Temporada 04 Capítulo 54

Segurando as Pontas
By We Love True Blood

This is so exciting!

Bill deixou a água do chuveiro escorrer pelo seu corpo, encostou a cabeça na parede e fechou os olhos. O sangue de Eric descia pelo ralo lentamente, sangue que impregnou na roupa e corpo de tanto que socou o vampiro. Se arrependia de não ter ido até o fim, sonhava com o dia que enterraria uma estaca no peito de Eric. Só que esse dia nunca chegava, tinha que aturar a arrogância e estupidez dele. Por mais que apoiasse as leis da Autoridade, sentia falta da época que podia matar outro vampiro sem sofrer consequências, não que ele tenha matado muitos, mas quando precisou, ele agiu com destreza. Pensava em como conquistaria Sookita novamente, e se teria alguma chance. Bastian era peixe pequeno. Não encontraria problemas em tirar o garoto do caminho, o problema era o retorno inesperado de Eric. Acreditou que comprando a boate e a casa seria o suficiente para mantê-lo longe. Ele continuava de olhos fechados, desejando sentir a água quente que descia fazendo cócegas em sua pele, mas somente sentia a frieza do corpo. Passou a mão pelo peito e foi descendo devagar até sentir o membro ereto, sempre ficava excitado depois de um ato de força, quando podia agir inteiramente como um vampiro, sem se esconder por trás de uma máscara humana. Não havia imagem de Sookita ou Lorena em sua mente enquanto mexia vigorosamente no membro. Ele concentrava em como desejava a morte de Eric, dolorosa e lenta, muito lenta. Não compartilhavam o mesmo sangue, não faziam parte do mesmo círculo, Eric era o mal encarnado, mal que Lorena descreveu tanto em seus poemas depois que virou vampira. O mal que faz a pele arrepiar, mal que destrói vidas, mal que deve ser eliminado. Bill sentia o gozo se aproximando e aumentou o movimento, concentrando como um mantra na morte de Eric, na morte de quem se colocasse em seu caminho e até na morte dele próprio.

Como queria Lorena, beijá-la e dizer que a amava apesar da morte. Morte maldita, tirou tudo o que ele desejava. Morte que é Eric. Ele ficou imóvel quando chegou no clímax e em seguida sentiu nojo de si mesmo, como poderia pensar em Lorena e na morte de Eric ao mesmo tempo? Porque se sujeitava a isso? Só assim conseguia ter prazer? Ele deu um soco raivoso na parede, pedaços do azulejo caíram no chão, mas ele ignorou, terminou de se limpar e saiu do chuveiro. Enrolou a toalha na cintura, lançou um último olhar para o espelho, como tinha raiva por sucumbir dessa maneira, perder o controle, sendo que deveria mantê-lo acima de tudo. Balançou a cabeça e caminhou devagar para o quarto, agora sentia falta de Sookita, sendo que não deveria e muito menos tentar reconquistá-la. Ela o fez de idiota, o humilhou e mesmo assim não podia deixá-la escapar. O quarto trazia lembranças de quando foram casados, dos poucos momentos felizes que tiveram. Por que Lorena não o deixava ser feliz? Mesmo com Sookita, os pensamentos dele acabavam em Lorena. O celular tocou em cima da cômoda, ele passou a mão na toalha que ainda estava molhada e viu o nome piscando na tela, a última pessoa que ele queria falar naquele fim de noite. “Te fiz esperar muito?”, ele perguntou fingindo polidez. “Liguei milhares de vezes, achei que estava me evitando .”, a voz feminina disse do outro lado da linha. “Jamais...eu estava tomando banho.”, um longo banho, ele pensou apertando os olhos. “Não posso demorar muito. Só liguei para avisar que Eric voltou .”, ela disse friamente. “Eu sei, ele veio me visitar. Não gostou que comprei a vida dele.” “E não me avisou imediatamente?” “Não tive como, ele foi embora faz uma hora, se não me engano.”, Bill disse rapidamente. “Por favor, não estrague as coisas de novo. Sei que a volta dele foi inesperada, mas é imperativo que a moça não seja afetada.” , a voz soou irritada. “Sookita, ela tem nome.” “Sim, isso mesmo. Adoro quando fica ofendido.” “Apenas fico surpreso por tratá-la com tanta indiferença.”, ele falou mais alto do que gostaria.

“Eu só quero uma coisa, e nada pode falhar. Vamos nos concentrar para tudo dar certo.”, a voz falou delicadamente. “Estou trabalhando para isso.” “Quero ele longe da garota. Entendido?” “Entendi muito bem da primeira vez que falou.”, ele disse irritado. “Faça disso o seu mantra. E todo mundo saíra ganhando.” Ele ouviu apenas o silêncio do outro lado, ela havia desligado. Apertou o celular na mão, e sentou na beirada da cama. A volta de Eric só trouxe problemas, onde não havia nenhum. Teria que confiar no bom senso de Sookita em se manter afastada e continuar morando sozinha. As coisas teriam sido bem mais fáceis se continuassem casados, só que nada vinha fácil nesse mundo, obviamente que teria alguma complicação. Não gostava de receber ordens, mas estava ganhando muito bem para isso, não poderia reclamar. E logo tudo estaria acabado, e esperava triunfar no final. -----------------------------------Quando Tara passou pela porta, encontrou Sookita sentada em frente ao balcão da cozinha, tomando uma xícara de café e olhando fixamente na direção do sofá. “Já limpou tudo?” Tara perguntou olhando em volta e notando o quanto a casa estava na penumbra. “Limpei ontem mesmo quando voltei da boate, você não tem noção do que aconteceu.” “Já transou com ele?”, Tara perguntou meneando a cabeça. “Não, claro que não.” Sookita respondeu irritada, em seguida relatou os acontecimentos da noite depois que Tara foi embora. “Bill é meu patrão também? Não acredito... Pam está louca, só pode.”, Tara disse boquiaberta, puxando uma banqueta para sentar antes que caísse no chão pelo susto. “Ela fez para se vingar de Eric, se queria atingi-lo, conseguiu com bastante sucesso.” “Não se mexe mesmo com mulher traída.”, Tara disse com um sorriso de canto. “E onde está meu ex-patrão?”

