1 PROF:.

EQUIPE HISTÓRIA
IMPACTO: A Certeza de Vencer!!!
O MODELO ESPARTANO I. NOÇÕES PRELIMINARES Esparta é um caso particular dentro do estudo da civilização grega, fundada pelos dórios, sua arquitetura não era tão refinada como a de outras cidades-estados, seus cidadãos não manifestavam grande preocupação com as artes ou a filosofia e seu processo de urbanização não foi sequer concluído. A grande característica dos espartanos seria a sua extrema especialização militar, preocupavam-se em enrijecer os músculos e o espírito e em realizar operações de guerra simuladas. O filósofo grego Platão afirmara certa ver que quando visitou Ares, deus Esparta não teve a sensação de estar em uma cidade, grego da guerra. mas em um “Acampamento militar”. II. A ESTRUTURA LEGISLATIVA As leis que vigoraram nesta cidade (conhecidas em seu conjunto como a Grande Retra) são creditadas a um lendário legislador chamado Licurgo que, segundo a tradição oral, as teria recebido do deus Apolo. O autor da constituição espartana teria em seguida partido para um exílio voluntário, afirmando que o conteúdo do código não deveria ser alterado na sua ausência. Entendemos que o envolvimento com o sagrado no processo de construção da constituição espartana é um importante fator ideológico para a sua manutenção, pois dificultava a sua contestação pela população da cidade. III. ORGANIZAÇÃO SOCIAL Na composição da estrutura social espartana percebemos a existência de três grupos, provavelmente estabelecidos um pouco depois da efetivação da conquista dórica, são eles: ESPARTANOS: Também chamados por alguns autores de esparciatas, representam a única camada social que detinha a cidadania espartana, concentravam as suas forças em duas atividades fundamentais: a guerra e a política. Segundo uma característica bem comum entre os segmentos mais abastados das sociedades antigas, os espartanos se recusavam a realizar trabalhos agrícolas e outras tarefas consideradas inferiores. Segundo Na imagem acima, o historiador Moses Finley, “ o corpo de retrato de um soldado cidadãos de Esparta formava uma soldadesca profissional, criados desde a infância para duas aptidões: perícia militar e obediência absoluta. Libertos(na realidade impedidos) de todos os outros interesses vocacionais e respectivas atividades, vivendo uma vida de caserna, sempre prontos para medir forças com qualquer inimigo, hilotas ou estrangeiros. As suas necessidades eram preenchidas pelos hilotas e periecos, o Estado olhava pelo seu treino, a sua obediência era assegurada pela educação e por um conjunto de leis que procuravam impedir a desigualdade(nem sempre conseguindo) econômica e qualquer forma de conseguir lucros. Todo o sistema estava fechado contra a influência externa, contra todos os estrangeiros e até contra a importação de bens do exterior. Nenhum estado se podia comparar a Esparta no seu exclusivismo ou na sua xenofobia.”. PERIECOS: Camada intermediária, composta de homens livres que não detinham o direito de cidadania. Viviam na periferia do núcleo urbano de Esparta, atuando no artesanato e num discreto comércio, sendo obrigados a pagar tributos ao Estado. Segundo Moses Finley, importante historiador norte-americano, os “periecos conservavam a liberdade pessoal e a organização de sua própria comunidade em troca da cessão de toda a espécie de ação a Esparta nas áreas militar e no exterior. Assim restringidas, as comunidades de periecos eram, por assim dizer, poleis incompletas; no entanto, não existem sinais de que tenham lutado para se libertarem da autoridade espartana. Sem dúvida, a resignação era a única atitude prudente, mas havia ainda outros motivos: paz, proteção e vantagens econômicas. Eram os periecos que dirigiam o comércio e a produção artesanal para as necessidades dos espartanos, e eram eles que faziam com que os produtos da Lacônia se mantivessem a um nível razoável, por vezes alto até, de artesanato e de qualidade artística.”.

