UESC - Direito, 1º semestre, Diurno; Aluna: Bruna Mascarenhas Braga IANNE, Octavio; A sociologia e o Mundo Moderno (Série textos

em ciências sociais – nº5), EDUC, 1988 - Prólogo, página 7 1. ”A sociologia nasce e desenvolve-se com o Mundo Moderno”, página 07. 2. Relaciona-se ao contexto em que se insere. A análise do presente é, portanto, fundamental, pois permite que se obtenham vestígios do passado e uma ideia do que há de vir no futuro. 3. A sociologia surge em meados do século XIX, quando o mundo passa por diversas transformações histórico-sociais. A burguesia, operariado, economia de mercado, mais-valia, busca pelo capital fazem parte desse cenário. 3.1 O capital, um dos principais símbolos da modernidade, é o grande motivador da civilização e marca uma nova fase da humanidade, ressaltando as divergências entre presente e passado. 1. Princípios Explicativos, página 9 1. Correntes do pensamento filosófico tais quais: liberalismo, jacobinismo, conservantismo, romantismo e evolucionismo, precursores das ciências sociais do século XVIII e XIX, tiveram certa influência no surgimento desta. 2. Trazer análises dos campos das ciências físicas e naturais para o campo sócio-históricocultura foi e continua sendo um método utilizado por sociólogos. 2.1 No entanto, era de extrema importância para criar novas linhas de pensamento, garantir certa originalidade aos fatos sociais. 2.2 Os dois métodos podem ser considerados importantes no desenvolvimento da sociologia, fazendo com que esta se preocupe tanto com o processo de conhecimento quanto com a análise da realidade. 3. Por estar comumente de acordo a filosofia utiliza da dualidade como meio de reflexão. Parte e todo, aparência e essência, singular e universal, sincrônico e diacrônico, etc. 4. A sociologia divide-se em várias tendências e escolas, ora se preocupa com as ciências naturais e físicas, ora analisa a história e espírito, por vezes privilegiam a intuição e cotidiano como meio de análise. 5. Apesar das diversas linhas de pensamento, se reduz a três princípios básicos: causação funcional (Comte e Durkhein), conexão de sentido (Weber) e contradição (Marx, Engels, Trotsky), que sintetizam as mais variadas tendências. 5.1 Apesar de serem recorrentes em diversas produções sociológicas esses e outros autores não se restringem a eles, havendo variações e tentativas de inovação. 5.2 Os princípios explicativos bastante utilizados por sociólogos no século XIX e XX compreendem estilos de pensamento distintos. “São formas de explicação e fabulação dessa sociedade”, página 12. 2. Desafios da Revolução Social, página 13 1. O processo de consolidação da burguesia e o desenvolvimento de uma sociedade capitalista constituem outro fundamento da sociologia. 1.1 É diante de um quadro de intensas revoltas populares pós-revolução burguesa que a sociologia se firma. Sendo este um tema recorrente de alguns dos fundadores e continuares da sociologia. 2. Em um primeiro instante procura-se meios de explicar a revolução burguesa. Em outro, a revolução popular, camponesa e operária. Em seguida, os contra-pontos da revolução e contrarevolução.

5. 4. políticos. 3. Temas como: multidão.4 “No começo e na travessia.2. sagrado e profano. seja da cidade ou do campo. organizar e governa a massa. urbanização e divisão do trabalho. Permite entender as relações entre as classes e o estado que se tornam mais nítidas durante as rupturas revolucionárias. sociais. 4. 4. Um dos aspectos sociológicos procura entender e controlar a multidão que surge na sociedade burguesa. educar por meio de seus movimentos e partidos. América Latina. econômicos e culturais em seus estudos. é responsável pelas grandes mudanças e certas vezes pela tomada de poder. 3. Ordem e progresso: O lema está relacionado a visão positivista que exerce influência principalmente nos séculos XIX e início do XX. Metamorfoses da multidão. massa e povo. a chamada tirania da maioria.1 No entanto. 4. e no plano político. já sociedade está relacionada a grupos secundários de relações entre personalidades-status. 2.2 Está em andamento uma revolução burguesa de caráter mundial que divide espaço com outras revoluções nativistas. página 17. . Comunidade diz respeito a grupos primários de relações presenciais. A sociologia desenvolve-se em outros países e continentes. José Carlos Mariatégui e Florestan Fernandes mostram como a revolução se dá em outras partes do mundo que não Europa e Estados Unidos. 5. empregados e desempregados. em relação ao hiper-empirismo e fenomenologia. Ásia e África. ordem e progresso. Comunidade e sociedade: Os autores dos tempos renascentistas já revelavam interesse por este tema. segundo Tocquevile e Stuart Mill “o exercício do poder político da maioria poderia provocar a tirania. A cultura de mercado. a revolução social parece sempre presente no horizonte da sociologia”. organizar. A sociologia versa entender estes e outros fatores que compunham a realidade social. Várias obras como as de Frantz Fanon. capitalista e muitas vezes se envolve em manifestações. 3.1 O estudo das revoluções sociais é uma forma de conhecer a sociedade. permite a incorporação de novos processos com a industrialização. a exemplo de Gurvitch e Schutz. estes se desenvolvem de acordo ao desenvolvimento dos Estados Unidos e Europa oferecendo contribuições ecléticas. As disparidade e divergências tornam-se perceptíveis durante este período. Tais temas freqüentes na sociologia permitem incluir aspectos sociais.1 Os diversos povos são obrigados a assimilar outra cultura. 3. Apesar de manterem uma linha de raciocínio. 5. 2. 6. os sociólogos em geral divergem no ponto de vista teórico. 4. populares. Sendo assim. destacando-se liberais. comunidade e sociedade. classe social e revolução.3 Nesse cenário que a sociologia se difunde. página 24.1 Os cidadãos caracterizam-se pela possibilidade de votarem e obterem votos.”. socialistas. A ideia de massa está relacionada a uma coletividade forte que inclui trabalhadores. utilizando-as como meio de luta por seus direitos. Supõe-se ser capaz de expressa. passado e presente. são recorrentes e comprovam o empenho da sociologia em entender o Mundo Moderno.2 A revolução social. a multidão adquire traços jurídicos convenientes. mas também originais. “O povo é visto como uma coletividade de cidadãos. conservadores e radicais.”. fruto da dissolução do feudalismo. 6. 4. regida pelo acúmulo de capital. geralmente associada às revoluções.1Segundo esta visão o progresso econômico dependeria da ordem social e nada melhor que o estado para exercer a função de regulador da sociedade. página 24.3 Um dos defensores dessa visão é Pareto. página 19 1. ideologia e utopia.2 É a elite que exerce esse papel de comandar.1 A multidão. a classe dominante geralmente surge como sua adversária. apesar de serem explorados de maneiras diferentes. 5. Quando organizado como povo. essa massa depende de instituições e regras que as organize. 4.