“Ali...”, Sookita apontou para o sofá. “Que susto... eu nem vi ele ali deitado, parece morto.”, Tara deu um salto e olhou para o sofá. “Tecnicamente, ele está.”, Sookita disse bebendo um longo gole do café. “Ele vai ouvir toda nossa conversa, aposto que está fingindo nesse momento que está dormindo.”, Tara ficou em pé e caminhou até ele. “Nós podemos colocar a música mais alta aqui, de estourar os tímpanos, e ele não irá acordar. Eles dormem como mortos mesmo...” “Bem doido isso... eu não entendo desses detalhes, não tenho a mesma intimidade que você tem com vampiros.” Eric estava deitado no sofá de barriga para cima, as mãos juntas diante do peito. Era tão alto, que os pés ficavam para fora, não parecia muito confortável. Além do que estava sujo de sangue e com vários hematomas pelo rosto. “Ele está cheirando mal, todo esse sangue... onde será que se meteu?”, Tara perguntou fazendo uma careta. “Acho que deve ter encontrado Bill e provavelmente brigaram, é bem Eric fazer isso.”, ela suspirou resignada. “Ele chegou depois de mim, eu estava tão nervosa que arrumei tudo, até os vidros da televisão que ele quebrou.” “Ele poderia ter tomado um banho, as malas estão jogadas atrás do sofá.” “Deve ter sido por minha causa, eu não consegui pegar no sono esperando se ele iria mesmo voltar. Eu fingi que estava dormindo, mas fiquei espiando com o canto do olho. Vi quando ele subiu a escada, ficou um segundos parado, e depois desceu novamente.”, ela disse enquanto lavava a xícara de café e preparava um para Tara. “Então, vocês vão morar juntos mesmo?” “Não sei, nada foi decidido... já vou começar a procurar um lugar para morar.” “Ele quem irá sair daqui, a casa agora é sua. Bill te deu presente, tem que tirar algum proveito desse casamento.” Tara observou melhor o vampiro dormindo, se aproximou mais para ter certeza que dormia de verdade. “Mesmo sujo e fedendo, esse canalha é uma coisa de gostoso.” “Pode pegar pra você.”, Sookita deu de ombros, pegou a xícara de café e levou até Tara.

“Eles não podem acordar mesmo?”, Tara perguntou e Sookita confirmou com a cabeça. “O que vai fazer?” “Ah, matar a minha curiosidade.” Tara ignorou a xícara oferecida por Sookita e andou até ficar ao lado de Eric no sofá. Lançou um olhar cobiçoso para o corpo do vampiro, e começou a desafivelar o cinto da calça preta que ele usava. “Tara, está doida?” “Só quero ver o tamanho, nada demais... você nunca descreveu quando perguntei.”, ela soltou uma gargalhada. “Não posso deixar que faça isso.” “Ah, você pode falar porque já viu, já pegou, já fez a festa.”, Tara puxou o zíper devagar, segurando a respiração por causa da expectativa. “Meu Deus!”, Sookita fez um movimento brusco, quase derrubou a xícara no chão. “Coisa rápida, só vou olhar por dois segundos, pode cronometrar.” Sookita virou de costas, não achava certo invadir a intimidade dele dessa maneira, por mais defeitos que Eric pudesse ter. “Jesus... agora entendo porque não consegue se controlar.”, Tara disse suspirando alto. “Você olhou mesmo?” “Deixa de ser boba, pode virar... já escondi.” Sookita virou devagar com medo de encontrar Eric de olhos abertos e chocado com o que aconteceu. “Santo Martillo, eu sempre achei que era por causa do Martelo de Thor. Se fosse uma religião, eu viraria devota na mesma hora.”, Tara deu um tapinha por cima da calça dele. “Realmente estamos numa realidade alternativa...”, ela disse ao se lembrar das palavras de Eric na noite anterior. “Nem parece que eu olhei, está igual antes.”, ela apontou para a calça e o cinto que estavam novamente arrumados.

