase Ātman. O Ser forma o âmago do ser do homem. O ego do homem não é esse Ser. O ego. então o Ātman seria uma onda no oceano. que é divino.“o que quer . Durante o diálogo. DHARMA OU DEVERES RELIGIOSOS A Palavra dharma tem um papel muito importante na ética hindu. existe apenas quando não estamos cientes dessa unidade. O Brihadāranyaka Upanishad encontra-se um dialogo entre o sábio Yājnavalkya e a sua virtuosa esposa. Ambos são uma mesma coisa.” A possibilidade de odiar os outros. está o Ser. não odeia ninguém. É o Ātman que se torna este universo multifacetado. fala a respeito da transformação de uma espécie em outra. Esse Ser do homem. estar ciente do Ser em todos. seja num corpo humano ou subumano. O Īsha Upanishad diz com grande beleza. portanto não devo ferir ninguém. Caso contrário isso contradiria a onipresença de Deus. Em sânscrito chama-se jātyantaraparināma. Dharma geralmente significa religião. Por detrás do homem psicofísico.

para que a sua existência se sustente. e é isso que nos sustenta. o pārivārika-dharma. Tais observâncias à nível individual constituem vyakti-dharma. A base do dharma para com a família é o auto-sacrifício e o respeito. ou o dharma para com a humanidade. Brahmacharya – controle dos desejos e paixões carnais. Tyāga – renúncia do egoísmo. estão incluídas nos códigos do dharma para com a família. Dayā – bondade e compaixão. previnem a deterioração da família e chamam-se pārivārikadharma. e o mānava-dharma. São os indivíduos que formam uma família. . a sociedade não pode sobreviver. Akrodha – ausência de raiva. Seguir as regras de saúde e higiene sustentam o seu corpo físico. Hrī – modéstia. ou o dharma para com a nação.” O Ser divino é a próp ria fundação do nosso ser. Mārdava – gentileza. constituem o samāja dharma. Shānti – paz mental alcançada através do controle da mente. Adroha – estar livre da malícia.que sustente é dharma. ou o dharma do indivíduo. Satya – verdade em pensamento e em palavras. tais como o vyakti-dharma. Isso chama-se rāshtra-dharma. a prática da caridade e da bondade para todos. não falar pelas costas. no que diz respeito a prática diária da moralidade e da ética. de acordo com tal definição. Os vários tipos de auto-sacrifício para sustentar a sociedade são a base do dharma para com a sociedade. dharma tem um significado relativamente menor no hinduísmo. Existem também outras observâncias que também estão na categoria de vyakti-dharma: Dama – controle dos órgãos externos. o samāja-dharma. os indivíduos não sobrevivem. Por isso. as famílias não podem sobreviver. Se a nação se desintegra. e se a sociedade se desintegra. Ahimsā – abstenção da injuria de todas as formas de vida. As afirmações nos Upanishads tais como “Trate a sua mãe como uma deusa” e “Trate o seu pai como um Deus”. Kshamā – perdão. A observância dos princípios éticos e morais. ou o dharma para com a sociedade. Isso é o samāja-dharma. evitar falar uma verdade que machuque. indivíduos devem observar os códigos de conduta e assim manter a sociedade integrada. Se as famílias não sobrevivem. Apaishuna – abster-se da difamação e do falar mal. controlar a raiva. As famílias formam a sociedade. Indivíduos devem de alguma forma se sacrificar pelo seu país. Portanto. ou o dharma para com a sociedade. Ārjava – ser sempre objetivo. o significado mais elevado da palavra dharma é o Ser divino no homem. a veracidade. ou o dharma para com a família. Aloluptva – não cobiçar. No entanto. Na vida mundana existem diferentes tipos de dharma. e é pelo bem estar do indivíduo que a família deve ser sustentada. Shaucha – purificação do corpo e da mente. Os códigos de conduta que são seguidos por indivíduos. Aparigraha – não aceitar presentes desnecessários. a prática da hospitalidade etc. não roubar. A prática da não-violência. o Ātman. sustentam a mente de um indivíduo. rāshtra-dharma. o controle das paixões inferiores.

