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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC -1409/07

Administração Indireta Estadual. Fundação de Ação Comunitária.

:JbHcado no O. O. E. Dispensa de Licitação 002/07. Recurso de Apelação contra o


Acórdão AC2-1421/08. Conhecimento. Apreciação do mérito com
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provimento parcial.

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RELATÓRIO
A presente peça trata de Recurso de Apelação, interposto, no Processo TC - 1409/07, o qual
versa sobre análise da Dispensa de Licitação n° 002/2007, tendo como Relator inicial o
Conselheiro Marcos Ubiratan Guedes Pereira, contra decisão da 23 Câmara deste Tribunal de
Contas, de 08/04/2008, onde foi prolatado o Acórdão AC2-TC-466/08 (publicado no DOE de
23/04/2008), com a seguinte decisão:
I. Julgar irregular o procedimento de Dispensa de Licitação n° 002/2007, da FAC;
11. Imputar débito ao Presidente Gilmar Aureliano de Lima, no valor de R$ 3.032,51, em
virtude do excesso de custo referente ao prejuízo objetivo referentes às contratações;
111. Aplicar multa ao Presidente da FAC, no valor de R$ 2.805,10, com base no art. 56, \I da
LOTCE - LC 18/93, assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias, para o recolhimento
( ...);
IV. Recomendar a Direção da FAC estrita observância aos princípios que norteiam à
Administração Pública, bem como à Lei n° 8.666/93, com realização de licitação.

Inconformado com a decisão desta Corte, em 08/05/2008, o Sr" Gilmar Aureliano de Lima,
interpôs, tempestivamente, RECURSO DE RECONSIDERAÇÃO (fls. 756/764), recebido nos autos
e devidamente redistribuído nos termos do Regimento Interno desta Corte.

Após análise da Auditoria e parecer opinativo oral do Parquet, os Membros da 23 Câmara desta
Colenda Corte, em sessão realizada na data de 12/08/2008, acordaram, através do Acórdão AC2
TC 1421/2008, à unanimidade, conhecer o Recurso, negando-lhe o provimento.

Ainda, insatisfeito com a decisão proferida, o recorrente, fundamentado no art. 187 e ss do RITCE,
interpôs RECURSO DE APELAÇÃO (fls. 780/786).

A Auditoria analisou, às fls. 788/789, as alegações apresentadas pelo impetrante, concluindo ao


afirmar que o recorrente não conseguiu trazer aos autos elementos novos capazes de modificar o
seu entendimento inicial, limitando-se a repisar argumentos outrora rebatidos quando da
manifestação da defesa, bem como do Recurso de Reconsideração, ratificando, portanto, o
Acórdão AC2- TC 466/08.

Manifestação do Ministério Público junto ao Tribunal (fls. 947), acostada no entendimento da


Auditoria, pugnando pelo conhecimento do apelo e, no mérito, pelo não provimento.

O Relator determinou o agendamento do processo para esta sessão e o interessado foi


devidamente notificado.

VOTO DO RELATOR

O apelo em tela foi manejado em 04/09/2008, conquanto o Acórdão que o ensejou foi publicado
em 21/08/2008, ou seja, tempestivamente, consoante com o § único do art. 32 da LOTCE/Pb.

Art. 32 - Cabe apelação para o Tribunal Pleno das decisões definitivas proferidas
por qualquer das Câmaras. r

Parágrafo Único - A apelação será interposta no prazo de quinze (15) dias, ~1\
contados na forma do art. 30, 11. r
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A súplica do recorrente baseia em situação fática que poderia trazer prejuízos à população carente
que depende, para a sua' regular alimentação, da doação de gêneros alimenticios (pães)
adquiridos mediante o processo de dispensa de licitação em análise. Em sua alegações, o
postulante reitera os motivos já analisados quando da emissão do Acórdão AC2-1421/D8. Conduto,
não me furtarei a tecer comentários, que julgo, relevantes.

o insurreto afirma que a dispensa, cujo intuito seria dar continuidade ao fornecimento, ocorreu em
função do lapso temporal necessário para a realização de processo de licitação na modalidade
pregão, o qual estava em curso.

Diante da prática reiterada, depreende-se que houve, por parte da Administração, desídia, falta de
planejamento, bem como, desorganização, fato que não coaduna com o caráter emergencial
alegado na via recursal em apreço, o qual teria amparo legal no art. 24, IV da Lei n° 8.666/93.

