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Ministério da Educação Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM Minas Gerais – Brasil Revista Vozes dos Vales: Publicações Acadêmicas Reg.: 120.2.095–2011 – UFVJM ISSN: 2238-6424 Nº. 02 – Ano I – 10/2012 http://www.ufvjm.edu.br/vozes

O conhecimento como Eros: uma leitura de O Banquete de Platão1
Prof. Dr. Roberto Antônio Penedo do Amaral Professor Adjunto I e Diretor da Faculdade Interdisciplinar em Humanidades – FIH – UFVJM - Diamantina – Minas Gerais – Brasil E-mail: penedo.amaral@gmail.com

Ângela Maria dos Santos Bacharel em Humanidades da Faculdade Interdisciplinar em Humanidades – FIH – UFVJM - Diamantina – Minas Gerais – Brasil E-mail: angeladtna@gmail.com

Resumo: O presente artigo tem como objetivo analisar, à luz da filosofia platônica, as interações dos personagens da obra “O Banquete” de Pl atão, e seus argumentos para alcançar o entendimento amplo sobre o deus Eros, que é tema do discurso apresentado. Composto por sete oradores, sendo o mais enfático, o de Sócrates. O objetivo proposto é exaltar o deus Eros, até então desonrado e esquecido pelos homens e levá-los à consciência da importância deste, para a organização humana e social. Este estudo analisa cada discurso apresentado de maneira simples e objetiva, chegando à conclusão da importância da dialética, do esforço intelectual, da opinião (dóxa) para o conhecimento, a busca interminável da verdade. Palavras-chave: Conhecimento. Eros. Platão. Banquete.

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Artigo apresentado para Defesa de Trabalho de Conclusão de Curso – TCC do Curso Bacharelado em Humanidades, sob a orientação do Prof. Dr. Roberto Antonio Penedo do Amaral. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg.: 120.2.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www.ufvjm.edu.br/vozes

numa sociedade enferma. também chamado de “Platão”. da razão. mas o espiritual que é o limite da vida. tem sentimentos e desejos de estar bem consigo mesmo e com seus pares. envolvidos nessa condição limitada. Vida e obra Arístocles.2. destacando bem como seus objetivos na eterna constituição humana. Neste trabalho identificamos a importância do amor para a constituição.-2Introdução A contribuição platônica para o entendimento do mundo metafísico e físico é uma das maiores contribuições do pensamento do mundo ocidental que explica os muitos porquês presentes no nosso cotidiano. 1. para o Estado uma força educadora.edu. que é a forma fundamental de toda comunidade espiritual e ética humana. e ética. através de suas discussões e filosofia. molda o homem e seu caráter. Através da busca do conhecimento desenvolvemos não só o material. A amizade é a essência do Eros.C. só um grupo de homens bons e sãos e com ideias idênticas.ufvjm. força que emana do Bem. buscar a verdade e encontrar soluções para tal enfermidade e só através do Amor. é capaz.: 120. o Estado. O homem ama partindo do particular para o sentido do amor em sua totalidade. através do conhecimento. Para Platão. O nome Platão é um adjetivo ou apelido adquirido Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. O Banquete apresenta a amizade. em 428-7 a. nasceu em Atenas. encontrar a verdade em sua essência e não na aparência. que é um dos mais importantes conceitos da cultura antiga. Segundo o pensador. o corpo é uma prisão ou mundo das “cavernas” da qual deve se libertar para enfim. trazendo uma abordagem geral da importância do Eros para a formação humana. que através do esforço intelectual atribui valores ao Eros. ser espiritual. o conhecido filósofo grego. o homem se organiza. a amizade é a forma política de organização social. Neste estudo. a organização social.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. que visa o Bem comum social e a busca do Bem para cada indivíduo em sua totalidade.br/vozes . O amor. pretende-se estabelecer os principais fundamentos específicos de cada orador. Atribui-se a importância dos pensamentos que gira em torno do Eros.

