- Lītus Decanoχton Granni Rito de Decanoχtes Granni (‘Dez Noites de Grannos’

)
Celtocrābiion - Condēuios Roudodercūs

Seguindo os preceitos postulados e estabelecidos na página 1 dedicada a este festival, a data ideal para celebrar esta data seria após o equinócio de primavera; seguindo o calendário de Coligny (ou versões modernas inspiradas neste), poderia adaptar-se o dia 3 após Atenouion do mês Cutios (6º mês, num ano com 12 meses). Idealmente, o rito deverá ter lugar no exterior de uma casa, caso se possua terreno com árvores/plantas, ou pátio, para tal, apesar de começar no santuário/altar do leitor. Caso contrário, o apartamento servirá perfeitamente, havendo preferência por uma zona perto de onde o leitor tenha vasos com plantas (se os tiver de todo). Quanto à hora, eu apostaria celebrar durante o dia, porque, afinal de contas, trata-se de uma celebração de foco claramente solar, logo, honrar o sol durante a noite não faria muito sentido. Contudo, caso se celebre durante a noite, deverá honrar-se a lua também.

Material:      Suporte para fogo (vela, bico de gás, lareira, etc). Madeira, se necessária. Água pura (de fonte). Recipientes. Oferendas (bebida e/ou comida mencionadas abaixo).

Purificação: Estando tudo disposto na área onde o rito irá decorrer acende-se o fogo (seja qual for o método) como forma de convite à Deusa da Aurora e Lareira: “Saúdo-te, ó (Deusa da Aurora)2, Luz do fogo da casa, Que eu ore com fogo excelente e que tu ouças este louvor.” “Comarciū te, (Deusa da Aurora)3, Loucon tenetan tegesos, Ueđđām conuesutenete etic tū clusās son molātun.” Estende-se as mãos para o fogo (aidu) e recita-se: “Fogo santo, Fogo luzente, Faz-me puro e deixa-me com boa mente e bom coração.”
1

- Não aconselho que leve a cabo o rito sem se familiarizar com o dito cujo: http://celtocrabion.wordpress.com/uelerios-calendario%E2%80%8B/festivaismensais/decano%CF%87tes-granni/ 2 - Escolha o teónimo (no nominativo singular) que prefere: Brigindū/Brixiā/Bergusiā/Brigantī/Suleuiā. 3 - Quanto aos casos da nota 3, os nominativos são iguais aos vocativos. Logo: veja a nota 2.

“Noibon aidu, Belon aidu, Dugi me caton etic orbi me con sumenuane sucridiūsc.” Oferece-se sal, leite e pão às chamas. De seguida, com a água do recipiente, ora-se: “Água da fonte, Água da vida, Faz-me puro e limpa o meu corpo.” “Berudubron, Dubron biuotūtos, Dugi me glanon etic uolce mon colanin.” Passar água na testa, rosto e mãos.

Rito: Uma vez concluída a purificação, deverá pedir-se a Grannos4, após a saudação e convite a este, para que conceda o seu poder às chamas do aidu, de modo a poder levar-se a cabo o resto do rito. “Ó Viajante Grannos, Mais brilhante no céu, Ouve-me/nos. Fonte dos dias Que nasces com a aurora, E te ocultas no negro mar, Concede o teu pulsar, Verte o teu calor Sobre este abençoado fogo.

“Ā Granne Agantie, Belisamos in nemesi, Clusī me/snīs. Berus diion, Ganses con uārī, Etic celsās in dubumorī, Dā tou belon,
4

- Ao longo do rito, utilizarei referências a Grannos pois é a ele que o festival era dedicado, e é a ele que tenho devoção. Contudo, o leitor poderá usar outros teónimos, como os que se encontram listados aqui: http://celtocrabion.wordpress.com/noibii-os-sacros/deuses/deus-do-sol/

