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Publicado no O. O. E.

TRIBUNAL
I
DE CONTAS DO ESTA,
Em, c.:3 I /1 C I v k;

I PROCESSO TC 02290107 llli1 I


Administração Direta Municipal - Municipio de DUAS
ESTRADAS - Prestação de Contas do Prefeito, Senhor
ROBERTO CARLOS NUNES, relativa ao exercício financeiro de
2006 - Verificação de falhas: umas esclarecidas durante a
instrução outras sem repercussão negativa nas contas prestadas
e, por isso mesmo, desconsideradas - Emissão de PARECER
FAVORÁVEL à aprovação com a ressalva do art. 124, § único
do R.I. - Recomendações.
Atendimento INTEGRAL às exigências da LRF.

PARECER PPl - TC A c- J 12008


Vistos, relatados e discutidos os autos do PROCESSO TC-02290/07; e

CONSIDERANDO os fatos narrados no Relatório;

CONSIDERANDO que durante a instrução os esclarecimentos prestados foram


suficientes para afastar irregularidades apontadas pela Auditoria, em relação a
algumas despesas ou, em outros casos, desconsideradas pelos motivos
colacionados pelo Relator e admitidos pela Corte;
CONSIDERANDO os Relatórios da Unidade Técnica de Instrução e do Relator,
que passam a integrar a decisão consubstanciada neste ato;

CONSIDERANDO o mais que dos autos consta;


Os MEMBROS do TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA PARAÍBA (TCE-Pb),
por maioria, de acordo com a Proposta de Decisão do Relator, sendo voto vencido o
emitido pelo Conselheiro Substituto Renato Sérgio Santiago Melo, que entendeu não
merecerem as falhas remanescentes serem desconsideradas, de modo a que resolveu
pela emissão de parecer contrário, multa, recomendações e representação à Receita
Federal do Brasil e Ministério Público Comum, na Sessão desta data, decidiram:
1. EMITIR E REMETER à Câmara Municipal de DUAS ESTRADAS, PARECER
FAVORAvEL à aprovação da prestação de contas do Prefeito Municipal,
Senhor ROBERTO CARLOS NUNES, referente ao exercício de 2.006, neste
considerando que o Gestor supra indicado A TENDEU INTEGRALMENTE às
exigências da LRF, com a ressalva do artigo 124, parágrafo único do
Regimento Interno do Tribunal;

2. DETERMINAR a remessa das conclusões da Unidade Té ica de Instrução à


Receita Federal do Brasil, para en.tender
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necessárias;

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

PROCESSO TC 02290/07 ~I
3. RECOMENDAR à Administração Municipal de DUAS ESTRADAS, no sentido
de que não mais se repitam as falhas constatadas nos presentes autos, sob
pena de serem consideradas na análise e julgamento de contas futuras.
Publique-se, intime-se e registre-se.
Sala das Sessões do TCE-Pb - Plené Ministro João Agripino
João Pessoa, 24 de s embr~ de 2008.

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André Carlo Torres Pontes
Procurador Geral em exercício do Ministério Público Especial junto ao TCE/PB

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I PROCESSO TC 02290107 IPág.1/41 I


Administração Direta Municipal - Municípío de DUAS
ESTRADAS - Prestação de Contas do Prefeito, Senhor
ROBERTO CARLOS NUNES, relativa ao exercício financeiro de
2006 - Verificação de falhas: umas esclarecídas durante a
instrução outras sem repercussão negativa nas contas prestadas
e, por isso mesmo, desconsideradas - Emissão de PARECER
FAVORÁVEL à aprovação com a ressalva do art. 124, § único
do R.I. - Recomendações.
Atendimento INTEGRAL às exigências da LRF.

