You are on page 1of 30

Índice

Introdução ......................................................................................................... 1 Protocolo do Relatório ..................................................................................... 2 1. Spartina ................................................................................................... 2 1.1 O que é? ............................................................................................... 2 1.2 Onde se encontra?................................................................................ 3 1.3 Aplicações?........................................................................................... 3 2. Extracções .................................................................................................. 4 2.1 Soxhlet .................................................................................................. 4 2.2 A frio...................................................................................................... 5 3. Concentração dos extractos ....................................................................... 6 3.1 Evaporador rotativo ............................................................................... 6 3.2 Corrente de azoto.................................................................................. 6 4. Filtração e descoloração............................................................................. 7 4.1 Filtração por algodão............................................................................. 7 4.2 Descoloração com carvão activado....................................................... 7 5. Purificação dos extractos............................................................................ 9 5.1 Extracção em fase sólida com sílica ..................................................... 9 5.2 Extracção líquido-líquido de etanol ..................................................... 10 6. Cromatografia ........................................................................................... 13 6.1 Cromatografia gasosa ou GCMS ........................................................ 13 6.2 Cromatografia líquida ou HPLC .......................................................... 14 7. Absorção electrónica ............................................................................. 15 7.1 Transições electrónicas....................................................................... 15 7.2 Determinação da actividade antioxidante............................................ 16 Actividade experimental ................................................................................ 17 HPLC ............................................................................................................ 17 Determinação da actividade antioxidante ..................................................... 18 Apresentação de resultados ......................................................................... 19 Cromatografia líquida ................................................................................... 19 Cromatografia gasosa .................................................................................. 25 Determinação da actividade anti radicalar do extracto de Spartina maritima (fase aquosa) através do método do DPPH ................................................. 27 Discussão de resultados ............................................................................... 29

UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia, Monte de Caparica

Introdução
Este relatório foi desenvolvido no âmbito dos estágios “Extracção de compostos bioactivos nas plantas silvestres portuguesas” e ”Caracterização nutricional das plantas silvestres portuguesas”, pertencentes ao projecto de Ocupação Científica dos Jovens nas Férias (por parte da Ciência Viva), compreendidos entre 24 de Julho de 2006 e 04 de Agosto de 2006, com vista a dar a conhecer os resultados das análises efectuadas a uma planta de águas paradas e salinas (Spartina maritima). Todo o processo (incluindo a feitura do relatório) realizou-se na UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA, Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia, Monte de Caparica – (UNL/FCT), tendo como orientadores, os seguintes: • Doutor Paulo Renato Costa Figueiredo; Professor associado da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) e Investigador da Unidade de Biotecnologia Ambiental • Doutora Margarida Gonçalves; Professora auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Investigadora da Unidade de Biotecnologia Ambiental • Doutor Fernando Reboredo; Professor auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e Investigadora da Unidade de Biotecnologia Ambiental Os alunos envolvidos no projecto, por sua vez, foram: • • • • Ana Rita Neves Teixeira1 Inês Alexandra Manata Antunes Valente2 Joana Pais Macara Abrantes Cardoso3 Marlon Eduardo dos Santos Martins Francisco4

1 2

Escola Secundária da Lourinhã Escola Secundária da Portela 3 Escola Técnica e Liceal Salesiana Santo António (Estoril) 4 Escola Secundária Moinho de Maré

