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PUBLICAÇÃO OFICIAL

Revista

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

VOLUME 228 ANO 24 OUTUBRO/NOVEMBRO/DEZEMBRO 2012

Revista

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Gabinete do Ministro Diretor da Revista Diretora Ministra Nancy Andrighi Chefe de Gabinete Marcos Perdigão Bernardes Servidores Andrea Dias de Castro Costa Eloame Augusti Gerson Prado da Silva Jacqueline Neiva de Lima Maria Angélica Neves Sant’Ana Técnico em Secretariado Fagno Monteiro Amorim Mensageiro Cristiano Augusto Rodrigues Santos

Superior Tribunal de Justiça www.stj.jus.br, revista@stj.jus.br Gabinete do Ministro Diretor da Revista Setor de Administração Federal Sul, Quadra 6, Lote 1, Bloco C, 2º Andar, Sala C-240, Brasília-DF, 70095-900 Telefone (61) 3319-8003, Fax (61) 3319-8992

Revista do Superior Tribunal de Justiça - n. 1 (set. 1989) -. Brasília : STJ, 1989 -.Periodicidade varia: Mensal, do n. 1 (set. 1989) ao n. 202 (jun. 2006), Trimestral a partir do n. 203 (jul/ago/set. 2006). Repositório Oficial da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nome do editor varia: Superior Tribunal de Justiça/Editora Brasília Jurídica, set. 1989 a dez. 1998; Superior Tribunal de Justiça/Editora Consulex Ltda, jan. 1999 a dez. 2003; Superior Tribunal de Justiça/ Editora Brasília Jurídica, jan. 2004 a jun. 2006; Superior Tribunal de Justiça, jul/ago/set 2006-. Disponível também em versão eletrônica a partir de 2009: https://ww2.stj.jus.br/web/revista/eletronica/publicacao/?aplicacao=revista.eletronica. ISSN 0103-4286. 1. Direito, Brasil. 2. Jurisprudência, periódico, Brasil. I. Brasil. Superior Tribunal de Justiça (STJ). II. Título. CDU 340.142 (81) (05)

Revista
MINISTRA NANCY ANDRIGHI
Diretora

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Plenário Ministro Felix Fischer (Presidente) Ministro Gilson Langaro Dipp (Vice-Presidente) Ministro Ari Pargendler Ministra Eliana Calmon Alves (Diretora-Geral da ENFAM e Vice-Presidente em exercício) Ministro Francisco Cândido de Melo Falcão Neto (Corregedor Nacional de Justiça) Ministra Fátima Nancy Andrighi (Diretora da Revista) Ministra Laurita Hilário Vaz Ministro João Otávio de Noronha (Corregedor-Geral da Justiça Federal) Ministro José de Castro Meira Ministro Arnaldo Esteves Lima Ministro Humberto Eustáquio Soares Martins Ministra Maria Thereza Rocha de Assis Moura Ministro Antonio Herman de Vasconcellos e Benjamin Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Ministro Sidnei Agostinho Beneti Ministro Jorge Mussi Ministro Geraldo Og Nicéas Marques Fernandes Ministro Luis Felipe Salomão Ministro Mauro Luiz Campbell Marques Ministro Benedito Gonçalves Ministro Raul Araújo Filho Ministro Paulo de Tarso Vieira Sanseverino Ministra Maria Isabel Diniz Gallotti Rodrigues Ministro Antonio Carlos Ferreira Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva Ministro Sebastião Alves dos Reis Júnior Ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi Ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira Ministra Assusete Dumont Reis Magalhães

Resolução n. 19/1995-STJ, art. 3º. RISTJ, arts. 21, III e VI; 22, § 1º, e 23.

CORTE ESPECIAL (Sessões às 1ª e 3ª quartas-feiras do mês)
Ministro Felix Fischer (Presidente) Ministro Gilson Dipp (Vice-Presidente) Ministro Ari Pargendler Ministra Eliana Calmon (Vice-Presidente em exercício) Ministro Francisco Falcão Ministra Nancy Andrighi Ministra Laurita Vaz Ministro João Otávio de Noronha Ministro Castro Meira Ministro Arnaldo Esteves Lima Ministro Humberto Martins Ministra Maria Thereza de Assis Moura Ministro Herman Benjamin Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Ministro Sidnei Beneti Ministro Jorge Mussi (Em substituição ao Ministro Gilson Dipp)

PRIMEIRA SEÇÃO (Sessões às 2ª e 4ª quartas-feiras do mês)
Ministro Castro Meira (Presidente)

PRIMEIRA TURMA (Sessões às terças-feiras e 1ª e 3ª quintas-feiras do mês)
Ministro Arnaldo Esteves Lima (Presidente) Ministro Ari Pargendler Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Ministro Benedito Gonçalves

SEGUNDA TURMA (Sessões às terças-feiras e 1ª e 3ª quintas-feiras do mês)
Ministro Herman Benjamin (Presidente) Ministro Castro Meira Ministro Humberto Martins Ministro Mauro Campbell Marques Ministra Diva Malerbi*

SEGUNDA SEÇÃO (Sessões às 2ª e 4ª quartas-feiras do mês)
Ministro Sidnei Beneti (Presidente)

TERCEIRA TURMA (Sessões às terças-feiras e 1ª e 3ª quintas-feiras do mês)
Ministro Paulo de Tarso Sanseverino (Presidente) Ministra Nancy Andrighi Ministro Sidnei Beneti Ministro Villas Bôas Cueva

QUARTA TURMA (Sessões às terças-feiras e 1ª e 3ª quintas-feiras do mês)
Ministro Luis Felipe Salomão (Presidente) Ministro Raul Araújo Ministra Isabel Gallotti Ministro Antonio Carlos Ferreira Ministro Marco Buzzi

* Desembargadora convocada (TRF 3ª Região)

TERCEIRA SEÇÃO (Sessões às 2ª e 4ª quartas-feiras do mês)
Ministra Maria Thereza de Assis Moura (Presidenta)

QUINTA TURMA (Sessões às terças-feiras e 1ª e 3ª quintas-feiras do mês)
Ministro Marco Aurélio Bellizze (Presidente) Ministra Laurita Vaz Ministro Jorge Mussi Ministro Campos Marques* Ministra Marilza Maynard**

SEXTA TURMA (Sessões às terças-feiras e 1ª e 3ª quintas-feiras do mês)
Ministro Og Fernandes (Presidente) Ministra Maria Thereza de Assis Moura Ministro Sebastião Reis Júnior Ministra Assusete Magalhães Ministra Alderita Ramos de Oliveira***

* Desembargador convocado (TJ-PR) ** Desembargadora convocada (TJ-SE) *** Desembargadora convocada (TJ-PE)

COMISSÕES PERMANENTES (*)
COMISSÃO DE COORDENAÇÃO Ministro João Otávio de Noronha (Presidente) Ministro Castro Meira Ministro Jorge Mussi

COMISSÃO DE DOCUMENTAÇÃO Ministra Laurita Vaz (Presidenta) Ministro Sidnei Beneti Ministro Herman Benjamin (Suplente)

COMISSÃO DE REGIMENTO INTERNO Ministra Nancy Andrighi (Presidenta) Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Ministro Og Fernandes Ministro Humberto Martins (Suplente) COMISSÃO DE JURISPRUDÊNCIA Ministro Gilson Dipp (Presidente) Ministro Francisco Falcão Ministra Maria Thereza de Assis Moura Ministro Luis Felipe Salomão Ministro Raul Araújo

* Dados atualizados até 17.12.2012

MEMBROS DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
Ministra Nancy Andrighi (Corregedora-Geral) Ministra Laurita Vaz (Efetivo) Ministro Castro Meira (1º Substituto) Ministro Arnaldo Esteves Lima (2º Substituto)

CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL (Sessão à 1ª sexta-feira do mês)
Ministro Felix Fischer (Presidente) Ministro Gilson Dipp (Vice-Presidente) Ministro João Otávio de Noronha (Corregedor-Geral da Justiça Federal) Membros Efetivos Ministro Castro Meira Ministro Arnaldo Esteves Lima Juiz Mário César Ribeiro (TRF 1ª Região) Juíza Maria Helena Cisne (TRF 2ª Região) Juiz Newton De Lucca (TRF 3ª Região) Juíza Marga Inge Barth Tessler (TRF 4ª Região) Juiz Paulo Roberto de Oliveira Lima (TRF 5ª Região) Membros Suplentes Ministro Humberto Martins Ministra Maria Thereza de Assis Moura Ministro Herman Benjamin Juiz Daniel Paes Ribeiro (TRF 1ª Região) Juiz Raldênio Costa (TRF 2ª Região) Juíza Maria Salette Camargo Nascimento (TRF 3ª Região) Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon (TRF 4ª Região) Juiz Rogério Meneses Fialho Moreira (TRF 5ª Região)

SUMÁRIO
JURISPRUDÊNCIA

Corte Especial .............................................................................................................17 Primeira Seção.............................................................................................................97 Primeira Turma .........................................................................................................147 Segunda Turma .........................................................................................................205 Segunda Seção ...........................................................................................................265 Terceira Turma ..........................................................................................................343 Quarta Turma ............................................................................................................461 Terceira Seção............................................................................................................559 Quinta Turma ............................................................................................................569 Sexta Turma...............................................................................................................719
ÍNDICE ANALÍTICO ........................................................................................................................................... 817 ÍNDICE SISTEMÁTICO ...................................................................................................................................... 837 SIGLAS E ABREVIATURAS ............................................................................................................................. 843 REPOSITÓRIOS AUTORIZADOS E CREDENCIADOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ............................................................................................................ 849

Jurisprudência

Corte Especial

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9/2005-STJ. Agravo regimental desprovido. Exequatur. Arnaldo Esteves Lima. Humberto . Hipóteses de concessão. Agravado: Labodiesel Advogado: Sandro Salazar Saraiva Parte: Anton Schmid e outros EMENTA Agravo regimental na carta rogatória. negar provimento ao agravo regimental nos termos do voto do Sr. Ministros João Otávio de Noronha. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. sendo competência da Justiça rogante a análise de eventuais alegações relacionadas ao mérito da causa. ACÓRDÃO Vistos. Exame de mérito. Os Srs. Não sendo hipótese de ofensa à soberania nacional. Castro Meira. à ordem pública ou de inobservância dos requisitos da Resolução n. Impossibilidade. Agravo regimental desprovido. Teori Albino Zavascki. Observância dos requisitos da Resolução n. cabe apenas a este e. Ausência de ofensa à soberania nacional ou à ordem pública.AGRAVO REGIMENTAL NA CARTA ROGATÓRIA N. Massami Uyeda. por unanimidade.652-EX (2011/0033934-3) Relator: Ministro Presidente do STJ Agravante: Sergio Burello Júnior Advogado: Sandro Salazar Saraiva Jusrogante: Juízo de Instrução Criminal Entidade de Instrução do Cantão de Schwyz Agravado: Engedraulica Comércio e Reparos Hidráulicos Ltda. acordam os Ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Ministro Relator. Superior Tribunal de Justiça emitir juízo meramente delibatório acerca da concessão do exequatur nas cartas rogatórias. 5. 9/2005. Competência da Justiça rogante.

“a defesa somente poderá versar sobre a autenticidade dos documentos. conforme tradução do texto rogatório. justificadamente. (b) inquirição de Sérgio Burello Jr. 136). Ministra Laurita Vaz. Jorge Mussi e Raul Araújo. Ministra Laurita Vaz. 9/2005 deste Tribunal. Jorge Mussi e Raul Araújo votaram com o Sr. Confederação Suíça. os Srs. Relator DJe 2. Presidiu o julgamento a Sra. Convocados os Srs. Entidade de Instrução do Cantão de Schwyz. 148). em audiência judicial. Segundo o artigo 9º da Resolução n. e Labodiesel para que prestem informações a fim de instruir processo que tramita perante a Justiça Rogante. inteligência da decisão e observância dos requisitos desta Resolução”. em face de r.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Martins. Brasília (DF).2012 RELATÓRIO O Sr. O Ministério Público Federal opinou pela concessão parcial da ordem para “(a) devolução à origem das informações prestadas pelas empresas Engedráulica e Labodiesel. bem como. Sérgio Burello Júnior apresentou impugnação à carta rogatória. decisão que concedeu parcialmente o exequatur pelos seguintes fundamentos: “1. Ministro Felix Fischer: Trata-se de agravo regimental interposto por Sergio Burello Júnior. a inquirição de Sérgio Burello Júnior. 61). O Juízo de Instrução Criminal.. 19 de setembro de 2012 (data do julgamento). Ausentes. Maria Thereza de Assis Moura. Nancy Andrighi e Herman Benjamin. mediante carta rogatória. Ministros Sidnei Beneti. Ministros Ari Pargendler. 20 . Sidnei Beneti.10. Engedráulica Comércio e Reparos Hidráulicos Ltda. e Labodiesel prestaram as informações solicitadas. Intimados previamente (fl. a notificação dos representantes legais de Engedráulica Comércio e Reparos Hidráulicos Ltda. Ministro Relator. Eliana Calmon. sustentando que “não possui qualquer envolvimento relevante com o suposto fatídico sub judice” (fl. Gilson Dipp. 2. como solicitado pela Justiça Rogante” (fl. solicita. Presidente Ministro Felix Fischer. Francisco Falcão.

165). em síntese. outubro/dezembro 2012 21 .1986). pelo desprovimento do presente recurso para que seja realizada audiência de inquirição do agravante (fl. Ao final. excetuando-se pelo fato do mesmo de ter sido uma quase vítima de um grande golpe” (fl. Em suas razões. alega o agravante. autoridade central para o caso (artigo 14 da mencionada resolução). Incitado a se manifestar. E mais. a. o objeto desta carta rogatória não atenta contra a soberania nacional nem a contra ordem pública. Após o trânsito em julgado.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL No caso dos autos.) não possui qualquer envolvimento relevante com o suposto fatídico sob judice. Em razão da juntada aos autos dos dados solicitados das demais interessadas. que não “(. 4. os argumentos apresentados visam demonstrar a improcedência da ação e deverão ser analisados pela Justiça estrangeira.” (fls. com efeito. 166). Remeta-se a comissão à Seção Judiciária da Justiça Federal no Estado de São Paulo para as providências cabíveis. devolvam-se os autos à Justiça rogante por intermédio do Ministério Público Federal. que “(. 9/2005 deste Tribunal). o Ministério Público Federal alega que o juízo delibatório do exequatur não se presta para exame de mérito e opina. Por fim. 24. publicados no DJ de 16. É o relatório. Ministro Felix Fischer (Relator): A decisão agravada deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.5. Relator Ministro Moreira Alves. considero parcialmente cumprida a rogatória.. (228): 17-95. requer seja denegado o exequatur.. 150-151). Embargos da CR n. VOTO O Sr. tampouco que justifiquem sua remessa a Justiça Federal para submeter o agravante a instrução criminal” (fl. pois na concessão do exequatur não cabe examinar o mérito da causa a ser decidida no exterior (cf. RSTJ.340. nos termos do parecer ministerial (art. 174). 2º..) há suporte probatório mínimo ou indícios verossímeis que fundamente a CR. Concedo parcialmente o exequatur para a inquirição de Sérgio Burello Júnior. Resolução n..

visando dar efeito a um dos mais importantes instrumentos de cooperação jurídica internacional. é dispensável a remessa da carta rogatória à Justiça Federal após a concessão do exequatur. 9/2005. Aplicação dos arts. Alegada ofensa à ordem pública e à soberania nacional. Rel. o que confere autenticidade aos documentos que acompanham o pedido rogatório. Agravo regimental. Questões referentes ao mérito da ação ajuizada no exterior devem ser remetidas à análise da Justiça rogante. § 3º. Deve verificar. – Não compete a esta Corte analisar o mérito de causa a ser decidida no exterior. Superior Tribunal de Justiça não concederá exequatur às cartas rogatórias na hipótese de ofensa à soberania nacional e à ordem pública ou. tendo em vista o juízo meramente delibatório exercido por este Tribunal no cumprimento das rogatórias.2012). (AgRg na Carta Rogatória n. Carta rogatória. a competência da autoridade judiciária brasileira é relativa. § 1º. – Tratando-se de matéria subsumida na previsão do art. apenas. Análise pela Justiça rogante. questões de mérito. acerca das condições de execução das cartas rogatórias.6. Competência relativa. DJe 6. ainda. Precedentes desta Corte. Corte Superior: Carta rogatória. A propósito. quando a parte interessada é considerada citada em razão do comparecimento aos autos para apresentar impugnação. Inocorrência. do Código de Processo Civil e 13. situação que se verifica in casu. se inobservados os requisitos da Resolução n. – A comissão tramitou por meio da autoridade central brasileira. Seu mister diz respeito apenas à emissão de um juízo meramente delibatório. Citação. 22 . se porventura alegadas. Remessa à análise da Justiça rogante. os seguintes precedentes desta e. e o conhecimento das ações é concorrente entre as Jurisdições nacional e estrangeira. 9 de 2005 deste Tribunal. Mérito da ação ajuizada no exterior.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA No exercício de sua competência constitucional. nesse sentido. 88 do Código de Processo Civil. 214. Citação. Ari Pargendler. Agravo regimental. 9/2005 deste Tribunal. este e. somente devem ser examinadas na Justiça Estrangeira do Estado rogante. Autenticidade dos documentos. que trata da matéria. Questões de mérito. Min. 5. da Resolução n. Nos termos da jurisprudência desta Corte. Diligência rogada.263-AR. Corte Especial. Agravo regimental improvido. se a diligência solicitada não ofende a soberania nacional ou a ordem pública e se foram observados os requisitos da Resolução n. De outra parte. cito.

2. Agravo regimental a que se nega provimento. Maurício Corrêa.2007). Com essas considerações.5. 45/2004. Tribunal Pleno. não era diverso o entendimento do e. A simples citação não afronta a ordem pública ou a soberania nacional. Competência da Justiça Estrangeira. DJ 21. Matéria de exame apenas no âmbito da Justiça rogante. Agravo regimental improvido. Rel.2004). 24.12. Rel. Exame de mérito.849 AgR-EU.570-RS (2012/0090654-0) Relator: Ministro Presidente do STJ Agravante: União Agravado: Carlos Volnei Josende Nemitz Advogado: Diana Amorim Lorenzatto e outro(s) Requerido: Tribunal Regional Federal da 4a Região Interessado: Município de Porto Alegre RSTJ. Citação. Questões pertinentes ao mérito da carta rogatória. 10. antes da entrada em vigor da Emenda Constitucional n. Ofensa à soberania nacional ou à ordem pública. É o voto. Corte Especial. pois objetiva dar conhecimento da ação ajuizada no exterior e permitir a apresentação de defesa. Min. Barros Monteiro. 1. outubro/dezembro 2012 23 . Efeitos. (AgRg na Carta Rogatória n. apenas possibilita o conhecimento da ação que tramita perante a Justiça alienígena e faculta a apresentação de defesa. DJe 10. Outrossim. 1.497-US.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL – A prática de ato de comunicação processual é plenamente admissível em carta rogatória. nego provimento ao agravo regimental. Impossibilidade de análise. a. Confira-se: Agravo regimental em carta rogatória. (228): 17-95. 2. (Carta Rogatória n. O mero procedimento citatório não produz qualquer efeito atentatório à soberania nacional ou à ordem pública. Supremo Tribunal Federal quando detinha competência para a concessão de exequatur às cartas rogatórias. AGRAVO REGIMENTAL NA SUSPENSÃO DE LIMINAR E DE SENTENÇA N. Inocorrência. Min.

acordam os Ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Teori Albino Zavascki.437. Se a Advocacia-Geral da União. os Srs. não tem meios para fazer cumprir um acórdão proferido por Tribunal Regional Federal. Maria Thereza de Assis Moura e Nancy Andrighi. deve ela responder com o seu orçamento pelo desvio de conduta da entidade que representa em Juízo. Castro Meira. votaram com o Sr. Ministro Gilson Dipp.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Advogado: Critiane da Costa Nery Interessado: Estado do Rio Grande do Sul Advogado: Caroline Said Dias Interessado: Luiz Dorneles Jacoboski Advogado: Luiz Carlos Buchain EMENTA Pedido de suspensão de liminar. por unanimidade. Agravo regimental não provido. Brasília (DF). relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. Presidente Ministro Ari Pargendler. Ministro Relator. Ministros Laurita Vaz. Ministros Cesar Asfor Rocha. 8. Ausentes. Continuidade de tratamento de saúde. 14 de junho de 2012 (data do julgamento). Inexistência de grave lesão aos interesses tutelados pela Lei n. Ministro Gilson Dipp. de 1992. que é a interface da Administração Pública com o Poder Judiciário.8.. indicando uma conta do Tesouro Nacional com recursos disponíveis). Ministro Relator. Os Srs. nem propõe uma alternativa de solução (v. ACÓRDÃO Vistos. Não há Jurisdição sem efetividade (o Judiciário é inútil acaso não tiver força para fazer cumprir suas decisões). Arnaldo Esteves Lima. Eliana Calmon. que ressalvou seu voto. Bloqueio de valores.g. negar provimento ao agravo regimental nos termos do voto do Sr. Massami Uyeda e Humberto Martins. Felix Fischer.2012 24 . João Otávio de Noronha. Relator DJe 6. Presidiu o julgamento o Sr. Francisco Falcão. justificadamente.

RSTJ. sem obter êxito.ambos sobrestados pelo VicePresidente daquele Tribunal (fl. Mantida a sentença pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. sem dar efetividade à garantia assegurada judicialmente ao demandante. quinhentos e oitenta e cinco reais e noventa e quatro centavos). 134-155) . a União limita-se a informar que dará prosseguimento ao procedimento de compra e que está em vias de fornecer o medicamento.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL RELATÓRIO O Sr. a. Na decisão da fl. 537). (228): 17-95. Em todas as manifestações acostadas. ato contínuo. a multa restou majorada. 159 e 160).94 (quarenta e um mil. 173-174). outubro/dezembro 2012 25 . 24.00 (cinquenta reais). a União interpôs recursos especial (fl. Desde então. relator o Juiz Jorge Antônio Maurique (fl.585. 557 determinei a juntada de três orçamentos que demonstrassem o custo do medicamente. Os autos dão conta de que Carlos Volnei Josende Nemitz ajuizou ação constitutiva de obrigação de dar contra a União e outros (fl. Jurandi Borges Pinheiro julgou o pedido procedente ‘para determinar que forneçam tanto a União como o Estado do Rio Grande do Sul e o Município de Novo Hamburgo. constata-se que o medicamento a que faz jus a parte autora foi fornecido apenas até o mês de outubro de 2011 (fl. Analisando os orçamentos. À vista da notícia de descumprimento da ordem judicial (fl. e tal situação não foi revertida até o momento. 99-110). porquanto necessita de tratamento contínuo. A União já foi intimada a restabelecer o fornecimento da medicação. o Vice-Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região proferiu a seguinte decisão: ‘Conforme já abordei em decisão anterior. o medicamento arrolado sob o item c dos pedidos da exordial’ (fl. de forma a permitir o bloqueio da verba necessária ao tratamento do autor. Dr. 111-133) e extraordinário (fl. impondo-se multa diária de R$ 50. ao autor. Juiz da 4ª Vara Federal Substituto de Porto Alegre. O MM. Ministro Ari Pargendler: O agravo regimental ataca a seguinte decisão: “1. RS. o autor busca ver implementada a determinação judicial no que se refere às próximas doses. 46-68). verifica-se que o tratamento de menor custo importa em R$ 41. 74). e. 560-563. A parte autora acostou os documentos às fls.

alegando grave lesão à ordem pública. É ler: (. quanto ao fornecimento da medicação.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Destarte. 3. sejam os valores imediatamente liberados à parte autora. pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (fl. 167. qual seja. 2. Por fim.) Percebe-se.595. acaso a União cumpra espontaneamente a medida antes de ser liberada a importância acima referida.fl. bem como flagrante ilegitimidade (fl. o que é vedado pela Constituição da República (art.2012. de 19. diretamente da União (AGU . no prazo de 10 (dez) dias. assim. 26994558/0001-23). determino o bloqueio de R$ 41.. bem como para que.246. 614-626) e mantida a sentença. Isso porque a decisão acaba por determinar que a União transfira recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro sem prévia autorização legislativa.CNPJ n. acabem por estar vinculadas ao cumprimento de decisões judiciais que devem ser efetivadas por outro órgão. 627-638 e 651-657).585. Lei n.00 (quarenta e cinco mil. que a decisão vem afrontar diametralmente a lei orçamentária anual. no âmbito de defesa de seus três Poderes. que deverá prestar contas da importância recebida.1. 566-578). pelo Judiciário. duzentos e quarenta e seis reais) . da CRFB). a qual teve o mesmo desfecho: julgado procedente o pedido (fl. 792-793 e 807. o Vice-Presidente do Tribunal a quo determinou o bloqueio de R$ 45. 198-199). ofendendo assim a ordem político-administrativa. o Ministério da Saúde. Seguiu-se o presente pedido de suspensão de liminar ajuizado pela União. representa clara invasão ao processo de elaboração de lei orçamentária. Noticiado o descumprimento da obrigação. os recursos especial e extraordinário estão sobrestados naquele Tribunal. que veio estimar a receita da 26 . ressalto que.. ficará sem efeito a determinação de bloqueio’ (fl. efetuado o bloqueio.94 (quarenta e um mil. A teor da petição: ‘Ao se prever que as verbas do órgão de representação judicial da União. quinhentos e oitenta e cinco reais e noventa e quatro centavos). 12. 01-09). Luiz Dorneles Jacoboski ajuizou ação constitutiva de obrigação de fazer contra a União (fl. Encaminhe-se esta decisão à Vara de origem para cumprimento. Com causa de pedir semelhante. inciso VI. e ocasiona um desequilíbrio fiscal.

com prejuízo aos autores da ação que necessitam dos medicamentos que lhes são sonegados. no mínimo. são objeto de extrema desconsideração por órgãos da União. de um dos pilares do Estado Democrático de Direito. com recursos especial e extraordinário sobrestados à espera de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal a respeito do direito à saúde. uma velada forma de enfraquecer a defesa da União. por ser órgão da União. Não há jurisdição sem efetividade. por via transversa. A situação sub judice é emblemática. Do contrário. da Constituição..) Percebe-se que. 24.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL União para o exercício financeiro de 2012. 04-08). 167. AdvocaciaGeral da União para o Ministério da Saúde. nos termos do art. representa a União. Contudo. indevidamente aplicadas por juízes. direta ou através de órgão vinculado. mesmo que não seja esse o entendimento a ser adotado. além de representar. incorreto e enfraquecedor da advocacia pública e. de forma diferente. distribuindo-a entre os seus poderes e órgãos. O desempenho das atividades profissionais sob preceitos éticos pelos integrantes da AdvocaciaGeral da União não pode ser maculado por medidas coercitivas. 131 da Constituição Federal. já mencionada. confirmadas por Tribunal Regional Federal. vincular o orçamento do órgão de representação judicial para cumprimento das obrigações de seus representados revela procedimento.4ª Região extrapola os limites da legalidade e transgride as prerrogativas dos membros da Advocacia-Geral da União. adotando-se um raciocínio pragmático. a. no âmbito de seus três Poderes. outubro/dezembro 2012 27 . Legislativo e Judiciário. Assim. judicial e extrajudicialmente. à norma disciplinada pelo art. Duas sentenças. do que as verbas da própria Advocacia-Geral da União’ (fl. mas com finalidade análoga. a decisão do TRF . RSTJ. por consequência. isso porque a decisão acaba por determinar que a União transfira recursos de um órgão para outro sem prévia autorização legislativa.. frontal seria a lesão. em outras palavras. inciso VI. até mesmo o orçamento do próprio Tribunal poderia ser bloqueado. o que até se mostraria. (. (228): 17-95. o Judiciário é inútil se não tem força para fazer cumprir suas decisões. 4. Não se pode perder de vista que a Advocacia-Geral da União. diante da agilidade no cumprimento. o que não implica que a União se esquive de suas obrigações legais e constitucionais. vem ser a instituição que. Executivo. mas efetivo.

a quem cabia a sua observância.. não podendo suas verbas ser sequestradas para atender necessidades a cargo de outros órgãos. ‘Determinado o bloqueio da importância necessária à continuidade do tratamento da parte recorrida (fl.) 28 . já tendo sido cumprida a decisão antes de apresentação da suspensão.quando menos . (. no sentido de retirar da Advocacia-Geral da União as verbas para cumprimento de obrigações a serem observadas por seus diversos órgãos. que as verbas para cumprimento da obrigação saíram do Ministério da Saúde. e o juiz fraudará sua missão se não ouvi-lo. 498).4ª Região.que o Judiciário. e . Acontece que. a tanto se assimila o procedimento de quem reconhece o direito individual. O apelo ao Poder Judiciário para reparar lesão a direito individual é ineliminável nos termos da Constituição. na pessoa do Presidente do Superior Tribunal de Justiça. procurou executar o acórdão de um modo possível implicaria o reconhecimento de que o Poder Executivo só cumpre os ditames do Judiciário quando quer. não transformar em rotina medidas como tais adotadas pelo TRF . para um dos pacientes. ademais. Indefiro. ante esse fato surpreendente. porquanto ausente qualquer valor nas contas bancárias do Ministério da Saúde e do Fundo Nacional da Saúde’ (fl. se a Advocacia-Geral da União induzisse o Ministério da Saúde a cumprir o julgado ou . nas palavras do Vice-Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.mais do que isso . 817-821). A suspensão dos efeitos de tal decisão que. o pedido” (fl. por isso. mas se omite de dar-lhe efetividade. Frise-se. Outra seria a solução.. inclusive. na espécie o Ministério da Saúde.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Quid? Aparentemente tem razão a Advocacia-Geral da União quando afirma que é responsável pela representação judicial dos três Poderes do Estado. está de acordo com isso. a magistrada a quo noticia não ter logrado êxito na diligência.se indicasse outro meio de alcançar esse resultado. resolvida a situação do paciente no caso concreto. A teor do recurso: “O que pretende a União com o presente recurso é que. 807). Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon.

e ocasiona um desequilíbrio fiscal. se mostrasse insolvente. nem propõe uma alternativa de solução (v. que é a interface da Administração Pública com o Poder Judiciário.. a princípio. outubro/dezembro 2012 29 . acabem por estar vinculadas ao cumprimento de decisões judiciais que devem ser efetivadas por outro órgão. Ministro Ari Pargendler (Relator): A motivação da decisão agravada subsiste. 832-835). 807)? Voto. Isso porque a decisão acaba por determinar que a União transfira recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro sem prévia autorização legislativa.) Ao se prever que as verbas do órgão de representação judicial da União. (. por isso. representa clara invasão ao processo de elaboração da lei orçamentária. o Ministério da Saúde. o ativismo não pode ser aquele que desrespeite os limites estabelecidos para os Poderes. 167. não obstante as razões do agravo regimental. qual seja. Se a Advocacia-Geral da União. (228): 17-95.. se “ausente qualquer valor nas contas bancárias do Ministério da Saúde e do Fundo Nacional da Saúde” (fl. da CRFB). a. deve ela responder com o seu orçamento pelo desvio de conduta da entidade que representa em Juízo. no sentido de negar provimento ao agravo regimental. RSTJ. em que pese a nobre preocupação do Judiciário com o cumprimento da obrigação.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL Contudo.. inciso VI. 24. indicando uma conta do Tesouro Nacional com recursos disponíveis). ofendendo assim a ordem político-administrativa” (fl. o que é vedado pela Constituição da República (art. A decisão que se visa suspender. VOTO O Sr. que deixaram de enfrentar a resistência ao cumprimento de uma ordem judicial.g. equivaleria à responsabilização financeira de um escritório de advocacia cujos advogados integrantes estivessem munidos dos poderes de representação judicial de um devedor que. O que mais poderia ser feito. não tem meios para fazer cumprir um acórdão proferido por Tribunal Regional Federal. pelo Judiciário. no âmbito de defesa de seus três Poderes. de uma forma exemplificativa e alegórica. e nem contrarie princípios e normas previstos expressamente na Constituição.

Min. foi afastado cautelarmente do cargo.139. I .2002). 444 AgR-MT. e Pet n.g. 201. Humberto Gomes de Barros.1992.Consoante a jurisprudência deste Tribunal. Rel.300 do Tribunal de Justiça do Estado do Pará EMENTA Agravo regimental na suspensão de liminar e de sentença.In casu.11. Sydney Sanches. Rel. Agravo regimental desprovido. ainda que o afastamento do agente público seja anterior à decisão proferida no âmbito desta Corte. STF. Tribunal Pleno. Agravo regimental desprovido.9. Sepúlveda Pertence. Rel.4. Min. por interferir concretamente na instrução processual valendo-se de funcionários do município para esconder provas e ocultar vestígios acerca de supostos atos de improbidade a ele atribuídos. DJ de 4. p/ acórdão Min. 876RN. DJ de 12. prefeito municipal. III .230. Tribunal Pleno.2008. 1. mediante decisão do juízo a quo. Grave lesão à ordem pública. SS n. Afastamento. 2. AgRg na SLS n.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA AGRAVO REGIMENTAL NA SUSPENSÃO DE LIMINAR E DE SENTENÇA N.225 AgR-GO. o requerente. 30 .A jurisprudência da Corte Especial e a do c. não se configura excessivo o afastamento cautelar de prefeito municipal pelo período de 90 dias. Supremo Tribunal Federal têm admitido que prefeito afastado do cargo por decisão judicial pode formular pedido de suspensão de liminar e de sentença alegando grave lesão à ordem pública (v.630-PA (2012/0161048-1) Relator: Ministro Presidente do STJ Agravante: Lourival Fernandes de Lima Advogados: Chryssie Cavalcante e outro(s) Sabato Giovani Megale Rossetti e outro(s) Agravado: Ministério Público do Estado do Pará Requerido: Desembargador Relator da Suspensão de Liminar n. DJe de 10. II . STJ. Prefeito.

Teori Albino Zavascki. Brasília (DF).. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória. Francisco Falcão e Nancy Andrighi. 8. Ministro Relator. 20. Ministro Felix Fischer: Trata-se de agravo regimental interposto por Lourival Fernandes de Lima contra decisum proferido pelo então Presidente desta Corte Superior.. acordam os Ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. no seu art. outubro/dezembro 2012 31 . relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. Aqui. parágrafo único. Ministros João Otávio de Noronha. Min. Jorge Mussi e Raul Araújo votaram com o Sr. 19 de setembro de 2012 (data do julgamento). negar provimento ao agravo regimental nos termos do voto do Sr. Convocados os Srs. Presidente Ministro Felix Fischer. segurança e economia pública. por unanimidade. 24. saúde. Ministra Laurita Vaz. Ministros Sidnei Beneti. a decisão cuja execução se busca suspender determinou o afastamento cautelar de Lourival Fernandes de Lima do cargo de prefeito do Município Santa Luzia do Pará “enquanto durar a instrução processual” (fl. assim fundamentado: (. a.437. O art. os Srs. 131). Humberto Martins. Ministros Ari Pargendler. Sidnei Beneti. Eliana Calmon. Castro Meira. 4º: ordem. 20. (228): 17-95.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL ACÓRDÃO Vistos. da Lei n. Massami Uyeda. Ministra Laurita Vaz. Herman Benjamin. 8. Ari Pargendler.429. justificadamente. Gilson Dipp. Ausentes. de 1992. Jorge Mussi e Raul Araújo. A suspensão de medida liminar ou de sentença exige um juízo político a respeito dos valores jurídicos tutelados pela Lei n. estabelece o seguinte: Art. Os Srs.) 3. Maria Thereza de Assis Moura. de 1992. Arnaldo Esteves Lima. RSTJ.2012 RELATÓRIO O Sr. Ministro Relator.10. Relator DJe 2. Presidiu o julgamento a Sra.

uma penalidade. Na espécie. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça tem limitado a 180 (cento e oitenta) dias o prazo de afastamento de agente político do exercício de suas funções.. pois. causando instabilidade política. emprego ou função. seja para registrarem ocorrências policiais dando conta do desaparecimento de documentos. quando a medida se fizer necessária à instrução processual (o sublinhado não é do texto original). considerada a temporariedade do cargo e a natural demora na instrução da ação. foi encontrado na residência do requerido José Raimundo Nascimento Oliveira o procedimento licitatório referente ao matadouro municipal. com urgência. Há. 416-418). esse prazo consumiria o restante do mandato eletivo do Requerente. o afastamento pode constituir uma indevida interferência do Poder Judiciário.. Nessa linha. Intimem-se. com um temperamento. e por isso deve ser reduzido pela metade. 96). A norma supõe prova suficiente de que o agente público possa dificultar a instrução processual. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo. utilizando-se de seu cargo e de seu poder hierárquico sobre servidores de sua confiança. Na espécie. a medida está assim fundamentada: (. para evitar que a duração do processo constitua. elemento concreto a justificar o afastamento do requerente do cargo de Prefeito de do Município Santa Luzia do Pará. por isso. tudo. repita-se. por si só. em parte. Comunique-se. seja para esconderem em suas residências documentos públicos. portanto. o pedido apenas para limitar os efeitos da decisão que determinou o afastamento de Lourival Fernandes de Lima do cargo de prefeito do Município Santa Luzia do Pará até 90 (noventa) dias contados da presente data. valendo-se o demandado de funcionários de município. 32 . durante a diligência de busca e apreensão por mim deferida. Desprovido de fundamento. vem buscando ocultar provas e esconder vestígios acerca de supostos atos de improbidade a si atribuídos. e sua aplicação deve ser ainda mais estrita quando se trata de afastamento de titular de mandato eletivo.) o requerido Lourival Fernandes de Lima. a decisão judicial deve produzir seus efeitos. A instrução da ação de improbidade administrativa precisa ter um prazo razoável. Defiro.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Parágrafo único. com o fim de obstruir as investigações que pesam contra si (fl. sem prejuízo da remuneração. (fls. o que comprova que a omissão do requerido em não apresentar os documentos solicitados pelo Ministério Público é dolosa e visa obstruir a produção de provas.

11. 465).2002).1992 e Pet n. da forma como consignado na decisão agravada. 24. nesse sentido. ordem. Min. entendendo que “o marco inicial consagrado para o cômputo do prazo de 180 dias é a data da decisão de afastamento” (fl.g.2. 8. Tribunal Pleno. quando a decisão objeto do requerimento excepcional puder provocar grave lesão a algum dos interesses tutelados pela Lei n.2012. tem reconhecido a legitimidade de prefeito municipal afastado do cargo por decisão judicial para formular pedido de suspensão nesta Corte Superior. determinando a limitação do período de afastamento do cargo até 90 dias contados da data da decisão por ele proferida em 14. Tribunal Pleno. mas da data do seu afastamento inicial. que. seguindo entendimento propugnado pelo c. Entende o agravante. assim. 14 de agosto de 2012” (fl. Rel.437/1992. VOTO O Sr. Aduz que o Presidente desta Corte “reconheceu a existência de ‘elemento concreto a justificar o afastamento do Requerente do cargo de Prefeito do Município de Santa Luzia do Pará’” (fl. qual seja.8. e somente terminaria em 14. SS n. na verdade. saúde.8. sustenta o agravante que requereu nesta Corte “o seu retorno ao cargo de Prefeito Municipal de Santa Luzia do Pará em decorrência da inexistência de prazo determinado de duração do afastamento que lhe fora imposto pelo juízo de 1ª instância.2012. (228): 17-95. Ministro Felix Fischer (Relator): O Superior Tribunal de Justiça.2.225 AgR-GO. 464).2012. Requer. de 270 dias. ao final. 2. DJ de 12. que se deu em 27. DJ de 4. Sepúlveda Pertence.9. quais sejam. outubro/dezembro 2012 . p/ acórdão Min.4. 462).2012. 444 AgR-MT.2012). Sydney Sanches. alega que “não há razão alguma para que o prazo de 90 (noventa) dias seja contado da data da decisão agravada. 462). segurança e economia públicas. É o relatório. Cito. Rel. precedente: 33 RSTJ. uma vez que já se encontra afastado desde 27.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL Em suas razões. Desse modo. o período de afastamento a ele imposto seria. Supremo Tribunal Federal (v. a. que o período de 90 dias estabelecido na decisão objurgada seja contado não da data em que proferida (14. de modo a configurar uma inequívoca e inaceitável cassação branca do mandato eletivo” (fl.

Rel. Min.429/1992. no curso de investigações realizadas no âmbito de ação de improbidade administrativa. a jurisprudência mais recente da Corte Especial tem permitido. sob pena de se constituir em indevida interferência do Poder Judiciário no Executivo. 1. A perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória. 8. DJe de 10. 34 . a decisão judicial que determina o afastamento de alcaide deve estar devidamente fundamentada. o agente público estava interferindo indevidamente na instrução processual. AgRg na SLS n. Parágrafo único. DJe de 23. 876-RN. quando a medida se fizer necessária à instrução processual. (Grifos acrescidos). (.. Referida norma. valendo-se de funcionários do município para esconder provas e ocultar vestígios acerca de supostos atos de improbidade a ele atribuídos. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o afastamento do agente público do exercício do cargo. Por essa razão. Por outro lado.382-CE.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Afastamento cautelar de agente político. que assim dispõe: Art. parágrafo único. . sem prejuízo da remuneração. determinado por juiz de primeiro grau. Humberto Gomes de Barros. Pedido de suspensão.. a manutenção de afastamento cautelar de prefeito municipal. emprego ou função.2011). porquanto.11.g. decisum proferido pelo juízo de primeiro grau.) (AgRg na SLS n. está suficientemente fundamentado o afastamento do prefeito municipal. em caráter excepcional. quando. Legitimidade ativa. Corte Especial. Min. mediante fatos incontroversos. uma vez que se volta contra agente munido de mandato eletivo. consoante o r. da Lei n. Rel. O fundamento legal para o afastamento cautelar de agente público em sede de ação de improbidade administrativa está previsto no art. existir prova suficiente de que o alcaide esteja dificultando a instrução processual em curso de ação de improbidade administrativa (v.9.O agente político tem legitimidade ativa para ajuizar pedido de suspensão visando subtrair eficácia da decisão judicial que o afastou do cargo. 20. contudo. de modo que se mostra razoável a medida adotada pelo magistrado. In casu. deve ser interpretada com temperamentos quando se refere ao afastamento de prefeito municipal.2008). Corte Especial. Ari Pargendler. 20.

de que o Município. eis que todo o numerário já fora sacada. 194. com relação ao requerido Lourival Fernandes de Lima. isto não é suficiente para determinação do afastamento do cargo.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL A propósito. 13). Registre-se que este fato foi inclusive objeto de Boletim de Ocorrência n. O requerido. vem praticando atos e omissões no sentido de buscar inviabilizar a atividade investigatória do Ministério Público. tendo suas portas arrombadas. (228): 17-95. acabou por ocultar provas e criar fatos inexistentes conforme abaixo demonstrarei. Não bastasse isso. a. quedou-se inerte. informado que estava impossibilitado de fornecer alguns dos documentos porque no dia 23. À fl. realizado em 7. realizando apenas pouco mais de 50% da mesma. em que pese este fato. de forma inexplicável. Desse modo. consta o Ofício n. 199/2011 do Ministério Público Estadual. não tendo apresentado qualquer respostas ao fiscal da lei.2011.7. consoante laudo de execução física de fls. decisão que se busca suspender: Com relação ao fumus boni iuris. ante a comprovação pelo Ministério Público. resta inconteste o fumus boni iuris. o prédio da Prefeitura. 24. tendo sido gasto. observo que resta demonstrado nos presentes autos. Quanto ao periculum in mora. não havendo mais qualquer valor disponível na conta aberta para o serviço. sendo necessário demonstrar que o requerido possa vir a causar embaraços à instrução. ou seja. mesmo tendo recebido o ofício em questão. Porém. RSTJ. não tendo concluído a referida obra. restando mais do que claro que o mesmo. o requerido. recebeu R$ 196. por intermédio do requerido Lourival Fernandes de Lima. valores e documentos subtraídos (processo cautelar fl. feito pela Sra.2011 pela Secretaria de Estado de Planejamento.9.51% do serviço.000 (quatro mil reais) de repasse próprio para conclusão do matadouro municipal. conforme se observa da certidão de fl. na medida em que o Município recebeu o valor integral para a conclusão do matadouro municipal. no qual é requisitada cópia integral da prestação de contas referente ao Convênio n. 505-508. observo que existem elementos mais do que suficientes para a concessão da medida. 351/2010 celebrado entre o Município e a Sepof para a construção do matadouro municipal. além de R$ 4. 2011000433-2. cito trecho da r. desde o início das investigações. o periculum in mora. Orçamento e Finanças do Estado do Pará. 194-v. bem como os prédios das Secretarias Municipais foram invadidos. fato que materializa concretamente o severo risco de continuar à frente da gestão do Município. assim como suas notas de empenho. 216/2011 cópia integral de todos os processos de licitação realizados no ano de 2007. todo o dinheiro recebido e realizado apenas 52. outubro/dezembro 2012 35 . na exordial. o Ministério Público requisitou por meio do Ofício n. no afã de ocultar atos irregulares levados a efeito por sua gestão. bem como notas fiscais emitidas por diversas empresas. tendo em vista que. por meio de seu advogado. tendo. todavia.000 (cento e noventa e seis mil reais) do Estado do Pará.

92-94) (Grifos acrescidos). afirmou que a Promotora de Justiça estava cobrando as notas fiscais referentes ao matadouro. seja para registrarem ocorrências policiais dando conta do desaparecimento de documentos. sendo subtraídos alguns documentos (. contudo. Registre-se que essa versão de não apresentação dos documentos ao Ministério Público por suposto furto na Prefeitura Municipal foi sustentada pelo Município. temor dos servidores. vem buscando ocultar provas e esconder vestígios acerca de supostos atos de improbidade a si atribuídos. repita-se. Desa. valendo-se o demandado de funcionários de município. O período de afastamento cautelar e o seu termo inicial. que exerce o cargo de Secretária Executiva de Gabinete do Município. demonstrando. porém seu interlocutor afirmou que as contas estavam com pendências. inclusive familiar. rel.2011. o que comprova que a omissão do requerido em não apresentar os documentos solicitados pelo Ministério Público é dolosa e visa obstruir a produção de provas. no qual fundamentou a não apresentação dos documentos requisitados pelo fiscal da lei por conta da suposta subtração atribuída ao Vice-Prefeito do Município. Sr. um deles filho dos gestor municipal. pois. foi encontrado na residência do requerido José Raimundo Nascimento Oliveira o procedimento licitatório referente ao matadouro municipal. representado pelo requerido recentemente por ocasião do ajuizamento de Agravo de Instrumento perante o TJE-PA n. Outro fato demonstrado na inicial e que comprova que o requerido utilizase de seu poder hierárquico e.. às fls. tiveram também subtraídos. seja para esconderem em suas residências documentos públicos. durante a diligência de busca e apreensão por mim deferida. ante a possível interceptação telefônica e a descoberta de fraudes na aplicação de dinheiro público (fls. com homem não identificado.) adita neste momento que além dos documentos citados acima. os quais invadiram a sala onde a mesma trabalha. ocasião em que Gedson. Ocorre que esse fato comprova mais uma vez que o requerido Lourival Fernandes de Lima. desse modo.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Elissandra de Fátima do Nascimento. mas que não poderia falar por telefone. 20123001917-2. com o fim de obstruir as investigações que pesam contra si.9. utilizando-se de seu cargo e de seu poder hierárquico sobre servidores de sua confiança. informou que “a Prefeitura Municipal foi invadida pelo prefeito empossado Zaquel Salomão acompanhado por Adalto e Ivonete e outra pessoa que não identifica.. de 27. no qual a mesma. para obstruir as investigações produzidas pelo Ministério Público pode ser observado por meio da conversa telefônica travada pelo Secretário de Administração e Finanças do Município e filho do Prefeito Municipal. Diracy Nunes Alves. segundo informações da CPL (Comissão Permanente de Licitação) vários processos licitatórios dos anos de 2006 a 2009”. Gedson Lima. tudo. 242-248. Não pode ser extenso a ponto de 36 . variarão de acordo com o caso concreto e com a intensidade da interferência promovida pelo agente público na instrução processual.

cito precedente deste Tribunal: Pedido de suspensão de medida liminar. É o voto. de 1992. Hipótese em que a medida foi fundamentada em elementos concretos a evidenciar que a permanência no cargo representa risco efetivo à instrução processual.2012. só pode ser aplicada em situação excepcional.2012). A propósito.585-BA (2012/0115502-5) Relator: Ministro Presidente do STJ Agravante: Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia . Ante o exposto.437/1992. 20. (228): 17-95. Min. Pedido de suspensão deferido em parte para limitar o afastamento do cargo ao prazo de 120 dias. 1. AGRAVO REGIMENTAL NA SUSPENSÃO DE SEGURANÇA N. Ainda que nesse juízo sumário de delibação. da Lei n. a.2. que prevê o afastamento cautelar do agente público durante a apuração dos atos de improbidade administrativa. 2. nego provimento ao agravo regimental. Agravo regimental não provido. 8. verifico que existem elementos concretos suficientes para justificar o período de 90 dias de afastamento cautelar a contar de 14.442-MG. DJe de 29. sem que tal determinação possua o condão de promover qualquer lesão aos bens jurídicos tutelados pela Lei n. parágrafo único. outubro/dezembro 2012 37 . 24. Afastamento do cargo de prefeito.8. Lesão à ordem pública. Ari Pargendler.APLB Advogados: Deraldo Barbosa Brandão Filho e outro(s) Rita de Cássia de Oliveira Souza e outro(s) Agravado: Estado da Bahia Procurador: Antônio José de Oliveira Telles de Vasconcellos e outro(s) RSTJ. (AgRg na SLS n. Corte Especial.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL caracterizar verdadeiramente a perda do mandato eletivo e tampouco pode ser exíguo de modo a permitir a contínua interferência do agente público na instrução do processo que contra ele tramita. Rel. data da decisão agravada.429. A norma do art. 8.

Convocados os Srs. O dano só é potencial se tal juízo identificar a probabilidade de reforma do ato judicial. Eliana Calmon. 12.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Requerido: Desembargador Relator do Mandado de Segurança n. Maria Thereza de Assis Moura. Francisco Falcão. Ministros Cesar Asfor Rocha. Ministro Felix Fischer. por unanimidade. Ministro Felix Fischer. Massami Uyeda. Os Srs. 15 da Lei n.9.2012 RELATÓRIO O Sr. Ministros Gilson Dipp. ACÓRDÃO Vistos. os Srs. Arnaldo Esteves Lima. Relator DJe 6. Brasília (DF). acordam os Ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Ministros Raul Araújo e Sebastião Reis Júnior. Castro Meira. 29 de agosto de 2012 (data do julgamento). João Otávio de Noronha e Teori Albino Zavascki.016. Agravo regimental não provido. . Humberto Martins. O reconhecimento de lesão grave aos valores protegidos pelo art. Nancy Andrighi. Pedido de suspensão de segurança. 3058702120128050000 do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia EMENTA Processo Civil. Presidente Ministro Ari Pargendler. exige um juízo mínimo acerca da decisão judicial. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. Ministro Ari Pargendler: O agravo regimental ataca a seguinte decisão: 38 . de 2009.e disso aqui se trata. negar provimento ao agravo regimental nos termos do voto do Senhor Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. justificadamente. Laurita Vaz. Raul Araújo e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausentes. A decisão administrativa que determina o desconto em folha de pagamento dos servidores grevistas é compatível com o regime da lei.

outubro/dezembro 2012 39 . documento anexo. 24. Assim. a partir de primeiro de janeiro o piso passou a ser R$ 1. foram retomadas as negociações. 3º da Lei n. o impetrante encaminhou para o Estado da Bahia .738/2008). tendo. necessitando apenas da divulgação do percentual de reajuste pelo MEC. 2013 e 2014). desde o início de março de 2012.2011. a categoria reunida em assembléia geral decretou greve a partir de 11. Como as negociações para o cumprimento do piso para 2012 não progrediram. a partir de janeiro de cada ano. negociando com o Estado da Bahia o reajuste salarial da categoria.451.3. a. o impetrante iniciou em novembro de 2011 o processo de negociação coletiva. o que culminou com acordo firmado entre as partes. 8º da Constituição Federal. já prevendo ali o cumprimento do reajuste salarial do piso nos anos subsequentes (2012. Na qualidade de entidade sindical. e considerando que a data base dos servidores do Estado é primeiro de janeiro (art. em que pese o acordo firmado. contudo. o Estado da Bahia somente cumpriu o piso até o mês de dezembro de 2011.2012. Como dito acima. em 26. o acordo foi firmado em novembro de 2011.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL “1.00. Os autos dão conta de que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia impetrou mandado de segurança contra ato do Governador do Estado da Bahia e outros (fl. onde na cláusula primeira foi pactuado que ‘o reajuste salarial do magistério da rede estadual do ensino fundamental e médio será o mesmo do piso salarial profissional. isto porque em janeiro de 2012 o valor do piso já era outro.11. nos anos de 2012. RSTJ.2012. como previamente informado no ofício mencionado. portanto o salários dos professores ficado abaixo de tal valor. e a partir daquela data passou a ser cumprido piso para toda a categoria referente ao ano de 2011.22%. (228): 17-95. visando o cumprimento do piso e a sua extensão aos professores do ensino fundamental e médio consoante assumido pelo Estado da Bahia no acordo firmado em 11.SEC Ofício de n.677/1994). Assim. nos termos do art. comunicando previamente que em caso de descumprimento do piso seria realizada assembléia da categoria visando a decretação da greve. 036/2012. Como de fato não houve avanço nas negociações. 258 da Lei n. o que foi divulgado em 27 de fevereiro em 22. e como também esta é a data base para o reajuste do piso nacional dos professores da educação básica (art. ora substituídos. com a fixação do percentual. 26-46).4. 11. 6. Lê-se na petição inicial: ‘O impetrante representa ativa e passivamente os servidores em educação do Estado da Bahia. incidindo sobre todas as tabelas vigentes’. 2013 e 2014.

708-DF. donde muitas famílias. na medida em que os vencimentos. Tanto. com a finalidade de suspensão dos vencimentos dos servidores/substituídos..275-RJ em que se discute a possibilidade ou não dos descontos dos dias parados em virtude de movimento paredista. no julgamento do MI n. que por conta desta omissão legislativa. (. no tocante à ameaça da suspensão dos vencimentos (verba de natureza alimentar). verba de natureza salarial e alimentar. reconheceu a existência de repercussão geral da matéria. os impetrados através do comunicado mencionado no item 2 do presente estão a determinar o envio pelos Diretores Regionais da frequência dos professores do Estado da Bahia. e. com a concretização da suspensão e ou descontos dos vencimentos. por meio do Plenário Virtual. constitui-se arbitrária e ilegal. em discussão no AI n. assim. o Supremo Tribunal Federal em 24 de fevereiro de 2012. encontra-se revestido de ilegalidade. 7. ficando com os contracheques zerados. e a mais recente posição do Supremo Tribunal Federal. Tem-se pois que a atitude da Administração Pública.701/1988 e n.. em que pese a previsão constitucional que garante o direito de greve. consistente na determinação da suspensão dos vencimentos. na medida em que não existe no ordenamento pátrio legislação que determine a suspensão ou o desconto dos vencimentos dos servidores de um modo geral. uma vez que pode deixar diversos servidores/ substituídos em situação difícil. os professores estão a exercer seu legítimo direito de greve previsto constitucionalmente como direito social do trabalhador. tendo em vista que até os dias atuais não existe lei de greve específica onde esclareça como deverá ser o posicionamento da Administração Pública no tocante aos dias parados nos movimentos grevistas.) O ato a ser praticado pelos impetrados.783/1989 aos conflitos e ás ações judicias que envolvam a interpretação do direito de greve dos servidores públicos. instrumento legal na busca de melhores condições de trabalho. descontos legais de previdência e imposto de renda na fonte. a exemplo de descontos de empréstimos consignados. Registre-se que alguns servidores/substituídos. poderão nada receber. inclusive crianças dependentes destes profissionais que passarão por necessidades. por conta dos diversos compromissos assumidos. 7. caso venha a ser efetivada a suspensão dos vencimentos. que determinou a aplicação das Lei n. 853. portanto. Contudo. Dias Toffoli.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Desde a data acima. 40 . através de voto do relator Min. praticada pelos impetrados.

impõe que o administrador não deve fazer ou deixar de fazer alguma coisa sem prévia determinação legal.cerca de 2 milhões de alunos da rede estadual sem aulas. não comportando discricionariedade’ (fl. e com riscos de prejuízos graves para todo o ano letivo. 0123). o TJBA.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL (. supostamente suspensos em decorrência do referido movimento paredista e. e. Mais ainda: à parte carecer de qualquer plano de trabalho que garanta o programa de educação das centenas de milhares de crianças e de outros tantos adolescentes e adultos da rede estadual. que se vê seriamente ameaçada com um movimento paredista de serviço público essencial. deferiu o pedido liminar. e. desfalcado em favor de quem nega à comunidade o trabalho a que está obrigado. sobretudo. 7. este princípio por sua vez não se aplica apenas ao agente público. (228): 17-95. ‘possibilitando o restabelecimento imediato do pagamento dos salários dos professores. Em outras palavras.. alegando grave lesão à ordem e à economia públicas (fl. Seguiu-se o presente pedido de suspensão de segurança ajuizado pelo Estado da Bahia. 2. a greve é patentemente injurídica. outubro/dezembro 2012 41 . A teor da petição: ‘A movimentação paredista. ferindo o princípio da legalidade. 30-34). e à parte ainda a falta de mérito de suas motivações. embora o que prevaleça para o desate da questão na seara da suspensão pretendida seja a incompatibilidade da decisão com o disposto na Lei n. o acesso dos conveniados ao Planserv Plano de Saúde dos Servidores Públicos da Bahia’ (fl. tanto RSTJ. com manifesto prejuízo resultante ao erário estadual.como assinalam amplamente os meios de comunicação . o impetrante (em nome dos substituídos) tem por objetivo demonstrar. Desembargadora Lícia de Castro Laranjeira Carvalho..783/1989 que preconiza a suspensão do contrato de trabalho. mas também ao nosso regramento jurídico vigente. por conseguinte. é portanto manifestamente desproporcional. o princípio da legalidade impõe a prática de atos vinculados pela administração.. que o ato praticado através do comunicado anexo aos autos em que externa a ameaça concreta de suspensão dos vencimentos não tem amparo legal.) Também à guisa de reforço de argumentação jurídica. ou seja. (. 24.. na presente ação. que deixa . a. A relatora. sem remuneração. 148).) Portanto. à ordem pública.

porque sem a potencialidade do dano que resultará da reforma do decisum não é possível impedir a atuação jurisdicional.783/1989. tal como previsto na Lei n.. art. 7. de 2009.2012. Relator do Agravo de Instrumento n.8. 12. como nos casos em que dependem. como também pelo Desembargador Gesivaldo Brito. inclusive com determinação de cessão do movimento paredista e retorno às atividades normais. com respaldo no artigo 7º da Lei n. (.0001).) A lesão à economia e à ordem pública eventualmente decorrente da decisão liminarmente concessiva da segurança é manifesta.) Destarte. No âmbito do instituto da suspensão..2012. além de irremediavelmente prejudicados em suas vidas.0000. se executada a decisão. economia e segurança públicas). sobretudo porque declarada ilegítima. a atitude que as autoridades impetradas anunciaram e puseram em prática. A greve no setor privado suspende o contrato de trabalho (Lei n. tendo presentes os eventuais danos aos valores protegidos pelo art. fundamentalmente. 0305372-22. 7º. no mínimo.000. de 1989. longe de caracterizar a ilegalidade ou abuso de poder. 15 (ordem. 7. Os estudantes terão seus cursos. (.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA em primeira instância em juízo de cognição sumária pelo Juiz de Direito da 5ª Vara da Fazenda Pública (Processo n. 7. o Presidente do Tribunal emite juízo político acerca dos efeitos da decisão judicial.05. saúde.00 (cinquenta mil reais). sob pena de multa diária de R$ 50. despesa que não deveria.. Este é um dos elementos da lógica da greve no setor privado: o de que o empregado tem necessidade do salário para a sua subsistência e a da família. O outro elemento está na empresa: ela precisa dos empregados. sem os quais seus 42 . declararam a ilegalidade da greve deflagrada pelo sindicato impetrante.. O dano só é potencial se tal juízo identificar a probabilidade da reforma do ato judicial. 09-21). caput).8.05. 3. significativamente retardados.783. 0329637-85. da alimentação fornecida nas escolas’ (fl. Sem o contrato de trabalho.783/1989 no sentido de descontar da remuneração dos servidores públicos grevistas o correspondente aos dias de paralisação.016. já que a suspensão do contrato e a consequente dispensa de pagamento enquanto durar o movimento paredista está prevista na Lei n. o empregado não tem direito ao salário. e disso aqui aparentemente se trata. O Estado realizará indevidamente. O reconhecimento de lesão grave a esses valores exige um juízo mínimo acerca da decisão judicial.

a decisão administrativa que determina o desconto em folha de pagamento dos servidores grevistas é compatível com o regime da lei. outubro/dezembro 2012 43 . Rel. O público. DJe de 13.5. Tribunal Pleno. Min.10. Administração Pública. Min. 8. DJe de 24. Min. DJe de 25. 7.Desse modo. Castro Meira. no MS n. Cármen Lúcia. 5. 2ª Turma. ao final. se essa medida não for tomada? Como compensar faltas que se sucedem por meses? Como compatibilizar a declaração judicial da ilegalidade da greve declarada pelo MM. DJe de 7. Ordem denegada.405. Rel. é sempre penalizado. também aos servidores públicos civis (MI n. Rel.272-DF.549 AgR. ao setor público. Ninguém. II . Min. no que couber. no que couber. 2ª Turma. por conseguinte. Possibilidade. 824.com o pagamento dos dias não trabalhados? Em recente julgamento. A que limite estará sujeita a greve. Algumas com algum sucesso. a.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL negócios entram em crise. Ricardo Lewandowski.783/1989. CNJ: PP RSTJ.há dois meses. declarou legal o desconto da remuneração correspondente aos dias de greve. no nosso país. AI n. Precedentes do c. o vínculo funcional e.6. a paralisação iniciou em 11 de abril de 2012 . de 1989. Min. Gilmar Mendes. 2ª Turma. e a greve assim pode perdurar.783. Remuneração. Servidor público. portanto. Rel. A Lei n. 7. porém.351-SP. Min.2. Ellen Gracie.2. CNJ (STF: AI n. faz ou suporta indefinidamente uma greve no setor privado.2011.2011. DJe de 31. Greve. se aplica. No setor público.2011. é de ser compreendido que a deflagração do movimento grevista suspende. o Brasil tem enfrentado greves que se arrastam por meses. Desconto. por acordo em prazos relativamente breves. Eliana Calmon.2011. Rel. Min. conforme a experiência tem demonstrado.2011. que dispõe sobre o exercício do direito de greve. AgRg no AREsp n. STJ: MS n. (228): 17-95. 551.O c. Rel. nos termos do acórdão assim ementado: ‘Mandado de segurança. Gilmar Mendes. DF. sindicatos fortes de empregados apóiam financeiramente seus filiados.300 AgR. RE n. 399. 1ª Seção. DJe de 6. desobriga o Poder Público do pagamento referente aos dias não trabalhados.949 AgR. Rel. no setor público.338 AgR.2. 708-DF.9.050RS. 1ª Seção. Salvo melhor juízo. Na espécie. Ato discricionário.2008). Outras sem consequência qualquer para os servidores. deve ser aplicada. 15. 1ª Turma. I . 1ª Turma.6. Em outros países. RE n. Min. DJe de 29. relator o Ministro Felix Fischer. DJe de 20. 17.2011. A tensão entre esses interesses e carências se resolve. 24. Benedito Gonçalves. STJ e do c. 795. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça.2011. STF. Juiz de Direito (e em princípio mantida pelo Tribunal a quo) . Rel. deste eg. Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei n. AgRg na Pet n.

da Lei n. nesses casos. rapidamente é resolvida.2012. 160-166).2. 7. tal qual ocorre no setor privado. compensação ou outras maneiras de administrar o conflito. que poderá ser feita ao final da ação na hipótese de improcedência do mandamus. pois esta nada mais determinou que fossem respeitados os direitos dos substituídos/servidores consistente na percepção dos vencimentos já que inexiste legislação regulando a matéria. Relator Conselheiro Gilberto Valente Martins. causa transtorno e prejuízos para todos: professores.2012). sem que isso implique qualquer ofensa aos princípios da proporcionalidade ou razoabilidade. Ordem denegada’ (DJe.2. 0000136-07.2. PP n. sem dúvida. já que.0000.00. A teor do recurso.A existência de acordo. PP n.394/1996” (fl. a única parte que parece não dar relevância à greve são os gestores públicos. não há direito líquido e certo dos servidores sindicalizados a ser tutelado na via mandamental. 9. julgado em 10. da Lei n. in fine. julgado em 10.4. ou seja.4. A bem da verdade. 24. III . em momento algum ofendeu a ordem e a economia pública. os professores terão que realizar sobrelabor de forma a garantir a carga horária anual mínima prevista no art. IV .5. 9.2012. No caso da greve do magistério público é obrigatória a reposição dos dias paralisados.2012.) A greve. Relator Conselheiro Gilberto Valente Martins.. Defiro. Plenário. diferentemente do que ocorre com outros setores. por isso. 7º. Desembargadora. alunos e sociedade. in verbis: “(. I. deve prevalecer o poder discricionário da Administração.2012.. convenção coletiva. 0000098-92. 193-207).. o pedido de suspensão” (fl.0000.2012.. bem como pelo fato de que a relação de trabalho pública é de natureza permanente e a lei contempla a hipótese de reposição ao erário.0000. laudo arbitral ou decisão judicial regulando as relações obrigacionais decorrentes do movimento paredista pode prever a compensação dos dias de greve (ex vi do art. à míngua dessas tratativas. a quem cabe definir pelo desconto.4.2012).00. julgado em 10. Plenário.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA n. Plenário.00. Relator Conselheiro Gilberto Valente Martins. 0000096-25.783/1989).Todavia.) a decisão proferida pela MD. (. 44 . Quando a greve no setor público atinge a arrecadação.

de 1989. 15 (ordem.783. de 1989. tendo presentes os eventuais danos aos valores protegidos pelo art. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. portanto. 17. art. no MS n. Ninguém. Este é um dos elementos da lógica da greve no setor privado: o de que o empregado tem necessidade do salário para a sua subsistência e a da família. 7. o Presidente do Tribunal emite juízo político acerca dos efeitos da decisão judicial. economia e segurança públicas). e disso aqui aparentemente se trata. Sem o contrato de trabalho. nos termos do acórdão assim ementado: RSTJ. se aplica. a.016. a paralisação iniciou em 11 de abril de 2012 . Em outros países. O outro elemento está na empresa: ela precisa dos empregados. 7º. No setor público.405. Algumas com algum sucesso.há dois meses. de 2009. O dano só é potencial se tal juízo identificar a probabilidade da reforma do ato judicial. sem os quais seus negócios entram em crise. 12. A que limite estará sujeita a greve. porque sem a potencialidade do dano que resultará da reforma do decisum não é possível impedir a atuação jurisdicional. DF.com o pagamento dos dias não trabalhados? Em recente julgamento. declarou legal o desconto da remuneração correspondente aos dias de greve. ao setor público. o empregado não tem direito ao salário. Outras sem consequência qualquer para os servidores. O reconhecimento de lesão grave a esses valores exige um juízo mínimo acerca da decisão judicial. Juiz de Direito (e em princípio mantida pelo Tribunal a quo) . outubro/dezembro 2012 45 . conforme a experiência tem demonstrado. 7.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL VOTO O Sr.783. por acordo em prazos relativamente breves. saúde. Na espécie. e a greve assim pode perdurar. A greve no setor privado suspende o contrato de trabalho (Lei n. ao final. caput). 24. A tensão entre esses interesses e carências se resolve. porém. Ministro Ari Pargendler (Relator): No âmbito do instituto da suspensão. faz ou suporta indefinidamente uma greve no setor privado. se essa medida não for tomada? Como compensar faltas que se sucedem por meses? Como compatibilizar a declaração judicial da ilegalidade da greve declarada pelo MM. tal como previsto na Lei n. (228): 17-95. relator o Ministro Felix Fischer. A Lei n. O público. o Brasil tem enfrentado greves que se arrastam por meses. é sempre penalizado. sindicatos fortes de empregados apóiam financeiramente seus filiados. a decisão administrativa que determina o desconto em folha de pagamento dos servidores grevistas é compatível com o regime da lei. no que couber. no nosso país. Salvo melhor juízo.

00. 2ª Turma. 9. Min. 0000096-25. Benedito Gonçalves. Plenário.6. STJ e do c. Rel. deve ser aplicada. Remuneração. Min.2008). Ellen Gracie. Gilmar Mendes. no setor público. da Lei n. 708-DF. DJe de 6.2011. 1ª Turma. Possibilidade.2012. 15. 8. 7º. Min.549 AgR. Ato discricionário. Min. Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei n. III .4. DJe de 24. CNJ (STF: AI n.783/1989). Servidor público. Plenário. a quem cabe definir pelo desconto. RE n. Voto. PP n. Gilmar Mendes.5. I .2. no sentido de negar provimento ao agravo regimental. Greve.4.338 AgR. 0000136-07. Precedentes do c. Ordem denegada” (DJe. 5.6. Ricardo Lewandowski. Tribunal Pleno. 7. 2ª Turma. sem que isso implique qualquer ofensa aos princípios da proporcionalidade ou razoabilidade. Rel.300 AgR. não há direito líquido e certo dos servidores sindicalizados a ser tutelado na via mandamental.2011. DJe de 7. DJe de 25. 1ª Seção. Rel. Ordem denegada. Castro Meira.2012.2011.2012.2. também aos servidores públicos civis (MI n. Relator Conselheiro Gilberto Valente Martins.O c. STF. Relator Conselheiro Gilberto Valente Martins. in fine. desobriga o Poder Público do pagamento referente aos dias não trabalhados.2011.949 AgR. 7. Plenário. é de ser compreendido que a deflagração do movimento grevista suspende. Min. o vínculo funcional e. já que.2011. julgado em 10.00. por conseguinte. 551.2011. que dispõe sobre o exercício do direito de greve. 0000098-92. Desconto.351-SP.Todavia.9. Cármen Lúcia.2012). AgRg na Pet n. Min.10. deste eg. Rel. STJ: MS n.2.2012.00. convenção coletiva. julgado em 10. IV .2012). Relator Conselheiro Gilberto Valente Martins.2. 795. compensação ou outras maneiras de administrar o conflito.2.783/1989. 824. II .REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA “Mandado de segurança. Rel. AgRg no AREsp n.0000. AI n. Rel. DJe de 13. laudo arbitral ou decisão judicial regulando as relações obrigacionais decorrentes do movimento paredista pode prever a compensação dos dias de greve (ex vi do art. DJe de 31.272-DF.0000.4. RE n. Eliana Calmon. 1ª Turma. deve prevalecer o poder discricionário da Administração. Administração pública.050RS. Min. 399. DJe de 29. nesses casos. DJe de 20. CNJ: PP n. por isso. julgado em 10. 1ª Seção.5. Min.A existência de acordo. PP n. Rel.2.2012.Desse modo. à míngua dessas tratativas. Rel. 2ª Turma. no que couber.2011.0000. 46 .

Possibilidade. em decorrência de feriado local ou de suspensão de expediente forense no Tribunal de origem que implique prorrogação do termo final para sua interposição. (228): 17-95. RSTJ. Feriado local. Eliana Calmon. Luis Felipe Salomão e Raul Araújo votaram com o Sr. deu provimento ao agravo regimental. Francisco Falcão e Nancy Andrighi. os Srs. em sede de agravo regimental. 1. 2. ACÓRDÃO A Corte Especial. Jorge Mussi. Ministros Laurita Vaz. Tempestividade. Arnaldo Esteves Lima.141-SE (2012/0012642-0) Relator: Ministro Antonio Carlos Ferreira Agravante: Norgraf Produtos Gráficos Ltda. Castro Meira. outubro/dezembro 2012 47 . a. justificadamente. A comprovação da tempestividade do recurso especial. Impedido o Sr. Ministros Ari Pargendler. Sidnei Beneti. nos termos do voto do Senhor Ministro Relator. 137. para afastar a intempestividade do recurso especial. Ministro Relator. Herman Benjamin. por unanimidade. Comprovação posterior. Agravo regimental provido.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL N. Gilson Dipp. Jorge Mussi. Precedentes do STF e do STJ. Advogado: Adernoel Almeida da Cruz Filho e outro(s) Agravado: Banco do Brasil S/A Advogado: Paula Rodrigues da Silva e outro(s) EMENTA Processual Civil. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho. 24. Sidnei Beneti. Ministro João Otávio de Noronha. Mudança de entendimento. Os Srs. Humberto Martins. Convocados os Srs. Maria Thereza de Assis Moura. Teori Albino Zavascki. Luis Felipe Salomão e Raul Araújo. Massami Uyeda. pode ocorrer posteriormente. Napoleão Nunes Maia Filho. Agravo regimental no agravo em recurso especial. Ausentes.

a propósito. 149-150). Segui a firme jurisprudência da Corte. Relator DJe 15. Interposto o agravo nos próprios autos (e-STJ fls. Na origem.10.2012 RELATÓRIO O Sr. Juntou. 123-130). 153-155). no regimental. 19 de setembro de 2012 (data do julgamento). 282-STF e n. Ministro Antonio Carlos Ferreira: Trata-se de agravo regimental contra decisão que não admitiu agravo nos próprios autos. o presente recurso tem por finalidade a manifestação da Corte Especial a respeito do tema. a Quarta Turma acolheu proposta de afetação do recurso a esta colenda Corte Especial. Ministro Antonio Carlos Ferreira (Relator): A jurisprudência dos Tribunais Superiores firmou-se no sentido de não admitir posterior 48 . No agravo regimental (e-STJ fls. a recorrente argumenta que o último dia do prazo foi ponto facultativo no Tribunal de origem (QuartaFeira de Cinzas) e que. o recurso especial é tempestivo. 117-120). VOTO O Sr. portanto. de decisões divergentes no âmbito das Turmas deste Tribunal. ato do TJSE comprovando a assertiva (e-STJ fl. Presidente Ministro Antonio Carlos Ferreira. Isso porque o recurso foi interposto além dos 15 (quinze) dias previstos na legislação. neguei monocraticamente a irresignação.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Brasília (DF). o recurso especial interposto não foi admitido em virtude da falta de prequestionamento (Súmulas n. 211-STJ) e inadequada demonstração do dissídio (e-STJ fls. considerando (i) a recente mudança da jurisprudência do egrégio Supremo Tribunal Federal quanto ao assunto e (ii) a existência. É o relatório. 154). em virtude da não comprovação de tempestividade do recurso especial. Ao apresentar o regimental para julgamento colegiado em mesa. Ministro Felix Fischer. Assim. sem comprovação da suspensão do prazo (e-STJ fls.

Corte Especial. DJe 2. Embargos liminarmente indeferidos. Relatora Ministra Laurita Vaz. Na ocorrência de feriado local. 3. tudo isso é tarefa realizada com a análise de cada caso concreto. Feriado local. Divergência jurisprudencial inexistente. incumbe à parte. 2. “A jurisprudência dominante do STJ estabelece que para fins de demonstração da tempestividade do recurso. Agravo regimental desprovido. cumpre ao recorrente. Particularidades de cada caso. Dissídio jurisprudencial não configurado. 1. ou se o acórdão está ou não suficientemente fundamentado nesse sentido. (228): 17-95. 299. Processual Civil.2011. Nesse sentido. Divergência superada. Casuística. sendo inviável a juntada posterior de documento comprobatório. necessariamente. Assim. apresentar documento idôneo comprobatório de tal fato para efeito do seu conhecimento. Alegada erronia na aplicação da multa do parágrafo único do art. Súmula n. (AgRg nos EREsp n. considerando suas particularidades. Ministra Eliana Calmon. não se prestam os embargos de divergência para ensejar um “rejulgamento”. julgado em 5. quando da interposição do recurso.2012).2. Não-comprovação. do recurso especial. como é sabido e consabido.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL comprovação da tempestividade do recurso. Inexistência de teses divergentes. a jurisprudência deste Tribunal. Recurso intempestivo. comprovar a ocorrência de suspensão dos prazos processuais em decorrência de feriado local ou de portaria do Presidente do Tribunal a quo. A aferição de existência ou não de omissões. outubro/dezembro 2012 . que não há de se admitir a juntada posterior do documento comprobatório” (EREsp n.12. Ausência de comprovação de feriado local. DJe de 29. no momento da interposição. Jurisprudência pacífica desta Corte. E. Rel. puro e simples.543-RJ. Processual Civil. 168-STJ. em virtude da ocorrência de feriado local ou de qualquer outra causa de suspensão de prazo verificada no âmbito do Tribunal de origem.2008). Situações fáticas comparadas distintas. paralisação ou interrupção do expediente forense por ato normativo da Justiça do Estado. Corte Especial.5.177-MG. 168-STJ. 24. ou se os embargos de declaração são ou não protelatórios. sedimentada no âmbito da Corte Especial: Agravo regimental nos embargos de divergência. 49 RSTJ. a. Prescreve. Recurso especial intempestivo. Caráter protelatório de embargos de declaração. 657. prevaleceu a orientação segundo a qual a comprovação de fato que alterasse o termo final do prazo deveria ocorrer. Incidência da Súmula n. 1. ademais. 538 do CPC. no momento da interposição do recurso especial. Decisão mantida em seus próprios termos.

2008). Processual Civil. tornam-se incabíveis os embargos de divergência. (AgRg nos EREsp n. firmou posicionamento no sentido de que cabe à parte recorrente comprovar nos autos.6. Relator Ministro João Otávio de Noronha.042-RS e no AgRg no Ag n. 168-STJ. DJ de 2.2.3. 1. Portaria do Presidente do Tribunal a quo. Matéria pacificada no âmbito desta Corte importa em aplicação da Súmula n. DJe 29. Agravo regimental a que se nega provimento. Prescreve.3.10. julgado em 11. 708. Corte Especial. Corte Especial. 1. 756. julgado em 4.5. 168-STJ.2008. comprovar a ocorrência de suspensão dos prazos processuais em decorrência de feriado local ou de portaria do Presidente do Tribunal a quo.506-SP. 50 . com a finalidade de vir a ser aferida a tempestividade do recurso. que não há de se admitir a juntada posterior do documento comprobatório. 2. Corte Especial. ademais. visto que a jurisprudência da Corte Especial do STJ pacificou-se no sentido do aresto impugnado. julgado em 5. DJe 26. 3. Tempestividade. Recurso especial.2008.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 2. Ausência de comprovação em momento oportuno.2008).460-SP. no momento da interposição do recurso. relator Min. 3. DJe 24. 708. no momento da interposição. Superado o dissenso em relação ao tema objeto do recurso. Processual Civil. Castro Filho. Não conhecimento.460-SP. por ocasião do julgamento do AGA n. ambos da Corte Especial. 5. 168-STJ.2008. Embargos de divergência providos. 732. Suspensão do prazo recursal. (EREsp n. Relator Ministro Teori Albino Zavascki. Ausência de certidão comprobatória da suspensão do expediente forense por feriado local. Agravo regimental desprovido. incumbe à parte. (AgRg na Pet n.6.2008). Mudança de entendimento da relatora em face da orientação traçada no AgRg nos EREsp n. a ocorrência de suspensão dos prazos processuais em decorrência de feriado local ou portaria do presidente do Tribunal de origem.836-SP. A jurisprudência dominante do STJ estabelece que para fins de demonstração da tempestividade do recurso.177-MG. Embargos de divergência. A Corte Especial. 3.2006. Incidência da Súmula n. Relatora Ministra Eliana Calmon. 299. Essa posição também era adotada no âmbito do egrégio Supremo Tribunal Federal. 2. Súmula n. Matéria pacificada.

1. decidiu no mesmo sentido do egrégio Supremo Tribunal Federal.2012 e publicado em 23. Tempestividade reconhecida. por maioria. prova de causa local de prorrogação do prazo de interposição e da consequente tempestividade de recurso extraordinário. 24. Presunção de boa-fé do recorrente.368. É possível a parte comprovar a tempestividade de recurso especial com a juntada. Comprovação de ocorrência de feriado local. 2. Termo final diferido. Segunda Turma. Pode a parte fazer eficazmente. Prazo. de relatoria do eminente Ministro Napoleão Nunes Maia Filho).507-SP.842. 1. Suspensão legal do expediente forense no juízo de origem. a. em abril. Relator Ministro Cezar Peluso. por ocasião do agravo regimental. 51 RSTJ.3. de documento que comprove a ocorrência de feriado local quando do vencimento do prazo original para a sua interposição. o egrégio Supremo Tribunal Federal modificou sua jurisprudência para permitir a posterior comprovação da tempestividade do recurso extraordinário. quando reconhecida a extemporaneidade em decorrência de feriado local ou suspensão do expediente forense do Tribunal de origem: É a seguinte a ementa do julgado: Recurso. a Primeira Turma chegou a adotar posicionamento conforme o precedente do Supremo. recentemente.Reg. A referida decisão já ensejou discussões no âmbito de órgãos fracionários deste Tribunal. por ocasião do julgamento do Ag. 626. Mudança de entendimento do Plenário da Corte. em acórdão assim ementado: Recurso especial. Admissibilidade. Pleno e HC n.358. Intercorrência de causa legal de prorrogação. em junho. todavia a decisão foi posteriormente anulada para se manter a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça (Ag n. Agravo regimental provido. o novo entendimento adotado pelo Pleno do egrégio Supremo Tribunal Federal deve ser acompanhado por este STJ. Também a Sexta Turma. Voto vencido. em agravo regimental. Tempestividade. Prova da causa de prorrogação só juntada em agravo regimental.8. Inicialmente. 626. em homenagem ao ideal de uniformização da jurisprudência nacional. no RE n. ocorrido em 22. Ministro Cezar Peluso. outubro/dezembro 2012 . perante o Supremo. Cômputo. Tribunal Pleno. Em que pese a referida decisão não possuir caráter vinculante. (228): 17-95.2012.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL Contudo.358-MG. Ministro Joaquim Barbosa. Extraordinário. Precedentes do Supremo Tribunal Federal: AgRg no RE n. 112. Interposição do recurso no termo prorrogado.

(HC n. DJe 29. Desembargador convocado do TJRS. Causa legal de prorrogação do prazo recursal. rel. Relator Ministro Joaquim Barbosa. em habeas corpus. 108. julgado em 5.2012).2012. nos termos do art. Cezar Peluso. 16. assim.2012). do RISTJ. Admissibilidade. julgado em 8.3. min. concluiu: “(. art. Cabe destacar que. divulgado em 30. respeitando52 . uma vez alterado o posicionamento do Supremo Tribunal Federal quanto à possibilidade de comprovação posterior da tempestividade recursal. Suspensão de expediente forense no juízo de origem.) pacificada a questão no Supremo Tribunal Federal. 66.. Processo Eletrônico DJe-100.005-SP e se pronuncie sobre o seu mérito. não há como se manter nesta Corte entendimento conflitante. diante da “relevância da questão jurídica” e “da necessidade de prevenir divergência entre as Seções” (RISTJ. que confere maior segurança jurídica ao jurisdicionado. Segunda Turma. 1.5.. Divulgado em 22.080. DJe n. Publicado em 23.2012. Tempestividade recursal. foram proferidas decisões no âmbito de suas Turmas. 626. Tem-se. Relator para Acórdão Ministro Sebastião Reis Júnior. por um critério de coerência.). Uma dessas decisões está assim ementada: Habeas corpus. IV).5. determinando a esta Corte que admitisse a posterior comprovação de tempestividade e. é importante que.6. 1. “Pode a parte fazer eficazmente(. Ordem concedida. em homenagem ao ideal de uniformização da jurisprudência.252.638-SP. Agravo regimental provido..6. Prova da causa de prorrogação juntada apenas em sede de agravo regimental. XI. Sexta Turma.5. A propósito.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 3. prova de causa local de prorrogação do prazo de interposição e da consequente tempestividade de recurso” (AgRg no RE n.358-PE. (AgRg no REsp n. 11. passasse à análise do mérito recursal. portanto.. em agravo regimental. A meu ver. Nova orientação jurisprudencial firmada pelo Plenário desta Corte. a necessidade de manifestação da egrégia Corte Especial quanto ao tema. julgando matéria em relação à qual havia divergência entre a jurisprudência deste Tribunal e a do egrégio Supremo Tribunal Federal.119-RJ. Ordem concedida para que o Superior Tribunal de Justiça conheça do Agravo de Instrumento n.2012).2012. Relator Ministro Vasco Della Giustina. Interposição do recurso no termo prorrogado. essa egrégia Corte Especial. após a mudança de orientação pelo Pleno do egrégio Supremo Tribunal Federal.

o recurso especial é tempestivo. Quando a parte se vê. Em decisão monocrática.na verdade. a. arvorando em motivos de não conhecimento circunstâncias de que o texto legal não cogita. apresentou comprovação de ausência de expediente forense no último dia do prazo (uma Quarta Feira de Cinzas). se alguém apela da sentença meramente terminativa. tampouco a parte contrária apontou tal óbice. na sua boa-fé. que o STJ pacifique também sua jurisprudência no mesmo sentido” (EREsp n. O fato incontestável é que o recurso é tempestivo.e altamente recomendável toda vez que esteja clara a ausência de qualquer dos requisitos de admissibilidade. não conheci do recurso especial. adotei a jurisprudência desta Corte. Nesse sentido. Cumpre ter em mente que da opção entre conhecer ou não conhecer de um recurso podem advir consequências da maior importância prática: por exemplo.840-RS. Portanto.12. Relatora Ministra Nancy Andrighi. 760. que veio a ser constatado apenas no âmbito deste Tribunal. contudo. por extemporâneo. agravando sem razão consistente exigências por ele feitas. A respeito da admissibilidade recursal e das restrições ao conhecimento dos recursos. então. nem mesmo implicitamente. (228): 17-95.pois dificilmente se pode acreditar que a parte deixe de fazê-lo por algum outro motivo -. que não imponha sacrifício excessivo a um dos valores em jogo. mas de repente é surpreendida com o julgamento de que o seu recurso é tido por intempestivo . No caso concreto. exagerar na dose. Dje 14. trecho do voto do eminente Ministro Cezar Peluso. é disso que se trata. o Tribunal de origem. naquela data. de boa-fé . ou apressando-se a interpretar em desfavor do recorrer dúvidas suscetíveis de suprimento. por exemplo. ao proceder à admissibilidade do recurso especial não indicou sua extemporaneidade. surpreendida com juízo que. o conhecimento da apelação é pressuposto necessário (embora não suficiente) do RSTJ. o que se espera da lei e de seus aplicadores é um tratamento cuidadoso e equilibrado da matéria. parece-me justo que se lhe permita fazer prova da tempestividade. em agravo regimental. Não devem os Tribunais. outubro/dezembro 2012 53 . digna de nota a sempre atual lição de BARBOSA MOREIRA: A essa luz. não aguardava. no precedente do STF: A parte.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL se o ideal de uniformização da jurisprudência nacional.2009). porque se nega eficácia à prova da tempestividade. 24. não apresenta certidão de que. Para usar palavras mais claras: negar conhecimento a recurso é atitude correta . não houve expediente forense. Sucede que o recorrente. em homenagem ao outro.

REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA processamento da atividade cognitiva do Tribunal. É a aplicação dos princípios do devido processo legal e da instrumentalidade das formas. Temas de direito processual.desfecho preferível na medida em que importe. a eliminação definitiva do litígio. 544 do CPC.ª Série. Nesse contexto. diante da desnecessidade de formação de instrumento. (Restrições ilegítimas ao conhecimento dos recursos. E a controvérsia a propósito da tempestividade se torna ainda mais relevante considerando a alteração do art. 149-150) e determinar que o agravo nos próprios autos tenha seu regular processamento. acrescentado pela Lei n.358-MG. até o agravo regimental da decisão monocrática que concluiu pela intempestividade do especial. dou provimento ao agravo regimental. 97-103 e 133140). o entendimento consubstanciado no RE n. de modo a evitar surpresas e prejuízo à parte. como se vê no caso concreto. pois o ex adverso não questionou a tempestividade em contrarrazões do recurso especial ou do agravo em recurso especial (e-STJ fls. se o Tribunal local não certificou nos autos esse fato e se a decisão de admissibilidade não indicou extemporaneidade do especial. 12. É como voto. ainda que a posteriori. de modo a comprovar a tempestividade do recurso interposto após feriado local ou ausência de expediente forense. como não raro ocorrerá. 270). a subida do agravo ocorre nos próprios autos do processo. 54 . de 26.322/2010. não examinando no primeiro grau de jurisdição (art. é de se presumir a boa-fé do recorrente . 515. 2007.352. a meu ver. 9. viável a comprovação de feriado local ou suspensão do prazo não certificada nos autos em momento posterior à interposição do recurso na origem. São Paulo: Saraiva. Portanto. para reconhecer a tempestividade do recurso especial. cabe permitir que sua tempestividade seja comprovada. p. Sendo assim. Diante do exposto. Creio. poder-se-ia cogitar de certidão cartorária quanto à suspensão do prazo por especificidade do Tribunal intermediário. anular a decisão monocrática (e-STJ fls. no sentido de julgar desde logo o mérito. 626. em sede de agravo regimental.12.inclusive diante do silêncio do recorrido. § 3º. com a edição Lei n. Nos termos do voto do eminente Ministro Cezar Peluso no precedente do Supremo Tribunal Federal.2001) . deve ser adotado também no âmbito deste egrégio STJ. portanto. 10. Atualmente.

12/2009 do STJ. 24. § 2º.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL AGRAVO REGIMENTAL NO MANDADO DE SEGURANÇA N. No caso concreto.515-RJ (2012/0098897-4) Relator: Ministro Humberto Martins Agravante: Reynaldo Pinto Júnior Advogado: Anthony Gonçalves e outro(s) Requerido: Ministro Relator da Reclamação n. 1. f. 1º. Conformidade. e art.906 do Superior Tribunal de Justiça Interessado: União EMENTA Constitucional. da Resolução n. de agravo interposto contra negativa de seguimento de reclamação constitucional. com base no art. 6º. nos termos do art. fulcrada na Resolução n. 105. (228): 17-95. A impetração contra ato judicial somente é cabível se não for possível recurso contra este. ambos da Resolução n. da Constituição Federal. Cuida-se de mandado de segurança impetrado contra a decisão de relator que não conheceu . 12/2009 -. Precedentes: AgRg no MS n. 18. I. O cabimento da reclamação constitucional. 543-C do Código de Processo Civil) para que seja comprovado o desrespeito à autoridade desta Corte Superior. pressupõe o devido cotejo analítico entre julgado da Turma Recursal e o entendimento sumulado ou firmado em recurso especial repetitivo (art. 2. por ausência de atendimento aos pressupostos de admissibilidade. 7. outubro/dezembro 2012 55 . Precedentes. e no art. Ato judicial do relator que negou seguimento à reclamação e não conheceu do agravo regimental. Impetração descabida. 3.525-DF. 17. Ausência do direito líquido e certo. inexistência de demonstração de divergência entre o julgado reclamado e o entendimento pacífico do STJ. 6º. não se visualizam tais requisitos. ou seja. § 2º. 1º. a. Mandado de segurança.com base no art. 12/2009 do STJ. bem como deve ser claramente demonstrada a teratologia e/ou ilegalidade. RSTJ. Processual Civil.

Corte Especial. Sidnei Beneti. Eliana Calmon. 5 de setembro de 2012 (data do julgamento). Corte Especial. Laurita Vaz. justificadamente. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. por unanimidade.906-RJ do Superior Tribunal de Justiça que.5.2011).9. João Otávio de Noronha. Os Srs. AgRg no MS n. negou provimento ao agravo regimental. Gilson Dipp. Relator DJe 18.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Rel. Rel. nos termos do voto do Senhor Ministro Relator. Ministro Humberto Martins: Cuida-se de agravo regimental interposto por Reynaldo Pinto Júnior a desfavor da decisão monocrática de minha relatoria em mandado de segurança impetrado contra ato judicial do Ministro Relator da Reclamação n. 15. DJe 15.2012. DJe 10. 7. 16. AgRg no MS n. Min.2012. indeferiu a ação ajuizada com base na Resolução n. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. Gilson Dipp. Agravo regimental improvido. Corte Especial.2. 12/2009 do STJ. Min. 16. Arnaldo Esteves Lima e Massami Uyeda votaram com o Sr. Francisco Falcão e Teori Albino Zavascki.5. acordam os Ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça: A Corte Especial. Ministro Felix Fischer. Brasília (DF). Ministros Napoleão Nunes Maia Filho. João Otávio de Noronha. Min. Ministros Maria Thereza de Assis Moura. Castro Meira. Ministros Ari Pargendler. e AgRg no MS n. Corte Especial. Napoleão Nunes Maia Filho. Convocados os Srs.502-DF.686-MG. DJe 18. os Srs. Presidente Ministro Humberto Martins. ACÓRDÃO Vistos. DJe 18. Nancy Andrighi. Herman Benjamin. Rel. Ministro Relator.494-DF. Rel.2012. Luis Felipe Salomão.2012 RELATÓRIO O Sr. Castro Meira. 56 . Sidnei Beneti e Luis Felipe Salomão. Ausentes. de plano.10.

o relatório. 167. já que a Corte Especial teria consolidado o entendimento no sentido de ser incabível recurso contra decisão singular que indefere liminarmente reclamação ajuizada com fulcro na Resolução n. Pugna para que. 1º As reclamações destinadas a dirimir divergência entre acórdão prolatado por Turma Recursal Estadual e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. do STJ. 12/2009. contados da ciência. 176-178. (228): 17-95. do STJ (fls. 180. suas súmulas ou orientações decorrentes do julgamento de recursos especiais processados na forma do art. Confira-se o seu art. caso não seja reconsiderada a decisão agravada. Ato judicial do relator que negou seguimento à reclamação e não conheceu do agravo regimental. 1º. caput: Art. O Ministério Público Federal anui com ciência da decisão agravada (fl. 12/2009. pela parte. 1º.016/2009 e art. e-STJ). O processamento de reclamações constitucionais para a solução de divergência entre a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e aquela produzida pelas Turmas Recursais dos Estados e do Distrito Federal foi regrada pela Resolução n. ambos da Resolução n. a. 158-160. Art. É. 10 da Lei n. 12. nos termos da seguinte ementa (fl. 24. independentemente de preparo. da decisão impugnada. e-STJ). Processual Civil. RSTJ. Ausência do direito líquido e certo.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL A decisão agravada indeferiu a petição inicial do writ do agravante. no essencial. § 2º. O Parquet federal opinou no sentido da denegação da segurança. 543-C do Código de Processo Civil serão oferecidas no prazo de quinze dias. 12/2009. Impetração descabida. Mandado de segurança. submetase o presente agravo à apreciação da Turma. já que possuiria o direito de acesso à jurisdição (fls. 6º. O agravante alega que tão somente postula o regular processamento de sua reclamação constitucional. Conformidade. VOTO O Sr. com base no art. e-STJ). outubro/dezembro 2012 57 . 212 do RISTJ. e-STJ): Constitucional. Petição inicial indeferida. Ministro Humberto Martins (Relator): Deve ser denegada a segurança. e no art.

1º. inexiste o pretendido direito líquido e certo. As impetrações contra decisões monocráticas do relator que negando seguimento às reclamações ajuizadas com fundamento na Resolução n. Não se admite. XVIII. 6. Além disso. em conformidade ou dissonância com decisão proferida em reclamação anterior de conteúdo equivalente. no julgamento das Reclamações n. 3.. a matéria não está disciplinada em enunciado de Súmula deste Tribunal.) § 2º. No caso dos autos. na petição inicial. Logo. improcedente ou prejudicada. 12/2009 devem ser apreciadas com bastante percuciência. em deliberação quanto à admissibilidade da Reclamação disciplinada pela Resolução n. indefiro de plano a reclamação (artigos 34. 12. da mesma Resolução. 135.812-ES. nota-se que não há teratologia na decisão do relator e. com fulcro no art. 58 . portanto. o cabimento da reclamação é examinado pelo relator. de julgamento acerca do tema submetido ao regime dos recursos repetitivos. que cito: “art. com base no art. O agravo regimental interposto não foi conhecido. como se depreende da decisão do relator (fl. combinado com o art. 12/2009 do STJ. 6º da Resolução n. 543-C do CPC) ou (II) enunciados de Súmula da jurisprudência desta Corte. com isso. não se evidencia hipótese de teratologia que justifique a relativização desses critérios. tampouco há indicação. O relator decidirá de plano reclamação manifestamente inadmissível. Ante o exposto.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Porém. do RISTJ e 1º.. firmou posicionamento no sentido de que a expressão “jurisprudência consolidada” entende-se apenas por: (I) precedentes exarados no julgamento de recursos especiais em controvérsias repetitivas (art. inciso XVIII. a propositura de reclamações com base apenas em precedentes oriundos do julgamento de recursos especiais. § 2º. e-STJ): Nesse passo. § 2º. da Resolução n. 1º (. O acatamento de violação somente pode ocorrer se for luminar e evidente o erro ou a teratologia da decisão monocrática objeto da impetração. a Segunda Seção desta Corte. 34. Foi o que ocorreu no caso em tela. na sessão do dia 9 de novembro de 2011.721-MT e n. do RISTJ. 12-STJ). que transcrevo: Art. 6º As decisões proferidas pelo relator são irrecorríveis”. que pode negar seu processamento indeferindo-a liminarmente.

No caso. Nesse contexto. 12/2009 deve ser autorizada com grano salis. Na ocasião. de relatoria do Min. 3. Quando o ato judicial é divulgado no diário oficial eletrônico. 4º. A utilização do mandado de segurança nas reclamações regradas pela Resolução STJ n. a comprovação da excepcionalidade da medida e o evidente equívoco do julgado impugnado.419/2006 (art. 12/2009. o prazo de 15 dias para o ajuizamento da reclamação. a qual expressamente consigna que a decisão do relator que indeferir o processamento de reclamação é irrecorrível. No caso. o writ apresenta-se como único remédio hábil a preservar o direito líquido e certo do reclamante e lhe garantir o acesso à prestação jurisdicional.2011. quando se puder concluir. a. 4.2012. 2. (228): 17-95. 184 do CPC.419/2006. 1. além dos requisitos gerais da ação mandamental.2010 e findado em 3. 6. evidenciando-se a tempestividade da reclamação.2. Segurança concedida. Dia útil subsequente. Rel. primeiro dia útil após a sua divulgação no diário oficial eletrônico. Resolução STJ n. com origem na construção jurisprudencial e regrado por Resolução do STJ. § 4º). a aferição de que não há recurso apto a sanar a ilegalidade. Castro Meira. considerouse que o prazo para o ajuizamento da demanda deveria ser contado a partir da veiculação do acórdão combatido no diário oficial eletrônico. Diário eletrônico. estava baseado em erro de contagem do prazo recursal: Mandado de segurança. Ato de ministro relator.11. In casu.2010. Indeferimento de reclamação. Situação excepcional. 5.2010. julgado em 5. Irrecorribilidade. Turma Recursal. está-se diante de ato judicial praticado num procedimento sui generis. Castro Meira. tendo o prazo de quinze dias iniciado em 19. Publicação. Corte Especial.180-DF. devendo-se excluir o dia de início e computar o dia do vencimento. Não observância da Lei n. de acordo com o art. Tempestividade da reclamatória.) RSTJ. Min. 7. Para o cabimento do mandado de segurança contra ato judicial exigese.12. data em que foi protocolizada a inicial. 24. 11. 16. Discute-se no mandado de segurança o ato do Ministro do Superior Tribunal de Justiça que indeferiu o processamento de reclamação ajuizada com base na Resolução STJ n. DJe 1º. a publicação do acórdão ocorreu em 18.10. consoante dispõe a Lei n. por considerá-la intempestiva.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL O caso trazido como precedente. Segurança concedida. é contado a partir da ciência da decisão impugnada. 12/2009. outubro/dezembro 2012 59 . (MS n. nos termos do art. 12/2009.11. que a decisão vergastada destoa claramente do ordenamento jurídico. sem maior esforço interpretativo. 11. a data da publicação a ser considerada corresponde ao primeiro dia útil subsequente. 1º da Resolução STJ n.

(AgRg no MS n. Min.5.Mandado de segurança impetrado contra decisão que não conheceu de agravo interposto nos autos de reclamação proposta contra acórdão proferido por Turma Recursal. Ato judicial. O mandado de segurança foi impetrado contra decisão da Corte Especial que inadmitiu recurso extraordinário com base em precedente da STF que afastou a repercussão geral em casos que versarem sobre cabimento recursal. seja por manifesta ilegalidade. Reclamação. 18. Decisão unipessoal. Abusividade e teratologia não evidenciadas. .2012.443-DF.) 4. ante a inexistência de direito líquido e certo. Resolução STJ n. Teratologia da decisão. Irrecorribilidade.525-DF. os relatores de writs of mandamus. 1. 60 . João Otávio de Noronha. julgado em 7. Neste sentido: Mandado de segurança. Rel. Processual Civil. Indeferimento. inexistindo teratologia ou ilegalidade.5.Petição inicial indeferida.2012. (MS n. 17. . seja por abuso de poder. decisão monocrática publicada no DJe em 8. torna-se incabível a impetração. DJe 18. Recurso manifestamente inadmissível. de plano.2012. ante a ausência dos pressupostos de admissibilidade. Decisão judicial. Ao contrário do que postula o impetrante..A jurisprudência desta Corte é assente no sentido de que não cabem recursos contra decisão unipessoal que indefira liminarmente reclamação ajuizada com base na Resolução STJ n.. Agravo regimental não conhecido com aplicação de multa.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Bem se vê que o caso acima indicado é muito distinto da hipótese em apreciação. Mandado de segurança extinto. 1. 12/2009.) É consolidado jurisprudencialmente que. têm indeferido a petição inicial. Incabível o mandado de segurança quando não evidenciado o caráter abusivo ou teratológico do ato judicial impugnado. fazendo com que sua admissão encontre-se condicionada à natureza teratológica da decisão combatida. Corte Especial.) Processual Civil. Indeferimento da liminar. Multa. Nancy Andrighi. Ausência de teratologia ou ilegalidade na decisão impugnada. Inadequação da via mandamental. Agravo regimental. Rel. (. Mandado de segurança contra decisão judicial. congêneres. Min. A impetração do writ contra ato judicial é medida excepcional. Mandado de segurança. Ausência. .5. 12/2009. 2.

) Processual Civil. Alegação de afronta à exigência de fundamentação.2012. (AgRg no MS n. julgado em 1º. ser considerada. Agravo interno desprovido. Precedentes.2. 16. A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça e do Supremo Tribunal Federal são firmes no sentido de que o mandado de segurança visa à proteção de direito líquido e certo contra ato abusivo ou ilegal de autoridade pública. Ministra Maria Thereza de Assis Moura.2.) III.. RSTJ. no caso. Rel. não se afigura visível porque a decisão judicial desafiada elencou elementos de convicção seguros. No caso dos autos.10. 24. Mandado de segurança. (AgRg no MS n. Min. Indeferimento da liminar do mandado de segurança. Inocorrência.2012. não podendo ser utilizado como sucedâneo recursal. I. Corte Especial.) Agravo regimental. nego provimento ao agravo regimental. Min. julgado em 2. de pronto. É como voto. Segurança denegada. DJe 15. não podendo. julgado em 5. não se revela a teratologia da decisão.2012. outubro/dezembro 2012 61 . IV. Excepcionalidade da impetração contra decisão judicial. a. Rel. Inexistência.2011. porquanto o ato apontado como coator está calcado no entendimento da Suprema Corte exarado no Recurso Extraordinário n. Manifesta ilegalidade da decisão ou teratologia. Agravo interno desprovido.365-MG. que. salvo se houver manifesta ilegalidade ou teratologia. Situação bem definida. Agravo regimental desprovido. Inexistência de relevância do direito vindicado.5.502-DF. Corte Especial. Rel.2012. Agravo regimental não provido.) Ante o exposto. Petição inicial indeferida liminarmente. Castro Meira..2011. 598. Não cabe mandado de segurança contra ato jurisdicional dos órgãos fracionários ou de relator desta Corte Superior. DJe 18. Impetração contra ato desta Corte. pena de se desnaturar a sua essência constitucional.5. por isso. Gilson Dipp. É como penso. ilegal ou teratológica. 16. (. (AgRg no MS n.10.686-MG. (228): 17-95. Corte Especial. 4. 15. DJe 10. Para o deferimento da medida de urgência na ação mandamental a lei exige a relevância do direito vindicado.494-DF.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL 3.

não examina a controvérsia. Agravo regimental. 535. devendo a parte que se sentir prejudicada demonstrar. por qualquer das partes”. 538 do CPC. que continua sujeita a agravo regimental. “os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos.231. Nos termos do art. 3. 1. Precedentes de todas as Turmas da Corte.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL N. Por conseguinte. apto a levar ao órgão coletivo o exame da questão controvertida. Efetiva demonstração do prejuízo. Quando o órgão colegiado aprecia embargos de declaração opostos contra decisão monocrática. fato que gera nulidade apenas relativa do processo. mas apenas afere a presença. 2. 1. há solução processual adequada no próprio ordenamento jurídico. em verdade. publicado o acórdão que julga os embargos. Alternativas processuais existentes no próprio ordenamento jurídico. 4.070-ES (2010/0229353-9) Relator: Ministro Castro Meira Agravante: Município de Vitória Procurador: Rosmari Aschauer Cristo Reis e outro(s) Agravado: José Carlos de Oliveira Advogado: Vinicius Pancrácio Machado Costa e outro(s) EMENTA Processual Civil. este sim. Nulidade relativa. O julgamento colegiado de aclaratórios opostos contra decisão monocrática configura erro de procedimento. do CPC. Recurso especial. via de regra. A nulidade não é absoluta. porque. Assim. de um dos vícios indicados no art. 62 . o prejuízo. o fato de existir decisão colegiada não impede nem inibe a subsequente interposição de agravo regimental. reinicia-se o prazo para impugnar a decisão monocrática embargada. Erro de procedimento. I e II. efetivamente. Embargos de declaração opostos contra decisão monocrática julgados colegiadamente. ou não.

Convocados os Srs. 7. assim. Agravo regimental não provido. Há. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. impedimento em fazê-lo. Herman Benjamin. exclusivamente. Julgados colegiadamente os embargos de declaração opostos contra decisão monocrática de relator. 6. ou demonstrado. Mauro Campbell Marques. Mauro Campbell Marques. Ministro Relator. diretamente.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL 5. viabilizando. a interposição do recurso especial para que seja analisada. Gilson Dipp. Ministros Arnaldo Esteves Lima. apreciado. Ministro Relator. 3 de outubro de 2012 (data do julgamento). nos termos do voto do Sr. 557 do CPC. Eliana Calmon. sob a alegação de erro no procedimento. Massami Uyeda. outubro/dezembro 2012 63 . Sidnei Beneti. justificadamente. o recurso especial para discutir o próprio mérito da controvérsia. a. nem tendo alegado.2012 RSTJ. Ausentes. ACÓRDÃO Vistos. outra solução processual no ordenamento jurídico. (228): 17-95. os Srs. Ministros Ari Pargendler. acordam os Ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. a nulidade do julgado por ofensa ao art. que negou seguimento ao recurso especial por ausência de exaurimento de instância. Francisco Falcão. Nancy Andrighi. por unanimidade. Luis Felipe Salomão. Relator DJe 10. Os Srs. Ministro Felix Fischer. Luis Felipe Salomão. Sidnei Beneti. Napoleão Nunes Maia Filho. Presidente Ministro Castro Meira. Benedito Gonçalves. na decisão monocrática do relator. também. Não se tendo valido das alternativas processuais ofertadas pelo próprio sistema jurídico para debelar o erro de procedimento. 24. a ora agravante interpôs. Laurita Vaz e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. Brasília (DF).10. Humberto Martins. Raul Araújo. No caso. exclusivamente. João Otávio de Noronha e Maria Thereza de Assis Moura. Benedito Gonçalves e Raul Araújo. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho. deve a parte interessada opor novos aclaratórios. deve-se manter a decisão agravada. negar provimento ao agravo regimental.

Segunda Turma decidiu por unanimidade remeter os autos à Corte Especial. Ministro Castro Meira: O agravo regimental fora interposto pelo Município de Vitória contra decisão de minha lavra assim ementada: Processual Civil. o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo manteve por decisão monocrática. III. Precedentes. No caso.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA RELATÓRIO O Sr. julgar. Ministro Castro Meira (Relator): Os autos retratam situação cada vez mais comum no âmbito desta Corte e que tem causado certa perplexidade até nos mais experientes operadores do Direito. VOTO O Sr. dispensada a lavratura de acórdão. de uma decisão colegiada não há que se falar em interposição de Agravo Interno” (e-STJ fl.. 64 . 313). Não-ocorrência.) a parte/Agravante não tinha outra opção jurídica viável eis que se os embargos de declaração foram julgados pela Câmara. 281-STF. Sustenta que a situação foi provocada pelo próprio Tribunal local. não cabe recurso especial interposto contra decisão monocrática. O Município de Vitória pugna pela reconsideração da decisão e argumenta o seguinte: “(. consoante o art. 3. 286). 1. Nos termos do art. 105.. no âmbito de remessa necessária. IV. não é suficiente para provocar o exaurimento da instância. Exaurimento da instância. Recurso especial não conhecido (e-STJ fl. 2. a sentença que concedera em parte a segurança. a eg. É o relatório. porquanto fazse necessário o exaurimento das instâncias ordinárias. razão por que deliberou a Segunda Turma em submetê-la ao crivo da Corte Especial. A jurisprudência desta Corte é uníssona no sentido de que a oposição dos aclaratórios contra decisão unipessoal do relator. da CF/1988. Decisão monocrática. Recurso especial. Em questão de ordem. compete ao Superior Tribunal de Justiça. Súmula n. ainda que julgados por colegiado. em recurso especial. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. as causas decididas em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça. Impossibilidade. o qual julgou os aclaratórios pelo Colegiado. Nesse contexto. 16.

seguindo-se recurso especial dirigido a este Superior Tribunal. Indaga-se: houve o exaurimento da instância ordinária a ensejar a interposição do apelo nobre? A resposta a esse questionamento deve ser. I e II. a nomenclatura originária. Não há nulidade absoluta. ou como tal tenham sido julgados. Por conseguinte. ou não. fato que gera nulidade apenas relativa do processo. a menos que os embargos tenham sido recebidos como agravo regimental. reinicia-se o prazo para impugnar a decisão monocrática embargada. O julgamento colegiado dos embargos de declaração opostos contra decisão monocrática não acarreta o exaurimento da instância. por qualquer das partes”. mas não de embargos declaratórios.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL Em seguida. Com efeito. devendo a parte que se sentir prejudicada demonstrar. este sim. a subsequente interposição de agravo regimental. neste caso. nos termos do art. foram opostos embargos de declaração. há solução processual adequada no próprio ordenamento jurídico. negativa. Diferentemente do agravo interno ou regimental – que tem por escopo propiciar ao órgão colegiado o debate sobre o suposto desacerto de decisão monocrática –. em verdade. os quais foram rejeitados por meio de decisão colegiada. de um dos vícios indicados no art. a questão controvertida decidida monocraticamente somente chega ao crivo do órgão colegiado por meio de agravo regimental (ou interno). do CPC. (228): 17-95. via de regra. necessariamente. o prejuízo. formalmente. 535. apto a levar ao órgão coletivo o exame da questão controvertida. efetivamente. 538 do CPC. não examina a controvérsia. que continua sujeita a agravo regimental. Assim. mesmo que mantenham. 24. 535. Quando o órgão colegiado aprecia embargos de declaração opostos contra decisão monocrática. 65 RSTJ. salvo as exceções já mencionadas. mas apenas afere a presença. os aclaratórios têm natureza meramente integrativa e pressupõe a presença de um dos vícios a que alude o art. O julgamento colegiado de aclaratórios opostos contra decisão monocrática configura erro de procedimento. publicado o acórdão que julga os embargos. porque. outubro/dezembro 2012 . I e II. o fato de existir decisão colegiada não impede nem inibe. do CPC. Em outras palavras. a. “os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos.