Art. 24. É dispensável a licitação:


IV - nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando caracterizada
urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuizo ou
comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros
bens, públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao
atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de obras e
serviços que possam ser concluidas no prazo máximo de 180 (cento e
oitenta) dias consecutivos e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência
ou calamidade, vedada a prorrogação dos respectivos contratos;

Ademais, vale salientar que a Lei, quando frente a caso concreto que possibilite a aplicação do
preceptivo acima disposto, só admite a dispensa para os bens indispensáveis ao atendimento das
necessidades prementes no espaço temporal máximo de 180 (cento e oitenta) dias
improrrogáveis. Contudo, segundo a Auditoria, a prática de aquisições do citado gênero alimentício
mediante dispensa de licitação é rotina na administração da FAC desde o ano de 2005, portanto,
sobejando o período estabelecido.

o Tribunal de Contas da União em Decisão Plenária 347/1994, assim se manifestou sobre o


assunto:

" Tribunal Pleno, diante das razões expostas pelo Relator, Decide:
1. conhecer do expediente formulado pelo ilustre Ministro de Estado dos Transporte
para informar a Sua Excelência que, de acordo com as normas que disciplinam a
matéria, o Tribunal não responde a consultas consubstanciadas em caso
concreto;
2. responder ao ilustre Consulente, quanto à caracterização dos casos de
emergência ou de calamidade pública em tese:
a) que, além da adoção das formalidades previstas no art. 26 e seu parágrafo único
da Lei n° 8.666/93, são pressupostos da aplicação do caso de dispensa
preconizado no art. 24, inciso IV, da mesma Lei:
a.1) que a situação adversa, dada com de emergência ou de calamidade
pública, não se tenham originado, total ou parcialmente, da falta de
planejamento, da desídia administrativa ou da má gestão dos recursos
disponíveis, ou seja, que ela não possa, em alguma medida, ser atribuídas a
culpa ou dolo do agente público que tinha o dever de agir para prevenir a
ocorrência de tal situação;
a.2) que existia urgência concreta e efetiva do atendimento a situação decorrente
do estado emergencial ou calamitoso, visando afastar o risco de danos a bens ou
à saúde ou à vida de pessoas;
a.3) que o risco, além de concreto e efetivamente provável, se mostre iminente e
especialmente gravoso:" (grifo nosso)

Quanto à imputação de débito no valor de R$ 3.032,51, referente ao sobrepreço de R$ 0,01 por


unidade de pão, a Auditoria informa que o valor em tela representa 0,0589% do montante global
das aquisições. O sobrepreço, segundo o Órgão Técnico, deveu-se em função da menor cotação
da unidade do pão ter alcançado a importância de R$ 0,17, todavia, a contratação realizou-se
levando em consideração o valor de R$ 0,18 por unidade.

Levando-se em conta o supra disposto, necessário se faz comentário oportuno. Observando-se


aos autos (fls. 39/42), constata-se que a variação no preço unitário do pão (R$ 0,17 a R$ 0,18), errv-,
um mesmo estabelecimento, decorreu, principalmente, da entrega dos gêneros alimentícios e~
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comunidades distantes e de difícil acesso, fato que por si encareceria o produto. Ademais, o
próprio defendente trouxe aos autos (fI. 772) Demonstrativo Estatístico da variação de Preço Médio
do Pão Francês de 50gr no Estado da Paraíba, emitido pelo Sindicato das Industrias de
Panificação e Confeitaria do Estado da Paraíba, onde é ressaltado que nos anos de 2004, 2005 e
2006 o preço médio do pão de 50gr variou de R$ 0,19 até R$ 0,22, sendo que o preço praticado no
âmbito da FAC foi de R$ 0,18.

Em relação ao exposto, após consulta aos autos, enxergo que a Auditoria baseou seu
entendimento desconsiderando variações de preços do gênero em questão decorrentes das
dificuldades da entrega em comunidades distantes enfrentadas pelos fornecedores.

Tendo em vista que a imputação aludida representa, em relação ao todo adquirido, o ínfimo
percentual de 0,0589%, bem como, a adoção critério de análise restritivo, por parte da Auditoria e,
ainda, que o valor contratado encontrava-se em patamar inferior ao informado pelo Sindicato das
Industrias de Panificação e Confeitaria, entendo que a falha em comento é passível de ser
relevada.

No que tange à aplicação de multa, não vislumbro qualquer possibilidade de alteração da decisão
exarada no Acórdão AC2-1421/08.

Com esteira no sobredito, voto pelo conhecimento do Recurso de Apelação, ante a sua
tempestividade e legitimidade e, no mérito, pelo seu provimento parcial, relevando a imputação de
débito no valor de R$ 3.032,77, mantendo-se as demais decisões consubstanciadas no Acórdão
AC2466/08.

DECISÃODO TRIBUNAL PLENO


Vistos, relatados e discutidos os autos do Processo-TC-1409/07, ACORDAM os Membros do
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAIBA (TCE/Pb), à unanimidade, na sessão plenária
realizada nesta data em conhecer o presente Recurso de Apelação, ante a sua tempestividade e
legitimidade, e, no mérito, pelo seu provimento parcial, relevando a imputação de débito no valor
de R$ 3.032,77, mantendo-se, na íntegra, os demais aspectos da decisão consubstanciada no
Acórdão AC2-466/0S.

Publique-se, registre-se e cumpra-se.


TCE-Plenário Ministro João Agripino ~ .

.18 de " Q."..J:., de 200~'


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Conselheiro rl'tôif"íiCrNJ~ffiflndo Diniz Filho Conselheiro Fábio Túlio Filgueiras Nogueira


Relator
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Fui presente, /./1-"-
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Ana T erêsa Nóbrega.;)
Procuradora Geral do Ministério Público junto ao TCE-Pb