Essa é uma tarefa difícil. tais como Ashvapati e o Rei Janaka eram chefes de família. No atual contexto. Apenas uma pessoa com uma vida exemplar e elevados sucessos espirituais pode ser um guru. que é chamado de guru. podendo ser usada também para designar um professor de educação secular. O mestre espiritual. a palavra shraddhā tem dois significados: (1) autoconfiança e (2) fé implícita nas palavras do guru.. O hinduísmo afirma que ambos. O hinduísmo oferece dois principais caminhos espirituais.Se a humanidade não sobrevive. O estudante deve seguir as instruções do mestre e esforçar-se sinceramente para alcançar a mete de sua vida espiritual. ou conjunto de deveres – um para os chefes de família e o outro para os monges. que está seguindo tais dharmas. atinge o conhecimento”. O . é impossível para as nações sobreviverem. e também consiste do auto-sacrifício. ele terá sucesso. Os indivíduos. ele não será capaz de ajudar o estudante. “Aquele que tem shraddhā. Tal comportamento está incluído na categoria mānava-dharma. é merecedor de grande respeito. o objetivo último da vida humana. portanto. . de acordo com o hinduísmo. Ele também deveria ter fé implícita nos ensinamentos de seu mestre. Um aspirante espiritual deve ter shraddhā por seu guru. O Bhagavad Gītā diz. mas é apenas seguindo um ideal elevado que a vida torna-se nobre e significativa. observa todos esses dharmas. é a realização de Deus. Um hindu ideal. seja ele de educação espiritual ou secular. podem realizar Deus se seguirem sinceramente o seu próprio ideal espiritual. Um verdadeiro mestre espiritual nunca cobra qualquer dinheiro pela orientação que dá a um estudante. O RELACIONAMENTO ENTRE GURU E DISCÍPULO Na tradição hindu. significando que um estudante deve ter confiança que enquanto guiado por seu mestre. chefes de família e monges. Caso contrário.Nem todos podem ser gurus. um mestre. supõe-se. A palavra “guru” significa “aquele que dissipa a escuridão espiritual”. Muitos dos sábios espiritualmente iluminados da antiga Índia. devem comportar-se de maneira que conduza ao sustento da humanidade. Um mestre que viola essa sagrada e honrada tradição do hinduísmo apenas traz desgraça para si mesmo e para sua religião.. Todos esses dharmas são como círculos concêntricos que tem em seu centro o indivíduo. recebe grande respeito e veneração de um estudante. DOIS DIFERENTES CAMINHOS ESPIRITUAIS Como foi mencionado externamente. O autosacrifício é o denominador comum de todos esses dharmas.

Quando o seu filho tiver vinte anos de idade. Ele tem deveres similares para com seus outros parentes. viver uma vida de simplicidade e passar a maior parte de seu tempo na contemplação de Deus e estudando as escrituras. Ele deveria respeitar todas as mulheres e olhar para elas como se fossem sua própria mãe. Seguindo a antiga tradição. O caminho para os monges é o Nivritti Mārga. num templo ou debaixo de uma árvore. Um monge. vendo-os como tangíveis representantes de Deus. Nivritti Mārga. ou “o caminho da renuncia dos desejos sensuais”. o pai deve presenteá-la com jóias e dinheiro. NIVRITTI MĀRGA O CAMINHO DA RENÚNCIA DOS DESEJOS SENSUAIS O caminho para os monges que renunciaram a tudo. Incluídos na categoria do Pravritti Mārga. Ele deveria viver numa cabana. ganhando honestamente o seu sustento e recordando-se de que a sua vida é para servir a Deus e aos pobres e desamparados. Na presença de seus pais. Se um chefe de família for rico e ainda assim não ajudar os seus parentes necessitados e pobres. deveria ser apropriadamente educado até que complete dezesseis anos de idade. amigos e empregados. ele é considerado um bruto e não um ser humano. PRAVRITTI MĀRGA O CAMINHO DOS DESEJOS SENSUAIS PERMITIDOS De acordo com o Mahānirvāna-Tantra. O filho então. o chefe de família não deve fazer O chefe de família deveria amorosamente criar o seu filho até que tenha quatro anos. Ele deve ser verdadeiro. deve cumprir todos os seus deveres de acordo com as escrituras. e de seus filhos. Deve constantemente trabalhar entregando os frutos de suas ações a Deus. ele deveria estar empregado e ser tratado por seu pai com igualdade. e na época de seu casamento. e para alcançar tal objetivo. caso sejam muito pobres. O chefe de família deveria também cuidar de seus irmãos e irmãs. de . O chefe de família deveria sempre tentar agradar os seus pais. ele deveria manter o seu corpo. Ele não deve Ter lar. os seguintes são os deveres para um chefe de família. O objetivo de um chefe de família é realizar Deus. não violento. e também para com as pessoas de seu próprio vilarejo. riqueza ou propriedade. pedindo comida dos chefes de famílias. deveria ser física e mentalmente puro. ou “o caminho dos desejos sensuais permitidos”.caminho para os chefes de família chama-se Pravritti Mārga. é bastante diferente daquele dos chefes de família. celibato. Uma filha também deveria ser tratada e educada da mesma maneira.