Agravo regimental não provido (AgRg no Ag n. art. 3. Impossibilidade. posteriormente integrada pela apreciação dos embargos declaratórios. Rel.8. 281 do STF. Min. Embargos de declaração opostos contra decisão monocrática. § 1º). 557. incide. DJe 22. Desatendimento. não poderá alegar. Recurso especial. Súmula n. não é suficiente para provocar o exaurimento da instância. o julgamento colegiado dos embargos declaratórios opostos à decisão monocrática não acarreta o exaurimento da instância para fins de interposição de recurso especial. 4.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Em outras palavras. Agravo de instrumento.397. o julgamento de aclaratórios por órgão colegiado ao qual pertence o prolator da decisão monocrática não retira da parte o direito de eventual interposição de agravo regimental. Primeira Turma. “A jurisprudência desta Corte pacificou o entendimento de que a oposição de Embargos Declaratórios contra decisão monocrática do Relator. tendo em vista que a decisão colegiada é integrativa da manifestação do relator. e dela não se vale a parte interessada. Primeira Turma. nulidade processual alguma. Arnaldo Esteves Lima. 1. ainda que julgados pelo colegiado do Tribunal a quo. Embargos de declaração. Decisão monocrática do relator. Assim. por analogia. para fins de interposição do Recurso Especial” (AREsp n. a Súmula n. na sequência.970-PB. 281-STF. 2. 66 . In casu. 281-STF. Min. Exaurimento da instância. Agravo regimental no agravo de instrumento.2012). Napoleão Nunes Maia Filho. 20. Súmula n. mercê de interromper o prazo de interposição de qualquer recurso. Julgamento colegiado.426-SC. DJe 14. 1.2012). Processual Civil. se há solução possível estampada no próprio sistema jurídico.2. Em resumo. Rel. Não cabe recurso especial contra decisão monocrática de relator que pode ser impugnada na instância de origem (CPC. o recurso especial foi interposto contra decisão monocrática do relator que negou seguimento à apelação. Ante a ausência de exaurimento das vias recursais nas instâncias ordinárias. Cito os seguintes precedentes de todas as Turmas desta Corte: Primeira Turma Administrativo. a menos que faça prova de prejuízo efetivo e concretamente demonstrado. Não esgotamento das instâncias ordinárias. 1. Agravo não provido. Processual Civil.

Min.8. por ausência de exaurimento da instância ordinária (AgRg no REsp n. quando viciada por omissão. Com efeito.2008). Aplica-se. Súmula n. contradição ou obscuridade (CPC. isto sim. Agravo regimental parcialmente provido. Os documentos apresentados pelos agravantes provam que o Diário de Justiça que publicou a decisão proferida nos embargos de declaração não circulou na mesma data da publicação (30 de janeiro de 2002).2005). outubro/dezembro 2012 67 . art. mas. Cabimento contra decisão monocrática. 1. 3. Impugnação de decisão monocrática. Ação rescisória.563-RJ. II . podem os recorrentes. Não-cabimento. apresentar agravo regimental contra a decisão monocrática. nesta hipótese. § 1º). Ausência de prejuízo. 535). Precedentes. motivo por que não traz qualquer prejuízo aos ora agravantes RSTJ. 281 do STF. mas persistindo a decisão agravada no que se refere à inadmissibilidade do recurso.Não viola o art.8. a orientação firmada na Súmula n. Aplicação analógica da Súmula n. 557. Ausência de esgotamento da instância ordinária. tendo sido disponibilizado tão-somente no dia 4 de fevereiro de 2002. proferida por relator. considerando a ausência do caráter substitutivo do acórdão que rejeitou os embargos de declaração sem ingressar no mérito da ação rescisória julgada monocraticamente. Requisito não-cumprido com o julgamento colegiado dos embargos declaratórios. 535 do Código de Processo Civil. 281-STF. Julgamento colegiado que não viola o art. 24. Denise Arruda. Processual Civil. integrar ou aclarar a decisão embargada. a.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL 2. 3. DJ 13. apenas para reconhecer a tempestividade do recurso especial.901-PR. Primeira Turma. 535 do CPC. Tempestividade do apelo extremo admitida. Processual Civil. Recurso parcialmente provido. Min. art. O julgamento colegiado dos embargos declaratórios opostos à decisão monocrática não acarreta o exaurimento da instância. pois. DJ de 8. Embargos de declaração. Primeira Turma. o julgamento colegiado de embargos de declaração opostos contra decisão monocrática proferida por relator. Recurso especial não conhecido (REsp n. 281-STF. Teori Albino Zavascki. Assim. (228): 17-95. o recurso especial interposto no dia 19 de fevereiro de 2002 é tempestivo. Inadmissibilidade. 462. 2. Rel. 709.Interrompendo os declaratórios o prazo para a interposição recurso. Precedentes. Agravo regimental no recurso especial. não houve o esgotamento da instância ordinária com a interposição do recurso cabível (CPC. Rel. I . ante a interrupção do prazo para a interposição de agravo regimental. 4. O julgamento colegiado dos embargos declaratórios opostos contra decisão monocrática não tem o efeito de substituir.

Agravo regimental desprovido (AgRg no AgRg no REsp n. 281-STF.466-MG.2011. que os embargos opostos na origem não foram conhecidos em razão de seu manifesto caráter infringente e não. do Distrito Federal e dos Territórios nos termos do art. Rel. 68 . inexiste abertura à via especial . Min.8. Rel.235. Súmula n. Denise Arruda. “cabendo ao relator decidi-los monocraticamente ou levá-los a julgamento do colegiado”.442-MG. IV. (EDcl nos EDcl no REsp n. DJe 22. Min. (AgRg no REsp n. que. do CPC. Rel. 1. Precedente: REsp n.2004). para fins de interposição do recurso especial. Min. Julgamento monocrático. Agravo interno interposto na origem. DJ de 7. à sua escolha. a despeito da existência de acórdão em sede de embargos de declaração -. IV . em Recurso Especial. Castro Meira. Exaurimento da instância ordinária. Ausência de exaurimento na instância ordinária. 28-33. em casos tais.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA o julgamento colegiado de tais embargos. ademais. não é suficiente para provocar o exaurimento da instância. ao fundamento de que incabíveis contra decisão de monocrática de relator. A oposição de embargos declaratórios contra decisão monocrática do relator. com resolução do mérito. motivo pelo qual deve ser determinado o retorno dos autos à origem para que proceda ao julgamento do agravo regimental interposto pelo recorrente. DJ de 8. 422. 1. DJ de 30.901-PR. III. extinguiu o feito.8. Min. ainda que julgados pelo colegiado do Tribunal a quo. com base no artigo 269.2005).149-RJ. Segunda Turma Processual Civil.3. III .Tanto assim que. Não houve recebimento dos aclaratórios como agravo regimental. pelo DesembargadorRelator do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco. Min. Recurso especial provido (REsp n. 2. Hipótese em que o apelo especial foi interposto contra decisão monocrática (fls.2005). reconhecendo a prescrição do fundo do direito. Cabimento. Recurso especial. Compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar.245. Necessidade.Não passa despercebido. Segunda Turma. 105. 1. nos autos da Apelação Cível.904-AM. Mauro Campbell Marques. Agravo regimental.11. 462. 1.2011). e-STJ) proferida. como fazem crer os agravantes. Embargos de declaração julgados pelo órgão colegiado.se busca o recorrente a reforma da própria decisão monocrática. 3. Processual Civil. porquanto não esgotada a instância ordinária. Rel. Francisco Falcão. Castro Meira. da Constituição Federal. V .12. 2. Rel. DJe 2. Primeira Turma. as causas decididas em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados. 685.

169. Julgamento colegiado. nos termos do art. DJ 25. Assim. De acordo com os precedentes desta Corte Superior.” Agravo regimental improvido (AgRg no AREsp n. da Constituição Federal. seria indispensável submetêla ao colegiado. Recurso especial. Precedentes. 2. Segunda Turma. na Justiça de origem. Recurso especial. Rel. O esgotamento das vias recursais na instância ordinária constitui pressuposto de admissibilidade do Recurso Especial. Embargos de declaração.10.6. Terceira Turma Processual Civil e Civil. Ação de reparação de danos. Agravo interno. Rel.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL 3. Agravo regimental em agravo de instrumento. Agravo no agravo de instrumento. recurso ordinário da decisão impugnada. por analogia. Súmula n. Embargos declaratórios colegiados rejeitados opostos em face de decisão monocrática. 3.2006). Ausência de exaurimento da instância ordinária. Embargos declaratórios contra decisão unipessoal. constitui pressuposto de admissibilidade do apelo excepcional o esgotamento dos recursos cabíveis na instância ordinária (Súmula n. Processual Civil.389-PE.942-RJ. Agravo regimental improvido (AgRg no Ag n. Min. III. Súmula n. 105. Apreciada a apelação em decisão monocrática.2012). Nesse sentido. quando couber. em recurso especial. Não exaurimento das vias ordinárias. da Súmula n. ainda que decididos pelo colegiado. Min. (228): 17-95. do Código de Processo Civil. Incidência. apenas o agravo interno se presta ao exaurimento de instância quando há intuito de propor recurso especial após a decisão monocrática. Precedentes. verbis: “É inadmissível o recurso extraordinário. sendo imprestáveis para esse fim os embargos declaratórios rejeitados.2012). mostrando-se insuficiente a oposição de embargos declaratórios. § 1º. Compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar. 557. Humberto Martins. 281-STF). não exaurem as possibilidades de recurso na instância ordinária. DJe 22. Agravo Regimental não provido (AgRg no AREsp n. 2. João Otávio de Noronha. 281-STF. 24. RSTJ. Min. as causas decididas em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados. o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula n. Segunda Turma. DJe 28. 4. Os Embargos de Declaração opostos contra decisão monocrática. Herman Benjamin. Apelação julgada por decisão monocrática. ainda que decididos por órgão colegiado.5. Embargos de declaração. Segunda Turma. Rel.667-PE. outubro/dezembro 2012 69 . a. 1. 281-STF. do Distrito Federal e Territórios. Cabimento. 5. 33. 281 do STF. por meio do agravo previsto no art. 772. 281. Julgamento por órgão colegiado. 1.

O julgamento colegiado dos embargos declaratórios opostos à decisão monocrática não acarreta o exaurimento da instância. Esgotamento de instância.O julgamento de embargos declaratórios pelo órgão colegiado ao qual pertence o prolator da decisão monocrática não retira da parte o direito de eventual interposição de agravo regimental. Agravo regimental. Recurso especial. Precedentes. 848. Terceira Turma. Esgotamento das instâncias ordinárias.2011). Agravo interno. . 538). Aplicação analógica da Súmula n. DJe 29. 709. 1. 281-STF (AgRg nos EDcl no REsp n. haja vista que a decisão colegiada é integrativa da manifestação do relator. 10. Súmula n. DJ 5. 1. . . Insurgência da demandante: 70 . Incidência da Súmula n. 281 do STF. Recurso especial interposto após acórdão colegiado de embargos declaratórios contra decisão unipessoal.2007). Rel.393-RJ. Rel. . . 545 do CPC). 3.Cabe agravo interno contra a decisão unipessoal após o julgamento colegiado de embargos declaratórios. Agravo de instrumento. 281 do STF. Execução por quantia certa de título extrajudicial. Inocorrência. Min.Não cabe recurso especial interposto após acórdão de embargos declaratórios dirigidos a decisão unipessoal. Teori Albino Zavascki). (REsp n.6.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA .2011). Terceira Turma.407. mercê de interromper o prazo de interposição de qualquer recurso. Agravo de instrumento.Agravo Regimental improvido (AgRg no AREsp n. Aplicação analógica da Súmula n. Rel. Cabimento de agravo interno na origem. Humberto Gomes de Barros. . DJe 25. pois a oposição de embargos interrompe o prazo para interposição de outros recursos (CPC. Decisão colegiada de embargos de declaração interpostos contra decisão monocrática. Min. Decisão monocrática negando provimento a agravo em recurso especial. Nancy Andrighi.452-SP. Decisão agravada mantida.2. Min. Precedentes. a qual se mantém por seus próprios fundamentos.10. 2.O julgamento colegiado dos embargos declaratórios opostos à decisão monocrática não acarreta o exaurimento da instância. Sidnei Beneti.Agravo no agravo de instrumento não provido (AgRg no Ag n. art.O Agravo não trouxe nenhum argumento capaz de modificar a conclusão do julgado.541-GO. Min. Rel. 281 do STF. . Quarta Turma Agravo regimental em agravo (art.563-RJ. Terceira Turma.

a apelação cível foi decidida monocraticamente por seu relator.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL 1. recurso ordinário da decisão impugnada. Quarta Turma. Min.8. 105. do Código de Processo Civil. o prequestionamento dos artigos 535 e 557 do CPC. sequer foram recebidos como agravo interno. Precedentes. 1. da Súmula do STF. sendo que o respectivo órgão colegiado manifestou-se apenas sobre os aclaratórios interpostos em detrimento da deliberação unipessoal. contradição ou omissão de decisão monocrática. isto. Luis Felipe Salomão. Não houve pronunciamento da Câmara sobre o mérito da apelação. Quarta Turma. III. 3.2012). Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. a sua interposição em desafio a decisão de “única ou última instância”. inc. 1. 24. visto que possível o manejo de novos embargos de declaração buscando o exame da matéria recursal e/ou. bem como a obrigação do recorrente de esgotar a via ordinária para interpor os apelos extraordinários. Incidência por analogia da Súmula n. Ademais. 281 do STF. Processual Civil. Necessidade de exaurimento das instâncias ordinárias. (228): 17-95. Rel. Na espécie. ainda. O julgamento colegiado dos embargos declaratórios opostos à decisão monocrática não acarreta o exaurimento da instância. DJe 18. 2. Precedentes.2012). 86. competia ao ora agravante interpor o agravo previsto no artigo 557.4. além de rejeitados. 124. pelos Tribunais Regionais Federais ou Tribunais de Justiça dos Estados ou do Distrito Federal e Territórios (art. o que configura o não exaurimento de instância. Recurso especial. Aplicação analógica da Súmula n. como requisito específico de sua admissibilidade. Rel. só por si. mesmo após o julgamento dos embargos de declaração pelo Órgão fracionário. Súmula n. Min. Decisão mantida. § 1º. O recurso especial é cabível unicamente de decisões proferidas. Agravo regimental em agravo de instrumento.” 3. não retira o direito. DJe 10. 281 do STF. Falta de esgotamento das instâncias ordinárias. quando couber. Marco Buzzi. mercê de a Constituição Federal de 1988 (art. III) exigir. os aclaratórios. da Constituição da República). ao qual se nega provimento. 105. com aplicação de multa (EDcl no AREsp n.570-RJ. a. O agravo interno devolve ao Órgão colegiado a competência até então exercida pelo relator. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental no agravo em recurso especial. com aplicação de multa (AgRg no AREsp n. 2.626-RJ. outubro/dezembro 2012 71 . Agravo regimental desprovido. 281 do STF. verbis: “É inadmissível o recurso extraordinário. na Justiça de origem. Processual Civil. em única ou última instância. Aplicação do Enunciado n. 281. A ausência de exaurimento das vias recursais ordinárias impõe a inadmissão do reclamo extremo. Se aquele recebeu os embargos de declaração para sanar obscuridade. RSTJ. uma vez que estes foram opostos de decisão monocrática do relator. 2. Para fins de esgotamento da instância ordinária.

Quarta Turma. 5..957BA. Agravo improvido. verbi gratia: AgRg no Ag n.9. 281-STF. in verbis: “É inadmissível o recurso extraordinário. 105. AgRg nos EDcl no REsp n. Apelação julgada por decisão monocrática. seria indispensável submetêla ao colegiado. 281-STF). da Constituição Federal.2008). 882. 2.10. recurso ordinário da decisão impugnada”. § 1º. DJ 15. quando couber na Justiça de origem. Precedentes. 1. Quinta Turma. III.354-RJ. Rel. Servidor público. Recurso especial. recurso ordinário da decisão impugnada”. mostrando-se insuficiente a oposição de embargos declaratórios.v. Reajuste de 3. nos termos do art. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no Ag n. Rel. Precedentes desta Corte Superior. Julgamento por órgão colegiado. 557.17%. segundo a qual “É inadmissível o recurso extraordinário. 72 .5.2. Juiz convocado do TRF da 1ª Região Carlos Fernando Mathias. Massami Uyeda. Min. atraindo a incidência da Súmula n. 848. Apreciada a apelação em decisão monocrática.543-SP. Assim.947-PE. Súmula n.9. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no Ag n. Hipótese em que caberia à parte agravante interpor o agravo previsto no art.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 3. § 1º. na Justiça de origem. 637. o teor da Súmula n. Segunda Turma. constitui pressuposto de admissibilidade do apelo excepcional o esgotamento dos recursos cabíveis na instância ordinária (Súmula n. Embargos de declaração. DJe 31. Min. Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. 4. Administrativo. Humberto Gomes de Barros. DJ 25. por analogia. Ausência de exaurimento da instância ordinária. Rel. DJ de 10. Compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar em recurso especial as causas decididas em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados. 557. 871.2007. 1.9. Quinta Turma. Terceira Turma. Felix Fischer. Apelação julgada por decisão monocrática. incide.238.2004. q. DJ de 5. 281 do STF. Processual Civil.2007. Agravo regimental no agravo de instrumento. Min. Min. Embargos de declaração.452-SP. Rel. julgados pelo órgão colegiado.2007.312-PE. Súmula n. Min. AgRg no Ag n. 281 do STF. do Código de Processo Civil contra a decisão monocrática que apreciou a apelação. do Código de Processo Civil. Precedentes. 952. Julgamento por órgão colegiado. Marco Aurélio Bellizze. Ausência de exaurimento da instância ordinária. Castro Meira. Quarta Turma. Em hipótese como a dos autos. integrada pelos embargos declaratórios.2012). Impossibilidade. Rel. 281-STF. Quinta Turma Previdenciário. Rel. DJ de 17. AgRg no REsp n. do Distrito Federal e Territórios. 1. quando couber. por meio do agravo previsto no art.

Sexta Turma Processo Civil. que deve ser utilizado antes de se interpor o recurso especial. 669. Rel. Os embargos de declaração. DJe 1º.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL 3. Min.150. Og Fernandes. Rel. Sexta Turma.411-RS. 24.2011). ainda quando julgados pelo colegiado.” (Súmula n. 2. incide. não foi trilhada pelo Município ora agravante. DJ 24. Agravo regimental improvido (AgRg no Ag n. recurso ordinário da decisão impugnada.7. Quinta Turma. DJe 29. Exaurimento da instância ordinária. Embargos de declaração opostos contra decisão monocrática. Agravo regimental no agravo de instrumento. 975. (228): 17-95. Não ocorrência. 3. 281-STF). 538). Não é demais repetir: cabe agravo interno contra a decisão unipessoal após o julgamento colegiado de embargos declaratórios. RSTJ. não tem o condão de provocar o exaurimento da instância.2010). dada sua natureza integrativa. a nulidade do julgado por ofensa ao art. outubro/dezembro 2012 73 . Rel. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no Ag n. Súmula n. a Súmula n. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no Ag n. Decisão unipessoal. Sexta Turma. Min. quando couber. necessário para a interposição de recurso especial. 2. A oposição de embargos de declaração contra decisão monocrática. art. há outra solução processual no próprio ordenamento jurídico.300-PR. 1. não têm o condão de provocar o exaurimento da instância ordinária. Contra a decisão monocrática do Tribunal a quo é cabível o agravo regimental. 557 do CPC.883-RJ. exclusivamente. deveria a parte opor novos aclaratórios. Não-esgotamento das instâncias ordinárias. 281-STF. sob a alegação de erro no procedimento. vale dizer. “É inadmissível o recurso extraordinário. igualmente. Min.4. a. Arnaldo Esteves Lima. 281-STF. ainda que decididos pelo colegiado. por analogia. 281 do STF. Súmula n.11. que. Embargos de declaração.2006). para efeito de interposição de recurso especial. mesmo que se entenda não cabível o agravo interno. Aplicação. na Justiça de origem. 1. pois a oposição de embargos interrompe o prazo para interposição de outros recursos (CPC. Precedentes. Ainda que assim não fora. Ante a ausência de exaurimento das vias recursais perante as instâncias ordinárias. 1. Vasco Della Giustina (Desembargador convocado). Efeito integrativo. o que viabilizaria a interposição do recurso especial para discutir. Com efeito. 3.

não seria o acórdão da Turma impugnável mediante agravo regimental. verbis: Agravo regimental. o levantamento de valor não superior a 60 salários mínimos e a demonstração do estado de necessidade. Satisfeito o requisito do exaurimento da instância ordinária e do prequestionamento de todas as questões examinadas. O acórdão recorrido. Min. Agravo de instrumento. Verba alimentar. e esta. Rever tais conclusões. apreciando a questão de direito federal controvertida. apenas porque não se utilizou o nome “agravo regimental”. 4. Se. Rel. 74 . Quarta Turma. 7. 557 e 535 do CPC. o relator optou por levar à Turma a questão. exaurida estará a Jurisdição ordinária. Desnecessidade. 1.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Essa alternativa processual foi aventada no seguinte precedente da Terceira Turma. se o relator optar por levar a questão à Turma. pela decisão singular e depois pela Turma. requerendo o exame pela Turma da questão e/ou prequestionando os arts. concluiu terem sido preenchidos todos os requisitos previstos no art.584-PR. 475-O do CPC para a dispensa de caução em execução provisória. encontra óbice na Súmula n. embora com o nome de “embargos de declaração” sem a fórmula do “conhecimento dos embargos de declaração como agravo regimental”. quais sejam: o crédito de natureza alimentar. 282. 6. mas a falta de prequestionamento da questão federal (S. O agravo regimental é recurso cabível apenas de decisão singular de relator. o óbice ao seu trânsito não seria a S. Art. n. Em face de embargos de declaração da parte. inicialmente. Recurso especial interposto de acórdão em embargos de declaração opostos de decisão singular do relator no Tribunal de origem. A parte não pode ser prejudicada pela opção do relator de julgar o recurso na Turma. 1. n. Agravo regimental a que se nega provimento. 281-STF.341. DJe 25. Cabível será o recurso especial. Execução provisória. ao revés. por outro fundamento (AgRg no Ag n. 5. 475-O do CPC. Caberia à parte opor novos embargos de declaração. Esta confirmou a decisão por seus próprios fundamentos. Hipótese em que a questão foi decidida por decisão singular. n. para propiciar a argüição de ofensa respectiva mediante futuro recurso especial. 3. 356 do STF). ainda assim. como se de agravo regimental se tratasse. Opostos embargos de declaração contra a decisão singular. embora sem adotar a fórmula de “conhecimento dos embargos de declaração como agravo regimental”. sem o óbice da Súmula n. apreciando as circunstâncias de fato da causa. Se interposto recurso especial diretamente contra tal acórdão. limitar-se a Turma a afirmar a inexistência de omissão. 2. confirmar a decisão singular. Caução. Maria Isabel Gallotti.4. obscuridade ou dúvida na decisão singular embargada. A questão de mérito foi enfrentada pelo colegiado. no âmbito do recurso especial. 281-STF.2012).

1. diretamente. Não se valendo.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL No caso. Necessidade de pedido específico. (228): 17-95. na hipótese em que a sentença não remanesceu reformada e não houve pedido expresso de modificação dessa verba nas razões de apelação. devese manter a decisão agravada. alternativamente.082. Embargos de divergência em recurso especial. Redução de ofício pelo Tribunal. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL N. que negou seguimento ao recurso especial por ausência de exaurimento de instância. dessoutro caminho processual. outubro/dezembro 2012 . a ora agravante interpôs. 1. nego provimento ao agravo regimental. É como voto.374-RJ (2010/0149686-9) Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima Embargante: The Interocean Shipping Lines Inc. Advogado: Ronaldo Cramer e outro(s) Embargado: Companhia de Navegação Marítima Netumar Advogados: Roberto Sardinha Junior e outro(s) André Luiz Souza da Silveira e outro(s) EMENTA Processual Civil. Ante o exposto. 75 RSTJ. 2. 24. na decisão monocrática do relator. exclusivamente. A inversão da condenação ao pagamento da verba honorária quando há reforma da sentença apresenta-se inerente à sucumbência. a. Não cabimento. Honorários advocatícios. Divergência jurisprudencial configurada entre acórdãos da Quarta e Quinta Turmas no tocante à possibilidade de redução do quantum fixado a título de honorários advocatícios pelo Tribunal. o recurso especial para discutir o próprio mérito da controvérsia. Embargos rejeitados. apreciado.

Luis Felipe Salomão. se esta deixou de ser atacada no recurso” (Súmula n. de modo que se impõe a prevalência da tese adotada pelo acórdão embargado. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho. 5.10. Ministros Massami Uyeda. A Corte Especial. 19 de setembro de 2012 (data do julgamento). Bruna Kamarov Benisti. 4. justificadamente. conduz à prolação de sentença com ofensa aos arts. não devolve ao Tribunal o exame da fixação dos honorários advocatícios. Jorge Mussi. João Otávio de Noronha. 16-TRF . Ausentes. Entendimento contrário. pela improcedência da ação. Ministro Relator. pela embargada. caput. a redução da verba honorária de ofício pelo Tribunal. Os Srs. 128. com base no pedido de procedência integral. Teori Albino Zavascki e Castro Meira votaram com o Sr. os Srs. “A apelação genérica. Relator DJe 4. acordam os Ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Não participou do julgamento a Sra. Ministros Ari Pargendler. Raul Araújo.2012 76 . nos termos do voto do Senhor Ministro Relator. No entanto. Humberto Martins. Sidnei Beneti. se não houve reforma do julgado. Maria Thereza de Assis Moura. Ministro Felix Fischer. Presidente Ministro Arnaldo Esteves Lima. Convocados os Srs. Embargos de divergência rejeitados. Ministra Nancy Andrighi. por si só. conhecer e negar provimento aos embargos de divergência.4ª Região). Impõe-se a existência de pedido expresso da parte recorrente nesse sentido.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 3. 460 e 515. apresenta-se incabível. Napoleão Nunes Maia Filho. Herman Benjamin. e o Dr. Diego Barbosa Campos. ACÓRDÃO Vistos. Brasília (DF). Sustentaram oralmente a Dra. por unanimidade. pela embargante. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. Laurita Vaz. Gilson Dipp. Eliana Calmon e Francisco Falcão. Sidnei Beneti e Jorge Mussi. do CPC.

(228): 17-95. mas havendo pedido pela procedência integral do pedido. Rel. outubro/dezembro 2012 77 . Quinta Turma. 1.328e. Ministro Arnaldo Esteves Lima: Trata-se de embargos de divergência em recurso especial interpostos por The Interocean Shipping Lines Inc. em desfavor da Companhia de Navegação Marítima Netumar. Ministro Arnaldo Esteves Lima (Relator): Versam os autos sobre a possibilidade de redução do quantum fixado a título de honorários advocatícios pelo Tribunal. VOTO O Sr. Redução de verba honorária de ofício pelo Tribunal. entendeu que. o dissídio jurisprudencial existente” (fl. Manutenção da decisão por seus próprios fundamentos. A embargada sustenta que o entendimento divergente encontrase superado. Rel. Argumenta que esta Corte. cabível a revisão dos honorários. Sustenta a parte embargante divergência em relação à tese exposta no acórdão proferido nos autos do REsp n.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL RELATÓRIO O Sr. assim ementado (fl. Min.313e). 1. É o relatório. segundo o qual. RSTJ. em que se insurge contra acórdão proferido pela Quarta Turma. 1. Decisão de admissibilidade à fl. é permitido ao órgão julgador ad quem reduzir o percentual de tal verba” (fl. 199. Min. 24.312). Luis Felipe Salomão.305e): Direito Civil e Processual Civil. a. por todas as suas Turmas. acórdão recorrido. o que demonstra. Agravo regimental improvido. aresto divergente. Impossibilidade. Defende que o “v. ao contrário do v. “mesmo não havendo na apelação impugnação explícita da condenação sobre os honorários advocatícios. firmou compreensão de que é impossível a reforma de uma sentença além dos limites requerido pela parte nas razões da apelação. havendo pedido de procedência total da pretensão deduzida em juízo e negada no 1º grau.500-RJ. claramente. 1. na hipótese em que a sentença não foi reformada e não houve pedido expresso de modificação dessa verba nas razões de apelação. Felix Fischer.

128. é preciso se considerar que. que julgou incabível a redução do valor fixado a título de honorários advocatícios pelo Tribunal de origem. não foi abrangido pelo efeito devolutivo. entendo que a divergência jurisprudencial apresentase devidamente configurada. é permitido ao órgão julgador ad quem reduzir o percentual de tal verba. Possibilidade de conhecimento pelo Tribunal. 199. ainda que não haja impugnação explícita. seria um pedido implícito. o acórdão apontado como paradigma. Precedentes.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA O acórdão embargado. entendeu que. 78 . Apelação. proferido pela Quarta Turma. Nesse contexto. proferido pela Quinta Turma. Extensão. porque se considera que houve devolução de toda a matéria discutida nos autos. e em consequência a devolução da matéria ao Tribunal abrangeu toda a matéria discutida nos autos. no entanto. é vedado ao Tribunal dele conhecê-lo porque. 1. 1. eminente Ministro Luis Felipe Salomão. à luz desses ensinamentos. DJ. Efeito devolutivo. Recurso não conhecido. é permitido ao Tribunal reduzir os honorários advocatícios. (REsp n.500-RJ. encontrando-se centrada na interpretação. que bem demonstra a divergência suscitada (fl. Assim sendo. não havendo impugnação do apelante em relação a determinado ponto.297e). mesmo não abordando explicitamente a condenação aos honorários na apelação. dos seguintes dispositivos: arts. se há pedido de procedência integral do recurso de apelação. a questão de apresenta sem maiores dificuldades. 20. Honorários advocatícios. Felix Fischer. Mesmo não havendo na apelação impugnação explícita da condenação sobre os honorários advocatícios. Transcrevo o seguinte trecho do voto condutor desse julgado. Rel. Min. Quinta Turma. In casu. no entanto esta regra não se aplica quando não é dado provimento à apelação e apenas a verba honorária é reduzida sem pedido explícito” (fl. 460 e 515 do CPC. e não meramente parcial. nesse caso.320e): Numa primeira análise. em caso de provimento da apelação. Por sua vez. ao fundamento de que a “inversão dos honorários advocatícios. os servidores formularam pedido genérico de procedência integral da pretensão deduzida em juízo. mas havendo pedido pela procedência integral do pedido. Transcrevo a ementa do acórdão: Processual Civil. em especial. manteve a decisão do relator. a apelação interposto foi integral.

Nesse sentido. seu exame decorre da lei. Embargos declaratórios rejeitados. a condenação ao pagamento de verba honorária decorre da lei. Rel.2004) De outra parte. (EDcl no REsp n. com as exceções acima lembradas. correção monetária (L n. do fato objetivo da derrota. 2. ao princípio dispositivo. São Paulo: RT. Pedido recursal. Conforme pacífica orientação jurisprudencial. 7ª ed. as que independem de iniciativa das partes para serem apreciadas. apenas aquelas efetivamente impugnadas no recurso comporta conhecimento pelo Tribunal ad quem. Limites da decisão. A regra. e) pedido de prestações periódicas vincendas (CPC 290). o qual deve ficar restrito aos pontos ali especificados. transcrevo a seguinte ementa: Processual Civil. Nesse sentido. Min. e. não se constituindo em nenhuma vantagem para o autor que não a pediu. a inversão da verba honorária na apelação quando há reforma da sentença impugnada é inerente à sucumbência. Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery (Código de Processo Civil Comentado e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor. 560. A petição recursal fixa limite que não pode ser extrapolado pelo Órgão Revisor. a. prescindindo de alegação expressa do autor. por conseguinte. p.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL Segundo o brocardo jurídico tantum devolutum quantum appellatum. DJ de 9. ou seja. 6. Embargos declaratórios.. Se o órgão julgador o extrapolar pode incorrer em julgamento ultra ou extra petita. 3. 79 RSTJ. c) despesas processuais e honorários advocatícios (CPC 20). outubro/dezembro 2012 . Omissão inexistente. (grifos nossos).899/1981). constitui pedido implícito. em regra. em respeito. sob pena de afronta ao Princípio do tantum devolutum quantum appellattum. à exceção das matérias apreciáveis de ofício pelo juiz.165-CE. como se fossem pedidos implícitos. (228): 17-95. São eles os de: a) juros legais (CPC 293). porque a mera atualização da moeda. Em outras palavras. 24. Não há ofensa aos incisos I e II do art. consiste na interpretação restritiva do pedido. em se tratando de verba de natureza acessória.2. b) juros de mora (CPC 219). inclusive. Primeira Turma. 535 do Código de Processo Civil se o aresto atacado nos embargos de declaração não é contraditório nem omisso. 646) afirmam que: Há alguns pedidos que se encontram compreendidos na petição inicial. que orienta o CPC. Com efeito. a devolução da matéria impugnada tem seu limite determinado pelas partes quanto à sua extensão. no entanto. 1. Isto porque. Teori Albino Zavascki.

Desse modo. Desnecessidade de pedido expresso. com base no pedido de procedência integral. 256-STF. impõe-se. Rel. 43. Constatado que a Corte de origem empregou fundamentação adequada e suficiente para dirimir a controvérsia é de se afastar a alegada violação do art. 63 ou 64 do Código de Processo Civil” (Súmula n. ao reformar a sentença. 1. 535 do CPC. Honorários advocatícios. Impõe-se a existência de pedido expresso da parte recorrente nesse sentido. Encargos sucumbenciais. do CPC. Correção monetária do FGTS. Agravo regimental não provido. Benedito Gonçalves. se não houve reforma do julgado. (AgRg no AREsp n. reconhecendo a necessidade de o Tribunal manifestar-se expressamente sobre a inversão dos ônus sucumbenciais e a condenação ao pagamento da verba honorária quando dá provimento à apelação. (EDcl no REsp n.276. 535 do CPC. DJe 14. Min. não se manifesta sobre inversão da verba honorária. Castro Meira. reformando a sentença e julgando improcedente o pedido. Recurso especial provido. DJe 17. 3. No entanto. 2. 128.2012). Violação do art. a fim de reformar o dispositivo da sentença.2012). 2.167-RJ. o Superior Tribunal de Justiça vem. Súmula n. 460 e 515. 1. Nesse sentido: Embargos de declaração. Acórdão que. Inexistência. “É dispensável pedido expresso para condenação do réu em honorários. conduz à prolação de sentença mediante ofensa aos arts. Reversão. 256-STF). Em virtude desse entendimento. Ausência de título executivo. A condenação da parte vencida em honorários advocatícios não decorre simplesmente da lei. Embargos de declaração acolhidos. Rel. Execução de julgado. A propósito. Agravo regimental no agravo em recurso especial. por si só. inclusive. Segunda Turma. a redução da verba honorária de ofício pelo Tribunal. Provido o recurso especial. Min. transcrevo a seguinte ementa: Processual Civil e Administrativo. a inversão dos ônus sucumbenciais e a fixação de honorários advocatícios em favor da embargante fixados em 10% sobre o valor da causa corrigido.5. 3. caput. Entendimento contrário. com fundamento nos arts. 80 . A falta de condenação explícita em honorários advocatícios importa ausência de título executivo para a sua cobrança. 1. cabe ao Tribunal pronunciar-se sobre a inversão dos ônus sucumbenciais. sob pena de ensejar ausência de título judicial executivo para sua cobrança. 20 do CPC).151-SC.2.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA não se mostra aceitável a manutenção de uma condenação ao pagamento dos honorários advocatícios em desfavor de quem foi vitorioso no julgamento do seu recurso. apresenta-se incabível. mas sim da condenação imposta pelo juiz (art. Primeira Turma. no particular.

outubro/dezembro 2012 81 .344-SP. Rel. DJ 2. 1. 24. refiro-me. RSTJ.6. 1. DJe 22.268SP. 4. Teori Albino Zavascki. Precedentes: EDcl no REsp n. 464. 1.725-MG. pela improcedência da ação. 3. se esta deixou de ser atacada no recurso”.2005. Garcia Vieira. A intempestividade enseja o não conhecimento do recurso. que dispõe: “A apelação genérica. é imprescindível que exista provocação da parte nesse sentido específico.8. Intempestividade. Não viola o artigo 535 do CPC. Eliana Calmon. consolidada no Enunciado da Súmula n. não devolve ao Tribunal o exame da fixação dos honorários advocatícios. Segunda Turma. 16-TRF .3. nesse sentido. inclusive. Diversa é a hipótese relativa à redução da verba honorária.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL Nesse sentido. (REsp n. Processual Civil. Recurso especial a que se dá provimento. da inércia e da adstrição ao pedido. sob pena de ofensa ao art. DJ 29. 870. Jorge Scartezzini. sob pena de afronta aos princípios devolutivo. Rel. Agravo regimental da contribuinte não conhecido. 3.8.. DJ 21. Assim. Não se tratando de pedido implícito. Min. não impugnada especificamente. aos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: Processual Civil. 1ª T.2..535-SP.. Pedido genérico de reforma da sentença.4ª Região. Min.296.2004 e REsp n. que norteiam a atividade jurisdicional. 97. 2. (AgRg no Ag n. eventual provimento positivo do recurso implicará. 5ª T. tendo havido provocação da parte ou mesmo ex officio. é orientação jurisprudencial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.2007). Ante o exposto. Primeira Turma.2010).1998. nem importa em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. Necessidade de pedido específico. Agravo regimental. Redução da verba honorária. relativa à verba honorária fixada na sentença de improcedência. É o voto. Agravo regimental da Fazenda Nacional provido. pois decorre da própria sucumbência. 290. Min. a inversão dos ônus da sucumbência. Franciulli Netto. (228): 17-95. Revisão dos honorários pelo Tribunal. Impossibilidade. pleiteando a procedência do pedido. REsp n. Não conhecimento. 2. O pedido pela inversão da verba honorária é implícito. Inocorrência. Min. 5. 2ª T. A apelação genérica. a.444-CE. 515 do CPC. Min. Negativa de prestação jurisdicional. não devolve ao Tribunal o exame da matéria. Além do acórdão embargado. DJ 3. rejeito os embargos de divergência.

Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não tem caráter protelatório. Necessidade. 98 da Súmula-STJ. in casu. consolida-se a tese de que: no agravo do artigo 522 do CPC. deverá ser indicado quais são elas. Agravo de instrumento do artigo 522 do CPC. 1. 535 do CPC. Peças necessárias para compreensão da controvérsia. Enunciado n. Multa aplicada em sede de embargos de declaração.467-RJ (2008/0262602-8) (f) Relator: Ministro Massami Uyeda Recorrente: Fenísio Pires e outros Advogado: Olimpio Santa Rita Mata e outro(s) Recorrido: Banco Banerj S/A Advogado: Fábio Farias Campista e outro(s) EMENTA Recurso especial. Ministro Cesar Asfor Rocha conhecendo 82 . Os embargos de declaração consubstanciam-se no instrumento processual destinado à eliminação. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir.102. Oportunidade para regularização do instrumento. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. de contradição. Recurso provido. 3. para que o recorrente complemente o instrumento. acordam os Ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. 1. não verificados. 4. Para fins do artigo 543-C do CPC. Ofensa ao art. Necessidade. após o voto-vista do Sr. 2.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA RECURSO ESPECIAL N. entendendo o Julgador ausente peças necessárias para a compreensão da controvérsia. Inexistência. ACÓRDÃO Vistos. obscuridade ou omissão sobre tema cujo pronunciamento se impunha pelo Tribunal. do julgado embargado. Matéria afetada como representativa da controvérsia. Recurso provido. prosseguindo no julgamento. Afastamento.

Felix Fischer. Brasília (DF). para cada autor da ação. que fora improvido pelo e.2012 RELATÓRIO O Sr. Ministro Relator. Maria Thereza de Assis Moura. Gilson Dipp.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL do recurso especial e dando-lhe provimento. Maria Thereza de Assis Moura. Eliana Calmon. julgada procedente. Ministros Cesar Asfor Rocha. Castro Meira e Arnaldo Esteves Lima votaram com o Sr. a. Ministro Ari Pargendler.00 (cinquenta mil reais) a título de danos morais. 2 de maio de 2012 (data do julgamento). Felix Fischer. Nancy Andrighi. João Otávio de Noronha. Ausente. em acórdão assim ementado: RSTJ. Relator DJe 29. Ministro Teori Albino Zavascki. a Corte Especial. Ministro Relator. Contra essa decisão. acrescidos de juros e correção monetária.000. 24. conheceu do recurso especial e deu-lhe provimento. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. garantido o juízo. julgados improcedentes. Depreende-se dos autos que Fenísio Pires e outros moveram ação de indenização em desfavor do Banco Banerj S. que foram acolhidos pelo MM. Os Srs. nos termos do voto do Senhor Ministro Relator. Ministros Gilson Dipp. Laurita Vaz. (228): 17-95. Gilson Dipp. alíneas a e c. Prosseguindo-se na execução.8. foram opostos embargos. Francisco Falcão. Francisco Falcão. João Otávio de Noronha. Declararam-se habilitados a votar os Srs. outubro/dezembro 2012 83 . da Constituição Federal. Ministro Massami Uyeda: Cuida-se de recurso especial interposto por Fenísio Pires e outros. os então exequentes Fenísio Pires e outros apresentaram agravo de instrumento. por unanimidade. inciso III. Humberto Martins. Eliana Calmon. e a retificação de voto do Sr. Iniciada a execução.. justificadamente. fundamentado no artigo 105. Castro Meira e Arnando Esteves Lima.A. Nancy Andrighi e Arnaldo Esteves Lima. no mesmo sentido. o Sr. Presidente Ministro Massami Uyeda. Eliana Calmon. os votos dos Srs. Francisco Falcão. condenandose a instituição financeira ao pagamento de R$ 50. Nancy Andrighi. Laurita Vaz. Ministros Humberto Martins. Juiz. o contador judicial atualizou os cálculos.

(fl. Contra esses julgados Fenísio Pires e outros interpuseram recurso especial. pois. razão pela qual teve início o procedimento referente aos recursos repetitivos. que nega seguimento ao recurso. Decorrido o prazo para contrarrazões (fl. verificou-se o preenchimento dos seus requisitos de admissibilidade. 535. em que se alega violação dos artigos 165. o § único do art. Recurso improvido. § 2º. pois os aclaratórios tiveram nítido caráter prequestionador. com aplicação das multas previstas nos artigos 557. 84 . da Constituição Federal. Necessidade de anexação de outras peças.” (fl. inciso III. 525.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Agravo regimental em agravo de instrumento. fundamentado no artigo 105. Merece. pelo máximo legal. Sustentam os recorrentes. 88). e 557. do Código de Processo Civil e dissídio jurisprudencial. 538 do CPC. 161). se o Tribunal de Justiça. eles foram rejeitados. que. afetando-se o processo para a egrégia Corte Especial deste colendo Superior Tribunal de Justiça. alíneas a e c. 557 c. ao receber o agravo de instrumento do artigo 522 do Código de Processo Civil. deveria solicita-las ao cartório judicial ou intimar a parte para junta-las ao instrumento (fls. a controvérsia recursal é sobre a adequada extinção do recurso instrumental. Correta decisão. Decisão do relator. negativa de prestação jurisdicional e que a multa que lhes fora aplicada é indevida. Opostos embargos de declaração. no Juízo Prévio de Admissibilidade admitiu-se o apelo nobre (fls. por se tratar de controvérsia de competência de mais de uma Seção deste Tribunal (fl. in verbis: “2. 87). O voto condutor do acórdão recorrido assim consignou: “2.c. que veio despido de peças necessárias à compreensão da controvérsia. entender que faltam peças necessárias à compreensão da controvérsia. 8/2008 do Superior Tribunal de Justiça (fl. 538. nos termos da Resolução n. 162-164). Distribuído o feito para este Relator. inciso II. § 2º. tendo ele sido selecionado pelo egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro como paradigma de recursos especiais com fundamento em idêntica questão de direito. Aduzem. 97-99). Recurso deficientemente instruído. e 538 do Código de Processo Civil. em síntese. atualizado” (fls. 172). parágrafo único. ser penalizado com a sanção prevista no § 2º do art. 101112). ainda. que é de 10% do valor da causa. 458. 166). No caso concreto.

252). afetando-o a este Órgão Julgador. sendo critério do agravante reputar serem ou não úteis ao deslinde do pleito recursal. VOTO O Sr. pois além da presença de todas as peças obrigatórias. 85 RSTJ. Houve violação à lei federal. 165. Não pode o Tribunal negar seguimento ao agravo pela falta de outras peças que o Nobre Julgador reputa imprescindíveis. 246). 538. § único. Insuficiência de peças necessárias à compreensão da controvérsia. Negativa de seguimento. Este recurso foi encaminhado pelo egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro como representativo da controvérsia. sendo aquelas que o próprio agravante entenda que sejam úteis. e 557. todas foram juntadas pelo agravante. e dissídio jurisprudencial. nos termos da Resolução n. Veio o recurso à conclusão (fl. Recurso especial por violação aos arts. que. 24. 458. 535. opinou pelo provimento do recurso. João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho. § 2º. pois. devendo. o dispositivo supra citado é bastante claro ao dizer que a juntada de demais peças é facultativa. O art. Parecer pelo provimento do recurso especial. Precedentes. outubro/dezembro 2012 . pelo ilustre Subprocurador-Geral da República. só podendo ser aplicada tal medida caso haja falta de peças de caráter obrigatório elencadas por lei. 525. (228): 17-95. tendo em vista a negativa de seguimento do agravo de instrumento pela ausência de peças de cunho facultativo. 8/2008 do Superior Tribunal de Justiça (fl. o Tribunal providenciar. e no presente caso. admitiu-se o seu processamento. Dr. Manifestamente inadmissível. ou conceder esta oportunidade ao agravante para a juntada das mesmas. Já o inciso II dita as peças facultativas. 525. 175-242).Jurisprudência da CORTE ESPECIAL Realizadas as comunicações de praxe (fls. em parecer assim ementado: Processual Civil. Agravo de instrumento. II. Ministro Massami Uyeda (Relator): Eminentes Ministros componentes desta colenda Corte Especial. 2. 1. Juntada de peças obrigatórias. É o relatório. 3. os autos foram encaminhados para o Ministério Público Federal. 166) e. do CPC. considerando que ele preencheu todos os requisitos de admissibilidade e que a questão posta em julgamento é de competência de mais de uma Seção deste Superior Tribunal. (fl. a. inciso I do CPC dita as peças obrigatórias.

a finalidade de prequestionamento explícito dos dispositivos legais. de fato. não se pode olvidar que a Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça. Min. ao receber o agravo de instrumento do artigo 522 do Código de Processo Civil. de contradição.12. Quarta Turma. Outrossim.534-RS. pode indeferí-lo liminarmente ou deve abrir vista para o agravante complementar o instrumento. Superadas as alegações periféricas ao mérito recursal. 726. Rel. Min.12. cumpre consignar que. REsp n. no ano de 2004. mesmo para fins de prequestionamento. do julgado embargado. Terceira Turma. DJe 18. de forma clara e coerente. In casu. analisam-se as questões referentes à negativa de prestação jurisdicional e à multa aplicada em sede de embargos de declaração. necessariamente. Relatora Ministra Nancy Andrighi.946-SP. na espécie. porquanto a questão referente à formação do instrumento de agravo. foi apreciada. instada a se manifestar sobre a matéria. Sidnei Beneti. No que toca à multa aplicada pela oposição dos embargos de declaração.2009 e REsp n.042.2009). pois os embargos declaratórios não são a via adequada para forçar o Tribunal a se pronunciar sobre a questão sob a ótica que o embargante entende correta. Rel. Cinge-se a controvérsia em estabelecer se o Tribunal de Justiça. DJe 14. passa-se o exame da matéria afetada pelo procedimento dos recursos repetitivos. obscuridade ou omissão sobre tema cujo pronunciamento se impunha pelo Tribunal. Em primeiro lugar. 1.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Inicialmente. é imprescindível que existam os vícios elencados no art.12. Assim. conquanto rejeitados. que. nos termos da Súmula n. DJe 18. Os embargos de declaração consubstanciam-se no instrumento processual destinado à eliminação. os aclaratórios tinham. Terceira Turma. João Otávio de Noronha. melhor sorte socorre os recorrentes. Bem de ver. 535 do Código de Processo Civil. não se verifica a alegada violação do artigo 535 do Código de Processo Civil. em ofensa ao artigo 535 do Código de Processo Civil.408-DF. não se prestando para promover a reapreciação do julgado (ut REsp n. 86 . a afastar a incidência da multa aplicada. 900. 98-STJ.2009. verificando a ausência de documentos necessários à compreensão da controvérsia. resultado diferente do pretendido pela parte não implica. naquilo que pareceu relevante à Turma Julgadora a quo.

Confiram-se. DJ 9. 1.093.9.2007 (monocrática) e Ag n.2005. Rel.8.093.4. publicada em 25. Ministro Cesar Asfor Rocha: Ag n.2006. 859. Ag n.085. 713.8. Carlos Alberto Menezes Direito.2009 (monocrática). publicada em 7. ainda.10.2005 (monocrática). REsp n.2004). publicada em 10. 779.8. 114.8. Ag n. João Otávio de Noronha. 1. Ministro Francisco Falcão: REsp n. 1. Ministro Gilson Dipp: REsp n.789-RS. 1.12. Min.914-SC. Corte Especial.2. Corte Especial. Corte Especial. publicada em 8.3. RSTJ. Ag n.814. publicada em 9. publicada em 23.2. REsp n. Rel.2006 (monocrática) e Ag n. AgRg nos EREsp n. publicada em 10.735. 867.2006 (monocrática). Ag n. (228): 17-95.266.6.2006 (monocrática) e REsp n. 665.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL pacificou o entendimento de que “a ausência de peça essencial ou relevante para a compreensão da controvérsia afeta a compreensão do agravo. DJ 4.584.3.2007 (monocrática). REsp n. publicada em 10.678-SP. 742. Francisco Falcão.4.2008 (monocrática).2006 (monocrática) e REsp n.2007 (monocrática) e AgRg no Ag n.4. publicada em 25. 504. DJ 1º. 809.486-PR. outubro/dezembro 2012 87 .2007. publicada em 14. Corte Especial. EREsp n.2005 (monocrática). publicado em 17. EREsp n.2005 (monocrática). DJ 6. DJ 16.2008 (monocrática). 840.11.2007 (monocrática). seja nas instâncias ordinárias seja nesta Corte. DJe 22. os atuais Ministros desta egrégia Corte Especial já se posicionaram neste mesmo sentido: Ministro Félix Fischer: REsp n. 24. 980.106.930-SP.10.610. 471. DJ 17. Ainda. Min.857. publicado em 18.230. publicada em 13. publicado em 23. a. Quinta Turma.199. os seguintes precedentes desta colenda Corte Especial: EREsp n. publicada em 27.10. Fernando Gonçalves. Ministra Eliana Calmon: Ag n. 711. 929. EREsp n.2007 (monocrática). 780.4.2006. Min. Min. 904.4.654. publicada em 29.10. Relatora Ministra Eliana Calmon.2008.205. 1. impondo o seu não-conhecimento. Gilson Dipp. Min.023. DJ 4. publicada em 1º.155-RJ.2004.2010 (monocrática). Ag n.042.229-SP. publicado em 20. 905.2005). Segunda Turma. “não cabendo a conversão do processo em diligência. 449.11. Corte Especial.” (ut. Corte Especial.555.732.2010 (monocrática). 1.2011 (monocrática). 509.394-RS. REsp n.” (AgRg nos EREsp n.3.419.371. Rel.4. Rel.8.079.709.176. Rel.287. REsp n. 833.12.

9. publicada em 5.2006 e REsp n. Ministro João Otavio de Noronha: Ag n.2010 (monocrática). Ag n. Ag n. Ag n.597. 715. 88 .231.2009 (monocrática).5. publicada em 15.239.059.9. publicado em 7. publicada em 8.2006 e REsp n.255. 873. publicada em 12.11. 1. 022.2008 (monocrática). 694.12.2010 (monocrática).12.2009 (monocrática).190. REsp n. publicada em 8.889. Ag n.3. Ag n. Primeira Turma.2008 (monocrática). DJe 30. Ag n. 1. Ag n.2009 (monocrática).827.2005 (monocrática). 1. Ag n.574-SP.2010 (monocrática).233. Ag n. DJ 6. publicado em 27.9.2004 (monocrática).REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Ministra Nancy Andrighi: REsp n. Ag n.219. DJe 3.6.2008 (monocrática). publicada em 22.11.051.2007 (monocrática). 1. 1.084.030. Ministro Arnaldo Esteves Lima: Ag n. publicado em 4.431. Ministra Laurita Vaz: AREsp n.8.672. Terceira Turma.2008.478.2011.945.2011 (monocrática).7. 944.9. 900. AgRg no REsp n.003.2007 (monocrática).11.12.066. 834.2011 (monocrática).2007 (monocrática).075.12. 915.2010 (monocrática).4. publicada em 21.019.479. publicada em 26. 529.012. Ag n.2009 (monocrática). publicado em 14. 1.6.159. DJe 27.164-SP. 1.178. 1.472. publicada em 11.12.6. Ag n.2006 (monocrática) e REsp n.391.232.684.2006 (monocrática).165.574. 1. 909.597-MA.10.153. REsp n. publicada em 24.2007 (monocrática) e Ag n. Quarta Turma.9. publicada em 5. publicada em 18. publicada em 2. REsp n.783.2008 (monocrática). 019. publicada em 21.392.080.9.12. 1. Ag n. 800.2005 (monocrática). REsp n. publicada em 8. 1.155. publicada em 3.10. publicada em 4.8.725. Quinta Turma. Ag n.306.9. Ag n.755-SP.651.442. REsp n.6.11. publicada em 29.2005 (monocrática).2008 (monocrática).789. 917.8.2011 (monocrática).2010 (monocrática).10.2.509. publicada em 7. 1.999.8. 1. Segunda Turma.160. publicada em 31. 887.2009 e REsp n. publicada em 17.305. 1. Ag n. publicada em 1º. publicada em 14.2010 (monocrática). publicada em 5. 1.082. 1.660.9. REsp n. 974. publicada em 16. Ag n. publicada em 3.712-PR.6.2007 (monocrática).2011 (monocrática). Ministro Castro Meira: AgRg no AREsp n.8.2007 (monocrática) e Ag n.12. 552.10. 1.353.9.124.915.579.407. 854. 1. DJe 1º.2010 (monocrática). publicada em 7. publicada em 13. publicada em 27. REsp n.2006 (monocrática).351. 1.2006 (monocrática) e REsp n. Ministro Massami Uyeda: REsp n. Ag n. 1. publicada em 18.237.8. 797.084.9.356. publicada em 28. AgRg no Ag n.2008. Ministro Teori Albino Zavascki: AREsp n.2009 (monocrática). 714. 665.8. publicado em 9.

nos seguintes termos. a matéria já pacificada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. as especificaram. sem as quais o Órgão Julgador não teria elementos para a apreciação do recurso: as chamadas peças necessárias para a compreensão da controvérsia. também. publicado em 8.2010 (monocrática).022. 889.079. 13. Alguns doutrinadores tenderam a classifica-las como facultativas (Luiz Guilherme Marinoni. outubro/dezembro 2012 89 . AREsp n. REsp n. REsp n.obrigatoriamente. com cópias da decisão agravada. publicado em 4.6. 1. REsp n. com outras peças que o agravante entender úteis.518. este subscritor também acolheu a tese vencedora. II .2012 (monocrática).197. simplesmente.477.493. publicado em 23. Didier Jr. a experiência na atividade jurisdicional trouxe à tona a necessidade de o agravo ser instruído com outras peças processuais. 1. tendo os eminentes Ministros integrantes da colenda Corte Especial manifestado adesão à divergência.2010 (monocrática). publicado em 3. pelo procedimento dos recursos repetitivos. como necessárias. devendo o magistrado.8. publicado em 10. fora apresentado voto corroborando o entendimento sedimentado na Corte.147. 829. mas sem o compromisso do recorrente ter que juntá-las no momento da interposição do recurso.2007 (monocrática). Todavia. após voto-vista proferido pelo eminente Ministro Cesar Asfor Rocha e dos debates travados na sessão de julgamento.074. 1.6. Todavia. 525.12.facultativamente.2008 (monocrática) e Ag n. intimar a parte para complementar o instrumento (Fredie. por estar-se apreciando o feito sob o rito dos processos repetitivos. inclusive quanto à possibilidade de se discutir novamente. 048.11.351. O artigo 525 do CPC assim dispõe: Art. (228): 17-95. Daniel Mitidiero). na falta delas.2009 (monocrática). Ministra Maria Thereza de Assis Moura: REsp n. publicado em 31. Outros. Há. e Leonardo José Carneiro da Cunha). 1. a.612. da certidão da respectiva intimação e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado.12. 1.594.2008 (monocrática).9.2011 (monocrática). publicado em 5. Ag n. 027.2.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL Ministro Humberto Martins: AREsp n. Diante de todos esse precedentes.089. A petição de agravo de instrumento será instruída: I . autores que esposam a tese RSTJ.11. retificando o posicionamento anteriormente exposto. publicado em 5. 24.2009 (monocrática) e Ag n.574.158.

da seguinte tese: no agravo do artigo 522 do CPC. para afastar a multa aplicada nos embargos de declaração e determinar que o Tribunal de origem indique quais peças seriam necessárias para a compreensão da controvérsia. 90 . O princípio constitucional da inafastabilidade do controle jurisdicional. 543-C do CPC. deverá ser indicado quais são elas. pelo procedimento dos recursos repetitivos. entendendo o Julgador ausente peça necessária para a compreensão da controvérsia. entendendo o Julgador ausente peças necessárias para a compreensão da controvérsia. submetido ao rito do art. para que o recorrente complemente o instrumento. Uma interpretação lógico-sistemática do Código de Processo Civil e à luz dos princípios formadores do Direito Processual. revela que. É o voto. 543-C do CPC). além de garantir o acesso à Justiça. verifica-se que o acórdão recorrido diverge do entendimento agora adotado por esta Corte. Ministro Cesar Asfor Rocha: Trata-se de recurso especial da relatoria do eminente Ministro Massami Uyeda. entendendo o Julgador ausente peças necessárias para a compreensão da controvérsia. dá-se provimento ao recurso especial. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro afetado os autos como representativo da controvérsia (§ 1º do art. Destarte. no caso concreto. E. tendo o e. VOTO-VISTA O Sr. consolida-se a tese de que. em especial ao da instrumentalidade das formas. dever-se-á indica-las e intimar o recorrente para junta-las aos autos. Assim. para que o recorrente complemente o instrumento. na formação do agravo de instrumento do artigo 522 do CPC. implica também no direito de obter do Poder Judiciário a tutela jurisdicional adequada.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA segundo a qual a ausência de elementos indispensáveis para o julgamento do recurso ensejaria o seu não conhecimento (Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery) ou até o desprovimento da irresignação (Manoel Caetano Ferreira Filho). deverá ser indicado quais são elas. para fins do artigo 543-C do CPC. submete-se à apreciação deste Colegiado a consolidação. Aplicando-se esse enunciado ao caso concreto. abrindo-se prazo para o recorrente juntálas aos autos. no agravo do artigo 522 do CPC.

RSTJ. 165. que adoto independentemente do meu posicionamento pessoal. seja nas instâncias ordinárias seja nesta Corte”. 538. entendo oportuno manifestar entendimento que confronta os inúmeros julgados citados pelo eminente relator. com base no Enunciado n. pois tenho plena consciência da importância dos nossos julgados e da missão uniformizadora do STJ. Recurso Provido (fl. S. (228): 17-95.486-PR e n. neste momento em que o tema relativo ao art. que ora tomo a liberdade de externar aos meus pares. 98 da Súmula do STJ.678-SP. 114. por alegada ofensa aos arts. Necessidade de anexação de outras peças. 449. outubro/dezembro 2012 91 . A reflexão que venho fazendo acerca do assunto. no sentido de que “a ausência de peça essencial ou relevante para a compreensão da controvérsia afeta a compreensão do agravo. 458. 525. ouso divergir do eminente Ministro relator. ao aplicar a jurisprudência já firmada. Correta a decisão. amparando-se em farta jurisprudência deste Pretório. impondo o seu não-conhecimento” e de que é incabível “a conversão do processo em diligência. respectivamente. que nega seguimento ao recurso. 24. parágrafo único. como passo a expor. a. parágrafo único. devo consignar e ressaltar que tenho o maior respeito às decisões deste Órgão julgador e pelas teses aqui sufragadas. após exame detido dos autos.. remanesce em mim a sensação de injustiça e de vilipêndio à mens legis. agora em recurso repetitivo. impugnando acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro assim ementado: Agravo regimental em agravo de instrumento. II. I. § 2º. Pedi vista e. do CPC. O eminente relator votou pelo parcial provimento do recurso especial apenas para afastar. Exa. incisos I e II. I. 535. 87). do CPC é novamente trazido a este colegiado. Decisão do relator.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL O apelo nobre foi interposto com base nas alíneas a e c do permissivo constitucional. advém da análise de inúmeros casos concretos que aportaram no STJ. do CPC e dissídio jurisprudencial. 557. referendando as teses firmadas pela Corte Especial no julgamento dos EREsp n. 525. 525. a multa imposta aos embargos de declaração opostos na origem. e 538. considerou não violado o art. Contudo. Inicialmente. Recurso deficientemente instruído. nos quais.

36-37. “o inciso I especifica as peças obrigatórias. Verifica-se que o agravante não anexou aos autos outras peças processuais necessárias ao entendimento da controvérsia a que se refere este recurso. as peças obrigatórias e outras que entenderam úteis. mencionadas pelas peças obrigatórias e todas aquelas sem as quais não seja possível a correta apreciação da controvérsia. IV. É dever do agravante juntas as peças essenciais (tanto as obrigatórias como as necessárias) à compreensão da controvérsia. que podem ser juntas a critério do agravante. V. 92 . tais peças seriam as necessárias e adequadas a compreensão da controvérsia e não vieram aos autos. eis que deficientemente instruído. Assim. impugnados. as impugnações de fls. Os agravantes interpuseram agravo afirmando: Estão nos autos: os cálculos de fls. as explicações do Contador quanto ao critério utilizado de fls. VI. Trata-se de Agravo de Instrumento. Se não fizer. I. para tanto. por instrução deficiente. 38 e 42-44. maioria). 3ª conclusão. II. peças necessárias. 46. JTJ 182/211). para facilitar o provimento do agravo e a melhor apreciação das questões suscitadas. O agravo de instrumento deve ser instruído com as peças obrigatórias e também as necessárias ao exato conhecimento das questões discutidas. justificava-se o disposto na Súmula n. no instrumento. a saber. e ainda. 235 do TRF: “A falta de peças de traslado obrigatório será suprida com a conversão do agravo de instrumento em diligência” Agora essa responsabilidade é do agravante de sorte que deve considerar-se superada esta Súmula (fls. manifestamente inadmissível. ainda. Antigamente quando o traslado do agravo era organizado pelo cartório. a sua falta. 79-81). seu recurso corre o risco de não ser conhecido. Veja-se. o que torna então o recurso manifestamente inadmissível. Por outro lado. Juntaram. a decisão agravada e respectiva certidão (fls. Finalmente há também peças úteis ou facultativas (inciso II). O relator do feito no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro negou seguimento ao recurso. 16-17). Os ora recorrentes ingressaram na origem com agravo de instrumento impugnando decisão que acolhera os cálculos de atualização por eles. 47. o cálculo alternativo de fls. sob o seguinte e único fundamento: 1. A falta de qualquer delas autoriza o relator a negar seguimento ao agravo ou à Turma julgadora o não conhecimento dele” (IX ETAB. acarreta o não conhecimento do recurso. exequentes. que ora se alia à perplexidade diante da situação aqui consolidada. III. por instrução deficiente (RT 736/304. por deficiência de instrução. Mas existem.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA O processo em exame é exemplo claro desse sentimento.

Obtiveram a seguinte prestação jurisdicional: 1. pois. (228): 17-95. outras decisões dessa Câmara (fls. e aplica-se aos recorrentes a sanção acima mencionada (fl. à conta de tais argumentos. reconsideração da decisão de fls. decisão de fls. Assim sendo. 25). 22). Irresignados.CPC. se reexamine o que já foi decidido. que é de 10% do valor da causa. que veio despido de peças necessárias à compensação da controvérsia. a controvérsia recursal é sobre a adequada extinção do recurso instrumental. A preocupação foi retratada nos votos vencidos. 24. seja este regimental submetido à Egrégia Câmara para que.Dessa forma. pelo máximo legal. 2. opuseram embargos de declaração buscando ainda esclarecimento acerca da peça faltante. 88-89). a decisão do STJ a respeito da correção monetária (fls. 538 do CPC. as procurações de fls. No caso concreto. os ora embargantes. se assim não entender. 11-15). 26-35). nesta Corte Especial. “em se tratando de peças de apresentação facultativa. dado o grau de RSTJ. uma vez provido.486-PR. os EREsp n. 99). pois reflete exatamente o que se temia em 2004. 3. nega-se provimento ao recurso. 6 . o que já não mais é possível na instância ordinária. Merece. por via oblíqua.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL até por cautela. os agravantes requerem a V. Os aclaratórios foram rejeitados com aplicação de multa nos seguintes termos: 1. a situação descrita nestes autos não pode passar em branco. claro. Destaco o voto do eminente Ministro Barros Monteiro. 84). E assim o decidem por entender que a d. a. outubro/dezembro 2012 93 . com os quais me alinhei naquela oportunidade juntamente com os Ministros José Delgado e Fernando Gonçalves. o § único do art. o acórdão dessa Câmara que fixou a indenização (fl. 79-81. diante do integral cumprimento do art. insistem em que. 79-81. 557 c. 449. 3. ou. Daí o recurso especial em exame. Sob o fundamento de vícios inexistentes. Portanto. o qual consignou que. está correta. 525 . atualizado. seja apreciado o agravo de instrumento (fl. 2. De fato. quando julgamos. nega-se provimento ao recurso regimental (fls.c. ser penalizado com a sanção prevista no § 2º do art. e. Exa.

. Veja-se porque: o criador vê em uma rês a manifestação de vida e força. Também o voto do eminente Ministro Humberto Gomes de Barros que. de forma mais contundente. O juiz brasileiro. Já o açougueiro enxerga naquela rês a morte e os pedaços que renderá para seu açougue. da certidão da respectiva intimação e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado. trouxe as seguintes ponderações: (. Os magistrados brasileiros começam a sofrer de algo que eu chamaria de “síndrome do açougueiro”.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA subjetividade do julgador como restou salientado em vários votos nesta assentada.A petição de agravo de instrumento será instruída: I . Ministro Francisco Peçanha Martins. com outras peças que o agravante entender úteis. ou esse dispositivo não é completo.) tenho medo de tirania. liberalizou. Ministra Eliana Calmon justificou-se dizendo: o legislador ampliou. 525 do CPC deixa a consideração do que seria essencial ao exame do recurso ao arbítrio do magistrado. ou o obrigatoriamente está em número fechado.. com cópias da decisão agravada. tenho que impende ao Relator determinar à parte que complete o instrumento de agravo” [grifei]. O “obrigatoriamente” está expresso em numerus clausus. é a tirania do juiz. precisa dizer que aquelas não servem porque. entendo que é. Apanhando o mote. O excesso de trabalho e o cientificismo processual fazem o juiz examinar processo em busca de uma falha que justifique o não conhecimento. e tenho a impressão de que a pior das tiranias. Se o juiz pretende que haja outras peças. O temor de outrora transformou-se em triste realidade. não por maldade. Há muito tenho dito que o processo não pode servir de armadilha às partes. A interpretação extensiva do art. para não conhecer do recurso desrespeitamos a lei. mas por excesso de trabalho. Faz assim. hoje. copiarem os autos por completo. Nas palestras que faço. encontramos pretexto para não conhecer do recurso. A Sra. 525 . abriu. para evitar algumas dessas armadilhas. Contra a liberalização nós precisamos nos defender. e este assoberbado 94 .obrigatoriamente. alegra-se quando consegue não conhecer do recurso. 525 é claríssimo: Art. II . O art. sendo que. do Sr. Nos defendemos sucumbindo à “síndrome do açougueiro”. As normas processuais devem ser interpretadas em favor das partes.facultativamente. na verdade. aconselho os advogados transcreverem.

RSTJ. RETIFICAÇÃO DE VOTO O Sr. com tais considerações. acaba por atropelar o espírito da lei. a. A minha dificuldade era exatamente suplantar esses precedentes erigidos em Corte Especial. Diante disso. Ministro Cesar Asfor Rocha. 24. (228): 17-95.Jurisprudência da CORTE ESPECIAL e sobrecarregado. ponderando as observações e as ponderações do Sr. Ministro Massami Uyeda (Relator): Sr. outubro/dezembro 2012 95 . pessoalmente sempre comunguei desse entendimento de que não podemos ter essas barreiras defensivas. e talvez “distraído” em razão disso. Ministro Cesar Asfor Rocha. Presidente. dou provimento ao recurso especial para anular o acórdão recorrido e determinar que se oportunize aos recorrentes a juntada da peça considerada faltante. Vou refazer o meu voto para dar provimento ao recurso especial nos termos da colocação feita pelo Sr.

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Primeira Seção .

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não há. Portanto.000. 535.513-AL (2011/0025242-1) Relator: Ministro Castro Meira Embargante: União Procurador: Advocacia-Geral da União . II. Todavia. 1. Súmula n. Omissões inexistentes. Majoração da verba. os embargos de declaração lá opostos pelos ora embargantes. 7-STJ. 1. do CPC. A inversão dos ônus sucumbenciais é consectário lógico do provimento do recurso especial e da consequente improcedência dos embargos à execução. nesse tópico. Consequência lógica do provimento do recurso. Inversão dos ônus sucumbenciais. 7-STJ. na origem.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL N.00 (vinte . 535. 2. efetivamente. nem indicaram qualquer controvérsia acerca do que ficou decidido no acórdão que julgou os declaratórios na origem. Descabimento. Os recorrentes não interpuseram o recurso especial por ofensa ao art. Prequestionamento de dispositivos constitucionais. Art. do CPC.UFAL Procurador: Procuradoria-Geral Federal . omissão relevante passível de saneamento pela via estreita dos aclaratórios.PGF Embargado: Os mesmos EMENTA Processual Civil. I e II. razão por que se mostra desnecessária a inversão explícita no voto. desnecessária qualquer menção a esse julgado. já que honorários de 20. O requerimento de majoração da verba advocatícia esbarra no óbice da Súmula n. Honorários. Omissões inexistentes. 3. O acórdão embargado.235.AGU Embargante: Ângela Maria Marques de Gusmão e outros Advogados: Antônio Gameleira Cavalcante e outro(s) Marcello Lavenère Machado Embargante: Universidade Federal de Alagoas . Desnecessária menção ao aresto que julgou os embargos de declaração na origem. não se referiu ao aresto que apreciou.

18/1998) e da vedação ao enriquecimento sem causa. o que nele foi dito.86% com aumentos posteriores concedidos a categorias específicas. rejeitar os embargos de declaração de Ângela Maria Marques de Gusmão e Outros. nesse ponto. e não o que. Não se pode admitir comandos implícitos na sentença exequenda. por unanimidade. da CF/1988. 8.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA mil reais) podem ser considerados. evidentemente. da UFAL e da União rejeitados. 37. o que. de pequena monta.” Os Srs. se muito. pois o que se executa é o que consta do título. 5. X. não se admite nesta sede processual. se pretendeu dizer. ou definitiva. até porque a União e as autarquias federais não estavam impedidas de alegar a compensação que entendessem devida. o que pretendem as embargantes. nos termos do voto do Sr. 102 da CF/1988. mas nunca irrisórios para fins de flexibilização do impedimento sumular. da Universidade Federal de Alagoas-UFAL e da União. o prequestionamento de dispositivos constitucionais de modo a viabilizar a interposição futura de recurso extraordinário. 6. 7. é rediscutir o próprio mérito das conclusões a que chegou o aresto embargado. nos termos do art. Não cabe. Embargos de declaração de Ângela Maria Marques de Gusmão e Outros. do Supremo a respeito do assunto. A pretexto de omissão. em nada altera o panorama do que ficou decidido. para admitir a compensação do reajuste de 28. possivelmente. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. É fato que o título executivo judicial não limitou o percentual de 28. Ausência de omissão quanto aos princípios da isonomia (art. acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. A circunstância de a jurisprudência do Supremo ter evoluído. sob pena de usurpar-se competência reservada à Suprema Corte. independentemente de manifestação conclusiva. Ministro Relator. após a prolação da sentença exequenda. ACÓRDÃO Vistos. vale dizer. 4.86% nem autorizou qualquer modalidade de compensação. com redação anterior à EC n. no julgamento do recurso especial. Ministros Arnaldo Esteves 100 .

Violação da coisa julgada. 474 e 741. com o índice de 28. Benedito Gonçalves. (228): 97-146. Entretanto. Mauro Campbell Marques.627/1993 instituíram uma revisão geral de remuneração. 37. 8. 08/2008. por meio de embargos. Ministro Castro Meira: A Primeira Seção deu provimento ao recurso especial interposto por Ângela Maria Marques de Gusmão e Outros. Art. Em razão disso.86%. decidiu que este índice deveria ser estendido a todos os servidores públicos federais. 8. 543-C do CPC e Resolução STJ n. no patamar médio de 28. do CPC. Precedentes das duas Turmas do Supremo Tribunal Federal. da Constituição da República.86%. 543-C do CPC e da Resolução STJ n. Eliana Calmon e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. sujeito à sistemática do art. como ocorreu com os docentes do ensino superior. é devida a compensação do índice de 28. transitado em julgado o título judicial sem qualquer limitação ao pagamento integral do índice de 28. nos termos do art. Alegação por meio de embargos à execução.86%. Ministro Herman Benjamin. Índice de 28.622/1993 e 8. Leis n. Impedidos os Srs.11. Presidiu o julgamento o Sr. Arts.622/1993 e 8.86% com os reajustes concedidos por essas leis. 08/2008. 24 de outubro de 2012 (data do julgamento). Compensação com reajuste específico da categoria. VI. 3. Recurso especial representativo de controvérsia. Ministro Castro Meira. 2.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO Lima.86%. outubro/dezembro 2012 101 .627/1993. Ministro Relator. a compensação com tais reajustes. As Leis n. a Suprema Corte decidiu que esses aumentos deveriam ser compensados. Ministro Ari Pargendler. Título executivo que não prevê qualquer limitação ao índice. no âmbito de execução. razão pela qual o Supremo Tribunal Federal. Tratando-se de processo de conhecimento. Ministros Humberto Martins e Napoleão Nunes Maia Filho. Servidores da Universidade Federal de Alagoas-UFAL. tanto civis como militares. 1. a. Licenciado o Sr. nos termos da seguinte ementa que reproduzo: Processual Civil e Administrativo. Brasília (DF). inciso X. Docentes de ensino superior. Relator DJe 12. Algumas categorias de servidores públicos federais também foram contempladas com reajustes específicos nesses diplomas legais. RSTJ. com base no princípio da isonomia. não cabe à União e às autarquias federais alegar. sob pena de ofender-se a coisa julgada. 24.2012 RELATÓRIO O Sr.

Argumentam que não fez “referência à ementa do acórdão do C.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 4. No caso em exame. Não arguida.. Recurso especial provido. anteriores à sentença exequenda. 8.86% como o aumento específico da categoria do magistério superior originaram-se das mesmas Leis n. TRF 5 (e-STJ fl. Desse modo. do que resulta manifesta desproporcionalidade entre a condenação e 102 . Nos embargos à execução.00 (dois mil reais) a cada um dos dez Autores. tanto o reajuste geral de 28. conforme o caso. 6. a matéria de defesa. 782). 08/2008 (e-STJ fls. a compensação do índice de 28. 474 do CPC. por absoluta ausência de previsão no título judicial exequendo. estará a matéria protegida pela coisa julgada. como pagamento. 752-753).627/1993. Alegam que “o acórdão recorrido fixou honorários sucumbenciais em R$ 2. oportunamente.000. 8.86% com reajustes concedidos por leis posteriores à última oportunidade de alegação da objeção de defesa no processo cognitivo. o exaurimento da instância ordinária ou mesmo o trânsito em julgado. dos ônus sucumbenciais a recorrida ficaria condenada ao pagamento da mesma quantia. VI. os embargos só poderão versar sobre (. Portanto. Sustentam. 9. É o que preceitua o art. Contra o julgado foram opostos três embargos de declaração. reputando-se “deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento como à rejeição do pedido”. transação ou prescrição. Ângela Maria Marques de Gusmão e Outros apontam omissões no aresto. a compensação só pode ser alegada se não pôde ser objetada no processo de conhecimento.000.622/1993 e 8.622/1993 e 8. que “o acórdão omitiu-se quanto à inversão e à nova fixação dos ônus sucumbenciais. deve ser reformado o aresto recorrido por violação da coisa julgada. 7. 741. também. modificativa ou extintiva da obrigação.) qualquer causa impeditiva..86% com reajuste específico da categoria previsto nas Leis n. todavia. novação. Não ofende a coisa julgada. marco temporal que pode coincidir com a data da prolação da sentença. pura e simples. do CPC: “Na execução contra a Fazenda Pública. na medida em que tal é consectário lógico do provimento do Especial e da consequente improcedência dos embargos à execução” (e-STJ fl. 427). 8. compensação. Com a inversão. incide o disposto no art. portanto. o que totalizaria R$ 20. vedando-se a compensação do índice de 28. Acórdão submetido ao art.627/1993. Se a compensação baseia-se em fato que já era passível de ser invocado no processo cognitivo. desde que superveniente à sentença”. Nos primeiros aclaratórios. 543-C do CPC e à Resolução STJ n.00 (vinte mil reais). 5. o qual também foi objurgado nas razões do Especial”. a compensação poderia ter sido alegada pela autarquia recorrida no processo de conhecimento.

Sustentam.278. TRF 5 (e-STJ fl. Argumentam que não fez “referência à ementa do acórdão do C. A Universidade Federal de Alagoas-UFAL e a União apontam omissão no julgado. pela UFAL (e-STJ fls. especialmente. indicam omissão do aresto quanto aos princípios da isonomia (art. 427). para a qual “algumas categorias já haviam sido beneficiadas. que “o acórdão omitiu-se quanto à inversão e a nova fixação dos ônus sucumbenciais. da CF/1988.07”. 828-831) e por Ângela Maria Marques de Gusmão e Outros (e-STJ fls..505. sua decisão fundamenta-se na jurisprudência consolidada no âmbito da Excelsa Corte”. X. com redação anterior à EC n. outubro/dezembro 2012 103 . XXXVI. ao volume de trabalho prestado (. Requerem o prequestionamento do art. 24. VOTO O Sr. o qual também foi objurgado nas razões do Especial”. Na sequência. percentual que reputam “absolutamente desproporcional à natureza.6% da expressão econômica em litígio. representa apenas 0. também.) e. na medida em que tal é consectário lógico RSTJ. de modo específico.. os embargos de declaração opostos por Ângela Maria Marques de Gusmão e Outros. ao proveito econômico auferido pelos Recorrentes” (e-STJ fl. 821-826). 783). Os embargantes apontam omissões no aresto. Impugnações ofertadas pela União (e-STJ fls. “apesar de o título em execução não explicitar a questão da compensação. É o relatório. 18/1998) e da vedação ao enriquecimento sem causa. Assim. à importância da causa. Argumentam que. segundo entendem. 37. Sustentam que tal particularidade não pode ser desconsiderada. primeiramente. 792). no qual restou expressamente consignado a necessidade de realização da devida compensação” (e-STJ fl. (228): 97-146. Ministro Castro Meira (Relator): Examino. aduzem que “não se pode deixar de reconhecer que o título judicial deferiu o índice conforme entendimento consolidado no âmbito do STF e que tal entendimento somente restou totalmente integrado após a manifestação do Supremo nos primeiros embargos opostos pela União” (e-STJ fl. 813-818).627/1993”. o que. Salientam que “a coisa julgada restará violada caso não seja aplicado o entendimento pleno do Supremo Tribunal Federal na matéria.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO a expressão econômica dos embargos opostos à execução do montante de R$ 3. 793). com reajustes na própria Lei n. da CF/1988. 5º. 8. a.

se muito. percentual que reputam “absolutamente desproporcional à natureza. 535.000. 782). ao proveito econômico auferido pelos Recorrentes” (e-STJ fl. Ademais. portanto.00 (dois mil reais) a cada um dos dez Autores. Todavia. A segunda omissão levantada também não prospera.07”. contra o julgado que examinou o agravo regimental nos autos de embargos à execução de sentença em ação rescisória. o que totalizaria R$ 20. I e II. razão porque se mostra desnecessária qualquer menção ao acórdão acostado à fl. já que honorários de 20.00 (vinte mil reais) podem ser considerados. motivo por que não precisa ser explicitada no voto. os embargos de declaração lá opostos pelos ora embargantes. afirma-se a inversão dos ônus sucumbenciais. exclusivamente. do CPC. do que resulta manifesta desproporcionalidade entre a condenação e a expressão econômica dos embargos opostos à execução do montante de R$ 3. 783). 7-STJ. segundo entendem. Alegam que “o acórdão recorrido fixou honorários sucumbenciais em R$ 2. 782). na origem. nesse tópico.) e. omissão relevante passível de saneamento pela via estreita dos aclaratórios. medida judicial impugnativa 104 . O apelo voltou-se. Como dito pelos próprios embargantes. o que. Passo adiante. a inversão dos ônus sucumbenciais “é consectário lógico do provimento do Especial e da consequente improcedência dos embargos à execução” (e-STJ fl..6% da expressão econômica em litígio.278. Com a inversão. ao volume de trabalho prestado (. O acórdão embargado. o requerimento de majoração da verba advocatícia esbarra no óbice da Súmula n.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA do provimento do Especial e da consequente improcedência dos embargos à execução” (e-STJ fl. Os recorrentes não interpuseram o recurso especial por ofensa ao art.505. 427 dos autos (e-STJ). não se referiu ao aresto que apreciou.000. de pequena monta. mas nunca irrisórios para fins de flexibilização do impedimento sumular. dos ônus sucumbenciais a recorrida ficaria condenada ao pagamento da mesma quantia. pura e simples. não há.. representa apenas 0.000. De qualquer modo. nem indicaram qualquer controvérsia acerca do que ficou decidido no acórdão que julgou os declaratórios na origem. à importância da causa. os honorários estão sendo fixados em embargos à execução de sentença proferida em ação rescisória. efetivamente. e para evitar dúvidas na execução do julgado.00 (vinte mil reais). especialmente.

que só surgiu quando obtiveram provimento do apelo com inversão dos ônus sucumbenciais. 24. 5º.00 devidos. é o argumento de desproporcionalidade. A razoabilidade é via de mão dupla. a. pretendeu dizer. Requerem o prequestionamento do art. Sustentam que tal particularidade não pode ser desconsiderada. e não o que. os embargantes estariam sujeitos a pagar os mesmos honorários advocatícios. Assim.00 à UFAL. “apesar de o título em execução não explicitar a questão da compensação. o que nele foi dito.000.86% nem autorizou qualquer modalidade de compensação. Se não havia desproporção anteriormente. o que totaliza os mesmos R$ 20. de modo específico. (228): 97-146. O curioso é que os embargantes. Na sequência. Salientam que “a coisa julgada restará violada caso não seja aplicado o entendimento pleno do Supremo Tribunal Federal na matéria. Não convincente. devem ser rejeitados os aclaratórios opostos por Ângela Maria Marques de Gusmão e Outros. não há porque reconhecê-la agora. no qual restou expressamente consignado a necessidade de realização da devida compensação” (e-STJ fl. possivelmente. Não se pode admitir comandos implícitos na sentença exequenda. no caso. Argumentam que. É fato que o título executivo judicial não limitou o percentual de 28. enquanto devedores de honorários. XXXVI. também. Nada mudou. Vale mencionar que o labor advocatício. cujo ônus recai. nesse momento. RSTJ. sobre a Universidade.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO de cognição restritíssima. já foi contemplado na ação rescisória e na respectiva execução do julgado. 793). agora. Nesses termos. pois o que se executa é o que consta do título. vale dizer.627/1993”. outubro/dezembro 2012 105 . não obstante o esforço argumentativo das embargantes.000. apenas se inverteu o polo de condenação. sua decisão fundamenta-se na jurisprudência consolidada no âmbito da Excelsa Corte”. Cada um dos 10 autores havia sido condenado. para a qual “algumas categorias já haviam sido beneficiadas. não fora o provimento do recurso especial. com reajustes na própria Lei n. As embargantes apontam omissão no julgado. da CF/1988. a pagar R$ 2. o que afasta o argumento dos embargantes sobre “o volume do trabalho prestado”. pela autarquia federal. em segunda instância. examino conjuntamente os embargos opostos pela Universidade Federal de Alagoas-UFAL e pela União. 8. A alegada omissão não convence. não aduziram qualquer desproporção.

o que. Até porque a União e as autarquias federais não estavam impedidas de alegar a compensação que entendessem devida. o fato de a jurisprudência do Supremo ter evoluído. Não há omissão alguma quanto a esses princípios. 102 da CF/1988. ou definitiva. o prequestionamento de dispositivos constitucionais de modo a viabilizar a interposição futura de recurso extraordinário. após a prolação da sentença exequenda. Dessarte.218. em nada altera o panorama do que ficou decidido.202-MG (2011/0185236-1) (f) Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima Embargante: Gantus Nasser e outro Advogado: Luiz Carlos Balbino Gambogi e outro(s) Embargado: Ministério Público do Estado de Minas Gerais 106 . sob pena de usurpar-se competência reservada à Suprema Corte. Na sequência. neste ponto. registro que não é cabível. para admitir a compensação do reajuste de 28. Ao final. da CF/1988. não se admite nesta sede processual. independentemente de manifestação conclusiva. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL N. 1.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Ademais. 18/1998) e da vedação ao enriquecimento sem causa e requerem o prequestionamento dos dispositivos constitucionais correlatos. o que pretendem as embargantes. nos termos do art. no julgamento do recurso especial.86% com aumentos posteriores concedidos a categorias específicas. devem ser rejeitados os aclaratórios opostos pela UFAL e pela União. do Supremo a respeito do assunto. é rediscutir o próprio mérito das conclusões a que chegou o aresto embargado. X. 37. com redação anterior à EC n. as embargantes apontam omissão do aresto quanto aos princípios da isonomia (art. Ante o exposto. É como voto. por Universidade Federal de Alagoas-UFAL e por União. evidentemente. A pretexto de omissão. rejeitos os embargos de declaração opostos por Ângela Maria Marques de Gusmão e Outros.

Admitida a ação civil pública por ato de improbidade administrativa. Herman Benjamin. vencidos os Srs. Ministro Relator. Improbidade administrativa. por maioria. Embargos de divergência rejeitados. Prescrição quanto ao pedido condenatório. o posterior reconhecimento da prescrição da ação quanto ao pedido condenatório não impede o prosseguimento da demanda quanto ao pedido de reparação de danos. ocasionalmente. Ministros Humberto Martins. Min. 24. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho e Cesar Asfor Rocha.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO EMENTA Administrativo. Ação de improbidade administrativa.2012 RELATÓRIO O Sr. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. (228): 97-146. conhecer dos embargos. Rel. Possibilidade. Prosseguimento da ação quanto ao pedido de reparação de danos. acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. mas lhes negar provimento. Relator DJe 28. Ministro Arnaldo Esteves Lima: Trata-se de embargos de divergência em recurso especial interpostos por Gantus Nasser e outro. Sanções e indenização do erário. 1. assim ementado (fl. Cumulação de pedidos. Benedito Gonçalves e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. o Sr. Os Srs. a. outubro/dezembro 2012 . em que se insurgem contra acórdão da Segunda Turma. nos termos do voto do Sr. Embargos de divergência em recurso especial. Cesar Asfor Rocha. Mauro Campbell Marques. Prescrição em relação às 107 RSTJ. Ação civil pública. Ministro Francisco Falcão Brasília (DF).9. Ministro Arnaldo Esteves Lima. ACÓRDÃO Vistos. 494): Agravo regimental. 22 de agosto de 2012 (data do julgamento). Ministro Relator. Recurso especial. Embargos rejeitados. 2. Ausente.

não há omissão no acórdão recorrido que deva ser sanada. submetido ao rito do art.643-SP. e (b) reconhecida a prescrição em relação às sanções. 8. 522). Min. que não se confunde com as ações que visam o ressarcimento do erário” (fl.A ausência de notificação para apresentação de defesa prévia implica nulidade do processo tão somente se comprovado o efetivo prejuízo do réu. 108 . Prosseguimento da demanda quanto à reparação de danos. Denise Arruda. é manifesta a inadequação do prosseguimento da referida ação tão-somente com o objetivo de obter ressarcimento de danos ao erário. 1. . . I. No acórdão objeto da divergência. 525).846-AM. Os embargantes sustentam. é possível o prosseguimento da ação apenas quanto ao pedido de ressarcimento. Alegam que no acórdão paradigma foi consagrado o entendimento no sentido de que o pedido de ressarcimento possui natureza acessória. o qual deve ser pleiteado em ação autônoma. §§ 8º e 9º. no julgamento do REsp n.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA sanções. admite-se o prosseguimento da ação de improbidade quanto ao pedido de reparação de danos. 8.429/1992. Nulidade rejeitada. 17.) configurada a prescrição da ação civil de improbidade administrativa prevista na Lei n. Aduzem que a Primeira Seção. Prejuízo não verificado. da mencionada Lei) implica necessariamente.Decretada a prescrição apenas em relação às sanções. segundo o qual (fl. 801. da Lei n.163. . “de modo que o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva (ex vi do art. admite-se na ação de improbidade administrativa pedidos cumulativos de aplicação de sanções e de indenização do erário. que o acórdão embargado divergiu do entendimento adotado pela Primeira Turma no julgamento do REsp n.Na linha da jurisprudência desta Corte. .429/1992 “somente é aplicável à ação de improbidade típica. 521): (.. 23. Rel..Enfrentando o Tribunal de origem as questões jurídicas submetidas ao seu exame. a extinção da ação de improbidade” (fl. a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que. Ausência de notificação para a defesa prévia. em ação civil pública por ato de improbidade administrativa: (a) são cumuláveis os pedidos de aplicação de sanções e de ressarcimento ao erário. firmou a compreensão no sentido de que o procedimento estabelecido no art. Agravo regimental improvido. 543-C do CPC. em síntese.

VOTO O Sr. 566): (. em síntese. 801. no julgamento do REsp n.725-DF.) configurada a prescrição da ação civil de improbidade administrativa prevista na Lei n. O Ministério Público Federal apresentou contrarrazões (fls. em ação civil pública por ato de improbidade administrativa: (a) são cumuláveis os pedidos de aplicação de sanções e de ressarcimento ao erário. e (b) reconhecida a prescrição em relação às sanções. segundo o qual (fl. Rel. 109 RSTJ. 8.. Ministro Arnaldo Esteves Lima (Relator): Conforme relatado. aduz que a divergência foi superada. No mérito. É o relatório. é possível o prosseguimento da ação apenas quanto ao pedido de ressarcimento. De início. se assim foi entendido na via processual adequada. para o acórdão Min. preliminarmente. 521): (. com indicação do aresto paradigma. pois a Primeira Turma. 24.429/1992. Teori Albino Zavascki... Denise Arruda. Os embargantes sustentam. No mérito. é manifesta a inadequação do prosseguimento da referida ação tão-somente com o objetivo de obter ressarcimento de danos ao erário. 563-568).. a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que. no entanto.846-AM.) em homenagem ao princípio da instrumentalidade das formas.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO Os embargos foram admitidos na decisão de fls. a. rejeito a preliminar de não conhecimento dos embargos arguida pelo Ministério Público Federal. o qual deve ser pleiteado em ação autônoma. adotou o entendimento no sentido de que (fl. 559-560. (228): 97-146. que o acórdão embargado divergiu do entendimento adotado pela Primeira Turma no julgamento do REsp n. Rel. por falta de cotejo analítico entre os julgados tidos por divergentes. devendo ela prosseguir normalmente em primeiro grau. 928. a subsistência do pedido de ressarcimento. não importa na extinção da ação de improbidade. outubro/dezembro 2012 . que os embargos não merecem ser conhecidos. no acórdão objeto da divergência. os embargos não merecem ser acolhidos. Min. realizando o devido cotejo analítico entre os julgados tidos por divergentes. pois os embargantes demonstraram satisfatoriamente a divergência. Sustenta.

8. permitindo à parte autora promover as correções ou sanar as irregularidades eventualmente constatadas na petição inicial. Viabilidade de prosseguimento da demanda com essa finalidade. Para o puro e simples pedido isolado e autônomo de ressarcimento de danos.8. semelhantes às sanções penais (perda de cargo.124 e p. Ou seja: também em ação de improbidade deve-se aplicar o art. atingem mesmo assim a sua finalidade.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Conforme salientado pelo Ministério Público Federal. 8. e não propriamente a obter ressarcimento de danos. Princípio da instrumentalidade e do aproveitamento dos atos processuais. Teori Albino.. Para melhor compreensão da matéria. para o acórdão Min. Rel. SP: RT. necessariamente. embora praticados de forma diversa da enunciada.725-DF. Na inicial. Teori Albino Zavascki. 928. por força do qual não se anulam atos processuais que.429/1992 destina-se essencialmente a aplicar sanções de ordem pessoal aos agentes ímprobos. 3ª ed. podendo ser utilizado o rito comum da ação civil pública (ZAVASCKI. A ação de improbidade não deduziu apenas e unicamente o pedido de ressarcimento. 140).429/1992. o entendimento adotado no acórdão paradigma foi superado pela Primeira Turma no julgamento do REsp n. segundo o qual não se declara a nulidade desses atos quando for possível suprir o defeito ou corrigir a irregularidade. suspensão de direitos políticos). 17 da Lei n. DJe 5. Recurso especial provido. assim ementado: Processual Civil. tal pedido veio cumulado com o da aplicação das outras sanções típicas da 110 . p. Essa solução radical e inflexível não atende ao princípio da instrumentalidade das formas. defendi em sede doutrinária o entendimento de que a ação de improbidade administrativa prevista na Lei n. Processo Coletivo. Procedimento especial do art. 2008. Ação de improbidade. Declaração da prescrição das sanções pessoais. a extinção do processo sem julgamento de mérito. 284 do CPC. cumpre transcrever trecho do voto condutor do citado precedente: Conforme referiu o voto da Ministra relatora. Não é por outra razão que o procedimento adotado para a ação de improbidade foi moldado em formato semelhante ao da ação penal para os crimes praticados por funcionário público contra a Administração. isso não significa dizer que a utilização da ação de improbidade para deduzir pedido autônomo de ressarcimento de danos acarrete. interdição de direitos. Subsistência da pretensão de ressarcimento de danos. prevista nos artigos 513 a 518 do CPP. a fim de propiciar o andamento normal do processo.2009. há outra especial razão para dar provimento. Inobstante. No caso concreto. Também não atende ao princípio da preservação (ou do aproveitamento) dos atos do processo. não há necessidade de utilização desse especialíssimo procedimento.

226. Ação civil pública. próprio para a pretensão ressarcitória. Ato de improbidade. em obediência ao princípio da instrumentalidade das formas. todavia. Imprescritibilidade. as quais. para que outro tivesse início. Segunda Turma.2008. a situação dos autos é semelhante à do citado precedente. 202-216). prevista nos parágrafos 6º a 8º do art.11. nos próprios autos da ação de improbidade administrativa ainda que considerado prescrito o pedido relativo às demais sanções previstas na Lei de Improbidade. Com efeito.2001.2007.5. sequer emenda à inicial é necessária. Segunda Turma. a subsistência isolada do pedido de ressarcimento ocorreu por decisão judicial superveniente. da Lei n. (b) pagamento de multa civil. 17.429/1992. na inicial foram cumulados os pedidos de ressarcimento do dano e de imposição das sanções de: (a) suspensão dos direitos políticos. DJ 13. 17 da Lei n. mesmo assim. ultrapassando sua fase peculiar de “recebimento da inicial”. REsp n. nas circunstâncias do caso. justamente quando o procedimento.11. (228): 97-146. Prosseguimento da demanda quanto ao pleito ressarcitório.429/1992). não ultrapassaram a fase de recebimento da demanda. ainda que praticados antes da vigência da Constituição Federal de 1988. 2.811-MG. (grifo nosso) No caso. o processo fosse extinto. em razão das disposições encartadas na Lei n. 8. 839. II. retomava o “rito ordinário”. Assim. 23. a. Precedentes do STJ: REsp n. 8. pois foram consideradas prescritas. 24. outubro/dezembro 2012 111 . posto imprescritível. 1. Isso significa dizer que. REsp n. 7). Na verdade. Assim. 7. foi correta a eleição do rito processual inicialmente imprimido.650-MG. Apenas em sede de apelação é que foi reconhecida a imprescritibilidade da pretensão de ressarcimento e a prescrição das demais sanções previstas na Lei n.429/1992 (fls.524-SP. Sexta Turma. 151. O ressarcimento do dano ao erário. como estabelecido no caput desse art. não há motivos para que se julgue extinto o presente processo e outro tenha início para que seja efetuado o ressarcimento do dano.347/1985. O Ministério Público ostenta legitimidade ad causam para a propositura de ação civil pública objetivando o ressarcimento de danos ao erário.2003. decorrentes de atos de improbidade. A sentença julgou o pedido inteiramente procedente (fls. 293-307). DJe 27. 8. No mesmo sentido é o seguinte precedente: Processual Civil. deve ser tutelado quando veiculada referida pretensão na inicial da demanda. RSTJ. Ação prescrita quanto aos pedidos condenatórios (art.912-MG.2. a demanda já assumia o rito do processo comum. Seria injustificável exagero formal determinar que. pois na fase em que se encontrava quando remanesceu o pedido isolado de ressarcimento. REsp n. Segunda Turma. DJ 12.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO ação de improbidade. e (c) proibição de contratar com o Poder Público (fl. 886. DJ 12.

É o voto. condenado a ressarcir os danos causados ao erário.2009. na ocasião foi apreciado recurso especial interposto por réu em ação civil pública. Min.107. 1. DJ de 12. 1. em razão da imprescritibilidade da pretensão ressarcitória (art. Assim. Primeira Seção. REsp n. REsp n. sob pena de nulidade.9. 902.846-AM. O referido recurso especial foi improvido ao fundamento de que.5. posto imprescritível. 17. Ante o exposto. rejeito os embargos de divergência. 1.166SP.2009. o procedimento previsto art. 4. da Constituição Federal de 1988). Precedentes do STJ: AgRg no REsp n. exceto a reparação do dano ao erário.2009.492-RO.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 3. 1. Rel. Teori Albino Zavascki.2. uma vez autorizada a cumulação de pedidos condenatório e ressarcitório em sede de ação por improbidade administrativa.3. sendo. § 5º. Rel. em se tratando de ação com pedido exclusivamente de reparação de danos. Segunda Turma. 8. Segunda Turma. no qual sustentava ofensa ao art. por não lhe ter sido dada a oportunidade de notificação para defesa prévia. a rejeição de um dos pedidos. (REsp n.429/1992). § 7º.429/1992 somente é obrigatório para ações de improbidade administrativa que visem a aplicar aos responsáveis sanções político-civis de caráter pessoal”.429/1992. o condenatório. Consectariamente. REsp n. sugerida a edição de súmula nos seguintes termos: “O procedimento estabelecido no art.163.5. da Lei n.2009. 112 .833-SP. 543-C do CPC. Segunda Turma. Segunda Turma. não há similitude fática entre o presente caso e o citado precedente.2009. 801. I. 17 da Lei n. realizado nos termos do art. DJ de 18.643-SP. DJ de 4. in casu. 8. 17 da Lei n. DJe 18. 37.429/1992 se submetem ao prazo prescricional de 05 (cinco) anos. DJ de 27. DJe 30. Recurso especial do Ministério Público Federal provido para determinar o prosseguimento da ação civil pública por ato de improbidade no que se refere ao pleito de ressarcimento de danos ao erário. Luiz Fux. Primeira Turma. 23. seja nos demais parágrafos”. “não há razão para impor.2010) Cumpre esclarecer que o entendimento aqui adotado não está em desacordo com o decidido no julgamento do REsp n. Com efeito.038. Min.429/1992.2. A aplicação das sanções previstas no art.103SP.089. e REsp n.2010. porquanto considerada prescrita a demanda (art. DJ de 4. ao final.11. 12 e incisos da Lei n. não obsta o prosseguimento da demanda quanto ao pedido ressarcitório em razão de sua imprescritibilidade. 8. Primeira Turma.561-AM. 8. 5. 8. da Lei n. 1.067. seja no seu § 7º.

a defesa do acionado é amplíssima.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO VOTO O Sr. Sr. nem típico. que não decidiu se deve propor ou não. Poder-se-á propor. 2. Senhor Presidente. Imaginemos. por exemplo. outubro/dezembro 2012 113 . Ministro Arnaldo Esteves Lima. Se ele quiser propor apenas o ressarcimento pode? Evidente que pode. 24. A propósito. pelo procedimento civil comum ordinário do Código de Processo Civil. Ou. 4. (228): 97-146. com todas as liberdades de prova. um RSTJ. reporto-me aos inúmeros precedentes da Seção e de ambas as Turmas para acompanhar o voto do Ministro relator. e não pelo rito da ação de ressarcimento. Penso que as ações devem respeitar as suas tipicidades. A ação de ressarcimento tem objeto próprio. vou ficar nos estritos limites da nossa discussão. A sanção é só reparação do dano e nenhuma outra. então. Absolutamente. que é o Ministério Público. Não haverá isso. que não seja proposta a ação de improbidade. Não haverá. a. chegaremos. É claro que pode. na ação de ressarcimento. como há na ação de improbidade. Não tenho dúvida nenhuma que pode. por isso a alusão não me cabe. nem específico. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho: 1. A ação de ressarcimento cursará pelo procedimento civil comum ordinário. Ministro Teori Albino Zavascki: Sr. 5. por exemplo. A ação de ressarcimento não cursará pelo rito da Lei n. Presidente. o respeito intelectual e o bem querer que tenho pelo Senhor Ministro Herman Benjamin me impelem a dizer que essa observação de que se quer impedir o ressarcimento. todos os amplos ensejos de discussão e de debate. à propositura de uma ação judicial sem nenhum pré-requisito. por exemplo. É o voto. por três anos. nem genérico. sim. não afirmei isso e nem afirmaria e nem é o meu pensamento. 3. ou pela vida toda. neste caso.429/1992 e. em breve tempo. Por qualquer motivo. 8. não o absorvo como sendo dirigido a mim. No procedimento civil comum ordinário. da ação de improbidade. O rito da ação de improbidade é absolutamente típico e próprio e a ele se aplicam todas as garantias do processo penal. até mesmo pela prescrição ou por uma conveniência qualquer do autor da ação. VOTO VENCIDO O Sr. a perda de direitos políticos por cinco. submetendo-o ao prazo prescricional da ação de improbidade.

Sr. Tanto é assim que. Ele não terá sido afastado injustamente? Ele não foi sancionado de maneira ilícita? Foi de maneira abusiva? Foi.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA mandado de segurança para cobrar uma dívida. só que as ações. Presidente. acolho os embargos de divergência. mas sem nenhum intuito de estabelecer qualquer paradigma. Achamos que deve ser por exemplo. Senhor Presidente. Sr. Ministro Relator. Assumi as expressões “quanto ao ponto específico deste julgamento” ao que posto pelo Sr. Presidente. mas não por outra pessoa. 801. do Sr. 6. Fico somente com o argumento da celeridade e da economia processual.846 – consta inclusive menção desse julgamento no voto de S. VOTO VENCIDO O Sr. acompanho o voto do Sr. procedendo-se uma ação autônoma. e assim por diante. e o desrespeito a esses requisitos acarreta a improcedibilidade. até aqui. que deveria julgar. Ministro Arnaldo Esteves Lima. mas. Poder-se-á propor um habeas corpus para reintegrar uma pessoa em um cargo público. por unanimidade de votos. o tema merece um debate até mais amplo. Então. com todo o respeito reverencial ao voto do eminente Relator. o mandado de segurança. achamos que não é possível. comprometendo-me a revisitar esse tema em estudo. uma ação consignatória só pode ser proposta pelo credor contra o devedor. têm seus requisitos peculiares. principalmente as típicas. a Primeira Turma. até aqui.. 7. Uma ação de despejo tem requisitos especiais. Exa. Ministro Arnaldo Esteves Lima –. Presidente. Ministro Cesar Asfor Rocha: Sr. no Recurso Especial n. Quero chamar a atenção. por que não um habeas corpus? Qual a inconveniência de um habeas corpus para ele ser reintegrado? Mas. 114 . minha posição já foi anunciada quando dos debates. Ministro Mauro Campbell Marques: Sr. entendeu de forma exatamente diversa desta que poderia haver o prosseguimento da ação. VOTO O Sr. Decidiu a Turma. naquela oportunidade. Vou buscar um processo específico de minha relatoria para fazer uma análise mais aprofundada. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho.

Benefícios do art. Ministros Teori Albino Zavascki. Cerceamento do direito de defesa não caracterizado. (228): 97-146. Ministro Arnaldo Esteves Lima. Nulidade não verificada. Ministro Cesar Asfor Rocha. Ausente. por maioria. Revogação/anulação do ato administrativo e dos benefícios. RSTJ. denegar a segurança. acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça.199/2001. Enquadramento. o Sr.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO MANDADO DE SEGURANÇA N. 162. a. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques. Prorrogação. – Cerceamento do direito de defesa não caracterizado. justificadamente. Projeto aprovado. Ministros Relator e Napoleão Nunes Maia Filho.647-DF (2011/0238583-0) Relator: Ministro Benedito Gonçalves Relator para o acórdão: Ministro Cesar Asfor Rocha Impetrante: Marlloy S/A Indústria e Comércio Advogado: Rosan de Souza Amaral e outro(s) Impetrado: Ministro da Integração Nacional Interessado: União EMENTA Mandado de segurança. em dois recursos administrativos. nos termos do voto do Sr. Não participaram do julgamento os Srs. Votaram com o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha os Srs. art. que lavrará o acórdão. Presidiu o julgamento o Sr. tendo em vista que a impetrante teve oportunidade de discutir. 17. Mandado de segurança denegado. vencidos os Srs. o tema fático central relativo à responsabilidade pelo atraso nas liberações de recursos. Debêntures. 2. Ministro Humberto Martins. Ministros Francisco Falcão e Castro Meira (RISTJ. prosseguindo no julgamento. Finor. outubro/dezembro 2012 115 . relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. 24. 6º da MP n. ACÓRDÃO Vistos. § 2º).

a impetrante foi obrigada a requerer ao Ministério da Integração uma reavaliação e reestruturação do seu projeto. em última instância administrativa. que permitia a prorrogação dos prazos de carência.111. mediante a Resolução n.000.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Brasília (DF). Relator para o acórdão DJe 29. 10. com a possibilidade de emissão de debêntures em garantia da dívida contraída. 2.Finor. amortização e vencimentos das debêntures emitidas em favor do Fundo de Investimento. nos idos de 1988. por meio de decisão do Diretor do Departamento 116 . na forma do artigo 6º da Medida Provisória n.000. no Município de Rosário. seiscentos e trinta e um milhões. 10. aprovou o projeto da impetrante de implantação de unidade industrial.631.Sudene. indeferiu o pedido da impetrante de enquadramento nos benefícios da Medida Provisória n. bem como. A referida contribuição foi fixada no montante de Cr$ 5. Ministro Benedito Gonçalves: Trata-se de mandado de segurança. por meio da Resolução n.00 (cinco bilhões. quando não se puder imputar à empresa a responsabilidade por este fato. Tal pedido de enquadramento na referida MP foi inicialmente deferido pelo Ministério da Integração. Estado do Maranhão. em caso de atraso nas liberações dos incentivos.763. Em razão das dificuldades decorrentes dos atrasos na liberação dos recursos da Finor. em 1992. 30 de maio de 2012 (data do julgamento).00 (duzentos mil reais). que.2012 RELATÓRIO O Sr. no valor de R$ 200. consequentemente.6.394. impetrado por Marlloy S/A Indústria e Comércio contra ato praticado pelo Ministro de Estado da Integração Nacional. Ministro Cesar Asfor Rocha.199/2001. que permite a concessão do benefício de prorrogação dos prazos de carência. o considerou de interesse para o desenvolvimento do Nordeste e. a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste . trezentos e noventa e quatro cruzeiros). merecedor da colaboração financeira do Finor.199/2001. destinada à fabricação de ferroligas. As razões iniciais narram que. 2. amortização e vencimentos das debêntures subscritas com recursos do Fundo de Investimento do Nordeste . sendo que o início da implantação do projeto se deu com recursos próprios porque somente em 1994 a impetrante recebeu a primeira parcela do financiamento. com pedido liminar.

