Terra Brasilis (Nova Série

)
1  (2000) Geografia: Disciplina Escolar
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Genylton Odilon Rêgo da Rocha

Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira
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Referência eletrônica Genylton Odilon Rêgo da Rocha, « Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira », Terra Brasilis [Online], 1 | 2000, posto online no dia 05 Novembro 2012, consultado o 09 Janeiro 2013. URL : http://terrabrasilis.revues.org/293 Editor: Rede Brasileira de História da Geografia e Geografia Histórica http://terrabrasilis.revues.org http://www.revues.org Documento acessível online em: http://terrabrasilis.revues.org/293 Documento gerado automaticamente no dia 09 Janeiro 2013. © Rede Brasileira de História da Geografia e Geografia Histórica

tornada oficial a partir da reforma Luiz Alves/Rocha Vaz. A intensificação do processo de urbanização. desempenharam o papel de formuladores. Concomitantemente a este estado de transformações mais aceleradas. na década Terra Brasilis (Nova Série).Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 2 Genylton Odilon Rêgo da Rocha Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 1 2 3 4 A década de vinte representou para a geografia escolar brasileira um momento de profundos questionamentos acerca das orientações teórico-metodológicas que desde a primeira metade do século XIX. 1993:45). bem como um certo otimismo pedagógico. Para que melhor possamos compreender a emergência desta nova feição adquirida pela geografia dos professores. as mudanças vieram com o aumento da demanda escolar impulsionada pelo ritmo mais acelerado do processo de urbanização ocasionado pelo impulso dado à industrialização após a I Guerra e acentuado depois de 1930 (ROMANELLI. assim como por movimentos políticos. De um lado.. decorrente do modelo econômico emergente. no campo das aspirações sociais. uma atitude que se desenvolveu nas correntes de idéias e movimentos político-socias e que consistia em atribuir importância cada vez maior ao tema da instrução.1 O entusiasmo pela educação e o otimismo pedagógico. 5 6 7 À medida que a estrutura até então hegemônica começou a ruir. tem início um processo de repensar a educação brasileira por parte de intelectuais ligados à educação ou não. até certo ponto. caracterizavam sua prática de ensino. emerge de forma paradigmática uma nova proposta de ensino para esta disciplina. o sistema educacional brasileiro foi sendo objeto de gradativas mudanças. faz-se necessário que nos reportemos aos fatores sócio-históricos que contribuíram no seu engendramento. O modelo agroexportador em franca decadência vai dando lugar a um modelo econômico urbano-industrial. Romanelli. à medida que um contingente cada vez maior de pessoas dos estratos médios e mesmo das camadas populares buscavam a escola a fim de ampliarem suas possibilidades de ascensão social. as coisas começaram a mudar-se com movimentos culturais e pedagógicos em favor de reformas mais profundas. começaram por ser. 1 | 2000 . a discussão acerca da educação começou a fazer parte da “ordem do dia” e. Em oposição ao modelo de geografia tradicionalmente ensinado. no campo das idéias.. A demanda social de educação amplia-se rapidamente e o sistema escolar se vê pressionado a expandir-se. ao analisar as transformações que a educação brasileira começaria a passar. a partir da década dos anos vinte. em meio ao conservadorismo reinante. representou as exigências educacionais de uma sociedade cujo índice de urbanização e de industrialização ainda era baixo. portanto. de outro.) um quadro de demanda educacional que caracterizou bem as necessidades sentidas pela população e. É essa inclusão sistemática dos assuntos educacionais nos programas de diferentes organização que dará origem àquilo que. nos seus diversos níveis e tipos. contemporâneos do novo modelo urbano-industrial que estava sendo implantado no país. que tão bem caracterizaram a década dos anos vinte. veículos e disseminadores de novos padrões culturais. foi gerando novas e crescentes demandas de mão-de-obra especializada para ocupar as funções que os setores secundário e terciário estavam a exigir. no decênio anterior. emergiu um inusitado entusiasmo pela escolarização. da velha educação acadêmica e aristocrática e a pouca importância dada à educação popular fundavam-se na estrutura e organização da sociedade. procura nos situar no contexto de mudança do qual o período estava prenhe. Foi somente quando essa estrutura começou a dar sinais de ruptura que a situação educacional principiou a tomar rumos diferentes. que em comum apresentavam a preocupação com a alteração do status quo até então reinante (mesmo que tais alterações fossem apenas relativas). A permanência. Estes atores sociais. quando da introdução desta disciplinas nos currículos prescritos. A I República teve (. Em decorrência.

etc. apenas. 1 | 2000 . de transformações econômicas e de expansão dos centros urbanos. como também no que se refere aos conteúdos. já se orientam por uma ação. cuja redação final ficou ao encargo do Reitor da Universidade do Rio de Janeiro e Diretor do Conselho Superior de Ensino. os dois níveis de ensino tradicionalmente beneficiados. 8 9 Desses dois fenômenos. Professor Rocha Vaz. podemos apontar como principais contribuições à educação brasileira as discussões acerca da necessidade de se ampliar o acesso à escolarização por parte da população e. conduziu uma campanha contra velhos métodos de ensino. de outro lado. vibrando golpes tão vigorosamente aplicados à frente constituída pelos tradicionalistas que panos inteiros do muro da antiga escola deviam desmoronar. Apesar de na ementa desta reforma estar explícito que a mesma visava estabelecer o concurso da União para a difusão do ensino primário – além de criar o Departamento Nacional do Ensino e reformar o ensino secundário e superior. Anísio Teixeira. no Rio de Janeiro. A Reforma Luiz Alves-Rocha Vaz e as mudanças na educação escolar brasileira 12 13 14 A última das Reformas educacionais implementadas quando da República Velha foi a instituída pelo Decreto nº 16. pelo menos no campo oficial. de 13 de janeiro de 1925.782-A. o secundário e o superior. Em conseqüência desta última medida. ou seja. Luiz Alves. concentrava os seus melhores esforços na transformação de métodos e técnicas de ensino. chamado a dirigir a instrução pública em São Paulo. e Lisímaco da Costa. Dentre as várias transformações almejadas pela nova Reforma. parciais e globais. promovendo realizações e organizando planos de reformas. da vertente de professores empenhada em renovar o ensino desta disciplina. semeando novas idéias e técnicas pedagógicas. o corpo da mesma deixa bastante claro que a prioridade por parte do governo central continuaria a ser. para a renovação escolar. foi a reforma empreendida em 1920 por Antonio de Sampaio Dória que. ensinada de forma descritiva e mnemônica) e. está sendo denominado de entusiasmo pela educação e otimismo pedagógico (NAGLE. podemos destacar a ampliação do curso secundário para seis anos ( ver quadro 1) e a implantação em definitivo do regime seriado. e referendada pelo Ministro da Justiça e Negócios Interiores. 10 11 Para a geografia escolar brasileira. o movimento reformador da cultura e da educação. Em 1924. não só no que diz respeito à metodologia empregada nas salas de aulas. ainda que fugindo à orientação puramente administrativa. a que foi chamado para reorganizar o ensino primário. mas todas limitadas ao ensino primário e aos seus problemas fundamentais (1971:653). Lourenço Filho. metodologias. como podemos constatar nas palavras de Azevedo: Foi nesse ambiente de agitação de idéias. que assumia a partir daquele momento um caráter universal na escolarização média brasileira. variável no grau de intensidade. no que tange as suas funções. no Paraná. viu-se extinto os exames parcelados de preparatórios. onde ensaia as atividades de reformador que deviam desenvolver-se. por outro lado. em toda a sua plenitude. no Distrito Federal (1932-35). não só as resistências eram ainda muito fortes para que a obra. professores favoráveis à renovação do ensino desta disciplina. limitada ao ensino primário.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 3 dos vinte. Mas. Nele se verificou de forma mais acentuada o conflito entre os professores de tendência conservadora que defendiam uma concepção tradicional da geografia e de seu ensino (a geografia clássica. essa reforma. para se propagar pelas principais cidades do país. A reforma que passaremos a analisar em seguida representou para a geografia escolar brasileira o triunfo. na Bahia. de volta de sua viagem de estudos aos Estados Unidos. como no conteúdo e nos objetivos. que se iniciou no planalto e no litoral. 1976:101). as discussões acerca da necessidade de se repensar a escola. Carneiro Leão. o período também adquire uma importância ímpar. QUADRO 1 Terra Brasilis (Nova Série). no Ceará. Rapidamente o questionamento acerca da educação amplia-se e consegue penetrar nas legislações educacionais. encetada e interrompida no primeiro ano. O primeiro sinal de alarma que nos colocou francamente no caminho da renovação escolar. dentre outras providências a serem tomadas –. pudesse desenvolver-se e produzir todos os seus efeitos como também. currículo.

