A ECONOMIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA: UMA BREVE ANÁLISE

LUCAS F. AGUIAR

Resumo. Esse texto foi feito em c. 2011 e é basicamente um resumo feito à partir de um livro que tratava do aspectos macroeconômicos da economia norteamericana. Infelizmente, o resumo não está completo.

“Um membro da câmara de comércio consideraria a economia dos Estados Unidos um bom exemplo de êxito da empresa privada, um marxista consideraria um bom e anacrônico exemplo de capitalismo que inesperadamente ainda sobrevive”. À partir da análise do sistema econômico implantado nos EUA pode-se tirar inúmeras conclusões. Por exemplo, pode-se considerar a economia americana como um perfeito exemplo de uma bem sucedida empresa público-privada; ou uma sociedade rica em coisas materiais, porém pobres em valores humanos; uma economia rica na qual foi tirada, de forma injusta, daqueles que a criaram, ou simplesmente o mais fácil, uma economia como qualquer outra, só que mais rica. Todas as afirmações acima pode ser bem consideradas e analisadas separadamente, mesmo que isso possa ser feito, por muitos, de forma imediata. Por agora podemos olhar as correlações entre os índices de riqueza e de bem estar nos países mais ricos. Vou mostrar duas tabelas, uma de 1968 e uma atual, e só irá deixar ainda mais claro o ponto a ser mostrado. Elas irão mostrar que desde essa época a “democracia” e o poderio dos Estados Unidos vem caindo. De forma simples isso pode ser notado nos índices de renda per capita e pela taxa média de longevidade da população americana em relação a outras. Fazendo uma leitura superficial, vou pegar os primeiros da lista de nações mais ricas em 1968 e hoje juntamente com os indicadores supracitados. Tabela 1. Dados para o ano de 1968 País Renda per capita (US$) Expectativa de vida Estados Unidos 4.379 71 Suécia 3.315 77 2.995 72 Canadá Suíça 2.754 71
Date : Outubro de 2013.
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Tabela 2. Dados para o ano de 2010 - FMI País Renda per capita (US$) Expectativa de vida Luxemburgo 108.800 77.4 Noruega 84.400 77.4 Suíça (4o ) 67.000 78.1 o Suécia (8 ) 48.800 78.4 Estados Unidos (9o ) 47.200 75.4 o Canadá (11 ) 46.200 78.7

Fazendo primeiramente uma análise da Tabela 1. Embora, os Estados Unidos apresentem indicadores e econômicos mais elevados que os demais e também bons valores quanto ao bem-estar, eles não permanecem juntos, o que é um pequeno demonstrativo da queda, ainda naquele tempo, na relação entre ambos. A Suécia, que aparece em segundo, e é o primeiro em expectativa. Mas mesmo com altos níveis tanto econômicos quanto de bem estar, ela também tem elevados níveis de “mal-estar” (suicídios), sendo um nível bem maior que o dos Estados Unidos. Agora vamos analisar a Tabela 2. De pronto se percebe que os Estados Unidos perdeu o posto de maior PIB per capita no mundo. Caindo para a nona posição nesse índice. Nesse índice fica mais claro que a expectativa de vida não tem a mesma relação com a renda per capita, mesmo que os dois sejam relacionados estritamente mas não são diretamente proporcionais por via de regra. No caso atual, o que vemos é que ao passo que a renda per capita aumenta, essa expectativa vem diminuindo, sendo que especialmente no caso americano, essa expectativa é ainda menor se comparada com os outros países em mesma situação econômica. Mesmo os Estados Unidos, perdendo o seu posto entre o maior em renda per capita, continua superior na soma das riquezas, tendo o maior PIB. A partir da Tabela 2 fica ainda mais evidente que a renda per capita não garante em nada a expectativa de vida, muito menos influi no bem estar. O maior exemplo disso são países em desenvolvimento que apresentam índices de felicidade desproporcionais com uma lógica semelhante a que se tenta aplicar a estatísticas como as de cima. Observando essas tabelas em níveis mais baixos, o raciocínio do diretamente proporcional, ou seja a relação entre o renda e a longevidade, segue intocado. Ou seja, quanto maior a renda, logo, maior a sua expectativa. De tal análise podemos tirar a seguinte lição, ou suposição: Que chegado a certos extremos o sistema capitalista chega a apresentar distorções. E isso não é só para esse sistema, isso vale para qualquer coisa. Pense bem, e verá que quase tudo leva a isso, mas isso não é ainda o nosso objetivo. Por que será que essa distorção é criada quando os níveis de riqueza, ou de poder no sentido estrito, ficam muito altos? Isso acontece por que essa riqueza e

