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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
, o Tribunal Pleno
PROCESSO TC N° 02351/07

ADMINISTRAÇÃO INDIRETA MUNICIPAL. Instituto de


Previdência e Assistência do Município do Conde - IPM.
Prestação de Contas Anuais. Exercício de 2006. Julgam-se
regulares as contas de responsabilidade do Sr. Roberto Lima de
Andrade e irregulares as contas de responsabilidade do Sr.
Sérgio José Santos Falcão. Aplica-se multa. Emitem-se
recomendações e determinação.

ACORDÃO APL TC l{l/ 12009


1.RELATÓRI0
Examina-se a prestação de contas anuais do Instituto de Previdência e Assistência do Município do Conde -
IPM, relativa ao exercício financeiro de 2006, tendo como responsáveis os senhores Roberto Lima de
Andrade, período de 1° de janeiro a 14 de fevereiro/2006, e Sérgio José dos Santos Falcão, período de 15
de fevereiro a 31 de dezembro/2006.

A Auditoria, após a análise da documentação encaminhada, emitiu relatório, fls. 211/221, evidenciando, em
resumo, os seguintes aspectos da gestão:
1. a prestação de contas foi encaminhada ao Tribunal dentro do prazo legal, em conformidade com a
Resolução RN TC 07/97 e a RN 07/04;
2. o IPM do Conde possui natureza jurídica de autarquia municipal. Foi criado através da Lei nO117, de
30 de março de 1993 e, por força da Lei Municipal nO332, de 28 de dezembro de 2004, houve
reestruturação da entidade;
3. o IPM não concede benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência, estando,
portanto, em conformidade com o que determina o art. 16 da Portaria nO4.992/99;
4. o orçamento para o exercício em análise apresentou estimativa de receita no montante de R$
963.094,00;
5. a receita arrecadada, toda de natureza corrente, foi de R$ 265.018,57, composta pela: receita de
contribuições - segurados (R$190.373,88), receitas patrimoniais (R$71.965,36) e outras receitas
correntes (R$ 2.679,33). Não houve nenhum repasse da parte patronal;
6. conforme a Lei Municipal nO 332/2004, os recursos financeiros do Instituto são provenientes de
contribuições do servidor e do empregador, no percentual de 11% (onze por cento),
respectivamente;
7. despesa registrada na PCA foi de R$ 211.984,62. As despesas correntes representaram quase a
totalidade da despesa empenhada (R$ 207.444,62), com maior representatividade para as despesas
com pessoal e encargos sociais (R$160.927,92) e outras despesas correntes (R$46.516,70). A
despesa de capital foi da ordem de R$ 4.540,00, relativa a Equipamento e Material Permanente;
8. como resultado da execução orçamentária, observou-se a ocorrência de superávit, no valor de R$
53.033,95;
9. de acordo com balanço financeiro, o Instituto mobilizou recursos, no exercício, no montante de R$
1.008.841,15, dos quais R$ 668.119,52, registrado como receita extra-orçamentária, é referente à
regularização do lançamento de aplicação financeira, contabilizado erroneamente, no exercício de
2005, como despesa extra-orçamentária, relativo à aquisição de títulos públicos federais (doc. fI.
136). Quanto às aplicações, o Instituto destinou 21,01 % dos recursos para despesas orçamentárías;
0,15% em despesas extra-orçamentária, restando 78,84% disponível para o exercício subseqüente,
distribuído em: caixa (R$ 2.728,15), bancos (R$ 79.239,12) e investimentos de longo prazo (R$
713.380,74).
10. o Balanço Patrimonial apresentou um ativo de R$ 2.892.637,04, constituído por ativo financeiro - R$
795.348,01; ativo realizável - R$ 2,00, e ativo permanente - R$ 2.097.287,03 (sendo que ~

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PROCESSO TC N° 02351/07 2

2.065.972,07 referente à dívida da prefeitura). O passivo foi no montante de R$ 1.583,42 (passivo


financeiro );
11. O Instituto contava, em 2006, com 588 (quinhentos e oitenta e oito) ativos, 13 (treze) inativos e 9
(nove) pensionistas;
12. As despesas administrativas corresponderam a 2,08% do valor da remuneração dos servidores
efetivos ativos, inativos e pensionistas do município no exercício anterior, acima do limite (2%),
descumprindo o determinado pela Portaria MPAS nO4992/99 no seu artigo 17, § 3°, e pela Lei nO
9.717/98, art. 1°, inciso 111.
13. Não houve registro de denúncia referente ao exercício. Encontra-se, contudo, anexado aos autos o
Doc. TC nO 11.746/07, que trata de decisão tomada no processo de auditoria-fiscal realizada pelo
Ministério da Previdência no Regime Próprio do Município do Conde (doc. fls. 78/84), dando conta de
diversas desconformidades do ente.