“Você já viu tantos antes, e sempre descreveu tão bem que é como se eu tivesse visto também. Não entendo essa empolgação.”, Sookita estendeu mais uma vez a xícara para Tara. “Eu nunca vi do Todo-Poderoso Eric, o viking. Faz sentido seu comichão... estou realmente com pena de você se morarem juntos, nem que seja por uma semana.”, Tara pegou a xícara e bebeu um gole. “Todo mundo só sente pena de mim, está cansando já.”, ela sentiu vontade de gritar. “Vamos bater uma aposta... metade do nosso salário.” “Eu ganho bem menos que você...” “Não tem problema. Eu aposto que você dá pra ele em dois dias vivendo juntos.” “Estou emocionada com o seu voto de confiança.” “Ah vá, entre na brincadeira. Quanto você consegue resistir?” “O suficiente... você verá.” “Negócio fechado.”, Tara estendeu a mão para Sookita. Sookita devolveu o aperto e pensou em toda a loucura que estava acontecendo. Pelo menos seria uma motivação e tanta essa aposta, não que fosse sucumbir a ele, mas ela acreditava que seria mais forte do que a aposta furada de Tara. E ainda ganharia uma grana da amiga, não estava nada mal. Lançou um olhar para Eric dormindo, parecia tão relaxado e ao mesmo tempo assustador por causa do sangue no rosto e os machucados. Ela abriu um sorriso quando lembrou o motivo dele continuar sujo, provavelmente não quis acordá-la, se soubesse que ela estava fingindo. ------------------------Bastian limpou os pés no capacho em frente a porta da casa de Sookita ou de Eric. Ele não sabia mais como definir, e pelo jeito nem os donos sabiam. Apertava a chave do carro dentro do bolso, seria penoso devolver para o dono. Tinha ficado mal acostumado em dirigir com o carro e atrair atenção por onde passava, é como se fosse alguém importante, como se fosse igual a Eric. Até parecia como a Cinderela, quando chegasse as dozes badaladas do relógio, as coisas voltariam ao normal. E ele estava de saco cheio da normalidade. Emular Eric nesse ano tinha sido tão divertido, fazia com que tentasse superar a perda de Delilah e Maya. Como desejar superar Maya, mas

não conseguia, sua mente relembrava constantemente o sorriso tímido, a voz suave e o medo que ela tinha dele. Endireitou as costas, estufou o peito e bateu na porta. Normalmente ele entraria sem bater, pois encontraria Sookita. Mas com Eric de volta, não era bom demonstrar tanta intimidade. “Está dois minutos atrasado.”, Eric abriu a porta com cara de poucos amigos. “Que houve com sua cara? Está lutando MMA?” Ele observava com atenção os hematomas de Eric, o nariz parecia quebrado e o canto da boca com um rasgo. Pela primeira vez o viu feio, sem parecer ator de cinema. Desejava que o rosto dele não regenerasse. “Bill fez isso.” “Você matou ele... por isso me chamou. Não, cara... não posso ser cúmplice nisso.”, Bastian começou a gesticular sem parar. “Entre de uma vez.”, Eric agarrou o braço de Bastian e o puxou para dentro, em seguida fechou a porta com um estrondo. “Santiago vai me matar... a Autoridade vai me matar...”, ele choramingava. “Quer se acalmar.”, Eric passou pelo rapaz balançando a cabeça. “Eu não matei ninguém.” “Mas... mas ele te sentou o pau... e ficou vivo? Não entendi a pegadinha.” “Não vou agir sem provas. Por isso te chamei.”, Eric sentou no sofá e fez um aceno para Bastian. “Já falei que não achei nada no computador dele.”, ele sentou na ponta do sofá. “Você invadiu o computador do escritório na Prefeitura?” “Sim, o que é ligado na rede da Autoridade. Por quê?”, Bastian franziu o cenho sem entender. “Porque... ontem eu visitei o palacete de Bill e vi um notebook na mesa dele.”, Eric disse com um brilho nos olhos. “E daí?” “Quero que você invada esse notebook.” “Sem chance... nem pensar.”, Bastian ficou em pé num salto. “Não entendo a dificuldade, você não é um nerd?”, Eric encolheu os ombros.

“Olha, isso é ser nerdfóbico.”, Bastian cruzou os braços ofendido. “Eu sei citar qualquer quote de filmes e seriados, e manjo de computador. Isso não me faz um nerd.” “Sei lá o que você é. Só quero que invada o computador de Bill.” “Claro, está achando que basta eu pensar muito forte e os dados do note irão aparecer magicamente agora.”, Bastian andava de um lado para o outro. “Francamente...” “Vou te dar uma motivação extra.”, Eric se ajeitou no sofá e abriu um largo sorriso. “Quer parar de andar desse jeito, estou ficando com vertigem.” Bastian parou no meio da sala, colocou uma das mãos na cintura e encarou Eric. Sentia-se mais poderoso nessa inversão de posições, Eric sentado no sofá, e ele em pé, mostrando que pode ser dominante. Além do que a cara de Eric continuava estragada, isso sim era motivação. “Se invadir o notebook de Bill... meu carro será seu.” “Repete...” “Não, você entendeu muito bem.” Bastian tossiu alto, não acreditava no que tinha ouvido. O carro poderia ser seu em definitivo, era uma oportunidade única. “Só que não será fácil como da primeira vez.” “Por que não?” “Bem... o computador do escritório estava na rede da Autoridade, então foi igual tirar doce de criança. Mas esse... está na casa dele, a coisa meio que complica.”, Bastian sentou novamente no sofá, dessa vez perto de Eric. “Terá que ir até lá?” “Sim, tenho que acessar fisicamente.”, Bastian disse sentindo o carro fugindo de seus dedos. “Sua namorada poderá nos ajudar.” “Namorada?”, Bastian tossiu pela segunda vez, depois pela terceira e quarta vezes. “Sookita... não é mesmo?”, Eric perguntou se aproximando de Bastian. -----------------------------