personagens mitológicos. os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue ao poder.: 120. dentro da própria Grécia. seguiu os debates socráticos para se preparar para a vida política. como descrita em sua obra A República. parecia invejável. pela beleza e pelo bem.las. 1999. Platão via na política a oportunidade de realização de seu projeto social. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. A crítica à democracia ateniense e a procura de soluções políticas do mundo grego foram preocupações centrais da vida e da obra daquele que é por muitos considerado o maior pensador da antiguidade: Platão. constituir a sociedade ideal. uma cidade-estado regida por uma espécie de aristocracia oligárquica. descendente de Neleu e de Posidão.ufvjm.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. que os chefes das cidades. com forte ligação política aristocrática com os Trinta Tiranos2 (404-403 a. Mas a tirania será derrotada e abrirá espaço para uma nova fase na Grécia. Sem falar que. 8) Em sua juventude. ). pois alimentou sempre a convicção de que “. Através dos séculos. de família tradicional de Atenas. por uma divina graça. Filho de Aríston. a estabilidade política exemplificada por outros países. por serem mais esclarecidos 2 Os tiranos eram os indivíduos que tomavam o poder com o uso da força. foi discípulo do heraclitiano Crátilo. a saber. por alguns homens que se destacariam para essa função.br/vozes . a democracia ateniense. embora a vida o tenha levado para outros caminhos. (AMERICO. tema recorrente de suas especulações filosóficas. O governo de tiranos será substituído por oligarquias ou democracias. Nele.. que o levou sempre para os caminhos do conhecimento. que se empenharam em corrigi. Tais influências levaram Platão a um acompanhamento mais próximo da política.C. e com o grande legislador ateniense Sólon. ou antes. e de Perictione. parente do rei Codro. como o Egito. ponham – se a filosofar verdadeiramente”. Se a liberdade proporcionada aos cidadãos era um patrimônio caro a ser preservado. Apesar das referidas influências. mas o termo só adquire um sentido de crueldade como em nossos dias após o governo dos Trinta Tiranos em Atenas. 774). Veio ao mundo pouco depois da morte de Péricles. Platão. p. pois ele tinha uma fronte extensa.. filosofia e ação política estiveram permanentemente interligadas.2. a lição platônica produziu frutos e foi interpretada de maneiras diversas tanto por Aristóteles como por Plotino (HUISMAN.-3por seu porte físico. Platão mostrou-se crítico e descontente com o sistema político de sua época. teve contato direto com seu mestre Sócrates. ou seja. As deficiências do regime democrático ateniense tornaram –se patentes para alguns pensadores. Antes disso. da criação e da ação. Como outros seguidores. o militarismo de Esparta sugeria uma solução política baseada no sacrifício das liberdades individuais em nome da disciplina e da ordem social.edu. 2001 p. O filósofo grego soube aproveitar a atração que a alma humana sente pela verdade.

desenvolve o seu pensamento sobre a conduta humana justa e bela. política.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www.. tanto no que tange às prosperidades quanto as ações coletivas. personagem influente da corte. mas realizar seu mandato como um dever. o saber filosófico é o que torna o homem mais apto a governar e não desejar para si próprio o poder. porém. amizade. quando a aristocracia assumiu o poder e Cármides e Crítias. por muito tempo. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. que traz o tema da cidade ideal. Cármides e Êutifron. piedade. Platão visita Dioniso I. a matemática. Para o pensador grego.br/vozes . em Atenas. entre eles: Apologia de Sócrates (defesa de Sócrates diante da assembleia que o julgou e o condenou). o que não impediu que Platão conservasse sua admiração por Siracusa. à cidade do seu amigo Díon.C. os homens poderiam evoluir pelo saber. Aplica-se em especular sobre diversas áreas do conhecimento: as ciências. Depois da morte de Sócrates. situada perto do bosque consagrado ao herói mitológico Academos. Críton. É possível que nessa época.: 120. em Siracusa. Em 404/403 a. Lísis. Nesse período. pois via nele a possibilidade da realização da cidade ideal. Em 388 a.. aos quarenta anos vai para a Itália. não permanecendo.C. As seitas pitagóricas privilegiavam um estilo de vida em comum. coragem. Nessa oportunidade. a retórica. De forma dinâmica. tal como desejava: construída por filósofos.C. e hospeda-se na casa de Euclides. ele observou os métodos facciosos e violentos da política de Atenas. ao invés de se entregar a rituais catárticos de purificação. escreve seus primeiros diálogos. ignora-o. Laques. “Platão tentou reformar 3 O tipo de vida pitagórica é pautado por uma ascesse que. no entanto. já que juntos. Nas palavras de Araújo. Platão tenha escrito a VII Carta. ao lado de outros discípulos. autocontrole. Hípias menor e Hípias maior.ufvjm. norte da África. e Cirene. Em 387 a. As refeições eram feitas em comum e a amizade era a virtude mais elogiada. onde teve contato com a comunidade dos pitagóricos3. participaram do governo oligárquico. tendo em vista o bem comum. Platão teve sua primeira frustrante experiência política. Em 367.2. O objetivo era formar pessoas capazes de desempenhar a política e a filosofia. em A República. Platão funda sua própria Academia científica e filosófica. Dionísio. a Academia de Atenas. nos quais são discutidos temas como: ética. Platão visita Mégara.C. preferia encontrar no estudo dos números e de sua aplicação o modo reto de se libertar. seus parentes. em 399 a. Protágoras.-4do que os demais: os filósofos.edu. Silício em Siracusa. moral.. Górgias e Íon.