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poder param de ser, a partir de certo ponto, retidos. Isso demonstra, de modo mais prático, que a nação mais rica não está livre de problemas sociais e nem econômicos, sendo que o último, por experiências passadas, se torna óbvio. Algumas questões aparecem: esses problemas existem porque os Estados Unidos são ricos ou porque o sistema implantado lá leva a tais problemas. Chega-se a conclusão que o advento da prosperidade gera os seus próprios problemas, pelo simples raciocínio: Não há solução sem problema, não há problema sem solução. Sendo então estabelecido um ciclo em que em nenhum dos casos pode se chegar a perfeição. A partir daí, existem sistemas que podem criar mecanismos que podem atenuar tais efeitos ou ainda mais ideais, que buscam acabar com esse problemas. Pensando o sistema de uma forma mais perfeita, a medida que os problemas, sejam lá quais forem, são identificados, então a classe de renda mais alta canaliza recursos para a solução, sem que haja a diminuição da oferta de bens materiais. Essa ótica é considerada por muitos otimista, e realmente é. Parem pra pensar, quando que já se viu isso realmente acontecer? Em um sistema realista o que realmente aconteceria seria: após identificado o problema na linha de montagem, a gerência irá canalizar recursos para que de um modo a evitar o mesmo problema futuro, a eficiência seja aumentada, desse modo são demitidos funcionários e os mesmos são substituídos por máquinas. Ou seja, o sistema para poupar problemas futuros, revê todo o seu conceito e implementa mudanças. Essas mudanças solucionam um problema específico, mas acaba por criar outro. A grande diferença entre ambas é que na realista há uma revisão e reformulação do sistema para que menos recursos tenham que ser gastos posteriormente. E no ideal isso não ocorre, assim que se identifica tal problema, automaticamente o dinheiro é canalizado para resolver tal problema, sendo que o único objetivo de tal medida é restabelecer a oferta de bens para o mercado. Assim que essa oferta é restabelecida, essa fonte de recursos pode ser diminuída ou até mesmo controlada a medida que é preciso. Após ver ambos os sistemas vemos que os dois se completam, e que o ideal é o utilizado em níveis mais amplos, ou governamentais, e o realista em níveis restritos. Por que isso acontece? A resposta é fácil. Quando uma empresa identifica problemas nos seus orçamentos, a sua sobrevivência fica dependendo de uma reestruturação das contas e não de uma canalização de recursos para esses problemas. Mas em nível governamental, tais re-estruturações precisariam de ser feitas diariamente e além disso existem muitos interesses envolvidos. Como tanto um quanto o outro não funcionam em sua plenitude, ambos acabam por criar desigualdades crônicas. Quando as empresas, durante um longo período, continuam utilizando um sistema ideal e depois de identificados os problemas eles passam a usar o sistema real, acabam por criar uma dívida que a principio não deveria existir e que irá levar a uma reestruturação que custará muitos empregos. E a