O bar estava quase fechando, ela passava um pano no balcão e sorria de vez em quando para Sam, que estava do outro lado do bar atendendo os últimos clientes. Ela iria protelar o máximo que conseguisse, para chegar tarde em casa e evitar encontrar Eric. Antes não via a hora de ir embora, descansar e dormir sem sonhos até o dia seguinte. Agora a noite não trazia um bom presságio, ainda mais com Eric de volta em sua vida, de uma maneira avassaladora. Não tinha como negar que estava morrendo de curiosidade para saber o que tinha acontecido, se ele tinha apanhado e Bill continuava ainda vivo depois dessa. Pois se algo tivesse acontecido, Eric fugiria ou já teria ido preso. Além do que, ela precisaria ter uma conversa com Pam, sem pessoas por perto e bem longe de Eric. Algumas situações precisavam ser resolvidas, sobre Nora, sobre a casa e sobre Bill. Sookita não sentia vontade de procurá-lo, preferia ficar em território amigo primeiro, era até inusitado considerar Pam dessa maneira, mas se sentia confortável com ela do que na presença de seu ex-marido. Ouviu o barulho do sino da porta tocando, voltou a atenção para a entrada e deparou com a presença de Johnny B. Goode, o rapaz fã de Chuck Berry. Ela sorriu de uma maneira estranha, não sabia o que fazer. E muito menos o motivo da presença dele. “Olá, moça de nome engraçado.”, ele se aproximou do balcão. “Quer alguma coisa para beber?”, ela quase acrescentou fã de De Volta para o Futuro, mas seguiria o conselho de Tara, não espantaria o rapaz com o senso de humor ácido que tinha. “Seu sangue...”, Johnny fez uma voz assustadora. “Brincadeirinha, gata. Vim aqui te ver.” “Como sabe que trabalho aqui?”, ela ignorou a brincadeira esquisita dele. “Sua amiga Tara.”, ele passou a mão nos cabelos sedosos. “Aquele vampiro loiro é seu namorado?”, perguntou sem rodeios. “Hum... Eric? Não, claro que não...”, Sookita sentiu uma tremedeira nas pernas. “Então por que moram juntos?” “É temporário, sabe... eu aluguei a casa dele, e ele voltou... e... foi meio inesperado.”, ela falou rapidamente. “Posso te pegar sem preocupação?” “Que?”, ela o encarou surpresa. “Acho que sim...”

“Aquele cara é mau encarado, e é velho.”, ele fez uma careta. “Como sabe que ele é velho?” “Ah, está nos olhos. Velho e perigoso.”, Johnny arregalou os olhos. “Perigoso mesmo.”, ela disse pensativa. “Vai demorar pra sair?”, ele perguntou depois de um tempo, colocando as mãos nos bolsos da calça jeans cheia de furos. “Daqui uns quinze minutos.” “Te levo pra casa, gata.”, Johnny girou nos calcanhares e saiu do bar. Sookita não sabia se gritava ou chorava de felicidade, pelo menos teria uma companhia para ir embora e não encarar Eric sozinha. E poderia manter o fingimento de que o namorava, mesmo que fosse só da parte dela. Não tinha como dar errado. Ela correu para os fundos do bar, entrou no escritório de Sam, que era praticamente dela. Soltou o rabo de cavalo, deu uma ajeitada nos cabelos. Passou um batom rosa e um pouco nas bochechas, para dar uma aparência saudável, ela andava precisando. Arrumou os shorts e a camiseta do bar, não tinha roupa menos reveladora para vestir. Quinze minutos depois ela o encontrou encostado no poste ao lado do bar. Apertou a alça da bolsa e se aproximou dele, estava nervosa pelo que poderia acontecer. “Tem carro?”, ele perguntou tirando um cigarro fino do bolso da calça. “Tenho, mas prefiro usar ônibus.” “Você é dessas preocupadas com a natureza.” “Pode-se dizer que sim.”, ela disse com um sorriso. “Você ainda fuma?” “Sou morto, não sou burro.”, Johnny disse enquanto acendia o cigarro. “Adoro o cheiro.” “Não gosto de cigarros.”, Sookita fez um movimento com as mãos e balançou a cabeça. “Não conhece erva, gata?”, ele franziu o cenho. “Por isso é fininho... nunca vi ao vivo antes.”, o cheiro adocicado da erva tomou conta do ambiente. “Dá uma tragada bem forte...”