Estágio no âmbito do programa Ciência Viva

1

UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia, Monte de Caparica

Protocolo do Relatório 1. Spartina
1.1 O que é? Classificação: Reino – Plantae Sub-reino – Tracheobionta Superdivisão – Spermatophyta Divisão – Magnoliophyta Classe – Commelinidae Ordem – Cyperales Família – Poaceae Género – Spartina Espécie – Spartina marítima Desenvolvendo-se em zonas frequentemente alagadas, a Spartina martitima é uma planta cujo tamanho normalmente oscila entre 20-70 cm, acima da superfície. Relativamente à cor, tende a situar-se na gama dos verdes na Primavera e no Verão e nos castanhos-claros no Outono. As folhas em geral são finas e compridas, com cerca de 10-40 cm e 0.5-1 cm de espessura na base e confluindo num ponto. Produz flores e sementes, sendo estas primeiras de cor esverdeada, tornando-se castanho no Inverno. O ciclo haplo-diplonte da S. maritima leva a que esta tenha uma grande variabilidade genética devido à reprodução sexuada que esta executa. Depois da sua fixação no lodo (geralmente em sapais), os rizomas tendem a crescer centrifugalmente formando áreas redondas que servem como armadilhas de sedimentos, tornando-se côncava devido à acumulação de sedimentos na direcção da sua zona central. O tamanho da planta nas áreas redondas aumenta dos limites para o centro, enquanto que a sua distribuição caracteriza-se por um conjunto de circunferências concêntricas de diferentes densidades, sendo que a de maior encontra-se no limite e a de menor no centro. Contudo e apesar da menor Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 2

ou compostas por lodo (como sapais. 1. Cada flor tem três estames com anteras de 4-6 mm e um ovário unilateral com apenas uma vesícula seminal primordial e três estigmas plumosos. Existe também uma população disjunta nas costas atlânticas da Namíbia e da África do Sul. maritima é essencialmente usada para bioremediação. também. mais nenhuma espécie vegetal foi aí encontrada. Assim sendo. uma vez que ela absorve os metais pesados existentes na água. por exemplo) e bastante salgadas. Preferencialmente a S. maritima é uma espécie nativa das costas ocidentais e do Sul da Europa (assim como do Oeste de África). sendo que apresentam uma fluorescência de 5-15 cm cilíndrica e geralmente formada por duas a quatro espigas de 4-10 cm. Monte de Caparica densidade e maior altura da S. desde os Países Baixos até à costa atlântica de Marrocos. 1. Relativamente às flores da S. nas margens mediterrânicas. maritima. Estas comportam numerosas espiguinhas uniformes. A reprodução efectua-se essencialmente por sementes ou fragmentação dos rizomas. ou poderá vir servir. passando por Inglaterra e Irlanda.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. sendo que cada uma das quais tem glumas desiguais e pelosas. esta serve.3 Aplicações? A S. maritima no centro. como um agente de limpeza dos locais onde se encontra. maritima fixa-se em zonas pantanosas. estas incluem-se no grupo de hermafroditas. Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 3 . e encontrando-se.2 Onde se encontra? A S.

Ao longo do tempo. 1 – Método de extracção Soxhlet Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 4 . Saída de água Condensador Entrada de água Soxhlet Amostra no papel de filtro Solvente Placa de aquecimento Fig. Esta técnica inicia-se colocando a amostra num papel de filtro (forma cilíndrica) dentro do Soxhlet. originando vapor. Foi criado especialmente para a extracção de lípidos a partir de um material sólido e quaisquer outros compostos difíceis de extrair a partir de material sólido. O vapor proveniente do solvente aquecido passa para o condensador onde é refrigerado passando ao estado líquido e enchendo o extractor até ao nível do tubo lateral. Monte de Caparica 2. O solvente é aquecido num balão de fundo redondo.1 Soxhlet O extractor Soxhlet é uma peça de material de vidro de laboratório inventada em 1879 por Franz Von Soxhlet.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. o solvente vai arrastando compostos solúveis presentes na amostra e após vários ciclos obtém-se e extracto final. Extracções 2.

UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. Utilizando como solventes: • • • • Etanol Clorofórmio Hexano 70% Metanol: 30% água Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 5 . Monte de Caparica 2.2 A frio A técnica de extracção a frio é feita através da utilização de um agitador magnético.