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partir do momento que o governo segue apenas a política ideal, ou seja, apenas canalizando recursos para problemas, sem mudança de sua política de ação, ele acaba por criar problemas crônicos pela sua ineficiência em resolvê-los completamente. Existem portanto problemas básicos em qualquer economia capitalista, não apenas na economia americana. Vamos listar alguns problemas que pressionam o crescimento de qualquer economia. Começando pelos problemas de produtividade. Todos sabemos que o ser humano, em geral, trabalha mais e melhor sabendo que vai ser recompensado. A partir daí, chegamos a conclusão que se o indivíduo ganha pelo o que produz e ainda trabalha menos, porque a eficiência foi aumentada, então, subsequentemente, ele terá mais tempo livre para diversão, lazer, e todo o tipo de atividades extras. Estudos comprovam que a felicidade não se traduz, necessariamente, em boa e grandes casa, carros na garagem ou uma geladeira cheia de comida. Esse tipo de realidade pode não ser mais desejável, mas é onde todos querem, ou são levados a querer, chegar. Isso é óbvio a medida que o sistema é baseado no acumulo de capitais. Há muitas maneiras de se aumentar a produtividade de uma nação ou de empregados em específico. E uma das principais e mais assertivas é estar bem abastecido de capital. Máquinas são uma das muitas formas de simplificar e encurtar o tempo das tarefas a serem executadas. Isso pode ser aplicado amplamente em todos os setores da economia. E tal aproveitamento só pode ser alcançado se, antes de tudo, houver dinheiro. É impossível, atualmente, se pensar em como uma economia de mercado pode crescer baseada apenas em linhas de montagem onde se usam apenas operários, sem a ajuda de máquinas, lavouras que não utilizam máquinas no plantio, uma construção civil sem equipamentos que possam elaborar, de maneira mais segura e rápida, projetos colossais sem o uso de máquinas que maximizem a força humana. Além da aplicação de máquinas em todos os processos, é necessário que o trabalho de gerenciá-las seja feito por empregados capazes nas suas tarefas. Então, se precisa, além do capital para compra de novos e modernos equipamentos, capital também que qualifique os seus operadores. Isso levará, não só ao aumento de eficiência pelo emprego de máquinas, mas também pelo emprego de pessoal qualificado. Após ver que a produtividade, na economia atual, depende da união entre máquinas e operadores qualificados, temos mais um elemento importantíssimo nessa equação, e que forma a base de toda a cadeia produtiva, os recursos naturais. Os recursos naturais são de longe os mais importantes, sem eles não há produção. Quanto mais recursos um país tem, ainda mais em uma área de atuação que ele pretende crescer, melhor para todo o processo produtivo. Florestas abundantes, água, grande quantidade de solo fértil entre outros, são exemplos de recursos naturais. Quando há grandes quantidades desse recursos disponíveis, isso leva certos setores da economia a impulsionar o resto de toda a cadeia, como em uma pirâmide. Quando se tem grandes áreas férteis e nessa área são plantadas sementes