Através de tais símbolos tangíveis. assim também.mente serena. o hinduísmo fala de muitos caminhos diferentes para alcançar Deus. Bhakti Yoga é adequada para a pessoa emocional. age como um elo entre Deus e o Seu adorador. e se eles quiserem vê-lo. todas as pessoas se encaixam em quatro vastas categorias: (1) a pessoa emocional. A imagem. uma imagem simbolizando algum dos poderes ou glórias de Deus. Ele nunca deve visitar um rei ou dignitários. Da mesma maneira que a fotografia do pai de uma pessoa não é na verdade o pai da pessoa. o hindu tenta estabelecer contato com o Īshvara intangível. Imagens não são nada além de “símbolos” do poder e da glória de Deus (Īshvara). a adoração termina. significa unir – “união” entre o aspirante espiritual e Deus. bons ou maus. AS QUATRO YOGAS Além do Pravritti Mārga e do Nivritti Mārga. De acordo com o hinduísmo. Desses. (3) Rāja Yoga – o caminho da concentração mental e. quatro são considerados os caminhos principais: (1) Bhakti Yoga – o caminho da devoção. A palavra em sânscrito. yoga. Mas tal noção é absolutamente incorreta. acusação. (2) Jnāna Yoga – o caminho do questionamento racional. nunca é considerada pelo hindu como sendo o próprio Deus. Apenas o ajuda a recordar-se de Deus. (3) a pessoa meditativa e (4) a pessoa habitualmente muito ativa. o adorador estabelece uma comunhão mental com Deus. Rāja Yoga é adequada para a pessoa meditativa e Karma Yoga. . e quando através de tal adoração. prescrita para pessoas naturalmente inclinadas a atividade. (2) a pessoa racional. mas apenas um artifício para recordar-se dele. que é um símbolo. Yoga também significa um método ou técnica para se estabelecer uma união mental com Deus. Jnāna Yoga para a pessoa racional. sejam ricos ou pobres. ADORAÇÃO DE DEUS A ADORAÇÃO DE DEUS ATRAVÉS DAS IMAGENS Na mente de muitas pessoas existe a noção de que os hindus são idólatras porque normalmente eles usam imagens para adorar a Deus. Ele deveria Ter o mesmo bom comportamento com todos. (4) Karma Yoga – o caminho da ação correta. prazer ou dor. e cheio de compaixão para com todos os seres. discutidos no capítulo anterior. A sua única meta na vida deveria ser a realização de Deus. devem vir até ele e serão tratados com a mesma bondade que todos recebem. Ele deve ser indiferente ao elogio.