6º da MP n. e iii) não foram respeitadas as garantias do devido processo legal e do contraditório. ao final. a empresa foi comunicada que a decisão anterior havia sido anulada e que o seu pleito de enquadramento teria sido indeferido. LXV e LV. outubro/dezembro 2012 117 . (228): 97-146. após ter aplicado vultuosa quantia de recursos próprios na execução do projeto. do art. que aprovou o Parecer Interno/ DGFI n. o Sr. sendo certo que a decisão da autoridade impetrada viola ato jurídico perfeito e o direito adquirido da impetrante ao enquadramento nos benefícios da referida norma. parágrafo único.784/1999. previstas no âmbito do processo administrativo. que. 24.Finor é de ser imputada à empresa impetrante. no cancelamento do incentivo fiscal que lhe fora concedido nos idos de 1988. 64. A impetrante esclarece que o ato atacado importa. XXXV. a impetrante apresentou minuta de escritura particular de rerratificação da escritura de emissão de debêntures). da Lei n. a teor do que dispõe o art. No entanto.199/2001 e 5º. 9. 6º da MP em questão. a impetrante apresenta o presente mandamus. a. da Lei n.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO de Gestão dos Fundos de Investimentos. da Constituição Federal. 9. para garantir a correta execução e interpretação dos parágrafos §§ 1º e 2º. pondo a perder todos os investimentos feitos ao longo de mais de duas décadas. Com esse contexto. Ministro da Integração.784/1999. acolhendo parecer da Advocacia Geral da União pela manutenção da revogação do seu enquadramento na MP. 03/2008. negou provimento ao recurso administrativo. RSTJ. 2. ii) não contém fundamentação da qual se possa extrair a sua motivação específica para revogar anterior decisão da Departamento de Gestão dos Fundos de Investimentos DGFI. a impetrante recorreu à autoridade superior. do que decorre a reforma de ofício do ato administrativo. a reconsideração da decisão anterior. requerendo. contrariando as disposições dos artigos 2º. sem que fosse concedida à administrada a oportunidade de se manifestar previamente. XXXVI. na medida em que: i) não se admite a revogação de ato jurídico vinculado. o que leva a uma situação de insolvência. De tal decisão. resultando em reformatio in pejus. na medida em que tão somente afirma que a responsabilidade pelo atraso na liberação dos recursos oriundos do Fundo de Investimentos do Nordeste . pois para honrar tais compromissos depende da implantação do projeto. embasada no argumento de que o ato atacado é eivado de vícios. autoridade ora apontada como coatora. na prática. além de que a impetrante passa a ser passível de imediata execução das debêntures emitidas em garantia da dívida contraída com o financiamento do Finor. Desse desate.

manteve o ato que tornou sem efeito o anterior 118 . pela declaração de nulidade das decisões adotadas no processo administrativo sem a observância do devido processo legal.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Ao final. com observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Decisão administrativa devidamente fundamentada. Pela denegação da segurança. do contraditório e da ampla defesa. Ilegalidade. em síntese: i) impropriedade da via eleita. requer a anulação do ato administrativo que deu causa à presente impetração. 580614. caso assim não se entenda. 2. Ausência de prova pré-constituída a demonstrar a violação a direito líquido e certo. Inexistência de vício na decisão tida como coatora. aduzindo. Ausência de prova pré-constituída. nos termo da seguinte ementa: Processo Civil e Administrativo. Mandado de segurança. restabelecendo-se o ato revogado de forma indevida ou. Anulação do enquadramento da impetrante nos benefícios da MP n. VOTO VENCIDO Ementa: Processual Civil. Projeto incentivado pelo Fundo de Investimento do Nordeste. por ausência dos requisitos indispensáveis à concessão do mesmo. Ausência de notificação para manifestação prévia sobre a possibilidade de agravamento de sua situação. O Ministério Público Federal emitiu parecer desfavorável ao impetrante. 568-569. Pela denegação da segurança. que. por ausência de direito líquido e certo e necessidade de dilação probatória. que não admite dilação probatória. em última instância administrativa. O mandado de segurança é ação de rito célere. A autoridade apontada como coatora apresentou informações às fls. Mandado de segurança. Mandado de segurança contra ato praticado pelo Ministro de Estado da Integração Nacional. 1.199/2001. O pedido liminar manejado pela impetrante foi indeferido às fls. Construção de unidade industrial para fabricação de ferroligas. ii) houve respeito ao devido processo legal e ao contraditório. e iii) a decisão administrativa impugnada encontra-se devidamente fundamentada. É o relatório.

para anular o ato impugnado. não há como se desconsiderar que a impetrante teve um benefício concedido e posteriormente anulado. que exigem a instauração prévia de processo administrativo.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO enquadramento do projeto da impetrante nos benefícios da MP n. ou seja. Além das disposições contidas no art. portanto. amortização e vencimento das debêntures emitidas em garantia ao Finor.784/1999. evitando-se. 2. (228): 97-146. 9.199/2001. a surpresa com a decisão mais prejudicial. para os casos de anulação de atos que produzam efeitos na esfera de interesses individuais dos Administrados. sem que lhe tenha sido dada a oportunidade de se manifestar previamente em relação à ilegalidade detectada.199/2001. permitindo-lhe a prorrogação dos prazos de carência. 5º. amortização e vencimentos das debêntures subscritas pelo Fundo de Investimento do Nordeste . destinada à fabricação de ferroligas. outubro/dezembro 2012 119 . 4. cujos argumentos foram analisados e refutados pela Administração de forma bastante fundamentada. 64 desta última norma. a. O Sr. Embora tenha havido recurso de tal decisão. 3. posteriormente. LV. indeferiu o pleito de enquadramento no benefício previsto no art. 2.199/2001 e acabou por indeferir o pleito de renegociação dos prazos de carência. que permite à autoridade administrativa julgadora modificar uma decisão recorrida em desfavor de quem dela recorreu.Finor. o que não é concebido no nosso ordenamento jurídico. no Município de Rosário-MA. da Constituição Federal. restabelecendo-se o status quo ante. de se defender quanto à apontada falta do requisito legal para o deferimento do benefício pretendido. o art. RSTJ. 2. objetivando o restabelecimento da decisão administrativa que havia deferido o seu pedido de enquadramento do Projeto de implantação de unidade industrial. nos termos da MP n. expressamente assevera que esta medida somente se dá quando a Administração está diante de situação de ilegalidade e desde que o Administrado seja previamente instado a manifestar-se sobre a possibilidade de agravamento de sua situação. 6º da MP n. 2º da Lei n. garantindo-se a ampla defesa e o contraditório. Ministro Benedito Gonçalves (Relator): Como visto. Segurança concedida. 2. No caso dos autos. a impetração é voltada contra ato atribuído ao Ministro de Estado da Integração Nacional. 24. a impetrante não foi notificada a se manifestar previamente sobre a decisão que.

No que diz respeito à primeira irregularidade apontada pela impetrante. 366/10 .199/2001 exige como condição necessária para que a empresa tenha direito às benesses que elenca. que a beneficiária não atendida a todos os requisitos necessários a fazer jus aos benefícios do artigo 6º da MP n.199/2001. ao contrário do defendido.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA A impetração está basicamente calcada no argumento de que o ato atacado viola direito adquirido da impetrante ao enquadramento nos benefícios da referida norma. na qual a Administração. o art. amortização e vencimento das debêntures emitidas em garantia ao Finor (Despacho n. 120 . 39/10 . verificou que o ato não deveria subsistir. decidiu a Administração tornar sem efeito o ato anterior de enquadramento na referida MP. sendo o writt o meio adequado para tanto. que o projeto empresarial esteja em implantação e com registro de ocorrência de atraso nas liberações de recursos dos incentivos. consigna-se que. 6º da MP n. há interesse de agir por parte da impetrante. pois teria sido praticado com base em premissa fática falsa. 022/09 . ao analisar o pedido de reconsideração apresentado pela empresa e a documentação por ela juntada para acolhimento do pleito. que considerava a empresa apta ao referido enquadramento.fls. convém registrar. qual seja.199/2010 foi uma medida absolutamente legítima. 2. 2. a impetrante não objetiva o enquadramento do Projeto de implantação da sua unidade industrial nos benefícios da MP n. 6º da MP n. Assim. verificando em momento posterior. 238). por desrespeito a princípios que regem a atividade administrativa. 2. 217-223). a de que o atraso na liberação dos recursos teria se dado sem a contribuição da empresa beneficiária. 234). sem que lhe possa ser imputada a responsabilidade por essa ocorrência. em especial o Relatório de Fiscalização (Nota Técnica n.199/2001. Tudo isso porque.fls. mas tão somente o reconhecimento de que a decisão do Ministério da Integração Nacional. bem como indeferir o pleito de renegociação dos prazos de carência.fls. pois teria ela contribuído para o atraso na liberação dos recursos (Despacho n. após minuciosa análise da documentação constantes dos autos. Portanto. tenho que a revisão do ato que havia permitido o enquadramento da impetrante nas benesses previstas no art. em relação à preliminar suscitada pela autoridade coatora. relativo ao cronograma originalmente aprovado. é eivada de nulidade. que tornou sem efeito a primeira decisão proferida. 2. Primeiramente. além de não conter fundamentação e não respeitar as garantias do devido processo legal e do contraditório.

a. quando tais atos produzem efeitos na esfera de interesses individuais. viola o ato jurídico perfeito e o direito adquirido da impetrante ao enquadramento nos benefícios da referida norma. da Constituição Federal. anular ou revogar. Soma-se a isso o fato de que a Lei n. (228): 97-146. por tal motivo. em especial o Relatório de Fiscalização. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar.784/1999. especificamente no seu artigo 64. Não há dúvidas de que. 9. garantindo-se a ampla defesa e o contraditório. que expressamente assentou. LV. 2. 6º da MP n. mostra-se necessária a prévia instauração de processo administrativo.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO Assim. 64. Ocorre que. Parágrafo único. apontado como coator. 473-STF. não pode usufruir dos benefícios previstos no o art. com fundamento no seu poder de autotutela. consoante inteligência da Súmula n. que regula o processo administrativo no âmbito federal. a decisão recorrida. se a matéria for de sua competência. 5º. 9. que nada mais fez do que manter tal revogação. De igual forma. pode anular seus próprios atos. 473-STJ. na medida em que tal medida embasou-se em despacho proferido pelo Departamento de Gestão dos Fundos de Investimentos. RSTJ. não se vislumbra tenha havido falta de motivação específica para a revogação da decisão. 24. outubro/dezembro 2012 121 .784/1999. após análise da documentação constantes dos autos. em relação à alegação de obrigatoriedade de prévio contraditório para a prática do ato impugnado. 2º da Lei n. este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. modificar. Por fim. nos termos do art. que a responsabilidade pelo atraso na liberação dos recursos oriundos do Finor era de ser imputada à empresa impetrante. total ou parcialmente. assim dispõe: Art. tenho que a impetração merece prosperar. não há falar que o ato praticado pelo Ministro da Integração Nacional. a Administração. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente. desde que ilegais. porquanto é dever da Administração rever seus próprios atos.199/2001. nos termos da Súmula n. não há como se afastar da conclusão de que a decisão administrativa encontra-se devidamente fundamentada no fato de que a impetrante contribuiu para o atraso nas liberações de recursos dos incentivos e. para o retardamento da implantação do cronograma estabelecido para o projeto e. consequentemente. Portanto.

6º da MP n. Ante o exposto. É como voto. 2. 122 . Porém. para anular o ato atacado. do contraditório e da ampla defesa. consistente na liberalidade da autoridade julgadora modificar uma decisão recorrida em desfavor de quem dela recorreu. é de se concluir que o ato que tornou sem efeito o anterior enquadramento da impetrante na referida MP e acabou por indeferir o pleito de renegociação dos prazos de carência. Não tendo isso ocorrido. a surpresa com a decisão mais prejudicial. Sendo assim. constata-se que a impetrante não foi notificada a se manifestar previamente sobre a decisão que indeferiu o pleito de enquadramento no benefício previsto no art. o que não é admitido na via eleita.199/2001. cujos argumentos foram analisados e refutados pela Administração de forma bastante fundamentada. Embora tenha havido recurso de tal decisão. da documentação acostada. ressalta-se que não se está aqui reconhecendo que a impetrante tem direito ao benefício pleiteado. mas apenas determinando que a análise do pleito administrativo a esse respeito se dê com a observância do devido contraditório. portanto. de se defender quanto à apontada falta do requisito legal para o deferimento do benefício pretendido. restaurando-se o status quo ante. é de se declarar a nulidade das decisões adotadas no processo administrativo sem a observância do devido processo legal. evitando-se. Por fim. amortização e vencimento das debêntures emitidas em garantia ao Finor. ou seja. sem que lhe tenha sido dada a oportunidade de se manifestar previamente em relação à ilegalidade detectada. Entretanto. o que não é concebido no nosso ordenamento jurídico.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Tal dispositivo prevê expressamente a possibilidade da reformatio in pejus no âmbito administrativo. no caso dos autos. tal medida somente se dá quando a Administração está diante de situação de ilegalidade e desde que o Administrado seja previamente instado a manifestarse sobre a possibilidade de agravamento de sua situação. restaurando-se o status quo ante. deveria ser precedido de procedimento administrativo em que lhe fosse assegurado o direito ao contraditório e ampla defesa. não há como se desconsiderar que a impetrante teve um benefício concedido e posteriormente anulado. concedo a segurança. até mesmo porque tal providência demandaria dilação probatória.

000. 35257/85 a partir da fls. 1. Estado do Maranhão” – hoje Bacabeira. diante das dificuldades decorrentes dos atrasos nas liberações das aplicações de recursos do Finor (v. com pedido de acolhimento da correta interpretação do RSTJ. 1. 05: Processo Sudene n. cuja participação foi fixada em Cr$5. não existindo por parte da Sudene qualquer notificação à Impetrante a propósito de qualquer reponsabilidade sua por tais ocorrências. 10.FINOR foi efetivada pela Resolução Sudene n. 2. f.199/2001 (Doc..556). na forma do artigo 6º da Medida Provisória n.782-1. Narra a impetrante. trezentos e noventa e quatro mil cruzeiros).A.554-1. 199-217). com a aprovação da Resolução Sudene n.] No dia 9 de dezembro de 2008. Fls.Sudene (Parecer DAÍ/IND-I n. (228): 97-146. apontando como autoridade coatora o Ministro de Estado da Integração Nacional. 003/08. a preços de outubro de 1991 (Doc 03: Processo Sudene n. destinada à fabricação de ferroligas. 35257/85. Embora tenha dado início à implantação do projeto com recursos próprios. outubro/dezembro 2012 123 . para tanto. o enquadramento do seu projeto como merecedor da colaboração financeira do Finor. efetivamente. que: Nos idos de 1988.111 (Doc 02: Processo Sudene n. impetrado por Marlloy S.1994 (Doc 04: Nota Técnica n. 2. 35257/85. deferindo o pedido de enquadramento da Impetrante nos benefícios da Medida Provisória n. Indústria e Comércio. foi apresentada minuta da escritura particular de rerratificação da escritura de emissão debêntures. a Impetrante requereu a reavaliação e reestruturação do seu projeto.vide fls..784-1.00 (cinco bilhões seiscentos e trinta e um milhões. cuja declaração de interesse público para a finalidade de recebimento de financiamento do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste . 24.782 .394. 10.: a primeira ocorreu com mais de cinquenta e sete meses de atraso). 040/88) um projeto de “implantar sua unidade industrial. somente no ano de 1992. foi aprovado o Parecer Interno DGFI n.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO VOTO-VISTA O Sr.763 é que a Impetrante obteve.g.BND para a aplicação de recursos do FINOR. mas somente resultou na primeira autorização dada ao Banco do Nordeste . aos 18. Ministro Benedito Gonçalves. 1. 01/2007. no Município de Rosário. [. 35257/85. Já na fase de implantação do projeto. no valor de R$200.00 (duzentos mil reais). 535).10.785 do Volume I). Fls.783 do Volume I). Comunicada a decisão ao Banco do Nordeste e à Impetrante para dar cumprimento ao que foi decidido (Doc 06: vide fls. 1. a. 343-348).631. a Impetrante teve aprovado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste . f. Ministro Cesar Asfor Rocha: Mandado de segurança da relatoria do em.199/2001 (Doc 06: Íntegra do Processo Sudene n.000.

da Lei n.033 do Volume II).096. De tal decisão a Impetrante recorreu à autoridade superior. que visava exclusivamente definir o alcance das debêntures passíveis de prorrogação e dispensa de encargos.86-2. viola direito líquido e certo da Impetrante. Já definido enquadramento da Impetrante na Medida Provisória. mediante reformatio in pejus e sem a sua oitiva a propósito da adoção de tal medida no âmbito de recurso administrativo por ela interposto.199/2001. 2.199/2001 (Doc 06: vide fls. foi interposto recurso administrativo exclusivamente para garantir a sua correta execução. do Volume II). Diante do vínculo jurídico criado. que resultaram no avanço das obras de instalação da sua unidade industrial (Doc 06: vide fls.9621.199/2001 (Doc 06: vide fls. 34.980 do Volume II). ao ato jurídico perfeito.208-2. pelo qual havia sido deferido o enquadramento da Impetrante nos benefícios da Medida Provisória n.784/1988 (fls.221 do Volume III).923-1. nos termos dos §§ 1º e 2º da Medida Provisória n.096 do volume II). Alega violação do ato jurídico perfeito e do direito adquirido pela revogação de ato jurídico vinculado. a Impetrante voltou a nele aplicar recursos próprios em volume expressivo. com a garantia do direito à reavaliação e reestruturação do projeto.579/2010 (Doc 06: vide fls.228 do Volume III). na oportunidade de apreciação de recurso administrativo interposto pela ora Impetrante. 2. o Impetrado.930 do Volume I). 124 . o Diretor do Departamento de Gestão dos Fundos de Investimento proferiu o inusitado ‘Despacho de Saneamento Processual’” e declarou nulo o Despacho n. que. pelo despacho n. e indeferiu a renegociação dos prazos de carência. em última instância administrativa.225 do Volume III). 1.825-1. 1. 9. acolhendo parecer da Advocacia-Geral da União pela manutenção da revogação do seu enquadramento na Medida Provisória n. 06: vide fls. 2. 2. “de forma arbitrária e totalmente equivocada. ao devido processo legal e ao contraditório. 2. que resultou em decisão aprovando a Nota Técnica que confirmou a decisão anterior (Doc. do artigo 64. negou provimento ao seu recurso administrativo (Doc 06: vide fls.086-2. Esclarece que. amortização e vencimento das debêntures. Entretanto. ao direito adquirido. 2.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA disposto nos §§ 1º e 2º. 2. a autoridade administrativa declarou nula a decisão anterior e indeferiu o seu enquadramento nos benefícios da Medida Provisória n.199/2001 (Doc 06: vide fls. a Impetrante interpõe o presente mandamus para a garantia de direito líquido e certo. violados pela revogação de decisão administrativa que já tinha consolidado os seus efeitos. Esta é a decisão que.032-2.199/2001 (Doc 06: vide fls. do art. Intimada de tal decisão aos 10 de junho de 2011 (Doc 06: vide fls. 6º da Medida Provisória nº 2. 2. 2.838 do Volume I). 2-4). 2. com ofensa à garantia prevista no parágrafo único. de forma surpreendente e sem ouvir previamente a Impetrante. 1. 1.

15).783 do Processo Sudene n. 7). 9. nessa parte. Prestadas as informações pela autoridade coatora (fls. 5-6). havia registro de ocorrência de atrasos na liberação de recursos dos incentivos. nulidade da decisão impetrada por ausência de fundamentação. 580-719). opinou o Dr. Por outro lado. “o projeto Marlloy é uma modalidade de contrato administrativo em que a Administração e o particular pactuaram direitos e obrigações com finalidade específica: o financiamento da construção e instalação de uma usina de ligas no Maranhão” (fl. 1. da Constituição Federal. “a administração não tem o poder discricionário e livre para rever as deliberações anteriores de acordo com a sua conveniência administrativa contemporânea” (fl. assim: RSTJ. 24. 8). 28). 2.784/1999. Ressalta que “o deferimento do enquadramento da Impetrante nos benefícios da disposição legal acima citada decorreu do reconhecimento dos requisitos nela previstos: a empresa estava com projeto em fase de implantação. pede que “sejam declaradas nulas as decisões adotada no processo administrativo sem a observância do devido processo legal. Alega. e não se podia imputar responsabilidade à empresa pela ocorrência” (fl. incisos XXXV. parágrafo único. Alternativamente. outubro/dezembro 2012 125 . relativamente ao cronograma originariamente aprovado. haja vista que “expressa apenas uma conclusão afirmativa no sentido de que ‘à empresa pode se imputada a responsabilidade pelo atraso no recebimento de recursos do Finor’” (fl.782-1. 8). da Lei n. LXIX. do contraditório e da ampla defesa. sem motivação específica para revogar a decisão administrativa da anterior direção da “DGFI”.199-14/2001 e 5º. XXXVI.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO dele decorrentes” (fls. Joel Almeida Belo. Invoca. Tal ato foi confirmado pela autoridade coatora em última instância administrativa. cuidando-se de ato administrativo negocial vinculado. 35257/85” (fl. 10). Com isso. também. contrariedade aos artigos 2º e 64. Ocorre que a própria autoridade impetrada “assumiu ter ocorrido uma revogação do ato administrativo pelo qual fora deferido o enquadramento da Impetrante nos benefícios da Medida Provisória n. Procurador Regional da República (no exercício da função de Subprocurador-Geral da República). Postula a concessão da segurança “para determinar à Autoridade Impetrada que restabeleça a decisão administrativa de fls. 28).199/2001” (fl. (228): 97-146. 6º da Medida Provisória n. a. 2. determinando que antes da adoção de qualquer medida revogatória de ato administrativo seja concedido à administrada a oportunidade de prévia manifestação” (fl. LIV.

nos termos do art. a manifestação do Ministério Público Federal é. explicou que.199/2001 foi uma medida absolutamente legítima. Por último. Ministro Benedito Gonçalves. ao analisar o pedido de reconsideração apresentado pela empresa e a documentação por ela juntada para acolhimento do pleito. mostrar-se-ia necessária a prévia instauração de processo administrativo. em especial o Relatório de Fiscalização. uma vez que inexiste violação de qualquer direito da impetrante. e. quanto mais de direito líquido e certo amparável por esta via estreita escolhida (fls. que expressamente assentara. considerou que a revisão do ato que havia permitido o enquadramento da impetrante nas benesses previstas no art. quando os atos administrativos produzem efeitos na esfera de interesses individuais. evitando-se. qual seja. verificara que o ato não deveria subsistir. 9. 9. pela aplicação do disposto no art. concedeu o mandado de segurança para anular o ato atacado. Igualmente. pela denegação da segurança. 731-732). restaurando-se o status quo ante. pois teria sido praticado com base em premissa fática falsa. declarando a impetrante carecedora desta ação. O em. Em primeiro lugar. Acrescentou que o parágrafo único do art.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Diante do exposto. e considerando a ausência de provas suficientes à comprovação do direito líquido e certo dos impetrantes. extinguindo-se o processo sem julgamento do mérito. no caso concreto. caso assim não se entenda. incidindo.784/1999. 2. relator. com base no art. da constituição Federal e do art. preliminarmente. a impetrante não foi notificada para se manifestar previamente sobre a decisão que indeferira o 126 . no mérito. garantindo-se a ampla defesa e o contraditório. a de que o atraso na liberação dos recursos teria se dado sem a contribuição da empresa beneficiária. LV. 64 da Lei n. 6º da MP n. na qual a administração. relator que. 2º da Lei n. 267. a surpresa com a decisão mais prejudicial. após análise da documentação constante dos autos. do mesmo código.784/1999 admitiria a possibilidade de reformatio in pejus no âmbito da administração. 329 do Código de Processo Civil. 5º. ressaltou o em. que a responsabilidade pelo atraso na liberação dos recursos oriundos do Finor deveria ser imputada à empresa impetrante. o Enunciado n. 473 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. para conceder a segurança. entendeu que não se vislumbraria falta de motivação específica para a revogação da decisão anterior. inciso VI. porque tal medida teria se embasado em despacho proferido pelo Departamento de Gestão dos Fundos de Investimentos. ainda. portanto. Sobre esse último ponto. mas exigiria a prévia cientificação do administrado para se manifestar sobre a possibilidade de agravamento de sua situação.

II . Em requerimento administrativo de 16. por um período de 96 (noventa e seis) meses. cujos argumentos foram analisados e refutados pela administração de forma bastante fundamentada. a. prazo previsto para conclusão do projeto. em 6. 2.199-14. 24. Vou divergir do voto do em. não há como desconsiderar que a impetrante teve um benefício concedido e posteriormente anulado. por igual período. IV .7. 2. em atendimento ao disposto no § 1º do artigo 6º da MP n.199-14. proferido em 9.199/2001. a ora impetrante deduziu argumentos e pedidos a respeito da melhor e da mais correta forma de cumprir o Parecer Interno DGFI n. 6º da Medida Provisória n. “diferentemente da conclusão lançada na exposição de condicionantes. ainda. Afirmou. 6º da MP n. o qual poderá ser prorrogado pelo Ministério da Integração Nacional.2008. então. Inicio meu voto. Com efeito.2009. concluindo que. em atendimento ao disposto no § 1º do artigo 6º da citada Medida Provisória. em 19.199-14/2001. sem que lhe tenha sido dada a oportunidade de se manifestar previamente em relação à ilegalidade detectada. VI .2009 (Ref: RSTJ. 003/2008.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO pleito de enquadramento no benefício previsto no art. (228): 97-146.recomendar ao Bando do Nordeste o cumprimento do previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 6º da Medida Provisória n. 619). O parecer acima foi aprovado em “Despacho s/n. que. 2. propondo o acolhimento da pretensão da ora impetrante de enquadramento no art. de 24 de agosto de 2001. 619). exatamente por ser tema prejudicial aos demais.2008 (fl. III . os prazos de amortização e vencimentos das debêntures referidas na alínea anterior. como operador do Finor.12. 003/2008. denegando a segurança.”. V . Ministro relator na parte relativa à nulidade do processo administrativo. ouvido o Bando do Nordeste.prorrogar as debêntures com carência vincendas a partir de 24 de agosto de 2000. 2. embora tenha havido recurso de tal decisão. outubro/dezembro 2012 127 . assim recomendando à autoridade superior: I .1.prorrogar.estabelecer que a prorrogação de que trata os itens anteriores não se aplica às debêntures já convertidas.autorizar a empresa emissora a adotar as providências legais pertinentes. foi exarado o Parecer Interno DGFI n.11. cuidando da alegação de nulidade decorrente da impossibilidade de revogação do ato administrativo antes da prévia manifestação da impetrante.encaminhar ao Bando do Nordeste e à empresa emissora cópia do presente parecer (fl.

003/08.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 2009/0517-0008). Diante dos Despachos n. realmente houve atraso na liberação de recursos dos incentivos. requerendo a prorrogação integral das debêntures. Em requerimento administrativo de 12. 2.825 a 1. acarretando o não atendimento de qualquer benefício previsto nos instrumentos legais vigente sobre a matéria. 33. a ora impetrante interpôs o recurso administrativo de fls. Portanto. 114-127). 1. [. 404). então. em conformidade com a Lei n. 260-278. 75/95 (fl.199-14/2001. 366/2010. visto que. não há suporte jurídico para se manter excluída das prorrogações a totalidade das debêntures das séries A. ressaltou que “esta GRR fica impossibilitada de concluir que o atraso do cronograma aprovado para implantação do projeto. de 30. foi prolatado o Despacho n.2009. emitida pela Superintendência do Banco do Nordeste do Brasil. Dessa forma.11. detalhadamente. bem como. por consequência. os fatos e os documentos constantes dos autos administrativos.8. 366/2010. grifo nosso). ao examinar o requerimento administrativo de 12.2010. fica claro que a falta de recursos próprios e a inviabilidade na obtenção de recursos de terceiros motivaram o ritmo lento na implantação do projeto. 9. A Nota Técnica n. à empresa pode ser imputada a responsabilidade por essa ocorrência. 6º da MP n. 53 da Lei n. a beneficiária não poderia usufruir do art.4. antes manifestação jurídica” (fl. que aprovou o Parecer Interno DGFI n. 628).579/2010. nos quais se concluiu que a impetrante contribuíra para o atraso nas liberações de recursos dos incentivos e. protocolado na mesma data. 156).915).] 128 . à luz da legislação citada..2009. 635).784/1999.. conforme o Relatório de Fiscalização n.783. amortização e vencimento das debêntures da empresa em tela (fls. que indeferiu “o pedido de prorrogação dos prazos de carência. à folha 1. quando eivados de vícios que os tornam ilegais” (art. seja imputado exclusivamente a empresa. em 22. 9.8. uma vez que a “administração pública deve anular seus próprios atos. 1. constata-se a necessidade de anular o Despacho s/n. Conforme analisado. 22/2009. Contra o Despacho n. para o retardamento do cronograma estabelecido para o projeto. 39/2010 (fl. Foi exarado o Despacho n.2009 e. percebe-se que.10. C e D” (fl. a impetrante reiterou a tese relativa à prorrogação da totalidade das debêntures (fls. com as seguintes recomendações: 32. B. de 9. 632-633).2010. 630) e 328/2010 (fls.126/1995” (fl.

a. recomendo que se declare nulo o Despacho s/n. 37.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO 36. 2. 1. amortização e vencimento das debêntures emitidas em favor do Fundo de Investimentos do Nordeste . outubro/dezembro 2012 129 .2. ressaltando também que. com base na Portaria n. 668).912. tornando-se. 653). 984) e posteriormente reiterado pela empresa em 7 de novembro de 2008. 1.783. 003/08. de 5. (228): 97-146. protocolado em 27 de novembro de 2000 (fl. foi interposto o recurso administrativo de fls.783. 424). além de indeferir os pedidos administrativos de fls. 6º da MP n. foi proferido o longo e detalhado Despacho n. Com base no Despacho n. de 19. 2. Contra o Despacho n.199-14 de 24 de agosto de 2001 (fls. uma vez que à empresa pode ser imputada a responsabilidade pelo atraso na liberação de recursos do Finor (fls. na forma de pedido de enquadramento no benefício previsto no artigo 6º da Medida Provisória . No tocante ao último recurso administrativo. 003/08.644/2010. RSTJ. 114-127 e 148-158.2011. tornando sem efeito. ao apreciar o recurso administrativo anterior. mediante o único fundamento de que a impetrante também é responsável pelo atraso na liberação dos recursos do Finor. uma vez que lhe pode ser imputada a responsabilidade pelo atraso na liberação dos recursos do Finor (fl. 228/2011. 1.1.2007. 1. pela ora impetrante. 647-648).MP n. os possíveis efeitos que poderiam ser produzidos pelo Parecer aprovado pelo Despacho s/n. de 7.199-14. então. quanto ao seu “enquadramento no benefício previsto no artigo 6º da MP n. à folha 1. consequentemente. que aprovou o Parecer Interno DGFI n. à folha 1. o Despacho n. 2. não se enquadrando na norma do art. à fl. 003/08. Sem dúvida.199-14/2001”. relativos à melhor forma de aplicar o Parecer Interno DGFI n. anulou o próprio parecer. concluindo estar “comprovado que a benefíciária não atende a todos os requisitos necessários para fazer jus aos benefícios do art. Ante os fatos apresentados. e considerando a obrigação da Administração Pública em anular seus atos eivados de vícios que os tornem ilegais. que efetivamente decidiu assim: a) Declarar nulo o Despacho s/n. consequentemente. sem efeitos os atos dele decorrentes. que aprovou o Parecer Interno DGFI n.Finor.783 não chegaram a ocorrer.764 e 1.644/2010. 240-451. Recomendo ainda o indeferimento do pleito reiterado pela empresa em 7 de novembro de 2008. 1.2010. 6º da MP n.579/2010. 24.12. Destarte. relativa à prorrogação das debêntures. em 23. 1. 2. b) Indeferir o pleito de renegociação dos prazos de carência. os atos dele decorrentes. então. visto que à empresa pode ser imputada a responsabilidade pelo atraso no recebimento de recursos do Finor” (fl.2011.199/2001. foi proferido o Despacho n.12. a administração “reformou para pior sua decisão anterior” (fl.765).644/2010. 1.

5. 2. opinou pelo acolhimento do Despacho n. principalmente. modificar. na instância administrativa. 670-682). tendo-se detectado.199/2001. A administração deve anular seus próprios atos. por consequência. 9. ausente o requisito fático comum que as amparava. nos quais já se havia concluído que a impetrante contribuíra para o atraso nas liberações de recursos dos incentivos e. 1. a decisão recorrida. outra não poderia ser a solução do feito administrativo: indeferir o pedido de prorrogação da totalidade das debêntures e. Observo que nem mesmo cabe anular o processo administrativo com base no art. respeitados os direitos adquiridos. não há nenhuma nulidade ou cerceamento do direito de defesa. Cerceamento do direito de defesa. 228/2011 (fls. o tema fático central relativo à responsabilidade pelo atraso nas liberações de recursos. Efetivamente. 64. atacado no segundo processo administrativo. diante do que dispõe o art. total ou parcialmente.” que havia aprovado o Parecer Interno DGFI n. Em outras palavras. Ora.” é mera consequência do referido tema. 260-278). 64. não está caracterizado.644/2010. 9. 39/2010 (fl. O Despacho n. objeto do primeiro recurso administrativo (fls. portanto. e o Ministro de Estado da Integração Nacional negou provimento ao último recurso administrativo. Também o Despacho n. 632-633). em dois recursos administrativos. para o retardamento do cronograma estabelecido para o projeto. em aprofundada manifestação de 3. 630) e 328/2010 (fls. o qual servira de base.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Igualmente. a Advocacia-Geral da União. de fls. 53 da Lei n. da Lei n. não se enquadrando nos benefícios da norma do art. anular ou revogar. com o seguinte teor: Art. 366/2010. parágrafo único. a revogação/anulação do “Despacho s/n. 6º da MP n. quando eivados de vício de legalidade. indeferiu o pedido de prorrogação com base nos Despachos n. igualmente se encontra amparado no único fundamento de ter a impetrante contribuído para o atraso nas liberações dos recursos do Finor. que dispõe: Art. para o mencionado pedido de prorrogação. revogar/anular o “Despacho s/n. que a impetrante não se enquadrava nos benefícios da norma do art. 420-451.784/1999.199/2001. 130 . 6º da MP n. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar.784/1999. 2. uma decisão não sobrevive sem a outra. se a matéria for de sua competência. exatamente. e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade. 53.2011. Além de a impetrante ter podido discutir. 003/2008.

Se da aplicação do dispositivo neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente.199/2001 (Despachos n. também acompanhei atentamente os votos precedentes. VOTO O Sr. É que. não se enquadrando nos benefícios da norma do art. Verifiquei que a razão do desenquadramento da empresa em determinada faixa de benefícios de incentivos para o desenvolvimento regional se deu por atraso no cronograma de RSTJ. Senhor Presidente. já poderia e deveria a impetrante ter-se manifestado sobre o tema. Peço vênia ao Sr. quanto à possibilidade de a administração rever os seus atos quando ilegais e com relação à suficiente fundamentação das decisões administrativas.644/2010. (228): 97-146. Ou seja. Cerceamento do direito de defesa e do contraditório não está. denegando a ordem em mandado de segurança. antes mesmo da interposição do primeiro recurso administrativo e do próprio Despacho n. este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. 1. No mais. repito. acompanho o voto do em. Sob o aspecto formal de não participação no processo. conforme deixei claro acima. Ministro Relator para acompanhar a divergência. caracterizado. 39/2010 e 328/2010). 2. Ministro relator. Ante o exposto. Presidente. outubro/dezembro 2012 131 . 366/2010. a. a empresa participou desse processo que resultou no indeferimento final da sua postulação. VOTO VENCIDO O Sr. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho: 1. pelo que percebo agora no voto-vista. Ministro Teori Albino Zavascki: Sr. Acompanho a divergência. 6º da MP n. por consequência. repelindo as teses contidas no mandado de segurança.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO Parágrafo único. já havia a administração concluído que a impetrante contribuíra para o atraso nas liberações de recursos dos incentivos e. denego a segurança. 24. para o retardamento do cronograma estabelecido para o projeto. essa questão realmente não está demonstrada. antes do julgamento do primeiro recurso.

e eu. evidentemente. eletronicamente. a essas anormalidades indesejáveis no processo de desenvolvimento regional. sem indicar qual deva ser o seu resultado.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA execução física de obras ou no calendário de aportes financeiros. se deu causa ou não. a empresa participou do processo de revogação do benefício. RECURSO ESPECIAL N. vou acompanhar a divergência. todos os procedimentos administrativos que tiveram a participação da empresa do começo ao fim. é que a empresa só teve a oportunidade de recorrer. a participação efetiva no devido processo desde a sua instauração. concedendo a ordem em mandado de segurança por essas razões que aqui sumariei. Presidente. Tem que se apurar devidamente se a empresa foi ou não. causadora dos eventos que recomendaram ou que determinaram o seu reenquadramento em outra faixa de incentivo. somente na fase recursal. Ministro Mauro Campbell Marques: Sr. Peço vênia a douta divergência para votar com o Senhor Ministro Relator. ou seja. com absoluta vênia do Sr. por informação do voto do Senhor Ministro Relator e também pelo privilégio de ele sentar-se à minha direita. pelo menos na faixa que se encontrava. 420 a 451. denegando a ordem em mandado de segurança. aqui. Daí porque o meu voto é no sentido de assegurar ao grupo empreendedor. VOTO O Sr. ficarei com a divergência. Não sei se a empresa participou ou não. Com todas as vênias. 1. Ministro Relator. nos autos. O que eu sei. ouvi os votos bem escorreitos. isso está às fls. Vislumbro. 3. obviamente. ou seja. 260 a 288. à empresa. 2.205. tanto por parte do empreendedor. e em que medida.277-PB (2010/0146012-4) Relator: Ministro Teori Albino Zavascki Recorrente: Fazenda Nacional 132 . como por parte dos repasses do Finor. se tiver sido.

a. 1º do Decreto n. 20. Ministro Relator. Precedentes. Ministro Teori Albino Zavascki: Trata-se de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região que. Napoleão Nunes Maia Filho. Demanda. Brasília (DF). 1º do DecretoLei n. dar provimento ao recurso especial. 27 de junho de 2012 (data do julgamento). Ressalvou o seu ponto de vista o Sr. Os Srs. nos termos do art. É de cinco anos o prazo prescricional da ação promovida contra a União Federal por titulares de contas vinculadas ao PIS/Pasep visando à cobrança de diferenças de correção monetária incidente sobre o saldo das referidas contas. Humberto Martins. 20. 543-C do CPC e da Resolução STJ n. Relator DJe 1º. decide a Egrégia Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. Diferença de correção monetária. Ministros Arnaldo Esteves Lima. Recurso Especial a que se dá provimento.2012 RELATÓRIO O Sr. 08/2008. Ministro Teori Albino Zavascki.8.910/1932). 24. Ministro Francisco Falcão.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO Advogado: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Recorrido: Danielita Pinto de Morais e outros Advogado: Ivana Ludmilla Villar Maia EMENTA Processual Civil. Ministro Relator. Mauro Campbell Marques. Benedito Gonçalves e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr.910/1932. Fundo PIS/Pasep. por unanimidade. outubro/dezembro 2012 133 . Ausente. Acórdão sujeito ao regime do art. em RSTJ. Herman Benjamin. o Sr. (228): 97-146. Recurso especial. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. nos termos do voto do Sr. 2. Prazo prescricional quinquenal (art. 1. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. justificadamente.

543-C do CPC (fl. assim. 158). não pode ser conhecido.3. 217-221). é firme a jurisprudência do STJ no sentido de que. do CPC. a alegação de ofensa ao art. Não há nulidade por omissão no acórdão que decide de modo integral e com fundamentação suficiente a controvérsia posta. 156) e (c) “é devida a incidência dos expurgos inflacionários de 42. e (b) 1º do Decreto n. não foram sanados os vícios apontados. 2. portanto. por ser gestora do Programa. Recurso admitido na origem sob o regime do art.2005). pois. 186) e “dado o decurso de mais de cinco anos entre o período de aplicação dos índices de correção monetária pleiteados (89 e 90) e o ajuizamento da ação (28. Ouvido o Ministério Público. o que impõe o seu conhecimento. Em contra-razões (fls. Nada do que foi submetido à apreciação do Tribunal deixou de ser examinado e decidido. postulam a integral manutenção do julgado.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA demanda objetivando o pagamento de diferenças de correção monetária em saldo de conta do PIS/Pasep. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. os recorridos sustentam que não foram atendidos os requisitos legais para interposição do recurso. É o relatório. 180-188).910/1932. Ministro Teori Albino Zavascki (Relator): 1. Opostos embargos de declaração. Sobre a questão prescricional objeto do recurso.80% (IPC de abril/89) sobre as contas do PIS/ Pasep dos apelantes” (fl. está legitimada para figurar no pólo passivo. fudamentadamente. Foi o que ocorreu no caso. 535. Afasta-se. por simetria com o FGTS” (fl. 194-201). que. em se tratando de demanda promovida contra a 134 . 171-176). ao fundamento de que “prescrevem em cinco anos todas as ações contra a Fazenda Nacional” (fl. seu parecer foi pelo provimento do recurso (fls. 535 do CPC. 20. decidiu que (a) a União Federal. foram rejeitados (fls. VOTO O Sr. 203). No mérito.72% (IPC de jan/89) e 44. (b) “a prescrição da ação de cobrança das parcelas relativas ao Pasep é trintenária. resta configurada a prescrição da pretensão de pagamento dos valores tidos por expurgados” (fl. II. a recorrente aponta violação aos seguintes dispositivos: (a) art. 187). Nas razões do recurso especial (fls. mesmo com a oposição dos embargos de declaração. 3.

DJe 17.910/1932.11. Prazo prescricional qüinqüenal. 2ª T. 20. Assim.2008. 3. AgRg no Ag n.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO União por titulares de contas vinculadas ao PIS/Pasep visando à cobrança de diferenças de correção monetária. Natureza indenizatória. entre a data do último índice invocado na petição inicial e a do ajuizamento da ação transcorreram mais de 05 (cinco) anos. haja vista a inexistência de semelhança entre esse programa e o FGTS. DJe de 3. Agravo regimental não provido. Rel. Agravo regimental em agravo de instrumento. 20.910/1932. a correção monetária dos saldos das contas do PIS/Pasep. 1º do DL n.. Segunda Turma. porquanto transcorridos mais de cinco anos entre o termo inicial (data a partir da qual se deixou de ser feito o creditamento da última diferença pleiteada) e o ajuizamento da ação.369-SP. nos termos do artigo 1º do Decreto-Lei n. DJe 3. com o ajuizamento da ação. a. Humberto Martins. Precedentes. 24..11.2008. Herman Benjamin. PIS/Pasep.9.9. No caso concreto. Jurisprudência das Turmas de Direito Público. julgado em 6. 1º do Decreto n.5.9. 20.2007. Primeira Turma.549RS. Nesse sentido. Pasep. Correção monetária.910/1932. com a aplicação dos percentuais de 42.2010) Tributário. Art. DJ 15.861-SP. o prazo prescricional é qüinqüenal. O termo inicial do prazo prescricional é a data a partir do qual deixou de ser feito o creditamento da última diferença pleiteada (fevereiro de 1991). outubro/dezembro 2012 135 . 2. Prescrição quinquenal. consumando-se a prescrição. Data do último índice pleiteado. Ministra Denise Arruda. 3. 1. em 4. Relação não-tributária. 991. (AgRg no Ag n. 848. Min. A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica quanto à não-aplicação do prazo prescricional trintenário às hipóteses em que se busca. Min. 2. (228): 97-146.670-PB. Segunda Turma.2007. Agravo Regimental não provido. O prazo prescricional a se observar em ação de cobrança de expurgos inflacionários de contas individuais do PIS/Pasep é o prazo quinquenal. 748. No caso dos autos.2007. 848.2008) RSTJ. Rel. nos termos previstos no art. 20.3. Termo inicial. Ministro Teori Albino Zavascki. Agravo regimental no agravo de instrumento. DJ 26. Min. os seguintes precedentes: Tributário. DJe de 12. 20. Ministro Herman Benjamin. Rel.3. 976. o prazo de prescrição é o de cinco anos.861-SP. (AgRg no Ag n.72% e 44.910/1932. AgRg no REsp n. Rel. Benedito Gonçalves. Expurgos inflacionários. Primeira Turma.2005. 940. a pretensão dos substituídos concernente à correção dos valores depositados em suas contas. REsp n.910/1932.80% correspondentes aos meses de janeiro de 1989 e abril de 1990.216RS. nos termos do artigo 1º. 1ª T. Precedentes: REsp n. Aplicação do Decreto n. encontrase fulminada pela prescrição. 1. do Decreto n.

20. Tratando-se de demanda promovida por titulares de contas vinculadas ao PIS/Pasep em que se pleiteia a incidência dos expurgos inflacionários no saldo das referidas contas .034-PA. estabelecido no art. Relativamente ao Fundo PIS/Pasep cumpre distinguir duas espécies de relações jurídicas: uma. Denise Arruda. 1ª Turma. confirmada no acórdão recorrido. na oportunidade. mas de uma prestação cujo credor é o trabalhador. duas podem ser destacadas: uma. 745. 1ª T. DJ de 26. que afastou a preliminar de irregularidade na indicação do representante da União. essa segunda relação jurídica não tem natureza tributária. 1. que tem por objeto uma prestação de natureza tributária (contribuição social . Prazo prescricional quinquenal (Decreto n. da lavra do Juiz Federal Hildo Nicolau Peron.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA No mesmo sentido: EDcl no AgRg no REsp n. Humberto Martins. Min. até porque o credor é o trabalhador e o devedor é o Fundo. 991. nela não se discute a exigibilidade de prestação de natureza tributária..portanto.2006. e REsp n. 136 .498-SP.2008.11. 20. 3.2007. Fundo PIS/Pasep. Precedentes. e outra. 1ª T. 239). relativamente ao Fundo PIS/Pasep é possível identificar um plexo variado de relações jurídicas. que tem por objeto prestações de natureza não-tributária. 424. este assim ementado: Administrativo e Processual Civil.CF. pessoa física.2. 2ª T. para o que aqui interesse. 2. portanto.2005. a demanda aqui posta está fundada no cumprimento da prestação devida pelo fundo ao contribuinte.CF. Correta. Teori Albino Zavascki.867-SC. no particular. DJ de 30.5. Recurso especial a que se dá provimento.6. que tem por objeto uma prestação de natureza tributária (contribuição social .549-RS. DJ de 21. ou seja. art. (a) a que vincula o Fundo (como sujeito ativo) e as empresas contribuintes (como sujeitos passivos). relação jurídica de natureza não-tributária . e outra. Relação jurídica litigiosa sem natureza tributária. Invoquei.. Ora. em que essa essencial distinção foi apresentada nos seguintes termos: Com efeito. (b) a que vincula o PIS/Pasep (como sujeito passivo) e os trabalhadores titulares das contas individuais (como sujeitos ativos). voto-vista proferido no REsp n. das quais.. 1º do Decreto n.e figurando a União como ré. Min.910/1932. À toda evidência. art. REsp n. DJe de 28. a sentença de primeiro grau. 610. (b) a que vincula o PIS/Pasep (como sujeito passivo) e os trabalhadores titulares das contas individuais (como sujeitos ativos). Min.910/1932). 239). (a) a que vincula o Fundo (como sujeito ativo) e as empresas contribuintes (como sujeitos passivos). que tem por objeto prestações de natureza não-tributária. Recurso especial. Demanda proposta pelos titulares das contas individuais. Diferença de correção monetária. o prazo prescricional a ser observado é o de cinco anos.

entidades e orgãos públicos . a. Conforme salientou a sentença.de natureza indenizatória.. aqui não está em questão a relação tributária que envolve as empresas (devedoras da contribuição) e o Fundo PIS/Pasep (seu credor). (. verifica-se que. estadual ou municipal.em que se pede o pagamento de diferenças de prestação creditada a menor. juntados com a inicial). no caso dos autos. o que se tem é uma demanda promovida por titular da conta individual do PIS/ Pasep.) Então. Coerente com essa mesma linha de entendimento. aliás. Agravo regimental.1996. Quanto ao termo inicial desse prazo. 211-STJ. Realmente. 20. por não estar em discussão um crédito tributário mas a simples correção de uma conta particular do Pasep é de ter-se que a competência para a defesa da União recai sobre os advogados da União. invocar o prazo prescricional das obrigações decorrentes dessa relação. o titular da conta era devidamente informado do valor da sua conta em cada oportunidade que se realizava o crédito (os extratos respectivos foram. bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal. Tratando-se de ação de cobrança dos expurgos inflacionários proposta por servidores públicos. o prazo prescricional rege-se pelo Decreto n. cujo artigo 1º estabelece: “as dívidas passivas da União. de natureza não-tributária. a data em que ocorreu o alegado creditamento em valor menor que o pretendido.e a de natureza não-tributária. tratando-se de demanda promovida contra a União. aplica-se o princípio da actio nata: é marcado pela data a partir da qual o demandante poderia ter intentado a demanda. já que a presente ação foi proposta em 15. segundo salientado na inicial .. os seguintes precedentes: Processual Civil. 4.empresas . À luz destes parâmetros. porquanto os RSTJ. Dissídio pretoriano. é de se restabelecer a sentença de primeiro grau no que se refere ao prazo prescricional.beneficiários. contra ao União . que vincula o sujeito ativo . os quais têm a representação judicial residual” (fl.) 3. encontram-se prescritas as parcelas pleiteadas no que se refere às diferenças correspondentes aos meses de junho de 1987 a abril de 1990. Cotejo analítico. outubro/dezembro 2012 137 .2.ao sujeito passivo . (228): 97-146. Ora..919/1932. prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram”. Não tem pertinência. seja qual for a sua natureza. (. dos Estados e dos Municípios. No caso. que vincula o sujeito ativo . portanto. O Pasep é uma contribuição social em que se pode identificar dois tipos de relação jurídica: a de natureza tributária. Aqui.ao sujeito passivo . 24. Súmula n. 76-84)..entes. Ausência de prequestionamento.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO acentuando: “a Carta Magna restringiu o âmbito de atuação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional às questões envolvendo a ‘execução da dívida ativa de natureza tributária. portanto. Nessa linha de consideração.empresas .

078-SP. Castro Meira.2005. DJ de 30. Aplicação do Decreto n. devidamente publicado: 138 . pessoas físicas. No caso concreto.decenal ou qüinqüenal . 580-MG.7.2006) 4. razão pela qual. Em casos como o dos autos.6.9. Estados. A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica quanto à nãoaplicabilidade do prazo prescricional trintenário para as hipóteses em que se busca. Min. que pretende a aplicação de expurgos inflacionários. Min.2006) Recurso especial. o prazo prescricional é qüinqüenal. 20. 376.919/1932. Assim.ou. AgRg no RE n. 1ª Turma. 4.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA credores são os servidores públicos. haja vista a inexistência de semelhança entre esse programa e o FGTS.082-PR. a correção monetária dos saldos das contas do PIS/Pasep. Conforme orientação firmada no Supremo Tribunal Federal. 745. Pasep. Tributário. 5. ainda. Agravo regimental improvido.665-RS. o prazo prescricional a ser observado é qüinqüenal. ACO n. Diante do exposto. tornando-se obrigatório seu recolhimento pela União. Prazo prescricional qüinqüenal. a contribuição ao Pasep passou a ter natureza tributária com o advento da Constituição Federal de 1988. não se há de confundir a relação jurídica descrita com aquela existente entre o titular de conta individual do Pasep. pois. Distrito Federal e Municípios (AgRg no RE n. dou provimento ao recurso especial para restabelecer a sentença de primeiro grau. Relação não-tributária.Código Tributário Nacional ou o Decreto n. nos termos do artigo 1º do Decreto n. Considerando tratar-se de recurso submetido ao regime do art. (REsp n. 1. 20.910/1932. Recurso desprovido. está configurada a prescrição. 378. Entretanto. e a União. 543-C. 784. 2. instituidora do programa. nesse caso. 5. haja vista a inexistência de norma específica tratando da matéria.498-SP. 20. Denise Arruda. a ação foi proposta em 26. ACO n. determina-se o envio do inteiro teor do presente acórdão. Recurso especial desprovido.910/1932. 2ª Turma.910/1932. 20. AgRg na Pet n. (AgRg no Ag n. dentre outros assuntos. DJ de 29. 471-PR). inexistindo a figura dos sujeitos ativo e passivo de uma obrigação tributária. a relação jurídica tem natureza indenizatória. Verificada divergência quanto ao prazo prescricional aplicável a hipóteses como a dos autos . não há dúvidas de que a relação existente entre tais entes e o Fundo PIS/Pasep (seu credor) é de natureza tributária. com o ajuizamento da ação. Correção monetária. 5. acerca da legislação de regência . tal como previsto no art. 2. e a devedora é a União. na linha do entendimento sustentado. 1º do Decreto n. 3. portanto. sendo regida pelo Código Tributário Nacional quanto ao prazo decadencial ou prescricional.144PR.

O art. para os fins previstos no art. Recurso submetido ao regime previsto no artigo 543-C do CPC. (228): 97-146. a. da Lei n. 46. 543-C do CPC.112/1990 deve ser interpretado com alguns temperamentos. (c) à Comissão de Jurisprudência. mormente em decorrência de princípios gerais do direito. Impossibilidade de restituição. quando pagos indevidamente pela Administração Pública.112/1990 valores recebidos indevidamente por interpretação errônea de lei.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO (a) aos Tribunais Regionais Federais (art. Art. Boa-fé do administrado. (b) à Presidência do STJ. para cumprimento do § 7º do art. 8. RECURSO ESPECIAL N. Recurso especial. 46. caput. como a boa-fé. 24. com proposta de aprovação de súmula nos seguintes termos: “É de cinco anos o prazo prescricional da ação promovida contra a União Federal por titulares de contas vinculadas ao PIS/Pasep visando à cobrança de diferenças de correção monetária incidente sobre o saldo das referidas contas”. 1. II da Resolução STJ n. 6º da Resolução STJ n. 8.244. A discussão dos autos visa definir a possibilidade de devolução ao erário dos valores recebidos de boa-fé pelo servidor público. outubro/dezembro 2012 139 . Servidor público. 08/2008. 08/2008).182-PB (2011/0059104-1) Relator: Ministro Benedito Gonçalves Recorrente: Universidade Federal da Paraíba Procurador: João Abrantes Queiroz e outro(s) Recorrido: Marcos Jacome de Almeida Advogado: Fenelon Medeiros Filho EMENTA Administrativo. caput. em função de interpretação equivocada de lei. 1. da Lei n. RSTJ. 5º. 2. É o voto.

Recurso especial não provido. Ministro Ari Pargendler. 5. como preceitua o artigo 46 da Lei n. Ministro Benedito Gonçalves. Ministro Relator. impedindo. Relator DJe 19. Servidor público. II. Incabimento de devolução de valores recebidos de boa-fé. se estes forem obtidos de boa-fé e pagos indevidamente por erro exclusivo da Administração Pública. por unanimidade. 140 . A Sra. Ministro Relator. cria-se uma falsa expectativa de que os valores recebidos são legais e definitivos. de valores recebidos por servidor público. submetido a regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução n. no pagamento de proventos. Ministra Eliana Calmon e os Srs. que ocorra desconto dos mesmos. 87): Administrativo. I. Napoleão Nunes Maia Filho e Mauro Campbell Marques votaram com o Sr. por erro exclusivo da administração pública. Ministros Teori Albino Zavascki. quando a Administração Pública interpreta erroneamente uma lei. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. por ser representativo de controvérsia. 8. ante a boa-fé do servidor público. Não cabe devolução ao Erário. Licenciado o Sr. 10 de outubro de 2012 (data do julgamento).2012 RELATÓRIO O Sr. 8-STJ.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 3. 4. assim ementado (fl.10. Brasília (DF). Herman Benjamin. acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. nos termos do voto do Sr. Arnaldo Esteves Lima. Recurso afetado à Seção. Ministro Benedito Gonçalves: Trata-se de recurso especial interposto pela Universidade Federal da Paraíba. assim. Remessa oficial e apelação improvidas. com fundamento na alínea a do permissivo constitucional. resultando em pagamento indevido ao servidor. Humberto Martins.112/1990. Com base nisso. ACÓRDÃO Vistos. negar provimento ao recurso especial. contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

no valor de R$ 59. da Lei n. 8. foi comunicação ao ora recorrido a exclusão da mencionada vantagem de sua folha de pagamento. bem como que os valores pagos indevidamente deveriam ser repostos ao erário. 24. de mandado de segurança impetrado contra ato do Superintendente de Recursos Humanos da Universidade Federal da Paraíba. de 4. 121). 135-139. aposentado ou pensionista. na origem. com redação dada pela MP n.112/1990 prevê a possibilidade de reposição ao erário de pagamento feito indevidamente ao servidor público. 8/2008 (fl. quando pagos indevidamente pela Administração Pública. o servidor deve repor ao erário os valores recebidos de forma indevida. Sem contrarrazões (Certidão à fl. Ministro Benedito Gonçalves (Relator): A discussão dos autos visa definir a possibilidade de devolução ao erário dos valores recebidos de boafé pelo servidor público. 117). o Ministério Público Federal. Com efeito.9. por meio de Parecer da lavra do ilustre Subprocurador-Geral da República. 46 da Lei n.112/1990.87 (cinquenta e nove reais e oitenta e sete centavos). Wallace de Oliveira Bastos. ao argumento de que independentemente de ter ocorrido ou não boa-fé. bem como a afetação da demanda à Primeira Seção do STJ. In verbis: RSTJ. 2. 46. O recurso especial foi admitido como representativo de controvérsia pelo Tribunal de origem (fl. o art. diante da constatação pela ControladoriaGeral da União do pagamento indevido de Vantagem Pecuniária IndividualVPI. em função de interpretação equivocada de lei. opinou pelo não seguimento do recurso especial. 8. após a prévia comunicação ao servidor público ativo. VOTO O Sr. a.225-45. (228): 97-146. confirmei a submissão do tema ao regime dos denominados “recursos repetitivos”. nos termos da Resolução/STJ n. a Universidade sustenta violação ao art. Nas razões do apelo especial. no caso em análise. Em face da distribuição dos autos à minha relatoria. É o relatório. caput.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO Trata-se. outubro/dezembro 2012 141 . Informa que. Às fls. 130). visando a expedição de ordem judicial para que a autoridade impetrada se abstenha de efetuar desconto de parcelas pagas indevidamente pela Administração ao servidor.2001.

está regra tem sido interpretada pela jurisprudência desta Corte Superior com alguns temperamentos.4. serão previamente comunicadas ao servidor ativo. os embargos de declaração são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Art. pela Administração Pública. Ressarcimento ao erário.11. Recebimento de boa-fé. bem como para sanar possível erro material existente na decisão. julgado em 25. Precedentes. não são passíveis de reposição ao erário. Embargos de declaração no recurso ordinário em mandado de segurança. A agravante não trouxe nenhum argumento novo capaz de infirmar a decisão agravada. Primeira Turma.2006). Ministro Arnaldo Esteves Lima. Impossibilidade. 142 . atualizadas até 30 de junho de 1994. 2. 46. Nos termos do art. Não cabimento. 1. Inadequada interpretação e aplicação da lei. contraditório ou obscuro. no prazo máximo de trinta dias. Ambos os embargos de declaração rejeitados (EDcl no RMS n. Ambos os embargos rejeitados. Pagamento de vantagem pecuniária indevida. Restituição de valores pagos em virtude de liminar. como a boa-fé. a pedido do interessado. 4. podendo ser parceladas. Sexta Turma. sob pena de enriquecimento ilícito por parte dos servidores beneficiados (REsp n. Devolução. devem ser restituídos. Paulo Gallotti. 535 do CPC. Verba de caráter alimentar. Agravo regimental. Pagamento indevido por erro da Administração. posteriormente cassada. 32. Rel. O acórdão recorrido não merece reforma. por haver proferido julgado em consonância com o entendimento pacífico desta Corte Superior segundo o qual os valores percebidos por servidor público de boa-fé. Servidor público.706-SP. Servidores públicos. 2. o que não ocorre no presente caso. mormente em decorrência de princípios gerais do direito. que acaba por impedir que valores pagos de forma indevida sejam devolvidos ao erário. DJe 9.2011.10. Administração Pública. 3. Boa-fé. Processual Civil.118-RJ. Contudo. Rel. grifo nosso).2011. por inadequada interpretação e aplicação da lei. para pagamento. “Valores pagos pela Administração Pública em virtude de decisão judicial provisória. aposentado e pensionista. DJ 24. Precedentes. 1. Vejamos os seguintes precedentes: Administrativo. Descabe restituição de valores recebidos de boa-fé pelo servidor em decorrência de errônea interpretação ou má aplicação da lei pela Administração Pública. Min. 725. pelo que ela merece ser mantida por seus próprios fundamentos. Administrativo. Possibilidade. As reposições e indenizações ao erário.

8. Impossibilidade. Incabimento. nos casos em que reste evidenciada a boa-fé do servidor. 1. DJe 15.204.2011. 957. (228): 97-146. Min.190.10. julgado em 26. julgado em 22. este Superior Tribunal de Justiça passou a afirmar o incabimento da reposição dos valores pagos indevidamente pela 143 RSTJ. AgRg no REsp n. [. A jurisprudência desta Corte é firme quanto à impossibilidade de restituição de valores recebidos de boa-fé que foram pagos pela Administração Pública em decorrência de interpretação errônea.. Reposição ao erário. não há falar em violação do artigo 535 do Código de Processo Civil. Maria Thereza de Assis Moura. Segunda Turma.9. julgado em 3. 963. Sexta Turma. Ilegalidade reconhecida judicialmente. relativa à impossibilidade do ressarcimento ao erário dos valores recebidos de boa-fé pelo servidor. Violação do artigo 535 do Código de Processo Civil.6. Direito Processual Civil e Administrativo.2008. Rel. Rel. deficiente ou equivocada da lei. Recurso Especial não provido (REsp n. Primeira Turma. Boa-fé. Administrativo. Ausência de demonstração de dolo ou culpa. à ausência de omissão qualquer a ser suprida. Improbidade administrativa do agente público não caracterizada. Interpretação equivocada da lei.8. grifo nosso). Min.2010.266. 4. Revendo entendimento anterior. Min. Recurso especial. DJe 8.397.. AgRg no REsp n. Agravo regimental em agravo de instrumento. grifo nosso). DJe 7. Min. 3. EREsp n. Omissão. Rel.8. Precedentes: AgRg no REsp n.3. Boa-fé. julgado em 19. DJe 9. 711.2008.8.. a. Pagamento de vantagem indevida. 24.2010.. Ministro Humberto Martins. Impossibilidade de restituição pelas rés dos valores recebidos indevidamente. Servidor público.] 3. Boa-fé do servidor. Napoleão Nunes Maia Filho. Decidindo o Tribunal a quo a questão posta. Quinta Turma. Segunda Turma.] 2.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO 3. Ministro Mauro Campbell Marques. Agravo regimental não provido (AgRg no Ag n.747-ES.437-DF.8. Rel.740-MG.2010.2008. por inadequada interpretação e aplicação da lei. Restituição.622-ES. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp n.2010. outubro/dezembro 2012 . 1. grifo nosso).2010. Rel. Ministra Eliana Calmon. Rel.2008.592-RS. Descabimento da imposição de obrigação solidária de ressarcir os cofres públicos.2011.2010. Terceira Seção.995-RS.9. DJe 5. Inocorrência. julgado em 26. Segunda Turma. Ação civil pública. A jurisprudência desta Corte tem flexibilizado a obrigação de reposição aos cofres públicos do que foi pago de forma equivocada. Benedito Gonçalves. [. 1. Rel. DJe 13. Hamilton Carvalhido. Interpretação errônea de lei. DJe 12.8.11. 1. Ressarcimento por danos causados ao erário decorrentes de pagamento de vantagem pecuniária indevida à servidoras aposentadas.671-RS. Administrativo.

grifo nosso). Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos.6. 46 da Lei n. É incabível o desconto das diferenças recebidas indevidamente pelo servidor. Ministro Hamilton Carvalhido. é incabível o desconto das diferenças recebidas indevidamente pelo servidor. grifo nosso). Rel.2006. Terceira Seção.030. Relatora Ministra Laurita Vaz. Em se cuidando de reposição ao Erário. nada importando.em virtude de desacerto na interpretação ou má aplicação da lei . Rel. para fins de decadência. 645. a partir do julgamento do REsp n. quando constatada a boa-fé do beneficiado. Precedentes desta Corte. DJ 12. Agravo regimental improvido (AgRg no Ag n. Administrativo. Sexta Turma. 10.quando verificada a boa-fé dos servidores beneficiados. Valores pagos a maior pela Administração. Mandado de segurança. Agravo regimental desprovido (AgRg nos EDcl no Ag n. Ministro Felix Fischer. 12. 1. Pagamento indevido efetuado pela Administração e recebido de boa-fé pelo servidor.” (REsp n. “Consoante recente posicionamento desta Corte Superior de Justiça. Nova orientação desta Corte. no sentido da inviabilidade de restituição dos valores erroneamente pagos pela Administração . Recurso ordinário provido (EDcl no RMS n. Administrativo.11.3.905-RS. em face da presunção da boa-fé dos servidores no recebimento dos valores. Firmou-se o entendimento. o tempo do ato administrativo que ordenou a restituição dos valores pagos indevidamente ao servidor público. Quinta Turma. Ministro Hamilton Carvalhido.2. quando constatada a boa-fé do beneficiado. em decorrência de errônea interpretação ou má aplicação da lei pela Administração Pública. 3. julgado em 21. Restituição. Reposição ao erário de valores pagos indevidamente. 4.740-DF. Boa-fé do beneficiado.6. Boa-fé. 8. Inviabilidade. Inocorrência. DJ 6.8. 488. Rel. Agravo regimental. Lesão de trato sucessivo. Administrativo. Ordem concedida (MS n. em decorrência de errônea interpretação ou má aplicação da lei pela Administração Pública.2005).2005.2007. Restituição dos valores. 144 .3.165-CE. a lesão se renova mês a mês. Servidores públicos.2005. Art.2008.2006. DJe 1º. Inviabilidade. julgado em 5.552-RS. grifo nosso). Precedentes.125-MA.393-PR.112/1990. in DJ 28. Quinta Turma.2007.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Administração Pública em virtude de inadequadas interpretação e aplicação da lei. 2.2008. 2. grifo nosso).9. DJ 5.5. por esta Quinta Turma. Rel. mediante descontos mensais. 1. julgado em 9. Decadência. Embargos de declaração no recurso em mandado de segurança. 1. julgado em 12. Ministra Laurita Vaz. 785.

foram restituídos pela mesma no mês seguinte. que ocorra desconto dos mesmos. o que levou a unidade 145 RSTJ. impedindo. outubro/dezembro 2012 . 9.443/1992. DJ de 30. O mandado de segurança não admite a habilitação de herdeiros em razão do caráter mandamental do writ e da natureza personalíssima do direito postulado. ao erário. Extinção sem julgamento de mérito. iii] existência de dúvida plausível sobre a interpretação. bem como QO-MS n. DJ de 28.130. 22.Jurisprudência da PRIMEIRA SEÇÃO Conforme narrado pelo Tribunal de origem (fls. validade ou incidência da norma infringida. Nesse sentido o recente precedente de que fui Relator. facultado o uso das vias ordinárias. A dúvida na interpretação dos preceitos que impõem a incidência do imposto de renda sobre valores percebidos pelos impetrantes a título de juros de mora decorrentes de atraso no pagamento de vencimentos é plausível. 2. Devolução de valores que. ii] ausência. 8. MS n. Imposto de renda sobre juros de mora decorrentes de atraso no pagamento de vencimentos. Daí porque não se opera. Tomada de contas perante o Tribunal de Contas da União. embora errônea. quando concomitantes os seguintes requisitos: “i] presença de boa-fé do servidor. a. o caso dos autos se restringe somente a possibilidade de devolução ao erário de valores recebidos indevidamente por errônea interpretação da lei por parte da Administração Pública. criase uma falsa expectativa de que os valores recebidos são legais e definitivos.355. no caso. 9. Quanto ao ponto. resultando em pagamento indevido ao servidor. Norma especial em relação à Lei n.” 4. 8. assim. da lei pela Administração. 3. por parte do servidor. tem-se que quando a Administração Pública interpreta erroneamente uma lei. Relator o Ministro Moreira Alves. 22.5. Impossibilidade de habilitação de herdeiros. (228): 97-146. iv] interpretação razoável. O processo de tomada de contas instaurado perante o TCU é regido pela Lei n.784/1999. Segurança concedida. A jurisprudência do TST não é pacífica quanto à matéria. no momento da edição do ato que autorizou o pagamento da vantagem impugnada. 83). a decadência administrativa. Relator o Ministro Maurício Corrêa. nos termos do ato impugnado. 1.11. Lei n. DJ de 04.2006. A reposição. Este é inclusive o posicionamento do Supremo Tribunal Federal: Mandado de segurança. Dúvida quanto à interpretação dos preceitos atinentes à matéria. Morte de um dos impetrantes. 140.443/1992. inocorrência. 24.784/1999. ante a boa-fé do servidor público. Decadência.616.08. que consubstancia norma especial em relação à Lei n.1997 e ED-ED-ED-RE n.1997. dos valores percebidos pelos servidores torna-se desnecessária. retidos na fonte indevidamente pela unidade pagadora. de influência ou interferência para a concessão da vantagem impugnada.

com a finalidade de dar cumprimento do disposto no parágrafo 7º do artigo 543-C do Código de Processo Civil (arts. aos Tribunais Regionais Federais. julgado em 22. a comunicação à Presidência do STJ. 5. 25. 146 . Com essas considerações. sujeito ao procedimento do art. aos Tribunais de Justiça. Eros Grau. É como voto. II. à Presidência da Terceira Seção. Relator(a): Min. confirmando a boa-fé dos impetrantes ao recebê-los. 543-C do Código de Processo Civil. Tribunal Pleno. grifo nosso).11. 5º. facultado o uso das vias ordinárias por seus herdeiros.641. e 6º da Resolução n. determino. Extinto o feito sem julgamento do mérito quanto ao impetrante falecido.2007. aos Ministros da Primeira Seção. 8/2008).REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA pagadora a optar pela interpretação que lhe pareceu razoável. após a publicação do acórdão. nego provimento ao recurso especial. Porquanto tratar-se de recurso representativo da controvérsia. Ordem concedida aos demais (MS n.

Primeira Turma .

.

Precedentes: RMS n. por unanimidade.2. AgRg no REsp n.315-MA. Os Srs. 157.2012. ACÓRDÃO Vistos. 28 de agosto de 2012 (data do julgamento). negou provimento ao agravo regimental. Ministro Relator. nos termos do voto do Sr. Segunda Turma. acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça: A Turma.2010. DJ de 3. Primeira Turma.624-MA. Rel. Rel. Primeira Turma. Incidência. 27. II . Rel. Min.8.617-RS.2011.8.202. estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária. 1. . Ministros Teori Albino Zavascki. Ministro Relator. DJ de 9. Imposto de renda e contribuição previdenciária. Arnaldo Esteves Lima. Brasília (DF).A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real têm natureza salarial e.AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL N.Agravo Regimental improvido. DJe de 24. 1. portanto. Napoleão Nunes Maia Filho e Benedito Gonçalves votaram com o Sr. Luiz Fux.183-MA (2012/0052307-6) Relator: Ministro Francisco Falcão Agravante: Maria das Gracas de Castro Duarte Mendes Advogado: Luís Carlos Araújo Saraiva Sobrinho Agravado: Estado do Maranhão Procurador: R C Menezes Neto e outro(s) EMENTA Diferença salarial decorrente da conversão dos salários em URV (11. I . AgRg no REsp n. Arnaldo Esteves Lima (Presidente). Min.278. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. Min. Herman Benjamin.98%).

Art. Rel. Ministro Francisco Falcão: Trata-se de agravo regimental interposto por Maria das Graças de Castro Duarte Mendes. têm natureza salarial. 245-STF. Assistência judiciária gratuita. por isso que estão sujeitas à incidência de imposto de renda e de contribuição previdenciária. Remuneração de servidores. Conforme consignado na decisão monocrática. É o relatório. Ministro Luiz Fux. Natureza salarial. Primeira Turma. para julgamento.2010) Sustenta a agravante que o entendimento exarado não se aplica aos magistrados do Tribunal de Justiça do Maranhão. 590-592. 245 do Supremo.2012 RELATÓRIO O Sr. verbis: Administrativo e Tributário. resultantes da diferença apurada na conversão de sua remuneração da URV para o Real. Ministro Francisco Falcão (Relator): Não assiste razão à agravante. VOTO O Sr. 4º da Lei n. em relação a eles.617-RS. resultantes da diferença apurada na conversão de sua remuneração da URV para o Real. porquanto. Inaplicabilidade. 27. Parcela resultante das diferenças apuradas. DJe de 3. por isso que estão sujeitas à incidência de imposto de renda e de contribuição previdenciária (RMS n.8.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Ministro Francisco Falcão. Imposto de renda e contribuição previdenciária. Pugna pela aplicação da Resolução n.10. Mandado de segurança. têm natureza salarial. a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos. Relator DJe 9. Nesse sentido. motivo pelo qual a natureza da quantia recebida é indenizatória. Resolução n. contra a decisão monocrática de fls. Conversão da URV para o Real. 150 . o recebimento dos valores se deu por acordo com o Estado. Naquela ocasião aduzi que a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos. Em mesa.

2009. 25.655/1998.. DJe 1º. a.3. As verbas percebidas por servidores públicos. Segunda Turma.4.338-RS. Rel.060/1950. Verbas recebidas em atraso.2009. Indeferimento expresso do pedido pelo Tribunal a quo. Ministro Luiz Fux.3. ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n. RSTJ.5.2011. DJe 18. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real têm natureza salarial e.069-MA.5. Ministro Teori Albino Zavascki.2009.2008. (228): 147-204. Diferença salarial decorrente da conversão da URV (11.2009. 2. Segunda Turma.2010. Primeira Turma.2009). Presunção juris tantum. Ministro Benedito Gonçalves.2009. Ministra Denise Arruda. Natureza remuneratória. 1.577-RS.8.) (RMS n.2009. Primeira Turma. outubro/dezembro 2012 151 . sendo certo o reconhecimento da natureza indenizatória da aludida verba no bojo da mencionada Resolução. Precedentes. Segunda Turma. Imposto de renda. 24.2008.2010). 28. Rel. Agravo não provido.340-RS.241-RS. Mauro Campbell Marques. “Este Tribunal Superior firmou sua jurisprudência no sentido de que os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda e à contribuição previdenciária” (RMS n. por isso que estão sujeitas à incidência de imposto de renda e de contribuição previdenciária.2. julgado em 3. Tributário. 27.) (.2. especificamente.2009. Ministro Castro Meira. RMS n. julgado em 17.2010) E ainda nesse sentido: Tributário.235. Rel. Agravo regimental no recurso especial. 27.2008. 1. 27.6. Segunda Turma.995-RS. 27.4. 2.. porquanto versa sobre as diferenças da URV referentes.3. Rel. Ministro Herman Benjamin. (.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA 1. DJe 13. julgado em 3.617-RS. 27. têm natureza salarial.. 27. Min.12.3. julgado em 24. julgado em 18. DJe de 30. Agravo Regimental não provido (AgRg no REsp n. RMS n. julgado em 16.9. AgRg no RMS n.3. Ministro Herman Benjamin. DJe de 3. portanto. 1.12. estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária. DJe 30. (Precedentes: EDcl no RMS n. Incidência de imposto de renda. (Precedentes: AgRg no RMS n. Diferença da correção da URV. DJe 11. 245 do Supremo Tribunal Federal é inaplicável in casu.336-RS. Contribuição previdenciária. Rel. AgRg no RMS n. Primeira Turma. A Resolução Administrativa n. Ministra Eliana Calmon. julgado em 4. DJe 14. Rel.12. resultantes da diferença apurada na conversão de sua remuneração da URV para o Real. Rel. 9. DJe 19. julgado em 22. Segunda Turma. Rel.98%). Incidência.2009.2011). Primeira Turma.. 1.614-RS. Rel.

REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 2. A mencionada norma faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n.2. 3. DJe de 14. Contribuição previdenciária. 9. Tributário.624-MA. Primeira Turma. Precedentes.4. Ministro Arnaldo Esteves Lima.) 2. insta consignar que a Resolução Administrativa n. Confira-se: Tributário. Segunda Turma. possui natureza remuneratória.8. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. 3. Agravo regimental não provido (AgRg no REsp n. estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Previdenciária. e não à parcela correspondente aos 11. 9.98%). 245 do STF.2. A mencionada norma faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n. Verba paga em atraso. Por fim.98% em favor dos servidores públicos. A Resolução Administrativa n. julgado em 17.336-RS. 245 do Supremo Tribunal Federal é inaplicável ao caso.2012). nego provimento ao agravo regimental. 1. oriunda da conversão de seus vencimentos em URV.. Ministro Herman Benjamin. Inaplicabilidade. julgado em 2.655/1998.202.98%. Incidência. e não à parcela correspondente aos 11. É como voto. 2. Princípio da fungibilidade.2009.315-MA. Ministro Castro Meira. Resolução n. Rel. 1. Diferença salarial decorrente da conversão da URV (11. Agravo Regimental não provido (AgRg no REsp n. A verba percebida em atraso pelos servidores públicos em razão da diferença de 11. Rel. 245 do Supremo Tribunal Federal é inaplicável ao caso. sendo devida a incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária sobre ela.278.3. portanto. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. Ante o exposto..2012. Agravo regimental não provido (EDcl no RMS n. 1. 152 . Segunda Turma. Natureza remuneratória. Diferenças oriundas da conversão de vencimentos de servidor público em URV. Imposto de renda. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real têm natureza salarial e. 27. Incidência. DJe de 9.2009). (. 1. Rel.2011).98% em favor dos servidores públicos. DJe de 24. Imposto de renda e contribuição previdenciária.655/1998.

Cesar Asfor Rocha. 24. § 6º da Lei n. outubro/dezembro 2012 153 .2012). 8. o qual prevê. é considerado sujeito ativo da Lei de Improbidade o particular que. Min. o ramo do Direito Público que formula os princípios. 952. As ações judiciais fundadas em dispositivos legais insertos no domínio do Direito Sancionador. Recurso especial provido. DJe 18.429/1992). induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. O Ministério Público tem legitimidade ad causam para a propositura de ação civil pública objetivando o ressarcimento de danos ao erário. 282 do CPC. decorrentes de atos de improbidade (AgRg no AREsp n. a exigência de que a petição inicial. As disposições da Lei n.5. 1. que não convença o RSTJ. Ação civil pública sob a imputação de ato de improbidade administrativa. 76. devem observar um rito que lhe é peculiar. 3. sendo certo que ação temerária. 2. 3º da Lei n. deva ser instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da existência do ato de improbidade (art. além das formalidades previstas no art. em tese. 8. Recurso especial.429/1992 são aplicáveis ao particular que. a. tratando-se de ação de imputação de ato de improbidade administrativa. induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. (228): 147-204. as normas e as regras de aplicação na atividade estatal punitiva de crimes e de outros ilícitos.985-MS.429/1992. em tese. 17.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA RECURSO ESPECIAL N. O Ministério Público possui legitimidade atido para a propositura da ação civil pública por ato de improbidade. 8. Rel. Nos termos do art. Exigência da demonstração da justa causa para o recebimento da petição inicial.351-RJ (2007/0113128-6) Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Recorrente: Petróleo Brasileiro S/A Petrobras e outro Advogado: Candido Ferreira da Cunha Lobo e outro(s) Recorrido: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro EMENTA Administrativo.

ACÓRDÃO Vistos. justificadamente.10. Os Srs. deverá ser rejeitada (art. por unanimidade. Ministro Relator. nos termos do voto do Sr. o Sr. 8. o interesse e a possibilidade jurídica do pedido). exigem. § 8º da Lei n. 6. acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. Ministros Benedito Gonçalves. como no caso. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. 4. deixou de demonstrar a existência de indícios da prática do ato ímprobo e de autoria do ilícito.2012 154 . 17. In casu. 5. Brasília (DF). As ações sancionatórias. Ministro Relator.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Magistrado da existência do ato de improbidade ou da procedência do pedido. Ausente. além das condições genéricas da ação (legitimidade das partes. 4 de outubro de 2012 (data do julgamento). Ministro Ari Pargendler. dar provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos à instância de origem a fim de que o Magistrado a quo avalie a presença da justa causa ao emitir o juízo de admissibilidade da petição inicial da presente ação civil pública de improbidade administrativa. Relator DJe 22. relatados e discutidos estes autos. a presença da justa causa. ou seja.429/1992). apesar de ter analisado e afastado cada uma das preliminares arguídas pelos réus em consonância com a orientação jurisprudencial desta Corte. a justa causa para a propositura da presente ação civil pública por ato de improbidade administrativa. consubstanciada em elementos sólidos que permitem a constatação da tipicidade da conduta e a viabilidade da acusação. o douto Magistrado a quo. Teori Albino Zavascki e Arnaldo Esteves Lima (Presidente) votaram com o Sr. Recurso Especial provido para determinar o retorno dos autos à instância de origem a fim de que o Magistrado a quo avalie a presença da justa causa ao emitir o juízo de admissibilidade da petição inicial da presente ação civil pública de improbidade administrativa.

Precedente do STJ. consubstanciadas na ilegitimidade ativa e passiva. inciso III da CRFB. inépcia da petição inicial e inadequação da via eleita.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA RELATÓRIO O Sr. dos princípios constitucionais de administração pública e para a repressão de atos de improbidade administrativa. Em seu apelo especial. (228): 147-204. Precedentes do TJERJ. A ação civil pública é a via processual adequada para a proteção do patrimônio público. àquele que. Ação Civil Pública. III da Constituição Federal. 213).. § 8º da Lei n. 16 e 17. Nova insatisfação dos Agravantes. (b) a Petrobrás. 2. na forma do seu artigo 3o. uma vez que não causaram qualquer prejuízo ao erário. Desprovimento do Agravo Interno (fls. Agravo de Instrumento. outubro/dezembro 2012 . sob os seguintes fundamentos: (a) não possuem legitimidade para figurar no pólo passivo da demanda. 3º. 8. As disposições da Lei n. Inconformismo. contra acórdão proferido pelo egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. 8. firmando Convênio que o MP pretende ver declarado nulo. mesmo não sendo agente público. A petição inicial da aludida ação civil pública está em perfeita consonância com a previsão do artigo 282 do CPC. O meritum causae deve ser objeto da apreciação do Juízo singular após o exaurimento da instrução processual. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho: 1. assim ementado: Agravo Regimental. no que couber. sustentam os recorrentes que o acórdão recorrido violou os arts. não sendo apropriada a realização da sua análise nessa fase em que os réus sequer apresentaram suas contestações. a. Inexistência de argumentos hábeis a infirmar a decisão monocrática proferida por esta Relatora. tendo efetivado o repasse das verbas estipuladas para a fundação indicada pelo Estado do Rio de Janeiro. 12. tudo conforme de observa em análise dos instrumentos acostados aos autos (fls.429/1992. Trata-se de Recurso Especial interposto por Petróleo Brasileiro S/A Petrobras e outro com fundamento na alínea a do art. Artigo 557 do CPC. não pode figurar no polo passivo da ação de 155 RSTJ. são aplicáveis. 232). tendo cumprido apenas cláusula de Termo de Compromisso.429/1992 e 282 e 286 do CPC. induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. A legitimidade ativa do Parquet para a propositura da ação civil pública que visa proteger o patrimônio público e a moralidade administrativa decorre de previsão constitucional. 105. Decisão monocrática desta Relatora negando seguimento ao recurso manifestamente improcedente e em confronto com a jurisprudência dominante do STJ e do TJER. 24. Decisão interlocutória proferida pela Douta Juíza Singular que recebeu a petição inicial e determinou a citação dos Réus. Entendimento desta Relatora quanto à rejeição das preliminates arguidas pelos Agravantes. pessoa jurídica de direito privado. Artigo 129. 2º.

(c) deve ser declarada a inépcia da inicial. 17. Ressalte-se. Dessume-se dos autos que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ingressou com Ação Civil Pública por ato de improbidade administrativa em face do Estado do Rio de Janeiro. (d) ilegitimidade ativa do Ministério Público estadual para propor ação civil pública que não esteja em consonância com seus objetivos traçados pela Constituição Federal.429/1992 de que a petição inicial. deva ser instruída com documentos ou justificação que contenham indícios suficientes da existência do ato de improbidade (art. 2. 8. já que a reparação de danos ao erário por atos de improbidade não se enquadra nos casos expressamente previstos na legislação em vigor. previsto na Lei n. (e) inadequação da via eleita. inicialmente. sendo certo que A ação temerária. e (f ) quanto ao mérito. que não convença o Magistrado da existência do ato de improbidade ou da procedência do pedido. Com as contrarrazões de fls. André Gustavo Pereira Correa da Silva. Além disso. Armando Daudt de Oliveira Filho. 8. 10. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho (Relator): 1. 3. 8. com fundamento nos arts. a propósito. por suposta irregularidade nas obras do “Piscinão de São Gonçalo”.429/1992. a Lei de Improbidade Administrativa impõe a necessidade de prévia ouvida do acionado para que apresente manifestação por escrito antes 156 . como é o caso da ação de improbidade administrativa. Petróleo Brasileiro S/A e Kuniyuki Terabe. como no caso.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA improbidade. que a sujeita a condições específicas que não se exigem para os demais processos cíveis. § 6º). 17. que não correlaciona os fatos com a demanda. V e VIII da Lei n. aduz a desnecessidade de instauração de procedimento licitatório para firmar convênio. 4. em razão do pedido genérico e indeterminado. 282 do CPC. 3. Cite-se. a exigência prevista na Lei n. VOTO O Sr. devem observar um procedimento que lhe é peculiar.429/1992. que deve seguir rito próprio. que as ações judiciais calcadas em dispositivos legais insertos no domínio do Direito Sancionador. É o relatório. as normas e as regras de aplicação na atividade estatal punitiva de crimes e outros delitos. subiram os autos para esta Corte Superior. § 8º). 4. Fundação João Daudt de Oliveira. 297-307 e admitido o recurso pelo Tribunal a quo. além das formalidades previstas no art. ramo do Direito Público que formula os princípios. deverá ser rejeitada (art.

Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA de o Juiz decidir pelo recebimento ou não da petição inicial (art. 2010. LV da CF. em que o autor e réu possuem a liberdade de expor suas razões da maneira mais cristalina possível. ao citar as ponderações realizadas por Adilson Abreu Dallari. sem viabilidade jurídica concreta. p. estabelecido no art. porque o simples fato de ser processado tem grande repercussão política na pessoa. Tal fase preliminar se justifica diante da preocupação do legislador de impedir o abusivo direito de acionar. 558-560). desestimula gente decente. quando é processada.. e a sua inobservância gera nulidade (ob. (. bastante concreto. existirá a possibilidade de ultrapassar-se a admissibilidade da lide para a posteriori serem determinadas as medidas de urgência. Rio de Janeiro. 17. que causam ao acionado graves consequências de ordem moral e jurídica. 17 da Lei n. § 7º). cit. não resta dúvida de que será violado o devido processo legal. Corroborando com esse entendimento.. outubro/dezembro 2012 . ser processado. 157 RSTJ. Não se há de perder de vista que em todos os ramos do Direito Sancionador devem ser sempre respeitadas as garantias que cercam o exercício do jus puniendi estatal. 5. que agasalha a regra constitucional do devido processo legal que. após o oferecimento das razões preliminares do réu. é um constrangimento. Uma autoridade pública. Conforme bem observado pelo Professor MAURO ROBERTO GOMES DE MATTOS. é necessária. como condição que antecede à citação. cumpre novamente trazer à baila a lição do douto Professor MAURO ROBERTO GOMES DE MATTOS: O prévio juízo de admissibilidade da ação regularmente instruída segue o ritual do contraditório..429/92. em uma cognição sumária. no melhor estilo democrático processual. 24. Esse risco. p. de qualquer maneira. Caso seja descumprida a presente determinação legal estatuída pelo § 7º do art. culturalmente consagradas no Processo Penal moderno. 5º. possa aferir se a ação de improbidade administrativa possui elementos sólidos ou não passa de criação intelectual do seu subscritor. Forense. honesta. A notificação prévia dos requeridos. 6.429/1992. para que o magistrado possua elementos sólidos para que. em sua monografia sobre Limitações à atuação do Ministério Público na Ação Civil Pública. 8. a. não exauriente.). uma vez desrespeitada. Recebida a ação. Comentários à Lei 8. 553). marcando o encerramento da fase preliminar. correta. (228): 147-204. a ousar trabalhar na Administração Pública (O Limite da Improbidade Administrativa. produz inevitavelmente a nulidade do processo em que ocorreu. tem um desgaste muito maior que qualquer cidadão. para qualquer pessoa.

535 do CPC. afastando as preliminares suscitadas. Súmula n. Defesa prévia.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 7.. Improbidade.5. Ausência. (. Registre-se.. 8.. após a apresentação de defesa prévia.985-MS. porquanto sobre eles avultam os princípios e as normas postas na Carta Magna. 9. não podendo promover a defesa dos seus interesses. 11 da Lei n. Condutas ímprobas podem ser deduzidas em juízo por meio de Ação Civil Pública. Não conhecimento do recurso pela alínea c. In casu. Hipótese que admite configuração de ato de improbidade.2012).347/1985 e a Lei n.. 8. 10. induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. mas perfeita harmonia. em tese. 7-STJ. citem-se: Administrativo. Violação do art. o art.2011). Min. também é preciso lembrar que o Poder Público se submete à jurisdição. Ministério Público possui legitimidade para ajuizar Ação Civil Pública com o intuito de combater a prática da improbidade administrativa. Penalidades aplicadas.629-SP.429/1992 dispõe que também é considerado sujeito ativo da Lei de Improbidade o particular que.). entre a Lei n. 8. o Magistrado de 1º grau. recebeu a inicial da ação civil pública e determinou a citação de todos os réus. Min.9. 11. 8. Legitimidade. No mesmo sentido. Rel. De fato. Art. Ausência de prejuízo. Precedentes do STJ. Dispensa. conforme se passa a demonstrar.429/1992. 1. DJe 14.233. 3º da Lei n. Herman Benjamin. o sistema de garantias não deve ser flexibilizado em favor de interesses administrativos.429/1992. 76. Acórdão proferido com base em vasto exame de material probatório. 158 . respeitados os requisitos específicos desta última. Cesar Asfor Rocha. Rel.). DJe 18. 7. inicialmente. Notificação. ainda que possam ser reconhecidos e proclamados como da mais alta relevância. Em relação à alegação de ilegitimidade ativa do Ministério Público Estadual. Quanto à preliminar de ilegitimidade passiva. Ministério Público. também deve reverência às garantias processuais. o STJ já firmou o entendimento de que o Ministério Público tem legitimidade ad causam para a propositura de ação civil pública objetivando o ressarcimento de danos ao erário. que não merece prosperar a irresignação dos recorrentes quanto às preliminares arguídas. senão dentro das demarcações do processo. Correto juízo de proporcionalidade. ou seja. (. bem como da impossibilidade de se pleitear a reparação de danos ao erário por atos de improbidade por Ação Civil Pública. decorrentes de atos de improbidade (AgRg no AREsp n. (REsp n. não havendo incompatibilidade.

Primeira Turma.338.). e prova ou indícios de autoria. 783. Agravo regimental no agravo de instrumento.2011). apesar de ter analisado e afastado cada uma das preliminares arguídas pelos réus em consonância com a orientação jurisprudencial desta Corte. Benedito Gonçalves. vincula o recebimento da denúncia ou queixa à prova da existência material de conduta típica. 10º e 11 da Lei n. 1.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA Administrativo e Processual Civil. DJe 8. Por oportuno. as ações sancionatórias. 284 do STF. a justa causa para a propositura da presente ação civil pública por ato de improbidade administrativa. Alegação de violação a artigos de lei sem a devida fundamentação. ou seja.4. Súmula n. Segunda Turma.058-MG. colhidos na fase investigatória. Primeira Turma. Prova induvidosa da ocorrência de um fato delituoso.566-GO. o douto Magistrado deixou de demonstrar a existência de indícios da prática do ato ímprobo e de autoria do ilícito. Rel. Inquérito civil instaurado pelo Ministério Público para o fim de apurar a prática de ato de improbidade administrativa por parte de magistrado. Rel. Outrossim. e sendo assim. 24. Rel. na hipótese. 35/1979. REsp n. como no caso.2008.5. Min. DJe 26. 2. Rel. Com efeito. consubstanciada em elementos sólidos. e que também encontra algum respaldo na jurisprudência. (AgRg no Ag n. Súmula n. 13. Súmula n.9. de maneira a servir de base à acusação formulada.. (. Possibilidade. 535 do CPC. Ministro José Delgado.. 211 do STJ. é pacífico o entendimento jurisprudencial do STJ. o interesse e a possibilidade jurídica do pedido).4. (. a presença da justa causa. DJe 23. e de indícios de que o acusado seja seu autor.718-SP.. na hipótese. DJ 12.2008. 83 do STJ. exigem. ambas devem decorrer dos elementos de informação. no sentido de que o Ministério Público Estadual tem legitimidade para o ajuizamento da ação civil pública por ato de improbidade administrativa e a instauração do respectivo inquérito civil. além das condições genéricas da ação (legitimidade das partes. Ocorre que. Artigos 9º.823-GO. vale transcrever as ilações da douta Ministra Maria Thereza de Assis Moura acerca da justa causa no âmbito penal: A posição mais avençada da doutrina. Ministra Eliana Calmon. bem como os artigos 29 a 45 da LC n. 8. apurados em inquérito policial ou nas peças de informação RSTJ. 861. 12. A esse respeito: REsp n.429/1992 não prequestionados..2005. REsp n. a. 14. 695. mesmo que em face de magistrado. Ausência de violação do art. Ministro Luiz Fux. admite que a justa causa diga respeito também a questões de fato. (228): 147-204. Mandado de segurança. outubro/dezembro 2012 159 .). que permitem a constatação da tipicidade da conduta e a viabilidade da acusação.

Ribeirão Preto. consiste o fundamento tido com indispensável para acusação. pode-se afirmar que sem essa demonstração objetiva. e cuja ausência enseja um dos mais graves defeitos da promoção judicial penal . dou provimento ao Recurso Especial para determinar o retorno dos autos à instância de origem a fim de que o Magistrado a quo avalie a presença da justa causa ao emitir o juízo de admissibilidade da petição inicial da presente ação civil pública de improbidade administrativa. ao meu ver.nasceu no domínio do Direito Processual Penal moderno. o ilustre Ministro Cesar Asfor Rocha. p. pondera que: Devo referir que alguns autores entendem. para impedir (ou trancar) o trâmite daquela promoção inepta. 15. com propriedade. quem seja o seu praticante. mas com elementos materiais seguros e confiáveis .a inépcia da denúncia apresentada pelo Ministério Público . mas sem razão. mostrando .nas ações sancionatórias .conforme as várias teorias jurídicas a seu respeito .não apenas com esforço narrativo. 2012. Migalhas.a materialidade do ilícito que se aponta e indicando.constitui um requisito autônomo e distinto daqueles outros três. Diante dessas considerações.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA que acompanham a acusação: é neste binômio que. sem o qual inexiste justa causa para a instauração do processo criminal (Justa Causa para a Ação Penal. É como voto. abrese a oportunidade para a obtenção de ordem de Habeas Corpus. 241). p. que deverá trazer no seu contexto a demonstração da seriedade e da consistência da promoção. de sorte que. ou pelo interesse. figurando como uma exigência que não pode ser contornada. nas ações sancionatórias há um quarto elemento circunstanciador da sua promoção. seguros e sérios. não estará satisfeita a exigência da justa causa (Breves Reflexões Críticas sobre a Ação de Improbidade Administrativa. RT. se assim não o fizer. para esta postura. São Paulo. 16. Alinhando-se à orientação de que a noção de justa causa como condicionante da denúncia criminal também deve se fazer presente no juízo de admissibilidade da petição inicial de improbidade administrativa. mesmo respeitando essa posição (que tem os seus fundamentos explicitados com argúcia). por falta de justa causa. Pois essa exigência (da justa causa) e esse cortejo de efeitos também se fazem presentes na análise da inicial da ação por ato de improbidade administrativa (e de todas as ações sancionadoras). 28). sigo a orientação que afirma que a justa causa . também com dados suficientes. como condicionante da denúncia criminal. 2001. que a justa causa estaria encampada pela possibilidade jurídica.cuja rejeição se impõe ao Juiz que a analise e. Rememoro que a noção de justa causa . 160 . ou seja.

543-C do CPC (recursos repetitivos). ou seja. ou seja.O Superior Tribunal de Justiça. Matéria também submetida ao rito do art. Tributo sujeito a lançamento por homologação. do CPC. Relatora Ministra Ellen Gracie. apesar de ser indevida a retroatividade do prazo de prescrição quinquenal para o pedido de compensação ou repetição de indébito relativo a tributo lançado por homologação.2009. I .621-RS.269.030-RS (2009/0145375-2) Relator: Ministro Francisco Falcão Recorrente: Clebismar Cougo de Oliveira e outro Advogado: Lúcio Fernandes Furtado e outro(s) Recorrido: Fazenda Nacional Procurador: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional EMENTA Tributário. Repetição de indébito. 1.032SP. Entendimento adotado pela Primeira Seção desta Corte. contudo. ao julgar o RE n. Prescrição quinquenal. a. trazido pela LC n. 9.12. § 3º. somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei.002.2005. a partir de 9 de junho de 2005. submetido ao rito do artigo 543-B do CPC (repercussão geral). Ação ajuizada após a vigência da LC n. 1. Recurso especial improvido. 566.10. 566.621-RS. 118/2005 (9. pelo regime da repercussão geral. outubro/dezembro 2012 161 .Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA RECURSO ESPECIAL N. 24.570MG. assentou o entendimento de que. 118/2005.2005). a aplicação do novo prazo de 5 anos é válida tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias. Art. Decisão do STF no RE n.151. DJe de 18. 1. no REsp n.O Plenário do Excelso Supremo Tribunal Federal. 543-B.6. Recurso especial. Juízo de retratação. DJe de 11. julgado pelo regime do artigo 543-C do CPC (recursos repetitivos).2011. Relator Ministro Luiz Fux. ainda que estas ações digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da vigência da LC RSTJ. (228): 147-204. II . havia firmado compreensão de que o prazo prescricional de 5 anos para a repetição de indébito de tributos sujeitos a lançamento por homologação.6. REsp n.

às ações intentadas antes da referido referido marco aplica-se a Tese dos “cinco mais cinco”. pois. na assentada do dia 24.8.10. Ministros Teori Albino Zavascki. Relator Ministro Mauro Campbell Marques. Tal decisum restou preservado em sede de agravo regimental pela Primeira Turma desta Corte. Ministro Relator.736-PE. submetido ao rito dos recursos repetitivos. Ministro Francisco Falcão: Trata-se de recurso especial interposto por Clebismar Cougo de Oliveira e outro ao qual foi dado provimento para declarar o direito à repetição do indébito de tributos sujeitos a lançamento por homologação conforme a Tese dos “cinco mais cinco”. Brasília (DF). consoante a antiga orientação do STJ.269. 118/2005.10. V . DJ de 16. prescrita a ação. E. por unanimidade. 7 de agosto de 2012 (data do julgamento). 644.6. Relator DJe 9.2007. Relator Ministro Teori Albino Zavascki. Ministro Relator. firmada nesta Corte Superior no EREsp n. nos termos do voto do Sr. DJe de 4.2012.2007. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. Os Srs. Ministro Francisco Falcão. por outro lado. encontrando-se. aplica-se o prazo quinquenal. ACÓRDÃO Vistos.A Primeira Seção do STJ.2012 RELATÓRIO O Sr. acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça: A Turma. Napoleão Nunes Maia Filho e Benedito Gonçalves votaram com o Sr.2000.Imperioso o juízo de retratação a que alude o § 3º do artigo 543-C do CPC. eis que a parcela pleiteada foi recolhida em 17. negou provimento ao recurso especial.4. Entendimento consolidado ainda no REsp n. IV . para negar provimento ao recurso especial. III .REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA n. deliberou pela imediata adoção do entendimento do STF. 1. tendo sido a ação ajuizada em 11.2011.570-MG.In casu. Arnaldo Esteves Lima (Presidente).12. em ementa vazada nos seguintes termos: 162 .

” (REsp n. 118/2005. 118/2005. o disposto no art. Aplicação retroativa. após a preliminar de repercussão geral. Em mesa para julgamento. inciso III. 543-B. 543-B do CPC. II .172. inciso III. constante do art. 106. Prazo prescricional.2007). do CPC). Min. Concluído o julgamento e transitado em julgado o RE n. Inviabilidade. ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no EREsp n. no regime anterior ao do art. quanto ao art.8. alegando-se. da Carta Magna. da Constituição Federal. III . conforme prevê o artigo 102. 2º e 5º. LC n. da Lei n. 566. XXXVI. a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que. da CF/1988. outubro/dezembro 2012 163 . Tese dos “cinco mais cinco”.“Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Contra este acórdão a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário fulcrado no artigo 102.Código Tributário Nacional”. Teori Albino Zavascki. sessão de 6. Análise de dispositivos constitucionais. voltam os autos a esta relatoria para análise de possível juízo de retratação (art.621-RS. 24. alínea b. não tem eficácia retroativa.Agravo regimental improvido. 4º.A análise de suposta violação a dispositivos constitucionais é de competência exclusiva do Pretório Excelso. o prazo de cinco anos. pela via do recurso extraordinário. 118/2005. previsto no art. previstos nos arts.2007. declarou inconstitucional a expressão “observado. não na data do recolhimento do tributo indevido. § 3º. I. a data do pagamento indevido. e sim na data da homologação expressa ou tácita . segunda parte. 644. I . 5. Rel. no qual se defendeu a constitucionalidade do artigo 4° da LC n. É o relatório. ainda que para fins de prequestionamento. É que a Corte Especial. A norma do art. que tal dispositivo não fere os princípios constitucionais da autonomia e independência dos poderes e da segurança jurídica. a.736-PE. 3º da LC n. Impossibilidade.621-RS. da referida Lei Complementar. 118/2005. (228): 147-204. 566. que estabelece como termo inicial do prazo prescricional. sendo defeso a esta colenda Corte fazê-lo.181-SP.6.do lançamento. DJ de 16. 3º da LC n. respectivamente. RSTJ. tem início. Assim. nesses casos. 168 do CTN. 886. de 25 de outubro de 1966 . O recurso extraordinário foi sobrestado para aguardar o julgamento do RE n. não havendo homologação expressa. o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA Tributo sujeito a lançamento por homologação. nos termos do art. 3º.

conforme os fundamentos exarados no EREsp n. Entretanto a Lei Complementar n. ou seja. Ministro Francisco Falcão (Relator): Senhor Presidente. nos tributos sujeitos a lançamento por homologação.2005. da data do recolhimento do tributo devido. DJ 27. Tal regime. 1.12. constante do artigo 4º. trouxe novo disciplinamento para as ações que visem à restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação.002. o prazo prescricional previsto no artigo 168 do CTN para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se operava quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador. da referida LC n. I. 106.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA VOTO O Sr. a regra de direito intertemporal. a fim de que sejam resguardados o direito adquirido. Relator Ministro Teori Albino Zavascki. pela sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543-C do CPC).736-PE.8. 118/2005. incidindo sobre situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência.Código Tributário Nacional”.2009. 5. em seu artigo 3º.2007. de 25 de outubro de 1966 . somente pode ter eficácia prospectiva. DJ de 27. cumpre observar. acrescidos de mais cinco anos. segunda parte. no julgamento do REsp n. da Lei n. preceitos consagrados pela Carta Magna.932-SP. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. estabelecendo prazo prescricional de cinco anos. a denominada Tese dos “cinco mais cinco”. Este entendimento restou consagrado quando do julgamento da AI nos EREsp n. Entendeu-se também que. prevista para 120 dias após a publicação do diploma legal.736-PE.8. 644.172. 3º. A Colenda Primeira Seção. por certo. na sua aplicação. na aplicação da nova legislação. DJe de 18. Relator Ministro Luiz Fux. a regra clássica de direito intertemporal.2007. 9 de junho de 2005. 118. 644. havia pacificado o entendimento de que. seria necessário que se observasse. verbis: Tratando-se de norma que reduz prazo de prescrição. conferindo-lhe um alcance diferente daquele dado pela jurisprudência do STJ (Tese dos “cinco mais cinco”). afirmada na doutrina e 164 . o disposto no art. onde foi declarada a inconstitucionalidade da expressão “observado. contados a partir da homologação tácita e. de 9. com termo inicial na data do pagamento antecipado. nos termos do § 3º do artigo 543B do CPC. não. quanto ao art. a decisão desta Egrégia Turma deve ser reconsiderada.2. por se tratar a aludida lei complementar de norma que veio a reduzir o prazo prescricional.

1998. este com a seguinte e didática lição sobre situação análoga (redução do prazo da ação rescisória. Lei nova que lhe reduz prazo. por exemplo. Quando se trata de redução. Se superior. (228): 147-204. Surge. 205-207) e Galeno Lacerda. Min. São precedentes do STF nesse sentido: Prescrição Extintiva. Min. exclusivamente.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA na jurisprudência em situações dessa natureza: o termo inicial do novo prazo será o da data da vigência da lei que o estabelece. 905-DF.7. p. a partir do início da sua vigência (AR n. a partir. p. 1976. para levar-se em conta. da vigência desta. 1. todo ele pela lei antiga. o prazo da lei nova. em menos tempo. não se podem misturar períodos regidos por leis diferentes: ou se conta o prazo. no caso concreto. a orientação a seguir? A resposta é simples.11. na sua totalidade. Se o restante do prazo de decadência fixado na lei anterior for superior ao novo prazo estabelecido pela lei nova. DJ de 28. soma-se o período da lei antiga ao saldo. porém. Aplica-se à prescrição em curso. Basta que se verifique qual o saldo a fluir pela lei antiga. vier a se completar. interessante problema de direito transitório. Tomo VI. 178. se já decorreram quatro anos pela lei antiga. Barbosa Moreira (Comentários ao Código de Processo Civil. Xavier de Albuquerque. chegasse a resultado oposto. pela regra nova. a partir da entrada em vigor desta. Nestes. Forense. julgado em 10.1981. 359).110-RJ. despreza-se o período já decorrido. para computar-se. A regra para os prazos diminuídos é inversa da vigorante para os dilatados. despreza-se o período já transcorrido.. Se for inferior à totalidade do prazo da nova lei. julgado em 5. pela lei nova. visando a lei nova reduzir o prazo. No mesmo sentido: RE n. Min. v. DJ de 13. quanto à situação dos prazos em curso pelo direito anterior.1978). o prazo da lei nova. ou todo. de abalizada doutrina. 93. continua-se a contar dito saldo pela regra antiga. de ampliá-lo (RE n. O velho e mal situado prazo de cinco anos prescrito pelo Código Civil (art.g. como. ampliado. exclusivamente. iniciada na vigência da lei antiga. Min. outubro/dezembro 2012 165 . É o que se colhe. § 10.223. pois seria absurdo que. Direito Intertemporal. contado da vigência desta. porém. AR n.4. também. só ela é que há RSTJ. Decadência. Forense. Ação Rescisória. como vimos.3. Assim. 495). Qual o critério para identificar. se for o caso. 37.025-6-PR. 24.1980. Luiz Gallotti. salvo se a prescrição (ou. se o seu prazo se consumar antes que se complete o prazo maior da lei nova. operada pelo CPC de 1973): A mais notável redução de prazo operada pelo Código vigente incidiu sobre o de propositura da ação rescisória.1958). a decadência). a. aqui. segundo a lei antiga. no que concerne à ação rescisória. Moreira Alves. Xavier de Albuquerque. a de Pontes de Miranda (Comentários ao Código de Processo Civil. VIII) foi diminuído drasticamente para dois anos (art. Só se aplicará a lei antiga. mas contando-se o novo prazo a partir da nova lei. volume V.

é superior ao prazo por esta determinado. 644. estaria reservada aos fatos geradores ocorridos após a sua vigência. Forense. segundo essa lei.736-PE. de 3 a 7 de maio de 2010. afastou parcialmente a jurisprudência do STJ. esse começará a correr da data da nova lei. operado sob lei antiga. a norma de aplicação imediata exige que o cômputo se proceda. os dois anos deverão contar-se a partir de 1º de janeiro de 1974. passou-se.2005). porém. ou b) se o restante do prazo for superior.621-RS. nesta hipótese.6. 585 do STF. pp. então. o teor do Informativo n.2011. submetido ao regime da repercussão geral (artigo 543-B do CPC). na sua totalidade. salvo se a prescrição iniciada na vigência da lei antiga viesse a se completar em menos tempo. porque haveria. concluído em 4. no julgamento do RE n. 118/2005. relativamente ao prazo (Da Prescrição e da Decadência. mesmo sob a vigência deste.) (EREsp n. a propósito.4. Vale a pena conferir. DJ de 16. isto é. a partir. a Lei Complementar n. despreza-se o período já decorrido. para computar-se. condenável retroatividade (O Novo Direito Processual Civil e os Feitos Pendentes. ainda que tais ações se refiram a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. passou-se a entender que a aplicação da lei nova que estabelece prazo prescricional menor. continuaria a regê-la. p. exclusivamente. devendo entretanto ser observado qual o período que resta a fluir pela regra dos “cinco mais cinco”.8. pela lei nova. de sua entrada em vigor. nesse caso. 90). o saldo de quatro. noticiando o voto proferido pela relatora. 1978. exclusivamente. 100-101). que orientou o acórdão: 166 . Por este motivo. o prazo da lei nova. Forense. eminente Ministra Ellen Gracie. in casu.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA de vigorar: o saldo de um ano. Aplicando-se tais regras de direito intertemporal à questão da prescrição. quando da entrada em vigor da regra nova. apenas. que. Se. evidentemente. Câmara Leal tem pensamento semelhante: Estabelecendo a nova lei um prazo mais curto de prescrição. continua-se a contar dito saldo pela lei antiga. 566.n. Relator Ministro Teori Albino Zavascki. o do trânsito em julgado da sentença. a partir de 9 de junho de 2005: a) se o restante do prazo for inferior aos cinco anos estipulados pela nova lei. Ocorre que o egrégio STF. 118/2005 tem aplicação apenas aos processos ajuizados a partir da sua entrada em vigor (9. porque menor ao prazo do novo preceito construa a fluir. para fixar que a LC n. 1974. (g. O termo inicial não poderia ser. um ano sob o direito revogado.2007).