Funciona usando o princípio de diferença de pressões. Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 6 . Monte de Caparica 3. Condensador Balão da amostra (spartina) Balão de recolha Banho de aquecimento Fig.1 Evaporador rotativo Aparelho que permite evaporar solventes a baixa temperatura e recorrendo a baixa pressão (T=30ºC).UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. ou seja.2 Corrente de azoto Trata-se de um processo que permite evaporar solventes a baixas temperaturas. 2 – Evaporador rotativo 3. utilizando-se na concentração de pequenos volumes de solução entre 5-10 mL. Emprega-se o azoto por ser um gás inerte e de baixo custo. Assim sendo. Concentração dos extractos 3. quando se permite a circulação do gás para o exterior. este vai conseguir evaporar o solvente devido à enorme pressão e rapidez com que sai. o azoto presente na garrafa está a uma pressão muito mais elevada do que a exterior.

O carvão activado é uma substância com elevada capacidade de adsorção (a adesão de moléculas de um fluido.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. a uma superfície sólida. obstruindo-os. Filtração e descoloração 4. passa através do papel. com o algodão ou com o algodão de vidro. que absorvem não só os produtos coloidais. – O líquido não deve reagir com o papel. Usa-se algodão comum quando se deseja evitar a perda de material por dispersão através do papel. mas também o carvão activado usado nas filtrações como descorante e que. Para que uma boa filtração ocorra. Quando administrado por via oral reduz a absorção sistémica de substâncias tóxicas no tracto gastrointestinal por adsorção das mesmas e quando administrado por via tópica adsorve moléculas voláteis que se libertam do metabolismo microbiano.1 Filtração por algodão A filtração é uma operação simples que consiste em separar líquidos e sólidos. o adsorvente. Monte de Caparica 4. não raramente. da pressão e da área da superfície) de vários tipos de compostos. Como produtos coadjuvantes empregam-se terras de diatomáceas (terras de infusórios). as seguintes condições devem ser satisfeitas: – O corpo sólido não deve passar através do filtro ou penetrar nos poros. o adsorvido. nem o deve dissolver. através de papel (papel de filtro). Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 7 . a adição de produtos coadjuvantes à mistura que agem como absorventes da parte sólida (geralmente coloidal) favorece a filtração.2 Descoloração com carvão activado O carvão activado é um pó preto muito fino e leve. No primeiro caso. mesmo que parcialmente (líquidos dissolventes de celulose). algodão ou ainda algodão de vidro. Não tem odor e/ou sabor e é praticamente insolúvel em todos os solventes. o grau de adsorção depende da temperatura. 4.

Essas moléculas podem ser. como a (pequena) dimensão que possuem e fraca polaridade não são adsorvidos pelo carvão activado (ou pelo menos são-no em menor quantidade). devido às suas propriedades químicas. antidepressivos tricílicos e paracetamol.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. por exemplo. Sendo assim. a clorofila e os carotenóides. para o estudo em causa. pigmentos. e devido à polaridade presente no carvão activado. certos corantes. este adsorve moléculas também elas polares que normalmente são de grandes dimensões e que. não nos interessava. mais especificamente. Monte de Caparica O carvão activado tem uma elevada capacidade de adsorção de substâncias orgânicas e de algumas substâncias inorgânicas entre as quais alguns fármacos como barbitúricos. Não tem grande capacidade de absorção de ácidos fortes. Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 8 . ou. bases fortes e de outros agentes corrosivos e a sua actividade é limitada na presença de alguns sais inorgânicos entre os quais sais de ferro e lítio e de alguns solventes orgânicos como o etanol e o metanol. Contudo.