outras cores podem simbolizar outros aspectos. é capaz de apreciar e adorar a Deus. Na adoração ritual exterior. e similarmente. Para representar os vários poderes de Deus. através da Sua graça. a pessoa purifica cada item usado na adoração. ou meditação. rezando a Deus que. onde símbolos externos e imagens não são usados. o adorador é aconselhado a não meditar com o estômago cheio. A cor azul. Depois disso a pessoa deve pensar na divindade presente dentro de si mesma. são repetidas pelo adorador juntamente com pensamentos de purificação tais como “Que as flores sejam puras e sagradas. o adorador usa flores. a sua divindade inerente se manifeste para que assim ela se torne capaz de adorar a Deus. A adoração começa com a purificação. Algumas imagens chegam a ter cem braços. ou meditação. De acordo com o hinduísmo. que a água seja pura e sagrada. mais de uma cabeça e também tem cores diferentes. cada um deles simbolizando um diferente poder de Deus. eles gradualmente progridem espiritualmente e tornam-se prontos para a adoração mental. a forma mais elevada de adoração é a adoração mental. chamadas de mantras.Alguns hindus ainda seguem a antiga tradição de adorar a Deus usando o fogo como um símbolo. Para manter o corpo e a mente alerta durante a adoração. de acordo com o hinduísmo. constituem o universo inteiro. Através da adoração ritual. A ADORAÇÃO RITUAL Como já foi mencionada anteriormente. As escrituras prescrevem a adoração ritual exterior para esses adoradores. Por isso alguns adoradores jejuam até que terminem a sua adoração. indica a insondável e infinita natureza de Deus. a adoração mental. apenas uma pessoa que foi capaz de manifestar a sua divindade inerente. É pela mesma razão que às vezes os hindus colocam mais de uma cabeça nas imagens. Entretanto. um leque e um pedaço de pano como símbolos dos cinco elementos que. ou meditação. Palavras sagradas associadas a Deus. muitos braços são usados. apesar de que jejuar não seja obrigatório. ou até mil braços. Todos os itens usados na adoração devem ser purificados em pensamento pelo adorador. para indicar que Deus tem poderes infinitos. O adorador então oferece flores como um símbolo do seu amor e devoção. embora a maioria dos adoradores considere a mesma difícil de ser praticada. tal como uma pequena quantidade de frutas e leite antes da adoração. têm muitos braços. e por último presenteia a Deus com os símbolos dos cinco . As pessoas que não são capazes de jejuar podem comer algo leve. é considerada no hinduísmo como a melhor forma de adoração. água. Então ela purifica cada parte do seu próprio corpo. Algumas das imagens usadas pelos hindus na adoração a Deus. luz (fogo). embora várias outras formas de adoração ritual tenham sido introduzidas mais tarde pelos sábios do período pós-védico.” Dessa maneira. Diferentes tipos de comida e outros tipos de presentes também são oferecidos a Deus. Oferece também a comida e os outros presentes.

o Navarātri é observado como o principal festival. desenvolve uma mente pura que a capacita a ver Deus. o Durgā Pūjā. e o Sarasvatī Pūjā são os festivais mais importantes. O Holi. No sul da Índia. particularmente em Bengala. O Deepāvali. No nordeste da Índia. assim como por sua própria iluminação espiritual. particularmente no estado de Assam. Navarātri e o Pongal são os festivais importantes. Como pode uma palavra ter o poder de purificar a mente de alguém e darlhe a visão de Deus?”. gradualmente santifica-se. não posso acreditar na eficácia de mantras. e o Mahāshivarātri são os principais festivais que são observados em toda a Índia. o Bahāg Bihu. e nem todos os mesmos festivais religiosos são observados em todas as partes da Índia. alguns maiores e outros menores. “Senhor. “O que? Você não acredita no poder dos mantras?” exclamou o santo. Na região norte e central da Índia. Naquele momento. porque o que a pessoa pensa. ou Ārātrika. Um mantra é apenas uma palavra. ou Ganesh Chaturthī é o principal festival no oeste da Índia. Kāti Bihu e o Māgh Bihu são os principais festivais. O Ganesh Pūjā. OS MANTRAS E OS SÍMBOLOS SAGRADOS Durante um discurso religioso. e através de repetidas adorações rituais.elementos. Durante a adoração. o adorador oferece o universo inteiro a Deus. ou Dewālī. “Você é maior tolo que já vi em toda a minha vida!” Porque o santo havia chamado-o de tolo na presença de todos ali. ou Dol Pūrnimā é um outro importante festival observado em todo o norte e leste da Índia durante o advento da primavera. e tal oferenda chama-se Ārati. o homem sentiu-se extremamente humilhado. No leste da Índia. alguém se levantou e disse. afirmando que não pode oferecer a Deus qualquer coisa que já não pertença a Ele. O seu rosto ficou vermelho e . OS FESTIVAIS RELIGIOSOS HINDUS No hinduísmo existem muitos festivais. o Kālī Pūjā. O Deepāvali chama-se também “o festival das luzes”. O Navarātri dura nove dias. Ao usar esses cinco elemento. o Deepāvali. um santo hindu disse às pessoas ali reunidas que uma pessoa que repete um mantra (o nome santo de Deus) regularmente por muitos anos. o adorador tem a oportunidade de pensar constantemente em pureza e santidade. O adorador também reza pelo bem estar de todas as criaturas no mundo. O Durgā Pūjā dura quatro dias. ela finalmente se torna.