Por fim, apontou as seguintes irregularidades:


De responsabilidade do Gestor do lnstituto- SR. SÉRGIO JOSÉ DOS SANTOS FALCÃO.
• Descumprimento a Lei 4.320/64, art. 58, acarretando elaboração incorreta dos Anexos 2, 10, 12, 13,
14 e Demonstrativo de Restos a Pagar;
• Falta de contabilização da dívida da Prefeitura para com o instituto como ativo compensado,
descumprindo as determinações da Secretaria de Tesouro Nacional, em especial as Notas Técnicas
nO49/2005 - GENOC/CCONT/ STN e 515/2005 - GEANC/CCONT/ STN;
• Ausência de encaminhamento a este Tribunal, para fins de registro 04 (quatro) processos de
aposentadoria e 07 (sete) processos de pensão, descumprindo as Resoluções RN TC n os 103/98 e
15/01 ;
• Despesas administrativas descumprindo o limite estabelecido pela Portaria MPAS nO4.992/99;
• Ausência de controle de dívida da Prefeitura para com o Instituto;
• Descumprimento ao percentual da alíquota sugerido no Plano Atuarial aplicado, pelo Instituto, sobre
a contribuição patronal;
• O Instituto encontra-se em situação irregular, junto ao MPS, com relação a diversos critérios;
• Pagamento de despesa com veículo do Instituto, cedido a Prefeitura.
De responsabilidade do Chefe do Poder Executivo· SR. ALUíSIO VINAGRE RÉGIS
• Divergência entre os repasses previdenciários informados no SAGRES e o efetivamente transferido
ao instituto;
• Ausência de repasses regulares das contribuições previdenciárias;
• Variação ocorrida em relação ao percentual da alíquota aplicada descumpre ao que determina a Lei
Municipal nO332/2004 e a Lei Federal nO10.887/2004, acarretando em prejuízo para o Instituto;

Em virtude das irregularidades indicadas no relatório da Auditoria, o gestor do IPM do Conde e o Chefe do
Poder Executivo Municipal foram regularmente notificados, tendo apresentado argumentos às fls. 234/239 e
fls. 240/249.

Analisando a defesa, a Auditoria concluiu, no relatório às fls. 370/376, que foram sanadas as falhas relativas
à falta de contabilização da dívida da Prefeitura para com o Instituto como ativo compensado; à ausência de
encaminhamento a este Tribunal, para fins de registro 04 (quatro) processos de aposentadoria e 07 (sete)
processos de pensão, descumprindo as Resoluções RN TC n os 103/98 e 15/01 e à ausência de controle de
dívida da Prefeitura para com o Instituto, permanecendo as demais irregularidades apontadas, conforme
comentários abaixo:
DESCUMPRIMENTO A LEI N° 4.320/64, ART. 58, ACARRETANDO ELABORAÇÃO INCORRETA DOS
ANEXOS 2,10,12,13,14 E DEMONSTRATIVO DE RESTOS A PAGAR (SUBITENS 3.1.A, 3.1.B, 3.1.C,
3.2,3.3 E FL. 41 DO RELATÓRIO INICIAL);
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PROCESSO TC N° 02351/07 3