Torna-se notório que a ciência não traz necessariamente o progresso. 2. antropocentrismo. Modernidade. compreender. povo. mostrando como o indivíduo se comporta todo o tempo a beira da razão e sem ela. a relação entre dominantes e dominados.7. greves para obterem melhores condições de vida. página 33 1. já citados anteriormente. A intelectualização e racionalização dos indivíduos garantiram ao homem e sociedade desse período a ideia de progresso e mudança.2 Marx retrata como a classe social está no centro dos movimentos que aparecem como provenientes da multidão. “A classe (social) é vista como uma categoria que expressa as diversidades e desigualdades que se acham na base das manifestações da multidão. muitas vezes até agrava a desumanidade entre os homens. produtos da imaginação do homem que transfere essas figuras do além para o cotidiano.”. 5. A razão exerce autoridade sobre a fé. 5. Indivíduo e sociedade recebem certa recompensa pela obediência ao desígnio das forças que escapam do seu controle. página 27 1. Ainda que mais apegado a intelectualidade.2 Weber realiza um debate entre o racional e o irracional. Ela expande-se para o plano artístico. não há garantia de liberdade para o homem.3 Karl Marx retrata o presente para assim obter informações sobre o passado e possível futuro. como ser singular. página 24. página 30. a industrialização. nem resolve todos os problemas. “O mesmo homem que explica não se emancipa”. 5. 8. 2. 4. 2. apenas como uma etapa da história. A sociologia mantêm-se atrelada ao Mundo Moderno.2 É a razão que explica certas visões. outras além desta razão. 4. 2. 3.”. página 35.1 Weber e Marx são alguns destes sociólogos que vão além da tentativa de conhecer a sociedade burguesa. 3. autônomo. protestos. pagina 29. “Estão em curso a secularização da cultura e do comportamento. a divisão do trabalho social e a mercantilização. massa ou povo. tanto no passado.1 Seria aquela que funda os movimentos. procurando reinventar a vida. 4. e ainda discute suas temáticas básicas. as submetem e as consideram como fetiche. 2.2 Charles Chaplin retrata bem a solidão do indivíduo durante a modernidade. recria e explica a realidade social. 5. com suas muitas transformações.4 O homem tem noção de sua racionalidade e umas vezes considera-se aquém. 2. Épica do Mundo Moderno. Desde que a sociologia preocupou-se em explicar a sociabilidade humana durante a Modernidade que se considerou aspectos fundamentais do indivíduo. seja em meio à sociedade. 4.3 “O criado submete-se à criatura”. Pode-se dizer que essa questão acaba por influenciar uma série de outros temas clássicos da sociologia. dinamizar o Mundo Moderno que sem ela seria mais obscuro. massa. 4. 7. Produzem e repartem a riqueza social.1 A ciência permite uma nova visão mais distante das religiões. 5. seja na solidão. 5. Revela a historicidade da sociedade moderna.1 A liberdade do indivíduo não passou de utopia. tradições e superstições.Certos sociólogos preocupam-se em traduzir a dimensão épica do Mundo Moderno citando a razão nas diversas relações e processos sociais. quanto no presente. . 7. A sociologia busca interpretar. procurando também explicar suas origens e transformações. É perceptível a luta pelo poder entre as várias classes.

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