268). para os trabalhos oraes. História Natural. Francês. Geografia (Corografia do Brasil). Latim. o discurso geográfico considerado digno e único de ser ensinado nas nossas escolas durante várias décadas. Uma rápida análise do pensamento deste geógrafo nos permite melhor compreender o espírito da nova concepção de geografia escolar.. Não obstante a grande influência exercida ainda na maioria de nossas escolas pela versão empobrecida da geografia clássica. é de extrema importância. da geographia e da história nacionaes darão os professores como themas para trabalhos escriptos assumptos relativos ao Brasil. Aritmética. da literatura. que cada vez mais se faria presente em nossas escolas.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 4 CURRÍCULO DO COLÉGIO PEDRO II APÓS A REFORMA LUIZ ALVES/ROCHA VAZ (1925) 1º ANO: Português. Desenho. Física. Cosmografia. no que dizia respeito à organização didática e administrativa. que não sem profundos choques. num claro processo de transformação paradigmática sofrida por esta disciplina. 15 16 17 Num dos atos de maior centralização presente nesta legislação. Física. os conteúdos programáticos oficialmente estabelecidos para o Colégio Pedro II tornaram-se obrigatórios em nível nacional. como conseqüência disso. assim mesmo. para a geografia escolar brasileira. a partir de então. tivessem edifícios e instalações necessárias para o funcionamento a contento do estabelecimento de ensino. História Universal. porque impôs. A preocupação com uma educação voltada para a consolidação do nacionalismo. 1 | 2000 . 5º ANO: Português. Química. 6º ANO: Literatura Brasileira. Filosofia. Ainda deveriam eles cumprir à risca o regimento interno do Colégio Pedro II. 3º ANO: Português. Instrução Moral e Cívica. por seleção cuidadosa. pelo estylo ou doutrinamento incidente. Aritmética. Desenho. Geografia Geral. lente do Colégio Pedro II e mentor principal do novo currículo prescrito para a disciplina. a uniformização de um currículo para todos os estabelecimentos oficiais de ensino secundário existentes no país: consequentemente. Nesse processo teve papel destacado o professor Delgado de Carvalho. Inglês. ficou estabelecido que a equiparação2 só seria concedida aos estabelecimentos oficialmente mantidos pelos Estados (Art. que seria finalmente oficializada nos currículos escolares brasileiros. preconiza a lei que: No ensino da língua materna. Geometria e Trigonometria. 2º ANO: Português. Francês. História Natural. entre as producções literarias de autores nacionaes. O período. . Este último item adquire fundamental importância para este estudo. Sociologia. História Universal. Francês. para narrações. as producções que. Desenho. passaria a perpassar. Literatura das Línguas Latinas. Álgebra. 4º ANO: Português. Eis o motivo para a recomendação expressa da seleção cuidadosa dos textos a serem trabalhados pelos professores responsáveis pelas disciplinas eleitas para difundir a ideologia do nacionalismo patriótico. 18 19 20 21 22 Evidentemente que subjacente a tal parágrafo está a seleção intencional responsável pela materialização de um currículo que atenda aos interesses dos detentores do poder de Estado. diminuam ou não despertem os sentimentos constitutivos dos caracteres bem formados. somente para aqueles que adotassem integralmente as regras previstas na reforma e. Inglês ou Alemão.. mais uma vez. Latim. se submetessem à fiscalização de inspetores federais. Inglês ou Alemão.patriótico começa a aflorar de forma mais nítida nesta legislação. Terra Brasilis (Nova Série). as que estiverem mais ao alcance ou mais possam interessar aos alumnos para desenvolver-lhes os sentimentos de patriotismo e de civismo. Em seu artigo 47 § 6º. História do Brasil. Serão excluidas. História da Filosofia. já tínhamos a presença de uma geografia escolar cuja orientação estava direcionada pela moderna concepção de geografia. Desenho. Química. Nele ocorreria de forma mais acentuada a penetração da geografia moderna nas salas de aulas. aprovado pela congregação da instituição considerada como estabelecimento de ensino padrão pelo governo brasileiro. Desenho. descripções e biographias dos grandes homens em todos os ramos da actividade seleccionando. Latim.

ainda é apenas questão de memoria (CARVALHO. deste modo. num momento que nem maturidade para tal eles possuíam. este ramo científico. uma das modalidades da imaginação humana. para ocupar a cadeira de Inglês. Completa ainda seu raciocínio afirmando que: Aqui. só lhes cabendo “. com a criação da cadeira de Sociologia. apesar de fazerem parte de cadeiras differentes. assumiu em 1927 a regência da nova disciplina. dentre outras coisas. de chrismar areas geographicas” (CARVALHO. Uma análise desta obra. infelizmente. Este talhe de ideal político era reforçado pela esperança depositada no poder da ciência de libertar o homem dos atrasos e desigualdades sociais.. Afirma ele que aos alunos eram dados muitos nomes para decorar a fim de que pelo menos alguns pudessem eles guardar na memória. fato que o diferenciava da maioria dos autores brasileiros. Uma Terra Brasilis (Nova Série). cujo embasamento teórico se restringia aos geógrafos franceses e alemães. Chamando a atenção para o que nós podemos denominar de resultados da “tradição seletiva” operada no ensino de geografia. Estas influências o fizeram defensor da crença no espírito do progresso e da liberdade do homem. Delgado de Carvalho. graças às inovações tecnológicas e ao rigor objetivo da verdade científica no desvendar os meios e segredos do mundo (FERRAZ. desde o subtítulo escolhido. lançava este geógrafo o seu mais importante livro voltado para o ensino: Methodologia do Ensino Geographico (Introducção aos estudos de Geographia Moderna).3 nas escolas brasileiras nada mais seria do que “. para poder seguir – exigirá apenas que a recitação seja feita de preferencia na ordem em que foi commettida a materia no ‘completo’ compendio” (CARVALHO. e deste modo a poesia e a geographia são productos directos da imaginação. Naquele estabelecimento também passou a ministrar aulas de Geografia e. econômicas e culturais. estes são descritos como guardadores de livros de geografia. Em 1925.. Ferraz (1995) sustenta a idéia de que a formação deste autor em renomados estabelecimentos de ensino naquele continente. 1925:19). e a geographia é considerada como a mais facil de todas porque. Quanto aos professores. tradicional e errada.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 5 A contribuição de Delgado de Carvalho na renovação da geografia escolar brasileira 23 O professor Carlos Miguel Delgado de Carvalho nasceu e realizou seus estudos integralmente na Europa. saber se a memoria do alumno foi fiel. retornou ele em definitivo para o Brasil. trazendo em sua bagagem teórica o contato com geógrafos ingleses e norte-americanos. 1 | 2000 . Afirma ele que.. de sua faculdade de attribuir nomes. ingressou através de concurso no Colégio Pedro II. na opinião corrente.1925:04). elementos que vão perpassar toda a sua produção teórica. afirma ele que os professores que aprenderam esta disciplina com base na nomenclatura acabam por acreditar que o que foi “bom” para eles quando estudantes serve perfeitamente para seus atuais alunos. 24 25 26 27 28 Em 1920. apenas os alunos principiantes teriam que estudá-la. O erro é antigo. quem não sabe nomenclatura não sabe geographia. Lamenta ainda que as tentativas de modificação dos programas de ensino com tais características seja objeto de indignação dos pais de alunos. A verdadeira geografia teria como objeto de estudo a terra como habitat do homem. e. critica o fato de a disciplina geografia ficar restrita aos dois primeiros anos de ensino no currículo do curso secundário brasileiro. parece-nos fundamental para entendermos o espírito da época em que os novos programas passaram a vigorar. que chegam mesmo a intervir no sentido de manter o que já era tradição. 29 30 31 Delgado de Carvalho critica o fato de a geografia ensinada no Brasil ser meramente mnemotécnica. permitiu-lhe contato com ideais liberais e democráticos tão presentes entre os intelectuais europeus daquela época. mesmo que breve. 1995:67). é herdado de geração em geração: existe uma infundada tradição que quer que sejam preparadas antes de tudo as materias faceis. na atitude destes pais se encontra presente o principal motivo da manutenção do tipo de ensino que caracteriza a geografia escolar. segundo a sua opinião. Ainda em 1920. Para ele. já não deixa dúvidas de suas intenções. isto é.. 1925:16). no qual.