Defesa: Relativamente à divergência entre o valor repassado pela Prefeitura e o valor recebido pelo Instituto
(subitem 3.1.a), a defesa alega que do total registrado no SAGRES da Prefeitura (R$ 265.427,14), está
incluído o valor de R$ 96.174,18, relativo a transferências entre contas extra-orçamentárias (doc. fI. 253), na
mesma data e valor. Portanto, o que efetivamente foi repassado no exercício de 2006 foi o valor de R$
169.252,96 (R$ 265.427,14 - R$ 96.174,18). O total registrado na PCA (R$190.373,88) é proveniente de R$
169.252,96 (repasses do exercício de 2006 da Prefeitura), R$ 4.277,31 (contribuições retidas na fonte -IPM)
e R$ 16.843,61 (repasses efetuados e registrados pela Prefeitura em dezembro de 2005 e registrados no
Instituto em janeiro de 2006 - docs. fls. 254/267).
No tocante a despesa registrada a menor (subitem 3.1.b), afirma que os balancetes foram apresentados com
falha, uma vez que a despesa demonstrada é a paga e o relatório não considerou as anulações de
pagamentos que ocorreram em julho e dezembro (R$ 11.247,70 e R$ 625,00, respectivamente), cuja soma
(R$ 11.866,70), perfazendo a diferença apontada pela Auditoria. Novos demonstrativos estão sendo
encaminhados (doc. fls. 283/308). Justifica, ainda, a defesa, que está correta a elaboração do balanço
orçamentário, apresentando um superávit de R$ 53.033,95; que o balanço financeiro foi elaborado
corretamente, sendo real e correto os restos a pagar, e que, de acordo com as Notas Técnicas da STN, não
existe qualquer determinação para que o balanço patrimonial seja registrado de forma diversa da que foi
apresentada, o que há é uma orientação para que a divida fique registrada no Passivo Compensado. Foi
encaminhado um novo balanço (doc. fls. 282).
Auditoria: de acordo com o órgão técnico de instrução, a irregularidade se referiu à nomenclatura usada no
anexo 10, que classificou o registro dos juros sobre o parcelamento como sendo dívida ativa (outras receitas
correntes). Neste caso, pode ser confundido como sendo receita proveniente do parcelamento da dívida, o
que não é o caso.
Quanto aos novos demonstrativos da despesa empenhada/paga anexados, o gestor não fez constar nos
autos as notas de empenhos canceladas e as que as substituíram, bem como não justificou o motivo das
anulações, inclusive, de benefícios. Em decorrência desse fato, não é possível considerar que o Anexo 12
está corretamente elaborado.
Com relação ao montante relativo aos restos a pagar, verificou-se que ficou um saldo de restos a pagar no
valor de R$ 300,00, no mês de março, (doc. fls. 271), o qual não consta no demonstrativo da dívida flutuante
nem no balanço financeiro (Anexo 13). Com referência ao balanço patrimonial, a irregularidade se referiu ao
valor contabilizado no passivo financeiro, como estando errado e não ao registro da dívida, conforme
informou o defendente.
A Auditoria entende que a irregularidade permanece.
DESPESAS ADMINISTRATIVAS DESCUMPRINDO O LIMITE ESTABELECIDO PELA PORTARIA MPAS
N° 4.992199 (SUBITEM 5.3 DO RELATÓRIO INICIAL);
Defesa: O defendente reconhece que despesas administrativas vêm superando o limite estabelecido em lei
(2,00%), e em 2006 superou em apenas R$ 2.406,59, que correspondeu à cerca de 0,08% da remuneração
dos servidores ativos, inativos e pensionistas do município no exercício anterior. Alega, contudo, que na
apuração das despesas administrativas foram computadas despesas com veículo (R$ 289,13), tendo o
defendente requerido à devolução de tais valores ao Município do Conde (fls. 315), e também o valor de R$
1.102,73, referente à despesa do exercício de 2005, devendo tais valores ser abatidos. Esclarece, dessa
forma, que não houve gasto excessivo e que todas as despesas foram necessárias para o funcionamento do
Instituto, e que estes gastos são insuficientes, razão porque ultrapassou o limite previsto pela Portaria MPS
nO4992/99.
Auditoria: Segundo o § 3° do art. 17, da Portaria MPS nO4.992/99, a taxa de administração é de até dois
pontos percentuais do valor total das remunerações, proventos e pensões de segurados vinculados ao
regime próprio de previdência social, relativo ao exercício financeiro anterior. Assim, as despesas
administrativas corresponderam, no exercício, a 2,08%, estando, portanto, acima do limite permitido na
portaria acima citada. O defendente, não comprovou nada que pudesse modificar o entendimento inicial.
Assim sendo, pennanece a Irregularidade. ~
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PROCESSO TC N° 02351/07 4