a filosofia era apresentada de forma poética. 1995 p.-5não apenas a religião. pela escolha dos ouvintes e pelo estabelecimento de um programa rigoroso que visava a definir não só os trabalhos ali realizados. como o faziam Empédocles e Parmênides. de forma rimada e ritmada. isto é.66). 2001 p. e isso não se devem apenas ao fato de ela ser uma “palavra inspirada”.2.br/vozes . (HUISMAN. Ainda há muito o que descobrir a respeito da crítica de Platão à poesia. dedica-se aos ensinamentos e estudos sobre a metafísica.C. inspirada pelas Musas: Platão faz ate mesmo Sócrates confessar que a filosofia é a mais nobre musica. Nos diálogos platônicos. tem-se uma ideia bastante clara da organização implantada por Platão. Sócrates. sempre discutindo dialeticamente com oradores sofistas já reconhecidos. 775). no sentido que lhe é dado em grego. ou seja. até sua morte. Platão libertou-se da prisão do corpo. que assegurou a Filipe da Macedônia a conquista do mundo grego. as verdadeiras personagens são tais teses e a trama é a oposição a Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. ou em prosa. nesse sentido. em 347 a. com 80 anos de idade. Nesse sentido. Constituídos por tramas. mas mostra imagens de conversas já constituídas por teses diferentes e opostas entre si. mas também o método de ensino que seria aplicado. No teatro platônico. modo de filosofar este.. apesar de todas as análises que os comentadores modernos já produziram.: 120. 1995. é um pensador eminentemente político. dos eventos que estão sendo “supostamente” descritos. 44). segundo Araújo (1995). mas a sociedade como um todo e. É importante ressaltar que antes de Platão. a figura de Sócrates é a principal. o primeiro de todos os criadores de novas constituições” (ARAÚJO. instaurado por seu mestre. Glauco e Edimanto. no diálogo Fédon. Platão nos apresenta a sua filosofia em forma de diálogos. Platão está ausente de seus diálogos. A poesia não diz a verdade com certeza e segurança. caracterizada pela permanência da sede. Em Atenas. ele não estabelece uma relação direta com o leitor. p. dez anos antes da batalha de Queronéia. Em Mênom. Huisman descreve o trabalho desenvolvido na Academia platônica da seguinte forma: Platão lançou à fundação da Academia segundo o modelo dos pitagóricos.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. como relatado no diálogo Fédon. Há também a presença de seus irmãos.edu.ufvjm. pois a filosofia também pode ser música. conhecidos como pré –socráticos. portanto. (ARAÚJO. No final do período helênico.

Epinomis. e seguida pelo Fedro. amizade. os seguintes questionamentos: são todos autênticos ou não autênticos? Quais são os nãos autênticos? E quanto à cronologia dos escritos? E quanto às “doutrinas não escritas”? Para alguns críticos extremistas do século passado. IV) Alcebíades I.-6elas estabelecidas. Hípias maior. que a respeito de tudo se pode encontrar sempre um pró e um contra. essa questão perdeu força. Da mesma forma. Timeu. que se vincula ao período seguinte. Cármides. Os diálogos de Platão levantam. Os diálogos platônicos foram subdivididos em tetralogias: I) Eutífron. como o intitulado Sobre o bem.br/vozes . VIII) Cletofon. Teeteto. Mênon. Hiparco. As doutrinas “não escritas” referem-se aos diálogos não redigidos. assim como o Crátilo. compondo assim um gênero da época. nos tempos modernos e contemporâneos. senão mediante preparação e observação que ocorrem no diálogo vivo. Os diálogos que representam o período de amadurecimento juvenil para a fase mais original estão em Górgias. chamado de antilogias4 ou controvérsias. os quais não podiam ser transmitidos.edu. Platão legou-nos trinta e seis obras. e o Mênon. A fase central da produção platônica está em A República que é precedida pelo Fédon e O Banquete. amor. Tal obra está relacionada aos primeiros princípios. VI) Eutidemo. ou seja. Pois Platão ministrou em sua Academia estudos. Hoje em dia. nem todos os diálogos eram autênticos. Fedro. III) Parmênides. Críton. Protágoras foi o primeiro a ensinar que todo assunto há dois discursos contraditórios. Protágoras. O Protágoras representa o último da primeira fase filosófica de Platão. Íon. Cartas. Fédon. Leis. os novos estudos científicos indicam como satisfatória a cronologia de como tais obras se apresentam. política. 4 Segundo Diógenes Laércio. demonstra que um logos pode ser sempre contestado por um logos contrario. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. Apologia de Sócrates. nos quais foi utilizada a oralidade não a escrita. Górgias. moral. IX) Mino. Menexeno. ou conversa com o emprego da dialética. pois os historiadores da filosofia tendem a considerar os diálogos de Platão verdadeiros em sua maioria.: 120. Lísis. Protágoras. Crítias. entre outros. ou seja. A República.ufvjm. Laques. que pertence provavelmente ao período da viagem à Itália. Político. demonstra o caráter antitético da atividade cognitiva e prática do homem. Filebo. Sofista. VII) Hípias menor.2. Alcebíades II. V) Teages. que tratam de temas como ética. II) Crátilo. Amantes. Banquete. Na obra As Antilogias.