Ele apertou a ponta do papel fino e puxou para dentro a fumaça. Em seguida soltou lentamente a fumaça para cima farejando o ar. Estendeu o cigarro para Sookita. “Não... não...” “Eu te ensino...” “É perigoso, mata neurônios do cérebro. Li uma vez numa revista.” “Vai se arrepender.”, ele deu mais uma tragada e jogou a fumaça na direção dela. Ela começou a caminhar em direção ao ponto de ônibus, não podia negar que o cheiro era interessante, como se cheirasse o mato molhado depois de uma chuva. Olhou por sobre os ombros e ele a seguia fumando calmamente. Será que fazia mal se experimentasse apenas um pouco? “Não vou ter alucinações?”, ela perguntou parando no ponto vazio. “Isso não é ácido, gatinha!”, ele soltou uma gargalhada. “Quando eu era vivo, toda vez que fumava um.... Imaginava que via a minha mãe me pegando no flagra.” “Pode ver pessoas?”, ela perguntou sonhando se teria a chance de rever Jason. “Depende do seu barato. O meu era culpa... só que é coisa rápida, segundos... depois... puft, some como um passe de mágica.” “Espero não me arrepender.”, ela estendeu a mão. “Vai nada. Pena que não posso viajar junto.”, Johnny passou o cigarro. Sookita pegou de maneira desajeitada, já tinha visto Tara fumando cigarro quando adolescente, mas não quis experimentar. E nem era maconha, se fosse teria ficado desesperada. Sempre ouviu dizer que era a erva do diabo. Tentou imitar Johnny levando o cigarro até os lábios e puxando com força. Mas não conseguiu sentir nada, nem uma fumaça e nem o cheiro adocicado. “Deixa eu te ensinar.”, ele se aproximou dela, pegou novamente o cigarro. “É assim, fácil, fácil... segura bem na ponta com o dedão e o indicador... aperta bem.”, ele lançou um olhar para a mão esquerda dela que não tinha parte do indicador. “Com a sua mão boa... encosta nos lábios, só pra dar uma molhadinha e suga pra valer.” Ela ficou em dúvida se a explicação foi de verdade ou ele estava usando uma metáfora meio louca para sexo oral.

“Entendi.” Sookita pegou o cigarro de volta e tentou imitar o movimento que Johnny fez, inclusive o biquinho com os lábios. Apertou a ponta o máximo que conseguiu e puxou quase ficando sem ar. “Segura... Segura... não solta ainda.”, ele gesticulava na frente dela. Sentia a fumaça presa dentro da boca, a vontade de tossir era enorme, estava ficando mesmo sem ar. Não aguentou por muito tempo e soltou a fumaça de uma vez, tossindo até sentir a garganta arranhar. “Mais uma vez... dessa vez segura, dá uma engolida na fumaça e solta pelo nariz, gata.”, ele demonstrava estar se divertindo com a situação. Ela repetiu o mesmo que fez antes, conseguiu segurar por alguns segundos e quando soltou a fumaça, viu um ônibus passando sem parar no ponto. “Meu ônibus... não acredito.”, ela disse com fumaça saindo pelo nariz e tossindo ao mesmo tempo. “Liga não. Vamos curtir o momento.”, ele a abraçou pelas costas. “Por acaso você é um vampiro que voa?”, Sookita perguntou sentindo as pernas formigando. “Sou novo ainda. Vou te contar como fui transformado, é bem engraçado.”, ele começou a rir. “Imagino.”, ela disse também rindo, só que sem entender o motivo por estar rindo. Ele parou de abraça-la e sentaram no ponto de ônibus, ela torcia para um outro ônibus passar. Senão teria que ir embora a pé e seria uma longa caminhada. “Foi num show do Led em 1977. Eu tive que ir pra Dallas com meus colegas. Naquela época não era tão rígido, cruzamos pelo deserto de Jacumba, só tinha uma cerca, hoje tem muros altos e segurança em toda parte. Acabou a festa.”, ele disse olhando para frente. “Depois viajamos dias pedindo carona, um cara quis que eu fizesse uma chupeta... pelo Led eu até faria. Mas não precisei, ele aceitou uns cigarros de maconha em troca." “Legal.” Foi o máximo que Sookita conseguiu dizer, cada tragada que dava, sentia que pegava o jeito da coisa. Não escutou uma palavra do que Johnny disse, provavelmente era uma história interessante.

“Olha que louco... no meio da quarta música, eu tava bem doido... agitando perto da grade... olha o nome da música, muito... muito doido... In My Time of Dying... muito simbolismo e nessa hora eu acho que levei uma na cabeça e acordei morto no dia seguinte na cama de uma vampira locona.”, ele bateu as mãos nas coxas excitado com a história. “ “Qual shampoo você usa?” “Que? Não ouviu minha história?” “Sim...”, ela disse passando a mão no cabelo dele e na outra segurando o cigarro. “Poxa, gata... já está piradona?”, ele a encarou. “Não sei... estou vendo tudo brilhante, você está no meio da fumaça branca...”, ela olhava além dele, como se um novo mundo se erguesse atrás de Johnny. “Ih, você é daquelas. Vai dizer que viu Deus.”, ele jogou os cabelos para trás. “Será? Jason... você está por aí?” Ela ficou em pé, começou a andar pela estradinha em frente ao bar de Sam. Mas ao mesmo tempo caminhava como se pisasse em algodões, e estivesse em outro lugar. Ouvia vozes distantes, suaves, via algo brilhante mais à frente. “Cuidado pra não cair.”, Johnny disse correndo atrás dela. --------------------------“De onde tirou isso?”, Bastian perguntou se afastando de Eric no sofá. “Não importa, só quero saber se agiu pelas minhas costas por que estava fodendo Sookita.”, Eric se aproximou novamente do rapaz, deixando uma distância mínima entre os dois. “Eu...”, o rapaz engoliu em seco. “Eu jamais... é um mal entendido.” “Explique. Temos todo o tempo do mundo.”, Eric apoiou um dos braços no encosto do sofá. “Sookita é... minha namorada, mas não do jeito que está pensando. Não somos Lannisters.” “O quê?” “Ninguém assiste seriado por aqui.”, Bastian disse cruzando os braços, estava extremamente incomodado com a aproximação de Eric.