ao longo de sua obra. em seu estudo sobre a obra de Delgado de Carvalho. ninguém poderia de fato desenvolver um estudo sério de geografia se não tivesse como ponto de partida a fisiografia. descrevendo suas características principais após criteriosa observação. e durante muitos annos tomou como guia o excellente mais archaico Cortambert. Ferraz. o método científico. teriam sido necessários vinte anos para que a reforma no ensino de geografia fosse melhor aceita pela comunidade escolar. que os geógrafos brasileiros identificavam como o único capaz de resolver os problemas da ciência e da sociedade brasileira (1995:55-56). sobre climatologia tropical. que o meio em que vive o aluno se tornasse. também. em qualquer tema abordado nas aulas de geografia. apresentou em seu livro os obstáculos que a implantação de uma orientação moderna para o ensino de geografia haveria de ter. críticas e reações adversas de toda a ordem. recifes. . defendendo um estudo que partisse da geografia física elementar.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 6 geographia é tida como mais ou menos completa. Eis. Execrou a mera nomenclatura. cujo conhecimento é ainda restricto a meia duzia de estudiosos. segundo o numero de paginas que conta e a extensão das listas que a imaginação confia á memoria das victimas. em rápidas palavras. as novas propostas que vinham à luz sobretudo pelas obras de Delgado de Carvalho seriam objeto de descontentamentos. de maneira a inviabilizar dúvidas e contradições. fato que já começava a se verificar em países europeus. Chamou também atenção para o fato de ser uma das principais características da geografia moderna o uso do método comparativo. 1 | 2000 . 32 33 34 35 Defensor inconteste da geografia moderna nas salas de aulas. o assunto principal de estudo. a indução. Insistamos. Diferenciando a geografia tradicional da moderna. No seu ponto de vista. estabelecer-se-iam as relações que cada parte tinha com a outra e. deixemos o estudo mais detalhado das geleiras aos estudantes suissos e o exame circumstanciado dos volcões aos japonezes e aos equatorianos. 1925:04). Afirmou também que nas aulas referentes a geografia humana deveria se dar maior destaque à antropogeografia. empiricamente comprovada. melhor nos explica o método apontado por este autor como fundamental para uma efetiva aprendizagem da geografia em bases modernas: Este método consistia em descrever a realidade estudada de forma objetiva. o ideal seria provavelmente um tratado volumoso. Um homem que conseguiu reter o nome de todas as sub prefeituras francezas e das provincias italianas. afirmou ser aquela a que estuda “o universo e seus habitantes”. somar-se-iam estas várias partes para se ter a noção do todo sistematizado. de caráter suplementar e comparativo. 2º – A difficuldade de alcançar e reunir os professores de geographia. dividir-se-ia este todo em partes. sobre typos de formação littoranea. ao se estudar a realidade como um todo. criticou severamente a ausência de rigor conceitual e inocuidade das idéias presentes na geografia que se ensinava no Brasil. 36 37 Carvalho propôs. chamou atenção para os pontos que se apresentavam como principais empecilhos para a efetivação da renovação por ele desejada. 3º – Caso seja possível alcançal-os. em compensação. difficilmente se convencerá Terra Brasilis (Nova Série). etc. Demonstrando o quanto seria difícil no Brasil a penetração da orientação moderna nas salas de aula.. etc. este autor. Delgado de Carvalho propôs um conhecimento mais científico da geografia. Para tal. de fundamentação positivista-funcionalista. As noções sobre outras regiões deveriam ser somadas como informações a mais. Entrariamos assim no dominnio pratico (CARVALHO. As concepções eram diferentes sobretudo em função do método sobre a qual a segunda se assentava. 1925:7). (CARVALHO. Contrapondo-se ao que era regra.. Lembrou que num processo análogo vivido pela Inglaterra. a difficuldade de convencel-os de que o que estiveram ensinando até hoje poucas relações tem com a verdadeira geographia. enquanto esta estudaria o “universo em relação aos seus habitantes”. incluindo a lista telephonica. Defendeu a posição de que a geografia pátria deveria ser a base e o ponto de partida dos estudos sobre a fisiografia e a geologia do globo terrestre. 38 Evidentemente. Um movimento análogo entre nós terá que luctar com as seguintes difficuldades: 1º – A falta de vulgarização dos modelos e typos do novo curso geographico. racionalmente exata.. Cônscio de tais problemas. análise e síntese eram elementos cruciais pois. sugerindo aos professores que não se alongassem nas explanações sobre assuntos sem aplicação ao Brasil.