GRÉCIA - ESPARTA
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
LU 110310 PROT: 3132

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Ao lado, uma bela peça do artesanato grego, conhecida como Ânfora - vasilha em forma de coração, com o gargalo largo ornado com duas asas.

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HILOTAS: Eram a maioria esmagadora da população espartana (cerca de 80%). Podemos identificar tanto características de escravo quanto de servo em um hilota, já que embora o seu trabalho se assemelhasse ao servil (entregava uma parte da produção aos espartanos), era considerado propriedade estatal. No entanto, o hilotismo possuía uma série de particularidades que o diferenciava das relações de trabalho baseada na escravidão praticadas em Atenas ou Roma, e também da chamada servidão medieval. Ao longo da história, os hilotas protagonizaram, com certa frequência, inúmeras tentativas de levantes, sempre duramente reprimidas pelo exército. Tal situação fez com que os soldados ficassem sobre constante estado de alerta, mantendo os hilotas sobre pesada vigilância e realizando as kríptias (estudaremos posteriormente esta prática). Para o grande historiador Moses Finley, “os hilotas formavam uma força de trabalho compulsória. Mais do que isso, o hilotismo era marcado por particularidades. Afinal, a prática habitual, em grande parte da Antiguidade, quando se escravizava uma cidade ou região, era vender os habitantes ou dispersá-los. Os Espartanos, contudo, tinham adotado a alternativa perigosa de os conservar subjugados na sua terra natal – e pagavam o preço. Enquanto a história grega está isenta, surpreendentemente, de revoltas de escravos, mesmo onde havia grandes concentrações, com nas minas de prata da Ática, as revoltas de hilotas estavam sempre latentes e de vez em quando explodiam com toda a sua força. O que manteve o domínio espartano sobre os hilotas e evitou rebeliões mais frequentes foi a emergência de Esparta como um acampamento armado, evolução cuja chave se encontra em Messênia, conquistada depois da Lacônia e muito mais aniquilada(de tal modo que a região ficou virtualmente esvaziada das grandes obras arquiteturais que por toda parte, eram as mascas visíveis do Helenismo) Logo após meados do século sétimo, os hilotas da Messênia revoltaram-se: a tradição designa este conflito como a Segunda Guerra de Messênia e atribui-lhe a duração de dezessete anos. Os Messênios foram finalmente esmagados e a lição que deixaram traduziu-se numa total reforma social e constitucional , que transformou Esparta em verdadeiro acampamento Na imagem acima, um hilota armado.”. trabalhando. IV. O APARELHO POLÍTICO DIARQUIA: Realeza dual. Os dois reis tinham atribuições militares e religiosas. Em tempos de guerra, um se deslocava com as tropas enquanto o outro permanecia na cidade. A existência dupla de reis deve-se, provavelmente, ao receio de que ocorresse um regime autocrático na cidade. GERÚSIA: Conselho de anciãos. Composto por 28 gerontes, chegava a 30 quando os reis participavam das reuniões. A Gerúsia tinha caráter vitalício e mantinha atribuições legislativas e consultivas. EFORATO: O mais importante órgão do aparelho político dos espartanos. Composto por um total de cinco membros, os éforos tinham um mandato anual e seriam uma espécie de conselho administrativo e fiscal, eram responsáveis peal organização das reuniões na Apela e na Gerúsia, podendo vetar leis e denunciar indivíduos que comprometessem a ordem espartana.

APELA: Todos os cidadãos espartanos podiam participar, reuniam-se com a finalidade de votar leis e decidir sobre questões de política externa. Suas reuniões não primavam pelos longos debates, a votação era feita pelo levantar simples dos braços.