mas não será tão eficiente quanto um mantra obtido de um mestre iluminado. Um mantra escolhido por um estudante em um livro. adquire uma grande potência espiritual. um mantra não é como qualquer palavra. A sílaba OM pode também ser soletrada como AUM. O significado da palavra mantra deriva de “algo que quando se reflete à respeito. ou palavras sagradas do hinduísmo. a pessoa pode se tornar espiritualmente iluminada. um mantra que já ajudou alguém a alcançar a realização de Deus. a pessoa é salva (do perigo ou da escravidão do mundo). mas veja o poder da palavra „tolo‟ – e que forte efeito teve em você! E ainda assim você nega o poder dos mantras?” No hinduísmo.” Na Índia. Cada uma das três letras. “Você não acredita no poder das palavras. U e M. Da mesma forma. A sua associação com Deus torna-a sagrada e espiritualmente benéfica. se dado por um mestre a um estudante. Ao repetir um mantra com amor e devoção. é mais efetivo do que os outros. Tal mantra chama-se siddha mantra. tem sido freqüentemente mencionada nos Vedas e em outras escrituras do hinduísmo. é especial.ele começou a tremer. Apontando tal reação. Ela também é chamada de Pranava. é a mais antiga e sem dúvida a mais importante. Um siddha mantra. tem . os aspirantes espirituais querem receber mantras de santos. suprimindo a sua raiva. um mantra dado por um mestre espiritualmente iluminado.  O SÍMBOLO SAGRADO OM Entre os mantras sagrados. Essa sílaba sagrada. Além do mais. que significa Deus. a palavra monossilábica palavra OM. pode sem dúvida ajudar. o santo disse. A. tem a experiência de toda uma vida espiritual por trás do mantra. Tais mantras são considerados muito mais efetivos do que mantras tirados de um livro.

Que aquele Ser Supremo estimule a nossa inteligência para que possamos realizar a Suprema Verdade”. o “A” representa a criação. Cada mantra védico é dirigido a uma deidade. O MANTRA GĀYATRĪ O mantra Gāyatrī é também conhecida como Sāvitrī mantra. e o mantra sāvitrī tem a métrica Gāyatrī. OS MANTRAS E OS YANTRAS . Além do mais. Esse mantra tem o formato de prece: “Aum. permeia todos esses três lokas. e todas as palavras são produzidas pelo órgão vocal. De acordo com uma interpretação. que é a fonte e o projetor dos três mundos – o plano terreno (Bhūrloka). e sendo assim. meditamos na efulgência daquele adorável Ser Divino. o “U” representa a preservação e o “M” representa a destruição. uma vez que tenham sido investidos com o cordão sagrado (Upavīta). e o plano celestial (Svarloka). O órgão vocal humano começa na garganta e termina nos lábios. o OM. Assim. Deus. todo o universo pode ser representado por AUM. AUM é um símbolo de todas as palavras que o órgão vocal pode produzir. podendo todas as palavras produzidas pelo órgão vocal humano serem representadas por ele. Esse mantra é recitado diariamente pelos hindus das três castas superiores. podendo assim ser usado por hindus de todos as seitas e denominações. O AUM é um símbolo tanto impessoal quanto sem denominação. De acordo com ainda outra interpretação. sendo onipresente. ou dissolução. tudo que existe neste universo pode ser representado por palavras. o preservador e o destruidor deste universo. Martya (a terra) e Pātāla (o mundo inferior). e o “U” e o “M” são produzidos pelos lábios. Todos os mantras védicos tem uma métrica. Porque o universo inteiro é coberto pela presença de Deus. o AUM simboliza Deus. O AUM é também um símbolo sônico e audível de Deus. as três letras formando AUM. Esse é um dos mais importantes mantras nas escrituras hindus e encontra-se no RigVeda. Gāyatrī mantra. ou a estrela de Davi no judaísmo.um significado especial. Por isso o seu outro nome. O “A” é produzido pela garganta. e também está associado com o nome do sábio a quem o mantra foi primeiramente revelado. Como a cruz no cristianismo. a imagem pictórica do AUM é usada como um símbolo do hinduísmo. o plano etéreo sutil (Bhuvarloka). ou AUM é um nome adequado para Deus. Como Deus no hinduísmo é o criador. e AUM é considerado um símbolo de Deus. são indicadoras dos três lokas (planos de existencia) deste universo – densos e sutis – Svarga (o paraíso).