segundo ele. a preocupação de restituir aos fenômenos o seu quadro natural. à preocupação de relacionar o máximo possível as questões da “geografia pura” com as de geografia econômica “que dominam o mundo e contribuem a explica-lo”. 40 41 42 No que tange mais especificamente ao novo programa de ensino de geografia adotado pelo Colégio Pedro II. indicando exemplos.. 1925:08). Dessa forma saíra vencedora. (. evidentemente. Delgado de Carvalho aponta os Professores Fernando Raja Gabaglia e Honório Silvestre como os grandes responsáveis pela “inovação radical” presente nos conteúdos e metodologias. conseguiu convencer a todos da justeza de seus pontos de vista e da razão de ser da campanha metodológica que empreendera (1995:85). passa então a desancá-los. Será necessario converter um a um. Aplicando ainda uma última advertência naqueles professores. Já em 1922. Será necessaria uma activa campamha de propaganda. fazendo emulação. a explicação das theorias novas.) Por conseguinte. à resolução decidida de atualizar os assuntos. e finalmente. Deixando um pouco de lado a cortesia com que vinha tratando ao longo de seu livro os professores de geografia. graças à sua formação na nova escola geográfica. como podemos perceber no trecho dos Apontamentos Bibliográficos. o mestre teria facilitado ao alumno o conhecimento de factos uteis. Devemos mesmo afirmar que tais conflitos foram.. Segundo ele. e representa apenas a expressão geographica da administração pública. 1 | 2000 . durante tanto tempo. “à luz dos interesses da educação nacional”. naturais. pela diffusão e vulgarização dos methodos.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 7 de que isto tudo nada tem com a geographia. suas phases principaes e sua posição actual. absorvendo o que de melhor estava sendo feito no estrangeiro. não é possível a realização de mudanças – sobretudo as substanciais – sem embates. graças à escolha das regiões naturais como base dos estudos fisiográficos. bem como o seu conhecimento acerca das melhores obras estrangeiras sobre a geografia. Já naquele momento. estaria ele “. bem geographicos e de facil lembrança (CARVALHO. 1925:09). As resistências não foram poucas. 1925:25). indaga em um trecho de seu livro como foi possível.. haja vista que sendo a geografia escolar um construto sóciohistórico. afirma Delgado que Raja Gabaglia encontrava-se francamente empenhado em modificar a orientação até então dada ao ensino de geografia. com a correta manutenção ou adoção de pontos práticos e a supressão de outros considerados menos necessários. para a implantação da nova geographia entre nós. Critica em seguida o fato de uma bem decorada enumeração de vinte afluentes do rio Gurupi. 39 Tais palavras deixam evidentes os conflitos que permearam a introdução desta nova orientação teórico-metodológica nas salas de aulas brasileiras. ser considerada pelos professores tradicionais desta disciplina como um excelente serviço prestado por eles à nação. não será sufficiente modificar o ensino em taes escolas que possuem bons professores de geographia que almejam a reforma. responsáveis pelo ensino tradicional desta disciplina.. o lente de geografia do Colégio Pedro II. Delgado de Carvalho apoiado em fatos. editado pelo Boletim Geográfico citado por Ferraz: O combate que. já que o novo programa aprovado tinha sido orientado por esta concepção de geografia. não será sufficiente modificar o programma do estabelecimento typo. Reconheceu ele que aqueles professores não esmoreceram perante a opinião pública pedagógica e fizeram verdadeiramente tabula rasa do ensino de geografia.. o tempo empregado nisso tivesse sido consagrado a explicar no mappa a questão da borracha. Primeiramente. dos systemas didacticos modelos e alguns conselhos. não ter sido cogitado entre os professores brasileiros ensinar alguma coisa útil durante as aulas de geografia. todos os mestres que se incumbem de ensinar geographia a nossos jovens patricios (CARVALHO. começando do zero a nova orientação programática. colocando-se frente a frente com seus opositores. achavase em condições de efetivar a reforma que o ensino desta disciplina no curso secundário estava a exigir.francamente empenhado em modificar profundamente a orientação medieval que até hoje respeitou” (CARVALHO. pressões e contradições. ao início teve que sustentar contra a rotineira prática então vigente – que consistia no ensino da geografia puramente descritivo ou de mera nomenclatura . 43 Comemora ele o fato de que no Colégio Pedro II vencera as grandes tendências do moderno ensino de geografia. por parte dos alunos. pondera que: Se em vez de torturar a memoria de um alumno e tornar-lhe assim odiosa a geographia com uma lista de nomes que nada tem com a verdadeira geographia. Terra Brasilis (Nova Série)..

mas o atlas é o vehiculo indispensavel dos conhecimentos. por departamentos. Passaram a caluniá-lo e ‘até de estrangeiro o acusaram’. Nele estão explicitados os princípios defendidos por este geógrafo.. é a fala vitoriosa de Delgado de Carvalho ao concluir seu comentário sobre o novo programa adotado pela congregação do Colégio Pedro II: Em França. como tambem em todos os casos. O adiantamento do ensino está em razão directa dos progressos deste methodo da exposição. economica. complexas ou integraes estudadas não devem todavia ser exclusivamente salientadas para não attenuar a nitidez das linhas geraes do quadro geographico. etc.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 8 44 As inovações que Delgado de Carvalho buscou introduzir no ensino brasileiro. Procurar no estudo da geographia a ordem natural das coisas. – enriquecer a memoria exclusivamente de casos typicos. Dahi a nova orientação da geographia para o estudo das regioes naturaes. demonstrando que. sit nobis ratio prima. Corollarios – as divisões administrativas. gerando uma insatisfação geral entre aqueles que se encontravm ‘acomodados’. Proceder todo e qualquer estudo de geographia secundaria de uma solida base de physiographia. devem servir de appendice ao assumpto geographico propriamente dito. modelagem. Corollarios – evitar enumerações fastidiosas insufficientemente salientadas por explicações complementares. mappas coloridos. Terra Brasilis (Nova Série). – As regiões naturaes. não sómente o conhecimento scientifico das causas dos phenomenos. Pedro II na primeira metade da década de 20 e tentou introduzir inovações metodológicas nas disciplinas que ministrava. Dahi a necessidade de multiplicar os meios de documentação do estudo: cartas. É restituir aos factos a sua verdadeira significação. visando assim inviabilizar suas idéias de contribuir para a construção de uma nação moderna através de um conhecimento científico moderno adaptado à realidade brasileira (1995:41). Chegou a nossa vez e podemos felicitar os illustrados cathedraticos do Collegio Pedro II. devem ser feitos exercicios de imitação: desenhos eschematicos. indispensaveis á cultura geral do individuo. não pode a administração servirde base: um ramo das sciencias physicas e naturaes não pode amoldar o seu estudo ao quadro de uma sciencia social. estereogrammas. não coincidindo os moldes da divisão administrativa com os da geographia physica. como tambem a sua classificação no estudo geral. Corollario –como contra-prova do que foi apprehendido pelos sentidos. photographias. segundo os seus caracteres proprios. descripções explicativas de photographias. É pelos sentidos que são apprehendidos os conhecimentos mais seguros. como podemos perceber na fala de Ferraz: Delgado de Carvalho iniciou suas atividades docentes no colégio D. humana. foram objeto de críticas e resistências. DECÁLOGO4 Normas a seguir no curso de Geographia 1º – Terra ad ossa ima. em geographia. 45 Sintomática dos conflitos que se sucederam em torno das mudanças no ensino de geografia. (posteriormente enumerados sob formas de nomes proprios). permittindo assim. gravuras. Professores Raja Gabaglia e Honorio Silvestre. como já tivemos oportunidade de afirmar. O compendio é o guia. a qual considerava ‘a mais deficiente’. a partir do próprio Colégio Pedro II. etc. que indubitavelmente foi um dos maiores responsáveis pela renovação do ensino da geografia escolar brasileira. 2º – Terrarum regiones in studio questiones. que servia de eixo aos exames: Schrader e Vidal de Lablache pregaram o novo credo e venceram. 3º – Nihil in intellecta quod non prius in sensu. principalmente em Geografia. ha trinta annos era ainda a geographia do velho e sympathico Cortambert. 46 Acreditamos que nossa exposição sobre as idéias de Delgado de Carvalho não ficaria completa se não apresentássemos na íntegra o seu decálogo sobre o ensino de geografia. 1 | 2000 . Nelle devem ser referidos todos os factos e phenomenos estudados. cujo conhecimento é necessario. objectos diversos de interesse geographico. por terem tomado a si a nova orientação dos estudos de geographia secundaria em nosso paiz (CARVALHO. de uso frequente. simples.1925:27).