Uoseme tou grannon, Uer sindī noibaidu.” Após a evocação, deverá ser oferecida, se possível, ao aidu uma flor de meimendro56 (Hyoscyamus niger), seguida de uma libação de água. Com este ato, presume-se que o Deus conferirá o seu poder ao fogo, mas pode conferi-lo através de divinação… poderá ver o quão rapidamente a flor é consumida pelo fogo e quanto fumo é produzido (quanto mais rápido e mais fumo se ergue, melhor sinal é), ou então através de outros métodos. Uma vez que o aidu tenha sido considerado abençoado, os participantes do rito poderão dançar em volta deste, e saltar-lhe por cima como forma de obter purificação solar; se houver alguma hierarquia estabelecida, o oficiante – realizando o rito como uātis, ou administrando como druuiđ – deverá assegurar-se de que tudo é feito de forma ordeira, de modo a evitar acidentes. Esta parte do rito é ideal para o declamar de hinos e poesia acompanhados por música, que certamente pode ficar a cargo dos adeptos da profissão de bardos, ou “amadores”. Quando o fogo já estiver a perder o seu vigor, os participantes deverão pegar nas suas tochas e acendê-las; caso tenha sido acesa uma mini-fogueira ou uma vela, poderá usarse uma vela amarela (cor associada ao Sol) para substituir a tocha. Quando se acender uma tocha, deverá dizer-se: “Cada tocha, Um raio de sol.” “Pāpi atedauinon, Oinos loucetan sonni.” Uma vez que todas as tochas/velas estejam acesas, os participantes deverão partir para o local onde se encontram as árvores/plantas a abençoar, liderados pelos que tenham posição sacerdotal. Caso se trate de uma marcha diurna, poderão orar a Grannos; caso o façam de noite, sugiro que orem a Đironā, antes de partirem (para que afaste os perigos da noite), e que rezem a Grannos durante o caminho. Já no local, poderão ser retirados alguns dos frutos ou botões (de flor) que ainda estejam verdes, para mais tarde poderem ser ofertados a Grannos como um género de troca entre o que poderia pertencer ao dono da árvore/planta, mas que é dedicado ao Deus. Caso o passo anterior seja seguido, depois do retirar dos frutos, as chamas das tochas/velas deverão ser passadas perto das árvores/plantas enquanto se pede a bênção de Grannos: “Ó Grannos viajante dos céus, Ó Grannos Grande em Proteção, Ó Grannos do Olhar Amplo, Os teus raios defendem as árvores/plantas,
5

- O meimendro pode ter tido associações solares: http://celtocrabion.wordpress.com/uelerioscalendario%E2%80%8B/festivais-mensais/decano%CF%87tes-granni/ 6 - Na ausência de meimendro, talvez seja aceitável usar outras flores com conexões solares. O melhor exemplo seria o girassol.

Encurvam todas as doenças, Afugentam o mal das colheitas. Miséria aos demónios, Saúde aos campos, Prosperidade para nós!” “Ā Granne nemesotēx, Ā Granne Aneχtlomāre, Ā Granne Amarcolitane, Tou loucetes anegont prennā/lubīs, Cambont ollobatā, Etic sonint drucon au messubi. Aglotus dusiobo, Iaccā arobo, Anauon amē!” Umas vez que todas as árvores ou plantas tenham sido purificadas com fogo, os participantes deverão voltar à zona do nemeton. Lá, deverão atirar as suas tochas (evite isto se usar velas) para o aidu para devolver a este o que lhe pertence. Caso tenham recolhido alguns frutos ou flores verdes, deverão oferecê-los ao fogo, como sinal de interdependência e lealdade a Grannos. Se Đironā tiver sido chamada, então deverá ser honrada com uma libação preferencialmente alcoólica. Após cada oferenda, deverão ser lidos os presságios para saber se foram aceites ou não. Seguidamente, os particulares poderão fazer as suas próprias oferendas e pedidos, sob a supervisão dos oficiantes, se os houver. Deve-se apostar em curas de maleitas, já que esse é um dos principais poderes de Grannos e outros Deuses solares. O passo seguinte, serão as despedidas dos poucos Deuses evocados para este rito.

Notas finais:   Para extinguir o aidu, convém que se agradeça à Deusa pelas suas bênçãos e presença, e com um “até amanhã” (caso se reze antes de cozinhar e comer). Este rito apenas visa preencher um dia do total de 10 dias de festividades, sendo que não faz sentido abençoar as árvores/plantas tantas vezes quanto a duração da data. Para mais sugestões de como celebrar os restantes 9 dias, visite o artigo dedicado às Decanoχtes Granni. Para o almoço e/ou jantar do dia em que se celebrar este rito, sugiro a confeção de crepes e outros alimentos que usem leite e derivados.