1 Extracção em fase sólida com sílica Protocolo Experimental: Passo 1 – Coloca-se uma coluna de sílica (com 400 mg do respectivo composto) numa garra. descolorados com carvão activado e filtrados em algodão de clorofórmio. Passo 4 – Novamente com a ajuda de uma pipeta Pasteur e uma pompete. substituindo-se o frasco de amostra usado. Monte de Caparica 5. Passo 2 – Condiciona-se a coluna (saturando-se a sílica) com cerca de 10 mL de hexano com a ajuda de uma pipeta Pasteur e uma pompete. coloca-se um pouco da amostra em questão na coluna. substituindo-se o frasco de amostra e capsulando o usado. sendo que esta estava previamente colocada num suporte universal. Paralelamente capsula-se (e rotula-se) o usado. colocam-se cerca de 5-7 mL na coluna de dicolorometano + hexano (1:1). concentrados em evaporador rotativo e corrente de azoto.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. Passo 5 – Após um tempo curto de espera. diclorometano e etanol. Purificação dos extractos 5. Debaixo da coluna de extracção coloca-se um balão de Erlenmeyer onde vai ser recolhido primeiramente o hexano. Substitui-se o balão de Erlenmeyer por um frasco de amostra de dimensões reduzidas. por um outro não usado. coloca-se novamente hexano na coluna (cerca de 5-7 mL) que começará a gotejar. Passo 3 – Espera-se até que o solvente atinja a superfície da sílica. Passo 7 – Repete-se o mesmo processo (passo 6) para o mesmo valor de volume de diclorometano. Este protocolo foi aplicado aos extractos a frio. Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 9 . Passo 6 – Após o hexano atingir a superfície da sílica. hexano.

1.1.2 Extracção de clorofórmio diluído (Imagem 2) Imagem 2 5.3 Extracção do produto de diclorometano (Imagem 3) Imagem 3 Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 10 . Monte de Caparica 5.1 Extracção de clorofórmio concentrado (Imagem 1) Imagem 1 5.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.1.

A fase de etanol é recolocada na ampola de decantação para se efectuar a extracção seguinte.2 Extracção líquido-líquido de etanol 5.2.3 – Extracção líquido-líquido de etanol com recurso a hexano Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 11 . Hexano Etanol Hexano Fig. Monte de Caparica 5. A fase de hexano foi analisada por cromatografia gasosa e espectrometria de massa.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. Como o hexano é menos denso que o etanol vai localizar-se no topo ficando o etanol em baixo. Após a agitação deixa-se a ampola em repouso para ocorrer a separação das fases. Retira-se a fase de etanol para um Erlenmeyer e a fase de hexano para outro.1 Extracção com hexano Coloca-se o extracto de etanol numa ampola de decantação adiciona-se hexano e agitam-se as fases para promover a sua mistura.

Sendo o diclorometano mais denso que o etanol vai localizar-se por baixo. Monte de Caparica 5. Diclorometano Etanol Diclorometano Fig.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.2.2 Extracção com diclorometano Repete-se o procedimento descrito acima mas utilizando desta vez o diclorometano como solvente de extracção. Seguidamente ao processo de extracção recolheu-se o diclorometano e colocou-se num frasco de amostra até ser analisado por cromatografia gasosa e espectrometria de massa. 4 – Extracção líquido-líquido de etanol com recurso a diclorometano Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 12 .

Cromatografia A cromatografia é um processo de separação físico-químico. A cromatografia permite separar constituintes de uma mistura através de sua distribuição por duas fases: uma estacionária (fixa) e outra móvel. cuja aplicação permite a análise qualitativa (mais comummente) ou quantitativa de uma amostra. Monte de Caparica 6. As substâncias separadas saem da coluna dissolvidas na fase móvel e passam por um detector que gera um sinal eléctrico proporcional à quantidade de material separado.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.1 Cromatografia gasosa ou GCMS (Gas Chromatography to Mass Spectrometry) A amostra é injectada (no injector) e arrastada pela fase móvel (gás de arraste) através da coluna que contém a fase estacionária (coluna cromatográfica aquecida). que tem a função de reter os componentes da mistura. Fig. Condições cromatográficas (predefinidas): • O fluxo (velocidade de passagem dos solventes ao longo do tempo) • A percentagem de diluentes 6. 5 – Técnica de cromatografia gasosa e espectrometria de massa Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 13 .