escrever narrações. passa a comparar com mais segurança os phenomenos ou casos entre si. claro. 5º – Scientiorum elementa sintque nobis incrementa. especialmente nas sciencias physicas e naturaes. – não devem ser estas leituras trechos demasiadamente curtos e numerosos nem monographias de centenas de paginas. Serve assim de paradigma para o exame de outros phenomenos do mesmo genero. como por exemplo typico. a complexidade das fontes de informação que possue a geographia. Nota – as digressões para o campo de sciencias alheias nunca devem levar a perder o ponto de vista geographico. Em todas as circumstancias é essencial que seja sempre lembrado que o factor principal do interesse em geographia. em regra. 6º – De particularibus ad generalia. 9º – Methodum disputandi ante oculos ponere. É no exercicio de sua profissão que o geographo se aperfeiçôa. discussões entre alumnos. 1 | 2000 . além de exigirem a collecta dos dados. previamente traçados e uma prova escripta. nobis iu studio lex. Dahi a utilidade das dissertações geographicas. 7º – In comparandis ratio mensurae datur. em cada ponto. logico e submettido a severa critica.). Os elementos dados pelo compendio. de descripções geographicas ou outros assumptos de igual alcance para illustrar as lições de geographia. alturas. Corollarios – é de preferencia sobre o assumpto em estudo que devem ser escolhidas as leituras. dosar os conhecimentos e enfrentar discussões sobre o assumpto. Corollario – Escrever dissertações. ha aspectos differentes. mesmo quando a relação não é directa. Nota – Estuda-se geographia para saber geographia. quando se offerecem.. Não ha melhor exercicio pratico para pôr ordem nas idéas. os casos de geographia do Brasil. Convém salientar. mais ou menos parecidos. as opportunidades diversas com a leitura de trechos de viagem. Por conseguinte. escrever discripções geographicas. na historia universal. Corollarios – a escolha dos proto-typos exige criterio e medida: o curso inteiro não deve ser reduzido a uma serie de monographias successivas. como proto-typo. é o homem. 8º – Sapientium itineraria proesepe instruunt. prismas variados aos quaes póde ser submettido o seu estudo. descrever. guiados pelo professor. Não se deve hesitar em aproveitar os fins de aulas. curto. tendo constantemente em vista as escalas normaes applicaveis a cada ordem de phenomenos (distancias. explicados pelo professor. com vocabulario simples. os elementos necessarios a maioresdesenvolvimentos nos seus estudos geographicos. os momentos vagos. O proto-typo é uma illustração. – o mais aconselhavel é ser apresentada a leitura geographica como uma recompensa aos alumnos.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 9 4º – Fabricando fit faber. obrigam á organização de planos de exposição. no fim das aulas. etc. Pensar em formas. populações. um exemplo apenas. depois de leituras. O resultado é mostrar que. que. A documentação photographica e outra tambem deve ser submettida a discussão. Cada assumpto de geographia abrangendo um certo numero de casos. 10º – Homo. deixar discutir os casos concretos. não deve hesitar em aprofundar pelo menos um destes casos. in terra rex. em todas as occasiões. Senhor de suas medidas. Terra Brasilis (Nova Série). É esta a finalidade do ensino geographico moderno. É facil então descrevel-o. não unicamente para passar nos exames. o aproveitamento dos conhecimentos. medir e comparar são as operações principaes das quaes depende o estudo da geographia. escrever notas. afim de que o alumno se acostume a haurir em outras disciplinas. O geographo deve sempre medir. podem provocar. figuras. pelo atlas. é em relação ao homem que devem ser estudados os differentes phenomenos.. precipitações atmosphericas. Pensar em formas consiste em ter no espirito uma visão clara e precisa das condições morphologicas de um phenomeno geographico. – na escolha dos exemplos devem ter preferencia. Deve-se. mas nunca escrever o plano previo.

O estudo de temas ligados à astronomia. A divisão regional adotada tinha como base as diferenças naturais que diferenciavam uma área da superfície terrestre das demais. a fim de se compreender as conseqüências destes para as variações físicas das várias regiões. podemos passar agora a analisar o novo programa desta disciplina. A terceira parte do programa era destinada ao que hoje denominamos de geografia humana. sua função seria a de estudar a forma da terra. o conceito de região natural. mas apenas como apêndice. implantado a partir da reforma educacional efetivada por Luiz Alves e Rocha Vaz. pois não podemos esquecer que. pois. aquellóutra é porque sente necessidade de expansão de seu território. Outro grande avanço era o fato de ter sido introduzida uma divisão regional em substituição ao estudo assentado na divisão política do mundo. A antropogeografia ratzeliana deveria dar a tônica das análises. parte integrante da chamada geografia matemática. tão caro à geografia moderna. O segundo ano do curso foi destinado aos estudos de Geografia do Brasil. ou melhor. (. A fisiografia permitiria um conhecimento científico das causas dos fenômenos. Paiz enorme como é o Brazil Terra Brasilis (Nova Série). O programa do primeiro ano continuava iniciando pelos estudos de astronomia. porém. era o fato de se adquirir. localizal-os. Uma sólida base de antropogeografia permitiria mais tarde compreender a relação entre o homem/mulher e os fenômenos físicos estudados. para a geografia moderna. Todas as nações cuidam seriamente do ensino da geographia nacional. O conhecimento adequado do Brasil é o melhor resultado que póde trazer o estudo intelligente da geographia geral. Tais estudos adquirem importância ímpar como instrumento do nacionalismo. graças ao estudo de orientação e coordenadas geográficas. regras precisas para a confecção de cartas geográficas.) Nós tambem temos o nosso ponto de vista. Cada uma. visa um objectivo remoto. visando as applicações praticas. Como a geografia moderna se fez presente no novo programa de ensino de geografia para a educação secundária 48 49 50 51 52 53 54 Ao longo de todo o novo programa destinado ao ensino de geografia no Colégio Pedro II – e portanto para todo o Brasil já que a reforma Luiz Alves adotou de forma incisiva medidas uniformizadoras para o ensino secundário do país –. e os professores deveriam atribuir a devida importância ao elemento humano nas suas explanações. segundo o qual se faz a orientação do ensino. O fim immediato é sempre o mesmo – a cultura do sentimento de patriotismo. A geografia geral. iniciar-se-ia pela fisiografia. já que. neste ponto. – É da maior utilidade. seguida pela antropogeografia. 47 Com base também nas idéias presentes neste decálogo. consistia no estudo de fisiografia. fato que se diferenciava bastante da antiga prática da nomenclatura estéril que os alunos deveriam decorar. comparal-os aos de outros paizes. o papel do meio físico não pode ser secundarizado. quarta parte do programa. é marcante a orientação moderna de geografia defendida por Delgado de Carvalho e outros entusiastas desta concepção. explical-os. assim. Outra importância atribuída à aprendizagem dos conteúdos de astronomia. Esta é porque tem as suas fronteiras ameaçadas. salientar sempre a parte anthropogeographica. bem como sua classificação. A divisão política continuaria presente nos estudos. bem como os movimentos do planeta. que considerava esta uma das ciências a constar do célebre currículo por ele proposto. se aprofundar principalmente os interesses economicos do Brasil.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 10 Corollarios – convém pois. aquella é porque pensa numa reivindicação.. para a moderna geografia era o homem o verdadeiro objeto do estudo geográfico. em todos os estudos geraes e regionaes. Consolidava-se. ë o principal ponto de contacto da geographia com a vida de todo dia do homem culto. 1 | 2000 . apesar de o homem/mulher constituir o interesse principal dos estudos geográficos. que bem sintetizam a orientação moderna que nortearia oficialmente o ensino de geografia no Brasil. especialmente a parte dita economica. a geografia matemática era considerada um capítulo especial daquela ciência.. A segunda parte do programa do primeiro ano. seria. já que tais estudos eram considerados como basilares para uma verdadeira análise geográfica. tradição herdada da geografia clássica e reforçada pelas idéias positivistas de Comte.