“Sim, só você é o espertalhão do pedaço.”, ele fez um movimento para Bastian continuar falando. “Foi só pra enganar Bill. Ele estava enchendo o saco na abertura da boate. E Sookita fingiu ser minha namorada.”, Bastian disse rapidamente. “Nunca beijei ela, juro por tudo que é mais sagrado.” “Interessante.”, Eric disse pensativo. “Vai me bater de novo?”, ele se encolheu no sofá. “Não.” “Ufa...” “Só foi um soco de leve. Não precisava fazer todo aquele drama com Pam.” “Você e Pam irão se acertar?”, ele perguntou numa voz baixa. “Espero que sim.” “Ela ficou bem chateada com a sua partida. Eu nem podia contar que falava com você.” “Sabia dos motivos, Bastian. Por sorte a sua boca grande não causou problemas antes de pegarmos Leroy.”, Eric disse irritado. “Onde ele está?” “Num local seguro.” “E Nora?” “Procurando o Executor.” “Pra que?” “Está perguntando muito.” “Desculpe, desculpe. Santiago também não diz nada.”, ele disse se ajeitando no sofá, mas acabou encostando na perna de Eric. “Porque ele não sabe.”, Eric franziu o cenho. “Como Sookita irá nos ajudar com Bill? Duvido que ela vai querer alguma coisa com essa história.” “Estou pensando. Se você ficar falando muito...”, Eric disse e aproximou o rosto dele. “Só uma coisa... Continue fingindo que é namorado de Sookita.” “Não entendi.”

“Eu quero me divertir.”, ele disse com um sorriso. “Sacanagem!” -------------------------------Ela nem sabia como chegou até em casa, foi dando indicações às cegas. E contando com a boa memória de Johnny da noite passada. Fumou o cigarro até o final, quase jogou a bituca fora para desespero dele. De acordo com ele, tem que fumar até a última ponta. E assim ela o fez, acreditava que tinha pegado o jeito. Além do que continuava com a visão dupla, ao mesmo tempo que via as casas e as ruas asfaltadas, surgia imagens de um mundo estranho e diferente. As vozes se aproximavam da orelha dela, até faziam cócegas. Ela sentia a mente formigando, como se quisesse dormir e outra vir à tona. O mais estranho era que o lugar parecia conhecido, como se ela tivesse ido lá alguma vez. Num sonho? Geralmente cidades que ficavam em nuvens só podiam pertencer em sonhos. Pararam em frente à entrada da casa, ela queria pular e dançar, e também queria beijar e queria transar, como queria. Johnny a puxou para junto de si e a beijou como da outra vez. Ontem o beijou bêbada e hoje depois de fumar maconha. Estaria indo para o mal caminho? “Vamos entrar, gata.” “Acho... meu outro namorado...” “Achei que era solteira.”, ele disse parando de beijar o pescoço dela. “Meu amigo... ele só finge... como você.” “Melhor entrar sozinha mesmo. Não vou mais comprar essa erva do Saul, baita porcaria.” “Eu gostei, conheci um lugar... muito incrível.” “Gata, eu queria te dar o orgasmo mais cósmico do universo.” “Já estou tendo...” “Eu sei, posso ver. Só que sem mim.”, ele deu um selinho nela. “Pode me dar mais desse negócio?” “Devagar... foi só pra quebrar o gelo.”, Johnny parou de abraça-la.

Ela concordou com a cabeça, lá no fundo sabia que não era um bom negócio continuar. Mas que foi gostoso foi, o efeito ainda não tinha passado. Se tinha algo especial nessa erva, funcionou perfeitamente. “Ainda quero te pegar sóbria.”, ele abriu um sorriso. “É só marcar.”, ela disse caminhando em direção a porta. “Obrigada... pela carona.” Ele soltou uma gargalhada, ela não entendeu o motivo. Despediu com um aceno e entrou na casa. Fechou a porta e ficou encostada com os olhos fechados. Não queria perder a visão que estava tendo, queria continuar naquele lugar, apesar de vez em quando ficar meio assustador. Ela abriu os olhos depois de alguns minutos e viu duas pessoas sentadas juntas no sofá. Apertou os olhos e viu alguém parecido com Eric e outro com Bastian. “Estão se beijando?”, ela perguntou falando mais alto do que o normal. “Tão... juntos.” “Não sou gay.”, Bastian ficou de pé num salto, foi parar do outro lado da sala. Sookita deu um passo à frente e depois outro, ainda sentia como se pisasse em algodões. Eric a olhava num misto de curiosidade e irritação. “Vá ajudar sua namoradinha, Bastian. Ela teve uma noitada e tanta.”, Eric disse com um sorriso cínico e ainda sentado no sofá. Bastian voltou-se apavorado na direção dela, não sabia o que fazer e ela deu mais alguns passos, balbuciou palavras incompreensíveis. Eric levantou rapidamente e se aproximou dela. Segurou nos ombros dela com força e a encarou: “Quem te deu isso?”, ele disse com uma careta por causa do cheiro adocicado que sentiu nas roupas dela. “Meu... namorado... Chuck Berry.”, Sookita disse sorrindo. “Não... não... é Johnny B. Goode... igual a música, o cabelo é bonito.” “Ele te deu algo muito bom mesmo.”, ele disse balançando a cabeça. “Consegue andar?” “Estou ótima, obrigada por perguntar.” Ela sorriu novamente para ele e tentou se afastar na direção da sala, mas sem sucesso. Cambaleou novamente e caiu apoiada no encosto do sofá. Eric a segurou pelos ombros e a pegou no colo, como fez na noite anterior. Mas