serão eluídas em primeiro lugar as moléculas com mais afinidade para a fase móvel e em último lugar as moléculas com mais afinidade para a fase estacionária. A separação cromatográfica ocorre porque diferentes moléculas têm diferente solubilidade na fase móvel e diferente afinidade para a fase estacionária. Assim.2 Cromatografia líquida ou HPLC (High Performance Liquid Chromatography) É uma técnica cromatográfica que utiliza como fase móvel um solvente ou mistura de solventes e como fase estacionária um material polimérico. Fig.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. A amostra é injectada sob a forma de uma solução concentrada. A fase móvel é então bombeada a alta pressão para o interior da coluna onde se processa a eluição dos analitos. Os componentes dessa solução (analitos) adsorvem na fase estacionária que os retém. Monte de Caparica 6. 6 – Diagrama de HPLC Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 14 .

cada átomo vibra e roda relativamente aos Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 15 . Diferentes moléculas absorvem moléculas de diferentes comprimentos de onda. São considerados três tipos de transições electrónicas: • Transições envolvendo π. 7. Monte de Caparica 7. um espectro de absorção revelará um número de bandas correspondentes aos grupos estruturais constituintes da molécula. Numa molécula. σ e n electrões • Transições envolvendo electrões de transferência de carga • Transições envolvendo electrões de orbitais d e f Quando um átomo ou uma molécula absorvem energia. A lei de Beer traduz-se em: • A = εbc. Assim sendo. em que ε é uma constante de proporcionalidade. passam de um estado fundamental para um estado excitado.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. a absorção que é observada na região UV por um grupo carbonilo da acetona tem o mesmo comprimento de onda que absorção de um grupo carbonilo de qualquer outra molécula. Por exemplo.1 Transições electrónicas A absorção de radiação UV ou visível corresponde à excitação dos electrões de valência. A absorvância é directamente proporcional ao percurso óptico (b) e à concentração (c) do composto absorvente. Absorção electrónica Muitas moléculas absorvem radiação Ultravioleta e visível. chamada coeficiente de extinção molar. A absorvância da solução aumenta proporcionalmente ao acréscimo da intensidade da radiação.

DPPH + R . que podem ser considerados como adjacentes a cada nível electrónico. 7. Estas vibrações e rotações também têm níveis discretos de energia. DPPH(H) + R (1) . Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 16 . R +R . . DPPH + aox + H (2) produto (3) produto (4) produto + aox (5) (1) envolve a abstracção de hidrogénio do antioxidante presente na sua forma protenada. DPPH(H) + R . R +R . . ou transferência electrónica entre o DPPH e antioxidante ligada à captura de um protão. .2 Determinação da actividade antioxidante Para verificar se um dado composto possui actividade antioxidante podemos testar a sua reactividade com o radical estável DPPH em soluções homogéneas ou em meios simulando as interfaces lipido-água dos sistemas biológicos. Monte de Caparica restantes.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. A estequiometria da reacção do DPPH com um composto antioxidante pode ser descrita pelas seguintes equações: . (2) tem em conta a reversibilidade do passo inicial. sendo esta a hipótese mais provável. +aox + H . DPPH. .

v/v). A recolha de dados e a sua análise foi efectuada utilizando o software Finnigan Xcalibur 1.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. v/v) e a fase móvel B por água/ácido acético (90:10.6mm. em 75minutos 25% de A e em 80minutos 95% de A.7mL/min. Interchim Uptisphere. O gradiente de eluição usado foi: em 45minutos 0-67% de B. O fluxo utilizado foi de 0. v/v) e a fase móvel B por água/ácido acético (90:10. As amostras foram filtradas antes das injecções. Monte de Caparica Actividade experimental HPLC Todas as amostras obtidas após a extracção e purificação foram analisadas num aparelho de HPLC. v/v). No programa I a fase móvel A é constituída por água e a fase móvel B por acetonitrilo. Montluçon. Imagem 4 – Exemplo de um aparelho de HPLC Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 17 . As amostras foram filtradas antes das injecções. Foi usada uma fase móvel binária para eluir as amostras injectadas. O fluxo utilizado foi de 1mL/min. A coluna utilizada foi uma C18 5 µ ODB (250x4. em 10minutos 67-83% de B e em 20minutos 83-100%. France).4. As amostras foram filtradas antes das injecções. tamanho de partícula 5µm. O gradiente de eluição usado foi: em 0minutos 95% de A. O fluxo utilizado foi de 1mL/min. O gradiente de eluição usado foi: em 15minutos 0-78% de B e em 45minutos 78-100% de B. A fase móvel A do programa III é constituída por água/ácido acético (99:1. A fase móvel A do programa II é constituída por água/ácido acético (99:1. Spectra Systems com detector de vector de iodos UV6000LP (Grupo Thermo Electron).

