UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANIDADES, LETRAS E ARTES – DEPARTAMENTO DE LETRAS MODERNAS.

Estudo da Tradução e a Interpretação da Língua de Sinais Brasileira Natália Batista Pires de Oliveira Orientador: Daniel Alvez INTRODUÇÃO

O presente artigo tem como objetivo discutir os Estudos da Tradução como disciplina acadêmica e os mapas propostos por Holmes e Willians & Chesterman. A partir da discussão de mapeamento da disciplina, introduziu-se uma discussão acerca da Interpretação de Línguas de Sinais Brasileira.

Nesse sentido, o trabalho apresenta uma introdução acerca dos Estudos da Tradução abordando autores como Holmes (1972/1988/2000), Williams &

Chesterman (2002) e Pagano e Vasconcellos (2003).

Na conclusão deste trabalho esperasse que o leitor adquira uma melhor compreensão sobre a introdução do Estudos da Tradução e Tradução e Interpretação de Línguas de Sinais.

DESENVOLVIMENTO Para discutir mapeamentos do campo disciplinar “Estudos da Tradução”, cumpre fazer uma distinção entre tradução e/ou interpretação como atividade prática e Estudos da Tradução como campo disciplinar. As atividades de tradução e interpretação sempre foram exercidas por indivíduos na função de mediadores, com o passar do tempo, esses tradutores e/ou intérpretes se transformaram no profissional „tradutor/intérprete‟ e as artes da tradução/interpretação foram, lentamente, consolidando-se como um conjunto de competências passíveis de ensino/aprendizagem, passando a constituir o ramo aplicado do campo disciplinar hoje conhecido como Estudos da Tradução. Como nos lembram Guerini e Costa (2008), a tradução é uma atividade antiga e já foi descrita na Bíblia. O que faltava,

1988. Ao longo da história. Holmes (1972. refletindo. 1989. 1995). de forma mais explícita daquela manifestada no mapeamento de Holmes. com status linguístico e relevância para a realização de investigações. o mapeamento feito no contexto brasileiro. novos mapeamentos surgiram. por exemplo. 2000). é possível perceber o quanto a língua de sinais ficou à margem dos estudos e pesquisas na área da linguística e da tradução. pois não era percebida pela sociedade como uma língua. representando novas possibilidades de subáreas de pesquisa. Holmes propõe um mapeamento do novo campo disciplinar. em geral. 1990. a distinção por ele proposta entre estudos aplicados (voltados para a prática) e estudos puros (estudos teóricos e descritivos) e suas subsequentes divisões servem de norteamento para a pesquisa de tradução. linguísticos. Das subcategorias vinculadas à interpretação que foram propostas por William e Chesterman (2002). podem ser desenvolvidas pesquisas sobre estudos cognitivos. segundo ela. Algumas décadas depois. ou seja. o estabelecimento de uma disciplina especialmente dedicada à tradução se liga diretamente à necessidade de se desenvolver um paradigma que demonstre sua eficiência naquilo que as disciplinas institucionalizadas "falharam". a categoria da interpretação. sobre a avaliação da qualidade e ainda pesquisas sobre tipos especiais de interpretação. 1994. FERNANDES. a língua de sinais foi vista como uma linguagem de gestos. sociológicos. QUADROS. As línguas de sinais. comportamentais. sobre ética e história. de forma que. KARNOPP. por Pagano e Vasconcellos (2003) e o mapeamento de Williams & Chesterman (2002) que divide o „território da tradução‟ em 12 (doze) áreas. social. Durante muito tempo. tendo como objeto de investigação a tradução. esse mapeamento da disciplina é aceito como o marco inicial dos Estudos da Tradução. Para Holmes. uma vez concebida como uma língua inferior a todas as línguas orais. pantomimas e sem consistência para uma boa e fluente comunicação entre as pessoas. político e educacional (FELIPE. sua estrutura linguística merecia pouca ou nenhuma importância no contexto linguístico. Tal situação foi percebida por um pesquisador.era a constituição desse campo de estudos como um campo disciplinar institucionalizado. não apresentam muitas pesquisas na área da . estudos sobre o treinamento de intérpretes. conseguindo organizar e capturar as mais tradicionais vertentes da pesquisa na área. cultural. como é o caso da interpretação de línguas de sinais.

1994.tradução/interpretação. FERNANDES. percebe-se uma grande disparidade de tempo quando comparada com as línguas faladas. passou-se pelo esboço de Pagano e Vasconcellos (2003 2004). Para se esclarecer a filiação acadêmica desta pesquisa aos Estudos da Tradução. visto que os primeiros estudos sobre a ASL são recentes e datam da década de 1960 com os trabalhos de Stokoe. caminhando desde as primeiras iniciativas. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente artigo abordou o campo disciplinar “Estudo da Tradução” e a área de pesquisa “Interpretação de Línguas de Sinais” com base dissertação de mestrado de Silvana Nicoloso (UFSC). 1990. Esta situação foi o fator primordial para a introdução da Língua de Sinais Brasileira como ramo de estudo nesta área. 1989 e 1992. Nos últimos vinte ou trinta anos algumas vitórias importantes foram conquistadas pelos Estudos de Tradução. embora alguns estudos tenham se iniciado na década de 1980 (FELIPE. KARNOPP. 1994 e 1995). o fato marcante da interpretação ter sido estabelecida e consolidada no campo disciplinar Estudos da Tradução. Então. também. a seguir. em uma tentativa de descrever aspectos básicos dessa língua. No tocante à Língua de Sinais Brasileira (LSB). que apresentam longa tradição em pesquisas. foi necessário fazer um esboço de mapeamento da presença da língua de sinais nesse. como a pesquisa em ILS tem ocorrido. QUADROS. como a de Holmes (1988). Inicialmente. o estudo apresentou as propostas de mapeamento dos “Estudos da Tradução” no cenário internacional e nacional para. REFERÊNCIAS . passando por mapas mais atuais como os de Williams e Chesterman (2002). e a principal delas talvez seja a respeitabilidade adquirida na área acadêmica. mas não se pode esquecer-se de mencionar. Nacionalmente. mostrar. ainda existem áreas da LSB que necessitam ser exploradas e investigadas.

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