NA DISCIPLINA DO TANTRA

Os mantras são muito importantes na disciplina tântrica. Qualquer mantra da tradição tântrica, entre outras coisas, tem dois importantes ingredientes: (1) vīja (semente) e (2) shakti (poder). A vīja é uma palavra monossilábica, dotada de uma grande potência espiritual, e é também chamada de vīja mantra. Podem existir muitos vīja mantras, adequados a diferentes deidades. Todos os mantras da tradição tântrica começam com um vīja mantra, pois o sistema tântrico diz que um mantra acompanhado por uma vīja contém uma grande potência espiritual. Dessa forma, a repetição de tal mantra, aumenta a possibilidade de se ter a visão de Deus. Acreditasse também que quando uma oferenda é feita a uma deidade, enquanto se repete um mantra assim, a deidade aceita a oferenda imediatamente. Os yantras são diagramas místicos e sagrados, associados aos rituais de adoração do Tantra. Alguns yantras são usados como símbolos de Deus na adoração tântrica.

A IDÉIA E A PRÁTICA DA NÃO-VIOLÊNCIA NO HINDUÍSMO

Apesar de considerar a não-violência uma virtude, o hinduísmo não é cego ao fato de que devemos ser violentos de um modo ou de outro para sobreviver. Milhares de formas de vida microscópicas são mortas toda vez que respiramos, cada grão de comida que comemos contém vida, portanto é impossível evitar completamente que cometamos violência. Tudo que o hinduísmo espera de seus seguidores, é que estes, minimizem conscientemente a violência, o tanto quanto for prático, assim livrando-se de uma atitude mental violenta. Não obstante, a violência que se justifica numa causa nobre, pode às vezes ser apoiada pelo hinduísmo. Tal justificativa deve vir do que é ditado pelas escrituras, e não de qualquer outra fonte. Se um inimigo ataca um pais, os soldados devem repelir, subjugar ou matar o inimigo. Defender o pais é o dever religioso dos soldados, embora matar um inimigo que está fugindo, ferido, sem defesa ou incapacitado, não é permitido pelas escrituras. Um soldado que foge do campo de batalha por medo, e quer justificar a sua covardia na virtude da não-violência, faltou no cumprimento do seu dever e é um hipócrita. Idealmente falando, uma pessoa que é verdadeiramente não violenta, não deve ferir ninguém seja fisicamente, mentalmente ou verbalmente. A total não-violência é possível apenas para uma alma espiritualmente iluminada, pois tal alma perde a sua falsa identificação com o complexo corpo-mente e vem a conhecer a sua verdadeira identidade divina. Ela

experiência Deus como sendo a essência de todas as coisas e de todos os seres, inclusive ela mesma, não podendo assim odiar ou prejudicar ninguém. Apenas uma pessoa assim pode amar aos seus inimigos, porque não vê inimigos em lugar algum. Tudo que ela experiência é a manifestação de Deus, e por não poder se identificar com o complexo psicofísico, não pode se responsabilizar pelo que o seu corpo e mente fazem. Ela perde a noção de que é ela que age, transcendendo assim a violência. O Bhagavad Gītā (18/17) diz, “Aquele que não tem a noção de que é o fazedor, ou o egoísmo, e cujo intelecto não se considera responsável pelas ações do corpo e dos sentidos, ele não mata e não é escravizado pelo resultado disso.”

A IDÉIA DE HARMONIA DAS RELIGIÕES É INERENTE AO HINDUÍSMO

O espírito da tolerância religiosa no hinduísmo está enraizado na afirmação do Rig-Veda, Ekam sad viprā bahudhā vadanti – “Apenas Um (Deus) existe. Os sábios O chamam por nomes diferentes.” A idéia de que Deus pode ser realizado através de diferentes caminhos espirituais tem sido por eras ensinada por santos e homens de Deus da Índia. Mas a idéia de que todas as religiões levam ao mesmo Deus é principalmente uma contribuição do santo hindu do século 19, Srī Rāmakrishna. Ele é conhecido como o profeta da harmonia das religiões, e nenhum livro sobre o hinduísmo poderia ser escrito hoje, sem o reconhecimento de sua contribuição. Alguns de seus relevantes ensinamentos estão registrados aqui, na esperança de que possam ajudar, não importando o quão pouco, na promoção da paz e do entendimento entre as pessoas religiosas do nosso mundo tão marcado por conflitos.

