Avanços Científicos Através dos Sonhos

Exaustivamente, os Espíritos responsáveis pela Codificação nos têm prestado informações preciosas acerca dos progressos tecnológicos existentes nas esferas espirituais. Diversas, também, são as citações sobre a elevada qualidade de vida de que se pode desfrutar no intervalo das encarnações, resguardadas, evidentemente, as condições evolutivas pertinentes a cada um. Por extensão de raciocínio, poderá o ser, ao reencarnar, reproduzir, na Terra, os avanços já existentes nas esferas espirituais, em todas as áreas do conhecimento humano, na medida de suas inclinações e potencialidades. Importante ressaltar que, mesmo imersos nos círculos carnais, não estaremos impedidos de acessar e resgatar importantes informações do além, pois contamos com os chamados estados de emancipação da alma, dos quais o sono físico é o mais elementar, mas, nem por isso, menos eficaz. No tocante ao tema em foco, na questão 419 de O Livro dos Espíritos, Kardec assim indagava: “Por que a mesma idéia, a de uma descoberta, por exemplo, pode surgir em diversos lugares ao mesmo tempo?“ Ao que responderam os Espíritos: “Já dissemos que durante o sono os Espíritos se comunicam entre si. Pois bem, quando o corpo desperta, o Espírito se recorda do que aprendeu e o homem acredita ser o autor da invenção. Assim, muitos podem descobrir a mesma coisa ao mesmo tempo. Quando dizeis: uma idéia está no ar, usais de uma figura de linguagem mais justa do que acreditais; cada um, sem saber, contribui para propagála.” Significa dizer que, dentre muitos espíritos encarnados, que por ventura estejam se dedicando ao estudo, por exemplo, de uma nova tecnologia, aquele que maior capacidade demonstrar e maiores esforços empreender, será, por merecimento, o responsável por lançar, no planeta, determinada invenção, já existente, como vimos, nas esferas elevadas. Na Revista Espírita, edição de junho de 1866, Kardec escrevia um artigo intitulado Um Sonho Instrutivo, relatando uma curiosa experiência que lhe ocorrera durante certa noite do mês de abril. Após adormecer, encontrava-se o nobre Codificador em meio a uma reunião com determinados Espíritos que confabulavam entusiasticamente, razão pela qual aproximou-se, na tentativa de captar o teor da conversação, quando, em suas palavras: “...apareceu no canto de um muro uma inscrição em letras pequenas, brilhantes como fogo, e que nos esforçamos por decifrar. Estava assim concebida: Descobrimos que a borracha rolada sob a roda faz uma légua em dez minutos, desde que a estrada....” . Aduziu Kardec: “Enquanto procurávamos o fim da frase, a inscrição apagou-se pouco a pouco e acordamos”. Ao relatar o seu sonho ao Dr. Antoine Demeure, seu amigo pessoal, recebeu a orientação de que, de fato, ele presenciara uma reunião de Espíritos encarnados, parcialmente desligados do corpo por ocasião do sono, que, na ocasião, discutiam o desenvolvimento de uma nova tecnologia que revolucionaria o transporte terrestre. De fato, o tempo atestaria essa realidade, pois a invenção em análise, cuja idéia básica era uma “...borracha rolada sob a roda...”, seria patenteada em 1888, sob o nome de pneumático (pneu), curiosamente, pelo cirurgião veterinário escocês John Boyd Dunlop (1840-1921), residente na Irlanda que, ao observar seu filho guiando um triciclo, resolveu adaptar às rodas do pequeno veículo uma bisnaga de borracha inflada, lacrada e coberta por um tela de tecido. Mais tarde (1891) os irmãos franceses André e Edouard Michelin, tratariam de aperfeiçoar sensivelmente a invenção.