2003 p. esse conhecimento nasce na alma e de se mesmo se alimenta (ANTISERI e REALE. Diferente de Anaxágoras filósofo pré-socrático. o anseio de conhecer. 2003).ufvjm. nasce como libertação do logos em relação ao mito e a fantasia. a contribuição pessoal de Platão a navegação realizada sob o impulso de suas próprias forças. de modo imprevisto. A filosofia platônica A filosofia platônica tem como relevância a descoberta de uma realidade superior do mundo sensível. em linguagem metafórica. via a necessidade de explicar as coisas deste mundo através de uma inteligência universal. a essência do porque físico que é reflexo do mundo inteligível. para Platão este primeiro é expressão de fé e de crença enfim se complementam para a transcendência. trazendo a temática socrática e a característica aporética. (Antiseri e Reale.edu. e a aspiração à ciência através do entendimento via ser humano. ate então sem respostas “a causa daquilo que é físico e mecânico não será. mas a verdadeira realidade. que “retocados” na idade madura. a segunda navegação representa ao contrario. ou seja. um mundo para alem do físico.2.135). sua elaboração pessoal. a primeira navegação simboliza o percurso da filosofia realizado sob o impulso do vento da filosofia naturalista. ou seja. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. algo que não é físico e não é mecânico?”. mediante os testemunhos indiretos dos discípulos. como luz que se acende de simples fagulha. ilustrada na linguagem antiga do homem do mar: “segunda navegação” nas palavras de Antiseri e Reale. A filosofia. quando. Assim como Platão outros como Anaxágoras. Platão deu respostas a tais perguntas através da descoberta da metafísica. da “metafísica” do ser. mas apenas após muitas discussões sobre tais coisas e após um período de vida em comum. deixando questionamentos e perguntas. O objetivo de Platão é chegar ao conhecimento através da verdade diferente do erro e da fantasia. Os outros diálogos menores constituem os escritos de juventude. esta é à base do pensamento do mundo Ocidental. O conhecimento dessas coisas não é de forma alguma transmissível como os outros conhecimentos.-7Só tomamos conhecimento de tais doutrinas.: 120.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. 2. talvez.br/vozes . mas resumiase ao físico tradicional.

Esta exposição platônica torna-se marco na historia da metafísica no pensamento ocidental.: 120. desde os filósofos da escola de Mileto. Antes. o ilimitado (Anaximandro). de desvelamento das origens. 19). em seu desdobramento. sensível e supra -sensível. que juntamente com o que nos é proposto. representa o anseio. através da intervenção da razão. Hiperurânio (lugar acima do céu) ou mundo das ideias. O que é belo. que para este. Com Platão essa índole retrospectiva e “horizontal” da investigação é substituída pela perspectiva “vertical” e ascendente que propõe. o “tudo junto” (Anaxágoras) _ depois. para indicar que as Ideias representam o “modelo” permanente de cada coisa (como cada coisa deve ser). o Belo que. por isso mesmo. 2003 p. verdadeiro onde Platão determina as coisas não físicas. e invocar a ideia do belo no objetivo de descobrir os verdadeiros “porquês” da realidade.-8A ilustração das navegações constituída por Platão consiste em experimentar a razão. não são simples pensamentos. a realidade inteligível. mais ou menos belo.br/vozes . o universo em seu aspecto atual. explica todos os casos e graus particulares de beleza. A explicação filosófica representava. relata-se que a partir dela é que se fala em material e imaterial.edu.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. a situação presente do cosmo. e era. a água (Tales). aquilo que faz com que cada coisa seja aquilo que é. que existe de forma absoluta. seguindo a sugestão do método dos geômetras. O mundo físico é o resultado do mundo das ideias. seja por aceitação ou negação. ou seja. convertia. A ideia “em si” “por si” para Platão é o caráter absoluto da ideia. ou seja. a filosofia. o plano supra sensível do ser é representado pelas formas. o ser como verdade é constituído pela realidade inteligível. ser. as ideias como causas intemporais para os objetos sensíveis. As Ideias. Platão usou também o termo “paradigma”. 1999. que se dirige de modo puro. intemporalmente. de busca das raízes. Em outras palavras: as Ideias platônicas são as essências das coisas.140). devido a diferentes processos de transformação ou de redistribuição espacial. mas o que traz de novo neste discurso Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. movida por interesse arcaizante. mas aquilo que o pensamento pensa quando liberto do sensível: constituem o “verdadeiro ser”.se na procura de uma situação primordial que justificaria. o encontro de um principio (arquê) originário.2. específico do pensamento. é belo porque existe um belo pleno. nos faz ver para alem do físico ou da beleza. em suma. como a condição sustenta a inteligibilidade do condicionado. (ANTISERI e REALE. expressão tal como objeto. A explicação do mundo físico.ufvjm. “o ser por excelência”. (AMERICO. assim. ou seja. impõe como tal sem relatividades. p.