172. no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 118/2005.172. pretensões que ainda poderiam ser deduzidas no prazo vigente quando da modificação legislativa. Asseverou.Código Tributário Nacional. sob pena de ofensa a conteúdos do princípio da segurança jurídica. XXXV. estando sujeita. haja vista que a interpretação por ela imposta implicara redução do prazo de 10 anos jurisprudencialmente fixado pelo STJ para repetição ou compensação de indébito tributário. 4º da Lei Complementar n.6. 118/2005 O Tribunal iniciou julgamento de recurso extraordinário interposto pela União contra decisão do TRF da 4ª Região que reputara inconstitucional o art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA Prazo para Repetição ou Compensação de Indébito Tributário e Art. 5. no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. Afirmou que a alteração de prazos não ofenderia direito adquirido. e considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias.”]. relatora. a extinção do crédito tributário ocorre. 24. não obstante expressamente se autoproclamar interpretativa. direito adquirido ou coisa julgada constituiria imperativo de segurança 167 RSTJ. que a Lei Complementar n.Código Tributário Nacional. 3º. Ellen Gracie. de um lado.para 5 anos. contudo. segunda parte. (228): 147-204. 168 da Lei n. observado. o disposto no art. Em razão disso. ou seja. e contados do fato gerador quando se tratasse de tributo sujeito a lançamento por homologação . inciso I. com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º. se. não se poderia entender que o legislador pudesse determinar que pretensões já ajuizadas ou por ajuizar estivessem submetidas. por inexistir direito adquirido a regime jurídico. de 25 de outubro de 1966 .”. 106. da CF. inicialmente. 118/2005. conforme reiterada jurisprudência da Corte. não haveria dúvida de que a proteção das situações jurídicas consolidadas em ato jurídico perfeito. 150 da referida Lei.em qualquer caso. quando seja expressamente interpretativa. mas constituiria lei nova. de 25 de outubro de 1966 . CTN: “Art. outubro/dezembro 2012 . que a redução de prazo não poderia retroagir para fulminar. Art. reputou que a retroatividade determinada pela lei em questão não seria válida. 118/2005 na parte em que determinaria a aplicação retroativa do novo prazo para repetição ou compensação do indébito tributário [LC n. desproveu o recurso. 4º. nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça. ao prazo reduzido. da LC n. não seria uma lei materialmente interpretativa. quanto ao art. A Min. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I . 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 4º da LC n. Em seguida. Explicou que. excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. por violação ao princípio da segurança jurídica. Ou seja. de imediato. reconhecendo a inconstitucionalidade do art.2005. a partir de 9. Ressaltou. ao controle judicial. não haveria como se advogar suposto direito de quem pagou indevidamente um tributo a poder buscar ressarcimento no prazo estabelecido pelo CTN por ocasião do indébito. assim. da Lei n. 106. 5. de imediato. sem qualquer regra de transição. a. 118/2005: “Art.

2. via internet. se necessário. Reportou-se ao Enunciado da Súmula n. 4º da LC n. em 1º. 118/2005 fosse menor do que a prevista na Lei n. a partir da vigência. Considerou. De igual modo. tal fato teria dado oportunidade aos interessados para ajuizarem suas ações. limitando-se a resolver os conflitos no tempo relativos às reduções de prazos impostas pelo novo CC de 2002 relativamente aos prazos maiores constantes do CC de 1916. à informação quanto às inovações legislativas e repercussões. a Corte entendera que.028 do CC por analogia. pois tal restaria resguardado pela proteção à confiança. na parte que em estabeleceu vacatio legis alargada de 120 dias teria cumprido com essa função. nos dias de hoje. ajuizando ações necessárias à tutela dos seus direitos. da estabilidade das situações jurídicas. de 7. sem qualquer regra de transição. 2. prazos então em curso. de 10 meses entre a publicação da lei e a vigência do novo prazo. Tal solução deveria ser a mesma para o presente caso. Registrou que o legislador. também seria certo que teria este abrangência maior e que implicaria resguardo da certeza do direito. diante do reconhecimento da inconstitucionalidade. de imediato. de outro. concretizando o valor inerente a tal princípio. ajuizamento de ação judicial. 8º prevê que a lei deve contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento. seria válida 168 .1. objeto da Súmula n. a alteração e a consolidação das leis. ter-se-ia de levar em conta a facilidade de acesso. haja vista que este seria regra interna daquela codificação. ao menos. contra. que reduz prazo prescricional. quais sejam: a confiança no tráfego jurídico e o acesso à Justiça. 118/2005. Concluiu que o art. nos termos do art.1956). tendo havido uma vacatio legis alargada. o novo prazo seria aplicável a qualquer caso ainda não ajuizado. estando um direito sujeito a exercício em determinado prazo. sendo certo que.3. interrompendo os prazos prescricionais em curso. 445 do STF [“A Lei n. Afirmou que.1955. haver-se-ia de reconhecer eficácia à iniciativa tempestiva tomada pelo seu titular nesse sentido. nos precedentes que lhe deram origem.437. Por fim.028 do CC. concedendo prazo suficiente para que os contribuintes tomassem conhecimento do novo prazo e pudessem agir. 59 da CF. que o novo prazo só poderia ser validamente aplicado após o decurso da vacatio legis de 120 dias. sob pena de patente e direta violação à garantia de acesso ao Judiciário.CC. ainda que a vacatio legis estabelecida pela LC n. sobretudo. da confiança no tráfego jurídico e do acesso à Justiça. 445.437/1955.1. reservada a cláusula “entra em vigor na data de sua publicação” para as leis de pequena repercussão. 118/2005 não teria pretendido aderir à regra de transição do art. e relembrou que. quedando silente no ponto. 2.1956. ao aprovar a LC n. salvo quanto aos processos então pendentes”]. a despeito da existência do art. seja mediante requerimento administrativo ou. cujo art.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA jurídica. 2. dois desses conteúdos. 95/1998 que dispõe sobre a elaboração. Assim. vencida a vacatio legis de 120 dias. o julgamento de preliminar de prescrição relativamente a ações já ajuizadas. é que seria permitida a aplicação do art. Assim. é aplicável às prescrições em curso na data de sua vigência (1º. não seria possível fulminar. tendo como referência novo prazo reduzido por lei posterior. atentaria. Frisou que. citou a LC n. a redação.028 do Código Civil . Somente se tivesse estabelecido o novo prazo para repetição e compensação de tributos sem determinar sua aplicação retroativa. 2. indiscutivelmente.

Aplicação retroativa ou exame da causa à luz do direito superveniente. mas. Entendeu que o art.n. Portanto. Tributos de diferentes espécies. os seguintes precedentes: Processual Civil e Tributário. LC n. seguindo. na verdade.738-SP. em relação ao termo e ao critério para aplicação da novel legislação. Repetição de indébito. Prescrição. Afirmou se tratar de dispositivo meramente interpretativo. Matéria decidida pela 1ª Seção. qual seja. tem-se que a Primeira Seção deliberou. Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. 853.2011. E. 3º da LC n. Inviabilidade. restando inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a essa data. ou a coisa julgada. Inconstitucionalidade da aplicação retroativa. por sua vez. a. 543-C do CPC. Dias Toffoli. 169 RSTJ. Celso de Mello e Cezar Peluso acompanharam a relatora.6. Os Ministros Ricardo Lewandowski. 566. o ato jurídico perfeito. nesse passo.621-RS. na sessão do dia 24. Compensação.10. o julgamento foi suspenso para aguardar-se o voto do Min. no REsp n. nesse mesmo sentido. a partir de 9. o de que o art. O Min.881-SP. Celso de Mello dissentido apenas num ponto. Recurso especial parcialmente provido. do prazo de 10 anos anteriormente vigente. ou seja.g. o Excelso Pretório entendeu válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias. Observou que a lei pode retroagir. Eros Grau. acrescentou não vislumbrar na lei atentado contra o direito adquirido.5. Aplicação apenas às demandas ajuizadas após a sua entrada em vigor. (REsp n. sob o regime do art. Em divergência. Sucessivos regimes de compensação. (228): 147-204. 118/2005. que buscou redirecionar a jurisprudência equivocada do STJ. Em seguida. Entretanto. por ter sido a ação ajuizada antes da vigência da LC n. 118/2005 só seria aplicável não às ações ajuizadas posteriormente ao término do período de vacatio legis.137. 24.). pela imediata aplicação da jurisprudência do egrégio STF. 3º não inovou. Relator Ministro Teori Albino Zavascki. Marco Aurélio deu provimento ao recurso.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA a aplicação do prazo de 5 anos às ações ajuizadas a partir de então.8. 118/2005. Primeira Turma. o STF ratificou o posicionamento do STJ. 118/2005. No caso concreto. DJe 26.2011 . Relator Ministro Ellen Gracie. o Min. pelo tribunal de origem. reputou correta a aplicação. no sentido de ser indevida a aplicação retroativa do prazo prescricional quinquenal para o pedido de repetição do indébito relativo a tributo lançado por homologação. e não aos pagamentos indevidamente realizados antes do início de vigência da LC n. mas repetiu rigorosamente o que contido no Código Tributário Nacional. como o STJ vinha entendendo. RE n. respeitando esses princípios. no que foi acompanhado pelos Ministros Dias Toffoli. aos próprios fatos ocorridos após esse momento. outubro/dezembro 2012 . Ayres Britto. 5. (STF. tendo o Min.2010). 1.2005. Tributo sujeito a lançamento por homologação.

2011). 1. LC n. A jurisprudência do STJ alberga a tese de que o prazo prescricional na repetição de indébito de cinco anos definido na Lei Complementar n. Primeira Seção. 211-STJ. o Supremo Tribunal Federal. 566. Ação ajuizada em data posterior.2005. 543-C do CPC). Tributário.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Processual Civil. 535 do CPC. (REsp n. 1. Aplicação do prazo prescricional de 5 anos somente às ações ajuizadas a partir de 9. ainda que estas ações digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência.551-RS.079-PE. pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos definido na Lei Complementar n. Violação do art. 118/2005. 3. (. Rel.8. 284-STF. Ministro Mauro Campbell Marques. Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão padece de omissão. 7. Fundamentação deficiente.6. contradição ou obscuridade. 170 . Embargos de declaração no agravo regimental no agravo em recurso especial. Prescrição. Tributário. Súmula n. concernentes à uniformização na interpretação da legislação federal. Fator Acidentário de Prevenção (FAP).002. Ministro Humberto Martins. Ministro Castro Meira. Excepciona-se essa regra na hipótese do julgamento de recursos submetidos ao rito do artigo 543-C do Código de Processo Civil. EDcl na AR n. Repercussão geral.6. Nesse sentido: EDcl no AgRg no REsp n.2011). no julgamento do Recurso Extraordinário n. em sessão plenária realizada em 4.10. Tese não analisada. RE n. 2.6. Segunda Turma. 3º do CTN. Contribuição social. 1.5. Rel.032-SP. Caráter sancionador.701-BA. Repercussão geral. 790. Prazo prescricional quinquenal.2005. 118/2005 somente incidirá sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei. Recurso especial fundamentado na alínea c. Súmula n.8. Direito intertemporal.) 6.2011. Artigo 4º da LC n. Vide o REsp n. 118/2005 incidirá sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas a partir da entrada em vigor da nova lei (9. Não indicação do dispositivo legal ao qual foi dada interpretação divergente. Novel entendimento do STF. ou seja. Segunda Turma.274. julgado pelo regime dos recursos repetitivos (art. haja vista o escopo desses precedentes objetivos.5. consoante dispõe o art.. DJe 25. bem como para sanar a ocorrência de erro material. sob o regime de Repercussão Geral. e EDcl nos EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp n.2011. DJe 20. DJe 4. DJe 4.167. 118/2005. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Rel.621-RS (DJe 18. Não-alegação de violação do artigo 535 do CPC. 9.621-RS.318-RS.2010. 1.3. Recurso especial não conhecido. Rel. 118/2005. Ações ajuizadas após a vigência da LC n. Segunda Turma. Falta de prequestionamento.. Os embargos aclaratórios não se prestam a adaptar o entendimento do acórdão embargado à posterior mudança jurisprudencial.2005). 566.2011. Ministro Herman Benjamin. Este entendimento restou superado quando. Prescrição.

Min. A conclusão do referido julgado restou vazado nos seguintes termos.6. 1.6. o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento. somente se aplica às ações ajuizadas após 9. 1. firmaram o entendimento no sentido de que o art. Rel. Art. Pelas mesmas razões.2011. Relator o Ministro Teori Albino Zavascki. Embargos de declaração acolhidos.6.8. julgado em 25. proclamou que o prazo prescricional de cinco anos.2005). 6. 566. 2.8. do CPC). (EDcl no AgRg no AREsp n. para reconhecer a prescrição das parcelas anteriores ao quinquênio do ajuizamento da ação. Na espécie.2005. Luiz Fux. Prazo de prescrição para a repetição de indébito nos tributos sujeitos a lançamento por homologação.002. 171 RSTJ. superando expressamente o anterior representativo de controvérsia sobre a matéria.122-RS. DJ de 27. 644. Sendo assim. e o recurso representativo da controvérsia REsp n. Tributário. o prazo prescricional de cinco anos.2009. a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. o REsp n. 3º. DJe de 4. sendo aplicável. 118/2005. Por fim. tal entendimento restou confirmado ainda no REsp n.736PE. o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n.11. julgado em 4. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos EREsp n. litteris: Constitucional. 1.2005.621-RS. outubro/dezembro 2012 .6.269. a jurisprudência deste STJ passou a considerar que. com efeitos modificativos.932-SP.002. onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levando-se em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9. data posterior à vigência da LC n. Ministro Benedito Gonçalves. 118/2005. 118/2005. 3º da LC n. DJe 30. ao reconhecer a repercussão geral da matéria no RE n. e relativamente aos pagamentos anteriores.2012.2007.621RS. 543-C. Superado entendimento firmado anteriormente também em sede de recurso representativo da controvérsia. Lei interpretativa.2011). Recurso especial representativo da controvérsia (art. 4. 566.932-SP. a ação de repetição de indébito foi ajuizada em 13. relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 9. No entanto. portanto. submetido ao rito dos recursos repetitivos.9. 1.2010.1. estende-se esse entendimento aos processos julgados sob o regime do artigo 543-B do Código de Processo Civil. O Supremo Tribunal Federal. 24. previsto na Lei Complementar n. (228): 147-204.570MG. Posicionamento do STF. Rel. da LC n. Min. 5. Relator Ministro Mauro Campbell Marques. Alteração da jurisprudência do STJ. 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva. Primeira Seção. Rel. Plenário.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA 3. a. 8. incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Ellen Gracie. Primeira Turma.

Rel. ISS. 118/2005. Min. 116/2003.6. 118/2005. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp n. 543-C do CPC e da Resolução STJ n. notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. eis que a parcela pleiteada foi recolhida em 17 de outubro de 2000. julgado em 23. Primeira Seção.2009.2012. aplica-se o art. pois.932-SP. do CTN. urge inclinar-se esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez.002. para as ações ajuizadas a partir de 9. É como voto. Recurso especial não provido. mostra-se imperioso o juízo de retratação a que alude o § 3º do artigo 543-C do CPC. Desse modo. LC n.2012). julgado em 25. 543-A e 543-B. Primeira Seção. Ministro Mauro Campbell Marques. DJe 4. (REsp n. 3º. como decidido no acórdão regional.11. In casu. contando-se o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art.269.6. tendo a presente ação ordinária sido ajuizada em 11 de dezembro de 2007. para negar provimento ao recurso especial. deve o prazo prescricional incidir na forma do artigo 3º da LC n.628-RS (2011/0020537-8) Relator: Ministro Benedito Gonçalves Recorrente: Cápsula Cinematográfica Ltda Advogado: Rafael Pandolfo e outro(s) Recorrido: Município de Porto Alegre Procurador: Rogerio Quijano Gomes Ferreira e outro(s) EMENTA Tributário. da Lei Complementar n. em face de veto do 172 . 150.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 3. Acórdão submetido ao regime do art. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais.2005. 1. Rel.5. RECURSO ESPECIAL N. Produção de fitas e filmes sob encomenda. 1. Recurso especial. encontrando-se. 5. § 1º. do CPC). 1. prescrita a ação. Ante todo o exposto. Luiz Fux. 08/2008.308.570-MG. Não incidência.

4. a própria cinematografia.03. gravação e distribuição de filmes. Recurso especial provido.03.01 (que previa expressamente tal atividade. mas foi vetado pela Presidência da República). ii) Historicamente. Afasta-se. Interpretação extensiva para enquadramento como atividade de cinematografia. para fins de tributação. a locação de espaços para filmagem e. 56/1987.01. A partir da vigência da Lei Complementar n. não é possível.267-ES. 24. Ademais. de cinematografia. a cinematografia já estava contida na lista anexa ao DL n. 5. com base no conceito de cinematografia. 406/1968. 406/1968 (item 65) e nem por isso justificava a incidência do tributo sobre a gravação (produção) e distribuição de filmes. 4. em face de veto presidencial em relação ao item 13. atividade prevista no item 13. (228): 147-204. embora tenha afastado a incidência do tributo em face do item 13. a incidência do ISS sobre a atividade exercida pela empresa recorrente. até mesmo porque o item vetado não fazia tal distinção. manteve a tributação. O acórdão recorrido.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA item 13. é vedada a utilização da interpretação extensiva” (REsp n. outubro/dezembro 2012 173 . 1. 116/2003. 116/2003. pois: i) “Existindo veto presidencial quanto à inclusão de serviço na Lista de Serviços Anexa ao Decreto-Lei n. embora relacionadas. Impossibilidade. iii) a atividade de cinematografia não equivale à produção de filmes. a. Ministra Eliana Calmon. Segunda Turma. 3. RSTJ. seja destinada ao comércio em geral ou ao atendimento de encomenda específica de terceiro. mediante interpretação extensiva. prevista no item 13. não mais existe previsão legal que ampare a incidência do ISS sobre a atividade de produção. não correspondem à mesma obrigação de fazer. é claro. a contratação de elenco. 2. Recurso especial que discute a incidência do ISS sobre a atividade de produção de filmes realizados sob encomenda à luz da LC n. Atividades que. com redação da Lei Complementar n. portanto. A produção cinematográfica é uma atividade mais ampla que compreende. entre outras.2009). que estava amparada em hipótese autônoma (item 63). Rel.01 da lista que previa a tributação desse serviço. DJe 29. 1.027. o planejamento do filme a ser produzido. enquadrar a atividade em questão em hipótese diversa.

REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ACÓRDÃO Vistos. Se a produção de filmes. Ministros Teori Albino Zavascki. Ministro Benedito Gonçalves. nos termos do voto do Sr. alíneas a e c. justificadamente. I. 174 . 545): Apelação cível. Ação declaratória c. Possibilidade de interpretação extensiva aos subitens da lista anexa à LC n. 116/2003. Incidência. II. ISS.. Os Srs. Produção de filmes. Nas razões do recurso especial (fls. acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça. o enquadramento se dá pelo item 13. da Constituição da República. inciso III. com a indústria cinematográfica. com a criação de material documental. vinhentas. Relator DJe 2. com fulcro no art. Arnaldo Esteves Lima (Presidente) e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. Rejeitados os aclaratórios (fl. Cinematografia. assim ementado (fl. repetição de indébito. Ministro Relator. 561). o Sr.01 (vetado). VTs e audiovisuais é feita sob encomenda para usuários determinados. além de divergência jurisprudencial. aponta violação dos arts. Ministro Francisco Falcão. Ministro Benedito Gonçalves: Trata-se de recurso especial interposto por Cápsula Cinematográfica Ltda. Ministro Relator. na medida em que engloba o conjunto de atividades relacionadas com a produção de filmes cinematográficos.c. por unanimidade. Brasília (DF). Tributário. e não pelo 13. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. 105. 535. enfim. Negado provimento.03 da lista anexa à LC n.8. 116/2003. acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. envolve todas as funções relacionadas ao audiovisual. a empresa. Atividade de cinematografia que não se resume à mera reprodução de filmes.2012 RELATÓRIO O Sr. educacional ou de entretenimento. 592-610). o que prevê expressamente a cinematografia. Ausente. 9º. na forma de produtos de cunho semicomercial ou fundamentalmente comercial. 108. dar provimento ao recurso especial. do CPC. 26 de junho de 2012 (data do julgamento).

o que afastaria seu enquadramento do item 13. 716). No mérito. 7-STJ. inclusive revelação. pelas quais o Município de Porto Alegre defende que: a) a pretensão recursal esbarra no óbice da Súmula n.(ISS). 116/2003.01) foi vetado e. em resumo. trucagem e congêneres”.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA § 1º. cópia. conforme entendimento do STF. VOTO O Sr. Ocorre que sua atividade não pode ser enquadrada unicamente no item 13. vídeos e filmes para usuários específicos. que o item da lista anexa à LC n. até porque o veto pela Presidência da República foi motivado pelo fato de que a produção cinematográfica em escala está sob o manto da incidência do ICMS. essa atividade não poderia se tributada pelo ISS. outubro/dezembro 2012 175 . a atividade não se enquadra unicamente no item 13. 423. b) o enquadramento da atividade da autora no item 13. ao qual dei provimento para determinar a sua autuação como recurso especial (fl. previsto no item 13. como defende a autora. atestada pela prova pericial (fls.01 abrange produção de filmes para o comércio. 116/2003 relativo à produção de filmes (13. a empresa contribuinte interpôs agravo. que trata de “Fotografia e cinematografia. (228): 147-204. quesito 01) é a produção de audiovisual. nem por analogia à hipótese prevista no item 13. Contrarrazões às fls. É o relatório.03 da lista anexa. VTs. vinhetas.03. em conformidade com a Lista Anexa à Lei Complementar n. alega. comerciais. Ministro Benedito Gonçalves (Relator): Conforme relatado. reprodução. 548-551): Feitas tais considerações a adentrando no ponto nevrálgico da controvérsia. A atividade da autora. ampliação. Vale dizer. Já a produção de filmes levada a efeito pela contribuinte é feita sob encomenda para usuários determinados. a.01. 24. por isso. O Tribunal de origem entendeu que a atividade desenvolvida pela recorrente. o item 13. à luz de uma interpretação extensiva.01. Obviamente se fosse o único item a embasar a incidência do imposto. discutese neste recurso especial se a atividade de produção de filmes sob encomenda está sujeita à incidência do Imposto Sobre Serviços . e 110 do CTN. 629-638. tendo em vista que tal previsão foi vetada.01. pode ser enquadrada no conceito de cinematografia. RSTJ. Da decisão a quo que inadmitiu o apelo nobre. a atividade da autora não estaria sujeito ao ISS. Confira-se (fls. 116/2003 foi definido com base em prova pericial.03 da lista de serviços anexa à LC n.

e que coincidentemente ficou conhecido como cinema. envolvendo todas as funções do cinema”.. Nesse ponto procede sua argumentação. no sítio http://www. comerciais. como defende a autora. a arte ou técnica de filmagem.03 da lista anexa à LC n. o vocábulo equivalente. No artigo Princípios da Cinematografia. na forma de produtos de cunho semicomercial ou fundamentalmente comercial. consta: “O termo cinematografia em de “cinematógrafo”. é o “conjunto de métodos e processos empregados pra registrar e projetar fotograficamente cenas animadas ou em movimento” (Aurélio). por exemplo. incluíndo a captação e o desenvolvimento do filme. O termo é usado nos EUA como sinônimo de ‘fotografia para cinema’. Ao contrário do que refere a autora.). o que é diferente da atividade realizada pela autora. é definida como “The art or tecnique od movie photography. a cinematografia não é mera exibição de filmes ou somente isso. É que. que a autora atua na produção de audiovisual. de Filipe Salles. indústria cinematógráfica”. razão não lhe assiste quando pretende afastar seu enquadramento no item 13. No primeiro porque não se admite identificação das atividades prestadas com os “gêneros” da lista anexa. Porém. VTs. não comportaria enquadramento no item 13. cinematografia é muito mais abrangente de que mera reprodução de filmes.. vinhetas. porque o item abrange serviços de publicidade. por ser este conceito a mera reprodução. considerando. dando a impressão ao espectador de estarem em movimento (. processos e técnicas utilizados para captar e projetar nula tela imagens estáticas sequenciais (fotogramas) obtidas com uma câmera especial. 176 . mas sim dos subitens específicos e. Ao contrário. Logo. como visto alhures.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA De fato.mnemocine.. o conceito abrange a atividade de cinema como um todo. uma vez que a cinematografia subentende a captação de uma imagem cinematográfica.06. 116/2003. ou seja. como dito. Na verdade. including both the shooting and development of the film”. no segundo.. para projeção de imagens em movimento. disponível na internet. (.art. o enquadramento ocorre pelo item 13. aparelho desenvolvido pelos irmãos Auguste e Luis Lumière na França. o termo aqui no Brasil tende a ser mais amplo. tampouco no subitem 17. Em inglês. inclusive a atividade por ela realizada. educacional ou de entretenimento. a meu ver. Realização de obras cujo suporte físico é o filme de cinema e cujo objeto é a expressão artística de subjetividade humana. Cinematografia é a atividade que engloba (Houaiss) “o conjunto de princípios. vídeos e filmes para usuários específicos. cinematography. ou a criação de material documental.) Conjunto de atividades relacionadas com a produção de filmes cinematográficos.03.br. Entretanto. É “o processo de filmar e expor imagens” (Caldas Aulete). com referiu a sentença. não há como alegar que a atividade desempenhada pela autora não se enquadra na cinematografia. cuja técnica é de responsabilidade da equipe de fotografia. na medida em que desenvolvida a atividade de cinematografia.

doravante. a análise do mérito da insurgência. como pretende a autora. A esse respeito: REsp RSTJ. a.”) apenas à venda de fita de filmes produzidas sobre encomenda. o Supremo Tribunal Federal. precisamente delineada pelo acórdão recorrido. basicamente. Em torno da aplicação dessa hipótese normativa. conforme esclareceu a perícia.560-SP.01 e 13. a atividade. firmou o entendimento de que a atividade de gravação e distribuição de filmes destinadas ao comércio em geral está sujeita ao ICMS. aqui também entendida a produção. o qual dispunha sobre “gravação e distribuição de filmes e ‘video-tapes’”. via de conseqüência. 179. 116/2003 foram efetivamente interpretados pela Corte de origem.705-SP e 196. De fato. improcede suas alegações. O entendimento da Suprema Corte foi devidamente prestigiado pelo Superior Tribunal Justiça. devido o imposto. 24. a atividade em comento estava disciplinada no item 63 da lista anexa. que restringiu a edição da Súmula n. está sujeita ao ISS. com base em prova pericial. VTs. de maneira que a cinematografia não pode ser restringida. prejudicadas as questões atinentes ao prazo de repetição e aplicação do art. por encomenda. uma vez que a atividade desenvolvida pela empresa. 406/1968. foi. por extensão. Passo. as razões de decidir do acórdão recorrido fundaram-se.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA Ademais. Na vigência do Decreto-Lei n. da atividade exercida pela contribuinte para fins da incidência do ISS.03 e. Lado outro. quando desenvolvida sob encomenda para usuários específicos. como é o caso dos autos. 116/2003 são interpretados de forma extensiva. como já referido. de maneira que a sentença merece manutenção na sua conclusão. outubro/dezembro 2012 177 . Assim. Tendo em vista que os itens 13. pode (e deve) ser enquadrada no item 13.856SP. 166 do CTN. Aliás. 7-STJ. 135-STJ (“O ICMS não incide na gravação e distribuição de filmes e videotapes. no julgamento dos RREE n. o conhecimento do presente apelo nobre não encontra óbice na Súmula n. tenho por prequestionada a tese jurídica relativa à incidência do ISS sobre a atividade de produção de filmes sobre encomenda. 194. vídeos e filmes para usuários específicos”. não sendo necessário a reexame desse fato para apreciar o mérito da pretensão recursal. vinhetas.03 da lista anexa à LC n. no conceito semântico de cinematografia para fins de enquadramento. remanescendo à tributação do ISS a gravação de filmes. concernente à “produção de audiovisual. (228): 147-204. comerciais. os subitens da lista anexa à LC n.

Deve-se esclarecer que. Segunda Turma. fitas cassete. até porque o item vetado.453-RS.984-SP. Ministro Humberto Martins. 179. 472. seja destinada ao comércio em geral ou ao atendimento de encomenda específica de terceiro. veio a ser vetado pela Presidência da República. prevalecendo. No caso concreto. notadamente em razão da jurisprudência do STF acima referida. tenho que não deve prevalecer a fundamentação do acórdão recorrido de que a atividade da contribuinte. Com o advento da Lei Complementar n. gravação. operação que se distingue da hipótese de prestação individualizada do serviço de gravação de filmes com o fornecimento de mercadorias.2007.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA n. comerciais. quando feita por solicitação de outrem ou por encomenda. 194-705-SP e 196. a despeito da motivação da Presidência da República. Ministro Castro Meira. DJ 14. legendagem e distribuição de filmes. vídeos e filmes para usuários específicos”.01. conforme já assentado. a atividade principal da contribuinte é a de “produção de audiovisual. a operação se quantifica como de circulação de mercadoria. 307. 116/2003. AgRg no REsp n. porquanto. 116/2003 não mais existe previsão legal que ampare a incidência do ISS sobre a atividade de produção. VTs. Como consequência dessa decisão foram reformados acórdãos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que consideraram a operação de gravação de videotaipes sujeita tãosomente ao ISS. nessa hipótese. video-tapes. Nessa mesma linha de pensamento. Rel.6.3. REsp n. discos. com a finalidade de entrega ao comércio em geral. gravação e distribuição de filmes. 1.856-SP. Segunda Turma. na espécie. não fazia tal distinção.019. conclui-se que a partir da vigência da Lei Complementar n. tenho que ela não está sujeita à incidência do ISS. 178 . DJ 30.2008.2004.163-SP. edição. Esse item. no julgamento dos RREE n. compact disc. Segunda Turma. essa atividade veio a ser disciplinada no item 13. digital video disc e congêneres” (grifos adicionados).560-SP. cujo relator foi o Ministro Ilmar Galvão. Assim. decidiu que é legítima a incidência do ICMS sobre a comercialização de filmes para videocassete. Rel. DJe 11. Eis os motivos do veto: O item 13.01 da mesma Lista de serviços mencionada no item anterior coloca no campo da incidência do imposto gravação e distribuição de filmes.8. entretanto. tratava-se de empresas que se dedicam à comercialização de fitas por elas próprias gravadas. Rel. isto é. Ocorre que o STF. vinhetas. nos seguintes termos: “Produção. nesse caso a incidência do ISS. Ministra Eliana Calmon. tendo em vista que.

dando a impressão ao espectador de estarem em movimento”.4. (228): 147-204. a mais importante de suas etapas. ISS. Rel. que. conforme o primeiro significado estampado pelo Dicionário Houaiss da língua portuguesa. 24. É o que se depreende do conceito de produção de cinema contido na Enciclopédia Mirador Universal. para ver prequestionada a tese recursal. 406/1968 (item 65) e nem por isso justificava a incidência do tributo sobre a produção. Parque de diversões. Precedentes. a contratação de elenco. mas. provido (REsp n. a. Impossibilidade. nessa parte. Processo Civil. A respeito. 1. é claro. a própria cinematografia. logicamente. gravação e distribuição de filmes. por intermédio de embargos de declaração. a atividade de cinematografia não equivale à produção de filmes. a locação de espaços para filmagem. Ministra Eliana Calmon. Surgida a questão federal no julgamento do apelo. e. Princípio da congruência. assumindo características particulares em cada centro industrial na RSTJ.6. 1. certamente. processos e técnicas utilizadas para captar e projetar numa tela imagens estáticas sequenciais (fotogramas) obtidas com uma câmera especial. Existindo veto presidencial quanto à inclusão de serviço na Lista de Serviços Anexa ao Decreto-Lei n. DJe 29. historicamente.267-ES. 406/1968. não é possível aplicar interpretação extensiva para alcançar atividade específica que foi expressamente excluída da lista anexa em face de veto presidencial. Produção: compreende todas as providências relativas à realização dos filmes. Segundo. assim ementado. Com efeito.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA mediante interpretação extensiva.027. Recurso especial conhecido em parte e. a cinematografia já estava contida na lista anexa ao DL n. Segunda Turma. é vedada a utilização da interpretação extensiva. entre outras. cinematografia é “o conjunto de princípios. Já a produção cinematográfica é uma atividade mais ampla que compreende. Veja-se: Tributário. mostra-se pertinente o precedente indicado pela recorrente. Terceiro. o planejamento do filme a ser produzido. cumpre à parte interessada provocar o Tribunal local. Questão surgida no julgamento da apelação. como visto. in verbis: 12. outubro/dezembro 2012 179 .2009). estava amparada no item 63. 56/1987. com redação da Lei Complementar n. 2. pode ser enquadrada no conceito de cinematografia contido no item 13.1. Primeiro porque. Ausência de prequestionamento.03 da lista anexa. 3. Nãooposição de embargos de declaração. Item vetado.

o plano de trabalho para as filmagens.315. ao meu ver. 12.6. a contratação do pessoal necessário à realização. Não se confundem. 1.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA medida em que divergem as atribuições do produtor. Ao procurar um financiador e um administrador da produção.2. a partir do roteiro. para afastar a incidência do ISS sobre a atividade exercida pela autora e determinar o retorno dos autos para que o Tribunal de origem aprecie as demais questões deduzidas na apelação. a aquisição de material. inclusive. a seguir. RECURSO ESPECIAL N. compreendendo os trabalhos de laboratório. 12. à produção as particularidades técnicas ao acabamento do produto a ser industrializado. dou provimento ao recurso especial.3 Independentemente das peculiaridades de cada centro de produção. portanto.03 permite. onde a linha da produção é antecipadamente planejada. É como voto. caso em que as atividades da produção só principiam com os trabalhos concretos de pesquisa sobre os locais de filmagem. enfim. apresentar o cálculo do orçamento aproximado. no esquema norte-americano de Hollywood. a contratação de técnicos e demais providências iniciais de organização dos trabalhos propriamente ditos. relativas à repetição do indébito. as receitas obtidas pelo produtor e pelo diretor de filmes. a realização propriamente dita se consubstancia nas tomadas de cena e sua articulação pela montagem. bem como a preparação de cópias masters e também alguns recursos publicitários em torno da mercadoria que será oferecida ao público. todas as providências concernentes à viabilidade da filmagem. assume esses encargos iniciais. com freqüência. pode. já tem idéias precisas a respeito do trabalho a ser feito. Eventualmente. por exemplo. Estas são bem mais amplas. Na chamada produção independente é o diretor que. esta sempre comporta o levantamento das locações. a verificação das exigências de filmagem em estúdio. a cobrança do ISS sobre os valores que o cineasta aufere para atuar na produção de determinado filme. onde a produção se inicia já na seleção dos argumentos a serem desenvolvidos em roteiros de filmes.092-RJ (2011/0223435-9) Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Relator para o acórdão: Ministro Teori Albino Zavascki Recorrente: Fidelis Augusto Medeiros Rangel 180 .6. ainda. Cabem. Ante o exposto. O item 13.

Improbidade administrativa.133-MT. 2ª T. Mauro Campbell Marques. 7-STJ). 1.287-MT.2010. Min. DJe de 21. DJe de 8.256. Daí o acertado entendimento do STJ no sentido de que. (228): 147-204.4. 1. 24.675-RS. Fumus boni iuris : indispensabilidade. 2ª T.2011). Humberto Martins.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA Advogado: Felipe Moreira dos Santos Ferreira e outro(s) Recorrido: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro EMENTA Processual Civil e Administrativo.203. decorre automaticamente do ato de improbidade. DJe de 2. § 4º da Constituição. o acórdão recorrido afirmou a presença do requisito de fumus boni iuris com base em elementos fáticos da causa. Min.6. 1. a. que é presumido pela norma.. Mauro Campbell Marques. 1. Min. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. 37.8. por força do art. Herman Benjamin. 1.119-MT. Mauro Campbell Marques.2010.429/1992.2. Min. EDcl no REsp n. bastando ao demandante deixar evidenciada a relevância do direito (fumus boni iuris) relativamente à configuração do ato de improbidade e à sua autoria (REsp n. 2ª T.135. outubro/dezembro 2012 181 . 2ª T. 2ª T. Eliana Calmon.548-PR. MC n. para a decretação de tal medida. cujo reexame não se comporta no âmbito de devolutividade próprio do recurso especial (Súmula n.9. 1. Min.986-MT. decide a Egrégia Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça.. 3.2011. DJe de 20. § 4º) periculum in mora presumido. Min. 2ª T. divergindo do relator.205. 1. 2ª T.6.452-MA. 7º da Lei n.028-RS.9.2010. Castro Meira.2011. Previsão constitucional (art. 9. REsp n. 1.211. nos termos do art. DJe de 22. dispensa-se a demonstração do risco de dano (periculum in mora).2011. Min. DJe de 28. AgRg no REsp n. 2ª T. prosseguindo o RSTJ. Min.115. REsp n. Recurso especial desprovido. A indisponibilidade de bens é medida que. 2. 8..244. e REsp n. Medida cautelar de indisponibilidade de bens. 37.2011. e EDcl no REsp n. Herman Benjamin. No caso concreto.. DJe de 3.10... DJe de 9.

REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA julgamento. primeira parte). Ministro Teori Albino Zavascki. 366) Opostos embargos de declaração. (fl. Relator para o acórdão DJe 14. O aresto foi assim ementado: Direito Processual Civil. Incidência da Súmula n. 380-383). Brasília (DF). 7º e 16 da Lei n. pois a decisão impugnada apresentou dados afirmativos da configuração de irregularidades em contrato de prestação de serviços de manutenção e limpeza dos banheiros das praias do centro da cidade. Ministro Teori Albino Zavascki. de parecer técnico no mesmo sentido. art. asseverando a impossibilidade de aplicação da medida de indisponibilidade de bens. ainda. Inconformismo do agravante sob a alegação de ausência de comprovação de risco de dilapidação de seu patrimônio pessoal. Ministro Teori Albino Zavascki (voto-vista) os Srs. foram rejeitados (fls. Trata-se de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que. Ministro Benedito Gonçalves (RISTJ. 8. vencido o Sr. 5 de junho de 2012 (data do julgamento). Provimento negado. Decisão mantida. 162.429/1992. Nas razões do recurso especial (fls. Votaram com o Sr. 59 deste Tribunal de Justiça. negar provimento ao recurso especial.2012 VOTO-VISTA O Sr. Aduz. 386-396). Recurso conhecido. Decisão agravada que determina a indisponibilidade dos bens de agentes políticos do Município de Rio das Ostras. pois não se encontram presentes os requisitos essenciais do fumus boni iuris e do periculum in mora hábeis a configurar a necessidade de decretação da constrição patrimonial. § 2º. em agravo de instrumento de decisão que determinou a indisponibilidade de bens do ora recorrente nos autos da ação civil pública. Existência de relatório do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro no sentido de superfaturamento de serviços de limpeza do município. que (I) “na decisão que decretou a indisponibilidade. Ministro Teori Albino Zavascki: 1. Não participou do julgamento o Sr. Ministros Francisco Falcão e Arnaldo Esteves Lima. decidiu que deve ser mantida a medida de constrição.6. corroborada pelo 182 . Ação civil pública. nos termos do voto-vista do Sr. por maioria. o recorrente aponta violação aos arts. Ministro Relator. Improbidade administrativa. e.

469.2007). Medida cautelar de indisponibilidade de bens. o recorrido invoca preliminares de nãoconhecimento e. com fundamentos jurídicos adequados. se for o caso. Antecipação de Tutela. 1. com fundamentos juridicamente adequados. ainda que movidos por altos e legítimos propósitos.2003). São Paulo. deu provimento ao recurso especial para afastar o bloqueio de bens. Improbidade administrativa. Castro Meira (DJ 18.583-PR. dilapidar ou alienar os seus bens. Rel. Min. O voto restou ementado nos seguintes termos: Recurso especial. 2. 459-465). A repressão a quaisquer ilícitos e a persecução da reparação dos seus danos. devem se processar com estrita obediência às garantias subjetivas. Rel. ou parte deles. A concessão de medida cautelar de indisponibilidade patrimonial dos bens da pessoa processada sob a imputação da prática de ato de improbidade administrativa (arts. acompanhada pela jurisprudência do STJ: AgRg no REsp n. 7º e 16 da Lei n. 391). O relator. conforme orientação consagrada na doutrina jurídica mais autorizada (TEORI ALBINO ZAVASCKI. mas apenas para afastar o bloqueio de bens do acionado. 395). Min. Napoleão Nunes Maia Filho. Nas contra-razões (fls. se for o caso. à pertinente demonstração dos seus pressupostos específicos (fumus boni iuris e periculum in mora). 905. Ausência de indícios da prática ou da tentativa de alienar. Em parecer (fls. Saraiva. e (III) “medida tão gravosa como essa não pode ser concedida por mera conjectura abstrata” (fl.429/1992. para decretar a indisponibilidade de bens do promovido. (228): 147-204. Arts. 8. (II) a manutenção da medida fere “pacífica jurisprudência. 422. construída no sentido de preservar a ampla defesa garantida constitucionalmente” (fl. colocando em risco futura execução em seu desfavor” (fl. 392). Rel. sem prejuízo de nova decretação. sem prejuízo do trâmite da ação e de nova constrição.9. onerar ou dilapidar bens patrimoniais. Min.429/1992) subordina-se. 7º e 16 da Lei n. No caso em exame. REsp n. A Corte de origem firmou-se apenas na gravidade do ilícito. Min. 3. ora recorrente. não se evidenciou que tivesse o recorrente praticado ou tentado praticar atos visando onerar. Eliana Calmon (DJ 2. 8.366-PR. Necessidade de fumus boni iuris e periculum in mora para a imposição da medida constritiva. outubro/dezembro 2012 183 . necessariamente. pois não têm as autoridades. jamais foi sequer mencionada qual seria a circunstância pela qual o recorrente estaria dilapidando os seus bens. a. tendo a Corte de origem considerado bastante para a constrição apenas a gravidade do ilícito e o seu vulto. que não são suficientes para justificar a referida medida judicial de urgência.9. Direito sancionador. 410-419). 1997). 24.035-SC. a potestade RSTJ.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA acórdão recorrido. Recurso provido. o Ministério Público Federal opinou pelo não provimento do recurso. pede o desprovimento. José Delgado (DJ 9. no mérito.2002). REsp n.6.

4. No especial. Art. manifesto divergência. 37. 535 do CPC. O Tribunal a quo concluiu pela inexistência de elementos que justificassem a indisponibilidade de bens dos recorridos..) 2. nesse ponto.. dispensa-se a demonstração do risco de dano (periculum in mora).. Pedi vista. 2. Improbidade administrativa. Estão presentes os requisitos de admissibilidade do recurso. Fumus boni iuris demonstrado. É desnecessária a prova do periculum in mora concreto. Art. ao fundamento de que o decreto de indisponibilidade de bens somente se justifica se houver prova ou alegação de prática que impliquem em alteração ou redução de patrimônio.10. 8. decorre automaticamente do ato de improbidade.429/1992. Castro Meira.429/1992. 4. os seguintes precedentes: Processual Civil e Administrativo. 7º da Lei n. 7º da Lei n. nos termos do art. para a decretação de tal medida. na forma do art. por si só. (. ou na iminência de fazê-lo.. capaz de colocar em risco o ressarcimento ao erário na eventualidade de procedência da ação. de que os réus estariam dilapidando seu patrimônio. (. § 4º da Constituição.429/1992. que é presumido pela norma.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA de superar os limites do ordenamento jurídico. seria suficiente para motivar o ato de constrição patrimonial.. Indisponibilidade dos bens. 1. 7º da Lei n. todavia.203. à vista do periculum in mora presumido no art. 8. razão pela qual. acompanho o voto do relator. ou seja. 8. 3.2010) 184 . nem interpretar as normas pondoas em confronto com os superiores princípios do sistema. 8. sem prejuízo do regular trâmite da ação e de nova decretação de indisponibilidade patrimonial. Precedentes. Alegação genérica. alega-se a existência de fundados indícios de dano ao erário – fumaça do bom direito – o que. DJe de 28. Decretação. Recurso especial provido. Daí o acertado entendimento do STJ no sentido de que. por força do art. No mérito. mas apenas para afastar o bloqueio de bens. 3. 7º da Lei n. A indisponibilidade de bens é medida que. se for o caso. e com fundamentos juridicamente adequados à medida.429/1992. Requisitos. se presentes os seus pressupostos. Recurso Especial provido. (REsp n.133-MT. 2ª T. pelas razões que seguem. exigindo-se apenas a demonstração de fumus boni iuris. consistente em fundados indícios da prática de atos de improbidade. Min. Nesse sentido.) 6.

.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA Administrativo. 2ª T. O provimento cautelar para indisponibilidade de bens. 24. RSTJ.986-MT.429/1992. Possibilidade.119-MT. 1. a existência de fortes indícios de responsabilidade na prática de ato de improbidade que cause dano ao Erário (fumus boni iuris). Indisponibilidade de bens. Improbidade administrativa. 1. Min. EDcl no REsp n. Herman Benjamin.2010). DJe de 20. 8. Min. ou na iminência de fazê-lo..2. 3. No mesmo sentido: MC n.8. 9. Requisitos para concessão. do dano ao Erário e/ou do enriquecimento ilícito do agente. Mauro Campbell Marques. qual seja. de que trata o art.. tendo em vista que o periculum in mora está implícito no comando legal. (REsp n.675-RS. Ação civil pública. 1. Precedente do STJ. Indisponibilidade dos bens. Recurso especial não provido. Requisitos. É admissível a concessão de liminar inaudita altera pars para a decretação de indisponibilidade e seqüestro de bens. para respaldá-la. outubro/dezembro 2012 185 . Decretação. A demonstração. 8.211. Min.205. A indisponibilidade dos bens é medida de cautela que visa a assegurar a indenização aos cofres públicos. visando assegurar o resultado útil da tutela jurisdicional. 4. Mauro Campbell Marques. sendo necessária. da Lei n. Improbidade administrativa. 5. Precedentes do STJ.6.452-MA. 2ª T. 2. DJe de 9. 1. Art. 2ª T. Eliana Calmon. exige fortes indícios de responsabilidade do agente na consecução do ato ímprobo. Art. em especial nas condutas que causem dano material ao Erário. (228): 147-204. O requisito cautelar do periculum in mora está implícito no próprio comando legal. DJe de 22.6. 1.429/1992.135. 8. que prevê a medida de bloqueio de bens.2010) Processual Civil e Administrativo.4.548-PR. 7º. 4. Cuidam os autos de Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal no Estado do Maranhão contra a ora recorrida e outros. 2. a. o ressarcimento ao Erário.2011. Herman Benjamin. em virtude de suposta improbidade administrativa em operações envolvendo recursos do Fundef e do PNAE. Min. Min.429/1992. 7º da Lei n. 3.2011. Ação civil pública.115.. EDcl no REsp n. Tal medida não está condicionada à comprovação de que os réus estejam dilapidando seu patrimônio. uma vez que visa a “assegurar o integral ressarcimento do dano”. parágrafo único da Lei n. DJe de 3. DJe de 8. 1. Liminar inaudita altera pars. Recurso Especial provido. 7º. (REsp n. em tese. caracteriza o fumus boni iuris. 2ª T.2011. parágrafo único. 2ª T..

2010. Inexistência de indícios de responsabilização do agente.4.como parte legítima a figurar no pólo passivo de ações de improbidade administrativa. 1.incluindo secretário municipal.2011). Improbidade administrativa. 1. 7º da Lei n. 2ª T. emanada da Justiça Federal. que havia sido deferida na Justiça Estadual. consistente em fundados indícios da prática de atos de improbidade.2. DJe 20. exigindo-se apenas a demonstração de fumus boni iuris. REsp n. conexa à ação civil pública de improbidade administrativa. Razão que. 1. Min. 2. Mauro Campbell Marques. 535 do CPC. Por outro lado. 967.548-PR. Rel. Rel. Cuida-se de recurso especial contra acórdão que deu provimento ao agravo de instrumento interposto por Roberto Grando contra a decisão proferida em ação cautelar inominada.2010. ou na iminência de fazê-lo.2010. Periculum in mora presumido no art. É nesse sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Castro Meira. por si só.841-PA. Precedentes: REsp n. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp n. Isso não caracteriza ofensa ao art. DJe 22. Inocorrência. Herman Benjamin. ou seja.256. 2. 186 .203. IX. Recurso especial.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 4. Min.133-MT. 1. esta Corte Superior tem posição pacífica no sentido de que não existe norma vigente que desqualifique os agentes políticos . do CPC. 8. como se constata das seguinte ementas: Administrativo. Violação ao art. relativamente à configuração do ato de improbidade e à sua autoria. em obediência ao que determina o art.429/1992. na parte em que manteve a decretação da indisponibilidade de bens do ora recorrido. Processual Civil e Administrativo. a qual foi ratificada pela decisão agravada. Min. é necessário que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial. Precedentes. DJe 10. Segunda Turma.135. Rel.846-PI. 3. Rel.9. pela prática dos atos de improbidade. 1.6. Indisponibilidade de bens. Na hipótese. REsp n. Cumpre. Precedentes. subsiste para justificar o desbloqueio dos bens.10. 1. REsp n. julgado em 16. Min.190. o Tribunal a quo não apenas entendeu pela inexistência do periculum in mora. Ministra Eliana Calmon.” (REsp n.2011). 535.2010.115. todavia. de que o réu estaria dilapidando seu patrimônio.452-MA. Min. II. bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. DJe 8. 93. “A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem-se alinhado no sentido da desnecessidade de prova de periculum in mora concreto. Indisponibilidade de bens.12.287-MT. Alegado prejuízo ao erário. Improbidade administrativa. 1. Humberto Martins. como também pela inexistência da fumaça do bom direito. Inicialmente. da Lei Maior. Rel. Castro Meira. Inexistência de fumus boni iuris. ao requerente da medida cautelar a demonstração do fumus boni iuris. para doutrina e jurisprudência que assim os consideram . DJe de 21.

. 7º da Lei n.429/1992. In: BUENO. a instância ordinária também destacou a verossimilhança das alegações do Parquet quanto à ocorrência de lesão ao patrimônio público. Improbidade administrativa: estudo sobre a demanda na ação de conhecimento e cautelar. com apoio em autorizada doutrina (BEDAQYE. 37. nesse caso.. 1.). § 4º) (ZAVASCKI. Dessa forma. p. DJe de 2. 2º da Lei n. ou enriquecimento ilícito do agente. p. p. Teori Albino. é plenamente regular a imposição dessa medida. por outro. Cássio Scarpinella. ALVES. 2003. 8. Mauro Campbell Marques. 8. apenas e tão-somente. a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que existe perfeita compatibilidade entre o regime especial de responsabilização política e o regime de improbidade administrativa previsto na Lei n. a. RSTJ. 133). Min. PORTO FILHO.079/1950. Sobre a aludida violação dos arts. assentada em fundamento constitucional expresso (art. 8. no tocante ao fumus boni iuris. cabendo. no presente caso. adotada também por outros autores (v. 2008. Precedentes. caracterizados os requisitos ensejadores da medida assecuratória de indisponibilidade patrimonial dos bens dos recorridos. José Antônio Lisbôa. sobretudo diante do que se depreende da decisão que deferiu a liminar. NEIVA. São Paulo: Malheiros. p. 5. O risco de dano é. Tutela jurisdicional cautelar e atos de improbidade administrativa. Improbidade Administrativa. 2005.9. 8. Improbidade administrativa: questões polêmicas e atuais. restrições em relação ao órgão competente para impor as sanções quando houver previsão de foro privilegiado ratione personae na Constituição da República vigente. RJ: Lumen Juris Editora. 2011. 4ª ed. 7. cumpre ao requerente demonstrar o requisito da verossimilhança. Émerson.244. Niterói: Impetus. Registro que é também nesse sentido o entendimento que manifestei em sede doutrinária. 2ª T. ao registrar. 24.028-RS. 303. (228): 147-204. Os secretários municipais se enquadram no conceito de “agente público” (político ou não) formulado pelo art. de modo que ficava limitado o deferimento dessa medida acautelatória à verificação da verossimilhança das alegações formuladas na inicial. José Roberto dos Santos. 7º. 2ª ed. a demonstração de possível dano ao erário. SP: RT. e essa é característica própria da medida constritiva. 1.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA 4.: GARCIA. 5ª ed. outubro/dezembro 2012 187 . 10 e 16 da Lei n. Recurso especial provido (REsp n.g. 751). 118). 6. mesmo que seus atos pudessem eventualmente se subsumirem à Lei n. Rogério Pacheco. Pedro Paulo de Rezende (coord.429/1992 e.429/1992.2011).429/1992. 8. se por um lado exige-se. esta Corte Superior já apontou pelo entendimento segundo o qual o periculum in mora em casos de indisponibilidade patrimonial por imputação de conduta ímproba lesiva ao erário é implícito ao comando normativo do art. Processo Coletivo: tutela de direitos coletivos e tutela coletiva de direitos. presumido. o seguinte: Em qualquer caso. indispensável a qualquer medida cautelar. Com efeito.

Machado Construtora Ltda (fl. na qualidade de Secretário Municipal de Meio Ambiente do Município de Rio das Ostras no ano de 2004. Assim. No caso. o que não é cabível no âmbito do recurso especial. 390). 368-369). RELATÓRIO O Sr. ou seja. (a) “da leitura dos dispositivos.839. Os fatos são graves. refutar essas afirmações demanda a reapreciação do conjunto fático-probatório dos autos.97).12) e o que fora efetivamente pactuado pela municipalidade (R$ 1. para a decretação de tal medida. F. por força do art.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA É importante reiterar e salientar essa circunstância: a indisponibilidade de bens é medida que. o recorrente alega que.159. bastando ao demandante deixar evidenciada a relevância do direito (fumus boni iuris). 6. 37. decorre automaticamente do ato de improbidade. 29 deste agravo de instrumento). Daí o acertado entendimento do STJ no sentido de que. dando notícia de irregularidades no contrato discutido nos autos da ação civil pública ora combatida. § 4º da Constituição. 7 do STJ. assinava planilhas e prestação de serviços em seu valor máximo contratado sem real comprovação da efetivação dos mesmos. a configuração do ato de improbidade e a sua autoria. Trata-se de Recurso Especial interposto por Fidelis Augusto Medeiros Rangel. a manutenção da indisponibilidade” (fls. divergindo do relator. hábeis a configurar a necessidade de decretação da indisponibilidade” (fl. nego provimento ao recurso especial. em cognição sumária. 395). Diante do exposto. e (b) “uma medida tão gravosa como essa não pode ser concedida por mera conjectura abstrata” (fl. bem como era o responsável direto pela fiscalização do contrato celebrado com a Empresa R. 5. que é presumido pela norma. conforme estabelece a Súmula n. A decisão impugnada também apresenta dados afirmativos no sentido da existência de relatório do Tribunal de Contas deste Estado. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho: 1. dispensa-se a demonstração do risco de dano (periculum in mora). A decisão guerreada aponta importante diferença entre o razoável do contrato em 2006 (R$ 193. com fulcro na alínea 188 . inferese que no presente caso não se encontravam presentes os essenciais requisitos do fumus boni iuris e do periculum in mora. o Tribunal a quo decidiu que “há nos autos notícia de que o Agravante. Contudo.017. justificando. apontando aparente superfaturamento na contratação pelo Município de Rio das Ostras de serviços de manutenção e limpeza dos banheiros das praias do centro da referida cidade.

Opostos Embargos Declaratórios foram rejeitados. A Corte de origem firmou-se apenas na gravidade do ilícito. Medida cautelar de indisponibilidade de bens. Direito sancionador. Arts. Ação civil pública. em parecer da lavra do ilustre Subprocurador-Geral da República Aurélio Virgílio Veiga Rios. Improbidade administrativa. manifestou-se pelo improvimento do Agravo. 8. sendo certo que o julgador não está obrigado a dissertar sobro todos os dispositivos legais invocados pelas partes Embargos não providos (fls. 391-392). outubro/dezembro 2012 189 . 2. 3. Recurso conhecido. para decretar a indisponibilidade de bens RSTJ. É o que havia de relevante para relatar. por omissão em ponto fundamental. Decisão mantida. 380). Nas razões do seu Apelo Especial. (228): 147-204. a. o que não ocorre no presente feito já que se busca neste recurso a rediscussão de matéria já apreciada e julgada. Omissão. alega o recorrente violação aos arts. quer pela contradição em seus fundamentos. 4. Inexistência. 7º e 16 da Lei n.429/1992. 8. Os embargos de declaração são instrumento de integração do julgado.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA a do art. e. VOTO Ementa: Recurso especial. 366). Provimento negado (fls. no qual se insurge contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. sob pena de ofensa à lógica jurídica. Decisão agravada que determina a indisponibilidade dos bens de agentes políticos do Município de Rio das Ostras. ao argumento de que a gravidade dos fatos. O Ministério Público Federal. quer pela pouca inteligência de seu texto.429/1992. mantida em sua inteireza pelo acórdão. 7º e 16 da Lei n. III da Constituição Federal. já que o cumprimento da pena não pode ser antecipado (fls. não pode simplesmente implicar a decretação da medida. 24. quer ainda. Improbidade administrativa. de parecer técnico no mesmo sentido. assim ementado: Direito Processual Civil. usada como subsídio para fundamentar a indisponibilidade. Incidência da Súmula n. 5. Existência de relatório do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro no sentido de superfaturamento de serviço de limpeza do município. 59 deste Tribunal de Justiça. em aresto assim ementado: Embargos de declaração. 105. Inconformismo do agravante sob a alegação de ausência de comprovação de risco de dilapidação de seu patrimônio pessoal.

Recurso Especial provido. A controvérsia gira em torno da possibilidade (ou não) de se decretar a indisponibilidade de bens 190 . 905. conforme orientação consagrada na doutrina jurídica mais autorizada (TEORI ALBINO ZAVASCKI. ou parte deles. ainda que movidos por altos e legítimos propósitos. Min. Eliana Calmon (DJ 2. 7º e 16 da Lei n. Min. 4. tendo a Corte de origem considerado bastante para a constrição apenas a gravidade do ilícito e o seu vulto. Necessidade de fumus boni iuris e periculum in mora para a imposição da medida constritiva. pois não têm as autoridades. Rel.429/1992) subordina-se. Ausência de indícios da prática ou da tentativa de alienar.6. mas apenas para afastar o bloqueio de bens do acionado.9. se for o caso. A repressão a quaisquer ilícitos e a persecução da reparação dos seus danos. A concessão de medida cautelar de indisponibilidade patrimonial dos bens da pessoa processada sob a imputação da prática de ato de improbidade administrativa (arts.035-SC. se for o caso.9. que não são suficientes para justificar a referida medida judicial de urgência. se presentes os seus pressupostos. Antecipação de Tutela. sem prejuízo do regular trâmite da ação e de nova decretação de indisponibilidade patrimonial.2003). Ministro Napoleão Nunes Maia Filho (Relator): 1. O Sr. 422.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA do promovido. No caso em exame.2007). onerar ou dilapidar bens patrimoniais. dilapidar ou alienar os seus bens. 8. à pertinente demonstração dos seus pressupostos específicos (fumus boni iuris e periculum in mora).2002). REsp n. Rel.366-PR. com fundamentos juridicamente adequados. devem se processar com estrita obediência às garantias subjetivas. nem interpretar as normas pondo-as em confronto com os superiores princípios do sistema. sem prejuízo do trâmite da ação e de nova constrição. necessariamente. 1997). Castro Meira (DJ 18. Min. 1. 469. Saraiva. São Paulo. José Delgado (DJ 9. ora recorrente. 2. mas apenas para afastar o bloqueio de bens. a potestade de superar os limites do ordenamento jurídico. Recurso provido. REsp n. Rel. não se evidenciou que tivesse o recorrente praticado ou tentado praticar atos visando onerar. 3. e com fundamentos juridicamente adequados à medida.583-PR. acompanhada pela jurisprudência do STJ: AgRg no REsp n.

há um título inteiro dedicado à análise da ocorrência ou não da prescrição. 29 deste agravo de instrumento). 1º do Decreto n. embora o Tribunal de origem não tenha mencionado os dispositivos legais tidos por violados. Machado Construtora Ltda (fls. outubro/dezembro 2012 191 . em cognição sumária. o Tribunal a quo teceu as seguintes considerações. não socorre ao Agravante.159. justificando. Confira-se. 20. F. Como afirmado na decisão de fls.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA do promovido em Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa. a orientação do Superior Tribunal de Justiça. A decisão impugnada também apresenta dados afirmativos no sentido da existência de relatório do Tribunal de Contas deste Estado. a plausibilidade do direito não restou demonstrada pois há nos autos notícia de que o Agravante. oneração ou dilapidação patrimonial de bens do acionado.12) e o que fora efetivamente pactuado pela municipalidade (R$ 1. na qualidade de Secretário Municipal de Meio Ambiente do Município de Rio das Ostras no ano de 2004. assinava planilhas de prestação de serviços em seu valor máximo contratado sem real comprovação da efetivação dos mesmos bem como era o responsável direto pela fiscalização do contrato celebrado com a Empresa R.017. ainda que não se tenha feito expressa menção RSTJ.910/1932. a propósito. porém. no que interessa: Presentes os pressupostos de admissibilidade. Art. seguindo precedentes: Processual Civil. Os fatos são graves. a. Pretensão de anulação de lançamento fiscal. (228): 147-204. 322. 368-369). 24. afasta-se a alegação de ausência de prequestionamento. Prescrição quinquenal a partir da notificação. dando notícia de irregularidades no contrato discutido nos autos da ação civil pública ora combatida. 1. 3.839. quando ausente (ou não demonstrada) a prática de atos (ou a sua tentativa) que induzam a conclusão de risco de alienação. Pré-questionamento implícito. Portanto. o que caracteriza o chamado prequestionamento implícito.97). levantada no douto parecer ministerial. Preliminarmente. a manutenção da indisponibilidade (fls. contida em julgamento da 2ª Turma desta Corte. Razão. 2. apontando aparente superfaturamento na contratação pelo Município de Rio das Ostras de serviços de manutenção e limpezas dos banheiros das praias do centro da referida cidade. pronunciou-se sobre a matéria debatida nos autos. Sobre a questão. No acórdão recorrido. uma vez que. A decisão guerreada aponta importante diferença entre o razoável do contrato em 2006 (R$ 193. conhece-se do recurso.

pp. O deferimento da indisponibilidade de bens do indiciado (art. dos quais não há razão para desertar: A teor do art. para aplacar a sede de vingança ou de resposta que a sociedade justamente exige. em sede de Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa. com a comprovação de que o indiciado se apresta a alienar (ou a simular alienar) o seu patrimônio ou parte dele.2011). o que basta para a ocorrência do pré-questionamento implícito. (.12. por exemplo. mas deve ser reiterado que a sua legitimidade depende sempre da presença da aparência de bom direito (plausibilidade de êxito da ação de improbidade) e cumulativamente da demonstração de perigo concreto de ato lesivo. 7º da LIA. 9º da LIA) e de enriquecimento ilícito (art. 4. não estando prevista. além de outras iniciativas que denotem a intenção de desfazer-se de patrimônios ou frustrar ulteriores ressarcimentos de prejuízos (Breves Estudos Tópicos de Direito Sancionador. 20. devidamente explicitados com base em elementos confiáveis e seguros. DJU 1º. na demora natural da solução da lide. Observo que o infalível magistério do ilustre Professor TEORI ALBINO ZAVASCKI. 1. a saber: risco de dano ao direito. Fortaleza. 5.518-MS. a matéria por ele regulada foi devidamente enfrentada. para o caso de ofensa aos princípios da Administração Pública (art. sob o impacto do pedido do Ministério Público ou da Entidade Pública que alegadamente tenha sofrido a lesão ou dano – ainda que de monta – ou sob a pressão da mídia. a medida cautelar de bloqueio dos bens do indiciado (cautelar patrimonial) pode ser decretada nos casos de lesão ao patrimônio público (art. 192 .. 7º da LIA). tenho que se trata de medida que se submete aos requisitos do poder geral de cautela. a onerar-se (ou a simular onerar-se) com dívidas súbitas ou extraordinárias. um dos mais acatados Ministro do Superior Tribunal de Justiça. essa necessidade se demonstra. risco de ineficácia da execução. Relativamente ao poder cautelar do Juiz.910/1932. tal como consagrado na doutrina especializada.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ao art.) (AgRg no REsp n. 2011. 181-182). Min. 11 da LIA). a transferir (ou tentar transferir) a titularidade ou o domínio de bens. 10 da LIA). Curumim. Rel. é nesse mesmo sentido: A primeira nota característica dessa espécie de tutela jurisdicional (o mestre se refere à tutela cautelar) está na circunstância de fato que lhe serve de pressuposto: ela supõe a existência de uma situação de risco ou de embaraço à efetividade da jurisdição. portanto. Humberto Martins. escrevendo sobre o poder judicial de cautela. de acordo com a doutrina consagrada das medidas cautelares. 1º do Decreto n. mas há de se pautar na verificação criteriosa da sua necessidade..276. não deve ser praticado à mão larga. antes de concluído o processo de apuração do ilícito.

pp. sem o que a sua concessão tenderá a espraiar-se de forma imoderada e sem a aplicação de necessárias contenções formais e materiais. Contudo. deduzida no feito-matriz: na verdade.. Saraiva. outubro/dezembro 2012 193 . de perigo de dano. Responsabilidade solidária. seguramente. Agravo regimental. tomada antes do esgotamento das vias ordinárias. ou seja. alguma espécie de providência imediata. de comprometimento da efetividade da função jurisdicional. já poderia adotar. a banalização de um modo específico de atuação do poder jurisdicional (o poder cautelar). a.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA obstáculos que o réu maliciosamente põe ao andamento normal do processo e assim por diante. 1997. Fraude em contratos de leasing. São Paulo. Reverencio os doutos entendimentos em contrário – e assinalo que não poucas manifestações o asseguram – mas alinho-me entre os que sustentam que o deferimento de medidas cautelares – quaisquer que sejam os seus conteúdos – sempre se subordinam à devida demonstração dos seus pressupostos singulares. com o (impropriamente) chamado pedido principal. 1. modernamente dotada de autonomia científica e didática. Ação civil pública. Em situações de risco. 7. 8. a qual objetivou apurar fraudes no âmbito de contratos de leasing. Há quem sustente – mas sem razão.). como se sabe. ter-se-á de admitir que o simples acolhimento da inicial de qualquer processo já bastaria. 24. não se pode perder de vista que a jurisdição cautelar. Daí a razão pela qual se pode afirmar que a tutela destinada a prestar tais providências é tutela de urgência (Antecipação da Tutela. 6. (. 27-28). Sócio. como uma providência que o Juiz. com a devida vênia – que a possibilidade de bloqueio dos bens do promovido é medida ínsita na própria Ação de Improbidade Administrativa. Ausência de fundamentação. para justificar a concessão de medidas liminares. por isso. (228): 147-204. não se confunde. essa orientação segue a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Acórdão a quo. Responsabilidade por ato de improbidade administrativa. RSTJ. com a só aceitação da inicial da ação. se assim não for. Considerações genéricas. com a pretensão do autor. Decretação de indisponibilidade e sequestro de bens. como se vê nestes julgados: Administrativo e Processual Civil. sendo fora de dúvida que essa orientação representaria um manifesto exagero e. que denegou agravo de instrumento cujo objetivo foi a concessão de efeito suspensivo à liminar que decretou a indisponibilidade e sequestro dos bens do recorrente em Ação Civil Pública de Responsabilidade por Ato de Improbidade Administrativa.. será indispensável. por si só.

José Delgado. com as suas vendas. 7. 3. Decisum recorrido que deixou de avaliar a extensão e as consequências graves da medida tomada. Inexistência. O só ajuizamento da ação civil por ato de improbidade não é suficiente para a decretação da indisponibilidade dos bens. Rel. A indisponibilidade de bens. Indisponibilidade de bens. 5.583-PR. 6. Enquanto os bens financiados em garantia ao contrato não forem buscados e executados.9. passível de anulação. são apenas entregues ao financiado que.429/1992.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 2. Os bens financiados são da empresa arrendadora. 8. Fumus boni iuris e periculum in mora. 4. 9. Improbidade administrativa. além de não ter tido o cuidado de considerar a caracterização da provisoriedade das alegações iniciais do Ministério Público. pode ser requerida na própria ação. quais sejam. só pode ser efetivada sobre os adquiridos posteriormente aos atos supostamente de improbidade. as prestações assumidas. 194 . tendo em vista que não foi verificada a correspondência entre o fim a ser alcançado por uma disposição normativa e o meio empregado. após o término do contrato. sob pena de se tornar nula. 422. independentemente de ação cautelar autônoma. a qual deve ser juridicamente a melhor possível. Recurso especial provido. A desconsideração da pessoa jurídica é medida excepcional que só pode ser decretada após o devido processo legal. para cassar os efeitos da indisponibilidade e do sequestro dos bens do recorrente (AgRg no REsp n. A indisponibilidade de bens na ação civil pública por ato de improbidade. falar-se em prejuízo patrimonial decorrente do referido negócio jurídico. DJ 9. 1. A decretação da disponibilidade e o sequestro de bens. Chamamento do recorrente para integrar o polo passivo da demanda sustentado no fato de ser ele o sócio principal da empresa e ter assumido responsabilidade referente aos contratos firmados. 8. é impossível. poderá optar pela sua compra. além de não expor em que consistem os riscos determinantes da decretação estatuída. com apoio nas regras impostas pelo devido processo legal. mesmo de forma implícita. Ação civil pública. existência de fundada caracterização da fraude e o difícil ou impossível ressarcimento do dano. em caso de inadimplência. 2. há de ser devida e juridicamente fundamentada. não se elencam os fatos que demonstram os fortes indícios de responsabilidade. Inobservância do Princípio da Proporcionalidade (mandamento da proibição de excesso). o que torna a sua ocorrência em sede liminar. para sustentar. 10. para os efeitos da Lei n. Agravo regimental provido. A medida acautelatória de indisponibilidade de bens só tem guarida quando há fumus boni iuris e periculum in mora.2002). Min. juridicamente. Inocorrência de verificação dos pressupostos materiais para decretação da medida. por ser medida extrema. caso comprovado.

o desafio da jurisdição moderna – máxime em sede sancionadora – é precisamente o de realizar as tarefas da repressão às ilicitudes sem descambar para a inobservância das garantias processuais das pessoas processadas.9. de RSTJ. deve o Julgador assegura-se que estejam presentes os seus requisitos autorizadores. Recurso especial parcialmente provido (REsp n. não carrega qualquer eficácia expropriatória. os princípios da razoabilidade. da proporcionalidade. Ação de improbidade administrativa.2003). 11. 2. quais sejam. inclusive (ou sobretudo) no âmbito penal. mas.6. onde as ilicitudes são mais agressivas e ofendentes dos mais altos valores socialmente prezáveis. insculpidos superiormente no ordenamento jurídico. sem dúvida alguma. a repressão e a censura jurídicas por meio a atuação judicial. o exercício da jurisdição repressiva. no exercício e no desempenho dessa relevante atividade. por parte do réu. Deve-se assinalar que os atos noticiados na Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa são inegavelmente graves – ou são mesmo absolutamente graves – e merecem. DJ 18. Min. 1. a. por mais graves que sejam. (228): 147-204. 9. não veiculando. o periculum in mora e o fumus boni iuris.366-PR. Min. Recurso especial provido em parte para anular a decisão e determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo. 3. embora ceder a essa tentação seja uma ideia que ronda permanentemente. não houve a imprescindível demonstração. Rel. deve o Magistrado respeitar. Rel.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA 3. dada a sua provisoriedade.035-SC. Anote-se que. em todos os casos. Liminar de indisponibilidade de bens. pois se trata de providência que tem finalidade exclusivamente preventiva. para que realize novo julgamento (REsp n. Aliás. como um fantasma. pelo douto órgão ministerial. Acórdão que entendeu desnecessária a análise acerca do periculum in mora para a concessão da liminar é nulo. outubro/dezembro 2012 195 . No caso concreto. no contexto da jurisdição cautelar (seja genérica ou específica). 10. do devido processo legal e da presunção de inocência. qualquer eficácia dotada de definitividade. Eliana Calmon. nos casos de restrição à disponibilidade de bens patrimoniais de qualquer espécie. 12. DJ 2. 24. 469.2007). portanto. de qualquer ato ou tentativa de ato. para o deferimento de medidas liminares ou antecipatórias. seria desnecessário dizer que a tutela cautelar. 905. Requisitos. Fumus boni juris e periculum in mora. Castro Meira. O fato de ser admitida a petição inicial da ação de improbidade não gera a presunção de que o réu irá desviar ou dilapidar seu patrimônio a ponto de dispensar a necessária configuração do periculum in mora para o deferimento do pedido liminar de indisponibilidade de bens.

a fim de se promover a segurança jurídica e impedir que sejam cometidos excessos ou condutas imoderadas. DJe 3. a considerar. Possibilidade de se decretar a medida cautelar na hipótese de aplicação de multa pecuniária. sensato. a ausência de elementos concretos a evidenciar. 3. porquanto se trata de medida altamente vexatória que não deve ser praticada à mão larga. 14. pois 196 . 2005. sendo certo que essa demonstração é juridicamente indescartável para o deferimento judicial de medida cautelar de indisponibilidade de bens. Arnaldo Esteves Lima. Assim. Requisito objetivo. devem se processar com estrita obediência às garantias subjetivas. Agravo não provido. Ação civil pública por ato de improbidade.259-RJ. A repressão a quaisquer ilícitos e a persecução da reparação dos seus danos. afirmando ser a cautelaridade ínsita à Ação de Improbidade Administrativa. 1. a coerência da ação administrativa em face do fato ou de motivo que a originou. Ela tem que ser resultante de motivo razoável e justo (aceitável. escrupulosamente. São Paulo.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA dilapidar o seu patrimônio ou parte dele. no mesmo sentido ensina o Professor MARINO PAZZAGLINI FILHO.5. 2. Prova da dilapidação do patrimônio. em que pese haver algumas decisões em sentido contrário. invocando-se o princípio da razoabilidade para deferimento de cautelar de indisponibilidade de bens. Por fim. como já orientou esta Corte: Processual Civil.168. adverte-se que deve haver o máximo de moderação – e mesmo de prudência – na autorização de constrição patrimonial dos bens materiais da pessoa imputada de improbidade. Min. 13. ao comentar o princípio da razoabilidade: A razoabilidade significa a justeza. por necessidade social. Rel. in casu . Imprescindibilidade. Atlas. p. Indisponibilidade de bens. em especial. Agravo regimental no recurso especial. 1. Agravo de instrumento. 15. sua prática (Lei de Improbidade Administrativa Comentada.2011). deve prevalecer a orientação pré-definida por este Superior Tribunal de Justiça. todo o elenco de garantias processuais. É irrazoável a indisponibilidade de todos os bens do recorrido. não excessivo) que legitima. mas somente quando se observar. Agravo regimental não provido (AgRg no REsp n. Não há prevalecer o fundamento firmado pelo Tribunal de origem no sentido da impossibilidade de se decretar a indisponibilidade dada a natureza pecuniária da sanção a ser aplicada no caso de procedência da ação de improbidade. a possibilidade de dilapidação dos bens. 41).

ou se apresta a praticar. afirmando que o deferimento de tutela cautelar. nem interpretar as normas pondo-as em confronto com os superiores princípios do sistema. aliás.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA não têm as autoridades. renovando o argumento de que a utilização das tutelas de urgência não dispensam a demonstração dos seus pressupostos específicos. atos de alienação ou de oneração patrimonial. Ação coletiva ajuizada 197 RSTJ. 16. a. Fundamento autônomo e suficiente à manutenção do aresto e não impugnado no REsp. 535. 283-STF. Súmula n. o Professor NORBERTO BOBBIO já advertia.338. outubro/dezembro 2012 . 18. 24. 1. Ante o exposto. por isso que somente com a visão sincrética em todo o sistema é que se pode reconhecer a aplicabilidade dos enunciados normativos. submete-se à demonstração – e não apenas à alegação – dos seus requisitos processuais: aparência de bom direito material e indícios de que o réu pratica. com inteira e total propriedade. dá-se provimento ao Recurso Especial. que nenhuma norma jurídica pode ser apreendida ou compreendida fora do ordenamento em que se integra. ainda que o pedido seja incidente em Ação de Improbidade Administrativa. no âmbito de Ação de Improbidade Administrativa. Violação ao art. Alegação de prescrição acobertada pela coisa julgada. II do CPC não configurada.687-SC (2012/0171105-7) Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Recorrente: União Recorrido: Lenoar Bendini Madalena Advogado: Dulcinéia Costa Menegatti e outro(s) EMENTA Administrativo. Recurso especial. (228): 147-204. É como voto. 17. Reitero a autonomia do Processo Cautelar. RECURSO ESPECIAL N. a potestade de superar os limites do ordenamento jurídico. ainda que movidos por altos e legítimos propósitos.

Nessa hipótese. Referido fundamento. por analogia. Não se conhece da alegada afronta ao art. 283 do Pretório Excelso. 284 do STF. da Súmula n. no ponto. demonstrar especificamente quais os temas que não foram abordados pelo acórdão recorrido. na maioria das vezes. tendo em vista que as referidas peculiaridades do microssistema processual coletivo privilegia a máxima efetividade das decisões nele tratadas. mas tão somente a substituta processual dos integrantes da respectiva categoria. por analogia. ainda que não filiados à entidade postulante. O Tribunal de origem afastou a ocorrência de prescrição por entender que a questão encontra-se acobertada pela coisa julgada. Recurso Especial da União desprovido. não é a titular do direito material. Legitimidade do integrante da categoria para propor execução individual do julgado. Aquele que faz parte da categoria profissional (ou classe). diz-se que o bem da vida assegurado pela decisão é fruível por todo o universo de integrantes da categoria. A indivisibilidade do objeto da ação coletiva. da vedação prescrita pela Súmula n. o que atrai a incidência. 4. genericamente. 2. é diretamente favorecido pela eficácia da decisão coletiva positiva transitada em julgado. independente de estar filiado ou associado à mesma entidade. especialmente considerando que o direito subjetivo material (coletivo) se acha em posição incontroversa e já proclamado em decisão transitada em julgado. 1. na verdade. sua violação sem. importa na extensão dos efeitos positivos da decisão a pessoas não vinculadas diretamente à entidade classista postulante que. Recurso especial da União desprovido. a que a lei conferiu legitimidade autônoma para a promoção da ação. suficiente por si só à manutenção do julgado. 5. A deficiência na fundamentação do recurso atrai a aplicação. II do CPC quando a parte recorrente se limita a afirmar. contudo. grupo ou classe. 3.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA por associação classista. representada ou substituída por entidade associativa ou sindical. 535. não foi especificamente impugnado pela recorrente em seu Recurso Especial. 198 .

Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. a. Prevalência deste último. por unanimidade. Ministro Relator. os Srs. outubro/dezembro 2012 . Ministro Relator. 23 de outubro de 2012 (data do julgamento). Os Srs. relatados e discutidos estes autos. seu dispositivo.11. Pela sistemática processual. Relator DJe 9. justificadamente. Honorários advocatícios. 105. Ministros Ari Pargendler e Arnaldo Esteves Lima. no tocante à prescrição quinquenal e à ilegitimidade dos não associados. Brasília (DF). o que faz coisa julgada é o resultado do julgamento. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir. III da Constituição Federal. Coisa julgada. Ministros Benedito Gonçalves e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. o acórdão da 2ª Seção negou provimento aos embargos infringentes. Embargos à execução de título judicial. Trata-se de Recurso Especial interposto pela União com fundamento na alínea a do art. Não o fazendo em sede e momento próprios. ou seja. o acórdão da 5ª Turma do STJ deu parcial provimento ao recurso especial da União para tão somente fixar os juros moratórios em 6% ao ano. assim ementado: Processual Civil. (228): 147-204. Ausentes. deu provimento ao apelo dos autores para dar integral procedência ao pedido inicial. Competia à interessada. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho: 1.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA ACÓRDÃO Vistos. negar provimento ao recurso especial. por maioria. buscar o esclarecimento de eventuais omissões ou contradições naqueles julgados. em razão da fundamentação e ementa das decisões da 2ª Seção desta Corte e da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça. Na ação coletiva proposta pela associação dos escrivães. 199 RSTJ. 2. nos termos do voto do Sr.2012 RELATÓRIO O Sr. 1. Divergência entre a ementa e o dispositivo do acórdão. o acórdão da 3ª Turma. 24. a sentença julgou improcedente o pedido. cujos limites objetivos e subjetivos vão nortear a formação do título executivo judicial. contra acórdão proferido pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

motivo pelo qual deve ser cumprido o decisum considerando que: a. Mesmo assim. posto que a associação teve reconhecida sua legitimidade para defender judicialmente interesse coletivo de toda a categoria. acobertada pela coisa julgada. como requereu a parte autora. 4. 5.475/2002. sob 200 . b. a associação teve reconhecida sua legitimidade para defender judicialmente interesse coletivo de toda a categoria. enão sobre o valor de toda a execução. nos seguintes termos: Processual Civil. ou seja. na forma proposta na inicial. Em se tratando de ação ajuizada por entidade de classe. 827).REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA sujeitou-se à condição de imutabilidade da decisão judicial. desde 1º de janeiro de 1998. 4. 9. seja no primeiro grau. Estando a decisão exequenda. não se exige autorização individual expressa de cada associado ou assembleia deliberativa para o ajuizamento de ação. a prescrição deve ser alegada durante o processo de conhecimento. conforme artigo 193 do Código Civil. Prescrição. Os Embargos de Declaração opostos foram rejeitados. direito de origem comum. Apelação e recurso adesivo desprovidos (fls. a embargante foi condenada a pagar a remuneração integral da função comissionada FC-3 estabelecida nas Leis n. seja em grau de recurso. porquanto a insurgência deveria ter sido levantada na fase de conhecimento. Não há que se falar em violação ao artigo 2º-A da Lei n. 2. 2. mas reconheceu sua aplicação a toda a categoria. descabida a sua alegação em sede de embargos à execução. Coisa julgada. A prescrição da pretensão executiva é aquela que se dá após o trânsito em julgado da decisão de mérito. Antes do advento do trânsito em julgado. Embargos à execução de título judicial. Precedentes do STF (AO n. 1.421/1996 e 10. e não apenas de seus filiados. Se a matéria acerca da prescrição não foi objeto de discussão na ação de conhecimento. e não apenas de seus filiados. no caso concreto. os honorários deveriam ser fixados em 10% sobre o valor da causa dos embargos. 3. Assim. 3. não há óbice ao não associado ou não filiado em promover execução individual. que determinou o pagamento desde janeiro de 1998. Uma vez improcedentes os argumentos ofertados pela embargante. O acórdão embargado não limitou a aplicação do acórdão exequendo apenas aos associados na data do ajuizamento. foi juntada ata da assembleia que deliberou pelo ajuizamento da ação coletiva principal. 152-RS). não pode ser alterada em sede de embargos à execução. 9.494 de 2007. pois o pedido foi baseado em direitos individuais homogêneos.

4.1998). não pode ser alterada em sede de embargos à execução. inviabilizando a compreensão da controvérsia. sob os seguintes fundamentos: (a) o acórdão recorrido. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho (Relator): 1. (b) tendo sido a ação originária ajuizada em 22. Inafastável. 741. constata-se que a recorrente não demonstrou em que consiste a ofensa ao art. 535 do CPC. razão pela qual incide. 9. 2º-A da Lei n. 2º-A da Lei n. como visto. Embargos de declaração rejeitados (fls. 858). 2. 846-847). É o relatório. Precedentes. 535 do CPC. 5. 1º do Decreto n. a recorrente sustenta que o acórdão recorrido violou os arts. 201 RSTJ.494/1997 e 5º. não foi alvo de impugnação nas razões do Apelo Nobre. Quanto à alegação de prescrição.2003. a despeito da oposição de Embargos de Declaração. porquanto a insurgência deveria ter sido levantada na fase de conhecimento.9. 283 do STF. 24. XXI da CF. 867-879 e admitido o recurso pelo Tribunal a quo. Em seu apelo especial. sem a indicação específica dos pontos sobre os quais o julgador deveria ter se manifestado. Inicialmente. 6. autônomo e suficiente à manutenção do aresto hostilizado. a prescrição. tendo se limitado a alegar de forma genérica a existência de supostas omissões no aresto recorrido. atinge as prestações anteriores ao quinquídio que antecede ao ajuizamento da ação originária (22. consequentemente. 20. restando totalmente prescritas as parcelas relativas aos meses de janeiro a agosto de 1998 e parcialmente prescrita a parcela relativa ao mês de setembro do mesmo ano (fls. que determinou o pagamento desde janeiro de 1998. VOTO O Sr. subiram os autos para esta Corte Superior. acobertada pela coisa julgada. inciso VI do CPC. na espécie.494/1997 impede a extensão dos efeitos da condenação para além dos associados constantes de relação apresentada em momento oportuno. portanto. a. a Súmula n. 3. Esse fundamento.910/1932. 3. permaneceu omisso. o Tribunal a quo não reconheceu a sua ocorrência ao argumento de que estando a decisão exequenda. Com as contrarrazões de fls.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA pena de ofensa à coisa julgada. a aplicação do óbice previsto na Súmula n. e (c) o art. eis que não se trata da hipótese prevista no art.9. 9. (228): 147-204. 284-STF. outubro/dezembro 2012 .

A jurisprudência do STJ está pacificada no sentido de que a coisa julgada formada em ação coletiva ajuizada por sindicato não se restringe somente àqueles que são a ele filiados. Segunda Turma. 2475-01. os seguintes julgados: Administrativo. 3.454. Rel. Min. 135. Exequentes que não constavam da listagem de substituídos na ação coletiva.974-RS.911-RS.266-PE. 1. Sebastião Reis Júnior.12. 8º. 213. Humberto Martins. DJe 3.2. Processual Civil. Embargos à execução. A formação da coisa julgada nos autos de ação coletiva ajuizada por sindicato ou associação não se limita apenas àqueles que na ação de conhecimento demonstrem a condição de filiado do sindicato autor e o autorizem expressamente a ingressar com a respectiva ação. 32. 1. Ementário. Ademais. Precedentes: AgRg no RE n.438-PR.516-GO. Min.270. e AgRg no AREsp n. e AgRg no RE n. Cezar Peluso. Sindicato ou associação.5.2011. da Constituição Federal outorga poderes aos sindicatos para agir em juízo na defesa dos interesses coletivos e individuais da categoria profissional que representam.3. Rel.2011. 375. n.454-SC. Rel. Min. Primeira Turma. p. 2ª T.303. Execução de título judicial oriundo de ação coletiva. Precedentes: AgRg no REsp n. DJe 6.2011. e não apenas de seus filiados. Substituição processual. Assim.2012. DJe 5.4. publicado no DJe em 26. LEXSTF v. 1. 202 . 1. Marco Aurélio. p. Mauro Campbell Marques. Ministra Maria Thereza de Assis Moura. Rel. e não apenas aqueles que na ação de conhecimento demonstrem a condição de filiado do autor (Ag n.182.2012). vol. Terceira Seção. 2391-06. REsp n. Ementário.12. têm legitimidade para defender judicialmente interesses coletivos de toda a categoria. Min. Matéria pacificada. Desnecessidade de autorização expressa. AgRg nos EREsp n.343-PE. III. p.2010. a formação da coisa julgada nos autos de ação coletiva deve beneficiar todos os servidores da categoria. Cesar Asfor Rocha. No mesmo sentido. vol. Rel.11. 8. DJe 2.153.566-DF. esta Corte já firmou o entendimento de que o sindicato ou associação. 217. Recurso especial. 1. Sexta Turma. Quanto ao mais. Precedentes. Segunda Turma. Maria Thereza de Assis Moura. 2010. Agravo regimental provido (REsp n. Ausência de ofensa à coisa julgada. Min. Min. Agravo regimental.2010). Rel. Rel. 488.3. 149-152. A demanda nos autos cuida da caracterização da substituição processual ou de representação para que se delimite a extensão subjetiva dos efeitos de sentença judicial. 2. Substituição processual.2011.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 4. o Supremo Tribunal Federal também consigna que o art. Rel. como substitutos processuais. já que a entidade representa toda a sua categoria profissional. publicado no DJe em 3. Precedentes do STJ e do STF. 1. DJe 13. sendo dispensável a juntada da relação nominal dos filiados e de autorização expressa. Min. Segunda Turma. 1. Precedentes. DJe 26.

1. Recurso conhecido e provido. DJe 16.2012). quer nas ações ordinárias.182. Nessa hipótese. desde que comprove essa condição. mas tão somente a substituta processual dos integrantes da categoria. não é a titular do direito material. ainda que não ostente a condição de filiado ou associado da entidade autora da ação de conhecimento. outubro/dezembro 2012 203 . tem legitimidade para propor execução individual. 4. Maria Thereza de Assis Moura. também a estes beneficiarão os efeitos do julgado. Reconhecimento.3. Direito Administrativo. isso porque o universo da categoria pode ser maior do que o universo de filiados à entidade representativa. DJe 5. 24. quer nas seguranças coletivas. À míngua de determinação em sentido contrário na sentença judicial transitada em julgado. Min. limitarem-se à determinada categoria. quando o interesse coletivo estiver sendo tutelado por uma entidade à qual não seja filiada a totalidade da categoria ou grupo interessado e titular do direito. Rel.3. 7. Cinge-se a controvérsia à possibilidade de restrição – na fase de execução – dos efeitos de sentença proferida em ação coletiva ajuizada por entidade sindical em benefício de categoria de servidores públicos. 3º da Lei n. não implica dizer que somente os filiados à entidade que propôs a ação serão beneficiados com a decisão favorável eventualmente proferida. Processo Civil. Rel. como na hipótese. Recurso especial conhecido e provido (REsp n. no caso RSTJ. A dizer. 936. 5ª T. o servidor público integrante da categoria beneficiada. 6. Legitimidade de integrante da categoria não-filiado ao sindicato. em consonância com o art.Jurisprudência da PRIMEIRA TURMA 2. Execução individual de título judicial oriundo de ação coletiva. O art. diz-se que o bem da vida assegurado pela decisão é fruível por todo o universo de integrantes da categoria. II do Código de Defesa do Consumidor. a que a lei conferiu legitimidade autônoma para a promoção da ação. 3. grupo ou classe. da Constituição Federal.073/1990. 2. grupo ou classe. 5. a. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp n.2009). ainda que não filiados à entidade. 8. Realmente. importa na extensão dos efeitos positivos da decisão a pessoas não vinculadas diretamente à entidade classista postulante que. 8º. ocorrendo a chamada substituição processual. (228): 147-204.454-SC. Recurso especial. 6ª T. 1. III. Arnaldo Esteves Lima. na maioria das vezes. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.229-RS. a indivisibilidade do objeto da ação coletiva. o fato de os efeitos da decisão proferida em ações que tutelam interesses coletivos. De fato. Min. na verdade. confere aos sindicatos ampla legitimidade para defenderem em juízo os direitos da categoria. a teor do 103.

não merece reformas o acórdão recorrido. um Sindicato) propõe uma ação que visa à tutela de direitos coletivos de seus associados. Assim. Ante o exposto. 13. os seus efeitos se estenderão a todos que se encontrarem ligados pelo mesmo vínculo jurídico.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA de acolhimento da pretensão. caso a decisão lhe seja favorável. 10. como para evitar que sejam ajuizadas múltiplas ações com o mesmo objeto. nega-se provimento ao Recurso Especial da União. não há como nem porque estabelecer limites subjetivos ao âmbito de eficácia da decisão. entre os quais o conceito de parte. Dessa forma. como encontra-se devidamente evidenciado. Diante dessas considerações. 204 . Deve-se entender que a atuação da entidade se realiza pro omnibus. tanto para melhor atender ao seu propósito. na verdade.g. aquele que faz parte da categoria profissional (ou classe). representada ou substituída por entidade associativa ou sindical. 14. quando uma entidade associativa (v. 9. É como voto. A exegese da ação coletiva favorece a ampliação da sua abrangência. 11. se o que se tutela são direitos pertencentes a toda uma coletividade. que logicamente deve ser uniforme para toda a categoria profissional. tanto que a doutrina e jurisprudência dos Tribunais pátrios orientam ser prescindível autorização expressa de cada membro para o ajuizamento da ação coletiva. 12. vê-se que o surgimento das ações coletivas alteram substancialmente a noção dos institutos clássicos do Processo Civil. A extensão subjetiva é consequência natural da transindividualidade e indivisibilidade do direito material tutelado na demanda. à categoria trabalhadora que o Sindicato representa/substitui processualmente. ou seja. é favorecido pela eficácia da decisão coletiva positiva transitada em julgado. ainda que não esteja filiado ou associado à mesma entidade. ainda que não sejam filiados à entidade sindical autora. 8.

Segunda Turma .

.

O princípio da capacidade contributiva está disciplinado no art. 3. Observância do princípio da capacidade contributiva. 12. O acórdão impugnado afastou a violação do princípio da igualdade tributária. Estabelecimento frigorífico exportador.652-MS (2012/0072877-6) Relator: Ministro Humberto Martins Recorrente: JBS S/A Advogado: Fábio Augusto Chilo e outro(s) Recorrido: Estado de Mato Grosso do Sul Procurador: Fernando Cesar C Zanele e outro(s) EMENTA Processual Civil. 1. que faz restrição expressa à condição de frigorífero exportador. os que possuem diferentes capacidades de contribuir. a empresa impetrante objetivava afastar a aplicação do disposto no § 1º do art. por entender que a questão em análise deve levar em conta o princípio da capacidade contributiva. razão pela qual se rejeita a alegada preliminar de decadência e impetração contra a lei em tese. ou seja. Exclusão do benefício fiscal de crédito presumido de ICMS. 4. O mandamus foi impetrado em caráter preventivo contra decreto de efeitos concretos. existindo situação individual e específica a ser tutelada. segundo o qual: “os tributos serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte”. consequentemente. e suas prorrogações. 37. tratar de forma igual apenas os que tiverem igualdade de condição. . Na origem. que restringiu o direito ao benefício fiscal de crédito presumido de ICMS.RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA N. 2. 13-A do Decreto n. uma vez que é necessário diferenciar os que possuem riquezas diferentes e. 145 da CF/1998. por parte do estabelecimento frigorífico exportador.056/2006. Tributário.

2012 208 . de 2006. por unanimidade. Ministros Herman Benjamin. pela parte recorrente: JBS S/A Dr(a). Relator DJe 29. 8. 7. encontra limitação absoluta no dogma da separação de poderes. Mauro Campbell Marques. Ministro Humberto Martins. por via jurisdicional. 6. nos termos do voto do Sr. 13-A do Decreto Estadual n. Ministro-Relator. de modo que seja atribuído a cada sujeito passivo tratamento adequado à sua condição. sem destaque. É plenamente razoável e proporcional a restrição imposta pelo § 1º do art. pois. Recurso ordinário improvido. A extensão dos benefícios fiscais. pela parte recorrida: Estado de Mato Grosso do Sul Brasília (DF). do Estado do Mato Grosso do Sul. 26 de junho de 2012 (data do julgamento).” Os Srs. que exclui os grandes frigoríferos exportadores do regime diferenciado do crédito presumido. a recorrente teria o direito ao benefício fiscal em questão e passaria a uma situação de maior vantagem em relação às demais pequenas empresas do setor de carnes. Cesar Asfor Rocha e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. até porque já possuem isenção de ICMS nas exportações devido à previsão constitucional. Ulisses Schwarz Viana (Procurador do Estado). Fábio Augusto Chilo.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 5. Dr(a). para minimizar desigualdades naturais. 12. caso a postura extrafiscal do Estado não fosse permitida. A ordem pleiteada não pode ser concedida.6.056. negou provimento ao recurso ordinário. acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: “A Turma. O princípio da igualdade defendido pela recorrente deve ser relativizado pelo princípio da capacidade contributiva. ACÓRDÃO Vistos. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas.

266 do Supremo Tribunal Federal. Portanto. visto que os estabelecimentos frigoríficos que não exportam não são equivalentes àqueles que o fazem.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA RELATÓRIO O Sr. A vedação no mandamento constitucional insculpido no artigo 150. do Decreto n. da Constituição Federal. Exclusão do benefício fiscal de crédito presumido.056/2006 e suas prorrogações. aplicação preponderante do princípio da capacidade contributiva também elencado na Lei Maior (artigo 145. que restringiu o direito ao benefício fiscal de crédito presumido de ICMS. Ordem denegada. A jurisprudência do superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que o mandado de segurança impetrado com o objetivo de se obter o reconhecimento do direito à compensação tributária tem caráter preventivo. a. motivo pelo qual rejeita-se a alegação de decadência. Compensação tributária. alínea b. (228): 205-264. Ministro Humberto Martins: Cuida-se de recurso ordinário em mandado de segurança interposto por JBS S/A. por parte do estabelecimento frigorífico exportador. com fundamento no art. Não incidentes. a suposta ofensa ao princípio da isonomia tributária está descaracterizada em face da inexistência de equivalência entre os ramos de operação de cada empresa. § 1º). 239 do Supremo Tribunal Federal. Decadência.056/2006 (artigo 13-A. Quando presente relação jurídica permanente com a incidência repetida de fato gerador instantâneo. Precedentes STJ. 249. Mérito. contra acórdão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul que denegou o writ. (fl. Eis o teor da ementa do julgado: Ementa. de modo que não incide o impeditivo carreado no Verbete Sumular n. II. Os exportadores têm mecanismo de atuação no mercado diferenciado daqueles que apenas atuam internamente. 13-A. admite-se a eficácia vinculante da sentença também em relação aos eventos recorrentes. outubro/dezembro 2012 209 . de modo a afastar o óbice da Súmula n. 105. 12. Mandado de segurança. 239 e 266 do STF. Mandado de segurança de natureza preventiva. 12. em face de eventual autuação fiscal. da Constituição Federal não restou malferida na hipótese. inciso II. In casu. o Decreto n. porquanto presentes efitos (sic) concretos. e-STJ): RSTJ. Discrímen pautado na observância ao princípio da capacidade contributiva como desdobramento do princípio da isonomia. Estabelecimento frigorífico exportador. 24. ICMS. § 1º) faz restrição expressa à condição do impetrante. o qual objetiva afastar a aplicação do disposto no § 1º do art. Súmulas n.

o direito de utilização do benefício fiscal de crédito presumido de ICMS previsto no art. uma vez que se a recorrente obtivesse o direito de gozo do benefício ora em questão passaria a uma situação de maior vantagem em relação às demais pequenas empresas do setor de carnes.646/2008. 12.912/2009. visto que tal regime não é um direito absoluto dos Contribuintes. no período de vigência do benefício. c) o Supremo Tribunal Federal somente possibilita a concessão de isenção quando não estabelecer tratamento diferenciado entre contribuintes que se encontrem na mesma atividade econômica. caso o contribuinte não se enquadre nas condições. 12. 266 do STF. o que não é possível. entre a data da impetração do mandado de segurança (26.646/2008. ao estabelecer que “o crédito presumido de que trata este artigo é condicionado a que o estabelecimento beneficiário não realize. bem como o direito à compensação do quantum que deixou de ser aproveitado. IV) é razoável a exclusão do regime diferenciado do crédito presumido os grandes frigoríficos exportadores. Diante disto. 12. operação de exportação ou operação de saída com o fim específico de exportação”. pois não há a possibilidade de utilizar mandado de segurança contra a Lei n. 13-A acrescentado pelo Decreto n. 13-A do Decreto Estadual n. não poderá gozar ele do benefício. sem as restrições do parágrafo único deste mesmo dispositivo.056/2006. 12.646 (6. 449-472. V) é razoável a postura extrafiscal do Estado. na qual o Estado de Mato Grosso do Sul sustenta que: I) o recurso ordinário não preenche os requisitos de admissibilidade.056/2006.11.5. o art.056/2006 afronta o princípio da igualdade. II) a recorrente usou do mandamus para obtenção de tutela jurisdicional. 12. 12. b) a restrição prevista no § 1º art. 12. mas com a condição de o contribuinte não praticar operações exportadas. Também.2008). transcorreram mais de 120 (cento e vinte) dias.2010) e a data do acréscimo à redação do Decreto Estadual n.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA O recurso ordinário baseia-se nas seguintes teses: a) Reconhecer. Contrarrazões apresentadas às fls. 210 . 13-A do Decreto Estadual n. na forma dos Decretos n. e não simplesmente preventiva como dito. visto que. com efeitos normativos futuros. visto que tal prática é vedada pela Súmula n. III) a ocorrência da decadência da possibilidade de impetração do mandamus. passou a alíquota (que já fora diminuída de 17% para 4%) para apenas 2%. pois devem cumprir algumas obrigações acessórias para dele usufruírem.

outubro/dezembro 2012 211 . 13-A.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA pois. VII) é vedado ao Poder judiciário exercer função legislativa. 13-A. VI) enquanto o princípio da Capacidade Contributiva utilizado pelo Estado é previsto pelo art. 13-A. VOTO O Sr. não paga ICMS em relação a tal operação. sendo-lhe proibido então. 12.056/2006. da CF). o relatório. do Decreto n. declarar ilegal a condição imposta pelo § 1º do art. Parecer da Procuradoria-Geral da República pelo não provimento do recurso ordinário (fls. 578-584. como pratica operações com fim de exportação. e-STJ). Recurso ordinário em mandado de segurança. e-STJ). Observância do princípio da capacidade contributiva (art. e aos produtos resultantes de seu abate. 145. e suas prorrogações. dispondo sobre tratamento tributário dispensado às operações com gado bovino. 502. 145. § 1º. Inexistência de ofensa ao princípio da isonomia tributária. atribuindo-lhe um tratamento adequado à sua condição desigual. 12. que restringiu o direito RSTJ. Autos remetidos ao STJ (fl. Não cumprimento pela impetrante dos requisitos necessários para a concessão do benefício fiscal de crédito presumido de ICMS (art. (228): 205-264. sob pena de estar legislando. Ministro Humberto Martins (Relator): PRELIMINAR: DA POSSIBILIDADE DE IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA PARA OBTENÇÃO DA TUTELA O mandado de segurança ajuizado pela recorrente atacava ato coator praticado pelo Governador do Estado de Mato Grosso do Sul que editou o Decreto n. § 1º da CF/1988. do Estado de Mato Grosso do Sul).056/2006.056/2006. É. do Decreto n. no essencial. § 1º. 12. Objetiva com a impetração afastar a aplicação do disposto no § 1º do art. Preliminares de decadência e de inadequação da via eleita afastadas. de forma que cada indivíduo seja tratado de maneira que sejam reconhecidas as suas diferenças. para minimizar desigualdades naturais. conforme a seguinte ementa: Direito Tributário. e simplesmente manter o benefício. Parecer pelo conhecimento e desprovimento do recurso. 24. a. o princípio da Igualdade usado pela recorrente deve ser relativizado pelo princípio da Capacidade Contributiva.

porquanto o decreto possui efeitos concretos. existindo situação individual e concreta a ser tutelada. em caráter preventivo. de que somente fará jus a tal crédito os estabelecimentos que não realizem operações de exportações ou de saída. de modo que o imposto devido seja aplicado com a redução de base de cálculo. quando o writ for ajuizado em caráter preventivo (em razão de eventual autuação fiscal). 13-A do Decreto Estadual n. o parágrafo primeiro do diploma traz condições. Cuida-se. O crédito presumido de que trata este artigo é condicionado a que o estabelecimento beneficiário não realize. 12. simplesmente resfriados. passando a ser de dois por cento. seja equivalente a dois por cento. No entanto. no período de vigência do benefício.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ao benefício fiscal de crédito presumido de ICMS. Rejeito a preliminar de impossibilidade de impetrar mandado de segurança contra a lei em tese. 213-STJ). 7º. congelados ou salgados. de modo a se declarar o direito à compensação tributária (Súmula n. os estabelecimentos frigoríferos industrializadores de charque. razão pela qual também se rejeita a alegada preliminar de decadência. por parte do estabelecimento frigorífico exportador. e a jurisprudência dessa Corte reconhece a viabilidade da impetração. O ato combatido está materializado no disposto no § 1º do art. não sendo tal benefício um direito absoluto dos Contribuintes. A Lei estabelece que nas saídas internas. de obrigações acessórias a serem cumpridas. crédito presumido equivalente a vinte e cinco por cento do valor resultante da aplicação da alíquota de dezessete por cento sobre a base de cálculo reduzida na forma do disposto no art. verbis: Art. de 2006. incluídos os industrializadores de charque. DA PRELIMINAR DA DECADÊNCIA O mandamus foi impetrado. de forma que o imposto devido. resultantes de abate de gado bovino ou bufalino. resultantes de abate de gado bovino ou bufalino. durante o período de vigência do referido benefício.056. contra decreto de efeitos concretos. com o fim específico de exportação. que faz restrição expressa à condição da empresa impetrante. 212 . aplicados a redução de base de cálculo e o crédito presumido. Fica concedido até 31 de dezembro de 2012. aos estabelecimentos frigoríferos. 13-A. portanto. § 1º. fazem jus ao crédito presumido. como frigorífero exportador. nas operações internas com charque ou com carnes e demais produtos e subprodutos comestíveis. operação de exportação ou operação de saída com o fim específico de exportação.

II. outubro/dezembro 2012 213 . em compensar o poderio econômico de determinadas empresas perante as de menor alcance. facultado à administração tributária.) No cerne do writ. Assim. da Constituição Federal. na condição de legislador.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA DO MÉRITO No mérito..) Da leitura d dispositivo acima. diferentes capacidades de contribuir. A isonomia imposta pelo artigo 150. propriamente dito. enquanto que o impetrado justifica o discrímen pelo emprego do princípio da Capacidade Contributiva.. respeitados os direitos individuais e nos termos da lei. Trata-se. os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. De fato. II. especialmente para conferir efetividade a esses objetivos. Justifica-se a diferenciação tributária quando haja situações efetivamente distintas. a. exsurge clara a intenção do chefe executivo. 24. (. § 1º. portanto. o patrimônio. O debatido § 1º do artigo 13-A do Decreto n. o voto condutor do acórdão ora impugnado. pois. se tenha em vista uma finalidade constitucionalmente amparada e o tratamento diferenciado seja apto a alcançar o fim colimado.056/2006 dispõe: (. de que sempre que possível.. ou seja. Pois bem. deve ser diferenciado (através de isenções ou de incidência tributária menos gravosa) o tratamento de situações que não revelem capacidade contributiva ou que mereçam um tratamento fiscal ajustado à sua menor expressão econômica. aliás.) RSTJ. da Constituição Federal. de preceito estampado no artigo 145. discriminação arbitrária. Segundo percuciente lição de Luciano Amaro... e com desigualdade os que revelem riquezas diferentes e. por sua vez. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte. está nos seguintes termos: (. 12. pauta-se a impetrante na assertiva de que restou malferido o Princípio da isonomia no desdobramento conferido pelo artigo 150. Hão de ser tratados. infere-se que foram excluídos do benefício de redução de alíquota os estabelecimentos frigoríficos que tenham exportado seus produtos. da Constituição Federal impede que haja diferenciação tributária entre os contribuintes que estejam em situação equivalente. com igualdade aqueles que tiverem igual capacidade contributiva. (228): 205-264. identificar. em decorrência da complexidade que a operação de enviar produtos nacionais para outros países envolve. não obstante a precariedade da redação do parágrafo supracitado.. é notório que as empresas exportadoras detêm maior capacidade econômica e articulação negocial.

Com grande propriedade.. tratar de forma igual apenas os que tiverem igualdade de condição. Isso posto. e em consonância com o entendimento do acórdão recorrido. Denota-se que o acórdão impugnado afastou a violação do princípio da igualdade tributária. A vedação contida no mandamento constitucional obsta o “tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente”. dessome-se evidente que a ponderação da atividade econômica exercida. e que tenham sua sede e administração no País. conceder tratamento favorecido (art. por entender que a questão em análise deve levar em conta o princípio da capacidade contributiva. todavia. Os exportadores têm mecanismo de atuação no mercado diferenciado daqueles que apenas atuam internamente. circunstância não caracterizada nos autos.) Destarte. carro do ano. a não ser que se trate de situações em que a 214 . é subjetiva quando leva em conta a pessoa (capacidade econômica real). in casu. justificada a desequiparação operada pelo ato normativo em comento. ou seja. a denegação da ordem é medida de rigor. a suposta ofensa ao princípio da isonomia tributária está descaracterizada em face da inexistência de equivalência entre os ramos de operação de cada empresa. consequentemente. que a capacidade contributiva. IX). (. leciona Hugo de Brito Machado: É certo que nossa Constituição contém regras no sentido de que o desenvolvimento econômico e social deve ser estimulado (art. (Grifei). com o parecer. Não nos parece. que: “os tributos serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte”. sob a ótica da possibilidade econômica de pagar tributos (ability to pay). ou seja. ainda. os que possuem diferentes capacidades de contribuir. a exportação. pois é necessário diferenciar os que possuem riquezas diferentes e. a Constituição Federal estabelece em seu art. em relação à empresa de pequeno porte constituída sob as leis brasileiras. Tal conclusão decorre do fato de que estabelecimentos frigoríficos que não exportam não são equivalentes àqueles que o fazem. mas objetiva quando toma em consideração manifestações objetivas da pessoa (ter casa. 145. A respeito do princípio da capacidade contributiva.. sejam tais disposições capazes de validar regra isentiva de imposto de renda.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Acresça-se. denego a segurança. sítio numa área valorizada). Não merece reforma o aresto ora combatido. e especificamente no sentido de que a lei poderá. é díscrímen apto para excluir o benefício ao crédito presumido. 170). os “signos presuntivos de capacidade contributiva”. Portanto. 170.