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híbridas que aumentam ainda mais a produção por hectares plantados então todo o resto da cadeia de indústrias ligadas a produção de alimentos são beneficiadas. Isso leva a uma apresentação de preços mais baixos dos praticados em outro locais. Juntos, o emprego de máquinas, a mão-de-obra qualificada e os recursos naturais não representam muita coisa quando não existe um gerenciamento de tudo isso. É nessa etapa que entram justamente os executivos, que são empregados de alto valor para a economia. Eles conseguem com o menos que se produza mais, e foi assim que a economia americana conseguiu construir uma indústria de massa, pelo gerenciamento dos recursos disponíveis. O grande problema da cadeia produtiva é conseguir fazer com que todos esses elementos trabalhem bem e em harmonia e levando assim a felicidade dos trabalhadores. Vamos para mais um dos problemas da economia, o desemprego. Intrinsecamente relacionado com os processos de aumento de produção e de sua eficiência, acaba por levar ao problema do mercado de trabalho ter empregado a todos, ou seja, um taxa de 0% de desemprego. Isso é impraticável pelo fato de se ter os problemas de produtividade e, consequentemente, uma contínua elaboração de planos para tentar aumentá-la. Para aumentá-la, ou seja, fazer mais com menos esforço, a única saída é o emprego maior de máquinas. Foi o aconteceu na depressão dos anos 30. As indústrias foram substituindo a mão-de-obra sem especialização por máquinas, e ao mesmo tempo que desempregavam mais e mais, continuavam a produzir ainda mais. Ou seja, houve um aumento na razão entre oferta e demanda, muito grande. Enquanto um encolhia, o outro aumentava, e ambos em ritmos acelerados. Isso levou, obviamente, a uma reestruturação na economia, mas como na maioria das vezes, ela é feita com o aumento do desemprego. Acabou que essa reestruturação durou quase 10 anos. Nesse período a taxa de desemprego chegou a 18%. No fim, perceberam que alguns ganhos em sua produtividade tinham de ser sacrificados pelo emprego de mão-de-obra, já que as máquinas não constituem um mercado de trabalho. Isso se traduziu em situações como o emprego de pessoas para fazerem os cálculos que as calculadoras IBM eram capazes de fazer. Com isso, foram criados métodos para que a produção não fosse assim tão eficiente. Essa crise acabou por suscitar nos operários questões quanto ao uso de máquinas em vez de serem usadas as pessoas. “Se aquele guindaste não estivesse sendo empregado naquela construção, então todos nós teríamos nossos empregos de volta”. Claro que tais questões levam a problemas muito mais graves, porque há um encarecimento muito grande no processo de produção e desse modo o poder de compra dos mesmo cairiam substancialmente, levando, cedo ou tarde, a uma nova crise. O objetivo é claro, produzir mais com o total emprego de mão-de-obra. De qualquer modo, mesmo havendo o total emprego de mão-de-obra teriamos mais um problema. E será a perca da liberdade. Na União Soviética, existia o seguinte ditado, se assim posso chamar: ?Só come se trabalha?. Com essa filosofia, eles conseguiram taxas de zero desemprego, mas foi feito através da instituição de

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trabalhos forçados entre outros, o que levou a perca da liberdade desses trabalhadores. Esse é um preço que os americanos não aceitarão pagar. Ou seja, taxas de zero emprego com total produtividade não são desejáveis já que custarão, cedo ou tarde, a perca gradual da liberdade. O próximo problema é o da flutuação de preços, ou inflação e deflação. Tais mudanças de preços ficam mais visíveis em épocas de dificuldades econômicas, como durante depressões e durante guerras. Isso ocorre por vários motivos, mas podem ser associados, durante esses períodos, facilmente a mudanças provocadas nos preços de commodities. Essas commodities servem de base para a cadeia de produção na economia dos países, então quando há mudanças em seus preços, toda a cadeia acaba recebendo o mesmo impacto. Isso é especialmente ruim para a economia, quando os preços reduzem o poder de compra dos consumidores finais, levando então a um processo em cadeia. A inflação pode ser causada de varias maneiras, analisando de maneira geral, o que ela faz é aumentar, ao passar do tempo, o preço dos bens. Mas esse aumento não se sustenta por que não houve geração de riqueza. Ou seja, as coisas ficam mais caras e o consumidor acaba por perder o seu poder de compra. A inflação então age como um imposto sobre a economia da maioria dos consumidores. Ela, porém, traz a alguns setores da economia algumas vantagens, por exemplo os fazendeiros, a medida que os preços sobem e os seus custos não sobem no mesmo ritmo, então ele terá uma maior facilidade em pagar os seus débitos. Isso ocorre em boa parte das economias. O principal problema são para os que querem receber o pagamento dessas dívidas, por que os devedores acabam pagando mais rapidamente, ou seja, não há um desequilíbrio dessas contas levando no futuro que o credor tome um volume maior de dinheiro. Por outro lado, as pessoas que, por exemplo, fizeram seguros no passado serão prejudicadas porque tais valores não são reajustados com a inflação do período. A deflação é o fenômeno oposto, ou seja, ao passar do tempo os preços caem o que em termos pode parecer bom na verdade não é. Ela aparece quando a economia não tem condição de produzir como produzia, refletindo principalmente na falta de demanda. Ou seja, pelo fato das indústrias produzirem menos, elas são levadas a efetuar demissões por que não há fluxo positivo no seu caixa, ele sempre vai diminuindo. Esses desajustes via de regra trazem muitos transtornos em época de guerra, por que normalmente são causados por ela e sua alta demanda de produção. O próximo problema é a diferença salarial. Em uma democracia capitalista, mesmo que perante a lei todos os indivíduos sejam iguais essa mesma lei assegura o direito de propriedade privada e herança. Pessoas que vem de famílias ricas tem maiores chances de receberem grandes salários se comparados a maioria da população. Além disso, causa problemas básicos que são ligados a natureza humana, mas o outro é que a tentativa de tornar tal sistema igualitário, ou igualar a fonte de renda seria impossível e insustentável.