ufvjm. e o fez passar da desordem para ordem. que esta na dimensão do tempo. o principio do ser. O Bem que se manifesta no belo. que do qual compartilha com o mundo inteligível que é eterno. 2003 p. (ANTISERI e REALE.edu.se a imagem do mediador ou como Platão: um Deus “Demiurgo” que cria o mundo animado pela bondade. um Deus intermediador do homem e do cosmo. beleza e virtude”.: 120. “copia” ainda que imperfeita no mundo sensível. a partir da afirmação do belo em si. esta entre as ideias e as coisas. abaixo do ser. rejeitando o que lhe esta em desacordo_ como afirma Sócrates _ significa pensar “como geômetra”. corpóreas. está presente em todas as outras ideias: valores.2. da verdade e do valor. tem. tomou tudo quanto havia de visível que não se encontrava calmo. Platão adota o modelo matemático e a filosofia platônica define assim como tal diferindo do modelo socrático. mas se agitava de forma irregular e desordenada. Segundo A República. No mundo sensível diferente do mundo inteligível que se resulta da mistura. acima do ser. O resultado destes princípios (delimitação do ilimitado). geométrica. querendo que todas as coisas fossem boas e. o ser.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. Contudo porque o Demiurgo quis gerar o mundo? O Artífice divino gerou o mundo por “bondade” e por amor ao bem. à medida do possível. Com efeito nunca foi nem é licito ao ótimo fazer outra coisa senão a mais bela”. a resolução de antigos problemas filosóficos e científicos: a doutrina das ideias. segundo pensadores. que é de ordem inferior. Aquele que traz em si o Bem contrapõe com a Díade. a Ideia do Bem se encontra no vértice da hierarquia das ideias. e formulação da ideia como em sua essência.-9não é o ser como forma mas o que vem a ser na essência o que constitui o verdadeiro ser “o belo” o Bem . Platão relata em Fédon na fala de Sócrates a Cebes. Os entes matemáticos ou intermediários esta no degrau mais baixo da hierarquia. grande e pequeno. ou seja. ética.br/vozes . Colocar um princípio e aceitar como verdadeiro o que esta em consonância com ele. acreditando que isso era muito melhor do anterior. A totalidade das ideias esta na doutrina dos princípios primeiros e supremos: Uno que é a medida suprema de todas as coisas. em tudo. Em Filebo: “E agora o poder do bem nos fugiu na natureza do Belo: como efeito. mas encontra superior a estas. a perfeição e o valor: a “ justa medida”. que propõe hipóteses das quais extrai as Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg.144). “Porque Deus. a essência. desta “mistura” encontra-se a ordem. não fossem más. indeterminação e ilimitaçao. a medida e a proporção resultam ser.

aparecendo à primeira afirmação da transcendência das ideias. p. os objetos refletem exteriormente sua constituição numérica interior. E é o que Platão propõe através da boca de Sócrates: remontar do condicionado (os problemas a serem resolvidos ou as coisas a serem explicadas) á condição (a hipótese explicativa).: 120. p. copias imperfeitas do mundo da ideia. Em Crátilo refere a um objeto físico. como lógica decorrente do distanciamento entre sensível e inteligível. Platão caracteriza através dos diálogos as causas inteligíveis dos objetos físicos.. Em a República o artista aparece como criador de aparência. permanentemente aprofundou. ou seja. esclareceu ou refez o significado de participação e de imitação. Formas existentes. o objeto concreto imita a ideia que lhe é correspondente e a arte imita a imitação.10 consequências lógicas. apresenta-se um caráter de imanência: o modelo e a copia ambos no plano físico. expõe valores estéticos e a moral socrática. um artefato. a variação de mais e menos sugerindo um padrão ou a possibilidade da justa medida. objetos físicos e lhes confere a possibilidade da copia. a naveta. 1999. a relação usada metafisicamente por Platão para Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. mas também a ideia a arte das medidas e proporções.2. Em seus primeiros diálogos. A relação existente entre as formas e os objetos físicos que lhe são correspondentes é a outra grande questão levantada por Parmênides. já a partir de Fédon trabalha não só a consciência para o autoconhecimento. ou seja. Em Parmênides questiona-se a uma forma correspondente ao fogo (copia). a realidade (fogo) teria um modelo em sua essência. ou seja.edu. (AMERICO. Platão define a imitação como parte da metafísica. Em Parmênides o próprio Platão formula muitas das objeções que pensadores posteriores (inclusive Aristóteles) farão a essas noções. jamais abriu mão da transcendência das ideias. utilizando da noção de imitação sem excluir o mundo das ideias. (AMERICO. Platão investe no mundo inteligível.ufvjm. Na fala dos pensadores nos diálogos. a qual esta relacionada com o sentido geométrico (figuras). 21).095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. A palavra ideia “eidos” apresenta pela primeira vez em Eutifron. 1999. se ao longo da evolução de seu pensamento. Para os pitagóricos.br/vozes . E. Platão pretende resolvê-la através de duas noções fundamentais: a de participação e a de imitação. relaciona-o para “explicar” o mundo físico. visando antes às duas proposições (a que exprime o problema e a que exprime sua hipotética resolução). 17).

se de tal natureza fosse a sabedoria que do mais cheio escorresse ao mais vazio. p.11 explicar a relação sensível – inteligível reaparece assim em sua concepção estética e justifica as restrições feitas aos artistas em A República. 5). Apoladoro recorre à memória. deixando frestas e lacunas. Eram geralmente frequentados pelo público masculino. pois creio que de ti serei cumulado com uma vasta e bela sabedoria (CAVALCANTE. O erotismo discursivo de Platão acontece na travessia dialética do corpo verbal. livremente transitando. O Banquete de Platão é narrado por Apoladoro. através do pensar com ele ou através dele. estas que vão e voltam como o fio de uma teia. quando um ao outro nos tacássemos. o discurso. este. Conhecidos também como simpósios.ufvjm. amigos para grandes festas. 1991. Mulheres e escravos serviam e entretinham os convidados com músicas. cada qual expunha suas ideias. Se é assim também a sabedoria. pelo sucesso obtido em sua exposição no teatro.br/vozes . Trocavam-se ideias e conhecimentos.. bebidas e farta comida. às lembranças. Agatão. 11). p. 2011. em cada palavra. de forma indireta. Paródico na construção dos discursos. ou seja. em cada entonação de voz. 3. jogos. este é o convite que Platão nos faz indiretamente para participar do Banquete. muito aprecio reclinar-me ao teu lado. o homenageado da noite.C.edu. (SCHULLER. É nesse cenário que Platão em 380 a.2. sujeitas à análise crítica. e homenagens. bebiam de várias fontes. 1999). um dos mais importantes conceitos da cultura antiga. Platão se alista na marcha da discursividade inventiva”. emoldurada a uma nova ideia de banquete. que ganha corpo na fala de quem as profere . danças. debates.nos apresenta sua obra. tem o papel de nos transmitir com precisão. Sócrates então senta-se e diz: – Seria bom. detalhes da festa que comemora a vitoria de Agatão.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. entrelaçando-se para a construção do Eros. (AMERICO. “ O Eros de Platão liberta. esta completada aos costumes tradicionais. A obra O Banquete e o Eros como conhecimento O banquete na Grécia tinha o papel de reunir pessoas. pinta seu Banquete. mas a imagem dos personagens.: 120. trazendo não só o lazer. encaixa seus personagens e cria sua narrativa. como a água dos copos que pelo fio de lã escorre do mais cheio ao mais vazio.