Sri Ramakrishna

“Muitos são os nomes de Deus e infinitas são as formas através das quais Ele pode ser abordado. Seja lá qual for o nome e a forma através da qual você O adora, é através dela que você irá realizá-LO.” “Deus criou diferentes religiões que se adequam a diferentes aspirantes, épocas e países. Todas as doutrinas são caminhos válidos; mas um caminho, de jeito nenhum, é o próprio Deus. De fato, a pessoa pode alcançar Deus se seguir qualquer um dos caminhos com devoção total. Uma pessoa pode comer um doce com o creme em cima ou do lado. Vai ser doce do mesmo jeito.” “Um verdadeiro homem religioso deveria pensar que as outras religiões são também caminhos válidos, que levam a verdade. A pessoa deveria sempre manter uma atitude de respeito em relação a outras religiões.” “Diferentes credos são apenas diferentes caminhos para alcançar o mesmo Deus.” “Vários tipos de jóias são feitas de ouro, e apesar de serem feitas da mesma substância, elas têm formas diferentes e recebem nomes diferentes. Assim também, o único e mesmo Deus é adorado em diferentes países, sob nomes e formas diferentes.” “Toda pessoa deveria seguir a sua própria religião. Um cristão deveria seguir o cristianismo, um muçulmano deveria seguir o Islam e assim por diante. Para um hindu, o antigo caminho, o caminho dos sábios arianos, é o melhor.” “Não dispute. Enquanto você permanece firme na sua própria fé e opinião, permita aos outros a mesma liberdade de ter a própria fé e opinião. Através da mera disputa, você não terá sucesso em convencer o outro dos erros dele. Quando a graça de Deus descer, cada um vai entender os próprios enganos.” “Foi o próprio Deus que proveu as diferentes formas de adoração. Ele, que é o Senhor do universo, arranjou todas essas diferentes formas, adequadas a pessoas diferentes, em diferentes estágios de conhecimento. A Mãe prepara pratos diferentes, adequados aos estômagos de seus filhos. Suponhamos que Ela tenha cinco filhos. Se há um peixe a ser preparado, Ela prepara cinco pratos diferentes – pilau, peixe com picles, peixe frito, e assim por diante – que são preparados de acordo com os diferentes paladares e poder de digestão de seus filhos.” “Como pode você dizer que a única verdade a respeito de Deus é que Ele tem forma? Sem dúvida alguma Deus vem à terra sob a forma humana, como no caso de Krishna. É verdade que Deus revela-Se aos Seus devotos, sob diferentes formas, mas é também verdade que Deus é sem forma: Ele é o Indivisível Existência-ConhecimentoBem-aventurança (Satchitananda). Ele foi descrito nos Vedas tanto com forma como sem forma. E aí também está descrito com ou sem atributos.Você sabe o que quero dizer? Satchitananda é como um oceano infinito. O frio intenso transforma a água em gelo, que flutua em blocos sob diversas formas. Da mesma maneira, pela influência refrescante de bhakti (devoção), uma pessoa vê as formas de Deus no Oceano do Absoluto. Essas formas são para os bhaktas, os amantes de Deus. Mas quando o Sol do Conhecimento chega, o gelo derrete-se; torna-se a mesma água de antes. Água em cima e embaixo, em todos os lugares, apenas água. Por conseguinte há uma oração no Bhagavata que diz: „Ó Senhor, Tu tens forma e Tu és também sem forma. Tu andas diante de nós, Ó Senhor, sob a forma de um homem. Tu também foste descrito nos Vedas como além das palavras e pensamentos.‟

com.Arquivos gerais de hinduismo leitura recomendada    Voltar a Hinduísmo Voltar a Emerson Berlanda Yoga system http://www.br/hinduismo/o_que_eh/HINDUISMO%20-%20SINTESE.htm .ebys.

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