dessa vez subiu as escadas devagar, não queria que ela sentisse vontade de vomitar novamente. “Acho que já vi essa cena em algum lugar.”, Bastian disse parando no primeiro degrau. “Se disser E o Vento Levou, irá perder outro dente.”, ele disse apertando Sookita nos braços e a levando em direção a cama. “Sabia!”, ele deu um grito excitado. “Desculpa...”, disse subindo a escada devagar. “Isso... meu filme favorito... que você perguntou ontem.”, ela disse batendo palmas enquanto ele a colocava na cama. “Eu sempre quis ser como Scarlett... Tara tem o mesmo nome da fazenda... isso não é coincidência. Quando éramos meninas... assistimos o filme e depois imitamos as cenas. Meu primeiro beijo foi em Tara.”, ela soltou uma gargalhada. Bastian parou no topo da escada, Eric olhou para ele e ambos encolheram os ombros sem entender o que estava acontecendo. “Está tudo brilhando agora, a cidade nas nuvens. Tão lindo...”, ela fechou os olhos. Eric sentou ao lado dela na cama e abriu os olhos dela, notou que estavam vermelhos e as pupilas dilatadas. “Não me toque desse jeito... me dá calor... quero tirar a roupa. Tire a minha roupa.”, ela disse para ele. “Bastian, vá buscar Tara. Isso está saindo do controle.”, Eric disse severamente. O rapaz fez um sinal com a cabeça, lançou um olhar preocupado na direção de Sookita e desceu as escadas. Ela estava sozinha com Eric no quarto de tantas lembranças do passado. “Tara...Tara... minha amiga e da fazenda também. Você é Rhett, eu sabia que te conhecia de algum lugar.” “Não sou, não tenho bigode como seu ex-marido.”, ele disse segurando o riso, não fazia ideia que tipo de coisa ela estava imaginando. “Ashley, ele é Ashley... faz tudo sentido agora. Eu estava cega.”, ela tentou se sentar. “É melhor descansar, Sookita. Desde que voltei só a vi fora de si.”, Eric apoiou a mão no ombro dela e a obrigou a deitar.

“Não me toque... não era para ter me beijado daquele jeito.”, ela deu um tapa na mão dele. “Eu não te beijei.” “Tem certeza?”, ela avançou na direção dele, passando os braços em volta do pescoço dele. “Vou ter uma conversinha com esse seu namorado.”, ele tentou tirar os braços dela. “Não... pede pra ele me beijar.” “Ele não está aqui.” “Então... você mesmo.”, ela mordeu os lábios dele. “Não com você nesse estado.”, Eric forçou Sookita a deitar novamente. “Eu sei o que estou fazendo.”, ela deitou na cama cruzando os braços em volta do peito. “Estava me chamando de Rhett até agora.” Ela arregalou os olhos, e levantou a cabeça para encará-lo melhor. “Hoje você está feio... que alivio.”, ela soltou um suspiro. “Logo vou me curar.”, ele disse sem esconder o desconcerto. “Prefiro você assim... humano.”, Sookita tocou na mão dele. “Humano?”, Eric afastou a mão do toque dela. “Sim... desse jeito... nas nuvens.”, ela olhava para o rosto dele. “Eu não sei lidar com chapados. Sua amiga deve saber melhor do que eu.”, ele disse ficando em pé. “Eu sou eu... por que é difícil acreditar?” “Melhor ficar quieta. Vou esperar lá embaixo.” “Não me deixe sozinha... estou com medo deles me olhando.”, ela segurou no braço dele. “Eles quem? Estamos sozinhos.” “Nas nuvens.” Sookita apontou com a outra mão que estava livre para algo atrás de Eric. Em seguida o puxou com força, ele caiu de maneira desengonçada com parte do