que a nada se compara. numa visão poética. Abrem-se as portas para o discurso oral. o Eros do corpo doente é um e o do saudável outro. Este define o Eros duplo ou que seja oposto. Esse antagonismo está presente também na música. a medicina tem papel de descobrir na arte médica. 2011. discursa o amor além da amizade não só no gênero feminino e masculino. os discordantes. 2011.br/vozes . se harmonizam em arte musical. 57).edu. Este Eros concentra em si o poder que transmite a nós. o que reunia os dois gêneros em si mesmo descendia da lua. sedutor. o agudo e o grave. Terríveis na força e no vigor. e na metafísica do homem. apresenta o misterioso poder do amor sobre os homens.. estes diferentes sons. a harmonia que é a essência.2. desafiaram os deuses.) sentenciou Zeus: “Julgo ter encontrado um recurso para preservar os homens e. a justiça para a convivência humana. A desarmonia esta entre os opostos e a busca da justa medida é a virtude a ser alcançada. com prazer. Necessita-se que organizem como em Eros.: 120. mesmo discordantes. O gênero masculino primitivo era descendente do sol. mas que se faz e refaz em cada personagem. não vindo pronto. Erixímaco determina a sequencia das falas e o tema a ser abordado. não estando somente na mente humana. Assim se revela o processo da vida humana que na busca do equilíbrio pessoal. o feminino. enfraquecendo-os. que deve ser honrado e exaltado por todos. visa o bem comum à prosperidade na pólis. que unanimemente é aplaudido. extraordinários na arrogância. p. Segundo o médico. Lembravam os genitores na circularidade e no deslocamento.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. mas sempre para justa medida. para que o processo se dê organizado sem prejuízos. da terra. p.ufvjm. Em sua metáfora diz ser a humanidade compreendida em três sexos. principio do vir a ser (mundo físico) o poder gerador de Eros. a cura. Aristófanes orienta-se para os fenômenos humanos concretos do amor. e em cada palavra se traduz o deus Eros. sem dar de todo. “distinguir nos corpos o Eros belo e o Eros reprovável” (SCHULER. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. mas nos corpos dos animais. (. nos seres em geral. nos produtos que brotam na terra. em busca da sua totalidade do ser. mas entre dois seres do mesmo sexo (Andrógino). 55). como na fala de Heráclito: “Não entendem que o diferente condiz consigo mesmo: harmonia discordante como a do arco da lira” (SCHULER.. e a partir do mito da forma esférica do homem primitivo. dotada de características desses dois astros. concordando.. produtivo.12 Fecham-se os portões e para a música e para o vinho. Ou seja. através da combinação criteriosa.

mesmo que custem sacrifícios. p.2.13 deter a insolência. esta. na intenção de se inteirar e torna-se um único ser. a melhor luta. sentindo-se pertencido. 2011. mútua. p. proteger o que nos pertence. pois numa sociedade onde se ama a ação contraria trará a repugnância. sustentados por duas pernas. se não se aquietarem. Eros é o mais antigo dos deuses. justifica que estamos à procura da parte que nos foi tirada e. para o aperfeiçoamento do próprio eu. pelo amado. p.: 120. Com a assistência de Eros. fornece aos helenos prova convincente do meu argumento. parentes apenas de nome. 2011). Andarão eretos. esta sociedade contraem a virtude moral. amando-se. doando a própria vida em valor. 39).. personaliza a morte quando esta traz a vida. Embora muitos tenham praticado inúmeros atos belos. a nosso juízo. que diz da grandiosidade desse Ser. Alceste.edu. 2011.br/vozes . na intenção de nunca decepcionar o amado e nem abandoná-lo em meio à construção ou à guerra. Este Eros é guia da comunhão social. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. procuramo-la em outros braços ardentes. ou seja. causa dos maiores bens. Só ela consentiu em morrer pelo seu marido. organizando-se. o mais poderoso para levar o homem a virtude e a felicidade nesta vida e depois da morte (SCHULER. É honra morrer um pelo o outro. Seccionarei agora cada um em dois para torná–los mais fracos e mais prestativos a nós. visto que serão mais numerosos. este é o discurso de Fedro. enfatiza que o Amor move o homem a construir as cidades. é sentir a necessidade do outro. fazendo-os parecer estranhos ao filho. que entre os imortais é o mais antigo.65). desferirei outro golpe para deixa-los saltitantes. sentir-se herói. só a um numero reduzidos os deuses concedem o prêmio de retornarem vivos das profundezas do Hades (SCHULER. numa perna só” (SCHULER. ele os superou em afeto. e a beleza. ou seja. 39). Este é o próprio amor que inspira para a virtude a mais nobre. A ação de Alceste foi aprovada como bela não só pelos homens mas também pelos deuses. Fedro.ufvjm. o mais honrado. aplausos em busca da admiração e reconhecimento do amado. continuarem insolentes. ser completo. simplesmente pelo instinto. Atualmente esta metáfora se manifesta em nossas falas como “a outra metade”. 2011. objetivando o objeto do desejo para restaurar a natureza primitiva. Este que reveste de honra quem o possui em vida e ate após a morte. u ma vez sendo nos tomada. produzindo.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. em sua fala. o bem. filha de Pélias. a melhor construção. ou seja. embora o pai e a mãe dele ainda fossem vivos. do amor. Homero afirma “uma divindade inspira ardor a certos heróis” ( SCHULER. Se mesmo assim.