Isenção de imposto de renda a empresa industrial. de fatos que ostentem signos de riqueza”. e-STJ).00 (4% de R$ 500. no exemplo de uma empresa pequena que comercialize R$ 1. Portanto. a capacidade contributiva relativa ou subjetiva.00 (um mil reais) em carne resultante apenas de operações internas (alíquota de 4%). RSTJ. para minimizar desigualdades naturais. Ilustrativo e esclarecedor é o exemplo apresentado pelo recorrido.000. constitui flagrante violação do princípio da capacidade contributiva. especialmente se concedida por prazo muito longo. em suas contrarrazões: Num exemplo razoável de uma empresa grande que comercialize R$ 1. p.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA isenção realiza o princípio da Capacidade Contributiva. de tal modo que os participantes do acontecimento contribuam de acordo com o tamanho econômico do evento. a. a pretexto de incrementar o desenvolvimento regional. como acontece com certas empresas no Nordeste. ou aquelas que em geral são pertinentes ao considerado o mínimo vital.00). 24. segundo a qual: “a repartição da percussão tributária. o princípio da igualdade defendido pela recorrente deve ser relativizado pelo princípio da capacidade contributiva. como acontece com a concedida às microempresas. princípio da capacidade contributiva relativa ou subjetiva. sem qualquer consideração ao montante do lucro auferido. (fl. 181-182).” (Curso de Direito Tributário. o pagamento do ICMS seria igual a R$ 20. favorecidas com isenção ou redução do imposto de renda a cerca de vinte e cinco anos. de outro. E. que segundo o autor: “retrata a eleição. São Paulo: Malheiros Editores. São Paulo: Editora Saraiva. pela autoridade legislativa competente. 21 ed. No entanto. mas que este só se torna exequível na exata medida da satisfação do princípio da capacidade contributiva absoluta ou objetiva.00 (um mil reais) em carne resultante de metade de operações internas (alíquota de 4%). (Curso de Direito Tributário. também ensina Paulo de Barros Carvalho que o referido princípio é dividido em dois momentos distintos. e metade de operações exportadas (alíquota zero). qual seja. de modo que cada indivíduo seja tratado de maneira que sejam reconhecidas as suas peculiaridades.458.00 (4% de R$ 1. p. Ainda nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho. (228): 205-264. o pagamento de ICMS seria igual a R$ 40. quando utilizada no segundo sentindo. 29 ed.000. 41) No mesmo sentido.00). atribuindo-lhe tratamento adequado à sua condição desigual. sua existência está intimamente relacionada à realização do princípio da igualdade. outubro/dezembro 2012 215 .000. o princípio préjurídico da capacidade contributiva absoluta ou objetiva.

DJe 11. de 2006. 4. para equilibrar determinadas situações fático-jurídicas. 13-A do Decreto Estadual n. a ele negado provimento. de modo a tributar de forma mais justa determinada hipótese de incidência tributária. (RE n. pois. 388. caso a postura extrafiscal do Estado não fosse permitida. é plenamente razoável e proporcional a restrição imposta pelo § 1º do art. Conforme jurisprudência reiterada deste Supremo Tribunal Federal. Lei n. Portanto. III. do Estado do Mato Grosso do Sul. A vedação constitucional de tributo confiscatório e a necessidade de se observar o princípio da capacidade contributiva são questões cuja análise dependem da situação individual do contribuinte. A propósito: Recurso extraordinário. a recorrente teria o direito ao benefício fiscal em questão e passaria a uma situação de maior vantagem em relação às demais pequenas empresas do setor de carnes. Ausência de prequestionamento quanto à alegação de inconstitucionalidade formal da Lei n. Por fim. inc. principalmente em razão da possibilidade de se proceder a deduções fiscais. por via jurisdicional. como se dá no imposto sobre a renda. 146.250/1995 por contrariedade ao art. Rel. nego provimento ao recurso ordinário. Marco Aurélio. p/ acórdão Ministra Cármén Lúcia. alínea a.312-MG . Correção monetária das tabelas do imposto de renda. na parte conhecida. Ante o exposto. Min. como o crédito presumido. 216 .250/1995. 3. 2. obstando discriminações e extinguindo privilégios. Recurso extraordinário conhecido em parte e. Recurso conhecido em parte e.056. 9.2111). o Ente tributante pode conceder benefícios fiscais. devido à previsão constitucional. Rel. da Constituição da República. 1. Precedentes. a ele negado provimento. Em meu sentir. até porque já possuem isenção de ICMS nas exportações. não cabe ao Poder Judiciário autorizar a correção monetária da tabela progressiva do imposto de renda na ausência de previsão legal nesse sentido. que excluiu os grandes frigoríferos exportadores do regime diferenciado do crédito presumido. na parte conhecida. Necessidade de lei complementar e contrariedade aos princípios da capacidade contributiva e do não confisco. 12.10. encontra limitação absoluta no dogma da separação de poderes. É como penso. É como voto. Entendimento cujo fundamento é o uso regular do poder estatal de organizar a vida econômica e financeira do país no espaço próprio das competências dos Poderes Executivo e Legislativo.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Assim.Tribunal Pleno. 9. Direito Constitucional e Econômico. não é demais lembrar que a extensão dos benefícios fiscais. a ordem pleiteada não pode ser concedida.

768-SP. prevê que “qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. 1. LXXIII. Interesse processual. da Lei Maior por entender que. inc. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. ficando o autor. salvo comprovada má-fé. também. em seu art. Pré-qualificação de concorrência para concessão que objetiva a exploração da Ponte Presidente Costa e Silva (Ponte RioNiterói). 5º. Recurso especial.297-DF (2006/0093399-2) Relator: Ministro Mauro Campbell Marques Recorrente: União Recorrido: Walmir José de Souza Advogado: Paulo Henrique Nunes Dias EMENTA Administrativo. Ausência de lesividade econômica. à moralidade administrativa. a. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA RECURSO ESPECIAL N. basta a ilegalidade do ato administrativo a invalidar. Defesa da moralidade administrativa. para o cabimento da ação popular. LXXIII. 2. por contrariar normas específicas que regem a sua prática ou por se desviar de princípios que norteiam a Administração Pública. Atos relativos à concorrência administrativa processada em condições que impliquem na limitação das possibilidades normais de competição. Processual Civil. é cabível com vistas a anular atos lesivos à moralidade administrativa. sendo dispensável a demonstração de prejuízo material aos cofres públicos. o ato impugnado consiste na pré-qualificação da concorrência para concessão da exploração da Ponte Presidente RSTJ. No presente caso. O Supremo Tribunal Federal. A Constituição da República vigente. Ação popular. pacificou ser ausente a contrariedade ao art. 170. outubro/dezembro 2012 217 . (228): 205-264. inserindo no âmbito de uma democracia de cunho representativo eminentemente indireto um instituto próprio de democracias representativas diretas. no julgamento do RE n. 5º. 24. Existência. Tal dispositivo deixa claro que a ação popular. 849. 3.

na conformidade dos votos e das notas taquigráficas. Ministro-Relator. Ministro Mauro Campbell Marques: Trata-se de recurso especial interposto pela União. pois. negou provimento ao recurso. Ausente. c.10. o seguinte resultado de julgamento: “A Turma. 4. mas também o patrimônio moral e cívico da administração.2012 RELATÓRIO O Sr. por unanimidade. a Lei n. 4. Ministro Mauro Campbell Marques. 422): 218 .717/1965 registra como nulos os atos relativos à concorrência administrativa processada em condições que impliquem na limitação das possibilidades normais de competição. a Lei n. 2 de outubro de 2012 (data do julgamento). assim ementado (fls.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Costa e Silva (Rio-Niterói) realizada em 1993. Nesse contexto. 4. Recurso especial não provido. de prejuízo econômico para o Estado. III. com base na alínea a do permissivo constitucional. mesmo não havendo lesão no sentido pecuniário. acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça. Ministro Relator. não há que se cogitar em lesão somente quando da celebração do contrato de concessão e. Humberto Martins e Herman Benjamin (Presidente) votaram com o Sr. Brasília (DF). 4º. sem destaque e em bloco.” Os Srs. 5. 6. c. em ausência de interesse processual. ACÓRDÃO Vistos. uma vez que visa proteger não apenas o patrimônio pecuniário. a ação popular é cabível. O art. justificadamente. Ministros Castro Meira. Ministra Eliana Calmon. contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.717/1965 registra como nulos os atos relativos à concorrência administrativa processada em condições que impliquem a limitação das possibilidades normais de competição. a Sra. III. nos termos do voto do Sr. relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas. Relator DJe 8. ao passo que o art. Assim. 4º.

da Lei n. inciso III. 4º. a. VI. 4. com a colheita das provas a serem produzidas por determinação do Juízo a quo. nessa hipótese. 2. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que o cabimento da ação popular não se vincula à existência de prejuízo material ou econômico ao erário. É cabível o ajuizamento de ação popular visando a anular ato lesivo à moralidade administrativa. 4. alínea c. Contrarrazões às fls.717/1965. III. Lei n. (228): 205-264. É o relatório. Embargos infringentes da União improvidos. a qual constitui patrimônio imaterial do Estado. Processual Civil. inc. 5. reconhece a nulidade dos atos relativos à concorrência administrativa que impliquem na limitação das possibilidades normais de competição. A ausência de lesividade econômica do ato impugnado não constitui. c. Nulidade dos atos relativos à concorrência administrativa que limitem as possibilidades normais de competição. c. 1. do CPC. Pré-qualificação de concorrência para concessão que objetiva a exploração da Ponte Presidente Costa e Silva (Ponte Rio-Niterói). Não configuração. 219 RSTJ. 4o. argumento suficiente para sustentar o decreto que indeferiu a petição inicial da ação popular. 4. Ausência de lesividade econômica falta de interesse de agir. inc. Não se sustenta o argumento de que somente após a assinatura do contrato de concessão é que se poderia cogitar de lesividade do ato impugnado. Ação popular. Precedentes do STJ. Somente após a instrução processual. 442-454 e 749-491. Defesa da moralidade administrativa. art. por si só. § 3º. sob o fundamento da falta de interesse de agir do autor. eis que a Lei n. outubro/dezembro 2012 . 24. é presumida. LXXIII. III. 3º e 4º. a recorrente alega violação aos arts.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA Constitucional.c.717/1965 c. é que se poderá aferir eventual violação à moralidade administrativa. Em suas razões. O juízo de admissibilidade foi positivo na instância ordinária. 2º. da Constituição Federal de 1988. em seu art. e 267. eis que a lesão ao patrimônio público. Sustenta a ausência de ilegalidade do ato e lesividade ao patrimônio público por ato de pré-qualificação da concorrência para concessão da exploração da Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niterói) realizada em 1993. afigurando-se juridicamente possível o manejo desse instrumento processual para a defesa do patrimônio moral do Estado. 6.717/1965. 3. Cabimento da ação popular. nos moldes do artigo 5º. O Ministério Público Federal opinou pelo não provimento do especial. III. 4. 1º. Administrativo. 295.

sendo dispensável a demonstração de prejuízo material aos cofres públicos. Ação Civil Pública e Mandado de Segurança Coletivo . Forense. salvo comprovada má-fé. 5º da Constituição Federal. Vejamos a ementa do referido acórdão: Ação popular. o de legislação infraconstitucional. assim explicitou: 220 . LXXIII. é cabível com vistas a anular atos lesivos à moralidade administrativa. o cultural e o histórico. Moralidade administrativa. também. 2009. 1ª ed. à moralidade administrativa. Ministro Mauro Campbell Marques (Relator): Não merece prosperar a alegação do recorrente.3. 5º. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. As premissas fáticas assentadas pelo acórdão recorrido não cabem ser apreciadas nesta instância extraordinária à vista dos limites do apelo.1999.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA VOTO O Sr. por contrariar normas específicas que regem a sua prática ou por se desviar dos princípios que norteiam a Administração Pública. 5º. Abertura de conta em nome de particular para movimentar recursos públicos. (RE n. Primeira Turma. inc. Relator(a): Min. julgado em 26. em seu art. tampouco.Instrumentos Processuais”. LXXIII do art. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”. no julgamento do RE n. não é ofensivo ao inc. inserindo no âmbito de uma democracia de cunho representativo eminentemente indireto um instituto próprio de democracias representativas diretas. pacificou ser ausente a contrariedade ao art. LXXIII. Art. norma esta que abarca não só o patrimônio material do Poder Público. da Constituição Federal. para o cabimento da ação popular. para o cabimento da ação popular. São Paulo: Ed. em sua obra intitulada “Ação Popular. prevê que “qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. DJ 13. Recurso não conhecido. O entendimento sufragado pelo acórdão recorrido no sentido de que. Patrimônio material do poder público. basta a ilegalidade do ato administrativo a invalidar. Tal dispositivo deixa claro que a ação popular. LXXIII. Eurico Ferraresi. ficando o autor. como também o patrimônio moral. inc. dispensável a demonstração de prejuízo material aos cofres públicos. Ilmar Galvão.768-SP. que não admite o exame de fatos e provas e nem. Oportuno observar que o Supremo Tribunal Federal.8.768. 170. por contrariar normas específicas que regem a sua prática ou por se desviar de princípios que norteiam a Administração Pública.1999 PP-00016 Ement Vol-01958-03 PP-00445) Nessa linha. 5º. 170. A Constituição da República vigente. basta a ilegalidade do ato administrativo a invalidar. da Lei Maior por entender que.

afirmar a prescindibilidade do dano para a propositura da ação popular. não resta dúvida. 2. 4º. nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder. 535 do CPC. ainda que inexistente o dano material ao patrimônio público. em ausência de interesse processual. [. o ato impugnado consiste na pré-qualificação da concorrência para concessão da exploração da Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niterói) realizada em 1993. Ausência de violação do art. Assim. É cediço. quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão.717/1965 registra como nulos os atos relativos à concorrência administrativa processada em condições que impliquem na limitação das possibilidades normais de competição.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA [. in casu. [.] Ora. por conseguinte. o que de fato ocorreu. a jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que a ação popular é cabível para a proteção da moralidade administrativa. é possível. visto que a Lei n. mas também o patrimônio moral e cívico da administração. conforme abordado. outubro/dezembro 2012 221 . 4. Prejuízo econômico ao erário. pode-se dizer que não cabe exigir mais do que consta no texto constitucional (art. c. A imoralidade. Súmula n.] Como a Constituição de 1988 trouxe a moralidade administrativa como causa autônoma. Condenação em perdas e danos. 5º.717/1965 estabelece casos de presunção de lesividade (art. Nesse contexto. um a um. ocorre.. de prejuízo econômico para o Estado. 4. tornou-se fundamento autônomo para o ajuizamento da ação popular. mas a lesão. a todos os seus argumentos. traduzida num prejuízo ao erário. Ação popular. não. Em outras circunstâncias. (228): 205-264. III. RSTJ. não há que se cogitar em lesão somente quando da celebração do contrato de concessão e.. Todo ato imoral produz lesão. Prescindibilidade. Matéria de fato. 7-STJ. no STJ. contendo fundamentos de fato e de direito suficientes para uma prestação jurisdicional completa.] Mesmo que não haja lesão no sentido pecuniário. no plano abstrato. LXXIII). Eventualmente a lesão será mensurável. para os quais basta a prova da prática do ato naquelas circunstâncias para considerar-se lesivo e nulo de pleno direito. mesmo que sob o aspecto cívico. que o juiz não fica obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes.. ou seja. 24.. A leitura do acórdão evidencia que a decisão foi proferida de maneira clara e precisa. a ação popular protege não apenas o patrimônio pecuniário. Sem adentrar no mérito da existência ou não de prejuízo ao erário. ao passo que o art. 4º). a. A respeito do tema. a lesão tanto pode ser efetiva quanto legalmente presumida. a Lei n. pois.. 1.. colaciona-se o seguinte precedente: Administrativo.

deveriam comprovar a lesividade ao patrimônio público. mas também entre outros valores. Rel. para contratação de serviço especializado de tratamento dos documentos coletados em caixa rápido e malotes de clientes. mediante a modalidade de concorrência pública. Não cabimento. Por conseguinte.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 3. estético. a Corte de origem. Agravo regimental improvido. O Tribunal regional deu provimento à remessa oficial e ao recurso do Ministério Público Federal para determinar que o Juízo singular prosseguisse no julgamento do feito e expedisse ofício à Caixa Econômica Federal para verificar se a contratação dos serviços questionados persistiam ou tinham sido sucedidos por outro processo licitatório. § 1º. ainda que 222 . Ação popular. o que impede o conhecimento do recurso especial neste ponto. (AgRg no REsp n. julgado em 13.2010) Processual Civil e Administrativo. Eis o motivo pelo qual o Tribunal de segunda instância referendou a condenação imposta na sentença para fixar o valor das perdas e danos. 5. 7-STJ. em razão do óbice imposto pela Súmula n. ao analisar a questão. Prequestionamento de dispositivos constitucionais. sem julgamento de mérito. 1. ao fundamento de que os autores. que deve guarnecer o sigilo bancário de seus clientes.754-RS. 1º. a moralidade administrativa. autorizou o prosseguimento do feito e determinou a realização de diligências. chegou à constatação de que a obra trouxe prejuízos ao erário. 1. Ministro Humberto Martins. A Corte regional entendeu que havia plausibilidade de lesão ao Erário e à moralidade administrativa pela narrativa trazida na inicial.130. em seu art. Prescindibilidade de dano material. Os autores sustentaram que a terceirização desses serviços implicará na quebra do sigilo intrinsecamente ligada à atividadefim do serviço bancário. ainda que assim não se entendesse. O Juízo singular extinguiu a ação popular. nos termos do artigo 267. A jurisprudência deste Tribunal Superior perfilha orientação de que a ação popular é cabível para a proteção da moralidade administrativa. Cuida-se de ação popular proposta contra a Caixa Econômica Federal e outros com o objetivo de declarar a nulidade de procedimento licitatório instaurado pela empresa pública. do CPC. histórico ou turístico” deixa claro que o termo “patrimônio público” deve ser entendido de maneira ampla a abarcar.4. 4. DJe 3. não apenas o patrimônio econômico. porque quando a lei de ação popular.2010. Isso. Não há como infirmar essas conclusões da Corte recorrida sem o revolvimento da matéria fático-probatória. Segunda Turma. Agravo regimental nos embargos de declaração no recurso especial. define patrimônio público como “os bens e direitos de valor econômico. 2. 4. 3. VI. Ademais.5. artístico. Lesividade à moralidade administrativa. tendo em vista o transcurso de mais de sete anos entre o ajuizamento da ação e a prolação da sentença. na propositura dessa ação constitucional.

REsp n. Ministro Teori Albino Zavascki. Rel.2010. O recurso especial. Lesividade. condenando-se o réu às perdas e aos danos dela decorrentes.2006. julgado em 13. ainda que para fins de prequestionamento.2007 p. não se verificando. DJe 6. 437) Com essas considerações. João Otávio de Noronha.11. cujas provas não podem ser reexaminadas por esta eg. principalmente quando se está diante de malferimentos a importantes princípios administrativos.127. 7-STJ.2009. Ilegalidade.2009. Precedentes: EREsp n. Ministro Benedito Gonçalves. DJe 4.932-GO. Comprovação. tendo em conta a fraude perpetrada no respectivo procedimento licitatório. razão pela qual é defeso em seu bojo o exame de matéria constitucional.11. conduzem à ocorrência de lesão patrimonial aos cofres públicos. Ministra Eliana Calmon. e EDcl nos EDcls no REsp n.2010) Ação popular. 24. Ministro Luiz Fux. I . EDcl no AgRg no Ag n. Castro Meira. destina-se a uniformizar a interpretação do direito infraconstitucional federal.2007. 479. 1.3. (AgRg nos EDcl no REsp n. Súmula n.2. DJe 30. Rel. Primeira Turma.9. Min. julgado em 14. DJ de 22. 6.773-RJ.475SP.9. 474. Corte de Justiça. Min. DJ de 18. 7-STJ.9. qualquer nulidade a título de afronta aos artigos 165 e 458 e 535. nego provimento ao recurso especial. Ministro Francisco Falcão. 774. Rel. julgado em 21.2010.2006. (REsp n.O acórdão proferido pelo Tribunal a quo ao manter a decisão monocrática de procedência do pedido. tal como o da moralidade. Rel.051. DJ 22.803-SP. Malferimento a princípios administrativos. Min. DJ de 9. julgado em 9. 5. III. julgado em 19. e AgRg no REsp n. Adoção de relatório anterior. Existência.11.910-SP. Rel.020-SP. Primeira Turma.10. foi expresso ao mencionar que adotava o relatório já anteriormente prolatado por desembargador sorteado. II .A ilegalidade foi devidamente comprovada na instância ordinária.868-RJ. DJe 22.2009. Rel. a. 105. DJ 1º.9. Precedentes: REsp n. RSTJ. Rel.2.4. Primeira Turma.Determinadas ilegalidades de atos administrativos.2008. 1. julgado em 28. (228): 205-264.2008. Rel. da Carta Magna de 1988. Precedentes: AgRg no REsp n. Anulação. III . Licitações. dessa forma.734-RS. Rel.2005. em autos de ação popular na qual se buscava a nulidade de procedimentos licitatórios em decorrência de irregularidades.096.Recurso especial improvido. Primeira Turma.3. 827.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA inexistente o dano material ao patrimônio público. por si sós. Segunda Turma. em razão do óbice contido na Súmula n. 858. Ministro Benedito Gonçalves. conforme delimitação de competência estabelecida pelo art. Agravo regimental não provido. IV .2007.11. José Delgado.696-RS. outubro/dezembro 2012 223 . 1.10. do Código de Processo Civil. 14. Primeira Turma.2010.

Ação civil pública. Um dos fundamentos utilizados pelo decisum foi o de que o próprio órgão ambiental Imasul. (ii) abster-se de promover qualquer intervenção ou atividade na área de preservação permanente. 535. do CPC configurada. II. 3. 1. (iii) a reflorestar toda a área degradada situada nos limites do lote descrito na petição inicial. de ofício. Questão essencial ao julgamento da lide suscitada oportunamente. Ambiental. (ii) a abster-se de promover qualquer intervenção ou atividade na área de preservação permanente. Cassação do acórdão que rejeitou os embargos de declaração. Ocupação e edificação em Área de Preservação Permanente . Trata-se de ação civil pública ambiental por meio do qual o Ministério Público do Estado do Mato Grosso do Sul busca a condenação dos ora recorridos: (i) a desocupar. ao reformar a sentença.242. Margens do Rio Ivinhema.APP. e (iv) a pagar indenização por danos ambientais em valor a ser arbitrado pelo juízo. Questão relativa à suspensão de ofício e declaração de nulidade da licença e do Termo de Ajustamento de Conduta não considerada pelo aresto recorrido. Licença concedida pelo órgão competente (Imasul).REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA RECURSO ESPECIAL N. 1. e (iii) reflorestar a área degradada. O Tribunal de Justiça. 2. A sentença julgou parcialmente procedentes os pedidos deduzidos na exordial para o fim de condenar os réus a: (i) demolir e remover todas as edificações. bem como do respectivo Termo de Ajustamento de Conduta. apesar de concluir que os réus promoveram 224 . demolir e remover as edificações (ranchos de lazer) erigidas em área de preservação permanente (localizada a menos de 100 metros do Rio Ivinhema). Contrariedade ao art. dando provimento à apelação da parte ré.746-MS (2011/0035661-0) Relatora: Ministra Eliana Calmon Recorrente: Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul Recorrido: Lucilio Del Grandi Advogado: Arlindo Murilo Muniz EMENTA Processual Civil. determinou a suspensão da licença ambiental anteriormente concedida.

24.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA algumas edificações em área de preservação permanente. 12/2008 e do Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Imasul e a Associação dos Proprietários das Casas de Veraneio do Vale do Rio Ivinhema. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que é omisso o julgado que deixa de analisar questão essencial ao julgamento da lide. Recurso especial provido para cassar o acórdão dos embargos de declaração e determinar que o Tribunal de origem aprecie a questão relativa à suspensão e declaração de nulidade da Licença de Operação n. Humberto Martins.” Os Srs. (228): 205-264. Ministros Castro Meira. por unanimidade. emprestando contornos de legalidade à situação. Ministra Relatora. ser descabida a aplicação das severas medidas determinadas pela sentença de desocupação. causando supressão da vegetação local. acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça “A Turma. em tese. outubro/dezembro 2012 . por fim. sob pena de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. do CPC. o que violaria em tese a legislação ambiental. ACÓRDÃO Vistos.Imasul. II. 18 de outubro de 2012 (data do julgamento). 4. 535. deu provimento ao recurso. hipótese que importa em clara infringência do teor do art. cujo acolhimento poderia. Concluiu. Relatora DJe 29. 6. sem destaque e em bloco.2012 225 RSTJ. suscitada oportunamente. Brasília (DF). suscitando a questão relativa à suspensão de ofício pelo próprio Imasul e declaração de nulidade da licença ambiental.10. a Corte a quo não se pronunciou a respeito. Apesar da oposição dos embargos de declaração pelo Ministério Público. Ministra Eliana Calmon. a. Ministra-Relatora. reconheceu que a situação se encontrava consolidada por prévia licença concedida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul . Herman Benjamin (Presidente) e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. demolição de edificações e reflorestamento da área. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. conduzir a resultado diverso do proclamado. 5. nos termos do voto da Sra.

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RELATÓRIO A Sra. Ministra Eliana Calmon: Trata-se de recurso especial interposto pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, com fundamento nas alíneas a e c do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pela 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, assim ementado:
Ementa. Apelação cível. Ação civil pública ambiental. Preliminares. Não conhecimento do recurso por ausência de preparo. Afastada. Não conhecimento do recurso por intempestividade. Nulidade da sentença por ausência de interesse de agir e por deficiência do relatório. Nulidade do processo pela necessidade de litisconsórcio e pela existência de litispendência. Afastadas. Mérito. Ocupação e edificação em Área de Preservação Permanente (APP). Margens do Rio Ivinhema. Existência de autorização do órgão competente. Imasul. Possibilidade. Matéria ambiental. Competência da União, dos Estados e dos Municípios. Direito de propriedade. Impossibilidade de adoção de medidas extremas. Observância dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Sentença reformada. Recurso provido. Se a justiça gratuita foi indeferida em sede de agravo de instrumento, tal questão’, fica restrita ao âmbito de admissibilidade deste recurso. Seus efeitos não podem ser estendidos aos autos da ação principal, especialmente se na contestação o beneficiário requereu a gratuidade e essa foi concedida na sentença. Nos termos do artigo 177, do CPC, os atos processuais devem ser realizados nos prazos prescritos em lei ou no prazo assinalado pelo magistrado, sob pena de preclusão, razão pela qual evidencia-se a tempestividade do recurso de apelação. Nos casos em que a alegação de ausência de interesse de agir estiver ligada à matéria de fundo do processo, sua apreciação deve ser feita juntamente com o mérito. A ausência de relatório enseja a declaração de nulidade da sentença, mas a sua elaboração de forma sucinta não macula o decisum. Ainda que preenchidos os requisitos que autorizariam a propositura de uma única ação em face de todos os réus, tal medida não é recomendável nos casos em que o excesso de demandados causar tumulto processual, inviabilizando o exercício da jurisdição, comprometendo a rápida solução do litígio. Para que haja litispendência não é suficiente que haja a repetição da ação, sendo de fundamental importância haver uma tríplice identidade: mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir. Área de preservação permanente pode ser entendida como aquela merecedora da mais alta escala de proteção ambiental, cujo conceito foi trazido pelo artigo 1º, da Lei n. 4.771/1965.
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A proteção ao meio ambiente se insere no âmbito da competência comum dos entes federados, com fulcro no artigo 23, VI, da Constituição Federal. Também, compete à União e aos Estados legislar concorrentemente sobre florestas, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais e proteção do meio ambiente, como estabelece o artigo 24, VI, da Carta Superior. O Imasul - Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul possui competência para concessão de licenciamento ambiental e realização de controle de obras, empreendimentos e atividades efetivas ou potencialmente poluidoras ou modificadoras do meio ambiente, nos termos do artigo 20, do Decreto Estadual n. 12.725/2009 e Decreto Estadual n. 12.673/2009. A situação já consolidada de ocupação da área de preservação permanente não atenta contra a ordem jurídica, eis que respaldada em autorização da ordem competente, motivo pelo qual descabe a adoção das severas medidas de desocupação, demolição ou remoção das edificações e reflorestamento da área, uma vez que fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Recurso provido.

Ambas as partes opuseram embargos de declaração. Os ora recorridos apontaram apenas a existência de erro material na citação do Decreto n. 12.673/2009, o qual constou, equivocadamente, o ano de 2008. Nos embargos do Ministério Público sustentou-se omissão no aresto por não haver se pronunciado sobre questão essencial debatida nos autos, qual seja, o fato de que a Licença de Operação n. 12/2008 e o Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Imasul e a Associação dos Proprietários das Casas de Veraneio do Vale do Rio Ivinhema foram suspensos, de oficio, pela autoridade competente (Diretor-Presidente do Imasul), em virtude da constatação de que referida licença foi expedida em total desacordo com a legislação ambiental pertinente. Sobreveio julgamento cujo aresto restou assim sumariado:
Ementa. Embargos de declaração em apelação cível. Requisitos de admissibilidade do recurso. Demonstração de erro material na indicação do ano de publicação do Decreto n. 12.673/2009. Embargos acolhidos. I - Os embargos de declaração constituem recurso rígido que exige a presença dos pressupostos processuais de cabimento para o seu acolhimento, nos termos do que dispõe o artigo 535 do Código de Processo Civil. II - Deve ser corrigido o equívoco na indicação do ano do Decreto n. 12.673/2009, o qual caracteriza mero erro material. III - Embargos acolhidos.
RSTJ, a. 24, (228): 205-264, outubro/dezembro 2012 227

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Embargos de declaração em apelação cível. Ausência de um dos requisitos de admissibilidade do recurso. Não-demonstração de eventuais omissões, contradições ou obscuridades no acórdão embargado. Inexistência de vício a ser sanado. Prequestionamento. Via inadequada. Embargos rejeitados. I - Os embargos de declaração constituem recurso rígido que exige a presença dos pressupostos processuais de cabimento para o seu acolhimento, nos termos do que dispõe o artigo 535 do Código de Processo Civil. II - Deve ser reconhecido o desvio de finalidade do recurso quando o acórdão embargado não contenha omissão, contradição ou obscuridade. III - Os embargos de declaração não constituem meio hábil para o prequestionamento que deve ser feito no recurso de apelação, nas contra-razões ou no recurso adesivo. IV - Embargos rejeitados.

Nesta sede especial, alega o recorrente contrariedade dos seguintes preceitos normativos: - art. 535, II, do CPC, afirmando que o acórdão que julgou a apelação padeceu de omissão ao deixar de analisar o fato de que a Licença de Operação n. 12/2008 e o Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Imasul e a Associação dos Proprietários das Casas de Veraneio do Vale do Rio Ivinhema foram suspensos, de oficio, pela autoridade competente (Diretor-Presidente do Imasul), bem como declarados nulos judicialmente, em virtude da constatação de que referida licença foi expedida em total desacordo com a legislação ambiental pertinente; - art. 1º, § 2º, II, IV e V; art. 2º, a, n. 3; e art. 4, § 7º, da Lei n. 4.771/1965 (Código Florestal); - art. 3º, IV; art. 4º, VII; art. 14, § 1º; e art. 18, da Lei n. 6.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente); - art. 3º, caput, e parágrafo único, inciso V, da Lei n. 6.766/1979 (Lei do Parcelamento do Solo Urbano). Requer o recorrente, primeiramente, a cassação do acórdão recorrido, por negativa de prestação jurisdicional, com a determinação de que outro seja proferido, devidamente fundamentado. No mérito, sustenta que o acórdão, ao permitir a exploração de área de preservação permanente amparada por ato administrativo, contraria a legislação ambiental, ofende o princípio da reparação integral, infringe as premissas de irrenunciabilidade, inalienabilidade e imprescritibilidade de direito fundamental, pois a ocupação não é de utilidade
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pública nem de interesse social. Ainda, aponta a existência de divergência jurisprudencial em relação aos artigos 14, § 10, da Lei Federal n. 6.938/1981 e 10 da Lei Federal n. 4.771/1965. Interposto concomitantemente recurso extraordinário, que foi inadmitido, originando o oportuno agravo. Apresentadas contrarrazões, subiram os autos após juízo positivo de admissibilidade do apelo especial na origem. Parecer do Ministério Público Federal opinando pelo conhecimento e provimento do recurso, conforme razões assim sintetizadas:
Recurso especial. Ação civil pública. Direito Ambiental. Área de Preservação Permanente. Irregularidade de empreendimento. Concessão de licença suspensa. Agressão ao meio ambiente. Provimento do recurso. 1. A Lei n. 6.766/1979, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano, em seu art. 3º, parágrafo único, inciso V, veda expressamente o parcelamento do solo em áreas de preservação ecológica, sendo incontroverso nos autos que a área em debate é de preservação permanente. 2. O § 2º, do art. 4º, do Código Florestal, exige a anuência do órgão ambiental estadual para o corte de vegetação em área de preservação permanente situada em área urbana. 3. Recurso que comporta provimento.

É o relatório. VOTO A Sra. Ministra Eliana Calmon (Relatora): Para melhor compreensão da controvérsia, entendo pertinente fazer um breve retrospecto dos fatos. Trata-se de ação civil pública ambiental por meio do qual o Ministério Público do Estado do Mato Grosso do Sul busca a condenação dos ora recorridos: (i) a desocupar, demolir e remover as edificações (ranchos de lazer) erigidas em área de preservação permanente (localizada a menos de 100 metros do Rio Ivinhema); (ii) a abster-se de promover qualquer intervenção ou atividade na área de preservação permanente; (iii) a reflorestar toda a área degradada situada nos limites do lote descrito na petição inicial; e (iv) a pagar indenização por danos ambientais em valor a ser arbitrado pelo juízo. A sentença julgou parcialmente procedentes os pedidos deduzidos na exordial para o fim de condenar os réus a: (i) demolir e remover todas as
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edificações; (ii) abster-se de promover qualquer intervenção ou atividade na área de preservação permanente; e (iii) reflorestar a área degradada. Um dos fundamentos utilizados pelo decisum foi o de que o próprio órgão ambiental Imasul - Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, de ofício, determinou a suspensão da licença ambiental anteriormente concedida, bem como do respectivo Termo de Ajustamento de Conduta. O Tribunal de Justiça, ao reformar a sentença, dando provimento à apelação da parte ré, apesar de concluir que algumas edificações foram promovidas em área de preservação permanente, causando supressão da vegetação local, o que violaria a legislação ambiental, reconheceu que a situação se encontrava consolidada por prévia licença concedida pelo Imasul, o que emprestaria contornos de legalidade à situação. Concluiu, por fim, ser descabida a aplicação das severas medidas determinadas pela sentença de desocupação, demolição de edificações e reflorestamento da área, sob pena de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Preliminarmente, examino a tese de violação do art. 535, II, do CPC, eis que prejudicial às demais arguidas no recurso especial. Do compulsar dos autos, constato que o recorrente suscitou oportunamente a tese de suspensão de ofício e declaração de nulidade da Licença de Operação n. 12/2008 e do Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Imasul e a Associação dos Proprietários das Casas de Veraneio do Vale do Rio Ivinhema em sede de impugnação à contestação, nas contrarrazões à apelação e nos embargos de declaração manejados em segundo grau. Com efeito, infere-se que a sentença fundamentou-se essencialmente na impossibilidade de exploração, pelos recorridos, da área preservada ante a suspensão da licença ambiental anteriormente concedida, bem como do respectivo Termo de Ajustamento de Conduta, sendo esse argumento debatido pelos próprios recorridos em seu recurso de apelação, bem como nas contrarrazões ministeriais. Assim, pelo que se depreende, o acórdão recorrido não poderia ter deixado de se manifestar sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia, acerca dos motivos pelos quais considerou válida a licença ambiental e o termo de ajustamento de conduta que, à época, já haviam sido suspensos de oficio e declarados nulos judicialmente. Apesar da importância do efetivo exame da questão arguida para a solução da controvérsia, o Tribunal, sem aclarar o ponto omisso deduzido, deu resposta
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genérica aos embargos de declaração, limitando-se a afirmar que seriam impróprios à rediscussão do mérito da causa, e declarou a inexistência dos vícios elencados no art. 535 do CPC. Confira-se:
Como já dito anteriormente, a omissão é a preterição no comando estatal, evidenciando uma lacuna no julgado. Por sua vez, a contradição mostrase presente quando houver colisão de dois pensamentos que se repelem. Finalmente, a obscuridade é falta de clareza no raciocínio, nos fundamentos ou na conclusão constantes do acórdão. No caso dos autos, não estão presentes os vícios apontados pelo embargante. Assim, é forçoso reconhecer o desvio da finalidade do recurso interposto (e, via de conseqüência, a imposição da rejeição dos embargos), uma vez que não se vislumbra qualquer omissão, obscuridade ou contradição. É de se frisar que todas as questões discutidas no recurso de apelação e nas contrarrazões foram enfrentadas de forma clara e objetiva. Com efeito, o que se constata é que o embargante está manifestando seu inconformismo com a convicção jurídica assentada no acórdão, situação esta que extrapola os limites dos embargos de declaração. Por outro vértice, cumpre esclarecer que os embargos de declaração não constituem meio hábil para o prequestionamento. É cediço que o momento próprio e único para pré-questionar os temas federais, matéria constitucional ou qualquer outra, seria no recurso de apelação, nas contrarrazões ou no recurso adesivo. Em face do exposto, rejeito os embargos de declaração por não restar caracterizada nenhuma das hipóteses elencadas no artigo 535 do CPC.

Nesse contexto, tenho que, de fato, restou configurada a apontada contrariedade ao comando inserto no art. 535, II, do CPC, nos moldes alegados no recurso especial pelo Ministério Público Estadual, motivo suficiente para que o acórdão que apreciou os embargos de declaração seja cassado, a fim de que outro seja proferido, apreciando o ponto mencionado. Por derradeiro, cumpre registrar a existência de precedente da Segunda Turma desta Casa apreciando a mesma questão posta nos presentes autos:
Processual Civil. Ofensa ao art. 535 do CPC. Omissão configurada. 1. Cuida-se de ação civil pública ambiental, em que o recorrente busca a condenação do ora recorrido (i) a desocupar, demolir e remover as edificações existentes em área de preservação permanente, (ii) a abster-se de promover qualquer intervenção ou atividade na área de preservação permanente, (iii) a
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reflorestar a área degradada situada nos limites do lote descrito na petição inicial e (iv) a pagar indenização por danos ambientais em valor a ser arbitrado pelo juízo. 2. A Corte de origem, ao reformar a sentença, além de concluir que a área de preservação permanente a ser respeitada era de 100 metros, reconheceu que a situação se encontrava consolidada pela licença concedida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul - Imasul. Entendeu, também, descabida a aplicação das medidas adotadas na decisão de primeiro grau, sob pena de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 3. Com razão o recorrente, porquanto da análise dos autos, nota-se que o acórdão recorrido restou omisso quanto à tese da apelação pela suspensão de ofício e da declaração de nulidade de Licença de Operação n. 12/2008 e do Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Imasul e a Associação dos Proprietários das Casas de Veraneio do Vale do Rio Ivinhema, de modo que não abordou todos os pontos necessários à composição da lide. 4. A corte a quo simplesmente partiu da premissa de que a Licença Operação n. 012/2008 não teria feito qualquer menção com relação à área que poderia ser explorada e edificada para concluir que eventual restrição deveria estar expressa, sob pena de ofensa ao artigo 5º, inc. II, da Carta Magna. Concluiu, ainda, que haveria expressa autorização do órgão competente para a utilização da área de preservação permanente, o que imprimiria contornos de legalidade à situação. Contudo, em nenhum momento adentrou o tema relativo à eventual suspensão e nulidade do citado ato administrativo, questão essencial para o deslinde da controvérsia. 5. Recurso especial provido. (REsp n. 1.243.839-MS, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 14.6.2011, publicado em 21.6.2011)

No mesmo sentido as decisões monocráticas proferidas no REsp n. 1.238.930-MS, Relator Ministro Herman Benjamin, publicado em 8.5.2012, e REsp n. 1.242.303-MS, relator Ministro Humberto Martins, publicado em 29.2.2012. Com essas considerações, dou provimento ao recurso especial, para cassar o acórdão dos embargos de declaração e determinar que o Tribunal de origem aprecie a questão relativa à suspensão e declaração de nulidade da Licença de Operação n. 12/2008 e do Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Imasul e a Associação dos Proprietários das Casas de Veraneio do Vale do Rio Ivinhema. É o voto.

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RECURSO ESPECIAL N. 1.252.076-MG (2011/0070405-5) Relator: Ministro Mauro Campbell Marques Recorrente: Amir Frederico Carneiro Faria Advogado: Mário Lúcio de Moura Alves e outro(s) Recorrido: Estado de Minas Gerais Procurador: Paula Abranches de Lima e outro(s)

EMENTA Processual Civil. Recurso especial. Suposta ofensa ao art. 535 do CPC. Inexistência de vício no acórdão recorrido. Tributário. Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação, de Quaisquer Bens ou Direitos. Decadência. 1. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2. Nos termos do art. 173 do CTN, “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Não constituído o crédito tributário no prazo legal, resta caracterizada a decadência. Ressalte-se que “a decadência refere-se sempre ao lançamento de ofício, independentemente da modalidade de lançamento a que o tributo normalmente está sujeito” (Leandro Paulsen). 3. No caso concreto, constou expressamente do acórdão recorrido que os fatos geradores ocorreram em agosto/99, março/2000, novembro/2000 e janeiro/2001. Não obstante, o Tribunal de origem afastou a decadência, entendendo que tal prazo se iniciou em 1º de janeiro de 2009, quando os fatos geradores (doações) foram comunicados ao Fisco. Contudo, o fato ocorrido não tem o condão de afastar a prescrição, pois “a circunstância de o fato gerador ser ou não do conhecimento da Administração Tributária não foi erigida como marco inicial do prazo decadencial, nos termos do que preceitua
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o Código Tributário Nacional, não cabendo ao intérprete assim estabelecer” (AgRg no REsp n. 577.899-PR, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.5.2008). 4. Recurso especial parcialmente provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: “A Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator, sem destaque e em bloco.” Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Eliana Calmon. Brasília (DF), 4 de outubro de 2012 (data do julgamento). Ministro Mauro Campbell Marques, Relator
DJe 11.10.2012

RELATÓRIO O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques: Trata-se de recurso especial interposto em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais cuja ementa é a seguinte:
ITCD. Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação. Lançamento. Decadência. Inocorrência. Como estabelece o art. 173, 1, do CTN, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. O art. 10, inciso III, da Lei n. 12.426/1996 determina a incidência do ITCD na doação a qualquer título, ainda que em adiantamento de legitima e seu art. 80, VI, estabelece o prazo de 15 (quinze) dias contados da assinatura do escrito particular. Já o Decreto n. 38.639197 compele o doador ou donatário apresentar a declaração de bens e direitos e efetuar o pagamento. No caso do ITCD, o exercício financeiro de referência é aquele em que o Fisco Estadual tomou conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto. Considerando que as declarações de bens e direitos comunicando ao Fisco as
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aludidas doações foram protocoladas em 19/0912008, o prazo decadencial teve por termo inicial 1º.1.2009. Recurso conhecido e não provido.

Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. No recurso especial, interposto com base nas alíneas a, b e c do permissivo constitucional, o recorrente aponta ofensa ao art. 535 do CPC, bem como ao art. 173, I, do CTN, alegando, em síntese, que: (a) o acórdão recorrido manteve-se omisso, mesmo após a oposição de embargos de declaração; (b) “consoante a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial tem como termo (conta-se) 5 anos do 1º dia útil do exercício seguinte em que o Fisco poderia ter o lançamento (data do fato gerador)” (fl. 233); (c) o acórdão recorrido deu validade a ato de governo local (Decreto n. 38.639/1997) em face de preceito de lei federal (art. 173, I, do CTN). Em suas contrarrazões, o Estado de Minas Gerais pugna pelo não conhecimento do recurso ou, alternativamente, pelo seu não provimento. Admitido o recurso, subiram os autos. É o relatório. VOTO O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques (Relator): A pretensão recursal merece parcial acolhimento. Depreende-se dos autos que o Tribunal de origem, de modo fundamentado, tratou das questões suscitadas, resolvendo de modo integral a controvérsia posta. Na linha da jurisprudência desta Corte, “não há negativa de prestação jurisdicional, ausência de fundamentação ou omissão, quando o acórdão impugnado aplica tese jurídica regularmente fundamentada, promovendo o desate da controvérsia, ainda que de forma diversa ou contrária ao entendimento da parte recorrente, impondo-se afastar eventual ofensa aos artigos 165, 458, II e III, 515, §§, e 535, II, do Código de Processo Civil” (REsp n. 414.541-PR, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 28.10.2002). Assim, não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. Por outro lado, nos termos do art. 173 do CTN, “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos,
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contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Não constituído o crédito tributário no prazo legal, resta caracterizada a decadência. Ressalte-se que “a decadência refere-se sempre ao lançamento de ofício, independentemente da modalidade de lançamento a que o tributo normalmente está sujeito” (Paulsen, Leandro. Direito Tributário. 11ª ed., Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009, p. 1.182). No caso concreto, constou expressamente do acórdão recorrido que os fatos geradores ocorreram em agosto/99, março/2000, novembro/2000 e janeiro/2001. Não obstante, o Tribunal de origem afastou a decadência, entendendo que tal prazo se iniciou em 1º de janeiro de 2009, quando os fatos geradores (doações) foram comunicados ao Fisco. Contudo, o fato ocorrido não tem o condão de afastar a prescrição, pois “a circunstância de o fato gerador ser ou não do conhecimento da Administração Tributária não foi erigida como marco inicial do prazo decadencial, nos termos do que preceitua o Código Tributário Nacional, não cabendo ao intérprete assim estabelecer” (AgRg no REsp n. 577.899-PR, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.5.2008). Assim, impõe-se a reforma do acórdão recorrido, para que seja decretada a decadência. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação. É o voto.

RECURSO ESPECIAL N. 1.293.330-PE (2011/0269614-0) Relator: Ministro Cesar Asfor Rocha Recorrente: Ettore Labanca Advogado: Márcio José Alves de Souza e outro(s) Recorrido: Ministério Público Federal
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EMENTA Administrativo. Improbidade administrativa. Lei n. 8.429/1992. Art. 10. Ausência de interesse recursal. Art. 11. Ausência de fato típico. Recurso parcialmente provido. – O Tribunal de origem, ao apreciar os segundos embargos de declaração opostos, afastou a condenação com amparo no art. 10, XI, da LIA em razão da ausência de dano ao erário, o que denota a falta de interesse recursal, no ponto. – Prestadas e aprovadas as contas pelo Tribunal de Contas não se tem o fato típico para a manutenção da condenação por ausência de prestação de contas (art. 11, inciso VI, da Lei n. 8.429/1992). Recurso conhecido e parcialmente provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator, sem destaque e em bloco. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin (Presidente) e Mauro Campbell Marques votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 21 de junho de 2012 (data do julgamento). Ministro Cesar Asfor Rocha, Relator
DJe 1º.8.2012

RELATÓRIO O Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha: Trata-se de recurso especial interposto, com fundamento nas alíneas a e c do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assim ementado:
Constitucional. Administrativo e Processual Civil. Ação de improbidade administrativa. Lei n. 8.429/1992. Inaplicabilidade a agentes políticos. Rejeição.
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Inconstitucionalidade formal por vulneração ao princípio bicameral. Inocorrência. Prescrição. Não configuração. Art. 219 CPC. Inteligência. 1. Tem-se superado o entendimento inicial de que os agentes políticos não se submetiam ao crivo da lei de Responsabilidade Administrativa. A responsabilidade político-administrativa do gestor público é diversa daquela atribuída apenas aos agentes políticos, sendo certo que não se inclui os parlamentares nesta última. Precedente do STF. Questão de Ordem n. 3.923-8. Min. Joaquim Barbosa. 2. O dispositivo constitucional faz referência expressa à Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.429/1992), não estabelecendo nenhum discrímen sobre os agentes políticos. Exclui, apenas, a responsabilidade penal. Inteligência do art. 37, § 4º da CF/1988. 3. O Decreto-Lei n. 301/1967 – que trata da responsabilidade penal de Prefeitos Municipais e Vereadores – também não excluem esses agentes da responsabilidade administrativa prevista na Lei de Improbidade, inexistindo bis in idem na aplicação de ambos diplomas legais. 4. Como reconhecido pelo próprio advogado na sustentação oral que realizara, já se afastou a alegada inconstitucionalidade formal da Lei n. 8.429/1992, por desrespeito ao princípio bicameral. Precedente do STF. ADIn n. 2.182. Rel. Min. Maurício Correa. 5. A citação, ainda que determinada por juízo incompetente, interrompe a prescrição. Inteligência do art. 219 do CPC. 6. Apelo provido em parte, apenas para retirar da sentença a condenação pelos danos causados, ante a informação de que o TCU já se pronunciara pela inexistência deste: ad impossibilia nemo tenetur, mantendo-se a sentença em tudo mais, por seus próprios fundamentos (fl. 749).

Foram opostos dois embargos de declaração, tendo sido os primeiros rejeitados, às fls. 775-779, e acolhidos os segundos para correção de erros materiais, sem efeitos modificativos, conforme fls. 800-804. Alega o recorrente, inicialmente, contrariedade ao art. 535 do CPC, sob o argumento de existência de omissão e contradição no aresto recorrido. Nesse contexto, explica que, não obstante a ausência de prejuízo aos cofres públicos, ele foi “condenado pelo cometimento do ato de improbidade administrativa insculpido no art. 10, XI, da Lei n. 8.429/1992, que demanda, inarredavelmente, o dano ao erário” (fl. 812). Acrescenta, ademais, que “não se investigou a existência de culpa ou de dolo, má-fé, do Recorrente, isto é, a presença do elemento subjetivo. Mesmo assim, posicionou-se pela configuração do ato de improbidade administrativa inserido no art. 11, VI, da Lei n. 8.429/1992, que, como sabido, reclama inexoravelmente, aquele (elemento subjetivo; o dolo, a má-fé, especificamente)” (fl. 812).
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Jurisprudência da SEGUNDA TURMA

Sustenta, ainda, violação dos arts. 10, XI e 11, VI, da Lei n. 8.429/1992, afirmando que “os atos de improbidade administrativa descritos nos arts. 9º e 11 têm como requisito essencial o dolo, a má-fé, ou seja, a desonestidade, consubstanciada na vontade livre e consciente de enriquecer ilicitamente às custas dos cofres públicos, e de violentar os princípios norteadores da Administração Pública; os inscritos no art. 10, por sua vez, têm como requisito indispensável a lesão ao erário, que deve ser concreta, provada, nunca abstrata, presumida” (fl. 815). Dessa forma, relata que, no voto condutor proferido no julgamento da apelação, afastou-se o prejuízo aos cofres públicos, tanto que a sanção de ressarcimento ao erário foi retirada. Assevera, assim, não ser possível a condenação pelo suposto cometimento do ato de improbidade administrativa inscrito no art. 10, XI, da Lei n. 8.429/1992, pois falta requisito essencial, qual seja, a lesão ao erário. No tocante ao art. 11 da Lei n. 8.429/1992, afirma que este dispositivo exige, para sua configuração, o comportamento doloso do agente. Destaca que, no entanto, in casu, não se procedeu a investigação sobre o elemento subjetivo. Por fim, aponta dissídio jurisprudencial, oportunidade em que colaciona precedentes do STJ que concluíram: a) para a configuração dos atos de improbidade do art. 10 exige-se, além de comportamento doloso ou culposo, a demonstração de prejuízo ao ente público (REsp n. 842.428SP e REsp n. 942.074-PR); b) para a configuração dos atos de improbidade administrativa, é indispensável a existência do elemento subjetivo: dolo, nas hipóteses dos arts. 9º e 11 da Lei n. 8.429/1992 e culpa, pelo menos, nos casos do art. 10 (EREsp n. 479.812-SP e REsp n. 1.140.544-MG). Requer, assim, o provimento do especial, para que se anule o aresto a quo, em decorrência da existência de contradição ou omissão, com devolução dos autos à origem. Caso assim não se entenda, pede a reforma do acórdão recorrido, a fim de que se declare o não cometimento de quaisquer atos de improbidade administrativa pelo ora recorrente. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 873-887. Parecer do Ministério Público, às fls. 908-910, pelo não provimento do recurso especial. É o relatório. Decido. VOTO O Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha (Relator): O inconformismo merece prosperar em parte.
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Preliminarmente, quanto ao art. 535 do CPC, não subsiste a alegada ofensa. Os embargos declaratórios foram rejeitados pela inexistência de omissão, contradição ou obscuridade, tendo o Tribunal de origem dirimido a controvérsia, embora de forma desfavorável à pretensão do recorrente, o que não importa em violação à referida regra processual. No tocante à alegação de ausência de prejuízo ao erário, a jurisprudência do STJ entende que para a configuração dos atos de improbidade administrativa, previstos no art. 10 da Lei n. 8.429/1992, exige-se a presença do efetivo dano ao erário (critério objetivo) e, ao menos, culpa (elemento subjetivo). Nesse sentido:
Processual Civil e Administrativo. Recurso especial. Ação civil pública por improbidade administrativa. Art. 10 da Lei n. 8.429/1992. Não recolhimento de contribuições previdenciárias patronais. Saneamento das contas públicas. Inexistência de prejuízo ao erário. Ausência de subsunção do ato reputado ímprobo ao tipo previsto indigitado dispositivo. 1. A configuração dos atos de improbidade administrativa previstos no art. 10 da Lei de Improbidade Administrativa (atos de Improbidade Administrativa que causam prejuízo ao erário), à luz da atual jurisprudência do STJ, exige a presença do efetivo dano ao erário (critério objetivo) e, ao menos, culpa. Precedentes: AgRg no Ag n. 1.386.249-RJ, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13.4.2012; EREsp n. 479.812-SP, Relator Ministro Teori Albino Zvascki, Primeira Seção, DJe 27.9.2010; e AgRg no AREsp n. 21.662-SP, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 15.2.2012. 5. Recurso especial provido (REsp n. 1.206.741-SP, Ministro Benedito Gonçalves, DJe de 23.5.2012).

In casu, todavia, nos embargos de declaração acolhidos pelo Tribunal de origem, restou decidido que a condenação do ora recorrente foi fundamentada pela prática de atos que atentam contra os princípios da administração pública. Confira-se o seguinte trecho no que interessa:
Também perfilha esse entendimento Carlos Frederico Brito dos Santos ao observar a Lei n. 8.429/1992 estabelece três categorias de atos de improbidade administrativa: 1º - os atos de improbidade administrativa que importem enriquecimento ilícito, modalidade mais grave; 2º - atos de improbidade administrativa que causam prejuízo ao erário, considerado como modalidade de gravidade intermediária; e, finalmente, atos administrativos que atentam contra os princípios da Administração Pública, como se lê na obra ‘Improbidade Administrativa – Reflexões sobre a lei n. 8.429/92, Ed Forense, Rio de Janeiro, 2002. p. 19 e s. e p. 42’.

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Logo a correção desse erro material se faz por reconhecer-se que o ora embargante não foi condenado por ato de improbidade que causam prejuízo ao erário, constante da segunda categoria, nem muito menos pela prática de atos que importassem em enriquecimento ilícito, constante da primeira modalidade, senão que remanesce a condenação pela prática de atos que atentam contra os princípios da Administração Pública, como expresso na sentença e no acórdão que a havia confirmado. [...] Por tais fundamentos, dá-se provimento a estes embargos de declaração para corrigir os erros materiais, mantendo o julgamento proferido, já agora livre de qualquer vício, por seus próprios fundamentos. (fl. 802 - grifos nossos).

Dessa forma, observo que não obstante na sentença e no aresto proferido na apelação, que manteve a primeira por seus próprios fundamentos, o recorrente tenha sido condenado como incurso nos arts. 10, XI e 11, VI, da Lei n. 8.429/1992, no julgamento proferido nos segundos embargos de declaração, ficou evidente sua condenação tão somente com amparo no art. 11 da LIA (atos administrativos que atentam contra os princípios da administração pública). Destarte, tendo sido o recorrente condenado somente como incurso no art. 11, VI, da LIA, não existe interesse recursal no que pertine ao art. 10, XI, da mencionada lei. Nestes termos, segue o precedente:
Agravo regimental em recurso especial. Tributário. Embargos à execução. Correção monetária. Incidência do INPC. Sentença e acórdão em consonância com o recurso especial. Ausência de interesse recursal. Compensação. Ausência de impugnação de todos os fundamentos do acórdão. Súmula n. 283-STF. Reexame de prova. Súmula n. 7-STJ. I - Coincidentes o decidido no acórdão recorrido e o pleiteado no recurso especial, resta caracterizada a ausência de interesse recursal. [...] IV - Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no REsp n. 1.295.019DF, Ministro Francisco Falcão, DJe de 25.5.2012).

Por conseguinte, passo à análise da alegada ofensa ao art. 11, VI, da Lei n. 8.429/1992. Nesse ponto, tenho que razão assiste ao recorrente. A ação civil pública por ato de improbidade administrativa foi proposta, no caso, com amparo no fato de o requerido, ora recorrente, não ter promovido a “necessária e indispensável prestação de contas no prazo previsto em lei e, em face de sua omissão, causou danos ao Município que deixou de ser beneficiado com outros programas do Governo Federal que possibilitaria a realização de obras e serviços indispensáveis à população”.
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REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região admitiu expressamente que o Tribunal de Contas não identificou danos materiais ao erário e aprovou, com ressalva, as contas. Diante disso, a Corte de origem afastou a incidência da hipótese prevista no art. 10 da Lei de Improbidade, porém manteve a condenação com base no art. 11 da referida lei. Parece-me ilógica, senão absurda, a manutenção da condenação do recorrente pela não prestação de contas, quando as contas foram efetivamente aprovadas pelo Tribunal de Contas, ainda que no curso da ação. Ausente, no meu entender, o próprio o fato típico. Por óbvio, não compete ao Judiciário analisar os documentos encaminhados ao Tribunal de Contas ou emitir juízo acerca deles, se suficientes ou não, se hígidos, verdadeiros ou não. Tal proceder evidentemente revela indevida interferência na esfera da competência fiscalizadora daquele órgão. Assim, prestadas as contas não há que se falar em ato de improbidade com base no art. 11, inciso VI, da LIA. Não posso deixar de externar que a situação destes autos reforçam a minha convicção, confesso bem mais ampla e radical, de que, “sem a condenação da Corte de Contas, não se poderá deflagar validamente contra o agente político a ação de improbidade administrativa (para aplicação das sanções da Lei n. 8.429/1992), do mesmo modo que, diante dessa condenação, tem-se por satisfeito o requisito da presença de indícios suficientes para a sua deflagração (art. 17, § 66º, da Lei n. 8.429/1992), sem prejuízo do efeito civil eleitoral da ineligibilidade, se instala imediatamente”. Demais disso, verifico que, no caso, a condenação não sustenta manutenção também em razão da ausência de comprovação de conduta dolosa. Como é cediço, o ato de improbidade descrito no art. 11 da Lei n. 8.429/1992, exige a presença do elemento subjetivo. Sobre o tema, confira-se o seguinte precedente:
Processual Civil e Administrativo. Embargos de divergência. Improbidade administrativa. Tipificação. Indispensabilidade do elemento subjetivo (dolo, nas hipóteses dos artigos 9º e 11 da Lei n. 8.429/1992 e culpa, pelo menos, nas hipóteses do art. 10). Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção. Recurso provido (EREsp n. 479.812-SP, Ministo Teori Albino Zavascki, DJe de 27.9.2010).

Na hipótese, contudo, não foi comprovada a indispensável prática de conduta dolosa de atentado aos princípios da administração pública, o que
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8.. 17. Ausência do elemento subjetivo da conduta. Inexistência de improbidade. a petição inicial não descreve nem demonstra a existência de qualquer circunstância indicativa de conduta dolosa ou mesmo culposa dos demandados.429/1992. ou pelo menos eivada de culpa grave. 1. para a caracterização de improbidade. Cito. julgar improcedente o pedido constante da ação de improbidade administrativa. 8. sem tangenciar a questão do elemento subjetivo. 4. aplicável ao caso.429/1992) (AIA n. o seguinte precedente. para a tipificação das condutas descritas nos artigos 9º e 11 da Lei n. Não se pode confundir improbidade com simples ilegalidade.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA permite afastar o reconhecimento da conduta ímproba. 8. 3. Diante do exposto. § 8º. 8. a.295. No caso. (228): 205-264. da Lei n. que a conduta do agente seja dolosa. mutatis mutandis: Ação de improbidade originária contra membros do Tribunal Regional do Trabalho. a jurisprudência do STJ considera indispensável. DJe de 28. os juízos ordinários ativeram-se na análise dos documentos juntados tendo-os.887-MG (2011/0287261-5) Relator: Ministro Herman Benjamin Recorrente: Blyde Comercial Ltda RSTJ.429/1992 por terem. Edição de portaria com conteúdo correcional não previsto na legislação. A improbidade é ilegalidade tipificada e qualificada pelo elemento subjetivo da conduta do agente. aos demandados são imputadas condutas capituladas no art.] 2. Lei n.2011). outubro/dezembro 2012 243 . Legitimidade do regime sancionatório. conheço do recurso e lhe dou parcial provimento para. 11 da Lei n. 30AM. [. a propósito. Ministro Teori Albino Zavascki. Com efeito. nas do artigo 10.. Por isso mesmo. no exercício da Presidência de Tribunal Regional do Trabalho. 782/99-01. RECURSO ESPECIAL N. em suma. editado Portarias afastando temporariamente juízes de primeiro grau do exercício de suas funções. por não intempestivos e não comprobatórios da prestação de contas do Convênio n.429/1992. Ação de improbidade rejeitada (art.9. 24. reformando o aresto atacado. para que proferissem sentenças em processos pendentes. Embora enfatize a ilegalidade dessas Portarias.

Súmula n. Inclusão de débitos de empresa incorporada.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Advogados: Ricardo Alves Moreira Ismail Antônio Vieira Salles Recorrido: Fazenda Nacional Advogado: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional EMENTA Processual Civil e Tributário. O ato administrativo teve por fundamento a aplicação do art.000. A recorrente impetrou Mandado de Segurança visando fazer cessar suposta ilegalidade do INSS. 244 . sob o argumento de que a “incorporação às avessas”.000.000. 1. Indeferimento administrativo. que indeferiu o pedido de inclusão de débitos de empresa por ela incorporada no parcelamento denominado Refis II.805. no caso concreto. em razão da perda do prazo de adesão ao mencionado Refis II. Fundamento inatacado. incorporar estabelecimento empresarial de estrutura muito superior. 3. O Tribunal de origem consignou que a operação societária controvertida (incorporação) somente havia sido efetivada em cumprimento a decisão liminar em outro writ.00 e débitos estimados em R$ 10. constituiu artifício que visava fraudar (art. que somente podem ser pagos no regime do parcelamento ordinário (60 prestações mensais). parágrafo único. 283-STF. A Administração Tributária concluiu que é inviável uma empresa de pequeno porte.000. Incorporação realizada por determinação judicial posteriormente revogada. Refis II. a qual foi posteriormente revogada diante da denegação da Segurança. com capital social de R$ 3. do CTN.00 em 2002) – que faz jus ao pagamento de seus débitos em até cento e oitenta prestações mensais –. 2. 116. 4.00.000. do CTN) a possibilidade de recuperação do crédito tributário. com receita bruta média de R$ 16. com base na compreensão de que a denominada “incorporação às avessas” constituiu meio fraudulento tendente a inviabilizar a recuperação do crédito tributário.000. parágrafo único. 116.00 (três milhões e oitocentos e cinco mil reais) e receita bruta de pequena monta (R$ 50.

Não participou. Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. tendo em vista que o desfazimento da operação societária fez retornar a existência de duas pessoas jurídicas distintas. Recurso Especial não conhecido. a e c. pela parte recorrente: Blyde Comercial Ltda Brasília (DF). do julgamento o Sr. 7. contra acórdão assim ementado: Previdenciário. Considerando que a higidez da incorporação é pressuposto lógico para julgar este feito. Administrativo. 6. com fundamento no art. 24. da Constituição da República. Inclusão de débito previdenciário da incorporada no parcelamento especial concedido à RSTJ. Ministro-Relator. Ismail Antônio Vieira Salles. a falta de prova pré-constituída quanto à própria validade e eficácia da incorporação fulmina a existência de direito líquido e certo à pretendida inclusão dos débitos no parcelamento. por unanimidade. ACÓRDÃO Vistos. não conheceu do recurso. Dr(a). Ministro Herman Benjamin. outubro/dezembro 2012 245 . Ministro Relator. (228): 205-264. sem destaque. nos termos do voto do Sr.2012 RELATÓRIO O Sr. Relator DJe 24.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA 5. 4 de setembro de 2012 (data do julgamento). a ausência de impugnação ao aludido fundamento no Recurso Especial atrai a incidência da Súmula n. Ministro Herman Benjamin: Trata-se de Recurso Especial interposto. uma das quais (justamente a maior devedora) não efetuou a opção pelo parcelamento especial (Refis II). III.” Os Srs.9. justificadamente. Incorporação de empresas. acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: “A Turma. Ministros Mauro Campbell Marques. 105. a. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. 283STF. Ainda que fosse possível contornar o óbice sumular. Ministro Cesar Asfor Rocha.

A questão propicia.2012.000. baseada no entendimento de que houve simulação no ato societário.934/1994. que tem faturamento anual bruto inferior. 36 da Lei n.805. 47. I. A recorrente invoca a legislação federal para defender. 33. veio apresentado em recurso que não preenche os requisitos de admissibilidade.000.5.00 e débitos estimados em R$ 10. Chefe do Serviço de Orientação e Gerenciamento de Recuperação de Créditos do INSS em Belo Horizonte. 205 e 206 do CTN.000. O ajuizamento da demanda decorreu da negativa administrativa da autoridade impetrada.000. Os Embargos de Declaração foram rejeitados. disciplinado pela Lei n. 116.00. Recusa legítima. parágrafo único. no parcelamento popularmente conhecido como “Refis II” ou “Paes”. portanto. 535 do CPC. com capital social (R$ 3.212/1991 e do art. que somente a Junta Comercial tem o poder de negar eficácia à operação societária. Foram apresentadas as contrarrazões. A recorrente alega violação do art. sob o fundamento de que a incorporou e.000.00) e receita bruta de pequena monta (R$ 50. é arbitrário o ato que lhe denegou esse direito. interessante debate.00 em 2002). o qual. que a denominada “incorporação às avessas” é procedimento que não pode ser presumido como ilícito. Ministro Herman Benjamin (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 26. incorporar estabelecimento empresarial de estrutura muito superior. dos arts. 132. com receita bruta média de R$ 16. É o relatório. a impossibilitar o pagamento dos débitos das empresas envolvidas. dada a inviabilidade de uma empresa de pequeno porte. 123. Afirma existir divergência jurisprudencial. 246 .000. 8. VOTO O Sr. várias vezes. Incorporação irregular. no entanto. e 48 da Lei n. ao daquela e patrimônio e receita bruta anual muito menores do que o aludido débito.684/2003.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA incorporadora. 8. d. em síntese. A recorrente impetrou Mandado de Segurança visando à inclusão de débitos da empresa Alimenta Alimentação Industrial Ltda. dos arts. assumiu a condição de devedora do respectivo passivo. de modo que. 10. observadas as normas que disciplinam a incorporação de empresas e a concessão do parcelamento. 155-A. sem dúvida.

nos termos do art. não conheço do Recurso Especial. a. é de que não mais subsiste a incorporação da empresa Alimenta Alimentação Industrial Ltda. evidenciam a lesão ou ameaça ao direito subjetivo qualificado (líquido e certo). 256-257.. por qualquer ângulo que se queira analisar.. torna-o nulo para todos os efeitos. é pacífico que a parte impetrante deve reunir prova pré-constituída dos fatos que. uma vez que a certidão negativa de débito não fora apresentada no momento de efetuá-lo (. grifei): (. É como voto. seja porque a fundamentação acima não foi atacada no Recurso Especial – o que atrai a incidência da Súmula n.) a asserção de que a incorporação fora regularmente registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais. 283-STF –. O voto condutor do decisum proferido nas instâncias de origem revela que a incorporação – ato sobre o qual se construiu a tese do direito ao parcelamento – encontrava-se sub judice e com pronunciamento desfavorável à ora recorrente. Com essas considerações. cassada. pois a recorrente não prequestionou no Tribunal de origem a eventual existência de medida judicial que a tenha restabelecido. pormenor que. porém. outubro/dezembro 2012 247 . Dessa forma. posteriormente cassada na sentença que rejeitou a pretensão deduzida em juízo. conforme fundamentação lançada no acórdão hostilizado (e não impugnada no apelo nobre). ao ser denegada a Segurança (Fls. O quadro jurídico apresentado. em se tratando de Mandado de Segurança. em razão de nulidade...212/1991. incontroversos (pressuposto lógico e inarredável).. Transcrevo o seguinte excerto (fls. Em outras palavras. (228): 205-264. não merece guarida por só ter sido efetuado o registro em cumprimento a liminar concedida em Mandado de Segurança impetrado pela Apelante.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA Com efeito. expressamente. portanto. seja porque não há prova pré-constituída de que a incorporação é fato incontroverso – o que fulmina a existência de direito líquido e certo à inclusão de débitos de terceiros no seu pedido de parcelamento. não estão presentes. tendo em vista que aquela operação societária somente foi realizada por força de decisão liminar em Mandado de Segurança. 48 da Lei n. o argumento de que somente a Junta Comercial poderia questionar a validade da incorporação se tornou irrelevante. 8. e-STJ. RSTJ. a pretensão recursal é inviável. Esses fatos. ou ao menos suspendido a decisão que revogou a liminar. único órgão competente para impugná-la. 24.). 161-169).

Impossibilidade da prática de ato enquanto paralisada a marcha processual. 3. O objeto do presente recurso é o juízo negativo de admissibilidade da Apelação proferido pelo Tribunal de Justiça. Cuida-se. Homologação antes de ser publicada a decisão recorrida. em 248 .2007 (fl. tendo como objetivo a declaração de nulidade de processo administrativo que culminou na aplicação de penalidades pela instalação irregular de duas Estações Rádio Base (ERBs) naquela municipalidade. e-STJ). de Ação Declaratória ajuizada pela recorrente contra o Município de Porto Alegre. porquanto concluiu que se trata de recurso intempestivo. 343. 2. Suspensão do processo. Segurança jurídica e devido processo legal. Com base nos fatos delineados no acórdão recorrido. que admitiu o início da contagem de prazo recursal de decisão publicada enquanto o processo se encontra suspenso. por expressa homologação do juízo de 1º grau. tem-se que: a) após a interposição dos Embargos de Declaração contra a sentença de mérito. sob o fundamento de que a suspensão do processo teria provocado indevida modificação de prazo recursal peremptório. 1.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA RECURSO ESPECIAL N.463-RS (2011/0227199-6) Relator: Ministro Herman Benjamin Recorrente: Vivo S/A Advogado: Paulo Cezar Pinheiro Carneiro Filho e outro(s) Recorrido: Município de Porto Alegre Procurador: Giovani Paulo Carminatti e outro(s) EMENTA Processual Civil. c) posteriormente.306. as partes convencionaram a suspensão do processo pelo prazo de 90 (noventa) dias. b) o juízo de 1º grau homologou a convenção em 12. 1. Boa-fé do jurisdicionado.9. na origem. O Tribunal a quo não conheceu da Apelação da ora recorrente. Nemo potest venire contra factum proprium. Tempestividade da apelação. 4. Hipótese que não se confunde com a alegada modificação de prazo peremptório.

que seja publicada decisão durante a suspensão do feito. o Poder Judiciário criou nos jurisdicionados a legítima expectativa de que o processo só voltaria a tramitar após o termo final do prazo convencionado. em atenção aos princípios da segurança jurídica. 9. desse modo.2008. situação em que se encontrava o feito naquele momento. Nessa situação. Ao homologar a convenção pela suspensão do processo.1. logo em seguida. Assim agindo. 7. conforme autorizado pelo art. a. A convenção não teve como objeto o prazo para a interposição da Apelação. d) a Apelação foi interposta em 7. Está caracterizada a prática de atos contraditórios justamente pelo sujeito da relação processual responsável por conduzir o procedimento com vistas à concretização do princípio do devido processo legal. do início da contagem do prazo recursal enquanto paralisada a marca do processo. 10. (228): 205-264. não se podendo cogitar. § 3º. 11. 6. Recurso Especial provido.2007. 182 do CPC). ademais. 8. Não se trata. do devido processo legal e seus corolários – princípios da confiança e da não surpresa – valores muito caros ao nosso ordenamento jurídico. reconhecidamente aplicável no âmbito processual. É imperiosa a proteção da boa-fé objetiva das partes da relação jurídico-processual. de indevida alteração de prazo peremptório (art. o juízo de 1º grau já havia homologado requerimento de suspensão do processo pelo prazo de 90 (noventa) dias. foi publicada a sentença dos aclaratórios. RSTJ. Por óbvio. considerá-lo como termo inicial do prazo recursal. Precedentes do STJ. seja praticado ato processual de ofício – publicação de decisão – e. com a ressalva dos urgentes a fim de evitar dano irreparável. por conseguinte. Antes mesmo de publicada a sentença contra a qual foi interposta a Apelação. 266 do CPC veda a prática de qualquer ato processual. II. portanto. o art. outubro/dezembro 2012 249 . 24. 5. 265. do CPC. tampouco este já se encontrava em curso quando requerida e homologada a suspensão do processo. A lei processual não permite. o Poder Judiciário feriu a máxima nemo potest venire contra factum proprium.10.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA 2. não se pode admitir que.

Relator DJe 11. É o relatório. da Constituição da República. A convenção entre as partes não tem o condão de alargar prazo peremptório para interposição de recurso.” Os Srs.9. Paulo Cezar Pinheiro Carneiro Filho. Prazo peremptório. a. Ministro Herman Benjamin: Trata-se de Recurso Especial interposto. 105. pela parte recorrente: Vivo S/A Brasília (DF). Ministros Mauro Campbell Marques. do CPC. justificadamente. sem destaque. Ministro Relator. 250 . art. o que se encontra expressamente vedado em nosso ordenamento jurídico. que a Apelação interposta não pode ser considerada intempestiva porquanto o processo se encontrava suspenso quando ocorreu o julgamento dos Embargos de Declaração opostos contra a sentença. Sustenta. acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: “A Turma. II c. 265. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fls. II. nos termos do voto do Sr. Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Contrarrazões às fls. Não participou. Ministro Herman Benjamin. Inteligência do art. contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul assim ementado: Apelação cível.2012 RELATÓRIO O Sr. A recorrente alega que houve ofensa aos arts. 4 de setembro de 2012 (data do julgamento).REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ACÓRDÃO Vistos. deu provimento ao recurso. Ministro Cesar Asfor Rocha. Ministro-Relator. do julgamento o Sr.c. em suma. Direito público não especificado. com fundamento no art. por unanimidade. caput. 529-533. 463-467). 182 e 265. III. Dr(a). ambos do Código de Processo Civil (fl. 434). relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. Suspensão do processo. 182. 158.

II c.3. consoante Nota de Expediente n. ambos do Código de Processo Civil (fl. 2003/2007 de fl. 182. a. (228): 205-264. se é possível iniciar a contagem de prazo recursal de decisão publicada enquanto o processo se encontra suspenso. Ocorre que a apelação foi interposta somente em 7. Ressalte-se que. 24. Eis os fundamentos apresentados no voto-condutor: Compulsando os autos.2007. na origem. Ministro Herman Benjamin (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 12. 305-314 se deu em 2. muito além do termo final do prazo para interposição da apelação. A convenção entre as partes não tem o condão de alargar prazo peremptório para interposição de recurso.2007.2008.10. Cumpre definir. antes da publicação da decisão dos embargos de declaração.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA VOTO O Sr.2012. que seria em 17. 328. O objeto do presente recurso é o juízo negativo de admissibilidade da Apelação proferido pelo Tribunal de Justiça.10. o que se encontra expressamente vedado em nosso ordenamento jurídico. nos termos da ementa a seguir: Apelação cível. O juízo de 1º grau proferiu sentença de improcedência do pedido inicial (fls. art.c. ou seja. 327. pois concluiu que se trata de recurso intempestivo. Direito público não especificado. A irresignação merece acolhida. outubro/dezembro 2012 251 . tendo como objetivo a declaração de nulidade de processo administrativo que culminou na aplicação de penalidades pela instalação irregular de 2 (duas) Estações Rádio Base (“ERBs”) naquela municipalidade. em síntese. Cuida-se.1. o que RSTJ. em que pese as partes tenham pleiteado pela suspensão do presente feito pelo prazo de 90 dias (fl. 318-327) e rejeitou os Embargos de Declaração a ela opostos (fl. 434). Prazo peremptório. caput. Suspensão do processo. Inteligência do art. 326). verifica-se que a publicação que a publicação da decisão dos embargos de declaração opostos pela apelante contra a sentença de fls. 340). tal convenção não tem o condão de alargar prazo peremptório para interposição de recurso. de Ação Declaratória ajuizada pela recorrente contra o Município de Porto Alegre. estando tal pedido deferido à fl. O Tribunal a quo não conheceu da Apelação. 265.

Suspende-se o processo: (. as partes convencionaram a suspensão do processo pelo prazo de 90 (noventa) dias. não corresponde à hipótese dos autos... O juiz poderá. É defeso às partes. e-STJ).10. d) a Apelação foi interposta em 7. nunca poderá exceder 6 (seis) meses. foi publicada a sentença dos aclaratórios. conforme disposto no art. 252 .1. verbis: Art.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA se encontra expressamente vedado em nosso ordenamento jurídico. Como antecipado. aliás. O dispositivo. é expresso nesse sentido: Art. ainda que todas estejam de acordo. por acordo entre as partes. 182 do Código de Processo Civil (fl. antes mesmo de publicada a sentença contra a qual foi interposta a Apelação. § 3º. (. nas comarcas onde for difícil o transporte. reduzir ou prorrogar os prazos peremptórios. Com base nos fatos delineados no acórdão recorrido. poderá ser excedido o limite previsto neste artigo para a prorrogação de prazos (destaquei). II. conforme autorizado pelo art.pela convenção das partes. tem-se que: a) após a interposição dos Embargos de Declaração contra a sentença de mérito. findo o prazo. 182. em 2.2008. O Tribunal a quo partiu de uma premissa jurídica – correta. de que trata o n. Em caso de calamidade pública.2007. mas nunca por mais de 60 (sessenta) dias.) II . 182 do CPC veda a modificação de prazos peremptórios. II.. b) o juízo de 1º grau homologou a convenção em 12. o Recurso Especial versa unicamente sobre a questão processual decidida na origem. prorrogar quaisquer prazos. entretanto.. Parágrafo único. diga-se – que.2007 (fl. 265. o juízo de 1º grau já havia homologado requerimento de suspensão do processo pelo prazo de 90 (noventa) dias. c) posteriormente. Não resta dúvida de que o art. que ordenará o prosseguimento do processo. Sucede que.) § 3º A suspensão do processo por convenção das partes. situação em que se encontrava o feito naquele momento.9. 436). 343. do CPC. 265. o escrivão fará os autos conclusos ao juiz.

Incidência da Súmula n. Decisão que extingue a demanda. que seja publicada decisão durante a suspensão do feito. 211-STJ. Ausência. 244. Preliminar de intempestividade. A lei processual não permite. Recurso especial parcialmente conhecido e. Assim agindo. a conduta do Juízo a quo revela-se contraditória e viola o princípio insculpido na máxima nemo potest venire contra factum proprium. Ausência.a intimação para recolhimento do preparo e. sem julgamento de mérito. não se podendo cogitar. ato contínuo. Princípio da boa-fé objetiva. 24. o Poder Judiciário feriu a máxima nemo potest venire contra factum proprium. portanto. ademais. Observância. desse modo.quando não precisava fazêlo . tampouco este já se encontrava em curso quando requerida e homologada a suspensão do processo. A convenção não teve como objeto o prazo para a interposição da Apelação. Embargos à execução. Violação do princípio da confiança (venire contra factum proprium). por conseguinte. de indevida alteração de prazo peremptório. Ao homologar a convenção pela suspensão do processo. seja praticado ato processual de ofício – publicação de decisão – e. ainda. a. outro aspecto a ser considerado. Nesse sentido: Recurso especial. Intimação pessoal.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA Não se trata. na medida em que anteriormente determinou . que consiste na necessidade de proteger a boa-fé objetiva das partes da relação jurídico-processual. logo em seguida. mesmo após o RSTJ.. considerá-lo como termo inicial do prazo recursal. (228): 205-264. do início da contagem do prazo recursal enquanto paralisada a marca do processo. Prequestionamento. Porém. do devido processo legal e seus corolários – princípios da conf iança e da não surpresa – valores muito caros ao nosso ordenamento jurídico. com a ressalva dos urgentes a fim de evitar dano irreparável. provido.) IV . determinada a intimação para recolhimento do preparo e devidamente cumprido. Inexistência. Desnecessidade. do Código de Processo Civil. 266 do CPC veda a prática de qualquer ato processual. Está caracterizada a prática de atos contraditórios justamente pelo sujeito da relação processual responsável por conduzir com vistas à concretização do princípio do devido processo legal. Há. o art. o Poder Judiciário criou nos jurisdicionados a legítima expectativa de que o processo só voltaria a tramitar após o prazo convencionado. não se pode admitir que. outubro/dezembro 2012 253 . Por óbvio. Art. reconhecidamente aplicável no âmbito processual. na espécie.Todavia. Precedentes desta Corte Superior. em atenção aos princípios da segurança jurídica.. (. nessa extensão. Preparo. Em havendo suspensão do processo.

Venire contra factum proprium. Art. o mandado de segurança já não seria cabível. observado-se o devido processo legal. há. entendeu por bem julgar extinta a demanda. Ausência de direito líquido e certo. (. dou provimento ao Recurso Especial para determinar que a Apelação seja novamente apreciada. na parte autora. (REsp n. sob pena de nulidade.Determinada a intimação para recolhimento do preparo e figurando este devidamente cumprido. afastado o óbice reconhecido pelo Tribunal a quo. 1. Decadência da impetração. a legítima expectativa de que. nessa extensão.116. 1. No caso.533/1951.356-RJ. no direito processual brasileiro.. Não se admite. É que o indeferimento do processamento do recurso especial foi publicado em 17 de julho de 2007 (fl.Recurso especial parcialmente conhecido e. 4. Rel. outro óbice à pretensão. 6. 18 da Lei n. IV. 267.533/1951. Processual Civil. bem como pela ausência de ato ilegal ou abuso de poder. após o recolhimento do preparo.10. V .REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA cumprimento de sua ordem. dentro do prazo estabelecido pelo Magistrado. e o mandado de segurança foi impetrado em 19 de março de 2008. É como voto. sem julgamento de mérito. Quando da interposição do recurso especial contra o acórdão que julgou deserta a apelação em mandado de segurança. Perda do prazo recursal. com base no art. sob pena de nulidade. Recurso ordinário não provido. 18 da Lei n. Ministro Benedito Gonçalves. Ausência de recolhimento integral do preparo do recurso especial em outro mandamus.. Decisão publicada nos termos em que solicitado pelos advogados subscritores. os advogados subscritores solicitaram expressamente a publicação das decisões em seus nomes. ante a manifesta ausência de direito líquido e certo do impetrante. Ministro Massami Uyeda. Diante do exposto. uma vez que somente se cumpriu o pleiteado pela parte. não é o caso de extinção dos embargos à execução. VI . ainda. muito além do prazo decadencial de 120 dias estipulados no art. em tempo e modo oportunos. VII . suas razões iniciais seriam examinadas. (RMS n. Recurso ordinário em mandado de segurança. DJe 27. 254 . Só por esse fato.2011).2009). 581). Primeira Turma. do CPC.) 3. o venire contra factum proprium.574-ES. 29. 5. 1. DJe 13.4.Tal atitude viola o princípio da boa-fé objetiva porque criou. Rel. provido. Terceira Turma.

3.575/2005. 2. exige expressamente. Trata-se de recurso especial em Ação Rescisória.575 e 6. outubro/dezembro 2012 255 . Ofensa aos arts. 6. dispensando-a de cumprir à exigência de ter concluído Curso Superior completo em Pedagogia ou Licenciatura Plena em qualquer área. da Lei Estadual n. Não se configura dissídio jurisprudencial. Afasta-se a ofensa aos artigos 480 e 481 do CPC. 24. Segundo o Estado de Alagoas. que alterou a redação da Lei Estadual n. 485. V. Fundamentos constitucionais do acórdão recorrido.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA RECURSO ESPECIAL N. II. pois o acórdão recorrido adotou fundamentação jurídica diversa da mera declaração de inconstitucionalidade de dispositivo legal. uma vez que analisaram questões diferentes. 4. quando os acórdãos confrontados não guardam orientações jurídicas dissidentes.597/2005. Inexistência de dissídio jurisprudencial. o Curso Superior completo em Pedagogia ou Licenciatura Plena. 1. o art. 1. Escolaridade específica. 6. do CPC. bem como possuem quadros fáticos diversos. como requisito para a investidura no referido cargo. Leis Estaduais n. 480 e 481 do CPC não configuradas. Inviável o acolhimento de violação do art. Ação rescisória.621-AL (2012/0191616-3) Relatora: Ministra Eliana Calmon Recorrente: Estado de Alagoas Procurador: Rita de Cássia Coutinho e outro(s) Recorrido: Walkiria Alves Rodrigues Advogado: José Alvaro Costa Filho e outro(s) EMENTA Processual Civil e Administrativo. Requisitos de concurso público. visando desconstituir provimento judicial que assegurou à candidata em concurso público tomar posse como Secretária Escolar da Secretaria Executiva de Educação do Estado de Alagoas.597/2005. aceitando em substituição a graduação em Curso Superior de Comunicação Social.343. a. 7º. entendendo pela aplicação ao caso de outros diplomas legais. 6. (228): 205-264. RSTJ.

da segurança jurídica e da legalidade estrita. segundo jurisprudência do STJ. Ministros Castro Meira. Ministra Relatora.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 5. numa determinada norma legal. Ministra-Relatora. como a idéia de manutenção da integridade do ordenamento jurídico que não se consubstancie. O cabimento de Ação Rescisória fundada no art. Acórdão recorrido também fundado na ponderação dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana. Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra.2012 256 . o que refoge aos estreitos limites desta via recursal. Humberto Martins. 9. 6. negoulhe provimento. 485. mas que dela possa ser extraída. Situação em que o próprio Estado de Alagoas contribuiu para a definitividade da segurança concedida à candidata no mandamus originário. V. Ministra Eliana Calmon. Inviável na hipótese o reconhecimento da violação do art.10. 8. Hipótese não configurada nos autos. 7. ACÓRDÃO Vistos. nos termos do voto da Sra. do CPC. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido. conheceu em parte do recurso e. que lhe permitiu acesso ao cargo público: 1) não apresentou no momento apropriado a tese de defesa no sentido de que havia disposição legal específica para o caso em questão. 2) renunciou expressamente ao prazo para apelar da sentença favorável à particular. por unanimidade. V. por se referirem a matéria constitucional. acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça “A Turma. Relatora DJe 29. 18 de outubro de 2012 (data do julgamento). com ressalva do ponto de vista dos Srs. e 3) agiu contra fato que deu causa. abrange tanto o texto estrito do preceito legal. Brasília (DF).” Os Srs. o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. Ministros Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques. diante das peculiaridades da demanda. do CPC. nessa parte. exige uma violação literal de lei qualificada. da boa-fé. 485. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. a exemplo dos princípios gerais do direito.

pois deixou de aplicar a Lei Estadual n. a bem do serviço público. 6. expressamente renunciou ao prazo recursal. com a redação dada pela Lei Estadual n. os quais foram rejeitados. 6. 240. Sentença confirmada via remessa ex officio. Embargos de declaração manejados sob a alegação de que este tribunal inobservou a cláusula de reserva de plenário (art. e-STJ): Processo Civil. o que se equipara ao reconhecimento do pedido por parte do impetrado.575/2005. O recorrente aponta ofensa aos arts. Inocorrência. por meio Acórdão n. da Constituição Federal contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Alagoas assim ementado (fl. e a Súmula Vinculante n. sem declarar expressamente sua inconstitucionalidade. que estabelecia como requisito para assunção ao RSTJ. 10 já que não se aplicou ao caso a Lei Estadual n. Ministra Eliana Calmon: Trata-se de recurso especial fundado no art. em que o Estado de Alagoas. Aplicouse à hipótese.597/2005.394/1996. 105. 6. Posse efetivada via mandado de segurança. Posse efetivada há mais de 5 (cinco) anos. 480 e 481 do CPC. 9. concluiu pela legalidade da posse do impetrante paradigma que estava na mesma situação fática da embargada. no mesmo período. da Lei Estadual n.0052/2011. Decisão unânime. Tratamento desigual deferido à embargada que não se sustenta. alíneas a e c. ensejando manifesta violação a dispositivo legal. a bem do serviço público. Afirma haver também violação do art. do CPC. a. II. (228): 205-264.597/2005. 7º. Prevalência da segurança jurídica decorrente da coisa julgada. Alegação de que é imprescindível o curso superior de pedagogia ou licenciatura plena para ocupar o cargo de secretário escolar. Aplicação da teoria do fato consumado. Foram opostos Embargos de Declaração.597/2005. Alegação de que o julgado se fundou em premissa equivocada. bem como a Lei Federal n. Impossibilidade de rescisão do julgado. no qual o Estado de Alagoas. outubro/dezembro 2012 257 . Prevalência da segurança jurídica decorrente da coisa julgada. III. e-STJ): Ação rescisória. nos moldes da ementa abaixo (fl. 97. Recurso conhecido e desprovido unanimidade. Ação rescisória manejada com o propósito de rescindir sentença proferida nos autos de mandado de segurança. a teoria do fato consumado. à unanimidade. na medida em que o Tribunal local afastou a incidência do art.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA RELATÓRIO A Sra. que não se harmoniza com o princípio da razoabilidade. Ação rescisória não é recurso ordinário com prazo dilatado. sob pena de violar a dignidade da pessoa humana. Inocorrência. Concurso público. 296. 485. Demonstração. Renúncia do prazo recursal. 4. CF/1988 e artigos 480-492 do CPC). V. 24. nos autos de mandado de segurança conexo. 6.

na medida em que o Tribunal de origem deixou de aplicar dispositivo legal. 319. ainda. 1. II. da Lei Estadual n.562-CE). traz à colação precedente deste Tribunal Superior por ocasião do julgamento do AgRg no REsp n. que alterou a redação da Lei Estadual n. Defende. na qual se assegurou à candidata em concurso público tomar posse como Secretária Escolar da Secretaria Executiva de Educação. no qual se concluiu que a teoria do fato consumado em matéria de concurso público requer o cumprimento dos requisitos legalmente estabelecidos para a investidura no cargo pretendido. em recurso especial. dispensando-a de cumprir à exigência de ter concluído “Curso Superior completo em Pedagogia ou Licenciatura Plena em qualquer área”. “segundo a qual se convalida uma situação de fato ilegal. dos princípios da dignidade da pessoa humana. sobre o princípio da legalidade estrita” (fl. Segundo o Estado de Alagoas. 410-413. 480 e 481 do CPC. 1. 6. o curso superior em pedagogia ou de graduação de Licenciatura Plena. Para o acórdão recorrido estar-se-ia diante de situação acobertada pela mencionada teoria. e-STJ). nesse caso. 7º. ocorrido em 21. Ministra Eliana Calmon (Relatora): Cuida-se originariamente de Ação Rescisória ajuizada pelo Estado de Alagoas.575/2005. VOTO A Sra. exige expressamente. o art. a fim de rescindir acórdão que confirmou sentença proferida em Mandado de Segurança. apesar de ser graduada em Comunicação Social. no tocante à aplicabilidade da teoria do fato consumado. É o relatório. adentrar na análise das razões do acórdão rescindendo (mérito).2011. 6.046.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA cargo de Secretário Escolar. 258 . que perdurou ao longo do tempo.248. Foram interpostos Recursos Especial e Extraordinário. da boa-fé e da segurança jurídica. como requisito para a investidura no referido cargo. com base em precedente da Corte Especial deste Tribunal (EREsp n.6. da Relatoria do Ministro Humberto Martins. tendo apenas aquele sido admitido pelo TJAL (fls. O Estado de Alagoas também fundamenta seu recurso em divergência jurisprudencial. ser possível. sem que houvesse sua necessária declaração de inconstitucionalidade. dada a relevância e a preponderância. o Curso Superior completo em Pedagogia ou Licenciatura Plena. e-STJ).007-RS. Por sua vez. O recorrente sustenta inicialmente a violação dos arts.597/2005.

17. ao prestar informações no mandado de segurança referido. ser equiparada aos meios recursais. 64 da Lei n. no acórdão que apreciou os embargos declaratórios. a. O que restou declarado foi que a: [. entendeu que a devolução a este tribunal de matéria já decidida para que houvesse novo julgamento não seria medida a harmonizar-se com os fins específicos da via rescisória. outubro/dezembro 2012 259 .) 15. e-STJ): (. 19. bem como o pedido de suspensão da segurança feito à época pelo Estado de Alagoas ao presidente deste Tribunal de Justiça. inclusive. inclusive do autor da presente ação. Por fim. de modo a permitir-se. 6. que: Embora o acórdão rescindendo não tenha expressamente afastado do caso concreto a incidência do artigo supostamente violado . a livre e ilimitada rediscussão da matéria.. Estado de Alagoas -.. [. afastou a tese de que não teria aplicado a Lei Estadual n..394/1996. 9. até aquele momento tal artigo de lei era desconhecido.597/2005. Ademais. do ponto de vista da sua funcionalidade.] tendo como parâmetro a Lei Federal n. o debate não restou omisso quanto ao assunto e a suposta violação ao artigo em destaque restou ultrapassada por via reflexa.394/1996. tendo em vista que o acórdão rescindendo analisou a questão sob o enfoque do art.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).] ação rescisória não pode. sob o simples argumento de “violação a literal disposição de lei”. Acrescentando.597/2005 ou a Lei Federal n. definitivamente. (228): 205-264.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA Nesse ponto. 18. 6. sob a alegação de que as “exigências nelas contidas seriam inconstitucionais”. cuja exigência serviu de fundamento à resistência oferecida pelo Estado de Alagoas. 9..mesmo porque. foi firmado que o assunto já teria sido amplamente discutido no mandamus pretérito. através dela. que igualmente assinala a necessidade de “graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação”. como se inconstitucional fosse. 9. 307-309. verifica-se que o Tribunal de origem.. 16.. que trata exatamente de igual exigência. Com efeito. trago à colação trecho do voto condutor do mencionado julgado (fls. E mais! Considerando os argumentos exteriorizados quando do julgamento do mandamus pretérito. em momento algum da decisão embargada há registro de que este colegiado tenha deixado de aplicar a Lei n. 24. e ante a certeza de que o caso trazido à apreciação deste Colegiado. RSTJ. Para melhor compreensão.

em nada restaria alterada a situação do Estado de Alagoas. que poderia ou não se confirmar. V. Com isso. pudesse ser matéria de reapreciação na via rescisória. (grifei). certamente se chegaria ao mesmo resultado declarado no momento do julgamento do mandamus. considerando a formação superior.. Afasta-se. Conforme já mencionado. na declaração supra. 260 . notadamente porque teria declarado a inconstitucionalidade das leis que alicerçavam o pedido rescisório. 7º. portanto. nos moldes estabelecidos pelo art. anterior e superveniente da autora.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA não se enquadrava dentro dos contornos taxativos do art. portanto. registrouse. cai por terra a alegação de que o acórdão embargado teria sido omisso. ainda que fosse possível rescindir tal julgado. 6. Do cotejo desses esclarecimentos. pois não guardam correlação entre si. sem a prévia deliberação do Pleno deste Tribunal de Justiça. O que se tem. conforme previsto no art. em setembro de 2006. não há divergência a ser sanada e nem os julgamentos devem ser idênticos. 21. do CPC. II. [. desta feita à luz da Lei Estadual n. da Lei Estadual n. 6. nada mais é do que uma proposição preliminar. que igualmente exige formação específica. entendendo pela aplicação ao caso de outros diplomas legais. sobressai induvidoso que o acórdão embargado não declarou a inconstitucionalidade das leis conforme sugere o embargante. A partir da leitura desse julgado. a ofensa aos artigos 480 e 481 do CPC. Resta. tida como violada. 485.597/2005. motivo pelo qual. caso a Lei n. Os quadros fáticos são diversos e. observa-se que o Tribunal de origem adotou fundamentação jurídica diversa da mera declaração de inconstitucionalidade de dispositivo legal. no acórdão embargado.575/2005. 485 do CPC. se a ilegalidade do ato coator fosse aferida na atualidade.597/2005. os acórdãos confrontados não guardam orientações jurídicas dissidentes.597/2005. 6. portanto. No tocante ao suposto dissídio jurisprudencial. 6. seria no mesmo sentido do que já foi outrora decidido. a análise do cabimento da ação rescisória originária por violação de literal disposição de lei. uma vez que analisaram questões diferentes.. a literal disposição de lei alegadamente violada refere-se à exigência do “curso superior completo em Pedagogia ou curso superior de graduação em Licenciatura Plena para os cargos de nível superior”. haja vista que novo julgamento sobre a matéria. que alterou a redação da Lei Estadual n.] possivelmente seria confirmado por este colegiado. se fosse possível revisitar a matéria com a rescisão do julgado. que. 20. apenas registrou que.

(228): 205-264. Apesar de constar no Anexo do edital do concurso (fl. o requisito legal pareceu-me tão óbvio. 24. permitindo que uma candidata viesse a assumir o cargo de Secretária Escolar apenas com o curso superior de Comunicação Social. Após o trânsito em julgado desse acórdão. para os cargos de nível superior”. Somente após a prolação do acórdão rescindendo.2005. em suas informações.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA À primeira vista. 6.597/2005 – até porque essa disposição legal RSTJ. como pelo juízo de 1ª grau. novamente os julgadores não se pronunciaram sobre a existência da Lei Estadual n.575/2005. a. e-STJ). 152-158. do CPC. Nessa ocasião. Assim. 6. o Estado de Alagoas renuncia expressamente ao prazo recursal para interposição de apelação (fl.597. o Estado de Alagoas propôs ação rescisória. para o cargo de Secretária Escolar. V. e-STJ) como requisito de escolaridade mínima exigida o “Curso Superior Completo de Pedagogia ou Licenciatura Plena em qualquer área do conhecimento”. que proferiu sentença favorável à candidata. tendo o feito subido ao Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas em reexame necessário. que achei curioso o fato de um provimento judicial ter transitado em julgado em sentido contrário à lei. 6. 172-174.597/2005 (até porque não havia sido mencionada nos autos). Daí. que confirmou a segurança. 42. a candidata impetrou Mandado de Segurança alegando que a Lei Estadual n. em embargos declaratórios. outubro/dezembro 2012 261 . E essa omissão passou despercebida tanto pela autoridade coatora. e-STJ).575/2005 não fazia tal exigência. e que os embargos de declaração não se prestavam para eventual impugnação de error in judicando (fls. ocorrida com o advento da Lei Estadual n. que passou a exigir expressamente o curso de pedagogia ou licenciatura plena. de 14.4. 6. 6. apesar de não ter analisado a Lei Estadual n. a petição inicial do mandamus omitiu a alteração legislativa desse dispositivo. apreciando a lide à luz da redação original da Lei Estadual n. Todavia. Em seguida. a Corte de origem entendeu que não se tratava de erro de fato. 485. com fundamento no art.597/2005 (petição de fls. Nessa nova ação. a existência de “erro de fato”. e-STJ). é que o Estado do Alagoas informa. limitando-se a preceituar a necessidade de “ensino superior completo. o TJAL entendeu que o julgado rescindendo. para entender as razões que levaram os julgadores a concederem o provimento a que se busca rescindir. 6. fiz uma análise minuciosa do Mandado de Segurança originário. 123. em razão do requisito legal específico para denegação da segurança contido na Lei Estadual n.

nesse caso. seria contrário à indisponibilidade do interesse público. em juízo de equidade e razoabilidade. dos princípios da dignidade da pessoa humana. Além disso.) Ora. Nesse último ponto. que se veria obrigado. a suprir a carência deixada através de novo concurso público. se o titular do interesse público é a sociedade como um todo. a tese de defesa no sentido de que havia disposição legal específica para o caso em questão. inclusive. teria apreciado o pleito à luz de exigência similar contida Lei Federal n. o acórdão recorrido fundamentou a negativa de provimento da rescisória na inexistência de interesse público. Isso sim. em razão de preclusão lógica. Não é demasiado lembrar que dispensá-la.. sendo a qual se convalida uma situação de fato ilegal. 251-252. Nesse ponto. que perdurou ao longo do tempo. a teoria do fato consumado. exercendo o cargo de secretário escolar. 262 . o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. incide no caso.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA era desconhecida –. ainda. Segundo. Como se não bastasse.. não traria nenhum benefício à Administração Pública. inviável a reforma do aresto recorrido. Feito esse relato histórico da demanda. e se comprovado está que a ré vem desempenhando as suas funções com a competência e a eficiência desejadas pela Administração Pública. de boa-fé e da segurança jurídica. cito trecho do voto-condutor do acórdão recorrido (fls. por ter renunciado expressamente ao prazo para apelar da sentença favorável à particular. a sua manutenção como servidora pública é necessária. até mesmo tendo em vista o atual momento de carência na educação pública alagoana. Ou mesmo a tese de que o Estado estaria a agir contra fato que deu causa. viesse a Administração Pública a dispensá-la. a essa altura. pelo fato de não trazer. conforme restou declarado pela diretora geral da instituição de ensino na qual a ré foi lotada. até se poderia questionar acerca do seu interesse processual na ação rescisória posteriormente ajuizada. parece-me. após mais de 4 (quatro) anos e 6 (seis) meses.394/1996 (Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional). aplicação da teoria do fato consumado e preponderância da segurança jurídica em face da legalidade estrita. dada a relevância e a preponderância. penso eu. e-STJ): (. Primeiro. sobre o princípio da legalidade estrita. 9. enfatizado pelo autor como forma de resistir veementemente a realidade que se apresenta. Penso que seria todo desarrazoada admitir que. o próprio Estado de Alagoas contribuiu para a definitividade da segurança concedida à candidata no mandamus originário. no momento apropriado. Conforme mencionado.

485. numa determinada norma legal. o cabimento de Ação Rescisória fundada no art.) 5. a jurisprudência do STJ e do STF sempre foi no sentido de que não é toda e qualquer violação à lei que pode comprometer a coisa julgada. V). há informação nos autos de que a recorrida vem desempenhando as suas funções com a competência e a eficiência desejadas pela Administração Pública. da segurança jurídica e da legalidade estrita. 6. por força da decisão transitada em julgado no mandado de segurança originário. a exemplo dos princípios gerais do direito. Na interpretação do art. em controle difuso. quando “a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais” (Súmula n. V. do CPC: em se tratando de norma infraconstitucional. 343). 343-STF. 485. A orientação revela duas preocupações fundamentais da Corte Suprema: a primeira. esse enunciado não se aplica quando se trata de “texto” constitucional. do Código de Processo Civil.Jurisprudência da SEGUNDA TURMA Além dessas circunstâncias. 24. portanto. outubro/dezembro 2012 263 . como a idéia de manutenção da integridade do ordenamento jurídico que não se consubstancie. V. 485. exige uma violação literal de lei qualificada. soma-se o fato de o Tribunal de origem ter utilizado como fundamento a ponderação dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana. da boa-fé. também. por se referirem a matéria constitucional. segundo jurisprudência deste Tribunal Superior. Todavia. considerarmos o fato de que a recorrida exerce suas funções no cargo público desde abril de 2006. mas que dela possa ser extraída. Inaplicabilidade da Súmula n. Existência de pronunciamento do STF. Esses os valores dos quais deve se lançar mão para solucionar os problemas atinentes à rescisão de julgados em matéria constitucional. a. não se admite ação rescisória. RSTJ. a supremacia da Constituição e a sua aplicação uniforme a todos os destinatários. que prevê a rescisão de sentença que “violar literal disposição de lei”.. em qualquer circunstância. Inclusive. 1. Matéria constitucional. e. do CPC. (228): 205-264. Ademais.. a segunda. a de preservar a sua autoridade de guardião da Constituição. Cito precedentes: Processual Civil. art. o que refoge aos estreitos limites desta via recursal. dando ensejo à ação rescisória. em sentido contrário ao da sentença rescindenda. mas apenas aquela especialmente qualificada. portanto. abrange tanto o texto estrito do preceito legal. V. a orientação a ser seguida nos casos de ação rescisória fundada no art. Inegável. (. envolvendo a própria atuação do Estado de Alagoas. a de preservar. 485. não se considera existente “violação a literal disposição de lei”. Ação rescisória (CPC. Essa.

.594-DF. José Delgado. nas ações rescisórias. segundo o qual há violação à Constituição na sentença que. a exemplo dos princípios gerais do direito. DJ de 30.5.5. como a idéia de manutenção da integridade do ordenamento jurídico que não se consubstancie.2007.2005. É o voto. Rel. como termo inicial. Assim. a data em que o índice oficial foi expurgado. 8. guardião da Constituição. Terceira Turma.267-RS.A adoção de critério de correção monetária deve observar. conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento. V.5. assim. 28 da Lei n. numa determinada norma legal. de 9. em matéria constitucional é contrária a pronunciamento do STF. ainda que em controle difuso (RE n.738. Ministra Nancy Andrighi. . 391. reconhecendo a constitucionalidade do art. a existência de precedente do STF.1989. julgado em 9. IPC. e abrange tanto o texto estrito do preceito legal.2002. recompor o patrimônio do poupador. Precedente da 1ª Seção: EREsp n. Princípio geral do direito que veda o enriquecimento sem justa causa. p. 225. Com essas considerações. 150. e. mas que dela possa ser extraída. com o recebimento da ação rescisória originária. Art. no caso concreto.2007. Lei n. Cabimento. Assim sendo. Rel. inciso V. 7.122-RJ. grifei). relativamente às empresas ‘exclusivamente prestadoras de serviços’. Min. (EREsp n. 343 por um parâmetro positivo. Ação rescisória. julgado em 26.A expressão “violar literal disposição de lei”. DJ 28. concorre decisivamente para um tratamento diferenciado do que seja “literal violação” a existência de precedente do STF. entendo que as peculiaridades da presente demanda impedem o acolhimento da violação ao art. 485. a partir do mês de janeiro do ano de 1989. 485 do CPC deve ser compreendida como violação do direito em tese. 608. Ministro Teori Albino Zavascki. Plano verão. DJ 14.755-1-PE.10. 264 . do CPC. Ele é que justifica. p.8.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 7. 485.3. Primeira Seção. Termo a quo. relatado pelo Ministro Sepúlveda Pertence). o IPC. 280.2002. 329. Correção monetária. (REsp n. 6. indevidamente. Embargos de divergência providos. do CPC. que anteriormente não foi aplicado sob alegação de inconstitucionalidade. No caso dos autos. grifei). Incidência a partir da data em que foi procedido o indevido expurgo do índice inflacionário do mês de janeiro do ano de 1989. enseja o cabimento da ação rescisória. qual seja. Processual Civil.899/1991. 9. a substituição do parâmetro negativo da Súmula n. contida no inciso V do art.

Segunda Seção .