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A partir da suposição acima podemos levar a algumas conclusões. Já que não se pode mudar esse sistema então o governo deve ajudar os que não tiveram privilégios e fazer com que todos tenham a mesma qualidade de vida. Isso está certo e errado. Errado porque, a construção de um sistema de previdência social levaria a diminuição da garantia de que o próprio indivíduo tem em garantir o seu futuro. Trocando por miúdos, o sistema de previdência, para os que ganham bem e que podem criar reservas para quando se aposentarem ou perderem o emprego é desnecessário, porque os mesmos acabam por perder a responsabilidade em garantir o seu sustento. Se ele tinha a chance de criar poupanças então deveria ter criado e não gasto com prazeres desnecessários. Mas e se o indivíduo não tem condições de garantir a reserva de recursos para a aposentadoria ou se ficar desempregado? De cara percebemos que o sistema não é tão simples. A falta de tal sistema de previdência leva a problemas sociais, mas a sua existência leva a um acúmulo muito grande de obrigações para o governo com o sustento dos cidadãos, criando uma dependência desnecessária. Além do que, se os cidadãos passam a ficar mais preocupados em salvar o dinheiro do que em fazê-lo circular, cria-se um problema econômico ainda maior. Próximo problema é o do mal gerenciamento de recursos. Gastar mal ou desperdício são grandes problemas de qualquer economia. Se o governo, ou empresa, começa a fazer o mal uso do recursos ele instantaneamente estará criando um crise mais a frente. Isso pode ocorrer porque tais recursos são destinados a monopólios, que não representam, muitas vezes, a melhor alternativa de investimento. Mesmo assim, alguns monopólios acabam por trazer inúmeros benefícios. Como em uma cidade que tem uma empresa, estatal ou não, detêm o controle da distribuição de energia elétrica. A existência de apenas uma empresa nessa cidade que disponibiliza um serviço essencial não é de fato um problema, pois não se pode imaginar em uma cidade, um serviço dessa abrangência sendo prestados por 2 ou 3 empresas, lutando para que se compre a energia elétrica de tal empresa. Pelo fato de ser um serviço caro, e que a sua estrutura física é ampla, não se pode pensar em concorrentes nesse caso. Em situações assim o máximo que pode ser feito é a distribuição de tais empresas para utilização de certas regiões, o que no final pode ser ainda mais difícil. Mas existe um sistema tão importante quanto mas que não é monopolizado em quase nenhum lugar, o sistema de telefonia. Esse sistema é tão essencial quanto o de energia elétrica, mas para ele, em sua maioria, não é necessário um rede tão extensa fisicamente. Digo pela comparação com a quantidade de postes de luz de uma cidade, já que uma companhia telefônica tem apenas um grande antena a cada alguns quilômetros. São sistema de grande importância mas que funcionam de maneiras diferentes. É claro, que os monopólios, tirando situações especificas como as demonstradas, são muito ruins para a economia. Imagina um monopólio, ou cartel, criado por empresas que vendem televisões. Se os executivos aumentam o preço delas, mesmo