E é mau aquele amante popular. se deixou seu posto ou largou suas armas. Este desorganiza o estado baseado na paixão e não na razão. divino. a busca do belo aparente. o que disse Homero “do ardor que a alguns heróis inspira o deus”. não acredita que o deus é único e fundamentase em um ideal da relação erótica. p. descrevendo suas virtudes. feio.) poderia alguém julgar ao contrario que considera muito feio aqui esse modo de agir. que se afirma em duas naturezas: Eros Pândemos e o Eros Urânios. que ama o corpo mais que a alma. mas se decentemente praticado é belo.br/vozes . o que justamente se disse desde o começo. este bem. um amor vil sem sentimento.10). O Urânio nos remete ao mundo das ideias. que Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. a meu ver. ao contrário dos seus antecedentes locutores. um deus jovem..14 Pois um homem que está amando.11). 1991. “Assim é que o amar e o Amor não é todo ele belo e digno de ser louvado. o mais feliz é o Amor. 1991. aceitaria menos sem duvida a ideia de ter sido visto pelo amado do que por todos outros.2. causa de outros bens. que dispõe de autodomínio. portanto. um amor nobre e estável. (CAVALCANTE.. p. e a isso preferiria muitas vezes morrer. p. um amor que não comete injustiça e nem sofrimento.ufvjm. discordando de Fedro. 1991. O que há. feminino e masculino. delicado e o melhor. “é de natureza o mais forte e que tem mais inteligência”. eis que o amor dar aos amantes. se indecentemente. o seguinte: não é isso uma coisa simples. e sem mais rodeios. quebra as barreiras das paixões. a ponto de ficar ele semelhante ao mais generoso de natureza.edu. (.: 120. e decentemente quando é a um bom e de um modo bom. que impulsiona ao bem e a servir ao verdadeiro amado. não enaltece o benefício do Eros no homem ou na alma humana. E quanto a abandonar o amado ou não socorrê-lo em perigo. sendo o primeiro vulgar que é para mera satisfação sexual. do ciúme. mas apenas o que leva a amar belamente”. Ora. esta presente no mundo da traição..14). antes pinta de maneira poética o próprio deus e sua essência. ninguém há tão ruim que o próprio Amor não o torne inspirado para a virtude. por ser o mais belo. porém é. por amar um objeto que também não é constante (CAVALCANTE. A harmonia é contraria a estes doi s. como um dom emanado de si mesmo (CAVALCANTE. Pausânias critica a Fedro. este belo que não tem rosto feio nem bonito. onde não há palavras pra descrever com propriedade o que nos faz este deus. mas é belo pelo amado e pelo amante se bem ou descentemente praticado com vista para a virtude. que não é em si e por si nem belo nem feio. pois não é ele constante. é indecente quando é a um mau e de modo mau que se aquiesce. Está presente na complexidade. Agatão.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. Dos deuses.