DESCUMPRIMENTO AO PERCENTUAL DA ALíQUOTA SUGERIDO NO PLANO ATUARIAL APLICADO,


PELO INSTITUTO, SOBRE A CONTRIBUiÇÃO PATRONAL (SUBITEM 5.5 DO RELATÓRIO INICIAL);
Defesa: O Município instituiu a cobrança da contribuição previdenciária dos servidores no percentual de 11%,
percentual este também cobrado ao ente, o que perfaz um total de 22%, se aproximando do percentual
estabelecido no plano atuarial (22,50%).
Auditoria: Foi verificado, quando da análise da PCA, que as alíquotas aplicadas, parte patronal, variaram
entre 7,33% e 10,76%, durante todo exercício de 2006, tendo sido aplicada a alíquota de 11% apenas sobre
a folha do 13° salário (doc. fls.179), portanto, descumprindo o percentual de 11,50% sugerido no Plano
Atuarial, permanecendo a irregularidade.
O INSTITUTO SE ENCONTRA EM SITUAÇÃO IRREGULAR, JUNTO AO MPS, COM RELAÇÃO A
DIVERSOS CRITÉRIOS (SUBITEM 5.6 DO RELATÓRIO INICIAL);
Defesa: Justifica o gestor que, desde que assumiu o IPM, tem tentado regularizar a situação junto ao MPS e
que, recentemente, o Instituto ajuizou ação requerendo que seja declarada a inconstitucionalidade do art. 9°,
caput e incisos da Lei Federal nO 9.717/98, o Decreto Federal nO 3.788/01 e as Portarias do MPS nOs
1.317/03, 234/04, 4.992/99, 2.346/01 e 172/05, bem como que se obrigue a União a repassar a
compensação previdenciária e a emitir o CRP, processado perante a 18 Vara Federal da Paraíba - Processo
nO2008.82.00.004383-4 (fls. 328/348).
Auditoria: A ação ajuizada pelo IPM é contra a União, por ter sido suspensa todas as transferências
voluntárias além dos repasses a título de compensação previdenciária, uma vez que o Instituto está com o
CRP (Certificado de Regularidade Previdenciária) com validade até 19/06/2004 (doc. fls. 146). Ressalta,
ainda, que a falha apontada inicialmente não se refere ao CRP, mas a critérios junto ao MPS e, em nova
pesquisa realizada no site do Ministério da Previdência Social, verificou-se que a situação do Instituto
continua a mesma (doc. fls. 368/369). Assim sendo, permanece a irregularidade.
PAGAMENTO DE DESPESA COM VEíCULO DO INSTITUTO, CEDIDO A PREFEITURA (SUBITEM 5.7.2
DO RELATÓRIO INICIAL).
Defesa: De acordo com o Ofício n° 125/2007, o Diretor Presidente do IPM solicitou o reembolso de despesas
realizadas com o veículo que está à disposição do Município (fls. 315).
Auditoria: O defendente informa que solicitou o reembolso das despesas realizadas com veiculo do Instituto
à disposição do Município, no entanto, não comprovou documentalmente se foi reembolsado. Assim sendo, a
irregularidade permanece.
DIVERGÊNCIA ENTRE OS REPASSES PREVIDENCIÁRIOS INFORMADOS NO SAGRES E O
EFETIVAMENTE TRANSFERIDO AO INSTITUTO (SUBITEM 3.1.A.1 DO RELATÓRIO INICIAL);
Defesa: A divergência apontada é decorrente dos seguintes fatores: a) do total registrado no SAGRES da
Prefeitura (R$ 265.427,14), está incluído o valor de R$ 96.174,18 (doc. fls. 252/253), que muito embora
esteja escriturado como Guia de Despesa Extra, se trata apenas de transferências entre contas extras, uma
vez que também foi registrada uma Guia de Receita Extra, na mesma data e valor, tratando-se apenas de
apropriação de consignações para com o Instituto. Portanto, o que efetivamente foi repassado no exercício
de 2006 foi o valor de R$ 169.252,96 (R$ 265.427,14 - R$ 96.174,18); b) O total registrado na PCA (R$
190.373,88) é proveniente de R$ 169.252,96 (repasses do exercício de 2006 da Prefeitura), R$ 4.277,31
(contribuições retidas na fonte - IPM) e R$ 16.843,61 (repasses efetuados e registrados pela Prefeitura em
dezembro de 2005 e registrados no Instituto em janeiro de 2006 - doc. 254/267).
Auditoria: A diferença apontada é relativa à Prefeitura, sendo uma irregularidade de responsabilidade do
Chefe do Poder Executivo uma vez que o valor dos repasses informado no SAGRES (R$ 265.427,14) é
maior do que o registrado na PCA (R$ 190.373,89). Considerando os argumentos do defendente, a Auditoria
não pode sanar a irregularidade, uma vez que somente anexaram-se, aos autos, as guias de contribuições
referentes ao exercício de 2005 que foram repassadas em 2006 (R$ 16.843,61 - doc.fls. 251/267), restando
anexar as guias cujos repasses se referiram ao exercício de 2006 (R$ 169.252,96) e aos retidos na fonte pelo
IPM (R$ 4.277,31), cujo total foi o registrado na PCA (R$ 190.373,89). A Auditoria mantém a irregularidade.
AUSÊNCIA DE REPASSES REGULARES DAS CONTRIBUiÇÕES PREVIDENCIÁRIAS (SUBITENS 3.1.A
E 5.4 DO RELATÓRIO INICIAL); ~ .
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PROCESSO TC N° 02351/07 5