Fato relevante se passou com o grande químico alemão Friedrich August Kekulé von Stradonitz (1829-1896), que assim descreveu o seu sonho: “Certa feita, em Ghent (1864), encontrava-me escrevendo meu livro didático, mas o trabalho não progredia; meus pensamentos estavam em outro lugar. Virei minha cadeira para o fogo e cochilei... Novamente os átomos estavam saltando diante dos meus olhos (...). Meu olho mental, que se tornara mais aguçado pelas visões repetidas do mesmo tipo, podia agora distinguir estruturas maiores de conformações múltiplas: ...fileiras longas, às vezes mais apertadas, todas juntas, emparelhadas e entrelaçadas em movimento como o de uma cobra. Mas veja! O que era aquilo? Uma das cobras havia agarrado a própria cauda, e essa forma girava zombeteiramente diante dos meus olhos. Acordei como se por um raio de luz; e então, também passei o resto da noite desenvolvendo as conseqüências da hipótese.” Para nós, a visão de uma cobra mordendo a própria cauda não teria grandes significados, entretanto, o notável cientista inspirou-se naquela imagem, possivelmente transmitida pela espiritualidade de maneira simbólica, ou assim por ele captada, para elaborar a estrutura hexagonal do benzeno. Passagem igualmente interessante encontramos na magistral obra Memórias de Um Suicida, em que o Espírito Camilo Castelo Branco, através da mediunidade de Yvonne Amaral Pereira, nos oferece as mais variadas citações pertinentes à avançada tecnologia a serviço da espiritualidade. No capítulo III, página 57, Camilo nos fala sobre uma peculiar aparelhagem existente na Seção de Reconhecimento e Matrícula, tendo assim se expressado: “As respostas dos pacientes seriam antes gravadas em discos singulares, espécie de álbuns animados de cenas e movimentos, graças ao concurso de aparelhamentos magnéticos especiais. Tais álbuns reproduziriam até mesmo o som de nossa voz, como nossa imagem e o prolongamento do noticiário sobre nós mesmos, desde que posto em contato com admirável maquinismo apropriado ao feito.” Muito provavelmente, Camilo se referia a algo semelhante ao já bastante popularizado DVD (Digital Versatile Disc ou Digital Video Disc), dispositivo que oferece grande capacidade de armazenagem de vídeos e recursos de multimídia. Seguramente, mais uma tecnologia extraída do além. Ressalte-se que tais informações começaram a ser ditadas pelo Espírito Camilo a partir de 1926, falando-nos de uma tecnologia existente ainda antes daquela data, já que o grande escritor havia desencarnado em 21/05/1890, ou seja mais de cem anos atrás, quando sequer se imaginava a existência de um aparelho de DVD. Por todo o exposto, podemos aquilatar, palidamente, a importância das nossas horas de sono para o progresso do planeta em que vivemos. Entretanto, infelizmente, nem sempre nos aproveitamos desses momentos como deveríamos. Na obra Libertação, cap VI, pg. 80, sob psicografia de Francisco Cândido Xavier, André Luiz, reproduzindo informações dos seus superiores espirituais, nos afirma que: “A determinadas horas da noite, três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contato conosco e a maior percentagem desses semi-libertos do corpo, pela influência natural do sono, permanecem detidos nos círculos de baixa vibração.” Importante, por conseguinte, que nos preparemos adequadamente durante o dia para que esses momentos de desprendimento sejam para nós efetivamente realizadores. Oportuna, então, a orientação simples, porém contundente, inserida na lição 30, da obra Conduta Espírita, de autoria espiritual de André Luiz, sob psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira, assim estabelecida: “Preparar um sono tranqüilo pela consciência pacificada nas boas obras, acendendo a luz da oração, antes de entregar-se ao repouso normal. (PUBLICADO NA REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO)

José Marcelo Gonçalves Coelho (e-mail: josemarcelo.coelho@ig.com.br) Expositor e articulista espírita há 15 anos, formado em Tecnologia Mecânica, freqüenta, atualmente, a Sociedade de Estudos Espíritas Irmão Tomé, Vitória, ES. Bibliografia adotada: O Livro dos Espíritos, questão 419, editora FEB Memórias de Um Suicida, pelo Espírito Camilo Castelo Branco, Médium: Yvonne Amaral Pereira, editora FEB. Enciclopédia Larousse Cultural Wikipedia (Enciclopédia Virtual) Figura abaixo: o sonho de Kekulé O SONHO DE KEKULÉ (estrutura hexagonal do benzeno)

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