quando os(as) alunos(as) já apresentavam a maturidade necessária para um estudo científico. – Classificação e distribuição geographica. a divisão político-administrativa do Brasil daria lugar a um estudo regional. Circulos da esphera terrestre – Coordenadas geographicas. Recursos mineraes do globo. As estações. Além disto é grande.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 11 e sem facilidade de communicações. estes eram os conteúdos programáticos a serem trabalhados nas três séries em que a disciplina se fazia presente (ver quadro abaixo). A nossa obra. aschuvas. GEOGRAPHIA PHYSICA (6 lições) Nomenclatura geographica – Denominação das formas da Terra. – Analogias e contrastes. dimensões. o numero de brasileiros novos. é de unificação do sentimento nacional pelo conhecimento de todo o territorio e de todo o povo brasileiro pelos brasileiro (PROENÇA. Unidades de extensão linear e de superficie. descrever os componentes principais do gênero humano nelas presentes. 1 | 2000 . No quinto ano. as suas populações se desconhecem. A bussola. o Cruzeiro do Sul. a latitude e a longitude. além do estudo fisiográfico. A divisão regional levava em consideração os elementos naturais da paisagem. – O Gulf Stream. sendo introduzido um estudo da economia local com base a antropogeografia. os ventos. Hidrographia: elementos de comparação. – Instituições sociaes: o Estado. liquido. sua disposição geral. – Fauna. Copernico. movimentos. seus estágios evolucionarios. Brasil Norte-Oriental. Relações entre relevo e as costas. s/d:22). tendo como objetivo analisar os interesses econômicos brasileiros. como recomendava Comte. ou politica. Elementos solido. estudar-se-ia a fisiografia e a geologia do território brasileiro. Os continentes e os Mares – Typos de relevo. suas modalidades. – Estudo sumario do Atlantico. Na seqüência. – Flora. – Classificação dos mares – Os oceanos – As correntes oceanicas. Terra Brasilis (Nova Série). O Norte não sabe o que é o Sul e o Sul ignora o que é o centro. – Religiões. portanto. 55 56 57 58 59 Perpassado por tal interesse. O Systema solar – Planetas. A lua e suas phases. Sua utilidade. Ao contrário da tradição iniciada pelos estudos corográficos de Aires de Casal. Brasil Oriental. e por toda parte. Climas. De cada região brasileira procurou-se. social. As constellações. A Atmosphera – Noções sobre a temperatura. gazoso. GEOGRAPHIA POLITICA (6 lições) Definições – O conceito da geographia humana. baseados na geographia physica. – Mar de sargaço. QUADRO II PROGRAMA DE GEOGRAFIA DO COLÉGIO PEDRO II APÓS A REFORMA LUIZ ALVES/ROCHA VAZ (1925) PRIMEIRO ANO PROLEGOMENOS (10 lições) A Geographia – Definição e divisões. Cartas geographicas – Escalas. Segundo o novo programa prescrito para o ensino de geografia no Colégio Pedro II. Obliquidade da ecliptica – Desigualdade dos dias e das noites. satellites. Raças – Linguas. em conseqüência. Rosa dos Ventos. Dos systemas de Ptolomeu. Os Continentes comparados entre si. e Brasil Central. tendo como base a região natural. Brasil Meridional. A Terra – Forma. o conteúdo programático deveria veicular um conhecimento mais científico da geografia nacional. A geographia economica. O Universo – Estrellas. com a antropogeografia vindo em seguida (sobretudo a referente à economia). Orientação – Pontos cardeaes. que não podem deixar de soffrer a influencia dos pais para a continuação da propria nacionalidade. voltava-se a ensinar astronomia e cosmografia. Formas sociaes – Civilização: seus elementos. apareciam cinco regiões a serem estudadas: Brasil Setentrional ou Amazônico. Isller (1973) nos informa que para a nomenclatura dada a cada região foi adotado o critério de localização cardeal a partir da posição geográfica que elas ocupavam no mapa do Brasil.

Suecia. – Transporte. Asia Septentrional (Siberia e mais dominios da Russia). GEOGRAPHIA GERAL (40 lições) Estudo ou descrição geral de cada região. Além disso. Terra Brasilis (Nova Série). dados comparativos. as Filippinas). – Os recursos economicos. portuguesas e região belga. a lagoa Mirim. em cada região. Finlandia. Austria. – Aspecto geral do relevo e do litoral.Vegetação . Ilhas africanas do Oceano Indico. Belgica. Terras Oceanicas (Melanesia e Micronesia). REGIÕES SUL-AMERICANAS Estados Septentrionais (Colombia. – Formação das cidades. Palestina). Indostão e dependencias). Venezuela. Noruega. – Typos de climas. Libéria). Hungria. na ordem seguinte: Situação. regiões italianas.Clima . Insulindia (Malasia. Arabia. REGIÕES NORTE-AMERICANAS America do Norte (Regiões polares. Estados Unidos) Indias Occidentaes (Mexico. inglezas. Africa Oriental (Abissinia. Espanha. Estados do Prata (Argentina. Asia Occidental (Persia. os Balkans). Aspecto geral do relevo . Historico summario de sua formação. francezas. emprestando assim. França. Europa Occidental e Septentrional (Russia. britannicas e portuguezas). – A posição do Brasil no Continente Sul-Americano. REGIÕES DA AFRICA Africa do Norte (Egypto e Sudão. demarcadas e a demarcar – Esboço geographico: Uruguai.População e principaes cidades . As aulas serão sempre dadas com o auxilio de cartas. Europa Meridional (Portugal.Hydrographia . – Populações. Tchecoslovaquia.Governo . SEGUNDO ANO PARTE GERAL (40 lições) Situação geographica – Aspecto geral. Libia. REGIÕES DA EUROPA Europa Occidental (Grã Bretanha. Italia. – Industria. REGIÕES DA ASIA Asia Oriental (China e Japão). Perú. fará pelo menos um “estudo especial”. Europa Central (Allemanha. – A colonização. 1 | 2000 . as Guianas) Estados do Pacífico (Equador. Estados Balticos. Hollanda). – Hydrographia. – Divisão politica. REGIÕES DA OCEANIA Australasia (Australia e Tasmania. Asia Meridional (Indo-China. Uruguai. Fronteiras terrestres – Typos de fronteiras. – Agricultura. as ilhas oceanicas. Paraguai). No “estudo” ou “descripção geral”. Marrocos). Linhas convencionaes. Canadá. ao ensino um cunho pratico. – Commercio. GEOGRAPHIA GERAL DOS CONTINENTES (18 lições) Estudo ou descripção geral de cada continente na ordem seguinte: Posição.Litoral . Africa do Sul (regiões portuguezas e britannicas).Recursos economicos. America Central. Turquia. espanholas. – Vegetação e animaes caracteristicos. – Area e pontos extremos. o professor examinará os elementos geographicos geraes aplicados à região considerada. limites. Bolivia. Dinamarca e Islandia). examinando um aspecto interessante e proprio da região. Africa Occidental e Equatorial (regiões francezas. Argelia e Tunisia. Suissa. Syria. superficie. Nova Zelandia). Polonia. – O “factor geographico”. Actividade economica – Criação. Antilhas). limites e dimensões. Rumania). e numerosos deverão ser os exercicios de leitura das mesmas e de esboço cartographicos e do mappa mudo. Chile).Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 12 Os grupos humanos – Migrações: causas e resultados.