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024. o que enseja o conhecimento dos embargos de divergência.691-PR (2011/0102019-6) Relator: Ministro Raul Araújo Embargante: Pawlowski e Pawlowski Ltda. O art.474/1968 permita o protesto por indicação nas hipóteses em que houver a retenção da duplicata enviada para aceite. Boleto bancário acompanhado do instrumento de protesto. Os acórdãos confrontados. acompanhado do instrumento de protesto por indicação e das notas fiscais e respectivos comprovantes de entrega de mercadorias.EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL N. conforme previsão constante dos arts. dispensa a transcrição literal do título quando o Tabelião de Protesto mantém em arquivo gravação eletrônica da imagem. Protesto por indicação. o alcance desse dispositivo deve ser ampliado para harmonizar-se também com o instituto da duplicata virtual. Executividade reconhecida. 9. apresentam solução jurídica diversa para a questão da exequibilidade da duplicata virtual. cópia reprográfica ou micrográfica do título ou documento da dívida. das notas fiscais e respectivos comprovantes de entrega das mercadorias. Execução de título extrajudicial. com base em boleto bancário. 13.492/1997. em face de mesma situação fática. 8º e 22 da Lei n. da Lei n. § 1º. a seu turno. 1. A indicação a protesto das duplicatas mercantis por meio magnético ou de gravação eletrônica de dados encontra amparo no artigo 8º. Divergência demonstrada. Duplicata virtual. . 9. parágrafo único. 3. da Lei n. 5. Embora a norma do art. e outros Advogado: Alexandre César Del Grossi e outro(s) Embargado: Petrobrás Distribuidora S/A Advogado: Fernando Wilson Rocha Maranhão e outro(s) EMENTA Embargos de divergência em recurso especial. 1. 2. 22 do mesmo Diploma Legal.492/1997.

ausente o documento físico. esteja acompanhada de documento hábil comprobatório da entrega e recebimento da mercadoria e o sacado não tenha recusado o aceite pelos motivos constantes dos arts. 15 da Lei n. 5. Embargos de divergência conhecidos e desprovidos. da Lei n. por unanimidade. ficando atendidas. quando encaminhado para aceite.474/1968 admite. das notas fiscais referentes às mercadorias comercializadas e dos comprovantes de entrega e recebimento das mercadorias devidamente assinados não descuida das garantias devidas ao sacado e ao sacador. Os Srs. conhecer dos embargos de divergência e negar-lhes provimento. Daí. não havendo manifestação do devedor à vista do documento de cobrança. nos termos do voto do Senhor Ministro Relator. 7º e 8º da Lei. O protesto de duplicata virtual por indicação apoiada em apresentação do boleto. 13. mas também na de duplicata virtual amparada em documento suficiente. é possível chegar-se à conclusão de que é admissível não somente o protesto por indicação na hipótese de retenção do título pelo devedor. decide a Segunda Seção.474/1968. suficientemente. 268 . foi efetuado o protesto por indicação. isto é. mediante simples indicação de seus elementos ao cartório de protesto. estando o instrumento acompanhado das notas fiscais referentes às mercadorias comercializadas e dos comprovantes de entrega e recebimento das mercadorias devidamente assinados. No caso dos autos. essencialmente. as exigências legais para se reconhecer a executividade das duplicatas protestadas por indicação. como expressamente previsto no referido artigo. é o protesto da duplicata com dispensa de sua apresentação física.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 4. Quanto à possibilidade de protesto por indicação da duplicata virtual. 5. deve-se considerar que o que o art. autorizando sua cobrança judicial pelo processo executivo quando esta haja sido protestada mediante indicação do credor. 8. 5. em que são partes as acima indicadas. Reforça o entendimento acima a norma do § 2º do art. 6. 7. § 1º. que cuida de executividade da duplicata não aceita e não devolvida pelo devedor. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos.

oralmente. 677-681. Massami Uyeda e Luis Felipe Salomão votaram com o Sr. equivocado no seu entender. no qual teria sido acolhida tese diametralmente oposta. mesmo na hipótese de transações comerciais por meio eletrônico. o Dr. justificadamente. Maria Isabel Gallotti. no sentido de ser inadmissível o protesto dos boletos bancários sem a emissão. Rel. 623. Por Petrobras Distribuidora S/A foi apresentada impugnação às fls. Antônio de Pádua Ribeiro. 22 de agosto de 2012 (data do julgamento). Alexandre César Del Grossi. (228): 265-342. Castro Filho.o REsp n. e outros em face de acórdão proferido no julgamento do REsp n. AgRg no REsp n. Aldir Passarinho Junior . pela embargante Pawlowski e Pawlowski Ltda. Pela decisão de fls. Em contrapartida. Ministro Raul Araújo. Sustentou. outubro/dezembro 2012 269 . Antonio Carlos Ferreira. a Sra.808-DF.856-SC.017-RS. 827. Ministro Relator. Ministro Raul Araújo: Cuida-se de embargos de divergência em recurso especial interpostos por Pawlowski e Pawlowski Ltda. envio e retenção injustificada da duplicata. 673-674 foram admitidos os embargos de divergência. Marco Buzzi. Ausente. 623. o REsp n. Brasília (DF). os dois últimos da relatoria do Min.340-SC e REsp n. 902.2012 RELATÓRIO O Sr. apontam acórdão da colenda Quarta Turma. Ricardo Villas Bôas Cueva. o Min. Citam. Nesse julgamento ficou firmado o entendimento de que a retenção da duplicata enviada para aceite é condição indispensável para o protesto por indicação.691-PR pela egrégia Terceira Turma. 369. o REsp n. 1. Afirma que a decisão embargada acertadamente descreveu a prescindibilidade RSTJ. de relatoria da eminente Ministra Nancy Andrighi.340-SC. da relatoria do eminente Min. o protesto por indicação dos boletos bancários se deveu à emissão eletrônica das respectivas duplicatas. No caso. Ministra Nancy Andrighi. Rel. o Min. Aldir Passarinho Junior.024. 24. Dizem os embargantes que no aresto embargado ficou firmado o entendimento. a.10. de que é possível o protesto e a execução de boletos bancários desde que acompanhados dos instrumentos de protesto por indicação e dos comprovantes de entrega da mercadoria.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO Ministros Paulo de Tarso Sanseverino. Relator DJe 29. também.

ademais. As duplicatas virtuais .emitidas e recebidas por meio magnético ou de gravação eletrônica . Boleto bancário acompanhado do comprovante de recebimento das mercadorias. se apegando a teses jurídicas que não contemplam o avanço tecnológico. juntou aos autos somente boletos bancários. afirmando. Lei n.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA da apresentação da cártula impressa em papel e seu encaminhamento ao sacado. Interposto recurso especial pelo devedor. 2. Interposta apelação pela exequente. títulos executivos extrajudiciais. a nulidade da execução em vista da ausência de título executivo extrajudicial a ampará-la. 270 . com a adaptação da jurisprudência à introdução da informática na praxe mercantil. Desnecessidade de exibição judicial do título de crédito original. Os boletos de cobrança bancária vinculados ao título virtual. com o único intuito de se eximirem do pagamento da dívida. suprem a ausência física do título cambiário eletrônico e constituem. em princípio. 1. Ressalta. no que interessa. a fim de comprovar suas alegações. em acórdão que guarda a seguinte ementa: Execução de título extrajudicial.492/1997. por Pawlowski e Pawlowski Ltda. imprescindíveis para o manejo da ação executória. de modo que a exibição do título não é imprescindível para o ajuizamento da execução judicial. que os embargantes não negam sua inadimplência. 9. Os embargos à execução foram acolhidos. acompanhados das notas fiscais e instrumentos de protesto. e outros. Dizem os embargantes em suas razões que a exequente. porém deixou de apresentar as duplicatas. foi desprovido pela colenda Terceira Turma. cuja satisfação se almeja em execução ajuizada em 2002. foi provida pelo egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. devidamente acompanhados dos instrumentos de protesto por indicação e dos comprovantes de entrega da mercadoria ou da prestação dos serviços. É o relatório. VOTO O Sr. foram opostos embargos à execução que lhes move Petrobras Distribuidora S/A.podem ser protestadas por mera indicação. Ministro Raul Araújo (Relator): Colhe-se dos autos que. Duplicata virtual. Protesto por indicação.

Esse documento bancário apenas contém as características da duplicata virtual emitida unilateralmente pelo sacador. Rel. nos quais é apontada a existência de dissenso entre o entendimento acima esposado e acórdão da relatoria do eminente Min. 902. então. Protesto de boletos bancários. é evidente que a exibição do título não é imprescindível para o ajuizamento da execução judicial. 2009. Recurso especial. os presentes embargos de divergência. títulos executivos extrajudiciais. Rio de Janeiro: Renovar. a. como permitido pelo parágrafo único do art. de atribuir eficácia executiva ao boleto singularmente considerado. e não se confunde com o título de crédito a ser protestado.REsp n. nos termos do art.017-RS. contudo. julgado em 22. (REsp n. da Rosa Jr. DJe de 12. o título executivo extrajudicial corresponde ao instrumento de protesto feito por indicações do portador.2011. 24. Recurso especial a que se nega provimento. mediante registro magnético.sem a apresentação da duplicata -. “no caso da duplicata virtual. Impossibilidade. os boletos de cobrança bancária. Aldir Passarinho Junior . Inteligência do art. devidamente acompanhados dos instrumentos de protesto por indicação e dos comprovantes de entrega da mercadoria ou da prestação dos serviços.492/1997.024. acompanhado do comprovante de entrega e recebimento da mercadoria pelo sacado” (Rosa Junior. Como bem destaca o Prof. § 1º da Lei n.4. Portanto. se a lei exige do sacador o protesto da duplicata para o ajuizamento da ação cambial e lhe confere autorização para efetuar esse protesto por mera indicação . Luiz Emygdio F.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO 3. 9. I. sem a emissão. Não se trata. 759). Vêm. 271 RSTJ. verbis: Disso decorre que não há justificativa para o verdadeiro fetiche que os recorrentes desenvolveram pela representação física da cártula. assim ementado: Civil e Processual. (ii) estiver acompanhado do comprovante de entrega das mercadorias ou da prestação dos serviços e (iii) não tiver seu aceite justificadamente recusado pelo sacado. Precedentes.. Terceira Turma. (228): 265-342. 5. Precedentes. 586 do CPC.3. 13. aqui. Títulos de Crédito. suprem a ausência física do título cambiário em questão e constituem. o envio e a retenção injustificada da duplicata. Se. Assim. em princípio. p. bastando a juntada do instrumento de protesto e o comprovante de entrega das mercadorias ou da prestação dos serviços. outubro/dezembro 2012 . Ministra Nancy Andrighi. o boleto bancário que serviu de indicativo para o protesto (i) retratar fielmente os elementos da duplicata virtual. passa a constituir título executivo extrajudicial.691-PR..474/1968. 1. 6ª Ed. É inadmissível o protesto dos boletos bancários. Luiz Emygdio Franco da. 8º da Lei n. Do voto da eminente relatora se extrai o seguinte trecho.2011).

o acórdão embargado admite a exequibilidade de duplicatas virtuais. efetuados por indicação. com base em boletos bancários acompanhados dos instrumentos de protesto. em princípio. que foi substituído pelos boletos de cobrança bancária.492/1997.2010.474/1968.10. dentre os quais o REsp n. (REsp n. no sentido de que: “desnecessária se mostra a apresentação do documento referente à duplicata sacada.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA II. reformando o v. ainda. 902. 5. Assim. tendo em vista a emissão ou gravação eletrônica das respectivas duplicatas.856-SC. não elide a possibilidade de protesto por falta de pagamento. Rel. 272 . de devolução ou de pagamento. acórdão do eg. porém. ambos os julgados se amparam na interpretação das mesmas normas jurídicas. Por outro lado. 9. da Lei n. enquanto o aresto paradigma. § 2º O fato de não ter sido exercida a faculdade de protestar o título. II. A divergência está suficientemente demonstrada. § 1º Por falta de aceite. 8º e 22.492/1997. 5. evidenciada a existência de divergência de entendimentos acerca da temática em debate. 827. na falta de devolução do título.9. a conclusões diversas. 13 e 15. da Lei n. julgado em 16. o protesto será tirado. Quarta Turma. DJe de 4. no qual houve debate acerca do art. de início. parágrafo único. Cumpre assinalar que o acórdão embargado ampara suas conclusões nos arts. Nesse contexto. 13. ou. o aresto apontado como paradigma não admite a exequibilidade de boletos bancários acompanhados dos instrumentos de protesto. 5. configurada a divergência. mediante apresentação da duplicata. as regras legais que serão invocadas: Da Lei n. chegando. passa-se ao exame de mérito. por falta de aceite ou de devolução. da triplicata. Ministro Aldir Passarinho Junior.474/1968 são transcritas as seguintes normas: Art. nos quais estão constantes todos os requisitos necessários para a perfectibilização do protesto” (inclusive as respectivas notas fiscais).2010). conforme o caso. por simples indicações do portador. efetuados por indicação. A duplicata é protestável por falta de aceite de devolução ou pagamento. transcrevendo-se.017-RS. 8º da Lei n. Recurso especial conhecido e provido. 9. e do comprovante de entrega das mercadorias. Com efeito.474/1968 e nos arts. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Diz-se em princípio porque nas razões de decidir há o apontamento de precedentes desta Corte. toma em conta apenas as disposições da Lei n.

II . preenchidas as condições do inciso II deste artigo. contado da data de seu vencimento. 24. sendo de inteira responsabilidade do apresentante os dados fornecidos. quando se tratar: I . (228): 265-342.reprodução ou transcrição do documento ou das indicações feitas pelo apresentante e declarações nele inseridas. recusado o aceite. distribuídos e entregues na mesma data aos Tabelionatos de Protesto. IV . III . outubro/dezembro 2012 273 . 9. e c) o sacado não tenha. quaisquer que sejam a forma e as condições do protesto. nas condições e pelos motivos previstos nos arts. 22.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO § 3º O protesto será tirado na praça de pagamento constante do título. 7º e 8º desta Lei.de duplicata ou triplicata aceita. de que cogita o Livro II do Código de Processo Civil.nome do apresentante e endereço. obedecidos os critérios de quantidade e qualidade. Da Lei n. a. § 1º . Poderão ser recepcionadas as indicações a protestos das Duplicatas Mercantis e de Prestação de Serviços. II . § 4º O portador que não tirar o protesto da duplicata. cumulativamente: a) haja sido protestada.492/1997 são transcritas as seguintes normas: Art.indicação dos intervenientes voluntários e das firmas por eles honradas. O registro do protesto e seu instrumento deverão conter: I . Parágrafo único. protestada ou não. desde que haja sido protestada mediante indicações do credor ou do apresentante do título. Art 15 .Contra o sacador.A cobrança judicial de duplicata ou triplicata será efetuada de conformidade com o processo aplicável aos títulos executivos extrajudiciais. no prazo.Processar-se-á também da mesma maneira a execução de duplicata ou triplicata não aceita e não devolvida. em forma regular e dentro do prazo da 30 (trinta) dias. ficando a cargo dos Tabelionatos a mera instrumentalização das mesmas Art. b) esteja acompanhada de documento hábil comprobatório da entrega e recebimento da mercadoria. RSTJ.data e número de protocolização. 8º Os títulos e documentos de dívida serão recepcionados.certidão das intimações feitas e das respostas eventualmente oferecidas. os endossantes e respectivos avalistas caberá o processo de execução referido neste artigo.de duplicata ou triplicata não aceita. contanto que. § 2º . perderá o direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas. comprovadamente. V . nos termos do art. 14. por meio magnético ou de gravação eletrônica de dados.

verbis: Ao admitir o pagamento a prazo de uma venda. as práticas comerciais dos mercadores associados em corporações de ofício. Nesse momento. é remetida ao devedor da duplicata eletrônica. enquanto atividade marcada pelo dinamismo e celeridade. quando o devedor tem seu microcomputador interligado ao sistema da instituição descontadora.a aquiescência do portador ao aceite por honra. dispensa-se. Em alguns casos. de seus substitutos ou de Escrevente autorizado. por meio do saque da duplicata eletrônica. No cotidiano da empresa.data e assinatura do Tabelião de Protesto.nome.o seu valor na conta de depósito do empresário. De posse desse boleto. se reveste. número do documento de identificação do devedor e endereço.492/1997. A sua falta. pode fazê-lo exclusivamente na fita magnética de seu microcomputador. realizando-se o pagamento por transferência bancária eletrônica. Na verdade. O comércio. VII . expede-se a guia de compensação bancária que. os dados pertinentes à duplicata eletrônica seguem. Quando o Tabelião de Protesto conservar em seus arquivos gravação eletrônica da imagem. bem como das demais declarações nele inseridas. também sem a necessidade de papelização. é o Livro de Registro de Duplicatas. Parágrafo único. portanto. desde suas origens medievais. o caso dos autos retrata prática comercial corrente nos dias atuais. assim. art. precede em muito o direito comercial. 9. A hipótese aqui em debate demonstra que a prática comercial continua a trazer novos questionamentos e desafios ao Direito posto. pelas normas vigentes. Com efeito. que tem marcante fonte consuetudinária. VIII . Pela internete. o sacado procede ao pagamento da dívida. caso decretada a falência do empresário. contudo. descrita por Fábio Ulhoa Coelho da seguinte forma. os dados são remetidos aos computadores da instituição financeira. de plena juridicidade. em qualquer agência bancária de qualquer banco do país.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA VI . ao cartório de protesto (Lei n. não representa providência inadiável. O crédito registrado em meio eletrônico será descontado junto ao banco. em meio eletrônico. o empresário não precisa registrar em papel o crédito concedido. no registro e no instrumento. por correio.abatidos os juros contratados . nesse momento. só traz maiores conseqüências jurídicas. A constituição do crédito cambiário. o único instrumento que. muitas vezes em tempo real. Se a obrigação não é cumprida no vencimento. cópia reprográfica ou micrográfica do título ou documento de dívida. que credita . deverá ser suportado em papel. incorporando. 274 . já se dispensa a papelização da guia. a sua transcrição literal.

instituto típico do direito cambiário brasileiro. é o protesto da duplicata sem sua apresentação física. buscando o recebimento de seu crédito. São Paulo: Saraiva. não é diferente o que ocorre na espécie em análise. a. não parece equivocada a tese de que o protesto da duplicata virtual pode ser inserido entre as hipóteses de incidência do art. 5. Com efeito. segundo se pode observar à fl. Nancy Andrighi em seu judicioso voto. 24. da Lei n. volume 1. O credor. ou. expressamente acolhida pelo legislador. RSTJ. tendo no caso em debate se mantido silente (fl. parágrafo único).474/1968.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO 8º. 2011. mais especificamente. A doutrina se divide quanto ao tema. ingressa. de posse do boleto bancário.474/1968. ou guia de compensação bancária. o credor. Assim. criado inicialmente para tutelar os interesses do sacador. espelho que é da duplicata virtual. Trata-se de exceção ao princípio da cartularidade. acompanhado do instrumento de protesto por indicação e do comprovante de entrega das mercadorias. p. ou. encaminha a protesto por meio eletrônico o boleto bancário. então. no qual. mas somente com a simples indicação de seus elementos ao cartório de protesto. mais especificamente. É neste momento que surgem dúvidas acerca da validade dessa cobrança. Na verdade. na hipótese de retenção indevida da duplicata pelo sacado. Ora. Como se vê. 13. constam todas as informações relativas à compra e venda mercantil. 75 dos presentes autos. (in Curso de Direito Empresarial. do instrumento de protesto e das notas fiscais e respectivos comprovantes de entrega da mercadoria. são dadas ao devedor as mesmas oportunidades de adimplemento e defesa que lhe são propiciadas quando os dados são informados por indicação do credor. diante da falta de pagamento. 13 da Lei n. com execução de título extrajudicial. 5. é a que melhor atende à realidade do mercado. o que o referido dispositivo legal permite. sem descuidar das garantias devidas ao sacado e ao sacador. em caso de inadimplemento. O devedor é então intimado para pagar o título ou dar as razões para não o fazer. porém a que acolhe a executividade da duplicata virtual. 490). Trata-se do protesto por indicações. quanto à executividade dos documentos acima referidos. na hipótese da falta de devolução da duplicata. (228): 265-342. a executividade do boleto bancário que a espelha. 15ª ed. outubro/dezembro 2012 275 . Desse modo. conquanto no acórdão paradigma haja afirmativa de que a retenção da duplicata enviada para aceite é condição indispensável para que haja o protesto por indicação. 86). § 1º. em ultima ratio. como bem demonstrou a eminente Min. não parece ser essa a melhor exegese do art.

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Além disso, o art. 8º, parágrafo único, da Lei n. 9.492/1997 admite a indicação a protesto das duplicatas mercantis por meio magnético ou de gravação eletrônica de dados. Também o art. 22 da mencionada Lei dispensa a transcrição literal do título quando o Tabelião de Protesto mantém em arquivo gravação eletrônica da imagem, cópia reprográfica ou micrográfica do título ou documento da dívida. Em vista disso, é possível concluir que a duplicata virtual conta com cabedal jurídico suficiente a lhe amparar a existência. De outra parte, o § 2º art. 15 da Lei n. 5.474/1968 cuida de executividade da duplicata não aceita e não devolvida pelo devedor, isto é, ausente o documento físico, autorizando sua cobrança judicial pelo processo executivo quando esta haja sido protestada mediante indicação do credor, esteja acompanhada de documento hábil comprobatório da entrega e recebimento da mercadoria e o sacado não tenha recusado o aceite pelos motivos constantes dos arts. 7º e 8º da Lei. No caso dos autos, foi efetuado o protesto por indicação, estando acompanhado das notas fiscais referentes às mercadorias comercializadas e dos comprovantes de entrega das mercadorias devidamente assinados (fls. 75-197), não havendo manifestação do devedor à vista do documento de cobrança, estando, portanto, atendidas suficientemente as exigências relativas à executividade do título. Nesse contexto, parecem mais acertadas as conclusões a que chegou a ilustre Min. Nancy Andrighi em seu brilhante voto, acompanhado pelos eminentes componentes da eg. Terceira Turma. Ante o exposto, conheço dos embargos de divergência e lhes nego provimento. É como voto. VOTO O Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino: Sr. Presidente, participei do julgamento do acórdão embargado e estou acompanhando integralmente o voto do eminente Relator, que faz uma análise bastante precisa a respeito da interpretação dessa questão, que é nova dentro do Direito Cambiário. Conheço dos embargos de divergência e nego-lhes provimento.
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Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO

VOTO O Sr. Ministro Marco Buzzi: Conheço dos embargos de divergência e nego-lhes provimento.

RECURSO ESPECIAL N. 973.827-RS (2007/0179072-3) Relator: Ministro Luis Felipe Salomão Relatora para o acórdão: Ministra Maria Isabel Gallotti Recorrente: Banco Sudameris Brasil S/A Advogado: Luiz Carlos Sturzenegger e outro(s) Recorrido: João Felipe Zanella Felizardo Advogado: Daniel Demartini Interessado: Banco Central do Brasil - “amicus curiae” Procurador: Procuradoria-Geral do Banco Central Interessado: Federação Brasileira de Bancos Febraban - “amicus curiae” Advogado: Luiz Rodrigues Wambier e outro(s) Interessado: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor IDEC “amicus curiae” Advogado: Maria Elisa Cesar Novais e outro(s)

EMENTA Civil e Processual. Recurso especial repetitivo. Ações revisional e de busca e apreensão convertida em depósito. Contrato de financiamento com garantia de alienação fiduciária. Capitalização de juros. Juros compostos. Decreto n. 22.626/1933 Medida Provisória n. 2.170-36/2001. Comissão de permanência. Mora. Caracterização. 1. A capitalização de juros vedada pelo Decreto n. 22.626/1933 (Lei de Usura) em intervalo inferior a um ano e permitida pela Medida Provisória n. 2.170-36/2001, desde que expressamente pactuada, tem por pressuposto a circunstância de os juros devidos e já vencidos
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serem, periodicamente, incorporados ao valor principal. Os juros não pagos são incorporados ao capital e sobre eles passam a incidir novos juros. 2. Por outro lado, há os conceitos abstratos, de matemática financeira, de “taxa de juros simples” e “taxa de juros compostos”, métodos usados na formação da taxa de juros contratada, prévios ao início do cumprimento do contrato. A mera circunstância de estar pactuada taxa efetiva e taxa nominal de juros não implica capitalização de juros, mas apenas processo de formação da taxa de juros pelo método composto, o que não é proibido pelo Decreto n. 22.626/1933. 3. Teses para os efeitos do art. 543-C do CPC: - “É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (em vigor como MP n. 2.17036/2001), desde que expressamente pactuada.” - “A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada”. 4. Segundo o entendimento pacificado na 2ª Seção, a comissão de permanência não pode ser cumulada com quaisquer outros encargos remuneratórios ou moratórios. 5. É lícita a cobrança dos encargos da mora quando caracterizado o estado de inadimplência, que decorre da falta de demonstração da abusividade das cláusulas contratuais questionadas. 6. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, provido. ACÓRDÃO Retificada, por unanimidade, a proclamação ocorrida na sessão do dia 27.6.2012 para modificação do item 2 das teses fixadas para os efeitos do artigo 543, C, do CPC, passando o item 2 a ser o seguinte: “(...) 2) A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada.”
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Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO

Retificada, fica a proclamação integral da seguinte forma: Prosseguindo o julgamento, após o voto-vista da Sra. Ministra Isabel Gallotti divergindo do Sr. Ministro Relator e dando provimento ao recurso especial em maior extensão, no que foi acompanhada pelos Srs. Ministros Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas Cueva e Marco Buzzi, a Segunda Seção, por maioria, deu provimento ao recurso especial, em maior extensão, vencidos os Srs. Ministros Relator, Paulo de Tarso Sanseverino e Nancy Andrighi. Lavrará o acórdão a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti. Para os efeitos do artigo 543, C, do CPC, foram fixadas as seguintes teses: 1) É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17/2000, em vigor como MP n. 2.170-01, desde que expressamente pactuada; 2) A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada. Impedido o Sr. Ministro Massami Uyeda. Ausente, justificadamente, na assentada do dia 8.8.2012, a Sra. Ministra Nancy Andrighi. Brasília (DF), 8 de agosto de 2012 (data do julgamento). Ministra Maria Isabel Gallotti, Relatora para o acórdão
DJe 24.9.2012

VOTO VENCIDO O Sr. Ministro Luis Felipe Salomão: 1. João Felipe Zanella Felizardo ajuizou ação revisional de contrato de financiamento em face de Banco Sudameris Brasil S/A buscando a declaração da nulidade de cláusulas supostamente abusivas, referentes à taxa de juros remuneratórios, capitalização mensal de juros e cumulação da correção monetária com a comissão de permanência. Na inicial, o autor pleiteou a limitação da taxa de juros em 12% ao ano, o reconhecimento
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da vedação do anatocismo e a declaração de impossibilidade de coexistência da correção monetária com a comissão de permanência. Foi indeferido o pedido de antecipação de tutela, efetuado com o intuito de impedir o Banco de inscrever o nome do autor nos órgãos de restrição de crédito, bem como para coibir o protesto das notas promissórias relativas ao contrato objeto da demanda (fl. 23). O agravo de instrumento interposto contra tal decisão foi provido “para o fim de conceder a medida acautelatória do direito do agravante e proibir o agravado de incluir o nome deste em órgãos de proteção ao crédito, excluindo-o, caso já efetivado o registro, e desde que deposite, mensalmente, na data do vencimento de cada parcela, o valor que entende devido” (fl. 78). Paralelamente a este feito, o Banco Sudameris Brasil S/A manejou ação de busca e apreensão do veículo, objeto do contrato avençado entre as partes. Na sequência, a instituição financeira requereu a conversão do feito em ação de depósito, o que foi deferido (fl. 75 dos autos em apenso). O magistrado de primeiro grau apreciou os processos conjuntamente, em razão da continência existente, julgando improcedentes os pedidos da ação revisional e procedentes os da de depósito, “para condenar o réu, como devedor fiduciário equiparado a depositário, a restituir ao autor o veículo descrito na inicial, no prazo de vinte e quatro (24) horas, ou a importância equivalente em dinheiro, sob pena de prisão como depositário infiel, nos termos dos artigos 901 e 904 e seu parágrafo único do Código de Processo Civil” (fl. 92). Na ocasião, o julgador ressalvou ao autor a utilização da faculdade estabelecida no art. 906 do CPC e estipulou a verba sucumbencial em desfavor do consumidor, fixando os honorários advocatícios em R$ 900,00, considerando o disposto no art. 20, § 4º, do CPC. A apelação interposta foi provida, por maioria, em acórdão assim resumido:
Apelação cível. Ação revisional de contrato de financiamento garantido por alienação fiduciária. Preliminar de preclusão no tocante à manutenção na posse do bem objeto do contrato. Possibilidade de revisão. Incidência do CDC. Juros remuneratórios. Capitalização. Comissão de permanência. Improcedência da ação de busca e apreensão. Compensação. Não merece acolhimento a preliminar de preclusão no tocante à posse do bem objeto do contrato, pois o ajuizamento da ação revisional de contrato poderá afastar a mora, eis que está em discussão o contrato celebrado entre as partes, no qual também se fundamenta a Ação de Busca e Apreensão, convertida em Ação de Depósito.
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É certa a incidência do Código de Defesa do Consumidor em Contrato, como prevê o seu art. 3º, § 2º, assim como do art. 166 do Código Civil, que autorizam a sua revisão. Não merecem manutenção os juros remuneratórios pactuados em taxa superior a 12% ao ano, conforme limitação constante no Decreto n. 22.626/1933, no CDC, e diante de ausência de prova de que o financiador tenha autorização do CMN para praticar taxas superiores. Inexistindo previsão legal, é incabível a capitalização mensal de juros, em contrato de financiamento garantido por alienação fiduciária, devendo incidir a anual, nos termos do art. 591 do Código Civil. É impossível a cobrança de comissão de permanência, mesmo que não seja de forma cumulada com correção monetária, de percentual superior à taxa do contrato (Súmula n. 294 do STJ), assim como não é cabível a sua incidência cumulada com juros moratórios e multa. É possível a compensação de valores quando se trata de ação revisional, depois de liquidada a sentença. A exigência de encargos ilegais e/ou abusivos afasta a mora, cuja conseqüência é a improcedência da Ação de Busca e Apreensão. Preliminar desacolhida. Apelação Cível provida, por maioria (fl. 140).

Os embargos de declaração opostos pelo banco réu foram rejeitados (fls. 165). Irresignada, a instituição financeira apresentou embargos infringentes, buscando a prevalência do voto vencido, no tocante à capitalização mensal dos juros. Por seu turno, o autor apresentou impugnação às fls. 183-191. Os infringentes não foram providos. O acórdão então proferido foi sintetizado da seguinte forma:
Embargos infringentes. Alienação fiduciária. Ação revisional de contrato. Capitalização de juros. Proibida a capitalização dos juros em período inferior a um ano, no caso concreto. Embargos infringentes desprovidos. Unânime.

Diante disso, o Banco Sudameris Brasil S/A interpõe o presente recurso especial fundado no art. 105, III, a e c, da Constituição da República.
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De início, aponta, “por cautela”, negativa de vigência ao art. 535 do CPC, para o caso de esta Corte entender que as questões atinentes à comissão de permanência e aos juros remuneratórios no período da inadimplência (Súmula n. 296-STJ) não terem sido prequestionadas. No tocante ao suposto excesso da taxa de juros remuneratórios, bem como à necessidade de autorização do Conselho Monetário Nacional - CMN para praticar taxas superiores a 12% ao ano, o recorrente alega que o acórdão ofendeu o disposto no art. 4º, IX, da Lei n. 4.595/1961, e emprestou interpretação diversa da atribuída pela Súmula n. 596-STF, além de divergir do entendimento firmado por esta Corte. No que se refere à capitalização mensal de juros, a instituição financeira reputa contrariados os arts. 4º, VI e IX, da Lei n. 4.595/1964 e 5º da MP n. 1.963-17/2000 (sucessivamente reeditada até a MP n. 2.170-36/2001). Assevera que “a Medida Provisória n. 1.963-17 (31.3.2000) que expressamente autorizou, em seu artigo 5º, a cobrança de juros capitalizados mensalmente pelas instituições financeiras, passou a ser definitiva em nosso ordenamento jurídico, consoante a Emenda Constitucional n. 32, de 11.9.2001, onde todas as Medidas Provisórias que naquela data encontravam-se em vigor, e aquelas antes reeditadas, passaram a ser definitivas (art. 2º)” (fl. 229). Indica precedentes desta Corte a fim de defender o entendimento segundo o qual, nos contratos de mútuo bancário posteriores a 31 de março de 2000, incide capitalização mensal, desde que pactuada. Pondera que o fundamento do acórdão recorrido relativo à prevalência do Código Civil sobre a Medida Provisória não prospera, pois ambas convivem em harmonia na órbita jurídica, não havendo se falar em hierarquia inferior desta em relação àquele. Salienta, mais, que sendo esta norma especial, deve preponderar no que tange ao Codex civilista, de caráter geral. Ressalta que o contrato objeto desta demanda foi firmado em 21 de julho de 2003 e os juros foram estipulados em valores prefixados, sendo de pleno conhecimento do recorrido, pois calculado com base na taxa anual constante do instrumento contratual. Relativamente à comissão de permanência, argumenta que o acórdão, além de dissentir da orientação deste Tribunal Superior, vulnerou o já mencionado art. 4º da Lei n. 4.595/1964 e a Resolução n. 1.129/86 do CMN. Cita, ainda, a Súmula n. 294-STJ como reforço de fundamentação. Afirma que esse encargo
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apenas deve ser afastado quando for cumulado com correção monetária e com juros remuneratórios, o que não seria o caso. Pondera que “caso prevaleça o afastamento da cobrança de comissão de permanência, deve ser autorizada a incidência cumulada dos juros remuneratórios e moratórios no período da anormalidade (inadimplência) mês, considerando a diversidade de origem de ambos (natureza), tópico suscitado inclusive em sede de embargos” (fls. 238-239). Ampara-se na Súmula n. 296STJ como esteio a seus argumentos. Insurge-se contra o afastamento da mora debendi até o trânsito em julgado da decisão. Observa que todos os encargos contratuais são legítimos e pugna pela aplicação do art. 397 do CC/2002. Por consequência, ataca a possibilidade de repetição de indébito e pontua a necessidade de comprovação de que pagou em erro, consoante o art. 877 do CC/2002. Ao final, sustenta que o julgamento de improcedência da ação de busca e apreensão violou o art. 3º do Decreto-Lei n. 911/1969, pois, embora caracterizadas a inadimplência e a mora do devedor fiduciário, o acórdão vetou ao Banco recorrente a possibilidade de reaver o veículo alienado. Colaciona julgado deste Tribunal que divergiria do aresto impugnado, no particular. Concomitantemente, foi interposto recurso extraordinário (fls. 268-286). Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 288). Admitidos ambos os recursos (fls. 289-290), subiram os autos a esta Corte e, diante da multiplicidade de recursos acerca do tema relacionado à possibilidade de capitalização de juros mensais em contratos bancários, afetei o julgamento do feito a esta e. Segunda Seção, procedendo-se de acordo com o art. 543-C do CPC e com a Resolução n. 8/2008 do STJ (fl. 304). Manifestaram-se como amici curiae o Banco Central do Brasil - Bacen, a Federação Brasileira de Bancos - Febraban e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC. Da manifestação do Bacen (fls. 312-326): A instituição financeira reitera os termos do parecer apresentado nos autos do REsp n. 1.046.768-RS, que, inicialmente, foi afetado para julgamento no termos do art. 543-C do CPC, e depois desafetado, tendo em vista o RE n. 568.396-RS, então pendente de análise perante o Supremo Tribunal Federal.

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Salienta que esse apelo extremo veio a ser arquivado, sem a apreciação da matéria, em razão de homologação de acordo entre as partes, resultando, por consequência, prejudicado o recurso. Destaca as seguintes conclusões provindas do aludido parecer:
a) por ser defeso ao Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial, fazer o contraste de lei federal em face da Constituição, o julgamento sobre a capitalização mensal de juros deve se ater à questão da vigência do art. 5º da Medida Provisória n. 2.170-36, de 2001; b) embora o Código Civil tenha sido instituído por lei posterior à Medida Provisória n. 2.170-36, de 2001, não há que se falar em derrogação da Medida Provisória, tendo em vista o critério positivado na Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”; c) a questão da invalidade da Medida provisória n. 2.170-36, de 2001, em face da Lei Complementar n. 95, de 1998, não pode ser examinada, por falta de prequestionamento; d) ainda que fosse analisada a questão retromencionada, seria forçosa a conclusão pela incontrastabilidade da Medida Provisória frente a Lei Complementar, por inexistir hierarquia entre ambas; e) não só pelos aspectos jurídico-formais mencionados, mas também pela compatibilidade material do art. 5º da Medida Provisória n. 2.170-36, de 2001, com os princípios e objetivos positivados no Código de Defesa do Consumidor, deve ser rejeitada qualquer interpretação da lei que afaste a aplicação daquele dispositivo (fls. 312-313).

Da manifestação da Febraban (fls. 422-444): A Federação salienta que apenas a questão referente à capitalização mensal dos juros nos contratos bancários encontra-se submetida à análise sob os auspícios do art. 543-C do CPC, pois as demais matérias já foram decididas em julgamento de recurso repetitivo (REsp n. 1.061.530-RS). Discorre acerca do entendimento firmado nesse referido apelo quanto a cada tema objeto deste recurso especial, e defende a constitucionalidade do art. 5º da MP n. 2.170-36/2001, porquanto, até o presente momento, não foi editada regra que o revogasse, nem houve sua suspensão em decorrência da ADI n. 2.316-RS, haja vista o fato de que nem mesmo o julgamento da liminar nela requerida foi concluído.
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Entende que, por se tratar de regra especial, a medida provisória em comento deve prevalecer em relação ao art. 4º do Decreto-Lei n. 22.626/1933 (Lei de Usura) e ao art. 591 do Código Civil/2002. Assevera que a capitalização mensal dos juros é importante para o equilíbrio do Sistema Financeiro Nacional. Após realizar um escorço da evolução normativa concernente à capitalização, observa que a cobrança dos juros de tal forma se impõe, porque “todos os investimentos oferecidos ao público pelos Bancos rendem juros capitalizados” (fl. 436). Por fim, sinaliza a existência de jurisprudência reiterada, nesta Corte, sobre a legalidade da capitalização mensal em alusão, a partir da publicação da MP n. 1.963-17/2000. Da manifestação do IDEC (fls. 498-512): O instituto propugna a inconstitucionalidade do art. 5º da MP n. 2.17036/2001, que versa a respeito da capitalização mensal de juros. Destaca a inexistência de urgência ou relevância da matéria tratada na norma em questão, a destoar do art. 62 da Constituição Federal. Reproduz excertos doutrinários com o objetivo de trazer mais fundamentos no que tange ao tema. Obtempera que, além da inconstitucionalidade formal, verifica-se a substancial, “revelada pelo abuso do poder regulador do Estado ao editar norma de direito privado como se fosse de direito público” (fl. 503). Aponta a existência de norma atual aplicável à espécie, qual seja, o art. 591 do CC/2002, que permite a capitalização anual. Do parecer do Ministério Público Federal (fls. 485-496): O Ministério Público Federal, em parecer da lavra o ilustre SubprocuradorGeral da República Dr. Henrique Fagundes Filho, opinou pelo parcial conhecimento do recurso especial com base na alínea a do inciso III do art. 105 da Constituição Federal e pelo não conhecimento do apelo fundado na alínea c do mencionado permissivo constitucional, como revela a seguinte ementa:
Recurso especial. Alienação fiduciária. Ação revisional. Limitação da cobrança de taxa de juros em 12% ao ano. Inaplicável às instituições financeiras. Capitalização mensal de juros. Possibilidade. Comissão de permanência. Cobrança não cumulável com outros encargos moratórios.

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I - À míngua de omissão, obscuridade ou contradição, não há que se falar em afronta ao art. 535 do Código de Processo Civil. II - O art. 4º, inciso IX, da Lei n. 4.595, de 1964, isentou as instituições financeiras, no concernente à limitação da taxa de juros, de se submeterem aos ditames da Lei da Usura, podendo a taxa usurária ultrapassar a casa dos 12% ao ano. III - Segundo reiterada jurisprudência desse Colendo Superior Tribunal de Justiça, a capitalização mensal de juros em contratos firmados após a entrada em vigor da Medida Provisória n. 1.963-17, de 2000, modificada pela Medida Provisória n. 2.170-36, de 2001, é lícita, desde que prevista contratualmente. IV - Não comporta conhecimento o recurso que, com esteio na alínea a do permissivo constitucional, não aponta especificamente os dispositivos legais tidos por malferidos. V - É incabível o recurso especial que se volta contra suposta violação a dispositivo de Resolução do Banco Central, por não se enquadrar, essa, no conceito de “lei federal”. VI - Consoante a jurisprudência pacífica dessa Corte, mostra-se inviável a convivência da comissão de permanência com os encargos moratórios. VII - A cobrança abusiva durante o cumprimento de contrato descaracteriza a mora do devedor e, por consequência, impossibilita a busca e apreensão do bem dado em garantia de alienação fiduciária, consoante farta jurisprudência desse Superior Tribunal de Justiça. VIII - Não havendo o devido cotejo analítico entre os precedentes paradigmas e o vergastado, não há como se verificar a existência de identidade fática entre os acórdãos nem se comprovar a existência de dissídio a ensejar o recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional. Parecer pelo parcial conhecimento do recurso especial com esteio no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição, e pelo não conhecimento do apelo fundado na alínea c desse mesmo dispositivo (fls. 485-486).

Após as manifestações, o recorrente veio aos autos reiterar a possibilidade de capitalização mensal (fls. 525-544). É o relatório. 2. Mister salientar, de início, que foram várias as questões suscitadas no recurso especial. Contudo, apenas em relação à capitalização mensal de juros nos contratos bancários será fixada tese para os efeitos do art. 543-C do CPC, nos exatos termos da decisão de afetação. 2.1. Também é importante destacar que o presente apelo não abrange os contratos relativos ao Sistema Financeiro Habitacional, pois quanto a eles já
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houve definição da matéria no julgamento do REsp n. 1.070.297-PR, de minha relatoria, submetido ao rito dos recursos repetitivos, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa:
Recurso especial repetitivo. Sistema Financeiro da Habitação. Capitalização de juros vedada em qualquer periodicidade. Tabela Price. Anatocismo. Incidência das Súmulas n. 5 e n. 7. Art. 6º, alínea e, da Lei n. 4.380/1964. Juros remuneratórios. Ausência de limitação. 1. Para efeito do art. 543-C: 1.1. Nos contratos celebrados no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação, é vedada a capitalização de juros em qualquer periodicidade. Não cabe ao STJ, todavia, aferir se há capitalização de juros com a utilização da Tabela Price, por força das Súmulas n. 5 e n. 7. 1.2. O art. 6º, alínea e, da Lei n. 4.380/1964, não estabelece limitação dos juros remuneratórios. 2. Aplicação ao caso concreto: 2.1. Recurso especial parcialmente conhecido e, na extensão, provido, para afastar a limitação imposta pelo acórdão recorrido no tocante aos juros remuneratórios (DJe 18.9.2009).

2.2. Cumpre mencionar, ainda, a inexistência de impedimento ao exame da causa, em que pese a repercussão geral da matéria reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no RE n. 592.377-RS, como já decidido no julgamento do REsp n. 1.107.201-DF, analisado sob o prisma do art. 543-C do CPC e assim sumariado, no que interessa:
Recursos especiais repetitivos. Cadernetas de poupança. Planos econômicos. Expurgos inflacionários. Recursos representativos de macro-lide multitudinária em ações individuais movidas por poupadores. Julgamento nos termos do art. 543-C, do Código de Processo Civil. Julgamento limitado a matéria infraconstitucional, independentemente de julgamento de tema constitucional pelo c. STF. Preliminar de suspensão do julgamento afastada. Consolidação de orientação jurisprudencial firmada em inúmeros precedentes desta Corte. Planos econômicos Bresser, Verão, Collor I e Collor II. Legitimidade passiva ad causam. Prescrição. Índices de correção. I – Preliminar de suspensão do julgamento, para aguardo de julgamento de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, afastada, visto tratar-se, no caso, de julgamento de matéria infraconstitucional, preservada a competência do C. STF para tema constitucional. II – No julgamento de Recurso Repetitivo do tipo consolidador de jurisprudência constante de numerosos precedentes estáveis e não de tipo
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formador de nova jurisprudência, a orientação jurisprudencial já estabilizada assume especial peso na orientação que se firma. III – Seis conclusões, destacadas como julgamentos em Recurso Repetitivo, devem ser proclamadas para definição de controvérsia: (...) V – Recurso Especial da Caixa Econômica Federal provido em parte, para ressalva quanto ao Plano Collor I. VI – Recurso Especial do Banco ABN Amro Real S/A improvido (DJe 6.5.2011 grifei).

3. Nesse passo, impende observar, quanto ao tema central do recurso, que os juros remuneratórios cobrados nos contratos celebrados entre as instituições financeiras e o consumidor constituem a remuneração do capital emprestado. Vale dizer, os juros representam o preço do dinheiro objeto do mútuo. Nas palavras de Roberto Arruda de Souza Lima e Adolfo Mamoru Nishiyama, os juros capitalizados são “juros devidos e já vencidos que, periodicamente (v.g., mensal, semestral ou anualmente), se incorporam ao valor principal” (in Contratos Bancários - Aspectos Jurídicos e Técnicos da Matemática Financeira para Advogados, Editora Atlas S/A., São Paulo: 2007, p. 36). No vetusto Código Comercial de 1850, o artigo 253 estabelecia que os juros não poderiam ser capitalizados, salvo em periodicidade anual. O Código Civil de 1916, em seu art. 1.262, autorizava, desde que expressamente estabelecidos, os juros capitalizados. Posteriormente, o Decreto n. 22.626/1933 (Lei de Usura), em seu art. 4º, passou a vedar a prática do anatocismo. Diante dos inúmeros precedentes proferidos com base nessa norma, o Supremo Tribunal Federal, na sessão plenária de 13.12.1963, editou a Súmula n. 121, que proibiu a capitalização em comento “ainda que expressamente convencionada”. Todavia, logo entraram em vigor normas específicas, relativas aos contratos de crédito rural (Decreto-Lei n. 167/1967), industrial (Decreto-Lei n. 413/1969) e comercial (Lei n. 6.840/1980), as quais permitem a pactuação de juros capitalizados. A fim de uniformizar o entendimento sobre o tema, esta Corte Superior de Justiça, na sessão de 27.10.1993, elaborou a Súmula n. 93, nos seguintes termos:
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“A legislação sobre cédulas de crédito rural, comercial e industrial admite o pacto de capitalização de juros”. No ano 2000, em razão dos questionamentos crescentes acerca da possibilidade de previsão de juros capitalizados nas operações de mútuo praticadas por instituições financeiras ou entidades a elas equiparadas, o então Ministro da Fazenda Pedro Malan, apresentou a Exposição de Motivos n. 210MF propondo projeto de medida provisória relativa ao assunto, oportunidade em que assim se pronunciou:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Surgem frequentemente, questionamentos sobre operações de mútuo, principalmente quando praticadas por instituições financeiras ou entidades a elas equiparadas, em que se discutem o cabimento da cobrança de taxas de juros pactuadas e a grande diferença existente entre as taxas primárias e as taxas de juros cobradas dos tomadores de financiamentos, chamada de spread. É publica a intenção do Governo Federal de buscar diminuição do spread e sua convergência com os padrões mundiais, de forma a incentivar o decréscimo do valor total da taxa de juros suportada pelas pessoas físicas e jurídicas, criando-se, assim, panorama mais propício ao desenvolvimento econômico do Brasil. As operações praticadas no mercado financeiro devem seguir padrões internacionalmente aplicados e aceitos. Como regra geral, no mercado financeiro mundial, a não-capitalização de juros tanto se mostra como exceção que deve ser expressamente estipulada. No Brasil, a legislação, em especial o art. 4º do Decreto n. 22.626, de 7 de abril de 1933, veda tal prática. No entanto, ao captar recursos, as instituições nacionais remuneram os aplicadores com juros capitalizados. Até mesmo os depósitos da população para pequenos valores (v.g. caderneta de poupança) rendem juros capitalizados. Quanto à possibilidade, no País, de se cobrar juros de juros nas operações praticadas no Mercado Financeiro, a Súmula n. 596 do Supremo Tribunal Federal dispõe que “as disposições do Decreto n. 22.626, de 7 de abril de 1933, não se aplicam às taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o Sistema Financeiro Nacional”. À primeira vista, parece claro não se aplicar o art. 4º do Decreto n. 22.626/1933 às instituições financeiras ou entidades a elas equiparadas, quando as operações forem típicas. No entanto, o próprio Supremo Tribunal Federal entendeu, na Súmula n. 596, estar afastada no Sistema Financeiro apenas a incidência do art. 1º do mencionado diploma legal, subsistindo a aplicação do art. 4º, que proíbe a capitalização de juros em período inferior ao anual. Note-se que, presentemente, já é mansa e pacífica a jurisprudência, inclusive nos Tribunais Superiores, no sentido da não aplicação do art. 4º do Decreto n.
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22.626, de 1933 quando há previsão legal, tal como já ocorre desde a edição do Decreto-Lei n. 167, de 14 de fevereiro de 1967, que dispõe sobre a cédula de crédito rural, seguido do Decreto-Lei n. 413, de 9 de janeiro de 1969, que trata da cédula de crédito industrial, da Lei n. 6.840, de 3 de novembro de 1980, que estabelece a cédula de crédito comercial e da Lei n. 8.929, de 22 de agosto de 1994, que dispõe sobre a cédula de produto rural. Mais recentemente, a Medida Provisória n. 1.925-5, de 2 de março de 2000, permitiu a capitalização de juros nas operações lastreadas na cédula de crédito bancário. É importante considerar que, ante à restrição legal de capitalização de juros, ocorre significativo impacto nas taxas de juros efetivamente praticadas pelas instituições financeiras, vez que os juros, por definição, espelham, além da remuneração, o risco da operação. Dessa forma, o devedor pontual em seus pagamentos está, pela via reflexa, financiando aqueles que deixam de honrar seus compromissos. Destaque-se ainda que, sob o ponto de vista econômico, a capitalização de juros apresenta-se benéfica ao devedor que, não podendo pagar ao credor na data originalmente avençada pode renegociar sua dívida junto à mesma instituição financeira Proibida a capitalização, evidentemente, o montante de juros devidos deverá ser imediatamente liquidado, o que força o devedor a captar recursos junto a outra instituição para adimplir com a primeira. Tal situação permite o chamado “anatocismo indireto”, prática possibilitada pela vigente legislação. Desse modo, considerando a incerteza quanto à nova taxa de juros, fica prejudicado o devedor no planejamento dos seus desembolsos, que de outra forma já estariam previstos no contrato originário. Pode-se, sem esforço, concluir que a lei vigente, ao invés de proteger o devedor, acaba sendo-lhe prejudicial. O panorama atual, como demonstrado, aumenta sobremodo o risco das operações financeiras, com reflexos expressivos no inadimplemento bancário, o que resulta em impacto nas taxas de juros praticadas. Com o objetivo de solucionar as questões acima apontadas, proponho projeto de Medida Provisória, cujo art. 1º prevê a possibilidade de se capitalizar juros, em periodicidade inferior à anual, no âmbito do Sistema Financeiro Nacional, ou seja, em operações típicas do mercado financeiro praticadas por instituições financeiras ou a elas equiparadas. Por sua vez, o parágrafo único do artigo mencionado torna obrigatória a transparência do negócio em favor do devedor, de forma a assegurar a lisura das operações minimizando significativamente as dificuldades dos cidadãos na compreensão dos cálculos aplicáveis aos contratos. Desta forma, será possível adequar os níveis das taxas de juros praticadas no mercado financeiro às necessidades do crescimento sustentado e do desenvolvimento do País.
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Assim, demonstradas a urgência e a relevância da matéria, submeto à consideração de Vossa Excelência projeto de Medida Provisória que dispõe sobre a capitalização de juros no âmbito do Sistema Financeiro Nacional.

Desse modo, em 31.3.2000 foi publicada a MP n. 1.963-17, que, no art. 5º, autorizou a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano. Após algumas reedições, entrou em vigor a MP n. 2.170-36/01 que manteve o mencionado dispositivo legal, cuja redação é a seguinte:
Art. 5º Nas operações realizadas pelas instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional, é admissível a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano. Parágrafo único. Sempre que necessário ou quando solicitado pelo devedor, a apuração do valor exato da obrigação, ou de seu saldo devedor, será feita pelo credor por meio de planilha de cálculo que evidencie de modo claro, preciso e de fácil entendimento e compreensão, o valor principal da dívida, seus encargos e despesas contratuais, a parcela de juros e os critérios de sua incidência, a parcela correspondente a multas e demais penalidades contratuais.

Passados aproximadamente três anos, o novo Código Civil começou a viger, trazendo o art. 591, assim redigido:
Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual.

3.1. Nesse passo, o Partido Liberal ajuizou, em 2000, ação direta de inconstitucionalidade (ADI n. 2.316-DF), retorquindo a constitucionalidade do art. 5º, caput e parágrafo único, da MP n. 2.170-36/01 e pleiteando, liminarmente, sua suspensão. A constitucionalidade ou não da referida medida provisória não será objeto de análise neste apelo raro, pois cuida-se de matéria afeta ao Pretório Excelso. Apenas a título de registro, em relação ao andamento do feito, constata-se que, por ora, votaram favoravelmente à suspensão os ilustres Ministros Sydney Sanches, Carlos Velloso, Marco Aurélio e Ayres Britto. Por seu turno, votaram contra a suspensão a eminente Ministra Cármen Lúcia e o saudoso Ministro Menezes Direito. Em linhas gerais, impende ressaltar que a apreciação da liminar na ADI gira em torno da questão relativa ao requisito da urgência, para efeito da validade
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da medida provisória editada sobre o assunto, consoante se percebe da leitura dos votos produzidos até aqui. Em 5.11.2008, o julgamento foi suspenso para ser retomado com quorum completo. Dessarte, a eficácia do art. 5º da Medida Provisória em menção, até o presente momento, não foi suspensa, pois, como dito, o julgamento da liminar requerida na ADI n. 2.136-DF ainda não foi concluído. Segundo Carlos Alberto Lúcio Bittencourt, “a lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume inválida: ela é válida, eficaz e obrigatória” (in “O Controle Jurisdicional da Constitucionalidade das Leis”, 2ª ed., Brasília: Ministério da Justiça, 1997. p. 96). Quanto ao tema, mostra-se conveniente citar as seguintes passagens da obra do renomado jurista Luís Roberto Barroso:
A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. [...] No Brasil, e de longa data, o princípio tem sido afirmado, assim pela doutrina como pela jurisprudência, que já assentou que a dúvida milita em favor da lei, que a violação da Constituição há de ser manifesta e que a inconstitucionalidade nunca se presume. [...] O princípio da presunção de constitucionalidade das leis, conquanto implícito em todo sistema constitucional, ganhou um reforço no ordenamento brasileiro atual, por força do disposto no art. 103, § 3º, que determina que, sempre que o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade em tese de norma legal ou ato normativo, será citado o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado. Instituiu-se, assim, um curador especial com o dever jurídico de sustentar a constitucionalidade das leis impugnadas em ação direta. Note-se que, como o sistema brasileiro admite a declaração de inconstitucionalidade em sede de jurisdição concentrada, tanto de norma estadual quanto federal, caberá ao Advogado-Geral da União defender a uma ou a outra, desde que ajuizada ação perante o Supremo Tribunal. [...] Também reverencia o princípio da presunção de constitucionalidade das leis o art. 97 da Constituição, que prevê que somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os Tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
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[...] O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidar-lhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável (in Interpretação e Aplicação da Constituição, 5ª ed, São Paulo: Saraiva: 2003, p. 177-188).

Portanto, partindo do princípio segundo o qual, até que seja declarada a inconstitucionalidade da norma presume-se a sua constitucionalidade, é razoável entender que, apesar de não ter sido convertida em lei, a norma encontra-se em vigor por força do art. 2º da Emenda Constitucional n. 32/2001. A respeito do assunto, vale reproduzir o seguinte excerto do REsp n. 1.061.530-RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, da relatoria da ilustre Min. Nancy Andrighi:
O princípio da imperatividade assegura a auto-executoriedade das normas jurídicas, dispensando prévia declaração de constitucionalidade pelo Poder Judiciário. Ainda que esta presunção seja iuris tantum, a norma só é extirpada do ordenamento com o reconhecimento de sua inconstitucionalidade. E essa questão, na hipótese específica do art. 5º da MP n. 1.963-17/00, ainda não foi resolvida pelo STF, nem mesmo em sede liminar (DJe 10.3.2009).

Na ocasião, esse foi o fundamento utilizado para negar o pedido de sobrestamento daquele feito até o julgamento definitivo da ADI n. 2.136-DF, efetuado pelo Ministério Público Federal, também aplicável à hipótese em exame. 3.2. Nessa esteira, mesmo após o advento da MP n. 2.170-36/2001, o Superior Tribunal de Justiça, no início, relutou em modificar a orientação até então firmada em sua jurisprudência, como se observa nos precedentes a seguir:
Comercial. Cartão de crédito. Administradora. Instituição financeira. Juros. Limitação (12% aa). Lei de Usura (Decreto n. 22.626/1933). Não incidência. Aplicação da Lei n. 4.595/1964. Disciplinamento legislativo posterior. Súmula n. 596-STF. Capitalização mensal dos juros. Vedação. Lei de Usura (Decreto n. 22.626/1933). Incidência. Súmula n. 121-STF. I. As administradoras de cartões de crédito inserem-se entre as instituições financeiras regidas pela Lei n. 4.595/1964. II. Não se aplica a limitação de juros de 12% ao ano prevista na Lei de Usura aos contratos de cartão de crédito.
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III. Nesses mesmos contratos, ainda que expressamente acordada, é vedada a capitalização mensal dos juros, somente admitida nos casos previstos em lei, hipótese diversa dos autos. Incidência do art. 4º do Decreto n. 22.626/1933 e da Súmula n. 121-STF (REsp n. 450.453-RS, Segunda Seção, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, julgado em 25.6.2003, DJ 25.2.2004). Agravo contra decisão do relator em recurso especial. Embargos à execução. Contrato de empréstimo pessoal. Capitalização mensal. Correção monetária. TR. Precedentes do STJ. Salvo expressa previsão em lei específica, como no caso das cédulas de créditos rurais, industriais e comerciais, é vedada às instituições financeiras a capitalização mensal de juros (REsp’s n. 476.663-RS, n. 387.931-RS e n. 324.088-RS). A TR pode ser usada na correção dos débitos quando pactuada, o que não é o caso dos autos (REsp’s n. 485.859-RS, n. 507.882-RS e n. 437.198-RS). Subsistentes os fundamentos do decisório agravado, nega-se provimento ao agravo (AgRg no REsp n. 608.790-MT, Quarta Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 19.4.2005, DJ 19.9.2005). Agravo regimental. Contrato de crédito. Capitalização mensal. Correção monetária. TBF. Impossibilidade. Comissão de permanência. Taxa média de mercado. - É defesa a capitalização mensal ou semestral dos juros em contrato de abertura de crédito em conta-corrente ou de mútuo (Art. 4º do Decreto n. 22.626/1933), inda que convencionada (REsp n. 292.893 - Direito e REsp n. 440.091 - Passarinho). - A Taxa Básica Financeira (TBF) não pode ser utilizada como indexador de correção monetária nos contratos bancários (Súm. n. 287). - A comissão de permanência deve observar a taxa média dos juros de mercado, apurada pelo Banco Central do Brasil (AgRg no REsp n. 540.797-RS, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, julgado em 20.9.2004, DJ 18.10.2004).

3.3. Todavia, em 22.9.2004, a Segunda Seção desta Corte alterou seu entendimento, passando a admitir a capitalização mensal nos contratos bancários firmados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17/00, desde que estipulada expressamente. Os acórdãos exarados na ocasião receberam as seguintes ementas:
Contratos bancários. Ação de revisão. Juros remuneratórios. Limite. Capitalização mensal. Possibilidade. MP n. 2.170-36. Inaplicabilidade no caso concreto. Compensação e repetição de indébitos. Possibilidade. CPC, art. 535. Ofensa não caracterizada.
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I A Segunda Seção desta Corte firmou entendimento, ao julgar os REsps n. 407.097-RS e n. 420.111-RS, que o fato de as taxas de juros excederem o limite de 12% ao ano não implica em abusividade, podendo esta ser apurada apenas, à vista da prova, nas instâncias ordinárias. II O artigo 5º da Medida Provisória n. 2.170-36 permite a capitalização dos juros remuneratórios, com periodicidade inferior a um ano, nos contratos bancários celebrados após 31.3.2000, data em que o dispositivo foi introduzido na MP n. 1.963-17. Contudo, no caso concreto, o contrato é anterior a tal data, razão por que mantém-se afastada a capitalização mensal. Voto do Relator vencido quanto à capitalização mensal após a vigência da última medida provisória citada. III Entendidas como conseqüência lógica do pleito revisional, à vista da vedação legal ao enriquecimento sem causa, não há obstáculos à eventual compensação ou devolução de valor pago indevidamente. IV Recurso especial conhecido e parcialmente provido (REsp n. 602.068-RS, Segunda Seção, Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, DJ 21.3.2005 - grifei). Contratos bancários. Ação de revisão. Juros remuneratórios. Limite. Capitalização mensal. Possibilidade. MP n. 2.170-36. Inaplicabilidade no caso concreto. Comissão de permanência. Ausência de potestividade. CPC, art. 535. Ofensa não caracterizada. I A Segunda Seção desta Corte firmou entendimento, ao julgar os REsps n. 407.097-RS e n. 420.111-RS, que o fato de as taxas de juros excederem o limite de 12% ao ano não implica em abusividade, podendo esta ser apurada apenas, à vista da prova, nas instâncias ordinárias. II Decidiu, ainda, ao julgar o REsp n. 374.356-RS, que a comissão de permanência, observada a Súmula n. 30, cobrada pela taxa média de mercado, não é potestativa. III O artigo 5º da Medida Provisória n. 2.170-36 permite a capitalização dos juros remuneratórios, com periodicidade inferior a um ano, nos contratos bancários celebrados após 31.3.2000, data em que o dispositivo foi introduzido na MP n. 1.963-17. Contudo, no caso concreto, não ficou evidenciado que o contrato é posterior a tal data, razão por que mantém-se afastada a capitalização mensal. Voto do Relator vencido quanto à capitalização mensal após a vigência da última medida provisória citada. IV Recurso especial conhecido e parcialmente provido (REsp n. 603.643-RS, Segunda Seção, Rel. Min. Antônio de Pádua Ribeiro, DJ 21.3.2005 - grifei).

A partir de então, o posicionamento em destaque passou a ser adotado pelos integrantes desta Corte, sendo, atualmente, uníssono, como se verifica nos julgados a seguir transcritos:
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Segunda Seção: Bancário. Recurso especial. Ação revisional de cláusulas de contrato bancário. Incidente de processo repetitivo. Juros remuneratórios. Contrato que não prevê o percentual de juros remuneratórios a ser observado. I - Julgamento das questões idênticas que caracterizam a Multiplicidade. Orientação - juros remuneratórios 1 - Nos contratos de mútuo em que a disponibilização do capital é imediata, o montante dos juros remuneratórios praticados deve ser consignado no respectivo instrumento. Ausente a fixação da taxa no contrato, o juiz deve limitar os juros à média de mercado nas operações da espécie, divulgada pelo Bacen, salvo se a taxa cobrada for mais vantajosa para o cliente. 2 - Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados. II - Julgamento do recurso representativo - Invertido, pelo Tribunal, o ônus da prova quanto à regular cobrança da taxa de juros e consignada, no acórdão recorrido, a sua abusividade, impõe-se a adoção da taxa média de mercado, nos termos do entendimento consolidado neste julgamento. - Nos contratos de mútuo bancário, celebrados após a edição da MP n. 1.963-17/00 (reeditada sob o n. 2.170-36/01), admite-se a capitalização mensal de juros, desde que expressamente pactuada. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido (REsp n. 1.112.880-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe 19.5.2010 - grifei). Agravo regimental. Embargos de divergência. Agravo de instrumento. Capitalização mensal dos juros. Medida Provisória n. 2.170-36. Possibilidade. Orientação firmada na 2ª Seção. Súmula n. 168-STJ. Recurso improvido (AgRg na Pet n. 4.991-DF, Rel. Min. Massami Uyeda, DJe 22.5.2009 - grifei). Contrato bancário. Capitalização de juros. Medida provisória. Aplicabilidade. Nos contratos celebrados após a edição da Medida Provisória n. 1.963-17, de 2000, a capitalização mensal dos juros, se ajustada, é exigível. Quando aplica a lei, o Superior Tribunal de Justiça como de resto, todo juiz e Tribunal pressupõe a respectiva constitucionalidade; aplicando a aludida Medida Provisória, no caso, proclamou-lhe a constitucionalidade, decisão que só pode ser contrastada, em recurso extraordinário, perante o Supremo Tribunal Federal.

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Agravo regimental não provido (AgRg nos EREsp n. 930.544-DF, Rel. Min. Ari Pargendler, DJe 10.4.2008 - grifei). Processual Civil. Petição. Contrato bancário. Capitalização de juros. Possibilidade. Medida Provisória n. 2.170-36/2001. Incidência. Súmula n. 168-STJ. 1 - A Segunda Seção desta Corte pacificou o entendimento no sentido de que nos contratos bancários celebrados a partir de 31 de março de 2000, data da primitiva publicação do art. 5º da MP n. 1.963-17/2000, atualmente reeditada sob o n. 2.170-36/2001, é possível a capitalização mensal dos juros. Incidência da Súmula n. 168-STJ. 2 - Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg na Pet n. 5.858-DF, Rel. Min. Fernando Gonçalves, DJ 22.10.2007 - grifei). Quarta Turma: Agravo regimental no recurso especial. Ação revisional de contrato bancário. 1. O agravante não impugnou os fundamentos da decisão ora agravada, circunstância que obsta, por si só, a pretensão recursal, porquanto aplicável o entendimento exarado na Súmula n. 182 do STJ, que dispõe: “É inviável o agravo do art. 545 do Código de Processo Civil que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada.” 2. A capitalização mensal dos juros é admissível nos contratos bancários celebrados a partir da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17 (31.3.2000), desde que pactuada. 3. As instâncias ordinárias não se manifestaram acerca da expressa pactuação da capitalização mensal de juros, o que impossibilita a sua cobrança, já que, nesta esfera recursal extraordinária, não é possível a verificação de tal requisito, sob pena de afrontar o disposto nas Súmulas n. 5 e n. 7-STJ. 4. O Tribunal de origem afastou a capitalização mensal de juros com base na inconstitucionalidade da MP n. 2.170-63. O recurso especial não constitui via adequada para o exame de temas constitucionais, sob pena de caracterizar usurpação da competência do STF. 5. Agravo regimental não provido, com aplicação de multa (AgRg no REsp n. 1.076.452-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, DJe 24.8.2011- grifei). Agravo regimental em agravo em recurso especial. Ação revisional. Contrato de abertura de crédito em conta corrente. Capitalização mensal dos juros. Falta de previsão negocial autorizando a prática reconhecida nas instâncias ordinárias. Impossibilidade de reexame da matéria por importar novo enfrentamento do quadro fático delineado na lide e interpretação de cláusulas contratuais. Incidência das Súmulas n. 5 e n. 7 do STJ. Recurso desprovido (AgRg no AREsp n. 11.483-RS, Rel. Min. Marco Buzzi, DJe 29.11.2011 - grifei).

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Agravo regimental no agravo em recurso especial. Revisão contratual. Possibilidade. Capitalização de juros. Ausência de pactuação. Súmula n. 5-STJ. 1. A jurisprudência do STJ pacificou-se no sentido de que, aplicável o Código de Defesa do Consumidor aos casos que envolvem relação de consumo, é permitida a revisão das cláusulas contratuais pactuadas, diante do fato de que o princípio do pacta sunt servanda vem sofrendo mitigações, mormente ante os princípios da boa-fé objetiva, da função social dos contratos e do dirigismo contratual. 2. A jurisprudência desta eg. Corte pacificou-se no sentido de que a cobrança da capitalização mensal de juros é admitida nos contratos bancários celebrados a partir da edição da Medida Provisória n. 1.963-17/2000, reeditada sob o n. 2.170-36/2001, qual seja, 31.3.2000, desde que expressamente pactuada. Na hipótese em concreto, não há pactuação expressa acerca do referido encargo, razão pela qual se aplica o Enunciado da Súmula n. 5-STJ. 3. Agravo regimental não provido (AgRg no AREsp n. 32.884-SC, Rel. Min. Raul Araújo, DJe 1º.2.2012 - grifei). Civil e Processual. Agravo regimental no recurso especial. Contrato de abertura de crédito em conta corrente e renegociações. Limitação da taxa de juros. Capitalização de juros. Comissão de permanência. Impossibilidade de cumulação com demais encargos. Falta de interesse processual. Alegação dos recorrentes que remontam o reexame de matéria contratual e fática, relativa à previsão contratual de capitalização mensal de juros. Incidência das Súmulas n. 5 e n. 7 do STJ. Decisão em conformidade com a jurisprudência do STJ. 1. A tese dos recorrentes é no sentido da ausência da previsão contratual de capitalização mensal de juros, o que foi expressamente admitido nos autos, de modo que a revisão do julgado impõe reexame do contrato e da matéria fática dos autos, tarefa vedada pelo óbice dos Enunciados Sumulares n. 5 e n. 7 do STJ. 2. Segundo o entendimento pacificado na 2ª Seção (AgRg no REsp n. 706.368RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, unânime, DJU de 8.8.2005), a comissão de permanência não pode ser cumulada com quaisquer outros encargos remuneratórios ou moratórios. 3. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que, nos contratos bancários, não se aplica a limitação da taxa de juros remuneratórios em 12% ao ano, e de que não se pode aferir a exorbitância da taxa de juros apenas com base na estabilidade econômica do país, sendo necessária a demonstração, no caso concreto, de que a referida taxa diverge da média de mercado. 4. A capitalização mensal de juros somente é permitida em contratos bancários celebrados posteriormente à edição da MP n. 1.963-17/2000, de 31.3.2000, e desde que expressamente pactuada. 5. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no REsp n. 975.493-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, DJe 28.2.2012 - grifei).

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Agravo regimental no agravo de instrumento. Bancário. Capitalização mensal dos juros. Ausência de prévia pactuação. Impossibilidade. Questão pacificada no âmbito do STJ. Súmula n. 83-STJ. 1. Nos contratos firmados por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional, posteriormente à edição da MP n. 1.963-17/2000, de 31.3.2000, reeditada sob o n. 2.170-36/2001, é admitida a capitalização mensal de juros, desde que expressamente pactuada. Precedentes. 2. Aplica-se o Verbete Sumular n. 83 do STJ na hipótese em que o posicionamento expresso pelo Tribunal recorrido se coaduna com a jurisprudência desta Corte. 3. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no Ag n. 867.739-GO, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, DJe 4.8.2011 - grifei). Contrato bancário. Capitalização mensal de juros. Contratos anteriores à Medida Provisória n. 1.963-17/2000. Impossibilidade de cobrança. Prescrição. Matéria de ordem pública. Falta de prequestionamento. Súmula n. 282-STF. 1. Nos contratos bancários firmados posteriormente à entrada em vigor da Medida Provisória n. 1.963-17/2000, reeditada sob o n. 2.170-36/2001, é lícita a capitalização mensal de juros, desde que expressamente prevista no ajuste. 2. Mesmo as questões de ordem pública, passíveis de conhecimento de ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição ordinária, não podem ser analisadas em recurso especial, se ausente o requisito do prequestionamento. 3. Agravo regimental provido para se conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento (AgRg no Ag n. 1.090.095-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe 19.8.2011 - grifei). Comercial e Processual Civil. Embargos declaratórios. Propósito nitidamente infringente. Recebimento como agravo regimental. Ação revisional. Contratos de abertura de crédito em conta corrente e cédula de crédito bancária. Juros remuneratórios. Limitação. Taxa média apurada pelo Banco Central. Capitalização mensal dos juros. MP n. 2.170-36. Ônus sucumbenciais. Compensação. Improvimento. I. A 2ª Seção do STJ, no julgamento do REsp n. 715.894-PR (Relatora Ministra Nancy Andrighi, por maioria, julgado em 26.4.2006) entendeu que a ausência do percentual contratado, contraposta pela inequívoca incidência de juros remuneratórios no contrato, autoriza a aplicação da taxa média de mercado para operações da espécie, à época da firmatura do ajuste. II. Ao apreciar o REsp n. 602.068-RS, esta Corte firmou que nos contratos firmados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.96317, revigorada pela MP n. 2.170-36, em vigência graças ao art. 2º da Emenda Constitucional n. 32/2001, é admissível a capitalização dos juros em período inferior a um ano.
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III. Quando ocorrer sucumbência parcial na ação, impõem-se a distribuição e compensação de forma recíproca e proporcional dos honorários advocatícios, nos termos do art. 21, caput, da lei processual. IV. Embargos declaratórios recebidos como agravo regimental, improvido este (AgRg no REsp n. 1.105.641-PR, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, DJe 24.3.2011 grifei). Terceira Turma: Agravo regimental. Recurso especial. Embargos do devedor. Execução. Cédula de Crédito Rural. Omissão no acórdão recorrido. Inexistência. Prequestionamento. Ausência. Capitalização mensal dos juros. Possibilidade. 1. - Os Embargos de Declaração são corretamente rejeitados se não há omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado, tendo a lide sido dirimida com a devida e suficiente fundamentação; apenas não se adotando a tese do recorrente. 535 2. - É inadmissível o recurso especial quanto à questão que não foi apreciada pelo Tribunal de origem. 3. - “Os embargos do devedor constituem um meio de impedir a execução, não de pedir; não se prestam para a tutela de pedido estranho ao título executivo, tal como a aplicação da penalidade do artigo 940 do Código Civil” (AgRg nos EDcl no REsp n. 915.621, PR, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ, 20.9.2007). 4. - Permite-se a capitalização mensal dos juros nas cédulas de crédito rural, comercial e industrial (Decreto-Lei n. 167/1967 e Decreto-Lei n. 413/1969), bem como nas demais operações realizadas pelas instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional, desde que celebradas a partir da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17 (31.3.2000) e que pactuada. 5. - Agravo Regimental improvido (AgRg no Ag n. 1.150.316-RJ, Rel. Min. Sidnei Beneti, DJe 13.3.2012 - grifei). Bancário e Processo Civil. Agravo no agravo de instrumento. Recurso especial. Taxa de juros remuneratórios. Capitalização de juros. - É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. - É admissível a capitalização mensal dos juros nos contratos bancários celebrados a partir da publicação da MP n. 1.963-17 (31.3.2000), desde que seja pactuada. - Agravo no agravo de instrumento não provido (AgRg no Ag n. 1.371.651-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe 25.8.2011 - grifei).
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Agravo regimental no agravo de instrumento. Revisional. Juros remuneratórios. Limitação à taxa média de mercado. Acórdão recorrido em harmonia com o entendimento desta Corte. Capitalização mensal dos juros. Contratos firmados após a edição da MP n. 1.963-17, de 30 de março de 2000 (reeditada pela MP n. 2.170-36/2001). Ausência de prévia pactuação. Cobrança. Impossibilidade. Mora. Existência de encargos abusivos no período da normalidade. Descaracterização. Repetição do indébito. Prova do pagamento em erro. Desnecessidade. Recurso improvido (AgRg no Ag n. 1.327.327-SC, Rel. Min. Massami Uyeda, DJe 10.11.2011 - grifei). Agravo regimental. Agravo de instrumento. Bancário. Ação revisional. Capitalização mensal. Impossibilidade. Ausência de pactuação expressa. 1. Cabível a capitalização dos juros em periodicidade mensal para os contratos celebrados a partir de 31 de março de 2000, data da primitiva publicação da MP n. 2.170-36/2001, desde que pactuada. 2. Não comprovação da pactuação no caso em tela, conforme consignado no acórdão recorrido. 3. Agravo regimental desprovido (AgRg no Ag n. 1.327.358-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 29.2.2012 - grifei). Agravo regimental. Agravo de instrumento. Recurso especial. Contrato bancário. Violação ao artigo 535 do Código de Processo Civil. Inocorrência. Juros remuneratórios. Taxa média de mercado. Abusividade. Observância de uma faixa razoável para variação dos juros. Capitalização mensal. Impossibilidade de exame. Súmulas n. 5 e n. 7-STJ. 1. Inocorrência de maltrato ao art. 535 do CPC quando o acórdão recorrido, ainda que de forma sucinta, aprecia com clareza as questões essenciais ao julgamento da lide, não estando magistrado obrigado a rebater, um a um, os argumentos deduzidos pelas partes. 2. Consoante firmado no voto condutor do REsp n. 1.061.530-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22.10.2008, DJe 10.3.2009, o simples fato de a taxa de juros remuneratórios contratada superar o valor médio do mercado não implica seja considerada abusiva, tendo em vista que a adoção de um valor fixo desnaturaria a taxa, que, por definição, é uma “média”, exsurgindo, pois, a necessidade de admitir-se uma faixa razoável para a variação dos juros. 3. O exame da existência ou não de ajuste para cobrança de capitalização dos juros implicaria interpretação de cláusulas contratuais e revolvimento da matéria de prova, procedimentos inadmissíveis no âmbito desta instância especial. Incidência das Súmulas n. 5 e n. 7 desta Corte. 4. Decisão agravada mantida pelos seus próprios fundamentos (AgRg no Ag n. 1.354.547-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 16.3.2012 - grifei).

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3.4. Ademais, este Tribunal Superior entende que, nos contratos bancários, o art. 5º da MP n. 2.170-36/01 prevalece em relação ao art. 591 do CC/2002, haja vista o caráter especial daquela norma, que especificamente se refere às “operações realizadas pelas instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”, sendo esta de cunho geral. A propósito:
Agravo regimental. Agravo de instrumento. Contrato bancário. Revisão. Juros remuneratórios. Capitalização mensal. Mora “debendi”. 1 - Face o disposto na Lei n. 4.595/1964, inaplicável a limitação dos juros remuneratórios nos contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional, (Súmula n. 596-STF), salvo nas hipóteses previstas em legislação específica. 2 - É cabível a capitalização dos juros em periodicidade mensal para os contratos celebrados a partir de 31 de março de 2000, data da primitiva publicação da MP n. 2.170-36/2001, desde que pactuada, o que ocorre in casu, não se aplicando o artigo 591 do Código Civil (REsp n. 602.068-RS e REsp n. 890.460-RS). 3 - A confirmação da validade das cláusulas contratuais impõe a caracterização da mora do devedor. 4 - Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no REsp n. 822.284-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 1º.7.2011 - grifei). Civil. Ação revisional. Contrato de financiamento com garantia de alienação fiduciária. Capitalização dos juros. Anualidade. Art. 591 do Código Civil de 2002. Inaplicabilidade. Art. 5º da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (n. 2.170-36/2001). Lei especial. Preponderância. I. Não é aplicável aos contratos de mútuo bancário a periodicidade da capitalização prevista no art. 591 do novo Código Civil, prevalecente a regra especial do art. 5º, caput, da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (n. 2.17036/2001), que admite a incidência mensal. II. Recurso especial conhecido e provido (REsp n. 890.460-RS, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, DJ 18.2.2008 - grifei). Agravo regimental no recurso especial. Financiamento bancário. Capitalização mensal dos juros. Discussão sobre eventual inconstitucionalidade. Impossibilidade. Competência do STF. Contrato posterior à edição da MP n. 2.170-36. Previsão contratual demonstrada. Questão pacificada no âmbito da Segunda Seção desta Corte. Art. 591, Código Civil/2002. Inaplicabilidade. Decisão mantida em todos os seus termos. Inversão dos ônus sucumbenciais mantida. Desprovimento.

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1 - Inicialmente, cumpre asseverar que, em sede de recurso especial, a competência desta Corte Superior de Justiça limita-se à interpretação e uniformização do Direito Infraconstitucional Federal, a teor do disposto no art. 105, III, da Carta Magna. Assim sendo, resta prejudicado o exame de eventual inconstitucionalidade da Medida Provisória n. 1.963-17 (atualmente MP n. 2.17036), sob pena de usurpação da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal. 2 - No âmbito infraconstitucional, a eg. Segunda Seção deste Tribunal Superior já proclamou o entendimento de que, nos contratos firmados por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional, posteriormente à edição da MP n. 1.963-17/2000, de 31 de março de 2000 (atualmente reeditada sob o n. 2.17036/2001), admite-se a capitalização mensal dos juros, desde que expressamente pactuada, hipótese ocorrente in casu, conforme contrato juntado aos autos. Precedente (REsp n. 603.643-RS). 3 - Quanto à alegada aplicação do art. 591, do Código Civil atual, esclareço tratar-se de dispositivo de lei geral, que não alterou a MP n. 1.963-17/2000 (reeditada sob o n. 2.170-36/2001), específica sobre a matéria e, portanto, ainda prevalece. 4 - Não há que se falar em redistribuição do ônus sucumbencial, tendo em vista que a decisão restou mantida em todos os seus termos. Irretocável a inversão nos termos fixados na decisão ora agravada. 5 - Agravo Regimental desprovido (AgRg no REsp n. 714.510-RS, Rel. Min. Jorge Scartezzini, DJU de 22.8.2005 - grifei).

3.5. De outra parte, tratando-se de contrato regido pelo Código de Defesa do Consumidor - CDC (Súmula n. 297-STJ), é certo que suas cláusulas devem ser claras e transparentes, possibilitando ao consumidor o pleno conhecimento das obrigações assumidas. A respeito do tema, oportuna a reprodução do art. 4º, I, do CDC, cujo teor é o seguinte:
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei n. 9.008, de 21.3.1995). I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;

A vulnerabilidade inerente ao consumidor deve ser sopesada de modo a evitar desequilíbrio nas relações de consumo.
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A professora Cláudia Lima Marques esclarece que há três tipos de vulnerabilidade: técnica, fática e jurídica. Ao discorrer sobre as duas últimas, assinala:
A vulnerabilidade fática é aquela desproporção fática de forças, intelectuais e econômicas, que caracteriza a relação de consumo. Já a vulnerabilidade jurídica ou científica foi identificada e protegida pela Corte Suprema Alemã, nos contratos de empréstimo bancário e financiamento, afirmando que o consumidor não teria suficiente “experiência ou conhecimento econômico, nem a possibilidade de recorrer a um especialista”. É a falta de conhecimentos jurídicos específicos, de conhecimentos de contabilidade ou de economia. Esta vulnerabilidade, no sistema do CDC, é presumida para o consumidor nãoprofissional e para o consumidor pessoa física.(...) Considere-se, pois, a importância desta presunção de vulnerabilidade jurídica do agente consumidor (não-profissional) como fonte irradiadora de deveres de informação do fornecedor sobre o conteúdo do contrato, em face hoje da complexidade da relação contratual conexa e dos seus múltiplos vínculos cativos (por exemplo, vários contratos bancários em um formulário, vínculos com várias pessoas jurídicas em um contrato de planos de saúde) e da redação clara deste contrato, especialmente o massificado e de adesão (in Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, Claudia Lima Marques, Antônio Herman V. Benjamin, Bruno Miragem - 2ª ed., São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2006, p. 145 - grifei).

Levando em consideração a vulnerabilidade do consumidor, o legislador houve por bem estatuir a necessidade de informações adequadas e claras sobre os produtos e serviços oferecidos. É o que se constata no inciso III do art. 6º do CDC, ora transcrito:
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: [...] III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;

Ainda sobre a necessidade de clareza das disposições contratuais, importante salientar o art. 46 do mesmo Codex, que estabelece:
Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.
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Quanto ao trecho em relevo, Rizzato Nunes desenvolve o seguinte pensamento, articulando com os arts. 30, 31 e 54 do CDC:
Quanto ao item b , diga-se que a avaliação da redação que dificulte a compreensão do sentido e alcance da cláusula independe da verificação da intenção do fornecedor. O pressuposto da clareza é absoluto, e não só decorre do princípio da boa-fé objetiva com todos os seus reflexos como está atrelado ao fenômeno da oferta, regulado nos arts. 30 e s., sendo que o art. 31 é taxativo ao designar que qualquer informação (que compõe o contrato por força do art. 30) deve ser correta, clara, precisa, ostensiva etc. E ainda que assim não fosse, para que não reste qualquer dúvida, o § 3º do art. 54, que cuida do contrato de adesão, dispõe no mesmo sentido, verbis: Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo (...). § 3º Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo doze, de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor (in Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, 6ª ed., São Paulo: Saraiva, 2011, p. 637 - grifei).

As regras mencionadas servem de diretrizes para aferir a presença ou não de pactuação expressa acerca da capitalização mensal, permitida, com já dito, nos contratos bancários firmados após 31.3.2000. Não se pode perder de vista a questão social advinda do fato de que, no Brasil, o mercado de consumo é formado por elevado número de pessoas com pouca instrução que, indubitavelmente, necessitam da estrita observância dos preceptivos consumeristas por parte do fornecedor, na espécie, das instituições financeiras. O eminente Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, em sua obra Responsabilidade Civil no Código do Consumidor e a Defesa do Fornecedor, ao dissertar sobre o dever de informação, asseverou, com propriedade:
Não bastam instruções em letras minúsculas ou em folhetos ilegíveis, devendo as informações e advertências ser prestadas com clareza. No Brasil, como país em vias de desenvolvimento, a necessidade de prestação de informações claras pelos fornecedores assume um relevo especial, em face do grande número de pessoas analfabetas ou com baixo nível de instrução que estão inseridas no mercado de consumo. As informações devem ser prestadas em linguagem de
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fácil compreensão, enfatizando-se, de forma especial, as advertências em torno de situações de maior risco” (3ª ed, São Paulo: Saraiva, 2010, p. 152).

Assim, releva notar que muitos dos recursos que ascendem a esta Corte insurgem-se contra acórdãos que consideram presente a expressa pactuação de capitalização mensal, quando constam do contrato as taxas mensal e anual de juros, e esta é superior ao duodécuplo daquela. A meu ver, o voto proferido no REsp n. 895.424-RS bem soluciona a questão:
Agravo regimental. Recurso especial. Capitalização mensal de juros. Ausência de pactuação expressa. Incidência das Súmulas n. 5 e n. 7 do STJ. Agravo regimental improvido. 1. Nos termos da MP n. 2.170/01, é admissível a capitalização mensal de juros quando expressamente pactuada, o que não ocorre nos autos. 2. Não é suficiente que a capitalização mensal de juros tenha sido pactuada, sendo imprescindível que tenha sido de forma expressa, clara, de modo a garantir que o contratante tenha a plena ciência dos encargos acordados; no caso, apenas as taxas de juros mensal simples e anual estão, em tese, expressas no contrato, mas não a capitalizada. 3. Revisão do conjunto probatório e de cláusulas contratuais inadmissíveis no âmbito do recurso especial (Súmulas n. 5 e n. 7 do STJ). 4. Agravo regimental improvido (Rel. Min. Hélio Quaglia Barbosa, DJ 20.8.2007).

Os fundamentos que serviram de espeque ao precedente destacado foram os seguintes:
2. Compulsando-se estes autos, verifica-se que, de fato, não consta informação na sentença, tampouco no acórdão, acerca da existência da pactuação expressa da capitalização mensal. Ressalte-se que para fins de incidência do que dispõe a MP n. 2.170/01, conforme reiterado entendimento desta Corte Superior, não é suficiente que a capitalização mensal de juros tenha sido pactuada, sendo imprescindível que a pactuação tenha sido de forma expressa, clara, de modo a garantir que o contratante tenha a plena ciência dos encargos contratados. Nesse sentido: Civil e Processual. Agravo regimental. Ação revisional de contratos de abertura de crédito em conta corrente e mútuo. Capitalização mensal dos juros. Ausência de pactuação expressa. Súmulas n. 5 e n. 7 STJ. Incidência.
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I. Admissível a capitalização mensal de juros quando expressamente pactuada, o que não ocorre nos autos, conforme cognição das instâncias ordinárias. II. Revisão do conjunto probatório e de cláusulas contratuais inadmissíveis no âmbito do recurso especial (Súmulas n. 5 e n. 7 do STJ). III. Agravo desprovido. (AgRg no REsp n. 836.078-RS, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, DJ 21.8.2006). Dessarte, na espécie dos autos, o ora agravado terá que dividir a taxa de juros anual por 12 meses, do resultado subtrair a taxa de juros mensal, para que, enfim, saiba exatamente qual é o percentual de juros capitalizados mensalmente. Portanto, resta patente que apenas as taxas de juros mensal simples e anual estão, em tese, expressas no contrato, mas não a capitalizada, conforme demonstrado. Sendo assim, não merece prosperar a irresignação do agravante, pois a impossibilidade de acolhimento do pedido, quanto à capitalização mensal de juros, pautou-se na ausência de especificação no v. acórdão recorrido da expressa pactuação do referido encargo, de forma que não é admissível na esfera recursal extraordinária a análise do instrumento contratual para constatar a citada pactuação, sob pena de afrontar o disposto no Enunciado n. 5, da Súmula do Superior Tribunal de Justiça.

No mesmo sentido: EDcl no AgRg, no REsp n. 1.272.550-RS, DJe 16.4.2012; EDcl no AgRg n. 1.272.121-RS, DJe 16.4.2012; e EDcl no AgRg n. 1.271.613-RS, DJe 16.4.2012 (todos de minha relatoria). 3.6. Ante o exposto, fixo as seguintes teses para efeito do art. 543-C do CPC: a) é permitida a capitalização mensal de juros nos contratos bancários firmados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.96317/00, desde que expressamente pactuada. b) a pactuação mensal dos juros deve vir estabelecida de forma expressa, portanto é necessário que o contrato seja transparente e claro o suficiente a ponto de cumprir o dever de informação previsto no Código de Defesa do Consumidor. 4. Análise das demais questões tratadas no recurso especial: 4.1. De início, quanto à alegada violação do art. 535 do CPC, verifica-se que o Tribunal a quo dirimiu as questões pertinentes ao litígio de maneira clara e fundamentada, afigurando-se dispensável que venha examinar uma a uma as alegações expendidas pelas partes.
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Com efeito, ao órgão julgador basta declinar as razões jurídicas que embasaram a decisão, não sendo exigível que se reporte de modo específico a determinados preceitos legais. Além disso, não configura omissão a adoção de fundamento diverso daquele perquirido pela parte. 4.2. Segundo a jurisprudência pacífica desta Corte, confirmada, inclusive, em apelo apreciado sob o enfoque do art. 543-C do CPC (REsp n. 1.061.530-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi), os juros remuneratórios cobrados pelas instituições financeiras não sofrem a limitação imposta pelo Decreto n. 22.626/1933 (Lei de Usura), a teor do disposto na Súmula n. 596-STF, de forma que a abusividade da pactuação dos juros remuneratórios deve ser cabalmente demonstrada em cada caso, com a comprovação do desequilíbrio contratual ou de lucros excessivos, sendo insuficiente o só fato de a estipulação ultrapassar 12% ao ano ou de haver estabilidade inflacionária no período, o que não ocorreu no caso dos autos. No mesmo sentido, vale destacar os seguintes julgados desta Corte: AgRg no REsp n. 782.895-SC, Rel. Min. Sidnei Beneti, Terceira Turma, DJ de 1º.7.2008; AgRg no Ag n. 951.090-DF, Rel. Min. Fernando Gonçalves, Quarta Turma, DJ de 25.2.2008; AgRg no REsp n. 878.911-RS, Rel. Min. Hélio Quaglia Barbosa, Quarta Turma, DJ de 8.10.2007. 4.3. Consoante entendimento assente na Segunda Seção desta Corte Superior, admite-se a comissão de permanência durante o período de inadimplemento contratual, à taxa média dos juros de mercado, limitada ao percentual fixado no contrato (Súmula n. 294-STJ), desde que não cumulada com a correção monetária (Súmula n. 30-STJ), com os juros remuneratórios (Súmula n. 296-STJ) e moratórios, nem com a multa contratual. Dentre inúmeros, observem-se os seguintes julgados: AgRg no REsp n. 1.057.319-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 3.9.2008; AgRg no REsp n. 929.544-RS, Rel. Min. Sidnei Beneti, Terceira Turma, DJ de 1º.7.2008; REsp n. 906.054-RS, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, Quarta Turma, DJ de 10.3.2008; e AgRg no REsp n. 986.508-RS, Rel. Min. Ari Pargendler, Terceira Turma, DJ de 5.8.2008. Nessa esteira, há de mantida a incidência da comissão de permanência, e afastada a cobrança de juros de mora e multa no período de inadimplência. 4.4. De acordo com a remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a compensação de valores e a repetição de indébito são cabíveis sempre
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215-RS.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO que verificado o pagamento indevido. DJ de 3. a cobrança de juros de mora e de multa contratual no período de inadimplência.170-36/2001. a.16% e a taxa anual de 45. o que seria necessário para aferir a observância das determinações do Código de Defesa do Consumidor na espécie em exame. Ministra Maria Isabel Gallotti: Trata-se. No que se refere à existência de expressa estipulação. não é possível efetuar a interpretação das cláusulas contratuais nem revolver matéria fática. 953. no caso em apreciação. VOTO-VISTA A Sra. Nancy Andrighi.3. Min. com fundamento na Lei de Usura. Precedentes: AgRg no REsp n. 2. DJ de 28. se pactuada.2000 deve trazer expressamente consignadas as informações necessárias à compreensão da existência de tal forma de incidência de juros. posterior a 31. 591 do CC/2002 e na inconstitucionalidade da MP n. 1. afastando. quando já em vigor a MP n.058-RS. (228): 265-342. em razão do óbice das Súmulas n. 5 e n. o acórdão recorrido entendeu que houve capitalização mensal simplesmente por ter sido fixada a taxa mensal de 3. 5.013. Rel. Sendo incontroverso esse ponto. Min. Além disso. independentemente da comprovação do erro. AgRg no Ag n. no art.2008. Humberto Gomes de Barros. 24. mostra-se permitida a capitalização mensal dos juros. em repúdio ao enriquecimento ilícito de quem o receber. embora seja permitida a capitalização mensal. na origem. Rel. É como voto. Sidnei Beneti. Quanto à capitalização. ambas as partes concordam que tal fato ocorreu no ano de 2003. dou provimento parcial ao recurso especial para expungir a limitação dos juros remuneratórios. de ação ordinária ajuizada por João Felipe Zanella Felizardo. reputou vedada a aludida capitalização. AgRg no REsp n. ou seja. 1. outubro/dezembro 2012 309 . em face do Banco Sudameris Brasil RSTJ. Porém. bem como para manter a comissão de permanência como prevista no contrato.299-RS.026. Terceira Turma. DJ de 11. contudo.5.25664%. Min.4. Terceira Turma.5.3. Conforme os fundamentos desenvolvidos neste voto. Rel. No caso concreto. o contrato.17036/01 (vide petição inicial e recurso especial). 7 do STJ.2008. 4. embora o acórdão não registre a data em que o contrato foi estipulado. Terceira Turma.2008. 2.

595/1964”.262/1933 não foi revogado pela Lei n. pede seja determinada a “consignação das (34) prestações restantes e que atualmente montam em R$ 199. acrescidas de juros compostos. acrescidas ainda de correção monetária e juros constitucionais de 1% ao mês (. Diante da inadimplência. O voto vencido. 16 dos autos da ação de busca e apreensão convertida em depósito). no julgamento da apelação. comprometeu-se a pagar 36 prestações mensais fixas. 15). 4.7.170/36.16% ao mês e 45. afirmou o Juiz Oyama Assis Brasil de Moraes: “Destaco que não há que se falar em capitalização de juros. Considerou admissível a capitalização anual.25664% ao ano (fl. na mesma linha da sentença. 145-148). no sistema financeiro tanto para a concessão de mútuos e financiamentos. modalidade de capitalização cujo afastamento não é viável.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA S/A. A sentença julgou improcedente o pedido. no período de 21.02. Pelo empréstimo de R$ 7..076. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Sobre a alegação de capitalização. afirmou que “o exame do contrato mostra que foram pactuados juros de 3.2003 a 21. quanto à capitalização. dado que empregada.16% ao mês e 45. Pagou apenas as duas primeiras prestações. o autor ingressou com a presente ação. trata-se. 86). assentou: “Contudo. Quanto à MP n. no valor de R$ 331. em abril de 2004.8. o Banco ajuizou. setenta e dois centavos) cada uma. ação de busca e apreensão do veículo. o que demonstra a prática de cobrança de juros sobre juros mensalmente.2006.72 (cento e noventa e nove reais.83 cada. reputou-a inconstitucional (questão objeto de recurso extraordinário).)” (fl. requerendo sejam limitados os juros remuneratórios (contratados em 3.25% ao ano) a 12% ao ano. esta é inconcebível. considerou que “mesmo que pactuada a capitalização mensal de juros.. na qual postula sejam declaradas nulas cláusulas que entende abusivas. da lavra do Desembargador Carlos Alberto Etcheverry.. 2. por meio da qual pretende seja revisado contrato de financiamento para aquisição de veículo. seja vedada a capitalização mensal de juros e afirmada a impossibilidade de cumulação da correção monetária com a comissão de permanência. 22. eis que o artigo 4º do Decreto n.” De qualquer forma. na espécie de contrato com prestações de valor pré-fixado.. Precisamente por isso encontra permissivo em 310 . quanto para a remuneração das diversas operações através das quais as instituições financeiras captam recursos no mercado.)” (fl. com base no art. Em maio de 2004. 591 do Código Civil de 2002 (fls. pois o contrato em discussão prevê juros prefixados (. Como consequência da revisão pretendida.

O acórdão tomado do julgamento dos embargos infringentes.” Foi interposto. 2. Nem haveria... Considerando a existência de encargos abusivos. em contrato de financiamento garantido por alienação fiduciária. nos termos do art. a. 1.) apenas prejudica a necessária transparência que deve haver nos contratos financeiros por forçar os bancos a embutir nas taxas nominais de juros um adicional equivalente à capitalização”. sentido prático em proibir a utilização de juros compostos exercido controle sobre sua eventual excessiva onerosidade.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO nosso direito. haja vista que os juros contratados foram em valores prefixados. no mercado financeiro internacional. pois calculados com base na taxa anual constante do contrato. “ao captar recursos as instituições nacionais remuneram os aplicadores com juros capitalizados. devendo incidir a anual.” (. o acórdão: “inexistindo previsão legal. de qualquer forma. considerou que. por estranha à boa técnica bancária e que. a única a respeito da qual será estabelecida tese para os efeitos do art. caderneta de poupança) rendem juros capitalizados. além de afirmar a inconstitucionalidade da Medida Provisória n. 591 do Código Civil”.170-36. a legalidade da pactuação de capitalização mensal de juros.963-17.g. no caso. (228): 265-342. seria vedada a cobrança da capitalização de juros por ausência de expressa disposição contratual. é incabível a capitalização mensal de juros. tampouco. sendo ambos admitidos. relator o Desembargador Sejalmo Sebastião de Paula Nery. RSTJ. 6º do CDC).. 2. Até mesmo os depósitos da população para pequenos valores (v. “mostra-se incabível o seu afastamento.170-36. decidiu. foi afastada a mora e decretada a improcedência da busca e apreensão. especificação da periodicidade em que é cobrada (mensal. semestral ou anual) viola o princípio da boa-fé objetiva e do direito básico do consumidor à informação (inciso III do art. Argumenta que “a vedação à capitalização de juros sobre juros (.” (fl. conforme a Exposição de Motivos da Medida Provisória n. Assim delimitada a controvérsia. recurso extraordinário. dado que “a falta de indicação adequada e clara sobre a incidência de capitalização de juros e. passo a apreciar a questão referente à capitalização de juros. Friza que. 5º da Medida Provisória n. por maioria. Em síntese.) Acrescenta que. também.” (fls. a não capitalização de juros mostra-se como exceção que deve ser expressamente estipulada. conforme se depreende da leitura do art. 543-C do CPC. 24. 196-203). O recurso especial (fls.. 208-244) sustenta. como ocorre neste caso. entre outros pontos. no caso. de pleno conhecimento do Recorrido. 151). outubro/dezembro 2012 311 .

mensal.9. DJe 19. DJe 18. desde 31.963-17/00. 1. 5º da Medida Provisória n. a pactuação de capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano (a mensal. em que pese a repercussão geral da matéria reconhecida pelo STF no julgamento do RE n. 1. data da publicação da Medida Provisória n.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Acompanho o voto do relator.2000. 11.3. diária.852-PR. O intervalo da capitalização deverá ser expressamente definido pelas partes do contrato. com a redação dada pela Lei n. nos contratos bancários em geral. a jurisprudência de ambas as Turmas da 2ª Seção é unânime quanto à prevalência do art. admite-se.070. Recurso Especial n. relator Ministro Luis Felipe Salomão. pelo Decreto n. 312 .297. 5º da referida medida provisória em relação ao art. no que toca à inexistência de impedimento ao exame do recurso especial.977/2009). 22. da Lei n. 543-C do CPC no item 3. primeira das teses assentadas para o efeito do art. vale dizer. Neste ponto. trimestral. pactuada”. 1.” Em síntese.6 do seu douto voto. 1.2012. 15-A da Lei n. como regra geral que independe de pactuação expressa. de minha relatoria. Recurso Especial n.963-17/00.095. contínua etc.SFH. Conforme exaustivamente demonstrado pelo eminente relator.297. portanto. desde que expressamente.3. 1. no qual ficou decidido. Ministro Luís Felipe Salomão.380/1964. data da publicação da Medida Provisória n.3. 1. 592.2009 e 2ª Seção. 11. 11.070. submetido ao rito do art. 591 do Código de 2002.626/1933. que a capitalização anual já era admitida.377-RS. já que serão examinados no recurso especial apenas os aspectos infraconstitucionais da causa. “a qual somente em recente alteração legislativa (Lei n.977 de 7 de julho de 2009). previu o cômputo capitalizado de juros em periodicidade mensal” (2ª Seção. Note-se que o art. em esclarecimento ao acórdão do Recurso Especial n. Igualmente adiro ao seu entendimento no sentido da possibilidade de “capitalização mensal nos contratos bancários firmados após 31. no contrato bancário poderá ser pactuada a capitalização semestral.963-17/00 tornou admissível nas operações realizadas pelas instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional “a pactuação de capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano”. Diversa é a disciplina legislativa dos contratos vinculados ao Sistema Financeiro da Habitação.977/2009. assinalo que o art. dispõe ser “permitida a pactuação de capitalização de juros com periodicidade mensal nas operações realizadas pelas instituições integrantes do Sistema Financeiro da Habitação .2000. inclusive). 543-C do CPC. antes. 4.

(228): 265-342. em relação aos quais até a edição da Lei n. dos prazos para pagamento e dos encargos respectivos. entre os termos “capitalização de juros”. excluída.170-36? Sendo este o conceito jurídico da capitalização. alínea b.170-36)? Qual o conceito jurídico de capitalização de juros? Haveria identidade.963-17/00 (atual MP n. acerca da absoluta necessidade de que o contrato bancário seja transparente. por “capitalização de juros”. claro. ao perfeito esclarecimento do devedor. a menção expressa ao percentual da taxa mensal e RSTJ.” Não tenho dúvida alguma em aderir às premissas tão bem expostas pelo relator. o conteúdo. e. à validade do contrato. 24. cuja pactuação em periodicidade inferior a um ano passou a ser permitida pela MP n. redigido de forma que o consumidor. entenda. todavia. 1. O que se deve entender. o valor e a extensão das obrigações assumidas. é necessário que o contrato seja transparente e claro o suficiente a ponto de cumprir o dever de informação previsto no Código de Defesa do Consumidor. portanto. seria suficiente. Sobretudo.977/2009 somente era permitida a capitalização anual. admitida pela Lei de Usura (Decreto n.963-17/00 atual MP n. financeiro. mas sobretudo sem experiência e conhecimento econômico. 11. passando. vulnerável não apenas economicamente. não deve pairar dúvida alguma acerca do valor da dívida. contábil. apenas permitida mediante expressa pactuação a partir da entrada em vigor da MP n. a legalidade de pactuação em intervalo diário ou contínuo. amparado na doutrina de Cláudia Lima Marques. leigo. portanto. “juros compostos”? A pactuação expressa de taxa efetiva em percentual superior ao da taxa nominal significaria capitalização de juros vedada pela Lei de Usura. sem esforço ou dificuldade alguma. portanto. a ser admitida apenas pactuação de capitalização de juros com periodicidade mensal. do voto do relator: “a pactuação mensal dos juros deve vir estabelecida de forma expressa. Rizzato Nunes e Paulo de Tarso Sanseverino. “anatocismo”. 2.626/1933) apenas em intervalo anual. II O motivo de meu pedido de vista foi a tese assim sintetizada no item 3. A periodicidade da capitalização também. 1. a partir de então. outubro/dezembro 2012 313 . 2. 22. A taxa de juros deve estar claramente definida no contrato.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO salvo nos contratos do Sistema Financeiro da Habitação. a.6. A pactuação de capitalização de juros deve ser expressa. no sistema jurídico vigente.

AgRg no REsp n. rel.170-36.510-RS. Ministro Raul Araújo. Ministro Aldir Passarinho. se existe este conceito técnico de dano na legislação e.882-RS. sendo esta superior a doze vezes a mensal (4ª Turma. DJe 1º. 735. deverão saber se a palavra dano significa a mesma coisa nesta e na outra lei. precisar que numa lei é isto e na outra é diferente.4. rel. DJe 10. rel. rel. Toda a norma jurídica emprega idéias que são constantes dentro do mesmo sistema de normas. 2. que a unanimidade tão bem demonstrada pelo relator no sentido da legalidade da pactuação expressa da capitalização mensal de juros nos contratos bancários posteriores a 31.2006.8. AgRg no REsp n. começam a evidenciar parentesco... 4ª Turma. A propósito da importância do estabelecimento dos conceitos presentes nas normas jurídicas. 1.210-RS. 1. DJ 22.2012 e 3ª Turma. submete as normas a um tratamento indutivo. atualmente. REsp n. Ministra Nancy Andrighi. para evidenciar os princípios que nelas se acham inclusos. 809.738-SC. invoco a preciosa lição de San Tiago Dantas: Em primeiro lugar.220. ao contrário. AgRg no REsp n. Ministro Jorge Scartezzini. AgRg no REsp n. rel. REsp n. É preciso construir os conceitos.) O segundo trabalho do dogmatista é fixar os conceitos com que são construídas as normas. desde que expressamente pactuada.2000 não existe a propósito do que se deva entender como adequada forma de pactuar a capitalização.9. mas sobretudo da respectiva interpretação consolidada pela jurisprudência deste Tribunal . seria inválida a pactuação (4ª Turma.930. 1.8.2011. DJ 24. unânime.2005.2012)? Verifica-se. Quando abrem uma lei que se promulga e que contém uma frase dizendo “o dano será composto assim”. a pactuação expressa da taxa efetiva superior ao duodécuplo da taxa mensal não seria suficiente para informar o devedor a respeito da capitalização e. (. 4ª Turma. unânime. Para expor meu entendimento sobre a questão.5.231. portanto.3. decisão singular. Ministro Luís Felipe Salomão.711-RS. Ministro Massami Uyeda. DJ 12. unânime. DJe 27. e depois outra lei. unânime.302. nas compilações.2.2011.4. começo por extrair do sistema jurídico pátrio . admitida pela MP n. decisão singular. 714. 314 . unânime.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA anual.2005)? Ou. se porventura a lei empregar a palavra noutro sentido.mediante a análise não apenas da literalidade das leis.306. rel. portanto. diz: “no dano observar-se-á tal regra”. desde que nós nos ponhamos a raciocinar sobre elas. rel. 1.559-RS. As normas jurídicas que a primeira vista são desligadas entre si.o conceito jurídico do que seja a capitalização de juros vedada em intervalo inferior ao anual pela Lei de Usura e. DJe 9. Ministro Fernando Gonçalves. AgRg no REsp n.

art. estabeleceu. Teoria Geral. definir o conceito de capitalização de juros no sistema jurídico brasileiro. 1. no art. 2001. outubro/dezembro 2012 . 1º. 22. O texto legal a ser tomado como ponto de partida para a análise do significado de “capitalização”. além de fixar os conceitos de dogmática. todavia. 4º. A única maneira de exprimir as categorias lógicas com que ele trabalha é fixar a terminologia. 382) e de que “são inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancários as disposições do art. 4º. segundo a qual “as disposições do Decreto n.626/1933. proibiu a contagem de “juros dos juros”.c. e será punido nos termos desta lei.) O jurista. 22. portanto. 596 do STF. tem de fixar a terminologia. é o Decreto n.530. (“Programa de Direito Civil”.061. (228): 265-342. (. 1º ainda está em vigor. Art. Cumpre. outra preocupação da dogmática.626 de 1933 não se aplicam às taxas de juros e outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas. Forense. 591 c.) O Direito não dispensa grande estudo dos termos. 7-8). É vedado. portanto. 315 RSTJ. a. salvo a “acumulação de juros vencidos aos saldos líquidos em conta corrente de ano a ano”.. 3ª edição. porque um erro de termos conduz a um erro de direito.. 24. relatora Ministra Nancy Andrighi). O Decreto n.. 1º limitou o percentual ao máximo de 12% ao ano (dobro da taxa legal prevista no Código de 1916) e. por si só. art. estipular em quaisquer contratos taxas de juros superiores ao dobro da taxa legal (Código Civil. 406 do CC/2002” (2ª Seção do STJ no REsp n. esta proibição não compreende a acumulação de juros vencidos aos saldos líquidos em conta corrente de ano a ano. A linguagem está para o jurista como o desenho para o arquiteto. que integrem o Sistema Financeiro Nacional.626/1933.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO (. às instituições financeiras. em nosso sistema jurídico. também conhecido como “Lei de Usura”. O limite previsto no art.” Também o STJ consolidou o entendimento de que “A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano. duas restrições à liberdade pactuar de taxa de juros: no art. É proibido contar juros dos juros.. o qual assim dispõe: Art. não indica abusividade” (Súmula n. p. não se aplicando. 22.062). 1. conforme jurisprudência consolidada na Súmula n.

Segundo sua origem. 1. que se vem anexar ou acumular ao primitivo. também às instituições financeiras. 2. salvo permissão legal prevista em legislação especial. 373). O mesmo Vocabulário define anatocismo como sinônimo de capitalização: Anatocismo. Rio de Janeiro. e invalidado pelo Judiciário com base no Código de Defesa do Consumidor e no princípio que veda o enriquecimento sem causa. contida no art. para se igualarem ou se acumularem a ele. de onde se produziu. é a base legal da Súmula n. capitalização. 8ª edição. 316 . a capitalização mostra-se a gênese de novo capital. 93-STJ). isto é. seja no sentido jurídico. Em acepção especial também se chama de capitalização ao cálculo do valor-capital de um bem produtivo. salvo a acumulação de juros vencidos aos saldos líquidos em conta corrente de ano a ano”). para aumentar a sua soma. a taxa de juros passível de estipulação contratual legítima varia conforme a conjuntura econômica. Esta restrição. seja no sentido econômico. p. Vale dizer. (Forense. comercial (Súmula n. prêmio composto ou capitalizado. em regra não se opera a capitalização. não havendo ajuste ou convenção. A partir da entrada em vigor da MP n. A segunda ordem de restrição. tendo-se em conta as suas rendas já vencidas e que nele se computam para efeito desta avaliação. segundo a qual “É vedada a capitalização de juros. de origem grega. A capitalização ocorre segundo se ajustar. 1984. significando usura. Volume I. deverá ser comprovado caso a caso. O Vocabulário Jurídico de Plácido e Silva assim define: Capitalização .170/01). os juros ou as rendas não se acumulam ao capital. até março do ano 2000. aplicava-se. 121 do STF. pois que. em capital. Vejamos o que se entende por capitalização de juros. podendo ser invalidada pelo Judiciário em caso de comprovado abuso. isto é. Capitalização. não há limite legal fixo. passou a ser legalmente admitida a pactuação expressa da capitalização de juros em intervalo inferior ao anual. como ocorre com as cédulas de crédito rural. unindo-se tais frutos ao principal. na linha da pacífica jurisprudência.963/00 (atual MP n. tomado em acepção própria. industrial. Desse modo. para as instituições financeiras. a estimação de sua valia ou de seu preço (capital). ainda que expressamente pactuada”. É vocábulo que nos vêm do latim anatocismus.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Havendo abuso na fixação contratual das taxas de juros. 4º (proibição da “contagem de juros dos juros. quer significar a conversão dos rendimentos ou dos frutos de um capital.