Em intervalos de 15segundos são feitas medições até se atingir um patamar. A percentagem de abstracção de radicais livres é determinada de acordo com a equação:  A 516nm. branco     Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 18 . A absorção foi medida num espectro de absorção electrónica Cecil 9000. Monte de Caparica Determinação da actividade antioxidante A capacidade de abstracção de radicais livres da fase aquosa do extracto de Spartina maritima foi determinada de acordo com um método descrito na literatura.9mL de uma solução 6x10-5M de DPPH em metanol. 0.1mL da amostra a analisar foi adicionada a uma cuvette contendo 2. A mistura é agitada e a absorção é imediatamente medida.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. amostra  % de inibição = 1 −  x100 A 516nm.

78 47.18 23.525 102.261 118.15 500000 400000 Abs 300000 200000 100000 0 250 Catechin Rt=15.983 107.72 18. Monte de Caparica Apresentação de resultados Peso Amostra cx.03 101.85 68.06226457 62.257 1.97 13.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. 1 – Determinação do teor de humidade da Spartina Cromatografia líquida Rt/min Padrões (+)-catequina (-)-epicatequina (-)-epigalocatequina (-)-epigalocatequina galato (-)-epicatequina galato Procianidina B1 Procianidina B2 Resv.667 1.95 101.55 30.35 16.136 115.64769066 63.434 1.986 3.858 101.62815884 31.147 Amostra seca/g 1.101 Amostra fresca/g 4.13 19.954 Cx.73 38.648 12.93774 37.255 103.391 2.069 113.48 14.32451 36.15 60.953 5.72 min.82 55.83 24.467 113.69441 37.513 3.67549138 63.13831 35.885 % humidade média Cx.979 110.517 63.48299981 37.86169335 64. 7 – Tempos de retenção dos compostos padrão nos três sistemas cromatográficos utilizados e o espectro exemplificativo de um desses compostos (catequina) Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 19 .811 103.693 100.18 Poli.17 35.70 43. + amostra seca/g 106.411 1.931 % % humidade 62.441 103.421 101.418 8.371 104. 44. Petri/g 1 2 3 4 5 6 7 8 104.90 51.35 Mono.925 110.24797108 Tab.30559069 62.118 3. 15.93360161 63. + amostra/g 109.35231 36.861 1.0664 36.646 105.275 114.839 109.976 4.37184 68.491 108. 30.724 6.15 51. λmax=279 nm 300 350 λ/nm 400 450 500 Fig.

UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. 9 – Cromatogramas das fases aquosa e orgânica de extractos em metanol/água de Spartina maritima usando o programa I. (u. 8 – Cromatogramas das fases aquosa e orgânica de extractos em metanol/água de Spartina maritima usando o programa I. com detecção a 285 nm Programa estilbenóides 307 nm 2500000 2000000 1500000 Int. a. (u. com detecção a 307 nm Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 20 . a.) aq org 1000000 500000 0 0 10 20 30 40 t/min 50 60 70 80 Fig. Monte de Caparica Programa estilbenóides 285 nm 2500000 2000000 1500000 Int.) aq org 1000000 500000 0 0 10 20 30 40 t/min 50 60 70 80 Fig.