corpo em cima dela. O peso do corpo dele fez com que sentisse que ainda estava no mundo real, que era observada de outro lugar, que eles não iriam pegá-la. Eric a protegeria, como sempre fez. A presença dele era o conforto que precisava, mesmo que a estivesse sufocando e a deixando pegando fogo. “Não consigo respirar.”, ela disse puxando o ar com força. Ele demorou para se afastar, como se estivesse com dificuldade para se movimentar. Sentou novamente ao lado dela, não a encarava, mantinha o olhar no outro lado da cama. “Não estou aguentando... esse calor... está me consumindo...” Sookita começou a esfregar as costas no colchão, mexia as pernas sem parar e puxava a camiseta do bar para cima da cabeça. Os seios subiam e desciam por causa da respiração acelerada dela. Eric num movimento rápido, retirou as mãos dela da camiseta e puxou novamente para baixo, até a altura do shorts. “Continue.” Ela agarrou a mão dele e a manteve no botão de seus shorts, queria que ele abrisse de uma vez, para aplacar toda aquela dor. “Você quer... eu quero... desde que nos vimos.”, ela disse fincando as unhas na mão dele. “Só está dizendo isso porque está chapada.”, ele disse entre dentes, mantendo a mão no shorts dela. “Normalmente estaria esbravejando ou correndo de medo.” “Olhe pra você... é assustador estar ao seu lado.”, Sookita disse sentindo o calor insuportável correndo pelo corpo. “Mas... agora eu não me importo.” “Porque não está pensando racionalmente.”, Eric disse soltando um leve gemido por causa das unhas dela e olhando na direção da escada. “Onde está Bastian que não voltou ainda?” “Só assim consigo pensar... não vou me arrepender amanhã.”, ela o encarou. “Quem está com medo dessa vez... é você.” “Não podemos fazer.”, ele disse numa voz rouca. Ele inclinou o tronco para frente e procurou os lábios dela com a língua. Ela quase gritou de prazer quando o sentiu novamente tão íntimo. Agarrou o cabelo dele com uma das mãos e manteve a outra em cima da dele no primeiro botão do shorts. Ele tinha que abrir, tinha que invadi-la. Fazia tanto tempo que desejava, ansiava pelo toque dele.

Sookita não precisou se esforçar, ele começou a desabotoar o shorts dela. Ela estava com a outra mão livre e foi na direção da calça dele, ao mesmo tempo que ele abaixava o zíper dela, ela tentava abaixar o dele, mas desistiu, as mãos dela tremiam. O coração estava disparado, saltando do peito, era como se batesse pelos dois. A língua dele continuava explorando cada canto da boca dela, começou timidamente, depois tomou conta de tudo. Podia sentir a maciez dos lábios dele, enquanto ele se posicionava para escorregar a mão por dentro do shorts. Ela sentiu primeiro a ponta do dedo dele, descendo lentamente, explorando novamente o que deixou para trás. Ele parou de beijá-la e soltou um gemido, apoiando a cabeça no ombro dela, enquanto os dedos dele ficavam molhados conforme a tocava cada vez mais. Sookita sentia o calor misturado com o prazer, e abriu as pernas para ele a possuir com os dedos. Não importava como fariam, ela o queria dentro dela de qualquer maneira. Levantou a cabeça dele com a mão, puxando forte o cabelo e procurou os lábios dele mais uma vez. Eric mantinha os olhos fechados, como se também sentisse a mesma dor dela. Era tudo impossível e ao mesmo tempo possível. “Preciso que me possua... tão forte pra tirar essa dor.”, ela disse entre gemidos. Após ouvir isso, Eric parou de mover os dedos e se afastou do toque dela, como se o queimasse. “Você não está sã.” Ele ficou em pé, mas era evidente a enorme ereção que tinha, teria que esperar passar. Voltou a sentar novamente, só que dessa vez na ponta da cama. Sookita viu o volume na calça dele e começou a rir. “Não suje o banheiro... depois.”, ela disse virando para o outro lado, mas sentindo uma lágrima quente escorrendo. Antes que ele pudesse responder, a porta da casa foi aberta por Tara que subiu as escadas correndo. “O que aconteceu?”, ela perguntou sem fôlego. “Chuck Berry deixou ela chapada.”, ele disse apertando as pernas e focando o pensamento no namorado estúpido de Sookita. “Quem? Não... é Johnny B. Goode.”, ela se aproximou da cama. “Falei apenas pra ele relaxar Sookita, mas não dessa maneira.” “Você sabe escolher bem os namorados dela. Extremo bom gosto.”, ele deu um assobio, precisava ganhar tempo.

“Melhor do que você.” “Nunca fui namorado dela.” “Graças a Deus.”, Tara respondeu tocando devagar em Sookita. “Acho que ela dormiu.” “Chegou no melhor momento.”, ele disse irritado. “Pode ir agora...”, Tara fez um movimento indicando a saída. “Já estou indo.” “Aconteceu alguma coisa?” Ela perguntou olhando desconfiada para ele. Por algum motivo estranho, Eric não se mexia e não fazia questão de ir embora. “Estou com fome.” “Nem morta que te dou meu sangue. E nem Sookita.... Ela é comprometida.” “Muito.”, ele disse com um sorriso. “Desde que você voltou está essa zona... incrível... dois dias atrás estava tudo normal. Sookita nem maconha pode fumar sem ficar louca.” “Ela deve ser fraca.”, ele estava odiando cada minuto de conversa fora que estava jogando. “Deve ser culpa da telepatia... o cérebro dela deve ser todo esburacado.” “Já que não vai me alimentar...”, Eric disse ficando em pé, já teve o suficiente de papo furado. “Socorro... está de pau duro. Não tem vergonha? É por causa do shorts dela?”, ela disse cruzando os braços e batendo um dos pés no chão, igual Sookita fazia quando estava brava. “Merda.” Ele olhou para o volume da calça e correu velozmente para a saída da casa, bastava tudo que tinha passado desde que voltou, agora seria motivo de chacota por sentir tesão. Bastian subiu a escada com um olhar preocupado, sem entender o que estava acontecendo. “Por que ele saiu desse jeito? Nem se despediu...”

“Não vai querer saber.”, Tara disse sentando ao lado de Sookita, pelo jeito ainda não tinha ganhado a aposta, mas não iria demorar.

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