Defesa: A ausência de parte do repasse da contribuição patronal ao IPM ocorreu por um breve período, face
às sérias dificuldades em que o Município enfrentou e ainda enfrenta, fruto da herança de elevadas dívidas
da gestão anterior. Todavia, a Prefeitura efetuou o parcelamento do débito (fls. 318/326). Desta forma, não
se tratando de apropriação indébita previdenciária e demonstrado que já foi parcelado o débito e vem sendo
pago pontualmente, requer que não seja tida como irregularidade.
Auditoria: O defendente anexou aos autos a Lei nO 514, de 18 de dezembro de 2007, que trata do
parcelamento da dívida do município para com o Instituto, referente às contribuições patronais no período de
janeiro de 2004 a setembro de 2007, incluindo o 13° salário de 2004, 2005 e 2006 e as contribuições dos
servidores no período de janeiro a dezembro de 2004. Afirma, ainda, que as parcelas vem sendo pagas
pontualmente, no entanto, não foi anexado aos autos nenhum documento que comprove o seu pagamento
bem como não foi possível a Auditoria identificar os valores creditados nos extratos bancários. A Auditoria
mantém a irregularidade.
VARIAÇÃO OCORRIDA EM RELAÇÃO AO PERCENTUAL DA AlÍQUOTA APLICADA DESCUMPRE AO
QUE DETERMINA A LEI MUNICIPAL N° 33212004 E A LEI FEDERAL N° 10.887/2004, ACARRETANDO
EM PREJuízo PARA O INSTITUTO (SUBITEM 5.4 DO RELATÓRIO INICIAL);
Defesa: A Lei Municipal nO332/04 foi aprovada no término da gestão anterior, alterando as alíquotas para
11%, tanto da parte patronal quanto do servidor, sem que tenha ocorrido a devida publicidade, e sequer os
servidores efetivos do quadro permanente da Secretaria de Administração e Finanças tinham conhecimento
desta lei, motivo pelo qual o atual gestor não a aplicou. Em junho, quando o defendente tomou o
conhecimento da lei, determinou que a mesma fosse cumprida integralmente, aumentando as alíquotas da
parte patronal e dos servidores. Assim, não corresponde à realidade a conclusão da Auditoria de que apenas
teria aplicado a alíquota de 11 % na folha do 13° salário. Justifica o gestor que não houve intenção de realizar
o pagamento a menor, razão por que se requer que seja afastada a irregularidade.
Auditoria: A Lei Municipal que alterou as alíquotas foi a de nO 332, de 28 de dezembro de 2004, cujo
percentual tanto para o servidor quanto para o ente é de 11%, no entanto, desde o advento da Lei n° 10.887
de 18 de junho de 2004 que a contribuição previdenciária é de no mínimo 11 % (onze por cento). Ressalta-se,
ainda, que não se justifica a ausência de conhecimento da lei uma vez que é de responsabilidade do Prefeito
se manter informado sobre a atualização da legislação municipal. O defendente alega, ainda, que não
corresponde a realidade, quando a Auditoria afirma que somente sobre a folha do 13° salário é que foi
cobrado o percentual de 11 %. A informação foi apresentada quando da diligência in loco com todas as
variações do percentual das alíquotas, conforme documento às fls. 179. Assim sendo, o defendente apenas
se justificou, não trazendo nada de novo aos autos que pudesse modificar o entendimento inicial, portanto, a
irregularidade permanece.