o territorio das “Missões”. – Typos de climas: super-humido. Venezuela. – Os grandes centros urbanos. o Acre. recifes. mate. – Rios temporarios do Nordeste. – Instrucção pública. Descripção especial: o rio Amazonas como rede de viação e caminho de penetração. Parahiba. – Vegetação e recursos naturaes. – Criação de gado. cacáo. navegação e portos. frigoríficos. – Ilhas Oceanicas. Systema Mattogrossense). Producções do reino animal. ferro. Paraguay. População – Esboço ethnographico. – A pesca fluvial e recursos economicos da Amazônia. 1 | 2000 . aspecto physico. – Industria manufactureira. – O Districto Federal. arroz. – Exposições. – Os campos de criação. – O Parahiba e seus afluentes. – Dados comparativos. Litoral – Morphologia: aspectos e relações geographicas com o relevo. – Os portos de Manáos e Belém. população e cidades principaes. – Massiço Nortista. borracha. BRASIL SEPTENTRIONAL OU AMAZONICO (Estados do Pará e Amazonas. extensão. – Litoral oriental: a Bahia. Commercio exterior – O seu desenvolvimento. – Vertentes – Rios do planalto e de planicie. – Rios meridionais. Massiço Central (Systema Goiano. – Vertente oriental dos planaltos. Perú. – Recenseamento do Brasil. caatingas. – Agricultura. O Atlantico do Sul – Relevo. – Os lagos e regiões lacustres. pedras preciosas. – Exemplos especiaes: Pará. dunas. – A costa do Rio Grande do Sul. Colombia. – Grupos indigenas antigos e actuaes. – Massiço Guianense. Terra Brasilis (Nova Série). Recursos naturaes – Mineração: ouro. PARTE REGIONAL (40 lições) As regiões naturaes do Brasil – Divisão Regional do paiz – Bases geographicas racionais desta divisão – Distribuição dos Estados. algodão. territorio do Acre) Descripção geral: Posição. – Elevação do litoral. BRASIL NORTE-ORIENTAL (Estados do Maranhão. Rio de Janeiro e São Paulo. Bolivia. – Litoral meridional: bahias de Guanabara. – A zona semi-arida. II. – Distribuição geographica. castanha. Salubridade e colonização – Importancia dos serviços meteorologicos para a agricultura. altitudes. – Massiço Atlantico (Serra do Mar. orientação. – Telegrapho. – Industrias extrativas: mineração. carnaúba. – Os grandes troncos ferroviarios. regimen. gargantas e passos. semi-árido e semi-humido. – Cidades principaes. aspecto physico.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 13 Argentina. – Mangues. madeira. Recife. – O elemento europeu na população. Bacias Hydrographicas: Amazonas. – Zonas de producção. marés. Relevo – Aspecto geologico. Vegetação – Zonas principaes. carvão. – Recursos naturaes. Apparelhamento economico – Viação. Hydrografia – Os grandes centros de dispersão de aguas. Rio Grande do Norte. Pernambuco e Alagoas). Artigos de exportação. a obra de Rio Branco. curso e delta. Paranaguá: cabos e ilhas. – Fabricas do Brasil. – Classificação por systemas orographicos. Piauhi. – Typos de costas. – Finanças. extensão. dos ventos e das chuvas. hydrographia. – Mattas e campos. Os Estados: Limites. área. – Linguas e religiões. barreiras. I. – Os cereaes: milho. as Guianas – os arbitramentos. Planaltos e planicies – Relações geographicas e intercomunicações entre as bacias fluviaes. – A questão da borracha. – As terras e a prosperidade. pantanaes. Economia Nacional – Condições geraes. de planicie e de altitude. trigo. Divisão administrativa da Republica – O Governo. Serra Geral. assucar. – Cidade. manganez. lagoas costeiras. estudo especial do São Francisco. os sambaquis. productos tropicaes: café. – Latitude e altitude. Clima – Posição astronomica do Brasil. – Correntes. Descripção geral: Posição. Discripção do litoral – Litoral septentrional: o archipelago amazonico. – Distribuição das temperaturas. Estudo especial da Serra do Mar e da Mantiqueira – Formação. Mantiqueira). litoral.

A descripção “especial” consta de themas que servirão de assumpto às prelecções do professor. – Santos. equatoriaes e eclipticas. Relogio sideral. Terra Brasilis (Nova Série). – Os periodos economicos: periodo da mineração. 1 | 2000 . Descripção geral: Posição. Céo. Objetivo e definição da Astronomia e da Cosmografia. procurando este apontar os aspectos mais interessantes e próprios de cada região do Brasil. população. Descripção especial: S. cidades de verão e cidades d’agua. BRASIL MERIDIONAL (Estados de São Paulo. colonial e agricola. sub-regiões naturaes: litoral. o professor fará exercicios de esboços cartographicos e de mappa mudo. provincia e Estado. O Sol: constituição. Cometas. grandes açudes. Paraná. – As salinas do Rio Grande do Norte. – Principaes centros e recursos economicos. Pontos do horizonte. systema solar. Bussola. – As mattas do Paraná. Bahia. Pontos. cidades. – O Portodas Torres. – Rêdes ferroviarias do sul e portos. periodo cafeeiro. como região de transição entre a Amazonia e o Nordeste. manganez e pedras: o gado. – Os climas: typos de climas de montanhas. III. – A terra roxa e o café: colonização. recursos naturaes. formação das unidades politicas. – Rios. – Historia do Rio Grande do Sul. – Climas. Coordenadas astronomicas: horizonte. cacáo. – A emigração cearense. Estrellas e constellações. esphera celeste. linhas e circulos da esphera celeste. Estudo summario dos planetas e de seus satelites. – Os recursos economicos. – A hydrographia. – Os mercados estrangeiros. – A Capital da Republica centro economico.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 14 Descripção especial: O nordeste. os Estados do Sul e a evolução para a polycultura. movimentos. Minas. a evolução actual para a polycultura. Rio Grande do Sul). Leis de Kepler. posição no espaço. fumo. IV. a importação americana. – Minas Geraes. Theodolito. Luneta meridiana. – O Maranhão. emporio mundial do café. Paulo. Movimento diurno apparente dos astros. centro historico da colonização sul. – O caminho das minas. – A lucta contra as seccas. QUINTO ANO Introducção – Revisão das principaes noções de geographia astronomica elementar. Espirito Santo e Rio de Janeiro. – Zonas de criação e zonas agricolas. Newton e Bode. – A penetração do interior. Santa Catharina. suas leis. criadora. social. circulos e zonas da Terra. – Industria manufatureira em S. sub-regiões naturaes: litoral. fundação de Goiaz – O acesso de Matto Grosso por via fluvial e por via ferrea: a “Noroeste”. – O matte e os mercados sul-americanos. Estudo particular da Terra: forma. primeira colonização. couros. – Minas: reservas de ferro. borracha. – Cidades. – A barra do Rio Grande. Distancias angulares e diametro apparente. Astros. serra. extensão. BRASIL ORIENTAL (Estados de Sergipe. suas divisões. Orientação. Descripção geral: Posição. sua classificação summaria. linhas. dimensões. dominios estrangeiros. a região da campanha. planalto e planicie rio-grandense. – O Rio Grande: a região serrana. Climas. Pontos. já ministradas no curso no curso de geographia (1º anno) e indispensaveis para a comprehensão da materia cujo estudo se vae iniciar. Descripção especial: Bahia. – Historia do Rio de Janeiro. Universo e mundo. Durante o anno. politico e intellectual. – O porto do Rio de Janeiro. – A Bahia: café. Systemas planetarios. o Districto Federal). a antiga metropole e os bandeirantes bahianos. V. serra e planalto. extensão. – O porto de Recife. rios. – A criação do gado e os frigoríficos. BRASIL CENTRAL (Estados de Matto Grosso e Goiaz) Descripção geral e especial: O Relevo.Paulo.