com detecção a 280 nm Programa Flavan-3-ol Poliméricos 600000 500000 400000 Int. 280 nm 800000 700000 600000 500000 Int (u. 11 – Cromatogramas das fases aquosa e orgânica de extractos em metanol/água de Spartina maritima usando o programa III. a. 10 – Cromatogramas das fases aquosa e orgânica de extractos em metanol/água de Spartina maritima usando o programa II.) aq org 400000 300000 200000 100000 0 0 10 20 30 t/min 40 50 60 Fig. a. (u. com detecção a 280 nm Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 21 .) 300000 aq org 200000 100000 0 0 10 20 30 40 t/min 50 60 70 80 90 Fig. Monte de Caparica Programa Flavan-3-ol mono.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.

a.11 3.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.11 Abs (u.96 39.17 350 λ/nm 450 550 Fig. Monte de Caparica 2500000 2000000 3.) 1200000 1000000 800000 600000 400000 200000 0 250 21.22 22.49 3.10 26.58 21.56 22.67 41.27 29. 12 – Espectros de absorção relativos ao cromatograma da fase aquosa da figura 8 2000000 1800000 1600000 1400000 Abs (u. a.) 1500000 1000000 500000 0 250 350 λ/nm 450 550 Fig.94 19.74 32. 13 – Espectros de absorção relativos ao cromatograma da fase orgânica da figura 8 Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 22 .55 28.

a.) 1000000 800000 600000 400000 200000 0 250 6. 15 – Espectros de absorção relativos ao cromatograma da fase aquosa da figura 10 Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 23 . 14 – Espectro de absorção relativo ao cromatograma da fase orgânica da figura 9 1800000 1600000 1400000 1200000 Abs (u.24 350 λ/nm 450 550 Fig.97 30.22 12. Monte de Caparica 200000 180000 160000 140000 Abs (u.67 36. a.44 39.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.10 40.) 120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 250 350 λ/nm 450 550 37.08 Fig.

87 200000 0 250 350 λ/nm 450 550 Fig.11 800000 Abs (u.13 600000 45.84 51.73 63. 16 – Espectros de absorção relativos ao cromatograma da fase aquosa da figura 11 Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 24 . a.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. Monte de Caparica 1200000 1000000 28.70 400000 53.) 38.50 44.

73 16 4 Fig.76 29.60 7.81E7 TIC F: MS hexanofrioc onc1 9.00 .78 8 10 Time (min) 12 11.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.03 41.16 47.58 1200000 1000000 800000 600000 400000 200000 15.73 0 0 5 10 15 20 6.54 NL: 1. 18 – Cromatograma do extracto de hexano a frio concentrado ampliado entre os 2 e 16 minutos Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 25 .03 2.29 9.52.91 6 13.43 14 15.29 33.95 4.91 6.09 5.25 15.83 36.10 4.29 4.17 1800000 1600000 1400000 R e la tiv eA b u n d a n c e 48.52 10.46 12.81E7 TIC F: MS hexanofrioc onc1 9.16.61 8.29 13 12 11 10 9 Relative Abundance 8 7 6 5 4 3 2 1 0 2 2.76 8.49 14.47 3.29 4. Monte de Caparica Cromatografia gasosa RT: 0.61 12.85 .02 10.99 35 40 45 50 47.88 25 30 Time (min) Fig.83 6. 17 – Cromatograma do extracto de hexano a frio concentrado RT: 1.03 NL: 1.63 6.76 8.30 2.47 23.38 31.