RELATÓRIO E PROPOSTA DE DECISÃO


RELATÓRIO
o Senhor ROBERTO CARLOS NUNES, Prefeito do Município de DUAS ESTRADAS,
no exercício de 2006, apresentou, no prazo legal, a PRESTAÇÃO DE CONTAS, sobre a
qual a DIAFIIDEAGM IIIDIAGM II emitiu Relatório, com as observações principais, a seguir,
sumariadas:
1. A Lei Orçamentária n° 100/05, de 08/11/2005, estimou a receita e fixou a despesa
em R$ 5.100.000,00;
2. As despesas não licitadas importaram em R$ 93.584,12, representando 1,89% da
Despesa Orçamentária Total;
3. Os gastos com obras e serviços de engenharia, no exercício, totalizaram
R$ 263.438,36, correspondendo a 5,32% da Despesa Orçamentária Total;
4. A remuneração recebida pelo Prefeito e Vice foi de R$ 72.000,00 e R$ 36.000,00,
respectivamente, estando dentro dos parâmetros legalmente estabelecidos;
5. As despesas condicionadas comportaram-se da seguinte forma:
8.1 Com ações e serviços públicos de saúde, verificou-se um percentual de 15,90%
da receita de impostos e transferências (mínimo: 15,00%);
8.2 Em MDE representando 26,31% das receitas de impostos e transferências
(mínimo: 25%);
8.3 Com Pessoal do Poder Executivo, equivalendo a 46,05% da RCL (limite
máximo: 54%);
8.4 Com Pessoal do Município, representando 49,61% da RCL (limite máximo:
60%);
8.5 Em Remuneração e Valorização do Magistério, constatou-se a aplicação de
67,17% dos recursos do FUNDEF (mínimo: 60%).
6. O repasse para o Poder Legislativo foi de 7,34% da receita tributária mais
transferências do exercício anterior e foi superior ao limite fixado no orçamento,
cumprindo o que dispõe o art. 29-A, §2°, incisos I e III da Constituição Federal;
7. Não há registro de denúncias sobre irregularidades ocorridas no exercício;
8. No tocante à Qestão fJscal, registrou-se que o gestor ATENDEU
INTEGRALMENTE AS EXIGENCIAS DA LRF;
9. Quanto às demais disposições constitucionais e legais, inclusive os itens do
Parecer Normativo TC 52/04, constataram-se as seguintes irregularidades:
9.1. Autorização para abertura de crédito suplementar com dotação
correspondente ao total do orçamento aprovado em detrimento do art. 10,
§1°, da Lei de Responsabilidade Fiscal;
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9.2. Não realização de procedimentos de licitação no montante de R$ 9
correspondendo a 8,86% da despesa Iicitável do exercí io;
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I PROCESSO TC 02290/07 IPág.2/4\ I


9.3. Despesas registradas no FUNDEF, no montante de R$ 65.450,41, sem se
estabelecer a origem dos recursos;
9.4. Pagamentos das obrigações patronais em valor inferior ao devido pelo
empregador;
9.5. Divergências entre o RGF (2° semestre) e a PCA quanto aos gastos de
Pessoal;
9.6. Descumprimento do princípio da isonomia na Administração Pública;
9.7. Divergência de dados de recolhimentos dos segurados do INSS constantes
no SAGRES e Sistema de Folha de Pagamento no montante de
R$ 13.610,48;
9.8. Não recolhimento de consignações INSS dos segurados no montante de
R$ 142.374,85;
9.9. Divergência de dados (SISBB e SAGRES) sobre os recolhimentos da parte
empresa no montante de R$ 96.276,52.
Regularmente intimado para o exercício do contraditório, o interessado apresentou a
defesa às fls. 767/1501, que a Unidade Técnica de Instrução analisou e concluiu:
1. Entendendo estarem elididas as seguintes irregularidades:
1.1 Despesas registradas no FUNDEF, no montante de R$ 65.450,41, sem se
estabelecer a origem dos recursos;
1.2 Divergência de dados de recolhimentos dos segurados do INSS constantes
no SAGRES e Sistema de Folha de Pagamento no montante de
R$ 13.610,48.
2. Reconhecendo que as demais persistiram.
Não foi solicitada prévia oitiva ministerial, esperando-se o seu pronunciamento nesta
oportunidade.
Foram efetuadas as comunicações de praxe.
É o Relatório.