CONTEÚDO - 2011

) REVISÃO IMPACTO .  Ó  jovens  combatei  unidos  uns  aos  outros  e  não temais  senão  a  vergonha da fuga. porque os reis e os senadores compareciam aos espetáculos juntamente com os demais cidadãos.”. neste sentido. de um modo geral. por estar presente o pudor e ausente a incontinência.  Aquele  que  for  apanhado. já que através delas. a educação espartana era voltada para a preparação dos soldados.. que. De fato. especificamente. permanecendo sujeitas a sua vontade do nascimento até a morte. reforçando deste modo a união da tropa. as Kriptias eram”inicialmente um ritual de iniciação na idade de dezoito anos. necessidade constante de qualquer sociedade belicosa.. as mulheres eram percebidas como inferiores aos homens. aos sete anos de idade. assim se referiu aos lacedemônios (espartanos): “Assim os lacedemônios não são inferiores a homem algum em combate singular. por não lograr vencer-lhes a excessiva liberdade e autoridade. Abolindo a moleza..”. G) KRÍPTIAS: Consistia numa matança ou espécie de policiamento periódico de hilotas. F) LACONISMO: Ao contrário dos atenienses. ao contrário.mais respeitado pelos lacedemônios que tu por teus súditos. caso contrário ocorreria a sua execução (infanticídio). por isso as tratavam com mais deferência do que convinha e lhes chamavam patroas.  combatemos  por  esta  terra. “Op. mulher de Leônidas. eles cumprirão com certeza todas as suas ordens.)”         TIRTEU. na luta contra  o inimigo (. espartanos almoçam juntos no quartel. D) EUGENIA: Os espartanos tinham uma preocupação obsessiva com o que se entendia ser a “qualidade” de sua raça. o ambiente era sempre marcado por jogos. segundo conta Aristóteles. “Eunomia”. incutia-lhes simplicidade de costumes e o desejo de boa compleição. Rubim. por isso dela cuidou desde as causas mais remotas. ao ser vinculado a uma nova função de polícia atribuída a um corpo de elite de jovens. quando cometiam erros e. do Historiador e pensador grego Plutarco: “Considerava a educação a incumbência mais importante e mais bela do legislador. tanto quanto os moços. C) XENOFOBIA: Poucos estrangeiros circulavam pela cidade e não eram vistos com bons olhos pelos espartanos que receavam a espionagem.com. Na imagem acima. dispondo diretamente sobre os casamentos e nascimentos. Não raro elas dirigiam chacotas oportunas a cada um deles.  morremos  por  nossos  filhos. mantinham um acompanhamento cuidadoso na gravidez de suas mulheres que eram levadas para fazer exercícios que possibilitassem uma melhor gestação. e suas ordens são sempre as mesmas: não O mais alto valor para um fugir do campo de batalha diante de espartano era a sua pátria. exercitou o físico das jovens por meio de lutas. debates e questionamentos não seriam comuns no cotidiano de Esparta. assim inculcando nos jovens profundo amor à glória e emulação. dessa maneira. Durante a maior parte de seu tempo.cit.  não  poupamos  a  nossa  vida. causadas pelas numerosas expedições dos homens. E) EDUCAÇÃO: Oferecida pelo Estado.Sobre a mulher espartana. Abaixo veremos um fragmento de Tirteu que explicita esta questão: “Nós. Já mencionamos aqui o medo presente entre os espartanos de uma grande rebelião deste segmento social.. a mulher de um cidadão era tratado com certos cuidados. que desde muito cedo realizavam estudos de retórica e eloquência com o objetivo de aprimoramento de seus discursos. ao contrário. parece. o cotidiano maridos e ela respondeu: 'Porque de jovens espartanas..portalimpacto. corridas. arremesso de discos e dardos. nos seus cantos.NOSSO SITE: www. portanto -. eles tem um déspota — a lei . reinstitucionalizado. Desde muito cedo. exercícios. uma estrangeira dissera-lhe. de disciplinar as mulheres. Era a vida de caserna. A necessidade de se constituir um exército forte acabaria requerendo um material humano de “primeira linha”. (. a