O voto do Ministro Luís Felipe Salomão. o Vocabulário de Plácido e Silva limita-se a fazer remissão ao verbete “juros capitalizados”. 36). São. resultante de contrato. O próprio Cód. Volume I. valendo-se da doutrina de Roberto Arruda de Souza Lima e Adolfo Mamoru Nishiyama. Volume III. Civil brasileiro. o próprio Direito Comercial (art. e. RSTJ. Editora Atlas S/A. 151). 1. periodicamente. para constituírem um novo total. isto é. permitiu a capitalização. E. Nos verbetes “juros compostos” e “juros acumulados”. Rio de Janeiro. (Forense. A cobrança ou exigência de juros sobre juros acumulados não é admitida. Rio de Janeiro. assim. não exista estipulação que a permita. 24. em oposição aos que não se acumulam. em virtude de estipulação ou determinação legal. outubro/dezembro 2012 317 . juros compostos. isto é. para se apresentarem na soma do capital assim constituído. a incorporação dos juros vencidos ao capital. mesmo vencidos e escriturados na conta do devedor. somente tem apoio legal quando há estipulação que a autorize.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO Desse modo vem significar a contagem ou cobrança de juros sobre juros. que se dizem juros simples. p.g. 253) permite a acumulação dos juros vencidos aos saldos liquidados de ano a ano. 8ª edição. o qual tem o seguinte texto: Juros capitalizados: Expressão usada na técnica do comércio para designar os juros devidos e já vencidos que. embora o Código fale em capitalização anual. São Paulo: 2007. também. em tal caso. em seu art. Desde que não haja esta estipulação. neste caso. se unem ao capital representativo da dívida ou obrigação. 36). se incorporam ao valor principal (in Contratos Bancários . de juros contados em conta corrente. os juros não se capitalizam e. se capitalizáveis. se permite a contagem posterior dos juros sobre os saldos então apurados. a. porém. passam como parcela do capital a produzir frutos. p. Quando se trata. 1984.Aspectos Jurídicos e Técnicos da Matemática Financeira para Advogados. periodicamente (v.. p. (228): 265-342. (Forense. desde que. define juros capitalizados como “juros devidos e já vencidos que. mensal. se incorporam ao principal. em consequência. juros que se integraram no capital. Quer isso dizer que a capitalização de juros. 1984. Dizem-se.262. tal qual ele. 8ª edição. Havendo convenção. semestral ou anualmente). e a cobrança de juros sobre o capital assim capitalizado. a contagem dos juros sobre os juros acumulados pode ser permitida semestralmente. perdendo sua primitiva qualidade de frutos. não renderão para o credor juros contados sobre eles.

Por exemplo. não havendo distorções. (2) no prazo igual ao período da taxa (por exemplo taxa de juros mensal. há os conceitos abstratos. Neste caso. quanto for o período considerado. de “juros capitalizados”. anual). de matemática financeira. vale dizer. Com o uso desses métodos calcula-se a equivalência das taxas de juros no tempo (taxas equivalentes). Quando a taxa é apresentada em uma unidade de tempo diferente da unidade do período de capitalização diz-se que a taxa é nominal. porém quitados no final do prazo. sendo a capitalização dos juros feita mensalmente. extrai-se que a noção jurídica de “capitalização”.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA De todas essas definições.ufrrj. Essas assertivas somente são válidas se os juros forem apurados a cada período. que se incorporam periodicamente ao capital. a taxa de 12% será a taxa efetiva anual. período de 6 meses e taxa de juros mensal). o montante dos juros calculados pela sistemática de juros simples é maior do que o montante dos juros compostos. Este fato é resultante da transformação da taxa para períodos menores por meio de taxas proporcionais. devidos. os juros não pagos sejam incorporados ao capital e sobre eles passem a incidir novos juros. quando a unidade de tempo coincide com a unidade do período de capitalização a taxa é a efetiva. tratados como sinônimos. vencido o período ajustado (mensal. a taxa efetiva é de 1% ao mês. divorciado do decurso do tempo contratado para adimplemento da obrigação. uma taxa nominal 12% ao ano. (3) num prazo superior ao período de tempo da taxa (por exemplo. está ligada à circunstância de serem os juros vencidos e. com juros apurados mensalmente) o montante dos juros calculados pela sistemática de juros simples é igual ao dos juros compostos. de “taxa de juros simples” e “taxa de juros compostos”. Se a taxa for de 12% ao ano. Extraio de trabalho de autoria de Teotônio Costa Rezende publicado no site da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (www. de “juros compostos”. com capitalização apenas anual. de juros acumulados. o que é equivalente a uma taxa efetiva de 12.pdf ) as seguintes noções: (1) em um prazo inferior ao período de tempo da taxa (ex: período de 15 dias para uma taxa de juros mensal).68% ao ano. O pressuposto da capitalização é que. A diferença é tanto maior.br/posgrad/ ppgem/03/64. Dizem respeito ao processo matemático de formação da taxa de juros cobrada. o montante dos juros calculados pela sistemática de juros simples é menor do que o montante dos juros calculados no modelo de juros compostos. Por outro lado. Teotônio Costa Rezende também esclarece: “É comum recebermos cálculos mirabolantes. não é conceito matemático abstrato. semestral. onde se pretende demonstrar que uma taxa de juros anual se multiplica várias vezes se a capitalização passar a ser mensal (por 318 . de “anatocismo”. portanto.

Por outro lado. inerente à cada relação contratual. de mensal para diário de 0. equivale a uma taxa efetiva mais alta. também se aumenta o “n” exponencial.683% a.o fato de as taxas serem capitalizadas não traz nenhuma mudança astronômica entre taxa nominal e efetiva. capitalizada mensalmente). semestralmente. portanto.a e continuamente = 12. de semestral para mensal de 0. a. Pode o contrato informar a taxa anual nominal. taxa anual. E prossegue: “A título de exemplo. o processo composto de formação da taxa de juros é método abstrato de matemática financeira.a. e. portanto. 12.a. de haver ou não o pagamento tempestivo dos juros vencidos. Se começarmos a simular taxas capitalizadas anualmente. Por ser método científico. 24. diariamente = 12.747% a.à medida que se aumenta os períodos de capitalização. em período superior ao período de capitalização (vg. A taxa nominal de juros.a. Não haverá diferença na onerosidade da taxa de juros e.06 pontos percentuais e de diário para contínuo praticamente não existe diferença. utilizado para a própria formação da taxa de juros a ser contratada. o critério de capitalização se apura através de exponenciação e não de multiplicação.36 pontos percentuais. uma vez que a diferença entre estas irá ficando cada vez menor. capitalização ou anatocismo é inerente a RSTJ. Na verdade.0% a. juros compostos (devidos e vencidos).Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO exemplo: uma taxa de 12. segundo . portanto. até atingir um limite”. reduz-se o impacto em termos de proporção do crescimento da taxa efetiva. mensalmente. E após descrever a fórmula matemática para a apuração da taxa efetiva. não é afetado pela circunstância.a. esclarecendo que ela (a taxa) será capitalizada mensalmente..a. conforme o tempo de referência.750% a. veja o que acontece com a maior taxa nominal de juros que praticamos no crédito imobiliário. outubro/dezembro 2012 319 . no valor a ser pago pelo devedor. passaria para 144% etc). o número a ser potencializado torna-se cada vez menor.32 pontos percentuais. Trata-se. neutro. ou seja. (228): 265-342. Duas lições precisam ser extraídas destes comentários: primeiro . prévio ao início de cumprimento das obrigações contratuais.” Em síntese. esclarece que à medida que se aumenta o “n” (períodos de capitalização) do divisor da taxa nominal. de matemática financeira. corresponde a 12.0% a. ao conceito de juros capitalizados (devidos e vencidos). apenas de diferentes formas de apresentação da mesma taxa de juros. Nota-se que a mudança de anual para semestral implicou em um acréscimo de 0. ou optar por consignar a taxa efetiva anual e a taxa mensal nominal a ela correspondente. mensalmente. seremos surpreendidos pelos resultados.360% a. abstrato. ou seja. diariamente e continuamente. Se capitalizada semestralmente = 12.

e se não há limite legal prefixado para esta taxa efetiva (a qual somente será invalidada pelo Judiciário se comprovadamente abusiva). Nada dispõe o art. DJe 19. 1º do mesmo decreto (12% ao ano) e não se aplica. Quanto à taxa de juros.095. Postos estes conceitos.626/1933. 4º do Decreto n. a fim de evitar a capitalização vedada em lei.8. prévio ao início da vigência da relação contratual. inclusive a taxa efetiva de juros. aqui. ao restringir a capitalização. EREsp n. de método de matemática financeira. extirpar do contrato a taxa efetiva expressamente contratada em nome da vedação legal à capitalização de juros. fazendo sobre eles incidir novos juros. como já exposto. mas de vicissitude intrínseca à concreta evolução da relação contratual. às instituições financeiras. Assim. haverá pagamento (aqui não ocorrerá capitalização). 917. Como já visto que a taxa nominal tem uma correspondente efetiva (sendo esta superior se calculada em período maior do que o da taxa). voltemos ao texto do Decreto n. A pacífica jurisprudência do STJ compreende que a ressalva permite a capitalização anual como regra aplicável aos contratos de mútuo em geral. respeitar o contratado.2012). DJe 4. abstrato. é evitar que a dívida aumente em proporções não antevistas pelo devedor em dificuldades ao longo da relação contratual. O referido diploma legal veda a contagem de juros dos juros. Conforme forem vencendo os juros. como a interpretação meramente literal e isolada de sua primeira parte (é proibido contar juros de juros) poderia fazer supor. glosando-a apenas se demonstrado o abuso. tal como compreendido pela pacífica jurisprudência do STJ e do STF.852-PR.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA incorporação ao capital dos juros vencidos e não pagos.570PR. O coerente com o sistema será. Não se trata. 4º acerca do processo de formação da taxa de juros. a limitação de percentual máximo (e não restrição quanto ao método matemático de formação da taxa) está estabelecida no art. 1. incorporação ao capital ou ao saldo devedor (capitalização) ou cômputo dos juros vencidos e não pagos em separado. não é proibido contar juros de juros em intervalo anual. 22. relatora Ministra Nancy Andrighi. 22. O objetivo do art.3. mas estabelece que a proibição não compreende a acumulação de juros vencidos aos saldos líquidos em conta corrente de ano a ano.2008 e REsp n. os juros vencidos e não pagos podem ser incorporados ao capital uma vez por ano para sobre eles incidirem novos juros (Segunda Seção. de minha relatoria. data maxima venia. nos 320 .626/1933. não me parece coerente com o sistema jurídico vigente.

induzir os conceitos. a inteligência pode penetrar segundo um esquema lógico. Evidenciar os princípios. capitalização de juros. “todo mundo está obrigado a compor o que tiver contratado”. Eis porque podemos fazer esta afirmação capital: nem todo corpo de normas é um sistema jurídico. poderemos formar um corpo de leis e aplicá-las. a legalidade da contratação de taxa de juros calculada pelo método simples de 12% ao ano e não admitir a legalidade da contratação de juros compostos em taxa mensal (expressa no contrato) correspondente a uma taxa efetiva anual inferior (também expressa no contrato). entretanto.75% ao mês pelo mesmo prazo. de 9. Esclarecedor o exemplo imaginado pelo Professor José Dutra Vieira Sobrinho: O exemplo a seguir evidencia o absurdo que representa a proibição de se capitalizar juros. Não se formará dogmática deste corpo de 321 RSTJ. em que o mais geral abrange o mais particular e em que. embora o total no vencimento.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO termos da pacífica jurisprudência assentada sob o rito dos recursos repetitivos. De acordo com o entendimento jurídico predominante. um sistema coerente. com qualquer das instituições e com as normas. todo mundo pode furtar”. A coerência. portanto. seja menor que o anterior (extraído do trabalho “Conflitos Judiciais Envolvendo Conceitos Básicos de Matemática Financeira”). fixar a terminologia e construir o sistema de normas jurídicas. a. outubro/dezembro 2012 . em que os institutos se acham evidentemente classificados. Se amanhã nos pusermos a legislar para pequena sociedade imaginária ou construída por nós mesmos. o abuso consistirá no excesso da taxa de juros. que quer dizer que é sempre possível construir. “ninguém pode matar”. Seria incongruente com o sistema admitir. essa mesma operação não poderia ser contratada a juros compostos de 0. 24. A mera circunstância de estar pactuada taxa efetiva e taxa nominal de juros não implica. isto é um estudo de dogmática jurídica. mas apenas processo de formação da taxa de juros pelo método composto.38%. mas ninguém pode construir sobre este corpo de leis um sistema. lógico. (228): 265-342. pelo prazo de um ano. Neste caso. o trabalho de dogmática se conclui pela construção do sistema. por exemplo. e determinarmos normas como estas. portanto. “ninguém está obrigado a reparar o prejuízo que causa”. parâmetro definidor de um sistema de normas como sistema jurídico. o que totalizaria 12% no vencimento. um empréstimo poderia ser contratado a juros de 1% ao mês. é enfatizada por San Tiago Dantas: “Finalmente. que formam a regulamentação da vida numa certa sociedade. desde que não capitalizado.

626/33. Dessa forma. conhecida como capitalização ou anatocismo). se pactuados juros compostos. por meio da definição da taxa nominal contratada e da taxa efetiva a ela correspondente). sob a égide do Código Civil de 1916. art.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA normas. 382 do STJ e acórdão da 2ª Seção do STJ no REsp n. e não podemos criar uma ciência jurídica sobre a base de fenômenos desta maneira contraditórios (ob. 4º do citado Decreto. concluo que o Decreto n. “juros capitalizados” e “anatocismo”. 1º) e. citada. mas o estabelecimento do percentual máximo de juros cuja cobrança é permitida pela legislação. cf. cabe definir a acepção em que o termo é usado na legislação.4 – O que é anatocismo De acordo com a ampla pesquisa que realizei. 22. e. não se confunde com capitalização de juros em sentido estrito (incorporação de juros devidos e vencidos ao capital. a fim de que os preceitos legais e respectivas interpretações jurisprudenciais não entrem em contradição. empregada esta expressão também como sinônimo de “capitalização”. embora o método composto de formação da taxa de juros seja comumente designado.626/1933 não proíbe a técnica de formação de taxa de juros compostos (taxas capitalizadas). 406 e 591 do Código vigente.595/64). Súmulas n. o dobro da taxa legal (Decreto 22. para as instituições financeiras. Este entendimento encontra apoio na doutrina de José Dutra Vieira Sobrinho: 1. A restrição legal ao percentual da taxa de juros não é a vedação da técnica de juros compostos (mediante a qual se calcula a equivalência das taxas de juros no tempo. Ministra Nancy Andrighi) não haverá ilegalidade na fórmula adotada no contrato para o cálculo da taxa efetiva de juros embutidos nas prestações. como regra geral. 8-9).530. tornando incoerente o sistema. anatocismo nada tem a ver o critério de formação dos juros a serem pagos (ou recebidos) numa determinada 322 . repito. a taxa legal prevista nos arts. Tomando por base essas premissas. limites estes não aplicáveis às instituições financeiras. segundo a regulamentação do Banco Central (Lei 4. 596 do STF e n.061. para efeito de incidência de novos juros. Assim. em textos jurídicos e matemáticos. rel. se repelem entre si. p. porque veremos que estas várias normas se contradizem. como “juros compostos”. prática vedada pelo art. desde que a taxa efetiva contratada não exceda o máximo permitido em lei (12%. atualmente. ao jurista. a qual. os parâmetros de mercado. vale dizer. 1. na construção do direito civil.

00 no final de 9 meses. pode haver também juros de juros. a partir da notificação judicial feita ao devedor para capitalizar os juros vencidos ou proceder ao seu pagamento sob pena de capitalização. contando que. quer por uma convenção especial. os dados relevantes são o valor do empréstimo. os juros vencidos só podem produzir juros do dia do pedido judicial. 22. Embora parte dessas nações tenham promulgado seus códigos civis posteriormente ao ano de 1850. o entendimento não é diferente: “Art.” E no Código Civil francês. se trate de juros devidos. ele somente existiria se após o vencimento de uma operação o credor cobrasse juros sobre os juros vencidos e não pagos. 1283 – Na falta de uso contrário.” Observa-se claramente que primeira frase deveria ser “É proibido contar juros dos juros vencidos. no Código Civil português.154 – Os juros vencidos dos capitais podem produzir juros. conhecido também por Código de Napoleão. 24. 253 do nosso Código Comercial editado em 1850.00. outubro/dezembro 2012 323 . ele consiste na cobrança de juros vencidos e não pagos. Só podem ser capitalizados os juros correspondentes ao período mínimo de um ano. quer por um pedido judicial. e num prazo inferior a 12 meses. O anatocismo somente ocorreria se após o vencimento. Portugal. que no exemplo mencionado. considerado pela maioria dos grandes juristas como o pai de todos os códigos. seja no pedido. 560 – Para que os juros vencidos produzam juros é necessária convenção posterior ao vencimento.” No Código Civil italiano encontramos entendimento semelhante: “Art. Esse artigo tem a seguinte redação: “É proibido contar juros dos juros.5% ao mês se calculada a juros simples ou 2. 1. copiado literalmente no Art. o valor de resgate e RSTJ.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO data. Alemanha. seja na convenção. Vamos esclarecer melhor essa questão como exemplo de um empréstimo de R$ 1. 1. Assim. pelo menos por um ano inteiro. Com base nessas evidências podemos deduzir que o Art. (228): 265-342. ou por efeito de convenção posterior ao seu vencimento.00 para ser quitado por R$ 1. ou ainda. o credor cobrasse juros também sobre os juros de R$ 225. entendo ser importante transcrever o conceito de anatocismo contido nos códigos civis e comerciais de alguns desses países. É importante também observar a seguinte questão: o que muda para o devedor ou credor saber. E como a legislação brasileira foi inspirada nas leis dos países europeus como a França.28% se calculada a juros compostos? Para efeitos legais.225.5 – Existência do anatocismo e a prática dos juros compostos Entendido o anatocismo tal como foi caracterizado. 4º do Decreto n. “É proibido calcular juros sobre juros vencidos. exatamente como conceituado no Novo Dicionário Brasileiro.000.626 de 7 de abril de 1933. esta proibição não compreende a acumulação de juros vencidos aos saldos liquidados em conta corrente de ano a ano. a. a operação custa 2. Itália. a definição encontrada endossa plenamente o nosso entendimento: “Art. Espanha e Holanda. a legislação vigente na época já contemplava aquele conceito. e sempre que trate de juros devidos pelo menos por 6 meses. foi mal copiado ou mal traduzido.

Não foi comprovada a abusividade. da taxa efetiva de juros remuneratórios pactuada. os juros contratados foram prefixados no contrato. inalteráveis. O valor fixo das 36 prestações igualmente está expresso no contrato.83 para R$ 199.25% ao ano). que constasse uma cláusula esclarecendo que as taxas mensal e anual previstas no contrato foram obtidas mediante o método matemático de juros compostos. se alguma concederia o mesmo financiamento com uma taxa mensal ou anual inferior. com a devida vênia. não podendo o consumidor alegar surpresa quanto aos valores fixos.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA o vencimento. Sabedor da taxa mensal e da anual e do valor das 36 prestações fixas. no qual consta a taxa mensal nominal (3. perfazendo as prestações fixas um valor menor.. em benefício do consumidor leigo.) dado que cada instituição financeira 324 . das 36 prestações que se comprometeu a pagar. mais clara e transparente a contratação do que a forma como foi feita no caso concreto em exame: com a estipulação das prestações em valores fixos e iguais (36 prestações de R$ 331.80. usando como um de seus argumentos a confusão entre o conceito legal de “capitalização de juros vencidos e devidos” e o “regime composto de formação da taxa de juros”. Não está prevista a incidência de correção monetária. As informações prestadas pelo Banco Central enfatizam que se afastada a legalidade/constitucionalidade da formação composta da taxa de juros haverá “redução da transparência (. Após pagar duas prestações. A expectativa inflacionária já está embutida na taxa de juros. Na realidade. a intenção do autor/recorrido é reduzir drasticamente a taxa efetiva de juros. entendo que o critério utilizado para obtenção do valor dos juros é absolutamente secundário! (extraído do trabalho “Conflitos Judiciais Envolvendo Conceitos Básicos de Matemática Financeira”). em termos de mercado.83) e a menção à taxa mensal e à correspondente taxa anual efetiva. fácil ficou para o consumidor pesquisar. deixou de honrar suas obrigações e ajuizou ação postulando a redução da prestação acordada em R$ 331. ambos designados indistintamente na literatura matemática e em diversos textos jurídicos..16% ao mês) e a taxa anual efetiva (45. Não poderia ser. até mesmo nas informações prestadas nestes autos pelo Banco Central. com o mesmo termo “juros compostos” ou “juros capitalizados”. Nada acrescentaria à transparência do contrato. entre as instituições financeiras. No caso em exame.

Lê-se. a capitalização de juros é capaz de gerar uma padronização na forma de cômputo e. assim. quanto maior o prazo. haveria precisamente a incidência de juros sobre juros vencidos e não pagos incorporados ao capital (capitalização ou anatocismo). (. Tal pactuação significaria que.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO poderá apresentar diferentes taxas de juros simples para diferentes prazos. caso as instituições se especializem em operações com prazos diversos. É o que concluiu a a Consultoria da Diretoria de Política Econômica do Banco Central em estudo elaborado a pedido desta Procuradoria-Geral para subsidiar esta manifestação da Autarquia: Um terceiro aspecto a ser considerado é a redução de transparência que a decisão [pela inconstitucionalidade] proporcionará. dado que cada instituição financeira poderá apresentar diferentes taxas de juros simples para diferentes prazos. Por outro lado. sobre o valor total dela (no qual estão incluídos os juros remuneratórios contratados) incidiriam novos juros remuneratórios a cada mês. maior a taxa de juros nominais equivalentes. neste ponto. e-STJ 325).. e-STJ 323). nas informações do Banco Central (referindo-se. a qual se apura de forma crescente. de que os juros são maiores e. como mostra a referida nota técnica. não paga determinada prestação. da taxa mensal e da taxa anual efetiva. por exemplo. ainda. se constasse do contrato em exame. 323). ou seja. pela viabilidade do cotejo. prática esta vedada pela Lei de Usura em intervalo inferior RSTJ. 2. pois. (fl. O tomador logo se sentirá desestimulado a operar com prazos mais longos. sem que necessariamente seja possível padronizá-las e daí compará-las. a.) Caso seja declarada inconstitucional a medida provisória que permite a capitalização. (228): 265-342. caso as instituições se especializem em operações com prazos diversos. também cláusula estabelecendo “os juros vencidos e devidos serão capitalizados mensalmente”. as instituições financeiras não se limitarão a conceder crédito com as mesmas taxas atualmente praticadas.170-36. ou “fica pactuada a capitalização mensal de juros”. além do valor das prestações. a consequência para o devedor não seria a mera validação da taxa de juros efetiva expressa no contrato e embutida nas prestações fixas. Assim. como passou a ser admitido pela MP n. se notará um desestímulo ao alongamento de prazos. à taxa estipulada sob o regime de juros compostos): Ademais. na suposição. sem a capitalização. 24. fomentar a competição entre as instituições financeiras. irão praticar taxas nominais equivalentes à taxa capitalizada.. deixará de contratar em melhores condições. Um ambiente mais competitivo é mais apto a gerar reduções nas taxas de juros e nos spreads praticados. outubro/dezembro 2012 325 . Certamente.” (e-STJ fl. sem que necessariamente seja possível padronizá-las. (fl. equivocada.

REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA a um ano e atualmente permitida apenas em face de prévia. acrescidos dos juros correspondentes. A consequência do texto da medida provisória foi permitir. o aumento do spread e das taxas de juros. que seria obrigado a captar recursos em outra instituição financeira para adimplir a primeira operação. de 24 de março de 2000). que a capitalização de juros vedada pela Lei de Usura e permitida.acabou admitida em nosso sistema jurídico. Não se cogita de capitalização. editada. que a capitalização de juros desestimula as instituições financeiras a renegociarem os contratos com periodicidade mensal.capitalização de juros vencidos e não pagos . portanto. da qual se valiam maus pagadores. em prejuízo de todo o sistema financeiro. mas o anatocismo propriamente dito. Isso poderá 326 . situação em que. abusiva. Tal situação enseja o chamado “anatocismo indireto”. se todas as prestações forem pagas no vencimento. gerando o aumento do risco e. 2. a capitalização de juros. cobrança de juros capitalizados. deve ser quitado. Esta prática . sob o ponto de vista econômico. de juros compostos) se estes juros vencidos e não pagos forem incorporados ao capital para sobre eles fazer incidir novos juros. calculada pelo método simples ou composto. com o intuito de resolver a incerteza jurídica sobre a legalidade do sistema de juros compostos. Conclui-se. mas não capitalização de juros. haverá capitalização (anatocismo. atendendo assim aos interesses da coletividade (cf. 325): Acrescente-se. Pode haver capitalização na evolução da dívida de contrato em que pactuado o regime de juros simples ou o regime de juros compostos. poderá haver taxa de juros exorbitante. diante da mera fórmula matemática de cálculo dos juros. diz respeito às vicissitudes concretamente ocorridas ao longo da evolução do contrato. assim posta nas informações do Banco Central (fl. não apenas o regime matemático de juros compostos. tal como prevista pela medida provisória impugnada. pela MP n. comumente tratado como sinônimo de “capitalização de juros”. 210-MF. desde que pactuada. Se os juros pactuados vencerem e não forem pagos. Eis a razão pela qual a medida provisória deve ser mantida. bem mais oneroso para o devedor. 2. itens 8 e 9 da Exposição de Motivos n. como se verifica das informações do Banco Central.170-36.170-36. o valor emprestado. ao final do mês. apresenta-se muito mais benéfica ao tomador. Desse modo. na acepção legal. como regra nas operações bancárias. ainda. portanto. expressa e clara previsão contratual. Igualmente. como regra geral para o sistema bancário. não haverá capitalização ilegal. Neste caso. passível de revisão pelo Poder Judiciário. o qual também tem sua justificativa econômica. de juros acumulados. pela vigente MP n.

2. desde que pactuada. desde que expressamente pactuada. notadamente em casos como o presente de juros prefixados e prestações idênticas. especificada no contrato e embutida nas prestações fixas.963-17/00 (em vigor como MP n. data da publicação da Medida Provisória n.” Em divergência parcial. No caso concreto. utilizado para calcular a equivalência de taxas de juro no tempo). Não demonstrada a abusividade em termos de mercado. data vênia. portanto. motivo pelo qual sugiro a seguinte redação: “É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados após 31. voto pela legalidade do regime de juros compostos adotado expressamente no contrato como método de cálculo das prestações. Caso. passo a sintetizar a conclusão do voto. A segunda tese que proponho para os efeitos do art. a pretensão deduzida na inicial foi a de reduzir o próprio valor das 36 prestações acordadas. conforme acentuado no voto do Relator. ou seja voltou-se o devedor contra a taxa de juros compostos.17001. pela MP n. Este foi também o fundamento exclusivo do acórdão para reputar presente a capitalização ilegal de juros. quando os juros vencidos e não pagos. a previsão expressa no contrato de taxa de juros efetiva superior à nominal (sistema de juros compostos. invariáveis. as taxas mensal e RSTJ. cuja evolução está demonstrada no anexo a este voto. todavia. que não configura a capitalização vedada pela Lei de Usura e permitida. deve ser mantida a taxa efetiva de juros remuneratórios contratada.2000. penso. (228): 265-342. Com base nas premissas expostas acima e na fundamentação anexa. Penso. em caso de inadimplência do mutuário. outubro/dezembro 2012 327 . entre outras situações. todavia. forem incorporados ao capital (saldo devedor) sobre o qual incidirão novos juros. perfeitamente compreensível ao consumidor. 2. prevaleça o entendimento de que a mera previsão contratual de taxa de juros efetiva superior à nominal implica a capitalização a que se refere a legislação. que a redação do enunciado para os efeitos do art. calculados de forma simples ou composta.170-01). 543-C do CPC deve espelhar-se no texto legal que a embasa. divergindo parcialmente do relator. 1.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO ocorrer. “A pactuação mensal dos juros deve vir estabelecida de forma expressa e clara.” Anoto que.3. adiro ao entendimento no sentido da validade da estipulação. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada. portanto. no presente caso. 543-C é. 24. Acompanho o voto do relator quanto à primeira das teses postas em seu douto voto. a. Mantenho.

dou provimento ao recurso especial em maior extensão. mantendo-se as prestações mensais durante todo o contrato no mesmo valor (SOUZA LIMA. os principais sistemas de amortização adotados internacionalmente e também no Brasil. São Paulo: 2007. 23. 140-141. Arnaldo. p. a qual se destina a quitar os juros do período) e outra de amortização. “Juros no Direito Brasileiro”. o saldo devedor seja igualado a zero. DEL MAR. quitada a última delas. FUNDAMENTAÇÃO ANEXA AO VOTO DO RESP N. SACAVONE. p. p. Isso em um ambiente sem inflação ou caso a expectativa de inflação já esteja embutida na taxa de juros. 973. “Contratos Bancários . 284). ocorrerá a quitação da dívida no final do prazo contratual se o saldo devedor e as prestações forem reajustados pelo mesmo índice. No caso da Tabela Price. o valor da parcela de juros vai decrescendo. De igual modo. Luiz Antônio Junior. É como voto. juros moratórios e multa contratual. cuja cobrança na fase de inadimplemento não pode ser acumulada com juros remuneratórios. porque mínima a sucumbência do banco recorrente. Não havendo ilegalidade na fase de normalidade contratual. Acompanho o relator quando à comissão de permanência. “Contratos de Crédito Bancário”. 143 e PENKUHN. Adolfo Mamoru.827 TABELA PRICE As prestações sucessivas dos diferentes métodos de amortização abrangem uma parcela de juros (calculados sobre o saldo devedor atualizado. restabelecendo os ônus da sucumbência fixados na sentença.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA anual contratadas. no sentido de que dívidas decorrentes contratos em que estabelecida taxa de juros pelo método composto são ilegais. restabeleço os efeitos da mora. O entendimento esposado pelo acórdão recorrido. “A legalidade da Tabela Price. Aspectos Jurídicos da Tabela Price. 195. 328 . Carlos Pinto. RT. p. como ocorre no caso em exame. 9ª edição. RIZZARDO. na medida em que o da parcela de amortização vai crescendo. alcançaria. Roberto Arruda e NISHIYAMA. Revista de Direito Bancário do Mercado de Capitais e da Arbitragem. em síntese. Editora Jurídica Brasileira. Editora Atlas S/A. Adolfo Mark. pelos mesmos fundamentos. RT. p. 2007. até findar o prazo do contrato e o saldo devedor. 2001. de forma que.Aspectos Jurídicos e Técnicos da Matemática Financeira para Advogados”. No caso concreto.

(. concorda com tais encargos e sugere pagar tudo ao final de um ano. de pequeno ou grande porte. RSTJ. até onde dita o senso comum no Brasil. créditos e débitos) diário. fórmulas e cálculos que fugiriam do ânimo de apresentar uma demonstração simplista. No sistema financeiro. razão porque é natural que se estipule alguma remuneração sobre o empréstimo pretendido. em face de necessidades inesperadas. fundos de previdência. os incontáveis contratos de mútuo e financiamentos contratados diariamente (antes e depois da MP n. que existam economias suas amealhadas com seu trabalho e das quais você não necessita utilizar-se neste momento e que. Tabela Price. caro leitor. que tente levar vantagens indevidas sobre alguém .. pequeno ou grande comerciante ou instituição financeira. em que cada mutuário ou investidor tem contrato com data-base para o débito ou crédito de juros diversa. estariam destinados à invalidade. lhe venha solicitar um empréstimo de R$ 1. 2. Exemplo elucidativo da amortização de dívida por meio da Tabela Price é dado por Obed de Faria Junior: Assuma você.000.. ele lhe estaria reembolsando o principal de R$ 1. menos ainda. Sacre (Sistema de Amortização Real Crescente). isto é: R$ 1. (228): 265-342. de longo e de curto prazo. justos e. sendo o fluxo de recursos (empréstimos e pagamentos. Assim. para planos de aplicação de recursos em cadernetas de poupança.170-01). suas economias compõem seu patrimônio e decorrem do fruto de seu trabalho.00 para ser pago daqui um ano. títulos de capitalização e FGTS.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO a saber.00. a técnica de juros compostos permite a avaliação consistente de ativos e passivos das instituições e a comparação entre as taxas de juros praticadas em cada segmento do mercado. 24. Portanto. por instituições financeiras e estabelecimentos comerciais diversos.000. Assim. Seu vizinho amigo. fundos de investimentos.) Pois bem. outubro/dezembro 2012 329 . alterando-se as bases em que celebrados os contratos.00 mais juros de 12% relativos ao ano em que o capital ficaria emprestado. a. para as mais diversas finalidades do setor produtivo. em que a remuneração dos investidores também é calculada por meio de juros compostos. Para efeito de simplificação é de todo aconselhável que desconsideremos os efeitos inflacionários porque isto implicaria em utilizar critérios. SAC (Sistema de Amortização Constante) e SAM (Sistema de Amortização Misto). seu vizinho. é bastante razoável crer que você não seja um usurário e. mutuário nessa relação. seu senso de justiça indica que a cobrança de juros de 1% (um por cento) ao mês são módicos.que dirá de um amigo seu de longa data. com prejuízo para o contratante de boa-fé. leitor. Contudo.120. amigo de longa data. absolutamente legais.

porque se ele estaria pagando.33 -83. tanto você quanto seu amigo têm plena ciência que esse tipo de negócio não é usual.00 -5. não só os juros. Você.33 -83.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Nada impediria que tal ajuste fosse feito nessas bases. não saberia dizer qual o valor dos juros ao final de um ano. A partir disso. a cada mês.00: 12 meses.00 do empréstimo. saldaria também o principal.33 -83. mais que depressa. você entende que mais justo é que sejam pagos. Ainda.33.33 -83.00 -83. obviamente. toda a dívida esteja paga. Assim. não seria justo que pagasse o mesmo valor de juros todo mês sobre o montante total. Ou seja. Seu amigo. de forma que. parte do empréstimo. Afinal.33 -83. a cada mês e durante doze meses.33 que representariam os R$ 1. constrangido. uma vez por mês.33 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% -0. que equivaleriam a 1% ao mês sobre o valor emprestado. Seu vizinho coça a cabeça e. toma papel e caneta e faz a seguinte conta: Hoje. Assim. no final os juros sobre elas. você sugere a seu amigo dividir o valor total em doze vezes. contudo.17 -5. ele sugere as 12 parcelas do principal.120.000. R$ 83. que tais economias estivessem devidamente aplicadas num Fundo de Investimentos ou Caderneta de Poupança que geram rendimentos.33 -83.como você e seu vizinho . lhe informa que tal forma não seria correta. mas também parcelas do principal emprestado. mais 12 parcelas de R$ 10. que representam exatamente 1% do valor do empréstimo e. isto é R$ 1. é lógico acreditar. porém. todas as dividas e obrigações assumidas pelo brasileiro médio .120.000. no caso.00.são contratadas para serem saldadas em prestações mensais. Então. daqui um ano. como se a todo mês ele “renovasse” o empréstimo. inclusive. diz que em princípio isso seria bom. sua contraproposta é de que seu vizinho faça amortizações mensais desse empréstimo.67 -2. o que implicaria em pagamentos mensais de R$ 93. Isso equivaleria aos mesmos R$ 1.83 -1. no mínimo. daqui um ano.00 (dez reais). pagos de uma forma mais razoável.33 -4.00.83 330 . Apesar de seu inegável senso de justiça. O negócio está evoluindo bem e seu amigo concorda com a estipulação de pagamentos mensais. ao final.50 -3. pois afinal ele precisa do dinheiro. a cada mês. no último vencimento. o que seu vizinho aceita meio a contragosto. 12 parcelas de 83. pagaria R$ 10. você me empresta Devolvo daqui 1 mês Devolvo daqui 2 meses Devolvo daqui 3 meses Devolvo daqui 4 meses Devolvo daqui 5 meses Devolvo daqui 6 meses Devolvo daqui 7 meses 1. ele lhe propõe que. entretanto.33 a cada mês e.

-93.. Seu vizinho interrompe seu cálculo e diz que os valores mensais de juros que você está calculando são iguais aos que ele havia calculado. considerando que devam ser pagos. seguindo tal raciocínio. acha que não ficou bom.33 916. você começa a refazer a conta.33 Saldo 750.000. Portanto. parte do empréstimo daqui 2 meses -83.33 1º Pagto. Pagto.33 -83.17 Pagto. parte do empréstimo daqui 1 mês Saldo Juros de 1% 1. mesmo assim.50 -8. os valores das parcelas que você estaria calculando seriam: RSTJ.33 todo mês estava errada.33 Pagto. tanto os juros como parte do empréstimo.33 -83.01 Juros de 1% .34 Juros de 1% 8. (228): 265-342.66 3º Pagto. dos juros daqui 2 meses -9.00 Total da devolução daqui a 1 ano -1. parte do empréstimo daqui 3 meses -83.00 -65.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO Devolvo daqui 8 meses Devolvo daqui 9 meses Devolvo daqui 10 meses Devolvo daqui 11 meses Devolvo daqui 12 meses Pago os juros daqui 12 meses? -83.00 10. dos juros daqui a 3 meses -8.33 -83. porque vocês já haviam concordado que ele iria pagar. todo mês. todos os meses.000.. 24.67 -7. -91. a.00 Você olha bem para o cálculo de seu vizinho e.33 Pagto.33 -83. juros e parcelas do valor do empréstimo: Empréstimo hoje Juros de 1% Pagto.00 -83. só que “de trás para frente”. O único problema seria que sua conta de R$ 93.50 2º Pagto.33 8% 9% 10% 11% 12% -6.67 9. outubro/dezembro 2012 331 .17 -10.17 -92.33 -9.33 Saldo 833. dos juros daqui 1 mês Pagto.00 -10. Então.

17 -3.000. você e seu amigo começam a confabular para encontrar uma solução que seja adequada. Nesse ponto. você receberia todos os meses os juros e parcelas proporcionais do empréstimo e seu vizinho desembolsaria.66 -90.00 -4.065.00 -9.50 -91.17 -1. ao final.67 -85.00 -10.120. No verso daquele papel relacionam as contas que fizeram até então: Todo o empréstimo daqui um ano + Juros sobre tudo daqui um ano Total 1.000.33 -83. os mesmos R$ 65.00 -89.01 -84.33 -1.17 -8.33 -83.00 -93.00 Então os amigos parecem ter chegado a um consenso.16 -88. pois desta forma.67 -0.33 -83.50 -6.67 -5.33 -83.33 -92.000.50 -1. Contudo.33 -83.00 120.84 -85.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Hoje.00 1. apesar da concordância.000.00 Todo o empréstimo daqui um ano 332 1. você me empresta Devolvo daqui 1 mês Devolvo daqui 2 meses Devolvo daqui 3 meses Devolvo daqui 4 meses Devolvo daqui 5 meses Devolvo daqui 6 meses Devolvo daqui 7 meses Devolvo daqui 8 meses Devolvo daqui 9 meses Devolvo daqui 10 meses Devolvo daqui 11 meses Devolvo daqui 12 meses Total da devolução daqui a 1 ano 1. ambos entendem que melhor seria se todas as parcelas tivessem o mesmo valor todos os meses.00 -83.83 -65.50 -86.33 -87.00 .33 -7.33 -83.33 -83.33 -83.33 -83.33 -83.33 -83.33 -2.83 -5. para facilitar o controle dos pagamentos e recebimentos.83 -90.00 de juros calculados por ele próprio.

não seria muito mais do que o R$ 83.088849 R$ 88.000. 12 0. você localiza uma tal de “Tabela Price” onde identifica: (.00 Total 120. afinal.00 Tudo em 12 (93.120.00 65.00 x 0.a. RSTJ. não chegam a um valor que seja idêntico todos os meses e que satisfaça o interesse de ambos.33 + Juros sobre tudo daqui um ano Total 1.000.00 1. Seu vizinho.00 12% a.92.00 Tudo dividido em 12 x R$ 93. Lá.00 Você e seu vizinho já estão quase fechando o negócio.065.120.85 1. .00 O empréstimo em 12 x R$ 83.20 Você não fica muito convencido e questiona seu amigo porque o resultado...50.) parcelas de valores diferentes 1.33 por mês que. outubro/dezembro 2012 333 .000.. inclusive com os juros. seu amigo faz o novo cálculo: Valor do empréstimo Taxa de juros Número de prestações Fator da TP Valor da prestação: R$1.33. (228): 265-342.) Diante disso.33 (esse está errado) 1. vai buscar em casa um velho livro de matemática financeira que ele utilizou no “colegial” e que possui várias tabelas no apêndice.. entretanto. 24.066.088849 Tudo dividido em 12 x R$ 88. porém.065.00 1.85 = = = = = = R$1. a.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO + 12 parcelas de juros de R$ 10.

para aferir-se o resultado. também não chegaria aos R$ 1. Obviamente. que lhe pediu um favor.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA haviam totalizado R$ 1. dias depois.00 daquela conta que você mesmo havia reconhecido que estava errada. concordou com todas as condições no momento de tomar o empréstimo e. o negócio foi fechado nessa forma: você entregou os R$ 1. foram inseridas as informações dos empréstimos combinado. ficou espantado com a reação de seu amigo.em italiano “Calculadora de prestamo” .065.00 no outro cálculo anterior. em si. Assim. ao final de tal busca. porque ele leu em algum lugar que a Tabela Price seria ilegal e que você estaria abusando da situação de necessidade em que ele se encontrava. uma amizade de longo tempo vale mais que R$ 1. reduz o valor das parcelas e dos juros pagos. o que é certo é certo! Perguntou você a seu amigo qual a alternativa que ele encontrava para o pagamento da dívida. foram ambos a frente do computador e lá. E você. após ter pego o dinheiro e utilizado para o que necessitava.em francês “Calcolo rata di mutuo” . Assim. Por certo. é perfeitamente possível ajustar amortizações parciais ou liquidação antecipada de mútuos o que.000. Entretanto. diz que o cálculo com o qual vocês concordaram também alcançava a cifra total de R$ 1. depois.85 por mês.120. assim como no Brasil. porque se situaram num nível intermediário e aparentemente razoável. descobriram os seguintes termos em outros idiomas para fazer uma busca: “Loan payment calculator” . Ele.00.em inglês “Calcul dámortissement financier” . foi que: .065. que sempre agiu dentro da maior honestidade. 334 . após pesquisarem alguns dicionários virtuais. Ele. Diante disso .os valores das prestações e do total de pagamentos foram aceitos como corretos por ambos. entretanto. tanto nos Estados Unidos da América como na Europa.000. Assim.00 a seu amigo e ele se comprometeu a pagar 12 prestações mensais de R$ 88. O que se descobriu. cheio de brios.00 e dessa forma. sugeriu que fossem buscadas na “Internet” fórmulas de cálculo dentro de parâmetros americanos ou europeus.em espanhol.em outros países. A tela multicolorida do computador começou a retornar páginas que continham calculadoras virtuais de financiamentos e empréstimos. invocou parâmetros mais justos como são utilizados por povos mais adiantados do que o brasileiro. e “Anleihe kalkulation” .e pondo um ponto final nas tratativas .em alemão. veio alegando que não iria pagar o combinado porque teria sido enganado.85. Entretanto. seu amigo retornou até sua casa e lhe disse que não iria mais pagar os R$ 88.

71 331.24 331.313.967.89 6.89 3.89 5.30 331.16000% e taxa anual efetiva de 45.89 6.02 115.quando o interesse do mutuário é pagar prestações de valor igual durante todo o período de empréstimo.75 331.25 205.60 152.00 mais R$ 96.89 5.89 6.55 167.81 RSTJ.22 134.38 201. O pagamento foi acordado em 36 prestações fixas e iguais (fato incontroverso afirmado na inicial e na contestação).367.64 208.29 331.205.21 153. em situação de adimplemento contratual: Data Num. ficando quitada a dívida com o pagamento da última prestação. O esquema abaixo simula a evolução das prestações.89 4.40 201. texto extraído do Jus Navegandi) No caso concreto em exame no REsp n.14 123.89 331. com taxa mensal de 3.968.242.13 331. possibilitar o pagamento de prestações iguais de amortização e juros. cuja característica é.48 331.89 5. precisamente.25 126.75 148.89 122.02 do IOF).89 4. (“Da inocorrência do anatocismo na Tabela Price: uma análise técnico-jurídica”.as taxas de juros praticadas em economias mais sólidas que a do Brasil são inferiores do que as que aqui se praticam.77 331.52 214. 973.28 331. outubro/dezembro 2012 335 .81 331.69 331.25 193.64 331.89 5.916.525.621. (228): 265-342.856. o valor do financiamento foi de R$ 7.107.89 4.65 213. estabelecidas no contrato no valor de R$ 331.31 136. Prestação 21-jul-03 21-ago-03 1 21-set-03 2 21-out-03 3 21-nov-03 4 21-dez-03 5 21-jan-04 6 21-fev-04 7 21-mar-04 8 21-abr-04 9 21-mai-04 10 21-jun-04 11 21-jul-04 12 21-ago-04 13 21-set-04 14 21-out-04 15 21-nov-04 16 21-dez-04 17 21-jan-05 18 21-fev-05 19 21-mar-05 20 21-abr-05 21 21-mai-05 22 21-jun-05 23 Juros 223. o resultado da conta é absolutamente igual ao do cálculo feito com base na Tabela Price.372. 24.69 143.038.88 331.27 331. mês a mês. a.14 331.32 183.73 111.740.076.503.70 331.827-RS.64 331.46 178.57 331.677.02 (R$ 6.89 5.73 130.38 197.89 4.708.15 172. e . sem nenhuma amortização parcial.980.89 3.97 195.89 6.58 138.40 331.19 Amortização Prestação Saldo Devedor 7.77 117.83.02 108.60 220.59 169.55 189.82 162.08 179.89 6.12 142.62 164.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO .687.89 5.89 5.076.89 3.00 188.825.12 157.89 6.41 147.41 174.58 331.01 209.89 6.493.18 216.51 331.78 118.52 331.499.865.89 6.118.32 130.61 184. o que indica que o método de amortização adotado foi a Tabela Price.25664% expressamente consignadas no contrato (conforme consta do acórdão recorrido).50 159.89 4.

06 302. R$ 108. se o credor fizer incidir novos juros remuneratórios sobre o valor dos juros vencidos e não pagos (embutidos estes nas prestações não pagas no vencimento). então.967.228.89 3.808. foi quitada integralmente a dívida. em contratos de longa duração. como é o caso dos contratos de financiamento habitacional celebrados no âmbito do sistema financeiro da habitação.02 10. ao longo do contrato.57 20.29 foi amortizada na dívida.13 64. O anatocismo é.73.977/2009. Por exemplo: ao final do primeiro mês.71.38 284. não havendo incorporação de juros ao capital.73 0. 336 .84 29.73 331. é frequente a situação em que o valor da prestação mensal deixa.89 331. resultando em saldo devedor de R$ 6.13 2.89 331.81 38.33 3.89 331. A capitalização de juros somente ocorrerá.17 221.84 258.272.16% a.37 1.89).18. o valor da quota de juros foi decrescendo e o da amortização aumentando.314. Diversamente. na 36ª prestação (R$ 10.17 de juros e R$ 321.87 321. a qual somente passou a ser admitida.89 331.95 56. sucessivamente.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 21-jul-05 21-ago-05 21-set-05 21-out-05 21-nov-05 21-dez-05 21-jan-06 21-fev-06 21-mar-06 21-abr-06 21-mai-06 21-jun-06 21-jul-06 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 110.02 x 3.89 331.32 311.89 331.60.49 228. no SFH.77 266. até que.89 331.49 235. do esquema acima.89.055.513.91 633.40 103.m.98 2.m no valor de R$ 220. que os juros sempre incidem sobre o saldo devedor do mês anterior. com a entrada em vigor da Lei n.788.84 2. em que as prestações são contratualmente sujeitas a índice de correção diferente do índice adotado para a correção monetária do saldo devedor. todavia. perfazendo a prestação fixa de R$ 331.19 88. Ao final do 2º mês.43 1.51 47.043. temos juros de R$ 223.71 243. a diferença.60 321.08 293. 11.05 1.73 de amortização. sobre o capital (saldo devedor do mês anterior). sendo amortizado o valor de R$ 111.89 331.89 331. em face do inadimplemento do devedor. incidiram juros de 3.74 81. consequência não da fórmula matemática da Tabela Price.05 73.94 275. a capitalização vedada pela Lei de Usura.14 2. assim. Acontecerá.00 Verifica-se.89 331.564. no caso concreto em exame. R$ 6.73. Como a prestação foi de R$ 331.16 250.16% a.89 331.967.076.89 331. de ser suficiente para o pagamento dos juros do período.97 935. Novamente os juros incidiram apenas sobre o capital e.41 96. sobre o valor inicial de R$ 7.

n. Neste ponto. respectivamente). entre outros. Chile. (. 24. registro que trabalhos de autoria do já citado Teotonio Costa Rezende dão conta da ampla utilização da Tabela Price nos sistemas jurídicos de diversos países (Estados Unidos. Em ambos. Argentina. no curso da evolução do contrato. onde o Poder Judiciário proibiu a capitalização de juros em qualquer período. a. Neste caso. porém adotou a Tabela Price (com o nome de Sistema de Amortización Gradual ou Sistema de Cuota Constante) como sistema-padrão exatamente por considerar que tal sistema de amortização não contempla capitalização de juros (“Sistemas de amortização e retorno do capital” e “Lei de Usura. é a contagem dos juros vencidos em conta separada. mas com grande diferença de ser estritamente legal (SCAVONE-JÚNIOR. pub.113-RS. Portugal. mas do descompasso entre os índices de correção das prestações (salário do mutuário) e do saldo devedor (TR). lembro o esforço de Roberto Arruda de Souza Lima e Adolfo Mamoru Nishiyama. a solução que vem sendo preconizada pela jurisprudência. resulte em: . cuja legalidade no sistema jurídico pátrio é questionada: Não se trata de buscar redução nas taxas de juros. DJe 22. publicados na Revista do Sistema Financeiro Imobiliário. 1999). nov.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO utilizada para o cálculo da prestação inicial do contrato. em substituição à Tabela Price. Por fim..9. após ressaltar o amplo emprego do Sistema Francês de Amortização no Brasil. quando se trata de crédito imobiliário. o resultado financeiro é o mesmo. Uruguai. 1ª Turma. quanto no comércio (vendas parceladas). (228): 265-342. juros (i) e o número de prestações (n). 2010 e abr.Prestações (PMT) iguais (de valores constantes). Rel. dado o valor de principal (P). sobre a qual incide apenas a correção monetária (cf. 954. ao justificar a procura por um sistema de amortização não concebido mediante o uso de juros compostos. França. tanto por instituições financeiras (empréstimos e financiamentos).. pois os juros são determinados pelo mercado. Uma metodologia com juros simples implicaria ou na alteração das taxas pactuadas (para ficarem equivalentes às taxas compostas) ou no processo de embutir juros ao preço. Canadá. Tabela Price e capitalização de juros”. com destaque para o caso da Colômbia. Ministra Denise Arruda. México. AgRg no REsp n. RSTJ. 32 e 33. Espanha. 2011. outubro/dezembro 2012 337 .) Não é uma tarefa fácil obter uma fórmula que.2008). Colômbia). inclusive do STJ.

sabemos. que sempre tratamos como se fosse o mesmo que juros compostos? Capitalização é: “Em face da ausência de pagamento. E o que é capitalização. nesse caso. fazendo-se o comparativo entre taxa mensal e taxa anual. favorável aos direitos do consumidor. 338 . no mercado brasileiro e mundial. citada.. examinando o contrato. técnico.a soma do valor presente. sendo a mais evidente a impossibilidade de prever todas as possíveis combinações de taxas de juros e número de prestações. Ministro Raul Araújo: Sr. seja igual ao principal (P). há séculos. 152). o que esse voto denso. Ministra Isabel Gallotti traz de fundamental é que nos convida a encerrarmos o erro definitivo que cometemos. método amplamente adotado. proscrever a Tabela Price. E. conforme reconhecido pelos esforçados autores que a conceberam. (ob. insatisfatória. propõe uma fórmula acoplada a uma tabela. o Tribunal também entendeu que não há dificuldade alguma em.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA . que é um erro conceitual. 141-152). p.25664% a. sobre aqueles juros já computados em razão da pactuação dos juros compostos. porque diz: “O exame do contrato mostra que foram pactuados juros de 3. calculado pelo método dos juros simples. de todas as prestações (PMT). citada. a incidência de novos juros.” Quer dizer.a. noto que o próprio Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Presidente. ressalvando: A utilização da tabela possui limitações. p. o que demonstra a prática de cobrança de juros sobre juros mensalmente. o que é. no caso. Os juros compostos estão previstos em todos os contratos bancários. ao princípio da transparência e à segurança jurídica. substituindo-a por fórmula desconhecida. científico da Sra. apenas juros compostos. ou utilizar uma aproximação do valor correto da prestação. de denominar de capitalização o que não é. após elaborar cálculos complexos. na verdade.16% a. juros novos. Agora. considerou suficiente a menção às taxas.” Isso é que é capitalização. constatar-se a existência de juros compostos. a solução é realizar o cálculo para o caso específico. E. Não me parece. e de 45. data maxima vênia.m. VOTO-VOGAL O Sr. em nome de interpretação meramente literal e assistemática da Lei de Usura. (ob.

utilizado para calcular a equivalência de taxas de RSTJ. pela MP n. com a devida vênia do eminente Relator. Ministro Luis Felipe Salomão. relativa à capitalização mensal de juros nos contratos bancários e sua pactuação expressa. Presidente. 2. estou aderindo à proposta da Sra. desde que pactuada.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO cientificamente. Estou aderindo ao brilhante. RATIFICAÇÃO DE VOTO O Sr. Ministro Luis Felipe Salomão: 1. Sr. 2. judicioso e científico voto da eminente Ministra Isabel Gallotti. data vênia. penso. Ministro Luis Felipe Salomão. No tocante à forma de convenção. VOTO O Sr. a eminente Ministra Isabel Gallotti. amparada em doutrina fundamental. para mim. a. A eminente Ministra Isabel Gallotti inaugurou a divergência acerca da matéria trazida ao exame da Segunda Seção. um conceito primoroso que nos traz. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino: Sr. acompanho o voto do Sr. Presidente. Ministro Antonio Carlos Ferreira: Sr. 543-C do Código de Processo Civil. Ministra Isabel Gallotti. Presidente. Ministra Isabel Gallotti. Ministro Marco Buzzi: Acompanho a Sra. Relator. VOTO O Sr. ínsito no art. a previsão expressa no contrato de taxa de juros efetiva superior à nominal (sistema de juros compostos. sob o regime dos recursos repetitivos. com a devida vênia do Sr. outubro/dezembro 2012 339 . 24. a ilustre colega consignou: Em divergência parcial. (228): 265-342. VOTO O Sr. é suficiente. Ministro Luis Felipe Salomão. que não configura a capitalização vedada pela Lei de Usura e permitida.17001. Ministra Isabel Gallotti. com a vênia da Sra.

O intervalo da capitalização deverá ser expressamente definido pelas partes do contrato (fl. vulnerável não apenas economicamente. acerca da absoluta necessidade de que o contrato bancário seja transparente. Contudo. etc. Sobretudo. notadamente em casos como o presente de juros prefixados e prestações idênticas. 1. São eles: Neste ponto.. todavia. 340 . 4-5). do voto do relator “a pactuação mensal dos juros deve vir estabelecida de forma expressa. [. alínea b. prevaleça o entendimento de que a mera previsão contratual de taxa de juros efetiva superior à nominal implica a capitalização a que se refere a legislação. Caso. A taxa de juros deve estar claramente definida no contrato. vale dizer. salienta em outro excerto: Pode o contrato informar a taxa anual nominal. e esta é superior ao duodécuplo daquela). contínua. Em contrapartida. é necessário que o contrato seja transparente e claro o suficiente a ponto de cumprir o dever de informação previsto no Código de Defesa do Consumidor”. entenda. 5º da Medida Provisória n.963-17/00 tornou admissível nas operações realizadas pelas instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional “a pactuação de capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano”. mas sobretudo sem experiência e conhecimento econômico.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA juro no tempo). financeiro. diária.] O meu pedido de vista foi a tese assim sintetizada no item 3. redigido de forma que o consumidor. 4). mensal. Rizzato Nunes e Paulo de Tarso Sanseverino. o valor e a extensão das obrigações assumidas. leigo. assinalo que o art. adiro ao entendimento do Ministro Raul Araújo no sentido da validade da estipulação. perfeitamente compreensível ao consumidor. não deve pairar dúvida alguma acerca do valor da dívida. claro. quando constam do contrato as taxas mensal e anual de juros. 13). em sentido oposto a essa última assertiva. no contrato bancário poderá ser pactuada a capitalização semestral. 22). A pactuação de capitalização de juros deve ser expressa. A periodicidade da capitalização também. o conteúdo. dos prazos para pagamento e dos encargos respectivos (fls. portanto. amparado na doutrina de Cláudia Lima Marques.. contábil. sem esforço ou dificuldade alguma. invariáveis (fl. alguns trechos do voto divergem do ponto em que acompanha o entendimento do Ministro Raul (que considera presente a expressa pactuação de capitalização mensal. ou optar por consignar a taxa efetiva anual e a taxa mensal nominal a ela correspondente (fl. trimestral. Não tenho dúvida alguma em aderir às premissas tão bem expostas pelo relator. esclarecendo que ela (a taxa) será capitalizada mensalmente.6.

no que se refere à pactuação expressa da capitalização mensal. a consequência para o devedor não seria a mera validação da taxa de juros efetiva expressa no contrato e embutida nas prestações fixas. O acórdão então elaborado recebeu a seguinte ementa: RSTJ. de modo a possibilitar ao consumidor pleno conhecimento das obrigações assumidas. 1. o entendimento de que a especificação.302. não configura estipulação expressa de capitalização mensal. no contrato bancário. por exemplo. se constasse do contrato em exame . permitida nos contratos bancários firmados após 31. sobre o valor total dela (no qual estão incluídos os juros remuneratórios contratados) incidiriam novos juros remuneratórios a cada mês. expressa e clara previsão contratual (fl.Jurisprudência da SEGUNDA SEÇÃO Mais adiante. ou seja.738-SC. 24. com a mais respeitável vênia. por si só. A respeito do assunto. pois em seu bojo apresenta dissonâncias. que. não me parece coeso. 20).CDC) devem ser claras e transparentes.3. sendo esta superior ao duodécuplo daquela. outubro/dezembro 2012 341 . da taxa mensal de juros e da taxa anual de juros. por unanimidade. ainda. haveria precisamente a incidência de juros sobre juros vencidos e não pagos incorporados ao capital (capitalização ou anatocismo). pondera: Por outro lado. parte vulnerável na relação jurídica. representar pactuação expressa de capitalização mensal de juros. pois há ausência da clareza e transparência indispensáveis à compreensão do consumidor hipossuficiente.2000. 3. Há de se ressaltar. ou “fica pactuada a capitalização mensal de juros”. não configura informação capaz de. reitero o entendimento de que as cláusulas do contrato firmado entre as partes (regido pelo Código de Defesa do Consumidor . também cláusula estabelecendo “os juros vencidos e devidos serão capitalizados mensalmente”. 2. 4. a. o voto. em contraste com o posicionamento acima (e na trilha dos entendimentos destacados anteriormente a este último trecho transcrito). a mera existência de discriminação da taxa mensal e da taxa anual de juros. não paga determinada prestação.170-36. prática esta vedada pela Lei de Usura em intervalo inferior a um ano e atualmente permitida apenas em face de prévia. além do valor das prestações. Tal pactuação significaria que. As regras do mencionado codex servem de diretrizes para se aferir a presença ou não de pactuação expressa acerca da capitalização mensal. (228): 265-342. A meu sentir. em recente julgamento realizado pela Terceira Turma desta Corte. no REsp n. sufragou-se. da taxa mensal e da taxa anual efetiva. Portanto. como passou a ser admitido pela MP n.

Recurso especial não provido (Rel. Ante o exposto. 6. DJe de 10. Nancy Andrighi. precisa e ostensiva. Min. Capitalização de juros. Descaracterização da mora.2012.5. 342 .5. 1. descaracteriza-se a mora. julgado em 3. 5. Essas são as considerações que reputo importante relevar e que me levam a manter o voto já apresentado.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Civil. Bancário.2012 . Reconhecida a abusividade dos encargos exigidos no período de normalidade contratual.grifos nossos). Contratação expressa. A contratação expressa da capitalização de juros deve ser clara. em sua integralidade. Recurso especial. não podendo ser deduzida da mera divergência entre a taxa de juros anual e o duodécuplo da taxa de juros mensal. 2. ratifico o voto anteriormente proferido. Ação de revisão contratual. Necessidade de previsão. 3.

Terceira Turma .

.

ocorrida em 13.021. excepcionado o direito de disporem de modo diverso em contrato escrito. 5º da Lei n. Às uniões estáveis dissolvidas após a data de publicação da Lei n. A meação constitui-se em consectário do pedido de dissolução da união estável.166-PE (2004/0182461-8) Relator: Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva Recorrente: M dos P de O Advogados: Maria dos Prazeres de Oliveira e outro Leonardo da Silva Patzlaff Veronica Maria Almeida dos Santos e outro(s) Recorrido: E M V N Advogado: Maria das Graças Miranda de Oliveira .5. 9.Defensora Pública e outros EMENTA Recurso especial.278/1996. 1. individualmente ou em nome do casal. 4. . Acórdão mantido.278/1996. partilha de bens. União estável.RECURSO ESPECIAL N. 3. Processual Civil e Civil. 2. 9. 1. Reconhecimento e dissolução. Não caracterizadas as exceções à meação previstas no § 1º do art. 5º da Lei n. a partir da vigência da Lei n. ainda que exclusivamente em seu nome. a título oneroso durante a vigência da união estável. 9. não logrou a demandante demonstrar qualquer uma das hipóteses do § 1º do art. 9.278/1996 para fins de afastar a presunção de condomínio sobre o patrimônio adquirido.1996.278/1996. 9. Vigência da Lei n. dispensada a prova de que a sua aquisição decorreu do esforço comum dos companheiros. aplicam-se as suas disposições. pertencem a ambos.278/1996. Consectário do pedido de dissolução. ou se a aquisição ocorrer com o produto de bens adquiridos em período anterior ao início da união (§ 1º). Os bens adquiridos a título oneroso na constância da união estável. não estando o julgador adstrito ao pedido de partilha dos bens discriminados na inicial da demanda. embora decretada a revelia. Na hipótese dos autos.

Ademais. que mantiveram união estável no período de 24. Ministro(a) Relator(a).REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 5. contestar a presente ação em todos os seus termos.1986 a 24. 126 (autos em apenso). Ausente. decide a Terceira Turma. Ministros Massami Uyeda. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva: Trata-se. Sidnei Beneti e Paulo de Tarso Sanseverino votaram com o Sr.1997. como previa o regime anterior.) b) que ordene a citação de E. querendo. conhecer em parte do recurso especial e nesta parte negar-lhe provimento. que teriam sido adquiridos na constância da união estável.N.. 9. é certo que a Lei n. Recurso parcialmente conhecido e não provido. a prova de que a aquisição dos bens decorreu do esforço comum de ambos companheiros para fins de partilha. de O.. 346 .V. ser a presente ação julgada favoravelmente à autora e declarada dissolvida a sociedade de fato que mantinha com ele e partilhado os bens adquiridos em nome de ambos. sob pena de revel. por unanimidade.10.2012 RELATÓRIO O Sr. finalmente.) (alteração no texto original para preservar o segredo de justiça). originariamente.1997 por M. Ministro Relator. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos. justificadamente. contra E. dos P.. (. a Sra. Brasília (DF). Os Srs. de ação de dissolução de sociedade de fato ajuizada em 15. Ministra Nancy Andrighi..N.3. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.12. devendo.M.7. para. 6. 2 de outubro de 2012 (data do julgamento). somente em sede de alegações finais alegou cerceamento de defesa e pugnou pelo reconhecimento do direito da meação de todos os bens elencados à fl.V. na qual foi formulado o seguinte pedido (fl.278/1996 não exige.autos em apenso). 12v .. O demandado não apresentou contestação tendo sido decretada sua revelia (fl. em que são partes as acima indicadas. 73): (. nos termos do voto do(a) Sr(a). M. Relator DJe 8.

Por sua vez.1996. Afora isto. 24. a partilha de bens tem que atender ao determinado em lei. de 10. em virtude da ausência de litígio quanto à dissolução da união. está consignado às fls.278. E. de 10. ou seja. decretando o fim da união estável” (fl. em condomínio e em partes iguais. verso) entre os litigantes. dos P. os declaratórios opostos pela demandante foram rejeitados. do ano de 1986 a 1997” (fls. o pedido contido na inicial.. também em omissão quanto aos direitos adquiridos pela autora.1996 no seu artigo 5º estabelece: Os bens móveis e imóveis adquiridos por um ou por ambos os conviventes. e partilhou os bens dos conviventes seguindo o estabelecido no art. Ambos os litigantes queriam a dissolução. a. Na sentença. procedendo-se à partilha dos bens adquiridos por um deles ou por ambos durante o período da convivência.N. em parte. declarar que “não cabe condenação em honorários advocatícios na sentença prolatada às fls. mesmo o suplicado sendo revel. no caso em tela.5. 9. salvo estipulação contrária em contrato escrito. 149-152 .278. na constância da união estável e a título oneroso. de O e o Sr. outubro/dezembro 2012 347 . Logo..5. a Lei n. m se furtar a citar tal feito. sob os seguintes argumentos: (. 9. foi confirmada pelo próprio.. RSTJ. consoante o seguinte dispositivo : “Diante do acima dito. não se pode dizer que houve omissão por parte desse juízo. o juízo de primeiro grau julgou parcialmente procedente os pedidos. 91-92. Ora. não existe previsão legal de atribuição de culpa. Foram opostos embargos de declaração pelo demandado. Em sentença de fls. 5º.V. A sentença prolatada teve por base legal a lei citada acima. 9. M..) No caso concreto. com base na Lei n. julgo procedente. 92. não houve litígio em relação a dissolução da entidade familiar. em que pese a revelia do réu. são consideradas fruto do trabalho e da colaboração comum.556 dos presentes autos”.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA O Ministério Público Estadual opinou pela decretação da “dissolução da união estável entre a Srª. Não há que se falar.278/1996. quando da tomada do seu depoimento em audiência. passando a ambos. (228): 343-460.M.autos em apenso). Porém na união estável. anteriores à Lei n. 155: “A prática de infidelidade por parte do suplicado. os quais foram acolhidos para. 154-1.

já é superada. de 10. E foi isto que foi feito. Apelação. aponta a recorrente. à unanimidade. II. Unanimemente. na constância da união são considerados fruto do trabalho e da colaboração comum. Mesmo o réu sendo revel.Ação de dissolução de sociedade de fato. do Código de Processo Civil.278/1996 não impõe a necessidade de comprovação da contribuição dos conviventes na formação do patrimônio. 320. 9.1996 já regulamentava a matéria.5. Diante do exposto. Procedência. a própria autora admitiu o desempenho de atividade produtiva pelo réu.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA A dissolução da entidade familiar foi trazida a juízo através de uma ação quando a Lei n. 5º da Lei n.. O juízo tinha por obrigação legal adotar a legislação acima.) O art. ao confirmar sentença que ignorou os efeitos da revelia e extrapolou os limites do pedido. 5º da Lei n.5. Além do mais. 9. em parte. entendo ter agido corretamente. 348 .278. muito ao contrário.1996. quando adotei para a partilha dos bens o estabelecido no art.278. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. negou -se provimento ao apelo. o Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco negou provimento ao recurso. do pedido. 149-152” (. 9. 319. para dirimir os possíveis conflitos. Não há que se falar em contradição existente na sentença por ter o juízo partilhado meio a meio os bens adquiridos na vigência da união estável. estabelece que todos os bens móveis e imóveis adquiridos por um ou por ambos. devendo ser partilhados os bens pelos companheiros. a violação dos seguintes dispositivos legais: a) arts. a preliminar atinente à decisão ultra petita. preponderando o entendimento de que não é necessário que a contribuição de uma das partes tenha sido financeira. além de dissídio jurisprudencial. Rejeitada. Nas razões do recurso especial. de 10. 9. Separação ocorrida após a vigência da Lei n. julgo improcedente os presentes embargos de declaração.278/1996. Inclusive na sentença está dito “Como muito bem disse a Douta Promotora de Justiça em seu parecer às fls. Sentença que merece subsistir.. Interposta apelação pela demandante. quando falava em esforço comum para efeito de partilha. 380 STF. nos termos da seguinte ementa: Direito Civil e Processual Civil . e 460. A restrição antes trazida pela Súmula n.

porquanto vigente quando do fim da união estável ocorrido em 24. O agravo de instrumento interposto contra a decisão denegatória foi provido (fl.3. o que alega não ter sido atendido na hipótese dos autos ante a infidelidade do demandado.278/1996. sendo certo. da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. ainda. 9. 5º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. que o demandado não apresentou contestação. 62-65. 24. uma vez que não foram objeto da presente ação” (fl. haja vista que o reconhecimento da união estável pressupõe o atendimento dos requisitos previstos em referido dispositivo. foi no sentido de ver declarada dissolvida a sociedade e partilhado os bens adquiridos no nome de ambos. do CPC. opinou pelo não provimento do recurso. motivo pelo qual alega que a legislação aplicável é aquela vigente naquela época. que alberga o princípio da irretroatividade das leis. 9. Argumenta que se deve admitir prova em contrário quanto ao direito à partilha de bens adquiridos durante a constância da união estável sob pena de enriquecimento ilícito de uma das partes. 32). incisos I e II. Assim. outubro/dezembro 2012 349 . como não o fez. Aduz que “se o recorrido pretendesse a partilha dos demais bens de propriedade da recorrente deveria ter contestado. porque interpretou equivocadamente o art. 66-69).1997.278/1996. ao considerar aplicável a Lei n. incisos I e II. e e) art. O Ministério Público Federal. Afirma a recorrente que o ato jurídico cuja dissolução se buscou por meio da presente demanda. 5º da Lei n. nos termos assim sintetizados: RSTJ. se deu em 24. a.278/1996. afirma que as instância ordinárias não poderiam ter determinado a partilha de todos os bens adquiridos durante a constância da união. 2º. foi negado seguimento ao apelo extremo (fls. 333. só lhe restaria então entrar com ação própria com pedido específico de partilha dos bens que não foram colacionados.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA incorrendo em julgamento extra petita. em parecer de fls. 9. Contrarrazões apresentadas às fls.1986. ora recorrente. c) art. d) art. 182-187. porquanto o pleito formulado na inicial pela demandante. porquanto a demandante comprovou que dispunha de renda suficiente para adquirir os bens que constavam de sua propriedade não tendo o demandado refutado referidas provas. 162). § 2º.12. 6º. b) art. (228): 343-460. a constituição da sociedade de fato. determinando o Ministro Ari Pargendler sua conversão no presente recurso especial. da Lei n.

II. Procedência em parte.278/1996. I e II. 350 .1996. Ausência de cotejo analítico. VOTO O Sr. incisos I e II.12. e dissídio jurisprudencial. Plena aplicabilidade do disposto no art. 320. ao argumento de que seria inaplicável a Lei n. afirma a recorrente que legislação aplicável seria aquela vigente à época da constituição da sociedade de fato. 5º da referida norma.” No que se refere à suscitada ofensa ao art. não foi objeto de debate pelas instâncias ordinárias. Não conhecimento. sequer de modo implícito. impõe-se consignar que às uniões estáveis dissolvidas após a data de publicação da Lei n.278/1996.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Civil e Processual Civil.5. art. motivo pelo qual. apontados como violados no recurso especial. ausente o requisito do prequestionamento. Ação de dissolução de sociedade de fato. Partilha de todos os bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Impossibilidade de responsabilizar a recorrida pelos débitos da empresa. 319. 211-STJ: “Inadmissível recurso especial quanto à questão que. 9. incide o disposto na Súmula n. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva (Relator): Preliminarmente. § 2º. 9. 9.278/1996. Dissolução da sociedade de fato quando já em vigor a Lei n. ocorrida em 13. 380-STF. 333. verifica-se que a matéria versada nos art. consoante já assentado por esta Corte Superior: Recurso especial. Reconhecimento judicial.278/1996. Acórdão devidamente fundamentado e de acordo com a jurisprudência do STJ. a despeito da oposição de embargos declaratórios. Não ocorrência. 2º e 5º da Lei n. 460. Não incidência da Súmula n. 5º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro e aos incisos I e II do art. 9. Recurso especial por violação aos arts. 9. Foram requisitados os autos originais ao Tribunal de origem para exame mais acurado da controvérsia. que se deu em 24. Com efeito. não indicou a parte recorrente a contrariedade ao art. do CPC. União estável. 5º e 6º da LICC. Partilha de bens.278/1996. 535 do CPC. do CPC. 333. não foi apreciada pelo Tribunal a quo.278/1996. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido. É o relatório. 6º. 5º da Lei n.1986. aplicam-se as suas disposições. Término da relação após a edição da Lei n. e embora opostos embargos de declaração com a finalidade de sanar omissão porventura existente. Interposição pela alínea c.

Não há que se falar em ofensa ao artigo 535 do CPC. foram adquiridos por sub-rogação.290-RS.278/1996.278/1996. Inexistência. Recurso especial não conhecido. 986. 3. Quarta Turma. as ementas dos seguintes arestos: Civil e Processual.278/1996. Esbarra no óbice na Súmula n.278/1996. sabendo-se que ao órgão julgador é suficiente que apresente os fundamentos de sua convicção. No mesmo sentido.10. Incontroversa a união estável pelo período de 18 anos. Aplicação. faz jus à partilha dos bens. 7-STJ. Recurso especial parcialmente conhecido e.566-RO. é cabível a partilha dos bens adquiridos durante o convívio. interpretando-se a contrario sensu. Dissolução de sociedade de fato anterior à vigência da Lei n. 2. RSTJ. 24. 380 do STF. 5. Não se anula o julgado que aborda as questões objeto do especial apenas porque dissentiu do interesse da parte. impossível se afigura a apreciação dessa matéria em sede de recurso especial. Direito Civil. 380-STF e n. o exame de afronta ao § 1º do artigo 5º da Lei n. Rel. 535 . III. I. por não haver a comprovação que qualquer dos débitos tenha sido contraído em data anterior a 1999. 7-STJ ao delineamento fático estabelecido na instância ordinária. se o Tribunal recorrido examinou as questões pertinentes ao litígio. Aplicação da Súmula n. Precedentes. 9. Matéria de fato. não provido. (REsp n. adquiridos durante a vida em comum. 5º. Inaplicabilidade das disposições dessa lei. IV. Presunção do art. 7-STJ. alegada ao fundamento de que os bens havidos na constância da união estável. Violação ao art. Recurso desacolhido. Dissolução de sociedade de fato ocorrida antes da Lei n.9. nessa parte. 623. a. Necessidade de demonstração do esforço comum na aquisição do patrimônio disputado para ensejar a sua partilha.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA 1. II.2005. Rel.2005). outubro/dezembro 2012 351 .CPC.2011.2.278/1996. DJ 10. julgado em 22. Partilha de bens. Ministro Aldir Passarinho Junior. Quarta Turma. 4. DJe 28. 9.2011). Contribuição da mulher para a consolidação do patrimônio comum. Partilha de bens. nos termos da Súmula n. Ministro Luis Felipe Salomão.2. julgado em 20. Súmulas n. Afirmando o acórdão que inexiste responsabilidade solidária da convivente pelas dívidas da empresa. 9. 9. (REsp n. cujo término ocorreu antes da vigência da Lei n. cujo término se deu sob a vigência da Lei n. 9. (228): 343-460. Comprovação. época do término da união. Comprovada a participação direta e indireta da mulher na consolidação do patrimônio do casal enquanto perdurou a união estável.

a partir da vigência da Lei n. 9.2000). Os bens adquiridos a título oneroso enquanto perdurar a união estável individualmente ou em nome do casal. evidencia-se a incidência da Lei n. Na hipótese dos autos.3.278/1996 para fins de afastar a presunção de condomínio sobre o patrimônio adquirido. em condomínio e em partes iguais. pois aquelas situações jurídicas já se achavam consolidadas antes da vigência desse diploma normativo. 9.278/1996 dispõe que os “bens móveis e imóveis adquiridos por um ou por ambos os conviventes. No que se refere ao alegado julgamento extra petita. principalmente no concernente à presunção de se formar o patrimônio com o esforço comum. motivo pelo qual impõe-se rejeitar a suscitada afronta ao princípio da irretroatividade das leis. DJ 7. Quarta Turma.Não se aplicam às uniões livres dissolvidas antes de 13.098-DF. Rel.1997.278/1996. consignando as instâncias ordinárias. são considerados fruto do trabalho e da colaboração comum. Assim. ou se a aquisição ocorrer com o produto de bens adquiridos em período anterior ao início da união (§ 1º). mesmo que em contribuição indireta. julgado em 25. na constância da união estável e a título oneroso.5.278/1996. pertencem a ambos. passando a pertencer a ambos. Nesse sentido. excepcionado o direito de disporem de modo diverso em contrato escrito. não logrou a demandante demonstrar qualquer uma das hipóteses do § 1º do art. 9. 9.1999. ainda que exclusivamente em seu nome.8. (REsp n. 5º da Lei n.278/1996. o art. que a união foi dissolvida em 24. embora decretada a revelia. a título oneroso durante a vigência da união estável. a meação constitui-se consectário do pedido de dissolução da união estável. os precedentes: 352 . 5º da Lei n.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA I .1996 (data da publicação) as disposições contidas na Lei n. tem lugar a partilha dos bens. salvo estipulação contrária em contrato escrito”. motivo pelo qual o julgador não fica adstrito ao pedido de partilha dos bens elencados na inicial da demanda. 147. de modo incontroverso.A jurisprudência das Turmas que integram a Segunda Seção desta Corte é firme no sentido de que somente com a prova do esforço comum na formação do patrimônio disputado.3. II . 9. Na hipótese dos autos. Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira.

7-STJ. Os bens adquiridos pelos conviventes na constância da união estável e a título oneroso pertencem a ambos em condomínio e em partes iguais. o acórdão recorrido examinou. Rel. Família. julgado em 13. embora rejeitados os embargos de declaração. Terceira Turma.Não há ofensa ao art.297-MG.3. assim como aqueles que no lugar deles se sub-rogarem. STJ. 1. Recurso parcialmente provido. 3. como tal. que merecem interpretação restritiva. RSTJ. exceto se houver estipulação contrária em contrato escrito ou se a aquisição patrimonial ocorrer com o produto de bens anteriores à união. Quarta Turma. conforme dispõe o art. faz-se necessário reexaminar elementos fáticos. 535 do CPC se. Incomunicabilidade do valor. que consiste no apoio. 24. (REsp n. Ademais. Ausência de prequestionamento. como previa o regime anterior. motivadamente. 5º da Lei n. Regime de bens. 915. Ministra Nancy Andrighi. Recurso especial não-conhecido. para tanto. em sede de recurso especial.É inviável. 602.O regime patrimonial da união estável implica em se reconhecer condomínio com relação aos bens adquiridos por um ou por ambos os companheiros a título oneroso durante o relacionamento.9. a prova de que a aquisição dos bens decorreu do esforço comum de ambos companheiros para fins de partilha. . Esforço comum que se presume. . conforto moral e solidariedade para a formação de uma família. Prova testemunhal amizade com o filho da parte. União estável.278/1996.199-PB.2009. O recurso especial não é sede própria para rever questão referente à inversão do ônus da prova se. Incidência da Súmula n. 2. 7.278/1996 não exige. Direito Civil. DJe 14. União estável. todas as questões pertinentes.Deve-se reconhecer a contribuição indireta do companheiro. 9. Bem anterior.11. é certo que a Lei n. Ministro João Otávio de Noronha. outubro/dezembro 2012 353 . . Súmula n. ao auxílio imaterial. DJe 3. Partilha.2008. Se a participação de um dos companheiros se resume a isto. tal fato não pode ser ignorado pelo direito. . a.2009). Imóvel adquirido na constância do relacionamento. 9. . (REsp n.2009). 7-STJ. o reexame de matéria fática. Aplicação da Súmula n. julgado em 3. (228): 343-460. Rel.9.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA Processo Civil.A comunicabilidade de bens adquiridos na constância da união estável é regra e. Sub-rogação. deve prevalecer sobre as exceções.

DJe 28. Partilha de bens. Não há que se falar em ofensa ao artigo 535 do CPC. época do término da união. Se a participação de um dos companheiros se resume a isto. conforme dispõe o art. Recurso especial parcialmente conhecido e.É inviável. 9. como tal. Regime de bens. que merecem interpretação restritiva.278/1996. 4. o reexame de matéria fática. o exame de afronta ao § 1º do artigo 5º da Lei n. julgado em 22. 5º da Lei n. 354 . é cabível a partilha dos bens adquiridos durante o convívio. Esbarra no óbice na Súmula n.A comunicabilidade de bens adquiridos na constância da união estável é regra e. ao auxílio imaterial. Impossibilidade de responsabilizar a recorrida pelos débitos da empresa. Ministro Luis Felipe Salomão. Afirmando o acórdão que inexiste responsabilidade solidária da convivente pelas dívidas da empresa. conforto moral e solidariedade para a formação de uma família. impossível se afigura a apreciação dessa matéria em sede de recurso especial. 7-STJ. Rel. . por não haver a comprovação que qualquer dos débitos tenha sido contraído em data anterior a 1999.2. 9.2011. STJ. cujo término se deu sob a vigência da Lei n. . Esforço comum que se presume.O regime patrimonial da união estável implica em se reconhecer condomínio com relação aos bens adquiridos por um ou por ambos os companheiros a título oneroso durante o relacionamento. foram adquiridos por sub-rogação. o acórdão recorrido examinou. União estável. 9. .grifou-se).Deve-se reconhecer a contribuição indireta do companheiro. 9. 3. se o Tribunal recorrido examinou as questões pertinentes ao litígio. Término da relação após a edição da Lei n. . tal fato não pode ser ignorado pelo direito. Reconhecimento judicial. deve prevalecer sobre as exceções. 535 do CPC se. Quarta Turma. Família. embora rejeitados os embargos de declaração. . nessa parte. que consiste no apoio. 7.278/1996. 5. (REsp n. motivadamente. sabendo-se que ao órgão julgador é suficiente que apresente os fundamentos de sua convicção. em sede de recurso especial. Direito Civil.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA A propósito: Recurso especial.290-RS. Imóvel adquirido na constância do relacionamento.278/1996.2011 . Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido.278/1996. alegada ao fundamento de que os bens havidos na constância da união estável. 986. Incidência da Súmula n.Não há ofensa ao art. não provido. Incontroversa a união estável pelo período de 18 anos.2. 1. 2. União estável. todas as questões pertinentes.

a. julgado em 13.297-MG. (228): 343-460.11. o acórdão recorrido não comporta reparos porquanto. DJe 3. Cédula de produto rural. 9. Endosso. Ante o exposto.278/1996. Consectariamente. 5º da Lei n. (REsp n. Rel. outubro/dezembro 2012 355 . Afastamento. RECURSO ESPECIAL N. RSTJ. Títulos de crédito. Mera aplicação do direito considerado cabível à espécie. Ministra Nancy Andrighi. Terceira Turma. conheço parcialmente do recurso.803-MA (2009/0015349-2) Relator: Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva Recorrente: Cargill Agrícola S/A Advogados: Cristiane Romano e outro(s) Eduardo José Leal Moreira e outro(s) Leonardo Pimentel Bueno Recorrido: Devanir Bazoni e outro Advogados: Rogério Reis de Avelar Aldo de Mattos Sabino Junior e outro(s) Andre Barroso Lopes Moura Ferraz EMENTA Recurso especial. 535 do CPC. vai ao encontro do entendimento desta Corte Superior acerca do deferimento da partilha dos bens havidos por um ou por ambos companheiros na constância da união estável dissolvida na vigência de referido diploma. n. Quitação.2009 . 915. Não ocorrência. Violação do art.2008.3. 24. Direito Processual Civil. Entrega do produto à cooperativa endossante.119.grifou-se). É como voto.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA Recurso parcialmente provido. 1. mas nego-lhe provimento. consignando não estarem configuradas as exceções previstas no § 1º do art.

Art. Reexame em sede de recurso especial. 7-STJ). cuja base de cálculo equivale ao dobro do valor cobrado por dívida já paga. 283-STF. nessa parte. Revisão. Inviabilidade. em que são partes as acima indicadas. Indenização exorbitante. mostra-se inviável o recurso especial (Súmula n. 940 do CC. Súmula n. 356 . 5. Necessária correlação com o valor da dívida paga e com os danos presumidamente sofridos. o acórdão recorrido considerou válida a quitação dada pela cooperativa na cédula firmada pelos produtores-recorridos por dois fundamentos: nulidade do endosso e impossibilidade de a recorrente desconhecer a entrega. pelas peculiaridades do caso. 7-STJ. 940 do CC não pode resultar em condenação exorbitante. Conquanto represente pena e imponha indenização tarifada. 944 do CC. incide o óbice da Súmula n. Ministra Nancy Andrighi. Pena tarifada. Má-fé na cobrança judicial. Base de cálculo. 4. Reconhecimento pelo Tribunal de origem. por dizer respeito a espécie de responsabilidade civil. Se o recurso especial não ataca os dois fundamentos. sem nenhuma correlação com a dívida quitada e com os danos sofridos. 1. apenas não no sentido pretendido pela parte. Motivação suficiente. 3. deve sempre estar relacionado com a extensão do dano. Súmula n. Observância estrita. conforme a regra geral do art. após o voto-vista da Sra. 940 do CC. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos. decide Prosseguindo no julgamento. Recurso especial conhecido em parte e. Aplicação. a aplicação do art. 2.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Validade reconhecida no acórdão recorrido. 283-STF. ainda que presumido por lei. Se o acórdão recorrido efetivamente apresenta as razões pelas quais entendeu ter havido má-fé na cobrança. Recurso especial que não ataca todos os fundamentos. Art. Regra geral. Art. O valor indenizado. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o Tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão. Impossibilidade. Apesar de a cédula de produto rural haver sido endossada para a recorrente e de haver prova da efetiva entrega do produto. solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese. 944 do CC. provido.

2012 RELATÓRIO O Sr. por unanimidade. Comprovação de má-fé. do CPC. Repetição de indébito. 105.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA a Turma.A mercadoria dada em garantia de Cédula de Produto Rural deve ser entregue no local e prazo fixados no título. o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. alínea a. inciso III. 702. (228): 343-460. Honorários advocatícios. V . 20. Massami Uyeda. Os Srs. contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. da Constituição Federal. Dano moral. Ministro Relator. Relator DJe 13. cabendo ao magistrado. Ausente. determiná-los. atendidos: a) o grau de zelo do profissional. 20. 3 de maio de 2012 (data do julgamento). Precedente do STJ. dispõe que os honorários serão fixados entre o mínimo de 10% e o máximo de 20% sobre o valor da condenação. justificadamente nesta assentada.A existência de inscrições anteriores em cadastros de proteção ao crédito em nome do postulante dos danos morais não exclui a indenização.O § 3º. embora haja endosso do título entre a Cooperativa que a recebeu e deu a quitação e o Banco com o qual firmara contrato de depósito. outubro/dezembro 2012 357 . assim ementado (fl. Sidnei Beneti e Paulo de Tarso Sanseverino votaram com o Sr. circunstância dos autos. Possibilidade. Existência de endosso. Cédula de Produto Rural. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. o Sr.Recurso parcialmente provido. c) a natureza e importância da causa.9. dado o reconhecimento da existência de lesão. para que haja a repetição do indébito é necessária a demonstração de má-fé por parte do credor. 24. Art. Ocorrência. STJ. do CPC. Quitação pela empresa que endossou o título. Entrega da mercadoria conforme o disposto no título. de acordo com as circunstâncias da causa. Brasília (DF). II . RSTJ. e-STJ): Processual Civil. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva: Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no art. Ministros Nancy Andrighi. a. b) o lugar de prestação do serviço. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. dar parcial provimento ao recurso especial. § 3º. IV . Inscrições anteriores. III . I .Conforme precedentes do c. Inscrição do nome em órgão de proteção ao crédito. do art. Requisitos para fixação.

a primeira comprometeu-se a adquirir 25.500 kg (ou 26. Citados. Para lastrear mencionado adiantamento.236. Requereu a citação dos executados para que entregassem o produto em dez dias ou depositassem o bem em juízo se pretendessem embargar a execução.000 kg (ou 25 mil toneladas) de soja da safra 2002/2003.2003. novecentos e trinta e dois reais e dez centavos). Na petição inicial. uma vez não localizado o produto.020. 46 do Código de Processo Civil .CPR. e-STJ) arrolando no polo passivo. a serem disponibilizados pela cooperativa até 30. aos recorridos cabia a entrega à cooperativa de 1. e a Cooperativa Agropecuária Batavo do Nordeste Ltda. quinhentos e vinte e nove mil. e-STJ).A.932. a quem se adiantou o preço contratado. a fim de que lhe fosse entregue a soja faltante. a recorrente ajuizou execução embasada nos títulos (fls. trinta e uma Cédulas de Produto Rural . Pugnou. foram entregues pela cooperativa à recorrente. nas quais se incluia aquela firmada pelos recorridos.10 (quatro milhões.529.. quanto de cada uma havia sido entregue.000. Vencido o prazo. equivalente a 8. firmaram contrato de compra e venda de soja a granel. não recebendo o total contratado (25 mil toneladas). contudo. Pela avença.539.240 kg (ou 8. com apuração dos valores correspondentes ao produto sonegado. mencionou a quantidade de produto prevista em cada cédula. a cooperativa e os trinta e um produtores firmatários das CPRs endossadas. 88-91. na forma do art.2003 em seus armazéns (mediante contrato de depósito entre as partes). por endosso e aval. 62-77.10. para o caso da não entrega. De acordo com a referida cédula. como devedores solidários (art. Valorou a causa em R$ 4.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Na origem da controvérsia. cuja soma totalizava 26. sob o argumento de que os títulos que embasavam a ação careciam de liquidez porquanto não traziam no verso anotações acerca 358 .. Cargill Agrícola S. ora recorrente. Em 20.CPC). a recorrente entendeu por bem buscar judicialmente o pactuado.5. 627 do CPC.5. a preço fixo (fls. foi acolhida pelo Tribunal de Justiça em agravo de instrumento. apesar de rejeitada em primeiro grau. os executados apresentaram exceção de pré-executividade que. ora recorrida. pela expedição de mandado de busca e apreensão e. valor do produto faltante segundo o montante praticado no contrato. sem especificar. a conversão da execução em execução por quantia certa.26 mil toneladas).53 mil toneladas) de soja.000 kg (ou 1.02 mil toneladas) do produto até 30.2003.

que a recorrente agiu de má-fé ao acionar os recorridos solidariamente com outros produtores. 940 do CC.929/1994. como a cédula de produto rural . (b) art. Em grau de apelação (fls. a.CPC. qual seja. pois a Corte de origem não teria se manifestado a respeito da influência do art. mas executado obrigação de dar coisa incerta pela mercadoria não recebida. o pagamento. e-STJ). 940 do Código Civil .00 (oito mil reais).000. Com fundamento no art. (228): 343-460. e-STJ). a título de indenização. 8. o Tribunal deu provimento ao recurso. por três aspectos: (i) a recorrente não cobrou “dívida já paga”. 348-350. quinhentos e vinte e nove mil. 893 do CC. pois. Foi então que os recorridos ingressaram com a ação ordinária a que diz respeito o presente recurso. não havendo como presumir a satisfação da dívida. por isso. reconhecendo a quitação da dívida representada pela CPR. sendo impossível. Como reposição dos danos morais sofridos por conta de restrição cadastral.c.932. art.529.CPR havia sido endossada pela cooperativa à recorrente. e RSTJ. além da nulidade do endosso. outubro/dezembro 2012 359 . não há falar em quitação idônea. o dobro do valor cobrado na execução. pois havia firmado contrato de depósito com a cooperativa.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA da parte da soja recebida. do equivalente do dobro da quantia demandada judicialmente (art. sua legítima quitação dar-se-ia pela devolução do título mediante a entrega regular do produto.10 (quatro milhões. No primeiro grau. tendo sido dada por terceiro (a cooperativa). (ii) por não haver provas de que agiu com má-fé em tal demanda. por isso. 60-66. e-STJ). o que não teria ocorrido. ainda. exigir-se o saldo sem dita especificação (fls. c. 10 da Lei n. por negativa de prestação jurisdicional no julgamento dos embargos declaratórios. justificando que demandou a cobrança de dívida que deveria saber ter sido paga. novecentos e trinta e dois reais e dez centavos). Os embargos declaratórios opostos pela recorrente foram rejeitados. para quem a mercadoria foi entregue. condenou a recorrente a pagar. (c) art. 702-714. 535 do Código de Processo Civil . 884 do Código Civil CC no arbitramento da pena imposta. a causa foi julgada improcedente (fls. que era de R$ 4. em razão da máfé na cobrança. 24. condenou também a recorrente a pagar o valor de R$ 8. Entendeu o Tribunal de origem. a recorrente alegou violação dos seguintes dispositivos: (a) art. No recurso especial.CC). ao argumento de que houve a efetiva entrega do produto. 940 do CC.

do Código de Processo Civil. a falta de referência expressa ao art. II. É que para acolher como válida a quitação dada pela cooperativa aos recorridos. 2. o art.929/1994. Da alegada violação do art. porquanto. VOTO O Sr. Ora. c. motivo pelo qual o inconformismo não prospera no ponto. no julgamento dos embargos declaratórios. porque o recurso padece de vício que impede seu conhecimento no ponto por deficiência de fundamentação. (d) art.c.000. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva (Relator): 1. não ter se referido expressamente ao dispositivo citado não induz a negativa de serviço jurisdicional. o recurso especial foi admitido. 8. apesar de o título dos recorridos equivaler a muitíssimo menos. É o relatório.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (iii) por se ver obrigada a pagar aos recorridos quantia exorbitante. motivando adequadamente sua decisão e solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. 893 do CC. Com contrarrazões. o Tribunal de origem abordou todos os pontos levantados pela embargante.932. 884 do CC deu-se. como indenização por danos materiais. apenas em sentido contrário às pretensões da parte. 535. o acerto dessa decisão será demonstrado mais adiante. porque não poderia o Tribunal condenar a recorrente a pagar aos recorridos. o Tribunal 360 .10 . aliada à prova do efetivo cumprimento das obrigações. Da alegada violação do art. a mera circunstância de o acórdão. Não se vislumbra a alegada contrariedade. contrariando a vedação de enriquecimento sem causa. novecentos e trinta e dois reais e dez centavos). Não viceja também a alegação de negativa de vigência dos artigos citados. equivalente ao dobro do valor da execução ajuizada (de R$ 4. quinhentos e vinte e nove mil.529. estes arbitrados em R$ 8. 10 da Lei n. 884 do CC.00 (oito mil reais). certamente. o dobro do valor executado cumulativamente com danos morais.quatro milhões. ao resolver os embargos declaratórios. Por isso. porque a Corte de origem considerou a regra inaplicável. De fato.

uma vez “endossado” o título à apelada. já que nessa hipótese teria havido transferência de propriedade do título – o que legitimaria a execução tomada por ela e. como a falta de notificação sobre o endosso e a existência de contrato de depósito entre a cooperativa e a recorrente. Em razão deste dispositivo. Ora. que além de credora originária era sua fiel depositária. Conforme se observa do documento de fl. ou que as mesmas não lhes foram entregues em sua totalidade. atente-se ao seguinte trecho da decisão recorrida: Quanto à declaração de quitação da dívida. qual seja. 138. a controvérsia sob exame reside precisamente no fato de saber se. tem-se que o endosso padece de vício formal. ficando esta última como depositária da primeira. a competente quitação desta que era a sua credora originária. 55. tendo sido dada. 8. A propósito.020. 22/2002. Mais ainda. mormente diante do que estabelece o art. a apelada.. tem ou não validade a referida quitação. e (ii) as peculiaridades do caso. restou plenamente provado que os apelantes cumpriram com a obrigação constante da CPR de n. afirma a apelada não ter recebido por parte dos apelantes as sojas oriundas da CPR n. pois não foi realizado no próprio título. pois não foi o mesmo realizado no próprio título. Ora.. documento que. não há como se vislumbrar não ter a apelada recebido o que pactuado no referido título. impediam a recorrente de alegar desconhecimento acerca do produto que teria sido entregue pelos produtores..000 Kg) foram entregues na data e no local designado na cédula. o que. vez que os grãos de soja que lhes competiam entregar (1. porventura.). inclusive. na ausência da comunicação a respeito. entende que somente ela poderia dar a quitação da CPR aos apelantes. No entanto.. acarretaria em sua invalidade. armazém localizado em Gerais de Balsas. II). inclusive. da Lei n. as circunstâncias aqui trazidas indicam que outro foi o contexto em que tais títulos foram “endossados” à apelada. a meu ver. que institui a Cédula de Produto Rural e segundo o qual “o endosso deve ser completo”. 10. contrato de depósito (fls. ressalto que. O fato é que a apelada firmou com a Cooperativa Batavo. 24. 22/2002. inciso I. se a apelada tinha este contrato com a Cooperativa. outubro/dezembro 2012 361 . no mínimo.). como exigir dos apelantes que fizessem o pagamento ao então detentor do título? Responde-se: até onde lhes RSTJ. não foi contestado pela ora apelada.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA invocou dois fundamentos: (i) o endosso padecia de vício que comprometia sua validade. considerando ter havido o endosso.. de propriedade da Cooperativa Agropecuária Batavo Nordeste Ltda. Vol. 315 e 316. (. Ao que se denota dos autos. (228): 343-460.929/1994. seu aponte nos cadastros restritivos. (. conforme documento de fl. a.

Ministra Nancy Andrighi. 401-STJ). (. . por si só.Ausente impugnação a fundamentos do acórdão recorrido. REsp n. 283 do Supremo Tribunal Federal. Segundo consta expressamente do acórdão recorrido.2011). por si só.9. Agravo regimental no recurso especial. provido. Rel. o Tribunal firmou seu 362 .051. (grifou-se).). Honorários advocatícios. Não merece ser conhecido o recurso especial que deixa de impugnar fundamento suficiente. (. Reformatio in pejus. por isso. não tendo a recorrente atacado todos eles especificamente. os inconformismos também não têm fundamento. DJe 6.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA era dado saber que o título fora endossado. quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles.Agravo Regimental improvido. Possibilidade de dupla condenação em honorários. o conhecimento do apelo esbarra na Súmula n. 940 do CC por não haver provas de que agiu com má-fé na ação nem de que demandou por dívida comprovadamente paga. Nesses aspectos. 283-STF: “É inadmissível o recurso extraordinário.” Nessa linha são os precedentes: Processo Civil. Recurso especial. (AgRg no n. 556.“O prazo decadencial da ação rescisória só se inicia quando não for cabível qualquer recurso do último pronunciamento judicial” (Súmula n.) 5. incólume. nessa parte. para manter a conclusão do julgado.568-PE. DJe 22. capaz.. Fundamento inatacado. Prazo decadencial. Termo inicial. de prejudicar a pretensão da recorrente. aplica-se a Súmula n. . Ação rescisória. Rel.. Inteligência da Súmula n. Da alegada violação do art.10. 2.. Assim sendo. Supressão ex officio. já que era a Cooperativa credora daquela mercadoria que recebeu no local e prazos assinalados.. Ocorre que o argumento da invalidade do endosso. 2. não foi atacado no recurso especial e resta. 1. Execução de cédula rural hipotecária. (REsp n. 3. . Terceira Turma. 3.2011). Terceira Turma. Recurso especial parcialmente conhecido e.339-ES. como o acórdão recorrido utilizou-se de mais de um fundamento suficiente para ser mantido. Embargos à execução improcedentes. 283 do STF. Ministro Sidnei Beneti. 1. Processual Civil.

(AgRg no REsp n. afastando a aplicação da penalidade prevista no artigo 42. fazendo mais do que meramente afirmar presente a má-fé. o que demonstra ter a apelada recebido o pactuado.. Assim. Nos termos da consolidada jurisprudência desta Corte. (228): 343-460. a devolução em dobro do valor indevidamente recebido depende da constatação da má-fé. 7-STJ. Agravo regimental. 940 do CC. Agravo regimental não provido.2011). 24. ainda. .) Ressalto.2011). vez que verifico a existência da má-fé por parte da apelada quando da cobrança do que entendeu devido. Reexame do conjunto fático-probatório.11. do CDC. RSTJ. Justificou o porquê de entender dessa forma. Veja-se: (. ou seja. Agravo de instrumento. Agravo improvido. 7 desta Corte. no sentido de inexistência de má-fé. 1. Mesmo assim. Decisão agravada mantida. Necessidade de comprovação da má-fé. como o acolhimento das teses demandam o revolvimento do quadro fático-probatório dos autos.608-PB. 1. demandaria inevitavelmente.190. 4.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA entendimento no contexto das provas dos autos.).Agravo Regimental improvido. a.. (. a repetição do indébito. dolo ou malícia. incidindo o óbice da Súmula n. providência vedada pelo óbice da Súmula n. Precedentes. 2. Quarta Turma. Processual Civil e Civil. Súmula n. seria necessário o reexame de provas. Ministro Sidnei Beneti. incide o óbice da Súmula n.327. 7 do STJ. Revisão.Ultrapassar os fundamentos do acórdão e acolher a tese sustentada pelo Agravante.10. Impossibilidade. Má-fé da instituição financeira reconhecida no acórdão recorrido. ficando esta última como fiel depositária da primeira. Rel. Ministro Luis Felipe Salomão. DJe 26. e-STJ) (grifou-se). ser pertinente incidir à espécie o disposto no art. . Rel. Recurso não provido. posto ter firmado contrato de depósito com a Cooperativa Batavo. Descontos indevidos em contacorrente. Súmula n. o reexame de provas. 7-STJ: “A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. DJe 10. 7-STJ. dolo ou malícia por parte do credor.” A propósito: Agravo regimental. outubro/dezembro 2012 363 . Determinação de devolução em dobro. Dissídio não demonstrado. Afastamento. a recorrida objetivou a cobrança de dívida já paga. Terceira Turma. 1. conforme já demonstrado acima (fl. Repetição em dobro do indébito.. Para se modificar a conclusão do Tribunal de origem.819-RS. Impossibilidade. (AgRg no Ag n.. 711. 1. 2.

Agravo em recurso especial. Min. Quarta Turma. pretendeu a recorrente na demanda executória. inclusive. Súmula n. Rel. 327. pauta-se de modo desatento e irresponsável em relação ao pagamento. 30). nos termos do art. podendo a respectiva execução. aquele sobre o qual recai uma obrigação. pela mercadoria não recebida. consiste no objeto das obrigações” (in Enciclopédia Saraiva de Direito/Org. p.2003. aliás. isto é. 1997.2. 7-STJ. e não ter cobrado “dívida já paga”. Sálvio de Figueiredo Teixeira. 4. 1.650-MS. 4. Rel. o dispositivo se presta a proteger aquele que cumpre suas obrigações do credor que.. Rubens Limongi França. 364 . (AgRg no AREsp n. Ora. Vol 29.2012). Não ocorrência.400-PE. é certo que o mencionado artigo de lei se destina a proteger o devedor genericamente considerado. violando a boa-fé. A dívida. 672 do CPC (REp n. converter-se em execução por quantia certa. Execução de cédulas rurais pignoratícias. Não provimento. Ministra Maria Isabel Gallotti. como. Agravo regimental a que se nega provimento. São Paulo: Saraiva. 273). foram objeto de confissão pelo devedor não pode ser revertida sem reexame do conteúdo fático da demanda. DJ 6. pensando recair sobre o devedor todos os ônus para provar sua quitação pela simples condição que lhe é ínsita. Reexame. Quitação da dívida e má-fé do exequente. prática que em sede de recurso especial que enfrenta o veto do Enunciado n. Divergência jurisprudencial..10.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Processual Civil. o que.) 5. todavia. A conclusão de que o exequente não agiu de má-fé e de que parte dos títulos. Honorários advocatícios. não procede. Não fosse isso. 7 da Súmula do STJ. Quarta Turma. 389 e 947 do CC). por outras palavras. Sucumbência recíproca. Da alegada violação do art. (. pois por “dívida” se entende o “ato ou prestação a que está adstrito o sujeito passivo da relação obrigacional. não apresentados com a inicial da execução. Agravo regimental. Ausência de demonstração. p. a bem da coerência do sistema de normas que regem o direito das obrigações. DJe 1º. 940 pelo fato de a recorrente ter executado obrigação de dar coisa incerta. A circunstância aventada pela recorrente considera a hipótese de que o dispositivo em questão seria aplicável às dívidas pecuniárias. é sabido que o não cumprimento das obrigações de dar coisa incerta dá margem a perdas e danos (arts. Desse modo.

que constitui espécie distinta de obrigação. 24. gozando por vezes de indiscutível liquidez. ou obrigações (e. de que trata a ação. e nelas tutela-se o interesse do credor na reparação dos danos sofridos. As primeiras (negociais) nascem dos contratos ou de negócios jurídicos unilaterais e nelas tutela-se o interesse do credor na realização da sua expectativa de alteração patrimonial. Dessa forma. A propósito da repartição do direito das obrigações. Da contrariedade ao art. redução patrimonial) haja sofrido. a. contudo. Nesse ponto assiste razão à recorrente. por conseguinte. 51): Temos para nós que a divisão fundamental dos direitos de crédito. mesmo quando ele nenhum dano (isto é. (228): 343-460. ainda que não doloso nem culposo. de responsabilidade civil e de enriquecimento sem causa. repondo-se o seu patrimônio (quando o dano seja patrimonial) no status quo ante. As obrigações negociais nascem de compromissos assumidos no âmbito da autonomia privada. As terceiras (enriquecimento sem causa) nascem da apropriação por outrem. As segundas (responsabilidade civil em sentido estrito) nascem da prática de atos danosos. 940 do CC. outubro/dezembro 2012 365 . como é o caso de commodities do mercado agrícola. 884 do CC. fundada no compromisso assumido no âmbito da autonomia privada. São Paulo. 884 do CC). seja por interpretação literal ou pelo aspecto teleológico da regra. n. de bens que o ordenamento jurídico destina (reserva) ao titular respectivo e nelas tutela-se o interesse do credor na reversão para o seu patrimônio dos bens. e não raro assim de fato ocorre. também do Direito das Obrigações) é tripartida: obrigações negociais. 940 do CC é regra de responsabilidade civil (em sentido lato. ou do valor do aproveitamento obtido à “sua custa”. ou do mero aproveitamento por outrem. 56. 5. não se revela idônea a diferenciação proposta pela recorrente para efeito de afastar a incidência do art. Fernando Noronha assim classifica (in “Enriquecimento sem causa”. outro dispositivo alegadamente violado. Revista de Direito Civil.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA Tais aspectos mostram que ditas obrigações se revestem. pelos motivos adiante explicitados. 940 do CC no que se refere ao montante da indenização arbitrada. Como defendido pela própria recorrente. o art. passa à margem da aplicação do art. de caráter nitidamente econômico. mas a solução. pois afeta à modalidade contratual) e não se afeiçoa de nenhum modo com o enriquecimento sem causa (art. a responsabilidade civil (em sentido estrito) tem por causa a RSTJ. p. com violação do dever geral de neminem laedere.

Não haverá enriquecimento sem causa quando o fato estiver legitimado por um contrato ou outro motivo previsto em lei..REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA danificação de bens alheiros e o enriquecimento sem causa nasce dos benefícios auferidos com a intervenção não justificada na esfera jurídica alheia. pois o inconformismo está centrado. 1. a hipótese dos autos nitidamente não diz respeito ao enriquecimento sem causa.) cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato”). como se observa da lição de Pontes de Miranda (in “Tratado de Direito Privado”. (in “Código civil comentado: doutrina e jurisprudência”. Campinas: Bookseller. pelo credor. na realidade. Se dano houve.. A respeito colhe-se a doutrina de Hamid Charfa Bdine Jr. Quando o demandado pede a aplicação do art. 186 e 944 do CC no arbitramento da pena de que trata o art. convém atentar 366 . Adentrando-se especificamente a natureza da obrigação prevista no art. 940 do CC.531. malgrado se possa cogitar de divergências conceituais. na desconsideração dos arts..) A ausência de causa jurídica é o requisito mais importante para o reconhecimento do enriquecimento sem causa. v.530 e ou do art.). Barueri: Manole. porquanto o direito dos recorridos de obter a indenização pretendida (indenização esta previamente estipulada em um patamar mínimo pelo legislador com a regra do art. a violação. Portanto.). ademais. totalmente superada pela Súmula n. Somente quanto não houver nenhum destes dois fundamentos é que haverá ilicitude no locupletamento. 867): (. a alegação de contrariedade do art. 1.. a ação pode ser a de indenização pelo ato ilícito conforme os princípios gerais (arts.530 e o art. 1. quando regia a matéria o Código Civil de 1916: Abstração do elemento subjetivo do dano.. 37-STJ que diz serem “(.531 do Código Civil de 1916.. O art. 940) adveio de causa muito bem definida.531 do Código Civil abstraem do dano. (. sem que se possa ser incabível acumulação. A pretensão é outra. como plus. que possa ter existido. p. p.518). 54. 159 e 1. Como se vê. 2009. do cuidado que deveria guardar no momento em que o devedor apresentou-se para satisfazer a obrigação. de um dever correlato à boa-fé. Trata-se de pena privada. a indenização por ter sofrido danos. 3 ed. 884 do CC se encontra dissociada da controvérsia. 94). 1. 2008. (. qual seja. correlato ao art. ao defender a impossibilidade de condenação cumulativa de danos materiais com morais (tese.. 940. pode pedir. 1..