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havendo o crescimento das margens de lucro nessa empresa, nenhuma renda foi redistribuída para a população, sendo então uma forma perversa de controle. Tais efeitos também podem ser notados em táticas adotadas por governos quando os mesmos decidem em pagar subsídios na produção de alimentos. Isso acaba por criar alguns efeitos que transcendem as suas fronteiras. Isso acaba por aumentar artificialmente o preço do produto externo face ao interno, e por fim a satisfação do consumidor não aumenta pois não houve ganho nenhum para ele. Após a leitura do problemas comuns e recorrentes na economia de mercado vamos agora para as características de uma economia ideal. Uma dos aspectos que são mais desejáveis é o total emprego da mão-de-obra. Isso é bom porque aumenta o mercado consumidor para um adequado suprimento de bens e serviços. Outra ótima característica seria a estabilidade relativa dos preços. Isso asseguraria a população que o seu salário vai continuar possuindo o mesmo poder de compra e de reserva. A terceira característica seria um crescimento estável e duradouro. Com os empregos e o mercado garantidos, o governo terá dinheiro disponível para fazer os investimentos necessários para continuar os crescimento da economia. Isso se faz necessário por que o crescimento rápido da economia traz vários problemas, como a falta de infra-estrutura para estabilizar e sustentar esse crescimento no futuro. A próxima característica seria a distribuição correta e responsável dos recursos. Isso quer dizer que as commodities seriam produzidas da maneira mais eficiente e barata possível, e nas quantidades corretas para a produção do que for preciso. Por fim, a economia ideal teria uma distribuição de salário quanto ao desejo, ou necessidade, do trabalhador. Isso quer dizer que não haveria igualdade dos salários, mas a diferença entre os valores praticados na economia seriam grandes o suficiente para garantir uma vida saudável juntamente com a possibilidade do indivíduo em garantir a sua aposentadoria. Ou seja, a distorção salarial seria diminuída drasticamente, ou seja, um executivo não mais ganharia milhões e os lixeiros não ganhariam apenas menos que o suficiente para viver. Esse quesito faz com que durante o processo educacional não haja a preferência por certas áreas julgando pelos salários aplicados, e sim pela necessidade real. Ao ler tais características, percebe-se que muitas delas entram em conflito. Então em um sistema próximo do ideal, teria que ser feito a escolha de uma dessas características para ser o pilar da mudança em busca do equilíbrio económico. Agora vamos ver de forma mais prática como são empregados tais elementos na economia americana. Segundo um estudo realizado por E.F. Denison (The Source of The Economic Growth in US, 1962), buscou trazer à sociedade as principais causas que levaram a economia americana a se tornar a primeira do mundo. Segundo o estudo de Denison, de 1909 a 1929, os produto por pessoa empregada cresceu a uma taxa anual de 1,22%. Desse crescimento, ele atribuiu 29% ao aumento do capital do trabalhador. Em seguida vem com 35%, a parte do crescimento causada pela melhoria da qualidade do trabalho, ou educação. E 46% foram devidos

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ao simples e puro progresso tecnológico. Ou seja, o crescimento da economia foi pautado no aumento da capacidade de produção. Todos somam mais de 100%, uma vez que o aumento populacional diminui a disponibilidade de terra para o trabalhador, quer dizer, que a produção per capita cairia se não houvesse algumas compensações. De 1929 a 1957, a taxa média de crescimento foi de 1,6% anualmente, e a contribuição por aumento de capital foi menor que 10%, a contribuição pela melhoria da qualidade foi quase a mesma, proporcionalmente, e por ultimo, a participação do progresso tecnológico, puro e simples, foi cerca de 58%. Processando melhor as informações, a partir das estimativas feitas por Denison, temos que admitir que os fatores que mais contribuíram para o crescimento da renda per capita foram: - Uma força de trabalho cada vez mais instruída; - Avanço tecnológico e suas aplicações em processos de produção; - A utilização do mercado de larga escala que já havia nos Estados Unidos, o que acabou por criar o maior mercado consumidor do mundo. Fica evidente que ao longo desses anos a economia foi pautada na máxima do aumento da eficiência produtiva, ignorando grandemente os outros preceitos. E foi essa política que acabou por criar imensas disparidades de renda e problemas sociais. Tais informações nos dão um panorama para entender a política econômica interna dos Estados Unidos, que acabou por levar a tal crescimento. Até aqui, mesmo com características especiais, como a sua grande população e território, não refletem exatamente em nenhum fator de grande diferença entre ela e outras economias.