marchar em camisa nas procissões e assim dançar e cantar em certas solenidades pias de que rapazes eram espectadores. Nenhuma indecência havia na seminudez das jovens. Segundo Moses Finley. que as espartanas eram as únicas mulheres a mandar nos Na imagem acima. Significativamente. depois tornou-se racionalizado. e juntos eles são os mais valentes de todos os homens. Daí ocorrerem a elas ditos e pensamentos como se conta de Gorgo. os aprendizes realizariam pesadíssimas cargas de exercícios físicos e diversas ênfase para a necessidade de um bom soldado saber roubar: “(. sendo livres eles não são livres em tudo. praticando inúmeros exercícios físicos e recebendo o acompanhamento adequado. ao passo que a picada do motejo e da zombaria pungia tanto quanto as advertências sérias. sua pátria.  está sujeito a chicotadas e jejuns.2010 . leia o texto abaixo. o policiamento de Hilotas era uma de suas obrigações. para começar. pela ideia de que também ele tinha o seu quinhão de valor e de honra. acostumou as moças. gabavam sucessivamente os merecedores. Ao nascer a criança era avaliada por uma comissão de anciãos que buscava observar se o recém-nascido apresentava saúde perfeita. historiador grego. do pintor francês Edgar Degas. na visão somos as únicas que parimos homens. As kríptias também teriam uma grande importância na formação dos soldados. os espartanos caracterizavam-se pelo hábito de falar pouco. Este laconismo contribuiria muito para o conservadorismo político e institucional. ele dedicou-lhes toda a atenção possível. sedentariedade e toda efeminação. treinamentos e preparação para os confrontos.br CARACTERÍSTICAS CULTURAIS A) PREPARAÇÃO MILITAR: Praticamente todas as atividades promovidas pelo Estado e pelos espartanos estavam direta ou indiretamente ligados a guerra.  outros  nos  alojamentos  dos  homens. seria de suma importância controlar o seu crescimento populacional eliminado de tempos em tempos uma parcela de hilotas. após tentativas..  corajosamente. Por ser responsável pela procriação – fornecimento de novos soldados. obrigados nessas ocasiões a entregar a elas a direção da casa. isto é.”. raízes fortes em corpos fortes e crescessem melhor. mas permanecer firmes em seus postos e neles vencer ou morrer. ou somente o indispensável.A CERTEZA DE VENCER!!! CONTEÚDO . tenha desistido. estimai em vossos corações uma valente e  sólida coragem e não vos inquieteis com a vida. Com efeito. os filhos dos cidadãos eram entregues aos cuidados do ensino estatal e recebiam o pouco do conhecimento letrado que sua formação lhe dispensaria.)  Uns  penetram  nos  jardins. com isso. Em Esparta. H) A MULHER ESPARTANA: No mundo antigo.”. a fim de que não só os nascituros tivessem. B) PATRIOTISMO INFLAMADO: O mais alto valor para um espartano deveria ser Esparta. mas também para que elas mesmas os aguardassem robustecidas e resistissem galharda e facilmente às dores do parto. o gênero feminino apresentava pequenas regalias em relação ao restante da Grécia. Era hábito comum aos soldados abandonar suas mulheres em casa para almoçarem todos juntos no quartel.  e  devem  usar  muita  destreza  e  precaução:  quem  for  apanhado  é  chicoteado  sob  pretexto  de  que não passa de um ladrão preguiçoso e inábil. inversamente. qualquer número de inimigos. dava ao sexo feminino o gosto dos sentimentos nobres.  Heródoto. Não é verdade que. quem era louvado por sua varonilidade e ganhava notoriedade entre as donzelas saía orgulhoso dos elogios. os jovens aprendizes poderiam viver a experiência de matar homens. Compreendemos que a redução da oratória nesta cidade provoca um controle da capacidade crítica entre os espartanos e. Citado por: AQUINO. Eles roubam  toda a comida possível e adquirem prática de ludibriar quem  dorme  ou  os  guardas  preguiçosos.

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