Ao final, entendeu o Órgão de Instrução que remanesceram as seguintes irregularidades:


De responsabilidade do Gestor do lnstltute - SR. SÉRGIO JOSÉ DOS SANTOS FALCÃO.
a) Descumprimento a Lei 4.320/64, art. 58, acarretando elaboração incorreta dos Anexos 2, 10, 12,
13,14 e Demonstrativo de Restos a Pagar;
b) Despesas administrativas descumprindo o limite estabelecido pela Portaria MPAS nO4.992/99;
c) Descumprimento ao percentual da alíquota sugerido no Plano atuarial aplicado, pelo Instituto,
sobre a contribuição patronal;
d) Instituto encontra-se em situação irregular, junto ao MPS, com relação a diversos critérios;
e) Pagamento de despesa com veículo do Instituto, cedido a Prefeitura.
De responsabilidade do Chefe do Poder Executivo· SR. ALUíSIO VINAGRE RÉGIS
a) Divergência entre os repasses previdenciários informados no SAGRES e o efetivamente
transferido ao instituto;
b) Ausência de repasses regulares das contribuições previdenciárias;
c) Variação ocorrida em relação ao percentual da alíquota aplicada, em desacordo com a Lei
Municipaln' 33212004e a Lei Federaln' 10.887/2004, acarretandoem prejuízopara o Instítut~/
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N° 02351/07 6

Instado a se pronunciar, o Ministério Público junto ao TCE/PB emitiu o Parecer n° 516/09, subscrito pela
Procuradora Sheyla Barreto Braga de Queiroz, opinando, em resumo: (I) pelo julgamento regular da
prestação de contas do senhor Roberto Lima de Andrade, Diretor do Instituto entre 1.%1/2006 e 14/02/2006,
e pelo julgamento irregular da prestação de contas anual do senhor Sérgio José Santos Falcão, gestor do
Instituto da Previdência do Conde, entre 15/02/2006 a 31/12/2006; (11) Aplicação da multa pessoal com base
no art. 56, incisos I da LOTCE-PB, ao senhor Sérgio José Santos Falcão e ao senhor Prefeito Municipal de
Conde, Aluísio Vinagre Régis, pelo conjunto de irregularidades de sua respectiva responsabilidade; (111)
Recomendações à atual Direção do Instituto; (IV) Recomendações ao Prefeito Municipal; (V) remessa de
cópia pertinente dos autos ao Ministério Público Estadual para fins de apuração de indícios de cometimento
de possíveis de atos de improbidade administrativa pelo Prefeito Municipal e pelo gestor do Instituto de
Previdência local, ao longo do exercício de 2006, tudo à Luz da Lei n.o 8.429/92.

É o relatório, informando que os responsáveis foram regularmente notificados para a presente sessão de
julgamento.

2.VOTO DO RELATOR

o Relator entende que as irregularidades atribuidas pela Auditoria ao Prefeito municipal devem ser objeto de
verificação e responsabilização em sua prestação de contas, ressaltando-se, contudo, que as contas relativas
ao exercício em exame já foram julgadas por esta Corte, com decisão consubstanciada no Parecer PPL TC n
111/2008.