a proposta de Delgado de Carvalho corroborou o surgimento de uma nova tradição seletiva na organização curricular dos conhecimentos geográficos voltados para as escolas de ensino primário e secundários no Brasil. Bibliografia AZEVEDO. 60 61 62 Como podemos perceber. (1976). enciclopédica e distante da realidade dos sujeitos sociais envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. G. FERRAZ. Melhoramentos/ EDUSP. ephemerides. Noções de historia da astronomia. ______ . Projecções e desenvolvimento. reforma o ensino secundário e o superior e dá outras providências.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 15 Coordenadas geographicas. Podemos afirmar que juntamente com a proposta apresentada por Ruy Barbosa em seus pareceres sobre a instrução pública (ROCHA. A identificação do grupo de Delgado de Carvalho com os intelectuais inseridos no contexto do otimismo pedagógico e do entusiamo pela educação5 foi fundamental para que a nova concepção de geografia defendida alcançasse o status de modelo oficial a ser seguido. Correcções na observação astronomica: depressão. 5ª ed. “A geografia escolar brasileira nos fins do século XIX: revisitando os pareceres de Ruy Barbosa de 1882”in Ciência Geográfica. Evidentemente que a nova orientação adotada para o ensino de geografia. Eclipses. 1 | 2000 . mas também em relação aos conteúdos de ensino adotados por seus(suas) professores(as). A. Como se ensina geographia. não só no que diz respeito aos seus métodos. Cartas e globos terrestres e celestes. refracção. mesmo tendo adquirido o status de modelo oficial. J. parallaxe. PROENÇA. FFLCH/USP.O. (1995). EPU/MEC.782-A de 13 de janeiro de 1925. movimentos. A trajetória da disciplina geografia no currículo escolar brasileiro (1838-1942). Medida de tempo. Terra Brasilis (Nova Série). De concreto. ROCHA. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Meteoros cosmicos. Vozes de Petrópolis. Principaes movimentos da Terra. Dissertação de Mestrado. annuarios. A. São Paulo. Consequência dos movimentos da Terra e da inclinação do eixo. O. Methodos de observação astronomica. (1971). Educação e sociedade na Primeira República.F. O discurso geográfico: a obra de Delgado de Carvalho no contexto da geografia brasileira – 1913 a 1942. organiza o Departamento Nacional do Ensino. (1999). Estabelece o concurso da União para a difusão do ensino primário. A cultura brasileira. Decreto nº 16. Dissertação de Mestrado. B. NAGLE. Lua: Forma. Problemas fundamentaes da astronomia: indicação dos methodos para determinação das coordenadas terrestres de um logar. São Paulo. Cómputo ecclesiastico. mnemônica. constituição. com o novo programa oficial vinha a baixo a velha orientação clássica que até então se mantinha como único modelo de geografia escolar a ser ensinado em nossas escolas. pode-se afirmar que com as propostas apresentadas por Delgado de Carvalho e seus seguidores a geografia escolar brasileira tornou-se efetivamente objeto de questionamentos. São Paulo. Observatorios. semi-diametro. escritos nas últimas décadas do século XIX. C. (1996). Methodologia do ensino geographico (introdução aos estudos de geografia moderna). Principaes hypoteses cosmogônicas. Calendarios. Melhoramentos. da posição dos astros e da hora. CARVALHO. Revisão dos principaes instrumentos. São Paulo.R. D. marcada pela prática meramente descritiva. passagens. São Paulo. occultações.1999). não levou ao desaparecimento da concepção clássica de geografia escolar. (1925). no nascente sistema educacional brasileiro. Marés. Petrópolis. BRASIL (1925). (s/d). phases.

Sobre esta política de equiparação ver ROCHA (1996). 1925:50). existe a crença de que. 1 | 2000. da disseminação da educação escolar. consultado o 09 Janeiro 2013. o autor assim se manifesta: “. posto online no dia 05 Novembro 2012. documento que explicitava o pensamento mais avançado da intelectualidade brasileira ligada ao setor educacional. existe a crença de que determinadas formulações doutrinárias sobre a escolarização indicam o caminho para a verdadeira formação do novo homem brasileiro (o escolanovismo). documento que explicitava o pensamento mais avançado da intelectualidade brasileira ligada ao setor educacional. de um lado. em si. 1 | 2000 . geografo@interconect.Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira 16 Notas 1 Nagle. 2 Desde a criação do Imperial Colégio de Pedro II.revues.org/293 Autor Genylton Odilon Rêgo da Rocha Professor Assistente do Departamento de Métodos e Técnicas da Educação (UFPa). Para citar este artigo Referência eletrónica Genylton Odilon Rêgo da Rocha. Terra Brasilis [Online]. a geographia. É pois um excellente ponto de partida e torna-se-á tanto mais util e pratico quanto será mais desenvolvido e considerado o papel que nella desempenha o factor humano” (CARVALHO.. e colocar o Brasil no caminho das grandes nações do mundo.. na botanica. identifica dois fenômenos que se verificam de forma bastante explícita nos meios educacionais brasileiros: um entusiasmo pela educação e um otimismo pedagógico.br Direitos de autor © Rede Brasileira de História da Geografia e Geografia Histórica Entradas no índice Geográfico : Brasil Cronológico : 1884. ao estudar a educação brasileira no período correspondente à Primeira República. na Cidade do Rio de Janeiro. porque não possue material proprio nem methodo necessario: é na physica. será possível incorporar grandes camadas da população na senda do progresso nacional. na chimica. 5 Lembremos que Delgado de Carvalho. sendo apenas um ramo científico.com. os estabelecimentos escolares de ensino médio. URL : http://terrabrasilis. pela multiplicação das instituições escolares. 1980 Terra Brasilis (Nova Série).” (1976: 99-100). 3 Para este autor a geografia não se constituia numa ciência.. 4 Lembremos que Delgado de Carvalho. Mestre em Currículo (PUC-S. não é uma sciencia. mais tarde se tornou um dos signatários do famoso “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”. Paulo) e Doutorando em Geografia (USP). e sua conseqüente transformação em escola padrão. na sociologia que encontra os seus materiaes de estudo. « Delgado de Carvalho e a Orientação Moderna no Ensino da Geografia Escolar Brasileira ». só eram considerados oficiais se fossem equiparados ao modelo de ensino do referido estabelecimento.. mais tarde se tornou um dos signatários do famoso “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”. Apenas em alguns pequenos períodos a legislação sobre o assunto foi abrandada. Explicitando estes fenômenos. No seu ponto de vista “. de outro lado.

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