PRO·POSTAce CeClSÃO
o Relator ousa divergir, data vênie, da Unidade Técnica de Instrução nos seguintes
aspectos:
1. A existência de autorização para abertura de crédito suplementar com dotação
correspondente ao total do orçamento aprovado merece ser ponderada, posto que
nenhum prejuízo de monta foi observado na execução orçamentária, mesmo porque,
utilizou-se apenas 36,99% dos crédito suplementares autorizados. No entanto, é
de se recomendar que o gestor, em outras oportunidades, produza um planejamento
mais consentâneo com a realidade do município e tendo por norte o que preconiza o
art. 1°, §1°, da LRF.
2. Quanto às despesas apontadas como não licitadas pela Auditoria, importante frisar
que o valor correto é de R$ 87.499,14 (1,77% da DOT) e não R$ 93.584,12,
conforme atesta os documentos acostados às fls. 652/667. Ademais, restou evidente
que tais despesas referem-se à aquisição de material de Iimpez gêneros f'"'

alimentícios, prestação de serviços de transportes, entre outro (fls 754), e


apresentaram valores totais muito próximos do limite d dispensa o p, cedir1t~i

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previsto legalmente (R$ 8.000,00), bem como ao fato de estar incluído em tal
montante a prestação de serviços advocatícios, no valor de R$ 42.000,00, que,
reiteradamente, o Tribunal admite como passível de submissão a procedimento de
inexigibilidade de licitação, como ocorreu na espécie, no exercício precedente (fls.
782/797), junto ao Senhor Iraponil Siqueira Sousa. Assim, a falha a este título
merece ser desconsiderada;
3. A ausência de contabilização das obrigações patronais no valor de R$ 309.962,52,
apontada pela Auditoria, foi baseada em estimativa, tratando-se de matéria de cunho
administrativo, a ser questionado pela Receita Federal do Brasil, a quem compete
cobrar tal débito;
4. Respeitante à incompatibilidade de informações entre os dados constantes do RGF e
PCA, no tocante à apuração da Despesa Total com Pessoal, tem-se que ocorreu
pelo fato de que o gestor deixou de considerar valores que a Auditoria fez constar na
indicação do índice correspondente considerando o valor indicado por estimativa
antes noticiado;
5. A Lei Municipal n° 034/99, que cuida da concessão de diárias, vigente durante o
exercício de 2006, previa a concessão daquela indenização mediante percentual dos
vencimentos dos beneficiários, entretanto, o gestor ao tomar conhecimento das
restrições opostas pela Auditoria, cuidou de editar novo instrumento normativo sem
as máculas ali verificadas (v Lei 124/2008, às fls. 779/780);
6. No tocante ao não recolhimento de consignações ao INSS dos segurados no
montante de R$ 142.374,85, constata-se que quase que a integralidade de tal
montante diz respeito a débitos de exercícios anteriores, exceto a quantia de
R$ 1.920,87, que pertence ao exercício em análise, conforme Demonstrativo da
Dívida Flutuante às fls. 72. Assim, resta que a irregularidade ocorreu em outras
oportunidades, cabendo tão somente recomendação no sentido de que a
Administração Municipal regularize sua situação previdenciária junto ao INSS, órgão
a quem cabe cobrar a dívida;
7. No que tange à divergência de dados (SISBB e SAGRES) sobre os recolhimentos da
parte empresa no montante de R$ 96.276,52, restou esclarecido pelo gestor que tal
montante advérn do recolhimento das retenções dos segurados, registrados na
despesa extra-orçamentária. De fato, o INSS-EMPRESA, descrito no Sistema de
Informações do Banco do Brasil (SISBB), incorpora tanto a parte patronal como a
parte segurado, informadas pela Edilidade no mês precedente ao débito na conta-
corrente do FPM através das GFIP, afastando, assim, a mácula questionada.

Isto posto, propõe no sentido de que os integrantes deste egrégio Tribunal Pleno:
1. EMITAM E REMETAM à Câmara Municipal de DUAS ESTRADAS, PARECER
FAVORÁVEL à aprovação da prestação de contas do Prefeito Municipal, Senhor
ROBERTO CARLOS NUNES, referente ao exercício de 2.006, neste
considerando que o Gestor supra indicado ATENDEU INTEGRALMENTE às
exigências da LRF, com a ressalva do artigo 124, parágrafo único do Regimento
Interno do Tribunal;

2. DETERMINEM a remessa das conclusões da Unidade Técnica d strução à


Receita Federal do Brasil, para adotar as providências que enten rn efsnr". ;

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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO

I PROCESSO TC 02290/07 !Pág.4/41 J

3. RECOMENDEM à Administração Municipal de DUAS ESTRADAS, no sentido de


que não mais se repitam as falhas constatadas nos presentes autos, sob pena de
serem consideradas na análise e julgamento de contas futuras.

É a Proposta.