trimetilbenzeno p.3 .5.2.3.1 .2.dimetilbenzeno butanodienoato de etilo adipato de diciclohexilo hexadecamoato de ciclohexilo ftalato de diciclohexilo ftalato de isodecilo e octilo tetrapentacontano ftalato de dinonilo Tab.metiletil)) benzeno 1 .metil .21 6.9 3 .metil .5 . (1 .5 .2 . cimeno.79 43.pentanol 1.83 9.2.68 12.03 3.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.metiletil) benzeno 1 .3 . Monte de Caparica Tempo 2.3 . 2 – Resultados da injecção directa de hexano a frio concentrado Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 26 .etil .29 2.trimetil .16 48.(1 .53 47.cicloheptatrieno Nome 1.76 10.ciclohexano 1.61 11.25 41.etil .metil .58 4.3 .47 15.17 42.hexeno 1 .etil .2 .58 47.dimetilbenzeno (1 .metilbenzeno 1.95 4.1 .4 .29 8.trimetilciclohexano 3.

com recurso à fórmula I na primeira replicada Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 27 .148 0.078 0.328 0. 3 – Determinação da percentagem de inibição de DPPH com o extracto de Spartina maritima (fase aquosa).07 % DPPH Restante 100 68.405 0.47377327 17.52791878 55.19796954 11.96446701 25.04230118 20.38240271 13.1 – difenil – 2 – picrilhidrazilo) Actividade anti radicalar vs.84433164 % Inibição DPPH 85.102 0.25888325 14.106 0.121 0.085 0. DPPH 100 90 80 % Inibição DPPH 70 60 50 40 30 20 10 0 0 20 40 60 80 t/seg 100 120 140 160 Fig.9357022 17. Monte de Caparica Determinação da actividade anti radicalar do extracto de Spartina maritima (fase aquosa) através do método do DPPH (1.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.49915398 40.238 0.591 0. 20 – Determinação da percentagem de inibição do DDPH (primeira replicada) t/seg 0 5 15 30 45 60 75 90 105 120 135 150 Abs (516 nm) 0.183 0.61759729 Tab.27072758 30.

309 0.90572391 61.1 0. Monte de Caparica Actividade anti radicalar vs.02020202 37.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia.155 0.439 0. com recurso à fórmula I na segunda replicada % Inibição DPPH (média) – 83.087 % DPPH Restante 100 73.221 0.12 0.2020202 17.83501684 14.594 0.105 0.363 0.32323232 Tab 4 – Determinação da percentagem de inibição de DPPH com o extracto de Spartina maritima (fase aquosa).64646465 % Inibição DPPH 82. 21 – Determinação da percentagem de inibição do DDPH (segunda replicada) t/seg 0 5 15 30 45 60 75 90 105 120 135 150 Abs (516 nm) 0.49158249 26.97041481 Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 28 .11111111 52.20538721 32. DPPH 100 90 80 % Inibição DPPH 70 60 50 40 30 20 10 0 0 20 40 60 80 t/seg 100 120 140 160 Fig.67676768 16.22222222 20.193 0.09427609 22.132 0.

ou um composto antioxidante bastante abundante. Estágio no âmbito do programa Ciência Viva 29 . pode-se então afirmar que esta apresenta um grande conteúdo de compostos antioxidantes. pode ter aplicações na medicina (como agente de prevenção de envelhecimento das células) ou até mesmo nas biotecnologias. pode-se concluir que esta poderá vir a ter imensas utilizações num futuro próximo. o que lhe confere um estatuto de bio-remediadora. Monte de Caparica Discussão de resultados Devido às propriedades químicas observadas na Spartina maritima. • Observando os cromatogramas obtidos através da cromatografia gasosa (principalmente o de hexano a frio concentrado). pode-se auferir que esta planta tem uma tendência natural para absorver os poluidores de origem antropogénica. convém ser explorada de modo a que se possa dar uso à Spartina maritima para tratamento de águas (principalmente paradas e salinas). poder-se-á constatar que esta possui compostos poluentes e altamente tóxicos. Esta característica. por sua vez. ftalatos e compostos clorados. quando devidamente utilizada. Esta propriedade.UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA Unidade de Biotecnologia Ambiental – Faculdade de Ciências e Tecnologia. como por exemplo. Assim sendo. Senão veja-se: • Tendo em conta que ela provoca uma grande inibição no DPPH (cerca de 84%).