531 do Código Civil de modo que realize equânime temperamento dos interesses em jogo. 1. É imprescindível que se entenda os termos do art.529. dada a suma gravidade da pena nele prevista. de antemão. Ao se interpretar o art.000 de kg (1. 1. novecentos e trinta e dois reais e dez centavos). Ante o rigor da penalidade imposta por esse dispositivo legal deve-se interpretá-lo restritivamente. (. a indenização imposta pelo Tribunal de origem resultou em favor dos recorridos. pondo-o em conexão com as normas. limitando-se sua incidência. a. cujo objetivo é o interesse particular e.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA às seguintes considerações de Maria Helena Diniz (in “Análise Hermêutica do art. v. em sua natureza. tem dupla função: garantir o direito do lesado à segurança. quinhentos e vinte e nove mil.02 mil toneladas) RSTJ.020. 1. em uma indenização superior a R$ 9. 24. levando em conta o precedente e o subsequente comportamento dos litigantes. sob o prisma lógico não será considerado como bom critério interpretativo aquele que implicasse inculcar em desfavor de uma parte ônus excessivos. deve-se buscar o sentido e alcance..531 do Código Civil é a dívida.240 de kg (8. por decorrer de infração de norma de direito privado. 16 a 18 do Código de Processo Civil”. fatos e valores que compõem o direito.00 (nove milhões de reais).000. 1.10 (quatro milhões. pela não entrega de 8. O suporte fático da cobrança a que se refere o art..531 do Código Civil vantagens desmesuradas para uma das partes. valor dado à execução apresentada solidariamente contra os requeridos. lançando encargos demasiados às custas da outra. Já a quantidade de soja entregue pelos recorridos em conformidade com a CPR por eles firmada. que se deve repelir toda e qualquer interpretação extensiva dessa norma por conter pena rigorosa. (228): 343-460.531 do Código Civil. p. exonerando o lesado do ônus de provar a ocorrência da lesão. por abranger reparação do prejuízo decorrente de cobrança indevida.23 mil toneladas) de soja. É preciso assinalar. protegendo-o contra exigências descabidas e servir como meio de reparar o dano. Por isso.000. resultado da dobra de R$ 4.531 do Código Civil e dos arts. extraindo do art. outubro/dezembro 2012 367 .236. No caso dos autos. a cooperativa e demais produtores.932. 14-15): Essa responsabilidade civil constitui uma sanção civil. 147. Jurisprudência Brasileria. é compensatória. Além disso. impedindo a produção dos efeitos indesejáveis ou injustos.). 1. foi de 1.

na hipótese. não há como afastar.” como leciona Sílvio Rodrigues (in “Direito Civil”. E nem cabe aqui defender que em tal valor estariam incluídos os danos morais pela alegada severa restrição cadastral que sofreram. É sabido que trata-se de pena a regra do art.00 (oito mil reais).529. de módicos R$ 8. de R$ 561. malgrado terem realmente suportado. percebe-se que a desproporção é gritante.20 (nove milhões. 4. ao tempo do ajuizamento da ação. oitocentos e sessenta e quatro reais e vinte centavos). ou mesmo quando o prejuízo por ele porventura experimentado seja bastante inferior à cifra a lhe ser paga. a recorrente se veria obrigada a desembolsar mais de R$ 270. Desse modo. Todavia. mediante aplicação de simples “regra de três”. Reforça a percepção a respeito da desarrazoabilidade do aresto recorrido a consideração de que se a cada um dos trinta e um produtores fosse assegurado o mesmo direito que o dos recorridos. de R$ 9. p. 20 ed. com a indenização obtida. cinquenta e nove mil.00 (nove milhões de reais).10 (quatro milhões.932. 940 do CC e.000. quinhentos e vinte e nove mil. que.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA A partir desses dados é possível extrair. superior a R$ 9. em relação à qual não houve recurso de ambas as partes. apesar de se tratar de indenização cujos parâmetros são trazidos pela própria lei (dita “tarifada”). tal quantidade de produto equivalia a R$ 561. 2003.00 (duzentos e setenta milhões de reais). a cobrança de R$ 4. assim como os demais trinta produtores. sob nenhum aspecto se mostra razoável acreditar que os recorridos possam ter suportado dano material sequer próximo ao montante arbitrado. porque deve o juiz atender aos fins sociais a que a norma se destina (art.02 (quinhentos e sessenta e um mil reais e dois centavos). porquanto a tal título foi arbitrada indenização específica.02. os demais preceitos gerais da responsabilidade civil. equivalente a dezesseis vezes o valor do título.059.000. pode ser aplicada “ainda que o devedor não experimente prejuízo. 36). mesmo a despeito da temeridade da lide como proposta pela recorrente. São Paulo: Saraiva.657/1942) e ser pena também decorrente de ilícito. 5º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro . comparando o valor da cédula dos recorridos. 368 .864. E entre eles vigora o de que a indenização se mede pela extensão do dano (art. por isso.000.000. 944 do CC).000.000. Atento a tais parâmetros. cifra cujo absurdo fala por si só.LINDB. Decreto-Lei n.000. diante das peculiaridades do caso dos autos. novecentos e trinta e dois reais e dez centavos).

acompanhado agora pela Sra. considerado na data em que ajuizada a execução pela recorrente. e que vem conforme à ratio informadora do art. senão. Ministra Nancy Andrighi. no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial. VOTO O Sr. deve sempre estar relacionado com a extensão do dano. 944 do Código Civil. com relação à conclusão a que chega o Sr. Então. cuja quitação foi considerada efetiva. 940 do CC ao dobro do valor equivalente ao produto referido na Cédula de Produto Rural firmada pelos recorridos. E a ementa do eminente Relator dizia que o valor indenizado. eu estava aguardando o voto-vista da eminente Ministra Nancy Andrighi. pena que atende aos princípios que governam o arbitramento das indenizações. na ocasião. porque. parece-me que essa análise foi feita adequadamente. ainda que presumido por lei. porque. apenas aqui havia sido disponibilizada a ementa. Ministro Relator.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA Nesse passo. outubro/dezembro 2012 369 . na verdade. a.284-AM (2010/0104097-0) Relator: Ministro Paulo de Tarso Sanseverino Recorrente: R O dos Santos . não se pode considerar como base da indenização o valor exigido na execução. conforme a regra geral do art. Ministro Relator. RECURSO ESPECIAL N. Ante o exposto. 24. mas apenas o concernente ao título firmado pelos recorridos. Presidente. 940 do CC. É o voto. 1. Acompanho o voto do Sr. Ministro Massami Uyeda: Sr.197. iríamos também dar azo. (228): 343-460. um motivo a um enriquecimento indevido. dou parcial provimento ao recurso especial para restringir a indenização de que trata o art.Novo Horizonte Advogado: José Carlos Marinho Recorrente: Fundação Nokia de Ensino Advogado: João Batista Lira Rodrigues Junior e outro(s) RSTJ.

Responsabilidade solidária da empresa transportadora e da fundação contratante do serviço de transporte escolar dos alunos de suas casas para a instituição de ensino. Juros legais moratórios. Discussão em torno do valor da indenização por dano moral. Dano moral. Fixação do valor da pensão por morte em favor dos pais no valor de dois terços do salário mínimo a partir da data do óbito. contando com 14 anos de idade. Redução do valor da indenização por dano moral na linha dos precedentes desta Corte. Pensionamento. Taxa Selic. Aplicação analógica do enunciado normativo do parágrafo único do art.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Recorrido: José Galvão Neto e outro Advogados: Maria Glades Ribeiro dos Santos Rafael Albuquerque Gomes de Oliveira e outro(s) EMENTA Recurso especial. Acidente de trânsito. Responsabilidade solidária do transportador e da instituição de ensino contratante. reduzindo-se para um terço do salário 370 . 5. 2. Dissídio jurisprudencial. pois a vítima já completara 14 anos de idade. 6. Método bifásico. Valorização do interesse jurídico lesado e das circunstâncias do caso. 3. Critérios de arbitramento equitativo pelo juiz. considerando as duas etapas que devem ser percorridas para esse arbitramento. para o montante correspondente a 500 salários mínimos. Afastamento da alegação de força maior diante do reconhecimento da culpa do motorista do ônibus pelas instâncias de origem. Ação de indenização por danos materiais e morais movida pelos pais de adolescente morto em acidente de trânsito com ônibus escolar na qual trafegava. até a data em que ela completaria 65 anos idade. Quantum indenizatório. 1. Morte de criança. Dissídio jurisprudencial caracterizado com os precedentes das duas Turmas integrantes da Segunda Secção do STJ. do montante da pensão e da taxa dos juros legais moratórios. Transporte escolar. 4. 953 do CC/2002. Responsabilidade civil.

10. 491 do STF na linha da jurisprudência do STJ. ao prestar serviços à Fundação Nokia de Ensino. seguindo os precedentes da Corte Especial do STJ (REsp n. por unanimidade.2012 RELATÓRIO O Sr. 23 de outubro de 2012 (data do julgamento). Nancy Andrighi e Sidnei Beneti votaram com o Sr. 8. a. Ministro Relator. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. Arthur Lima Guedes. Rafael Albuquerque Gomes de Oliveira. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva. em face de grave acidente automobilístico. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas. Os Srs. ACÓRDÃO Vistos. na Cidade de Manaus. acordam os Ministros da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça. Nesse dia. Brasília (DF).102.1988). Ministro Paulo de Tarso Sanseverino: R O dos Santos . pela parte recorrente: Fundação Nokia de Ensino. Teori Albino Zavascki). que. Recursos especiais parcialmente providos. Ausente. dar parcial provimento aos recursos especiais. (228): 343-460. RSTJ.Novo Horizonte e Fundação Nokia de Ensino interpuseram recurso especial no curso da ação de reparação de danos materiais e morais contra elas ajuizada por José Galvão Neto e Fabíola de Paula Galvão. Ministro Massami Uyeda. Min. Fixação do índice dos juros legais moratórios com base na Taxa Selic. 1. Rel. ocorrido em 1º de setembro de 2003. que causou a morte de seu filho (Bruno de Paula Galvão .nascido em 28. 24. Ministro(a) Relator(a). outubro/dezembro 2012 371 . nos termos do voto do(a) Sr(a). Dr(a). Relator DJe 30. Aplicação da Súmula n. quando transportava crianças para estabelecimento da fundação recorrente. o Sr. se envolveu em grave acidente de trânsito.552-CE.9. pela parte recorrida: José Galvão Neto. Dr(a). 7. justificadamente.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA mínimo a partir do momento em faria 25 anos de idade. a vítima estava em um ônibus escolar pertencente à empresa Novo Horizonte.

sendo as rés condenadas solidariamente ao pagamento de indenização por danos morais no valor de 3. falecendo no dia 14 de setembro de 2003. em relação aos danos materiais. que era aluno da fundação recorrente. Após relatar as circunstâncias do acidente de trânsito quando o menor. Foi determinada ainda a incidência de juros legais moratórios de 1% ao mês desde 18 de abril de 2004 (data da citação). acrescentou que o ônibus estava em perfeitas condições e que o fato ocorreu por provável imperícia do motorista. era transportado para a escola. a Fundação Nokia reiterou o pedido de redução das parcelas indenizatórias na mesma linha do recurso especial da empresa transportadora.000 salários mínimos para cada um dos autores. Nas razões do seu recurso especial. os presentes recursos especiais pelas duas empresas requeridas. no mais. Foram interpostos. para evitar o enriquecimento sem causa. Em primeiro grau de jurisdição. Postulou ainda a redução do valor da pensão mensal fixada nas instâncias de origem para dois terços do salário mínimo. Sustentou a responsabilidade exclusiva 372 . reduzindo-se por metade na data em que ela completaria 25 anos de idade. e a alteração do índice dos juros moratórios para a Taxa Selic. os pedidos formulados pelos autores foram julgados procedentes. julgados desta Corte para fins de caracterização do dissídio pretoriano. desde a data do evento danoso. postulando a redução do quantum arbitrado a título de indenização por danos morais para o valor equivalente a 500 salários mínimos. a empresa Novo Horizonte sustentou a ocorrência de violação ao art. colacionando.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA A vítima ficou hospitalizada por cerca de duas semanas. O Tribunal de Justiça do Estado da Amazonas deu parcial provimento à apelação dos réus para redução da indenização por dano moral para 1. a sentença. 884 do CC/2002. para tanto. Nas razões do seu recurso especial. Os embargos declaratórios opostos foram parcialmente acolhidos para esclarecer que os juros moratórios são de 1% ao mês desde a data da fixação da indenização por danos morais pelo Tribunal e. também na linha da jurisprudência desta Corte.500 salários mínimos para cada um dos autores. confirmando. ao pagamento de pensão por morte no valor de dois salários mínimos até a data em que a vítima completaria 65 anos. reduzindo-se para um terço a partir da data em que a vítima completaria 25 anos de idade. embora fosse devidamente capacitado e habilitado para a função. Pediu o provimento do recurso especial.

que o filho dos recorridos (Bruno de Paula Galvão . RSTJ. não se aplicando as regras dos arts. § único. 2º. em face dos valores das indenizações concedidas pelas instâncias de origem (art. Afirmou que não houve análise da situação econômica do “de cujus” e de sua família. c) valor da pensão por morte. b) valor da indenização por danos morais. que prestava serviços de transporte escolar para Fundação Nokia. do CC). na Cidade de Manaus. Alegou ainda afronta ao princípio da vedação do enriquecimento sem causa. As questões controvertidas devolvidas ao conhecimento desta Corte pelos recursos especiais interpostos pelas duas empresas requeridas situam-se em torno dos seguintes tópicos: a) responsabilidade solidária da fundação recorrente. d) taxa de juros legais moratórios incidentes à espécie. VOTO O Sr. quando estava em um ônibus pertencente à empresa transportadora recorrente. Alegou a inaplicabilidade do CDC à relação mantida com o “de cujus” e seus pais. (228): 343-460. O Presidente do Tribunal a quo admitiu os recursos especiais na origem. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino (Relator): Relembro. a. 17 e 29 do CDC. Analiso cada questão separadamente. segundo o IBGE. que foi estabelecida sem qualquer remuneração. tendo sido aplicadas indevidamente “punitive damages”. 473 e segs. outubro/dezembro 2012 373 .nascido em 28 de setembro de 1988) faleceu em acidente de trânsito. inicialmente. e não 65 anos de idade. É o relatório. adiantando que o recurso especial merece integral provimento na linha da jurisprudência desta Corte. 24. na forma do art.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA do transportador pelo evento danoso. bem como a redução dos valores concedidos a título de indenização aos pais da vítima. 57.6 anos. Impugnou ainda o termo final da pensão. pois a expectativa de vida de um menor de 14 anos de idade seria. sendo conduzido de sua casa para escola. 734 do Código Civil. no dia 1º de setembro de 2003. Pediu o provimento do recurso para afastar a responsabilidade solidária e objetiva da fundação recorrente. Houve o oferecimento de contra-razões.

sendo. a Magistrada consignou o seguinte: Extrai-se do Laudo de Exame realizado no local do acidente. No caso. uma vez não constatados elementos que pudessem determinar tivesse o mesmo sua trajetória interceptada por obstáculo móvel a sua dianteira (fl. reconheceu a sua gestão sobre o serviço de transporte.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 1) Responsabilidade solidária da Fundação Nokia A responsabilidade civil do transportador. o desvio direcional à direita. reconhecendo a ocorrência de culpa do motorista do ônibus. que o serviço de transporte fornecido aos alunos da Instituição requerida. constituindo uma obrigação de resultado. contratada pela fundação recorrente para transporte de crianças. é objetiva. a sentença. afirmando a sua imperícia no evento danoso. pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil. evidente a responsabilidade civil da empresa transportadora. contudo. consequentemente. 374 . 59). expressamente. sendo os veículos utilizados para tal transporte considerados. é disponibilizado como uma cortesia por parte da requerida Fundação Nokia de Ensino” (fls. Portanto. A própria Fundação Nokia de Ensino. 21). apesar de prestado pela empresa Novo Horizonte. Trata-se do dever de garantir a incolumidade física e patrimonial do passageiro da partida até o seu destino. O rigor com o tratamento conferido ao transportador deve-se ao reconhecimento da existência de uma cláusula de incolumidade implícita no contrato de transporte. a seguinte conclusão: Ante o exposto. porém. de uma simples análise dos documentos carreados pelos autores. por sua vez. 734 do Código Civil. fiscalizado e regulamentado pela Fundação Nokia de Ensino. 28). em razão da imperícia e reação retardada por parte do condutor do veículo ônibus de placas JXB-5600. na forma do art. apontam os Peritos Criminais como provável causa determinante da ocorrência que motiva o presente laudo. Em relação à responsabilidade solidária. ao analisar a legitimidade passiva da Fundação Nokia. era monitorado. em sua contestação. desnecessária a comprovação de culpa para o seu reconhecimento. ao afirmar que “o transporte escolar. como “uma extensão da Fundação” (fls. consignou o seguinte: Sobressai cristalino. as instâncias de origem foram ainda mais longe. Na sentença.

na forma do art. não há mais espaço para discussão. não havendo sequer necessidade de invocação das normas dos artigos 2º. 942 e de seu parágrafo único. válida a partir da vigência do novo Código Civil.Com o advento do CC/2002. não importavam em defeito na prestação do serviço e. na jurisprudência desta Terceira Turma. para o reconhecimento da responsabilidade solidária da fundação recorrente com a empresa recorrente. a responsabilidade que a primeira ré detém sobre aludido serviço. tem sido reconhecida a possibilidade de aplicação das regras do Código de Defesa do Consumidor no contrato de transporte. a. ou pelos riscos advindos da consecução de tal serviço. a regulamentação dessa atividade era feita por leis esparsas e pelo CCom. Transporte rodoviário de pessoas. cabia à doutrina e à jurisprudência determinar os contornos da responsabilidade pelo defeito na prestação do serviço de transporte de passageiros. . consoante se observa da seguinte ementa: Processo Civil. assim. . do CC. Defeito na prestação do serviço.O CC/1916 não disciplinava especificamente o transporte de pessoas e coisas. hipótese que não há de ser acolhida por este juízo. e não o CDC. com observância de todas as regulamentações legais. De todo modo. III. devendo zelar pela sua prestação em condições seguras. 932. O art. Nesse esforço interpretativo. sem.Diante disso. Basta a incidência das regras do art. Até então. Nova interpretação. Acidente de trânsito. Art. .Jurisprudência da TERCEIRA TURMA É nítida. outubro/dezembro 2012 375 . responde solidariamente com a empresa transportadora a Fundação Nokia que a contratou para a prestação de serviços de transporte escolar. habilitados e submetidos a escalas razoáveis de serviço. (228): 343-460. Consequentemente. Pensar de modo diverso seria permitir que a Fundação Nokia de Ensino pudesse livremente ditar as regras para a utilização do serviço. conduzindo seus alunos de suas residências para a escola por ela mantida. atuando como seu preposto. esta Corte firmou o entendimento de que danos causados ao viajante. 24. o prazo prescricional para ajuizamento da respectiva ação devia respeitar o CC/1916. no entanto. por profissionais aptos. Civil e Consumidor. que não traziam dispositivo algum relativo à responsabilidade no transporte rodoviário de pessoas. e sendo por conseguinte responsável por qualquer ilícito indenizável decorrente de sua prestação. responder pela sua má-prestação. portanto. 27 do CDC. em decorrência de acidente de trânsito. 734 fixa expressamente a responsabilidade objetiva do transportador pelos danos RSTJ. 17 e 29 do CDC. do CC de 2002. Prazo. Prescrição.

tive oportunidade de analisar essa questão relativa à possibilidade de pagamento de pensão em favor dos pais em função da morte de crianças ou adolescentes que ainda não haviam ingressado no mercado de trabalho foi desenvolvida com criatividade pela jurisprudência brasileira (Princípio da Reparação Integral – Indenização no Código Civil. não tem cabida a condenação em alimentos”. (REsp n. DJ 25. O argumento contrário a essa indenização. A questão relativa à indenizabilidade dos danos decorrentes da morte de uma criança era bastante controvertida na jurisprudência brasileira por não se vislumbrar prejuízo patrimonial efetivo. o prazo prescricional do Código Civil.2008. o que engloba o dever de garantir a segurança do passageiro. por ser genérico. 27 do CDC. tendo o o acórdão recorrido reconhecido corretamente a responsabilidade solidária das duas recorrentes no evento danoso. de modo que ocorrências que afetem o bem-estar do viajante devem ser classificadas de defeito na prestação do serviço de transporte de pessoas. 275-313). Portanto. pelo contrário. 1). previstas nos artigos 735 e 735 do Código Civil. não devia alimentos a quem quer que fosse. Finalmente.2. menor com 10 anos de idade. a reparação aos pais ficava restrita ao ressarcimento das despesas indicadas.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA causados às pessoas por ele transportadas. 958. Deixa de incidir. Como não se admitia também a indenização dos danos morais sofridos pelos familiares. Recurso especial não conhecido. pois as instâncias ordinárias expressamente reconheceram a culpa do motorista do ônibus escolar. p. julgado em 8. 376 . São Paulo: Saraiva. era alimentado por seus pais. .2008. expresso em antigo acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo.2.833-RS. bem como o seu termo final. os contratos de transporte de pessoas ficam sujeitos ao prazo prescricional específico do art. 2010. não assiste razão neste tópico à irresignação recursal. Relembro apenas que. Terceira Turma. Ministra Nancy Andrighi.Como decorrência lógica. em sede doutrinária. sintetizado no seguinte trecho do voto do relator: “Como o falecido. 2) Pensão por morte Impugnam as recorrentes o valor da pensão fixada pelas instâncias de origem. não há que se cogitar das excludentes da força maior ou do fato exclusivo de terceiro. além das despesas de funeral e de tratamento médico-hospitalar. era simples. Rel. p.

Ressalte-se também que essa concepção restritiva da jurisprudência nacional de concessão da indenização apenas às famílias de baixa renda mostraRSTJ. por editar a Súmula n. outubro/dezembro 2012 377 . presumindo o auxílio futuro da vítima menor de idade. mas a chance perdida pelos pais com a morte precoce do filho. 59. Mostra-se. A crítica não tem procedência. que resistia à indenizabilidade do dano moral. o que é uma realidade nas famílias de baixa-renda. passando a reconhecer o direito dos pais ao recebimento de uma pensão pela morte do filho menor. relatoria do Min. nas famílias de baixa renda. Aliomar Baleeiro. não se justificaria mais essa cumulação de parcelas indenizatórias. Cavalieri Filho critica enfaticamente essa posição jurisprudencial. Não se repara o dano final. como também aceita a sua cumulação com a indenização por danos morais. considerando insustentável a concessão de pensionamento aos pais a título de dano patrimonial e afirmando constituir sofisma falar-se em valor econômico potencial e expectativa de alimentos. O STF. foi cedendo gradativamente ao argumento de que os filhos menores. (228): 343-460.940. em conformidade com a teoria da perda de uma chance a orientação jurisprudencial dominante ainda hoje no STJ no sentido da concessão de pensão aos pais do menor precocemente falecido. a. após a consagração da indenização por dano moral. 491 do STF (“É indenizável o acidente que cause a morte de filho menor. que consagrou a indenizabilidade do dano moral. Esse posicionamento tem sido objeto de crítica doutrinária.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA A jurisprudência. visto que o direito à indenização somente é reconhecido em favor de famílias de baixa renda em que a contribuição econômica dos filhos aos pais. no julgamento do Recurso Extraordinário n. representariam um valor econômico potencial e que a sua morte precoce frustraria as expectativas dos pais de sua possível contribuição futura na subsistência doméstica. ainda que não exerça trabalho remunerado”). sensibilizou-se com essa linha de argumentação e mudou a sua jurisprudência. em 1966. 24. não apenas continua admitindo essa modalidade de pensionamento em favor das famílias de baixa renda. especialmente do STJ. pois o que se está a reparar. não apenas é fato corriqueiro. entretanto. é a perda de uma chance. bem como quando se reconhece a possibilidade de cumulação com indenização por danos morais. a jurisprudência. assim. culminando. em sua velhice. pois. sendo também condizente com o princípio da reparação integral o valor fixado a título de pensionameno. mas é necessária à sua manutenção. Após a CF/1988. inclusive. em última análise.

O termo inicial do pensionamento. a chance perdida pela família de baixa renda de colaboração da criança precoce e abruptamente falecida no reforço da renda doméstica. que. no caso da morte de criança ou adolescente. o termo inicial da pensão tem sido fixado no momento em que ela legalmente poderiam começar a desenvolver atividades laborativas. que ainda não ingressara no mercado de trabalho. na jurisprudência do STJ. A orientação jurisprudencial mostra-se mais uma vez correta. resta fixar quem são os seus pensionistas. nas famílias de baixa renda. conforme já aludido. conferindo efetividade ao princípio da reparação integral do dano. aproximando o “país formal” do “país real”. o termo inicial da pensão é a data em que criança completaria 14 anos de idade e em que passaria a colaborar com o orçamento familiar. a jurisprudência tem fixado o termo inicial do pensionamento na data em que a vítima completaria 14 anos de idade. a duração da pensão e o seu montante. mas a data em que a vítima ingressaria no mercado de trabalho. pelo menos aos 14 anos de idade. No caso. especialmente após a aposentadoria destes. quando ingressasse no mercado de trabalho.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA se adequada. Como a Constituição Federal. em seu artigo 7º. deve-se fixar o termo inicial do pensionamento na data do óbito. inciso XXXVIII. o dia do óbito. com base. não é. são as destinatárias desse pensionamento. apenas permite que os adolescentes comecem a trabalhar aos 16 anos. normalmente. os jovens adolescentes passam a colaborar no orçamento familiar. Indeniza-se. em sua velhice. Portanto. Estabelecida a indenizabilidade dos prejuízos causados pela morte de uma criança. entre os direitos sociais. 378 . não conseguem mais desempenhar qualquer atividade laboral para complementação da renda doméstica. na verdade. quando. nas famílias de baixa renda. pois nesses grupos familiares efetivamente é comum a colaboração dos filhos aos pais. na prática. permitindo superar a objeção de que se estaria a indenizar dano hipotético. as crianças comecem a trabalhar bastante cedo. especialmente no meio rural. pois a vítima já contava com 14 anos de idade na data do evento danoso. pois concilia a norma constitucional com a realidade social. pois. especialmente. ressalvando a possibilidade de atuarem como aprendizes a partir dos 14 anos de idade. Embora. diferentemente do que ocorre na morte de pessoa adulta.

tendo sofrido interessantes e profundas oscilações na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 24. RSTJ. quando recebem parca aposentadoria do INSS e não podem mais trabalhar para complementar o orçamento doméstico. A pensão será integral desde a data em que a vítima completaria 14 anos de idade até aquela em que chegaria aos 25 anos. que a jurisprudência do STJ. assim. o termo final era fixado na data em que a vítima completaria 25 anos de idade. o STJ cedeu em parte nessa posição. reduzindo-se. acolhendo o argumento no sentido de que. praticamente. assim. a. estabeleceu-se que o valor da pensão seria reduzido pela metade a partir da data em que a vítima completaria 25 anos de idade. a pensão. No caso. (228): 343-460. a um ponto de equilíbrio. que seria o momento em que ele sairia de casa e cessaria a sua ajuda econômica aos pais . outubro/dezembro 2012 379 . o valor da colaboração ao orçamento doméstico também seria reduzido. trata-se de matéria de fato. Deve-se manter. Ocorre. assim. uma vez que compatibiliza a duração do pensionamento com a realidade social brasileira. seria a expectativa de vida de um menor de 14 anos do sexo masculino. conforme o IBGE. ampliou o termo final para a data em que a vítima completaria 65 anos. Com isso. sensível à realidade sócioeconômica das famílias mais humildes. pois é muito raro que uma pessoa de 65 anos de idade ainda tenha os pais vivos. a orientação consolidada desta Corte em fixar o termo final na data em que a vítima completaria 65 anos de idade. Chegou-se. pois. Tradicionalmente.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA A fixação do termo final tem-se constituído em questão controvertida. pretende a fundação recorrente restringir o termo final para a data em que a vítima completaria 57. concretizando o princípio da reparação integral a essa situação. quando presumidamente a vítima sairia de casa. por metade o seu valor e prosseguindo o seu pagamento até o momento em que implementaria os 65 anos. Em momento posterior.6 anos. Essa orientação jurisprudencial mostra-se também adequada com o princípio da reparação integral. cuja apreciação por esta instância especial esbarra no óbice da Súmula n. Embora tenha simpatia pela utilização das tabelas estatísticas do IBGE para fixação do termo final do pensionamento por morte. emque a colaboração dos filhos é maior exatamente na velhice dos pais. 7-STJ. então. em uma prestação vitalícia. Tornou-se. a partir dos 25 anos. porém.

não se pode presumir a profissão que a vítima teria na idade adulta. Além disso. mostra-se correta. Relembre-se que a jurisprudência desta Corte é firme nesta linha. Honorários advocatícios. 7-STJ. 2. pois não é possível presumir qual seria a renda da vítima quando alcançasse a idade adulta. na qual corria bastante água. estar-se-ia a indenizar um prejuízo hipotético. Se tal ocorresse. Súmula n. com um ano e nove meses. Conseqüentemente. Recurso especial. reduzindo-se de um terço correspondente aos gastos pessoais do falecido. Como não se indeniza o dano potencial ou hipotético. Responsabilidade civil do Estado. conforme pedido recursal. 1/3 de salário-mínimo até a idade em que os pais completem 65 anos. Extensão do período de pensão por danos materiais. 5º da LICC) 380 . ajuizada pelos ora recorrentes. 1. Não se conhece do apelo especial pela alínea a do permissivo constitucional. Tratam os autos de ação. em face do princípio da reparação integral. 7-STJ. desde então. verbis: Processual Civil e Administrativo. o valor da prestação mensal é modesto. como a vítima e os beneficiários são pessoas integrantes de famílias de baixa renda. Ação de indenização. o valor da pensão tem sido arbitrado em dois terços do salário mínimo até a data em que a vítima completaria 25 anos de idade (P = 2/3 SM). Valor não irrisório. bastando a lembrança dos seguintes precedentes. Queda em buraco. Segundo o acórdão a quo. Súmula n. uma vez que o único dispositivo legal apontado como violado (art. o corpo da criança jamais foi encontrado. alegando a responsabilidade do Estado pelo acidente de causou a morte do filho dos recorrentes. Acidente que causou morte de filho menor dos recorrentes. embora o período de pensionamento ser prolongado. de indenização por danos morais e materiais. Desse modo. Essa solução jurisprudencial de utilizar o valor do salário mínimo como base de cálculo. Apesar das buscas efetuadas pelo Corpo de Bombeiro. para um terço do salário mínimo até o dia em que atingiria 65 anos de idade (P = 1/3 SM). o que não se mostraria adequado. reduzindo-se. limitando o valor da pensão. mas a perda de uma chance.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Outro ponto delicado do pensionamento por morte de criança ou adolescente que ainda não iniciara suas atividades laborativas reside na fixação do valor da pensão. Pretensão de majorar o valor dos danos morais. pois se ingressaria no terreno das hipóteses. à época. o valor da base de cálculo da pensão tem sido arbitrado em um salário mínimo. o referido acidente ocorreu quando a família passeava no canteiro central de uma avenida na cidade de São Paulo e a criança caiu em um buraco que dava acesso a uma galeria pluvial.

5. genitores da criança para R$ 50 mil para cada um deles. considerando-se o que foi pleiteado no apelo nobre. Ministro Benedito Gonçalves. não há nenhum óbice à concessão do pedido nos moldes em que foi proposto. de acordo com o Enunciado n. o que acarreta a ausência de prequestionado. Isso porque. incidindo. na hipótese dos autos.525-SP. impossível dar provimento ao apelo especial para garantir o 1/3 de salário-mínimo até o momento em que a vítima completasse 65 anos. (228): 343-460. entendeu por bem reduzir o valor fixado em sentença. DJe 23. Incidência da Súmula n. Rel. Recurso especial parcialmente conhecido. uma vez a análise dos parâmetros estabelecidos nos arts. Por outro lado. 8. as condições econômicas das partes e a finalidade da reparação.10. o Tribunal de origem. Entretanto. 9. Assim. a. RSTJ. 7-STJ. 1. a jurisprudência do STJ é no sentido de que essa indenização é devida na ordem de 2/3 de salário-mínimo no período entre 16 e 25 anos do falecido. parcialmente provido. julgado em 20. o que é vedado. tem-se que o recurso especial merece provimento para aumentar o período de pagamento de pensão. 6. uma vez que o valor arbitrado não é irrisório em face dos parâmetros adotados por esta Corte para casos semelhantes. Este Tribunal possui jurisprudência uníssona pela impossibilidade de revisar o quantum estabelecido em verba honorária. O Superior Tribunal de Justiça consolidou orientação no sentido de que a revisão do valor da indenização somente é possível quando exorbitante ou insignificante a importância arbitrada. para que o mesmo perdure até a idade de 65 (sessenta e cinco) anos dos genitores da vítima”. a Súmula n. ao considerar as circunstâncias do caso concreto.2009). em flagrante violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. o valor é reduzido para 1/3 de salário mínimo. no valor de 1/3 de salário-mínimo. A pretensão trazida no especial não se enquadra nas exceções que permitem a interferência desta Corte. na espécie. nessa parte.094. e. outubro/dezembro 2012 381 . do CPC depende do reexame de matéria fático-probatório. até o momento em que os ora recorrentes completem 65 anos de idade.10.2009. A despeito de não haver expressa previsão legal para que a regulação temporal da pensão seja feita pela idade dos genitores da vítima. 20.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA não foi objeto de discussão pelo acórdão a quo. no que concerne ao período de recebimento de pensão a título de danos materiais. a títulos de danos materiais. porquanto a condenação da recorrida será menos gravosa do que aquela decorrente do entendimento preconizado na jurisprudência do STJ. sendo tal pensão limitada até o momento em que a vítima faria 65 anos de idade. após este período. (REsp n. 7 da Súmula do STJ. e. § § 3º e 4º. 3. No particular. 24. 4. 7. 282-STF. no recurso especial foi requerida a “ampliação do período de incidência do pensionamento deferido. de R$ 450 mil para cada um dos recorrentes. Primeira Turma.

Revisão. Rel. (AgRg no Ag n.2007. Denise Arruda. com pensão de 2/3 do salário percebido (ou o salário mínimo caso não exerça trabalho remunerado) até 25 (vinte e cinco) anos. julgado em 2. 2. no caso houve expressa manifestação acerca da legitimidade ativa dos avós. 00 (cem mil reais).2009.101. Rel. Dano material. a orientação do STJ está consolidada no sentido de fixar a indenização por morte de filho menor. 3. Recurso especial parcialmente provido.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Processual Civil e Administrativo. Valor do dano moral. o que deve ser levado em conta pelo magistrado para fins de arbitramento do valor da reparação do dano moral. julgado em 4. Ministro Mauro Campbell Marques. 1.059-SP.000. Queda da janela do 3ª andar de escola infantil. Min. mostra-se razoável. Correção. (REsp n. e. apenas não adotando a tese do recorrente.2009). Pensionamento mensal. Morte de criança causada por atropelamento de viatura do Estado em serviço. reduzida para 1/3 do salário até a idade em que a vítima completaria 65 (sessenta e cinco) anos. (REsp n. como em força centrífuga. DJ de 29. 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada. para a compensação do sofrimento experimentado pela genitora. 2. Administrativo. 209). Dano moral aos pais e avós.282-RJ.4. por outro lado.11.6.2009). Pensionamento mensal. Possibilidade quando irrisório ou exorbitante. e a partir daí.6. ao fato de se tratar de morte brutal de filha de pais lavradores. tomando-se como parâmetro os precedentes dessa Corte. O STJ consolidou orientação de que a revisão do valor da indenização somente é possível quando exorbitante ou insignificante a importância arbitrada. Segunda Turma. No que se refere ao dano material. Rel. em gradações diversas. 3. Não há violação do art. Morte da criança. Responsabilidade civil do Estado.213-RJ. em que o acórdão recorrido reconheceu a culpa exclusiva do recorrido. município de pequeno porte do interior do Estado de São Paulo. majorar o valor da indenização por danos morais fixados em R$ 35. Os avós são legitimados à propositura de ação de reparação por dano moral decorrente da morte da neta. 1. 976. Min. Cabimento. Castro Meira. O sofrimento pela morte de parente é disseminado pelo núcleo familiar.000. 4. Atentando-se às peculiaridades do caso. Responsabilidade civil do Estado. em flagrante violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. atingindo cada um dos membros. 1. 894. A reparação nesses casos decorre de dano individual 382 . p. com 14 (catorze) anos à época do acidente.00 (trinta e cinco mil reais) pelo Tribunal de origem. Recurso especial parcialmente provido. DJe 23. para R$ 100.

Min. Assim. Decisão agravada mantida. Terceira Turma.00 para cada um dos pais. Agravo regimental.00 para cada um dos dois avós não é exorbitante nem desproporcional à ofensa sofrida pelos recorridos. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA e particularmente sofrido por cada membro da família ligado imediatamente ao fato (artigo 403 do Código Civil). DJe 27. Rel.569-PE. Rel. DJe 3. e a partir daí.9. IV. com pensão de 2/3 do salário percebido (ou o salário mínimo caso não exerça trabalho remunerado) até 25 (vinte e cinco) anos. reduzida para 1/3 do salário até a idade em que a vítima completaria 65 (sessenta e cinco) anos. seguindo a jurisprudência consolidada do STJ.4. e o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do referido suporte. Considerando-se as circunstâncias do caso concreto e a finalidade da reparação. sendo certo que não foram opostos embargos de declaração visando sanar eventual omissão. deve-se reduzir o valor da pensão mensal fixada na origem para dois terços do salário RSTJ.2008. Ministro Castro Meira. Súmula n. Art. a qual se mantém por seus próprios fundamentos. 932. 24.9. 6. Castro Meira. No que se refere ao dano material. III.101. 647. O agravante não trouxe qualquer argumento capaz de modificar a conclusão alvitrada. no caso. obstando a admissibilidade do especial à luz da Súmula n. julgado em 2. Precedentes.2009). Dano moral. pela morte de filho menor. Improvimento. a. outubro/dezembro 2012 383 .4.213-RJ. II. a condenação ao pagamento de danos morais no valor de R$ 114. DJ 11.000. Quantum. (REsp n. Ausência. 7-STJ. A indenização fixada. Impossibilidade.8. indicado como ofendido. Reexame do conjunto fático-probatório. (AgRg no Ag n. O artigo 500 do Código de Processo Civil. 4. Rel. 7-STJ. a orientação do STJ está consolidada no sentido de fixar a indenização por morte de filho menor. Ministro Sidnei Beneti. que perderam filha e neta menor. Segunda Turma.000.2009. julgado em 12. A convicção a que chegou o acórdão recorrido decorreu da análise do conjunto fático-probatório. (228): 343-460. descabendo o dissídio quanto ao tema. 500 do Código de Processo Civil. 1.001-AM. não foi prequestionado. Incidência da Súmula n. entre eles: REsp n. 5. I. correspondendo à época a 300 salários mínimos e de R$ 80.2008). não é absurda. Agravo improvido. 7-STJ. em queda da janela do terceiro andar da escola infantil onde estudava.2007. Prequestionamento.

384 . desde então. considerando o interesse jurídico lesado. especialmente a quantificação da indenização correspondente. deve-se estabelecer um valor básico para a indenização. p. Dissídio jurisprudencial.500 salários mínimos para cada um dos genitores. Valorização do interesse jurídico lesado e das circunstâncias do caso. 3. Em sede doutrinária. Merecem parcial acolhida nesse ponto os dois recursos especiais. tentando estabelecer um critério razoavelmente objetivo para essa operação de arbitramento da indenização por dano moral (Princípio da Reparação Integral – Indenização no Código Civil. Acidente de trânsito. 2010. com base em grupo de precedentes jurisprudenciais que apreciaram casos semelhantes.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA mínimo até a data em que a vítima completaria 25 anos de idade. Responsabilidade civil. tive oportunidade de analisar essa questão perante esta Corte. para um terço do salário mínimo até o dia em que atingiria 65 anos de idade. Elevação do valor da indenização por dano moral na linha dos precedentes desta Corte. Na primeira etapa. Discussão restrita à quantificação da indenização por dano moral sofrido pelo esposo da vítima falecida em acidente de trânsito. 4. considerando as duas etapas que devem ser percorridas para esse arbitramento. 2. constitui um dos problemas mais delicados da prática forense na atualidade. Morte. tive oportunidade de analisar essa questão. tendo sido a seguinte a ementa do acórdão: Recurso especial. Método bifásico. A reparação dos danos extrapatrimoniais. 275-313). 1. reduzindo-se. São Paulo: Saraiva. 3) Indenização por danos morais Outro tópico de irresignação das duas partes demandadas dirigiu-se contra o valor arbitrado a título de danos morais pelo acórdão recorrido no montante correspondente a 1. Dano moral. em face da dificuldade de fixação de critérios objetivos para o seu arbitramento. Dissídio jurisprudencial caracterizado com os precedentes das duas Turmas integrantes da Segunda Secção do STJ. que foi arbitrado pelo Tribunal de origem em dez mil reais. Na sessão desta Turma de 16 de abril de 2011. Critérios de arbitramento equitativo pelo juiz. Quantum indenizatório.

(REsp n. consistindo na previsão pelo legislador do montante da indenização correspondente a determinados eventos danosos.780-ES. Tomo a liberdade de expor novamente os fundamentos desse critério bifásico em que se procura compatibilizar o interesse jurídico lesado com as circunstâncias do caso. a fixação de indenização deveria corresponder ao “dobro da multa no grau máximo da pena criminal respectiva”. que foi também a orientação seguida pelo legislador do CC de 2002 ao estabelecer a redação do enunciado normativo do parágrafo único do art. no sentido da inaplicabilidade desse tarifamento legal indenizatório. Esta Corte. que. 953: RSTJ. Terceira Turma. Aplicação analógica do enunciado normativo do parágrafo único do art. a.4. 959.5. 7. Rel. (228): 343-460. A experiência brasileira. 6.2011). quando não fosse possível comprovar prejuízo material. 24. de tarifamento legal da indenização por dano moral não se mostrou satisfatória.550 (ofensa à liberdade pessoal). atendendo a determinação legal de arbitramento equitativo pelo juiz. julgado em 26. Na segunda etapa. outubro/dezembro 2012 385 . em função do valor absurdo alcançado. inclusive porque a remessa feita pelo legislador do CC/1916 à legislação penal era anterior ao próprio Código Penal de 1940. 8.547 (injúria e calúnia) e 1. porém.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA 5. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. A recomendação passou a ser no sentido de que os juízes deveriam proceder ao arbitramento eqüitativo da indenização. firmou entendimento. mais ainda em relação à reforma penal de 1984.1) Tarifamento legal Um critério para a quantificação da indenização por dano extrapatrimonial seria o tarifamento legal. 3. para fixação definitiva do valor da indenização. Recurso especial provido. com fundamento nos postulados normativos da proporcionalidade e da razoabilidade. estatuindo. Doutrina e jurisprudência acerca do tema. DJe 6. devem ser consideradas as circunstâncias do caso. 953 do CC/2002.2011. O próprio CC/1916 continha dois casos de tarifamento legal em seus artigos 1.

incisos V e X. 54. assegurado direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação” (inciso X).REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Parágrafo único . moral ou à imagem” (inciso V ). em relação aos danos morais. 5º.250/1967. conforme indicado pelo art. 56 da Lei da n. caberá ao juiz fixar.250/1967). o valor da indenização. no exercício da liberdade de manifestação de pensamento e de informação. em seu art. Consolidada essa orientação. firmou o seu entendimento no sentido de que foram derrogadas todas as restrições à plena indenizabilidade dos danos morais ocasionados por atos ilícitos praticados por meio da imprensa. 5º.. causar danos materiais e morais. 5. além da indenização por dano material. um limite indenizatório. 281 em que fica expressa essa posição firme do STJ no sentido de que “a indenização por dano moral não está sujeita à 386 . entre os direitos e garantias individuais. 5. o valor da indenização. eqüitativamente. o valor máximo da indenização por danos morais por ilícitos civis tipificados na Lei de Imprensa poderia alcançar duzentos (200) salários mínimos. que. Em relação à empresa jornalística. bem como estabeleceu que “são invioláveis a intimidade. Em relação aos danos materiais. regulava a responsabilidade civil daquele que. a compatibilidade desse tarifamento legal indenizatório da Lei de Imprensa com o novo sistema constitucional. a honra e a imagem das pessoas. conforme a gravidade do ato ilícito praticado. Porém. que a indenização tem por finalidade restituir o prejudicado ao estado anterior ao ato ilícito. na conformidade das circunstâncias do caso. estabelecia. após longo debate. expressamente o princípio da reparação integral.Se o ofendido não puder provar prejuízo material. com fundamento no disposto nessas normas do art. houve a edição da Súmula n. poderia ser elevado em até dez vezes o montante indicado na regra anterior. que. em seu art. deixando de aplicar tanto as hipóteses de tarifamento legal indenizatório previstas nos artigos 49 a 52. variava entre dois e vinte salários mínimos. que. em seus artigos 49 e segs. logo após regular o princípio da livre manifestação do pensamento. no art. 52. Com isso. para o jornalista profissional. A jurisprudência do STJ. a vida privada. Passou a ser discutida. acolhendo. assegurou “o direito de resposta proporcional ao agravo. a partir da vigência da CF/1988. 51. Outra hipótese muito importante de tarifamento legal indenizatório encontrada no Direito brasileiro era a prevista pela Lei de Imprensa (Lei n. estabelecia. da CF/1988. com dolo ou culpa. assim. como também o prazo decadencial de três meses estatuído pelo art.

056). Nessas hipóteses de tarifamento legal. outubro/dezembro 2012 387 . a jurisprudência culminou por consagrar a determinação da reparação integral dos danos materiais e morais causados por meio da imprensa. conforme autorizado pelo art. 24. 2. que não guardará uma relação de equivalência precisa com o prejuízo extrapatrimonial. a partir da norma do art. mas “será o valor necessário para lhe proporcionar um lenitivo para o sofrimento infligido.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA tarifação prevista pela Lei de Imprensa”. Na Itália. Valentina di Gregório. 569). RSTJ. seja as da Lei de Imprensa. 2. danos futuros – art. a solução é uma reparação com natureza satisfatória. no atual estágio do Direito brasileiro.226 (Valutazione equitativa del danno): “Se il danno non può essere provato nel suo preciso ammontare. que eram as mais expressivas de nosso ordenamento jurídico para a indenização por dano moral.226 do Código Civil italiano. Diante da impossibilidade de uma indenização pecuniária que compense integralmente a ofensa ao bem ou interesse jurídico lesado. segue-se o “princípio da satisfação compensatória”. 1. è liquidato dal giudice com valutazione equitativa (art. a. ou uma compensação pela ofensa à vida ou integridade física” (NORONHA. houve a sua completa rejeição pela jurisprudência do STJ.056).2) Arbitramento equitativo pelo juiz O melhor critério para quantificação da indenização por prejuízos extrapatrimoniais em geral. inclusive dos danos morais. ressalta a presença da eqüidade integrativa. Fernando. de forma eqüitativa. com fundamento no postulado da razoabilidade. Direito das Obrigações. São Paulo: Saraiva. com fundamento no postulado da razoabilidade. Refere Valentina di Gregório que a Corte de Cassação italiana deixa claro que não se trata de decidir por eqüidade. 3. 2003. Na reparação dos danos extrapatrimoniais. nos seguintes termos: Art. pois a norma confere poderes ao juiz para proceder eqüitativamente à liquidação do dano (lucros cessantes. 1. com fulcro nas normas constitucionais. seja as previstas pelo CC/1916. Com isso. pois “o quantitativo pecuniário a ser atribuído ao lesado nunca poderá ser equivalente a um preço”. mas que deverá ser pautada pela eqüidade. conforme lição de Fernando Noronha. p. (228): 343-460. é por arbitramento pelo juiz.

2004. tem-se a regra específica do art. Direito das obrigações. Mário Júlio Almeida. No Brasil. deve proceder ao 388 . mas também ao grau de culpa do agente. 3. embora a avaliação seja subjetiva. p. que a indenização correspondente aos danos não patrimoniais deve ser pautada segundo critérios de eqüidade. 1999. Menezes Direito e Cavalieri Filho. a condição econômica dos envolvidos. na mesma sentença em que aprecia a ocorrência do ato ilícito. 494 do CC português (correspondente ao parágrafo único do art. manifestam sua concordância com a orientação traçada pelo Min. o valor da indenização na conformidade das circunstâncias do caso”. Sérgio.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 114 do CPC italiano para alguns casos. mostra-se aplicável mesmo que o agente tenha procedido com dolo (COSTA. Comentários ao novo Código Civil: da responsabilidade civil. já referida. 953. a sua gravidade. considerando os seus aspectos objetivos. 496. pois esta norma pode ser utilizada apenas nos casos de mera culpa. 944 do CC/2002). à situação econômica deste e do lesado. art. CAVALIERI FILHO. das preferência e privilégios creditórios. n. 2004. mas de liquidação eqüitativa do dano. do CC/2002. com fundamento no art. por analogia. Ressalva apenas que esse critério não se confunde com a atenuação da responsabilidade prevista no art. v. (GREGORIO. do CC português. n. transformando o juiz em um montante econômico a agressão a um bem jurídico sem essa natureza. parágrafo único. 13. Na falta de norma expressa. O próprio julgador da demanda indenizatória. 496. p. não sendo possível provar prejuízo material. 4). às demais hipóteses de prejuízos sem conteúdo econômico (LICC. Em Portugal. 4º). Esse arbitramento eqüitativo será pautado pelo postulado da razoabilidade. Coimbra: Almedina. 554). deixando claro que. Ruy Rosado de que “a eqüidade é o parâmetro que o novo Código Civil. assim como todas as outras circunstâncias que contribuam para uma solução eqüitativa”. confere poderes ao juiz para “fixar. eqüitativamente. 496. forneceu ao juiz para a fixação dessa indenização” (DIREITO. essa regra pode ser estendida. a partir desse preceito legal. 3. Rio de Janeiro: Forense. afirmando. Carlos Alberto Menezes. do CC português. no seu artigo 953. enquanto o art. Valentina di. Padova: Cedam. La valutazione eqüitativa del danno. embora não se tenha norma geral para o arbitramento da indenização por dano extrapatrimonial semelhante ao art. que. atendendo-se “não só a extensão e a gravidade dos danos. no caso de ofensas contra a honra. 3. o prejudicado. Almeida Costa chama também a atenção para aspecto semelhante. n. 348). deve ser pautada por critérios objetivos.

supera-se com a aplicação analógica do art. recomendando que todas as circunstâncias especiais do caso sejam consideradas para a fixação das suas conseqüências jurídicas (ENGISCH. além de permitir que o Tribunal. 3. quando estabelece que. segue-se a tradição consolidada. além de ser fixada com razoabilidade.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA arbitramento da indenização. as principais circunstâncias valoradas pelas decisões judiciais. (228): 343-460. desde logo. Com isso. de arbitrar. A dificuldade ensejada pelo art. a indenização por dano moral. do CC/2002. Tentando-se proceder a uma sistematização dos critérios mais utilizados pela jurisprudência para o arbitramento da indenização por prejuízos extrapatrimoniais. desde logo. que estabelece o arbitramento eqüitativo da indenização para uma hipótese de dano extrapatrimonial. no futuro. 603 a 611 do CPC). Karl. 1968. outubro/dezembro 2012 389 . 953. nessa operação de RSTJ. esta deverá ser fixada na forma prevista pela lei processual. Tradução de Juan José Gil Cremades. parágrafo único. por liquidação de sentença por artigos e por arbitramento (arts. tenha de repetir desnecessariamente a análise da prova. A doutrina e a jurisprudência têm encontrado dificuldades para estabelecer quais são esses critérios razoavelmente objetivos a serem utilizados pelo juiz nessa operação de arbitramento da indenização por dano extrapatrimonial. 24. o montante indenizatório arbitrado. evitando-se que o juiz. que serão analisados a seguir. No arbitramento da indenização por danos extrapatrimoniais. na mesma decisão que julga procedente a demanda principal (sentença ou acórdão). 946 do CC/2002. ao analisar eventual recurso. se a obrigação for indeterminada e não houver disposição legal ou contratual para fixação da indenização. aprecie. La idea de concrecion en el derecho y en la ciência jurídica atuales.3) Valorização das circunstâncias do evento danoso (elementos objetivos e subjetivos de concreção) O arbitramento equitativo da indenização constitui uma operação de “concreção individualizadora” na expressão de Karl Engisch. ou seja. a. Pamplona: Ediciones Universidade de Navarra. 389). atualmente. em nosso sistema jurídico. deve ser devidamente fundamentada com a indicação dos critérios utilizados. pois a indenização. A autorização legal para o arbitramento eqüitativo não representa a outorga pelo legislador ao juiz de um poder arbitrário. p. destacam-se. as circunstâncias do evento danoso e o interesse jurídico lesado.

No exame da gravidade do fato em si (dimensão do dano) e de suas conseqüências para o ofendido (intensidade do sofrimento). “o juiz (. atendidas as condições do ofensor. 390 . c) a eventual participação culposa do ofendido (culpa concorrente da vítima). d) a condição econômica do ofensor. pois a situação passa a ser analisada na perspectiva do ofensor. do ofendido e do bem jurídico lesado”. O juiz deve avaliar a maior ou menor gravidade do fato em si e a intensidade do sofrimento padecido pela vítima em decorrência do evento danoso. valorando-se o elemento subjetivo que norteou sua conduta para elevação (dolo intenso) ou atenuação (culpa leve) do seu valor. estampa-se a função punitiva da indenização do dano moral. evidenciando-se claramente a sua natureza penal. têm sido a gravidade do fato em si. a intensidade do sofrimento da vítima. e) as condições pessoais da vítima (posição política. social e política das partes envolvidas. realizado em 1997. a situação econômica do ofensor. Maria Celina Bodin de. a eventual culpa concorrente da vítima. 29). social e econômica). a condição econômica. b) a intensidade do dolo ou o grau de culpa do agente (culpabilidade do agente). as condições pessoais da vítima (posição social. em face da maior ou menor reprovação de sua conduta ilícita. a culpabilidade do agente responsável. as principais circunstâncias a serem consideradas como elementos objetivos e subjetivos de concreção são: a) a gravidade do fato em si e suas conseqüências para a vítima (dimensão do dano).REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA concreção individualizadora. Assim. No IX Encontro dos Tribunais de Alçada. a intensidade do seu sofrimento (MORAES.. Rio de Janeiro: Renovar. 2003. Danos à Pessoa Humana. foi aprovada proposição no sentido de que.) deverá levar em conta critérios de proporcionalidade e razoabilidade na apuração do quantum. política. Na análise da intensidade do dolo ou do grau de culpa.. econômica). no arbitramento da indenização por dano moral. p. a natureza a gravidade e a repercussão da ofensa (a amplitude do dano). Maria Celina Bodin de Moraes catalagou como “aceites os seguintes dados para a avaliação do dano moral”: o grau de culpa e a intensidade do dolo (grau de culpa).

no dano-morte. se o ofensor é uma pequena empresa. p. a possibilidade de redução da indenização. pois. 945 do CC/2002. ensejando que pessoas atingidas pelo mesmo evento danoso recebam indenizações díspares por esse fundamento. ao valorar a posição social e política do ofendido. (CAHALI. a. outubro/dezembro 2012 391 . conforme sua condição financeira. em face da culpa concorrente do falecido. Na jurisprudência do STJ. manifesta-se favoravelmente. se o agente ofensor é uma grande empresa que pratica reiteradamente o mesmo tipo de evento danoso. 178-179). aparecendo como um prêmio ao ofendido. após registrar jurisprudência no sentido da impossibilidade da redução. em julgados das duas Turmas integrantes da Seção de Direito Privado. tem-se a incidência do art. 24. 1998. Yussef Cahali. A valoração da situação econômica do ofendido constitui matéria controvertida. manifestam-se as funções preventiva e punitiva da indenização por dano moral. Na culpa concorrente da vítima. As condições pessoais da vítima constituem também circunstâncias relevantes. Assim. política e econômica. eleva-se o valor da indenização para que sejam tomadas providências no sentido de evitar a reiteração do fato. pois parte da doutrina e da jurisprudência entende que se deve evitar que uma indenização elevada conduza a um enriquecimento injustificado. Em sentido oposto. Yussef Said.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA Na situação econômica do ofensor. e acrescentando: “quando menos. entendendo que “seria injusto fazer com que responda por inteiro pelo valor dos danos morais causados por via reflexa aquele que apenas concorreu em parte para a verificação do evento lesivo”. ao mesmo tempo em que se busca desestimular o autor do dano para a prática de novos fatos semelhantes. tem sido reconhecida a possibilidade de redução da indenização na hipótese de culpa concorrente da vítima falecida: RSTJ. Discute-se. em função das condições pessoais da vítima. O juiz. reduzindo-se o montante da indenização na medida em que a própria vítima colaborou para a ocorrência ou agravamento dos prejuízos extrapatrimoniais por ela sofridos. São Paulo: Revista dos Tribunais. ponderando essa circunstância”. seria o caso de arbitrar-se mais moderadamente o valor indenizatório. punese o responsável com maior ou menor rigor. Dano moral. podendo o juiz valorar a sua posição social. a indenização deve ser reduzida para evitar a sua quebra. (228): 343-460. deve ter a mesma cautela para que não ocorra também uma discriminação.

sendo o recurso especial provido para julgar procedente o pedido indenizatório. 3.2006. diferentemente do Direito Penal. b) STJ. Desse modo. De todo modo. no momento atual do Direito brasileiro.9. mitigada pela culpa concorrente. j.2006. na hipótese de adoção de um tarifamento legislativo. 746. Deve-se ter o cuidado.11. apresentam um problema de ordem prática. sendo recurso parcialmente provido para reconhecer a indenização por dano moral. havendo necessidade de maior amadurecimento dos critérios de quantificação pela comunidade jurídica. na responsabilidade civil. Aldir Passarinho Junior. poder-seiam estabelecer parâmetros mínimos e máximos bem distanciados. REsp n. que constituem importantes instrumentos para auxiliar o juiz na fundamentação da indenização por dano extrapatrimonial. pois.000. DJ 22. embora não admitido expressamente por nenhum 392 . No futuro. Mesmo essa solução não se mostra alinhada com um dos consectários lógicos do princípio da reparação integral. não pode deixar também de valorar essa circunstância relevante.859-SP.5.. pois a consagração da sua reparabilidade é muito recente. inclusive. Essas circunstâncias judiciais. DJ 18. 4ª T.853-RS. 10.2005.894-SP. 705. 3ª T. Min. Jorge Scartezzini. j. Min. j. embora as circunstâncias judiciais moduladoras sejam importantes elementos de concreção na operação judicial de quantificação da indenização por danos.00 (400 SM) para seis autores. c) STJ. Valor total da indenização de 250 SM. Rel. que começa silenciosamente a ocorrer. não existem parâmetros mínimos e máximos para balizar a quantificação da indenização. que é a avaliação concreta dos prejuízos indenizáveis. 4ª T. Valor total da indenização de R$ 120. REsp n. mas reconhecendo a culpa concorrente.: Min. que dificulta a sua utilização.2005. rel. que é a concorrência de culpa da vítima falecida. Nancy Andrighi. para as indenizações relativas aos fatos mais comuns. Mostra-se correta essa orientação.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA a) STJ.. com o tarifamento judicial. mostra-se impensável um tarifamento ou tabelamento da indenização para os prejuízos extrapatrimoniais. 773. devendo o juiz proceder a um arbitramento equitativo da indenização. Ocorre que.2. Rel. REsp n.. à semelhança das penas mínima e máxima previstas no Direito Penal.

outubro/dezembro 2012 393 . Sugere que o ideal seria o estabelecimento de “grupos de casos típicos”. honra) para fixar as indenizações por danos morais em conformidade com os precedentes que apreciaram casos semelhantes. porque casos RSTJ. esse critério foi sugerido por Judith Martins-Costa. Judith. (228): 343-460. considerando apenas o bem jurídico atingido.1-2. 330). Assegura igualdade. integridade física. Comentários ao novo Código Civil: do inadimplemento das obrigações. 5. conforme será analisado a seguir. 1999. p. em torno destes construindo a jurisprudência certos tópicos ou parâmetros que possam atuar. 24. honra) constitui um critério bastante utilizado na prática judicial. liberdade.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA julgado. Ressalva que esses “tópicos reparatórios” dos danos extrapatrimoniais devem ser flexíveis de modo a permitir a incorporação de novas hipóteses e evitar a pontual intervenção do legislador. regra central em tema de indenização” (MARTINS-COSTA. ao observar que o arbítrio do juiz na avaliação do dano deve ser realizado com observância ao “comando da cláusula geral do art. como amarras à excessiva flutuação do entendimento jurisprudencial”. Na doutrina. embora sem ser expressamente reconhecido pelos juízes e Tribunais. “conforme o interesse extrapatrimonial concretamente lesado e consoante a identidade ou a similitude da ratio decidendi. 3. pela pesquisa do precedente. v. liberdade. valoriza o bem ou interesse jurídico lesado (vida. bastante utilizado na prática judicial brasileira. integridade física. consistindo em fixar as indenizações por danos extrapatrimoniais em conformidade com os precedentes que apreciaram casos semelhantes. A autora remete para a análise por ela desenvolvida acerca das funções e modos de operação das cláusulas gerais em sua obra A boa-fé no direito privado (São Paulo: Revista dos Tribunais. A vantagem desse método é a preservação da igualdade e da coerência nos julgamentos pelo juiz ou Tribunal. 944. Esse critério. “provocam quebras no sistema e objetiva injustiça. Rio de Janeiro: Forense. t. 2003. Salienta que os operadores do direito devem compreender a função das cláusulas gerais de molde a operá-las no sentido de viabilizar a ressistematização das decisões. p. ao tratar desigualmente casos similares”. que atomizadas e díspares em seus fundamentos.4) Interesse jurídico lesado A valorização do bem ou interesse jurídico lesado pelo evento danoso (vida. 351). na fixação das indenizações por danos extrapatrimoniais de acordo com precedentes jurisprudenciais. a.

MARKESINIS. a jurisprudência da Corte de Cassação entende sistematicamente que a avaliação dos danos é questão de fato. La Reparation du dommage corporel: Essai de comparaison des droits anglais e français. a exigência de avaliação concreta da indenização. Esse método apresenta alguns problemas de ordem prática. 394 . 1985. Câmara ou Turma julgadora). Em suma.5) Método bifásico para o arbitramento equitativo da indenização O método mais adequado para um arbitramento razoável da indenização por dano extrapatrimonial resulta da reunião dos dois últimos critérios analisados (valorização sucessiva tanto das circunstâncias como do interesse jurídico lesado).REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA semelhantes recebem decisões similares. a valorização do bem ou interesse jurídico lesado é um critério importante. consoante será analisado em seguida. não se mostra compatível com o princípio da reparação integral que tem. Basil. Outra vantagem desse critério é permitir a valorização do interesse jurídico lesado (v. 48). ensejando que a reparação do dano extrapatrimonial guarde uma razoável relação de conformidade com o bem jurídico efetivamente ofendido. No Brasil. a jurisprudência do STJ tem respeitado as indenizações por danos extrapatrimoniais arbitradas pelas instâncias ordinárias desde que atendam a um parâmetro razoável. Paris: Economica. havendo pouca permeabilidade para as soluções adotadas pelo conjunto da jurisprudência. tanto quanto o legal. 3. sendo o primeiro deles o fato de ser utilizado individualmente por cada unidade jurisdicional (juiz. como uma de suas funções fundamentais. Outro problema reside no risco de sua utilização com excessiva rigidez. pois as decisões variam na medida em que os casos se diferenciam. Geneviève. direito de personalidade atacado). inclusive por prejuízos extrapatrimoniais. p. Na França. não podendo ser excessivamente elevadas ou ínfimas. ensejando um engessamento da atividade jurisdicional e transformando o seu arbitramento em uma simples operação de subsunção. caracterizando um indesejado tarifamento judicial com rigidez semelhante ao tarifamento legal. e não mais de concreção. conduzindo a um indesejado tarifamento judicial das indenizações por prejuízos extrapatrimoniais. prestigiando o poder soberano dos juízes na sua apreciação e criticando as tentativas de tarifamento de indenizações (VINEY. mas deve-se ter o cuidado para que não conduza a um engessamento excessivo das indenizações por prejuízos extrapatrimoniais.g. e coerência. O tarifamento judicial.

Ação de indenização por danos morais e materiais. 24. culpa concorrente da vítima. Partindo-se. Procede-se. Reexame de provas. Chega-se. que respeita as peculiaridades do caso. ajustandose o seu montante às peculiaridades do caso com base nas suas circunstâncias. . uma exigência da justiça comutativa que é uma razoável igualdade de tratamento para casos semelhantes. com isso. Possibilidade.Não se conhece do recurso especial na parte em que se encontra deficiente em sua fundamentação. Resultado morte. O STJ. Fundamentação deficiente. o que não pode ser modificado na via especial. Acidente rodoviário sofrido por passageiro de transporte coletivo. Assegura-se. . em conformidade com os precedentes jurisprudenciais acerca da matéria (grupo de casos). em acórdão da relatoria da Ministra Nancy Andrighi. a um ponto de equilíbrio em que as vantagens dos dois critérios estarão presentes.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA Na primeira fase. Danos materiais.Ao STJ é dado revisar o arbitramento da compensação por danos morais quando o valor fixado destoa daqueles estipulados em outros julgados recentes deste Tribunal. procede-se à fixação definitiva da indenização. outubro/dezembro 2012 395 . eleva-se ou reduz-se esse valor de acordo com as circunstâncias particulares do caso (gravidade do fato em si. considerando-se o interesse jurídico lesado. de outro lado. . condição econômica das partes) até se alcançar o montante definitivo. Danos morais. assim. fez utilização desse método bifásico para quantificação da indenização por danos morais derivados da morte de passageiro de transporte coletivo em demanda indenizatória proposta pelos pais e uma irmã da vítima. Prequestionamento. cuja ementa foi a seguinte: Direito Civil e Processual Civil. . assim como que situações distintas sejam tratadas desigualmente na medida em que se diferenciam. arbitra-se o valor básico ou inicial da indenização. assim. observadas as peculiaridades de cada litígio. enquanto. culpabilidade do agente. com isso. Valor fixado. tampouco quando a matéria jurídica versada no dispositivo legal tido por violado não tiver sido apreciada pelo Tribunal Estadual. da indenização básica. obter-se-á um montante que corresponda às peculiaridades do caso com um arbitramento equitativo e a devida fundamentação pela decisão judicial. a um arbitramento efetivamente eqüitativo. De um lado.A improcedência do pedido referente à indenização por danos materiais em 1º e em 2º graus de Jurisdição foi gerada a partir da análise dos fatos e provas apresentados no processo. a.A sentença fixou a título de danos morais o equivalente a quinhentos salários mínimos para RSTJ. Na segunda fase. Revisão pelo STJ. (228): 343-460. será alcançada uma razoável correspondência entre o valor da indenização e o interesse jurídico lesado.

ao longo de dez anos.REVISTA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA cada recorrente. 290).879-MG. rel. A ministra relatora. provido. vinte mil reais para o pai.6. 710. 331. fazendo referência a um grupo de sete precedentes.6. em que houve a apreciação da indenização por prejuízos extrapatrimoniais ligados ao danomorte. ensejando recurso especial.. permitindo vislumbrar a tentativa de fixação de valores que atendam às exigências do postulado normativo da razoabilidade. o valor da compensação por danos morais. Na análise de mais de cento e cinqüenta acórdãos da Corte Especial relativos a julgamentos realizados ao longo de dez anos. tive oportunidade de fazer um exame mais detido da jurisprudência do STJ em relação à indenização dos prejuízos extrapatrimoniais derivados do dano-morte. e dez mil reais para a irmã. a indenização em sessenta mil reais para cada um dos três demandantes. REsp n. (STJ. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais havia fixado a indenização por danos morais em vinte mil reais para cada um dos pais e dez mil reais para a irmã.6) Jurisprudência do STJ nos casos de morte da vítima Por ocasião da elaboração da minha Tese de Doutorado perante a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.2006. passou a analisar as peculiaridades do caso. p. o STJ tem fixado as indenizações por danos morais em valores que variam entre 200 e 625 salários mínimos. 1ª T. arbitrando.Com base nos precedentes encontrados referentes à hipóteses semelhantes e consideradas as peculiaridades do processo. Recurso especial parcialmente conhecido e. rel. ficou clara a existência de divergências entre as Turmas julgadoras do STJ acerca do que se pode considerar como um valor razoável para essas indenizações. REsp n. nessa parte.279-CE. tendo sido mantida uma indenização por danos morais no valor correspondente a dois mil salários mínimos (STJ. então.. 1º. o acórdão reduziu o valor para vinte mil reais para a mãe. j.: Ministra Nancy Andrighi. 3ª T. em hipóteses semelhantes. Luiz 396 . a partir de 1997. . orientado pela Professora Doutora Judith Martins-Costa. Esse método bifásico é o que melhor atende às exigências de um arbitramento eqüitativo da indenização por danos extrapatrimoniais. que foi o momento em que esta Corte decidiu efetuar um controle mais efetivo sobre o quantum indenizatório correspondente aos danos extrapatrimoniais em geral. Os valores das indenizações têm sofrido significativas variações. 135. após anotar que.2006.: Min. DJ 19. fixa-se em sessenta mil reais para cada um dos recorrentes. 3.

Nos recursos especiais desprovidos. pois a 4ª Turma tem arbitrado no valor correspondente a 500 salários mínimos. acerca de casos especiais em que o arbitramento eqüitativo justificava a fixação da indenização em montante diferenciado.: Min. apresentam peculiaridades próprias. com um grande número de acórdãos na faixa de 300 salários mínimos e 500 salários mínimos.culpa concorrente da vítima por haver passarela nas proximidades). entretanto.00. Foi mantida a condenação estabelecida pelo Tribunal de Justiça do Ceará no valor correspondente a 2. com maior precisão. 4ª T.2.R$ 486.006-PR. são aqueles que permitem observar.quadrilha de policiais militares. 619. não podendo ser considerados como aquilo que o STJ entende por razoável para indenização de prejuízos extrapatrimoniais derivados do dano-morte. Ainda assim. em face das peculiaridades do fato . em face do longo tempo decorrido desde a ocorrência do fato . situados em posições extremas. Garcia Vieira que reduzia a indenização para 500 salários mínimos). rel. Esses valores.000 salários mínimos . em face da gravidade do fato .viúva e duas filhas -. j. REsp n. O recurso especial foi provido. em regra.4.2005. outubro/dezembro 2012 . Os recursos especiais providos. 23. tendo votado vencido o Min. 24. chama a atenção o grande número de casos em que a indenização foi mantida em 200 salários mínimos.11.859-SP. 397 RSTJ. rel. assim como já houve o arbitramento de indenizações na faixa entre nove mil reais (STJ. (228): 343-460. para alteração do montante da indenização por dano extrapatrimonial.. observa-se a existência de divergência entre as Turmas. que praticara estupros e assassinatos -.000. Os julgados que. inclusive por versarem.2002.. podem ser divididos em dois grandes grupos: recursos providos e recursos desprovidos. a. sendo a indenização arbitrada em quinze mil reais para cada uma das autoras . sendo fixada a indenização em apenas nove mil reais. o valor que o STJ entende como razoável para essa parcela indenizatória. na sua maior parte. Pode-se tentar identificar a noção de razoabilidade desenvolvida pelos integrantes da Corte Especial na média dos julgamentos atinentes ao danomorte. 3ª T.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA Fux.: Min. j.2004. Jorge Scartezzini. 3. 18. j. 705. enquanto a 3ª Turma tem fixado em torno de 300 salários mínimos. Castro Filho. REsp n.morte por acidente de trabalho do marido da autora ocorrida há mais de dez anos) e quinze mil reais (STJ. Tratava-se de atropelamento de pedestre em ferrovia. oscilam na faixa entre 200 salários mínimos e 600 salários mínimos.

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Atualmente os parâmetros têm-se revelado os mesmos, como adiante evidencio, iniciando com os mais recentes julgados da Terceira Turma e, após, exemplificando com os da Colenda Quarta Turma desta Corte:
Agravo regimental. Recurso especial. Indenização. Morte de menor por eletroplessão. Danos morais. Majoração. Necessidade, in casu. Recurso improvido. (AgRg no AgRg no REsp n. 1.092.785-RJ, Rel. Ministro Massami Uyeda, Terceira Turma, julgado em 16.11.2010, DJe 2.2.2011). Excerto: “In casu, a condenação referente aos danos morais pela morte do filho dos recorrentes, à época do acidente com 10 anos de idade, perfaz a quantia de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) (fl. 186), valor este que, de acordo com a sobredita jurisprudência e com as peculiaridades do caso sub examine, é irrisória a ponto de admitir-se a intervenção excepcionalíssima deste Tribunal Superior, sendo, portanto, de rigor sua majoração para 300 (trezentos) salários-mínimos.” Direito Civil. Ação de indenização por danos materiais e morais. Acidente rodoviário. Resultado morte. Danos morais. Valor fixado considerado irrisório. Possibilidade de revisão pelo STJ. Dissídio jurisprudencial não comprovado. - Ao STJ é dado revisar o arbitramento da compensação por danos morais quando o valor fixado destoa daqueles estipulados em outros julgados recentes deste Tribunal, observadas as peculiaridades de cada litígio. - A sentença fixou, a título de danos morais, o equivalente a quinhentos salários mínimos, vigentes à época do evento danoso, e o acórdão recorrido reduziu o valor para cem salários mínimos. - Com base nas peculiaridades do processo e a impossibilidade de reformatio in pejus, fixa-se em cem mil reais o valor da compensação por danos morais. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp n. 1.064.377-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 5.11.2009, DJe 17.11.2009). Excerto: Assim, tenho que a quantia fixada pelo acórdão recorrido se mostrou irrisória e, considerando as peculiaridades da espécie e o fato de que a condenação por danos morais deve estar adstrita aos limites do pedido, sendo vedada a fixação dos valores em salários-mínimos e a reformatio in pejus, restabeleço a sentença proferida pelo Juízo de 1º grau de Jurisdição e fixo a reparação por danos morais no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais).
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Agravo regimental. Direito Civil. Morte de filho menor. Choque elétrico. Ação de indenização por danos materiais e morais. Pensionamento. Redução do quantum . Descabimento. Honorários advocatícios. Fixação sobre o valor da condenação. Correção monetária. Termo inicial. Falta de prequestionamento. I - Danos materiais devidos, na esteira de precedentes jurisprudenciais, em 2/3 do salário mínimo a partir da data em que o menor teria idade para o trabalho (14 anos) até a data em que ele completaria 25 anos, reduzida para 1/3 a partir de então, até os 65 anos. II - Dano moral devido como compensação pela dor da perda de filho menor de idade, no equivalente a 500 (quinhentos) salários mínimos, condizente com a gravidade do dano. Precedentes. III - Havendo condenação em importância certa, os honorários advocatícios devem ser fixados, em regra, sobre o valor da condenação (CPC, art. 20, § 3º). IV - Com relação ao termo inicial da correção monetária, o tema não foi tratado no Acórdão recorrido, nem sequer agitado nos Embargos Declaratórios interpostos contra a referida decisão, ressentindo-se o Especial, no ponto, do indispensável prequestionamento. Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp n. 734.987-CE, Rel. Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, julgado em 27.10.2009, DJe 29.10.2009). REsp n. 268.567, Terceira Turma, Rel. Min. Vasco Della Giustina (Desembargador convocado do TJ-RS), Data da Publicação 29.3.2010: Decisão (omissis) Por tais fundamentos, dou provimento ao recurso especial, para arbitrar a indenização por danos morais em R$ 127.500,00 (cento e vinte e sete mil e quinhentos reais), a serem rateados entre os autores, e fixar a pensão aos recorrentes em 2/3 do salário mínimo até a data em que as vítimas completariam 25 anos de idade, a partir de então, fixo no patamar de 1/3 do salário mínimo até a data que as vítimas completariam 65 anos, ou em que ocorrer o falecimento dos autores. Constituição de capital, a fim de assegurar o pagamento da pensão mensal. Juros de mora nos percentuais retro referidos. Honorários advocatícios no percentual de 10% sobre o somatório dos valores da condenação por danos morais, das prestações vencidas e um ano das parcelas vincendas. Civil e Processual. Ação de indenização. Atropelamento em via férrea. Morte de ciclista. Passagem clandestina. Existência de passagem de nível próxima. Concorrência de culpas da vítima e da empresa concessionária de transporte.
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RSTJ, a. 24, (228): 343-460, outubro/dezembro 2012

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Danos materiais e morais devidos. Pensão. Juros moratórios. Súmula n. 54-STJ. Constituição de capital ou caução fidejussória. I. Inobstante constitua ônus da empresa concessionária de transporte ferroviário a fiscalização de suas linhas em meios urbanos, a fim de evitar a irregular transposição da via por transeuntes, é de se reconhecer a concorrência de culpas quando a vítima, tendo a sua disposição passagem de nível construída nas proximidades para oferecer percurso seguro, age com descaso e imprudência, optando por trilhar caminho perigoso, levando-o ao acidente fatal. II. Precedentes. III. Ação julgada procedente em parte, devidos os danos materiais e morais pela metade, de logo fixados pela aplicação do direito à espécie, na forma preconizada no art. 257 do Regimento Interno do STJ. IV. Pensão fixada em um salário mínimo em favor da viúva, durante a longevidade estimada da vítima, com base em tabela expedida pela Previdência Social. V. Tratando-se de responsabilidade civil extracontratual, os juros moratórios são devidos desde a data do óbito (Súmula n. 54 do STJ). VI. Recurso especial conhecido e parcialmente provido. (REsp n. 622.715-SP, Rel. Ministro Aldir Passarinho Junior, Quarta Turma, julgado em 24.8.2010, DJe 23.9.2010). Excerto: Destarte, estou em que há culpa concorrente também aqui e, nesses termos, em face do preconizado no art. 257 do Regimento Interno do STJ, passo, de logo, a examinar o pedido exordial, pela aplicação do direito à espécie: a) É devida uma pensão mensal, no valor de um salário mínimo, desde a data do óbito, durante a sobrevida provável da vítima, a ser fixada, em liquidação, com base em tabela expedida pela Previdência Social; b) Indenização por danos morais, no valor de R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais); (...) Todas as verbas acima, salvo a honorária, ficam reduzidas à metade, em face da culpa concorrente aqui reconhecida. Hospital psiquiátrico. Paciente. Morte. Danos morais. Montante. Exagero. Redução. Possibilidade 1 - Nos termos do entendimento pacificado desta Corte, o montante indenizatório, fixado a título de danos morais, só se submete ao crivo deste Superior Tribunal de Justiça se for ínfimo ou exorbitante. 2 - No caso concreto, afigura-se exagerada a indenização em 1.600 salários mínimos para cada recorrido, marido e filho da vítima, morta por outro paciente psiquiátrico, enquanto encontrava-se internada no hospital.
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3 - Redução para o valor global de R$ 255.000,00 (duzentos e cinquenta e cinco mil reais) com juros da data do evento e correção desta data. 4 - Recurso especial conhecido e parcialmente provido. (REsp n. 825.275-SP, Rel. Ministro Fernando Gonçalves, Quarta Turma, julgado em 2.2.2010, DJe 8.3.2010). Civil e Processual. Ação de indenização. Atropelamento. Morte. Dano moral. Fixação em patamar excessivo. Redução. Possibilidade. Pensão alimentícia. Ausência de comprovação de dependência entre os recorridos. Súmula n. 7-STJ. 1. O critério que vem sendo utilizado por essa Corte Superior na fixação do valor da indenização por danos morais, considera as condições pessoais e econômicas das partes, devendo o arbitramento operar-se com moderação e razoabilidade, atento à realidade da vida e às peculiaridades de cada caso, de forma a não haver o enriquecimento indevido do ofendido, bem como que sirva para desestimular o ofensor a repetir o ato ilícito. 2. A redução do “quantum” indenizatório a título de dano moral é medida excepcional e sujeita a casos específicos em que for constatado abuso, tal como verificado no caso. 3. In casu, tendo em vista o valor fixado no acórdão recorrido a título de indenização por dano moral em R$ 637.500,00 (seiscentos e trinta e sete mil, quinhentos reais), em razão das particularidades do caso e à luz dos precedentes citados desta Corte Superior, impõe-se o ajuste da indenização aos parâmetros adotados por este Tribunal (R$ 305.000,00), de modo a garantir aos lesados a justa reparação, contudo afastando-se, pois, a possibilidade de enriquecimento indevido, corrigido monetariamente a partir desta decisão e dos juros moratórios nos termos da Súmula n. 54 desta Corte. 4. Verificar a alegação de que a vítima não contribuía para o sustento da família, demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, o que atrai a incidência da Súmula n. 7-STJ. 5. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa extensão provido. (REsp n. 747.474-RJ, Rel. Ministro Honildo Amaral de Mello Castro (Desembargador convocado do TJ-AP), Quarta Turma, julgado em 2.3.2010, DJe 22.3.2010). Responsabilidade civil. Descarga elétrica por rompimento de cabo condutor. Amputação de braço direito e diversas cicatrizes no corpo. Vítima que contava com dezessete anos de idade. Dano moral e estético. Cumulação devida. Valor das indenizações redimensionado. 1. O recorrente, que contava com 17 (dezessete) anos de idade quando do infortúnio, foi vítima de descarga elétrica, cujas conseqüências foram a amputação de seu braço direito na altura do ombro e cicatrizes por todo o corpo, estas decorrentes das queimaduras sofridas.
RSTJ, a. 24, (228): 343-460, outubro/dezembro 2012 401

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2. Notadamente em relação ao dano estético, a idade da vítima ressai de suma relevância para a fixação da indenização, tendo em vista que a aparência pessoal em idades juvenis, cujos laços afetivos e sociais ainda estão sendo formados, mostra-se mais determinante à elaboração da personalidade, se comparada à importância dada à estética por pessoas de idade mais avançada, cujos vínculos familiar, sentimental e social já se encontram estabilizados. 3. Por outro lado, mostra-se imprópria qualquer comparação no que concerne ao valor de indenização fixado por esta Corte em caso de morte. No presente caso, está-se a indenizar a própria vítima por um sofrimento que irá experimentar por toda a vida, ao passo que a indenização por morte é concedida aos familiares da vítima, em decorrência da dor experimentada pela perda do querido ente. 4. Indenização elevada ao valor global de R$ 250.000,00, já considerados os danos morais e estéticos. Quanto ao valor da indenização, ressalva pessoal do relator, que dava provimento ao recurso em maior extensão. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, na extensão, provido. (REsp n. 689.088-MA, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 20.10.2009, DJe 2.2.2010). Direito Civil. Acidente de trânsito. Ação de indenização. Dano moral. Arbitramento adequado. Responsabilidade extracontratual. Juros moratórios e correção monetária. Termo inicial. Violação do art. 535 do CPC. Não-ocorrência. 1. Considerando que a quantia indenizatória arbitrada a título de danos morais guarda proporcionalidade com a gravidade da ofensa, o grau de culpa e o porte sócio-econômico do causador do dano, não deve o valor ser alterado ao argumento de que é excessivo. 2. Na seara da responsabilidade extracontratual, mesmo sendo objetiva a responsabilidade configurada nos autos, os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, e não a partir da citação. 3. Em casos de responsabilidade extracontratual, o termo inicial para a incidência da correção monetária é a data da prolação da decisão em que foi arbitrado o valor da indenização. 4. Não há por que falar em violação do art. 535 do CPC quando o acórdão recorrido, integrado pelo julgado proferido nos embargos de declaração, dirime, de forma expressa, congruente e motivada, as questões suscitadas nas razões recursais. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e provido. (REsp n. 780.548-MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 25.3.2008, DJe 14.4.2008).

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Agravo de Instrumento n. 1.325.208-SP (n. 2010/0119806-9), Relatora: Ministra Maria Isabel Gallotti, publicada em 8.9.2010: Decisão (...) A pretensão de ver reduzida a indenização a que fora condenada a parte recorrente, em acidente ferroviário que provocou a morte de jovem, através de queda por uma das portas de trem de sua propriedade, encontra óbice no Enunciado da Súmula n. 7 deste Superior Tribunal de Justiça. De fato, o propósito de que sejam revistas as conclusões a que chegaram as instâncias ordinárias - ao fixar em 250 (duzentos e cinqüenta) salários mínimos a reparação por danos morais - revela o intento inviável, nessa sede especial, de reexaminar o conjunto fático-probatório soberanamente delineado. Cumpre sublinhar, nesse sentido, que a excepcional intervenção desta Corte, a fim de rever o valor da indenização arbitrada pelo Tribunal local, a título de dano moral, pressupõe se tenha este, considerada a realidade do caso concreto, pautado de forma imoderada ou desproporcional, em situação de evidente exagero ou de manifesta insignificância. No caso em exame, no entanto, o valor fixado em 250 (duzentos e cinqüenta) salários mínimos não se afigura exagerado ou desproporcional; não se justificando, portanto, a excepcional intervenção desta Corte Superior de Justiça. Em verdade, em situações semelhantes, esta Quarta Turma tem admitido condenações em valor superior ao questionado pela agravante; não se afigurando, pois, legítima a alegação de ser excesso o valor da condenação. Confiram-se, dentre muitos, os seguintes julgados: (omissis) Em face do exposto, nego provimento ao agravo de instrumento.

Nota-se também nas decisões que se pondera muito o montante total da indenização, quando existem vários demandantes no processo para se evitar um valor final exacerbado. Depreende-se desse leque de decisões que o STJ tem-se utilizado do princípio da razoabilidade para tentar alcançar um arbitramento eqüitativo das indenizações por prejuízos extrapatrimoniais ligados ao dano-morte. Pode-se estimar que um montante razoável para o STJ situa-se na faixa entre 300 e 500 salários mínimos, embora o arbitramento pela própria Corte no valor médio de 400 salários mínimos seja raro. Saliente-se, mais uma vez que, embora seja importante que se tenha um montante referencial em torno de quinhentos salários mínimos para a
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indenização dos prejuízos extrapatrimoniais ligados ao dano-morte, isso não deve representar um tarifamento judicial rígido, o que entraria em rota de colisão com o próprio princípio da reparação integral. Cada caso apresenta particularidades próprias e variáveis importantes como a gravidade do fato em si, a culpabilidade do autor do dano, a intensidade do sofrimento das vítimas por ricochete, o número de autores, a situação sócioeconômica do responsável, que são elementos de concreção que devem ser sopesados no momento do arbitramento eqüitativo da indenização pelo juiz. 3.7) Caso concreto Passo, assim, ao arbitramento equitativo da indenização, atendendo as circunstâncias do caso. Na primeira fase, o valor básico ou inicial da indenização, considerando o interesse jurídico lesado (morte da vítima), em conformidade com os precedentes jurisprudenciais acerca da matéria (grupo de casos), acima aludidos, deve ser fixado em montante equivalente a 400 salários mínimos na data de hoje, que é a média do arbitramento feito pelas duas Turmas integrantes da Segunda Seção desta Corte. Na segunda fase, para a fixação definitiva da indenização, ajustando-se às circunstâncias particulares do caso, deve-se considerar, em primeiro lugar, a gravidade do fato em si, pois a vítima, nascida em 1992, faleceu com 14 anos de idade. A culpabilidade do motorista do ônibus foi reconhecida pelo acórdão recorrido, que afirmou a ocorrência de culpa leve no evento danoso. A ausência de prova de culpa concorrente da vítima é induvidosa, pois a vítima estava apenas sendo transportada para a escola. Finalmente, não há maiores informações acerca da condição econômica empresa de transporte demandada, enquanto que a da fundação demandada é boa, não se podendo apenas olvidar que estava realizando um trabalho filantrópico em favor de crianças carentes da Cidade de Manaus. Assim, torno definitiva a indenização no montante equivalente a 500 salários mínimos na data de hoje. Esse valor será acrescido de correção monetária pelo IPC desde a data da presente sessão de julgamento (Súmula n. 362 - A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do arbitramento).

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4) Juros legais moratórios (Taxa Selic) Os juros legais moratórios, na forma do art. 406 do Código Civil de 2002, serão devidos pela Taxa Selic na linha da jurisprudência traçada pela Corte Especial do STJ. Questão bastante controvertida situa-se em torno da taxa de juros legais moratórios estabelecida pelo CC/2002, que tive oportunidade de analisar no plano doutrinário (Princípio da Reparação Integral - Indenização no Código Civil. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 317). O enunciado normativo do art. 406 do CC/2002 regula os juros moratórios nos seguintes termos:
Art. 406 - Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional.

Essa regra do art. 406 do CC/2002 foi alterada pelo Congresso Nacional. No Anteprojeto do Código Civil encaminhado à Câmara dos Deputados, constava como os juros “correntes no lugar do pagamento, segundo a taxa bancária para os empréstimos ordinários” (art. 400). Na Câmara dos Deputados, após longo debate, foi alterada para a sua redação final, que representou uma substancial mudança no sistema de controle de juros. No Senado Federal, a Emenda n. 41, de iniciativa do Senador Álvaro Dias, buscava fixar os juros moratórios em 18% ao ano, mas foi rejeitada. A emenda criticava, com pertinência, a infelicidade da adoção de um critério pouco claro para os juros, que constitui “matéria de uso cotidiano do homem do povo”, pois a estatuição de juros flutuantes gera insegurança. Finalmente, apontou a conveniência de o Código Civil indicar claramente as taxas de juros moratórios e remuneratórios, evitando a sua fixação por “vias indiretas”. Infelizmente, essas críticas formuladas no curso do processo legislativo não foram ouvidas e o texto final do art. 406 do CC/2002 manteve os juros legais moratórios de acordo com “a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”. A regulamentação procedida pelo legislador do CC/2002 alterou substancialmente o sistema de fixação de juros moratórios e remuneratórios no direito brasileiro.
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De um lado, regulamentou apenas os juros moratórios, nada dispondo acerca dos remuneratórios, como fazia o art. 1.063 do CC/1916, que passaram a ser regulados somente pelo art. 591 do CC/2002. De outro lado, deixou de ser estabelecida taxa, que antes era de 6% ao ano, para os juros moratórios legais ou não convencionados (art. 1.062 do CC/1916). Finalmente, nivelou no mesmo percentual as taxas dos juros legais moratórios e dos remuneratórios, estabelecendo como limite “a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional” (art. 406). Assim, remeteu a identificação do montante da taxa de juros moratórios para a legislação tributária referente aos impostos federais, que também passou a conter o limite dos juros remuneratórios. A dúvida reside em estabelecer em que ponto da legislação tributária federal está situada a regra que preenche o disposto no art. 406 do CC/2002. A impressão inicial é de que o legislador fez a remessa para a Taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), instituída pela Lei n. 9.065/1995, que tem sido utilizada para a atualização do valor dos tributos federais. Entretanto, a utilização pura e simples da Taxa Selic apresenta problemas delicados. Em primeiro lugar, trata-se de uma taxa com formação promíscua, que engloba juros e correção monetária. Em segundo lugar, a correção monetária nela embutida não reflete a inflação passada, mas a expectativa de inflação futura. Em terceiro lugar, a Taxa Selic apresenta grande volatilidade, eis que corresponde à média dos financiamentos com títulos públicos federais, variando excessivamente. Assim, além da insegurança jurídica acerca da taxa de juros moratórios incidente, surge nova polêmica em torno de qual é o percentual aplicável: se a taxa vigente no momento da contratação, ou na época do inadimplemento do devedor, ou se há variação mensal do seu percentual. Por esses e outros problemas, a própria aplicabilidade da Taxa Selic aos tributos federais foi objeto de longo debate pela jurisprudência do STJ, que culminou na 1ª Seção da Corte Especial. Uniformizou-se, em passado recente, a jurisprudência no sentido da incidência da Taxa Selic para os créditos tributários a partir da vigência da Lei n. 9.250/1995, mas vedando a sua cumulação com juros e correção monetária.
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Merece lembrança o seguinte julgado, que sintetizou bem a matéria, consoante pode ser colhido de sua ementa:
Tributário. Repetição de indébito. Taxa Selic. Termo inicial de sua aplicação: trânsito em julgado da sentença ou edição da Lei n. 9.250/1995. 1. A orientação prevalente no âmbito da 1ª Seção firmou-se no sentido do paradigma, podendo ser sintetizada da seguinte forma: (a) antes do advento da Lei n. 9.250/1995, incidia a correção monetária desde o pagamento indevido até a restituição ou compensação (Súmula n. 162-STJ), acrescida de juros de mora a partir do trânsito em julgado (Súmula n. 188-STJ), nos termos do art. 167, parágrafo único, do CTN; (b) após a edição da Lei n. 9.250/1995, aplica-se a Taxa Selic desde o recolhimento indevido, ou, se for o caso, a partir de 1º.1.1996, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de atualização monetária, seja de juros, porque a Selic inclui, a um só tempo, o índice de inflação do período e a taxa de juros real. 2. Embargos de divergência providos (STJ, 1ª Seção, EREsp n. 267.080-SC, rel. Min. Teori Zavascki, j. 22.10.2003, DJ 10.11.2003, p. 150).

Em função disso, a melhor orientação seria no sentido da inaplicabilidade da Taxa Selic para complementar a regra do art. 406 do CC/2002. Nessa mesma linha, a correta a precisa análise desenvolvida por Judith Martins-Costa acerca da inconstitucionalidade da utilização da Taxa Selic (v. II, t. II, p. 403). Por isso, a complementação da regra do art. 406 do CC/2002 deveria ser buscada diretamente no Código Tributário Nacional, sendo que a regra que melhor concretiza essa complementação é a contida no art. 161, § 1º, do CTN, fixando em 12% ao ano a taxa de juros legais moratórios dos tributos em geral. A adoção desse montante representa uma significativa elevação para a taxa de juros legais moratórios, pois fica duplicado o percentual de 6% ao ano que era estipulado pelo CC/1916. Além disso, adota-se uma taxa fixa, ensejando maior segurança jurídica e facilitando o trabalho dos operadores do direito. Em relação aos juros remuneratórios, em face do disposto no art. 591 do Código Civil (limite máximo dos juros remuneratórios), o percentual de 12% ao ano mantém-se dentro da tradição de nosso direito, especialmente em consonância com o disposto no art. 1º da Lei da Usura. Nessa mesma linha, já na Jornada de Direito Civil realizada no STJ em setembro de 2002, foi aprovada proposição de autoria do Desembargador Francisco José Moesch (TJRS), com o seguinte teor:
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A taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 é a do art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, ou seja, 1% (um por cento) ao mês.

Merece também lembrança a justificativa apresentada pelo autor da proposição:
A utilização da Taxa Selic como índice de apuração dos juros legais não é juridicamente segura, porque impede o prévio conhecimento dos juros; não é operacional, porque seu uso será inviável sempre que se calcularem somente juros ou somente correção monetária; é incompatível com a regra do art. 591 do Código Civil de 2002, que permite apenas a capitalização anual dos juros (...).

Nesse mesmo sentido, orienta-se Judith Martins-Costa (v. II, t. II, p. 406). Em sentido contrário, manifestam-se Teresa Ancona Lopez (p. 182) e Fábio Ulhoa Coelho (v. 3, p. 123). Portanto, a conclusão que se extrai da análise conjugada dos textos legais é de que o limite dos juros moratórios e remuneratórios no CC/2002 passou a ser de 12% ao ano por força do disposto no art. 161, § 1º, do CTN combinado com os arts. 406 e 591 do CC/2002. O STJ enfrentou essa questão na perspectiva dos juros legais moratórios, orientando-se no sentido de que, a partir da vigência do CC/2002, a taxa máxima passou a ser de 1% ao mês, servindo como exemplo o seguinte julgado:
Embargos de declaração. Plano de saúde. Suspensão de atendimento. Consumidor. Dano moral. 1. Tratando-se, na hipótese, de responsabilidade contratual da empresa plano de saúde, os juros moratórios devem ser aplicados a partir da citação. Precedentes. 2. Os juros moratórios incidem à taxa de 0,5%, ao mês, até o dia 10.1.2003, nos termos do art. 1.062 do Código Civil de 1916, e à taxa de 1%, ao mês, a partir de 11.1.2003, nos termos do art. 406 do Código Civil de 2002. 3. Embargos de declaração acolhidos. (EDcl no REsp n. 285.618-SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 17.12.2009, DJ 8.2.2010).

Posteriormente, porém, a Corte Especial do STJ firmou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa Selic, merecendo lembrança os seguintes precedentes, verbis:
FGTS. Contas vinculadas. Correção monetária. Diferenças. Juros moratórios. Taxa de juros. Art. 406 do CC/2002. Selic. 1. O art. 22 da Lei n. 8.036/1990 diz respeito a correção monetária e juros de mora a que está sujeito o empregador quando não efetua os depósitos ao FGTS.

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Por sua especialidade, tal dispositivo não alcança outras situações de mora nele não contempladas expressamente. 2. Relativamente aos juros moratórios a que está sujeita a CEF - por não ter efetuado, no devido tempo e pelo índice correto, os créditos de correção monetária das contas vinculadas do FGTS -, seu cálculo deve observar, à falta de norma específica, a taxa legal, prevista art. 406 do Código Civil de 2002. 3. Conforme decidiu a Corte Especial, “atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o referido dispositivo [art. 406 do CC/2002] é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, por ser ela a que incide como juros moratórios dos tributos federais (arts. 13 da Lei n. 9.065⁄1995, 84 da Lei n. 8.981⁄1995, 39, § 4º, da Lei n. 9.250/1995, 61, § 3º, da Lei n. 9.430/1996 e 30 da Lei n. 10.522/2002)” (EREsp n. 727.842, DJ de 20.11.2008). 4. A incidência de juros moratórios com base na variação da Taxa Selic não pode ser cumulada com a aplicação de outros índices de atualização monetária, cumulação que representaria bis in idem (REsp - EDcl n. 853.915, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ de 24.9.2008; REsp n. 926.140, Min. Luiz Fux, DJ de 15.5.2008; REsp n. 1.008.203, 2ª Turma, Min. Castro Meira, DJ 12.8.2008; REsp n. 875.093, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 8.8.2008). 5. Recurso especial improvido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp n. 1.102.552-CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 25.3.2009, DJe 6.4.2009). Embargos de divergência. Processo Civil. Acórdão embargado da 3ª Turma. Paradigmas das 2ª, 4ª e 5ª Turmas. Cisão do julgamento (Corte Especial, primeiro, e, depois, 2ª Seção). Art. 266 do RISTJ. Precedentes. Embargos do Banco Santander. Juros. Art. 406 do CC/2002. Taxa Selic. Precedentes da Corte Especial. Incidência da Súmula n. 168 do STJ. Embargos de divergência, referentes à competência da Corte Especial, liminarmente indeferidos. Decisão mantida em seus próprios termos. Agravo regimental desprovido. 1. “Não há violação à coisa julgada e à norma do art. 406 do novo Código Civil, quando o título judicial exequendo, exarado em momento anterior ao CC/2002, fixa os juros de mora em 0,5% ao mês e, na execução do julgado, determina-se a incidência de juros previstos nos termos da lei nova” (REsp n. 1.111.117-PR, Corte Especial, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Rel. p/ acórdão Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 2.9.2010). 2. “Atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o referido dispositivo [art. 406 do CC/2002] é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, por ser ela a que incide como juros moratórios dos tributos federais (arts. 13 da Lei n. 9.065/1995, 84 da Lei n. 8.981/1995, 39, § 4º, da Lei n. 9.250/1995,
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61, § 3º, da Lei n. 9.430/1996 e 30 da Lei n. 10.522/2002)’ (EREsp n. 727.842, DJ de 20.11.2008)” (REsp n. 1.102.552-CE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao regime do art. 543-C do CPC, pendente de publicação)” (Idem). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EREsp n. 953.460-MG, Rel. Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, julgado em 16.5.2012, DJe 25.5.2012). Execução de sentença. Taxa de juros. Novo Código Civil. Violação à coisa julgada. Inexistência. Art. 406 do novo Código Civil. Taxa Selic. 1. Não há violação à coisa julgada e à norma do art. 406 do novo Código Civil, quando o título judicial exequendo, exarado em momento anterior ao CC/2002, fixa os juros de mora em 0,5% ao mês e, na execução do julgado, determina-se a incidência de juros previstos nos termos da lei nova. 2. Atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o referido dispositivo [art. 406 do CC/2002] é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, por ser ela a que incide como juros moratórios dos tributos federais (arts. 13 da Lei n. 9.065/1995, 84 da Lei n. 8.981/1995, 39, § 4º, da Lei n. 9.250/1995, 61, § 3º, da Lei n. 9.430/1996 e 30 da Lei n. 10.522/2002)” (EREsp n. 727.842, DJ de 20.11.2008)” (REsp 1.102.552⁄CE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao regime do art. 543-C do CPC, pendente de publicação). Todavia, não houve recurso da parte interessada para prevalecer tal entendimento. 3. Recurso Especial não provido. (REsp n. 1.111.117-PR, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Rel. p/ Acórdão Ministro Mauro Campbell Marques, Corte Especial, julgado em 2.6.2010, DJe 2.9.2010).

Assim, tratando-se de decisão da Corte Especial, deve ser respeitada por todos os integrantes deste Tribunal, com a ressalva de meu entendimento pessoal acima exposto. De todo modo, deve-se reconhecer que a Taxa Selic refere-se somente aos juros legais moratórios, devendo incidir também a correção monetária na forma prevista pelo acórdão recorrido. Assim, sobre as parcelas indenizatórias, incidirão correção monetária de acordo com o indexador previsto no acórdão recorrido e juros legais moratórios pela variação da Taxa Selic. 5) Conclusão Em síntese, voto no sentido do parcial provimento dos recursos especiais para:
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a) reduzir o valor da pensão mensal para dois terços do salário mínimo até a data em que a vítima completaria 25 anos de idade, reduzindo-se para um terço do salário mínimo até o dia em que faria 65 anos; b) reduzir o valor da indenização por danos morais para o montante equivalente a 500 salários mínimos na data de hoje para cada um dos pais; c) estabelecer a Taxa Selic para a contagem dos juros legais moratórios. Não há alteração da sucumbência, devendo, ainda, o termo inicial dos juros e o índice de correção monetária seguir o disposto no acórdão recorrido. É o voto.

RECURSO ESPECIAL N. 1.218.497-MT (2010/0184336-9) Relator: Ministro Sidnei Beneti Recorrente: Banco do Brasil S/A Advogado: Alessandro Zerbini R Barbosa e outro(s) Recorrido: Priscila Bitencourt Advogado: Priscilla Bitencourt (em causa própria)

EMENTA Ação de indenização. Espera em fila de banco por mais de uma hora. Tempo superior ao fixado por legislação local. Insuficiência da só invocação legislativa aludida. Padecimento moral, contudo, expressamente assinalado pela sentença e pelo acórdão, constituindo fundamento fático inalterável por esta Corte (Súmula n. 7-STJ). Indenização de R$ 3.000,00, corrigida desde a data do ato danoso (Súmula n. 54-STJ). 1. - A espera por atendimento em fila de banco quando excessiva ou associada a outros constrangimentos, e reconhecida faticamente como provocadora de sofrimento moral, enseja condenação por dano moral.
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2. - A só invocação de legislação municipal ou estadual que estabelece tempo máximo de espera em fila de banco não é suficiente para desejar o direito à indenização, pois dirige a sanções administrativas, que podem ser provocadas pelo usuário. 3. - Reconhecidas, pela sentença e pelo acórdão, as circunstâncias fáticas do padecimento moral, prevalece o julgamento da origem (Súmula n. 7-STJ). 4. - Mantém-se, por razoável, o valor de 3.000,00, para desestímulo à conduta, corrigido monetariamente desde a data do evento danoso (Súmula n. 54-STJ), ante as forças econômicas do banco responsável e, inclusive, para desestímulo à recorribilidade, de menor monta, ante aludidas forças econômicas. 5. - Recurso Especial improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a). Os Srs. Ministros Paulo de Tarso Sanseverino, Nancy Andrighi e Massami Uyeda votaram com o Sr. Ministro Relator. Impedido o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Brasília (DF), 11 de setembro de 2012 (data do julgamento). Ministro Sidnei Beneti, Relator
DJe 17.9.2012

RELATÓRIO O Sr. Ministro Sidnei Beneti: 1.- Banco do Brasil S/A interpõe Recurso Especial com fundamento nas alíneas a e c do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso, Relator o Desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, acórdão esse que negou provimento à apelação interposta contra sentença que condenou o banco ora Recorrente ao pagamento de indenização de R$
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3.000,00 por danos morais à ora Recorrida, pelo fato de haver esta permanecido aguardando, após a retirada da senha, o início de atendimento por pouco mais de uma hora em agência bancária, em descumprimento à Lei Municipal n. 4.069/2001, Decreto-Lei n. 4.334/2006 e Lei Estadual n. 7.872/2002, desrespeitando o limite legal de quinze minutos e causando-lhe o padecimento moral de permanecer de pé em fila de espera, inclusive sem possibilidade de uso de sanitário. O acórdão recorrido vem assim ementado (fls. 73):
Indenização. Dano moral. Fila em agência bancária. Permanência superior à estabelecida em lei municipal. Dano configurado. Quantum adequado. Recurso não provido. O fato de o usuário ter permanecido mais de uma hora em fila de agência bancária, implica no descumprimento da lei municipal, ofendendo a dignidade, implicando na condenação por dano moral. O quantum arbitrado em patamar condizente com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade se mostra correto.

2. - O Recorrente alega que a espera em fila de banco por pouco mais de uma hora, ainda que configure ofensa à lei municipal que estabeleceu limite temporal para atendimento em prazo inferior, não é suficiente para configurar dano moral. Sustenta que se trata de mero aborrecimento e não ofensa à honra ou dignidade do consumidor. O Tribunal de origem, assim não entendendo, teria violado os artigos 186 e 187 do Código Civil. É o relatório. VOTO O Sr. Ministro Sidnei Beneti (Relator): 3. - Em muitos casos, sem dúvida, há abuso na judicialização de situações de transtornos comuns do dia a dia, visando à indenização por dano moral (cf., por todos, LUIZ FELIPE SIEGERT SCHUCH, “Dano Moral Imoral”, Florianópolis, ed. Conceito, 2012). Nesse sentido, julgados desta Corte têm assinalado que os aborrecimentos comuns do dia a dia, os contratempos normais e próprios do convívio social não são suficientes a causar danos morais indenizáveis. Nesse sentido, vários julgados: AgRg no Ag n. 1.331.848-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 13.9.2011; e REsp n. 1.234.549-SP, Rel. Ministro Massami Uyeda,
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Terceira Turma, DJe 10.2.2012; REsp n. 1.232.661-MA, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 15.5.2012 e AgRg nos EDcl no REsp n. 401.636-PR, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, Terceira Turma, DJ 16.10.2006. 4. - Mas, o direito à indenização por dano moral, como ofensa a direito de personalidade em casos como o presente pode decorrer de situações fáticas em que se evidencie que o mau atendimento do banco criou sofrimento moral ao consumidor usuário dos serviços bancários. A só espera por atendimento bancário por tempo superior ao previsto na legislação municipal ou estadual como, no caso, Lei Municipal n. 4.069/2001, Decreto-Lei n. 4.334/2006 e Lei Estadual n. 7.872/2002, não dá direito a acionar em Juízo para a obtenção de indenização por dano moral, porque essa espécie de legislação, conquanto declarada constitucional (STJ - REsp n. 598.183, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, 1ª Seção, unânime, 8.11.2006, com remessa a vários precedentes, tanto do STJ como do STF), é de natureza administrativa, isto é, dirige-se à responsabilidade do estabelecimento bancário perante a Administração Pública, que, diante da reclamação do usuário dos serviços ou ex-officio, deve aplicar-lhe as sanções administrativas pertinentes – não surgindo, do só fato da normação dessa ordem, direito do usuário à indenização. O direito à indenização por dano moral origina-se de situações fáticas em que realmente haja a criação, pelo estabelecimento bancário, de sofrimento além do normal ao consumidor dos serviços bancários, circunstância que é apurável faticamente, à luz das alegações do autor e da contrariedade oferecida pelo acionado. Nesse contexto, é possível afirmar, com segurança, que a espera por atendimento durante tempo desarrazoado constitui um dos elementos a serem considerados para aferição do constrangimento moral, mas não o único. Não será o mero desrespeito ao prazo objetivamente estabelecido pela norma municipal que autorizará uma conclusão afirmativa a respeito da existência de dano moral indenizável. Também há de se levar em conta outros elementos fáticos. 5. - No caso dos autos, a sentença e o acórdão do Tribunal de origem analisaram e afastaram, expressamente a alegação do banco, de que a autora teria realizado procedimento diverso do desejável, não indo ao caixa eletrônico e, sim, permanecendo na fila de atendimento pessoal no caixa, assinalando, o
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para que se tenha em mira a correção de distorções visando ao melhor atendimento. de qualquer forma. 31. caracterizando total desleixo no atendimento por parte do apelante” (e-STJ fls. cuja destinação constitucional consiste no deslinde de teses de interesse para todo o país não se destinando a revisão de questões individuais. Tal alegação constitui fato notório. Impossível. como é típico das indenizações atinentes a infringência de direitos dos consumidores.O valor da indenização foi razoavelmente fixado em R$ 3. (228): 343-460. levam à conclusão em prol do sofrimento moral. inclusive ante o caráter pedagógico da condenação. 32-. que. isto é. Por sua vez. 54-STJ. propicia o prestigiamento de tese nacional que não se concretizaria houvesse o caso restado sob o julgamento regional do Tribunal de origem. 256-157). muito além do tempo estipulado (15 minutos)” e concluindo: “Percutindo o fundo da perlenga. 24. circunstâncias fáticas. 7. 6. mais do que simples aborrecimento tolerável. deixar de assinalar que a manutenção do valor fixado atua como desincentivo ao recorrismo de risco perante esta Corte Superior. 108). fls. que veda o reexame da prova subjacente. a. a autora argumenta que esta se deu em condições desumanas. no dia 4. pois a apelada ficou muito tempo além do previsto na legislação (fl. . incisivamente. Nele constata-se que a apelada ficou na fila de espera do banco. a sentença.Pelo exposto. sem sequer haver um sanitário disponível para os clientes. além do tempo de espera.00. de valor de menor monta diante das forças econômicas do Recorrente. desencadeando-se.2008. É preciso ressaltar que o documento juntado a fl. Incide. Como se vê. verifica-se que não se trata de mero aborrecimento. a respeito dessas circunstâncias fáticas. expressamente consignadas pela sentença e pelo acórdão. pois é inegável que a cogitada agência não dispõe de sanitários e que não há lugares para todos os clientes aguardarem a longa espera sentados” (sentença. a Súmula n. nega-se provimento ao Recurso Especial. destacou: “No caso. em pé. outubro/dezembro 2012 . ademais. e-STJ fls. com o recurso.000. . A quantia é adequada. prova justamente o contrário. 415 RSTJ. portanto.Jurisprudência da TERCEIRA TURMA acórdão: “Não é isso que se constata ao folhear os autos. e-STJ.7. 31) e se encontrava com a saúde debilitada (fls. por esta Corte. o dever da indenização por dano moral.35). com expressa menção de correção a partir da data do ilícito (Súmula n. 109). 7-STJ.

3.940-MG (2011/0158276-8) Relatora: Ministra Nancy Andrighi Recorrente: Jam Engenharia Ltd