Derivado da natureza divina ensinou aos mortais as demais artes. este Eros é espiritual. É o que nos cabe utilizar como testemunho de que é um bom poeta o Amor. continuou Sócrates. 1991. p. Ressalta que é impossível desejar algo que já se tem. “mesmo que antes seja estranho às Musas”. entre deus. p. perguntando.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. o divino.. Não é mortal e nem imortal. é a aspiração de conseguir modelar dentro do homem o verdadeiro Homem.) é ele o que produz paz entre os homens. a verdade é o eterno desejo de alcançar o que esta além.. 1991.afirmando. mas possui essências da divindade. o amor é um desejo que se tem em se completar com algo que esta faltando. e a ti? (CAVALCANTE. desde que lhe toque o Amor. 2011. se em vez de uma probabilidade não é uma necessidade que seja assim. entre o saber e a ignorância.br/vozes . imortal” (SCHULER. deseja aquilo de que é carente. em busca do mundo inteligível.) é um poeta o deus.. ser uma necessidade. mas ocupa uma posição intermediaria entre o feio e o formoso. (.. “o homem nunca pode desejar o que não considerar seu bem”.. entre o perfeito e o imperfeito.: 120. através do conhecimento. questionando. sem o que não deseja. Sócrates introduz sua belíssima fala. é a procriação e cultivação da verdade ou criação pessoal “aspiram a um renome duradouro. não é perfeito. É espantoso como me parece. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. nem feio. mas em todos os aspectos. também a outro não se poderia dar ou ensinar.15 afirma ser o mais antigo dos deuses. e no mar bonança. a riqueza e a pobreza que para Platão é a ponte entre o Eros e a filosofia. ou mundo das ideias. o terreno. o homem busca a imortalidade não só do corpo. Dáimon. Agatão. repouso tranquilo de ventos e sono na dor (CAVALCANTE. p. o que deseja. tanto que também a outro ele o faz. qualquer um em todo caso torna-se poeta.105) com este desejo. ou de seu próprio rebento. se eterniza a si próprio através das obras. e o homem. do esforço intelectual e moral de superar as aparências do mundo sensível.34). em geral em toda criação artística. por isso não pode ser deus.30). pois o que não se tem ou que não se sabe.edu. é um elo. e sábio. se não for carente. – observa bem. ou não precisa mais. (.ufvjm. juntando os fios das “falas” dos amigos. contem características desiguais. um deus perfeito. O Eros não é por si mesmo formoso. o Eros é duplo.2. O conhecimento.

2. espiritual. A leitura e o estudo desta obra platônica revelam que.ufvjm. produzir e reproduzir. as características são as mesmas. de dentro pra fora e vice-versa. Eis a filosofia platônica.br/vozes . instigador das mais nobres virtudes humanas que fluem de dentro. Ainda hoje conseguimos ficar perplexos diante da força que o amor pode exercer sobre o homem. trazendo o seu maior legado que é o Bem.16 Conclusão Ao se pensar o amor nos dias atuais é difícil não ver resquícios desse amor platônico que traz grandes contribuições e que permanece vivo em nossas definições. e que por mais que se mudam as palavras o sentido é o mesmo. o Amor. Platão em seus diálogos deixa claro que este amor tem várias fisionomias e valores. A filosofia assim como o amor são asas que batem contra o vento e produz um pequeno vento.: 120.. mas expandir e difundir a verdade. o equilíbrio entre nós humanos. o suficiente para equilibrar no espaço e sentir a liberdade que este deus. ir um pouco além. individual ou coletivo. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. evoluímos e somos melhorados na perspectiva do conhecimento. do viver bem. a estrutura social. onde é confundido com o ter e não com o ser. material. Caminho para o conhecimento e verdade. algo inesperado e enriquecedor. através do exercício intelectual.. este esforço que inspira ao conhecer.edu. dando sentido à nossa existência. pois o tempo não muda o ser humano em sua essência. independe em sua maioria da interpretação racional. Esse amor atualmente encarado como impossível em meio a esta sociedade moderna. pois ele nos move para a busca incessante da própria satisfação seja material ou espiritual. e independente da época carregamos na alma esta essência. nos inspira. e o ideal é que o amor molde o caráter..095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www. sobre a natureza. na intenção de não se guardar. base para o bem é uma maneira de expressar a importância de nos mantermos vivos.

________. 5.. and of the opinion (doxa) to the Knowledge. “Platão: o horizonte da metafísica”. José Américo Motta Pessanha]. 1991. P . until now disgraced and forgotten by men and bring them to consciousness of his importance to human and social organization. G. D.781. São Paulo : Nova Cultural. ________. Diálogos. O Banquete. Revista Vozes dos Vales da UFVJM: Publicações Acadêmicas – MG – Brasil – Nº 02 – Ano I – 10/2012 Reg. who is the subject of the presented speech. the endless pursuit of truth. of the intellectual effort. A. Dicionário dos Filósofos. Banquet. (Os pensadores). Plato. In: História da Filosofia: filosofia pagã antiga. 2003. [trad. This study analyzes each speech shown in a simple and objective way. ed. the interactions of the characters in “The Banquet” of Plato. concluding the importance of the dialectic. HUISMAN. REFERÊNCIAS ANTISERI. WATANABE. Platão .br/vozes . Jorge Paleikat e João Cruz Costa]. 2001. [trad.edu. in which the more emphatic.095–2011 – PROEXC/UFVJM – ISSN: 2238-6424 – www.1ª ed – Sao Paulo : Editora Moderna .2. Cláudio Berliner et alli]. by the light of Platonic philosophy. Porto Alegre. D. Key words: knowledge.17 Abstract: This article aims to analyze. Diálogo /Platão. and their arguments to reach a broad understanding of the god Eros. São Paulo: Nova Cultural.ufvjm.José Cavalcante de Souza. Donaldo Schüler. In: Os pensadores. L. São Paulo: Martins Fontes. is the one of Socrates. [trad. 2011.Por Mitos e Hipóteses: Um convite à leitura dos Dialogos . v. Eros. The proposed objective is to exalt the god Eros. PLATÃO. 1.774. 1999. 1995. [Tradução Ivo Storniolo]. e REALE. It is composed of seven speakers. RS: L&PM. Trad.: 120. São Paulo: Paulus.