No mais, o Relator acompanha a Auditoria e o Parquet votando pela:

1) Regularidade da prestação de contas do senhor Roberto Lima de Andrade, ex-Diretor do IPM do Conde,
no período de 1.%1/2006 a 14/02/2006, e irregularidade da prestação de contas do senhor Sérgio José
Santos Falcão, gestor do Instituto de Previdência do Conde, no período de 15/02/2006 a 31/12/2006;
2) Aplicação de multa a Sr. Sérgio José Santos Falcão, no valor de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos
reais), em virtude das irregularidades e falhas constatadas pela Auditoria, com fundamento no art. 71,
VIII, da CF, e 56, 11 da LCE 18/93; assinando-lhe o prazo de 60 (sessenta) dias, a partir da publicação
deste ato, para recolhimento voluntário ao erário estadual, à conta do Fundo de Fiscalização
Orçamentária e Financeira Municipal, sob pena de cobrança executiva, desde logo recomendada,
conforme o disposto no art. 71, § 4° da Constituição do Estado da Paraíba;
3) Recomendação ao atual Presidente do Instituto de maior observância aos mandamentos da Lei
4.320/64, especialmente no tocante à apresentação dos demonstrativos contábeis e para que tome
medidas visando a não repetição das ocorrências verificadas;
4) Recomendação ao Chefe do Poder Executivo e ao Gestor do Instituto no sentido de envidar esforços
visando o cumprimento dos requisitos constitucionais e legais de funcionamento do referido sistema
previdenciário; e
5) Determinação à Auditoria para que verifique, quando da análise da prestação de contas do Município do
Conde, exercício de 2007, se estão sendo cumpridos os termos do Acordo e Parcelamento de Confissão
de Débitos Previdenciários, autorizado pela Lei nO 514/2007, celebrado entre o Município e o IPM,
referente às contribuições relativas ao período de janeiro/2004 a setembro/2007, bem como se ainda
persiste a irregularidade relativa ao não repasse ao Instituto das contribuições previdenciárias e a não
observância de recomendações atuariais, no sentido de adotar a alíquota total proposta de 22,50%.

3.DECISÃO DO TRIBUNAL PLENO

Vistos, relatados e discutidos os autos do Processo Te n° 2351/07 ACORDAM os Conselheiros do Tribunal


de Contas do Estado da Paraíba, por unanimidade de votos, na sessão plenária realizada nesta data, em:

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC N° 02351/07 7

1. JULGAR REGULAR a prestação de contas do senhor Roberto Lima de Andrade, ex-Diretor do


Instituto (1.%1/2006 a 14/02/2006);
2. JULGAR IRREGULAR a prestação de contas do senhor Sérgio José Santos Falcão, gestor do
Instituto da Previdência do Conde (15/02/2006 a 31/12/2006);
3. Aplicar multa ao gestor Sérgio José Santos Falcão, no valor de R$ 1.500,00 (um mil e
quinhentos reais), em virtude das irregularidades e falhas constatadas pela Auditoria, com
fundamento no art. 71, VIII, da CF, e 56, II da LCE 18/93; assinando-lhe o prazo de 60
(sessenta) dias, a partir da publicação deste ato, para recolhimento voluntário ao erário
estadual, à conta do Fundo de Fiscalização Orçamentária e Financeira Municipal, sob pena de
cobrança executiva, desde logo recomendada, conforme o disposto no art. 71, § 4° da
Constituição do Estado da Paraíba;
4. Recomendar ao Presidente do Instituto de maior observância aos mandamentos da Lei
4.320/64, especialmente no tocante à apresentação dos demonstrativos contábeis e para que
tome medidas visando a não repetição das ocorrências verificadas;
5. Recomendar, também, ao Chefe do Poder Executivo e ao Gestor do Instituto no sentido de
envidar esforços visando o cumprimento dos requisitos constitucionais e legais de
funcionamento do referido sistema previdenciário; e
6. Determinar à Auditoria que verifique quando do exame da prestação de contas do Municipio
do Conde, exercício de 2007, se estão sendo cumpridos os termos do Acordo de
Parcelamento e Confissão de Débitos Previdenciários, autorizado pela Lei nO 514/2007,
celebrado entre o município e o IPM, referente às contribuições relativas ao periodo de
janeiro/2004 a setembro/2007, bem como se ainda persiste a irregularidade relativa ao não
repasse ao Instituto das contribuições previdenciárias e a não observância de recomendações
atuariais, no sentido de adotar a alíquota total proposta de 22,50%.
Publique-se, intime-se e cumpra-se.
Sala das Sessões do TCE-PB - Pie ri Ministro João Agripino.
João Pessoa, 2 aio e 2009.
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Cons, Substl to Antônio Cláudio Sil~ Santos
.' Relator Procuradora Geral do
Ministério Público junto ao TCE·PB